Prévia do material em texto
RESUMO EDUCAÇÃO FISICA ESPECIAL E ADAPTADA Educação Especial: tradicionalmente se configurou como um sistema paralelo e segregado de ensino, voltado para o atendimento especializado de indivíduos com deficiências, distúrbios graves de aprendizagem e/ ou de comportamento e altas habilidades. Contudo, a partir das últimas décadas, em função de novas demandas e expectativas sociais, a Educação Especial está em processo de ressignificação de seu papel, para abranger, além do atendimento especializado direto, o apoio às escolas regulares, constituindo-se em um sistema de suporte permanente e efetivo à escola, para que ela possa promover a aprendizagem dos alunos com deficiências ou outras características peculiares de desenvolvimento Educação Física Adaptada: É voltada a pessoas com necessidades educacionais especiais em diferentes fases de seu desenvolvimento e em contextos sociais distintos. Seu papel é oferecer oportunidades para que indivíduos nas mais diferentes condições possam se envolver e participar de atividades físicas, esportivas e de lazer, seja com finalidades terapêuticas, recreativas, educacionais ou competitivas. Educação Inclusiva o princípio básico da Educação Inclusiva é que todos os alunos, independentemente de suas condições socioeconômicas, raciais, culturais ou de desenvolvimento, sejam acolhidos nas escolas regulares, as quais devem se adaptar para atender às suas necessidades, pois constituem-se no meio mais capaz para combater as atitudes discriminatórias. Pessoas com deficiências: A terminologia “pessoas com deficiências” refere-se a indivíduos que apresentam alterações decorrentes da perda ou anormalidade de estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica, em caráter permanente. As incapacidades ou desvantagens decorrentes dessas alterações podem gerar demandas ou necessidades especiais para o desempenho de determinadas tarefas. Nas culturas antigas , quando predominava o estilo de vida nômade, as pessoas com deficiência, consideradas incapazes de assegurar a própria sobrevivência por meio da caça e da pesca, poderiam colocar em risco a segurança de toda a tribo, face aos perigos da época. Essas pessoas eram geralmente abandonadas à própria sorte, condenadas à morte por inanição ou submetidas ao ataque de animais ferozes . Em Esparta, os ideais atléticos e clássicos que serviam de base à organização sociocultural da época legitimavam a eliminação e o abandono de crianças com deficiências físicas ou mentais, consideradas “criaturas subumanas” Por influência do cristianismo, a partir do século 6, a ênfase nos ensinamentos religiosos fez que os indivíduos com deficiências passassem a ser considerados “filhos de Deus”, sendo a responsabilidade por sua deficiência atribuída à divindade; essa “aparente” aceitação passa a ser marcada, então, pela tolerância e caridade. Da Antiguidade a diferentes períodos históricos, estendeu-se a concepção supersticiosa de que a deficiência ou qualquer tipo de deformação corporal estivesse associada a “um sinal de desarmonia” ou “obra dos maus espíritos”, frequentemente simbolizando “impureza” ou “pecado” Ainda na Idade Média, os indivíduos que apresentavam desvios de conduta, problemas psiquiátricos ou deficiência mental tinham pouca chance de sobrevivência, pois seu comportamento era associado à presença de espíritos malignos, possessões demoníacas e bruxaria. Em 1954, teve origem a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), voltada ao atendimento de pessoas com essas características. Também a atividade física e o esporte adaptado começam a despontar em meados do século 20, após as grandes guerras. Por ocasião do retorno de oficiais militares feridos e mutilados em decorrência dessas guerras, surgem, nos hospitais, as primeiras iniciativas voltadas à prática esportiva, como parte do tratamento de reabilitação. Apenas muitas décadas depois, a atividade física e o esporte adaptado afirmam-se, também, como elementos-chave no processo de inclusão social e educacional de pessoas com deficiências. Na perspectiva da integração, a inserção da pessoa nos sistemas sociais é baseada no princípio da normalização, o qual pressupõe que o indivíduo possui o direito de experienciar um estilo de vida que seria comum à sua própria cultura (MENDES, 1994). Em vez de normalizar os serviços e ambientes visando ao atendimento das necessidades das pessoas com deficiência, passou-se a impor um padrão de vida voltado à igualdade de condições, no qual o foco recai