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FINANÇAS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Esclarecer a contribuição da gestão �nanceira para a continuidade de uma organização; Explicar as principais funções do gerente �nanceiro; Conhecer a importância, os deveres, a relação com os demais setores e a contribuição da gestão �nanceira para a continuidade de uma organização. INTRODUÇÃO Qual o principal objetivo de uma empresa? Essa questão pode ser respondida de várias maneiras, mas quase todas as respostas vão levar a geração de valor para os sócios e/ou acionistas. A�nal, ninguém começa um negócio ou investe no empreendimento de outra pessoa pensando em perder dinheiro. Quando se fala em criação de valor, automaticamente se pensa em lucro, porém, para algumas entidades, como órgãos públicos e entidades sem �ns lucrativos, a geração de lucro não é o objetivo primordial. Para as entidades sem �ns lucrativos, por exemplo, o objetivo primordial é a geração de um resultado econômico e �nanceiro positivo, que permita o desenvolvimento normal de suas operações e a cobertura das necessidades gerais de investimentos, garantindo assim, sua continuidade e cumprimento da missão a que se destina (PADOVEZE, 2016). No caso de uma entidade sem �ns lucrativos que trabalha com crianças carentes, por exemplo, a missão desta entidade não é o acúmulo de riquezas e sim atender as necessidades das crianças e transformar o seu ambiente. Contudo, para cumprir sua missão, precisará de recursos �nanceiros. Para garantir, não somente o retorno �nanceiro esperado, como também a continuidade da organização e, consequentemente, o atingimento da sua missão, se faz necessária uma gestão e�ciente das �nanças da entidade. Desse modo, Capítulo 1 análise, planejamento e controle �nanceiro; tomadas de decisões de investimentos; tomadas de decisões de �nanciamentos. pode-se dizer que o objetivo maior de �nanças é criar valor para seus proprietários, sejam eles quais forem (PADOVEZE, 2016). Portanto, é essencial para o pro�ssional de �nanças: conhecimento da área, proatividade, capacidade de análise e tomada de decisões, ética e sigilo pro�ssional. Pois o pro�ssional desta área tem acesso a informações estratégicas. Essas informações dizem respeito não somente ao setor �nanceiro, tendo em vista que esse se relaciona com todos os departamentos da empresa (vendas, compras, produção, marketing, etc.), utilizando e fornecendo informações aos mesmos. De acordo com Hoji (2017, p. 7): “a administração �nanceira de uma empresa é exercida por pessoas ou grupos de pessoas que podem ter diferentes denominações, como: vice-presidente de �nanças, diretor �nanceiro, controller e gerente �nanceiro”. Sendo que ainda segundo o referido autor, as funções típicas do administrador �nanceiro de uma empresa são: Na Figura 1 é apresentado um exemplo do organograma do setor �nanceiro de uma empresa: Figura 1 - Exemplo de organograma da área de f inanças Fonte: Hoji (2017). Capítulo 1 Contudo, dependendo do porte da empresa, a denominação e a distribuição das funções podem variar. Em empresas de pequeno e médio porte, é comum que algumas funções da controladoria, por exemplo, administração de tributos e sistemas de informação, sejam terceirizadas. Nessas empresas, também é comum que uma pessoa execute duas ou três funções (PADOVEZE, 2016). Ou ainda, nos casos de micro empreendimento, muitas vezes é o sócio proprietário que as executa. Para saber mais sobre controladoria, leia o livro: Controladoria Estratégica e Operacional. Do autor Clóvis Luís Padoveze. Para facilitar o trabalho desse pro�ssional, o ideal é que a empresa tenha um sistema de informações con�ável. O recomendável é que o sistema seja informatizado – o que proporciona agilidade e facilita a rastreabilidade – seja um sistema em nuvem, instalado em um servidor da empresa ou até mesmo planilhas eletrônicas. O importante é que ele seja periodicamente alimentado e consultado. Neste livro, vamos focar nas funções e atividades da tesouraria, desempenhadas pelo