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HABILIDADES E TÉCNICAS DE ABORDAGEM

Apostila sobre habilidades e técnicas de abordagem no Serviço Social; traz definições de instrumental, instrumento e técnica; eixos valorativo, metodológico e operativo; discussão sobre demanda, observação, intervenção, direitos dos usuários, postura profissional e teorias da abordagem individual.

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Professor Thiago Bazi
HABILIDADES E TÉCNICAS DE 
ABORDAGEM
• Os usuários chegam aos assistentes sociais apresentando-se em forma de 
demanda. 
• Ou seja, o indivíduo deseja obter serviços e acesso e se beneficiar com o 
atendimento recebido. 
• Segundo Arruda (1998), a demanda nem sempre será a expressão da 
necessidade, seja pelo desconhecimento das pessoas em relação àquilo que 
precisam, seja pela desinformação sobre a existência da solução de seus 
problemas, seja pela ausência dos serviços necessários.
• No processo de intervenção do Serviço Social, observar não é simplesmente 
olhar, mas é destacar um conjunto de objetos ou algo específico, é prestar 
atenção nas caraterísticas, por exemplo, nas relações que estão em jogo 
(TRIVIÑOS, 1987).
• A intervenção social, segundo Cardoso (2008), nada mais é do que um 
resgate de direitos, de serviços socioassistenciais, que busca proporcionar 
aos sujeitos emancipação e exercício de cidadania, assim como estimular a 
sua autonomia. 
• Desse modo, uma das particularidades do trabalho do assistente social é 
intervir nos processos de enfrentamento da questão social, que se atualiza e 
se renova diante das diferentes conjunturas sociopolíticas.
• Para a efetivação do seu fazer profissional, os assistentes sociais tomam 
posse de um instrumental técnico-operativo que, segundo Trindade e 
Kourmowyon (2001), consiste em um conjunto de instrumentos e técnicas. 
• A técnica está interligada aos instrumentos, que são entendidos como 
mediadores e potencializadores do trabalho. 
• Já a operação é entendida como “[...] habilidade humana de fabricar, 
construir e utilizar instrumentos” (VARGAS, 1994, p. 15). 
A seguir, veja os conceitos de instrumental, instrumento e técnica.
• Instrumental: conjunto articulado de instrumentos e técnicas que 
permitem a operacionalização da ação profissional.
• Instrumento: estratégia ou tática por meio da qual se realiza a ação. 
• Técnica: habilidade no uso do instrumental. 
• É a criatividade.
• A natureza do instrumental é relacional, pois envolve relações com os 
sujeitos e está associada à ação profissional, pensada da 
concepção/elaboração até a sua operacionalização/ação, incluindo o 
momento da avaliação. 
• Essa avaliação permeia todo o processo e deve ser feita com base nos 
indicadores. 
• A percepção da ação profissional se constrói a partir das finalidades e não 
dos instrumentos. 
• Ou seja, ela se constrói a cada momento, pois as situações mudam. 
Eixos articuladores
• Eixo valorativo: está ligado à finalidade e aos objetivos, bem como 
vinculado à concepção.
• Eixo metodológico: trata-se da operacionalização propriamente dita, 
pois é ela que pressupõe que o profissional tenha clareza teórica frente 
ao objeto de intervenção
• Eixo operativo: determina que não basta pensar somente nos valores e 
nas concepções, mas é necessário haver estratégia e tática, ou seja, 
planejamento e ação. São as técnicas operacionais.
Direitos dos usuários e o compromisso do profissional do Serviço Social
• A profissão do Serviço Social, ao longo das décadas, sofreu muitas 
transformações e, em cada momento histórico, buscou e criou bases 
necessárias para sua atuação. 
• Muitas foram as conquistas e os avanços, mas é claro que ainda se tem 
inúmeros limites e desafios para um agir comprometido com os 
princípios e as diretrizes do código de ética e da lei de regulamentação. 
• No entanto, existem possibilidades de uma prática inovadora e 
diferenciada daquela instituída tradicionalmente no âmbito 
institucional.
• Os assistentes sociais precisam ter uma postura criativa e inovadora, com 
ações estratégicas que os levem a avançar, rompendo com atividades 
burocráticas e rotineiras.
• É necessário, então, superar as limitações, sabendo que, assim como mostra 
Iamamoto (2011), o exercício profissional corresponde às ações de um 
profissional que tem competência para propor, negociar com a instituição 
seus projetos e defender seu campo de trabalho, suas qualificações e suas 
funções profissionais.
• Ou seja, ir além daquilo que está posto, além da rotina da instituição, e 
procurar apreender o movimento da realidade.
Teorias da abordagem individual
• O Serviço Social, desde o seu surgimento até o final da década de 
1970, teve sua prática profissional orientada por uma racionalidade 
conservadora, valendo-se de referências teórico e ideoculturais 
baseadas no positivismo empirista e pragmatista
• As teorias de caso, grupo e comunidade formaram a tríade 
metodológica que orientou o Serviço Social na busca da integração do 
homem ao meio social. 
