Prévia do material em texto
RX abdome (obstrutivo/perfurativo/vascular/inflamatório e traumático/hemorrágico) Existem vários métodos de imagem para investigação do abdome: RX simples, US, TC, RM (usada apenas em algumas exceções). No entanto, para nível de graduação, o foco para avaliar abdome (assim como tórax) é o RX, uma vez que é o exame disponível nas unidades básicas e UPAs (nível secundário). RX simples de abdome é um exame de baixo custo, amplamente disponível, não utiliza contraste e pode ser feito com protocolos de baixa dose (para crianças). É frequentemente utilizado como avaliação inicial em diversos contextos clínicos, principalmente dor abdominal aguda. O que deve ser analisado no RX de abdome (checklist) Em primeiro lugar, conferir se o RX é do paciente que foi realmente solicitado (conferir nome completo e data de nascimento) e avaliar se a técnica está boa. Após isso, fazer a análise restante: ● Distribuição gasosa e de alças intestinais ● Linhas dos psoas ● Posição e tamanho de vísceras maciças ● Calcificações fisiológicas ● Calcificações patológicas Incidências que o RX de abdome é feito ● AP em decúbito dorsal ● AP ortostático (no paciente em pé) ● RX de abdome agudo, que inclui as duas primeiras incidências e RX de tórax PA ● Incidências adicionais, como decúbito lateral Ao solicitar RX de abdome simples, o médico sempre receberá AP em decúbito dorsal. Ao solicitar RX de abdome agudo (padrão quando há queixa de abdome aguda), o médico receberá AP em decúbito dorsal e AP ortostático e tórax PA. Mnemônico: PIREC Esse mnemônico serve como um guia para que o examinador não se esqueça de analisar nenhuma das estruturas. P: Psoas I: Intestino (alças intestinais) e distribuição gasosa R: Rins e vísceras maciças (bexiga, baço, fígado, etc) E: Esqueleto C: Calcificações fisiológicas e patológicas É possível observar o intestino grosso: cólon ascendente, transverso e cólon descendente – nesse caso localizados exatamente em suas posições anatômicas. Também é possível observar a presença de fezes, especialmente no cólon descendente (aparecem como “imagem em miolo de pão” – regiões acinzentadas com vários pontos escuros [ar]). Outro exemplo: Outro achado importante é a linha do músculo psoas. Varia de paciente para paciente, mas deve ser sempre observada próxima a coluna vertebral; quando o paciente apresenta peritonite, processos inflamatórios intestinais ou obstruções intestinais, a tendência é que a linha do psoas desapareça. Lateralmente a linha do psoas é possível observar a sombra renal (o rim direito normalmente fica mais baixo que o esquerdo devido ao fígado). Também é possível observar a bexiga urinária Calcificações fisiológicas 1. Os oleomas glúteos são residuais calcificados de injeções intramusculares; nesse caso, injeções que foram dadas no glúteo. 2. Essas “bolinhas” são flebolitos, calcificações de pequenos vasos da bacia (sempre avaliar se as calcificações não estão no trajeto do ureter e trato urinário em geral). Calcificações patológicas Observe as calcificações no rim direito: trata-se de nefrolitíase. Dor abdominal aguda Trata-se de um quadro de dor súbita no abdome, com evolução progressiva e necessidade de intervenção imediata – normalmente situações que só podem ser resolvidas de forma cirúrgica, como apendicite e colecistite; normalmente não melhoram com analgesia. As principais indicações do RX de abdome são para análise de: ● Distribuição de gases no TGI ● Análise da posição de tubos e linhas radiopacas, como sondas nasogástricas ou catéteres ● Corpos estranhos ● Pós procedimentos (após paracentese de um ascítico, por exemplo) ● Para avaliação de cálculos renais ● Para ver a passagem de contraste no intestino (não será abordado nessa aula; o foco é o RX simples) Sequência: definir o método de imagem, ver as incidências e como preencher os pedidos médicos, avaliar a técnica do exame (ver se está adequado para interpretação), reconhecer a imagem e, por último, pensar em uma hipótese diagnóstica. Lembre-se: o que possibilita a avaliação das estruturas abdominais é a diferença de densidades, onde o ar é mais escuro e as partes moles mais cinzas. Os ossos são os mais brancos (só são menos brancos que tubos metálicos). O ar dentro do TGI é o que mais auxilia com a definição de estruturas. É possível observar partes intestinais com presença de gases (cólon descendente