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INTRODUÇÃO À ENDOCRINOLOGIA 
 
Diferente do sistema nervoso, cuja ação é localizada, 
rápida e de curta duração, através da propagação do 
potencial de ação ao longo de um axônio, a ação do 
sistema endócrino é: 
 Mais abrangente – pois uma vez que o hormônio 
chega na corrente sanguínea, pode atingir 
virtualmente qualquer célula do corpo através da 
circulação. Essa abrangência tem uma limitação, 
pois é preciso que a célula alvo tenha um 
receptor especifico para aquele hormônio para 
que ela possa responder a uma determinada 
substancia hormonal. 
 Mais lenta – necessita-se que o hormônio 
chegue, através do sistema cardiovascular, no 
órgão alvo. A durabilidade dessa ação depende 
muito da meia vida do hormônio, enquanto o 
hormônio circula na corrente sanguínea, ele pode 
ser degradado, metabolizado por enzimas 
especificas que ficam, principalmente, nos 
fígados e nos rins, então a meia vida é o tempo 
que leva para que metade dele seja removido da 
circulação, por essas enzimas. 
 Mais duradoura – enquanto o hormônio 
continuar circulando na corrente sanguínea ele 
ainda pode encontrar a sua célula-alvo. Conforme 
o hormônio vai sendo degradado, os níveis 
circulantes vão decaindo, reduzindo a sua ação 
 
O QUE É UM HORMÔNIO? 
Um agente químico, sintetizado e secretado por glândulas 
discretas ou células em órgãos (rins, células atriais, células 
do intestino, etc.). Chegam às células alvo após a liberação 
e isso pode acontecer através da corrente sanguínea, ou 
para células alvo próximas a glândula, ou células 
secretoras através de difusão pelo liquido extracelular. 
Estimulam ou inibem funções em tecidos específicos que 
possuem receptores com afinidade para este hormônio. 
Vão controlar funções como metabolismo energético, 
homeostase interna, reprodução, crescimento, 
desenvolvimento. Os hormônios realizam essas funções 
através do controle de reação enzimática, transporte de 
moléculas através das membranas celulares, ou 
controlando a expressão gênica e a síntese proteica. 
 
SINALIZAÇÃO HORMONAL 
A sinalização hormonal pode-se dar por forma 
ENDÓCRINA, que é a mais comum, onde um hormônio é 
liberado por suas células secretoras, cai na corrente 
sanguínea e dali é levado pelo sistema circulatório aos 
diversos alvos, no corpo. 
EX: adrenalina e noradrenalina, sintetizadas na 
medula adrenal, chegando nos seus diversos 
alvos através da corrente sanguínea, como por 
exemplo coração. 
Forma parácrina – onde o hormônio se difunde pelo LEC, 
chegando a células alvos que estão próximas, por isso não 
é necessário passar pela circulação sanguínea primeiro. 
EX: cortisol, sintetizado no córtex da adrenal que 
cai na corrente sanguínea, que apesar de fazer 
sinalização endócrina em várias partes do corpo, 
mas consegue se difundir diretamente do córtex 
para a medula onde se liga a receptores na célula 
 