• O serviço social de caso centrava-se na personalidade do “cliente” e buscava 
formalizar mudanças no indivíduo a partir de novas atividades e 
comportamentos. 
• O indivíduo era visto como um elemento que deveria ser trabalhado, no 
sentido de ajustá-lo ao meio social e fazê-lo cumprir bem seu papel no 
sistema vigente. 
• Segundo Richmond (1915 apud ANDRADE, 2008, p. 281), “o diagnóstico 
social é a tentativa para chegar à definição, tão exata quanto possível, de 
uma situação social ou da personalidade do cliente”. 
• O atendimento e a solução das necessidades de adaptação é o que 
propunham as instituições de prestação de serviços sociais, às quais cabia a 
administração dos conflitos ou desajustamentos, que poderiam se constituir, 
em âmbito maior, nas chamadas rupturas de equilíbrio.
• O tratamento no Serviço Social tinha o objetivo de estabilizar ou 
melhorar a situação quanto à adaptação ou ao ajustamento social. 
• Sendo assim, o serviço social de caso pode ser concebido como um 
instrumento ou meio para liberação, no qual se utilizava a 
abordagem individual com o objetivo de atuar nos fatores causais 
ou problemas em potencial interligados à situação de saúde, nos 
contextos socioeconômico, cultural e emocional. 
• Sendo assim, a abordagem individual era utilizada como 
instrumento de identificação de situações sociais e problemas 
comuns à população. 
• Ao atender à população usuária, o profissional muitas vezes se utiliza da 
abordagem individual, que se refere aos atendimentos individuais que 
envolvem a acolhida, o atendimento social, a entrevista individual e as visitas 
domiciliares.
• Isso se dá especialmente nas situações que envolvem atendimento a 
indivíduos sem vínculos familiares ou que não estejam acompanhados no 
momento da intervenção profissional.
• Uma das expressões da particularidade do exercício profissional é o 
atendimento direto aos usuários. 
• Nesse sentido, a abordagem é de extrema relevância na relação entre 
assistente social e usuário, constituindo-se como ferramenta fundamental 
para subsidiar as decisões sobre as ações a serem realizadas.
• Sarmento (2013, p. 121) define a abordagem como o:
• [...] contato intencional de aproximação através do qual é criado um espaço 
de diálogo crítico, para a troca de informações e/ou experiências para a 
aquisição de conhecimento e/ou de um conjunto de particularidades 
necessárias à ação profissional e/ou o estabelecimento de novas relações de 
interesses dos usuários.
No atendimento individual, 
• a comunicação e a defesa de direitos se concretiza por meio de atividades e 
procedimentos técnicos desenvolvidos para promover 
• o entendimento, a informação e a identificação das formas de violação, bem 
como as garantias de sua efetivação, 
• as respostas e os recursos com os quais os indivíduos podem contar na rede 
socioassistencial e nas diversas políticas públicas.
• O acesso à defesa de direitos é garantido, por exemplo, a partir da 
disponibilização de orientações sobre os órgãos de defesa existentes no 
território e sobre suas atuações, competências, meios e formas de acesso, ou 
quando se esclarece uma dúvida de onde ir e como proceder em 
determinadas situações.
• Além de promover a informação, o atendimento individual proporciona a 
escuta, que consiste em um procedimento técnico componente do trabalho 
socialque serve para iniciar vínculos e estabelecer relações de confiança 
entre o profissional e o usuário. 
• A escuta constitui instrumento necessário para uma boa acolhida ao usuário 
e para o desenvolvimento das intervenções que se fizerem necessárias. 
• Para tanto, o profissional deve ter uma escuta qualificada, atribuída com 
respeito à história do sujeito, bem como às necessidades e às demandas 
apresentadas.
• A abordagem individual no Serviço Social é um modo de estabelecer a 
intervenção a partir de uma perspectiva denominada socioeducativa. 
• Na operacionalização desse trabalho, não se estabelece “[...] um 
padrão/modelo operacional para o desenvolvimento das ações que o 
materializam [...] é importante que os princípios norteadores da profissão 
estejam claramente conectados a uma forma de proceder [...]”, conforme 
lecionam Lima e Mioto (2011, p. 227). 
• Na abordagem individual, as atividades do trabalho socioeducativo são 
direcionadas à orientação e ao reconhecimento do território no qual o 
usuário vive; ou seja, atenta-se ao modo como vive o sujeito e às suas 
relações. 
• Trata-se de um trabalho em que se estabelecem ações de caráter educativo e 
político, uma vez que tanto o usuário como o assistente social se reconhecem 
como sujeitos desse processo. 
• Ou seja, o usuário pode e deve ser identificado como um dos protagonistas 
do processo interventivo, não somente como alguém que está recebendo 
serviços advindos das políticas públicas e sociais, mas como sujeito da 
intervenção profissional.
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