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Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 1 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 Aula 00: Reformas estruturais no início do governo militar: PAEG e reforma do sistema financeiro. Milagre econômico (1968-1973). Sumário Página O Plano de Ação Econômica do Governo 11 Inflação e crescimento 17 O Milagre Econômico 28 Exercícios Resolvidos 33 Olá meus queridos, tudo certinho? Na aula de hoje, nós vamos analisar a primeira parte do regime militar que vai de 1964 a 1974. Dez anos em que nós vivemos períodos de forte crescimento econômico e baixíssima liberdade de expressão e imprensa. Ainda nesse período, tivemos várias reformas institucionais a fim de modificar a estrutura existente no país. É durante os governos dos presidentes Castelo Branco, Costa e Silva e Médici que vivenciamos tudo isso. Vamos compreender um pouco mais sobre esse período tão específico na nossa economia? Mas antes de começar, vamos resolver as questões propostas da aula passada como uma forma de revisão? Exercício 01 (BNDES, Profissional Básico: Economia, 2008) Assinale, entre as opções abaixo, a que NÃO corresponde a uma das principais características da política de industrialização brasileira no Pós-Guerra. (A) Fornecimento de crédito a longo prazo para implantação de novos projetos. (B) Proteção à indústria nacional, mediante tarifas de importação e barreiras não tarifárias. (C) Participação direta do Estado no suprimento da infra- estrutura (energia, transporte). Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 2 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 (D) Participação direta do Estado na produção em alguns setores tidos como prioritários (siderurgia, mineração, petróleo). (E) Intensa preocupação de atender o consumidor doméstico com produtos de qualidade e baratos. Vamos ver item a item para ficar 100% claro. Veja que a questão pede para o que não atende, hein?! O “não” está bem tímido, mas merece muita atenção. Vamos por partes. A alternativa (A) afirma que houve um fornecimento de crédito de longo prazo para a implantação de novos projetos. De fato, para que os projetos industriais pudessem ser implantados, houve a necessidade de tomar crédito. Considerando ainda que as indústrias só passam a dar retorno depois de algum período de maturamento, o crédito deveria ter, necessariamente, uma natureza de longo prazo. Dessa forma, a alternativa é correta. Na alternativa seguinte, a questão afirma que houve a Proteção à indústria nacional, mediante tarifas de importação e barreiras não tarifárias. Ora, pelo que nós vimos, de fato, durante o PSI, o governo implantou diversos tipos de restrições à importação. Com isso, conseguia garantir a competitividade das empresas nacionais, o que fortalecia, em última instância, gerava a proteção à indústria nacional. Logo,a alternativa também é correta. A letra (C) afirma que houve uma Participação direta do Estado no suprimento da infra-estrutura (energia, transporte). Para ver a veracidade dessa alternativa, basta pensar no Plano de Metas ou no Plano Salte. Quais eram os objetivos desses planos? Certamente, objetivos ligados à infraestutura! Logo, essa alternativa é verdadeiríssima: A infraestrutura necessária ao processo de industrialização cabia, necessariamente, ao governo brasileiro. Faltam apenas as alternativas (D) e (E). A letra (D) diz que Participação direta do Estado na produção em alguns setores tidos como prioritários (siderurgia, mineração, petróleo). Verdade também! Basta lembrar que nesse período foram criadas diversas estatais pelo governo como a Petrobrás. Logo, a resposta dessa questão é a letra (E). Contrariamente ao que afirma a alternativa, não houve a preocupação em fornecer produtos de qualidade e baratos. Como a indústria era protegida, não houve tamanha preocupação com o mercado interno. GABARITO: (E) Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 3 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 Exercício 02 (EPE, Economia da Energia, 2006) A política de valorização do café no Brasil, iniciada em 1906 no Convênio de Taubaté e recorrentemente utilizada para evitar quedas significativas no preço internacional do produto, apresentava como principais determinantes a(o): (A) retenção de parcela da produção doméstica para reduzir as exportações do produto, prática possibilitada pela participação brasileira no mercado internacional do café e por sua baixa elasticidade-preço. (B) retenção da produção de café por alguns anos, eliminando as exportações, em decorrência das graves crises internacionais que afetavam a demanda externa do produto, como ocorreu na década de 30 (do século XX). (C) punição de produtores de café que ultrapassassem as cotas de produção pré-determinadas pelo governo central, visando à manutenção dos preços internacionais do produto. (D) busca de maior diversificação produtiva nas áreas de plantio do café, evitando a forte dependência dos produtores em relação a um único item. (E) impedimento do plantio de novas áreas para a produção de café, determinando uma drástica redução estrutural da oferta internacional de café. Para ficar diferente, vamos responder essa da última para a primeira: A letra (E) afirma que impedimento do plantio de novas áreas para a produção de café, determinando uma drástica redução estrutural da oferta internacional de café. Ora, durante esse período não houve uma redução da produção de café, muito menos um impedimento do plantio. Lembre que durante a crise de 1929 houve um processo de super produção, logo, é impossível que em 1906 houvesse qualquer tipo de restrição à produção desse bem. A letra (D), por sua vez, diz que busca de maior diversificação produtiva nas áreas de plantio do café, evitando a forte dependência dos produtores em relação a um único item. Muito pelo contrário! Antes da industrialização, o café, era, de longe, o produto mais rentável a ser produzido no Brasil. Assim, os Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 4 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 empresários destinavam todos os seus esforços para a produção de café, não para a produção de outros tipos de bens. A letra (C) é bem parecida com a letra (E). Vejamos: punição de produtores de café que ultrapassassem as cotas de produção pré-determinadas pelo governo central, visando à manutenção dos preços internacionais do produto. Punição? Claro que não! Lembre que estamos na época da república do Café com Leite e, assim, há um incentivo à produção, nunca uma restrição. Dessa forma, assim como as demais questões, a letra (C) também é incorreta. A letra (B) afirma que retenção da produção de café por alguns anos, eliminando as exportações, em decorrência das graves crises internacionais que afetavam a demanda externa do produto, como ocorreu na década de 30 (do século XX). Eliminação das exportações?! Nada disso! Houve, de fato, uma redução das exportações, mas não uma eliminação! Note que a questão estaria toda certinha, não fosse essa palavra! Nesse caso, vale um conselho: leia com cuidado! Muitas vezes a questão tem um detalhe mínimo que leva a alternativa para o erro! Eis aí o caso! Finalmente, a letra (A) é alternativa correta que afirma que houve uma retenção de parcela da produçãodoméstica para reduzir as exportações do produto, prática possibilitada pela participação brasileira no mercado internacional do café e por sua baixa elasticidade-preço. Exatamente! Lembra que o governo passou a reduzir as exportações a fim de elevar o preço do produto no mercado internacional. Com essa prática, o governo objetivava elevar, pelo menos um pouco, o nível de preços do café que prevalecia internacionalmente. GABARITO: (A) Exercício 03 (EPE, Economia da Energia, 2006) O Plano de Metas (1956- 1961) marcou uma importante transformação produtiva brasileira, visando a maior integração da estrutura industrial no País. Para sua montagem, foi fundamental a identificação de pontos de estrangulamento que representavam setores: (A) cuja oferta não era capaz de responder rapidamente a uma elevação de demanda. Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 5 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 (B) cuja expansão era inviável e que deveriam ter prioridade nas importações. (C) periféricos da indústria e com baixa capacidade de geração de emprego. (D) capazes de gerar grande demanda para outras atividades produtivas. (E) compostos por empresas de baixos níveis de produtividade e sofisticação tecnológica. Opa! Pontos de estrangulamento! Vimos essa definição no fórum de dúvidas, lembram? Vamos reforçar aqui: Toda vez que pensarmos em plano de metas, vamos lembrar o governo implementou diversos investimentos setoriais que serviam para atacar pontos de estrangulamento, outros investimentos era realizados para gerar pontos de germinação. Mas o que seriam esses pontos? Pontos de Estrangulamento: Áreas de demanda insatisfeita em função das caracterísiticas desequilibradas do desenvolvimento econômico. Pontos de Germinação: áreas que geram demanda derivada. Nesse sentido, os pontos de estrangulamento eram setores em que seria necessário investir para que fosse possível proporcionar, de fato, o desenvolvimento. Seriam como os gargalos que existem dentro da estrutura produtiva do país. Com essa definição na cabeça, vemos que a letra correta é a alternativa (A) que afirma que esses são pontos cuja oferta não era capaz de responder rapidamente a uma elevação de demanda. Nesse quadro, merece destaque, por exemplo, a infraestrutura já debatida nas questões anteriores. Como a oferta não crescia rapidamente para responder à demanda proveniente do setor automobilístico, por exemplo, era caracterizada como um ponto de estrangulamento para o crescimento da economia! Compreendido? Vamos ver mais: A letra (B) é incorreta já que não se definem essas áreas como espaços cuja expansão era inviável e que deveriam ter Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 6 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 prioridade nas importações. Como nós já vimos, era possível haver a expansão dos pontos de estrangulamento. O problema é que essa expansão deveria ser realizada pelo setor público através das políticas governamentais já que ela exigia muitos investimentos e era de prazo demorado. Além disso, veja que esses pontos não são prioridade nas importações, até porque não é possível importar estradas, concordam? As letras (C), (D) e (E), assim como a letra (B), não estão de acordo com a definição dos pontos. A letra (C) afirma que periféricos da indústria e com baixa capacidade de geração de emprego. Veja que esses pontos, por definição não são pontos periférios, muito menos com baixa capacidade de geração de empregos. Lembre sempre que quando se falar em obras públicas, estaremos falando, necessariamente, em setores de alta capacidade de geração de empregos. Em seguida, a letra (D) afirma que esses pontos são capazes de gerar grande demanda para outras atividades produtivas. Essa seria, talvez, a questão que geraria maiores dificuldades. Vamos entender porque ela está incorreta: veja que os pontos de estrangulamento não são capazes de gerar demanda para atividades. Pelo contrário, é a redução desses pontos de estrangulamento que viabiliza outras atividades produtivas. Dessa forma, a questão não pode estar correta. Finalmente, a letra (E) afirma que pontos de estrangulamento são compostos por empresas de baixos níveis de produtividade e sofisticação tecnológica, o que não tem nada a ver com a definição que nós vimos, não é? GABARITO: (A) Exercício 04 (EPE, Economia da Energia, 2006) As proposições abaixo dizem respeito ao Plano de Metas (1956-1961). I - Entre as técnicas de planejamento utilizadas no Plano de Metas destacaram-se a identificação de pontos de estrangulamento e pontos de germinação. II - A elevação da produção de petróleo no País foi um fator essencial para o sucesso do Plano de Metas. III - A política de valorização do café foi um dos pontos mais importantes para viabilizar a implementação do Plano de Metas. Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 7 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 É(São) correta(s) apenas a(s) proposição(ões): (A) I. (B) II. (C) III. (D) I e II. (E) I e III. Vamos ver ponto a ponto? O item I está, de cara, correto pelo que acabamos de ver na questão anterior. Quando se falar em planos de metas, eu terei que lembrar que esse plano é responsável, sim, pela identificação desses dois tipos de pontos que foram, em última instância necessários para viabilizar o processo de industrialização no Brasil. O item II fala sobre a produção de petróleo no país como fator para o sucesso do Plano de Metas. Ora, o fator essencial para o sucesso do plano foi o investimento em infraestrutura, não a produção de petróleo. Na verdade, o petróleo passará a ser importante na aula de hoje, quando falaremos dos governos militares. Finalmente, o item III fala sobre a política de valorização do café no Plano de Metas! Claro que não! Essa política foi importante no governo de Getúlio Vargas, não nos demais governos. A partir de 1945, nós passamos a dar menos importância ao café e muito mais importância à indústria que, nesse tempo, já começava a ser mais rentável que o café. GABARITO: (A) Exercício 05 (Petrobrás, Economista Junior, 2005) Dentre as principais medidas do Plano de Metas, no governo Juscelino Kubitschek, destaca-se a: (A) criação de comissões setoriais, como o GEIA. (B) criação da Petrobras, para expandir a exploração de petróleo no país. (C) imposição de uma política salarial concentradora de renda. Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 8 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 (D) realização de reformas tributária e administrativa. (E) aplicação de políticas ortodoxas de combate à inflação. Vamos lá, da última para a primeira! A letra (E) afirma que houve a aplicação de políticas ortodoxas de combate à inflação, o que não foi verdade. Para que você se situe, essas políticas só começarão a acontecer, ainda em caráter híbrido, durante o governo Sarney, nos planos Bresser e Verão. Como políticas de fato de governo, apenas no Plano Real, no governo Itamar Franco. A letra (D) afirma que JK realizou as reformas tributária e administrativa, o que também não é verdade. De fato, essas reformas foram realizadas, mas alguns anos depois, quando o Governo militar implantou o PAEG (Programa de AçãoEconômica do Governo) entre 1964 e 1968. Antes disso, nada tinha sido reorganizado. A alternativa (C) afirma que JK realizou a imposição de uma política salarial concentradora de renda. Não houve uma política nesse sentido. O máximo que se pode dizer é que durante o segundo governo de Getúlio Vargas, houve um aumento salarial realizado pelo presidente com fins muito mais políticos que de concentração de renda. Logo, a letra (C) também é incorreta. Em sequência, a letra (B) é incorreta por afirmar que JK criou a Petrobrás. Ora a Petrobrás foi criada em 3 de outubro de 1953, ainda, também, durante o segundo governo de Getúlio Vargas. Finalmente, a letra (A) é a alternativa correta. A criação do GEIA (Grupo Executivo da Indústria Automobilística) foi realizado por JK a fim de incentivar a entrada dessa indústria no país. GABARITO: (A) Exercício 06 (Petrobrás, Economista Pleno, 2005) Sobre a economia brasileira, considere as afirmações abaixo. I - O Plano de Metas teve por objetivo primordial aprimorar as medidas de combate à inflação no Brasil. II - Entre as principais ações estabelecidas no Plano de Metas estava a política de reserva de mercado. Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 9 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 III - Atacar os pontos de estrangulamento e constituir pontos de germinação eram objetivos primordiais do Plano de Metas. Está(ão) correta(s) a(s) afirmação(ões): (A) I, apenas. (B) II, apenas. (C) I e III, apenas. (D) II e III, apenas. (E) I, II e III. Novamente, mais uma questão que envolve o Plano de Metas do governo JK: O item I, aviso logo, que não é verdadeiro. A razão para isso é simples: o plano de metas teria sido maravilhoso, não fosse um absurdo erro causado na gestão do plano: o financiamento. Quando o presidente JK decidiu andar com o Plano de Metas, ele não se preocupou em saber como esse plano seria financiado. Assim, já na conclusão do plano, por não ter como pagar os gastos, JK emitiu moeda (siiimmm... ele mandou a Casa da Moeda imprimir!) e, como isso, houve uma forte aceleração inflacionária no período. Assim, a alternativa não pode ser verdadeira. Em seguida, o item II afirma que o Plano de Metas realizou a política de reserva de mercado. De fato, para que as empresas pudessem se instalar no Brasil, elas solicitavam ao govenro brasileiro que ele instalasse uma reserva para que outras empresas do mesmo segmento não concorrecem. Com esse tipo de política, o governo tornava interessante a instalação de determinadas indústrias, como a automobilística. Finalmente, o item III não tem nem o que pensar, não é? De fato, o governo buscou reduzir os pontos de estrangulamento e criou os pontos de