 
da medula, estimulando a conversão da 
noradrenalina em adrenalina. 
Forma autócrina – onde a célula que libera o hormônio já 
possui receptores para o próprio hormônio que ela libera, 
assim ele liga-se a esses receptores modificando a 
função da própria célula. 
EX: fator de crescimento epidérmico que pode 
se ligar na própria célula epidérmica que o liberou 
promovendo o crescimento. 
ESTRUTURA QUÍMICA DOS HORMÔNIOS 
Hormônios polipeptídicos: contém vários aminoácidos, não 
atravessam membranas; são danificados por 
temperatura elevada (por terem estrutura proteica, 
podem ser desnaturadas), são estocados em vesículas, 
como as vesículas são compostas por membrana, podem 
se fundir à membrana. 
São digeridos, portanto, não podem ser administrados 
oralmente, só podem ser injetados no corpo. 
Primeiro, há a transcrição do DNA em RNAm, e nos 
ribossomos esse RNAm vai desencadear uma sequência 
de aminoácidos que vão produzir um pré-pró-hormônio, 
este vai ser clivado por enzimas à pró-hormônios. 
Esses pró-hormônios no geral vão ser capsulados no 
aparelho de Golgi, dentro de vesículas contendo enzimas, 
essas enzimas vão fazer a clivagem final dessas 
substancias hormonais no hormônio em si, na cadeia 
peptídica que tem função/ação biológica. 
Uma vez que não conseguem atravessar a membrana 
livremente, os receptores polipeptídicos precisam ser 
ancorados na membrana. 
Hormônios esteroides: dericados do colesterol, por isso 
são lipossolúveis e atravessam membranas livremente. 
Portanto, são sintetizados apenas quando há demanda, 
não adianta colocar um hormônio desse na vesícula pois 
esta vai atravessar a membrana lipídica e se difundir. 
Algumas células possuem estoques de ésteres de 
colesterol em vacúolo citoplasmáticos, que podem ser 
rapidamente mobilizados quando há a necessidade de 
síntese desses hormônios. 
A partir do colesterol, tem a quebra da sua cadeia lateral, 
gerando pregnenolona, pela enzima CYP11A, então 
dependendo do tipo celular há uma sequência de enzimas 
diferentes, de forma que haverá uma sequência dessa 
cadeia diferenciada, sintetizando os diferentes 
esteroides. 
 
Como são lipossolúveis, podem ser ingeridos de forma 
oral, pois antes mesmo de serem destruídos pelos sulcos 
gástricos, assim que são liberados pelos comprimidos eles 
podem começar absorvidos, intactos, passando pelas 
membranas das células e atingindo a corrente sanguínea. 
Como atravessam membranas livremente, podem se ligar 
a receptores que estão dentro da célula. 
Hormônios derivados de aminoácidos: o aminoácido 
triptofano é o precursor da melatonina (glândula pineal) e 
a tirosina é o aminoácido precursor de dois grupos de 
hormônios: os hormônios da tireoide T3 e T4 e os 
hormônios noradrenalina e adrenalina, sintetizados e 
liberados na corrente sanguínea pela glândula adrenal. 
 
 
As catecolaminas: adrenalina e noradrenalina são 
hidrossolúveis e lipofóbicas, por isso podem ser 
sintetizadas e armazenadas em vesículas diretamente, 
tem uma liberação muito rápida. 
Os hormônios da tireoide, são lipofílicos, atravessando 
membrana diretamente e, portanto, podendo se difundir 
para dentro das células e acessar receptores dentro do 
citoplasma. 
Os hormônios tireoidianos possuem uma particularidade, 
são armazenados na glândula, mas de uma forma 
diferenciada, não é um hormônio pronto. O t3 e o T4, são 
armazenados na glândula tireoide, ligados a uma proteína 
tireoglobulina, por estarem armazenados a uma proteína 
não podem atravessar a membrana e podem ser 
armazenados, quando necessário a utilização desses 
hormônios eles estarão pré-prontos e então terá a 
quebra enzimática dessa tireoglobulina liberando T3 e T4, 
que se difundem para fora da glândula. 
 
OUTROS TIPOS DE DENOMINAÇÕES DE HORMÔNIOS 
Neuro-hormônios: secretados pelo tecido nervoso, caem 
na corrente sanguínea. Ex: ocitocina, ADH. 
Feromônios: substancias liberadas pelos animais como 
sinalização para membros da mesma espécie. As células 
alvo não está no corpo do indivíduo que secretou. Ex: 
sinalização de ciclo estral. 
Os hormônios que circulam livres, tem uma meia vida 
curta, pois estão mais suscetíveis a serem metabolizados 
pelas enzimas, que ficam principalmente no fígado e rins.
 
Já os hormônios esteroides e da tireoide, por não serem 
solúveis na agua do plasma, eles são transportados ligados 
a proteínas carreadoras, o que faz com que estes 
fiquem protegidos da ação enzimática, assim a meia vida 
é mais longa. 
 
