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VISOES DE GLORIA-1

Livro de relatos visionários de John M. Pontius sobre experiências pós‑morte, visitas angelicais, provações, sinais da Tribulação e do Milênio; contém índice de referências às Escrituras Padrão dos Santos dos Últimos Dias e apêndices com profecias históricas.

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O DESLUMBRANTE RELATO DE UM 
HOMEM SOBRE OS ÚLTIMOS DIAS
VISÕES
de 
GLÓRIA
CONFORME RELATADAS A 
JOHN PONTIUS 
Edição contendo índice de referências das 
Escrituras Padrão dos Santos dos Últimos Dias 
VISÕES DE GLÓRIA 
Conforme Relatadas a John M. Pontius entre 2011 e 2012 
Tradução não autorizada para a língua portuguesa, para uso pessoal 
apenas. Cópias, reproduções ou reenvio só podem ser autorizados 
pelo editor 
Por Jesus Cristo, por toda boa coisa. 
A Terri, minha melhor amiga e companheira de 
jornada, que me ensinou a coisa mais importante 
que eu conheço. 
A Spencer, por uma vida de apego à “barra de ferro”. 
Também de John M. Pontius
Following the Light of Christ into His Presence 
Millennial Quest Series: 
Spirit of Fire (formerly Angels in Coveralls) 
Angels Among Us 
Angles Forged in Fire 
Angels and a Flaming Sword, Part 1 
Angels and a Flaming Sword Part 2 
We Three Kings 
The Triumph of Zion 
Outros livros, ensaios, e trilhas 
sonoras de serõesNT1 estão disponíveis 
no site: 
www.followndotheLuz.org 
E no UnBlog 
http://unblogmysoul.wordpress.com 
John M. Pontius – Visões de Glória 
5 
Conteúdo
Prefácio 12
Meu Amigo Apostólico 19
Nota do Autor 23
Capítulo Um: Despertado pela Morte 25
Minha Primeira Experiência com a Norte 25
Minha Primeira Experiência Pós-Morte 27
Minha Vida Revista 32
Enfermeiras Angélicas 34
Meu amigo, o Valentão 40
Nossos Relacionamentos Vêm de Deus 42
Nossas Vidas Importam 44
Prioridade e Propósito da Dispensação 45
Visitando Minha Esposa em Espírito 46
Anjos entre Nós 47
O Ministério dos Anjos 53
O Poder da Queda 56
Explorando o Hospital 59
“Ouvindo” a Madeira e as Pedras 60
O Propósito das Coisas 61 
Nossa Glória Pré-mortal 62 
Um Clamor por Justiça 64
Retornando ao Meu Corpo 65
John M. Pontius – Visões de Glória
6 
Muitas Diferentes Experiências de Morte 67
De Volta para Casa 68
Capítulo Dois: Paraíso Perdido 69
Reorganizando Minha Vida 69
Nunca Estamos Sós 71
Redirecionando Minha Vida 72
Taiti 75
O Diorama do Inferno 79
A Oração Intercessora 81
Amado Profeta 86
Capítulo Três: Visão do Salvador 91
Visão do Salvador 91
O Que Está Contido em um Nome? 94
Saber Realmente 96
Até que Ponto o Homem Decaiu 96
Tentando Fazer Sentido 97
Curar as Crianças 99
Camadas de Significados 100
Capítulo Quatro: Provações Agravando-se 102
À Espera da Morte 102
O Conselho do Apóstolo 104
Câncer 105
Cirurgia no México 107
John M. Pontius – Visões de Glória 
7 
Minha Bela Anja 108
Você Não Vai Morrer 111
Estou Curado! 113
Capítulo Cinco: Cavernas, Chaves e Chamados 114
Três Visitantes 114
O Terceiro Visitante 115
Meu Anjo Guia 117
Cavernas e Grades 119
A Chave 122
O Significado dos Símbolos 123
Túnel de Luz 126
Dobrando o Universo 128
Pradaria e Lago 130
Infância Espiritual 135
Meu Quarto 137
A Biblioteca 141
Deus, o Tempo e a Lei 142
Voltando a Visitar o Meu Corpo 143
Capítulo Seis: Anjos e Demônios 145
Espíritos Malignos e Tentação 145
Na Casa Noturna 149
Na Corrida de Cavalos 152 
Entretenimento 154 
John M. Pontius – Visões de Glória
8 
Dons Espirituais 155 
As Correntes do Inferno 156 
O Ministério de Anjos 156 
Luz, Trevas, e a Terra 158 
Voando através da America 160 
A Próxima Primavera 161 
Dois Meses mais Tarde 162 
Tropas Estrangeiras 163 
Capítulo Sete: Tribulação e Plenitude 165 
Terremotos e Inundações 165 
Uma Peste Devastadora 174 
A Marca da Besta 181 
Sinais da Segunda Vinda 182 
Revivendo um Menino Morto 183 
Plenitude do Sacerdócio 184 
Conferência Geral 186 
Joseph Smith 190 
Adam-ondi-Ahman 191 
O Filho de Deus 194 
Transformados! 198 
Capítulo Oito: a Jornada Começa 199 
Preparando Nossa Caravana 199 
Outras Caravanas 201 
John M. Pontius – Visões de Glória 
9 
Nosso Enorme Caminhão 202 
Dons do Espírito 206 
Edificar Sião Onde Você Estiver 207 
Mudanças na Terra 209 
Sião no Canada 213 
Conferência em Cardston 215 
Esperando em Cardston 217 
Uma Sociedade em Evolução 220 
Deixando Cardston 228 
A Primeira Vinheta 232
A Segunda Vinheta 237
A Terceira Vinheta 240 
A Quarta Vinheta: o Templo 241 
Capítulo Nove: O Dia Milenar 250
A Caverna 250
Sua chegada em Sião 260
"A Água da Vida" 260
Tornar-se Eterno 264
A Bênção de ser Simples 265
Colunas de Fogo 266
Expandindo Sião 266
Retorno das Dez Tribos 270
Os Portais entre nós 272
John M. Pontius – Visões de Glória
10 
Dois Profetas 276
Lidando com a Guerra 277
Ensino com Poder 279
A Cidade de Enoque 281
Tecnologia Espiritual 282
Transladado versus Milenar 286
O Dia Milenar 288
Os 144.000 290
A Segunda Vinda 294
O Planeta Vermelho 297
Um Novo Céu e uma Nova Terra 299 
Epílogo 302
Apêndice 304
O Sonho de John Taylor (1877) 304
A Profecia de Cardston (1923) por Sols Caurdisto 308
Aviso para a América (1880) 
Pelo Presidente Wilford Woodruff 316
Anjos Destruidores estão Ativos (1931) 
Pelo Presidente Wilford Woodruff 317
Um Grande Teste Aproxima-se (1930) 
por Heber C. Kimball 318
Um Exército de Élderes (1931) por Heber C. Kimball 318
Um Sonho (1894) Charles D. Evans 319
John M. Pontius – Visões de Glória 
11 
O Sonho de Pragas (1884) 325
Profecia de Orson Pratt (1866) 329 
Notas do Tradutor NT1 a NT26 331
Referências nas Escrituras 1 a 65 338
Sobre o Autor 473
John M. Pontius – Visões de Glória
12 
PREFÁCIO
isões de glória: um deslumbrante relato dos últimos dias é 
um relato das três experiências quase-morte de Spencer e 
das visões, nos anos subsequentes, de sua futura jornada 
nos últimos dias1. Todos eles estão relatados aqui 
conforme Spencer os ditou para mim em mais de cinquenta horas 
de entrevistas. Todas as visões e experiências registradas aqui são 
de Spencer, mas a maior parte da linguagem é um resultado do meu 
esforço para colocar em palavras o que Spencer estava descrevendo 
para mim na forma de narrativas. Eu tentei preservar sua escolha 
de palavras e modo de falar, do começo ao fim. 
Spencer jamais havia falado em voz alta da maioria dessas 
visões, e as tem mantido para si, guardadas em seu coração. O que 
significa que ele teve que cavoucar profundamente para encontrar 
palavras para descrever as coisas que não têm paralelo na 
experiência mortal. 
Eu nunca conheci ninguém como Spencer. Ele é amoroso e 
gentil, e o seu rosto literalmente brilha com o Espírito Santo 
quando ele descreve suas experiências. Ele chora só de mencionar 
o nome do Salvador, e ele é profundamente interessado em tudo o 
que é espiritual. O seu comportamento é o de um verdadeiro Santo, 
cuja vida é inteiramente dedicada a Cristo. Eu não encontrei 
qualquer presunção ou arrogância nele, muito pelo contrário. Ele 
parecia ignorar o quão precioso ele é, o quão profundamente 
reveladoras são suas visões e o quão longe ele viu além dos limites 
da visão humana. 
Spencer tem sido membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos 
dos Últimos Dias a vida inteira. Ele atualmente serve como 
oficiante de ordenanças no templo e tem servido em bispados, 
sumo-conselhos, cargos na estaca e muitas outras posições. Ele 
V
John M. Pontius – Visões de Glória 
13 
atualmente serve no conselho consultivo geral para a Igreja e 
possui três pós graduações. 
Spencer morreu quatro vezes, inclusive foi considerado 
natimorto. Spencer me disse uma vez, "Eu não sei por que razão o 
Senhor me abençoou com essas visões. É como se os anjos que 
trouxeram-me de volta à vida a cada vez, deixassem a porta do céu 
entreaberta e os anjos têm continuado a atravessá-la no decorrer na 
minha vida desde então2." 
Três das visões de Spencer foram experiências quase-morte 
clássicas. A primeira levou-o de volta ao seu passado pré-mortal3. 
A seguinte levou-o ao presente e futuro próximo. A terceira 
mostrou-lhe o que iria acontecer no milênio e futuro distante. 
Muitas mais foram visões que ocorreram enquanto desperto, tarde 
da noite,e durante o sono. Não há de fato um padrão na distribuição 
de suas experiências, mas há um rico padrão no conteúdo. Cada 
sucessiva visão era construída sobre a anterior, dando continuidade 
ao desenrolar da história da sua vida, bem como fornecia o 
necessário discernimento e educação para prepará-lo para suportar 
os desafios que iria enfrentar, muito tempo antes de acontecerem. 
Grande parte das informações em suas visões tem sido difíceis 
para ele interpretar, até recentemente. Esse foi outro motivo porque 
ele disse tão pouco sobre suas experiências ao longo dos anos. 
Por causa da natureza pessoal de cada uma dessas visões, e o 
fato de que elas lidavam com o seu próprio caminho, isso tem 
limitado sua perspectiva das coisas do porvir, a somente os locais e 
eventos em que ele iria participar. Ele não viu o que vai acontecer 
na Europa, América do Sul ou Ásia. Ele não sabe o que resultará de 
guerras ou eventos no mundo. Ele não viu todas as grandes 
destruições da terra e mar, profetizadas pelo livro do Apocalipse, 
porque elas aparentemente não impactarão no futuro de Spencer. 
Mas ele teve profundas visões sobre o futuro da América do 
Norte e de grande eventos e devastações que purificarão e 
reformularão este país e partes do Canadá. Elas incluem invasão 
estrangeira, uma devastadora praga, inundações, sismos, a redivisão 
continental, a divisão da América por um novo despenhadeiro, o 
preenchimento do Golfo do México por uma nova extensão 
John M. Pontius – Visões de Glória
14 
territorial, mudanças de clima e das constelações do céu, o retorno 
das Dez Tribos, o retorno milagroso dos Santos para construir a 
Nova Jerusalém e o Templo, o encontro dos eleitos, os milagres do 
Milênio, a missão e os prodigiosos poderes dos 144.000, e a final 
celestialização da terra ao fim do milênio. Ele viu essas coisas, bem 
como muitos outros eventos assombrosos profetizados nas 
Escrituras, mas nunca antes descritas em tão vívidos detalhes4. 
Spencer começou a ter visões em seus primeiros vinte anos e 
tem sido constantemente admoestado pelo Espírito Santo para 
manter a maioria dessas experiências sagradas e até secretas. As 
poucas vezes que ele tentou relatar suas visões para os outros, isso 
custou-lhe amizades e o expôs ao ridículo e à rejeição em alguns 
casos. 
Spencer, pediu que eu não use seu nome real por várias razões. 
Em primeiro lugar, ele apoia o profeta vivo e seu chamado 
preeminente para receber a revelação da palavra de Deus para a 
Igreja5. Essas visões foram dadas a Spencer para prepará-lo 
pessoalmente para o que estava à frente em sua própria vida. 
Ele nunca considerou que estas visões do futuro foram para ou 
sobre a Igreja do Últimos Dias. Portanto, ele fica relutante em 
divulgar essas visões de forma que elas possam parecer uma 
tentativa de influenciar a Igreja de qualquer forma. Simplesmente 
não é este o caso. Ocultar a sua própria identidade é uma maneira 
eficaz de manter estas questões na ordem correta. 
A segunda razão para Spencer pedir-me que eu não usasse o 
nome dele é que ele não pretende se tornar o foco de perguntas das 
pessoas e da sua busca por respostas. Ele não quer ser o guru de 
ninguém. Ele não quer dar serõesNT1 ou falar em público sobre suas 
experiências. De fato, ele obedientemente manteve suas 
experiências para si mesmo, por quase quarenta anos, em parte para 
evitar este resultado possível de deixar que essas visões fossem 
publicadas. 
Ele tentou falar neste livro de tudo o que o Espírito Santo lhe 
desse palavras para descrever. As visões e acontecimentos que 
foram apenas pessoais ou sagradas demais para compartilhar foram 
retidas. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
15 
Fiz-lhe milhares de perguntas buscando detalhes sobre os 
eventos que ele tinha compartilhado. No momento em que este livro 
é publicado, Spencer terá esvaziado o seu “baú do tesouro” das 
experiências visionárias que ele é capaz de compartilhar neste 
momento, e ele não deseja ser solicitado por mais informações que 
ele não tem ou não pode compartilhar. 
Outra razão para a sua reticência é que Spencer é um orientador 
profissional de crianças e mantém todas as certificações necessárias 
para trabalhar neste campo. Justificadamente, ele considera o seu 
trabalho com crianças com dificuldades a sua missão na vida, e ele 
não quer que nenhuma forma de reconhecimento ou curiosidade 
interrompam esse trabalho mais importante. 
Encontrei-me com Spencer por meio de uma série de 
circunstâncias improváveis; tanto assim que a possibilidade de que 
seja uma coincidência é inconcebível. 
 Um querido amigo de Spencer, que conhecia pequenos trechos 
de suas experiências, mudou-se para a mesma alaNT10 de minha doce 
e espiritualíssima filha e, com o passar do tempo, eles se tornaram 
grandes amigos. Ao conversarem sobre influências espirituais em 
suas vidas, a minha filha falou de mim, e este amigo de Spencer 
falou dele. Eles decidiram, "devemos apresentar o John ao 
Spencer!”.
Depois de algum tempo, minha filha me enviou um SMS com o 
nome de Spencer e a sugestão de que eu ligasse para ele. Ela achou 
que iríamos “dar liga”, como ela fraseou. Eu geralmente não 
correspondo a sugestões como essa porque elas criam situações 
embaraçosas em que achamos difícil encontrar pontos em comum 
para poder "dar liga." 
O amigo do Spencer fez o mesmo com ele, e Spencer ficou 
igualmente relutante em me procurar, pelas mesmas razões. 
Numa certa tarde eu estava andando pela casa, e o Espírito 
sussurrou, "ligue para o Spencer, agora." eu sabia que era o Espírito 
Santo, então eu fui ao meu escritório e peguei meu telefone sem 
saber o que esperar, mas eu sabia que precisava ligar naquele exato 
momento. 
John M. Pontius – Visões de Glória
16 
Spencer atendeu e eu me apresentei. Spencer respondeu em um 
tom mais alegre: "Sim, eu tenho estado ansioso por encontrar-me 
com você! Quando seria a sua primeira oportunidade?" Suas 
palavras me intrigaram porque eu ainda não sabia até então que ele 
também tinha as minhas informações de contato. Eu pensei que eu 
estava ligando sem ele saber de mim. Como nota adicional de 
interesse, durante os muitos meses de entrevistas e redação, tentei 
ligar para o Spencer dezenas de vezes e nunca consegui. A única 
vez em que ele realmente atendeu o telefone foi naquela primeira 
vez que liguei. Em todos os outros casos, eu deixei uma mensagem 
e ele retornou minha ligação. 
Encontramo-nos na semana seguinte e, sem recorrer à hipérbole, 
aquelas duas horas foram as mais espirituais da minha vida. Ele 
começou a me contar um pouco de suas experiências e eu fiquei 
atordoado ao ouvir. O motivo foi simplesmente este: eu tenho 
estudado, procurado, orado e obtido vislumbres do meu próprio 
caminho através dos últimos dias mas eu nunca tinha ouvido uma 
outra pessoa viva falar exatamente dessas mesmas coisas. Naqueles 
primeiros minutos, ele falou daquelas coisas de maneira factual. Eu 
mal podia conter a minha curiosidade e a minha ansiedade por ouvir 
mais. Enquanto eu tinha "aprendido" dessas coisas, ele as tinha 
"visto" e eu estava curioso por ouvir tudo o que ele tinha visto 
porque ele parecia estar descrevendo as peças do meu próprio 
caminho, as quais eu nunca tinha dito a ninguém exceto minha 
esposa. 
Eu entendia quase tudo o que ele estava falando. Depois de um 
tempo, senti o Espírito fortemente dizer que ele estava descrevendo 
coisas que tinha visto, mas não as compreendia totalmente. 
Perguntei finalmente: "Você sabe o que significam estas coisas?”.
Ele olhou inocente, e respondeu, "Não, não realmente. Não 
todas." 
Expliquei o pouco que entendi da visão em questão e ele chorou 
jubilosamente confessando, sem qualquer evidente orgulho ou 
pretenção, que ele tinha buscado a maior parte da sua vida pelo 
sentido dessa visão, o qual eu tinha apenas sugerido a ele. Nós 
falamos pelo restante de nossas primeiras horas juntos sobre essas 
John M. Pontius – Visões de Glória 
17 
coisas. A minha compreensão esuas visões se encaixavam como 
uma luva, dando a cada um de nós um entendimento mais amplo. 
Nós dois estávamos cheios do Espírito Santo em elevado grau, e ele 
a recebia com admiração e espanto. Como eu disse anteriormente, 
foram as duas horas mais espirituais da minha vida, e também as 
mais reveladoras. 
Como nosso tempo aproximava-se do fim, ele simplesmente 
declarou, "Eu ainda não sei como avançar de onde estou hoje, para 
o que agora compreendo ser o significado de minha visão futura." 
O Espírito Santo inspirou-me logo que sai de minha casa a pegar 
uma cópia de um dos meus livros, The Triumph of Zion (O 
Triunfo de Sião). Eu tirei da minha maleta e entreguei a ele, 
dizendo: "Eu me senti inspirado a trazer este livro a você. Pode ser 
que você encontre algumas das suas respostas aqui." 
Para Spencer, esta primeira reunião foi como tombar o primeiro 
dominó. O meu papel de fornecer entendimento diminuiu com o 
tempo, conforme o Espírito Santo rapidamente preenchia os espaços 
em branco que suas visões não tinham revelado plenamente em sua 
juventude, e eles já estavam se tornando mais claros para ele. 
Nos abraçamos e, em seguida, planejamos nos reunir novamente 
na semana seguinte. 
Em algum momento durante o nosso segundo encontro, eu senti 
um forte impulso de fazer anotações, mas ele tinha dito várias vezes 
que ele estava me dizendo coisas que nunca tinha dito a ninguém. E 
estava ouvindo coisas tão grandes e importantes que eu não ousaria 
esquecer de nenhuma delas. As descrições de Spencer eram 
detalhadas acerca tudo. Quando ele "viu" suas visões, ele não as 
percebia como se fossem um filme em movimento; ele era um 
personagem participante da visão em todos os seus sentidos. Ele 
tocara e cheirara as coisas, sentira o triunfo e a tragédia das pessoas 
em torno dele, e experimentara o perigo e o medo exatamente como 
se ele estivesse lá. Ele lembrava de tudo em profundos detalhes, 
porque ele experimentara como se em sua própria carne. 
Finalmente, fiquei arrasado ao pensar na potencial tragédia de 
que todo esse conhecimento ficasse na cabeça de uma só pessoa e, 
em seguida, acabando por se perder. Era como se estivesse a ouvir 
John M. Pontius – Visões de Glória
18 
a João o Amado ou a Moisés descrevendo eventos que o mundo tem 
refletido por muito tempo, e eu estava ouvindo em maravilhosos 
detalhes, datas, horários, locais, mesmo as cidades e os nomes das 
ruas onde as coisas aconteceriam. As suas palavras transportaram-
me a lugares que eu podia ver em minha alma como ele descreveu. 
Eu ansiava e sofría interiormente, sentindo o quão trágico seria se 
essas coisas nunca fossem transmitidas para abençoar os outros 
assim como elas estavam mesmo ali abençoando-me. 
Ao levantarmos para partir pela segunda vez, eu disse algo 
como: "Spencer, não pode ser só uma coincidência nos 
encontrarmos. A sequência de eventos que nos aproximou, 
incluindo minha mudança do Alasca, o seu amigo e a minha filha 
mudando ao mesmo tempo para a mesma ala (congregação da 
Igreja), e mil outros eventos alinhando-se." 
"Eu sei que isso não foi uma coincidência," ele disse suavemente. 
"Foi um milagre". 
"Devo dizer, então, que o fato de que eu sou um escritor Santo 
dos Últimos Dias não pode ser mera coincidência. Proponho que 
você pergunte ao Pai, se eu poderia registrar essas visões que você 
me está a descrever. Deveriam pelo menos ser escritas e não serem 
perdidas para sempre, mesmo que você apenas as conserve e as 
transmita em sua família. Mas desejaria que o Pai celestial pudesse 
finalmente nos permitir publicá-los para o benefício de todo o 
mundo. Estas coisas parecem demasiado preciosas para ficarem 
escondidas com uma pessoa, em suas memórias. Eu acho que todo 
o mundo cristão se alegraria em saber estas coisas." 
Spencer ponderou isso com uma expressão de questionamento. 
Ele me tinha informado que lhe fora várias vezes dito para não 
divulgar qualquer destas coisas sagradas até que o Senhor lhe 
dissesse que estava na hora. Finalmente, ele sorriu e disse: "Eu vou 
pedir ao Pai encarecidamente, e estou muito interessado em sua 
resposta." 
Fiquei sem saber o que pensar, sem saber se eu tinha 
ultrapassado algum limite sagrado mas ainda acreditando que eu 
tinha dito a verdade, que tudo isto não deve ser perdido. Eu também 
fora tocado pela sua resposta cheia de fé. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
19 
Meu Amigo Apostólico 
Nós nos reunimos em seu escritório uma semana mais tarde, e 
ele me contou esta história: "todos esses anos eu me senti 
dolorosamente só, por não poder falar das coisas que tenho visto em 
visões. Elas tornaram-se uma parte importante de mim, de quem eu 
sou, e do que eu estou fazendo com a minha vida, e eu fui obrigado 
a silenciar-me. 
"Até eu relatar essas coisas a você eu nem sequer me dava conta 
de que elas poderiam vir a se realizar plenamente em minha vida –
principalmente considerando minha situação pessoal, falta de saúde, 
e fraquezas. Sempre soube que são verdadeiras, mas só 
recentemente eu passei a suspeitar que velas virão a se realizar. Fui 
perseguido e rejeitado nas poucas vezes em que me abri, mesmo que 
só um pouquinho. Tenho estado muito sozinho com isso por um 
longo período de tempo. Tem sido um dos aspetos mais difíceis da 
minha jornada. 
"Uma das minhas atribuições na Igreja, por muitos anos, 
envolvia visitas mensais ao Edifício dos Escritórios da Igreja em 
Salt Lake City. Encontro-me com várias autoridades gerais e passei 
a conhecer e amá-los pessoalmente. Ao longo dos anos, me tornei 
um bom amigo de um dos membros do Quórum dos Doze. Nos 
tornamos amigos íntimos. Nós, como ele costumava dizer, 
"partimos pão" juntos e passei momentos maravilhosos em sua 
companhia em numerosas ocasiões. 
“Uma noite, enquanto sozinho com ele, fui inspirado a contar-
lhe uma das minhas visões. Ele ouviu com muito interesse e, em 
seguida, concluiu, dizendo-me que era de Deus e que eu deveria 
entesourá-la em meu coração, transcrevê-la, e não falar dela até que 
o Senhor me ordenasse6. Ele também aconselhou-me a não tentar 
interpretar o significado da mesma. Ele disse, "quando o Senhor 
quiser que você entenda, ele irá enviar alguém, ou dar-lhe o 
significado, mas, até então, é a vontade de Deus que você mantenha 
estas coisas para si mesmo e não tente interpretá-las sem mais 
revelação.”.
John M. Pontius – Visões de Glória
20 
"Meu amigo apóstolo tornou-se uma força e uma fonte de 
grande conforto para mim. Ele se tornou uma fonte de segurança 
neste véu de lágrimas e a minha fonte de paz, de que o que eu via 
era de Deus e não algo de que eu devesse ter vergonha ou medo”.
Spencer olhou para baixo por alguns momentos antes de 
continuar. Quando ele olhou para cima, ele estava quase em 
lágrimas. "Quando o meu querido amigo morreu, chorei sua perda 
tão profundamente como se ele fosse meu pai ou meu filho. Eu não 
pude superar aquela dor por um longo período de tempo. Senti que 
não só tinha perdido um amigo querido, um apóstolo do Senhor, 
mas também a única pessoa na terra a quem me tinha sido dada 
permissão pelo Senhor, para compartilhar minhas experiências. 
"Eu chorei sua morte por meses. Às vezes eu não tinha vontade 
de comer ou dormir. Achei difícil funcionar corretamente. Eu estava 
a afundar em depressão. Então uma noite eu fui despertado por 
alguém ao lado do meu leito. Eram cerca de duas horas da manhã, 
e eu fui repentinamente desperto. Sentei-me e percebi que um 
mensageiro celeste estava de pé ao lado do meu leito. Este mesmo 
mensageiro me tinha conduzido através de muitas experiências 
visionárias, ainda assim eu nunca soube o nome dele, nem estava 
autorizado a perguntar-lhe. Movimentei-me como se fosse sair da 
cama e, em vez de dar um passo atrás para permitir-me fazê-lo, ele 
apenas sorriu para mim. 
"Ele não mexia os lábios, mas ele falou comigo do jeito que eu 
tinha me familiarizado nas visões, em que a informação apenas flui 
em minha mente e no meu coração na voz do meu visitante. Euera 
capaz de responder da mesma forma, mas a maioria das vezes me 
esquecia e fazia minhas perguntas em voz alta. 
"Ele disse, 'Spencer", e eu sabia porque ele tinha vindo desta 
vez: porque o meu querido amigo, o Apóstolo, lhe tinha pedido. Ele 
irradiava amor e interesse ao continuar, "Você não deve chorar o 
passamento de seu amigo tão profundamente. Ele está incomodado 
pela sua tristeza por ele e sabe que você entende que ele está muito 
feliz, finalmente em paz, livre de dor e está indo em frente com o 
seu trabalho. Ele ama a você e, portanto, pede que você deixe de 
chorar por ele”.
John M. Pontius – Visões de Glória 
21 
"Eu me senti disposto a fazer tudo o que o anjo me pediu para 
fazer, e senti aquela profunda sensação de perda e luto rapidamente 
esvair-se. A paz substituiu a perda no meu coração. Mas eu tinha 
mais uma pergunta para ele. Eu disse, 'não tenho mais ninguém a 
quem o Senhor deu-me permissão para falar sobre minhas 
experiências. Eu acho que estou em luto por essa perda também”.
"O anjo sorriu e respondeu, "Eu compreendo, mas será apenas 
por um pouco mais de tempo. O senhor vai enviar o John (João) 
para sua vida. Ele vai entender a você e às suas visões. Você pode 
dizer-lhe tudo o que você já experimentou. Ele irá ajudar também 
você a compreender. Basta ser paciente até lá." 
Spencer disse-me que o anjo recolheu a luz à sua volta e 
desapareceu. Spencer deitou-se de novo e, depois de um longo 
tempo, caiu no sono. 
Spencer me olhou de forma penetrante e acrescentou: "Quando 
você primeiro me chamou e pediu para nos encontrarmos, foi então 
que eu percebi que o seu primeiro nome é John (João). A partir 
daquele dia passei a perguntar ao Pai fervorosamente se você era o 
John a quem o anjo se referira." 
E eu respondi, "Certamente ele estava falando de alguém mais 
importante do que eu – como João, o Amado, ou João Batista, ou 
talvez alguém da Cidade de Enoque!”.
Spencer sorriu e disse: "Não, ele estava falando de você. Você 
é “o” John (João), que o anjo prometeu-me que estava para chegar. 
Esperei oito anos para que a promessa fosse cumprida. Tenho 
rogado ao Senhor, e Ele me deu permissão para contar-lhe toda a 
minha experiência e para permitir que você escrevesse certas partes 
dela para serem publicadas." 
Spencer disse que acredita que esta foi uma das razões porque 
havíamos nos encontrado neste momento. "Espero que alguma coisa 
que incluamos neste livro possa abençoar a alguma alma e possa dar 
esperança e clareza na preparação para o que se avizinha." 
O Espírito ardeu como fogo na minha alma, testemunhando ali 
e ainda me afirmando hoje, de que é verdade. Marcamos um outro 
encontro e, a partir daquele dia, nos encontramos pelo menos uma 
vez por semana por um período de seis meses. Juntos, produzimos 
John M. Pontius – Visões de Glória
22 
um volume de anotações e mais de cinquenta horas de entrevistas 
gravadas. 
O que você está prestes a ler é, ao meu modo de pensar, o mais 
completo e poderoso entendimento sobre os últimos dias que já 
chegou a uma pessoa comum. 
Não é escritura e não deve ser considerado como tal. Não é 
profecia para ninguém, mas a Spencer apenas. É simplesmente um 
relato de como o Senhor tem preparado um homem humilde, meu 
amigo Spencer, para sua missão nos últimos dias. Você e eu, somos 
apenas afortunados como testemunhas casuais, por assim dizer. 
Como já referi anteriormente, nada disto é ficção; tudo está de 
acordo com o que me disse Spencer, que assume a responsabilidade 
pelo seu conteúdo. 
É algo que você nunca pode esquecer.
NOTA DO AUTOR
história de Spencer chegou aos meus ouvidos como uma 
narrativa que, em espírito de oração, condensei em um 
relato das viagens de Spencer além do véu. Desde os 
primeiros dias de entrevistas e perguntas, Spencer, leu e 
releu o que escrevi, e ele declarou que este livro é um relato 
verdadeiro e rigoroso da sua experiência visionária. 
Optei por escrever na voz do Spencer, porque todas estas coisas 
vieram dele. De forma nenhuma eu inventei pessoas ou eventos para 
dar substância ao relato – embora eu tenha interpretado muito de 
sua narrativa a fim de torna-la clara, sequencial e compreensível. Eu 
também tentei preservar o seu modo peculiar de expressão e 
personalidade. 
Spencer e eu mudamos todos os nomes para proteger as 
identidades e suprimimos a localização exata de alguns eventos. Em 
alguns casos, atenuamos a descrição de alguns acontecimentos 
terríveis para manter este livro apropriado ao público geral. Temos 
removido tudo o que pudesse incitar medo ou pânico ao ser lido por 
alguém incapaz de compreender pelo Espírito Santo a mensagem 
maior de esperança e de libertação. 
O apêndice no final deste livro contém outras notáveis 
experiências visionárias semelhantes às de Spencer. Elas foram 
reproduzidas aqui sem modificação e talvez sejam mais explícitas 
do que seria adequado a leitores menores. 
As Escrituras dizem-nos que os tempos de tribulação estão 
próximos7 e que aqueles que estão no caminho da justiça – que têm 
tomado o Espírito Santo como guia e que têm alinhado seus 
corações e desejos com Cristo, regozijar-se-ão com as mudanças. 
Quem participar nos cenários dos últimos dias em retidão, irá 
A
John M. Pontius – Visões de Glória 
24 
crescer em força até que não haja medo, andando em grande poder 
e revelações para realizar seus labores. 
As Escrituras dos Últimos Dias também ensinam-nos que, à 
medida que o tempo se aproxima do retorno de Cristo, aqueles que 
suportarem o dia irão erguer-se para a plena glória de Sião. 
TransladaçãoNT6 será comum entre nós, e aprenderemos a viver sem 
doença ou morte. Vamos aprender a operar na plenitude do 
sacerdócio, e reuniremos em Sião os eleitos do mundo. Ali lhes 
ensinaremos, lhes administraremos as sagradas ordenanças e os 
protegeremos enquanto eles percorrem seu próprio caminho à Sião 
de Cristo nos últimos dias. Haverá anjos entre nós, mensageiros 
celestiais e milagres ainda maiores do que aqueles que livraram os 
filhos de Israel do Egito. E, no devido tempo, teremos o próprio 
Senhor entre nós. A Igreja irá erguer-se à plena glória total de seu 
chamado e vai ser a voz profética de orientação que todos 
seguiremos ao concluir esta grande dispensação da plenitude dos 
tempos. 
Estes serão dias gloriosos – tempos para nunca mais serem 
esquecidos – que serão canonizados nas Escrituras e histórias e 
canções que serão cantadas enquanto existirem descendentes de 
Adão, a longo das eternidades que nos esperam. 
– John M. Pontius 
1 – Despertado pela Morte 
25 
Capítulo Um 
DESPERTADO PELA 
MORTE 
Minha Primeira Experiência com a Morte 
u nasci morto. Quando entrei neste mundo, a minha pele 
era azul escura e preta. O médico lançou um olhar a mim 
e me entregou a um dos quatro enfermeiros da sala de 
operação. Eu era pequeno e pré-maturo, e a enfermeira 
não encontrou pulso ou respiração. Ela envolveu meu corpo 
inanimado em um jornal e me deitaram em uma pia de inox. A 
minha mãe estava sangrando muito, e a enfermeira com pressa para 
ajudar o médico. Eles disseram-lhe que eu fui natimorto e 
continuaram a cirurgia para salvar a sua vida. Ela mesma nunca me 
contou isso, mas eu descobri depois que ela sentira-se aliviada por 
eu não ter sobrevivido pois ela não queria essa gravidez. 
Segundo a minha mãe, quando a enfermeira voltou-se para 
cuidar do meu corpo inanimado, enrolado em jornal, ela encontrou-
me lutando para respirar. Eles imediatamente me levaram para o 
Hospital Infantil da Primária para ver se eu poderia, por fim, 
sobreviver àquele sofrimento. 
Mais tarde, depois que minha mãe tinha se recuperado um pouco 
da cirurgia e haver uma pequena esperança de que eu poderia 
sobreviver, eles informaram-lhe que seu bebê natimorto havia 
"enrubescido um pouco." 
Quando meu pai tinha dezoito anos, ele e alguns amigos saíram 
para um passeio divertido. Eles estavam bebendo e dirigindo, e 
atingiram um idoso do lado da estrada e o mataram. O meu pai foiconsiderado culpado de homicídio veicular. Mas a Segunda Guerra 
Mundial tinha recém irrompido, de modo que o juiz o "condenou" 
E
John M. Pontius – Visões de Glória 
26 
a se juntar à Marinha. Ele serviu na Marinha até o fim da guerra. A 
culpa, vergonha e remorso devido à morte trágica daquele homem 
idoso atormentaram meu pai para o resto da sua vida, o que 
contribuiu para o fim da sua filiação e interesse pela religião, 
embora seus pais mantiveram-se sempre fiéis e continuaram a 
envolvê-lo e a orar e se preocupar com ele. 
Ele e mamãe casaram-se, para o desgosto dos pais de ambos, e 
eles mantiveram um relacionamento escabroso e abusivo. Após seu 
divórcio, minha mãe se recusou a falar sobre meu pai com quem 
quer que fosse, para o resto de sua vida. Nunca me encontrei com 
ele e sabia pouco mais sobre ele do que referências enfurecidas e 
comentários de menosprezo de outros membros da família. 
No momento do meu nascimento, meus pais haviam se separado 
recentemente mas ainda não divorciado. Mãe ficara grávida pouco 
antes da separação em uma última tentativa desesperada para salvar 
o seu casamento. O divórcio resultou desagradável e verbalmente 
abusivo. O meu pai foi embora e recusou-se a sustentá-la ou aos 
meus irmãos mais velhos. Quando ela percebeu que ela estava 
grávida, ela ficou inicialmente irritada, em seguida furiosa e depois, 
deprimida e ressentida da sua situação e da pouca vida dentro dela. 
Minha mãe voltou a trabalhar como enfermeira. 
O pai de minha mãe era um ministro leigo Metodista. Quando 
mamãe tinha casado com o meu pai, que era "Mórmon", seu pai lhe 
havia repudiado e lhe disse que ela já não era uma cristã e que ela e 
seus filhos iriam todos para o inferno. Quando percebeu que não 
podia sustentar sua família, mamãe contatou a seus pais para pedir 
ajuda. Seu pai reafirmou que ela não era bem-vinda em sua casa. 
Ela nunca se sentira mais rejeitada, isolada e abandonada. Isso foi 
sentido como mais uma rejeição e abandono na sequência de 
rejeições que ela tinha vivido desde jovem até o tempo presente. 
A mãe de meu pai, minha avó facilmente convenceu meu avô 
de que precisavam acolher minha mãe e apoiá-la até que ela pudesse 
se restabelecer. Então, neste momento de grande necessidade, 
minha mãe e nós, crianças, fomos carinhosamente acolhidos na casa 
de meus avós paternos. O meu avô era bispo no momento, e a minha 
avó era oficiante no templo local. Eles eram baluartes na Igreja e 
1 – Despertado pela Morte 
27 
eram pessoas amorosas. Na minha juventude minha avó tornou-se a 
pessoa mais querida na minha vida. 
Os meus avós foram uma influência tão amorosa e cheia de fé 
sobre a minha mãe, que ela se juntou à Igreja cinco anos após o meu 
nascimento. Eles foram a solidez na sua vida, e na minha. Eles 
nunca nos falharam. Temos vivido uma vida abençoada e, por causa 
da influência constante e sincera dos meus avós, de carinho e 
generosidade, a minha mãe foi capaz de cuidar de nossas 
necessidades financeiras. Muitas vezes eu passei sem as coisas que 
eu queria como criança, mas eu nunca senti que éramos pobres. Eu 
me senti seguro e amado. 
No decurso de minha profissão como terapeuta infantil e 
familiar, tenho visto muitas outras crianças cujas vidas e almas 
foram dilaceradas pelas mães, que não se davam conta de que 
estavam prejudicando a criança ainda por nascer, ao viverem vidas 
de raiva e ressentimentos, pelas circunstâncias da concepção de sua 
criança. 
Eu tenho lutado com essas questões por toda minha vida e 
provavelmente escolhi minha atual profissão para tentar curar 
minhas feridas pré-natais. Não foi até 1983, quase trinta e três anos 
mais tarde, que eu finalmente compreendi o que havia realmente 
acontecido, e fui capaz de perdoar a ela e ao meu pai. 
Esse entendimento veio mais dolorosa e inesperadamente na 
segunda vez em que eu morri. 
Minha Primeira Experiência Pós Morte 
Era setembro de 1983, e eu estava tendo problemas de saúde 
com infecções internas crônicas, especialmente em meus rins, 
combatendo vários cálculos renais. Os médicos queriam saber se 
meus rins tinham sido danificados pelos contínuos problemas 
renais. O meu médico recomendou um raio-x com tintura de 
contraste iodada para realçar qualquer dano que pudesse ter 
ocorrido. Era supostamente um procedimento de rotina. 
Eu tinha trinta e três anos e tinha terminado um duplo mestrado 
e estava frequentando a escola para concluir o doutorado. Cada vez 
John M. Pontius – Visões de Glória 
28 
que eu tinha este distúrbio renal, eu tinha que ficar em casa, perder 
tempo no trabalho e atrasar meus estudos. O médico finalmente 
mencionou que eu deveria simplesmente parar de beber 
refrigerante, dizendo que, se não fosse pelos refrigerantes, ele 
estaria desempregado. Fiquei impressionado com o quão simples 
era solução e fiquei surpreso que ele não tinha mencionado isso anos 
antes. Parei de beber refrigerante, e nunca tive problemas renais 
desde então. 
Eu estava muito bem casado com Lyn (não é seu nome 
verdadeiro, é claro) a essas alturas. Tivemos cinco filhos e achei que 
já tínhamos parado de fazer filhos. Ainda éramos dedicados 
estudantes, embora eu estivesse trabalhando em tempo integral em 
um hospital. Estávamos ansiosos para concluir o meu curso de 
doutorado para que eu pudesse tornar-me um professor livre-
docente e começar a minha própria prática privada. Eu já estava em 
diversas faculdades como professor e instrutor. 
Chegamos na clínica um pouco mais cedo para preencher a 
papelada. Eu tinha de vir em jejum. Nós nos sentamos na sala de 
espera, escutei o meu nome ser chamado. Antes do processo ter 
início, fui vestido em um avental de hospital. Fui escoltado para 
uma estreita mesa de metal e orientado a deitar de costas. Haviam 
tubos e frascos de líquido pendurados acima da minha cabeça. 
As paredes do quarto eram verde hospital. Uma máquina de 
raios x preta dominava a parede do fundo. O piso era de concreto 
verde com uma borda preta. As paredes combinavam. Era uma 
típica sala de procedimentos de hospital da década de 1970. 
Eu estava sentindo medo do procedimento, mas achei que era 
necessário, então aquiesci quando a enfermeira iniciou o intravenal. 
Ela era jovem, loira e atraente. Eu achei que ela estava em seus trinta 
e poucos. Eu gostei de sua simpatia, alegria e confiança. 
Conversamos sobre o procedimento e possíveis complicações. Ela 
explicou alguns dos possíveis sintomas de uma reação alérgica ao 
corante que ela cuidadosamente injetava no meu braço. 
Ela disse, "Se você se sentir um fluxo..." E naquele exato 
segundo comecei a sentir um fluxo. 
1 – Despertado pela Morte 
29 
Ela continuou, "Se você sentir a sua pele coçar..." E eu comecei 
a sentir coceira severamente por todo o meu corpo. 
Ela disse, "Se você sentir pressão no peito ou se sentir como se 
não conseguisse respirar..." exatamente quando eu senti uma 
sensação de horrível esmagamento no meu peito, como se um 
elefante se sentasse sobre mim. Eu tentei dizer, "Eu não consigo 
respirar!" Mas não consegui pronunciar as palavras. Coloquei o meu 
braço e mão livres no meu pescoço e os passava rapidamente sobre 
minha garganta, tentando fazer enfermeira entender que eu estava 
em apuros. Eu peguei a minha garganta, gesticulando o que eu sabia 
ser o sinal universal de asfixia. 
Foi nesse momento que a enfermeira compreendeu os meus 
toques e percebeu que algo estava seriamente errado. Ela correu 
para a parede e apertou um grande botão vermelho. A campainha 
tocou em alto e bom som, e uma voz gravada do alto falante da 
clínica começou a repetir "código azul, quarto vinte e quatro! 
Código azul, quarto vinte e quatro!" Tendo trabalhado no hospital 
por muitos anos, eu tinha respondido a esse chamado muitas vezes, 
nunca prevendo que um dia eu seria o objeto de um anúncio como 
este. 
A próxima coisa de que eu me lembro foi que meu espírito 
estava afundando para baixo através da mesa. Eu estava de olhos 
bem abertos, não querendo perderqualquer parte desta experiência, 
e eu sentia meu espírito afundar até eu poder ver a parte inferior da 
mesa. Não queria ficar embaixo da mesa, e em um instante eu me 
encontrei ao lado da mesa de procedimento olhando para o meu 
corpo inanimado estendido diante de mim8. 
O grande relógio preto e branco na parede à direita diante de 
mim mostrava 09:20 hs. 
A enfermeira tentou encontrar pulso e não conseguia. Ela 
xingou e gritou com a sala de controle, "Estou perdendo ele! Estou 
perdendo ele!” Um técnico apressou-se ao quarto. 
Imediatamente as pessoas reuniram-se para tentar reanimar-me. 
Um médico a quem eu não tinha visto antes correu para o quarto e, 
por algum motivo, eu imediatamente soube que ele estava tendo um 
caso com a enfermeira que começou o intravenal. Era uma grande 
John M. Pontius – Visões de Glória 
30 
surpresa para mim que eu soubesse disso. Vi a minha mente cheia 
de novas informações que vinham a mim mais do meu coração do 
que dos meus sentidos habituais. Eu também sabia que essa 
enfermeira recentemente se havia divorciado. Eu sabia o quanto ela 
valorizava e também temia este relacionamento com o médico que 
já estava trabalhando ao seu lado para salvar-me. Eu sabia o quanto 
ela se esforçava para ser boa em sua profissão e, ainda assim, ser 
uma boa mãe para seus dois filhos em casa. Eu sabia que ela tinha 
terríveis problemas financeiros. Eu sabia tudo sobre ela, realmente 
todos os detalhes de sua vida, e todas as suas decisões, medo, 
esperança e ações que havia criado a sua vida. Eu podia ouvir a sua 
mente gritando de medo. Ela estava a orar por ajuda, tentando 
assumir o controle do seu medo e lembrar-se de seu treinamento. 
Ela desesperadamente não queria que eu morresse. 
Eu olhei para as outras pessoas na sala e foi com grande espanto 
que eu pude ouvir seus pensamentos e conhecer os detalhes sobre 
as suas vidas9, tão vividamente como a da enfermeira. 
Há uma maior sensibilidade espiritual que vem de estar morto 
que eu nunca houvera suposto ou ouvira falar antes. Eu sabia o que 
cada um estava pensando. Na verdade, ela era mais do que apenas 
saber o que eles estavam pensando. Eu também sabia de todos os 
detalhes de suas vidas. Eu sabia se eles eram pessoas boas ou ruins, 
se eles eram honestos ou corruptos, e eu sabia de todos os atos que 
os tinham trazido ao seu atual estado. Não era algo que eu sentia ou 
podia ver, era apenas o conhecimento que estava em mim. 
O que foi ainda mais interessante a mim foi que eu não me senti 
julgando a nenhum deles. Eu simplesmente sabia estas coisas. Era 
como saber que uma rosa é vermelha; não é algo para se julgar mas 
apenas o jeito que a flor é. 
O que me fez sentir, o que era totalmente novo para mim, foi 
uma rica compaixão por eles e suas circunstâncias. Uma vez que eu 
sabia tanto sobre eles, eu também sabia de suas dores e de sua 
motivação para tudo o que tinham feito e que os tinha levado até 
este momento. Também senti seu medo de me perder. 
As suas ações e as reações eram calculadas, forçando-os a 
manter a calma. Somente no médico que trabalhava comigo senti 
1 – Despertado pela Morte 
31 
uma espécie de distanciamento que lhe permitiu agir com menos 
emoção. Sentindo seu medo e o impacto total da sua vida fez-me 
experimentar sua dor quase tão intensamente como eles a sentiam, 
e eu tinha total compaixão por eles. Eu não sentira temor por mim 
mesmo até então. Eu estava ocupado demais tentando entender 
todas estas novas sensações. 
Eu estava um pouco mais longe. Eu acho que eu tinha me 
afastado um pouco para dar-lhes espaço para trabalhar no meu 
corpo, porque eles estavam caminhando ou correr pelo mesmo 
espaço onde eu tinha estado. 
"Eu devo estar morto", lembrei-me de pensar. Eu tive de 
repensar esse processo algumas vezes antes que realmente caísse a 
ficha. Estou morto! finalmente me toquei, eu vi o meu corpo sobre 
a mesa, e eu numa nova forma corporal pairando acima, com total 
conforto e sem dor. Apenas há pouco tempo, eu estava na maior dor 
que eu jamais sentira, e agora eu estava completamente livre de toda 
dor e dos cuidados do tabernáculo de carne. Agora eles 
desapareceram. Foi um alívio descobrir que estar morto não causa 
qualquer grande angústia. Só aceitei que eu estava morto porque eu 
estava olhando para o meu corpo ali em cima da mesa. Eu estava ali 
em pé assistindo todas essas pessoas tentando reavivar-me. Eles 
estavam a gritar comandos e pedidos e a injetar-me com muitas 
substâncias para ressuscitação. 
A próxima consciência que eu tive foi que eu era capaz de 
compreender muitas coisas ao mesmo tempo. Eu não necessitava de 
me concentrar em uma única coisa qualquer, porque todas elas eram 
claras ao meu entendimento. Eu senti que eu podia compreender 
infinitas quantidades de conhecimento e focar em um número 
infinito de assuntos, dando a cada um a minha absoluta atenção. Isso 
foi incrível para mim e tão diferente da minha experiência como um 
esforçado pós-graduando, tentando memorizar volumes de 
informação. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
32 
Minha Vida Revista 
Neste momento, comecei a ter uma visão de toda a minha vida10. 
Por ter essa nova capacidade de compreender tantas coisas de uma 
só vez, a visão era completamente envolvente, importante e curiosa 
para mim, mas eu ainda tinha uma plena compreensão de cada 
médico e enfermeiro em volta de mim e o que estava acontecendo 
com o meu corpo. 
A primeira coisa que vi foi a minha mãe levando-me em seu 
ventre. Eu não apenas a via, eu completamente compreendia a ela, 
toda a sua vida, suas dores e tristezas, cada pensamento que ela teve, 
cada decisão que ela tinha tomado, cada emoção que sentiu. Eu 
percebi que, em toda a minha vida, eu realmente não conhecia a 
minha mãe em completamente. Eu sempre a vira da perspectiva de 
uma criança, e eu nunca tinha sido capaz de desculpa-la totalmente 
por não me querer. Ela me contara a história de como o meu pai 
biológico a tinha abandonado grávida, paupérrima e sem-teto. Ela 
nunca havia falado indelicadamente do fato de eu ter nascido. No 
entanto, a vida inteira ela sempre deixou bem claro que os filhos 
eram um grande fardo para ela, e que ela foi deixada sozinha e sem 
ajuda para sustentá-los. 
Eu agora a percebia de modo completamente diferente. Assisti 
a minha própria concepção, e todas as emoções do momento. Com 
tudo isto, não houve julgamento de mim ou de Deus. Eu me sentia 
sem emoção sobre aquilo exceto maior compaixão por minha mãe. 
Eu vi que ela tinha outros dois filhos, sendo eu o terceiro. 
Observei-lhe cada suspiro, cada decisão, cada medo e lágrimas que 
ela derramou. Eu vi muitas pessoas, na sua maioria profissionais 
amigos, tentando convencê-la a abortar-me ou me dar para adopção. 
Disseram-lhe que seria um lembrete constante do meu pai 
incompetente e o que ele tinha feito para ela. Também vi outros, 
seus amigos e líderes da Igreja, inclusive meus avós, tentando 
convencê-la a manter-me e criar-me. 
Vi e senti o processo decisório de minha mãe até chegar à 
conclusão de me manter. Era como se ela tivesse passado por esse 
processo tantas vezes que ela podia ver os resultados desta escolha 
e como isso afetaria a ela e a mim para o resto de nossas vidas. Ela 
1 – Despertado pela Morte 
33 
se sentia tão sozinha e rejeitada. Ela se sentia como fracasso, e 
simplesmente incapaz de criar um outro filho. No entanto, ela 
também era uma enfermeira que havia cuidado de mulheres em 
situações semelhantes à dela própria, e ela sentia que não deveria 
sujeitar o seu próprio filho ao processo de adoção. Ela concluiu que 
doar-me para viver com outra família não traria nada de bom para o 
bebê ou para si mesma. Ela tinha extrema dificuldade com amor, 
confiança e relacionamentos. Ela estava enfrentando sua própria 
depressão e sentimentos de perda, portanto amor não foi uma grande 
parte da sua decisão. Ela pensava coisas como, "dois erros não 
corrigem o erro anterior" e "Eu preciso limpar os meus próprios 
erros."A sua decisão não foi baseada no amor. Ela foi baseada na 
racionalização. Ela me manteve pelo dever e pela responsabilidade. 
Ela não tinha sido criada por pais amorosos. Seu pai era duro e 
fisicamente abusivo. A mãe era uma inválida que ficava em sua 
cama na maior parte do dia. Como eu já notara, ela tinha sido 
repudiada por seus pais, e ela sabia como isso é horrível para uma 
criança. Por isso, agora ela estava escolhendo fazer o que era certo, 
não o que era conveniente. Sua depressão e perda levou o amor 
materno para longe dela. 
Percebi também que eu estivera envolvido na vida de minha 
mãe antes de eu nascer. Eu tinha sido, de certo modo, um anjo 
ministrador para ela, assistindo e protegendo-a suas através dos 
momentos difíceis até meu nascimento. Era um entendimento 
pacífico e reafirmador para mim. Eu queria nascer dela, mesmo em 
circunstâncias difíceis, e ela havia tomado a difícil decisão de 
manter-me. Eu experimentei o amor que eu tinha por ela antes de eu 
nascer, e ele se manteve comigo desde sempre. Ele tem sido um 
Bálsamo de Gileade à minha alma e me permitiu não só perdoá-la, 
mas também plenamente compreendê-la como uma pessoa 
completamente diferente, ela realmente me amara, muito antes que 
ela ou eu tivéssemos nascido. 
