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Gestão Estratégica da Qualidade Fabrício Palermo Pupo Fabrício Palerm o Pupo G estão Estratégica da Q ualidade ISBN 978-65-5821-054-2 9 786558 211105 Código Logístico I000352 Gestão estratégica da qualidade Fabrício Palermo Pupo IESDE BRASIL 2022 Todos os direitos reservados. IESDE BRASIL S/A. Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 Batel – Curitiba – PR 0800 708 88 88 – www.iesde.com.br © 2022 – IESDE BRASIL S/A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito do autor e do detentor dos direitos autorais. Projeto de capa: IESDE BRASIL S/A. Imagem da capa: Dilok Klaisataporn/Shutterstock, Undrey/Shutterstock CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ P987g Pupo, Fabrício Palermo Gestão estratégica da qualidade / Fabrício Palermo Pupo. - 1. ed. - Curitiba [PR] : IESDE, 2022. 86 p. : il. Inclui bibliografia ISBN 978-65-5821-110-5 1. Administração. 2. Controle de qualidade. 3. Planejamento estratégi- co. 4. Gestão da qualidade total. I. Título. 22-75592 CDD: 658.4013 CDU: 005.6 Fabrício Palermo Pupo Mestre em Administração e especialista em Gestão Comercial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Especialista em Marketing pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e em Mídias Digitais pela Universidade Positivo (UP). Bacharel em Administração, com habilitação em Comércio Exterior, pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Além de professor universitário, é autor de livros nas áreas de administração, marketing, estratégia e gestão de projetos, bem como de artigos científicos nas áreas de marketing, inovação, desenvolvimento gerencial e gestão de pessoas. Atuou como coordenador de cursos de pós-graduação e como executivo de marketing. No campo da administração pública, exerceu o cargo de Secretário Municipal de Turismo do Município de Arapoti, no Paraná. Agora é possível acessar os vídeos do livro por meio de QR codes (códigos de barras) presentes no início de cada seção de capítulo. Acesse os vídeos automaticamente, direcionando a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet para o QR code. Em alguns dispositivos é necessário ter instalado um leitor de QR code, que pode ser adquirido gratuitamente em lojas de aplicativos. Vídeos em QR code! SUMÁRIO Agora é possível acessar os vídeos do livro por meio de QR codes (códigos de barras) presentes no início de cada seção de capítulo. Acesse os vídeos automaticamente, direcionando a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet para o QR code. Em alguns dispositivos é necessário ter instalado um leitor de QR code, que pode ser adquirido gratuitamente em lojas de aplicativos. Vídeos em QR code! 1 Planejamento estratégico e qualidade 9 1.1 Fundamentos de estratégia e qualidade 9 1.2 Contexto das organizações estratégicas 12 1.3 Posicionamento e táticas de estratégia 15 1.4 Elementos da qualidade com foco na estratégia 19 2 Elementos de gestão estratégica da qualidade 25 2.1 Modelos de gestão da qualidade 25 2.2 Padrões para a qualidade total 27 2.3 Variáveis de controle da qualidade 30 2.4 A qualidade para o século XXI 32 3 Gestão estratégica com foco em excelência 38 3.1 Fundamentos da excelência 39 3.2 Critérios globais de excelência 41 3.3 Normas e certificações da qualidade 45 3.4 Modelos de referência em excelência 48 4 Dinâmica estratégica da qualidade 54 4.1 Planejamento e implementação da qualidade 55 4.2 Melhoria contínua e controles organizacionais 57 4.3 Visão sistêmica e sistemática da qualidade 59 4.4 Vantagem competitiva com base na qualidade 61 5 Sistemas de medição de desempenho 66 5.1 Fundamentos de desempenho organizacional 67 5.2 Técnicas de avaliação de desempenho 69 5.3 Métricas de gestão estratégica da qualidade 72 5.4 Perspectivas da gestão da qualidade 75 Resolução das atividades 81 O acúmulo do conhecimento na área da administração empresarial tem promovido discussões que levam ao aprimoramento de novas práticas e ao desenvolvimento de temas compartilhados. O objetivo desta obra é a apresentação de dois grandes conceitos da gestão organizacional: a estratégia e a qualidade. O uso combinado dessas duas perspectivas, isto é, da gestão estratégica e da qualidade, tem o propósito de implementar métodos e técnicas que promovam a eficiência operacional e contribuam para a disseminação de uma cultura organizacional focada no desenvolvimento sustentável de uma empresa. Esta obra foi elaborada para que você tenha uma visão abrangente da gestão de uma empresa, por meio de conceitos e exemplos práticos na gestão empresarial, apontando para benefícios em relação ao uso adequado da teoria ou para reveses que podem surgir quando se negligenciam seus princípios. Nos dois primeiros capítulos são estudadas as bases fundamentais para o planejamento estratégico e os elementos que servem de suporte para um modelo organizacional amparado nos conceitos da qualidade, diante de um mercado dinâmico e em constante evolução. Isso traz à tona a necessidade de uma cultura distinta, formada por pessoas engajadas em um propósito estratégico. No terceiro capítulo há uma introdução quanto à concepção de excelência no meio organizacional, seja aplicada em uma indústria ou em uma empresa de serviços. Trata-se de um conceito abrangente, amplamente disseminado nas organizações, que serve de parâmetro para desenvolver uma gestão competitiva e visionária com relação às necessidades de inovação em produtos e serviços. No quarto capítulo são abordados os princípios do posicionamento estratégico, que servem para direcionar as metas e os recursos de uma organização. O objetivo é fazer com que a empresa atinja um objetivo estratégico e se mantenha em APRESENTAÇÃOVídeo 8 Gestão estratégica da qualidade aprimoramento contínuo, focada em um ciclo de melhorias que a faça se manter relevante e competitiva no mercado em que atua. O último capítulo busca apresentar uma visão sistêmica da gestão de uma organização, por meio da definição e aplicação de formas de mensuração das atividades estratégicas de uma empresa, desde os aspectos técnicos e quantificáveis até aqueles de caráter subjetivo, referentes ao comportamento e às atitudes dos funcionários. Por fim, estudar dois temas que atuam em sincronia requer, por parte do leitor, a percepção de que uma organização possui interconexões entre as suas áreas, bem como entre os departamentos e as funções que cada um executa, e de que o resultado organizacional surge por meio do esforço sistemático e do comprometimento com os propósitos estratégicos. Bons estudos! Planejamento estratégico e qualidade 9 1 Planejamento estratégico e qualidade O ambiente empresarial é um terreno de modificações constantes e deve-se considerar alguns momentos específicos que fizeram surgir em- presas nos modelos conhecidos, por exemplo, empresas com linha de montagem industrial. Esse fato remete a uma época em que as fábricas já tinham surgido, ou seja, foi uma iniciativa de aperfeiçoamento do processo de transforma- ção, o qual apresentou como melhoria as formas de produção em massa. Antes da industrialização, o domínio fabril estava nas mãos dos arte- sãos e dos inventores, que, com habilidades de produzir algo, eram capa- zes de entregar um produto ou mesmo um serviço à sociedade, segundo as necessidades de cada época da história. No decorrer do surgimento e do desenvolvimento das organizações in- dustriais, entre os anos 1850 e 1950, houve um acúmulo de aprendizados que puderam ser aperfeiçoados e usados posteriormente, até que surgiu um ambiente empresarial formalmente constituído e com finalidades específicas. Dos aprendizados gerados pelo acúmulo de experiências, dois assun- tos tornaram-se essenciais para o progresso das empresas: estratégia e qualidade. Os temassão amplamente estudados e aplicados nas organi- zações industriais e têm por objetivo a criação de táticas competitivas e a promoção de melhorias na linha de produção das indústrias. 1.1 Fundamentos de estratégia e qualidade Vídeo Os conceitos de estratégia e qualidade aplicados ao meio indus- trial e de serviços foram desenvolvidos e fundamentados sob uma base empírica e teórica, impulsionados por necessidades diversas. Por exemplo, na década de 1950, após a Segunda Guerra Mundial, houve o crescimento da indústria norte-americana, bem como do número de indústrias concorrentes (AGUIAR, 2019). 10 Gestão estratégica da qualidade Dentro desse contexto, nas décadas subsequentes, a indústria japonesa passou por um estímulo desenvolvimentista e caractriza- do por uma alta eficiência operacional nos processos de transfor- mação fabris, o que resultou em conceitos de melhoria contínua, amplamente estudados e aplicados no mundo empresarial. Um desses conceitos foi o Sistema Toyota de Produção (STP), que, se- gundo Ohno (1997), surgiu como referência de qualidade global, o qual seguia as exigências de qualidade dos maiores mercados consumidores da época. O STP é fundamentado na minimização de estoques (just in time), no aperfeiçoamento da fluência dos processos industriais, que devem ser simples e diretos, e na eliminação de desperdícios, a fim de diminuir o tempo entre a solicitação de um pedido e seu pagamento, conforme ilustrado a seguir. Figura 1 Linha do tempo entre o pedido e o pagamento (reduzir pela remoção dos desperdícios sem valor agregado) Pedido Pagamento Linha do tempo Fonte: Ohno, 1997, p. 5. Esses indícios representaram um período de aperfeiçoamento dos conceitos de estratégia e qualidade, aquela é descrita por Hitt, Ireland e Hoskisson (2011, p. 4) da seguinte forma: estratégia é um conjunto integrado e coordenado de compro- missos e ações definido para explorar competências essen- ciais e obter vantagem competitiva. Quando definem uma estratégia, as empresas escolhem alternativas para competir. Nesse sentido, a estratégia definida indica o que a empresa pretende e o que não pretende fazer. Enquanto Campos (2004, p. 14) descreve a qualidade como: qualidade é medida por meio das características dos produtos ou serviços finais ou intermediários da empresa. Ela inclui a qualidade do produto ou serviço (ausência de defeitos e pre- sença de características que irão agradar o consumidor), a qua- lidade da rotina na empresa (previsibilidade e confiabilidade em todas as operações), a qualidade do treinamento, a qualidade Estudar os fundamentos aplicados à estratégia e à qualidade. Objetivo de aprendizagem Planejamento estratégico e qualidade 11 da informação, a qualidade das pessoas, a qualidade da empre- sa, a qualidade da administração, a qualidade dos objetivos, a qualidade do sistema, a qualidade dos engenheiros etc. Dessas definições, entende-se que há um conjunto de elemen- tos de gestão que norteiam as atividades relacionadas ao alcance dos objetivos de ambos, ou seja, tanto para um posicionamento estratégico quanto para as diretrizes de uma gestão com base em qualidade haverá a distinção de métodos e técnicas que proporcio- narão o atingimento dos resultados esperados. Conforme a Figura 2, haverá um ponto de intersecção em que serão elencadas características em comum para a formação de um modelo de gestão estratégica da qualidade (GEQ), o qual terá atri- buições correlatas às duas áreas, e, como resultante, a entrega de um objetivo organizacional em comum. Estratégia GEQ Qualidade Figura 2 Configuração do modelo de GEQ Fonte: Elaborada pelo autor. Esse modelo de gestão refere-se à união de esforços das áreas de estratégia combinados com os padrões de qualidade a serem determinados pela organização, os quais poderão seguir critérios próprios ou usar como referência padrões internacionais de quali- dade, por exemplo, a Organização Internacional de Normalização (ISO), uma instituição independente, fundada em 1946, com sede na Suíça. Ela possui 165 países-membros e tem como propósito promover a unificação de padrões industriais e de serviços por meio de normas reconhecidas mundialmente, como é o caso da ISO 9000, voltada para a implementação de sistemas de gestão da qualidade para empresas (ISO, 2021). O livro Administração estratégica: competitividade e globalização trata da his- tória do desenvolvimento do conceito de estratégia empresarial. Por meio das “escolas da estratégia”, os autores retratam as contribuições de cada período da evolução de seus fundamentos. Há exemplos de casos reais de empresas que criaram táticas de estratégia para concorrerem no mercado e conquistarem suas fatias de mercado. É um conjunto de teorias e práticas que facilitam ao estudante compreender a base da estratégia empresarial. HITT, M. A.; IRELAND, D.; HOSKISSON, R. E. 2. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2011. Livro 12 Gestão estratégica da qualidade 1.2 Contexto das organizações estratégicas Vídeo Dentro do contexto geral da avaliação de empresas, pode-se levar em consideração como referencial de desempenho de empresas dos mais diversos setores a publicação de rankings. Estes são elaborados por empresas ou consultorias independentes que apontam a cada ano as maiores organizações, as mais lucrativas, as que mais cresce- ram no período, as marcas mais lembradas ou, ainda, as de maior valor de mercado. Um desses rankings é o Ranking Fortune 500, pioneiro na divulga- ção desse tipo de informação. Criado em 1955 nos Estados Unidos, apresenta dados das maiores empresas norte-americanas e realiza uma análise do contexto das organizações e do ambiente de mercado no qual estão inseridas (FORTUNE..., 2021). Dentre alguns insights que podem ser obtidos de publicações como essas, observam-se empresas inovadoras, que lançaram produtos que romperam padrões vigentes no mercado, como no ano de 2007, em que a Apple®, já conhecida por inovações tecnológicas, lançou o primeiro smartphone, que agregava em um mesmo aparelho telefônico um sistema de câmera de foto e vídeo, acesso à internet, tela sensível ao toque, tocador de músicas e uma loja on-line com milhares de aplicativos de várias categorias. Sua estratégia de inovação e qualidade tornou a marca uma refe- rência em tecnologia, e de 2012 a 2020 é a marca mais valiosa do mun- do, o que reforça seu posicionamento em oferecer produtos de alta qualidade e sofisticação (SENA, 2020). Além dos smartphones, a Apple® possui uma variedade de produtos de tecnologia da informação, como computadores, tablets, relógios inteligentes, headphones etc. Outra observação que pode ser vista e interpretada dentro de uma publicação de rankings, em geral, é a revelação de marcas que surgem e que desaparecem, ou seja, em um dos anos uma empresa poderá constar como uma das maiores organizações, e em outro ano não ser mais listada. Isso ocorre devido a algumas razões, por exemplo, uma fusão ou aquisição da marca ou desativação de suas operações, que pode ser impulsionada por uma falência ou pela obsolescência dos produtos e serviços. Como exemplo de empresas que foram destaques globais por seus produtos, pode-se citar: Analisar o cenário com- petitivo das organizações contemporâneas. Objetivo de aprendizagem insight: trata-se de um “entendimento súbito e claro de alguma coisa” ou do “conhecimento intuitivo e repentino dos elementos necessários para a compreensão e solução de um problema ou situação” (MICHAELIS, 2021). Glossário Mesmo com toda a concorrência de mer- cado, a Apple® ainda é a marca mais valiosa do mundo. Para saber como isso ocorre, leia o texto disponível no link a seguir. Disponível em: https:// exame.com/tecnologia/ apple-se-mantem-como- marca-mais-valiosa-do-mundo- veja-ranking/. Acesso em: 14 out. 2021. Saiba mais https://exame.com/tecnologia/apple-se-mantem-como-marca-mais-valiosa-do-mundo-veja-ranking/ https://exame.com/tecnologia/apple-se-mantem-como-marca-mais-valiosa-do-mundo-veja-ranking/https://exame.com/tecnologia/apple-se-mantem-como-marca-mais-valiosa-do-mundo-veja-ranking/ https://exame.com/tecnologia/apple-se-mantem-como-marca-mais-valiosa-do-mundo-veja-ranking/ https://exame.com/tecnologia/apple-se-mantem-como-marca-mais-valiosa-do-mundo-veja-ranking/ Planejamento estratégico e qualidade 13 • Kodak: empresa do setor de fotografias, era a marca de maior participação de mercado nos anos 1990 (KODAK, 2021). • Atari: pioneira no setor de videogames nos anos 1980. Nos anos seguintes novas marcas concorrentes surgiram, como Nintendo e PlayStation (ATARI, 2021). • Blockbuster: maior rede de videolocadoras norte-americana, domi- nou o mercado até o início dos anos 2000 (BLOCKBUSTER, 2021). Essas marcas tiveram uma reputação global e seus produtos se torna- ram sinônimos de determinadas épocas por serem pioneiros na inovação de produtos e serviços e conquistarem uma visibilidade ampla. Dessa forma, deve-se considerar um contexto externo à organiza- ção, a fim de entender as variáveis que podem influenciar o desem- penho de uma marca, por exemplo, a figura a seguir aponta alguns aspectos do mercado passíveis de alteração, o que reflete em modi- ficações empresariais que repercutem nas estratégias comerciais de produção ou desenvolvimento de produtos e serviços. Figura 3 Variáveis do ambiente externo Político-legal Social TecnológicoEconômico Meio ambiente Fonte: Elaborada pelo autor com base em Kotler; Keller, 2012. Os elementos variáveis, apresentados na Figura 3, podem ser consi- derados influenciadores de decisões empresariais, por exemplo, quan- do se altera uma legislação a respeito do uso de algum produto ou matéria-prima, as empresas que tenham relação com isso deverão se adequar às modificações. Ainda a respeito dessas variáveis, pode-se considerar as modificações dentro do ambiente tecnológico, elas são provenientes de inovações, 14 Gestão estratégica da qualidade como um aperfeiçoamento das comunicações em rede ou do surgimen- to de um novo processador. Mudando um pouco e indo para o ambiente econômico e social, as variações de rendas, de configurações familiares, de hábitos de compras, entre outras, poderão influenciar os modelos de negócios vigentes. Um ponto importante e ainda associado às variáveis é a relação do meio ambiente com o contexto das organizações, refere-se à sustentabilidade, ao uso de materiais recicláveis e a formatos empre- sariais que não afetam o equilíbrio da natureza. Duas dessas variáveis, a do meio ambiente e a social, passaram a ser consideradas elementos essenciais dentro de um posicionamento estratégico, pois, de acordo com Kotler, Kartajaya e Setiawan (2021), por parte dos consumidores, há uma sensibilização positiva por marcas que apoiam a sustentabilidade e as causas sociais, o que as incentiva a investirem em projetos abrangentes em setores que não necessaria- mente fazem parte do escopo da empresa, mas estão ligados indireta- mente por meio de fornecedores, matéria-prima e mão de obra. O monitoramento do ambiente externo a uma organização passa a fazer parte de empresas que buscam uma gestão estratégica de longo prazo, pois, para cada mudança que ocorrer em uma das variáveis que o compõem, haverá um impacto específico em cada setor da econo- mia, o que resumidamente pode ser exemplificado da seguinte forma: • Fatores político-legais: há setores altamente regulados por normas e controles que podem sofrer mudanças drásticas diante de uma nova lei. Por exemplo, a proibição do uso de amianto na fabricação de telhas (SUPREMO..., 2017) fez com que algumas empresas desaparecessem e outras se adaptassem a uma nova matéria-prima. • Fatores sociais: dados demográficos poderão influenciar a de- cisão de produtos a serem ofertados pelas empresas, como o envelhecimento da população, que pode demandar mais produ- tos geriátricos, ou ainda um aumento na qualidade de vida das pessoas pode abrir espaço para mais espaços de lazer e cultura em uma cidade. • Fatores tecnológicos: algumas empresas de tecnologia lançaram serviços que romperam os hábitos de consumo, por exemplo, o aplicativo de transporte compartilhado Uber®, que provocou mu- danças em toda a categoria de transporte. O filme Fome de poder trata da história que originou a maior rede de fast-food do mundo, o McDonald’s. Pioneiro na criação de uma linha de produção para preparar hambúrgueres e batatas fritas, conquistou os con- sumidores logo que foi criado. Para sua expansão foi preciso ter criatividade, e foi indispensável se tornar uma organização estratégica, obtendo ga- nhos por meio do modelo de franquias, e, como re- sultado, a necessidade de administrar toda a cadeia de fornecedores. Direção: John Lee Hancock. EUA: FilmNation; Entertainment; The Combine; Faliro House; Productions S.A., 2016. Filme Planejamento estratégico e qualidade 15 • Fatores econômicos: a riqueza de um país está diretamente re- lacionada ao consumo de bens e serviços, por isso, diante de um aumento da renda por habitante, as empresas deverão analisar as possibilidades de incremento em suas vendas. • Fatores do meio ambiente: as fontes energéticas não renováveis, como o diesel e a gasolina, tornam-se um assunto essencial para as empresas que dependem exclusivamente desses recursos, por isso, a discussão sobre a mudança de matrizes energéticas aumenta a importância da variável meio ambiente. Além disso, há outros tópicos relacionados, como o uso de matéria-prima re- ciclada e a logística reversa, que responsabiliza a indústria por criar programas que facilitem o retorno das embalagens de seus produtos após o consumo. De acordo com Robinson e Schroeder (2015), monitorar o ambiente externo e conduzir os recursos internos (finanças, recursos humanos e infraestrutura) de maneira eficiente configura a representação de uma organização estratégica. Somando-se a isso, uma empresa passa a adquirir uma visão ampla sobre circunstâncias que possam afetar seu mercado de atuação e direciona os formatos de produção adota- dos, bem como os dos padrões de qualidade pelos quais a sociedade demanda naturalmente, a fim de contar com produtos seguros e de- sempenho esperado. 