tesoureiro, também denominado gerente �nanceiro, por serem fundamentais para empresas de pequeno e médio porte. TESOURARIA A função básica de uma tesouraria é gerir o �uxo dos recursos �nanceiros de uma organização e salvaguardar seus ativos �nanceiros, ou seja, o seu tesouro (SOUZA; TORQUATO, 2019). Apesar de se preocupar com o controle das disponibilidades da empresa, mais recentemente a tesouraria tem assumido funções mais estratégicas e relacionadas ao planejamento organizacional. Disponibilidades são recursos da empresa em moeda ou que podem ser transformados quase que imediatamente em moeda (caixa, valor em conta corrente, aplicação de liquidez imediata). Hoji (2017, p. 139) destaca que a tesouraria “é uma das áreas mais importantes em uma empresa, pois, praticamente, todos os recursos �nanceiros que giram na empresa transitam por ela”. Logo, é uma área que pode fornecer muita informação fundamental para a tomada de decisão. Capítulo 1 Realizar a conciliação bancária das operações de pagamentos efetuadas, para identi�car se elas foram devidamente processadas pelos bancos; Identi�car TEDs, DOCs e boletos não processados pelo banco e providenciar novo pagamento; Conferir e registrar os débitos relativos a tarifas, encargos �nanceiros e tributários de operações de crédito identi�cados em conta bancária; Realizar e registrar os pagamentos em dinheiro; Realizar e registrar os recebimentos em dinheiro ou cheques à vista; Consultar os sistemas de restrição de crédito nos recebimentos em cheques a vista (SCPC e Telecheque); Conferir a conformidade técnica dos cheques recebidos (à vista e pré- datados) para identi�car inconsistências, tais como erros de preenchimento, falta de assinatura etc; Salvaguardar os cheques pré-datados recebidos; Conferir o follow-up dos cheques pré-datados; Salvaguardar o dinheiro e os cheques à vista recebidos; Enviar diariamente os numerários recebidos (cheques e dinheiro) para depósito bancário; Gerenciar o relacionamento com a agência bancária em que a organização tenha conta; Controlar o cadastramento para débitos automáticos e administrar possíveis bloqueios judiciais em conta corrente; Realizar a conciliação bancária diária de todos os lançamentos identi�cados no extrato bancário (débitos e créditos); Analisar e registrar créditos extraordinários identi�cados no extrato bancário; Realizar e registrar o fechamento diário de caixa e banco, registrando toda movimentação e apresentando ao responsável do setor; Organizar e enviar para a contabilidade os documentos dos movimentos �nanceiros de caixa e banco; Conferir diariamente a existência e a veracidade (contagem física) dos saldos em dinheiro e cheques salvaguardados; Controlar os recursos disponíveis em caixa e bancos. Souza e Torquato (2019) destacam algumas funções da tesouraria relacionadas as disponibilidades da empresa: Capítulo 1 Estabelecer políticas de pagamentos; Controlar adiantamentos a fornecedores; Controlar abatimentos e devoluções de mercadorias; É imprescindível que essas atividades sejam realizadas diariamente, evitando assim o acúmulo delas – em caso de empresas que apresentem grande volume de transações, o que é muito comum no setor de comércio – e principalmente, para minimizar a ocorrência de erros ou fraudes. Pois a tesouraria também é responsável por enviar informações �dedignas para a contabilidade. Neste sentido, também é imprescindível o desenvolvimento e aplicação de controles internos. Para saber mais sobre controles internos na área �nanceira, sugere-se a leitura do artigo Controle interno: um estudo de caso em uma microempresa. A tesouraria é uma área da empresa que recebe ou fornece informações para todas as demais. Esse relacionamento contribui para que o gerente �nanceiro possa, por exemplo, projetar o �uxo de caixa da empresa com segurança. "Quase todos os atos praticados em qualquer área da empresa acabam transformando-se em contas areceber ou em contas a pagar. E, consequentemente, todos os valores a receber ou a pagar devem transitar, obrigatoriamente, pelo