Eu vi todos os acontecimentos de sua vida levando até ela ir ao 
hospital para parir-me. Eu sentia seu medo e raiva a cada passo do 
seu caminho. Ela não era saudável nem física nem emocionalmente. 
O As sombrias emoções daqueles dias minaram minha vida e 
John M. Pontius – Visões de Glória 
34 
roubaram de meu corpo em gestação a vitalidade que precisava para 
sobreviver. 
Eu vi minha mãe em trabalho de parto e fui surpreendido ao ver 
muitos anjos presentes no meu nascimento. Duas das enfermeiras 
na sala de parto não eram mortais, mas eram anjos. Elas eram ou 
seres transladados ou ressurretos, porque elas tinham corpos. Elas 
agiam como os outros enfermeiros, mostrando emoções e recebendo 
ordens. Mas eles estavam lá apenas para ajudar a mulher e o filho 
que estava morrendo no momento do nascimento. 
Minha mãe se sentiu tão sozinha. A sua principal emoção foi de 
abandono e tristeza. Ela não sabia nada sobre esses anjos que ali 
estavam ajudando-a, o que parece ser o caso da maioria das 
intervenções angelicais. Temos ciência de muito pouco do que os 
anjos fazem. Nas suas dores de parto nestas tristes circunstâncias, 
ela não percebia que todos esses personagens espirituais estavam lá, 
interferindo, protegendo e trazendo vida. Mesmo em seu desespero, 
seres divinamente comissionados estavam ali dando-lhe força e 
amorosamente ajudando-a, para que ela e eu pudéssemos ter uma 
vida juntos. 
Enfermeiras Angélicas 
Como eu estava vendo o meu próprio nascimento, vi que o meu 
pequeno corpo natimorto era, de fato, preto e azul escuro. Assisti a 
enfermeira verificar batimento cardíaco com um estetoscópio. 
Como não ouviu mais nada, ela envolveu-me em jornal porque eu 
estava coberto de sangue e fluidos escuros. Eu até cheirava mal, e 
ela não queria sujar as toalhas do hospital. Ela tristemente colocou-
me na pia e voltou para a operação. 
As duas enfermeiras que foram designadas para cuidar do meu 
corpo recém-nascido afastaram-se da minha mãe e começaram a 
trabalhar comigo, apesar do fato de que eu estava morto. Percebi 
que eram duas anjas, e elas foram assistidas por outros anjos 
invisíveis diante de descendo dos portais do céu. Cheguei mais perto 
deles. Eles tinham puxado o jornal para revelar o meu rostinho 
franzido. Ele estava preto, coberto de sangue, se eu estivesse no meu 
1 – Despertado pela Morte 
35 
eu mortal, aquela imagem, sem dúvida alguma, me faria mal. Em 
espírito, eu achei curioso e triste, e ainda mais interessante que essas 
duas enfermeiras estavam movendo suas mãos para dentro e para 
fora do meu corpo. Era quase como se estivessem fazendo 
ressuscitação, mas suas mãos estavam efetivamente penetrando 
meu corpinho. A cada passagem minha pele ficava um pouco mais 
rosada, um pouco mais viva. 
Eu podia ouvi-las falando espiritualmente uma com a outra, 
coordenando e concentrando seus esforços para socorrer-me. 
Grande parte de seu discurso era louvor e oração, pedindo a Deus 
que abençoasse seus esforços e exaltando Seu poderoso desígnio. 
Elas tinham urgência, mas nem um pouco temerosas ou 
desanimadas. Eu que eles não conseguiam me ver, ou pelo menos 
não deram sinal de que me viam assistir ansiosamente. 
Eu vi o corpinho dentro da pia, o meu próprio corpo, ofegante, 
lutando para viver. A enfermeira puxou o jornal abrindo um pouco 
mais virou para o médico. Seu rosto era sereno, mas a sua voz era 
de surpresa fingida. Ela gritou, "doutor! eu acho que esse bebê ainda 
está vivo! Ele ficou corado!”.
Por esta altura o médico havia salvo minha mãe e estancado o 
sangramento interno. Dirigiu-se ao redor, suas mãos 
ensanguentadas erguidas à frente. O seu rosto era incrédulo; no 
entanto, ele caminhou para a pia. Ele olhou para o relógio na parede, 
preparando-se para anunciar o horário da morte do menino. Quando 
ele me olhou, ele ordenou que as mesmas enfermeiras que 
ressuscitaram-me me tirassem da pia e me aquecessem. Elas 
viraram as costas, e carregaram para o mal assistido e mal operado 
berçário. Fui imediatamente transferido para Hospital Infantil da 
Primária onde eu lutei por semanas para permanecer vivo. Fui 
colocado num velho respirador artificial de ferro até conseguir 
respirar sozinho. 
Quando alguém vê a sua “vida repassada”, que é como eu chamo 
o processo, passa a ver tudo através da grande lente objetiva do amor 
de Deus. Eu estava vendo todo o meu nascimento e a minha vida 
adulta, pelos olhos de todos: da minha mãe, meus, dos meus irmãos, 
dos meus avós e dos meus amigos e mesmo de pessoas com quem 
John M. Pontius – Visões de Glória 
36 
eu só tinha interagido acidentalmente. O sentimento avassalador 
para mim foi que esta experiência era como assistir ao meu próprio 
funeral, era ver a sua vida contada por todos aqueles que te 
conheciam - na verdade, todos em seu mundo. Cada pessoa teve a 
experiência de você de forma única e diferente. Nem tudo era 
lisonjeador ou correto, mas oh! que tesouro de informações foi 
adquirido a partir desse singular ponto de vista! 
Eu vi tudo de bom que fiz, todo o amor que eu dei, o serviço e 
a bondade, mas também vi toda tristeza e dor que eu havia causado. 
Eu vi todos os meus erros e como todos foram afetados por eles. Eu 
vi alguns erros que não afetam somente a uma pessoa, mas seus 
filhos, e os filhos deles e assim por diante. Eu vi todo o 
encadeamento de ações através do tempo até que sua energia fosse 
dissipada. Felizmente, eu era jovem, e eu havia tentado viver uma 
vida correta mesmo na minha juventude, de modo que esta revisão 
da vida não foi desagradável de ver. Algumas das coisas que eu vi 
me deixaram satisfeito comigo mesmo. Senti-me como se eu fosse 
a única pessoa que estava sendo condenatória sobre minha vida. 
Eu compreendia tudo em detalhes perfeitos. Neste grande e 
revelador detalhamento, vi-me como cada pessoa me via. Todos os 
da sentença foi correta e na justiça. O bom e o mau, tudo era filtrado 
pela luz de Cristo, e o seu julgamento era claro, justo e 
misericordioso. Não podia haver disputa, porque a minha vida foi 
registrada em perfeitos detalhes. Eu sabia que era verdade, e eu 
sabia que era justo. 
Eu ainda estou espantado com o quão objetiva foi a revisão da 
minha vida. Não houve nenhum julgamento ou emoção sobre 
minhas ações, quer de mim ou de Deus. Eu vi e percebi como minha 
vida influenciou meus colegas de escola, minha mãe e meus irmãos. 
Isso mudou a minha perspectiva sobre quase todas as pessoas da 
minha vida. Na revisão, eu vivi minha vida através dos olhos dos 
outros. Eu entendi com perfeita clareza como as minhas decisões os 
afetaram, que emoções eles experimentaram por minha causa, e o 
impacto que as minhas palavras e atos tiveram sobre eles pelo resto 
de suas vidas. Eu vi o quesuas vidas foram, antes, durante e depois 
de eu ter cruzado com eles. Eu também vi o verdadeiro resultado 
1 – Despertado pela Morte 
37 
dos seus atos sobre mim, que por vezes era muito diferente do que 
eu havia percebido no momento. 
Quando eu considerei do ponto de vista do meu pai biológico 
em relação a estes acontecimentos, ao abandonar e divorciar da 
minha mãe, eu aprendi que não era só egoísmo, não era só 
narcisismo, como eu havia suposto por toda minha vida. Quando ele 
percebeu que minha mãe estava grávida, ele sabia, ou pensava que 
sabia, que eu ficaria melhor sem ele. Isso pode não ter sido 
verdadeiro, mas que foi a sua percepção. Ele sabia que suas escolhas 
na vida só poderiam prejudicam-me. Ele não me abandonou por 
causa do egoísmo ou apenas pelo alcoolismo, como eu tinha sido 
ensinado. Ele realmente pensava que eu ficaria melhor sem ele. 
Eu entendi a sua dor, sua infância, seus conflitos com seus pais, 
e seu relacionamento com o pai. Eu entendi as coisas perfeitamente, 
como nenhum mortal pode compreender, durante a vida mortal; 
nem mesmo o meu pai entendia deste modo. Eu percebi pela 
primeira vez que meu pai realmente amava muito a minha mãe. A 
sua fraqueza e histórico bloqueavam sua capacidade de deixar que 
o amor triunfasse em suas decisões. Eu também vi o amor de Cristo 
e o amor do Pai Celeste por ele, não importa que erros ele tivesse 
cometido. 
Este serviu para mudar completamente o meu julgamento sobre 
meus pais, e a minha opinião sobre porque tinham feito o que 
fizeram. Esta nova perspectiva criava um grande conflito em mim 
porque ela mudou quase todo o julgamento e conclusão que eu tinha 
feito durante a minha vida. Ela foi toda varrida numa fração de 
segundo naquela perspectiva imortal. Eu vira coisas que agora me 
forçavam a abandonar a minha ira e ressentimento. Literalmente 
levou décadas desde então para conciliar aquilo que me ensinaram 
quando criança com o que eu tinha visto realmente acontecer. Às 
vezes minhas emoções e velhos pensamentos causavam um amargo 
conflito dentro da minha mente e alma. Esse foi o conflito que levou 
tanto tempo para resolver, pois eu sabia a verdade agora, mas o meu 
lado “homem natural” lutou contra as visões espirituais adquiridas 
através deste experiência não-terrena. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
38 
Não sei, é claro, se o conflito teria continuado se eu tivesse 
realmente morrido. Talvez, teria sido resolvido no amor de Deus, 
porque tudo isso veio a mim sem julgamento ou oposição. 
Quando voltei ao meu corpo, em vez de morrer, e retomei a 
minha vida, no entanto, era difícil conciliar a minha antiga crença 
com tudo o que eu tinha visto em visão. Eu estava habituado a 
pensar e considerar de uma forma, porém eu espiritualmente sabia 
uma verdade maior, uma tal verdade a qual minhas emoções tinham 
dificuldade de submeter-se, como um floco que permanece em uma 
folha por todo verão, recusando-se a ceder ao calor do sol. Nem sei 
dizer se hoje já terminei essa tarefa. 
 Um dos obstáculos para a reconciliação dessas emoções 
conflitantes foi que meu pai já havia morrido a essa altura, e eu não 
podia resolver tudo isso com ele. A minha mãe não tinha me 
permitido nem mesmo ver o meu pai enquanto ele ainda estava vivo. 
A sua forte convicção e suas conclusões e a raiva dominavam todas 
as conversas que tivemos sobre o meu pai. Ela recusava-se a alterar 
sua posição de justificado ressentimento que ela havia formado 
dentro si. Isso a protegia da crueza de sua dor vir à superfície 
novamente e ficando exposta. Eu nunca consegui falar na sua 
presença as palavras amorosas que eu tinha guardado na minha 
mente sobre ele. Finalmente tive de concluir que deixaria essas 
conversas e ideias nas mãos amorosas de nosso Salvador para o 
momento em que Ele sabia, na sua precisão impecável, que minha 
mãe finalmente fosse capaz de entender através de suas ternas 
misericórdias. Não foi até após a morte da minha mãe que fui capaz 
de começar a reconciliar-me com ela através de várias experiências 
espirituais com ela, além do véu. 
Tenho tido experiências espirituais, não sonhos ou visões, mas 
visitas tanto do meu pai como da mãe desde então, as quais me 
ajudaram a trazer a paz para a minha alma e, eu acho, para a deles. 
Em uma ocasião, ouvi a porta da sala de espera do meu 
escritório abrir e fechar. Alguém entrou pela porta para a sala de 
espera. Eu estava no meu escritório a escrever anotações de 
pacientes logo após a minha sessão anterior. Eu disse sem olhar para 
cima, "Por favor, sente-se. Já lhe atenderei." Eu ouvi, quem quer 
1 – Despertado pela Morte 
39 
que fosse, sentar-se na poltrona. Quando eu acabei de escrever e abri 
a porta, não havia nenhum humano ali. Tive a forte impressão de 
que meu pai estava no meu escritório. Pela mesma voz interior eu 
tinha ouvido durante a minha experiência quase-morte, ele me deu 
uma data específica, que era o aniversário da sua morte. Eu percebi 
que ele estava a pedir-me para ir ao templo, naquela data. Fi-lo com 
todo o prazer, pensando que eu iria ver o meu pai. Mas eu passei 
pela sessão sem vê-lo e sem mesmo sentir a sua presença. 
Ao me vestir, eu novamente senti a sua presença, e a mensagem, 
dada na mesma forma poderosa, foi a de que ele já era digno de 
entrar no templo, e ele queria que eu fosse com ele. Era uma doce 
mensagem. Ela expressou volumes que ele se havia preparado, 
arrependeu e agora era digno de entrar no templo. Como resultado, 
eu sabia que ele tinha aceitado e se beneficiado das nossas 
ordenanças em seu nome. Isso foi e é um conforto para mim. 
 Um dos maravilhosos entendimentos eu ganhei de minha 
primeira experiência quase-morte foi em relação a minha irmã mais 
velha que engravidou aos dezesseis anos. Eu nunca tinha entendido 
o poderoso efeito que isso teve sobre ela ou sobre o resto de minha 
família. Enquanto eu estava vivendo aqueles momentos, eu tinha 
somente a minha perspectiva. Eu era o terceiro filho e o meu auto 
atribuído papel em nossa família foi o de pacificador. Eu tentava 
manter a harmonia na nossa família, inserindo-me em tudo, 
incluindo coisas que não eram da minha conta. Eu vi que o meu 
juízo dela e de suas circunstâncias não era correto, embora eu 
estivesse tentando manter a paz. 
Eu vi o impacto que a gravidez teve no meu irmão mais velho. 
Assisti ele ter uma longa caminhada de três a quatro horas. Eu 
experimentei o que ele estava pensando e sentindo e que ele sentia 
que tinha fracassado com ela e com o resto de nós, de alguma forma. 
Eu percebi, pela primeira vez, que ele decidiu naquele momento e 
lugar, a fazer mudanças em sua própria vida, de modo que ele jamais 
nos desapontasse. Eu estava tão surpreso de ver como ele estava 
preocupado com seus irmãos e irmãs, e assumiu responsabilidade 
por nós. Eu ignorava a intensidade de seus sentimentos até que os 
John M. Pontius – Visões de Glória 
40 
vi na revisão da minha vida. Isso deu-me grande empatia e respeito 
por ele. 
Também senti a dor da minha irmã e todos os motivos para a 
sua dor. Eu não estava ciente, até ver naquela visão, que a minha 
mãe e os pais do pai do bebê os tinha levado em um carro para Las 
Vegas para casar os dois. Eu vi a dor e a tensão no carro enquanto 
viajávamos. Eu vivi os acontecimentos com ela de uma forma que 
nem mesmo os mortais presentes poderiam ter experimentado. Foi 
a primeira vez que eu realmente entendi minha irmã e me condoí 
por ela. Eu vi o meu jovem impacto sobre ela e como ela se sentiu 
banida, rejeitada e julgada por mim e pela sua família. Tive grande 
empatia por ela e isso gerou ternura na nossa relação pelos anos que 
se seguiram. 
Eu perguntei à minha mãe e irmã anos mais tarde para confirmar 
aquilo que eu tinha visto. Minha mãe e irmã ambas reconheceram 
que aquele havia sido de fato um casamento à ponta de espingarda. 
Esta confirmação deu-me um rico senso de compaixão e 
proximidade com a minha família. Foi uma ampla ilustração do 
impacto da minha vida na delese por que nossas vidas são hoje da 
forma como são. 
Meu Amigo, o Valentão 
Eu tinha medo, em minha juventude, dos valentões da escola, 
especialmente do Jake. Ele era um ano mais velho, maior, e 
simplesmente malvado. Ele parecia ter prazer em me aterrorizar. 
Pelo menos uma vez por semana, Jake me batia ou fazia algo 
agressivo e malvado comigo. Eu ia para casa com muitos 
machucados e olhos roxos por causa dele. Naqueles dias os adultos 
achavam melhor que os meninos resolvessem seus próprios 
problemas e aprendessem a defender-se sozinhos, e a minha mãe e 
avós incentivaram-me a aprender a me defender em vez de 
interferirem na minha vida. Até que, na quinta série, finalmente tive 
a coragem de revidar. No repasse da minha vida, eu vi aquele dia. 
Eu também vi minha recém descoberta coragem dessa perspectiva, 
que incluía o horrível abuso que ele próprio recebia de seu pai. 
1 – Despertado pela Morte 
41 
Quando enfrentei o Jake e revidei, ele mudou totalmente sua 
forma de pensar sobre o seu mundo. Eu vi que ele se sentia 
impotente e vítima dele próprio. O meu pequeno ato de coragem lhe 
mostrou que ele não estava em controle. Ele nunca mais me 
perseguiu nem a qualquer outra pessoa novamente. Ele foi alterado 
por essa experiência. Ele se tornou meu amigo porque eu tinha 
inconscientemente lhe dado a chave para libertar-se da sua própria 
tirania. A nossa nova amizade permitiu que Jake resolvesse os 
conflitos de relacionamento com o seu próprio pai. Ele ganhou mais 
corajem para enfrentar seu pai por causa de minha ação. Assim 
como Jake parou de me atacar, seu pai parou de abusar dele, quando 
Jake se recusou-se a submeter-se, o seu pai de fato foi embora pouco 
tempo depois. 
Perceber o impacto que a minha amizade causou nele, foi uma 
revelação para mim. Eu nunca tinha suspeitado que houvesse 
qualquer motivação para suas agressões exceto malvadeza. Após a 
visão, eu entendi por que ele estava descontando sua frustração em 
mim e em outros. 
No repasse da minha vida eu aprendi que tudo isso foi 
divinamente concebido, que ambos precisávamos desta estreita 
relação, e ela tinha que começar com suas agressões, a fim de curá-
lo. Eu vi que eu tinha concordado em tudo isso antes de nosso 
nascimento. Nossa amizade, divinamente pré-ordenada, teve um 
impacto duradouro na sua cura, em seu relacionamento com a 
família e sobre mim. Eu não teria aprendido essas coisas sem ele. 
O que eu aprendi, vendo tudo isso foi que nosso relacionamento 
foi projetado por Deus e teve um impacto significativo sobre nós 
dois. Ambos mudamos. Parei de ter medo de valentões e da vida em 
geral. Não só minhas ações iniciaram a cura do seu abuso, mas sua 
parte na minha vida iniciou a minha cura também. Percebi que o 
medo não era necessário e que eu podia me defender e, até mesmo, 
fazer amigos por causa da minha coragem. Essa descoberta ainda 
me influencia até hoje. Nosso relacionamento foi pré-ordenado e 
projetado por Deus para nos salvar. Em meu pensamento hoje, 
valeram a pena os poucos hematomas que me custou. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
42 
A última coisa que fizemos antes de Jake formar-se e mudar-se, 
foi encenar o musical Oklahoma! Ele fez o Jud e eu fiz o Curly. No 
musical, Jud e Curly são apaixonados por Laurey. Curly confronta 
Jud sobre sua malvadeza com os outros e eles ficam mais ou menos 
amigos. Mas depois Laurey concorda em se casar com a minha 
personagem, Curly, e Jud invade o casamento e ameaça Curly com 
uma faca. Na briga que se segue, Jud cai sobre sua faca e morre. 
Curly, é claro, fica com a garota. A peça era uma metáfora do nosso 
relacionamento, o que não escapou de nenhum de nós. 
Muitas vezes tenho perguntado por que razão Deus permitiu-me 
ver essa repassagem da minha vida, sabendo que eu não estava 
realmente morrendo. Eu achava, antes desta experiência, que você 
via a sua vida repassada apenas uma vez, quando você realmente 
morre. Perguntei-me por muitos anos porque Deus me daria este 
poderoso entendimento da minha própria vida e, em seguida, 
enviar-me novamente à mortalidade. 
Nossos Relacionamentos Vêm de Deus 
A verdade é que ver estas coisas mudou a minha vida para 
sempre, e me deu uma nova perspectiva sobre todos os meus 
relacionamentos e o propósito da minha própria vida. Não acredito 
que eu poderia ter feito tudo o que eu tinha prometido fazer sem 
estas experiências. Na verdade, estou certo disso. 
Agora sei que os relacionamentos não são apenas 
acontecimentos causais ou coincidências. Todos esses eventos 
acontecem para finalidades divinas. Eles ensinaram-me que Deus 
realmente nos abençoa nos detalhes de nossas vidas. Essas 
interações e relacionamentos, quem pode parecer aleatórios no 
momento, são designados para abençoar e aperfeiçoar a nossa vida. 
 Desde essa intensa revisão da minha vida, tenho olhado para a 
vida e os relacionamentos como se fossem um quebra-cabeças, 
ciente de que todas as coisas e as relações têm impacto divino. A 
minha pergunta desde então foi onde está o propósito divino deste 
momento presente, deste evento, desta relação, ou dessa pessoa 
entrando em minha vida? O que tenho para aprender com essas 
1 – Despertado pela Morte 
43 
interações e essas pessoas que entram ou saem do palco da minha 
experiência? Comecei a orar para que Deus revelasse estas coisas a 
mim e que Ele me guiasse para abençoar essas pessoas, em vez de 
deixar-me vaguear sem saber, através de suas vidas. A minha oração 
tornou-se: "Deixa-me ser a tua voz, deixa-me ser as tuas mãos, 
deixa-me estar conscientemente envolvido, para que eu possa ser 
inspirado a fazer a tua obra em suas vidas." Eu tenho pessoalmente, 
falhando nesse propósito às vezes mas, conforme amadureci, minha 
capacidade aumentou gradualmente e minha resolução firmou-se. 
Desta perspectiva da minha vida revista, alguns acontecimentos 
da minha vida, que eu achava que eram simples ou banais, 
resultaram ser significativas e propositadas aos olhos de Deus. Deus 
realmente conta cada momento de nossas vidas e, se deixarmos que 
Ele nos guie, esses momentos se tornam eternamente significativos. 
É interessante para mim que o impacto negativo das minhas 
ações sobre as pessoas não era o tema da revisão da minha vida. Ele 
estava lá, e eu o vi, mas isso parecia menos importante do que o bem 
que eu fiz e sua reação em cadeia nessas vidas. Quando eu vi as 
partes negativas da minha vida, a mensagem para mim não era o 
quão ruim eram mas que, se eu desse continuidade a esses 
comportamentos, eles potencialmente teriam me afastado do 
trabalho específico que o Senhor tinha para eu realizar em minha 
vida. Não era condenatória, apenas instrutiva. Para alcançar o meu 
potencial máximo eu precisava cumprir com os compromissos que 
eu tinha feito na minha vida premortal senão eu não cumpriria com 
os objetivos da minha vida. Tenho de lembrar-me de que Deus não 
estava mostrando a revisão da vida a alguém que estava deixando a 
mortalidade, de modo que a minha experiência pode não ter 
enfatizado meus erros mais no sentido de incentivar e ensinar-me. 
Tenho a sensação de que se eu tivesse realmente morrido, não teria 
havido propósito em me alertar e o peso dos meus atos negativos 
seriam de maior consequência. 
Descobrir os convênios que fizemos na premortalidade para 
cumprir na terra é uma descoberta que se desdobra continuamente. 
Às vezes só podemos ver um pequenino passo adiante, e outras 
vezes somos abençoados com uma ampla visão do que nos 
John M. Pontius – Visões de Glória 
44 
tornaremos e do que faremos. Eu estava sendo ensinado de que eu 
tinha de escolher deliberadamente permanecer no caminho que 
Deus colocava diante de mim, não importa como isso chegasse ao 
meu conhecimento, fazendo tudo corretamente tanto quanto 
soubesse fazer. 
Já que eu não estava morrendo de fato, o grande efeito da 
revisão da minha vida foi mostrar-me que eu tinha a escolha 
fundamental da minha vida. Eu estava livre para escolher o que 
quisesse; no entanto, minhasescolhas iriam ou levar-me para a luz 
ou deixar-me na escuridão. 
Aprendi também que as nossas vidas estão todas registradas em 
algum lugar, detalhe a detalhe, sem falha. Tudo o que fazemos 
interessa, nada é apenas trivial. Tudo é profundamente significativo, 
a vida tem um sentido e é cheia de propósito. 
Nossas Vidas Importam 
Eu aprendi a não minimizar o que está acontecendo na minha 
vida. Tento ver tudo o que faço como sendo de valor eterno. Eu 
aprendi e me disciplinei, a acreditar que eu não sou apenas uma 
simples pessoa com pouco valor ou impacto sobre o mundo. Tudo 
o que fazemos tem importância, e Deus está envolvido nos detalhes 
de nossas vidas. Eu acredito que se pode dizer até mesmo que Ele 
está nos detalhes minuciosos de nossas vidas. Eu costumava pensar 
que Deus era um pai divino e firme que nos enviou à terra apenas 
dizendo: "Vá, e vamos ver como você se sai depois de morrer." Mas 
a verdade é que para Ele, e seus anjos, nós somos mesmo a Sua obra 
e a Sua glória. Somos o que Ele está fazendo. Somos o que Ele é. 
Eu aprendi que a família, irmãos e irmãs, primos e tios e tias têm 
propósito divino, as filiações e parentescos. Mesmo que seja mais 
fácil criticar ou ignorar as pessoas, na verdade esses parentescos são 
cheios de propósito11. 
Eu aprendi que realmente existe um processo de “voltar e 
relatar” na nossa vida presente, o qual não utilizamos corretamente. 
Eu recomendo que nos habituemos a fazer isso nas nossas orações19
diárias pessoais e em família, bem como em nossos 
1 – Despertado pela Morte 
45 
relacionamentos, que pratiquemos o voltar e relatar. "Isto é o que o 
Senhor me pediu que fizesse hoje, isso foi o que eu fiz, e isso foi o 
que aconteceu" e, em seguida, suplicar pela intervenção eterna nos 
detalhes. 
Aprendi que toda a nossa existência é desse modo. Deus dá-nos 
algum elemento necessário para a nossa jornada, mesmo antes de 
nascermos, então ele dá-nos tempo para explorar e experimentar a 
vida, e, em seguida, ele exige de nós um relatório. Agora, ele nos 
deu um corpo e uma experiência mortais, e todos nós seremos 
requeridos a apresentar um relatório. A contabilidade das nossas 
vidas vai ser nos muitos pormenores, pois nossos próprios corpos 
contam a história das nossas vidas. Cada parte de nós tem escrito 
sobre ela tudo o que fazemos, pensamos, e somos. O Senhor pode 
ler tudo isso na sua totalidade. Ele pode e vai nos ler como um livro, 
para ele está tudo dentro de nós, escrito em nossos próprios ossos, 
coração e nervos. 
Prioridade e Propósito da DispensaçãoNT2
Finalmente, aprendi que existe uma prioridade e propósito para 
cada dispensação, por que estamos aqui neste momento. Não é 
fortuito. Não é por acaso. É divinamente arquitetado. Quando nós 
fizermos o nosso relatório final, vamos ver uma vez mais todas as 
razões por que nós viemos para a terra agora, os propósitos 
interativos e convênios que fizemos que destinaram cada um de nós 
à terra no nosso momento e local específicos para fazer coisas 
específicas. Para nós mortais, esta é uma noção nebulosa, mas a 
Deus, ela é uma ciência exata, uma matemática divina por assim 
dizer. Ele registra cada ato de nossas vidas, incluindo Sua constante 
direção, que a maioria de nós ignora. 
Nós gastamos tanto tempo nos divertindo e agradando a nós 
mesmos que não percebemos plenamente o quão verdadeiramente 
importante é para Deus cada momento e cada interação. A maioria 
de nós está de tal maneira aprisionada em nossas próprias vidas de 
negócios e lazer, que sequer sentimos a mão de Deus dirigindo 
John M. Pontius – Visões de Glória 
46 
nossas vidas, tampouco conseguimos ouvir a sua voz, que está 
constantemente orientando-nos. 
Toda esta informação me veio muito rapidamente enquanto eu 
estava ali assistindo os médicos tentando reanimar o meu corpo. 
Todas essas coisas estavam acontecendo ao mesmo tempo, e eu 
poderia concentrar-me em todas elas. 
Visitando Minha Esposa em Espírito 
Tornei-me consciente de que minha esposa estava sentada na 
sala de espera. Ela havia lido uma revista no momento em que o 
sistema de alto-falantes começou a bradar "código azul! código 
azul!" Lyn começou a se preocupar comigo, temendo ser eu que 
estivesse em apuros. Eu sabia que ela estava preocupada da mesma 
maneira que eu sabia tudo sobre as enfermeiras e médicos. Eu quis 
estar perto dela, e eu instantaneamente apareci ao lado dela. Eu 
aparentemente me movi à velocidade do pensamento. Não me 
lembro de andar ou passar através das paredes, eu só apareci ali. 
Toda a minha atenção foi para ela, mas isso não diminui o meu 
entendimento ou total atenção ao que ainda estava acontecendo ao 
seu redor no meu corpo. Eu sabia que tinha atravessado duas 
paredes para estar na sala de espera com ela, mas eu não tive a 
experiência de passar por elas. 
Eu estava parado próximo a ela. Eu poderia descrever tudo sobre 
ela. Eu sabia exatamente o que ela estava sentindo e pensando. Eu 
sabia o que ela havia lido na revista que ela recém pusera no colo. 
Ela estava preocupada e desejava que alguém viesse lhe dizer que 
eu estava bem, que não era uma parada cardíaca. 
Eu pensei, aqui estou. Estou morto e fora do meu corpo, e eu 
não consigo sequer me comunicar com você. Eu senti empatia pelo 
seu medo e dor, mas fui surpreendido com um dilema, até um pouco 
engraçado. Eu podia vê-la e ouvir seus pensamentos, mas eu não 
poderia falar com ela de uma forma que ela pudesse compreender. 
Lembro-me de pensar, como é que eu vou fazer você saber que 
eu estou muito bem, embora já não esteja vivo?
1 – Despertado pela Morte 
47 
Comecei a me perguntar se ela seria capaz de sentir-me, ou me 
ouvir talvez, se eu passasse através dela. Pedi a ela na minha mente 
se eu poderia ter a sua permissão para passar por ela. Mesmo ela 
não estando consciente de mim, o espírito respondeu: "Sim." E eu 
instintivamente sabia que tinha que ter a sua permissão para fazer 
isso. Eu entendi isso, mas não tenho certeza por que ou como. Não 
até então, mas depois eu comecei a entender que entrar no corpo de 
outra pessoa é muito invasivo, e um espírito justo procura sempre 
permissão se tiver necessidade. Maus espíritos esperam por 
oportunidades quando estamos espiritualmente fracos ou depois de 
nos ter tornado vulneráveis por desobediência às leis de Deus, e eles 
entram em nós num ato de violência espiritual. 
Após o seu espírito responder que eu podia, eu me movi através 
dela, e imediatamente entendi a diferença entre seu corpo físico e o 
seu corpo espiritual. O seu eu físico não tinha consciência de que eu 
estava interagindo com ela. Sua pessoa espiritual, no entanto, estava 
plenamente consciente de mim e do que eu estava a tentar fazer e 
dizer. O problema foi que, como a maioria dos mortais, ela estava 
apenas consciente do seu corpo físico – cativa a ele, por assim dizer, 
e não estando em sintonia com o seu espírito nesse momento de sua 
vida. 
Eu percebi que mover-me através dela não adiantava nada em 
minha tentativa de me comunicar com ela. Ao passar por ela, eu 
aprendi muitas coisas sobre como sua experiência de mortalidade 
tinha sido – como é que se sente como mulher, de ser amada, de ser 
protegida, e agora de sentir receio pelo seu protetor. Eu entendi 
completamente, incluindo como era ter os nossos filhos e filhas, e 
como era difícil viver com as minhas doenças e dificuldades. 
Anjos entre Nós 
Lyn estava sentada em uma sala de espera lotada. Depois que 
passei por ela sem ter efeito, comecei a olhar ao redor do quarto. Eu 
podia ver que havia muitas pessoas espirituais no quarto junto com 
os mortais que ali estavam. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
48 
Os mortais pareciam muito diferentes das pessoas em espírito. 
Mortais tem um aspecto sólido e parecem estar completamente 
inconscientes de tudo o que é espiritual acontecendo em torno deles, 
fazendo-os parecer quase sem inteligência. 
Espíritos de pessoas são semitransparentes. Eu podia ver através 
deles de algumaforma, e eles pareciam estar cônscios de minha 
presença e dos outros espíritos no quarto. Alguns não ficaram 
felizes por eu poder vê-los, mas ainda assim continuavam 
interagindo com os mortais e com outros espíritos, ao se ocuparem 
de suas tarefas. Todos os espíritos pessoais que eu via estavam em 
volta dos mortais, observando-os ou tentando ganhar sua atenção 
para eles influenciá-los de alguma forma. Haviam outros espíritos 
andando dentro e fora da sala de espera. Eu podia vê-los, e eles 
podiam me ver. Eles por vezes reconheciam minha presença ou 
andavam em torno de mim em vez de através de mim. 
Há espíritos que ainda não percebem que já estão mortos, ou que 
se recusaram a aceitar esse fato. Estes eram bastante peculiares para 
mim, pois eles tentavam ao máximo agir como um mortal, apesar 
de ser claro para mim e a todos os outros espíritos presentes que eles 
estavam mortos. Eu podia compreender por que eles não sabiam que 
estavam mortos. Estar morto e ser um espírito desencarnado é uma 
existência real. Você continua a pensar como sempre o fez. Você 
ainda ama e odeia tal como antes de sua morte. Você pode ver as 
pessoas, espíritos e o seu próprio corpo. Você pode tocar as coisas 
espirituais e os seres espirituais e senti-los. Portanto, é uma real e 
concreta forma de existência, embora as coisas mortais, como no 
caso de paredes e mobiliário, possam ser vistas e percebidas, elas 
não podem ser manipuladas por espíritos. 
Não tenho certeza se todo espírito tem a mesma percepção 
espiritual que eu tinha, mas eu sabia suas novas vidas eram reais 
para eles, ainda mais reais, de certa forma, porque eles podem vir e 
ir para lugares muito rapidamente e caminhar através de paredes e 
fazer as coisas que os mortais mal podem imaginar. Sendo recém-
desencarnados não eles sentiam a morte conforme haviam suposto 
que experimentariam, em que você de repente ficava inconsciente e 
1 – Despertado pela Morte 
49 
não existente para sempre. Assim, eles não estavam mortos de 
acordo com o seu entendimento anterior do que constitui morte. 
Esses espíritos estavam reunidos ao redor dos mortais, 
conversando com eles, como que achando que os mortais pudessem 
escutá-los. Mas os mortais eram completamente inconscientes deles 
assim como minha esposa não me percebia. Esses espíritos 
desencarnados estavam tentando obter a atenção dos mortais por 
várias ações, incluindo gritar com elas. 
Esses espíritos estavam vestidos como mortais. Eles tinham 
pouca glória ao redor deles. Comecei a considerá-los "espíritos 
recentemente desencarnados." Os espíritos que tinham falecido 
recentemente mantinham a aparência, a maneira de vestir, e a forma 
que tinham quando eram mortais porque eles pareciam ainda não 
acreditar que estavam mortos. 
 Um espírito do sexo masculino estava falando a uma jovem que 
parecia ser sua filha. Ele estava zangado sobre seus negócios, e 
como ela os estava manejando. Ele estava gritando com ela, "Você 
precisa me ouvir!" Só que ela não tinha ideia de que ele estava 
mesmo ali. Ele agia como se ela o estivesse apenas ignorando, e isso 
parecia enfurece-lo ainda mais. Ele era muito exigente de que ela 
fizesse certas coisas com o seu negócio e a sua propriedade, e estava 
perturbado porque ela estava fazendo tudo errado em sua opinião. 
Haviam outros espíritos que tinham aceitado seu novo estado 
alterado e tinham embarcado na obra de Deus para fazer o Seu 
trabalho de acordo com a Sua vontade. Estes anjos tinham sido 
enviados de volta por Deus para ajudar os seus entes queridos 
através deste momento difícil. Eles tinham uma distinguível 
luminescência ao redor deles, o que imediatamente me confirmou 
que eles eram bons e que estavam a serviço de Deus. 
Estes anjos estavam vestidos de forma diferente. Alguns anjos 
usavam túnicas enquanto outros usavam roupas à moda antiga, 
típicas de quando eles tinham vivido. Eles estavam ali para ajudar 
os mortais com as coisas que estavam acontecendo. Alguns foram 
enviados para auxiliar e preparar os mortais para sua própria morte. 
Estavam falando palavras de conforto, dando instruções e 
ensinamentos. Embora os mortais pareciam ignorar a seus 
John M. Pontius – Visões de Glória 
50 
ajudantes, se eles estivessem a ouvir com o coração, eles seriam 
consolados, e começariam a iluminar-se da mesma forma que os 
anjos que os estavam ajudando. 
Alguns desses bons anjos estavam ali ministrando pelos 
espíritos que não conseguiam aceitar a própria morte. Esses anjos 
estavam vestidos em túnicas brancas e eram gloriosos à vista. Eles 
acompanhavam os espíritos desencarnados e confusos, falando com 
eles quando conseguiam sua atenção e os envolviam em sua glória. 
Eles tinham alegria em seus trabalhos e na finalidade de suas ações. 
Estavam ali comissionados por Jesus Cristo. Pelo que entendi, todos 
estes anjos eram familiares daqueles a quem eles tinham sido 
enviados. Alguns eram ancestrais próximos, tais como pais ou avós. 
Outros eram de muito tempo atrás. 
Eu era apenas um novato em observar espíritos, e desde essa 
ocasião tenho aprendido muito mais sobre eles e como eles agem. 
Já sei que existem classes de anjos e níveis da justiça entre eles. Isso 
é visível a olho nu quando se está familiarizado com seres 
espirituais. Assim como eu poderia dizer tudo sobre os médicos e 
enfermeiros que estavam trabalhando no meu corpo, eu poderia 
dizer tudo sobre cada um desses espíritos. Foi assim que eu soube 
que eles eram membros da família. Eu aprendi que quando você 
nasce, seu espírito toma a forma do corpo que é nascido e honra essa 
forma que foi dada a eles por Deus. Embora eles possam mudar de 
forma ou aparência se Deus assim o desejar, eles sempre voltam à 
sua forma natural, que é a forma do seu antigo corpo. 
Aprendi também que os maiores dos anjos, aqueles com mais 
glória e maior poder, podem ocultar sua identidade, a fim de que 
uma pessoa como eu, com pouca experiência, não consiga saber 
qual a sua missão, quem eles eram, ou qualquer coisa sobre a sua 
história. Encontrei-me com alguns destes anjos mais elevados na 
sala de espera ao administrarem em seus encargos. 
Também haviam maus espíritos no quarto12. Eles estavam ali 
para seduzir mortais, perturbar o trabalho dos anjos, e causar 
qualquer dano que pudessem. Sentiam muito prazer em sua 
malignidade. Esses espíritos não tinham luz ao seu redor, mas 
pareciam emanar escuridão. 
1 – Despertado pela Morte 
51 
A esses espíritos maus eu não podia ler. Eu sabia algumas coisas 
sobre eles, mas não sua identidade e história. Eles me deram uma 
má sensação mesmo de olhar para eles. 
Eles pareciam ser capazes de alterar sua forma e assumir alguma 
outra forma se desejado. Percebi que um espírito que nunca 
foi mortal não tem forma espiritual definitiva. Eu vi alguns desses 
maus espíritos aparecem como uma criança, outros como um 
homem de terno ou como uma moça bonita. Tornou-se evidente 
para mim que espíritos não nascidos podem optar por sua forma, 
assim como Satanás fez no jardim do Éden, aparecendo na forma de 
uma serpente. Esta foi a primeira vez que eu percebi que os espíritos 
que nunca irão receber um corpo físico têm a capacidade de aparecer 
em qualquer forma que escolherem. Eles podem assumir a aparência 
de uma pessoa viva se isso os ajudar a enganar ou a cumprir suas 
atribuições. Eles podem aparecer na imagem de um avô, um profeta 
falecido, ou a esposa de alguém se isso ajudar em sua mentira. 
Eles procuram fazer grandes danos, tanto quanto possível, e eles 
não gostavam de que eu podia vê-los. A maioria dos espíritos do 
mal estavam ali numa missão. Eles estavam tentando criar medo, 
confusão, e angústia, qualquer coisa que impedisse os mortais, a 
quem foram designados, de ouvir as mensagens dos anjos de luz, 
que também estavam ali. Eles não só falavam com os mortais para 
afligi-los, mas eles riam e zombavam deles e se deliciavam com sua 
dor e medo. Se eles pudessem convencer a um outro mortal a 
levantar-se e torturar ou atormentaruma determinada vítima, eles 
teriam feito isso num instante. Eles eram malignos além de qualquer 
definição do mal eu tinha jamais concebera. 
A maioria destes maus espíritos estavam ali por designação do 
seu mestre. Eles não estavam apenas a vaguear pela terra, à procura 
de maldade para fazer. Quando eles perceberam que eu podia vê-
los, eles se afastaram de mim, por vezes desaparecendo e 
reaparecendo em uma parte diferente da sala. Percebi que poderia 
comunicar-me com eles, mas eu tinha pouca vontade de fazê-lo, e 
eles se recusaram a fazer mais do que olhar para mim antes de se 
afastarem. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
52 
Os bons anjos, aqueles que refulgiam com luz, reconheciam-me 
com um aceno ou sorriso e por vezes me permitiam breves 
vislumbres daquilo que estavam fazendo ali na sala de espera, mas, 
em seguida, eles rapidamente retornavam à sua atribuição. Eu sabia 
que os maus espíritos podiam ver-me porque me evitavam. Mas os 
espíritos desencarnados, os mortos que se recusavam a reconhecer 
a sua própria morte, nem mesmo pareciam ver-me, nem tentavam 
comunicar-se. Eu acredito que eles podiam me ver, porque vários 
deles desviavam em torno de mim, mas eles não falavam comigo, 
semelhante ao modo como as pessoas agem neste mundo, quando 
perto uns dos outros. 
Encontrei-me com espíritos naquela experiência, no hospital 
naquele dia, que não tinham aprendido esta simples lição do valor 
eterno da sua própria vida; eles ainda estavam tentando proteger 
seus bens, companhias e contas bancárias, e garantir que as suas 
"coisas" ainda eram deles. Eles ainda estavam cativos ao redor, 
recusando-se a passar para a próxima parte da sua própria jornada 
porque eles nunca tinham aprendido a confiar em Deus e sacrificar 
as suas possessões mundanas em obediência à vontade de Deus para 
eles. Eles não reconheciam nem falavam com os anjos enviados por 
Deus para ajudá-las a avançar em suas novas vidas. Eles pareciam 
nem mesmo vê-los, embora eu pudesse ver e ouvi-los claramente. 
Eu pude ver que antes de sua morte, essas pessoas não tinham 
aprendido a ouvir ou reconhecer a direção que Deus deu-lhes 
enquanto eles estavam vivos, e depois da sua morte aquela surdez 
para as orientações de Deus persistiu. A mesma cegueira, teimosia 
e desobediência de mortalidade simplesmente os seguiu no mundo 
dos espíritos. 
Talvez devêssemos nos perguntar: temos feito aquilo que 
viemos à terra fazer? O outro lado está sempre intervindo para nos 
ajudar a aprender o que é preciso aprender, para que possamos 
realizar nossa missão na vida. Nós fomos enviados aqui para 
realizar o nosso trabalho, para curar as feridas das gerações 
passadas, e abençoar àqueles que nos seguem. Os espíritos malignos 
estão constantemente a tentar sabotar nosso caminho designado. 
1 – Despertado pela Morte 
53 
Durante todo esse tempo vendo e compreendendo os vários 
espíritos na sala de espera, fiquei ciente do que estava acontecendo 
com o meu corpo na sala de procedimentos. Os médicos e 
enfermeiros ainda estavam trabalhando febrilmente sobre mim, 
injetado meu coração com adrenalina, e o meu corpo começou a 
reviver. Eu o podia sentir me chamando, exigindo que eu voltasse 
para ele. 
Eu deixei minha esposa e voltei andando pelo corredor que tinha 
percorrido inicialmente. Uma voz diferente da minha me informou 
que eu precisava voltar ao meu corpo rapidamente. Eu disse para 
mim mesmo: "Eu preciso voltar para o meu corpo!" e virei-me, 
caminhando através da parede para a sala de procedimentos. Eles 
ainda estavam trabalhando em mim, tentando reavivar-me. 
Eu estava passando por um processo semelhante ao que senti 
quando saí do meu corpo, mas ele não estava preparado, e eu achei 
a experiência excruciante. Tentei continuar, mas era 
assustadoramente doloroso. Abandonei o meu corpo da mesma 
forma que antes, para fora da parte inferior da mesa e voltei-me 
ficando em pé ao lado do meu corpo. Os médicos ainda estavam 
fazendo ressuscitação e trabalhando em mim. 
O Ministério dos Anjos 
Eu olhei ao redor e vi três pessoas no quarto, em pé, de frente 
para mim, do outro lado do meu corpo. Eles estavam olhando para 
mim (não o meu corpo, mas diretamente para mim) com expressões 
de grande interesse. Os dois à esquerda e à direita eram anjos que 
outrora tinham sido mortais e que agora estavam acompanhando o 
espírito entre eles que ainda não tinha nascido. Eu soube 
instantaneamente que eles o estavam treinando. 
O anjo da esquerda era magro com uma espécie de cavanhaque 
cerca de três polegadas de comprimento, branco como a neve. Eu 
sabia que ele vivera até mais de oitenta anos. Por causa da 
capacidade que já expliquei, de saber tudo sobre outros espíritos e 
mortais, enquanto naquele estado, eu sabia quem ele era. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
54 
O anjo da direita era um homem mais jovem. Ele tinha vivido 
na terra mais tarde do que o primeiro anjo. Esses dois anjos eram 
meus ancestrais. Eles não se identificam, mas eu sabia que eles eram 
parentes sanguíneos. Eles estavam protegendo a vida de meu corpo 
sobre a mesa de operação. Estes dois antigos anjos pareciam 
preocupados e não mostravam muita emoção. Ambos tinham 
cabelos brancos e uma aura de sabedoria, luz e justiça. 
O jovem do meio era uns 20 cm mais alto do que os outros dois 
anjos. Ele era magro mas forte. Ele não tinha barba. O seu cabelo 
era escuro. Tinha olhos castanhos penetrantes e uma aura de 
brandura. Ele ainda não tinha nascido, mas eu senti seu profundo 
amor por mim, que brotava dele para dentro de minha alma. Ele 
estava muito preocupado comigo nessa situação de emergência e 
não possuía a confiança e serenidade dos outros dois anjos. 
Os três anjos falavam um com um outro não verbalmente. Eu 
podia ouvi-los. Os anjos instrutores confortavam o mais jovem. 
"Está bem. Está tudo bem. Não há necessidade de se preocupar. 
Estamos aqui para garantir que Spencer retorne ao seu corpo. Tenha 
fé." Todos os três homens manifestavam amor e preocupação por 
mim. Eu sabia que eles estavam lá por mim, que eu era o seu 
interesse e a sua ocupação, e que eu era família para eles. 
Quando eu finalmente retornei ao meu corpo, não me foi 
permitido lembrar de suas identidades. Mas penso ter identificado 
todos os três indivíduos pelas fotos de família na genealogia em 
minha posse. O anjo à minha esquerda era James Henry. Ele era o 
meu trisavô. O anjo da direita foi seu filho Harold Henry, meu 
bisavô. Eles pareciam exatamente como nas suas fotos antigas. O 
espírito no centro ainda por nascer era o meu futuro filho, Spencer 
Junior. Eu não fui capaz de identificar o meu filho Spencer até ele 
chegar ao final de sua adolescência, e percebi um dia que ele se 
parecia exatamente como anjo ao centro. Incluindo eu, haviam 
quatro gerações da família naquele quarto. 
Conforme eu olhava para eles foi-me dado a entender que é uma 
responsabilidade familiar servir como anjos ministradores. Trata-se 
de uma responsabilidade familiar curar, ensinar, ministrar, proteger 
e preservar os parentes e relacionamentos em convênio no mundo 
1 – Despertado pela Morte 
55 
espiritual e no mundo mortal. Esta é sua primeira responsabilidade 
como espíritos falecidos. Até que o trabalho seja feito, até que as 
relações familiares são preservadas e seladas, outras coisas devem 
aguardar. Eles foram ao hospital para me ajudar porque o meu 
trabalho na mortalidade ainda não terminara e, de uma forma que 
eu só fui entender muito mais tarde na minha vida, a continuidade 
da minha vida era importante para a nossa família e para eles 
pessoalmente. O meu filho por nascer estava particularmente 
envolvido na continuidade da minha experiência mortal, mas havia 
muito mais para ele se preocupar de que seu próprio nascimento. 
Ele estava agindo pelo seu amor ao Salvador e sob a Sua orientação 
ele estava ali comigo num momento de necessidade. 
No mundo dos espíritos dos falecidos, o ensino do evangelho 
para as gerações passadas13 deve vir de almasjustas que o 
receberam durante suas vidas. Em outras palavras, você precisa 
receber o evangelho aqui na terra antes de poder ser um missionário 
e ministro para aqueles que partiram antes de você que, por qualquer 
motivo, não abraçaram o evangelho durante a sua existência mortal. 
Esta é uma das razões pelas quais os justos que partem são acolhidos 
com alegre recepção no céu, porque algumas destas gerações 
anteriores têm esperado por um longo tempo até um descendente 
deles abraçar o evangelho de Jesus Cristo. 
Por isso, os espíritos dos mortos ficam entusiasmados quando 
nós recebemos as ordenanças e a autoridade do evangelho e, em 
seguida, completamos a nossa existência mortal e o retornamos para 
que possamos ensinar-lhes e levar as bênçãos do evangelho para 
eles do outro lado do véu. 
Apesar de termos apenas pouca noção de como o evangelho 
funciona do outro lado do véu, lá é quase uma imagem em espelho 
de tudo o que fazemos aqui. Toda a ordenança que tentamos conferir 
aqui tem uma ordenança correspondente no outro lado do véu. 
Costumamos falar dos falecidos em termos de "aceitar ou rejeitar" 
nossos trabalhos em seu nome. Sua aceitação constitui uma 
ordenança em seu mundo. É uma das grandes urgências daquele 
mundo ficar em dia com o trabalho aqui na mortalidade. O 
calendário está avançando tão rapidamente que os justos falecidos 
John M. Pontius – Visões de Glória 
56 
estão frequentemente apressados para concluir suas tarefas, e eles 
têm pouco tempo para prestar atenção às coisas menores. 
No grande círculo das coisas, a maioria das bênçãos dadas aos 
mortais também vêm de seus falecidos justos. Quando oramos por 
uma grande bênção, necessidade, ou cura, Jesus Cristo envia os 
nossos ancestrais justos como anjos2 ministradores para dar a 
benção. Se não temos nenhum antepassado justo, então as bênçãos 
devem ser ministradas por outros obreiros justos de lá, os quais são 
escassos. Quaisquer anjos que forem capazes de ministrar essas 
bênçãos agem em primeiro lugar por suas próprias famílias e, em 
seguida, são designados para abençoar outros. Isso significa que as 
nossas bênçãos podem ser adiadas ou parecem chegar em cima da 
hora. Eles estão muito ocupados trabalhando para estabelecer os 
relacionamentos e para proteger e abençoar-nos. 
Familiares falecidos estão assistindo, esperando e guiando-nos 
no cumprimento dos nossos deveres mortais justos para que 
possamos voltar e ensinar e abençoá-los. Aprendi também que é 
uma grande bênção ter nascido em uma família na qual as pessoas 
que morreram antes foram homens e mulheres justos e poderosos, 
selados em relacionamentos por convênio, geração após geração. 
Eles têm um poder maior para abençoar e guiar mortais. 
Foi-me dito para tentar voltar para o meu corpo. Não tenho 
certeza se foram os três anjos que instruíram ou o meu próprio 
pensamento, mas levantei-me, tentei e, mais uma vez, vi-me 
rechassado da forma mais dolorosa. Estou certo de que se corpos 
espirituais pudessem ser feridos, que experiência teria me causado 
uma grande lesão. No entanto eu fiquei ileso e não houve dor 
persistente exceto a memória dela. Mais uma vez eu me encontrei 
ao lado mesa da enfermaria, olhando para o meu corpo. 
