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RX abdome (obstrutivo/perfurativo/vascular/inflamatório e traumático/hemorrágico)
Existem vários métodos de imagem para investigação do abdome: RX simples, US, TC, RM
(usada apenas em algumas exceções). No entanto, para nível de graduação, o foco para
avaliar abdome (assim como tórax) é o RX, uma vez que é o exame disponível nas
unidades básicas e UPAs (nível secundário).
RX simples de abdome é um exame de baixo custo, amplamente disponível, não utiliza
contraste e pode ser feito com protocolos de baixa dose (para crianças). É frequentemente
utilizado como avaliação inicial em diversos contextos clínicos, principalmente dor
abdominal aguda.
O que deve ser analisado no RX de abdome (checklist)
Em primeiro lugar, conferir se o RX é do paciente que foi realmente solicitado (conferir nome
completo e data de nascimento) e avaliar se a técnica está boa. Após isso, fazer a análise
restante:
● Distribuição gasosa e de alças intestinais
● Linhas dos psoas
● Posição e tamanho de vísceras maciças
● Calcificações fisiológicas
● Calcificações patológicas
Incidências que o RX de abdome é feito
● AP em decúbito dorsal
● AP ortostático (no paciente em pé)
● RX de abdome agudo, que inclui as duas primeiras incidências e RX de tórax PA
● Incidências adicionais, como decúbito lateral
Ao solicitar RX de abdome simples, o médico sempre receberá AP em decúbito dorsal. Ao
solicitar RX de abdome agudo (padrão quando há queixa de abdome aguda), o médico
receberá AP em decúbito dorsal e AP ortostático e tórax PA.
Mnemônico: PIREC
Esse mnemônico serve como um guia para que o examinador não se esqueça de analisar
nenhuma das estruturas.
P: Psoas
I: Intestino (alças intestinais) e distribuição gasosa
R: Rins e vísceras maciças (bexiga, baço, fígado, etc)
E: Esqueleto
C: Calcificações fisiológicas e patológicas
É possível observar o intestino grosso: cólon ascendente, transverso e cólon descendente
– nesse caso localizados exatamente em suas posições anatômicas. Também é possível
observar a presença de fezes, especialmente no cólon descendente (aparecem como
“imagem em miolo de pão” – regiões acinzentadas com vários pontos escuros [ar]).
Outro exemplo:
Outro achado importante é a linha do músculo psoas.
Varia de paciente para paciente, mas deve ser sempre observada próxima a coluna
vertebral; quando o paciente apresenta peritonite, processos inflamatórios intestinais ou
obstruções intestinais, a tendência é que a linha do psoas desapareça. Lateralmente a
linha do psoas é possível observar a sombra renal (o rim direito normalmente fica mais
baixo que o esquerdo devido ao fígado).
Também é possível observar a bexiga urinária
Calcificações fisiológicas
1. Os oleomas glúteos são residuais calcificados de injeções intramusculares; nesse
caso, injeções que foram dadas no glúteo.
2. Essas “bolinhas” são flebolitos, calcificações de pequenos vasos da bacia (sempre
avaliar se as calcificações não estão no trajeto do ureter e trato urinário em geral).
Calcificações patológicas
Observe as calcificações no rim direito: trata-se de nefrolitíase.
Dor abdominal aguda
Trata-se de um quadro de dor súbita no abdome, com evolução progressiva e necessidade
de intervenção imediata – normalmente situações que só podem ser resolvidas de forma
cirúrgica, como apendicite e colecistite; normalmente não melhoram com analgesia. As
principais indicações do RX de abdome são para análise de:
● Distribuição de gases no TGI
● Análise da posição de tubos e linhas radiopacas, como sondas nasogástricas ou
catéteres
● Corpos estranhos
● Pós procedimentos (após paracentese de um ascítico, por exemplo)
● Para avaliação de cálculos renais
● Para ver a passagem de contraste no intestino (não será abordado nessa aula; o
foco é o RX simples)
Sequência: definir o método de imagem, ver as incidências e como preencher os pedidos
médicos, avaliar a técnica do exame (ver se está adequado para interpretação), reconhecer
a imagem e, por último, pensar em uma hipótese diagnóstica.