1.3 Posicionamento e táticas de estratégia Vídeo Uma empresa, por definição, é uma “sociedade organizada para a ex- ploração de indústria ou comércio; com a finalidade de obter um rendi- mento monetário através da produção de bens ou de serviços” (MICHAELIS, 2021). No entanto, para se atingir esse objetivo, diversas articulações são necessárias para que a marca de uma organização seja reconhecida e al- cance um público disposto a pagar por seus produtos, como exemplos de iniciativas: o posicionamento e as táticas de estratégia. Esses elementos são partes da gestão e servirão, respectivamente, para indicar em qual segmento a empresa deseja se enquadrar e quais ações deverá articular, a fim de atingir objetivos de um planejamento estratégico. Como forma de exemplificar uma posição de mercado, será utilizado o setor de vinhos, regulamentado pelo Ministério da Agricultu- ra, Pecuária e Abastecimento (MAPA) (BRASIL, 2018). Conhecer formas de posicionamento e táticas de negócios. Objetivo de aprendizagem 16 Gestão estratégica da qualidade De acordo com a Instrução Normativa n. 14 (BRASIL, 2018), que regula- menta a qualidade do vinho, há três configurações: o vinho de mesa, o no- bre e o fino, os quais são caracterizados pela qualidade das uvas usadas em seus processos de fermentação. Além disso, entre os vinhos nobres e finos, há mais três distinções, conforme o artigo 29, incisos I, II e III (BRASIL, 2018): Reservado: com graduação alcoólica mínima de 10% vol., sem passar por algum processo de envelhecimento. Reserva: com graduação alcoólica mínima de 11% vol., passar por um período mínimo de envelhecimento de doze meses (vinho tinto) ou seis meses (vinho branco), sendo facultada a utilização de recipientes de madeira apropriada. Gran Reserva:com graduação alcoólica mínima de 11% vol., passar por um período mínimo de envelhecimento de dezoito meses (vinho tinto) ou doze meses (vinho branco), sendo obrigatória a utilização de recipientes de madeira apropriada de no máximo seiscentos litros de capacidade por no mínimo seis meses. Rauf Al iye v/ Sh utt erstock Rauf Al iye v/ Sh utt erstock Rauf Al iye v/ Sh utt erstock III er lo k_ xo lm s / S hu tte rs to ck Dentro dessas variações de qualidade dos vinhos, uma garrafa pode custar 70 vezes ou mais, conforme as Figuras 4 e 5, respectivamente, um da categoria Reservado e outro Gran Reserva, os quais remetem a um posicionamento de marca bem definido e possibilitam uma estra- tégia de preço diferenciada. Figura 4 Exemplo de vinho tinto da categoria Reservado Fonte: Shoptime, 2021a. Planejamento estratégico e qualidade 17 Figura 5 Exemplo de vinho tinto da categoria Gran Reserva Fonte: Shoptime, 2021b. A categorização de uma marca em determinada posição de merca- do pode ser distinta por suas características, seus diferenciais e as táti- cas aplicadas para competir no mercado empresarial, ou seja, trata-se de um alinhamento de princípios estratégicos que representam os atri- butos de uma marca (RIES; TROUT, 2002). Ao identificar uma empresa com determinado posicionamento, será criada uma expectativa em relação ao desempenho de seus produtos ou serviços, ou seja, de acordo com a forma que a marca se apresen- ta, os consumidores criam uma ideia daquilo que esperam receber, e isso deverá ser comprovado com a experiência de uso do produto. Por exemplo, uma marca que repetidamente se autointitula como a me- lhor do mercado, independentemente do ramo de atuação, elevará as expectativas dos clientes, bem como o grau de exigência pelo qual irão avaliar a marca (AAKER, 2012). Algumas ideias estratégicas podem ser adotadas seguindo os bene- fícios característicos dos produtos da empresa, como exemplo, Kotler (2009, p. 81), sugere: 18 Gestão estratégica da qualidade A melhor qualidade O melhor desempenho O mais confiável O mais durável O mais seguro O mais rápido O de melhor relação custo-benefício O menos caro O de maior prestígio O de melhor projeto ou estilo O mais fácil de usar O mais conveniente Essas expressões de benefícios dos produtos se fundem com táticas de estratégia a serem planejadas e adotadas, pois deverão refletir o po- sicionamento adotado em sua comunicação de marketing. Além desse direcionamento, há propostas de estratégia que representam todo o potencial de uma empresa, ressaltando sua atuação e sendo reconhe- cida pelo que faz de melhor (RIES; TROUT, 2002). De acordo com Porter (1991), além das propostas generalizadas de posicionamento, comuns de serem encontradas no mercado, há um conceito que considera que uma marca pode assumir alguns posicio- namentos específicos, estes são: Ha se Ho ch 2/ Sh ut te rs to ck Planejamento estratégico e qualidade 19 • ser reconhecida por liderar a categoria de custos, com a opção mais barata do mercado; • ser uma marca que apresenta diferenciais exclusivos, raramente encontrados em concorrentes do mesmo setor; • atuar em determinado nicho de mercado muito específico e es- casso quando comparado a produtos vendidos em massa. Essas tipologias de posicionamento também são articuladas com determinadas iniciativas empresariais que sustentam as estratégias adotadas, como as técnicas desenvolvidas para o aumento da eficiên- cia operacional nas indústrias, por exemplo, a Gestão da Qualidade Total (do inglês Total Quality Management – TQM), que, de acordo com Kotler e Keller (2012, p. 146), “é uma abordagem que busca a melhoria contínua de todos os processos, produtos e serviços da organização”. A visão estratégica de aplicar princípios de qualidade em todo um sistema fabril foi originalmente desenvolvida por Armand Feigenbaum, em 1956, que, após análises de processos de produção industrial, ela- borou e aplicou métodos para o aperfeiçoamento de processos de fabricação, com foco na disseminação de uma cultura de controle da qualidade perante todos os funcionários de uma organização (CARVALHO; PALADINI, 2012; FARIA, 2021). O posicionamento de uma marca sempre estará ligado aos seus atributos de referência, como a excelência na produção, no atendimen- to ao cliente ou uma garantia de qualidade dos produtos e serviços de uma marca. Assim, entende-se que uma empresa que busca por uma estratégia de qualidade deverá considerar o engajamento sistêmico da organização, com todos os funcionários e as equipes de trabalho volta- dos a um objetivo organizacional coletivo, o que vem a reforçar a visão de uma gestão estratégica. O livro O fim da vantagem competitiva: um novo modelo de competição para mercados emer- gentes trata da ideia de reconfiguração contínua das organizações, pre- zando por uma mudança saudável em que se deixa de operar em mercados estagnados e busca por uma vantagem temporá- ria, lucrando com aquilo que for mais interessante para os mercados em determinado período. A autora preza pela maleabilidade da gestão como forma de ser uma característica de um po- sicionamento estratégico em constante mudança. MCGRATH, R. G. 1. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. Livro 1.4 Elementos da qualidade com foco na estratégia Vídeo Uma organização empresarial que usa de base uma estratégia fun- damentada em princípios de qualidade consegue obter um reconhe- cimento positivo do mercado por sua atuação de excelência, que, de acordo com Aaker (2012, p. 3), “qualquer estratégia precisa ter uma 20 Gestão estratégica da qualidade proposição de valor que seja significativa e relevante para os clientes”, o que faz da gestão da qualidade um elemento essencial, por estar presente em todos os concorrentes de mercado, nos mais diversos formatos e padrões. A busca por uma gestão que segue esses princípios da qualidade deverá ser guiada por elementos que conduzirão a metas de qua- lidade, oriundos de fundamentos que representarão a forma pela qual a empresa espera ser reconhecida. Como exemplo de elemen- tos que podem guiar uma gestão estratégica da qualidade, tem-se: a excelência dos produtos, serviços perante os concorrentes; as espe- cificações técnicas; a atuação em conformidade com os padrões es- tabelecidos ou exigidos pelo mercado; a regularidade dos produtos se apresentarem com o mesmo padrão de qualidade; e a ausência de defeitos (PALADINI, 2009). Figura 6 Elementos da qualidade Conformidade Excelência Especificações Regularidade Ausência de defeitos Fonte: Elaborada pelo autor com base em Paladini, 2009; Rodrigues, 2010. Dentre os elementos de qualidade apresentados e outros que possam vir a ser usados, há uma relação hierárquica com um pla- nejamento estratégico, o qual se apresentará distinto em três níveis de gestão, conforme representado na Figura 7. A alta gestão irá se ocupar de definir os princípios estratégicos amplos, que afetarão a empresa como um todo, os gerentes e supervisores irão controlar a execução da estratégia, bem como da garantia de controlar os pa- drões de qualidade, e o terceiro nível é o operacional, em que os funcionários atuam diretamente nas tarefas e funções determina- das para cada área e setor (ANTHONY, 1965). Identificar elementos estratégicos para a gestão da qualidade. Objetivo de aprendizagem Go ro be ts /S hu tte rs to ck Planejamento estratégico e qualidade 21 Figura 7 Triângulo dos níveis de estratégia Nível estratégico Nível tático Nível operacional Fonte: Elaborada pelo autor com base em Anthony, 1965. Dentro de cada nível de estratégia haverá responsabilidades quanto aos elementos da qualidade que refletirão no posicionamen- to de mercado adotado, ou seja, desde a concepção da ideia (no topo do triângulo) até a operacionalização (na base) haverá articu- lações específicas para que se atinja a eficiência e cumpra com os objetivos organizacionais. As articulaçõesem uma gestão se apresentam na forma de atitu- des, ordens ou comandos, que deverão transitar de maneira harmôni- ca entre cada nível hierárquico. Isso irá se configurar em iniciativas de liderança que fazem com que as pessoas, em uma organização, sigam caminhos planejados estrategicamente e possam cumprir seus papéis de acordo com cada função. Por exemplo, o nível operacional executa as atividades mais roti- neiras e operacionais, sem a necessidade de parar seus esforços para novos planejamentos e táticas, mas, no nível tático, os profissionais assumem a responsabilidade de observar o ambiente interno e exter- no à organização e fazer ajustes estratégicos quando necessário e, no nível estratégico (alta administração), deverá articular os grandes movi- mentos da organização, que podem se caracterizar por uma mudança de posicionamento, de inovação em produtos ou mesmo por fazer a empresa entrar em um novo setor da economia. No entanto, as decisões estratégicas não podem ser generalizadas, pois, para Slack, Brandon-Jones e Johnston (2018), em cada empresa ou setor os propósitos de gestão podem se alterar, e, com isso, os elemen- tos da qualidade podem se diferenciar, por exemplo, a durabilidade e Al ek sa nd r B ry lia ev /S hu tte rs to ck O livro Administração da produção aponta para conceitos abrangentes aplicados à indústria, os quais são regulamentados por padrões da qualidade, normalmente referen- ciados em âmbito global. Disso, pode-se compreen- der como a estratégia de uma organização será desenvolvida com base em padrões de qualidade que atendam ao mercado consumidor e, assim, desenvolver um posicio- namento que sinalize os atributos de uma marca. SLACK, N.; BRANDON-JONES, A.; JOHNSTON, R. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2018. Livro 22 Gestão estratégica da qualidade funcionalidade de um produto pode ser um atributo importante em determinadas indústrias e não ser em outras. Isso resulta em formas singulares de gestão que se apresentarão como diferenciais na forma de conduzir uma organização. CONSIDERAÇÕES FINAIS O relacionamento entre planejamento estratégico e qualidade reflete uma visão gerencial sistêmica, em que ambos compartilham princípios e objetivos a serem alcançados mutuamente, podendo impactar de maneira positiva uma organização empresarial e gerar um diferencial competitivo. Os fundamentos desses dois elementos de gestão são oriundos de uma necessidade natural de competição entre as indústrias, as quais precisam se destacar de modo eficiente e eficaz perante um mercado consumidor limitado geograficamente, ampliando, então, os esforços das empresas que se propõem a atuar globalmente. Esse contexto fez surgirem modelos de gestão com base em qualidade de excelência, que se tornaram referência no mercado, credenciados por normas e certificações que atendem às exigências dos mais diversificados mercados. Além disso, em cada região de atuação há características pe- culiares à cultura dos consumidores, estilos de vida e comportamentos, o que requer das empresas competidoras a escolha de um posicionamento estratégico que reflita seus atributos de excelência. Por fim, a articulação conjunta de áreas essenciais de uma organiza- ção, como é o caso do posicionamento estratégico com a qualidade, pro- jeta benefícios que podem ser representados em vantagens competitivas, sinônimas de marcas que sinalizam confiança e boa reputação, o que, dessa forma, norteia as ações e as iniciativas de uma organização. ATIVIDADES Atividade 1 Em relação aos fundamentos de estratégia e qualidade, pode-se afirmar que elas são elementos de gestão que sempre atuaram em conjunto? Explique. Atividade 2 De acordo com o contexto das organizações estratégicas, cite um elemento que representa um diferencial característico dessa denominação. Planejamento estratégico e qualidade 23 Atividade 3 Sobre a escolha de um posicionamento estratégico, qual é o mais adequado para empresas de tecnologia focadas no comér- cio eletrônico? Justifique. Atividade 4 Com relação aos elementos que compõem uma gestão da qualidade com foco na estratégia, há um número exato de elementos a serem aplicados de maneira genérica em todas as organizações? Explique. REFERÊNCIAS AAKER, D. A. Administração estratégica de mercado. 9. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012. AGUIAR, V. Os 90 anos da crise de 1929, parte III: a Grande Depressão e a retomada do crescimento. Seudinheiro, 25 out. 2019. Disponível em: https://www.seudinheiro. com/2019/crise-de-29/especial-crise-de-1929-parte-iii/. Acesso em: 14 out. 2021. ANTHONY, R. N. Planing and Control Systems: A Framework For Analysis. Cambridge: Harvard University Press, 1965 ATARI. Canaltech, 2021. Disponível em: https://canaltech.com.br/empresa/atari/. Acesso em: 14 out. 2021. BLOCKBUSTER. 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A distinção entre atuar em um ambiente ou outro refere-se a aspectos entre os quais alguns se apresentarão mais concretos e outros mais abs- tratos, por exemplo na indústria. Os padrões de qualidade são visíveis na produção e na conformidade com os quais um produto foi planejado. Já em serviços a qualidade se apresenta nas especificações de atendimento às metas estabelecidas dentro de um projeto. Dentro desse contexto, apresentam-se modelos de gestão da quali- dade, que servem para parametrizar análises mais subjetivas da gestão e norteiam um sistema de gestão da qualidade que se utiliza de estratégia como diretrizes organizacionais. Além disso, neste capítulo será analisado o conceito original da quali- dade total, que se trata de uma forma sistêmica de gestão, desenvolvida em um período em que algumas indústrias buscavam expandir suas atua- ções para um mercado global, o que fez surgir a necessidade dessa nova perspectiva de gestão empresarial. Desta forma, há também dentro dos aprendizados deste capítulo uma visão introdutória sobre variáveis de controle da qualidade, e, uma carac- terização do ambiente empresarial para o século XXI, o qual se apresenta com o uso intenso de tecnologias da informação e da comunicação. 