O Poder da Queda 
 Uma das mais profundas descobertas que tive desta experiência 
foi ver a diferença entre o meu corpo espiritual e aquele corpo 
doente deitado ali em cima da mesa. Esta foi a primeira vez em que 
eu tinha experimentado a justaposição entre o meu eu espiritual e o 
1 – Despertado pela Morte 
57 
meu eu mortal. Eu estava ciente do crescimento de que meu corpo 
mortal carecia a fim de alcançar o potencial do meu espírito. O meu 
espírito era eterno, inteligente, perspicaz e poderoso. O meu corpo 
estava danificado, sujeito à morte, mentalmente lento e, em 
comparação com o meu espírito, ignorante de quase tudo espiritual 
e fraco em todos os aspectos. 
Foi então que comecei a perceber o quanto nós, mortais temos 
caído. Eu aprendi que estamos diferentes de como éramos antes da 
queda14. Olhando para baixo sobre o meu corpo, eu sabia tudo sobre 
ele, quanto tempo ainda falta, e quanto crescimento e exposição a 
verdade são necessários a fim de ser "terminado" ou concluído, para 
ser capaz de receber tudo o que o Pai tinha preparado para ele 
receber. Isso ficou muito claro para mim. Eu entendi todas as 
alterações que meu corpo precisava experimentar para tornar-se 
apto a regressar à presença do pai, e parecia quase impossível de 
realizar tudo isso na curta duração da mortalidade. 
Esta primeira experiência fora do meu corpo criou a recordação 
e refrescou minha memória de quem eu era e quem eu poderia 
tornar-me através de escolhas obedientes. Então fiz um 
compromisso, um convênio se preferir, entre mim como espírito e 
o meu corpo, de que eu faria tudo o que eu tivesse que fazer, para 
permitir que o meu corpo pudesse receber todas as alterações, 
aperfeiçoamento e a santificação necessária a fim de retornar ao Pai 
comigo dentro dele. 
Enquanto apenas no meu espírito, eu era puro, completo, 
conhecedor, e eu sabia exatamente quem eu era e de onde eu viera. 
O meu espírito era à imagem de Deus e eu sabia disso claramente. 
O espírito não tem um completo véu do esquecimento quando se 
liberta do corpo. Eu sabia que vim do Pai e tinha todo o potencial 
para me tornar como o Pai. Quando eu estava em espírito, eu tinha 
todas essas coisas, e não houve qualquer questionamento ou dúvida 
sobre qualquer coisa. O meu ‘eu’ espiritual queria apenas fazer a 
vontade de Deus e nada mais. 
Mas no corpo, eu era prejudicado por cegueira espiritual e 
fraqueza moral, e eu estava cego pelas imperiosas exigências da 
carne. Eu era cheio de dúvidas, incertezas, orgulho, corrupção, 
John M. Pontius – Visões de Glória 
58 
egoísmo e desejos maus. O pior de tudo é que eu não lembrava de 
nada da minha vida prévia com o Pai; não fazia a menor ideia de 
quem eu realmente era. A contradição entre as minhas duas 
identidades era esmagadora e paralisante. Entendi que essa 
disparidade era resultado da queda do homem e que eu tinha que 
superar essas coisas pela obediência ao evangelho e leis de Cristo. 
Na minha experiência seguinte fora do corpo, a qual relatarei 
mais adiante neste livro, eu vi todos os sofrimentos, provações e 
lutas que eu precisava enfrentar para refinar esse corpo mortal a fim 
de realmente chegar ao estado que eu tinha prometido que eu 
alcançaria. Com toda a honestidade, depois de ver todos os desafios 
que eu iria enfrentar, eu não conseguia ver como eu poderia triunfar. 
O meu ego ficou diluído porque eu imediatamente soube que eu não 
poderia conseguir de qualquer forma exceto pela plena e eterna 
graça de Cristo. Tinha que ser pelo milagre da Expiação15, porque 
eu sabia muito bem das minhas fraquezas para achar que eu, ou 
qualquer mortal de fato, fosse forte o suficiente para fazê-lo 
sozinho. 
Finalmente, na minha última experiência fora-do-corpo, foi-me 
mostrado o resultado final de tal caminho, quando e como eu iria 
eventualmente triunfar sobre todas estas coisas, honrar todos os 
meus convênios, obedecer todos os mandamentos e, finalmente, 
trazer o meu corpo de volta à presença de Cristo, tendo superado a 
queda, sendo resgatado por Cristo, então ele estava pronto para 
cumprir nossa missão – "nossa" significando o meu espírito e o meu 
corpo – nos últimos dias. Antes dessas experiências, eu não tinha 
ideia de que havia uma distinta preparação para o meu corpo. Eu 
pensei que "eu" era o meu corpo, e que eu estava crescendo através 
das minhas experiências. Aprendi que "eu" sou de fato o meu 
espírito, que já tem uma natureza divina e, ao invés de superar o 
meu corpo, como que castigando-o até sua sujeição, minha luta foi 
projetada para elevar o meu corpo para a estatura do meu espírito. 
Retornarei a essas outras experiências posteriormente. Nesse 
ponto, eu ainda estava fora do meu corpo no hospital, à espera que 
o meu espírito entrasse novamente no meu corpo.1 – Despertado pela Morte 
59 
Explorando o Hospital 
Decidi que tinha pouco de tempo até que o meu corpo fosse 
revivido. Eu esperava que ele fosse revivido, principalmente por 
causa da confiança e palavras dos três anjos ali perto do meu corpo, 
e porque eu não tinha sido chamado para fora do hospital. Eu não 
tinha visto um túnel de luz ou um mensageiro celeste, o que na 
verdade eu esperava ver. Por isso, concluí que o meu destino era 
sobreviver de alguma forma e seguir a vida. Tempo para o espírito 
se move de maneira diferente do que para um mortal, e mesmo que 
tenha sido apenas uns poucos minutos mortais, tive tempo para 
explorar esta incrível situação de estar fora do meu corpo. 
Decidi experimentar e dar uma olhada em volta. Sei que pode 
soar frívolo ou que eu não me importasse com a minha vida mortal. 
A verdade é, eu amava a minha vida, a minha esposa e os meus 
filhos, tudo isso, e eu não estava desejando morrer. Mas uma outra 
verdade é que eu tinha estado doente e em sofrimento durante um 
longo período de tempo, e estar fora do meu corpo era um grande 
alívio. Senti uma grande paz e uma total ausência de medo. Cada 
vez que eu tinha tentado voltar ao meu corpo, o senti 
assustadoramente doloroso. Não existem palavras da língua inglesa 
para expressar o quão excruciante foi aquilo. O meu corpo estava 
muito, muito doente e ao mover-me adentro, eu podia sentir que a 
doença e a dor começam a sufocar-me novamente. Mas, ainda mais 
do que isso, era tipo como se estivesse me espremendo através de 
uma pequena abertura sob alta pressão. O processo de reinserção no 
corpo já era agonizante por si só, e o fato de que ele estava doente e 
em dor fez toda a experiência ser a mais desagradável de toda a 
minha vida até então. 
Portanto, com esta grande capacidade de perceber os 
pensamentos, até mesmo sua história e futuro, e com uma mente 
curiosa, naturalmente, eu pensei que poderia muito bem aproveitar 
os poucos minutos que eu ainda dispunha até o meu corpo chamar 
por mim para entrar novamente. Até então, eu não tinha nenhum 
plano para tentar fazê-lo da minha própria vontade. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
60 
Eu já tinha experimentado caminhar através das paredes e estava 
curioso por experimentar novamente. Eu me senti confortável 
fazendo isso, porque eu continuava completamente consciente de 
que o meu corpo estava vivo não importa onde eu estivesse no 
hospital. 
Virei-me e caminhei até a parede mais próxima, pousei por um 
momento, e depois atravessei para a sala ao lado. Eu encontrei-me 
em um consultório médico, tendo caminhado através de uma mesa 
de madeira, uma cadeira de madeira, e um sofá de couro. 
“Ouvindo” a Madeira e as Pedras 
Me detive por um momento para deixar o fluxo de informações 
se fixar em minha mente. Ao passar através da mesa, eu percebi que 
ela tinha sido feita a partir de três árvores. Eu vi cada árvore. Eu as 
conhecia desde o momento em que sua semente germinou até o 
momento em que foram colhidas, recortadas, e confeccionadas 
nessa mesa. Não havia um órgão vivo na madeira. Ela era 
inteligente16, mas tinha pouca volição. Ela estava satisfeita por ser 
madeira, e lhe agradava que alguém a tivesse escolhido para ser 
moldada nesta mesa. Era tipo escrivaninha e muito bonita. Eu sabia 
que a escrivaninha compreendia o amor que o artesão tinha 
colocado em seu trabalho sobre a mesa. A escrivaninha também se 
sentia pura e digna porque ela nunca tinha sido utilizada em 
qualquer coisa que ofendesse a Deus. 
Gostaria de dizer muito mais sobre este fenômeno, de 
compreender as coisas materiais, mas me faltam as palavras. Eu 
entendi a emoção e a motivação do homem que a cortara e sabia o 
seu nome e de tudo mais sobre a sua vida, assim como de todos 
aqueles que haviam tocado ou utilizado a mesa. Eu entendi tudo o 
que há a saber sobre o algodão de enchimento no assento e o couro 
do sofá. Tudo isso me acolhia e tinha prazer em me comunicar sua 
vida e como ela tinha chegado a ser aquele sofá. 
Eu entendi os vários animais cujas peles cobriam o sofá, assim como 
as suas vidas e o seu sacrifício. Eles haviam deixado todas as suas 
informações em suas peles, mas o espírito da vaca estava em algum 
1 – Despertado pela Morte 
61 
outro lugar, e não no couro, embora ainda satisfeita e contente com 
os benefícios para a humanidade que a sua vida e sacrifício tinham 
prestado. Ela estava feliz porque foi benéfica aos filhos de Adão. 
O Propósito das Coisas 
Eu poderia resumir desta maneira: todas as coisas sobre a face 
da terra são aqui colocadas com o objetivo de levar a efeito a 
imortalidade e a vida eterna17 do homem. Algumas coisas estão aqui 
para alimentar-nos, algumas para confortar-nos, algumas para criar 
beleza, abrigo, até mesmo remédios. Há algumas coisas que estão 
aqui para trazer oposição, dor e desconforto. Mas todas elas estão 
aqui para criar este mundo que exalta o homem. Tudo é do plano de 
Deus, e nenhuma parte é dispensável. Até mesmo os mosquitos e os 
vírus são parte do plano. A minha experiência com todas essas 
coisas não-humanos foi a de que elas estão satisfeitas que estão 
cumprindo a medida da sua criação, e que a recompensa por isso é 
aceitável e agradável a cada uma delas. 
Foi impressionante perceber que a vida é muito mais complexa 
do que podemos imaginar ou conceber enquanto neste corpo mortal. 
Deus tem providenciado um sistema complexo e inspirado para 
exaltar-nos. Uma grande parte disso é nos dar a oportunidade de 
estar em um corpo, um corpo que deseja quase tudo ao contrário do 
plano de Deus. Jesus Cristo nos expõe através do Espírito Santo, à 
tudo o que é verdadeiro, falando para o nosso espírito a cada 
momento, temos de escolher entre o bem e o mal. Então, quando 
nós pecamos, podemos nos arrepender e obedecer suas leis para 
permitir que a expiação opere por nós. Todo esse processo foi 
projetado por Deus para trazer o nosso espírito com o nosso corpo 
em conformidade com as leis de Deus, e para voltar corpo e alma, 
inseparavelmente ligados, de volta à presença de Deus, para sermos 
julgados e para prestar um relatório. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
62 
Nossa Glória Pré-mortal 
Foi muito interessante para mim, ver que nossos espíritos 
vieram para a terra em um estado quase divino. Eu acho que existem 
alguns espíritos que vieram aqui com motivações e desejos impuros. 
Mas eu descobri que o meu espírito só desejava o bem, apenas 
desejava estar em harmonia com Deus. 
Era o meu corpo que era escravo da mortalidade, desejando coisas 
que eram contrárias ao plano de Deus para mim. Quando o meu 
espírito foi colocado no meu corpo ao nascer, e perdeu todas as suas 
memórias de minha longa e boa vida antes do nascimento, ele caiu, 
ou se tornou sujeito à queda do homem, quando ele entrou em meu 
corpo. Grande parte dos propósitos da mortalidade é sermos 
afastados de Deus, sendo assim obrigados a aprender a escutar a voz 
de Cristo e a superar os impulsos do nosso corpo mortal. No mesmo 
processo, também estamos aprendendo a aperfeiçoá-lo, a ensiná-lo 
perfeita obediência à vontade de Cristo, e ao fazê-lo, vencemos o 
mundo e a queda. 
Para mim, tão inexperiente nas coisas profundas e divinas do 
mundo espiritual, tudo isso foi "delicioso" para mim. Eu estava 
entusiasmado em experimentar estas coisas e sentir amor vindo de 
tudo o que eu tocava, mesmo as pedras, couro e madeira. Me 
encantava com o amor que eu senti fluindo de mim para eles. 
Parecia que tudo o que havia sido criado por Deus tinha sua própria 
história e tinha prazer por eu ser capaz de ouvi-los. Eu apenas ouvi 
contentamento e o louvor a Deus vindo dessas coisas. 
Eu descobri que os materiais feitos pelo homem, como aço e 
plástico, eram mais difíceis de atravessar, e não tinham voz. Eu não 
podia discernir sua estória ou sua história. Eles eram mortos para 
mim no momento. Eu aprendi mais tarde que eles eram uma parte 
da vida terra, mas não saiba até muito mais tarde como experimentar 
a terra.Eu simplesmente não estava pronto para isso na época - e 
muito pouco preparado quando isso aconteceu já bem adentro do 
Milênio. Comungar com um pedaço de madeira, é meio como um 
cachorrinho pisando nos dedos do seu pé, abanando a cauda, ao 
recebê-lo com sua adorável almazinha e carinhosa personalidade. 
Conversar com a Terra é como ter um planeta aterrissando em seu 
1 – Despertado pela Morte 
63 
corpo, tendo o peso de uma grande, enorme inteligência com um 
perfeito conhecimento e memória infalível de todo o bem e mal que 
tem existido na sua face, dos clamores do sangue justo soando ao 
longo dos séculos por justiça, da imensa tristeza, paciência divina, 
e a mais jubilosa alegria na sua redenção final. É como ficar cara-a-
cara com um ser vivente, brilhantemente inteligente do tamanho de 
um planeta, que ao mesmo tempo ama e se ira, é ansioso e paciente, 
tendo sido verdadeiro e fiel em todas as coisas. Não é algo para o 
qual se possa preparar exceto com grande experiência espiritual e 
divina preparação. 
Eu estava muito interessado nas rochas e pedra natural, cuja voz era 
antiga, anterior à formação da terra. Ela lembrava-se de sua criação 
e extasiava-se e regozijava-se em ser bela e útil para o homem. 
Descobri que eu gostava das rochas. Todas elas magnificavam a 
Cristo. Eu gostava de sua companhia, seu senso de paciência 
ilimitada e sua adoração eterna a Cristo. 
Pense nisso, se eu podia desfrutar as rochas, cuja inteligência e 
arbítrio são tão limitados e menos divinos, quão mais profundo e 
glorioso são os seres humanos, que são muito mais do que pedras, 
no entanto, nós não os valorizamos exceto pelo que eles podem 
fazer por nós. Cada pessoa que você encontra tem vivido desde a 
eternidade! Eles são anteriores à criação terrestre e são deuses na 
infância. Porém só conseguimos vê-los como funcionários, 
médicos, amigos, familiares, ou até mesmo como um inimigo ou 
uma fonte de nossas provações. Mas nós raramente os vemos como 
eles são: deuses em potencial. Eu vi isso como um enorme obstáculo 
para o nosso próprio crescimento. Mostra o quão baixo temos caído, 
pois não faz muito muito tempo, no eterno âmbito das coisas, 
quando compreendíamos o plano muito mais claramente e 
compreendíamos o valor de cada alma, estávamos nós mesmos nos 
tornando deuses (com “d” minúsculo). 
Nesta vida, em um corpo mortal que não sabe nada do plano 
d’Ele para nós, nós resistimos à Deus. Qual é o seu plano? É efetivar 
a imortalidade e a vida eterna do homem. Assim, tudo o que 
experimentamos é arquitetado para levar-nos mais adiante nessa 
jornada. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
64 
Através desta experiência fora-do-corpo, toda esta informação 
foi infundida no meu espírito. Desde então, o véu é mais fino para 
mim em alguns aspetos. Posso não apenas lembrar o que Deus 
revelou e ensinou-me em visão, mas tenho a sua voz reveladora para 
ensinar-me a cada momento da minha vida, tal como a todos os 
mortais através da luz de Cristo e a voz do Espírito Santo. Tendo 
ambas as perspectivas sobre as obras de Deus, tem tornado o véu 
mais fino de muitas maneiras. 
Enquanto eu estava andando pelo hospital encontrei-me com 
outros mortais. Alguns eram operários, outros eram médicos e 
enfermeiros. Eu não vi muitos pacientes, eu parecia estar em uma 
seção administrativa do hospital. As vidas de cada um desses 
mortais eram completamente transparentes para mim, como se seu 
próprio ser, todos os seus segredos, verdades e mentiras estivessem 
sendo transmitidos por conta própria, para o mundo todo. Para mim, 
tudo o era revelado e tudo era visível para mim. Achei que era 
opressivo porque eu podia ver as dificuldades que haviam criado 
para si mesmos. Eu podia ver cada erro, assim como cada boa ação 
que haviam feito. Eu sentia uma profunda tristeza pela maioria deles 
e mal conseguia suportar abordar outra pessoa depois de um tempo. 
Achei muito mais agradável a experiência com a madeira e as 
pedras do que com os seres humanos. Fiquei intrigado com sua 
intrincada história, que cada uma delas mostrou a mim no momento 
em que as toquei. Fui atraído pela sua boa energia e natureza eterna. 
 Um Clamor por Justiça 
Achei alguns itens no hospital que estavam entristecidos pela 
forma como eles tinham sido usados pelos seus proprietários. 
Algumas coisas tinham sido usadas na prática de crimes ou para fins 
violentos ou imorais, e a sua voz era um clamor por redenção e 
justiça. Não se tratava de um som estridente, agudo ou desagradável 
– mas ele era interminável, e levava nítidos detalhes da injustiça. Eu 
sabia que o próprio objeto não foi diminuído ou condenado, mas ele 
esperava com paciente expetativa pelo dia da redenção. 
1 – Despertado pela Morte 
65 
Eu andei através de uma parede para um bonito consultório. Ele 
era mais bem equipado do que os outros, com belos quadros nas 
paredes e mobiliário em madeira ornamentada. Eu considerei sair 
pela porta para ver de quem era, mas conforme eu andei através da 
escrivaninha, fiquei aturdido com o que eu senti. Ela estava 
ansiando por redenção. Dei-me conta de que, recentemente, uma 
série de cartas de amor tinham sido escritas sobre essa escrivaninha, 
promovendo um caso romântico que, em última análise, iria ferir 
muitas pessoas18. Eu sabia o conteúdo de cada letra e a verdadeira 
emoção, a manipulação do escritor, bem como a reação do leitor. 
Me afastei, não querendo ficar naquele fluxo de tórridos detalhes. 
Passei pelo sofá, e ele, da mesma forma testificava do mesmo caso 
e de eventos impuros que ocorreram aqui, alguns recentemente. Eu 
não pude encontrar qualquer canto naquele belo consultório que não 
estivesse triste ou ofendido ou chorando por redenção. 
Retornando ao Meu Corpo 
Eu estava prestes a sair quando, mais uma vez, senti a chamada 
de meu corpo. Instantaneamente, eu encontrei-me novamente na 
sala de procedimentos, olhando para o meu corpo. Em todas as 
minhas experiências posteriores de deixar o meu corpo, eu me 
levantara para fora dele. Mas, por razões que eu ainda não entendo, 
eu reentrei em meu corpo por baixo durante essa experiência. 
Eu de repente encontrei-me debaixo da mesa, subindo 
rapidamente por ela e em meu corpo por baixo. Desta vez foi mais 
doloroso do que qualquer das outras vezes. A dor estava sendo 
vivida pelo meu corpo, mas como eu estava conectando-me a ele, 
senti tudo. Eu ainda estava consciente de meu eu espiritual o qual, 
como já expliquei, tem maior sensibilidade. Por um momento eu 
podia sentir o meu espírito, sendo agitado e socado pela dor do meu 
corpo e sentia a dor do meu corpo. O choque da dor de ambas as 
fontes foi esmagador. Em seguida, um instante mais tarde, eu estava 
apenas consciente do meu corpo. 
Eu estava de volta para dentro. Eu não estava só acordando 
como que de uma anestesia, mas estava totalmente consciente e 
John M. Pontius – Visões de Glória 
66 
ciente de tudo. Eu estava doente e quase tão doente como um mortal 
pode estar e ainda ficar vivo. Eu não tinha forças para sequer piscar 
os olhos. Eu estava esmagadoramente nauseado, mas demasiado 
fraco para vomitar. Meu pulso estava irregular, e eu podia sentir 
indisposições de todos os medicamentos que tinham injetado em 
mim. Eu não podia acreditar que esse era realmente o meu corpo; 
ele parecia mais doente do que eu jamais havia sentido. 
Eu me senti sobrecarregado pelo meu corpo, como se o meu 
espírito quisesse voar para fora novamente, mas meu corpo estava 
segurando-o com um enorme peso. Eu lutava para respirar. Eu podia 
ouvir as enfermeiras e os médicos conversando ansiosamente entre 
si e, em seguida, comigo. 
Eu abri os meus olhos. A minha percepção de passagem do 
tempo foi que eu tinha ficado fora do meu corpo por cinco ou seis 
horas. Eu já tinha visto e experimentado tanto e tinha vagueado 
pelos corredores do hospital sem qualquer sensação de pressa, 
enfiando minha cabeça através das portas fechadas e caminhando 
por todas as paredes que eu podia encontrar. No entanto,quando os 
meus olhos finalmente centraram-se sobre o relógio na parede da 
enfermaria, apenas vinte minutos haviam passado. 
Isso não fez sentido para mim. Senti-me confuso. Eles me 
levantaram e me serviram um suco de laranja. Senti-me mal, por 
isso me disseram para deitar-me e descansar. O médico veio e me 
disse o que havia acontecido. Ele falou de tudo casualmente, como 
se isso acontecesse o tempo todo. Ele queria que eu viesse ao seu 
consultório por um momento e descansasse para ter certeza de que 
eu iria ficar bem. 
Eu me senti muito fraco, mas recorreram a minha esposa, Lyn, 
para incentivar-me. Ela levou-me em uma cadeira de rodas para o 
consultório. Ela não sabia do que recém acontecera. Reconheci o 
seu consultório como sendo aquele onde o caso de amor havia sido 
promulgado, mas o mobiliário do escritório estava em silêncio, já 
não falavam mais para o meu espírito, o qual agora, aparentemente, 
estava fixo de volta no meu corpo. 
Eu disse à enfermeira que ficou com a gente, "Eu estive morto”.
1 – Despertado pela Morte 
67 
Ela balançou a cabeça e respondeu: "Não, você apenas teve uma 
terrível reação com o contraste, mas agora você está bem." Ela foi 
reconfortante, mas a verdade é que ela não entendeu o que eu tentei 
dizer. Todos os que falaram conosco tentavam minimizar o que 
acontecera. Eles não queriam ouvir tudo o que eu tinha para dizer. 
Por cerca de meia hora, eles nos disseram que eu estava bem e me 
mandaram para casa. 
Muitas Diferentes Experiências Morte 
Uma grande parte desta experiência foi que eu comecei a 
entender o arbítrio e que as pessoas têm vários tipos de experiências 
após a morte. Isso é algo que eu certamente nunca supusera. 
Algumas pessoas nem mesmo admitem que eles estavam 
mortos. Outras pessoas, como eu, estavam apenas à espera de seus 
corpos serem restaurados, de modo que pudessem reentrar. Estas 
pessoas têm tido experiências de muitos tipos diferentes. A alguns 
foi dada a opção de retornar à mortalidade. Não me pareceu que eu 
tivesse escolha, fui simplesmente chamado de volta. 
Alguns dos mortos eram recebidos por anjos de luz, que os 
acompanharam para fora do hospital, em uma coluna de luz. Naquele 
momento, principalmente depois de tentar várias vezes reintroduzir-
me no meu corpo, eu os considerei mais abençoados. 
Esta experiência fora-do-corpo por si só tem me dado décadas 
de informação para processar e tentar compreender. Narrando este 
livro é, na realidade, a primeira vez na minha vida que eu tento 
colocar todas estas experiências em palavras. Pus-me a pensar, 
meditar e orar sobre elas pela maior parte da minha vida, mas esta é 
a primeira vez que tento descrevê-las em voz alta. É interessante a 
mim, ver como é difícil, quão parcas são as palavras para descrever 
o verdadeiro sentido da vida e o que realmente acontece quando se 
morre. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
68 
De Volta para Casa 
 Alguns dias depois que cheguei em casa comecei a me sentir 
melhor. Eu contei para a Lyn sobre minha experiência fora-do-
corpo e sobre a minha visita à sala de espera. Eu disse a ela que eu 
tinha realmente morrido. Ela estava cética, embora lhe fosse 
inexplicável que eu soubesse o artigo de revista que ela havia lido e 
que eu pudesse lembrar-me até do ponto em que ela tinha parado de 
ler quando os alto-falantes acionaram, "código azul, código azul!" 
Eu disse a ela tudo, como ela olhou para cima e, em seguida, 
levantou-se pondo a revista de lado, e tudo. Ela confirmou-me que 
tudo o que eu disse era verdade, embora ela própria não conseguia 
acreditar que eu tinha estado morto por vinte minutos. 
Ela solicitou uma consulta com o meu médico, e ambos 
entraram. Ela exigiu saber a verdade do que tinha acontecido 
naquele dia. O médico não queria admitir que eu tinha morrido. A 
única coisa que o médico admitia era que "houve alguns momentos 
assustadores quando seu coração parou. Você não estava 
respirando, mas nós o reavivamos.” Ele completamente minimizou 
a experiência e nos disse para não nos preocupar mais com aquilo. 
Eu acho que o que ele realmente queria dizer era: "Por favor não 
nos processe." 
John M. Pontius – Visões de Glória 
69 
Capítulo Dois
PARAÍSO PERDIDO
Reorganizando Minha Vida 
ensei sobre essas experiências todos os dias que se 
seguiram, meditando sobre elas e no que elas 
significavam. Havia muitas coisas que eram contrárias às 
convicções que tive por toda a vida, especialmente sobre 
o meu pai biológico e o meu nascimento. Eu cuidadosamente 
registrei essas experiências no meu diário. Além disso, eu meditava 
diariamente sobre como mudar a minha vida para estar em 
conformidade com o que Deus tinha acabado de me mostrar. 
Antes, a minha meta de vida era avançar na minha carreira, para 
tornar-me um professor livre-docente e de me aposentar aos 
cinquenta anos. O meu objetivo era o de tornar-me rico, bem 
conhecido, escrever livros, e ficar famoso. Eu queria trabalhar na 
Igreja, servindo em qualquer capacidade, e “ascender no
sacerdócio", como eu pensava naquela época, provando-me fiel e 
diligente para a Igreja dos Últimos Dias. 
Após esta experiência além do véu, eu passei os próximos dez 
anos reorganizando minha vida de ego-centrada a centrada em 
Cristo. Não foi uma transição fácil. Eu vim a perceber que quase 
todos os meus objetivos estavam desalinhados com o plano de Deus 
para mim. Eu tinha sido ensinado durante toda a minha vida a 
ganhar dinheiro, criar uma família, ser conhecido por todo o mundo 
P
2 - Paraíso Perdido 
70 
e, em seguida, o Senhor poderia utilizar-me de qualquer forma, 
porque eu estaria qualificado, rico, e disponível. 
Não tenho certeza se antes desta experiência eu tinha me 
compromissado totalmente com este objetivo na vida, porém era o 
que eu tinha sido ensinado durante toda a minha vida pelos líderes 
e até mesmo pelos meus presidentes de missão. Isso nunca tinha 
soado totalmente verdadeiro para mim, e agora eu sabia porquê. 
Antes deste momento, eu tinha a mentalidade de que eu precisava 
chegar a um lugar em minha vida onde Deus poderia conhecer-me 
ver as minhas boas obras e a minha determinação e, então, Ele 
saberia o que eu poderia fazer. 
Depois dessa experiência, eu aprendi que Deus já me conhecia 
em grande detalhe e muito melhor do que eu conhecia a mim 
mesmo. O que ele estava me ensinando com esta experiência foi, 
Spencer, você estava enganado. Você precisa aprender a ver a si 
mesmo como Eu o vejo, e conhecer a si mesmo como Eu conheço a 
você e não o contrário. Eu já sei tudo sobre você. 
Estar fora do meu corpo e saber sem qualquer dúvida, com total 
garantia, que existe um grande trabalho espiritual e um mundo 
espiritual que não podemos ver, levou-me para fora de um círculo 
que circunscrevia apenas Spencer, e ampliou o círculo de meu 
entendimento, a incluir este mundo invisível de seres celestiais, 
incluindo familiares, anjos e o próprio Jesus Cristo. Isso me 
transformou para sempre. 
Como já mencionei antes, me parecia como se os anjos 
houvessem deixado a porta aberta para o céu. Eu passei a ver as 
pessoas diferentemente. Eu podia vê-las em certa medida com os 
olhos de Deus. Eu podia amá-las mais, e algumas vezes o Senhor 
enviou-me para ajudá-las em formas que teria sido impossível de 
outra maneira – meios milagrosos pode parecer, se não se percebe 
que a mão de Deus está sempre trabalhando em nossas vidas. 
Depois desta experiência que mudou minha vida, comecei a 
obter informações de Deus para dar aos meus clientes. Às vezes eu 
tinha de esperar que eles parassem de falar para que eu pudesse 
John M. Pontius – Visões de Glória 
71 
dizer-lhes o que eu tinha acabado de aprender. Ao longo do tempo, 
na medida em que me tornei mais sensível às coisas espirituais e 
mais obediente em minha resposta a elas, o meu discernimento 
melhorou. A minha percepção sobre suas vidas aumentou. Por vezes 
o que eu tive visões das coisas que tinham acontecido com esses 
clientes, e a minha compaixão e compreensãofoi grande por eles. 
Eu não podia evitar essa maior afinidade com eles. 
Nunca Estamos Sós 
Outro princípio importante que eu aprendi foi que nunca 
estamos sozinhos. Os anjos estão sempre presentes, tanto do bem2
como do mal13. Eu também percebi que pelo meu comportamento, 
humor, ou pensamentos, eu estava no controle de quem estava no 
quarto comigo. Eu costumava ter sentimentos ou emoções negativas 
e sentir-me dominado por elas. Fiquei surpreso ao perceber que eu 
estava lidando com espíritos das trevas que sobrepujavam-me 
quando eu lhes dava permissão pelas minhas emoções. Percebi que 
estava no controle, e eu trabalhava duro para manter-me positivo e 
amoroso, para convidar seres divinos à minha vida, que elevavam a 
mim e às pessoas em volta de mim. Trata-se de um princípio 
fundamental da minha fé agora que, para o bem ou para o mal, 
nunca estamos sozinhos. 
Eu também percebi que nosso arbítrio é sempre respeitado, de 
tal modo que, apesar de existirem bons anjos em torno de nós, ainda 
assim temos de convidar sua intervenção. Os convidamos para nos 
ajudar pela oração, por termos esperança, por sentirmos fé e crença. 
Até mesmo as palavras que pensamos calmamente ou falamos 
conosco mesmos, até estas valem. "Por favor, mostre-me como!" 
"Por favor me ajude!" "Por favor, Deus, ajude-me a encontrar 
minhas chaves." "Por favor Deus, salva os meus filhos!" Todas 
essas coisas acionam forças poderosas do outro lado do véu. Elas se 
tornam ainda mais potentes quando aprendemos a responder aos 
impulsos do Espírito Santo porque, então, podemos receber as 
respostas para estas urgentes preces mais rápida e profundamente. 
2 - Paraíso Perdido 
72 
Todas as vezes que Deus envolve-se em nossas vidas, Ele está 
ensinando e levando a efeito nossa vida eterna17. Quando o Pai 
responde às nossas orações, Ele o faz por meio de anjos2, pois assim 
os anjos crescem também. Eles aprendem o que é ser "como" Deus, 
servindo e comunicando as respostas de Deus para as orações de 
seus filhos. Este processo é extremamente ordeiro e divinamente 
orquestrado. Não existe acaso ou imprevisto no Seu trabalho. Os 
bons anjos estão sujeitos ao Seu comando e são limitados ou 
habilitados pela nossa fé. Não há momentos de “xii!” ao lidar com 
Deus ou seus mensageiros. Orações19 nunca deixam de ser 
respondidas corretamente devido a um erro do outro lado. Tudo 
acontece como Deus orienta. 
Redirecionando Minha Vida 
Agora, todas essas ocupações mundanas que eu pensei que 
deveria definir a minha vida foram levados. Foi-me mostrado que 
muito do que eu estava tentando fazer era totalmente errado para 
mim. Foi-me mostrado que ele era o objetivo errado – pare com isso. 
Estou tentado a obedecer. Eu completei a minha educação e 
estabeleci minha carreira porque eu tinha visto que era parte do 
caminho certo para mim. 
No meu trabalho, muitas vezes chamo ao Pai celestial para que 
os anjos, que rodeiam a mim e meus clientes, intervenham. Faço-o 
com total certeza de que Deus me ouve, e os anjos respondem. 
Talvez eu tenha maior fé neste princípio do que a maioria dos 
mortais porque eu tenho visto os anjos. 
Anteriormente, eu havia trabalhado em um hospital de grande 
porte com crianças que sofrem de câncer. Houve momentos em que 
eu antevia com olhos espirituais uma intervenção angelical para 
prolongar a vida da criança e sabia que ia acontecer. Essas ocasiões 
resultaram em cura que só poderiam ser milagres de Deus. Certas 
ocasiões, eu também percebia que a vida da criança estava no fim, 
e que ela havia concluído seus labores mortais. A criança falecia 
pouco tempo depois. Eu tinha então uma grande paz, sabendo que a 
John M. Pontius – Visões de Glória 
73 
sua vida fora curta, mas completa, e tal conforto eu podia transmitir 
para os pais e familiares. 
Neste momento eu estava visitando, como mestre familiar, a 
uma única irmãNT3 com três filhos. Esta irmã tinha câncer no 
cérebro, e eu queria curá-la. Eu queria apelar ao sacerdócio para 
curá-la. Ela pediu-me para dar-lhe uma bênção20, mas quando eu 
coloquei minhas mãos sobre a sua cabeça, foi-me mostrado em 
visão que ela não iria viver um ano. Eu não queria dizer isso, então 
eu dei-lhe uma bênção de conforto, mas não foi a bênção que eu 
queria dar-lhe, nem tampouco foi a bênção que o Pai tinha me 
mostrado ter em reserva para ela. 
Ela virou-se para mim depois da bênção, com lágrimas correndo 
no seu rosto, e perguntou-me: "Por que você não me disse o que 
você viu? Por que você não me deu a benção que você viu?" Eu 
perguntei a ela o que ela queria dizer. 
Ela disse, "Eu vi a mesma visão que você viu. Não vou viver 
muito mais do que um ano". 
Eu disse a ela, "Eu estava com medo de dizer-lhe, com medo de 
desencorajar a você e assustar aos seus filhos.”.
Ela respondeu, "sendo a vontade de Deus, Ele vai me ajudar a 
aceitá-la. É o que eu precisava ver, e mesmo que você não diga isso 
em voz alta, eu a vi com você, e eu sei que é verdade. Obrigado por 
esta bênção." 
Ela viveu cerca de onze meses e, em seguida, sucumbiu, 
deixando os três filhos pequenos nas mãos de membros da família. 
Essa foi apenas uma das muitas experiências poderosas onde minha 
sensibilidade espiritual e meus sentimentos espirituais elevaram-se 
grandemente. Infelizmente eu não estava forte o suficiente para 
pronunciar as palavras corretamente, portanto, o Pai revelou a esta 
jovem mãe a mesma visão que eu vi para ela. Eu aprendi muito 
sobre a minha responsabilidade de fazer o Seu trabalho; embora o 
medo tente me impedir de dizer o que deve ser dito, é sempre a coisa 
certa a fazer. Eu tentei, desde então, não temer as emoções e 
preocupações dos homens mais do que a vontade de Deus. 
2 - Paraíso Perdido 
74 
Depois dessa experiência fora-do-corpo, minha vida passou por 
uma longa e difícil evolução, especialmente quando você considera 
que tais decisões não foram inteiramente minhas, porque elas eram 
os sonhos da minha esposa e família também. Eu tinha instilado 
meus sonhos neles durante anos, e agora eu era confrontado com a 
tarefa de ensinar-lhes a razão pela qual eu tinha mudado a minha 
vida e meus objetivos. 
Estas alterações não foram realizadas sem resistência. Além 
disso a minha família, quase todos os meus colegas, meus 
professores e colegas em universidades, mesmo aqueles que foram 
meus mentores e me avançado nas universidades, todos resistiram 
às mudanças que eu estava fazendo. Alguns deles viam-me como 
autodestrutivo, outros viam-me apenas como estúpido. Houve até 
alguns que me disseram que eu tinha sofrido um colapso mental ou 
emocional. Escutei a todas essas pessoas, mas decidi avançar com 
determinação para fazer o que me tinha sido indicado a fazer. Eu 
deixei algumas das minhas posições no hospital, aposentei-me de 
diversas nomeações na universidade e foquei na minha clínica 
particular. 
Durante este tempo de mudanças a minha saúde continuou a 
degradar lentamente. Meu sistema imunológico foi comprometido 
pela cirurgia e muitos problemas de saúde. Tive cirurgias em minha 
vesícula, um apêndice suturado, e cirurgia no sinus pois eu tinha 
frequentes infecções nos sinus. 
Tive febre reumática duas vezes, um sopro cardíaco, todos os 
resfriados e a gripes que chegavam na cidade. É minha presente 
constatação de que eu me predisponho a essas doenças por persistir 
nesse estado emocional doentio que adquiri desde a infância. Eu 
ainda não tinha aprendido a evitar que essas perdas se 
manifestassem como doenças físicas. Além disso, vinha 
trabalhando demais e não estava comendo bem. Não dormia o 
suficiente. Quando eu me exercitava, eu forçava demais ou ignorava 
os exercícios por longos períodos de tempo. 
O último e o maior motivo de todos estes problemas de saúde 
foi o de que eu era abençoado por ter tais crises de saúde de modo 
John M. Pontius – Visões de Glória 
75 
a experimentar a morte física várias vezes e, por conseguinte, ter 
essas visões. Já sei que antes de eu nascer, eu escolhi esse curso para 
mim.Eu estava feliz em ser capaz de optar por este caminho para a 
minha vida, e embora tenha sido difícil e penoso, e sempre 
apavorante, eu ainda sinto que a minha vida tem sido muito 
abençoada porque este processo que vivi. Eu não voltaria para 
escolher outro caminho, mesmo se eu pudesse. 
Por esse período, Lyn teve cinco filhos. A minha esposa e as 
crianças estavam indo muito bem durante estes tempos, embora 
tivéssemos desafios comuns de jovens famílias. 
Taiti 
Depois de todos estes desafios médicos, alterações na carreira e 
família aumentando, meu benzinho e eu decidimos aproveitar a tão 
necessária pausa da vida e ir de férias ao Taiti em Março de 1995. 
Havíamos planejado ir com os pais e os irmãos de Lyn. Todos nós 
deixamos os filhos em casa e estávamos empolgados por dar uma 
escapada. Lyn e eu esperávamos clarear as nossas relações, os 
nossos sonhos e meu estado de saúde através do total relaxamento 
e descanso em um paraíso tropical. 
Nós pegamos um voo para Los Angeles e, em seguida, a 
Honolulu. De lá, voamos para Taiti. Uma das pragas que eu tenho 
enfrentado por toda a minha vida é que não consigo adormecer no 
avião. Eu cheguei no Taiti com carência de sono após vinte e quatro 
horas de viagem. Chegamos na ilha de Papeete, onde o templo dos 
Santos dos Últimos Dias está localizado. 
O clima estava quente e bonito na ilha. Uma suave brisa tropical 
estava soprando. Subimos num barco e viajamos para a ilha vizinha 
de Moorea a uma pequena estância. Chegamos e descobrimos que 
o hotel era uma série de encantadoras cabanas, cada uma 
consistindo de um quarto grande com teto de sapê. As paredes eram 
abertas com telas anti-insetos como paredes. Havia um único 
banheiro mais na parte de trás do bangalô. Os quartos eram 
2 - Paraíso Perdido 
76 
decorados com arte e pinturas típicas. Era absolutamente 
encantador. 
Era inverno em casa, então fomos dos montes de neve para essa 
ilha paradisíaca. Lembro-me de comentar que aquilo era como deve 
ter sido Bali Hai, no musical South Pacific. Haviam altas montanhas 
vulcânicas roxas no centro da ilha em declives mergulhando na 
exuberante vegetação até um belo parque, que terminava numa areia 
perfeitamente branca e no intenso e cristalino azul esverdeado do 
mar. Um recife de corais protegia a ilha das ondas e dos grandes 
peixes e tubarões. 
Os familiares da minha mulher e eu chegamos cansados da 
longa viagem. Éramos cerca de vinte e dois de nós. Cada casal tinha 
seu próprio lindo bangalô na praia. Combinamos de tomar banho e 
nos refrescar após a longa viagem e, em seguida, nos encontrar no 
restaurante que era conectado ao resort. 
Percebi que estava muito cansado para ir jantar, e pedi a minha 
esposa para me trazer alguma coisa do restaurante. Ela estava 
preocupada comigo, mas partindo do princípio que era apenas 
cansaço, ela concordou e saiu. Liguei o chuveiro e a água saiu do 
chuveiro da cor de lama. Fiquei enojado e deixei a água correr até 
ficar mais clara. Enquanto tomava banho, meu coração ficou 
acelerado. Eu achava que era apenas a falta de sono. Me vesti, deitei 
na cama, e comecei a suar profusamente. Eu sabia que algo estava 
errado, mas não havia telefone no bangalô. Eu senti uma dor 
esmagadora no meu peito, que foi piorando. Eu estava com 
dificuldade para respirar e não tinha forças para pedir ajuda. 
A próxima coisa que me lembro era que eu subi para fora do 
meu corpo até o teto. Senti do mesmo jeito de quando eu tinha 
morrido doze anos antes, com a reação ao contraste do raio x, exceto 
que desta vez eu fui para cima do meu corpo em vez de sair para 
baixo através do leito. 
O meu primeiro pensamento foi, estou morrendo em uma terra 
estrangeira! Fiquei preocupado sobre como minha esposa iria fazer 
os trâmites para transportar o meu corpo de volta para a América, e 
como as crianças ficariam arrasadas. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
77 
Também senti desejo de sair da cabana e explorar ao redor da 
ilha, mas eu tinha um forte sentimento de que eu precisava ficar com 
o meu corpo. Bem neste momento minha esposa voltou para o 
quarto. Eu quis me reintroduzir no meu corpo, e mergulhei do teto 
novamente ao meu corpo. Eu consegui dizer a ela que estava muito 
mal. Ela sentou-se na beira da cama e falou comigo por um tempo. 
Eu disse a ela que eu achava que estava morrendo, porque eu mais 
uma vez tive uma experiência fora-do-corpo. 
Ela estava realmente preocupada e tomou meu pulso, que estava 
muito rápido. Ela voltou ao restaurante para chamar seu pai e meu 
cunhado. Eles me deram uma bênção do sacerdócio. Eu tentei ficar 
em meu corpo o suficiente para receber a bênção, mas estava difícil. 
Eu sentia como se estivesse flutuando para fora. A bênção do 
sacerdócio mencionou que eu iria me recuperar e que eu tinha mais 
trabalho a fazer nesta vida. Ela também disse que se algo precisava 
ser feito clinicamente, que eu seria abençoado com suficientes 
forças para aguardar até que voltamos para os Estados Unidos. 
A irmã de Lyn é enfermeira profissional, e ela avaliou com o 
hotel sobre outras opções médicas na ilha. Havia um pequeno 
ambulatório, do outro lado da ilha. A clínica tinha apenas um casal 
de enfermeiros e um médico ocasional. Nós decidimos que a melhor 
opção seria ficar onde eu estava em vez de tentar fazer a viagem 
para a clínica. 
Depois da bênção, deram-me aspirina, e eu decidi que iria 
apenas ficar na cama e tentar me recuperar. Eu lhes disse que estava 
indo dormir e garanti a todos que eu ficaria bem, apesar de suspeitar 
fortemente que eu estava para deixar o meu corpo novamente. Eles 
ficaram consolados e retornaram para o restaurante para terminar o 
jantar. 
Eu estava deitado na cama orando, pedindo ao Pai que, se ele 
precisava que eu deixasse a mortalidade, que por favor esperasse até 
a volta para os Estados Unidos, onde eu poderia morrer sem arruinar 
as férias dessas pessoas. Eu também senti, por algum motivo, que 
seria realmente lamentável deixar esta vida em terra estrangeira. 
2 - Paraíso Perdido 
78 
Eu mais uma vez deixei o meu corpo e fui para a parte superior 
do teto. Havia um grande ventilador no teto que estava ligado no 
máximo. Eu encontrei-me acima do meu corpo e ao lado do 
ventilador. Desta vez, a grande diferença foi que eu estava 
totalmente sozinho. Não haviam outros espíritos para saudar-me ou 
acompanhar-me. Esperei um longo tempo ao lado do ventilador 
sentindo-me cada vez mais abandonado e carente de apoio. Foi 
desconcertante para mim estar em um mundo que eu sabia que 
estava cheio de seres espirituais e mesmo assim estar sozinho. Mais 
uma vez roguei ao Pai que por favor enviasse um espírito justo para 
ficar comigo, para que eu não morresse perdido e sozinho nesta terra 
estrangeira. 
 Uma voz veio ao meu espírito, como se entrasse em meu peito, 
dizendo que eu precisava passar por esta escuridão para 
compreender o que estava para vir em minha vida. Não entendi o 
que significava naquele momento, mas depois eu pude entender. 
Significava que eu precisava compreender o sofrimento ao ver 
o mal em sua forma mais sombria. Eu era ingênuo neste momento 
da minha vida. Eu queria acreditar na inerente bondade das pessoas. 
Eu estava prestes a ver em visão pessoas cujo único objetivo na vida 
é fazer o mal. Eles preferiram o mal e o deboche do que todo o resto. 
Eles deliciavam-se no sofrimento de outras pessoas e ficavam 
entediados e deprimidos quando não estavam ferindo alguém. Eu 
nem sabia que pessoas assim existiam, ainda menos que 
constituíssem toda uma sociedade. 
Eu tinha visto grande luz, visões de Deus e anjos e, a fim de 
compreender mais verdade e mais luz, agora eu tinha que 
compreender seu oposto, o lado somente maligno da equação. 
Todas as coisas na mortalidade e na eternidade existem em polos 
opostos. Para compreender mais e mais luz, eu tinha que 
compreender mais as trevas. Até mesmo Jesus Cristo teve de descer 
abaixo de todas as coisas antes que ele pudesse subir acima de todas 
as coisas. O mesmoparece ser verdade para mim, embora de uma 
forma muito menor do que para nosso Salvador. Ainda assim, as 
John M. Pontius – Visões de Glória 
79 
leis divinas que regem estas bênçãos exigem a justaposição do bem 
e do mal, e eu tinha que compreender por experiência pessoal. 
Portanto, eu tinha que experimentar a sensação desta 
assustadora solidão, essa separação de Deus. Eu nunca tinha 
experimentado isso anteriormente. Eu aparentemente também 
precisavam saber o que era sentir-se completamente desprovido do 
Espírito Santo a fim de apreciar e compreender as maiores bênçãos 
que me tinham sido mostradas que poderiam ser minhas. 
Era como se Deus estivesse dizendo: "Este é o momento 
apontado para que você, Spencer, experimente essas coisas da 
escuridão." Então, eu encontrei-me enfrentado uma visão que eu 
nunca, jamais imaginara que pudesse ser verdade. Estar de férias 
neste distante lugar, um lugar com uma história tenebrosa, onde o 
meu trabalho e os meus filhos, familiares e esposa estavam 
distraídos com outras coisas, tornou-se o cenário perfeito para este 
capítulo negro da minha educação em coisas celestiais. 
Enquanto eu estava flutuando próximo ao teto, minha esposa e 
uma de suas irmãs entrou no quarto. Elas pensaram que eu estava 
dormindo, tocaram no meu ombro e em seguida silenciosamente 
saíram do quarto. Olharam uma para a outra e concordaram que eu 
estava dormindo. Elas deixaram-me e sentaram-se na varanda 
frontal do nosso bangalô. Eu não estava dormindo, mas estava fora 
do meu corpo e vi tudo desde o teto. Eu não sabia se eu estava vivo 
ou morto, porque me sentia muito diferente da minha experiência 
doze anos atrás. Neste ponto, ainda não tinha capacidade de sair do 
bangalô. 
O Diorama do Inferno 
O resto do que irei agora relatar, eu ainda não entendo muito 
bem. Me foi apresentado como se fosse um dioramaNT4 passando em 
frente ao meu corpo espiritual. Era em três dimensões, mas eu não 
estava nas cenas, eu estava olhando como um espetador. Me foi 
mostrada a história das práticas espirituais e não-espirituais dos 
antigos taitianos. 
2 - Paraíso Perdido 
80 
Foi-me mostrado que inicialmente eram um povo iluminado e 
cheio do Espírito, até mesmo inocentes e imaculados. Eles sabiam 
acerca de Jesus Cristo, seu papel e sua missão, que tinha vindo a 
eles através de homens e mulheres santos que tinham estabelecido 
a sua herança cultural21. Eu vi que o seu entendimento se deteriorou 
ao longo dos anos, à medida que seus fundadores morreram, e 
aqueles que acreditavam ficaram em menor número. Eles se 
afundaram nas mais brutas e gráficas formas de tortura humana, 
deboche, perversões sexuais e escuridão espiritual que se pode 
imaginar22. Na verdade nada daquilo era admissível para mim, eu 
só via e sentia asco. Na verdade, eu ainda me sinto horrorizado pela 
memória daquilo. Entre muitas outras terríveis coisas, eles estavam 
sacrificando jovens virgens e matando crianças e recém-nascidos na 
mais terrível forma que se possa conceber. Foi horrível para mim na 
ocasião, e ainda é apavorante para mim agora, porque eu vi o que 
tinha acontecido em grande detalhe. Eles estavam fazendo isto em 
parte por causa da religião falsa, e em parte para se vingarem de 
atrocidades semelhantes de seus inimigos. Suas mentes e corações, 
e tudo o que fizeram, estavam saturados pela guerra, vingança e 
cobiça por tudo o que é mau. 
Eu podia ver e sentir cada pessoa envolvida em tais atrocidades. 
Eu podia sentir o ódio, a raiva e o ressentimento daqueles que 
estavam fazendo estes terríveis atos, bem como o medo e a angústia 
de suas vítimas. Eu fui na verdade poupado de sentir suas dores, 
mas eu as experimentei em um nível espiritual que na realidade não 
era dor, mas um entendimento do quão horrível tinha sido para eles. 
Eu podia também ouvir as orações das poucas pessoas entre eles 
que ainda eram seguidores de Jesus Cristo, que tinham o Espírito 
Santo e que ainda se apegavam à verdade. Estes raros fiéis eram 
como pequenas chamas de verdade dispersas por estas ilhas. Eles 
odiavam o que estava acontecendo com seu povo e choravam as 
gerações que foram perdidos. Eles também foram forçados a 
esconder profundamente suas convicções, pois os crentes eram 
valorizados como vítimas. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
81 
Não somente eu via o sofrimento e dores horríveis de todos 
aqueles que eram torturados, mas eu estava vendo espíritos maus12
que estavam se divertindo com suas dores. Esses espíritos malignos 
jactavam-se naquilo, e exortavam os mortais a fazer coisas piores e 
piores, dando-lhes "inspiração" para prolongar o sofrimento de suas 
vítimas. 
Não creio que mortais poderiam sequer pensar em tais atos 
malignos, e ainda formar uma sociedade e tradição de tal deboche, 
sem os maus espíritos exortando-os e instruindo-os a não apenas 
executar esses atos, mas em como também transformá-los em 
religião ao longo de muitos anos para fazer com que aquilo se 
tornasse tradicional e aceitável para toda a sua sociedade. Toda a 
cena era de um hiper-frenesi maligno, tão insano que me horrorizou 
além de qualquer coisa que eu jamais experimentara, antes ou desde 
então. Eu tentei desviar-me, mas a visão não deixava os meus olhos. 
Eu me senti como se estivesse sendo exposto às profundezas do 
Inferno. Eu senti absoluta repugnância por essa visão, embora eu 
soubesse que eu não estava sendo punido de forma alguma. Mas ela 
persistiu por algum tempo, até que eu passei mal na minha alma e 
pedi encarecidamente para que terminasse. 
Na minha primeira experiência em 1983, não experimentara 
nada disso. Não havia lado escuro ou horror naquela experiência. 
Agora tudo isso foi derramado sobre mim em todos os seus matizes 
infernais. Todo esse tempo fiquei implorando para Deus fechar essa 
visão e pedindo-lhe, "Por que eu preciso ver isso? O que é que isso 
tem a ver comigo?”.