Lembre-se: o que possibilita a avaliação das estruturas abdominais é a diferença de
densidades, onde o ar é mais escuro e as partes moles mais cinzas. Os ossos são os mais
brancos (só são menos brancos que tubos metálicos). O ar dentro do TGI é o que mais
auxilia com a definição de estruturas.
É possível observar partes intestinais com presença de gases (cólon descendente do lado
esquerdo). Também é possível observar fezes (aparecem como “imagem em miolo de pão”
– regiões acinzentadas com vários pontos de ar).
Critérios para um exame com boa técnica
● Deve incluir da base torácica até a sínfise púbica
○ A base do tórax é importante para avaliações de pneumonias de base e
derrames pleurais ou mesmo pneumoperitônios, nos quais o gás sobe e fica
em baixo do diafragma.
○ A sínfise púbica é importante para avaliação da pelve e reto.
● Linha do psoas
● Sombra renal
Para que essas estruturas sejam bem observadas, a dose de radiação (penetração) deve
ser adequada.
Abdome agudo obstrutivo
Causado por uma obstrução mecânica no TGI; o quadro clínico costuma ser característico:
distensão abdominal – o abdome fica hipertimpânico à percussão e endurecido à palpação
–, ocorre parada da eliminação de gases e fezes, podendo também apresentar náuseas e
vômitos.
Na população adulta, a principal causa de abdome agudo são bridas (ou aderências – um
tecido fibrocicatricial formado em pacientes após algum procedimento cirúrgico abdominal,
como cesarianas e laparotomias). Outras causas incluem tumores, volvo, paralisia funcional
do intestino (íleo paralítico).
O primeiro achado são as distensões intestinais. Como diferenciar se é grosso ou delgado?
1. A localização topográfica é a primeira condição que permite a diferenciação da
distensão: o intestino grosso costuma estar na posição periférica em formato de U
invertido.
a. As alças de intestino delgado costumam ter um formato mais serpiginoso e
ocupam a região central do abdome.
2. As haustrações fazem parte do intestino grosso: são invaginações que não passam
de um lado para o outro completamente. No intestino delgado, as pregas
atravessam toda a estrutura da alça: são denominadas pregas coniventes.
3. Se a obstrução aconteceu antes de chegar no cólon, provavelmente haverá mais
dilatação do intestino delgado. Já se a obstrução acontece no trajeto distal do cólon,
a dilatação afetará mais o cólon. Nota: a dilatação pode acontecer do intestino
grosso e delgado simultaneamente, especialmente se é um abdome obstrutivo de
tempo mais prolongado.
Intestino delgado
RX de abdome AP em decúbito.
Observe à esquerda. Sabe-se que é intestino delgado, pois elas estão mais próximas do
centro, seu aspecto é de serpente e há presença de pregas coniventes.
RX de abdome AP em ortostase.
Essa imagem é referente ao mesmo paciente, e possui outro sinal de que se trata de uma
obstrução que acometeu o intestino delgado: no intestino delgado as vezes são
predominantemente líquidas (a maior parte dos líquidos são absorvidos no i. grosso). Essa
característica de fezes líquidas se torna evidente com o nível hidroaéreo, onde o gás
aparece na parte de cima e o líquido (fezes) na parte de baixo.
Quando olhamos o RX, devemos identificar se o paciente está em pé ou deitado. Isso pode
ser feito através da busca de níveis hidroaéreos.
Formam-se linhas que dividem gás (escuro) de água (claro).
Outra imagem de abdome obstrutivo com i. delgado
distendido. É possível observar as pregas coniventes, aspecto serpiginoso e ausência de
nível hidroaéreo, nos dizendo que foi feito em decúbito. Quando possui um as pregas
coniventes muito bem marcadas associadas a dilatação do delgado, se diz sinal do
empilhamento de moedas.