sobre a deficiência, entendida como um “déficit” a ser superado. A inclusão social pode ser compreendida, então, como um: Processo bilateral no qual as pessoas excluídas e a sociedade buscam, em parceria, efetivar a equiparação de oportunidades para todos, construindo uma sociedade democrática na qual todos conquistam a sua cidadania, prevalecendo o respeito à diversidade, aceitação e reconhecimento político das diferenças (MENDES, 2006, n. p.). A responsabilidade pela inclusão deixa de ser exclusivamente da pessoa com deficiência e passa a ser compartilhada com a sociedade, promovendo uma mudança de mentalidade em todos os níveis e sistemas. A inclusão repousa em princípios como: aceitação das diferenças individuais, valorização de cada pessoa, convivência dentro da diversidade humana e aprendizagem por meio da cooperação. Outra diferença significativa entre essas duas práticas sociais é que, enquanto a integração preconizava o ideário de uma suposta igualdade, partindo de uma pretensa homogeneidade, a inclusão reconhece a diversidade e propõe-se a aceitar as diferenças entre as pessoas, independentemente de suas condições. Por atendimento educacional especializado entende-se um conjunto de recursos educacionais e estratégias de apoio colocados à disposição dos alunos com deficiência, proporcionando-lhes diferentes alternativas de atendimento, de acordo com as necessidades de cada um. 1) Língua Brasileira de Sinais (Libras); 2) interpretação de Libras; 3) ensino de Língua Portuguesa para surdos; 4) sistema Braille; Além das aplicações apresentadas na introdução desta unidade, perceba que a Educação Física Adaptada é considerada, também, um tipo de atendimento educacional especializado. No entanto, é interessante considerar que os serviços especializados e o atendimento das necessidades específicas dos alunos garantidos pela lei, na prática, ainda deixam a desejar. São exemplos de barreiras atitudinais: 1) não conceder uma chance; 2) sentir receio de se aproximar; 3) sentir vergonha de estar por perto; 4) desistir antes de tentar; 5) negar ou não aproveitar as oportunidades; 6) ridicularizar ou zombar do desempenho do outro; 7) sentir pena ou autopiedade. Trabalhar com classes heterogêneas que acolhem todas as diferenças trazem inúmeros benefícios ao desenvolvimento das crianças que apresentam ou não deficiências, na medida em que elas têm a oportunidade de vivenciar a importância do valor da troca e da cooperação nas interações humanas. Portanto, para que as diferenças sejam respeitadas e para que se aprenda a conviver com a diversidade, é necessária uma nova concepção de escola, de aluno, de ensinar e de aprender. A efetivação de uma prática educacional inclusiva não será garantida por meio de leis, decretos ou portarias que obriguem as escolas regulares a aceitarem os alunos com necessidades especiais; em outras palavras, apenas a presença física do aluno com deficiência na classe regular não é garantia de inclusão. O processo educacional só será considerado verdadeiramente inclusivo à medida que todos os envolvidos nele estiverem dispostos a pensar, sentir e agir sobre as diferenças. Conforme afirma Pedrinelli (2002): Participar de um processo inclusivo é estar predisposto, sobretudo, a considerar e respeitar as diferenças individuais, criando a possibilidade de aprender sobre si mesmo e sobre cada um dos outros em uma situação de diversidade de idéias, sentimentos e ações. Unidade 2 Na maioria das vezes, o senso comum desconhece que o uso de determinada terminologiapode reforçar a segregação e a exclusão. Até a década de 1980, a sociedade utilizava termos como “aleijado”, “defeituoso”, “incapacitado” e “inválido” para se referir às pessoas com deficiências. Passou-se a utilizar, ainda, o termo “deficiente”, a partir de 1981, por influência do Ano Internacional e da Década das Pessoas Deficientes, estabelecido pela ONU. A deficiência, na maioria das vezes, é algo permanente, não cabendo, portanto, o termo “portadores”. Além disso, quando se rotula alguém de “portador de deficiência”, nota-se que essa deficiência passa a ser a “marca” principal da pessoa, em detrimento da sua condição humana. É preciso valorizar uma pessoa independentemente de sua característica ou condição física, visual, auditiva ou intelectual. A construção de uma verdadeira sociedade inclusiva passa, também, pelo cuidado com a linguagem, uma vez que, por meio dela, se expressa, voluntária ou involuntariamente, o respeito ou a discriminação em relação às pessoas com