do lado esquerdo). Também é possível observar fezes (aparecem como “imagem em miolo de pão” – regiões acinzentadas com vários pontos de ar). Critérios para um exame com boa técnica ● Deve incluir da base torácica até a sínfise púbica ○ A base do tórax é importante para avaliações de pneumonias de base e derrames pleurais ou mesmo pneumoperitônios, nos quais o gás sobe e fica em baixo do diafragma. ○ A sínfise púbica é importante para avaliação da pelve e reto. ● Linha do psoas ● Sombra renal Para que essas estruturas sejam bem observadas, a dose de radiação (penetração) deve ser adequada. Abdome agudo obstrutivo Causado por uma obstrução mecânica no TGI; o quadro clínico costuma ser característico: distensão abdominal – o abdome fica hipertimpânico à percussão e endurecido à palpação –, ocorre parada da eliminação de gases e fezes, podendo também apresentar náuseas e vômitos. Na população adulta, a principal causa de abdome agudo são bridas (ou aderências – um tecido fibrocicatricial formado em pacientes após algum procedimento cirúrgico abdominal, como cesarianas e laparotomias). Outras causas incluem tumores, volvo, paralisia funcional do intestino (íleo paralítico). O primeiro achado são as distensões intestinais. Como diferenciar se é grosso ou delgado? 1. A localização topográfica é a primeira condição que permite a diferenciação da distensão: o intestino grosso costuma estar na posição periférica em formato de U invertido. a. As alças de intestino delgado costumam ter um formato mais serpiginoso e ocupam a região central do abdome. 2. As haustrações fazem parte do intestino grosso: são invaginações que não passam de um lado para o outro completamente. No intestino delgado, as pregas atravessam toda a estrutura da alça: são denominadas pregas coniventes. 3. Se a obstrução aconteceu antes de chegar no cólon, provavelmente haverá mais dilatação do intestino delgado. Já se a obstrução acontece no trajeto distal do cólon, a dilatação afetará mais o cólon. Nota: a dilatação pode acontecer do intestino grosso e delgado simultaneamente, especialmente se é um abdome obstrutivo de tempo mais prolongado. Intestino delgado RX de abdome AP em decúbito. Observe à esquerda. Sabe-se que é intestino delgado, pois elas estão mais próximas do centro, seu aspecto é de serpente e há presença de pregas coniventes. RX de abdome AP em ortostase. Essa imagem é referente ao mesmo paciente, e possui outro sinal de que se trata de uma obstrução que acometeu o intestino delgado: no intestino delgado as vezes são predominantemente líquidas (a maior parte dos líquidos são absorvidos no i. grosso). Essa característica de fezes líquidas se torna evidente com o nível hidroaéreo, onde o gás aparece na parte de cima e o líquido (fezes) na parte de baixo. Quando olhamos o RX, devemos identificar se o paciente está em pé ou deitado. Isso pode ser feito através da busca de níveis hidroaéreos. Formam-se linhas que dividem gás (escuro) de água (claro). Outra imagem de abdome obstrutivo com i. delgado distendido. É possível observar as pregas coniventes, aspecto serpiginoso e ausência de nível hidroaéreo, nos dizendo que foi feito em decúbito. Quando possui um as pregas coniventes muito bem marcadas associadas a dilatação do delgado, se diz sinal do empilhamento de moedas. Sinal do degrau de escada Também se trata de abdome obstrutivo (delgado). Intestino grosso RX de abdome feito em decúbito. Observe o abdome obstrutivo que dessa vez acomete predominantemente o cólon. Topograficamente é possível identificar que a porção em destaque (de maior dilatação) é o cólon transverso, evidenciado também pelas suashaustrações. Esse abdome obstrutivo foi causado por uma massa calcificada localizada no abdome inferior direito; trata-se de um fecaloma (imagem em miolo de pão – uma região de aparência heterogênea). Tomografia para abdome agudo obstrutivo? É um método auxiliar para diagnóstico de abdome agudo obstrutivo, mas normalmente não é necessária. O diagnóstico de AAO é feito clinicamente (trata-se de uma condição bastante característica) e o RX de abdome agudo costuma ser o suficiente para a confirmação da hipótese. Muitas vezes, no RX simples não é possível obter a causa da obstrução: caso o médico cirurgião não for intervir rapidamente, é possível que o clínico faça uma tomografia para tentar identificar a etiologia. Tumor? Brida? Volvo? Descrição