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AN02FREV001/REV 4.0 1 PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA Portal Educação CURSO DE INFECÇÃO HOSPITALAR – PREVENÇÃO E TRATAMENTO Aluno: EaD - Educação a Distância Portal Educação AN02FREV001/REV 4.0 2 INFECÇÃO HOSPITALAR – PREVENÇÃO E TRATAMENTO MÓDULO I Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. AN02FREV001/REV 4.0 3 SUMÁRIO MÓDULO I 1 DEFINIÇÃO DE INFECÇÃO HOSPITALAR 1.2 HISTÓRICO DA INFECÇÃO HOSPITALAR 2 INFECÇÃO COMUNITÁRIA X INFECÇÃO HOSPITALAR 3 TRANSMISSÃO DAS INFECÇÕES HOSPITALARES 3.1 TRANSMISSÃO POR CONTATO 3.2 TRANSMISSÃO PELO AR 3.3 TRANSMISSÃO POR VETORES 3.4 TRANSMISSÃO POR FONTE COMUM 4 CLASSIFICAÇÃO DAS ÁREAS FÍSICAS HOSPITALARES 4.1 ÁREA CRÍTICA 4.2 ÁREA SEMICRÍTICA 4.3 ÁREA NÃO CRÍTICA MÓDULO II 5 TIPOS DE INFECÇÃO HOSPITALAR 5.1 INFECÇÕES URINÁRIAS 5.1.1 Bacteriúria 5.2 SINAIS E SINTOMAS DAS ITUs 5.3 PATOLOGIAS ASSOCIADAS AO TRATO URINÁRIO 5.3.1 Cistite 5.3.2 Uretrite 5.3.3 Pielonefrite Bacteriana Aguda 5.3.4 Prostatite 5.4 EXAMES DIAGNÓSTICOS 5.4.1 EAS 5.4.2 Coleta De Urina Para Exame Bacteriológico – Urocultura 5.5 BACTÉRIAS CAUSADORAS DE ITU AN02FREV001/REV 4.0 4 5.6 INFECÇÕES CIRÚRGICAS 5.7 DEISCÊNCIA 5.8 INFECÇÕES RESPIRATÓRIAS 6 EXAMES DIAGNÓSTICOS 6.1 COLETA DE ESCARRO 6.2 COLETA DE EXAMES EM PACIENTES TRAQUEOSTOMIZADOS OU COM INTUBAÇÃO OROTRAQUEAL 6.2.1 Broncoscopia 6.2.2 Gasometria Arterial 6.2.3 Radiologia e Imageamento 6.3 SEPSE 6.3.1 Tratamento da Sepse 6.3.2 Ressuscitação Inicial 6.3.3 Identificação do agente infeccioso 6.3.4 Antibioticoterapia 6.3.5 Controle do sítio de infecção 6.3.6 Reposição volêmica 6.3.7 Vasopressores 6.3.8 Terapia Inotrópica 6.3.9 Corticoterapia 6.3.10 Proteína C ativada 6.3.11 Ventilação Mecânica 6.3.12 Controle Glicêmico 6.3.13 Profilaxia de Trombose 6.3.14 Profilaxia de Úlceras Gástricas 6.4 TERAPIA DE SUBSTITUIÇÃO RENAL MÓDULO III 7 BIOSSEGURANÇA 7.1 NR4 7.2 NR5 7.3 NR6 AN02FREV001/REV 4.0 5 7.4 NR7 7.5 NR9 7.6 NR15 7.7 NR32 8 TIPOS DE RISCO 8.1 CONDUTA APÓS ACIDENTE BIOLÓGICO 8.3 PRECAUÇÃO PADRÃO 8.4 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO COLETIVA (EPC) 8.5 TIPOS DE ISOLAMENTO 8.5.1 Precauções de contato 8.5.2 Precauções Respiratórias para Aerossóis 8.5.3 Precauções Respiratórias para Gotículas 9 CCIH 9.1 VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA EM CCIH 9.2 RESUMINDO A ATUAÇÃO DA CCIH MÓDULO IV 10 PRINCIPAIS MEDIDAS PARA PREVENÇÃO DE INFECÇÕES HOSPITALARES 10.1 LAVAGEM DAS MÃOS 10.2 DESINFECÇÃO 10.3 ESTERILIZAÇÃO 10.3.1 Testes de Validação da esterilização 10.3.2 Estufa 10.3.2.1 Atenção durante o uso da autoclave e estufa 10.4 PROCESSO QUÍMICO 10.4.1 Glutaraldeido 10.4.2 Ácido Peracético 10.5 PROCESSOS FÍSICO-QUÍMICOS 10.5.1 Óxido de etileno 10.5.2 Vapor de Formaldeído 10.5.3 Plasma de peróxido de hidrogênio AN02FREV001/REV 4.0 6 10.6 PREVENÇÃO DE ITU 10.7 PREVENÇÃO DE INFECÇÃO DO SÍTIO CIRÚRGICO 10.8 PREVENÇÃO DE PNEUMONIAS 11 PREVENÇÃO DE INFECÇÃO RELACIONADA A ACESSOS VENOSOS PERIFÉRICOS E CENTRAIS 11.1 COMPLICAÇÕES DA TERAPIA INTRAVENOSA 11.2 INFILTRAÇÃO 11.3 TROMBOFLEBITE 11.4 BACTEREMIA 11.4.1 Técnica de punção venosa 11.4.1.1 Acesso Venoso Central (AVC) 12 TRATAMENTO DAS INFECÇÕES HOSPITALARES 12.1 PENICILINAS 12.2 CEFALOSPORINAS 13 PENICILINAS COM INIBIDORES DE BETALACTAMASE REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AN02FREV001/REV 4.0 7 MÓDULO I 1 DEFINIÇÃO DE INFECÇÃO HOSPITALAR As Instituições de Saúde se deparam com inúmeros desafios diante da prevenção e do tratamento da Infecção Hospitalar. Muitos pacientes são contaminados durante a internação, levando ao aumento do número de dias de hospitalização, bem como, em casos mais graves, a lesões irreparáveis ou até a morte. A propagação de patógenos representa atualmente um dos principais problemas na assistência. Logo, como profissionais de saúde, devemos conhecer essa temática e estar constantemente colocando em prática estas informações. Devemos lembrar que somos responsáveis e corresponsáveis durante nossas atividades laborais dentro do ambiente hospitalar. Sabendo disso, nos transformamos em multiplicadores de boas práticas, inspirando aos demais profissionais a seguirem nosso exemplo. Em primeiro lugar devemos conceituar Infecção Hospitalar (IH): Conforme o Ministério da Saúde (1992), a Infecção Hospitalar é definida como qualquer infecção adquirida após a internação do paciente e que se manifesta durante a internação ou após o paciente ter recebido alta. Essa infecção deve estar relacionada com a internação ou com os procedimentos realizados durante esta. Outro determinante importante ressaltado pelo Ministério da Saúde é o de que quando se desconhecer o período de incubação do patógeno, e não houver evidência clínica e/ou dado laboratorial de infecção no momento da admissão, deve considerar-se Infecção Hospitalar: Toda manifestação clínica de infecção que se apresentar a partir de 72 horas após a admissão do paciente; AN02FREV001/REV 4.0 8 Aquelas infecções manifestadas antes de 72 (setenta e duas) horas da internação, quando associadas a procedimentos diagnósticos e/ou terapêuticos, realizados depois da admissão; Todas as infecções no recém-nascido são consideradas hospitalares com exceção das transmitidas de forma transplacentária, que é a disseminação, através da placenta, pelo contato do sangue materno com o sangue do bebê. Após tantas informações, note que a definição de Infecção Hospitalar só é verdadeira quando houver a internação hospitalar propriamente dita, ou seja, o paciente é infectado