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EXPLICAR O METABOLISMO HEPÁTICO DO ÁLCOOL E RELACIONAR 
COM AS CONSEQUÊNCIAS DE CURTO A LONGO PRAZO 
O metabolismo do etanol induz a excesso de NADH 
O etanol não pode ser excretado e precisa ser metabolizado, principalmente pelo fígado. Esse metabolismo 
ocorre por duas vias, a primeira delas compreende duas etapas. A primeira etapa, catalisada pela enzima 
álcool desidrogenase ocorre no citoplasma: Enzima ADH (Álcool-Desidrogenase) transforma o etanol em 
Acetaldeído 
 
A segunda etapa, catalisada pela aldeído desidrogenase, ocorre nas mitocôndrias. Enzima ALHD (Aldeído-
Desidrogenase) transforma Acetaldeído em Acetato
 
- O consumo de etanol leva ao acúmulo de NADH inibindo a gliconeogênese, pois impede a oxidação do 
lactato a piruvato. Com efeito, as altas concentrações de NADH determinarão o predomínio da reação 
inversa, com acúmulo de lactato. As consequências podem ser hipoglicemia e acidose láctica 
- A fartura de NADH também inibe a oxidação de ácidos graxos. O propósito metabólico da oxidação de 
ácidos graxos é gerar NADH para a produção de ATP pela fosforilação oxidativa, porém as necessidades de 
NADH do indivíduo que consome álcool são supridas pelo metabolismo do etanol. Com efeito, o excesso de 
NADH sinaliza que as condições estão corretas para a síntese de ácidos graxos. Como consequência, há 
acúmulo de triacilgliceróis no fígado, o que causa uma condição conhecida como “fígado gorduroso” ou 
esteatose hepática, que é exacerbada nos indivíduos obesos. 
EFEITOS AGUDOS 
 
 
HIPOGLICEMIA: 
1. Geralmente quando a pessoa ingere bebidas alcoólicas, deixa de se alimentar 
2. O excesso de NADH bloqueia a gliconeogênese, pois impede a oxidação do lactato a piruvato. 
→ Devido a esses dois fatores o caso pode evoluir para hipoglicemia (efeito agudo) 
 
AUMENTO VOLUME DA URINA 
- O álcool reduz o efeito do hormônio ADH ou vasopressina, que regula a quantidade de água excretada 
pelos néfrons, concentrando mais a urina. O ADH permite que parte da água da urina em formação volte 
para a corrente sanguínea. Portanto, quando sua ação é inibida pelo álcool, a água que não conseguiu voltar 
para o sangue é eliminada na urina. Isso faz com que o volume de urina aumente. 
 
EFEITOS CRÔNICOS 
 
- Nos efeitos crônicos a situação acontece a todo momento, sempre tem excesso de NADH, piruvato e 
etanol, o organismo tenta consumir o NADH para diminuir sua concentração e tentar reativar a 
gliconeogênese 
- Para isso, ativa a via da Lactato-Desidrogenase, que consome o NADH e produz NAD+, formando o 
Lactato 
- O Lactato ao chegar no rim deve ser descartado, mas para isso acontecer é necessário reabsorver o ácido 
úrico (artrite gotosa que é o acúmulo de ácido úrico nas articulações) 
ESTEATOSE HEPÁTICA 
- Chega uma hora que o NADH está muito alto e o organismo desvia a rota transformando acetato em ácido 
graxo. 
- A fartura de NADH inibe a oxidação de ácidos graxos. O propósito metabólico da oxidação de ácidos 
graxos é gerar NADH para a produção de ATP pela fosforilação oxidativa, porém as necessidades de 
NADH do indivíduo que consome álcool são supridas pelo metabolismo do etanol. Com efeito, o excesso de 
NADH sinaliza que as condições estão corretas para a síntese de ácidos graxos. Como consequência, há 
acúmulo de triacilgliceróis no fígado, o que causa uma condição conhecida como “fígado gorduroso” ou 
esteatose hepática 
 
DESCREVER AS ALTERAÇÕES METABÓLICAS, RELACIONAR COM AS 
ROTAS ANAPLERÓTICAS DO ÁLCOOL 
Rotas metabólicas no fígado 
- A oxidação do etanol produz grande quantidade de elétrons e prótons de hidrogênio em suas duas etapas: a 
primeira quando a enzima álcool desidrogenase atua sobre o etanol convertendo-o em acetaldeído; e a 
segunda, quando a enzima acetaldeído desidrogenase catalisa a conversão de acetaldeído em acetato. 
- Essa grande quantidade de elétrons e íons H+ é aceita por NAD+, dando origem a NADH+ +H+ e 
reduzindo, assim, a concentração de NAD+. 
 
- Essa redução inibe o ciclo de Krebs porque o NAD+ é necessário para aceitar elétrons oriundos do ciclo 
até a cadeia respiratória. 
- A grande quantidade de NADH formada por conta da oxidação do etanol também desloca o oxalacetato 
para a formação de malato, e os baixos níveis de oxalacetato impedem a enzima Citrato-sintase de sintetizar 
citrato. 
 
- Desse modo, a inibição do ciclo de Krebs produz imediatamente acúmulo de acetil-CoA, que, por sua vez, 
segue para a síntese de corpos cetônicos (acetoacetato, beta-hidroxibutirato e acetona) que ganham o plasma 
e, por apresentarem natureza ácida, reduzem o pH levando à cetoacidose. 
 
