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Análise de Investimentos Prof. Raphael Moses Roquete raphael@facc.ufrj.br 2021 Gestão Baseada Em Valor (GBV) Usuario Destacar GBV Há um direcionamento da administração da empresa para a criação de valor para o acionista. Agregar valor significa um resultado maior do que o custo de capital. Retorno dos investimentos > retorno exigido pelos fornecedores de capital. Excesso de lucro em relação ao custo de oportunidade = EVA (valor econômico agregado). Objetivo da empresa é maximizar o EVA. Usuario Destacar Usuario Destacar Usuario Destacar Usuario Destacar Usuario Destacar Usuario Destacar GBV Custo de oportunidade: retorno mínimo exigido pelos investidores por não aplicar o capital em projetos de mesmo risco. Esse custo pode ser interpretado também como oportunidade renunciada. As estratégias das empresas devem sempre buscar aumentar a riqueza dos acionistas. Usuario Destacar Usuario Destacar Usuario Destacar Usuario Destacar GBV GBV permite ainda que se identifique os principais direcionadores de valor e estratégias financeiras que promovam a maximização da riqueza dos acionistas. O objetivo de criação de valor deve estar presente em todos os níveis organizacionais, ou seja, é preciso que todos os agentes participem do processo de criação de valor. É importante criar mecanismos para alinhamento de interesse na criação de valor. Exemplo: remuneração variável de acordo com o EVA. Usuario Destacar Usuario Destacar Usuario Destacar Usuario Destacar GBV Na criação de valor para o acionista, além dos custos explícitos (identificados na venda), os custos implícitos são considerados (custo de oportunidade). Dificuldade pode ser adequar a cultura organizacional ao sistema baseado na gestão de valor. Em alguns casos, essa adaptação pode levar alguns anos. A GBV ao gerar valor para os acionistas, traz benefícios também para os demais stakeholders. Usuario Destacar Usuario Destacar Usuario Destacar Usuario Destacar GBV Stakeholders são todos os elementos afetados por ações de uma determinada empresa. Podem ser classificados em internos e externos. Exemplos de stakeholders internos: acionistas, funcionários, gestores, entre outros. Exemplos de stakeholders externos: fornecedores, clientes, comunidade, investidores, governo, meio ambiente, entre outros. Usuario Destacar Usuario Destacar Usuario Destacar GBV Normalmente, a geração de valor aos acionistas ocorre quando há benefícios para todos os stakeholders. Exemplos: 1) Melhor remuneração para os funcionários; 2) Credores têm maior garantia; 3) Fornecedores ficam com risco menor de inadimplência; 4) Clientes beneficiados com maior qualidade dos produtos. Usuario Destacar Usuario Destacar Usuario Destacar Usuario Destacar Usuario Destacar GBV É um processo contínuo e se inicia através de um planejamento estratégico. Identificam-se as vantagens competitivas das empresas para oferecer um retorno acima da taxa mínima de atratividade. Usuario Destacar Usuario Destacar GBV - Cartilha Determinar claramente a medida utilizada como criação de valor. Entende-se que a mais adequada seja o EVA; Utilizar a medida de criação de valor em toda a empresa; Premiar o desempenho; Utilizar direcionadores de valor (value drivers); Estabelecer metas e estratégias que levem a criação de valor para os acionistas; Disseminar a cultura em toda a empresa. Usuario Destacar Usuario Destacar Usuario Destacar Usuario Destacar Usuario Destacar Usuario Destacar Usuario Destacar Lucro e Valor Outra dificuldade para implementar o sistema baseado na gestão de valor é entender que uma empresa pode ter valor mesmo sem lucro. São medidas diferentes. Valor da empresa decorre das expectativas futuras de desempenho – Perspectivas de Longo Prazo Empresas negociadas em bolsa muitas vezes tem valorização das ações negociadas, mesmo sem lucro. Sugestão: ler a reportagem citada no AVA. Usuario Destacar Usuario Destacar Usuario Destacar Usuario Destacar Valor É uma medida bem mais completa, pois leva em consideração a geração operacional de caixa atual e potencial e o custo de oportunidade. É uma visão de longo prazo, que considera a continuidade do negócio, indicando assim o possível poder de ganho. Usuario Destacar Usuario Destacar Usuario Destacar Limitações do Lucro Não incorpora o risco do negócio; Despreza o custo de oportunidade; Regime de competência, ou seja, não equivale a um resultado disponível de caixa; Ignora o valor do dinheiro no tempo. Usuario