pelo patógeno durante sua estada em ambiente hospitalar. Ainda, segundo o Ministério da Saúde (1992), temos: O diagnóstico de infecções hospitalares deverá valorizar informações oriundas de: evidência clínica, derivada da observação direta do paciente ou da análise de seu prontuário; resultados de exames de laboratório, ressaltando-se os exames microbiológicos, a pesquisa de antígenos e anticorpos e métodos de visualização; e evidências de estudos com métodos de imagem; endoscopia; biópsia e outros. Ou seja, o diagnóstico de Infecção Hospitalar deverá seguir critérios que passam desde a análise clínica, exames e histórico da internação do paciente para que se comprove seu diagnóstico. Cabe ressaltar que as IHs podem ocorrer após a alta do paciente, desde que ligada a fatores relacionados à hospitalização. As bactérias resistentes a múltiplos antimicrobianos representam um desafio no controle das infecções (MURRAY, 1991). Atualmente, podemos observar que na rotina hospitalar são prescritos muitos antibióticos, muitas vezes de modo indiscriminado. Quando há este abuso em relação ao uso dos antibióticos, bactérias e fungos podem se tornar altamente resistentes, gerando a necessidade de utilização de medicamentos cada vez mais potentes e de amplo espectro. AN02FREV001/REV 4.0 9 Segundo Pittet (2005), as IHs influenciam o aumento das despesas assistenciais, pois aumentam o período de internação, o consumo de drogas, realização de mais exames diagnósticos, além da elevação dos índices de morbimortalidade. Silva (2003), afirma que o controle da infecção hospitalar tornou-se uma necessidadeeconômica no Brasil, o qual possui recursos escassos destinados à saúde. FIGURA 1 - CHARGE: BACTÉRIA MULTIRRESISTENTE FONTE: Disponível em: <http://dantondantas.blogspot.com/2008/05/bactrias-x-antibiticos.html>. Acesso em: 06 fev. 2012. Uma ação importante dentro da prevenção de infecções hospitalares é a utilização das ferramentas da vigilância epidemiológica, por meio dela podemos traçar as prioridades no controle das IHs, identificar surtos, verificar os patógenos mais incidentes e treinar a equipe com foco definido após o diagnóstico da situação. A educação dos profissionais é fundamental, pois são esses que manipulam os materiais, medicamentos, realizam procedimentos e circulam por vários setores hospitalares. Sem a devida conscientização, há de se ter a elevação dos índices da disseminação de micro-organismos, haja vista serem estes a transportarem muitas vezes patógenos de um local para outro, de paciente para paciente. http://dantondantas.blogspot.com/2008/05/bactrias-x-antibiticos.html AN02FREV001/REV 4.0 10 Veremos nos módulos a seguir métodos de prevenção e assuntos os quais devemos conhecer para que os índices das infecções não aumentem, e para que possamos realizar a conscientização das equipes de profissionais de saúde. FIGURA 2 - TIPOS MORFOLÓGICOS DAS BACTÉRIAS FONTE: Disponível em: <http://pessoal.utfpr.edu.br/lucianamaia/arquivos/citologiabacteriana.pdf>. Acesso em: 06 fev. 2012. AN02FREV001/REV 4.0 11 Você já deve ter ouvido falar ou estar se perguntado: “O que é Infecção Nosocomial?”. Sendo a definição de Nosocômio = Hospital, a Infecção Nosocomial nada mais é do que própria infecção hospitalar. 1.2 HISTÓRICO DA INFECÇÃO HOSPITALAR A partir de agora veremos um breve histórico relacionado às Infecções Hospitalares no Brasil e no Mundo e os ilustres indivíduos que contribuíram com o que hoje sabemos sobre micro-organismos e medidas para seu controle. Atualmente o assunto Infecção Hospitalar é amplamente discutido, porém é necessário saber sobre os ilustres indivíduos precursores do seu estudo e de medidas capazes de conter sua propagação. Segundo Lacerda (1996), os primeiros hospitais surgiram na Idade Média, onde já se iniciam os relatos referentes às infecções. Tratava-se de locais escuros e de higiene precária. Conforme estudo de Padilha e Mancia (2005), Florence Nightingale, influenciada pelos locais onde executava o cuidado de enfermagem, a valorização do amor ao próximo, à prática da caridade e a observação do ambiente, acabou por desenvolver as bases científicas da Enfermagem. Por volta do ano de 1856, Florence Nightingale já se utilizava de procedimentos relacionados à higiene e limpeza, medidas que reduziram consideravelmente os níveis da infecção hospitalar. AN02FREV001/REV 4.0 12 FIGURA 3 - FLORENCE NIGHTINGALE FONTE: Disponível em: <http://en.wikipedia.org/wiki/Florence_Nightingale>. Acesso em: 06 fev. 2012. Em 1847 o médico Ignaz Philipp Semmelweis iniciou estudos sobre inúmeras mortes por febre puerperal ocorridas em parturientes. Verificou uma maior incidência de óbitos em mulheres atendidas por residentes médicos no leito hospitalar, comparado ao número de mortes ocorridas quando do parto realizado pelas parteiras ou em domicílio. Observou que o fato de os residentes manipularem cadáveres durante suas aulas práticas e logo após, realizassem procedimentos nas parturientes, culminava com a infecção, levando a morte. Segundo Mead, Hess e Page (1997), a hipótese formulada por Ignaz Philipp Semmelweis levou a elaboração de medidas de controle e a monitorização posterior da sua eficácia. Suas propostas centraram-se em três frentes: isolamento dos casos, lavagem das mãos, ferver instrumentais e utensílios, fatos que reduziram drasticamente o número de óbitos entre as parturientes. http://en.wikipedia.org/wiki/Florence_Nightingale AN02FREV001/REV 4.0 13 FIGURA 4 - IGNAZ PHILIPP SEMMELWEIS FONTE: Disponível em: <http://en.wikipedia.org/wiki/Ignaz_Semmelweis>. Acesso