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RESUMO EDUCAÇÃO FISICA ESPECIAL E ADAPTADA
Educação Especial: tradicionalmente se configurou como um sistema paralelo e segregado de ensino, voltado para o atendimento especializado de indivíduos com deficiências, distúrbios graves de aprendizagem e/ ou de comportamento e altas habilidades. Contudo, a partir das últimas décadas, em função de novas demandas e expectativas sociais, a Educação Especial está em processo de ressignificação de seu papel, para abranger, além do atendimento especializado direto, o apoio às escolas regulares, constituindo-se em um sistema de suporte permanente e efetivo à escola, para que ela possa promover a aprendizagem dos alunos com deficiências ou outras características peculiares de desenvolvimento
Educação Física Adaptada: 
É voltada a pessoas com necessidades educacionais especiais em diferentes fases de seu desenvolvimento e em contextos sociais distintos. Seu papel é oferecer oportunidades para que indivíduos nas mais diferentes condições possam se envolver e participar de atividades físicas, esportivas e de lazer, seja com finalidades terapêuticas, recreativas, educacionais ou competitivas. 
Educação Inclusiva
o princípio básico da Educação Inclusiva é que todos os alunos, independentemente de suas condições socioeconômicas, raciais, culturais ou de desenvolvimento, sejam acolhidos nas escolas regulares, as quais devem se adaptar para atender às suas necessidades, pois constituem-se no meio mais capaz para combater as atitudes discriminatórias.
Pessoas com deficiências:
A terminologia “pessoas com deficiências” refere-se a indivíduos que apresentam alterações decorrentes da perda ou anormalidade de estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica, em caráter permanente. As incapacidades ou desvantagens decorrentes dessas alterações podem gerar demandas ou necessidades especiais para o desempenho de determinadas tarefas.
Nas culturas antigas , quando predominava o estilo de vida nômade, as pessoas com deficiência, consideradas incapazes de assegurar a própria sobrevivência por meio da caça e da pesca, poderiam colocar em risco a segurança de toda a tribo, face aos perigos da época. Essas pessoas eram geralmente abandonadas à própria sorte, condenadas à morte por inanição ou submetidas ao ataque de animais ferozes .
Em Esparta, os ideais atléticos e clássicos que serviam de base à organização sociocultural da época legitimavam a eliminação e o abandono de crianças com deficiências físicas ou mentais, consideradas “criaturas subumanas” 
Por influência do cristianismo, a partir do século 6, a ênfase nos ensinamentos religiosos fez que os indivíduos com deficiências passassem a ser considerados “filhos de Deus”, sendo a responsabilidade por sua deficiência atribuída à divindade; essa “aparente” aceitação passa a ser marcada, então, pela tolerância e caridade.
Da Antiguidade a diferentes períodos históricos, estendeu-se a concepção supersticiosa de que a deficiência ou qualquer tipo de deformação corporal estivesse associada a “um sinal de desarmonia” ou “obra dos maus espíritos”, frequentemente simbolizando “impureza” ou “pecado”
Ainda na Idade Média, os indivíduos que apresentavam desvios de conduta, problemas psiquiátricos ou deficiência mental tinham pouca chance de sobrevivência, pois seu comportamento era associado à presença de espíritos malignos, possessões demoníacas e bruxaria.
Em 1954, teve origem a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), voltada ao atendimento de pessoas com essas características.
Também a atividade física e o esporte adaptado começam a despontar em meados do século 20, após as grandes guerras. Por ocasião do retorno de oficiais militares feridos e mutilados em decorrência dessas guerras, surgem, nos hospitais, as primeiras iniciativas voltadas à prática esportiva, como parte do tratamento de reabilitação. Apenas muitas décadas depois, a atividade física e o esporte adaptado afirmam-se, também, como elementos-chave no processo de inclusão social e educacional de pessoas com deficiências.
Na perspectiva da integração, a inserção da pessoa nos sistemas sociais é baseada no princípio da normalização, o qual pressupõe que o indivíduo possui o direito de experienciar um estilo de vida que seria comum à sua própria cultura (MENDES, 1994). Em vez de normalizar os serviços e ambientes visando ao atendimento das necessidades das pessoas com deficiência, passou-se a impor um padrão de vida voltado à igualdade de condições, no qual o foco recai sobre a deficiência, entendida como um “déficit” a ser superado.
A inclusão social pode ser compreendida, então, como um:
Processo bilateral no qual as pessoas excluídas e a sociedade buscam, em parceria, efetivar a equiparação de oportunidades para todos, construindo uma sociedade democrática na qual todos conquistam a sua cidadania, prevalecendo o respeito à diversidade, aceitação e reconhecimento político das diferenças (MENDES, 2006, n. p.).
A responsabilidade pela inclusão deixa de ser exclusivamente da pessoa com deficiência e passa a ser compartilhada com a sociedade, promovendo uma mudança de mentalidade em todos os níveis e sistemas. A inclusão repousa em princípios como: aceitação das diferenças individuais, valorização de cada pessoa, convivência dentro da diversidade humana e aprendizagem por meio da cooperação.
Outra diferença significativa entre essas duas práticas sociais é que, enquanto a integração preconizava o ideário de uma suposta igualdade, partindo de uma pretensa homogeneidade, a inclusão reconhece a diversidade e propõe-se a aceitar as diferenças entre as pessoas, independentemente de suas condições.
Por atendimento educacional especializado entende-se um conjunto de recursos educacionais e estratégias de apoio colocados à disposição dos alunos com deficiência, proporcionando-lhes diferentes alternativas de atendimento, de acordo com as necessidades de cada um. 