- Além disso, a alta relação NADH/NAD+ promove inibição da oxidação de ácidos graxos e aumento na 
concentração de glicerol-3-Pi. Essa grande quantidade de lipídios acumula-se no fígado sendo a principal 
causa da esteatose hepática induzida por etanol. A análise histológica de fígados esteatóticos mostra 
hepatócitos com inclusões lipídicas no citosol, às vezes deslocando o núcleo para a periferia, conferindo ao 
hepatócito um aspecto de adipócito. 
 
Impacto do etanol no metabolismo de lipídios no fígado. 
(1) O metabolismo do etanol provoca aumento da relação NADH/NAD+ inibindo o ciclo de Krebs e a 
β-oxidação; 
(2) a grande concentração de NADH altera o sentido da reação de conversão de Malato em oxalacetato, ou 
seja, o oxalacetato é deslocado para conversão em Malato. Além disso, a grande concentração de NADH 
inibe a oxidação do Acetil-CoA, desviando-o para a síntese de corpos cetônicos; 
(3) o acetato sintetizado a partir do Acetaldeído pode ser oxidado no ciclo de Krebs, mas a maior parte dessa 
substância segue para o sangue e é captada sobretudo pelos músculos esqueléticos e pelo coração. 
(4) alta relação NADH/NAD+ favorece a síntese de di-hidroxiacetona-fosfato pela via glicolítica; 
(5) os ácidos graxos não oxidados no ciclo da β-oxidação por conta da inibição causada também pela 
elevada concentração NADH/NAD+ são então reesterificados com a molécula de glicerol-3-fosfato para dar 
origem a triacilgliceróis. Estes são empacotados no interior dos VLDL no retículo endoplasmático e 
exportados para o plasma causando hiperlipidemia. 
ASPECTOS BIOPSICOSSOCIAIS DO CONSUMO DO ÁLCOOL 
 
- A bebida alcoólica é um item com forte presença na realidade brasileira. Seu consumo dificilmente pode 
ser restringido por conta de questões culturais e sociais. No entanto, o abuso do álcool leva à dependência e 
pode causar sérios problemas de saúde. A Organização Mundial da Saúde chega a classificar o alcoolismo 
como uma doença psiquiátrica, que apresenta componentes físicos e mentais. Isso significa que, embora 
existam fatores fisiológicos envolvidos, a dependência muitas vezes é psíquica.- O hábito de “beber socialmente” coloca as pessoas em contato constante com o álcool. Mesmo quem não 
tem vontade de beber está exposto a esse contato em ocasiões comemorativas e até eventos relacionados ao 
trabalho. Entre os fatores que contribuem para o surgimento da dependência, estão: 
 Facilidade de acesso; 
 Associação do álcool ao ambiente social e à diversão; 
 Glamourização do consumo de bebidas alcoólicas; 
 Histórico familiar de abuso do álcool; 
 Contato precoce com a bebida; 
 Problemas de saúde mental não resolvidos 
Sintomas do alcoolismo 
Em geral, pessoas que já se tornaram dependentes tendem a: 
 Beber sozinhos e fora de situações sociais; 
 Continuar a beber mesmo quando percebem que estão se afastando da família e dos amigos; 
 Demonstrar agressividade quando confrontados; 
 Ter dificuldades para parar de beber mesmo estando embriagados; 
 Tentar esconder as evidências do consumo de bebidas alcoólicas; 
 Apresentar sinais preocupantes, como perda de memória, tremores, insônia e falta de apetite. 
Alcoolismo funcional 
- Existem diferenças na maneira como cada organismo processa e tolera o consumo de álcool. Assim, 
determinar um quadro de alcoolismo depende da compreensão de como cada indivíduo reage à substância. 
- Uma pessoa que bebe com frequência ou em grandes quantidades pode pensar que não é alcoólatra por 
conseguir ficar alguns dias sem consumir bebida. No entanto, ela pode sofrer de alcoolismo funcional. Esse 
tipo de dependência ocorre quando o indivíduo tem uma vida estável, mas sente que está exagerando na 
bebida, já recebeu reclamações por beber demais ou sente-se culpado por algo que fez ao consumir essas 
substâncias. Além disso, sente uma necessidade constante de beber para relaxar. 
Diagnóstico do alcoolismo 
- Ao identificar sintomas de alcoólatra em si mesmo ou em alguma pessoa próxima (amigo ou familiar), é 
fundamental procurar auxílio especializado para fazer o diagnóstico correto e evitar que o problema evolua. 
- Existem alguns critérios básicos para diagnosticar a dependência de álcool. Os sintomas de alcoolismo são 
avaliados de acordo com os parâmetros do Código Internacional de Doenças (CID), que estabelece o 
diagnóstico quando o paciente apresentar ao menos 3 das seguintes condições nos últimos 12 meses: 
 Desejo incontrolável (compulsão) por bebidas alcoólicas; 
 Falta de controle quanto ao consumo (para começar, parar ou regular a ingestão de álcool); 
 Sinais de abstinência física ao cessar o consumo; 
 Evidências clínicas de aumento da tolerância ao álcool; 
 Perda de interesse (gradual e progressiva) por atividades da rotina e de convívio social; 
 Insistência no consumo de álcool apesar da percepção das consequências do ato para a saúde e cognição 
 
https://hospitalsantamonica.com.br/como-lidar-com-o-excesso-de-alcool-no-fim-de-ano/
https://hospitalsantamonica.com.br/como-tratar-o-alcoolismo-na-adolescencia/
https://hospitalsantamonica.com.br/dependencia-quimica/alcoolismo/
https://www.cid10.com.br/

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