em: 06 fev. 2012. Louis Pasteur, em 1870, já iniciara estudos relacionados à Imunologia, Química e os germes. Conforme Gouveia-Matos (1997), Pasteur desenvolveu estudos sobre septicemia, gangrena, febre puerperal e alterações da urina. Iniciou primeiramente pesquisando as doenças em animais. Posteriormente criou a primeira vacina contra Raiva, tornando-se o precursor da Imunologia. Atualmente Pasteur é lembrado por sua enorme contribuição à Humanidade – a criação do conceito de vacinação preventiva e regular, medida difundida em todo o mundo e que salvou milhares de pessoas de doenças das quais algumas já erradicadas. http://en.wikipedia.org/wiki/Ignaz_Semmelweis AN02FREV001/REV 4.0 14 FIGURA 5 - LOUIS PASTEUR FONTE: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Louis_Pasteur>. Acesso em: 06 fev. 2012. O primeiro antibiótico foi descoberto acidentalmente por Alexander Fleming em 1928. Por meio da observação de culturas de Staphylococcus aureus que haviam sido contaminadas por fungos do gênero Penicillium. Fleming por meio da observação percebeu que não havia crescimento do estafilococco ao redor do fungo. Esse fato o levou a verificar sua ação antimicrobiana. Posteriormente descobriu que esta ação também se fazia presente contra estreptococos, gonococo, meningococo e bacilo diftérico (TAVARES, 2001). Alexander Fleming recebeu em 1945 o Nobel de Fisiologia/Medicina por seu trabalho junto a Ernest Boris Chain e Howard Walter Florey. http://pt.wikipedia.org/wiki/Louis_Pasteur AN02FREV001/REV 4.0 15 FIGURA 6 - ALEXANDER FLEMING FONTE: Disponível em: <http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/medicine/laureates/1945/fleming- bio.html>. Acesso em: 06 fev. 2012. Já o médico Oswaldo Cruz, por intermédio de medidas sanitaristas, combateu a Febre Amarela e a Varíola. Conforme Brito (1995), é considerado o “Pasteur Brasileiro”, viabilizou as discussões sobre as políticas de saúde da época. FIGURA 7 - OSWALDO CRUZ FONTE: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Osvaldo_Cruz>. Acesso em: 06 fev. 2012. http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/medicine/laureates/1945/fleming-bio.html http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/medicine/laureates/1945/fleming-bio.html http://pt.wikipedia.org/wiki/Osvaldo_Cruz AN02FREV001/REV 4.0 16 Em um estudo realizado por Lacerda et al (1997) abordou a assistência médica e as infecções hospitalares. Mediante essa pesquisa temos um panorama do histórico brasileiro referente às IHs. Segundo os autores, com o crescimento do número de hospitais no país e dos procedimentos invasivos e de alta complexidade houve aumento das infecções hospitalares. Na década de 70, os profissionais da área hospitalar já conheciam várias ocorrências das IHs e com isso surgiu à necessidade de seu controle. Logo surgiram as primeiras Comissões de Controle de infecção Hospitalar – CCIH, que posteriormente tornaram-se obrigatórias segundo a Portaria 196 do Ministério da Saúde de junho de 1983. A 8ª Conferência Nacional de Saúde em 1986 propôs, por meio da Reforma Sanitária, a reformulação de toda política nacional de saúde. Em 1990, foram criadas as leis 8.080 e 8.142. A lei 8.080, também denominada “Lei Orgânica de Saúde”, regulamenta a organização e o funcionamento dos serviços e dispões sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde. A lei 8.042, regulamenta a participação popular no SUS e condiciona a locação de recursos financeiros para a saúde à existência e funcionamento do Conselho Municipal de Saúde e dispõe sobre a participação popular na gestão do SUS e sobre as transferências de recursos financeirospara a saúde. Por meio dessas leis, a saúde no Brasil foi sendo moldada, e posteriormente novas leis surgiram, norteando ações obrigatórias relacionadas à fiscalização da saúde. Na década de 90, o Ministério da Saúde reconhece que apenas 10% dos hospitais criaram comissões de controle de IH, dessa forma, houve a necessidade de reestruturar suas funções e descentralizar suas ações (BRASIL, 1990). Em 2001, o PNCIH – Programa Nacional de Controle de Infecção Hospitalar volta a ter representatividade em todo território. Segundo notícia divulgada pelo site da ANVISA em abril de 2001, o “PNCIH coordena ações nacionais de prevenção e controle de infecção hospitalar, estabelecendo critérios, parâmetros e métodos para o desenvolvimento das atividades. O trabalho tem sido realizado principalmente com a difusão de conhecimentos na área de infecção hospitalar e a prestação de cooperação técnica, financeira e política aos Estados e Municípios brasileiros”. AN02FREV001/REV 4.0 17 2 INFECÇÃO COMUNITÁRIA X INFECÇÃO HOSPITALAR Conforme a PORTARIA N. 930, DE 27 DE AGOSTO DE 1992 – Anexo II: “Infecção comunitária é a infecção constatada ou em incubação no ato de admissão do paciente, desde que não relacionada com internação anterior no mesmo hospital”. Ainda consideram-se infecções comunitárias conforme a mesma Portaria: A infecção que está associada com complicação ou extensão da infecção já presente na admissão, a menos que haja troca de microrganismos ou sinais ou sintomas fortemente sugestivos da aquisição de nova infecção; A infecção em recém-nascido, cuja aquisição por via transplacentária é conhecida ou foi comprovada e que se tornou evidente logo após o nascimento. Exemplos: Herpes simples, Toxoplasmose, Rubéola, Citomegalovirose, Sífilis e AIDS. Resumindo: A infecção comunitária é aquela a qual já estava presente no momento em houve a internação hospitalar. Lembrando que