1) Língua Brasileira de Sinais (Libras);
2) interpretação de Libras;
3) ensino de Língua Portuguesa para surdos;
4) sistema Braille;
Além das aplicações apresentadas na introdução desta unidade, perceba que a Educação Física Adaptada é considerada, também, um tipo de atendimento educacional especializado. No entanto, é interessante considerar que os serviços especializados e o atendimento das necessidades específicas dos alunos garantidos pela lei, na prática, ainda deixam a desejar.
São exemplos de barreiras atitudinais: 
1) não conceder uma chance;
2) sentir receio de se aproximar;
3) sentir vergonha de estar por perto;
4) desistir antes de tentar;
5) negar ou não aproveitar as oportunidades;
6) ridicularizar ou zombar do desempenho do outro; 
7) sentir pena ou autopiedade.
Trabalhar com classes heterogêneas que acolhem todas as diferenças trazem inúmeros benefícios ao desenvolvimento das crianças que apresentam ou não deficiências, na medida em que elas têm a oportunidade de vivenciar a importância do valor da troca e da cooperação nas interações humanas. Portanto, para que as diferenças sejam respeitadas e para que se aprenda a conviver com a diversidade, é necessária uma nova concepção de escola, de aluno, de ensinar e de aprender.
A efetivação de uma prática educacional inclusiva não será garantida por meio de leis, decretos ou portarias que obriguem as escolas regulares a aceitarem os alunos com necessidades especiais; em outras palavras, apenas a presença física do aluno com deficiência na classe regular não é garantia de inclusão. O processo educacional só será considerado verdadeiramente inclusivo à medida que todos os envolvidos nele estiverem dispostos a pensar, sentir e agir sobre as diferenças. Conforme afirma Pedrinelli (2002):
Participar de um processo inclusivo é estar predisposto, sobretudo, a considerar e respeitar as diferenças individuais, criando a possibilidade de aprender sobre si mesmo e sobre cada um dos outros em uma situação de diversidade de idéias, sentimentos e ações.
Unidade 2
Na	maioria	das	vezes,	o	senso	comum	desconhece	que	o	uso	de	determinada	terminologiapode	reforçar	a	segregação	e	a	exclusão.
Até	a	década	de	1980,	a	sociedade	utilizava	termos	como	“aleijado”,	“defeituoso”,	“incapacitado”	e	“inválido”	para	se	referir	às	pessoas	com	deficiências.	Passou-se	a	utilizar,	ainda,	o	termo	“deficiente”,	a	partir	de	1981,	por	influência	do	Ano	Internacional	e	da	Década	das	Pessoas	Deficientes,	estabelecido	pela	ONU.
A	deficiência,	na	maioria	das	vezes,	é	algo	permanente,	não	cabendo,	portanto,	o	termo	“portadores”.	Além	disso,	quando	se	rotula	alguém	de	“portador	de	deficiência”,	nota-se	que	essa	deficiência	passa	a	ser	a	“marca”	principal	da	pessoa,	em	detrimento	da	sua	condição	humana.
É	preciso	valorizar	uma	pessoa	independentemente	de	sua	característica	ou	condição	física,	visual,	auditiva	ou	intelectual.	A	construção	de	uma	verdadeira	sociedade	inclusiva	passa,	também,	pelo	cuidado	com	a	linguagem,	uma	vez	que,	por	meio	dela,	se	expressa,	voluntária	ou	involuntariamente,	o	respeito	ou	a	discriminação	em	relação	às	pessoas	com	deficiência.	Por	isso,	devemos	sempre	nos	lembrar	de	que	a	pessoa	com	deficiência	tem	de	ser,	assim	como	qualquer	outra,	respeitada.
a	nomenclatura	adequada	para	referir-se	a	esse	grupo	de	pessoas	passou	a	ser	“pessoa com deficiência”.
Uma	mesma	mudança	estrutural	ou	anatômica,	de	mesma	origem/causa	comum	(etiologia),	localização	e	extensão,	pode	ocasionar	modificações	funcionais	diferenciadas.	Por	sua	vez,	essas	alterações	funcionais	afetam	o	desempenho	do	indivíduo	de	formas	distintas,	gerando	incapacidades	diferenciadas	e,	consequentemente,	desencadeando	consequências	sociais	e	econômicas	também	diversas.
Ao	receber	a	pessoa	com	deficiência	em	um	programa	de	Educação	Física,	é	necessário	identificar	esses	fatores,
Causa da deficiência
Tempo decorrido desde a perda:	é	importante	identificar	se	a	deficiência	é	congênita	ou	adquirida,	e,	nesse	caso,	há	quanto	tempo	está	instalada,	a	fim	de	verificar	o	grau	de	adaptação	do	indivíduo	à	condição	de	deficiência.
Nível da perda funcional:	é	fundamental	conhecer	o	nível	da	perda	funcional	de	cada	indivíduo,	buscando	o	máximo
aproveitamento	de	suas	capacidades	remanescentes.
o	professor	de	Educação	Física	direcione	seu	olhar	para	as	possibilidades	desses	indivíduos.	Sendo	assim,	ele	não	deve	considerar	que	“o	indivíduo	não	consegue	se	locomover	sem	auxílio	de	órteses	e	muletas”,	mas,	sim,	que	“o	indivíduo	consegue	se	locomover	com	o	auxílio	de	órteses	e	muletas”.
	Observar	e	constatar	o	que	a	criança	não	pode	ou	não	consegue	fazer	é	um	tanto	óbvio:	o	desafio	é	descobrir	novas	formas	de	superar	as	dificuldades	apresentadas.