Sinal do degrau de escada
Também se trata de abdome obstrutivo (delgado).
Intestino grosso
RX de abdome feito em decúbito.
Observe o abdome obstrutivo que dessa vez acomete predominantemente o cólon.
Topograficamente é possível identificar que a porção em destaque (de maior dilatação) é o
cólon transverso, evidenciado também pelas suashaustrações.
Esse abdome obstrutivo foi causado por uma massa calcificada localizada no abdome
inferior direito; trata-se de um fecaloma (imagem em miolo de pão – uma região de
aparência heterogênea).
Tomografia para abdome agudo obstrutivo?
É um método auxiliar para diagnóstico de abdome agudo obstrutivo, mas normalmente não
é necessária. O diagnóstico de AAO é feito clinicamente (trata-se de uma condição bastante
característica) e o RX de abdome agudo costuma ser o suficiente para a confirmação da
hipótese.
Muitas vezes, no RX simples não é possível obter a causa da obstrução: caso o médico
cirurgião não for intervir rapidamente, é possível que o clínico faça uma tomografia para
tentar identificar a etiologia. Tumor? Brida? Volvo?
Descrição da imagem acima
O paciente faz a TC deitado, sendo a região de cima a anterior e a de trás a posterior. O
gás sobe e o líquido desce, sendo possível identificar o nível hidroaéreo (o melhor local
para identificá-los é na região anterior).
A imagem direita apresenta alças com calibre normal,
circuladas em vermelho. A imagem do lado esquerdo apresenta dilatações muito evidentes,
de calibre muito maior.
Abdome agudo perfurativo
Pode ser traumático (acidentes que rompem vísceras ocas, liberando gás na cavidade
peritoneal, o que provoca o pneumoperitônio), pode ser a evolução de outros abdomes
agudos. Um abdome agudo obstrutivo que demorou para ser resolvido evolui com necrose
da parede intestinal e perfuração.
Geralmente o paciente apresenta dor abdominal com piora súbita e intensa, aguda e
persistente, peritonite, palidez, sudorese, podendo evoluir para choque séptico rapidamente
se não tratado.
As principais causas: úlcera duodenal/gástrica, divertículo de Meckel, CA de intestino
delgado e cólon, etc. Ainda, pode ser causado por armas branca, arma de fogo, quedas de
alturas, etc.
O principal achado do abdome agudo perfurativo é o gás fora do TGI, ou seja, fora do
trajeto anatômico de onde deveria estar. O gás dentro das alças intestinais não
configura pneumoperitônio. Dica: se há contorno de vísceras, pode não ser um
pneumoperitônio.
Observe o gás logo abaixo da cúpula
diafragmática, representada por uma delgada linha; é mais evidente do lado direito (o ar fica
entre o fígado e a cúpula diafragmática). O RX de tórax é incluso no RX de abdome agudo,
uma vez que fica fácil de observar perfurações nessa incidência (o gás sobe e fica bem
evidente).
Sinal do duplo
contorno: normalmente só é visto o contorno de dentro da parede do intestino; nesse caso,
é possível ver o contorno de dentro e o contorno de fora do intestino, sugestivo de
perfuração.
Observe o pneumoperitônio volumoso e
periférico, deslocando o fígado e o baço bem centralmente no abdome.
Tomografia do abdome agudo perfurativo
É possível observar pneumoperitônio na parte mais anterior da TC, assim como na parte
posterior, evidenciando um pneumoretroperitônio.
Por menor que seja o pneumoperitônio, deve
ser tratado, caso contrário pode evoluir muito mal (pequenas bolhas na ponta da seta).
Abdome agudo vascular
Ocorre uma falha da oxigenação e circulação arterial (muito menos frequente no setor
venoso) em algum segmento intestinal. A dor é intensa, de início súbito, do tipo cólica e
desproporcional ao exame clínico, isto é, o paciente fala que dói muito, mas o médico não
encontra achados de tensão ou outras condições.