germinação, como nós vimos em praticamente todas as questões anteriores. GABARITO: (D) Exercício 07 (IBGE, Análise Socioeconômica, 2010) Os estudiosos da história econômica do Brasil afirmam que a política de industrialização pela substituição de importações já esgotara suas possibilidades de motivar o investimento e o crescimento Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 10 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 (A) antes do governo de Juscelino Kubitschek. (B) no início dos governos militares da década de 1960. (C) antes da crise de aumento do preço do petróleo em 1973. (D) antes da crise da dívida externa no final da década de 1980. (E) no início do governo de Fernando Henrique Cardoso. Essa questão aqui foi a que gerou mais dúvidas no fórum, por isso, vou atacar direto na resposta correta. Raciocina comigo: o PSI foi dos anos 1930 até, aproximadamente, 1980, quando ele perde força devido às duas crises do petróleo. Nesse sentido, as alternativas (A), (B) e (C) não podem ser corretas porque estariam dentro do período. Sobram apenas as letras (D) e (E). Aí, aqui, cabe um raciociniozinho: como o PSI acabou em 1980, mais ou menos, isso não quer dizer que os efeitos do PSI tenham acabado também nesse período, muita coisa acabou sendo concretizada no futuro (imagine a instalação de uma fábrica). Assim, eu não posso dizer que assim que o PSI acabou, os seus efeitos também cessaram em simultaneamente. Dessa forma, não se pode dizer que não há efeitos do PSI nos anos 1980. Logo, a única coisa que eu posso afirmar, com certeza, é que durante o governo FHC não houve qualquer herança do PSI. Compreendido? GABARITO: (E) Vamos voltar ao trabalho?! Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 11 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 O PLANO DE AÇÃO ECONÔMICA DO GOVERNO Nós terminamos a aula passada falando sobre o governo de JK e o seu Plano de Metas. Embora tenhamos visto ainda mais alguns pontos dos demais governos, chegando, inclusive, ao governo militar, hoje vamos dar uma volta para rever, com detalhes o governo militar. Quais suas características, seus objetivos e porque nós precisaremos lembrar sempre desse período quando se falar na economia recente. Vamos ver? Só para que você entenda, nós já vimos a maior parte do governo brasileiro, indo dos anos 1930 (ou um pouco antes disso) para o ano 1960, com o plano de Metas (as linhas pretas demarcam esses períodos: antes da crise de 1929, o governo Getúlio Vargas e o governo JK). Hoje, veremos a linha vermelinha, com o governo militar. Mas, antes de falar do governo militar propriamente dito, precisamos falar sobre a crise dos anos 1960, período que antecedeu o regime militar. Já no finalzinho dos anos 1960, houve, no Brasil, uma forte reversão da situação econômica nacional. Nesse período existiu uma forte queda nos investimentos, o que levou a uma retração da renda. Ainda como resultado do Plano de Metas, como JK não encontrou uma fonte conveniente de financiamento do seu plano e optou pela Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 12 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 emissão de moeda, houve, no Brasil, um perído de forte aceleração inflacionária. A tabela abaixo, retirada do livro de Economia Brasileira Contemporânea do A. Gremaud, mostra um retrato da economia brasileira no período. É importante que você observe que, nesse período, a inflação chegou a casa de 91,8% a.a., uma taxa extremamente alta de inflação para um país que praticamente não cresceu. É dentro desse cenário de inflação e estagnação econômica que os militares realizam o golpe ou revolução que aconteceu, como nós já vimos, em 1 de abril de 1964. Então, é de uma forma bastante autoritária que nós damos início a um período bastante singular da economia brasileira, que modificará, para sempre a nossa estrutura nacional. Para começar, o primeiro presidente da era militar no Brasil, Castelo Branco, lançou o PLANO DE AÇÃO ECONÔMICA DO GOVERNO – PAEG. Um plano de reestruturação que possuia duas linhas de atuação: Políticas conjunturais de combate à inflação Reformas estruturais Ora, os militares, quando entraram no poder observaram que, para poder justificar a sua presença nele, era preciso fazer a economia crescer. Mas, para crescer, eles observaram que era necessário organizar a casa antes de fazer a produção aumentar. O PAEG vem justamente para fazer essa reorganização. O primeiro ponto observado pelos militares é que não é possível crescercom inflação. Dessa forma, o governo passou a analisar quais eram ações que poderiam estar influenciando nesse processo de subida de preços. Nesse sentido, alguns pontos foram encontrados: i. Déficit público ii. Politica salarial frouxa Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 13 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 iii. Falta de controle sobre a expansão do crédito Para reduzir esse processo inflacionário, o governo passou a adotar diversas políticas que pudessem estabilizar os preços. As principais medidas estabilizadoras do PAEG são as seguintes: a. Redução do déficit público b. Restrição do crédito e do aperto monetário c. Política salarial Para reduzir o déficit público (gerado pelas diversas políticas que tinham o governo como promotor da industrialização), o governo passou a adotar novas formas de financiamento e aumentou as tarifas públicas. Com essa política, o governo fez com que houvesse uma redução dos gastos que leva a uma redução da renda, que implica uma redução do consumo, que induz, finalmente, a uma retração nos preços e diminuição da inflação. No que diz respeito à restrição de crédito, o governo aumentou as taxas de juros e melhorou os mecanismos de controle. Com isso, essa retração reduziu o nível de endividamento das famílias e, assim, o nível de consumo. Finalmente, a fim de reduzir os custos das empresas com salários, o governo, através da Circular 10, gerou o arrocho salarial. Além dessas resoluções, os militares necessitavam desenvolver um processo que pudesse controlar e criar uma forma de conviver com o já alto processo de inflação. A solução encontrada para isso foi a correção monetária. Essa correção monetária era uma forma “amigável” de conviver com a inflação. O raciocínio era o seguinte: como a inflação eleva os preços dos bens de consumo, isso faz com que a população fique mais pobre. A solução para essa “pobreza” era fazer com que os salários fossem reajustados de acordo com a inflação nos bens e serivços. Assim, se os preços aumentam 10% e o meu salário também aumenta 10%, eu não sinto a inflação, logo essa inflação não existe. Aliás, falando em inflação, cabe aqui uma quadro que explica, rapidamente os tipos de inflação. Nós usaremos isso durante todo o curso de economia brasileira. Exercícios?! 8. (EPE, Analista Economia de Energia, 2007) Em 1964 o governo brasileiro começou a implementar um novo programa econômico conhecido como PAEG, visando, entre outros objetivos, a: Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 14 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 (A) conter paulatinamente o processo inflacionário brasileiro. (B) conter a entrada de investimentos externos especulativos. (C) promover aumentos salariais e a redistribuição de renda no Brasil. (D) reorganizar o mercado financeiro brasileiro e eliminar a correção monetária. (E) aumentar substancialmente o comércio externo brasileiro com os países do Mercado Comum Europeu. Vamos lá. Quando o governo militar instaurou o PAEG (Plano de Ação Econômica do Governo), tinha como objetivo reorganizar a estrutura nacional e criar um processo de redução da inflação que ficou conhecido como correção monetária. Nesse sentido, podemos dizer que a letra corrreta que responde a questão é a letra (A) que aponta a contenção da inflação como um dos objetivos da política do governo. Vamos ver porque as demais estão incorretas? A letra (B) não pode ser correta porque o governo militar não conteve a entrada de investimentos externos especulativos. Na verdade, durante o regime militar houve um aumento do fluxo de capitais estrangeiros para o Brasil, o que levou a um aumento, inclusive com o aumento da dívida externa. A letra (C) também é incorreta. E para que você compreenda porque ela é incorreta, você vai ter que lembrar de uma coisa quando ouvir falar em regimie militar: A teoria do bolo de Delfim Netto. Já ouviu falar sobre ela? Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 15 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 A teoria do bolo recebeu essa denominação por afirmar que em uma economia, era primeiro preciso fazer crescer o PIB para depois repartir os ganhos. De fato, há bastante nexo nessa explicação: para que uma economia cresça, é preciso que existam investimentos e esses só são possíveis quando as empresas geram algum nível de lucratividade que só acontece quando elas têm poder de monopólio. Logo, para que esses investimentos existam, de fato, era preciso colocar o dinheiro na mão dos proprietários, em detrimento aos trabalhadores. Foi o que Delfim chamou de crescer o bolo. O problema, no Brasil, esteve ligado ao processo de distribuição. A letra (D) tem uma pegadinha bem interessante: de fato, houve uma reorganização do mercado financeiro brasileiro (com a criação do Banco Central, do Conselho Monetário Nacional, etc), mas não houve a eliminação da correção monetária. De fato, nesse período, houve a criação da correção. Como nós já vimos, foi uma forma do país aprender a conviver de forma pacífica com o processo inflacionário. Finalmente, a letra (E) é falsa porque não houve um aumento substancial do comérioc externo entre o Brasil eo o Mercado Comum do Sul. Na verdade, esse Mercado Comum foi criado apenas em 1994, quando Collor estava no poder. GABARITO: (A) 9. (BNDES, Profissional Básico: Economia, 2008) O PAEG (Plano de Ação Econômica do Governo) e as reformas implementadas em 1964 e nos anos imediatamente subseqüentes, no Brasil, (A) aumentaram substancialmente os salários. Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 16 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 (B) aumentaram as restrições à entrada de capitais externos. (C) diminuíram a carga fiscal dos contribuintes. (D) criaram o Banco Central do Brasil. (E) eliminaram a correção monetária no país. Essa aí não tem nem o que pensar, não é mesmo? Falou-se em reformas promovidas pelo PAEG e você vai lembrar,direto, da criação do Banco Central (as bancas, de uma forma geral, adoram esse evento). Vamos dar um tour pelas outras alternativas para ver o que está errado nelas. A letra (A) é errada pelo que nós já vimos: não há política governamental de aumento de salários nessa época, a exceção do aumento salarial dado por Getúlio Vargas no seu segundo mandato que acabou gerando o processo de deposição do cargo. Nos demais casos, não houve política governamental de aumento de salários. A letra (B), pelo que nós vimos acima, também não é verdadeira já que não houve restrições à entrada de capital estrangeiro no Brasil. Você precisa lembrar que quando se falar em regime militar, estaremos conversando sobre endividamento externo no Brasil, logo, era preciso entrar capital estrangeiro para financiar as nossas contas. Em seguida, a letra (C) também é errada porque não houve uma redução da carga tributária dos contribuintes. Lembre que nessa época houve também a reforma tributária que criou uma série de tributos nacionais, estaduais e municipais. Finalmente, a letra (E) é incorreta porque a correção monetária foi criada nessa época, e não extinta. GABARITO: (D) 10. (Petrobrás, Economista Junior, 2005) O Plano de Ação Econômica do Governo (PAEG), iniciadono governo do Marechal Humberto de Alencar Castello Branco, tinha como objetivo fundamental o combate à inflação. Os gestores do Plano defenderam o diagnóstico de inflação: (A) de custos. (B) estrutural, setorialmente localizada. Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 17 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 (C) inercial, determinada por elevação do dólar. (D) causada por excesso de demanda. (E) determinada por preços de commodities. Essa aqui vale sempre uma diferenciação: quando se falar em PAEG, estaremos falando, necessariamente, em inflação de demanda, o que é comprovado pela letra (D). No período imediatamente seguinte, no Milagre Econômico, a inflação foi diagnosticada como de oferta ou de custos. Somente durante a redemocratização é que a inflação foi diagnosticada como inercial (isso será visto na aula de hoje). Logo, não tem nem o que pensar, falou-se em inflação durante o início do regime militar, esta será relacionada, necessariamente, aos excessos de demanda. GABARITO: (D) *** INFLAÇÃO E CRESCIMENTO ECONÔMICO INFLAÇÃO A inflação pode ser definida como o processo persistente de aumento do nível geral de preços, resultando assim em uma perda do poder aquisitivo da moeda. Então, quando se falar em aumento generalizado do nível de preços, estaremos falando, necessariamente, da sempre preocupante inflação. E por que essa mocinha é tão preocupante? Explico. Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 18 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 Primeiro, porque ela gera um efeito sobre a distribuição de renda da economia: A inflação provoca uma redução do poder aquisitivo dos segmentos da população que dependem de rendimentos fixos, com prazo legal de reajuste (os assalariados). Aqueles com renda livre, como empresas e especuladores são favorecidos pelo processo inflacionário. O segundo efeito da inflação incide sobre a alocação de recursos: O processo inflacionário tende a modificar o perfil de investimentos dos agentes da economia. Os investidores resistem em alocar seus recursos em projetos de longa maturação, preferindo os de curto prazo. Quando esse segundo efeito se torna muito forte (nos casos de hiperinflação), os investidores não aplicam seus recursos em investimentos que podem gerar o crescimento econômico (e deslocar a nossa curva de possibilidade de produção), preferindo, como vimos acima, os investimentos financeiros, que possuem um prazo de maturação menor. Assim, além de nos deixar mais pobres, a inflação ainda condena o ritmo de crescimento da economia! Finalmente, o último efeito é sobre o balanço de pagamentos: Se a elevação de preços internos se dá em ritmo superior aos aumentos de preços internacionais, os produtos produzidos dentro do país tornam-se mais caros que os produzidos externamente. Isso pode gerar dificuldades de exportação e estimular as importações, prejudicando os resultados da balança comercial. Pelos três motivos citados acima, é possível observar que a inflação deve ser evitada! Isso não quer dizer que devemos ter um processo de deflação, mas um processo de estabilidade de preços. Assim, nem alto demais, nem baixo demais! Mas, de onde vem esse aumento de preço, na seção abaixo estudaremos os três tipos de inflação. Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 19 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 Tipos de inflação Inflação de demanda Acontece inflação de demanda quando há um excesso de demanda agregada em relação à produção disponível de bens e serviços (oferta agregada). Pode ser entendida como “dinheiro demais à procura de poucos bens”. Como comprimir a demanda agregada? Reduzindo o grau de investimento dos agentes econômicos ou através do Governo, aumentando imposto e/ou reduzindo seus gastos. Pelo que podemos ver, quando o governo gasta demais (através da política fiscal expansionista), ele gera, no curto prazo, aumento da renda, mass... pode gerar também aumento da inflação. Foi exatamente isso que aconteceu no governo Lula, como nós vimos na aula passada. Como o governo gastou demais em 2010, Dilma teve que sair cortando todos os gastos para poder colocar a danada da inflação dentro da meta (que hoje é de 4,5%, podendo ser 2% para cima ou 2% para baixo). Inflação de Custos Como o próprio nome diz, ela está ligada diretamente aos custos das empresas. Existem muitos fatores que fazem o preço aumentar do lado da oferta. Abaixo, vemos alguns deles: Quedas de produção (ou choques de oferta): Ocorrem quando as empresas reduzem, significativamente, seus volumes de produção, devido a greves, falta de matérias- primas ou quebras de safras; Aumento nos preços de produtos importados: Os custos de produção das empresas aumentam e estas repassam esta elevação para os preços do produto final; Aumentos excessivos de salários: Por iniciativa do governo ou decorrente da capacidade de negociação dos sindicatos dos trabalhadores. Se além da inflação e dos índices reais de produtividade eleva os custos de produção e pressiona os preços para cima; Atuação dos oligopólios: Através da “inflação administrada”, quando as empresas aumentam seus preços visando um lucro maior. Se seus produtos são insumos para a produção de outras empresas gera-se a chamada “espiral inflacionária”. Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 20 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 Por fim, para terminar de falar sobre inflação, vamos ver a mais complicada de todas, a inflação inercial. Inflação Inercial Lembra de inércia da física? Segundo eu me lembro (eu era péssima em física), a inércia diz que um corpo em repouso, tende a ficar em repouso se nenhuma força for aplicada sobre ele. Além disso, um corpo em movimento uniforme tende a ficar nesse movimento se nenhuma força for implementada sobre ele! (físicos de plantão, ajudem para ver se tá certinho!) Ocorre inflação inercial quando os agentes econômicos adaptam suas expectativas a uma dada taxa de inflação. A taxa de inflação passa a ser incorporada por diferentes instituições no desenvolver de suas atividades. Ou seja, a inflação inercial acontece quando os preços sobem hoje porque eles, simplesmente, subiram ontem! Simples assim! E por que eles subiram ontem? Porque já subiram antes de ontem. Ou seja, eles não vão parar de subir até que uma “força” consiga parar. E para encontrar essa força para parar, é um problema, viu! Só para você ter uma idéia, como veremos mais na frente, o Brasil lutou durante praticamente 10 anos contra essa danada para poder, finalmente, controla-la! Exercícios? Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 21 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 Exercício 11 (AUDITOR FISCAL SEFAZ RJ 2011 FGV) A inflação acumulada nos últimos doze meses encontra-se no mês de abril de 2011 acima da meta de inflação adotada no país. Para trazer de volta a inflação para a meta, a melhor combinação de políticas monetária e fiscal é, respectivamente, a) elevação da Selic e dos gastos do governo. b) redução da Selic e dos gastos do governo. c) elevação da Selic e contração dos gastosdo governo. d) redução dos gastos do governo e da Selic. e) redução dos gastos do governo e elevação da Selic. E vamos ao trabalho! Essa é, disparado, uma das questões que eu mais gosto por razões simples de se compreender: 1. Fala sobre um fato recente da economia brasileira 2. Fala sobre três assuntos presentes no nosso edital: inflação, política fiscal e política monetária. Assim, considerando esses dois fatos, você pode notar que essa seria uma boa candidata a aparecer na prova do dia 6, não é? Então massacrá-la! Primeira coisa a se observar ainda no enunciado. Ele fala de inflação e a associa às políticas fiscal e monetária! Logo, é possível dizer que se trata de uma inflação de demanda: como o governo aqueceu a economia (seja por aumento da oferta de moeda, seja por aumento dos gastos ou redução de tributos), isso influenciou o consumo das famílias. Contudo, no curto prazo, a produção das empresas não responde a esse aumento da demanda, levando a um aumento de preços! (lei da demanda e da oferta: o que está acontecendo aqui é simplesmente um deslocamento da curva de demanda para cima e para a direita para todos os bens, o que leva a um aumento generalizado no nível de preços, caracterizando a inflação! Lembra que se o preço de apenas um bem aumentar, isso não caracteriza inflação. A inflação ocorre quando há o aumento generalizado do nível de preços). Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 22 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 Ainda no enunciado, nós temos que esse aumento levou a economia a um nível de aquecimento tão alto que colocou a inflação fora da meta estabelecida pelo governo (máximo de 6,5% a.a.). Para resolver esse problema, o que o governo deve fazer? Antes de pensar nas políticas, temos que pensar no resultado e depois voltar para as políticas! Veja, os preços estão aumentando porque as pessoas estão comprando mais! O que precisamos fazer? Precisamos fazê-las comprar menos! Como faremos isso? Reduzindo a renda delas! Ora, falou-se em redução de renda?? Quando se falar em redução de renda, estaremos falando, necessariamente de políticas retracionistas! Logo, para que o governo possa reduzir a inflação, ele terá que adotar políticas fiscal e monetária retracionistas! Agora vamos olhar, calmamente, as alternativas: A alternativa (A) diz que o governo dele fazer uma elevação da Selic e dos gastos do governo. Ora, se o governo fizer um aumento da selic (a taxa básica de juros da economia, através de uma política monetária retracionista via um dos seus instrumentos – operação em mercado aberto, taxa de redesconto ou encaixes compulsórios), isso deverá gerar, sim, uma redução na renda da economia, já que com juros mais altos, as pessoas irão comprar menos para depositar mais moedas em aplicações financeiras. Então, até aqui, tudo certo! De fato, um aumento da taxa selic leva a uma redução da renda da economia, o que freia a inflação. Contudo, a questão está errada por considerar que o governo deve aumentar os seus gastos. Como vimos, o aumento dos gastos do governo implicam em aumento da renda e aquecimento do mercado de bens e serviços, levando a uma pressão inflacionária! Logo, a alternativa (A) não pode ser verdadeira. Continuando, a letra (B) diz que o governo deve fazer uma redução da Selic e dos gastos do governo. Aqui é justamente o inverso do que vimos na alternativa (A). Se a primeira alternativa peca quando fala em aumento dos gastos do governo, a questão atual erra quando diz que o governo deve fazer uma redução da Selic. Como vimos, Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 23 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 para que o governo possa reduzir a renda da economia e, assim, reduzir a inflação, ele terá que aumentar a taxa de juros, não o contrário! Assim como a anterior, a alternativa também não é verdadeira! Continuando... A letra (C) afirma que deverá existir uma elevação da Selic e contração dos gastos do governo. Finalmente, a resposta correta! Como nós vimos acima, para que o governo possa reduzir a inflação, ele precisa adotar a combinação das políticas fiscal e monetária retracionistas! Ou seja, reduzir gastos, aumentar tributos e ainda aumentar a taxa de juros! Assim, alternativa correta: (C). Vamos ver porque as demais estão incorretas? A letra (D) diz que deverá existir uma redução dos gastos do governo e da Selic. Ora, essa alternativa é exatamente igual a letra (B)!! apenas com outras palavras! Logo, assim como a anterior, essa aqui também está incorreta! Por fim, a letra (E) afirma que deverá existir uma redução dos gastos do governo e elevação da Selic! Pois é, exatamente igual a alternativa correta, a letra (C)! Logo, não tem nem o que pensar. Nessa prova, aqui, temos duas alternativas corretas, as letras (C) e (E)!! Carimbinho? GABARITO OFICIAL: (C) Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 24 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 Exercício 12 (ANALISTA DE ECONOMIA –PERITO MPU, 2010, CESPE) A respeito do desenvolvimento brasileiro no pós-guerra, julgue os itens a seguir. [111] Inflação inercial, que é um tipo de inflação de demanda, surgiu no Brasil nos anos 1970 como um padrão auto- reprodutor das elevações de preços e salários. Vamos ao trabalho! Essa aqui é muuiiito boa e cabe até um gatinho do “como assim?” Bem, pelo que nós já vimos até agora, fica bem claro que a questão é incorreta. A explicação para isso é que a inflação inercial não é um tipo de inflação de demanda, mas uma inflação específica! Assim, a questão, já com esse erro conceitual está errada. Continuando a questão, contudo, podemos ver todo o resto está correto. De fato, a inflação inercial se retroalimenta, provocando um efeito em espiral! Assim: GABARITO: FALSO *** Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 25 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 Continuando no regime militar.... O problema é que a correção monetária resolvia o problema parcialmente já que com o aumento dos salários, haveria um aumento nos custos o que gera, em última análise, um aumento nos preços dos bens. Assim, nós podemos ver, de agora, que a correção monetária gera uma redução na inflação no curto prazo. Além disso, essa redução terá um preço que deverá ser pago em algum ponto no tempo. A tabela abaixo, tirada do mesmo livro mostra como a redução foi desacelerada: Resolvido, pelo menos por enquanto, o problema da inflação, os militares observaram que era preciso organizar o Brasil para que nós pudéssemos ter, finalmente, um grande processo de crescimento. Para fazer isso, o PAEG desenvolveu três reformas institucionais: A. Reforma tributária B. Reforma monetário-financeira C. Reforma do setor externo REFORMA TRIBUTÁRIA Quando entraram no governo, os militares observaram que o nosso sistema triburtário era extremamente defasado para a nossa realidade naquela época. Sabendo disso, implementaram as seguintes medidas para torná-lo mais eficiente: Transformaram os impostos