sistema de tesouraria" (HOJI, 2017, p. 141). CONTAS A PAGAR O controle de contas a pagar deve ser rotineiro nas funções do setor �nanceiro de qualquer empresa. Neste âmbito, deve ser levado em consideração todas as obrigações a pagar da empresa, bem como os prazos para o devido pagamento. O acompanhamento dessas informações permite que sejam tomadas decisões que auxiliem na gestão estratégica da empresa. Um dos benefícios de gerir corretamente as contas a pagar em uma empresa é a capacidade de evitar atrasos nos pagamentos e, consequentemente, o pagamento de multa e/ou juros ou a suspensão dos serviços. Mas o controle efetivo das contas a pagar possibilita muito mais do que isso. Com base nas informações disponíveis é possível negociar e renegociar prazos de pagamento com fornecedores, visando manter um bom �uxo de caixa na empresa e, também em casos extremos, tomar decisões sobre quais obrigações devem ser priorizadas. Neste sentido, Hoji (2017) destaca algumas atividades de responsabilidade do contas a pagar: Capítulo 1 Controlar cobranças bancárias e cobranças em carteira; Liberar duplicatas para pagamento. Analisar os cadastros dos clientes para concessão de créditos; Cobrar e receber as duplicatas nos respectivos vencimentos; Cobrar e receber saques de exportação; Controlar as duplicatas em carteira e em cobrança bancária; Controlar eventos �nanceiros contratuais; Negociar novação de crédito. Independente do porte da empresa, essas atividades devem ser desempenhadas com atenção e responsabilidade, pois muitas vezes podem ser fundamentais, principalmente em micro e pequenas empresas, onde o capital de giro geralmente é menor. CONTAS A RECEBER As vendas de mercadorias ou prestação de serviços de uma empresa que são negociadas a vista, tem o seu valor indo diretamente para o caixa, conta corrente ou semelhante. Já as vendas a prazo de uma empresa, geram um direito futuro de recebimento do montante e são chamadas de contas a receber (ou duplicatas a receber). De acordo com Hoji (2017, p. 130): “as vendas a prazo alavancam as vendas, isto é, aumentam o volume de vendas e, consequentemente, o lucro. Porém é necessário que se tenha um sistema de controle efetivo desses valores. Uma boa organização desse mecanismo possibilita o controle de quais clientes pagam em dia e quais deles estão com faturas em atraso (IZIDORO, 2016). Para Hoji (2017) identi�ca algumas atividades inerentes ao processo de crédito e cobrança: Em empresas de médio e grande porte, o desempenho de tais atividades é função do setor �nanceiro. Entretanto, em empresas de pequeno porte, é comum que a atividade de análise e concessão de crédito �que sob a responsabilidade do setor de vendas. Nesse caso, é preciso um trabalho em conjunto de ambos os setores. Portanto, para auxiliar no bom funcionamento das contas a receber é interessante que a empresa tenha suas políticas de crédito e cobrança bem desenhadas, claras e divulgadas para todos os interessados no processo. Pois, deve-se atentar para o fato de que em uma venda a prazo há a possibilidade de não recebimento, ou seja, de inadimplência. Por isso é fundamental para a empresa, o gerenciamento da sua carteira de contas a receber. Gerenciamento este, que deve iniciar pelo processo de concessão de crédito. Capítulo 1 A política de crédito trata dos seguintes aspectos: prazo de crédito, seleção de clientes e limite de crédito. Uma política de crédito liberal aumenta o volume de vendas muito mais do que uma política rígida, porém gera mais investimento em contas a receber e mais problemas de recebimento, o que exige maior rigidez na cobrança (HOJI, 2017). Portanto, para auxiliar no bom funcionamento das contas a receber é interessante que a empresa tenha suas políticas de crédito e cobrança bem desenhadas, claras e divulgadas para todos os interessados no processo. Deve-se analisar que se a responsabilidade pela concessão de crédito tiver participação da área de Vendas, o pagamento da comissão de venda deverá ser vinculado ao efetivo recebimento das vendas. Assim, os