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O DESLUMBRANTE RELATO DE UM HOMEM SOBRE OS ÚLTIMOS DIAS VISÕES de GLÓRIA CONFORME RELATADAS A JOHN PONTIUS Edição contendo índice de referências das Escrituras Padrão dos Santos dos Últimos Dias VISÕES DE GLÓRIA Conforme Relatadas a John M. Pontius entre 2011 e 2012 Tradução não autorizada para a língua portuguesa, para uso pessoal apenas. Cópias, reproduções ou reenvio só podem ser autorizados pelo editor Por Jesus Cristo, por toda boa coisa. A Terri, minha melhor amiga e companheira de jornada, que me ensinou a coisa mais importante que eu conheço. A Spencer, por uma vida de apego à “barra de ferro”. Também de John M. Pontius Following the Light of Christ into His Presence Millennial Quest Series: Spirit of Fire (formerly Angels in Coveralls) Angels Among Us Angles Forged in Fire Angels and a Flaming Sword, Part 1 Angels and a Flaming Sword Part 2 We Three Kings The Triumph of Zion Outros livros, ensaios, e trilhas sonoras de serõesNT1 estão disponíveis no site: www.followndotheLuz.org E no UnBlog http://unblogmysoul.wordpress.com John M. Pontius – Visões de Glória 5 Conteúdo Prefácio 12 Meu Amigo Apostólico 19 Nota do Autor 23 Capítulo Um: Despertado pela Morte 25 Minha Primeira Experiência com a Norte 25 Minha Primeira Experiência Pós-Morte 27 Minha Vida Revista 32 Enfermeiras Angélicas 34 Meu amigo, o Valentão 40 Nossos Relacionamentos Vêm de Deus 42 Nossas Vidas Importam 44 Prioridade e Propósito da Dispensação 45 Visitando Minha Esposa em Espírito 46 Anjos entre Nós 47 O Ministério dos Anjos 53 O Poder da Queda 56 Explorando o Hospital 59 “Ouvindo” a Madeira e as Pedras 60 O Propósito das Coisas 61 Nossa Glória Pré-mortal 62 Um Clamor por Justiça 64 Retornando ao Meu Corpo 65 John M. Pontius – Visões de Glória 6 Muitas Diferentes Experiências de Morte 67 De Volta para Casa 68 Capítulo Dois: Paraíso Perdido 69 Reorganizando Minha Vida 69 Nunca Estamos Sós 71 Redirecionando Minha Vida 72 Taiti 75 O Diorama do Inferno 79 A Oração Intercessora 81 Amado Profeta 86 Capítulo Três: Visão do Salvador 91 Visão do Salvador 91 O Que Está Contido em um Nome? 94 Saber Realmente 96 Até que Ponto o Homem Decaiu 96 Tentando Fazer Sentido 97 Curar as Crianças 99 Camadas de Significados 100 Capítulo Quatro: Provações Agravando-se 102 À Espera da Morte 102 O Conselho do Apóstolo 104 Câncer 105 Cirurgia no México 107 John M. Pontius – Visões de Glória 7 Minha Bela Anja 108 Você Não Vai Morrer 111 Estou Curado! 113 Capítulo Cinco: Cavernas, Chaves e Chamados 114 Três Visitantes 114 O Terceiro Visitante 115 Meu Anjo Guia 117 Cavernas e Grades 119 A Chave 122 O Significado dos Símbolos 123 Túnel de Luz 126 Dobrando o Universo 128 Pradaria e Lago 130 Infância Espiritual 135 Meu Quarto 137 A Biblioteca 141 Deus, o Tempo e a Lei 142 Voltando a Visitar o Meu Corpo 143 Capítulo Seis: Anjos e Demônios 145 Espíritos Malignos e Tentação 145 Na Casa Noturna 149 Na Corrida de Cavalos 152 Entretenimento 154 John M. Pontius – Visões de Glória 8 Dons Espirituais 155 As Correntes do Inferno 156 O Ministério de Anjos 156 Luz, Trevas, e a Terra 158 Voando através da America 160 A Próxima Primavera 161 Dois Meses mais Tarde 162 Tropas Estrangeiras 163 Capítulo Sete: Tribulação e Plenitude 165 Terremotos e Inundações 165 Uma Peste Devastadora 174 A Marca da Besta 181 Sinais da Segunda Vinda 182 Revivendo um Menino Morto 183 Plenitude do Sacerdócio 184 Conferência Geral 186 Joseph Smith 190 Adam-ondi-Ahman 191 O Filho de Deus 194 Transformados! 198 Capítulo Oito: a Jornada Começa 199 Preparando Nossa Caravana 199 Outras Caravanas 201 John M. Pontius – Visões de Glória 9 Nosso Enorme Caminhão 202 Dons do Espírito 206 Edificar Sião Onde Você Estiver 207 Mudanças na Terra 209 Sião no Canada 213 Conferência em Cardston 215 Esperando em Cardston 217 Uma Sociedade em Evolução 220 Deixando Cardston 228 A Primeira Vinheta 232 A Segunda Vinheta 237 A Terceira Vinheta 240 A Quarta Vinheta: o Templo 241 Capítulo Nove: O Dia Milenar 250 A Caverna 250 Sua chegada em Sião 260 "A Água da Vida" 260 Tornar-se Eterno 264 A Bênção de ser Simples 265 Colunas de Fogo 266 Expandindo Sião 266 Retorno das Dez Tribos 270 Os Portais entre nós 272 John M. Pontius – Visões de Glória 10 Dois Profetas 276 Lidando com a Guerra 277 Ensino com Poder 279 A Cidade de Enoque 281 Tecnologia Espiritual 282 Transladado versus Milenar 286 O Dia Milenar 288 Os 144.000 290 A Segunda Vinda 294 O Planeta Vermelho 297 Um Novo Céu e uma Nova Terra 299 Epílogo 302 Apêndice 304 O Sonho de John Taylor (1877) 304 A Profecia de Cardston (1923) por Sols Caurdisto 308 Aviso para a América (1880) Pelo Presidente Wilford Woodruff 316 Anjos Destruidores estão Ativos (1931) Pelo Presidente Wilford Woodruff 317 Um Grande Teste Aproxima-se (1930) por Heber C. Kimball 318 Um Exército de Élderes (1931) por Heber C. Kimball 318 Um Sonho (1894) Charles D. Evans 319 John M. Pontius – Visões de Glória 11 O Sonho de Pragas (1884) 325 Profecia de Orson Pratt (1866) 329 Notas do Tradutor NT1 a NT26 331 Referências nas Escrituras 1 a 65 338 Sobre o Autor 473 John M. Pontius – Visões de Glória 12 PREFÁCIO isões de glória: um deslumbrante relato dos últimos dias é um relato das três experiências quase-morte de Spencer e das visões, nos anos subsequentes, de sua futura jornada nos últimos dias1. Todos eles estão relatados aqui conforme Spencer os ditou para mim em mais de cinquenta horas de entrevistas. Todas as visões e experiências registradas aqui são de Spencer, mas a maior parte da linguagem é um resultado do meu esforço para colocar em palavras o que Spencer estava descrevendo para mim na forma de narrativas. Eu tentei preservar sua escolha de palavras e modo de falar, do começo ao fim. Spencer jamais havia falado em voz alta da maioria dessas visões, e as tem mantido para si, guardadas em seu coração. O que significa que ele teve que cavoucar profundamente para encontrar palavras para descrever as coisas que não têm paralelo na experiência mortal. Eu nunca conheci ninguém como Spencer. Ele é amoroso e gentil, e o seu rosto literalmente brilha com o Espírito Santo quando ele descreve suas experiências. Ele chora só de mencionar o nome do Salvador, e ele é profundamente interessado em tudo o que é espiritual. O seu comportamento é o de um verdadeiro Santo, cuja vida é inteiramente dedicada a Cristo. Eu não encontrei qualquer presunção ou arrogância nele, muito pelo contrário. Ele parecia ignorar o quão precioso ele é, o quão profundamente reveladoras são suas visões e o quão longe ele viu além dos limites da visão humana. Spencer tem sido membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias a vida inteira. Ele atualmente serve como oficiante de ordenanças no templo e tem servido em bispados, sumo-conselhos, cargos na estaca e muitas outras posições. Ele V John M. Pontius – Visões de Glória 13 atualmente serve no conselho consultivo geral para a Igreja e possui três pós graduações. Spencer morreu quatro vezes, inclusive foi considerado natimorto. Spencer me disse uma vez, "Eu não sei por que razão o Senhor me abençoou com essas visões. É como se os anjos que trouxeram-me de volta à vida a cada vez, deixassem a porta do céu entreaberta e os anjos têm continuado a atravessá-la no decorrer na minha vida desde então2." Três das visões de Spencer foram experiências quase-morte clássicas. A primeira levou-o de volta ao seu passado pré-mortal3. A seguinte levou-o ao presente e futuro próximo. A terceira mostrou-lhe o que iria acontecer no milênio e futuro distante. Muitas mais foram visões que ocorreram enquanto desperto, tarde da noite,e durante o sono. Não há de fato um padrão na distribuição de suas experiências, mas há um rico padrão no conteúdo. Cada sucessiva visão era construída sobre a anterior, dando continuidade ao desenrolar da história da sua vida, bem como fornecia o necessário discernimento e educação para prepará-lo para suportar os desafios que iria enfrentar, muito tempo antes de acontecerem. Grande parte das informações em suas visões tem sido difíceis para ele interpretar, até recentemente. Esse foi outro motivo porque ele disse tão pouco sobre suas experiências ao longo dos anos. Por causa da natureza pessoal de cada uma dessas visões, e o fato de que elas lidavam com o seu próprio caminho, isso tem limitado sua perspectiva das coisas do porvir, a somente os locais e eventos em que ele iria participar. Ele não viu o que vai acontecer na Europa, América do Sul ou Ásia. Ele não sabe o que resultará de guerras ou eventos no mundo. Ele não viu todas as grandes destruições da terra e mar, profetizadas pelo livro do Apocalipse, porque elas aparentemente não impactarão no futuro de Spencer. Mas ele teve profundas visões sobre o futuro da América do Norte e de grande eventos e devastações que purificarão e reformularão este país e partes do Canadá. Elas incluem invasão estrangeira, uma devastadora praga, inundações, sismos, a redivisão continental, a divisão da América por um novo despenhadeiro, o preenchimento do Golfo do México por uma nova extensão John M. Pontius – Visões de Glória 14 territorial, mudanças de clima e das constelações do céu, o retorno das Dez Tribos, o retorno milagroso dos Santos para construir a Nova Jerusalém e o Templo, o encontro dos eleitos, os milagres do Milênio, a missão e os prodigiosos poderes dos 144.000, e a final celestialização da terra ao fim do milênio. Ele viu essas coisas, bem como muitos outros eventos assombrosos profetizados nas Escrituras, mas nunca antes descritas em tão vívidos detalhes4. Spencer começou a ter visões em seus primeiros vinte anos e tem sido constantemente admoestado pelo Espírito Santo para manter a maioria dessas experiências sagradas e até secretas. As poucas vezes que ele tentou relatar suas visões para os outros, isso custou-lhe amizades e o expôs ao ridículo e à rejeição em alguns casos. Spencer, pediu que eu não use seu nome real por várias razões. Em primeiro lugar, ele apoia o profeta vivo e seu chamado preeminente para receber a revelação da palavra de Deus para a Igreja5. Essas visões foram dadas a Spencer para prepará-lo pessoalmente para o que estava à frente em sua própria vida. Ele nunca considerou que estas visões do futuro foram para ou sobre a Igreja do Últimos Dias. Portanto, ele fica relutante em divulgar essas visões de forma que elas possam parecer uma tentativa de influenciar a Igreja de qualquer forma. Simplesmente não é este o caso. Ocultar a sua própria identidade é uma maneira eficaz de manter estas questões na ordem correta. A segunda razão para Spencer pedir-me que eu não usasse o nome dele é que ele não pretende se tornar o foco de perguntas das pessoas e da sua busca por respostas. Ele não quer ser o guru de ninguém. Ele não quer dar serõesNT1 ou falar em público sobre suas experiências. De fato, ele obedientemente manteve suas experiências para si mesmo, por quase quarenta anos, em parte para evitar este resultado possível de deixar que essas visões fossem publicadas. Ele tentou falar neste livro de tudo o que o Espírito Santo lhe desse palavras para descrever. As visões e acontecimentos que foram apenas pessoais ou sagradas demais para compartilhar foram retidas. John M. Pontius – Visões de Glória 15 Fiz-lhe milhares de perguntas buscando detalhes sobre os eventos que ele tinha compartilhado. No momento em que este livro é publicado, Spencer terá esvaziado o seu “baú do tesouro” das experiências visionárias que ele é capaz de compartilhar neste momento, e ele não deseja ser solicitado por mais informações que ele não tem ou não pode compartilhar. Outra razão para a sua reticência é que Spencer é um orientador profissional de crianças e mantém todas as certificações necessárias para trabalhar neste campo. Justificadamente, ele considera o seu trabalho com crianças com dificuldades a sua missão na vida, e ele não quer que nenhuma forma de reconhecimento ou curiosidade interrompam esse trabalho mais importante. Encontrei-me com Spencer por meio de uma série de circunstâncias improváveis; tanto assim que a possibilidade de que seja uma coincidência é inconcebível. Um querido amigo de Spencer, que conhecia pequenos trechos de suas experiências, mudou-se para a mesma alaNT10 de minha doce e espiritualíssima filha e, com o passar do tempo, eles se tornaram grandes amigos. Ao conversarem sobre influências espirituais em suas vidas, a minha filha falou de mim, e este amigo de Spencer falou dele. Eles decidiram, "devemos apresentar o John ao Spencer!”. Depois de algum tempo, minha filha me enviou um SMS com o nome de Spencer e a sugestão de que eu ligasse para ele. Ela achou que iríamos “dar liga”, como ela fraseou. Eu geralmente não correspondo a sugestões como essa porque elas criam situações embaraçosas em que achamos difícil encontrar pontos em comum para poder "dar liga." O amigo do Spencer fez o mesmo com ele, e Spencer ficou igualmente relutante em me procurar, pelas mesmas razões. Numa certa tarde eu estava andando pela casa, e o Espírito sussurrou, "ligue para o Spencer, agora." eu sabia que era o Espírito Santo, então eu fui ao meu escritório e peguei meu telefone sem saber o que esperar, mas eu sabia que precisava ligar naquele exato momento. John M. Pontius – Visões de Glória 16 Spencer atendeu e eu me apresentei. Spencer respondeu em um tom mais alegre: "Sim, eu tenho estado ansioso por encontrar-me com você! Quando seria a sua primeira oportunidade?" Suas palavras me intrigaram porque eu ainda não sabia até então que ele também tinha as minhas informações de contato. Eu pensei que eu estava ligando sem ele saber de mim. Como nota adicional de interesse, durante os muitos meses de entrevistas e redação, tentei ligar para o Spencer dezenas de vezes e nunca consegui. A única vez em que ele realmente atendeu o telefone foi naquela primeira vez que liguei. Em todos os outros casos, eu deixei uma mensagem e ele retornou minha ligação. Encontramo-nos na semana seguinte e, sem recorrer à hipérbole, aquelas duas horas foram as mais espirituais da minha vida. Ele começou a me contar um pouco de suas experiências e eu fiquei atordoado ao ouvir. O motivo foi simplesmente este: eu tenho estudado, procurado, orado e obtido vislumbres do meu próprio caminho através dos últimos dias mas eu nunca tinha ouvido uma outra pessoa viva falar exatamente dessas mesmas coisas. Naqueles primeiros minutos, ele falou daquelas coisas de maneira factual. Eu mal podia conter a minha curiosidade e a minha ansiedade por ouvir mais. Enquanto eu tinha "aprendido" dessas coisas, ele as tinha "visto" e eu estava curioso por ouvir tudo o que ele tinha visto porque ele parecia estar descrevendo as peças do meu próprio caminho, as quais eu nunca tinha dito a ninguém exceto minha esposa. Eu entendia quase tudo o que ele estava falando. Depois de um tempo, senti o Espírito fortemente dizer que ele estava descrevendo coisas que tinha visto, mas não as compreendia totalmente. Perguntei finalmente: "Você sabe o que significam estas coisas?”. Ele olhou inocente, e respondeu, "Não, não realmente. Não todas." Expliquei o pouco que entendi da visão em questão e ele chorou jubilosamente confessando, sem qualquer evidente orgulho ou pretenção, que ele tinha buscado a maior parte da sua vida pelo sentido dessa visão, o qual eu tinha apenas sugerido a ele. Nós falamos pelo restante de nossas primeiras horas juntos sobre essas John M. Pontius – Visões de Glória 17 coisas. A minha compreensão esuas visões se encaixavam como uma luva, dando a cada um de nós um entendimento mais amplo. Nós dois estávamos cheios do Espírito Santo em elevado grau, e ele a recebia com admiração e espanto. Como eu disse anteriormente, foram as duas horas mais espirituais da minha vida, e também as mais reveladoras. Como nosso tempo aproximava-se do fim, ele simplesmente declarou, "Eu ainda não sei como avançar de onde estou hoje, para o que agora compreendo ser o significado de minha visão futura." O Espírito Santo inspirou-me logo que sai de minha casa a pegar uma cópia de um dos meus livros, The Triumph of Zion (O Triunfo de Sião). Eu tirei da minha maleta e entreguei a ele, dizendo: "Eu me senti inspirado a trazer este livro a você. Pode ser que você encontre algumas das suas respostas aqui." Para Spencer, esta primeira reunião foi como tombar o primeiro dominó. O meu papel de fornecer entendimento diminuiu com o tempo, conforme o Espírito Santo rapidamente preenchia os espaços em branco que suas visões não tinham revelado plenamente em sua juventude, e eles já estavam se tornando mais claros para ele. Nos abraçamos e, em seguida, planejamos nos reunir novamente na semana seguinte. Em algum momento durante o nosso segundo encontro, eu senti um forte impulso de fazer anotações, mas ele tinha dito várias vezes que ele estava me dizendo coisas que nunca tinha dito a ninguém. E estava ouvindo coisas tão grandes e importantes que eu não ousaria esquecer de nenhuma delas. As descrições de Spencer eram detalhadas acerca tudo. Quando ele "viu" suas visões, ele não as percebia como se fossem um filme em movimento; ele era um personagem participante da visão em todos os seus sentidos. Ele tocara e cheirara as coisas, sentira o triunfo e a tragédia das pessoas em torno dele, e experimentara o perigo e o medo exatamente como se ele estivesse lá. Ele lembrava de tudo em profundos detalhes, porque ele experimentara como se em sua própria carne. Finalmente, fiquei arrasado ao pensar na potencial tragédia de que todo esse conhecimento ficasse na cabeça de uma só pessoa e, em seguida, acabando por se perder. Era como se estivesse a ouvir John M. Pontius – Visões de Glória 18 a João o Amado ou a Moisés descrevendo eventos que o mundo tem refletido por muito tempo, e eu estava ouvindo em maravilhosos detalhes, datas, horários, locais, mesmo as cidades e os nomes das ruas onde as coisas aconteceriam. As suas palavras transportaram- me a lugares que eu podia ver em minha alma como ele descreveu. Eu ansiava e sofría interiormente, sentindo o quão trágico seria se essas coisas nunca fossem transmitidas para abençoar os outros assim como elas estavam mesmo ali abençoando-me. Ao levantarmos para partir pela segunda vez, eu disse algo como: "Spencer, não pode ser só uma coincidência nos encontrarmos. A sequência de eventos que nos aproximou, incluindo minha mudança do Alasca, o seu amigo e a minha filha mudando ao mesmo tempo para a mesma ala (congregação da Igreja), e mil outros eventos alinhando-se." "Eu sei que isso não foi uma coincidência," ele disse suavemente. "Foi um milagre". "Devo dizer, então, que o fato de que eu sou um escritor Santo dos Últimos Dias não pode ser mera coincidência. Proponho que você pergunte ao Pai, se eu poderia registrar essas visões que você me está a descrever. Deveriam pelo menos ser escritas e não serem perdidas para sempre, mesmo que você apenas as conserve e as transmita em sua família. Mas desejaria que o Pai celestial pudesse finalmente nos permitir publicá-los para o benefício de todo o mundo. Estas coisas parecem demasiado preciosas para ficarem escondidas com uma pessoa, em suas memórias. Eu acho que todo o mundo cristão se alegraria em saber estas coisas." Spencer ponderou isso com uma expressão de questionamento. Ele me tinha informado que lhe fora várias vezes dito para não divulgar qualquer destas coisas sagradas até que o Senhor lhe dissesse que estava na hora. Finalmente, ele sorriu e disse: "Eu vou pedir ao Pai encarecidamente, e estou muito interessado em sua resposta." Fiquei sem saber o que pensar, sem saber se eu tinha ultrapassado algum limite sagrado mas ainda acreditando que eu tinha dito a verdade, que tudo isto não deve ser perdido. Eu também fora tocado pela sua resposta cheia de fé. John M. Pontius – Visões de Glória 19 Meu Amigo Apostólico Nós nos reunimos em seu escritório uma semana mais tarde, e ele me contou esta história: "todos esses anos eu me senti dolorosamente só, por não poder falar das coisas que tenho visto em visões. Elas tornaram-se uma parte importante de mim, de quem eu sou, e do que eu estou fazendo com a minha vida, e eu fui obrigado a silenciar-me. "Até eu relatar essas coisas a você eu nem sequer me dava conta de que elas poderiam vir a se realizar plenamente em minha vida – principalmente considerando minha situação pessoal, falta de saúde, e fraquezas. Sempre soube que são verdadeiras, mas só recentemente eu passei a suspeitar que velas virão a se realizar. Fui perseguido e rejeitado nas poucas vezes em que me abri, mesmo que só um pouquinho. Tenho estado muito sozinho com isso por um longo período de tempo. Tem sido um dos aspetos mais difíceis da minha jornada. "Uma das minhas atribuições na Igreja, por muitos anos, envolvia visitas mensais ao Edifício dos Escritórios da Igreja em Salt Lake City. Encontro-me com várias autoridades gerais e passei a conhecer e amá-los pessoalmente. Ao longo dos anos, me tornei um bom amigo de um dos membros do Quórum dos Doze. Nos tornamos amigos íntimos. Nós, como ele costumava dizer, "partimos pão" juntos e passei momentos maravilhosos em sua companhia em numerosas ocasiões. “Uma noite, enquanto sozinho com ele, fui inspirado a contar- lhe uma das minhas visões. Ele ouviu com muito interesse e, em seguida, concluiu, dizendo-me que era de Deus e que eu deveria entesourá-la em meu coração, transcrevê-la, e não falar dela até que o Senhor me ordenasse6. Ele também aconselhou-me a não tentar interpretar o significado da mesma. Ele disse, "quando o Senhor quiser que você entenda, ele irá enviar alguém, ou dar-lhe o significado, mas, até então, é a vontade de Deus que você mantenha estas coisas para si mesmo e não tente interpretá-las sem mais revelação.”. John M. Pontius – Visões de Glória 20 "Meu amigo apóstolo tornou-se uma força e uma fonte de grande conforto para mim. Ele se tornou uma fonte de segurança neste véu de lágrimas e a minha fonte de paz, de que o que eu via era de Deus e não algo de que eu devesse ter vergonha ou medo”. Spencer olhou para baixo por alguns momentos antes de continuar. Quando ele olhou para cima, ele estava quase em lágrimas. "Quando o meu querido amigo morreu, chorei sua perda tão profundamente como se ele fosse meu pai ou meu filho. Eu não pude superar aquela dor por um longo período de tempo. Senti que não só tinha perdido um amigo querido, um apóstolo do Senhor, mas também a única pessoa na terra a quem me tinha sido dada permissão pelo Senhor, para compartilhar minhas experiências. "Eu chorei sua morte por meses. Às vezes eu não tinha vontade de comer ou dormir. Achei difícil funcionar corretamente. Eu estava a afundar em depressão. Então uma noite eu fui despertado por alguém ao lado do meu leito. Eram cerca de duas horas da manhã, e eu fui repentinamente desperto. Sentei-me e percebi que um mensageiro celeste estava de pé ao lado do meu leito. Este mesmo mensageiro me tinha conduzido através de muitas experiências visionárias, ainda assim eu nunca soube o nome dele, nem estava autorizado a perguntar-lhe. Movimentei-me como se fosse sair da cama e, em vez de dar um passo atrás para permitir-me fazê-lo, ele apenas sorriu para mim. "Ele não mexia os lábios, mas ele falou comigo do jeito que eu tinha me familiarizado nas visões, em que a informação apenas flui em minha mente e no meu coração na voz do meu visitante. Euera capaz de responder da mesma forma, mas a maioria das vezes me esquecia e fazia minhas perguntas em voz alta. "Ele disse, 'Spencer", e eu sabia porque ele tinha vindo desta vez: porque o meu querido amigo, o Apóstolo, lhe tinha pedido. Ele irradiava amor e interesse ao continuar, "Você não deve chorar o passamento de seu amigo tão profundamente. Ele está incomodado pela sua tristeza por ele e sabe que você entende que ele está muito feliz, finalmente em paz, livre de dor e está indo em frente com o seu trabalho. Ele ama a você e, portanto, pede que você deixe de chorar por ele”. John M. Pontius – Visões de Glória 21 "Eu me senti disposto a fazer tudo o que o anjo me pediu para fazer, e senti aquela profunda sensação de perda e luto rapidamente esvair-se. A paz substituiu a perda no meu coração. Mas eu tinha mais uma pergunta para ele. Eu disse, 'não tenho mais ninguém a quem o Senhor deu-me permissão para falar sobre minhas experiências. Eu acho que estou em luto por essa perda também”. "O anjo sorriu e respondeu, "Eu compreendo, mas será apenas por um pouco mais de tempo. O senhor vai enviar o John (João) para sua vida. Ele vai entender a você e às suas visões. Você pode dizer-lhe tudo o que você já experimentou. Ele irá ajudar também você a compreender. Basta ser paciente até lá." Spencer disse-me que o anjo recolheu a luz à sua volta e desapareceu. Spencer deitou-se de novo e, depois de um longo tempo, caiu no sono. Spencer me olhou de forma penetrante e acrescentou: "Quando você primeiro me chamou e pediu para nos encontrarmos, foi então que eu percebi que o seu primeiro nome é John (João). A partir daquele dia passei a perguntar ao Pai fervorosamente se você era o John a quem o anjo se referira." E eu respondi, "Certamente ele estava falando de alguém mais importante do que eu – como João, o Amado, ou João Batista, ou talvez alguém da Cidade de Enoque!”. Spencer sorriu e disse: "Não, ele estava falando de você. Você é “o” John (João), que o anjo prometeu-me que estava para chegar. Esperei oito anos para que a promessa fosse cumprida. Tenho rogado ao Senhor, e Ele me deu permissão para contar-lhe toda a minha experiência e para permitir que você escrevesse certas partes dela para serem publicadas." Spencer disse que acredita que esta foi uma das razões porque havíamos nos encontrado neste momento. "Espero que alguma coisa que incluamos neste livro possa abençoar a alguma alma e possa dar esperança e clareza na preparação para o que se avizinha." O Espírito ardeu como fogo na minha alma, testemunhando ali e ainda me afirmando hoje, de que é verdade. Marcamos um outro encontro e, a partir daquele dia, nos encontramos pelo menos uma vez por semana por um período de seis meses. Juntos, produzimos John M. Pontius – Visões de Glória 22 um volume de anotações e mais de cinquenta horas de entrevistas gravadas. O que você está prestes a ler é, ao meu modo de pensar, o mais completo e poderoso entendimento sobre os últimos dias que já chegou a uma pessoa comum. Não é escritura e não deve ser considerado como tal. Não é profecia para ninguém, mas a Spencer apenas. É simplesmente um relato de como o Senhor tem preparado um homem humilde, meu amigo Spencer, para sua missão nos últimos dias. Você e eu, somos apenas afortunados como testemunhas casuais, por assim dizer. Como já referi anteriormente, nada disto é ficção; tudo está de acordo com o que me disse Spencer, que assume a responsabilidade pelo seu conteúdo. É algo que você nunca pode esquecer. NOTA DO AUTOR história de Spencer chegou aos meus ouvidos como uma narrativa que, em espírito de oração, condensei em um relato das viagens de Spencer além do véu. Desde os primeiros dias de entrevistas e perguntas, Spencer, leu e releu o que escrevi, e ele declarou que este livro é um relato verdadeiro e rigoroso da sua experiência visionária. Optei por escrever na voz do Spencer, porque todas estas coisas vieram dele. De forma nenhuma eu inventei pessoas ou eventos para dar substância ao relato – embora eu tenha interpretado muito de sua narrativa a fim de torna-la clara, sequencial e compreensível. Eu também tentei preservar o seu modo peculiar de expressão e personalidade. Spencer e eu mudamos todos os nomes para proteger as identidades e suprimimos a localização exata de alguns eventos. Em alguns casos, atenuamos a descrição de alguns acontecimentos terríveis para manter este livro apropriado ao público geral. Temos removido tudo o que pudesse incitar medo ou pânico ao ser lido por alguém incapaz de compreender pelo Espírito Santo a mensagem maior de esperança e de libertação. O apêndice no final deste livro contém outras notáveis experiências visionárias semelhantes às de Spencer. Elas foram reproduzidas aqui sem modificação e talvez sejam mais explícitas do que seria adequado a leitores menores. As Escrituras dizem-nos que os tempos de tribulação estão próximos7 e que aqueles que estão no caminho da justiça – que têm tomado o Espírito Santo como guia e que têm alinhado seus corações e desejos com Cristo, regozijar-se-ão com as mudanças. Quem participar nos cenários dos últimos dias em retidão, irá A John M. Pontius – Visões de Glória 24 crescer em força até que não haja medo, andando em grande poder e revelações para realizar seus labores. As Escrituras dos Últimos Dias também ensinam-nos que, à medida que o tempo se aproxima do retorno de Cristo, aqueles que suportarem o dia irão erguer-se para a plena glória de Sião. TransladaçãoNT6 será comum entre nós, e aprenderemos a viver sem doença ou morte. Vamos aprender a operar na plenitude do sacerdócio, e reuniremos em Sião os eleitos do mundo. Ali lhes ensinaremos, lhes administraremos as sagradas ordenanças e os protegeremos enquanto eles percorrem seu próprio caminho à Sião de Cristo nos últimos dias. Haverá anjos entre nós, mensageiros celestiais e milagres ainda maiores do que aqueles que livraram os filhos de Israel do Egito. E, no devido tempo, teremos o próprio Senhor entre nós. A Igreja irá erguer-se à plena glória total de seu chamado e vai ser a voz profética de orientação que todos seguiremos ao concluir esta grande dispensação da plenitude dos tempos. Estes serão dias gloriosos – tempos para nunca mais serem esquecidos – que serão canonizados nas Escrituras e histórias e canções que serão cantadas enquanto existirem descendentes de Adão, a longo das eternidades que nos esperam. – John M. Pontius 1 – Despertado pela Morte 25 Capítulo Um DESPERTADO PELA MORTE Minha Primeira Experiência com a Morte u nasci morto. Quando entrei neste mundo, a minha pele era azul escura e preta. O médico lançou um olhar a mim e me entregou a um dos quatro enfermeiros da sala de operação. Eu era pequeno e pré-maturo, e a enfermeira não encontrou pulso ou respiração. Ela envolveu meu corpo inanimado em um jornal e me deitaram em uma pia de inox. A minha mãe estava sangrando muito, e a enfermeira com pressa para ajudar o médico. Eles disseram-lhe que eu fui natimorto e continuaram a cirurgia para salvar a sua vida. Ela mesma nunca me contou isso, mas eu descobri depois que ela sentira-se aliviada por eu não ter sobrevivido pois ela não queria essa gravidez. Segundo a minha mãe, quando a enfermeira voltou-se para cuidar do meu corpo inanimado, enrolado em jornal, ela encontrou- me lutando para respirar. Eles imediatamente me levaram para o Hospital Infantil da Primária para ver se eu poderia, por fim, sobreviver àquele sofrimento. Mais tarde, depois que minha mãe tinha se recuperado um pouco da cirurgia e haver uma pequena esperança de que eu poderia sobreviver, eles informaram-lhe que seu bebê natimorto havia "enrubescido um pouco." Quando meu pai tinha dezoito anos, ele e alguns amigos saíram para um passeio divertido. Eles estavam bebendo e dirigindo, e atingiram um idoso do lado da estrada e o mataram. O meu pai foiconsiderado culpado de homicídio veicular. Mas a Segunda Guerra Mundial tinha recém irrompido, de modo que o juiz o "condenou" E John M. Pontius – Visões de Glória 26 a se juntar à Marinha. Ele serviu na Marinha até o fim da guerra. A culpa, vergonha e remorso devido à morte trágica daquele homem idoso atormentaram meu pai para o resto da sua vida, o que contribuiu para o fim da sua filiação e interesse pela religião, embora seus pais mantiveram-se sempre fiéis e continuaram a envolvê-lo e a orar e se preocupar com ele. Ele e mamãe casaram-se, para o desgosto dos pais de ambos, e eles mantiveram um relacionamento escabroso e abusivo. Após seu divórcio, minha mãe se recusou a falar sobre meu pai com quem quer que fosse, para o resto de sua vida. Nunca me encontrei com ele e sabia pouco mais sobre ele do que referências enfurecidas e comentários de menosprezo de outros membros da família. No momento do meu nascimento, meus pais haviam se separado recentemente mas ainda não divorciado. Mãe ficara grávida pouco antes da separação em uma última tentativa desesperada para salvar o seu casamento. O divórcio resultou desagradável e verbalmente abusivo. O meu pai foi embora e recusou-se a sustentá-la ou aos meus irmãos mais velhos. Quando ela percebeu que ela estava grávida, ela ficou inicialmente irritada, em seguida furiosa e depois, deprimida e ressentida da sua situação e da pouca vida dentro dela. Minha mãe voltou a trabalhar como enfermeira. O pai de minha mãe era um ministro leigo Metodista. Quando mamãe tinha casado com o meu pai, que era "Mórmon", seu pai lhe havia repudiado e lhe disse que ela já não era uma cristã e que ela e seus filhos iriam todos para o inferno. Quando percebeu que não podia sustentar sua família, mamãe contatou a seus pais para pedir ajuda. Seu pai reafirmou que ela não era bem-vinda em sua casa. Ela nunca se sentira mais rejeitada, isolada e abandonada. Isso foi sentido como mais uma rejeição e abandono na sequência de rejeições que ela tinha vivido desde jovem até o tempo presente. A mãe de meu pai, minha avó facilmente convenceu meu avô de que precisavam acolher minha mãe e apoiá-la até que ela pudesse se restabelecer. Então, neste momento de grande necessidade, minha mãe e nós, crianças, fomos carinhosamente acolhidos na casa de meus avós paternos. O meu avô era bispo no momento, e a minha avó era oficiante no templo local. Eles eram baluartes na Igreja e 1 – Despertado pela Morte 27 eram pessoas amorosas. Na minha juventude minha avó tornou-se a pessoa mais querida na minha vida. Os meus avós foram uma influência tão amorosa e cheia de fé sobre a minha mãe, que ela se juntou à Igreja cinco anos após o meu nascimento. Eles foram a solidez na sua vida, e na minha. Eles nunca nos falharam. Temos vivido uma vida abençoada e, por causa da influência constante e sincera dos meus avós, de carinho e generosidade, a minha mãe foi capaz de cuidar de nossas necessidades financeiras. Muitas vezes eu passei sem as coisas que eu queria como criança, mas eu nunca senti que éramos pobres. Eu me senti seguro e amado. No decurso de minha profissão como terapeuta infantil e familiar, tenho visto muitas outras crianças cujas vidas e almas foram dilaceradas pelas mães, que não se davam conta de que estavam prejudicando a criança ainda por nascer, ao viverem vidas de raiva e ressentimentos, pelas circunstâncias da concepção de sua criança. Eu tenho lutado com essas questões por toda minha vida e provavelmente escolhi minha atual profissão para tentar curar minhas feridas pré-natais. Não foi até 1983, quase trinta e três anos mais tarde, que eu finalmente compreendi o que havia realmente acontecido, e fui capaz de perdoar a ela e ao meu pai. Esse entendimento veio mais dolorosa e inesperadamente na segunda vez em que eu morri. Minha Primeira Experiência Pós Morte Era setembro de 1983, e eu estava tendo problemas de saúde com infecções internas crônicas, especialmente em meus rins, combatendo vários cálculos renais. Os médicos queriam saber se meus rins tinham sido danificados pelos contínuos problemas renais. O meu médico recomendou um raio-x com tintura de contraste iodada para realçar qualquer dano que pudesse ter ocorrido. Era supostamente um procedimento de rotina. Eu tinha trinta e três anos e tinha terminado um duplo mestrado e estava frequentando a escola para concluir o doutorado. Cada vez John M. Pontius – Visões de Glória 28 que eu tinha este distúrbio renal, eu tinha que ficar em casa, perder tempo no trabalho e atrasar meus estudos. O médico finalmente mencionou que eu deveria simplesmente parar de beber refrigerante, dizendo que, se não fosse pelos refrigerantes, ele estaria desempregado. Fiquei impressionado com o quão simples era solução e fiquei surpreso que ele não tinha mencionado isso anos antes. Parei de beber refrigerante, e nunca tive problemas renais desde então. Eu estava muito bem casado com Lyn (não é seu nome verdadeiro, é claro) a essas alturas. Tivemos cinco filhos e achei que já tínhamos parado de fazer filhos. Ainda éramos dedicados estudantes, embora eu estivesse trabalhando em tempo integral em um hospital. Estávamos ansiosos para concluir o meu curso de doutorado para que eu pudesse tornar-me um professor livre- docente e começar a minha própria prática privada. Eu já estava em diversas faculdades como professor e instrutor. Chegamos na clínica um pouco mais cedo para preencher a papelada. Eu tinha de vir em jejum. Nós nos sentamos na sala de espera, escutei o meu nome ser chamado. Antes do processo ter início, fui vestido em um avental de hospital. Fui escoltado para uma estreita mesa de metal e orientado a deitar de costas. Haviam tubos e frascos de líquido pendurados acima da minha cabeça. As paredes do quarto eram verde hospital. Uma máquina de raios x preta dominava a parede do fundo. O piso era de concreto verde com uma borda preta. As paredes combinavam. Era uma típica sala de procedimentos de hospital da década de 1970. Eu estava sentindo medo do procedimento, mas achei que era necessário, então aquiesci quando a enfermeira iniciou o intravenal. Ela era jovem, loira e atraente. Eu achei que ela estava em seus trinta e poucos. Eu gostei de sua simpatia, alegria e confiança. Conversamos sobre o procedimento e possíveis complicações. Ela explicou alguns dos possíveis sintomas de uma reação alérgica ao corante que ela cuidadosamente injetava no meu braço. Ela disse, "Se você se sentir um fluxo..." E naquele exato segundo comecei a sentir um fluxo. 1 – Despertado pela Morte 29 Ela continuou, "Se você sentir a sua pele coçar..." E eu comecei a sentir coceira severamente por todo o meu corpo. Ela disse, "Se você sentir pressão no peito ou se sentir como se não conseguisse respirar..." exatamente quando eu senti uma sensação de horrível esmagamento no meu peito, como se um elefante se sentasse sobre mim. Eu tentei dizer, "Eu não consigo respirar!" Mas não consegui pronunciar as palavras. Coloquei o meu braço e mão livres no meu pescoço e os passava rapidamente sobre minha garganta, tentando fazer enfermeira entender que eu estava em apuros. Eu peguei a minha garganta, gesticulando o que eu sabia ser o sinal universal de asfixia. Foi nesse momento que a enfermeira compreendeu os meus toques e percebeu que algo estava seriamente errado. Ela correu para a parede e apertou um grande botão vermelho. A campainha tocou em alto e bom som, e uma voz gravada do alto falante da clínica começou a repetir "código azul, quarto vinte e quatro! Código azul, quarto vinte e quatro!" Tendo trabalhado no hospital por muitos anos, eu tinha respondido a esse chamado muitas vezes, nunca prevendo que um dia eu seria o objeto de um anúncio como este. A próxima coisa de que eu me lembro foi que meu espírito estava afundando para baixo através da mesa. Eu estava de olhos bem abertos, não querendo perderqualquer parte desta experiência, e eu sentia meu espírito afundar até eu poder ver a parte inferior da mesa. Não queria ficar embaixo da mesa, e em um instante eu me encontrei ao lado da mesa de procedimento olhando para o meu corpo inanimado estendido diante de mim8. O grande relógio preto e branco na parede à direita diante de mim mostrava 09:20 hs. A enfermeira tentou encontrar pulso e não conseguia. Ela xingou e gritou com a sala de controle, "Estou perdendo ele! Estou perdendo ele!” Um técnico apressou-se ao quarto. Imediatamente as pessoas reuniram-se para tentar reanimar-me. Um médico a quem eu não tinha visto antes correu para o quarto e, por algum motivo, eu imediatamente soube que ele estava tendo um caso com a enfermeira que começou o intravenal. Era uma grande John M. Pontius – Visões de Glória 30 surpresa para mim que eu soubesse disso. Vi a minha mente cheia de novas informações que vinham a mim mais do meu coração do que dos meus sentidos habituais. Eu também sabia que essa enfermeira recentemente se havia divorciado. Eu sabia o quanto ela valorizava e também temia este relacionamento com o médico que já estava trabalhando ao seu lado para salvar-me. Eu sabia o quanto ela se esforçava para ser boa em sua profissão e, ainda assim, ser uma boa mãe para seus dois filhos em casa. Eu sabia que ela tinha terríveis problemas financeiros. Eu sabia tudo sobre ela, realmente todos os detalhes de sua vida, e todas as suas decisões, medo, esperança e ações que havia criado a sua vida. Eu podia ouvir a sua mente gritando de medo. Ela estava a orar por ajuda, tentando assumir o controle do seu medo e lembrar-se de seu treinamento. Ela desesperadamente não queria que eu morresse. Eu olhei para as outras pessoas na sala e foi com grande espanto que eu pude ouvir seus pensamentos e conhecer os detalhes sobre as suas vidas9, tão vividamente como a da enfermeira. Há uma maior sensibilidade espiritual que vem de estar morto que eu nunca houvera suposto ou ouvira falar antes. Eu sabia o que cada um estava pensando. Na verdade, ela era mais do que apenas saber o que eles estavam pensando. Eu também sabia de todos os detalhes de suas vidas. Eu sabia se eles eram pessoas boas ou ruins, se eles eram honestos ou corruptos, e eu sabia de todos os atos que os tinham trazido ao seu atual estado. Não era algo que eu sentia ou podia ver, era apenas o conhecimento que estava em mim. O que foi ainda mais interessante a mim foi que eu não me senti julgando a nenhum deles. Eu simplesmente sabia estas coisas. Era como saber que uma rosa é vermelha; não é algo para se julgar mas apenas o jeito que a flor é. O que me fez sentir, o que era totalmente novo para mim, foi uma rica compaixão por eles e suas circunstâncias. Uma vez que eu sabia tanto sobre eles, eu também sabia de suas dores e de sua motivação para tudo o que tinham feito e que os tinha levado até este momento. Também senti seu medo de me perder. As suas ações e as reações eram calculadas, forçando-os a manter a calma. Somente no médico que trabalhava comigo senti 1 – Despertado pela Morte 31 uma espécie de distanciamento que lhe permitiu agir com menos emoção. Sentindo seu medo e o impacto total da sua vida fez-me experimentar sua dor quase tão intensamente como eles a sentiam, e eu tinha total compaixão por eles. Eu não sentira temor por mim mesmo até então. Eu estava ocupado demais tentando entender todas estas novas sensações. Eu estava um pouco mais longe. Eu acho que eu tinha me afastado um pouco para dar-lhes espaço para trabalhar no meu corpo, porque eles estavam caminhando ou correr pelo mesmo espaço onde eu tinha estado. "Eu devo estar morto", lembrei-me de pensar. Eu tive de repensar esse processo algumas vezes antes que realmente caísse a ficha. Estou morto! finalmente me toquei, eu vi o meu corpo sobre a mesa, e eu numa nova forma corporal pairando acima, com total conforto e sem dor. Apenas há pouco tempo, eu estava na maior dor que eu jamais sentira, e agora eu estava completamente livre de toda dor e dos cuidados do tabernáculo de carne. Agora eles desapareceram. Foi um alívio descobrir que estar morto não causa qualquer grande angústia. Só aceitei que eu estava morto porque eu estava olhando para o meu corpo ali em cima da mesa. Eu estava ali em pé assistindo todas essas pessoas tentando reavivar-me. Eles estavam a gritar comandos e pedidos e a injetar-me com muitas substâncias para ressuscitação. A próxima consciência que eu tive foi que eu era capaz de compreender muitas coisas ao mesmo tempo. Eu não necessitava de me concentrar em uma única coisa qualquer, porque todas elas eram claras ao meu entendimento. Eu senti que eu podia compreender infinitas quantidades de conhecimento e focar em um número infinito de assuntos, dando a cada um a minha absoluta atenção. Isso foi incrível para mim e tão diferente da minha experiência como um esforçado pós-graduando, tentando memorizar volumes de informação. John M. Pontius – Visões de Glória 32 Minha Vida Revista Neste momento, comecei a ter uma visão de toda a minha vida10. Por ter essa nova capacidade de compreender tantas coisas de uma só vez, a visão era completamente envolvente, importante e curiosa para mim, mas eu ainda tinha uma plena compreensão de cada médico e enfermeiro em volta de mim e o que estava acontecendo com o meu corpo. A primeira coisa que vi foi a minha mãe levando-me em seu ventre. Eu não apenas a via, eu completamente compreendia a ela, toda a sua vida, suas dores e tristezas, cada pensamento que ela teve, cada decisão que ela tinha tomado, cada emoção que sentiu. Eu percebi que, em toda a minha vida, eu realmente não conhecia a minha mãe em completamente. Eu sempre a vira da perspectiva de uma criança, e eu nunca tinha sido capaz de desculpa-la totalmente por não me querer. Ela me contara a história de como o meu pai biológico a tinha abandonado grávida, paupérrima e sem-teto. Ela nunca havia falado indelicadamente do fato de eu ter nascido. No entanto, a vida inteira ela sempre deixou bem claro que os filhos eram um grande fardo para ela, e que ela foi deixada sozinha e sem ajuda para sustentá-los. Eu agora a percebia de modo completamente diferente. Assisti a minha própria concepção, e todas as emoções do momento. Com tudo isto, não houve julgamento de mim ou de Deus. Eu me sentia sem emoção sobre aquilo exceto maior compaixão por minha mãe. Eu vi que ela tinha outros dois filhos, sendo eu o terceiro. Observei-lhe cada suspiro, cada decisão, cada medo e lágrimas que ela derramou. Eu vi muitas pessoas, na sua maioria profissionais amigos, tentando convencê-la a abortar-me ou me dar para adopção. Disseram-lhe que seria um lembrete constante do meu pai incompetente e o que ele tinha feito para ela. Também vi outros, seus amigos e líderes da Igreja, inclusive meus avós, tentando convencê-la a manter-me e criar-me. Vi e senti o processo decisório de minha mãe até chegar à conclusão de me manter. Era como se ela tivesse passado por esse processo tantas vezes que ela podia ver os resultados desta escolha e como isso afetaria a ela e a mim para o resto de nossas vidas. Ela 1 – Despertado pela Morte 33 se sentia tão sozinha e rejeitada. Ela se sentia como fracasso, e simplesmente incapaz de criar um outro filho. No entanto, ela também era uma enfermeira que havia cuidado de mulheres em situações semelhantes à dela própria, e ela sentia que não deveria sujeitar o seu próprio filho ao processo de adoção. Ela concluiu que doar-me para viver com outra família não traria nada de bom para o bebê ou para si mesma. Ela tinha extrema dificuldade com amor, confiança e relacionamentos. Ela estava enfrentando sua própria depressão e sentimentos de perda, portanto amor não foi uma grande parte da sua decisão. Ela pensava coisas como, "dois erros não corrigem o erro anterior" e "Eu preciso limpar os meus próprios erros."A sua decisão não foi baseada no amor. Ela foi baseada na racionalização. Ela me manteve pelo dever e pela responsabilidade. Ela não tinha sido criada por pais amorosos. Seu pai era duro e fisicamente abusivo. A mãe era uma inválida que ficava em sua cama na maior parte do dia. Como eu já notara, ela tinha sido repudiada por seus pais, e ela sabia como isso é horrível para uma criança. Por isso, agora ela estava escolhendo fazer o que era certo, não o que era conveniente. Sua depressão e perda levou o amor materno para longe dela. Percebi também que eu estivera envolvido na vida de minha mãe antes de eu nascer. Eu tinha sido, de certo modo, um anjo ministrador para ela, assistindo e protegendo-a suas através dos momentos difíceis até meu nascimento. Era um entendimento pacífico e reafirmador para mim. Eu queria nascer dela, mesmo em circunstâncias difíceis, e ela havia tomado a difícil decisão de manter-me. Eu experimentei o amor que eu tinha por ela antes de eu nascer, e ele se manteve comigo desde sempre. Ele tem sido um Bálsamo de Gileade à minha alma e me permitiu não só perdoá-la, mas também plenamente compreendê-la como uma pessoa completamente diferente, ela realmente me amara, muito antes que ela ou eu tivéssemos nascido. Eu vi todos os acontecimentos de sua vida levando até ela ir ao hospital para parir-me. Eu sentia seu medo e raiva a cada passo do seu caminho. Ela não era saudável nem física nem emocionalmente. O As sombrias emoções daqueles dias minaram minha vida e John M. Pontius – Visões de Glória 34 roubaram de meu corpo em gestação a vitalidade que precisava para sobreviver. Eu vi minha mãe em trabalho de parto e fui surpreendido ao ver muitos anjos presentes no meu nascimento. Duas das enfermeiras na sala de parto não eram mortais, mas eram anjos. Elas eram ou seres transladados ou ressurretos, porque elas tinham corpos. Elas agiam como os outros enfermeiros, mostrando emoções e recebendo ordens. Mas eles estavam lá apenas para ajudar a mulher e o filho que estava morrendo no momento do nascimento. Minha mãe se sentiu tão sozinha. A sua principal emoção foi de abandono e tristeza. Ela não sabia nada sobre esses anjos que ali estavam ajudando-a, o que parece ser o caso da maioria das intervenções angelicais. Temos ciência de muito pouco do que os anjos fazem. Nas suas dores de parto nestas tristes circunstâncias, ela não percebia que todos esses personagens espirituais estavam lá, interferindo, protegendo e trazendo vida. Mesmo em seu desespero, seres divinamente comissionados estavam ali dando-lhe força e amorosamente ajudando-a, para que ela e eu pudéssemos ter uma vida juntos. Enfermeiras Angélicas Como eu estava vendo o meu próprio nascimento, vi que o meu pequeno corpo natimorto era, de fato, preto e azul escuro. Assisti a enfermeira verificar batimento cardíaco com um estetoscópio. Como não ouviu mais nada, ela envolveu-me em jornal porque eu estava coberto de sangue e fluidos escuros. Eu até cheirava mal, e ela não queria sujar as toalhas do hospital. Ela tristemente colocou- me na pia e voltou para a operação. As duas enfermeiras que foram designadas para cuidar do meu corpo recém-nascido afastaram-se da minha mãe e começaram a trabalhar comigo, apesar do fato de que eu estava morto. Percebi que eram duas anjas, e elas foram assistidas por outros anjos invisíveis diante de descendo dos portais do céu. Cheguei mais perto deles. Eles tinham puxado o jornal para revelar o meu rostinho franzido. Ele estava preto, coberto de sangue, se eu estivesse no meu 1 – Despertado pela Morte 35 eu mortal, aquela imagem, sem dúvida alguma, me faria mal. Em espírito, eu achei curioso e triste, e ainda mais interessante que essas duas enfermeiras estavam movendo suas mãos para dentro e para fora do meu corpo. Era quase como se estivessem fazendo ressuscitação, mas suas mãos estavam efetivamente penetrando meu corpinho. A cada passagem minha pele ficava um pouco mais rosada, um pouco mais viva. Eu podia ouvi-las falando espiritualmente uma com a outra, coordenando e concentrando seus esforços para socorrer-me. Grande parte de seu discurso era louvor e oração, pedindo a Deus que abençoasse seus esforços e exaltando Seu poderoso desígnio. Elas tinham urgência, mas nem um pouco temerosas ou desanimadas. Eu que eles não conseguiam me ver, ou pelo menos não deram sinal de que me viam assistir ansiosamente. Eu vi o corpinho dentro da pia, o meu próprio corpo, ofegante, lutando para viver. A enfermeira puxou o jornal abrindo um pouco mais virou para o médico. Seu rosto era sereno, mas a sua voz era de surpresa fingida. Ela gritou, "doutor! eu acho que esse bebê ainda está vivo! Ele ficou corado!”. Por esta altura o médico havia salvo minha mãe e estancado o sangramento interno. Dirigiu-se ao redor, suas mãos ensanguentadas erguidas à frente. O seu rosto era incrédulo; no entanto, ele caminhou para a pia. Ele olhou para o relógio na parede, preparando-se para anunciar o horário da morte do menino. Quando ele me olhou, ele ordenou que as mesmas enfermeiras que ressuscitaram-me me tirassem da pia e me aquecessem. Elas viraram as costas, e carregaram para o mal assistido e mal operado berçário. Fui imediatamente transferido para Hospital Infantil da Primária onde eu lutei por semanas para permanecer vivo. Fui colocado num velho respirador artificial de ferro até conseguir respirar sozinho. Quando alguém vê a sua “vida repassada”, que é como eu chamo o processo, passa a ver tudo através da grande lente objetiva do amor de Deus. Eu estava vendo todo o meu nascimento e a minha vida adulta, pelos olhos de todos: da minha mãe, meus, dos meus irmãos, dos meus avós e dos meus amigos e mesmo de pessoas com quem John M. Pontius – Visões de Glória 36 eu só tinha interagido acidentalmente. O sentimento avassalador para mim foi que esta experiência era como assistir ao meu próprio funeral, era ver a sua vida contada por todos aqueles que te conheciam - na verdade, todos em seu mundo. Cada pessoa teve a experiência de você de forma única e diferente. Nem tudo era lisonjeador ou correto, mas oh! que tesouro de informações foi adquirido a partir desse singular ponto de vista! Eu vi tudo de bom que fiz, todo o amor que eu dei, o serviço e a bondade, mas também vi toda tristeza e dor que eu havia causado. Eu vi todos os meus erros e como todos foram afetados por eles. Eu vi alguns erros que não afetam somente a uma pessoa, mas seus filhos, e os filhos deles e assim por diante. Eu vi todo o encadeamento de ações através do tempo até que sua energia fosse dissipada. Felizmente, eu era jovem, e eu havia tentado viver uma vida correta mesmo na minha juventude, de modo que esta revisão da vida não foi desagradável de ver. Algumas das coisas que eu vi me deixaram satisfeito comigo mesmo. Senti-me como se eu fosse a única pessoa que estava sendo condenatória sobre minha vida. Eu compreendia tudo em detalhes perfeitos. Neste grande e revelador detalhamento, vi-me como cada pessoa me via. Todos os da sentença foi correta e na justiça. O bom e o mau, tudo era filtrado pela luz de Cristo, e o seu julgamento era claro, justo e misericordioso. Não podia haver disputa, porque a minha vida foi registrada em perfeitos detalhes. Eu sabia que era verdade, e eu sabia que era justo. Eu ainda estou espantado com o quão objetiva foi a revisão da minha vida. Não houve nenhum julgamento ou emoção sobre minhas ações, quer de mim ou de Deus. Eu vi e percebi como minha vida influenciou meus colegas de escola, minha mãe e meus irmãos. Isso mudou a minha perspectiva sobre quase todas as pessoas da minha vida. Na revisão, eu vivi minha vida através dos olhos dos outros. Eu entendi com perfeita clareza como as minhas decisões os afetaram, que emoções eles experimentaram por minha causa, e o impacto que as minhas palavras e atos tiveram sobre eles pelo resto de suas vidas. Eu vi o quesuas vidas foram, antes, durante e depois de eu ter cruzado com eles. Eu também vi o verdadeiro resultado 1 – Despertado pela Morte 37 dos seus atos sobre mim, que por vezes era muito diferente do que eu havia percebido no momento. Quando eu considerei do ponto de vista do meu pai biológico em relação a estes acontecimentos, ao abandonar e divorciar da minha mãe, eu aprendi que não era só egoísmo, não era só narcisismo, como eu havia suposto por toda minha vida. Quando ele percebeu que minha mãe estava grávida, ele sabia, ou pensava que sabia, que eu ficaria melhor sem ele. Isso pode não ter sido verdadeiro, mas que foi a sua percepção. Ele sabia que suas escolhas na vida só poderiam prejudicam-me. Ele não me abandonou por causa do egoísmo ou apenas pelo alcoolismo, como eu tinha sido ensinado. Ele realmente pensava que eu ficaria melhor sem ele. Eu entendi a sua dor, sua infância, seus conflitos com seus pais, e seu relacionamento com o pai. Eu entendi as coisas perfeitamente, como nenhum mortal pode compreender, durante a vida mortal; nem mesmo o meu pai entendia deste modo. Eu percebi pela primeira vez que meu pai realmente amava muito a minha mãe. A sua fraqueza e histórico bloqueavam sua capacidade de deixar que o amor triunfasse em suas decisões. Eu também vi o amor de Cristo e o amor do Pai Celeste por ele, não importa que erros ele tivesse cometido. Este serviu para mudar completamente o meu julgamento sobre meus pais, e a minha opinião sobre porque tinham feito o que fizeram. Esta nova perspectiva criava um grande conflito em mim porque ela mudou quase todo o julgamento e conclusão que eu tinha feito durante a minha vida. Ela foi toda varrida numa fração de segundo naquela perspectiva imortal. Eu vira coisas que agora me forçavam a abandonar a minha ira e ressentimento. Literalmente levou décadas desde então para conciliar aquilo que me ensinaram quando criança com o que eu tinha visto realmente acontecer. Às vezes minhas emoções e velhos pensamentos causavam um amargo conflito dentro da minha mente e alma. Esse foi o conflito que levou tanto tempo para resolver, pois eu sabia a verdade agora, mas o meu lado “homem natural” lutou contra as visões espirituais adquiridas através deste experiência não-terrena. John M. Pontius – Visões de Glória 38 Não sei, é claro, se o conflito teria continuado se eu tivesse realmente morrido. Talvez, teria sido resolvido no amor de Deus, porque tudo isso veio a mim sem julgamento ou oposição. Quando voltei ao meu corpo, em vez de morrer, e retomei a minha vida, no entanto, era difícil conciliar a minha antiga crença com tudo o que eu tinha visto em visão. Eu estava habituado a pensar e considerar de uma forma, porém eu espiritualmente sabia uma verdade maior, uma tal verdade a qual minhas emoções tinham dificuldade de submeter-se, como um floco que permanece em uma folha por todo verão, recusando-se a ceder ao calor do sol. Nem sei dizer se hoje já terminei essa tarefa. Um dos obstáculos para a reconciliação dessas emoções conflitantes foi que meu pai já havia morrido a essa altura, e eu não podia resolver tudo isso com ele. A minha mãe não tinha me permitido nem mesmo ver o meu pai enquanto ele ainda estava vivo. A sua forte convicção e suas conclusões e a raiva dominavam todas as conversas que tivemos sobre o meu pai. Ela recusava-se a alterar sua posição de justificado ressentimento que ela havia formado dentro si. Isso a protegia da crueza de sua dor vir à superfície novamente e ficando exposta. Eu nunca consegui falar na sua presença as palavras amorosas que eu tinha guardado na minha mente sobre ele. Finalmente tive de concluir que deixaria essas conversas e ideias nas mãos amorosas de nosso Salvador para o momento em que Ele sabia, na sua precisão impecável, que minha mãe finalmente fosse capaz de entender através de suas ternas misericórdias. Não foi até após a morte da minha mãe que fui capaz de começar a reconciliar-me com ela através de várias experiências espirituais com ela, além do véu. Tenho tido experiências espirituais, não sonhos ou visões, mas visitas tanto do meu pai como da mãe desde então, as quais me ajudaram a trazer a paz para a minha alma e, eu acho, para a deles. Em uma ocasião, ouvi a porta da sala de espera do meu escritório abrir e fechar. Alguém entrou pela porta para a sala de espera. Eu estava no meu escritório a escrever anotações de pacientes logo após a minha sessão anterior. Eu disse sem olhar para cima, "Por favor, sente-se. Já lhe atenderei." Eu ouvi, quem quer 1 – Despertado pela Morte 39 que fosse, sentar-se na poltrona. Quando eu acabei de escrever e abri a porta, não havia nenhum humano ali. Tive a forte impressão de que meu pai estava no meu escritório. Pela mesma voz interior eu tinha ouvido durante a minha experiência quase-morte, ele me deu uma data específica, que era o aniversário da sua morte. Eu percebi que ele estava a pedir-me para ir ao templo, naquela data. Fi-lo com todo o prazer, pensando que eu iria ver o meu pai. Mas eu passei pela sessão sem vê-lo e sem mesmo sentir a sua presença. Ao me vestir, eu novamente senti a sua presença, e a mensagem, dada na mesma forma poderosa, foi a de que ele já era digno de entrar no templo, e ele queria que eu fosse com ele. Era uma doce mensagem. Ela expressou volumes que ele se havia preparado, arrependeu e agora era digno de entrar no templo. Como resultado, eu sabia que ele tinha aceitado e se beneficiado das nossas ordenanças em seu nome. Isso foi e é um conforto para mim. Um dos maravilhosos entendimentos eu ganhei de minha primeira experiência quase-morte foi em relação a minha irmã mais velha que engravidou aos dezesseis anos. Eu nunca tinha entendido o poderoso efeito que isso teve sobre ela ou sobre o resto de minha família. Enquanto eu estava vivendo aqueles momentos, eu tinha somente a minha perspectiva. Eu era o terceiro filho e o meu auto atribuído papel em nossa família foi o de pacificador. Eu tentava manter a harmonia na nossa família, inserindo-me em tudo, incluindo coisas que não eram da minha conta. Eu vi que o meu juízo dela e de suas circunstâncias não era correto, embora eu estivesse tentando manter a paz. Eu vi o impacto que a gravidez teve no meu irmão mais velho. Assisti ele ter uma longa caminhada de três a quatro horas. Eu experimentei o que ele estava pensando e sentindo e que ele sentia que tinha fracassado com ela e com o resto de nós, de alguma forma. Eu percebi, pela primeira vez, que ele decidiu naquele momento e lugar, a fazer mudanças em sua própria vida, de modo que ele jamais nos desapontasse. Eu estava tão surpreso de ver como ele estava preocupado com seus irmãos e irmãs, e assumiu responsabilidade por nós. Eu ignorava a intensidade de seus sentimentos até que os John M. Pontius – Visões de Glória 40 vi na revisão da minha vida. Isso deu-me grande empatia e respeito por ele. Também senti a dor da minha irmã e todos os motivos para a sua dor. Eu não estava ciente, até ver naquela visão, que a minha mãe e os pais do pai do bebê os tinha levado em um carro para Las Vegas para casar os dois. Eu vi a dor e a tensão no carro enquanto viajávamos. Eu vivi os acontecimentos com ela de uma forma que nem mesmo os mortais presentes poderiam ter experimentado. Foi a primeira vez que eu realmente entendi minha irmã e me condoí por ela. Eu vi o meu jovem impacto sobre ela e como ela se sentiu banida, rejeitada e julgada por mim e pela sua família. Tive grande empatia por ela e isso gerou ternura na nossa relação pelos anos que se seguiram. Eu perguntei à minha mãe e irmã anos mais tarde para confirmar aquilo que eu tinha visto. Minha mãe e irmã ambas reconheceram que aquele havia sido de fato um casamento à ponta de espingarda. Esta confirmação deu-me um rico senso de compaixão e proximidade com a minha família. Foi uma ampla ilustração do impacto da minha vida na delese por que nossas vidas são hoje da forma como são. Meu Amigo, o Valentão Eu tinha medo, em minha juventude, dos valentões da escola, especialmente do Jake. Ele era um ano mais velho, maior, e simplesmente malvado. Ele parecia ter prazer em me aterrorizar. Pelo menos uma vez por semana, Jake me batia ou fazia algo agressivo e malvado comigo. Eu ia para casa com muitos machucados e olhos roxos por causa dele. Naqueles dias os adultos achavam melhor que os meninos resolvessem seus próprios problemas e aprendessem a defender-se sozinhos, e a minha mãe e avós incentivaram-me a aprender a me defender em vez de interferirem na minha vida. Até que, na quinta série, finalmente tive a coragem de revidar. No repasse da minha vida, eu vi aquele dia. Eu também vi minha recém descoberta coragem dessa perspectiva, que incluía o horrível abuso que ele próprio recebia de seu pai. 1 – Despertado pela Morte 41 Quando enfrentei o Jake e revidei, ele mudou totalmente sua forma de pensar sobre o seu mundo. Eu vi que ele se sentia impotente e vítima dele próprio. O meu pequeno ato de coragem lhe mostrou que ele não estava em controle. Ele nunca mais me perseguiu nem a qualquer outra pessoa novamente. Ele foi alterado por essa experiência. Ele se tornou meu amigo porque eu tinha inconscientemente lhe dado a chave para libertar-se da sua própria tirania. A nossa nova amizade permitiu que Jake resolvesse os conflitos de relacionamento com o seu próprio pai. Ele ganhou mais corajem para enfrentar seu pai por causa de minha ação. Assim como Jake parou de me atacar, seu pai parou de abusar dele, quando Jake se recusou-se a submeter-se, o seu pai de fato foi embora pouco tempo depois. Perceber o impacto que a minha amizade causou nele, foi uma revelação para mim. Eu nunca tinha suspeitado que houvesse qualquer motivação para suas agressões exceto malvadeza. Após a visão, eu entendi por que ele estava descontando sua frustração em mim e em outros. No repasse da minha vida eu aprendi que tudo isso foi divinamente concebido, que ambos precisávamos desta estreita relação, e ela tinha que começar com suas agressões, a fim de curá- lo. Eu vi que eu tinha concordado em tudo isso antes de nosso nascimento. Nossa amizade, divinamente pré-ordenada, teve um impacto duradouro na sua cura, em seu relacionamento com a família e sobre mim. Eu não teria aprendido essas coisas sem ele. O que eu aprendi, vendo tudo isso foi que nosso relacionamento foi projetado por Deus e teve um impacto significativo sobre nós dois. Ambos mudamos. Parei de ter medo de valentões e da vida em geral. Não só minhas ações iniciaram a cura do seu abuso, mas sua parte na minha vida iniciou a minha cura também. Percebi que o medo não era necessário e que eu podia me defender e, até mesmo, fazer amigos por causa da minha coragem. Essa descoberta ainda me influencia até hoje. Nosso relacionamento foi pré-ordenado e projetado por Deus para nos salvar. Em meu pensamento hoje, valeram a pena os poucos hematomas que me custou. John M. Pontius – Visões de Glória 42 A última coisa que fizemos antes de Jake formar-se e mudar-se, foi encenar o musical Oklahoma! Ele fez o Jud e eu fiz o Curly. No musical, Jud e Curly são apaixonados por Laurey. Curly confronta Jud sobre sua malvadeza com os outros e eles ficam mais ou menos amigos. Mas depois Laurey concorda em se casar com a minha personagem, Curly, e Jud invade o casamento e ameaça Curly com uma faca. Na briga que se segue, Jud cai sobre sua faca e morre. Curly, é claro, fica com a garota. A peça era uma metáfora do nosso relacionamento, o que não escapou de nenhum de nós. Muitas vezes tenho perguntado por que razão Deus permitiu-me ver essa repassagem da minha vida, sabendo que eu não estava realmente morrendo. Eu achava, antes desta experiência, que você via a sua vida repassada apenas uma vez, quando você realmente morre. Perguntei-me por muitos anos porque Deus me daria este poderoso entendimento da minha própria vida e, em seguida, enviar-me novamente à mortalidade. Nossos Relacionamentos Vêm de Deus A verdade é que ver estas coisas mudou a minha vida para sempre, e me deu uma nova perspectiva sobre todos os meus relacionamentos e o propósito da minha própria vida. Não acredito que eu poderia ter feito tudo o que eu tinha prometido fazer sem estas experiências. Na verdade, estou certo disso. Agora sei que os relacionamentos não são apenas acontecimentos causais ou coincidências. Todos esses eventos acontecem para finalidades divinas. Eles ensinaram-me que Deus realmente nos abençoa nos detalhes de nossas vidas. Essas interações e relacionamentos, quem pode parecer aleatórios no momento, são designados para abençoar e aperfeiçoar a nossa vida. Desde essa intensa revisão da minha vida, tenho olhado para a vida e os relacionamentos como se fossem um quebra-cabeças, ciente de que todas as coisas e as relações têm impacto divino. A minha pergunta desde então foi onde está o propósito divino deste momento presente, deste evento, desta relação, ou dessa pessoa entrando em minha vida? O que tenho para aprender com essas 1 – Despertado pela Morte 43 interações e essas pessoas que entram ou saem do palco da minha experiência? Comecei a orar para que Deus revelasse estas coisas a mim e que Ele me guiasse para abençoar essas pessoas, em vez de deixar-me vaguear sem saber, através de suas vidas. A minha oração tornou-se: "Deixa-me ser a tua voz, deixa-me ser as tuas mãos, deixa-me estar conscientemente envolvido, para que eu possa ser inspirado a fazer a tua obra em suas vidas." Eu tenho pessoalmente, falhando nesse propósito às vezes mas, conforme amadureci, minha capacidade aumentou gradualmente e minha resolução firmou-se. Desta perspectiva da minha vida revista, alguns acontecimentos da minha vida, que eu achava que eram simples ou banais, resultaram ser significativas e propositadas aos olhos de Deus. Deus realmente conta cada momento de nossas vidas e, se deixarmos que Ele nos guie, esses momentos se tornam eternamente significativos. É interessante para mim que o impacto negativo das minhas ações sobre as pessoas não era o tema da revisão da minha vida. Ele estava lá, e eu o vi, mas isso parecia menos importante do que o bem que eu fiz e sua reação em cadeia nessas vidas. Quando eu vi as partes negativas da minha vida, a mensagem para mim não era o quão ruim eram mas que, se eu desse continuidade a esses comportamentos, eles potencialmente teriam me afastado do trabalho específico que o Senhor tinha para eu realizar em minha vida. Não era condenatória, apenas instrutiva. Para alcançar o meu potencial máximo eu precisava cumprir com os compromissos que eu tinha feito na minha vida premortal senão eu não cumpriria com os objetivos da minha vida. Tenho de lembrar-me de que Deus não estava mostrando a revisão da vida a alguém que estava deixando a mortalidade, de modo que a minha experiência pode não ter enfatizado meus erros mais no sentido de incentivar e ensinar-me. Tenho a sensação de que se eu tivesse realmente morrido, não teria havido propósito em me alertar e o peso dos meus atos negativos seriam de maior consequência. Descobrir os convênios que fizemos na premortalidade para cumprir na terra é uma descoberta que se desdobra continuamente. Às vezes só podemos ver um pequenino passo adiante, e outras vezes somos abençoados com uma ampla visão do que nos John M. Pontius – Visões de Glória 44 tornaremos e do que faremos. Eu estava sendo ensinado de que eu tinha de escolher deliberadamente permanecer no caminho que Deus colocava diante de mim, não importa como isso chegasse ao meu conhecimento, fazendo tudo corretamente tanto quanto soubesse fazer. Já que eu não estava morrendo de fato, o grande efeito da revisão da minha vida foi mostrar-me que eu tinha a escolha fundamental da minha vida. Eu estava livre para escolher o que quisesse; no entanto, minhasescolhas iriam ou levar-me para a luz ou deixar-me na escuridão. Aprendi também que as nossas vidas estão todas registradas em algum lugar, detalhe a detalhe, sem falha. Tudo o que fazemos interessa, nada é apenas trivial. Tudo é profundamente significativo, a vida tem um sentido e é cheia de propósito. Nossas Vidas Importam Eu aprendi a não minimizar o que está acontecendo na minha vida. Tento ver tudo o que faço como sendo de valor eterno. Eu aprendi e me disciplinei, a acreditar que eu não sou apenas uma simples pessoa com pouco valor ou impacto sobre o mundo. Tudo o que fazemos tem importância, e Deus está envolvido nos detalhes de nossas vidas. Eu acredito que se pode dizer até mesmo que Ele está nos detalhes minuciosos de nossas vidas. Eu costumava pensar que Deus era um pai divino e firme que nos enviou à terra apenas dizendo: "Vá, e vamos ver como você se sai depois de morrer." Mas a verdade é que para Ele, e seus anjos, nós somos mesmo a Sua obra e a Sua glória. Somos o que Ele está fazendo. Somos o que Ele é. Eu aprendi que a família, irmãos e irmãs, primos e tios e tias têm propósito divino, as filiações e parentescos. Mesmo que seja mais fácil criticar ou ignorar as pessoas, na verdade esses parentescos são cheios de propósito11. Eu aprendi que realmente existe um processo de “voltar e relatar” na nossa vida presente, o qual não utilizamos corretamente. Eu recomendo que nos habituemos a fazer isso nas nossas orações19 diárias pessoais e em família, bem como em nossos 1 – Despertado pela Morte 45 relacionamentos, que pratiquemos o voltar e relatar. "Isto é o que o Senhor me pediu que fizesse hoje, isso foi o que eu fiz, e isso foi o que aconteceu" e, em seguida, suplicar pela intervenção eterna nos detalhes. Aprendi que toda a nossa existência é desse modo. Deus dá-nos algum elemento necessário para a nossa jornada, mesmo antes de nascermos, então ele dá-nos tempo para explorar e experimentar a vida, e, em seguida, ele exige de nós um relatório. Agora, ele nos deu um corpo e uma experiência mortais, e todos nós seremos requeridos a apresentar um relatório. A contabilidade das nossas vidas vai ser nos muitos pormenores, pois nossos próprios corpos contam a história das nossas vidas. Cada parte de nós tem escrito sobre ela tudo o que fazemos, pensamos, e somos. O Senhor pode ler tudo isso na sua totalidade. Ele pode e vai nos ler como um livro, para ele está tudo dentro de nós, escrito em nossos próprios ossos, coração e nervos. Prioridade e Propósito da DispensaçãoNT2 Finalmente, aprendi que existe uma prioridade e propósito para cada dispensação, por que estamos aqui neste momento. Não é fortuito. Não é por acaso. É divinamente arquitetado. Quando nós fizermos o nosso relatório final, vamos ver uma vez mais todas as razões por que nós viemos para a terra agora, os propósitos interativos e convênios que fizemos que destinaram cada um de nós à terra no nosso momento e local específicos para fazer coisas específicas. Para nós mortais, esta é uma noção nebulosa, mas a Deus, ela é uma ciência exata, uma matemática divina por assim dizer. Ele registra cada ato de nossas vidas, incluindo Sua constante direção, que a maioria de nós ignora. Nós gastamos tanto tempo nos divertindo e agradando a nós mesmos que não percebemos plenamente o quão verdadeiramente importante é para Deus cada momento e cada interação. A maioria de nós está de tal maneira aprisionada em nossas próprias vidas de negócios e lazer, que sequer sentimos a mão de Deus dirigindo John M. Pontius – Visões de Glória 46 nossas vidas, tampouco conseguimos ouvir a sua voz, que está constantemente orientando-nos. Toda esta informação me veio muito rapidamente enquanto eu estava ali assistindo os médicos tentando reanimar o meu corpo. Todas essas coisas estavam acontecendo ao mesmo tempo, e eu poderia concentrar-me em todas elas. Visitando Minha Esposa em Espírito Tornei-me consciente de que minha esposa estava sentada na sala de espera. Ela havia lido uma revista no momento em que o sistema de alto-falantes começou a bradar "código azul! código azul!" Lyn começou a se preocupar comigo, temendo ser eu que estivesse em apuros. Eu sabia que ela estava preocupada da mesma maneira que eu sabia tudo sobre as enfermeiras e médicos. Eu quis estar perto dela, e eu instantaneamente apareci ao lado dela. Eu aparentemente me movi à velocidade do pensamento. Não me lembro de andar ou passar através das paredes, eu só apareci ali. Toda a minha atenção foi para ela, mas isso não diminui o meu entendimento ou total atenção ao que ainda estava acontecendo ao seu redor no meu corpo. Eu sabia que tinha atravessado duas paredes para estar na sala de espera com ela, mas eu não tive a experiência de passar por elas. Eu estava parado próximo a ela. Eu poderia descrever tudo sobre ela. Eu sabia exatamente o que ela estava sentindo e pensando. Eu sabia o que ela havia lido na revista que ela recém pusera no colo. Ela estava preocupada e desejava que alguém viesse lhe dizer que eu estava bem, que não era uma parada cardíaca. Eu pensei, aqui estou. Estou morto e fora do meu corpo, e eu não consigo sequer me comunicar com você. Eu senti empatia pelo seu medo e dor, mas fui surpreendido com um dilema, até um pouco engraçado. Eu podia vê-la e ouvir seus pensamentos, mas eu não poderia falar com ela de uma forma que ela pudesse compreender. Lembro-me de pensar, como é que eu vou fazer você saber que eu estou muito bem, embora já não esteja vivo? 1 – Despertado pela Morte 47 Comecei a me perguntar se ela seria capaz de sentir-me, ou me ouvir talvez, se eu passasse através dela. Pedi a ela na minha mente se eu poderia ter a sua permissão para passar por ela. Mesmo ela não estando consciente de mim, o espírito respondeu: "Sim." E eu instintivamente sabia que tinha que ter a sua permissão para fazer isso. Eu entendi isso, mas não tenho certeza por que ou como. Não até então, mas depois eu comecei a entender que entrar no corpo de outra pessoa é muito invasivo, e um espírito justo procura sempre permissão se tiver necessidade. Maus espíritos esperam por oportunidades quando estamos espiritualmente fracos ou depois de nos ter tornado vulneráveis por desobediência às leis de Deus, e eles entram em nós num ato de violência espiritual. Após o seu espírito responder que eu podia, eu me movi através dela, e imediatamente entendi a diferença entre seu corpo físico e o seu corpo espiritual. O seu eu físico não tinha consciência de que eu estava interagindo com ela. Sua pessoa espiritual, no entanto, estava plenamente consciente de mim e do que eu estava a tentar fazer e dizer. O problema foi que, como a maioria dos mortais, ela estava apenas consciente do seu corpo físico – cativa a ele, por assim dizer, e não estando em sintonia com o seu espírito nesse momento de sua vida. Eu percebi que mover-me através dela não adiantava nada em minha tentativa de me comunicar com ela. Ao passar por ela, eu aprendi muitas coisas sobre como sua experiência de mortalidade tinha sido – como é que se sente como mulher, de ser amada, de ser protegida, e agora de sentir receio pelo seu protetor. Eu entendi completamente, incluindo como era ter os nossos filhos e filhas, e como era difícil viver com as minhas doenças e dificuldades. Anjos entre Nós Lyn estava sentada em uma sala de espera lotada. Depois que passei por ela sem ter efeito, comecei a olhar ao redor do quarto. Eu podia ver que havia muitas pessoas espirituais no quarto junto com os mortais que ali estavam. John M. Pontius – Visões de Glória 48 Os mortais pareciam muito diferentes das pessoas em espírito. Mortais tem um aspecto sólido e parecem estar completamente inconscientes de tudo o que é espiritual acontecendo em torno deles, fazendo-os parecer quase sem inteligência. Espíritos de pessoas são semitransparentes. Eu podia ver através deles de algumaforma, e eles pareciam estar cônscios de minha presença e dos outros espíritos no quarto. Alguns não ficaram felizes por eu poder vê-los, mas ainda assim continuavam interagindo com os mortais e com outros espíritos, ao se ocuparem de suas tarefas. Todos os espíritos pessoais que eu via estavam em volta dos mortais, observando-os ou tentando ganhar sua atenção para eles influenciá-los de alguma forma. Haviam outros espíritos andando dentro e fora da sala de espera. Eu podia vê-los, e eles podiam me ver. Eles por vezes reconheciam minha presença ou andavam em torno de mim em vez de através de mim. Há espíritos que ainda não percebem que já estão mortos, ou que se recusaram a aceitar esse fato. Estes eram bastante peculiares para mim, pois eles tentavam ao máximo agir como um mortal, apesar de ser claro para mim e a todos os outros espíritos presentes que eles estavam mortos. Eu podia compreender por que eles não sabiam que estavam mortos. Estar morto e ser um espírito desencarnado é uma existência real. Você continua a pensar como sempre o fez. Você ainda ama e odeia tal como antes de sua morte. Você pode ver as pessoas, espíritos e o seu próprio corpo. Você pode tocar as coisas espirituais e os seres espirituais e senti-los. Portanto, é uma real e concreta forma de existência, embora as coisas mortais, como no caso de paredes e mobiliário, possam ser vistas e percebidas, elas não podem ser manipuladas por espíritos. Não tenho certeza se todo espírito tem a mesma percepção espiritual que eu tinha, mas eu sabia suas novas vidas eram reais para eles, ainda mais reais, de certa forma, porque eles podem vir e ir para lugares muito rapidamente e caminhar através de paredes e fazer as coisas que os mortais mal podem imaginar. Sendo recém- desencarnados não eles sentiam a morte conforme haviam suposto que experimentariam, em que você de repente ficava inconsciente e 1 – Despertado pela Morte 49 não existente para sempre. Assim, eles não estavam mortos de acordo com o seu entendimento anterior do que constitui morte. Esses espíritos estavam reunidos ao redor dos mortais, conversando com eles, como que achando que os mortais pudessem escutá-los. Mas os mortais eram completamente inconscientes deles assim como minha esposa não me percebia. Esses espíritos desencarnados estavam tentando obter a atenção dos mortais por várias ações, incluindo gritar com elas. Esses espíritos estavam vestidos como mortais. Eles tinham pouca glória ao redor deles. Comecei a considerá-los "espíritos recentemente desencarnados." Os espíritos que tinham falecido recentemente mantinham a aparência, a maneira de vestir, e a forma que tinham quando eram mortais porque eles pareciam ainda não acreditar que estavam mortos. Um espírito do sexo masculino estava falando a uma jovem que parecia ser sua filha. Ele estava zangado sobre seus negócios, e como ela os estava manejando. Ele estava gritando com ela, "Você precisa me ouvir!" Só que ela não tinha ideia de que ele estava mesmo ali. Ele agia como se ela o estivesse apenas ignorando, e isso parecia enfurece-lo ainda mais. Ele era muito exigente de que ela fizesse certas coisas com o seu negócio e a sua propriedade, e estava perturbado porque ela estava fazendo tudo errado em sua opinião. Haviam outros espíritos que tinham aceitado seu novo estado alterado e tinham embarcado na obra de Deus para fazer o Seu trabalho de acordo com a Sua vontade. Estes anjos tinham sido enviados de volta por Deus para ajudar os seus entes queridos através deste momento difícil. Eles tinham uma distinguível luminescência ao redor deles, o que imediatamente me confirmou que eles eram bons e que estavam a serviço de Deus. Estes anjos estavam vestidos de forma diferente. Alguns anjos usavam túnicas enquanto outros usavam roupas à moda antiga, típicas de quando eles tinham vivido. Eles estavam ali para ajudar os mortais com as coisas que estavam acontecendo. Alguns foram enviados para auxiliar e preparar os mortais para sua própria morte. Estavam falando palavras de conforto, dando instruções e ensinamentos. Embora os mortais pareciam ignorar a seus John M. Pontius – Visões de Glória 50 ajudantes, se eles estivessem a ouvir com o coração, eles seriam consolados, e começariam a iluminar-se da mesma forma que os anjos que os estavam ajudando. Alguns desses bons anjos estavam ali ministrando pelos espíritos que não conseguiam aceitar a própria morte. Esses anjos estavam vestidos em túnicas brancas e eram gloriosos à vista. Eles acompanhavam os espíritos desencarnados e confusos, falando com eles quando conseguiam sua atenção e os envolviam em sua glória. Eles tinham alegria em seus trabalhos e na finalidade de suas ações. Estavam ali comissionados por Jesus Cristo. Pelo que entendi, todos estes anjos eram familiares daqueles a quem eles tinham sido enviados. Alguns eram ancestrais próximos, tais como pais ou avós. Outros eram de muito tempo atrás. Eu era apenas um novato em observar espíritos, e desde essa ocasião tenho aprendido muito mais sobre eles e como eles agem. Já sei que existem classes de anjos e níveis da justiça entre eles. Isso é visível a olho nu quando se está familiarizado com seres espirituais. Assim como eu poderia dizer tudo sobre os médicos e enfermeiros que estavam trabalhando no meu corpo, eu poderia dizer tudo sobre cada um desses espíritos. Foi assim que eu soube que eles eram membros da família. Eu aprendi que quando você nasce, seu espírito toma a forma do corpo que é nascido e honra essa forma que foi dada a eles por Deus. Embora eles possam mudar de forma ou aparência se Deus assim o desejar, eles sempre voltam à sua forma natural, que é a forma do seu antigo corpo. Aprendi também que os maiores dos anjos, aqueles com mais glória e maior poder, podem ocultar sua identidade, a fim de que uma pessoa como eu, com pouca experiência, não consiga saber qual a sua missão, quem eles eram, ou qualquer coisa sobre a sua história. Encontrei-me com alguns destes anjos mais elevados na sala de espera ao administrarem em seus encargos. Também haviam maus espíritos no quarto12. Eles estavam ali para seduzir mortais, perturbar o trabalho dos anjos, e causar qualquer dano que pudessem. Sentiam muito prazer em sua malignidade. Esses espíritos não tinham luz ao seu redor, mas pareciam emanar escuridão. 1 – Despertado pela Morte 51 A esses espíritos maus eu não podia ler. Eu sabia algumas coisas sobre eles, mas não sua identidade e história. Eles me deram uma má sensação mesmo de olhar para eles. Eles pareciam ser capazes de alterar sua forma e assumir alguma outra forma se desejado. Percebi que um espírito que nunca foi mortal não tem forma espiritual definitiva. Eu vi alguns desses maus espíritos aparecem como uma criança, outros como um homem de terno ou como uma moça bonita. Tornou-se evidente para mim que espíritos não nascidos podem optar por sua forma, assim como Satanás fez no jardim do Éden, aparecendo na forma de uma serpente. Esta foi a primeira vez que eu percebi que os espíritos que nunca irão receber um corpo físico têm a capacidade de aparecer em qualquer forma que escolherem. Eles podem assumir a aparência de uma pessoa viva se isso os ajudar a enganar ou a cumprir suas atribuições. Eles podem aparecer na imagem de um avô, um profeta falecido, ou a esposa de alguém se isso ajudar em sua mentira. Eles procuram fazer grandes danos, tanto quanto possível, e eles não gostavam de que eu podia vê-los. A maioria dos espíritos do mal estavam ali numa missão. Eles estavam tentando criar medo, confusão, e angústia, qualquer coisa que impedisse os mortais, a quem foram designados, de ouvir as mensagens dos anjos de luz, que também estavam ali. Eles não só falavam com os mortais para afligi-los, mas eles riam e zombavam deles e se deliciavam com sua dor e medo. Se eles pudessem convencer a um outro mortal a levantar-se e torturar ou atormentaruma determinada vítima, eles teriam feito isso num instante. Eles eram malignos além de qualquer definição do mal eu tinha jamais concebera. A maioria destes maus espíritos estavam ali por designação do seu mestre. Eles não estavam apenas a vaguear pela terra, à procura de maldade para fazer. Quando eles perceberam que eu podia vê- los, eles se afastaram de mim, por vezes desaparecendo e reaparecendo em uma parte diferente da sala. Percebi que poderia comunicar-me com eles, mas eu tinha pouca vontade de fazê-lo, e eles se recusaram a fazer mais do que olhar para mim antes de se afastarem. John M. Pontius – Visões de Glória 52 Os bons anjos, aqueles que refulgiam com luz, reconheciam-me com um aceno ou sorriso e por vezes me permitiam breves vislumbres daquilo que estavam fazendo ali na sala de espera, mas, em seguida, eles rapidamente retornavam à sua atribuição. Eu sabia que os maus espíritos podiam ver-me porque me evitavam. Mas os espíritos desencarnados, os mortos que se recusavam a reconhecer a sua própria morte, nem mesmo pareciam ver-me, nem tentavam comunicar-se. Eu acredito que eles podiam me ver, porque vários deles desviavam em torno de mim, mas eles não falavam comigo, semelhante ao modo como as pessoas agem neste mundo, quando perto uns dos outros. Encontrei-me com espíritos naquela experiência, no hospital naquele dia, que não tinham aprendido esta simples lição do valor eterno da sua própria vida; eles ainda estavam tentando proteger seus bens, companhias e contas bancárias, e garantir que as suas "coisas" ainda eram deles. Eles ainda estavam cativos ao redor, recusando-se a passar para a próxima parte da sua própria jornada porque eles nunca tinham aprendido a confiar em Deus e sacrificar as suas possessões mundanas em obediência à vontade de Deus para eles. Eles não reconheciam nem falavam com os anjos enviados por Deus para ajudá-las a avançar em suas novas vidas. Eles pareciam nem mesmo vê-los, embora eu pudesse ver e ouvi-los claramente. Eu pude ver que antes de sua morte, essas pessoas não tinham aprendido a ouvir ou reconhecer a direção que Deus deu-lhes enquanto eles estavam vivos, e depois da sua morte aquela surdez para as orientações de Deus persistiu. A mesma cegueira, teimosia e desobediência de mortalidade simplesmente os seguiu no mundo dos espíritos. Talvez devêssemos nos perguntar: temos feito aquilo que viemos à terra fazer? O outro lado está sempre intervindo para nos ajudar a aprender o que é preciso aprender, para que possamos realizar nossa missão na vida. Nós fomos enviados aqui para realizar o nosso trabalho, para curar as feridas das gerações passadas, e abençoar àqueles que nos seguem. Os espíritos malignos estão constantemente a tentar sabotar nosso caminho designado. 1 – Despertado pela Morte 53 Durante todo esse tempo vendo e compreendendo os vários espíritos na sala de espera, fiquei ciente do que estava acontecendo com o meu corpo na sala de procedimentos. Os médicos e enfermeiros ainda estavam trabalhando febrilmente sobre mim, injetado meu coração com adrenalina, e o meu corpo começou a reviver. Eu o podia sentir me chamando, exigindo que eu voltasse para ele. Eu deixei minha esposa e voltei andando pelo corredor que tinha percorrido inicialmente. Uma voz diferente da minha me informou que eu precisava voltar ao meu corpo rapidamente. Eu disse para mim mesmo: "Eu preciso voltar para o meu corpo!" e virei-me, caminhando através da parede para a sala de procedimentos. Eles ainda estavam trabalhando em mim, tentando reavivar-me. Eu estava passando por um processo semelhante ao que senti quando saí do meu corpo, mas ele não estava preparado, e eu achei a experiência excruciante. Tentei continuar, mas era assustadoramente doloroso. Abandonei o meu corpo da mesma forma que antes, para fora da parte inferior da mesa e voltei-me ficando em pé ao lado do meu corpo. Os médicos ainda estavam fazendo ressuscitação e trabalhando em mim. O Ministério dos Anjos Eu olhei ao redor e vi três pessoas no quarto, em pé, de frente para mim, do outro lado do meu corpo. Eles estavam olhando para mim (não o meu corpo, mas diretamente para mim) com expressões de grande interesse. Os dois à esquerda e à direita eram anjos que outrora tinham sido mortais e que agora estavam acompanhando o espírito entre eles que ainda não tinha nascido. Eu soube instantaneamente que eles o estavam treinando. O anjo da esquerda era magro com uma espécie de cavanhaque cerca de três polegadas de comprimento, branco como a neve. Eu sabia que ele vivera até mais de oitenta anos. Por causa da capacidade que já expliquei, de saber tudo sobre outros espíritos e mortais, enquanto naquele estado, eu sabia quem ele era. John M. Pontius – Visões de Glória 54 O anjo da direita era um homem mais jovem. Ele tinha vivido na terra mais tarde do que o primeiro anjo. Esses dois anjos eram meus ancestrais. Eles não se identificam, mas eu sabia que eles eram parentes sanguíneos. Eles estavam protegendo a vida de meu corpo sobre a mesa de operação. Estes dois antigos anjos pareciam preocupados e não mostravam muita emoção. Ambos tinham cabelos brancos e uma aura de sabedoria, luz e justiça. O jovem do meio era uns 20 cm mais alto do que os outros dois anjos. Ele era magro mas forte. Ele não tinha barba. O seu cabelo era escuro. Tinha olhos castanhos penetrantes e uma aura de brandura. Ele ainda não tinha nascido, mas eu senti seu profundo amor por mim, que brotava dele para dentro de minha alma. Ele estava muito preocupado comigo nessa situação de emergência e não possuía a confiança e serenidade dos outros dois anjos. Os três anjos falavam um com um outro não verbalmente. Eu podia ouvi-los. Os anjos instrutores confortavam o mais jovem. "Está bem. Está tudo bem. Não há necessidade de se preocupar. Estamos aqui para garantir que Spencer retorne ao seu corpo. Tenha fé." Todos os três homens manifestavam amor e preocupação por mim. Eu sabia que eles estavam lá por mim, que eu era o seu interesse e a sua ocupação, e que eu era família para eles. Quando eu finalmente retornei ao meu corpo, não me foi permitido lembrar de suas identidades. Mas penso ter identificado todos os três indivíduos pelas fotos de família na genealogia em minha posse. O anjo à minha esquerda era James Henry. Ele era o meu trisavô. O anjo da direita foi seu filho Harold Henry, meu bisavô. Eles pareciam exatamente como nas suas fotos antigas. O espírito no centro ainda por nascer era o meu futuro filho, Spencer Junior. Eu não fui capaz de identificar o meu filho Spencer até ele chegar ao final de sua adolescência, e percebi um dia que ele se parecia exatamente como anjo ao centro. Incluindo eu, haviam quatro gerações da família naquele quarto. Conforme eu olhava para eles foi-me dado a entender que é uma responsabilidade familiar servir como anjos ministradores. Trata-se de uma responsabilidade familiar curar, ensinar, ministrar, proteger e preservar os parentes e relacionamentos em convênio no mundo 1 – Despertado pela Morte 55 espiritual e no mundo mortal. Esta é sua primeira responsabilidade como espíritos falecidos. Até que o trabalho seja feito, até que as relações familiares são preservadas e seladas, outras coisas devem aguardar. Eles foram ao hospital para me ajudar porque o meu trabalho na mortalidade ainda não terminara e, de uma forma que eu só fui entender muito mais tarde na minha vida, a continuidade da minha vida era importante para a nossa família e para eles pessoalmente. O meu filho por nascer estava particularmente envolvido na continuidade da minha experiência mortal, mas havia muito mais para ele se preocupar de que seu próprio nascimento. Ele estava agindo pelo seu amor ao Salvador e sob a Sua orientação ele estava ali comigo num momento de necessidade. No mundo dos espíritos dos falecidos, o ensino do evangelho para as gerações passadas13 deve vir de almasjustas que o receberam durante suas vidas. Em outras palavras, você precisa receber o evangelho aqui na terra antes de poder ser um missionário e ministro para aqueles que partiram antes de você que, por qualquer motivo, não abraçaram o evangelho durante a sua existência mortal. Esta é uma das razões pelas quais os justos que partem são acolhidos com alegre recepção no céu, porque algumas destas gerações anteriores têm esperado por um longo tempo até um descendente deles abraçar o evangelho de Jesus Cristo. Por isso, os espíritos dos mortos ficam entusiasmados quando nós recebemos as ordenanças e a autoridade do evangelho e, em seguida, completamos a nossa existência mortal e o retornamos para que possamos ensinar-lhes e levar as bênçãos do evangelho para eles do outro lado do véu. Apesar de termos apenas pouca noção de como o evangelho funciona do outro lado do véu, lá é quase uma imagem em espelho de tudo o que fazemos aqui. Toda a ordenança que tentamos conferir aqui tem uma ordenança correspondente no outro lado do véu. Costumamos falar dos falecidos em termos de "aceitar ou rejeitar" nossos trabalhos em seu nome. Sua aceitação constitui uma ordenança em seu mundo. É uma das grandes urgências daquele mundo ficar em dia com o trabalho aqui na mortalidade. O calendário está avançando tão rapidamente que os justos falecidos John M. Pontius – Visões de Glória 56 estão frequentemente apressados para concluir suas tarefas, e eles têm pouco tempo para prestar atenção às coisas menores. No grande círculo das coisas, a maioria das bênçãos dadas aos mortais também vêm de seus falecidos justos. Quando oramos por uma grande bênção, necessidade, ou cura, Jesus Cristo envia os nossos ancestrais justos como anjos2 ministradores para dar a benção. Se não temos nenhum antepassado justo, então as bênçãos devem ser ministradas por outros obreiros justos de lá, os quais são escassos. Quaisquer anjos que forem capazes de ministrar essas bênçãos agem em primeiro lugar por suas próprias famílias e, em seguida, são designados para abençoar outros. Isso significa que as nossas bênçãos podem ser adiadas ou parecem chegar em cima da hora. Eles estão muito ocupados trabalhando para estabelecer os relacionamentos e para proteger e abençoar-nos. Familiares falecidos estão assistindo, esperando e guiando-nos no cumprimento dos nossos deveres mortais justos para que possamos voltar e ensinar e abençoá-los. Aprendi também que é uma grande bênção ter nascido em uma família na qual as pessoas que morreram antes foram homens e mulheres justos e poderosos, selados em relacionamentos por convênio, geração após geração. Eles têm um poder maior para abençoar e guiar mortais. Foi-me dito para tentar voltar para o meu corpo. Não tenho certeza se foram os três anjos que instruíram ou o meu próprio pensamento, mas levantei-me, tentei e, mais uma vez, vi-me rechassado da forma mais dolorosa. Estou certo de que se corpos espirituais pudessem ser feridos, que experiência teria me causado uma grande lesão. No entanto eu fiquei ileso e não houve dor persistente exceto a memória dela. Mais uma vez eu me encontrei ao lado mesa da enfermaria, olhando para o meu corpo. O Poder da Queda Uma das mais profundas descobertas que tive desta experiência foi ver a diferença entre o meu corpo espiritual e aquele corpo doente deitado ali em cima da mesa. Esta foi a primeira vez em que eu tinha experimentado a justaposição entre o meu eu espiritual e o 1 – Despertado pela Morte 57 meu eu mortal. Eu estava ciente do crescimento de que meu corpo mortal carecia a fim de alcançar o potencial do meu espírito. O meu espírito era eterno, inteligente, perspicaz e poderoso. O meu corpo estava danificado, sujeito à morte, mentalmente lento e, em comparação com o meu espírito, ignorante de quase tudo espiritual e fraco em todos os aspectos. Foi então que comecei a perceber o quanto nós, mortais temos caído. Eu aprendi que estamos diferentes de como éramos antes da queda14. Olhando para baixo sobre o meu corpo, eu sabia tudo sobre ele, quanto tempo ainda falta, e quanto crescimento e exposição a verdade são necessários a fim de ser "terminado" ou concluído, para ser capaz de receber tudo o que o Pai tinha preparado para ele receber. Isso ficou muito claro para mim. Eu entendi todas as alterações que meu corpo precisava experimentar para tornar-se apto a regressar à presença do pai, e parecia quase impossível de realizar tudo isso na curta duração da mortalidade. Esta primeira experiência fora do meu corpo criou a recordação e refrescou minha memória de quem eu era e quem eu poderia tornar-me através de escolhas obedientes. Então fiz um compromisso, um convênio se preferir, entre mim como espírito e o meu corpo, de que eu faria tudo o que eu tivesse que fazer, para permitir que o meu corpo pudesse receber todas as alterações, aperfeiçoamento e a santificação necessária a fim de retornar ao Pai comigo dentro dele. Enquanto apenas no meu espírito, eu era puro, completo, conhecedor, e eu sabia exatamente quem eu era e de onde eu viera. O meu espírito era à imagem de Deus e eu sabia disso claramente. O espírito não tem um completo véu do esquecimento quando se liberta do corpo. Eu sabia que vim do Pai e tinha todo o potencial para me tornar como o Pai. Quando eu estava em espírito, eu tinha todas essas coisas, e não houve qualquer questionamento ou dúvida sobre qualquer coisa. O meu ‘eu’ espiritual queria apenas fazer a vontade de Deus e nada mais. Mas no corpo, eu era prejudicado por cegueira espiritual e fraqueza moral, e eu estava cego pelas imperiosas exigências da carne. Eu era cheio de dúvidas, incertezas, orgulho, corrupção, John M. Pontius – Visões de Glória 58 egoísmo e desejos maus. O pior de tudo é que eu não lembrava de nada da minha vida prévia com o Pai; não fazia a menor ideia de quem eu realmente era. A contradição entre as minhas duas identidades era esmagadora e paralisante. Entendi que essa disparidade era resultado da queda do homem e que eu tinha que superar essas coisas pela obediência ao evangelho e leis de Cristo. Na minha experiência seguinte fora do corpo, a qual relatarei mais adiante neste livro, eu vi todos os sofrimentos, provações e lutas que eu precisava enfrentar para refinar esse corpo mortal a fim de realmente chegar ao estado que eu tinha prometido que eu alcançaria. Com toda a honestidade, depois de ver todos os desafios que eu iria enfrentar, eu não conseguia ver como eu poderia triunfar. O meu ego ficou diluído porque eu imediatamente soube que eu não poderia conseguir de qualquer forma exceto pela plena e eterna graça de Cristo. Tinha que ser pelo milagre da Expiação15, porque eu sabia muito bem das minhas fraquezas para achar que eu, ou qualquer mortal de fato, fosse forte o suficiente para fazê-lo sozinho. Finalmente, na minha última experiência fora-do-corpo, foi-me mostrado o resultado final de tal caminho, quando e como eu iria eventualmente triunfar sobre todas estas coisas, honrar todos os meus convênios, obedecer todos os mandamentos e, finalmente, trazer o meu corpo de volta à presença de Cristo, tendo superado a queda, sendo resgatado por Cristo, então ele estava pronto para cumprir nossa missão – "nossa" significando o meu espírito e o meu corpo – nos últimos dias. Antes dessas experiências, eu não tinha ideia de que havia uma distinta preparação para o meu corpo. Eu pensei que "eu" era o meu corpo, e que eu estava crescendo através das minhas experiências. Aprendi que "eu" sou de fato o meu espírito, que já tem uma natureza divina e, ao invés de superar o meu corpo, como que castigando-o até sua sujeição, minha luta foi projetada para elevar o meu corpo para a estatura do meu espírito. Retornarei a essas outras experiências posteriormente. Nesse ponto, eu ainda estava fora do meu corpo no hospital, à espera que o meu espírito entrasse novamente no meu corpo.1 – Despertado pela Morte 59 Explorando o Hospital Decidi que tinha pouco de tempo até que o meu corpo fosse revivido. Eu esperava que ele fosse revivido, principalmente por causa da confiança e palavras dos três anjos ali perto do meu corpo, e porque eu não tinha sido chamado para fora do hospital. Eu não tinha visto um túnel de luz ou um mensageiro celeste, o que na verdade eu esperava ver. Por isso, concluí que o meu destino era sobreviver de alguma forma e seguir a vida. Tempo para o espírito se move de maneira diferente do que para um mortal, e mesmo que tenha sido apenas uns poucos minutos mortais, tive tempo para explorar esta incrível situação de estar fora do meu corpo. Decidi experimentar e dar uma olhada em volta. Sei que pode soar frívolo ou que eu não me importasse com a minha vida mortal. A verdade é, eu amava a minha vida, a minha esposa e os meus filhos, tudo isso, e eu não estava desejando morrer. Mas uma outra verdade é que eu tinha estado doente e em sofrimento durante um longo período de tempo, e estar fora do meu corpo era um grande alívio. Senti uma grande paz e uma total ausência de medo. Cada vez que eu tinha tentado voltar ao meu corpo, o senti assustadoramente doloroso. Não existem palavras da língua inglesa para expressar o quão excruciante foi aquilo. O meu corpo estava muito, muito doente e ao mover-me adentro, eu podia sentir que a doença e a dor começam a sufocar-me novamente. Mas, ainda mais do que isso, era tipo como se estivesse me espremendo através de uma pequena abertura sob alta pressão. O processo de reinserção no corpo já era agonizante por si só, e o fato de que ele estava doente e em dor fez toda a experiência ser a mais desagradável de toda a minha vida até então. Portanto, com esta grande capacidade de perceber os pensamentos, até mesmo sua história e futuro, e com uma mente curiosa, naturalmente, eu pensei que poderia muito bem aproveitar os poucos minutos que eu ainda dispunha até o meu corpo chamar por mim para entrar novamente. Até então, eu não tinha nenhum plano para tentar fazê-lo da minha própria vontade. John M. Pontius – Visões de Glória 60 Eu já tinha experimentado caminhar através das paredes e estava curioso por experimentar novamente. Eu me senti confortável fazendo isso, porque eu continuava completamente consciente de que o meu corpo estava vivo não importa onde eu estivesse no hospital. Virei-me e caminhei até a parede mais próxima, pousei por um momento, e depois atravessei para a sala ao lado. Eu encontrei-me em um consultório médico, tendo caminhado através de uma mesa de madeira, uma cadeira de madeira, e um sofá de couro. “Ouvindo” a Madeira e as Pedras Me detive por um momento para deixar o fluxo de informações se fixar em minha mente. Ao passar através da mesa, eu percebi que ela tinha sido feita a partir de três árvores. Eu vi cada árvore. Eu as conhecia desde o momento em que sua semente germinou até o momento em que foram colhidas, recortadas, e confeccionadas nessa mesa. Não havia um órgão vivo na madeira. Ela era inteligente16, mas tinha pouca volição. Ela estava satisfeita por ser madeira, e lhe agradava que alguém a tivesse escolhido para ser moldada nesta mesa. Era tipo escrivaninha e muito bonita. Eu sabia que a escrivaninha compreendia o amor que o artesão tinha colocado em seu trabalho sobre a mesa. A escrivaninha também se sentia pura e digna porque ela nunca tinha sido utilizada em qualquer coisa que ofendesse a Deus. Gostaria de dizer muito mais sobre este fenômeno, de compreender as coisas materiais, mas me faltam as palavras. Eu entendi a emoção e a motivação do homem que a cortara e sabia o seu nome e de tudo mais sobre a sua vida, assim como de todos aqueles que haviam tocado ou utilizado a mesa. Eu entendi tudo o que há a saber sobre o algodão de enchimento no assento e o couro do sofá. Tudo isso me acolhia e tinha prazer em me comunicar sua vida e como ela tinha chegado a ser aquele sofá. Eu entendi os vários animais cujas peles cobriam o sofá, assim como as suas vidas e o seu sacrifício. Eles haviam deixado todas as suas informações em suas peles, mas o espírito da vaca estava em algum 1 – Despertado pela Morte 61 outro lugar, e não no couro, embora ainda satisfeita e contente com os benefícios para a humanidade que a sua vida e sacrifício tinham prestado. Ela estava feliz porque foi benéfica aos filhos de Adão. O Propósito das Coisas Eu poderia resumir desta maneira: todas as coisas sobre a face da terra são aqui colocadas com o objetivo de levar a efeito a imortalidade e a vida eterna17 do homem. Algumas coisas estão aqui para alimentar-nos, algumas para confortar-nos, algumas para criar beleza, abrigo, até mesmo remédios. Há algumas coisas que estão aqui para trazer oposição, dor e desconforto. Mas todas elas estão aqui para criar este mundo que exalta o homem. Tudo é do plano de Deus, e nenhuma parte é dispensável. Até mesmo os mosquitos e os vírus são parte do plano. A minha experiência com todas essas coisas não-humanos foi a de que elas estão satisfeitas que estão cumprindo a medida da sua criação, e que a recompensa por isso é aceitável e agradável a cada uma delas. Foi impressionante perceber que a vida é muito mais complexa do que podemos imaginar ou conceber enquanto neste corpo mortal. Deus tem providenciado um sistema complexo e inspirado para exaltar-nos. Uma grande parte disso é nos dar a oportunidade de estar em um corpo, um corpo que deseja quase tudo ao contrário do plano de Deus. Jesus Cristo nos expõe através do Espírito Santo, à tudo o que é verdadeiro, falando para o nosso espírito a cada momento, temos de escolher entre o bem e o mal. Então, quando nós pecamos, podemos nos arrepender e obedecer suas leis para permitir que a expiação opere por nós. Todo esse processo foi projetado por Deus para trazer o nosso espírito com o nosso corpo em conformidade com as leis de Deus, e para voltar corpo e alma, inseparavelmente ligados, de volta à presença de Deus, para sermos julgados e para prestar um relatório. John M. Pontius – Visões de Glória 62 Nossa Glória Pré-mortal Foi muito interessante para mim, ver que nossos espíritos vieram para a terra em um estado quase divino. Eu acho que existem alguns espíritos que vieram aqui com motivações e desejos impuros. Mas eu descobri que o meu espírito só desejava o bem, apenas desejava estar em harmonia com Deus. Era o meu corpo que era escravo da mortalidade, desejando coisas que eram contrárias ao plano de Deus para mim. Quando o meu espírito foi colocado no meu corpo ao nascer, e perdeu todas as suas memórias de minha longa e boa vida antes do nascimento, ele caiu, ou se tornou sujeito à queda do homem, quando ele entrou em meu corpo. Grande parte dos propósitos da mortalidade é sermos afastados de Deus, sendo assim obrigados a aprender a escutar a voz de Cristo e a superar os impulsos do nosso corpo mortal. No mesmo processo, também estamos aprendendo a aperfeiçoá-lo, a ensiná-lo perfeita obediência à vontade de Cristo, e ao fazê-lo, vencemos o mundo e a queda. Para mim, tão inexperiente nas coisas profundas e divinas do mundo espiritual, tudo isso foi "delicioso" para mim. Eu estava entusiasmado em experimentar estas coisas e sentir amor vindo de tudo o que eu tocava, mesmo as pedras, couro e madeira. Me encantava com o amor que eu senti fluindo de mim para eles. Parecia que tudo o que havia sido criado por Deus tinha sua própria história e tinha prazer por eu ser capaz de ouvi-los. Eu apenas ouvi contentamento e o louvor a Deus vindo dessas coisas. Eu descobri que os materiais feitos pelo homem, como aço e plástico, eram mais difíceis de atravessar, e não tinham voz. Eu não podia discernir sua estória ou sua história. Eles eram mortos para mim no momento. Eu aprendi mais tarde que eles eram uma parte da vida terra, mas não saiba até muito mais tarde como experimentar a terra.Eu simplesmente não estava pronto para isso na época - e muito pouco preparado quando isso aconteceu já bem adentro do Milênio. Comungar com um pedaço de madeira, é meio como um cachorrinho pisando nos dedos do seu pé, abanando a cauda, ao recebê-lo com sua adorável almazinha e carinhosa personalidade. Conversar com a Terra é como ter um planeta aterrissando em seu 1 – Despertado pela Morte 63 corpo, tendo o peso de uma grande, enorme inteligência com um perfeito conhecimento e memória infalível de todo o bem e mal que tem existido na sua face, dos clamores do sangue justo soando ao longo dos séculos por justiça, da imensa tristeza, paciência divina, e a mais jubilosa alegria na sua redenção final. É como ficar cara-a- cara com um ser vivente, brilhantemente inteligente do tamanho de um planeta, que ao mesmo tempo ama e se ira, é ansioso e paciente, tendo sido verdadeiro e fiel em todas as coisas. Não é algo para o qual se possa preparar exceto com grande experiência espiritual e divina preparação. Eu estava muito interessado nas rochas e pedra natural, cuja voz era antiga, anterior à formação da terra. Ela lembrava-se de sua criação e extasiava-se e regozijava-se em ser bela e útil para o homem. Descobri que eu gostava das rochas. Todas elas magnificavam a Cristo. Eu gostava de sua companhia, seu senso de paciência ilimitada e sua adoração eterna a Cristo. Pense nisso, se eu podia desfrutar as rochas, cuja inteligência e arbítrio são tão limitados e menos divinos, quão mais profundo e glorioso são os seres humanos, que são muito mais do que pedras, no entanto, nós não os valorizamos exceto pelo que eles podem fazer por nós. Cada pessoa que você encontra tem vivido desde a eternidade! Eles são anteriores à criação terrestre e são deuses na infância. Porém só conseguimos vê-los como funcionários, médicos, amigos, familiares, ou até mesmo como um inimigo ou uma fonte de nossas provações. Mas nós raramente os vemos como eles são: deuses em potencial. Eu vi isso como um enorme obstáculo para o nosso próprio crescimento. Mostra o quão baixo temos caído, pois não faz muito muito tempo, no eterno âmbito das coisas, quando compreendíamos o plano muito mais claramente e compreendíamos o valor de cada alma, estávamos nós mesmos nos tornando deuses (com “d” minúsculo). Nesta vida, em um corpo mortal que não sabe nada do plano d’Ele para nós, nós resistimos à Deus. Qual é o seu plano? É efetivar a imortalidade e a vida eterna do homem. Assim, tudo o que experimentamos é arquitetado para levar-nos mais adiante nessa jornada. John M. Pontius – Visões de Glória 64 Através desta experiência fora-do-corpo, toda esta informação foi infundida no meu espírito. Desde então, o véu é mais fino para mim em alguns aspetos. Posso não apenas lembrar o que Deus revelou e ensinou-me em visão, mas tenho a sua voz reveladora para ensinar-me a cada momento da minha vida, tal como a todos os mortais através da luz de Cristo e a voz do Espírito Santo. Tendo ambas as perspectivas sobre as obras de Deus, tem tornado o véu mais fino de muitas maneiras. Enquanto eu estava andando pelo hospital encontrei-me com outros mortais. Alguns eram operários, outros eram médicos e enfermeiros. Eu não vi muitos pacientes, eu parecia estar em uma seção administrativa do hospital. As vidas de cada um desses mortais eram completamente transparentes para mim, como se seu próprio ser, todos os seus segredos, verdades e mentiras estivessem sendo transmitidos por conta própria, para o mundo todo. Para mim, tudo o era revelado e tudo era visível para mim. Achei que era opressivo porque eu podia ver as dificuldades que haviam criado para si mesmos. Eu podia ver cada erro, assim como cada boa ação que haviam feito. Eu sentia uma profunda tristeza pela maioria deles e mal conseguia suportar abordar outra pessoa depois de um tempo. Achei muito mais agradável a experiência com a madeira e as pedras do que com os seres humanos. Fiquei intrigado com sua intrincada história, que cada uma delas mostrou a mim no momento em que as toquei. Fui atraído pela sua boa energia e natureza eterna. Um Clamor por Justiça Achei alguns itens no hospital que estavam entristecidos pela forma como eles tinham sido usados pelos seus proprietários. Algumas coisas tinham sido usadas na prática de crimes ou para fins violentos ou imorais, e a sua voz era um clamor por redenção e justiça. Não se tratava de um som estridente, agudo ou desagradável – mas ele era interminável, e levava nítidos detalhes da injustiça. Eu sabia que o próprio objeto não foi diminuído ou condenado, mas ele esperava com paciente expetativa pelo dia da redenção. 1 – Despertado pela Morte 65 Eu andei através de uma parede para um bonito consultório. Ele era mais bem equipado do que os outros, com belos quadros nas paredes e mobiliário em madeira ornamentada. Eu considerei sair pela porta para ver de quem era, mas conforme eu andei através da escrivaninha, fiquei aturdido com o que eu senti. Ela estava ansiando por redenção. Dei-me conta de que, recentemente, uma série de cartas de amor tinham sido escritas sobre essa escrivaninha, promovendo um caso romântico que, em última análise, iria ferir muitas pessoas18. Eu sabia o conteúdo de cada letra e a verdadeira emoção, a manipulação do escritor, bem como a reação do leitor. Me afastei, não querendo ficar naquele fluxo de tórridos detalhes. Passei pelo sofá, e ele, da mesma forma testificava do mesmo caso e de eventos impuros que ocorreram aqui, alguns recentemente. Eu não pude encontrar qualquer canto naquele belo consultório que não estivesse triste ou ofendido ou chorando por redenção. Retornando ao Meu Corpo Eu estava prestes a sair quando, mais uma vez, senti a chamada de meu corpo. Instantaneamente, eu encontrei-me novamente na sala de procedimentos, olhando para o meu corpo. Em todas as minhas experiências posteriores de deixar o meu corpo, eu me levantara para fora dele. Mas, por razões que eu ainda não entendo, eu reentrei em meu corpo por baixo durante essa experiência. Eu de repente encontrei-me debaixo da mesa, subindo rapidamente por ela e em meu corpo por baixo. Desta vez foi mais doloroso do que qualquer das outras vezes. A dor estava sendo vivida pelo meu corpo, mas como eu estava conectando-me a ele, senti tudo. Eu ainda estava consciente de meu eu espiritual o qual, como já expliquei, tem maior sensibilidade. Por um momento eu podia sentir o meu espírito, sendo agitado e socado pela dor do meu corpo e sentia a dor do meu corpo. O choque da dor de ambas as fontes foi esmagador. Em seguida, um instante mais tarde, eu estava apenas consciente do meu corpo. Eu estava de volta para dentro. Eu não estava só acordando como que de uma anestesia, mas estava totalmente consciente e John M. Pontius – Visões de Glória 66 ciente de tudo. Eu estava doente e quase tão doente como um mortal pode estar e ainda ficar vivo. Eu não tinha forças para sequer piscar os olhos. Eu estava esmagadoramente nauseado, mas demasiado fraco para vomitar. Meu pulso estava irregular, e eu podia sentir indisposições de todos os medicamentos que tinham injetado em mim. Eu não podia acreditar que esse era realmente o meu corpo; ele parecia mais doente do que eu jamais havia sentido. Eu me senti sobrecarregado pelo meu corpo, como se o meu espírito quisesse voar para fora novamente, mas meu corpo estava segurando-o com um enorme peso. Eu lutava para respirar. Eu podia ouvir as enfermeiras e os médicos conversando ansiosamente entre si e, em seguida, comigo. Eu abri os meus olhos. A minha percepção de passagem do tempo foi que eu tinha ficado fora do meu corpo por cinco ou seis horas. Eu já tinha visto e experimentado tanto e tinha vagueado pelos corredores do hospital sem qualquer sensação de pressa, enfiando minha cabeça através das portas fechadas e caminhando por todas as paredes que eu podia encontrar. No entanto,quando os meus olhos finalmente centraram-se sobre o relógio na parede da enfermaria, apenas vinte minutos haviam passado. Isso não fez sentido para mim. Senti-me confuso. Eles me levantaram e me serviram um suco de laranja. Senti-me mal, por isso me disseram para deitar-me e descansar. O médico veio e me disse o que havia acontecido. Ele falou de tudo casualmente, como se isso acontecesse o tempo todo. Ele queria que eu viesse ao seu consultório por um momento e descansasse para ter certeza de que eu iria ficar bem. Eu me senti muito fraco, mas recorreram a minha esposa, Lyn, para incentivar-me. Ela levou-me em uma cadeira de rodas para o consultório. Ela não sabia do que recém acontecera. Reconheci o seu consultório como sendo aquele onde o caso de amor havia sido promulgado, mas o mobiliário do escritório estava em silêncio, já não falavam mais para o meu espírito, o qual agora, aparentemente, estava fixo de volta no meu corpo. Eu disse à enfermeira que ficou com a gente, "Eu estive morto”. 1 – Despertado pela Morte 67 Ela balançou a cabeça e respondeu: "Não, você apenas teve uma terrível reação com o contraste, mas agora você está bem." Ela foi reconfortante, mas a verdade é que ela não entendeu o que eu tentei dizer. Todos os que falaram conosco tentavam minimizar o que acontecera. Eles não queriam ouvir tudo o que eu tinha para dizer. Por cerca de meia hora, eles nos disseram que eu estava bem e me mandaram para casa. Muitas Diferentes Experiências Morte Uma grande parte desta experiência foi que eu comecei a entender o arbítrio e que as pessoas têm vários tipos de experiências após a morte. Isso é algo que eu certamente nunca supusera. Algumas pessoas nem mesmo admitem que eles estavam mortos. Outras pessoas, como eu, estavam apenas à espera de seus corpos serem restaurados, de modo que pudessem reentrar. Estas pessoas têm tido experiências de muitos tipos diferentes. A alguns foi dada a opção de retornar à mortalidade. Não me pareceu que eu tivesse escolha, fui simplesmente chamado de volta. Alguns dos mortos eram recebidos por anjos de luz, que os acompanharam para fora do hospital, em uma coluna de luz. Naquele momento, principalmente depois de tentar várias vezes reintroduzir- me no meu corpo, eu os considerei mais abençoados. Esta experiência fora-do-corpo por si só tem me dado décadas de informação para processar e tentar compreender. Narrando este livro é, na realidade, a primeira vez na minha vida que eu tento colocar todas estas experiências em palavras. Pus-me a pensar, meditar e orar sobre elas pela maior parte da minha vida, mas esta é a primeira vez que tento descrevê-las em voz alta. É interessante a mim, ver como é difícil, quão parcas são as palavras para descrever o verdadeiro sentido da vida e o que realmente acontece quando se morre. John M. Pontius – Visões de Glória 68 De Volta para Casa Alguns dias depois que cheguei em casa comecei a me sentir melhor. Eu contei para a Lyn sobre minha experiência fora-do- corpo e sobre a minha visita à sala de espera. Eu disse a ela que eu tinha realmente morrido. Ela estava cética, embora lhe fosse inexplicável que eu soubesse o artigo de revista que ela havia lido e que eu pudesse lembrar-me até do ponto em que ela tinha parado de ler quando os alto-falantes acionaram, "código azul, código azul!" Eu disse a ela tudo, como ela olhou para cima e, em seguida, levantou-se pondo a revista de lado, e tudo. Ela confirmou-me que tudo o que eu disse era verdade, embora ela própria não conseguia acreditar que eu tinha estado morto por vinte minutos. Ela solicitou uma consulta com o meu médico, e ambos entraram. Ela exigiu saber a verdade do que tinha acontecido naquele dia. O médico não queria admitir que eu tinha morrido. A única coisa que o médico admitia era que "houve alguns momentos assustadores quando seu coração parou. Você não estava respirando, mas nós o reavivamos.” Ele completamente minimizou a experiência e nos disse para não nos preocupar mais com aquilo. Eu acho que o que ele realmente queria dizer era: "Por favor não nos processe." John M. Pontius – Visões de Glória 69 Capítulo Dois PARAÍSO PERDIDO Reorganizando Minha Vida ensei sobre essas experiências todos os dias que se seguiram, meditando sobre elas e no que elas significavam. Havia muitas coisas que eram contrárias às convicções que tive por toda a vida, especialmente sobre o meu pai biológico e o meu nascimento. Eu cuidadosamente registrei essas experiências no meu diário. Além disso, eu meditava diariamente sobre como mudar a minha vida para estar em conformidade com o que Deus tinha acabado de me mostrar. Antes, a minha meta de vida era avançar na minha carreira, para tornar-me um professor livre-docente e de me aposentar aos cinquenta anos. O meu objetivo era o de tornar-me rico, bem conhecido, escrever livros, e ficar famoso. Eu queria trabalhar na Igreja, servindo em qualquer capacidade, e “ascender no sacerdócio", como eu pensava naquela época, provando-me fiel e diligente para a Igreja dos Últimos Dias. Após esta experiência além do véu, eu passei os próximos dez anos reorganizando minha vida de ego-centrada a centrada em Cristo. Não foi uma transição fácil. Eu vim a perceber que quase todos os meus objetivos estavam desalinhados com o plano de Deus para mim. Eu tinha sido ensinado durante toda a minha vida a ganhar dinheiro, criar uma família, ser conhecido por todo o mundo P 2 - Paraíso Perdido 70 e, em seguida, o Senhor poderia utilizar-me de qualquer forma, porque eu estaria qualificado, rico, e disponível. Não tenho certeza se antes desta experiência eu tinha me compromissado totalmente com este objetivo na vida, porém era o que eu tinha sido ensinado durante toda a minha vida pelos líderes e até mesmo pelos meus presidentes de missão. Isso nunca tinha soado totalmente verdadeiro para mim, e agora eu sabia porquê. Antes deste momento, eu tinha a mentalidade de que eu precisava chegar a um lugar em minha vida onde Deus poderia conhecer-me ver as minhas boas obras e a minha determinação e, então, Ele saberia o que eu poderia fazer. Depois dessa experiência, eu aprendi que Deus já me conhecia em grande detalhe e muito melhor do que eu conhecia a mim mesmo. O que ele estava me ensinando com esta experiência foi, Spencer, você estava enganado. Você precisa aprender a ver a si mesmo como Eu o vejo, e conhecer a si mesmo como Eu conheço a você e não o contrário. Eu já sei tudo sobre você. Estar fora do meu corpo e saber sem qualquer dúvida, com total garantia, que existe um grande trabalho espiritual e um mundo espiritual que não podemos ver, levou-me para fora de um círculo que circunscrevia apenas Spencer, e ampliou o círculo de meu entendimento, a incluir este mundo invisível de seres celestiais, incluindo familiares, anjos e o próprio Jesus Cristo. Isso me transformou para sempre. Como já mencionei antes, me parecia como se os anjos houvessem deixado a porta aberta para o céu. Eu passei a ver as pessoas diferentemente. Eu podia vê-las em certa medida com os olhos de Deus. Eu podia amá-las mais, e algumas vezes o Senhor enviou-me para ajudá-las em formas que teria sido impossível de outra maneira – meios milagrosos pode parecer, se não se percebe que a mão de Deus está sempre trabalhando em nossas vidas. Depois desta experiência que mudou minha vida, comecei a obter informações de Deus para dar aos meus clientes. Às vezes eu tinha de esperar que eles parassem de falar para que eu pudesse John M. Pontius – Visões de Glória 71 dizer-lhes o que eu tinha acabado de aprender. Ao longo do tempo, na medida em que me tornei mais sensível às coisas espirituais e mais obediente em minha resposta a elas, o meu discernimento melhorou. A minha percepção sobre suas vidas aumentou. Por vezes o que eu tive visões das coisas que tinham acontecido com esses clientes, e a minha compaixão e compreensãofoi grande por eles. Eu não podia evitar essa maior afinidade com eles. Nunca Estamos Sós Outro princípio importante que eu aprendi foi que nunca estamos sozinhos. Os anjos estão sempre presentes, tanto do bem2 como do mal13. Eu também percebi que pelo meu comportamento, humor, ou pensamentos, eu estava no controle de quem estava no quarto comigo. Eu costumava ter sentimentos ou emoções negativas e sentir-me dominado por elas. Fiquei surpreso ao perceber que eu estava lidando com espíritos das trevas que sobrepujavam-me quando eu lhes dava permissão pelas minhas emoções. Percebi que estava no controle, e eu trabalhava duro para manter-me positivo e amoroso, para convidar seres divinos à minha vida, que elevavam a mim e às pessoas em volta de mim. Trata-se de um princípio fundamental da minha fé agora que, para o bem ou para o mal, nunca estamos sozinhos. Eu também percebi que nosso arbítrio é sempre respeitado, de tal modo que, apesar de existirem bons anjos em torno de nós, ainda assim temos de convidar sua intervenção. Os convidamos para nos ajudar pela oração, por termos esperança, por sentirmos fé e crença. Até mesmo as palavras que pensamos calmamente ou falamos conosco mesmos, até estas valem. "Por favor, mostre-me como!" "Por favor me ajude!" "Por favor, Deus, ajude-me a encontrar minhas chaves." "Por favor Deus, salva os meus filhos!" Todas essas coisas acionam forças poderosas do outro lado do véu. Elas se tornam ainda mais potentes quando aprendemos a responder aos impulsos do Espírito Santo porque, então, podemos receber as respostas para estas urgentes preces mais rápida e profundamente. 2 - Paraíso Perdido 72 Todas as vezes que Deus envolve-se em nossas vidas, Ele está ensinando e levando a efeito nossa vida eterna17. Quando o Pai responde às nossas orações, Ele o faz por meio de anjos2, pois assim os anjos crescem também. Eles aprendem o que é ser "como" Deus, servindo e comunicando as respostas de Deus para as orações de seus filhos. Este processo é extremamente ordeiro e divinamente orquestrado. Não existe acaso ou imprevisto no Seu trabalho. Os bons anjos estão sujeitos ao Seu comando e são limitados ou habilitados pela nossa fé. Não há momentos de “xii!” ao lidar com Deus ou seus mensageiros. Orações19 nunca deixam de ser respondidas corretamente devido a um erro do outro lado. Tudo acontece como Deus orienta. Redirecionando Minha Vida Agora, todas essas ocupações mundanas que eu pensei que deveria definir a minha vida foram levados. Foi-me mostrado que muito do que eu estava tentando fazer era totalmente errado para mim. Foi-me mostrado que ele era o objetivo errado – pare com isso. Estou tentado a obedecer. Eu completei a minha educação e estabeleci minha carreira porque eu tinha visto que era parte do caminho certo para mim. No meu trabalho, muitas vezes chamo ao Pai celestial para que os anjos, que rodeiam a mim e meus clientes, intervenham. Faço-o com total certeza de que Deus me ouve, e os anjos respondem. Talvez eu tenha maior fé neste princípio do que a maioria dos mortais porque eu tenho visto os anjos. Anteriormente, eu havia trabalhado em um hospital de grande porte com crianças que sofrem de câncer. Houve momentos em que eu antevia com olhos espirituais uma intervenção angelical para prolongar a vida da criança e sabia que ia acontecer. Essas ocasiões resultaram em cura que só poderiam ser milagres de Deus. Certas ocasiões, eu também percebia que a vida da criança estava no fim, e que ela havia concluído seus labores mortais. A criança falecia pouco tempo depois. Eu tinha então uma grande paz, sabendo que a John M. Pontius – Visões de Glória 73 sua vida fora curta, mas completa, e tal conforto eu podia transmitir para os pais e familiares. Neste momento eu estava visitando, como mestre familiar, a uma única irmãNT3 com três filhos. Esta irmã tinha câncer no cérebro, e eu queria curá-la. Eu queria apelar ao sacerdócio para curá-la. Ela pediu-me para dar-lhe uma bênção20, mas quando eu coloquei minhas mãos sobre a sua cabeça, foi-me mostrado em visão que ela não iria viver um ano. Eu não queria dizer isso, então eu dei-lhe uma bênção de conforto, mas não foi a bênção que eu queria dar-lhe, nem tampouco foi a bênção que o Pai tinha me mostrado ter em reserva para ela. Ela virou-se para mim depois da bênção, com lágrimas correndo no seu rosto, e perguntou-me: "Por que você não me disse o que você viu? Por que você não me deu a benção que você viu?" Eu perguntei a ela o que ela queria dizer. Ela disse, "Eu vi a mesma visão que você viu. Não vou viver muito mais do que um ano". Eu disse a ela, "Eu estava com medo de dizer-lhe, com medo de desencorajar a você e assustar aos seus filhos.”. Ela respondeu, "sendo a vontade de Deus, Ele vai me ajudar a aceitá-la. É o que eu precisava ver, e mesmo que você não diga isso em voz alta, eu a vi com você, e eu sei que é verdade. Obrigado por esta bênção." Ela viveu cerca de onze meses e, em seguida, sucumbiu, deixando os três filhos pequenos nas mãos de membros da família. Essa foi apenas uma das muitas experiências poderosas onde minha sensibilidade espiritual e meus sentimentos espirituais elevaram-se grandemente. Infelizmente eu não estava forte o suficiente para pronunciar as palavras corretamente, portanto, o Pai revelou a esta jovem mãe a mesma visão que eu vi para ela. Eu aprendi muito sobre a minha responsabilidade de fazer o Seu trabalho; embora o medo tente me impedir de dizer o que deve ser dito, é sempre a coisa certa a fazer. Eu tentei, desde então, não temer as emoções e preocupações dos homens mais do que a vontade de Deus. 2 - Paraíso Perdido 74 Depois dessa experiência fora-do-corpo, minha vida passou por uma longa e difícil evolução, especialmente quando você considera que tais decisões não foram inteiramente minhas, porque elas eram os sonhos da minha esposa e família também. Eu tinha instilado meus sonhos neles durante anos, e agora eu era confrontado com a tarefa de ensinar-lhes a razão pela qual eu tinha mudado a minha vida e meus objetivos. Estas alterações não foram realizadas sem resistência. Além disso a minha família, quase todos os meus colegas, meus professores e colegas em universidades, mesmo aqueles que foram meus mentores e me avançado nas universidades, todos resistiram às mudanças que eu estava fazendo. Alguns deles viam-me como autodestrutivo, outros viam-me apenas como estúpido. Houve até alguns que me disseram que eu tinha sofrido um colapso mental ou emocional. Escutei a todas essas pessoas, mas decidi avançar com determinação para fazer o que me tinha sido indicado a fazer. Eu deixei algumas das minhas posições no hospital, aposentei-me de diversas nomeações na universidade e foquei na minha clínica particular. Durante este tempo de mudanças a minha saúde continuou a degradar lentamente. Meu sistema imunológico foi comprometido pela cirurgia e muitos problemas de saúde. Tive cirurgias em minha vesícula, um apêndice suturado, e cirurgia no sinus pois eu tinha frequentes infecções nos sinus. Tive febre reumática duas vezes, um sopro cardíaco, todos os resfriados e a gripes que chegavam na cidade. É minha presente constatação de que eu me predisponho a essas doenças por persistir nesse estado emocional doentio que adquiri desde a infância. Eu ainda não tinha aprendido a evitar que essas perdas se manifestassem como doenças físicas. Além disso, vinha trabalhando demais e não estava comendo bem. Não dormia o suficiente. Quando eu me exercitava, eu forçava demais ou ignorava os exercícios por longos períodos de tempo. O último e o maior motivo de todos estes problemas de saúde foi o de que eu era abençoado por ter tais crises de saúde de modo John M. Pontius – Visões de Glória 75 a experimentar a morte física várias vezes e, por conseguinte, ter essas visões. Já sei que antes de eu nascer, eu escolhi esse curso para mim.Eu estava feliz em ser capaz de optar por este caminho para a minha vida, e embora tenha sido difícil e penoso, e sempre apavorante, eu ainda sinto que a minha vida tem sido muito abençoada porque este processo que vivi. Eu não voltaria para escolher outro caminho, mesmo se eu pudesse. Por esse período, Lyn teve cinco filhos. A minha esposa e as crianças estavam indo muito bem durante estes tempos, embora tivéssemos desafios comuns de jovens famílias. Taiti Depois de todos estes desafios médicos, alterações na carreira e família aumentando, meu benzinho e eu decidimos aproveitar a tão necessária pausa da vida e ir de férias ao Taiti em Março de 1995. Havíamos planejado ir com os pais e os irmãos de Lyn. Todos nós deixamos os filhos em casa e estávamos empolgados por dar uma escapada. Lyn e eu esperávamos clarear as nossas relações, os nossos sonhos e meu estado de saúde através do total relaxamento e descanso em um paraíso tropical. Nós pegamos um voo para Los Angeles e, em seguida, a Honolulu. De lá, voamos para Taiti. Uma das pragas que eu tenho enfrentado por toda a minha vida é que não consigo adormecer no avião. Eu cheguei no Taiti com carência de sono após vinte e quatro horas de viagem. Chegamos na ilha de Papeete, onde o templo dos Santos dos Últimos Dias está localizado. O clima estava quente e bonito na ilha. Uma suave brisa tropical estava soprando. Subimos num barco e viajamos para a ilha vizinha de Moorea a uma pequena estância. Chegamos e descobrimos que o hotel era uma série de encantadoras cabanas, cada uma consistindo de um quarto grande com teto de sapê. As paredes eram abertas com telas anti-insetos como paredes. Havia um único banheiro mais na parte de trás do bangalô. Os quartos eram 2 - Paraíso Perdido 76 decorados com arte e pinturas típicas. Era absolutamente encantador. Era inverno em casa, então fomos dos montes de neve para essa ilha paradisíaca. Lembro-me de comentar que aquilo era como deve ter sido Bali Hai, no musical South Pacific. Haviam altas montanhas vulcânicas roxas no centro da ilha em declives mergulhando na exuberante vegetação até um belo parque, que terminava numa areia perfeitamente branca e no intenso e cristalino azul esverdeado do mar. Um recife de corais protegia a ilha das ondas e dos grandes peixes e tubarões. Os familiares da minha mulher e eu chegamos cansados da longa viagem. Éramos cerca de vinte e dois de nós. Cada casal tinha seu próprio lindo bangalô na praia. Combinamos de tomar banho e nos refrescar após a longa viagem e, em seguida, nos encontrar no restaurante que era conectado ao resort. Percebi que estava muito cansado para ir jantar, e pedi a minha esposa para me trazer alguma coisa do restaurante. Ela estava preocupada comigo, mas partindo do princípio que era apenas cansaço, ela concordou e saiu. Liguei o chuveiro e a água saiu do chuveiro da cor de lama. Fiquei enojado e deixei a água correr até ficar mais clara. Enquanto tomava banho, meu coração ficou acelerado. Eu achava que era apenas a falta de sono. Me vesti, deitei na cama, e comecei a suar profusamente. Eu sabia que algo estava errado, mas não havia telefone no bangalô. Eu senti uma dor esmagadora no meu peito, que foi piorando. Eu estava com dificuldade para respirar e não tinha forças para pedir ajuda. A próxima coisa que me lembro era que eu subi para fora do meu corpo até o teto. Senti do mesmo jeito de quando eu tinha morrido doze anos antes, com a reação ao contraste do raio x, exceto que desta vez eu fui para cima do meu corpo em vez de sair para baixo através do leito. O meu primeiro pensamento foi, estou morrendo em uma terra estrangeira! Fiquei preocupado sobre como minha esposa iria fazer os trâmites para transportar o meu corpo de volta para a América, e como as crianças ficariam arrasadas. John M. Pontius – Visões de Glória 77 Também senti desejo de sair da cabana e explorar ao redor da ilha, mas eu tinha um forte sentimento de que eu precisava ficar com o meu corpo. Bem neste momento minha esposa voltou para o quarto. Eu quis me reintroduzir no meu corpo, e mergulhei do teto novamente ao meu corpo. Eu consegui dizer a ela que estava muito mal. Ela sentou-se na beira da cama e falou comigo por um tempo. Eu disse a ela que eu achava que estava morrendo, porque eu mais uma vez tive uma experiência fora-do-corpo. Ela estava realmente preocupada e tomou meu pulso, que estava muito rápido. Ela voltou ao restaurante para chamar seu pai e meu cunhado. Eles me deram uma bênção do sacerdócio. Eu tentei ficar em meu corpo o suficiente para receber a bênção, mas estava difícil. Eu sentia como se estivesse flutuando para fora. A bênção do sacerdócio mencionou que eu iria me recuperar e que eu tinha mais trabalho a fazer nesta vida. Ela também disse que se algo precisava ser feito clinicamente, que eu seria abençoado com suficientes forças para aguardar até que voltamos para os Estados Unidos. A irmã de Lyn é enfermeira profissional, e ela avaliou com o hotel sobre outras opções médicas na ilha. Havia um pequeno ambulatório, do outro lado da ilha. A clínica tinha apenas um casal de enfermeiros e um médico ocasional. Nós decidimos que a melhor opção seria ficar onde eu estava em vez de tentar fazer a viagem para a clínica. Depois da bênção, deram-me aspirina, e eu decidi que iria apenas ficar na cama e tentar me recuperar. Eu lhes disse que estava indo dormir e garanti a todos que eu ficaria bem, apesar de suspeitar fortemente que eu estava para deixar o meu corpo novamente. Eles ficaram consolados e retornaram para o restaurante para terminar o jantar. Eu estava deitado na cama orando, pedindo ao Pai que, se ele precisava que eu deixasse a mortalidade, que por favor esperasse até a volta para os Estados Unidos, onde eu poderia morrer sem arruinar as férias dessas pessoas. Eu também senti, por algum motivo, que seria realmente lamentável deixar esta vida em terra estrangeira. 2 - Paraíso Perdido 78 Eu mais uma vez deixei o meu corpo e fui para a parte superior do teto. Havia um grande ventilador no teto que estava ligado no máximo. Eu encontrei-me acima do meu corpo e ao lado do ventilador. Desta vez, a grande diferença foi que eu estava totalmente sozinho. Não haviam outros espíritos para saudar-me ou acompanhar-me. Esperei um longo tempo ao lado do ventilador sentindo-me cada vez mais abandonado e carente de apoio. Foi desconcertante para mim estar em um mundo que eu sabia que estava cheio de seres espirituais e mesmo assim estar sozinho. Mais uma vez roguei ao Pai que por favor enviasse um espírito justo para ficar comigo, para que eu não morresse perdido e sozinho nesta terra estrangeira. Uma voz veio ao meu espírito, como se entrasse em meu peito, dizendo que eu precisava passar por esta escuridão para compreender o que estava para vir em minha vida. Não entendi o que significava naquele momento, mas depois eu pude entender. Significava que eu precisava compreender o sofrimento ao ver o mal em sua forma mais sombria. Eu era ingênuo neste momento da minha vida. Eu queria acreditar na inerente bondade das pessoas. Eu estava prestes a ver em visão pessoas cujo único objetivo na vida é fazer o mal. Eles preferiram o mal e o deboche do que todo o resto. Eles deliciavam-se no sofrimento de outras pessoas e ficavam entediados e deprimidos quando não estavam ferindo alguém. Eu nem sabia que pessoas assim existiam, ainda menos que constituíssem toda uma sociedade. Eu tinha visto grande luz, visões de Deus e anjos e, a fim de compreender mais verdade e mais luz, agora eu tinha que compreender seu oposto, o lado somente maligno da equação. Todas as coisas na mortalidade e na eternidade existem em polos opostos. Para compreender mais e mais luz, eu tinha que compreender mais as trevas. Até mesmo Jesus Cristo teve de descer abaixo de todas as coisas antes que ele pudesse subir acima de todas as coisas. O mesmoparece ser verdade para mim, embora de uma forma muito menor do que para nosso Salvador. Ainda assim, as John M. Pontius – Visões de Glória 79 leis divinas que regem estas bênçãos exigem a justaposição do bem e do mal, e eu tinha que compreender por experiência pessoal. Portanto, eu tinha que experimentar a sensação desta assustadora solidão, essa separação de Deus. Eu nunca tinha experimentado isso anteriormente. Eu aparentemente também precisavam saber o que era sentir-se completamente desprovido do Espírito Santo a fim de apreciar e compreender as maiores bênçãos que me tinham sido mostradas que poderiam ser minhas. Era como se Deus estivesse dizendo: "Este é o momento apontado para que você, Spencer, experimente essas coisas da escuridão." Então, eu encontrei-me enfrentado uma visão que eu nunca, jamais imaginara que pudesse ser verdade. Estar de férias neste distante lugar, um lugar com uma história tenebrosa, onde o meu trabalho e os meus filhos, familiares e esposa estavam distraídos com outras coisas, tornou-se o cenário perfeito para este capítulo negro da minha educação em coisas celestiais. Enquanto eu estava flutuando próximo ao teto, minha esposa e uma de suas irmãs entrou no quarto. Elas pensaram que eu estava dormindo, tocaram no meu ombro e em seguida silenciosamente saíram do quarto. Olharam uma para a outra e concordaram que eu estava dormindo. Elas deixaram-me e sentaram-se na varanda frontal do nosso bangalô. Eu não estava dormindo, mas estava fora do meu corpo e vi tudo desde o teto. Eu não sabia se eu estava vivo ou morto, porque me sentia muito diferente da minha experiência doze anos atrás. Neste ponto, ainda não tinha capacidade de sair do bangalô. O Diorama do Inferno O resto do que irei agora relatar, eu ainda não entendo muito bem. Me foi apresentado como se fosse um dioramaNT4 passando em frente ao meu corpo espiritual. Era em três dimensões, mas eu não estava nas cenas, eu estava olhando como um espetador. Me foi mostrada a história das práticas espirituais e não-espirituais dos antigos taitianos. 2 - Paraíso Perdido 80 Foi-me mostrado que inicialmente eram um povo iluminado e cheio do Espírito, até mesmo inocentes e imaculados. Eles sabiam acerca de Jesus Cristo, seu papel e sua missão, que tinha vindo a eles através de homens e mulheres santos que tinham estabelecido a sua herança cultural21. Eu vi que o seu entendimento se deteriorou ao longo dos anos, à medida que seus fundadores morreram, e aqueles que acreditavam ficaram em menor número. Eles se afundaram nas mais brutas e gráficas formas de tortura humana, deboche, perversões sexuais e escuridão espiritual que se pode imaginar22. Na verdade nada daquilo era admissível para mim, eu só via e sentia asco. Na verdade, eu ainda me sinto horrorizado pela memória daquilo. Entre muitas outras terríveis coisas, eles estavam sacrificando jovens virgens e matando crianças e recém-nascidos na mais terrível forma que se possa conceber. Foi horrível para mim na ocasião, e ainda é apavorante para mim agora, porque eu vi o que tinha acontecido em grande detalhe. Eles estavam fazendo isto em parte por causa da religião falsa, e em parte para se vingarem de atrocidades semelhantes de seus inimigos. Suas mentes e corações, e tudo o que fizeram, estavam saturados pela guerra, vingança e cobiça por tudo o que é mau. Eu podia ver e sentir cada pessoa envolvida em tais atrocidades. Eu podia sentir o ódio, a raiva e o ressentimento daqueles que estavam fazendo estes terríveis atos, bem como o medo e a angústia de suas vítimas. Eu fui na verdade poupado de sentir suas dores, mas eu as experimentei em um nível espiritual que na realidade não era dor, mas um entendimento do quão horrível tinha sido para eles. Eu podia também ouvir as orações das poucas pessoas entre eles que ainda eram seguidores de Jesus Cristo, que tinham o Espírito Santo e que ainda se apegavam à verdade. Estes raros fiéis eram como pequenas chamas de verdade dispersas por estas ilhas. Eles odiavam o que estava acontecendo com seu povo e choravam as gerações que foram perdidos. Eles também foram forçados a esconder profundamente suas convicções, pois os crentes eram valorizados como vítimas. John M. Pontius – Visões de Glória 81 Não somente eu via o sofrimento e dores horríveis de todos aqueles que eram torturados, mas eu estava vendo espíritos maus12 que estavam se divertindo com suas dores. Esses espíritos malignos jactavam-se naquilo, e exortavam os mortais a fazer coisas piores e piores, dando-lhes "inspiração" para prolongar o sofrimento de suas vítimas. Não creio que mortais poderiam sequer pensar em tais atos malignos, e ainda formar uma sociedade e tradição de tal deboche, sem os maus espíritos exortando-os e instruindo-os a não apenas executar esses atos, mas em como também transformá-los em religião ao longo de muitos anos para fazer com que aquilo se tornasse tradicional e aceitável para toda a sua sociedade. Toda a cena era de um hiper-frenesi maligno, tão insano que me horrorizou além de qualquer coisa que eu jamais experimentara, antes ou desde então. Eu tentei desviar-me, mas a visão não deixava os meus olhos. Eu me senti como se estivesse sendo exposto às profundezas do Inferno. Eu senti absoluta repugnância por essa visão, embora eu soubesse que eu não estava sendo punido de forma alguma. Mas ela persistiu por algum tempo, até que eu passei mal na minha alma e pedi encarecidamente para que terminasse. Na minha primeira experiência em 1983, não experimentara nada disso. Não havia lado escuro ou horror naquela experiência. Agora tudo isso foi derramado sobre mim em todos os seus matizes infernais. Todo esse tempo fiquei implorando para Deus fechar essa visão e pedindo-lhe, "Por que eu preciso ver isso? O que é que isso tem a ver comigo?”. Eu gritava, para não ver mais esse horror, com toda a força do meu ser, e eu finalmente fui liberado da visão tenebrosa diante de mim. A Oração Intercessora Em seguida me vi transportado para a Beehive House em Salt Lake City. Isto pareceu-me muito estranho, logo após ver a tenebrosa história do Taiti naquela distância, eu estar ali mesmo em 2 - Paraíso Perdido 82 Salt Lake City. Eu já não estava mais tendo uma visão, mas me vi participando no que estava acontecendo, na verdade estava vivendo- a com todos os meus sentidos, não apenas vendo. A primeira coisa que vi foi câmaras de televisão e outras pessoas da mídia ao redor da Beehive House. Elas pareciam ter vindo de todo o mundo. Haviam repórteres falando japonês, chinês, francês, e muitos outros idiomas, incluindo o inglês. Eu reconheci estações de televisão e equipes locais. Estes jornalistas estavam em pé, no lado oeste do edifício, principalmente e no corredor entre o Edifício dos Escritórios da Igreja e a Lion House. Eles estavam em torno de todo o conjunto de edifícios. Vendo-me liberto daquela horrível visão do Taiti e vendo-me agora no meio de equipes de jornalistas em Salt Lake City, pensei, o que estou fazendo aqui? O que todas essas pessoas estão fazendo por aqui? Eu estava fazendo a pergunta a Deus. Neste momento lembro-me de começar a aceitar o fato de que eu estava morto, e que o meu corpo ainda estava no Taiti. Eu me senti triste por Lyn porque ela logo iria me encontrar morto. Eu sabia que ela me amava e que aquilo iria ser um tremendo choque para ela. Comecei a sentir os poderes espirituais que me sentira antes, de ir para onde eu quisesse e poder ler as pessoas, mentes e corações. Eu já não me sentia perdido nas circunstâncias em torno de mim. Então eu perguntei: "Por que estou aqui?”. Não havia outros espíritos que eu pudesse ver. Eu só conseguia ver os mortais ao meu redor. Eu novamente pedi a Deus, "o que está acontecendo?" Ele respondeu, "Você não vai morrer no Taiti. No entanto, vou mostrar o que certamente virá a passar." Foi-me dito que esta visão era uma metáfora,uma "tipificação" de coisas que em breve iriam acontecer, e não uma ocorrência real que eu estava vendo, ou mesmo que viesse a acontecer exatamente desta forma. Naquele momento eu podia sentir os pensamentos e as emoções de todos esses indivíduos esperando ao redor dos prédios. Eles John M. Pontius – Visões de Glória 83 estavam empolgados, com grande expetativa por algum acontecimento importante. Entre alguns deles, especialmente as equipes locais de notícias, havia medo e tristeza. Eles tinham longos mastros com os microfones de espuma na extremidade, como se estivessem esperando um anúncio de algum tipo. Eu senti que eles estavam aguardando o anúncio de que o atual profeta da Igreja havia falecido. Isso causou-me tristeza porque o atual profeta era meu amigo. No decurso do meu serviço, eu tinha estado em reuniões com ele muitas vezes, e eu gostava muito dele. Eu encontrei-me na parte de trás da Beehive House. Eu nunca tinha estado ali antes. Haviam escadas de metal indo à parte um andar acima na parte de trás com uma porta verde no topo. As escadas pareciam uma saída de emergência em vez de parte da planta original do prédio. Eu subia as escadas como uma pessoa normal, passo a passo. Eu podia sentir e ouvir os meus passos, e eu podia sentir o corrimão com minha mão esquerda. Isso era perfeitamente vivo e verdadeiro para mim. Eu cheguei no topo e abri a porta que era rígida e fria ao toque. Havia um guarda de segurança sentado em uma mesa com um monitor de vídeo à direita por dentro da porta. Ele estava a olhar para o monitor muito atentamente. Ele não me via ou reconhecia. Perguntei novamente, "o que estou fazendo aqui?”. A voz que tinha ouvido anteriormente respondeu, "Você tem muito que aprender. Desça para o saguão". Então, andei por um corredor longo e, na outra extremidade da do saguão, havia um outro guarda de segurança voltado para mim. Ele estava sentado do lado de fora de uma porta à minha esquerda sobre uma cadeira dobrável. Ele estava lendo as Escrituras27. Era uma combinação trípliceNT5 com um nome em alto relevo na capa que eu não tentei ler; eu apenas supus que eram as Escrituras do guarda. Eu passei por ele e através da porta sem abri-la. Eu fiz isso porque eu sabia que estava em espírito e não havia necessidade de abrir a porta. Eu encontrei-me em uma sala quadrada, cerca de 4 x 4 metros, com teto alto e em ângulo. Havia uma cama grande cama à minha esquerda com uma colcha de retalhos que era ornada e 2 - Paraíso Perdido 84 bonita. Parecia ser antiga. A mobília era antiga e bonita. O quarto parecia ser um conjunto, como em um museu. Tinha um antigo lavatório de cântaro e bacia de porcelana Depois de eu ter percebido tudo isso, subitamente notei um homem idoso ajoelhar-se sobre um antigo tapete de pano oval ao lado da cama. Eu percebi na hora que era meu amigo apostólico de muitos anos. Inicialmente, eu não conseguia ouvir o que ele estava dizendo, e mesmo assim, eu me sentia como que me intrometendo. Eu percebera que ele não podia ver ou ouvir-me. Como eu já disse, esta visão era para me ensinar, e não um acontecimento real. Perguntei novamente, "o que estou fazendo aqui?" porque eu sentia como se não tivesse direito de estar ali. Virei-me para sair da sala, e então eu comecei ouvir ele falar. A voz do Espírito me disse: "Escute bem." Pelo fato de eu e ele termos trabalhado juntos em diversos projetos na Igreja, nos tornamos amigos pessoais. Eu virei para trás para olhá-lo, ainda sentindo estar me intrometendo em assuntos sagrados que eu não devia ver ou ouvir. Foi-me mostrado esse grande amigo e servo de Deus em uma oração de intercessão ao Pai por ele mesmo e o que ele enfrentaria no futuro. Ele estava implorando para a vontade do Pai prevalecer a seu favor e de sua família, e que ele fosse capaz de suportar bem e ser capaz de "beber o cálice amargo sem se tornar amargo." Estas são palavras que ouvi ele falar quando ele derramou o seu coração em oração. Era confuso partir da depravação do passado Taitiano, para esta cena sagrada de sofrimento e justa aceitação da vontade do Senhor. Penso que o contraste gritante foi a ensinar-me como sofrimento poderia realmente santificar e trazer exaltação quando o sofredor se submete a Cristo e permite que o sofrimento purifique e complete sua experiência mortal. Eu estava vendo o meu amigo começar a sua jornada para este sofrimento. Ele não estava pedindo para ser poupado, mas por força para suportar bem. Aprendi com tudo isto que é através do sofrimento que os mortais aprendem compaixão, perseverança e fidelidade, mas que John M. Pontius – Visões de Glória 85 tem de haver também um grande desejo de ser purificado e elevado desta forma. De certa forma eu também estava vendo o meu próprio futuro. Pelo que entendi, eu poderia também ser chamado a sofrer para que eu também pudesse ser purificado, completado e assemelhar-me Cristo quando eu deixasse a mortalidade, e eu tinha de submeter-me a este processo voluntariamente. Isso é o que o anjo quis dizer quando ele me disse, "Eu vou mostrar a você o que certamente virá a passar." Ele estava dizendo: "Você vai sofrer, e você irá submeter-se com êxito e, assim, ser purificado." Levei muitos anos para chegar a esse entendimento. Não acredito que eu estava preparado para submeter-se a qualquer sofrimento mais do que eu já vivia naquele período, estando morto no Taiti e tudo o que isso implicava. O Senhor foi misericordioso, permitindo-me aprender naquele momento, e então eu poderia mais assimilar totalmente quando eu estava preparado muitos anos mais tarde. Minha visão mudou. Eu vi que o meu amigo estava na mesma posição, ao lado do mesmo leito. A única coisa que mudou foi que o tapete sob seus joelhos pareciam ser pele de ovelha. Desta vez, fiquei admirado ao perceber que ele estava pleiteando em meu favor e pelo que eu estava para enfrentar. Ele falava da mesma forma que antes, mas desta vez implorando por mim. Ele estava chorando. Ambas estas orações foram longas, demoradas e maravilhosamente articuladas para o Pai. Suas palavras me aturdiram. Eu senti uma profunda inquietação por estar de alguma maneira criando esta dor e conflito ao meu amigo. Também me atordoava e perturbava que ele tenha visto algo das minhas provações futuras, o que obviamente o faziam preocupar-se comigo. Eu não tinha a menor ideia quais problemas futuros ele sabia que eu teria. Eu pedi ao Pai em poderosa oração, "Por favor, abençoe este homem para que, se for possível, ele não tenha de suportar estas coisas por minha causa," e eu supliquei para saber, "o que foi que eu fiz? O que é que aconteceu comigo para que o meu amigo esteja implorando em meu favor? Por que estou vendo isso? Por favor, ajude-me a saber o que devo aprender com isso!”. 2 - Paraíso Perdido 86 Eu tinha medo do que ele tivesse visto em meu futuro ou que eu fosse fazer algum grande erro ou desviar-me do caminho ordenado para mim, que é algo que eu nunca esperava fazer. Me apavorava ao refletir sobre estas possibilidades. Amado Profeta Naquele momento exato, eu virei e olhei para o lado direito da cama, e eu vi o atual profeta da Igreja. Você irá lembrar-se de que eu conhecia bem esse nobre servo de Deus e do meu serviço com ele e com outros dos Doze. Lembrei-me também dos repórteres fora do prédio à espera do anúncio de sua morte. Ele estava sorrindo para mim. Disse-me ele sem mover a boca. "Spencer, vai dar tudo certo". Meu amigo Apóstolo ainda estava ajoelhado ali, e eu ainda me senti como se estivesse me intrometendo em suas orações e súplicas. Eu estava confuso ao ver o Profeta nesta metáfora em visão. Porque este não foi um evento propriamente dito, eu entendi que o meu amigo não podia ouvir nem ver a mim ou ao profeta. O Profeta então começou a andar em minha direção. Que eu soubesse, o profeta ainda estava vivo, mas aqui eu o estava vendo em espírito. Também me perguntei porqueé que eu, que não ia morrer no Taiti em função daquilo que tinha acabado de me ser dito, estava aqui neste quarto assistindo tudo isso. A última vez que eu tinha visto o Profeta foi na dedicação de um templo dois meses antes. Ele estava numa cadeira de rodas, fragilizado e parecia não ter muito tempo sobre a terra. Quando o vi no quarto, ele levantou-se num salto. Sua voz era forte e clara. Ele era firme em seu espírito, e sorrindo de orelha a orelha, ao caminhar em minha direção, nessa visão. Ele estava do jeito que eu me lembrava de muito tempo, suave como veludo, mas um verdadeiro leão do Senhor. Ele me disse, "é hora de eu partir." Colocou seu braço em meu braço direito e escoltou-me para fora da sala. Passamos pela porta John M. Pontius – Visões de Glória 87 sem abri-la. Mas eu podia sentir o seu braço no meu como se fôssemos ambos mortais. Ele parou no corredor e me contou que estava ansioso por rever o meu avô e minha avó com quem ele tinha servido quando foi presidente de estaca e meu avô foi bispo servindo abaixo dele. Ele, em seguida, largou meu braço e virou-se, olhando para mim, e mais uma vez disse, "tudo vai dar certo". Eu não sei o que ele quis dizer. A minha mente estava preocupada com o meu corpo no Taiti, com meu amigo apóstolo, com o motivo de eu ver o Profeta e com toda esta visão. Eu não respondi, mas assimilava tudo com grande espanto e confusão. O profeta continuou andando se afastando de mim pelo corredor na direção de onde eu viera. Ele voltou-se para mim e exclamou, "assim como o meu Salvador disse, está terminado!" eu sabia que ele estava a falar da sua própria vida e da alegria que tinha agora por ter triunfado. Ele acenou para o guarda e sorriu, ao chamar-lhe pelo nome, "Ryan." O guarda acenou com a cabeça e respeitosamente respondeu: "Presidente". O profeta então andou através da porta fechada pelo guarda e desapareceu da minha vista. Eu fiquei surpreso ao ver o guarda reconhecer-lhe porque eu achava que o guarda era mortal e não podia me ver, mas agora eu percebi que ele era um anjo com um corpo real. Eu não sei dizer se era ressuscitado ou transladadoNT6, mas ele não era um espírito. Eu senti que era o momento para eu sair também, e eu continuei a seguir o Profeta através da porta. O guarda olhou para mim e me chamou pelo nome. "Spencer, pode aguardar um segundo?”. Eu parei na porta e voltei para trás. O guarda fechou as Escrituras que estavam lendo, fechou o zíper e, em seguida, entregou-as a mim. Eu as tomei e notei o meu nome gravado em relevo na parte inferior das Escrituras. Tanto o livro como a capa eram verdes. Eu nunca antes tinha visto as obras padrão em capa verde. Eu estava contente em recebê-las e mesmerizado pelo simbolismo que pressenti mas não pude entender. 2 - Paraíso Perdido 88 Agradeci-lhe calorosamente, tomei as Escrituras, e saí andando através da porta. Eu nunca falei dessa experiência para a minha esposa, mas no natal seguinte ela me deu um volume das Escrituras com meu nome em relevo, exatamente como nesta visão. A tenho conservado todos esses anos. A partir de então concluo que ver o livro verde na visão e, em seguida, receber o mesmo livro na carne era um testemunho de que aquilo que eu vira em visão se manifestariam na carne no devido tempo. Não foi uma conclusão reconfortante, mas eu também aceito que o sofrimento que eu tinha visto na visão do Taiti e ouvido na oração do Apóstolo em meu nome eram essenciais para o meu crescimento. Eu também sabia que "vai dar tudo certo". A minha próxima lembrança foi reintroduzir-me no meu corpo, no Taiti. Voltar para o meu corpo desta vez foi muito mais doloroso do que em 1983 após a falha no procedimento médico. Depois de um tempo eu me senti bem o suficiente para sentar-me à beira da minha cama, certificando-me que o meu espírito estava mais uma vez firmemente dentro do meu corpo. O meu corpo estava pesado, então eu apenas sentei-me ali. Já estava no meio da noite. A minha mulher estava dormindo atrás de mim na cama. Eu sentei-me ali um longo tempo, pensando sobre a visão e o que isso poderia significar. Há muitas coisas sobre ela que ainda hoje não estão claras para mim. Levou cerca de três dias para o meu corpo recuperar alguma força. Juntei-me à minha mulher e à sua família em férias, mas movimentava-me lentamente e descansava muitas vezes pelas várias semanas de nossa viagem até a hora de voltar para casa. Eu compartilhei algumas de minhas experiências na visão com a minha esposa. Ela acreditou no que eu disse a ela e expressou gratidão por eu não ter morrido e ter ficado com ela. Ela foi afetuosa, e apreciei a sua vontade de apenas acreditar em mim sem qualquer possibilidade de prova. Enquanto ainda estávamos no Taiti, ouvimos notícias de que o profeta havia falecido na noite que eu tinha saído do meu corpo e tinha tido a visão com ele. Isso me fez refletir sobre e sobre o que John M. Pontius – Visões de Glória 89 eu havia experimentado na visão, se era realmente ele ou apenas uma visão. Repassei-a repetidas vezes em minha mente. Havia tanto naquilo que eu não conseguia compreender! Em primeiro lugar e acima de tudo, por isso me havia acontecido! Minha mente voltou para as horríveis cenas da história do Taiti. Parecia que eu tinha sido autorizado a ver o quanto a condição humana pode deteriorar-se quando a luz de Cristo e a verdade são suprimidos. Parecia-me que o Espírito de Deus se retirara de todas, exceto algumas, pessoas ali, e isso as deixou cativas a Satanás23. Eu sentia como se Satanás ainda estivesse rindo e se alegrando pela condição à qual se haviam degenerado. Tenho refletido sobre a razão de eu ter permissão para interagir com o profeta, que tinha acabado de morrer nessa mesma noite. Ele estava exuberante por estar fora de seu corpo. Eu vi o que ele tinha enfrentado em sua vida e na sua própria experiência ao aproximar- se da morte, e eu nunca tinha percebido. Nem mesmo percebi as experiências que o nosso profeta tinha vivido em sua vida, que criaram esse caráter de veludo-e-aço que foi necessário para cumprir sua missão terrena. Eu vi como ele tinha sido forjado no fogo do refino e como ele tinha resistido muito bem até o fim da sua vida. Ocorreu-me, então, que você não precisa ser um apóstolo ou profeta para o Senhor busca-lo, e refiná-lo e purificá-lo para o seu Eu mais elevado. Passei a crer que o que me foi apresentado foram os extremos da experiência humana, o tenebroso e o puro. A experiência é difícil de comentar ainda agora. Ela traz de volta as memórias vivas que eu desejaria nunca ter visto, porém não consigo esquecer. O voo de volta a Utah foi difícil para mim. Quando chegamos em casa, eu fui ter com o meu médico cardiologista, para ver o que ele pensava sobre a minha experiência e as horríveis dores que eu tinha experimentado no meu peito. Ele fez um eletrocardiograma e teste ergométrico. Eles descobriram que eu tinha uma válvula que não estava funcionando bem. Penso que a causa da minha segunda 2 - Paraíso Perdido 90 experiência com a morte foi esta válvula defeituosa. Ele pretendia inserir uma válvula de coração de porco em meu coração para substituir a avariada. Recusei a cirurgia para substituí-a porque me senti inspirado de que não seria necessária. Desde então, o meu coração está completamente recuperado, e eu nunca mais tive um episódio semelhante. John M. Pontius – Visões de Glória 91 Capítulo Três VISÃO DO SALVADOR areceu-me que após estas experiências quase-morte, os anjos deixaram as portas do céu entreabertas. Eu comecei a ver muitas coisas do Espírito. Não acho que era algo exclusivo que eu tivesse visões ou sonhos proféticos, mas eles vieram para mim muitas vezes após estas primeiras dificuldades, e continuavam. Às vezes eu sinto como se a porta do céu esteja bem diante de mim e, se desejasse, eu poderia passar por ela, mas eu nunca o fiz. A tentação para não voltarà mortalidade seria muito grande, eu temo, e eu acabaria me desviando da minha rota mortal designada e que agora vejo diante de mim. Visão do Salvador A seguinte visão é a primeira que experimentei sem ter que morrer. Eu estava dormindo, mas não foi um sonho. Eu não a estava "vendo" mas estava presente na visão, experimentando-a com os meus cinco sentidos. A frase que Paulo usou para explicar tal experiência foi, "se no corpo ou fora do corpo, não sei24." Foi exatamente assim para mim, e me foi igualmente difícil dizer se eu estava mais uma vez fora do meu corpo ou vivendo-a na carne. P 3 – Visão do Salvador 92 Eram cerca de 04:00 hs quando fui para a cama naquela noite. Eu estava terminando alguns trabalhos importantes e perdi a noção do tempo. Estava exausto, deitei-me depois de fazer a minha oração, e eu caí em um sono profundo. Minha primeira lembrança foi a de que eu estava me apressando do estacionamento para a sede da EstacaNT7 onde eu havia sido designado a falar. Era a capela onde eu frequentara todos os domingos durante anos. Na minha mente eu estava atrasado para uma reunião e liderança e, portanto, fui correndo para o prédio. Eu estava no meio do caminho por trás da igreja, quando ouvi, "Spencer." A voz me era familiar, e me virei para ver quem tinha falado o meu nome. Fiquei estarrecido ao ver Jesus Cristo no estacionamento onde começa a calçada25. Eu conhecia o seu rosto. Nunca tinha visto a Ele na mortalidade, mas eu o reconheci. O Seu rosto é o mais familiar do universo. O meu espírito instantaneamente o reconhecia, lembrava d’Ele e o amava. Lembrei-me de tudo acerca d’Ele, tudo o que Ele tem feito por mim. Senti na minha alma como se eu estivesse vendo o meu mais querido amigo pela primeira vez depois de décadas de ausência. Eu sentia meu coração acelerar no meu peito. Ele não se apresentou porque o reconheci imediatamente. Comunicou-se comigo verbalmente, mas cada palavra que Ele falava era rica com verdades não-verbais que penetravam minha alma muito mais rápido do que as palavras. Ele estava vestindo uma túnica vermelha vibrante que pendia de seu ombro direito, e atada por uma fivela no seu ombro esquerdo. Na cintura Ele usava uma faixa de tecido na mesma cor. O roupão estendia-se aos tornozelos e mãos e tinha mangas compridas. Usava sandálias antigas em seus pés. Ele era alto, talvez um pouco mais de 1,83 m. Sua forma era masculina. Era bem forte com grandes ombros e membros fortes. O Seu rosto não era fino como é retratado em algumas pinturas, mas John M. Pontius – Visões de Glória 93 cheio e com as maçãs do rosto altas. Ele tinha uma barba escura que estava bem aparada. Seu cabelo era da cor de sua barba e era longo o suficiente para tocar em seus ombros. Seus olhos eram do mais belo e claro azul que se possa imaginar. Sorriu para mim, e eu larguei minha maleta e corri para ele. Seus braços envolveram-me. Não consigo encontrar palavras para explicar o que senti ao ser abraçado por ele. Uma inundação de memórias voltara do conforto de estar em seus braços muito tempo antes. Senti o Seu amor por mim irradiando dele. Eu sabia por instinto que ele sabia tudo sobre mim, mas ainda não havia sentido de julgamento. Eu sentia dele uma sensação completa de sua confiança em mim e na minha capacidade. Foi incrível para mim, porque eu nunca tive muita confiança em mim mesmo. Eu não procurei pelas marcas em suas mãos e pés. Até hoje eu não sei por que não olhei. Lembro-me de pensar mais tarde naquele dia, por que não olhei? Talvez fosse porque eu não precisava ver as feridas para saber que era ele. Eu estava tão tomado pelo Seu amor, energia, radiação, capacidade ilimitada, vasto conhecimento e perfeições que nem passou por minha mente olhar. Seus pés não estavam no chão. Fiquei surpreso como ele podia abraçar-me com tal firmeza. Ele estava em pé e não flutuante – mas ele não estava em pé no nosso mundo mortal. Ele não estava ocupando o mesmo espaço que eu neste planeta. No espaço que ele estava ocupando, tudo estava irradiando a partir dele, como se ele fosse o sol e tudo girando ao redor e vindo dele. O seu rosto era acolhedor, sorridente, feliz por estar comigo. Parecia que tínhamos nos abraçado assim muitas vezes antes, o que me surpreendeu. A minha família não é de abraçar e eu nunca tinha aprendido a desfrutar de abraços longos ou afetuosos. No entanto, este abraço eu queria que durasse para sempre. Depois de um tempo, ele pôs as suas mãos sobre os meus ombros e me afastou gentilmente ao comprimento do braço. Ele olhou-me nos olhos e disse-me que estava satisfeito com a minha vida até agora. Ele agradeceu-me insistentemente pelo meu serviço em seu nome. Me disse que me amava e que daqui por diante 3 – Visão do Salvador 94 eu faria muita coisa boa para o Reino. Ele pausou por um segundo, depois acrescentou que o justo desejo do meu coração seria concedido. Eu sabia exatamente a que desejo se referia. Era o meu grande desejo de que eu realmente conseguisse suportar minhas provações futuras e, assim, ser purificado. Mal sabia eu que havia muito mais para se desejar do que eu era capaz de perceber naquele momento. Com o passar dos anos, aprendi muito mais coisas que eu ardentemente desejava fazer, e todas elas se tornaram os mais ricos anseios do meu coração, tudo isso foi abrangido pela promessa que eu acabara de ouvir. O Que Está Contido em um Nome? Ele mais uma vez falou, "Spencer," e por um instante, vi-me como Ele me vê e me conhecia como Ele me conhece. Como já mencionara antes, para Deus e os anjos o nome de alguém é um recipiente espiritual para tudo o que pode ser conhecido sobre uma pessoa: passado, presente e futuro. No momento em que Ele falou o meu nome me foi dado a ver e sentir o pleno significado do meu nome26 para Ele. Aquilo derreteu meu coração e ainda o faz até hoje cada vez que penso na forma como Ele disse o meu nome. O amor que Ele me concedeu em uma palavra não pode ser descrito por qualquer mortal. Assim, quando eu leio Isaías ou Samuel, onde o Senhor fala seus nomes, ou onde o Senhor chama Néfi ou Moisés pelo seu nome, penso que sei o que eles sentiam. Quando eu leio sobre a Primeira VisãoNT8 de Joseph Smith Jr. e ouço: "Joseph, este é o meu Filho muito amado", queria que todos pudessem saber o que o jovem Joseph experimentou quando ouviu o Senhor dizer seu nome. Porque quando você ouve o seu nome da boca do nosso Salvador, você nunca mais ouve o seu nome da mesma forma – para sempre. Desde aquela época, quando as pessoas dizem o meu nome sem realmente saber quem eu sou, sinto quase como se eles estivessem pisando em algo sagrado. John M. Pontius – Visões de Glória 95 Também me faz maravilhar-me com os muitos nomes que Jesus Cristo tem nas Escrituras, pois cada nome e título traz consigo uma indizível linguagem que contém o pleno e verdadeiro significado daquela parte da glória e perfeições do Senhor. Nos poucos e longos segundos em que Ele abraçou-me, Jesus ensinou-me muitas coisas que penetraram minha alma, como uma explosão de conhecimento puro. Essas coisas eram preciosas e espiritualmente íntimas, tudo aquilo emocionou-me ao centro do meu ser, mas não me foi permitido lembrar-me em detalhe após a experiência terminar. Eu só me lembro de receber essas coisas e me alegrar, mas os detalhes desvaneceram-se. Espero num dia futuro ouvi-lo dizer tudo novamente. Ele acenou em direção à sede da estaca e disse, "Precisam de você. Você precisa ir à sua designação." dei um passo para trás, ainda olhando para Ele, desejando não ter que sair, mas Ele tinha me instruído a ir, então me virei, e dei uns poucos passos na distância. Parei e voltei. Ele voltou a falar o meu nome, e eu estava novamente mergulhado em amor e lágrimas. Enquanto eu olhava, Ele começou a desaparecer lentamente, em seguida, Ele se foi. Eu imediatamente tornei-me ciente da minha cama e quarto. Eu estava chorandoabertamente, com alegria, de uma forma que eu nunca tinha experimentado antes. A alegria desta visão foi tão sublime que eu estava rejuvenescido e o sono me deixou. Eu imediatamente me levantei e escrevi tudo no meu diário. Quando a manhã finalmente chegou, me vesti e prossegui com o meu dia, sem qualquer vestígio de cansaço ou sonolência. Eu leio o meu diário de vez em quando agora, e vejo a profunda incapacidade que eu tinha naquele momento de expressar essa experiência em palavras. Mesmo nos dias de hoje, está claro que nem mesmo existem palavras para expressar tal experiência. Lembro-me de meditar no dia seguinte. Eu abri um hinário e li as palavras "Eu sei que vive o meu Senhor." As palavras desse hino expressam melhor o que eu experimentei do que minhas próprias palavras poderiam no momento. 3 – Visão do Salvador 96 Saber Realmente Realmente saber que Ele vive, que Ele é um amigo perfeito, benevolente que me ama suficiente para deixar o céu, vir à terra e tomar tempo para abraçar-me, para ter um relacionamento comigo e com todos nós, que o procurarmos – este é o mais doce conhecimento que eu jamais recebera. Saber que Ele conhece a você muito melhor do que você conhece a si mesmo e, no entanto, Ele o ama ainda mais e está disposto a mostrar-lhe quem você é aos Seus olhos e do que você é capaz. É por isso que eu o amo, porque Ele me amou primeiro. Até que Ponto o Homem Decaiu Uma das coisas que mais me impressionou, então e ainda hoje, é até onde temos decaído. Já mencionei isto antes, mas continua voltando nessas visões. Eu acreditava naquele momento da minha vida que a queda foi mais para Adão e Eva e esta terra. Mas eu continuo a ver que é ainda mais sobre a humanidade e quão poderosamente a queda14 escureceu todos os nossos sentidos. Perdemos a nossa memória não só de Deus mas, ainda mais triste, de nós mesmos. Não compreendemos o nosso próprio valor. As Escrituras ensinam-nos da glória de Deus, mas quase não mencionam a glória que a humanidade deixou quando aceitamos o desafio mortal. Vim a descobrir que a queda teve um profundo efeito sobre nós. A queda separou-nos da presença de Deus tão profundamente que não se ouve a palavra do Senhor como poderíamos se nos educássemos pela obediência a ele. Os nossos corações e as nossas mentes estão nublados e incapacitados pela queda. Somos gente com "necessidades especiais” espirituais, pessoas deficientes literalmente e de todas as formas possíveis. Somos, do ponto de vista de Deus, crianças mortais que nasceram cegas, deficientes mentais e paralíticas. Isso não é um exagero. Quando caímos na mortalidade, não conseguimos mais ver existência tal como verdadeiramente é, cheia John M. Pontius – Visões de Glória 97 de seres espirituais em incontáveis mundos. Caímos da inteligência suficiente para entender imensas verdades. Participamos da criação de mundos antes de nascermos, mas no momento do nascimento, a nossa maior especialidade era a capacidade de sugar. Antes de nos tornarmos mortais podíamos ir até lugares distantes em um piscar de olhos para servir a Deus. Nosso quintal eram as grandes criações de Deus, mas após o nascimento, a nossa maior capacidade física foi a piscar e engolir. Deixamos a Deus capazes de ver galáxias distantes e olhar para o passado e para o futuro, mas após o nascimento mal podíamos nos concentrar no rosto da nossa mãe. Este é o glorioso e indescritível poder de nosso Senhor e Salvador, que Ele nos ofereça um meio para nos resgatar destas trevas mortais e de volta à sua presença, onde todas essas limitações divinamente concebidas serão varridas, e nos tornaremos muito mais do que aquilo a que tínhamos sido antes. Ele quer que tenhamos tudo o que tínhamos antes e muito mais, e Ele deu a sua vida não só para nos fornecer o caminho para estas coisas gloriosas, mas também para derramar sobre nós o poder de sua graça, a fim de que sejamos santificados por Cristo. Em seguida, Ele nos muda para sermos como Ele, não porque mereçamos mas porque Ele nos ama e capacitou-nos a triunfar quando nós lhe obedecermos. Tentando Fazer Sentido Um difícil resultado desta experiência foi que eu fiquei me perguntando, "o que é que eu vou fazer com essa informação?" eu não sentia que deveria sair contando para todos os que conhecia. Eu não sabia o que dizer ou como dizer. Não tinha palavras para expressá-lo. Subitamente me senti isolado. Um dos aspetos mais difíceis do obter tão vasto conhecimento, percebi eu, é não ter ninguém para falar sobre ele, de não ter nenhum meio de expressá- lo, e nenhuma maneira de alegrar-me dele com com outro mortal. Outro dilema que encontrei foi que eu não sabia como conciliar a minha pessoa que eu conhecia ser, com a pessoa que eu poderia ser com a natureza profunda que me foi mostrada. Eu sabia que não 3 – Visão do Salvador 98 a tinha alcançado, que eu não era bom o suficiente para a merecer. Eu nem sabia como me tornar a pessoa que Cristo tinha me mostrado que eu poderia tornar-me. Havia um abismo de trevas no meu entendimento. Eu podia ver claramente quem eu era agora e, em seguida, eu podia ver claramente quem eu poderia tornar-me, mas eu não podia entender como fazer a transição entre os dois. Era como uma lagarta a quem está sendo mostrado que ela iria um dia se tornar uma borboleta. Era glorioso, mas eu simplesmente não conseguia imaginar como isso poderia jamais acontecer. Um dos aspetos mais difíceis do presente foi que me senti compelido a "fazer sentido" dessas visões e experiências. Eu era um homem bem instruído com três pós-graduações e eu quis criar um propósito, talvez ume chamado ou uma missão divina para mim de todas estas coisas. Eu queria inventar ou criar um caminho para chegar ao que eu tinha visto que poderia me tornar. Então eu fui através do processo de raciocínio, "isso deve significar que..." E então eu tentava fazer acontecer de acordo com minhas conclusões. Este foi um erro terrível. Descobri que nenhuma das minhas lógicas poderia penetrar esses mistérios, e nenhuma quantidade de meditação ou dedução poderia mostrar-me como chegar de onde eu estava para onde Cristo tinha me mostrado que eu poderia chegar. Cerca de vinte anos mais tarde, meu amigo apóstolo finalmente esclareceu aquilo para mim, durante uma reunião privada. Ele disse, "Spencer, não cometa o erro de tentar ler o significado dessas experiências. Apenas aceite-as como são. Não tente colocar a sua interpretação sobre o assunto. Mantenha sua própria lógica fora disso. Ela é o que é. Quando você tentar interpretar, ela o levará por caminhos por onde você não deve ir. Mantenha a experiência pura. Espere no Senhor para revelar o sentido a você. Espere no Senhor para lhe dar a interpretação. Aguarde por mais luz e conhecimento que o Senhor ainda tem para dar a você, para que você possa concluir a sua missão." John M. Pontius – Visões de Glória 99 Curar as Crianças Nesta experiência aprendi também que eu tinha escolhido a profissão certa. Eu sabia que meu trabalho com crianças prejudicadas e mal tratadas era a minha missão neste momento. Eu sentia grande paz em saber que eu seria capaz de, de alguma forma, transmitir segurança e tranquilidade a essas crianças feridas. E, com isso, eu estava me curando do abuso que sofri quando eu era criança, porque Cristo estava fazendo por mim o que eu fiz profissionalmente por estas crianças. Eu estava trazendo-as para Cristo, onde toda a verdadeira cura ocorre. Somente Cristo pode curar essas crianças, principalmente quando elas têm sido vítimas de abuso emocional, sexual, ou físico. Desde esse dia em diante eu podia entrar em uma sala, ou sentar- me ao púlpito numa reunião sacramental na Igreja, e eu sabia quem da congregação havia passado por essas experiências abusivas. Este dom de discernimento em saber a quem eu deveria servir e como servir-lhes tem sido a razão para todo o sucesso que tenho visto na minha profissão.Desde então, tenho várias vezes ido a eventos públicos, tais como uma sinfonia ou uma atividade cívica, e enquanto sentado ali, o Espírito me dizia claramente sobre algum estranho durante a apresentação: "você vai trabalhar com essa criança." Em algumas semanas, ou até mesmo um ano, essa pessoa e, muitas vezes, sua família inteira iria entrar em terapia comigo. Trata-se de um maravilhoso mas doloroso dom do Espírito. Digo que é doloroso por esta capacidade inusitada que eu ganhei de segui-los aos locais escuros e maus em seus corações, recuperá- los, segurá-los algumas vezes, ou conduzi-los, com a ajuda de Cristo, das trevas para a luz. Eles experimentam um tipo de renascer. Quando um adulto ou uma criança submete-se a este processo e permitem-me agir como agente de Cristo, guiando-os através daquilo, eles são curados daquele abuso, total e permanentemente – assim como eu fui curado quando me encontrei com o Salvador pela primeira vez. 3 – Visão do Salvador 100 Há um paralelo com essa cura que sou abençoado por contemplar de vez em quando. Cristo teve de ser abusado, cuspido, e tratado com crueldade como uma parte essencial para completar a Expiação15. Ele desceu abaixo de todas as coisas, de modo que Ele pudesse superar todas as coisas. E quando Ele venceu todas as coisas, então, ele estava preparado para levar-nos pela mão e nos levantar acima de todas as coisas. De uma maneira muito menor, isso é o que eu tento fazer com as crianças. Eu experimentei as sombras do abuso na infância tanto no ventre materno como na vida, e quando Cristo me curou, então eu estava habilitado, de alguma forma que não compreendo totalmente, a ser uma parte da cura das crianças. De forma semelhante, cada um de nós experimenta provações e coisas cruéis, mas se chegarmos a Cristo e deixarmos que Ele nos cure, então podemos chegar e levar outros a Cristo para sua própria cura. Fazer isso é um dom, mas temos que passar por nossas próprias dores, para que possamos servir a Cristo em seu nome. Camadas de Significados A última coisa que eu gostaria de mencionar que eu aprendi com essa experiência é que sempre que Cristo desce e fala com um mortal, há tamanho peso no sentido que meras palavras não podem expressar a plenitude das verdades. A mensagem é em camadas. Em primeiro lugar são as palavras que ele fala e, em seguida, há um corpo de verdade muito maior que você recebe espiritualmente, camada sobre camada, mais verdade do que você pode entender pelos anos que seguirem. Um pequeno momento na presença do Salvador pode durar pelo resto da vida. Este é o motivo pelo qual as Escrituras27 são tão poderosas, porque elas contêm as palavras pronunciadas por Cristo, e essas verdades estão ainda em camadas, espiritualmente entrelaçadas com aquelas palavras. Leva uma vida de crescimento espiritual e de obediência para ser capaz de receber as camadas mais profundas. Elas estão realmente ali, e contêm os grandes mistérios e mais John M. Pontius – Visões de Glória 101 verdades que ele deseja que possamos adquirir e desfrutar em nossa vida. Para qualquer problema que enfrentemos, as respostas são dadas nos registros de experiências de pessoas que falaram com o Salvador. Por transformadoras que essas primeiras experiências tenham sido e por mais que tenha aprendido por estas coisas, elas foram apenas os primeiros sons de uma grande sinfonia que ainda me aguarda. Foi-me mostrado e aprendi muitas coisas que eu ainda devo realizar na mortalidade. Foi-me dada uma grande missão a cumprir se eu for fiel e verdadeiro. Eu relatarei muito da minha missão futura nos capítulos seguintes. John M. Pontius – Visões de Glória 102 Capítulo Quatro PROVAÇÕES AGRAVANDO-SE pós essa ocasião, tive quatro ou cinco grandes experiências com visitações de anjos e visões. Não foram experiências quase-morte mas ocorreram principalmente durante muitas noites sem dormir. Cada uma destas experiências pareceu real, com todos os meus sentidos totalmente alertas. À Espera da Morte As visões que tinha tido nunca saíram do meu pensamento, especialmente quando eu fiquei bastante doente. Os próximos anos foram cheios de medo e insegurança. Eu acreditava plenamente, poderosamente nas coisas que eu já tinha visto, mas eu também acreditava que tinha de estar vivo para realizá-las. O medo e a incerteza surgiram a partir da consciência de que eu era nunca iria recuperar e iria morrer não tendo feito a obra de toda uma vida. Eu tinha uma dor contínua nos meus dentes e sinus. A minha saúde e energia ficou cada vez pior28. Tudo o que eu tinha visto na experiência de meu amigo Apóstolo e o profeta aconteceu. Agora A 4 – Provações Agravando-se 103 entendi porque meu amigo estava orando tão sinceramente por mim. Eu tinha infecções crônicas no sinus que não respondiam ao tratamento. Meu seguro de saúde recusou a cobertura, o que foi um golpe terrível porque a minha saúde estava titubeando, e eu estava contando com o seguro para me amparar durante esse período. Eu estava continuamente a tentar conciliar o que eu já tinha visto nessas visões com o óbvio fato de que eu estava morrendo. Pareceu- me inequívoco que se eu morresse eu não seria capaz de cumprir as coisas que eu tinha visto. Morrer também parecia significar que eu não tinha conseguido completar a minha missão na vida e que Deus tinha me levado da terra por isso. Como você pode ver, eu estava no “modo sobrevivência”, lutando para continuar, mas paralisado pela péssima saúde, dúvidas e medos. Foi por estes dias que fui desobrigado de conselheiro no bispado devido à minha doença. Eu simplesmente não conseguiria cumprir meu chamado como eu queria e como o Bispo precisava. Eu pedi para ser desobrigado, mas foi uma decisão difícil e emocionalmente danosa, porque ela parecia confirmar os meus receios de que eu não iria ser capaz de fazer as coisas que eu tinha visto em visão. Olhando para aquele momento da minha vida, desde a perspectiva de vinte anos à frente, eu também posso ver que o meu próprio medo piorou minha doença. A minha vida tornou-se uma rotina de tentar descansar o suficiente para trabalhar algumas horas e, em seguida, ir para a cama, então lutar para trabalhar um pouco mais. Eu tinha praticamente certeza de que minha vida estava no fim, e confesso que estava com medo. Eu estava convencido que meu problema era no coração. Mas todos os médicos que visitei encontravam algo novo para diagnosticar. Fiquei tão mal que eu realmente considerava que esse era o fim da minha vida. Eu achava que apenas iria lentamente piorar, piorar até falecer. A experiência de ouvir o meu amigo suplicar pela minha vida tornou-se realidade. Ele ainda estava vivo neste momento, é claro, John M. Pontius – Visões de Glória 104 e veio à minha casa seis ou sete vezes para me dar bênçãos e conforto para mim. O Conselho do Apóstolo Numa quinta-feira à tarde, após suas reuniões com o Quórum dos Doze no templo, o meu amigo Apostólico veio visitar quando eu estava doente demais para sair da cama. Eu estava feliz por sua visita. O considerava um amigo e confidente querido. Me foi permitido relatar-lhe muitas das minhas visões e experiências. Ele me ajudou muitíssimo a entender algumas delas. As outras ele me ensinou a aceitar que elas eram de origem divina e esperar no Senhor por mais luz e conhecimento. Eu me apoiava em sua sabedoria e provavelmente não conseguiria suportar esses momentos e esse sofrimento sem ele. Ele sentou-se na ponta da minha cama e literalmente ficamos assim por quarenta e cinco minutos sem falar. Eu tentei iniciar conversa, mas não consegui. Eu finalmente disse: "Elder, eu sei que você está muito ocupado. Deve haver um motivo pelo qual você veio. Você tem algo a me dizer? Vou parar de falar e apenas ouvir." Ele ficou calado por mais alguns minutos e, em seguida, disse: "Spencer, você precisa aprender a se contentar com aquilo que o Senhortem designado para você”. Para ser honesto, não era isso o que eu esperava ouvir. Não soava como conselhos profundamente apostólicos ou uma promessa de que eu ficaria bem. Eu senti como se ele não entendesse o quão doente eu estava e o quão terrivelmente isso interferia com a missão que eu tinha visto na minha visão. Mas nos dias e semanas seguintes, comecei a perceber que aquela foi realmente uma mensagem do Senhor. Fui consumido com meus estudos e com todo o trabalho e o tempo que eu tinha gasto com a preparação para ser capaz de fazer o que eu estava fazendo pelas crianças. Eu queria que as coisas fossem do jeito que eu queria que fossem. Eu não estava disposto, ou talvez apenas não tivesse consciência de como aceitar 4 – Provações Agravando-se 105 que o Senhor tinha um propósito e resolução diferente para minha vida. Senti-me semelhante ao pequeno chalé que C. S. Lewis descreve. Eu só queria ser uma pequena cabana, mas o Senhor queria reconstruir-me em uma mansão. Eu estava esperando uma remodelação, uma pequena melhoria, uns tapetes novos. O senhor estava pondo minha casa toda abaixo e à minha volta porque ela tinha que dar lugar para o seu plano-mestre para a minha vida. Ele não estava me remodelando, ele era reconstruir-me. Não conseguia mais entender as visões pois eu já tinha acolhido a ideia de que eu estava para morrer. Mas todas as outras experiências e visões que eu tivera indicavam que eu iria viver muito mais tempo e realizar muito mais. Eu tinha discutido com frequência o evidente paradoxo da minha vida com meu amigo apóstolo. Eu acho que o que ele estava me dizendo era para eu parar de tentar traçar o rumo da minha vida e apenas confiar no Senhor para me conduzir às coisas que minha fé dizia que eu seria capaz de fazer. Ele estava tentando assegurar-me de que tudo o que me havia sido prometido viria a passar mas que eu precisava parar de lutar contra o processo que o Senhor tinha projetado para levar-me até lá. Foi difícil para eu ver na ocasião. Eu estava naquela condição em que as árvores bloqueiam minha visão da floresta. Não sabia que já estava na floresta. Eu via a floresta, longe, muito longe, e eu estava lutando para sobreviver por tempo suficiente para batalhar o meu caminho até lá. Eu estava retardando o processo ao insistir em chegar lá nos meus próprios termos e, de preferência, sem sofrimento e morte como parte do caminho. Câncer Um pouco mais tarde, eu fui a um cirurgião oral para descobrir por que razão o meu rosto doía tanto do lado esquerdo. Tinha-se tornado insuportável e nenhum analgésico fazia efeito. Parecia que meu rosto estava em chamas. Eu não podia tocar em qualquer parte John M. Pontius – Visões de Glória 106 do meu rosto sob meu olho esquerdo. Eu não podia dormir de lado porque o travesseiro fazia meu rosto doer. O cirurgião fez testes e encontrou uma área escura no raio-x, que levou para o diagnóstico de osteomielite da mandíbula e ossos orbitais. Ainda não havia sido descoberto o câncer, mas a área infeccionada da minha cavidade sinusal e do maxilar tinha que ser removida. Ele disse que partes da minha mandíbula e ossos faciais tinham de ser substituídas por placas de titânio. Ele disse que eu iria perder todos os dentes da arcada superior esquerda e que eu precisava da cirurgia imediatamente. Eram notícias difíceis de ouvir. Minha esposa e eu choramos e por muitas horas conversamos sobre o que fazer. Obtive três outras opiniões que só confirmaram o diagnóstico do primeiro médico. Ao mesmo tempo, o meu cardiologista e médico de rotina ambos acreditavam que eu não iria sobreviver à cirurgia. Toda a minha equipe de médicos concluiu que eu deveria apenas ir para casa e preparar-me para morrer. Na minha curta vida até agora, eu tinha feito muitos bons amigos, pessoas que eu amava e que me amavam. Isso incluía um jovem advogado na vizinhança que me visitara muitas vezes e se mantinha informado a meu respeito. Ele tinha um bom amigo chamado Jason que tinha se recuperado de um câncer semelhante ao meu. Jason era um homem justo que considerava que sua cura tinha sido uma intervenção de Deus, e que ele tinha prometido a Deus que ele iria utilizar todos seus meios para ajudar alguém que o Senhor lhe mostrasse, particularmente em situações semelhantes à sua. Posteriormente a sua promessa, Deus lhe havia dado considerável riqueza para cumprir essa promessa. O meu amigo advogado tinha apresentado o Jason para um médico alemão que clinicava no México e que estava tendo grande sucesso com a substituição de ossos doentes por coral marinho em vez de titânio. Este procedimento causa menos trauma para os tecidos corporais e faciais, e o coral não era atacado pelo sistema imunológico como um corpo estranho, de modo que as chances de sucesso eram muito maiores. 4 – Provações Agravando-se 107 Cirurgia no México Quando Jason descobriu que eu não tinha seguro, nosso misericordioso Salvador o tocou para cumprir sua promessa em meu favor. Através do meu amigo advogado, Jason ofereceu-se para pagar todas as minhas despesas para ir ao México para ter esse tipo de cirurgia. Minha esposa e eu oramos por orientação e o Espírito testificou- me que isso era o que eu deveria fazer. Acabei indo ao México três vezes para três cirurgias, duas cirurgias de grande porte e uma menor. Jason pagou por todas, incluindo as viagens e despesas da Lyn. O mais interessante é que o Jason não tinha me encontrado até o momento. Encontrei-me com ele pela primeira vez, três ou quatro anos após as cirurgias. Ele entrou em minha vida por um milagre, e ele nunca me permitiu nem mesmo sugerir pagá-lo. Ele humildemente assegurou-me que era um milagre e um privilégio ter sido um instrumento nas mãos do Senhor. Continuo a louvar a Deus por ele até o dia de hoje. A segunda cirurgia foi a mais complicada e durou oito horas. Eles removeram o meu seio canceroso e mandíbula superior e colocaram coral marinho pulverizado em seu lugar. Mesmo assim, voltei para casa três dias após a cirurgia. Dois dias após chegar em casa eu, não sábio, concordei em dar uma palestra no Centro de Justiça em Salt Lake City. Eu fiz isso porque estávamos desesperados por dinheiro, e foi uma oportunidade de recuperar algum rendimento perdido. Eu não me sentia bem o suficiente para ir, e não sentia que deveria. Tenho certeza de que o Espírito Santo ainda me advertiu contra isso, mas o mundo mortal era muito alto e insistente, e atendi à sugestão errada. No início de minha apresentação, o meu coração começou a acelerar. Eu comecei a queimar de febre. Sentei no chão no meio da palestra. Um dos meus colegas me levou casa. Minha esposa rapidamente levou-me para o meu consultório. Fui diagnosticado com uma infecção no meu músculo cardíaco, que pode ocorrer como resultado de cirurgia oral. Este tipo de infecção é John M. Pontius – Visões de Glória 108 frequentemente fatal. Eu deveria ter tomado antibióticos antes e depois do procedimento cirúrgico no México mas, por algum motivo, isso foi negligenciado. O meu médico então administrou- me uma enorme quantidade de antibióticos por via oral e me mandou para casa. O médico disse que não ousaria enviar-me para o hospital pelo risco de apanhar outra infecção. Eu cheguei em casa e deteriorei bem rapidamente. De todas as doenças que já tive, esse foi a pior. A cada momento eu me sentia mais perto da morte. Por causa do extremo sofrimento de meu corpo, e porque eu ainda estava lidando com toda a recuperação pós-operatória das três cirurgias no México, estes foram dias sombrios de dor e sofrimento. Eu encontrei-me noite e dia tendo experiências com "o outro lado." Espíritos entravam em minha casa e ficavam ao lado da minha cama. Eu entrava e saia da consciência. Eu estava tão fraco que nem tentei falar com eles. Apenas os via. Eles vieram duas ou três vezes por dia e muitas vezes durante a noite. Com toda franqueza, meu médico deveriater me internado no hospital, pois eu estava morrendo. Cada momento era uma agonia, e a cada momento me sentia um pouco pior. A minha força desapareceu por completo, e eu perdi toda vontade de viver. Minha Bela Anja O meu aprofundamento na crise de saúde afetou meu padrão de sono. Muitas vezes eu dormia durante o dia e, em seguida, ficava acordado durante a noite. Tinha-se tornado meu hábito meditar e orar durante essas longas noites de insónia. Uma noite, enquanto minha esposa dormia junto comigo, eu estava orando quando eu vi uma jovem mulher descendo o curto corredor fora do nosso quarto. Ela virou-se e entrou pela porta aberta. Eu não estava dormindo, nem estivera e não estava alucinante. Já experimentei as alucinações e delírios da febre e da droga, e isto não era nem uma coisa, nem outra. Eu estava naquele momento 4 – Provações Agravando-se 109 desperto, coerente e curioso. Eu senti o Espírito Santo aquecer a minha alma, e todo o temor e dúvida evaporaram-se. Seu cabelo era longo e escuro, quase preto. Ele era espesso e levemente ondulado. Estendia-se até abaixo de seus ombros. Ele não estava amarrado de forma alguma, mas caia livremente sobre seus ombros. Ela tinha um belo rosto com as maçãs altas. Ela tinha os mais belos e penetrantes olhos que eu já vira. Eles eram castanhos com traços turquesa. Eu sei que soa estranho, mas é isso que eu vi. Ela olhou para mim, como se tivesse vindo de uma época muitos milhares de anos atrás. Ela não estava andando mas flutuando, movendo-se em minha direção sem mexer seus pés. Ela usava um vestido longo e de cor creme, sem costuras ou fechos visíveis. Parecia ter sido tecido de uma só peça e só podia ter sido colocado em puxando-o sobre a cabeça. Era foi muito bem feito, com um delicado, mas intrincado padrão no tecido. Este lindo vestuário a cobria do pescoço até os punhos e tornozelos. A roupa não era branca brilhante, como eu já tinha visto em outros anjos, mas de cor creme. O seu vestido era bordado da mesma cor creme ao redor do seu pescoço, mangas, e barra. O vestido parecia cintilar, como se fosse seda ao sol, movendo-se suavemente na brisa. O rosto, as mãos e pés descalços reluziam um pouco mais brilhantes do que o seu vestido. Seu rosto era familiar para mim, como se eu a tivesse visto por toda a minha vida, mas eu não sabia o seu nome, e ela nunca se apresentou a mim ou mesmo falou com sua voz. Eu estava no meu corpo e não tinha capacidade de saber tudo sobre ela, como eu tinha no meu espírito. Ela era um mistério para mim. Ela então moveu-se para o lado esquerdo da minha cama. Quando se aproximou mais, eu podia ver a pele de seu rosto e mãos. Ela parecia humana, para mim. Sem falar verbalmente, ouvi sua voz na minha mente. "Eu tenho sua permissão para fazer o que fui enviada a fazer aqui?”. Ela não explicou o que pretendia fazer, nem eu percebia o que era, até ela ter quase terminado. Eu já tinha aprendido que os anjos de Deus sempre pedem permissão e, pela sua pergunta e pelo John M. Pontius – Visões de Glória 110 ardor que senti no meu peito, eu sabia que ela estava lá para abençoar-me de alguma forma. Eu sabia que ela me amava como um irmão ou filho. Sua feição parecia o sol quente sobre o meu rosto e tórax. Eu não senti nada além de alegria e paz na sua presença. E, a partir do momento que ela tinha chegado ao lado de minha cama, não senti mais dor física, por isso eu estava ansioso para que ela permanecesse por mais tempo possível. Todo o meu ser confiava nela implicitamente, e meu coração respondeu antes que a minha mente pudesse formar palavras. "Sim, por favor!”. Quando minha mente enfim me alcançou, comecei a me perguntar, "Por que Deus enviaria uma mulher para mim desta vez?" A pergunta não era sobre sua capacidade; era apenas que todos os anjos e guias das visitas anteriores foram homens. Decidi calar a boca. "Pare de questionar e apenas desfrute esta experiência enquanto dura." Logo que eu pensei isso ela sorriu como se estiver satisfeita, finalmente, com a minha autorização para que ela prosseguisse. Eu sabia que ela ouviu cada palavra que eu pensava porque é o modo de todos os seres divinamente comissionados. Eles sabem tudo o que pode ser conhecido sobre nós. Ela elevou-se no ar e posicionou-se deitada sobre o meu corpo. Ela nunca tocou-me, embora seu rosto não estava a mais do que 30 cm do meu. Ela estava tão perto que eu podia ver as pequenas veias e poros de sua pele. O seu vestuário e cabelo não eram afetados pela gravidade, mas caiam em direção aos seus pés, do mesmo modo como quando ela estava de pé. Ela tinha uma aparência extremamente agradável em seu rosto. Fechei meus olhos e me deliciei na completa ausência de dor e doença. Tornei-me consciente de que ela estava tirando alguma coisa de mim, provavelmente os meus sintomas físicos da dor e, ao fazê-lo, ela estava limpando a minha mente para a mensagem que ela foi comissionada a oferecer. Lembrei-me de repente com grande clareza do meu encontro com Jesus Cristo no estacionamento. Senti todas aquelas coisas 4 – Provações Agravando-se 111 novamente. Eu vi o seu rosto e senti o seu amor, e lembrei-me de como me senti quando Ele falou meu nome. Todos esses detalhes vieram em minha mente. Eu subitamente compreendi a visão que eu tivera no Taiti com um entendimento totalmente novo. Eu revi as experiências na clínica, quando eu tinha morrido do contraste de raio-x, todos com uma nova compreensão e uma nova clareza. O que eu lembrava mais claramente destas experiências foi aquilo que os meus cinco sentidos tinham gravado. Ela estava permitindo ou capacitando-me a vê-las novamente a partir da perspectiva eterna que tive uma vez, quando eu primeiro as vivenciei. Eu não tinha esquecido desses eventos, mas havia mudado o meu entendimento nos últimos vinte e seis anos para acomodar o que eu imaginava ser a minha iminente morte. Ela não apenas permitiu-me recordar os acontecimentos, mas entender mais uma vez o mais profundo significado dentro delas, que suas promessas e profecias ainda eram verdade. Você Não Vai Morrer Eu tinha reproduzido esta mensagem na minha mente, repetidas vezes, "vou morrer - logo." Eu estava perturbado porque minha vida estava quase no fim, e a minha missão, como eu a vira em visão, ainda não tinha acontecido. Aprendi com esta bela anja sem nome que eu ainda tinha muitas coisas a fazer, e tudo o que eu tinha visto antes estava escrito por Deus na minha jornada mortal. Tudo isso aconteceria. Esta foi sua mensagem para mim: "Você não vai morrer neste momento." Ela literalmente me mandou parar de pensar em mim como se eu fosse morrer. Ela ficou nessa posição, pairando sobre mim, por um período de tempo indefinido. Poderiam ter sido segundos ou horas, eu simplesmente não sei. Foi a mesma mensagem que meu amigo Apóstolo tinha tentado transmitir poucos dias antes. Sem a dor do meu corpo para interferir, e com a profunda paz da sua presença, adormeci. Quando acordei, ela estava de pé ao lado do meu leito, olhando para mim. Ela instruiu-me a escrever tudo John M. Pontius – Visões de Glória 112 aquilo que eu tinha aprendido na minha revisão e para lembrar-me e nunca mais duvidar. Ela disse que tudo mais que eu precisava saber e ver para poder continuar minha preparação para minha vida de trabalho, viriam a mim em breve. Ela também comunicou-me que a minha vida estava sendo preservada, não por minha causa, mas por causa de outros, aqueles a quem eu iria servir. Aprendi muitos anos mais tarde que as pessoas a quem eu iria servir eram o seu povo. Ela disse que eu tinha sido preparado antes da fundação da terra para esta missão, e que eu nunca mais duvidasse, achando que qualquer evento terreno, acidente, doença, ou até mesmo a morte pudesse impedir o cumprimento. Eu não me orgulho de dizer que eu não tinha grande fé naquele momento para acreditar nas visões que Deus me tinha mostrado emvez de acreditar em meu corpo, que eu achava estar obviamente morrendo. É difícil, talvez desumanamente difícil, sentir o seu corpo morrendo, fenecendo, a vida drenando-se de você, e ainda ter fé em promessas de muito tempo atrás de um futuro que agora parecia impossível; mas eu devia ter. Eu deveria ter apenas acreditado e rejeitado as tentativas do meu corpo de morrer. Em seguida, a minha fé em Deus, meu Salvador, me ergueriam. Estou certo disso. Ainda assim, nesse momento de profunda fraqueza e necessidade, a sua mensagem era profundamente reconfortante para mim. Ela tinha vindo para interromper o meu declínio, para reparar meu modo de pensar, realinhar os meus pés no verdadeiro caminho da minha vida. Ela saiu da mesma maneira que entrou, através da porta aberta do quarto e do corredor. Eu nunca mais a vi. Tenho pensado sobre ela muitas vezes e me perguntei quem seria ela. A minha fé me disse que ela era uma ancestral minha de muito tempo atrás. Estas pessoas que ministram a nós de além do véu são quase sempre familiares. Quando eu a ver novamente quero agradecer-lhe e perguntar seu nome. Fiquei deitado por algum tempo, totalmente esgotado e exausto. Minha mente continuava repassando a experiência da sua visitação. 4 – Provações Agravando-se 113 Eu finalmente caí num sono tranquilo e não despertei até o final da manhã. Estou Curado! Eu acordei com uma brilhante memória de tudo o que ela tinha feito, e o meu coração gritou, "Eu estou curado!" Mas, quando comecei a me mover, percebi que meu corpo estava tão doente como antes. No entanto, minha atitude não era mais de doente. Eu já não pensava como uma pessoa doente ou contemplado a morte. Eu sabia que já não iria morrer e parei de ficar apenas esperando a morte, desejando que viesse logo. O seu dom para mim foi de que, a partir de então, eu tinha total esperança na minha recuperação, e comecei melhorar imediatamente. Eu estava animado dizendoà minha esposa sobre as experiências da noite anterior. Ela não o recebeu bem, nem a mensagem e nem como ela foi entregue. Ela não tinha dúvida do que eu disse a ela, mas ela simplesmente não sabia como receber. O que eu tinha esquecido, e pessoas mortalmente doentes geralmente esquecem, era de que ela estava a sofrer junto comigo. Eu não ia morrer sozinho; eu estava tomando um pedaço de seu coração, do seu amor e da sua paz comigo. Ela aceitou a inevitabilidade da minha morte e estava realmente a esperando para aquela mesma noite. Era um processo de luto que tinha rasgado um pedaço da sua alma, e ela não sabia como voltar a repô-lo apenas por causa de palavras. Ela não sabia como ir do desespero à alegria tão abruptamente. Mesmo tendo acreditado em minhas palavras e aceitado a veracidade do que tinha acontecido, ela teve de esperar um tempo para a sua mente e seu coração desatarem. Também penso que algum instinto primal lhe dizia para não expor-se a tal esperança que podia ser despedaçada logo em seguida. Quando ela viu que eu estava realmente me recuperando, ela começou a se alegrar comigo. 5 – Cavernas, Chaves e Chamados 114 Capítulo Cinco CAVERNAS, CHAVES e CHAMADOS Três Visitantes erca de uma semana depois, acordei de manhã com a sensação de que eu receberia três visitantes nesse dia. Eu gostava muito de ter visitas porque eu estava ainda me recuperando da cirurgia e da infecção, e o tédio às vezes era um problema. Também me pareceu engraçado porque Ebenezer ScroogeNT9 tinha sido informado que teria três visitantes também, e você já sabe o que aconteceu. O primeiro visitante era um cavalheiro mais velho de nossa AlaNT10. Ele entrou, sentou-se comigo e leu Escrituras para mim. Ele foi bondoso por fazer isso, mas ele ficou duas horas, o que deixou- me muito cansado. Eu dormi por um longo tempo depois que ele saiu. O segundo visitante veio em cerca de 5:30 da tarde. Era um irmão de nossa ala que apenas deu um pulinho a caminho de casa vindo do trabalho. Ele disse que sentiu-se inspirado a vir falar comigo. Ele ficou uma hora e disse que se sentiu tocado pelo Espírito a me dizer algumas coisas. A primeira foi que eu podia ser curado e que eu precisava trabalhar no sentido de obter fé para ser curado. A segunda coisa foi que eu tinha muitas coisas para fazer antes de morrer. Essas duas coisas me pareceram muito interessantes. Eu acreditava que ele foi inspirado a dizer-me essas coisas porque eu sabia que em algum momento eu seria curado. Eu já tinha visto isso em visão várias C John M. Pontius – Visões de Glória 115 vezes. Eu já tinha me visto num corpo livre de doenças e fazendo muito mais, mas com um alcance maior do que ele supunha. Eu me senti como se tivesse a fé para obter a bênção e já estava me movendo tão rapidamente como eu poderia obter. Eu não lhe disse que há apenas uma semana um anjo feminino entrou em meu quarto, me fez lembrar das promessas e curou a minha mente do meu pensamento de "Eu vou morrer". Eu aceitei sua inspiração para trazer essa mensagem para mim. Tratava-se de outra testemunha do que eu já sabia ser verdade. Quando ele saiu eu estava completamente esgotado, e eu não estava ansioso por um terceiro visitante porque os dois primeiros me deixaram esgotado e não sobrou nenhuma energia para aumentar minha tolerância ou alterar minhas circunstâncias. Eu não estava me sendo ingrato por sua bondade, apenas cansado. Naquela mesma noite eu não conseguia dormir por causa da incessante dor no meu rosto e tórax. Eu já não tinha medo de morrer, mas as cirurgias no México me tinham deixado com uma dor enorme. Por causa da nossa condição financeira, eu não conseguia pagar por remédios controlados contra a dor, e as únicas coisas que eu tinha eram Tylenol e ibuprofeno. Eles simplesmente não eram suficientes. O Terceiro Visitante Minha esposa e eu estávamos assistindo o noticiário da noite no nosso quarto. Eram 22:15, eu ouvi uma batida forte na porta da frente, que ficava a apenas poucos metros da nossa porta do quarto. Perguntei a Lyn, "você ouviu alguém bater à porta?”. Ela respondeu que ela não e perguntou se devia verificar a porta. Percebi naquele momento que este era meu terceiro visitante e que eu teria que ir com ele. Eu estava realmente pensando que era outra pessoa da Ala, e eu não sei por que eu pensei que teria que ir a algum lugar. Mas eu disse: "Não, não responda, por favor. Vou ter que ir com eles, e eu estou cansado demais." 5 – Cavernas, Chaves e Chamados 116 Ela me deu um olhar simpático, não porque eu estivesse cansado, mas porque ela presumiu que eu estava ouvindo coisas agora. Ela apagou as luzes, me beijou, e virou-se para dormir. Eu não podia dormir porque minha dor e cansaço eram insuportáveis. Eu sei que isto soa estranho, mas eu realmente estava muito exausto para dormir. Ouvi outra série de batidas à porta. Quem quer que estivesse à porta começava a bater a cada poucos segundos, repetidamente. Eu, pensando, "Se eu levantar, vou ter de ir com eles." Finalmente eu comecei a perceber que podia ser um anjo vindo me levar da mortalidade. Era aquela guerra contínua entre minha percepção da minha condição física e o que a bela personagem angélica tinha me ensinado com tanto poder que eu não iria morrer. Até então, minha fé foi mais forte que o meu pensamento, mas nesta noite em particular, eu encontrei-me mais uma vez vacilante. Eu repreendi a mim mesmo e ancorei a minha fé mais uma vez. Devo ter adormecido, pois despertei a 00:50 novamente com batidas na porta da frente. Não se tratava de uma batida impaciente mas apenas fazia o som de batida. Desta vez eu percebi que o batimento estava na nossa porta do quarto, e não na porta da frente. Eu sabia que não era um dos meus filhos, porque a percussão era mais forte e mais em cima na porta. Me veio o pensamento de que talvez isso fosse parte do processo de morrer, e eu teria que ir com eles. Percebi que eu estava encharcado de suor das poucas horasque eu tinha dormido. Senti-me terrivelmente mal, tipo quando a gente nem consegue levantar o braço ou a gritar por ajuda. Eu tinha uma incrível dor no peito mais uma vez. Não obstante o que a bela personagem angélica tinha me falado, eu sabia que não poderia viver muito mais tempo sem um milagre - que eu não esperava, mas ainda assim precisava receber. E ainda o bater na minha porta do quarto continuou a ressoar com batidas intermitentes e insistentes. Eu imediatamente deixei meu corpo. Acho que meu corpo estava doente demais para segurar meu espírito dentro dele. Movi- me para cima e para fora do meu corpo e para uma posição sentada John M. Pontius – Visões de Glória 117 na minha cama. Olhei para o meu lado direito e pude ver o meu rosto e ombros apoiados sobre um travesseiro. O meu rosto estava pálido com um olhar de dor, e o meu corpo não estava respirando. Eu me senti tão grato por estar fora dele. A dor havia parado, e eu me sentia cheio de energia e vitalidade. Você tem que lembrar, eu tinha morrido duas vezes antes e desta vez o alívio que eu imediatamente senti por estar fora do corpo era quase como o efeito de drogas. Ela infundiu-me de euforia e libertação. Eu estava tão grato de estar fora do que daquele corpo doente e dolorido. Eu me regozijava, e me senti muito mais do que entusiasmado. Eu estava jubiloso, embora totalmente esperasse retornar ao meu corpo e viver para completar minha missão. Eu não podia duvidar as palavras do anjo mas, neste momento, eu estava extasiado de gratidão por estar sem dor, mesmo que por um momento. Levantei-me sem fazer esforço e andei até a porta para atender. Eu olhei para o meu corpo, que ainda estava deitado na cama ao lado da minha esposa. Eu me senti ligado ao meu corpo, como se um elástico divino estivesse conectando-nos. Eu sabia que esta era a garantia espiritual que eu voltaria. Isso não era a morte, mas uma outra oportunidade de aprender e de ver as coisas de Deus. Meu Anjo Guia Eu tentei abrir a porta e não consegui. Minha mão passava pela maçaneta da porta. Por isso eu a atravessei. Eu encontrei-me diante de um afável anjo masculino. Ele era um anjo de luz e tinha todo o brilho dos outros anjos eu tinha visto que tinham vindo ministrar pelos recém-mortos. Mas no momento em que olhei para ele, eu sabia que ele não tinha vindo para me levar da terra. Ele não era o "anjo da morte" por assim dizer. Ele tinha sido o meu guia em várias outras experiências fora do corpo, de modo que o reconheci mesmo que sem saber o nome dele. Foi um reconhecimento espiritual. Eu confiava nele e estava pronto e disposto a ir com ele. 5 – Cavernas, Chaves e Chamados 118 O anjo falou-me verbalmente, não ao meu espírito como em outras instâncias. Ele tinha um corpo e não era só espírito. Eu percebi que eu, agora em espírito, era menos material do que ele. Segurou meu braço e disse: "você está pronto para ir?”. Eu respondi com a maior gratidão, "sim!” Ao contrário do que sucede com os outros anjos que tinham apenas flutuado através de paredes e portas, ele abriu a minha porta, girando a maçaneta e caminhou para fora. Já era dia fora. Nem estranhei que no meu quarto era pouco antes de 01:00 e fora dele era meio-dia. O que me fez concluir que eu estava agora em uma visão, a sentisse verdadeira e tátil. O anjo fechou a porta de minha casa. Nós caminhamos para a frente e começamos a andar na calçada. Ele estava à minha direita, com o seu braço no meu. Eu podia senti-lo e o calor do seu braço. Era tão bom voltar a caminhar. Eu não tinha estado em pé faziam semanas e tinha estado enfermo desde antes. A sensação era maravilhosa de fazer tudo isso sem dor ou fadiga. Eu me senti como se pudesse caminhar sem esforço por dias. Senti-me exuberante por estar com ele, como uma criancinha querendo expressar sua felicidade correndo, saltando e rindo. Não o fiz, claro. Eu queria ficar com ele. Eu entendi que ele tinha algo a ensinar-me. Continuamos caminhando uma longa distância. Passávamos por companhias e casas. Carros passavam na rua e as pessoas andavam perto de nós na calçada. Tenho certeza que eles não poderiam ver- nos porque desviávamos para deixá-los passar. Era uma experiência visionária, mas era realista. Havia uma ligeira brisa, e vi que a brisa estava soprando o cabelo do anjo e movendo sua roupa. Eu olhei abaixo em mim, e eu percebi que eu estava de pijama. Eu não me senti nada constrangido, mas pude constatar que eu não podia sentir a brisa, e que ela não movia minhas roupas. Eu pensei, Que estranho! Aqui estou na presença de um anjo, ele é quem está num corpo e eu estou em espírito, e estamos andando a pé, rumo às montanhas! Foi maravilhoso para mim. Eu queria lhe fazer perguntas, mas senti que deveria aguardar. John M. Pontius – Visões de Glória 119 Eu não senti esforço ou fadiga. Eu estava andando sem me esforçar, o que para uma pessoa mortalmente enferma era como de repente ganhar na loteria. Então o anjo me disse: "a primeira coisa que irá ver irá explicar para você por que você está vivendo sua vida da maneira como está presentemente." E eu respondi, "Ótimo! eu gostaria de saber a resposta a essa pergunta." Ele foi simpático e interessado em mim. A minha mente estava girando com perguntas, e eu tenho certeza que ele estava ouvindo tudo isso. Ele sorria com frequência, à medida que caminhávamos em silêncio. Eu me sentia que ele me conhecia melhor do que eu mesmo. Ele estava totalmente envolvido neste evento de mostrar-me o que eu precisava de saber. Mesmo que nós não estivéssemos conversando ao prosseguir, eu sabia que havia propósito em tudo o que ele fazia. Cavernas e Grades Procedemos a um desfiladeiro onde eu havia estado muitas vezes. Andamos um longo caminho para onde a estrada pavimentada passou a ser de cascalho. Eu podia sentir a estrada sob os meus pés, mas estávamos nos movendo mais rápido do que velocidade de caminhada, como se caminhássemos numa esteira rolante no aeroporto. Chegamos ao desfiladeiro rapidamente. A cena era familiar para mim. Eu tinha estado ali muitas vezes em piqueniques e passeios. Ao pisarmos no cascalho, a cena mudou para diferentes montanhas cinza-azuladas com altos penhascos, de frente para mim três montanhas com imponentes picos projetando-se no céu acima das falésias. O céu mudou para um tom mais pôr-do-sol embora fosse meio-dia. Havia uma extensão de água entre o ponto onde estávamos e a montanha, como se estivéssemos em alguma ilha em numa enseada com vista para o continente. Eu podia sentir o cheiro de ar marítimo e ouvir as ondas quebrando sobre a falésia. 5 – Cavernas, Chaves e Chamados 120 Eu não sei para onde a visão me levava. Foi-me dado a entender que eu estava agora olhando para o futuro, para qual seria o propósito da minha vida. Cheguei à conclusão de que eu estava vendo um tipo ou uma metáfora do fim da minha vida, não eventos reais que aconteceriam exatamente da maneira como eu estava vendo eles. Mas também percebi que a missão sugerida por esta metáfora iria realmente acontecer, se não exatamente como eu estava vendo-a agora. Eu comecei a ver ao nosso redor através de olhos espirituais, como o anjo via. Ele me perguntou, "Você vê a montanha?”. "Sim." "O que você vê?”. Eu andava mais perto. Haviam luzes no alto da montanha. Finalmente, eu percebi que eles estavam vindo da boca de quatro grandes cavernas feitas pelo homem. As cavernas eram cerca de quatro metros de altura e cerca de cinquenta metros de largura na entrada. As aberturas tinham barras, como se fossem as prisões. As cavernas estendiam-se nas profundezas da montanha, com portas que conduziam para além daquilo que eu podia ver. As quatro cavernas ocupavam a maior parte da montanha. E eu respondi, "Eu vejo quatro grandes câmaras escavadas no monte, com grades. O que isso significa?”. E ele respondeu, "precisamos nos aproximar." A vista mudou instantaneamente. Encontrei-mebem na frente das barras, em uma grande saliência entre as barras e a falésia. Estávamos alto na montanha. Houve uma larga e íngreme estrada descendo até o vale abaixo. Eu olhei e vi milhares de pessoas nas câmaras. Havia salas dentro, para grandes grupos, áreas para cozinhar, e enormes jardins de flores e legumes. Nas profundezas da caverna eu poderia ver portas fechadas ao longo da parte de trás das câmaras. Presumi que eram os quartos, salas de armazenagem, e outras necessárias acomodações. As pessoas não pareciam ver-me, embora algumas delas estivessem tão perto que eu podia vê-las claramente. Elas John M. Pontius – Visões de Glória 121 estavam bem vestidas e cuidando de suas vidas. Eles não pareciam considerar-se prisioneiras, mas eram saudáveis e felizes. As crianças de todas as idades brincavam e cumpriam tarefas domésticas. Os observei sem entender. Toda a sua circunstância parecia tão improvável para mim. "Quem são essas pessoas, e por que é que eles estão aqui?" eu perguntei. O anjo chamou a atenção para as travas nas barras. As travas estavam no interior. Eles tinham se trancado nas cavernas, e as barras eram de sua própria edificação. "O que isso significa?" eu perguntei ao anjo. "Por que razão eles trancaram-se na montanha?”. Ele sorriu e respondeu, "Está certo. Esses indivíduos trancaram- se aqui por causa da perseguição, dos abusos e maus-tratos que sofreram de organizações religiosas e do abuso dos governos e da autoridade do mundo." Percebido que isso era tanto bom como mau. Eles próprios se haviam isolado do mundo, mas tinham também se isolado de luz e verdade adicionais. Eu perguntei: "Por que você está me mostrando isso? O que é que isso tem a ver comigo?”. Em seguida, ele me mostrou em detalhes vívidos as dores, sofrimentos e abusos que essas pessoas sofreram enquanto viveram sobre esta terra. Eles foram perseguidos e mortos por gerações antes que eles encontrassem uma maneira de separar-se do mundo. Ele disse, "Só a pessoas como você, que estiveram dispostos a sofrer dor e abusos semelhantes aos dessas pessoas, é que elas irão ouvir e confiar. Você deve continuar a beber deste cálice amargo sem se tornar amargo você mesmo28. Isso lhe dará a experiência e o conhecimento que você precisa para que, quando você for chamado para trabalhar com essas pessoas, elas irão confiar em você e reconhecer em você um companheiro de doença, expulsão e perseguição. Estes sofrimentos e seu triunfo sobre eles serão escritos sobre a sua própria alma e nos nervos do seu corpo, e eles vão reconhecer e confiar em você." 5 – Cavernas, Chaves e Chamados 122 Em seguida, ele disse algo que tenho refletido sobre por anos. Ele acrescentou: "Eles vão ver que você também pertence à "Comunhão dos Sofrimentos de Cristo." A Chave Enquanto eu estava tentando entender tudo isso, uma moça veio ao nosso encontro com uma chave em ambas as mãos. Ela não se parecia com as pessoas dentro das cavernas, mas era uma anja de luz, como era o caso do meu acompanhante. Ela usava uma longa túnica branca reluzente. Ela era linda e bem jovem. Ele tomou a chave dela e entregou-a a mim com ambas as mãos, com grande reverência e cuidado, como se fosse precioso e frágil. A jovem anja ficou olhando-me segurar a chave com grande interesse. Analisei-a um pouco, maravilhando-me com a beleza do artesanato. Eu virei-a em minhas mãos algumas vezes, admirando- a. Era diferente de tudo que eu já tinha visto. A chave tinha uns 30 cm, com a forma de uma chave moderna com alça redonda e haste em serra, como saliências e sulcos ao lado. Ela era pesada, como se feitos de metal sólido, como se feita de ouro maciço. A sensação do metal era macia como veludo, não dura como o Ouro. A alça tinha cerca de seis polegadas com pedras preciosas incrustradas no metal. Parecia como se as joias haviam sido fundidas no metal, porque eu não podia senti-las sobre a superfície lisa da chave. Mas cada pedra era claramente visível e brilhante dentro do metal, como se o metal fosse transparente sobre as pedras. Cada joia parecia ter uma pequena fonte de luz, que tornava a chave cintilante com brilhos como luz que vinham de dentro da chave e não como um reflexo do sol. A ponta era verde-esmeralda. A haste era vermelha como sangue, e a alça era de um azul vivo. Ela parecia antiga, talvez milhões de anos, porém não estava riscada, desgastada ou danificada. Ela era tão intrincada e maravilhosa que eu lembrei da LiahonaNT11, que havia sido criada pelo próprio Deus. Estou certo de que nenhum ser humano poderia ter feito essa chave. John M. Pontius – Visões de Glória 123 Verifiquei que haviam símbolos da chave, que eu não sabia ler. O Significado dos Símbolos "O que significam os símbolos sobre a chave?" Meu acompanhante perguntou-me. Eu imediatamente senti o significado dos símbolos inserirem-se em meu espírito. A chave constituía-se, em si mesma, numa missão para resgatar o povo a quem eu podia ver atrás das grades. A chave representava a capacidade de desbloquear as barras que as prendiam em sua prisão auto imposta. As cores representavam as qualificações de quem Deus enviou para realmente realizar o trabalho de destrancar as barras. O vermelho representa o sacrifício29, mas não da forma que eu entendia sacrifício. O conhecimento que recebi incluiu um entendimento mais completo da clemência e da expiação de Cristo, mas também simboliza a vontade de também sacrificar-se como Cristo, de estar preparado para esta missão. A fim de receber a chave e a tarefa que ela representava, precisa estar preparado para sacrificar sua vontade, seus bens terrenos, sua saúde se for requerido, ou até mesmo a vida se necessário for, para seguir o caminho que Deus ordenou de preparar a pessoa com caridade, fé, pureza doutrinaria, clara compreensão e, acima de tudo, perfeita obediência à vontade de Deus. Essa rota é a que Cristo apresentou- me, no entanto o seu sofrimento foi muito maior e por toda a humanidade. Este menor sofrimento por que passamos é para preparar o indivíduo para a sua missão específica. Levou anos para perceber que este é o motivo pelo qual o anjo chamou-o "Comunhão dos Sofrimentos de Cristo". Foi-me dado a entender que não havia outra maneira, e não há outro caminho para este tipo de serviço. Era um caminho que poderia exigir derramamento de sangue e sacrifícios de magnitude semelhante. Quando um servo de Deus segue esse caminho até o final, fica uma marca reconhecível neste servo, um brilho talvez, de retidão. É a preparação que torna impossível falhar, a qual aqueles a quem ele ou ela ministrem irão reconhecer e então seguir. 5 – Cavernas, Chaves e Chamados 124 A alça azul representava a linhagem, que imediatamente eu sabia ser o sacerdócio nos Últimos Dias30. O qual também temos ouvido ser chamado de "o santo sacerdócio segundo a ordem do Filho de Deus." O azul representa três coisas: primeiro, a aceitação e a justa magnificação do atual sacerdócio. Segundo, representa o recebimento da "plenitude" desse mesmo sacerdócio quando o merecimento e o plano de Deus o determinar. Terceiro, representa uma preordenação para esta missão de libertar essas pessoas. Só esse oficial especificamente ordenado no sacerdócio poderia manipular a chave. A alça é a forma como ela é tomada e operada. A ponta verde-esmeralda representa uma renovação e recriação da vida. A ponta é a "finalidade" da chave. Ela entra primeiro na fechadura, e deve estar perfeitamente alinhada com a fechadura para que qualquer outra parte da chave possa operar. A ponta verde assinala o pleno efeito do vermelho e do azul, do sacrifício e do sacerdócio, que, conforme descrito no juramento e convênio do Sacerdócio, traz uma renovação do corpo. É por essa razão que a ponta verde foi intitulada "Renovação e Recriação da vida." Esta renovação pode representar desde a prolongação da vida mortal até a cura de todas as doenças e ser transladado31,como foi João o amado e a cidade de Enoque. Também representa a renovação pela qual essas pessoas passam ao aceitarem Cristo como seu Salvador e já não têm medo dele ou daqueles que o representam. Eles devem aceitar as ordenanças do evangelho, que permitirão que cada um deles seja renovado e finalmente liberto da sua prisão auto imposta. A chave na minha visão é simbólica da chave que cada obreiro de Sião nos Últimos Dias irá obter para a sua missão específica. Provavelmente não irá ser entregue uma chave material a cada indivíduo, mas eles vão passar por esse mesmo processo de sacrifício, sacerdócio e renovação que foi mostrado a mim. Levou muitos anos, até há pouco de fato, para eu identificar o significado das partes da chave. Mesmo sabendo o que o anjo mostrou e ensinou-me, minha alma requereu um longo tempo para perceber como isso poderia de fato ocorrer comigo tornando-me um construtor de Sião. Eu vim a perceber que, para completar a minha John M. Pontius – Visões de Glória 125 missão na vida, eu tinha que receber esta chave na forma ordenada, ao tornar-me um membro da "Comunhão dos Sofrimentos de Cristo" e fazê-lo livremente, voluntariamente e até alegremente. Agora compreendo que é uma jornada pessoal de grandes consequências. Não é o caminho para quem busca conforto e serviço eventual. Eu não sabia nem mesmo que eu estava nesse caminho, ou que o meu sofrimento era parte integrante de qualquer outro caminho além da minha rotina de vida. Nem jamais pensara que eu era um daqueles cujo chamado pré-mortal incluía qualquer serviço especial – até que o anjo me entregasse a chave. Esta chave representa o roteiro completo e o chamado do sacerdócio. Somente com todos esses três elementos podemos reivindicar as bênçãos e a honra de servir em qualquer grande causa. Quando fazemos isso, não estamos mais servindo à Igreja, às nossas famílias ou mesmo a nós próprios, estamos servindo a Jesus Cristo diretamente e fazendo a obra do Pai de preparar o mundo para o fim dos tempos e a volta de Cristo. Junto com toda essa informação veio a confirmação de que o que eu estava vendo era real e não uma metáfora para ensinar-me por que eu estava passando por dificuldades e sofrimentos que têm sido uma grande parte da minha jornada mortal. Eu estava sendo ensinado que por toda a minha vida eu estava sendo engajado neste processo de preparação para atender às qualificações e atributos de alguém que receberá uma chave para uma parte trabalho de construir Sião nos Últimos Dias. Neste grandioso trabalho vamos libertar as pessoas da suas auto impostas prisões, sejam elas reais ou imaginárias, e trazê-las para Sião. A chave não representa um chamado para presidir ou ser um profeta nos Últimos Dias. Ele representa o processo de aquisição, por meio da Expiação de Cristo, do grau de pureza e santificação pessoal que qualifica o recebedor a servir neste grande trabalho. Trata-se de um trabalho que, como você verá em visões futuras que vou descrever, é totalmente organizado e realizado por esta Igreja do Últimos Dias. Não se trata de um caminho que conduz fora da Igreja, ou nem mesmo em uma rota paralela à Igreja, mas aquele 5 – Cavernas, Chaves e Chamados 126 que o leva ao coração da missão designada à Igreja dos Últimos Dias para preparar o mundo para o retorno de Cristo. O único significado adicional que recebi foi mostrar-me que eu realmente posso cumprir aquilo, que é realmente possível, e que eu devo procurar completar minhas qualificações e assim terminar o trabalho que o Senhor estava me mostrando ser meu. Eu devo continuar a aceitar que o curso da minha vida não estava me conduzindo para a morte física, mas sim à possibilidade de grande serviço no cenário dos últimos dias. Senti esta admoestação penetrar minha alma sem palavras, "Spencer, você está fora do seu corpo, mas não está morto. Não desista, porque essas coisas precisam ser seladas em seu coração e mente. Estas são as coisas que você me prometeu que ia fazer. Não desista. Estou a dar esta informação para sustentar sua coragem de ir em frente e lutar para realizar essas coisas. Não fique desanimado sobre voltar para o seu corpo. O seu corpo não vai impedi-lo de suas preparações. Foi necessário traze-lo aqui para dar-lhe uma significativa amostra do trabalho que você vai fazer e para prepara- lo para o quanto lhe vai custar qualificar-se para fazê-lo." Esta informação entrou na minha alma, rica de amor e empatia, mas também com profundo poder. Eu sabia que não era o meu anjo- escolta falando comigo. Eu estava apenas começando a entender, ali em pé com esta pesada chave em minhas mãos, quando o anjo disse: "O que você vê agora?”. Túnel de Luz Olhei em volta de mim e percebemos que já não estávamos diante das câmaras com grades, e eu já não segurava a chave. Estávamos em uma espécie de túnel32, e eu tinha a sensação de mover-me em grande velocidade. Eu percebera que o túnel era "vivo." Talvez fosse mais correto dizer, era uma parte do meu ser. Ele era "meu", e eu o tinha criado. O meu acompanhante sorriu novamente, "Está certo. Trata-se de um portal, que você criou. Somente você pode usá-lo." John M. Pontius – Visões de Glória 127 Eu pensei sobre isso, e perguntei, "Então, cada pessoa cria seu próprio portal antes de vir à terra?" Eu sentia o túnel como se fosse parte de mim como a minha mão ou pé. Entendi que este portal foi como eu vim a esta terra ao nascer e como iria voltar para Deus, quando eu finalmente concluísse a mortalidade. Eu podia "sentir" o túnel do mesmo jeito que se sente os braços ou dedos. Ele parecia contente, "Sim, isso é correto. Cada um cria seu próprio portal, que agora você percebe como um túnel de luz, mas que é apenas a melhor forma de você entender o que se passa com você. Trata-se de um poder divino que você aprendeu há muito tempo, que permitiu-lhe vir à terra e, eventualmente, retornar a Deus. Cada um deve criar o seu próprio." Nos movíamos sem caminhar, mas isso parecia normal e familiar. Eu sabia exatamente como me mover para frente no túnel. Era um ato da minha mente, como querer que seus dedos fechem em torno de algo. Não precisei tocar no túnel porque que foi apenas como eu percebi essa forma de viajar enquanto ainda limitado pela inteligência mortal. Eu estava movendo-me na velocidade do pensamento. A extremidade do túnel era profundamente brilhante. A luz não era proveniente do fim do túnel, mas do próprio túnel, como se ela ficasse mais divina quanto mais longe da terra evolvesse. Assim que entramos no túnel, ou portal, me senti menos mortal, com mais poder e mais divino. Eu podia falar com meu guia verbalmente ou pelo pensamento, e ele me respondia apenas pelo pensamento. Discutimos muitas coisas ao prosseguirmos através do túnel. A cada pergunta que eu pensava, eu via o evento ou coisa com detalhes perfeitos, incluindo a sua criação, existência e presente glória. Era semelhante a quando eu passei através da escrivaninha e do sofá de couro na minha primeira experiência. Essa informação entrava na minha mente em explosões de entendimento. Eu não tinha necessidade de meditar ou ponderar. Eu apenas recebia as respostas para as minhas perguntas. 5 – Cavernas, Chaves e Chamados 128 O que me lembro desta experiência hoje é que nós falamos de muitas coisas e que eu aprendia rapidamente. Não fui autorizado a reter na minha mente mortal a maior parte do que aprendi. Dobrando o Universo Eu perguntei, “a terra tem um túnel de luz?" As Escrituras nos informam que a terra é um ser vivo e inteligente. Ele respondeu, "Sim. Deus providenciou um meio semelhante para o movimento da terra para onde ela está agora." Eu então experimentei, como se de fato eu estivesse lá, como a terra "caiu" de onde ela foi criada, e transferida para o local onde ela está posicionada agora33. Eu tive a impressão de que ela levou milhares de anos para chegar. A imagem que vi pareceu-meum "dobrar" do universo. Parecia que o universo dobrou-se em torno de si mesmo, como uma espessa folha de papel ou tecido, de modo que o lugar onde a terra foi criada e o lugar para onde ia estavam em cima um do outro. A terra foi então transferida de onde ela surgiu e fisicamente "transferida" para a sua nova posição. Este movimento da terra ocorreu durante todo o processo criativo. Ao momento em que chegou, ela estava preparada para o homem mortal. Vi também que quando chegar a hora dela voltar ao seu local original, o universo irá novamente dobrar-se e a terra voltará para o local onde foi criada. A imagem que vi revelou que, embora percebamos apenas um plano de existência, há um número infinito de planos sobrepostos, ou em camadas, no mesmo espaço. Estes níveis não são realmente "universos" porque eles não são exatamente infinitas estrelas, sóis e mundos, mas referem-se à organização e à exaltação de Deus a todas as suas criações e sua imutável glória e leis para cada nível. Linguagem humana não nos fornece palavras capazes de descrever tais coisas, nem a inteligência humana dá-nos a capacidade de compreender tais coisas a menos que nossas mentes sejam abertas por um momento. Enquanto eu estava com o anjo, eu podia John M. Pontius – Visões de Glória 129 compreender tudo isso claramente. Acho que me lembro a maior parte que eu vi, porém agora tenho apenas um fragmento do entendimento do significado ou por que princípio isso ocorre. O que eu aprendi ali, e o que fui autorizado a reter, exigiu muitos anos para adquirir as palavras para descrever, até para mim mesmo. Se você considerar que esta é a única vez que eu já mencionei muitas destas coisas em voz alta, você vai entender porque eu ainda me debato em busca de palavras. Percebi que a razão pela qual os universos eram "dobrados" era por ser mais eficiente. A palavra "fácil" não se aplica porque Deus tem todo o poder, e nada debilita o seu poder ou habilidade, era apenas mais eficiente, e é a maneira como sempre foi feito. Há uma aritmética celestial sobre esta visão que é espantosa aos olhos. Percebi que este prodigioso dobrar o universo não era mágica para Deus. Era mais como uma espetacular tecnologia espiritual. Eu vi que Deus tem grandes leis, princípios e ciência, se pode entender, de como fazer as coisas em sua compreensão e poder. Eram belas de se contemplar, como uma dança divina tendo estrelas e planetas como personagens. Quando os homens fazem matemática há sempre a contaminação do erro e falhas. A aritmética de Deus é sempre impecável, e eu vi que a totalidade de suas criações recebiam sua perfeita e divina engenharia. Cada um dos universos glorificados, notei, pertencia a uma das três glórias34: Celestial, Terrestrial ou TelestialNT12. Existem outros universos, que não eram de glória. Esses eram lugares assombrosos sem glória para onde eram finalmente enviados os seres que não tinham se qualificado para uma recompensa de glória durante a sua vida. Eram de todos os tipos, de todas as descrições, e foram criados em resposta aos seus desejos. Não queriam mais nada com Deus ou a sua intervenção em suas vidas, por isso Ele deu-lhes o que eles queriam, o que quer que fosse, e aí ficarão por toda a eternidade, sem poder jamais contestar a autoridade de Deus novamente. Nossa Terra está atualmente na ordem Telestial, mas antes da era do homem, a Terra veio de um nível Celestial. Não fora ainda celestializada, mas ela foi criada lá. A transição de uma esfera 5 – Cavernas, Chaves e Chamados 130 celeste para uma esfera mortal é o que constituiu a queda, e foi realizada por esse processo de dobra. Quando uma pessoa morre ou quando tem uma experiência fora- do-corpo, como no meu caso, o próprio túnel os leva de volta para seu lugar de origem e sua estrutura original - que são ambos de natureza espiritual. Este poder de retorno a Deus é só percebido como um túnel de luz. Não é físico e não é na verdade um túnel, mas é o caminho seguro que Deus providenciou para nossos espíritos retornarem a ele. Quando completarmos essa experiência Telestial já não será necessário este túnel entre a Terra e Deus. Vamos então ser capazes, como espíritos e eventualmente como seres ressuscitados, a mover- nos instantaneamente através de vastas distâncias pelo poder de Deus que será inerente dentro de nós. Precisamos do túnel de luz, porque um mortal imperfeito não tem a capacidade de iniciar viagem como um espírito. É como deixar uma corda pendurada sobre o barranco, para que possamos subir de volta para cima, nós deixamos o túnel de luz como o nosso meio seguro de voltar para casa depois de termos descartado esse tabernáculo de carne. Pradaria e Lago Eu estava meditando sobre essas coisas ao chegarmos no final do túnel. Eu encontrei-me no meio de um belo prado. Ao redor haviam árvores crescidas de muitas variedades. Algumas estavam em flor, enquanto outras eram pesadas com frutas. A uma curta distância, um lago azul refletia o belo arranjo de árvores e arbustos além. Não havia sol no céu, e eu entendi que a luz através da qual eu percebia essas coisas era do Filho de Deus, não do sol. Eu estava consciente de que haviam diversas variedades de peixes no lago, bem como muitas outras variedades de plantas, mas sem outros animais. O prado e o lago eram impressionantes, com magníficos arranjos de flores e arbustos floridos de muitas variedades. John M. Pontius – Visões de Glória 131 Um estreito riacho fluía entre mim e o lago, e alimentava o lago logo adiante. Bem à minha direita eu vi uma cerca decorativa de cerca de um metro de altura. Ela corria ao longo do riacho a uma distância, e depois para o meu lado direito. Haviam bonitos bancos apoiados à parede a cada poucos metros. A parede era curvada nos lugares onde estavam os bancos formando um semicírculo para as pessoas sentarem viradas uma para a outra para conversar. Inicialmente, eu apenas andei ao redor olhando para a parede. Eu nunca tinha visto uma coisa dessas antes. A parede era feita de tijolos quadrados de pedra branca com uns 30 cm de lado. Sentei-me ao longo da parede em uma das bancadas e a senti dando me boas vindas, dando-me amor e louvando a Deus. Se eu não tivesse provado deste aspeto da comunicação espiritual e conexão com todas as coisas em visões anteriores, eu teria me assustado. Mas eu me senti conectado a tudo o que eu podia ver. Em experiências anteriores de caminhar através de mesas e paredes na terra, também eu tinha entendido a história das coisas, cada evento de sua existência. Com estas coisas, a parede e as árvores, não havia história, ainda assim compreendi que essas coisas eram quase eternas em sua existência. Este era um mundo espiritual e nada mudava, envelhecia, estragava ou morria; nada era arrancado, ou forçado pelo homem em alguma outra forma. Assim permaneciam como Deus os tinha criado sem alteração, sem história. Eu estava esperando o meu guia me alcançar e mostrar-me para onde ir. Ele tinha chegado comigo, mas não me acompanhara até o prado. Eu não sabia ao certo para onde ir sem ele, e aceitei que ele estava me permitindo este intervalo para experimentar este lugar. Eu não sabia onde eu estava, mas eu tampouco estava incomodado ou preocupado. Tudo foi como deveria ser. Levantei-me e caminhei até o final da parede, caminhei através do regato, e andei sobre o lago. A água no riacho e lago era cristalina. Eu podia ver facilmente o fundo do lago, o que eu nunca tinha experimentado na mortalidade por causa da reflexão ou impurezas na água. Eu podia ver os peixes nadando como se fossem 5 – Cavernas, Chaves e Chamados 132 pássaros no ar. Tudo adorava a Deus e acolhia-me. Eu andei até a borda da água e inclinei-me para mergulhar minha mão. Ela era fria, mas quando a retirei, minha mão não estava molhada. Levantei-me e pus o dedo do pé na água, mas não dentro. Eu senti como se já tivesse feito isso antes. Eu apenassabia que podia. Eu pisei sobre a água e andei uns doze passos. Eu podia olhar para baixo até o fundo o caminho inteiro. Deu-me a sensação de voar, pois a água era tão clara. Quando eu me mexia os meus pés, a água fazia marolas como na terra, mas o meu pé estava sobre uma superfície sólida e não se molhava. Eu andei de volta para a beira e para a grama, e desta vez decidi caminhar dentro da água. Eu percebi que caminhar dento d’água era algo que eu havia aprendido a fazer antes. Na Terra, a resposta natural da água é de deixar você afundar. Aqui obviamente, a resposta natural é apoiar você. Eu decidi tentar novamente. Que eu pisei na água, enfiando meu dedo um pouco mais fundo. A água veio para os meus tornozelos, e andei em um pequeno círculo com a água no tornozelo. Quando cheguei uma vez mais à margem, eu ainda estava bem seco. Eu tentei novamente, desta vez até os meus joelhos, e novamente até minha cintura. Eu percebi que eu estava realmente entrando na água, tanto quanto a minha crença me permitiu. Eu finalmente decidi a caminhar dentro da água até ficar totalmente imerso. A água não resistiu ao meu desejo, e eu andei até a cintura dentro d’água. Eu podia senti-la, mas eu não estava ficando molhado. Eu respinguei um pouco sobre minhas roupas, e ela correu, deixando- me seco. Eu andei mais fundo. Eu sabia que eu estava em espírito, e meu corpo estava em algum lugar da terra, de modo que eu não tinha medo de afogamento. Ainda assim, logo que pisei mais fundo e afundei a cabeça, tranquei minha respiração. Esperei um longo tempo antes até perceber que eu não senti falta de oxigênio. Eu liberei lentamente o meu hálito e não vi bolhas virem da minha boca. Eu cuidadosamente inalei e respirei ar, e percebi, ou tive o entendimento de que eu estava lembrando da necessidade do meu corpo por oxigênio. O espírito não tinha essa necessidade, e não John M. Pontius – Visões de Glória 133 havia ar entrando e saindo do meu espírito, embora eu tivesse a sensação de respirar. Eu andei em torno do fundo do lago por um tempo. Não houve resistência à água. Eu apenas andei tão livremente como em terra seca. O fundo do lago era como um jardim com plantas flutuantes, com belas plantas e caminhos entre elas feitos de areia. Eu tocava uns poucos peixes, que não fugiam mas irradiavam seu pequeno amor por mim. Quando eu estava satisfeito, eu andei para a margem e surgi sobre a erva. Eu olhei para trás, para o lago, muito admirado com a experiência até que eu percebi que o lago não era preenchido com H2O mas era água em estado espiritual e tinha a aparência de água mortal mas poucas propriedades da água. O mais profundo aspeto da experiência até agora foi que tudo estava louvando a Deus. O fato de não ter tido uma voz, como um som humano, mas comunicava seu amor a Deus pelo seu espírito e pela sua conexão com todas as coisas. Eu também percebi que o momento em que chegámos a este novo lugar tudo me reconhecia. Tudo sabia, reverenciava e respeitava o fato de que eu era à imagem de Deus e que eu tinha vindo de um corpo mortal. Tudo sabia que eu era um filho de Adão, e amava e me respeitava. Eu não sabia nada sobre este lugar de qualquer memória minha, mas eu me senti verdadeiramente conectado a ele. Todas essas coisas, fosse a grama ou apedra ou os tijolos do muro, estavam satisfeitos com a sua existência. Estavam contentes em ser aquilo que eram. Mas também foi minha constatação de que nenhuma dessas coisas tinha vontade. Eles não eram capazes de "querer" ser qualquer outra coisa. Todo o local e tudo nele estava consciente, cheio de louvor a Deus, mas não tinha uma personalidade, arbítrio, ou vontade de ser qualquer outra coisa. Como muitas vezes tenho observado, isto é difícil de descrever. Não há nenhuma palavra poderosa, apaixonada, explosivamente significativas para descrever tais coisas em qualquer idioma mortal, por isso confesso que tropeço um pouco nesta explicação. Quando você está em espírito, as palavras não são necessárias, e qualquer coisa pode ser totalmente descrito por um pensamento único e 5 – Cavernas, Chaves e Chamados 134 compreendidos em sua totalidade por quem quer que seja a quem você se dirija. Eu estava completamente consciente de que toda este campo e tudo o que eu experimentava estava aqui porque a vontade de Deus os tinha organizado para esta existência, nesta forma, neste lugar. Aquilo fora feito para os propósitos de Deus e permaneceu inalterado por mais tempo do que o homem tinha existido. Eles tinham ouvido a voz de Deus chama-los a assumir essa forma, e ainda ouviam seu comando. Seu propósito era como se estivessem constantemente a perguntar, "Como posso servi-lo? Como posso ser de valor para você? É por isso que estou aqui." Até mesmo as flores, quando eu as dobrava, tocava ou o cheirava, estavam adorando a Deus e expressando alegria em sua beleza só porque eu pensava comigo quão gloriosas e belas eram, uma expressão que ouviram e compreenderam. É claro, eu não presumi ter qualquer autoridade para alterá-los e não o teria tentado sob qualquer circunstância. Como eu poderia melhorar algo que já é perfeito? Tudo estava no seu mais alto nível de vida e vitalidade. Quando que eu pisei na grama, ela não foi danificada, ela apenas "recebeu-me" e sentia prazer por eu usá-la. As cores eram lindas, diferentes, e mais brilhantes do que as cores de terra. Não eram as cores que eu não acredito que o olho humano possa distinguir, mas que, se eu tivesse que nomear eram malvas em pastéis com uma magnífica variedade. Não me lembro também de ter visto outros animais que não os peixes. Este lugar era como uma pintura em que o artista queria peixes no lago e escolheu não pintar mais nada. Não era um reflexo da mortalidade. Ele era um lugar que Deus havia criado para ser exatamente o que ele era, para irradiar beleza para os sentidos para os olhos. Eu ainda estava olhando para o lago quando meu guia voltou. Ele me perguntou se eu estava pronto para ir com ele agora. Em todas as minhas interações com ele e outros anjos, sempre pediram a minha permissão para continuar. Uma vez que eu a concedia, eles muitas vezes dirigiam a minha atenção, ou faziam-me as perguntas, John M. Pontius – Visões de Glória 135 mas era sempre minha escolha ir, ficar, ou continuar. Eu disse, "Sim, eu estou pronto agora para continuar." Infância Espiritual Instantaneamente estávamos em outro lugar. Reconheci-o imediatamente. Era minha casa, onde eu tinha passado toda a minha infância espiritual3. O prédio diante de mim era imenso, estendendo-se para o meu lado direito e esquerdo, até perder de vista. Era composto de muitas belas peças. Verificaram-se imponentes arcos, altos muros, janelas de todas as formas, arquitetura deslumbrante e gloriosa ornamentação. A estrutura era feita de material rochoso, de cor branca, mas mais como pérola, com listras verticais de ouro e prata que pareciam estar se movendo lentamente em torno de veios maiores de esmeralda, como se tivessem ocorrido em pedra natural. Cada bloco de pedra era alto como um homem. Uma memória muito antiga surgiu em minha mente de ver o Pai cria-lo. Tinha chegado a sua forma atual durante um longo período - embora “tempo” era apenas a forma limitada da minha mente compreender isso. Ela era apenas uma continuação do eterno agora na minha memória. O edifício tinha tomado forma com propósito. Deus queria um espaço para me ensinar, assim, o edifício obedecia à Sua vontade. Ele amava colunas, e as representações da beleza das suas criações terrenas perto do topo das colunas ao longo do teto e sobre as portas, e tudo lhe obedecia. Percebi que alguns quartos haviam sido "criados" para ensinar-me as minhas primeiras lições de coisas que eu iria encontrar na terra. Outros tinham sido moldados para permitir-me ver e tocar em objetos para ensinar-me, tais como livros, arte, ferramentas e muitas outras coisas necessáriaspara preparar-me para viver na terra. Mais do que um prédio, era um lugar divino que tinha assumido a forma de um edifício terreno para minha educação. Ele poderia ter qualquer forma concebida por Deus. Não exigia trabalho, 5 – Cavernas, Chaves e Chamados 136 manufatura, ferramentas ou ofícios para o alterar. Ele simplesmente fluía em jubilosa obediência, em qualquer forma que Ele quisesse. O meu guia abriu uma grande porta que era feita com um único pedaço de madeira. Não haviam emendas ou junções, como se Deus tivesse solicitado uma única árvore para assumir a forma desta elaborada porta. A madeira era pintada e lindamente esculpida com as maravilhas naturais da terra: flores, animais, crianças, homens e mulheres em momentos amorosos. A sala mais além era uma passagem conhecida. Tudo o que eu via irradiada um senso de vibrante entusiasmo por eu estar de volta. As paredes e colunas eram da mesma pedra divina do lado de fora. O teto abobadado descansava sobre quatro colunas caneladas, com luz irradiando a partir tudo. O piso era mais escuro, como um mármore natural escuro de um verde esmeralda. Havia uma porta fechada à minha direita, um grande corredor diretamente diante de mim, e uma outra porta fechada à minha esquerda. O meu guia me levou para o corredor diante de nós. Era cerca de vinte pés de comprimento e terminou em uma janela em arco que parecia pérola. Parecia ser fluido, com cores branco-esfumaçadas que dançavam. À medida que nos aproximávamos, se tornou claro de modo que pude ver através dele. A sala grande para além, era novamente familiar para mim. Ele olhou para mim e perguntou-me: "Você conhece esse lugar?”. Eu disse com lágrimas de alegria descendo pelo meu rosto, "estou de volta!" Na minha mente eu pensava, Este é o lugar onde eu morava antes de nascer. Eu sabia que estava de volta ao mundo espiritual, onde eu cresci como um espírito criança. Muitas memórias e as cenas sagradas de minha infância espiritual fluíam pela minha mente, o que eu prefiro não relatar aqui. Eu estava ali por um longo tempo, nunca entrando mas assistindo e lembrando meu passado. John M. Pontius – Visões de Glória 137 Meu Quarto Quando fiquei satisfeito e novamente pronto para prosseguir, o meu guia levou-me de volta para a entrada e para a primeira porta que tinha visto. A porta se abriu para mim ao me aproximar. Reconheci-o como "meu quarto", quase como um quarto de uma criança mortal, mas não havia nenhuma cama aqui. O quarto era cerca de vinte metros quadrados, com teto alto e plano. As paredes e o piso eram do mesmo material assim como o hall de entrada, mas com cores um pouco diferentes, pendendo mais para azul e púrpura. Eu amava esse quarto, e eu sentia como se tudo fosse "meu". A única mobília da sala foi uma grande arca arredondada e posta no meio do chão. Ela foi de cerca de 1 x 1,5 metros, com uma tampa abobadada e cantos arredondados. A parte superior era um belo vermelho, com destaques de laranja escuro. Ela era feita do mesmo material do resto da casa, mas ela era mais fina e de cores vivas. As laterais do baú eram um vívido amarelo canário. Eu sabia que tinha escolhido essas cores e mudei-lhes muitas vezes para os adequar aos meus caprichos infantis. A tampa podia ser aberta, mas não haviam dobradiças visíveis. Me aproximei, e depois de caminhar ao redor, olhei ao meu guia interrogante. Ele sorriu, e eu lentamente levantei a tampa. A substância deu à minha memória mortal a mensagem de que era pesado, mas era levíssimo ao abrir. No interior haviam objetos estranhos que eu nunca tinha visto na mortalidade. Eram utensílios de formas estranhas e de diferentes tamanhos, trajes brancos e ferramentas que eu tinha usado. Eu sabia exatamente o que era cada ferramenta e objeto enquanto eu estava ali em espírito, mas ao voltar à mortalidade essa informação não permaneceu comigo. Eu percebi que eu era "dono" deles, mas também que tais coisas eram comuns à nossa experiência pré-mortal. Ainda assim, a sua ligação comigo tinham sido parte de minhas primeiras experiências. Eu escolhi cada um, olhou para eles e lembrei do que eram. Cada objeto na arca representava uma realização minha. Cada objeto representava uma conquista, uma espécie de troféu, das lições aprendidas, ordenações que eu tinha recebido, as fases de 5 – Cavernas, Chaves e Chamados 138 desenvolvimento que eu tinha alcançado. Esses objetos significavam minha dignidade e preparação para participar no objeto da lição - não apenas neste mundo, mas no mundo mortal. Estas coisas eram como certificados que me autorizavam a realmente fazer essas coisas. Cada habilidade e autoridade foi adquirida por um longo processo de qualificação e merecimento dessa autoridade. Eu tinha recebido esses objetos como símbolos de lições que havia aprendido e qualificações que eu tinha alcançado. Alguns dos objetos eram as ferramentas para ajudar-me naquela ação. Pelo que me lembro destas coisas, elas pareciam ser tecnologia divina, objetos dotados com o poder de Deus para permitir e ajudar-me a fazer algum serviço ou ação necessário, como a Liahona que ajudou a família de LeíNT13, ou o Urim e o Tumim que permitiram a videntes verem o futuro. As roupas brancas estavam cuidadosamente dobradas e era de natureza sagrada e cerimonial. Tudo era uma parte da minha matrícula à maturidade espiritual. Conforme eu os manuseava, a lição aprendida, o processo de aprendizagem e a alegria que senti na realização retornavam a mim. Eu entesourava cada objeto com todo o coração, meditava sobre eles e então os colocava cuidadosamente de volta na arca. Não havia na arca nenhum brinquedo ou objeto extravagante. Tudo tinha profundo um sentido eterno para mim. Cada objeto me reconhecia e ficava feliz em me ver e interagir comigo. Não via nenhuma razão para pressa. O meu guia estava a observar-me, sorrindo e curtindo minhas descobertas. Era como se eu tivesse uma eternidade para examiná-los. Após manuseá-las e compreendê-las, lembrei-me da natureza da sala. Eu percebi que eu possuía a capacidade de mudar o quarto em tudo o que precisasse. Se eu quisesse ler um livro que pertenceu a mortalidade, como Escrituras ou um pergaminho escrito por um profeta mortal, eu simplesmente desejava e o quarto se alterava para prover tal coisa para mim. Ele chegava no ambiente em que tinha sido utilizado, fosse um palácio, caverna, ou sobre numa escrivaninha, esta é a forma como me aparecia. Eu podia tocá-lo, segurá-lo e lê-lo. Eu John M. Pontius – Visões de Glória 139 podia sentir e até mesmo o cheirar. Não era o objeto real trazido de algum cofre de armazenagem eterno mas uma perfeita réplica ou representação espiritual do objeto. Cada objeto era perfeitamente igual ao original, incluindo todas as suas memórias e a história que um espirito individual experimentaria do objeto original. Se eu quisesse ver algo grande, como, por exemplo, o nascimento de Cristo ou a criação da terra, esse evento me circundaria. Eu poderia vê-lo, aprender com ele, interagir com ele, e ver os anjos e seres divinos que havia promulgado os eventos originais. Eu podia mover-me ao redor e vê-lo de todos os ângulos com perfeita clareza e experimentar tudo e a todos os envolvidos no evento inicial. Em suma, foi magnífico, e era a mais perfeita sala de aula da eternidade e todos aqueles que desejassem tinham uma como a minha. Lembrei-me de como uma criança passando eternidades neste quarto. Mais uma vez, não há tempo nesse mundo, e o conceito de tempo, de existência linear, era difícil de compreender então. A ideia de mudança, envelhecimento, decadência e oposição eram conceitos difíceis. Ela era como uma água-viva tentando entender de automóveis. Não houve experiências semelhantes na minha infância até então, e lembro-me de meditar sobre todos estes conceitos de mortalidade. Dizer que eu passei muito "tempo" neste quarto seria incorreto. Passei vastas porçõesda eternidade aqui. Eu nunca mudei. O quarto nunca alterou, exceto quando eu desejava. Eu nunca ficava cansado, ou sentia fome, ou me enfadava da aprendizagem. Eu estava fascinado com tudo isso e não tinha vontade de fazer qualquer outra coisa a não ser que o Pai, ou alguma necessidade, me interrompesse. Quando eu tinha uma pergunta, eu não precisava ir ao Pai pela resposta. A questão formava-se em minha mente, e o quarto mudava para fornecer as coisas que eu precisava saber. A minha educação não era aleatória; ela era programada, sequencial e ordenada. Foi a mesma sequência de formação que todos os filhos do Pai tiveram, embora eu estava ciente de que nem todos os filhos de Pai, meus irmãos, eram curiosos sobre todas as 5 – Cavernas, Chaves e Chamados 140 coisas ou prosseguiam sua educação com tanta devoção e concentração como alguns de nós o faziam. Como um menino em uma confeitaria grátis, eu fiquei nesta sala, e interagi com essas coisas por um longo tempo (falando como um mortal) até que o meu coração se contentasse. O meu guia esperou por mim, desfrutando do meu prazer. Quando eu estava pronto para ir, eu cuidadosamente dobrei de novo e guardei de volta exatamente onde estivera. Eu lentamente e reverentemente fechei o baú e fiquei ali com minhas mãos sobre sua superfície lisa. Foi um longo adeus para mim. Eu senti a minha própria alegria bem como a comunhão daqueles objetos no baú, e todos louvavam a Deus, me amavam, e ansiavam por meu regresso. Ao caminhar de volta para o vestíbulo, de repente me lembrei de meus eternos irmãos, mãe e pai. Não lembrei de mim mesmo como sendo um dentre bilhões. Lembrei-me de incontáveis irmãos, todos amavam e eram amados, mas não me lembro de repartir Pai e Mãe com eles. Eu só me lembro de ser individualmente e singularmente amado e querido. Lembro-me bem do Pai, seu poder e majestade, Seu rosto, Suas mãos, Sua forma, Seu toque e cuidado amoroso. Até hoje me lembro-me de brincar com ele, a deslizar os meus dedos nos pelos macios do Seu braço, rindo com Ele, indo para a destinos divinos, a provar futuras delícias terrenas, degustar coisas novas, ver divinos eventos, ver galáxias e eternidades refulgirem à existência sob sua mão. Pela minha memória, eu era o único presente em todas estas vezes, cada um de nós sentindo-se individualmente apascentado na infância. A maior parte da minha infância espiritual passei sob Seu cuidado amoroso, nos Seus braços, no Seu colo, no Seu coração. Lembrei-me da Mãe igualmente bem enquanto lá no meu lar pré-mortal. Ela estava presente em todas as minhas memórias, porém quase nada dessas memórias voltaram à mortalidade comigo. O meu coração se lembra do Seu igualmente poderoso amor e atenção pessoal para mim, mas não me lembro de um único evento com ela, nem o seu rosto permanece na minha mente hoje. Não sei a razão disto, mas parece ser coerente com a reverente proteção do John M. Pontius – Visões de Glória 141 Pai a Ela em todo o Seu relacionamento com a humanidade. O curioso é que parece-me correto que eu não me lembre. Por poderoso que seja o amor d’Ela, como eu me lembro ser, estou espiritualmente contente em saber apenas o que eu sei. Isso, de alguma forma está certo. Eu pedi ao meu guia para me mostrar o resto da casa. Ele concordou alegremente e levou-me para o corredor que terminava no vidro esfumaçado. Nós caminhamos lado a lado no grande corredor e nos aproximamos do vidro. Não era transparente, mas de aparência leitosa com cores que se moviam como a fumaça dentro do vidro. Olhando para ela me deu a sensação de que o vidro estendia-se a inúmeros lugares longínquos. Ele apenas continuou andando, e eu a segui-lo diretamente dentro do vidro. Eu entendi, ao atravessá-lo, que era um portal que ligava lugares distantes. Parecia que ainda estávamos na minha "casa", mas já estávamos em algum lugar muito distante. A Biblioteca Um segundo depois entramos em um quarto cheio de pessoas trabalhando em escrivaninhas. Cada mesa tinha uma grande janela à sua frente, com a mesma finalidade que o meu quarto. Eles estavam estudando as imagens e objetos na tela. Como no meu quarto, eles podiam manipular os objetos, vira-los, tocá-los, e vivenciá-los de todas as formas possíveis. Os livros que desejassem ver não precisam ser lidos. Era só tocar no livro e manuseá-lo, que ele comunicava sua plena carga de informações a eles. Um toque era suficiente, mas uma exposição prolongada era deliciosa pois permitia experimentar o livro em maior profundidade e desfrutar tudo sobre ele, inclusive a vida e os acontecimentos da vida do autor. Se o tocassem prolongadamente eles podiam sentir cada pessoa que o tinha tocado e tudo sobre elas. Lembrei-me de minhas próprias experiência e sabia que havia um ponto onde a informação não era edificante e o objeto era devolvido para a tela. 5 – Cavernas, Chaves e Chamados 142 Penso que estas pessoas eram como eu, mortais recém chegados que continuavam sua busca por luz e verdade35. Eles estavam vestidos em túnicas brancas esvoaçantes. Seus rostos brilhavam de felicidade. Haviam as pessoas transportando objetos pela sala, levando-os às pessoas sentadas às escrivaninhas. Essas pessoas estavam todas empenhadas e ocupadas, mas não apressadas. Havia uma sensação de eternidade, mas também uma agradável vontade de aprender tão rapidamente quanto possível. Eles estavam todos felizes. Aquilo parecia ser uma biblioteca central ou núcleo de informação para as pessoas aprenderem. Quando atingem algum nível de aprendizagem, eles receberam símbolos idênticas de sua educação, assim como aqueles que eu havia encontrado no meu baú. Eram estes os objetos que os instrutores levavam pela sala para oferecer aos alunos. Ao andarmos pelo quarto, havia um círculo de luz que nos precedia. As pessoas, em cada novo lugar, sabiam que estávamos vindo, quem éramos e qual nossa finalidade e necessidades - de fato, tudo sobre nós. As informações sobre o meu guia foram bloqueadas a mim, mas não aos outros no quarto. Eu nunca fui autorizado a saber quem era o meu guia nem de onde ele era. Deus, o Tempo e a Lei Me foi apresentado que Deus não habita em uma realidade limitada por tempo ou distância36. Ele existe fora do tempo e pode se mover para frente ou para trás através do constructo do tempo. Ele criou o que chamamos de "tempo" para a nossa percepção e a progressão, mas Ele não está sujeito a isso. Em qualquer lugar em suas criações, em qualquer "quando" em suas criações, Ele está lá. Ele pode e deve agir no passado, presente e futuro, mas para Ele tudo é "agora" e "aqui", diante dos seus olhos. Ele pode facilmente acelerar o tempo para seus propósitos ou parar sua progressão, tudo isso sem a nossa consciência. Uma vez que ele também pode ver o resultado final eterno de todas as coisas e todas as pessoas, ele pode John M. Pontius – Visões de Glória 143 influenciar ou alterar qualquer coisa, em qualquer lugar, e a qualquer momento que Ele deseja abençoar o eterno resultado das nossas vidas. Todas as coisas que nós aceitamos como leis mortais, como a gravidade, a física, a luz, o calor, ou a velocidade, são todas criações de Deus. Somos sujeitos a elas na vida ou na morte, mas Ele não é. Estas são "leis" que pertencem ao Telestial. Eles funcionam com o Seu comando e como Ele os decretar, mas Ele não é um prisioneiro da ordem Telestial e, portanto, Ele não está sujeito a essas "leis." Quando eu vi pela primeira vez ao Salvador, Ele se encontrava de pé acima da terra, mas estava firmemente ancorado no seu local escolhido. Essas coisas não violam a "leis" da natureza, mas operam acima delas em obediência às leis celestes. O Pai ordenou que o tempo tal como percebido pelos mortais fosse apenas "para a frente", mas ele mesmo não está sujeito a esse edital. Conforme ainda relatarei neste livro, ao nos aproximarmos da Segunda Vinda, depois de trabalharmos para servir a Deus por umlongo período e havendo adquirido uma medida maior do poder de Deus operando em um mundo Milenar, nós começaremos a ter a capacidade de trabalhar sem limitação de tempo ou distância. Foi a única maneira de realmente terminar o trabalho que nos foi atribuído antes da Sua vinda em glória. Voltando a Visitar o Meu Corpo A próxima coisa que percebi, foi estar de volta em meu quarto ao pé da minha cama. O meu corpo ainda estava na cama. Olhei para o relógio digital na mesa do meu quarto. Exatamente uma hora havia passado, mas eu tinha a sensação de que tínhamos nos ausentado por dias e dias. Eu sabia que o meu corpo já estava morto segundo o cálculo do mundo, mas eu estava tão entusiasmado com o que eu acabara de experimentar que queria acordar minha esposa e dizer-lhe tudo o que eu tinha aprendido. 5 – Cavernas, Chaves e Chamados 144 Sem linguagem verbal, o meu guia me disse que se eu queria falar com a minha esposa, eu teria de voltar para o meu corpo, e esta experiência seria concluída. Eu percebi que havia mais que ele queria mostrar-me e que não era hora de voltar para o meu corpo, mas que, por algum motivo, foi necessário visita-lo, talvez para manter forte o vínculo entre meu espírito e meu corpo, enquanto ele me levou a mais viagens em espírito. Eu disse a ele, "Se você tem mais a mostrar-me, vamos lá; eu estou pronto!” 6 – Anjos e Demônios 145 Capítulo Seis ANJOS E DEMÔNIOS Espíritos Malignos e Tentação ós não caminhamos pela porta; eu apenas encontrei-me em um lugar diferente. Estivámos em um pequeno escritório doméstico. Já era tarde da noite. Um jovem em roupas de baixo entrou no quarto silenciosamente, olhando em volta dele furtivamente ao entrar. Ele fechou a porta suavemente sem acender a luz. Ele correu para o computador e ligou-o. Ao esperar o computador aquecer, percebi um sentimento crescente de entusiasmo vindo dele. Eu sabia que a sua esposa, os dois filhos e a filha bebê estavam dormindo na casa, e que ele pretendia ver pornografia. Eu entendi isso simplesmente por estar no quarto com ele. Como em experiências anteriores, eu entendi tudo sobre ele, sua vida, suas decisões, seus desejos, sua angústia. Pude ver que ele era um homem bom, um missionário retornado, e que servia atualmente na presidência do seu quórum. O meu guia me disse, "Ele está aqui para ver pornografia37." Eu vi oito espíritos entrarem no quarto. Desses, quatro eram espíritos maus que outrora tinham sido mortais, os outros quatro eram demônios que nunca nasceram – lacaios de Satanás12. Os desencarnados pareciam humanos e usavam roupas típicas do período em que eles haviam morrido. Os demônios tinham menos substância, eram geralmente menores, com feições deformadas, o que lhes conferia um aspeto ligeiramente não-humano. Eles estavam agitados, ativos, pulando em frenesi, gritando seus comandos para o jovem em vozes excitadas. Os espíritos desencarnados pouco disseram no começo. Eles tinham pouca capacidade de serem ouvidos pelo jovem. Tentavam N John M. Pontius – Visões de Glória 146 fazer alguma coisa para satisfazer a paixão sexual que tinham desenvolvido durante a sua própria vida. Haviam espíritos de homens e de mulheres. Seu vício sexual os tinha seguido no mundo espiritual38. O vício era incessante, doloroso e impossível de satisfazer. Isso os assombrava. Eles estavam desesperados para tentar satisfazê-lo incessantemente. Estavam contentes porque iriam em breve experimentá-lo através desse jovem. Estavam determinados, observando-o, incitando-o, embora ele não os pudesse ouvir. Eles não estavam olhando para o pornô na tela do computador; eles o estavam observando de perto, colocando seu rosto no dele e gritando com ele, provocando e zombando dele. Eles não se preocupavam com as imagens; eles se importavam em partilhar da sensação física de gratificação sexual. Já maus espíritos não-nascidos estavam ali para prendê-lo, atiçá- lo e lembrá-lo da sensação que viria. Eles não se interessavam em viver sua paixão. Eles nunca haviam tido um corpo e não eram capazes de compreender a sensação; eles estavam ali para controla- lo, para fazê-lo obedecer suas palavras, para mantê-lo sob seu “feitiço” tanto quanto possível. Eles se reuniram em torno dele, esperando ele ficar totalmente envolvido no êxtase sexual que ele buscava nessas imagens. Os malignos lembravam-no de alguns sites, urgindo-o a prosseguir, sussurrando a ele como ia ser excitante. Indicaram-lhe que imagens deveria ver e como ele devia se sentir com elas. Eles argumentavam contra a sua consciência, dando-lhe muitas razões para ignorar a voz da sua consciência e continuar. Colocavam suas mãos sobre ele vez após vez, fazendo ele sentir excitação após excitação. Eles insistiam com ele, enquanto clicava no computador, a procurar excitação, a lembrar dela, a desejá-la mais do que qualquer outra coisa. Eles estavam mais interessados em mantê-lo concentrado em seu próprio corpo e na sua própria sensação tão efetivamente que ele não mais pudesse sentir seu relacionamento com Cristo, com o Espírito Santo, ou lembrar-se de seus familiares. Tudo o que ele conseguia pensar era nele mesmo e na garantida gratificação a apenas um clique de distância. 6 – Anjos e Demônios 147 Quanto mais excitado ele ficava, mais frenéticos os espíritos maus se tornavam. Eles se tornavam mais agressivos, pulando nele, batendo-lhe com as mãos e amaldiçoando. Foi uma visão abominável. Percebi de forma poderosa que todos os vícios são puramente egoístas; eles garantem a gratificação instantânea da carne. Já os relacionamentos não têm garantia, pois a gratificação e o retorno positivo de um relacionamento exigem muito esforço e cuidados. Essa é a razão por que as pessoas recorrem a vícios, pois eles são instantâneos, requerem pouco esforço e os resultados são garantidos. É também a razão por que o maligno os utiliza e os promove com tanto empenho, pois eles afastam o usuário dos relacionamentos significativos, especialmente com o divino. Eu entendi que ele tinha sido despertado do seu sono por um desses tentadores que tinham influenciando seus sonhos, urgindo-o a despertar e querer o clímax sexual. Logo que ele fez a opção de sair da cama e, de fato participar, os espíritos desencarnados aderiram. Eles foram atraídos a ele, como uma mariposa busca luz no céu escuro. Eles vieram de uma só vez. Ao aceitar a tentação e decidir fazê-lo, ele lhes havia dado permissão para entrar nele e sentir sua excitação sexual. Eu vi muitos espíritos desencarnados competindo para entrar no pequeno quarto com ele. Os maus espíritos ficaram só em quatro. Quando ele tomou a decisão de participar, todas as suas boas intenções e desejos foram imediatamente abafados pela paixão e pelo controle dos espíritos do mal. Os bons espíritos que haviam estado perto dele enquanto ele dormia foram forçados a distanciar- se dele até ele não poder ouvi-los. Finalmente, partiram, afastados por suas escolhas. Quando ele atingiu o auge da luxúria em seu corpo, um rasgo ou fresta negra surgiu na coroa de sua cabeça. No mesmo instante em que os espíritos desencarnados começaram a atacar. Pareciam jogadores de futebol americano pegando o cara com a bola. Eles esperavam compartilhar um pouco das sensações e excitação dele. Agiam como cães famintos atrás da mesma carcaça. Houve uma John M. Pontius – Visões de Glória 148 forte competição entre eles para ficar mais tempo. Cada um lutava para ser o próximo, gritando e maldizendo, empurrando uns aos outros para entrar. Assim que um ou dois espíritos entrava, nenhum mais podia entrar. Os espíritos maus gritavam e mergulhavam nele repetidamente até que um mais fraco no interior fosse expulso e tomassem seu lugar. Pareceu-me que aqueles que foram expulsos estavam esgotadas, contorcendo-se no chão como se eles mesmos estivessem em transe sexual, imitando as ações do jovem em frente ao computador. Eu tentei virar o rostode nojo, mas não podia. A imagem ficava diante de mim não importa para que lado eu virasse. Os malignos rapidamente recuperavam-se e voltavam à briga para reentrar de novo e de novo. A cobiça e o vício que estes espíritos desencarnados haviam construído em si mesmos enquanto vivos e mortais ainda os assombrava38. Eles não conseguiam se livrar da luxúria porque não voltavam-se para Jesus Cristo que poderia ter lhes curado mesmo depois que sua existência mortal terminou. Sem a sua graça, não podiam satisfazer a forte necessidade do vício. Eles não podiam escapar. Sem qualquer forma de satisfazer o vício, que lhes causava dor, e que eles caçam em todo o mundo por qualquer oportunidade de experimentar a excitação novamente, e assim diminuir a dor ainda que por um breve momento. O meu guia comunicou-me que quando esses espíritos entravam no corpo da vítima, eles não poderiam sentir plenamente o que ela sentia. Era filtrado ou amortecido para eles. Era apenas parcialmente satisfatório, e eles não podiam permanecer muito tempo por causa da concorrência. Então eles atacaram uma vez após a outra. Os espíritos desencarnados eram cercados por trevas e, ao passarem por este homem, a escuridão eles possuíram entrou nele. Ele poderia senti-la como as ondas do desejo obscuro, e ela lhe incitava a intensificar sua busca por pornô mais excitante, imagens mais duras e tenebrosas, instigando-o a seguir das imagens mais suaves às mais violentas, até mesmo perversas e vis. Ele resistiu às vezes, e eles gritaram com ele, atirando-se nele em frenesi. 6 – Anjos e Demônios 149 Quando o jovem tinha entrado no quarto, eu sabia pela luz que veio dele que ele era um bom homem. Eu podia ver a luz que possuía sendo diminuída quando ele sentou ali. Eu vi que havia muito mais satisfação nos lacaios Satanás por ele quebrar seus convênios do que por ver pornografia. Seu contentamento era maior por ele ser um homem bom do que se fosse um cara qualquer da rua que fizesse esse tipo de coisa sem precisar muita tentação. Seu triunfo foi maior, sua conquista foi mais doce, e seu controle sobre ele era mais precioso, devido ao fato de que este jovem tinha feito convênios de evitar tais coisas. Eles se deleitavam na dor que isso causaria à sua esposa e família, e que babavam pela oportunidade de finalmente afligirem a esposa com todas as emoções tenebrosas que ela iria sentir que a separariam do Espírito Santo. Meu último vislumbre desse indivíduo foi ele inclinando-se à tela, respirando pesadamente e, embora invisíveis para ele, os quatro espíritos das trevas gritavam para ele continuar, e outra dúzia de almas desencarnadas atiravam-se nele num ávido frenesi. Um dos aspetos mais dramáticos desta cena foi que esses espíritos do mundo invisível estavam oferecendo-lhe uma sensação de falso relacionamento, dando-lhe a sensação de saciar-se e satisfazer-se pela experiência. Ele estava começando a aceitar esses visitantes invisíveis como companheiros, e ele estava começando a gostar da companhia deles, recebendo sua influência para ajudar- lhe a decidir participar mais uma vez no seu mundo secreto de imundície. Na Casa Noturna A tragédia que senti por esse jovem foi rapidamente tirada de minha mente ao encontrar-me na entrada de uma balada, olhando para uma fila de jovens nos seus vinte anos perfilados para entrar. Eu podia ouvir seus pensamentos. Estavam ansiosos pela excitação que queriam encontrar lá dentro. Haviam mais espíritos malignos e desencarnados do que humanos. Eles estavam perto dos mortais, John M. Pontius – Visões de Glória 150 instigando-os a continuar aguardando, contando-lhes sobre a excitação que os esperava. Em seguida eu estava dentro. Havia muitas pessoas amontoando-se na pista de dança, dançando juntos, bebendo e fumando. Eu podia ouvir seus pensamentos, os quais foram um contínuo fluxo de obscenidades, racionalização e desejos sexuais. Muito de seu modo de pensar era mais vil e violento que suas ações. Eles pareciam jovens normais em uma pista de dança. Se eles pudessem ouvir os pensamentos uns dos outros, não teria havido nenhum comedimento mas uma cena contínua de atos bestiais. Fiquei intrigado e com repugnância. Eu não queria experimentar esta escuridão. Eu nunca tinha ido a um lugar como esse e achei esta experiência desagradável e perturbadora. O meu espírito guia permaneceu ao lado, e me senti confortado pelo fato de que ele não parecia afetado por essa cena. Tal como fora na fila, aqui haviam mais espíritos desencarnados e maus do que mortais. Tal como aconteceu com o jovem vendo pornografia, os maus espíritos se concentravam em determinadas pessoas, nos que estavam pensando e sentindo maior luxúria e ardor. Tornaram-se mais agressivos, incitando-os a ter pensamentos mais tenebrosos e a ter mais forte cobiça. Os espíritos desencarnados estavam à espera de sensações específicas que surgem no ser humano. Alguns buscavam fantasia sexual, alguns a embriaguez, alguns a euforia induzida por drogas e alguns violência e dominação. Quando os humanos chegavam a um certo estado de transe ou quando eles abandonavam-se às instruções do mal, a abertura aparecia perto da coroa de sua cabeça. Quando abria, me parecia um rasgo negro no seu espírito, semelhante ao do jovem em frente ao computador. O espírito mais próximo a eles pulava nele, sendo sugado como fumaça num aspirador. Os outros espíritos desencarnados corriam em frente, empurrando e lutando para ser o próximo. Quando um espírito mau entra em um ser humano, só se mantem por alguns segundos, ou alguns minutos no máximo, dependendo da capacidade do espírito. Quando eles eram finalmente expulsos, eles pareciam esguichar do corpo em pontos aleatórios. Eles pareciam exaustos mas satisfeitos 6 – Anjos e Demônios 151 quando saíam. Eles saiam violentamente, imitando as ações dos humanos. Quando eles percebiam que haviam sido expulsos, gritavam e imediatamente pulavam de volta na briga entre espíritos para ser o próximo. Uma vez que estivessem dentro, eles não só sentiam uma porção limitada do que seu hóspede estava sentindo, mas eles podiam ser ouvidos. A sua paixão tenebrosa aumentava o barato do seu hospedeiro. Instigavam os seus hospedeiros a fazer coisas, a incrementar seu estado e a buscar mais agressivamente por maiores sensações. Eu vi outros espíritos desencarnados indo ao redor do salão. Eles paravam para ouvir conversas, observando o comportamento das pessoas, tentando encontrar alguém mais susceptível a alimentar suas necessidades. Parecia evidente que não podiam ler os pensamentos das pessoas, mas eles foram mestres em julgar e ler suas intenções. Eles também ouviam os espíritos do mal e o que eles estavam incitando. Se alguém estava conseguia resistir às sugestões do mal, o desencarnado seguia adiante. Se alguém estava prestes a "abrir", muitos espíritos desencarnados convergiam para ele. Os espíritos desencarnados estavam à espera que os mortais fossem abatidos pelos asseclas do mal. Eles estavam trabalhando juntos. Os demônios queriam destruir espiritualmente os seus alvos, para que pudessem obter controle permanente sobre eles e não se preocupavam em nada com a experiência dos mortais. Já os desencarnados deliciavam-se nas sensações físicas dos mortais, mas não tinham vontade de dominar, apenas de prolongar a experiência. Na ótica dos espíritos do mal, conseguir fazer um mortal sujeitar-se às suas tentações dava-lhes poder sobre esses mortais. Se eles sugeriam um ato, e o mortal fazia exatamente isso, eles botavam seus anzóis um pouco mais profundos. Eles não procuravam emoção; eles buscavam o domínio da alma e, eventualmente, o controle por toda a sua vida. Eles sabiam que se eles pudessem aliciar com tanta astúcia e engano que os humanos respondessem, eles ganhariam um pouco mais controle. Este era o seu método, mas o seu verdadeiro objetivo era ganhar controle John M. Pontius – Visõesde Glória 152 suficiente para impedir o Espírito Santo de ter qualquer influência na vida da pessoa. Eles não estavam apenas tentando controlar o comportamento; eles estavam tentando capturar a essas pessoas nas correntes do inferno. Eu vi que as pessoas que já tinham sido cativas por eles dificilmente poderiam ouvir seus próprios pensamentos. A voz dos malignos havia se tornado ainda mais poderosa do que sua própria mente. Então fazem qualquer coisa mal ditada pelos controladores, mesmo que pensando que eram ideias ou desejos seus próprios que estavam seguindo. Uma vez que estes espíritos maus obtinham total controle, eles então desejavam que o mortal se afastasse rapidamente da mortalidade, para que seu domínio fosse permanente. Eles então os instavam a comportamentos perigosos, atos de violência, e até mesmo ao suicídio para apressar o dia da sua morte. Os espíritos desencarnado não estavam tentando prejudicar os seres humanos mas sim partilhar da sua excitação física e seus emoções e vícios. Eu vi espíritos que foram viciados em fumar tentavam pegar o cigarro das mãos dos mortais, repetidas vezes, como se não pudessem compreender por que razão não conseguiam pegá-lo. Por toda essa experiência, eu podia ver não apenas o que os malignos e os desencarnada que estavam fazendo, mas eu também sabia o que eles estavam pensando, tanto espíritos como mortais. Era mais do que eu podia suportar, e o cenário mudou. Na Corrida de Cavalos Em seguida me vi numa corrida de cavalos. Bem, eu nunca fui a uma corrida de cavalos, e não tinha a menor ideia de como era. Assim que chegamos, todos os pensamentos, emoções e experiências, de todos ali, entraram a minha mente com uma nitidez perfeita. Era uma grande pista com grandes estandes e milhares de pessoas. Havia a sensação de excitação no ar, que eu rapidamente percebi estar sendo promovida por dezenas de milhares de espíritos maus. 6 – Anjos e Demônios 153 Era quase a mesma coisa que acontecia na casa noturna. Os demônios estavam trabalhando para melhorar seu controle sobre os mortais através da criação desta grande distração. Embora as corridas eram menos tenebrosas e promoviam muito menos luxúria e sexualidade, ele ainda criava circunstâncias ideais para os espíritos maus para instigar-lhes a impulsivas paixões, desejos e medos, com picos de euforia e derrotas arrasadoras, que os mantinha longe do Santo Espírito de Deus. Os bons anjos eram poucos aqui, mantidos distantes pelos mortais que submetiam seu desejo ao mal. Muitas das pessoas na pista estavam ali pela excitação dos jogos de azar, que estava sendo altamente promovida pelos malignos. Muitos das pessoas haviam mentido ou enganado para estar na pista e expuseram-se aos malignos, ao fazer isso. Alguns estavam ali para beber, para enganar, e para satisfazer seu vício de apostar. Estes eram cercados por espíritos maus que os incentivavam e diziam-lhes o que se sentir, exortando-os a apostar em alguns cavalos, dando- lhes um certo sentimento de vitória, que também garantia uma derrota arrasadora. Quando ganhavam ou perdiam, os espíritos desencarnados saltavam neles para partilhar da sensação. Neste hipódromo havia maior oportunidade para os bons anjos intervirem. Nas duas experiências anteriores, as pessoas eram totalmente sugadas ao mal do momento. Aqui, algumas pessoas estavam orando. Alguns estavam orando para ganhar, alguns por ajuda com seu vício, alguns estavam orando por ajuda para como explicar a perda de muito dinheiro para sua esposa ou marido. Mesmo um pensamento de Deus, uma oração, um pedido, uma intenção de fazer o bem, um ato de arrependimento ou bondade, trazia os anjos bons. Eles podiam então cercar a pessoa, protegendo- a do mal, enquanto a atitude persistia. Tinha que haver algum ato de livre vontade de convidar os bons espíritos. Às vezes, anjos de luz sussurravam: "saia deste lugar". Às vezes, era uma sugestão, como "Você precisa ligar para sua esposa". Por vezes deram-lhes uma lembrança, talvez de uma promessa, ou de um evento na vida dessa pessoa que os incentivava a fazer boas escolhas. Daí, era o mortal que decidia. Se eles seguissem o aviso, John M. Pontius – Visões de Glória 154 a lacaios de Satanás se transferiam para outra pessoa. Luz começava a brilhar mais ao redor da pessoa, e os bons anjos falavam encorajamento. Eles tinham a oportunidade de pensar com clareza e escapar. Entretenimento O cenário mudou novamente para várias visões rápidas de mortais que buscam vários entretenimentos. Eu vi salas de cinema e casas onde as pessoas estavam assistindo televisão. Vi relances de parques de diversões, cassinos e grandes eventos esportivos. Vi pessoas a ouvir música de estéreos e fones de ouvido. Vi pessoas rindo em festas e o tempo todo curtindo com os amigos. Eu pensei ser isso coisas triviais sem nenhum significado espiritual. "Por que vocês está me mostrando estas coisas?" eu perguntei. "Qual é o significado?”. Ele respondeu que essas eram todas as formas pelas quais as pessoas inconscientemente afastam-se do Espírito do Senhor. Eu percebi em cada uma dessas cenas que os bons anjos estavam ausentes ou eram empurrados à certa distância. As pessoas, nessas cenas, estavam tão envolvidas no entretenimento que não ouviam o Espírito Santo. Eles não estavam fazendo algo maligno, mas eles não estavam ouvindo a Deus, que era o que os demônios trabalharam tão arduamente para conseguir com outros, mas estes voluntariamente isolavam-se. Vi também que demônios os incitavam a ver mais e mais conteúdo sexual ou violento. Eles estavam incitando as pessoas a ouvir a música de modo entrar em frenesi, dançar, agitar-se e rodopiar para sentir euforia sexual ou física, a se concentrar em seus corpos e beleza física – qualquer coisa, exceto Deus. Eu vi as pessoas obcecadas com o comer, e com não comer, com a dieta, com teatro, com dançar ou tocar, com moda e beleza, com o esporte, com namoro, ou com a escola e nada disso era inerentemente mal. Mas estavam tão focados nestas coisas que a voz do Santo Espírito, que eu vi sendo proferida pelos bons anjos, foi empurrada para bem longe. 6 – Anjos e Demônios 155 Uma vez que nós como mortais não podemos ver frequentemente o mundo dos espíritos, seja o bom ou o ruim, nós somos realmente ignorantes de quase tudo que acontece a nossa volta. Isso requer alguma intuição espiritual, geralmente adquirida ao custo de experiências negativas, para percebermos como a vida funciona. A vida mortal é apenas a uma tênue realidade. Os anjos vivem em um reino eterno, que é a mais brilhante e verdadeira realidade. A vida mortal vai acabar; suas vidas não vão. Eles sabem o quão imensamente importante é este pouco tempo na mortalidade, e porque eles nos amam e estão ao serviço do seu Deus, eles trabalham para ter a nossa atenção e conduzir-nos a uma vida que terminará em glória. Os Dons Espirituais Foi-me mostrado como os dons espirituais operam. Há bons dons, e há os maus dons. Escolhemos bons dons quando nos sujeitamos ao Espírito Santo. Estes são os dons de amor, alegria, paz, fé, curas, profecias, e muitos outros dons49. Quando consistentemente escolhemos obedecer àquilo que é bom, criamos uma ligação espiritual com Jesus Cristo. Ele nos transforma na sua semelhança espiritual, e aumentamos nosso brilho cada vez mais nesse processo até que nos tornamos filhos da luz, e recebemos nossa recompensa de nosso Salvador. Escolhemos os maus dons obedecendo às tentações dos maus espíritos, que é a mesma coisa que ceder a uma tentação de satanás. Escolhemos maus dons ao ceder a uma luxúria para obter alguma sensação ou êxtase. Quando nos submetemos a qualquer porção do mal, estamos a criar uma ligação espiritual, como engatar vagões; e quando permitimos que isso aconteça mais e mais, nos alteramos, escurecemos e descemos, até que nos tornarmos servos das trevas, e recebemos nosso salário do mestre das trevas.Tenho observado que há muitas pessoas que são regidas pela voz de Jesus Cristo, que são como lanternas levadas através das trevas. Eles afastam as trevas ao se aproximarem, e os anjos da John M. Pontius – Visões de Glória 156 escuridão têm que afastar-se. Seres malignos são impotentes para penetrar, e são forçados a se afastar. A mesma coisa acontece com as pessoas que são governadas pelo mal. Elas se tornam lâmpadas de trevas a afastar a luz. Eles se tornam uma força das trevas, mesmo ao andar no brilho espiritual do dia. Todos aqueles que associam-se a eles são obscurecidos por eles, e os bons anjos são impotentes para penetrar, até que essa pessoa por um ato de livre vontade pede ajuda ou ora para obter orientação. As Correntes do Inferno Eu vi que, quando qualquer pessoa manifesta até mesmo a menor partícula de fé, mesmo que apenas um pensamento ou uma ideia – qualquer coisa que o mova na direção da esperança, da obediência à verdade e da fé em Jesus Cristo – a escuridão é penetrada por uma pequena porção de luz e os anjos mais uma vez falam as palavras de Cristo com a voz mansa e delicada. Se as pessoas escolhem responder corretamente a essa voz, a escuridão começa a ceder. Haverá ainda um longo caminho e muitas mais escolhas corretas a fazer, mas o processo é iniciado. As "correntes do inferno39" são quando uma pessoa torna-se tão encantada com a sua vida de trevas que ela já não pode sequer ouvir a mansa e delicada voz dos anjos clamando verdade da distância para onde foram afastados. Quando uma pessoa sujeita-se a esse nível, ela perde a sua bússola moral e já não podem dizer a diferença entre o bem e o mal, certo e errado, amor e luxúria e, eventualmente, a misericórdia e o assassinato. O único "bem" que eles reconhecem é tudo o que os aproxime mais rápido da satisfação da sua lascívia e vícios, e nenhum preço lhes parece alto demais. O Ministério dos Anjos Eu vi os anjos de luz que são designados a nós. Eles são reais. Eles têm acesso direto à orientação de Cristo e estão ansiosamente engajados em nossas vidas. Eles permanecem conosco por toda a nossa vida, se não escolhermos as trevas com os nossos 6 – Anjos e Demônios 157 pensamentos, atos ou palavras. Sua capacidade de dirigir, influenciar e guiar-nos é totalmente controlada por nossas escolhas. Há também mais poderosos anjos de luz que são designados por Cristo a abençoar-nos em certos momentos de necessidade, como quando eu estava morrendo no hospital. Estes anjos vêm em missão, e estão em harmonia com nossos anjos designados, eles oferecem as bênçãos que Jesus Cristo deseja que tenhamos. Toda a vez que eu tive os meus olhos abertos para o mundo das coisas espirituais, haviam mais seres espirituais no recinto do que mortais. A maioria dos anjos divinos parecem ser nossos antepassados, membros de nossa família, que nos amam e que foram enviados para auxiliar-nos em ocasiões especiais. Não temos este mais poderoso tipo de anjo conosco muitas vezes. Eles vêm em designações especiais e quando há uma necessidade premente ou bênção maior para conferir. Os convidamos a nos ajudar ao rejeitar a tentação, clamar ao nome de Deus e fazer o que é certo com a mente fixa na glória de Deus. Esses anjos guias conhecem-nos bem porque estivemos associados com eles por um longo tempo. Nosso relacionamento familiar não começou com o nascimento deles ou nosso. Senti esta eterna ligação enquanto eu estava vendo o meu lar de infância pré-mortal. Nossos relacionamentos são ordenados, e eles são de eterna significância. Nosso relacionamento começou há muito tempo na família de Deus, antes do nosso nascimento e antes da criação do mundo. Amamos um ao outro por um longo tempo e servimos um ao outro em infinitas maneiras. Também é verdade que, enquanto eles eram mortais, nós amorosamente ministramos por eles. E agora eles estão ministrando por nós no mesmo ofício. Tudo o que Deus faz está de acordo com a lei e de acordo com o arbítrio. Deus não nos dota com dons para aos quais não nos qualificamos de alguma forma. Isso também é verdade para os anjos. Alguns anjos têm maiores habilidades devido a sua maior diligência e por causa da sua maior retidão enquanto eram mortais. John M. Pontius – Visões de Glória 158 Alguns anjos estão aprendendo, enquanto outros são bastante evoluídos. Alguns têm grande fé, enquanto outros têm menos fé. Olhando para este fenômeno de uma perspectiva paternal, dá- nos a capacidade de abençoar os nossos filhos e netos após deixar a mortalidade. Estes dons e forças espirituais tornam-se a herança dos nossos netos, porque quando eles escolherem a luz, estaremos esperando ansiosamente para derramar sobre eles os dons que nós próprios obtivemos na mortalidade. Esta é também a razão por que a embriaguez, o abuso, o crime, a guerra, máfia, e outros traços escuros que podem corromper o poder político, vêm de família. Estas tendências tenebrosas são transmitidas através dos séculos. Quando os nossos antepassados se veem na próxima vida como seres espirituais infelizes que ainda são almas viciadas, dolorosas e miseráveis eles procuram tornar os outros tão infelizes como eles próprios. Quando os filhos e netos seguem o seu exemplo, os "dons" obscuros são passados através das gerações. Isto pode explicar a razão pela qual algumas famílias têm sido realeza por centenas de anos, ou ricos e opressores desde o início dos tempos, ou qualquer outra sombria caraterística familiar. Isso também pode explicar por que os Profetas e Apóstolos tendem a estar relacionados, e a grandeza segue as famílias40. Por último percebi que esta era a mensagem de toda essa experiência, para ver como as trevas infestam a mortalidade através dos "anjos" malignos, e como a luz é amplificada em nossas vidas através da obediência a Deus e o ministério dos anjos de luz. Eu comecei a ter vislumbres de como as escolhas das pessoas, fazem isso acontecer. Luz, Trevas e a Terra Eu vi que a própria terra tinha sido criada perfeita e está cumprindo a medida de sua criação. Tudo nela – seu posicionamento no universo; a distância do sol; e a geração da vida, frutos, e beleza – foi tudo criado e mantido pela constante presença da luz de Cristo. 6 – Anjos e Demônios 159 As pessoas instituem governos, falsa religião, falsa ciência e falsos preceitos. Eles constroem cidades onde o mal facilmente prospera e criam universidades e escolas para promover tais coisas – toda a coleção das “filosofias de homens", suas mentiras, suas religiões, suas racionalizações e pecados. Como estes constructos e corrupções dos homens espalham-se por todo o mundo, eles cobrem o mundo de trevas, e a terra responde com agitação, devastações, inundações, fome, peste e morte. Tudo isto é como um manto de escuridão que se espalha em toda a face da terra, escurecendo a luz de Cristo, que chega a terra. Isso diminui a força que mantém a terra em ordem e uma morada própria para a humanidade. Há um processo pelo qual a terra se purifica. Quando o mal o ultrapassa, catástrofes naturais, pragas, e revoluções começam em lugares aleatórios. Quando o mal no mundo se torna tão grande que a luz de Cristo é reduzida, ela produz erupções vulcânicas, variações extremas de clima e temperatura, tempestades, inundações, terremotos e outros eventos destrutivos. Existe uma correlação direta entre as escolhas dos mortais e o estado da terra. É por isso que haverá tantos desastres naturais e a morte causada por estes atos de natureza nos últimos dias, porque a humanidade de então irá cobrir a terra de escuridão. Isso não quer dizer que um terremoto ou enchente mira nos pecadores como um míssil, ou que os lugares onde catástrofes acontecem precisavam mais da limpeza. Toda a humanidade sofre quando reina a escuridão. Enoque viu a terra chorar porque ela foi oprimida e coberta pelo mal em seus dias. Ela queria se livrar do mal e descansar no dia milenar41.Se ela estava cansada e doente nos dias de Enoque, imagine quão fatigada está hoje. Imediatamente após essa visão da terra e dos efeitos da luz espiritual e da escuridão, a cena mudou mais uma vez. Eu comecei vendo a terra passar pelas assolações profetizadas para os últimos dias. A primeira coisa que vi foram os sinais da John M. Pontius – Visões de Glória 160 Segunda Vinda sendo manifestados na terra. Esses sinais eram sob a forma de eventos no céu e na terra. Os mais visíveis eram as intermináveis catástrofes naturais. Outros sinais foram erroneamente interpretados pelo homem como inesperados mas normais convulsões da terra e eventos celestes entre os astros e planetas. Eu podia ver o mal crescer nos corações da humanidade. Vi que a terra estava em grandes apuros. Ela estava sofrendo, morrendo, perdendo a sua capacidade de sustentar a vida em sua face. Ela era como uma flor tropical que tinha sido transferida para um porão sem nenhuma luz e estava morrendo na escuridão. Não podia viver sem a luz que dá vida a tudo e a tornava bela e útil para o homem. Todas as partes da terra estavam em grande aflição. Voando Pela América Comecei a mover-me através do mundo, voando como se eu estivesse num veloz helicóptero, perto da terra. Eu podia ver cada detalhe abaixo de mim. Eu não estava em uma máquina, é claro mas eu via a partir dessa perspectiva. O meu companheiro espiritual estava comigo e guiava nosso voo. Entramos e saímos das cidades em toda a América do Norte. Eu vi que nessa época que me estava sendo mostrada, a estrutura financeira do mundo tinha desabado completamente. Todos os bancos tinham fechado e o dinheiro não tinha valor. As pessoas estavam aprendendo a troca e o escambo. Indústria e produção praticamente pararam. Não havia matérias-primas ou dinheiro para pagar os trabalhadores. Fábricas e companhias globais fechavam da noite para o dia. Serviços públicos estavam no caos. As pessoas tentavam manter o funcionamento dos serviços vitais, mas eles eram esporádicos e quase sempre parados. Haviam apagões por todo lado, alguns deles por vários meses. Quase toda a água era imprópria para beber por causa de atos de guerra contra este país. O povo sofria em toda parte. 6 – Anjos e Demônios 161 O meu voo em toda a América do Norte começou em Salt Lake City. Tinha havido um enorme terremoto no outono daquele ano. Tentei determinar que ano era, mesmo durante a visão, mas não consegui. Procurei nas vitrines por um calendário ou data. Até mesmo olhei nos relógios das pessoas para ver se eles mostravam o ano. Não fui autorizado a saber quando essas coisas devem acontecer. Tudo o que posso dizer é que na visão Salt Lake City parecia muito como é hoje. Haviam modelos de automóveis que eu não reconheci, e outras pequenas alterações, mas considerei como ocorrendo não muito distante no futuro. A falha existente ao longo do Wasatch Front havia se movimentado drasticamente, causando enormes danos para as cidades ao longo do Front. Na terceira parte desta experiência, que relatarei no próximo capítulo, voltei para Salt Lake City e encontrei- me em minha própria vida, em meu próprio corpo, vivendo estes acontecimentos. Por isso, vou voltar para esses eventos quando descrever a terceira parte da visão. A Próxima Primavera Eu vi que na próxima primavera depois da destruição em Utah, houve outra devastadora série de terremotos que ocorreram ao longo da costa oeste da América do Norte e do Sul. A costa oeste da Califórnia, México, e todo o caminho até a ponta da América do Sul, foi tão terrivelmente abalada que boa parte dela se separou do continente e formou uma série de ilhas ao largo da costa. O mar invadiu os cânions entre a terra e as ilhas. Grandes cidades foram derrubadas e o interior sofreu menos danos. O mesmo tremor estendeu-se até a costa do Canadá e continuou todo o caminho até o Alasca42. Eu não vi os efeitos dos terremotos ao norte dos Estados Unidos, mas suponho que a destruição foi em igual medida. Este terremoto enviou tsunamis por todo o mundo. Não me foi mostrado o que aconteceu na América do Sul, Europa, Ásia ou África. Mas suponho que foi uma catástrofe mundial. Pelos eventos que relatarei no próximo capítulo, eu suponho que a Europa não foi John M. Pontius – Visões de Glória 162 tão gravemente afetada por terremotos como a América do Norte, porque esses países enviavam grandes quantidades de socorro e suprimentos para a América após os terremotos. Dois Meses mais Tarde Cerca de dois meses depois, outro terremoto abriu uma garganta aproximadamente onde hoje fica o Rio Mississipi, mas desviava para leste onde o Rio Mississippi atualmente funde-se com o Rio Ohio. Ela seguia o Ohio até os Grandes Lagos. O Rio Ohio e o restante do Rio Mississipi desviaram para dento dessa garganta. Criou-se um novo e imenso sistema de lago e rio perto de onde o Rio Mississipi é agora. Essa garganta essencialmente dividiu o leste do oeste dos Estados Unidos, isso figurou em intrigas internacionais mais tarde. Em seguida "voei" sobre a parte inferior da Califórnia rumo ao Golfo do México. Quase toda a Califórnia estava em ruína, com menos destruição longe do litoral. Eu vi que uma grande extensão territorial emergiu no Golfo. Estendia-se desde o México até a Florida, e consistia de um pequeno número de grandes ilhas que substituíram parte do oceano no golfo. Não me lembrei de olhar para Cuba. Em alguns lugares, a nova terra juntou-se ao México, Texas e Flórida, mas houve também um grande mar separando da América a maioria dessas novas terras. Eu não vi de onde a terra veio. Ela se levantou do fundo do Golfo, ou foi empurrada por terremotos do norte da América do Sul. A terra não era toda desolada, mas grande parte dela tinha árvores e vegetação. Algumas partes eram apenas ilhas lamacentas. Eu não consigo explicar de onde ela veio. Esta grande extensão territorial criou um tsunami provocando imensa devastação em direção ao norte até Chicago. Cerca de dois terços do Golfo era agora uma série de grandes ilhas. Eu não vi o dano causado no resto do mundo, mas só posso supor que foi extenso. Eu então "voei" pela parte superior da Flórida e costa leste dos Estados Unidos. Os abalos sísmicos não atingiram esta parte tão 6 – Anjos e Demônios 163 fortemente, de modo que a infraestrutura estava mais intacta. Mas houve um ataque biológico, e havia mais morte no leste e nordeste do país do que nas áreas afetadas pelo terremoto. Eu vi corpos empilhados em praças da cidade e cidades abandonadas por causa do cheiro da morte. Haviam gangues de saqueadores entre o povo pilhando e roubando em todas as cidades. Estavam assassinando todos que encontraram para preservar o que restava dos recursos para si próprios. Eram como os sobreviventes em um bote salva- vidas lançando os mais fracos ao mar para sobrar mais comida e água para os mais fortes. Foi uma cena horripilante. O cenário era violento e repugnante. Ao escrever este livro, foi- me mostrado o texto da visão do Presidente John Taylor de eventos semelhantes, onde a fome e a morte estavam por toda parte. Fiquei surpreso com as semelhanças, embora o sofrimento foi visto mais graficamente na visão da Presidente Taylor. (Veja o Apêndice A para o texto completo do sonho.) Tropas Estrangeiras Eu vi tropas estrangeiras desembarcando no litoral leste e oeste da América. Houve dezenas de milhares delas. Eles vieram em navios de grande porte, alguns deles antigos navios de cruzeiro sob escolta. Eles desembarcaram com milhares de veículos, a maioria deles carregados com suprimentos de socorro, mas também com grandes tanques e lança-mísseis. Eles usavam capacetes azuis- verdes, e presumi que eram as tropas internacionais de socorro. O meu corpo mortal é daltônico, e eu não tenho certeza se vi corretamente a cor dos capacetes na visão. Eu não vi muitas tropas em grandes cidades como Boston, Chicago e Nova Iorque, poisnão havia quase ninguém lá para socorrer. Aqueles que não morreram estavam marchando para o oeste, fugindo das cidades. Na Califórnia, alguns americanos tentaram lutar contra as tropas porque os consideravam invasores. Houveram algumas batalhas onde a população local foi derrotada e subjugada. As tropas estrangeiras não castigaram os sobreviventes; eles só pediram para John M. Pontius – Visões de Glória 164 que eles cooperassem, os alimentou-os e os libertou. Isso aliciou as mentes das pessoas. Vi também que as tropas estrangeiras vieram com a expetativa de que eles teriam que matar os moradores, embora os norte-americanos não estavam em condições de resistir- lhes. John M. Pontius – Visões de Glória 165 Capítulo Sete TRIBULAÇÃO E PLENITUDE Terremotos e Inundações inha seguinte constatação era que eu estava no meu corpo, em pé no estacionamento subterrâneo do Edifício dos Escritórios da Igreja. “No meu corpo” quer dizer eu não estava mais voando pelo continente, mas agora era um participante na visão. Mais uma vez pareceu real para mim. Eu tinha posse de todos os meus sentidos e percebi essas coisas em detalhes perfeitos. Como na vida cotidiana, eu era sujeito aos acontecimentos em minha volta. Embora o que eu iria ver ainda não ocorreu, no entanto eu estava ali vestindo um terno, carregando uma maleta, e caminhando por este conhecido estacionamento subterrâneo. Eu estacionei ali muitas vezes quando eu tinha participava de reuniões mensais do meu chamado. Na minha nova situação, lembrei-me que eu estava voltando de um encontro com um membro do Quórum dos Doze. Eu estava contente, com um cálido Espírito comigo. Cheguei no meu carro, que era um modelo diferente do meu atual (em 2011). Acabara de chegar à porta do carro quando o solo começou a tremer violentamente. Eu pensei, é um terremoto dos feios! não terei tempo para sair da garagem com o meu carro! O prédio vai cair em cima de mim antes de eu chegar! Eu estava a alguns metros da saída, então larguei minha maleta e corri para fora. O solo movia-se violentamente abaixo de mim. M 7 – Tribulação e Plenitude 166 Caí várias vezes mas, quando me levantava, eu não estava ferido. Cheguei à Avenida North Temple, então vi água jorrando da terra. Faço uma pausa na minha narrativa um instante para dizer que eu tenho estado doente toda a minha vida. Correr, mesmo que curta distância iria normalmente me esgotar. Mas nessa visão, eu não estava cansado, nem ferido pelas repetidas quedas, e nem exatamente com medo. Percebi que eu estava diferente; meu corpo tinha sido melhorado de alguma maneira indefinível. Embora tudo isto parecesse verdadeiro, eu sabia que estava passando por uma visão, e perguntei-me se o meu corpo aprimorado foi um efeito desta visão. Eu não entendi o que eu estava sendo exibido até muito mais tarde. Agora, de volta à North Temple. O terremoto tinha arrebentado as ruas e, das fissuras na estrada, água esguichava para o alto. Água era também jorrava dos bueiros, bocas-de-lobo e de rachaduras na terra. Jorrava para cima com tamanha força que espirrava por todo lado, me deixando encharcado. Era água fresca, surpreendentemente limpa e clara. Em toda parte onde eu podia ver, gêiseres de água pulverizada com um ruído ensurdecedor no ar. Eu me perguntava, "De onde vem essa água toda?" Só poderia especular. Eu virei para leste e subiu o morro. A água rugia da Temple North abaixo, inundando e aumentando a cada momento. A água já estava pelas minhas canelas, e corri para cima contra a corrente com uma surpreendente energia. O lado leste de Salt Lake City fica centenas de metros mais alto de onde fica o Templo, e eu corria para o terreno alto. O chão continuava a arfar, e caí muitas vezes, mas a cada vez não me feria. Vi carros com pessoas sendo varridos rua abaixo juntamente com mobílias, pedaços de casas, cadáveres e lixo de todo o tipo. Foi uma cena pavorosa. Não havia nada que eu pudesse fazer para ajudá-los. Cai mais uma vez e fui arrastado pela enxurrada. Me segurei nos destroços e mantive minha cabeça acima da água. John M. Pontius – Visões de Glória 167 Todo esse tempo eu me perguntava de onde saiu toda essa água. A água jorrava a uma altura de dois metros. Era espantoso. Me encontrei flutuando para oeste, rumo à antiga estação ferroviária Pacífic Union. Haviam pessoas de pé no alto da escada observando a enchente correr ao redor do prédio, tentando ajudar quem boiasse mais perto. Eu flutuava em direção a elas e alguém puxou-me para as escadas, e outros me ajudaram a levantar. Descobri que minhas calças tinham sido arrancadas de mim. Estava descaço. Fiquei ali só de camisa, gravata, meias e roupa de baixo. A estação de trem foi inundada por cerca de 30 cm de água, que desceu a poucos centímetros com o passar das horas. Os sobreviventes comigo incluíam mulheres, crianças e homens. Assistimos o alagamento até que o sol começou a cair. Percebemos que íamos passar a noite na estação e tentamos preparar um lugar seco onde poderíamos dormir. Tentamos escorrer a água para fora dos lugares em que ficaríamos, enfiamos cobertores sob as portas para tentar segurar a água que ainda estava fluindo sobre a soleira. Para mim, a estação ferroviária parecia um barco afundando prestes a submergir. Ainda haviam alguns centímetros de água fluindo ao longo dos túneis. Encontramos lugares secos e nos sentamos sobre os bancos de madeira tentando nos secar. Lembro-me de sentir frio e tentar dormir nessas bancadas. Em uma das áreas de armazenagem, encontramos alguns pequenos cobertores, provavelmente sobraram da época dos três de passageiros. Encontramos também travesseiros pequenos anteriormente usados para dormir no trem. Nos aproximamos e tentamos nos cobrir com aquilo. Alguém encontrou um depósito cheio de macacões de operários. Eram azul-desbotado, feito uniforme de zelador. Estavam limpos, mas não eram novos. Encontrei também um par de sapatos que serviu quase justo. Na manhã seguinte, descobrimos que a inundação tinha baixado. Haviam muitas poças e uma variedade incrível de detritos por todo lado, incluindo corpos e partes do corpo, o que era perturbador. 7 – Tribulação e Plenitude 168 Me ocupei de ajudar as pessoas na estação de trem, tentando prover por nossas necessidades imediatas. Alguém encontrou uma cozinha e uma espécie de polenta, que misturamos com água e comemos frio, com os dedos. Todos os serviços de telefones e celulares estavam inoperantes. Não havia luz elétrica ou água encanada, por isso estávamos realmente no escuro. Cerca de 14:00 ou 15:00 naquela tarde, resolvi caminhar de volta a casa. Teria levado metade de um dia de caminhada rápida, mas a minha viagem durou três dias inteiros por causa da devastação, ruptura de estradas, árvores e edifícios caídos. Tive que fazer muitos desvios. Sempre que eu encontrava alguém em necessidade, me unia a eles no seu trabalho. Eles me ofereciam comida e assistência para meu caminho de volta para casa. A devastação foi incrível e aterradora, mas não houve saques ou egoísmo. A cidade havia mudado; velhos monumentos sumiram. Fiquei desorientado pois os sinais, os edifícios e até mesmo árvores que eu havia utilizado para guiar-me até em casa por muitos anos, tinham sumido. Eu tinha que ficar sempre pedindo por informações e procurando quais estradas ainda estavam abertas. Eu viajei ao sul uma longa distância antes que eu pudesse outra vez virar para oeste e, em seguida, ao norte para a minha casa. Eu provavelmente andei 32 km para cobrir oito. Eu olhei para cima e vi que a montanha atrás da cidade tinha desmoronado. Os cumes das montanhas tinham deslizado sobre as partes superiores da cidade, enterrando a maioria dos casarões nos flancos acima da cidade. Quando eu finalmente alcancei minha vizinhança, eu andei até a rua onde morava. Eu não conseguia ver gente em nenhum lugar. Todos tinham abandonado seus lares. Ascasas foram arrastadas e empurradas para fora de suas fundações. A minha casa estava tão retorcida que do lado de fora eu podia olhar o porão abaixo. Eu percebi que não estava mais habitável e seria perigoso entrar. Não encontrei minha esposa ou qualquer dos membros da família. Voltei mais tarde com ajuda, e desci ao porão para recuperar o nosso armazenamento de comida e alguns objetos pessoais, mas eu nem John M. Pontius – Visões de Glória 169 tentei subir à parte superior da minha casa. Simplesmente fui embora. Todo o terremoto durou apenas de seis a oito minutos, mas pareceu horas. A enchente subiu por cerca de oito horas e, em seguida, começou a recuar. Depois disso, a água permaneceu nas ruas e empoçada em locais baixos por várias semanas. As poças de água logo ficaram fétidas e podres. Havia água inundando Salt Lake City da região de Bountiful. Não tenho certeza se um reservatório se havia rompido, ou o que poderia ter causado isso. Houve inundação vinda do sul, onde o Rio Jordan transbordara, presumo que pelo Lago Utah que por sua vez fora inundado pela água de reservatórios acima de Provo e outras áreas. Toda esta água desaguava no grande Lago Salgado, deslocando a água salgada para o deserto a noroeste do lago. O lago estava pelo menos duas vezes o tamanho que é hoje, subiu cerca de quatro metros de profundidade. Fazendas e residências nas planícies sumiram. Em alguns lugares, a água cobria a rodovia I-15. Toda a área do aeroporto foi inundada e levou meses até que aviões militares pudessem pousar. Não acredito que linhas comerciais foram jamais restauradas. A maior parte dos habitantes da área em geral não acreditava que este fosse um "sinal" da vinda de Cristo. Apenas consideravam- na uma catástrofe natural. Um grupo central mais forte continuou a ouvir o Espírito Santo e a crer e interpretar corretamente os "sinais" que viam. Mas haviam muitos, tanto na Igreja como fora da Igreja, que estavam irados, desalentados e sem esperança. A liderança da Igreja foi atingida tão severamente quanto a população em geral, e uma vez que toda a comunicação parou, levou várias semanas até ouvirmos alguma coisa oficial da Igreja. Os membros dos Doze e de outros quóruns que estiveram viajando em designações e ficaram isolados pelo colapso da comunicação em todo o mundo. A primeira coisa que soubemos da Igreja foi que alguns dos alimentos que recebemos das tropas estrangeiras tinham o logotipo da Igreja. Isso confortou-nos, mas ainda assim foram 7 – Tribulação e Plenitude 170 semanas até confirmarmos que a liderança da Igreja e a sua organização local e internacional não havia desmantelado. Não sabíamos se o profeta ou qualquer dos doze tinha sobrevivido. Isso assustou muitas pessoas e levou alguns a se levantar e tentar reorganizar a Igreja segundo suas próprias ideias. Aqueles que tinham o Espírito sabiam que o processo de reedificação da Igreja e restauração dos quóruns do sacerdócio estava em andamento, mas não sabíamos quase nenhum detalhe. A reestruturação da Igreja foi dificultada inicialmente por não se saber quem havia sobrevivido em Salt Lake City e em todo o mundo. Sem a voz do Profeta entre nós, um sentimento de discórdia e contenda cresceu na Igreja. As pessoas se irritavam sobre quase tudo, e alguns eram egoístas com os recursos restantes. No entanto, muitos eram firmes e fiéis através de todas essas discórdias e conflitos. As igrejas de todas as denominações, incluindo as estacas e alas, responderam bem aos eventos, organizando esforços de socorro entre o seu povo, alojamento e alimentação às pessoas, proporcionando conforto e segurança. A Igreja teve um papel proeminente no esforço de reedificação, dado que a Igreja e o seu povo eram tão bem preparados, mas as outras igrejas uniram-se em um esforço conjunto. Eu estava entre aqueles que iam de porta em porta, escavando sobreviventes e enterrando os mortos. Por vezes, fomos movidos a dar bênçãos do sacerdócio, e aqueles que tinham fé eram salvos, alguns com curas milagrosas. Mas, principalmente, enterrados os mortos e levamos comida e água para os desprovidos. Eu estava realmente admirado que muitos bons Santos dos Últimos Dias tinham pouco ou nenhum alimento armazenado. Mas não os julgamos. As pessoas com fé, que tinham guardado comida, deram-no livremente e juntaram-se ao trabalho de salvar aqueles que sofriam e de preparação para o inverno que se aproximava. Nós, corremos para fechar em casas danificadas e para encontrar meios de aquecer as casas. Pegamos materiais das casas danificadas para reparar as antigas. Muitas famílias se juntavam em uma casa. Foi um esforço hercúleo. John M. Pontius – Visões de Glória 171 Nesse período, uma grande coluna de veículos militares chegou na cidade. Eles tinham vindo para ajudar. Eles usavam capacetes azuis e tinham insígnias internacionais em suas portas, capacetes e uniformes. Nossos líderes cívicos locais já haviam tentado organizar os esforços de socorro, mas esse esforço terminou quando as tropas estrangeiras assumiram o comando. Somente a Igreja e nossos amigos cristãos continuaram organizados e comprometidos. As tropas estrangeiras eram de muitas nações. A maioria dos grupos não falavam inglês. Haviam grupos que pareciam asiáticos. Não os reconhecíamos por sua língua ou por seus uniformes porque eles estavam todos vestidos iguais. Haviam tropas de países da Europa também, mas não encontrei nenhum da Inglaterra. Houve também membros norte-americanos, do que restou das forças armadas americanas. Dependendo da sua posição, às vezes eles eram líderes destas divisões; na maioria das vezes não eram. Eles vieram em caminhões grandes, esquisitos – muito maiores do que nossos veículos militares atuais. Alguns dos veículos tinham quatro ou cinco eixos tracionados e eram demasiado grandes para uma única faixa de uma autoestrada. Eles tinham vindo da costa oeste da Califórnia e percorreram uma grande área de devastação. Seus veículos estavam cobertos de lama e mostravam evidências de utilização em condições extremas, mas pareciam resistentes e confiáveis. Os caminhões estavam cheios com um grande carregamento de alimentos, suprimentos médicos, combustível, e outras necessidades. Agradecemos ao vê-los chegar, mas era inquietante ao mesmo jeito. Eles ocuparam várias escolas, como sua sede e utilizavam os ginásios para armazenar suprimentos, que eram vigiados atentamente. Também montaram hospitais com médicos de verdade. Eles foram logo sobrecarregados com feridos. Aqueles de nós que foram não feridos se apresentaram como voluntários para ajudar no trabalho. Eles ficaram pela forma como muitos vieram para ajudar. Eles nos deram luvas e casacos e nos acolheram. Eles encontraram maquinário pesado e logo começaram a cavar grandes valas comuns nos fundos das escolas. 7 – Tribulação e Plenitude 172 Haviam muitos ex-missionários entre nós e, assim, pudemos mais ou menos nos comunicar com os visitantes. Eles informaram- nos que grande parte da Europa, Ásia e África, tinham sido poupados dos principais efeitos dos sismos e maremotos. A maior parte da devastação ocorreu na América do Norte e do Sul. Eles disseram que tinham chegado da Califórnia, em centenas de navios e imediatamente se ocuparam com essas pessoas para estabilizar as coisas, e, em seguida, eles tinham rumaram pra o leste. Disseram- nos que um grande esforço de socorro tinha desembarcado na costa leste e dirigiam-se para o oeste. Nós aprendemos que cada grande cidade que eles visitaram estava devastada. Eles relataram que, como eu tinha visto durante na minha visão “aérea”, o litoral da Califórnia se tinha fragmentado em uma série de ilhas. Eles também nos disseram que mais tropas e suprimentos estavam a caminho vindos de todo o mundo. Disseram-nos: "a América sempre foi generosa conosco em caso de catástrofe, e agora é a nossa vez de responder." Eles pareciam verdadeiros no seu desejode ajudar, mas eu não podia ver luz no seu semblante, e desconfiava profundamente dos seus objetivos a longo prazo. Creio que a maioria de nós sentimos dessa maneira. Não muitos dias depois que chegaram, começaram a limpar as ruas dos escombros e removeram os carros para que os esforços de socorro pudessem mover-se mais eficientemente para o sul. Eu estava em um dos primeiros grandes caminhões quando fomos ao sul para ver quão longe podemos ir além Salt Lake City, e que os esforços de socorro seriam necessários. Inicialmente, os estrangeiros, e especialmente os poucos militares norte-americanos em suas fileiras, ficaram impressionados com o que a Igreja tinha feito. Eles disseram que nenhuma outra cidade que haviam encontrado até então havia feito tanto, ou estava melhor preparada para uma catástrofe desta magnitude. Essas novas tropas foram de grande valia para nós em nossos esforços de recuperação. Eles não demoraram muito tempo para se organizar e logo haviam equipes de socorro indo para cima e para baixo das ruas, proporcionando assistência aos cidadãos. As tropas também deixaram de Salt Lake City seguindo ao sul à área do Vale John M. Pontius – Visões de Glória 173 de Utah, que também foi duramente atingida pelos terremotos, mas tiveram apenas pequenas inundações onde os reservatórios localizados haviam rompido. Os trabalhadores de ajuda local uniram-se a vários grupos dessas tropas estrangeiras. Nós trabalhamos com eles e andávamos em seus veículos para nossas tarefas. Nós atuamos pelas ruas vicinais, através de zonas residenciais, aproximando-nos do Immigration Canyon. Fizemos uma parada em cada casa para ajudar as pessoas, prometendo que outras equipes estavam logo atrás de nós. Ainda estávamos em área residencial, a poucos quilómetros de Point of the Mountain, quando eu percebi que a vista parecia errada. Não se viam mais árvores ou postes de energia na direção ao sul. Reduzimos e nos aproximamos com cautela. Nós não podíamos acreditar em nossos olhos. Adiante de nós, o chão tinha cedido. Eu andei até a borda e olhei abaixo para dentro do buraco. Calculo que o solo tinha baixado uns 15 metros ou mais. A área abaixo estava debaixo d'água, com destruição total. Dava para ver que nada sobrevivera. Ficamos ali meditando por um longo tempo até que o líder militar disse-nos que era hora de partir. Voltamo-nos e saímos. O sol estava se pondo no mais belo pôr-do-sol que eu já vira. A atmosfera estava cheia de pó, o que criou os mais vivos vermelhos e laranjas imagináveis. Estávamos nos afastando quando uma hipótese formou-se em minha mente. O terremoto não teve seu epicentro no meio de Salt Lake City, mas aqui, onde esta terra tinha cedido. Aparentemente, ela acobertara um enorme lago subterrâneo. Há uma grande falha que corre bem ao longo da base da montanha, e menores falhas que saem perpendiculares a essa. Aparentemente uma dessas fissuras leste- oeste cedeu e derrubou esta extensão de terra para o lago subterrâneo. Sem nenhum lugar para ir, exceto para cima, a água tinha seguido as fissuras do terremoto para as galerias pluviais até jorrarem para o alto dentro da cidade. Eu não tenho certeza se isso é realmente o que aconteceu, mas é uma possível explicação para a água proveniente do subsolo. 7 – Tribulação e Plenitude 174 Esta área que cedeu eventualmente formou um novo lago de água doce que fluía para o Rio Jordan e, em seguida, ao Grande Lago Salgado, que agora passou a ser de água fresca. Levou um par semanas para a água escorrer para fora da cidade. Continuamos a seguir as bordas de onde a água cedia, levando socorro e enterrando os mortos. Quando pudemos finalmente ver o Templo de Salt Lake e o Centro de Conferências, descobrimos que o templo tinha sido inundado cerca de oito metros de altura, até às janelas redondas. Ele ainda era majestoso e sólido. O antigo Tabernáculo foi-se. Apenas o alicerce e umas poucas madeiras ficaram. O Edifício Memorial Joseph Smith e o Edifício dos Escritórios da Igreja continuavam de pé, mas haviam danos pela água no piso inferior. O Centro de Conferências sobreviveu com danos pouco mais do que o alagamento nas áreas de estacionamento e nas salas menores. O auditório principal inundou parcialmente, mas a maior parte foi facilmente recuperado. A inundação cedeu rápido o suficiente, para que ninguém ficasse preso nos edifícios mais altos mais do que alguns dias. Um Peste Devastadora Por essa época, uma doença devastadora varreu a nação43. Ela veio em três ondas. Cada onda era mais virulenta, matando pessoas mais saudáveis, e matando mais rápido. Elas varreram toda América do Norte e do Sul e em todo o mundo, matando bilhões. Mas as tropas que chegaram pareciam ser na sua maioria imunes a ela, embora alguns deles morreram dela. Do total da população antes do terremoto, estimei que 25 por cento morreram da praga. Eu soube quando estava "voando" que a praga havia sido criada por homens, e as tropas foram inoculadas contra ele, mas levou muitos meses até que os sobreviventes da praga percebessem a verdadeira fonte. Vou falar mais sobre este flagelo no próximo capítulo. A anarquia começou a diminuir com os bandoleiros sendo capturados e sumariamente executados pelas tropas. Eles não tinham qualquer respeito pelos direitos civis, ou mesmo pelos John M. Pontius – Visões de Glória 175 direitos humanos. Eles tinham um trabalho para fazer, e eles o faziam isso com a força bruta e pouca empatia, o que pode ter sido necessário nesse cenário, pelo menos no começo. Quando as tropas chegaram a região de Salt Lake City, eles elogiaram Igreja e surpreenderam-se com a extensão do socorro e restauração alcançados. Mas com o passar das semanas eles tornaram-se menos e menos tolerantes. Eles começaram tirando proveito de qualquer caos existente. Por causa do colapso da autoridade civil, a Igreja tornou-se o único grupo organizado restante. A Igreja fora responsável por reconstruir e reorganizar e não parou só porque os esforços de socorro tinham chegado. Esta foi a primeira cidade onde as tropas haviam entrado que não abdicara do controle dos assuntos civis em favor das tropas estrangeiras. A organização da Igreja parecia frustrar os seus planos de manter o controle. Em um curto espaço de tempo tornou-se evidente que o seu principal objetivo foi o de estabelecer seu próprio governo no lugar dos governos federal e local. Quando eles encontraram a igreja organizada e funcionando como um governo genuíno, que frustrava seus planos, e também criava uma cisão em suas fileiras, em grande parte por origem nacional. As poucas tropas dos EUA entre eles se recusaram a agir contra a Igreja, assim como muitos da Europa. Alguns dos soldados que resistiram eram membros da Igreja. As tropas da Ásia não foram dissuadidas e a partir de então decidiram que a Igreja era um inimigo e tinha que ser fechada ou destruída. Mas eles não podiam simplesmente destruir a Igreja, por causa das tropas que discordavam, e pelo fato de que quase todos os sobreviventes eram membros da Igreja ou agradecidos a ela por suas vidas e bem-estar. Uma quantidade considerável de propaganda impressa começou a chegar do que parecia ser o que restou de nosso Governo Federal. Eles anunciavam com grande alarde que este era o início de uma "nova ordem mundial", alegaram que tudo tinha mudado no mundo. Pela a primeira vez na memória, os Estados Unidos já não eram capazes de atender às suas necessidades básicas, e o resto do mundo estava acolhendo-nos para este novo mundo. A 7 – Tribulação e Plenitude 176 lógica utilizada foi: "Por que outra razão eles estariam aqui com alimentos e medicamentos, em vez de com armas e bombas." O nosso próprio governo parecia convidar todos os cidadãos norte- americanos a sujeitar-se e aceitar as mudanças na autoridade civil. Não demorou muito tempo para a maioria das pessoas concluir que nosso Governo Federal deixara deexistir e que essa propaganda foi criada pelas tropas estrangeiras. A atitude de quase todos mudou de alivio e aceitação para desconfiança de que essas tropas estrangeiras eram um exército invasor. Houve um enorme crescimento de locais de resistência e desconfiança. Especialmente na área de Utah, as pessoas achavam que eles vieram para destruir nossas liberdades e nossa Igreja – o que resultou sendo verdade. Algumas pessoas começaram a secretamente desobedecer às suas novas "leis." No entanto, quem escutasse o Espírito Santo sabia que resistir a esses soldados não era a vontade do Senhor. Ele tinha a sua própria agenda, e aqueles que lhe deram ouvidos só observavam e esperavam no Senhor. As tropas estrangeiras primeiramente travaram uma campanha de propaganda, tentando destruir a confiança das pessoas na Igreja. Eles fizeram isso, publicando mentiras e acusações. Eles se infiltravam nas nossas reuniões locais ou pagavam pessoas para obter informações sobre o que estava acontecendo nas alas e estacas locais. Em seguida, criavam algum tipo de tumulto, apenas para ver quem era fiel à Igreja e que seria fiel à autoridade estrangeira. Eles passaram leis declarando que a Igreja não tinha autoridade em assuntos civis. Em seguida, falsamente acusaram e prenderam os líderes-chave por envolver-se em assuntos civis. Isso era crime contra as novas leis. Alguns destes líderes foram executados publicamente, o que drasticamente obscureceu o humor do povo para com as tropas. Num curto período de tempo, eles efetivamente baniram a Igreja de todas os assuntos civis. Uma vez que eles não poderiam distinguir um "Mórmon" de outras pessoas apenas por olhar por olhar para eles, eles tornaram ilegal a qualquer americano ocupar uma posição de autoridade em matéria civil. O humor de alguns dentre o povo tornou-se rebelde, e juntamente com as tropas que haviam deserdado das forças John M. Pontius – Visões de Glória 177 estrangeiras, fugiram de suas casas para as montanhas. Eles tomaram armas e provisões com eles e periodicamente atacavam as tropas estrangeiras. Os seus esforços foram pouco inspirados, pois logo em seguida foram mortos ou capturados, ou mesclaram-se novamente na sociedade. O resto das pessoas silenciosamente voltou-se para a oração e a fé, e davam ouvidos para a liderança da Igreja. A Igreja começou a funcionar em silêncio para realizar a missão do Senhor e não tinha medo das tropas, mas também não os provocava. Eu nunca vi um grupo oficial do exército americano ou Guarda Nacional. Descobri mais tarde que as armas nucleares foram detonadas para destruir grandes instalações de defesa em todo o país e em Utah. Houve um primeiro ataque contra os Estados Unidos, e veio sem aviso prévio. Nesse período, a mesma praga que devastou boa parte da costa leste chegou em Utah ao se alastrar por todo o país. As tropas estrangeiras trouxeram equipamentos para lidar com a contaminação, como se estivessem esperando pela epidemia, e poucos deles adoeceram. Como eu disse, descobrimos mais tarde que essa peste foi criada por homens, e as tropas tinham sido inoculadas contra o patógeno que causou a peste. As tropas estrangeiras estavam preparadas em outras formas. Eles tinham pôsteres impressos 1 que eles exigiam que todos afixassem na porta da frente. 1 Quando Spencer descreveu esse cartaz da epidemia para mim, eu não consegui imaginá-lo. Eu pedi-lhe para fazer um esboço do que e percebi que ele estava desenhando um símbolo da ONU, e o círculo com a linha diagonal foi um símbolo internacional para "não." Desenhei a imagem acima e mostrei-a a Spencer. Ele disse, "onde você encontrou?" eu perguntei, "isto está correto?" Ele respondeu, "é exatamente como me lembro dela! Onde achou?” Já que aparentemente era essa mesma, achei que valeria a pena incluir no livro. É também de grande interesse, que na visão do John Taylor, gravado no Apêndice A, no final deste livro, ele descreve emblemas ou sinais de luto em cada porta, "em toda a terra, e em todo lugar". 7 – Tribulação e Plenitude 178 O sinal era um círculo preto com uma linha diagonal no meio, dentro de uma grinalda de louros. O sinal tinha a palavra "PRAGA" em letras vermelhas impresso atrás a linha preta. Havia uma linha de adesivos brancos, numerados na parte inferior do cartaz. Haviam instruções no cartaz. Nós devíamos colocar um adesivo no lado esquerdo do cartaz sobre a linha preta indicando quantas pessoas estavam vivas na casa. Quando alguém morria, marcávamos o número de mortos no lado direito do cartaz sobre a linha. E então, mudávamos o número dos vivos. Os adesivos podiam ser reutilizados sempre que necessário. Era um momento de terrível aflição quando alguém tinha de mudar os adesivos. Muitas vezes, as pessoas estavam em volta da porta da frente, chorando e orando por forças apenas para mover os adesivos. Quando os soldados chegavam, eles passavam em cada casa e apontavam uma pistola leitora no cartaz. A pistola estava ligada a um computador portátil que recordar cada casa por sua posição no GPS. Se os números haviam mudado, indicando uma outra morte, puxado para a sua garagem. Foram-nos dados sacos e fomos instruídos a colocar nossos mortos na varanda de trás ou no quintal, e eles vinham recolhe-los no fim da tarde. Quando a praga estava em sua fase mais mortal, que levava dias, ou mesmo semanas, para os caminhões alcançarem John M. Pontius – Visões de Glória 179 as ruas mais afastadas. Estavam mais preocupados em controlar o centro da cidade e só deixaram a área quando todos os mortos tinham sido recolhidos. Quando uma pessoa contraia a peste, ela tinha muitas pústulas na pele, semelhantes a cravos. Estas cresciam em tamanho e quantidade até que quase todo o seu corpo estava coberto por elas. Eles adoeciam muito rapidamente. O prurido e a dor eram intensos. Pouco antes da morte, a pústula rebentava e escorria. Este líquido era extremamente contagioso. Todos os que o tocavam adoeciam. Aprendemos tudo isso pela triste experiência. Muitas pessoas que sabiam que iam morrer fechavam-se nos sacos para cadáveres antes das pústulas abrirem, para poupar seus entes queridos de ter de lidar com seus corpos. Estes foram dias tenebrosos. Os muito jovens e muito velhos morriam primeiro. Aqueles que tentavam ajudar os outros se contaminavam ao tocar o fluido, morriam em seguida. A praga, por fim, matou mais de metade daqueles que foram expostos a ela. Algumas pessoas sobreviveram por alguma imunidade natural ou intervenção divina. Assim que os sintomas apareciam, a pessoa morria cerca de doze horas mais tarde. A praga chegou em três ondas, cada uma delas atingindo o grupo mais fraco de pessoas. Se você adoecia e, de alguma forma sobrevivia, você ficava imune. Os militares que atendiam os mortos vestiam trajes brancos anticontaminação. Eles tiravam os corpos dos mortos para parques ou estádios de futebol onde haviam cavado imensas valas. Os mortos eram, em seguida, embebidos em combustível e cremados. As tropas não falavam conosco, pois a maioria deles não falava inglês. Eles eram frios e apáticos. Eles só tinham aquela tarefa desagradável que eles estavam determinados a realizar sem contaminar-se e sem enlouquecerem com tanta morte. Eles também não nos perseguiam. Tudo era impessoal. Quando eu tinha visto estas cenas enquanto "voava" sobre a paisagem, eu vi cidade após cidade em toda a nação onde estes 7 – Tribulação e Plenitude 180 cartazes estavam nas portas. Não entendi o que significava até que eu vi nesta última parte da visão onde eu estava em solo vivendo como participante. Eu fiquei com a impressão de que entre o terremoto e a praga, mais de metade da população tinha morrido, mais no litoral e menos no interior. A cena tornou-se mais e mais horrenda conforme eu assistia o tempo passar. Em Utah, e outros lugares onde as pessoas tinham dado ouvidos às advertências para armazenar alimentos e preparar-se espiritualmente, havia esperança. Em outros lugares, as pessoas perderam a esperança. Algumas pessoas intencionalmente contaminaram-se com a peste depois de assistir seus entes queridos morrerem. Em lugares onde as pessoas não tinham esperança, coisas terríveis aconteceram que eu acho melhor nem contar. Basta dizer que crimes hediondos eram comuns. Em áreas densamente povoadas, a fome e a sede levaram as pessoas a fazer o impensável, cumprindo muitas profecias destes tempos a que Cristo se referia a como a "abominação da desolação." A civilização estagnou, em expectativa pelo fim de toda a vida, e as pessoas desesperavam-se em voz alta, dizendo que Jesus Cristo estava atrasando sua vinda até depois do fim de toda a vida na terra. Em tudo lugar onde a Igreja era prevalente, as pessoas se deram muito melhor devido à preparação do povo e da Igreja. Alimentos e água ainda estavam disponíveis. Grandes refeições foram preparadas e servidas em locais públicos, que na maioria eram igrejas. As pessoas tinham, pelo menos, uma boa refeição por dia. Muitos vieram com mais alimentos do que consumiam, sustentando o esforço de socorro e acalmando o medo. Ninguém se rebelava. Nós dividíamos o que tínhamos com todos. Conquanto a Igreja não participasse na vida cívica e decisões, as tropas estrangeiras permitiam esses esforços e contribuíam para que a comida fosse servida. As Igrejas, SUDNT14 e outras, organizavam-se em famílias nos alojamentos. As tropas traziam água em grandes caminhões-pipa. Água era racionada, mas era abundante. A comida era simples. Eu não via muita carne; a maioria eram alimentos armazenados da população local e da Igreja. John M. Pontius – Visões de Glória 181 Se alguém adoecia, havia um protocolo onde um médico ou enfermeiro local se certificava de que era a praga e, em seguida, as tropas estrangeiras o levavam para os hospitais maiores. As tropas continuaram a exercer mais e mais controle, incluindo a criação de lei marcial e a suspensão das liberdades civis. A aplicação de suas leis novas se dava por um aviso, pela recusa de comida e serviços complementares para sua família, ou pela pena de morte. Eles não mantinham prisões. Foi por este tempo que a praga atingiu a Europa, Ásia e África. Não creio que tenha iniciado lá ou que houvesse intenção de que lá chegasse, mas ela ficou fora de controle e cruzou os oceanos. A devastação foi muito mais grave do que nas Américas. O resultado ao longo do tempo foi um colapso total da sociedade. Também ouvimos de grandes catástrofes naturais já em curso em todo o mundo. Houve furacões, tornados, inundações, terremotos, e doença. Este foi o período em que a massa de terra surgiu na região do Golfo do México e a tsunami varreu tudo em direção norte. Inicialmente, os Estados Unidos da América foram mais duramente atingidos por tudo isso, mas quando as assolações atingiram a nações que tinham lançado a praga e detonado as armas nucleares, foi muito mais destrutivo sobre eles. Ruíram inteiramente todos os seus governos, instituições financeiras e suas economias. Tiveram fortes terremotos e movimentos continentais, e seus motins e guerra eram muito mais devastadores do que na América. As pessoas estavam tentando deixar os continentes m multidões. Como eu vou explicar mais detalhadamente mais tarde, anjos e seres transladados ministravam pelos dignos e fiéis e os protegia ao encetarem sua jornada a Sião. A Marca da Besta Em todas as minhas visões, eu nunca vi alguma marca nas pessoas, ou ouvi pessoas falando de serem obrigadas a receber uma marca ou microchip para comprar e vender. Era verdade que cada um de nós tinha um número no nosso nome, e esse número era 7 – Tribulação e Plenitude 182 necessário para qualquer transação de vulto, tal como a compra de uma casa ou obter crédito. Isso pode ter sido parte da marca. Mas o que eu vi foi que nós nos marcamos espiritualmente44. Esta marca começou talvez trinta anos antes da tribulação, quando a contracultura do politicamente correto começou, e o ataque aos valores e tradições cristãs começou. Em um primeiro momento, parecia tão inofensiva que era ridícula, como uma doença a que todos nós imunes. Em breve, no entanto, ganhou novas cores como significando compaixão, lealdade, aceitação, tolerância e igualdade. Daí, ela evoluiu em poder, com a capacidade de pegar qualquer verdade e repintá-la como uma mentira, ou pegar qualquer mentira e colocar-lhe uma nova etiqueta como verdade. Submeter-se a essa linha de pensamento e sair de sintonia com Espírito Santo marca- nos com trevas. É uma marca que colocamos na nossa própria alma. Não era visível para outro homem, mas quem se havia marcado desta forma não podia discernir o Espírito Santo, e eles encontraram-se completamente dependentes das tropas estrangeiras, que na verdade não tinham interesse a longo prazo na sua sobrevivência. Quando as tribulações começaram era quase impossível àqueles que haviam recebido a marca da besta ver mão de Deus buscando levá-los à segurança. Eles estavam cegos para a única coisa que poderia socorrê-los, e muitos acabaram perdidos. Sinais da Segunda Vinda O inverno que chegava era ameno. O céu estava carregado de cinzas, fumaça e vapor. O sol ainda parecia tão quente quanto antes, mas o clima era ameno. Impressionantes poentes e nascentes abundavam. Muitas vezes parávamos para e assistir, imaginando o que significavam. A neve não apareceu naquele inverno, o que foi causa de grande alívio e de maior sobrevida. A maioria das pessoas não tinham meios eficazes de aquecer qualquer um dos edifícios em que viviam. A atmosfera da terra parecia diferente desde então. Um processo de purificação estava ocorrendo. Embora estivéssemos enfrentando John M. Pontius – Visões de Glória 183 grande devastação, a água ficou mais clara e limpa nos rios e lagos. Você podia exergar a uma grande distância no fundo dos lagos. A terra estava sendo aparentemente limpa e purificada. Muitas pessoas comentavam e se admiravam dos grandes "sinais e maravilhas" que se manifestavam sobre a terra e o céu45. Vimos diferenças nas constelações, o que nos fez indagar-nos se a terra estava saindo de sua órbita normal. Isso causou pânico mundial quando observado pela primeira vez, mas havia tanto medo entre os Santos. Nós sabíamos que mão de Deus estava sobre nós e que estes eram os "sinais da segunda vinda" que o mundo tinha esperado tanto para ver. Ressuscitando um Menino Morto Uma das minhas lembranças favoritas daqueles momentos na visão era de estar no porão de uma antiga Igreja SUD em Salt Lake City. Estávamos cantando ao redor de um piano quando a esposa do correu para o quarto e pediu a mim e a alguns outros para subir e abençoar o bebê, que recém adoecera. Apressei-me ao andar de cima e examinei o menino sem tocá-lo. Eu não vi os, agora familiares, sinais da peste nele. Ele tinha cerca de dois anos de idade, com cabelos loiros. Seus olhos azuis estavam abertos, absortos. O seu corpo era magro pela dieta pobre. O seu rosto era sarapintado, com veias transparecendo, como se ele estivesse sufocado. Ele não estava respirando e não tinha pulso. Ungimos a criança com óleo consagrado. Sua mãe pediu-me para pronunciar a bênção. Vários outros irmãos juntaram-se a mim. Depois de uma curta pausa para ter certeza de que estava a ouvir o Espírito Santo corretamente, e para dar a minha coragem um momento para alcançar a minha fé, eu disse: "Tommy, em nome de Jesus Cristo, eu te ordeno que fique curado. Em nome de Jesus Cristo, amém." Foi uma curta bênção, só aquelas poucas palavras. O menininho instantaneamente despertou da morte, teve uma inspiração profunda, e começou a chorar. Sua mãe chorou de alegria 7 – Tribulação e Plenitude 184 e tentava confortar seu filho. Sua aparência rapidamente se tornou normal e em pouco tempo ele voltou a brincar. Plenitude do Sacerdócio Nós que tínhamos participado naressuscitação do garotinho conversamos por um longo tempo sobre isso, porque nós tínhamos dado bênçãos de sacerdócio centenasa de vezes desde que as catástrofes começaram, e descobrimos que não tínhamos poder para parar a praga, e só ocasionalmente pudemos levantar os mortos. Tivemos maravilhoso sucesso contra algumas outras aflições, mas nunca como um milagre como este. O Espírito Santo operou em nós, e nós percebemos que agora tínhamos a plenitude do sacerdócio30. Nos regozijamos e rapidamente começamos a passar de pessoa em pessoa na Igreja e comunidade, curando a maioria deles. A alguns não tivemos permissão para curar, porque isso não era plano do Senhor para eles. Não questionávamos porque dávamos as bênçãos como o Espírito ditava, e seguíamos em frente. O Espírito Santo dizia-nos para onde ir e a quem devíamos curar. Daí em diante, 100 por cento das pessoas que administramos a foram curadas ou retornaram da morte. Nenhuma palavra pode descrever o alívio e a alegria que sentimos ao seguirmos de porta em porta. Tínhamos certeza em nossos novos dons, e a nossa fé em Jesus Cristo era profunda. Sabíamos que podíamos, e o fazíamos. Trabalhamos dia e noite para administrar pelo povo, ao mesmo tempo admoestando cada pessoa envolvida para evitar revelar essa mudança para as tropas estrangeiras. Outros grupos de portadores do sacerdócio descobriram a mesma bênção, e uma grande restauração da saúde física e emocional das pessoas rapidamente aconteceu. Esse novo poder deu grande esperança e coragem entre os Santos. Este foi um poderoso evento unificador entre nós. Fez-nos fortemente coesos e unidos – unos de coração. A coragem e a fé não foram apenas restauradas, mas elas foram amplificadas e eram visíveis diante de todos. Nós já sabíamos, naquele momento, que John M. Pontius – Visões de Glória 185 iríamos sobreviver, e que Deus estava começando a fazer milagres para salvar-nos. O dia dos milagres tinha começado. Neste momento, tivemos também um aumento no trabalho missionário. As pessoas de outras religiões podiam ver com olhos abertos pelo Espírito Santo que os milagres estavam acontecendo. Curou a muitos deles e a seus filhos. Eles queriam saber o que tínhamos que nos fazia diferentes. Nós lhes ensinamos, e muitos deles com gratidão se juntaram a nós e começaram o seu próprio ministério milagroso nos últimos dias. Começamos a receber instruções e atualizações regulares da Igreja. A lista de vítimas entre os Irmãos foi publicada e nós choramos a perda substancial de nossos amados líderes. Eu me lembro da maioria dos nomes dos mortos e dos sobreviventes, pois as repetimos entre nós muitas vezes e oramos por suas famílias. Mas optei por não revelar seus nomes. A vida chegou a uma espécie de equilíbrio. A peste estava quase no fim nesta parte do mundo, apesar de ainda acontecer noutros países. Nós tivemos um certo grau de restauração da sociedade, e tínhamos aquele maior poder do sacerdócio. O nosso coração voltou-se para a reedificação, especialmente da Praça do Templo. Andei até lá centenas de vezes para ajudar na limpeza. O Templo tinha sido inundado cerca de oito metros, como já mencionei, e apenas oficiantes dignos foram autorizados a entrar. O meu trabalho dentro do templo era um doce prazer à minha alma. Houve um senso de unidade e propósito entre aqueles que se reuniram para reparar e recuperar os jardins do templo como eu nunca sentira antes. Não houve desespero, nem discutições, nem opiniões contrárias, apenas fraternidade e solidariedade. Aqueles cujas vozes eram de fúria não juntaram-se a nós nesta parte de nossa reedificação. Já haviam passado vários meses desde a inundação, e perto de outubro, mas não estava frio. O céu estava tão cheio de detritos que não esfriava. Suponho que esta foi uma real mostra do aquecimento global. Provavelmente ele salvou as nossas vidas. Temos trabalhado 7 – Tribulação e Plenitude 186 na lama e em edifícios encharcados o dia inteiro e, no entanto, não sofríamos de frio. Notei que eu tinha uma grande reserva de energia e mais força física do que eu jamais tivera em minha vida. Eu tomava cuidado para não exibir esses pontos fortes abertamente mas para trabalhar constantemente e ajudar os outros a remover árvores ou estruturas caídas, eu era capaz de fazer muito mais do que os outros percebiam. Observei que muitos outros em nossos grupos tiveram habilidades similares. Pelo menos metade deles eram mulheres. Nós rapidamente aprendemos a reconhecer outras pessoas que estavam começando a se transformar. Não havia brilho ou sinal exterior, mas houve uma essência ou aparência em nós que outros como nós podiam ver. Não falávamos um com o outro sobre o que se passava conosco porque nenhum de nós realmente entendia. Conferência Geral Perto do fim do ano, a Igreja anunciou que haveria uma conferência geral e um serviço fúnebre geral de todos os mortos, inclusive Autoridades Gerais, no Centro de Conferências no primeiro domingo de Outubro. Todos nos alegramos, mas também choramos por nossos entes queridos. Todos os meus filhos tinham-se mudado para outras partes do país antes das tribulações começarem, e eu não tinha a menor ideia sobre o seu bem-estar. Eu nunca vi a minha esposa novamente. Lyn infelizmente pereceu no dilúvio ao primeiro dia, e eu sentia profundas saudades. Mas cumpri meu luto por ela com uma sensação de grande alívio. Ela não estava bem naquele momento. Esta vida nova que tem sido demais para ela. Eu estava feliz por ela não ter que passar por aquilo, e eu sabia que ela estava totalmente envolvida em abençoar seus filhos em sua nova posição. Eu também percebi que ela olhava por mim e que estava consciente das mudanças que estavam acontecendo em mim. Ofereci-lhe um comovido adeus, sabendo muito bem que não muito longe no futuro eu iria abraçá-la novamente quando Cristo finalmente retornasse. John M. Pontius – Visões de Glória 187 Os representantes da Igreja passaram pelos trabalhadores na Praça do Templo, e em seguida, de rua em rua, distribuindo ingressos para esta próxima conferência. Haveriam quatro sessões da conferência. Os bilhetes eram tiras de papel rasgado. As sessões foram distinguidas por bilhetes brancos, azuis, verdes e vermelhos. Foi-me entregue um bilhete vermelho, o que indicia a última sessão do dia. No dia da conferência, já que ia na última sessão, subi as escadas para o piso superior do Edifício Memorial Joseph Smith e encontrei um lugar na janela onde está hoje o restaurante. Eu estava olhando diretamente para a estátua do anjo Morôni e o jardim abaixo. Cada centímetro da área abaixo estava cheio de gente. Eles tentaram vestir traje de domingo, mas a água era escassa para lavar e suas roupas estavam um pouco manchadas. Esta foi a primeira vez, desde a inundação, que eu estava dentro de um prédio alto, e fiquei chocado com tanta destruição ainda evidente, tanto quanto eu podia ver. A Igreja colocou telões ao lado do templo e em outros prédios para que as pessoas pudessem ver e ouvir a qualquer sessão de conferência que quisessem. Havia gente demais para que todos pudessem sentar dentro, mesmo com quatro sessões. O povo espalhava-se nas ruas. Todos poderiam ouvir a transmissão em alto-falantes, e a maioria podia ver os telões. Grandes áreas foram reservadas para a preparação e serviço de alimentação, uma vez que agora quase tudo era feito comunitariamente. As tropas estrangeiras desocuparam a área para dar espaço. Não havia necessidade de polícia porque a harmonia e a unidade eram tão fortes que mesmo eles podiam sentir. Não havia carros nas ruas. Nada se movia. A eletricidade não tinha sido restaurada, mas eu podia ouvir os geradores funcionando próximos aos telões, adiante do Centro de Conferências. No prédio em que eu estava, havia eletricidade, mas a maioria das salas ficava no escuro. O dia raiou claro e morno. As pessoas abaixo só precisavam de paletós ou malhas.7 – Tribulação e Plenitude 188 A primeira sessão da conferência foi um serviço fúnebre. Todos os nomes dos Autoridades Gerais que eram confirmados mortos foram lidos. Eu fiquei chocado com tantos nomes de conhecidos que haviam perecido; alguns eram meus conhecidos e amigos de longa data. No Centro de Conferências haviam dezoito caixões vazios abaixo do suporte, representando os muitos mortos que haviam sido enterrados semanas ou meses atrás. Houve uma sensação quase elétrica do Espírito Santo no meio de nós. Choramos pelos mortos fiéis, mas também sentimos que algo maravilhoso iria acontecer nesta conferência. Não havia nenhum medo, nenhuma discórdia, apenas um senso de antecipação e poderosa união. Quando a primeira sessão terminou, o próximo grupo de fiéis entrou no Centro de Conferências, e uma sessão um pouco diferente foi aberta. Os mortos foram mencionados, mas sem cerimonial. Alto-falantes ensinaram poderosos princípios do evangelho e instruíram-nos sobre planos para reconstruir e reagrupar. A terceira sessão foi no final da tarde. Ela também era diferente das sessões anteriores, bem como falou sobre o futuro da Igreja e o futuro do mundo. Foi anunciado que a sessão final não seria transmitida e convidaram as pessoas reunidas do lado de fora para retornar a suas casas. No momento em que a terceira sessão evacuou o Centro de Conferências, o sol estava baixo no céu. Tomei o elevador para baixo, no porão. Eu entrei através do túnel e cheguei bem ao lado do batistério do templo. Eu saí pela porta junto ao mastro da bandeira e entre o Templo e onde o Tabernáculo costumava ser. Encontrei muitos outros com bilhetes vermelhos atravessando a rua. Não havia nenhum tráfego, por isso, andamos em frente como a frente de um exército. Estávamos todos vestidos de roupas de domingo, mas a maioria de nós estavam um pouco sujos e manchados pela falta de água e as condições nas ruas. Eu entrei para o Centro de Conferências e apresentei o meu bilhete. Irmãos às portas conduziram-me para a sessão e dirigiram- me para o andar principal. Eu estava feliz por ocupar um lugar mais próximo da frente no andar principal. O Centro de Conferências John M. Pontius – Visões de Glória 189 cheirava úmido mas não mofo. Os pisos estavam secos, mas danos pela água eram evidentes até uns três metros nas paredes. As autoridades gerais já estavam no púlpito. Apenas um irmão sentou-se nos três lugares reservados para a Primeira Presidência. Eu reconheci todos dos Doze que permaneceram. Eu continuei a olhar os bancos à minha direita do púlpito e reconheci outros dos Doze, com muitas cadeiras vazias. Ao meu lado esquerdo do púlpito sentaram-se muitos irmãos que eu não reconheci imediatamente. Continuei a estudá-los com atenção. Pude sentir o Espírito mais forte dentro de mim, e, de repente, percebi que uma das pessoas no púlpito era Joseph Smith Jr., o profeta da Restauração. Talvez os meus olhos chegaram a ele mais cedo porque ele estava vestindo um terno de linho, camisa branca e uma gravata cor de linho. Todos os outros usavam ternos escuros. Ele parecia bastante diferente das pinturas e estátuas que eu tinha visto dele, mas sua identidade veio para mim ardendo como um raio de revelação. Eu simplesmente sabia quem ele era. Ele se assentou, estudando o a congregação diante dele. Acho que reconheci John Taylor e Brigham Young, mas eu não estava inteiramente certo porque eles estavam mais jovens do que pareciam nas fotos que eu tinha visto deles. Convenci-me de que alguns dos outros no estande eram seres ressuscitados, embora eu não soubesse os nomes deles. A conferência começou como qualquer outra. O Apóstolo sênior sobrevivente pôs-se em pé deu boas vindas e anunciou a primeira parte da reunião. Sentados nas suas habituais poltronas vermelhas estavam cerca de metade do Coro do Tabernáculo. Em vez de se agrupar para a frente, eles se sentaram em seus lugares habituais, deixando evidentes as lacunas entre eles em homenagem aos que morreram. Eles se levantaram e cantaram. A oração seguiu- se e o coro cantou novamente. A eletricidade falhou algumas vezes durante o coro, fazendo o som de sua voz baixar, aumentar e baixar de novo. Após isso, eles nomearam os novos apóstolos que iriam preencher os lugares vagos no Doze. Reconheci alguns destes 7 – Tribulação e Plenitude 190 irmãos, mas não todos eles. Eles anunciaram a nova Primeira Presidência, e os novos irmãos encaminharam-se para seus lugares. Foi-nos pedido o apoio para esses chamados, e o fizemos com braços levantados e exclamando "sim!" O que eu nunca tinha antes ouvido na conferência, mas foi espontâne e cheio de alegria. A primeira pessoa que falou foi o meu amigo dos Doze, que já tinha morrido há muitos anos. Emocionei-me de vê-lo mais uma vez e chorei, pois o amava e tinha saudades, mas também porque ele estava aqui, falando nesta conferência com outros dignitários do passado. Foi um poderoso sinal desses grandes dias agora alvorecendo. Ele falou do cumprimento de tudo o que os profetas haviam predito. Ele testificou de Cristo em termos tão poderosos que eu sabia e todos sabiam que ele tinha visto a Cristo e esteve nos seus braços. Ele leu as Escrituras sobre o cumprimento das dispensações, mas ele mudou algumas palavras de modo que, em vez de falar do futuro, eles testificavam de coisas presentes. Joseph Smith Jr. A autoridade presidente, em seguida, anunciou que tinha uma pessoa especial que iria dirigir-se a nós. Então ele introduziu Joseph Smith Jr.46, que se levantou e andou até o púlpito. Ele era mais alto e de ombros mais largos do que eu tinha imaginado. Ele ficou em silêncio por um momento, olhando para toda a vasta assembleia. Quando ele falava, sua voz era leve, pura e inabalável. Sua voz tinha o poder do conhecimento absoluto subjacente. Entendemos que sua fé e conhecimento eram perfeitos. Ele tinha o domínio do uso do idioma e era capaz de falar com cores e poder de descrição que poucas pessoas possuem. Juntamente com o fato de que fomos infusos com o Espírito Santo, você pode entender por que ficamos tão enlevados por ele. Ele teceu as elocuções proféticas das Escrituras e seu próprio testemunho juntamente com tanta eloquência que ninguém pôde duvidar ou negar a sua verdade e poder. Além disso, estou certo de que cada alma presente já fluía luz e a verdade, e o seu testemunho brilhou em nosso entendimento e nos deu mais motivos para nos alegrar. John M. Pontius – Visões de Glória 191 Estava tão silencioso no prédio que você poderia ouvir alguém inalar. Eles não queriam sequer que o som do seu coração os fizesse perder uma única palavra. Todos os olhos estavam colados nele, cativos pela sua presença. Houve uma luminescência de justiça sobre ele. Ele nos deu boas vindas e deu seu testemunho do Salvador. Ele virou-se e reconheceu as autoridades viventes e deu o nome de cada um deles. Ele verificou que tinha sido chamado por Deus e que ele não estava ali para assumir, ou ser o atual profeta. Ele disse que ele teve sua própria designação em relação a edificação de Sião, que iria nos ajudar na grande tarefa diante de nós, e que ele iria trabalhar através do profeta ordenado e não por si mesmo. Adam-ondi-Ahman Joseph disse, "Eu gostaria de falar de um evento que aconteceu há algumas semanas no vale de Adam-ondi-AhmanNT15 (Adão-ondi- Amã)." Virou-se para o recém-ordenado profeta em gesto afirmativo, como se buscando a sua aprovação. O profeta fez gesto afirmativo. Joseph, então, falou por cerca de noventa minutos, informando-nos sobre o grande encontro de Adam-ondi-Ahman47, que tinha acabado de acontecer. Ele ensaiou os acontecimentos em grande detalhe. Ele descreveu uma plataforma temporária que tinha sido construída, e o único assentado sobre ela foi Adão. O grupo era pequeno, portanto, não houve necessidade de um sistema de alto- falantes. Ele mencionou cada cabeça de dispensação, sua descrição física,o que ele tinha dito e o que ele havia relatado. Nunca antes, em tudo o que vivi, foi prestado um testemunho mais poderoso entre os homens. Joseph então disse que Adão recebeu o relatório de cada profeta, Joseph relatou por último. Ele relatou-nos com grande emoção que ele então virou-se para o Adão e testificou em nome de Jesus Cristo, que o seu trabalho tinha sido cumprido, não tudo, mas a sua designação fora cumprida. 7 – Tribulação e Plenitude 192 Naquele momento da reunião, Joseph relatou que Jesus Cristo, em seguida, apareceu em glória ao lado de Adão. Adão ajoelhou-se e relatou a Jesus Cristo que o trabalho já tinha sido cumprido. Jesus Cristo, em seguida, aceitou o seu relatório e pronunciou que era bom e elogiou a sua fidelidade. Em seguida, Joseph falou sobre a reunião dos Santos nestes dias. Ele disse que havia uma coligação ocorrendo em Salt Lake City, e, por causa dos recentes acontecimentos, que alguns dos fiéis seriam inspirados em todo o mundo para vir a este lugar. Ele disse que aqueles que chegaram até aqui viriam do estandarte sob o estandarte de Deus, e que devemos receber e cuidar deles. Ele nos informou que muitos outros lugares por todo o mundo se tornariam "cidades de Sião" e lugares seguros de reunião para os Santos48. Ele disse que o "Local Central de Sião" que fora conhecido como Missouri, atrairia aqueles ordenados para reunir-se ali, e quando estivéssemos todos reunidos nesses lugares seguros, então o trabalho do milénio começaria. Disse que quando todos os eleitos estivessem reunidos com segurança em Sião, Jesus Cristo, ele próprio, viria para governar e reinar sobre a terra. Quando ele disse estas palavras, um grito espontâneo de "Hosana!" levantou-se de nossos corações e lábios. Joseph falou sobre a restauração de todas as coisas, que todas as bênçãos e poderes que sempre houveram, desde o início dos tempos, eram agora restauradas em sua plenitude neste momento. Ele salientou que todos os dons como parte da plenitude do sacerdócio, incluindo o poder da transladação, eram agora restaurados em maior medida do que nunca antes nesta terra. Ele disse que até mesmo os milagres que hoje estávamos começando a experimentar entre nós parecerão pequenos quando comparados com o que ainda estava por vir. Isso, disse ele, é o que se entende por "plenitude dos tempos". Ficamos extasiados porque estávamos pensando como podia ser isso, que mais coisas poderiam acontecer do que as que aconteciam neste momento? Estávamos aqui ouvindo um profeta ressuscitado e olhando profetas ressuscitados no púlpito. Nós já tínhamos a plenitude do sacerdócio, porém, reconhecíamos não saber o que isso John M. Pontius – Visões de Glória 193 significava exatamente. Diariamente participamos de milagres. Todos nós tínhamos visto anjos e estávamos em processo de alteração física – não podíamos imaginar algo maior. Mas isso não nos impediu de acreditar em suas palavras; apenas não podíamos imaginar algo maior, e a força da sua afirmação ardeu com brilho em nossas almas, iluminando nossas mentes e elevando as nossas esperanças para além dos limites da crença humana. Não havia um olho seco no recinto. Todos nós choramos abertamente, de alegria e muita esperança. Eu chorava tão profundamente pois percebi neste momento que tudo o que eu tinha visto, e tudo o que me havia sido prometido, era realizado neste momento. As promessas foram cumpridas. Estava feito. Minha jornada, que eu julgara me trazer ao presente momento, foi alterada na minha alma e minha verdadeira jornada tinha apenas começado. Os dias e os anos da minha infância espiritual terminaram, e eu estava preparado. O martelo de forja do refinador havia caído sobre mim até que todas as impurezas e a escória finalmente desapareceram. Eu não podia conter minhas lágrimas, alívio e assombro, porque aqui estava eu, sentado em roupas enlameadas, em um edifício danificado, com as luzes falhando, em um mundo devastado, onde nada restava da sociedade. No entanto eu tinha finalmente chegado ao início do caminho que por tanto tempo havia sido no meu coração, mas até agora além da minha capacidade de reivindicação. Agora neste momento inesperado, sentado antes seres ressuscitados do passado as dispensas, eu tinha finalmente chegado ao início de minha missão nos últimos dias. Joseph pausou por um longo período até que houve silêncio absoluto. Ele parecia estar lutando com suas emoções e lançava olhares à direita. Por fim, ele moveu sua mão para a pessoa sentada logo à direita da nova Primeira Presidência e clareou sua garganta. Eu não tinha ideia de quem era essa pessoa. Ele estava vestido com um simples terno preto, camisa branca e gravata vermelha, que ele poderia ter comprada na JCPenney antes da inundação. Sua 7 – Tribulação e Plenitude 194 roupa estava tão amassada e manchada como de qualquer um de nós. Eu imaginara que ele fosse um dos antigos cabeças de dispensação. Eu sabia que ele era um ser ressurreto, e eu também sabia pelo trajar amarrotado que ele tinha ajudado no trabalho de resgate e reedificação. O Filho de Deus Joseph disse em uma voz cheia de emoção, "tenho o grande privilégio de apresentar Jesus Cristo, o Filho de Deus." O homem apresentado pôs-se em pé e começou a refulgir em glória. Seu rosto brilhava, como toda a sua pessoa. O seu vestuário embranqueceu quando Sua glória dominou todas as cores perto d’Ele. Ele sentara-se ali por toda a reunião, que já estava bem na sua terceira hora, e eu não o tinha reconhecido. Eu já tinha visto o Seu rosto e foi abraçado por Ele várias vezes, mas eu não o reconheci até que Joseph falou o seu nome. Então, foi como se um véu tivesse sido tirado, e o reconheci instantaneamente e quase pulei do meu banco para correr para Ele, mas não o fiz. Eu apenas engasguei em deslumbre assim como todos os presentes. Ele não caminhou para o púlpito, mas apenas estava ali como todos os olhos foi transfixada por causa dele. Ele tornou-se o centro do universo, e andar até o púlpito não mudaria isso. A luz que provinha d’Ele aumentou de intensidade até iluminar todo o Centro de Conferências. Era tão brilhante que preenchia todas as sombras. Percebi mais tarde que aquilo que acontecera durante este longo momento em que vimos Sua glória se manifestar não foi que Ele que se transformou – fomos nós. Estávamos sendo transfigurados pelo Espírito Santo para sermos capaz de vê-lo em sua glória sem ser consumidos por ele. Todas as inquietações foram retiradas do meu coração e substituído por esperança, alegria, caridade, amor, certeza e conhecimento puro. Finalmente soube que eu completara esta vida mortal. John M. Pontius – Visões de Glória 195 Eu pensei sobre os de minha família que tinham morrido no terremoto e senti total e completa paz. Eu sabia que eles estavam felizes e engajados neste mesmo trabalho. Para as pessoas da minha família que tinham sobrevivido, eu sabia exatamente o que eu precisava fazer para fortalecer e ajuda-los. Quando Cristo se levantou e transfigurou-se em Sua plena glória, toda a experiência de estar ali, na presença do Cristo transfigurado, começou a mudar-nos. Sabíamos que estávamos sendo transfigurados, e alguns de nós estavam sendo transladados31. Tive uma viva lembrança em minha mente de uma sagrada experiência que não contei ainda, na qual o me prometera que se eu continuasse fiel e verdadeiro em meu chamado, tempo viria quando eu seria transformado, como os antigos habitantes da Sião de Enoque, para uma vida e o corpo imortais. Quando nosso Salvador falou, a primeira palavra de seus lábios era o meu nome! Fiquei muito alarmado, até perceber que cada pessoa presente ouviu o seu nome. Enquanto ele falava, eu podia ouvir e compreender as palavras que ele dizia para mim, mas eu também estava vendo uma visão de sua descrição da minha futura missão. Eu vi toda a minha vida daquele momento em diante, tudo o que eu faria,em todos os lugares que eu ia, cada pessoa a quem eu ministraria, e como tudo iria ser. Depois, falei com todos que pude, e que estiveram neste glorioso evento, provavelmente várias centenas de pessoas, e todas as pessoas com quem falei que tinham ouvido o seu nome e a visão de sua própria vida. A minha primeira emoção foi a de que tudo o que eu tinha visto ao longo dos muitos anos, minhas muitas excursões para além da morte, as muitas visões e coisas que eu já tinha visto, eram verdade. Eu sempre acreditei que fossem verdadeiras, mas que eram, talvez, mais uma metáfora do que uma visão de reais acontecimentos futuros. Eu sempre fui fiel a esse conhecimento, mas agora eu sabia que tinha sido mostrado eventos reais do meu futuro. Eu sabia, nada duvidava e regozijava. As visões que tinha visto anos antes foram para guiar-me a este momento. As visões eu via agora concluíam a 7 – Tribulação e Plenitude 196 minha educação e me davam todas as peças que faltavam. Como eu já disse muitas vezes, eu não entendi grande parte do que eu tinha visto, e agora entendia tudo em doce clareza. A visão encerrou-se e Jesus Cristo pausou. Em tempo real, acho que só uns poucos minutos tinham decorrido desde que Ele levantou, mas as visões eu vi cobriam anos. Jesus Cristo, em seguida, disse-nos que tinha foi ao Pai e relatou sobre o trabalho que a família de Adão tinha concluído. O Pai aceitou o trabalho. Em seguida, girou lentamente da esquerda para a direita, silenciosamente abençoando a cada um na congregação. Ele falou a cada um o coração ao mesmo tempo. Suas palavras penetraram todos os corações e mentes completamente, de forma íntima e individual. Eu sabia, e todos sabiam, que Ele lhes falava pessoalmente. Estar no Centro de Conferências e de ver o cumprimento de tudo o que sempre esperamos, desejamos e acreditamos, agora se realizando, tornou nossa esperança em realidade, e a nossa fé se fez certeza. O nosso conhecimento de tudo o que os profetas tinham nos dito-nos por gerações, vinham à plena consumação. Era imponente, definitivo e conferia poder. Vimos que o muito aguardado Salvador diante de nós e falar as palavras que só tínhamos lido antes. Suas palavras brotaram dentro de nós e penetraram as profundezas de nos nossos corações e mentes. No entanto, agora que sabia com a maior certeza de que tudo o que ele havia falado sobre esses dias e horários, tudo o que ele tinha dito aos seus profetas durante milénios, já chegara a passar e que tudo seja cumprido em nossas vidas, bem diante dos nossos olhos. Ele era a nossa única realidade. Nós o vimos! Ouvimo-lo! Vimos as visões e derramaram as lágrimas! Sabíamos! Nós, estavam unidos, densa em conjunto com os mais profundos laços de amor, para nunca mais serem separados dele. Como encerramos a reunião, cantamos "Eu sei que vive meu Redentor!" As palavras se tornaram extremamente pessoais e imediatamente cumpridas por todos nós. Eu sei que vive meu Redentor! Que doce conforto essa frase dá! John M. Pontius – Visões de Glória 197 Ele vive, Ele vive, quem uma vez esteve morto. Ele vive, meu Senhor sempre vivente. Ele vive para abençoar-me com seu amor. Ele vive para interceder acima por mim. Ele vive para minha alma faminta alimentar. Ele vive para abençoar em tempo de necessidade. Ele vive para conceder-me farto suprimento. Ele vive para guiar-me com seus olhos. Ele vive para me confortar quando esgotado. Ele vive para ouvir a minha alma lamentar. Ele vive para silenciar todos os meus receios. Ele vive para enxugar minhas lágrimas. Ele vive para acalmar meu coração conturbado. Ele vive para toda bênção conferir. Ele vive, o meu bom, sábio e celeste Amigo. Ele vive e ama-me até ao fim. Ele vive, e enquanto Ele vive cantarei. Ele vive, meu Profeta, Sacerdote e Rei. Ele vive e me concede o fôlego diário. Ele vive, e eu vencerei a morte. Ele vive, a minha mansão preparar. Ele vive para lá me levar em segurança. Ele vive! Toda a glória ao seu nome! Ele vive, meu Salvador, ainda o mesmo. Oh, doce a alegria, que esta frase dá: "Eu sei que vive meu Redentor!" Ele vive! Toda glória ao seu nome! Ele vive, meu Salvador, ainda o mesmo. Oh, doce a alegria, esta frase dá: "Eu sei que vive meu Redentor!” (Texto de Samuel Medley, hinário SUD 1835). Ao cantarmos com Ele, lágrimas corriam por nossas faces e pela d’Ele. Ele rejubilava-se conosco pois sua missão como nosso Salvador finalmente atingia esse momento sublime. 7 – Tribulação e Plenitude 198 Por muitos anos aqueles que tiveram o privilégio de estar naquela inesquecível reunião de Santos, falaram de ver a Cristo, cantar com Ele, trabalhar lado a lado com Ele, sem saber que era Ele. Nós falamos do ardor em nossos corações quando Ele desceu para abençoar-nos e curar-nos em nosso momento de grande necessidade nesta gloriosa dispensação da plenitude dos tempos. Transformados! A bênção que Ele derramou abundantemente sobre cada um de nós foi a capacidade e a força para completar esta nova fase das nossas vidas com honra e justiça. As poderosas promessas me voltaram à mente, tanto as que eu tinha visto em visões ao longo dos anos como as que eu recebi no templo. Estes e mil outros entendimentos e verdades, varreram a minha alma. Eu sabia que eu estava sendo alterado aqui e ali, em cumprimento às promessas. Pela emoção e absorção da grande congregação ali – a poderosa paz e reverência, e a constatação de que nós estávamos ouvindo o próprio Cristo falar-nos e abençoar-nos individualmente, percebi que estávamos todos tendo a mesma experiência. Estávamos sendo capacitados a completar a nossa missão, mas creio que apenas uma pequena porcentagem dos presentes experimentou esta mudança adicional para o estado transladado. Cheguei a essa conclusão numa visão posterior de Sião que vou contar depois. Creio que todos os Doze foram igualmente alterados, pois posteriormente fizeram coisas maravilhosas que nenhum mortal sem mudança poderia ter feito. A título de exemplo, depois deste evento, viajamos por quase um ano para chegar ao nosso próximo destino e, quando chegamos, membros dos Doze Apóstolos haviam chegado antes de nós. Fomos os primeiros a chegar, e não haviam estradas, trens ou tráfego aéreo de qualquer forma. Eles simplesmente iam e vinham pelo poder de Deus. É por isso que eu creio que eles também foram alterados. Ainda iria me levar anos para descobrir a extensão e o total poder dessa mudança, e como a abençoar os outros por aquilo que agora me era dado, mas a mudança foi completa em mim – naquele momento. Minha educação quanto ao seu uso apenas começava. John M. Pontius – Visões de Glória 199 Capítulo Oito A JORNADA COMEÇA Preparando Nossa Caravana o início da primavera seguinte, fizemos preparativos para seguir para as designações que recebêramos na última grande conferência. Tínhamos visto quem estaria em nossa expedição, onde nos reuniríamos, aonde teríamos que ir, e amplos detalhes do que teríamos que fazer ao longo do caminho. Não vimos como é que iriamos fazer tudo isso, mas já sabíamos, não duvidando, que Deus iria nos dirigir e garantir nosso êxito, porque vimos isso. Durante o inverno, tínhamos todos sido designados pelas autoridades da Igreja para cumprir estas grandes designações dos últimos dias para Cristo. Tudo ocorreu sob a direção da Igreja. Embora que já tínhamos visto tudo isso, ainda precisamos ser chamados e autorizados a administrar em nome de Cristo. Me reuni com os que foram chamados à minha caravana. Reconhecemos uns aos outros e nos entusiasmamos por finalmente nos reunir e juntar suprimentos para a viagem. Fui designado a um grupo de cerca de 150 Santos, composto de homens e mulheres, sem N 8 – A Jornada Começa 200 contar os muitos adolescentes, jovens, crianças e bebês. Fomos designados para ir para norte a Cardston, no Canadá, para um local de reunião perto do templo. Nosso líder era um homem a quem o Senhortinha designado por visão e a quem a Igreja havia chamado e designado para esta viagem. Segundo o padrão que havia sido mostrado, chamou dois conselheiros e, em seguida, um conselho de doze, e outros para a liderança, que consistia de homens e mulheres. Entre nós, chamamos essas doze pessoas "o Conselho". Cada um desses indivíduos tinha responsabilidades específicas e fixas. Conforme eram inspirados, alguns deles chamavam conselhos adicionais que consistiam de três a sete homens e mulheres. Alguns adolescentes serviam nesses conselhos também. Essas pessoas serviram como conselheiros para um dos doze, e como trabalhadores e organizadores das diversas tarefas. Não fui chamado para ser do conselho. Por esta altura, eu era um homem muito mais velho, e me pediram para ser um conselheiro espiritual de toda a caravana, tipo como um patriarca, ou talvez um bispo, mas eu não tinha título e nenhuma autoridade. Nesta condição, passei a maior parte do meu tempo em reuniões do conselho e aconselhando indivíduos. Eu estava numa posição onde eu só dava minha opinião sobre alguma coisa depois de ser movido pelo Espírito Santo e se haviam perguntado a minha opinião. Se não, eu não participava do assunto. Nossa caravana operava por comum acordo. Nossos líderes considerar algum problema ou necessidade e discutiam-no até chegar a um consenso. Em seguida, eles oravam até que eles soubessem a mente do Senhor. Eu esperava que eles me fizessem uma pergunta antes de contribuir. E eu respondia conforme o Espírito Santo me impressionasse, ou não lhes dava opinião. Após esse processo, os líderes apresentaram a decisão a todo o grupo, e eles foram convidados a apoiar a decisão. Depois disto, o conselho e seus comitês passavam a trabalhar para realizar suas tarefas. No início, essas decisões foram longas e muitas vezes desafiadoras. Às vezes era difícil alinhar nosso pensamento mortal com a vontade do Senhor, e tínhamos que descartar nossa ideia e John M. Pontius – Visões de Glória 201 começar tudo de novo. Ao ganhar experiência neste processo, ele tornou-se mais eficiente. Aprendemos a ouvir mais atentamente a voz da revelação ao preparar o nosso plano e assim o processo de confirmação já estava concluído. Sentíamos a inspiração prontamente, e as pessoas sentiram a mesma inspiração ao apoiarem o plano, e eram então inspirados na sua execução do trabalho. Eu percebi no início de nossa viagem que eu era uma das duas pessoas em nossa caravana que haviam sido transladadas, e eu era apenas um dos vinte e tantos que tinha estado naquela gloriosa conferência onde vimos e ouvimos a Jesus Cristo, e viu nossa missão na visão. Eu percebi que eu tinha uma visão muito mais clara do que era necessário fazer e ouvidos e coração mais sensíveis à palavra do Senhor. Este processo, esta viagem, toda esta disposição dos conselhos e apoios foi projetado para aperfeiçoar-nos e a erguer- nos todos a conhecer nosso dever sem mais necessidade de discutir ou planejar estratégias e planos. Mas por hora, ao começarmos, este foi um plano inspirado e todos nós tomamos nosso lugar, ansiosos por começar. Outras Caravanas Haviam cerca de cinquenta caravanas organizadas em várias partes da cidade. Alguns iam para o México, outros para a Califórnia e para quase todos os pontos cardeais. Cerca de um ano depois, outros grupos foram enviadas para outros continentes, mas agora não havia transporte comercial, e estávamos restritos ao que restou do nosso mundo. Cada caravana tinha a mesma tarefa: encontrar aqueles que Deus nos mostrava, ajudá-los em suas necessidades, ensiná-los, fortalecê-los e prepará-los para suas tarefas nos últimos-dias. Na maioria dos casos, essas tarefas eram construir cidades de Sião em seu próprio local, e não viajar para a Nova Jerusalém. Passaram-se muitos anos e muitos ensinamentos e testemunhos até que a população em geral da Igreja interiorizasse esta verdade. Como é 8 – A Jornada Começa 202 bem compreensível, todos queriam estar entre os "Santos" que viriam marchando a Sião, após longo espera – até eu. Nossa caravana reuniu tudo o que se sentiu inspirada a trazer: roupas, roupas de cama, alimentos e suprimentos médicos. Algumas pessoas trouxeram equipamento militar como armas e munições, que nossos líderes decidiram não levar. Nosso Enorme Caminhão Dois dos nossos irmãos apareceram com um enorme veículo militar e muitos tambores de combustível na parte de trás. Era um dos veículos de grande porte que as tropas estrangeiras tinham trazido com elas. Tinha uma cabine grande o suficiente para transportar quatro soldados com todo equipamento, ou seis pessoas em trajes simples. Ela tinha uma carroceria de cerca de oito metros de comprimento coberta com uma capa de tecido presa em aros de aço, que o assemelhava a um vagão coberto gigante. Ele tinha quatro eixos tracionados e grandes pneus de alta flutuação. Os dois eixos dianteiros viravam, e os dois de trás eram fixos. O volante estava no lado direito da cabine. Acho que tinha sido feito na Ásia, mas eu não me lembro de nenhuma insígnia do veículo propriamente. Uma caraterística interessante do caminhão era que ele tinha um grande painel solar no teto da cabine. O painel solar podia recarregar a bateria do veículo, ou alguma outra bateria. Ela também tinha um inversor que produzia tensão normal, o qual utilizamos para cozinhar, acender luzes no acampamento ou qualquer outro dispositivo elétrico. Quando o caminhão estava funcionando, ele acionava um grande gerador para gerar eletricidade à noite, mas optamos por não utilizar muito para economizar combustível. Até chegarmos ao fim da nossa viagem em Sião, este veículo serviu-nos profundamente e salvou muitas vidas. Ele era realmente um veículo de sobrevivência. Foi construído para enfrentar qualquer coisa. O veículo foi feito de uma espécie de fibra de carbono, que é leve e mais forte do que aço normal. As rodas foram concebidas de tal modo que sempre mantiveram-se no chão, mesmo ao atravessar John M. Pontius – Visões de Glória 203 um alto obstáculo, rochas, ou árvores caídas. O caminhão era flexível e parecia torcer quando atravessava obstáculos, mas a carroceria permanecia sempre plana e lisa. Nossos líderes decidiram usá-lo, em grande parte porque ele tinha seu próprio combustível e tinha capacidade de carregar quase todos os nossos suprimentos. Nem sequer perguntamos como eles tinham adquirido esta grande máquina, mas apenas a aceitamos como um presente de Deus. Como nossa viagem progredia, ele ocupou um lugar importante em nossa jornada e para o nosso sucesso. Olhando para tudo o que aconteceu em nossa viagem, foi o único veículo que não ficar irremediavelmente preso, pelo menos uma vez, e a única que não quebrou. Descobrimos que ele seria rodava com qualquer coisa de petróleo bruto, óleos vegetais e gordura de cozinha gastos até vodca (embora não encontramos muito desse último combustível). Fizemos pleno uso dessa capacidade. Ele foi um dos poucos veículos que deixou Salt Lake City, e de fato chegou ao Canadá e grande parte do caminho a Missouri. Todos os outros ou quebraram ou foram descartados para economizar combustível ao longo do caminho. Descobrimos também que havia uma estação de purificação de água integrada ao veículo. Poderíamos deitar água suja de uma poça d'água, ou mesmo o anticongelante de um radiador de carro, dentro dele, que saia água fresca para bebermos. Esta foi uma grande bênção para a nossa viagem. Lembro-me de quando descobrimos esse recurso. O sistema estava perto do motor e não aparecia. Pelo fato da escrita não ser inglês, não tínhamos certeza do que dizia. Assisti um dos irmãos despejar água suja no funil quadrado. Fiquei ali duvidando que era este o uso, ou que água potável seria o resultado. Cerca de vinte minutos mais tarde, a mais pura e refrescante água começou a escorrer em um grande recipiente de plástico na parte inferior do veículo.Água suja era drenada para o solo. Lembro-me de degustar e espantar-me. Eu nunca fui bom em mecânica, e isso parecia ser um milagre para mim. Não foi até que eu estar trabalhando neste livro que eu aprendi que os filtros com esta habilidade realmente 8 – A Jornada Começa 204 existem. Eu estava como uma criança assistindo algo que parecia milagroso, mas que os outros da nossa caravana entendiam. Também tínhamos vários veículos 4x4 tipo todo-terreno que levavam de duas a quatro pessoas. Muitos deles rebocavam trailers. Deixámos para trás jipes pequenos. Tínhamos algumas picapes 4x4 que puxavam grandes trailers para cavalos, para que pudéssemos levar os animais rapidamente se necessário. Em outros tempos, os trailers de cavalo serviam como abrigo da chuva e tempestade. Partimos com cerca de uma dúzia de cavalos e inúmeros cães e cabras. Não trouxemos vacas, galinhas, ou outros animais de fazenda porque o Espírito nos disse para deixá-los para trás. Nós trouxemos uma grande quantidade de alimentos e outras coisas, como implementos agrícolas, peças sobressalentes, e outros itens que o Espírito inspirou-nos a trazer. Todas essas coisas nos possibilitaram permutar e negociar ao longo do caminho. Tudo isso foi para nosso aprendizado, para ensinar-nos a confiar totalmente e somente em Cristo. Foi uma dura lição para aprender, pois tínhamos que reaprender em níveis cada vez mais elevados. Deixamos Salt Lake City no final de Março em uma bela manhã de primavera. As flores já começavam a brotar. Estava mais quente que o esperado, e o capim estava verde por toda parte que olhávamos. A primavera tinha sido bastante chuvosa, e o mundo das plantas parecia explodir com flores e folhagens. Partimos pela rodovia I-15 rumo ao norte. Nos movíamos num ritmo lento porque a maior parte da nossa caravana ia a pé. Não estávamos com pressa. Antes de sairmos naquela manhã, reunimo- nos em conselho, e após discutirmos e orarmos, concordamos quanto a rota e distância a percorrer. Não estávamos apenas indo a Cardston, éramos o acampamento do Senhor, e estávamos felizes em ir aonde o Senhor nos enviasse e em demorar tanto quanto preciso. Logo notamos que o grande caminhão e as picapes não podiam viajar na velocidade da caminhada economicamente. Enviamos- lhes à frente e cuidadosamente calculamos sua velocidade mais econômica, que eles mantiveram durante o restante da nossa viagem. Os avançávamos pela noite onde um acampamento já John M. Pontius – Visões de Glória 205 estava sendo montado. Eu ia a pé, e muitas vezes ajudava a levar as crianças ou quaisquer outras pessoas que precisassem. Estávamos cheios de esperança, como nosso tradicional hino diz: "mas com fé caminhai”. Tivemos muitas vezes que deixar a rodovia para viajar em estradas vicinais porque o terremoto arrasou longos trechos da rodovia, ou abriu crateras de lado a lado. Por vezes em nossa caminhada alcançamos os caminhões, enquanto pensavam em como atravessar certos obstáculos. Muitos desses obstáculos eram naturais, mas também haviam barricadas feitas e defendidas pelos habitantes, assim como outras caravanas ao longo do caminho. A primeira parte de nossa viagem não teve preocupações, exceto pelo fato de que o Senhor nos enviou ao redor de uma área que havia sido atingida por uma arma nuclear. A explosão não ocorrera por ataque aéreo, mas por sabotagem de uma arma nuclear armazenada no subsolo desse lugar. Creio que muitas das explosões nucleares em todo o país foram resultado de sabotagem ao invés de ataques com mísseis. Alguns dias depois, chegamos a Idaho, deixamos todas as autoestradas e fomos pelo campo. Idaho tinha sido abalado por diversas armas atómicas, todas em instalações militares, provavelmente também devido à sabotagem. Estávamos completamente sensíveis à voz do Senhor e fomos conduzidos ao redor dessas áreas. Aprendemos pela experiência que era nas rodovias e estradas que tínhamos a maioria de nossos problemas. Se algum bando armado fosse acossar as caravanas e as roubar, procuraria nas rodovias. Se houvesse algum estrago intransitável, era na rodovia. O nosso grande caminhão era perfeito fora-de-estrada. Ele rodava por tudo, inclusive cercas, deixando para trás grandes trilhas para veículos menores e caminhada. Quanto mais andamos, mais valorizamos o grandalhão. Também não seguimos em linha reta ao Canadá. Todas as manhãs, o Conselho se reunia e orava ao planejar cada dia. Alguns dias, recebíamos o nome de uma família, uma pessoa ou, por vezes, uma ala ou cidade para ministrar. Por vezes, era apenas uma 8 – A Jornada Começa 206 inspiração para ir a uma fazenda ou cidade. Guiamos pelo Espírito, muitos iam e saiam na parte da manhã levando com eles tudo o que o Espírito indicasse. Às vezes levamos os itens de que as pessoas que encontramos, de fato urgentemente careciam, e podíamos permutar por mais combustível ou carne fresca ou legumes. Por vezes os nossos mecânicos trocavam por peças. Por vezes, batíamos à porta de uma fazenda, e as pessoas ali vivendo haviam sido avisadas pelo Senhor, como LeíNT15, para estarem preparadas para sair. Aparecíamos bem quando estavam saindo de casa. Tudo que se possa imaginar aconteceu em nossa viajem, e aprendemos a nunca temer, porque o Senhor estava sempre presente em nossa jornada. Dons do Espírito Santo O poder do sacerdócio se manifestou muitas vezes em curas e outros milagres. Nem todos tinham os mesmos dons49. Vimos que alguns tinham grande fé para curar e outros a profecia. Mesmo as crianças e adolescentes tinham seus dons, e nós acolhíamos tudo o que vinha de Deus. Haviam entre nós alguns com uma habilidade que eu não tinha visto antes, que era a capacidade de falar e ensinar com tanto poder que até mesmo nossos inimigos pacificavam-se, e seus corações se aplacavam em relação a nós. Este poderoso dom de persuasão não era simples oratória ou retórica. Suas palavras eram ditas com suavidade, em sua maioria sem eloquência, mas o que falavam não podia ser desacreditado quando seu dom se manifestava. Descobrimos que este é um poderoso dom e o reservamos para os momentos em que o Senhor sancionava o seu uso, geralmente quando estávamos presos e sem outra maneira de continuar a nossa viagem. Meus dons cresceram junto com a maioria da nossa caravana. Muitos de nós desenvolvemos a habilidade de ler o coração dos homens. Muitas vezes encontramos com outras caravanas ou pequenos grupos de pessoas indo a todos os sentidos. Eles nos abordavam com muita cautela por causa do nosso caminhão militar. Muitas vezes estive na equipe que saia para encontrar-se com esses John M. Pontius – Visões de Glória 207 grupos viajantes. Percebemos que quando olhávamos para eles ao nos aproximar, já sabíamos de suas intenções e necessidades. Também sabíamos como responder quando eles mentiam para nós. Ao sairmos para conversar com eles, muitas vezes foi dito pelo Espírito o que levar conosco para trocar com eles. Por estarmos em Idaho, muitas vezes estes eram bons Santos dos Últimos Dias tentando fazer seu caminho para Salt Lake City ou algum outro lugar. Muitas vezes, eles estavam indo encontrar suas famílias em outras partes do país, ou até mesmo tentando a viagem a Missouri. A estes, alimentamos e compartilhamos de nossas disposições, e às vezes, os convidamos a se juntarem a nós. Por vezes, os advertimos a retornar às suas casas e construir Sião aonde eles estavam. Eles raramente seguiam nossos conselhos, e eu não sei o que aconteceu com eles. Mas na maioria das vezes, estes encontros fortuitos não eram com pessoas que fomos orientados a congregar. Fomos enviados aos que congregamos. Íamos às suas casas, às suas cidades e às suas fazendas sob orientação de Deus. Nós íamos a eles. Edificar Sião Onde Você Estiver Quando entrávamos pela primeira vez numa cidade, nos dirigíamos aos líderes locais da Igreja em cada cidade. Muitas vezes, os líderes pediam-nos para falar a