Um exemplo é a isquemia intestinal:
Fatores de risco:
● Idade avançada
● Cardiopatia (especialmente arritmias como fibrilação atrial, devido a formação de
trombos no AE e ejeção pelo VE)
● Doença aterosclerótica
● Hipercoagulação
● Doenças valvares
A ocorrência desse abdome agudo não é das mais frequentes, mas sua mortalidade é muito
elevada.
A partir da isquemia das alças intestinais, pode haver obstrução do trânsito intestinal ou
mesmo perfuração das alças por necrose, ou seja, o abdome agudo vascular pode evoluir
como obstrutivo ou perfurativo.
Não é possível fazer o diagnóstico pelo RX simples, uma vez que é necessário
analisar os vasos que irrigam o intestino. É necessária a TC.
Na imagem superior direita, observamos no círculo a região do mesentério, composta de
gordura: toda essa região mais escura é o mesentério, e nele passam as artérias que
irrigam o intestino.
A região delimitada por um “[ deitado” apresenta uma cor mais clara (há aumento da
densidade e borramento da gordura), representando a região que sugere um abdome
agudo vascular.
Outro indicativo é na imagem abaixo, onde há um grande espessamento da parede das
alças. A parede “sublinhada” do lado oposto da mesma imagem representa uma espessura
normal.
Nesse corte coronal é
possível observar a região da gordura mesentérica que se encontra mais densa (borrada)
com formato bastante anatômico do mesentério. Essa região deverá ser toda removida.
Pneumatose intestinal: gás dentro da parede da alça intestinal em decorrência da necrose
da parede da alça. É um sinal quase patognomônico.
Evidente do lado direito da TC.
● Sinais diretos de AAV: obstrução das artérias (trombos e êmbolos)
● Sinais indiretos de AAV: pneumatose intestinal, espessamento das paredes das
alças e o borramento da gordura mesentérica.
Abdome agudo inflamatório
É a causa mais comum de abdome agudo, sendo a principal procura em serviços de
urgência e emergência por dor abdominal. Geralmente a solução é cirúrgica.
Dor no quadrante superior direito (hipocôndrio direito)
A principal causa de dor abdominal aguda nessa região é a colecistite aguda litiásica, a
inflamação aguda da vesícula biliar. A forma acalculosa da colecistite é muito mais rara,
mais comum em pacientes imunodeprimidos em UTIs ou complicação de outras patologias.
A principal etiologia é a litíase biliar. Por algum motivo, esse cálculo sai da vesícula biliar,
obstruindo na maioria das vezes o ducto cístico (90 a 95% dos casos). A partir dessa
obstrução, a vesícula biliar fica em estase (ao contrair não elimina a bile) e isso leva a um
processo inflamatório global do órgão. O único meio de resolver essa patologia é a cirurgia.
Quadro clínico
Dor importante do hipocôndrio direito, geralmente com sinal de Murphy positivo. O paciente
pode apresentar febre, leucocitose e icterícia (icterícia obstrutiva/pós hepática). ⅓ dos
pacientes com sintomas clássicos não tem colecistite e por isso é importante a confirmação
com exames complementares.
Exames
O exame padrão ouro é o US; muito sensível e específico para avaliação da vesícula biliar e
vias biliares. Caso a vesícula biliar esteja normal, o US também pode ser usado para excluir
outras causas de dor do hipocôndrio direito.
A tomografia pode ser usada para complicações da colecistite, ou seja, quando evolui para
abcessos do fígado ou extensões do processo inflamatório da colecistite.
Achados do US de uma colecistite aguda litiásica [sempre usar esse nome completo]
● Presença de cálculos associado a um dos dois sinais abaixo
● Murphy ultrassonográfico
● Espessamento da parede da vesícula biliar (acima de 4mm)
Cálculos impactados no ducto cístico podem não ser visualizados.