2.1 Modelos de gestão da qualidade Vídeo Um termo presente no mercado corporativo é o de estratégia em- presarial, usado em negócios de pequeno, médio ou grande porte. Seu conceito remete ao planejamento e à execução de táticas que visam a atender a um objetivo central da empresa. O que, por sua vez, pode 26 Gestão estratégica da qualidade ser dividido em várias metas intermediárias que, em conjunto, servirão para o atingimento dos propósitos maiores de uma empresa. A construção de uma estratégia pode estar pautada em diversos elementos, por exemplo, uma oportunidade de inovação de produto ou a identificação de uma tendência de consumo diferenciada, o que irá refletir no desenvolvimento de uma ou várias ações específicas para atender às demandas emergentes. A análise dos concorrentes também pode gerar informações que influenciem uma empresa a definir um novo plano estratégico para poder se manter relevante no mercado. Nos anos 1950, indústrias ja- ponesas desenvolveram programas de qualidade como uma forma de competir num mercado de âmbito global (DEMING, 1990). Dessa for- ma, os termos estratégia e qualidade passaram a fazer parte da ges- tão de várias organizações globais. De acordo com Lobo (2010, p. 17), pode-se observar que: “A qualidade é um fator de mercado. Cada vez mais os clientes querem uma certa segurança e procuram produtos de elevada qualidade técnica a preços competitivos, exigindo excelência nos serviços”. Com essa perspectiva de popularização e de disseminação do uso de estratégia e qualidade, as empresas passaram a se assemelhar com relação ao desempenho de seus produtos e serviços. Houve uma me- lhoria generalizada nos padrões industriais, o que elevou o nível de produtividade e minimização de defeitos (JURAN, 1992). A escolha de uma estratégia, fundamentada em princípios que sus- tentem as decisões dos gestores, distinguirá, dentro de um mesmo se- tor da economia, uma empresa de outra. Pois, de acordo com Porter (2005), com a consolidação de uma estratégia e o reconhecimento da qualida- de pelo mercado, as iniciativas de estratégia se apresentarão como um diferencial competitivo. Dentro dos fundamentos de gestão da estratégia, Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2010) apontam para uma variedade de maneiras que uma em- presa pode conduzir suas decisões. A concepção de uma estratégia não é algo vedado. As ideias, o plano e as ações estratégicas dependerão do perfil de cada gestão, o que pode variar de empresa para empresa. Essa diversidade pode ser enquadrada em duas grandes linhas de pensamento que concentram os conceitos da gestão estratégica: a visão descritiva da estratégia e a visão prescritiva da estratégia (Figura 1). Há como direcionar um modelo de gestão de uma ou outra forma. Conhecer os modelos de gestão baseados na qualidade. Objetivo de aprendizagem Elementos de gestão estratégica da qualidade 27 Figura 1 Linhas de pensamento da gestão estratégica Visão descritiva da estratégia Considera ideias, métodos e modelos de estratégia prontos para serem replicados em qualquer situação e mercado. Visão prescritiva da estratégia Considera o aprendizado contínuo, a possibilidade de se ajustar ao mercado sempre que houver necessidade. Fonte: Elaborada pelo autor com base em Mintzberg; Ahlstrand; Lampel, 2010. Essas duas linhas do pensamento estratégico poderão se enqua- drar em uma visão sistêmica, com um viés de integração entre elas. Considera-se que uma gestão empresarial não pode acatar apenas uma opção, ela deve confiar seus esforços de maneira conjunta, com planejamento e táticas que atendam aos mais diversos desafios que uma organização possa enfrentar no mercado. Foi o caso da inserção da variável qualidade como um elemento essencial para que as empre- sas se mantenham competitivas e relevantes (MINTZBERG; AHLSTRAND; LAMPEL, 2010). Diante dessas perspectivas, é possível visualizar a abrangência dos conceitos de estratégia empresarial, bem como entender que a quali- dade passou a fazer parte das ações de estratégia como uma forma de organizar padrões de produtividade e gestão das empresas, por meio de políticas, normas e regulamentação de padrões da qualidade que uma empresa necessitar aplicar. W on g Ne rim o/ Sh ut te rs to ck A Meta é um livro clássico no mundo dos negócios, trata de apresentar um caso de uma indústria, que, mesmo lucrativa,não estava atendendo às ex- pectativas de crescimento dos acionistas. Com isso, uma equipe de profissio- nais, liderada pelo gerente geral da unidade, passa a implantar uma estraté- gia da qualidade com o propósito de aumentar a eficiência e eficácia. Por meio da análise de res- trições do desempenho da fábrica e da busca por “gargalos” de ineficiência, a equipe formada coloca todas as suas forças para atingir os resultados esperados. GOLDRATT, E. M.; COX. J. São Paulo: Nobel, 2015. Livro 2.2 Padrões para a qualidade total Vídeo Toffler (1987) mostra que o desenvolvimento das organizações industriais, no final do século XIX, promoveu mudanças em diver- sas áreas da sociedade. Por exemplo, o suprimento de alimentos processados passou a ser produzido em escala para poder atender a um número maior de pessoas, ou ainda, com o crescimento in- dustrial, houve necessidade do aperfeiçoamento da logística a fim de ampliar, em distância e qualidade, as rotas para a circulação de bens e serviços. Identificar padrões que configuram a qualidade total. Objetivo de aprendizagem 28 Gestão estratégica da qualidade O cenário com que as organizações do século XXI se apresentam – com oportunidades globais, devido à expansão do comércio eletrô- nico e da infraestrutura para uma distribuição global – tornou mais fácil as vendas de produtos entre diversos países, o que promove uma maior fluidez do comércio internacional. Alguns varejistas reco- nhecem essas oportunidades e usam de estratégias para competir no mercado como a empresa chinesa AliExpress, que aplica promo- ções frequentes, o que resulta em preços abaixo da média de mer- cado e promete entregas cada vez mais rápidas. Dentro das organizações, sob um enfoque dos conceitos e das práticas de gestão contemporâneos, pode-se observar uma trans- formação nas formas e nos modelos, pela qual as empresas estão passando e como as pessoas de dentro das empresas seguem os mo- vimentos do mercado e passam por reformas estratégicas. Griffin e Moorhead (2015, p. 34) exemplificam da seguinte forma: “Muitas organizações tornaram-se internacionais em resposta à concorrência. Se uma organização começa a ganhar força no mercado internacional, seus concorrentes, muitas vezes, têm que seguir pelo mesmo cami- nho para evitar ficar para trás em relação às vendas e à rentabilidade”. De acordo com Friedman (2018), as estratégias de internacionali- zação tornaram-se comuns desde a origem das grandes corporações industriais no início do século XX. Muitas empresas se espalharam pelo mundo com o objetivo de construir uma vantagem competi- tiva. Ou seja, eles produzem em países pobres, com um valor de mão de obra abaixo do que se paga em países desenvolvidos e, por fim, mantêm as vendas de seus produtos para os grandes centros consumidores. Dentro das mudanças radicais que as empresas passam a en- frentar, observa-se que, internamente, considerando os recursos humanos que dirigem e atuam nas organizações, há uma coerência entre elementos que permanecem intactos diante de uma grande mudança, conforme Figura 2. Para Schein (2009) uma cultura orga- nizacional é a base para o desenvolvimento de uma empresa, inde- pendentemente da reestruturação que enfrenta, e é formada por elementos distintos que compõem um jeito com o qual as pessoas trabalham, decidem, articulam suas ideias e se esforçam para aten- der a metas organizacionais. Elementos de gestão estratégica da qualidade 29 Figura 2 Aspectos de uma cultura organizacional Cult ura Cult ura orga niza cion al orga niza cion al Valores Valores Linguagem Linguagem Crenças Crenças Prioridades Prioridades Fonte: Elaborada pelo autor com base em Schein, 2009; Pettigrew; Fleury; Fischer, 1996. Essa questão da cultura organizacional perene, que mantêm os as- pectos positivos e motivadores, mesmo diante de mudanças, é composta por quatro elementos: [i] os valores; [ii] as prioridades; [iii] a linguagem; e [iv] as crenças. Tais variáveis são descritas da seguinte maneira: Valores: são princípios compartilhados, relacionados a atitudes das pessoas ligadas à empresa, sejam funcionários internos ou terceirizados. Há uma cumplicidade com o comportamento das pessoas. São exemplos de va- lores: transparência, coletividade, criatividade, responsabilidade socioam- biental, integridade, entre outros. Prioridades: trata-se da atitude das pessoas da empresa em desenvolverem um senso de prioridade. Por exemplo, em uma empresa que preza pela ex- celência no atendimento ao cliente, seus funcionários deverão agir sob essa perspectiva, mesmo que diante de um problema interno, pontual, dentro de um departamento, prevalecerá a satisfação em atender às necessidades do cliente. Linguagem: trata-se da comunicação verbal ou não verbal entre os funcio- nários, no contexto organizacional. É uma forma comum de vocabulário, repertório e formas de conversação interna. Crenças: são pressupostos comportamentais, nem sempre explícitos, mas presentes na forma de atitudes e iniciativas dos funcionários. Por exemplo, o respeito ao próximo sem distinção de cargos. Além de uma configuração estratégica das organizações, voltada a um ambiente de trabalho que valoriza o desempenho e o desenvolvi- mento das pessoas, há concepções operacionais compartilhadas que também distinguem as empresas que possuem resultados acima da iQ on ce pt /S hu tte rs to ck O livro Marketing para o século XXI: como criar, conquistar e dominar mercados, do consagra- do autor Philip Kotler, apresenta tendências de mercado que foram se concretizando ao longo dos anos, desde o lan- çamento dessa obra, em 1999. Um exemplo são as estratégias de relacio- namento com o cliente e inovação constante de produtos e serviços, além de referenciar a transfor- mação digital pelo qual as empresas ingressariam. KOTLER, P. Rio de Janeiro: Alta Books, 2021. Livro 30 Gestão estratégica da qualidade média, como é o caso da gestão da qualidade, que são as normas e regulamentações seguidas pela empresa, seja em uma indústria ou em uma empresa de serviços. Há como gerenciar uma organização sob pa- râmetros que indiquem formas de atingir e manter uma alta qualidade. 2.3 Variáveis de controle da qualidade Vídeo O uso e as escolhas de variáveis de controle aplicadas à qualidade servem para indicar o desenvolvimento dos propósitos estratégicos e orientar os gestores na administração dos seus negócios. Para um efe- tivo controle, um dos pontos centrais desse tema remete ao posiciona- mento estratégico que uma empresa assume. Ou seja, as variáveis de controle a serem escolhidas e monitoradas deverão estar relacionadas com o modo que a empresa é apresentada ao mercado, ou com as missões da organização, que poderão ser desdobradas em objetivos claros e específicos compostos por variáveis de controle. Para uma empresa criar um posicionamento no mercado, Porter (1991) elenca alguns possíveis aspectos, como a determinação do preço de seus produtos, da estratégia de distribuição, da capacidade de inovar e criar produtos exclusivos ou outros elementos que configurem uma es- tratégia perceptível aos olhos dos seus consumidores. Ficou conhecido nos anos 1990, um exemplo de como formalizar uma posição estraté- gica por simplificar o conceito, além de oferecer três tipos genéricos em que uma empresa pode se basear: 1. a liderança em custos; 2. a diferenciação; 3. nicho de mercado. A Figura 3 representa uma forma de como compreender a abran- gência do mercado, segundo o posicionamento adotado. Em primeiro lugar, no topo, a empresa que busca atuar com os produtos mais bara- tos do mercado terá um volume e uma participação de mercado maior que a empresa que se propõe a vender seus produtos e serviços com um valor agregado (diferenciação), os quais se destacam de outros, por um motivo ou outro. Em segundo lugar, as empresas que vendem pro- dutos exclusivos, para um nicho de mercado. Por exemplo,a comercia- lização de charutos, ou ainda, uma revenda de pneus automotivos de alta performance para carros esportivos. Uma última forma, é a com- Identificar variáveis de controle aplicadas à qualidade. Objetivo de aprendizagem Elementos de gestão estratégica da qualidade 31 binação de produtos de nicho, que possuem uma diferenciação. Por exemplo, uma revenda exclusiva de charutos cubanos, entre os mais caros do mundo. (CARVALHO, 2021) Liderança em custos Diferenciação Nicho Nicho e diferenciação Posicionamento de mercado Figura 3 Estratégias de posicionamento de mercado di za in /S hu tte rs to ck Fonte: Elaborada pelo autor com base em Porter, 1991. A partir das categorias apresentadas, podem ser criadas as variáveis de controle da qualidade, que deverão apontar o quanto a empresa consegue manter o direcionamento de sua posição no mercado e indi- car o seu alinhamento com seus propósitos estratégicos. Com relação à determinação das variáveis, o Quadro 1 apresenta descrições de como uma empresa poderá escolher suas variáveis. Quadro 1 Variáveis de controle da qualidade com base no posicionamento estratégico Posicionamento estratégico Descrição da escolha das variáveis de controle Liderança em custos Variáveis que indicam um controle dos custos de produção durante um pe- ríodo e que sirvam de comparação para que se estabeleçam parâmetros de diminuição de custos. Controle dos custos de execução em serviços. Diferenciação Variáveis que apontam a conformidade e ausência de defeitos dos produtos de uma empresa, a fim de que sirvam como um indicador que sustenta o posi- cionamento de diferenciação. Nicho Variáveis que indicam especificações dos produtos e serviços e que compro- vam a atuação em um nicho de mercado. Nicho e diferenciação Variáveis que apontam especificações, conformidades, ausência de defeitos e excelência dos produtos e serviços de uma empresa. Fonte: Elaborado pelo autor. 32 Gestão estratégica da qualidade Além dessas descrições dos tipos de variáveis a serem usadas, uma ges- tão estratégica da qualidade deve usar a política de qualidade da empresa para promover um alinhamento entre as variáveis de controle e os padrões de qualidade gerais a serem monitorados. Assim, ambos os elementos ser- virão de parâmetros para que a gestão de uma empresa possa acompa- nhar o desenvolvimento e atingimento dos objetivos organizacionais. Dentro das táticas que uma empresa pratica para competir no mercado, a questão do alinhamento estratégico com os padrões da qualidade se apresentarão de forma sistêmica na organização, pois, tratam-se de aspectos intrínsecos ao mercado. Ou seja, para as empre- sas que buscam a liderança em custos, os padrões da qualidade dos seus produtos deverão ser semelhantes. Caso contrário, quando são inferiores, o mercado entenderá que se trata de um outro posiciona- mento, ou ainda, quando são superiores aos da concorrência, poderá haver uma nova configuração, a de serem os mais baratos e melhores do mercado, o que é muito difícil de ocorrer, por haver uma redução na margem de lucratividade e afetar a sustentabilidade financeira da empresa (MINTZBERG; AHLSTRAND; LAMPEL, 2010; PORTER, 2005). Com isso, observa-se que há mudanças frequentes no mercado, que se ajustam conforme as necessidades dos clientes, inovações que surgem e iniciativas estratégicas de concorrentes. Dessa forma, man- tém-se uma economia ativa, com alterações que se apresentam a fim de conquistar a atenção e o interesse de um mercado consumidor criando-se um fluxo de desenvolvimento das indústrias e empresas de serviços, de uma forma geral. 2.4 A qualidade para o século XXI De acordo com Friedman (2018), o século XXI iniciou marcado por uma expressiva expansão do comércio internacional promovida pe- las tecnologias de informação e comunicação. As tecnologias, como os computadores pessoais, smartphones e tablets, conectados à internet, tornaram o consumo de produtos estrangeiros mais fácil, com um comércio eletrônico disponível em vários países e idiomas, empresas do mundo todo puderam ingressar em uma nova onda da disseminação dos negócios. No entanto, essa corrida por novos mercados impulsionou mu- danças e práticas empresariais que poderiam não fazer parte do es- O filme Steve Jobs, fala da vida do empreendedor Steve Jobs, fundador da Apple e de várias outras empresas. No filme são apresentadas, de maneira cinematográfica, as iniciativas de criar uma empresa e se posicionar no mercado com táticas agressivas de inovação de produtos, vendas e supe- ração dos concorrentes. Direção: Danny Boyle. Estados Unidos: Universal Pictures, 2015. Filme Refletir sobre como a qua- lidade para o século XXI se configura no contexto mercadológico. Objetivo de aprendizagem Vídeo Elementos de gestão estratégica da qualidade 33 copo estratégico das organizações, como é o caso da implantação e disseminação de modelos de gestão da qualidade como uma forma de estratégia de atuação em mercados mais competitivos. Para isso, uma empresa que busca atuar estrategicamente com padrões de qualidade diferenciados, deverá expor isso ao mercado, de maneira clara e transparente, por meio da criação de documentos que formalizem e registrem as práticas de qualidade de uma gestão. Para esse objetivo, dois documentos de gestão poderão ser ad- ministrados em conjunto: o planejamento estratégico e as políticas da qualidade, conforme ilustrado na Figura 4. O primeiro é compos- to por análises do mercado, dentre oportunidades e ameaças que possam existir, a fim de direcionar suas ações, já o segundo é uma proposta generalizada de formalização da estratégica, que deverá apresentar princípios gerais e objetivos que englobarão todos os produtos e serviços da empresa, os quais poderão também estar amparados por normas específicas da qualidade. Os padrões que uma empresa irá determinar para a qualidade de seus produtos deverão seguir as exigências do segmento em que atua, o que permitirá diferenças em cada setor de mercado, com algumas normas mais técnicas em um mercado e menos em outros. Um bom exemplo é o do setor farmacêutico, amparado por normas e regulamentações que se diferem do setor de eletrodomésticos. No entanto, uma nova exigência de padrões da qualidade pode sur- gir, conforme ocorreu com o surgimento de sistemas de garantia da qualidade que: “Foram inicialmente desenvolvidos em razão de exi- gência explícita de clientes em determinados segmentos de merca- do nos quais o custo provocado pela não qualidade do material recebido por es- ses clientes era muitas vezes supe- rior ao preço do material adquirido”. (LOBO, 2010, p. 25) De maneira generalizada, as em- presas implantam ou se adaptam a determinados padrões da qualidade, de- pendendo do país que comercializa seus produtos e do setor de atuação, com a possibilidade de haver neces- Figura 4 Documentos norteadores de uma gestão estratégica da qualidade Ze rb or /S hu tte rs to ck Qualidade Estratégia 34 Gestão estratégica da qualidade sidades extras para se adequar a uma norma específica. Por exem- plo, no segmento da indústria automobilística, existe a norma IATF 16949:2016, que apresenta requisitos comuns para a implantação de um sistema da qualidade automotiva, o que faz com que as empresas atuantes nesse setor tenham que se utilizar desta norma para poder atuar nos mercados consumidores (MIGNOLI, 2020). Para fins de controle da qualidade de uma empresa, alguns ele- mentos de gestão são considerados universais. Ou seja, são cabíveis em qualquer organização que busque o monitoramento de seus pa- drões da qualidade. Há indicadores genéricos que informam vários tipos de desempenho, desde os relacionados à área da produção industrial ou a serviços, à execução de uma atividade, até ao rela- cionamento com o cliente, buscando identificar o grau de satisfação que se tem com a empresa, conforme ilustrado a seguir. Figura 5 Elementos de controleda qualidade Controle da Qualidade Confiabilidade Aparência Durabilidade Funcionalidade Conformidade Recuperação Contato Tr ue ffe lp ix /S hu tte rs to ck Fonte: Elaborada pelo autor com base em Slack; Brandon-Jones; Johnston, 2018; Carvalho; Paladini, 2012. Tais elementos de controle de um sistema da qualidade poderão receber ajustes, de acordo com a realidade da empresa, pois há em determinados setores um elemento que seja específico e que não se encontre em outro setor da economia. Na área de informática, por exemplo, o tempo de atualização de um componente pode ser um indicador de obsolescência, no qual um consumidor poderá estar interessado, a fim de saber se a marca que está comprando tem um ciclo de vida mais longo que outras marcas. Com relação aos elementos da Figura 5, de acordo com Slack, Brandon-Jones e Johnston (2018) e Carvalho e Paladini (2012), eles podem ser descritos da seguinte forma: Elementos de gestão estratégica da qualidade 35 • Confiabilidade: segurança que se tem de uma marca não apresentar problemas ou falhas frequentes. • Aparência: para produtos, refere-se à embalagem, às cores, ao design, e para os serviços, pode ser o asseio do pessoal que está executando. • Durabilidade: vida útil de um produto, ou, em serviços, a ca- pacidade de inovação e aprimoramento de novos atributos. • Funcionalidade: avaliação do desempenho de um produto ou serviço, segundo o que se propõe. • Conformidade: comparação do desempenho ou funcionalida- de de um produto, conforme foi planejado, ou de um serviço, conforme contratado. • Recuperação: tempo despendido entre a descoberta de uma falha e a resolução do problema. • Contato: relacionamento com o cliente durante um atendi- mento ou um pós-vendas. Com um número mínimo de indicadores da qualidade, pode-se afirmar que uma empresa já pode contar com uma forma de ges- tão estratégica que leva em consideração padrões que atendem às exigências do mercado, que se tornou mais competitivo a partir do desenvolvimento do comércio eletrônico global e que, portanto, jus- tifica os modelos de gestão estratégica baseados em parâmetros de qualidade globais. No filme O sucesso a qual- quer preço conhecemos a história de uma empresa imobiliária que busca aumentar suas vendas e participação de mercado, pressionando seus vendedores a atingirem metas extremamente difíceis, num curto prazo. O que ocorre é que os padrões da qualidade e conformidade com os quais os funcionários estavam acostumados a trabalhar são deixados de lado, a fim de tentarem alcançarem os objetivos propostos pela diretoria da empresa. Direção: James Foley. Estados Unidos: Lume Filmes, 1992. Filme CONSIDERAÇÕES FINAIS Com esta análise dos fundamentos de estratégia e qualidade, pode-se entender que o trabalho conjunto das duas variáveis se traduzem em efi- ciência e eficácia organizacional. Por um lado, por oferecer às empresas uma visão tático-operacional de ações que visam conquistar mercados e atender aos consumidores, e, por outro, com aspectos da qualidade, que agregam valor aos produtos e serviços de uma empresa. Dentro desse contexto, a competitividade das empresas de um mes- mo setor se torna mais complexa, no sentido de que a cada iniciativa de um concorrente, todos os outros terão condições para se preparar para uma contrapartida estratégica. Isso faz com que haja um ciclo constante de inovação, em que cada empresa dá um passo em direção ao melhora- mento e aperfeiçoamento de seus produtos e serviços. 36 Gestão estratégica da qualidade Ao obter um grau de excelência em alguma das áreas de gestão, como a produção, a logística ou o marketing, uma empresa passa a ser reco- nhecida por seus aspectos da qualidade. Isso afeta positivamente uma marca, com um efeito multiplicador, com o potencial de se criar táticas e continuar crescendo no mercado em conformidade com o posicionamen- to adotado pela empresa. Por fim, a estruturação de uma empresa que busca atingir um parâ- metro de excelência na gestão estratégica da qualidade deverá elencar variáveis de controle que possam identificar o desempenho das áreas de atuação de sua empresa e, com isso, orientar-se quanto ao direcionamen- to dos esforços necessários para atuar com produtos e serviços de rele- vância para o mercado. ATIVIDADES Atividade 1 Com relação aos fundamentos de estratégia e qualidade, descreva de que formas esses dois elementos se combinam para auxiliar na gestão empresarial. Atividade 2 Sobre o contexto das organizações estratégicas, pode-se afirmar que há iniciativas de gestão que se assemelham dentro de em- presas que tomam a liderança em seus setores. Apresente duas táticas comuns de gestão em empresas de sucesso e as descreva. Atividade 3 Com relação ao posicionamento e às táticas de estratégia, qual é a necessidade de uma empresa se apresentar para o mercado com uma determinada posição? Explique. Atividade 4 Alguns elementos de controle e qualidade são comuns de serem encontrados em uma gestão estratégica. Cite um desses elementos e o descreva. Elementos de gestão estratégica da qualidade 37 REFERÊNCIAS CARVALHO, F. Quer começar a fumar charutos? Anote o que você precisa saber. Exame, 16 jan. 2021. Disponível em: https://exame.com/casual/quer-comecar-a-fumar-charutos- anote-o-que-voce-precisa-saber/. Acesso em: 27 set. 2021. CARVALHO, M. M.; PALADINI, E. P. (coord.). Gestão da qualidade: teoria e casos. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. DEMING, W. E. Qualidade: a revolução da administração. São Paulo: Marques Saraiva, 1990. FRIEDMAN, T. L. O mundo é plano: uma história breve do século XXI. 10. ed. São Paulo: Grupo Almedina, 2018. GRIFFIN, R. W.; MOORHEAD, G. Comportamento organizacional: gestão de pessoas e organizações. São Paulo: Cengage Learning, 2015. JURAN, J. M. A qualidade desde o projeto: novos passos para o planejamento da qualidade em produtos e serviços. 2. ed. São Paulo: Pioneira, 1992. LOBO, R. N. Gestão da qualidade. São Paulo: Érica, 2010. MIGNOLI, M. IATF 16949:2016 – Entenda a importância da norma para a indústria automotiva. Setec, 26 maio. 2020. Disponível em: https://setecnet.com.br/home/iatf- 16949-2016-entenda-a-importancia-da-norma-para-a-industria-automotiva/. Acesso em: 8 out. 2021. MINTZBERG, H.; AHLSTRAND, B.; LAMPEL, J. Safári de estratégia: um roteiro pela selva do planejamento estratégico. Porto Alegre: Bookman, 2010. PETTIGREW, A. M.; FLEURY, M. T. L.; FISCHER, R. M. Cultura e poder nas organizações. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1996. PORTER, M. E. Estratégia competitiva: técnicas para análise de indústrias e da concorrência. Trad. de Elizabeth Maria de Pinho Braga. 8. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1991. PORTER, M. E. Vantagem competitiva: criando e sustentando um desempenho superior. 28. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2005. SCHEIN, E. Cultura organizacional e liderança. São Paulo: Altas, 2009. SLACK, N.; BRANDON-JONES, A.; JOHNSTON, R. Administração da produção. Trad. Daniel Vieira. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2018. TOFFLER, A. A terceira onda. Trad. João Tavora. 15. ed. Rio de Janeiro: Record, 1987. 38 Gestão estratégica da qualidade 3 Gestão estratégica com foco em excelência Empresas que produzem um mesmo produto ou serviço se po- sicionam de maneira similar e, por isso, atendem a um mesmo raio de atuação. Consequentemente elas competem pelo mesmo público-alvo, o que demandará o desenvolvimento de diferenciais estratégicos que possam destacar suas marcas, a fim de facilitar a escolha das pessoas, convertendo-as, assim, em consumidores do produto. A determinação de um mercado consumidor é caracterizada por traços semelhantes de consumo, renda ou personalidade, o que gera uma perspectiva de finitude, ou seja, por melhor que possam ser os diferenciais estratégicos a serem criados pelas empresas, ainda haverá uma limitação quanto ao volume de vendas possíveis dentro de um nicho de mercado escolhido, o que exigirá mais efi- ciência, por parteda gestão de uma organização, para se mante- rem sustentáveis financeiramente. Dessa forma, entende-se que os desafios para as empresas se manterem atrativas para seus clientes são amplos e passam por ajustes frequentes, fazendo com que as empresas busquem perio- dicamente iniciativas de inovações em produtos, serviços e mode- los de negócios, os quais também podem servir para que sejam exploradas novas oportunidades de negócios. Além de todo esse contexto, a competição empresarial exige ainda o uso permanente de padrões de excelência. Esse padrão se tornou algo comum dentro de empresas de sucesso, elas usam de uma boa reputação, obtida devido ao reconhecimento da sua qua- lidade, para desenvolver novos produtos, serviços e buscar atender a novos mercados. Gestão estratégica com foco em excelência 39 3.1 Fundamentos da excelência Vídeo Dentro do conceito de planejamento estratégico, um dos direcio- namentos que podem ocorrer para que uma empresa tente alcançar uma posição de destaque no mercado é a criação de um diferencial competitivo, o qual deve ser difícil de ser copiado, valoroso e relevante para o cliente. Os diferenciais que podem ser criados se originam da excelência na qualidade de um produto ou serviço. No entanto, eles também são criados de outras formas, um exemplo é a inovação de um modelo de negócios totalmente diferente do praticado pelo setor que a empresa atua. O primeiro caminho pode ser mais fácil de ser alcançado, pois uma empresa pode usar certas normativas reconhecidas globalmente para atestar seus padrões de superioridade. Contudo, muitas empresas que não conhecem padrões de qualidade disseminados e organizados podem se apropriar de informações subjeti- vas e considerar que a excelência é um conjunto de normas aceitas pelo seu público-alvo, que irá considerar que seus produtos são muito bons segundo seus critérios de avaliação. Para exemplificar, a Figura 1 apresen- ta cinco níveis de qualidade que podem ser indicados pelos seus clientes. Figura 1 Representação visual de níveis de qualidade Di lo k Kl ai sa ta po rn /S hu tte rs to ck 5 estrelas = alta qualidade; 4 estrelas = boa qualidade; 3 estrelas = qualidade regular; 2 estrelas = baixa qualidade; 1 estrela = péssima qualidade. Assimilar os conceitos de excelência empresarial. Objetivo de aprendizagem 40 Gestão estratégica da qualidade Essa forma de avaliação de qualidade pode ser aplicada em diversos negócios, desde uma loja de eletrodomésticos até uma clínica odonto- lógica, no entanto a opinião dos clientes não deve ser a única fonte de informação para a avaliação da qualidade, pois ela irá representar o desempenho da empresa de acordo com as expectativas dos clientes, e não necessariamente com critérios de excelência globais. Como exemplo, imagine que na sua cidade há um restaurante tradi- cional, considerado o melhor da região, que possui ótimo atendimen- to e produto, porém chegou nessa cidade um novo estabelecimento, com a marca de uma franquia internacional que obedece a padrões de excelência, os quais os clientes do tradicional restaurante ainda não conheciam. Dessa forma, iniciará uma comparação entre os dois pa- drões de qualidade, assim o que era considerado ótimo para os clien- tes poderá mudar para bom ou regular, já que o novo restaurante se apresentou de uma forma que surpreendeu a clientela. Portanto, o termo excelência deve ser visto sob uma perspecti- va de gestão da qualidade, baseando-se nos conceitos de produ- ção de classe mundiais, originados da palavra inglesa World Class Manufacturing (WCM), os quais se definem como um conjunto de nor- mas e princípios que visam às melhores práticas e técnicas que possam ser aplicadas nas empresas a fim de estas obterem um maior índice de eficiência. Tal conceito foi originado de um modelo de gestão usado na indústria automobilística; mais especificamente no Japão, na indústria Toyota, em 1980. Os pilares do conhecimento que sustentavam esse conceito eram aplicados de forma sistêmica, com o propósito de disse- minar princípios essenciais para uma cultura de excelência, que se con- figuravam como: • Eliminando o desperdício de tempo e de recursos. • Construindo qualidade nos sistemas do local de trabalho. • Descobrindo alternativas confiáveis de baixo custo para a tecno- logia nova e dispendiosa. • Aperfeiçoando os processos administrativos. • Construindo uma cultura de aprendizagem para a melhoria con- tínua. (LIKER, 2007, p. 35) Além dessas instruções básicas para o desenvolvimento de uma empresa com padrões globais de excelência na produção e gestão, há formas concretas de representar a qualidade e se expor ao mercado como um diferencial estratégico, que comprove a adesão ao uso de Gestão estratégica com foco em excelência 41 critérios globais de superioridade, que deverão se tornar sinônimos de qualidade (OHNO, 1997). Dentre as possíveis formas de comprovação de uma alta qualidade e excelência organizacional existem organizações independentes, que promovem normativas referentes à qualidade e, por meio de auditorias contratadas, podem certificar que a empresa adota esses critérios. Como exemplo, a Organização Internacional de Normalização, conhecida pela sigla ISO, do inglês International Organization for Standardization, forne- ce normativas nas mais diversas áreas sobre parâmetros de qualidade (CARPINETTI; GEROLAMO, 2016). Atualmente as empresas contam com instruções objetivas quanto à qualidade por meio do acesso a ferramentas que podem ser aplicadas para monitorar informações sobre o desempenho da gestão. Além disso, com o apoio de consultorias especializadas, é possível que a ad- ministração de uma empresa atinja a excelência e conquiste padrões de referência global no que se refere à sua gestão. O site da SurveyMonkey é uma ferramenta digital que serve para fazer pes- quisas de satisfação com os clientes e identificar em que patamar a em- presa se encontra quanto à qualidade de seu atendimento, disponível em versões gratuitas para algumas funções básicas e pagas para necessida- des mais avançadas. Saiba mais acessando o link a seguir. Disponível em: https:// pt.surveymonkey.com/. Acesso em: 7 jan. de 2022. Site 3.2 Critérios globais de excelência Vídeo O alcance de padrões globais de excelência requer um esforço empresarial multidisciplinar, que poderá ser composto de elementos provenientes da administração, da produção ou da execução de um serviço. Dentro da área de gestão há o planejamento estratégico, que é uma forma de apresentar o foco da organização, roteirizando suas intenções e iniciativas de médio e longo prazos, a fim de atingir um grande objetivo, desde que use os recursos e esforços de maneira eficiente e eficaz. Essa visão de efetividade pode se associar ao conceito de qualidade total, que, de acordo com Campos (2004, p. 14), “são todas aquelas di- mensões que afetam a satisfação das necessidades das pessoas e, por conseguinte, a sobrevivência da empresa”. Isso reflete em uma forma sistêmica de gerenciamento, visando ao equilíbrio entre as partes e ao alcance do objetivo central de sustentabilidade da organização. As dimensões propostas por Campos (2004) foram pensadas com base na eficiência operacional, por meio dos controles de produção, e na gestão das pessoas, ou seja, dos talentos internos, que serão dire- Identificar os padrões que configuram a qualidade total. Objetivo de aprendizagem https://pt.surveymonkey.com/ https://pt.surveymonkey.com/ 42 Gestão estratégica da qualidade tamente responsáveis pela produtividade e qualidade de toda a opera- ção de uma empresa. Esses aspectos, que o autor considera essenciais à sustentação de uma qualidade total, estão descritos de forma gené- rica no Quadro 1, a fim de serem enquadrados em qualquer tipo de atividade ou setor. Quadro 1 Dimensões da qualidade total Qualidade Essa dimensão está diretamente ligada à satisfação do cliente in- terno ou externo. Portanto,a qualidade é medida por meio das características da qualidade dos produtos ou serviços finais ou intermediários da empresa. Ela inclui a qualidade do produto ou serviço (ausência de defeitos e presença de características que irão agradar ao consumidor), a qualidade da rotina da empresa (previ- sibilidade e confiabilidade em todas as operações), a qualidade do treinamento, a qualidade da informação, a qualidade das pessoas, a qualidade da empresa, a qualidade da administração, a qualidade dos objetivos, a qualidade do sistema, a qualidade dos engenheiros etc. Custo O custo é aqui visto não só como custo final do produto ou serviço, mas inclui também os custos intermediários. Qual é o custo médio de compras? Qual é o custo de vendas? Qual é o custo de recruta- mento e seleção? O preço também é importante, pois deve refletir a qualidade. Cobra-se pelo valor agregado. Entrega Sob essa dimensão da qualidade total são medidas as condições de entrega dos produtos ou serviços finais e intermediários de uma empresa: índices de atrasos de entrega, índices de entrega em lo- cal errado e índices de entrega de quantidades erradas. Moral Essa é uma dimensão que mede o nível médio de satisfação de um grupo de pessoas (MASLOW, 2001). Esse grupo de pessoas pode ser o grupo de todos os empregados de um departamento ou seção. Esse nível médio de satisfação pode ser medido de vá- rias maneiras: pelo índice de turn-over, absenteísmo, reclamações trabalhistas etc. Segurança Sob essa dimensão, avalia-se a segurança dos empregados e a se- gurança dos usuários do produto. Mede-se aqui a segurança dos empregados por meio de índices como número de acidentes, de gravidade etc. A segurança dos usuários é ligada à responsabilidade civil pelo produto. Fonte: Campos, 2004. O quadro apresenta formas concretas de representação da quali- dade que podem servir na construção de objetivos estratégicos para o alcance de uma excelência empresarial. No entanto, em âmbito glo- bal, as diretrizes que irão nortear os parâmetros de excelência de- Gestão estratégica com foco em excelência 43 verão seguir os padrões exigidos pelo mercado em que a empresa atuará, que podem ser baseados, em um certo país, em uma dimen- são de custos do produto e, em outro, na sua eficiência logística, por meio de um indicador que aponte um grau de eficiência na entrega de produtos acabados. Além dessas singularidades, uma empresa que busque atuar em mercados internacionais terá que arcar com certificações que garan- tam padrões de qualidade e segurança exigidos pelo país destinatário. Por exemplo, para a exportação de carne suína do Brasil para o Peru é exigido um “Alvará Sanitário de Importação de mercadorias pecuárias”. Nele, constam informações da origem dos produtos, das condições sa- nitárias dos matadouros e o registro do número dos lotes, para fins de rastreabilidade (REDAÇÃO..., 2021). Além de especificações próprias da qualidade, aplicadas em um de- terminado setor ou produto, há determinados critérios de excelência aplicados à área administrativa de uma empresa, independentemen- te do segmento de atuação, que podem prover um direcionamento para a excelência, como os princípios do modelo Toyota®, que podem ser aplicados de maneira universal em empresas de pequeno, médio ou grande porte. A seguir, os princípios apresentados por Liker (2007). In sp ira tio n2 01 8/ Sh ut te rs to ck Princípio 1: basear as decisões administrativas em uma filosofia de longo prazo, mesmo que em detrimento de metas financeiras de curto prazo. Princípio 2: criar um fluxo de processo contínuo para trazer os problemas à tona. Princípio 3: usar sistemas puxados para evitar a superprodução. Princípio 4: nivelar a carga de trabalho (heijunka). Trabalhar como a tartaruga, não como a lebre. Princípios Princípio 5: construir uma cultura de parar e resolver os problemas, obtendo a qualidade logo na primeira tentativa. Princípio 6: tarefas padronizadas são a base para a melhoria contínua e a capacitação dos funcionários. Princípio 7: usar controle visual para que nenhum problema fique oculto. (Continua) In sp ira tio n2 01 8/ Sh ut te rs to ck Princípios Princípio 8: usar somente tecnologia confiável e completamente testada que atenda aos funcionários e processos. Princípio 9: desenvolver líderes que compreendam completamente o trabalho, que vivam a filosofia e a ensinem aos outros. Princípio 10: desenvolver pessoas e equipes excepcionais que sigam a filosofia da empresa. Princípio 11: respeitar sua rede de parceiros e de fornecedores, desafiando-os e ajudando-os a melhorar. Princípio 12: ver por si mesmo para compreender completamente a situação (genchi genbutsu). Princípio 13: tomar decisões lentamente por consenso, considerando completamente todas as opções; implementá-las com rapidez. Princípio 14: tornar-se uma organização de aprendizagem por meio da reflexão incansável (hansei) e da melhoria contínua (kaizen). Uma empresa que foca nesses princípios tem como premissa o al- cance de uma vantagem competitiva sustentável, a qual pode se esten- der para uma percepção de qualidade de sua marca, de seus produtos e serviços perante o seu público-alvo. Tal modelo de gestão que usa como base critérios de excelência como esses é impulsionador. Os princípios apresentados não inibem o uso de outras formas para a obtenção da excelência de uma empresa, pois pode haver caracterís- ticas singulares em determinados mercados e setores da economia nos quais os princípios podem não se encaixar. Por exemplo, no comércio eletrônico, que é formado por um ambiente digital, de rápida expansão e que necessita de agilidade nas decisões, o que vai contra o princípio 13, que aponta como ideal a resolução de um problema por meio da constatação de todas as opções possíveis, o que resulta em uma toma- da de decisões lenta. A startup Pipefy, que atua na área de gerenciamento de processos, disponibili- za gratuitamente um blog com textos explicativos sobre gestão ágil. Dentre eles, selecionamos para você um referente aos princípios Toyota apli- cados na Amazon.com. O título do texto é Estilo Amazon: como a empresa de tecnologia está mudan- do o mercado por meio do Lean. Para ter acesso ao conteúdo, clique no link a seguir. Disponível em: https://www.pipefy. com/pt-br/blog/o-estilo-lean- amazon/. Acesso em: 7 jan. 2022. Leitura BO KE H ST OC K/ Sh ut te rs to ck 4444 Gestão estratégica da qualidadeGestão estratégica da qualidade https://www.pipefy.com/pt-br/blog/o-estilo-lean-amazon/ https://www.pipefy.com/pt-br/blog/o-estilo-lean-amazon/ https://www.pipefy.com/pt-br/blog/o-estilo-lean-amazon/ Gestão estratégica com foco em excelência 45 3.3 Normas e certificações da qualidade Vídeo Uma empresa que se apresenta ao mercado de modo a comprovar seus padrões de qualidade deve seguir alguma normativa ou regula- mentos que orientam a gestão para obter um reconhecimento ou mes- mo uma certificação, como a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), no Brasil, que atua como certificadora, desde os anos 1950, e possui: Mais de 400 programas de certificação, nos mais diversos seg- mentos, sendo o Organismo Certificador de Produtos (OCP) com o maior escopo de acreditação junto ao Inmetro. A sociedade identifica na Marca de Conformidade ABNT a garantia de que está adquirindo produtos e serviços em conformidade, atenden- do aos mais rigorosos critérios de qualidade. A ABNT Certifica- dora possui uma atuação marcante nas Américas, Europa e Ásia, realizando auditorias em mais de 30 países. (ABNT, 2021a) Além da competência da ABNT, há uma parceria com o Inmetro, uma instituição vinculada à Secretaria Especial de Produtividade, Em- prego e Competitividade, do Ministério da Economia, que tem como missão “viabilizar soluções de infraestrutura da qualidade que adicio- nem confiança, qualidade e competitividade aos produtos e serviços disponibilizados pelas organizações brasileiras,em prol da prosperida- de econômica e bem-estar da nossa sociedade” (BRASIL, 2021). Isso re- força o compromisso com a qualidade da indústria nacional e contribui para a competitividade com produtos internacionais. No Brasil, a ABNT é responsável pela configuração e promoção de centenas de normas. Consiste em um “documento estabelecido por consenso e aprovado por um organismo reconhecido que fornece re- gras, diretrizes ou características mínimas para atividades ou para seus resultados, visando à obtenção de um grau ótimo de ordenação em um dado contexto” (ABNT, 2021a), o que irá servir a casos específicos para a sua implementação. A Figura 2 apresenta todos os segmentos dos programas de certi- ficação disponíveis pela ABNT. Eles representam os setores da econo- mia e buscam atender, de maneira detalhada, a cada área. O objetivo é subsidiar informações e orientar para a implantação de melhorias e conformidades. Conhecer as normas e certificações aplicadas à qualidade. Objetivo de aprendizagem 46 Gestão estratégica da qualidade Figura 2 Segmentos de atuação dos programas de certificação ABNT Segmentos Alimentos AutomotivoTurismo AçoTêxtil Construção civilSistemas Telecomunicações ElétricaSegurança GasesRotulagem ambiental InstalaçõesQualidade MobiliárioPegada de carbono Certificado de conformidade In sp ira tio n2 01 8/ Sh ut te rs to ck Fonte: Adaptada de ABNT, 2021c. Para se ter uma noção do volume de normas disponíveis na ABNT dentro dessas categorias, pode-se observar no Quadro 2 algumas de- las, as quais sinalizam o quanto é ampla a abrangência do uso e das aplicações. No entanto, é importante distinguir entre aplicação e uso de uma norma e a obtenção de um documento de certificação, auferido por meio de um processo de análise e avaliação, que, após relatório final, pode ou não conceder um selo de certificação à empresa (ABNT, 2021b). Quadro 2 Exemplos de normas disponíveis no catálogo da ABNT Norma Segmento Descrição ABNT NBR ISO 9001:2015 Sistemas Aplicada a sistemas de gestão da qua- lidade. ABNT NBR ISO 10002:2005 Qualidade Relacionada à satisfação do cliente. (Continua) Gestão estratégica com foco em excelência 47 Norma Segmento Descrição ABNT NBR ISO 37001:2019 Sistema Trata-se de parâmetros para a im- plantação de um sistema de gestão antissuborno. ABNT NBR ISO 14001:2015 Sistema Sistema de gestão aplicado aos pro- gramas de proteção ambiental. ABNT NBR ISO/IEC 29110-4- 1:2012 Sistema Relacionada ao processo de desen- volvimento de software. Fonte: ABNT, 2021b. As normas citadas no Quadro 2 se referem a determinadas cate- gorias, usualmente aplicadas com a finalidade de promover melhorias na eficiência da gestão, bem como atuar sob a orientação de padrões globais. No entanto, a implantação das normas não necessariamente implica a obtenção da certificação, pois, para isso, é necessário passar por um processo de auditoria para um certificado. Por exemplo, uma empresa pode implantar uma reestruturação interna, com a implanta- ção de novas políticas antissuborno, baseadas na norma ABNT NBR ISO 37001:2019, sem uma necessidade direta de comprovar suas práticas por meio de uma certificação. O exemplo anterior representa uma situação hipotética em que o objetivo era seguir as diretrizes de uma norma para a melhoria da ges- tão, mas haverá casos em que uma empresa depende da comprovação de suas práticas, por exemplo, em um contrato com um cliente inter- nacional. Nesse caso, Carpinetti e Gerolamo (2016, p. 44) ressaltam que “o sistema da qualidade deve obrigatoriamente abranger todas as atividades, primárias e de suporte da cadeia de valor, relacionadas ao atendimento de requisitos relativos àquele negócio ou àquela linha de produto”, o que exigirá uma transformação radical na forma como a empresa atua, para atender aos princípios de uma norma. Além dessa visão estratégica do gerenciamento fundamentado em normas da qualidade, deve-se observar a evolução do mercado e as singularidades do setor em que se atua. Conforme explicitam Toledo et al. (2012, p. 374), há quatro elementos que promovem a qua- lidade e a competitividade em uma empresa: 1. Necessidade de gerenciamento integrado da inovação e da me- lhoria contínua. 2. Foco no meio ambiente e na sociedade. 3. Compreensão do macroprocesso de geração do produto. 4. Enxergar o cliente como um parceiro. Para consultar todas as normas disponíveis no catálogo da ABNT, você pode acessar o site e co- nhecer todas as áreas de atuação, os detalhes da abrangência das normas, os valores para poder adquirir um documento normativo e as formas para entrar em contato com a área de certifica- ção. A ABNT é responsável por auditar empresas que as contratam para fins de obtenção de uma certificação. Disponível em: https://www.abnt. org.br/certificacao. Acesso em: 7 jan. 2021. Site 48 Gestão estratégica da qualidade Esses elementos devem servir como o alicerce estratégico de uma organização que busca atuar de maneira relevante e ativa no mercado, pois a melhoria contínua faz com que as empresas produzam e inovem de maneira constante, superando resultados a cada ano e promoven- do uma concorrência permanente, o que exige a implantação de estra- tégias de qualidade eficazes. Por fim, a aplicação de normas e a conquista de certificações possi- bilitam melhorias estratégicas a uma empresa na forma como con- duzem suas operações, seja na área industrial, no comércio varejista, na linha de produção ou em serviços e áreas administrativas, e devem impactar a cultura de uma organização, mantendo comportamentos e atitudes focadas em atender às necessidades do mercado da melhor forma possível. 3.4 Modelos de referência em excelência Vídeo Modelos de referência em gestão empresarial que se apresentam como a qualificação de excelência são aqueles que seguem algum padrão determinado por alguma instituição que atua com a finalida- de de fomentar o aprimoramento da gestão das empresas, além de agregar normas e regulamentos. Para o atingimento de uma posição de destaque e excelência, faz-se necessário uma padronização, or- ganização e sistematização de processos industriais e de gestão, o que corrobora com o uso de normativas específicas para cada área de atuação de uma empresa. Como exemplo do uso de um modelo de referência no setor de alimentos, a ABNT NBR 15635:2015 especifica os “requisitos de boas práticas e dos controles operacionais essenciais a serem seguidos por estabelecimentos que desejam comprovar e documentar que produ- zem alimentos em condições higiênico-sanitárias adequadas para o consumo”, o que promove a segurança e confiabilidade de uma em- presa que atende às exigências da norma. A importância do uso de uma norma de referência, que seja reco- nhecida globalmente, está em promover uma autenticidade perante Compreender modelos de excelência que se apre- sentam como referência no mercado global. Objetivo de aprendizagem Gestão estratégica com foco em excelência 49 processos de gestão que possam ser aplicados em uma organização. Além disso, há benefícios que se ampliam à gestão e ao mercado, pois possibilitam uma melhoria generalizada, como: • tornar o desenvolvimento, a fabricação e o fornecimento de pro- dutos e serviços mais eficientes, mais seguros e mais limpos; • facilitar o comércio entre países, tornando-o mais justo; • fornecer aos governos uma base técnica para saúde, segurança e legislação ambiental, além de avaliação da conformidade; • compartilhar os avanços tecnológicos e a boa prática de gestão; • disseminar a inovação; • proteger os consumidores e usuários em geral de produtos e serviços; • tornar a vida mais simples provendo soluções para problemas comuns. (ABNT, 2021b) Com esses benefícios elencados anteriormente para uma gestão baseada em modelos de referência, uma empresa pode buscar uma estratégia de qualidade que vise modificar positivamente sua cultura organizacional, fazendo com queseus funcionários e fornecedores atuem de maneira engajada, de acordo com a missão organizacional, que deve liderar os princípios a serem compartilhados e seguidos. No Brasil, desde 1992, há uma premiação para as empresas que se destacam em seus modelos de gestão da qualidade, denominada Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ), emitida pela Fundação Nacional da Qualidade (FNQ). Esse prêmio, desde 2017, remodelou o processo de avaliação e premiação, adotando a nomenclatura melhores em gestão, considerado como o reconhecimento de mais alto prestígio na área de gestão estratégica da qualidade, dirigido a empresas que se baseiam em princípios de excelência gerenciados de maneira in- tegrada e ativa (FNQ, 2021). Os princípios de excelência utilizados pela Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) abrangem todas as áreas de uma organização e são dirigidos principalmente aos colaboradores da gestão, que são os res- ponsáveis pelo desempenho da produção, do atendimento, do relacio- namento com o cliente e do aprendizado contínuo que visa à melhoria interna dos processos (KUAZAQUI, 2015). A loja on-line da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) conta com um acervo de textos, casos e cursos para o aprimora- mento em gestão estraté- gica da qualidade. Desde conceitos introdutórios sobre estratégia empre- sarial e programas para a excelência na gestão até um curso on-line sobre transformação organi- zacional, com análise de cenários, da cultura empresarial e de aspectos de inovação. Disponível em: https://fnq.org.br/ comunidade/shop/. Acesso em: 7 jan. 2022. Site https://fnq.org.br/comunidade/shop/ https://fnq.org.br/comunidade/shop/ 50 Gestão estratégica da qualidade Quadro 3 Princípios básicos dos fundamentos de gestão para excelência (FNQ) Pensamento sistêmico É preciso que todos os colaboradores tenham o entendimento de que todas as atividades da organização possuem relação de interdependên- cia, seja internamente, seja entre a organização e o ambiente com o qual ela interage. Essa visão macro é fundamental para o sucesso do negócio e vai permitir que nada seja deixado de lado no dia a dia. Aprendizado organizacional e inovação Para ser competitiva no mercado, toda organização, com seus colabora- dores e redes, precisa sempre buscar novos patamares de competência por meio de um ciclo de aprendizado permanente. Aprender e inovar sempre! Esse é o caminho. Liderança transformadora Corresponde à atuação dos líderes de forma ética, inspiradora, exemplar e comprometida com a excelência. Eles devem sempre estar atentos aos cenários e às tendências e seus possíveis impactos para a organização e as partes interessadas, mobilizando as pessoas em torno de valores, princípios e objetivos da empresa, preparando líderes e pessoas. Todos devem estar engajados com o mesmo propósito. Compromisso com as partes interessadas É preciso o entendimento das necessidades e demandas, bem como o estabelecimento de pactos com as partes interessadas, em especial os clientes, suas inter-relações com as estratégias e com os processos, em uma perspectiva de curto e longo prazos. Sem isso, perde-se o foco do negócio. Adaptabilidade Toda organização deve ter flexibilidade e capacidade de mudança em tempo hábil. Sem essa agilidade, as chances de ser bem-sucedida di- minuem drasticamente. Ciclos rápidos de aprendizagem e velocidade na implementação de melhorias com o emprego de métodos ágeis são fatores que impulsionam a transformação. Desenvolvimento sustentá- vel Corresponde ao compromisso da organização em responder pelos im- pactos de suas decisões e atividades na sociedade e no meio ambiente e em contribuir para a melhoria das condições de vida por meio de um comportamento ético e transparente. Orientação por processos Nesse fundamento fica clara a importância dos processos, que devem ser gerenciados visando à busca pela eficiência e eficácia nas atividades, utilizando dados e informações de modo a agregar valor para a organi- zação e as partes interessadas. Geração de valor De nada valeria todos os esforços se eles, no final, não estivessem volta- dos para o alcance de resultados econômicos, sociais e ambientais, bem como de resultados dos processos que os potencializam, em níveis de excelência e que atendam às necessidades e expectativas dos clientes, primeiramente, e das demais partes interessadas. Fonte: FNQ, 2021. Gestão estratégica com foco em excelência 51 Além desses princípios, a Fundação Nacional da Qualidade reco- menda o uso das publicações disponíveis na loja on-line da FNQ: o guia de referência da gestão para excelência e o instrumento de avaliação da maturidade da gestão. Ambos servem como avaliação e orientação quanto ao uso de um modelo de referência em excelência empresarial, o que valida um caminho estratégico para uma empresa que busca alcan- çar notoriedade quanto à sua eficiência e eficácia organizacional. Dessa forma, a implantação de um modelo de excelência se apre- senta como uma opção estratégica e se torna um diferencial para uma empresa que busca se destacar no mercado e focar seus esforços em melhorias e inovação de produtos e serviços guiadas por padrões de qualidade, o que fortalece a marca da organização. CONSIDERAÇÕES FINAIS Uma empresa que investe em conhecimento, infraestrutura e inovação aliados a uma estratégia de qualidade busca alcançar um reconhecimento acima da média geral do setor, o que faz com que haja uma percepção de valor de excelência naquilo que se propõe a produzir ou executar na forma de serviços. Há um desafio constante no que se refere à combinação ideal para que uma empresa tenha uma autenticidade perante seus consumido- res quanto aos elementos que configuram uma alta qualidade, o que de fato faz com que os gestores se ocupem em avaliar constantemente seu planejamento estratégico e o alinhamento com os padrões de qualidade vigentes. Ao considerar a evolução constante do comércio e do mercado consu- midor, os padrões de qualidade passam por mudanças frequentes, o que requer um monitoramento quanto às expectativas dos consumidores, as exigências de certificações e conformidades referentes aos padrões espe- rados pela sociedade. Por fim, a atuação conjunta entre fundamentos de excelência e um planejamento estratégico de médio e longo prazos é essencial para as empresas se manterem ativas e relevantes no mercado, caso contrário as mudanças acabam por ocorrer, e os consumidores passam a considerar novos padrões de qualidade, bem como novos produtos e serviços para atenderem às suas necessidades e seus desejos. 52 Gestão estratégica da qualidade ATIVIDADES Atividade 1 Com relação à base conceitual dos fundamentos de excelência empresarial, pode-se afirmar que surgiram da exigência de uma homogeneização dos padrões globais a serem praticados pelas in- dústrias que buscavam novos mercados consumidores em países estrangeiros? Justifique. Atividade 2 Quanto à aplicabilidade de critérios globais da excelência, pode-se afirmar que o uso é relativo e pode ser adaptado de acordo com o setor de atuação ao contexto socioeconômico e à dinâmica do mercado? Justifique. Atividade 3 As normas e certificações da qualidade no âmbito empresarial re- presentam formas concretas de se avaliar um processo industrial ou uma prestação de serviços, seguindo critérios de conformi- dades e padrões específicos quanto aos produtos e serviços? Justifique. Atividade 4 Com relação ao uso de modelos de referência em excelência, pode-se afirmar que as melhores empresas de um mesmo setor possuem um mesmo modelo de excelência e isso deve prevalecer para se manterem competitivas? Justifique. REFERÊNCIAS ABNT. ABNT, 2021c. Áreas de atuação. Disponível em: https://www.abnt.org.br/certificacao. Acesso em: 16 nov. 2021. ABNT. ABNT, 2021b. Sobre a certificação. Disponível em: https://www.abnt.org.br/ certificacao/sobre. Acesso em: 24 out. 2021. ABNT. ABNT, 2021a. Sobre a normalização. Disponível em: https://www.abnt.org.br/normalizacao/sobre. Acesso em: 24 out. 2021. BRASIL. INMETRO, 2021. Institucional. Disponível em: https://www.gov.br/inmetro/pt-br/ acesso-a-informacao/institucional. Acesso em: 24 out. 2021. https://www.abnt.org.br/certificacao Gestão estratégica com foco em excelência 53 CAMPOS, V. F. TQC: controle da qualidade total (no estilo japonês). 9. ed. Nova Lima: Falconi, 2014. CARPINETTI, L. C. R.; GEROLAMO M. C. Gestão da qualidade ISO 9001:2015: requisitos e integração com a ISO 14001:2015. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2016. FNQ. FNQ – Gestão para transformação, 2021. Fundamentos. Disponível em: https://fnq. org.br/fundamentos/. Acesso em: 25 out. 2021. KUAZAQUI, E. Planejamento estratégico. São Paulo: Cengage Learning Brasil, 2015. LIKER, J. K. O modelo Toyota: 14 princípios de gestão do maior fabricante do mundo. Porto Alegre: Bookman, 2007. MASLOW, A. H. Maslow no gerenciamento. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2001. OHNO, T. O sistema Toyota de produção: além da produção em larga escala. Trad. Cristina Schumacher. Porto Alegre: Bookman, 1997. REDAÇÃO com informações de La República. Peru aprova requisitos para importação de carne suína do Brasil. Suinocultura Industrial, 5 maio 2021. Disponível em: https://www. suinoculturaindustrial.com.br/imprensa/peru-aprova-requisitos-para-importacao-de- carne-suina-do-brasil/20210505-174255-u914. Acesso em: 19 out. 2021. TOLEDO, J. C et al. Qualidade: gestão e métodos. Rio de Janeiro: LTC, 2017. 54 Gestão estratégica da qualidade 4 Dinâmica estratégica da qualidade Planejamento estratégico e qualidade são elementos de gestão que servem para guiar uma empresa em sua trajetória e promover a excelên- cia de seus produtos e serviços. Para que isso ocorra, algumas iniciativas devem ser seguidas e implementadas pela gestão, a fim de alcançar um aprimoramento da qualidade como objetivo estratégico. Entre as possíveis iniciativas para a formulação de uma estratégia da qualidade, um dos passos iniciais é buscar informações relevantes ao objetivo central, para que seja formada uma base contextual que susten- te a construção de um plano. Além disso, um dos apontamentos dessa investigação é apresentar os pontos a serem melhorados na organização, pois a qualidade empresarial pode ser representada por diversas variá- veis, como a qualidade do produto e a eficiência da produção, da entrega e do atendimento, ou ainda pela soma de vários atributos. Para o consumidor, os requisitos de qualidade serão aqueles que aten- dam às suas expectativas, que podem ser representadas pela funcionali- dade e pelo desempenho do produto ou pelo atendimento do vendedor no momento da compra, por isso entender o cliente e reconhecer suas preferências fará a empresa atuar de maneira mais precisa e assertiva. Dentro desse contexto, uma empresa passa a iniciar a construção de um gerenciamento estratégico, reconhecendo os seus pontos mais for- tes, a sua cultura e a forma com que os funcionários se comprometem e desenvolvem as atividades, para que haja maior engajamento e visão coletiva quanto aos propósitos de um planejamento estratégico. Por fim, entende-se que a obtenção de uma posição superior aos seus concorrentes, por meio de um gerenciamento estratégico da qualidade, é um reconhecimento que necessita da elaboração e execução de um plano de médio a longo prazo, que seja implantado e gerenciado de modo sistêmico, o que deverá conduzir uma organização à aquisição de uma vantagem competitiva sustentável. Dinâmica estratégica da qualidade 55 4.1 Planejamento e implementação da qualidade Vídeo Planejamento estratégico é uma atividade de gestão que requer a coleta e análise de dados do ambiente interno e externo de uma empre- sa, que possibilite apontar informações para identificação dos pontos fortes e fracos da organização, bem como de possíveis oportunidades e ameaças no mercado, a fim de conquistar uma posição competitiva favorável (PORTER, 1991). Dentro das categorias de informações do ambiente externo, encontram-se indícios que orientem a construção de um plano que combine com os propósitos organizacionais e esteja alinhado com a missão e visão do negócio. De acordo com as oportunidades identifica- das, a empresa pode seguir para a definição de um posicionamento de mercado, que aponta para três formas de posicionar uma marca, que são (PORTER, 2005): 1. Liderança baseada em custos 2. Diferenciação do produto ou serviço 3. Nicho de mercado Am m us /S hu tte rs to ck Na primeira, o posicionamento deverá estar sustentado pela ca- pacidade de a empresa trabalhar com os menores preços do merca- do, mantendo uma qualidade semelhante à dos seus concorrentes, o que requer uma eficiência operacional de excelência, com a otimi- zação dos recursos necessários para a produção e que resulte em um menor custo. Na segunda, a empresa baseia-se em um diferencial competitivo di- fícil de ser copiado pelos rivais. Por exemplo, na indústria automotiva, um dos diferenciais do setor é a percepção de qualidade, que retrata a satisfação dos consumidores, por meio da análise de oito critérios, os quais podem ser vistos na figura a seguir (OS ELEITOS 2020..., 2020). Analisar as formas de pla- nejamento e implementa- ção da qualidade. Objetivo de aprendizagem https://www.shutterstock.com/pt/g/ammarcusandam 56 Gestão estratégica da qualidade Figura 1 Critérios de qualidade no setor automotivo Critérios de avaliação 1. Disponibilidade de peças 2 Prazo de realização dos serviços 3. Preço de mão de obra 4. Qualidade de atendimento 5. Pontualidade6. Transparência 7. Relação custo/ benefício na rede 8. Qualidade do trabalho executado Ji rk a_ To m ek /S hu tte rs to ck Fonte: Adaptada de Os eleitos 2020..., 2020. Esses critérios compõem um padrão de qualidade que se configura em um indicador “pós-vendas”, o que, para a indústria automotiva, é um diferencial que representa excelência e impacta positivamente a per- cepção de qualidade de uma marca. No entanto, um posicionamento estratégico com base em um diferencial deixa de existir quando os con- correntes passam a se assemelhar, e o que era um destaque para uma marca torna-se imperceptível para os consumidores (MCGRATH, 2013). Por fim, na terceira opção de posicionamento estratégico, trata-se de atuar em um nicho exclusivo do mercado, com um produto ou servi- ço único ou altamente especializado. Pode-se citar como exemplo, um fabricante de brinquedos de madeira, que serve para fins educativos, com opções para o aprendizado de formas geométricas, números e cores, conforme ilustrado a seguir. O livro Um guia do conhecimento em geren- ciamento de projetos (guia PMBOK®) traz indicações que apontam para o planejamento e a imple- mentação da qualidade, o que contribui para a gestão estratégica de uma organização. Dentro da proposta do PMBOK®, há um roteiro a ser es- tudado e implementado para o desenvolvimento de um projeto, seja algo simples, que não deman- da um grande volume de recursos, seja algo com- plexo, relacionado com uma mudança estratégi- ca de uma organização. PMI – PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. 6. ed. Newtown Square: PMI, 2017. Livro Dinâmica estratégica da qualidade 57 Figura 2 Exemplo de brinquedo educativo em madeira Ni ck F ed irk o/ Sh ut te rs to ck Além dessas formas de posicionamento, propostas por Porter, uma empresa pode implementar a qualidade em conjunto com outros atri- butos, como somar um diferencial, em um mercado de nicho, a um preço abaixo dos praticados pelos concorrentes do mesmo setor. No entanto, trata-se de uma estratégia complexa, pois depende de recur- sos de infraestrutura e tecnologia para estabelecer processos indus- triais e de gestão muito eficientes, a fim de obter um custo operacional relativamente baixo (PORTER, 2005). A elaboração de um planejamento estratégico com foco na quali- dade requer a definição de um direcionamento do uso dos recursos de uma empresa, de modo a orientar osseus esforços e a forma com que irá atuar no mercado, bem como as táticas que deverão ser usadas para obter um reconhecimento de excelência, a ponto de se manter sustentável e competitiva no setor em que atua. 4.2 Melhoria contínua e controles organizacionais Vídeo Uma empresa que esteja em uma fase de aprimoramento de sua forma de gestão e espere obter maior eficiência em seus processos deverá adquirir conhecimentos tácitos e explícitos. O primeiro por meio do relato de experiência de outras empresas que já passaram por processos de melhoria e compartilham sua vivência para outras empresas evitarem erros já cometidos, e o segundo por meio da instrução formal, do estudo de conceitos relacionados à melhoria contínua e aos controles organizacionais. Discriminar as caracterís- ticas da melhoria contínua e dos controles de gestão. Objetivo de aprendizagem https://www.shutterstock.com/pt/g/nickfedirko 58 Gestão estratégica da qualidade Além disso, há um aprendizado emergente, que surge com as prá- ticas que serão desenvolvidas pela própria empresa que está implan- tando uma sistemática de otimização em seus processos de gestão. Isso fará com que haja um conhecimento distinto, aprendido segundo o contexto em que a organização vive, bem como o setor no qual atua, e que possa gerar uma compreensão ampla do seu aperfeiçoamento. Essa forma simplificada de descrever como será um processo de me- lhoria contínua e a implementação de controles organizacionais revela, em partes, que os fundamentos de um aprimoramento empresarial se apresentam em construção permanente, que, além de estarem apoia- dos nas características de excelência da empresa, deverão considerar eventos externos que possam influenciar a gestão, conforme ilustrado a seguir; trata-se de fontes de informação a serem monitoradas. Figura 3 Fontes de informação do ambiente externo Político-legal EconômicaMeio ambiente Social Tecnológica Fonte: Elaborada pelo autor. Dentro dessas variáveis do ambiente externo podem ser encontra- das informações valiosas para uma organização, pois são fontes que revelam uma diversidade de dados, os quais poderão ser usados a fa- vor da empresa, como mudanças de comportamento da sociedade, da forma com que as pessoas compram e usam os produtos, das inova- ções que se tornam úteis para o dia a dia, das necessidades de se criar novos produtos, serviços e modelos de negócios ou ainda das empre- sas em oferecer soluções de problemas que possam ser resolvidos por uma organização (MINTZBERG; AHLSTRAND; LAMPEL, 2010). Dinâmica estratégica da qualidade 59 As informações geradas no ambiente externo servem de subsídio para que os gestores promovam um aprendizado estratégico, que se apresenta por meio de melhorias contínuas em seus processos de fabricação ou execução dos serviços. No entanto, isso “não significa que a empresa valoriza apenas pequenas mudanças incrementais e evita inovações fundamentais. Ela significa o compromisso com o ideal de melhorar continuamente todas as partes da organização” (LIKER; FRANZ, 2013, p. 2). Isso requer uma integração total das mais diversas áreas que uma empresa possa ter em sua gestão, o que significa certa complexidade para a implantação de um processo de aperfeiçoamento constante, além de uma necessidade de plano e normas que guiem a organização para o modelo eficiente de gestão, sem a necessidade de se aventurar em for- matos que precisem ser testados (CARPINETTI; GEROLAMO, 2016). Diante de uma integração e de posse de informações estratégicas, a empresa poderá pensar em como implantar um modelo diferencia- do de qualidade, a fim de obter uma vantagem competitiva valoriza- da pelos clientes e distinta dos concorrentes. Com isso, haverá uma necessidade de monitoramento e controles de todas as ações táticas, operacionais e estratégicas da organização. O Lucidchart é um aplicati- vo do tipo freemium (parte de seu acesso é gratuita – free –, parte mais completa é paga – premium) que oferece documentos editáveis, fáceis de serem preenchidos, e que podem ser usados para diversos fins. Conheça dentro dele o gráfico de Gantt, utilizado para gestão de controles organizacio- nais, servindo para uma finalidade estratégica, por exemplo, um cronograma de implementação de um sistema da qualidade. O aplicativo está disponí- vel para iOS e Android. Disponível em: https://www. lucidchart.com/. Acesso em: 14 jan. 2022. Saiba mais 4.3 Visão sistêmica e sistemática da qualidade Vídeo A percepção de uma ótima qualidade para um produto ou serviço é um resultado da articulação de etapas, tecnologias industriais e co- nhecimentos de gestão aplicados em processos que, ao final, gerarão a excelência esperada pelos seus consumidores. Dentro dessa concepção de reconhecimento da qualidade, observa-se que os consumidores fazem suas avaliações de acordo com as suas experiências, como exemplo, a presteza do vendedor no instante da venda, a agilidade de atendimento ou o momento de usabilidade do produto, que irão demonstrar o quanto a sua funcio- nalidade é boa ou não. Dessa forma, entende-se que uma gestão estratégica da qualidade deverá levar em consideração uma visão sistêmica da experiência de consumo, ou seja, apresentar-se de maneira superior ao concorrentes, em todos os pontos de contato de seu público-alvo, desde o início da busca de um produto até a sua experimentação. Compreender o conceito de qualidade sob a perspectiva sistêmica e sistemática. Objetivo de aprendizagem https://www.lucidchart.com/ https://www.lucidchart.com/ 60 Gestão estratégica da qualidade De acordo com Cresciteli e Shimp (2016, p. 13), “pontos de con- tato significam qualquer meio de mensagem capaz de alcançar os consumidores-alvo e apresentar a marca sob uma luz, preferencial- mente, favorável”, o que reforça uma visão ampla de se manter visível ao mercado. Na figura a seguir vê-se que são várias as oportunidades para uma empresa comunicar seus valores aos consumidores, o que se entende por visão sistêmica e estratégica das ações de marketing, com o viés de se diferenciar pela qualidade. Figura 4 Pontos de contato de uma marca com o mercado consumidor Kh vo st /S hu tte rs to ck Comunicação no ponto de venda (PDV) Internet Funcionários Imprensa Ambiente de loja (layout, identidade visual e uniformes) Influenciadores e formadores de opinião Experiência pessoal Comunicação fora do PDV (propaganda) Embalagem Boca a bocaPúblico intermediário Feiras/eventos Fonte: Adaptada de Cresciteli; Shimp, 2016, p. 15. Nesses casos, uma comunicação de marketing permanente, ca- paz de expor os atributos positivos de uma marca, poderá somar uma futura experiência com o produto e reforçar uma imagem ou percepção de qualidade iniciada por meio de mensagens frequentes aos consumidores. Desde o momento que uma marca consegue a atenção e o interesse do seu público-alvo e firma uma identidade de qualidade, aumentam as responsabilidades para que se garanta a qualidade dos produtos ou serviços. Nesse momento de crescimento de uma marca, os gestores devem considerar que as táticas ou os programas usados para um au- mento da qualidade da empresa deverão ser administrados na forma de um sistema que agrupe os elementos necessários para a gestão da qualidade, podendo, por meio de uma atuação sistemática, perpetuar- -se na organização, o que caracterizará uma estratégia de qualidade. Dinâmica estratégica da qualidade 61 Com isso em mente, a administração pode contar com a ideia de transformar o processo ordenado em um sistema de gestão da qualidade (SGQ), o qual poderá ser mais bem estruturado com o uso de uma referência técnica para sua implantação, como é o caso da norma NBR ISO 9001, a qual trata de requisitos da qualidade para a implantação em uma empresa que deseja obter um credenciamento que comprove o seu uso. Esse credenciamento é conseguido por meio do contrato de serviço de uma auditoria com algumainstituição independente, que irá averi- guar a correta implementação e o uso dos requisitos citados na norma, respaldada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que orienta, no Brasil, o uso adequado de padrões internacionais de produ- ção, qualidade, entre outros (ABNT, 2022). Dessa forma, entende-se que a atuação de uma gestão em prol da obtenção e do reconhecimento de sua qualidade não é uma ini- ciativa singular, e sim um processo amplo, que envolve diversos elementos, internos e externos à organização, requerendo uma arti- culação de esforços com base em um objetivo único, o da conquista de uma empresa de excelência. Dentro do site da ABNT há diversas normas e regulamentos que podem ser adquiridos para serem estudados, analisados e usados na fundamenta- ção de um planejamen- to estratégico para a criação de um sistema de gestão da qualidade. De posse de uma norma, os gestores podem guiar a empresa a tomar rumos mais precisos quanto aos propósitos de qualidade, o que irá conferir maior credibilidade ao modelo de gestão praticado. Disponível em: https://www. abntcatalogo.com.br. Acesso em: 14 jan. 2022. Site 4.4 Vantagem competitiva com base na qualidade Vídeo Dentro da área de conhecimento da estratégia organizacional, a qual se resume ao uso eficiente e eficaz das competências e habilidades que uma empresa vier a desenvolver, há o conceito de vantagem competi- tiva, que objetiva o alcance de um diferencial único, representante dos atributos de qualidade da marca e gerador de um impacto positivo. De acordo com Magretta (2019, p. 98-99), vantagem competitiva significa “uma diferença no preço relativo ou nos custos relativos que surge por causa das diferenças nas atividades em execução”. Assim, a fonte desse diferencial é uma expertise que a empresa adquiriu com a sua produtividade ou eficácia operacional 1 A expressão foi cunhada por Porter (referência global na área de estratégia) para se referir à capacidade de uma empresa de executar atividades similares entre os concorrentes, de uma ma- neira superior, com menos recursos e mais resultados. 1 , o que requer a excelência no uso de recursos internos, como a sua infraestrutura (equipamentos, máquinas, hardware e softwares), o seu pessoal (competências e habi- lidades) e as suas finanças (orçamento anual) disponíveis para a gestão. Para alcançar e manter um diferencial como esse, os gestores de uma empresa monitorarão o ambiente externo e interno da empresa, Analisar o conceito de vantagem competitiva com base nos elementos de qualidade. Objetivo de aprendizagem https://www.abntcatalogo.com.br https://www.abntcatalogo.com.br 62 Gestão estratégica da qualidade com o intuito de identificar as competências essenciais que devem se- guir para atender às novas demandas do mercado, pressupondo uma evolução constante dos produtos e serviços, fomentados por inova- ções, o que vai ao encontro da ideia de volatilidade de uma vantagem competitiva (MCGRATH, 2013). Essa questão de temporalidade de um diferencial estratégico é ex- plicada por Hitt, Ireland e Hoskisson (2018, p. 77) da seguinte forma: nenhuma vantagem competitiva dura eternamente. Com o tempo, os rivais utilizam seus próprios recursos, capacidades e competências essenciais exclusivas para formar diferentes pro- postas de criação de valor que imitam a capacidade da empresa focal de criar valor para os clientes. Como as vantagens compe- titivas não são sustentáveis por longo tempo, as organizações devem explorar suas vantagens atuais enquanto utilizam recur- sos e para formar novas vantagens que possam levar a um futu- ro sucesso competitivo. Esse conceito contribui para que a gestão entenda quais vantagens deverão se manter perenes e quais serão temporárias. As duradou- ras serão aquelas que sempre acompanharão a imagem da empresa e são perceptíveis pelos consumidores como um sinônimo da marca, como o uso de uma política de qualidade como parte de uma estraté- gia; as interinas serão aquelas que atendam a um contexto emergen- te, promovido por uma inovação, ou aos hábitos de consumo, como o crescimento do comércio eletrônico que exige, paralelamente, o de- senvolvimento de competências na área de logística (MCGRATH, 2013). Uma competência provisória poderá se tornar permanente após certo período de maturação, no entanto, pode ocorrer de os concorrentes também assimilarem esse diferencial e, assim, deixar de ser um diferencial estratégico, passando a ser considerado uma tática, indispensável para todas as empresas que atuarem no setor no qual essa qualificação foi criada (MCGRATH, 2013). Dessa forma, uma vantagem competitiva com base em atributos mais populares, como excelência e qualidade, é usada como pilar de uma gestão estratégica que se utiliza da eficácia operacional para concorrer, pois é duradoura e há possibilidade de a empresa alcan- çar um destaque diante os concorrentes caso atue com um diferen- cial de qualidade. O livro Não são os grandes mas os rápidos que ganham: a empresa e a velocidade trata de estratégia, posicionamento e competitividade. Os autores apresentam uma análise das características das empresas competiti- vas e vencedoras, aquelas que se sobressaem a seus concorrentes. Os traços que as marcam estão relacionados à velocidade com que agem diante das oportunidades e ameaças do ambiente externo à or- ganização. São os rápidos que devoram os mais len- tos, ou seja, a competitivi- dade não é determinada pelo tamanho da empresa, e sim pela rapidez com a qual ela consegue colocar em prática suas táticas e estratégias. JENNINGS, J.; HAUGHTON, L. Rio de Janeiro: Campus, 2001. Livro Dinâmica estratégica da qualidade 63 Conforme o quadro a seguir, uma vantagem competitiva resulta das atividades na cadeia de valor de uma empresa. Quadro 1 Diferença entre eficácia operacional e vantagem competitiva Eficácia operacional Vantagem competitiva Atividades Executa as mesmas atividades que os concorrentes usam para produzir seus pro- dutos ou serviços, porém melhor. Produz os mesmos produtos ou serviços, mas executa as atividades de uma maneira exclusi- vamente melhor (diferenciada). Valor criado Atende às mesmas necessidades do mercado, mas seus custos são menores. Supera os concorrentes com seus produtos ou serviços, com custos relativamente semelhantes. Vantagem Vantagem de custos, mas difícil de sustentar. Custos menores e sustentáveis devido aos di-ferenciais que pratica. Competição Ser o melhor devido à eficiência e eficácia da execução. Ser o melhor devido a uma exclusividade e es- tratégia de mercado. Fonte: Adaptado de Magretta, 2019, p. 99. É possível observar as diferenças pontuais entre uma empresa que busca ser melhor que os seus rivais e outra que desenvolve uma van- tagem competitiva e, com isso, pode se distanciar dos concorrentes e obter uma preferência pelo mercado consumidor. Por isso, de acordo com Magretta (2019), em uma gestão estratégica, é essencial refletir so- bre aspectos como: • reconhecer recursos internos que sejam diferenciados; • distinguir competências operacionais comuns do setor, exclusi- vas e diferenciadas; • identificar fontes internas de uma possível vantagem competitiva; • analisar a empresa de maneira sistêmica. Diante dessas observações, entende-se que dificilmente uma em- presa se manterá estável com algum diferencial competitivo, devido ao aprendizado organizacional de seus oponentes, que, diante de uma ofensiva estratégica, deverão responder com novas instruções, ajustando-se segundo a movimentação do mercado. 