da imagem acima O paciente faz a TC deitado, sendo a região de cima a anterior e a de trás a posterior. O gás sobe e o líquido desce, sendo possível identificar o nível hidroaéreo (o melhor local para identificá-los é na região anterior). A imagem direita apresenta alças com calibre normal, circuladas em vermelho. A imagem do lado esquerdo apresenta dilatações muito evidentes, de calibre muito maior. Abdome agudo perfurativo Pode ser traumático (acidentes que rompem vísceras ocas, liberando gás na cavidade peritoneal, o que provoca o pneumoperitônio), pode ser a evolução de outros abdomes agudos. Um abdome agudo obstrutivo que demorou para ser resolvido evolui com necrose da parede intestinal e perfuração. Geralmente o paciente apresenta dor abdominal com piora súbita e intensa, aguda e persistente, peritonite, palidez, sudorese, podendo evoluir para choque séptico rapidamente se não tratado. As principais causas: úlcera duodenal/gástrica, divertículo de Meckel, CA de intestino delgado e cólon, etc. Ainda, pode ser causado por armas branca, arma de fogo, quedas de alturas, etc. O principal achado do abdome agudo perfurativo é o gás fora do TGI, ou seja, fora do trajeto anatômico de onde deveria estar. O gás dentro das alças intestinais não configura pneumoperitônio. Dica: se há contorno de vísceras, pode não ser um pneumoperitônio. Observe o gás logo abaixo da cúpula diafragmática, representada por uma delgada linha; é mais evidente do lado direito (o ar fica entre o fígado e a cúpula diafragmática). O RX de tórax é incluso no RX de abdome agudo, uma vez que fica fácil de observar perfurações nessa incidência (o gás sobe e fica bem evidente). Sinal do duplo contorno: normalmente só é visto o contorno de dentro da parede do intestino; nesse caso, é possível ver o contorno de dentro e o contorno de fora do intestino, sugestivo de perfuração. Observe o pneumoperitônio volumoso e periférico, deslocando o fígado e o baço bem centralmente no abdome. Tomografia do abdome agudo perfurativo É possível observar pneumoperitônio na parte mais anterior da TC, assim como na parte posterior, evidenciando um pneumoretroperitônio. Por menor que seja o pneumoperitônio, deve ser tratado, caso contrário pode evoluir muito mal (pequenas bolhas na ponta da seta). Abdome agudo vascular Ocorre uma falha da oxigenação e circulação arterial (muito menos frequente no setor venoso) em algum segmento intestinal. A dor é intensa, de início súbito, do tipo cólica e desproporcional ao exame clínico, isto é, o paciente fala que dói muito, mas o médico não encontra achados de tensão ou outras condições. Um exemplo é a isquemia intestinal: Fatores de risco: ● Idade avançada ● Cardiopatia (especialmente arritmias como fibrilação atrial, devido a formação de trombos no AE e ejeção pelo VE) ● Doença aterosclerótica ● Hipercoagulação ● Doenças valvares A ocorrência desse abdome agudo não é das mais frequentes, mas sua mortalidade é muito elevada. A partir da isquemia das alças intestinais, pode haver obstrução do trânsito intestinal ou mesmo perfuração das alças por necrose, ou seja, o abdome agudo vascular pode evoluir como obstrutivo ou perfurativo. Não é possível fazer o diagnóstico pelo RX simples, uma vez que é necessário analisar os vasos que irrigam o intestino. É necessária a TC. Na imagem superior direita, observamos no círculo a região do mesentério, composta de gordura: toda essa região mais escura é o mesentério, e nele passam as artérias que irrigam o intestino. A região delimitada por um “[ deitado” apresenta uma cor mais clara (há aumento da densidade e borramento da gordura), representando a região que sugere um abdome agudo vascular. Outro indicativo é na imagem abaixo, onde há um grande espessamento da parede das alças. A parede “sublinhada” do lado oposto da mesma imagem representa uma espessura normal. Nesse corte coronal é possível observar a região da gordura mesentérica que se encontra mais densa (borrada) com formato bastante anatômico do mesentério. Essa região deverá ser toda removida. Pneumatose intestinal: gás dentro da parede da alça intestinal em decorrência da necrose da parede da alça. É um sinal quase patognomônico. Evidente do lado direito da TC. ● Sinais diretos de AAV: obstrução das artérias (trombos e êmbolos) ● Sinais indiretos de AAV: pneumatose intestinal, espessamento das