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Contabilidade Geral II
Despesas Comerciais
Desenvolvimento do material
André da Silva Braga
1ª Edição
Copyright © 2023, Afya.
Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, 
transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, 
mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia 
autorização, por escrito, da Afya.
Sumário
Despesas Comerciais
Para Início de Conversa... ............................................................................... 3
Objetivos .................................................................................................... 3
1. Aspectos Legais e Normativos Sobre 
as Despesas Comerciais ............................................................................. 4
2. Despesas com Vendas: Tipos, Características 
e Definições ................................................................................................... 6
3. Despesas com Royalties e Franquias ..................................................... 8
Referências .................................................................................................... 10
Para Início de Conversa...
Nesta unidade de aprendizagem, veremos as Despesas Comerciais. Ao 
contrário do que se pode pensar em uma análise apressada sobre o 
assunto, este tipo de sacrifício financeiro se dá em prol de melhoria no 
volume de vendas ou ainda um melhor resultado. As Despesas Comerciais 
compreendem todos os gastos com a comercialização e distribuição 
das mercadorias, ou seja, gastos desde a promoção dos produtos até 
a alocação junto ao consumidor, inclusive aqueles considerados como 
risco para a efetivação da venda. As despesas comerciais são necessárias 
para manter o seu negócio, porém, temos que sempre analisar a 
possibilidade de pequenos cortes que podem proporcionar um grande 
impacto positivo no resultado.
Objetivos
 ▪ Entender a contabilização dos eventos contábeis das principais 
atividades relacionadas às despesas comerciais e a sua participação 
na atividade operacional. 
 ▪ Compreender a utilização da despesa com objetivo de obtenção de 
resultado. 
 ▪ Entender as metodologias de aplicação das sobre custos da operação 
com vendas.
Contabilidade Geral II 3
1. Aspectos Legais e Normativos Sobre as 
Despesas Comerciais
Para que possamos entender o papel das Despesas Comerciais, é 
necessário estudarmos um pouco sobre a Demonstração do Resultado 
do Exercício, pela lei nº 6404/76 e também pelo CPC 26 (R1). Vamos 
entender como se dá a obrigatoriedade da estrutura da DRE e 
observarmos as despesas comerciais dentro da Demonstração. 
A demonstração do resultado do exercício (DRE) é uma demonstração 
contábil que se destina a evidenciar a formação do resultado líquido 
em um exercício, por meio do confronto das receitas, custos e despesas, 
apuradas segundo o princípio contábil do regime de competência. 
De acordo com o CPC 26 (R1),a entidade deve apresentar todos os itens de 
receita e despesa reconhecidos no período na demonstração do resultado. 
A demonstração do resultado do período deve, no mínimo, incluir as 
seguintes rubricas, obedecidas também as determinações legais: 
Receitas. 
 ▪ Custo dos produtos, das mercadorias ou dos serviços vendidos. 
 ▪ Lucro bruto. 
 ▪ Despesas com vendas, gerais, administrativas e outras despesas e 
receitas operacionais. 
 ▪ Parcela dos resultados de empresas investidas reconhecida por meio 
do método de equivalência patrimonial. 
 ▪ Resultado antes das receitas e despesas financeiras. 
 ▪ Despesas e receitas financeiras. 
 ▪ Resultado antes dos tributos sobre o lucro. 
 ▪ Despesa com tributos sobre o lucro. 
 ▪ Resultado líquido das operações continuadas.
 ▪ Valor líquido.
De acordo com a Lei 6404/76 e alterações do Art. 187,a Demonstração 
do Resultado do Exercício discriminará:
A receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os 
abatimentos e os impostos. 
A receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e 
serviços vendidos e o lucro bruto. 
 ▪ As despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das 
receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas 
operacionais. 
 ▪ O lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras 
despesas (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). 
 ▪ O resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão 
para o imposto. 
Contabilidade Geral II 4
 ▪ As participações de debêntures, empregados, administradores e partes 
beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de 
instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, 
que não se caracterizem como despesa.
Modelo de DRE - Lei nº 6404/76 e CPC 26
Discriminação
(+) Receita Bruta
(-) Deduções
(=) Receita Líquida
(-) Custo de vendas ou dos serviços
(=) Lucro bruto (ou prejuízo)
(-) Despesas operacionais de vendas, administrativas, gerais
(-) Outras despesas ou receitas operacionais
(=) Resultado antes das despesas e receitas financeiras
(+/-) Resultado financeiro
(=) Lucro antes dos tributos sobre o lucro
(-) IR e CSL
(=) Resultado líquido das operações continuadas
(+/-) Resultado líquido após tributos das operações descontinuadas
(+/-) Resultado líquido das baixas de ativo e mensuração do valor justo
(=) Resultado líquido do período
Quadro 1: Modelo de DRE.