Observe 2 cálculos biliares nas setas. Adiante
desses cálculos se formou a sombra acústica posterior (SAP), porque quando o som bate
em estruturas cálcicas, ele retorna para o aparelho, ou seja, não atravessa essas
estruturas. Por não atravessá-las, não faz a leitura do tecido que vem depois delas,
formando uma sombra. Nessa imagem também é possível observar a bile espessa, uma
região mais clara dentro da bile delimitada uma uma linha.
Diagnóstico diferencial da colecistite aguda
Pancreatite aguda, uma vez que produz sinal de Murphy positivo falso. Pela topografia, a
úlcera duodenal perfurada também pode ser um importante diagnóstico diferencial, assim
como abscesso ou inflamações no quadrante superior direito. A pielonefrite à direita
também pode ser um importante diagnóstico diferencial.
Dor no quadrante inferior direito (fossa ilíaca direita)
A causa mais comum é a apendicite aguda. Lembre-se que o apêndice vermiforme é uma
estruturade resquício embrionário do ceco; sua inflamação ocorre quando algum fecalito
(também chamado de apendicolito) obstrui a luz do apêndice; o apêndice produz uma
secreção mucóide, que em casos de obstrução não consegue ser drenada. É a causa
cirúrgica mais comum de abdome agudo.
Quadro clínico
O paciente apresenta uma dor abdominal de início súbito; inicialmente pode apresentar
localização epigástrica ou difusa, que depois evolui para a fossa ilíaca direita. Anorexia é
comumente associada (perda de apetite), assim como náuseas, desconforto abdominal e
mal estar geral.
A descompressão brusca é positiva na fossa ilíaca direita (sinal de peritonite); a
epidemiologia diz que é mais prevalente em crianças e adultos jovens.
Exames
Podem ser feitos: US e TC. Sua escolha depende do biotipo do paciente, sua faixa etária e
suspeita ou não de complicações.
US: grávidas, crianças e mulheres em idade fértil (evitando a exposição de radiação).
TC: preferir TC em obesos ou suspeita de perfuração.
Porém, de forma geral, o melhor método para diagnóstico de apendicite aguda é a TC.
US achados
● O apêndice normal raramente é identificado.
● O apêndice normal não pode apresentar diâmetro ântero posterior maior que 5mm.
● Na apendicite aguda, seu diâmetro ântero posterior é maior ou igual a 7mm.
● Quando está inflamado, fica maior e mais superficial, sendo mais fácil vê-lo, não
sendo comprimível quando está inflamado.
● Imagem em alvo é típica da apendicite aguda.
Observe a imagem em alvo.
TC achados
Apresenta sensibilidade e especificidade superiores ao US. Apresenta os mesmos achados
do US, como imagem em alvo
Diagnóstico diferencial
● Adenite mensentérica
○ Como a faixa etária normalmente acometida é mais jovem e essa faixa etária
apresenta mais quadros virais, a adenite acontece. Os linfonodos
mesentéricos aumentam devido a um quadro viral inespecífico.
○ A região que mais apresenta gânglios mesentéricos justamente é na fosse
ilíaca direita
● Doença de Crohn
Dor no quadrante inferior esquerdo (fossa ilíaca esquerda)
A principal causa de dor nessa região é a diverticulite. A obstrução dos divertículos com
fezes acaba levando a um processo inflamatório; a região mais prevalente é no cólon
descendente e cólon sigmóide.
⅓ das pessoas com 50 anos e ⅔ das pessoas com 80 anos podem apresentar
diverticulose. O risco de diverticulite aguda para quem tem diverticulose é de 10 a 25%.
Quadro clínico
Dor abdominal de início súbito, alteração do hábito intestinal (diarréia), febre, calafrios,
sinais de irritação peritoneal (DB+). 70% tratadas clinicamente e 30% de forma cirúrgica.
Os quadros cirúrgicos se reservam para as diverticulites que evoluem como abscessos,
fístulas, obstruções e perfurações (podendo levar a pneumoperitônio e abdome agudo
perfurativo).
Exames
TC: melhor exame, detectando as complicações e extensão da inflamação. ENEMA é
contra-indicado, pois aumenta o risco de perfuração (utiliza-se contraste e ar).
Caso seja feito enema, sempre usar contraste iodado, por o contraste de bário se romper
um divertículo provoca um processo inflamatório muito grave.
Achados
Na imagem à direita (corte transversal), observa-se dois círculos. Um escuro (normal) e um
claro (com divertículos). Os dois pequenos círculos são os divertículos; também é possível
observar um intenso processo inflamatório.
Na imagem à esquerda (corte longitudinal), observa-se os inúmeros divertículos, assim
como um extenso processo inflamatório (inflamação pericolônica).
Diagnóstico diferencial
● CA de cólon perfurado
● Colite infecciosa
● Doença de Crohn
● Cálculo ureteral do lado esquerdo
Pancreatite aguda
A pancreatite aguda é uma causa de dor abdominal aguda muito importante, levando a dor
no epigástrio. A causa mais comum é a litíase das vias biliares que se desloca e obstrui a
parte final da drenagem do pâncreas. As enzimas pancreáticas ficam represadas, levando a
uma inflamação e auto digestão. A pancreatite aguda também pode acontecer sem fatores
obstrutivos, também levando a inflamação e auto digestão.
Causas mais comuns
● Biliares e alcoólicas
Biliar: mais comum, principalmente em mulheres, obesos e entre 50 a 70 anos.
Mnemônico dos 4F:
F fat → obesidade aumenta o risco de litíase das vias biliares
F female → sexo feminino
F fertility → mulheres que tiveram filhos
F forty → acima dos 40 anos
Fatores de risco
● Idade
● Litíase das vias biliares
● Elevação de triglicerídeos
● Pós operatório de colangiografia endoscópica (CEC)
● Pós exame de colangiopancreatografia retrógrada endoscópica
● Drogas
Quadro clínico
Dor abdominal do andar superior, podendo chegar até o mesogástrio ou se tornar difusa. É
característica a dor em faixa, que irradia para o dorso e tem progressão rápida. Náuseas e
vômitos persistentes que não melhoram com medicação antiemética; febre, icterícia,
taquicardia, taquipnéia, hipotensão e choque (em casos mais graves). Amilase e lipase
elevadas.
Imagem
US pode ser feito inicialmente para avaliar litíase das vias biliares (já que é a causa mais
comum). O exame que mais mostra a extensão do processo inflamatório e permite
classificar a morbimortalidade da pancreatite é a tomografia (exame de escolha).
A TC costuma ser feita após 48h do início do quadro clínico, sendo possível aplicar a
classificação de Balthazar. Trata-se de uma classificação tomográfica de morbimortalidade
para pancreatite aguda. [vai cair na prova]
A: pâncreas normal
B: aumento focal ou difuso (pancreatite edematosa)
C: inflamação peripancreática
D: coleção necrótica
E: duas ou mais coleções necróticas e/ou presença de gás (necrose gasosa)
Pâncreas normal (Balthazar A) Pâncreas com edema (Balthazar B)
Inflamação peripancreática na ponta da seta (Balthazar C)
Presença de necrose no corpo e cauda (Balthazar D)
Necrose infectada: já existe presença de gás, sinal que há infecção (bactérias anaeróbias
estão produzindo gás).
A imagem de cima é um Balthazar D, uma vez que possui uma coleção (necrose) na ponta
da seta preta. A imagem de baixo possui várias coleções, sendo classificada como
Balthazar E.
Diagnóstico diferencial
● Úlcera perfurada
● Isquemia mesentérica
● Dissecção de aorta
● Colelitíase, colecistite, coledocolitíase
Dor aguda nos flancos
Sempre que o paciente relata dor aguda nos flancos ou região lombar devemos investigar a
possibilidade de cálculo de ureter. A cólica renal por si só (nefrolitíase) é facilmente
manejada com analgesia (e essa condição geralmente não tem uma repercussão
importante). Quando o paciente obstrui a drenagem de urina (cálculo de ureter) é mais
grave, pois o paciente pode perder função a sua renal.