em cascata (em que você acaba pagando um “imposto em cima do outro”) em impostos de valor adicionado, como o IPI e o ICM (que mais tarde seria chamado de ICMS) Redefiniram o espaço tributário entre as diversas esferasdo governo. Assim, caberia a união o valor arrecadado com o IPI, o Imposto de Renda, os impostos únicos, o imposto sobre a Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 26 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 exportação, o imposto sobre a importação e o ITR. À Unidade Federativa, caberia o ICM e ao município caberia o ISS e o IPTU. Foi anda na mão dos militares que foi criado o Fundo de Participação dos Estados e dos Municípios. Além desses impostos, o governo estabeleceu ainda vários fundos parafiscais. Entre os mais importantes, nós vamos destacar o PIS e o FGTS. Para o caso desse último, a criação dele merece destaque. Como até antes do regime militar havia uma lei que dizia que se o trabalhador tivesse mais de 20 anos como funcionário de determinada empresa não poderia ser demitido, isso acabava engessando o mercado de trabalho. Para tirar esse benefício do trabalhador sem prejudicá-lo demais, os militares desenvolveram o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Com isso, caso o trabalhador fosse demitido, ele não seria tão prejudicado a ponto de ficar sem nenhum recurso financeiro e com a idade avançada. Assim, o FGTS surge também como uma possibilidade de dar dinamismo no mercado de trabalho. Como principais consequências da reforma tributária promovida pelos militares, nós tivemos um aumento na arrecadação, o que possibilitou que o governo tivesse mais uma forma de financiar os seus gastos que impulsionariam, por fim, o crescimento econômico. REFORMA MONETÁRIO – FINANCEIRA Até 1964, o sistema financeiro brasileiro era hiper confuso. Nesse período, a autoridade monetária era exercida por quatro instituições diferentes: a SUMOC (Superintendência da Moeda e do Crédito), pelo Conselho da SUMOC, pelo Tesouro Nacional e pelo Banco do Brasil. Observando tamanha dispersão de autoriade no sistema financeiro e notando ainda a existência de uma maior complexidade nesse sitema no Brasil, o PAEG desenvolveu uma reforma que tinha como objetivo criar condições de condução independente da política monetária e direcionar os recursos da atividade econômica. Para fazer isso, o governo militar criou quatro grandes medidas: 1. Instituição das Obrigações reajustáveis do Tesouro Nacional Com essa medida, o governo tornava os títulos públicos novos instrumentos de financiamento, evitando, assim, o financiamento público via emissão de moeda. Como os títulos não estavam indexados anteriormente (indexados = reajustados por um índice que nesse caso é o índice de preços), não eram interessantes de ser Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 27 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 comprados pelos investidores. Com o reajuste via índice de preços, esses títulos passam a ser mais interessantes para a compra. 2. Criação do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional Siimmm... somente agora nós criamos o Banco Central e o CMN. No apagar das luzes de 1964 (31.12) foram criadas as duas instituições mais importantes do sistema financeiro brasileiro. Deve-se notar que cabe ao CMN a normatização do sistema financeiro e cabe ao banco central a execução da política monetária e a fiscalização do sistema financeiro. 3. Criação do Sistema Financeiro de Habitação e do Banco Nacional de Habitação A criação desses dois agentes do sistema financeiro está ligada, diretamente, à restrição de crédito necessária para a redução da inflação. Assim, como o financiamento para a habitação ficou mais escasso, o governo objetivou, com essa criação, reduzir o déficit habitacional. 4. Reforma no sistema financeiro e do mercado de capitais Finalmente, com o objetivo de melhorar o acesso ao crédito para o investimento das empresas, foi criado o mercado de capitais, que tinha como objetivo direcionar o crédito para as empresas. Além disso, o sistema financeiro como um todo foi reestruturado. Nessa estruturação, os agentes financeiros foram caracterizados pela sua especialização, o que ia de acordo com o modelo do sistema financeiro norte americano. Com esses quatro pontos, o governo conseguiu estruturar o sistema fianceiro. Faltava agora reorganizar o setor externo para aprontar a economia para a decolagem. REFORMA DO SETOR EXTERNO A última reforma promovida pelo governo brasileiro foi ligada ao setor externo. Como o setor externo ficou esquecido por muito tempo e como o governo queria retirar recursos para investir também do exterior, ele adotou algumas políticas de incentivos. Para a melhora no comércio externo, o governo criou incentivos fiscais para a exportação e modernizou os órgãos ligados ao comércio internacional. Do lado da importação, o governo retirou os limites quantitativos que existiam e adotou, para proteger a nossa indústria um sistema de minidesvalorizações cambiais. Finalmente, no que diz Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 28 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 respeito à atração do capital estrangeiro, houve uma renegociação da dívida externa e o acordo de garantias para o capital estrangeiro. Com as reformas consolidadas, nós pudemos preparar a nossa economia para decolar junto com o período seguinte, carinhosamente chamando de “Milagre Econômico”. O MILAGRE ECONÔMICO Entre os anos de 1968 e 1973, o Brasil experimentou as maiores taxas de crescimento do produto nacional na história recente: taxas de crescimento acima de 10% a.a. Esse desempenho decorreu de alguns fatores que vale a pena mencionar: As reformas institucionais anteriores, A capacidade ociosa da indústria; O crescimento da economia mundial; Mudança do diagnóstico da inflação: passou-se a acreditar que a inflação estava ligada aos custos. Assim, o governo tirou a mão do bolso e passou a gastar via políticas monetária, fiscal e creditícia. As principais fontes de crescimento da economia brasileira que possibilitaram o crescimento foram a retomada do investimento público (siimm... governo gastando de novo!) em infraestrutura e das empresas privadas. Além disso, houve ainda um aumento da demanda por bens duráveis e por bens produzidos pela construção civil. Por fim, nós vivíamos ainda um processo de forte exportação. Assim, sob o governo Médici, o mais autoritário de todos os governos, nós tivemos os maiores indícios do milagre econômico. Um ponto importante nesse período é o plano econômico que governava as políticas do governo. Embora normalmente não seja dito pela maioria dos livros, foi nesse período que nós tivemos a implantação do I PND: Plano Nacional de Desenvolvimento. Mas, o milagre não se resumiu a flores. Foi também nesse período que nós engrossamos o nosso endividamento externo: com um crescimento de US$ 9 bilhões de dólares. O problema é que o milagre demorou pouco... com o fim dos anos de ouro no Brasil, nós passamos por problemas de ordem interna e externa. Agora, nós já não conseguíamos mais crescer como antes. Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 29 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 Além do problema econômico, temos um problema de legitimidade política: sem crescer, não há mais a justificativa de manter os militares no poder. É isso que nós veremos no ponto seguinte. Exercícios? 