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ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 2022 © Todos os direitos autorais desta obra são reservados e protegidos à Editora Sanar Ltda. pela Lei nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998. É proibida a duplicação ou reprodução deste volume ou qualquer parte deste livro, no todo ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, gravação, fotocópia ou outros), essas proibições aplicam-se também à editoração da obra, bem como às suas características gráficas, sem permissão expressa da Editora. Editora Sanar Ltda. Rua Alceu Amoroso Lima, 172 Caminho das Árvores, Edf. Salvador Office & Pool, 3º andar. CEP: 41820-770, Salvador – BA. Telefone: 0800 337 6262 www.sanarmed.com atendimento.med@sanar.com Apostila Base da Medicina 2022: Preventiva Pedro Eustáquio Urbano Teixeira Maitê Benati Dahdal Raísa Dourado Almeida Pedro Eustáquio Urbano Teixeira Renata Acácio Rocha Gustavo Almeida de Carvalho Silva Richard Veiga Editoração Richard Veiga Editoração Bruno Brum Luis Dolhnikoff Editora Papagaio Tony Roberson de Mello Rodrigues Matheus Feliciano da Costa Ferreira Jhulia Voltani Fernandes Silva Vinícius Côgo Destefani Caio Nunes Felipe Marques da Costa Título | Autores | Coordenador | Editores | Projeto gráfico | Diagramação | Capa | Edição de textos | Conselho editorial | FICHA CATALOGRÁFICA Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Tuxped Serviços Editoriais (São Paulo-SP) Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário Pedro Anizio Gomes – CRB-8 8846 T266a Teixeira, Pedro Eustáquio Urbano (coord.). Apostila Base da Medicina 2022: Preventiva / Coordenador: Pedro Eustáquio Urbano Teixeira; Autores: Pedro Eustáquio Urbano Teixeira, Maitê Benati Dahdal e Raísa Dourado Almeida. – 1. ed. – Salvador, BA: Editora Sanar, 2022. 380 p.; 21x26,7 cm. Inclui bibliografia. ISBN 978-85-5462-246-6 (Residência Médica). ISBN 978-85-5462-247-3 (Revalida). 1. Epidemiologia. 2. Estatística. 3. Ética. 4. Medicina. 5. Medicina Preventiva. 6. Residência. 7. Saúde Coletiva. I. Título. II. Assunto. III. Coordenador. IV. Autores. CDD 614 CDU 61 ÍNDICE PARA CATÁLOGO SISTEMÁTICO 1. Medicina preventiva. 2. Medicina: Preventiva. APOSTILA BASE DA MEDICINA 2022: PREVENTIVA Referência bibliográfica: TEIXEIRA, Pedro Eustáquio Urbano (coord.). Apostila Base da Medicina 2022: Preventiva. 1. ed. Salvador, BA: Editora Sanar, 2022. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 3 AUTORES PEDRO EUSTÁQUIO URBANO TEIXEIRA Médico formado pela Universidade do Estado da Bahia. Coordenador de Medicina Preventiva da Sanar. Coordenador pedagógico do Sanarflix. Pre- ceptor de Atenção Integral à Saúde na Universidade Salvador – Unifacs. MAITÊ BENATI DAHDAL Médica pela Universidade Cidade de São Paulo (UNICID). Residência Médica em Medicina de Família e Comunidade pela Universidade Estadual de Cam- pinas (UNICAMP). Coordenadora da Pós Graduação em Medicina de Família e Comunidade da Sanar e UniAmérica. RAÍSA DOURADO ALMEIDA Médica graduada pela FMB-UFBA, especialista em Medicina de Família e Comunidade pela FESF-SUS/ Fiocruz e Especialista em preceptoria em medicina de família e comunidade pela UFCSPA. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 5 COMO GARANTIR UMA APRENDIZAGEM EFICAZ E UMA RETENÇÃO DURADOURA? Tentar aprender muitas informações e conteúdos juntos e rapidamente pode diminuir a sua habilidade de reter, relembrar e usar esse aprendizado, pois a memorização dos fatos isolados não ajuda a criação de conexões entre os conceitos, além de não estimular a interligação entre o conhecimento prévio e aprendizados novos. Entender e conectar as informações estudadas é essencial tanto para a nossa memória e retenção, quanto para as futuras aprendizagens. Por isso é tão importante garantir que você entendeu o que acabou de estudar e criou as conexões necessá- rias entre os conceitos. Seguem algumas sugestões para que você possa fazer isso de maneira rápida e eficaz durante os seus momentos de estudo: 1. MAPAS MENTAIS O Mapa Mental é uma ferramenta para organizar, memorizar e analisar melhor um conteúdo específico. u Quando fazer: Quando você precisa entender como os conceitos estão inter-relacionados ou memorizar partes importantes do assunto. u Como fazer: A partir do Título e da sua lista de palavras, comece a criar o seu Mapa: a) Enquanto estuda um assunto, comece a escrever uma lista de palavras importantes que você não pode deixar de entender e reter na sua memória. Enquanto faz isso, pense em como essas palavras se conectam entre si. b) Coloque o título no centro da folha. A partir dele, puxe linhas que conectem as informações associadas ao título, que serão algumas das palavras da sua lista. c) Pense em outras conexões subsequentes e vá conectando as palavras umas com as outras seguindo uma lógica, por exemplo: Causa-Efeito, Sintoma-Doença, etc. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 6 Como garantir uma aprendizagem eficaz e uma retenção duradoura? d) Utilize formas geométricas para distinguir as palavras do seu mapa por categorias, por exemplo, use retângulos para todas as palavras que se encaixam na categoria Causas, use eclipses para as palavras que você encaixa em Efeitos. e) Use cores diferentes para deixar o seu mapa mental ainda mais claro e conectado. Defina as cores que você irá utilizar para cada categoria ou cada tipo de conexão. Ilustração de mapa mental. Essa tarefa pode até demorar um pouco mais no começo, mas, com um pouco de prática, você não vai gastar mais do que 10 minutos para garantir um enten- dimento aprofundado e uma aprendizagem mais eficaz e duradoura. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 7 Como garantir uma aprendizagem eficaz e uma retenção duradoura? 2. FLUXOGRAMAS Para que a aprendizagem seja realmente significativa, precisamos tam- bém garantir o entendimento dos contextos e das conexões que existem entre os diferentes assuntos. Através do seu Mapa Mental, você garantiu o seu entendimento e criou as conexões necessárias para entender um conceito específico. Construindo o seu próprio Fluxograma, você poderá expandir o seu entendimento dos assuntos complexos, conectando vários conceitos importantes entre si e com os seus contextos. u Quando fazer: Os Fluxogramas são ideais para consolidar processos e passo a passos! Por exemplo, você pode começar o seu Fluxograma com uma suspeita diagnóstica, para depois passar pela classificação e chegar até o tratamento. u Como fazer: A partir do seu objetivo, defina o título e os assuntos que irão entrar no seu Fluxograma: a) Depois de ter estudado um assunto mais amplo, pense no quadro completo que você precisa entender e saber. A partir disso, crie a lista de palavras, conceitos e frases mais importantes que você precisa incluir para atingir o seu objetivo. b) Coloque o Título no centro da folha. A partir do título, puxe linhas que conectem as infor- mações associadas ao título, que serão algumas das palavras ou frases da sua lista. c) Pense em outras conexões subsequentes e vá conectando as palavras e os conceitos até sentir que o processo e o conteúdo estão completos. d) Defina e siga uma lógica, por exemplo: Sintoma-Suspeita Diagnóstico-Exames-Classifica- ção-Tratamento. e) Utilize formas geométricas para distinguir as palavras do seu fluxograma por categorias, por exemplo, use retângulos para todas as palavras que se encaixam na categoria Causas, use eclipses para as palavras que você encaixa em Efeitos. f) Use cores diferentes para deixar o seu fluxograma ainda mais claro e conectado. Defina as cores que você irá utilizar para cada categoria ou cada tipo de conexão. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 8 Como garantir umaaprendizagem eficaz e uma retenção duradoura? No final, você terá um grande Fluxograma que não só vai garantir o seu entendi- mento, mas facilitará a revisão dos assuntos mais amplos e ajudará o seu cérebro a aprender, reter e saber usar as informações estudadas. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 9 Como garantir uma aprendizagem eficaz e uma retenção duradoura? 3. RESUMOS Para garantir o entendimento e a retenção das informações estudadas, um outro fator importante é a reflexão. Refletir sobre o assunto estudado, como os conceitos importantes se conectam entre eles e como aquele aprendizado pode ser aplicado, ajuda você a fazer as conexões necessárias e organizar as informações recebidas para retê-las na memória. Por isso, uma outra atividade essencial na sua rotina de estudo é escrever Resumos. u Quando fazer: Sempre que estudar! Resumos de fechamento são essenciais para a apren- dizagem. u Como fazer: Para executar essa estratégia você irá precisar só de alguns minutos, mas tam- bém de concentração e reflexão. a) Enquanto estiver estudando, leia e escute com atenção. b) Marque ou grife as palavras chave no texto ou as anote no seu caderno caso você esteja assistindo uma videoaula. c) Assim que terminar de estudar informações novas, olhe para as suas palavras chave e reflita sobre 2 perguntas: • O que acabei de aprender sobre o assunto? • Como isso se conecta ou se relaciona com o que eu já sabia? d) Comece a escrever breves respostas de no máximo 10 linhas para cada uma dessas per- guntas. e) Garanta que o seu texto seja sucinto, sem repetições e descrições desnecessárias, mas que responda bem às perguntas acima. 4. O QUE FAZER COM ESSES MATERIAIS DEPOIS? Estudos recentes comprovam que a retenção das informações na nossa memória depende diretamente da quantidade de vezes que acessamos essas informações. Por isso, estudar um assunto pouco a pouco, e não tudo de vez, e revisar com frequência é muito importante para garantir que na hora da prova você irá conseguir lembrar o que aprendeu sem dificuldades. Para aproveitar melhor o seu tempo de estudo e garantir revisões boas e frequentes, você pode usar os seus Mapas Mentais, Fluxogramas e Resumos criados no momento do estudo para revisar os assuntos já estudados ao longo do ano. Isso irá fortalecer as sinapses criadas e garantir a retenção das informações na memória a longo prazo. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 11 CONHEÇA A APOSTILA O que você precisa saber: Resumo dos principais pontos que você precisa se atentar ao ler o capítulo, direcionando seu estudo para o que realmente cai na prova. Bullets: Conteúdo organizado de forma objetiva e direta, em listas com marcadores, agilizando a localização das informações. Importância/prevalência do capítulo: Frequência do conteúdo em questões de provas de residência. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 12 Conheça a apostila Títulos e subtítulos numerados: Fácil identificação dos diferentes níveis de hierarquia dos tópicos. Dicas: Parte da escrita onde o professor conversa com você e que contém informações essenciais para entender as questões. Subcapítulos em destaque. Número do capítulo. Sumário nas aberturas dos módulos, com indicação dos níveis de importância de cada capítulo. importância/prevalência Indicação da especialidade ou área do capítulo. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 13 Conheça a apostila Questões comentadas: Questões aplicadas nos últimos anos nas principais provas de residência médica. Na primeira parte apresentamos apenas as questões e na segunda o gabarito e os comentários gerais do professor sobre todas as alternativas. Gabarito e comentário das questões, com explicação do professor tanto da resposta correta quanto do motivo de as outras estarem incorretas. Questões sem o gabarito para não direcionar a sua resposta Indicação dos diferentes graus de dificuldade: Indicação da especialidade ou área do capítulo.Título do capítulo. Título do capítulo. Fácil Intermediário Difícil dificuldade: dificuldade: dificuldade: 13 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 14 Conheça a apostila Fixe seus conhecimentos! Ao final da apostila e de alguns capítulos você encontrará espaços para construir mapas mentais, fluxogramas ou fazer resumos e, assim, fixar seu conhecimento! Mapas mentais: Ao final de cada capítulo você encontrará mapas mentais, sintetizando os assuntos abordados. 14 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 15 SUMÁRIO PREVENTIVA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 capítulo 1. ESTUDOS EPIDEMIOLÓGICOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27 1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27 2. 1º passo: identificar as variáveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 3. 2º passo: identificar as características . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 3.1. Objetivo do estudo: descritivo x analítico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 3.2. Distinção de indivíduos: agregado x individual . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 3.3. Análise temporal: transversal x longitudinal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 3.4. Direcionamento de variáveis: prospectivo x retrospectivo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31 3.5. Papel do pesquisador: observacional x intervenção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32 4. 3º passo: eliminar as alternativas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32 5. Estudos ecológicos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32 5.1. Razão de prevalências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 6. Estudos de coorte. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 6.1. Risco relativo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 7. Estudos de caso-controle. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 7.1. Odds-ratio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 8. Ensaio clínico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38 8.1. Medidas de associação dos ensaios clínicos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39 9. Outras medidas de associação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40 10. Erros e vieses . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40 11. Estratégias para reduzir vieses . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 11.1.Cegamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 11.2. Aleatorização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 11.3. Pareamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 12. Resumão dos estudos epidemiológicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42 Mapa mental . Estudos epidemiológicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 16 Sumário Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46 capítulo 2. MEDICINA BASEADA EM EVIDÊNCIAS E BIOESTATÍSTICA . . . . 53 1. Medicina baseada em evidências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 1.1. Hipótese nula x hipótese alternativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54 1.2. Erro alfa x erro beta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54 1.3. Níveis de evidência e graus de recomendação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55 1.4. Revisão sistemática e metanálise . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56 2. Bioestatística . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59 2.1. Medidas de ação central . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59 2.2. Medidas de dispersão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59 2.3. Distribuição normal. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59 2.4. Variáveis quantitativas e qualitativas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60 Mapa mental . Medicina baseada em evidências e bioestatística . . . . . . . . . . . . 61 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64 capítulo 3. TESTES DIAGNÓSTICOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71 1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72 2. Sensibilidade e especificidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73 2.1. Sensibilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73 2.2. Especificidade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74 2.3. Sensibilidade x especificidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75 3. Tabela de contingência 2x2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76 4. Valores preditivos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78 4.1. Valor Preditivo Positivo (VPP). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78 4.2. Valor Preditivo Negativo (VPN) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79 5. Valores preditivos e acurácia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80 6. Razão de verossimilhança . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81 7. Curva ROC . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81 Mapa mental . Testes diagnósticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85 capítulo 4. HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA E NÍVEIS DE PREVENÇÃO . . 91 1. Histórico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91 2. Processo saúde-doença . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91 3. História natural da doença. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91 3.1. Período pré-patogênico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 92 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 17 Sumário 3.2. Período patogênico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 92 4. Níveis de prevenção em saúde . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93 4.1. Prevenção primária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93 4.2. Prevenção secundária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94 4.3. Prevenção terciária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95 4.4. Prevenção quaternária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95 5. Novos termos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96 5.1. Prevenção primordial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96 5.2. Prevenção quinquenária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96 Mapa mental 1 . História natural das doenças . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97 Mapa mental 2 . Níveis de prevenção em saúde . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98 Referências . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 99 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100 capítulo 5. ENDEMIA E EPIDEMIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107 1. Conceitos iniciais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107 2. Fatores determinantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109 3. Hospedeiro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109 4. Modos de transmissão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109 4.1. Transmissão direta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109 4.2. Transmissão indireta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 110 5. Classificação dos casos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 110 6. Controle das doenças . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111 7. Endemia, epidemia e pandemia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111 7.1. Endemia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111 7.2. Epidemia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 113 7.3. Tipos de epidemia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 115 8. Investigação epidemiológica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 115 8.1. Etapas de investigação de surtos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 116 9. Organização assistencial e elaboração do plano de contingência em situações de epidemia 117 10. A pandemia de coronavírus no Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 118 10.1. Dados epidemiológicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 118 10.2. Variantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 120 Mapa mental . Endemias e epidemias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 121 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 122 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 123 capítulo 6. HISTÓRIA DO SUS E LEIS ORGÂNICAS DA SAÚDE . . . . . . . . . . . . 131 1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131 2. A história da saúde pública . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131 2.1. Descobrimento ao Império . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 18 Sumário 2.2. República Velha . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132 2.3. Era Vargas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 133 2.4. Ditadura Militar. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 133 2.5. Reforma Sanitária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134 2.6. VIII Conferência Nacional de Saúde . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134 2.7. Constituição Federal de 1988 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134 3. As leis orgânicas da saúde . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134 3.1. Lei nº 8.080/1990 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134 3.2. Lei nº 8.142/1990 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 137 4. Sistema de saúde suplementar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 138 4.1. Lei nº 8.080 – Em relação aos serviços privados de assistência à saúde . . . . . . . . . . . . . . . . 138 4.2. Marcos Regulatórios. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 139 Mapa mental . História do SUS e leis orgânicas da saúde . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 140 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 142 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 143 capítulo 7. FINANCIAMENTO E FUNCIONAMENTO DO SUS . . . . . . . . . . . . . 149 1. Financiamento do SUS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 149 1.1. Constituição de 1988 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 149 1.2. Fontes de recursos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 149 1.3. Aplicação dos recursos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 150 1.4. Portaria nº 828, de 17 de abril de 2020 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 152 1.5. O financiamento na atenção básica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 152 1.6. Emenda Constitucional nº 29/2000 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 154 1.7. Lei Complementar nº 141/2012 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 154 1.8. Emenda Constitucional nº 95/2016 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 154 2. Funcionamento do SUS . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 154 2.1. Norma Operacional Básica 91 (NOB 91) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 155 2.2. Norma Operacional Básica 93 (NOB 93). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 155 2.3. Norma Operacional Básica 96 (NOB 96). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 156 2.4. Norma Operacional de Assistência à Saúde 2001 (NOAS 2001) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 156 2.5. Norma Operacional de Assistência à Saúde 2002 (NOAS 2002) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 156 2.6. Pacto da Saúde 2006 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 156 2.7. Pacto pela Vida (2008) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 157 Mapa mental . Financiamento do SUS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 158 Mapa mental . Funcionamento do SUS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 159 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 160 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 161 capítulo 8. PROGRAMAS E POLÍTICAS DE SAÚDE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 167 1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 167 1.1. Breve histórico, contextualização e conceitos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 167 2. Quais são os principais programas e políticas de saúde? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 168 2.1. Política Nacional de Saúde Mental. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 170 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 19 Sumário 3. A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 173 4. Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 173 4.1. Objetivo geral da PNPS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 174 5. Política Nacional de Humanização (HumanizaSUS) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 175 5.1. Princípios da PNH. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 176 5.2. Propósitos da PNH . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 177 5.3. Objetivos da PNH . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 177 5.4. Dispositivos da PNH . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 177 6. Programa Mais Médicos pelo Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 177 7. Programa Nacional de Segurança do Paciente. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 179 7.1. São objetivos específicos do PNSP. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 179 7.2. O PNSP apresenta quatro eixos estratégicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 179 8. Política Nacional de Educação Popular em Saúde. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 179 8.1. Objetivos específicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 180 9. Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 181 9.1. Objetivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 181 Mapa mental . Programas e políticas de saúde . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 182 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 184 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 185 capítulo 9. ATENÇÃO PRIMÁRIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 191 1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 191 1.1. Sistema de saúde . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 191 1.2. Atenção primária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 191 1.3. Ecologia dos serviços de saúde . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 193 2. Conceitos básicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 193 2.1. Densidade tecnológica x complexidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 194 3. Atributos da APS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 194 3.1. Atenção de primeiro contato/acesso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 195 3.2. Coordenação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 195 3.3. Longitudinalidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 196 3.4. Cuidado abrangente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 196 3.5. Competência cultural. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 196 4. Níveis de atenção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 196 4.1. Atenção primária à saúde . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 197 4.2. Atenção secundária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 197 4.3. Atenção terciária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 197 5. Atenção primária no Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 198 5.1. Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . 198 5.2. O Programa Saúde da Família/Estratégia de Saúde da Família . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 198 6. Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 199 6.1. Princípios e diretrizes. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 200 6.2. Infraestrutura, ambiência e funcionamento da atenção básica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 201 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 20 Sumário 6.3. Tipos de equipes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 201 6.4. Quais serviços oferece?. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 202 7. Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB) . . . . . . . . . . . . . . 202 8. Atribuições dos profissionais de atenção básica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 202 8.1. Atribuições comuns a todos os membros das equipes que atuam na atenção básica. . . 202 8.2. Enfermeiro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 203 8.3. Médico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 203 8.4. Agente comunitário de saúde . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 203 9. Financiamento da atenção primária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 203 10. Novidades na atenção primária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 204 10.1. Mudança nas equipes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 204 10.2. Programa “saúde na hora” . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 204 11. Avaliação da atenção primária. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 205 Mapa mental . Atenção primária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 206 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 208 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 209 capítulo 10. FERRAMENTAS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 217 1. Método clínico centrado na pessoa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 217 1.1. Os quatro componentes do método clínico centrado na pessoa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 218 2. Registro Clínico Orientado por Problemas (RCOP) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 219 3. Instrumentos de abordagem familiar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 220 3.1. Genograma. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 220 3.2. Ecomapa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 222 3.3. APGAR familiar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 223 4. Territorialização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 223 5. CIAP. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 223 6. Projeto terapêutico singular . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 224 Mapa mental . Ferramentas da atenção primária à saúde . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 225 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 227 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 228 capítulo 11. DECLARAÇÃO DE ÓBITO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 235 1. A declaração de óbito (D.O.). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 235 1.1. Vias da declaração de óbito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 236 1.2. O que é declaração de óbito epidemiológica? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 237 2. O papel do médico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 238 2.1. O que o médico deve fazer?. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 238 2.2. O que o médico não deve fazer? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 239 3. Quando emitir a declaração de óbito. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 239 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 21 Sumário 4. Quem deve emitir a D.O.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 240 5. Composição da declaração de óbito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 241 6. Como preencher a D.O.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 242 7. Código de Ética Médica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 244 7.1. É vedado ao médico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 244 8. Esclarecendo as dúvidas mais comuns . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 244 9. Vamos praticar? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 245 Mapa mental . Declaração de óbito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 247 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 248 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 249 capítulo 12. VIGILÂNCIA EM SAÚDE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 255 1. Vigilância em Saúde . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 255 1.1. Vigilância sanitária . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 255 1.2. Vigilância em saúde ambiental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 256 1.3. Vigilância de zoonoses . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 256 1.4. Saúde do trabalhador. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 256 1.5. Vigilância epidemiológica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 257 2. Sistemas de informação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 257 3. Rastreamentos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 258 3.1. Critérios para rastreamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 258 3.2. Colo do útero . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 258 3.3. Mama . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 259 3.4. Colorretal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 260 3.5. Próstata . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 260 3.6. Rastreamentos clínicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 260 Mapa mental . Vigilância em saúde . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 261 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 263 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 264 capítulo 13. NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 271 1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 271 2. A notificação compulsória . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 271 2.1. Quem notifica? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 272 2.2. Por que notificar?. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 272 2.3. Quando notificar? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 273 2.4. Outras informações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 273 3. Lista nacional de notificação compulsória . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 274 3.1. Calendário vacinal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 274 3.2. Mosquitos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 274 3.3. Animais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 275 3.4. Acidentes e violência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 275 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 22 Sumário 3.5. Outras doenças . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 276 3.6. Atualizações 2020 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 279 4. Unidades sentinela. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 279 5. Lei nº 13.685, de 25 de junho de 2018 e outros documentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 279 Mapa mental 1 . Notificação compulsória . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 282 Mapa mental 2 . Lista nacional de notificação compulsória . . . . . . . . . . . . . . . . . . 283 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 285 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 286 capítulo 14. INDICADORES DE SAÚDE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 293 1. Indicadores de morbidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 293 1.1. Prevalência. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 293 1.2. Incidência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 294 2. Outros conceitos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 295 2.1. Letalidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 295 2.2. Mortalidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 296 3. Coeficientes e índices . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 297 3.1. Coeficientes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 297 3.2. Índices . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 297 4. Curvas de Nelson Moraes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 298 5. Transição demográfica e epidemiológica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 299 5.1. Transição demográfica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 299 5.2. Transição epidemiológica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 300 6. Perfil de morbimortalidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 301 6.1. Mortalidade por causa . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 301 6.2. Principais neoplasias. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 302 6.3. Neoplasias com maior mortalidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 302 Mapa mental . Indicadores de saúde . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 304 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 306 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 307 capítulo 15. ÉTICA MÉDICA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 313 1. O novo Código de Ética Médica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 315 1.1. Preâmbulo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 315 1.2. Capítulo 1 – Princípios fundamentais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 315 1.3. Capítulo 2 – Direitos dos médicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 316 1.4. Capítulo 3 – Responsabilidade profissional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 317 1.5. Capítulo 4 – Direitos humanos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 318 1.6. Capítulo 5 – Relação com pacientes e familiares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 318 1.7. Capítulo 6 – Doação e transplante de órgãos e tecidos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 319 1.8. Capítulo 7 – Relação entre médicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 319 1.9. Capítulo 8 – Remuneração profissional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 319 1.10. Capítulo 9 – Sigilo profissional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 319 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 23 Sumário 1.11. Capítulo 10 – Documentos médicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 320 1.12. Capítulo 11 – Auditoria e perícia médica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 321 1.13. Capítulo 12 – Ensino e pesquisa médica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 321 1.14. Capítulo 13 – Publicidade médica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 321 1.15. Capítulo 14 – Disposições gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 321 2. Outros documentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 322 2.1. Resolução CFM nº 1.851/2008 – Atestado médico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 322 2.2. Resolução CFM nº 1.638/2002 – Prontuário médico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 322 2.3. Portaria nº 467/2020 do Ministério da Saúde – Telemedicina e teleconsulta. . . . . . . . . . . . 322 Mapa mental . Ética médica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 324 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 326 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 327 capítulo 16. BENEFÍCIOS SOCIAIS E PREVIDENCIÁRIOS . . . . . . . . . . . . . . . . . 333 1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 333 2. Conceitos iniciais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 334 3. Benefícios assistenciais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 335 4. Benefícios previdenciários. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 336 5. Vulnerabilidade social . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 337 5.1. Índice de vulnerabilidade social . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 337 Mapa mental . Benefícios sociais e previdenciários . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 339 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 340 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 341 capítulo 17. VULNERABILIDADE SOCIAL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 345 1. Risco e vulnerabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 345 2. Vulnerabilidade e saúde pública . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 346 2.1. Índice de vulnerabilidade social (IVS) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 346 2.2. Como interpretar o IVS? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 347 3. Política nacional de assistência social . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 348 4. Vulnerabilidade juvenil (crianças e adolescentes) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 348 4.1. Violência em adolescentes e jovens . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 348 4.2. Mortalidade por causas externas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 348 4.3. Saúde sexual e reprodutiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 349 4.4. Consumo de álcool e drogas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 349 5. Idosos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 349 6. População de rua . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 350 7. População rural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 351 8. Mulheres . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 352 8.1. Violência doméstica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 353 Mapa mental 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 355 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 24 Sumário Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 356 Bibliografia consultada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 356 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 357 capítulo 18. SAÚDE DO TRABALHADOR . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 361 1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 361 2. Os riscos ocupacionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 361 3. Legislação, políticas e benefícios. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 362 3.1. Acidentes de trabalho. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 362 3.2. A Previdência Social . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 363 3.3. Os benefícios previdenciários . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 364 3.4. Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 365 3.5. RENAST e CEREST. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 365 4. Doenças e agravos relacionados ao trabalho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 365 4.1. O Nexo Técnico Previdenciário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 366 4.2. Classificação das doenças segundo sua relação com o trabalho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 366 4.3. Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) ou Lesões por Esforços Repetitivos (LER) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 366 4.4. Perda de Audição Induzida pelo Ruído (PAIR) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 367 4.5. Pneumoconioses . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 367 4.6. Dermatoses ocupacionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 368 4.7. Intoxicações exógenas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 368 4.8. Síndrome de burnout. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 369 Mapa mental . Saúde do trabalhador . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 371 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 373 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 374 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 25 PREVENTIVA ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 26 PREVENTIVA Sumário Prevalência/importância 1 . Estudos epidemiológicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2 . Medicina baseada em evidências e bioestatística . . . . . 3 . Testes diagnósticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 . História natural das doenças e níveis de prevenção. . . . . 5 . Endemia e epidemia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 . História do SUS e leis orgânicas da saúde . . . . . . . . . . . . . 7 . Financiamento e funcionamento do SUS . . . . . . . . . . . . . 8 . Programas e políticas de saúde . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 . Atenção primária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 . Ferramentas da atenção primária. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 . Declaração de óbito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 . Vigilância em saúde . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 . Notificação compulsória . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 . Indicadores de saúde . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 . Ética médica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 . Benefícios sociais e previdenciários. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 . Vulnerabilidade social. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 . Saúde do trabalhador. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 27 Capítulo 1ESTUDOS EPIDEMIOLÓGICOS O QUE VOCÊ PRECISA SABER? u Variável independente é aquela que independe de um fator anterior, sendo considerada o fator de risco, ou a possível causa, da variável dependente. u Variável dependente é aquela que depende de um fator anterior, sendo considerada o desfecho, ou a pos- sível consequência, da variável independente. u As características dos Estudos Epidemiológicos podem ser divididas em 5 “blocos”: distinção de indivíduos, objetivo do estudo, análise temporal, direcionamento de variáveis e papel do pesquisador. u Os principais desenhos de estudo são os seguintes: Relatos/Séries de casos, Ecológico, Coorte, Caso- -controle e Ensaio Clínico. u As principais medidas de associação são as seguintes: Risco Relativo, Odds-ratio e Número Necessário ao Tratamento. BASES DA MEDICINA Quando dizemos que algo é “comprovado cientificamente”, isso quer dizer que algum tipo de estudo científico foi desenvolvido, chegando a determinada conclusão. Na medicina, esses são os Estudos Epidemiológicos. Nesses estudos, um grupo, considerado recorte ou amostra de uma população, é observado por pesquisadores ou sub- metido a uma intervenção, e os resultados encontrados nesse grupo são tidos como demonstrativos daquilo que esperamos da população que ele representa. Se afirmamos que a Hipertensão é fator de risco para eventos cardio- vasculares, como o Infarto Agudo do Miocárdio, sabemos disso porque pudemos observar essa evolução através de um desses estudos. Se prescrevemos um medica- mento para Insuficiência Cardíaca, o fazemos porque, em alguns desses grupos, a prescrição daquele medicamento resultou em redução da mortalidade. Existem, entretanto, vários tipos diferentes de estudos epidemiológicos que podem ser desenvolvidos, com características distintas quanto ao papel do pesquisador, à análise temporal, à distinção de indivíduos na pesquisa etc. A identificação dessas características é essencial sempre que lemos algum artigo científicoque descreve um estudo realizado. 1. INTRODUÇÃO Em provas, essas habilidades de identificação de características e de distinção de desenho de estudo são cobradas constantemente. As questões, muitas vezes, trazem enunciados longos e cansativos. Se não estivermos bem familiarizados com o assunto, acabamos não conseguindo entender o que a ques- tão pede numa primeira leitura, e perdemos muito tempo lendo e relendo os enunciados. Por isso, queremos apresentar para você um passo a passo para responder a essas questões. Assim, você terá uma visão mais sistemática sobre o enunciado e as alternativas, sabendo, já numa primeira leitura, o desenho do estudo apresentado, o que a questão está pedindo e qual a alternativa correta. Vamos lá. importância/prevalência ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Estudos epidemiológicos Epidemiologia 28 2. 1º PASSO: IDENTIFICAR AS VARIÁVEIS Você sabe o que são variáveis dependentes e inde- pendentes? Identificar essas variáveis na sua ques- tão é um passo essencial. Variáveis independentes são aquelas que representam o fator de risco, ou a causa, no estudo descrito. É aquilo que existe independentemente da outra variável que está sendo analisada. Como assim? Em um estudo que está querendo avaliar o surgimento de câncer de pulmão em pacientes tabagistas, estamos olhando para duas variáveis: câncer de pulmão e tabagismo. O que o estudo planeja avaliar é se a presença do tabagismo influencia o risco de desenvolvimento do câncer de pulmão. O câncer de pulmão, portanto, depende da presença do tabagismo para existir, enquanto o tabagismo existe por si só, independentemente do câncer. O tabagismo veio antes, em pacientes sem câncer de pulmão. O câncer de pulmão virá depois por conta da exposição ao tabagismo. Tabagismo será nossa variável independente, enquanto o câncer será a variável dependente, ou seja, a consequência, o desfecho, aquela que depende da presença da outra variável estudada para existir. Quer dizer então que não existe nada que influencie o tabagismo? Claro que existe: ansiedade, depressão, propaganda etc. Acontece que nada disso está sendo avaliado no estudo em questão. Parece ser bem fácil, correto? Vamos dar um exem- plo um pouco mais difícil. Um estudo avalia gestan- tes que tiveram doença pelo Zika vírus durante a gestação, cujos bebês nasceram com microcefalia. Os pesquisadores querem avaliar a gravidade da microcefalia e a sobrevida dos bebês. Se você avalia esse estudo rapidamente, pode pensar que a variável independente é a infecção pelo Zika vírus e que a dependente é a microcefalia. Errado. O estudo quer avaliar a relação entre a gravidade da microcefalia e a sobrevida. A microcefalia, portanto, é a variável independente, e a análise de sobrevida é a variável dependente. Isso muda completamente a sua visão sobre o estudo. Não pule esse primeiro passo. DICA Veremos que em estudos trans- versais e descritivos (discutidos adiante) a identificação de variáveis dependente e independente não é possível. Assim, se você tiver muita dificuldade na identifica- ção dessas variáveis, é possível que você esteja diante de um estudo com alguma dessas características. 3. 2º PASSO: IDENTIFICAR AS CARACTERÍSTICAS Esse é o passo mais importante para responder à sua questão. Enquanto você lê o enunciado, já deve ir procurando as características do estudo. Aconselha-se que você anote a característica no seu caderno de provas assim que a identificar. Quais características são essas? São 5 “blocos” de características que você tem que identificar, cada bloco com duas possibilidades. Nem sempre você vai conseguir encontrar informações para todas as 5 características de que precisa, mas você deve encontrar o suficiente para responder à questão. As características variam conforme o objetivo do estudo, a análise temporal, a distinção de indiví- duos, o papel do pesquisador e o direcionamento de variáveis. Observe a figura seguinte: ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Estudos epidemiológicos Cap . 1 29 Figura 1. Blocos de Características. Características dos estudos epidemiológicos Análise temporal Distinção de indivíduos Papel do pesquisadorObjetivo do estudo Descritivo Transversal Longitudinal Agregado Observacional Analítico Direcionamento de variáveis Prospectivo Retrospectivo Individual Intervenção Fonte: Autor. 3 .1 . OBJETIVO DO ESTUDO: DESCRITIVO X ANALÍTICO 3 .1 .1 . Descritivo Os estudos descritivos são aqueles que simples- mente descrevem uma realidade, a prevalência ou evolução de determinada situação (doença, agravo etc.), individual ou coletivamente. Se descrevemos um caso de um paciente (relato de caso), de alguns pacientes (série de casos) ou a prevalência de deter- minada doença na enfermaria em uma localidade, estamos falando de um estudo descritivo. Os estu- dos descritivos apenas geram hipóteses. Em resumo, os estudos descritivos: u Apenas descrevem a realidade (prevalência ou evolução); u Apenas geram hipóteses. DICA Há fontes (e provas) que conside- ram que até 3 casos ainda configuram relatos de casos, enquanto a partir desse número estamos diante de séries de casos, mas isso não é consenso. 3 .1 .2 . Analítico O estudo analítico não se limita a descrever o ocorrido. Há algum tipo de análise do processo saúde-doença em que são feitas associações entre variáveis, por exemplo. Se observamos pacientes expostos e não expostos a determinado fator de risco e analisamos o surgimento de uma doença (coorte), ou se tratamos um grupo com determinado medicamento e outro grupo com placebo para ver se o medicamento tem algum resultado no desfecho da doença (ensaio clí- nico), estamos realizando um estudo analítico. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Estudos epidemiológicos Epidemiologia 30 DICA Se há comparação entre grupos ou alguma medida de associação descrita (Risco relativo, Odds-ratio, Número neces- sário ao tratamento), provavelmente você está diante de um estudo analítico. Muito cuidado com o odds-ratio, já que essa medida não é exclusiva do estudo de caso-controle, que veremos a seguir. Além da divisão em grupos, caso o enunciado revele que o estudo tem como objetivo investigar a associação entre variáveis, você estará diante de um estudo analítico. Em resumo, os estudos analíticos: u Realizam associação entre variáveis; u Comparam grupos; u Testam hipóteses. 3 .2 . DISTINÇÃO DE INDIVÍDUOS: AGREGADO X INDIVIDUAL Para diferenciar os estudos agregados dos indivi- duais (ou individuados), pense em uma prova na faculdade. Podemos fazer a prova individualmente ou em grupo. Se você fizer a prova individualmente, sua nota vai refletir o seu estudo e o seu desempenho. Se a prova for em grupo, isso não é necessariamente verdade. Você pode não ter estudado nada, mas se um colega do seu grupo tiver estudado bem, seu professor nunca saberá o seu real desempenho. O seu professor estaria cometendo um equívoco ao afirmar que você estudou bastante para a prova tendo apenas como base a nota que o seu grupo tirou. Com relação à distinção de indivíduos nos estu- dos epidemiológicos, ocorre algo parecido. Vemos que há estudos que avaliam os indivíduos, sabendo exatamente quem detém ou não as características relevantes ao estudo, enquanto outros analisam populações inteiras, sem realizar essa distinção. 3 .2 .1 . Agregado No estudo agregado, avaliamos grupos ou popu- lações. É impossível distinguir os indivíduos. Se dizemos, por exemplo, que a cidade A tem mais fumantes e mais câncer de pulmão que a cidade B, podemos garantir que as pessoas com câncer de pulmão eram fumantes? Não! Como só esta- mos vendo a população sem distinção individual, é possível que os pacientes com câncer de pulmão sejam distintos dos fumantes. Não há como saber. Em resumo, os estudos agregados:u Não realizam distinção entre os indivíduos. DICA Vamos aprender que o estudo eco- lógico é um tipo de estudo agregado, mas cuidado, porque muitas provas trazem eco- lógico e agregado como sinônimos. 3 .2 .2 . Individual No estudo individual, ou individuado, conseguimos fazer essa distinção. Cada indivíduo é importante como objeto de estudo. Se algum paciente desen- volve câncer de pulmão, por exemplo, temos como saber se ele era fumante ou não. Em resumo, os estudos individuais: u Realizam distinção entre os indivíduos. 3 .3 . ANÁLISE TEMPORAL: TRANSVERSAL X LONGITUDINAL 3 .3 .1 . Transversal Os estudos transversais são simplesmente foto- grafias. Não há nenhuma análise de temporalidade. Sabemos apenas da realidade presente naquele momento. Em estudos transversais não podemos estabelecer causalidade. Como assim? Vamos dar um exem- plo. Imagine que estamos avaliando um grupo de 1000 pacientes, dos quais 500 são hipertensos. Perguntamos a todos os pacientes quem pratica atividade física regularmente e quem é sedentário. Ou seja, temos um retrato do presente que nos mostra quem é hipertenso e quem não é, e quem é sedentário e quem não é. Podemos estabelecer associações entre essas variáveis? Com certeza. Caso o sedentarismo seja muito mais prevalente no grupo dos pacientes hipertensos, podemos ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Estudos epidemiológicos Cap . 1 31 sim dizer que sedentarismo e hipertensão estão associados. Podemos estabelecer que sedenta- rismo é fator de risco, ou causa, de hipertensão? A resposta é não. Para uma variável ser considerada independente, ou seja, fator de risco, essa precisa anteceder, ou estar presente antes, da variável dependente. Em um estudo transversal é impossível estabelecer qual variável estava presente antes, já que estamos apenas vendo um retrato da realidade naquele momento. No nosso exemplo, será que o sedentarismo é o fator de risco da hipertensão, ou é a hipertensão que é fator de risco para o seden- tarismo? Você não pode tirar conclusões baseadas no seu conhecimento prévio. Você precisa olhar para o estudo que o enunciado lhe traz e avaliar se aquela conclusão pode ser tirada daquele estudo ou não. Em estudos transversais, nunca temos como estabelecer causalidade. É impossível saber quem veio antes e quem veio depois, ou seja, quem é causa e quem é consequência. Em resumo, os estudos transversais: u São fotografias de um momento; u Não permitem que se estabeleça causalidade. DICA Mais uma vez, se está impossível distinguir as variáveis dependente e inde- pendente no estudo, é possível que se tra- te de um estudo transversal, visto que não há como realizar essa distinção nesse tipo de estudo. As características de estudos transversais estão sendo mais cobradas nas provas. Cuidado! 3 .3 .2 . Longitudinal Nos estudos longitudinais há informações dos pacientes referentes a mais de um momento. Pode- mos iniciar com os pacientes no presente e ver como eles se comportarão no futuro (coorte e ensaio clínico), ou avaliar o histórico médico pregresso, como prontuários e registros, realizando uma aná- lise temporal voltada ao passado (caso-controle ou coorte histórica). Os estudos que acompanham os pacientes ao longo do tempo são claramente longi- tudinais, mas nem sempre esse acompanhamento estará evidente. Acontece que, caso você identifi- que que o estudo apresenta informações sobre os pacientes referentes a mais de um momento, mesmo que essas informações tenham sido colhidas de uma vez só, trata-se de um estudo longitudinal. Por exemplo: se aplicarmos um questionário a pacientes perguntando se eles são ou não hipertensos hoje e se eram ou não sedentários na infância, podemos estar adquirindo as informações todas ao mesmo tempo, mas essas informações são referentes a momentos distintos. O importante é que, nos estu- dos longitudinais, não temos um retrato da situação em apenas um momento, o que nos permite realizar análises de causalidade. Em resumo, os estudos longitudinais: u Acompanham o paciente ao longo do tempo (fu- turo ou passado); u Apresentam informações referentes a mais de um momento; u Permitem que se realize a distinção entre variável independente e dependente; u Permitem que se estabeleça causalidade. 3 .4 . DIRECIONAMENTO DE VARIÁVEIS: PROSPECTIVO X RETROSPECTIVO Estudos Longitudinais podem ser prospectivos ou retrospectivos. 3 .4 .1 . Prospectivo RISCO → DESFECHO. Esse é o estudo prospec- tivo. Não confunda isso com olhar para o futuro. O que define um estudo prospectivo é o fato de ele começar com a exposição e avaliar o surgimento do desfecho. Como exemplo temos um estudo que seleciona pacientes tabagistas e avalia o surgimento do câncer de pulmão. Em um estudo prospectivo a divisão dos grupos se dará a partir da exposição ao fator de risco. Ou seja, divide-se a amostra entre expostos e não-expostos. Está vendo como a deter- minação das variáveis independente e dependente é essencial? Em resumo, os estudos prospectivos: u São estudos longitudinais que partem do fator de risco para o desfecho. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Estudos epidemiológicos Epidemiologia 32 DICA Podemos pesquisar pacientes taba- gistas nos anos 1980 e avaliar se tiveram ou não câncer de pulmão até 2010. Está tudo no passado, mas como partimos da exposi- ção ao fator de risco, trata-se de um estudo prospectivo. Discutiremos isso mais a fun- do quando falarmos sobre coorte. 3 .4 .2 . Retrospectivo DESFECHO → RISCO. No estudo retrospectivo, avaliamos pacientes que já têm a doença, ou o desfecho. Procuramos, por exemplo, em pacientes que já desenvolveram o câncer de pulmão se há registros de tabagismo no passado. Partimos do desfecho e avaliamos a presença prévia do fator de risco. Dividimos a amostra entre doentes e não- -doentes (ou qualquer que seja o desfecho), e não entre expostos e não-expostos. Em resumo, os estudos retrospectivos: u São estudos longitudinais que partem do desfe- cho e avaliam a existência prévia de exposição ao fator de risco. 3 .5 . PAPEL DO PESQUISADOR: OBSERVACIONAL X INTERVENÇÃO 3 .5 .1 . Observacional Quando o pesquisador não realiza nenhum tipo de intervenção nos pacientes, como a administração de um medicamento, um procedimento cirúrgico ou alguma orientação, o estudo é observacional. Em resumo, os estudos observacionais: u Apenas se observam os indivíduos ou popula- ções, sem realizar intervenção neles. 3 .5 .2 . Intervenção Essa é a distinção mais fácil de ser feita. Se o pesquisador está dando algum medicamento ou realizando algum tipo de intervenção nos indivíduos (ou populações), esse é um estudo de intervenção. Em resumo, os estudos de intervenção: u Realizam intervenções nos indivíduos ou popu- lações estudados DICA Há outros estudos de intervenção, mas na sua prova praticamente o único estudo de intervenção que cai é o ensaio clínico. Não misture os “blocos” de características. Muita gente pergunta a diferença entre transversal e ana- lítico, por exemplo. Transversal se contrapõe ao longitudinal, enquanto analítico se contrapõe ao descritivo. Podemos ter estudos analíticos tanto transversais quanto longitudinais. Analítico, portanto, não é “diferente” de transversal, já que faz parte de outro “bloco” de características. 4. 3º PASSO: ELIMINAR AS ALTERNATIVAS As questões de Estudos Epidemiológicos devem ser respondidas por eliminação. Se você identificou no enunciado que o estudo apresentado é analítico, individuado e de intervenção, você vai procurar, nas suas alternativas, quais estudos são descritivos, agregados ou observacionais. Essas alternativas serão prontamente eliminadas. A partir das alter- nativas que sobrarem (na maioria das vezes, só vai sobrar a alternativa correta), você escolhe a que melhor responde à questão. Resta-nos, agora, aprender as característicasdos principais estudos que caem nas provas. 5. ESTUDOS ECOLÓGICOS Os estudos ecológicos são agregados, observacio- nais e transversais. Dentre essas características, o fato de ser um estudo agregado é o mais importante. Esse desenho de estudo enxerga populações ou gru- pos inteiros, sem distinção entre os indivíduos. No estudo ecológico, não há nenhum tipo de intervenção do pesquisador, sendo um estudo observacional. A análise é feita em apenas um momento, o que o torna um estudo transversal. Por ser agregado e transversal, não podemos realizar inferências acerca ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Estudos epidemiológicos Cap . 1 33 de causalidade, nem inferências em nível individual. Exemplo: em cidades com mais casas com piscinas há mais afogamentos. Se inferirmos que piscina é fator de risco para afogamento, cometeremos a falácia ecológica, já que não podemos garantir que os afogamentos aconteceram dentro das piscinas. É possível, por exemplo, que as pessoas estejam se afogando nas praias ou nos rios. O principal viés do estudo ecológico é a falácia ecológica, que significa realizar inferências em nível individual a partir de dados populacionais. Lembra-se daquele exemplo da prova em grupo? A partir da nota do grupo, o professor não pode concluir que você estudou o suficiente. u Vantagens: Baixo custo; realizado em pouco tempo. u Desvantagens: Apenas gera hipóteses; não de- termina causalidade. Observação: há outros estudos agregados que raramente são cobrados nas provas. São eles: u Série temporal: estudo agregado, observacional e longitudinal. Parece com o estudo ecológico, mas há análises em diferentes momentos. u Ensaio comunitário: estudo agregado, longitudinal e de intervenção. Existe alguma intervenção em nível populacional, como colocar flúor na água de uma cidade e observar a queda no número de pessoas com cárie. 5 .1 . RAZÃO DE PREVALÊNCIAS Uma medida de associação que podemos utilizar nos estudos transversais, assim como o estudo ecológico, é a razão de prevalências. Em estudos transversais, não temos como saber qual variável surgiu antes e qual surgiu depois, sendo, portanto, impossível estabelecermos causalidade. Podemos, entretanto, estabelecer a associação entre duas variáveis, sem necessariamente determinar qual é fator de risco e qual é desfecho. A Razão de Preva- lências tem essa função. Exemplo: Um estudo transversal avalia 2000 pacien- tes, sendo 1000 fumantes e 1000 não fumantes. Dos 1000 fumantes, 200 têm câncer de pulmão. Dos 1000 não fumantes, 10 têm câncer de pulmão. Nesse caso, não temos como saber se foi o taba- gismo ou o câncer de pulmão que veio antes, mas temos como comparar a prevalência do câncer na amostra de fumantes em relação à amostra de não fumantes, conforme tabela abaixo: Tabela 1. Razão de Prevalências. Doentes Não doentes Total Fumantes 200 (20%) 800 (80%) 1000 Não fumantes 10 (1%) 990 (99%) 1000 Total 210 (10,5%) 1790 (89,5%) 2000 Fonte: Autor. Razão de Prevalências (RP) = Proporção do “desfecho” nos “expostos” Proporção do “desfecho” nos “não expostos” Nesse caso, temos que RP = 20% de fumantes / 1% de não fumantes = 20. O que isso quer dizer? Que tabagismo aumenta em 20 vezes o risco de desenvolver câncer de pulmão? Não! Isso seria uma conclusão sobre causalidade. O que podemos afirmar é que o câncer de pulmão foi 20x mais comum no grupo dos tabagistas em comparação ao grupo dos não tabagistas, mas continuamos sem poder concluir qual variável é causa e qual é consequência. Por isso, inclusive, que pusemos “desfecho” e “expostos” entre aspas, já que não podemos afirmar qual variável configu- ra-se como fator de exposição e qual configura-se como desfecho. DICA A Razão de Prevalências é uma me- dida de associação pouco cobrada nas pro- vas. Mesmo assim, é importante lembrar que não podemos, mesmo com a razão de prevalências, estabelecer conclusões sobre causalidade a partir de um estudo transversal. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Estudos epidemiológicos Epidemiologia 34 6. ESTUDOS DE COORTE Os estudos de coorte são analíticos, individuais, longitudinais, observacionais e prospectivos. O mais importante é lembrar que são estudos prospecti- vos. No estudo de coorte, selecionamos pacien- tes expostos a um fator de risco e pacientes não expostos. Observamos esses pacientes durante um determinado tempo e avaliamos o surgimento do desfecho esperado. Sabemos a que grupo cada indivíduo estudado pertence. Nenhuma interven- ção é realizada por parte dos pesquisadores. Há um acompanhamento temporal dos participantes. Partimos do fator de risco e avaliamos o surgimento do desfecho. Por fim, realizamos a comparação dos dois grupos estudados a partir de alguma análise estatística. Qual análise estatística? Falaremos em breve. Abaixo, trazemos um exemplo bem resumido de um estudo de coorte: u Avaliamos um grupo de 2000 pacientes, sendo 1000 fumantes e 1000 não fumantes. Acompa- nhamos esses pacientes por 20 anos, observando o surgimento de câncer de pulmão. Realizamos análises estatísticas comparando os dois gru- pos que nos permitem concluir que tabagismo eleva consideravelmente o risco de surgimento do câncer de pulmão. Observe que a partir do estudo de coorte po- demos aprender sobre a história natural das doenças, já que observamos a doença surgir e evoluir em pessoas que eram saudáveis anterior- mente. Além disso, podemos estimar incidência, prognóstico, identificar fatores de risco e até de proteção, inclusive estudando múltiplos fatores de risco e desfechos de forma secundária. Aca- ba não sendo um estudo tão bom para eventos raros, já que há o risco de estudarmos pessoas por anos e ninguém adoecer, deixando o estudo inconclusivo. É bom, entretanto, para doenças potencialmente fatais, porque, caso a doença tenha alta letalidade, não poderíamos selecionar as pessoas já doentes para inclusão no estudo, visto que muitas já teriam evoluído para óbito. u Vantagens: História natural das doenças; esta- belece bem os fatores de risco; doenças poten- cialmente fatais. u Desvantagens: Custo; duração; doenças raras. A coorte histórica também parte do fator de risco para o desfecho, mas de um ponto no passado. Ex.: Análise de pacientes tabagistas nos anos 1980 e surgimento de câncer de pulmão até os anos 2000. DICA Algumas fontes, e provas, chamam esse tipo de estudo de coorte retrospectiva. Acontece que a coorte retrospectiva conti- nua sendo prospectiva, já que parte do fa- tor de risco em direção ao desfecho. Não gostamos dessa nomenclatura, já que nos induz ao erro, mas como algumas provas o chamam assim você precisa se preparar. Lembre-se: mesmo quando a prova chamar a coorte histórica de retrospectiva, isso é apenas o nome. Continuamos consideran- do esse estudo como sendo prospectivo. 6 .1 . RISCO RELATIVO A principal medida de associação utilizada nos estudos de coorte é o risco relativo, também cha- mada de razão de riscos ou razão de incidências. O risco relativo nos auxilia a responder à seguinte pergunta: Quantas vezes maior é a probabilidade de os indivíduos expostos desenvolverem a doença em relação aos indivíduos não expostos? Para calcularmos o risco relativo, precisamos iden- tificar dois pontos: 1. Qual o risco de um paciente exposto desenvolver a doença? Ou seja, qual a incidência da doença nos expostos? Chamaremos esse risco de IE. 2. Qual o risco de um paciente não exposto desen- volver a doença? Ou seja, qual a incidência da doença nos não expostos? Chamaremos esse risco de INE. Fórmula do Risco Relativo = IE / INE ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Estudos epidemiológicos Cap . 1 35 Vamos ver um exemplo. Um estudo de coorte ava- lia 2000 mil pacientes, 1000 fumantes e 1000 não fumantes. Dos 1000 fumantes, 200 desenvolveram câncer de pulmão.Dos 1000 não fumantes, 10 desen- volveram câncer de pulmão. Qual o risco relativo? u Risco ou incidência nos expostos (IE) = 200/1000 = 20%. u Risco ou incidência nos não expostos (INE) = 10/1000 = 1%. u Risco relativo = 20%/1% = 20. O que isso significa? Significa que o risco de desen- volver câncer de pulmão, na população estudada, é 20 vezes maior nos pacientes expostos se com- parados aos não expostos. Podemos concluir que o tabagismo aumenta em 20 vezes a chance de se adquirir câncer de pulmão. E se o risco relativo for menor do que 1? Isso significa que a exposição reduziu o risco, não aumentou. Se for igual a 1, significa que a exposição não exerceu nenhuma influência no desfecho. Devemos sempre analisar o intervalo de confiança, mas aprenderemos a fazer essa análise no capítulo “Medicina Baseada em Evidências”. Interpretamos, então, o risco relativo da seguinte forma: u Se RR = 1: ser exposto não interfere no desenvol- vimento da doença. u Se RR > 1: o fator é de risco, visto que a exposi- ção aumentou a incidência da doença. u Se RR < 1: o fator é de proteção, já que a exposi- ção reduziu a incidência da doença. 7. ESTUDOS DE CASO-CONTROLE Os estudos de caso-controle são analíticos, indivi- duais, longitudinais, observacionais e retrospecti- vos. O mais importante é lembrar que são estudos retrospectivos. No estudo de caso-controle, obser- vamos pacientes que já desenvolveram a doença e pacientes que não a desenvolveram, e vasculhamos o passado médico do paciente para avaliar se havia exposição a determinado fator de risco. Percebeu a diferença em relação ao estudo de coorte? Na coorte, separamos os pacientes em dois grupos: um exposto ao fator de risco e outro não exposto. A partir desses grupos, observamos o surgimento da doença, ou do desfecho. No caso-controle, sepa- ramos os pacientes em dois grupos distintos: um com a doença e um sem a doença. Olhamos, então, para o passado desses pacientes. Na figura a seguir, trazemos uma representação das diferenças entre os estudos de coorte e caso-con- trole para você nunca mais confundi-los. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Estudos epidemiológicos Epidemiologia 36 Figura 2. Coorte e caso-controle. Coorte Caso-controle Expostos Casos Não expostos Controles Não doentes Não expostos Não doentes Não expostos Doentes Expostos Doentes Expostos Passado Presente Seleção de grupos a partir da exposição ao fator Seleção de grupos a partir da exposição ao fator Avaliação do fator de risco Futuro Avaliação de desfecho Avaliação de desfecho Seleção de casos e controles a partir da existência do desfecho Coorte Coorte histórica Caso controle Fonte: Autor. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Estudos epidemiológicos Cap . 1 37 Os estudos de caso-controle mostram resultados mais rápidos, já que não precisamos esperar anos para vermos o surgimento da doença. Além disso, são muito bons para estudar doenças raras, uma vez que já estamos avaliando os pacientes dividi- dos em grupos de doentes e não doentes. Há dois problemas: no estudo de caso-controle podemos apenas estimar o risco, e não o determinar, como na coorte; além disso, a memória dos pacientes e a clareza e completude dos registros médicos são essenciais para avaliarmos o passado médico e a presença prévia dos fatores de risco. u Vantagens: Fácil execução; custo; doenças raras. u Desvantagens: Documentação; vieses de memó- ria e de seleção. Abaixo, trazemos um exemplo bem resumido de um estudo de caso-controle: u Avaliamos um grupo de 2000 pacientes, sendo 1000 pacientes com câncer de pulmão e 1000 sem a doença. Observamos os seus registros médicos e submetemos os pacientes a entrevis- tas para investigarmos a presença de tabagismo nos últimos 20 anos. Realizamos análises esta- tísticas comparando os dois grupos (doentes e não doentes) que nos permitem estimar o quanto a exposição ao tabagismo é capaz de aumentar o risco de adoecimento por câncer de pulmão. Esse tipo de estudo também é analítico, visto que analisa se há correlação com um fator de risco provável. Diferentemente da coorte, que determi- na o risco, o caso-controle é capaz apenas de o estimar através da sua medida de associação, o Odds-ratio. 7 .1 . ODDS-RATIO A medida de associação do estudo de caso-con- trole é o odds-ratio, razão de chances ou razão de possibilidades. O conceito por trás do odds-ratio é semelhante ao do risco relativo: ele informa quantas vezes a mais – ou a menos – um evento ocorre em um grupo em relação a outro. Serve, entretanto, apenas para estimar o risco, não sendo capaz de o determinar. Como calculamos o odds-ratio? Precisamos montar uma tabela com os pacientes expostos, não expos- tos, doentes e não doentes. Tabela 2. Calculando o Odds Ratio. Ocorrência do desfecho Sem desfecho Com exposição A B Sem exposição C D Fonte: Gordis.6 Qual a nossa hipótese inicial? Acreditamos que a exposição está ligada ao desfecho. Então, quais desses pacientes vão a favor da nossa hipótese? Os pacientes A e D. Por quê? O paciente A tem exposição e tem desfecho, mostrando que há asso- ciação entre os dois. O paciente D, como não tem exposição, também não tem desfecho, mais uma vez comprovando a nossa hipótese. Os pacientes B e C, por outro lado, são aqueles que vão contra a hipótese. O paciente B tem a exposição, mas não tem o desfecho, e o paciente C tem o desfecho sem nunca ter tido exposição. Ou seja, os pacientes A e D corroboram a favor da relação entre exposição e desfecho e os pacientes B e C contra. O odds-ratio é exatamente a relação dos pacientes A e D sobre os pacientes B e C. ODDS-RATIO = AxD/BxC = AD/BC Como podemos nos lembrar dessa fórmula? Existe a famosa dica do “peixinho”. Basta desenhar um peixe sobre a tabela que a fórmula vai “aparecer”. Tabela 3. Calculando o Odds-Ratio. Ocorrência do desfecho Sem desfecho Com exposição A B Sem exposição C D Fonte: Gordis.6 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Estudos epidemiológicos Epidemiologia 38 DICA O odds-ratio não é exclusivo dos estudos de caso-controle. Não é porque a questão lhe mostrou um odds-ratio que necessariamente a resposta tem que ser caso-controle. Procure sempre as carac- terísticas do estudo. Entender as diferenças entre estudos retrospectivos e prospectivos é de fundamental importância para distinguir uma coorte de um caso-controle. 8. ENSAIO CLÍNICO O ensaio clínico é um estudo individual, analítico, longitudinal e de intervenção. O mais importante é o fato de ser um estudo de intervenção. O ensaio clínico é praticamente o único estudo de interven- ção que cai na sua prova. Que tipo de intervenção é essa? Pode ser a introdução de um medicamento, a orientação acerca de um hábito de vida ou até um procedimento cirúrgico. É muito importante entender que o pesquisador deve estar realizando a intervenção. Há estudos de coorte que comparam pacientes que fizeram uso do medicamento A e do medicamento B, porém não são os pesquisadores do estudo que realizam a introdução ou o teste do medicamento. Certifique-se de que é o estudo que está realizando a interven- ção, e não apenas observando e comparando duas condutas distintas. Aqui está um exemplo de ensaio clínico: u 2000 pacientes idosos são selecionados para observar o uso da aspirina como prevenção pri- mária de eventos cardiovasculares, como IAM e AVC. 1000 recebem aspirina e 1000 não rece- bem. Após 10 anos, observa-se que não houve diferença relevante entre os grupos no que diz respeito a mortalidade, IAM ou AVC, mas que houve maior número de neoplasias nos pacien- tes que fizeram uso da aspirina. Perceba que o estudo deu aspirina para um gru- po de pacientes. Não houve simplesmente uma observação de pacientes que já faziam uso. BASES DA MEDICINA FASES DOS ENSAIOS CLÍNICOS Inicialmente,ocorrem testes in vitro ou em animais para avaliar a segurança do medicamento. Essas fases são pré-clínicas. Se houver segurança, partimos para as fases clínicas. Fase I: Envolve um pequeno número de pacientes apenas para verificar a segurança da substância para uso em seres vivos. Observa-se a tolerância da droga, assim como seus efeitos colaterais e reações adversas. Geralmente, os indivíduos são pacientes saudáveis. Fase II: Envolve um pequeno número de pacientes, porém geralmente portadores da doença estudada. Tem como objetivo analisar a relação dose-efeito da droga. Fase III: Avaliação em larga escala, confirmando a efi- cácia do tratamento e comparando a grupos controle. Nessa fase, pretende-se fornecer evidências definitivas que corroborem a favor da comercialização do fármaco. É após a fase III dos ensaios clínicos que sabemos se uma intervenção realmente funciona. Com a pandemia da covid-19, ouvimos muito falar sobre a eficácia das vacinas e de alguns medicamentos (geralmente ineficácia dos medicamentos). O objetivo da fase III é comprovar se a intervenção, que já sabemos ser segura, é realmente eficaz. Fase IV: Medicamento já está à venda. É a hora de ver se ele realmente funciona no “mundo real”, fora das condições controladas de um estudo. Em médio e longo prazos, podem surgir complicações ou efeitos colaterais tardios não relatados inicialmente. u Efeito Hawthorne: Esse efeito, comum em ensaios clínicos, por vezes é cobrado em provas. Trata-se de um efeito que pode afetar muitos indivíduos submetidos a ensaios clínicos. Imagine que você sabe que terá seu exame de sangue colhido toda ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Estudos epidemiológicos Cap . 1 39 segunda-feira. Você iria tomar aquela cerveja no churrasco do domingo? Provavelmente não. Pois bem, esse é o efeito Hawthorne. Esse efeito diz respeito à tendência de os indivíduos mudarem seu comportamento simplesmente por serem alvo de interesse e atenção. Acontece que tanto o grupo controle quanto o grupo de intervenção apresentam esse efeito, geralmente não sendo relevante ao final do estudo. 8 .1 . MEDIDAS DE ASSOCIAÇÃO DOS ENSAIOS CLÍNICOS 8 .1 .1 . Redução do Risco Relativo (RRR) Risco é a probabilidade de ocorrência de certo des- fecho. Risco relativo indica quantas vezes maior é a chance de indivíduos expostos a um determinado fator desenvolverem um desfecho se comparados com indivíduos não expostos. Em um ensaio clínico, o fator avaliado é a intervenção. u Exemplo: Estudo avalia a eficácia de uma vacina para covid-19. 1000 pacientes recebem a vacina e 1000 pacientes recebem placebo. Após 4 meses de acompanhamento, 20 pacientes do grupo in- tervenção (vacinados de fato) receberam o diag- nóstico de covid-19 (2%), enquanto 50 pacientes do grupo controle (placebo) foram diagnostica- dos (5%). Qual o risco relativo? A incidência nos expostos foi de 2%, enquanto a incidência nos não expostos foi de 5%. Risco relativo = 2%/5% = 0.4. A vacina, portanto, agiu como fator protetor. W Redução do Risco Relativo = 1 – Risco Relativo Voltando ao exemplo: RRR = 1 – 0,4 = 0.6. A re- dução do risco relativo, nesse caso, foi de 60%. Isso quer dizer que, ao tomar a vacina, um in- divíduo reduz em 60% sua chance de adoecer. Isso não quer dizer que há 40% de chance de adoecer. Isso quer dizer que houve uma queda de 5% para 2% de chance de adoecimento após a vacinação, correspondendo a uma redução de 60% nesse risco. DICA A eficácia de um tratamento ou de uma medida de prevenção corresponde à sua redução do risco relativo. 8 .1 .2 . Número Necessário ao Tratamento (NNT) A grande medida de associação do ensaio clínico é o número necessário ao tratamento. Ele nos diz o número médio de pacientes que precisam rece- ber uma intervenção específica para que ocorra o efeito desejado em um paciente a mais do que o número que ocorreria no grupo controle. Como assim? Vamos imaginar que você deu placebo para 10 pacientes e 1 melhorou. Sua taxa de sucesso é 1/10 com o placebo. Com o medicamento que está sendo testado, entretanto, a cada 10 pacientes 2 apresentaram melhora. Sua taxa de sucesso é 2/10 com o medicamento. Assim, a cada 10 pacientes tratados, você imagina que 1 obteve melhora pelo simples efeito placebo, enquanto 1 realmente se beneficiou do uso do medicamento novo. Você precisa, portanto, tratar 10 pacientes para que 1 se beneficie por conta da intervenção. O seu NNT, nesse caso, é 10. A conta, infelizmente, nem sempre é tão simples. Para calcular o NNT, é preciso que você saiba uma outra medida muito simples: A Redução do Risco Absoluto. a) Redução do Risco Absoluto (RRA ou RAR) = Risco nos expostos – risco nos não expostos. É a diferença bruta e simples. Por exemplo: 1000 pessoas são tratadas com o medicamento A e 500 melhoram. 1000 pessoas não são tratadas com nenhum medicamento (N) e 200 melhoram. Qual a RRA? u A = 500/1000 = 50% u N = 200/1000 = 20% u RRA = 50% – 20% = 30% Exatamente, é simples assim. Voltando ao NNT. Calculamos o NNT a partir do RRA da seguinte forma: b) NNT = 1/RRA No exemplo trazido anteriormente, teríamos que o NNT = 1/30% = 1/0.3 = 3.33 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Estudos epidemiológicos Epidemiologia 40 Conclusão: a cada 3.33 pessoas tratadas pelo medi- camento A teríamos uma pessoa curada por conta do medicamento. Portanto, quanto menor o NNT, melhor é a inter- venção. Algumas intervenções, entretanto, podem causar dano. Se o grupo de intervenção obtiver menos sucesso do que o grupo controle, ou placebo, sua Redução do Risco Absoluto será negativa. Quando isso acontecer você deve saber que estará diante de um cálculo de Número Necessário para causar Dano (NNH ou NND). Sua Redução do Risco Abso- luto não será mais o risco nos expostos – risco nos não expostos, visto que aqueles recebendo placebo tiveram maior proporção de desfechos esperados. Você terá que inverter o cálculo para deixar de lidar com números negativos, passando a conta a ser a seguinte: risco nos não expostos – risco nos expostos. Assim, seu NNH = 1 / risco nos não expostos – risco nos expostos Lembrando que expostos são aqueles recebendo a intervenção (medicamento, tratamento, vacina, orientação, cirurgia etc.) e o risco diz respeito ao desfecho esperado (cura, imunidade, melhora sin- tomática, adesão ao tratamento). Há, entretanto, quem calcule a RRA de forma dife- rente. Podemos avaliar a ocorrência de desfechos favoráveis, como descrito acima, ou o quanto tive- mos de redução no risco de ocorrência de algum desfecho desfavorável, como óbito, sequela ou simplesmente manutenção da doença. Por isso, em algumas fontes, você verá esse cálculo sendo apresentado como o risco do desfecho desfavorável no grupo controle – risco no grupo intervenção. No exemplo que demos anteriormente, por exemplo, teríamos: u Risco de manutenção da doença no grupo con- trole (N) = 80% u Risco de manutenção da doença no grupo inter- venção (A) = 50% u Redução do Risco Absoluto = 80%-50% = 30% Percebeu como acaba nos guiando ao mesmo valor? Por isso, o mais importante é compreender o que você está querendo avaliar, já que a fórmula é bastante simples. DICA Quanto menor o NNT, melhor. Não fuja das questões sobre NNT. Só res- pondendo essas questões e vendo como as situações mudam a depender do desfecho avaliado você vai se preparar para todas as possibilidades. 9. OUTRAS MEDIDAS DE ASSOCIAÇÃO u Risco Atribuível ao Fator = Risco nos expostos – risco nos não expostos. Muito parecido com a redução do risco absoluto, porém aplicável a estudos observacionais. Podemos saber exatamente qual a importância que aquele fator de risco tem para a ocorrência do desfecho. 10. ERROS E VIESES BASES DA MEDICINA Existem erros aleatórios e erros sistemáticos (vieses). Erros aleatórios são aqueles de precisão. Eles não podemser eliminados ou corrigidos, apenas reduzidos. Se jogar- mos uma moeda para cima, esperamos que ela caia 50% das vezes em cara e 50% em coroa. Se jogarmos apenas 10 vezes, porém, pode acontecer de cair 80% em cara. Isso se deve ao erro aleatório. Se jogarmos 1000 vezes, provavelmente a proporção observada seja mais próxima dos 50% que esperamos. Uma forma de minimizar o erro aleatório, portanto, é aumentar a população estudada, ou o “n” do estudo. O erro sistemático é a parcela “previsível” do erro. São os erros que decorrem de algum problema na metodologia. São chamados vieses. Os principais vieses são: ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Estudos epidemiológicos Cap . 1 41 u Viés de seleção: viés decorrente dos procedimen- tos utilizados para selecionar os participantes do estudo. Queremos, por exemplo, comparar dois grupos. Se escolhermos grupos muito dife- rentes, caso o estudo mostre alguma diferença no desfecho, não poderemos afirmar que essa diferença se deu por conta do fator de risco ana- lisado. Pode ter sido, simplesmente, porque um grupo tinha muito mais pessoas de uma deter- minada faixa etária, ou expostos a um fator de confusão, do que o outro. u Viés de informação: viés decorrente de erros na coleta de informações dos participantes. Lembra que nos estudos de caso-controle, por exemplo, precisamos analisar o passado médico do pa- ciente à procura da presença de fatores de risco? Muitas vezes os pacientes doentes têm melhor memória que os saudáveis sobre eventos e ex- periências relacionados com a exposição (viés de recordação), ou os pesquisadores apresentam uma tendência a uma investigação mais detalha- da do desfecho em pacientes expostos ao fator de risco (viés de verificação). u Viés de publicação: viés decorrente da preferên- cia pela publicação de estudos que detectam as- sociações em oposição aos que não detectam. Construímos nossas “verdades” em medicina a partir dos estudos publicados. Comparamos esses estudos para termos os melhores graus de recomendação. Acontece que indústrias far- macêuticas e pesquisadores muitas vezes dei- xam de publicar seus estudos caso eles sejam inconclusivos. Assim, se um estudo concluiu que o medicamento A realmente serve para a doença X e outro concluiu que simplesmente não faz di- ferença tomar ou não o medicamento, o primeiro estudo acaba sendo publicado e o segundo não. u Fator de confusão: fatores que não são objetos dos estudos, mas que podem exercer influência sobre os fatores ou desfechos avaliados. 11. ESTRATÉGIAS PARA REDUZIR VIESES 11 .1 . CEGAMENTO Em ensaios clínicos, muitas vezes o efeito placebo está presente. Indivíduos relatam melhora nos sin- tomas ou apresentam evolução favorável simples- mente por acreditarem que estão sendo tratados. Por isso, é importante que os participantes não saibam se fazem parte do grupo de intervenção ou do grupo controle, para que esse efeito esteja presente nos dois grupos e isso não torne a amostra enviesada. Há estudos em que o cegamento é impossível, como aqueles que comparam a eficácia de uma intervenção cirúrgica com o tratamento clínico. Quando possível, podemos classificar os estudos a partir do grau de cegamento empregado. 11 .1 .1 . Simples-cego Nesses estudos, o paciente não sabe de que grupo ele faz parte. 11 .1 .2 . Duplo-cego Além do paciente, o avaliador também não sabe, evitando que seu julgamento interfira no estudo. 11 .1 .3 . Triplo-cego Os outros profissionais envolvidos, como aqueles que analisam exames de imagem, também não sabem a que grupo cada paciente pertence. 11 .2 . ALEATORIZAÇÃO Os pacientes são alocados em diferentes grupos de forma aleatória. Isso evita que o pesquisador “crie” grupos controle e de intervenção distintos. 11 .3 . PAREAMENTO Trata-se de uma forma de distribuir variáveis entre os grupos, “forçando” os grupos a serem parecidos ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Estudos epidemiológicos Epidemiologia 42 no que diz respeito à idade, ao sexo ou a qualquer outra variável. Para realizar o pareamento, devemos escolher variáveis que possam exercer alguma influência no resultado. Após o pareamento, essas variáveis não poderão fazer parte da comparação entre os grupos. 12. RESUMÃO DOS ESTUDOS EPIDEMIOLÓGICOS Tabela 4. Principais desenhos de estudo. Desenho de Estudo Características Medida de Associação Observações Ecológico Agregado, Observacional, Transversal • Avaliação de Frequências • Não estabelecem causa- lidade • Falácia ecológica Coorte Individual, Observacional, Longitudinal, Prospectivo, Analítico • Risco Relativo • Determina risco • Coorte histórica Caso-controle Individual, Observacional, Longitudinal, Retrospectivo, Analítico • Odds-ratio • Apenas estima risco • Odds-ratio pode estar pre- sente em outros estudos Ensaio Clínico Individual, Intervenção, Longitudinal, Analítico • Redução do Risco Relativo (Eficácia) • Número Necessário ao Tra- tamento • Cuidado com o Número Ne- cessário ao Dano Fonte: O autor. Tabela 5. Diferenças entre caso-controle e coorte. Estudo Caso-Controle Estudo de Coorte Baixo custo Custo alto Curto intervalo de tempo Longo intervalo de tempo Um desfecho: múltiplos fatores de risco Um fator de risco: vários desfechos Divide os grupos segundo o desfecho Divide os grupos segundo a exposição Fonte: O autor. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Estudos epidemiológicos Cap . 1 43 Mapa mental. Estudos epidemiológicos Estudos epidemiológicos Características Distribuição dos indivíduos Papel do pesquisador Direcionamento de variáveis Objetivo do estudo Análise temporal Individual Observacional Prospectivo Agregado Intervenção Retrospectivo Descritivo Transversal Analítico Longitudinal Desenho do estudo Relatos/séries de caso Ecológico Coorte Caso-controle Ensaio clínico continua… ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Estudos epidemiológicos Epidemiologia 44 Mapa mental. Estudos epidemiológicos (continuação) Variáveis Independente Dependente Estratégias Cegamento Aleatorização Pareamento Erros e vieses Falácia ecológica Razão de prevalências Viés de seleção Risco relativo Viés de informação Odds ratio Viés de publicação Redução do risco relativo Fator de confusão Redução do risco absoluto Número necessário ao tratamento Medidas de associação …continuação ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Estudos epidemiológicos Cap . 1 45 REFERÊNCIAS 1. ESF Coutinho, GM Cunha. Conceitos básicos de epide- miologia e estatística para a leitura de ensaios clínicos controlados. Rev Bras Psiquiatr. 2005; 27(2): 146-51. 2. Aragão J. Introdução aos estudos quantitativos utilizados em pesquisas científicas. Rev práxis. 2013; 3(6): 59-62. 3. Rouquayrol MZ, Almeida Filho N. Epidemiologia e saúde. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2006. 4. Szumilas M. Explicando razões de chances. J Acad Can Psiq Infan Adol. 2010; 19(3): 227. 5. Bedaque HP, Bezerra ELM. Descomplicando MBE: uma abordagem prática da medicina Baseada em evidências. Natal: Editora Caule de Papiro; 2018. 6. Gordis L. Epidemiology. 5th ed. Baltimore: Elsevier; 2014. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Estudos epidemiológicos Epidemiologia 46 QUESTÕES COMENTADAS Questão 1 (UNESP – SP – 2019) Um estudo conduzido pelo Corpo de Bombeiros no Estado de São Paulo mostrou que nas cidades com maior concentração de casas com piscinas, também era maior a ocorrência de afoga- mentos. Outros estudos realizados posteriormen- te, observacionais e de base individual, mostraram que nas cidades com maior concentração de casas com piscinas, a maior incidência de afogamentos ocorreu em rios ou mar. É provável que no primeiro estudo tenha ocorrido: ⮦ faláciaecológica. ⮧ viés de seleção. ⮨ viés de informação. ⮩ viés de confundimento. Questão 2 (PSU – MG – 2020) O número de pacientes que necessi- tam de tratamento (NNT) para se evitar um evento adverso é uma das maneiras de se expressar os resultados de ensaios clínicos. Considerando que a taxa de mortalidade em um grupo não tratado é de 17% e a taxa de mortalidade no grupo tratado é de 12%, o NNT para prevenir uma morte é de: ⮦ 5. ⮧ 20. ⮨ 29. ⮩ 14. ⮪ 2. Questão 3 (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO – SP – 2021) Algumas publicações “pre-print” iniciais sugeriam um efeito da hidroxicloroquina na redução da mortalidade pela covid-19 em pacientes internados, porém alguns desses estudos apresentavam diferentes vieses. Três deles foram: 1) Os pacientes não foram alea- torizados em grupo intervenção e controle; 2) A utilização concomitante de antivirais e a idade dos pacientes não foram controladas na análise de efei- to do medicamento; e 3) Os exames diagnósticos para selecionar os casos foram diferentes entre os sujeitos investigados. Qual alternativa categoriza, respectivamente, os três vieses acima identificados? ⮦ 1) Viés de seleção; 2) Viés de confusão; 3) Viés de informação ou aferição. ⮧ 1) Viés de informação ou aferição; 2) Viés de acompanhamento; 3) Viés de desenho. ⮨ 1) Viés de informação ou aferição; 2) Viés de similaridade; 3) Viés de seleção. ⮩ 1) Viés de confusão; 2) Viés de informação ou aferição; 3) Viés de seleção. Questão 4 (SANTA CASA DE MISERICORDIA DE SÃO PAULO – SP – 2021) Em 31 dezembro de 2019, Peng Yinhyua e outros médi- cos de Wuhan reportaram ao governo chinês e à Or- ganização Mundial de Saúde (OMS) sobre uma nova pneumonia e, em janeiro de 2020, foi identificado o genoma do então chamado 2019-nCoV. Em janeiro, um grupo de médicos fez um trabalho para verifi- car a frequência do novo vírus em pacientes com ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Estudos epidemiológicos Cap . 1 47 e sem pneumonia no hospital municipal de Wuhan. Quanto a esse tema, assinale a alternativa correta. ⮦ A medida de associação desse estudo é a pre- valência. ⮧ Para obter a medida de frequência nesse caso, o estudo com mais custo-efetividade é a coor- te hospitalar. ⮨ Um estudo transversal não é capaz de responder adequadamente à pergunta proposta. ⮩ Trata-se de um estudo que demanda um longo período de observação. ⮪ Esse estudo é limitado por não comprovar a causalidade. Questão 5 (UNIFESP – SP – 2020) Pesquisadores brasileiros identifi- caram a infecção pelo vírus Zika durante a gestação como um fator de risco importante para microcefa- lia em recém-nascidos. Eles deram seguimento ao estudo avaliando o prognóstico dos recém-nascidos com microcefalia segundo a gravidade do quadro clínico. Tal seguimento caracteriza um tipo de estudo epidemiológico que tem como características ser: ⮦ individual, observacional, prospectivo e analítico. ⮧ individual, não experimental, retrospectivo e descritivo. ⮨ individual, experimental, prospectivo e analítico. ⮩ agregado, experimental, retrospectivo e des- critivo. ⮪ agregado, observacional, prospectivo e descritivo. Questão 6 (SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO PAULO – SP – 2021) Para determinar a eficácia de uma vacina, 30.000 voluntários foram randomizados em dois grupos, em que 20.000 pacientes receberam a vacina e 10.000 receberam um placebo. Após a abertura do estudo, dos cem infectados, apenas 20% tomaram a vacina. Com base nessa situação hipotética, as- sinale a alternativa que apresenta o valor correto da eficácia da vacina. ⮦ 70%. ⮧ 80%. ⮨ 87,50%. ⮩ 90%. ⮪ 97,50%. Questão 7 (PSU – MG – 2020) Em 2015 iniciou-se uma pesquisa com o objetivo de estudar a sobrevida de pacientes com carcinomas de mama diagnosticados em um hospital local, segundo o tipo de tratamento rece- bido, no período compreendido entre 2010 e 2014. O delineamento ADEQUADO desse estudo: ⮦ Casos e controle. ⮧ Coorte. ⮨ Ensaio Clínico. ⮩ Série de casos. Questão 8 (SANTA CASA – SP – 2019) Em uma população de qui- nhentos indivíduos, duzentos tabagistas e trezentos não tabagistas, seguidos por vinte anos, foram ob- servados os seguintes resultados: trinta indivíduos tabagistas desenvolveram neoplasia de pulmão e vinte indivíduos não tabagistas também desenvol- veram a doença. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta o valor da me- dida de associação mais apropriada para o estudo. ⮦ I= 0,06 ⮧ RR 2,25 ⮨ OR 2,25 ⮩ OR – 0,01 ⮪ P 0,1 Questão 9 (FMABC – SP – 2019) O estudo intitulado “Coffee con- sumption and incidence of lung cancer in the NIH- -AARP Diet and HealthStudy”, publicado na revista International Journal of Epidemiology no ano de ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Estudos epidemiológicos Epidemiologia 48 2016, identificou que o consumo de café foi positi- vamente associado ao câncer de pulmão, embora a associação tenha sido substancialmente atenuada após ajuste para o hábito de fumar. A partir desse resultado, pode-se inferir que o hábito de fumar é considerado como: ⮦ Fator de confusão. ⮧ Erro aleatório. ⮨ Erro sistemático. ⮩ Viés de seleção. Questão 10 (SANTA CASA DE MISERICORDIA DE SÃO PAULO – SP – 2021) Na maternidade de um hospital terciário, para verificar se o uso de um medicamento estaria relacionado com a malformação fetal, foram avaliadas todas as gestantes que entraram em trabalho de parto en- tre 15 de janeiro de 2018 e 20 dezembro de 2020. Foram levantados os prontuários das pacientes e foi aplicado a elas um questionário acerca do uso da medicação durante a gestação. No final do pe- ríodo, foram analisadas 4.137 pacientes, das quais mil trezentas e setenta e quatro utilizaram a medi- cação. Das trezentas e cinquenta e sete cujos fetos apresentaram algum tipo de malformação, 70% uti- lizaram o medicamento estudado. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta o tipo de estudo descrito. ⮦ Caso-controle. ⮧ Coorte retrospectiva. ⮨ Ensaio clínico. ⮩ Coorte prospectiva. ⮪ Transversal. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Estudos epidemiológicos Cap . 1 49 GABARITO E COMENTÁRIOS Questão 1 dificuldade: Comentário: Esse é um estudo agregado, sem inter- venção do pesquisador e transversal. Trata-se de um estudo ecológico. De um lado, sabemos que na cidade há muitas piscinas. De outro, sabemos que há muitos afogamentos. Podemos inferir que maior número de piscinas é fator de risco para afo- gamento? Não! Nem sabemos se os afogamentos estão acontecendo nas piscinas. Não sabemos se as pessoas que estão se afogando são aquelas que têm piscinas. Qualquer conclusão acerca dos indiví- duos em um estudo agregado é um erro, chamado falácia ecológica. Sabemos que em nenhum lugar da questão temos a afirmação de que houve essa conclusão precipitada por parte do primeiro estu- do. Lembre-se sempre: não brigue com a questão. Se a pergunta não está perfeita, escolha a melhor entre as respostas. ✔ resposta: ⮦ Questão 2 dificuldade: Comentário: Calculamos o NNT da seguinte forma: 1/Redução Absoluta do Risco (RAR). Calculamos o RAR da seguinte forma: Risco no grupo controle – Risco no grupo intervenção. Nesse caso, 17% – 12%, ou 0,17 – 0,12. RAR = 0,05. NNT = 1/0,05 = 20 ✔ resposta: ⮧ Questão 3 dificuldade: Comentário: Essa questão, na verdade, é fácil, mas trata-se de um tema muitas vezes negligenciado pelos alunos. Vamos ver o que está acontecendo em cada uma das situações descritas: 1. Os grupos não foram muito bem selecionados, já que estamos testando o efeito de um medicamento mas não houve aleatorização em grupos de interven- ção e controle. Se o problema está na seleção dos indivíduos, estamos diante de um viés de seleção. 2. Para sabermos se esse medicamento tem efeito ou não, precisamos “tirar do caminho” outros fato- res que possamconfundir os resultados. Se os indivíduos estão usando outros medicamentos, ou se não controlamos direito a idade dos pacientes, ou seja, permitimos que os grupos fossem muito diferentes quanto à idade, então temos alguns fatores de confusão nessa análise. Assim, o viés é de confusão. 3. Por fim, utilizamos exames diagnósticos distintos para analisar os pacientes. A forma de aferir os participantes torna-se um problema, já que não é uniforme. Temos, portanto, o viés de aferição, que é um tipo de viés de informação. ✔ resposta: ⮦ Questão 4 dificuldade: Comentário: Trata-se de uma questão de estudos epidemiológicos. Sempre devemos seguir o passo a passo para responder esse tipo de questão. Pri- meiro, entender o estudo. Basicamente, estamos querendo saber qual a porcentagem de pessoas com o vírus da covid-19 entre aquelas com pneu- monia e entre aquelas sem pneumonia em um hos- pital de Wuhan. Depois, precisamos verificar qual a variável independente e qual a dependente. Neste caso, não temos como saber, já que as duas variá- veis (pneumonia e presença do vírus) estão sendo ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Estudos epidemiológicos Epidemiologia 50 analisadas ao mesmo tempo. Por isso, não temos como saber qual variável veio antes. Por fim, deve- mos observar as características do estudo. Temos um estudo transversal, individual, que se propõe a estabelecer associação entre variáveis enquanto compara grupos, portanto, provavelmente analítico. Alternativa A: INCORRETA. Prevalência é uma medida de ocorrência, assim como incidência. A medida de associação que pode ser utilizada em um estudo é a razão de prevalências. Alternativa B: INCORRETA. O estudo em questão é transversal, e a coorte é longitudinal. Mesmo assim, se fôssemos escolher um estudo mais custo-efeti- vo, a coorte não seria o estudo escolhido, já que se trata de um estudo mais longo e caro, geralmente. Alternativa C: INCORRETA. Como só queremos saber a frequência do vírus, e não necessariamente esta- belecer causalidade, poderíamos usar um estudo transversal sim. Alternativa D: INCORRETA. O enunciado apresenta um estudo transversal, que não requer um longo período de observação. Alternativa E: CORRETA. Estudos transversais não são capazes de estabelecer causalidade. ✔ resposta: ⮪ Questão 5 dificuldade: Comentário: O primeiro passo é identificar qual a va- riável dependente e qual a variável independente. Muitos podem pensar que a variável independen- te, ou o fator de risco, é a infecção pelo vírus Zika durante a gestação e que a variável dependente é a microcefalia no recém-nascido. Olhe com mais atenção. Os pesquisadores deram seguimento ao estudo, relacionando gravidade da microcefalia ao prognóstico. Nesse caso, temos que a microcefalia é a variável independente e o prognóstico desses recém-nascidos é a variável dependente. Vamos às características? Os pesquisadores sabiam qual era a gravidade do quadro de cada um dos recém- -nascidos estudados. Sabiam, portanto, quem tinha o quê (Individual). Não realizaram nenhum tipo de intervenção, atendo-se apenas a observar o que ocorreria com cada recém-nascido (Observacional). Trata-se de um estudo para avaliar prognóstico. Ou seja, observarão quais os possíveis desfechos para cada gravidade do quadro de microcefalia. A mi- crocefalia é o fator de risco e o prognóstico o des- fecho a ser avaliado (Prospectivo). Não podemos garantir que se trate de um estudo analítico, visto que isso não foi descrito no enunciado. Mesmo as- sim, tudo indica que a questão esteja retratando um estudo de coorte, que é, sim, um estudo analítico. De qualquer forma, apenas uma alternativa traz as seguintes características: individual, observacional e prospectivo. ✔ resposta: ⮦ Questão 6 dificuldade: Comentário: A eficácia de uma vacina ou de um me- dicamento em um ensaio clínico é adquirida pela Redução do Risco Relativo (RRR), que é igual a 1 – RR (Risco Relativo). Temos que calcular, portanto, o Risco Relativo. RR = Incidência nos expostos / Incidência nos não expostos. Neste caso, a incidência nos expostos à vacina foi de 20/20000 = 0,1%. A incidência nos não expostos foi de 80/10000 = 0,8%. RR = 0,1% / 0,8% = 0,125 = 12,5%. RRR = 1-0,125 = 0,875 = 87,5%. ✔ resposta: ⮨ Questão 7 dificuldade: Comentário: Primeiro, vamos entender o que o estu- do está fazendo. Pacientes com câncer de mama receberam tratamentos distintos entre 2010 e 2014. O estudo ainda não havia acontecido nesse mo- mento. Em 2015, vão começar a acompanhar esses pacientes para analisar a sobrevida e poder com- parar os tratamentos, para saber qual tem melhor desfecho. Primeiro: o tratamento não foi dado pelo pesquisador. A pesquisa começa depois que o tra- tamento já foi instituído. O que queremos saber é: algum deles é superior no que diz respeito à sobre- vida? O tratamento serve de variável independen- te, como se fosse um “fator de risco”, enquanto a sobrevida é a variável dependente, ou o desfecho. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Estudos epidemiológicos Cap . 1 51 Não há, portanto, intervenção. É um estudo ob- servacional (esta provavelmente é a maior dúvida nesta questão; não é um ensaio clínico). Vamos partir do tratamento prévio (fator de risco) para a sobrevida (desfecho), sendo, portanto, um estudo prospectivo. Não é caso-controle. Ao final, vamos comparar os desfechos, realizando uma análise de qual tratamento leva à maior sobrevida. Já que é analítico, não é uma série de casos. Qual estudo é observacional, analítico, longitudinal e prospectivo? ✔ resposta: ⮧ Questão 8 dificuldade: Comentário: Primeiro, qual o desenho do estudo? Os pacientes foram seguidos por 20 anos. Longitudi- nal. Partiram do tabagismo (risco) para o câncer de pulmão (desfecho). Prospectivo. Não há inter- venção do pesquisador. Observacional. Até agora, tudo nos faz pensar em coorte. A questão solicita o valor da medida de associação. Qual a medida de associação para estudos de coorte? É o Risco Relativo. Só com isso, já sabemos que a resposta certa é a letra B. Mesmo assim, vamos calcular? Tabagistas: 200. Desses, 30 desenvolveram câncer. Incidência do câncer em tabagistas = 15%. Não tabagistas: 300. Desses, 20 desenvolveram câncer. Incidência nos não tabagistas = 6,67%. Incidência dos expostos/incidência dos não expos- tos = 15/6,67 = 2,25. RR = 2,25 ✔ resposta: ⮧ Questão 9 dificuldade: Comentário: Qual o problema nesse estudo? Encon- trou-se associação entre beber café e câncer de pulmão. Acontece que o hábito de fumar está asso- ciado ao consumo de café e ao câncer de pulmão, assim, influencia tanto a exposição quanto o desfe- cho estudados. Ou seja, o cigarro está confundindo nossa interpretação. Será que o café é realmente um fator de risco para o câncer de pulmão? Será que, em vez disso, o café simplesmente se associa ao hábito de fumar e é o cigarro o verdadeiro fator de risco? Podemos perceber como o tabagismo é uma variável que confunde nossa análise. Um fator de confusão é exatamente isto: uma terceira variável, que não faz parte da nossa análise direta, associada tanto à variável independente (fator de risco) quanto à dependente (desfecho). ✔ resposta: ⮦ Questão 10 dificuldade: Comentário: Em primeiro lugar, vamos evitar falar em coorte retrospectiva. Devemos chamar tal desenho de estudo de coorte histórica, visto que as coortes são sempre prospectivas. Acontece que algumas provas insistem em usar o termo, então você deve conhecê-lo. Vamos avaliar este enunciado com o passo a passo para toda questão de estudos epide- miológicos. Em primeiro lugar, temos que entender o estudo. Dividiram gestantes em dois grupos: aque- las que usaram determinado medicamento durante a gestação e aquelas que não utilizaram. Depois, viram quais tiveram fetos com malformação. A as- sociação que o estudo quer avaliar é entreo uso da medicação (variável independente) e o surgimento de malformação (variável dependente). Trata-se, portanto, de um estudo observacional, individual, longitudinal, prospectivo e analítico. Alternativa A: INCORRETA. Estamos partindo do fator de risco (uso da medicação) para o desfecho (mal- formação), mesmo estando tudo no passado. Como sabemos disso? Os grupos são divididos conforme a exposição ao fator de risco, e não conforme o surgimento do desfecho. Alternativa B: CORRETA. Alternativa C: INCORRETA. O medicamento não foi fornecido pelo pesquisador. As gestantes foram di- vididas entre aquelas que o usaram ou não. Trata-se de um estudo observacional, mesmo analisando o efeito de um medicamento. Alternativa D: INCORRETA. Toda coorte é prospectiva, mas realmente estamos olhando para a exposição no passado. Trata-se de uma coorte histórica, tam- bém chamada de retrospectiva. Não brigue com a questão. Alternativa E: INCORRETA. Não é transversal. Temos informações sobre momentos distintos. ✔ resposta: ⮧ ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 53 Capítulo 2 MEDICINA BASEADA EM EVIDÊNCIAS E BIOESTATÍSTICA O QUE VOCÊ PRECISA SABER? u Medicina Baseada em Evidências significa o uso consciente da melhor evidência disponível para a tomada de decisão no âmbito da medicina. u As revisões sistemáticas de ensaios clínicos randomizados apresentam nível 1A de evidência. u As revisões sistemáticas são investigações científicas, com metodologia definida por protocolo, que ava- liam estudos originais como seu objeto de estudo, sintetizando resultados de estudos primários. u Para decidirmos se devemos confiar no resultado apresentado por determinado estudo precisamos, sempre, avaliar o intervalo de confiança. u A média é muito afetada por valores extremos. A mediana não é afetada por valores extremos. Uma amostra pode ter nenhuma, uma ou mais de uma moda. 1. MEDICINA BASEADA EM EVIDÊNCIAS BASES DA MEDICINA De forma abrangente, compreendemos a medicina ba- seada em evidências (MBE) como o uso consciente da melhor evidência disponível para a tomada de decisão no âmbito da medicina. A MBE representa um novo pa- radigma da medicina, visto que põe, de forma objetiva, as evidências adquiridas por estudos científicos em um patamar diferente da experiência do médico a nível individual. Isso não significa que a MBE menospreza ou nega o valor da experiência do médico. Seu objetivo é coibir práticas que não estejam embasadas em dados e estimular aquelas que estão. Existe um modelo descrito para a aquisição de evidências dividido em passos. Esses passos demonstram o cami- nho que deve ser percorrido para que lidemos de forma embasada cientificamente com as situações clínicas da nossa prática. São eles: W 1. Analisar a situação clínica e formular uma pergunta para a pesquisa; W 2. A busca de evidências através da literatura científica; W 3. Avaliar criticamente a literatura para selecionar a melhor evidência encontrada; W 4. Aplicar a evidência no cuidado ao paciente; W 5. Avaliar o desfecho. Para a avaliação do desfecho é importante que você tenha conhecimento de 3 conceitos: eficácia, eficiência e efetividade. Para isso, vamos usar o exemplo da vacina para covid-19. u Eficácia: vacina demonstrou resultados melho- res que o placebo no estudo, ou seja, dentro das condições ideais e controladas do ensaio clínico. u Efetividade: vacina manteve resultados positi- vos na população mesmo fora dos “muros” de um ensaio clínico, provando que no mundo real, longe do controle dos pesquisadores, ela tam- bém traz benefícios. u Eficiência: vale a pena, pelo custo da vacina, uti- lizá-la em vez de outras disponíveis. importância/prevalência ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Medicina baseada em evidências e bioestatística Estatística 54 DIA A DIA MÉDICO Não entendeu a questão da eficiência? Vamos lhe dar um exemplo mais palpável. Imagine que a warfarina é capaz de prevenir 75% dos eventos trombóticos que aconteceriam em pacientes sem nenhum medicamento, enquanto a rivaroxabana é capaz de prevenir 85%. O custo da rivaroxabana, entretanto, é 20x maior. Vale a pena para o sistema de saúde disponibilizar a rivaroxabana em vez da warfarina? A relação custo-benefício é melhor com que medicamento? Esta é a discussão que envolve o conceito da efetividade. Obs: todos os valores apresentados no exemplo acima são hipotéticos. Às vezes não é o custo direto do medicamento que importa, mas questões logísticas. Inicialmente recomendava-se o armazenamento da vacina da Pfizer para covid-19 a −70ºC, enquanto outras vacinas, como a Coronavac, podiam ser armazenadas em geladeiras comuns. Podemos perceber, através deste exemplo, como a eficiência acaba conside- rando outras variáveis além da eficácia. DICA Difícil de lembrar das 3? Sobre efi- cácia vimos muitas discussões no que diz respeito às vacinas e já sabemos que tem a ver com os números encontrados nos estudos. Efetividade podemos chamar de “EfetiVERDADE”, já que se trata dos valores obtidos no mundo real. Eficiência, por ou- tro lado, não tem só a ver com ciência, já que precisamos levar outras variáveis em consideração. A partir desses três conceitos podemos compreen- der outros dois que às vezes aparecem em alguns enunciados de provas: u Validade interna: extensão em que os resultados observados representam uma verdade para a população sendo estudada e, portanto, não se devem a erros metodológicos. u Validade externa: refere-se à extensão em que os resultados de um estudo são aplicáveis aos pacientes em nossa prática diária. 1 .1 . HIPÓTESE NULA X HIPÓTESE ALTERNATIVA Outros conceitos que às vezes são apresentados nas questões são os seguintes: u Hipótese nula: trata-se da hipótese de que não existe diferença entre os grupos estudados. Vamos considerar o exemplo de um estudo que avalia a eficácia de um novo medicamento. A hi- pótese nula significa considerar que o medica- mento e o placebo apresentariam os mesmos resultados. Ou seja, não haveria diferença alguma entre estar sendo tratado com o medicamento novo ou com o placebo. O benefício seria inexis- tente, ou nulo. u Hipótese alternativa: trata-se da hipótese de que existe diferença no desfecho entre os dois grupos. Ou seja, o uso do medicamento interferiu, de alguma forma, no desfecho. 1 .2 . ERRO ALFA X ERRO BETA A partir da hipótese nula surgem dois tipos de erros possíveis. Já falamos sobre erros e vieses no capítulo “Estudos Epidemiológicos”, mas apre- sentaremos outra abordagem agora. u Erro alfa (tipo I): probabilidade de rejeitar a hi- pótese nula quando essa é verdadeira. Ou seja, consideramos que há diferenças de desfecho entre os grupos quando na realidade essa dife- rença não existe. De uma fora bem simples, o erro alfa ocorre quando os pesquisadores encontram diferenças entre os grupos, mesmo a hipótese nula estando certa. Essa probabilidade é considerada aceitável quan- do inferior a 5%. Por isso, em muitos estudos fa- lamos de um nível de confiança = 95% W Nível de confiança = 1 – erro alfa ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Medicina baseada em evidências e bioestatística Cap . 2 55 DIA A DIA MÉDICO Sabe aquele valor de “p” que vemos nos estudos? Ele reflete o erro alfa. Um valor de p < 0,05 significa que a probabilidade de o estudo estar errado quando considera desfechos diferentes entre os grupos é menor que 5%. Consideramos, a partir disso, que o nível de confiança é aceitável e há relevância estatística no que o estudo está concluindo. u Erro beta (tipo II): Probabilidade de aceitar a hi- pótese nula quando esta é falsa. Ou seja, con- sideramos que não houve desfecho diferente entre os grupos no estudo, mas na realidade há diferença, sim, sónão foi detectada pelo estudo em questão. Essa probabilidade é considerada aceitável quan- do inferior a 10%-20%. O poder do teste reflete sua capacidade de determinar que não há dife- rença entre os grupos quando essa diferença realmente não existe. W Poder do teste = 1 – erro beta. 1 .3 . NÍVEIS DE EVIDÊNCIA E GRAUS DE RECOMENDAÇÃO Essa é a parte mais importante de todo o capítulo. Considerando todos os possíveis erros, hipóteses e, principalmente, desenhos de estudos, há uma hierarquia das evidências. Vamos dar dois exemplos de estudos para você: 1. Uma médica descreveu dois casos que ela aten- deu. Um paciente fez uso de aspirina a partir dos 60 anos e o outro não, ambos sem comorbidades. O primeiro paciente faleceu aos 94 anos de cho- que séptico após uma pneumonia, enquanto o segundo morreu aos 72 de choque cardiogênico após um IAM. 2. Um grupo de pesquisadores acompanhou 8 mil pacientes com mais de 60 anos por 20 anos. 4 mil deles utilizavam aspirina como prevenção primária e 4 mil não utilizavam. Ao final, obser- vou-se que não houve diferença estatística nos desfechos cardio e cerebrovasculares, como AVC e IAM. Por outro lado, o grupo que utilizou aspirina cursou com mais episódios de sangramentos graves, casos de neoplasias e mortalidade geral mais precoce. E então você utiliza a aspirina como prevenção primária ou não? Para você, faz mais sentido seguir a evidência apresentada pelo primeiro estudo, que descreveu o caso de dois pacientes, ou o segundo, que avaliou 8 mil indivíduos por 20 anos? Nesse exemplo, fica claro que o segundo estudo apresenta evidência mais robusta do que o pri- meiro. Acontece que nem sempre é tão claro assim. Estudos de caso-controle ou de coorte são mais confiáveis? Uma série de casos que demonstrem resultados muito gritantes não merece “passar na frente” de alguns estudos com metodologia mais criteriosa? DIA A DIA MÉDICO Principalmente após a pandemia da covid-19 vimos muitas pessoas defendendo ou desencorajando condutas na medicina se valendo de “estudos científicos” de metodo- logias frágeis e qualidade duvidosa. Conhecer os dese- nhos de estudo, suas limitações e os níveis de evidência oferecidos pelos diferentes desenhos já é um grande passo para que você seja capaz de avaliar evidências de modo crítico e responsável. 1 .3 .1 . Níveis de evidência Por isso surgiram os “níveis de evidência”. Basi- camente, se trata de uma tabela que demonstra a hierarquia das evidências apresentadas por cada tipo de estudo. Tabela 1. Classificação das evidências científicas nas revisões sistemáticas de literatura. Qualidade Tipo de evidência 1 • A: revisão sistemática de ECRs • B: ECR individual com IC estreito • C: série de casos “tudo ou nada” 2 • A: revisão sistemática de estudos de coorte • B: estudo de coorte individual. ECR com dropouts > 20% • C: estudos ecológicos ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Medicina baseada em evidências e bioestatística Estatística 56 Qualidade Tipo de evidência 3 • A: revisão sistemática de caso-controle • B: caso-controle individual 4 • Séries de casos 5 • Opinião do especialista ECR: ensaio clínico randomizado. Fonte: Oxford centre for evidence-based medicine, 2020. DIA A DIA MÉDICO Quando você observar orientações conflitantes na lite- ratura, é importante ter essa hierarquia em mente. Por exemplo: quando um estudo de caso-controle concluir que determinado medicamento é um fator de proteção para uma doença enquanto um ensaio clínico randomizado con- cluir o contrário, você deve seguir as recomendações do ensaio clínico. Com a pandemia da covid-19 vimos novas evidências sendo construídas quase que diariamente. Além de saber quais são as conclusões dos estudos, é essencial conhecer a metodologia por trás deles. Assim, não há por que ficar discutindo condutas descritas a partir de revisões sistemáticas de caso-controle se um ensaio clínico randomizado com IC estreito já tiver sido realizado. Além disso, nem sempre uma “descoberta” é suficiente para revolucionar a forma que lidamos com uma doença, porque essa nova informação talvez não carregue consigo o nível de evidência suficiente para isso. 1 .3 .2 . Graus de recomendação A partir desses níveis de evidência surgem os graus de recomendação: u A = Conduta apresenta benefício comprovado; W Nível de evidência 1 u B = Conduta provavelmente apresenta benefício, devendo ser estimulada; W Níveis de evidência 2 e 3 u C = Benefício incerto; W Nível de evidência 4 u D = Conduta não deve ser realizada porque não há evidência confiável; W Nível de evidência 5 Há variações para os níveis de evidência e graus de recomendação. Estamos demonstrando a divisão utilizada pelo Oxford Centre for Evidence-Based Medicine, que é a mais cobrada em provas. DIA A DIA MÉDICO Quando lemos uma diretriz ou um guideline geralmente pulamos as primeiras páginas que falam de metodolo- gia. Não faça isso. Cada guideline deve trazer consigo a divisão que utilizou sobre níveis de evidência e graus de recomendação. Por vezes você verá letras sendo usadas para níveis de evidência enquanto números representarão os graus de recomendação. É essencial sempre dar uma olhada nessas informações iniciais para que você saiba quais condutas apresentadas por aquele documento estão mais fortemente respaldadas em evidências. 1 .4 . REVISÃO SISTEMÁTICA E METANÁLISE A revisão sistemática de ensaios clínicos rando- mizados é apresentada como a principal fonte de evidência possível. Não discutimos revisões siste- máticas no capítulo de Estudos Epidemiológicos. Discutiremos agora. 1 .4 .1 . Revisão sistemática Definição: investigações científicas com metodo- logia definida por protocolo que avalia estudos originais como seu objeto de estudo, sintetizando resultados de estudos primários. Em um estudo epidemiológico primário, como coorte ou ensaio clínico, nós estudamos pessoas e popula- ções. Em uma revisão sistemática, nós estudamos esses estudos. Compilamos, por exemplo, várias coortes que analisam o mesmo tema, avaliando a “soma” dos seus resultados. 1 .4 .2 . Metanálise Definição: síntese estatística de dados colhidos no maior número possível de estudos, com o objetivo de sumarizar a informação. Métodos estatísticos são utilizados para compilar os resultados de diversos estudos em uma única medida. Basicamente, uma ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Medicina baseada em evidências e bioestatística Cap . 2 57 metanálise realiza uma análise estatística complexa para tirar de vários estudos uma conclusão uniforme. Os resultados da metanálise podem ser vistos em uma representação gráfica chamada forest plot. O que mais importa para a sua prova é conseguir identificar essa conclusão a partir do forest plot. DICA Metanálise não é um desenho de estudo, mas a síntese estatística utilizada em revisões sistemáticas. Tabela 2. Exemplo de forest plot. Fonte: Castro AA, 2020. Nesse exemplo, estamos avaliando estudos que compararam a mortalidade neonatal por determi- nada complicação em pacientes que fizeram uso de corticosteroides versus pacientes que fizeram uso de placebo ou de nenhum tratamento. A primeira coluna corresponde à identificação dos estudos que foram avaliados. A segunda coluna demonstra a mortalidade nos grupos expostos à intervenção avaliada (Expt) – no caso, o corticoide. A terceira coluna mostra a mortalidade nos grupos controle (Ctrl), ou seja, nos grupos que fizeram uso de pla- cebo ou de nenhum tratamento. O gráfico ao lado representa o hazard ratio de cada estudo (análise estatística utilizada), demonstrando intervalos de confiança. A linha vertical traçada à direita representa o hazard ratio = 1. Lembra quando falamos que um risco relativo = 1 significava não haver associação entre o fator e o desfecho? Pois bem, os pequenos qua- drados que vemos são os resultadosdos estudos individualmente. Quando o quadrado está em cima da linha vertical, isso quer dizer que não houve associação entre o fator estudado e o desfecho avaliado naquele estudo. E essa linha horizontal que cruza o quadrado? Esse é o intervalo de confiança. Para considerarmos que um estudo realmente teve êxito em demonstrar uma associação estatisticamente relevante entre fator e desfecho, o intervalo de confiança não pode conter o número 1 nele – ou seja, a linha horizontal ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Medicina baseada em evidências e bioestatística Estatística 58 não pode cruzar a linha vertical. Discutiremos um pouco mais sobre o intervalo de confiança adiante. Resultados: observe que nos estudos 1, 6, 7 e 8 o intervalo de confiança não cruza a linha vertical. Esses estudos, portanto, demonstraram associação entre o uso do corticoide e a mortalidade. Como todos eles contêm valores abaixo de 1, eles concluí- ram que o corticoide é fator protetor de mortalidade no agravo estudado. A conclusão da metanálise se resume àquele losango embaixo de todos os quadrados. Esse losango corresponde ao compilado gráfico de todos os estudos avaliados. Se o losango está à esquerda (<1), a metanálise concluiu que o fator avaliado é um fator de proteção comprovado. Se estiver à direita (>1), trata-se de um fator de risco. Se o losango tocar a linha vertical, isso significa que a metanálise concluiu que o fator não interfere de forma relevante no desfecho. A metanálise apresentada, portanto, concluiu que o corticoide reduz mortalidade no agravo avaliado, devendo ser utilizado. 1 .4 .3 . Intervalo de confiança De onde sai a noção de intervalo de confiança? Quando realizamos um estudo científico, chegamos a uma determinada conclusão. É possível que essa conclusão represente o que realmente acontece na vida real, mas é possível também que esteja equivocada. Vamos dar um exemplo. Se jogarmos uma moeda para cima, qual a chance de cair com cara para cima? Sabemos que é 50%. Entretanto, as “verdades” na medicina necessitam ser descobertas ainda, então precisamos realizar experimentos. Decidimos jogar a moeda 10 vezes. No nosso experimento, a moeda cai 80% das vezes com cara para cima. Concluímos, assim, que a chance de cair em cara é de 80%. O que podemos fazer para aumentar a eficácia do nosso experimento é repeti-lo. Jogamos, então, a moeda mais 10 vezes para cima, tendo ela caído em coroa 70% das vezes. Qual nossa conclusão até o momento? Concluímos que uma moeda jogada para cima 10 vezes pode variar entre os seguintes resultados: 70% coroa e 80% cara. Repetimos o mesmo experimento (jogar a moeda 10 vezes para cima) outras 98 vezes, obtendo resultados entre 90% cara e 80% coroa. Consigo, assim, concluir que há mais chance de cair em cara do que em coroa? A resposta é não. Meu experimento inicial demonstrou uma chance de 80% de cair em cara. Acontece que, após repetir o estudo 100 vezes, observei que a variação dos resultados possíveis era muito grande (entre 90% cara e 80% coroa). Essa variação é o meu intervalo de confiança. Se todo o meu intervalo variasse entre 60% cara e 90% cara, eu poderia concluir que há uma chance aumentada de a moeda cair em cara. Acontece que quando essa variação começa a pender para mais de uma conclusão, no caso chance aumentada de cair em coroa e em cara, o meu estudo torna-se inconclusivo. O problema é que alguns estudos demoram décadas para serem concluídos, não podendo ser repeti- dos com tanta facilidade quanto o experimento da moeda. Por isso, existem modelos estatísticos que fazem essa repetição para nós. O intervalo de confiança representa todos os resul- tados do estudo após essa “repetição estatística” ser efetuada. BASES DA MEDICINA Essa forma de explicar o intervalo de confiança como uma repetição estatística de um estudo é puramente didática. Na realidade, o intervalo de confiança é obtido através de fórmulas complexas que relacionam o tamanho da amostra avaliada, o desvio padrão dos valores nessa amostra, constantes estatísticas e nível de confiança esperado (geralmente 95%). Além disso, as fórmulas variam conforme a variável a que é aplicado o intervalo de confiança, como média, proporção, medida de asso- ciação etc. Para responder às questões de prova, não é necessário conhecer essas fórmulas, então pode se tranquilizar que não vamos lhe fazer ficar memorizando fórmula difícil. Um exemplo: estudamos 1000 pacientes fumantes e 1000 paciente não fumantes avaliando o risco de desenvolverem câncer de pulmão após 30 anos. Concluímos que fumar aumenta o risco de câncer de pulmão em 20 vezes. Replicamos esse estudo estatisticamente e chegamos à conclusão de que ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Medicina baseada em evidências e bioestatística Cap . 2 59 em algumas dessas replicações esse risco foi de apenas 8 vezes, enquanto em outras chegou a 50 vezes. Segundo o intervalo de confiança, portanto, fumar aumenta a chance de adquirir câncer de pulmão entre 8 e 50 vezes. Algumas observações sobre o intervalo de confiança são importantes: u O intervalo de confiança não pode passar pelo número 1. 1 significa ausência de relação. O grupo controle e o grupo avaliado tiveram os mesmos desfechos. Dentro de um intervalo de confiança não podemos ter replicações do meu estudo di- zendo, ao mesmo tempo, que um fator é de ris- co e de proteção, ou que não exerce influência. Assim, um intervalo de confiança só demonstra relevância estatística se ele estiver todo abaixo de 1 ou todo acima. u Quanto mais estreito o intervalo de confiança, mais confiável é o estudo. Você confiaria mais em um estudo que conclui que o risco de adquirir câncer de pulmão é entre 8-50 vezes maior no fumante ou um que conclui que é 18-22 vezes maior? A representatividade da amostra avaliada está diretamente relacionada ao intervalo de con- fiança. Quanto maior a amostra, provavelmente menor será o intervalo. Compreender o conceito e saber interpretar o inter- valo de confiança são conhecimentos e habilidades muito importantes para a sua prova. Para além da prova, estar treinado(a) nessa identificação dos inter- valos de confiança, permite olhar para as tabelas de resultados de um estudo epidemiológico específico e já ter uma noção de quais foram as conclusões. Assim, você adquire a capacidade de aprender e fixar evidências científicas em muito menos tempo. 2. BIOESTATÍSTICA Não vamos falar sobre todos os testes estatísticos que você tentou estudar quando estava fazendo seu TCC na faculdade. Aqui o nosso foco será o que realmente cai na sua prova. Para sua sorte, as provas têm o hábito de cobrar conceitos bastante iniciais de bioestatística. 2 .1 . MEDIDAS DE AÇÃO CENTRAL u Média = média aritmética dos valores encontrados. W A média é muito afetada por valores extremos. u Mediana = medida que está no centro da amostra. W A mediana não é afetada por valores extremos u Moda = valor que mais aparece na amostra. W Uma amostra pode ter mais do que uma moda. Se nenhum valor se repetir, não há moda. 2 .2 . MEDIDAS DE DISPERSÃO u Variância = mostra o quão distante cada valor está do valor central. u Desvio Padrão = raiz quadrada da variância. W Indica o quanto o conjunto é uniforme. W Um desvio padrão baixo indica que os dados são mais próximos da média. 2 .3 . DISTRIBUIÇÃO NORMAL BASES DA MEDICINA Entendemos por distribuição o espalhamento das variáveis por um gráfico cartesiano (eixo x e eixo y). Para considerarmos que os valores em uma população estudada representam uma distribuição normal, alguns critérios devem ser preenchidos: W A distribuição deve ser simétrica em torno da média; W Média = Mediana = Moda; W (σ = um desvio padrão) σ = engloba 68% da amostra; 2σ = 95%; 3σ = 99,7%; W Ou seja, um desvio-padrão para cada lado a partir da média inclui68% da amostra. 2 desvios-padrão incluem 95% da amostra. 3 desvios-padrão incluem 99,7% da amostra. A Curva de Gauss é a representação gráfica de uma distribuição normal. Observe na figura a seguir como os desvios-padrão representam determinada porcentagem da amostra. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Medicina baseada em evidências e bioestatística Estatística 60 Imagem 1. Distribuição normal. Fonte: UFSC. Além disso, na figura abaixo, podemos observar como, numa distribuição normal, média, moda e mediana são iguais, algo que não ocorre no segundo exemplo. Imagem 2. Demonstração esquemática de uma distribuição normal e anormal com marcação da média, moda e mediana. Fonte: Bedaque HP, Bezerra ELM, 2018. DIA A DIA MÉDICO Qual a aplicação da curva de Gauss e da distribuição normal? O teorema do limite central afirma que quando o tamanho de uma amostra aumenta, a sua distribuição amostral aproxima-se cada vez mais de uma distribuição normal. Ou seja, se você não sabe ao certo se a amostra que está estudando é representativa o suficiente da popu- lação para a qual quer extrapolar os resultados, você deve observar qual a representação gráfica da sua amostra. Se ela diferir muito da curva de Gauss, provavelmente sua amostra ainda é muito pequena. 2 .4 . VARIÁVEIS QUANTITATIVAS E QUALITATIVAS Os últimos conceitos que queremos introduzir nesse capítulo são os conceitos de variáveis quantitativas e qualitativas. u Variáveis quantitativas São quantidades, simples assim. Números que representam alguma quantidade. u Contínuas: incluem valores fracionários. Ex: peso, temperatura. u Descontínuas (ou discretas): não incluem valo- res fracionários. Ex: frequência cardíaca. u Variáveis qualitativas (categóricas) Não são quantidades, são características. u Ordinais: há ordem entre as categorias. Ex: escolaridade. u Nominais: não há ordem entre as categorias. Ex: sexo. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Medicina baseada em evidências e bioestatística Cap . 2 61 Mapa mental. Medicina baseada em evidências e bioestatística Medicina baseada em evidências e bioestatística Níveis de evidência Nível III Nível IV Nível V Nível I Nível II Revisão sistemática de caso-controleErro alfa Erro beta Relatos/Séries de casos Opinião de especialista Caso controle individualValor p Poder do teste Nível de confiança Revisão sistemática do ECR Revisão sistemática de coorte ECR individual Coorte individual Séries de casos “tudo ou nada” Ecológicos Conceitos importantes Hipótese nula Hipótese alternativa continua… ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Medicina baseada em evidências e bioestatística Estatística 62 Mapa mental. Medicina baseada em evidências e bioestatística (continuação) Variáveis Medidas de ação central Intervalo de confiança Graus de recomendação …continuação Ordinais Benefício comprovado Benefício provável Benefício incerto Não há evidência Contínuas Nominais Discretas/ Descontínuas Categóricas/qualitativas A B C D Média > 1 = fator de risco Moda < 1 = fator de proteção Mediana 1 = ausência de associação Quantitativas ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Medicina baseada em evidências e bioestatística Cap . 2 63 REFERÊNCIAS 1. Oxford centre for evidence-based medicine. The centre for evidence-based medicine [Internet]. Oxford: University of Oxford; 2020. Disponível em: https://www.cebm.net/ 2. Castro AA. Revisão Sistemática com ou sem metanálise. Curso online [Internet]. [acesso em 2020]. Disponível em: https://aprender.ead.unb.br/pluginfile.php/116366/ mod_resource/content/5/Destaques_Apostila_Revisao_ Sistematica.pdf 3. Bedaque HP, Bezerra ELM. Descomplicando MBE: uma abordagem prática da medicina baseada em evidências. Natal: Editora Caule de Papiro; 2018. 4. Patino CM, Ferreira JC. Internal and external validity: can you apply research study results to your patients? J Bras Pneumol. 2018;44(3):183. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Medicina baseada em evidências e bioestatística Estatística 64 QUESTÕES COMENTADAS Questão 1 (SANTA CASA – SP – 2019) Um médico de família esta- va em dúvida sobre a indicação de estatinas para pacientes com hipercolesterolemia, sem even- tos cardiovasculares prévios, e resolveu buscar evidências que respondessem à sua pergunta. Nessa situação hipotética, o melhor estudo que o médico poderá utilizar para a tomada de deci- são, considerando o delineamento e o desfecho analisados, é o(a) ⮦ Ensaio clínico randomizado que avaliou o impac- to da redução do LDL colesterol. ⮧ Metanálise de ensaios clínicos randomizados que avaliou a redução de eventos cardiovasculares. ⮨ Estudo experimental, tipo antes e depois, que avaliou a melhora nos níveis lipídicos e a ocor- rência de infarto agudo do miocárdio. ⮩ Diretriz clínica que avaliou o impacto na melhora dos níveis de HDL colesterol. ⮪ Estudo de coorte que avaliou a incidência de eventos cardiovasculares. Questão 2 (UNICAMP – SP – 2019) Um estudo experimental foi conduzido para comparar a efetividade de duas drogas em relação a placebo. Dados sociodemo- gráficos e clínicos foram considerados na análise multivariada. Tabela. Resultados de estimadores de recuperação clínica da doença nos três grupos, em análise univariada e multivariada (regressão logística), ajustados pelas variáveis sociodemográficas e clínicas. Tratamento Análise univariada Análise multivariada Odds Ratio IC (95%) Odds Ratio IC (95%) Droga 1 1,4 0,83-5,01 1,84 0,78-4,8 Droga 2 1,9 0,91-4,2 2,1 0,89-3,2 Placebo 1 1 IC – intervalo de Confiança Assinale alternativa correta: ⮦ A droga 2 deve ser priorizada em relação à droga 1 na recuperação clínica. ⮧ As drogas apresentaram efeito semelhante ao placebo para a recuperação clínica do paciente. ⮨ A droga 1 apresentou melhor efeito na recupe- ração clínica em qualquer condição sociodemo- gráfica e clínica ⮩ As drogas apresentaram resultados positivos para a recuperação clínica em relação ao placebo. Questão 3 (USP – SP – 2020) No sentido de quantificar a associação entre consumo de laticínios, doença cardiovascular e óbito foi realizado um estudo multicêntrico, que acompanhou por 15 anos grupo de 136.000 indi- víduos entre 35 e 70 anos de idade, em 21 países. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Medicina baseada em evidências e bioestatística Cap . 2 65 Os participantes foram divididos entre os que não consumiram laticínios e aqueles que os consumi- ram. Os dados que seguem resumem os principais resultados do estudo. Tabela X. Associação entre consumo diário de laticínios (CDL) e eventos clínicos. Evento CDL HR* IC 95%* Não** Sim Mortalidade total 1 0,83 0,72 – 0,96 Mortalidade não cardiovascular 1 0,86 0,72 – 1,02 Mortalidade cardiovascular 1 0,77 0,58 – 1,01 Doença cardiovascular grave 1 0,78 0,67 – 0,90 Infarto do miocárdio 1 0,89 0,71 – 1,11 Acidente vascular cerebral 1 0,66 0,53 – 0,82 Insuficiência cardíaca 1 1,06 0,71 – 1,57 * = Hazard ratio; ** = grupo de referência para HR; *** = intervalo de 95% de confiança. Fonte: Lancet 2018; 392: 2288-97 Qual é a alternativa correta quanto ao consumo de laticínios? ⮦ Aumentou o risco de óbito ⮧ Aumentou o risco de insuficiência cardíaca ⮨ Reduziu o risco de doença cardiovascular grave ⮩ Diminuiu o risco de infarto do miocárdio Questão 4 (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA – SC – 2021) Quando comparamos os níveis de colesterol sé- rico em duas amostras de pacientes sedentários e fisicamente ativos, o valor-p associado ao teste estatístico utilizado indica: ⮦ Se os dados são reais ou fruto de algum proce- dimento amostral falho. ⮧ Se os dados utilizados provêm de uma amostra representativa ou não-probabilísticada popula- ção de referência. ⮨ O intervalo de valores onde está a verdadeira média populacional, desde que os dados tenham distribuição normal. ⮩ Se os resultados podem ser empregados na prática clínica ou se estão afetados por viés metodológico. ⮪ A probabilidade de que a diferença observada entre os grupos seja devida à variação ou erro amostral. Questão 5 (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO – SP – 2021) Para verificar se o fato de mulheres adultas terem sido amamentadas pelas mães está associado ao cân- cer de mama, foi realizado um estudo do tipo coorte retrospectiva. Ao final do estudo observou-se que o risco relativo (RR) de desenvolver câncer de mama entre mulheres amamentadas pela mãe com refe- rência às não amamentadas foi de 0,69 (IC95%: 0,53; 0,90). Com esse resultado, ao nível de significância de 5%, pode-se concluir que: ⮦ houve associação significativa entre ter sido amamentada e câncer de mama, sendo que ter sido amamentada pela mãe diminuiu o risco de câncer de mama em 69%. ⮧ não houve associação significativa entre ter sido amamentada e câncer de mama, pois RR=0,69 é menor que o valor limite 1,0. ⮨ não houve associação significativa entre ter sido amamentada e câncer de mama, pois o valor RR=1,0 não está contido no IC95%. ⮩ houve associação significativa entre ter sido amamentada e câncer de mama, sendo que ter sido amamentada pela mãe diminuiu o risco de câncer de mama em 31%. Questão 6 (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO – SP – 2018) Conside- re as quatro afirmações abaixo: I. A média aritmética é muito afetada por valores extremos. II. A mediana é pouco afetada por valores extremos. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Medicina baseada em evidências e bioestatística Estatística 66 III. Pode haver nenhuma, uma, ou mais que uma moda. IV. O desvio-padrão é a raiz quadrada da variância. Pode-se dizer que: ⮦ Apenas três são corretas. ⮧ Apenas duas são corretas. ⮨ Apenas uma é correta. ⮩ As quatro são corretas. Questão 7 (ASSOCIAÇÃO MÉDICA DO RIO GRANDE DO SUL – RS – 2018) Analise as seguintes assertivas em relação à dis- tribuição normal e seus elementos característicos e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas. ( ) Tem um eixo de simetria; ( ) A média aritmética, a mediana e a moda coin- cidem no mesmo valor pelo qual passa o eixo de simetria; ( ) A distância entre o eixo de simetria e os pontos de inflexão da curva equivalem ao desvio-padrão; ( ) É assintótica ao eixo “x” (abscissas), isto é, seus extremos se aproximam cada vez mais do eixo horizontal, sem nunca tocá-lo. A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: ⮦ F – F – F – F. ⮧ V – F – V – V. ⮨ V – V – F – V. ⮩ F – V – V – F. ⮪ V – V – V – V. Questão 8 (INSTITUTO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA AO SERVIDOR PÚBLICO ES- TADUAL – SP – 2021) O número de filhos, o peso e a idade de um indivíduo são, respectivamente, exemplos de ⮦ variável contínua, variável discreta e variável discreta. ⮧ variável contínua, variável contínua e variável contínua. ⮨ variável discreta, variável contínua e variável discreta. ⮩ variável discreta, variável contínua e variável contínua. ⮪ variável discreta, variável discreta e variável con- tínua. Questão 9 (SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO PAULO – SP – 2020) Uma paciente foi à consulta, com o médico de família, para seguimento da hipertensão, que está descon- trolada. Relatou que não faz o uso da medicação por causa dos efeitos colaterais e questionou se haveria alguma alternativa para o tratamento. O mé- dico informou que outra medicação teve resulta- dos parecidos nos estudos clínicos, mas que ela não está na lista do Rename por ter um custo um pouco mais alto. Eficácia, efetividade e eficiência são termos que podem passar por sinônimos para o público leigo, mas possuem significados diferen- tes para especialistas em pesquisas clínicas. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta os conceitos na ordem em que apa- recem no texto. ⮦ eficiência, eficácia e efetividade ⮧ efetividade, eficácia e eficiência ⮨ eficácia, efetividade e eficiência ⮩ efetividade, eficiência e eficácia ⮪ eficiência, efetividade e eficácia Questão 10 (SELEÇÃO UNIFICADA PARA RESIDÊNCIA MÉDICA DO CEARÁ – CE – 2021) Uma médica iniciou, em fevereiro de 2020, sua atuação como plantonista de um hospital que era referência para o tratamento de pacientes com covid-19. Após atender os primeiros pacientes, re- solveu ler um artigo para ter mais segurança no manejo clínico destes. Considerando os princípios da Medicina Baseada em Evidências (MBE) e os dados de um estudo transversal apresentados na tabela, qual a interpretação mais adequada para este artigo? ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Medicina baseada em evidências e bioestatística Cap . 2 67 Aspectos Gerais Desfecho RP IC p-valorAlta Óbito Nº % Nº % Idade < 60 anos 25 73,5 9 26,5 1 1,42 — 1,14-1,79 0,015 = 60 anos 165 51,6 155 48,4 Tomou azitromicina Sim 187 57,9 136 42,1 1 4,63 — 1,84-11,64 0,000 Não 4 12,5 28 87,5 Fez tomografia Sim 21 33,3 42 66,7 1 1,10 — 0,66-1,85 0,501 Não 19 30,2 44 69,8 Sexo Feminino 136 65,7 68 33,3 1 1,84 — 1,46-2,32 0,000 Masculino 54 36,2 95 63,8 Dados fictícios ⮦ A não realização de tomografia foi mais asso- ciada à evolução para óbito e a associação apre- sentou significância estatística. ⮧ Ter idade menor que 60 anos foi associado a maior chance de evoluir para o óbito por covid-19, mas não teve significância estatística. ⮨ Pacientes do sexo masculino morreram mais que do sexo feminino e esse achado teve signi- ficância estatística. ⮩ O uso de azitromicina foi mais prevalente entre os pacientes que evoluíram para óbito e um estudo transversal é o mais adequado para respaldar a tomada de decisão para uma conduta clínica. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Medicina baseada em evidências e bioestatística Estatística 68 GABARITO E COMENTÁRIOS Questão 1 dificuldade: Comentário: Quando consideramos os estudos epi- demiológicos e os níveis de evidência, os estudos que apresentam nível de evidência mais elevado são as revisões sistemáticas de ensaios clínicos rando- mizados. A metanálise é uma técnica estatística utilizada em estudos de revisão sistemática. Além disso, o desfecho que buscamos não é, necessa- riamente, a redução do LDL, mas a ocorrência de eventos cardiovasculares e mortalidade. A letra B, portanto, é a alternativa correta. ✔ resposta: ⮧ Questão 2 dificuldade: Comentário: Quando avaliamos os intervalos de con- fiança dos dois estudos, percebemos que ambos começam com um valor abaixo de 1 e terminam com um valor acima (0,78 – 4,8 e 0,89 – 3,2). Isso significa que os medicamentos se apresentaram como fatores de risco e de proteção, ou seja, me- lhoraram e pioraram a situação ao mesmo tempo. Por isso, devemos concluir que nenhum dos dois medicamentos apresentou um desfecho estatistica- mente distinto daquele apresentado pelo placebo. ✔ resposta: ⮧ Questão 3 dificuldade: Comentário: Vamos analisar cada uma das alterna- tivas. Alternativa A: INCORRETA. Quando avaliamos o inter- valo de confiança do desfecho “mortalidade total” (0,72 – 0,96), percebemos que todos os valores estão abaixo de 1; ou seja, demonstram que o consumo de laticínios reduz esse desfecho, não aumenta. Alternativa B: INCORRETA. Quando avaliamos o in- tervalo de confiança do desfecho “insuficiência cardíaca” (0,71 – 1,57), percebemos que há valores abaixo e acima de 1; ou seja, não há conclusão pos- sível sobre a associação do consumo de laticínios com esse desfecho. Alternativa C: CORRETA. Alternativa D: INCORRETA. Quando avaliamos o inter- valo de confiança do desfecho “infarto do miocár- dio” (0,71 – 1,11), percebemos que há valores abaixo e acima de 1, ou seja, não há conclusão possível sobre a associaçãodo consumo de laticínios com esse desfecho. ✔ resposta: ⮨ Questão 4 dificuldade: Comentário: Fácil? Como que alguém diz que essa questão é fácil? O comentário é grande, mas vai valer à pena. Vemos tanto o valor “p” nos estudos, esperamos que ele esteja abaixo de 0,05 e, se estiver, confiamos cegamente na conclusão do estudo, não é mesmo? Cuidado! Você não pode continuar lendo estudos epidemiológicos dessa maneira. O valor “p” corres- ponde ao nível de confiança de um determinado resultado estatístico. Vamos explicar desde o começo. Os estudos con- cluem alguma coisa. Eles podem concluir, por exem- plo, que um medicamento não serve para covid, ou que determinado comportamento é fator de risco para câncer. No primeiro exemplo, o estudo chegou à conclusão de que determinado medicamento não serve para covid porque comparou dois grupos, um em uso do medicamento e o outro sem usar, e percebeu que ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Medicina baseada em evidências e bioestatística Cap . 2 69 não houve diferença no que diz respeito ao desfe- cho avaliado. Em resumo, concluiu que a diferença entre os grupos era inexistente, ou nula. Nesse caso, o estudo confirmou a hipótese nula. Esse tipo de estudo está sujeito a um erro chamado erro tipo II, ou erro beta. Esse é o erro que acontece quando nós aceitamos a hipótese nula quando na verdade existe diferença no mundo real, mas nosso estudo não foi capaz de detectá-la. No segundo exemplo, o estudo concluiu que o taba- gismo, por exemplo, é fator de risco para câncer de pulmão. Para isso, os pesquisadores separaram dois grupos, um exposto ao fator e o outro não exposto, e perceberam que o grupo exposto desenvolvia a doença numa proporção muito maior. Ou seja, a diferença entre os grupos realmente foi observada, não sendo nula. Quando um estudo rejeita a hipó- tese nula dizemos que ele confirmou a hipótese alternativa. Esse segundo tipo de estudo, que rejeita a hipótese nula, está sujeito a um erro chamado erro tipo I, ou erro alfa. Esse é o erro que acontece quando rejeitamos a hipótese nula, concluindo que há diferença entre os grupos, mas no mundo real essa diferença não existe. Temos como saber se o nosso estudo está certo ou errado? Não. O estudo é exatamente a forma mais confiável que temos de “alcançar” o que está lá fora, no mundo real. É a melhor versão da realidade que temos na medicina. Acontece que há cálculos esta- tísticos que nos permitem dizer o quanto podemos confiar na nossa conclusão, em porcentagens. No caso do segundo exemplo, esse cálculo é feito da seguinte forma: • Primeiro calculamos qual a chance de termos cometido o erro alfa: 5%, 10% ou 15% por exemplo. Essa chance, ou probabilidade, recebe o apelido de “p”. Aceitamos uma chance de estarmos erra- dos de 5% ou menos, por isso procuramos pelo p < 0,05. • Depois calculamos o quanto nossa conclusão é confiável, ou o nível de confiança = 1 – erro alfa. Se o “p” for menor que 5%, teremos um nível de confiança de 95% ou mais. Concluindo, o valor de “p” me diz qual a chance de uma diferença observada entre grupos no meu estudo estar errada, ou seja, ser devida a uma variação ou erro amostral. Depois da revisão ficou fácil, não? ✔ resposta: ⮪ Questão 5 dificuldade: Comentário: O estudo em questão concluiu que o Risco Relativo de desenvolver câncer de mama entre mulheres que foram amamentadas pela mãe, com relação às não amamentadas, foi de 0,69. Ou seja, o risco de desenvolver câncer, se a mulher foi amamentada, é igual a 69% do risco de desenvolver câncer de mama de uma mulher não amamentada. O intervalo de confiança foi de 0,53 – 0,90. Nesse caso, o intervalo de confiança confirmou que a amamentação é um fator de proteção. Alternativa A: INCORRETA. A redução foi de 31%, to- talizando 69%. Não foi uma redução de 69% (que indicaria um RR de 0,31). Alternativa B: INCORRETA. Houve associação signi- ficativa, sim. O intervalo de confiança mostrou ser fator de proteção e o enunciado disse que havia nível de significância. Alternativa C: INCORRETA. Ver alternativa B. Alternativa D: CORRETA. Ver alternativa A. ✔ resposta: ⮩ Questão 6 dificuldade: Comentário: A média aritmética é muito afetada por valores extremos por ser a soma total dos valores dividida pelo número de valores considerados. A mediana é o valor que está entre os 50% maio- res e os 50% menores. A mediana, portanto, não é afetada por valores extremos. Logo, a afirmação de que é pouco afetada está incorreta, pois ela não é em nada afetada. A moda é o número que mais se repete num grupo de números, podendo haver mais do que uma moda ou nenhuma, caso nenhum número se repita. O desvio-padrão é, de fato, a raiz quadrada da variância. Dessa forma, a primeira, a terceira e a quarta afirmativas estão corretas, mas a segunda está errada. Existem, então, três afirma- tivas corretas. ✔ resposta: ⮦ ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Medicina baseada em evidências e bioestatística Estatística 70 Questão 7 dificuldade: Comentário: A distribuição normal (Paramétrica/ Gaussiana) é caracterizada por uma curva simétrica em forma de sino, que pode ser definida por apenas duas medidas, a média e o desvio padrão (DP), de forma que a média dita o centro da curva e o des- vio padrão o quão concentrada ou dispersa ela é. Assertiva I: VERDADEIRA. A distribuição normal é por definição simétrica. Assertiva II: VERDADEIRA. Em qualquer distribuição simétrica, a moda, a mediana e a média vão coin- cidir, visto que os valores extremos de cada lado estão em simetria, não causando desvios. Assertiva III: VERDADEIRA. A média e o DP definem o traçado da distribuição normal, de forma que os pontos a 01 DP de distância da média são onde a curva deixa de ser côncava e se torna convexa. Assertiva IV: VERDADEIRA. Quando você observa as caudas (os extremos) de uma curva normal, per- cebe que elas vão se aproximando cada vez mais do eixo x, chegando bem perto, mas sem tocá-lo. ✔ resposta: ⮪ Questão 8 dificuldade: Comentário: Questão sobre bioestatística básica, envolvendo os diferentes tipos de variáveis. Temos variáveis quantitativas, que descrevem quantida- des, ou seja, números. Essas podem ser discretas (apenas números inteiros) ou contínuas (incluem valores fracionários). O número de filhos é uma variável discreta, ou descontínua, enquanto peso e idade podem ser descritos em frações, sendo considerados variáveis contínuas. ✔ resposta: ⮩ Questão 9 dificuldade: Comentário: Primeiro, vamos definir cada um des- ses conceitos. Eficácia = Resultados demonstrados dentro de condições ideais, como ensaios clínicos. Efetividade = Resultados obtidos no mundo real, fora dos “muros” de um ensaio clínico. Eficiência = Avaliação sobre o custo-benefício. No texto, vemos os efeitos colaterais atrapalhando o uso de uma medicação. Portanto, observamos sua atuação no mundo real (efetividade). Depois, o médico fala dos resultados de outra medicação em ensaios clínicos (eficácia), mas aponta para o custo alto do medicamento (eficiência). Portanto, a ordem correta é efetividade, eficácia e eficiência. ✔ resposta: ⮧ Questão 10 dificuldade: Comentário: Questão sobre análise de resultados de estudos científicos. Vamos às alternativas. Alternativa A: INCORRETA. O intervalo de confiança demonstra que não há associação identificada en- tre a não realização da TC e a evolução para óbito. Alternativa B: INCORRETA. Pelo contrário, temos maior mortalidade nos pacientes acima de 60 anos. Alternativa C: CORRETA. Sim, temos maior proporção de óbitos no grupo masculino. O intervalo de con- fiança está todo acima do número 1 e o valor de p está descrito como sendo 0,000. Alternativa D: INCORRETA. Observe como temos um intervalo de confiança amplo, o que provavelmente se dá pelo valor baixo de pessoas avaliadas que não fizeram uso do medicamento.De qualquer forma, a tabela está mostrando que o uso de azitromicina foi mais prevalente entre aqueles que tiveram alta, não entre os que evoluíram para óbito. Você pode olhar esse estudo, com o intervalo de confiança todo acima do número 1 e o valor de p = 0,000, e se perguntar se esse estudo comprova que azitro- micina reduz mortalidade na covid-19. A resposta é não. Estudos transversais não determinam cau- salidade, sendo inadequados para respaldar a to- mada de decisão. ✔ resposta: ⮨ ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 71 Capítulo 3TESTES DIAGNÓSTICOS O QUE VOCÊ PRECISA SABER? u Sensibilidade é a capacidade de detectar os verdadeiro-positivos. u Especificidade é a capacidade de detectar os verdadeiro-negativos. u Sensibilidade e especificidade são características inerentes aos testes, não variando conforme a preva- lência da doença. u Os valores preditivos variam conforme a prevalência da doença. u Em uma curva ROC, a área abaixo da curva corresponde à acurácia do teste diagnóstico. BASES DA MEDICINA Quando falamos em testes diagnósticos, imediatamente pensamos em exames complementares. Essa associação, entretanto, não está 100% correta. A aferição da pressão arterial de um paciente ou a queixa de dor torácica com irradiação para mandíbula podem ser considerados testes diagnósticos. Por isso, devemos entender que informações adquiridas na anamnese e achados do exame físico têm sensibilidade, especificidade, acurácia, valores preditivos e razões de verossimilhança, assim como os exames complementares. Como avaliamos essas características de um teste diag- nóstico? Via de regra, comparamos com o que é conside- rado “padrão-ouro”. O padrão-ouro é o teste diagnóstico que apresenta os melhores resultados, ou seja, que mais acerta o diagnóstico dentre todos os testes disponíveis. Geralmente, trata-se da avaliação anatomopatológica. Vamos dar um exemplo: O paciente com câncer de pâncreas pode apresentar icterícia ao exame físico. Esse achado não é o suficiente, entretanto, para firmarmos o diagnóstico da doença. Por isso, solicitamos exames de imagem, como a tomogra- fia, que, caso alterada, reforça a suspeita diagnóstica. Como sabemos que determinado achado à tomografia de abdome nos permite suspeitar, com segurança, sobre a presença de câncer de pâncreas? Através de estudos anatomopatológicos de biópsias pancreáticas, podemos comparar as alterações microscópicas no pâncreas com os achados tomográficos, e estabelecemos quais as características que detêm associação satisfatoriamente acurada com a presença da doença. Em resumo, icterícia, tomografia e biópsia pancreática são todos testes diagnósticos. A biópsia é considerada o “padrão-ouro”, mas a tomografia tem valor preditivo bom o suficiente para ser usada como teste de rotina para a investigação diagnóstica da doença. Sempre que consi- derarmos, neste capítulo, que um paciente é doente ou não doente, estamos utilizando os dados obtidos através do “padrão-ouro”. Ou seja, se dissermos que um paciente com imagem sugestiva na tomografia não tem câncer de pâncreas, e considerarmos o resultado falso-positivo, você deve entender que, caso esse paciente tivesse realizado uma biópsia pancreática, sua análise anatomopatoló- gica demonstraria um pâncreas sem alterações, mesmo havendo exame de imagem sugestivo. DIA A DIA MÉDICO Raramente, na nossa prática clínica, nós paramos e pesquisamos a sensibilidade e a especificidade de todas as queixas que os pacientes apresentam, achados que encontramos no exame físico e exames complementares que solicitamos. O conhecimento do tema deve, entre- tanto, mudar um pouco a forma como lidamos com os testes diagnósticos. importância/prevalência ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Testes diagnósticos Estatística 72 Mais uma vez, traremos um exemplo. W Uma paciente de 29 anos, sem queixas, vem para a consulta solicitando exames de rotina. Você solicita um “check-up” cheio de exames laboratoriais que deixa sua paciente satisfeita. Algumas semanas depois, a paciente retorna com os resultados, e um em particular chama a sua atenção: W Glicemia de jejum = 131 mg/dL Como devemos interpretar esse resultado? O conheci- mento sobre as características do teste é fundamental. A glicemia de jejum apresenta sensibilidade de 90,7% e especificidade de 83,5%. Esses conceitos serão apresen- tados posteriormente, não se assuste. Outra informação que você precisa ter para interpretar corretamente esse exame diz respeito à prevalência da doença. Um estudo realizado em 2008 no Rio de Janeiro demonstrou preva- lência de diabetes mellitus na faixa etária entre 20-39 anos de 1,5%. Vamos montar uma tabela de contingência 2x2 para esse caso. Tabela 1. Contingência 2x2. Doente Não doente Total Positivo 14 163 177 Negativo 1 822 823 Total 15 985 1000 Fonte: Autor. Ao final do capítulo, você saberá montar essa tabela e revisitaremos esse exemplo. O que essa tabela mostra? Já que a prevalência é de 1,5%, para cada 1000 pacientes nessa faixa etária, apenas 15 terão a doença, enquanto 985 não a terão. Com uma sensibilidade de 90%, a glicemia de jejum estará alterada em 13 ou 14 desses 15 pacientes. Acontece que, por ter uma especificidade de 83,5%, a glicemia também estará alterada em 163 dos 985 pacientes que não têm a doença. Por isso, para cada 177 resultados positivos, apenas 14 realmente serão de pacientes doentes. O que tudo isso quer dizer? A chance de aquela glicemia de jejum de 131 mg/dL realmente estar indicando que a sua paciente de 29 anos tem diabetes é de menos de 8%. Ou seja, a chance de se tratar de um resultado falso-positivo é de mais de 92%. Você simplesmente não deve acreditar no resultado. Por que, então, solicitar esse exame para es- sa paciente? Uma glicemia de jejum deve ser solicitada, portanto, para populações específicas. Alguns exemplos são: W Hipertensos W Pacientes com sintomas clássicos de diabetes W Pacientes assintomáticos acima de 45 anos Além disso, para melhorar a acurácia do diagnóstico, geralmente necessitamos de duas dosagens para con- firmação diagnóstica. O conhecimento sobre sensibilidade, especificidade e prevalência nos mostra que temos que respeitar as indicações corretas para a realização de cada teste diagnóstico. Você precisa saber se aquele teste deve ser realizado no seu paciente e com que propósito – confirmar ou descartar a doença –, para não definir sua conduta com base em um resultado pouco confiável. 1. INTRODUÇÃO Todo teste diagnóstico pode apresentar dois resul- tados: positivo e negativo. Todo paciente pode se encaixar em duas situações: doente ou não doente. Assim, um paciente doente pode apresentar um teste positivo (verdadeiro-positivo) ou negativo (falso-negativo), enquanto um paciente não doente pode apresentar um teste positivo (falso-positivo) ou negativo (verdadeiro-negativo). Essas possibilidades estão apresentadas na tabela abaixo. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Testes diagnósticos Cap . 3 73 Tabela 2. Tabela de Contingência 2x2. Resultado do teste diagnóstico Doentes Não doentes Total Positivo a b a + b Negativo c d c + d Total a + c b + d a + b + c + d a = verdadeiro-positivo; b = falso-positivo; c = falso-negativo; d = verdadeiro-negativo. Fonte: Autor. 2. SENSIBILIDADE E ESPECIFICIDADE Sensibilidade e especificidade são características do teste diagnóstico. Um teste com sensibilidade de 80%, por exemplo, apresentará a mesma sen- sibilidade independentemente da população em que o teste seja realizado. Ou seja, a prevalência da doença não altera essas duas características. 2 .1 . SENSIBILIDADE u Definição: capacidade de detectar os verdadei- ro-positivos entre os doentes. Em outras palavras, sensibilidade é a proporção de acertos entre os doentes. Ou seja, sensibilidade significaa probabilidade de um indivíduo doente ter o teste positivo. Vamos olhar a tabela? Tabela 3. Sensibilidade. Teste Doença Total Presente Ausente Positivo Verdadeiro-Positivo (a) Falso-Positivo (b) Total de positivos Negativo Falso-Negativo (c) Verdadeiro-Negativo (d) Total de negativos Total Total de Doentes Total de Não Doentes Total de Pacientes Fonte: O autor. Quando falamos em sensibilidade, olhamos apenas para os pacientes doentes. Quando o teste acerta nesse grupo, temos os verdadeiro-positivos. Quando o teste erra, temos os falso-negativos. Um teste muito sensível vai ter uma proporção alta de verdadeiro-positivos e baixa de falso-negativos. Só isso. Os outros valores (falso-positivo e verdadei- ro-negativo) não fazem parte da análise dos doentes. DICA Sempre que falamos de sensibili- dade, estamos avaliando apenas a popu- lação doente. Vamos tentar analisar através do exemplo que trouxemos no início do capítulo. A glicemia em jejum tem uma sensibilidade de 90,7%. Com essa sensibilidade, se na nossa população houver 1000 pacientes diabéticos, 907 desses apresentarão exame alterado. Observe que estamos avaliando apenas os pacientes doentes. Quando falamos de sensibilidade, olha- mos para os pacientes que têm a doença e vemos quantas vezes o teste diagnóstico é capaz de dar positivo nessas pessoas. Dizemos que um paciente é diabético a partir de uma glicemia em jejum de 126 mg/dL. O que você acha ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Testes diagnósticos Estatística 74 que aconteceria se aumentássemos esse ponto de corte para 151 mg/dL? Todos os pacientes com exame entre 126 e 150 mg/dL, que anteriormente eram tidos como diabéticos passam a não ser mais. Assim, teremos menos resultados positivos entre todos os pacientes doentes. A porcentagem de doentes com teste positivo cai. A sensibilidade diminui. Imagine que, ao invés de 150, reduzíssemos o ponto de corte para 100 mg/dL. Agora, todos aqueles pacientes doentes, mas que eram considerados pré-diabéticos, passam a receber o diagnóstico da doença. Assim, aumentamos o número de resul- tados positivos entre todos os pacientes doentes. A porcentagem de doentes com teste positivo é maior. A sensibilidade aumenta. Concluímos que: u O aumento do ponto de corte de um teste diag- nóstico leva à redução da sensibilidade. u A redução do ponto de corte leva ao aumento da sensibilidade. 2 .2 . ESPECIFICIDADE u Definição: capacidade de detectar os verdadei- ro-negativos entre os não doentes. Em outras palavras, especificidade é a proporção de acertos entre os não doentes. Ou seja, especi- ficidade significa a probabilidade de um indivíduo não doente ter o teste negativo. Vamos à tabela. Tabela 4. Especificidade. Teste Doença Presente Ausente Total Positivo Verdadeiro-Positivo (a) Falso-Positivo (b) Total de Positivos Negativo Falso-Negativo (c) Verdadeiro-Negativo (d) Total de Negativos Total Total de Doentes Total de Não Doentes Total de Pacientes Fonte: o autor. Quando falamos em especificidade, olhamos ape- nas para os pacientes não doentes. Quando o teste acerta nesse grupo, temos os verdadeiro-negativos. Quando o teste erra, temos os falso-positivos. Um teste muito específico vai ter uma proporção alta de verdadeiro-negativos e baixa de falso-positi- vos. Só isso. Os outros valores (verdadeiro-positivo e falso-negativo) não fazem parte da análise dos não doentes. DICA Sempre que falamos de especifici- dade, estamos avaliando apenas a popula- ção não doente. Vamos, mais uma vez, analisar essa característica usando o exemplo do início do capítulo. A glicemia em jejum tem uma especificidade de 83,5%. Se, na nossa população, houver 1000 pacientes sem diabetes, 835 desses apresentarão teste normal, enquanto 165 apresentarão alteração do exame. Observe que estamos avaliando apenas os pacientes não doentes. Quando falamos de especificidade, olhamos para os pacientes que não têm a doença e vemos quantas vezes o teste diagnóstico é capaz de dar negativo nessas pessoas. Se aumentarmos o ponto de corte para os mes- mos 151 mg/dL discutidos anteriormente, alguns dos 165 pacientes não doentes que apresentavam resultado falso-positivo vão deixar de apresentar. Assim, teremos um número maior de pacientes não doentes com o resultado negativo. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Testes diagnósticos Cap . 3 75 Por outro lado, se reduzirmos o ponto de corte para 100 mg/dL, teremos mais pacientes não doentes com teste positivo. Concluímos que: u O aumento do ponto de corte de um teste diag- nóstico eleva sua especificidade. u A redução do ponto de corte reduz a especifi- cidade. 2 .3 . SENSIBILIDADE X ESPECIFICIDADE Para a prova, é muito comum pensarmos que quando elevamos a sensibilidade de um teste diagnóstico, reduzimos sua especificidade e vice-versa. Como dissemos, um teste muito sensível vai ter uma proporção alta de verdadeiro-positivos e baixa de falso-negativos. Nada além disso. Acontece que, como a elevação da sensibilidade leva a uma redu- ção da especificidade, muitas questões consideram que um teste muito sensível é, automaticamente, pouco específico. Um teste pouco específico tem uma proporção baixa de verdadeiro-negativos e alta de falso-positivos. Por isso há questões que consideram que um teste muito sensível gera muitos falso-positivos, já que indiretamente conclui-se que o teste é pouco específico. Essa noção não está completamente correta. O doppler, por exemplo, tem sensibilidade de vir- tualmente 100% e especificidade de 98% para o diagnóstico de TVP proximal. Essa alta sensibilidade resultará em muitos falso-positivos? Não. A especifi- cidade de 98% garante que apenas 2% dos pacientes não doentes tenham resultados falso-positivos. Como visto nas tabelas acima, a sensibilidade só interfere nas proporções de verdadeiro-positivos e falso-negativos, enquanto a especificidade só interfere nas proporções de verdadeiro-negativos e falso-positivos. Testes diagnósticos podem ser ruins, com valores baixos tanto de sensibilidade quanto de especificidade, ou muito bons, com sensibilidade e especificidade elevadas. DICA Como nos livramos dessa armadi- lha? Se a questão está lhe perguntando o que acontece a partir de um teste com alta sensibilidade, por exemplo, primeiro avalie as alternativas que falam sobre verdadeiro- -positivos e falso-negativos, que são valo- res diretamente influenciados pela sensibi- lidade. Se não houver nenhuma alternativa correta sobre essas características, é pos- sível que a questão esteja considerando que um teste muito sensível é, automatica- mente, pouco específico, e a resposta será alguma característica de um teste pouco específico. Quando falamos que um teste muito sensível apresenta muitos falso-po- sitivos, há provas que consideram essa afirmação falsa, e provas que a consideram verdadeira. Tudo depende da presença, ou não, de uma alternativa mais correta. Vamos apresentar algumas afirmações sobre testes sensíveis e específicos. Sobre testes com alta sensibilidade: u Apresentam alta proporção de verdadeiro-po- sitivos. u Apresentam baixa proporção de falso-negativos. u Geralmente são indicados para triagem/rastrea- mento de doenças. u Podem apresentar alta proporção de falso-posi- tivos (caso haja baixa especificidade). Sobre testes com alta especificidade: u Apresentam alta proporção de verdadeiro-ne- gativos. u Apresentam baixa proporção de falso-positivos. u Geralmente são indicados para confirmação diagnóstica. u Podem apresentar alta proporção de falso-ne- gativos (caso haja baixa sensibilidade). ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Testes diagnósticos Estatística 76 3. TABELA DE CONTINGÊNCIA 2X2 É agora que tudo toma forma. Sabe aquela tabela que montamos no início do capítulo com o exemplo da nossa paciente de 29 anos?Você precisa apren- der a montar essa tabela. Nas provas, é importante usar as informações fornecidas pelo enunciado da questão para tentar preencher uma tabela de contin- gência 2x2. É nessa tabela que você vai representar as informações de prevalência (ou probabilidade pré-teste), sensibilidade e especificidade. Tabela 5. Desenho da tabela. Doentes Não Doentes Total Positivo Negativo Total Fonte: Autor. Na coluna à esquerda (Doentes), você irá dividir os pacientes doentes entre aqueles que apresen- taram teste positivo e aqueles que apresentaram teste negativo. Na coluna da direita (Não Doentes), você fará o mesmo com os pacientes não doen- tes. Na linha de cima (Positivo), você irá dividir os pacientes que tiveram teste diagnóstico positivo entre aqueles que efetivamente têm a doença e aqueles que não têm. Na linha de baixo (Negativo) você fará o mesmo com os pacientes que tiveram teste negativo. Como você saberá quantos pacientes têm a doença se o teste pode positivar em pacientes não doentes e negativar em pacientes doentes? Geralmente, a questão irá trazer os dados de prevalência. Por exemplo, se o enunciado lhe informa que 1000 pacientes foram testados e que a prevalência da doença na população estudada é de 15%, você vai começar a montar sua tabela da seguinte forma: Tabela 6. Exemplo. Doentes Não Doentes Total Positivo Negativo Total 150 850 1000 Fonte: Autor. A partir daí, tudo fica mais fácil. Os dados de sen- sibilidade e/ou especificidade precisam ser esta- belecidos pela questão. Digamos que o teste que estamos avaliando apresenta sensibilidade de 86% e especificidade de 94%. Sua tabela será preenchida assim: Tabela 7. Exemplo. Doentes Não Doentes Total Positivo 129 51 Negativo 21 799 Total 150 850 1000 Fonte: Autor. Pronto, agora você tem a informação sobre o número total de pacientes com testes positivos e negativos. É hora de finalizar a sua tabela. Tabela 8. Exemplo. Doentes Não Doentes Total Positivo 129 51 180 Negativo 21 799 820 Total 150 850 1000 Fonte: Autor. Você acabou de montar uma tabela de contingência 2x2 de um teste diagnóstico com sensibilidade de 86% e especificidade de 94%, aplicado em uma população de 1000 pessoas que apresenta uma prevalência de 15% para a doença investigada. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Testes diagnósticos Cap . 3 77 A questão pode solicitar que você realize o caminho inverso, fornecendo uma tabela e questionando quais são os valores de sensibilidade e especifi- cidade. Você lembra termos citado que, quando falamos de sensibilidade, olhamos para a porcentagem de acertos entre os pacientes doentes e, quando falamos de especificidade, fazemos o mesmo com os pacientes não doentes? Tabela 9. Exemplo. Doentes Não Doentes Total Positivo 129 51 180 Negativo 21 799 820 Total 150 850 1000 Sensibilidade = 129/150 = 86% Especificidade = 799/850 = 94% Fonte: Autor. Lembra que, no exemplo apresentado no início do capítulo, olhamos para todos os resultados posi- tivos para ver qual a confiabilidade de um teste positivo naquela situação? Pois bem, aqui podemos observar que, dos 180 testes positivos, 129 estão corretos (verdadeiro-positivos) e 51 estão incorretos (falso-positivos). Se olharmos para os resultados negativos, veremos que 799 estão corretos (verda- deiro-negativos) e 21 incorretos (falsos-negativos). Ou seja, um teste positivo está correto 71,6% das vezes (129/180), enquanto um teste negativo acerta 97,4% das vezes (799/820). Algo muito estranho está acontecendo aqui. O teste tem especificidade maior que a sensibilidade, mas parece ser melhor para descartar a doença do que para confirmá-la. Isso se dá por conta da baixa prevalência da doença na população. Vamos trazer três situações distintas: u Uma em que há aumento da prevalência da doença. u Uma em que há aumento da sensibilidade do teste. u Uma em que há aumento da especificidade do teste. Tabela 10. Aumento da prevalência de 15% para 50%. Doentes Não Doentes Total Positivo 430 30 460 Negativo 70 470 540 Total 500 500 1000 Fonte: Autor. Agora, a confiabilidade do teste positivo é de 93,5% (430/460), enquanto a confiabilidade do teste nega- tivo é de 87% (470/540). Percebe que, ao igualarmos a prevalência de doentes e não doentes, o teste tornou-se melhor para confirmar a doença do que para descartá-la? Isso é o esperado, visto que a espe- cificidade do teste é superior à sua sensibilidade. Tabela 11. Aumento da sensibilidade de 86% para 98%. Prevalência mantida em 15%. Doentes Não Doentes Total Positivo 147 51 198 Negativo 3 799 802 Total 150 850 1000 Fonte: Autor. Agora, a confiabilidade do teste positivo é de 94,2 % (147/198), enquanto a confiabilidade do teste negativo é de 99,6% (799/802). Assim, fica evidente que, ao aumentarmos a sensibilidade de um teste, este aumenta bastante sua confiabilidade para descartar uma doença. Tabela 12. Aumento da especificidade de 94% para 100%. Prevalência mantida em 15%. Doentes Não Doentes Total Positivo 129 0 129 Negativo 21 850 871 Sensibilidade Especificidade ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Testes diagnósticos Estatística 78 Doentes Não Doentes Total Total 150 850 1000 Fonte: Autor. Agora, a confiabilidade do teste positivo subiu de 86% para 100% (129/129), enquanto a confiabilidade do teste negativo é de 97,6% (850/871). Assim, fica evidente que, ao aumentarmos a especificidade de um teste, este aumenta sua confiabilidade para confirmar uma doença. Todo esse tempo, quando citamos a confiabilidade do teste positivo ou negativo, estivemos olhando para os valores preditivos positivo e negativo do teste em questão. A tabela abaixo demonstra que, quando avaliamos apenas as colunas, podemos calcular a sensibilidade e a especificidade do teste, porém quando olhamos para as linhas, estamos calculando o valor preditivo positivo (VPP) e o valor preditivo negativo (VPN). Tabela 13. Tabela de Contingência 2x2. Teste Diagnóstico Doente Não Doente Total Positivo A B A+B VPP Negativo C D C+D VPN Total A+C B+D A+B+C+D Sensibilidade Especificidade Fonte: autor. Os valores preditivos demonstram a taxa de acertos, ou a confiabilidade, dos resultados obtidos através do teste diagnóstico. 4. VALORES PREDITIVOS 4 .1 . VALOR PREDITIVO POSITIVO (VPP) u Definição: Proporção de verdadeiro-positivos entre os positivos. Em outras palavras, Valor Preditivo Positivo é a proporção de acertos entre todos os resultados positivos. Ou seja, VPP significa a probabilidade de um teste positivo realmente pertencer a um indivíduo doente. Vamos olhar a tabela. Tabela 14. Valor preditivo positivo. Interpretações possíveis para o resultado de um teste diagnóstico Teste Doença Total Presente Ausente Positivo Verdadeiro-Positivo (a) Falso-Positivo (b) Total de positivos Negativo Falso-Negativo (c) Verdadeiro-Negativo (d) Total de negativos ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Testes diagnósticos Cap . 3 79 Interpretações possíveis para o resultado de um teste diagnóstico Teste Doença Total Presente Ausente Total Total de Doentes Total de Não Doentes Total de Pacientes Fonte: Autor. Quando falamos em valor preditivo positivo, olha- mos apenas para os nossos resultados positivos. Quando o teste acerta nesse grupo, temos os ver- dadeiro-positivos. Quando o teste erra, temos os falso-positivos. Um teste com alto VPP vai ter uma proporção alta de verdadeiro-positivos e baixa de falso-positivos. VPP = A / A+B DICA Sempre que falamos de valor pre- ditivo positivo, estamos avaliando apenas os resultados positivos. Cuidado para não confundir isso com avaliar apenas os doen- tes, o que seria a sensibilidade. 4 .2 . VALOR PREDITIVO NEGATIVO (VPN) u Definição: Proporção de verdadeiro-negativos entre os negativos. Em outras palavras, Valor Preditivo Negativo é a proporçãode acertos entre todos os resultados negativos. Ou seja, VPN significa a probabilidade de um teste negativo realmente pertencer a um indivíduo não doente. Vamos olhar a tabela. Tabela 15. Valor preditivo negativo. Interpretações possíveis para o resultado de um teste diagnóstico Teste Doença Total Presente Ausente Positivo Verdadeiro-Positivo (a) Falso-Positivo (b) Total de Positivos Negativo Falso-Negativo (c) Verdadeiro-Negativo (d) Total de Negativos Total Total de Doentes Total de Não Doentes Total de Pacientes Fonte: Autor. Quando falamos em valor preditivo negativo, olha- mos apenas para os nossos resultados negativos. Quando o teste acerta nesse grupo, temos os ver- dadeiro-negativos. Quando o teste erra, temos os falso-negativos. Um teste com alto VPN vai ter uma proporção alta de verdadeiro-negativos e baixa de falso-negativos. VPN = D / C+D ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Testes diagnósticos Estatística 80 DICA Sempre que falamos de valor pre- ditivo negativo, estamos avaliando apenas os resultados negativos. Cuidado para não confundir isso com avaliar apenas os não- -doentes, que seria a especificidade. 5. VALORES PREDITIVOS E ACURÁCIA No nosso primeiro exemplo (a paciente de 29 anos com glicemia em jejum alterada), dissemos que não deveríamos confiar no resultado daquele exame, visto que a taxa de verdadeiro-positivos entre os resultados positivos de pacientes menores de 39 anos era de menos de 8%. Isso quer dizer que o valor preditivo positivo da glicemia em jejum para essa população é de menos de 8%. Vimos, no exemplo seguinte (teste hipotético com 86% de sensibilidade e 94% de especificidade), que, dos 820 pacientes com teste negativo, 799 não tinham a doença, o que configurava uma taxa de acerto de 97,4% dos resultados negativos. Esse era o valor preditivo negativo do nosso teste. Quando mudamos a prevalência de 15% para 50%, entretanto, os valores preditivos mudaram. Traremos, novamente, essas tabelas para que você possa observar essas mudanças. Tabela 16. Prevalência de 15%, sensibilidade de 86% e especificidade de 94%. Doentes Não Doentes Total Positivo 129 51 180 Negativo 21 799 820 Total 150 850 1000 Valor preditivo positivo = 129/180 = 71,6% Valor preditivo negativo = 799/820 = 97,4% Acurácia = 92,8% Fonte: Autor. Tabela 17. Prevalência de 50%, sensibilidade de 86% e especificidade de 94%. Doentes Não Doentes Total Positivo 430 30 460 Negativo 70 470 540 Total 500 500 1000 Valor preditivo positivo = 430/460 = 93,5% Valor preditivo negativo = 470/540 = 87% Acurácia = 90% Fonte: Autor. Os valores preditivos variam conforme a prevalência. Com o aumento da prevalência, vemos um aumento do VPP e uma redução do VPN. Quando alteramos a sensibilidade e a especifici- dade, vemos, novamente, os valores de VPP e VPN sofrendo alterações: Tabela 18. Prevalência de 15%, sensibilidade de 98% e especificidade de 94%. Doentes Não Doentes Total Positivo 147 51 198 Negativo 03 799 802 Total 150 850 1000 Valor preditivo positivo = 147/198 = 74,2% Valor preditivo negativo = 799/820 = 99,6% Acurácia = 94,6% Fonte: Autor. Tabela 19. Prevalência de 15%, sensibilidade de 86% e especificidade de 100%. Doentes Não Doentes Total Positivo 129 0 129 Negativo 21 850 871 Total 150 850 1000 Valor preditivo positivo = 129/129 = 100% Valor preditivo negativo = 850/871 = 97,6% Acurácia = 97,9% Fonte: Autor. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Testes diagnósticos Cap . 3 81 Através desses exemplos, podemos concluir que: a) VALOR PREDITIVO POSITIVO (VPP) Definição: Proporção de verdadeiro-positivos entre os positivos. W VPP = A/A+B W Maior prevalência → Maior VPP W Maior especificidade → Maior VPP b) VALOR PREDITIVO NEGATIVO (VPN) Definição: Proporção de verdadeiro-negativos entre os negativos W VPN = D/C+D W Maior prevalência → Menor VPN W Maior sensibilidade → Maior VPN c) ACURÁCIA Definição: Proporção de acertos do teste diag- nóstico W Acurácia = A+D/A+B+C+D W Melhor relação entre Sensibilidade e Especi- ficidade → Maior acurácia W Maior VPP → Maior acurácia W Maior VPN → Maior acurácia Em resumo: u Para calcular sensibilidade → Acerto entre os doentes (coluna da esquerda) u Para calcular especificidade → Acerto entre os não doentes (coluna da direita) u Para calcular VPP → Acerto entre os positivos (linha de cima) u Para calcular VPN → Acerto entre os negativos (linha de baixo) u Para calcular Acurácia → Acerto geral do teste 6. RAZÃO DE VEROSSIMILHANÇA A Razão de Verossimilhança (RV) demonstra o quão útil um teste diagnóstico é para mudar a probabili- dade de um indivíduo ter a doença em comparação com a probabilidade pré-teste. Diferentemente do valor preditivo, que depende da prevalência da doença e dá resultados em proporções de valo- res, a razão de verossimilhança é melhor aplicada a indivíduos e realmente nos oferece resultados como chances. Neste caso, chance de o paciente efetivamente apresentar a doença ou efetivamente não a ter. As provas geralmente cobram o conceito da RV, mas também vamos lhe ensinar a calculá-la. u Razão de Verossimilhança Positiva (RV+) é a pro- babilidade de um resultado positivo em pacientes com a doença dividida pela probabilidade de um resultado positivo em pacientes sem a doença. W RV+ = verdadeiro-positivos / falso-positivos ou sensibilidade / 1-especificidade W Quanto mais alta a RV+, melhor. Valores aci- ma de 10 causam mudanças importantes na probabilidade pós-teste. u Razão de Verossimilhança Negativa (RV-) é a pro- babilidade de um resultado negativo em pacientes sem a doença dividida pela probabilidade de um resultado negativo em pacientes com a doença. W RV− = falso-negativos / verdadeiro-negativos ou 1-sensibilidade / especificidade W Quanto mais baixa a RV-, melhor. Valores abai- xo de 0,1 causam mudanças importantes na probabilidade pós-teste 7. CURVA ROC A Curva ROC é uma representação gráfica da sen- sibilidade, especificidade e acurácia de um teste diagnóstico. u Eixo vertical: sensibilidade u Quanto mais alto, maior a sensibilidade u Eixo horizontal: falso-positivos (1-especificidade) u Quanto mais à direita, menor a especificidade. Assim, quanto mais à esquerda, maior a espe- cificidade. u Área sob a curva: acurácia u Todos os possíveis pontos de corte de um teste diagnóstico geram uma curva. O ponto que traz melhor relação sensibilidade X especificidade será aquele com melhor acurácia. Ele deve ser o ponto de corte escolhido (glicemia em jejum – 126 mg/dL, por exemplo). ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Testes diagnósticos Estatística 82 Na curva ROC fica evidente que o aumento da sensi- bilidade geralmente vem acompanhado de redução da especificidade, e vice-versa. A melhor relação entre essas duas características se encontra no ponto mais próximo ao canto superior esquerdo do gráfico. Gráfico 1. Exemplo de curva ROC. Fonte: Moraes.1 Observe que um teste representado por uma linha cortando o gráfico pela metade, sem gerar nenhuma curva, é considerado um teste inútil. Isso significa que o teste apresenta acurácia de 50%, o que é o mesmo que jogar uma moeda para cima, ou decidir ao acaso. Não há motivo para considerar a aplicação de um teste diagnóstico com acurácia semelhante ao acaso. O teste perfeito é aquele que consegue incluir todo o gráfico abaixo da sua curva. Infelizmente, essa não é a realidade. Os testes que apresentem acurácia entre 50-100% já se apresentam como alternativas melhores do que o acaso, senso considerados testes úteis, ou adequados. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Testes diagnósticos Cap . 3 83 Mapa mental. Testes diagnósticos Testes diagnósticos Curva ROC Eixo vertical = sensibilidade Eixo horizontal = 1-especificidade Área sob a curva = acuráciaRazão de verossimilhança Especificidade Utilidade do teste para mudar probabilidade RV+ = Sensibilidade / 1-espeficidade RV− = 1-sensibilidade / Especificidade Acurácia Valor preditivo positivo Proporção de acertos do teste diagnóstico A+D/A+B+C+D Verdadeiro-positivo Proporção de acertos entre os negativos Proporção de acertos entre os positivos Falso-positivo D/C+DA/A+B Verdadeiro-negativos Aumento de prevalência reduz VPN Aumento de prevalência eleva VPP Falso-negativos Tabela de contingência 2x2 Valor preditivo negativo Sensibilidade Capacidade de detectar verdadeiro-positivos Capacidade de detectar verdadeiro-negativos A/A+C D/B+D Olhamos para os doentes Olhamos para os não doentes Teste muito sensível Teste muito específico Muitos verdadeiro-positivos Muitos verdadeiro-negativos Poucos falso-negativos Poucos falso-positivos Bom para triagem/ rastreamento Bom para confirmação diagnóstica ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Testes diagnósticos Estatística 84 REFERÊNCIAS 1. Moraes SL. Instituto de Medicina Tropical, Universidade de São Paulo; 2012. 2. Manrahan EJ, Madupu G. Appleton & Lange’s review of epidemiology and biostatistics for the USMLE. East Norwalk: Appleton & Lange; 1994. 3. Benseñor IM, Atta JÁ, Martins MA. Semiologia clínica. São Paulo: Sarvier; 2002. 4. Guyatt GH, Oxman AD, Ali M, Willan A, Mcllroy W, Patterson C. Laboratory diagnosis of iron-deficiency anemia: an overview. J Gen Intern Med. 1992; 7(2):145-53. 5. Gusso G, Lopes JMC. Tratado de medicina de família e comunidade princípios, formação e prática. Porto Alegre: Artmed; 2012. 6. Ferreira Juliana Carvalho, Patino Cecilia Maria. Entendendo os testes diagnósticos. Parte 3. J. bras. pneumol. [Inter- net]. 2018 Feb [cited 2020 Nov 01]; 44(1):4-4. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttex- t&pid=S1806-37132018000100004&lng=en. https://doi. org/10.1590/s1806-37562018000000017. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Testes diagnósticos Cap . 3 85 QUESTÕES COMENTADAS Questão 1 (IAMSPE – SP – 2021) Com relação aos testes utilizados no diagnóstico clínico de uma doença, assinale a alternativa correta. ⮦ Os testes sensíveis são necessários para o diag- nóstico de doenças leves. ⮧ Os testes sensíveis dão poucos resultados fal- so-positivos. ⮨ Os testes específicos dão muitos resultados falso-positivos. ⮩ Os testes específicos dão poucos resultados falso-positivos. ⮪ O valor preditivo negativo é mais útil para o re- sultado positivo. Questão 2 (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE – SE – 2018) Correlacio- ne a primeira coluna com a segunda: 1. Sensibilidade; 2. Especificidade; ( ) Se for alta em um teste, este pos- suirá poucos resultados Falso- -Positivos; ( ) Se for alta em um teste, este deverá ser utilizado em rastreios; ( ) Se for alta em um teste, este deverá ser utilizado para confirmação diagnóstica; ( ) Se for alta em um teste, este pos- suirá poucos Falso-Negativos. ⮦ 2 – 1 – 2 – 1 ⮧ 1 – 2 – 1 – 2 ⮨ 1 – 1 – 2 – 2 ⮩ 2 – 2 – 1 – 1 Questão 3 (PSU – MG – 2020) Foi realizado um estudo para avaliar a capacidade dos clínicos em diagnosticar infec- ção estreptocócica, utilizando-se de 149 pacientes com “dor de garganta” que procuraram o serviço de emergência aos resultados de culturas orofa- ríngeas para Streotococcus do grupo A. Dos 37 pacientes que apresentaram cultura orofaríngea positiva, 27 foram diagnosticados pelos médicos como tendo faringite estreptocócica. Entre os 112 pacientes que apresentaram cultura negativa, os médicos diagnosticaram que 35 deles apresenta- vam a doença. Em relação a esse estudo, assinale a alternativa CORRETA. ⮦ A prevalência da doença no grupo e a especifi- cidade do exame clínico são respectivamente 33% e 44% ⮧ Ao afastar a doença entre os examinados, os médicos acertaram em 73% ⮨ O diagnóstico clínico da faringite estreptocócica estava correto em 73% dos pacientes examinados ⮩ O percentual de falsos positivos do exame clíni- co dos médicos é de 56% Questão 4 (UNICAMP – SP – 2019) Um teste sorológico para iden- tificar a infecção por, pelo menos, um sorovar de leptospira foi aplicado em 1.000 trabalhadores da área de saneamento de um município. Foram en- contrados 100 indivíduos com resultado positivo. Considere que a prevalência esperada nesta popu- lação é de 10% e a sensibilidade do teste é de 95%. O VALOR PREDITIVO POSITIVO (VPP) É: ⮦ 10% ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Testes diagnósticos Estatística 86 ⮧ 95% ⮨ 30% ⮩ 100% Questão 5 (SUS – SP – 2019) Considere a seguinte tabela sobre re- sultados de um teste diagnóstico para uma doença: O valor preditivo positivo do teste é: Resultado Doença Total Presente Ausente Positivo 20 180 200 Negativo 1 199 200 Total 21 379 400 ⮦ 52,5% ⮧ 10% ⮨ 5,3% ⮩ 99,5% ⮪ 95,2% Questão 6 (SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE GOIÁS – GO) Pesquisa- dores que tratam de doenças pulmonares em uma clínica especializada sugeriram um novo teste para detectar câncer no pulmão. Os resultados do estu- do são descritos a seguir. Considerando os dados, a probabilidade de um paciente, atendido nessa clínica e que não tenha câncer no pulmão, ter um resultado positivo no teste e o valor da predição negativa são, respectivamente, Câncer pulmonar Teste positivo Teste negativo Total Presente 180 34 214 Ausente 78 4158 4236 Total 258 4192 4450 ⮦ 0,841 e 0,981. ⮧ 0,018 e 0,981. ⮨ 0,841 e 0,092. ⮩ 0,018 e 0,992. Questão 7 (SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE – DF – 2021) Uma pacien- te de 59 anos de idade, hipertensa e tabagista há 30 anos, em uso de hidroclorotiazida 25 mg, com controles pressóricos adequados, compareceu à consulta sem queixas, apresentando exames de ro- tina com glicemia de jejum = 130 mg/dL e HbA1c = 6,8%. Os demais exames não mostraram alterações significativas. Ela deseja informações a respeito da mamografia, pois não a realiza há anos. Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue os itens a seguir. O exame de mamografia está indicado para a paciente e é útil para rastreio, pois demonstra alta especificidade. ⮦ CERTO ⮧ ERRADO Questão 8 (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – SP – 2021) Considere que um determinado teste diagnóstico de uma infecção está sendo utilizado em uma cidade onde sua preva- lência é 10%. O que se espera dos valores preditivos positivo (VPP), negativo (VPN) e da especificidade (E) desse teste, se o mesmo for aplicado em outra cidade onde a prevalência da infecção é 20%? ⮦ Diminuirá; aumentará; aumentará. ⮧ Diminuirá; aumentara; será mantida. ⮨ Aumentará; aumentará; diminuirá. ⮩ Aumentará; diminuirá; será mantida. Questão 9 (IAMSPE – SP – 2021) A prevalência de uma determi- nada doença em uma população é de 20%. Sendo assim, um teste de diagnóstico, com sensibilidade de 80% e especificidade de 70%, foi desenvolvido. Com base nessa situação hipotética, assinale a al- ternativa que apresenta, correta e respectivamente, ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Testes diagnósticos Cap . 3 87 o valor preditivo positivo (VPP) e o valor preditivo negativo (VPN). ⮦ 30% e 60%. ⮧ 38% e 70%. ⮨ 40% e 93%. ⮩ 50% e 90%. ⮪ 53% e 87%. Questão 10 (SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE GOIÁS – GO – 2018) A curva ROC (Receiver Operating Characteristic) é utilizada, na avaliação de um teste diagnóstico, para decidir: ⮦ Sua reprodutibilidade ⮧ Seu ponto de corte. ⮨ Seu indicador de KAPPA. ⮩ Sua probabilidade pré-teste. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Testes diagnósticos Estatística 88 GABARITO E COMENTÁRIOS Questão 1 dificuldade: Comentário: Sensibilidade é a capacidade de identifi- car os verdadeiro-positivos. Ou seja, se um paciente for doente, a chance é grande de um teste muito sensíveldar positivo. Especificidade é a capacida- de de detectar os verdadeiro-negativos. Ou seja, se um paciente não for doente, a chance é grande de um teste muito específico dar negativo. Alternativa A: INCORRETA. A gravidade da doença não interfere tanto no teste que deve ser realizado. O principal é sabermos se queremos descartar a doença ou confirmá-la. Alternativa B: INCORRETA. Os testes muito sensíveis dão muitos resultados verdadeiro-positivos e poucos falso-negativos. Nada além disso. Como a alta sen- sibilidade muitas vezes vem acompanhada de baixa especificidade, pode haver muitos falso-positivos. Alternativa C: INCORRETA. Os testes muito especí- ficos dão muitos resultados verdadeiro-negativos e poucos falso-positivos. Nada além disso. Como a alta especificidade muitas vezes vem acompa- nhada de baixa sensibilidade, pode haver muitos falso-negativos. Alternativa D: CORRETA. Alternativa E: INCORRETA. O valor preditivo negativo nos diz o quanto devemos confiar num teste quan- do ele dá negativo. É o valor preditivo positivo que é útil para o resultado positivo. ✔ resposta: ⮩ Questão 2 dificuldade: Comentário: Vamos analisar cada uma das afirmações: • Se for alta em um teste, este possuirá poucos resultados falso-positivos – Especificidade. A Especificidade avalia os pacientes não doentes. Podemos ter verdadeiro-negativos ou falso-po- sitivos. Quanto mais específico é um teste, mais ele acerta dentre os não doentes. Ou seja, mais verdadeiro-negativos e menos falso-positivos. • Se for alta em um teste, este deverá ser utilizado em rastreios – Sensibilidade. Quanto mais sensí- vel, menor o número de falso-negativos. Isso é o que precisamos para um teste de rastreio. • Se for alta em um teste, este deverá ser utilizado para confirmação diagnóstica – Especificidade. Utilizamos testes com alta especificidade para confirmação diagnóstica. • Se for alta em um teste, este possuirá poucos falso-negativos – Sensibilidade. A sensibilidade diz respeito aos pacientes doentes. Podemos ter verdadeiro-positivos ou falso-negativos. Quanto maior a sensibilidade, maior a proporção de ver- dadeiro-positivos e menor a de falso-negativos. ✔ resposta: ⮦ Questão 3 dificuldade: Comentário: Vamos fazer a tabela de contingência 2x2 e analisar cada uma das alternativas: Doentes Não Doentes Total Positivo 27 35 62 Negativo 10 77 87 Total 37 112 149 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Testes diagnósticos Cap . 3 89 Não entendeu a tabela? O teste diagnóstico que está sendo avaliado é o exame clínico. A cultura orofaríngea é o “padrão-ouro” que determina quem é doente e quem não é. O mais importante nesta questão é identificar que o exame clínico é o teste diagnóstico sendo avaliado, não a cultura de orofaringe. Alternativa A: INCORRETA. Prevalência = 37/149 = 25%. Especificidade = 77/112 = 69%. Alternativa B: INCORRETA. Ao afastar (negativo) os médicos acertaram 77 vezes de 87 = 89%. Alternativa C: INCORRETA. Diagnóstico correto são os verdadeiro-positivos e negativos = 27 + 77 = 104. Total de pacientes de 149. Acurácia = 104/149 = 70%. Alternativa D: CORRETA. Temos 35 falso-positivos em um total de 62 positivos = 56%. ✔ resposta: ⮩ Questão 4 dificuldade: Comentário: Para responder a esta questão, preci- samos fazer a tabela de contingência 2x2: Doentes Não Doentes Total Positivo 95 5 100 Negativo 5 895 900 Total 100 900 1000 O valor preditivo positivo é o total de verdadeiro- -positivos sobre o total de positivos: 95/100 = 95%. ✔ resposta: ⮧ Questão 5 dificuldade: Comentário: Valor preditivo positivo é o número de verdadeiro-positivos sobre o número total de posi- tivos. Neste caso, 20/200 = 10%. ✔ resposta: ⮧ Questão 6 dificuldade: Comentário: Normalmente, quando montamos uma tabela de contingência 2x2 colocamos as colunas separadas entre “doente” e “não-doente” e as linhas em “teste positivo” e “teste negativo”. Nesta ques- tão, a tabela está ao contrário. Se você conhecer os conceitos, entretanto, dá para responder sem problemas. A questão está pedindo a probabilidade de um paciente sem câncer de pulmão ter o resultado positivo, ou seja, 78/4236, e o valor preditivo nega- tivo, ou seja, 4158/4192. Vamos às contas: 78/4236 = 0,018 4158/4192 = 0,992 ✔ resposta: ⮩ Questão 7 dificuldade: Comentário: A mamografia deve ser realizada entre 50 e 69 anos (há algumas indicações específicas para realização mais precoce). Sua periodicidade é bianual. Para essa paciente, o exame é indicado e é útil para rastreio. Acontece que os testes de ras- treio, geralmente, apresentam alta sensibilidade, não especificidade. Lembre-se que para triagem e rastreio buscamos testes com alta sensibilidade, enquanto para confirmação diagnóstica buscamos testes com alta especificidade. ✔ resposta: ⮧ Questão 8 dificuldade: Comentário: Questão abordando conceitos sobre tes- tes diagnósticos. Importante lembrar que sensibili- dade e especificidade são características inerentes ao teste, logo não se alteram com a prevalência da doença. Já os valores preditivos são influenciados pela probabilidade pré-teste, semelhante à preva- lência, podendo então ser alterados. Uma maior prevalência de uma determinada doença aumenta o valor preditivo positivo e diminui o valor prediti- vo negativo, afinal, se há uma maior prevalência a chance de encontrarmos verdadeiros doentes é maior. Assim, com o aumento da prevalência de 10% para 20%, teremos aumento do VPP, redução do VPN e a Especificidade será mantida. ✔ resposta: ⮩ ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Testes diagnósticos Estatística 90 Questão 9 dificuldade: Comentário: A questão nos fornece alguns dados, como prevalência da doença, sensibilidade e espe- cificidade do teste diagnóstico. Podemos montar uma tabela de contingência 2x2 com esses dados. Vamos supor que temos uma população total de 1000 pessoas. Com 20% de prevalência, são 200 doentes e 800 não doentes. Dos 200 doentes, 80% (160) têm teste positivo, já que é essa a sensibilidade. Dos 800 não doentes, 70% (560) têm teste negativo, já que é essa a especificidade. Após completarmos a tabela, temos estes valores. Doentes Não doentes Total Positivos 160 240 400 Negativos 40 560 600 Total 200 800 1000 O valor preditivo positivo (VPP) é o número de ver- dadeiro-positivos (160) dividido pelo número total de positivos (400). VPP = 160/400 = 40%. O valor preditivo negativo (VPN) é o número de verdadeiro-negativos (560) dividido pelo número total de negativos (600). VPN = 560/600 = 93,3%. ✔ resposta: ⮨ Questão 10 dificuldade: Comentário: A curva ROC é um instrumento utilizado para comparar os métodos diagnósticos, represen- tando graficamente sua capacidade de discriminar entre doentes e não doentes, pelos seus pares de Sensibilidade e Especificidade obtidos ao se ajustar o ponto de corte do teste. O ponto da curva mais próximo do extremo superior esquerdo do gráfico é o que tende a gerar uma melhor relação de Sen- sibilidade vs. Especificidade, e, portanto, é prefe- rencialmente utilizado. ✔ resposta: ⮧ ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 91 Capítulo 4 HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA E NÍVEIS DE PREVENÇÃO O QUE VOCÊ PRECISA SABER? u Entender as diferenças entre o período pré-patogênico e o período patogênico; u Definir corretamente prevenção primária, secundária, terciária e quaternária; u Diferenciar rastreamento e diagnóstico precoce. 1. HISTÓRICO BASES DA MEDICINA Na Antiguidade, acreditava-se que a saúde era dádiva e a doença castigo dos deuses. Por volta do ano de 400 a.C., Hipócrates, em sua obra Os ares e os lugares, relaciona os locais da moradia, a procedência da água para beber e até os ventos com o processo saúde-doença. Séculos mais tarde, a teoria miasmática toma lugar, consistindo na transmissão das doenças pela inspiraçãode gases de animais e dejetos em decomposição. No século XIX, com a evolução de técnicas científicas, a teoria microbiana passa a ter predominância, e na atualidade temos o pre- domínio da multicausalidade, em que as doenças podem ser causadas por diversos fatores que serão esclarecidos ao longo desse capítulo. 2. PROCESSO SAÚDE-DOENÇA Primeiro de tudo, o que é saúde? Já foi definida no passado como “estado de ausência de doen- ças”, porém foi redefinida em 1948 pela OMS como “estado de completo bem-estar físico, mental e social”, passando de uma visão apenas biomédica da saúde para uma visão abrangente e não estática do processo saúde-doença. BASES DA MEDICINA No Brasil, através da Lei Orgânica de Saúde nº 8080, a definição de saúde vai ainda mais além da apresentada pela OMS, incluindo e explicitando os diversos fatores determinantes e condicionantes desse processo. A lei diz: “A saúde tem como fatores determinantes e condicionan- tes, entre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer, o acesso a bens e serviços essenciais; os níveis de saúde da população expressam a organização social e econômica do país”. Agora você consegue compreender como esse processo saúde-doença é complexo e engloba dimensões biológicas, psicológicas, socioculturais, econômicas, ambientais e políticas. Essa multidimen- sionalidade está relacionada com a organização e gestão das ações e serviços de saúde, de forma que possam corroborar ainda mais com as necessidades de determinada população em determinado território. 3. HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA A história natural da doença foi definida pelos pes- quisadores Leavell & Clark, os “pais” da medicina preventiva, como: importância/prevalência ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História natural da doença e níveis de prevenção Epidemiologia 92 “Todas as interrelações do agente, do hospedeiro e do meio ambiente que afetam o processo global e seu desenvolvimento, desde as primeiras forças que criam o estímulo patológico no meio ambiente ou em qualquer lugar (pré-patogênese), passando pela resposta do homem ao estímulo, até as alterações que levam a um defeito, invalidez, recuperação ou morte (patogênese).” De forma resumida, a história natural da doença se refere à evolução de uma doença no indivíduo através do tempo, na ausência de intervenção. Ou seja, como se comporta uma determinada doença, uma pneumonia, por exemplo, se nós não fizermos nada a respeito e simplesmente observarmos? Qual seria o curso natural do adoecimento? Antes mesmo da pessoa adoecer, já há fatores que interferem no adoecimento: exposição a fatores de risco, predisposição genética, determinantes sociais. Tudo isso pode estar protegendo ou expondo o indivíduo. Depois, no exemplo dado da pneumonia, o agente etiológico infecta a pessoa. Há um período sem sintomas, até que eles começam a aparecer. Depois disso, a pessoa pode adquirir imunidade e se curar, pode ficar com algum tipo de comprome- timento por um longo período (até pelo resto da vida) ou pode falecer. Essas são as possibilidades expostas no modelo que apresentaremos a seguir: Imagem 1. Possíveis desfechos na história natural da doença. Pré-Patogênese Patogênese Indivíduo Suscetível Doença Subclínica Recuperação Doença Manifesta Imunidade Incapacidade Morte Fonte: Autoria própria. 3 .1 . PERÍODO PRÉ-PATOGÊNICO Ainda não há doença. Há, entretanto, determinantes que potencializam o surgimento da doença, como, por exemplo, fatores de risco de diversas naturezas que tornam o indivíduo suscetível ao adoecimento. Os pesquisadores Leavell & Clark estabelecem a causalidade das doenças a partir das relações entre: agente, hospedeiro e meio ambiente (tríade ecológica). O agente etiológico existe. O meio permite ao indi- víduo que ele adoeça. O indivíduo apresenta fatores próprios que permitem seu adoecimento. Há um contrabalanço com fatores de proteção. A obser- vância desses fatores de risco e de proteção con- figura o período pré-patogênico. Para prevenir o surgimento da doença, deve-se atuar promovendo saúde através de hábitos de vida mais saudáveis, por exemplo, e realizando algum tipo de proteção específica, como vacinação. Então, já adiantando: as ações de prevenção no período pré-patogênico são consideradas ações de prevenção primária. Promoção de saúde e proteção específica são as principais formas de prevenção possíveis nesse período. 3 .2 . PERÍODO PATOGÊNICO No período patogênico a doença já existe. Podemos dividir esse período em 2 grandes fases: u 1. Adoecimento: W a. Doença subclínica: já há adoecimento, mas sinais e sintomas ainda não são perceptíveis. Por exemplo: o agente etiológico já infectou o paciente, mas ainda não produziu sintomas. Vamos refletir sobre como podemos detectar pessoas nessa fase. Outro spoiler: a preven- ção secundária. W b. Doença manifesta: já existe sintomatologia. u 2. Desfecho: W a. Recuperação: o paciente se recupera dos sintomas e da doença sem sequelas. W b. Imunidade: no que diz respeito a doenças infecciosas, o paciente pode adquirir imunida- de para com o agente etiológico. W c. Incapacidade: a doença não leva o pacien- te a óbito, mas deixa algum tipo de sequela importante. W d. Morte: paciente não se recupera e evolui a óbito. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História natural da doença e níveis de prevenção Cap . 4 93 Podemos considerar a doença subclínica como um período pré-clínico, a doença manifesta como um período clínico (patologia precoce ou doença avançada) e as demais como possibilidades de desfecho. Podemos associar esses marcos do período pato- gênico a níveis de prevenção (veja a figura abaixo). Quando atuamos na doença subclínica, buscando o diagnóstico precoce antes que a doença se mani- feste em estágios avançados, estamos falando de prevenção secundária. Quando atuamos no des- fecho, buscando, principalmente, a prevenção de incapacidade ou a reabilitação do paciente, estamos exercendo ações de prevenção terciária. Confuso? Vamos esclarecer esses níveis de prevenção de forma mais detalhada. Figura 2. Esquema com o modelo teórico de história natural da doença e níveis de prevenção. Fonte: Universidade de São Paulo, Disciplina de Epidemiologia. 4. NÍVEIS DE PREVENÇÃO EM SAÚDE Prevenir significa evitar o desenvolvimento de um estado patológico. O modelo de Leavell & Clark, aquele proposto para explicar a história natural das doenças, é o que apresenta os 3 níveis de prevenção citados anteriormente e que vamos descrever com mais detalhes a partir de agora. 4 .1 . PREVENÇÃO PRIMÁRIA u A doença ainda não existe. u Objetivo: evitar que doença apareça. u Atua no fator de risco. Essas são as características mais importantes da prevenção primária. Se houver doença já estabe- lecida, não estaremos mais falando de prevenção ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História natural da doença e níveis de prevenção Epidemiologia 94 primária. As medidas de prevenção primária podem ser separadas em medidas de promoção a saúde e de proteção específica. DICA O exemplo mais comum de pre- venção primária cobrado em provas é a vacinação. u Medidas de promoção a saúde são ações que visam melhorias nas condições de vida dos indiví- duos, famílias e comunidades. Alguns exemplos: saneamento básico, coleta de lixo, controle da qualidade do ar, nutrição adequada, lazer, cultu- ra, proteção dos direitos humanos. u Já a proteção específica consiste em medidas dirigidas a grupos específicos dos processos saúde-doença como, por exemplo, vacinação, fluoração da água para combate da cárie, adição de iodo no sal para combate do bócio, camisinhas para prevenção de DST e medidas de proteção contra criadouros de Aedes. DICA Não confundamedidas de promo- ção da saúde com proteção específica na sua prova. Tudo que é direcionado a um problema definido corresponde a medidas de proteção específica e não a promoção da saúde. 4 .2 . PREVENÇÃO SECUNDÁRIA u Doença já existe, mas ainda não avançou. u Objetivo: impedir evolução desfavorável, detec- ção de problema de saúde em estágio inicial. u Atua no diagnóstico precoce/rastreamento. Essas são as características mais importantes da prevenção secundária. Se já há doença, mas você a está descobrindo em estágios iniciais, possibili- tando um tratamento precoce, trata-se de prevenção secundária. Se ainda não houver doença ou já houver estágios avançados com sequelas e incapacidade, não tem como ser prevenção secundária. Exemplos: diagnóstico precoce, rastreamentos (sangue oculto nas fezes, citopatológico de colo de útero, mamografia, dosagem de colesterol), aferição de pressão arterial e glicemia de jejum, aplicação de questionários visando diagnóstico. DICA O exemplo mais cobrado na prova é o rastreamento. Então, vamos falar um pouco sobre ele. Lembrando que no capí- tulo de Vigilância em Saúde ele será mais aprofundado. 4 .2 .1 . Rastreamento Consiste na realização de testes ou exames diagnós- ticos em populações ou pessoas assintomáticas, com a finalidade de detecção precoce – ou seja, visa detectar indivíduos com doença, mas que não apresentam nenhum sintoma. Pode ser oportunístico, sendo realizado quando a pessoa procura o serviço de saúde por algum outro motivo e o profissional de saúde aproveita o momento para rastrear alguma doença ou fator de risco. Exemplo: você atende uma mulher de 30 anos com quadro de dor de garganta e aproveita para realizar orientações e educação sobre saúde sexual (prevenção primária) e realiza o exame pre- ventivo do colo uterino (prevenção secundária) na mesma consulta. Sabe aquele ditado “prevenir é melhor que reme- diar”? Cuidado! Esse “ato” é uma das principais causas de iatrogenias. Então, quando rastrear uma doença? Para a implantação de um programa de rastreamento, o problema clínico deve atender aos seguintes critérios: u O problema deve ser relevante na população, le- vando em consideração os conceitos de magni- tude, transcendência e vulnerabilidade; u A história natural da doença ou do problema clí- nico deve ser bem conhecida; ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História natural da doença e níveis de prevenção Cap . 4 95 u Deve existir estágio pré-clínico bem definido, durante o qual a pessoa possa ser detectada; u O benefício da detecção e do tratamento precoce com o rastreamento deve ser maior do que se a condição fosse tratada no momento habitual do diagnóstico; u O custo do rastreamento e tratamento deve ser razoável e compatível com o orçamento do sis- tema. 4 .2 .2 . Detecção precoce Ações destinadas a identificar a doença em está- gio inicial a partir de sintomas e/ou sinais clínicos. A diferença do rastreamento consiste na presença de sinais ou sintomas, mesmo que discretos. DICA Um mesmo exame pode ser tan- to para rastreamento ou para diagnósti- co; atente ao enunciado: se paciente está ASSINTOMÁTICA será rastreamento e se houver qualquer indício de sintoma será um teste diagnóstico. Ex: mamografia. 4 .3 . PREVENÇÃO TERCIÁRIA u Doença e prejuízos já estabelecidos. u Objetivo: fazer com que limitações impostas pela doença prejudiquem o mínimo a qualidade de vida do paciente. u Atua na reabilitação e/ou reintegração do pacien- te e prevenção de complicações. Essas são as características mais importantes da prevenção terciária. Já existe a doença e já existe prejuízo causado pela evolução natural dessa doença. O foco agora é fazer com que o indivíduo, já prejudicado, sinta o menor impacto possível na sua qualidade de vida, seja impedindo a progressão ou tentando reabilitar um dano já instituído. Exemplos: fisioterapia pós-AVC, betabloqueador pós-IAM, controle glicêmico no paciente com diabe- tes mellitus, colocação de prótese após amputação, apoio de caráter psicoemocional após traumas, apoio de caráter social, como readaptação ao tra- balho. DICA A grande palavra da prevenção ter- ciária na sua prova é a reabilitação. Fisio- terapia após AVC ou acidente é o exemplo mais cobrado. 4 .4 . PREVENÇÃO QUATERNÁRIA u Prejuízos causados pela atuação médica. u Objetivo: reduzir iatrogenias. Antes de discutirmos a prevenção quaternária, que vem caindo cada vez mais nas provas, precisamos entender o problema que fez com que esse novo tipo de prevenção passasse a ser discutido. Muitas vezes, solicitamos exames de forma desnecessária. Sabe aquele checkup em paciente de 20 e poucos anos? Ou então o diagnóstico que deveria ser clínico, mas no qual expomos o paciente à radiação de uma tomografia só para ter certeza? Aquele “prevenir é melhor que remediar”? Além dessa “prevenção” desnecessária e sem emba- samento científico, existe a intervenção excessiva. Um exemplo é o paciente para o qual deveríamos ter discutido cuidados paliativos – ou pior, que está em cuidados paliativos – mas que continuamos furando para colher gasometrias, ou mandamos para UTI, realizamos acesso central etc. Existe também o problema de discutir o que é fisio- lógico como patológico. Precisamos medicar, por exemplo, todo problema de origem psicológica? Será que estamos tratando fatores de risco como se fossem doenças e “inventando” tratamentos medicamentosos para tudo? Essa foi a discussão que fez a prevenção quaternária surgir. Vamos resumir alguns desses problemas para vocês: u Excesso de intervenção diagnóstica. u Excesso de intervenção terapêutica. u Excesso de programas de rastreamento. u Medicalização de fatores de risco. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História natural da doença e níveis de prevenção Epidemiologia 96 Objetivo: Prevenção de iatrogenia. Exemplos: cuidados paliativos, ortotanásia, revisar medicamentos em uso pelo paciente, evitar inter- venções desnecessárias, evitar supermedicaliza- ção, evitar polifarmácia, coordenação do cuidado, abordagem centrada na pessoa. DICA Muitas questões de prevenção qua- ternária têm trazido o tema da medicaliza- ção que nada mais é do que tornar situa- ções corriqueiras em doenças, como luto após a perda de um ente querido. Atente ao enunciado para não cair nas “pegadinhas” do normal vs. patológico. 5. NOVOS TERMOS Você pode se deparar com os termos de prevenção primordial e prevenção quinquenária. 5 .1 . PREVENÇÃO PRIMORDIAL Esse nível de prevenção é voltado para evitar o surgimento de fatores de risco para determinadas doenças, ou seja, é uma medida anterior à preven- ção primária. Aqui atuamos em fatores de estilo de vida, sociais, econômicos e culturais que podem se tornar fatores de risco para surgimento de algum problema. Vamos exemplificar para ficar mais claro. u Cessação do tabagismo: medida de prevenção primária que visa atuar interrompendo um fator de risco já existente. u Educação sobre o tabagismo e seus riscos para adolescentes: medida de prevenção primordial que visa evitar o surgimento do tabagismo. DICA Como é um termo novo e pouco utilizado, se sua prova apresentar esse conceito de evitar o fator de risco, mas não houver a alternativa de prevenção pri- mordial e houver o de prevenção primária, assinale a prevenção primária. 5 .2 . PREVENÇÃO QUINQUENÁRIA Descrita pelo médico de família e comunidade por- tuguês José Agostino Santos em 2014, é definida como “Prevenindo o dano no paciente, atuando no médico”. Consiste num conjunto de medidas preventivas para a proteção dos pacientes, porém com foco no cuidador, ou seja, em nós médicos. Apesar de des- crita em 2014, tem se popularizado a partir de 2020, desde o início da pandemia de covid-19, devido ao desgaste e à sobrecarga dos profissionais de saúde. A reflexão que deve ficar é: uma pessoaque não está sendo cuidada consegue prestar um serviço de qualidade? Um profissional com sono, trabalhando 36 hs, sem almoçar, tende a “render” bem menos que um profis- sional descansado e alimentado, além de cometer menos erros e estar sob menor estresse. Aqui incluímos também a disponibilidade de recur- sos básicos nos serviços de saúde e ainda a agenda sobrecarregada de pacientes, gestão e possibilidade do profissional exercer suas ideias, reconhecer-se e ser reconhecido em seu ambiente de trabalho. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História natural da doença e níveis de prevenção Cap . 4 97 Mapa mental 1. História natural das doenças História natural das doenças Patogênese Período clínico Sintomático Período subclínico Assintomático Pré-patogênese Indivíduo suscetível Recuperação Imunidade Incapacidade Óbito Desfechos ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História natural da doença e níveis de prevenção Epidemiologia 98 Mapa mental 2. Níveis de prevenção em saúde Níveis de prevenção em saúde Prevenção primordial Impedir o surgimento do fator de risco Atuar nos fatores de risco Prevenção primária Prevenção secundária Rastreamento Detecção precoce Prevenção quaternária Iatrogenias Profissionais de saúde Prevenção quinquenária Prevenção terciária Reabilitação Impedir complicações Proteção específica Promoção da saúde ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História natural da doença e níveis de prevenção Cap . 4 99 REFERÊNCIAS 1. Gusso G, Lopes JMC, Dias LC. Tratado de medicina de família e comunidade: princípios, formação e prática. 2. ed. Porto Alegre: Artmed; 2019. 2. Organização Pan-Americana de Saúde. Módulo de prin- cípios de epidemiologia para o controle de enfermidades (MOPECE). Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde; Ministério da Saúde; 2010. 3. Ministério da Saúde. Cadernos atenção primária. Brasília: Ministério da Saúde; 2013, vol. II. 4. Puttini RF, Pereira Junior A, Oliveira LR. Modelos expli- cativos em saúde coletiva: abordagem biopsicossocial e auto-organização. Physis Rev Saúde Coletiva. 2010; 20(3):753–67. 5. Cruz MM. Concepção de saúde-doença e o cuidado em saúde. Qualif dos Gestores do SUS [Internet]. 2012;21–33. 6. Demarzo MMP. Reorganização dos sistemas de saúde: promoção da saúde e atenção primária à saúde. São Paulo: Universidade Federal de São Paulo; 2011. 7. Ministério da Saúde. Política nacional de promoção da saúde. 3. ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2010. 8. Universidade de São Paulo. Escola de Enfermagem. Disciplina de Epidemiologia. Bases conceituais da epi- demiologia, antecedentes e aplicação. 2014. 9. Organização Pan-Americana da Saúde. Organização Mundial da Saúde-Representação Brasil. Módulos de Princípios de Epidemiologia para o Controle de Enfermi- dades. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde; Ministério da Saúde; 2010. 10. Santos JA. Resgate das relações abusivas em que nos encontramos: uma questão de prevenção quinquenária. Rev Bras Med Fam Comunidade. 2019;14(41): 847. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História natural da doença e níveis de prevenção Epidemiologia 100 QUESTÕES COMENTADAS Questão 1 (USP – SP – 2019) Qual a alternativa lista ordenadamen- te estratégias de prevenção primária, secundária, terciária, quanto à violência contra as mulheres? ⮦ Suporte longitudinal e integral às vítimas; enca- minhamento para serviços de apoio de outros setores; criação de banco de dados provenientes dos atendimentos para compreender melhor o problema de saúde ⮧ Conhecimento sobre a rede de serviços de saúde de referência sobre violência; acolhimento em serviços como a delegacia de defesa da mulher, incremento do arcabouço legal que permita o enfrentamento coletivo do problema. ⮨ Oferta de psicologia breve; orientação jurídica; suporte da rede de serviços de saúde disponí- vel no território ⮩ Educação para o respeito a direitos iguais entre homens e mulheres; busca ativa dos casos de violência; psicoterapia para lidar com as conse- quências do trauma. Questão 2 (SUS – 2019) Uma ação de prevenção ⮦ Secundária aborda alimentação saudável em gestantes que estão sob risco de desnutrição. ⮧ Quaternária é feita em um paciente em risco de supermedicalização, para protegê-lo de uma nova intervenção médica. ⮨ Básica é realizada por rastreamento de câncer do colo de útero por exame de Papanicolau. ⮩ Terciária é realizada em uma criança que recebeu as vacinas de acordo com o Calendário Nacional de Vacinação para sua imunização adequada. ⮪ Primária é feita em um paciente em fase pós- -operatória que necessita de fisioterapia para reabilitação funcional. Questão 3 (SANTA CASA – SP – 2019) Assinale a alternativa que apre- senta o conceito de “medicalização” no âmbito da prevenção quaternária. ⮦ Uso racional de medicamentos e desestímulo à prática de automedicação pela população ⮧ Concentração do trabalho médico na prescrição correta de medicamentos ⮨ Introdução otimizada de medicamentos em pa- cientes com doenças crônicas em tratamento não medicamentoso ⮩ Centralização da assistência integral à saúde na figura do profissional médico ⮪ Processo pelo qual problemas não médicos são definidos ou tratados como problemas médicos Questão 4 (UNIVERSIDADE DE RIO VERDE – GO – 2018) Sobre os níveis de Prevenção na Atenção Primária à Saúde, é in- correto afirmar que: ⮦ A Prevenção Secundária é aquela que tem como finalidade a detecção de um problema de saúde em um indivíduo ou em uma população numa fase precoce. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História natural da doença e níveis de prevenção Cap . 4 101 ⮧ A Prevenção Terciária está relacionada com a reabilitação, reintegração precoce e potencia- lização da capacidade funcional remanescente dos indivíduos. ⮨ A Prevenção Quaternária não está relacionada ao risco de doença e sim ao risco de adoecimento iatrogênico, ao excessivo intervencionismo diag- nóstico e terapêutico desnecessário. ⮩ A Medicalização para estado de pré-doença e de fatores de risco está relacionada à Preven- ção Primária. Questão 5 (SUS – 2019) São exemplos de prevenção: primária, secundária e terciária, respectivamente: ⮦ Dieta com baixo teor de gordura saturada, uso de capacete em motociclistas, fisioterapia em paciente que sobreviveu a acidente vascular cerebral. ⮧ Imunização contra febre amarela, imunização contra sarampo na infância, imunização contra gripe em idosos. ⮨ Uso de máscaras contra poeiras por trabalha- dores de fábricas, teste de sangue oculto nas fezes, medida de pressão arterial. ⮩ Uso de cloro e flúor no tratamento da água, uso de tampões de ouvido em fábricas, exames de ma- mografia para rastreamento de câncer de mama. ⮪ Administração de ácido fólico para gestantes, determinação do nível de colesterol sérico, uso de betabloqueadores para reduzir o risco de mortalidade em pacientes que sobreviveram a um enfarto de miocárdio. Questão 6 (HIAE – 2019) O exame de Papanicolau, a reabilitação de acidente vascular cerebral, a vacinação, a prática de atividade física e os cuidados paliativos em on- cologia representam, respectivamente, prevenção ⮦ Quaternária, quaternária, secundária, primária e terciária. ⮧ Primária, quaternária, secundária, primária e quaternária. ⮨ Secundária, terciária, primária, primária e qua- ternária. ⮩ Primária, secundária, terciária, quaternária e primária. ⮪ Terciária, quaternária, primária, quaternária e primária. Questão 7 (FACULDADE DE MEDICINA DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO – SP – 2019) Sobre os níveis de prevenção de acordo com Leavell & Clark e de acordo com Jamoulle, assinale a correta: ⮦ Prevenção quaternária é a detecção de indiví- duos em risco de intervenções, diagnósticas e/ou terapêuticasexcessivas para protegê-los de novas intervenções médicas inapropriadas e sugerir-lhes alternativas eticamente aceitáveis. ⮧ Prevenção primária é a ação realizada para detectar um problema de saúde em estágio inicial, muitas vezes em estágio subclínico, no indivíduo ou na população, facilitando o diag- nóstico definitivo, o tratamento e reduzindo ou prevenindo sua disseminação e os efeitos de longo prazo (ex.: rastreamento, diagnósti- co precoce). ⮨ Prevenção secundária é a ação implementada para reduzir em um indivíduo ou população os prejuízos funcionais consequentes de um pro- blema agudo ou crônico, incluindo reabilitação (ex.: prevenir complicações do diabetes, reabi- litar paciente pós-infarto – IAM – ou acidente vascular cerebral). ⮩ Prevenção terciária é a ação tomada para remo- ver causas e fatores de risco de um problema de saúde individual ou populacional antes do desenvolvimento de uma condição clínica. In- clui promoção da saúde e proteção específica (ex.: imunização, orientação de atividade física para diminuir chance de desenvolvimento de obesidade) ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História natural da doença e níveis de prevenção Epidemiologia 102 Questão 8 (SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE – DF – 2021) Acerca dos estudos epidemiológicos, da bioética e da bioesta- tística, julgue os itens a seguir. 111. A prevenção terciária é voltada para a redução do progresso e das complicações de uma doença. ⮦ CERTO ⮧ ERRADO Questão 9 (ASSOCIAÇÃO MÉDICA DO PARANÁ – PR – 2021) Realização de mamografia e imunização são, respectivamente, níveis de prevenção ⮦ terciária e secundária. ⮧ primária e secundária. ⮨ secundária e terciária. ⮩ secundária e primária. ⮪ terciária e primária. Questão 10 (UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – RJ – 2021) As intervenções preventivas para as doenças crônicas podem ter uma estratégia clínica ou comunitária, quando dirigidas diretamente aos indivíduos ou às comunidades/populações, respectivamente. São exemplos de ações preventivas a nível secundá- rio o(a): ⮦ dosagem de glicemia de jejum em paciente obe- so, mas assintomático ⮧ facilidade de transporte, lazer e trabalho para pessoas com amputação ⮨ estímulo à prática de atividades físicas na Aca- demia Carioca em pessoa de risco ⮩ uso de sinvastatina para evitar doença cardio- vascular em paciente com pré-diabetes ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História natural da doença e níveis de prevenção Cap . 