Eu gritava, para não ver mais esse horror, com toda a força do 
meu ser, e eu finalmente fui liberado da visão tenebrosa diante de 
mim. 
A Oração Intercessora 
Em seguida me vi transportado para a Beehive House em Salt 
Lake City. Isto pareceu-me muito estranho, logo após ver a 
tenebrosa história do Taiti naquela distância, eu estar ali mesmo em 
2 - Paraíso Perdido 
82 
Salt Lake City. Eu já não estava mais tendo uma visão, mas me vi 
participando no que estava acontecendo, na verdade estava vivendo-
a com todos os meus sentidos, não apenas vendo. 
A primeira coisa que vi foi câmaras de televisão e outras pessoas 
da mídia ao redor da Beehive House. Elas pareciam ter vindo de 
todo o mundo. Haviam repórteres falando japonês, chinês, francês, 
e muitos outros idiomas, incluindo o inglês. Eu reconheci estações 
de televisão e equipes locais. 
Estes jornalistas estavam em pé, no lado oeste do edifício, 
principalmente e no corredor entre o Edifício dos Escritórios da 
Igreja e a Lion House. Eles estavam em torno de todo o conjunto de 
edifícios. 
Vendo-me liberto daquela horrível visão do Taiti e vendo-me 
agora no meio de equipes de jornalistas em Salt Lake City, pensei, o 
que estou fazendo aqui? O que todas essas pessoas estão fazendo 
por aqui? Eu estava fazendo a pergunta a Deus. 
Neste momento lembro-me de começar a aceitar o fato de que 
eu estava morto, e que o meu corpo ainda estava no Taiti. Eu me 
senti triste por Lyn porque ela logo iria me encontrar morto. Eu 
sabia que ela me amava e que aquilo iria ser um tremendo choque 
para ela. 
Comecei a sentir os poderes espirituais que me sentira antes, de 
ir para onde eu quisesse e poder ler as pessoas, mentes e corações. 
Eu já não me sentia perdido nas circunstâncias em torno de mim. 
Então eu perguntei: "Por que estou aqui?”.
Não havia outros espíritos que eu pudesse ver. Eu só conseguia 
ver os mortais ao meu redor. Eu novamente pedi a Deus, "o que está 
acontecendo?" Ele respondeu, "Você não vai morrer no Taiti. No 
entanto, vou mostrar o que certamente virá a passar." 
Foi-me dito que esta visão era uma metáfora,uma "tipificação" 
de coisas que em breve iriam acontecer, e não uma ocorrência real 
que eu estava vendo, ou mesmo que viesse a acontecer exatamente 
desta forma. 
Naquele momento eu podia sentir os pensamentos e as emoções 
de todos esses indivíduos esperando ao redor dos prédios. Eles 
John M. Pontius – Visões de Glória 
83 
estavam empolgados, com grande expetativa por algum 
acontecimento importante. Entre alguns deles, especialmente as 
equipes locais de notícias, havia medo e tristeza. Eles tinham longos 
mastros com os microfones de espuma na extremidade, como se 
estivessem esperando um anúncio de algum tipo. Eu senti que eles 
estavam aguardando o anúncio de que o atual profeta da Igreja havia 
falecido. Isso causou-me tristeza porque o atual profeta era meu 
amigo. No decurso do meu serviço, eu tinha estado em reuniões com 
ele muitas vezes, e eu gostava muito dele. 
Eu encontrei-me na parte de trás da Beehive House. Eu nunca 
tinha estado ali antes. Haviam escadas de metal indo à parte um 
andar acima na parte de trás com uma porta verde no topo. As 
escadas pareciam uma saída de emergência em vez de parte da planta 
original do prédio. Eu subia as escadas como uma pessoa normal, 
passo a passo. Eu podia sentir e ouvir os meus passos, e eu podia 
sentir o corrimão com minha mão esquerda. Isso era perfeitamente 
vivo e verdadeiro para mim. Eu cheguei no topo e abri a porta que 
era rígida e fria ao toque. Havia um guarda de segurança sentado em 
uma mesa com um monitor de vídeo à direita por dentro da porta. 
Ele estava a olhar para o monitor muito atentamente. Ele não me via 
ou reconhecia. Perguntei novamente, "o que estou fazendo aqui?”.
A voz que tinha ouvido anteriormente respondeu, "Você tem 
muito que aprender. Desça para o saguão". 
Então, andei por um corredor longo e, na outra extremidade da 
do saguão, havia um outro guarda de segurança voltado para mim. 
Ele estava sentado do lado de fora de uma porta à minha esquerda 
sobre uma cadeira dobrável. Ele estava lendo as Escrituras27. Era 
uma combinação trípliceNT5 com um nome em alto relevo na capa 
que eu não tentei ler; eu apenas supus que eram as Escrituras do 
guarda. 
Eu passei por ele e através da porta sem abri-la. Eu fiz isso 
porque eu sabia que estava em espírito e não havia necessidade de 
abrir a porta. Eu encontrei-me em uma sala quadrada, cerca de 4 x 
4 metros, com teto alto e em ângulo. Havia uma cama grande cama 
à minha esquerda com uma colcha de retalhos que era ornada e 
2 - Paraíso Perdido 
84 
bonita. Parecia ser antiga. A mobília era antiga e bonita. O quarto 
parecia ser um conjunto, como em um museu. Tinha um antigo 
lavatório de cântaro e bacia de porcelana 
Depois de eu ter percebido tudo isso, subitamente notei um 
homem idoso ajoelhar-se sobre um antigo tapete de pano oval ao 
lado da cama. Eu percebi na hora que era meu amigo apostólico de 
muitos anos. Inicialmente, eu não conseguia ouvir o que ele estava 
dizendo, e mesmo assim, eu me sentia como que me intrometendo. 
Eu percebera que ele não podia ver ou ouvir-me. Como eu já disse, 
esta visão era para me ensinar, e não um acontecimento real. 
Perguntei novamente, "o que estou fazendo aqui?" porque eu sentia 
como se não tivesse direito de estar ali. 
Virei-me para sair da sala, e então eu comecei ouvir ele falar. A 
voz do Espírito me disse: "Escute bem." 
Pelo fato de eu e ele termos trabalhado juntos em diversos 
projetos na Igreja, nos tornamos amigos pessoais. Eu virei para trás 
para olhá-lo, ainda sentindo estar me intrometendo em assuntos 
sagrados que eu não devia ver ou ouvir. 
Foi-me mostrado esse grande amigo e servo de Deus em uma oração 
de intercessão ao Pai por ele mesmo e o que ele enfrentaria no 
futuro. Ele estava implorando para a vontade do Pai prevalecer a 
seu favor e de sua família, e que ele fosse capaz de suportar bem e 
ser capaz de "beber o cálice amargo sem se tornar amargo." Estas 
são palavras que ouvi ele falar quando ele derramou o seu coração 
em oração. 
Era confuso partir da depravação do passado Taitiano, para esta 
cena sagrada de sofrimento e justa aceitação da vontade do Senhor. 
Penso que o contraste gritante foi a ensinar-me como sofrimento 
poderia realmente santificar e trazer exaltação quando o sofredor se 
submete a Cristo e permite que o sofrimento purifique e complete 
sua experiência mortal. Eu estava vendo o meu amigo começar a 
sua jornada para este sofrimento. Ele não estava pedindo para ser 
poupado, mas por força para suportar bem. 
Aprendi com tudo isto que é através do sofrimento que os 
mortais aprendem compaixão, perseverança e fidelidade, mas que 
John M. Pontius – Visões de Glória 
85 
tem de haver também um grande desejo de ser purificado e elevado 
desta forma. De certa forma eu também estava vendo o meu próprio 
futuro. Pelo que entendi, eu poderia também ser chamado a sofrer 
para que eu também pudesse ser purificado, completado e 
assemelhar-me Cristo quando eu deixasse a mortalidade, e eu tinha 
de submeter-me a este processo voluntariamente. Isso é o que o anjo 
quis dizer quando ele me disse, "Eu vou mostrar a você o que 
certamente virá a passar." Ele estava dizendo: "Você vai sofrer, e 
você irá submeter-se com êxito e, assim, ser purificado." Levei 
muitos anos para chegar a esse entendimento. Não acredito que eu 
estava preparado para submeter-se a qualquer sofrimento mais do 
que eu já vivia naquele período, estando morto no Taiti e tudo o que 
isso implicava. O Senhor foi misericordioso, permitindo-me 
aprender naquele momento, e então eu poderia mais assimilar 
totalmente quando eu estava preparado muitos anos mais tarde. 
Minha visão mudou. Eu vi que o meu amigo estava na mesma 
posição, ao lado do mesmo leito. A única coisa que mudou foi que 
o tapete sob seus joelhos pareciam ser pele de ovelha. Desta vez, 
fiquei admirado ao perceber que ele estava pleiteando em meu favor 
e pelo que eu estava para enfrentar. Ele falava da mesma forma que 
antes, mas desta vez implorando por mim. Ele estava chorando. 
Ambas estas orações foram longas, demoradas e maravilhosamente 
articuladas para o Pai. Suas palavras me aturdiram. Eu senti uma 
profunda inquietação por estar de alguma maneira criando esta dor 
e conflito ao meu amigo. Também me atordoava e perturbava que 
ele tenha visto algo das minhas provações futuras, o que obviamente 
o faziam preocupar-se comigo. Eu não tinha a menor ideia quais 
problemas futuros ele sabia que eu teria. 
Eu pedi ao Pai em poderosa oração, "Por favor, abençoe este 
homem para que, se for possível, ele não tenha de suportar estas 
coisas por minha causa," e eu supliquei para saber, "o que foi que 
eu fiz? O que é que aconteceu comigo para que o meu amigo esteja 
implorando em meu favor? Por que estou vendo isso? Por favor, 
ajude-me a saber o que devo aprender com isso!”.
2 - Paraíso Perdido 
86 
Eu tinha medo do que ele tivesse visto em meu futuro ou que eu 
fosse fazer algum grande erro ou desviar-me do caminho ordenado 
para mim, que é algo que eu nunca esperava fazer. Me apavorava 
ao refletir sobre estas possibilidades. 
Amado Profeta 
Naquele momento exato, eu virei e olhei para o lado direito da 
cama, e eu vi o atual profeta da Igreja. Você irá lembrar-se de que 
eu conhecia bem esse nobre servo de Deus e do meu serviço com 
ele e com outros dos Doze. Lembrei-me também dos repórteres fora 
do prédio à espera do anúncio de sua morte. 
Ele estava sorrindo para mim. Disse-me ele sem mover a boca. 
"Spencer, vai dar tudo certo". 
Meu amigo Apóstolo ainda estava ajoelhado ali, e eu ainda me 
senti como se estivesse me intrometendo em suas orações e súplicas. 
Eu estava confuso ao ver o Profeta nesta metáfora em visão. Porque 
este não foi um evento propriamente dito, eu entendi que o meu 
amigo não podia ouvir nem ver a mim ou ao profeta. 
O Profeta então começou a andar em minha direção. Que eu 
soubesse, o profeta ainda estava vivo, mas aqui eu o estava vendo 
em espírito. Também me perguntei porqueé que eu, que não ia 
morrer no Taiti em função daquilo que tinha acabado de me ser dito, 
estava aqui neste quarto assistindo tudo isso. A última vez que eu 
tinha visto o Profeta foi na dedicação de um templo dois meses 
antes. Ele estava numa cadeira de rodas, fragilizado e parecia não 
ter muito tempo sobre a terra. 
Quando o vi no quarto, ele levantou-se num salto. Sua voz era 
forte e clara. Ele era firme em seu espírito, e sorrindo de orelha a 
orelha, ao caminhar em minha direção, nessa visão. Ele estava do 
jeito que eu me lembrava de muito tempo, suave como veludo, mas 
um verdadeiro leão do Senhor. 
Ele me disse, "é hora de eu partir." Colocou seu braço em meu 
braço direito e escoltou-me para fora da sala. Passamos pela porta 
John M. Pontius – Visões de Glória 
87 
sem abri-la. Mas eu podia sentir o seu braço no meu como se 
fôssemos ambos mortais. 
Ele parou no corredor e me contou que estava ansioso por rever 
o meu avô e minha avó com quem ele tinha servido quando foi 
presidente de estaca e meu avô foi bispo servindo abaixo dele. Ele, 
em seguida, largou meu braço e virou-se, olhando para mim, e mais 
uma vez disse, "tudo vai dar certo". 
Eu não sei o que ele quis dizer. A minha mente estava 
preocupada com o meu corpo no Taiti, com meu amigo apóstolo, 
com o motivo de eu ver o Profeta e com toda esta visão. Eu não 
respondi, mas assimilava tudo com grande espanto e confusão. 
O profeta continuou andando se afastando de mim pelo corredor 
na direção de onde eu viera. Ele voltou-se para mim e exclamou, 
"assim como o meu Salvador disse, está terminado!" eu sabia que 
ele estava a falar da sua própria vida e da alegria que tinha agora por 
ter triunfado. Ele acenou para o guarda e sorriu, ao chamar-lhe pelo 
nome, "Ryan." O guarda acenou com a cabeça e respeitosamente 
respondeu: "Presidente". 
O profeta então andou através da porta fechada pelo guarda e 
desapareceu da minha vista. 
Eu fiquei surpreso ao ver o guarda reconhecer-lhe porque eu 
achava que o guarda era mortal e não podia me ver, mas agora eu 
percebi que ele era um anjo com um corpo real. Eu não sei dizer se 
era ressuscitado ou transladadoNT6, mas ele não era um espírito. 
Eu senti que era o momento para eu sair também, e eu continuei 
a seguir o Profeta através da porta. O guarda olhou para mim e me 
chamou pelo nome. "Spencer, pode aguardar um segundo?”.
Eu parei na porta e voltei para trás. O guarda fechou as 
Escrituras que estavam lendo, fechou o zíper e, em seguida, 
entregou-as a mim. Eu as tomei e notei o meu nome gravado em 
relevo na parte inferior das Escrituras. Tanto o livro como a capa 
eram verdes. Eu nunca antes tinha visto as obras padrão em capa 
verde. Eu estava contente em recebê-las e mesmerizado pelo 
simbolismo que pressenti mas não pude entender. 
2 - Paraíso Perdido 
88 
Agradeci-lhe calorosamente, tomei as Escrituras, e saí andando 
através da porta. Eu nunca falei dessa experiência para a minha 
esposa, mas no natal seguinte ela me deu um volume das Escrituras 
com meu nome em relevo, exatamente como nesta visão. A tenho 
conservado todos esses anos. 
A partir de então concluo que ver o livro verde na visão e, em 
seguida, receber o mesmo livro na carne era um testemunho de que 
aquilo que eu vira em visão se manifestariam na carne no devido 
tempo. Não foi uma conclusão reconfortante, mas eu também aceito 
que o sofrimento que eu tinha visto na visão do Taiti e ouvido na 
oração do Apóstolo em meu nome eram essenciais para o meu 
crescimento. Eu também sabia que "vai dar tudo certo". 
A minha próxima lembrança foi reintroduzir-me no meu corpo, 
no Taiti. Voltar para o meu corpo desta vez foi muito mais doloroso 
do que em 1983 após a falha no procedimento médico. Depois de 
um tempo eu me senti bem o suficiente para sentar-me à beira da 
minha cama, certificando-me que o meu espírito estava mais uma 
vez firmemente dentro do meu corpo. O meu corpo estava pesado, 
então eu apenas sentei-me ali. Já estava no meio da noite. A minha 
mulher estava dormindo atrás de mim na cama. Eu sentei-me ali um 
longo tempo, pensando sobre a visão e o que isso poderia significar. 
Há muitas coisas sobre ela que ainda hoje não estão claras para 
mim. 
Levou cerca de três dias para o meu corpo recuperar alguma 
força. Juntei-me à minha mulher e à sua família em férias, mas 
movimentava-me lentamente e descansava muitas vezes pelas 
várias semanas de nossa viagem até a hora de voltar para casa. Eu 
compartilhei algumas de minhas experiências na visão com a minha 
esposa. Ela acreditou no que eu disse a ela e expressou gratidão por 
eu não ter morrido e ter ficado com ela. Ela foi afetuosa, e apreciei 
a sua vontade de apenas acreditar em mim sem qualquer 
possibilidade de prova. 
Enquanto ainda estávamos no Taiti, ouvimos notícias de que o 
profeta havia falecido na noite que eu tinha saído do meu corpo e 
tinha tido a visão com ele. Isso me fez refletir sobre e sobre o que 
John M. Pontius – Visões de Glória 
89 
eu havia experimentado na visão, se era realmente ele ou apenas 
uma visão. Repassei-a repetidas vezes em minha mente. Havia tanto 
naquilo que eu não conseguia compreender! Em primeiro lugar e 
acima de tudo, por isso me havia acontecido! 
Minha mente voltou para as horríveis cenas da história do Taiti. 
Parecia que eu tinha sido autorizado a ver o quanto a condição 
humana pode deteriorar-se quando a luz de Cristo e a verdade são 
suprimidos. 
Parecia-me que o Espírito de Deus se retirara de todas, exceto 
algumas, pessoas ali, e isso as deixou cativas a Satanás23. Eu sentia 
como se Satanás ainda estivesse rindo e se alegrando pela condição 
à qual se haviam degenerado. 
Tenho refletido sobre a razão de eu ter permissão para interagir 
com o profeta, que tinha acabado de morrer nessa mesma noite. Ele 
estava exuberante por estar fora de seu corpo. Eu vi o que ele tinha 
enfrentado em sua vida e na sua própria experiência ao aproximar-
se da morte, e eu nunca tinha percebido. Nem mesmo percebi as 
experiências que o nosso profeta tinha vivido em sua vida, que 
criaram esse caráter de veludo-e-aço que foi necessário para 
cumprir sua missão terrena. Eu vi como ele tinha sido forjado no 
fogo do refino e como ele tinha resistido muito bem até o fim da sua 
vida. 
Ocorreu-me, então, que você não precisa ser um apóstolo ou 
profeta para o Senhor busca-lo, e refiná-lo e purificá-lo para o seu 
Eu mais elevado. 
Passei a crer que o que me foi apresentado foram os extremos 
da experiência humana, o tenebroso e o puro. A experiência é difícil 
de comentar ainda agora. Ela traz de volta as memórias vivas que 
eu desejaria nunca ter visto, porém não consigo esquecer. 
O voo de volta a Utah foi difícil para mim. Quando chegamos 
em casa, eu fui ter com o meu médico cardiologista, para ver o que 
ele pensava sobre a minha experiência e as horríveis dores que eu 
tinha experimentado no meu peito. Ele fez um eletrocardiograma e 
teste ergométrico. Eles descobriram que eu tinha uma válvula que 
não estava funcionando bem. Penso que a causa da minha segunda 
2 - Paraíso Perdido 
90 
experiência com a morte foi esta válvula defeituosa. Ele pretendia 
inserir uma válvula de coração de porco em meu coração para 
substituir a avariada. Recusei a cirurgia para substituí-a porque me 
senti inspirado de que não seria necessária. Desde então, o meu 
coração está completamente recuperado, e eu nunca mais tive um 
episódio semelhante. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
91 
Capítulo Três 
VISÃO DO SALVADOR
areceu-me que após estas experiências quase-morte, os anjos 
deixaram as portas do céu entreabertas. Eu comecei a ver 
muitas coisas do Espírito. Não acho que era algo exclusivo 
que eu tivesse visões ou sonhos proféticos, mas eles vieram 
para mim muitas vezes após estas primeiras dificuldades, e 
continuavam. Às vezes eu sinto como se a porta do céu esteja bem 
diante de mim e, se desejasse, eu poderia passar por ela, mas eu 
nunca o fiz. A tentação para não voltarà mortalidade seria muito 
grande, eu temo, e eu acabaria me desviando da minha rota mortal 
designada e que agora vejo diante de mim. 
Visão do Salvador 
A seguinte visão é a primeira que experimentei sem ter que 
morrer. Eu estava dormindo, mas não foi um sonho. Eu não a estava 
"vendo" mas estava presente na visão, experimentando-a com os 
meus cinco sentidos. A frase que Paulo usou para explicar tal 
experiência foi, "se no corpo ou fora do corpo, não sei24." Foi 
exatamente assim para mim, e me foi igualmente difícil dizer se eu 
estava mais uma vez fora do meu corpo ou vivendo-a na carne. 
P
3 – Visão do Salvador 
92 
Eram cerca de 04:00 hs quando fui para a cama naquela noite. 
Eu estava terminando alguns trabalhos importantes e perdi a noção 
do tempo. Estava exausto, deitei-me depois de fazer a minha oração, 
e eu caí em um sono profundo. 
Minha primeira lembrança foi a de que eu estava me apressando 
do estacionamento para a sede da EstacaNT7 onde eu havia sido 
designado a falar. Era a capela onde eu frequentara todos os 
domingos durante anos. Na minha mente eu estava atrasado para 
uma reunião e liderança e, portanto, fui correndo para o prédio. Eu 
estava no meio do caminho por trás da igreja, quando ouvi, 
"Spencer." 
A voz me era familiar, e me virei para ver quem tinha falado o 
meu nome. Fiquei estarrecido ao ver Jesus Cristo no estacionamento 
onde começa a calçada25. Eu conhecia o seu rosto. Nunca tinha visto 
a Ele na mortalidade, mas eu o reconheci. O Seu rosto é o mais 
familiar do universo. O meu espírito instantaneamente o reconhecia, 
lembrava d’Ele e o amava. Lembrei-me de tudo acerca d’Ele, tudo o 
que Ele tem feito por mim. 
Senti na minha alma como se eu estivesse vendo o meu mais 
querido amigo pela primeira vez depois de décadas de ausência. Eu 
sentia meu coração acelerar no meu peito. Ele não se apresentou 
porque o reconheci imediatamente. Comunicou-se comigo 
verbalmente, mas cada palavra que Ele falava era rica com verdades 
não-verbais que penetravam minha alma muito mais rápido do que 
as palavras. 
Ele estava vestindo uma túnica vermelha vibrante que pendia de 
seu ombro direito, e atada por uma fivela no seu ombro esquerdo. 
Na cintura Ele usava uma faixa de tecido na mesma cor. O roupão 
estendia-se aos tornozelos e mãos e tinha mangas compridas. Usava 
sandálias antigas em seus pés. 
Ele era alto, talvez um pouco mais de 1,83 m. Sua forma era 
masculina. Era bem forte com grandes ombros e membros fortes. O 
Seu rosto não era fino como é retratado em algumas pinturas, mas 
John M. Pontius – Visões de Glória 
93 
cheio e com as maçãs do rosto altas. Ele tinha uma barba escura que 
estava bem aparada. Seu cabelo era da cor de sua barba e era longo 
o suficiente para tocar em seus ombros. Seus olhos eram do mais 
belo e claro azul que se possa imaginar. 
Sorriu para mim, e eu larguei minha maleta e corri para ele. Seus 
braços envolveram-me. Não consigo encontrar palavras para 
explicar o que senti ao ser abraçado por ele. Uma inundação de 
memórias voltara do conforto de estar em seus braços muito tempo 
antes. Senti o Seu amor por mim irradiando dele. Eu sabia por 
instinto que ele sabia tudo sobre mim, mas ainda não havia sentido 
de julgamento. Eu sentia dele uma sensação completa de sua 
confiança em mim e na minha capacidade. Foi incrível para mim, 
porque eu nunca tive muita confiança em mim mesmo. 
Eu não procurei pelas marcas em suas mãos e pés. Até hoje eu 
não sei por que não olhei. Lembro-me de pensar mais tarde naquele 
dia, por que não olhei? Talvez fosse porque eu não precisava ver as 
feridas para saber que era ele. Eu estava tão tomado pelo Seu amor, 
energia, radiação, capacidade ilimitada, vasto conhecimento e 
perfeições que nem passou por minha mente olhar. 
Seus pés não estavam no chão. Fiquei surpreso como ele podia 
abraçar-me com tal firmeza. Ele estava em pé e não flutuante – mas 
ele não estava em pé no nosso mundo mortal. Ele não estava 
ocupando o mesmo espaço que eu neste planeta. No espaço que ele 
estava ocupando, tudo estava irradiando a partir dele, como se ele 
fosse o sol e tudo girando ao redor e vindo dele. 
O seu rosto era acolhedor, sorridente, feliz por estar comigo. 
Parecia que tínhamos nos abraçado assim muitas vezes antes, o que 
me surpreendeu. A minha família não é de abraçar e eu nunca tinha 
aprendido a desfrutar de abraços longos ou afetuosos. No entanto, 
este abraço eu queria que durasse para sempre. Depois de um tempo, 
ele pôs as suas mãos sobre os meus ombros e me afastou 
gentilmente ao comprimento do braço. 
Ele olhou-me nos olhos e disse-me que estava satisfeito com a 
minha vida até agora. Ele agradeceu-me insistentemente pelo meu 
serviço em seu nome. Me disse que me amava e que daqui por diante 
3 – Visão do Salvador 
94 
eu faria muita coisa boa para o Reino. Ele pausou por um segundo, 
depois acrescentou que o justo desejo do meu coração seria 
concedido. Eu sabia exatamente a que desejo se referia. Era o meu 
grande desejo de que eu realmente conseguisse suportar minhas 
provações futuras e, assim, ser purificado. 
Mal sabia eu que havia muito mais para se desejar do que eu era 
capaz de perceber naquele momento. Com o passar dos anos, 
aprendi muito mais coisas que eu ardentemente desejava fazer, e 
todas elas se tornaram os mais ricos anseios do meu coração, tudo 
isso foi abrangido pela promessa que eu acabara de ouvir. 
O Que Está Contido em um Nome?
Ele mais uma vez falou, "Spencer," e por um instante, vi-me 
como Ele me vê e me conhecia como Ele me conhece. Como já 
mencionara antes, para Deus e os anjos o nome de alguém é um 
recipiente espiritual para tudo o que pode ser conhecido sobre uma 
pessoa: passado, presente e futuro. 
No momento em que Ele falou o meu nome me foi dado a ver e 
sentir o pleno significado do meu nome26 para Ele. Aquilo derreteu 
meu coração e ainda o faz até hoje cada vez que penso na forma 
como Ele disse o meu nome. O amor que Ele me concedeu em uma 
palavra não pode ser descrito por qualquer mortal. 
Assim, quando eu leio Isaías ou Samuel, onde o Senhor fala seus 
nomes, ou onde o Senhor chama Néfi ou Moisés pelo seu nome, 
penso que sei o que eles sentiam. Quando eu leio sobre a Primeira 
VisãoNT8 de Joseph Smith Jr. e ouço: "Joseph, este é o meu Filho 
muito amado", queria que todos pudessem saber o que o jovem 
Joseph experimentou quando ouviu o Senhor dizer seu nome. 
Porque quando você ouve o seu nome da boca do nosso Salvador, 
você nunca mais ouve o seu nome da mesma forma – para sempre. 
Desde aquela época, quando as pessoas dizem o meu nome sem 
realmente saber quem eu sou, sinto quase como se eles estivessem 
pisando em algo sagrado. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
95 
Também me faz maravilhar-me com os muitos nomes que Jesus 
Cristo tem nas Escrituras, pois cada nome e título traz consigo uma 
indizível linguagem que contém o pleno e verdadeiro significado 
daquela parte da glória e perfeições do Senhor. 
Nos poucos e longos segundos em que Ele abraçou-me, Jesus 
ensinou-me muitas coisas que penetraram minha alma, como uma 
explosão de conhecimento puro. Essas coisas eram preciosas e 
espiritualmente íntimas, tudo aquilo emocionou-me ao centro do 
meu ser, mas não me foi permitido lembrar-me em detalhe após a 
experiência terminar. Eu só me lembro de receber essas coisas e me 
alegrar, mas os detalhes desvaneceram-se. Espero num dia futuro 
ouvi-lo dizer tudo novamente. 
Ele acenou em direção à sede da estaca e disse, "Precisam de 
você. Você precisa ir à sua designação." dei um passo para trás, 
ainda olhando para Ele, desejando não ter que sair, mas Ele tinha 
me instruído a ir, então me virei, e dei uns poucos passos na 
distância. Parei e voltei. Ele voltou a falar o meu nome, e eu estava 
novamente mergulhado em amor e lágrimas. Enquanto eu olhava, 
Ele começou a desaparecer lentamente, em seguida, Ele se foi. 
Eu imediatamente tornei-me ciente da minha cama e quarto. Eu 
estava chorandoabertamente, com alegria, de uma forma que eu 
nunca tinha experimentado antes. A alegria desta visão foi tão 
sublime que eu estava rejuvenescido e o sono me deixou. Eu 
imediatamente me levantei e escrevi tudo no meu diário. Quando a 
manhã finalmente chegou, me vesti e prossegui com o meu dia, sem 
qualquer vestígio de cansaço ou sonolência. 
Eu leio o meu diário de vez em quando agora, e vejo a profunda 
incapacidade que eu tinha naquele momento de expressar essa 
experiência em palavras. Mesmo nos dias de hoje, está claro que 
nem mesmo existem palavras para expressar tal experiência. 
Lembro-me de meditar no dia seguinte. Eu abri um hinário e li 
as palavras "Eu sei que vive o meu Senhor." As palavras desse hino 
expressam melhor o que eu experimentei do que minhas próprias 
palavras poderiam no momento. 
3 – Visão do Salvador 
96 
Saber Realmente 
Realmente saber que Ele vive, que Ele é um amigo perfeito, 
benevolente que me ama suficiente para deixar o céu, vir à terra e 
tomar tempo para abraçar-me, para ter um relacionamento comigo 
e com todos nós, que o procurarmos – este é o mais doce 
conhecimento que eu jamais recebera. Saber que Ele conhece a você 
muito melhor do que você conhece a si mesmo e, no entanto, Ele o 
ama ainda mais e está disposto a mostrar-lhe quem você é aos Seus 
olhos e do que você é capaz. É por isso que eu o amo, porque Ele 
me amou primeiro. 
Até que Ponto o Homem Decaiu 
 Uma das coisas que mais me impressionou, então e ainda hoje, 
é até onde temos decaído. Já mencionei isto antes, mas continua 
voltando nessas visões. Eu acreditava naquele momento da minha 
vida que a queda foi mais para Adão e Eva e esta terra. Mas eu 
continuo a ver que é ainda mais sobre a humanidade e quão 
poderosamente a queda14 escureceu todos os nossos sentidos. 
Perdemos a nossa memória não só de Deus mas, ainda mais triste, 
de nós mesmos. Não compreendemos o nosso próprio valor. As 
Escrituras ensinam-nos da glória de Deus, mas quase não 
mencionam a glória que a humanidade deixou quando aceitamos o 
desafio mortal. 
Vim a descobrir que a queda teve um profundo efeito sobre nós. 
A queda separou-nos da presença de Deus tão profundamente que 
não se ouve a palavra do Senhor como poderíamos se nos 
educássemos pela obediência a ele. Os nossos corações e as nossas 
mentes estão nublados e incapacitados pela queda. Somos gente 
com "necessidades especiais” espirituais, pessoas deficientes 
literalmente e de todas as formas possíveis. Somos, do ponto de 
vista de Deus, crianças mortais que nasceram cegas, deficientes 
mentais e paralíticas. 
Isso não é um exagero. Quando caímos na mortalidade, não 
conseguimos mais ver existência tal como verdadeiramente é, cheia 
John M. Pontius – Visões de Glória 
97 
de seres espirituais em incontáveis mundos. Caímos da inteligência 
suficiente para entender imensas verdades. Participamos da criação 
de mundos antes de nascermos, mas no momento do nascimento, a 
nossa maior especialidade era a capacidade de sugar. Antes de nos 
tornarmos mortais podíamos ir até lugares distantes em um piscar 
de olhos para servir a Deus. Nosso quintal eram as grandes criações 
de Deus, mas após o nascimento, a nossa maior capacidade física 
foi a piscar e engolir. Deixamos a Deus capazes de ver galáxias 
distantes e olhar para o passado e para o futuro, mas após o 
nascimento mal podíamos nos concentrar no rosto da nossa mãe. 
Este é o glorioso e indescritível poder de nosso Senhor e 
Salvador, que Ele nos ofereça um meio para nos resgatar destas 
trevas mortais e de volta à sua presença, onde todas essas limitações 
divinamente concebidas serão varridas, e nos tornaremos muito 
mais do que aquilo a que tínhamos sido antes. Ele quer que 
tenhamos tudo o que tínhamos antes e muito mais, e Ele deu a sua 
vida não só para nos fornecer o caminho para estas coisas gloriosas, 
mas também para derramar sobre nós o poder de sua graça, a fim de 
que sejamos santificados por Cristo. Em seguida, Ele nos muda para 
sermos como Ele, não porque mereçamos mas porque Ele nos ama 
e capacitou-nos a triunfar quando nós lhe obedecermos. 
Tentando Fazer Sentido 
 Um difícil resultado desta experiência foi que eu fiquei me 
perguntando, "o que é que eu vou fazer com essa informação?" eu 
não sentia que deveria sair contando para todos os que conhecia. Eu 
não sabia o que dizer ou como dizer. Não tinha palavras para 
expressá-lo. Subitamente me senti isolado. Um dos aspetos mais 
difíceis do obter tão vasto conhecimento, percebi eu, é não ter 
ninguém para falar sobre ele, de não ter nenhum meio de expressá-
lo, e nenhuma maneira de alegrar-me dele com com outro mortal. 
Outro dilema que encontrei foi que eu não sabia como conciliar 
a minha pessoa que eu conhecia ser, com a pessoa que eu poderia 
ser com a natureza profunda que me foi mostrada. Eu sabia que não 
3 – Visão do Salvador 
98 
a tinha alcançado, que eu não era bom o suficiente para a merecer. 
Eu nem sabia como me tornar a pessoa que Cristo tinha me 
mostrado que eu poderia tornar-me. Havia um abismo de trevas no 
meu entendimento. Eu podia ver claramente quem eu era agora e, 
em seguida, eu podia ver claramente quem eu poderia tornar-me, 
mas eu não podia entender como fazer a transição entre os dois. Era 
como uma lagarta a quem está sendo mostrado que ela iria um dia 
se tornar uma borboleta. Era glorioso, mas eu simplesmente não 
conseguia imaginar como isso poderia jamais acontecer. 
 Um dos aspetos mais difíceis do presente foi que me senti 
compelido a "fazer sentido" dessas visões e experiências. Eu era um 
homem bem instruído com três pós-graduações e eu quis criar um 
propósito, talvez ume chamado ou uma missão divina para mim de 
todas estas coisas. Eu queria inventar ou criar um caminho para 
chegar ao que eu tinha visto que poderia me tornar. Então eu fui 
através do processo de raciocínio, "isso deve significar que..." E 
então eu tentava fazer acontecer de acordo com minhas conclusões. 
Este foi um erro terrível. Descobri que nenhuma das minhas lógicas 
poderia penetrar esses mistérios, e nenhuma quantidade de 
meditação ou dedução poderia mostrar-me como chegar de onde eu 
estava para onde Cristo tinha me mostrado que eu poderia chegar. 
Cerca de vinte anos mais tarde, meu amigo apóstolo finalmente 
esclareceu aquilo para mim, durante uma reunião privada. Ele disse, 
"Spencer, não cometa o erro de tentar ler o significado dessas 
experiências. Apenas aceite-as como são. Não tente colocar a sua 
interpretação sobre o assunto. Mantenha sua própria lógica fora 
disso. Ela é o que é. Quando você tentar interpretar, ela o levará por 
caminhos por onde você não deve ir. Mantenha a experiência pura. 
Espere no Senhor para revelar o sentido a você. Espere no Senhor 
para lhe dar a interpretação. Aguarde por mais luz e conhecimento 
que o Senhor ainda tem para dar a você, para que você possa 
concluir a sua missão." 
John M. Pontius – Visões de Glória 
99 
Curar as Crianças 
Nesta experiência aprendi também que eu tinha escolhido a 
profissão certa. Eu sabia que meu trabalho com crianças 
prejudicadas e mal tratadas era a minha missão neste momento. Eu 
sentia grande paz em saber que eu seria capaz de, de alguma forma, 
transmitir segurança e tranquilidade a essas crianças feridas. E, com 
isso, eu estava me curando do abuso que sofri quando eu era criança, 
porque Cristo estava fazendo por mim o que eu fiz 
profissionalmente por estas crianças. Eu estava trazendo-as para 
Cristo, onde toda a verdadeira cura ocorre. Somente Cristo pode 
curar essas crianças, principalmente quando elas têm sido vítimas 
de abuso emocional, sexual, ou físico. 
Desde esse dia em diante eu podia entrar em uma sala, ou sentar-
me ao púlpito numa reunião sacramental na Igreja, e eu sabia quem 
da congregação havia passado por essas experiências abusivas. Este 
dom de discernimento em saber a quem eu deveria servir e como 
servir-lhes tem sido a razão para todo o sucesso que tenho visto na 
minha profissão.Desde então, tenho várias vezes ido a eventos públicos, tais 
como uma sinfonia ou uma atividade cívica, e enquanto sentado ali, 
o Espírito me dizia claramente sobre algum estranho durante a 
apresentação: "você vai trabalhar com essa criança." Em algumas 
semanas, ou até mesmo um ano, essa pessoa e, muitas vezes, sua 
família inteira iria entrar em terapia comigo. Trata-se de um 
maravilhoso mas doloroso dom do Espírito. 
Digo que é doloroso por esta capacidade inusitada que eu ganhei 
de segui-los aos locais escuros e maus em seus corações, recuperá-
los, segurá-los algumas vezes, ou conduzi-los, com a ajuda de 
Cristo, das trevas para a luz. Eles experimentam um tipo de 
renascer. Quando um adulto ou uma criança submete-se a este 
processo e permitem-me agir como agente de Cristo, guiando-os 
através daquilo, eles são curados daquele abuso, total e 
permanentemente – assim como eu fui curado quando me encontrei 
com o Salvador pela primeira vez. 
3 – Visão do Salvador 
100 
Há um paralelo com essa cura que sou abençoado por 
contemplar de vez em quando. Cristo teve de ser abusado, cuspido, 
e tratado com crueldade como uma parte essencial para completar a 
Expiação15. Ele desceu abaixo de todas as coisas, de modo que Ele 
pudesse superar todas as coisas. E quando Ele venceu todas as 
coisas, então, ele estava preparado para levar-nos pela mão e nos 
levantar acima de todas as coisas. De uma maneira muito menor, 
isso é o que eu tento fazer com as crianças. Eu experimentei as 
sombras do abuso na infância tanto no ventre materno como na vida, 
e quando Cristo me curou, então eu estava habilitado, de alguma 
forma que não compreendo totalmente, a ser uma parte da cura das 
crianças. 
De forma semelhante, cada um de nós experimenta provações e 
coisas cruéis, mas se chegarmos a Cristo e deixarmos que Ele nos 
cure, então podemos chegar e levar outros a Cristo para sua própria 
cura. Fazer isso é um dom, mas temos que passar por nossas 
próprias dores, para que possamos servir a Cristo em seu nome. 
Camadas de Significados 
A última coisa que eu gostaria de mencionar que eu aprendi com 
essa experiência é que sempre que Cristo desce e fala com um 
mortal, há tamanho peso no sentido que meras palavras não podem 
expressar a plenitude das verdades. A mensagem é em camadas. Em 
primeiro lugar são as palavras que ele fala e, em seguida, há um 
corpo de verdade muito maior que você recebe espiritualmente, 
camada sobre camada, mais verdade do que você pode entender 
pelos anos que seguirem. Um pequeno momento na presença do 
Salvador pode durar pelo resto da vida. 
Este é o motivo pelo qual as Escrituras27 são tão poderosas, 
porque elas contêm as palavras pronunciadas por Cristo, e essas 
verdades estão ainda em camadas, espiritualmente entrelaçadas com 
aquelas palavras. Leva uma vida de crescimento espiritual e de 
obediência para ser capaz de receber as camadas mais profundas. 
Elas estão realmente ali, e contêm os grandes mistérios e mais 
John M. Pontius – Visões de Glória 
101 
verdades que ele deseja que possamos adquirir e desfrutar em nossa 
vida. Para qualquer problema que enfrentemos, as respostas são 
dadas nos registros de experiências de pessoas que falaram com o 
Salvador. 
Por transformadoras que essas primeiras experiências tenham 
sido e por mais que tenha aprendido por estas coisas, elas foram 
apenas os primeiros sons de uma grande sinfonia que ainda me 
aguarda. 
Foi-me mostrado e aprendi muitas coisas que eu ainda devo 
realizar na mortalidade. Foi-me dada uma grande missão a cumprir 
se eu for fiel e verdadeiro. Eu relatarei muito da minha missão futura 
nos capítulos seguintes. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
102 
Capítulo Quatro
PROVAÇÕES 
AGRAVANDO-SE 
pós essa ocasião, tive quatro ou cinco grandes experiências 
com visitações de anjos e visões. Não foram experiências 
quase-morte mas ocorreram principalmente durante muitas 
noites sem dormir. Cada uma destas experiências pareceu 
real, com todos os meus sentidos totalmente alertas. 
À Espera da Morte 
As visões que tinha tido nunca saíram do meu pensamento, 
especialmente quando eu fiquei bastante doente. Os próximos anos 
foram cheios de medo e insegurança. Eu acreditava plenamente, 
poderosamente nas coisas que eu já tinha visto, mas eu também 
acreditava que tinha de estar vivo para realizá-las. O medo e a 
incerteza surgiram a partir da consciência de que eu era nunca iria 
recuperar e iria morrer não tendo feito a obra de toda uma vida. 
Eu tinha uma dor contínua nos meus dentes e sinus. A minha 
saúde e energia ficou cada vez pior28. Tudo o que eu tinha visto na 
experiência de meu amigo Apóstolo e o profeta aconteceu. Agora 
A
4 – Provações Agravando-se 
103 
entendi porque meu amigo estava orando tão sinceramente por 
mim. 
Eu tinha infecções crônicas no sinus que não respondiam ao 
tratamento. Meu seguro de saúde recusou a cobertura, o que foi um 
golpe terrível porque a minha saúde estava titubeando, e eu estava 
contando com o seguro para me amparar durante esse período. 
Eu estava continuamente a tentar conciliar o que eu já tinha visto 
nessas visões com o óbvio fato de que eu estava morrendo. Pareceu-
me inequívoco que se eu morresse eu não seria capaz de cumprir as 
coisas que eu tinha visto. Morrer também parecia significar que eu 
não tinha conseguido completar a minha missão na vida e que Deus 
tinha me levado da terra por isso. Como você pode ver, eu estava no 
“modo sobrevivência”, lutando para continuar, mas paralisado pela 
péssima saúde, dúvidas e medos. 
Foi por estes dias que fui desobrigado de conselheiro no bispado 
devido à minha doença. Eu simplesmente não conseguiria cumprir 
meu chamado como eu queria e como o Bispo precisava. Eu pedi 
para ser desobrigado, mas foi uma decisão difícil e emocionalmente 
danosa, porque ela parecia confirmar os meus receios de que eu não 
iria ser capaz de fazer as coisas que eu tinha visto em visão. 
Olhando para aquele momento da minha vida, desde a 
perspectiva de vinte anos à frente, eu também posso ver que o meu 
próprio medo piorou minha doença. 
A minha vida tornou-se uma rotina de tentar descansar o 
suficiente para trabalhar algumas horas e, em seguida, ir para a 
cama, então lutar para trabalhar um pouco mais. Eu tinha 
praticamente certeza de que minha vida estava no fim, e confesso 
que estava com medo. 
Eu estava convencido que meu problema era no coração. Mas 
todos os médicos que visitei encontravam algo novo para 
diagnosticar. Fiquei tão mal que eu realmente considerava que esse 
era o fim da minha vida. Eu achava que apenas iria lentamente 
piorar, piorar até falecer. 
A experiência de ouvir o meu amigo suplicar pela minha vida 
tornou-se realidade. Ele ainda estava vivo neste momento, é claro, 
John M. Pontius – Visões de Glória 
104 
e veio à minha casa seis ou sete vezes para me dar bênçãos e 
conforto para mim. 
O Conselho do Apóstolo 
 Numa quinta-feira à tarde, após suas reuniões com o Quórum 
dos Doze no templo, o meu amigo Apostólico veio visitar quando 
eu estava doente demais para sair da cama. Eu estava feliz por sua 
visita. O considerava um amigo e confidente querido. Me foi 
permitido relatar-lhe muitas das minhas visões e experiências. Ele 
me ajudou muitíssimo a entender algumas delas. As outras ele me 
ensinou a aceitar que elas eram de origem divina e esperar no 
Senhor por mais luz e conhecimento. Eu me apoiava em sua 
sabedoria e provavelmente não conseguiria suportar esses 
momentos e esse sofrimento sem ele. 
Ele sentou-se na ponta da minha cama e literalmente ficamos 
assim por quarenta e cinco minutos sem falar. Eu tentei iniciar 
conversa, mas não consegui. 
Eu finalmente disse: "Elder, eu sei que você está muito ocupado. 
Deve haver um motivo pelo qual você veio. Você tem algo a me 
dizer? Vou parar de falar e apenas ouvir." 
Ele ficou calado por mais alguns minutos e, em seguida, disse: 
"Spencer, você precisa aprender a se contentar com aquilo que o 
Senhortem designado para você”.
Para ser honesto, não era isso o que eu esperava ouvir. Não 
soava como conselhos profundamente apostólicos ou uma promessa 
de que eu ficaria bem. Eu senti como se ele não entendesse o quão 
doente eu estava e o quão terrivelmente isso interferia com a missão 
que eu tinha visto na minha visão. Mas nos dias e semanas 
seguintes, comecei a perceber que aquela foi realmente uma 
mensagem do Senhor. Fui consumido com meus estudos e com todo 
o trabalho e o tempo que eu tinha gasto com a preparação para ser 
capaz de fazer o que eu estava fazendo pelas crianças. Eu queria que 
as coisas fossem do jeito que eu queria que fossem. Eu não estava 
disposto, ou talvez apenas não tivesse consciência de como aceitar 
4 – Provações Agravando-se 
105 
que o Senhor tinha um propósito e resolução diferente para minha 
vida. 
Senti-me semelhante ao pequeno chalé que C. S. Lewis 
descreve. Eu só queria ser uma pequena cabana, mas o Senhor 
queria reconstruir-me em uma mansão. Eu estava esperando uma 
remodelação, uma pequena melhoria, uns tapetes novos. O senhor 
estava pondo minha casa toda abaixo e à minha volta porque ela 
tinha que dar lugar para o seu plano-mestre para a minha vida. Ele 
não estava me remodelando, ele era reconstruir-me. 
Não conseguia mais entender as visões pois eu já tinha acolhido 
a ideia de que eu estava para morrer. Mas todas as outras 
experiências e visões que eu tivera indicavam que eu iria viver 
muito mais tempo e realizar muito mais. Eu tinha discutido com 
frequência o evidente paradoxo da minha vida com meu amigo 
apóstolo. Eu acho que o que ele estava me dizendo era para eu parar 
de tentar traçar o rumo da minha vida e apenas confiar no Senhor 
para me conduzir às coisas que minha fé dizia que eu seria capaz de 
fazer. Ele estava tentando assegurar-me de que tudo o que me havia 
sido prometido viria a passar mas que eu precisava parar de lutar 
contra o processo que o Senhor tinha projetado para levar-me até 
lá. 
Foi difícil para eu ver na ocasião. Eu estava naquela condição 
em que as árvores bloqueiam minha visão da floresta. Não sabia que 
já estava na floresta. Eu via a floresta, longe, muito longe, e eu 
estava lutando para sobreviver por tempo suficiente para batalhar o 
meu caminho até lá. Eu estava retardando o processo ao insistir em 
chegar lá nos meus próprios termos e, de preferência, sem 
sofrimento e morte como parte do caminho. 
Câncer 
 Um pouco mais tarde, eu fui a um cirurgião oral para descobrir 
por que razão o meu rosto doía tanto do lado esquerdo. Tinha-se 
tornado insuportável e nenhum analgésico fazia efeito. Parecia que 
meu rosto estava em chamas. Eu não podia tocar em qualquer parte 
John M. Pontius – Visões de Glória 
106 
do meu rosto sob meu olho esquerdo. Eu não podia dormir de lado 
porque o travesseiro fazia meu rosto doer. 
O cirurgião fez testes e encontrou uma área escura no raio-x, 
que levou para o diagnóstico de osteomielite da mandíbula e ossos 
orbitais. Ainda não havia sido descoberto o câncer, mas a área 
infeccionada da minha cavidade sinusal e do maxilar tinha que ser 
removida. Ele disse que partes da minha mandíbula e ossos faciais 
tinham de ser substituídas por placas de titânio. Ele disse que eu iria 
perder todos os dentes da arcada superior esquerda e que eu 
precisava da cirurgia imediatamente. Eram notícias difíceis de 
ouvir. Minha esposa e eu choramos e por muitas horas conversamos 
sobre o que fazer. 
Obtive três outras opiniões que só confirmaram o diagnóstico 
do primeiro médico. Ao mesmo tempo, o meu cardiologista e 
médico de rotina ambos acreditavam que eu não iria sobreviver à 
cirurgia. Toda a minha equipe de médicos concluiu que eu deveria 
apenas ir para casa e preparar-me para morrer. 
Na minha curta vida até agora, eu tinha feito muitos bons 
amigos, pessoas que eu amava e que me amavam. Isso incluía um 
jovem advogado na vizinhança que me visitara muitas vezes e se 
mantinha informado a meu respeito. Ele tinha um bom amigo 
chamado Jason que tinha se recuperado de um câncer semelhante 
ao meu. Jason era um homem justo que considerava que sua cura 
tinha sido uma intervenção de Deus, e que ele tinha prometido a 
Deus que ele iria utilizar todos seus meios para ajudar alguém que 
o Senhor lhe mostrasse, particularmente em situações semelhantes 
à sua. Posteriormente a sua promessa, Deus lhe havia dado 
considerável riqueza para cumprir essa promessa. 
O meu amigo advogado tinha apresentado o Jason para um 
médico alemão que clinicava no México e que estava tendo grande 
sucesso com a substituição de ossos doentes por coral marinho em 
vez de titânio. Este procedimento causa menos trauma para os 
tecidos corporais e faciais, e o coral não era atacado pelo sistema 
imunológico como um corpo estranho, de modo que as chances de 
sucesso eram muito maiores. 
4 – Provações Agravando-se 
107 
Cirurgia no México 
Quando Jason descobriu que eu não tinha seguro, nosso 
misericordioso Salvador o tocou para cumprir sua promessa em meu 
favor. Através do meu amigo advogado, Jason ofereceu-se para 
pagar todas as minhas despesas para ir ao México para ter esse tipo 
de cirurgia. 
Minha esposa e eu oramos por orientação e o Espírito testificou-
me que isso era o que eu deveria fazer. Acabei indo ao México três 
vezes para três cirurgias, duas cirurgias de grande porte e uma 
menor. Jason pagou por todas, incluindo as viagens e despesas da 
Lyn. O mais interessante é que o Jason não tinha me encontrado até 
o momento. Encontrei-me com ele pela primeira vez, três ou quatro 
anos após as cirurgias. Ele entrou em minha vida por um milagre, e 
ele nunca me permitiu nem mesmo sugerir pagá-lo. Ele 
humildemente assegurou-me que era um milagre e um privilégio ter 
sido um instrumento nas mãos do Senhor. Continuo a louvar a Deus 
por ele até o dia de hoje. 
A segunda cirurgia foi a mais complicada e durou oito horas. 
Eles removeram o meu seio canceroso e mandíbula superior e 
colocaram coral marinho pulverizado em seu lugar. Mesmo assim, 
voltei para casa três dias após a cirurgia. 
Dois dias após chegar em casa eu, não sábio, concordei em dar 
uma palestra no Centro de Justiça em Salt Lake City. Eu fiz isso 
porque estávamos desesperados por dinheiro, e foi uma 
oportunidade de recuperar algum rendimento perdido. Eu não me 
sentia bem o suficiente para ir, e não sentia que deveria. Tenho 
certeza de que o Espírito Santo ainda me advertiu contra isso, mas 
o mundo mortal era muito alto e insistente, e atendi à sugestão 
errada. 
No início de minha apresentação, o meu coração começou a 
acelerar. Eu comecei a queimar de febre. Sentei no chão no meio da 
palestra. Um dos meus colegas me levou casa. Minha esposa 
rapidamente levou-me para o meu consultório. Fui diagnosticado 
com uma infecção no meu músculo cardíaco, que pode ocorrer 
como resultado de cirurgia oral. Este tipo de infecção é 
John M. Pontius – Visões de Glória 
108 
frequentemente fatal. Eu deveria ter tomado antibióticos antes e 
depois do procedimento cirúrgico no México mas, por algum 
motivo, isso foi negligenciado. O meu médico então administrou-
me uma enorme quantidade de antibióticos por via oral e me 
mandou para casa. O médico disse que não ousaria enviar-me para 
o hospital pelo risco de apanhar outra infecção. Eu cheguei em casa 
e deteriorei bem rapidamente. 
