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BACHARELADO EM FONOAUDIOLOGIA 
 
 
 
MARCIONE DE ALMEIDA DIAS 
 
 
 
 
 
RELATÓRIO FINAL DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO OBRIGATÓRIO EM 
CAMPO CLÍNICO I 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MACAPÁ 
2026 
 
 
 
 
MARCIONE DE ALMEIDA DIAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RELATÓRIO FINAL DO ESTÁGIO SUPERVISIONDO OBRIGATÓRIO EM CAMPO 
CLÍNICO I 
 
 
Relatório de conclusão do Estágio, 
apresentado ao Curso de Bacharelado 
Em Fonoaudiologia, como requisito 
final para cumprimento das atividades 
exigidas na disciplina do Estágio 
Obrigatório – ÁREA CLÍNICA I. 
Professor(a) Orientador(a): Barbara 
Cassimira de Souza 
 
 
MACAPÁ 
2026 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
1. Introdução ......................................................................................................... 04 
2. Descrição do campo de estágio ...................................................................... 05 
3. Atividades e rotina do campo de estágio ....................................................... 07 
4. Público atendido ............................................................................................... 08 
5. Relato de experiência ....................................................................................... 08 
6. Estudo de caso ................................................................................................. 10 
7. Estudo de aperfeiçoamento ............................................................................. 14 
8. Considerações Finais ....................................................................................... 15 
9. Referências ....................................................................................................... 17 
ANEXOS .................................................................................................................18 
Avaliação de relatório Final ................................................................................. 38 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
A teoria aceita tudo. A rotina de um consultório clínico, no entanto, cobra um 
pedágio alto de quem se apoia apenas em apostilas teóricas. 
O início do Estágio Supervisionado em Campo Clínico I marca a fratura 
inevitável entre o estudante protegido pela academia e o futuro profissional exposto à 
realidade incontrolável. Realizado nas dependências da Sonora Saúde Ltda ao longo 
de março e abril de 2026, este período de prática desfez qualquer ilusão sobre o 
controle absoluto do ambiente terapêutico. A supervisão atenta da fonoaudióloga 
Maria José Costa dos Santos exigiu um ritmo de atendimento onde a adaptação rápida 
decidia o fracasso ou o êxito de uma sessão. Cumprimos ali uma carga horária 
estruturada e chancelada pelo Centro Universitário UniFatecie. A documentação 
formal é apenas a superfície. 
Diante de uma criança com suspeita de neurodivergência ou com desvios 
fonológicos severos, os protocolos engessados falham miseravelmente. Como coletar 
um inventário fonético limpo utilizando a lista de registro de imitação do Teste ABFW 
se o paciente sequer direciona o olhar ou recusa abrir a boca para tentar repetir a 
palavra indicada pelo examinador? O papel impresso perde a utilidade diante do 
retraimento comportamental. A vivência diária no estágio escancarou a necessidade 
de transmutar os materiais de apoio em ferramentas de investigação sorrateiras. 
Utilizar cartões ilustrando o cotidiano e reações emocionais infantis — com desenhos 
de um menino machucado ou crianças brincando de areia no escorregador — 
converteu-se na principal rota de fuga para arrancar precursores de linguagem. A 
tática contornava a recusa do comando direto e estimulava respostas ecoicas e de 
tato de forma orgânica. 
Este documento detalha o choque de realidade colhido na linha de frente do 
atendimento fonoaudiológico infantil e adolescente. As próximas páginas não narram 
um mero cumprimento de etapas curriculares, mas sim a arquitetura de intervenções 
adaptadas para casos reais. O texto dissecará a maneira como a manipulação do 
 