64 Gestão estratégica da qualidade CONSIDERAÇÕES FINAIS O planejamento de melhorias em uma organização e a obtenção de uma vantagem sustentável diante dos concorrentes são questões de prio- ridade para as empresas que buscam se posicionar nas melhores coloca- ções do mercado. Trata-se de oferecer um melhor produto ou serviço que os concorrentes, mantendo a qualidade e a confiança.Para isso, um trabalho árduo deverá ser feito, com um propósito de es- tabelecer um ritmo ou “compasso”, mantendo um fluxo contínuo de pro- dutividade e excelência nos negócios. A empresa que pensa de maneira sistemática sabe que todos são corresponsáveis pelos resultados de uma marca, o que lhe confere também a característica de atuação sistêmica. Essa forma de pensamento, ampla e coletiva, faz com que a cultura de uma organização seja construída com sólidos valores relacionados à excelência, que motivam os funcionários a agir de maneira assertiva, com um senso de cumplicidade com relação ao desempenho de todas as equipes de profissionais. Por fim, entende-se que a primazia de uma gestão estratégica é uma condição perene, na qual os gestores não deixam atenuar seus esforços estratégicos para a qualidade, pela aparente conquista de um diferencial, que pode ser temporário, devido à possibilidade de apren- dizado dos concorrentes ou de surgimento de novas demandas e ino- vações na sociedade. ATIVIDADES Atividade 1 Com relação ao planejamento e à implementação da qualidade, pode-se afirmar que basta seguir os requisitos básicos de quali- dade do setor de atuação para que rapidamente uma empresa seja capaz de alcançar um reconhecimento de excelência? Justifique. Atividade 2 As práticas de melhoria contínua servem apenas para indústrias ou empresas de serviços de grande porte? Justifique. Dinâmica estratégica da qualidade 65 Atividade 3 A respeito da visão sistêmica e sistemática da qualidade, pode-se afirmar que são qualidades que possuem o mesmo objetivo den- tro do conceito de gestão estratégica da qualidade? Justifique. Atividade 4 De acordo com os conceitos de vantagem competitiva, é correto afirmar que uma empresa que obtém um diferencial, em seus produtos, serviços ou modelo de negócio, pode considerar que atingiu uma superioridade estável em relação aos concorrentes e apenas deve manter sua hegemonia? Justifique. REFERÊNCIAS ABNT. ABNT Catálogo, 2022. Página inicial. Disponível em: https://www.abntcatalogo.com. br/. Acesso em: 12 jan. 2022. CARPINETTI, L. C. R.; GEROLAMO, M. C. Gestão da qualidade ISO 9001:2015: requisitos e integração com a ISO 14001:2015. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2016. CRESCITELI, E.; SHIMP, T. A. Comunicação de marketing: integrando propaganda, promoção e outras formas de divulgação. São Paulo: Cengage Learning, 2016. HITT, M. A.; IRELAND, R. D.; HOSKISSON, R. E. Administração estratégica: competitividade e globalização. 4. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2018. LIKER, J. K.; FRANZ, J. K. 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Vantagem competitiva: criando e sustentando um desempenho superior. 28. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2005. https://quatrorodas.abril.com.br/os-eleitos/os-eleitos-2020-estas-sao-as-marcas-com-os-melhores-pos-venda-do-ano/ https://quatrorodas.abril.com.br/os-eleitos/os-eleitos-2020-estas-sao-as-marcas-com-os-melhores-pos-venda-do-ano/ 66 Gestão estratégica da qualidade 5 Sistemas de medição de desempenho Avaliação empresarial é um tema essencial para todo tipo de or- ganização, de qualquer tamanho e propósito. Trata-se da análise do quanto uma empresa se mantém sustentável e relevante para o mer- cado. Além disso, faz-se necessário um acompanhamento constante do desempenho em relação aos concorrentes, a fim de verificar em qual patamar a marca se encontra no setor de atuação. O uso de técnicas de desempenho de um negócio depende dos propósitos que a empresa deseja alcançar, o que significa monitorar tanto as atividades operacionais (rotineiras) como as estratégicas (de longo prazo) que apresentem um panorama assertivo quanto ao foco ao qual a organização se dedica. Com um alinhamento entre o uso adequado de recursos da em- presa, os esforços das equipes de funcionários e uma definição obje- tiva e realista da estratégia, a empresa se mantém ativa e competitiva diante da concorrência e das novas demandas da sociedade, bem como das inovações que podem modificar todo o ambiente social e influenciar os consumidores a procurarem por novos produtos ou serviços. Desse modo, a evolução das empresas se apresenta de maneira constante, exigindo uma permanente avaliação de desempenho, a ser realizada de uma forma sistêmica e sistemática, que represente a eficiência na execução da estratégia. Essa avaliação deve ser guiada por princípios de gestão da qualidade, os quais manterão a empresa sustentável e inovadora ao longo de sua atuação. Sistemas de medição de desempenho 67 5.1 Fundamentos de desempenho organizacional Vídeo Desempenho organizacional é um conceito amplo que envolve a escolha, a organização e a interpretação dos dados que melhor re- presentem os resultados obtidos em determinado período. A sua amplitude se encontra desde a coleta dos dados, os quais podem ser originados de várias áreas, como financeira, vendas, produção, lo- gística, gestão de pessoas, entre outras, até a sua configuração final, podendo ser apresentada no formato de um painel de controles que expõe um conjunto de informações para sinalizar a performance da empresa (SINK; TUTTLE, 1993). No entanto, até os anos 1930, as corporações industriais contavam com análises de resultados baseadas em aspectos financeiros, como a lucratividade e o faturamento bruto. No decorrer dessa década, o es- tatístico William Edwards Deming introduziu, nos Estados Unidos, a aplicação de métodos de mensuração de processos industriais funda- mentados em cálculos estatísticos. Isso promoveu um avanço no concei- to de desempenho em negócios e aumentou a capacidade das empresas em suas autoavaliações (CARVALHO; PALADINI, 2012; DEMING, 1990). Com essa evolução do conhecimento e a aplicação de indicadores de resultados nas operações industriais, surgiram novas iniciativas que aumentaram a capacidade das empresas de analisarem sua atuação, por meio do planejamento estratégico de crescimento e diversificação dos negócios. As empresas que se destacaram nos anos 1950 atuavam segundo uma visão de negócios de longo prazo, com um olhar para as oportunidades e tendências do mercado, o que resultava em grandes saltos de competitividade no momento que surgiam novas demandas (PENROSE, 2007). Esse agrupamento de informações, exposto de maneira organiza- da, é popularmente conhecido pela palavra inglesa dashboard (painel de controles). Conforme a Figura 1, pode conter várias categorias de indicadores de desempenho, que poderão ser acessadas de acordo com os propósitos e as metas de cada área da empresa. Ou seja, para o pessoal de uma linha de produção, o foco é monitorar os dados operacionais, por exemplo, as peças produzidas por hora, e, para a Conhecer os concei- tos de desempenho organizacional. Objetivo de aprendizagem 68 Gestão estratégica da qualidade alta administração, o foco estará nas informações estratégicas, como a participação relativa de mercado ou volume médio de vendas por cliente (BRITTO, 2015). Figura 1 Exemplo de painel de controle com várias categorias de informações An dr ey _Pop ov /S hu tte rs to ck Essa forma visual de gerir e monitorar os resultados de uma empre- sa revela o seu desempenho organizacional, que, de acordo com Oli- veira (2006, p. 214), trata-se de “identificação, análise, ordenação e agrupamento das atividades e recursos das empresas”. Além disso, tem o papel de fornecer uma visão sistêmica da gestão, o que permite aos gestores um controle preciso dos pontos fortes e fracos da empresa. Dentro desses dois aspectos, os pontos fortes de uma empresa são caracterizados pelas suas competências essenciais, isto é, um conjunto de habilidades que a empresa domina e oferece com excelência na forma de um produto ou serviço. Como exemplo, pode-se citar uma indústria que fabrica seus produtos com o menor índice de defeitos em comparação com os concorrentes (PRAHALAD; HAMEL, 2005). Devido a essa orientação, a estratégia se apresenta como um ca- minho a ser seguido, com o objetivo de alocar recursos financeiros, de infraestrutura e de pessoal, para que atinjam os propósitos cen- trais da organização. Dessa forma, surge um alinhamento entre o desempenho organizacional e o planejamento da estratégia; ou seja, é uma forma de direcionamento para medir aquilo que é relevante ao escopo principal. O livro Métricas de Marketing: o guia defi- nitivo de avaliação do desempenho do marketing apresenta 50 métricas para serem usadas em qualquer tipo de empresa ou negócio. Assim, aponta suas definições e explora seu uso, que pode ser ajustado de várias formas dentro de uma gestão. Além disso, as métricas apresentadas servem de parâmetro para que se desenvolva um modelo de avaliação de desempenho da empresa, levando em consideração que existe uma diversidade de características singu- lares em cada cultura organizacional, o que faz com que as pessoas escolham alguns indica- dores que consideram mais importantes para a estratégia da empresa. FARRIS, P. W. et al. 2. ed. Rio de Janeiro: Bookman, 2012. Livro Sistemas de medição de desempenho 69 Por fim, os fundamentos de desempenho organizacional estão pautados na escolha do que será avaliado, dos números certos a se- rem interpretados e da forma como os indicadores podem auxiliar uma empresa a manter seu foco na produtividade e no atendimento às ne- cessidades e aos desejos de seus clientes. 5.2 Técnicas de avaliação de desempenho Vídeo O uso de técnicas de avaliação de desempenho organizacional de- penderá do seu propósito. Sendo assim, para ações de caráter estraté- gico, como a expansão de uma marca em um período de longo prazo, haverá a necessidade de um conjunto de indicadores que seja interpre- tado com essa finalidade. Como exemplos há o aumento do número de revendedores nacionais, o volume de vendas, a participação relativa do mercado, entre outras medidas que possam ser usadas para repre- sentar uma informação. Há, também, formas conceituais de se criar um processo de avalia- ção sistemático, usando uma norma de padrão internacional, a ABNT NBR ISO 9001:2015. Essa norma trata dos requisitos para a implanta- ção de um sistema de gestão da qualidade e apresenta uma concepção sobre avaliação de desempenho, que se configura, de acordo com Carpinetti, Gerolano e Miguel (2016, p. 88), da seguinte maneira: avaliação de desempenho é normalmente feita considerando duas dimensões: eficácia e eficiência. Avaliar a eficácia significa avaliar em que medida o resultado planejado foi atingido. Ava- liar a eficiência significa avaliar o quanto de recursos materiais e humanos foi utilizado para a geração do resultado. A eficácia relaciona-se com o atendimento dos requisitos dos clientes e outras partes interessadas. A eficiência relaciona-se à produtivi- dade dos recursos. Essa norma estabelece que os dados devem ser originados de um processo sistemático de coleta de dados, capaz de manter um arma- zenamento seguro, e devem ser acessíveis aos gestores, sempre que houver a necessidade de análise e avaliação. Compreender técnicas aplicadas à avalia- ção de desempenho organizacional. Objetivo de aprendizagem 70 Gestão estratégica da qualidade Ni co El Ni no /S hu tte rs to ck Além disso, de acordo com a NBR ISO 9001 (ABNT, 2015, p. 19), os resul- tados da análise deverão ser usados na avaliação dos seguintes aspectos: a) conformidade de produtos e serviços; b) o grau de satisfação de cliente; c) o desempenho e a eficácia do sistema de gestão da qualidade; d) se o planejamento foi implementado eficazmente; e) a eficácia das ações tomadas para abordar riscos e oportunidades; f) o desempenho de provedores externos; g) a necessidade de melhorias no sistema de gestão da qualidade. Essa forma de avaliação do desempenho de uma empresa é foca- da em um modelo de gestão estratégica da qualidade, por promover aspectos de produtividade e qualidade e o desenvolvimento de toda a organização. Esses são princípios da administração estratégica, sus- tentados por uma visão de longo prazo e por objetivos que impactem a gestão como um todo (JOHNSON; SCHOLES; WHITTINGTON, 2011). Além do desempenho dos processos internos e da produtividade da organização, há formas de mensurar a satisfação do cliente quanto aos produtos e serviços oferecidos. É possível observar, na Figura 2, algumas questões que podem ser coletadas sobre a experiência do cliente, para depois serem analisadas e servirem de base para tomadas de decisões. O software Tableau é um componente essencial para a gestão das informa- ções de uma empresa, capaz de criar painéis de controle, com gráficos que apresentam resultados em tempo real. Ideal para empresas que já possuem um processo sistemático de captação de dados, mas necessitam organizar todas as informações em um local. Saiba mais acessando o link a seguir. Disponível em: https://www. tableau.com/pt-br/learn/get-s- tarted/dashboards. Acesso em: 13 jan. 2022. Site https://www.tableau.com/pt-br/learn/get-started/dashboards https://www.tableau.com/pt-br/learn/get-started/dashboards https://www.tableau.com/pt-br/learn/get-started/dashboards Sistemas de medição de desempenho 71 Figura 2 Exemplo de questionário de satisfação do cliente M on ki k/ Sh ut te rs to ck Avaliação de satisfação do cliente Título: Avaliação de satisfação do cliente Emitido: Elaborado por: Número: Aprovado por: Revisão: Caro cliente: com o objetivo de melhorar a qualidade dos nossos serviços e atender aos requisitos da ISO 9001:2015, solicitamos que os itens abaixo sejam avaliados com notas de 1 (ruim) a 5 (excelente), para podermos avaliar nossos processos e melhorar a sua satisfação. Empresa: Nome: Departamento: Assinatura: Data: 5 4 3 2 1 1. Qualidade do produto 2. Pontualidade do serviço prestado 3. Confiabilidade 4. Preço ofertado 5. Prazo 6. Fase de projeto 7. Fase de fabricação 8. Faturamento e entrega do pedido Comentários Fonte: Adaptado de Carpinetti; Gerolano; Miguel, 2015, p. 91. 72 Gestão estratégica da qualidade No entanto, uma forma contemporânea de aplicar essa técnica é por meio do formato digital, seja pela internet, em um momento de compra virtual, seja em uma loja presencial, com a disponibilidade de um tablet para que o cliente possa expor sua experiência pós-compra. Essa técnica é conhecida pelo termo, em inglês, net promoter score (NPS) e se resume a mensurar a satisfação do cliente, a fim de saber o quanto ele, após a sua experiência de compra, pode recomendar a marca para outras pessoas (REICHHELD, 2003). Por fim, o uso de técnicas de mensuração de resultados promove informações de caráter operacional e estratégico. A saber, as primei- ras são aquelas monitoradas no dia a dia, em atividades rotineiras, de menor impacto a longo prazo, pois podem ser corrigidas ou melhora- das sempre que necessário. Já a segunda categoria de informações se refere àquelas de longo prazo, que impactam o futuro da organização e necessitam de grandes movimentações e recursos para sua viabili- dade. Assim,um gestor deve contar com uma capacidade de análise sistêmica, ficando de olho no futuro, mas enxergando o que ocorre no presente. 5.3 Métricas de gestão estratégica da qualidade Vídeo Avaliar uma estratégia empresarial requer o uso de conceitos que atendam aos propósitos amplos de uma gestão organizacional – o que é diferente de verificar a produtividade, por hora, de uma máquina. O controle e a mensuração da estratégia são algo que envolve toda a organização, desde o posicionamento que uma marca assume até a capacidade de aprendizagem necessária para se adequar a uma evolução do mercado. No que diz respeito aos conceitos relacionados à avaliação de uma estratégia empresarial, os consultores e autores Robert Kaplan e David Norton se tornaram referência na área de avaliação da estratégia. Eles propõem que uma empresa não pode ser vista apenas sob o ponto de vista de sua lucratividade (aspecto financeiro), mas somar a isso o quanto os clientes estão satisfeitos com os produtos e serviços, além de avaliar o quanto a organização está evoluindo em conhecimento e experiência no mercado e como estão sendo aprimorados os pro- cessos internos dela, segundo o aumento de sua eficiência e eficácia. Compreender o uso de métricas de gestão estratégica aplicadas à qualidade. Objetivo de aprendizagem Sistemas de medição de desempenho 73 Esse conceito é denominado de balanced scorecard (BSC), que, em uma tradução livre, refere-se a “indicadores balanceados de desempe- nho”, representados por meio da análise de quatro variáveis, as quais, segundo os autores, atendem às áreas estratégicas de uma organização. A Figura 3 demonstra as perspectivas do BSC, bem como algumas ques- tões que orientam a análise que deve ser feita em cada uma das áreas. Perspectiva do aprendizado e crescimento Perspectiva do cliente Perspectiva dos processos internos Perspectiva financeira Figura 3 Perspectivas do balanced scorecard (BSC) Quais são as iniciativas e atividades da empresa que geram valor para os clientes e promovem os objetivos financeiros? Quais são as expectativas da alta administra- ção em relação ao desempenho financeiro? Quais são os processos em que devemos manter uma excelência, a fim de satisfazer os clientes? Como são ali- nhados os recur- sos intangíveis, como as habili- dades das pes- soas, o sistema e a cultura organizacional, a fim de impac- tar a melhoria dos processos críticos? Ab er t/ Sh ut te rs to ck Fonte: Elaborada pelo autor com base em Kaplan; Norton, 2017. Essas quatro perspectivas compõem um conjunto de informações que deve ser interpretado sistemicamente, ou seja, há uma inter-relação entre os propósitos de aprendizagem organizacional e os resultados fi- nanceiros. Isso porque ambos fazem parte de um complexo de dados que representa o desempenho da empresa como um todo. Kaplan e Norton (2017, p. 7-8) explicam que: Cada uma dessas quatro perspectivas é interligada por uma ca- deia de relações de causa e efeito. Por exemplo, um programa de treinamento para aprimorar as habilidades dos empregados 74 Gestão estratégica da qualidade (perspectiva de aprendizado e crescimento) contribui para a melhoria dos serviços aos clientes (perspectiva dos processos internos), o que, por sua vez, resulta em maior satisfação e lealda- de dos clientes (perspectiva dos clientes) e, por fim, aumenta a receita e as margens (perspectiva financeira). A definição e o uso de métricas aplicadas a uma gestão estratégica da qualidade têm uma premissa de que a organização deve conhecer a fundo quais são as suas competências, o que a torna diferente dos concorrentes e o que irá se desencadear na definição de objetivos estra- tégicos que possam ser avaliados. No entanto, a inserção da gestão da qualidade como aliada aos processos estratégicos se apresenta como um indicador do posicionamento em que a empresa deseja ser reconhecida. Os critérios que podem ser utilizados na definição das métricas de gestão podem ser fundamentos sob três aspectos, que, segundo Johnson, Scholes e Whittington (2011), são: Cr ité rio s pa ra u m a av al ia çã o da e st ra té gi a Indicadores que avaliem a adequação quanto à realidade e ao contexto em que a empresa se encontra. Indicadores que meçam a aceitabilidade perante as expectativas das pessoas que fazem parte da empresa, como os funcionários, sócios ou acionistas. Indicadores que apontem a viabilidade em relação às competências organizacionais necessárias para a implantação de uma estratégia da qualidade. seamuss/Shutterstock O controle desses parâmetros pode representar o quanto uma empresa está preparada para instituir uma gestão competitiva, que se diferencie dos concorrentes e seja percebida pelo mercado por sua excelência estratégica. Dessa forma, obtém-se uma consistência estratégica, que se trata da articulação dos recursos necessários para a obtenção dos resultados esperados. Sistemas de medição de desempenho 75 Avaliar uma estratégia não é algo simples; diferentemente de técni- cas que avaliam atividades operacionais, a estratégia possui, em alguns aspectos, uma característica de intangibilidade – por exemplo, a imple- mentação de um modelo de negócios visionário, inexistente no merca- do, mas que, por