Quadro clínico
A litíase ureteral/renal também pode irradiar para as costas, região inguinal ou genital. Pode
ser associada a náuseas e vômitos, levando a alterações de hematúria.
Imagem
A avaliação pode começar com US. Em casos de infecção, febre, suspeita de pielonefrite ou
pionefrose a tomografia helicoidal sem contraste é o melhor exame. Também pode ser
feita a urografia.
Nefrolitíase
Sinal da orla tecidual
Borramento ao redor do cálculo, indicando que ele já está impactado há um tempo
considerável.
Nefrolitíase; observa-se os cálculos em branco.
Hidronefrose. Essas curvaturas nos cálices
recebem o nome de sinal de baqueta de tambor.
Diagnóstico diferencial
● Pielonefrite
● Diverticulite do lado esquerdo
● Apendicite do lado direito
● Alterações anexiais nas mulheres
Diferença clínica dos tipos de abdome agudo
Sempre tomar cuidado ao pedir tomografia para pacientes jovens em idade fértil; é
um exame que tem muita radiação.
Trauma abdominal contuso (ou fechado)
Trata-se de um impacto no abdome capaz de gerar laceração de vísceras e outras
condições potencialmente fatais. As causas mais comuns desse tipo de trauma são
acidentes de trânsito e quedas.
Toda vez que ocorre esse tipo de trauma, devemos investigar a possibilidade de
hemoperitônio, ou seja, sangue na cavidade peritoneal; a lesão abdominal com
hemoperitônio pode levar a choque hemorrágico. Devemos lembrarque algumas lesões
viscerais podem ser oligossintomáticas a princípio.
A imagem no trauma vai depender da estabilidade hemodinâmica do paciente. Quando o
paciente está instável (provavelmente apresenta hemoperitônio) apresenta hipotensão,
taquicardia, taquipnéia, sudorese, palidez, perfusão periférica baixa, etc… nesses casos,
será feito o US fast.
O US fast é um exame rápido realizado em quatro locais com objetivo de identificar líquido
livre na cavidade peritoneal. Sua sensibilidade é de até 99% acima de 100ml de sangue.
Pode ser feito com um ultrassom portátil ou um ultrassom na sala de emergência: US fast é
um exame realizado na sala de emergência!
O líquido aparece na cavidade peritoneal de cor preta. Os locais onde o US fast é feito são:
● Região pericárdica
● Região esplenorrenal
● Região hepatorenal
● Região pélvica
Na imagem acima observa-se líquido entre o fígado e o rim direito.
Limitações do US fast
● Limitações de víscera oca (TGI)
● Perfurações
● Lesões retroperitoneais
● 25% das lesões traumáticas que sangram não tem imagem de hemoperitônio
● Lesões de grande morbidade podem ter ultrassom negativo
Em pacientes hemodinamicamente estáveis, entretanto, faz-se a tomografia
computadorizada; é um método melhor e o paciente tem tempo de vida.
A densidade do sangue na TC é um cinza mais escuro, como aparece ao redor do fígado:
Lesões viscerais
São bem vistas na TC, sendo as lacerações e hematomas subcapsulares as mais comuns.
O baço é o órgão mais acometido no trauma abdominal contuso e o fígado o segundo mais
afetado, mas o de maior mortalidade.
Lesões do TGI
Hematomas intramurais e lacerações das vísceras são mais comuns nos locais de fixação
do mesentério, como ângulo de Treitz. É possível ver líquido nas reflexões do mesentério.
Diagnóstico diferencial
O diagnóstico diferencial do trauma abdominal é limitado. Apenas hemoperitônio e lesões
secundárias ao trauma. O paciente traz a história de trauma, portanto o diagnóstico é muito
direto.
[o mais importante]
Saber indicar o exame (instável→US fast / estável→TC); saber que US fast é um exame de
alta sensibilidade e feito na emergência; a TC é o melhor exame, possibilita ver o
hemoperitônio e identificação de onde vem o sangramento (avalia baço, fígado e intestinos).

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