esta infecção adquirida previamente poderia estar em período de incubação, ou seja, o paciente está contaminado, porém ainda não manifesta sinais ou sintomas que irão eclodir apenas após a internação. AN02FREV001/REV 4.0 18 3 TRANSMISSÃO DAS INFECÇÕES HOSPITALARES A propagação das Infecções Hospitalares pode ocorrer por diversas vias: pelo ar, pelo contato, por vetores ou por fonte comum. Há diversos tipos de materiais os quais possuem grande número de micro- organismos, tais como: fezes, urina, sangue, fluidos corporais, secreções de vias aéreas, mucosas, etc. Além disso, estes materiais e o próprio ambiente podem estar contaminados não só por bactérias, mas também por seus esporos. Vírus, fungos, príons e protozoários também podem estar presentes no ambiente. Existem algumas informações que ajudarão a verificar a possibilidade de disseminação de infecções conforme a criticidade de materiais. Segundo Spaulding (1968), dividem-se em: Críticos: tem contato direto com o sistema vascular, entrando em contato direto com o sangue; Semicríticos: contato direto com a mucosa ou com a pele não íntegra; Não críticos: contato apenas com pele íntegra. Não podemos deixar de salientar que a transmissão de patógenos está diretamente ligada às condições do hospedeiro, ou seja, devemos estar atentos quanto às características de nossos pacientes naquele momento, visando criar estratégias que diminuam o alastramento das infecções. São mais suscetíveis: Pacientes em uso de drogas Imunossupressoras, corticoides e quimioterápicos; Diabéticos, pacientes oncológicos ou imunodeprimidos (AIDS, transplantados, etc.); Extremos de faixas etárias (neonatos, crianças e idosos); Obesos; AN02FREV001/REV 4.0 19 Fumantes; Pacientes com altos níveis de estresse. Após as informações acima, vamos estudar o conceito dos tipos de transmissão das infecções: 3.1 TRANSMISSÃO POR CONTATO Segundo Fernandes et al (2000), a infecção por contato é a forma de transmissão mais comum. Pode ser dividida em: Transmissão por contato direto: ocorre quando os micro- organismos são transportados de uma pessoa para outra sem que haja a participação de um objeto ou indivíduo intermediário contaminado. Transmissão por contato indireto: ocorre quando o patógeno é transmitido ao paciente através de um objeto ou indivíduo intermediário contaminado. Um exemplo importante é a contaminação das mãos dos prestadores de saúde, outro, a falta de desinfecção de materiais de uso contínuo como termômetros, esfigmomanômetro, etc., utilizados em diversos pacientes. Além desses, os uniformes, brinquedos, mobiliário hospitalar infectado, também são exemplos na transmissão por contato indireto. 3.2 TRANSMISSÃO PELO AR São infecções transmitidas pelo ar por meio de: Gotículas: ocorre a passagem dos microrganismos através das partículas liberadas durante a tosse, espirro ou fala. Essas gotículas (>5 micra) AN02FREV001/REV 4.0 20 podem se depositar a curta distância (1 a 1,5 metro) nos olhos, na boca ou nariz (CARDOSO, et al, 2005). Exemplos de doenças transmitidas por gotículas: Caxumba, Gripe, Meningite, Rubéola, etc. Aerossóis: dispersão de partículas muito pequenas pelo paciente contaminado. Exemplos de doenças transmitidas por aerossóis: Tuberculose pulmonar, Sarampo, Varicela, etc. FIGURA 8 - TRANSMISSÃO POR GOTÍCULAS FONTE: Disponível em: <http://www.doutorfantastico.com>. Acesso em: 06 fev. 2012. 3.3 TRANSMISSÃO POR VETORES Todos sabem que os Hospitais devem ser locais exemplares em relação à limpeza. Porém, muitas vezes, essa não é a realidade que temos atualmente, verificamos locais sujos, com acúmulo de materiais inutilizados ou com guarda indevida de lixo, sem telas de proteção em janelas, dentre outros. Esses locais podem ser atrativos de insetos e roedores, causadores de transmissão de doenças por meio de vetores de infecção. http://www.doutorfantastico.com/ AN02FREV001/REV 4.0 21 Em estudo de Prado et al (2002), abordou as baratas como forma de disseminação de infecções em ambiente hospitalar. As baratas foram capturadas e analisadas buscando a presença de micro-organismos. Da análise, verificou-se a Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae com maior prevalência nas amostras de coletadas. Outra pesquisa de Costa et al (2006), verificou a presença de bactérias coletadas em formigas em diversos ambientes hospitalares. Foram isolados micro- organismos tais como: Pseudomonas sp, Enterobacter sp, Micrococcus sp, Bacilos gram-positivos e fungos filamentosos. Portanto, os vetores são fontes importantes na transmissão de infecções hospitalares e devem ser eliminados deste meio, a fim de evitar a disseminação de micro-organismos em ambiente hospitalar. 3.4 TRANSMISSÃO POR FONTE COMUM A Transmissão por fonte comum é aquela em que diversos pacientes são contaminados por uma única fonte de transmissão. Exemplos deste tipo de contaminação: nutrição parenteral contaminada, soluções como soros contaminados hemoderivados, soluções de diálise e hemodiálise contaminadas, dentre outros. Nesse caso, as medidas tomadas devem ser imediatas na tentativa da descoberta do foco causador, bem como medidas de controle do surto. AN02FREV001/REV 4.0 22 4 CLASSIFICAÇÃO DAS ÁREAS FÍSICAS HOSPITALARES Como sabemos os hospitais possuem áreas nas quais estamos mais expostos ao risco biológico e áreas onde este risco não está presente. A importância em conhecer quais são estas áreas é necessária, porque circulamos constantemente pelo ambiente hospitalar, logo, devemos saber em que tipo de área transitamos ou permanecemos, visando não só