paredes das alças e o borramento da gordura mesentérica. Abdome agudo inflamatório É a causa mais comum de abdome agudo, sendo a principal procura em serviços de urgência e emergência por dor abdominal. Geralmente a solução é cirúrgica. Dor no quadrante superior direito (hipocôndrio direito) A principal causa de dor abdominal aguda nessa região é a colecistite aguda litiásica, a inflamação aguda da vesícula biliar. A forma acalculosa da colecistite é muito mais rara, mais comum em pacientes imunodeprimidos em UTIs ou complicação de outras patologias. A principal etiologia é a litíase biliar. Por algum motivo, esse cálculo sai da vesícula biliar, obstruindo na maioria das vezes o ducto cístico (90 a 95% dos casos). A partir dessa obstrução, a vesícula biliar fica em estase (ao contrair não elimina a bile) e isso leva a um processo inflamatório global do órgão. O único meio de resolver essa patologia é a cirurgia. Quadro clínico Dor importante do hipocôndrio direito, geralmente com sinal de Murphy positivo. O paciente pode apresentar febre, leucocitose e icterícia (icterícia obstrutiva/pós hepática). ⅓ dos pacientes com sintomas clássicos não tem colecistite e por isso é importante a confirmação com exames complementares. Exames O exame padrão ouro é o US; muito sensível e específico para avaliação da vesícula biliar e vias biliares. Caso a vesícula biliar esteja normal, o US também pode ser usado para excluir outras causas de dor do hipocôndrio direito. A tomografia pode ser usada para complicações da colecistite, ou seja, quando evolui para abcessos do fígado ou extensões do processo inflamatório da colecistite. Achados do US de uma colecistite aguda litiásica [sempre usar esse nome completo] ● Presença de cálculos associado a um dos dois sinais abaixo ● Murphy ultrassonográfico ● Espessamento da parede da vesícula biliar (acima de 4mm) Cálculos impactados no ducto cístico podem não ser visualizados. Observe 2 cálculos biliares nas setas. Adiante desses cálculos se formou a sombra acústica posterior (SAP), porque quando o som bate em estruturas cálcicas, ele retorna para o aparelho, ou seja, não atravessa essas estruturas. Por não atravessá-las, não faz a leitura do tecido que vem depois delas, formando uma sombra. Nessa imagem também é possível observar a bile espessa, uma região mais clara dentro da bile delimitada uma uma linha. Diagnóstico diferencial da colecistite aguda Pancreatite aguda, uma vez que produz sinal de Murphy positivo falso. Pela topografia, a úlcera duodenal perfurada também pode ser um importante diagnóstico diferencial, assim como abscesso ou inflamações no quadrante superior direito. A pielonefrite à direita também pode ser um importante diagnóstico diferencial. Dor no quadrante inferior direito (fossa ilíaca direita) A causa mais comum é a apendicite aguda. Lembre-se que o apêndice vermiforme é uma estruturade resquício embrionário do ceco; sua inflamação ocorre quando algum fecalito (também chamado de apendicolito) obstrui a luz do apêndice; o apêndice produz uma secreção mucóide, que em casos de obstrução não consegue ser drenada. É a causa cirúrgica mais comum de abdome agudo. Quadro clínico O paciente apresenta uma dor abdominal de início súbito; inicialmente pode apresentar localização epigástrica ou difusa, que depois evolui para a fossa ilíaca direita. Anorexia é comumente associada (perda de apetite), assim como náuseas, desconforto abdominal e mal estar geral. A descompressão brusca é positiva na fossa ilíaca direita (sinal de peritonite); a epidemiologia diz que é mais prevalente em crianças e adultos jovens. Exames Podem ser feitos: US e TC. Sua escolha depende do biotipo do paciente, sua faixa etária e suspeita ou não de complicações. US: grávidas, crianças e mulheres em idade fértil (evitando a exposição de radiação). TC: preferir TC em obesos ou suspeita de perfuração. Porém, de forma geral, o melhor método para diagnóstico de apendicite aguda é a TC. US achados ● O apêndice normal raramente é identificado. ● O apêndice normal não pode apresentar diâmetro ântero posterior maior que 5mm. ● Na apendicite aguda, seu diâmetro ântero posterior é maior ou igual a 7mm. ● Quando está inflamado, fica maior e mais superficial, sendo mais fácil vê-lo, não sendo comprimível quando está inflamado. ● Imagem em alvo é típica da apendicite aguda. Observe a imagem em alvo. TC