A lei define com clareza, por meio da Demonstração do Resultado do 
Exercício, o conceito de lucro líquido, estabelecendo os critérios de 
classificação de certas despesas. Quanto à apresentação das despesas 
na DRE do período, o CPC 26 (R1) faculta à entidade a classificação 
baseada na natureza das despesas ou em sua função na entidade. 
Cada método de apresentação tem suas vantagens. A classificação pelo 
método da natureza da despesa é mais simples de aplicar porque não 
são necessárias alocações de gastos às funções. Já o método da função 
da despesa proporciona aos usuários informações mais relevantes 
do que a classificação de gastos por natureza, porém, a alocação das 
despesas às funções pode envolver alocações arbitrárias. Pelo fato de 
a informação sobre a natureza das despesas ser útil para a previsão de 
futuros fluxos de caixa, o CPC 26 exige a divulgação adicional quando 
for usada a classificação com base no método da função das despesas. 
Mas a lei brasileira exige a classificação pela função, caso se refira às 
despesas comerciais.
Contabilidade Geral II 5
2. Despesas com Vendas: Tipos, Características 
e Definições 
O art. 187 da Lei nº 6.404/76, item III, estabelece que, para chegarmos ao 
lucro ou prejuízo “operacional”, devem ser consideradas as “despesas com 
as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas 
gerais e administrativas, e outras despesas operacionais”.
Segundo Gelbcke et al (2018, p.1532), “as despesas de vendas 
representam os gastos relacionados com os esforços da empresa para 
vender, tais como promoção, colocação e distribuição dos produtos, bem 
como os riscos assumidos por vendas a prazo”. Nos períodos em que 
forem registrados as receitas e os rendimentos, deverão estar registrados 
também todos os custos, despesas, encargos e riscos correspondentes 
àquelas receitas. As despesas de vendas, em geral, são mais facilmente 
identificáveis.
Despesas com pessoal.
 ▪ Comissões de vendas. 
 ▪ Ocupação. 
 ▪ Utilidades e serviços. 
 ▪ Propaganda e publicidade. 
 ▪ Despesas gerais. 
 ▪ Tributos e contribuições. 
 ▪ Perdas estimadas em créditos de liquidação duvidosa.
As despesas com pessoal podem ser alocadas por identificação 
direta, quando encontrar possibilidade, como o caso das despesas do 
pessoal da área de vendas. O mais comum é a folha de pagamento já 
vir segregada por departamento, facilitando a despesa relacionada 
ao pessoal de vendas, ou seja, uma despesa comercial. Não podemos 
esquecer de alocar os encargos sociais também de forma direta. Muitas 
outras despesas,como viagens e condução, já são identificadas por área. 
Quando alguns gastos são comuns às Vendas, à Administraçãoou à 
Produção, nesse caso, pode ser feito um rateio internamente, em bases 
razoáveis e adequadas, separando por áreas.
Despesas com Pessoal
As despesas com o pessoal devem ser contabilizadas no próprio mês a 
que se referem, mesmo não sendo pagas no período. Seu agrupamento 
está subdividido em subcontas, em que encontraremos salários, 
remuneração, benefícios etc.
Salários e ordenados – Normalmente salários brutos, acrescidos de hora 
extras e outros adicionais, se for o caso.
 ▪ Gratificações – Concedidas pela empresa espontaneamente. 
 ▪ Férias - Está dentro do princípio da competência. Ela deve ser 
Contabilidade Geral II 6
reconhecida como encargo adicional nos 11 meses anteriores ao 
período de gozo, ou seja, no período da efetiva prestação de serviços, 
e não quando paga ou gozada pelos funcionários. Nesse caso, deve se 
constituir mensalmente, ou ao menos na data do Balanço, uma conta 
de Férias a Pagar no Passivo. 
 ▪ 13º Salário - Deve ser contabilizado mensalmente, com base no tempo 
transcorrido, sendo que o valor total é apropriado proporcionalmente 
aos 12 avos ao ano. 
 ▪ INSS - Encargo social computado sobre a folha de pagamento, que 
representa ônus efetivo para a empresa.
 ▪ FGTS - Encargo da empresa relativo ao Fundo de Garantia do Tempo 
de Serviço. O registro como despesa deve ser feito no próprio mês de 
competência da folha de pagamento. 