nos precaver, como também evitar a propagação de infecções. Segundo a ANVISA as áreas hospitalares críticas, semicríticase não críticas seguem a seguinte definição: 4.1 ÁREA CRÍTICA Área na qual existe um risco maior de desenvolvimento de infecções relacionadas à assistência, seja pela execução de processos envolvendo artigos críticos ou material biológico, pela realização de procedimentos invasivos ou pela presença de pacientes com suscetibilidade aumentada aos agentes infecciosos ou portadores de patógenos de importância epidemiológica. Exemplos de áreas críticas: CME – Central de Material Esterilizado; UTI; Lavanderia hospitalar; Salas cirúrgicas; Unidades de isolamento; Bancos de sangue; Unidades de Hemodiálise. AN02FREV001/REV 4.0 23 FIGURA 9 - SALA DE HEMODIÁLISE FONTE: Disponível em: <http://www.cidadaonet.com.br>. Acesso em: 06 fev. 2012. 4.2 ÁREA SEMICRÍTICA Área de moderado a baixo risco para infecções relacionadas à assistência seja pela execução de processos envolvendo artigos semicríticos, ou pela realização de atividades assistenciais não invasivas em pacientes não críticos e que não apresentam infecção ou colonização por patógenos de importância epidemiológica. São exemplos de áreas semicríticas: Consultórios; Enfermarias e apartamentos; Área limpa da lavanderia hospitalar. http://www.cidadaonet.com.br/ AN02FREV001/REV 4.0 24 4.3 ÁREA NÃO CRÍTICA Área na qual o risco de desenvolvimento de infecções relacionadas à assistência é mínimo ou inexistente seja pela não realização de atividades assistenciais, ou pela ausência de processos envolvendo artigos críticos e semicríticos, exceto quando devidamente embalados e protegidos. Exemplos de áreas não críticas: Áreas administrativas do hospital; Corredores; Elevadores; Almoxarifado. FIM DO MÓDULO I AN02FREV001/REV 4.0 25 PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA Portal Educação CURSO DE INFECÇÃO HOSPITALAR – PREVENÇÃO E TRATAMENTO Aluno: EaD - Educação a Distância Portal Educação AN02FREV001/REV 4.0 26 INFECÇÃO HOSPITALAR – PREVENÇÃO E TRATAMENTO MÓDULO II Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. AN02FREV001/REV 4.0 27 MÓDULO II 5 TIPOS DE INFECÇÃO HOSPITALAR A seguir estudaremos os tipos de infecção hospitalar. Atente para cada um deles com atenção. É importante conhecê-los a fim de que possamos reconhecer seus sinais e sintomas, bem como sua etiologia. Segundo Martins (2006), no Brasil, há diferenças econômicas, sociais e culturais, além disso, existem grandes diferenças regionais na prevenção e no controle das IHs. Um dos problemas mais graves que atingem os hospitais brasileiros, especialmente os universitários, é o aumento de micro-organismos multirresistentes. O que são Bactérias Multirresistentes? Bactérias multirresistentes são aquelas que desenvolveram cepas resistentes a grande número de antibióticos. O surgimento de cepas de micro-organismos multirresistentes a antibióticos é extremamente preocupante na medida em que caminhamos para um ponto em que certas infecções serão, em um futuro não muito distante, intratáveis (COHEN, 1992). É importante conhecer estas informações haja vista que muitas das infecções hospitalares podem estar relacionadas ao contágio por bactérias resistentes. Com isso, as medidas de segurança e vigilância epidemiológica deverão ser mais apuradas na tentativa de controle imediato da situação. Sabemos muitas vezes que estas bactérias tornam-se tão resistentes que causam a morte de inúmeros pacientes, principalmente aqueles que se encontram imunodeprimidos. AN02FREV001/REV 4.0 28 A seguir gráfico referente à distribuição das infecções hospitalares em pacientes internados em UTIs adulto realizada pela ANVISA em conjunto com a Universidade de São Paulo. FIGURA 10 - TAXAS DE IHS EM UTI ADULTO FONTE: Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/servicosaude/controle/infectes_hospitalares_panorama.pdf>. Acesso em: 06 fev. 2012. Muitos estudiosos afirmam que as Unidades de Terapia Intensiva encontram-se os maiores riscos de infecção, haja vista serem locais com grande concentração de pacientes graves e uso frequente de antibióticos. A AMIB (Associação Brasileira de Medicina Intensiva Brasileira) realizou um estudo no qual se constatou que 16,9% dos pacientes internados em UTIs adquiriram infecções e sepse. Desses, a mortalidade geral foi de 46%, sendo que 35,6% referente à sepse grave e 63,9% ao choque séptico. Dessa forma, percebemos que nas áreas hospitalares destinadas ao http://www.anvisa.gov.br/servicosaude/controle/infectes_hospitalares_panorama.pdf AN02FREV001/REV 4.0 29 cuidado intensivo demandam mais atenção em relação à qualidade do atendimento prestado bem como aos cuidados referentes à prevenção das IHs. Você sabe o que são bactérias gram-positivas e gram- negativas? É uma análise microscópica em que é realizada uma técnica de coloração a qual divide as bactérias em dois grupos: gram-positivas e gram-negativas. As gram- positivas diferenciam-se por apresentarem uma coloração violácea; já as gram- negativas vermelhas. Esta diferenciação ocorre devido às camadas externas das bactérias, fato que determina a ação de antibióticos no tratamento das infecções causadas por esses micro-organismos. FIGURA 11 - BACTÉRIAS GRAM POSITIVAS E NEGATIVAS FONTE: Disponível em: <http://www.medicinageriatrica.com.br>. Acesso em: 06 fev. 2012. AN02FREV001/REV 4.0 30 5.1 INFECÇÕES URINÁRIAS As Infecções urinárias (ITUs) ocorrem quando há a proliferação de micro- organismos no trato urinário. Esta infecção pode ser sintomática ou assintomática. Os