5. DEFICIÊNCIA VISUAL
A	deficiência	visual	é	caracterizada	pela	perda	parcial	ou	total	da	capacidade	visual,	em	ambos	os	olhos,	avaliada	após	a	melhor	correção	ótica	ou	cirúrgica,	levando	o	indivíduo	a	uma	limitação	em	seu	desempenho	habitual
A	simples	utilização	de	óculos	ou	lentes	de	contato	não	é	suficiente	para	caracterizar	a	deficiência	visual
Em	outras	palavras,	para	que	uma	pessoa	seja	considerada	com	deficiência	visual,	é	necessário	que	a	perda	visual	comprometa	os	dois	olhos	e	que,	mesmo	após	passar	por	correção	ótica	ou	cirúrgica,	o	melhor	olho	tenha	menos	de	30	%	da	visão.
A	pessoa	com	baixa	visão	pode	contar	com	auxílios ópticos,	como	diferentes	tipos	de	óculos,	lupas	e	telescópios,	bem	como	usufruir	de	auxílios não ópticos,	como	caderno	com	pautas	mais	grossas,	tiposcópio,	ampliação	de	livros	e	os	próprios	recursos	da	informática.
A	pessoa	cega	terá	o	seu	processo	de	ensino-aprendizagem	baseado	no	sistema	Braille,	utilizando-se	de	recursos	para	leitura	e	escrita	como	a	reglete,	máquinas	de	datilografia	e	recursos	de	informática.
Classificação esportiva 
O	emprego	da	letra	“B”	nas	subcategorias	refere-se	ao	termo	“blind”,	cuja	tradução	em	português	significa	“cego”.
· B1:	desde	a	inexistência	de	percepção	luminosa	em	ambos	os	olhos	até	a	percepção	luminosa,	mas	com	incapacidade	para	reconhecer	a	forma	de	uma	mão	a	qualquer	distância	ou	direção.
B2:	desde	a	capacidade	para	reconhecer	a	forma	de	uma	mão,
· B3:	acuidade	visual	entre	metros	ou	um	campo	visual	entre	5	e	20	graus.
Principais etiologias
Segundo	Van	Munster	e	Almeida	(2008),	as	diferentes	causas	de	deficiência	visual	podem	ser	congênitas	ou	adquiridas
1) Albinismo:	pessoas	com	albinismo	possuem	deficiência	na	pigmentação	da	íris,	o	que	lhes	confere	uma	acentuada	sensibilidade	à	luz.
2) Catarata:	alteração	na	transparência	do	cristalino	(opacificação),	causando	embaçamento	da	visão	sem	outros	sintomas	associados.
3) Descolamento de retina:	consiste	na	separação	entre	as	diferentes	camadas	que	compõem	essa	túnica.
4) Diabetes:	doença	metabólica	que	pode	levar	à	deficiência	visual.	As	complicações	oculares	podem	aparecer,	aproximadamente,	dez	anos	após	o	início	da	doença
5) Erros de refração:	alterações	no	comprimento	do	eixo	óptico	podem	levar	a	distorções	na	imagem
6) Estrabismo:	anomalia	da	visão	binocular,	onde	os	olhos	estão	desalinhados,	impedindo	a	fusão	da	imagem.
7) Glaucoma:	a	pressão	intraocular	elevada	é	o	principal	fator	de	risco	para	a	instalação	do	glaucoma
8) Presbiopia:	o	processo	natural	de	envelhecimento	leva	à	perda	progressiva	da	capacidade	de	acomodação	do	cristalino,	conhecida	popularmente	como	“vista	cansada”.
9) Retinoblastoma:	destaca-se	entre	os	tumores	retinianos	de	origem	hereditária	e	costuma	manifestar-se	nos	quatro	primeiros	anos	de	vida.
10) Retinopatia da prematuridade:	afeta	bebês	prematuros	mantidos	em	incubadora	com	alta	concentração	de	oxigênio,	provocando	transtornos	vasculares
11) Toxoplasmose:	inflamação	retiniana	devido	à	infecção	pelo	Toxoplasma gondii,	podendo	ser	congênita	ou	adquirida.
É	importante	dirigir-se	ao	aluno	com	deficiência	visual	chamando-o	sempre	pelo	nome,	pois,	além	da	aproximação	na	relação	professor-aluno,	esse	cuidado	é	fundamental	para	a	segurança	do	educando,	uma	vez	que	as	pessoas	cegas	não	podem	ver	para	onde	ou	para	quem	o	olhar	do	professor	está	voltado.
O	professor	deve	procurar	antecipar	verbalmente	suas	ações	para	não	surpreender	ou	assustar	o	aluno.	Caso	seja	necessário	tocá-lo	durante	a	explicação	de	um	movimento	ou	em	qualquer	outra	circunstância,	é	importante	avisá-lo	antes,	para	que	o	aluno	esteja	prevenido.
Antes	do	início	das	atividades,	é	necessário	proceder	a	um	reconhecimento	do	espaço	físico	onde	se	pretende	trabalhar,	tanto	por	parte	dos	alunos	como	por	parte	do	professor,	a	quem	caberá	o	papel	de	chamar	a	atenção	para	as	referências	mais	marcantes.
O	educador	deve	tomar	um	cuidado	especial	ao	se	comunicar	com	a	pessoa	que	apresenta	deficiência	visual,	já	que,	além	de	possuir	um	bom	vocabulário	e	saber	se	expressar	claramente,	é	importante	transmitir	sua	afetividade	por	meio	de	gestos	e	palavras,	pois,	muitas	vezes,	o	sorriso	ou	o	sinal	de	reconhecimento	e	de	aprovação	social	pode	ser	imperceptível	para	a	pessoa	que	não	dispõe	do	sentido	visual.