deficiência. Por isso, devemos sempre nos lembrar de que a pessoa com deficiência tem de ser, assim como qualquer outra, respeitada. a nomenclatura adequada para referir-se a esse grupo de pessoas passou a ser “pessoa com deficiência”. Uma mesma mudança estrutural ou anatômica, de mesma origem/causa comum (etiologia), localização e extensão, pode ocasionar modificações funcionais diferenciadas. Por sua vez, essas alterações funcionais afetam o desempenho do indivíduo de formas distintas, gerando incapacidades diferenciadas e, consequentemente, desencadeando consequências sociais e econômicas também diversas. Ao receber a pessoa com deficiência em um programa de Educação Física, é necessário identificar esses fatores, Causa da deficiência Tempo decorrido desde a perda: é importante identificar se a deficiência é congênita ou adquirida, e, nesse caso, há quanto tempo está instalada, a fim de verificar o grau de adaptação do indivíduo à condição de deficiência. Nível da perda funcional: é fundamental conhecer o nível da perda funcional de cada indivíduo, buscando o máximo aproveitamento de suas capacidades remanescentes. o professor de Educação Física direcione seu olhar para as possibilidades desses indivíduos. Sendo assim, ele não deve considerar que “o indivíduo não consegue se locomover sem auxílio de órteses e muletas”, mas, sim, que “o indivíduo consegue se locomover com o auxílio de órteses e muletas”. Observar e constatar o que a criança não pode ou não consegue fazer é um tanto óbvio: o desafio é descobrir novas formas de superar as dificuldades apresentadas. 5. DEFICIÊNCIA VISUAL A deficiência visual é caracterizada pela perda parcial ou total da capacidade visual, em ambos os olhos, avaliada após a melhor correção ótica ou cirúrgica, levando o indivíduo a uma limitação em seu desempenho habitual A simples utilização de óculos ou lentes de contato não é suficiente para caracterizar a deficiência visual Em outras palavras, para que uma pessoa seja considerada com deficiência visual, é necessário que a perda visual comprometa os dois olhos e que, mesmo após passar por correção ótica ou cirúrgica, o melhor olho tenha menos de 30 % da visão. A pessoa com baixa visão pode contar com auxílios ópticos, como diferentes tipos de óculos, lupas e telescópios, bem como usufruir de auxílios não ópticos, como caderno com pautas mais grossas, tiposcópio, ampliação de livros e os próprios recursos da informática. A pessoa cega terá o seu processo de ensino-aprendizagem baseado no sistema Braille, utilizando-se de recursos para leitura e escrita como a reglete, máquinas de datilografia e recursos de informática. Classificação esportiva O emprego da letra “B” nas subcategorias refere-se ao termo “blind”, cuja tradução em português significa “cego”. · B1: desde a inexistência de percepção luminosa em ambos os olhos até a percepção luminosa, mas com incapacidade para reconhecer a forma de uma mão a qualquer distância ou direção. B2: desde a capacidade para reconhecer a forma de uma mão, · B3: acuidade visual entre metros ou um campo visual entre 5 e 20 graus. Principais etiologias Segundo Van Munster e Almeida (2008), as diferentes causas de deficiência visual podem ser congênitas ou adquiridas 1) Albinismo: pessoas com albinismo possuem deficiência na pigmentação da íris, o que lhes confere uma acentuada sensibilidade à luz. 2) Catarata: alteração na transparência do cristalino (opacificação), causando embaçamento da visão sem outros sintomas associados. 3) Descolamento de retina: consiste na separação entre as diferentes camadas que compõem essa túnica. 4) Diabetes: doença metabólica que pode levar à deficiência visual. As complicações oculares podem aparecer, aproximadamente, dez anos após o início da doença 5) Erros de refração: alterações no comprimento do eixo óptico podem levar a distorções na imagem 6) Estrabismo: anomalia da visão binocular, onde os olhos estão desalinhados, impedindo a fusão da imagem. 7) Glaucoma: a pressão intraocular elevada é o principal fator de risco para a instalação do glaucoma 8) Presbiopia: o processo natural de envelhecimento leva à perda progressiva da capacidade de acomodação do cristalino, conhecida popularmente como “vista cansada”. 