vendedores estarão mais dispostos a selecionar clientes bons pagadores. Quando não se faz uma análise criteriosa dos dados cadastrais do cliente necessários para analisar a sua capacidade e probabilidade de pagamento, as chances de a venda a prazo não ser recebida é maior. Essa análise não deve ser feita somente para os novos clientes, mas para os clientes recorrentes também. Hoji (2017) atenta para o fato de que a situação do cliente, mesmo daqueles antigos e tradicionais, deve ser constantemente monitorada e atualizada, quanto aos aspectos de pontualidade, capacidade de pagamento e situação �nanceira. As políticas de crédito e cobrança devem trabalhar juntas a favor da empresa. Se uma política de crédito for extremamente facilitada, as chances de a política de cobrança precisar ser muito rígida é maior. E, em alguns casos, a possibilidade de inadimplemento aumenta. Existem alguns tipos de cobrança que a empresa pode adotar, sendo esta feita diretamente pela empresa ou por intermédio de uma instituição �nanceira. A cobrança bancária é mais segura e e�ciente, pois se o sacado atrasar o pagamento, o banco não dispensará os encargos moratórios e, ainda, poderá encaminhar o título para protesto após o vencimento – de acordo com o escolhido pela empresa na data da contratação deste serviço (HOJI, 2017). Se a cobrança for realizada diretamente pela empresa é interessante que os valores recebidos sejam depositados em conta bancária previamente estabelecida, como medida de segurança. E, no caso de recebimento em cheque, orienta-se que eles estejam nominais para a empresa, evitando que sejam depositados em conta corrente na qual a empresa não seja o favorecido. Também, se conforme a estrutura da empresa, o contas a receber for um setor diferente da tesouraria, é importante que todas as informações sobre recebimentos sejam repassadas ao responsável pela tesouraria. A empresa Vende Tudo é uma empresa que atua no comércio de produtos de beleza e cosméticos. Por ser uma empresa de médio porte e optar por uma estrutura de colaboradores enxuta, o setor de vendas é o responsável pela análise de crédito e por realizar as cobranças. Além de Capítulo 1 vendas à vista, a empresa efetua vendas no cartão de crédito e vendas a prazo em crediário próprio - para 30 e 60 dias. A empresa paga aos colaboradores, além do salário, comissão sobre as suas vendas, desde que a loja alcance a sua meta global de vendas, estabelecida e informada previamente a todos os colaboradores do setor. Depois de algum tempo, o responsável pela tesouraria notou que o valor das contas a receber da empresa estava aumentando consideravelmente e que a inadimplência estava crescendo na mesma proporção. O que pode estar acontecendo e que alternativas podem ser aplicadas para solucionar essa situação? Para análise de crédito podem ser utilizados os 5 Cs do crédito: caráter, capacidade, capital, collateral e condições. A Serasa Experian divulga anualmente o per�l dos inadimplentes no Brasil. A pesquisa divulgada, além de outras informações relevantes sobre crédito, pode ser acessada no site: https://cutt.ly/AlRit4n. FLUXO DE CAIXA O �uxo de caixa é uma ferramenta básica da administração �nanceira. O tesoureiro, ao gerenciar o seu dia a dia, se depara com a necessidade de ter um instrumento de planejamento e controle da sua liquidez, que se constitui no �uxo de caixa projetado (FREZATTI, 2014). Complementando, Silva (2018) destaca que tal ferramenta permite controlar a movimentação �nanceira – entradas e saídas de recursos �nanceiros – de uma empresa em um determinado período Sendo utilizado em conjunto com o orçamento, o �uxo de caixa apresenta uma característica de planejamento. Pois permite visualizar todas as entradase saídas de recursos de uma entidade, com o saldo de caixa diário ou do período projetado. Possibilitando, também, que a empresa saiba exatamente qual o valor a pagar com as obrigações assumidas e quais os valores a receber (SILVA, 2018). Como exemplo, para otimizar os recursos �nanceiros, a projeção do �uxo de caixa