Se	a	explicação	por	meio	de	palavras	não	for	suficiente	para	que	a	pessoa	com	deficiência	visual	compreenda	o	que	se	espera,	pode-se	recorrer	à	percepção	tátil,	levando-a	a	perceber	o	movimento	realizado	pelo	professor	por	meio	do	toque
Outro	aspecto	a	ser	considerado	é	a	importância	de	não	descartar	a	realização	do	movimento	concomitantemente	à	sua	explicação.	Embora	a	demonstração	do	exercício	pareça	não	ter	efeito	a	um	grupo	de	pessoas	que	não	dispõe	da	integridade	no	sentido	visual,	a	informação	verbal	durante	a	realização	do	exercício	por	parte	do	professor	permite	que	o	aluno	com	deficiência	visual	perceba	o	deslocamento	da	voz	do	professor	(fonte	sonora)	pelo	espaço	físico.
As	principais	técnicas	são:	autoproteção,	locomoção	com	guia	vidente	(ou	método	dependente	de	locomoção),	locomoção	independente	(com	o	uso	de	bengala	longa	e	emprego	das	técnicas	de	Hoover)	e	cão-guia.
As	pessoas	cegas	obtêm	muitas	informações	para	sua	orientação	pelas	mãos,	tocando	os	objetos	e	transformando-os	em	pontos	de	referência.	A	bengala	longa,	por	exemplo,	nas	técnicas	de	Hoover,	transforma-se	em	extensão	do	dedo	indicador	para	sondar	tatilmente	a	superfície.
A	técnica	do	guia	videnteé	aceita	e	empregada	universalmente,	tanto	em	ambientes	internos	ou	externos,	utilizada	no	início	do	aprendizado	de	orientação	e	mobilidade,	bem	como	em	situações	posteriores.	Essa	técnica,	embora	de	grande	utilidade	e	eficiência,	se	baseia	em	um	meio	de	locomoção	dependente,	pois	seus	usuários	precisam	de	outra	pessoa	para	se	locomoverem;	todavia,	estará	sempre	presente	na	vida	da	pessoa	com	deficiência	visual,	mesmo	depois	de	atingir	independência	total	na	locomoção.
6. DEFICIÊNCIA AUDITIVA
Conceito
A	deficiência	auditiva	caracteriza-se	pela	perda	parcial	ou	total	da	capacidade	de	transmitir	ou	perceber	sinais	sonoros	(ALMEIDA,	2008).
Ela	interfere	tanto	na	recepção	quanto	na	produção	da	linguagem.	Devido	à	importância	da	linguagem	em	todas	as	dimensões	do	desenvolvimento,	ser	incapaz	de	ouvir	e	falar	é	considerada	uma	deficiência	crítica,	que	pode	interferir	no	ajuste	social	e	acadêmico	do	indivíduo.
A	audição	normal	situa-se	em	zero	dB,	e	são	consideradas	significativas	as	perdas	acima	de	30	dB
Quanto	maior	o	número	de	decibéis	necessários	para	que	uma	pessoa	possa	compreender	os	sons,	maior	a	perda	auditiva.
A	adaptação	do	ouvido	ao	aparelho	e	a	resposta	aos	estímulos	sonoros	poderão	caracterizar	o	indivíduo	em	duas	categorias:	
· pessoa com baixa audição:	aquela	que	discrimina	os	sons	da	fala	graças	ao	uso	do	aparelho;
· pessoa surda:	aquela	que	não	compreende	os	sons	da	fala	mesmo	com	o	uso	do	aparelho
Classificação por nível de perda auditiva
1) Perda leve	(situada entre 15 e 30 dB):	considerada	uma	perda	auditiva	leve	e	estável,	sem	maiores	comprometimentos	ao	desenvolvimento	do	indivíduo.
Perda moderada	(entre 31 e 60 dB):	sem	as	intervenções	necessárias,	essa	perda	poderá	acarretar	atrasos	no	desenvolvimento	da	fala	e	da	linguagem.
2) Perda severa	(entre 61 e 90 dB):	sem	intervenção	adequada,	esse	tipo	de	perda	pode	impedir	o	desenvolvimento	da	fala	e	da	linguagem.	O	uso	de	aparelho	auditivo	é	imperativo;	quando	associado	a	uma	intervenção	precoce	e	intensiva,	em	treinamento	contínuo,	alguns	indivíduos	poderão	contar	com	a	audição	remanescente	para	o	desenvolvimento	da	fala	e	da	linguagem.
3) Perda profunda	(acima de 90 dB):	por	meio	de	intensa	intervenção,	a	fala	e	a	linguagem	até	poderão	ocorrer,	mas	de	forma	lenta	e	com	dificuldade.	A	audição	raramente	será	a	principal	via	para	comunicação	e	desenvolvimento	desse	indivíduo.
Classificação quanto ao período de desenvolvimento da perda auditiva
1) Surdez pré-linguística:	refere-se	a	indivíduos	que	nasceram	surdos	ou	que	perderam	a	audição	antes	de	terem	desenvolvido	a	fala	e	a	linguagem.
2) Surdez pós-linguística:	refere-se	a	indivíduos	que	perderam	a	audição	após	o	período	de	desenvolvimento	da	fala	e	da	linguagem.
O	 receptor	de	estímulos	sonoros	do	meio	ambiente	no	nosso	organismo	é	o	ouvido,	que,	por	sua	vez,	é	constituído	por	três	partes	bem	distintas:	
· ouvido	externo;
· ouvido	médio;
· ouvido	interno.
O	 ouvido externo	tem	como	função	captar	as	ondas	sonoras	do	meio	ambiente
O	 ouvido médio	tem	como	função	transformar	as	vibrações	atmosféricas	(ondas	sonoras)	em	vibrações	mecânicas.
o ouvido interno tem	como	função	transformar	as	vibrações	mecânicas	em	ondas	líquidas,	que,	por	sua	vez,	transformam-se	em	impulsos	nervosos	auditivos	a	serem	encaminhados	pelo	nervo	auditivo	até	a	área	cortical	correspondente.