meio de uma articulação de recursos e do uso de um conhecimento específico, torna-se viável no mercado. Esse exemplo é comum de ser encontrado em empresas de tecnolo- gia da informação, que surgem com uma estratégia inusitada e um novo serviço e, em pouco tempo de vida, destacam-se em âmbito global. É o caso da Amazon, que se tornou um dos maiores varejistas on-line do mundo ao criar um modelo digital de negócios (PWC BRASIL, 2020). Essa consistência estratégica, emergente e inovadora é algo que promove uma organização a um patamar superior ao de seus concorrentes, por meio da articulação de um conjunto de iniciativas de alto impacto na estrutura da empresa, disseminadas em todos os níveis hierárquicos. Serve, também, para o desenvolvimento de uma cultura de excelência, voltada ao comprometimento com os objetivos centrais da empresa. O livro A estratégia em ação: balanced scorecard, dos autores Norton e Kaplan, é um clássico da área de negócios, com uma grande contribuição para a implantação de um sistema de mensuração de resultados oriundos de uma estratégia empresa- rial. Por meio de quatro grandes variáveis, os autores conceituaram uma forma contínua de aprendizado e crescimen- to de um negócio. Rio de Janeiro: Campus, 2002. Livro 5.4 Perspectivas da gestão da qualidade Vídeo A qualidade em uma organização e a gestão estratégica não são iniciativas que ocorrem por acaso, dado a um suporte técnico ne- cessário, um planejamento de longo prazo e os recursos necessários para que haja a implementação de um modelo de negócios baseado em uma estratégia de qualidade. Como foi visto, é necessário definir o que se espera de um desempe- nho organizacional, a fim de alinhar as expectativas propostas em um planejamento estratégico com as atividades operacionais e rotineiras que irão construir um resultado conjunto. Dentro dessa visão de usar diversas variáveis para compor um painel de resultados, Paladini (2009) ressalta que há cinco elementos básicos em uma avaliação de desempenho, que são: Conhecer tendências de gestão com base nos princípios da qualidade. Objetivo de aprendizagem 76 Gestão estratégica da qualidade O nível de satisfação dos consumidores e dos clientes. Elementos para uma avaliação de desempenho A eficiência dos processos produtivos. A disponibilidade de mão de obra treinada, acessível e disponível. O delineamento dos objetivos da empresa. O suporte técnico e estratégico ao processo de melhoria contínua. Al ek sa nd r B ry lia ev /S hu tte rs to ck Essas diretrizes compõem uma série de detalhamentos, os quais podem ser descritos de acordo com o contexto decada organização; logo, para uma empresa de serviços, será diferente do que para uma indústria automobilística. Isso se refere ao que Prahalad e Hamel (2005) denominaram de competências essenciais que a empresa desenvolve ou adquire, a fim de obter um diferencial estratégico relevante e difícil de ser copiado pelos concorrentes. Esses mesmos autores ressaltam que atuar de maneira estratégi- ca é visualizar as possibilidades de se tornar uma empresa cada vez mais expressiva no mercado, ou seja, “a competição pelo futuro é uma competição pela participação nas oportunidades, e não pela participa- ção no mercado” (PRAHALAD; HAMEL, 2005, p. 35). Essa concepção de futuro tem a ver, também, com a equipe que se forma e o desempenho que os funcionários são capazes de promo- ver, segundo o conhecimento acumulado e desenvolvido. Esses fato- res tornam a empresa mais bem capacitada para atender às futuras oportunidades, o que se resume a uma cultura de excelência (Figura 4), moldada para atingir resultados duradouros e inovadores. Sistemas de medição de desempenho 77 Figura 4 Quatro fatores que moldam o comportamento administrativo Cultura corporativa Trata-se do engajamento e comprometimento dos funcionários com os valores e objetivos estratégicos. Estrutura formal, sistemas, planos e normas Refere-se à organização das funções, atividades, responsabilidades e normativas institucionais. Liderança Diz respeito aos esforços para articular e implementar a visão e a estratégia empresarial e às iniciativas e atitudes voltadas a motivar e obter o comprometimento dos funcionários. Ambiente competitivo e regulador Trata-se da característica do setor que a empresa atua, sendo alguns mais rígidos, outros flexíveis. Al ek sa nd r B ry lia ev /S hu tte rs to ck Fonte: Adaptada de Kotter; Heskett, 1994, p. 6. A estratégia de desenvolver uma cultura forte, estrategicamente ajustada a um estilo ou perfil estratégico, apresenta-se como um elemento que viabiliza o alcance da qualidade e produtividade, configurando-se como uma parte da estratégia empresarial. De acordo com Juran e Defeo (2015), a qualidade estratégica pode assumir significados distintos quanto ao posicionamento adotado por uma marca. Por um lado, pode-se considerar o desempenho do pro- duto, a ausência de defeitos ou a satisfação dos clientes, e, por outro, pode-se levar em consideração a capacidade de gerar novos produtos e serviços para oportunidades e demandas que surgem. Portanto, isso se apresenta como uma competência de se ajustar e inovar diante do desenvolvimento do mercado. Inovação Competência Na zA rt/ Sh ut te rs to ck 78 Gestão estratégica da qualidade Essa questão de mudanças e evolução dos negócios tem a ver com uma globalização perene, que impulsiona a demanda de novas estra- tégias e do aprimoramento da qualidade, devido às necessidades dos consumidores, que também sofrem influências enquanto se deparam com produtos e serviços de melhor qualidade, disponíveis por novos canais de vendas e comunicação. De acordo com Hooley, Piercy e Nicoulaud (2011, p. 51), pode-se afirmar que: estamos experimentando atualmente um movimento em di- reção a mercados gigantescos e em escala mundial em que é possível buscar com afinco as economias de escala na produção, na comercialização e na distribuição. O resultado serão custos significativamente mais baixos, criando grandes problemas para os concorrentes que não operem em escala global. Isso vai ao encontro da necessidade de uma gestão atuante, voltada à estratégia da qualidade, com características de se manter inovadora e atrativa para o mercado. A ampliação dos mercados e a diminuição das distâncias, em razão do uso de tecnologias de comunicação aplicadas à comercialização dos produtos, fazem com que as empresas concorram com adversários diferentes daqueles com os quais estão acostumadas a lidar, o que pode surpreender com uma nova estratégia ou um novo modelo de negócio. Com isso, a perspectiva da gestão da qualidade é de se manter em constante melhoria, promovida por inovações de produtos, servi- ços e modelos de gestão ou, ainda, novas formas industriais, que possam surgir e encantar os clientes, a ponto de atrair suas prefe- rências para marcas inovadoras, de modo a modificar a conjuntura de determinado contexto. O livro Sapiens: uma breve história da humanidade, de Yuval Noah Hararai, contempla uma visão histórica do desenvolvi- mento do nosso planeta. Trata-se de uma aborda- gem evolutiva que apre- senta a realidade quanto ao que um indivíduo faz, consome e é como ser humano. Não poderia ser diferente com as empresas, pois também passam por processos evolutivos, sendo que algumas desaparecem e outras crescem exponencial- mente. Você poderá fazer um paralelo da história da humanidade com as organizações, pois são visíveis a constante evolução, os ajustes e os produtos que se tornaram obsoletos, enquanto surgem inovações pouco viáveis em um passado não muito distante. São Paulo: Companhia das Letras, 2020. Livro CONSIDERAÇÕES FINAIS O conhecimento a respeito de desempenho organizacional se apre- senta de maneira prática no dia a dia das organizações. Logo, são anali- sados vários dados e informações diariamente, sem que seja necessária uma revisão frequente sobre a metodologia utilizada, desde que exista um alinhamento dos propósitos organizacionais com aquilo que está sendo monitorado. Sistemas de medição de desempenho 79 Ao usar adequadamente as métricas de gestão estratégica da qualida- de, com objetividade e facilidade do acesso, a empresa se torna ágil e ca- paz de se movimentar com uma maior velocidade do que os concorrentes, o que irá impactar diretamente a sua capacidade de renovação e de ajustes na estratégia. Diante de uma perspectiva de movimentações no mercado, as quais podem ocorrer promovidas por inovações ou iniciativas da concorrência, justifica-se o uso estratégico de métricas de gestão que sinalizem a performance da empresa e indiquem quando esta deverá acelerar seus esforços e usar recursos para se manter competitiva. No entanto, caso a empresa subestime o uso de métricas ou, ainda, diante de um uso inadequado de técnicas de avaliação, os gestores tomem decisões sem contar com informações estratégicas, isso pode ocasionar uma visão parcial de seu desempenho e das necessidades do mercado e, consequentemente, prejudicar ajustes e correções que poderiam ser feitos se fossem usados, de uma forma eficiente, processos de avaliação de desempenho. Com isso, entende-se que o alinhamento da estratégia com indica- dores de desempenho, relevantes aos propósitos organizacionais, fará a diferença no decurso de guiar tomadas de decisões de gestão, que funcionarão de modo sincronizado com o uso de recursos financeiros, de infraestrutura e de pessoal, necessários para uma gestão atuante de maneira sistêmica. ATIVIDADES Atividade 1 Com relação ao papel da análise do desempenho organizacional, pode-se afirmar que serve para promover e disseminar informa- ções que indiquem o rendimento das atividades executadas em uma empresa? Justifique. Atividade 2 Sobre o uso de técnicas de avaliação de desempenho, pode-se afirmar que o ideal é adquirir algum sistema pronto e genérico, que possa ser aplicado a qualquer setor da economia, inde- pendentemente das características e necessidades de uma empresa? Justifique. 80 Gestão estratégica da qualidade Atividade 3 Existe algum parâmetro global que possa indicar as formas de avaliação de uma gestão estratégica da qualidade? Justifique. Atividade 4 Quanto às perspectivas da gestão da qualidade, quais são as principais tendências às quais uma empresa tem de estar atenta? REFERÊNCIAS ABNT. NBR ISO 9001: Sistemas de gestão da qualidade – requisitos. Rio de Janeiro, 2015. BRITTO, E. Qualidade total. São Paulo: Cengage Learning Brasil, 2015. CARPINETTI, L. C. 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Organização estratégica é aquela que utiliza seus recursos de maneira eficiente e eficaz. Tais recursos são: financeiros, recursos humanos e infraestrutura. 3. Sobre a escolha de um posicionamento estratégico, qual é o mais adequado para empresas de tecnologia focadas no comércio eletrônico? Justifique. Não há um posicionamento que possa ser prescrito para uma ou outra empresa, trata-se de uma escolha da gestão a partir da análise do ambiente externo e interno. 4. Com relação aos elementos que compõem uma gestão da qualidade com foco na estratégia, há um número exato de elementos a serem aplicados de maneira genérica em todas as organizações? Explique. Não há um conjunto fixo de elementos a serem considerados. O que existe são elementos que poderão ser enquadrados na gestão de uma empresa, segundo suas necessidades e demandas. Com isso, haverá um desdobramento estratégico a ser desenvolvido a partir dos padrões de qualidade implantados. Resolução das atividades 81 2 Elementos de gestão estratégica da qualidade 1. Com relação aos fundamentos de estratégia e qualidade, descreva de que formas esses dois elementos se combinam para auxiliar na gestão empresarial. Os dois elementos se encontram para somar as ações que possam vir a atender às necessidades e aos desejos dos clientes. Por um lado, a estratégia, com táticas de penetração de mercado e iniciativas de inovação constante de produtos e serviços e, por outro, a qualidade, com padrões e normas referentes ao atendimento das expectativas de funcionalidade, desempenho e confiança de marca, que normalmente são exigidos pelos consumidores. 2. Sobre o contexto das organizações estratégicas, pode-se afirmar que há iniciativas de gestão que se assemelham dentro de empresas que tomam a liderança em seus setores. Apresente duas táticas comuns de gestão em empresas de sucesso e as descreva. Uma delas é a inovação de produtos, oferecendo frequentemente novidades, novas funcionalidades e atributos relevantes para o mercado. Uma segunda tática é a qualidade, frequente em tudo o que a marca de uma empresa faz. Ou seja, a cada lançamento ou inovação, os padrões da qualidade de marcas vencedoras se mantêm acima da média de mercado. 3. Com relação ao posicionamento e às táticas de estratégia, qual é a necessidade de uma empresa se apresentar para o mercado com uma determinada posição? Explique. Trata-se de uma distinção dentre as marcas de uma mesma categoria, a fim de ser reconhecida por um atributo único de excelência em uma determinada área. Ou seja, busca se tornar uma referência, conforme a proposta central da marca. 4. Alguns elementos de controle e qualidade são comuns de serem encontrados em uma gestão estratégica. Cite um desses elementos e o descreva. Um deles é a confiabilidade, que se trata do reconhecimento que os consumidores têm a respeito do desempenho ou das falhas de uma determinada marca, o que corresponde a dizer que uma marca com poucas falhas terá uma alta confiabilidade. 82 Gestão estratégica da qualidade 3 Gestão estratégica com foco em excelência 1. Com relação à base conceitual dos fundamentos de excelência empresarial, pode-se afirmar que surgiram da exigência de uma homogeneização dos padrões globais a serem praticados pelas indústrias que buscavam novos mercados consumidores em países estrangeiros? Justifique. Sim, essa foi uma força motriz que impulsionou o surgimento de padrões globais que pudessem ser compartilhados entre países e ser facilmente perceptíveis pelos consumidores quanto a qualidade, conformidade e eficiência dos produtos e serviços. 2. Quanto à aplicabilidade de critérios globais da excelência, pode- se afirmar que o uso é relativo e pode ser adaptado de acordo com o setor de atuação ao contexto socioeconômico e à dinâmica do mercado? Justifique. Sim, pois não existem critérios únicos a serem aplicados nas empresas. Não se trata de uma regra, e sim de um conjunto de princípios que fundamentam e orientam uma empresa a agir de acordo com uma forma abrangente, com exigências a respeito dos processos de produção e gestão na empresa, muito voltados ao desenvolvimento de uma cultura em que os colaboradores são peças essenciais nas organizações. 3. As normas e certificações da qualidade no âmbito empresarial representam formas concretas de se avaliar um processo industrial ou uma prestação de serviços, seguindo critérios de conformidades e padrões específicos quanto aos produtos e serviços? Justifique. Sim, essa é uma boa definição para normas e certificações, pois servem de apoio para uma gestão obter uma maior eficiência de maneira geral, bem como no caso de as certificações servirem de referência quanto aos padrões de qualidade adotados por uma marca. 4. Com relação ao uso de modelos de referência em excelência, pode-se afirmar que as melhores empresas de um mesmo setor possuem um mesmo modelo de excelência e isso deve prevalecer para se manterem competitivas? Justifique. Não se pode afirmar que as melhores empresas de um setor possuem um modelo único de excelência, o que ocorre é que empresas concorrentes de alta qualidadeatendem aos padrões mínimos exigidos pelos consumidores, o que parece confundir os clientes quanto às estratégias de qualidade adotadas pelas organizações. Resolução das atividades 83 4 Dinâmica estratégica da qualidade 1. Com relação ao planejamento e à implementação da qualidade, pode-se afirmar que basta seguir os requisitos básicos de qualidade do setor de atuação para que rapidamente uma empresa seja capaz de alcançar um reconhecimento de excelência? Justifique. Não basta o uso eficiente dos conceitos, nem seguir os requisitos, pois uma gestão estratégica da qualidade envolve a criação de diferenciais relevantes para o mercado e essenciais para os clientes. Trata-se de um aprendizado contínuo até se alcançar a excelência, o que nem sempre é possível obter. 2. As práticas de melhoria contínua servem apenas para indústrias ou empresas de serviços de grande porte? Justifique. Não são práticas exclusivas para um ou outro setor, elas servem a qualquer tipo e tamanho de organização que busque aprimorar seu modelo de gestão, apregoando melhorias frequentes, até atingir os objetivos maiores da organização. 3. A respeito da visão sistêmica e sistemática da qualidade, pode-se afirmar que são qualidades que possuem o mesmo objetivo dentro do conceito de gestão estratégica da qualidade? Justifique. Os conceitos de visão sistêmica e sistemática não possuem os mesmos propósitos, já que atuam com objetivos singulares, a lembrar de que a forma sistêmica de gestão significa que todas as partes de uma organização estão interligadas e de que a forma sistemática significa que uma gestão é movida por processos, planejados e executados frequentemente, de maneira habitual. Dessa forma, essas duas qualidades sustentam uma gestão estratégica. 4. De acordo com os conceitos de vantagem competitiva, é correto afirmar que uma empresa que obtém um diferencial, em seus produtos, serviços ou modelo de negócio, pode considerar que atingiu uma superioridade estável em relação aos concorrentes e apenas deve manter sua hegemonia? Justifique. Não, a afirmativa em questão não leva em consideração o conceito de vantagem competitiva temporária, que ocorre quando, ao apresentar um diferencial ao mercado, os concorrentes passam a aprender o que é esse diferencial e a copiá-lo ou aprimorá-lo, ou seja, no decorrer de certo tempo, haverá um nivelamento daquilo que antes foi uma vantagem em relação aos concorrentes. 84 Gestão estratégica da qualidade 5 Sistemas de medição de desempenho 1. Com relação ao papel da análise do desempenho organizacional, pode-se afirmar que serve para promover e disseminar informações que indiquem o rendimento das atividades executadas em uma empresa? Justifique. Sim, esse é o propósito da avaliação de desempenho organizacional, torná-la visível a todos os participantes de um negócio, isto é, os funcionários, para que possam vislumbrar o quanto seus esforços estão resultando no cumprimento das metas e dos objetivos estratégicos. 2. Sobre o uso de técnicas de avaliação de desempenho, pode-se afirmar que o ideal é adquirir algum sistema pronto e genérico, que possa ser aplicado a qualquer setor da economia, independentemente das características e necessidades de uma empresa? Justifique. Não, pois o uso das técnicas depende do plano estratégico da empresa, dos objetivos de longo prazo e do posicionamento que se espera alcançar com a estratégia. Com base nisso, definem-se os indicadores e a forma como eles serão processados para gerarem informações úteis aos gestores. 3. Existe algum parâmetro global que possa indicar as formas de avaliação de uma gestão estratégica da qualidade? Justifique. Sim, por meio da ISO 9001:2015, há diretrizes que orientam uma empresa a desenvolver suas métricas de gestão estratégica da qualidade, segundo uma normativa internacional, que trará maior credibilidade quanto ao uso de técnicas e formas de mensuração. 4. Quanto às perspectivas da gestão da qualidade, quais são as principais tendências às quais uma empresa tem de estar atenta? A qualidade em uma organização pode ser algo relativo, pois, diante de inovações que surgem, de novos produtos, serviços e modelos de negócios, a qualidade passa por ajustes, a fim de atender a novas demandas e expectativas dos consumidores. Por isso, a evolução é contínua e o conceito de melhoria permanente deve fazer parte da estratégia das organizações. Resolução das atividades 85 Gestão Estratégica da Qualidade Fabrício Palermo Pupo Fabrício Palerm o Pupo G estão Estratégica da Q ualidade ISBN 978-65-5821-110-5 9 786558 211105 Código Logístico I000352 Página em branco Página em branco