pode ser feita para um período de até três meses. Os dados são, geralmente, apresentados por dia para os primeiros 15 ou 30 dias e por quinzena ou mês para o restante do período. Para um prazo superior a três meses, podem ser utilizados os dados do orçamento de caixa revisado (HOJI, 2017). Capítulo 1 https://cutt.ly/AlRit4n Falta de um sistema de cobrança e�ciente; Investimentos não planejados e inesperados; Aumento no prazo de vendas concedido como uma maneira de aumentar a competitividade ou a participação no mercado; Compras que não estão em linha com as projeções de vendas; Diferenças representativas no giro de contas a pagar e a receber em decorrência dos prazos médios de recebimento e pagamento; Capitalização inadequada com a consequente utilização de capital de terceiros de forma excessiva, aumentando o nível de endividamento; Ciclos de produção muito longos que não estão em consonância com o prazo médio dado pelos fornecedores; Política salarial incompatível com as receitas e demais despesas operacionais; Pequena ocupação do ativo �xo; É importante ter essas informações demonstradas em um mesmo relatório, pois facilita a análise. Com base no �uxo de caixa, o gestor pode se programar para momentos futuros. Se em algum momento o gestor identi�car que o saldo do �uxo de caixa �cará negativo, poderá tomar decisões antecipadas sobre o que pode acontecer: buscar uma fonte de recurso, negociar pagamentos e recebimentos ou diminuir gastos, por exemplo. O importante é que se a situação for identi�cada com antecedência, o gestor pode analisar com calma as opções antes de tomar uma decisão e não ser in�uenciado pelo imediatismo. Por outro lado, se o gestor identi�car para o período futuro um saldo positivo elevado, pode estudar melhor as opções de investimento dos recursos �nanceiros da empresa. Silva (2018) destaca que é possível, a partir da elaboração do �uxo de caixa, veri�car e planejar eventuais excedentes e escassez de caixa, o que provocará medidas que venham a sanar tais situações. É importante, que o pro�ssional ao elaborar o �uxo de caixa, tome cuidado para não confundir as entradas de valores monetários com o lucro. O lucro utiliza o regime da competência e, contabilmente deve ser registrado no momento da ocorrência do fato (por exemplo, da venda). Já o �uxo de caixa utiliza, como data referência para as entradas de valores, a data efetiva da entrada de valor, seja por recebimento de clientes, vendas à vista ou outro. Essa confusão pode distorcer totalmente um �uxo de caixa e pagamentos também. Como o caixa de uma empresa está intimamente ligado a todas as suas operações que envolvam movimentação �nanceira, diversos fatores podem afetar o �uxo de caixa de uma companhia, causando diferenças entre o que foi projetado pela empresa e o realizado no período. Silva (2018) aborda os fatores internos e externos que podem interferir no �uxo de caixa projetado por uma empresa. Como fatores internos temos: Capítulo 1 Expansão descontrolada das vendas, implicando um volume maior de compras e custos operacionais; Distribuição de lucros incompatíveis com a capacidade de geração de caixa; Custos �nanceiros altos originários do nível de endividamento; Giros do estoque lento, signi�cando o carregamento de produtos obsoletos ou de difícil venda, imobilizando recursos da empresa no estoque; Investimentos desnecessários e/ou indevidos em relação aos prazos e estratégias mal de�nidas com retorno mensurado pelo VPL negativo. In�ação (elevação do nível de preços), recessão e taxas de juros. Mudança na política cambial, �scal e de crédito. Mudanças na política de importação e exportação. Diminuição das vendas em decorrência de retração do mercado. Novos concorrentes. Mudanças na legislação �scal (aumento de alíquota de impostos e/ou novos impostos, ou seja, aumento da carga tributária). Aumento do nível de inadimplência. Diminuição do fechamento de contratos. Falta de foco na prospecção de novos clientes. O Valor Presente Líquido (VPL) é uma análise utilizada para determinar o valor presente