Sintomas da deficiência auditiva
A	criança	surda	pode	ser	facilmente	reconhecida	pela	família,	por	seu	comportamento	perante	os	ruídos;	porém,	a	baixa	audição	(ou	hipoacusia)	pode	ser	mais	difícil	de	ser	percebida	na	criança.	Foram	relacionados	alguns	aspectos	que	devem	ser	observados	por	pais	e	professores,	uma	vez	que	eles	podem	auxiliar	a	detectar	problemas	auditivos	quando	a	criança:
1) falha	em	reagir	a	sons	súbitos 	e	estranhos;
2) não	faz	qualquer	tentativa	para	localizar	a	fonte	sonora;
3) parece	mais	interessada	em	movimentos	do	que	em	sons;
4) parece	depender	mais	de	um	ouvido	do	que	do	outro,	virando	a	cabeça	ou	posicionando	o	corpo	de	maneira	a	
dirigir	esse	ouvido	para	a	fonte	sonora;
5) parece	seguir,	preferencialmente,	instruções	com	o	auxílio	de	demonstrações	visuais;
11)	apresenta	vocabulário	“pobre”	para	sua	idade; 
12)	fala	muito	alto	ou	muito	baixo.
A	pessoa	com	deficiência	auditiva	encontra	dificuldades	para	se	adaptar	ao	ambiente	que	a	cerca	e,	muitas	vezes,	em	decorrência	disso,	pode	parecer	um	pouco	ansiosa	e	impaciente,	em	especial	quando	não	consegue	se	fazer	entender.	Isso	pode	levar	alguns	indivíduos	com	deficiência	auditiva	a	um	afastamento	ou	isolamento	social;	além	disso,	aqueles	que	utilizam	aparelho	auditivo,	especialmente	os	modelos	mais	visíveis,	revelam	certo	constrangimento	em	mostrá-lo.
Nos	casos	de	surdez	pré-linguística
muitas	pessoas	com	deficiência	adquirida	antes	do	aprendizado	da	linguagem	acabam	optando	pela	utilização	da	Língua	Brasileira	de	Sinais	(Libras)	para	sua	comunicação	habitual.
Os	indivíduos	que	apresentam	perdas	auditivas	do	tipo	sensório-neural	ou	mista	devem	ser	estimulados	e	encorajados	a	aprimorar	sua	capacidade	de	equilíbrio	por	meio	das	aulas	de	Educação	Física.
Com	relação	às	pessoas	surdas	que	não	se	comunicam	verbalmente,	outro	aspecto	motor	também	merece	atenção:	a	baixa	capacidade	respiratória.	Pelo	fato	de	essas	pessoas	não	recorrerem	à	fala	para	se	comunicar,	seus	órgãos	acessórios	da	respiração	(responsáveis	pela	produção	do	som	nas	cordas	vocais)	ficam	subutilizados;	por	isso,	convém	acrescentar	exercícios	respiratórios,	por	meio	de	atividades	lúdicas,	para	estimular	as	funções	cardiorrespiratórias	nesses	indivíduos.
1) Não	é	correto	dizer	que	alguém	é	“surdo-mudo”,	pois	muitas	pessoas	surdas	não	falam	porque	não	aprenderam	a	falar,	e,	mesmo	que	não	consigam	falar,	elas	podem	emitir	sons	com	a	garganta	ao	rir	e	mesmo	ao	gestualizar.
2) Esteja	atento	para	não	ficar	de	perfil	ou	de	costas	ao	falar	com	o	aluno	surdo	e	certifique-se	de	que	sua	boca	esteja	visível	para	facilitar	a	leitura	labial.
3) Procure	falar	de	maneira	clara,	pronunciando	bem	as	palavras,	sem	exageros,	usando	a	velocidade	normal,	a	não	ser	que	ele	peça	para	falar	mais	devagar.
4) Procure	usar	uma	intensidade	normal	de	voz,	a	não	ser	que	o	aluno	peça	para	falar	mais	alto.	Não	adianta	gritar	com	a	pessoa	surda,	já	que	ela	não	é	capaz	de	ouvir.
5) Seja	expressivo	ao	falar.	Como	as	pessoas	surdas	não	podem	ouvir	mudanças	sutis	de	tom	de	voz,	que	indicam	sentimentos	de	alegria,	tristeza,	sarcasmo	ou	seriedade,	as	expressões	faciais,	os	gestos	ou	sinais	e	o	movimento	do	corpo	são	excelentes	indicações	do	que	se	quer	dizer.	
6) Ao	conversar,	mantenha	sempre	contato	visual;	quando	você	desvia	o	olhar,	a	pessoa	surda	pode	interpretar	que	a	conversa	terminou.
7) Quando	o	aluno	surdo	estiver	acompanhado	por	um	intérprete,	dirija-se	a	ele,	não	ao	intérprete.
A	história	da	educação	do	surdo	tem	início	em	meados	do	século	16.	Até	essa	época,	as	pessoas	com	deficiência	auditiva	eram	consideradas	intelectualmente	inferiores,	motivo	pelo	qual	eram	mantidas	recolhidas	em	asilos.	Essa	crença	começou	a	ser	desmistificada	quando	se	percebeu	que	o	surdo	poderia	aprender	a	se	comunicar	não	só	por	meio	da	língua	de	sinais,	mas	também	por	meio	da	língua	falada.	Utilizava-se,	então,	a	língua	auditivo-oral	nativa,	língua	de	sinais,
A	língua de sinais	consiste	em	um	conjunto	de	sinais	produzidos	pelas	mãos	que,	atuando	com	gestos	e	expressões	corporais	e	faciais,	visam	efetivar	a	comunicação
O 	oralismo,	como	meio	de	comunicação	com	as	pessoas	surdas,	consiste	em	efetivar	a	comunicação	pelo	entendimento	dos	movimentos	normais	dos	lábios,	por	meio	de	técnicas	de	leitura	labial,	treinamento	auditivo	e	fonoarticulatório.