De todas as doenças que já tive, esse foi a pior. A cada momento 
eu me sentia mais perto da morte. Por causa do extremo sofrimento 
de meu corpo, e porque eu ainda estava lidando com toda a 
recuperação pós-operatória das três cirurgias no México, estes 
foram dias sombrios de dor e sofrimento. 
Eu encontrei-me noite e dia tendo experiências com "o outro 
lado." Espíritos entravam em minha casa e ficavam ao lado da 
minha cama. Eu entrava e saia da consciência. Eu estava tão fraco 
que nem tentei falar com eles. Apenas os via. Eles vieram duas ou 
três vezes por dia e muitas vezes durante a noite. 
Com toda franqueza, meu médico deveriater me internado no 
hospital, pois eu estava morrendo. Cada momento era uma agonia, 
e a cada momento me sentia um pouco pior. A minha força 
desapareceu por completo, e eu perdi toda vontade de viver. 
Minha Bela Anja 
O meu aprofundamento na crise de saúde afetou meu padrão de 
sono. Muitas vezes eu dormia durante o dia e, em seguida, ficava 
acordado durante a noite. Tinha-se tornado meu hábito meditar e 
orar durante essas longas noites de insónia. Uma noite, enquanto 
minha esposa dormia junto comigo, eu estava orando quando eu vi 
uma jovem mulher descendo o curto corredor fora do nosso quarto. 
Ela virou-se e entrou pela porta aberta. 
Eu não estava dormindo, nem estivera e não estava alucinante. 
Já experimentei as alucinações e delírios da febre e da droga, e isto 
não era nem uma coisa, nem outra. Eu estava naquele momento 
4 – Provações Agravando-se 
109 
desperto, coerente e curioso. Eu senti o Espírito Santo aquecer a 
minha alma, e todo o temor e dúvida evaporaram-se. 
Seu cabelo era longo e escuro, quase preto. Ele era espesso e 
levemente ondulado. Estendia-se até abaixo de seus ombros. Ele 
não estava amarrado de forma alguma, mas caia livremente sobre 
seus ombros. Ela tinha um belo rosto com as maçãs altas. Ela tinha 
os mais belos e penetrantes olhos que eu já vira. Eles eram castanhos 
com traços turquesa. Eu sei que soa estranho, mas é isso que eu vi. 
Ela olhou para mim, como se tivesse vindo de uma época muitos 
milhares de anos atrás. Ela não estava andando mas flutuando, 
movendo-se em minha direção sem mexer seus pés. Ela usava um 
vestido longo e de cor creme, sem costuras ou fechos visíveis. 
Parecia ter sido tecido de uma só peça e só podia ter sido colocado 
em puxando-o sobre a cabeça. Era foi muito bem feito, com um 
delicado, mas intrincado padrão no tecido. Este lindo vestuário a 
cobria do pescoço até os punhos e tornozelos. 
A roupa não era branca brilhante, como eu já tinha visto em 
outros anjos, mas de cor creme. O seu vestido era bordado da mesma 
cor creme ao redor do seu pescoço, mangas, e barra. O vestido 
parecia cintilar, como se fosse seda ao sol, movendo-se suavemente 
na brisa. O rosto, as mãos e pés descalços reluziam um pouco mais 
brilhantes do que o seu vestido. 
Seu rosto era familiar para mim, como se eu a tivesse visto por 
toda a minha vida, mas eu não sabia o seu nome, e ela nunca se 
apresentou a mim ou mesmo falou com sua voz. Eu estava no meu 
corpo e não tinha capacidade de saber tudo sobre ela, como eu tinha 
no meu espírito. Ela era um mistério para mim. Ela então moveu-se 
para o lado esquerdo da minha cama. Quando se aproximou mais, 
eu podia ver a pele de seu rosto e mãos. Ela parecia humana, para 
mim. 
Sem falar verbalmente, ouvi sua voz na minha mente. "Eu tenho 
sua permissão para fazer o que fui enviada a fazer aqui?”.
Ela não explicou o que pretendia fazer, nem eu percebia o que 
era, até ela ter quase terminado. Eu já tinha aprendido que os 
anjos de Deus sempre pedem permissão e, pela sua pergunta e pelo 
John M. Pontius – Visões de Glória 
110 
ardor que senti no meu peito, eu sabia que ela estava lá para 
abençoar-me de alguma forma. 
Eu sabia que ela me amava como um irmão ou filho. Sua feição 
parecia o sol quente sobre o meu rosto e tórax. Eu não senti nada 
além de alegria e paz na sua presença. E, a partir do momento que 
ela tinha chegado ao lado de minha cama, não senti mais dor física, 
por isso eu estava ansioso para que ela permanecesse por mais 
tempo possível. Todo o meu ser confiava nela implicitamente, e 
meu coração respondeu antes que a minha mente pudesse formar 
palavras. "Sim, por favor!”.
Quando minha mente enfim me alcançou, comecei a me 
perguntar, "Por que Deus enviaria uma mulher para mim desta vez?" 
A pergunta não era sobre sua capacidade; era apenas que todos os 
anjos e guias das visitas anteriores foram homens. Decidi calar a 
boca. "Pare de questionar e apenas desfrute esta experiência 
enquanto dura." 
Logo que eu pensei isso ela sorriu como se estiver satisfeita, 
finalmente, com a minha autorização para que ela prosseguisse. Eu 
sabia que ela ouviu cada palavra que eu pensava porque é o modo 
de todos os seres divinamente comissionados. Eles sabem tudo o 
que pode ser conhecido sobre nós. 
Ela elevou-se no ar e posicionou-se deitada sobre o meu corpo. 
Ela nunca tocou-me, embora seu rosto não estava a mais do que 30 
cm do meu. Ela estava tão perto que eu podia ver as pequenas veias 
e poros de sua pele. O seu vestuário e cabelo não eram afetados pela 
gravidade, mas caiam em direção aos seus pés, do mesmo modo 
como quando ela estava de pé. 
Ela tinha uma aparência extremamente agradável em seu rosto. 
Fechei meus olhos e me deliciei na completa ausência de dor e 
doença. Tornei-me consciente de que ela estava tirando alguma 
coisa de mim, provavelmente os meus sintomas físicos da dor e, ao 
fazê-lo, ela estava limpando a minha mente para a mensagem que 
ela foi comissionada a oferecer. 
Lembrei-me de repente com grande clareza do meu encontro 
com Jesus Cristo no estacionamento. Senti todas aquelas coisas 
4 – Provações Agravando-se 
111 
novamente. Eu vi o seu rosto e senti o seu amor, e lembrei-me de 
como me senti quando Ele falou meu nome. Todos esses detalhes 
vieram em minha mente. 
Eu subitamente compreendi a visão que eu tivera no Taiti com 
um entendimento totalmente novo. Eu revi as experiências na 
clínica, quando eu tinha morrido do contraste de raio-x, todos com 
uma nova compreensão e uma nova clareza. O que eu lembrava 
mais claramente destas experiências foi aquilo que os meus cinco 
sentidos tinham gravado. Ela estava permitindo ou capacitando-me 
a vê-las novamente a partir da perspectiva eterna que tive uma vez, 
quando eu primeiro as vivenciei. Eu não tinha esquecido desses 
eventos, mas havia mudado o meu entendimento nos últimos vinte 
e seis anos para acomodar o que eu imaginava ser a minha iminente 
morte. Ela não apenas permitiu-me recordar os acontecimentos, mas 
entender mais uma vez o mais profundo significado dentro delas, 
que suas promessas e profecias ainda eram verdade. 
Você Não Vai Morrer 
Eu tinha reproduzido esta mensagem na minha mente, repetidas 
vezes, "vou morrer - logo." Eu estava perturbado porque minha vida 
estava quase no fim, e a minha missão, como eu a vira em visão, 
ainda não tinha acontecido. Aprendi com esta bela anja sem nome 
que eu ainda tinha muitas coisas a fazer, e tudo o que eu tinha visto 
antes estava escrito por Deus na minha jornada mortal. Tudo isso 
aconteceria. Esta foi sua mensagem para mim: "Você não vai morrer 
neste momento." Ela literalmente me mandou parar de pensar em 
mim como se eu fosse morrer. Ela ficou nessa posição, pairando 
sobre mim, por um período de tempo indefinido. Poderiam ter sido 
segundos ou horas, eu simplesmente não sei. 
Foi a mesma mensagem que meu amigo Apóstolo tinha tentado 
transmitir poucos dias antes. 
Sem a dor do meu corpo para interferir, e com a profunda paz 
da sua presença, adormeci. Quando acordei, ela estava de pé ao lado 
do meu leito, olhando para mim. Ela instruiu-me a escrever tudo 
John M. Pontius – Visões de Glória 
112 
aquilo que eu tinha aprendido na minha revisão e para lembrar-me 
e nunca mais duvidar. Ela disse que tudo mais que eu precisava 
saber e ver para poder continuar minha preparação para minha vida 
de trabalho, viriam a mim em breve. 
Ela também comunicou-me que a minha vida estava sendo 
preservada, não por minha causa, mas por causa de outros, aqueles 
a quem eu iria servir. Aprendi muitos anos mais tarde que as pessoas 
a quem eu iria servir eram o seu povo. 
Ela disse que eu tinha sido preparado antes da fundação da terra 
para esta missão, e que eu nunca mais duvidasse, achando que 
qualquer evento terreno, acidente, doença, ou até mesmo a morte 
pudesse impedir o cumprimento. 
Eu não me orgulho de dizer que eu não tinha grande fé naquele 
momento para acreditar nas visões que Deus me tinha mostrado emvez de acreditar em meu corpo, que eu achava estar obviamente 
morrendo. É difícil, talvez desumanamente difícil, sentir o seu corpo 
morrendo, fenecendo, a vida drenando-se de você, e ainda ter fé em 
promessas de muito tempo atrás de um futuro que agora parecia 
impossível; mas eu devia ter. Eu deveria ter apenas acreditado e 
rejeitado as tentativas do meu corpo de morrer. Em seguida, a minha 
fé em Deus, meu Salvador, me ergueriam. Estou certo disso. Ainda 
assim, nesse momento de profunda fraqueza e necessidade, a sua 
mensagem era profundamente reconfortante para mim. Ela tinha 
vindo para interromper o meu declínio, para reparar meu modo de 
pensar, realinhar os meus pés no verdadeiro caminho da minha vida. 
Ela saiu da mesma maneira que entrou, através da porta aberta 
do quarto e do corredor. Eu nunca mais a vi. Tenho pensado sobre 
ela muitas vezes e me perguntei quem seria ela. A minha fé me disse 
que ela era uma ancestral minha de muito tempo atrás. Estas pessoas 
que ministram a nós de além do véu são quase sempre familiares. 
Quando eu a ver novamente quero agradecer-lhe e perguntar seu 
nome. 
Fiquei deitado por algum tempo, totalmente esgotado e exausto. 
Minha mente continuava repassando a experiência da sua visitação. 
4 – Provações Agravando-se 
113 
Eu finalmente caí num sono tranquilo e não despertei até o final da 
manhã. 
Estou Curado!
Eu acordei com uma brilhante memória de tudo o que ela tinha 
feito, e o meu coração gritou, "Eu estou curado!" Mas, quando 
comecei a me mover, percebi que meu corpo estava tão doente como 
antes. No entanto, minha atitude não era mais de doente. Eu já não 
pensava como uma pessoa doente ou contemplado a morte. Eu sabia 
que já não iria morrer e parei de ficar apenas esperando a morte, 
desejando que viesse logo. O seu dom para mim foi de que, a partir 
de então, eu tinha total esperança na minha recuperação, e comecei 
melhorar imediatamente. 
Eu estava animado dizendoà minha esposa sobre as experiências 
da noite anterior. Ela não o recebeu bem, nem a mensagem e nem 
como ela foi entregue. Ela não tinha dúvida do que eu disse a ela, 
mas ela simplesmente não sabia como receber. O que eu tinha 
esquecido, e pessoas mortalmente doentes geralmente esquecem, 
era de que ela estava a sofrer junto comigo. Eu não ia morrer 
sozinho; eu estava tomando um pedaço de seu coração, do seu amor 
e da sua paz comigo. Ela aceitou a inevitabilidade da minha morte 
e estava realmente a esperando para aquela mesma noite. Era um 
processo de luto que tinha rasgado um pedaço da sua alma, e ela não 
sabia como voltar a repô-lo apenas por causa de palavras. Ela não 
sabia como ir do desespero à alegria tão abruptamente. Mesmo 
tendo acreditado em minhas palavras e aceitado a veracidade do que 
tinha acontecido, ela teve de esperar um tempo para a sua mente e 
seu coração desatarem. Também penso que algum instinto primal 
lhe dizia para não expor-se a tal esperança que podia ser 
despedaçada logo em seguida. Quando ela viu que eu estava 
realmente me recuperando, ela começou a se alegrar comigo. 
5 – Cavernas, Chaves e Chamados 
114 
Capítulo Cinco
CAVERNAS, CHAVES e 
CHAMADOS 
Três Visitantes 
erca de uma semana depois, acordei de manhã com a 
sensação de que eu receberia três visitantes nesse dia. Eu 
gostava muito de ter visitas porque eu estava ainda me 
recuperando da cirurgia e da infecção, e o tédio às vezes era 
um problema. Também me pareceu engraçado porque Ebenezer 
ScroogeNT9 tinha sido informado que teria três visitantes também, e 
você já sabe o que aconteceu. 
O primeiro visitante era um cavalheiro mais velho de nossa 
AlaNT10. Ele entrou, sentou-se comigo e leu Escrituras para mim. Ele 
foi bondoso por fazer isso, mas ele ficou duas horas, o que deixou-
me muito cansado. Eu dormi por um longo tempo depois que ele 
saiu. 
O segundo visitante veio em cerca de 5:30 da tarde. Era um 
irmão de nossa ala que apenas deu um pulinho a caminho de casa 
vindo do trabalho. Ele disse que sentiu-se inspirado a vir falar 
comigo. Ele ficou uma hora e disse que se sentiu tocado pelo 
Espírito a me dizer algumas coisas. 
A primeira foi que eu podia ser curado e que eu precisava 
trabalhar no sentido de obter fé para ser curado. A segunda coisa foi 
que eu tinha muitas coisas para fazer antes de morrer. Essas duas 
coisas me pareceram muito interessantes. Eu acreditava que ele foi 
inspirado a dizer-me essas coisas porque eu sabia que em algum 
momento eu seria curado. Eu já tinha visto isso em visão várias 
C
John M. Pontius – Visões de Glória 
115 
vezes. Eu já tinha me visto num corpo livre de doenças e fazendo 
muito mais, mas com um alcance maior do que ele supunha. Eu me 
senti como se tivesse a fé para obter a bênção e já estava me 
movendo tão rapidamente como eu poderia obter. Eu não lhe disse 
que há apenas uma semana um anjo feminino entrou em meu quarto, 
me fez lembrar das promessas e curou a minha mente do meu 
pensamento de "Eu vou morrer". Eu aceitei sua inspiração para 
trazer essa mensagem para mim. Tratava-se de outra testemunha do 
que eu já sabia ser verdade. 
Quando ele saiu eu estava completamente esgotado, e eu não 
estava ansioso por um terceiro visitante porque os dois primeiros 
me deixaram esgotado e não sobrou nenhuma energia para aumentar 
minha tolerância ou alterar minhas circunstâncias. Eu não estava me 
sendo ingrato por sua bondade, apenas cansado. 
Naquela mesma noite eu não conseguia dormir por causa da 
incessante dor no meu rosto e tórax. Eu já não tinha medo de morrer, 
mas as cirurgias no México me tinham deixado com uma dor 
enorme. Por causa da nossa condição financeira, eu não conseguia 
pagar por remédios controlados contra a dor, e as únicas coisas que 
eu tinha eram Tylenol e ibuprofeno. Eles simplesmente não eram 
suficientes. 
O Terceiro Visitante 
Minha esposa e eu estávamos assistindo o noticiário da noite no 
nosso quarto. Eram 22:15, eu ouvi uma batida forte na porta da 
frente, que ficava a apenas poucos metros da nossa porta do quarto. 
Perguntei a Lyn, "você ouviu alguém bater à porta?”.
Ela respondeu que ela não e perguntou se devia verificar a porta. 
Percebi naquele momento que este era meu terceiro visitante e 
que eu teria que ir com ele. Eu estava realmente pensando que era 
outra pessoa da Ala, e eu não sei por que eu pensei que teria que ir a 
algum lugar. Mas eu disse: "Não, não responda, por favor. Vou ter 
que ir com eles, e eu estou cansado demais." 
5 – Cavernas, Chaves e Chamados 
116 
Ela me deu um olhar simpático, não porque eu estivesse 
cansado, mas porque ela presumiu que eu estava ouvindo coisas 
agora. Ela apagou as luzes, me beijou, e virou-se para dormir. 
Eu não podia dormir porque minha dor e cansaço eram 
insuportáveis. Eu sei que isto soa estranho, mas eu realmente estava 
muito exausto para dormir. Ouvi outra série de batidas à porta. 
Quem quer que estivesse à porta começava a bater a cada poucos 
segundos, repetidamente. Eu, pensando, "Se eu levantar, vou ter de 
ir com eles." 
Finalmente eu comecei a perceber que podia ser um anjo vindo 
me levar da mortalidade. Era aquela guerra contínua entre minha 
percepção da minha condição física e o que a bela personagem 
angélica tinha me ensinado com tanto poder que eu não iria morrer. 
Até então, minha fé foi mais forte que o meu pensamento, mas nesta 
noite em particular, eu encontrei-me mais uma vez vacilante. Eu 
repreendi a mim mesmo e ancorei a minha fé mais uma vez. 
Devo ter adormecido, pois despertei a 00:50 novamente com 
batidas na porta da frente. Não se tratava de uma batida impaciente 
mas apenas fazia o som de batida. Desta vez eu percebi que o 
batimento estava na nossa porta do quarto, e não na porta da frente. 
Eu sabia que não era um dos meus filhos, porque a percussão era 
mais forte e mais em cima na porta. Me veio o pensamento de que 
talvez isso fosse parte do processo de morrer, e eu teria que ir com 
eles. 
Percebi que eu estava encharcado de suor das poucas horasque 
eu tinha dormido. Senti-me terrivelmente mal, tipo quando a gente 
nem consegue levantar o braço ou a gritar por ajuda. Eu tinha uma 
incrível dor no peito mais uma vez. Não obstante o que a bela 
personagem angélica tinha me falado, eu sabia que não poderia 
viver muito mais tempo sem um milagre - que eu não esperava, mas 
ainda assim precisava receber. E ainda o bater na minha porta do 
quarto continuou a ressoar com batidas intermitentes e insistentes. 
Eu imediatamente deixei meu corpo. Acho que meu corpo 
estava doente demais para segurar meu espírito dentro dele. Movi-
me para cima e para fora do meu corpo e para uma posição sentada 
John M. Pontius – Visões de Glória 
117 
na minha cama. Olhei para o meu lado direito e pude ver o meu 
rosto e ombros apoiados sobre um travesseiro. O meu rosto estava 
pálido com um olhar de dor, e o meu corpo não estava respirando. 
Eu me senti tão grato por estar fora dele. A dor havia parado, e eu 
me sentia cheio de energia e vitalidade. 
Você tem que lembrar, eu tinha morrido duas vezes antes e desta 
vez o alívio que eu imediatamente senti por estar fora do corpo era 
quase como o efeito de drogas. Ela infundiu-me de euforia e 
libertação. Eu estava tão grato de estar fora do que daquele corpo 
doente e dolorido. Eu me regozijava, e me senti muito mais do que 
entusiasmado. Eu estava jubiloso, embora totalmente esperasse 
retornar ao meu corpo e viver para completar minha missão. Eu não 
podia duvidar as palavras do anjo mas, neste momento, eu estava 
extasiado de gratidão por estar sem dor, mesmo que por um 
momento. 
Levantei-me sem fazer esforço e andei até a porta para atender. 
Eu olhei para o meu corpo, que ainda estava deitado na cama ao 
lado da minha esposa. Eu me senti ligado ao meu corpo, como se 
um elástico divino estivesse conectando-nos. Eu sabia que esta era 
a garantia espiritual que eu voltaria. Isso não era a morte, mas uma 
outra oportunidade de aprender e de ver as coisas de Deus. 
Meu Anjo Guia 
Eu tentei abrir a porta e não consegui. Minha mão passava pela 
maçaneta da porta. Por isso eu a atravessei. Eu encontrei-me diante 
de um afável anjo masculino. Ele era um anjo de luz e tinha todo o 
brilho dos outros anjos eu tinha visto que tinham vindo ministrar 
pelos recém-mortos. Mas no momento em que olhei para ele, eu 
sabia que ele não tinha vindo para me levar da terra. Ele não era o 
"anjo da morte" por assim dizer. Ele tinha sido o meu guia em várias 
outras experiências fora do corpo, de modo que o reconheci mesmo 
que sem saber o nome dele. Foi um reconhecimento espiritual. Eu 
confiava nele e estava pronto e disposto a ir com ele. 
5 – Cavernas, Chaves e Chamados 
118 
O anjo falou-me verbalmente, não ao meu espírito como em 
outras instâncias. Ele tinha um corpo e não era só espírito. Eu 
percebi que eu, agora em espírito, era menos material do que ele. 
Segurou meu braço e disse: "você está pronto para ir?”.
Eu respondi com a maior gratidão, "sim!”
Ao contrário do que sucede com os outros anjos que tinham 
apenas flutuado através de paredes e portas, ele abriu a minha porta, 
girando a maçaneta e caminhou para fora. Já era dia fora. Nem 
estranhei que no meu quarto era pouco antes de 01:00 e fora dele 
era meio-dia. O que me fez concluir que eu estava agora em uma 
visão, a sentisse verdadeira e tátil. 
O anjo fechou a porta de minha casa. Nós caminhamos para a 
frente e começamos a andar na calçada. Ele estava à minha direita, 
com o seu braço no meu. Eu podia senti-lo e o calor do seu braço. 
Era tão bom voltar a caminhar. Eu não tinha estado em pé 
faziam semanas e tinha estado enfermo desde antes. A sensação era 
maravilhosa de fazer tudo isso sem dor ou fadiga. Eu me senti como 
se pudesse caminhar sem esforço por dias. Senti-me exuberante por 
estar com ele, como uma criancinha querendo expressar sua 
felicidade correndo, saltando e rindo. Não o fiz, claro. Eu queria 
ficar com ele. Eu entendi que ele tinha algo a ensinar-me. 
Continuamos caminhando uma longa distância. Passávamos por 
companhias e casas. Carros passavam na rua e as pessoas andavam 
perto de nós na calçada. Tenho certeza que eles não poderiam ver-
nos porque desviávamos para deixá-los passar. Era uma experiência 
visionária, mas era realista. Havia uma ligeira brisa, e vi que a brisa 
estava soprando o cabelo do anjo e movendo sua roupa. Eu olhei 
abaixo em mim, e eu percebi que eu estava de pijama. Eu não me 
senti nada constrangido, mas pude constatar que eu não podia sentir 
a brisa, e que ela não movia minhas roupas. 
Eu pensei, Que estranho! Aqui estou na presença de um anjo, 
ele é quem está num corpo e eu estou em espírito, e estamos 
andando a pé, rumo às montanhas! Foi maravilhoso para mim. Eu 
queria lhe fazer perguntas, mas senti que deveria aguardar. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
119 
Eu não senti esforço ou fadiga. Eu estava andando sem me 
esforçar, o que para uma pessoa mortalmente enferma era como de 
repente ganhar na loteria. 
Então o anjo me disse: "a primeira coisa que irá ver irá explicar 
para você por que você está vivendo sua vida da maneira como está 
presentemente." 
E eu respondi, "Ótimo! eu gostaria de saber a resposta a essa 
pergunta." 
Ele foi simpático e interessado em mim. A minha mente estava 
girando com perguntas, e eu tenho certeza que ele estava ouvindo 
tudo isso. Ele sorria com frequência, à medida que caminhávamos 
em silêncio. 
Eu me sentia que ele me conhecia melhor do que eu mesmo. Ele 
estava totalmente envolvido neste evento de mostrar-me o que eu 
precisava de saber. Mesmo que nós não estivéssemos conversando 
ao prosseguir, eu sabia que havia propósito em tudo o que ele fazia. 
Cavernas e Grades 
Procedemos a um desfiladeiro onde eu havia estado muitas 
vezes. Andamos um longo caminho para onde a estrada 
pavimentada passou a ser de cascalho. Eu podia sentir a estrada sob 
os meus pés, mas estávamos nos movendo mais rápido do que 
velocidade de caminhada, como se caminhássemos numa esteira 
rolante no aeroporto. Chegamos ao desfiladeiro rapidamente. A 
cena era familiar para mim. Eu tinha estado ali muitas vezes em 
piqueniques e passeios. 
Ao pisarmos no cascalho, a cena mudou para diferentes 
montanhas cinza-azuladas com altos penhascos, de frente para mim 
três montanhas com imponentes picos projetando-se no céu acima 
das falésias. O céu mudou para um tom mais pôr-do-sol embora 
fosse meio-dia. Havia uma extensão de água entre o ponto onde 
estávamos e a montanha, como se estivéssemos em alguma ilha em 
numa enseada com vista para o continente. Eu podia sentir o cheiro 
de ar marítimo e ouvir as ondas quebrando sobre a falésia. 
5 – Cavernas, Chaves e Chamados 
120 
Eu não sei para onde a visão me levava. Foi-me dado a entender 
que eu estava agora olhando para o futuro, para qual seria o 
propósito da minha vida. Cheguei à conclusão de que eu estava 
vendo um tipo ou uma metáfora do fim da minha vida, não eventos 
reais que aconteceriam exatamente da maneira como eu estava 
vendo eles. Mas também percebi que a missão sugerida por esta 
metáfora iria realmente acontecer, se não exatamente como eu 
estava vendo-a agora. 
Eu comecei a ver ao nosso redor através de olhos espirituais, 
como o anjo via. 
Ele me perguntou, "Você vê a montanha?”.
"Sim." 
"O que você vê?”.
Eu andava mais perto. Haviam luzes no alto da montanha. 
Finalmente, eu percebi que eles estavam vindo da boca de quatro 
grandes cavernas feitas pelo homem. As cavernas eram cerca de 
quatro metros de altura e cerca de cinquenta metros de largura na 
entrada. As aberturas tinham barras, como se fossem as prisões. As 
cavernas estendiam-se nas profundezas da montanha, com portas 
que conduziam para além daquilo que eu podia ver. As quatro 
cavernas ocupavam a maior parte da montanha. 
E eu respondi, "Eu vejo quatro grandes câmaras escavadas no 
monte, com grades. O que isso significa?”.
E ele respondeu, "precisamos nos aproximar." 
A vista mudou instantaneamente. Encontrei-mebem na frente 
das barras, em uma grande saliência entre as barras e a falésia. 
Estávamos alto na montanha. Houve uma larga e íngreme estrada 
descendo até o vale abaixo. 
Eu olhei e vi milhares de pessoas nas câmaras. Havia salas 
dentro, para grandes grupos, áreas para cozinhar, e enormes jardins 
de flores e legumes. Nas profundezas da caverna eu poderia ver 
portas fechadas ao longo da parte de trás das câmaras. Presumi que 
eram os quartos, salas de armazenagem, e outras necessárias 
acomodações. As pessoas não pareciam ver-me, embora algumas 
delas estivessem tão perto que eu podia vê-las claramente. Elas 
John M. Pontius – Visões de Glória 
121 
estavam bem vestidas e cuidando de suas vidas. Eles não pareciam 
considerar-se prisioneiras, mas eram saudáveis e felizes. As 
crianças de todas as idades brincavam e cumpriam tarefas 
domésticas. Os observei sem entender. Toda a sua circunstância 
parecia tão improvável para mim. 
"Quem são essas pessoas, e por que é que eles estão aqui?" eu 
perguntei. 
O anjo chamou a atenção para as travas nas barras. As travas 
estavam no interior. Eles tinham se trancado nas cavernas, e as 
barras eram de sua própria edificação. 
"O que isso significa?" eu perguntei ao anjo. "Por que razão eles 
trancaram-se na montanha?”.
Ele sorriu e respondeu, "Está certo. Esses indivíduos trancaram-
se aqui por causa da perseguição, dos abusos e maus-tratos que 
sofreram de organizações religiosas e do abuso dos governos e da 
autoridade do mundo." 
Percebido que isso era tanto bom como mau. Eles próprios se 
haviam isolado do mundo, mas tinham também se isolado de luz e 
verdade adicionais. 
Eu perguntei: "Por que você está me mostrando isso? O que é 
que isso tem a ver comigo?”.
Em seguida, ele me mostrou em detalhes vívidos as dores, 
sofrimentos e abusos que essas pessoas sofreram enquanto viveram 
sobre esta terra. Eles foram perseguidos e mortos por gerações antes 
que eles encontrassem uma maneira de separar-se do mundo. 
Ele disse, "Só a pessoas como você, que estiveram dispostos a 
sofrer dor e abusos semelhantes aos dessas pessoas, é que elas irão 
ouvir e confiar. Você deve continuar a beber deste cálice amargo 
sem se tornar amargo você mesmo28. Isso lhe dará a experiência e o 
conhecimento que você precisa para que, quando você for chamado 
para trabalhar com essas pessoas, elas irão confiar em você e 
reconhecer em você um companheiro de doença, expulsão e 
perseguição. Estes sofrimentos e seu triunfo sobre eles serão 
escritos sobre a sua própria alma e nos nervos do seu corpo, e eles 
vão reconhecer e confiar em você." 
5 – Cavernas, Chaves e Chamados 
122 
Em seguida, ele disse algo que tenho refletido sobre por anos. 
Ele acrescentou: "Eles vão ver que você também pertence à 
"Comunhão dos Sofrimentos de Cristo." 
A Chave 
Enquanto eu estava tentando entender tudo isso, uma moça veio 
ao nosso encontro com uma chave em ambas as mãos. Ela não se 
parecia com as pessoas dentro das cavernas, mas era uma anja de 
luz, como era o caso do meu acompanhante. Ela usava uma longa 
túnica branca reluzente. Ela era linda e bem jovem. 
Ele tomou a chave dela e entregou-a a mim com ambas as mãos, 
com grande reverência e cuidado, como se fosse precioso e frágil. 
A jovem anja ficou olhando-me segurar a chave com grande 
interesse. Analisei-a um pouco, maravilhando-me com a beleza do 
artesanato. Eu virei-a em minhas mãos algumas vezes, admirando-
a. Era diferente de tudo que eu já tinha visto. 
A chave tinha uns 30 cm, com a forma de uma chave moderna 
com alça redonda e haste em serra, como saliências e sulcos ao lado. 
Ela era pesada, como se feitos de metal sólido, como se feita de ouro 
maciço. A sensação do metal era macia como veludo, não dura 
como o Ouro. A alça tinha cerca de seis polegadas com pedras 
preciosas incrustradas no metal. Parecia como se as joias haviam 
sido fundidas no metal, porque eu não podia senti-las sobre a 
superfície lisa da chave. Mas cada pedra era claramente visível e 
brilhante dentro do metal, como se o metal fosse transparente sobre 
as pedras. Cada joia parecia ter uma pequena fonte de luz, que 
tornava a chave cintilante com brilhos como luz que vinham de 
dentro da chave e não como um reflexo do sol. 
A ponta era verde-esmeralda. A haste era vermelha como 
sangue, e a alça era de um azul vivo. Ela parecia antiga, talvez 
milhões de anos, porém não estava riscada, desgastada ou 
danificada. Ela era tão intrincada e maravilhosa que eu lembrei da 
LiahonaNT11, que havia sido criada pelo próprio Deus. Estou certo 
de que nenhum ser humano poderia ter feito essa chave. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
123 
Verifiquei que haviam símbolos da chave, que eu não sabia ler. 
O Significado dos Símbolos 
"O que significam os símbolos sobre a chave?" Meu 
acompanhante perguntou-me. Eu imediatamente senti o significado 
dos símbolos inserirem-se em meu espírito. A chave constituía-se, 
em si mesma, numa missão para resgatar o povo a quem eu podia 
ver atrás das grades. A chave representava a capacidade de 
desbloquear as barras que as prendiam em sua prisão auto imposta. 
As cores representavam as qualificações de quem Deus enviou para 
realmente realizar o trabalho de destrancar as barras. 
O vermelho representa o sacrifício29, mas não da forma que eu 
entendia sacrifício. O conhecimento que recebi incluiu um 
entendimento mais completo da clemência e da expiação de Cristo, 
mas também simboliza a vontade de também sacrificar-se como 
Cristo, de estar preparado para esta missão. A fim de receber a chave 
e a tarefa que ela representava, precisa estar preparado para 
sacrificar sua vontade, seus bens terrenos, sua saúde se for 
requerido, ou até mesmo a vida se necessário for, para seguir o 
caminho que Deus ordenou de preparar a pessoa com caridade, fé, 
pureza doutrinaria, clara compreensão e, acima de tudo, perfeita 
obediência à vontade de Deus. Essa rota é a que Cristo apresentou-
me, no entanto o seu sofrimento foi muito maior e por toda a 
humanidade. Este menor sofrimento por que passamos é para 
preparar o indivíduo para a sua missão específica. Levou anos para 
perceber que este é o motivo pelo qual o anjo chamou-o "Comunhão 
dos Sofrimentos de Cristo". 
Foi-me dado a entender que não havia outra maneira, e não há 
outro caminho para este tipo de serviço. Era um caminho que 
poderia exigir derramamento de sangue e sacrifícios de magnitude 
semelhante. Quando um servo de Deus segue esse caminho até o 
final, fica uma marca reconhecível neste servo, um brilho talvez, de 
retidão. É a preparação que torna impossível falhar, a qual aqueles 
a quem ele ou ela ministrem irão reconhecer e então seguir. 
5 – Cavernas, Chaves e Chamados 
124 
A alça azul representava a linhagem, que imediatamente eu 
sabia ser o sacerdócio nos Últimos Dias30. O qual também temos 
ouvido ser chamado de "o santo sacerdócio segundo a ordem do 
Filho de Deus." O azul representa três coisas: primeiro, a aceitação 
e a justa magnificação do atual sacerdócio. Segundo, representa o 
recebimento da "plenitude" desse mesmo sacerdócio quando o 
merecimento e o plano de Deus o determinar. Terceiro, representa 
uma preordenação para esta missão de libertar essas pessoas. Só 
esse oficial especificamente ordenado no sacerdócio poderia 
manipular a chave. A alça é a forma como ela é tomada e operada. 
A ponta verde-esmeralda representa uma renovação e recriação 
da vida. A ponta é a "finalidade" da chave. Ela entra primeiro na 
fechadura, e deve estar perfeitamente alinhada com a fechadura para 
que qualquer outra parte da chave possa operar. A ponta verde 
assinala o pleno efeito do vermelho e do azul, do sacrifício e do 
sacerdócio, que, conforme descrito no juramento e convênio do 
Sacerdócio, traz uma renovação do corpo. É por essa razão que a 
ponta verde foi intitulada "Renovação e Recriação da vida." Esta 
renovação pode representar desde a prolongação da vida mortal até 
a cura de todas as doenças e ser transladado31,como foi João o 
amado e a cidade de Enoque. Também representa a renovação pela 
qual essas pessoas passam ao aceitarem Cristo como seu Salvador e 
já não têm medo dele ou daqueles que o representam. Eles devem 
aceitar as ordenanças do evangelho, que permitirão que cada um 
deles seja renovado e finalmente liberto da sua prisão auto imposta. 
A chave na minha visão é simbólica da chave que cada obreiro 
de Sião nos Últimos Dias irá obter para a sua missão específica. 
Provavelmente não irá ser entregue uma chave material a cada 
indivíduo, mas eles vão passar por esse mesmo processo de 
sacrifício, sacerdócio e renovação que foi mostrado a mim. Levou 
muitos anos, até há pouco de fato, para eu identificar o significado 
das partes da chave. Mesmo sabendo o que o anjo mostrou e 
ensinou-me, minha alma requereu um longo tempo para perceber 
como isso poderia de fato ocorrer comigo tornando-me um 
construtor de Sião. Eu vim a perceber que, para completar a minha 
John M. Pontius – Visões de Glória 
125 
missão na vida, eu tinha que receber esta chave na forma ordenada, 
ao tornar-me um membro da "Comunhão dos Sofrimentos de 
Cristo" e fazê-lo livremente, voluntariamente e até alegremente. 
Agora compreendo que é uma jornada pessoal de grandes 
consequências. Não é o caminho para quem busca conforto e 
serviço eventual. Eu não sabia nem mesmo que eu estava nesse 
caminho, ou que o meu sofrimento era parte integrante de qualquer 
outro caminho além da minha rotina de vida. Nem jamais pensara 
que eu era um daqueles cujo chamado pré-mortal incluía qualquer 
serviço especial – até que o anjo me entregasse a chave. 
Esta chave representa o roteiro completo e o chamado do 
sacerdócio. Somente com todos esses três elementos podemos 
reivindicar as bênçãos e a honra de servir em qualquer grande causa. 
Quando fazemos isso, não estamos mais servindo à Igreja, às nossas 
famílias ou mesmo a nós próprios, estamos servindo a Jesus Cristo 
diretamente e fazendo a obra do Pai de preparar o mundo para o fim 
dos tempos e a volta de Cristo. 
Junto com toda essa informação veio a confirmação de que o 
que eu estava vendo era real e não uma metáfora para ensinar-me 
por que eu estava passando por dificuldades e sofrimentos que têm 
sido uma grande parte da minha jornada mortal. Eu estava sendo 
ensinado que por toda a minha vida eu estava sendo engajado neste 
processo de preparação para atender às qualificações e atributos de 
alguém que receberá uma chave para uma parte trabalho de 
construir Sião nos Últimos Dias. Neste grandioso trabalho vamos 
libertar as pessoas da suas auto impostas prisões, sejam elas reais 
ou imaginárias, e trazê-las para Sião. 
A chave não representa um chamado para presidir ou ser um 
profeta nos Últimos Dias. Ele representa o processo de aquisição, 
por meio da Expiação de Cristo, do grau de pureza e santificação 
pessoal que qualifica o recebedor a servir neste grande trabalho. 
Trata-se de um trabalho que, como você verá em visões futuras que 
vou descrever, é totalmente organizado e realizado por esta Igreja 
do Últimos Dias. Não se trata de um caminho que conduz fora da 
Igreja, ou nem mesmo em uma rota paralela à Igreja, mas aquele 
5 – Cavernas, Chaves e Chamados 
126 
que o leva ao coração da missão designada à Igreja dos Últimos Dias 
para preparar o mundo para o retorno de Cristo. 
O único significado adicional que recebi foi mostrar-me que eu 
realmente posso cumprir aquilo, que é realmente possível, e que eu 
devo procurar completar minhas qualificações e assim terminar o 
trabalho que o Senhor estava me mostrando ser meu. Eu devo 
continuar a aceitar que o curso da minha vida não estava me 
conduzindo para a morte física, mas sim à possibilidade de grande 
serviço no cenário dos últimos dias. 
Senti esta admoestação penetrar minha alma sem palavras, 
"Spencer, você está fora do seu corpo, mas não está morto. Não 
desista, porque essas coisas precisam ser seladas em seu coração e 
mente. Estas são as coisas que você me prometeu que ia fazer. Não 
desista. Estou a dar esta informação para sustentar sua coragem de 
ir em frente e lutar para realizar essas coisas. Não fique desanimado 
sobre voltar para o seu corpo. O seu corpo não vai impedi-lo de suas 
preparações. Foi necessário traze-lo aqui para dar-lhe uma 
significativa amostra do trabalho que você vai fazer e para prepara-
lo para o quanto lhe vai custar qualificar-se para fazê-lo." 
Esta informação entrou na minha alma, rica de amor e empatia, 
mas também com profundo poder. Eu sabia que não era o meu anjo-
escolta falando comigo. Eu estava apenas começando a entender, ali 
em pé com esta pesada chave em minhas mãos, quando o anjo disse: 
"O que você vê agora?”.
Túnel de Luz 
Olhei em volta de mim e percebemos que já não estávamos 
diante das câmaras com grades, e eu já não segurava a chave. 
Estávamos em uma espécie de túnel32, e eu tinha a sensação de 
mover-me em grande velocidade. 
Eu percebera que o túnel era "vivo." Talvez fosse mais correto 
dizer, era uma parte do meu ser. Ele era "meu", e eu o tinha criado. 
O meu acompanhante sorriu novamente, "Está certo. Trata-se de 
um portal, que você criou. Somente você pode usá-lo." 
John M. Pontius – Visões de Glória 
127 
Eu pensei sobre isso, e perguntei, "Então, cada pessoa cria seu 
próprio portal antes de vir à terra?" Eu sentia o túnel como se fosse 
parte de mim como a minha mão ou pé. Entendi que este portal foi 
como eu vim a esta terra ao nascer e como iria voltar para Deus, 
quando eu finalmente concluísse a mortalidade. Eu podia "sentir" o 
túnel do mesmo jeito que se sente os braços ou dedos. 
Ele parecia contente, "Sim, isso é correto. Cada um cria seu 
próprio portal, que agora você percebe como um túnel de luz, mas 
que é apenas a melhor forma de você entender o que se passa com 
você. Trata-se de um poder divino que você aprendeu há muito 
tempo, que permitiu-lhe vir à terra e, eventualmente, retornar a 
Deus. Cada um deve criar o seu próprio." 
Nos movíamos sem caminhar, mas isso parecia normal e 
familiar. Eu sabia exatamente como me mover para frente no túnel. 
Era um ato da minha mente, como querer que seus dedos fechem 
em torno de algo. Não precisei tocar no túnel porque que foi apenas 
como eu percebi essa forma de viajar enquanto ainda limitado pela 
inteligência mortal. Eu estava movendo-me na velocidade do 
pensamento. 
A extremidade do túnel era profundamente brilhante. A luz não 
era proveniente do fim do túnel, mas do próprio túnel, como se ela 
ficasse mais divina quanto mais longe da terra evolvesse. 
Assim que entramos no túnel, ou portal, me senti menos mortal, 
com mais poder e mais divino. Eu podia falar com meu guia 
verbalmente ou pelo pensamento, e ele me respondia apenas pelo 
pensamento. Discutimos muitas coisas ao prosseguirmos através do 
túnel. A cada pergunta que eu pensava, eu via o evento ou coisa com 
detalhes perfeitos, incluindo a sua criação, existência e presente 
glória. Era semelhante a quando eu passei através da escrivaninha e 
do sofá de couro na minha primeira experiência. Essa informação 
entrava na minha mente em explosões de entendimento. Eu não 
tinha necessidade de meditar ou ponderar. Eu apenas recebia as 
respostas para as minhas perguntas. 
5 – Cavernas, Chaves e Chamados 
128 
O que me lembro desta experiência hoje é que nós falamos de 
muitas coisas e que eu aprendia rapidamente. Não fui autorizado a 
reter na minha mente mortal a maior parte do que aprendi. 
Dobrando o Universo 
Eu perguntei, “a terra tem um túnel de luz?" As Escrituras nos 
informam que a terra é um ser vivo e inteligente. 
Ele respondeu, "Sim. Deus providenciou um meio semelhante 
para o movimento da terra para onde ela está agora." 
Eu então experimentei, como se de fato eu estivesse lá, como a 
terra "caiu" de onde ela foi criada, e transferida para o local onde 
ela está posicionada agora33. Eu tive a impressão de que ela levou 
milhares de anos para chegar. 
A imagem que vi pareceu-meum "dobrar" do universo. Parecia 
que o universo dobrou-se em torno de si mesmo, como uma espessa 
folha de papel ou tecido, de modo que o lugar onde a terra foi criada 
e o lugar para onde ia estavam em cima um do outro. A terra foi 
então transferida de onde ela surgiu e fisicamente "transferida" para 
a sua nova posição. Este movimento da terra ocorreu durante todo 
o processo criativo. Ao momento em que chegou, ela estava 
preparada para o homem mortal. 
Vi também que quando chegar a hora dela voltar ao seu local 
original, o universo irá novamente dobrar-se e a terra voltará para o 
local onde foi criada. 
A imagem que vi revelou que, embora percebamos apenas um 
plano de existência, há um número infinito de planos sobrepostos, 
ou em camadas, no mesmo espaço. Estes níveis não são realmente 
"universos" porque eles não são exatamente infinitas estrelas, sóis e 
mundos, mas referem-se à organização e à exaltação de Deus a todas 
as suas criações e sua imutável glória e leis para cada nível. 
Linguagem humana não nos fornece palavras capazes de descrever 
tais coisas, nem a inteligência humana dá-nos a capacidade de 
compreender tais coisas a menos que nossas mentes sejam abertas 
por um momento. Enquanto eu estava com o anjo, eu podia 
John M. Pontius – Visões de Glória 
129 
compreender tudo isso claramente. Acho que me lembro a maior 
parte que eu vi, porém agora tenho apenas um fragmento do 
entendimento do significado ou por que princípio isso ocorre. O que 
eu aprendi ali, e o que fui autorizado a reter, exigiu muitos anos para 
adquirir as palavras para descrever, até para mim mesmo. Se você 
considerar que esta é a única vez que eu já mencionei muitas destas 
coisas em voz alta, você vai entender porque eu ainda me debato em 
busca de palavras. 
Percebi que a razão pela qual os universos eram "dobrados" era 
por ser mais eficiente. A palavra "fácil" não se aplica porque Deus 
tem todo o poder, e nada debilita o seu poder ou habilidade, era 
apenas mais eficiente, e é a maneira como sempre foi feito. 
Há uma aritmética celestial sobre esta visão que é espantosa aos 
olhos. Percebi que este prodigioso dobrar o universo não era mágica 
para Deus. Era mais como uma espetacular tecnologia espiritual. Eu 
vi que Deus tem grandes leis, princípios e ciência, se pode entender, 
de como fazer as coisas em sua compreensão e poder. Eram belas 
de se contemplar, como uma dança divina tendo estrelas e planetas 
como personagens. Quando os homens fazem matemática há 
sempre a contaminação do erro e falhas. A aritmética de Deus é 
sempre impecável, e eu vi que a totalidade de suas criações 
recebiam sua perfeita e divina engenharia. 
Cada um dos universos glorificados, notei, pertencia a uma das 
três glórias34: Celestial, Terrestrial ou TelestialNT12. Existem outros 
universos, que não eram de glória. Esses eram lugares assombrosos 
sem glória para onde eram finalmente enviados os seres que não 
tinham se qualificado para uma recompensa de glória durante a sua 
vida. Eram de todos os tipos, de todas as descrições, e foram criados 
em resposta aos seus desejos. Não queriam mais nada com Deus ou 
a sua intervenção em suas vidas, por isso Ele deu-lhes o que eles 
queriam, o que quer que fosse, e aí ficarão por toda a eternidade, 
sem poder jamais contestar a autoridade de Deus novamente. 
Nossa Terra está atualmente na ordem Telestial, mas antes da 
era do homem, a Terra veio de um nível Celestial. Não fora ainda 
celestializada, mas ela foi criada lá. A transição de uma esfera 
5 – Cavernas, Chaves e Chamados 
130 
celeste para uma esfera mortal é o que constituiu a queda, e foi 
realizada por esse processo de dobra. 
Quando uma pessoa morre ou quando tem uma experiência fora-
do-corpo, como no meu caso, o próprio túnel os leva de volta para 
seu lugar de origem e sua estrutura original - que são ambos de 
natureza espiritual. Este poder de retorno a Deus é só percebido 
como um túnel de luz. Não é físico e não é na verdade um túnel, 
mas é o caminho seguro que Deus providenciou para nossos 
espíritos retornarem a ele. 
Quando completarmos essa experiência Telestial já não será 
necessário este túnel entre a Terra e Deus. Vamos então ser capazes, 
como espíritos e eventualmente como seres ressuscitados, a mover-
nos instantaneamente através de vastas distâncias pelo poder de 
Deus que será inerente dentro de nós. 
Precisamos do túnel de luz, porque um mortal imperfeito não 
tem a capacidade de iniciar viagem como um espírito. É como 
deixar uma corda pendurada sobre o barranco, para que possamos 
subir de volta para cima, nós deixamos o túnel de luz como o nosso 
meio seguro de voltar para casa depois de termos descartado esse 
tabernáculo de carne. 
Pradaria e Lago 
Eu estava meditando sobre essas coisas ao chegarmos no final 
do túnel. Eu encontrei-me no meio de um belo prado. Ao redor 
haviam árvores crescidas de muitas variedades. Algumas estavam 
em flor, enquanto outras eram pesadas com frutas. A uma curta 
distância, um lago azul refletia o belo arranjo de árvores e arbustos 
além. Não havia sol no céu, e eu entendi que a luz através da qual 
eu percebia essas coisas era do Filho de Deus, não do sol. 
Eu estava consciente de que haviam diversas variedades de 
peixes no lago, bem como muitas outras variedades de plantas, mas 
sem outros animais. O prado e o lago eram impressionantes, com 
magníficos arranjos de flores e arbustos floridos de muitas 
variedades. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
131 
 Um estreito riacho fluía entre mim e o lago, e alimentava o lago 
logo adiante. 
Bem à minha direita eu vi uma cerca decorativa de cerca de um 
metro de altura. Ela corria ao longo do riacho a uma distância, e 
depois para o meu lado direito. Haviam bonitos bancos apoiados à 
parede a cada poucos metros. A parede era curvada nos lugares onde 
estavam os bancos formando um semicírculo para as pessoas 
sentarem viradas uma para a outra para conversar. 
Inicialmente, eu apenas andei ao redor olhando para a parede. 
Eu nunca tinha visto uma coisa dessas antes. A parede era feita de 
tijolos quadrados de pedra branca com uns 30 cm de lado. 
Sentei-me ao longo da parede em uma das bancadas e a senti 
dando me boas vindas, dando-me amor e louvando a Deus. Se eu 
não tivesse provado deste aspeto da comunicação espiritual e 
conexão com todas as coisas em visões anteriores, eu teria me 
assustado. Mas eu me senti conectado a tudo o que eu podia ver. Em 
experiências anteriores de caminhar através de mesas e paredes na 
terra, também eu tinha entendido a história das coisas, cada evento 
de sua existência. Com estas coisas, a parede e as árvores, não havia 
história, ainda assim compreendi que essas coisas eram quase 
eternas em sua existência. Este era um mundo espiritual e nada 
mudava, envelhecia, estragava ou morria; nada era arrancado, ou 
forçado pelo homem em alguma outra forma. Assim permaneciam 
como Deus os tinha criado sem alteração, sem história. 
Eu estava esperando o meu guia me alcançar e mostrar-me para 
onde ir. Ele tinha chegado comigo, mas não me acompanhara até o 
prado. Eu não sabia ao certo para onde ir sem ele, e aceitei que ele 
estava me permitindo este intervalo para experimentar este lugar. 
Eu não sabia onde eu estava, mas eu tampouco estava incomodado 
ou preocupado. Tudo foi como deveria ser. 
Levantei-me e caminhei até o final da parede, caminhei através 
do regato, e andei sobre o lago. A água no riacho e lago era 
cristalina. Eu podia ver facilmente o fundo do lago, o que eu nunca 
tinha experimentado na mortalidade por causa da reflexão ou 
impurezas na água. Eu podia ver os peixes nadando como se fossem 
5 – Cavernas, Chaves e Chamados 
132 
pássaros no ar. Tudo adorava a Deus e acolhia-me. Eu andei até a 
borda da água e inclinei-me para mergulhar minha mão. Ela era fria, 
mas quando a retirei, minha mão não estava molhada. Levantei-me 
e pus o dedo do pé na água, mas não dentro. Eu senti como se já 
tivesse feito isso antes. Eu apenassabia que podia. 
Eu pisei sobre a água e andei uns doze passos. Eu podia olhar 
para baixo até o fundo o caminho inteiro. Deu-me a sensação de 
voar, pois a água era tão clara. Quando eu me mexia os meus pés, a 
água fazia marolas como na terra, mas o meu pé estava sobre uma 
superfície sólida e não se molhava. Eu andei de volta para a beira e 
para a grama, e desta vez decidi caminhar dentro da água. 
Eu percebi que caminhar dento d’água era algo que eu havia 
aprendido a fazer antes. Na Terra, a resposta natural da água é de 
deixar você afundar. Aqui obviamente, a resposta natural é apoiar 
você. Eu decidi tentar novamente. 
Que eu pisei na água, enfiando meu dedo um pouco mais fundo. 
A água veio para os meus tornozelos, e andei em um pequeno 
círculo com a água no tornozelo. Quando cheguei uma vez mais à 
margem, eu ainda estava bem seco. Eu tentei novamente, desta vez 
até os meus joelhos, e novamente até minha cintura. Eu percebi que 
eu estava realmente entrando na água, tanto quanto a minha crença 
me permitiu. Eu finalmente decidi a caminhar dentro da água até 
ficar totalmente imerso. 
A água não resistiu ao meu desejo, e eu andei até a cintura dentro 
d’água. Eu podia senti-la, mas eu não estava ficando molhado. Eu 
respinguei um pouco sobre minhas roupas, e ela correu, deixando-
me seco. Eu andei mais fundo. Eu sabia que eu estava em espírito, 
e meu corpo estava em algum lugar da terra, de modo que eu não 
tinha medo de afogamento. Ainda assim, logo que pisei mais fundo 
e afundei a cabeça, tranquei minha respiração. Esperei um longo 
tempo antes até perceber que eu não senti falta de oxigênio. Eu 
liberei lentamente o meu hálito e não vi bolhas virem da minha boca. 