achados Apresenta sensibilidade e especificidade superiores ao US. Apresenta os mesmos achados do US, como imagem em alvo Diagnóstico diferencial ● Adenite mensentérica ○ Como a faixa etária normalmente acometida é mais jovem e essa faixa etária apresenta mais quadros virais, a adenite acontece. Os linfonodos mesentéricos aumentam devido a um quadro viral inespecífico. ○ A região que mais apresenta gânglios mesentéricos justamente é na fosse ilíaca direita ● Doença de Crohn Dor no quadrante inferior esquerdo (fossa ilíaca esquerda) A principal causa de dor nessa região é a diverticulite. A obstrução dos divertículos com fezes acaba levando a um processo inflamatório; a região mais prevalente é no cólon descendente e cólon sigmóide. ⅓ das pessoas com 50 anos e ⅔ das pessoas com 80 anos podem apresentar diverticulose. O risco de diverticulite aguda para quem tem diverticulose é de 10 a 25%. Quadro clínico Dor abdominal de início súbito, alteração do hábito intestinal (diarréia), febre, calafrios, sinais de irritação peritoneal (DB+). 70% tratadas clinicamente e 30% de forma cirúrgica. Os quadros cirúrgicos se reservam para as diverticulites que evoluem como abscessos, fístulas, obstruções e perfurações (podendo levar a pneumoperitônio e abdome agudo perfurativo). Exames TC: melhor exame, detectando as complicações e extensão da inflamação. ENEMA é contra-indicado, pois aumenta o risco de perfuração (utiliza-se contraste e ar). Caso seja feito enema, sempre usar contraste iodado, por o contraste de bário se romper um divertículo provoca um processo inflamatório muito grave. Achados Na imagem à direita (corte transversal), observa-se dois círculos. Um escuro (normal) e um claro (com divertículos). Os dois pequenos círculos são os divertículos; também é possível observar um intenso processo inflamatório. Na imagem à esquerda (corte longitudinal), observa-se os inúmeros divertículos, assim como um extenso processo inflamatório (inflamação pericolônica). Diagnóstico diferencial ● CA de cólon perfurado ● Colite infecciosa ● Doença de Crohn ● Cálculo ureteral do lado esquerdo Pancreatite aguda A pancreatite aguda é uma causa de dor abdominal aguda muito importante, levando a dor no epigástrio. A causa mais comum é a litíase das vias biliares que se desloca e obstrui a parte final da drenagem do pâncreas. As enzimas pancreáticas ficam represadas, levando a uma inflamação e auto digestão. A pancreatite aguda também pode acontecer sem fatores obstrutivos, também levando a inflamação e auto digestão. Causas mais comuns ● Biliares e alcoólicas Biliar: mais comum, principalmente em mulheres, obesos e entre 50 a 70 anos. Mnemônico dos 4F: F fat → obesidade aumenta o risco de litíase das vias biliares F female → sexo feminino F fertility → mulheres que tiveram filhos F forty → acima dos 40 anos Fatores de risco ● Idade ● Litíase das vias biliares ● Elevação de triglicerídeos ● Pós operatório de colangiografia endoscópica (CEC) ● Pós exame de colangiopancreatografia retrógrada endoscópica ● Drogas Quadro clínico Dor abdominal do andar superior, podendo chegar até o mesogástrio ou se tornar difusa. É característica a dor em faixa, que irradia para o dorso e tem progressão rápida. Náuseas e vômitos persistentes que não melhoram com medicação antiemética; febre, icterícia, taquicardia, taquipnéia, hipotensão e choque (em casos mais graves). Amilase e lipase elevadas. Imagem US pode ser feito inicialmente para avaliar litíase das vias biliares (já que é a causa mais comum). O exame que mais mostra a extensão do processo inflamatório e permite classificar a morbimortalidade da pancreatite é a tomografia (exame de escolha). A TC costuma ser feita após 48h do início do quadro clínico, sendo possível aplicar a classificação de Balthazar. Trata-se de uma classificação tomográfica de morbimortalidade para pancreatite aguda. [vai cair na prova] A: pâncreas normal B: aumento focal ou difuso (pancreatite edematosa) C: inflamação peripancreática D: coleção necrótica E: duas ou mais coleções necróticas e/ou presença de gás (necrose gasosa) Pâncreas normal (Balthazar A) Pâncreas com edema (Balthazar B) Inflamação peripancreática na ponta da seta (Balthazar C) Presença de necrose no corpo e cauda (Balthazar D) Necrose infectada: já existe presença de gás, sinal que há infecção (bactérias anaeróbias estão produzindo gás). A