A	Comunicação Total	é	um	modo	de	comunicação	bimodal,	fazendo	o	uso	simultâneo	da	língua	de	sinais	e	da	língua	oral	para	efetivar	a	comunicação	com	a	pessoa	surda.
O	bilinguismo	baseia-se	na	proposta	de	adotar	a	língua	de	sinais	como	primeira	língua	do	surdo,	tendo	a	língua	oral	de	seu	país	como	segunda	língua
7. DEFICIÊNCIA INTELECTUAL
Anteriormente,	os	procedimentos	empregados	para	avaliação	e	classificaçãoda	pessoa	com	deficiência	intelectual	baseavam-se,	exclusivamente,	nos	testes	de	quociente	de	inteligência	(QI).
As	causas	da	deficiência	intelectual	são	inúmeras	e	complexas,	envolvendo	fatores	de	risco	pré-natais,	perinatais	e	pós-natais,	conforme	descritos	a	seguir.
Fatores de risco e causas pré-natais:
a) Desnutrição	materna.
b) Má	assistência	à	gestante.
c) Doenças	infecciosas	(sífilis,	rubéola,	toxoplasmose).
d) Tóxicos:	alcoolismo,	consumo	de	drogas,	efeitos	colaterais	de	medicamentos	(medicamentos	teratogênicos),	poluição	ambiental	etc.	
e) Genéticos:	alterações	cromossômicas	(numéricas	ou	estruturais)	–	Síndrome	de	Down
2) Fatores de risco e causas perinatais:	são	aqueles	que	incidem	do	início	do	trabalho	de	parto	até	o	30º	dia	de	vida	do	bebê,	tais	como:
a) Má	assistência	ao	parto	e	traumas	de	parto.
b) Hipóxia	ou	anoxia,	causada	por	oxigenação	cerebral	insuficiente.
c) Prematuridade	e	baixo	peso.
3) Fatores de risco e causas pós-natais:	são	aqueles	que	incidem	do	30º	dia	de	vida	até	o	final	da	adolescência,	tais	como:
a) Desnutrição,	desidratação	grave,	carência	de	estimulação	global.	
b) Infecções:	meningoencefalites,	sarampo	etc.
c) Intoxicações	exógenas	(envenenamento):	remédios,	inseticidas,	produtos	químicos	(chumbo,	mercúrio	etc.).
d) Acidentes:	trânsito,	afogamento,	choque	elétrico,	asfixia,	quedas	etc.
Características socioafetivas 
As	pessoas	com	deficiência	intelectual	estão	sujeitas	às	mesmas	variações	de	comportamento	social	e	emocional	demonstrados	por	qualquer	outro	indivíduo.	Todavia,	por	não	compreenderem	totalmente	o	que	se	espera	delas	em	determinadas	situações,	algumas	reações	podem	ser	consideradas	inadequadas	ou	inapropriadas.
Podem	surgir	manifestações	isoladas	de	agressividade,	exacerbação	da	afetividade,	dificuldade	de	compreensão	de	limites,	entre	outros	aspectos,	com	os	quais	o	professor	de	Educação	Física	terá	de	aprender	a	lidar.	É	fundamental	que	a	escola	ofereça	um	serviço	de	apoio	psicopedagógico	ao	qual	esse	profissional	possa	recorrer.
Características físicas e motoras
Uma	característica	comum	à	maioria	das	pessoas	que	apresentam	deficiência	intelectual	se	refere	a	um	atraso	no	desenvolvimento	neuropsicomotor.
De	forma	geral,	a	literatura	indica	que	as	pessoas	com	deficiência	intelectual	podem	apresentar:	dificuldades	no	controle	postural,	devido	a	um	baixo	tônus	muscular;	problemas	posturais	associados;	lentidão	para	o	desenvolvimento	de	habilidades	motoras;	dificuldades	na	coordenação	motora;	tempo	de	reação	lento;	pouca	resistência	cardiorrespiratória;	baixa	consciência	espacial	e	temporal.	Muitas	vezes,	essas	dificuldades	ocorrem	em	função	da	falta	de	estímulos	e	oportunidades	de	se	engajarem	em	exercícios	e	atividades	físicas,
estudos	comparativos	demonstram	que	as	crianças	com	deficiência	intelectual	apresentam	escores	mais	baixos	nas	medidas	de	força,	resistência,	agilidade,	equilíbrio,	velocidade,	flexibilidade	e	tempo	de	reação,	quando	comparados	a	indivíduos	de	mesma	idade	que	não	apresentam	deficiências.
Recomenda-se	evitar	esse	tipo	de	abordagem,	uma	vez	que	a	comparação	com	outros	alunos,	na	maioria	das	vezes,	leva	a	pessoa	com	deficiência	intelectual	a	uma	situação	de	inferioridade.	Deve-se	enfatizar	a	evolução	e	as	conquistas	individuais	do	aluno,	ou	seja:	evidenciar	o	progresso	e	as	mudanças	entre	a	situação	inicial	e	final	da	aprendizagem.
Cuidados especiais e implicações pedagógicas
Para	incentivar	a	adesão	de	pessoas	com	deficiência	intelectual	nas	aulas	de	Educação	Física
1) Respeitar	as	características	individuais	do	aluno.