 ▪ Assistência Médica - É comum as empresas oferecerem assistência 
médica e odontológica para seus empregados, com empresas 
especializadas,como seguradoras e operador de planos de assistência 
à saúde, nos chamados contratos coletivos ou empresariais.
Veja,a seguir, exemplos de contabilização de despesas com vendas - 
pessoal.
D – Despesas com Salários 
C – Salários a pagar 
D – Despesas com FGTS 
C – FGTS a pagar 
D – Despesa 13º Salário
C – 13º Salário a pagar 
Comissões de Vendas 
Normalmente, engloba todos os gastos com comissões devidas sobre 
vendas e os respectivos encargos sociais, sendo contabilizadas no 
mesmo período das respectivas vendas. 
Ocupação 
Nesse subgrupo, estarão registradas as despesas com a ocupação física 
dos imóveis e as instalações representadas por aluguéis. 
A apropriação dessas despesas como sendo de Vendas deve ser em 
função da utilização, pelos setores, dos bens a que se referem. No caso 
da subconta de Manutenção e Reparos em Despesas de Vendas, seriam as 
despesas relativas ao conserto de máquinas de escritório, de instalações, 
pinturas etc. 
Contabilidade Geral II 7
Utilidades e Serviços 
Esse subgrupo também pode ser utilizado como Despesa de Vendas 
e, além dos Custos de Produção, compreende algumas contas como 
reprodução, correios e malotes, seguros, transporte etc.
Propaganda e Publicidade
Específica de despesa de venda, mas, em certas circunstâncias, poderia 
ser considerada como despesa administrativa. É o caso de campanha não 
vinculada à promoção de vendas de produtos, como propaganda para 
melhoria da imagem da empresa ou, com sentido mais social, visando 
facilitar e estimular o recrutamento de pessoal etc. Seria o caso, também, 
de promoções feitas para captação de recursos.
Perdas Estimadas em Créditos de Liquidação Duvidosa
A forma de cálculo e contabilização das perdas estimadas em créditos de 
liquidação duvidosa tem a contrapartida registrada em Despesa de Vendas.
O valor a ser registrado em despesa de vendas é somente a diferença entre 
o saldo anterior das perdas (deduzido das baixas por contas incobráveis) e o 
novo saldo calculado. Não se deve registrar a reversão do saldo não utilizado 
das perdas para outra conta, tal como Outras Receitas. Em Despesas de 
Vendas, vamos registrar somente a contrapartida da constituição da nova 
estimativa. Essa despesa não é dedutível da base de cálculo do Imposto de 
Renda e da Contribuição Social (art. 13, inciso I, da Lei nº 9.249/95).
Vejamos, a seguir, um exemplo de contabilização de despesas com 
vendas – Comissões, Propaganda e Publicidade e Perdas Estimadas:
D – Comissões de Venda 
C – Comissões a pagar 
D – Propaganda e Publicidade 
C – Propaganda e Publicidade a pagar
D – Despesa PECLD
 C – PECLD Redutor de Ativo 
3. Despesas com Royalties e Franquias
Royalties é uma palavra de origem inglesa, que significa regalia 
ou privilégio. Consiste em uma quantia que é paga por alguém ao 
proprietário pelo direito de usar, explorar ou comercializar um produto, 
obra, terreno etc. Esta palavra é o plural de royalty, que significa realeza.
Contabilidade Geral II 8
Royalties possuem características diferentes. Observe:
Extração de recursos minerais, recebidos pelos governos em virtude da 
exploração de Petróleo pela Petrobras e outras empresas. 
 ▪ Extração de recursos naturais. Quando uma usina utiliza água para 
transformação em energia elétrica, ela também precisa repassar 
Royalties ao governo. 
 ▪ Royalties para patentes conforme orientação e conformidade com a 
Organização Mundial do Comércio. 
 ▪ Marcas, por utilização de um bem. Por exemplo, ao se utilizar uma 
música para um filme, deve-se pagar ao compositor ou à empresa 
responsável pelo direito de reprodução. 
 ▪ Royalties no mercado de franquias; normalmente, um percentual 
cobrado sobre o valor bruto vendido.
Vamos a um exemplo de lançamento contábil referente ao Pagamento 
de Royalties, pelo uso da patente “Suprema educação Viva”, no valor de 
R$ 4.500.000,00, com retenção de 1,5%, conforme cheque nº 3495 do 
Banco BABA.