9) Retinoblastoma: destaca-se entre os tumores retinianos de origem hereditária e costuma manifestar-se nos quatro primeiros anos de vida. 10) Retinopatia da prematuridade: afeta bebês prematuros mantidos em incubadora com alta concentração de oxigênio, provocando transtornos vasculares 11) Toxoplasmose: inflamação retiniana devido à infecção pelo Toxoplasma gondii, podendo ser congênita ou adquirida. É importante dirigir-se ao aluno com deficiência visual chamando-o sempre pelo nome, pois, além da aproximação na relação professor-aluno, esse cuidado é fundamental para a segurança do educando, uma vez que as pessoas cegas não podem ver para onde ou para quem o olhar do professor está voltado. O professor deve procurar antecipar verbalmente suas ações para não surpreender ou assustar o aluno. Caso seja necessário tocá-lo durante a explicação de um movimento ou em qualquer outra circunstância, é importante avisá-lo antes, para que o aluno esteja prevenido. Antes do início das atividades, é necessário proceder a um reconhecimento do espaço físico onde se pretende trabalhar, tanto por parte dos alunos como por parte do professor, a quem caberá o papel de chamar a atenção para as referências mais marcantes. O educador deve tomar um cuidado especial ao se comunicar com a pessoa que apresenta deficiência visual, já que, além de possuir um bom vocabulário e saber se expressar claramente, é importante transmitir sua afetividade por meio de gestos e palavras, pois, muitas vezes, o sorriso ou o sinal de reconhecimento e de aprovação social pode ser imperceptível para a pessoa que não dispõe do sentido visual. Se a explicação por meio de palavras não for suficiente para que a pessoa com deficiência visual compreenda o que se espera, pode-se recorrer à percepção tátil, levando-a a perceber o movimento realizado pelo professor por meio do toque Outro aspecto a ser considerado é a importância de não descartar a realização do movimento concomitantemente à sua explicação. Embora a demonstração do exercício pareça não ter efeito a um grupo de pessoas que não dispõe da integridade no sentido visual, a informação verbal durante a realização do exercício por parte do professor permite que o aluno com deficiência visual perceba o deslocamento da voz do professor (fonte sonora) pelo espaço físico. As principais técnicas são: autoproteção, locomoção com guia vidente (ou método dependente de locomoção), locomoção independente (com o uso de bengala longa e emprego das técnicas de Hoover) e cão-guia. As pessoas cegas obtêm muitas informações para sua orientação pelas mãos, tocando os objetos e transformando-os em pontos de referência. A bengala longa, por exemplo, nas técnicas de Hoover, transforma-se em extensão do dedo indicador para sondar tatilmente a superfície. A técnica do guia videnteé aceita e empregada universalmente, tanto em ambientes internos ou externos, utilizada no início do aprendizado de orientação e mobilidade, bem como em situações posteriores. Essa técnica, embora de grande utilidade e eficiência, se baseia em um meio de locomoção dependente, pois seus usuários precisam de outra pessoa para se locomoverem; todavia, estará sempre presente na vida da pessoa com deficiência visual, mesmo depois de atingir independência total na locomoção. 6. DEFICIÊNCIA AUDITIVA Conceito A deficiência auditiva caracteriza-se pela perda parcial ou total da capacidade de transmitir ou perceber sinais sonoros (ALMEIDA, 2008). Ela interfere tanto na recepção quanto na produção da linguagem. Devido à importância da linguagem em todas as dimensões do desenvolvimento, ser incapaz de ouvir e falar é considerada uma deficiência crítica, que pode interferir no ajuste social e acadêmico do indivíduo. A audição normal situa-se em zero dB, e são consideradas significativas as perdas acima de 30 dB Quanto maior o número de decibéis necessários para que uma pessoa possa compreender os sons, maior a perda auditiva. A adaptação do ouvido ao aparelho e a resposta aos estímulos sonoros poderão caracterizar o indivíduo em duas categorias: · pessoa com baixa audição: aquela que discrimina os sons da fala graças ao uso do aparelho; · pessoa surda: aquela que não compreende os sons da fala mesmo com o uso do aparelho Classificação por nível de perda auditiva 1) Perda leve (situada entre 15 e 30 dB): considerada uma perda auditiva leve e estável, sem maiores comprometimentos ao desenvolvimento do indivíduo. Perda moderada (entre 31 e 60 dB): sem as intervenções necessárias, essa perda poderá acarretar atrasos no desenvolvimento da fala e da linguagem. 2) Perda severa (entre 61 e 90 dB): sem intervenção adequada, esse tipo de perda pode impedir o desenvolvimento da fala e da linguagem. O uso de aparelho auditivo é imperativo; quando associado a uma intervenção precoce e intensiva, em treinamento contínuo, alguns indivíduos poderão contar com a audição remanescente para o desenvolvimento da fala e da linguagem. 