2) Procurar	certificar-se	de	que	a	atividade	foi	compreendida	antes	de	torná-la	mais	difícil.
3) Adequar	a	intensidade	das	atividades	ao	aluno,	respeitando	o	ritmo	individual.
4) Não	subestimar	suas	possibilidades.
5) Elogiar	as	tentativas,	porém,	não	em	demasia.
6) Utilizar	demonstrações	(do	professor	ou	dos	próprios	alunos).
Evitar	superproteção
Síndrome de Down
Devido	algumas	semelhanças	com	os	habitantes	da	Mongólia,	inicialmente,	esses	indivíduos	foram	chamados	de	mongoloides.	Atualmente,	não	se	usa	mais	esse	termo	para	se	referir	às	pessoas	com	Síndrome	de	Down	(SD),
um	bebê	normal	recebe	46	cromossomos	de	seus	pais;	23	cromossomos	são	provenientes	da	mãe	(pelo	gameta	feminino,	o	óvulo)	e	os	outros	23,	que	formarão	pares	com	os	primeiros,	do	pai	(pelo	gameta	masculino,	o	espermatozoide).
Já	a	pessoa	com	SD,	ao	invés	de	46,	apresenta	47	cromossomos	em	cada	uma	de	suas	células.
Quanto	aos	aspectos motores,	as	pessoas	com	SD	podem	apresentar	hipotonia	ou	baixo	tônus	muscular,	o	que	implica	em	atrasos	no	desenvolvimento	motor	e	lentidão	na	realização	dos	movimentos.	É	comum	observar	nessas	pessoas	ainda	grande	amplitude	articular,	gerando	instabilidade	em	seus	movimentos	articulares,	a	qual,	em	associação	com	a	musculatura	mais	flexível,	pode	desencadear	dificuldades	de	equilíbrio	e	controle	de	movimento.
8. DEFICIÊNCIA MOTORA
Conceito
A	deficiência	motora	consiste	em	toda	e	qualquer	alteração	no	corpo	humano	resultante	de	problema	ortopédico,	neurológico	ou	de	má	formação,	implicando	em	limitações	ou	incapacidades	para	o	desenvolvimento	de	tarefas	 motoras
Tipos de deficiência motora
Amputação
As	cirurgias	de	amputação	procuram	preservar	o	maior	número	possível	de	articulações	de	um	determinado	segmento	corporal,	no	nível	mais	distal	possível	com	potencial	de	cicatrização,	procurando	assegurar	que	a	constituição	do	coto	(segmento	corporal	remanescente)	do	paciente	esteja	em	condições	de	se	ajustar	a	uma	prótese.
	é	comum	depoimentos	envolvendo	diferentes	tipos	de	sensação	(dor,	formigamento,	coceira)	no	membro fantasma	(sensação	da	presença	do	membro	amputado);	podem	surgir,	ainda,	problemas	posturais	decorrentes	de	assimetrias	corporais	geradas	por	amputações	unilaterais.
Quanto	aos	cuidados	relacionados	à	prática	de	atividades	físicas,	o	professor	deve	observar	em	quais	situações	é	recomendável	ou	não	o	uso	da	prótese.	Na	natação	ou	em	determinados	esportes	(voleibol	sentado,	basquetebol,	rúgbi	ou	handebol	em	cadeiras	de	rodas),	recomenda-se	removê-la,	para	maior	conforto	do	praticante	e	segurança	de	seus	parceiros
Lesão medular
a	medula	espinhal,	localizada	dentro	do	canal	vertebral,	é	a	porção	do	sistema	nervoso	central	responsável	pela	comunicação	dos	diferentes	segmentos	corporais	com	o	cérebro,	e	vice-versa.
A	lesão	medular	é	praticamente	irreversível,	e,	sempre	que	ela	ocorre,	há,	também,	um	comprometimento	neurológico.
A	perda	funcional	pode	variar,	ainda,	quanto	ao	nível	ou	à	localização	da	lesão:
· Quando	a	lesão	está	localizada	nos	segmentos	cervicais	da	medula,	o	indivíduo	perde	a	função	dos	membros	superiores,	tronco	e	membros	inferiores.	Esses	casos	são	denominados	de	tetraplegia	(lesão	completa)	ou	tetraparesia	(lesão	incompleta).
· Quando	a	lesão	está	localizada	abaixo	do	primeiro	segmento	torácico	da	medula,	o	indivíduo	perde	as	funções	e	o	controle	do	tronco	e	membros	inferiores.	Esses	casos	são	denominados	de	paraplegia	(lesão	completa)	ou	paraparesia	(lesão	incompleta).
· Quando	a	lesão	afeta	a	região	compreendida	entre	o	décimo	segundo	segmento	torácico	e	demais	segmentos	lombares,	apenas	os	membros	inferiores	ficam	comprometidos.
Paralisia muscular:	toda	a	musculatura	voluntária	correspondente	ao	nível	do	segmento	medular	afetado	e	às	regiões	inferiores	da	medula	espinhal	perde	sua	conexão	com	o	sistema	nervoso	central,	ficando	impossibilitada	de	efetuar	as	respostas	motoras	desejadas.
1) Alteração na sensibilidade:	além	da	paralisia,	a	lesão	medular	completa	acarreta	a	perda	da	sensibilidade	no	nível	abaixo	do	segmento	medular	afetado,	o	que	faz	que	a	pessoa	com	lesão	medular	não	consiga	perceber	sensações	de	dor,	pressão	ou	alterações	de	temperatura	nas	regiões	afetadas.