Eu cuidadosamente inalei e respirei ar, e percebi, ou tive o 
entendimento de que eu estava lembrando da necessidade do meu 
corpo por oxigênio. O espírito não tinha essa necessidade, e não 
John M. Pontius – Visões de Glória 
133 
havia ar entrando e saindo do meu espírito, embora eu tivesse a 
sensação de respirar. Eu andei em torno do fundo do lago por um 
tempo. Não houve resistência à água. Eu apenas andei tão 
livremente como em terra seca. O fundo do lago era como um jardim 
com plantas flutuantes, com belas plantas e caminhos entre elas 
feitos de areia. Eu tocava uns poucos peixes, que não fugiam mas 
irradiavam seu pequeno amor por mim. 
Quando eu estava satisfeito, eu andei para a margem e surgi 
sobre a erva. Eu olhei para trás, para o lago, muito admirado com a 
experiência até que eu percebi que o lago não era preenchido com 
H2O mas era água em estado espiritual e tinha a aparência de água 
mortal mas poucas propriedades da água. 
O mais profundo aspeto da experiência até agora foi que tudo 
estava louvando a Deus. O fato de não ter tido uma voz, como um 
som humano, mas comunicava seu amor a Deus pelo seu espírito e 
pela sua conexão com todas as coisas. Eu também percebi que o 
momento em que chegámos a este novo lugar tudo me reconhecia. 
Tudo sabia, reverenciava e respeitava o fato de que eu era à imagem 
de Deus e que eu tinha vindo de um corpo mortal. Tudo sabia que 
eu era um filho de Adão, e amava e me respeitava. Eu não sabia 
nada sobre este lugar de qualquer memória minha, mas eu me senti 
verdadeiramente conectado a ele. 
Todas essas coisas, fosse a grama ou apedra ou os tijolos do 
muro, estavam satisfeitos com a sua existência. Estavam contentes 
em ser aquilo que eram. Mas também foi minha constatação de que 
nenhuma dessas coisas tinha vontade. Eles não eram capazes de 
"querer" ser qualquer outra coisa. Todo o local e tudo nele estava 
consciente, cheio de louvor a Deus, mas não tinha uma 
personalidade, arbítrio, ou vontade de ser qualquer outra coisa. 
Como muitas vezes tenho observado, isto é difícil de descrever. 
Não há nenhuma palavra poderosa, apaixonada, explosivamente 
significativas para descrever tais coisas em qualquer idioma mortal, 
por isso confesso que tropeço um pouco nesta explicação. Quando 
você está em espírito, as palavras não são necessárias, e qualquer 
coisa pode ser totalmente descrito por um pensamento único e 
5 – Cavernas, Chaves e Chamados 
134 
compreendidos em sua totalidade por quem quer que seja a quem 
você se dirija. 
Eu estava completamente consciente de que toda este campo e 
tudo o que eu experimentava estava aqui porque a vontade de Deus 
os tinha organizado para esta existência, nesta forma, neste lugar. 
Aquilo fora feito para os propósitos de Deus e permaneceu 
inalterado por mais tempo do que o homem tinha existido. Eles 
tinham ouvido a voz de Deus chama-los a assumir essa forma, e 
ainda ouviam seu comando. Seu propósito era como se estivessem 
constantemente a perguntar, "Como posso servi-lo? Como posso ser 
de valor para você? É por isso que estou aqui." Até mesmo as flores, 
quando eu as dobrava, tocava ou o cheirava, estavam adorando a 
Deus e expressando alegria em sua beleza só porque eu pensava 
comigo quão gloriosas e belas eram, uma expressão que ouviram e 
compreenderam. 
É claro, eu não presumi ter qualquer autoridade para alterá-los e 
não o teria tentado sob qualquer circunstância. Como eu poderia 
melhorar algo que já é perfeito? Tudo estava no seu mais alto nível 
de vida e vitalidade. Quando que eu pisei na grama, ela não foi 
danificada, ela apenas "recebeu-me" e sentia prazer por eu usá-la. 
As cores eram lindas, diferentes, e mais brilhantes do que as 
cores de terra. Não eram as cores que eu não acredito que o olho 
humano possa distinguir, mas que, se eu tivesse que nomear eram 
malvas em pastéis com uma magnífica variedade. 
Não me lembro também de ter visto outros animais que não os 
peixes. Este lugar era como uma pintura em que o artista queria 
peixes no lago e escolheu não pintar mais nada. Não era um reflexo 
da mortalidade. Ele era um lugar que Deus havia criado para ser 
exatamente o que ele era, para irradiar beleza para os sentidos para 
os olhos. 
Eu ainda estava olhando para o lago quando meu guia voltou. 
Ele me perguntou se eu estava pronto para ir com ele agora. Em 
todas as minhas interações com ele e outros anjos, sempre pediram 
a minha permissão para continuar. Uma vez que eu a concedia, eles 
muitas vezes dirigiam a minha atenção, ou faziam-me as perguntas, 
John M. Pontius – Visões de Glória 
135 
mas era sempre minha escolha ir, ficar, ou continuar. Eu disse, "Sim, 
eu estou pronto agora para continuar." 
Infância Espiritual 
Instantaneamente estávamos em outro lugar. Reconheci-o 
imediatamente. Era minha casa, onde eu tinha passado toda a minha 
infância espiritual3. 
O prédio diante de mim era imenso, estendendo-se para o meu 
lado direito e esquerdo, até perder de vista. Era composto de muitas 
belas peças. Verificaram-se imponentes arcos, altos muros, janelas 
de todas as formas, arquitetura deslumbrante e gloriosa 
ornamentação. 
A estrutura era feita de material rochoso, de cor branca, mas 
mais como pérola, com listras verticais de ouro e prata que pareciam 
estar se movendo lentamente em torno de veios maiores de 
esmeralda, como se tivessem ocorrido em pedra natural. Cada bloco 
de pedra era alto como um homem. 
Uma memória muito antiga surgiu em minha mente de ver o 
Pai cria-lo. Tinha chegado a sua forma atual durante um longo 
período - embora “tempo” era apenas a forma limitada da minha 
mente compreender isso. Ela era apenas uma continuação do eterno 
agora na minha memória. O edifício tinha tomado forma com 
propósito. Deus queria um espaço para me ensinar, assim, o 
edifício obedecia à Sua vontade. Ele amava colunas, e as 
representações da beleza das suas criações terrenas perto do topo 
das colunas ao longo do teto e sobre as portas, e tudo lhe obedecia. 
Percebi que alguns quartos haviam sido "criados" para ensinar-me 
as minhas primeiras lições de coisas que eu iria encontrar na terra. 
Outros tinham sido moldados para permitir-me ver e tocar em 
objetos para ensinar-me, tais como livros, arte, ferramentas e 
muitas outras coisas necessáriaspara preparar-me para viver na 
terra. 
Mais do que um prédio, era um lugar divino que tinha assumido 
a forma de um edifício terreno para minha educação. Ele poderia ter 
qualquer forma concebida por Deus. Não exigia trabalho, 
5 – Cavernas, Chaves e Chamados 
136 
manufatura, ferramentas ou ofícios para o alterar. Ele simplesmente 
fluía em jubilosa obediência, em qualquer forma que Ele quisesse. 
O meu guia abriu uma grande porta que era feita com um único 
pedaço de madeira. Não haviam emendas ou junções, como se Deus 
tivesse solicitado uma única árvore para assumir a forma desta 
elaborada porta. A madeira era pintada e lindamente esculpida com 
as maravilhas naturais da terra: flores, animais, crianças, homens e 
mulheres em momentos amorosos. 
A sala mais além era uma passagem conhecida. Tudo o que eu 
via irradiada um senso de vibrante entusiasmo por eu estar de volta. 
As paredes e colunas eram da mesma pedra divina do lado de fora. 
O teto abobadado descansava sobre quatro colunas caneladas, com 
luz irradiando a partir tudo. O piso era mais escuro, como 
um mármore natural escuro de um verde esmeralda. Havia uma 
porta fechada à minha direita, um grande corredor diretamente 
diante de mim, e uma outra porta fechada à minha esquerda. 
O meu guia me levou para o corredor diante de nós. Era cerca 
de vinte pés de comprimento e terminou em uma janela em arco que 
parecia pérola. Parecia ser fluido, com cores branco-esfumaçadas 
que dançavam. À medida que nos aproximávamos, se tornou claro 
de modo que pude ver através dele. A sala grande para além, era 
novamente familiar para mim. 
Ele olhou para mim e perguntou-me: "Você conhece esse 
lugar?”.
Eu disse com lágrimas de alegria descendo pelo meu rosto, 
"estou de volta!" Na minha mente eu pensava, Este é o lugar onde 
eu morava antes de nascer. Eu sabia que estava de volta ao mundo 
espiritual, onde eu cresci como um espírito criança. Muitas 
memórias e as cenas sagradas de minha infância espiritual fluíam 
pela minha mente, o que eu prefiro não relatar aqui. Eu estava ali 
por um longo tempo, nunca entrando mas assistindo e lembrando 
meu passado. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
137 
Meu Quarto 
Quando fiquei satisfeito e novamente pronto para prosseguir, o 
meu guia levou-me de volta para a entrada e para a primeira porta 
que tinha visto. A porta se abriu para mim ao me aproximar. 
Reconheci-o como "meu quarto", quase como um quarto de uma 
criança mortal, mas não havia nenhuma cama aqui. O quarto era 
cerca de vinte metros quadrados, com teto alto e plano. As paredes 
e o piso eram do mesmo material assim como o hall de entrada, mas 
com cores um pouco diferentes, pendendo mais para azul e púrpura. 
Eu amava esse quarto, e eu sentia como se tudo fosse "meu". 
A única mobília da sala foi uma grande arca arredondada e posta 
no meio do chão. Ela foi de cerca de 1 x 1,5 metros, com uma tampa 
abobadada e cantos arredondados. A parte superior era um belo 
vermelho, com destaques de laranja escuro. Ela era feita do mesmo 
material do resto da casa, mas ela era mais fina e de cores vivas. As 
laterais do baú eram um vívido amarelo canário. Eu sabia que tinha 
escolhido essas cores e mudei-lhes muitas vezes para os adequar aos 
meus caprichos infantis. A tampa podia ser aberta, mas não haviam 
dobradiças visíveis. 
Me aproximei, e depois de caminhar ao redor, olhei ao meu guia 
interrogante. Ele sorriu, e eu lentamente levantei a tampa. A 
substância deu à minha memória mortal a mensagem de que era 
pesado, mas era levíssimo ao abrir. No interior haviam objetos 
estranhos que eu nunca tinha visto na mortalidade. Eram utensílios 
de formas estranhas e de diferentes tamanhos, trajes brancos e 
ferramentas que eu tinha usado. Eu sabia exatamente o que era cada 
ferramenta e objeto enquanto eu estava ali em espírito, mas ao voltar 
à mortalidade essa informação não permaneceu comigo. 
Eu percebi que eu era "dono" deles, mas também que tais coisas 
eram comuns à nossa experiência pré-mortal. Ainda assim, a sua 
ligação comigo tinham sido parte de minhas primeiras experiências. 
Eu escolhi cada um, olhou para eles e lembrei do que eram. Cada 
objeto na arca representava uma realização minha. Cada objeto 
representava uma conquista, uma espécie de troféu, das lições 
aprendidas, ordenações que eu tinha recebido, as fases de 
5 – Cavernas, Chaves e Chamados 
138 
desenvolvimento que eu tinha alcançado. Esses objetos 
significavam minha dignidade e preparação para participar no 
objeto da lição - não apenas neste mundo, mas no mundo mortal. 
Estas coisas eram como certificados que me autorizavam a 
realmente fazer essas coisas. Cada habilidade e autoridade foi 
adquirida por um longo processo de qualificação e merecimento 
dessa autoridade. 
Eu tinha recebido esses objetos como símbolos de lições que 
havia aprendido e qualificações que eu tinha alcançado. Alguns dos 
objetos eram as ferramentas para ajudar-me naquela ação. Pelo que 
me lembro destas coisas, elas pareciam ser tecnologia divina, 
objetos dotados com o poder de Deus para permitir e ajudar-me a 
fazer algum serviço ou ação necessário, como a Liahona que ajudou 
a família de LeíNT13, ou o Urim e o Tumim que permitiram a 
videntes verem o futuro. As roupas brancas estavam 
cuidadosamente dobradas e era de natureza sagrada e cerimonial. 
Tudo era uma parte da minha matrícula à maturidade espiritual. 
Conforme eu os manuseava, a lição aprendida, o processo de 
aprendizagem e a alegria que senti na realização retornavam a mim. 
Eu entesourava cada objeto com todo o coração, meditava sobre eles 
e então os colocava cuidadosamente de volta na arca. Não havia na 
arca nenhum brinquedo ou objeto extravagante. Tudo tinha 
profundo um sentido eterno para mim. Cada objeto me reconhecia 
e ficava feliz em me ver e interagir comigo. 
Não via nenhuma razão para pressa. O meu guia estava a 
observar-me, sorrindo e curtindo minhas descobertas. Era como se 
eu tivesse uma eternidade para examiná-los. Após manuseá-las e 
compreendê-las, lembrei-me da natureza da sala. Eu percebi que eu 
possuía a capacidade de mudar o quarto em tudo o que precisasse. 
Se eu quisesse ler um livro que pertenceu a mortalidade, como 
Escrituras ou um pergaminho escrito por um profeta mortal, eu 
simplesmente desejava e o quarto se alterava para prover tal coisa 
para mim. Ele chegava no ambiente em que tinha sido utilizado, 
fosse um palácio, caverna, ou sobre numa escrivaninha, esta é a 
forma como me aparecia. Eu podia tocá-lo, segurá-lo e lê-lo. Eu 
John M. Pontius – Visões de Glória 
139 
podia sentir e até mesmo o cheirar. Não era o objeto real trazido de 
algum cofre de armazenagem eterno mas uma perfeita réplica ou 
representação espiritual do objeto. Cada objeto era perfeitamente 
igual ao original, incluindo todas as suas memórias e a história que 
um espirito individual experimentaria do objeto original. 
Se eu quisesse ver algo grande, como, por exemplo, o 
nascimento de Cristo ou a criação da terra, esse evento me 
circundaria. Eu poderia vê-lo, aprender com ele, interagir com ele, 
e ver os anjos e seres divinos que havia promulgado os eventos 
originais. Eu podia mover-me ao redor e vê-lo de todos os ângulos 
com perfeita clareza e experimentar tudo e a todos os envolvidos no 
evento inicial. Em suma, foi magnífico, e era a mais perfeita sala de 
aula da eternidade e todos aqueles que desejassem tinham uma 
como a minha. 
Lembrei-me de como uma criança passando eternidades neste 
quarto. Mais uma vez, não há tempo nesse mundo, e o conceito de 
tempo, de existência linear, era difícil de compreender então. A 
ideia de mudança, envelhecimento, decadência e oposição eram 
conceitos difíceis. Ela era como uma água-viva tentando entender 
de automóveis. Não houve experiências semelhantes na minha 
infância até então, e lembro-me de meditar sobre todos estes 
conceitos de mortalidade. 
Dizer que eu passei muito "tempo" neste quarto seria incorreto. 
Passei vastas porçõesda eternidade aqui. Eu nunca mudei. O quarto 
nunca alterou, exceto quando eu desejava. Eu nunca ficava cansado, 
ou sentia fome, ou me enfadava da aprendizagem. Eu estava 
fascinado com tudo isso e não tinha vontade de fazer qualquer outra 
coisa a não ser que o Pai, ou alguma necessidade, me interrompesse. 
Quando eu tinha uma pergunta, eu não precisava ir ao Pai 
pela resposta. A questão formava-se em minha mente, e o quarto 
mudava para fornecer as coisas que eu precisava saber. 
A minha educação não era aleatória; ela era programada, 
sequencial e ordenada. Foi a mesma sequência de formação que 
todos os filhos do Pai tiveram, embora eu estava ciente de que nem 
todos os filhos de Pai, meus irmãos, eram curiosos sobre todas as 
5 – Cavernas, Chaves e Chamados 
140 
coisas ou prosseguiam sua educação com tanta devoção e 
concentração como alguns de nós o faziam. 
Como um menino em uma confeitaria grátis, eu fiquei nesta 
sala, e interagi com essas coisas por um longo tempo (falando como 
um mortal) até que o meu coração se contentasse. 
O meu guia esperou por mim, desfrutando do meu prazer. 
Quando eu estava pronto para ir, eu cuidadosamente dobrei de novo 
e guardei de volta exatamente onde estivera. Eu lentamente e 
reverentemente fechei o baú e fiquei ali com minhas mãos sobre sua 
superfície lisa. Foi um longo adeus para mim. Eu senti a minha 
própria alegria bem como a comunhão daqueles objetos no baú, e 
todos louvavam a Deus, me amavam, e ansiavam por meu regresso. 
Ao caminhar de volta para o vestíbulo, de repente me lembrei 
de meus eternos irmãos, mãe e pai. Não lembrei de mim mesmo 
como sendo um dentre bilhões. Lembrei-me de incontáveis irmãos, 
todos amavam e eram amados, mas não me lembro de repartir Pai e 
Mãe com eles. Eu só me lembro de ser individualmente e 
singularmente amado e querido. 
Lembro-me bem do Pai, seu poder e majestade, Seu rosto, Suas 
mãos, Sua forma, Seu toque e cuidado amoroso. Até hoje me 
lembro-me de brincar com ele, a deslizar os meus dedos nos pelos 
macios do Seu braço, rindo com Ele, indo para a destinos divinos, a 
provar futuras delícias terrenas, degustar coisas novas, ver divinos 
eventos, ver galáxias e eternidades refulgirem à existência sob sua 
mão. Pela minha memória, eu era o único presente em todas estas 
vezes, cada um de nós sentindo-se individualmente apascentado na 
infância. A maior parte da minha infância espiritual passei sob Seu 
cuidado amoroso, nos Seus braços, no Seu colo, no Seu coração. 
Lembrei-me da Mãe igualmente bem enquanto lá no meu lar 
pré-mortal. Ela estava presente em todas as minhas memórias, 
porém quase nada dessas memórias voltaram à mortalidade comigo. 
O meu coração se lembra do Seu igualmente poderoso amor e 
atenção pessoal para mim, mas não me lembro de um único evento 
com ela, nem o seu rosto permanece na minha mente hoje. Não sei 
a razão disto, mas parece ser coerente com a reverente proteção do 
John M. Pontius – Visões de Glória 
141 
Pai a Ela em todo o Seu relacionamento com a humanidade. O 
curioso é que parece-me correto que eu não me lembre. Por 
poderoso que seja o amor d’Ela, como eu me lembro ser, estou 
espiritualmente contente em saber apenas o que eu sei. Isso, de 
alguma forma está certo. 
Eu pedi ao meu guia para me mostrar o resto da casa. Ele 
concordou alegremente e levou-me para o corredor que terminava 
no vidro esfumaçado. Nós caminhamos lado a lado no grande 
corredor e nos aproximamos do vidro. Não era transparente, mas de 
aparência leitosa com cores que se moviam como a fumaça dentro 
do vidro. Olhando para ela me deu a sensação de que o vidro 
estendia-se a inúmeros lugares longínquos. Ele apenas continuou 
andando, e eu a segui-lo diretamente dentro do vidro. Eu entendi, 
ao atravessá-lo, que era um portal que ligava lugares distantes. 
Parecia que ainda estávamos na minha "casa", mas já estávamos em 
algum lugar muito distante. 
A Biblioteca 
 Um segundo depois entramos em um quarto cheio de pessoas 
trabalhando em escrivaninhas. Cada mesa tinha uma grande janela 
à sua frente, com a mesma finalidade que o meu quarto. Eles 
estavam estudando as imagens e objetos na tela. Como no meu 
quarto, eles podiam manipular os objetos, vira-los, tocá-los, e 
vivenciá-los de todas as formas possíveis. Os livros que desejassem 
ver não precisam ser lidos. Era só tocar no livro e manuseá-lo, que 
ele comunicava sua plena carga de informações a eles. Um toque 
era suficiente, mas uma exposição prolongada era deliciosa pois 
permitia experimentar o livro em maior profundidade e desfrutar 
tudo sobre ele, inclusive a vida e os acontecimentos da vida do 
autor. Se o tocassem prolongadamente eles podiam sentir cada 
pessoa que o tinha tocado e tudo sobre elas. Lembrei-me de minhas 
próprias experiência e sabia que havia um ponto onde a informação 
não era edificante e o objeto era devolvido para a tela. 
5 – Cavernas, Chaves e Chamados 
142 
Penso que estas pessoas eram como eu, mortais recém chegados 
que continuavam sua busca por luz e verdade35. Eles estavam 
vestidos em túnicas brancas esvoaçantes. Seus rostos brilhavam de 
felicidade. 
Haviam as pessoas transportando objetos pela sala, levando-os 
às pessoas sentadas às escrivaninhas. Essas pessoas estavam todas 
empenhadas e ocupadas, mas não apressadas. Havia uma sensação 
de eternidade, mas também uma agradável vontade de aprender tão 
rapidamente quanto possível. Eles estavam todos felizes. Aquilo 
parecia ser uma biblioteca central ou núcleo de informação para as 
pessoas aprenderem. Quando atingem algum nível de 
aprendizagem, eles receberam símbolos idênticas de sua educação, 
assim como aqueles que eu havia encontrado no meu baú. Eram 
estes os objetos que os instrutores levavam pela sala para oferecer 
aos alunos. 
Ao andarmos pelo quarto, havia um círculo de luz que nos 
precedia. As pessoas, em cada novo lugar, sabiam que estávamos 
vindo, quem éramos e qual nossa finalidade e necessidades - de fato, 
tudo sobre nós. As informações sobre o meu guia foram bloqueadas 
a mim, mas não aos outros no quarto. Eu nunca fui autorizado a 
saber quem era o meu guia nem de onde ele era. 
Deus, o Tempo e a Lei 
Me foi apresentado que Deus não habita em uma realidade 
limitada por tempo ou distância36. Ele existe fora do tempo e pode 
se mover para frente ou para trás através do constructo do tempo. 
Ele criou o que chamamos de "tempo" para a nossa percepção e a 
progressão, mas Ele não está sujeito a isso. Em qualquer lugar em 
suas criações, em qualquer "quando" em suas criações, Ele está lá. 
Ele pode e deve agir no passado, presente e futuro, mas para Ele 
tudo é "agora" e "aqui", diante dos seus olhos. Ele pode facilmente 
acelerar o tempo para seus propósitos ou parar sua progressão, tudo 
isso sem a nossa consciência. Uma vez que ele também pode ver o 
resultado final eterno de todas as coisas e todas as pessoas, ele pode 
John M. Pontius – Visões de Glória 
143 
influenciar ou alterar qualquer coisa, em qualquer lugar, e a 
qualquer momento que Ele deseja abençoar o eterno resultado das 
nossas vidas. 
Todas as coisas que nós aceitamos como leis mortais, como a 
gravidade, a física, a luz, o calor, ou a velocidade, são todas criações 
de Deus. Somos sujeitos a elas na vida ou na morte, mas Ele não é. 
Estas são "leis" que pertencem ao Telestial. Eles funcionam com o 
Seu comando e como Ele os decretar, mas Ele não é um prisioneiro 
da ordem Telestial e, portanto, Ele não está sujeito a essas "leis." 
Quando eu vi pela primeira vez ao Salvador, Ele se encontrava de 
pé acima da terra, mas estava firmemente ancorado no seu local 
escolhido. Essas coisas não violam a "leis" da natureza, mas operam 
acima delas em obediência às leis celestes. O Pai ordenou que o 
tempo tal como percebido pelos mortais fosse apenas "para a 
frente", mas ele mesmo não está sujeito a esse edital. 
Conforme ainda relatarei neste livro, ao nos aproximarmos da 
Segunda Vinda, depois de trabalharmos para servir a Deus por umlongo período e havendo adquirido uma medida maior do poder de 
Deus operando em um mundo Milenar, nós começaremos a ter a 
capacidade de trabalhar sem limitação de tempo ou distância. Foi a 
única maneira de realmente terminar o trabalho que nos foi atribuído 
antes da Sua vinda em glória. 
Voltando a Visitar o Meu Corpo 
A próxima coisa que percebi, foi estar de volta em meu quarto 
ao pé da minha cama. O meu corpo ainda estava na cama. Olhei para 
o relógio digital na mesa do meu quarto. Exatamente uma hora havia 
passado, mas eu tinha a sensação de que tínhamos nos ausentado 
por dias e dias. 
Eu sabia que o meu corpo já estava morto segundo o cálculo do 
mundo, mas eu estava tão entusiasmado com o que eu acabara de 
experimentar que queria acordar minha esposa e dizer-lhe tudo o 
que eu tinha aprendido. 
5 – Cavernas, Chaves e Chamados 
144 
Sem linguagem verbal, o meu guia me disse que se eu queria 
falar com a minha esposa, eu teria de voltar para o meu corpo, e esta 
experiência seria concluída. 
Eu percebi que havia mais que ele queria mostrar-me e que não 
era hora de voltar para o meu corpo, mas que, por algum motivo, foi 
necessário visita-lo, talvez para manter forte o vínculo entre meu 
espírito e meu corpo, enquanto ele me levou a mais viagens em 
espírito. 
Eu disse a ele, "Se você tem mais a mostrar-me, vamos lá; eu 
estou pronto!”
6 – Anjos e Demônios 
145 
Capítulo Seis
ANJOS E DEMÔNIOS 
Espíritos Malignos e Tentação 
ós não caminhamos pela porta; eu apenas encontrei-me em 
um lugar diferente. Estivámos em um pequeno escritório 
doméstico. Já era tarde da noite. Um jovem em roupas de 
baixo entrou no quarto silenciosamente, olhando em volta 
dele furtivamente ao entrar. Ele fechou a porta suavemente sem 
acender a luz. Ele correu para o computador e ligou-o. Ao esperar o 
computador aquecer, percebi um sentimento crescente de 
entusiasmo vindo dele. Eu sabia que a sua esposa, os dois filhos e a 
filha bebê estavam dormindo na casa, e que ele pretendia ver 
pornografia. Eu entendi isso simplesmente por estar no quarto com 
ele. Como em experiências anteriores, eu entendi tudo sobre ele, sua 
vida, suas decisões, seus desejos, sua angústia. Pude ver que ele era 
um homem bom, um missionário retornado, e que servia atualmente 
na presidência do seu quórum. 
O meu guia me disse, "Ele está aqui para ver pornografia37." 
Eu vi oito espíritos entrarem no quarto. Desses, quatro eram 
espíritos maus que outrora tinham sido mortais, os outros quatro 
eram demônios que nunca nasceram – lacaios de Satanás12. Os 
desencarnados pareciam humanos e usavam roupas típicas do 
período em que eles haviam morrido. Os demônios tinham menos 
substância, eram geralmente menores, com feições deformadas, o 
que lhes conferia um aspeto ligeiramente não-humano. Eles 
estavam agitados, ativos, pulando em frenesi, gritando seus 
comandos para o jovem em vozes excitadas. 
Os espíritos desencarnados pouco disseram no começo. Eles 
tinham pouca capacidade de serem ouvidos pelo jovem. Tentavam 
N
John M. Pontius – Visões de Glória 
146
fazer alguma coisa para satisfazer a paixão sexual que tinham 
desenvolvido durante a sua própria vida. Haviam espíritos de 
homens e de mulheres. Seu vício sexual os tinha seguido no mundo 
espiritual38. O vício era incessante, doloroso e impossível de 
satisfazer. Isso os assombrava. Eles estavam desesperados para 
tentar satisfazê-lo incessantemente. Estavam contentes porque iriam 
em breve experimentá-lo através desse jovem. Estavam 
determinados, observando-o, incitando-o, embora ele não os 
pudesse ouvir. Eles não estavam olhando para o pornô na tela do 
computador; eles o estavam observando de perto, colocando seu 
rosto no dele e gritando com ele, provocando e zombando dele. Eles 
não se preocupavam com as imagens; eles se importavam em 
partilhar da sensação física de gratificação sexual. 
Já maus espíritos não-nascidos estavam ali para prendê-lo, atiçá-
lo e lembrá-lo da sensação que viria. Eles não se interessavam em 
viver sua paixão. Eles nunca haviam tido um corpo e não eram 
capazes de compreender a sensação; eles estavam ali para controla-
lo, para fazê-lo obedecer suas palavras, para mantê-lo sob seu 
“feitiço” tanto quanto possível. 
Eles se reuniram em torno dele, esperando ele ficar totalmente 
envolvido no êxtase sexual que ele buscava nessas imagens. Os 
malignos lembravam-no de alguns sites, urgindo-o a prosseguir, 
sussurrando a ele como ia ser excitante. Indicaram-lhe que imagens 
deveria ver e como ele devia se sentir com elas. Eles argumentavam 
contra a sua consciência, dando-lhe muitas razões para ignorar a voz 
da sua consciência e continuar. Colocavam suas mãos sobre ele vez 
após vez, fazendo ele sentir excitação após excitação. Eles insistiam 
com ele, enquanto clicava no computador, a procurar excitação, a 
lembrar dela, a desejá-la mais do que qualquer outra coisa. Eles 
estavam mais interessados em mantê-lo concentrado em seu próprio 
corpo e na sua própria sensação tão efetivamente que ele não mais 
pudesse sentir seu relacionamento com Cristo, com o Espírito 
Santo, ou lembrar-se de seus familiares. Tudo o que ele conseguia 
pensar era nele mesmo e na garantida gratificação a apenas um 
clique de distância. 
6 – Anjos e Demônios 
147 
Quanto mais excitado ele ficava, mais frenéticos os espíritos 
maus se tornavam. Eles se tornavam mais agressivos, pulando nele, 
batendo-lhe com as mãos e amaldiçoando. Foi uma visão 
abominável. 
Percebi de forma poderosa que todos os vícios são puramente 
egoístas; eles garantem a gratificação instantânea da carne. Já os 
relacionamentos não têm garantia, pois a gratificação e o retorno 
positivo de um relacionamento exigem muito esforço e cuidados. 
Essa é a razão por que as pessoas recorrem a vícios, pois eles são 
instantâneos, requerem pouco esforço e os resultados são 
garantidos. É também a razão por que o maligno os utiliza e os 
promove com tanto empenho, pois eles afastam o usuário dos 
relacionamentos significativos, especialmente com o divino. 
Eu entendi que ele tinha sido despertado do seu sono por um 
desses tentadores que tinham influenciando seus sonhos, urgindo-o 
a despertar e querer o clímax sexual. Logo que ele fez a opção de 
sair da cama e, de fato participar, os espíritos desencarnados 
aderiram. Eles foram atraídos a ele, como uma mariposa busca luz 
no céu escuro. Eles vieram de uma só vez. Ao aceitar a tentação e 
decidir fazê-lo, ele lhes havia dado permissão para entrar nele e 
sentir sua excitação sexual. Eu vi muitos espíritos desencarnados 
competindo para entrar no pequeno quarto com ele. Os maus 
espíritos ficaram só em quatro. 
Quando ele tomou a decisão de participar, todas as suas boas 
intenções e desejos foram imediatamente abafados pela paixão e 
pelo controle dos espíritos do mal. Os bons espíritos que haviam 
estado perto dele enquanto ele dormia foram forçados a distanciar-
se dele até ele não poder ouvi-los. Finalmente, partiram, afastados 
por suas escolhas. 
Quando ele atingiu o auge da luxúria em seu corpo, um rasgo ou 
fresta negra surgiu na coroa de sua cabeça. No mesmo instante em 
que os espíritos desencarnados começaram a atacar. Pareciam 
jogadores de futebol americano pegando o cara com a bola. Eles 
esperavam compartilhar um pouco das sensações e excitação dele. 
Agiam como cães famintos atrás da mesma carcaça. Houve uma 
John M. Pontius – Visões de Glória 
148
forte competição entre eles para ficar mais tempo. Cada um lutava 
para ser o próximo, gritando e maldizendo, empurrando uns aos 
outros para entrar. Assim que um ou dois espíritos entrava, nenhum 
mais podia entrar. Os espíritos maus gritavam e mergulhavam nele 
repetidamente até que um mais fraco no interior fosse expulso e 
tomassem seu lugar. Pareceu-me que aqueles que foram expulsos 
estavam esgotadas, contorcendo-se no chão como se eles mesmos 
estivessem em transe sexual, imitando as ações do jovem em frente 
ao computador. Eu tentei virar o rostode nojo, mas não podia. A 
imagem ficava diante de mim não importa para que lado eu virasse. 
Os malignos rapidamente recuperavam-se e voltavam à briga para 
reentrar de novo e de novo. 
A cobiça e o vício que estes espíritos desencarnados haviam 
construído em si mesmos enquanto vivos e mortais ainda os 
assombrava38. Eles não conseguiam se livrar da luxúria porque não 
voltavam-se para Jesus Cristo que poderia ter lhes curado mesmo 
depois que sua existência mortal terminou. Sem a sua graça, não 
podiam satisfazer a forte necessidade do vício. Eles não podiam 
escapar. Sem qualquer forma de satisfazer o vício, que lhes causava 
dor, e que eles caçam em todo o mundo por qualquer oportunidade 
de experimentar a excitação novamente, e assim diminuir a dor 
ainda que por um breve momento. 
O meu guia comunicou-me que quando esses espíritos entravam 
no corpo da vítima, eles não poderiam sentir plenamente o que ela 
sentia. Era filtrado ou amortecido para eles. Era apenas 
parcialmente satisfatório, e eles não podiam permanecer muito 
tempo por causa da concorrência. Então eles atacaram uma vez após 
a outra. 
Os espíritos desencarnados eram cercados por trevas e, ao 
passarem por este homem, a escuridão eles possuíram entrou nele. 
Ele poderia senti-la como as ondas do desejo obscuro, e ela lhe 
incitava a intensificar sua busca por pornô mais excitante, imagens 
mais duras e tenebrosas, instigando-o a seguir das imagens mais 
suaves às mais violentas, até mesmo perversas e vis. Ele resistiu às 
vezes, e eles gritaram com ele, atirando-se nele em frenesi. 
6 – Anjos e Demônios 
149 
Quando o jovem tinha entrado no quarto, eu sabia pela luz que 
veio dele que ele era um bom homem. Eu podia ver a luz que possuía 
sendo diminuída quando ele sentou ali. Eu vi que havia muito mais 
satisfação nos lacaios Satanás por ele quebrar seus convênios do que 
por ver pornografia. Seu contentamento era maior por ele ser um 
homem bom do que se fosse um cara qualquer da rua que fizesse 
esse tipo de coisa sem precisar muita tentação. Seu triunfo foi 
maior, sua conquista foi mais doce, e seu controle sobre ele era mais 
precioso, devido ao fato de que este jovem tinha feito convênios de 
evitar tais coisas. Eles se deleitavam na dor que isso causaria à sua 
esposa e família, e que babavam pela oportunidade de finalmente 
afligirem a esposa com todas as emoções tenebrosas que ela iria 
sentir que a separariam do Espírito Santo. 
Meu último vislumbre desse indivíduo foi ele inclinando-se à 
tela, respirando pesadamente e, embora invisíveis para ele, os quatro 
espíritos das trevas gritavam para ele continuar, e outra dúzia de 
almas desencarnadas atiravam-se nele num ávido frenesi. 
 Um dos aspetos mais dramáticos desta cena foi que esses 
espíritos do mundo invisível estavam oferecendo-lhe uma sensação 
de falso relacionamento, dando-lhe a sensação de saciar-se e 
satisfazer-se pela experiência. Ele estava começando a aceitar esses 
visitantes invisíveis como companheiros, e ele estava começando a 
gostar da companhia deles, recebendo sua influência para ajudar-
lhe a decidir participar mais uma vez no seu mundo secreto de 
imundície. 
Na Casa Noturna 
A tragédia que senti por esse jovem foi rapidamente tirada de 
minha mente ao encontrar-me na entrada de uma balada, olhando 
para uma fila de jovens nos seus vinte anos perfilados para entrar. 
Eu podia ouvir seus pensamentos. Estavam ansiosos pela excitação 
que queriam encontrar lá dentro. Haviam mais espíritos malignos e 
desencarnados do que humanos. Eles estavam perto dos mortais, 
John M. Pontius – Visões de Glória 
150
instigando-os a continuar aguardando, contando-lhes sobre a 
excitação que os esperava. 
Em seguida eu estava dentro. Havia muitas pessoas 
amontoando-se na pista de dança, dançando juntos, bebendo e 
fumando. Eu podia ouvir seus pensamentos, os quais foram um 
contínuo fluxo de obscenidades, racionalização e desejos sexuais. 
Muito de seu modo de pensar era mais vil e violento que suas ações. 
Eles pareciam jovens normais em uma pista de dança. Se eles 
pudessem ouvir os pensamentos uns dos outros, não teria havido 
nenhum comedimento mas uma cena contínua de atos bestiais. 
Fiquei intrigado e com repugnância. Eu não queria experimentar 
esta escuridão. Eu nunca tinha ido a um lugar como esse e achei esta 
experiência desagradável e perturbadora. O meu espírito guia 
permaneceu ao lado, e me senti confortado pelo fato de que ele não 
parecia afetado por essa cena. 
Tal como fora na fila, aqui haviam mais espíritos desencarnados 
e maus do que mortais. Tal como aconteceu com o jovem vendo 
pornografia, os maus espíritos se concentravam em determinadas 
pessoas, nos que estavam pensando e sentindo maior luxúria e ardor. 
Tornaram-se mais agressivos, incitando-os a ter pensamentos mais 
tenebrosos e a ter mais forte cobiça. 
Os espíritos desencarnados estavam à espera de sensações 
específicas que surgem no ser humano. Alguns buscavam fantasia 
sexual, alguns a embriaguez, alguns a euforia induzida por drogas e 
alguns violência e dominação. Quando os humanos chegavam a um 
certo estado de transe ou quando eles abandonavam-se às instruções 
do mal, a abertura aparecia perto da coroa de sua cabeça. Quando 
abria, me parecia um rasgo negro no seu espírito, semelhante ao do 
jovem em frente ao computador. O espírito mais próximo a eles 
pulava nele, sendo sugado como fumaça num aspirador. 
Os outros espíritos desencarnados corriam em frente, 
empurrando e lutando para ser o próximo. Quando um espírito mau 
entra em um ser humano, só se mantem por alguns segundos, ou 
alguns minutos no máximo, dependendo da capacidade do espírito. 
Quando eles eram finalmente expulsos, eles pareciam esguichar do 
corpo em pontos aleatórios. Eles pareciam exaustos mas satisfeitos 
6 – Anjos e Demônios 
151 
quando saíam. Eles saiam violentamente, imitando as ações dos 
humanos. Quando eles percebiam que haviam sido expulsos, 
gritavam e imediatamente pulavam de volta na briga entre espíritos 
para ser o próximo. 
 Uma vez que estivessem dentro, eles não só sentiam uma 
porção limitada do que seu hóspede estava sentindo, mas eles 
podiam ser ouvidos. A sua paixão tenebrosa aumentava o barato do 
seu hospedeiro. Instigavam os seus hospedeiros a fazer coisas, a 
incrementar seu estado e a buscar mais agressivamente por maiores 
sensações. 
Eu vi outros espíritos desencarnados indo ao redor do salão. Eles 
paravam para ouvir conversas, observando o comportamento das 
pessoas, tentando encontrar alguém mais susceptível a alimentar 
suas necessidades. Parecia evidente que não podiam ler os 
pensamentos das pessoas, mas eles foram mestres em julgar e ler 
suas intenções. Eles também ouviam os espíritos do mal e o que eles 
estavam incitando. Se alguém estava conseguia resistir às sugestões 
do mal, o desencarnado seguia adiante. Se alguém estava prestes a 
"abrir", muitos espíritos desencarnados convergiam para ele. 
Os espíritos desencarnados estavam à espera que os mortais 
fossem abatidos pelos asseclas do mal. Eles estavam trabalhando 
juntos. Os demônios queriam destruir espiritualmente os seus alvos, 
para que pudessem obter controle permanente sobre eles e não se 
preocupavam em nada com a experiência dos mortais. Já os 
desencarnados deliciavam-se nas sensações físicas dos mortais, mas 
não tinham vontade de dominar, apenas de prolongar a experiência. 
Na ótica dos espíritos do mal, conseguir fazer um mortal 
sujeitar-se às suas tentações dava-lhes poder sobre esses mortais. Se 
eles sugeriam um ato, e o mortal fazia exatamente isso, eles 
botavam seus anzóis um pouco mais profundos. Eles não 
procuravam emoção; eles buscavam o domínio da alma e, 
eventualmente, o controle por toda a sua vida. Eles sabiam que se 
eles pudessem aliciar com tanta astúcia e engano que os humanos 
respondessem, eles ganhariam um pouco mais controle. Este era o 
seu método, mas o seu verdadeiro objetivo era ganhar controle 
John M. Pontius – Visõesde Glória 
152
suficiente para impedir o Espírito Santo de ter qualquer influência 
na vida da pessoa. Eles não estavam apenas tentando controlar o 
comportamento; eles estavam tentando capturar a essas pessoas nas 
correntes do inferno. 
Eu vi que as pessoas que já tinham sido cativas por eles 
dificilmente poderiam ouvir seus próprios pensamentos. A voz dos 
malignos havia se tornado ainda mais poderosa do que sua própria 
mente. Então fazem qualquer coisa mal ditada pelos controladores, 
mesmo que pensando que eram ideias ou desejos seus próprios que 
estavam seguindo. Uma vez que estes espíritos maus obtinham total 
controle, eles então desejavam que o mortal se afastasse 
rapidamente da mortalidade, para que seu domínio fosse 
permanente. Eles então os instavam a comportamentos perigosos, 
atos de violência, e até mesmo ao suicídio para apressar o dia da sua 
morte. 
Os espíritos desencarnado não estavam tentando prejudicar os 
seres humanos mas sim partilhar da sua excitação física e seus 
emoções e vícios. Eu vi espíritos que foram viciados em fumar 
tentavam pegar o cigarro das mãos dos mortais, repetidas vezes, 
como se não pudessem compreender por que razão não conseguiam 
pegá-lo. 
Por toda essa experiência, eu podia ver não apenas o que os 
malignos e os desencarnada que estavam fazendo, mas eu também 
sabia o que eles estavam pensando, tanto espíritos como mortais. 
Era mais do que eu podia suportar, e o cenário mudou. 
Na Corrida de Cavalos 
Em seguida me vi numa corrida de cavalos. Bem, eu nunca fui 
a uma corrida de cavalos, e não tinha a menor ideia de como era. 
Assim que chegamos, todos os pensamentos, emoções e 
experiências, de todos ali, entraram a minha mente com uma nitidez 
perfeita. Era uma grande pista com grandes estandes e milhares de 
pessoas. Havia a sensação de excitação no ar, que eu rapidamente 
percebi estar sendo promovida por dezenas de milhares de espíritos 
maus. 
6 – Anjos e Demônios 
153 
Era quase a mesma coisa que acontecia na casa noturna. Os 
demônios estavam trabalhando para melhorar seu controle sobre os 
mortais através da criação desta grande distração. Embora as 
corridas eram menos tenebrosas e promoviam muito menos luxúria 
e sexualidade, ele ainda criava circunstâncias ideais para os espíritos 
maus para instigar-lhes a impulsivas paixões, desejos e medos, com 
picos de euforia e derrotas arrasadoras, que os mantinha longe do 
Santo Espírito de Deus. Os bons anjos eram poucos aqui, mantidos 
distantes pelos mortais que submetiam seu desejo ao mal. 
Muitas das pessoas na pista estavam ali pela excitação dos jogos 
de azar, que estava sendo altamente promovida pelos malignos. 
Muitos das pessoas haviam mentido ou enganado para estar na pista 
e expuseram-se aos malignos, ao fazer isso. Alguns estavam ali para 
beber, para enganar, e para satisfazer seu vício de apostar. Estes 
eram cercados por espíritos maus que os incentivavam e diziam-lhes 
o que se sentir, exortando-os a apostar em alguns cavalos, dando-
lhes um certo sentimento de vitória, que também garantia uma 
derrota arrasadora. Quando ganhavam ou perdiam, os espíritos 
desencarnados saltavam neles para partilhar da sensação. 
Neste hipódromo havia maior oportunidade para os bons anjos 
intervirem. Nas duas experiências anteriores, as pessoas eram 
totalmente sugadas ao mal do momento. Aqui, algumas pessoas 
estavam orando. Alguns estavam orando para ganhar, alguns por 
ajuda com seu vício, alguns estavam orando por ajuda para como 
explicar a perda de muito dinheiro para sua esposa ou marido. 
Mesmo um pensamento de Deus, uma oração, um pedido, uma 
intenção de fazer o bem, um ato de arrependimento ou bondade, 
trazia os anjos bons. Eles podiam então cercar a pessoa, protegendo-
a do mal, enquanto a atitude persistia. 
Tinha que haver algum ato de livre vontade de convidar os bons 
espíritos. Às vezes, anjos de luz sussurravam: "saia deste lugar". Às 
vezes, era uma sugestão, como "Você precisa ligar para sua esposa". 
Por vezes deram-lhes uma lembrança, talvez de uma promessa, ou 
de um evento na vida dessa pessoa que os incentivava a fazer boas 
escolhas. Daí, era o mortal que decidia. Se eles seguissem o aviso, 
John M. Pontius – Visões de Glória 
154
a lacaios de Satanás se transferiam para outra pessoa. Luz começava 
a brilhar mais ao redor da pessoa, e os bons anjos falavam 
encorajamento. Eles tinham a oportunidade de pensar com clareza 
e escapar. 
Entretenimento 
O cenário mudou novamente para várias visões rápidas de 
mortais que buscam vários entretenimentos. Eu vi salas de cinema 
e casas onde as pessoas estavam assistindo televisão. Vi relances de 
parques de diversões, cassinos e grandes eventos esportivos. Vi 
pessoas a ouvir música de estéreos e fones de ouvido. Vi pessoas 
rindo em festas e o tempo todo curtindo com os amigos. Eu pensei 
ser isso coisas triviais sem nenhum significado espiritual. 
"Por que vocês está me mostrando estas coisas?" eu perguntei. 
"Qual é o significado?”.
Ele respondeu que essas eram todas as formas pelas quais as 
pessoas inconscientemente afastam-se do Espírito do Senhor. Eu 
percebi em cada uma dessas cenas que os bons anjos estavam 
ausentes ou eram empurrados à certa distância. As pessoas, nessas 
cenas, estavam tão envolvidas no entretenimento que não ouviam o 
Espírito Santo. Eles não estavam fazendo algo maligno, mas eles 
não estavam ouvindo a Deus, que era o que os demônios 
trabalharam tão arduamente para conseguir com outros, mas estes 
voluntariamente isolavam-se. 
Vi também que demônios os incitavam a ver mais e mais 
conteúdo sexual ou violento. Eles estavam incitando as pessoas a 
ouvir a música de modo entrar em frenesi, dançar, agitar-se e 
rodopiar para sentir euforia sexual ou física, a se concentrar em seus 
corpos e beleza física – qualquer coisa, exceto Deus. 
Eu vi as pessoas obcecadas com o comer, e com não comer, com 
a dieta, com teatro, com dançar ou tocar, com moda e beleza, com 
o esporte, com namoro, ou com a escola e nada disso era 
inerentemente mal. Mas estavam tão focados nestas coisas que a voz 
do Santo Espírito, que eu vi sendo proferida pelos bons anjos, foi 
empurrada para bem longe. 
6 – Anjos e Demônios 
155 
 Uma vez que nós como mortais não podemos ver 
frequentemente o mundo dos espíritos, seja o bom ou o ruim, nós 
somos realmente ignorantes de quase tudo que acontece a nossa 
volta. Isso requer alguma intuição espiritual, geralmente adquirida 
ao custo de experiências negativas, para percebermos como a vida 
funciona. A vida mortal é apenas a uma tênue realidade. Os anjos 
vivem em um reino eterno, que é a mais brilhante e verdadeira 
realidade. A vida mortal vai acabar; suas vidas não vão. Eles sabem 
o quão imensamente importante é este pouco tempo na 
mortalidade, e porque eles nos amam e estão ao serviço do seu 
Deus, eles trabalham para ter a nossa atenção e conduzir-nos a uma 
vida que terminará em glória. 
Os Dons Espirituais 
Foi-me mostrado como os dons espirituais operam. Há bons 
dons, e há os maus dons. Escolhemos bons dons quando nos 
sujeitamos ao Espírito Santo. Estes são os dons de amor, alegria, 
paz, fé, curas, profecias, e muitos outros dons49. Quando 
consistentemente escolhemos obedecer àquilo que é bom, criamos 
uma ligação espiritual com Jesus Cristo. Ele nos transforma na sua 
semelhança espiritual, e aumentamos nosso brilho cada vez 
mais nesse processo até que nos tornamos filhos da luz, e recebemos 
nossa recompensa de nosso Salvador. 
Escolhemos os maus dons obedecendo às tentações dos maus 
espíritos, que é a mesma coisa que ceder a uma tentação de satanás. 
Escolhemos maus dons ao ceder a uma luxúria para obter alguma 
sensação ou êxtase. Quando nos submetemos a qualquer porção do 
mal, estamos a criar uma ligação espiritual, como engatar vagões; e 
quando permitimos que isso aconteça mais e mais, nos alteramos, 
escurecemos e descemos, até que nos tornarmos servos das trevas, 
e recebemos nosso salário do mestre das trevas.Tenho observado que há muitas pessoas que são regidas pela 
voz de Jesus Cristo, que são como lanternas levadas através das 
trevas. Eles afastam as trevas ao se aproximarem, e os anjos da 
John M. Pontius – Visões de Glória 
156
escuridão têm que afastar-se. Seres malignos são impotentes para 
penetrar, e são forçados a se afastar. 
A mesma coisa acontece com as pessoas que são governadas 
pelo mal. Elas se tornam lâmpadas de trevas a afastar a luz. Eles se 
tornam uma força das trevas, mesmo ao andar no brilho espiritual 
do dia. Todos aqueles que associam-se a eles são obscurecidos por 
eles, e os bons anjos são impotentes para penetrar, até que essa 
pessoa por um ato de livre vontade pede ajuda ou ora para obter 
orientação. 
As Correntes do Inferno 
Eu vi que, quando qualquer pessoa manifesta até mesmo a 
menor partícula de fé, mesmo que apenas um pensamento ou uma 
ideia – qualquer coisa que o mova na direção da esperança, da 
obediência à verdade e da fé em Jesus Cristo – a escuridão é 
penetrada por uma pequena porção de luz e os anjos mais uma vez 
falam as palavras de Cristo com a voz mansa e delicada. Se as 
pessoas escolhem responder corretamente a essa voz, a escuridão 
começa a ceder. Haverá ainda um longo caminho e muitas mais 
escolhas corretas a fazer, mas o processo é iniciado. 
As "correntes do inferno39" são quando uma pessoa torna-se tão 
encantada com a sua vida de trevas que ela já não pode sequer ouvir 
a mansa e delicada voz dos anjos clamando verdade da distância 
para onde foram afastados. Quando uma pessoa sujeita-se a esse 
nível, ela perde a sua bússola moral e já não podem dizer a diferença 
entre o bem e o mal, certo e errado, amor e luxúria e, eventualmente, 
a misericórdia e o assassinato. O único "bem" que eles reconhecem 
é tudo o que os aproxime mais rápido da satisfação da sua lascívia 
e vícios, e nenhum preço lhes parece alto demais. 
O Ministério dos Anjos 
Eu vi os anjos de luz que são designados a nós. Eles são reais. 
Eles têm acesso direto à orientação de Cristo e estão ansiosamente 
engajados em nossas vidas. Eles permanecem conosco por toda a 
nossa vida, se não escolhermos as trevas com os nossos 
6 – Anjos e Demônios 
157 
pensamentos, atos ou palavras. Sua capacidade de dirigir, 
influenciar e guiar-nos é totalmente controlada por nossas escolhas. 
Há também mais poderosos anjos de luz que são designados por 
Cristo a abençoar-nos em certos momentos de necessidade, como 
quando eu estava morrendo no hospital. Estes anjos vêm em missão, 
e estão em harmonia com nossos anjos designados, eles oferecem 
as bênçãos que Jesus Cristo deseja que tenhamos. 
Toda a vez que eu tive os meus olhos abertos para o mundo das 
coisas espirituais, haviam mais seres espirituais no recinto do que 
mortais. A maioria dos anjos divinos parecem ser nossos 
antepassados, membros de nossa família, que nos amam e que foram 
enviados para auxiliar-nos em ocasiões especiais. 
Não temos este mais poderoso tipo de anjo conosco muitas 
vezes. Eles vêm em designações especiais e quando há uma 
necessidade premente ou bênção maior para conferir. Os 
convidamos a nos ajudar ao rejeitar a tentação, clamar ao nome de 
Deus e fazer o que é certo com a mente fixa na glória de Deus. 
Esses anjos guias conhecem-nos bem porque estivemos associados 
com eles por um longo tempo. 