3) Perda profunda (acima de 90 dB): por meio de intensa intervenção, a fala e a linguagem até poderão ocorrer, mas de forma lenta e com dificuldade. A audição raramente será a principal via para comunicação e desenvolvimento desse indivíduo. Classificação quanto ao período de desenvolvimento da perda auditiva 1) Surdez pré-linguística: refere-se a indivíduos que nasceram surdos ou que perderam a audição antes de terem desenvolvido a fala e a linguagem. 2) Surdez pós-linguística: refere-se a indivíduos que perderam a audição após o período de desenvolvimento da fala e da linguagem. O receptor de estímulos sonoros do meio ambiente no nosso organismo é o ouvido, que, por sua vez, é constituído por três partes bem distintas: · ouvido externo; · ouvido médio; · ouvido interno. O ouvido externo tem como função captar as ondas sonoras do meio ambiente O ouvido médio tem como função transformar as vibrações atmosféricas (ondas sonoras) em vibrações mecânicas. o ouvido interno tem como função transformar as vibrações mecânicas em ondas líquidas, que, por sua vez, transformam-se em impulsos nervosos auditivos a serem encaminhados pelo nervo auditivo até a área cortical correspondente. Sintomas da deficiência auditiva A criança surda pode ser facilmente reconhecida pela família, por seu comportamento perante os ruídos; porém, a baixa audição (ou hipoacusia) pode ser mais difícil de ser percebida na criança. Foram relacionados alguns aspectos que devem ser observados por pais e professores, uma vez que eles podem auxiliar a detectar problemas auditivos quando a criança: 1) falha em reagir a sons súbitos e estranhos; 2) não faz qualquer tentativa para localizar a fonte sonora; 3) parece mais interessada em movimentos do que em sons; 4) parece depender mais de um ouvido do que do outro, virando a cabeça ou posicionando o corpo de maneira a dirigir esse ouvido para a fonte sonora; 5) parece seguir, preferencialmente, instruções com o auxílio de demonstrações visuais; 11) apresenta vocabulário “pobre” para sua idade; 12) fala muito alto ou muito baixo. A pessoa com deficiência auditiva encontra dificuldades para se adaptar ao ambiente que a cerca e, muitas vezes, em decorrência disso, pode parecer um pouco ansiosa e impaciente, em especial quando não consegue se fazer entender. Isso pode levar alguns indivíduos com deficiência auditiva a um afastamento ou isolamento social; além disso, aqueles que utilizam aparelho auditivo, especialmente os modelos mais visíveis, revelam certo constrangimento em mostrá-lo. Nos casos de surdez pré-linguística muitas pessoas com deficiência adquirida antes do aprendizado da linguagem acabam optando pela utilização da Língua Brasileira de Sinais (Libras) para sua comunicação habitual. Os indivíduos que apresentam perdas auditivas do tipo sensório-neural ou mista devem ser estimulados e encorajados a aprimorar sua capacidade de equilíbrio por meio das aulas de Educação Física. Com relação às pessoas surdas que não se comunicam verbalmente, outro aspecto motor também merece atenção: a baixa capacidade respiratória. Pelo fato de essas pessoas não recorrerem à fala para se comunicar, seus órgãos acessórios da respiração (responsáveis pela produção do som nas cordas vocais) ficam subutilizados; por isso, convém acrescentar exercícios respiratórios, por meio de atividades lúdicas, para estimular as funções cardiorrespiratórias nesses indivíduos. 1) Não é correto dizer que alguém é “surdo-mudo”, pois muitas pessoas surdas não falam porque não aprenderam a falar, e, mesmo que não consigam falar, elas podem emitir sons com a garganta ao rir e mesmo ao gestualizar. 2) Esteja atento para não ficar de perfil ou de costas ao falar com o aluno surdo e certifique-se de que sua boca esteja visível para facilitar a leitura labial. 3) Procure falar de maneira clara, pronunciando bem as palavras, sem exageros, usando a velocidade normal, a não ser que ele peça para falar mais devagar. 4) Procure usar uma intensidade normal de voz, a não ser que o aluno peça para falar mais alto. Não adianta gritar com a pessoa surda, já que ela não é capaz de ouvir. 5) Seja expressivo ao falar. Como as pessoas surdas não podem ouvir mudanças sutis de tom de voz, que indicam sentimentos de alegria, tristeza, sarcasmo ou seriedade, as expressões faciais, os gestos ou sinais e o movimento do corpo são excelentes indicações do que se quer dizer. 