Termorregulação:	a	lesão	medular	compromete	o	sistema	nervoso	autônomo	e	provoca	disfunção	no	sistema	de	regulação	térmica	do	indivíduo.
Úlceras	de	pressão:	conhecidas	popularmente	como	escaras	de	decúbito	são	provocadas	pela	interrupção	da	circulação	e	consequente	necrose	dos	tecidos	epiteliais	e	subcutâneos.	A	ausênciade	sensibilidade	e	a	permanência	em	uma	mesma	posição	por	períodos	prolongados	favorecem	o	surgimento	dessas	feridas,	que	são	de	difícil	cicatrização	e	podem	infeccionar	gravemente.
Incontinência urinária e distúrbios esfincterianos:	em	decorrência	da	lesão	medular,	o	indivíduo	pode	perder	o	controle	voluntário	sobre	a	bexiga,	que	passa	a	se	esvaziar	automaticamente	quando	seu	enchimento	atingir	certo	volume.
Problemas de ajustes psicossociais:
2) As	dificuldades	mais	comuns	são	os	problemas	com	a	autoestima,	as	mudanças	negativas	na	autoimagem	e	o	sentimento	de	menos	valia.	Essa	situação	em	muito	inibe	a	reinserção	social	do	indivíduo	após	a	lesão	medular.	Aceitar	a	nova	condição	do	corpo	é	um	processo	longo	e	difícil,	mas	que	pode	ser	facilitado	pelo	acesso	às	informações	à	noção	de	que,	com	treinamento	adequado,	é	possível	restabelecer	uma	vida	plena,	saudável	e	com	ampla	oportunidade	de	novas	experiências.
Poliomielite
É	uma	doença	aguda,	causada	por	um	vírus caracterizadas	por	febre,	mal-estar,	cefaleia,	distúrbios	gastrointestinais	e	rigidez	de	nuca,	acompanhadas	ou	não	de	paralisias.
Embora	a	doença	não	tenha	tratamento	específico,	pode	ser	prevenida	por	meio	de	vacinação.	A	vacinação	completa	(três	básicas	e	dois	reforços)	produz	imunidade	duradoura	na	maioria	dos	indivíduos.
A	pessoa	com	paralisia	infantil	pode	vivenciar	vários	conteúdos	próprios	da	Educação	Física;	em	alguns	casos,	o	indivíduo	pode	fazer	uso	de	órteses	e	realizar	a	marcha	com	o	auxílio	de	muletas	e/ou	bengalas,	e,	em	outros,	pode	ser	recomendado	a	ele	o	uso	de	cadeiras	de	rodas	para	o	deslocamento.
Acidente vascular encefálico
Popularmente	conhecido	como	derrame,	o	acidente	vascular	encefálico	(AVE)	designa	um	dano	causado	ao	tecido	cerebral	por	transtornos	circulatórios.
Dentre	os	fatores	de	risco	que	predispõe	o	indivíduo	ao	AVE,	podemos	citar:	componentes	hereditários,	hipertensão	arterial	descontrolada,	tabagismo,	abuso	de	drogas	e	álcool,	entre	outras	disfunções,	como	o	diabetes	mellitus ,	a	obesidade	etc.
Embora	a	incidência	do	AVE	seja	maior	em	pessoas	idosas,	as	mudanças	relacionadas	ao	estilo	de	vida	na	contemporaneidade	(má	qualidade	da	alimentação,	sedentarismo,	estresse	emocional)	fazem	que	sua	ocorrência	aumente,	inclusive,	entre	os	jovens
Com	relação	às	alterações	funcionais,	devemos	lembrar	que	cada	região	do	cérebro	é	responsável	por	uma	determinada	função	(raciocínio,	memória,	fala,	visão	etc.)	e	que	cada	hemisfério	cerebral	é	responsável	pelos	movimentos	voluntários	dos	segmentos	corporais	contrários	à	sua	localização:	o	hemisfério	esquerdo	do	cérebro	comanda	o	lado	direito	do	corpo,	e	vice-versa.
Diante	de	um	aluno	com	AVE,	o	professor	deverá	verificar	quais	foram	as	funções	(cognitivas,	perceptivas	ou	motoras)	que	foram	afetadas	e,	com	base	nas	capacidades	remanescentes,	traçar	um	plano	de	intervenção	que	considere	as	expectativas	e	interesses	do	indivíduo	relacionados	à	prática	de	exercícios	e	atividades	físico-esportivas.
Traumatismo crânio encefálico
O	traumatismo	crânio	encefálico	(TCE)	é	uma	agressão	ao	cérebro,	não	de	natureza	degenerativa	ou	congênita,	mas	causada	por	uma	força	física	externa	que	pode	produzir	um	estado	diminuído	ou	alterado	de	consciência	que	resulta	no	comprometimento	das	habilidades	cognitivas	ou	do	funcionamento	físico e,	também,	no	distúrbio	do	funcionamento	comportamental	ou	emocional	(temporário	ou	permanente),	provocando	comprometimento	funcional	parcial	ou	total,	bem	como	mau	ajustamento	psicológico
Paralisia cerebral
A	paralisia	cerebral	(PC)	é	definida	como	uma	desordem	neuromotora	que	acarreta	distúrbios	no	tônus	muscular	e	nas	funções	motoras,	podendo	vir	acompanhada	de	lesões	em	outras	áreas	corticais	que	surgem	na	infância.
Distrofia muscular 
A	distrofia	muscular	engloba	um	grupo	de	doenças	hereditárias	que	se	caracterizam	por	uma	fraqueza	progressiva	e	difusa	de	vários	grupos	musculares;	as	células	do	ventre	dos	músculos	se	degeneram	e	são	substituídas	por	tecido	adiposo	e	conjuntivo

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