Nosso relacionamento familiar não começou com o nascimento 
deles ou nosso. Senti esta eterna ligação enquanto eu estava vendo 
o meu lar de infância pré-mortal. Nossos relacionamentos são 
ordenados, e eles são de eterna significância. Nosso relacionamento 
começou há muito tempo na família de Deus, antes do nosso 
nascimento e antes da criação do mundo. Amamos um ao outro por 
um longo tempo e servimos um ao outro em infinitas maneiras. 
Também é verdade que, enquanto eles eram mortais, nós 
amorosamente ministramos por eles. E agora eles estão ministrando 
por nós no mesmo ofício. 
Tudo o que Deus faz está de acordo com a lei e de acordo com 
o arbítrio. Deus não nos dota com dons para aos quais não nos 
qualificamos de alguma forma. Isso também é verdade para os 
anjos. Alguns anjos têm maiores habilidades devido a sua maior 
diligência e por causa da sua maior retidão enquanto eram mortais. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
158
Alguns anjos estão aprendendo, enquanto outros são bastante 
evoluídos. Alguns têm grande fé, enquanto outros têm menos fé. 
Olhando para este fenômeno de uma perspectiva paternal, dá-
nos a capacidade de abençoar os nossos filhos e netos após deixar a 
mortalidade. Estes dons e forças espirituais tornam-se a herança dos 
nossos netos, porque quando eles escolherem a luz, estaremos 
esperando ansiosamente para derramar sobre eles os dons que nós 
próprios obtivemos na mortalidade. 
Esta é também a razão por que a embriaguez, o abuso, o crime, 
a guerra, máfia, e outros traços escuros que podem corromper o 
poder político, vêm de família. Estas tendências tenebrosas são 
transmitidas através dos séculos. Quando os nossos antepassados se 
veem na próxima vida como seres espirituais infelizes que ainda são 
almas viciadas, dolorosas e miseráveis eles procuram tornar os 
outros tão infelizes como eles próprios. Quando os filhos e netos 
seguem o seu exemplo, os "dons" obscuros são passados através das 
gerações. Isto pode explicar a razão pela qual algumas famílias têm 
sido realeza por centenas de anos, ou ricos e opressores desde o 
início dos tempos, ou qualquer outra sombria caraterística familiar. 
Isso também pode explicar por que os Profetas e Apóstolos tendem 
a estar relacionados, e a grandeza segue as famílias40. 
Por último percebi que esta era a mensagem de toda essa 
experiência, para ver como as trevas infestam a mortalidade através 
dos "anjos" malignos, e como a luz é amplificada em nossas vidas 
através da obediência a Deus e o ministério dos anjos de luz. Eu 
comecei a ter vislumbres de como as escolhas das pessoas, fazem 
isso acontecer. 
Luz, Trevas e a Terra 
Eu vi que a própria terra tinha sido criada perfeita e está 
cumprindo a medida de sua criação. Tudo nela – seu 
posicionamento no universo; a distância do sol; e a geração da vida, 
frutos, e beleza – foi tudo criado e mantido pela constante presença 
da luz de Cristo. 
6 – Anjos e Demônios 
159 
As pessoas instituem governos, falsa religião, falsa ciência e 
falsos preceitos. Eles constroem cidades onde o mal facilmente 
prospera e criam universidades e escolas para promover tais coisas 
– toda a coleção das “filosofias de homens", suas mentiras, suas 
religiões, suas racionalizações e pecados. Como estes constructos e 
corrupções dos homens espalham-se por todo o mundo, eles cobrem 
o mundo de trevas, e a terra responde com agitação, devastações, 
inundações, fome, peste e morte. 
Tudo isto é como um manto de escuridão que se espalha em toda 
a face da terra, escurecendo a luz de Cristo, que chega a terra. Isso 
diminui a força que mantém a terra em ordem e uma morada própria 
para a humanidade. 
Há um processo pelo qual a terra se purifica. Quando o mal o 
ultrapassa, catástrofes naturais, pragas, e revoluções começam em 
lugares aleatórios. Quando o mal no mundo se torna tão grande que 
a luz de Cristo é reduzida, ela produz erupções vulcânicas, variações 
extremas de clima e temperatura, tempestades, inundações, 
terremotos e outros eventos destrutivos. Existe uma correlação 
direta entre as escolhas dos mortais e o estado da terra. É por isso 
que haverá tantos desastres naturais e a morte causada por estes atos 
de natureza nos últimos dias, porque a humanidade de então irá 
cobrir a terra de escuridão. 
Isso não quer dizer que um terremoto ou enchente mira nos 
pecadores como um míssil, ou que os lugares onde catástrofes 
acontecem precisavam mais da limpeza. Toda a humanidade sofre 
quando reina a escuridão. 
Enoque viu a terra chorar porque ela foi oprimida e coberta pelo 
mal em seus dias. Ela queria se livrar do mal e descansar no dia 
milenar41.Se ela estava cansada e doente nos dias de Enoque, imagine 
quão fatigada está hoje. 
Imediatamente após essa visão da terra e dos efeitos da luz 
espiritual e da escuridão, a cena mudou mais uma vez. 
Eu comecei vendo a terra passar pelas assolações profetizadas 
para os últimos dias. A primeira coisa que vi foram os sinais da 
John M. Pontius – Visões de Glória 
160
Segunda Vinda sendo manifestados na terra. Esses sinais eram sob 
a forma de eventos no céu e na terra. Os mais visíveis eram as 
intermináveis catástrofes naturais. Outros sinais foram 
erroneamente interpretados pelo homem como inesperados mas 
normais convulsões da terra e eventos celestes entre os astros e 
planetas. 
Eu podia ver o mal crescer nos corações da humanidade. Vi que 
a terra estava em grandes apuros. Ela estava sofrendo, morrendo, 
perdendo a sua capacidade de sustentar a vida em sua face. Ela era 
como uma flor tropical que tinha sido transferida para um porão sem 
nenhuma luz e estava morrendo na escuridão. Não podia viver sem 
a luz que dá vida a tudo e a tornava bela e útil para o homem. Todas 
as partes da terra estavam em grande aflição. 
Voando Pela América 
Comecei a mover-me através do mundo, voando como se eu 
estivesse num veloz helicóptero, perto da terra. Eu podia ver cada 
detalhe abaixo de mim. Eu não estava em uma máquina, é claro mas 
eu via a partir dessa perspectiva. O meu companheiro espiritual 
estava comigo e guiava nosso voo. Entramos e saímos das cidades 
em toda a América do Norte. 
Eu vi que nessa época que me estava sendo mostrada, a estrutura 
financeira do mundo tinha desabado completamente. Todos os 
bancos tinham fechado e o dinheiro não tinha valor. As pessoas 
estavam aprendendo a troca e o escambo. Indústria e produção 
praticamente pararam. Não havia matérias-primas ou dinheiro para 
pagar os trabalhadores. Fábricas e companhias globais fechavam da 
noite para o dia. 
Serviços públicos estavam no caos. As pessoas tentavam manter 
o funcionamento dos serviços vitais, mas eles eram esporádicos e 
quase sempre parados. Haviam apagões por todo lado, alguns deles 
por vários meses. Quase toda a água era imprópria para beber por 
causa de atos de guerra contra este país. O povo sofria em toda 
parte. 
6 – Anjos e Demônios 
161 
O meu voo em toda a América do Norte começou em Salt Lake 
City. Tinha havido um enorme terremoto no outono daquele ano. 
Tentei determinar que ano era, mesmo durante a visão, mas não 
consegui. Procurei nas vitrines por um calendário ou data. Até 
mesmo olhei nos relógios das pessoas para ver se eles mostravam o 
ano. Não fui autorizado a saber quando essas coisas devem 
acontecer. Tudo o que posso dizer é que na visão Salt Lake City 
parecia muito como é hoje. Haviam modelos de automóveis que eu 
não reconheci, e outras pequenas alterações, mas considerei como 
ocorrendo não muito distante no futuro. 
A falha existente ao longo do Wasatch Front havia se 
movimentado drasticamente, causando enormes danos para as 
cidades ao longo do Front. Na terceira parte desta experiência, que 
relatarei no próximo capítulo, voltei para Salt Lake City e encontrei-
me em minha própria vida, em meu próprio corpo, vivendo estes 
acontecimentos. Por isso, vou voltar para esses eventos quando 
descrever a terceira parte da visão. 
A Próxima Primavera 
Eu vi que na próxima primavera depois da destruição em Utah, 
houve outra devastadora série de terremotos que ocorreram ao longo 
da costa oeste da América do Norte e do Sul. A costa oeste da 
Califórnia, México, e todo o caminho até a ponta da América do 
Sul, foi tão terrivelmente abalada que boa parte dela se separou do 
continente e formou uma série de ilhas ao largo da costa. O mar 
invadiu os cânions entre a terra e as ilhas. Grandes cidades foram 
derrubadas e o interior sofreu menos danos. O mesmo tremor 
estendeu-se até a costa do Canadá e continuou todo o caminho até 
o Alasca42. Eu não vi os efeitos dos terremotos ao norte dos Estados 
Unidos, mas suponho que a destruição foi em igual medida. 
Este terremoto enviou tsunamis por todo o mundo. Não me foi 
mostrado o que aconteceu na América do Sul, Europa, Ásia ou 
África. Mas suponho que foi uma catástrofe mundial. Pelos eventos 
que relatarei no próximo capítulo, eu suponho que a Europa não foi 
John M. Pontius – Visões de Glória 
162
tão gravemente afetada por terremotos como a América do Norte, 
porque esses países enviavam grandes quantidades de socorro e 
suprimentos para a América após os terremotos. 
Dois Meses mais Tarde 
Cerca de dois meses depois, outro terremoto abriu uma garganta 
aproximadamente onde hoje fica o Rio Mississipi, mas desviava 
para leste onde o Rio Mississippi atualmente funde-se com o Rio 
Ohio. Ela seguia o Ohio até os Grandes Lagos. O Rio Ohio e o 
restante do Rio Mississipi desviaram para dento dessa garganta. 
Criou-se um novo e imenso sistema de lago e rio perto de onde o 
Rio Mississipi é agora. Essa garganta essencialmente dividiu o leste 
do oeste dos Estados Unidos, isso figurou em intrigas internacionais 
mais tarde. 
Em seguida "voei" sobre a parte inferior da Califórnia rumo ao 
Golfo do México. Quase toda a Califórnia estava em ruína, com 
menos destruição longe do litoral. Eu vi que uma grande extensão 
territorial emergiu no Golfo. Estendia-se desde o México até a 
Florida, e consistia de um pequeno número de grandes ilhas que 
substituíram parte do oceano no golfo. Não me lembrei de olhar para 
Cuba. Em alguns lugares, a nova terra juntou-se ao México, Texas 
e Flórida, mas houve também um grande mar separando da América 
a maioria dessas novas terras. 
Eu não vi de onde a terra veio. Ela se levantou do fundo do 
Golfo, ou foi empurrada por terremotos do norte da América do Sul. 
A terra não era toda desolada, mas grande parte dela tinha árvores e 
vegetação. Algumas partes eram apenas ilhas lamacentas. Eu não 
consigo explicar de onde ela veio. 
Esta grande extensão territorial criou um tsunami provocando 
imensa devastação em direção ao norte até Chicago. 
Cerca de dois terços do Golfo era agora uma série de grandes 
ilhas. Eu não vi o dano causado no resto do mundo, mas só posso 
supor que foi extenso. 
Eu então "voei" pela parte superior da Flórida e costa leste dos 
Estados Unidos. Os abalos sísmicos não atingiram esta parte tão 
6 – Anjos e Demônios 
163 
fortemente, de modo que a infraestrutura estava mais intacta. Mas 
houve um ataque biológico, e havia mais morte no leste e nordeste 
do país do que nas áreas afetadas pelo terremoto. Eu vi corpos 
empilhados em praças da cidade e cidades abandonadas por causa 
do cheiro da morte. Haviam gangues de saqueadores entre o povo 
pilhando e roubando em todas as cidades. Estavam assassinando 
todos que encontraram para preservar o que restava dos recursos 
para si próprios. Eram como os sobreviventes em um bote salva-
vidas lançando os mais fracos ao mar para sobrar mais comida e 
água para os mais fortes. Foi uma cena horripilante. 
O cenário era violento e repugnante. Ao escrever este livro, foi-
me mostrado o texto da visão do Presidente John Taylor de eventos 
semelhantes, onde a fome e a morte estavam por toda parte. Fiquei 
surpreso com as semelhanças, embora o sofrimento foi visto mais 
graficamente na visão da Presidente Taylor. (Veja o Apêndice A 
para o texto completo do sonho.) 
Tropas Estrangeiras 
Eu vi tropas estrangeiras desembarcando no litoral leste e oeste 
da América. Houve dezenas de milhares delas. Eles vieram em 
navios de grande porte, alguns deles antigos navios de cruzeiro sob 
escolta. Eles desembarcaram com milhares de veículos, a maioria 
deles carregados com suprimentos de socorro, mas também com 
grandes tanques e lança-mísseis. Eles usavam capacetes azuis-
verdes, e presumi que eram as tropas internacionais de socorro. O 
meu corpo mortal é daltônico, e eu não tenho certeza se vi 
corretamente a cor dos capacetes na visão. Eu não vi muitas tropas 
em grandes cidades como Boston, Chicago e Nova Iorque, poisnão 
havia quase ninguém lá para socorrer. Aqueles que não morreram 
estavam marchando para o oeste, fugindo das cidades. 
Na Califórnia, alguns americanos tentaram lutar contra as tropas 
porque os consideravam invasores. Houveram algumas batalhas 
onde a população local foi derrotada e subjugada. As tropas 
estrangeiras não castigaram os sobreviventes; eles só pediram para 
John M. Pontius – Visões de Glória 
164
que eles cooperassem, os alimentou-os e os libertou. Isso aliciou as 
mentes das pessoas. Vi também que as tropas estrangeiras vieram 
com a expetativa de que eles teriam que matar os moradores, 
embora os norte-americanos não estavam em condições de resistir-
lhes. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
165 
Capítulo Sete
TRIBULAÇÃO E PLENITUDE 
Terremotos e Inundações 
inha seguinte constatação era que eu estava no meu 
corpo, em pé no estacionamento subterrâneo do Edifício 
dos Escritórios da Igreja. “No meu corpo” quer dizer eu 
não estava mais voando pelo continente, mas agora era 
um participante na visão. Mais uma vez pareceu real para mim. Eu 
tinha posse de todos os meus sentidos e percebi essas coisas em 
detalhes perfeitos. Como na vida cotidiana, eu era sujeito aos 
acontecimentos em minha volta. 
Embora o que eu iria ver ainda não ocorreu, no entanto eu estava 
ali vestindo um terno, carregando uma maleta, e caminhando por 
este conhecido estacionamento subterrâneo. Eu estacionei ali 
muitas vezes quando eu tinha participava de reuniões mensais do 
meu chamado. 
Na minha nova situação, lembrei-me que eu estava voltando de 
um encontro com um membro do Quórum dos Doze. Eu estava 
contente, com um cálido Espírito comigo. Cheguei no meu carro, 
que era um modelo diferente do meu atual (em 2011). Acabara de 
chegar à porta do carro quando o solo começou a tremer 
violentamente. 
Eu pensei, é um terremoto dos feios! não terei tempo para sair 
da garagem com o meu carro! O prédio vai cair em cima de mim 
antes de eu chegar!
Eu estava a alguns metros da saída, então larguei minha maleta 
e corri para fora. O solo movia-se violentamente abaixo de mim. 
M
7 – Tribulação e Plenitude 
166
Caí várias vezes mas, quando me levantava, eu não estava ferido. 
Cheguei à Avenida North Temple, então vi água jorrando da terra. 
Faço uma pausa na minha narrativa um instante para dizer que 
eu tenho estado doente toda a minha vida. Correr, mesmo que curta 
distância iria normalmente me esgotar. Mas nessa visão, eu não 
estava cansado, nem ferido pelas repetidas quedas, e nem 
exatamente com medo. Percebi que eu estava diferente; meu corpo 
tinha sido melhorado de alguma maneira indefinível. Embora tudo 
isto parecesse verdadeiro, eu sabia que estava passando por uma 
visão, e perguntei-me se o meu corpo aprimorado foi um efeito desta 
visão. Eu não entendi o que eu estava sendo exibido até muito mais 
tarde. 
Agora, de volta à North Temple. O terremoto tinha arrebentado 
as ruas e, das fissuras na estrada, água esguichava para o alto. Água 
era também jorrava dos bueiros, bocas-de-lobo e de rachaduras na 
terra. Jorrava para cima com tamanha força que espirrava por todo 
lado, me deixando encharcado. Era água fresca, 
surpreendentemente limpa e clara. Em toda parte onde eu podia ver, 
gêiseres de água pulverizada com um ruído ensurdecedor no ar. Eu 
me perguntava, "De onde vem essa água toda?" Só poderia 
especular. 
Eu virei para leste e subiu o morro. A água rugia da Temple 
North abaixo, inundando e aumentando a cada momento. A água já 
estava pelas minhas canelas, e corri para cima contra a corrente com 
uma surpreendente energia. O lado leste de Salt Lake City fica 
centenas de metros mais alto de onde fica o Templo, e eu corria para 
o terreno alto. 
O chão continuava a arfar, e caí muitas vezes, mas a cada vez 
não me feria. Vi carros com pessoas sendo varridos rua abaixo 
juntamente com mobílias, pedaços de casas, cadáveres e lixo de 
todo o tipo. Foi uma cena pavorosa. Não havia nada que eu 
pudesse fazer para ajudá-los. Cai mais uma vez e fui arrastado pela 
enxurrada. Me segurei nos destroços e mantive minha cabeça acima 
da água. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
167 
Todo esse tempo eu me perguntava de onde saiu toda essa água. 
A água jorrava a uma altura de dois metros. Era espantoso. 
Me encontrei flutuando para oeste, rumo à antiga estação 
ferroviária Pacífic Union. Haviam pessoas de pé no alto da escada 
observando a enchente correr ao redor do prédio, tentando ajudar 
quem boiasse mais perto. Eu flutuava em direção a elas e alguém 
puxou-me para as escadas, e outros me ajudaram a levantar. 
Descobri que minhas calças tinham sido arrancadas de mim. Estava 
descaço. Fiquei ali só de camisa, gravata, meias e roupa de baixo. 
A estação de trem foi inundada por cerca de 30 cm de água, que 
desceu a poucos centímetros com o passar das horas. Os 
sobreviventes comigo incluíam mulheres, crianças e homens. 
Assistimos o alagamento até que o sol começou a cair. Percebemos 
que íamos passar a noite na estação e tentamos preparar um lugar 
seco onde poderíamos dormir. Tentamos escorrer a água para fora 
dos lugares em que ficaríamos, enfiamos cobertores sob as portas 
para tentar segurar a água que ainda estava fluindo sobre a soleira. 
Para mim, a estação ferroviária parecia um barco afundando prestes 
a submergir. Ainda haviam alguns centímetros de água fluindo ao 
longo dos túneis. 
Encontramos lugares secos e nos sentamos sobre os bancos de 
madeira tentando nos secar. Lembro-me de sentir frio e tentar 
dormir nessas bancadas. Em uma das áreas de armazenagem, 
encontramos alguns pequenos cobertores, provavelmente sobraram 
da época dos três de passageiros. Encontramos também travesseiros 
pequenos anteriormente usados para dormir no trem. Nos 
aproximamos e tentamos nos cobrir com aquilo. 
Alguém encontrou um depósito cheio de macacões de operários. 
Eram azul-desbotado, feito uniforme de zelador. Estavam limpos, 
mas não eram novos. Encontrei também um par de sapatos que 
serviu quase justo. 
Na manhã seguinte, descobrimos que a inundação tinha 
baixado. Haviam muitas poças e uma variedade incrível de detritos 
por todo lado, incluindo corpos e partes do corpo, o que era 
perturbador. 
7 – Tribulação e Plenitude 
168
Me ocupei de ajudar as pessoas na estação de trem, tentando 
prover por nossas necessidades imediatas. Alguém encontrou uma 
cozinha e uma espécie de polenta, que misturamos com água e 
comemos frio, com os dedos. Todos os serviços de telefones e 
celulares estavam inoperantes. Não havia luz elétrica ou água 
encanada, por isso estávamos realmente no escuro. 
Cerca de 14:00 ou 15:00 naquela tarde, resolvi caminhar de 
volta a casa. Teria levado metade de um dia de caminhada rápida, 
mas a minha viagem durou três dias inteiros por causa da 
devastação, ruptura de estradas, árvores e edifícios caídos. Tive que 
fazer muitos desvios. Sempre que eu encontrava alguém em 
necessidade, me unia a eles no seu trabalho. Eles me ofereciam 
comida e assistência para meu caminho de volta para casa. 
A devastação foi incrível e aterradora, mas não houve saques ou 
egoísmo. A cidade havia mudado; velhos monumentos sumiram. 
Fiquei desorientado pois os sinais, os edifícios e até mesmo árvores 
que eu havia utilizado para guiar-me até em casa por muitos anos, 
tinham sumido. Eu tinha que ficar sempre pedindo por informações 
e procurando quais estradas ainda estavam abertas. Eu viajei ao sul 
uma longa distância antes que eu pudesse outra vez virar para oeste 
e, em seguida, ao norte para a minha casa. Eu provavelmente andei 
32 km para cobrir oito. 
Eu olhei para cima e vi que a montanha atrás da cidade tinha 
desmoronado. Os cumes das montanhas tinham deslizado sobre as 
partes superiores da cidade, enterrando a maioria dos casarões nos 
flancos acima da cidade. 
Quando eu finalmente alcancei minha vizinhança, eu andei até 
a rua onde morava. Eu não conseguia ver gente em nenhum lugar. 
Todos tinham abandonado seus lares. Ascasas foram arrastadas e 
empurradas para fora de suas fundações. A minha casa estava tão 
retorcida que do lado de fora eu podia olhar o porão abaixo. Eu 
percebi que não estava mais habitável e seria perigoso entrar. Não 
encontrei minha esposa ou qualquer dos membros da família. Voltei 
mais tarde com ajuda, e desci ao porão para recuperar o nosso 
armazenamento de comida e alguns objetos pessoais, mas eu nem 
John M. Pontius – Visões de Glória 
169 
tentei subir à parte superior da minha casa. Simplesmente fui 
embora. 
Todo o terremoto durou apenas de seis a oito minutos, mas 
pareceu horas. A enchente subiu por cerca de oito horas e, em 
seguida, começou a recuar. Depois disso, a água permaneceu nas 
ruas e empoçada em locais baixos por várias semanas. As poças de 
água logo ficaram fétidas e podres. Havia água inundando Salt Lake 
City da região de Bountiful. Não tenho certeza se um reservatório 
se havia rompido, ou o que poderia ter causado isso. Houve 
inundação vinda do sul, onde o Rio Jordan transbordara, presumo 
que pelo Lago Utah que por sua vez fora inundado pela água de 
reservatórios acima de Provo e outras áreas. 
Toda esta água desaguava no grande Lago Salgado, deslocando 
a água salgada para o deserto a noroeste do lago. O lago estava pelo 
menos duas vezes o tamanho que é hoje, subiu cerca de quatro 
metros de profundidade. Fazendas e residências nas planícies 
sumiram. Em alguns lugares, a água cobria a rodovia I-15. Toda a 
área do aeroporto foi inundada e levou meses até que aviões 
militares pudessem pousar. Não acredito que linhas comerciais 
foram jamais restauradas. 
A maior parte dos habitantes da área em geral não acreditava 
que este fosse um "sinal" da vinda de Cristo. Apenas consideravam-
na uma catástrofe natural. Um grupo central mais forte continuou a 
ouvir o Espírito Santo e a crer e interpretar corretamente os "sinais" 
que viam. Mas haviam muitos, tanto na Igreja como fora da Igreja, 
que estavam irados, desalentados e sem esperança. 
A liderança da Igreja foi atingida tão severamente quanto a 
população em geral, e uma vez que toda a comunicação parou, levou 
várias semanas até ouvirmos alguma coisa oficial da Igreja. Os 
membros dos Doze e de outros quóruns que estiveram viajando em 
designações e ficaram isolados pelo colapso da comunicação em 
todo o mundo. A primeira coisa que soubemos da Igreja foi que 
alguns dos alimentos que recebemos das tropas estrangeiras tinham 
o logotipo da Igreja. Isso confortou-nos, mas ainda assim foram 
7 – Tribulação e Plenitude 
170
semanas até confirmarmos que a liderança da Igreja e a sua 
organização local e internacional não havia desmantelado. 
Não sabíamos se o profeta ou qualquer dos doze tinha 
sobrevivido. Isso assustou muitas pessoas e levou alguns a se 
levantar e tentar reorganizar a Igreja segundo suas próprias ideias. 
Aqueles que tinham o Espírito sabiam que o processo de 
reedificação da Igreja e restauração dos quóruns do sacerdócio 
estava em andamento, mas não sabíamos quase nenhum detalhe. A 
reestruturação da Igreja foi dificultada inicialmente por não se saber 
quem havia sobrevivido em Salt Lake City e em todo o mundo. 
Sem a voz do Profeta entre nós, um sentimento de discórdia e 
contenda cresceu na Igreja. As pessoas se irritavam sobre quase 
tudo, e alguns eram egoístas com os recursos restantes. No entanto, 
muitos eram firmes e fiéis através de todas essas discórdias e 
conflitos. 
As igrejas de todas as denominações, incluindo as estacas e alas, 
responderam bem aos eventos, organizando esforços de socorro 
entre o seu povo, alojamento e alimentação às pessoas, 
proporcionando conforto e segurança. A Igreja teve um papel 
proeminente no esforço de reedificação, dado que a Igreja e o seu 
povo eram tão bem preparados, mas as outras igrejas uniram-se em 
um esforço conjunto. Eu estava entre aqueles que iam de porta em 
porta, escavando sobreviventes e enterrando os mortos. Por vezes, 
fomos movidos a dar bênçãos do sacerdócio, e aqueles que tinham 
fé eram salvos, alguns com curas milagrosas. Mas, principalmente, 
enterrados os mortos e levamos comida e água para os desprovidos. 
Eu estava realmente admirado que muitos bons Santos dos 
Últimos Dias tinham pouco ou nenhum alimento armazenado. Mas 
não os julgamos. As pessoas com fé, que tinham guardado comida, 
deram-no livremente e juntaram-se ao trabalho de salvar aqueles 
que sofriam e de preparação para o inverno que se aproximava. Nós, 
corremos para fechar em casas danificadas e para encontrar meios 
de aquecer as casas. Pegamos materiais das casas danificadas para 
reparar as antigas. Muitas famílias se juntavam em uma casa. Foi 
um esforço hercúleo. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
171 
Nesse período, uma grande coluna de veículos militares chegou 
na cidade. Eles tinham vindo para ajudar. Eles usavam capacetes 
azuis e tinham insígnias internacionais em suas portas, capacetes e 
uniformes. Nossos líderes cívicos locais já haviam tentado 
organizar os esforços de socorro, mas esse esforço terminou quando 
as tropas estrangeiras assumiram o comando. Somente a Igreja e 
nossos amigos cristãos continuaram organizados e comprometidos. 
As tropas estrangeiras eram de muitas nações. A maioria dos 
grupos não falavam inglês. Haviam grupos que pareciam asiáticos. 
Não os reconhecíamos por sua língua ou por seus uniformes porque 
eles estavam todos vestidos iguais. Haviam tropas de países da 
Europa também, mas não encontrei nenhum da Inglaterra. 
Houve também membros norte-americanos, do que restou das 
forças armadas americanas. Dependendo da sua posição, às vezes 
eles eram líderes destas divisões; na maioria das vezes não eram. 
Eles vieram em caminhões grandes, esquisitos – muito maiores 
do que nossos veículos militares atuais. Alguns dos veículos tinham 
quatro ou cinco eixos tracionados e eram demasiado grandes para 
uma única faixa de uma autoestrada. Eles tinham vindo da costa 
oeste da Califórnia e percorreram uma grande área de devastação. 
Seus veículos estavam cobertos de lama e mostravam evidências de 
utilização em condições extremas, mas pareciam resistentes e 
confiáveis. Os caminhões estavam cheios com um grande 
carregamento de alimentos, suprimentos médicos, combustível, e 
outras necessidades. 
Agradecemos ao vê-los chegar, mas era inquietante ao mesmo 
jeito. Eles ocuparam várias escolas, como sua sede e utilizavam os 
ginásios para armazenar suprimentos, que eram vigiados 
atentamente. Também montaram hospitais com médicos de 
verdade. Eles foram logo sobrecarregados com feridos. 
Aqueles de nós que foram não feridos se apresentaram como 
voluntários para ajudar no trabalho. Eles ficaram pela forma como 
muitos vieram para ajudar. Eles nos deram luvas e casacos e nos 
acolheram. Eles encontraram maquinário pesado e logo começaram 
a cavar grandes valas comuns nos fundos das escolas. 
7 – Tribulação e Plenitude 
172
Haviam muitos ex-missionários entre nós e, assim, pudemos 
mais ou menos nos comunicar com os visitantes. Eles informaram-
nos que grande parte da Europa, Ásia e África, tinham sido 
poupados dos principais efeitos dos sismos e maremotos. A maior 
parte da devastação ocorreu na América do Norte e do Sul. Eles 
disseram que tinham chegado da Califórnia, em centenas de navios 
e imediatamente se ocuparam com essas pessoas para estabilizar as 
coisas, e, em seguida, eles tinham rumaram pra o leste. Disseram-
nos que um grande esforço de socorro tinha desembarcado na costa 
leste e dirigiam-se para o oeste. Nós aprendemos que cada grande 
cidade que eles visitaram estava devastada. Eles relataram que, 
como eu tinha visto durante na minha visão “aérea”, o litoral da 
Califórnia se tinha fragmentado em uma série de ilhas. 
Eles também nos disseram que mais tropas e suprimentos 
estavam a caminho vindos de todo o mundo. Disseram-nos: "a 
América sempre foi generosa conosco em caso de catástrofe, e 
agora é a nossa vez de responder." Eles pareciam verdadeiros no seu 
desejode ajudar, mas eu não podia ver luz no seu semblante, e 
desconfiava profundamente dos seus objetivos a longo prazo. Creio 
que a maioria de nós sentimos dessa maneira. 
Não muitos dias depois que chegaram, começaram a limpar as 
ruas dos escombros e removeram os carros para que os esforços de 
socorro pudessem mover-se mais eficientemente para o sul. Eu 
estava em um dos primeiros grandes caminhões quando fomos ao 
sul para ver quão longe podemos ir além Salt Lake City, e que os 
esforços de socorro seriam necessários. 
Inicialmente, os estrangeiros, e especialmente os poucos 
militares norte-americanos em suas fileiras, ficaram impressionados 
com o que a Igreja tinha feito. Eles disseram que nenhuma outra 
cidade que haviam encontrado até então havia feito tanto, ou estava 
melhor preparada para uma catástrofe desta magnitude. 
Essas novas tropas foram de grande valia para nós em nossos 
esforços de recuperação. Eles não demoraram muito tempo para se 
organizar e logo haviam equipes de socorro indo para cima e para 
baixo das ruas, proporcionando assistência aos cidadãos. As tropas 
também deixaram de Salt Lake City seguindo ao sul à área do Vale 
John M. Pontius – Visões de Glória 
173 
de Utah, que também foi duramente atingida pelos terremotos, mas 
tiveram apenas pequenas inundações onde os reservatórios 
localizados haviam rompido. 
Os trabalhadores de ajuda local uniram-se a vários grupos 
dessas tropas estrangeiras. Nós trabalhamos com eles e andávamos 
em seus veículos para nossas tarefas. Nós atuamos pelas ruas 
vicinais, através de zonas residenciais, aproximando-nos do 
Immigration Canyon. Fizemos uma parada em cada casa para ajudar 
as pessoas, prometendo que outras equipes estavam logo atrás de 
nós. Ainda estávamos em área residencial, a poucos quilómetros de 
Point of the Mountain, quando eu percebi que a vista parecia errada. 
Não se viam mais árvores ou postes de energia na direção ao sul. 
Reduzimos e nos aproximamos com cautela. Nós não podíamos 
acreditar em nossos olhos. Adiante de nós, o chão tinha cedido. 
Eu andei até a borda e olhei abaixo para dentro do buraco. 
Calculo que o solo tinha baixado uns 15 metros ou mais. A área 
abaixo estava debaixo d'água, com destruição total. Dava para ver 
que nada sobrevivera. 
Ficamos ali meditando por um longo tempo até que o líder 
militar disse-nos que era hora de partir. Voltamo-nos e saímos. O 
sol estava se pondo no mais belo pôr-do-sol que eu já vira. A 
atmosfera estava cheia de pó, o que criou os mais vivos vermelhos 
e laranjas imagináveis. Estávamos nos afastando quando uma 
hipótese formou-se em minha mente. 
O terremoto não teve seu epicentro no meio de Salt Lake City, 
mas aqui, onde esta terra tinha cedido. Aparentemente, ela 
acobertara um enorme lago subterrâneo. Há uma grande falha que 
corre bem ao longo da base da montanha, e menores falhas que saem 
perpendiculares a essa. Aparentemente uma dessas fissuras leste-
oeste cedeu e derrubou esta extensão de terra para o lago 
subterrâneo. Sem nenhum lugar para ir, exceto para cima, a água 
tinha seguido as fissuras do terremoto para as galerias pluviais até 
jorrarem para o alto dentro da cidade. Eu não tenho certeza se isso 
é realmente o que aconteceu, mas é uma possível explicação para a 
água proveniente do subsolo. 
7 – Tribulação e Plenitude 
174
Esta área que cedeu eventualmente formou um novo lago de 
água doce que fluía para o Rio Jordan e, em seguida, ao Grande 
Lago Salgado, que agora passou a ser de água fresca. 
Levou um par semanas para a água escorrer para fora da cidade. 
Continuamos a seguir as bordas de onde a água cedia, levando 
socorro e enterrando os mortos. Quando pudemos finalmente ver o 
Templo de Salt Lake e o Centro de Conferências, descobrimos que 
o templo tinha sido inundado cerca de oito metros de altura, até às 
janelas redondas. Ele ainda era majestoso e sólido. O 
antigo Tabernáculo foi-se. Apenas o alicerce e umas poucas 
madeiras ficaram. O Edifício Memorial Joseph Smith e o Edifício 
dos Escritórios da Igreja continuavam de pé, mas haviam danos pela 
água no piso inferior. 
O Centro de Conferências sobreviveu com danos pouco mais do 
que o alagamento nas áreas de estacionamento e nas salas menores. 
O auditório principal inundou parcialmente, mas a maior parte foi 
facilmente recuperado. 
A inundação cedeu rápido o suficiente, para que ninguém 
ficasse preso nos edifícios mais altos mais do que alguns dias. 
 Um Peste Devastadora 
Por essa época, uma doença devastadora varreu a nação43. Ela 
veio em três ondas. Cada onda era mais virulenta, matando pessoas 
mais saudáveis, e matando mais rápido. Elas varreram toda América 
do Norte e do Sul e em todo o mundo, matando bilhões. Mas as 
tropas que chegaram pareciam ser na sua maioria imunes a ela, 
embora alguns deles morreram dela. Do total da população antes do 
terremoto, estimei que 25 por cento morreram da praga. Eu soube 
quando estava "voando" que a praga havia sido criada por homens, 
e as tropas foram inoculadas contra ele, mas levou muitos meses até 
que os sobreviventes da praga percebessem a verdadeira fonte. Vou 
falar mais sobre este flagelo no próximo capítulo. 
A anarquia começou a diminuir com os bandoleiros sendo 
capturados e sumariamente executados pelas tropas. Eles não 
tinham qualquer respeito pelos direitos civis, ou mesmo pelos 
John M. Pontius – Visões de Glória 
175 
direitos humanos. Eles tinham um trabalho para fazer, e eles o 
faziam isso com a força bruta e pouca empatia, o que pode ter sido 
necessário nesse cenário, pelo menos no começo. 
Quando as tropas chegaram a região de Salt Lake City, eles 
elogiaram Igreja e surpreenderam-se com a extensão do socorro e 
restauração alcançados. Mas com o passar das semanas eles 
tornaram-se menos e menos tolerantes. Eles começaram tirando 
proveito de qualquer caos existente. Por causa do colapso da 
autoridade civil, a Igreja tornou-se o único grupo organizado 
restante. A Igreja fora responsável por reconstruir e reorganizar e 
não parou só porque os esforços de socorro tinham chegado. Esta foi 
a primeira cidade onde as tropas haviam entrado que não abdicara 
do controle dos assuntos civis em favor das tropas estrangeiras. 
A organização da Igreja parecia frustrar os seus planos de 
manter o controle. Em um curto espaço de tempo tornou-se evidente 
que o seu principal objetivo foi o de estabelecer seu próprio governo 
no lugar dos governos federal e local. Quando eles encontraram a 
igreja organizada e funcionando como um governo genuíno, que 
frustrava seus planos, e também criava uma cisão em suas fileiras, 
em grande parte por origem nacional. 
As poucas tropas dos EUA entre eles se recusaram a agir contra 
a Igreja, assim como muitos da Europa. Alguns dos soldados que 
resistiram eram membros da Igreja. As tropas da Ásia não 
foram dissuadidas e a partir de então decidiram que a Igreja era um 
inimigo e tinha que ser fechada ou destruída. Mas eles não podiam 
simplesmente destruir a Igreja, por causa das tropas que 
discordavam, e pelo fato de que quase todos os sobreviventes eram 
membros da Igreja ou agradecidos a ela por suas vidas e bem-estar. 
 Uma quantidade considerável de propaganda impressa 
começou a chegar do que parecia ser o que restou de nosso Governo 
Federal. Eles anunciavam com grande alarde que este era o início 
de uma "nova ordem mundial", alegaram que tudo tinha mudado no 
mundo. Pela a primeira vez na memória, os Estados Unidos já não 
eram capazes de atender às suas necessidades básicas, e o resto do 
mundo estava acolhendo-nos para este novo mundo. A 
7 – Tribulação e Plenitude 
176
lógica utilizada foi: "Por que outra razão eles estariam aqui com 
alimentos e medicamentos, em vez de com armas e bombas." O 
nosso próprio governo parecia convidar todos os cidadãos norte-
americanos a sujeitar-se e aceitar as mudanças na autoridade civil. 
Não demorou muito tempo para a maioria das pessoas concluir 
que nosso Governo Federal deixara deexistir e que essa propaganda 
foi criada pelas tropas estrangeiras. 
A atitude de quase todos mudou de alivio e aceitação para 
desconfiança de que essas tropas estrangeiras eram um exército 
invasor. Houve um enorme crescimento de locais de resistência e 
desconfiança. Especialmente na área de Utah, as pessoas achavam 
que eles vieram para destruir nossas liberdades e nossa Igreja – o 
que resultou sendo verdade. Algumas pessoas começaram a 
secretamente desobedecer às suas novas "leis." No entanto, quem 
escutasse o Espírito Santo sabia que resistir a esses soldados não era 
a vontade do Senhor. Ele tinha a sua própria agenda, e aqueles que 
lhe deram ouvidos só observavam e esperavam no Senhor. 
As tropas estrangeiras primeiramente travaram uma campanha 
de propaganda, tentando destruir a confiança das pessoas na Igreja. 
Eles fizeram isso, publicando mentiras e acusações. Eles se 
infiltravam nas nossas reuniões locais ou pagavam pessoas para 
obter informações sobre o que estava acontecendo nas alas e estacas 
locais. Em seguida, criavam algum tipo de tumulto, apenas para ver 
quem era fiel à Igreja e que seria fiel à autoridade estrangeira. 
Eles passaram leis declarando que a Igreja não tinha autoridade 
em assuntos civis. Em seguida, falsamente acusaram e prenderam 
os líderes-chave por envolver-se em assuntos civis. Isso era crime 
contra as novas leis. Alguns destes líderes foram executados 
publicamente, o que drasticamente obscureceu o humor do povo 
para com as tropas. Num curto período de tempo, eles efetivamente 
baniram a Igreja de todas os assuntos civis. Uma vez que eles não 
poderiam distinguir um "Mórmon" de outras pessoas apenas por 
olhar por olhar para eles, eles tornaram ilegal a qualquer americano 
ocupar uma posição de autoridade em matéria civil. 
O humor de alguns dentre o povo tornou-se rebelde, e 
juntamente com as tropas que haviam deserdado das forças 
John M. Pontius – Visões de Glória 
177 
estrangeiras, fugiram de suas casas para as montanhas. 
Eles tomaram armas e provisões com eles e periodicamente 
atacavam as tropas estrangeiras. Os seus esforços foram pouco 
inspirados, pois logo em seguida foram mortos ou capturados, ou 
mesclaram-se novamente na sociedade. O resto das pessoas 
silenciosamente voltou-se para a oração e a fé, e davam ouvidos 
para a liderança da Igreja. A Igreja começou a funcionar em silêncio 
para realizar a missão do Senhor e não tinha medo das tropas, mas 
também não os provocava. 
Eu nunca vi um grupo oficial do exército americano ou Guarda 
Nacional. Descobri mais tarde que as armas nucleares foram 
detonadas para destruir grandes instalações de defesa em todo o país 
e em Utah. Houve um primeiro ataque contra os Estados Unidos, e 
veio sem aviso prévio. 
Nesse período, a mesma praga que devastou boa parte da costa 
leste chegou em Utah ao se alastrar por todo o país. As tropas 
estrangeiras trouxeram equipamentos para lidar com a 
contaminação, como se estivessem esperando pela epidemia, e 
poucos deles adoeceram. Como eu disse, descobrimos mais tarde 
que essa peste foi criada por homens, e as tropas tinham sido 
inoculadas contra o patógeno que causou a peste. 
As tropas estrangeiras estavam preparadas em outras formas. 
Eles tinham pôsteres impressos 1 que eles exigiam que todos 
afixassem na porta da frente. 
1 Quando Spencer descreveu esse cartaz da epidemia para mim, eu não 
consegui imaginá-lo. Eu pedi-lhe para fazer um esboço do que e percebi que 
ele estava desenhando um símbolo da ONU, e o círculo com a linha diagonal 
foi um símbolo internacional para "não." Desenhei a imagem acima e 
mostrei-a a Spencer. Ele disse, "onde você encontrou?" eu perguntei, "isto 
está correto?" Ele respondeu, "é exatamente como me lembro dela! Onde 
achou?” Já que aparentemente era essa mesma, achei que valeria a pena
incluir no livro. É também de grande interesse, que na visão do John Taylor, 
gravado no Apêndice A, no final deste livro, ele descreve emblemas ou sinais 
de luto em cada porta, "em toda a terra, e em todo lugar". 
7 – Tribulação e Plenitude 
178
O sinal era um círculo preto com uma linha diagonal no meio, 
dentro de uma grinalda de louros. O sinal tinha a palavra "PRAGA" 
em letras vermelhas impresso atrás a linha preta. Havia uma linha 
de adesivos brancos, numerados na parte inferior do cartaz. 
Haviam instruções no cartaz. Nós devíamos colocar um adesivo no 
lado esquerdo do cartaz sobre a linha preta indicando quantas 
pessoas estavam vivas na casa. Quando alguém morria, 
marcávamos o número de mortos no lado direito do cartaz sobre a 
linha. E então, mudávamos o número dos vivos. Os 
adesivos podiam ser reutilizados sempre que necessário. Era um 
momento de terrível aflição quando alguém tinha de mudar os 
adesivos. Muitas vezes, as pessoas estavam em volta da porta da 
frente, chorando e orando por forças apenas para mover os 
adesivos. 
Quando os soldados chegavam, eles passavam em cada casa e 
apontavam uma pistola leitora no cartaz. A pistola estava ligada a 
um computador portátil que recordar cada casa por sua posição no 
GPS. Se os números haviam mudado, indicando uma outra morte, 
puxado para a sua garagem. 
Foram-nos dados sacos e fomos instruídos a colocar nossos 
mortos na varanda de trás ou no quintal, e eles vinham recolhe-los 
no fim da tarde. Quando a praga estava em sua fase mais mortal, 
que levava dias, ou mesmo semanas, para os caminhões alcançarem 
John M. Pontius – Visões de Glória 
179 
as ruas mais afastadas. Estavam mais preocupados em controlar o 
centro da cidade e só deixaram a área quando todos os mortos 
tinham sido recolhidos. 
Quando uma pessoa contraia a peste, ela tinha muitas pústulas 
na pele, semelhantes a cravos. Estas cresciam em tamanho e 
quantidade até que quase todo o seu corpo estava coberto por elas. 
Eles adoeciam muito rapidamente. O prurido e a dor eram intensos. 
Pouco antes da morte, a pústula rebentava e escorria. Este 
líquido era extremamente contagioso. Todos os que o tocavam 
adoeciam. 
Aprendemos tudo isso pela triste experiência. Muitas pessoas 
que sabiam que iam morrer fechavam-se nos sacos para cadáveres 
antes das pústulas abrirem, para poupar seus entes queridos de ter 
de lidar com seus corpos. Estes foram dias tenebrosos. Os muito 
jovens e muito velhos morriam primeiro. Aqueles que tentavam 
ajudar os outros se contaminavam ao tocar o fluido, morriam em 
seguida. 
A praga, por fim, matou mais de metade daqueles que foram 
expostos a ela. Algumas pessoas sobreviveram por alguma 
imunidade natural ou intervenção divina. Assim que os sintomas 
apareciam, a pessoa morria cerca de doze horas mais tarde. A 
praga chegou em três ondas, cada uma delas atingindo o grupo mais 
fraco de pessoas. Se você adoecia e, de alguma forma sobrevivia, 
você ficava imune. 
Os militares que atendiam os mortos vestiam trajes brancos 
anticontaminação. Eles tiravam os corpos dos mortos para parques 
ou estádios de futebol onde haviam cavado imensas valas. Os 
mortos eram, em seguida, embebidos em combustível e cremados. 
As tropas não falavam conosco, pois a maioria deles não falava 
inglês. Eles eram frios e apáticos. Eles só tinham aquela tarefa 
desagradável que eles estavam determinados a realizar sem 
contaminar-se e sem enlouquecerem com tanta morte. Eles 
também não nos perseguiam. Tudo era impessoal. 
Quando eu tinha visto estas cenas enquanto "voava" sobre a 
paisagem, eu vi cidade após cidade em toda a nação onde estes 
7 – Tribulação e Plenitude 
180
cartazes estavam nas portas. Não entendi o que significava até que 
eu vi nesta última parte da visão onde eu estava em solo vivendo 
como participante. Eu fiquei com a impressão de que entre o 
terremoto e a praga, mais de metade da população tinha morrido, 
mais no litoral e menos no interior. 
A cena tornou-se mais e mais horrenda conforme eu assistia o 
tempo passar. Em Utah, e outros lugares onde as pessoas tinham 
dado ouvidos às advertências para armazenar alimentos e preparar-se espiritualmente, havia esperança. Em outros lugares, as pessoas 
perderam a esperança. Algumas pessoas intencionalmente 
contaminaram-se com a peste depois de assistir seus entes queridos 
morrerem. Em lugares onde as pessoas não tinham esperança, coisas 
terríveis aconteceram que eu acho melhor nem contar. Basta dizer 
que crimes hediondos eram comuns. 
Em áreas densamente povoadas, a fome e a sede levaram as 
pessoas a fazer o impensável, cumprindo muitas profecias destes 
tempos a que Cristo se referia a como a "abominação da desolação." 
A civilização estagnou, em expectativa pelo fim de toda a vida, e as 
pessoas desesperavam-se em voz alta, dizendo que Jesus Cristo 
estava atrasando sua vinda até depois do fim de toda a vida na terra. 
Em tudo lugar onde a Igreja era prevalente, as pessoas se deram 
muito melhor devido à preparação do povo e da Igreja. Alimentos e 
água ainda estavam disponíveis. Grandes refeições foram 
preparadas e servidas em locais públicos, que na maioria eram 
igrejas. As pessoas tinham, pelo menos, uma boa refeição por dia. 
Muitos vieram com mais alimentos do que consumiam, sustentando 
o esforço de socorro e acalmando o medo. Ninguém se rebelava. 
Nós dividíamos o que tínhamos com todos. 
Conquanto a Igreja não participasse na vida cívica e decisões, 
as tropas estrangeiras permitiam esses esforços e contribuíam para 
que a comida fosse servida. 
As Igrejas, SUDNT14 e outras, organizavam-se em famílias nos 
alojamentos. As tropas traziam água em grandes caminhões-pipa. 
Água era racionada, mas era abundante. A comida era simples. Eu 
não via muita carne; a maioria eram alimentos armazenados da 
população local e da Igreja. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
181 
Se alguém adoecia, havia um protocolo onde um médico ou 
enfermeiro local se certificava de que era a praga e, em seguida, as 
tropas estrangeiras o levavam para os hospitais maiores. 
As tropas continuaram a exercer mais e mais controle, incluindo 
a criação de lei marcial e a suspensão das liberdades civis. A 
aplicação de suas leis novas se dava por um aviso, pela recusa de 
comida e serviços complementares para sua família, ou pela pena 
de morte. Eles não mantinham prisões. 
Foi por este tempo que a praga atingiu a Europa, Ásia e África. 
Não creio que tenha iniciado lá ou que houvesse intenção de que lá 
chegasse, mas ela ficou fora de controle e cruzou os oceanos. A 
devastação foi muito mais grave do que nas Américas. O 
resultado ao longo do tempo foi um colapso total da sociedade. 
Também ouvimos de grandes catástrofes naturais já em curso em 
todo o mundo. Houve furacões, tornados, inundações, terremotos, e 
doença. Este foi o período em que a massa de terra surgiu na região 
do Golfo do México e a tsunami varreu tudo em direção norte. 
Inicialmente, os Estados Unidos da América foram mais 
duramente atingidos por tudo isso, mas quando as assolações 
atingiram a nações que tinham lançado a praga e detonado as armas 
nucleares, foi muito mais destrutivo sobre eles. Ruíram inteiramente 
todos os seus governos, instituições financeiras e suas economias. 
Tiveram fortes terremotos e movimentos continentais, e seus motins 
e guerra eram muito mais devastadores do que na América. As 
pessoas estavam tentando deixar os continentes m multidões. Como 
eu vou explicar mais detalhadamente mais tarde, anjos e seres 
transladados ministravam pelos dignos e fiéis e os protegia ao 
encetarem sua jornada a Sião. 
A Marca da Besta 
Em todas as minhas visões, eu nunca vi alguma marca nas 
pessoas, ou ouvi pessoas falando de serem obrigadas a receber uma 
marca ou microchip para comprar e vender. Era verdade que cada 
um de nós tinha um número no nosso nome, e esse número era 
7 – Tribulação e Plenitude 
182
necessário para qualquer transação de vulto, tal como a compra de 
uma casa ou obter crédito. Isso pode ter sido parte da marca. 
Mas o que eu vi foi que nós nos marcamos espiritualmente44. 
Esta marca começou talvez trinta anos antes da tribulação, quando 
a contracultura do politicamente correto começou, e o ataque aos 
valores e tradições cristãs começou. Em um primeiro momento, 
parecia tão inofensiva que era ridícula, como uma doença a que 
todos nós imunes. Em breve, no entanto, ganhou novas cores como 
significando compaixão, lealdade, aceitação, tolerância e igualdade. 
Daí, ela evoluiu em poder, com a capacidade de pegar qualquer 
verdade e repintá-la como uma mentira, ou pegar qualquer mentira 
e colocar-lhe uma nova etiqueta como verdade. Submeter-se a essa 
linha de pensamento e sair de sintonia com Espírito Santo marca-
nos com trevas. É uma marca que colocamos na nossa própria alma. 
Não era visível para outro homem, mas quem se havia marcado 
desta forma não podia discernir o Espírito Santo, e eles 
encontraram-se completamente dependentes das tropas 
estrangeiras, que na verdade não tinham interesse a longo prazo na 
sua sobrevivência. 
Quando as tribulações começaram era quase impossível àqueles 
que haviam recebido a marca da besta ver mão de Deus buscando 
levá-los à segurança. Eles estavam cegos para a única coisa que 
poderia socorrê-los, e muitos acabaram perdidos. 
Sinais da Segunda Vinda 
O inverno que chegava era ameno. O céu estava carregado de 
cinzas, fumaça e vapor. O sol ainda parecia tão quente quanto antes, 
mas o clima era ameno. Impressionantes poentes e nascentes 
abundavam. Muitas vezes parávamos para e assistir, imaginando o 
que significavam. A neve não apareceu naquele inverno, o que foi 
causa de grande alívio e de maior sobrevida. A maioria das pessoas 
não tinham meios eficazes de aquecer qualquer um dos edifícios em 
que viviam. 
A atmosfera da terra parecia diferente desde então. Um processo 
de purificação estava ocorrendo. Embora estivéssemos enfrentando 
John M. Pontius – Visões de Glória 
183 
grande devastação, a água ficou mais clara e limpa nos rios e lagos. 
Você podia exergar a uma grande distância no fundo dos lagos. A 
terra estava sendo aparentemente limpa e purificada. Muitas 
pessoas comentavam e se admiravam dos grandes "sinais e 
maravilhas" que se manifestavam sobre a terra e o céu45. 