6) Ao conversar, mantenha sempre contato visual; quando você desvia o olhar, a pessoa surda pode interpretar que a conversa terminou. 7) Quando o aluno surdo estiver acompanhado por um intérprete, dirija-se a ele, não ao intérprete. A história da educação do surdo tem início em meados do século 16. Até essa época, as pessoas com deficiência auditiva eram consideradas intelectualmente inferiores, motivo pelo qual eram mantidas recolhidas em asilos. Essa crença começou a ser desmistificada quando se percebeu que o surdo poderia aprender a se comunicar não só por meio da língua de sinais, mas também por meio da língua falada. Utilizava-se, então, a língua auditivo-oral nativa, língua de sinais, A língua de sinais consiste em um conjunto de sinais produzidos pelas mãos que, atuando com gestos e expressões corporais e faciais, visam efetivar a comunicação O oralismo, como meio de comunicação com as pessoas surdas, consiste em efetivar a comunicação pelo entendimento dos movimentos normais dos lábios, por meio de técnicas de leitura labial, treinamento auditivo e fonoarticulatório. A Comunicação Total é um modo de comunicação bimodal, fazendo o uso simultâneo da língua de sinais e da língua oral para efetivar a comunicação com a pessoa surda. O bilinguismo baseia-se na proposta de adotar a língua de sinais como primeira língua do surdo, tendo a língua oral de seu país como segunda língua 7. DEFICIÊNCIA INTELECTUAL Anteriormente, os procedimentos empregados para avaliação e classificaçãoda pessoa com deficiência intelectual baseavam-se, exclusivamente, nos testes de quociente de inteligência (QI). As causas da deficiência intelectual são inúmeras e complexas, envolvendo fatores de risco pré-natais, perinatais e pós-natais, conforme descritos a seguir. Fatores de risco e causas pré-natais: a) Desnutrição materna. b) Má assistência à gestante. c) Doenças infecciosas (sífilis, rubéola, toxoplasmose). d) Tóxicos: alcoolismo, consumo de drogas, efeitos colaterais de medicamentos (medicamentos teratogênicos), poluição ambiental etc. e) Genéticos: alterações cromossômicas (numéricas ou estruturais) – Síndrome de Down 2) Fatores de risco e causas perinatais: são aqueles que incidem do início do trabalho de parto até o 30º dia de vida do bebê, tais como: a) Má assistência ao parto e traumas de parto. b) Hipóxia ou anoxia, causada por oxigenação cerebral insuficiente. c) Prematuridade e baixo peso. 3) Fatores de risco e causas pós-natais: são aqueles que incidem do 30º dia de vida até o final da adolescência, tais como: a) Desnutrição, desidratação grave, carência de estimulação global. b) Infecções: meningoencefalites, sarampo etc. c) Intoxicações exógenas (envenenamento): remédios, inseticidas, produtos químicos (chumbo, mercúrio etc.). d) Acidentes: trânsito, afogamento, choque elétrico, asfixia, quedas etc. Características socioafetivas As pessoas com deficiência intelectual estão sujeitas às mesmas variações de comportamento social e emocional demonstrados por qualquer outro indivíduo. Todavia, por não compreenderem totalmente o que se espera delas em determinadas situações, algumas reações podem ser consideradas inadequadas ou inapropriadas. Podem surgir manifestações isoladas de agressividade, exacerbação da afetividade, dificuldade de compreensão de limites, entre outros aspectos, com os quais o professor de Educação Física terá de aprender a lidar. É fundamental que a escola ofereça um serviço de apoio psicopedagógico ao qual esse profissional possa recorrer. Características físicas e motoras Uma característica comum à maioria das pessoas que apresentam deficiência intelectual se refere a um atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. De forma geral, a literatura indica que as pessoas com deficiência intelectual podem apresentar: dificuldades no controle postural, devido a um baixo tônus muscular; problemas posturais associados; lentidão para o desenvolvimento de habilidades motoras; dificuldades na coordenação motora; tempo de reação lento; pouca resistência cardiorrespiratória; baixa consciência espacial e temporal. Muitas vezes, essas dificuldades ocorrem em função da falta de estímulos e oportunidades de se engajarem em exercícios e atividades físicas, estudos comparativos demonstram que as crianças com deficiência intelectual apresentam escores mais baixos nas medidas de força, resistência, agilidade, equilíbrio, velocidade, flexibilidade e tempo de reação, quando comparados a indivíduos de mesma idade que não apresentam deficiências. Recomenda-se evitar esse tipo de abordagem, uma vez que a comparação com outros alunos, na maioria das vezes, leva a pessoa com deficiência intelectual a uma situação de inferioridade. Deve-se enfatizar a evolução e as conquistas individuais do aluno, ou seja: evidenciar o progresso e as mudanças entre a situação inicial e final da aprendizagem. Cuidados especiais e implicações pedagógicas Para incentivar a adesão de pessoas com deficiência intelectual nas aulas de Educação Física 1) Respeitar as características individuais do aluno. 