 
 
 
ambiente físico e o uso de estratégias atípicas de engajamento foram orquestrados 
para destravar a mecânica oral e prosódica de pacientes comunicativamente isolados. 
A prática atestou que reabilitar a fonação exige, obrigatoriamente, decodificar a mente 
de quem a produz. 
2. DESCRIÇÃO DO CAMPO DE ESTÁGIO 
 O estágio supervisionado foi realizado na clínica Sonora Saúde Ltda, situada 
na Avenida Procópio Rola, nº 2738, Bairro Santa Rita, em Macapá-AP. A clínica é uma 
de saúde especializada que oferece suporte em diversas áreas da reabilitação, des-
tacando-se pela estrutura voltada ao atendimento multidisciplinar e pela adequação 
dos espaços para intervenções fonoaudiológicas pediátricas. 
Figura 1 – Fachada da Clínica Sonora Saúde 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Autor (2026) 
A estrutura física da unidade é composta por consultórios equipados, recepção 
e áreas destinadas à avaliação e terapia infantil. O ambiente terapêutico infantil é um 
elemento de destaque, sendo equipado com recursos que favorecem a estimulação 
sensorial e motora, essenciais para o desenvolvimento de habilidades comunicativas. 
Entre os recursos disponíveis, observam-se superfícies de atividades com painéis de 
letras e números, materiais lúdicos de montagem, trampolins e estruturas de organi-
zação visual (como ábacos e relógios lúdicos), que permitem ao fonoaudiólogo estru-
turar o atendimento de maneira lúdica e funcional. 
 
 
 
 
Figura 2 – Sala de espera infantil 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Autor (2026) 
Para além dos aspectos técnicos e da infraestrutura de equipamentos, a 
Sonora Saúde Ltda prioriza a humanização do ambiente de atendimento. A disposição 
dos recursos lúdicos e a organização do espaço não visam apenas a eficácia 
terapêutica, mas também a criação de um ambiente seguro e acolhedor, fundamental 
para que o paciente infantil se sinta confortável em expressar-se. A atmosfera clínica 
foi planejada para reduzir a ansiedade comum ao ambiente de saúde, utilizando 
elementos que estimulam a ludicidade e a interação afetiva entre profissional e 
paciente. 
Figura 3 – Sala de atendimento 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Autor (2026) 
Isso não representa uma escolha de decoração aleatória. Trata-se de uma 
manobra de sobrevivência metodológica. Crianças com transtornos do 
 
 
 
 
desenvolvimento interpretam estímulos inóspitos ou espaços gélidos como ameaças 
diretas, respondendo com crises de esquiva severas. O desenho interno da Sonora 
Saúde absorve essa imprevisibilidade infantil. Ele entrega um espaço sensorialmente 
controlado onde a intervenção terapêutica ganha tração imediata, anulando a 
necessidade de forçar o paciente a lutar contra as próprias paredes do consultório. Na 
prática fonoaudiológica, o ambiente assume o papel ativo de um terceiro terapeuta. 
Essa estrutura física acolhe, organiza o comportamento do sujeito e dita o cenário 
exato onde o vínculo adquire um sentido verdadeiramente humano (Adaptado de 
WARE, 2010). 
3. ATIVIDADES E ROTINA DO CAMPO DE ESTÁGIO 
O funcionamento da Sonora Saúde Ltda impunha uma sincronia severa entre 
a fonoaudiologia, psicologia, fisioterapia e psicopedagogia. O trabalho cobrava 
antecipação. Preparar o consultório rapidamente perdeu o status de tarefa secundária. 
Essa etapa se transformou na primeira intervenção terapêutica do dia. A simples 
montagem de painéis multissensoriais ou a calibração prévia das pranchas de 
Comunicação Alternativa e Aumentativa (CAA) para pacientes não verbais ditava se 
a sessão fracassaria ou atingiria o alvo. O controle do ambiente determinava o grau 
de engajamento do paciente infantil. 
 Figura 4 – Prancha de Comunicação Alternativa 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Autor (2026) 
 
 
 
 
 
Nos bastidores o ritmo não permitia desaceleração. O manuseioe a 
organização constante dos prontuários ancoravam a minha compreensão estrutural 
sobre o avanço de cada caso. Eu debatia condutas de motricidade orofacial ou de 
linguagem infantil diretamente com a supervisora entre a saída de uma criança e a 
entrada de outra. A prática me forçou a entender que o talento no manejo de 
consultório vira fumaça quando o clínico negligencia a documentação sistemática dos 
seus achados. 
4. PÚBLICO ATENDIDO 
O público atendido na clínica é majoritariamente composto por crianças com 
queixas relacionadas a atrasos no desenvolvimento de linguagem, dificuldades de fala 
e questões sensoriais ou motoras que impactam a comunicação. A maioria dos 
pacientes encontra-se na faixa etária da primeira infância e escolar, muitas vezes 
apresentando diagnósticos ou suspeitas de Transtorno do Espectro Autista (TEA), 
atrasos globais do desenvolvimento ou dificuldades de aprendizagem, o que demanda 
uma abordagem terapêutica personalizada e altamente lúdica. 
A demanda por atendimento fonoaudiológico nesta unidade é complementada 
pela necessidade de intervenção conjunta com as áreas de psicologia, 
psicopedagogia e fisioterapia, evidenciando um perfil de paciente que requer suporte 
multidisciplinar para o alcance de metas funcionais. Durante as sessões, observou-se 
que o público atendido responde positivamente a estratégias que privilegiam a 
multimodalidade e o brincar direcionado, sendo a participação ativa dos familiares nas 
orientações um componente fundamental para a continuidade do processo terapêutico 
fora do ambiente clínico. 
5. RELATO DE EXPERIÊNCIA 
O cumprimento das trinta horas semanais na Sonora Saúde Ltda, entre os 02 
de março e 28 de abril de 2026, das 07h00 às 13h00, desconstruiu a ideia de um 
 
 
 
 
consultório engessado. Sob a supervisão direta da fonoaudióloga Maria José Costa 
dos Santos, o turno matutino exigia uma adaptação tática constante para atender a 
demanda. Preparar a sala antes de cada paciente não se resumia a espalhar brinque-
dos. Envolvia a seleção intencional de recursos de Comunicação Alternativa e Au-
mentativa, a montagem do tapete e a seleção de jogos brinquedos específicos para 
cada demanda. O ambiente precisava funcionar como o espelho da intenção terapêu-
tica. 
A etapa de avaliação testou minha percepção analítica. Durante a aplicação do 
Protocolo ABFW, a coleta do inventário fonético por meio de tarefas de imitação ma-
peou os mecanismos exatos de omissão e substituição de fonemas. Vi a teoria da 
faculdade ganhar som real. Na intervenção das queixas fonológicas, o uso de pares 
mínimos e do treino motor exigiu rigor técnico. Inserimos pistas visuais e auditivas 
para forçar a consciência fonológica em casos de grande resistência à correção do 
ponto articulatório. 
O manejo de pacientes no Transtorno do Espectro Autista cobrou um raciocínio 
diferente. O tratamento se apoiou na gamificação. Transformamos os interesses res-
tritos no combustível prático para estimular a intenção comunicativa e cobrar a ampli-
tude mandibular. Sem essa roupagem lúdica voltada para a inclinação do indivíduo, o 
engajamento seria inexistente. 
A infraestrutura física equipada e a troca de informações com a equipe interdis-
ciplinar sustentaram a minha curva de aprendizado. Notei uma fragilidade evidente na 
mecânica diária da clínica. A alta rotatividade de atendimentos espreme o tempo da 
sessão. A criança concorre contra o relógio. Uma solução rápida para esse gargalo 
envolve o desenvolvimento de cartilhas de orientação para os responsáveis que 
aguardam na recepção. Transferir parte da responsabilidade do treino de fixação de 
fonemas para a rotina de casa garante que a reabilitação não morra quando a porta 
do consultório se fecha. 
 
 
 
 
 
6. ESTUDO DE CASO 
 
I. Anamnese 
Nome (em siglas): G 
Data de nascimento: 23/ 04 / 2012 Idade: 14 anos 
Sexo: ( ) Feminino ( x ) Masculino 
Nome dos pais: Informação indisponível no momento da avaliação 
Endereço: Informação indisponível no momento da avaliação 
Bairro: Informação indisponível no momento da avaliação 
Cidade: Macapá- Ap UF: AP 
Profissão: Estudante 
Estado civil: Solteiro 
Diagnóstico ou hipótese diagnóstica Fonoaudiológica: Transtorno do Espectro 
Autista (TEA) a esclarecer; Alteração de Prosódia e Articulação 
Queixa principal (QP): Paciente apresenta fala "travada", caracterizada por pouca 
amplitude mandibular (distância entre os dentes durante a fala), além de padrão de 
fala monótono com pouca variação melódica e dificuldade na expressividade facial e 
vocal. 
HISTÓRICO 
Início do problema: A limitação na amplitude mandibular e a ausência de 
variação melódica na fala acompanham o paciente desde a primeira infância. O 
incômodo familiar agravou-se severamente na transição para a adolescência. A 
exigência pragmática do ambiente escolar expôs o isolamento comunicativo do jovem. 
A família relatou que a fala "travada" piora significativamente em situações de quebra 
 
 
 
 
de rotina diária ou quando o paciente é forçado a interagir fora do seu interesse 
restrito. Os responsáveis buscaram a avaliação fonoaudiológica atual ao perceberem 
que a rigidez motora estava inviabilizando a socialização básica e a expressão de 
emoções. 
 
Já realizou fonoterapia? ( x ) Sim ( ) Não 
Realizou intervenções pontuais na infância focadas no atraso primário de 
linguagem, recebendo alta prematura. Retornou agora para adequação motora e 
prosódica. A conduta terapêutica anterior falhou em recrutar a motivação intrínseca 
do adolescente 
 
Já realizou alguma cirurgia ( ) Sim ( x ) Não 
Quais cirurgias? Nenhuma intervenção cirúrgica relatada. 
Foi entubado ou teve alguma intercorrência? ( ) Sim ( x) Não 
Qual (is)? Sem histórico de intercorrências hospitalares. 
 
DADOS DE SAÚDE 
Apresenta rinite, sinusite, bronquite ou outra alergia frequentemente? ( ) Sim 
(x) Não 
Qual (is)? Nenhuma alteração respiratória crônica de via aérea superior documentada 
que justifique o bloqueio da amplitude oral. 
O que faz quando tem crise alérgica? Não se aplica. O prontuário não registra 
histórico de episódios alérgicos agudos. 
Apresenta algum problema de saúde? Ex: cardíaco, circulatório, hormonal ou 
outro? ( ) Sim ( x ) Não 
Qual (is)? 
 
 
 
 
Toma medicamento controlado (s)? ( ) Sim ( ) Não 
Qual (is)? Não foi informado 
Faz acompanhamento com algum outro profissional? ( x ) Sim ( ) Não 
Qual (is)? Acompanhamento psicológico semanal voltado para a regulação emocional 
e o manejo de crises de esquiva perante novas demandas. 
 
Antecedentes pessoais: O adolescente exibe um padrão comportamental com 
resistência moderada a mudanças. O tempo de lazer é quase integralmente 
consumido pelo hiperfoco no universo do personagem Sonic the Hedgehog. Identifica-
se um uso excessivo de telas dentro de casa. Reluta em sustentar a expressividade 
facial durante diálogos que fujam da sua zona restrita de conforto comunicativo. 
Antecedentes familiares: Histórico na família paterna e materna de indivíduos com 
traços agudos de retraimento social e comunicação restrita, não diagnosticados 
clinicamente na época. 
II. Avaliação 
A avaliação foi realizada de forma observacional e dinâmica, respeitando o 
perfil do paciente (adolescente com suspeita de TEA) e evitando comandos 
infantilizados. Observou-se que o paciente apresentava baixa amplitude mandibular 
durante a articulação em fala encadeada, o que comprometia a clareza e a nitidez dos 
fonemas. Na avaliação da prosódia, notou-se o uso de uma fala monótona, com 
escassez de marcadores expressivos (emoções) e desafios na intenção comunicativa 
pragmática. 
Para manter o engajamento na avaliação e nas tarefas subsequentes, utilizou-
se o hiperfoco do paciente no universo do personagemSonic the Hedgehog. Foram 
introduzidas atividades de leitura de palavras-alvo (ex: GA-BRI-EL, MA-GMA, A-NE-
 
 
 
 
IS) e observou-se a articulação do paciente, evidenciando a necessidade de treino 
motor para a transição de abertura e fechamento rápido da boca. 
III. Planejamento terapêutico 
Objetivo 
Geral 
 
Objetivos 
Específicos 
Estratégia 
/Técnica 
Exercício / 
Recurso 
Tempo/Duração 
do exercício 
Aumentar a 
amplitude 
mandibular e 
a precisão 
dos fonemas, 
além de 
desenvolver a 
variação 
melódica e 
pragmática 
narrativa 
1. Aumentar 
a amplitude 
da 
articulação 
temporomand
ibular. 
Treino Motor: 
"Power-Up 
Articulatório" e "O 
Bocejo do Sonic". 
Exercícios de 
abertura de boca 
extrema ("Ahhh") 
utilizando um 
espelho e 
imagens do 
personagem para 
imitação 
5 repetições 
(intercaladas com 
pausas 
estratégicas) 
2. Treinar a 
abertura de 
boca e 
distensão 
labial nas 
vogais 
abertas (A, 
O, U) e fala 
encadeada 
Treino 
Articulatório: "O 
Pulo das Vogais" 
e "O Código 
Secreto". 
Uso de um 
espaçador e 
emissão das 3 
vogais abertas (A, 
O, U). Leitura do 
scanner de voz 
com 6 palavras-
alvo (GA-BRI-EL, 
MA-GMA, MON-
TA-NHA, A-NE-IS, 
RA-PO-SA, E-S-
ME-RAL-DA) 
5 repetições 
 3. Melhorar a 
prosódia, 
entonação e 
a 
expressividad
e. 
Treino de 
Prosódia: 
"Dublagem de 
Cutscenes" e 
"Caminho das 
Esmeraldas" 
Atribuir emoções 
específicas (susto, 
raiva, alegria) a 
roteiros do jogo e 
treinar subidas e 
descidas de tom 
(glissandos) 
Tempo restante 
da sessão, 
utilizando o 
sistema de 
recompensa com 
"Anéis" a cada 
repetição correta 
 
 
 
 
 
IV. Evolução do paciente 
A gamificação e o uso de recursos focados nos interesses do paciente 
provaram ser extremamente eficazes para diminuir a resistência à mudança do padrão 
motor de fala e manter o engajamento. A abordagem da terapia através da lógica de 
"desempenho de dublagem" (explicando que a "caixa de som" precisava estar aberta 
para o som sair nítido) teve excelente aceitação. A utilização do biofeedback visual, 
como o uso de espelho e a gravação de vídeos para autoavaliação, ajudou o paciente 
a perceber a diferença entre sua fala monótona inicial e a fala mais expressiva e 
articulada. Ele também foi orientado a generalizar o comportamento em casa, usando 
a "Voz de Herói" (com boa abertura de boca) para fazer pedidos diários. 
V. Experiência Clínica 
 Acompanhar o caso do paciente foi uma experiência transformadora no que 
tange ao manejo de pacientes adolescentes neurodivergentes. Aprendi na prática que 
adaptar a linguagem da terapia e fugir de comandos infantilizados é essencial para 
construir o vínculo terapêutico. Além disso, pude vivenciar como a incorporação do 
hiperfoco do paciente (o universo Sonic) atua como um facilitador poderoso — 
transformando exercícios motores que seriam repetitivos e exaustivos em "fases", 
"missões" e "desafios" (como o Slow-Motion Challenge e o "Scanner de Voz"). Essa 
estratégia consolidou meu entendimento sobre a necessidade de personalizar o 
atendimento e pensar de forma criativa no planejamento fonoaudiológico. 
7. ESTUDO DE APERFEIÇOAMENTO 
A terapia fonoaudiológica com adolescentes no Transtorno do Espectro Autista 
exige a quebra de paradigmas repetitivos. O modelo tradicional de treino motor diante 
de um espelho falha frequentemente com esse público. A resistência à demanda é 
alta. Como convencer um jovem neurodivergente a modificar seu padrão de 
articulação e prosódia sem gerar crises de esquiva? A resposta validada na rotina 
 
 
 
 
clínica envolve a incorporação dos interesses restritos do sujeito como eixo estrutural 
do planejamento terapêutico. 
Essa manobra metodológica encontra respaldo na literatura sobre gamificação 
na saúde. Deterding et al. (2011) definem a gamificação como a aplicação de lógicas 
e designs de jogos em contextos do mundo real. No estudo de caso acompanhado, o 
hiperfoco no personagem Sonic the Hedgehog transformou exercícios exaustivos de 
motricidade orofacial em missões narrativas narradas pelo próprio paciente. Exigiu-se 
do adolescente que atuasse como dublador das cutscenes do jogo. Ele precisava 
garantir uma abertura mandibular correta para que o "scanner de voz" compreendesse 
a senha e liberasse o avanço da fase. 
A baixa amplitude da mandíbula e a fala monótona mascaram a real intenção 
comunicativa do autista. Zorzi (2015) descreve que a linguagem perde sua função 
social quando a mecânica do som não acompanha a métrica das emoções. O 
adolescente pode sentir irritação. A sua voz, no entanto, soará plana. Ele pode fazer 
uma pergunta, mas a entonação reta confunde quem o escuta. Reabilitar essas 
nuances físicas exige um nível de engajamento que comandos diretivos simples 
dificilmente alcançam na adolescência. 
Ao transmutar a sala de terapia em um cenário interativo, a motivação 
intrínseca do indivíduo acende. O acerto no ponto articulatório passa a ser pago com 
anéis virtuais. A falha na pronúncia vira apenas um obstáculo provisório da missão. 
Essa roupagem lúdica desintegra a ansiedade clínica natural associada à correção de 
erros. A instalação do novo padrão motor e prosódico acontece com fluidez porque o 
paciente compreende o ganho da tarefa. Trata-se da consolidação prática de uma 
abordagem verdadeiramente centrada na singularidade e no respeito ao universo 
particular do indivíduo (KLIN, 2006). 
8. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
A transição do ambiente acadêmico para a imprevisibilidade de um consultório 
representa um choque inevitável. Chegar à Sonora Saúde Ltda e lidar com a rotina 
 
 
 
 
real de pacientes infantis rasgou a minha ilusão de que a fonoaudiologia opera em 
linha reta. Livros didáticos não fazem birra na sala de espera. Protocolos estáticos não 
desviam o olhar durante uma avaliação clínica. 
Acompanhar casos práticos me forçou a abandonar a zona de conforto teórica. 
No tratamento do paciente A, a correção da queixa principal focada na substituição do 
som do S não se resumia a simplesmente demonstrar o ponto articulatório correto no 
espelho. O processo exigiu jogo de cintura e uma repetição exata disfarçada de 
estímulo lúdico para inibir o arredondamento labial inadequado durante a atividade do 
"sopro da cobra". O paciente G, por sua vez, representou o meu principal rito de 
passagem neste semestre. Estar diante de um adolescente neurodivergente com a 
articulação cronicamente travada provou que o domínio anatômico perde a validade 
se o clínico não souber acessar a motivação intrínseca do indivíduo. A conversão de 
uma terapia motora maçante em missões narradas focadas no hiperfoco do paciente 
quebrou a barreira comportamental que inviabilizava o tratamento. 
Essas interações moldaram meu raciocínio clínico atual. Percebi o impacto 
direto do planejamento espacial nas intervenções. A infraestrutura da clínica deixou 
de ser um mero detalhe visual para se revelar uma ferramenta ativa de regulação 
sensorial, reduzindo a ansiedade comum ao ambiente de saúde e facilitando a adesão 
infantil. Compreendi de forma definitiva que a aplicação de métodos terapêuticos 
engessados falha de forma miserável sem a elaboração de um vínculo honesto. 
Minha inclinação profissional não mudou com essa vivência. Entretanto, o 
estágio mostrou uma necessidade de aprofundamento na pesquisa sobre os 
transtornos do neurodesenvolvimento focados na linguagem e mecânica da fala. A 
reabilitação comunicativa contemporânea exige que o profissional atue fora da caixa. 
O cenário clínico atual cobra fonoaudiólogos dispostos a adaptar o ambiente e 
investigar o universo particular de quem se senta à sua frente para garantir que o 
indivíduo consiga exercer o seu direito básico de ser escutado e compreendido 
socialmente. 
 
 
 
 
 
9. REFERÊNCIAS 
DETERDING, S. et al. From game design elements togamefulness: defining 
gamification. Proceedings of the 15th International Academic MindTrek 
Conference. Nova York: ACM, p. 9-15, 2011. 
 
KLIN, A. Autismo e síndrome de Asperger: uma visão geral. Revista Brasileira de 
Psiquiatria, v. 28, s. 1, p. 3-11, 2006. 
PIMENTA, Selma Garrido. O estágio na formação de professores: unidade entre 
teoria e prática? 11. ed. São Paulo: Cortez, 2012. 
WARE, A. The healing environment. Nursing Standard, v. 24, n. 45, p. 35-37, 2010. 
ZORZI, J. L. O desenvolvimento da linguagem e suas alterações. São Paulo: 
Revinter, 2015. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANEXOS: 
 
 
 
 
 
AVALIAÇÃO DE RELATÓRIO FINAL 
 
Para que o relatório seja corrigido de forma imparcial foram definidos os 
critérios avaliativos e os critérios de anulação do relatório final. Os critérios que podem 
causar anulação do relatório final são: 
• Falta da entrega dos documentos utilizados no estágio (Termo de 
compromisso, ficha de acompanhamento e ficha de avaliação do supervisor de 
campo). Os documentos Termo aditivo e Dispensa de carga horaria devem 
estar presentes 
• Falta de assinatura nos documentos apresentados. 
• Inconsistências na ficha de acompanhamento. Realização do estágio no dia 
antes da data de vigência e/ou data de assinatura do termo de compromisso. 
Carga horária com mais de 6 horas diárias ou 30 horas semanais. 
• Ausência de fotos durante o estágio. Essas fotos devem ser do local e uma que 
contenha o aluno no local. Fotos de pacientes não precisam ser realizadas. 
• Segundo a lei 9.610 de 02/1998, plágio é configurado como crime. Caso 
apareça algum texto plagiado de algum site, artigo, livro ou semelhança com 
algum colega de turma será anulado e o aluno não terá nota. Trabalhos sem 
referências bibliográficas também são considerados plágio. 
• Relatório sem preenchimento ou fora do modelo proposto na disciplina. 
 
Os critérios avaliativos considerados na correção do relatório final de estágio, 
possuem o seguinte valor: (NÃO PREENCHER) 
 
 
 
 
 
 
 
CRITÉRIOS AVALIATIVOS VALOR PONTUAÇÃO 
Normas e padrões de formatação dentro das 
normativas da ABNT 
1,0 
Escrita científica 1,0 
Uso de referência bibliográficas atualizadas e 
relevantes 
1,0 
Ortografia, gramática e concordância adequada 1,0 
Descrição das atividades realizadas 2,0 
Identificação de dificuldades e problemas 
encontrados durante o estágio 
1,0 
Capacidade argumentativa 2,0 
Trabalho entregue no prazo estabelecido 1,0 
TOTAL 10,0 
 
 
________________________________________ 
Tutor(a) do Estágio 
 
 
 
XX/XX de 2026

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