imagem de cima é um Balthazar D, uma vez que possui uma coleção (necrose) na ponta da seta preta. A imagem de baixo possui várias coleções, sendo classificada como Balthazar E. Diagnóstico diferencial ● Úlcera perfurada ● Isquemia mesentérica ● Dissecção de aorta ● Colelitíase, colecistite, coledocolitíase Dor aguda nos flancos Sempre que o paciente relata dor aguda nos flancos ou região lombar devemos investigar a possibilidade de cálculo de ureter. A cólica renal por si só (nefrolitíase) é facilmente manejada com analgesia (e essa condição geralmente não tem uma repercussão importante). Quando o paciente obstrui a drenagem de urina (cálculo de ureter) é mais grave, pois o paciente pode perder função a sua renal. Quadro clínico A litíase ureteral/renal também pode irradiar para as costas, região inguinal ou genital. Pode ser associada a náuseas e vômitos, levando a alterações de hematúria. Imagem A avaliação pode começar com US. Em casos de infecção, febre, suspeita de pielonefrite ou pionefrose a tomografia helicoidal sem contraste é o melhor exame. Também pode ser feita a urografia. Nefrolitíase Sinal da orla tecidual Borramento ao redor do cálculo, indicando que ele já está impactado há um tempo considerável. Nefrolitíase; observa-se os cálculos em branco. Hidronefrose. Essas curvaturas nos cálices recebem o nome de sinal de baqueta de tambor. Diagnóstico diferencial ● Pielonefrite ● Diverticulite do lado esquerdo ● Apendicite do lado direito ● Alterações anexiais nas mulheres Diferença clínica dos tipos de abdome agudo Sempre tomar cuidado ao pedir tomografia para pacientes jovens em idade fértil; é um exame que tem muita radiação. Trauma abdominal contuso (ou fechado) Trata-se de um impacto no abdome capaz de gerar laceração de vísceras e outras condições potencialmente fatais. As causas mais comuns desse tipo de trauma são acidentes de trânsito e quedas. Toda vez que ocorre esse tipo de trauma, devemos investigar a possibilidade de hemoperitônio, ou seja, sangue na cavidade peritoneal; a lesão abdominal com hemoperitônio pode levar a choque hemorrágico. Devemos lembrarque algumas lesões viscerais podem ser oligossintomáticas a princípio. A imagem no trauma vai depender da estabilidade hemodinâmica do paciente. Quando o paciente está instável (provavelmente apresenta hemoperitônio) apresenta hipotensão, taquicardia, taquipnéia, sudorese, palidez, perfusão periférica baixa, etc… nesses casos, será feito o US fast. O US fast é um exame rápido realizado em quatro locais com objetivo de identificar líquido livre na cavidade peritoneal. Sua sensibilidade é de até 99% acima de 100ml de sangue. Pode ser feito com um ultrassom portátil ou um ultrassom na sala de emergência: US fast é um exame realizado na sala de emergência! O líquido aparece na cavidade peritoneal de cor preta. Os locais onde o US fast é feito são: ● Região pericárdica ● Região esplenorrenal ● Região hepatorenal ● Região pélvica Na imagem acima observa-se líquido entre o fígado e o rim direito. Limitações do US fast ● Limitações de víscera oca (TGI) ● Perfurações ● Lesões retroperitoneais ● 25% das lesões traumáticas que sangram não tem imagem de hemoperitônio ● Lesões de grande morbidade podem ter ultrassom negativo Em pacientes hemodinamicamente estáveis, entretanto, faz-se a tomografia computadorizada; é um método melhor e o paciente tem tempo de vida. A densidade do sangue na TC é um cinza mais escuro, como aparece ao redor do fígado: Lesões viscerais São bem vistas na TC, sendo as lacerações e hematomas subcapsulares as mais comuns. O baço é o órgão mais acometido no trauma abdominal contuso e o fígado o segundo mais afetado, mas o de maior mortalidade. Lesões do TGI Hematomas intramurais e lacerações das vísceras são mais comuns nos locais de fixação do mesentério, como ângulo de Treitz. É possível ver líquido nas reflexões do mesentério. Diagnóstico diferencial O diagnóstico diferencial do trauma abdominal é limitado. Apenas hemoperitônio e lesões secundárias ao trauma. O paciente traz a história de trauma, portanto o diagnóstico é muito direto. [o mais importante] Saber indicar o exame (instável→US fast / estável→TC); saber que US fast é um exame de alta sensibilidade e feito na emergência; a TC é o melhor exame, possibilita ver o hemoperitônio e identificação de onde vem o sangramento (avalia baço, fígado e intestinos).