FATORES QUE INTERFEREM NA RESPOSTA HORMONAL 
Tipo de tecido e relação tempo-efeito – diferentes 
tecidos com número diferente de receptores respondem 
de forma diferente a m determinado hormônio. E com o 
tempo de exposição ao hormônio também influencia a 
resposta. 
Relação dose-efeito e limite  
Efeito máximo: acima dessa dose, o efeito inicial não é 
aumentado. Possivelmente pois já não há mais receptores 
livres. 
Se houver alguma similaridade com outros hormônios, 
podem ocorrer efeitos adicionais, onde um hormônio que 
tenha uma afinidade fraca por receptores de outro 
hormônio com o qual é parecido, pode se ligara outros 
receptores. 
Superdosagem: quantidade de secreção, dimensão e 
funcionamento dos órgãos-alvo podem aumentar até 4x. 
Pode haver uma resposta do órgão-alvo com uma 
regulação para baixo dos receptores, onde ele deixa de 
expressar em grande quantidade os receptores 
hormonais ou mesmo remover receptores já ancorados 
na membrana, para reduzir essa resposta. 
Déficit na produção hormonal: os órgãos-alvo podem 
atrofiar em tamanho e função e passar a regular para 
cima, expressar mais receptores para esse hormônio. 
INTERAÇÃO ENTRE HORMÔNIOS 
Interfere na resposta, além de alguns hormônios 
poderem estimular ou inibir a síntese de outros. 
Há hormônios que possuem funções similares, fazendo 
um sinergismo, assim o efeito combinado dos hormônios 
é maior que o aditivo. 
O efeito combinado é bem maior do que o efeito normal 
de cada um. 
RECEPTORES HORMONAIS 
Moléculas de ligação especifica com um determinado 
hormônios, presente na célula-alvo; após a ligação, 
respostas biológicas especificas ocorrem. 
Possuem alta especificidade, embora alguns hormônios 
que tenham estrutura similar, possam ter uma 
sobreposição. 
Logo, um hormônio pode se ligar no receptor de outro, 
isso ocorre quando há um excesso de hormônio não 
especifico par aquele receptor. 
Os receptores podem variar em tempo de meia vida, isso 
é importante para o controle da resposta hormonal, pois 
se tem muitos receptores há uma regulação para cima 
da resposta, ou seja, a resposta fica aumentada. Caso 
tenha-se uma regulação para baixo do número de 
receptores, há uma menor ação desse hormônio sobre 
aquela célula. 
Os receptores também podem se dessensibilizar, quando 
tem um excesso de hormônio, ou aumentar em número 
na falta do hormônio. 
A quantidade de receptores varia entre tipos de célula, 
estagio funcional e por patogenias. 
RECEPTORES LIGADOS A CANAIS IÔNICOS 
O mais raro é o receptor que é um canal iônico, quando 
o hormônio se liga o próprio receptor é um canal iônico 
que se abre e permite a passagem do fluxo de ions. 
 
RECEPTORES LIGADOS A PROTEÍNA G 
Os receptores ligados a proteína G, são proteínas 
transmembranas, cuja parte que fica exposta para fora 
da célula tem um sitio de ligação com o hormônio e na 
parte interna tem uma proteína G. 
Quando o hormônio se liga a esse receptor, ocorre a 
ativação da proteína G e assim, ocorre uma dissociação 
de subunidades da proteína G, que promove alguma 
alteração nessa célula. 
O que acontece depois que essa proteína G é ativada, 
pode ser uma cascata de segundos mensageiros. 
 
 
O AMPc é um segundo mensageiro, onde o seu aumentou 
ou inibição vai promover uma cascata de reações, 
alterando a resposta celular 
Um outro segundo mensageiro pode ser o GMPc 
monofosfato de guanosina. 
Outra forma de ativação da proteína G e mecanismo de 
segundo mensageiro são por meio de fosfolipase C, que 
vai produzir diversos fosfolipídeos como segundos 
mensageiros, como IP3. 
 
Essas alterações dos níveos de segundos mensageiros, 
sempre vão promover alguma alteração na cascata 
enzimática dentro da célula. 
Tanto quanto aumenta quanto reduz o nível dos segundos 
mensageiros. 
Outro tipo de segundo mensageiro é o cálcio, que está 
em maior concentração fora da célula em relação ao meio 
interno. Quando ocorre a entrada de cálcio promovida 
pela ligação de hormônio ao seu receptor, esse cálcio se 
liga a uma classe de proteínas, que são as calmodulinas, 
cinases dependentes de cálcio, essas enzimas quando se 
ativam ao se ligarem com o cálcio, promovem a 
ativação/desativação de uma série de enzimas dentro do 
citosol da célula, promovendo alterações. 
 