4 103 GABARITO E COMENTÁRIOS Questão 1 dificuldade: Comentário: Analisar cada uma das alternativas. Alternativa A: INCORRETA. Suporte às vítimas pressu- põe que já há vítimas, ou seja, a violência já ocorreu. Não se trata, portanto, de prevenção primária. Já descartamos a alternativa A desde o início. Alternativa B: INCORRETA. Conhecer a rede de saúde previne a violência de ocorrer? Não! A mulher que sofre a violência, caso tenha conhecimento sobre a rede de serviços, poderá encontrar ajuda especia- lizada de forma mais precoce. Trata-se de algo se- melhante ao diagnóstico precoce. Não é prevenção primária, logo, descartamos a segunda alternativa também desde o início. Alternativa C: INCORRETA. Psicologia breve previne a violência de ocorrer? Não: ela ajuda após o ocor- rido. Não se trata, portanto, de prevenção primária. Alternativa D: CORRETA. Educação sobre os direitos iguais pode tornar a sociedade mais tolerante e menos violenta, podendo, sim, prevenir a violência de ocorrer. Trata-se de prevenção primária. Busca ativa dos casos permite que se faça um “diagnós- tico precoce” da situação, sendo uma ação de pre- venção secundária. A psicoterapia para lidar com os traumas evita complicações e fornece melhores condições para a recuperação do ocorrido, sendo, portanto, uma medida de prevenção terciária. Temos as três na ordem solicitada pela questão.. ✔ resposta: ⮩ Questão 2 dificuldade: Comentário: Vamos analisar cada uma das alterna- tivas. Alternativa A: INCORRETA. Alimentação saudável evita que a doença ocorra. Prevenção primária. Alternativa B: CORRETA. Proteção de intervenções desnecessárias e supermedicalização evita iatro- genia. Prevenção quaternária. Alternativa C: INCORRETA. Rastreamento permite diagnóstico precoce. Prevenção secundária. Alternativa D: INCORRETA. Imunização evita que a doença ocorra. Prevenção primária. Alternativa E: INCORRETA. Fisioterapia permite a rea- bilitação do paciente. Prevenção terciária. ✔ resposta: ⮧ Questão 3 dificuldade: Comentário: Consideramos medicalização o pro- cesso pelo qual aspectos do modo de vida do ser humano são apropriados pela medicina – ou seja, como problemas não médicos são definidos e tra- tados como problemas médicos. ✔ resposta: ⮪ Questão 4 dificuldade: Alternativa A: CORRETA. Alternativa B: CORRETA. Alternativa C: CORRETA. Alternativa D: INCORRETA. A medicalização é a trans- formação de situações normais da existência huma- na em objetos de abordagem médica, requerendo diagnóstico e intervenções desnecessárias. ✔ resposta: ⮩ ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História natural da doença e níveis de prevenção Epidemiologia 104 Questão 5 dificuldade: Comentário: Administrar ácido fólico é para não haver problema de fechamento de tubo neural. Ou seja, o problema ainda não existe. Dosagem de colesterol é para descobrir quem tem colesterol alto; isto é, o problema existe não se quer que vire algo ruim, quer-se descobrir cedo e intervir. O betabloqueador é para quem já teve o problema e para prevenir com- plicações decorrentes do remodelamento cardíaco. ✔ resposta: ⮪ Questão 6 dificuldade: Comentário: Papanicolau, o problema já existe e queremos o diagnóstico precoce. Reabilitação é a palavra da terciária. Vacina e atividade física, a doença ainda não existe. Cuidado paliativo evita intervenção desnecessária. ✔ resposta: ⮨ Questão 7 dificuldade: Comentário: Questão que aborda os conceitos bási- cos da história natural da doença que explicamos neste capítulo. Primeiro, não se assuste quando ver nomes de autores no enunciado, ao bater os olhos nas alternativas você já iria detectar que estamos falando do conceito de história natural e níveis de prevenção. Vamos às alternativas: ⮦ Perfeita. Existe melhor definição pra prevenção quaternária do que essa? ⮧ Incorreta. Ação para detectar problema de saú- de em estágio inicial é prevenção secundária. ⮨ Incorreta. A ação descrita define a prevenção terciária. ⮩ Incorreta. A ação descrita define a prevenção primária. ✔ resposta: ⮦ Questão 8 dificuldade: Comentário: Geralmente as questões sobre níveis de prevenção são bastante simples. Há, entretanto, uma linha tênue entre o final da prevenção secundária e o início da prevenção terciária. Vamos lá: • Prevenção Primária: Doença ainda não existe. Podemos atuar com promoção à saúde ou pre- venção específica. • Prevenção secundária: Já estamos no período patogênico, seja na fase pré-clínica ou em está- gios mais iniciais da fase clínica. Podemos atuar com diagnóstico precoce, tratamento imediato e limitação do dano. • Prevenção terciária: Doença já se encontra em estágios avançados. O objetivo nesse momento é reabilitar o paciente. Temos uma pergunta sobre redução do progresso e das complicações de uma doença. Podemos estar falando de prevenção secundária, visto que o tra- tamento imediato e a limitação do dano poderiam reduzir progresso e complicações de uma doença. Acontece que o enunciado não está perguntando qual o nível de prevenção que detém esses objeti- vos. O que a questão está querendo saber é se a prevenção terciária é ou não voltada para a redução do progresso e das complicações de uma doença. Nesse caso, podemos afirmar que sim, visto que controlar doenças em fases mais avançadas e rea- bilitar esses pacientes são medidas deprevenção terciária que apresentam esses objetivos. ✔ resposta: ⮦ Questão 9 dificuldade: Comentário: Vamos relembrar os níveis de prevenção em saúde? Prevenção primária consiste em atuar no fator de risco, impedindo o surgimento da doença. Prevenção secundária consiste na detecção preco- ce e rastreamento de doenças em estágio inicial. Prevenção terciária consiste na reabilitação e pre- venção de complicações em indivíduo já adoecido. Prevenção quaternária consiste na prevenção de iatrogenias e intervenções desnecessárias. Mamografia é um exame de rastreamento, logo, prevenção secundária e imunização consite na pro- teção específica de uma doença, logo, atua no risco de adoecer, sendo considerada prevenção primária. ✔ resposta: ⮩ ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História natural da doença e níveis de prevenção Cap . 4 105 Questão 10 dificuldade: Comentário: Para responder vamos rapidamente re- lembrar os níveis de prevenção em saúde. Prevenção primária visa atuar no fator de risco para evitar doen- ça; prevenção secundária consiste no diagnóstico precoce e rastreamento de doenças para detecção em estágio inicial; prevenção terciária consiste na reabilitação e prevenção de complicações no indiví- duo ja doente e prevenção quaternária consiste em evitar iatrogenias e intervenções desnecessárias. Alternativa A: Correta. É recomendado como ras- treamento a avaliação de glicemia de jejum em pacientes obesos. Alternativa B: Incorreta. Transporte e lazer para pes- soas deficientes soa como reabilitação, logo, ter- ciária. Alternativa C: Incorreta. Estímulo a prática de ativi- dades físicas visa combater o sedentarismo que é fator de risco para determinadas doenças. Alternativa D: Incorreta. Sinvastatina é recomenda- da como prevenção de EVENTO secundário após EVENTO cardiovascular primário, e neste caso seria prevenção terciária (prevenção de complicações no indivíduo doente); mas em paciente em pré diabetes (e diabético) o uso de estatina não é recomendado, logo, estamos evitando uma iatrogenia, então pre- venção quaternária. ✔ resposta: ⮦ ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Fixe seus conhecimentos! 106 FIXE SEU CONHECIMENTO COM FLUXOGRAMAS Use esse espaço para construir fluxogramas e fixar seu conhecimento! FIXE SEU CONHECIMENTO COM MAPAS MENTAIS Use esse espaço para construir mapas mentais e fixar seu conhecimento! ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 107 Capítulo 5ENDEMIA E EPIDEMIA O QUE VOCÊ PRECISA SABER? u Conhecer os seguintes termos: virulência, infectividade, patogenicidade, resistência, entre outros. u Saber os fatores desencadeantes de epidemias. u Saber diferenciar os modos de transmissão de uma doença. u Saber conceituar endemia, epidemia e pandemia. u Compreender o nível endêmico e o diagrama de controle. u Distinguir os tipos de epidemias. u Saber investigar um surto epidêmico. 1. CONCEITOS INICIAIS u INFECTIVIDADE: É a capacidade de o agente etiológico alojar-se e multiplicar-se no organis- mo do hospedeiro e transmitir-se deste para um novo hospedeiro. Infectividade só tem a ver com a infecção, ou seja, a presença do agente etioló- gico. Um agente com alta infectividade é aquele que tem grande capacidade de infectar, não de causar doença. u PATOGENICIDADE: É a capacidade de um agen- te biológico causar doença em um hospedeiro susceptível. Estamos falando em doença. Pato- genicidade tem a ver com a capacidade de gerar sinais e sintomas. u VIRULÊNCIA: É o grau de patogenicidade de um agente infeccioso, que se expressa pela gravidade da doença, especialmente pela letalidade e pela proporção de casos com sequelas. u IMUNOGENICIDADE OU PODER IMUNOGÊNICO: É a capacidade do agente biológico de estimular a resposta imune no hospedeiro; conforme as características desse agente, a imunidade obti- da pode ser de curta ou longa duração e de grau elevado ou baixo. u IMUNIDADE: É a resistência usualmente associada à presença de anticorpos específicos (imunidade humoral), que tem o efeito de inibir microrganis- mos específicos ou suas toxinas responsáveis por doenças infecciosas particulares. u RESISTÊNCIA: É o conjunto de mecanismos espe- cíficos e inespecíficos do organismo que servem de defesa contra a invasão ou multiplicação de agentes infecciosos, ou contra os efeitos nocivos de seus produtos tóxicos. BASES DA MEDICINA Os mecanismos específicos constituem a imunidade humoral, e os inespecíficos abrangem os desempenhados por vários mecanismos, entre eles: pele, mucosa, ácido gástrico, cílios do trato respiratório, reflexo da tosse, imunidade celular. importância/prevalência ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Endemia e epidemia Epidemiologia 108 u SUSCETIBILIDADE: Situação de uma pessoa ou animal que se caracteriza pela ausência de resis- tência suficiente contra um determinado agente patogênico, que proteja da enfermidade, na even- tualidade de entrar em contato com esse agente. u LETALIDADE: Letalidade é a proporção entre o número de mortes por uma doença e o número total de doentes que sofrem dessa doença, ao longo de um determinado tempo. u PERÍODO DE LATÊNCIA: Intervalo de tempo que transcorre desde que se produz a infecção até que a pessoa se torne infecciosa. u PERÍODO DE INCUBAÇÃO: Intervalo de tempo que transcorre entre a exposição a um agente infeccioso e o surgimento do primeiro sinal ou sintoma da doença. u PERÍODO DE TRANSMISSIBILIDADE: Intervalo de tempo durante o qual o agente infeccioso pode ser transferido direta ou indiretamente de uma pessoa infectada a outra pessoa, de um animal infectado ao ser humano ou de um ser humano infectado a um animal, inclusive artrópodes. u PERÍODO PRODRÔMICO: Intervalo de tempo entre o surgimento de sinais e sintomas inespecíficos até o início de um quadro clínico mais específi- co, com o qual o diagnóstico clínico possa ser estabelecido. DIA A DIA MÉDICO Para facilitar nossa compreensão na prática, podemos associar aos períodos descritos à História Natural da Doença. Fluxograma 1. Correlação da história natural da doença com processos infecciosos. História natural da doença Período de latência Período de incubação Exposição Suscetível Mudanças patológicas Doença subclínica Sinais e sintomas Doença clínica Recuperação, deficiência, imunidade, estado do portador ou óbito Período infeccioso Período sintomático ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Endemia e epidemia Cap . 5 109 2. FATORES DETERMINANTES O que faz surgir endemias e epidemias? Algum desequilíbrio em algum fator determinante, certo? Vamos revisar os determinantes que podem con- tribuir para o surgimento de doenças que podem ser cobradas em algumas provas. Epidemias e endemias têm como fatores determi- nantes e condicionantes diversas situações eco- nômicas, culturais, ecológicas, psicossociais e biológicas. A compreensão desses determinantes é importante para o planejamento de ações de prevenção e controle dos agravos com potencial endêmico e epidêmico. u Determinantes econômicos: Miséria, privações resultando em habitações precárias, falta de sa- neamento básico e de água tratada e ocupação do território de forma desordenada. u Determinantes culturais: Hábito de defecar próxi- mo de mananciais, hábitos alimentares de risco, como ingestão de peixe cru ou ostras. u Determinantes ecológicos: Poluição atmosférica, condições climáticas e ambientais favoráveis à proliferação de vetores. u Determinantes psicossociais: Estresse, uso de drogas, ausência de atividades e locais para lazer. u Determinantes biológicos: Indivíduos suscetíveis, mutação do agente infeccioso, transmissibilida- de do agente. 3. HOSPEDEIRO Hospedeiro consiste na pessoa ou animal que pro- porciona um local adequadopara que um agente infeccioso cresça e se multiplique em condições naturais. O agente infeccioso pode entrar em con- tato com o sistema do hospedeiro através de várias entradas, como pele, mucosa, trato respiratório e intestinal. u Reservatório: hábitat de um agente infeccioso no qual este vive, cresce e se multiplica. É indis- pensável para a perpetuação do agente. u Vetor: considerado a fonte responsável pela transmissão do agente infeccioso. Doenças com reservatório animal são chamadas de zoonoses. Como já citamos no início do capítulo, o período de incubação é o tempo da entrada do agente infec- cioso até o surgimento dos primeiros sinais/sinto- mas, e período de transmissibilidade é o período da eliminação do agente pelo hospedeiro, permitindo sua transmissão. O período prodrômico abrange o intervalo entre os primeiros sintomas da doença e o início dos sinais e sintomas que lhe são característicos e que per- mitem a atribuição de um diagnóstico. 4. MODOS DE TRANSMISSÃO A transmissão das doenças infecciosas ocorre como resultado da interação entre o agente, o meio ambiente e o hospedeiro. Segundo essas interações, podemos classificar os modos de transmissão da seguinte maneira: 4 .1 . TRANSMISSÃO DIRETA u Definição: transferência direta do agente etiológi- co por uma porta de entrada para que se possa efetuar a infecção. Também denominada trans- missão “pessoa a pessoa”. u Imediata: sem contato com o meio ambiente. W Ex.: Infecções sexualmente transmissíveis, doenças transmitidas pelo toque. u Mediata: há contato prévio com o meio ambiente. W Ex.: Dispersão de gotículas ou aerossóis (tos- sir, falar, espirrar). DICA No momento atual, não podemos deixar de falar sobre a doença pelo novo coronavírus (covid-19), cuja principal via de transmissão é respiratória, o que caracteri- za uma transmissão direta mediata. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Endemia e epidemia Epidemiologia 110 Desde o início da Pandemia ouvimos muito os termos quarentena e isolamento. Quarentena consiste num método de dispersão das doenças transmissíveis e refere-se ao isolamento de indivíduos sadios pelo período máximo de incubação da doença. Já o isolamento consiste na segregação dos doentes para que não transmitam a doença. DICA Quarentena = indivíduo SADIO. Iso- lamento = indivíduo infectado. 4 .2 . TRANSMISSÃO INDIRETA u Definição: mediante veículos ou vetores. W Ex.: transmissão por vetores animais, fômites. 4 .2 .1 . Sobre os vetores Inseto ou qualquer portador vivo que transporta um agente infeccioso. O agente pode ou não se desen- volver, propagar ou multiplicar dentro do vetor. Os vetores podem ser classificados como mecânicos ou biológicos. u Mecânicos: simples traslado do agente infeccioso por um inseto (por exemplo, por contaminação de suas patas ou pela passagem por seu trato intestinal), sem haver multiplicação ou desenvol- vimento cíclico do microrganismo. u Biológicos: o agente deve propagar-se e/ou de- senvolver-se ciclicamente no vetor antes que pos- sa transmitir a forma infectante ao ser humano. 5. CLASSIFICAÇÃO DOS CASOS Quando falamos de doenças infecciosas, podemos classificar os pacientes conforme algumas carac- terísticas acerca do quadro clínico e da origem da infecção. u CASO ÍNDICE: primeiro caso diagnosticado em um surto ou epidemia, provável fonte de conta- minação ou infecção. u CASO ALÓCTONE: Caso “importado”, ou seja, não adquirido na própria localidade (exemplo: viajantes). u CASO AUTÓCTONE: Caso oriundo da própria localidade. DIA A DIA MÉDICO Com relação à covid-19, inicialmente tínhamos apenas casos alóctones. Pacientes adoeciam porque tiveram contato com o vírus fora do Brasil e apresentaram o quadro clínico posteriormente. Depois, passamos a ter pacientes se infectando em território nacional, ou casos autóctones. Após essa comprovação, consideramos que havia transmissão comunitária. u CASO SUSPEITO: Obviamente, um caso é sus- peito quando não há confirmação, por exemplo, laboratorial, da doença, mas há quadro clínico e/ ou características epidemiológicas sugestivos. DIA A DIA MÉDICO Diversas doenças devem ser notificadas à vigilância durante a suspeita clínica e epidemiológica, antes mesmo da confirmação. É o caso do novo coronavírus. Na prática, sempre esquecemos, mas isso pode nos gerar repercus- sões éticas, pois é nosso DEVER! u CASO CONFIRMADO: Há confirmação da pre- sença do agente etiológico. DIA A DIA MÉDICO Para cada doença, temos critérios distintos do que con- sideramos um caso suspeito. No caso da covid-19, por exemplo, vimos esses critérios evoluírem rapidamente. Inicialmente, eram apenas pacientes que viajaram para a China ou que tiveram contato com pessoa que tivesse viajado para a China. Rapidamente outros países foram incluídos nessa lista, assim como estados no Brasil. Após constatarmos transmissão comunitária em todo o território nacional, passamos a considerar basicamente toda síndrome gripal como caso suspeito. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Endemia e epidemia Cap . 5 111 6. CONTROLE DAS DOENÇAS Falamos da classificação e das formas de transmis- são, mas ainda não falamos sobre o controle. Pode- mos controlar, eliminar ou erradicar uma doença. u Controle: reduzir ou regular a incidência/preva- lência de uma doença. u Eliminação: redução da incidência a zero em de- terminada localidade, geralmente país ou conti- nente. A doença continua existindo em outro lo- cal. Por isso, medidas de controle são mantidas. u Erradicação: redução da incidência a zero em todos os continentes. A manutenção dessa inci- dência zero independe, portanto, da continuidade da aplicação das medidas de prevenção. 7. ENDEMIA, EPIDEMIA E PANDEMIA 7 .1 . ENDEMIA Presença regular e constante de uma doença em determinado território. É o comportamento esperado de um agravo, “comportamento normal”. Pode-se tornar epidêmica (você entenderá melhor mais adiante) se houver alguma mudança nas condições do hospedeiro, agente ou ambiente. 7 .1 .1 . O nível endêmico Para avaliarmos o nível endêmico de uma doença, precisamos de um diagrama de controle que con- siste na representação gráfica da distribuição men- sal média dos casos e seus desvios padronizados, estimando um intervalo de ocorrência regular. Precisamos verificar a distribuição do número de casos/incidência da doença registrado mensalmente ou semanalmente por um período de 10 anos. Para se estimar os limites superior e inferior do nosso diagrama endêmico, devemos estabelecer um intervalo de confiança de 95% em torno da média dos casos. Esse IC de 95% corresponde a 1,96 unidade de desvio padrão. Sintetizando então os passos da elaboração do nosso diagrama de controle: 1. Calcular a incidência média do período estudado (mensal, semanal) 2. Calcular o desvio padrão 3. Estipular o intervalo de confiança Ao colocarmos num gráfico, teremos então 3 linhas, sendo a do meio correspondente à média dos casos, o limite superior, endêmico, e o limite inferior, endê- mico. Já adianto que essas faixas são essenciais para detecção de um comportamento anormal (não esperado da doença) se “transformando” numa epidemia. Observe os gráficos a seguir: Figura 2. Exemplo de diagrama de controle. Fonte: Ministério da Saúde – Guia de Vigilância Epidemiológica. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Endemia e epidemia Epidemiologia 112 Figura 3. Exemplo de diagrama de controle que ultrapassou o limite superior, se tornando uma epidemia. Fonte: Moura.6 Para termos comportamento epidêmico, a doença precisa apresentar um número de casos maior do que 2 desvios padrão do seu comportamento endêmico, como demonstrado na figura a seguir: Figura 4. Diagrama de controle demonstrando epidemia. Fonte: Waldman.9 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966Endemia e epidemia Cap . 5 113 Então, para sintetizar: Quadro 1. Síntese dos termos utilizados até agora. Faixa endêmica Comportamento esperado da doença verificado no passado. Frequência média Média aritmética das incidências ocorridas no tempo e espaço es- tudados. Desvio padrão Medida da dispersão/variabilidade em torno da média. Frequência máxima e mínima esperadas Determinada pelo cálculo do des- vio padrão. Determina os LIMITES SUPERIOR e INFERIOR da faixa endêmica. Nível de incidência O que foi realmente observado na doença. Nível endêmico Incidência cujos valores se situam ABAIXO do limite superior da faixa endêmica. Nível epidêmico Valores de incidência ultrapassam o limite superior da faixa endê- mica. Fonte: Autoria própria. 7 .2 . EPIDEMIA Elevação progressivamente crescente, inesperada e descontrolada dos coeficientes de incidência de determinado agravo. Nos gráficos explorados anteriormente neste capítulo, temos uma EPIDEMIA quando se ultrapassa o limite superior endêmico, ou limiar epidêmico, do diagrama de controle. Se estivermos analisando doenças inexistentes ou erradicadas (ex.: a covid-19 e o Sarampo, respecti- vamente), o coeficiente de incidência que fixa seu limiar epidêmico é igual a ZERO; logo, apenas um caso poderá ser considerado uma epidemia. 7 .2 .1 . Mecanismos desencadeantes das epidemias u Importação e incorporação de casos alóctones (Ex.: covid-19). u Contato acidental com agentes infecciosos, to- xinas ou produtos químicos. u Doença do hospedeiro favorece a dispersão do agente patogênico, como espirro, resfriado, tos- se, saliva, mordida. u Intencional: bioterrorismo. 7 .2 .2 . Curva epidêmica A elevação dos coeficientes de incidência da doença epidêmica gera uma curva, a chamada curva epidê- mica. Essa curva traz informações importantes a respeito do comportamento de determinada doença. u Progressão: período que corresponde à fase inicial do processo de elevação do número de casos até a incidência máxima. u Regressão: última fase na evolução de uma epi- demia, representando a redução do número de casos após a incidência máxima. u Incidência máxima: o famoso “pico” da epidemia. Corresponde ao momento com maior número de casos novos da doença por intervalo de tempo. u Egressão: todo o intervalo que envolve a elevação (progressão), a incidência máxima e a redução de casos (regressão). Ou seja, a egressão se ca- racteriza a partir do momento em que o número de casos cruzou o limiar epidêmico até o retorno ao comportamento endêmico. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Endemia e epidemia Epidemiologia 114 Figura 5. Curva epidêmica. Fonte: Gonçalves.10 Figura 6. Curva epidêmica do covid-19 no Brasil. Fonte: Ministério da Saúde.4 Na pandemia de covid-19, ouvimos muito falar em “achatar” a curva, que consiste em diminuir a fase de progressão da doença. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Endemia e epidemia Cap . 5 115 7 .3 . TIPOS DE EPIDEMIA u Epidemia explosiva: apresenta uma progressão muito acelerada, refletindo alta velocidade de propagação. u Epidemia lenta: muito tempo é decorrido para que se alcance a incidência máxima, refletindo baixa velocidade de propagação. u Epidemia progressiva ou propagada: transmissão pessoa a pessoa, ou seja, transmissão direta, o que confere uma transmissão sustentada e com crescimento mais linear. u Epidemia de fonte comum: fator extrínseco vei- culado por alimento ou água contaminados, por exemplo, conferindo um crescimento abrupto. 7 .3 .1 . Surto epidêmico Podemos caracterizar como uma ocorrência epidê- mica em local restrito, como escola, rua ou bairro, serviço de saúde. 7 .3 .2 . Pandemia u Definição: Epidemia de grandes proporções, que se espalha a vários países, em mais de dois continentes. DICA Não devemos definir endemia e epi- demia com base no número de casos. Po- demos ter a dengue com milhares de casos apresentando comportamento endêmico e a raiva humana com centenas apresentan- do comportamento epidêmico. Lembre-se sempre dos conceitos. Em nenhum mo- mento falamos em quantidade de casos. DIA A DIA MÉDICO Em março de 2020, foi decretada a Pandemia pelo novo Coronavírus. 8. INVESTIGAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA A investigação epidemiológica visa obter informa- ções complementares sobre os casos de determi- nado agravo com a finalidade de se estabelecerem as fontes e os mecanismos de transmissão, bem como identificar grupos de maior risco para esta- belecer as medidas de controle. Implica o exame do doente e de seus contatos, com detalhamento da história clínica, de dados epide- miológicos, coleta de amostras, busca de casos adicionais, identificação dos agentes infecciosos, determinação de seu modo de transmissão ou de ação, busca de locais contaminados ou de vetores. Realizada tanto para doenças comuns quanto para doenças novas. BASES DA MEDICINA Agravo inusitado: caracterização de uma doença desco- nhecida, assim como seus agentes, fontes e/ou modos de transmissão e medidas de controle → requer investi- gação exaustiva pelo potencial risco que apresenta para a população. Durante a investigação de campo, é importante detectar e controlar o agravo o mais rápido possível, ainda em seus estágios iniciais, a fim de impedir a ocorrência de novos casos. Deve-se identificar a fonte de infecção e o modo de transmissão, os grupos expostos a maior risco e fatores de risco, confirmar o número de casos humanos e óbitos, os resultados das descrições clínicas e diagnóstico por laboratório, determinar as principais características epidemiológicas e outras condições que afetem a propagação da doença e as medidas de saúde empregadas. De modo geral, quando há suspeita de doença transmissível e de notificação compulsória, o pro- fissional da vigilância epidemiológica deve buscar responder a várias questões essenciais para orientar a investigação e as medidas de controle. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Endemia e epidemia Epidemiologia 116 Quadro 2. Questões que direcionam a investigação epidemiológica. Questões a serem respondidas Trata-se realmente de casos da doença sob suspeita? Confirmação do diagnóstico Quais são os principais atri- butos individuais dos casos? Identificação de caracterís- ticas biológicas, ambientais e sociais A partir de que ou de quem foi contraída a doença? Fonte de infecção Outras pessoas podem ter sido infectadas/afetadas a partir da mesma fonte de infecção? Determinação de novos ca- sos/contatos/comunicantes Que fatores determinaram a ocorrência da doença ou po- dem contribuir para que os casos transmitam a doença a outras pessoas? Identificação de fatores de risco Durante quanto tempo os doentes podem transmitir a doença? Determinação do período de transmissibilidade Como os casos se encon- tram distribuídos no espaço e no tempo? Determinação de agregação ou relação espacial e/ou temporal dos casos Como evitar que a doença atinja outras pessoas ou se dissemine na população? Medidas de controle Fonte: Ministério da Saúde.2 8 .1 . ETAPAS DE INVESTIGAÇÃO DE SURTOS 8 .1 .1 . Etapa 1 – confirmação do diagnóstico de uma doença Quando da ocorrência de uma epidemia, torna-se necessário verificar se a suspeita diagnóstica ini- cial se enquadra na definição de caso suspeito ou confirmado da doença em questão. No início da investigação, emprega-se uma definição de caso mais sensível, que abrange casos confirmados e prováveis (e até mesmo os possíveis). 8 .1 .2 . Etapa 2 – confirmação da existência de epidemia ou surto O processo da confirmação de uma epidemia ou surto envolve o estabelecimento do diagnóstico da doença e do estado epidêmico. Considerando que frequência inusitada, tempo e lugar são aspectos fundamentais para estabelecer de modo fidedigno um estado epidêmico, torna-se imprescindívelo conhecimento da frequência habitual (nível endê- mico) desses casos, naquele lugar e naquele período. A confirmação é feita com base na comparação entre os coeficientes de incidência da doença no momento da ocorrência do evento investigado e aqueles usualmente verificados na mesma popu- lação. 8 .1 .3 . Etapa 3 – caracterização de uma epidemia Organizar as informações de forma a permitir a análise de algumas características e responder a algumas questões relativas à distribuição no tempo, lugar e pessoa: u Tempo: Respondido pela curva epidêmica. W Qual o provável período de exposição? W Qual o provável período de duração? u Lugar: W Qual a distribuição geográfica predominante? W Bairro de residência? Escola? Local de trabalho? u Pessoas: W Quais os grupos etários e sexo mais atingidos? W Quais são os grupos, segundo sexo e idade, expostos a maior risco de adoecer? W Que outras características distinguem os indi- víduos afetados da população geral? 8 .1 .4 . Etapa 4 – formulação de hipóteses preliminares Embora, na realidade, o desenvolvimento de hipóte- ses se dê desde o momento em que se tem conhe- cimento da epidemia, ao se dispor das informações relativas a pessoa, tempo e lugar, torna-se possível a formulação de hipóteses mais consistentes e precisas. As hipóteses devem ser testáveis, uma vez que a avaliação constitui uma das etapas de uma inves- tigação epidemiológica. Hipóteses provisórias são elaboradas com base nas informações obtidas ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Endemia e epidemia Cap . 5 117 anteriormente e na análise da curva epidêmica. Pela curva dá para perceber se o período de exposição foi curto ou longo, se está em ascensão ou declínio, se tem períodos de remissão etc. 8 .1 .5 . Etapa 5 – análises parciais Deve-se proceder à análise com periodicidade de acordo com a magnitude da gravidade do evento (diária, semanal e mensal). 8 .1 .6 . Etapa 6 – busca ativa de casos Objetivo de reconhecer e investigar casos similares no espaço geográfico onde houver suspeita da existência de contato e/ou fonte de contágio ativa. 8 .1 .7 . Etapa 7 – busca de dados adicionais Quando necessário, pode-se conduzir uma investi- gação mais minuciosa de todos os casos, visando esclarecer e fortalecer as hipóteses iniciais. 8 .1 .8 . Etapa 8 – análise final Os dados coletados são consolidados em tabelas, gráficos, mapas de área de estudos, fluxos e outros. Essa disposição fornecerá uma visão global do evento, permitindo a avaliação de acordo com as variáveis de tempo, espaço e pessoas e relação causal. 8 .1 .9 . Etapa 9 – medidas de controle Logo após a identificação das fontes de infecção, do modo de transmissão e da população exposta a elevado risco de infecção, deverão ser reco- mendadas as medidas adequadas de controle e elaborado um relatório circunstanciado a ser amplamente divulgado a todos os profissionais de saúde. Na realidade, quando se conhece a fonte de um surto, as medidas devem ser imediatamente imple- mentadas, pois este é o objetivo primordial das investigações. As medidas devem ser direciona- das para qualquer elo da cadeia, ainda que seja o agente. 8 .1 .10 . Etapa 10 – relatório final Os dados da investigação deverão ser sumarizados em um relatório que contenha a descrição de todas as etapas da investigação, as principais conclusões e recomendações, das quais se destacam: u Situação epidemiológica atual do agravo. u Causa da ocorrência. u Medidas de prevenção implementadas. u Orientações e recomendações, a médio e longo prazos, a serem instituídas. 9. ORGANIZAÇÃO ASSISTENCIAL E ELABORAÇÃO DO PLANO DE CONTINGÊNCIA EM SITUAÇÕES DE EPIDEMIA Quando as ações de vigilância, promoção e pre- venção não são efetivas e as situações epidêmicas ocorrem, o sistema de saúde deve se organizar para atender os enfermos. O fluxo assistencial a ser proposto deve, sempre que possível, ter a atenção primária como porta de entrada preferencial, e as uni- dades de referência (pronto-atendimento, hospital, UTI) devem também ser definidas como referência e contrarreferência aos pontos de atenção. Um plano de contingência assistencial deve ser elaborado pelo gestor com participação dos diferen- tes níveis de atenção e contemplando os diversos cenários epidêmicos. Esse plano deve conter: 1. Dimensão da situação epidêmica com base em diferentes cenários. 2. Identificação da capacidade operacional (recursos humanos, insumos) das unidades assistenciais nos diferentes níveis de atenção que serão utili- zadas no atendimento de usuários com suspeita do agravo em questão. 3. Previsão da ampliação da capacidade operacional das unidades assistenciais em cenários de média e alta incidências. 4. Estimativa do custo das atividades assistenciais para cada cenário. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Endemia e epidemia Epidemiologia 118 10. A PANDEMIA DE CORONAVÍRUS NO BRASIL Em 20 de março de 2020, foi declarada a transmis- são comunitária da doença pelo novo coronavírus (covid-19) em todo o território nacional. Até o final da 28ª semana epidemiológica de 2021 foram con- firmados 189.997.805 casos de covid-19 no mundo, sendo os EUA o país com o maior número de casos, seguido pela Índia e pelo Brasil. Em número de óbitos o Brasil está em segundo lugar, perdendo apenas para os EUA. 10 .1 . DADOS EPIDEMIOLÓGICOS O coeficiente de incidência bruto da doença no mundo, até a 28ª semana de 2021, foi de 24.374,9 para cada milhão de habitantes. Em relação ao coeficiente de mortalidade (óbitos por 1 milhão de habitantes), o mundo apresentou uma taxa de 523m7 óbitos/1 milhão de habitantes. Como o tema é nossa grande aposta para os con- cursos, segue gráfico com o número de casos e incidência por estado até o momento da redação deste capítulo. Lembre-se de que essas informações são bem dinâmicas e vale a pena dar uma conferida no último boletim epidemiológico divulgado antes da prova. Figura 1. Casos de covid confirmados no mundo. Fonte: Ministério da Saúde.11 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Endemia e epidemia Cap . 5 119 Figura 2. Óbitos de covid confirmados. Fonte: Ministério da Saúde.11 Figura 3. Evolução do número de óbitos confirmados por covid segundo países com maior número de óbitos. Fonte: Ministério da Saúde.11 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Endemia e epidemia Epidemiologia 120 Figura 4. Casos de covid por estado. Fonte: Ministério da Saúde.11 10 .2 . VARIANTES O vírus SARS-CoV-2 tem sofrido mutações levando a novas variantes; quando as mutações ocasionam alterações relevantes clínico-epidemiológicas, como maior gravidade ou maior potencial de infectividade, essa variante é classificada como VOC, do inglês “variant of concern”, e em português, variante preo- cupante. A vigilância se mantém atenta à detecção dessas variantes genômicas através de analises frequentes de amostras confirmadas de covid nos laboratórios de referência. As principais variantes: Figura 5. Principais VOC da covid. Fonte: Ministério da Saúde.11 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Endemia e epidemia Cap . 5 121 Mapa mental. Endemias e epidemias Endemias e epidemias Epidemia Elevação progressiva, crescente e inesperada de um agravo Endemia Presença regular e constante de uma determinada doença em determinado território Curva epidêmica Nível endêmico Indireta Tipos de epidemias Dimensão Transmissão Direta Índice Alóctone Autóctone Casos Progressão Primeiro caso diagnosticado Caso importado Caso oriundo da própria localidade Diagrama de controle Mecânicos: translado Biológicos: agente se desenvolve dentro do vetor para que seja infectante ao ser humano • Distribuição média dos casos • 1,96 unidade de desviopadrão Mediante veículos ou vetores Mediata: há contato prévio com meio ambiente Imediata: sem contato com meio ambiente Explosiva Surto Local restrito Incidência máxima Lenta Pandemia > 2 continentes ao mesmo tempo Regressão Progressiva De fonte comum ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Endemia e epidemia Epidemiologia 122 REFERÊNCIAS 1. 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Belo Horizonte: Nescon/UFMG; 2012. 7. Machado Jr AB. As doenças cardiovasculares matam uma pessoa a cada 90 segundos no Brasil. Por que não são consideradas uma epidemia? Brazilian Journal of Cardiovascular Surgery Blog. [Internet]; 202. [acesso em 6 set 2020]. Disponível em: https://blog.bjcvs.org/ single-post/2020/04/09/as-doencas-cardiovasculares- -matam-uma-pessoa-a-cada-90-segundos-no-brasil-por- -que-nao-sao-consideradas-uma-epidemia/. 8. Luna EJA, Silva Jr. JB. Doenças transmissíveis, endemias, epidemias e pandemias. In: FIOCRUZ. A saúde no Brasil em 2030: população e perfil sanitário. Rio de Janeiro: Fiocruz/Ipea/Ministério da Saúde/Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República; 2013. Vol. 2. p. 123-76. 9. Waldman EA, Saro APS. Departamento de Epidemiologia [Internet]; 2020. [acesso em 06 set 2020]. Disponível em: edisciplinas.usp.br. 10. Gonçalves MW. Processo Endêmico e Epidêmico. Pontifí- cia Universidade Católica de Goiás. Slides de PowerPoint. [Internet]; 2020. [acesso em 05 set 2020]. Disponível em: http://professor.pucgoias.edu.br/SiteDocente/admin/ arquivosUpload/18497/material/Aula%2008.%20Epide- mia%20e%20Endemia.pdf. 11. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim Epidemiológico Especial 72. Doença pelo Novo Coronavírus – Covid-19. Semana epidemiológica 28 – 11 a 17/07/2021. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Endemia e epidemia Cap . 5 123 QUESTÕES COMENTADAS Questão 1 (UNIVERSIDADE DE RIBEIRÃO PRETO – SP – 2016) Correlacio- ne as colunas e assinale a opção com a sequência correta. I. Endemia; II. Epidemia; III. Pandemia; IV. Surto; V. Sazonalidade. ( ) Ocorrência que ultrapassa a fronteira de países ou continentes. ( ) Presença regular e constante de doença em determinado território. ( ) Aumento do número de casos em espaço e tempo delimitados. ( ) Aumento excessivo do número esperado de casos de uma doença em determinada região. ( ) Propriedade que as doenças têm de aumentar ou diminuir o seu número de casos conforme estação do ano. ⮦ III – I – IV – II – V. ⮧ I – II – III – IV – V ⮨ III – I – II – IV – V ⮩ I – III – II – IV – V ⮪ II – III – I – V – IV Questão 2 (INSTITUTO NACIONAL DE TRAUMATOLOGIA E ORTOPEDIA – 2016) É crucial, em vigilância epidemiológica, caracterizar o nível “esperado” de incidência de uma doença em uma região para definição de uma epidemia. Uma maneira de definir essa incidência é a elaboração de um diagrama de controle de casos. Assinale a alternativa que completa corretamente a frase: Uma epidemia é caracterizada quando o número de ca- sos em determinado período de tempo é… ⮦ O dobro do ocorrido no período imediatamente anterior. ⮧ O dobro do ocorrido no mesmo período do ano anterior. ⮨ Maior que a média dos casos dos 10 anos não epidêmicos anteriores. ⮩ Maior que a média dos casos dos 10 anos não epidêmicos anteriores mais um desvio padrão. ⮪ Maior que a média dos casos dos 10 anos não epidêmicos anteriores mais dois desvios padrão. Questão 3 (HOSPITAL ESTADUAL DR JAYME DOS SANTOS NEVES – 2017) A Patogenicidade é definida pela capacidade: ⮦ De um agente etiológico produzir casos graves ou fatais. ⮧ De um agente infeccioso produzir sintomas em maior ou menor proporção dentre os hospedei- ros infectados. ⮨ Que têm certos organismos de penetrar e se desenvolver ou de se multiplicar no novo hos- pedeiro. ⮩ Que tem o agente etiológico para induzir imuni- dade no hospedeiro. ⮪ Que tem o parasita de se difundir através de te- cidos, órgãos e sistemas anatomofisiológicos do hospedeiro. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Endemia e epidemia Epidemiologia 124 Questão 4 (SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO PAULO – 2017) Em 2009, a Organização Mundial de Saúde (OMS) de- clarou a gripe suína uma pandemia. Assinale a al- ternativa correta. ⮦ Tem-se tornado frequente a OMS declarar pan- demias nos últimos 10 anos. ⮧ A decisão da OMS foi devida à gravidade da doença. ⮨ A declaração da OMS deu-se devido ao processo de difusão do vírus H1N1. ⮩ Os casos no Brasil tiveram grande influência no reconhecimento da pandemia. ⮪ A pandemia foi considerada encerrada quando os casos de morte cessaram. Questão 5 (FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS DA UNICAMP – 2018) O conceito de epizootias, como a de febre amarela no Brasil, pode ser definido como: ⮦ Transmissão endêmica na população, associada a vetores artrópodes silvestres. ⮧ Aumento de casos de febre amarela em huma- nos que se infectaram nas matas. ⮨ Aumento de casos em animais de forma não usual. ⮩ Doença em animais silvestres com potencial de circulação em humanos. Questão 6 (UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE – 2018) Em re- lação à distribuição das doenças no tempo e lugar, é certo que: ⮦ O surgimento de um único caso autóctone de uma determinada doença em uma região onde nunca tenha ocorrido representa uma epidemia. ⮧ O surgimento de um único caso alóctone de uma determinada doença em uma região onde nunca tenha corrido representa uma epidemia. ⮨ Endemia refere-se à presença usual de uma doença, dentro dos limites esperados, em uma determinada área geográfica, por um período de tempo limitado. ⮩ Surto é uma ocorrência endêmica, onde todos os casos estão relacionados entre si, atingindo uma área geográfica pequena e delimitada. ⮪ Pode-se definir epidemia como sendo a elevação brusca, temporária e significativamente acima do esperado da prevalência de uma determina- da doença. Questão 7 (INSTITUTO DE CARDIOLOGIA DO RIO GRANDE DO SUL – 2018) Em 11 de novembro de 2015, o Ministério da Saúde decretou a epidemia do vírus zika como Situação de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional. O coeficiente que se eleva durante um surto epidêmico de uma doença aguda é a: ⮦ Letalidade. ⮧ Mortalidade. ⮨ Incidência. ⮩ Virulência. ⮪ Frequência. Questão 8 (PSU – MG – 2019) Assinale a alternativa que apresen- ta corretamente a última fase na evolução de uma epidemia. ⮦ Egressão ⮧ Estabilização ⮨ Progressão ⮩ Regressão Questão 9 (SMS/SP – 2019) Conceitua-se epidemia, para fins de vigilância epidemiológica, como a ocorrência de: ⮦ Um número de casos de uma doença acima do esperado, para um determinado período e local. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Endemia e epidemia Cap . 5 125 ⮧ Um grande número de casos confirmados de uma doença em um determinado local de um país. ⮨ Um grande número de casos de uma doença por um períodode pelo menos três meses con- secutivos. ⮩ Um grande número de casos de uma doença por um período de pelo menos seis meses con- secutivos. ⮪ Casos de uma doença que atingem toda a po- pulação de um local com abrangência definida. Questão 10 (PSU/MG – 2020) Ao processo contínuo e sistêmico de coleta, consolidação, análise e disseminação de da- dos sobre eventos relacionados à saúde, visando ao planejamento e à implementação de medidas de saúde pública, dá-se o nome de: ⮦ Comunicação em saúde ⮧ Educação permanente em saúde ⮨ Integralidade em saúde ⮩ Vigilância em saúde Questão 11 (HOSPITAL DE CLÍNICAS PORTO ALEGRE – RS – 2021) No Rio Grande do Sul, a pandemia da covid-19 teve seu pri- meiro caso confirmado em 10 de março de 2020 e o primeiro óbito em 24 do mesmo mês. Conforme o site do Ministério da Saúde (https://covid.saude. gov.br), as informações atualizadas sobre a doença no Estado em 21 de abril eram: – número de casos confirmados: 904 – número de óbitos: 27. Consi- derando que a população estimada do Rio Grande do Sul, no mês de abril de 2020, era de cerca de 11.500.000 habitantes, quais as taxas de incidência e de letalidade aproximadamente naquele momento? ⮦ 78,6/1.000 –29,8% ⮧ 7,86/100.000 –2,98% ⮨ 2,3/100.000 –2,98/1.000 ⮩ 0,23/100.000 –2,98% Questão 12 (HOSPITAL INFANTIL SABARÁ – SP – 2021) Estudo feito pelo Observatório de Conflitos Fundiários do Instituto das Cidades da UNIFESP estabeleceu uma rela- ção entre faixa de renda, local de moradia e uso de transporte público com a mortalidade por covid-19. O estudo concluiu que pessoas mais pobres, que necessitam se deslocar pela cidade usando trans- porte público, têm um risco maior de falecerem por covid-19. O conhecimento dos determinantes e condicionantes de uma doença descritos tratam de qual tipo de vigilância? ⮦ Ambiental. ⮧ Epidemiológica. ⮨ Sanitária. ⮩ Nenhum. ⮪ Toxicológica. Questão 13 (SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE GOIÁS – GO – 2021) Com relação à covid-19, de acordo com a publicação de 5 de agosto de 2020 do Ministério da Saúde, intitu- lada Guia de Vigilância Epidemiológica, Emergên- cia de Saúde Pública de Importância Nacional pela Doença pelo Coronavírus 2019, ⮦ o período de incubação é estimado entre um a 21 dias, com mediana de nove e dez dias. ⮧ a definição de contato se refere a qualquer pes- soa que esteve em contato próximo a um caso confirmado de covid-19 durante o seu período de transmissibilidade, ou seja, entre dois dias antes e dez dias após a data de início dos sinais e/ou sintomas do caso confirmado. ⮨ para indivíduos com quadro de síndrome gripal com confirmação por qualquer um dos critérios para covid-19, recomenda-se o isolamento, sus- pendendo-o após 14 dias do início dos sintomas, desde que passe 48 horas de resolução de fe- bre sem uso de medicamentos antitérmicos e remissão dos sintomas respiratórios. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Endemia e epidemia Epidemiologia 126 ⮩ para indivíduos com quadro de síndrome respira- tória aguda grave com confirmação por qualquer um dos critérios para covid-19, recomenda-se o isolamento, suspendendo-o após 21 dias do iní- cio dos sintomas ou após 14 dias com resultado RT-PCR negativo, desde que passe 24 horas de resolução de febre sem uso de medicamentos antitérmicos e remissão dos sintomas respira- tórios, mediante avaliação médica. Questão 14 (SECRETÁRIA DE ESTADO DE SAÚDE DE SÃO PAULO – SP – 2021) O conhecimento atual sobre o SARS-CoV-2 permi- te afirmar que ⮦ a forma de transmissão mais importante é o contato com superfícies contaminadas. ⮧ a transmissão por aerossóis se dá principalmente em ambientes fechados e mal ventilados. ⮨ o uso de máscara protege integralmente as pessoas. ⮩ a transmissibilidade independe da umidade re- lativa do ar de um determinado ambiente. ⮪ uma de suas características é a de provocar a covid-19, uma das doenças com maior taxa de letalidade que se conhece. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Endemia e epidemia Cap . 5 127 GABARITO E COMENTÁRIOS Questão 1 dificuldade: Comentário: Questão direta e conceitual sobre ende- mias e epidemias, não há muito que ser discutido. III – Pandemia: Ocorrência que ultrapassa a fronteira de países ou continentes. I – Endemia: Presença regular e constante de doença em determinado território. IV – Surto: Aumento do número de casos em espaço e tempo delimitados. II – Epidemia: Aumento excessivo do número espe- rado de casos de uma doença em determinada região. V – Sazonalidade: Propriedade que as doenças têm de aumentar ou diminuir o seu número de casos conforme estação do ano. ✔ resposta: ⮦ Questão 2 dificuldade: Comentário: Questão direta e conceitual sobre o uso do diagrama de controle. Esse gráfico serve para o acompanhamento da evolução da incidência ao longo do tempo. Considerando o período dos últimos 10 anos, cal- culam-se a média e o desvio padrão da incidência desse período, para estabelecer um limite a 1,96 desvios padrão de distância da média (faixa que engloba 95% da distribuição). Esse limite se chama limiar endêmico e, caso a incidência fique acima dele, caracteriza-se uma epidemia. A resposta dada pela banca foi a alternativa D. Porém, pelo que acabamos de explicar, a melhor resposta seria a alternativa E. ✔ resposta: ⮪ Questão 3 dificuldade: Comentário: Questão direta e conceitual. Patoge- nicidade é a capacidade do agente infeccioso em causar uma doença em um hospedeiro suscetível. Alternativa A: INCORRETA. Esta é a virulência. Alternativa B: CORRETA. Alternativa C: INCORRETA. Esta é a infectividade. Alternativa D: INCORRETA. Está é a Imunogenicidade. Alternativa E: INCORRETA. Este é o Poder Invasivo. ✔ resposta: ⮧ Questão 4 dificuldade: Alternativa A: INCORRETA. Esta foi a única pande- mia declarada pela OMS nos 10 anos anteriores ao concurso. Alternativa B: INCORRETA. Uma doença não precisa ser necessariamente grave para ser considerada pandemia. Alternativa C: CORRETA. Quando a OMS declarou a pandemia, já havia cerca de 30.000 casos confir- mados em 74 países. Alternativa D: INCORRETA. Vide alternativa C. Alternativa E: INCORRETA. O fim da pandemia não significa que o H1N1 foi eliminado e nem que dei- xou de causar mortes. ✔ resposta: ⮨ Questão 5 dificuldade: Comentário: Questão específica. Você já ouviu falar em Epizootias? Nada mais é do que uma EPIDEMIA; entretanto, em ANIMAIS. ✔ resposta: ⮨ ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Endemia e epidemia Epidemiologia 128 Questão 6 dificuldade: Alternativa A: CORRETA. Se nenhum caso da doen- ça era esperado, a presença de um único caso da doença, transmitido dentro do território, já pode ser considerado uma epidemia. Alternativa B: INCORRETA. Um caso é alóctone quan- do a transmissão ocorreu em um local diferente de onde foi detectado. Então, ainda não ocorreu trans- missão da doença dentro do território. Alternativa C: INCORRETA. A alternativa faz um jogo de palavras para confundir você: “por um período de tempo limitado” está errado; poderia estar cor- reto se escrito como “EM um período de tempo” ou “PARA um período de tempo”. Alternativa D: INCORRETA. Surto é uma ocorrência epidêmica. Alternativa E: INCORRETA. Epidemia é uma elevação brusca da incidência do número de casos, não da prevalência. ✔ resposta: ⮦ Questão 7 dificuldade: Comentário: Epidemia é a elevação súbita do NÚME- RO DE CASOS de uma doença acima do esperado em um determinado local e intervalo de tempo. Alternativa A: INCORRETA. Letalidade é a proporção de mortes causadas pela doença dentre o total de doentes. Alternativa B: INCORRETA. Mortalidade é a propor- ção de mortes causadas pela doença dentro da população. Alternativa C: CORRETA. Incidência é o número de casos novos da doença. Alternativa D: INCORRETA. Virulência é a gravidade da doença, dada por sua letalidadee proporção de sequelas. Alternativa E: INCORRETA. Frequência é uma medida de ocorrência de determinado evento em determi- nada situação. ✔ resposta: ⮨ Questão 8 dificuldade: Comentário: Questão que remete à curva epidêmi- ca e deseja saber qual a última fase na evolução da uma epidemia. A resposta é a regressão; logo, alternativa D. ✔ resposta: ⮩ Questão 9 dificuldade: Comentário: Questão que aborda os conceitos de epidemia. Vamos discutir as alternativas? Alternativa A: CORRETA. Corresponde à definição de epidemia quando o número de casos ultrapassa o esperado (atinge o limiar epidêmico). Alternativa B: INCORRETA. Devemos sempre corre- lacionar com o nível habitual da doença neste de- terminado local. Alternativa C: INCORRETA. Idem ao motivo anterior. Alternativa D: INCORRETA. Se não correlacionarmos com o habitual nunca saberemos se o agravo é uma endemia ou epidemia. ✔ resposta: ⮦ Questão 10 dificuldade: Comentário: Questão meramente conceitual. O enun- ciado apresenta a própria definição de vigilância em saúde. ✔ resposta: ⮩ Questão 11 dificuldade: Comentário: Questão sobre indicadores de saúde. Assustamos um pouco quando olhamos as por- centagens nas alternativas, mas os cálculos nessa questão são bem tranquilos. Primeiro vamos relem- brar os conceitos solicitados na questão: incidência e letalidade. Incidência corresponde ao número de casos novos de determinada doença (no caso da questão a covid-19) sobre uma população em de- terminado tempo. Letalidade corresponde ao nú- mero de óbitos provocado por determinada doença. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Endemia e epidemia Cap . 5 129 Juntando agora as informações do enunciado com os conceitos apresentados, vamos aos cálculos: • Número de CASOS CONFIRMADOS: 904; • Número de ÓBITOS: 27; • População estimada: 11500000. O cálculo fica então: • Incidência: 904/11500000 = 0,0000786087, podendo ser reajustado para 7,86/100000 habi- tantes. – Letalidade: 27 (óbitos)/904 (confirmados) = 0,029, podendo ser reajustado para 2,98%. ✔ resposta: ⮧ Questão 12 dificuldade: Comentário: Questão sobre vigilância em saúde. Vamos revisar os principais tipos de vigilância? A vigilância epidemiológica reconhece as principais doenças de notificação compulsória e investiga epi- demias que ocorrem em territórios específicos. Além disso, age no controle dessas doenças específicas. A vigilância ambiental se dedica às interferências dos ambientes físico, psicológico e social na saúde, por exemplo, controle da água de consumo huma- no, o controle de resíduos e o controle de vetores de transmissão de doenças. As ações de vigilân- cia sanitária dirigem-se, geralmente, ao controle de bens, produtos e serviços que oferecem riscos à saúde da população, como alimentos, produtos de limpeza, cosméticos e medicamentos. Realizam também a fiscalização de serviços de interesse da saúde, como escolas, hospitais, clubes, academias, parques e centros comerciais, e ainda inspecionam os processos produtivos que podem pôr em riscos e causar danos ao trabalhador e ao meio ambiente. Alternativa A: INCORRETA. A obtenção de informa- ções a respeito de determinantes e condicionantes de uma doença integra a vigilância epidemiológica. Alternativa B: CORRETA. Alternativa C: INCORRETA. Não se fala dos bens dis- tribuídos a população ou controle dos estabeleci- mento com intenção de avaliar adesão as medidas de prevenção, etc. Alternativa D: INCORRETA. Conhecer sobre uma doen- ça não faz parte de nenhuma vigilância? Alternativa E: INCORRETA. A toxicovigilância faz parte da vigilância sanitária. ✔ resposta: ⮧ Questão 13 dificuldade: Comentário: De forma geral, essa questão não deve ter sido tão difícil no momento de sua formulação. O que dificulta as questões sobre covid é que temos que saber exatamente quais eram as recomenda- ções no documento em que a questão se baseia. Tivemos diferentes definições do que consideraría- mos caso suspeito ao longo da evolução da pande- mia, por exemplo. Por isso, teremos que nos ater ao que esse documento específico orienta. Alternativa A: INCORRETA. O período de incubação é estimado entre 1 a 14 dias, com mediana de 5 a 6 dias. Alternativa B: CORRETA. Alternativa C: INCORRETA. Para indivíduos com qua- dro de síndrome gripal com confirmação por qual- quer um dos critérios para covid-19, recomenda-se o isolamento, suspendendo-o após 10 dias (não 14 dias) do início dos sintomas, desde que passe 24 horas (não 48 horas) de resolução de febre sem uso de medicamentos antitérmicos e remissão dos sintomas respiratórios. Alternativa D: INCORRETA. Para indivíduos com quadro de síndrome respiratória aguda grave com confir- mação por qualquer um dos critérios para covid-19, recomenda-se o isolamento, suspendendo-o após 20 dias (não 21 dias) do início dos sintomas ou após 10 dias (não 14 dias) com resultado RT-PCR negativo, desde que passe 24 horas de resolução de febre sem uso de medicamentos antitérmicos e remissão dos sintomas respiratórios, mediante avaliação médica. ✔ resposta: ⮧ Questão 14 dificuldade: Comentário: Questões que envolvem covid-19 reque- rem que estejamos sempre atualizados. Vamos ver cada uma das alternativas: ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Endemia e epidemia Epidemiologia 130 Alternativa A: INCORRETA. A transmissão por conta- to com superfícies contaminadas é possível, mas já sabemos que configura risco muito menor se comparado com a via respiratória. Alternativa B: CORRETA. No início da pandemia não havia certeza se a covid-19 era transmitida apenas por gotículas ou por aerossóis. A OMS já reconheceu que a transmissão por aerossóis existe, o que torna ainda mais perigosa a interação de pessoas sem máscara em ambientes fechados e mal ventilados. Alternativa C: INCORRETA. Nenhuma forma de pre- venção confere proteção integral contra a infecção. Alternativa D: INCORRETA. Algumas pesquisas apon- tam que a umidade do ar interfere, sim, na trans- missão da covid-19. Alternativa E: INCORRETA. Temos uma mortalidade muito alta pela covid-19, mas sua letalidade não é uma das mais altas que se conhece. ✔ resposta: ⮧ ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 131 Capítulo 6 HISTÓRIA DO SUS E LEIS ORGÂNICAS DA SAÚDE O QUE VOCÊ PRECISA SABER? u A saúde no Brasil, antes do SUS, era centralizada, privatista, curativista, hospitalocêntrica e excludente. u A Reforma Sanitária e a VIII Conferência Nacional de Saúde de 1986 nortearam os princípios que incor- porariam o SUS. u Os princípios doutrinários do SUS são universalidade, integralidade e equidade. u A Lei nº 8.080 dispõe sobre o funcionamento do SUS e as competências das diferentes esferas (federal, estaduais e municipais). u A Lei nº 8.142 dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do SUS e a transferência de recursos. 1. INTRODUÇÃO O Sistema Único de Saúde (SUS) é um dos maiores e mais complexos sistemas de saúde pública do mundo. Quando falamos em SUS, estamos falando sobre um rol gigantesco de serviços, mas também nos referimos a seus princípios e diretrizes, além de todas as estruturas físicas e administrativas que compõem o sistema. Em muitas provas, as questões sobre o SUS são geralmente mais comuns na parte referente à medi- cina preventiva. Muitos aspectos do sistema podem ser cobrados: legislação, financiamento, atenção pri- mária e, por vezes, a história da assistência médica e dos serviços de saúde no Brasil. As questões específicas sobre a história do SUS são pouco comuns, mas o conhecimento do tema é essencial para a prova e para a vida. Conhecendo os modelos de assistência à saúde anteriores ao esta- belecimento do SUS, você vai poder compreender de onde vêm os princípios do SUS e por que o sistema funciona da forma que funciona. Essa compreensão auxilia muito naquelas questões um pouco maissubjetivas, que parecem não se encaixar perfeita- mente em nenhum dos temas que você estudou separadamente. 2. A HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA Hoje o SUS está disponível para todas as pessoas no Brasil. Podemos, ainda, apontar muitos problemas no sistema, mas sabemos que ele está lá, gratuito e universal. Será que a saúde no Brasil sempre teve um equivalente ao SUS? Vamos fazer um apanhado histórico, desde o “des- cobrimento” do Brasil até a Constituição de 1988, revisando a evolução da assistência à saúde no país e destacando alguns dos seus principais marcos históricos. importância/prevalência ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História do SUS e leis orgânicas da saúde Saúde coletiva 132 DICA Não há necessidade de tentar me- morizar todos esses marcos históricos. O importante é seguir com sua leitura e aprender como era a assistência à saúde no Brasil antes do SUS, para assim com- preender de onde saíram os princípios que norteiam o sistema. 2 .1 . DESCOBRIMENTO AO IMPÉRIO Como eram as condições de saúde da época? u falta de saneamento básico u mortes por doenças infectocontagiosas. Como era a assistência à saúde? u curandeirismo u medicina liberal (tinha acesso aos cuidados mé- dicos quem podia pagar a consulta do médico particular) u medicamentos importados. Os problemas de saúde eram muitos e o cuidado, muito pouco. A maioria da população, que ainda era composta por escravos, povos indígenas e portugueses, não tinha assistência médica. Quando tinha, ficava basicamente à mercê do curandei- rismo, reflexo da cultura indígena e dos jesuítas. Os medicamentos eram produzidos em Portugal e vinham de navio, o que fazia com que os preços fossem muito altos. 2 .2 . REPÚBLICA VELHA Condições de saúde: u mortes por doenças infectocontagiosas: W febre amarela, tuberculose, varíola, peste, có- lera, malária u pouco saneamento básico u aglomerações urbanas u crescimento da indústria. A vacinação para doenças como febre amarela e varíola tornou-se obrigatória, o que gerou revolta entre a população do Rio de Janeiro, a famosa Revolta da Vacina. Oswaldo Cruz, idealizador do projeto que gerou essa obrigatoriedade, era o diretor geral de Saúde Pública. Percebeu que não falamos ministro da Saúde? Pois bem, não havia ainda Minis- tério da Saúde. Além disso, a indústria estava ganhando força e começávamos a ter aglomerações em centros urbanos. As demandas da população, portanto, passaram a ser outras. Surgiram as primeiras greves e reivindicações sobre legislações trabalhistas e previdenciárias. Assim surgem as Caixas de Apo- sentadorias e Pensões. 2 .2 .1 . Caixas de Aposentadorias e Pensões (CAPS) De forma didática, como funcionavam essas cai- xas? O trabalhador recebia seu salário, separava uma parte e “depositava” nessas caixas. Nelas, havia dinheiro de muitos trabalhadores da mesma empresa ou instituição. Caso algum trabalhador precisasse desse dinheiro para cuidados médicos, pegava dessa caixa e pagava pela assistência. Ou seja, a assistência médica continuava sendo apenas liberal. Além disso, era excludente, já que só tinha acesso à Caixa quem era trabalhador da empresa e realizava a contribuição. Sobre as CAPS, destacamos as seguintes carac- terísticas: u implementadas pela Lei Eloy Chaves (1923) u primeiras categorias: portuários e marítimos u custeavam serviços funerários, urgências e me- dicamentos u forneciam assistência para acidentes de trabalho. DICA Cuidado para não confundir Caixas de Aposentadorias e Pensões com Centro de Atenção Psicossocial, visto que a sigla para ambos é CAPS. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História do SUS e leis orgânicas da saúde Cap . 6 133 BASES DA MEDICINA Além das CAPS e da medicina liberal, as Santas Casas forneciam alguma assistência aos mais necessitados, porém em uma abrangência muito menor do que o SUS oferece hoje. E o Estado? Basicamente se preocupava com algu- mas medidas de saneamento e vacinação. 2 .3 . ERA VARGAS Esse período foi marcado por maior centralização política. As CAPS viraram os Institutos de Aposen- tadorias e Pensões (IAPS) 2 .3 .1 . Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPS) As Caixas se expandiram. Deixaram de atender apenas a empresas específicas e então havia gran- des caixas de categorias inteiras de trabalhadores. Tornaram-se autarquias federais controladas pelo Estado, mas tratava-se, ainda, do mesmo tipo de assistência dada anteriormente. Sobre os IAPS, destacamos as seguintes caracte- rísticas: u podemos compreender os IAPS como CAPS que se “juntaram” a partir das categorias de tra- balhadores u representavam categorias de trabalhadores (ban- cários e comerciários, por exemplo) u tornaram-se autarquias federais u começaram a construir hospitais que ainda pres- tavam assistência, apenas, à categoria a que aquele determinado instituto servia. BASES DA MEDICINA E a Saúde Pública? W Combate a doenças transmissíveis W Medicina excludente. W Criação do Ministério da Saúde em 1953 2 .4 . DITADURA MILITAR Os IAPS se “unificaram”, tornando-se o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS). 2 .4 .1 . Instituto Nacional de Previdência Social O INPS foi criado a partir da reforma previdenciária. Apenas os trabalhadores formais contemplados pelos antigos IAPS tinham acesso à assistência fornecida pelo INPS. Outros trabalhadores até pode- riam adquirir essa assistência, mas precisariam contribuir por fora com um valor superior àquele cobrado comumente. Sobre o INPS: u prestava uma assistência ainda excludente u oferecia uma rede de assistência insuficiente u financiava o setor privado: W fornecia verba pública para expansão do se- tor privado W comprava serviços do mesmo setor privado u recursos eram usados para outros fins, como a ponte Rio-Niterói. u foram descobertas muitas fraudes no uso do dinheiro. O dinheiro estava sendo mal investido, o que fez com o que INPS ficasse sem verba. Surgiu então o Instituto Nacional da Assistência Médica e Previ- dência Social (INAMPS). 2 .4 .2 . Instituto Nacional da Assistência Médica e Previdência Social (INAMPS) O INAMPS ainda utilizava o setor privado como rede de assistência, mas havia um pagamento máximo para os serviços médicos prestados. O Estado contratava um pacote de serviços: um número X de radiografias, consultas clínicas, cirurgias de apendicite etc. Cada serviço tinha um determinado código. Após algum tempo, muitas fraudes foram observadas nesses códigos. Ou seja, se reclama- mos de corrupção e fraude envolvendo o Sistema de Saúde atualmente, é bom que saibamos que isso não é exclusividade da nossa época. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História do SUS e leis orgânicas da saúde Saúde coletiva 134 Por fim, como era o modelo de assistência à saúde ao final da ditadura militar: u excludente u privatista u hospitalocêntrico u curativista u centralizado. 2 .5 . REFORMA SANITÁRIA A Reforma Sanitária foi um movimento ocorrido na década de 1970 que envolveu, além de profissio- nais da área de saúde, ampla participação popular. O movimento reivindicava algumas mudanças no modelo assistencial, como podemos ver abaixo: u excludente → universal W Todos deveriam ter acesso à assistência. u privatista → participação social W Os usuários deveriam participar da elaboração e fiscalização dos programas e atividades. u curativista → preventiva W Deveríamos passar a nos preocupar com a prevenção de doenças e promoção de saúde. u centralizado → descentralização W Cada município deveria ter a capacidade de gerir a assistência à saúde conforme suas prioridades. 2 .6 . VIII CONFERÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE O principal marco desse movimento foi a VIII Con- ferência Nacional de Saúde de 1986. Sobre essa conferência: u houve participação de usuários, não só de pro- fissionaisu formulou-se um novo modelo de sistema de saú- de, com as seguintes características: W saúde deve ser entendida como dever do Es- tado e direito do cidadão W o financiamento deve ser setorial W o sistema a ser formulado deve ser nacional → Sistema Nacional de Saúde u Discutiu-se a necessidade de reformar a legisla- ção vigente e o próprio conceito de saúde. 2 .7 . CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 u Estabeleceu a saúde como direito social: W direito de todos e dever do Estado u implementou um sistema de saúde nacional, único e organizado u formulou os princípios, o modelo de financiamen- to e de gestão desse sistema. A Constituição estabeleceu que teríamos um sis- tema unificado e nacional de saúde. O Sistema Único de Saúde, entretanto, só foi efetivamente fundado e operacionalizado pela Lei nº 8.080, em 1990, que veremos adiante. O SUS já estava previsto na Constituição, mas a forma como esse sistema funcionaria ainda preci- sava ser mais bem discutida e implementada. Os próximos grandes marcos no desenvolvimento do SUS foram as Leis Orgânicas da Saúde. DICA Consideramos, portanto, a imple- mentação das Leis Orgânicas da Saúde como o marco do “nascimento” do SUS. 3. AS LEIS ORGÂNICAS DA SAÚDE 3 .1 . LEI Nº 8 .080/1990 Podemos afirmar que o SUS foi efetivamente criado a partir da Lei nº 8080, em 1990. O início dessa lei reforça o que já tinha sido apresentado na Consti- tuição de 1988: “A saúde é um direito fundamental do ser humano, devendo o Estado prover as condições indispensá- veis ao seu pleno exercício”. Do que trata essa lei? ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História do SUS e leis orgânicas da saúde Cap . 6 135 “Dispõe sobre as condições para a promoção, pro- teção e recuperação da saúde, a organização dos serviços correspondentes e dá outras providências”. Em resumo, ela estabelece os seguintes deveres do Estado: u reduzir riscos de agravos u estabelecer condições para acesso universal, promoção, proteção e recuperação u não exclui deveres de outros agentes (família, empresas, sociedade etc.). Determina, também, alguns objetivos do SUS: u identificar fatores determinantes e condicionan- tes de saúde u formular políticas u dar assistência (promoção, proteção e recupe- ração). Estão incluídos no campo de atuação do Sistema a execução de ações de: u vigilância sanitária u vigilância epidemiológica u saúde do trabalhador u assistência terapêutica u orientação alimentar u proteção do meio ambiente u desenvolvimento científico. Um dos pontos mais importantes da Lei nº 8.080 é a instituição dos Princípios do SUS. 3 .1 .1 . Princípios do SUS 1. Universalidade: todos têm acesso aos serviços em qualquer nível de assistência. 2. Integralidade: conjunto articulado de ações e serviços curativos e preventivos, individuais e coletivos. Basicamente, deve considerar todos os aspectos que podem influenciar a saúde de um indivíduo. 3. Autonomia: as pessoas têm autonomia na defesa de sua integridade física e moral. 4. Igualdade: assistência sem preconceitos ou privilégios. 5. Direito à informação: as pessoas têm direito à informação sobre sua saúde. 6. Divulgação de informações: a sociedade tem o direito de saber sobre políticas e serviços do sistema. 7. Utilização da epidemiologia para estabelecer prioridades: são os dados da própria população que devem guiar as ações. 8. Participação da comunidade: usuários devem participar das decisões (mais bem explorado na Lei nº 8.142). 9. Descentralização: esferas estaduais e municipais atuam ativamente. 10. Integração saúde-ambiente-saneamento. 11. Conjugação de recursos: conjugação entre esfe- ras do poder de recursos tecnológicos, financei- ros, humanos etc. 12. Resolubilidade. 13. Evitar duplicidade de meios: evitar meios dife- rentes para alcançar a mesma finalidade. 14. Atendimento específico para mulheres e vítimas de violência. E a famosa equidade? O princípio da equidade foi discutido posteriormente, não tendo sido citado na Lei nº 8.080. Por equidade, entende-se a necessidade de tratar os diferentes de forma diferente. O obje- tivo deste princípio é a redução das desigualdades, reconhecendo as diferenças nas condições de vida e de saúde das pessoas, devendo o sistema ser capaz de atender à diversidade. Como são organizados os princípios do SUS? 3.1.1.1. Princípios doutrinários u universalidade u integralidade u equidade 3 .1 .2 . Princípios organizativos u participação social u resolubilidade ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História do SUS e leis orgânicas da saúde Saúde coletiva 136 u complementariedade do setor privado u descentralização u regionalização u hierarquização. Essa organização dos princípios também não foi introduzida na Lei nº 8.080. Por hierarquização entende-se a divisão da assis- tência em níveis de atenção: atenção primária, secundária e terciária. Por regionalização entende-se a garantia do direito à saúde da população, reduzindo as desigualdades sociais e territoriais por meio da identificação e reconhecimento das regiões de saúde. 3 .1 .3 . Da organização, direção e gestão Outras atribuições da Lei nº 8.080 dizem respeito à organização do SUS, tais como: u determinou os responsáveis em cada esfera: W União → Ministério da Saúde W Estados → secretarias estaduais de saúde W Municípios → secretarias municipais de saúde. u Iniciou a discussão sobre os consórcios entre municípios (municípios trocando serviços ou se utilizando de uma rede de assistência interligada). u Iniciou discussão sobre comissões e conselhos de saúde (haverá mais detalhamento na Lei nº 8.142). 3 .1 .4 . Da competência e das atribuições 3.1.4.1. Comuns (união, estados e municípios) u controle e avaliação da qualidade da assistência u gestão de recursos u saúde do trabalhador u proteção ao meio ambiente u implementação do Sistema Nacional de Sangue, hemocomponentes e hemoderivados u estabelecimento e cumprimento dos padrões éticos u fomento ao ensino e à pesquisa. 3.1.4.2. União u formular políticas sobre meio ambiente, sanea- mento, alimentação e trabalho u definir e coordenar os sistemas de saúde u definir normas sobre meio ambiente, trabalho, vigilância epidemiológica e sanitária, qualidade de serviços, produtos e profissionais u estabelecer critérios de avaliação u promover a descentralização u elaborar planejamentos futuros u executar vigilância em portos, aeroportos e fronteiras u A União pode executar ações de vigilância em circunstâncias especiais (covid-19, por exemplo). DICA A União basicamente ELABORA e DEFINE. A União executa poucas ações. Lembre-se, entretanto, que a vigilância de portos, aeroportos e fronteiras é realizada pela União através da Anvisa. 3.1.4.3. Estados u descentralização para municípios u apoio técnico e financeiro aos municípios u coordenar ações de vigilância epidemiológica e sanitária, alimentação e saúde do trabalhador u gerir sistemas públicos de alta complexidade u coordenar rede de laboratórios e hemocentros u formular e estabelecer normas em caráter su- plementar. DICA Estados, basicamente, AUXILIAM e COORDENAM. 3.1.4.4. Municípios u gerir e executar os serviços públicos de saúde u participar do planejamento de ações ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História do SUS e leis orgânicas da saúde Cap . 6 137 u executar serviços de vigilância, saneamento, saúde do trabalhador, alimentação, nutrição e atenção primária u executar políticas de insumos. u controlar e fiscalizar o serviço privado. DICA Municípios PARTICIPAM e EXE- CUTAM. Vale ler a Lei nº 8.080 na íntegra. Podemos aprender muito sobre o funcionamento do SUS a partir da leitura dessa lei. 3 .2 . LEI Nº 8 .142/1990 A Lei nº 8.142 de 1990 “Dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do SUSe sobre as transfe- rências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde e dá outras providências”. Ou seja, os dois principais pontos dessa lei são: u participação da comunidade u transferência de recursos. Sobre participação na comunidade: Art. 1º: O SUS contará com: u Conselho de Saúde u Conferências de Saúde. Sobre a Lei nº 8.142 é essencial lembrar que ela regulamentou a PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE, principalmente a partir dos CONSELHOS DE SAÚDE e das CONFERÊNCIAS DE SAÚDE. 3 .2 .1 . As Conferências de Saúde u reúnem-se a cada quatro anos. u contam com representação de vários segmentos. W 50% dos representantes são usuários do sis- tema de saúde. u avaliam a situação de saúde u propõem e formulam políticas de saúde u são convocadas pelo poder executivo W extraordinariamente podem ser convocadas pelos Conselhos de Saúde. Essa participação de 50% dos usuários é o que chamamos de representação paritária de usuários, ou da comunidade. Temos conferências nos níveis municipal, estadual e nacional. 3 .2 .2 . Os Conselhos de Saúde u contam com representação de vários segmentos W 50% são usuários do sistema de saúde. u reúnem-se mensalmente u formulam estratégias u controlam a execução das políticas de saúde. u têm caráter permanente e deliberativo Temos conselhos nos níveis local, municipal, esta- dual e nacional. 3.2.2.1. O Conselho Nacional de Saúde u representação: W CONASS = Conselho Nacional de Secretários de Saúde. W CONASEMS = Conselho Nacional de Secretá- rios Municipais de Saúde. W 50% de usuários. 3 .2 .3 . Fundo Nacional de Saúde Além da participação popular, a Lei nº 8.142 dispõe sobre algumas regulamentações dos recursos destinados ao SUS. O Fundo Nacional de Saúde, por exemplo, foi implementado a partir dessa lei. É nesse fundo que fica o dinheiro que deve ser usado para: u despesas de custeio e capital do Ministério da Saúde u investimentos previstos em lei orçamentária u investimentos previstos no Plano Quinquenal (plano de governo de Fernando Collor) u cobertura de ações e serviços de saúde a serem implementados por municípios, Estados e DF. W Repasse regular e automático W 70% do total deve ser destinado aos municípios W municípios podem estabelecer consórcios. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História do SUS e leis orgânicas da saúde Saúde coletiva 138 Critérios para repasse desse valor: u perfil demográfico e epidemiológico da população u características da rede de saúde na área u desempenho técnico, econômico e financeiro no período anterior. Para receberem esses recursos, os Estados, muni- cípios e DF devem ter, entre outros: u fundo de saúde u conselho de saúde u plano para a saúde na localidade u relatórios de gestão. 4. SISTEMA DE SAÚDE SUPLEMENTAR O setor de saúde suplementar é composto por operadoras de planos privados de assistência à saúde, por uma rede de prestadores de serviços (hospitais, clínicas, laboratórios e consultórios) e pelos beneficiários de planos de saúde. Entende-se que cabe ao setor privado organizar-se de forma complementar ao público. Logo, a saúde suplemen- tar não é desvinculada do entendimento global do funcionamento do SUS. Em 2020, havia quase 50 milhões de beneficiários de planos privados de assistência médica no Brasil. 4 .1 . LEI Nº 8 .080 – EM RELAÇÃO AOS SERVIÇOS PRIVADOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE 4 .1 .1 . Do funcionamento Art. 20. Os serviços privados de assistência à saúde caracterizam-se pela atuação, por iniciativa própria, de profissionais liberais, legalmente habilitados, e de pessoas jurídicas de direito privado na promoção, proteção e recuperação da saúde. Art. 21. A assistência à saúde é livre à iniciativa privada. Art. 22. Na prestação de serviços privados de assistência à saúde, serão observados os princí- pios éticos e as normas expedidas pelo órgão de direção do Sistema Único de Saúde (SUS) quanto às condições para seu funcionamento. Art. 23. É vedada a participação direta ou indireta de empresas ou de capitais estrangeiros na assistência à saúde, salvo através de doações de organismos internacionais vinculados à Organização das Nações Unidas, de entidades de cooperação técnica e de financiamento e empréstimos. § 1º. Em qualquer caso é obrigatória a autorização do órgão de direção nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), submetendo-se a seu controle as ati- vidades que forem desenvolvidas e os instrumentos que forem firmados. § 2º. Excetuam-se do disposto neste artigo os ser- viços de saúde mantidos, em finalidade lucrativa, por empresas, para atendimento de seus empre- gados e dependentes, sem qualquer ônus para a seguridade social. 4 .1 .2 . Da participação complementar Art. 24. Quando as suas disponibilidades forem insuficientes para garantir a cobertura assistencial à população de uma determinada área, o Sistema Único de Saúde (SUS) poderá recorrer aos serviços ofertados pela iniciativa privada. Parágrafo único. A participação complementar dos serviços privados será formalizada mediante contrato ou convênio, observadas, a respeito, as normas de direito público. Art. 25. Na hipótese do artigo anterior, as entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos terão prefe- rência para participar do Sistema Único de Saúde. A crise na saúde decorrente da pandemia provocada pela covid-19 trouxe um exemplo do SUS recorrendo aos serviços ofertados pela iniciativa privada. Alguns Estados precisaram formalizar contratos com hos- pitais privados para utilizar os leitos de UTI para atender à população. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História do SUS e leis orgânicas da saúde Cap . 6 139 4 .2 . MARCOS REGULATÓRIOS 4 .2 .1 . Lei nº 9 .656/1998 Na década de 1990 o setor suplementar cresceu desordenadamente. Isso levou à aprovação da Lei nº 9.656/98, que dispõe sobre a regulamentação dos planos e seguros privados de assistência à saúde. 4 .2 .2 . Lei nº 9 .961/2000 Criação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), autarquia vinculada ao Ministério da Saúde para defender o interesse público na assistência à saúde suplementar. 4.2.2.1. Algumas das competências da ANS são u definição e regulamentação da conceituação de doenças e lesões preexistentes, para fins de planos e seguros de saúde u definição de rol de procedimentos de cobertura mínima obrigatória u criação de regras para a manutenção do plano de saúde para aposentados e demitidos u definição de regras para ressarcimento ao SUS, dos eventos cobertos pelos produtos comercia- lizados que foram financiados pelo SUS u obrigação de as operadoras prorrogarem auto- maticamente os contratos e planos de saúde, sem cobrança de taxas u definição de faixas etárias para fins de reajuste, regulamentando preços em função da idade. Configurou-se de forma inequívoca a política de solidariedade na distribuição de receitas, não só ́ entre doentes e sadios, mas também entre as diversas faixas etárias conhecida como “pacto intergeracional” u definição do atendimento às urgências e emer- gências u regulamentação do atendimento em urgências e emergências para os planos e seguros das di- versas segmentações u regulamentação dos reajustes nos preços dos planos de saúde. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História do SUS e leis orgânicas da saúde Saúde coletiva 140 Mapa mental. História do SUS e leis orgânicas da saúde História do SUS e leis orgânicas da saúde Lei nº 8.080 Lei nº 8.142 Princípios do SUS Doutrinários Organizativos Universalidade Descentralização Igualdade Integridade Hierarquização Participação Social Equidade Regionalização Resolubilidade Complementaridade do setor privado Atribuições Ministério da Saúde Secretarias Estaduais Secretarias Municipais Elaborar e Definir Auxiliar e Coordenar Participar e Executar Reuniãomensal Reunião a cada 4 anos 50% de usuários 50% de usuários Controlar execução de políticas Formular políticas Formular estratégias Avaliar situação de saúde Conselhos de Saúde Conferências de Saúde Participação Comunitária Transferências de recursos Regular e automático Fundos de saúde continua… ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História do SUS e leis orgânicas da saúde Cap . 6 141 Mapa mental. História do SUS e leis orgânicas da saúde (continuação) História do SUS Saúde suplementar Caixa de Aposentadorias e Pensões Assistência livre à iniciativa privada Instituto de Aposentadorias e Pensões Instituto Nacional de Previdência Social Participação complementar Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social Saúde pré-SUS Reforma Sanitária VIII Conferência Nacional de 1986 Curativista Filantrópico > Sem fim lucrativo > Com fim lucrativo Excludente Privativa Hospitalocêntrica Centralizada …continuação ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História do SUS e leis orgânicas da saúde Saúde coletiva 142 REFERÊNCIAS 1. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para assuntos jurídicos. Fernando Collor. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. 2. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para assuntos jurídicos. Fernando Collor. Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990. 3. Chagas J, Torres R. Oitava Conferência Nacional de Saúde: o SUS ganha forma. EPSJV/Fiocruz, 2008. 4. Menicucci TM. História da reforma sanitária brasileira e do Sistema Único de Saúde: mudanças, continuidades e agenda atual. História, Ciências e Saúde, 2014. 5. Souza RR. O Sistema Público de Saúde Brasileiro. Minis- tério da Saúde, Brasil, 2002. 6. Santos NR. SUS 30 anos: o início, a caminhada e o rumo. Ciência Saúde Coletiva, 2018. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História do SUS e leis orgânicas da saúde Cap . 6 143 QUESTÕES COMENTADAS Questão 1 (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – SP – 2018) A Lei nº 8.142 de 1990 define a organização das instâncias de con- trole social que devem ser instituídas pelo Sistema Único de Saúde nas diferentes esferas de governo. Dentre as alternativas abaixo, qual está correta sobre a forma de organização dessas instâncias? ⮦ A Conferência de Saúde deve se reunir a cada dois anos com a representação dos vários seg- mentos sociais, para avaliar a situação de saú- de, deliberar e constituir a política de saúde nos níveis correspondentes. ⮧ O controle social relacionado ao SUS é centrado nas ouvidorias, responsáveis pelas sugestões e críticas de usuários nos serviços. Elas têm papel estratégico na participação efetiva da população, por constituir um canal de comunicação acessível. ⮨ Os Conselhos de Saúde são órgãos permanen- tes e deliberativos e se organizam em colegia- dos compostos por representantes do governo, prestadores de serviço, profissionais de saúde e usuários. Atuam na formulação de estratégias e no controle da execução da política de saúde. ⮩ Os Conselhos de Saúde são instâncias de con- trole social ligado ao legislativo de cada esfera de governo. Têm o papel de regular o acesso da população aos serviços, participar ativamente da gestão do sistema de saúde e analisar a política nos aspectos econômicos e financeiros. Questão 2 (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – SP – 2021) Uma paciente HIV-positiva está em tratamento e tem um plano de saúde oferecido pela empresa na qual trabalha. Ela é acompanhada por infectologista em consul- tório particular e realiza exames cobertos por seu convênio médico. Todos os meses, a paciente re- tira gratuitamente medicamentos antirretrovirais dispensados por serviço público de referência do Sistema Único de Saúde (SUS). Qual é o princípio do SUS que garante às pessoas o acesso a esses medicamentos? ⮦ equidade ⮧ ressarcimento ⮨ universalidade ⮩ hierarquização. Questão 3 (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – SP – 2019) Assinale a alter- nativa que corresponde a uma diretriz organizativa e constitucional do SUS: ⮦ descentralização com direção única em cada esfera de governo ⮧ atendimento universal, com garantia de acesso a toda a população ⮨ atendimento integral, com atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais ⮩ equidade da atenção, compondo setor público e privado. Questão 4 (SECRETARIA DE ESTADO DE SÃO PAULO – SP – 2021) Os con- selhos de saúde do SUS: ⮦ têm 50% dos membros indicados pelos gestores e 50% por setores da sociedade ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História do SUS e leis orgânicas da saúde Saúde coletiva 144 ⮧ têm caráter deliberativo ⮨ têm rodízio na presidência de quatro em quatro meses ⮩ têm, obrigatoriamente, a participação de sindi- catos de hospitais ⮪ foram extintos em 2019. Questão 5 (UNIFESP – SP – 2020) Com base nos preceitos que re- gulamentam a saúde na Constituição Federal de 1988, assinale a alternativa correta: ⮦ Em caso de acidentes de trabalho, o acesso às ações de saúde para a recuperação é condicio- nado à contribuição para a seguridade social. ⮧ Desempregados e imigrantes têm acesso so- mente aos serviços filantrópicos conveniados com o Sistema Único de Saúde. ⮨ Todos os imigrantes domiciliados no Brasil têm direito à assistência à saúde por meio do Siste- ma Único de Saúde. ⮩ A responsabilidade do Estado é circunscrita à atenção à saúde das populações carentes. ⮪ Estrangeiros (turistas ou visitantes a trabalho) não podem ter assistência à saúde por meio do Sistema Único de Saúde. Questão 6 (UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA – SP – 2021) Nos ter- mos da Lei nº 8.142, de 28/12/1990, os conselhos de saúde devem ter: ⮦ atuação na formulação de estratégias da política de saúde, excluídos os aspectos econômicos e financeiros ⮧ caráter permanente e consultivo ⮨ composição paritária entre representantes do governo e profissionais de saúde ⮩ decisões homologadas pelo chefe do poder le- galmente constituído em cada esfera do governo. Questão 7 (SECRETARIA DO ESTADO DE SAÚDE – DF – 2021) O rastreio e o diagnóstico precoce de neoplasias fazem parte do atendimento na rede de atenção primária. Conside- rando isso, suponha que uma mulher de 53 anos de idade procure uma unidade básica de saúde para realização de exames de rotina e o médico da aten- ção primária perceba, na face dela, uma pequena lesão papulosa, de cor rósea, aspecto “perolado”, com finos vasos em sua superfície. Ao ser questio- nada, a paciente informa que essa lesão apresenta crescimento lento e progressivo. Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue os itens a seguir. O aten- dimento realizado, que leva em conta a prevenção, a cura e a reabilitação de doenças, respeita o princípio da integralidade do Sistema Único de Saúde. ⮦ CERTO ⮧ ERRADO Questão 8 (CASA DE SAÚDE NOSSA SENHORA DO CARMO – RJ – 2015) Uma característica marcante do período pré-SUS foi a existência de Caixas de Aposentadorias e Pensões (CAPS). Comparando esse momento com o momento atual, pós-constituição do SUS é possível afirmar: ⮦ A assistência à saúde no período anterior ao SUS se concentrava nos hospitais e cada categoria profissional possuía seu instituto de referência. ⮧ A garantia do acesso universal ao usuário man- teve-se ao longo do tempo, diferindo apenas o tipo de oferta de serviço de saúde. ⮨ As medidas de prevenção à saúde não estavam incluídas no período anterior à constituição das Caixas de Aposentadoria e Pensões. ⮩ A integralidade era uma preocupação já existente desde o período das Caixas de Aposentadorias e Pensões, mas sua materialização se dava no contexto hospitalar. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História do SUS e leis orgânicas da saúde Cap . 6 145 Questão 9 (SES – PE –2018) Um conjunto articulado e contínuo das ações e serviços preventivos, curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em todos os níveis de complexidade do sistema, é um princípio do SUS conhecido como: ⮦ universalidade ⮧ integralidade ⮨ igualdade ⮩ equidade. ⮪ descentralização. Questão 10 (INSTITUTO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA AO SERVIDOR PÚBLICO ES- TADUAL – SP – 2021) A regulamentação e a coordenação do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica no Brasil são de responsabilidade: ⮦ direta do Ministério da Saúde ⮧ direta do Ministério da Saúde e das secretarias estaduais de saúde ⮨ direta da Agência Nacional de Vigilância Sani- tária (Anvisa) ⮩ indireta do Ministério da Saúde ⮪ indireta da Anvisa. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História do SUS e leis orgânicas da saúde Saúde coletiva 146 GABARITO E COMENTÁRIOS Questão 1 dificuldade: Alternativa A: INCORRETA. A Conferência de Saúde se reúne a cada quatro anos. Alternativa B: INCORRETA. O controle social no SUS é centrado nos Conselhos de Saúde. Alternativa C: CORRETA. Alternativa D: INCORRETA. Os Conselhos de Saúde não estão ligados ao Legislativo. ✔ resposta: ⮨ Questão 2 dificuldade: Comentário: Questão tranquila sobre os princípios do SUS. Traz o caso de uma paciente HIV positiva que faz seu acompanhamento com médico parti- cular, porém faz uso dos antirretrovirais disponíveis pelo SUS. Que princípio representa esse acesso a todas as pessoas, independentemente de ter ou não convênio? A universalidade. ✔ resposta: ⮨ Questão 3 dificuldade: Comentário: Universalidade, integralidade e equida- de são os princípios fundamentais, ou doutrinários. As alternativas B, C e D, portanto, estão incorretas. A descentralização é um dos princípios organiza- tivos do SUS. ✔ resposta: ⮦ Questão 4 dificuldade: Comentário: A Lei nº 8.142, de 1990, estabelece os conselhos de saúde e descreve essa instância colegiada da seguinte maneira: “O Conselho de Saúde, em caráter permanente e deliberativo, órgão colegiado composto por representantes do gover- no, prestadores de serviço, profissionais de saúde e usuários, atua na formulação de estratégias e no controle da execução da política de saúde na instância correspondente, inclusive nos aspectos econômicos e financeiros, cujas decisões serão ho- mologadas pelo chefe do poder legalmente consti- tuído em cada esfera do governo”. Alternativa A: INCORRETA. 50% dos representantes são usuários dos serviços de saúde. Alternativa B: CORRETA. Alternativa C: INCORRETA. Os mandatos da presidên- cia não duram quatro meses. Alternativa D: INCORRETA. Sindicatos de hospitais podem participar como prestadores de serviços, mas não há essa obrigatoriedade. Alternativa E: INCORRETA. Os conselhos de saúde não foram extintos. ✔ resposta: ⮧ Questão 5 dificuldade: Alternativa A: INCORRETA. O acesso é universal, não sendo condicionado à contribuição para a seguri- dade social. Alternativa B: INCORRETA. O acesso é universal, abran- gendo desempregados e imigrantes, que podem ser atendidos em toda a rede do SUS. Alternativa C: CORRETA. Não são apenas os imi- grantes domiciliados no Brasil que têm direito à assistência pelo SUS, mas não é isso que a alter- nativa está dizendo. É correto afirmar que todos ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História do SUS e leis orgânicas da saúde Cap . 6 147 os imigrantes domiciliados no Brasil têm direito à assistência pelo SUS. Alternativa D: INCORRETA. Todos têm acesso ao SUS, não sendo a responsabilidade do Estado circuns- crita, ou limitada, aos mais carentes. Alternativa E: INCORRETA. Estrangeiros podem ter assistência pelo SUS. ✔ resposta: ⮨ Questão 6 dificuldade: Comentário: A Lei nº 8.142, de 1990, estabelece os conselhos de saúde e descreve essa instância co- legiada da seguinte maneira: “O Conselho de Saú- de, em caráter permanente e deliberativo, órgão colegiado composto por representantes do gover- no, prestadores de serviço, profissionais de saúde e usuários, atua na formulação de estratégias e no controle da execução da política de saúde na instância correspondente, inclusive nos aspectos econômicos e financeiros, cujas decisões serão ho- mologadas pelo chefe do poder legalmente consti- tuído em cada esfera do governo”. Alternativa A: INCORRETA. Os aspectos econômico e financeiro também são analisados pelos Conse- lhos de Saúde. Alternativa B: INCORRETA. Os conselhos de saúde têm caráter permanente e deliberativo, não consultivo. Alternativa C: INCORRETA. A composição paritária é de usuários, ou seja, 50% dos participantes dos conselhos de saúde são usuários do sistema. Alternativa D: CORRETA. ✔ resposta: ⮩ Questão 7 dificuldade: Comentário: Podemos entender o princípio da inte- gralidade como o “conjunto articulado de ações e serviços curativos e preventivos, individuais e co- letivos”. Ou seja, é esse o princípio que nos orienta acerca da assistência voltada à prevenção, à cura e à reabilitação dos pacientes. ✔ resposta: ⮦ Questão 8 dificuldade: Comentário: No período pré-SUS, a medicina era excludente. Especificamente durante o início do século XX, em que o modelo de saúde envolvia as Caixas de Aposentadorias e Pensões (CAPS), tra- balhadores formais de determinadas categorias contribuíam com parte do seu salário para essas Caixas. Caso houvesse necessidade de algum in- ternamento ou consulta, o valor seria pago a partir do montante disponível. Alternativa A: CORRETA. Alternativa B: INCORRETA. Não havia garantia de acesso universal. Alternativa C: INCORRETA. As medidas de preven- ção também não estavam incluídas após a consti- tuição das CAPS. Essa alternativa ficou ambígua, mas não se trata da melhor dentre as alternativas apresentadas. Alternativa D: INCORRETA. Não havia a preocupação com a integralidade. ✔ resposta: ⮦ Questão 9 dificuldade: Comentário: A questão nos traz uma ótima definição do conceito de integralidade, que nada mais é do que tratar o indivíduo como um todo, desde a pre- venção até a cura e reabilitação. Alternativa A: INCORRETA. Universalidade: o paciente tem acesso universal ao SUS, ou seja, todos serão atendidos. Alternativa B: CORRETA. Alternativa C: INCORRETA. O princípio da igualdade prega por uma assistência à saúde prestada sem preconceitos ou privilégios de qualquer espécie. Alternativa D: INCORRETA. Equidade significa tratar os diferentes de forma diferente, priorizando sem- pre os que mais necessitam. Alternativa E: INCORRETA. Por descentralização en- tendemos a atuação ativa das esferas estaduais e municipais. ✔ resposta: ⮧ ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 História do SUS e leis orgânicas da saúde Saúde coletiva 148 Questão 10 dificuldade: Comentário: Temos que ler a Lei nº 8.080 com cuida- do. Sugerimos realmente ler a lei na íntegra. Muitas respostas sobre funcionamento do SUS e atribuições dos órgãos competentes estão nessa lei. A Lei nº 8.080, em seu artigo 16, estabelece algu- mas das competências da direção nacional do SUS, ou seja, do Ministério da Saúde. Entre essas atribuições está: “III – definir e coordenar os sistemas: c) de vigilância epidemiológica.” Ou seja, a coordenação do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SNVE) é de responsabilidade direta do Ministério da Saúde. De qualquer forma, este tipo de questão não é comum sobre o assunto. Algumas vezes as provas cobram um detalhe como esse, mas o mais comum é realmente vermos questões sobre os princípios do SUS e o funcionamento dos conselhos e das conferências de saúde. ✔ resposta: ⮦ ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 149 Capítulo 7 FINANCIAMENTO E FUNCIONAMENTO DO SUS O QUE VOCÊ PRECISA SABER? u Bloco de custeio (manutenção) tem como finalidade manutenção dos serviços e ações já vigentes. u Bloco deinvestimentos (estruturação) tem como finalidade aquisição de equipamentos e realização de obras. u A lei complementar 141 (antes chamada Emenda Constitucional 29) estabeleceu que os gastos da União com saúde seriam iguais aos do ano anterior acrescidos da variação do PIB. u A NOB 91 forneceu instruções para o retorno temporário a uma gestão centralizada na esfera federal. u A NOB 93 regulou o processo de descentralização e regulamentou as comissões intergestores. u A NOB 96 instituiu o piso da atenção básica e os modelos de gestão municipal da atenção básica. 1. FINANCIAMENTO DO SUS DIA A DIA MÉDICO Por que é importante, para um médico, compreender como se dá a aplicação de recursos no SUS? Falamos no capítulo “História do SUS e Leis Orgânicas da Saúde” sobre os Conselhos de Saúde e sua função no controle da execução de políticas. Você pode vir a fazer parte de um desses Conselhos, já que eles contam com a participação de profissionais das mais diversas áreas de atuação no SUS. Além disso, aos profissionais que atuam na Atenção Primária é essencial avaliar a situação da comunidade, inclusive auxiliando a pressionar o poder público a investir melhor os recursos na área da saúde. Conhecer o SUS nos torna médicos melhores de muitas formas distintas, principalmente fora do consultório. 1 .1 . CONSTITUIÇÃO DE 1988 Já na Constituição Federal de 1988 há informações acerca do financiamento do SUS: Art. 198, § 1º: “O sistema único de saúde será finan- ciado, nos termos do art. 195, com recursos do orçamento da seguridade social, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, além de outras fontes”. 1 .2 . FONTES DE RECURSOS De onde vêm os valores que são aplicados no SUS? Algumas das principais fontes são descritas a seguir: CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira): imposto sobre transações econômicas que era destinado à saúde. Esse imposto não existe mais, mas constantemente há discussões sobre o retorno de algum imposto nesses moldes. importância/prevalência ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Financiamento e funcionamento do SUS Saúde coletiva 150 COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social): contribuição sobre o fatura- mento das empresas. CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido): contribuição sobre o lucro líquido das empresas. Seguridade Social: contribuição para aposentado- rias e pensões. 1 .3 . APLICAÇÃO DOS RECURSOS BASES DA MEDICINA Para você entender a dinâmica atual de aplicação dos recursos, é importante saber como esse processo fun- cionava anteriormente e por que precisou ser alterado. Por isso, apresentaremos, de forma simples e didática, a evolução das práticas que envolviam a aplicação dos recursos em saúde. Primeiro, prefeitos puderam alocar os recursos da forma que bem entendiam. Assim, valores que deveriam ser destinados à assistência à saúde eram empregados em obras de saneamento básico, limpeza urbana e pagamento de aposentadorias e pensões, por exemplo, visto que se tratava de condicionantes e deter- minantes de saúde. Além disso, por vezes obras eram feitas e novas unidades de saúde inauguradas sem que a devida manutenção fosse dada às estruturas que já funcionavam. Decidiram, então, reduzir a autonomia dos gestores que efetivamente aplicavam os recursos, principalmente a nível municipal. O recurso repassado de forma automá- tica já vinha destinado para determinado fim. Assim, o dinheiro que deveria ser gasto com medicamentos já chegava comprometido com esse fim. Vários “blocos” diferentes de recursos existiam, cada um voltado para sua função específica. Como fica, então, o princípio da descentralização? Não podemos permitir que haja des- vio de finalidade com a verba destinada à saúde, mas também não podemos retirar por completo a capacidade do município de decidir sobre a aplicação dos recursos. Várias emendas e leis diferentes foram criadas ao longo do tempo para ir regulamentando e ajustando a utilização da verba do SUS. Vamos focar naquilo que se mantém em vigor e no que, mesmo não estando em vigor, ainda pode cair nas provas. 1 .3 .1 . Portaria nº 3 .992/2017 Estabeleceu os seguintes blocos de recursos: u Bloco de custeio u Bloco de investimento A divisão da alocação dos recursos em apenas dois blocos conferiu aos municípios maior liberdade. DICA Em 2020, o Ministério da Saúde publicou uma portaria que impôs algumas alterações a esses blocos, inclusive mu- dando seus nomes. Discutiremos, primei- ro, a Portaria nº 3.992 de 2017 para depois apresentarmos quais foram as mudanças. Para que servia cada um desses blocos? 1.3.1.1. Bloco de custeio u Manutenção das ações e serviços já vigentes. u Funcionamento dos órgãos e estabelecimentos onde tais serviços ocorrem. u É vedado usar recursos desse bloco para: W Servidores; W Gratificações; W Assessorias ou consultorias; W Obras. É importante observar, ao final deste capítulo, algu- mas novidades envolvendo o financiamento da Atenção Primária que dizem respeito, principalmente, ao bloco de custeio. 1.3.1.2. Bloco de investimentos u Aquisição de equipamentos. u Obras. u É vedado usar os recursos desse bloco para: W Órgãos e unidades voltados para atividades administrativas. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Financiamento e funcionamento do SUS Cap . 7 151 Figura 1. Como eram o financiamento e a transferência dos recursos federais para ações e serviços públicos de saúde antes de 2017. Bloco de Média e Alta Complexidade Ambulatorial e Hospitalar Bloco de Atenção Básica Bloco de Vigilância em Saúde Bloco de Assistência Farmacêutica Bloco Gestão do SUS Bloco de Investimento Incentivos Básico da Assistência Farmacêutica Gestão do SUS Implantação de Ações e Piso Fixo de Vigilância Sanitária – PFVISA Piso Variável de Vigilância Sanitária – PVVISA Serviços de Saúde Piso Fixo Piso Variável Limite Financeiro da Média e Alta Complexidade Ambul. e Hospitar – MAC ACE, incentivos pontuais para ações da VISA, Programa de de vigilância, Piso Fixo vigilância sanitária, aperfeiçoamento do SUS – Construção, Unidades Básicas de Saúde – UBS, Estruturação de Unidades de Atenção Especializada Ampliação do Âmbito do de UBS, Implantação de Unidades Básicas de Saúde, Aquisição de Equipamentos e Material Permanente, Implantação de Ações e Serviços de Saúde em Saúde, Estruturação da Rede de Serviços de Atenção Básica de Saúde, Programa de Financiame- nto das Ações de Alimentação e Nutrição (FAN), Incentivo para Construção de Polos de Academia da Saúde – Básica (PI) da Assistência Farmacêutica (Qualifar-SUS), Assistência Farmacêutica Básica (Parcelas) Apoio ao Uso de Plantas Medicinais e Fitoterápicos no SUS ACS, ESF, NASF, Saúde na ESB, PMAQ, Escola, de PAB Incremento Cu st ei o Teto MAC, Teto Brasil Sem Miséria,Teto Saúde Mental,Teto Rede Cegonha, Incremento MAC In ve st im en to Fonte: Confederação Nacional de Municípios.11 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Financiamento e funcionamento do SUS Saúde coletiva 152 1 .4 . PORTARIA Nº 828, DE 17 DE ABRIL DE 2020 A Portaria nº 828, de 17 de abril de 2020, imple- mentou algumas mudanças no financiamento que discutimos até este momento. Três mudanças são efetivamente propostas dentro do que já foi discu- tido. São elas: 1. O Bloco de Custeio passa a se chamar Bloco de Manutenção. 2. O Bloco de Investimentos passa a se chamar Bloco de Estruturação 3. A verba destinada ao Bloco de Manutenção passa a poder ser utilizada para “obras de construções novas bem como de ampliações de imóveis já existentes, ainda que utilizados para a realização de ações e/ou serviços de saúde.” 1 .5 . O FINANCIAMENTO NA ATENÇÃO BÁSICA DICA O modelo de financiamento que está em vigor é o “Previne Brasil”,que apre- sentaremos em breve. Acontece que alguns marcos do financiamento da Atenção Bási- ca, mesmo alguns já extintos, ainda apare- cem por vezes nas provas, principalmente os “pisos da atenção básica”, ou PAB. 1 .5 .1 . Piso da Atenção Básica fixo (PAB fixo) u Valor baseado per capita (valor fixo para cada pessoa do município). u Outras variáveis sociais (esse valor vai depender de condicionantes sociais do município). 1 .5 .2 . Piso da Atenção Básica variável (PAB variável) u Valor destinado para estratégias específicas. 1 .5 .3 . Piso da Atenção Básica ampliado (PAB ampliado) u Procedimentos mais específicos. u Não existe mais. 1 .5 .4 . Previne Brasil Em 12 de novembro de 2019, a Portaria nº 2.979 do Ministério da Saúde instituiu o programa Pre- vine Brasil, que estabelece um novo modelo de financiamento de custeio da Atenção Primária à Saúde. Traremos algumas das principais mudanças implementadas por essa portaria ao financiamento da atenção básica, apresentando seus artigos mais relevantes e, quando necessário, nossos comen- tários. 1.5.4.1. Portaria nº 2.979, 12 de novembro de 2019 Art. 9º O financiamento federal de custeio da Aten- ção Primária à Saúde (APS) será constituído por: I – capitação ponderada; II – pagamento por desempenho; e III – incentivo para ações estratégicas. DICA Como o número de questões de prova sobre esse assunto é baixo, trouxe- mos muitos detalhes que ainda não vimos sendo cobrados. Via de regra, as provas estão querendo que você saiba que há um novo modelo de financiamento chamado “Previne Brasil” e que tenha uma noção bá- sica do que significa cada um desses três principais pontos. 1.5.4.1.1. Da capitação ponderada Art. 10º. O cálculo para a definição dos incentivos financeiros da capitação ponderada deverá con- siderar: I – a população cadastrada na equipe de Saúde da Família (eSF) e equipe de Atenção Primária (eAP) no Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB); II – a vulnerabilidade socioeconômica da população cadastrada na eSF e na eAP; III – o perfil demográfico por faixa etária da popu- lação cadastrada na eSF e na eAP; e ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Financiamento e funcionamento do SUS Cap . 7 153 IV – a classificação geográfica definida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ou seja, o modelo de capitação ponderada apre- sentado por esse programa condiciona o valor repassado à parcela da população que já se encontra cadastrada e/ou em atendimento nas unidades de saúde da Atenção Primária (APS). Parágrafo único. O cálculo de que trata o caput será baseado no quantitativo da população cadastrada por eSF e eAP, com atribuição de peso por pes- soa, considerando os critérios de vulnerabilidade socioeconômica, perfil demográfico e classificação geográfica. O valor repassado não será definido exclusivamente com base na população em acompanhamento na APS. Alguns critérios farão com que cada pessoa possa receber um “peso” diferente, gerando um acréscimo nesse valor repassado. Terão peso de 1,3 (um e três décimos) as pessoas com critérios de vulnerabilidade socioeconômica, como os beneficiários: I – do Programa Bolsa Família (PBF); II – do Benefício de Prestação Continuada (BPC); ou III – de benefício previdenciário no valor de até dois salários mínimos. O mesmo peso de 1,3 será dado para pessoas com menos de 5 anos ou mais de 65 anos. De acordo com a classificação geográfica, as pes- soas podem receber peso de 1 (um), 1,45 (um e quarenta e cinco décimos) ou 2 (dois), conforme demonstrado abaixo: I – município urbano: peso 1 (um); II – município intermediário adjacente: peso 1,45 (um e quarenta e cinco décimos); III – município rural adjacente: peso 1,45 (um e quarenta e cinco décimos); IV – município intermediário remoto: peso 2 (dois); e V – município rural remoto: peso 2 (dois). 1.5.4.1.2. Do pagamento por desempenho Os critérios específicos de desempenho que estarão atrelados ao repasse de recursos para a Atenção Primária não estão apresentados nessa portaria. Estabelece-se, entretanto, que os indicadores e as metas para o pagamento por desempenho devem ser pactuados na Comissão Intergestores Tripartite. O artigo seguinte, por sua vez, deixa claro que “Cabe ao Ministério da Saúde a realização do cálculo dos indicadores para a transferência do incentivo de pagamento por desempenho”. 1.5.4.1.3. Incentivo para ações estratégicas Os seguintes programas, ações e estratégias pode- rão ser contemplados por esse incentivo: I – Programa Saúde na Hora; II – Equipe de Saúde Bucal (eSB); III – Unidade Odontológica Móvel (UOM); IV – Centro de Especialidades Odontológicas (CEO); V – Laboratório Regional de Prótese Dentária (LRPD); VI – Equipe de Consultório na Rua (eCR); VII – Unidade Básica de Saúde Fluvial (UBSF); VIII – Equipe de Saúde da Família Ribeirinha (eSFR); IX – Microscopista; X – Equipe de Atenção Básica Prisional (eABP); XI – Custeio para o ente federativo responsável pela gestão das ações de Atenção Integral à Saúde dos Adolescentes em Situação de Privação de Liberdade; XII – Programa Saúde na Escola (PSE); XIII – Programa Academia da Saúde; XIV – Programas de apoio à informatização da APS; XV – Incentivo aos municípios com residência médica e multiprofissional; XVI – Estratégia de Agentes Comunitários de Saúde (ACS); e XVII – outros que venham a ser instituídos por meio de ato normativo específico. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Financiamento e funcionamento do SUS Saúde coletiva 154 1.5.4.1.4. Da suspensão da transferência dos incentivos financeiros Art. 12-I. No caso de irregularidades, o incentivo financeiro da capitação ponderada será suspenso, de acordo com o disposto na PNAB. Há o estabelecimento de uma graduação da por- centagem do incentivo que poderá ser suspenso, podendo variar de 25% a 100% do valor da capitação ponderada, a depender da gravidade da irregulari- dade apresentada. DICA A seguir, apresentaremos 3 marcos legais que são mais classicamente cobra- dos em provas, com foco somente nas in- formações importantes para as questões. 1 .6 . EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 29/2000 A Emenda Constitucional nº 29 estabeleceu o seguinte: u Percentuais mínimos para cada esfera de gover- no no que diz respeito à alocação de recursos para a saúde. u O valor de responsabilidade da União iria aumen- tar junto com a variação do PIB. u O valor de responsabilidade dos Estados e Mu- nicípios iria variar conforme uma tabela prees- tabelecida. 1 .7 . LEI COMPLEMENTAR Nº 141/2012 Os percentuais estabelecidos pela Emenda 29 nunca foram efetivamente postos em prática. A Lei nº 141 veio para, finalmente, iniciar esse modelo. O que a lei estabelecia: u União teria de investir em saúde o mesmo valor do ano anterior + variação do PIB. u Estados aumentam sua proporção de gastos com saúde por 5 anos até atingirem 12%. u Municípios aumentam sua proporção de gastos com saúde por 5 anos até 15%. Essa lei também estabeleceu que deixam de ser considerados como despesas com a saúde os seguintes: u Pagamento de aposentadorias e pensões; u Assistência à saúde que não seja universal; u Saneamento básico; u Limpeza urbana; u Obras de infraestrutura; u Ações de assistência social; u Preservação do meio ambiente. 1 .8 . EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 95/2016 A Lei nº 141 estabeleceu que o valor de responsabi- lidade da União deveria variar conforme o PIB. A EC nº 95 trouxe uma proposta diferente, alterando as regras sobre o repasse da União, que seguiriam o seguinte: u Valor investido no ano anterior + variação do IPCA (inflação). 2. FUNCIONAMENTO DO SUS BASES DA MEDICINA O SUS foi idealizado pela Reforma Sanitária, discutido na VIII Conferência Nacional de Saúde e implementado na Constituição de 1988. Após a Constituição, entretanto, o SUS ainda não era o sistemaque conhecemos hoje. Muitos consideram a Lei nº 8080/1990 como o marco do “nascimento” efetivo do SUS, mas a realidade é que o SUS vem em constante desenvolvimento até os dias atuais. Vimos como muitas características do financiamento do sistema vêm se alterando até hoje. Com o funcionamento do SUS não é diferente. Nessa sessão iremos focar em alguns marcos legais que fizeram com que o SUS funcionasse da forma que ele funciona hoje. Começaremos pelas Normas Operacionais, que são leis criadas após as Leis Orgânicas da Saúde (LOS) para ajudar a acertar e adequar o funcionamento do SUS frente às difi- culdades e incertezas desse recém-criado sistema. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Financiamento e funcionamento do SUS Cap . 7 155 2 .1 . NORMA OPERACIONAL BÁSICA 91 (NOB 91) A NOB 91 fornece instruções para implantação do SUS: u Gestão centralizada na esfera federal u Municípios apenas como prestadores de ser- viços. Para acompanhar os atendimentos, são criados os seguintes: W Autorização de Internação Hospitalar (AIH); W Sistema de Informação Hospitalar (SIH); W Unidade de Cobertura Ambulatorial (UCA). u Estados e Municípios recebem o prazo de 120 dias para criarem os Fundos de Saúde. Houve um planejamento, a partir da NOB 91, para que a municipalização se efetivasse sem maiores dificuldades: u 4 etapas para municipalização W Cobertura Ambulatorial W Critérios para repasse de recursos W Formação de consórcios W Criação do Sistema de Informações Ambula- toriais administrado pelo INAMPS Como assim, gestão centralizada na esfera federal? Administração de sistemas e recursos pelo INAMPS? Uma das grandes revoluções com a criação do SUS não foi, exatamente, a descentralização? O pensa- mento está correto. Acontece que os municípios ainda não estavam preparados para assumir a gestão sobre a saúde. A NOB 91 deve ser entendida como um passo atrás que foi dado, apenas 1 ano após as LOS, para que os municípios pudessem se preparar adequadamente para assumirem suas responsabilidades. DICA Sobre a NOB 91, o principal é lem- brar que houve esse passo atrás, centrali- zando novamente a gestão da saúde pú- blica. 2 .2 . NORMA OPERACIONAL BÁSICA 93 (NOB 93) A municipalização é efetivada a partir da NOB 93, que tem como características: u Regulação do processo de descentralização W Município deixa de ser prestador de serviço e passa a ser gestor. u Criação da Comissão Intergestores Tripartite W Ministério da Saúde, CONASS E CONASEMS. u Criação da Comissão Intergestores Bipartite W Secretaria Estadual de Saúde e Secretarias Municipais de Saúde. u Transmissão de recursos passa a considerar: W Fator de Apoio ao Estado; W Fator de Apoio ao Município; W Sistemas e documentos de informação: AIH, APAC, SIA-SUS. CONASS = Conselho Nacional de Secretários de Saúde. CONASEMS = Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. As Comissões Intergestores são espaços intergo- vernamentais, políticos e técnicos em que ocorrem o planejamento, a negociação e a implementação de políticas de saúde pública. As decisões se dão por consenso. Essas comissões visam assegurar a gestão compartilhada entre as esferas de governo para evitar duplicidade ou omissão na execução de ações. A comissão tripartite é do âmbito federal, incluindo estados e municípios. A comissão bipartite é do âmbito estadual, incluindo municípios. DICA Sobre a NOB 93, o principal é lem- brar da criação das Comissões Interges- tores. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Financiamento e funcionamento do SUS Saúde coletiva 156 2 .3 . NORMA OPERACIONAL BÁSICA 96 (NOB 96) A NOB 96 tem como objetivo consolidar o pleno exercício da função de gestor do município. Esta- belece que o município pode decidir que tipo de gestão pretende fazer: u Gestão plena da Atenção Básica ou u Gestão plena do Sistema Municipal (incluindo outros níveis de atenção) Se não aderir a nenhum modelo, mantém-se como prestador de serviço. Outras atribuições dessa norma são: u Aumentar a transferência regular e automática W Institui o Piso da Atenção Básica u Incentivo ao Programa de Saúde da Família e de Agentes Comunitários de Saúde u Incorporar ações de vigilância sanitária, epide- miológica e controle de doenças u Programação Pactuada Integrada W Diferentes gestores e esferas W Garantia de acesso ao sistema de saúde DICA Sobre a NOB 96, o principal é lem- brar da instituição do Piso da Atenção Bá- sica. Além das Normas Operacionais Básicas, consi- deradas como os principais marcos legais para o regulamento do SUS após as Leis nº 8080 e nº 8142, há outras normas, chamadas Normas Operacionais de Assistência à Saúde (NOAS), que também mere- cem destaque. 2 .4 . NORMA OPERACIONAL DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE 2001 (NOAS 2001) u Conclui descentralização com 100% dos muni- cípios habilitados. u Define o modelo de financiamento para serviços de média e alta complexidade. u Define processo de regionalização da assistência. 2 .5 . NORMA OPERACIONAL DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE 2002 (NOAS 2002) u Elabora o Plano Diretor de Regionalização (PDR). u Cria estratégias para ampliação da Atenção Básica W Aumento do PAB; W Criação do PAB ampliado; W Determina áreas de atuação estratégica. Além das Normais Operacionais, a prova por vezes cobra os pontos discutidos no Pacto da Saúde de 2006 e aqueles apresentados no Pacto pela Vida, de 2008. 2 .6 . PACTO DA SAÚDE 2006 O Pacto da Saúde de 2006 trouxe novas prioridades aos agentes do SUS. São essas: 2.6.4.1. Pacto em Defesa do SUS u Implementar projeto permanente de mobiliza- ção social. u Elaborar e divulgar a carta dos direitos dos usuá- rios do SUS. 2.6.4.2. Pacto pela Vida u Saúde do idoso; u Controle do câncer de colo de útero e de mama; u Redução da mortalidade infantil e materna; u Fortalecimento da capacidade de respostas às doenças emergentes e endemias; u Promoção da saúde e fortalecimento da aten- ção primária. 2.6.4.3. Pacto de Gestão do SUS u Desburocratização dos processos normativos; u Estruturação das regiões sanitárias; u Fortalecimento das Comissões Intergestores Bipartites. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Financiamento e funcionamento do SUS Cap . 7 157 2 .7 . PACTO PELA VIDA (2008) Em 2008, novas prioridades foram discutidas, tais como: u Promoção da Saúde; u Fortalecimento da Atenção Básica; u Saúde do Trabalhador; u Saúde mental; u Fortalecimento da capacidade de resposta do sistema de saúde às pessoas com deficiência; u Atenção integral às pessoas em situação ou ris- co de violência; u Saúde do homem. DICA Na maioria das provas, vemos que as Normas Operacionais Básicas são, ge- ralmente, mais cobradas do que as NOAS ou os Pactos. Vale a pena revisar os pon- tos em negrito em cada uma das três NOBs que discutimos. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Financiamento e funcionamento do SUS Saúde coletiva 158 Mapa mental. Financiamento do SUS Financiamento do SUS PAB fixo CPMF PAB variável COFINS PAB ampliado CSLL Seguridade Social Capitação Ponderada Pagamento por desempenho Incentivo para ações estratégicas Previne BrasilAtenção Básica Fontes de recursos EC nº 95 de 2016 União Variação do IPCA Aquisição de equipamentos Obras Vedado Bloco de Investimento/ Estruturação Atividades administrativas Funcionamento dos órgãos onde serviços ocorrem Vedados Bloco de Custeio/ Manutenção Servidores Gratificações Assessorias ou consultorias EC nº 29 de 2000 ou Lei Complementar nº 141 União Estados e DF Municípios Variação do PIB 12% 15% ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Financiamento e funcionamento do SUS Cap . 7 159 Mapa mental. Funcionamento do SUS Funcionamento do SUS Pacto da Saúde 2006 Pactopela vida 2008 NOB 93NOB 91 NOB 96 NOAS 2001/2002 Pacto em Defesa do SUS Promoção da saúde Gestão centralizada na esfera federal Institui o Piso da Atenção Básica Conclui descentralização Criação de Comissões Intergestores Municípios como prestadores de serviços Modelos de gestão municipal da atenção básica Cria estratégias para ampliação da Atenção Básica Regulação do processo de descentralização Etapas para municipalização Incentivo ao Programa de Saúde da Família Critérios para transmissão de recursos Saúde mental Saúde do homem Saúde do trabalhador Pessoas com deficiência Pessoas em risco de violência Pacto de Gestão do SUS Pacto Pela Vida Mobilização social Desburocratização Saúde do idoso Doenças emergentes e endemias Redução de mortalidade infantil e materna Promoção de saúde e fortalecimento da atenção primária Carta de direitos dos usuários Regiões sanitárias Fortalecimento das Comissões Intergestores Bipartite Controle do câncer de colo de útero e de mama ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Financiamento e funcionamento do SUS Saúde coletiva 160 REFERÊNCIAS 1. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro Jamil Haddad. Portaria nº 545, de 20 de maio de 1993. 2. Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social. Ricardo Akel. Resolução nº 258, de 07 de janeiro de 1991. 3. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro Adib Jatene. Portaria nº 2.203, de 5 de novembro de 1996. 4. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro José Serra. Portaria nº 95, de 26 de janeiro de 2001. 5. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro Barjas Negri. Portaria nº 373, de 27 de fevereiro de 2002. 6. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro Ricardo Barros. Portaria nº 3992, de 28 de dezembro de 2017. 7. Presidência da República, Casa Civil. Subchefia de assun- tos jurídicos. Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emenda Constitucional nº 29, de 13 de setembro de 2000. 8. Presidência da República, Casa Civil. Subchefia de assun- tos jurídicos. Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emenda Constitucional nº 95, de 15 de dezembro de 2016. 9. Presidência da República, Casa Civil. Subchefia de assun- tos jurídicos. Dilma Rousseff. Lei Complementar nº 141, de 13 de janeiro de 2012. 10. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro José Agenor Álvares da Silva. Portaria nº 399, de 22 de fevereiro de 2006. 11. Confederação Nacional de Municípios; Conselho Nacio- nal de Secretarias Municipais de Saúde. Mudanças no Financiamento da Saúde. In: Confederação Nacional de Municípios. Mudanças no Financiamento da Saúde. [S. l.], 2018. Disponível em: https://www.conasems.org.br/ wp-content/uploads/2018/08/Mudan%C3%A7as-no- -Financiamento-da-Sa%C3%BAde.pdf. Acesso em: 5 maio 2020. 12. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro Nelson Teich. Portaria nº 828, de 17 de abril de 2020. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Financiamento e funcionamento do SUS Cap . 7 161 QUESTÕES COMENTADAS Questão 1 (SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE GOIÁS – GO – 2021) Na Norma Operacional Básica – SUS 01/1993, foram estabelecidas normas e procedimentos regulado- res do processo de descentralização da gestão das ações e serviços de saúde. Dentre essas normas e procedimentos, ⮦ foram criadas as comissões intergestores bi- partite e tripartite. ⮧ foi criado o Programa Saúde da Família. ⮨ foi elaborado o Plano Diretor de Regionalização. ⮩ foram criados o Pacto pela Vida e o Pacto de Gestão. Questão 2 (UNIVERSIDADE FEDERAL DA GRANDE DOURADOS – MS – 2016) As comissões intergestores têm o objetivo de as- segurar a gestão compartilhada entre os governos municipais, estaduais e federal para evitar a dupli- cidade ou a omissão na execução de ações e criar um espaço onde gestores do sistema técnico de saúde possam permanentemente negociar, decidir e firmar pactos. Nesse sentido, avalie as afirmações a seguir e assinale a alternativa correta: I. Apenas a Comissão Intergestores Tripartite (CIT) é de caráter permanente. II. A Comissão Intergestores Tripartite (CIT) é do âmbito federal e a Comissão Intergestores Bipartite (CIB) é do âmbito estadual. III. A Comissão Intergestores Tripartite (CIT) e a Comissão Intergestores Bipartite (CIB) são de caráter permanente. ⮦ Somente I é verdadeira. ⮧ Somente II é verdadeira. ⮨ Somente I e II são verdadeiras. ⮩ Somente II e III são verdadeiras. ⮪ Todas são verdadeiras. Questão 3 (ASSOCIAÇÃO MÉDICA DO PARANÁ – PR – 2021) No ano 2000 com a proposta de evitar a chamada “gangorra or- çamentária” foi aprovada a Emenda Constitucional nº 29. A respeito do assunto considere se as seguin- tes afirmativas são verdadeiras (V) ou falsas (F). i. Por meio dessa emenda ficou determinado que a União deveria reservar para a saúde pelo menos 10% da sua receita bruta. ii. Os estados e o Distrito Fede- ral se viram obrigados a alocar 12% da sua receita na área de saúde. iii. Caberia aos municípios o mí- nimo de 15% de suas receitas para o financiamento da saúde. iv. A Emenda Constitucional nº 29/2000 foi responsável pela redução dos gastos totais em saúde no Brasil. Marque a alternativa correta. ⮦ V, V, F, V. ⮧ V, F, F, V. ⮨ F, V, V, F ⮩ F, F, F, F. ⮪ V, V, V, V. Questão 4 (UNIFESP – SP – 2020) Analise as afirmações abaixo sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) e indique a alternativa correta. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Financiamento e funcionamento do SUS Saúde coletiva 162 ⮦ O SUS é um sistema público e gratuito, mantido indiretamente por meio de impostos e contribui- ções sociais arrecadados de toda a população. ⮧ Pacientes que têm planos de saúde podem usar livremente as UBS, mas serviços de média e alta complexidade só podem ser utilizados mediante ressarcimento ao SUS. ⮨ As ações de saúde indígena não são de respon- sabilidade do SUS, pois são realizadas pela FU- NAI, vinculada ao Ministério da Justiça. ⮩ Os gastos públicos com saúde corresponderam nos últimos anos a cerca de 9% do PIB, indican- do que não há subfinanciamento e sim má ges- tão do SUS. ⮪ A prestação de serviços de saúde no SUS é feita exclusivamente pelos serviços públicos e filan- trópicos, sendo vedada a participação comple- mentar da iniciativa privada. Questão 5 (UNIVERSIDADE DE GURUPI – TO – 2021) Fazem parte do pacto pela vida, de 2008, exceto: ⮦ O controle do câncer de colo de útero e de mama. ⮧ A atenção à saúde do idoso. ⮨ A saúde do homem. ⮩ A priorização da atenção de média e baixa com- plexidade. Questão 6 (FUNDAÇÃO JOÃO GOULART – HOSPITAIS MUNICIPAIS – 2018) Um sistema de saúde é o produto da cultura de um país e do modo como as pessoas estão dispostas a financiá-lo para assegurar igualdade e justiça. No que se refere ao financiamento do modelo de Atenção Primária à Saúde (APS) no Brasil, é corre- to afirmar que: ⮦ o Piso da Atenção Básica (PAB) variável é cal- culado per capita e transferido aos municípios independentemente das ações realizadas, o que gerou uma diminuição da produção dos servi- ços de saúde. ⮧ o PAB fixo é calculado de acordo com as in- formações contidas nas bases de dados dos sistemas de informação nacional a cada mês, compreendendo um valor para cada ação im- plementada. ⮨ a criação do PAB variável fez diminuir o ritmo de expansão da estratégica de saúde da famí- lia, pois os incentivos criados priorizam apenas populações específicas como quilombolas e indígenas. ⮩ o PAB passou a garantir os repasses de recur- sos de forma automática do nível federal para o nível municipal, interrompendo o modelo de pagamento de procedimentos até então vigente para a Atenção Primária à Saúde (APS). Questão 7 (HOSPITAL UNIVERSITÁRIO ANTÔNIO PEDRO – 2018) A COFINS (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social), uma das principais fontes de recursos do Orçamento da União para aSaúde, tem origem na: ⮦ Receita das pessoas jurídicas. ⮧ Alíquota da renda declarada das pessoas físicas. ⮨ Movimentação de valores de natureza financeira. ⮩ Transmissão de créditos de natureza financeira. ⮪ Alíquota de lucros presumidos. Questão 8 (FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS – TO – 2018) Trouxe as bases para um novo modelo de financia- mento da atenção primária, ao instituir o Piso de Atenção Básica (PAB), operacionalizado em feverei- ro de 1998, substituindo a modalidade anterior de pagamento por procedimentos. Trata-se de: ⮦ Ações Integradas de Saúde. ⮧ Programa de Consolidação e Expansão da Saú- de da Família. ⮨ Conferência de Alma-Ata. ⮩ Norma Operacional Básica (NOB) 96. ⮪ Núcleos de Apoio à Saúde da Família. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Financiamento e funcionamento do SUS Cap . 7 163 Questão 9 (PREFEITURA MUNICIPAL DE SOROCABA – SP – 2021) O pro- grama Previne Brasil foi instituído pela Portaria n° 2.979, de 12 de novembro de 2019 e prevê uma nova forma de financiamento da Atenção Primária. Sobre ele PODEMOS AFIRMAR QUE: ⮦ O novo modelo de financiamento altera algumas formas de repasse das transferências para os municípios, que passam a ser distribuídas com base em três critérios: capitação ponderada, pagamento por desempenho e incentivo para ações estratégicas. ⮧ O novo modelo de financiamento prevê repasse ao município que aderir a alguns programas es- pecíficos entre eles o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF). ⮨ Os programas de Residência em Saúde deixam de ser prioridade e não devem mais receber re- passe federal. ⮩ O critério de vulnerabilidade social para paga- mento da capitação ponderada inclui população LGBTQIA+ e população negra. ⮪ As equipes de Estratégia de Saúde da Família completas (médico, enfermeira, técnico de en- fermagem e agente comunitário) seguem sendo a única forma de organizar os serviços de Aten- ção Primária a Saúde. Questão 10 (HOSPITAL ESTADUAL DR. JAYME SANTOS NEVES – 2020) A Norma Operacional Básica do Sistema Único de Saúde – NOB – SUS 01/96 teve por finalidade pri- mordial promover e consolidar o pleno exercício, por parte do poder público municipal e do Distrito Federal, da função de gestor da atenção à saúde dos seus munícipes. Ela definiu como instâncias básicas para mediar as relações entre os diferen- tes gestores do SUS: ⮦ o Ministério da Saúde e as Secretarias Munici- pais de Saúde. ⮧ o Conselho Nacional de Saúde, os Conselhos Estaduais de Saúde e os Conselhos Municipais de Saúde. ⮨ o Poder Judiciário e o Ministério Público. ⮩ os poderes executivos nos três níveis de governo. ⮪ a Comissão Intergestores Tripartite e a Comis- são Intergestores Bipartite. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Financiamento e funcionamento do SUS Saúde coletiva 164 GABARITO E COMENTÁRIOS Questão 1 dificuldade: Comentário: Os dois grandes marcos da Norma Ope- racional Básica 93 são a regulação do processo de descentralização e a regulamentação das comis- sões intergestores bipartite e tripartite. Alternativa A: CORRETA. Alternativa B: INCORRETA. É a NOB 96 que fornece incentivo ao Programa Saúde da Família. Alternativa C: INCORRETA. O Plano Diretor de Regio- nalização foi elaborado nas Normas Operacionais de Assistência à Saúde 2001/2002. Alternativa D: INCORRETA. O Pacto pela Vida e Pacto de Gestão fazem parte do Pacto da Saúde de 2006. ✔ resposta: ⮦ Questão 2 dificuldade: Comentário: Vamos analisar cada uma das alterna- tivas. Assertiva I: FALSA. As Comissões Intergestores Bi- partite também são de caráter permanente. Assertiva II: VERDADEIRA. Correto e conceitual, con- forme consta na Portaria nº 545/93 (NOB 93). Assertiva III: VERDADEIRA. ✔ resposta: ⮩ Questão 3 dificuldade: Comentário: A Emenda Constitucional nº 29 de 2000, que mais tarde teria seus termos aprovados na Lei complementar nº 141, estabeleceu os seguintes pontos: • O valor destinado pela União à saúde deveria ser o mesmo do ano anterior acrescido da porcenta- gem de variação do PIB (Primeira assertiva falsa) • Estados e Distrito Federal aumentariam suas proporções de gastos com saúde por 5 anos até alcançarem 12% (Segunda assertiva verdadeira) • Municípios aumentariam suas proporções de gastos com saúde por 5 anos até alcançarem 15% (Terceira assertiva verdadeira). • Como haveria aumento das porcentagens de repasses, essa medida visava aumentar os gastos totais em saúde no Brasil, não reduzir (Quarta assertiva falsa) ✔ resposta: ⮨ Questão 4 dificuldade: Comentário: Vamos analisar cada uma das alter- nativas. Alternativa A: CORRETA. Alternativa B: INCORRETA. A assistência à saúde é universal, independentemente do nível de atenção. Quando um paciente com plano de saúde é atendi- do de forma gratuita pelo SUS, o ressarcimento do serviço deve ocorrer, segundo a Lei nº 9.565/1998. Caso não haja cobertura para o serviço prestado, não há necessidade de ressarcimento. Havendo, o ressarcimento deve ser realizado. Por isso, não podemos afirmar que atendimentos em UBS não devem ser ressarcidos enquanto atendimentos em média e alta complexidade devem. Tudo depende da cobertura contratual. Alternativa C: INCORRETA. As ações de saúde indíge- na são de responsabilidade do SUS. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Financiamento e funcionamento do SUS Cap . 7 165 Alternativa D: INCORRETA. Os gastos totais com saúde no Brasil beiram os 9% do PIB, mas a maior parte desses recursos é direcionada aos gastos priva- dos. Além disso, há constantes discussões sobre o aumento dos percentuais que devem ser desti- nados ao SUS. Alternativa E: INCORRETA. Há previsão para o Siste- ma de Saúde Suplementar, que envolve empresas e instituições privadas. ✔ resposta: ⮦ Questão 5 dificuldade: Comentário: O Pacto pela Vida de 2008 apresen- tou novas prioridades após o Pacto pela Saúde de 2006. Essas novas prioridades foram: promoção da saúde, fortalecimento da atenção básica, saúde do trabalhador, saúde mental, saúde do homem, atenção à saúde do idoso, controle do câncer do colo de útero e de mama, entre outros. Não há menção à priorização da atenção de média e bai- xa complexidade. ✔ resposta: ⮩ Questão 6 dificuldade: Comentário: Essa questão é de 2018, ou seja, ante- rior ao Previne Brasil. Mesmo assim, ainda vemos algumas questões perguntando sobre como era o financiamento da atenção primária nessa época. Vamos analisar cada uma das alternativas confor- me a realidade de 2018: Alternativa A: INCORRETA. O PAB fixo é calculado per capita, não o variável. Alternativa B: INCORRETA. O PAB fixo é calculado per capita. Alternativa C: INCORRETA. Os incentivos do PAB va- riável não priorizam populações específicas, mas estratégias, como combate a DST e violência con- tra mulher. Alternativa D: CORRETA. ✔ resposta: ⮩ Questão 7 dificuldade: Comentário: A COFINS é uma fonte de recursos do Orçamento da União para a Saúde. Esse imposto tem origem no faturamento das empresas, ou seja, na receita das pessoas jurídicas. ✔ resposta: ⮦ Questão 8 dificuldade: Comentário: O Piso de Atenção Básica (PAB), um dos principais itens do modelo de financiamento da atenção primária, foi instituído na Norma Ope- racional Básica de 1996, a NOB 96. ✔ resposta: ⮩ Questão 9 dificuldade: Comentário: Em 12 de novembro de 2019, a portaria nº 2.979 do Ministério da Saúde instituiu o progra- ma Previne Brasil, que estabelece um novo modelo de financiamento de custeio da Atenção Primária à Saúde. Sobre esse novo modelo, o principal conhe- cimento diz respeito aos 3 critérios que constituem o financiamento federal de custeio, ou manutenção, da Atenção Primária. Esses 3 critérios são: capi- tação ponderada, pagamento por desempenho e incentivo para ações estratégicas. ✔ resposta: ⮦ Questão 10 dificuldade: Comentário: