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1
FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SUMÁRIO
SEXUALIDADE HUMANA 
2
FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO
A Faculdade Multivix está presente de norte a sul 
do Estado do Espírito Santo, com unidades em 
Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Nova 
Venécia, São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória. 
Desde 1999 atua no mercado capixaba, des-
tacando-se pela oferta de cursos de gradua-
ção, técnico, pós-graduação e extensão, com 
qualidade nas quatro áreas do conhecimen-
to: Agrárias, Exatas, Humanas e Saúde, sem-
pre primando pela qualidade de seu ensino 
e pela formação de profissionais com cons-
ciência cidadã para o mercado de trabalho.
Atualmente, a Multivix está entre o seleto 
grupo de Instituições de Ensino Superior que 
possuem conceito de excelência junto ao 
Ministério da Educação (MEC). Das 2109 institui-
ções avaliadas no Brasil, apenas 15% conquistaram 
notas 4 e 5, que são consideradas conceitos 
de excelência em ensino.
Estes resultados acadêmicos colocam 
todas as unidades da Multivix entre as 
melhores do Estado do Espírito Santo e 
entre as 50 melhores do país.
MiSSão
Formar profissionais com consciência cida-
dã para o mercado de trabalho, com ele-
vado padrão de qualidade, sempre mantendo a 
credibilidade, segurança e modernidade, visando 
à satisfação dos clientes e colaboradores.
ViSão
Ser uma Instituição de Ensino Superior reconheci-
da nacionalmente como referência em qualidade 
educacional.
GRUPO
MULTIVIX
4
FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO
Aluno (a) Multivix,
Estamos muito felizes por você agora fazer parte 
do maior grupo educacional de Ensino Superior do 
Espírito Santo e principalmente por ter escolhido a 
Multivix para fazer parte da sua trajetória profissional.
A Faculdade Multivix possui unidades em Cachoei-
ro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Nova Venécia, 
São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória. Desde 1999, 
no mercado capixaba, destaca-se pela oferta de 
cursos de graduação, pós-graduação e extensão 
de qualidade nas quatro áreas do conhecimento: 
Agrárias, Exatas, Humanas e Saúde, tanto na mo-
dalidade presencial quanto a distância.
Além da qualidade de ensino já comprova-
da pelo MEC, que coloca todas as unidades do 
Grupo Multivix como parte do seleto grupo das 
Instituições de Ensino Superior de excelência no 
Brasil, contando com sete unidades do Grupo en-
tre as 100 melhores do País, a Multivix preocupa-
-se bastante com o contexto da realidade local e
com o desenvolvimento do país. E para isso, pro-
cura fazer a sua parte, investindo em projetos so-
ciais, ambientais e na promoção de oportunida-
des para os que sonham em fazer uma faculdade 
de qualidade mas que precisam superar alguns 
obstáculos. 
Buscamos a cada dia cumprir nossa missão que é: 
“Formar profissionais com consciência cidadã para o 
mercado de trabalho, com elevado padrão de quali-
dade, sempre mantendo a credibilidade, segurança 
e modernidade, visando à satisfação dos clientes e 
colaboradores.”
Entendemos que a educação de qualidade sempre 
foi a melhor resposta para um país crescer. Para a 
Multivix, educar é mais que ensinar. É transformar o 
mundo à sua volta.
Seja bem-vindo!
APRESENTAÇÃO 
DA DIREÇÃO 
EXECUTIVA
Prof. Tadeu Antônio de Oliveira Penina 
diretor Executivo do Grupo Multivix
5
FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SUMÁRIO
liSTa dE FiGuRaS
 > FIGURA 1 - Intersetorialidade 19
 > FIGURA 2 - Responsáveis pela garantia da Educação como direito 20
 > FIGURA 3 - Ações na perspectiva da intersetorialidade 23
 > FIGURA 4 - Intersetorialidade: conceitos-chave 26
 > FIGURA 5 - Etapas do trabalho escolar envolvendo
a temática da sexualidade 29
 > FIGURA 6 - Mecanismos condicionantes da sexualidade 38
 > FIGURA 7 - Elementos que compõe a concepção sobre sexualidade 39
 > FIGURA 8 - Descrição de práticas sexuais normais
e anormais a partir da ideia do “coito natural” 40
 > FIGURA 9 - Aspectos que trazem implicações para
a construção da sexualidade 45
 > FIGURA 10 - Fase oral 53
 > FIGURA 11 - Adultização infantil 63
 > FIGURA 12 - Erotização precoce 64
 > FIGURA 13 - Abordagem da sexualidade em uma
proposta pedagógica ético-política 73
 > FIGURA 14 - Características da criança sexualmente saudável 79
 > FIGURA 15 - Conceitos-chave para o desenvolvimento
saudável da sexualidade 80
 > FIGURA 16 - A escola na proposta de EPS 90
 > FIGURA 17 - A família na proposta EPS 91
 > FIGURA 18 - A comunidade na proposta de EPS 92
 > FIGURA 19 - Ações do Programa Saúde na Escola 95
 > FIGURA 20 - Princípios do PSE 96
 > FIGURA 21 - Ações de saúde na educação 99
 > FIGURA 22 - Constituição do conceito de gênero 105
 > FIGURA 23 - Orientação sexual 107
 > FIGURA 24 - Identidade de gênero 107
6
FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO
liSTa dE FiGuRaS
 > FIGURA 25 - Questões que ameaçam a tentativa de
controle da permissividade sexual 112
 > FIGURA 26 - Conceitos-chave da abordagem emancipatória 115
7
FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SUMÁRIO
liSTa dE QuadRoS
 > QUADRO 1 - Ações previstas na Agenda Nacional
para a Promoção do Desenvolvimento Saudável da Juventude 31
 > QUADRO 2 - Estágios Psicossexuais do Desenvolvimento 55
 > QUADRO 3 - Principais marcos da política
em saúde para adolescentes 67
 > QUADRO 4 - Concepções de sexualidade de
docentes da educação básica 74
 > QUADRO 5 - Princípios da educação sexual no contexto escolar 80
8
FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO
SuMÁRio
1 Educação, SaúdE E SExualidadE: iNTERSEcçÕES PoSSÍVEiS 17
1.1 EDUCAÇÃO, SAÚDE E SEXUALIDADE: INTERSECÇÕES POSSÍVEIS 17
1.1.1 CONCEITOS DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL, EDUCAÇÃO, 
SAÚDE E INTERSETORIALIDADE 18
1.2 A TEMÁTICA DA SEXUALIDADE E AS ARTICULAÇÕES 
POSSÍVEIS COM OS CAMPOS DA EDUCAÇÃO E DA SAÚDE 26
BiBlioGRaFia coMENTada 32
coNcluSão 33
2 a SExualidadE coMo coNSTRução SÓcio-HiSTÓRico-culTuRal 35
iNTRodução da uNidadE 35
2.1 A SEXUALIDADE COMO CONSTRUÇÃO SÓCIO-HISTÓRICO-CULTURAL 36
2.1.1 DIMENSÕES HISTÓRICO-SOCIAIS DA SEXUALIDADE 37
2.1.2 IMPLICAÇÕES DE ALGUNS ASPECTOS SOCIAIS, 
HISTÓRICOS E CULTURAIS NA CONSTRUÇÃO DA SEXUALIDADE HUMANA 45
coNcluSão 48
3 SExualidadES: NÍVEl BiolÓGico E PSicoSSExual 
E SuaS MaNiFESTaçÕES Na iNFÂNcia E adolEScÊNcia 50
iNTRodução 50
3.1 SEXUALIDADES: NÍVEL BIOLÓGICO E PSICOSSEXUAL E 
SUAS MANIFESTAÇÕES NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA 51
3.1.1 SEXUALIDADE INFANTIL: A CRIANÇA COMO SER SEXUAL 52
UNIDADE 1
UNIDADE 2
UNIDADE 3
9
FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SUMÁRIO
SuMÁRio
3.1.2 A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE SEXUAL ADOLESCENTE 59
3.1.3 PROBLEMAS DE SAÚDE MAIS PREVALENTES NA INFÂNCIA 
E ADOLESCÊNCIA E SEUS CONDICIONANTES SOCIOECONÔMICOS 
E DE ESTILO DE VIDA 62
BiBlioGRaFia coMENTada 68
coNcluSão 69
4 SExualidadE coMo caMPo dE ESTudoS da Educação 71
iNTRodução 71
4.1 SEXUALIDADE COMO CAMPO DE ESTUDOS DA EDUCAÇÃO 72
4.1.1 INTERSECÇÕES ENTRE SEXUALIDADE E EDUCAÇÃO 72
4.1.2 DIFERENCIANDO CONCEITOS: SEXO, SEXUALIDADE 
E EDUCAÇÃO SEXUAL 77
4.1.3 AS POSSIBILIDADES OFERECIDAS NO ATENDIMENTO ÀS 
NECESSIDADES DE CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO 
INFANTIL E ADOLESCENTE 78
BiBlioGRaFia coMENTada 83
coNcluSão 84
UNIDADE 4
10
FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO
UNIDADE 5
UNIDADE 6
SuMÁRio
5 ocoNcEiTo dE EScola SaudÁVEl dENTRo daS ESTRaTÉGiaS 
dE PRoMoção da SaúdE E oS PRoGRaMaS TRaNSVERSaiS 
No ENSiNo BÁSico 86
iNTRodução 86
5.1 O CONCEITO DE ESCOLA SAUDÁVEL DENTRO DAS 
ESTRATÉGIAS DE PROMOÇÃO DE SAÚDE 87
5.1.1 PARCERIAS, ALIANÇAS E O PACTO SOCIAL 93
5.1.2 PROGRAMAS DE EDUCAÇÃO E DE SAÚDE NA ESCOLA 
DENTRO DA PERSPECTIVA DAS ÁREAS TRANSVERSAIS 
DE ENSINO FUNDAMENTAL: PROGRAMAÇÃO, CRITÉRIOS 
E INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO 95
BiBlioGRaFia coMENTada 99
coNcluSão 100
6 aBoRdaGENS coNTEMPoRÂNEaS PaRa a Educação SExual Na Sala 
dE aula: RElaçÕES dE GÊNERo, oRiENTação SExual E iGualdadE 
NuMa PRoPoSTa dE RESPEiTo ÀS diFERENçaS 102
iNTRodução 103
6.1 ABORDAGENS CONTEMPORÂNEAS PARA A EDUCAÇÃO SEXUAL 
NA ESCOLA: RELAÇÕES DE GÊNERO, ORIENTAÇÃO SEXUAL E 
IGUALDADE NUMA PROPOSTA DE RESPEITO ÀS DIFERENÇAS 103
6.1.1 DEFININDO CONCEITOS: GÊNERO, ORIENTAÇÃO 
E IDENTIDADE SEXUAL 104
6.1.1.1 GÊNERO 104
6.1.1.2 ORIENTAÇÃO SEXUAL 107
6.1.1.3 IDENTIDADE SEXUAL OU DE GÊNERO 107
6.1.2 EDUCAÇÃO SEXUAL: POSSIBILIDADES DIDÁTICAS 108
11
FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SUMÁRIO
SuMÁRio
6.1.3 ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO SAUDÁVEIS E NÃO PUNITIVAS 
NOS CASOS DE MANIFESTAÇÃO DA SEXUALIDADE 
NO AMBIENTE ESCOLAR 118
BiBlioGRaFia coMENTada 121
coNcluSão 121
REFERÊNciaS 123
12
FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO
icoNoGRaFia
ATENÇÃO 
PARA SABER
SAIBA MAIS
ONDE PESQUISAR
DICAS
LEITURA COMPLEMENTAR
GLOSSÁRIO
ATIVIDADES DE
APRENDIZAGEM
CURIOSIDADES
QUESTÕES
ÁUDIOSMÍDIAS
INTEGRADAS
ANOTAÇÕES
EXEMPLOS
CITAÇÕES
DOWNLOADS
13
FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SUMÁRIO
BIODATA DA AUTORA 
Roselaine Pontes de almeida
Mestre em Educação e Saúde na Infância e Adolescência pela Universidade Fede-
ral de São Paulo. Pedagoga e Psicopedagoga. Professora de cursos de Graduação e 
Pós-graduação, atuando nos cursos de Licenciatura em Letras, Matemática, Especiali-
zação em Psicopedagogia e Neuropsicologia. Professora autora de Educação Infantil 
no projeto Planos de Aula da Nova Escola. Atua como docente, formadora de profes-
sores e produtora de conteúdo para EaD.
JUSTIFICATIVA 
O trabalho com crianças e adolescentes demanda dos profissionais conhecimen-
tos que os permitam lidar com questões relacionadas à Educação, Saúde e Sexua-
lidade. Muitos dos tópicos que compõem essas temáticas representam um desafio 
para o educador, uma vez que são cercados por mitos, tabus e falta de informação. 
Compreender a construção sócio-histórico-cultural destas temáticas em suas múlti-
plas dimensões auxilia o professor a refletir sobre a importância de um trabalho volta-
do à equidade e respeito às diferenças, favorecendo o entendimento de suas princi-
pais manifestações, dúvidas e conflitos, que naturalmente adentram o espaço escolar 
e permeiam a relação entre professor e aluno. Tendo isso em vista, esta disciplina 
foi estruturada de modo a oferecer as principais abordagens que fundamentam o 
estudo e a atuação prática com as temáticas da Educação, Saúde e Sexualidade. 
A proposta é oferecer um panorama sobre as diferentes dimensões da construção, 
manifestação e suas implicações pessoais e sociais das questões relacionadas à saúde 
e sexualidade.
14
FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO
ENGAJAMENTO 
A proposta desta disciplina é fazer uma articulação entre os temas que envolvem 
Educação, Saúde e Sexualidade, de modo a permitir um diálogo que favoreça a refle-
xão e a construção de práticas voltadas à valorização e respeito às diferenças. Assim, 
antes de iniciar este estudo, reflita sobre seu conhecimento prévio sobre essa temáti-
ca e como você imagina que ela pode ser abordada na atualidade: 
• Como lidar com a curiosidade, as dúvidas e as manifestações da sexualidade
no ambiente escolar?
• De que modo Educação, Saúde e Sexualidade podem ser trabalhadas na
escola?
• Quais programas têm sido desenvolvidos nas escolas, visando à promoção de
educação, saúde e orientação sobre sexualidade? O que eles propõem?
Certamente as respostas a estas questões não esgotam as abordagens destes temas, 
que são tão amplos e complexos. Nosso desejo, pelo contrário, é que elas suscitem 
ainda mais curiosidade e vontade de compreender as múltiplas possibilidades em 
que Educação, Saúde e Sexualidade podem ser investigadas. Embarque conosco 
nessa descoberta!
APRESENTAÇÃO DA 
DISCIPLINA
Seja bem-vindo à disciplina Educação, Saúde e Sexualidade! Nela, você vai conhe-
cer as diferentes dimensões em que cada um destes temas tem sido estudado e as 
intersecções possíveis entre eles, além das implicações que as diferentes abordagens 
trazem para o debate e construção do conhecimento nas diversas áreas. A proposta é 
tratar os temas de forma ampla, abordando educação, saúde e as diferentes manifes-
tações da sexualidade na infância e adolescência, buscando articular questões bioló-
gicas e psicossexuais às possibilidades que estes conhecimentos oferecem para a 
compreensão sobre o crescimento e desenvolvimento infanto-juvenil.
15
FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SUMÁRIO
Também serão estudados nesta disciplina os programas de Educação e Saúde na 
escola e as abordagens contemporâneas para a educação sexual na escola, numa 
perspectiva de trabalho voltada ao respeito às diferenças. Sabemos que esta temática 
representa um grande desafio no contexto escolar, por isso, conhecer sua fundamen-
tação teórica e estratégias de como lidar com estes temas é fundamental à forma-
ção do professor. Deste modo, é importante que você realize as leituras e atividades 
propostas, pois é a partir de seu estudo e engajamento que o conhecimento poderá 
ser construído. 
OBJETIVOS DA DISCIPLINA
Ao final desta disciplina, esperamos que você seja capaz de:
• Apontar os paradigmas subjacentes às várias abordagens que articulam
educação, saúde e sexualidade e seus reflexos no cotidiano escolar.
• Discutir a sexualidade como uma construção sócio-histórico-cultural, buscan-
do desconstruir preconceitos e mitos existentes.
• Articular teoria à prática de propostas que visem à prevenção ao preconceito,
à discriminação e ao respeito à diversidade.
16
FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO
OBJETIVO 
Ao final desta 
unidade, 
esperamos 
que possa:
> Analisar e interpretar
diferentes abordagens
sobre educação, saúde
e sexualidade.
> Discutir os conceitos
de desenvolvimento
social, educação, saúde
e intersetorialidade.
> Expressar as
articulações possíveis
entre educação, saúde
e sexualidade.
UNIDADE 1
17
FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SUMÁRIO
1 EDUCAÇÃO, SAÚDE 
E SEXUALIDADE: 
INTERSECÇÕES POSSÍVEIS
O presente conteúdo foi elaborado com o objetivo de fornecer a base teórica para a 
compreensão de Educação, Saúde e Sexualidade, em suas múltiplas possibilidades 
de manifestação e investigação. Nesta Unidade, você vai estudar como se constitui 
cada um destes campos e o que propõem as diferentes abordagens. Depois, serão 
abordadas as articulações possíveis entre os temas, apresentando as intersecções já 
existentes entre essas áreas. 
Para essa compreensão, você estudará o conceito de intersetorialidade, pois o obje-
tivo é explicitar como essa reunião de esforços em busca da definição de objetivos 
comuns e ações articuladas pode significar o bom planejamento e atuação efetiva no 
combate às demandas educacionais, de saúde e até sociais. 
Diante desta premissa, Educação, Saúde e Sexualidadeserão abordadas em suas 
múltiplas dimensões, tendo como objetivo a construção de um conhecimento holís-
tico sobre essas temáticas, de modo a possibilitar práticas respeitosas e inclusivas no 
âmbito escolar. 
1.1 EDUCAÇÃO, SAÚDE E SEXUALIDADE: 
INTERSECÇÕES POSSÍVEIS
Educação, Saúde e Sexualidade são temas de pesquisa e atuação de várias áreas 
do conhecimento. Em algumas delas, a interdisciplinaridade inerente a eles é mais 
explícita e aproxima os conceitos e saberes próprios de cada campo, favorecendo a 
compreensão para que se atue sobre um dado fenômeno. Ao se considerar as trans-
formações do mundo contemporâneo e as demandas educacionais atuais, nota-se 
que essas intersecções são imprescindíveis, pois tornam possível uma reunião de 
dados e informações para a reflexão e tomada de decisões amplas e diversificadas.
18
FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO
Compreender cada uma destas áreas e como elas dialogam entre si é importan-
te para que se desenvolva um pensamento articulado em prol dos benefícios que 
essa intersecção pode representar. Nesta perspectiva, serão definidos cada um destes 
conceitos, e você entenderá como, juntos, constroem a possibilidade de reflexões e 
ações no âmbito intersetorial.
1.1.1 CONCEITOS DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL, 
EDUCAÇÃO, SAÚDE E INTERSETORIALIDADE
Muitas vezes ao assistir o telejornal ou ao ler jornais e portais da internet, nos depara-
mos com notícias que falam sobre desenvolvimento social. Esse termo, geralmente 
pouco compreendido isoladamente, muitas vezes é associado a economia, progra-
mas sociais, assistência à saúde, cidadania, dentre tantos outros, passando a ideia de 
amplitude do conceito. Mas, afinal, o que é desenvolvimento social? 
Desenvolvimento social diz respeito às condições e qualidade de vida de uma dada 
população. Como ocorre a partir da reunião de vários fatores, expressa-se no bem-es-
tar social, um conceito que agrega democracia, liberdade, justiça, equidade, tolerân-
cia, igualdade e solidariedade. Assim, uma sociedade possui bom desenvolvimento 
social quando há possibilidades reais de satisfação de suas necessidades, que vão 
desde a expectativa de vida de homens, mulheres e crianças até o acesso e fruição de 
bens educacionais, de saúde, moradia e empregabilidade (LAMPREIA, 1995). 
Para que as necessidades da população sejam atendidas e, com isso, haja desenvol-
vimento social, é necessário que haja articulação de políticas econômicas e sociais, 
numa perspectiva de enfraquecimento e abandono das ações fragmentadas e conse-
quente fortalecimento do regime de colaboração entre setores.
19
FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SUMÁRIO
FIGURA 1 - INTERSETORIALIDADE
Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.
Nesta perspectiva, a Educação tem sido vista como uma forma de potencializar o 
desenvolvimento das pessoas, já que, tradicionalmente, é transmitida a crianças 
desde a mais tenra idade e, cada vez mais, em instituições especializadas. No passa-
do, a educação na primeira infância (até os 6/7 anos) ocorria em casa e, muitas vezes, 
depois disso, com preceptores contratados pela família; mais recentemente, a partir 
desta idade, as crianças iam para a instituição escola. Na atualidade, as mudanças 
sociais e nas configurações familiares, além das conquistas das mulheres pela inde-
pendência financeira e vida autônoma, fizeram surgir a necessidade de uma educa-
ção voltada às crianças pequenas, com menos de 3 anos de idade.
Vê-se, com essa nova configuração, que as crianças – aprendizes de uma dada cultura 
e sociedade – recebem, cada vez mais cedo, uma educação institucionalizada, o que 
torna a escola (a creche) em um local de ensino por excelência. Você já parou para 
pensar no que isso pode significar?
Se, por um lado, as crianças hoje podem ter maiores possibilidades de contato com 
a diversidade, com as múltiplas formas de expressão e vivência dos indivíduos de 
diferentes culturas, também se pode imaginar que alguns aprendizados básicos e 
20
FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO
o desenvolvimento de importantes habilidades, como experiências que ensinem
valores morais e éticos, o controle dos impulsos, a frustração e o respeito às ideias e
opiniões dos outros, por exemplo, podem, muitas vezes, ser insuficientemente explo-
rados e desenvolvidos.
Essa reflexão é importante para nos fazer compreender como a educação, seja ela 
formal (que ocorre nos sistemas de ensino), seja a não formal (que ocorre ao longo 
da vida, fora da escola), é um importante elemento que ajuda a moldar as crenças, 
valores e subjetividades, que contribuem para a formação da identidade das pessoas. 
Observando outro aspecto da Educação, é preciso reconhecer que, sendo ela um 
direito cuja garantia deve ser assegurada pelo Estado, pela família e pela sociedade 
(BRASIL, 1988), ela prevê a reunião de esforços e o compartilhamento de responsabi-
lidades. Essa premissa aparece na BNCC (Base Nacional Comum Curricular) (BRASIL, 
2017), que expressa que “a educação deve afirmar valores e estimular ações que 
contribuam para a transformação da sociedade, tornando-a mais humana, social-
mente justa e, também, voltada para a preservação da natureza”. Assim, vê-se que a 
Educação não é ação ou responsabilidade de um só, mas sim, que para se efetivar, 
depende da união e do esforço coletivo.
FIGURA 2 - RESPONSÁVEIS PELA GARANTIA DA EDUCAÇÃO COMO DIREITO
EDUCAÇÃO 
como direito
Estado
Família
Sociedade
Fonte: Elaborada pela autora.
21
FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SUMÁRIO
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é o documento que define no 
Brasil as aprendizagens essenciais a que todos os alunos têm direito durante 
a Educação Básica. É ele a referência obrigatória que deve nortear a elabora-
ção dos currículos das redes de ensino (tanto públicas quanto privadas) em 
escolas de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio de todo 
o país.
A BNCC está disponível no site do Ministério da Educação e Cultura, e o docu-
mento pode ser acessado e baixado na íntegra ou por nível de ensino. Vale a 
pena conferir!
O caráter colaborativo do princípio de garantia da educação também é visto em 
outros setores. Na área da Saúde, por exemplo, também se percebe o esforço do 
trabalho conjunto, por vezes inter ou multidisciplinar, visando atuação para preven-
ção ou combate de doenças, atrasos ou transtornos do desenvolvimento. Entre os 
profissionais deste campo, é comum o estudo e discussão de casos, a fim de compar-
tilhar experiências e impressões, com o objetivo de se obter uma visão mais global do 
paciente e suas dificuldades, buscando a realização de diagnósticos mais completos 
e precisos.
interdisciplinar: diz respeito à relação entre disciplinas ou profissionais de 
diferentes áreas, no intuito de aprofundar o conhecimento para melhor 
compreensão ou atuação sobre um caso ou diagnóstico. 
Multidisciplinar: diz respeito ao conjunto de várias disciplinas ou profissio-
nais de diferentes áreas, que podem atender a um mesmo paciente, mas 
que não necessariamente se relacionam entre si para a discussão de um 
caso ou fechamento de diagnóstico.
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Educação e Saúde geralmente buscam atuar conjuntamente quando algu-
ma criança ou jovem apresenta problemas de aprendizagem. É comum as 
escolas encaminharem estes alunos a profissionais especialistas (psicólogos, 
fonoaudiólogos, psicopedagogos) para que se obtenha um “laudo” que traga 
respostas sobre o porquê de este estudante ter dificuldades e não aprender.Algumas experiências deste tipo envolvem a parceria entre escola e centro 
de diagnóstico interdisciplinar (muitas vezes ligados às faculdades e centros 
universitários), que recebem estes encaminhamentos e submetem o aluno a 
uma avaliação com profissionais de várias áreas. Ao final da ampla avaliação, 
que pode envolver a família e os professores, os profissionais discutem o caso 
para identificar se o perfil apresentado pela criança ou jovem é compatível 
com algum quadro de transtorno ou deficiência.
No que diz respeito às políticas de saúde, é fato que unir esforços com outros setores 
representa maior escala e alcance de projetos.
Para citar outro exemplo, é possível pensar nos programas desenvolvidos 
dentro das escolas. Seja para identificar problemas de visão com exames 
oftalmológicos, combater pediculose ou para ensinar a maneira certa de 
se escovar os dentes para uma boa higienização bucal, é provável que você 
tenha tido alguma experiência deste tipo em seu período escolar.
O que se percebe, por estes exemplos, é que a tentativa de unir esforços para atuação 
conjunta não é nenhuma novidade. Muito pelo contrário, essa busca pelo trabalho 
compartilhado já existe e a ele chamamos Intersetorialidade.
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intersetorialidade é uma iniciativa que visa ao trabalho entre setores, contrapon-
do o modelo fragmentado de atuação das políticas sociais. Diante da amplitude e 
complexidade de muitos problemas enfrentados pela população, a intersetorialida-
de se coloca como ação fundamental para promover melhoria da qualidade de vida 
das pessoas, superar os problemas enfrentados nos diversos âmbitos e otimizar a 
busca por resultados (PHAC, 2008; SOUZA et al., 2017).
A definição de intersetorialidade engloba, ainda, parceria e trabalho conjunto (SOUZA 
et al., 2017). Prevê a articulação de saberes e experiências de diferentes áreas, de 
modo a atuar de forma integrada para a solução de demandas e problemas (LIMA; 
VILASBÔAS, 2011; WIMMER; FIGUEIREDO, 2006).
Assim, de forma sintetizada, listamos ações que, para Junqueira (2004), explicitam a 
intersetorialidade:
FIGURA 3 - AÇÕES NA PERSPECTIVA DA INTERSETORIALIDADE
reunião de objetivos comuns
compartilhamento de tomada de decisão
planejamento conjunto
mobilização de recursos 
implementação de propostas intersetoriais
Fonte: Elaborada pela autora.
Dadas suas características, o trabalho intersetorial não se limita à justaposição de 
projetos, mas considera a importância tanto do planejamento quanto da operaciona-
lização para que se promovam programas bem estruturados, com objetivos e gestão 
compartilhadas (BUSS; CARVALHO, 2009).
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Para que isso ocorra, é fundamental a definição de conceitos e objetivos comuns a 
partir do levantamento das necessidades da população com a qual se deseja traba-
lhar (WIMMER; FIGUEIREDO, 2006), pois, conhecendo a realidade, demandas e expec-
tativas desse público-alvo, é possível delinear planos de ação factíveis, que favoreçam 
a todos os envolvidos (SILVA; RODRIGUES, 2010).
Em 2012, uma organização do terceiro setor iniciou, no município de Campos 
do Jordão, uma ação intersetorial para favorecer as crianças com problemas 
de aprendizagem. Após mapear, com a secretaria de educação, os índices de 
alunos com dificuldades em leitura e escrita, e identificar a ausência de um 
plano de ação efetivo para auxiliar esses estudantes e diminuir a fila de espe-
ra para atendimento psicológico e fonoaudiológico no setor da saúde – que 
recebia muitos encaminhamentos provenientes das escolas – foi formado 
um Grupo Articulador, composto por representantes da sociedade civil (mãe 
de crianças com problemas de aprendizagem e membros da associação de 
moradores) e das secretarias municipal de Educação, Saúde e Desenvolvi-
mento Social. O projeto previa a formação de professores e psicopedagogas, 
de uma equipe interdisciplinar na área da saúde (composto por neurologis-
ta, psicólogas e fonoaudiólogas) e a articulação da população para o forta-
lecimento da luta por políticas públicas que beneficiassem essa população. 
Essa ação intersetorial foi fundamental para a aprovação da Lei Municipal 
nº 62, de 18 de julho de 2013, que prevê a identificação precoce e acompa-
nhamento dos alunos com transtornos de aprendizagem na rede pública 
de ensino. Além disso, trouxe benefícios para todas as áreas envolvidas no 
projeto.
Na contramão dessas iniciativas, as intervenções isoladas nos setores têm mostra-
do baixa efetividade para promover mudanças esperadas, além de menor adesão 
dos envolvidos. No entanto, mesmo que as ações fragmentadas sejam reconhecidas 
como menos exitosas, elas ainda acontecem em um bom número de projetos. Nos 
casos em que já há um trabalho intersetorial, muitas vezes há a necessidade de ações 
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mais amplas e complexas, voltadas à organização, orientação e desenvolvimento de 
estratégias que favoreçam à comunidade envolvida. Assim, aponta-se que práticas 
intersetoriais possibilitam a construção compartilhada de projetos estratégicos 
Na Educação, a intersetorialidade busca a melhoria dos processos educacionais por 
meio de parcerias e colaboração entre sociedade e instituições governamentais e não 
governamentais (BRASIL, 2014). Na área da saúde, é reconhecida como uma estraté-
gia de ação que se sobrepõe aos determinantes sociais, possibilitando reorganização 
de todo o sistema (ANDRADE, 2006).
Mesmo sendo uma prática existente desde o Século XX, Figueiredo et al., 2010 apon-
tam muitos desafios e fragilidades na implementação de ações intersetoriais, como 
as ações fragmentadas, a ausência de comprometimento igualitário entre os setores 
e o predomínio de abor¬dagens setorizadas (SANTOS, 2005). 
Alguns estudiosos do tema assumem que um dos desafios da intersetorialidade está 
justamente em operacionalizar os projetos superando as hierarquias institucionais, 
além da criação de novas relações entre os diferentes setores e segmentos envolvi-
dos. Este é um desafio que se apresenta para todos aqueles que acreditam no traba-
lho em parceria e na troca de saberes para o bem comum. 
Conhecer o significado de termo e os conceitos-chave que representam essa ideia é 
um primeiro movimento para se criar um pensamento ou projeto intersetorial.
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FIGURA 4 - INTERSETORIALIDADE: CONCEITOS-CHAVE
Planejamento e 
desenvolvimento de ações 
conjuntas e integradas
Parceria
Trabalho coletivo
Diálogo
Envolvimento
Aproximação
Decisões horizontais
Compartilhamento de poder
Intersetorialidade
Fonte: Elaborada pela autora.
A partir dos projetos e ações intersetoriais é possível que áreas distintas, que talvez 
não tenham a tradição ou o hábito de dialogar, podem iniciar a identificação de 
pontos e objetivos comuns em algum tipo de trabalho. Deste exercício, algumas arti-
culações entre temas, projetos e ações podem surgir, fomentando o compartilha-
mento de ideias para uma atuação que pode vir a ser colaborativa e integrada.
1.2 A TEMÁTICA DA SEXUALIDADE E AS 
ARTICULAÇÕES POSSÍVEIS COM OS CAMPOS DA 
EDUCAÇÃO E DA SAÚDE
A temática da sexualidade há muito representa um tabu em nossa sociedade. Vista 
muitas vezes como representação única do fundamento genital e sua disposição 
para a reprodução, gera conflitos, desconfortos e ambiguidades. Por isso, às vezes é 
evitada ou debatida de forma breve e superficial, mesmo no âmbito escolar.
Para se romper com a ideia muitas vezes equivocada que se tem sobre sexualidade, 
éfundamental compreendê-la em sua perspectiva mais ampla, que engloba além 
do fundamento biológico, anatômico e também genital, uma disposição psíquica, 
mencionada por Freud (1905) como a essência da atividade humana.
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As múltiplas expressões da sexualidade na contemporaneidade dão conta de nos 
mostrar que esse é um campo muito diverso e complexo, que não é facilmente expli-
cado ou vivido em sua tradicional definição. Este movimento tem sido influenciado 
pelas múltiplas transformações constituídas pela globalização, pelas novas configu-
rações familiares e pelos novos modelos sociais e de comportamento (HOLOVKO; 
CORTEZZI, 2018).
Diante deste novo e amplo cenário, as múltiplas sexualidades demandam ser repen-
sadas e dois campos, em especial, podem contribuir para essa reflexão: o da educa-
ção e o da saúde. 
Na Educação, é importante se reconhecer que a sala de aula é um ambiente compos-
to por um grupo heterogêneo de pessoas que apresentam uma pluralidade extensa 
de diversidades, sendo as relacionadas à sexualidade uma delas. Em sua vasta hete-
rogeneidade, os alunos irão vivenciar, interagir e manifestar suas atitudes e compor-
tamentos tendo como referência o modelo social, familiar e da autoridade. O teor e a 
qualidade das informações, mensagens e modelos repassados aos jovens é de funda-
mental importância em seu processo de formação e na orientação das escolhas que 
farão ao longo da vida (BRASIL, 1999). Deste ponto de vista, o professor é uma figura 
de referência para o aluno e também lhe oferece ferramentas para o pensamento e 
modelos de conduta. 
Independentemente das convicções e crenças pessoais de professores e alunos, no 
âmbito escolar é importante compreender o campo da sexualidade como múltiplo 
e diverso, para que se crie e compartilhe um ambiente de aprendizagem sadio e 
acolhedor, onde se pratica a empatia e o respeito.
Holovko e Cortezzi (2018, p. 21) explicitam que “a sexualidade, quando não reduzida 
ao seu sentido biológico, torna-se heterogênea”, o que significa que é múltipla em 
sua significação. Compreender essa ideia e trabalhar em sala de aula a partir dessa 
perspectiva favorece atitudes e modos de pensar que despatologizam fenômenos 
relacionados à diversidade sexual ou familiar, do mesmo modo que auxilia na identi-
ficação e denúncia de preconceitos de todo tipo.
Para além desse reconhecimento, Dziabas e Miranzi (2007) chamam a atenção para a 
necessidade de o trabalho com a educação sexual ir para além da abordagem peda-
gógica de temas que abordem a sexualidade humana. Para os autores, o tema deve 
ser tratado no plano escolar de forma interdisciplinar e em contextos curriculares e 
extracurriculares. Para isso, propõem que se privilegie: o espaço, a turma, as diferentes 
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necessidades dos alunos, o apoio às famílias e as formas de apoio individualizado e 
específico a quem deles necessitar.
Para além da abordagem pedagógica comum com a qual o tema da sexua-
lidade geralmente é abordado em sala de aula, é possível trabalhá-lo de dife-
rentes formas e em várias disciplinas do currículo. Um primeiro movimento 
seria não restringi-la às aulas de Ciências ou Biologia, pois, como algo natu-
ral ao processo de desenvolvimento humano, a sexualidade pode ser abor-
dada na literatura, na matemática (a partir do estudo estatístico de temas 
que vão ao encontro das curiosidades e necessidades dos jovens), em histó-
ria, abordando as questões relacionadas a gênero e outros condicionantes 
socioculturais), bem como a partir de projetos interdisciplinares, transversais 
e inclusivos, explorando com seriedade o tema, adequando a abordagem e 
o aprofundamento da discussão a cada nível etário ou escolar dos alunos.
Vale reconhecer também que, de modo geral, por conta de características próprias 
do desenvolvimento, os jovens estão expostos a certas vulnerabilidades associadas à 
saúde reprodutiva, identificação de sua sexualidade e construção/remodelação de 
sua identidade. Nesta etapa da vida, questões como sexualidade, anticoncepção, 
reprodução, aborto, maternidade e paternidade são temas que permeiam de dúvi-
das e curiosidades o pensamento e comportamento dos jovens (LUZ; BERNI, 2000).
Sem a orientação correta, a atitude dos adolescentes não poderia ser dife-
rente da que predomina à sua volta. Conversar de forma séria sobre assuntos 
sexuais, em geral, tende a baixar a ansiedade dos jovens, que, naturalmente, 
são muito curiosos e desejam viver suas experiências o mais rápido possível 
(ROSISTOLATO, 2003, p. 133).
Não deve ser negligenciado nessa reflexão o fato de o jovem de hoje encontrar fora 
da escola inúmeras informações e espaços de aprendizagem (nem sempre sérios ou 
coerentes). O acesso irrestrito a todo tipo de conteúdo, ao invés de possibilitar maior 
conhecimento e orientação, pode significar o contato com informações equivocadas, 
que pouco ou nada auxiliam nas questões enfrentadas por que as procuram.
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Assim, um trabalho sério, desenvolvido no espaço escolar, deve ser voltado a ofere-
cer diálogo e informação de qualidade, acolhendo o jovem e suas dúvidas. Para isso, 
Dziabas e Miranzi (2007) propõem:
FIGURA 5 - ETAPAS DO TRABALHO ESCOLAR ENVOLVENDO A TEMÁTICA DA SEXUALIDADE
Interação/ criação de vínculo entre educador e aluno
Diálogo contínuo
Refletir sobre quem somos e como nos relacionamos
Propiciar experiências que ofereçam modelos
Oferecer oportunidades para mudanças internas
Provocar o aprofundamento das reflexões
Incentivar o desenvolvimento da autonomia e da ação
Fonte: Adaptada de DZIABAS; MIRANZI, 2007.
O desenvolvimento deste trabalho demanda vivência do lúdico e o incentivo ao diálo-
go e à reflexão, possibilitando a aquisição de novas posturas e maneiras de lidar com 
as questões. Para favorecer esse movimento, além do material teórico e ilustrativo 
apropriado, pode-se utilizar recursos como música, dramatizações, poesias e filmes 
(DZIABAS; MIRANZI, 2007).
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Um grupo de acadêmicos da Universidade Federal do Triângulo Mineiro 
(UFTM) desenvolveu um projeto de educação sexual com alunos do últi-
mo ano do Ensino Fundamental de uma escola municipal de Uberaba/MG. 
As atividades foram divididas em 6 módulos que abordaram: fisiologia e 
anatomia humana; iniciação, maturação e comportamento sexual; métodos 
contraceptivos; DST/ AIDS; violência e exploração sexual; menopausa/andro-
pausa e disfunções sexuais. 
Caso tenha interesse em saber um pouco mais sobre os tópicos trabalha-
dos no projeto de Educação Sexual desenvolvido por alunos da UFTM e os 
resultados do projeto, confira o relato Educação em Saúde e Sexualidade 
do Escolar, de Daniel Cavarette Dziabas e Sybelle de Souza Castro Miranzi, 
disponível na internet.
No setor da saúde, há algumas décadas o Ministério da Saúde, em parceria com Esta-
dos e Municípios, vem realizando ações de educação em saúde voltadas aos adoles-
centes, buscando prevenir doenças e agravos de saúde, bem como fortalecer fatores 
protetores e minimizar fatores riscos (BRASIL, 1999).
A construção de uma agenda nacional para a promoção do desenvolvimento saudá-
vel da juventude foi proposta no documento “Saúde e desenvolvimento da juventude 
brasileira: construindo uma agenda nacional” (BRASIL, 1999). O quadro a seguir traz 
as principais ações previstas para o desenvolvimento da saúde dos jovens:
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QUADRO 1 - AÇÕES PREVISTAS NA AGENDA NACIONAL PARA A PROMOÇÃO DO DESENVOLVIMENTO 
SAUDÁVEL DA JUVENTUDE
Oferta de informação sobre saúde e educação sexual para o desenvolvimento das habilidades neces-
sárias para o jovem se manter saudável>
Proteção à saúde de adolescentes grávidas e de mães adolescentes e seus filhos>
Favorecimento do aleitamento materno de mães adolescentes no trabalho e na escola.
Favorecimento da permanência e a reintegração de pais adolescentes à escola.
Expansão do acesso aos serviços de saúde humanizados e receptivos às demandas específicas da 
população jovem.
Discussão na sociedade sobre o direito do adolescente ter acesso ao aconselhamento e aos insumos 
contraceptivos, bem como aos relativos à prevenção das DST/AIDS.
Reflexão e consequente ação contra o abuso sexual, a prostituição de menores e a violência domés-
tica.
Ambientes saudáveis de trabalho para a juventude, reduzindo os riscos das doenças profissionais.
Participação intensa da grande mídia no esforço de promover a saúde e o desenvolvimento da juven-
tude.
Implementação efetiva do Estatuto da Criança e do Adolescente, privilegiando sua proposta educa-
tiva e considerando o enfoque de gênero.
Fonte: BRASIL, 1999.
É importante comentar que, mesmo que a proposta não seja nova, ainda há muito 
por se fazer. Muitas das ações de prevenção e intervenções voltadas para a melhoria 
da saúde do adolescente ainda mantêm um foco estreito e desalinhado às principais 
necessidades dessa população (BRASIL, 1999). Com isso, os resultados nem sempre 
são promissores, e a eficácia e eficiência dos projetos são postos à prova.
O que já é reconhecido pelo senso comum e cada vez mais tem sido confirmado por 
estudos científicos é que alianças e parcerias são essenciais para a criação e desenvol-
vimento de ações que visem proteção de saúde, bem-estar e direitos da população.
Para dar conta das demandas atuais, Educação e Saúde devem auxiliar os adoles-
centes a organizar o pensamento, munindo-os de informações sérias e de qualidade, 
oferecendo-lhes condições de fazer suas escolhas pessoais de forma racional e de 
adotarem comportamentos conscientes e seguros (ROSISTOLATO, 2003).
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BIBLIOGRAFIA COMENTADA
Veja a seguir a indicação de uma obra que complementará seu conhecimento sobre 
os assuntos abordados na disciplina.
• PELICIONI, Maria Cecília Focesi; MIALHE, Fábio Luiz. Educação e promoção da
saúde: teoria e prática. 2. ed. Rio de Janeiro: Santos, 2019.
O livro “Educação e promoção da saúde: teoria e prática” apresenta variadas expe-
riências da atuação do setor de saúde em escolas, centros de referência e outros 
locais de trabalho. O capítulo 2, especificamente, traz o conceito de abordagem de 
settings para a saúde, aproximando o diálogo com a intersetorialidade, tão necessária 
nos projetos desta natureza. Trabalhar com as grandes estruturas sociais ou organiza-
cionais permite o maior alcance dos projetos a determinados grupos populacionais. 
Essa premissa aparece em boa parte dos relatos que o livro traz. Não deixe de conferir!
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CONCLUSÃO
Nesta Unidade você estudou os conceitos de desenvolvimento social, educação, 
saúde e intersetorialidade. A partir de uma visão integrada, cada um dos conceitos 
foi apresentado de forma a propiciar compreensão de seus pontos-chave, visando 
favorecer a construção do conhecimento sobre como atuam esses diferentes setores.
Através de exemplos/cases, buscou-se propiciar a reflexão sobre a importância do 
trabalho integrado entre diferentes áreas, visando criar possibilidades reais de elabo-
ração e desenvolvimento de projetos que ultrapassem a visão e atuação fragmenta-
das em prol de abordagens que priorizam o trabalho conjunto e a gestão comparti-
lhada. 
A temática da sexualidade também foi abordada, ressaltando-se as múltiplas dimen-
sões existentes para a compreensão do tema. Chamou-se atenção da importância 
de se tratar as questões relacionadas à sexualidade nos âmbitos escolar e da saúde, 
de modo a oferecer aos jovens informações consistentes e programas que objeti-
vem a promoção do desenvolvimento dessa população. Em relação a essa temática, 
também foram mencionadas as articulações possíveis entre sexualidade, educação e 
saúde. A proposta foi oferecer uma visão geral de como essas áreas podem abordar o 
tema, tratando-o de forma séria e condizente com as demandas atuais apresentadas 
pelos jovens. 
Profissionais que atuam com a população jovem devem conhecer as diferentes 
abordagens que tratam da sexualidade. Essa é uma questão importante para que 
se conheça os comportamentos e demandas atuais apresentadas pelos jovens nos 
diferentes espaços de convivência, especialmente o escolar. Atuar compreendendo e 
respeitando essa diversidade pode significar a efetivação de experiências que favore-
cem o acolhimento, a empatia e o respeito, possibilitando criar condições para que a 
aprendizagem aconteça. 
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OBJETIVO 
Ao final desta 
unidade, 
esperamos 
que possa:
> Identificar fatores históricos,
sociais e culturais como
constituintes do processo
de formação da sexualidade
humana.
> Articular o contexto
histórico, cultural e social
para compreender a
concepção que diferentes
sociedades têm sobre a
sexualidade.
> Examinar as implicações
de alguns aspectos sociais,
históricos e culturais na
construção da sexualidade
humana.
UNIDADE 2
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2 A SEXUALIDADE COMO 
CONSTRUÇÃO SÓCIO-
HISTÓRICO-CULTURAL
Nesta Unidade você estudará sobre como as questões sociais, os momentos históri-
cos e as características da cultura compõem a construção da sexualidade humana. A 
proposta é pensar a sexualidade a partir de como ela é entendida e exercida em um 
dado momento histórico e em diferentes sociedades e culturas. Sendo uma cons-
trução sociocultural, a identidade de cada ser humano é moldada por aquilo que é 
transmitido em sua cultura e pelos valores adotados pela sociedade. Família, política, 
religião, escola e as mídias, em geral, transmitem as crenças, valores e ideologias que 
influenciam a forma de entender o que é permitido, aceitável, valorizado, em detri-
mento do que é perverso e inaceitável.
Essas formas de compreender o que é certo ou errado, do que é normal ou desviante 
molda atitudes e comportamentos. Refletir sobre as implicações destes condicio-
nantes se faz necessário, na medida em que pode significar condutas mais éticas e 
saudáveis, a partir do entendimento da sexualidade em suas múltiplas dimensões, 
promovendo o respeito e a valorização da diversidade.
INTRODUÇÃO DA UNIDADE
O presente conteúdo foi elaborado com o objetivo de fornecer subsídios para se 
pensar a sexualidade a partir de questões que vão além da constituição do indivíduo 
em seu âmbito familiar. Pensando de forma macro, a unidade propõe analisar como 
a cultura, a sociedade e o tempo histórico são importantes marcadores para enten-
der as formas de agir e pensar sobre a sexualidade. Para isso, propõe refletir sobre por 
que algumas práticas são naturalizadas e difundidas em uma dada cultura, enquanto 
que em outra pode ser considerada abominável. 
Também chama atenção para o fato de que em cada momento histórico as visões 
sobre a sexualidade podem ser diferentes, influenciando as condutas, as ideologias e 
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os padrões de comportamento da sociedade. Para entenderessa gama de influên-
cias, a Teoria Sociointeracionista do Desenvolvimento é apresentada, trazendo a apro-
priação que os indivíduos fazem de seus signos e códigos culturais como algo essen-
cial à constituição do ser humano, transformando-o em ser social. 
Por fim, algumas implicações sobre as questões sociais, culturais e históricas são 
discutidas, enfatizando a importância de se pensar o contexto atual para entender 
as formas de perceber e manifestar a sexualidade das crianças e dos jovens da atua-
lidade.
2.1 A SEXUALIDADE COMO CONSTRUÇÃO SÓCIO-
HISTÓRICO-CULTURAL 
O que você sabe sobre sexualidade? Quais são os tabus e curiosidades que cercam 
a temática da sexualidade? Quais manifestações da sexualidade você conhece e 
como você as enxerga? Falar de sexualidade nem sempre é fácil. Mesmo sendo um 
tema abordado nos livros, explorados pela dramaturgia e massivamente exposto pela 
mídia, ainda é cercado de mitos, medos e falta de informação qualificada. Viver a 
sexualidade, em suas diversas possibilidades de manifestação, é ainda mais compli-
cado, haja vista a dificuldade de se perceber a diferença entre sexo e sexualidade, e a 
crença de muitos em uma única forma “correta” de exercê-la.
Esses dilemas, presentes na vida de cada um de nós, têm relação com questões 
sociais, culturais e até mesmo históricas. Você já parou para pensar que muitas dessas 
questões que influenciam nossa forma de pensar, entender e manifestar a sexualida-
de têm raízes históricas? Que os padrões e normas, do que é aceito e do que não é, 
do que pode e do que não pode, do certo e do errado, são convenções sociais? Que 
em outras culturas o entendimento sobre a sexualidade é muito diferente da forma 
como a conhecemos? São essas questões que abordaremos nesta unidade. Venha 
conosco nesta viagem pelo conhecimento! 
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2.1.1 DIMENSÕES HISTÓRICO-SOCIAIS DA 
SEXUALIDADE
A sexualidade é uma construção histórico-social. A forma como a entendemos e a 
manifestamos passa necessariamente por questões históricas, e é permeada por 
convenções sociais. Isso quer dizer que este é um conceito que sofre variações e 
modificações em momentos e espaços históricos diferentes (COSTA et al., 2010) e, 
deste ponto de vista, o que hoje é considerado comum e aceitável pode não ter sido 
em outros momentos, assim como o que é condenado e mal visto em nossa socie-
dade pode ser encarado de uma forma totalmente diferente em outra sociedade ou 
cultura.
Antes de Freud desenvolver a Teoria Psicossexual do Desenvolvimento (FREUD, 
1905/1996), a manifestação da sexualidade desde a primeira infância era algo 
inconcebível. Freud adiciona o componente psíquico à sexualidade, antes 
vista apenas como fundamento biológico, anatômico e genital. Em sua teoria, 
a sexualidade manifesta-se desde os primeiros meses de vida do bebê e vai 
evoluindo ao longo dos anos de vida do ser humano. Para ele, sexualidade é a 
essência da atividade humana.
Outro exemplo vem da Grécia antiga e diz respeito à naturalidade com que a 
pederastia (relação sexual entre dois homens, um adulto e um jovem) era trata-
da. Característica dos períodos arcaico e clássico, essa prática acontecia como 
um ritual de iniciação ao que hoje se conhece como adolescência. Nos dias 
atuais, em nossa sociedade, essa prática seria denominada como pedofilia.
Salles e Cecarelli (2010) afirmam que a sexualidade é uma invenção da cultura 
ocidental, que criou esse dispositivo para lidar com as reinvindicações pulsionais. 
Esses discursos aparecem em momentos sócio-históricos específicos, na tentativa de 
normatizar as práticas sexuais de acordo com os valores e padrões da época. 
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Em cada tempo histórico, a moral vai criando tanto o discurso sobre a regulamenta-
ção da sexualidade quanto os dispositivos que buscam regulá-la, controlá-la, buscan-
do identificar e curar as manifestações desviantes.
FIGURA 6 - MECANISMOS CONDICIONANTES DA SEXUALIDADE
Fonte: Elaborada pela autora.
Assim, o que é aceito ou não em termos de sexualidade dentro de uma cultura ou 
sociedade varia de acordo com o momento histórico. A historicidade da sexualidade 
foi um tema estudado por Michel Foucault (1988), que menciona que:
Sexualidade é o nome que se pode dar a um dispositivo histórico: não a uma realidade 
subterrânea que se apreende com dificuldades, mas a grande rede de superfície em 
que a estimulação dos corpos, a intensificação dos prazeres, a incitação do discurso, a 
formação do conhecimento, o reforço dos controles e das resistências encadeiam-se 
uns ao outros, segundo algumas grandes estratégias do saber e dos poderes (p. 100).
Como enfatizado por Foucault (1988), o poder e o controle são estratégias usadas 
quando se trata de sexualidade. Os discursos morais, biomédicos, religiosos e midiá-
ticos influenciam as ideias em torno dessa temática, ditando, muitas vezes, uma 
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(suposta) normalidade e condenando comportamentos e concepções que fogem a 
essa regra.
FIGURA 7 - ELEMENTOS QUE COMPÕE A CONCEPÇÃO SOBRE SEXUALIDADE
Fonte: Elaborada pela autora.
A visão médica sobre sexualidade vem da antiguidade. Manter relações sexuais prefe-
rencialmente no inverno era uma orientação de Pitágoras. Hipócrates recomendava a 
retenção do sêmen para que o corpo pudesse ter mais energia. O médico pessoal do 
Imperador Adriano de Éfaso instruía que o ato sexual deveria ocorrer exclusivamente 
para a procriação (SALLES E CECCARELLI, 2010). A partir do século XVII a preocupa-
ção médica foi direcionada para as relações sexuais precoces e para o controle de 
natalidade. 
Na religião, houve um negativismo em relação ao prazer sexual, tornando o sexo, 
inclusive dentro do casamento, um problema teológico. É deste período o início da 
valorização do celibato. Quando se examina os textos bíblicos, especialmente os do 
Gênesis, Salles e Cecarelli (2010) apontam a sexualização do pecado original. Como 
consequência, o desejo gerou fragilidade e culpa, que acabaram por exaltar a virgin-
dade. Vê-se, aqui, que mais uma vez o casamento não era altamente recomendado, 
já que se opunha à virgindade e poderia conduzir ao prazer sexual. Porém, mesmo 
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a castidade sendo valorizada, havia a necessidade de se regulamentar o sexo para a 
procriação, e foi aí que o casamento assumiu este lugar. 
O casamento é inferior à virgindade, e não sendo para a procriação, não há 
justificativa para o ato carnal. O melhor seria a continência absoluta. Não se 
podendo alcançá-la, aprisiona-se o desejo no casamento (SALLES. CECCAREL-
LI, 2010, p. 3).
Com o passar do tempo, ainda no discurso religioso e agora apoiado pelo discur-
so médico, surge a ideia de “coito natural”, dando origem à separação das práticas 
sexuais em “normais”, voltadas à procriação, e “anormais”, que se referiam às práticas 
infecundas.
FIGURA 8 - DESCRIÇÃO DE PRÁTICAS SEXUAIS NORMAIS E ANORMAIS A PARTIR DA IDEIA 
DO “COITO NATURAL”
Fonte: Elaborada pela autora.
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Até a década de 1990 a homossexualidade ainda era diagnosticada como 
perversão ou distúrbio sexual pelo discurso médico no Brasil. Curioso pensar 
que a homossexualidade era vista por muitos profissionais da medicina como 
uma doença que deveria ser tratada, embora já não constasse mais nos manuais 
médicos desde 17 de maio de 1990, quando a Organização Mundial de Saúde 
(OMS, 1996)a descaracterizou como doença.
Já o discurso midiático, impulsionado pela globalização e pelo alcance dos meios 
de comunicação de massa, apresenta a sexualidade muitas vezes sem filtro, expon-
do-a massivamente em programas de entretenimento e peças publicitárias. Se, por 
um lado, a sexualidade é exposta como algo que está ali e que pode ser explorada 
de forma sadia e segura, por outro, a mídia nem sempre oferece suporte de como 
isso pode ser feito pela criança ou pelo jovem. Ou seja, muitas vezes as informações 
de qualidade ou suporte para que a criança ou o jovem possam buscar exercer essa 
sexualidade dentro do que pode ser considerado sadio para cada faixa etária não é 
visto ou é pouco explorado pela grande comunicação de massa.
O que se percebe ao identificar como a sexualidade é entendida em cada sociedade 
é que em cada momento histórico ela é apresentada a partir das concepções normal 
versus anormal. Se pensarmos na ideia muitas vezes concebida de sexualidade restri-
ta ao ato sexual, ao coito, é possível perceber que em dado momento histórico, ou a 
partir de determinada concepção religiosa, ela tinha (ou tem) um caráter ligado pura-
mente à reprodução, não dando lugar às reflexões sobre a possibilidade do prazer 
sexual e do exercício do que hoje se conhece como sexo lúdico ou recreativo, que 
é o sexo sem qualquer intenção procriativa, feito por prazer e divertimento. Levan-
do-se em conta a ideia do sexo como ato sexual, percebe-se que qualquer forma 
de sexualidade que não seja vinculada à reprodução é considerada perversão, e o 
que não responde aos critérios socialmente estabelecidos ameaçam a ordem vigen-
te (SALLES; CECCARELLI, 2010).
Da mesma forma que a concepção de sexualidade pode ser restrita ou não à procria-
ção, a heteronormatividade, outro assunto da sexualidade, também pode ser creditada 
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ou valorizada em um período ou uma sociedade, enquanto em outros períodos ou 
sociedade os comportamentos hostis à toda forma de variação dessa perspectiva 
podem legitimar o preconceito, a intolerância e a violência. Neste último cenário, não 
há muito espaço para se pensar a homossexualidade, a bissexualidade, a transgeneri-
dade ou outras variações como possíveis em indivíduos “normais” e “saudáveis”.
Bissexualidade: orientação sexual definida pela capacidade de atração física, 
estética e/ou emocional por pessoas de ambos os sexos ou gêneros.
Heteronormatividade: palavra derivada do grego hetero (diferente) e norma, 
do latim. É um termo que define que somente relacionamentos heterossexuais 
(entre pessoas de sexos opostos) são corretos e normais. Deste modo, as situa-
ções nas quais a orientação sexual não é heterossexual são excluídas, ignoradas, 
perseguidas ou marginalizadas por meio de práticas sociais, políticas e crenças 
ideológicas/religiosas. 
Homossexualidade: orientação sexual definida pela capacidade de atração físi-
ca, estética e/ou emocional por pessoas do mesmo sexo ou gênero.
Transgeneridade: refere-se a pessoas transgênero, que têm uma identidade de 
gênero diferente do seu sexo biológico.
Foucault (1988) chama atenção para o fato de na atualidade ainda haver resquí-
cios de concepções sobre sexualidade que circulavam em outros séculos. A ideia já 
mencionada da redução da sexualidade à função reprodutiva, heterossexual e adulta, 
por exemplo, data do século XIX. Nesta perspectiva, vê-se que todas as outras formas 
de exercer a sexualidade, que fogem a essas normas, são consideradas “anormais”, 
“desviantes” ou “periféricas”. Estas, por consequência, tendem a ser negadas e margi-
nalizadas. 
É importante perceber que, enquanto construção social, a forma como entendemos 
e vivemos a sexualidade é produzida na família, no convívio social, nas instâncias 
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religiosas e também na escola. São essas instituições que transmitem as regras, 
normas e condutas que são estipuladas como aceitas e não aceitas pela nossa socie-
dade (LOURO, 2000), contribuindo para a formação de nossas crenças e valores, e 
atuando sobre nosso comportamento. Para o sujeito em construção, estes valores 
funcionam como suportes de identificação com a cultura a qual se faz parte (SALLES; 
CECCARELLI, 2010).
A teoria Sociointeracionista do Desenvolvimento, também conhecida como Sócio-
-Histórica ou Sociocultural, de Lev. S. Vygotsky (1991), nos auxilia a compreender
como esses processos de interiorização das regras, normas e convenções da cultura
se dão. Na teoria vygotskyana, acredita-se que o homem, sujeito biológico, conver-
te-se em sujeito social na medida em que interage com o meio que o cerca. Desta
perspectiva, considera-se que a formação do homem se dá primeiramente em um
nível social, no processo de internalização dos signos, como a língua e os códigos de
comunicação, conduta, normas e padrões da cultura, para somente depois se consti-
tuir no nível individual.
Assim, a formação e o desenvolvimento humano são entendidos nas dimensões 
sociais, culturais e políticas, e estes aspectos são determinantes para a construção da 
sexualidade, constituindo suas particularidades, noções e manifestações. Podemos 
afirmar que este processo acontece desde a mais tenra idade, na primeira infância, 
momento no qual o bebê já se encontra rodeado de informações e conhecimentos 
que lhe serão transmitidos ao longo de toda a sua vida. Com a mudança de contex-
to, cultura e fatos históricos, essas informações e conhecimentos são remodelados, 
modificando a consciência e o comportamento do ser humano (MEIRA; SANTANA, 
2014).
Tendo isso em vista, pode-se pensar que, como cada ser humano carrega um saber 
social e historicamente construído, tudo o que é internalizado se relaciona com as 
transformações do mundo, criando novos conhecimentos e estabelecendo diferen-
tes significados e conceitos (MEIRA; SANTANA, 2014). É por conta destes fatores que 
muitas vezes as ideias e comportamentos acerca da sexualidade diferem muito de 
lugar para lugar e de tempos em tempos, sendo às vezes mais libertárias e, em outras, 
mais tradicionais ou repressivas.
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A sexualidade adolescente na década de 1990 era vista como uma força impul-
sionadora sobre a qual o jovem não tinha controle. Influenciada por concepções 
e ideologias conservadoras, como demonstrado no filme Kids, de 1995 (GIROUX, 
1996), o comportamento adolescente, especialmente no que se referia à sexua-
lidade, era algo fora de controle, que exigia restrição, vigilância e outras formas 
de poder disciplinar. Movido pelo impulso, o jovem fazia sexo desprotegido e 
se expunha às doenças e gravidez não desejada. Na atualidade, com as novas 
configurações familiares e as novas formas de parentalidade, percebe-se uma 
autonomia maior do jovem em relação a estes aspectos. Hoje a questão da 
sexualidade é encarada de uma outra forma por algumas famílias, que permi-
tem que o(a) filho(a) durma em casa com o(a) namorado(a), que conversam 
sobre contracepção, por exemplo.
Parentalidade: processo de construção da relação dos pais com os filhos.
Pelo exposto, fica evidente que tanto o acesso quanto a construção do conhecimento, 
assim como os preconceitos, curiosidades e tabus acerca da sexualidade, são deter-
minados por contextos específicos ao longo da história de cada um. Na perspectiva 
sócio-histórica, é a partir das interações sociais e pelas aprendizagens dos discursos e 
conhecimentos (historicamente construídos) que a formação, posição e atuação no 
campo da sexualidade será delineada (MEIRA; SANTANA, 2014). 
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2.1.2 IMPLICAÇÕES DE ALGUNS ASPECTOS SOCIAIS, 
HISTÓRICOS E CULTURAIS NA CONSTRUÇÃO DA 
SEXUALIDADE HUMANA
Como você já viu, a sexualidade incorpora aspectos históricos, culturais e sociais que 
constituem a forma como a entendemos e as experienciamos. Os condicionantes 
históricos, as ideologias presentes na sociedade em que vivemos, a configuração e 
as formas de educação recebidas na família, o exercício da religiosidade, a forma 
como a escola entende e aborda a temática, a política e os recursos midiáticos, entre 
outras instâncias, propagam discursos e formas de pensar a sexualidade, conferindo-
-lhe status (aceitável x não aceitável), valores (bom x mau) e normatividade (normal
x anormal).
FIGURA 9 - ASPECTOS QUE TRAZEM IMPLICAÇÕES PARA A CONSTRUÇÃO DA 
SEXUALIDADE
Fonte: Elaborada pela autora.
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Um exemplo da infiltração do religioso no imaginário das pessoas é a questão 
da esterilidade, que até o século XI era um indicador de alguma forma de impu-
reza entre o casal. Nas mulheres bonitas, era um castigo de Deus, e nas feias, era 
um castigo pela inveja que sentiam das bonitas (DEL PRIORE, 2001).
A posição durante o ato sexual, a passividade da mulher, a condenação pela busca 
pelo prazer, a luxúria, toda essa influência histórica e religiosa recaem sobre os indi-
víduos que compõem a sociedade, sua personalidade e a construção de sua história 
enquanto sujeito. Assim, a forma como absorvemos/introjetamos essas questões vai 
ser determinante na forma como vemos, pensamos e agimos frente à sexualidade. A 
sexualidade legítima no seio da família, com a finalidade de procriação, ainda hoje é 
defendida em alguns discursos.
Pense na sua experiência pessoal e em como essas influências fizeram (e fazem) parte 
de quem você é hoje. Será que se você tivesse nascido em outra época ou em outra 
cultura sua forma de agir e pensar sobre a sexualidade seria diferente? É bem prová-
vel que a resposta seja sim! Essa reflexão talvez auxilie você a compreender como 
muitas vezes parece difícil para os pais e familiares compreenderem os padrões e 
costumes dos dias de hoje. Muita coisa mudou desde o tempo em que eles eram 
mais jovens, não é mesmo? Agora, pense nas crianças de hoje, na forma como elas 
aprendem, como acessam a informação e no modo como vivem suas experiências. 
Como será que elas estão construindo sua sexualidade? O que será que têm absorvi-
do e introjetado?
O exercício de refletir na experiência da criança de hoje tem um motivo bem simples 
e especial: são essas crianças que estarão em contato com você, futuro professor, nas 
salas de aula daqui a algum tempo! O que isso quer dizer? Ora, que as questões que 
se vivencia atualmente na sociedade, a forma como concebemos a sexualidade, a 
maneira como nossa cultura a manifesta (ou aceita suas manifestações) serão deter-
minantes na formação destes sujeitos. 
Para tentar compreender o que isso pode significar e entender suas possíveis 
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implicações, basta que você pense nos discursos e ideias hoje em voga sobre sexuali-
dade. Como você tem encarado os debates atuais que envolvem essa temática?
A sexualidade ainda tem sido vista e analisada sobre perspectivas equivocadas 
na atualidade. Apesar de alguns avanços, elementos de uma cultura repressiva 
ainda pairam nos discursos familiares, religiosos e políticos. Essas questões são 
discutidas por Dinis e Luz (2007), que abordam a necessidade de uma recon-
figuração na forma de analisar a sexualidade e de se oferecer uma educação 
sexual. Por isso, caso queira se aprofundar neste tema, você pode ler o artigo 
“Educação sexual na perspectiva histórico-cultural” destes autores, disponível na 
internet. O artigo foi publicado em 2007 na revista Educar.
As tensões vividas no passado e no presente, muitas vezes associadas aos posicio-
namentos de líderes religiosos e políticos, absorvidos e propagados por algumas 
famílias, ocasionam, de alguma forma, medo, insegurança e desinformação para as 
pessoas. Se pensarmos nas crianças e jovens que, naturalmente, devido ao desenvol-
vimento, têm curiosidades e desejam saber mais sobre essa temática, faz-se impor-
tante responsabilizar-se pelo que se dissemina e pela forma como se expressa atitu-
des e comportamentos. Silenciar as dúvidas e negar a existência da diversidade não 
é benéfico para a construção da sexualidade. Foucault (1988) critica esse posiciona-
mento. Colocar em debate temas, como gênero, corpo, sexualidade, é essencial para 
uma abordagem que se pressupõe séria (SANTOS; SOUZA, 2015).
Quer queiramos, quer não, no mundo em que vivemos, surgem outras formas 
de relação entre os sexos, novas modalidades de aliança e filiação, visíveis e 
legalizadas. Homoerotismo, homoafetividade e homoparentalidade estão aí 
e dirigem várias perguntas a nós e a nossos modelos. Pessoas do mesmo sexo 
podem casar-se, e casais homoafetivos podem adotar crianças. O mundo se 
transforma e se organiza (NETTO, 2018, p. 213).
As questões debatidas fazem parte da dimensão do ser humano, portanto, obriga-
toriamente, convivemos com elas. Como sujeitos histórico-sociais, construímos nossa 
identidade na relação com o outro, e é desta maneira que aprendemos a perceber, 
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entender e vivenciar as múltiplas formas e dimensões da sexualidade (DINIS; LUZ, 
2007).
CONCLUSÃO 
Nesta unidade você estudou sobre como as questões históricas, culturais e sociais 
podem influenciar a construção da sexualidade humana. Tendo como perspectiva 
a sexualidade em suas múltiplas dimensões e manifestações, foram apresentados 
exemplos de como uma prática ou concepção pode ser aceita e valorizada em uma 
sociedade e condenada em outra.
A partir dos condicionantes históricos e culturais foi possível analisar como família, 
igreja, política, escola e mídia colaboram para difundir ideias, crenças e padrões espe-
rados pela sociedade, determinando o que é “normal” e “anormal”, “próprio” e “impró-
prio”, “aceitável” ou “inaceitável”. Esses padrões moldam a forma de pensar e viver das 
pessoas que fazem parte da sociedade, influenciando suas condutas e comporta-
mentos.
Tais condicionantes inevitavelmente acarretam algumas implicações para a cons-
trução da sexualidade dos indivíduos, por isso, alguns aspectos sociais, históricos e 
culturais foram estudados sob essa ótica, objetivando uma abordagem plural, que 
considera a diversidade como natural ao desenvolvimento humano. Deste ponto de 
vista, foi possível compreender a importância de se considerar a sexualidade como 
uma construção múltipla e diversa, superando concepções restritas e conservadoras.
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OBJETIVO 
Ao final desta 
unidade, 
esperamos 
que possa:
> Recordar que a sexualidade é
manifesta desde a primeira infância
e evolui ao longo da vida do ser
humano.
> Identificar as fases do
desenvolvimento psicossexual e as
manifestações da sexualidade na
infância e adolescência.
> Avaliar as implicações de alguns
aspectos sociais, históricos
e culturais na construção da
sexualidade humana.
> Valorizar o papel da escola para
a promoção de ações voltadas
à consciência sobre a saúde e à
construção da identidade sexual
saudável.
UNIDADE 3
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3 SEXUALIDADES: NÍVEL 
BIOLÓGICO E PSICOSSEXUAL 
E SUAS MANIFESTAÇÕES NA 
INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
Nesta unidade você iráestudar sobre a sexualidade em seus níveis biológico e psicos-
sexual, entendendo-a a partir do ponto de vista do crescimento e desenvolvimento, 
mas também como algo construído ao longo da história de um indivíduo. Como 
uma construção histórico-social, a sexualidade é influenciada por questões sociais, 
políticas, religiosas e culturais, moldando a forma de pensá-la e exercê-la durante a 
vida. Essas manifestações estão presentes desde a infância, e é objetivo desta unida-
de abordar a Teoria Psicossexual do Desenvolvimento, apresentando a característi-
ca de cada fase de vida e suas manifestações, desde o período pós-nascimento até 
a entrada na vida adulta. Também serão abordados os problemas de saúde mais 
prevalentes na infância e adolescência, e seus condicionantes socioeconômicos e de 
estilo de vida, assim como o papel da escola na promoção de ações que favoreçam a 
consciência sobre os direitos relacionados à saúde e à construção de uma identidade 
sexual saudável.
Contamos com você nesta viagem pelo conhecimento!
INTRODUÇÃO
O presente conteúdo foi elaborado com o objetivo de apresentar a sexualidade em 
seus níveis biológico e psicossexual. A partir do estudo do crescimento orgânico e 
do desenvolvimento das funções do corpo, serão também abordados outros fato-
res, como os psicológicos, que influenciam as formas de se entender e manifestar a 
sexualidade ao longo da vida. 
A base para a construção da noção de sexualidade a partir da infância se dará pelo 
estudo da Teoria Psicossexual do Desenvolvimento, proposta por Freud, que apresenta 
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diferentes fases pelas quais cada indivíduo passa no processo de construção da sua 
identidade sexual. 
Em seguida, serão apresentados os principais problemas de saúde na infância e 
adolescência, e seus condicionantes socioeconômicos e de estilo de vida, trazendo a 
importância da atenção integral à saúde, especialmente no período da adolescência, 
fase em que os jovens estão mais vulneráveis a comportamentos de risco e expostos 
a diferentes tipos de violência. 
Por fim, será abordado o papel da escola como instituição capaz de oferecer infor-
mação de qualidade para que crianças e jovens desenvolvam sua sexualidade de 
forma saudável e aprendam sobre seus direitos em relação à prevenção, promoção e 
melhoria das condições de saúde.
3.1 SEXUALIDADES: NÍVEL BIOLÓGICO E 
PSICOSSEXUAL E SUAS MANIFESTAÇÕES NA 
INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA 
Sexualidade é um conceito amplo, que vai para além da questão do sexo, do ato 
sexual, da reprodução. É uma construção sócio-histórico-cultural que constitui a iden-
tidade de cada um de nós e se manifesta durante toda a nossa vida. Para além do 
corpo, que se transforma e possibilita o desempenho de diferentes funções ao longo 
do desenvolvimento, apresenta componentes psíquicos, que atuam sobre nossa 
forma de ver, entender e viver as relações entre homens e mulheres, a orientação do 
desejo, as questões relacionadas à saúde, dentre outras tantas que fazem parte do 
nosso cotidiano. A sexualidade influencia a saúde física e mental, assim como nossos 
pensamentos, sentimentos, ações e interações (OMS, 1975 apud EGYPTO, 2003). A 
manifestação dessas vivências, tanto na infância quanto na adolescência, tem sido 
estudada há muitos anos e são essas questões que serão abordadas nessa unidade.
Vamos juntos nessa descoberta?
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3.1.1 SEXUALIDADE INFANTIL: A CRIANÇA COMO SER 
SEXUAL
O que você pensa sobre a ideia de a criança manifestar sexualidade desde a mais 
tenra idade? Será que é mesmo possível sentir prazer na infância? A partir de que 
idade isso ocorre? 
Essas questões até hoje provocam espanto e indignação em muita gente! Imaginar 
que o bebê ou a criança apresenta comportamento sexual é algo impensável para 
grande parte das pessoas. Em 1915/16, na XX Conferência de Viena, Sigmund Freud 
falou, pela primeira vez, sobre essas ideias. Em seu discurso sobre a vida sexual dos 
seres humanos, ele afirmou que a sexualidade está presente desde a infância, sendo 
uma energia que move o desenvolvimento.
Na época, tudo aquilo que se referia ao tema era considerado impróprio, por isso 
não deveria ser debatido. Então, ao proferir suas ideias, Freud chocou a sociedade 
da época, contrariando a ideia da sexualidade como instinto, que surgiria a partir da 
puberdade, período em que se iniciaria a maturação biológica e o instinto sexual pelo 
sexo e pela masturbação (COSTA; OLIVEIRA, 2011).
A concepção clássica de instinto tem como modelo um comportamento que 
se caracteriza por sua finalidade fixa e pré-formada, com um objeto e objetivos 
determinados, enquanto a noção freudiana de sexualidade defende a ideia de 
que a sexualidade humana não é instintiva, pois o homem busca o prazer e 
a satisfação através de diversas modalidades, baseadas em sua história indi-
vidual e ultrapassando as necessidades fisiológicas fundamentais. Assim, se a 
sexualidade se inicia com anatomia (no nascimento), sua conquista depen-
de de um longo percurso durante a construção da subjetividade da criança. 
(ZORNIG, 2008, p. 73).
A chamada “descoberta da sexualidade infantil” por Freud provocou muito alvoroço 
nas concepções que se tinha até então sobre essa temática. O descaso para com a 
sexualidade na infância era baseado na ideia de que a criança seria um ser assexuado 
e de que a própria sexualidade se restringiria ao coito e à reprodução. Freud (1996) 
revoluciona o pensamento a esse respeito, trazendo a ideia de que desde o nasci-
mento o indivíduo é dotado de afeto, desejos e conflitos.
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“Freud, além da alma” é um filme norte-americano de 1962 dirigido por John 
Huston, com trilha sonora de Jerry Goldsmith. Conta a história da psicanálise, 
reconstruindo as vivências de Sigmund Freud. A partir de 2h09m de filme é 
exibida a primeira vez em que Freud apresenta a teoria da sexualidade infantil 
em uma conferência em Viena. Caso tenha interesse, vale a pena conferir o que 
essas ideias representaram e como impactaram a todos!
De acordo com a teoria freudiana, as manifestações da sexualidade infantil se origi-
nariam no primeiro ano de vida pela atração da criança ao seio materno – primeiro 
objeto do instinto sexual, evoluindo para o autoerotismo, quando a criança “abando-
na” o seio materno (objeto externo) e o substitui por uma área do próprio corpo – o 
dedo ou a mão que o bebê leva à boca. O instinto oral torna-se, então, autoerótico. 
Subsequentemente, abandona o autoerotismo, substituindo o próprio corpo por um 
objeto externo, ocasião em que os bebês começam a explorar o mundo com a boca, 
levando brinquedos e outros objetos até essa região do corpo. 
FIGURA 10 - FASE ORAL
Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.
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A partir dos dois/três anos, a maturação neuromuscular possibilita o controle sobre os 
esfíncteres, especialmente o esfíncter anal. É o momento do desfralde. 
Dos três aos cinco anos a criança entra em uma nova fase, em que se interessará em 
estimular a região genital. O pênis torna-se o órgão de principal interesse para as 
crianças de ambos os sexos, e a falta de um pênis nas meninas é considerada evidên-
cia de castração. Haverá também o interesse no genitor do sexo oposto, caracterizado 
pelo Complexo de Édipo.
O Complexo de Édipo é proposto por Freud (1996) para compreender a fase 
fálica da Teoria Psicossexual do Desenvolvimento Humano. Fazendo alusão ao 
mito de Édipo Rei, originalmente escrito por Sófocles por volta de 427 a.C., Freudcaracteriza a fase dos três aos cinco anos de vida como o momento de vivência 
da escolha objetal pelo genitor do sexo oposto. 
O mito de Édipo Rei é uma tragédia grega que conta a história de Laio, rei de 
Tebas, que teria sido avisado por um Oráculo sobre a desgraça de seu futuro: 
seria assassinado por seu próprio filho, que se casaria com sua mulher, mãe 
deste. Para evitar que isso ocorresse, Laio decide abandonar a criança num lugar 
distante, colocando-lhes pregos nos pés, para que morresse. Um pastor encon-
tra a criança e lhe dá o nome de Edipodos (pés-furados). A criança, mais tarde, 
é adotada pelo rei de Corinto. Na vida adulta o próprio Édipo, ao consultar o 
oráculo, recebe a mesma mensagem que seu pai Laio recebera anos antes, mas, 
acreditando que se tratava dos pais adotivos, Édipo foge de Corinto. Em sua 
fuga, Édipo se depara com um bando de negociantes e acaba matando seu 
líder durante uma briga, sem saber que esse líder era Laio, seu pai. Ao chegar 
a Tebas, Édipo decifra o enigma da Esfinge e livra a cidade de suas ameaças. 
Assim, recebe o trono de rei e a mão da rainha Jocasta, agora viúva. Os dois se 
casam e têm quatro filhos.
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Anos depois, quando uma peste chega à cidade, Édipo e Jocasta consultam o 
oráculo para tentar resolver essa questão e acabam descobrindo que são mãe e 
filho. Jocasta suicida-se e Édipo fura os próprios olhos como punição por não ter 
reconhecido a própria mãe e ter se casado com ela (FERRARI, s.d.).
Dos cinco/seis aos doze anos de idade a fase é de relativa tranquilidade ou inativi-
dade do impulso sexual, que se estende da resolução do complexo de Édipo até a 
puberdade. 
A partir dos doze anos, a energia sexual reaparece, junto com o sentimento de identi-
dade individual e integração de um conjunto de papeis e funções adultas que permi-
tem novas ações adaptativas dentro das expectativas sociais e dos valores culturais. 
Uma síntese das principais características de cada fase do desenvolvimento psicosse-
xual é apresentada a seguir.
QUADRO 2 - ESTÁGIOS PSICOSSEXUAIS DO DESENVOLVIMENTO
FASE/ IDADE ZONAS ERÓGENAS MANIFESTAÇÕES OBJETIVOS
Oral - 1º ano de 
vida
Boca
Língua
Mucosa da boca
Constitui-se em dois 
elementos: 
libidinal: os estados 
de tensão oral 
levam a procura 
de gratificação 
oral, tipificada pela 
tranquilidade no final 
da alimentação.
agressivo (sadismo 
oral): a agressão oral 
pode manifestar-se 
no ato de morder, 
mastigar, cuspir ou 
chorar. Está vinculada 
aos desejos primitivos 
de morder devorar e 
destruir.
Estabelecer expressão e 
gratificação confortando 
as necessidades libidinais 
orais, sem excessivo 
conflito e ambivalência 
de desejos orais sádicos.
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FASE/ IDADE ZONAS ERÓGENAS MANIFESTAÇÕES OBJETIVOS
Anal - 1 a 3 anos
Aparelho de secreção
Controle dos 
esfíncteres
A criança se descobre 
produzindo algo e isto 
lhe dá prazer.
As fezes são vistas 
como um presente ao 
mundo.
Crescente mudança 
da passividade para a 
atividade (autonomia) 
associada à obtenção de 
controle voluntário dos 
esfíncteres.
Fálica - 3 a 5 anos Genitais
A estimulação genital 
é vista como processo 
criativo.
Fantasias 
predominante 
inconscientes de 
envolvimento com 
o genitor do sexo
oposto, caracterizada
pelo complexo de
Édipo.
Capacitação para o 
exercício da sexualidade 
na idade adulta.
Organização do caráter.
Latência - 5/6 aos 
12 anos
A energia sexual é 
canalizada para outras 
atividades
A sexualidade está 
latente, adormecida.
A representação 
e impulsos orais, 
anais e fálicos são 
empurrados para 
o inconsciente,
reprimidos.
Integração das 
identificações edípicas 
e consolidação da 
identidade sexual e dos 
papeis sexuais
Genital - A partir 
dos 12 anos
Genitais
Intensificação 
dos impulsos, 
especialmente os 
libidinais, a partir da 
maturação fisiológica 
dos sistemas de 
funcionamento 
genital (sexual e dos 
sistemas glandulares).
Reabertura de 
conflitos de estágios 
anteriores devido a 
uma reorganização da 
personalidade 
O sucesso nas demais 
fases será determinante 
na sexualidade do adulto.
Nova oportunidade de 
resolução dos conflitos 
no contexto da obtenção 
da maturidade sexual e 
identidade adulta.
Fonte: Elaborado pela autora.
Como visto, a sexualidade está presente desde a primeira infância e irá se manifestar 
de diversas formas. No contexto escolar, como você agiria ao perceber essa manifes-
tação? O que poderia ser feito?
Do ponto de vista pedagógico, a fase oral não representa um grande desafio, mesmo 
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porque as crianças dessa faixa etária muitas vezes ainda estão sob os cuidados fami-
liares. Para a criança que já frequenta creche ou berçário, o ideal seria permitir a esti-
mulação da boca e da mucosa da boca a partir da exploração do corpo e de brinque-
dos apropriados para essa finalidade, como mordedores, por exemplo.
Na fase anal, o treino de toalete deve ser feito com paciência, sempre observando o 
tempo e sinais que a criança dá de que está preparada para o desfralde. 
A reportagem “Chegou a hora de largar a fralda”, publicada em 2008 pela revista 
Nova Escola, aborda a importância da parceria entre escola e família para iden-
tificar os sinais de maturidade das crianças para o desfralde e oferece dicas de 
como passar por essa fase sem traumas. Caso tenha interesse em aprofundar 
sobre este tema, vale a pena conferir!
A fase fálica talvez seja uma das mais desafiadoras, pois é um período de muita 
curiosidade e descoberta da criança sobre o corpo, especialmente a região genital. 
É comum crianças se tocarem, se exibirem (tirando as calças na frente dos colegas, 
familiares ou visitas) e terem curiosidade em saber sobre o corpo do outro. Na escola, 
quando alguma dessas manifestações ocorrerem, é importante não fazer alarde ou 
tratar o acontecimento como um “evento”. Como algo natural ao desenvolvimento, 
não é adequado repreender a criança ou dar-lhe sermões. O que pode ser feito é 
canalizar essa energia para outras atividades, por exemplo, chamando a criança para 
ajudar em algo ou fazer alguma tarefa. Esta também pode ser uma boa oportunida-
de para ensinar sobre intimidade e privacidade, orientando as crianças sobre o fato 
de que ninguém pode tocar no corpo delas, além dos cuidadores mais próximos, 
com finalidade voltada para higiene e cuidado. 
A latência, teoricamente, poderia representar um período sem grandes preocupa-
ções em relação às questões sexuais para os educadores, porém não é o que se tem 
percebido na atualidade.
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A antecipação dos parâmetros da puberdade, chamada de “aceleração secu-
lar do crescimento”, é um processo que desencadeia o disparo do desenvol-
vimento sexual. O amadurecimento precoce e a elevada produção hormonal 
em crianças têm ocorrido cada vez mais cedo e é um fenômeno mundial. A 
cada década há uma antecipação de três ou quatro meses, de acordo com as 
pesquisas. Os fatores atrelados a esse fenômeno são a alimentação (atualmen-
te come-se melhor, porém produtos contendo hormônios e outras substâncias 
nocivas à saúde), a exposição a estímulos eróticos através da TV, música e outras 
mídias, além da erotização precoce voltada ao consumo. Para saber mais, você 
pode consultar a reportagem “Adolescência: cada vez mais cedo” publicada na 
Folha de São Paulo.
A fase genital é o período em que na escola podem ser abordados mais enfatica-
mente conteúdos como proteção, autocuidado, direitos reprodutivos, que auxiliam 
os jovens a entenderem e exerceremuma sexualidade madura, saudável e conscien-
te, tendo autonomia para o autocuidado e para tomar decisões sobre a iniciação 
sexual segura. De acordo com os documentos oficiais do Ministério da Educação, 
como é o caso dos PCNs – Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1997), esta 
temática deve ser abordada de forma transversal no currículo, devendo ser trabalha-
da em toda e qualquer disciplina.
Mesmo havendo muitas publicações sobre a sexualidade infantil, tanto de Freud 
quanto de outros estudiosos, ainda existe muita recusa ante a essa ideia. Costa e 
Oliveira (2011) mencionam que a razão dessa negligência ou desatenção pode ser 
entendida, em parte, devido ao fenômeno chamado de amnésia infantil, descrito 
pelo próprio Freud (1996). Para ele, trata-se de um fenômeno psíquico caracterizado 
pelo esquecimento parcial ou total das lembranças da infância, especialmente dos 
primeiros seis ou oito anos de vida. 
E você, o que pensa sobre essa teoria? Avalie se ela te ajuda a compreender o compor-
tamento das crianças que você conhece. Seja qual for sua opinião, é importante reco-
nhecer que entender a existência da sexualidade na infância e de que forma ela se 
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manifesta é de suma importância para o trabalho com esse público. 
3.1.2 A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE SEXUAL 
ADOLESCENTE
A adolescência é um período do desenvolvimento no qual ocorrem transformações 
rápidas e profundas de aspectos biopsicossociais, com mudanças físicas e funcionais, 
possibilitando diferentes interações sociais e despertando novos interesses (OPAS, 
2017). Essas mudanças, por estarem relacionadas às questões próprias do crescimen-
to e desenvolvimento humano, acabam trazendo questões de ordem psíquicas, que 
têm a ver com a reorganização da personalidade e a necessidade de definição de 
uma identidade própria, que muitas vezes se distancia do modelo apresentado pelos 
pais, familiares ou mesmo pela sociedade. 
Em busca da definição de sua identidade, de encontrar seu lugar no mundo 
(“não sou mais criança, mas também ainda não sou adulto”), alguns adolescen-
tes confrontam os padrões e modelos de autoridade à sua volta, como pais, 
familiares e professores. Esse comportamento, embora opositor, é típico de 
pessoas que se encontram nessa fase da vida.
Essas mudanças físicas, psíquicas e comportamentais podem tornar os adolescen-
tes muito vulneráveis a situações de risco, especialmente a algumas relacionadas à 
saúde sexual. Isso se agrava quando a descoberta e o exercício da sexualidade são 
diferentes dos padrões da sociedade (OPAS, 2017).
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A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), feita em 2015 pelo IBGE 
com o apoio do Ministério da Educação (IBGE, 2016) mostrou que dos 109.104 
adolescentes de 13 a 17 anos entrevistados, 55% já consumiu bebida alcoóli-
ca. Na contramão das campanhas que enfatizam os prejuízos ocasionados pelo 
álcool, a pesquisa mostrou que adolescentes e jovens têm começado a beber 
cada vez mais cedo. Vários fatores podem explicar este fenômeno, dentre eles 
o senso de onipotência e imprevisibilidade de consequência, típicas da adoles-
cência. Isso quer dizer que os jovens não costumam pensar nas consequências
ou desdobramentos possíveis de seus atos, além disso, frequentemente têm a
sensação de estarem imunes aos perigos (“não vai acontecer comigo!”).
Para além dessas questões, existe a responsabilidade adulta, que muitas vezes está 
presente na vida do jovem, seja por sustentar ou contribuir financeiramente com a 
família ou, ainda, por tornar-se pai ou mãe na adolescência. 
A iniciação precoce da sexualidade não representa, em si, uma forma de 
passagem para a vida adulta; talvez possa ser mais bem entendida como 
outra forma de “experimentar” vivências do mundo adulto, sem assumi-lo 
completamente. Assim, jovens casais vivendo juntos sem casamento, jovens 
que criam seus filhos na casa dos pais ou mesmo jovens que moram com os 
pais depois de já serem financeiramente independentes são fenômenos cada 
vez mais comuns, que desorganizam a compreensão tradicional de transição 
para a vida adulta, evidenciando o exercício de vários “papéis adultos” por indi-
víduos que ainda se identificam como jovens (AQUINO, 2009, p. 28).
Se, por um lado, essas novas experiências e formas de comportamento podem repre-
sentar uma preocupação para muitos, por outro, convida para o desenvolvimento 
de estratégias que contribuem decisivamente para a autonomia de adolescentes e 
jovens, que agora se veem diante da necessidade de tomarem suas próprias decisões, 
sem a coerção dos mais velhos (BRASIL, 2013).
No que diz respeito à saúde e sexualidade, a população adolescente é considerada 
um grupo vulnerável, já que os jovens nem sempre preveem consequência e acre-
ditam, muitas vezes, que estão imunes a acontecimentos e problemas que podem 
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surgir em decorrência de sua exposição à violência, à prática do sexo desprotegido e 
do consumo de álcool e outras drogas.
De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (BRASIL, 1990), toda 
criança e adolescente tem direito ao atendimento integral à saúde, o que os torna 
sujeitos de direitos nas variadas condições sociais e individuais que envolvem a 
prevenção e remediação da saúde. Isso quer dizer que o adolescente tem direito 
de decidir sobre todo e qualquer assunto que afete sua vida, como o início da vida 
sexual, contracepção, com quem irá partilhar a intimidade, etc. Também tem direito 
à privacidade e a ser ouvido e esclarecido sobre suas dúvidas, curiosidades e ques-
tões que podem ajudá-lo a compreender melhor e tomar decisões conscientes que 
envolvam seu desenvolvimento integral, sua saúde e sua sexualidade (OPAS, 2017, 
p. 9). Esse é um ponto bem importante, quando se considera que é justamente na
adolescência que a (re)abertura de vários conflitos individuais, psíquicos, acontecem.
Soma-se a esse fato a instabilidade emocional, muitas vezes presente, a identidade
em construção e os dilemas próprios do vir a ser adulto.
Nesse contexto, as experiências sociais, de interação, podem ser marcantes, tanto 
positiva quanto negativamente. Isso significa que ter a oportunidade de conviver em 
um ambiente familiar saudável e frequentar locais de convivência (como clube, local 
para prática da religião e espaços públicos de lazer, por exemplo) que permitam a 
liberdade de pensamento e expressão, além da criação de laços afetivos com outras 
pessoas, pode representar muita diferença na (re)construção da identidade de cada 
um. Essas vivências podem, inclusive, ser destrutivas, caso o ambiente de convivên-
cia seja nocivo, pouco acolhedor ou hostil; e, como consequência de experiências de 
socialização e criação de relações de afeto malsucedidas, alguns jovens podem sofrer 
com depressão, ansiedade, automutilação, ideação suicida, abuso de álcool e outras 
drogas, transtornos alimentares, comportamento sexual de risco, reclusão social e 
delinquência (OPAS, 2017). 
Havendo compreensão da importância de se priorizar a saúde do jovem, alguns sofri-
mentos e dificuldades podem ser amenizados, embora ainda sejam bastante comuns 
a essa população. O ambiente escolar, por ser local de convivência e aprendizagem, 
pode ser um espaço de acolhimento, que oferece ao jovem novas possibilidades de 
se entender e se relacionar com as pessoas. Para isso, é importante que os professores 
conheçam sobre desenvolvimento adolescente e sejam sensíveis aos dilemas típicos 
dessa fase da vida. 
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Em sala de aula, pode ser desenvolvido um trabalho que valorize a diversidade e 
promova o respeito à individualidade de cada um, e isso pode ser feito não apenas a 
partir do próprio conteúdo curricular, mas também por meio de atitudes e posturas 
éticas e respeitosas, que acabam servindo como modelo para os alunos sobre como 
interagir de forma saudável com colegas e professores.
3.1.3 PROBLEMAS DE SAÚDE MAIS PREVALENTES 
NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA E SEUS 
CONDICIONANTES SOCIOECONÔMICOS E DE ESTILO 
DE VIDA
Saúde é sinônimo de qualidade de vida. Quando algo interfere na qualidade de vida 
de uma pessoa, isso acarreta um problema de saúde. Por estarem em pleno processo 
de crescimento e desenvolvimento, crianças e adolescentes são os que mais apre-
sentam condição vulnerável a sofrer impactos na saúde e qualidade de vida, muitas 
vezes decorrente da negação de seus direitos básicos (BRASIL, 2006). 
Quando se pensa nos problemas de saúde relacionados à sexualidade, na infância a 
maior prevalência é a adultização e erotização precoce, além de violência/ exploração 
sexual infantil.
Imaturos e dependentes, muitas vezes as crianças não entendem as violências que 
sofrem, pois são persuadidas pela mídia e por adultos a adotarem atitudes e compor-
tamentos incompatíveis com sua faixa etária. Este é o caso de crianças que, expostas a 
um mercado publicitário que na atualidade já comercializa até salto alto para bebês, 
usam maquiagem, alisam os cabelos e vestem-se com roupas sensuais (com renda, 
frente única) por influência/conivência de seus cuidadores, nem sempre percebem 
estas questões como nocivas. Este fenômeno é chamado de adultização infantil. 
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FIGURA 11 - ADULTIZAÇÃO INFANTIL
Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.
O uso de salto alto, de roupas de padrão adulto (transparentes, rendadas e que 
mostrem grande parte do corpo), além do incentivo ao comportamento sexualizado, 
como dançar de forma sensual, implica outro fenômeno, conhecido como erotiza-
ção precoce. A erotização precoce ocorre com meninos e meninas, mas nota-se que 
o fenômeno é muito mais frequente com meninas, o que demonstra que o corpo da
mulher (da menina) é sexualizado desde a infância.
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FIGURA 12 - EROTIZAÇÃO PRECOCE
Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.
Mas, porque algo aparentemente tão inocente e até “bonitinho”, como ver uma crian-
ça dançando, se divertindo ou usando roupas bonitas e maquiagem, pode ser ruim? 
Como isso pode prejudicar a saúde dessas crianças? É importante lembrar que as 
crianças estão em pleno processo de formação de sua identidade e personalidade. 
Ao entrar em contato com padrões adultos, a criança absorve o que é bonito, o que 
é feito, o que é belo, que tipo de cabelo é “bom”, que padrão de beleza é valorizado. 
Ao usar roupas impróprias para seu corpo e faixa etária, a criança limita suas possibili-
dades de brincadeira, preocupando-se (ou sendo orientada) a não se sujar, não correr 
para não suar. 
Outro problema diz respeito à vulnerabilidade à violência sexual a que crianças estão 
expostas. O abuso sexual de crianças por adultos ocorre por pessoas que desejam 
satisfazer suas necessidades de poder e contato corporal com o público infantil. 
Como não tem capacidade de discernimento para consentir livremente, a criança 
é levada a cooperar (inclusive ocultando o ato). Estes episódios marcam a vida de 
qualquer um de forma muito negativa, condenando a criança à indefesa e ao desam-
paro, ocasionando problemas que podem ser físicos e emocionais/psíquicos, poden-
do evoluir para quadros muito mais graves de patologias psicológicas (WIRTZ, 1990 
apud BRASIL, 2006).
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O documento “Violência faz mal à saúde”, publicado pelo Ministério da Saúde, 
apresenta um histórico do estudo sobre o tema, além de ações de prevenção 
à violência contra crianças e adolescentes, e sugestões de como criar redes de 
proteção e enfrentamento deste problema. Caso tenha interesse em aprofun-
dar nestes assuntos, acesse este documento no site do Ministério da Saúde.
A adolescência é o período de maior exploração da identidade sexual de uma pessoa. 
Em muitos casos, essas buscas e experimentações favorecem uma maior exposição 
a comportamentos de risco que impactam a vida pessoal e sexual, como o abuso de 
álcool e outras drogas, a prática do sexo desprotegido, com maior suscetibilidade às 
doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e gravidez não desejada, além da exposi-
ção às múltiplas formas de violência. Problemas de saúde mental também incidem 
sobre essa população, que apresenta elevado índice de ansiedade e depressão, além 
de ideação suicida e comportamento de automutilação (OPAS, 2017).
Essas questões denotam o quão urgente e importante é pensar sobre a saúde do 
adolescente, que precisa da orientação e auxílio do outro mais experiente para passar 
por estes conflitos. O estilo parental adotado pelos pais, a forma de criação, as cren-
ças familiares e os condicionantes sociais, como a religiosidade, o que é aceito ou 
não, especialmente no que se refere à sexualidade, muitas vezes podem favorecer o 
aparecimento de problemas de saúde, sejam eles psicológicos ou não.
Quando se pensa na saúde da mulher adolescente, a gravidez não desejada aparece 
como um problema a ser resolvido, já que na faixa etária de 10 a 14 anos de idade, 
em sua maioria, está relacionada à ocorrência de violência sexual. Nas adolescentes 
com idades mais avançadas, de 15 a 19 anos, a gravidez tende a se relacionar à falta 
de orientação e informação sobre sexualidade (OPAS, 2017). 
Não se deve deixar de levar em conta, nessa discussão, as restrições de acesso aos 
serviços básicos de saúde que muitas pessoas são privadas, dentre as quais os adoles-
centes. Além disso, muitas vezes, dependendo de onde vivem, as adolescentes 
compreendem a gravidez como a tentativa de encontrar e sustentar um lugar social, 
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especialmente em contextos marcados pelas desigualdades de raça, gênero e classe 
social (BRASIL, 2013).
Segundo dados do Ministério da Saúde, os investimentos voltados à ampliação 
do acesso aos serviços, às informações de qualidade em linguagem acessível e 
às ações de promoção e atenção à saúde têm surtido efeitos positivos. Tem-se 
observado uma diminuição do número de parto de mulheres na faixa de 10 a 
19 anos de idade. Em 2009 foram registrados 486.292 partos, em 2010 o núme-
ro foi de 469.742 e em 2011, 467.702 partos (BRASIL, 2013).
Outro problema que aparece como importante fator para o cuidado da saúde com 
foco na sexualidade do adolescente é o sofrimento psíquico a que muitos estão sujei-
tos. A adolescência, por si só, já representa um desafio de ordem psíquica muito 
intenso (OPAS, 2017), em razão das várias alterações no corpo, na libido e nas rela-
ções sociais.
Quando se pensa em adolescentes em situação de maior vulnerabilidade esse sofri-
mento pode ser ainda maior. Fazem parte deste público os adolescentes com defi-
ciência, com doenças crônicas, migrantes, que vivem em áreas remotas ou são refu-
giados, ou mesmo os que são marginalizados e estigmatizados por sua crença, etnia, 
raça ou orientação sexual (OPAS, 2017).
O que se sabe, na atualidade, é que, em relação às políticas de saúde do Estado brasi-
leiro, já existem estratégias que visam proteção e promoção da saúde à população 
infantil e adolescente, buscando regular os comportamentos de risco e minimizar as 
vulnerabilidades associadas a eles ou às própriascondições de vida dos adolescentes 
e suas famílias (OPAS, 2017). No entanto, ainda há a necessidade de melhor formação 
profissional, já que se sabe que os profissionais de saúde têm importantes deficiên-
cias em sua formação inicial, especialmente no que se refere ao atendimento em 
sexualidade (OPAS, 2017). 
A Organização Pan-Americana da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação 
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elaborou uma linha do tempo com os principais marcos na política de saúde para 
adolescentes. Os principais marcos serão mencionados no quadro a seguir. 
QUADRO 3 - PRINCIPAIS MARCOS DA POLÍTICA EM SAÚDE PARA ADOLESCENTES
ANO MARCO
1989
• Criação da convenção sobre os direitos da criança
• Criação do PROSAD (Programa Saúde do Adolescente)
1990
• Sancionada a lei n.º 8.069, que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente
• Homossexualidade é retirada da lista de doenças mentais.
1993 • Normas de atenção à saúde integral do adolescente
1999
• Conselho de Psicologia publica resolução para não atendimento com finalidade de cura
para homossexualidade
2000 • Publicação de manual de atendimento para adolescentes grávidas
2005 • É instituído o Programa de Saúde Integral para Adolescentes e Jovens
2006
• Promulgação da Lei Maria da Penha
• Publicação da cartilha sobre direitos sexuais e direitos reprodutivos
2007
• Criação do Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-juvenil
• Programa Saúde na Escola
• Marco legal: saúde, um direito de adolescentes
2010
• Diretrizes nacionais para a atenção integral à saúde de adolescentes e jovens na
promoção, proteção e recuperação da saúde
2011
• STF reconhece união civil entre pessoas do mesmo sexo
• Publicação de normas técnicas de atenção humanizada ao abortamento
• Divulgação de aspectos jurídicos para atendimento às vítimas de violência sexual
• Publicação de matriz pedagógica para formação das redes para atenção integral para
mulheres e adolescentes em situação de violência doméstica e sexual
2012 • Prevenção e tratamento dos agravos da violência sexual em mulheres e adolescentes
2013
• Orientações básicas de atenção integral à saúde de adolescentes nas escolas e unidades
básicas de saúde
• Publicação de “O SUS e a saúde sexual e reprodutiva de adolescentes e jovens no Brasil”
• Seminário Internacional Saúde, Adolescência e Juventude
2014
• Divulgação de Metodologias para o Cuidado de Crianças, Adolescentes e suas Famílias
em Situação de Violências
• Oficina “O SUS e o Estatuto da Juventude
Fonte: Adaptado de OPAS, 2017, p.18-19.
O documento da OPAS (2017) aponta que os principais desafios para o desenvolvi-
mento de programas de atenção integral à saúde do adolescente no atual cenário 
sócio-político-cultural são o conservadorismo político e o fundamentalismo religioso 
que têm se firmado na reprodução dos discursos de polarização e intolerância em 
boa parte da população. São essas questões que se interpõem na atualidade como 
algo a ser debatido e superado para que a criança e o adolescente sejam vistos e 
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cuidados em sua integralidade, tendo oportunidade de crescer, desenvolverem-se e 
construírem sua identidade cultural e sexual de forma sadia. 
Profissionais que trabalham com este público, incluindo professores, precisam 
promover o diálogo sobre sexualidade, saúde e aspectos de autocuidado, visando 
favorecer a construção da identidade sexual e do desenvolvimento saudável, como 
um todo. Por isso, é importante entender a sexualidade em sua abordagem múltipla, 
para que preconceitos e práticas de discriminação possam ser mitigados no espa-
ço da escola. O professor, como mediador do processo de ensino, pode promover o 
respeito e o acesso a informações de qualidade que auxiliem crianças e jovens a lidar 
com autonomia das questões que envolvem saúde e sexualidade, estando aptos para 
o autocuidado e proteção.
BIBLIOGRAFIA COMENTADA
Veja a seguir uma indicação de obra que complementará seu conhecimento sobre os 
assuntos abordados na disciplina.
• HOLOVKO, S. C.. CORTEZZI, M. C. (Orgs.). Sexualidades e gênero: desafios da
psicanálise. 1. ed. digital. São Paulo: Editora Edgard Blücher, 2018.
O livro “Sexualidades e gênero: desafios da psicanálise” apresenta o olhar da psicaná-
lise sobre a construção da identidade sexual de crianças e jovens em seu processo de 
desenvolvimento. O livro, como um todo, oferece subsídios para melhor compreen-
são de como as diferentes sexualidades vão se moldando ao longo da vida humana. 
Vale a pena a leitura! 
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CONCLUSÃO 
Nesta unidade você estudou a sexualidade a partir de seus condicionantes biológicos 
e psicossociais. A mudança corporal que ocorre em cada fase da vida foi apresentada 
e debatida de forma conjunta às questões psíquicas que constituem a formação da 
identidade de cada um de nós.
A manifestação da sexualidade foi debatida à luz das ideias de Sigmund Freud e 
de sua teoria Psicossexual do Desenvolvimento, que apresenta diferentes fases em 
que a energia sexual é canalizada para diferentes objetivos. Também foi estudada a 
construção da identidade adolescente, tendo em vista que essa população é poten-
cialmente vulnerável a comportamentos de risco e violência, que podem ocasionar 
problemas de saúde. 
Os problemas de saúde de maior incidência na infância e adolescência foram apre-
sentados, e alguns condicionantes socioeconômicos e de estilo de vida do adolescen-
te e de sua família foram analisados, como fatores que influenciam ou exacerbam a 
ocorrência destes problemas. 
Saber que a sexualidade está presente desde a primeira infância e evolui ao longo da 
vida é um importante fator para se entender comportamentos e identificar suas dife-
rentes formas de manifestação. No exercício do trabalho docente dentro do espaço 
escolar, atentar-se para os riscos a que crianças e adolescentes estão sujeitos nas dife-
rentes etapas do desenvolvimento faz-se urgente e necessário, pois pode influenciar 
a forma destes se perceberem, construírem e viverem a sexualidade. 
Tendo subsídios para compreender melhor as diferentes sexualidades, o professor 
terá condições de ensinar e intervir de maneira mais efetiva e adequada nos casos 
em que a mediação com a temática da sexualidade se fizer necessária. Estejamos 
atentos a essas questões!
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OBJETIVO 
Ao final desta 
unidade, 
esperamos 
que possa:
UNIDADE 4
> Identificar as
possibilidades de
intersecção entre
educação e sexualidade.
> Diferenciar sexo,
sexualidade e educação
sexual, reconhecendo as
principais características
de cada conceito.
> Examinar como
a educação pode
criar possibilidades
de atendimento
às necessidades
relacionadas à construção
da sexualidade durante
o crescimento e
desenvolvimento infantil
e adolescente.
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4 SEXUALIDADE COMO 
CAMPO DE ESTUDOS DA 
EDUCAÇÃO
Nesta unidade, você estudará sobre as possibilidades de intersecção entre educação 
e sexualidade. A proposta é apresentar a educação como uma área que pode favo-
recer o entendimento e a concepção que se tem sobre as questões que envolvem a 
sexualidade, desde a construção da identidade sexual infantil e adolescente até as 
abordagens que podem ser trabalhadas dentro do espaço escolar, visando pensar 
um currículo que discuta a educação sexual e as várias possibilidades de trabalho 
com os alunos.
Também é objetivo desta unidade apresentar os conceitos de sexoe sexualidade, 
diferenciando-os de educação sexual, de modo a favorecer a compreensão sobre o 
que significa cada um desses termos e sob que perspectivas podem ser entendidos.
Embarque nesta aprendizagem!
INTRODUÇÃO 
Esta unidade trata da intersecção entre educação e sexualidade, propondo apresen-
tar como esses dois campos de atuação e estudos podem atuar de forma a contri-
buir para a construção da sexualidade de crianças e adolescentes. Por serem indiví-
duos em formação, esses públicos encontram-se em pleno processo de crescimento e 
desenvolvimento de vários conceitos e habilidades, entre os quais a identidade sexual. 
A educação, como área do saber que propicia o acesso ao conhecimento produzi-
do pela humanidade, pode favorecer a apropriação dos conceitos de sexo, sexuali-
dade e educação sexual, de modo que se possa conhecer e perceber a diferenciação 
entre eles. Conhecendo as múltiplas facetas da sexualidade humana, talvez seja possí-
vel entendê-la e exercê-la de forma mais plena e saudável, o que significaria maio-
res chances de diminuir problemas de identidade, autoaceitação e intolerância com 
o que aparenta ser diferente. Nesta perspectiva, o presente material busca oferecer
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subsídios para se pensar a educação sexual a partir de suas várias abordagens, que não 
se limitam a reduzir e classificar o sexo ou a sexualidade em categorias únicas e fixas.
4.1 SEXUALIDADE COMO CAMPO DE ESTUDOS DA 
EDUCAÇÃO 
A quem compete o ensino sobre sexualidade? Qual o papel da família em relação a 
esse tipo de orientação? E a escola, o que pode ensinar? Até aonde a escola pode ir 
quando aborda esse tema? Quais são os limites? Essas questões são comuns, quando 
se pensa em sexualidade e educação. Há, inclusive, alguns debates ideológicos que 
colocam essa temática como algo que deve ser tratado no âmbito familiar. Estudio-
sos da área, porém, defendem que uma educação sexual é urgente e imprescindível 
à formação do ser humano, em todas as etapas de seu desenvolvimento. 
Há muitos anos, a escola tem sido responsável por oferecer um ensino denominado 
de “educação sexual”. O que esse ensino engloba? Quais temas contempla? O que há 
de novo em relação às abordagens curriculares para o trabalho com a sexualidade? 
Essas questões são as norteadoras deste material. 
4.1.1 INTERSECÇÕES ENTRE SEXUALIDADE E 
EDUCAÇÃO
Na escola, a temática da sexualidade geralmente está vinculada ao ensino de ciên-
cias ou biologia e em geral se restringe ao conhecimento do corpo, à abordagem dos 
aparelhos reprodutores masculino e feminino, puberdade, menstruação, virgindade, 
iniciação sexual, prática do sexo seguro, prevenção à doenças sexualmente transmis-
síveis (DST), AIDS e gravidez não planejada (FURLANI, 2016).
Mais recentemente, com as atuais políticas voltadas à garantia dos direitos sexuais 
e reprodutivos da população, a escola tem sido considerada um local privilegiado 
para o reconhecimento e valorização da diversidade de expressões de sexualidade 
(GESSER et al., 2015). No entanto, mesmo que os documentos oficiais recomendem 
um trabalho transversal com essa temática, ele ainda fica restrito a poucas discipli-
nas. E algumas escolas parecem fomentar predominantemente o preconceito ao 
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diferente, patologizando atitudes e comportamentos que fogem ao modelo da hete-
ronormatividade (LOURO, 2008; ALÓS, 2011; SEFFNER, 2013).
Condizente com o que propõe o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), (BRASIL, 
1990), o Caderno de Orientação Sexual dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) 
(MEC, 1998) e a Política de Prevenção e Combate à Homofobia - Brasil sem homo-
fobia (MEC, 2004), uma proposta pedagógica em uma perspectiva ético-política, de 
acordo com Gesser et al. (2015), consideraria oferecer possibilidades para:
FIGURA 13 - ABORDAGEM DA SEXUALIDADE EM UMA 
PROPOSTA PEDAGÓGICA ÉTICO-POLÍTICA
• Desconstrução das significações de sexualidades opressoras.
• Desnaturalização das violências contra as diferentes formas
de manifestação da sexualidade.
• Ampliação da autonomia para que cada um possa exercer
sua sexualidade.
• Garantia dos direitos sexuais e reprodutivos.
• Diminuição da vulnerabilidade de quem expressa sexualidade fora do
padrão heterossexual.
Fonte: Elaborada pela autora, 2019.
Apesar de os termos “gênero” e “orientação sexual” terem sido suprimidos da 
Base Nacional Comum Curricular (BNCC) (BRASIL, 2017), as temáticas sobre 
discussão dos direitos humanos e discriminação foram contempladas no docu-
mento, o que significa que as questões que envolvem a sexualidade devem ser 
trabalhadas nas redes de ensino.
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A oferta de uma educação que contemple a temática da sexualidade de forma múlti-
pla e ética ainda é um desafio no Brasil. Nas escolas, predomina uma pluralidade de 
concepções que vão desde as relacionadas ao higienismo até aquelas que buscam 
promover a democracia sexual, ou seja, a aceitação da diversidade e da pluralidade de 
identidades sexuais em suas diferentes formas de manifestação (GESSER et al., 2015).
Higienismo: ideia baseada na “limpeza” a partir da eliminação do que é “sujo”. 
Na concepção de sexualidade tratada nesta unidade, o conceito refere-se à 
exclusão, minimização ou marginalização de toda forma de manifestação 
sexual que não seja heteronormativa, ou seja, da sexualidade considerada peri-
férica, desviante, suja.
Para entender melhor as formas como a sexualidade tem sido compreendida a partir 
da perspectiva do ensino, Gesser et al. (2015) apresentam algumas concepções de 
sexualidade de docentes que atuam na educação básica.
QUADRO 4 - CONCEPÇÕES DE SEXUALIDADE DE DOCENTES DA EDUCAÇÃO BÁSICA
concepção preventista
Articulada a discursos morais e religiosos, a preocupação está ligada à prevenção da gravidez na 
adolescência e de infecções causadas por doenças sexualmente transmissíveis (DST) e AIDS. Também 
há uma grande preocupação em não “incitar precocemente” crianças e adolescentes a se interessa-
rem por questões relacionadas à sexualidade. 
Nessa concepção, a gravidez na adolescência é denominada como “precoce”, assim a iniciação sexual 
antes da idade adulta é também vista como precoce, já que a sexualidade é reduzida ao coito, a 
doenças e à reprodução. O sexo é tido como algo que deve ser praticado por pessoas adultas, que 
desejam ter filhos.
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concepção desenvolvimentista
Compreende a sexualidade como um tema a ser tratado em determinada idade ou etapa do desen-
volvimento. Nessa concepção, a sexualidade inexiste na infância, por isso acredita-se que há uma 
“idade certa” para se abordar esses assuntos. A sexualidade também é reduzida ao seu aspecto bioló-
gico, abordando o desenvolvimento dos aparelhos reprodutores, doenças e reprodução, mas não 
contempla questões de gênero e outros marcadores identitários. Também se nota uma preocupação 
em não “adiantar processos”, acreditando-se que as idades devem ser respeitadas, por isso não se 
deve permitir que crianças ou adolescentes entrem em contato com conteúdo impróprio para sua 
faixa etária, pois isso poderia despertar seu interesse para a sexualidade ou até mesmo induzi-la à 
homossexualidade.
concepção de prevenção para a garantia dos direitos sexuais e reprodutivos
Preocupação em oferecer conhecimentos sobre o corpo e seu desenvolvimento, suas partes, suas 
funções, gravidez e doenças, além de elementos simbólicos, como a pluralidade de conceitos e possi-
bilidades de vivência da sexualidade, buscando favoreceruma maior autonomia para que crianças e 
adolescentes possam construir sua identidade sexual e decidirem sobre o autocuidado.
concepção heteronormativa de sexualidade
Contempla discursos pautados na heteronormatividade, ou seja, demonstrando a construção da 
sexualidade marcada pela norma heterossexual. Os efeitos dessa concepção são práticas da chama-
da “pedagogização dos gêneros e sexualidades”, baseadas no sexismo e na caracterização da norma-
tividade a partir dos conceitos de mulher/homem, heterossexual/homossexual e sexo/gênero.
concepção de democracia sexual
Articulada aos valores de igualdade e liberdade, apresenta práticas que visam à aceitação e ao acolhi-
mento das diferentes sexualidades. Preocupa-se em criticar as práticas heteronormativas na escola e 
em promover o respeito à diversidade sexual, buscando eliminar a patologização dos comportamen-
tos dos alunos e das diferentes configurações familiares.
Fonte: Adaptado de GESSER et al., 2015.
Sexismo: também conhecido como discriminação de gênero, refere-se à atitude 
de discriminação e objetificação baseada no sexo, gênero ou orientação sexual.
Na discussão sobre as diferentes concepções de sexualidade trabalhadas na esco-
la, é importante considerar que o entendimento sobre essas questões pelos docen-
tes e por toda equipe pedagógica passa, necessariamente, por normas, valores e até 
mesmo preconceitos presentes nos contextos culturais e históricos nos quais cada 
um desses profissionais se constituíram como pessoas ao longo de sua formação 
(GESSER et al., 2015).
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A sexualidade é uma temática que aparece nos documentos oficiais de educa-
ção como “transversal”. A partir da década de 1990 no Brasil, alguns documen-
tos oficiais passaram a dar visibilidade a questões que até então eram conside-
radas impróprias para serem abordadas com crianças e jovens. Os Parâmetros 
Curriculares Nacionais (PCN) é um desses documentos, que traz a sexualidade 
em um volume específico, denominado “Temas transversais”, ou seja, como algo 
que pode e deve ser trabalhado no currículo de qualquer disciplina. Para conhe-
cer as diretrizes que o documento menciona para o desenvolvimento desse 
trabalho, consulte: BRASIL. Parâmetros curriculares Nacionais: apresentação 
dos temas transversais - ética. Brasília: MEC/SEF, 1997.
Por mais fundamental que seja, a implementação de um trabalho que vise ao direito 
e à valorização da diversidade ainda enfrenta muitas dificuldades para ser desenvol-
vido e sustentado nas escolas. Por medo de serem desqualificados por pessoas que 
apresentam um posicionamento heterossexista, muitos profissionais se veem impo-
tentes para promover ações mais amplas e gerais sobre essa temática. Por outro lado, 
contemplar esse tema a partir do diálogo sobre a diferenciação sobre sexo, sexualida-
de e educação sexual parece ser um caminho possível nas mais diversas disciplinas 
do currículo, afinal esses conceitos podem e devem ser transversais a todo trabalho 
desenvolvido na escola.
Heterossexismo: atitude de discriminação, preconceito, negação e estigmatiza-
ção ou ódio contra toda manifestação de sexualidade que não seja heterossexual.
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4.1.2 DIFERENCIANDO CONCEITOS: SEXO, 
SEXUALIDADE E EDUCAÇÃO SEXUAL
Sexo
A palavra sexo é geralmente utilizada para definir os órgãos genitais masculino e 
feminino, distinguindo a mulher do homem. Seu referencial é fisiológico e está 
diretamente relacionada à anatomia dos corpos de meninos e meninas, homens e 
mulheres. 
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) (OMS, 1975), sexo também 
pode ser compreendido como ato sexual. O sexo possui características biológicas, 
que classificam os seres humanos em macho ou fêmea. 
Sexualidade
Sexualidade refere-se às construções históricas, culturais e sociais produzidas sobre as 
características biológicas dos indivíduos (LOURO, 2004). Para além do entendimento 
da orientação do desejo (heterossexual ou homossexual), a Organização Mundial da 
Saúde define que:
A sexualidade faz parte da personalidade de cada um, é uma necessidade 
básica e um aspecto do ser humano que não pode ser separado de outros 
aspectos da vida. Sexualidade não é sinônimo de coito (relação sexual) e não 
se limita à ocorrência ou não de orgasmo. Sexualidade é muito mais que isso, 
é a energia que motiva a encontrar o amor, contato e intimidade e se expressa 
na forma de sentir, nos movimentos das pessoas, e como estas tocam e são 
tocadas. A sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, ações e intera-
ções e, portanto a saúde física e mental. Se saúde é um direito humano funda-
mental, a saúde sexual também deveria ser considerada um direito humano 
básico (OMS, 1975).
O conceito de sexualidade, surgido no século XIX, vem para ampliar a definição de 
sexo, representando a qualidade e a significação do que é sexual (FEITOSA, 2005).
Educação sexual
Já a educação sexual refere-se a um conjunto de projetos pedagógicos que tratam 
da sexualidade a partir de conteúdos relacionados à matriz da sexualidade, relações 
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de gênero e prevenção às doenças sexualmente transmissíveis (DST), AIDS (BRASIL, 
1997). A expectativa é promover a construção de condutas sexuais orientadas, sadias 
e protegidas (DZIABAS; MIRANZI, 2007). 
Alguns estudiosos (como STEINBERG; KINCHELOE, 2001) argumentam que, por ser 
plural, a educação sexual não se limita aos espaços escolares, mas ocorrem, na verda-
de, desde o convívio familiar e, mais recentemente, têm abrangido outros “ambien-
tes”, como os virtuais, passando também pelos livros, materiais didáticos, filmes, nove-
las, desenhos animados, músicas, etc. 
Mesmo com toda a avalanche de informação que a criança e o jovem recebem hoje 
em dia, a escola ainda continua sendo o local privilegiado para o trabalho com a 
sexualidade. Mas quais as possibilidades de trabalho com essa temática e como esse 
ensino pode favorecer o desenvolvimento de crianças e adolescentes em seu proces-
so de formação?
4.1.3 AS POSSIBILIDADES OFERECIDAS NO 
ATENDIMENTO ÀS NECESSIDADES DE CRESCIMENTO 
E DESENVOLVIMENTO INFANTIL E ADOLESCENTE
Como local privilegiado para o ensino e debate, a escola é uma instituição que pode 
contribuir muito para o atendimento das necessidades de crescimento e desenvolvi-
mento das crianças e adolescentes. Em relação às questões ligadas à sexualidade, é 
importante entendê-la como um componente humano, presente desde a infância, 
cuja construção e manifestação poderão despertar interesse, curiosidade e muitas 
dúvidas nos estudantes em formação. Da escola, então, seria esperado que pedago-
gicamente assumisse essa discussão, inserindo-a no currículo escolar.
Furlani comenta que “as escolas que não proporcionam a educação sexual a seus 
alunos e alunas estão educando-as parcialmente” (FURLANI, 2003 p. 68). A educação 
sexual, vista como possibilidade de ampliação de conhecimentos sobre si mesmo e 
sobre o outro, pode favorecer o desenvolvimento de concepções e da construção de 
uma identidade sexual sadia. 
A educadora sexual Debra Haffner (2005, apud FURLANI, 2016) apresenta em seu livro 
“A criança e a educação sexual” o que caracteriza uma criança como sendo sexual-
mente saudável:
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FIGURA 14 - CARACTERÍSTICAS DA CRIANÇA SEXUALMENTE SAUDÁVEL
Se sentem bem com seus corpos
Respeitam os membros da família e outras crianças
Entendem o conceito de privacidade
Tomam decisões adequadas à sua idade
Ficam à vontade para fazer perguntas
Se sentem preparadaspara a puberdade
Fonte: Adaptada de HAFFNER, 2005, apud FURLANI, 2016, p. 65.
Pensando nessa caracterização, pode-se refletir sobre como a escola ou educadores 
podem contribuir para que o desenvolvimento de crianças e jovens seja saudável. O 
que há de se fazer? Por onde se pode começar? 
De início, vale a pena retomar os pilares para o desenvolvimento saudável da sexua-
lidade. Essa construção, iniciada desde a primeira infância, acompanha o indivíduo 
pela vida, por isso oferecer elementos que o auxiliem a compreender a multiplicida-
de desse conceito é um dos pontos centrais deste trabalho.
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FIGURA 15 - CONCEITOS-CHAVE PARA O DESENVOLVIMENTO SAUDÁVEL DA SEXUALIDADE
Sentir-se 
bem
Tomar 
decisões
Estar 
preparada
Respeitar
Fonte: Adaptada de FURLANI, 2016.
Contribuindo com essa abordagem, Furlani (2016) apresenta oito princípios para 
o trabalho com a educação sexual na escola. Estes princípios estão detalhados no
quadro a seguir.
QUADRO 5 - PRINCÍPIOS DA EDUCAÇÃO SEXUAL NO CONTEXTO ESCOLAR
Princípio 1 – a educação sexual deve começar na infância e, portanto, fazer parte do currículo 
escolar
Entendendo a manifestação da sexualidade desde a infância como natural e os conteúdos relativos 
à sexualidade como imprescindíveis à formação de crianças e jovens, propõe-se desconstruir a ideia 
de que a abordagem desse tema deve acontecer apenas na adolescência. 
A sexualidade está presente desde a infância, por isso pode ser abordada 
com as crianças desde a educação pré-escolar. O cuidado que se deve ter 
é em relação à linguagem utilizada e a não oferta de detalhes desneces-
sários durante essa conversa. Quando se entende que os temas relaciona-
dos à sexualidade não devem ser tratados com crianças, ignora-se toda 
uma gama de possibilidades de se trabalhar questões de fundamental 
importância para o desenvolvimento e formação da criança, como noção 
de privacidade, intimidade, conhecimento do corpo e suas funções, etc.
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Princípio 2 – as manifestações da sexualidade não se justificam, apenas, pelo objetivo da “reprodução”
Desconstruir o paradigma da infância assexuada e do modelo de sexualidade vinculada apenas à 
reprodução. Entendendo a sexualidade como algo múltiplo, que está presente desde a infância e que 
pode ser manifesta de muitas formas, é essencial para a construção de uma identidade sexual sadia.
A reprodução é apenas uma das formas de manifestação da sexualida-
de. Crianças e adolescentes precisam de instruções e diálogo sobre outras 
questões que envolvem essa temática, como a construção das diferentes 
identidades sexuais, questões que envolvem relações de gênero, orien-
tação sexual e uma educação sexual mais ampla, que discuta direitos, 
problematize concepções e ofereça formas de repensar os modelos hete-
ronormativos, que excluem o diferente.
Princípio 3 – a descoberta corporal é expressão da sexualidade
A criança descobre seu corpo desde bebê e ela faz isso explorando as mãos, chupando os dedos, 
tocando em diferentes partes, que lhe são agradáveis e lhe transmitem prazer. Expressar-se sexual-
mente é natural e deve ser encarado como tal. 
Não é raro acontecer em sala de aula situações em que a expressão da 
curiosidade e do prazer que a criança sente ao tocar seu corpo. De forma 
explícita e inocente, algumas crianças tratam essa questão como natural, 
como de fato elas são! Por isso, professores não devem fazer alarde ou inibir 
esse comportamento com recriminação ou punição. Aos educadores, cabe 
orientar crianças e jovens sobre essas questões, abordando temas, como 
corporalidade, diferenças pessoais, privacidade, intimidade e responsabi-
lidade pelas escolhas.
Princípio 4 – Não deve haver segregação de gênero nos conhecimentos apresentados a meni-
nos e meninas, portanto a prática pedagógica da educação sexual deve acontecer sempre em 
coeducação
Coeducação significa ensino misto, de convivência mútua entre meninos e meninas. Tem por princí-
pio não restringir conteúdo em função do gênero dos alunos, buscando promover o respeito e desle-
gitimar a desigualdade, o sexismo e o machismo.
Não existe razão lógica para separar meninos e meninas em atividades 
escolares, inclusive as esportivas. Algumas escolas, em vez de oferecerem 
o futebol para meninos e ballet para menina, ou oferecem essas modali-
dades para todos ou optam por ofertar outras atividades, como a capoeira,
por exemplo.
A ideia de que meninos vão melhor em disciplinas de exatas e meni-
nas nas de humanas também não se justifica cientificamente. As escolas 
devem promover ensino e cursos extracurriculares para todos, potenciali-
zando o desenvolvimento da criança e do jovem, independentemente de 
seu gênero.
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Princípio 5 – Meninos e meninas devem/podem ter os mesmos brinquedos
Desconstruir a ideia de que meninos devem brincar com um certo tipo de brinquedo e meninas com 
outro. Desconstruir a ideia de que a forma ou com o que a criança brinca determina sua orientação 
sexual no futuro. Brinquedos favorecem o desenvolvimento da criança, influenciando sua criativida-
de e inteligência, por isso, separar brinquedos pela categoria (criada culturalmente) de gênero limita 
as possibilidades de desenvolvimento e aprendizado das crianças.
Os brinquedos devem ser partilhados por todos. No espaço da escola ou da 
creche, o educador pode fazer essa mediação criando situações de apren-
dizagem que permitam a interação entre as crianças a partir de vários brin-
quedos, sem o estigma de gênero.
Princípio 6 – a linguagem plural, usada na educação sexual, deve contemplar tanto o conheci-
mento científico quanto o conhecimento familiar/popular/ cultural
A escola deve considerar os saberes populares, assim como considera os saberes científicos, pois 
ambos constituem as experiências dos indivíduos e são expressões da diversidade humana.
Os nomes dados aos órgãos sexuais e as formas de entender as múltiplas 
manifestações da sexualidade devem ser considerados durante a educa-
ção sexual, pois pode-se partir desse conhecimento que o indivíduo já tem 
para desconstruir padrões, preconceitos ou mesmo ampliar o repertório da 
criança ou do jovem sobre essa temática.
Princípio 7 – Há muitos modos de a sexualidade e o gênero se expressarem em cada pessoa; 
portanto, é possível ter alunos/as se constituindo homossexuais
Entender a homossexualidade como mais uma forma de expressão da sexualidade, buscar ressig-
nificar o preconceito e a discriminação a esse público, na tentativa de criar uma cultura de paz, de 
respeito e menos violenta na escola.
O professor não deve recriminar ou tentar inibir manifestações da sexuali-
dade que sejam compatíveis com as identidades sexuais não valorizadas, 
muito pelo contrário, ele pode identificar essa situação como potencial 
para promover o ensino, conversar sobre a diversidade e promover situa-
ções em que se trabalhe a empatia, o respeito e a valorização da diferença.
Princípio 8 – a educação sexual pode discutir valores, como respeito, solidariedade e direitos 
humanos
A escola pode questionar preconceitos, propondo uma reflexão sobre a importância de considerar “o 
outro”, o “diferente” como alguém que pode agregar, contribuir. A escola deve buscar mitigar todas as 
formas de exclusão e desigualdade, resgatando valores humanos e contribuindo para a valorização 
da diversidade. 
Professores e demais profissionais que atuam na escola podem propi-
ciar situações de interação e aprendizagem que favoreçam o exercício da 
empatia, do pensar a partir do ponto de vista do outro, para que se busque 
a valorização do outro como alguém que tem direitos e responsabilidades, 
masque também deve ser respeitado.
Fonte: Adaptado de FURLANI, 2016, p. 67-70.
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Esses princípios orientam um trabalho de resgate aos valores humanos e valorização 
da diferença, propondo abordar a sexualidade como algo natural ao desenvolvimen-
to desde a primeira infância. Desenvolver um trabalho pedagógico pautado nessas 
sugestões certamente tem o potencial de favorecer o crescimento e desenvolvimen-
to saudável de crianças e adolescentes em variados aspectos e habilidades.
As crianças e adolescentes estão em pleno processo de formação de suas identi-
dades, por isso é importante colocá-las diante de situações e propostas de ensino 
que apresentem a diversidade como algo natural ao desenvolvimento humano. A 
valorização das diferentes identidades auxilia na construção de uma concepção 
mais plural sobre a sexualidade, favorecendo um convívio mais harmonioso, menos 
preconceituoso e hostil. 
Pode parecer difícil, ou mesmo utópico, implementar todos esses princípios, mas 
um bom começo pode ser refletir sobre eles e a prática pedagógica. O cenário muda 
quando a ação é motivada pela reflexão. 
BIBLIOGRAFIA COMENTADA
Veja a seguir uma indicação de obra que complementará seu conhecimento sobre os 
assuntos abordados na disciplina.
• FURLANI, Jimena. Educação sexual na sala de aula: relações de gênero, orien-
tação sexual e igualdade étnico-racial numa proposta de respeito às diferen-
ças. Belo Horizonte: Autêntica, 2016.
O livro “Educação sexual na sala de aula: relações de gênero, orientação sexual e igual-
dade étnico-racial numa proposta de respeito às diferenças” apresenta um panora-
ma sobre a educação sexual, trazendo as concepções mais recentes para o trabalho 
com o tema no âmbito educacional. O capítulo 3 aborda a educação sexual para/na 
infância, trazendo com detalhes os princípios para uma educação para a sexualidade 
numa abordagem de valorização da diversidade. Vale a pena conferir!
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CONCLUSÃO 
Nesta unidade, você estudou as possibilidades de intersecção entre educação e 
sexualidade. Como lócus privilegiado para o ensino de crianças e jovens, a escola foi 
pensada como uma instituição capaz de contribuir com a formação infantil e adoles-
cente a partir do trabalho com a temática da sexualidade no cotidiano pedagógico.
No âmbito escolar, o trabalho de valorização da diversidade e alguns princípios 
norteadores da atuação pedagógica na abordagem para a discussão da sexualidade 
foram postos em pauta, de modo a oferecer possibilidades de reflexão e modelos de 
como esses temas podem adentrar e fazer parte do currículo.
Um dos objetivos da unidade era favorecer a articulação da temática da sexualidade 
na escola. Uma forma de propiciar esse diálogo foi introduzindo a diferenciação de 
sexo, sexualidade e educação sexual. Para isso, cada um desses conceitos foi aborda-
do separadamente, visando a uma melhor compreensão de suas características.
Por fim, a abordagem da sexualidade através da educação foi pensada como possi-
bilidade de contribuição para o atendimento das necessidades de crianças e adoles-
centes – seres em formação – que estão em pleno processo de desenvolvimento de 
sua identidade sexual, além de outras construções e habilidades.
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OBJETIVO 
Ao final desta 
unidade, 
esperamos 
que possa:
UNIDADE 5
> Discutir o conceito de
escola saudável.
> Analisar a importância
de parcerias e alianças
para o trabalho em
saúde no contexto
escolar.
> Valorizar os programas
de educação e de
saúde na escola,
conhecendo sua
programação, critérios
e instrumentos de
avaliação.
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5 O CONCEITO DE ESCOLA 
SAUDÁVEL DENTRO DAS 
ESTRATÉGIAS DE PROMOÇÃO 
DA SAÚDE E OS PROGRAMAS 
TRANSVERSAIS NO ENSINO 
BÁSICO
Nesta unidade, você estudará o conceito de escola saudável a partir da perspectiva 
do trabalho em saúde no contexto escolar. O enfoque será na abordagem da sexua-
lidade em suas múltiplas dimensões e formas de manifestação. Para compreender 
melhor como esse tipo de trabalho pode ser realizado, será discutido o conceito de 
intersetorialidade e da importância de formação de parcerias, pactos e alianças entre 
diferentes setores e áreas profissionais.
Também é objetivo desta unidade apresentar o Programa Saúde na Escola, enten-
dendo seu histórico de implementação, os temas abordados e as ações previstas 
dentro das escolas. Os indicadores de monitoramento e avaliação serão explicitados, 
assim como a perspectiva mais atual do trabalho em saúde no contexto educacional.
INTRODUÇÃO
Esta unidade trata das ações de saúde na educação, ou seja, das formas possíveis de 
ações de prevenção, promoção e melhoria da saúde no espaço escolar. Há muitos 
anos, vêm sendo implementados programas que visam garantir o direito à saúde da 
população no país. Sendo as crianças e jovens uma população vulnerável, assim como 
aprendizes em desenvolvimento, cujos comportamentos habilidades e concepções 
estão em plena formação, estes se tornam público-alvo de ações que visem ensinar 
hábitos de vida, atitudes e comportamentos que permitam a diminuição de riscos e 
o aumento de fatores de proteção para uma vida mais segura e saudável. Como essa
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população está na escola, essa instituição torna-se o lócus principal para a partilha 
de informações de qualidade, ações de prevenção e intervenção em saúde. Tendo 
isso em vista, programas de saúde na escola serão apresentados, visando oferecer um 
modelo de programação, monitoramento e avaliação de ações já realizadas e acom-
panhadas por equipes intersetoriais.
5.1 O CONCEITO DE ESCOLA SAUDÁVEL DENTRO 
DAS ESTRATÉGIAS DE PROMOÇÃO DE SAÚDE
As ações educativas em saúde no Brasil datam da Primeira República, quando, a 
partir de 1889, ensinavam-se comportamentos, atitudes e hábitos considerados 
saudáveis para a época. No século XX, com a concepção higienista em voga, a educa-
ção em saúde passou a utilizar a observação, o exame, o controle e a disciplina na 
infância para “promover” o desenvolvimento sadio e produtivo de uma determinada 
“raça” (VALADÃO, 2004).
A mudança da terminologia “educação sanitária” para “educação em saúde”, no 
século XX, diz respeito a algumas mudanças nos modelos de prática educativa 
na época. A educação sanitária entendia que, para que o indivíduo aprendesse 
a cuidar de sua saúde, teria de ter acesso ao conteúdo a respeito, por isso valo-
rizava o repasse de informações, seguindo uma concepção mais tradicional de 
educação. A educação em saúde pública, por sua vez, entende que a saúde é 
resultante de vários fatores que atuam conjuntamente, por isso o indivíduo não 
apenas tem acesso a informações, mas também aprende a cuidar de sua saúde 
(PELICIONI, 2019).
Ao longo de todo o século XX, a universalização do ensino provoca uma mudança 
nos modelos de atuação em saúde na escola, trazendo a concepção da promoção de 
saúde para capacitar o indivíduo para uma vida saudável (VALADÃO, 2004).
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A educação em saúde tornou-se obrigatória no Brasil por meio da Lei n° 
5.692/1971, artigo 7, que instituiu os programas de saúde nos currículos de 1º e 
2º graus.
Na atualidade, a temática da saúde na escola é composta por ações e programas 
apoiados por diversos organismos internacionais, como a OrganizaçãoMundial da 
Saúde (OMS) e a UNESCO, pois entende-se que a atuação integrada desses setores 
pode promover o acesso à informações de qualidade e conteúdo que auxilie os indi-
víduos na capacitação para a tomada decisões e controle da própria vida, garantindo 
a possibilidade de usufruir de um bom estado de saúde.
A escola se configura como o espaço ideal para essas ações, uma vez que é na infân-
cia que ocorre o período de aquisição das bases de comportamento e aprendizagem, 
com a adoção de hábitos de higiene; a descoberta da potencialidade do corpo e o 
desenvolvimento de habilidades e destrezas que possibilitam o cuidado com a saúde 
pessoal e o respeito às diferentes formas de viver e se expressar (PELICIONI, 2019).
Durante um tempo, as ações da educação em saúde na escola foram centradas 
na individualidade dos alunos, buscando mudar comportamentos e atitudes sem, 
muitas vezes, considerar as inúmeras influências da realidade na qual os estudantes 
estavam inseridos (SILVA et al., 2010). Aos poucos, isso foi mudando, pois foi-se perce-
bendo que a promoção da saúde na escola não dependia apenas da inserção desse 
conteúdo no currículo, mas sim de uma visão integral, holística, que considera as 
pessoas e seus contextos familiar, comunitário e social. Dessa perspectiva, a proposta 
de educação em saúde, de acordo com a Organização Panamericana de Saúde, é:
• Procura desenvolver conhecimentos, habilidades e destrezas para o auto-
cuidado da saúde e a prevenção das condutas de risco em todas as opor-
tunidades educativas.
• Fomenta uma análise crítica e reflexiva sobre valores, condutas, condições
sociais e estilos de vida, buscando fortalecer tudo aquilo que contribui
para a melhoria da saúde, da qualidade ambiental e do desenvolvimento
humano.
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• Facilita a participação de todos os integrantes da comunidade educativa
na tomada de decisões.
• Colabora para a promoção de relações socialmente igualitárias entre as
pessoas, para a construção da cidadania e democracia.
• Reforça a solidariedade, o espírito de comunidade e os direitos humanos
(OPAS, 1996, p. 22-25).
O que se percebe a partir do que foi exposto é que as ações em saúde são vistas como 
resultantes de um meio ambiente biopsicossocial saudável, e não como uma ques-
tão individualizada, daí a importância da inserção, na escola, de ações que envolvam 
todos que se relacionam com a instituição e com o meio que a cerca. Dessa maneira, a 
escola saudável deve significar um espaço que possibilita a participação crítica, a cria-
tividade e o exercício da autonomia, para que se desenvolvam as potencialidades físi-
cas, psíquicas, cognitivas e sociais dos escolares (WHOE, 1995 apud PELICIONI, 2019), 
favorecendo a formação de cidadãos críticos, que adotam um estilo de vida saudável, 
afastando comportamentos de risco e sentindo-se aptos para lutar pela transforma-
ção da sociedade e melhoria das condições de vida de todos (PELICIONI, 2019).
A educação em saúde é feita a partir de ações que visam à prevenção e à promo-
ção da saúde não apenas por meio do currículo explícito, mas também contan-
do com o apoio da comunidade e da família à escola (PELICIONI, 2019).
Para um projeto de Escola Promotora de Saúde (EPS), Pelicioni e Torres (1999) 
propõem desenvolver um plano que inclua:
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FIGURA 16 - A ESCOLA NA PROPOSTA DE EPS
para a 
ESCOLA
Desenvolvimento 
de sistema de 
valores
Capacitação dos 
profissionais da 
escola
Currículo flexível
Fonte: Adaptada de PELICIONI; TORRES, 1999.
Para a escola, é importante possibilitar um currículo diferenciado, flexível, em que os 
temas ligados à saúde e sexualidade sejam ensinados transversalmente, em todas as 
disciplinas. Esse currículo deve atender às demandas e necessidades específicas dos 
alunos de cada escola/localidade, atentando-se para a faixa etária, interesses e curio-
sidades de cada público específico. 
A capacitação dos docentes e dos demais funcionários da escola deve ocorrer perio-
dicamente, de modo a possibilitar o diálogo e a possibilidade de construção conjunta 
do conceito de escola promotora de saúde. Para isso, esses profissionais precisam se 
apropriar dos objetivos, conteúdos e métodos da educação e da promoção da saúde. 
O desenvolvimento de um sistema de valores que seja coerente com o conceito de 
EPS entre os estudantes, seus docentes e familiares é importante, pois pode contri-
buir para a criação, a execução e a manutenção de políticas públicas adequadas.
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FIGURA 17 - A FAMÍLIA NA PROPOSTA EPS
Para a 
FAMÍLIA
Envolvimento 
dos familiares no 
processo 
ensino-aprendiza
gem dos alunos
Informações 
sobre as 
finalidades e 
objetivos da 
escola
Consulta aos 
responsáveis 
sobre assuntos 
de saúde
Fonte: Adaptada de PELICIONI; TORRES, 1999.
Estabelecer uma relação estreita e respeitosa com as famílias é fundamental para 
a promoção da EPS. Para isso, é importante selecionar e preparar cuidadosamente 
materiais e estratégias que aproximem os familiares da escola, possibilitando o diálo-
go e a realização de atividades conjuntas.
Uma estratégia para isso seria acolher as dúvidas, anseios e preocupações das 
famílias para propor rodas de conversa ou bate-papo com profissionais da 
própria escola ou das áreas de saúde e/ou assistência social, para auxiliar em 
cada demanda. As famílias também podem ser convidadas a participar ativa-
mente de conselhos e associações nas escolas, de modo a contribuir no plane-
jamento das ações didático-pedagógicas.
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FIGURA 18 - A COMUNIDADE NA PROPOSTA DE EPS
Para a 
COMUNIDADE
Envolvimento de 
agentes 
comunitários e 
lideranças locais na 
proposta de EPS
Mobilização de 
recursos 
materiais e 
humanos da 
comunidade
Troca de 
informações e 
experiências com 
a comunidade
Fonte: Adaptada de PELICIONI; TORRES, 1999.
Integrar a escola com a comunidade na qual ela está inserida pode potencializar as 
ações, pois envolver as pessoas que moram no entorno e os profissionais que atuam 
na região, além de agentes comunitários e lideranças locais, pode promover a mobili-
zação de recursos materiais e humanos da própria comunidade, além de possibilitar 
a troca de informações e experiências que enriqueçam os debates e o planejamen-
to de ações. Em parceria com escola, essas pessoas podem identificar demandas a 
serem discutidas e resolvidas no bairro, pensando e planejando ações conjuntas que 
visem à resolução dos problemas locais.
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Uma escola que atua junto com sua comunidade pode identificar os problemas 
locais e propor ações que visem à sua melhoria. Por exemplo: se há ruas pouco 
iluminadas no bairro, que dificultam o trânsito de pessoas à noite e tornam 
perigoso o trajeto dos alunos (especialmente das alunas) à escola no período 
noturno, uma ação conjunta poderia envolver a mobilização das pessoas para 
acionar a subprefeitura ou algum órgão público para a averiguação e solução do 
problema. Para isso, alguma gráfica local poderia colaborar produzindo panfle-
tos para distribuição às pessoas, alguma liderança local poderia encabeçar uma 
petição pública ou audiência com alguém que atue na subprefeitura e a escola 
pode ceder espaço para reuniões ou propor ações de prevenção da violência 
com os estudantes. Juntos, escola e comunidade lutam e articulam ações que 
beneficiarão todos.
5.1.1 PARCERIAS, ALIANÇAS EO PACTO SOCIAL
Alianças e parcerias em ações de educação em saúde visam à redução de riscos e 
ao fortalecimento de fatores protetores da saúde de crianças e jovens. Em vez de 
focar individualmente em questões que podem sinalizar problemas, tem-se perce-
bido que a integração entre grupos que atuam e se apoiam mutuamente são mais 
eficientes, mesmo porque grande parte dos problemas, em geral, apresentam causas 
comuns (BRASIL, 1999).
Todo jovem precisa de informações abrangentes sobre saúde sexual e repro-
dutiva. Tais informações, no entanto, têm mais utilidade quando associadas à 
educação voltada para a construção de habilidades para a vida, para a autoes-
tima, para o senso de responsabilidade e confiança. Assim, os jovens podem 
resistir às pressões para a adoção de comportamentos que possam agredir sua 
saúde e seu desenvolvimento. Essas habilidades podem ser úteis na preven-
ção do consumo de drogas, no trato da ansiedade, na avaliação de situações 
de risco e na negociação de situações conflituosas (BRASIL, 1999, p. 16).
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O Programa Saúde na Escola (PSE) é um exemplo de aliança construída em prol 
da saúde da população escolar. Trata-se de um movimento que prevê a ação 
intersetorial para promover estratégias para a promoção de saúde individual e 
coletiva por meio de ações intra e intersetoriais articuladas entre os âmbitos da 
saúde, educação e assistência social (BRASIL, 2014).
O PSE foi instituído em 2007 e compõe uma política de governo voltada à interseto-
rialidade, objetivando capacitar a comunidade para atuar na melhoria da qualidade 
de vida e saúde (BRASIL, 2002), atendendo aos princípios e diretrizes do Sistema 
Único de Saúde (SUS): integralidade, equidade, universalidade, descentralização e 
participação social. O PSE propõe a articulação de saberes entre alunos, pais, comu-
nidade escolar e sociedade, como um todo, para promover e tratar a saúde e a educa-
ção de forma integral (CARVALHO, 2015).
O conceito de promoção de saúde amplia a compreensão de que saúde não é 
somente a ausência de doença, mas também que pode ser vista como um esta-
do positivo, um recurso para a qualidade de vida (CARVALHO, 2015).
Por meio de ação intersetorial, o PSE propõe uma intersecção entre o saber dos 
profissionais de saúde e de educação, além dos saberes provenientes das próprias 
experiências de vida dos sujeitos. A intersetorialidade torna-se fundamental nessa 
proposta, uma vez que a escola recebe uma variedade muito grande de perfis de 
alunos, com experiências de vida e questões sociais muito diversas, o que demanda a 
ação de vários profissionais e diferentes setores (CARVALHO, 2015).
O pacto social, como compromisso da sociedade em garantir e assegurar direi-
tos, reconhece o bem-estar, a saúde e a proteção social como direitos sociais. Esse 
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compromisso é assegurado na medida em que pessoas da sociedade civil/profissio-
nais das mais diversas áreas se propõem a dialogar e atuar em prol da promoção e 
melhoria desses indicadores sociais. O professor, como profissional da educação, é 
um importante ator nesse cenário, pois, por ter contato com estudantes e suas famí-
lias, pode debater e articular ações que beneficiem as escolas, podendo ir para além 
dos muros desta, atingindo também a comunidade.
5.1.2 PROGRAMAS DE EDUCAÇÃO E DE SAÚDE NA 
ESCOLA DENTRO DA PERSPECTIVA DAS ÁREAS 
TRANSVERSAIS DE ENSINO FUNDAMENTAL: 
PROGRAMAÇÃO, CRITÉRIOS E INSTRUMENTOS DE 
AVALIAÇÃO
Quando se pensa em programas de educação e saúde na escola, o Programa Saúde 
na Escola (PSE) é o mais comentado e pesquisado, pois é o principal programa volta-
do à atenção e à saúde de estudantes de escolas públicas brasileiras. O PSE subsidia 
as ações de integração e articulação entre as políticas de educação e de saúde no 
contexto escolar, tendo como objetivo ampliar as ações de saúde direcionadas aos 
estudantes da rede pública, articulando as redes básicas de educação e de saúde e 
contribuindo para sua formação e desenvolvimento integrais (CARVALHO, 2015). 
FIGURA 19 - AÇÕES DO PROGRAMA SAÚDE NA ESCOLA
Prevenção
em saúde
Prevenção
em saúde
Prevenção
em saúde
PROGRAMA SAÚDE NA ESCOLA
Fonte: Adaptada de BRASIL, 2018.
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As ações do PSE devem sempre estar inseridas no projeto político-pedagógico da 
escola, considerando-se a diversidade sociocultural das redes e a autonomia dos 
professores e das equipes pedagógicas. Guiados por essas diretrizes, o programa 
adota três princípios:
FIGURA 20 - PRINCÍPIOS DO PSE
Integralidade Territorialidade Intersetorialidade
Fonte: Adaptada de BRASIL, 2018.
O princípio de integralidade propõe articular ações que impactem as diferentes 
áreas envolvidas (educação, saúde, assistência social). A territorialidade diz respeito à 
discussão, elaboração e implantação de ações que atendam às demandas locais de 
cada população específica. A intersetorialidade entende que ações integrais e basea-
das no princípio da territorialidade aconteçam quando há a articulação entre dife-
rentes setores, envolvendo profissionais de várias áreas, para um alcance mais amplo 
dos objetivos propostos no projeto.
Seguindo os princípios básicos do programa, cada rede deve pensar e propor suas 
ações a partir do planejamento local. Isso significa que o PSE varia conforme a região 
e seu público-alvo, tendo possibilidade de tratar de variados temas, que atendam às 
demandas de cada contexto particular. Veja alguns exemplos a seguir.
A partir do levantamento da demanda local, em ação do Programa Saúde na 
Escola, uma rede optou por trabalhar diferentes projetos em cada nível de ensi-
no. No Ensino Fundamental e na Educação de Jovens e Adultos (EJA), abordou-
-se desde a saúde ocular, passando por práticas corporais que envolviam ativi-
dades físicas e de lazer até a discussão sobre prevenção ao uso de álcool, tabaco
e outras drogas (BRASIL, 2018).
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No Programa Saúde na Escola em uma instituição de ensino básico, a entrada 
da profissional de saúde da assistência social se deu de forma cuidadosa com os 
estudantes. Chamada pela coordenadora pedagógica para auxiliar no manejo 
de comportamentos sexuais exacerbados por parte de adolescentes, ela iniciou 
seu trabalho apresentando uma palestra com uma temática não ligada à sexua-
lidade, buscando uma oportunidade de conhecer e se aproximar dos alunos. 
Depois de familiarizados com sua presença na escola, a profissional abordou a 
sexualidade em uma palestra, seguida de roda de conversa, o que possibilitou 
uma abordagem menos impositiva e de maior receptividade dos jovens em 
relação à proposta (CARVALHO, 2015).
Em outra escola, de ensino fundamental II, a ação de saúde no Programa Saúde 
na Escola consistiu em momentos de conversa, apresentação de vídeos e traba-
lhos pedagógicos, como dramatização e apresentação de paródias sobre temas 
ligados à sexualidade, tendo a pesquisa dos alunos e a mediação dos professo-
res e profissionais de saúde como ponto central da abordagem.
A programação do PSE inclui ações pactuadas em conjunto no momento da adesão 
ao programa. Estas incluem: 
• práticas de cuidados à prevenção de riscos e danos à saúde;
• promoção de alimentação adequada e saudável;
• estímulo à prática de exercícios corporais e atividade física;
• diálogos sobre direito sexual e reprodutivo;
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• prevenção à gravidez nãodesejada, DST e Aids;
• ações no sentido de promover a convivência respeitosa com a diferença;
• prevenção das violências e dos acidentes;
• identificação de alunos com possíveis sinais de doenças;
• práticas de autocuidado e abordagem de riscos e danos do uso de álcool,
tabaco e outras drogas, buscando fortalecer vínculos e afetos que favoreçam
escolhas de vida saudáveis.
O monitoramento do PSE é realizado a partir das informações lançadas no sistema 
e-SUS Atenção Básica, que considera indicadores de evasão escolar, motivos de baixa
frequência e dados sociodemográficos. Esses dados são provenientes da própria esco-
la em parceria com a assistência social. O controle de presença dos estudantes, bem
como dos dados de rendimento acadêmico, é de incumbência do professor, que os
repassa para a gestão escolar, intermediária das ações do Programa Saúde na Escola.
As informações e formulários de acompanhamento das ações desenvolvidas 
no Programa Saúde na Escola podem ser consultadas em: BRASIL. Programa 
Saúde na Escola: documento orientador – indicadores e padrões de avaliação. 
PSE, ciclo 2017/2018. Disponível na Internet.
Em relação aos indicadores que permitem avaliar o PSE, ou seja, aos parâmetros 
qualitativos e/ou quantitativos que servem para detalhar se os objetivos do programa 
foram alcançados, encontram-se: (i) a cobertura do PSE nas escolas; (ii) a cobertura 
das ações nas escolas; (iii) a quantidade de tipos de ações realizadas (BRASIL, 2018).
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Em resumo, é importante que essas ações de saúde na educação busquem:
FIGURA 21 - AÇÕES DE SAÚDE NA EDUCAÇÃO
Ter foco na prática pedagógica, e não na ação assistencial
Estabelecer parceria entre professores, profissionais de saúde e alunos, 
para que as ações sejam relevantes para eles.
Valorizar a percepção que os alunos têm sobre seus problemas, sua identidade e sua prática social.
Apoiar a comunidade escolar para que ela mesma vença suas dificuldades.
Fonte: Adaptada de CARVALHO, 2015.
Quando associadas a práticas educativas, as ações de saúde podem ser o ponto de 
partida para a aquisição de novas condutas de autocuidado e respeito à saúde. Essas 
ações devem levar em conta a realidade que cerca a escola e a vida dos alunos. 
Para Junqueira (2004), o público-alvo da ação de saúde deve ser considerado como 
sujeito desta, e não meramente como objeto. Dessa perspectiva, ele passa a assumir 
um papel participativo, colaborando na identificação das demandas e da proposição 
de suas soluções. Essas ideias e propostas devem ser construídas numa discussão 
intersetorial (entre alunos, professores, gestores, equipe de saúde, assistência social), 
de modo a favorecer a tomada de consciência e enfrentamento dos problemas viven-
ciados (WIMMER; FIGUEIREDO, 2006). 
A atuação na área de assistência social permite articular as ações na escola à reali-
dade de seus alunos, aproximando os projetos do universo familiar e comunitário, 
possibilitando a efetivação dos princípios de integralidade, intersetorialidade e terri-
torialidade das ações implementadas. 
BIBLIOGRAFIA COMENTADA
Veja a seguir uma indicação de obra que complementará seu conhecimento sobre os 
assuntos abordados na disciplina.
• PELICIONI, Maria Cecília Focesi. Educação e promoção da saúde: teoria e práti-
ca. 2. ed. Rio de Janeiro: Santos, 2019.
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O livro “Educação e promoção da saúde: teoria e prática” aborda o desenvolvimento 
de práticas educativas e promotoras de saúde em diferentes espaços. As partes três 
e quatro apresentam diversas experiências e práticas de atuação da saúde na escola. 
Conheça e se inspire!
CONCLUSÃO
Nesta unidade, você estudou a atuação da saúde na educação a partir do desenvol-
vimento de ações de prevenção, promoção e melhoria da saúde para estudantes. 
Foi discutida a importância da formação de pactos e alianças entre diferentes áreas/
setores, para que as demandas em saúde presentes na escola possam ser atendidas 
de forma coerente e integral, pois sabe-se que a multiplicidade de questões e neces-
sidades que cada população escolar, em seu contexto específico, apresenta, é muito 
diversa e complexa, exigindo a articulação entre diferentes áreas e o diálogo constan-
te entre muitos profissionais.
Para compreender melhor um exemplo de como esse trabalho pode ser pensado e 
efetivado, o Programa Saúde na Escola foi apresentado, abordando-se inicialmente o 
histórico de desenvolvimento do programa e, depois, as ações previstas para as esco-
las, além das formas de monitoramento e critérios de avaliação.
Como a atuação do professor com crianças e jovens deve envolver o trabalho que 
potencialize seu desenvolvimento, conhecer as formas de se trabalhar as questões de 
saúde, de forma articulada a outros profissionais, é importante no sentido de fornecer 
caminhos para a abordagem do tema de forma transversal na escola.
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OBJETIVO 
Ao final desta 
unidade, 
esperamos 
que possa:
UNIDADE 6
> Nomear os conceitos
de gênero, orientação e
identidade sexual.
> Examinar as
possibilidades didáticas
do trabalho com a
educação sexual no
ambiente escolar.
> Reunir estratégias de
intervenção saudáveis
e não punitivas como
parte do repertório
necessário à atuação
docente.
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6 ABORDAGENS 
CONTEMPORÂNEAS PARA 
A EDUCAÇÃO SEXUAL NA 
SALA DE AULA: RELAÇÕES 
DE GÊNERO, ORIENTAÇÃO 
SEXUAL E IGUALDADE NUMA 
PROPOSTA DE RESPEITO ÀS 
DIFERENÇAS
Nesta unidade, você estudará as abordagens contemporâneas para a educação sexual 
no ambiente escolar. Essa temática, cujo ensino era de responsabilidade da família, 
cada vez mais tem sido reconhecida como necessária nas propostas pedagógicas. Há 
alguns anos, a sexualidade figura entre os temas transversais do ensino, o que signi-
fica que deve estar presente no currículo escolar, podendo ser trabalhada em várias 
disciplinas. Assim, esta unidade tem o objetivo de explicitar os conceitos de gênero, 
orientação sexual e identidade sexual, buscando esclarecer o que significa cada um 
deles e discutir suas implicações não apenas epistemológicas (o significado da pala-
vra, em si), mas também problematizando as questões da vida prática, as concepções, 
formas de entender e as relações que se estabelecem no meio social. Por fim, algu-
mas estratégias de intervenção saudáveis e não punitivas serão demonstradas, pois 
cabe ao (aspirante a) professor considerar a diversidade presente nas escolas como 
um potencial a ser valorizado e trabalhado, na perspectiva de não apenas respeitar, 
mas também de aprender com a diferença.
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INTRODUÇÃO 
Esta unidade trata das abordagens contemporâneas para a educação sexual no 
ambiente escolar, contemplando as possibilidades didáticas para um trabalho de 
respeito e valorização da diversidade. Nesse sentido, apresenta os conceitos de gêne-
ro, orientação e identidade sexual, buscando discutir suas implicações para as formas 
de entender, conceber e se relacionar em sociedade. Serão apresentadas as abor-
dagens pedagógicas que embasam a atuação docente na temática da sexualidade, 
buscando ampliar o debate sobre o que está por trás das ações e posturas frente à 
sexualidade em sala de aula. Ao educador, é fundamental conhecer esses conceitos, 
para que possa identificar situações de desrespeito e discriminação e atuar em prol 
de uma educação que problematiza a diferença como algo naturale saudável. Algu-
mas estratégias não punitivas para a intervenção nos casos em que houver manifes-
tação da sexualidade na escola serão contempladas, buscando oferecer repertório ao 
professor de como agir nessas situações. 
Venha nesta viagem pelo conhecimento!
6.1 ABORDAGENS CONTEMPORÂNEAS PARA A 
EDUCAÇÃO SEXUAL NA ESCOLA: RELAÇÕES DE 
GÊNERO, ORIENTAÇÃO SEXUAL E IGUALDADE 
NUMA PROPOSTA DE RESPEITO ÀS DIFERENÇAS
A educação sexual nas escolas brasileiras sempre foi tema de discussões e controvér-
sias. No passado, as escolas separavam meninos e meninas num ensino que orienta-
va cada gênero para o desempenho de um papel social específico. Depois, mesmo 
quando meninos e meninas estudavam juntos numa mesma escola, ao falar sobre 
sexualidade, ou reprodução humana, estes eram separados em diferentes salas de 
aula, para que cada um tivesse acesso à informação pertinente ao seu gênero (além 
do fato de que abordar tal temática entre todos podia constranger o professor). Com 
o passar do tempo, essa separação física, de sala, já não era mais necessária. Os estu-
dos em ciências e biologia contemplavam o que era importante ensinar ao adoles-
cente (sim, porque falar sobre sexualidade na infância era algo que não fazia sentido),
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por isso os livros traziam o sistema reprodutor humano, as DSTs, o HIV, a Aids e a 
gravidez na adolescência como algo a ser ensinado aos jovens. 
Nas décadas de 1970 e 1980 surgem os estudos de gênero, o que provoca uma 
mudança no conceito de “papéis sexuais” até então naturalizados pela biologia. Esse 
é um ponto importante dos estudos em sexualidade, pois muda toda uma concep-
ção sobre a temática e introduz uma nova categoria de análise nos fenômenos da 
vida histórica e social, ao mesmo tempo em que traz para o debate o enfoque políti-
co (FURLANI, 2016).
6.1.1 DEFININDO CONCEITOS: GÊNERO, ORIENTAÇÃO 
E IDENTIDADE SEXUAL
Muitas vezes, gênero, orientação e identidade sexual são confundidos ou tratados 
como sinônimos. Os conceitos nem sempre são compreendidos, de modo que ainda 
é comum, por exemplo, ouvir algumas pessoas se referirem à “opção” sexual quando 
falam da orientação do desejo sexual dos homossexuais ou ao “gênero” como um 
conceito negativo. Essa falta de esclarecimento se deve, entre outros motivos, ao fato 
de historicamente não terem sido abordadas amplamente nos estudos escolares e 
na sociedade como um todo. Para desmistificar esses conceitos, cada um deles será 
explicado a seguir.
6.1.1.1 GÊNERO
É um conceito que diz respeito às relações existentes entre homens e mulheres e 
tem contribuído para problematizar as diferenças tomadas como “naturais” e “biolo-
gicamente” determinadas (GUIZZO; RIPOLL, 2015). 
Guacira Lopes Louro (2004) ressalta que o conceito de gênero não se resume à dife-
renciação de “papéis” e “funções” femininos e masculinos, como modos de ser, de se 
comportar, de se vestir, etc., mas diz respeito às relações de poder existentes entre 
homens e mulheres.
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A noção de que “ninguém nasce mulher: torna-se mulher” vem dos escritos de 
Simone de Beauvoir, que, em 1949, publicou em “O segundo sexo” que a cons-
tituição do ser mulher é algo ensinado para que os sujeitos se tornem dessa ou 
daquela maneira.
Partindo das ideias de Simone de Beauvoir, pode-se afirmar que gênero é o produ-
to do “trabalho” da sociedade, da cultura, sobre a biologia (GUIZZO; RIPOLL, 2015). 
Assim, fazer de alguém mulher ou homem requer investimentos continuados 
(LOURO, 2008). 
Segundo Costa et al. (2009), o conceito de gênero é constituído em quatro partes: 
FIGURA 22 - CONSTITUIÇÃO DO CONCEITO DE GÊNERO
Símbolos que nos 
fornecem modelos para 
sermos mulheres e 
homens
Normas que afirmam e 
negam modelos de 
feminilidade e 
masculinidade
Papel das instituições 
sociais no reforço da 
composição de masculino 
e feminino
Identidades subjetivas 
que revelam que nem 
todas as imposições aos 
homens e mulheres são 
sentidas da mesma forma
Fonte: Adaptado de COSTA et al., 2009.
Recebem-se da sociedade, da família e da mídia modelos de o que é ser mulher ou 
homem em na sociedade, de o que se espera em relação à linguagem (poder falar, 
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ter de calar), à vestimenta (poder ficar à vontade ou não sem camisa), ao comporta-
mento (ser dócil, passiva ou firme, propositivo). 
O famoso “homem não chora” ou “mulher é o sexo frágil” são exemplos de normas 
que afirmam e negam modelos de feminilidade e masculinidade, atribuindo carac-
terísticas de rigidez emocional e força corporal ao homem e docilidade e fragilidade 
às mulheres. Esses padrões são reforçados pelas instituições sociais, quando se sepa-
ram meninos e meninas na escola, nas aulas de educação física ou quando o trabalho 
doméstico fica relegado apenas às meninas, por exemplo.
Essas imposições sociais não são sentidas da mesma forma por meninas e meninos, 
mulheres e homens, uma vez que o gênero marca uma relação desigual de poder de 
homens sobre as mulheres, provocando uma desigualdade de direitos.
Os lugares de meninos e meninas nas escolas eram bem delimitados. Separa-
vam-se nas filas, nas brincadeiras, nas aulas de educação física. E era proibido 
qualquer tipo de transgressão dessas fronteiras (SANTOS; SOUZA, 2015).
Acreditava-se que as meninas tinham maior aptidão para as ciências humanas, 
enquanto os meninos se saíam melhor com disciplinas das ciências exatas. As 
meninas eram mais calmas e os meninos eram “naturalmente” mais agitados. 
As meninas eram vistas como mais emotivas, enquanto os meninos deviam se 
controlar e não demonstrar sensibilidade (LOURO, 1997).
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6.1.1.2 ORIENTAÇÃO SEXUAL
É a caracterização do desejo sexual predominante de uma pessoa, indicando por 
quais gêneros ela sente-se atraída física, romântica ou emocionalmente. A orientação 
sexual vai para além do binômio heterossexual vs. homossexual, expandindo-se para 
bissexual, assexual ou pansexual.
FIGURA 23 - ORIENTAÇÃO SEXUAL
Heterossexual Homossexual Bissexual Assexual Pansexual
Atração por 
pessoas do 
gênero oposto.
Atração por 
pessoas do 
mesmo 
gênero.
Atração por 
pessoas do 
mesmo gênero 
e do gênero 
oposto .
Atração por 
todos os 
gêneros.
Nenhuma 
atração sexual.
Fonte: Elaborada pela autora, 2019.
6.1.1.3 IDENTIDADE SEXUAL OU DE GÊNERO
Indica a percepção sobre o gênero que uma pessoa tem de si mesma. A elaboração da 
identidade sexual pressupõe identificações com papéis sociais, experimentações, dife-
renciações e liberdade de opção. Apresenta expectativas de comportamento e valores 
que se veiculam diretamente ao papel esperado para cada gênero (DALL´AGNOL, 2003).
FIGURA 24 - IDENTIDADE DE GÊNERO
Indivíduo que se identifica e se
apresenta com o seu gênero biológico.Cisgênero
Indivíduo que não se identifica 
com o gênero biológico.Transgênero
Indivíduo cuja expressão de gênero
não se limita às categorias "masculino"
ou "feminino".
Não-binário
Fonte: Elaborada pela autora, 2019.
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6.1.2 EDUCAÇÃO SEXUAL: POSSIBILIDADES 
DIDÁTICAS
A educação sexual nas escolas tem uma tradição de ser, em grande parte, oferecida 
nas disciplinas de ciências e biologia. Os temas vão desde puberdade e menstrua-
ção, passando pelo aparelho reprodutor masculino e feminino, virgindade, iniciação 
sexual, até discussão sobre DSTs, HIV e AIDS e gravidez na adolescência.
Furlani (2016)apresenta as abordagens para a educação sexual nas escolas, desde as 
tradicionais até as mais contemporâneas. São essas concepções que estão presentes 
nas práticas pedagógicas cotidianas nas escolas, na atuação de professores, repercu-
tindo o modo como se tem lidado com a sexualidade no contexto escolar.
abordagem biológico-higienista
Prioriza a discussão sobre o desenvolvimento sexual humano, dando ênfase aos 
aspectos biológicos para a promoção da saúde, da reprodução, das DSTs e da gravi-
dez não desejada.
É higienista porque considera o sexo como algo sujo, por isso a “pureza” (sexual) 
seria a forma mais eficaz de prevenir DSTs e gravidez não desejada.
A crítica a essa abordagem é em relação ao fato de ser considerada exclusiva, ou seja, 
acredita-se que ela “dá conta” das demandas que precisam ser atendidas na adoles-
cência, o que torna o currículo reducionista e limitado. De acordo com a aborda-
gem, é nesse período de vida que ocorre a iniciação sexual, portanto é também nesse 
período que a discussão sobre esses assuntos devem ser iniciadas.
abordagem moral-tradicionalista
Atrelada a princípios da moral tradicional e religiosa, defende a completa priva-
ção sexual como forma de prevenção às DSTs, HIV, Aids e gravidez na adolescência, 
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afirmando que a abstinência é o método 100% eficaz para se evitar essas situações 
(ASSOCIAÇÃO NACIONAL PRÓ-VIDA E PRÓ-FAMÍLIA, 2002 apud FURLANI, 2016). 
A chamada “educação da abstinência” é defendida como educação sexual para a 
adolescência, na contramão da difusão de informações sobre sexo consciente e segu-
ro. Nela defende-se uma educação separada para meninos e meninas; a castidade 
pré-marital, o casamento e a monogamia. Pregam a intolerância com a diversidade 
e com as concepções e manifestações da sexualidade que não sejam reprodutivas 
(FURLANI, 2016).
castidade pré-marital: abstinência sexual antes do casamento.
Monogamia: ter apenas um conjugue, um parceiro sexual, enquanto se estiver 
casado.
A campanha “Eu escolhi esperar” foi criada em 2011 em Vila Velha/ES com o 
propósito de orientar, encorajar e fortalecer solteiros cristãos a esperarem para 
viverem suas experiências sexuais apenas após o casamento. A campanha, que 
tem projeção nacional e milhões de seguidores, defende que se deve viver uma 
vida em pureza e santidade, baseada nas escrituras sagradas. É voltada tanto 
para pessoas virgens, como para quem já teve experiências sexuais e agora opta 
por se preservar até o casamento.
Fundamentando sua crítica a essa abordagem, Furlani (2016) chama a atenção para 
o fato de a mesma defender que a educação sexual deve ser de responsabilidade da
família, que deve desencorajar o sexo e a reprodução. Para a autora, esse modelo priva
os jovens de informação a partir da censura e constrói enunciados que legitimam a
homofobia.
abordagem terapêutica
Busca causas e explicações para os “problemas sexuais” ou para as manifestações 
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sexuais consideradas “anormais”, apresentando ideias simplistas, genéricas e univer-
sais para o que se refere à vida sexual.
O Grupo Exodus é ligado a igrejas cristãs evangélicas e adota uma concepção 
de educação sexual que rejeita a homossexualidade, assumindo-a como mal 
indesejado, mas que pode ser curado. Nesse sentido, propõe-se a oferecer espe-
rança às famílias e apoio às pessoas que lutam contra os sentimentos homosse-
xuais (CARVALHO, 2004).
A abordagem terapêutica entende que o crescimento e desenvolvimento psicosse-
xual da criança deve ocorrer pela aproximação do menino com o pai e da menina 
com a mãe. A criança precisa do referencial do genitor do mesmo gênero para que 
este aprove e confirme sua masculinidade ou feminilidade. Assim, se o pai ou a mãe 
for ausente, negligente ou violento, pode ocorrer a falta de amadurecimento psicos-
sexual necessária, podendo levar a criança a desenvolver uma orientação homosse-
xual (CARVALHO, 2004). Para essa abordagem, 
(...) A carência de uma relação positiva, íntima e satisfatória com o pai resulta 
num vazio emocional e em necessidades insatisfeitas que a mãe não pode 
suprir porque ‘isso é coisa de homem’. Assim, ao afirmar que a mãe (mulher) 
não apenas é incapaz de suprir a ausência do pai (homem) na educação da 
criança, como também, muitas vezes, atrapalha e agrava o quadro por super-
proteger o filho, [a abordagem], além de homofóbica, expressa um sexismo e 
uma misoginia evidentes (FURLANI, 2016, p. 19).
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Misoginia: ódio, desprezo ou preconceito contra meninas e mulheres, que pode 
ser manifesto pela exclusão social, negação de direitos, hostilidade e discrimi-
nação sexual.
abordagem religioso-radical
Apresenta apego e interpretação literal da Bíblia, colocando o discurso religioso 
sobre a sexualidade como uma verdade incontestável. Furlani (2016) denuncia que 
essa forma de interpretação acentua e legitima a homofobia, a segregação racial e a 
opressão à mulher.
A “Carta aos bispos da Igreja Católica sobre a colaboração do homem e da 
mulher na Igreja e no mundo” afirma que o feminismo contribuiu para que 
surgissem ideologias de igualdade entre homossexuais e heterossexuais e ques-
tionam o modelo de família biparental (com a presença de pai e mãe), apresen-
tando a sexualidade como algo múltiplo e diverso (SABINO, 2004, p. 86, apud 
FURLANI, 2016, p. 21).
Nessa abordagem, a sexualidade entendida como “normal” é aquela que se manifes-
ta após o casamento, buscando a pureza da vida em família, sem uso de preservativos 
e sem a prática de sexo oral e anal (LÍRIO, 2004). Aos solteiros, é pregada a castidade. 
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A “Canção Nova” é um exemplo de comunidade que busca evangelizar através 
dos meios de comunicação. Ela orienta seus seguidores sobre a vida em socie-
dade e busca educar os jovens para que vivam em abstinência sexual e vençam 
“as tentações da carne”, como usar drogas, bebidas e praticar sexo fora do casa-
mento. O principal programa de rádio da comunidade chama-se Por Hoje Não 
vou Pecar (PHN) (LÍRIO, 2004) e um slogan muito difundido entre os jovens é o 
“Castidade! Deus quer, você consegue” (BARRETO, 2005).
O teórico Jeffrey Weeks (2000) vê certa semelhança entre as abordagens moral-tradi-
cionalista, terapêutica e religiosa-radical, indicando que a preocupação central destas 
está no controle da permissividade sexual, ameaçado pelas seguintes questões: 
FIGURA 25 - QUESTÕES QUE AMEAÇAM A TENTATIVA DE 
CONTROLE DA PERMISSIVIDADE SEXUAL
Promovido
pelo feminismo
Ameaça à família
Questionamento
dos papéis sexuais
Promovido pelos
movimentos gays e
lésbicos em busca de uma
educação sexual liberal
Ataque à
heterossexualidade
Ameaça aos valores
Fonte: Adaptada de WEEKS, 2000, p. 76-77.
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Para Weeks (2000), ao questionar os papéis sexuais e problematizar as relações de 
gênero, o feminismo ameaça a família, pois questiona as relações de poder dos 
homens sobre as mulheres. Já o ataque à heterossexualidade promovido pelos movi-
mentos homossexuais ameaça os valores da sociedade ao se buscar uma educação 
sexual liberal.
abordagem dos direitos humanos
Assume o contexto educacional como um local não apenas de reprodução de pensa-
mentos e atitudes excludentes, mas também de resistência e contestação de grupos 
marginalizados e discriminados por causa de sua condição social, de seu gênero, orien-
tação sexual,raça, etnia, condição física ou intelectual. Busca minimizar e combater a 
discriminação, injustiça e desigualdades que esses grupos sofrem no ambiente esco-
lar através de uma educação que explicita e problematiza as representações nega-
tivas e as identidades “excluídas” desses grupos. Um bom exemplo para se entender 
essa abordagem é pensar a educação de alunos refugiados. O processo educacional 
é assumidamente político e compromete-se com o acolhimento a essa população e 
tratamento equitativo, garantindo os mesmos direitos sexuais, reprodutivos e acesso 
ao debate sobre saúde e sexualidade. Essa abordagem contribui para a construção 
de uma sociedade mais humana e menos desigual (FURLANI, 2016).
abordagem dos direitos sexuais
Entende a sexualidade como algo plural e diverso, já os direitos sexuais, como funda-
mentais e universais. Aborda a liberdade sexual como premissa base para o trabalho 
com a educação sexual, abordando questões de ordem afetiva e prazerosa, além das 
questões biológicas e reprodutivas, discutindo e problematizando relações de gênero, 
exclusão, preconceito, controle, hegemonia e discriminação sexual (FURLANI, 2016).
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A “Declaração dos direitos sexuais” é um documento político de reivindicações e 
conquistas. Reconhece a sexualidade como um direito humano fundamental e 
universal e apresenta em seus artigos: o direito à liberdade, autonomia e integrida-
de sexual, à segurança do corpo, o direito à privacidade, à justiça e ao prazer sexual, 
à expressão sexual e emocional, à livre parceria sexual, a fazer escolhas livres, produ-
tivas e responsáveis, à informação baseada em evidência científica e à educação e 
saúde sexual. Consulte o documento na íntegra, disponível na Internet.
abordagem emancipatória
Advinda das ideias de Paulo Freire e de sua luta por uma educação libertadora, a 
abordagem emancipatória busca a formação de indivíduos autônomos, capazes de 
pensar por si só, para a construção de uma sociedade mais consciente e menos desi-
gual. Por meio da prática dialógica e antiautoritária, explicita que o processo educati-
vo não é neutro, por isso, quando se propõe a ser crítico, participativo, flexível e dialó-
gico, pode libertar o indivíduo para que promova uma transformação social.
[...] Uma abordagem de educação sexual emancipatória é visualizada como 
uma intervenção qualitativa, intencional, no processo educacional [...] que 
busca desalojar certezas, desafiar debates e reflexões [...] contribuindo na 
busca pela cidadania para todos (MELO, 2002, p. 37-38).
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FIGURA 26 - CONCEITOS-CHAVE DA ABORDAGEM EMANCIPATÓRIA
Consciência
Emancipação
Autonomia
Fonte: Elaborado pela autora, 2019.
Assim, na abordagem emancipatória parte-se de um modelo educacional que prio-
riza a problematização das questões, valorizando a participação e diálogo dos indiví-
duos para despertar a consciência crítica que os leve à libertação (emancipação) de 
sua condição (de ignorantes, oprimidos, subjugados), permitindo o desenvolvimento 
da autonomia de pensamento (MELO, 2000).
abordagem queer
A teoria queer surge da aliança entre o movimento LGBTQ e as feministas e é uma 
linha de pensamento que vai contra a padronização e classificação de identidades. 
É orientada pela política das diferenças e da subversão e busca transformar a socie-
dade para que não existam mais os conceitos de “normal” e “anormal” em relação à 
sexualidade. 
A educação sexual baseada nos pressupostos da teoria queer rejeita, então, toda 
forma de normatividade, buscando questionar e romper com os modelos que apre-
sentam a existência de uma única identidade, pois, com isso, outras identidades têm 
sido negadas, invisibilizadas ou têm sido vítimas de preconceito, como as travestis e 
as drag queens. A abordagem queer questiona a identidade estável e fixa propondo 
uma política da diferença que permita conhecer e pensar a sexualidade de forma 
mais ampla.
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Nesse sentido, um currículo voltado a essas ideias se proporia a “desconfiar” dos 
conhecimentos prontos, questionando o que é estável e fazendo um enfrentamento, 
contestando o que está posto como verdade. A premissa seria a discussão de como 
cada identidade é construída e como tem sido valorizada ou desvalorizada social-
mente, desconstruindo o pressuposto de normalidade.
Uma escola que adota a abordagem queer em sua proposta pedagógica propo-
ria intervenções críticas (reflexivas) ou até mesmo subversivas das relações de 
poder entre a sexualidade heteronormativa e a relações de gênero, buscan-
do demonstrar que a normalidade é um produto cultural, histórico, político e 
intencionalmente formulado e, por isso mesmo, questionável, instável e mutá-
vel (FURLANI, 2016).
Assim, “uma pedagogia e um currículo queer estariam voltados para o processo de 
produção das diferenças e trabalhariam, centralmente, com a instabilidade e a preca-
riedade de todas as identidades” (LOURO, 2004, p. 48).
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lGBTQia+: sigla para lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros (transexuais e traves-
tis), queers, intersexo, assexuais e mais. A sigla também é utilizada como o nome 
do movimento pela luta dos direitos desses grupos e contra a homofobia. O L de 
“lésbicas” no início é para destacar a desigualdade de gênero, também diferen-
ciando homossexuais femininas e masculinos.
Transexuais: pessoas que não se identificam com o corpo biológico. Nascem 
com um sexo biológico, mas se sentem pertencentes ao gênero oposto (BRETAS, 
2011).
Travestis: pessoas que se vestem e transformam seu corpo conforme o sexo 
oposto, sentindo-se homem e mulher ao mesmo tempo. Podem ser heterosse-
xuais, bi ou homossexuais (BRETAS, 2011).
drag queens: pessoas que através de roupas e atitudes exageradas criam perso-
nagens do sexo oposto para brincar com os papéis sexuais. Podem ser heteros-
sexuais, bi ou homossexuais (BRETAS, 2011).
intersexo: pessoas que nascem com anatomia sexual que não corresponde à 
definição típica de feminino ou masculino. Por exemplo: a pessoa pode nascer 
com aparência exterior masculina, mas sua anatomia reprodutiva ser feminina.
assexuado: pessoa que não sente atração sexual.
Todas essas oito abordagens apresentam as formas como a educação sexual tem sido 
compreendida hoje no Brasil. Conhecer essas concepções é essencial ao professor, 
pois são elas que embasam a prática pedagógica cotidiana dentro das escolas.
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6.1.3 ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO SAUDÁVEIS E 
NÃO PUNITIVAS NOS CASOS DE MANIFESTAÇÃO DA 
SEXUALIDADE NO AMBIENTE ESCOLAR
Quando a escola reconhece que a sexualidade faz parte do processo de desenvol-
vimento humano, assumir a responsabilidade por uma educação sexual torna-se 
essencial à formação integral do aluno. Abordar a educação sexual de forma trans-
versal e abrangente nas práticas pedagógicas significa prover crianças e jovens de 
informações de qualidade que lhes permitirão reconhecer seus direitos, entender 
suas responsabilidades, identificar situações de preconceito e gozar de uma vida de 
cidadania plena. Mas como fazer isso? Por onde começar?
Furlani (2016) propõe etapas didáticas de atividades para a educação sexual na 
educação, a saber:
• conhecer as partes do corpo de meninos e meninas;
• entender noções de higiene pessoal;
• entender o conceito de nudez;
• entender o conceito de privacidade;
• problematizar alinguagem (nomes familiares vs. nomes científicos);
• conhecer os vários modelos de famílias;
• iniciar o entendimento acerca das “diferenças” (pessoais, familiares, linguísti-
cas) ao encontro das diferenças de gênero, sexual, racial, étnica, etc.;
• apresentar a educação de meninos e meninas a partir dos estudos de gênero;
• discutir informações sobre as futuras mudanças do corpo na puberdade.
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Desde a educação infantil se deve questionar com as crianças as normas e 
padrões associados a cada um dos gêneros: que cor é de menino, que cor é 
de menina, que brinquedo é de menina, que brinquedo é para menino. Como 
menina deve se comportar, como menino pode se comportar. Debater essas 
questões desde as etapas mais elementares de escolarização ajuda a descons-
truir ideias equivocadas de marcadores de gênero para a definição de compor-
tamentos, atitudes e papéis sociais.
Para crianças maiores, adolescentes, algumas questões podem ser problematizadas 
e discutidas, dando oportunidade aos alunos de falarem livremente sobre suas dúvi-
das e curiosidades sobre temas que envolvam a sexualidade. Para isso, pode-se:
• problematizar a linguagem, nomeando as partes do corpo, as diferenças de
identidade e orientação sexual;
• mostrar a pluralidade de formas de viver e manifestar a sexualidade;
• questionar o tratamento genérico no masculino;
• problematizar as discussões sobre relações de gênero.
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Quando o educador presenciar situações de machismo entre os alunos, é 
fundamental deixar de naturalizar esses episódios. Pode-se problematizar essa 
questão debatendo sobre o respeito à mulher. É importante não usar diferen-
tes critérios para o comportamento de meninas e meninos, como se o interes-
se sexual fosse apenas dos garotos. As questões muito ouvidas nesses casos, 
como “Você não provocou?” e “O que você fez para ele agir assim?”, devem ser 
refletidas, para que se proponha uma mudança de comportamento. Os alunos 
e alunas precisam aprender que assédio e atos violentos sempre são culpa do 
agressor, e não da roupa ou atitude da vítima.
O trabalho com a temática da sexualidade na escola também pode ser desen-
volvido criando-se projetos, oficinas e rodas de conversas a partir das dúvidas 
dos estudantes. É importante mapear o que os alunos já sabem e quais são 
as principais dúvidas e curiosidades, para que se promova reflexão crítica, se 
desconstrua falsas ideias e se promova um ambiente saudável e propício ao 
aprendizado das questões que envolvem a sexualidade.
Conversar com crianças e jovens sobre essas temáticas é respeitar suas dúvidas, 
sua necessidade de informação, reconhecendo essa curiosidade como natural. Isso 
permite um crescimento mais tranquilo e seguro, responsável. Independentemente 
do tipo ou da forma de manifestação, estudiosos da área são unânimes em recomen-
dar que não se deve silenciar, punir ou negativizar a sexualidade.
É importante, portanto, definir e implementar na escola espaços permanentes de 
diálogo sobre a sexualidade, nos quais os alunos sintam-se acolhidos e livres para 
sanar suas dúvidas e curiosidades.
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BIBLIOGRAFIA COMENTADA
Veja a seguir uma indicação de obra que complementará seu conhecimento sobre os 
assuntos abordados na disciplina.
• FURLANI, Jimena. Educação sexual na sala de aula: relações de gênero, orien-
tação sexual e igualdade étnico-racial numa proposta de respeito às diferen-
ças. Belo Horizonte: Autêntica, 2016.
O livro “Educação sexual na sala de aula: relações de gênero, orientação sexual e igual-
dade étnico-racial numa proposta de respeito às diferenças” traz nos capítulos 5 e 7 
dicas de atividades para se trabalhar a educação sexual na escola desde a educação 
infantil até o final do ensino fundamental. Vale a pena conferir!
CONCLUSÃO 
Nesta unidade, você estudou as abordagens contemporâneas para a educação sexual 
na escola, conhecendo os principais pressupostos teóricos e práticos que norteiam as 
ações com a temática da sexualidade no ambiente escolar. Para isso, foram apresen-
tadas as abordagens tradicionais e inovadoras, discutindo suas implicações para o 
ensino de crianças e adolescentes. Foram conceituados os termos gênero, orientação 
sexual e identidade sexual, apresentando as características de cada conceito e as dife-
rentes categorizações nas quais se enquadram a percepção humana, forma de ser e 
orientação do desejo. O conceito de gênero foi problematizado à luz das teorias que 
o entendem como algo que vai para além da diferenciação biológica entre homem
e mulher, menino e menina. Depois, a orientação sexual foi discutida como algo não
binário (heterossexual vs. homossexual), mas como um conceito mais amplo, que
engloba a assexualidade, a bissexualidade e a panssexualidade. Para a compreen-
são dos tipos de identidade sexual existentes, foram abordadas as características que
definem os cisgêneros, transgêneros e os não binários e, por fim, foram apresentadas
algumas possibilidades didáticas para o trabalho com a temática da sexualidade na
educação infantil e fundamental.
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Conhecer esses modelos e ter contato com as diferentes possibilidades de se traba-
lhar a sexualidade no âmbito escolar é fundamental ao professor de qualquer disci-
plina, pois a sexualidade faz parte da natureza humana e, como tal, se manifestará 
em crianças, jovens e adultos de diferentes idades. Entender os conceitos e saber 
diferenciar estratégias pode auxiliar o professor a pensar formas mais eficazes de 
abordar a sexualidade em seu cotidiano de trabalho, tendo na diferença (própria a 
todo tipo de grupo) algo que pode ser explorado e problematizado, contribuindo no 
desenvolvimento e na aprendizagem de todos os alunos.
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educado: pedagogias da sexualidade. Belo Horizonte: Autêntica, 2000. p. 37-82.
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FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO
EAD.MULTIVIX.EDU.BR
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SAÚDE • EDUCAÇÃO • DIREITO • GESTÃO E NEGÓCIOS
	FIGURA 1 - Intersetorialidade
	FIGURA 2 - Responsáveis pela garantia da Educação como direito
	FIGURA 3 - Ações naperspectiva da intersetorialidade
	FIGURA 4 - Intersetorialidade: conceitos-chave
	FIGURA 5 - Etapas do trabalho escolar envolvendo a temática da sexualidade
	FIGURA 6 - Mecanismos condicionantes da sexualidade
	FIGURA 7 - Elementos que compõe a concepção sobre sexualidade
	FIGURA 8 - Descrição de práticas sexuais normais e anormais a partir da ideia do “coito natural”
	FIGURA 9 - Aspectos que trazem implicações para a construção da sexualidade
	FIGURA 10 - Fase oral
	FIGURA 11 - Adultização infantil
	FIGURA 12 - Erotização precoce
	FIGURA 13 - Abordagem da sexualidade em uma
proposta pedagógica ético-política
	FIGURA 14 - Características da criança sexualmente saudável
	FIGURA 15 - Conceitos-chave para o desenvolvimento saudável da sexualidade
	FIGURA 16 - A escola na proposta de EPS
	FIGURA 17 - A família na proposta EPS
	FIGURA 18 - A comunidade na proposta de EPS
	FIGURA 19 - Ações do Programa Saúde na Escola
	FIGURA 20 - Princípios do PSE
	FIGURA 21 - Ações de saúde na educação
	FIGURA 22 - Constituição do conceito de gênero
	FIGURA 23 - Orientação sexual
	FIGURA 24 - Identidade de gênero
	FIGURA 25 - Questões que ameaçam a tentativa de
controle da permissividade sexual
	FIGURA 26 - Conceitos-chave da abordagem emancipatória
	QUADRO 1 - Ações previstas na Agenda Nacional para a Promoção do Desenvolvimento Saudável da Juventude
	QUADRO 2 - Estágios Psicossexuais do Desenvolvimento
	QUADRO 3 - Principais marcos da política em saúde para adolescentes
	QUADRO 4 - Concepções de sexualidade de docentes da educação básica
	QUADRO 5 - Princípios da educação sexual no contexto escolar
	1 Educação, Saúde e Sexualidade: intersecções possíveis
	1.1 Educação, Saúde e Sexualidade: intersecções possíveis
	1.1.1 Conceitos de desenvolvimento social, educação, saúde e intersetorialidade
	1.2 A temática da sexualidade e as articulações possíveis com os campos da educação e da saúde
	Bibliografia comentada
	Conclusão
	2 A sexualidade como construção sócio-histórico-cultural
	Introdução da Unidade
	2.1 A sexualidade como construção sócio-histórico-cultural 
	2.1.1 Dimensões histórico-sociais da sexualidade
	2.1.2 Implicações de alguns aspectos sociais, históricos e culturais na construção da sexualidade humana
	Conclusão 
	3 Sexualidades: nível biológico e psicossexual e suas manifestações na infância e adolescência
	Introdução
	3.1 Sexualidades: nível biológico e psicossexual e suas manifestações na infância e adolescência 
	3.1.1 Sexualidade infantil: a criança como ser sexual
	3.1.2 A construção da identidade sexual adolescente
	3.1.3 Problemas de saúde mais prevalentes na infância e adolescência e seus condicionantes socioeconômicos e de estilo de vida
	Bibliografia Comentada
	Conclusão 
	4 Sexualidade como Campo de Estudos da Educação
	Introdução 
	4.1 Sexualidade como campo de estudos da educação 
	4.1.1 Intersecções entre sexualidade e educação
	4.1.2 Diferenciando conceitos: sexo, sexualidade e educação sexual
	4.1.3 As possibilidades oferecidas no atendimento às necessidades de crescimento e desenvolvimento infantil e adolescente
	Bibliografia comentada
	Conclusão 
	5 O Conceito de Escola Saudável Dentro das Estratégias de Promoção da Saúde e os Programas Transversais no Ensino Básico
	Introdução
	5.1 O conceito de escola saudável dentro das estratégias de promoção de saúde
	5.1.1 Parcerias, alianças e o pacto social
	5.1.2 Programas de educação e de saúde na escola dentro da perspectiva das áreas transversais de ensino fundamental: programação, critérios e instrumentos de avaliação
	Bibliografia comentada
	Conclusão
	6 Abordagens Contemporâneas para a Educação Sexual na Sala de Aula: Relações de Gênero, Orientação Sexual e Igualdade numa Proposta de Respeito às Diferenças
	Introdução 
	6.1 Abordagens contemporâneas para a educação sexual na escola: relações de gênero, orientação sexual e igualdade numa proposta de respeito às diferenças
	6.1.1 Definindo conceitos: gênero, orientação e identidade sexual
	6.1.1.1 Gênero
	6.1.1.2 Orientação sexual
	6.1.1.3 Identidade sexual ou de gênero
	6.1.2 Educação sexual: possibilidades didáticas
	6.1.3 Estratégias de intervenção saudáveis e não punitivas nos casos de manifestação da sexualidade no ambiente escolar
	Bibliografia comentada
	Conclusão 
	REFERÊNCIAS

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