micro-organismos podem chegar ao trato urinário através de três vias: ascendente, hematogênica ou linfática (ORTIZ, MAIA, 1999). A forma ascendente ocorre quando a infecção inicia-se na uretra ou bexiga e atinge as estruturas renais. A Hematogênica quando o sistema circulatório encontra- se contaminado pelo micro-organismo e este atinge o sistema urinário. Já a linfática ocorre quando há a disseminação de patógenos por meio do sistema linfático, no qual há a migração deste micro-organismo para outras estruturas do corpo. Segundo Mermel (2002), são de extrema importância as infecções urinárias que acometem pacientes em uso crônico de cateterismo vesical. A simples manipulação inadequada durante uma cateterização vesical pode ocasionar danos ao paciente, que poderão levá-lo a desenvolver uma infecção por iatrogenia. Cabe ressaltar que muitas vezes os indivíduos hospitalizados encontram- se imunodeprimidos, fato que aumenta ainda mais os riscos de contaminação e a suscetibilidade de proliferação de patógenos. Para Amadeu et al (2009) as ITUs são divididas em: Altas (superior): as quais acometem o parênquima renal ou ureteres; Baixas (inferior): envolvem a bexiga e a uretra. Nos homens acometem a próstata e o epidídimo. AN02FREV001/REV 4.0 31 A seguir ilustração do Trato urinário, a fim de visualizarmos as estruturas alvo de nosso estudo. FIGURA 12 - TRATO URINÁRIO FONTE: Disponível em: <http://mmspf.msdonline.com.br/pacientes/manual_merck/secao_11/cap_122.html>. Acesso em: 06 fev. 2012. AN02FREV001/REV 4.0 32 Com a finalidade de entendermos melhor as infecções urináriasdevemos ter em mente alguns conceitos: 5.1.1 Bacteriúria Brunner e Suddarth (2001) conceituam bacteriúria como sendo a presença de bactérias na urina (100.000 bactérias/ml de urina ou mais geralmente indicam a infecção). Para sabermos mais sobre as infecções urinárias, também devemos conhecer alguns termos técnicos relacionados a este assunto: Poliúria: grande volume de urina durante a eliminação; Oligúria: pequeno volume de urina; Anúria: ausência de débito urinário; Disúria: dificuldade ou dor ao urinar; Nictúria: aumento excessivo do número de micções durante a noite; Hematúria: presença de sangue na urina. 5.2 SINAIS E SINTOMAS DAS ITUs Segundo Brunner e Suddarth (2001), as manifestações clínicas mais comuns às ITUs são: Disúria; AN02FREV001/REV 4.0 33 Aumento da frequência urinária; Urgência urinária; Nictúria; Dor e desconforto suprapúbicos; Hematúria que pode ser macroscópica ou microscópica; Em idosos o único sinal de ITU pode ser alterações no estado mental. 5.3 PATOLOGIAS ASSOCIADAS AO TRATO URINÁRIO 5.3.1 Cistite De acordo com Heilber e Shor (2003), consiste na aderência de bactérias à bexiga. Para Vieira Neto (2003), caracteriza-se clinicamente por presença de disúria, polaciúria e dor hipogástrica. 5.3.2 Uretrite Consiste na inflamação da uretra. A sintomatologia se caracteriza por queimação ao redor da área da uretra, desconforto no pênis, secreção uretral e disúria. Brunner e Suddarth (2001) descrevem a etiologia da doença em que o grande número dos casos é transmitido sexualmente por Chlamydia trachomatis, Ureoplasma urealytium e Mycoplasma genitalium. A Trychomonas vaginalis e o vírus da herpes são outros disseminados via relação sexual causando uretrite em homens e mulheres. Existem também as uretrites não transmitidas por via sexual, são: uretrite bacteriana e uretrite decorrente de traumas relacionados à passagem de sondas uretrais ou cistoscopia. AN02FREV001/REV 4.0 34 5.3.3 Pielonefrite Bacteriana Aguda Brunner e Suddarth (2001) definem Pielonefrite Bacteriana como uma infecção aguda e doença inflamatória do rim e pelve renal, afetando um ou ambos os rins. Manifestam-se por meio de febre, calafrios, náuseas, vômito e dor no flanco. Sua etiologia é ampla, podendo resultar da infecção de bactérias entéricas, obstrução ou infecção urinária, doenças renais, gestação, infecções do sangue e distúrbios metabólicos. É uma das doenças mais graves relacionadas às infecções uretrais. 5.3.4 Prostatite O termo prostatite representa diversos grupos de síndromes com os mais variados sintomas, desde quadro agudo com sintomas intensos do trato urinário inferior a indivíduos assintomáticos (NEUMAIER, 2006). Ainda segundo Neumaier (2006), a prostatite bacteriana caracteriza-se por bacteiúria com sintomas agudos do trato urinário. Os agentes etiológicos mais comuns são E.coli (80% dos casos), Pseudomonas aeruginosa, Serratia, Klebisella, Proteus e Entericoccus. 5.4 EXAMES DIAGNÓSTICOS As manifestações clínicas acima descritas podem levar a suspeita de infecção urinária, no entanto o diagnóstico deve ser realizado pelo médico por meio de avaliação clínica e realização de exames complementares. Os tipos mais comuns de exames para esta finalidade são o EAS (exames de urina simples ou urina tipo I) e nos casos de confirmação da proliferação de AN02FREV001/REV 4.0 35 bactérias na urina ou de acordo com análise médica, pode ser realizada a urocultura de urina. De acordo com Colombeli e Falkenberg (2006), exames laboratoriais solicitados em caso de suspeita de infecção do trato urinário envolvem, por exemplo, a detecção de bactérias e/ou leucócitos por tiras reagentes de urina, exame microscópico do sedimento ou cultura de urina. Como devemos colher estes exames corretamente? 