RECEPTORES LIGADOS À ENZIMAS 
Quando ocorre uma ligação de um hormônio com um 
receptor ocorre a ativação/desativação de enzima que 
já está ligada ao receptor, o que causa uma série de 
alterações dentro da célula. 
 
RECEPTORES INTRACELULARES – COMPLEXO 
HORMÔNIO-RECEPTOR 
Os hormônios lipofílicos precisam de receptores 
citoplasmáticos, onde seu mecanismo de ação é após a 
passagem do hormônio pela membrana ele se liga ao 
receptor, e então o receptor ou partes dele se difundem 
pela célula até o núcleo, assim promovendo uma alteração 
na transcrição genica, estimulando ou inibindo a síntese 
de proteínas. 
 
CONTROLE DO SISTEMA ENDÓCRINO 
Pode ser circuito fechado ou retroalimentação do eixo ou 
via endócrina complexa: os níveis do próprio hormônio 
regulam a sua síntese e liberação. Essa retroalimentação 
pode ser negativa ou positiva. 
 
Retroalimentação negativa  A síntese do homronio 
cortisol, o hipotálamo produz o DRH – hormônio liberador 
de corticotrofina (ACTH) – que na hipófise estimula a 
síntese de ath, este cai na corrente sanguínea e no 
córtex da glândula suprarrenal ou adrenal, estimula a 
síntese de cortisol. Conforme os níveis de cortisol 
aumentam na corrente sanguínea, os níveis de cortisol 
aumentados inibem os secretagogos, tanto no hipotálamo 
quanto na hipófise. Assim, inibe o hipotálamo de produzir 
CRH e a hipófise de produzir ACTH, assim os níveis de 
cortisol são controlados e reduzidos. 
Retroalimentação positiva  um pouco mais raro, como 
o caso do estrogênio ou estradiol, hormônio sexual 
produzido nas gônadas, tem sua produção regulada pelo 
eixo hipotálamo-hipófise. Na maior parte do tempo, o 
estradiol, exerce feedback negativo sobre o hipotálamo 
e adeno-hipófise, mas os níveis de estradiol vão 
aumentando conforme avança o ciclo ovariano da mulher, 
conforme o folículo ovariano vai aumentando de tamanho, 
aumenta-se a produção de estradiol e ao final dessa fase 
folicular na gônada, há uma alteração da resposta do 
hipotálamo e da hipófise ao aumento do estradiol. 
Assim no final da fase folicular, o estradiol exerce um 
feedback positivo aumentando a produção no hipotálamo 
do GNRH - Hormônio liberador de gonadotrofina, na 
adeno-hipófise aumenta produção e liberação de LH e 
FSH, com o pico de LH ocorre a ovulação. 
 
Circuito aberto ou retroalimentação por resposta ou via 
endócrina simples: não é a produção hormonal em si que 
regula sua síntese e liberação, e sim um estimulo externo 
ou interno – que pode estar ligado à resposta promovida 
pelo hormônio. 
 
Após a liberação do hormônio e a alteração que ele causa, 
não ocorre mais esse estimula e assim ocorre a cessação 
da liberação desse hormônio. 
Hormônio da paratireoide PTH - quando ocorre uma 
redução da quantidade de cálcio presente no plasma, é 
uma estimulo para as células da glândula paratireoide 
produzirem o PTH, esse hormônio cai na corrente 
sanguínea, ele tem uma série de ações sobre ossos e rins 
que vão promover o aumento da concentração de cálcio 
plasmático. 
Quando a quantidade de cálcio aumenta, não tem mais o 
estimulo que promove a secreção do hormônio PTH e 
assim, a sura secreção cessa. Não é o aumento do nível 
de PTH e sim o estimulo que sua resposta causa que gera 
a retroalimentação. 
 
RITEMOS HORMONAIS
 
A liberação de hormônio, muitas vezes pode obedecer a 
um ritmo circadiano. O corpo, tem um ritmo, em cerca 
de 24 horas, ajustado pela exposição ao claro e o escuro, 
regido endogenamente pelo núcleo supraquiasmático e 
também pela liberação da melatonina, pela glândula pineal. 
Há uma série de ritmos, que em determinado período do 
dia é mais provável ter um aumento daquele hormônio, ou 
através de um estimulo ocorre um aumento exacerbado.

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