2) Procurar certificar-se de que a atividade foi compreendida antes de torná-la mais difícil. 3) Adequar a intensidade das atividades ao aluno, respeitando o ritmo individual. 4) Não subestimar suas possibilidades. 5) Elogiar as tentativas, porém, não em demasia. 6) Utilizar demonstrações (do professor ou dos próprios alunos). Evitar superproteção Síndrome de Down Devido algumas semelhanças com os habitantes da Mongólia, inicialmente, esses indivíduos foram chamados de mongoloides. Atualmente, não se usa mais esse termo para se referir às pessoas com Síndrome de Down (SD), um bebê normal recebe 46 cromossomos de seus pais; 23 cromossomos são provenientes da mãe (pelo gameta feminino, o óvulo) e os outros 23, que formarão pares com os primeiros, do pai (pelo gameta masculino, o espermatozoide). Já a pessoa com SD, ao invés de 46, apresenta 47 cromossomos em cada uma de suas células. Quanto aos aspectos motores, as pessoas com SD podem apresentar hipotonia ou baixo tônus muscular, o que implica em atrasos no desenvolvimento motor e lentidão na realização dos movimentos. É comum observar nessas pessoas ainda grande amplitude articular, gerando instabilidade em seus movimentos articulares, a qual, em associação com a musculatura mais flexível, pode desencadear dificuldades de equilíbrio e controle de movimento. 8. DEFICIÊNCIA MOTORA Conceito A deficiência motora consiste em toda e qualquer alteração no corpo humano resultante de problema ortopédico, neurológico ou de má formação, implicando em limitações ou incapacidades para o desenvolvimento de tarefas motoras Tipos de deficiência motora Amputação As cirurgias de amputação procuram preservar o maior número possível de articulações de um determinado segmento corporal, no nível mais distal possível com potencial de cicatrização, procurando assegurar que a constituição do coto (segmento corporal remanescente) do paciente esteja em condições de se ajustar a uma prótese. é comum depoimentos envolvendo diferentes tipos de sensação (dor, formigamento, coceira) no membro fantasma (sensação da presença do membro amputado); podem surgir, ainda, problemas posturais decorrentes de assimetrias corporais geradas por amputações unilaterais. Quanto aos cuidados relacionados à prática de atividades físicas, o professor deve observar em quais situações é recomendável ou não o uso da prótese. Na natação ou em determinados esportes (voleibol sentado, basquetebol, rúgbi ou handebol em cadeiras de rodas), recomenda-se removê-la, para maior conforto do praticante e segurança de seus parceiros Lesão medular a medula espinhal, localizada dentro do canal vertebral, é a porção do sistema nervoso central responsável pela comunicação dos diferentes segmentos corporais com o cérebro, e vice-versa. A lesão medular é praticamente irreversível, e, sempre que ela ocorre, há, também, um comprometimento neurológico. A perda funcional pode variar, ainda, quanto ao nível ou à localização da lesão: · Quando a lesão está localizada nos segmentos cervicais da medula, o indivíduo perde a função dos membros superiores, tronco e membros inferiores. Esses casos são denominados de tetraplegia (lesão completa) ou tetraparesia (lesão incompleta). · Quando a lesão está localizada abaixo do primeiro segmento torácico da medula, o indivíduo perde as funções e o controle do tronco e membros inferiores. Esses casos são denominados de paraplegia (lesão completa) ou paraparesia (lesão incompleta). · Quando a lesão afeta a região compreendida entre o décimo segundo segmento torácico e demais segmentos lombares, apenas os membros inferiores ficam comprometidos. Paralisia muscular: toda a musculatura voluntária correspondente ao nível do segmento medular afetado e às regiões inferiores da medula espinhal perde sua conexão com o sistema nervoso central, ficando impossibilitada de efetuar as respostas motoras desejadas. 