D – Despesa com Royalties R$ 4.500.000,00 
C – IR a recolher R$ 67.500,00
C – Banco Conta Movimento R$ 4.432.500,00
Em relação às franquias, no sistema de franchising, o franqueado tem o 
direito de comercializar os produtos e serviços de uma marca, mas, para 
isso, precisa pagar royalties para o proprietário desta marca, normalmente 
já prevista sendo fonte de remuneração das franqueadoras. O mais usual 
aqui no Brasil é a cobrança de um determinado percentual (normalmente 
entre 5% a 30%) sobre o valor bruto que a franquia vende durante o mês. 
Em virtude desta aplicabilidade, o franqueador está sempre fiscalizando 
o faturamento de seus franqueados. Franquias são consideradas despesa 
para o franqueado, pois elas retratam a possibilidade de implemento 
nas vendas por se tratar de recurso. Neste caso, você pode comercializar 
os produtos ou serviços de uma marca que já está consolidada no 
mercado, que tem experiência e que já conquistou um público ao longo 
da sua trajetória. Lançar um produto novo ou prestação de serviço no 
mercado pode ser muito arriscado, mas com uma marca consolidada, o 
empreendedor pode mensurar a aceitação do público.
Royalties: Remuneração do franqueador, em contrapartida à cessão e 
manutenção dos direitos da franquia ao franqueado. 
Taxa de propaganda: É um fundo cooperado, administrado pelo 
franqueador, podendo ter também a participação de franqueados, e 
constituído, especialmente, para viabilização de ações de marketing e 
publicidade da rede. 
Contabilidade Geral II 9
COF – Circular de Oferta de Franquia: Documento obrigatório pela Lei 
de Franquias nº 8.955. Neste documento, o candidato a franqueado pode 
analisar a oportunidade de investimento em determinada franquia, já 
que lá constam todos os dados e informações necessários.
Vejamos, agora, como deve ser tratado o registro dos lançamentos 
contábeis com despesas de vendas, relacionado a franquias. A aquisição 
de franquias com participação no faturamento ou nos lucros, caso 
o contrato seja por prazo fixo. Em outras palavras, o valor pago será 
contabilizado no Ativo Imobilizado, pelo fato de ser depreciado durante 
o período de vigência das franquias.
Quanto às participações do licenciador nos lucros auferidos e no 
faturamento bruto conseguido pelo licenciado, os pagamentos mensais 
ou em outros prazos preestabelecidos serão contabilizados mensalmente 
como despesa pelo Regime de Competência, previsto nos Princípios da 
Contabilidade, mesmo que os valores não sejam imediatamente pagos. 
Por não se tratar de participaçãono capital do licenciado, as referidas 
participações serão contabilizadas como Despesa de Royalties ou 
Aluguel de Franquias.
Nesta unidade de aprendizagem, estudamos as Despesas Comerciais e 
o seu papel dentro da estrutura de resultados da empresa, ou seja, o 
confronto das receitas e as despesas. Falamos sobre o aspecto legal, CPC 
26 (R1), Lei nº 6404/76, e a Demonstração do Resultado do Exercício e 
sua estrutura com foco nas despesas com vendas. Tratamos de despesas 
com vendas diferenciadas, como os Royalties e Aluguel de Franquias, 
de conceitos envolvendo as Despesas de vendas, como sendo sacrifício 
financeiro para obtenção de receitas, sendo que tais receitas podem 
impulsionar as vendas, como a propaganda e publicidade. Além disso, 
também foram explorados os modelos de lançamentos contábeis em 
cima das principais despesas de vendas.
Referências
BRASIL. Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as 
Sociedades por Ações. Disponível em: . Acesso em: 22 jan. 2019. 
______. Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Altera a legislação do 
imposto de renda das pessoas jurídicas. Disponível em: Acesso em: 22 
jan. 2019.
______. Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Altera a legislação tributária 
federal relativa ao parcelamento ordinário de débitos tributários. 
Disponível em: Acesso em: 22 jan. 2019. 
CPC. CPC 26 (R1). Disponível em: . Acesso em: 22. jan. 2019. 
GELBCKE, E. R. et. al. Manual de contabilidade societária: aplicável a 
todas as sociedades, de acordo com as normas Internacionais e do CPC. 
3 ed. São Paulo: Atlas, 2019
Contabilidade Geral II 10
	Despesas Comerciais
	Para Início de Conversa...
	Objetivos
	1. Aspectos Legais e Normativos Sobre as Despesas Comerciais
	2. Despesas com Vendas: Tipos, Características e Definições 
	3. Despesas com Royalties e Franquias
	Referências

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