13. (Petrobrás, Economista Junior, 2005) O período conhecido como “MilagreEconômico” (1968-1973) foi marcado por uma forte expansão do nível de atividade no Brasil e em vários outros países em desenvolvimento. No plano internacional, qual fator contribuiu para esse crescimento? (A) Grande aumento da liquidez no mercado financeiro internacional, representado pelos eurodólares. (B) Ajuda americana através do Plano Marshall e de outras formas de transferências unilaterais. (C) Forte expansão das exportações de produtos manufaturados e semimanufaturados para a Europa e os Estados Unidos. (D) Surgimento dos petrodólares, com influência na composição dos novos empréstimos externos. (E) Aquecimento da demanda mundial por commodities, resultante do grande crescimento da economia chinesa. Esse aqui é bem interessante. E dá para sair cancelando uma série de alternativas. Vejamos: A letra (B) fala do Plano Marshall. Aqui, com um pouquinho de esforço para lembrar da aula de história geral, você vai recordar que esse plano foi criado depois da segunda guerra mundial para reconstruir a Europa abalada pela guerra. Isso foi nos idos dos anos 1940, muito longe da nossa realidade entre os anos de 1968 e 1973. Assim, a alternativa não pode ser verdadeira. Pulando a letra (C) e indo direto para a letra (D), vemos que os petrodólares só surgem depois do primeiro choque do petróleo, em 1973, logo, essa alternativa também não pode ser correta. A letra (E) também não é verdadeira porque, a essa época, a economia Chinesa era de base socialista e, nesse regime, não se comunicava com o resto das economias de mercado. Sobraram apenas as alternativas (A) e (C). Analisando a últimva vemos que não houve, do nosso lado, uma exportação de produtos Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 30 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 manufaturados e semimanufaturados. Lembre que nós ainda estávamos em processo de industrialização via substituição de importações e, embora tivéssemos um parque industrial bem considerável nesse período, nós ainda não tínhamos competitividade suficiente para fazer frente às produções americanas e européias. Dessa forma, fica como alternativa correta a letra (A). De fato, o nosso milagre foi financiado, em grande medida, pelos eurodólares. GABARITO: (A) 14. (Petrobrás, Economista Pleno, 2005) A crise econômica brasileira na década de 60 do século passado combinou baixo crescimento e alta das taxas de inflação. O Plano Trienal e o Plano de Ação econômica do Governo (PAEG) visavam, fundamentalmente, criar mecanismos de estabilização de preços e retomada das condições de crescimento da economia brasileira. Como principal diferença entre esses planos, no que se refere ao diagnóstico da inflação do período, é correto afirmar que o Plano Trienal: (A) assumia um diagnóstico estruturalista, enquanto o PAEG apontava para o combate a uma inflação de demanda. (B) assumia um diagnóstico de inflação de custos, enquanto o PAEG apontava para o combate a uma inflação de demanda. (C) fazia um combate de longo prazo à inflação, enquanto o PAEG assumia uma inflação de custos. (D) destacava um diagnóstico estruturalista, enquanto o PAEG apontava para o combate a uma inflação de custos associada à retração do nível de atividade. (E) supunha uma redução da inflação a partir de reformas estruturais, enquanto o PAEG assumia a necessidade de forte expansão da economia. Para responder essa questão, você precisa lembrar que, para o PAEG, a inflação era gerada por um excesso da demanda. Assim, apenas analisando isso, vemos que as letras (C), (D) e (E) não podem ser verdadeiras. Sobram apenas as alternativas (A) e (B). Nesse caso, para fazer o critério de desempate, você terá que saber que, segundo o Plano Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 31 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 Trienal do governo de João Goulart, a inflação era estrutural, ou seja, só seria possível extinguir a inflação se o governo promovesse diversas reformas na estrutura da economia. GABARITO: (A) 15. (Termorio, Economista Junior, 2009) No período de 1968 a 1973, conhecido como fase do “milagre”, a economia brasileira apresentou taxas elevadas de crescimento real do PIB, mas a tendência de aumento da inflação foi contida. Para tal, um fator importante foi a(o) (A) capacidade ociosa da economia. (B) contenção da demanda via política monetária expansiva. (C) redistribuição da renda para as classes de menor poder aquisitivo. (D) desvalorização cambial da moeda brasileira. (E) crescimento vigoroso das exportações no período. Essoe aqui é muito interessante e eu vou responder logo “de cara”. A alternativa correta é a letra (A). O milagre só conseguiu taxas de crescimento tão expressivas porque havia muita capacidade ociosa criada nos períodos anteriores e que foram sendo absorvidas apenas nesse período. Veja que é impossível um país crescer tanto em tão pouco tempo se não houver uma boa capacidade ociosa a ser ocupada. E foi justamente esse fator que nos ajudou no período do milagre. A letra (B), por sua vez, está errada já que não houve qualquer contenção da demanda. Como a oferta foi diagnosticada como de custos, o governo não sentiu qualquer necessidade de fazer políticas de restrição de demanda. A letra (C) pode ser respondida lembrando da teoria do bolo, não é? A letra (D) é verdade, contudo, não foi um fator importante para o período do milagre. Assim, veja que uma alternativa ser verdadeira para o período não implicará ser a resposta da questão, ok? Finalmente, a letra (E) é falsa já que não houve um crescimento vigoroso das exportações nesse período. GABARITO: (A) Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 32 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 16. (IBGE, Análise Socioeconômica, 2010) Durante o período de 1968 até 1973, a economia brasileira apresentou taxas de crescimento real do PIB bem elevadas, taxas de inflação diminuindo, redução e eliminação de deficit no balanço de pagamentos. Tal evolução se tornou possível por causa de vários fatores, dentre os quais NÃO se encontra o(a) (A) quadro de ampla liquidez no mercado financeiro internacional. (B) política deliberada de captação de recursos externos para financiar o balanço de pagamentos. (C) política de minidesvalorizações cambiais, de acordo com a inflação, evitando variações bruscas no câmbio real. (D) redistribuição de renda para os pobres, expandindo rapidamente a demanda interna. (E) existência de capacidade ociosa na economia. Essa aqui, como pede a alternativa errada, vamos direto nela! Você acha que o governo olhou para as pessoas mais pobres? (teoria do bolo, teoria do bolo...) A resposta é: NÃO! O governo militar não se interessou em fazer a redistribuião de renda para os mais pobres. Assim, a letra que responde essa questão é a alternativa (D)! GABARITO: (D) Entendido? *** Pessoal, Terminamos aqui a nossa aula 01! Espero que tenham gostado! A gente se encontra amanhã para falar da segunda parte do governo militar. A gente se encontra em breve Até lá! Amanda Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 33 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 Exercícios Resolvidos Exercício 01 (BNDES, Profissional Básico: Economia, 2008) Assinale,entre as opções abaixo, a que NÃO corresponde a uma das principais características da política de industrialização brasileira no Pós-Guerra. (A) Fornecimento de crédito a longo prazo para implantação de novos projetos. (B) Proteção à indústria nacional, mediante tarifas de importação e barreiras não tarifárias. (C) Participação direta do Estado no suprimento da infra- estrutura (energia, transporte). (D) Participação direta do Estado na produção em alguns setores tidos como prioritários (siderurgia, mineração, petróleo). (E) Intensa preocupação de atender o consumidor doméstico com produtos de qualidade e baratos. Exercício 02 (EPE, Economia da Energia, 2006) A política de valorização do café no Brasil, iniciada em 1906 no Convênio de Taubaté e recorrentemente utilizada para evitar quedas significativas no preço internacional do produto, apresentava como principais determinantes a(o): (A) retenção de parcela da produção doméstica para reduzir as exportações do produto, prática possibilitada pela participação brasileira no mercado internacional do café e por sua baixa elasticidade-preço. (B) retenção da produção de café por alguns anos, eliminando as exportações, em decorrência das graves crises internacionais que afetavam a demanda externa do produto, como ocorreu na década de 30 (do século XX). (C) punição de produtores de café que ultrapassassem as cotas de produção pré-determinadas pelo governo central, visando à manutenção dos preços internacionais do produto. Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 34 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 (D) busca de maior diversificação produtiva nas áreas de plantio do café, evitando a forte dependência dos produtores em relação a um único item. (E) impedimento do plantio de novas áreas para a produção de café, determinando uma drástica redução estrutural da oferta internacional de café. Exercício 03 (EPE, Economia da Energia, 2006) O Plano de Metas (1956- 1961) marcou uma importante transformação produtiva brasileira, visando a maior integração da estrutura industrial no País. Para sua montagem, foi fundamental a identificação de pontos de estrangulamento que representavam setores: (A) cuja oferta não era capaz de responder rapidamente a uma elevação de demanda. (B) cuja expansão era inviável e que deveriam ter prioridade nas importações. (C) periféricos da indústria e com baixa capacidade de geração de emprego. (D) capazes de gerar grande demanda para outras atividades produtivas. (E) compostos por empresas de baixos níveis de produtividade e sofisticação tecnológica. Exercício 04 (EPE, Economia da Energia, 2006) As proposições abaixo dizem respeito ao Plano de Metas (1956-1961). I - Entre as técnicas de planejamento utilizadas no Plano de Metas destacaram-se a identificação de pontos de estrangulamento e pontos de germinação. II - A elevação da produção de petróleo no País foi um fator essencial para o sucesso do Plano de Metas. III - A política de valorização do café foi um dos pontos mais importantes para viabilizar a implementação do Plano de Metas. Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 35 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 É(São) correta(s) apenas a(s) proposição(ões): (A) I. (B) II. (C) III. (D) I e II. (E) I e III. Exercício 05 (Petrobrás, Economista Junior, 2005) Dentre as principais medidas do Plano de Metas, no governo Juscelino Kubitschek, destaca-se a: (A) criação de comissões setoriais, como o GEIA. (B) criação da Petrobras, para expandir a exploração de petróleo no país. (C) imposição de uma política salarial concentradora de renda. (D) realização de reformas tributária e administrativa. (E) aplicação de políticas ortodoxas de combate à inflação. Exercício 06 (Petrobrás, Economista Pleno, 2005) Sobre a economia brasileira, considere as afirmações abaixo. I - O Plano de Metas teve por objetivo primordial aprimorar as medidas de combate à inflação no Brasil. II - Entre as principais ações estabelecidas no Plano de Metas estava a política de reserva de mercado. III - Atacar os pontos de estrangulamento e constituir pontos de germinação eram objetivos primordiais do Plano de Metas. Está(ão) correta(s) a(s) afirmação(ões): (A) I, apenas. Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 36 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 (B) II, apenas. (C) I e III, apenas. (D) II e III, apenas. (E) I, II e III. Exercício 07 (IBGE, Análise Socioeconômica, 2010) Os estudiosos da história econômica do Brasil afirmam que a política de industrialização pela substituição de importações já esgotara suas possibilidades de motivar o investimento e o crescimento (A) antes do governo de Juscelino Kubitschek. (B) no início dos governos militares da década de 1960. (C) antes da crise de aumento do preço do petróleo em 1973. (D) antes da crise da dívida externa no final da década de 1980. (E) no início do governo de Fernando Henrique Cardoso. 8. (EPE, Analista Economia de Energia, 2007) Em 1964 o governo brasileiro começou a implementar um novo programa econômico conhecido como PAEG, visando, entre outros objetivos, a: (A) conter paulatinamente o processo inflacionário brasileiro. (B) conter a entrada de investimentos externos especulativos. (C) promover aumentos salariais e a redistribuição de renda no Brasil. (D) reorganizar o mercado financeiro brasileiro e eliminar a correção monetária. (E) aumentar substancialmente o comércio externo brasileiro com os países do Mercado Comum Europeu. Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 37 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 9. (BNDES, Profissional Básico: Economia, 2008) O PAEG (Plano de Ação Econômica do Governo) e as reformas implementadas em 1964 e nos anos imediatamente subseqüentes, no Brasil, (A) aumentaram substancialmente os salários. (B) aumentaram as restrições à entrada de capitais externos. (C) diminuíram a carga fiscal dos contribuintes. (D) criaram o Banco Central do Brasil. (E) eliminaram a correção monetária no país. 10. (Petrobrás, Economista Junior, 2005) O Plano de Ação Econômica do Governo (PAEG), iniciado no governo do Marechal Humberto de Alencar Castello Branco, tinha como objetivo fundamental o combate à inflação. Os gestores do Plano defenderam o diagnóstico de inflação: (A) de custos. (B) estrutural, setorialmente localizada. (C) inercial, determinada por elevação do dólar. (D) causada por excesso de demanda. (E) determinada por preços de commodities. Exercício 11 (AUDITOR FISCAL SEFAZ RJ 2011 FGV) A inflação acumulada nos últimos doze meses encontra-se no mês de abril de 2011 acima da meta de inflação adotada no país. Para trazer de volta a inflação para a meta, a melhor combinação de políticas monetária e fiscal é, respectivamente, a) elevação da Selic e dos gastos do governo. b) redução da Selic e dos gastos do governo. c) elevação da Selic e contração dos gastos do governo. d) redução dos gastos do governo e da Selic. Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 38 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES ProfissionalBásico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 e) redução dos gastos do governo e elevação da Selic. Exercício 12 (ANALISTA DE ECONOMIA –PERITO MPU, 2010, CESPE) A respeito do desenvolvimento brasileiro no pós-guerra, julgue os itens a seguir. [111] Inflação inercial, que é um tipo de inflação de demanda, surgiu no Brasil nos anos 1970 como um padrão auto- reprodutor das elevações de preços e salários. 13. (Petrobrás, Economista Junior, 2005) O período conhecido como “Milagre Econômico” (1968-1973) foi marcado por uma forte expansão do nível de atividade no Brasil e em vários outros países em desenvolvimento. No plano internacional, qual fator contribuiu para esse crescimento? (A) Grande aumento da liquidez no mercado financeiro internacional, representado pelos eurodólares. (B) Ajuda americana através do Plano Marshall e de outras formas de transferências unilaterais. (C) Forte expansão das exportações de produtos manufaturados e semimanufaturados para a Europa e os Estados Unidos. (D) Surgimento dos petrodólares, com influência na composição dos novos empréstimos externos. (E) Aquecimento da demanda mundial por commodities, resultante do grande crescimento da economia chinesa. 14. (Petrobrás, Economista Pleno, 2005) A crise econômica brasileira na década de 60 do século passado combinou baixo crescimento e alta das taxas de inflação. O Plano Trienal e o Plano de Ação econômica do Governo (PAEG) visavam, fundamentalmente, criar mecanismos de estabilização de preços e retomada das condições de crescimento da economia brasileira. Como principal diferença entre esses planos, no que se refere ao diagnóstico da inflação do período, é correto afirmar que o Plano Trienal: Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 39 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 (A) assumia um diagnóstico estruturalista, enquanto o PAEG apontava para o combate a uma inflação de demanda. (B) assumia um diagnóstico de inflação de custos, enquanto o PAEG apontava para o combate a uma inflação de demanda. (C) fazia um combate de longo prazo à inflação, enquanto o PAEG assumia uma inflação de custos. (D) destacava um diagnóstico estruturalista, enquanto o PAEG apontava para o combate a uma inflação de custos associada à retração do nível de atividade. (E) supunha uma redução da inflação a partir de reformas estruturais, enquanto o PAEG assumia a necessidade de forte expansão da economia. 15. (Termorio, Economista Junior, 2009) No período de 1968 a 1973, conhecido como fase do “milagre”, a economia brasileira apresentou taxas elevadas de crescimento real do PIB, mas a tendência de aumento da inflação foi contida. Para tal, um fator importante foi a(o) (A) capacidade ociosa da economia. (B) contenção da demanda via política monetária expansiva. (C) redistribuição da renda para as classes de menor poder aquisitivo. (D) desvalorização cambial da moeda brasileira. (E) crescimento vigoroso das exportações no período. 16. (IBGE, Análise Socioeconômica, 2010) Durante o período de 1968 até 1973, a economia brasileira apresentou taxas de crescimento real do PIB bem elevadas, taxas de inflação diminuindo, redução e eliminação de deficit no balanço de pagamentos. Tal evolução se tornou possível por causa de vários fatores, dentre os quais NÃO se encontra o(a) (A) quadro de ampla liquidez no mercado financeiro internacional. Profa. Amanda Aires www.estrategiaconcursos.com.br Página 40 de 40 Curso Completo de Economia Brasileira para o BNDES Profissional Básico: Economista Profa. Amanda Aires Teoria e Questões Comentadas – AULA 01 (B) política deliberada de captação de recursos externos para financiar o balanço de pagamentos. (C) política de minidesvalorizações cambiais, de acordo com a inflação, evitando variações bruscas no câmbio real. (D) redistribuição de renda para os pobres, expandindo rapidamente a demanda interna. (E) existência de capacidade ociosa na economia. GABARITO: 1 E 9 D 2 A 10 D 3 A 11 C 4 A 12 FALSO 5 A 13 A 6 D 14 A 7 E 15 A 8 A 16 D