1) Alteração na sensibilidade: além da paralisia, a lesão medular completa acarreta a perda da sensibilidade no nível abaixo do segmento medular afetado, o que faz que a pessoa com lesão medular não consiga perceber sensações de dor, pressão ou alterações de temperatura nas regiões afetadas. Termorregulação: a lesão medular compromete o sistema nervoso autônomo e provoca disfunção no sistema de regulação térmica do indivíduo. Úlceras de pressão: conhecidas popularmente como escaras de decúbito são provocadas pela interrupção da circulação e consequente necrose dos tecidos epiteliais e subcutâneos. A ausênciade sensibilidade e a permanência em uma mesma posição por períodos prolongados favorecem o surgimento dessas feridas, que são de difícil cicatrização e podem infeccionar gravemente. Incontinência urinária e distúrbios esfincterianos: em decorrência da lesão medular, o indivíduo pode perder o controle voluntário sobre a bexiga, que passa a se esvaziar automaticamente quando seu enchimento atingir certo volume. Problemas de ajustes psicossociais: 2) As dificuldades mais comuns são os problemas com a autoestima, as mudanças negativas na autoimagem e o sentimento de menos valia. Essa situação em muito inibe a reinserção social do indivíduo após a lesão medular. Aceitar a nova condição do corpo é um processo longo e difícil, mas que pode ser facilitado pelo acesso às informações à noção de que, com treinamento adequado, é possível restabelecer uma vida plena, saudável e com ampla oportunidade de novas experiências. Poliomielite É uma doença aguda, causada por um vírus caracterizadas por febre, mal-estar, cefaleia, distúrbios gastrointestinais e rigidez de nuca, acompanhadas ou não de paralisias. Embora a doença não tenha tratamento específico, pode ser prevenida por meio de vacinação. A vacinação completa (três básicas e dois reforços) produz imunidade duradoura na maioria dos indivíduos. A pessoa com paralisia infantil pode vivenciar vários conteúdos próprios da Educação Física; em alguns casos, o indivíduo pode fazer uso de órteses e realizar a marcha com o auxílio de muletas e/ou bengalas, e, em outros, pode ser recomendado a ele o uso de cadeiras de rodas para o deslocamento. Acidente vascular encefálico Popularmente conhecido como derrame, o acidente vascular encefálico (AVE) designa um dano causado ao tecido cerebral por transtornos circulatórios. Dentre os fatores de risco que predispõe o indivíduo ao AVE, podemos citar: componentes hereditários, hipertensão arterial descontrolada, tabagismo, abuso de drogas e álcool, entre outras disfunções, como o diabetes mellitus , a obesidade etc. Embora a incidência do AVE seja maior em pessoas idosas, as mudanças relacionadas ao estilo de vida na contemporaneidade (má qualidade da alimentação, sedentarismo, estresse emocional) fazem que sua ocorrência aumente, inclusive, entre os jovens Com relação às alterações funcionais, devemos lembrar que cada região do cérebro é responsável por uma determinada função (raciocínio, memória, fala, visão etc.) e que cada hemisfério cerebral é responsável pelos movimentos voluntários dos segmentos corporais contrários à sua localização: o hemisfério esquerdo do cérebro comanda o lado direito do corpo, e vice-versa. Diante de um aluno com AVE, o professor deverá verificar quais foram as funções (cognitivas, perceptivas ou motoras) que foram afetadas e, com base nas capacidades remanescentes, traçar um plano de intervenção que considere as expectativas e interesses do indivíduo relacionados à prática de exercícios e atividades físico-esportivas. Traumatismo crânio encefálico O traumatismo crânio encefálico (TCE) é uma agressão ao cérebro, não de natureza degenerativa ou congênita, mas causada por uma força física externa que pode produzir um estado diminuído ou alterado de consciência que resulta no comprometimento das habilidades cognitivas ou do funcionamento físico e, também, no distúrbio do funcionamento comportamental ou emocional (temporário ou permanente), provocando comprometimento funcional parcial ou total, bem como mau ajustamento psicológico Paralisia cerebral A paralisia cerebral (PC) é definida como uma desordem neuromotora que acarreta distúrbios no tônus muscular e nas funções motoras, podendo vir acompanhada de lesões em outras áreas corticais que surgem na infância. Distrofia muscular A distrofia muscular engloba um grupo de doenças hereditárias que se caracterizam por uma fraqueza progressiva e difusa de vários grupos musculares; as células do ventre dos músculos se degeneram e são substituídas por tecido adiposo e conjuntivo