Destacar Usuario Destacar Usuario Destacar Usuario Destacar Usuario Destacar Lucro Prejuízos em alguns anos pode ser compensada por resultados esperados positivos e elevados no futuro. Diversos novos negócios apresentam resultados ruins nos primeiros anos de existência, mas conseguem, com base em desempenhos futuros esperados, promover fortes valorizações em seus preços de mercado. Empresas em expansão costumam sacrificar resultados para obterem resultados maiores no futuro. No CP pode não ser tão importante, mas no longo prazo é sim uma medida relevante para analisar a geração de valor. Usuario Destacar Usuario Destacar Usuario Destacar Foco no Valor como objetivo de gestão Prioridade na geração de caixa, reduzindo a importância do lucro medido segundo a contabilidade; Visão estratégica de longo prazo. Exemplo: O lucro por ação (LPA) trimestral perde relevância na avaliação de desempenho. Usuario Destacar Usuario Destacar Usuario Destacar Valor x Lucro Exemplo: considere o valor contábil de uma unidade de negócio igual a R$ 70 milhões e que o resultado operacional líquido foi de R$ 9.8 milhões. Supondo que o ROI padrão é de 12% e o custo de oportunidade é de 16%, responda: a) A empresa gera ou destrói riqueza para o acionista? b) De quanto? Valor x lucro ROI = 9.8/70 = 14% A princípio, manter o ativo é interessante porque o ROI é maior do que o ROI padrão. Mas e o custo de oportunidade? Valor x lucro Custo de capital: 16% x 70 = 11.2 milhões Valor criado: 9.8 – 11.2 = -1.4 milhão - Qual o preço de venda que torna indiferente manter o ativo? Valor x lucro (valor de venda – valor contábil) x custo de capital = -1.4 Valor de venda = 61.25 milhões Qualquer valor acima disso, vale a pena para a empresa vender o ativo. Valor x Lucro Considere o valor contábil de uma unidade de negócio igual a R$ 80 milhões e que o resultado operacional líquido foi de R$ 12 milhões. Supondo que o ROI padrão é de 10% e o custo de oportunidade é de 18%, responda: a) A empresa gera ou destrói riqueza para o acionista? De quanto? b) Qual o preço de venda do ativo que torna indiferente sua decisão? c) Quais estratégias poderiam ser adotadas para se manter o ativo de forma a gerar valor? Direcionadores de Valor São os chamados Value drivers. É toda variável que afeta o valor da empresa. Importante o conhecimento das medidas em toda a empresa, pois normalmente a criação de valor parte exatamente dessas medidas. Permite entender como o valor é criado. Permite nortear as estratégias da empresa. Os direcionadores são ajustados de acordo com o departamento da empresa. Exemplos de Direcionadores de Valor Planejamento tributário; Margem de lucro; Desempenho operacional; Estrutura de capital; Retorno dos investimentos; Prazo de estocagem; Gastos com entregas; Outros. Capacidades Diferenciadoras Estratégias para obter vantagem competitiva. Objetivo sempre é gerar um retorno maior do que o custo de oportunidade, elevando seu preço de mercado. Fonte: Assaf (2014) Estratégias Financeiras Objetivo é criar valor para o acionista. Divididas em três dimensões: operacionais, de financiamento e de investimento. Fonte: Assaf (2014) Medidas de Desempenho Medidas de Desempenho Estudaremos agora algumas medidas financeirasque auxiliam na avaliação de um negócio. São eles: - Resultado Operacional - EBITDA - ROI - ROE Resultado Operacional Não é influenciado pela estrutura de capital, pois é calculado antes das despesas com juros. Resultado auferido com o negócio da empresa. O resultado operacional mostra criação de valor econômico sempre que for superior ao custo de oportunidade das fontes de financiamento. Resultados financeiros (derivativos, por exemplo) não entram na conta. Resultado Operacional Revela o retorno do investimento na atividade da empresa. Despreza a existência de dívidas. Mensurado antes das despesas com juros (sem alavancagem). Principal objetivo é remunerar acionistas e credores. Exemplo NOPAT = Net operating profit after taxes = Lucro oper. líquido EBIT = EARNINGS BEFORE INTEREST AND TAXES = LAJIR EBITDA Essa medida mostra a capacidade operacional da empresa em gerar caixa. Não são considerados a depreciação, as despesas financeiras e os impostos sobre os lucros (IR e CSLL). Utilizada para avaliar a qualidade da gestão operacional de caixa da companhia. Não é tão útil se utilizada isoladamente. EBITDA Exemplos: EBITDA/Vendas para comparação com empresas; EBITDA/despesas financeiras mostra quantas vezes a empresa foi capaz