de pagamentos futuros descontados a uma taxa de juros apropriada, menos o custo do investimento inicial. Apesar de não ser uma tarefa fácil, esses fatores são mais fáceis de serem trabalhados e controlados pela empresa. Já os fatores externos independem da vontade e esforço da organização. De acordo com Silva (2018), são eles: A projeção de �uxo de caixa de qualquer empresa deve ser sistemática e periodicamente revisada e atualizada, com base em �uxo efetivo e em alterações das premissas e condições anteriormente projetadas, para aproximar-se o mais possível do resultado �nanceiro efetivo (HOJI, 2017). Pois é importante que a informação do �uxo de caixa seja con�ável e de qualidade, diminuindo a imprevisibilidade e, consequentemente, melhorando a gestão dos recursos �nanceiros. Capítulo 1 Por �m, Silva (2018) atenta para o fato de que outra grande vantagem que o �uxo de caixa pode dar para a empresa é a capacidade de aprender com o passado e prever o futuro do caixa, assim, oferecendo suporte a decisões futuras importantes para o negócio. Para mais dicas e modelos de �uxo de caixa, consulte o site do Sebrae: https://cutt.ly/DlRoNJs. A maioria dos livros sobre �uxo de caixa tem uma abordagem voltada para o usuário externo. O livro Gestão do �uxo de caixa: perspectiva estratégica e tática, de Fábio Frezatti tem uma abordagem voltada para o usuário interno e pode ser de grande auxílio para o pro�ssional. ANÁLISE DE INVESTIMENTOS E FINANCIAMENTOS Elemento importante ao gerir os recursos �nanceiros de uma empresa é ser capaz de tomar decisões sobre como e onde captar recursos e onde aplicar o capital excedente de uma organização com o objetivo de maximizar os lucros. ANÁLISE DE INVESTIMENTOS A decisão de investir é a mais complexa das decisões �nanceiras, pois envolve incertezas em todo o seu processo, uma vez que trabalha com o intervalo de tempo entre o investimento hoje para recuperação no futuro (PADOVEZE, 2016). Ao investir um capital, espera-se uma geração de benefício futuro. Contudo, quando se fala em futuro, pode-se tentar prever o que acontecerá, mas é impossível eliminar o efeito do risco. Risco é probabilidade de um fato ou evento acontecer, sendo ele positivo ou negativo. Capítulo 1 https://cutt.ly/DlRoNJs o empreendimento ou o projeto de investimento; o valor do investimento; o período previsto de operacionalização do investimento; os �uxos futuros de lucros e caixa previstos pelo investimento durante o período previsto; o risco envolvido no investimento; o custo do capital. Padoveze (2016) salienta que o capital investido tem um custo – custo �nanceiro ou de capital – que deve ser recuperado para justi�car o investimento e o risco. Logo, alguns pontos devem ser observados ao se tomar uma decisão sobre investimento: Quanto aos métodos utilizados para avaliação de investimentos, Hoji (2017, p. 173) apresenta alguns: a) Método do Valor Presente Líquido: consiste em determinar o valor no instante inicial, descontando o �uxo de caixa líquido de cada período futuro (�uxo de caixa líquido periódico) gerado durante a vida útil do investimento, com a taxa mínima de atratividade, e adicionando o somatório dos valores descontados ao �uxo de caixa líquido do instante inicial. [...] O investimento será economicamente atraente se o valor presente líquido (VPL) for positivo. Este método é conhecido também como Método do Valor Atual Líquido. b) Método do Valor Futuro Líquido: determina o valor do �uxo de caixa no instante futuro, utilizando as mesmas formas de cálculo ecritérios do Método do VPL, diferenciando-se somente quanto ao aspecto da data focal. c) Método do Valor Uniforme Líquido: consiste em transformar uma série de valores diferentes em valores uniformes, por meio da aplicação de uma taxa mínima de atratividade. d) Método da Taxa Interna de Retorno: a taxa de juros que anula o VPL é a taxa interna de retorno (TIR). Este método assume implicitamente que os �uxos de caixa líquidos periódicos são reinvestidos à própria TIR calculada para todo o investimento. O investimento