5.4.1 EAS Efetuar a lavagem adequada da parte externa do aparelho geniturinário, secando posteriormente; Colher a urina em um frasco limpo e seco; Muitas vezes será necessário coletar a urina do paciente através de sondagem de alívio utilizando a técnica adequada e asséptica; Caso o paciente tenha condições de realizá-lo sozinho, solicitar que despreze a primeira porção de urina e em seguida coletar diretamente no frasco fechando-o em seguida; Encaminhar o exame ao laboratório. O exame de urina tipo I, quando realizado de maneira correta, é um ótimo auxiliar no que diz respeito ao diagnóstico da infecção urinária sendo conhecido como um teste de triagem e é uma avaliação de rotina. É um exame que envolve um custo baixo, a amostra é de fácil obtenção e a execução é bastante simples. Além disso, permite a detecção de inúmeras enfermidades de grande importância que incluem doenças renais e do sistema geniturinário e até mesmo o câncer (COSTA et al, 2006). AN02FREV001/REV 4.0 36 5.4.2 Coleta de Urina para Exame Bacteriológico – Urocultura Efetuar a lavagem adequada da parte externa do aparelho geniturinário, secando posteriormente; Colher a urina em um frasco estéril tomando o devido cuidado para não tocar a parte interior do frasco coletor; Muitas vezes será necessário coletar a urina do paciente por meio de sondagem de alívio utilizando a técnica adequada e asséptica; Caso o paciente tenha condições de realizá-lo sozinho, solicitar que despreze a primeira porção de urina e em seguida coletar diretamente no frasco fechando-o em seguida; Encaminhar o exame ao laboratório. Observação: o frasco deve ser devidamente identificado com o nome do paciente, data da coleta, leito (caso esteja hospitalizado) e demais dados exigidos pelo laboratório. AN02FREV001/REV 4.0 37 FIGURA 13 - FRASCO PARA COLETA DE EXAME DE URINA FONTE: Disponível em: <http://sintomasedicas.com>. Acesso em: 06 fev. 2012. 5.5 BACTÉRIAS CAUSADORAS DE ITU A frequência dos germes causadores de ITU varia na dependência de onde foi adquirida a infecção, intra ou extra-hospitalar e também difere em cada ambiente hospitalar considerado. Os maiores responsáveis pela ITU são os germes gram-negativos entéricos especialmente a E.coli, que é o mais frequente independente da série estudada, seguido dos demais gram- negativos como Klebsiella, Enterobacter, Acinetobacter, Proteus, Pseudomonas, etc. Além destes, na maioria das séries americanas, o Staphylococcus saprophyticus, um germe gram-positivo, tem sido apontado como segunda causa mais frequente de ITU não complicada (HEILBER, SHOR, 2003,). AN02FREV001/REV 4.0 38 FIGURA 14 - E. COLI FONTE: Disponível em: <http://www.inquisitr.com/151052/study-finds-e-coli-bacteria-in-1-out-of-6- mobile-phones/>. Acesso em: 06 fev. 2012. As complicações em longo prazo da infecção urinária incluem o desenvolvimento de cicatrizes renais, a hipertensão arterial, a insuficiência renal crônica e em casos mais graves a migração destes micro-organismos para corrente sanguínea. 5.6 INFECÇÕES CIRÚRGICAS As infecções do sítio cirúrgico (ISC) são aquelas adquiridas no ato operatório às quais ocorrem, segundo o Ministério da Saúde (2005), em até 30 dias após o ato cirúrgico, ou ainda, se for introduzida prótese, este prazo é de um ano. Segundo Emori e Gaynes (1993), são responsáveis por 14% a 16% da totalidade das infecções hospitalares, representando um problema de saúde pública, pois ocasiona aumento da mortalidade, morbidade e dos gastos hospitalares. Visualmente a incisão cirúrgica apresenta secreção purulenta, edema, dor, calor e rubor. Em alguns casos poderá haver a presença de abcesso. http://www.inquisitr.com/151052/study-finds-e-coli-bacteria-in-1-out-of-6-mobile-phones/ http://www.inquisitr.com/151052/study-finds-e-coli-bacteria-in-1-out-of-6-mobile-phones/AN02FREV001/REV 4.0 39 FIGURA 15 - CENTRO CIRÚRGICO FONTE: Disponível em: <http://www.solacqua.com.br/>. Acesso em: 06 fev. 2012. Para melhor entendermos as ISC devemos conhecer os conceitos a seguir em relação às fases cirúrgicas: Segundo Smeltzer e Bare (2004), são: Pré-operatória: período que compreende o momento da decisão de se realizar o procedimento cirúrgico até quando se dá a internação cirúrgica, terminando quando o paciente der entrada na sala cirúrgica; Intraoperatória: período que compreende a transferência do paciente para mesa de cirurgia até sua admissão na sala de recuperação pós-anestésica; Pós-operatória: pode ser subdividida em: Pós-operatório imediato: quando o paciente é admitido na unidade de recuperação pós-anestésica para realização de cuidados; Pós-operatório tardio: após 48 horas da realização da cirurgia. Continua após a alta hospitalar até a completa recuperação do paciente. As ISC podem ser divididas conforme o Manual da ANVISA - Sítio Cirúrgico (2009) em: Infecção do sítio cirúrgico incisional superficial: Envolve apenas os tecidos cutâneos e subcutâneos; Ocorre em até 30 dias após o ato cirúrgico; AN02FREV001/REV 4.0 40 Pode apresentar: drenagem purulenta, dor, calor rubor, cultura positiva de material coletado, edema. Infecção do sítio cirúrgico incisional: Ocorre nos primeiros 30 dias após o ato cirúrgico ou em até um ano deste caso houver inserção de prótese; Pode apresentar: drenagem purulenta, mas que não envolva órgãos ou cavidade, deiscência parcial ou total da parede cirúrgica, cultura positiva, temperatura maior ou igual a 37, 8°C, dor. Infecção de órgão ou cavidade: Ocorre nos primeiros 30 dias após o ato cirúrgico ou em até um ano deste caso houver inserção de prótese; Cultura positiva da secreção ou do tecido mole/cavidade, dor, calor, rubor, calafrios, hiperemia, leucocitose, dentre outros. Outro fator importante é reconhecer a classificação das cirurgias de acordo com o grau de contaminação. A ilustração a seguir define as feridas limpas, potencialmente contaminadas, contaminada e infectada. AN02FREV001/REV 4.0 41 FIGURA 16 - CLASSIFICAÇÃO DAS CIRURGIAS CONFORME GRAU DE CONTAMINAÇÃO FONTE: Disponível em: <http://www.saude.df.gov.br/sites/100/163/00007578.pdf>. Acesso em: 06 fev. 2012. 