Vimos diferenças nas constelações, o que nos fez indagar-nos se a 
terra estava saindo de sua órbita normal. Isso causou pânico 
mundial quando observado pela primeira vez, mas havia tanto medo 
entre os Santos. Nós sabíamos que mão de Deus estava sobre nós e 
que estes eram os "sinais da segunda vinda" que o mundo tinha 
esperado tanto para ver. 
Ressuscitando um Menino Morto 
 Uma das minhas lembranças favoritas daqueles momentos na 
visão era de estar no porão de uma antiga Igreja SUD em Salt Lake 
City. Estávamos cantando ao redor de um piano quando a esposa do 
correu para o quarto e pediu a mim e a alguns outros para subir e 
abençoar o bebê, que recém adoecera. Apressei-me ao andar de 
cima e examinei o menino sem tocá-lo. Eu não vi os, agora 
familiares, sinais da peste nele. Ele tinha cerca de dois anos de 
idade, com cabelos loiros. Seus olhos azuis estavam abertos, 
absortos. O seu corpo era magro pela dieta pobre. O seu rosto era 
sarapintado, com veias transparecendo, como se ele estivesse 
sufocado. Ele não estava respirando e não tinha pulso. 
Ungimos a criança com óleo consagrado. Sua mãe pediu-me 
para pronunciar a bênção. Vários outros irmãos juntaram-se a mim. 
Depois de uma curta pausa para ter certeza de que estava a ouvir o 
Espírito Santo corretamente, e para dar a minha coragem um 
momento para alcançar a minha fé, eu disse: "Tommy, em nome de 
Jesus Cristo, eu te ordeno que fique curado. Em nome de Jesus 
Cristo, amém." Foi uma curta bênção, só aquelas poucas palavras. 
O menininho instantaneamente despertou da morte, teve uma 
inspiração profunda, e começou a chorar. Sua mãe chorou de alegria 
7 – Tribulação e Plenitude 
184
e tentava confortar seu filho. Sua aparência rapidamente se tornou 
normal e em pouco tempo ele voltou a brincar. 
Plenitude do Sacerdócio 
Nós que tínhamos participado naressuscitação do garotinho 
conversamos por um longo tempo sobre isso, porque nós tínhamos 
dado bênçãos de sacerdócio centenasa de vezes desde que as 
catástrofes começaram, e descobrimos que não tínhamos poder para 
parar a praga, e só ocasionalmente pudemos levantar os mortos. 
Tivemos maravilhoso sucesso contra algumas outras aflições, mas 
nunca como um milagre como este. O Espírito Santo operou em 
nós, e nós percebemos que agora tínhamos a plenitude do 
sacerdócio30. Nos regozijamos e rapidamente começamos a passar 
de pessoa em pessoa na Igreja e comunidade, curando a maioria 
deles. A alguns não tivemos permissão para curar, porque isso não 
era plano do Senhor para eles. Não questionávamos porque 
dávamos as bênçãos como o Espírito ditava, e seguíamos em frente. 
O Espírito Santo dizia-nos para onde ir e a quem devíamos curar. 
Daí em diante, 100 por cento das pessoas que administramos a 
foram curadas ou retornaram da morte. Nenhuma palavra pode 
descrever o alívio e a alegria que sentimos ao seguirmos de porta 
em porta. Tínhamos certeza em nossos novos dons, e a nossa fé em 
Jesus Cristo era profunda. Sabíamos que podíamos, e o fazíamos. 
Trabalhamos dia e noite para administrar pelo povo, ao mesmo 
tempo admoestando cada pessoa envolvida para evitar revelar essa 
mudança para as tropas estrangeiras. 
Outros grupos de portadores do sacerdócio descobriram a 
mesma bênção, e uma grande restauração da saúde física e 
emocional das pessoas rapidamente aconteceu. 
Esse novo poder deu grande esperança e coragem entre os 
Santos. Este foi um poderoso evento unificador entre nós. Fez-nos 
fortemente coesos e unidos – unos de coração. A coragem e a fé não 
foram apenas restauradas, mas elas foram amplificadas e eram 
visíveis diante de todos. Nós já sabíamos, naquele momento, que 
John M. Pontius – Visões de Glória 
185 
iríamos sobreviver, e que Deus estava começando a fazer milagres 
para salvar-nos. O dia dos milagres tinha começado. 
Neste momento, tivemos também um aumento no trabalho 
missionário. As pessoas de outras religiões podiam ver com olhos 
abertos pelo Espírito Santo que os milagres estavam acontecendo. 
Curou a muitos deles e a seus filhos. Eles queriam saber o que 
tínhamos que nos fazia diferentes. Nós lhes ensinamos, e muitos 
deles com gratidão se juntaram a nós e começaram o seu próprio 
ministério milagroso nos últimos dias. 
Começamos a receber instruções e atualizações regulares da 
Igreja. A lista de vítimas entre os Irmãos foi publicada e nós 
choramos a perda substancial de nossos amados líderes. Eu me 
lembro da maioria dos nomes dos mortos e dos sobreviventes, pois 
as repetimos entre nós muitas vezes e oramos por suas famílias. Mas 
optei por não revelar seus nomes. 
A vida chegou a uma espécie de equilíbrio. A peste estava quase 
no fim nesta parte do mundo, apesar de ainda acontecer noutros 
países. Nós tivemos um certo grau de restauração da sociedade, e 
tínhamos aquele maior poder do sacerdócio. O nosso coração 
voltou-se para a reedificação, especialmente da Praça do Templo. 
Andei até lá centenas de vezes para ajudar na limpeza. O Templo 
tinha sido inundado cerca de oito metros, como já mencionei, e 
apenas oficiantes dignos foram autorizados a entrar. O meu trabalho 
dentro do templo era um doce prazer à minha alma. 
Houve um senso de unidade e propósito entre aqueles que se 
reuniram para reparar e recuperar os jardins do templo como eu 
nunca sentira antes. Não houve desespero, nem discutições, nem 
opiniões contrárias, apenas fraternidade e solidariedade. 
Aqueles cujas vozes eram de fúria não juntaram-se a nós nesta parte 
de nossa reedificação. 
Já haviam passado vários meses desde a inundação, e perto de 
outubro, mas não estava frio. O céu estava tão cheio de detritos que 
não esfriava. Suponho que esta foi uma real mostra do aquecimento 
global. Provavelmente ele salvou as nossas vidas. Temos trabalhado 
7 – Tribulação e Plenitude 
186
na lama e em edifícios encharcados o dia inteiro e, no entanto, não 
sofríamos de frio. 
Notei que eu tinha uma grande reserva de energia e mais força 
física do que eu jamais tivera em minha vida. Eu tomava cuidado 
para não exibir esses pontos fortes abertamente mas para trabalhar 
constantemente e ajudar os outros a remover árvores ou estruturas 
caídas, eu era capaz de fazer muito mais do que os outros percebiam. 
Observei que muitos outros em nossos grupos tiveram habilidades 
similares. Pelo menos metade deles eram mulheres. Nós 
rapidamente aprendemos a reconhecer outras pessoas que estavam 
começando a se transformar. Não havia brilho ou sinal exterior, mas 
houve uma essência ou aparência em nós que outros como nós 
podiam ver. Não falávamos um com o outro sobre o que se passava 
conosco porque nenhum de nós realmente entendia. 
Conferência Geral 
Perto do fim do ano, a Igreja anunciou que haveria uma 
conferência geral e um serviço fúnebre geral de todos os mortos, 
inclusive Autoridades Gerais, no Centro de Conferências no 
primeiro domingo de Outubro. Todos nos alegramos, mas também 
choramos por nossos entes queridos. 
Todos os meus filhos tinham-se mudado para outras partes do 
país antes das tribulações começarem, e eu não tinha a menor ideia 
sobre o seu bem-estar. Eu nunca vi a minha esposa novamente. Lyn 
infelizmente pereceu no dilúvio ao primeiro dia, e eu sentia 
profundas saudades. Mas cumpri meu luto por ela com uma 
sensação de grande alívio. Ela não estava bem naquele momento. 
Esta vida nova que tem sido demais para ela. Eu estava feliz por ela 
não ter que passar por aquilo, e eu sabia que ela estava totalmente 
envolvida em abençoar seus filhos em sua nova posição. Eu também 
percebi que ela olhava por mim e que estava consciente das 
mudanças que estavam acontecendo em mim. Ofereci-lhe um 
comovido adeus, sabendo muito bem que não muito longe no futuro 
eu iria abraçá-la novamente quando Cristo finalmente retornasse. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
187 
Os representantes da Igreja passaram pelos trabalhadores na 
Praça do Templo, e em seguida, de rua em rua, distribuindo 
ingressos para esta próxima conferência. Haveriam quatro sessões 
da conferência. Os bilhetes eram tiras de papel rasgado. As 
sessões foram distinguidas por bilhetes brancos, azuis, verdes e 
vermelhos. Foi-me entregue um bilhete vermelho, o que indicia a 
última sessão do dia. 
No dia da conferência, já que ia na última sessão, subi as escadas 
para o piso superior do Edifício Memorial Joseph Smith e encontrei 
um lugar na janela onde está hoje o restaurante. Eu estava olhando 
diretamente para a estátua do anjo Morôni e o jardim abaixo. Cada 
centímetro da área abaixo estava cheio de gente. Eles tentaram 
vestir traje de domingo, mas a água era escassa para lavar e suas 
roupas estavam um pouco manchadas. Esta foi a primeira vez, desde 
a inundação, que eu estava dentro de um prédio alto, e fiquei 
chocado com tanta destruição ainda evidente, tanto quanto eu podia 
ver. 
A Igreja colocou telões ao lado do templo e em outros prédios 
para que as pessoas pudessem ver e ouvir a qualquer sessão de 
conferência que quisessem. Havia gente demais para que todos 
pudessem sentar dentro, mesmo com quatro sessões. O 
povo espalhava-se nas ruas. Todos poderiam ouvir a transmissão em 
alto-falantes, e a maioria podia ver os telões. 
Grandes áreas foram reservadas para a preparação e serviço de 
alimentação, uma vez que agora quase tudo era feito 
comunitariamente. As tropas estrangeiras desocuparam a área para 
dar espaço. Não havia necessidade de polícia porque a harmonia e 
a unidade eram tão fortes que mesmo eles podiam sentir. 
Não havia carros nas ruas. Nada se movia. A eletricidade não 
tinha sido restaurada, mas eu podia ouvir os geradores funcionando 
próximos aos telões, adiante do Centro de Conferências. No prédio 
em que eu estava, havia eletricidade, mas a maioria das salas ficava 
no escuro. O dia raiou claro e morno. As pessoas abaixo só 
precisavam de paletós ou malhas.7 – Tribulação e Plenitude 
188
A primeira sessão da conferência foi um serviço fúnebre. Todos 
os nomes dos Autoridades Gerais que eram confirmados mortos 
foram lidos. Eu fiquei chocado com tantos nomes de conhecidos que 
haviam perecido; alguns eram meus conhecidos e amigos de longa 
data. No Centro de Conferências haviam dezoito caixões vazios 
abaixo do suporte, representando os muitos mortos que haviam sido 
enterrados semanas ou meses atrás. 
Houve uma sensação quase elétrica do Espírito Santo no meio 
de nós. Choramos pelos mortos fiéis, mas também sentimos que 
algo maravilhoso iria acontecer nesta conferência. Não havia 
nenhum medo, nenhuma discórdia, apenas um senso de antecipação 
e poderosa união. 
Quando a primeira sessão terminou, o próximo grupo de fiéis 
entrou no Centro de Conferências, e uma sessão um pouco diferente 
foi aberta. Os mortos foram mencionados, mas sem cerimonial. 
Alto-falantes ensinaram poderosos princípios do evangelho e 
instruíram-nos sobre planos para reconstruir e reagrupar. 
A terceira sessão foi no final da tarde. Ela também era diferente 
das sessões anteriores, bem como falou sobre o futuro da Igreja e o 
futuro do mundo. Foi anunciado que a sessão final não seria 
transmitida e convidaram as pessoas reunidas do lado de fora para 
retornar a suas casas. 
No momento em que a terceira sessão evacuou o Centro de 
Conferências, o sol estava baixo no céu. Tomei o elevador para 
baixo, no porão. Eu entrei através do túnel e cheguei bem ao lado 
do batistério do templo. Eu saí pela porta junto ao mastro da 
bandeira e entre o Templo e onde o Tabernáculo costumava ser. 
Encontrei muitos outros com bilhetes vermelhos atravessando a rua. 
Não havia nenhum tráfego, por isso, andamos em frente como a 
frente de um exército. Estávamos todos vestidos de roupas de 
domingo, mas a maioria de nós estavam um pouco sujos e 
manchados pela falta de água e as condições nas ruas. 
Eu entrei para o Centro de Conferências e apresentei o meu 
bilhete. Irmãos às portas conduziram-me para a sessão e dirigiram-
me para o andar principal. Eu estava feliz por ocupar um lugar mais 
próximo da frente no andar principal. O Centro de Conferências 
John M. Pontius – Visões de Glória 
189 
cheirava úmido mas não mofo. Os pisos estavam secos, mas danos 
pela água eram evidentes até uns três metros nas paredes. 
As autoridades gerais já estavam no púlpito. Apenas um irmão 
sentou-se nos três lugares reservados para a Primeira Presidência. 
Eu reconheci todos dos Doze que permaneceram. 
Eu continuei a olhar os bancos à minha direita do púlpito e 
reconheci outros dos Doze, com muitas cadeiras vazias. Ao meu 
lado esquerdo do púlpito sentaram-se muitos irmãos que eu não 
reconheci imediatamente. Continuei a estudá-los com atenção. Pude 
sentir o Espírito mais forte dentro de mim, e, de repente, percebi que 
uma das pessoas no púlpito era Joseph Smith Jr., o profeta da 
Restauração. Talvez os meus olhos chegaram a ele mais cedo 
porque ele estava vestindo um terno de linho, camisa branca e uma 
gravata cor de linho. Todos os outros usavam ternos escuros. Ele 
parecia bastante diferente das pinturas e estátuas que eu tinha visto 
dele, mas sua identidade veio para mim ardendo como um raio de 
revelação. Eu simplesmente sabia quem ele era. Ele se assentou, 
estudando o a congregação diante dele. 
Acho que reconheci John Taylor e Brigham Young, mas eu não 
estava inteiramente certo porque eles estavam mais jovens do que 
pareciam nas fotos que eu tinha visto deles. Convenci-me de que 
alguns dos outros no estande eram seres ressuscitados, embora eu 
não soubesse os nomes deles. 
A conferência começou como qualquer outra. O Apóstolo 
sênior sobrevivente pôs-se em pé deu boas vindas e anunciou a 
primeira parte da reunião. Sentados nas suas habituais poltronas 
vermelhas estavam cerca de metade do Coro do Tabernáculo. Em 
vez de se agrupar para a frente, eles se sentaram em seus lugares 
habituais, deixando evidentes as lacunas entre eles em homenagem 
aos que morreram. Eles se levantaram e cantaram. A oração seguiu-
se e o coro cantou novamente. A eletricidade falhou algumas vezes 
durante o coro, fazendo o som de sua voz baixar, aumentar e baixar 
de novo. 
Após isso, eles nomearam os novos apóstolos que iriam 
preencher os lugares vagos no Doze. Reconheci alguns destes 
7 – Tribulação e Plenitude 
190
irmãos, mas não todos eles. Eles anunciaram a nova Primeira 
Presidência, e os novos irmãos encaminharam-se para seus lugares. 
Foi-nos pedido o apoio para esses chamados, e o fizemos com 
braços levantados e exclamando "sim!" O que eu nunca tinha antes 
ouvido na conferência, mas foi espontâne e cheio de alegria. 
A primeira pessoa que falou foi o meu amigo dos Doze, que já 
tinha morrido há muitos anos. Emocionei-me de vê-lo mais uma vez 
e chorei, pois o amava e tinha saudades, mas também porque ele 
estava aqui, falando nesta conferência com outros dignitários do 
passado. Foi um poderoso sinal desses grandes dias agora 
alvorecendo. Ele falou do cumprimento de tudo o que os profetas 
haviam predito. Ele testificou de Cristo em termos tão poderosos 
que eu sabia e todos sabiam que ele tinha visto a Cristo e esteve nos 
seus braços. Ele leu as Escrituras sobre o cumprimento das 
dispensações, mas ele mudou algumas palavras de modo que, em 
vez de falar do futuro, eles testificavam de coisas presentes. 
Joseph Smith Jr. 
A autoridade presidente, em seguida, anunciou que tinha uma 
pessoa especial que iria dirigir-se a nós. Então ele introduziu Joseph 
Smith Jr.46, que se levantou e andou até o púlpito. Ele era mais alto 
e de ombros mais largos do que eu tinha imaginado. Ele ficou em 
silêncio por um momento, olhando para toda a vasta assembleia. 
Quando ele falava, sua voz era leve, pura e inabalável. Sua voz 
tinha o poder do conhecimento absoluto subjacente. Entendemos 
que sua fé e conhecimento eram perfeitos. Ele tinha o domínio do 
uso do idioma e era capaz de falar com cores e poder de descrição 
que poucas pessoas possuem. Juntamente com o fato de que fomos 
infusos com o Espírito Santo, você pode entender por que ficamos 
tão enlevados por ele. Ele teceu as elocuções proféticas das 
Escrituras e seu próprio testemunho juntamente com tanta 
eloquência que ninguém pôde duvidar ou negar a sua verdade e 
poder. Além disso, estou certo de que cada alma presente já fluía 
luz e a verdade, e o seu testemunho brilhou em nosso entendimento 
e nos deu mais motivos para nos alegrar. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
191 
Estava tão silencioso no prédio que você poderia ouvir 
alguém inalar. Eles não queriam sequer que o som do seu coração 
os fizesse perder uma única palavra. Todos os olhos estavam 
colados nele, cativos pela sua presença. Houve uma luminescência 
de justiça sobre ele. 
Ele nos deu boas vindas e deu seu testemunho do Salvador. Ele 
virou-se e reconheceu as autoridades viventes e deu o nome de cada 
um deles. Ele verificou que tinha sido chamado por Deus e que ele 
não estava ali para assumir, ou ser o atual profeta. Ele disse que ele 
teve sua própria designação em relação a edificação de Sião, que 
iria nos ajudar na grande tarefa diante de nós, e que ele iria trabalhar 
através do profeta ordenado e não por si mesmo. 
Adam-ondi-Ahman 
Joseph disse, "Eu gostaria de falar de um evento que aconteceu 
há algumas semanas no vale de Adam-ondi-AhmanNT15 (Adão-ondi-
Amã)." Virou-se para o recém-ordenado profeta em gesto 
afirmativo, como se buscando a sua aprovação. O profeta fez gesto 
afirmativo. Joseph, então, falou por cerca de noventa minutos, 
informando-nos sobre o grande encontro de Adam-ondi-Ahman47, 
que tinha acabado de acontecer. Ele ensaiou os acontecimentos em 
grande detalhe. Ele descreveu uma plataforma temporária que tinha 
sido construída, e o único assentado sobre ela foi Adão. O grupo era 
pequeno, portanto, não houve necessidade de um sistema de alto-
falantes. Ele mencionou cada cabeça de dispensação, sua descrição 
física,o que ele tinha dito e o que ele havia relatado. 
Nunca antes, em tudo o que vivi, foi prestado um testemunho 
mais poderoso entre os homens. 
Joseph então disse que Adão recebeu o relatório de cada profeta, 
Joseph relatou por último. Ele relatou-nos com grande emoção que 
ele então virou-se para o Adão e testificou em nome de Jesus Cristo, 
que o seu trabalho tinha sido cumprido, não tudo, mas a sua 
designação fora cumprida. 
7 – Tribulação e Plenitude 
192
Naquele momento da reunião, Joseph relatou que Jesus Cristo, 
em seguida, apareceu em glória ao lado de Adão. Adão ajoelhou-se 
e relatou a Jesus Cristo que o trabalho já tinha sido cumprido. Jesus 
Cristo, em seguida, aceitou o seu relatório e pronunciou que era bom 
e elogiou a sua fidelidade. 
Em seguida, Joseph falou sobre a reunião dos Santos nestes dias. 
Ele disse que havia uma coligação ocorrendo em Salt Lake City, e, 
por causa dos recentes acontecimentos, que alguns dos fiéis seriam 
inspirados em todo o mundo para vir a este lugar. Ele disse que 
aqueles que chegaram até aqui viriam do estandarte sob o estandarte 
de Deus, e que devemos receber e cuidar deles. 
Ele nos informou que muitos outros lugares por todo o mundo 
se tornariam "cidades de Sião" e lugares seguros de reunião para os 
Santos48. Ele disse que o "Local Central de Sião" que fora conhecido 
como Missouri, atrairia aqueles ordenados para reunir-se ali, e 
quando estivéssemos todos reunidos nesses lugares seguros, então 
o trabalho do milénio começaria. Disse que quando todos os eleitos 
estivessem reunidos com segurança em Sião, Jesus Cristo, ele 
próprio, viria para governar e reinar sobre a terra. 
Quando ele disse estas palavras, um grito espontâneo de 
"Hosana!" levantou-se de nossos corações e lábios. 
Joseph falou sobre a restauração de todas as coisas, que todas as 
bênçãos e poderes que sempre houveram, desde o início dos tempos, 
eram agora restauradas em sua plenitude neste momento. Ele 
salientou que todos os dons como parte da plenitude do sacerdócio, 
incluindo o poder da transladação, eram agora restaurados em maior 
medida do que nunca antes nesta terra. Ele disse que até mesmo os 
milagres que hoje estávamos começando a experimentar entre nós 
parecerão pequenos quando comparados com o que ainda estava 
por vir. Isso, disse ele, é o que se entende por "plenitude 
dos tempos". 
Ficamos extasiados porque estávamos pensando como podia ser 
isso, que mais coisas poderiam acontecer do que as que aconteciam 
neste momento? Estávamos aqui ouvindo um profeta ressuscitado e 
olhando profetas ressuscitados no púlpito. Nós já tínhamos a 
plenitude do sacerdócio, porém, reconhecíamos não saber o que isso 
John M. Pontius – Visões de Glória 
193 
significava exatamente. Diariamente participamos de milagres. 
Todos nós tínhamos visto anjos e estávamos em processo de 
alteração física – não podíamos imaginar algo maior. Mas isso não 
nos impediu de acreditar em suas palavras; apenas não podíamos 
imaginar algo maior, e a força da sua afirmação ardeu com brilho 
em nossas almas, iluminando nossas mentes e elevando as nossas 
esperanças para além dos limites da crença humana. 
Não havia um olho seco no recinto. Todos nós choramos 
abertamente, de alegria e muita esperança. Eu chorava tão 
profundamente pois percebi neste momento que tudo o que eu tinha 
visto, e tudo o que me havia sido prometido, era realizado neste 
momento. As promessas foram cumpridas. Estava feito. Minha 
jornada, que eu julgara me trazer ao presente momento, foi alterada 
na minha alma e minha verdadeira jornada tinha apenas começado. 
Os dias e os anos da minha infância espiritual terminaram, e eu 
estava preparado. O martelo de forja do refinador havia caído sobre 
mim até que todas as impurezas e a escória finalmente 
desapareceram. 
Eu não podia conter minhas lágrimas, alívio e assombro, porque 
aqui estava eu, sentado em roupas enlameadas, em um edifício 
danificado, com as luzes falhando, em um mundo devastado, onde 
nada restava da sociedade. No entanto eu tinha finalmente chegado 
ao início do caminho que por tanto tempo havia sido no meu 
coração, mas até agora além da minha capacidade de reivindicação. 
Agora neste momento inesperado, sentado antes seres ressuscitados 
do passado as dispensas, eu tinha finalmente chegado ao início de 
minha missão nos últimos dias. 
Joseph pausou por um longo período até que houve silêncio 
absoluto. Ele parecia estar lutando com suas emoções e lançava 
olhares à direita. Por fim, ele moveu sua mão para a pessoa 
sentada logo à direita da nova Primeira Presidência e clareou sua 
garganta. 
Eu não tinha ideia de quem era essa pessoa. Ele estava vestido 
com um simples terno preto, camisa branca e gravata vermelha, que 
ele poderia ter comprada na JCPenney antes da inundação. Sua 
7 – Tribulação e Plenitude 
194
roupa estava tão amassada e manchada como de qualquer um de 
nós. Eu imaginara que ele fosse um dos antigos cabeças de 
dispensação. Eu sabia que ele era um ser ressurreto, e eu também 
sabia pelo trajar amarrotado que ele tinha ajudado no trabalho de 
resgate e reedificação. 
O Filho de Deus 
Joseph disse em uma voz cheia de emoção, "tenho o grande 
privilégio de apresentar Jesus Cristo, o Filho de Deus." 
O homem apresentado pôs-se em pé e começou a refulgir em 
glória. Seu rosto brilhava, como toda a sua pessoa. O seu vestuário 
embranqueceu quando Sua glória dominou todas as cores perto 
d’Ele.
Ele sentara-se ali por toda a reunião, que já estava bem na sua 
terceira hora, e eu não o tinha reconhecido. Eu já tinha visto o Seu 
rosto e foi abraçado por Ele várias vezes, mas eu não o reconheci 
até que Joseph falou o seu nome. Então, foi como se um véu tivesse 
sido tirado, e o reconheci instantaneamente e quase pulei do meu 
banco para correr para Ele, mas não o fiz. Eu apenas engasguei em 
deslumbre assim como todos os presentes. 
Ele não caminhou para o púlpito, mas apenas estava ali como 
todos os olhos foi transfixada por causa dele. Ele tornou-se o centro 
do universo, e andar até o púlpito não mudaria isso. A luz 
que provinha d’Ele aumentou de intensidade até iluminar todo o 
Centro de Conferências. Era tão brilhante que preenchia todas as 
sombras. 
Percebi mais tarde que aquilo que acontecera durante este longo 
momento em que vimos Sua glória se manifestar não foi que Ele 
que se transformou – fomos nós. Estávamos sendo transfigurados 
pelo Espírito Santo para sermos capaz de vê-lo em sua glória sem 
ser consumidos por ele. 
Todas as inquietações foram retiradas do meu coração e 
substituído por esperança, alegria, caridade, amor, certeza e 
conhecimento puro. Finalmente soube que eu completara esta vida 
mortal. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
195 
Eu pensei sobre os de minha família que tinham morrido no 
terremoto e senti total e completa paz. Eu sabia que eles estavam 
felizes e engajados neste mesmo trabalho. Para as pessoas da minha 
família que tinham sobrevivido, eu sabia exatamente o que eu 
precisava fazer para fortalecer e ajuda-los. 
Quando Cristo se levantou e transfigurou-se em Sua plena 
glória, toda a experiência de estar ali, na presença do Cristo 
transfigurado, começou a mudar-nos. Sabíamos que estávamos 
sendo transfigurados, e alguns de nós estavam sendo 
transladados31. 
Tive uma viva lembrança em minha mente de uma sagrada 
experiência que não contei ainda, na qual o me prometera que se eu 
continuasse fiel e verdadeiro em meu chamado, tempo viria quando 
eu seria transformado, como os antigos habitantes da Sião de 
Enoque, para uma vida e o corpo imortais. 
Quando nosso Salvador falou, a primeira palavra de seus lábios 
era o meu nome! Fiquei muito alarmado, até perceber que cada 
pessoa presente ouviu o seu nome. Enquanto ele falava, eu podia 
ouvir e compreender as palavras que ele dizia para mim, mas eu 
também estava vendo uma visão de sua descrição da minha futura 
missão. Eu vi toda a minha vida daquele momento em diante, tudo 
o que eu faria,em todos os lugares que eu ia, cada pessoa a quem 
eu ministraria, e como tudo iria ser. Depois, falei com todos que 
pude, e que estiveram neste glorioso evento, provavelmente várias 
centenas de pessoas, e todas as pessoas com quem falei que tinham 
ouvido o seu nome e a visão de sua própria vida. 
A minha primeira emoção foi a de que tudo o que eu tinha visto 
ao longo dos muitos anos, minhas muitas excursões para além da 
morte, as muitas visões e coisas que eu já tinha visto, eram verdade. 
Eu sempre acreditei que fossem verdadeiras, mas que eram, talvez, 
mais uma metáfora do que uma visão de reais acontecimentos 
futuros. Eu sempre fui fiel a esse conhecimento, mas agora eu sabia 
que tinha sido mostrado eventos reais do meu futuro. Eu sabia, nada 
duvidava e regozijava. As visões que tinha visto anos antes foram 
para guiar-me a este momento. As visões eu via agora concluíam a 
7 – Tribulação e Plenitude 
196
minha educação e me davam todas as peças que faltavam. Como eu 
já disse muitas vezes, eu não entendi grande parte do que eu tinha 
visto, e agora entendia tudo em doce clareza. 
A visão encerrou-se e Jesus Cristo pausou. Em tempo real, acho 
que só uns poucos minutos tinham decorrido desde que Ele 
levantou, mas as visões eu vi cobriam anos. 
Jesus Cristo, em seguida, disse-nos que tinha foi ao Pai e relatou 
sobre o trabalho que a família de Adão tinha concluído. O 
Pai aceitou o trabalho. Em seguida, girou lentamente da esquerda 
para a direita, silenciosamente abençoando a cada um na 
congregação. Ele falou a cada um o coração ao mesmo tempo. Suas 
palavras penetraram todos os corações e mentes completamente, de 
forma íntima e individual. Eu sabia, e todos sabiam, que Ele lhes 
falava pessoalmente. 
Estar no Centro de Conferências e de ver o cumprimento de tudo 
o que sempre esperamos, desejamos e acreditamos, agora se 
realizando, tornou nossa esperança em realidade, e a nossa fé se fez 
certeza. O nosso conhecimento de tudo o que os profetas tinham nos 
dito-nos por gerações, vinham à plena consumação. Era imponente, 
definitivo e conferia poder. 
Vimos que o muito aguardado Salvador diante de nós e falar as 
palavras que só tínhamos lido antes. Suas palavras brotaram dentro 
de nós e penetraram as profundezas de nos nossos corações e 
mentes. No entanto, agora que sabia com a maior certeza de que 
tudo o que ele havia falado sobre esses dias e horários, tudo o que 
ele tinha dito aos seus profetas durante milénios, já chegara a passar 
e que tudo seja cumprido em nossas vidas, bem diante dos nossos 
olhos. Ele era a nossa única realidade. Nós o vimos! Ouvimo-lo! 
Vimos as visões e derramaram as lágrimas! Sabíamos! Nós, 
estavam unidos, densa em conjunto com os mais profundos laços de 
amor, para nunca mais serem separados dele. 
Como encerramos a reunião, cantamos "Eu sei que vive meu 
Redentor!" As palavras se tornaram extremamente pessoais e 
imediatamente cumpridas por todos nós. 
Eu sei que vive meu Redentor! 
Que doce conforto essa frase dá! 
John M. Pontius – Visões de Glória 
197 
Ele vive, Ele vive, quem uma vez esteve morto. 
Ele vive, meu Senhor sempre vivente. 
Ele vive para abençoar-me com seu amor. 
Ele vive para interceder acima por mim. 
Ele vive para minha alma faminta alimentar. 
Ele vive para abençoar em tempo de necessidade.
Ele vive para conceder-me farto suprimento. 
Ele vive para guiar-me com seus olhos. 
Ele vive para me confortar quando esgotado. 
Ele vive para ouvir a minha alma lamentar. 
Ele vive para silenciar todos os meus receios. 
Ele vive para enxugar minhas lágrimas. 
Ele vive para acalmar meu coração 
conturbado. 
Ele vive para toda bênção conferir. 
Ele vive, o meu bom, sábio e celeste Amigo. 
Ele vive e ama-me até ao fim. 
Ele vive, e enquanto Ele vive cantarei. 
Ele vive, meu Profeta, Sacerdote e Rei. 
Ele vive e me concede o fôlego diário. 
Ele vive, e eu vencerei a morte. 
Ele vive, a minha mansão preparar. 
Ele vive para lá me levar em 
segurança. 
Ele vive! Toda a glória ao seu nome! 
Ele vive, meu Salvador, ainda o mesmo. 
Oh, doce a alegria, que esta frase dá: 
"Eu sei que vive meu Redentor!" 
Ele vive! Toda glória ao seu nome! 
Ele vive, meu Salvador, ainda o mesmo. 
Oh, doce a alegria, esta frase dá: 
"Eu sei que vive meu Redentor!”
(Texto de Samuel Medley, hinário SUD 1835). 
Ao cantarmos com Ele, lágrimas corriam por nossas faces e pela 
d’Ele. Ele rejubilava-se conosco pois sua missão como nosso 
Salvador finalmente atingia esse momento sublime. 
7 – Tribulação e Plenitude 
198
Por muitos anos aqueles que tiveram o privilégio de estar 
naquela inesquecível reunião de Santos, falaram de ver a Cristo, 
cantar com Ele, trabalhar lado a lado com Ele, sem saber que era 
Ele. Nós falamos do ardor em nossos corações quando Ele desceu 
para abençoar-nos e curar-nos em nosso momento de grande 
necessidade nesta gloriosa dispensação da plenitude dos tempos. 
Transformados! 
A bênção que Ele derramou abundantemente sobre cada um de 
nós foi a capacidade e a força para completar esta nova fase das 
nossas vidas com honra e justiça. As poderosas promessas me 
voltaram à mente, tanto as que eu tinha visto em visões ao longo dos 
anos como as que eu recebi no templo. Estes e mil outros 
entendimentos e verdades, varreram a minha alma. Eu sabia que eu 
estava sendo alterado aqui e ali, em cumprimento às promessas. Pela 
emoção e absorção da grande congregação ali – a poderosa paz e 
reverência, e a constatação de que nós estávamos ouvindo o próprio 
Cristo falar-nos e abençoar-nos individualmente, percebi que 
estávamos todos tendo a mesma experiência. 
Estávamos sendo capacitados a completar a nossa missão, mas 
creio que apenas uma pequena porcentagem dos presentes 
experimentou esta mudança adicional para o estado transladado. 
Cheguei a essa conclusão numa visão posterior de Sião que vou 
contar depois. Creio que todos os Doze foram igualmente alterados, 
pois posteriormente fizeram coisas maravilhosas que nenhum 
mortal sem mudança poderia ter feito. A título de exemplo, depois 
deste evento, viajamos por quase um ano para chegar ao nosso 
próximo destino e, quando chegamos, membros dos Doze 
Apóstolos haviam chegado antes de nós. Fomos os primeiros a 
chegar, e não haviam estradas, trens ou tráfego aéreo de qualquer 
forma. Eles simplesmente iam e vinham pelo poder de Deus. É por 
isso que eu creio que eles também foram alterados. 
Ainda iria me levar anos para descobrir a extensão e o total 
poder dessa mudança, e como a abençoar os outros por aquilo que 
agora me era dado, mas a mudança foi completa em mim – naquele 
momento. Minha educação quanto ao seu uso apenas começava. 
John M. Pontius – Visões de Glória 
199 
Capítulo Oito
A JORNADA COMEÇA 
Preparando Nossa Caravana 
o início da primavera seguinte, fizemos preparativos para 
seguir para as designações que recebêramos na última 
grande conferência. Tínhamos visto quem estaria em nossa 
expedição, onde nos reuniríamos, aonde teríamos que ir, e 
amplos detalhes do que teríamos que fazer ao longo do caminho. 
Não vimos como é que iriamos fazer tudo isso, mas já sabíamos, 
não duvidando, que Deus iria nos dirigir e garantir nosso êxito, 
porque vimos isso. Durante o inverno, tínhamos todos sido 
designados pelas autoridades da Igreja para cumprir estas grandes 
designações dos últimos dias para Cristo. Tudo ocorreu sob a 
direção da Igreja. Embora que já tínhamos visto tudo isso, ainda 
precisamos ser chamados e autorizados a administrar em nome de 
Cristo. 
Me reuni com os que foram chamados à minha caravana. 
Reconhecemos uns aos outros e nos entusiasmamos por finalmente 
nos reunir e juntar suprimentos para a viagem. Fui designado a um 
grupo de cerca de 150 Santos, composto de homens e mulheres, sem 
N
8 – A Jornada Começa 
200
contar os muitos adolescentes, jovens, crianças e bebês. Fomos 
designados para ir para norte a Cardston, no Canadá, para um local 
de reunião perto do templo. 
Nosso líder era um homem a quem o Senhortinha designado 
por visão e a quem a Igreja havia chamado e designado para esta 
viagem. Segundo o padrão que havia sido mostrado, chamou dois 
conselheiros e, em seguida, um conselho de doze, e outros para a 
liderança, que consistia de homens e mulheres. Entre nós, 
chamamos essas doze pessoas "o Conselho". Cada um desses 
indivíduos tinha responsabilidades específicas e fixas. Conforme 
eram inspirados, alguns deles chamavam conselhos adicionais que 
consistiam de três a sete homens e mulheres. Alguns adolescentes 
serviam nesses conselhos também. Essas pessoas serviram como 
conselheiros para um dos doze, e como trabalhadores e 
organizadores das diversas tarefas. 
Não fui chamado para ser do conselho. Por esta altura, eu era 
um homem muito mais velho, e me pediram para ser um conselheiro 
espiritual de toda a caravana, tipo como um patriarca, ou talvez um 
bispo, mas eu não tinha título e nenhuma autoridade. Nesta 
condição, passei a maior parte do meu tempo em reuniões do 
conselho e aconselhando indivíduos. Eu estava numa posição onde 
eu só dava minha opinião sobre alguma coisa depois de ser movido 
pelo Espírito Santo e se haviam perguntado a minha opinião. Se não, 
eu não participava do assunto. 
Nossa caravana operava por comum acordo. Nossos líderes 
considerar algum problema ou necessidade e discutiam-no até 
chegar a um consenso. Em seguida, eles oravam até que eles 
soubessem a mente do Senhor. Eu esperava que eles me fizessem 
uma pergunta antes de contribuir. E eu respondia conforme o 
Espírito Santo me impressionasse, ou não lhes dava opinião. Após 
esse processo, os líderes apresentaram a decisão a todo o grupo, e 
eles foram convidados a apoiar a decisão. Depois disto, o conselho 
e seus comitês passavam a trabalhar para realizar suas tarefas. 
No início, essas decisões foram longas e muitas vezes 
desafiadoras. Às vezes era difícil alinhar nosso pensamento mortal 
com a vontade do Senhor, e tínhamos que descartar nossa ideia e 
John M. Pontius – Visões de Glória 
201 
começar tudo de novo. Ao ganhar experiência neste processo, ele 
tornou-se mais eficiente. Aprendemos a ouvir mais atentamente a 
voz da revelação ao preparar o nosso plano e assim o processo de 
confirmação já estava concluído. Sentíamos a inspiração 
prontamente, e as pessoas sentiram a mesma inspiração ao apoiarem 
o plano, e eram então inspirados na sua execução do trabalho. 
Eu percebi no início de nossa viagem que eu era uma das duas 
pessoas em nossa caravana que haviam sido transladadas, e eu era 
apenas um dos vinte e tantos que tinha estado naquela gloriosa 
conferência onde vimos e ouvimos a Jesus Cristo, e viu nossa 
missão na visão. Eu percebi que eu tinha uma visão muito mais clara 
do que era necessário fazer e ouvidos e coração mais sensíveis à 
palavra do Senhor. Este processo, esta viagem, toda esta disposição 
dos conselhos e apoios foi projetado para aperfeiçoar-nos e a erguer-
nos todos a conhecer nosso dever sem mais necessidade de discutir 
ou planejar estratégias e planos. 
Mas por hora, ao começarmos, este foi um plano inspirado e 
todos nós tomamos nosso lugar, ansiosos por começar. 
Outras Caravanas 
Haviam cerca de cinquenta caravanas organizadas em várias 
partes da cidade. Alguns iam para o México, outros para a 
Califórnia e para quase todos os pontos cardeais. Cerca de um ano 
depois, outros grupos foram enviadas para outros continentes, mas 
agora não havia transporte comercial, e estávamos restritos ao que 
restou do nosso mundo. 
Cada caravana tinha a mesma tarefa: encontrar aqueles que 
Deus nos mostrava, ajudá-los em suas necessidades, ensiná-los, 
fortalecê-los e prepará-los para suas tarefas nos últimos-dias. Na 
maioria dos casos, essas tarefas eram construir cidades de Sião em 
seu próprio local, e não viajar para a Nova Jerusalém. Passaram-se 
muitos anos e muitos ensinamentos e testemunhos até que a 
população em geral da Igreja interiorizasse esta verdade. Como é 
8 – A Jornada Começa 
202
bem compreensível, todos queriam estar entre os "Santos" que 
viriam marchando a Sião, após longo espera – até eu. 
Nossa caravana reuniu tudo o que se sentiu inspirada a trazer: 
roupas, roupas de cama, alimentos e suprimentos médicos. Algumas 
pessoas trouxeram equipamento militar como armas e munições, 
que nossos líderes decidiram não levar. 
Nosso Enorme Caminhão 
Dois dos nossos irmãos apareceram com um enorme veículo 
militar e muitos tambores de combustível na parte de trás. Era um 
dos veículos de grande porte que as tropas estrangeiras tinham 
trazido com elas. Tinha uma cabine grande o suficiente 
para transportar quatro soldados com todo equipamento, ou seis 
pessoas em trajes simples. Ela tinha uma carroceria de cerca de oito 
metros de comprimento coberta com uma capa de tecido presa em 
aros de aço, que o assemelhava a um vagão coberto gigante. Ele 
tinha quatro eixos tracionados e grandes pneus de alta flutuação. Os 
dois eixos dianteiros viravam, e os dois de trás eram fixos. O 
volante estava no lado direito da cabine. Acho que tinha sido feito 
na Ásia, mas eu não me lembro de nenhuma insígnia do veículo 
propriamente. 
 Uma caraterística interessante do caminhão era que ele tinha 
um grande painel solar no teto da cabine. O painel solar podia 
recarregar a bateria do veículo, ou alguma outra bateria. Ela também 
tinha um inversor que produzia tensão normal, o qual utilizamos 
para cozinhar, acender luzes no acampamento ou qualquer outro 
dispositivo elétrico. Quando o caminhão estava funcionando, ele 
acionava um grande gerador para gerar eletricidade à noite, mas 
optamos por não utilizar muito para economizar combustível. 
Até chegarmos ao fim da nossa viagem em Sião, este veículo 
serviu-nos profundamente e salvou muitas vidas. Ele era realmente 
um veículo de sobrevivência. Foi construído para enfrentar qualquer 
coisa. O veículo foi feito de uma espécie de fibra de carbono, que é 
leve e mais forte do que aço normal. As rodas foram concebidas de 
tal modo que sempre mantiveram-se no chão, mesmo ao atravessar 
John M. Pontius – Visões de Glória 
203 
um alto obstáculo, rochas, ou árvores caídas. O caminhão 
era flexível e parecia torcer quando atravessava obstáculos, mas a 
carroceria permanecia sempre plana e lisa. 
Nossos líderes decidiram usá-lo, em grande parte porque ele 
tinha seu próprio combustível e tinha capacidade de carregar quase 
todos os nossos suprimentos. Nem sequer perguntamos como eles 
tinham adquirido esta grande máquina, mas apenas a aceitamos 
como um presente de Deus. Como nossa viagem progredia, ele 
ocupou um lugar importante em nossa jornada e para o nosso 
sucesso. Olhando para tudo o que aconteceu em nossa viagem, foi 
o único veículo que não ficar irremediavelmente preso, pelo menos 
uma vez, e a única que não quebrou. Descobrimos que ele seria 
rodava com qualquer coisa de petróleo bruto, óleos vegetais e 
gordura de cozinha gastos até vodca (embora não encontramos 
muito desse último combustível). Fizemos pleno uso dessa 
capacidade. Ele foi um dos poucos veículos que deixou Salt Lake 
City, e de fato chegou ao Canadá e grande parte do caminho a 
Missouri. Todos os outros ou quebraram ou foram descartados para 
economizar combustível ao longo do caminho. 
Descobrimos também que havia uma estação de purificação de 
água integrada ao veículo. Poderíamos deitar água suja de uma poça 
d'água, ou mesmo o anticongelante de um radiador de carro, dentro 
dele, que saia água fresca para bebermos. Esta foi uma grande 
bênção para a nossa viagem. 
Lembro-me de quando descobrimos esse recurso. O 
sistema estava perto do motor e não aparecia. Pelo fato da escrita 
não ser inglês, não tínhamos certeza do que dizia. Assisti um dos 
irmãos despejar água suja no funil quadrado. Fiquei ali duvidando 
que era este o uso, ou que água potável seria o resultado. Cerca de 
vinte minutos mais tarde, a mais pura e refrescante água começou a 
escorrer em um grande recipiente de plástico na parte inferior do 
veículo.Água suja era drenada para o solo. Lembro-me de degustar 
e espantar-me. Eu nunca fui bom em mecânica, e isso parecia ser 
um milagre para mim. Não foi até que eu estar trabalhando neste 
livro que eu aprendi que os filtros com esta habilidade realmente 
8 – A Jornada Começa 
204
existem. Eu estava como uma criança assistindo algo que parecia 
milagroso, mas que os outros da nossa caravana entendiam. 
Também tínhamos vários veículos 4x4 tipo todo-terreno que 
levavam de duas a quatro pessoas. Muitos deles rebocavam trailers. 
Deixámos para trás jipes pequenos. Tínhamos algumas picapes 4x4 
que puxavam grandes trailers para cavalos, para que pudéssemos 
levar os animais rapidamente se necessário. Em outros tempos, os 
trailers de cavalo serviam como abrigo da chuva e tempestade. 
Partimos com cerca de uma dúzia de cavalos e inúmeros cães e 
cabras. Não trouxemos vacas, galinhas, ou outros animais de 
fazenda porque o Espírito nos disse para deixá-los para trás. 
Nós trouxemos uma grande quantidade de alimentos e outras 
coisas, como implementos agrícolas, peças sobressalentes, e outros 
itens que o Espírito inspirou-nos a trazer. Todas essas coisas nos 
possibilitaram permutar e negociar ao longo do caminho. Tudo isso 
foi para nosso aprendizado, para ensinar-nos a confiar totalmente e 
somente em Cristo. Foi uma dura lição para aprender, pois tínhamos 
que reaprender em níveis cada vez mais elevados. 
Deixamos Salt Lake City no final de Março em uma bela manhã 
de primavera. As flores já começavam a brotar. Estava mais quente 
que o esperado, e o capim estava verde por toda parte que 
olhávamos. A primavera tinha sido bastante chuvosa, e o mundo das 
plantas parecia explodir com flores e folhagens. 
Partimos pela rodovia I-15 rumo ao norte. Nos movíamos num 
ritmo lento porque a maior parte da nossa caravana ia a pé. Não 
estávamos com pressa. Antes de sairmos naquela manhã, reunimo-
nos em conselho, e após discutirmos e orarmos, concordamos 
quanto a rota e distância a percorrer. Não estávamos apenas indo a 
Cardston, éramos o acampamento do Senhor, e estávamos felizes 
em ir aonde o Senhor nos enviasse e em demorar tanto quanto 
preciso. 
Logo notamos que o grande caminhão e as picapes não podiam 
viajar na velocidade da caminhada economicamente. Enviamos-
lhes à frente e cuidadosamente calculamos sua velocidade mais 
econômica, que eles mantiveram durante o restante da nossa 
viagem. Os avançávamos pela noite onde um acampamento já 
John M. Pontius – Visões de Glória 
205 
estava sendo montado. Eu ia a pé, e muitas vezes ajudava a levar as 
crianças ou quaisquer outras pessoas que precisassem. Estávamos 
cheios de esperança, como nosso tradicional hino diz: "mas com fé 
caminhai”.
Tivemos muitas vezes que deixar a rodovia para viajar em 
estradas vicinais porque o terremoto arrasou longos trechos da 
rodovia, ou abriu crateras de lado a lado. Por vezes em nossa 
caminhada alcançamos os caminhões, enquanto pensavam em como 
atravessar certos obstáculos. Muitos desses obstáculos eram 
naturais, mas também haviam barricadas feitas e defendidas pelos 
habitantes, assim como outras caravanas ao longo do caminho. 
A primeira parte de nossa viagem não teve preocupações, exceto 
pelo fato de que o Senhor nos enviou ao redor de uma área que havia 
sido atingida por uma arma nuclear. A explosão não ocorrera por 
ataque aéreo, mas por sabotagem de uma arma nuclear armazenada 
no subsolo desse lugar. Creio que muitas das explosões nucleares 
em todo o país foram resultado de sabotagem ao invés de ataques 
com mísseis. Alguns dias depois, chegamos a Idaho, deixamos todas 
as autoestradas e fomos pelo campo. Idaho tinha sido abalado por 
diversas armas atómicas, todas em instalações militares, 
provavelmente também devido à sabotagem. Estávamos 
completamente sensíveis à voz do Senhor e fomos conduzidos ao 
redor dessas áreas. 
Aprendemos pela experiência que era nas rodovias e estradas 
que tínhamos a maioria de nossos problemas. Se algum bando 
armado fosse acossar as caravanas e as roubar, procuraria nas 
rodovias. Se houvesse algum estrago intransitável, era na rodovia. 
O nosso grande caminhão era perfeito fora-de-estrada. Ele rodava 
por tudo, inclusive cercas, deixando para trás grandes trilhas para 
veículos menores e caminhada. Quanto mais andamos, mais 
valorizamos o grandalhão. 
Também não seguimos em linha reta ao Canadá. Todas as 
manhãs, o Conselho se reunia e orava ao planejar cada dia. Alguns 
dias, recebíamos o nome de uma família, uma pessoa ou, por vezes, 
uma ala ou cidade para ministrar. Por vezes, era apenas uma 
8 – A Jornada Começa 
206
inspiração para ir a uma fazenda ou cidade. Guiamos pelo Espírito, 
muitos iam e saiam na parte da manhã levando com eles tudo o que 
o Espírito indicasse. Às vezes levamos os itens de que as pessoas 
que encontramos, de fato urgentemente careciam, e podíamos 
permutar por mais combustível ou carne fresca ou legumes. Por 
vezes os nossos mecânicos trocavam por peças. Por vezes, batíamos 
à porta de uma fazenda, e as pessoas ali vivendo haviam sido 
avisadas pelo Senhor, como LeíNT15, para estarem preparadas para 
sair. Aparecíamos bem quando estavam saindo de casa. Tudo que 
se possa imaginar aconteceu em nossa viajem, e aprendemos a 
nunca temer, porque o Senhor estava sempre presente em nossa 
jornada. 
Dons do Espírito Santo 
O poder do sacerdócio se manifestou muitas vezes em curas e 
outros milagres. Nem todos tinham os mesmos dons49. Vimos que 
alguns tinham grande fé para curar e outros a profecia. Mesmo as 
crianças e adolescentes tinham seus dons, e nós acolhíamos tudo o 
que vinha de Deus. Haviam entre nós alguns com uma habilidade 
que eu não tinha visto antes, que era a capacidade de falar e ensinar 
com tanto poder que até mesmo nossos inimigos pacificavam-se, e 
seus corações se aplacavam em relação a nós. Este poderoso dom 
de persuasão não era simples oratória ou retórica. Suas palavras 
eram ditas com suavidade, em sua maioria sem eloquência, mas o 
que falavam não podia ser desacreditado quando seu dom se 
manifestava. Descobrimos que este é um poderoso dom e o 
reservamos para os momentos em que o Senhor sancionava o seu 
uso, geralmente quando estávamos presos e sem outra maneira de 
continuar a nossa viagem. 
Meus dons cresceram junto com a maioria da nossa caravana. 
Muitos de nós desenvolvemos a habilidade de ler o coração dos 
homens. Muitas vezes encontramos com outras caravanas ou 
pequenos grupos de pessoas indo a todos os sentidos. Eles nos 
abordavam com muita cautela por causa do nosso caminhão militar. 
Muitas vezes estive na equipe que saia para encontrar-se com esses 
John M. Pontius – Visões de Glória 
207 
grupos viajantes. Percebemos que quando olhávamos para eles ao 
nos aproximar, já sabíamos de suas intenções e necessidades. 
Também sabíamos como responder quando eles mentiam para nós. 
Ao sairmos para conversar com eles, muitas vezes foi dito pelo 
Espírito o que levar conosco para trocar com eles. Por estarmos em 
Idaho, muitas vezes estes eram bons Santos dos Últimos Dias 
tentando fazer seu caminho para Salt Lake City ou algum outro 
lugar. Muitas vezes, eles estavam indo encontrar suas famílias em 
outras partes do país, ou até mesmo tentando a viagem a Missouri. 
A estes, alimentamos e compartilhamos de nossas disposições, e às 
vezes, os convidamos a se juntarem a nós. Por vezes, os advertimos 
a retornar às suas casas e construir Sião aonde eles estavam. Eles 
raramente seguiam nossos conselhos, e eu não sei o que aconteceu 
com eles. Mas na maioria das vezes, estes encontros fortuitos não 
eram com pessoas que fomos orientados a congregar. Fomos 
enviados aos que congregamos. Íamos às suas casas, às suas cidades 
e às suas fazendas sob orientação de Deus. Nós íamos a eles. 
Edificar Sião Onde Você Estiver 
Quando entrávamos pela primeira vez numa cidade, nos 
dirigíamos aos líderes locais da Igreja em cada cidade. Muitas 
vezes, os líderes pediam-nos para falar a

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