será economicamente atraente se a TIR for maior do que a taxa mínima de atratividade. e) Método do Prazo de Retorno: consiste na apuração do tempo necessário para que a soma dos �uxos de caixa líquidos periódicos seja igual ao do �uxo de caixa líquido do instante inicial. Este método não considera os �uxos de caixa gerados durante a vida útil do investimento após o período de payback (prazo de retorno) e, portanto, não permite comparar o retorno entre dois investimentos. Mas é um método largamente utilizado como limite para determinados tipos de projetos, combinado com outros métodos. Independente da metodologia adotada para avaliar um investimento, cabe lembrar que aplicar mais de uma pode contribuir para facilitar e dar mais segurança à escolha. ANÁLISE DE FINANCIAMENTOS Frequentemente o gerente �nanceiro necessita escolher o melhor mix de �nanciamento para um projeto ou estrutura de capital da empresa, entre capital Capítulo 1 o montante do investimento; a disponibilidade de fundos de capital, próprios e/ou de terceiros; o risco do investimento; o custo de capital das fontes de �nanciamento. próprio e de terceiros (PADOVEZE, 2016). Capital próprio signi�ca que a empresa pretende captar recursos dos sócios e capital de terceiros, que buscará recursos fora da sua unidade, por exemplo, instituições �nanceiras. Independente da fonte de �nanciamento, ambas esperam ser remuneradas por isso. De acordo com Padoveze (2016) ao se tomar decisões sobre �nanciamentos, deve- se observar as variáveis: Há ainda casos em que a empresa necessita de recursos para capital de giro. Como salienta Ornelas (2020, p. 95): “muitas empresas quebram não porque não vendem, mas porque vendem demais e de forma desorganizada, �cando com “buracos” no caixa, o que as leva a buscar ajuda desesperada em bancos para conseguir capital de giro”. O capital de giro é um dos mais caros oferecidos pelas instituições �nanceiras. Daí a necessidade de uma boa gestão de recursos �nanceiros, desde o desempenho das tarefas básicas. Isso possibilitará uma projeção de �uxo de caixa com a menor variação possível e os gestores podem se preparar com antecedência para a escolha das fontes de �nanciamento. Para mais sobre análise de investimento e �nanciamento, leia o livro Análise de investimento: matemática �nanceira, engenharia econômica, tomada de decisão, estratégia empresarial. RESUMO Saber gerir as �nanças é primordial na vida de qualquer pessoa ou organização. O mercado de trabalho cada vez mais valoriza pro�ssionais com tais competência. Sendo responsável pela análise, planejamento e controle �nanceiro, bem como tomada de decisões sobre investimento e �nanciamento, o pro�ssional dessa área é vital para sobrevivência, continuidade e geração de valor das empresas. A denominação do cargo, a quantidade de tarefas e o nível de responsabilidade varia de empresa para empresa. Em organizações de grande porte, diversos pro�ssionais costumam desempenhar as tarefas relacionadas à administração �nanceira, muitas vezes segregados em setores. Já em empresas menores, uma ou duas pessoas costumam desempenhar essa função. Dentre as funções do gerente �nanceiro estão tesouraria, contas a pagar, contas a receber, elaboração de �uxo Capítulo 1 Apresentação Capítulo 2 Conteúdo escrito por: de caixa e análise de investimentos e �nanciamento. A tesouraria compreende o controle das disponibilidades da empresa – caixa, conta corrente e aplicação de liquidez imediata. A atividade de contas a pagar exige um contato próximo dos fornecedores, por exemplo. Para o bom desempenho da atividade de contas a receber é necessário o conhecimento de políticas de crédito e cobrança. E, por �m, o gerente �nanceiro necessita analisar onde pode obter recursos para a empresa e também onde pode investir o capital da organização, com o objetivo de aumentar a geração de valor para a mesma. Todos os direitos reservados © Andréia de Lima Thauane Lima de Souza Capítulo 1 https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/topicos_gestao_financeira/index.html