de gerar caixa em relação aos seus compromissos. EBITDA Não indica disponibilidade de caixa e sim capacidade, até porque é analisado no regime de competência. Não incorpora a capacidade de reinvestimentos em capital fixo e de giro. EBITDA Medida muito utilizada para avaliar o valor de mercado de uma empresa. Entretanto, cuidados devem ser tomados em empresas muito alavancadas. Além disso, utilizando-se o EBITDA, despreza-se as necessidades de reinvestimento com expansões, P&D, entre outros. EBITDA Um múltiplo muito utilizado é o EV/EBITDA. Exemplo: EV/EBITDA = 10, significa dizer que o valor da empresa equivale a 10 vezes o valor do EBITDA. Múltiplos são muito utilizados como benchmark para valorar a empresa. O EBITDA é calculado a partir da receita operacional descontada dos custos e despesas operacionais ou somando-se a depreciação ao EBIT. ROI É o quociente entre o resultado operacional líquido do IR (NOPAT) e o investimento. Investimento = Passivo Oneroso Total (empréstimos e financiamentos) + PL Investimento é o capital que vem dos investidores (credores e sócios) e não inclui o passivo de funcionamento (salários a pagar e encargos a recolher, por exemplo). Outra forma (menos comum) de calcular o investimento: Investimento = Ativo Total – Passivo de Funcionamento ROI O ROI mostra o retorno para credores e acionistas. Eficiência em gerar lucros dos ativos operacionais. O ROI deve ser comparado com o custo de capital da empresa. ROI > Custo de capital => Há geração de riqueza. ROI < Custo de capital => Há destruição de riqueza. ROI Baseado no DRE, calcule o ROI. ROI EBIT = 72 + 38 = 110 IR/CSLL (34%) = -37,4 NOPAT = 110 – 37,4 = 72,6 ROI = 72,6 / 560 = 13% Cuidados com o ROI 1) ROI pode estar crescendo pelo baixo valor do investimento. Se o menor valor do investimento for devido à maior eficiência na alocação dos recursos, o ROI é uma boa análise. Entretanto, se o baixo investimento vier da falta de oportunidades, isso é preocupante pela falta de competitividade da empresa. 2) Investimento expresso em valores de mercado inclui expectativas de crescimento, enquanto o NOPAT vem do presente. Cuidados com o ROI 3) O investimento a valor contábil denota o valor de descontinuidade do ativo, tornando difícil sua interpretação. 4) Sempre comparar com o custo de capital. 5) O ROI pode se elevar em períodos de recessão devido a cortes em investimentos. 6) Sucatear a empresa pode levar a aumentos no ROI, mas a empresa perde competitividade. ROE Mede a rentabilidade do capital próprio investido na empresa. Quando comparado ao custo do capital próprio, mostra a capacidade de geração de riqueza através dos próprios recursos. ROE = LL PL ROE Sempre que o ROE for maior do que o custo da dívida, alavancagem contribui positivamente para o ROE. A alavancagem financeira tem forte impacto no ROE. Alavancagem Financeira mostra a capacidade que os recursos de terceiros apresentam, pelo custo de captação NORMALMENTE menor, em aumentar o retorno do capital próprio. Quanto maior a diferença entre os juros pagos aos credores e o retorno da aplicação desse montante, maior é o poder da empresa em alavancar ganhos aos acionistas. ROE ROE > ROI => alavancagem é favorável A alavancagem financeira é favorável quando o custo da dívida (kd) é menor do que o retorno da aplicação desses recursos, contribuindo para o retorno do capital próprio. A diferença entre o ROI e o custo do financiamento (kd) é creditada ao acionista, elevando seu retorno (ROE). Caso ki seja maior do que o ROI, o ROE é consumido por essa diferença. ROE A diferença entre ROE e ROI é devido à alavancagem. Se todo o financiamento viesse de capital próprio, o ROE seria igual ao ROI. Voltemos ao nosso exemplo: ROE Calcule o ROE e o kd ROE ROE = LL PL = 15,3% ROI = 13% Kd = Desp. Fin. Liq. IR Passivo Oneroso = 38 ∗ (1 − 34%) 250 = 10% ROE O ROE supera o ROI, porque o Kd é menor do que o retorno com o investimento. O retorno produzido pela alavancagem foi de 2,3%. Grau de alavancagem financeira (GAF) é medida pela razão entre o ROE e o ROI. Calcule o GAF do nosso exemplo. ROE GAF = 1,18 Significado: o GAF maior do que 1 identifica que o custo de terceiros é menor. Nesse exemplo, o retorno do acionista foi elevado em 1,18 vezes. Em outras palavras, a taxa de retorno do acionista foi alavancada em 18%. ROE ROE deve ser comparado sempre com o custo do capital próprio (CP). ROE cresce com a alavancagem, mas desconsidera o risco financeiro do crescimento da dívida.