5.7 DEISCÊNCIA Segundo Pereira et al (2008), deiscência é a ocorrência da separação das camadas superficiais da pele ou tecido subcutâneo, e/ou profundas da fáscia muscular em feridas cirúrgicas. A seguir ilustração de uma deiscência: AN02FREV001/REV 4.0 42 FIGURA 17 - INFECÇÃO E DEISCÊNCIA CIRÚRGICA FONTE: Disponível em: <http://www.medhiperbarica.com.br/f30.html>. Acesso em: 06 fev. 2012. Segundo Camargo (2001) a infecção da ferida operatória ocorre levando-se em consideração: fatores relacionados ao paciente, fatores bacterianos e relacionado ao procedimento cirúrgico: Fatores relacionados ao paciente: idade, sexo, risco anestésico, inerentes ao paciente (hipóxia, uremia, drogas imunossupressoras, etc.); Fatores Bacterianos: contaminação de um número acima de 100.000 organismos, características do agente invasor; Relacionado ao procedimento cirúrgico: grau de contaminação da cirurgia, duração da cirurgia, tipo de cirurgia (em cirurgias de emergência muitas vezes as medidas de cuidado podem não ser realizadas com o rigor adequado), técnica cirúrgica (preparo da equipe – EPI, degermação, dentre outros). http://www.medhiperbarica.com.br/f30.html AN02FREV001/REV 4.0 43 5.8 INFECÇÕES RESPIRATÓRIAS As infecções do trato respiratório estão entre as mais frequentes infecções humanas, sendo as do trato respiratório inferior são muitas vezes letais, principalmente em pacientes hospitalizados. Para se otimizar os procedimentos de tratamento dessas infecções, torna-se muito importante a correta identificação do agente causador, assim como o conhecimento do padrão de sensibilidade desse agente diante dos diversos antimicrobianos frequentemente utilizados na prática médica (MENDES, 1997). As pneumonias (PNM) estão entre os quatro tipos de infecções, mais frequentes, juntamente com as infecções cirúrgicas, sepse e infecções urinárias. A pneumonia se refere à inflamação distal do pulmão causada por infecção por micro-organismos e é caracterizada histologicamente pelo acúmulo de neutrófilos nos bronquíolos distais, alvéolos e interstício (GEORGE, 1996). De acordo com Rufino et al (2011), as pneumonias adquiridas no hospital (PAH) são definidas como processos inflamatórios infecciosos que se desencadeiam em decorrência do ambiente hospitalar com elevada taxa de mortalidade e morbidade. Um número entre 0,4% a 1,1% dos pacientes hospitalizados desenvolvem a PAH, sendo esta a segunda causa de infecção em pacientes internados, mas a primeira causa em unidades fechadas. Também devemos saber da existência da Pneumonia associada à ventilação mecânica (PAVM) que pode acometer pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva e que estão respirando através de ventilação mecânica. Segundo Bancock et al (1993), a incidência da PAVM é alta, podendo variar entre 6% a 52%, porém depende do tipo de UTI, da população estudada e tipo dos critérios diagnósticos utilizados. Apesar de ser uma infecção importante, possui um diagnóstico dos mais difíceis de ser realizado em um paciente gravemente doente. Pneumonia por Aspiração é segundo, Brunner e Suddarth (2001), aquela que ocorre pela inalação de secreção orofaríngea e/ou conteúdo gástrico para dentro dos pulmões. Isso pode ocorrer devido ao estado alterado de consciência do paciente, durante administração de dietas via sonda, repleção do estômago quando da dieta mal administrada, dentre outros. Pode desenvolver complicações, tais como abscessos pulmonares, Empiema ou PNM necrotizante. AN02FREV001/REV 4.0 44 A Pneumonia apresenta um início rápido e progressivo, porém é uma patologia que tende demorar a melhorar. FIGURA 18 - PACIENTE EM VENTILAÇÃO MECÂNICA FONTE: Disponível em: <http://cifba.wordpress.com/>. Acesso em: 06 fev. 2012. Brunner e Suddarth (2001) relatam que as manifestações clínicas mais comuns às pneumonias bacterianas são: Calafrios; Febre que ascende rapidamente variando entre 39,5°C a 40,5°C; Tosse produtiva com escarro purulento; Dor torácica pleurítica agravada pela respiração ou tosse; Dispneia – dificuldade respiratória; Taquipneia – aumento da frequência respiratória; Batimento das asas do nariz; Uso de músculos acessórios da respiração; Fadiga; Pulso forte e rápido. http://cifba.wordpress.com/ AN02FREV001/REV 4.0 45 FIGURA 19 – PNEUMONIA FONTE: Disponível em: <http://www.pneumo.com.br>. Acesso em: 06 fev. 2012. Acima, ilustração evidenciando o alvéolo normal e o alvéolo pulmonar comprometido pela pneumonia. Métodos diagnósticos mais comuns para Pneumonias: Raio-x de tórax; Ausculta pulmonar; Coleta de escarro para análise laboratorial; Coleta de secreção brônquica para análise laboratorial; Análise da clínica do paciente. Lembrando que estes métodos deverão ser associados para que o diagnóstico seja fidedigno. AN02FREV001/REV 4.0 46 FIGURA 20 - RAIO X DE PULMÃO COMPROMETIDO PELA PNM FONTE: Disponível em: <http://www.brasilescola.com/doencas/pneumonia.htm>. Acesso em: 06 fev. 2012. Estudamos as pneumonias, porém não podemos deixar de conhecer algumas doenças do trato respiratório superior que também podem se desenvolver durante uma internação hospitalar e que muitas vezes podem desencadear processos infecciosos graves em nosso organismo. Sinusite Nosocomial:as sinusites podem se desenvolver tanto no meio em que vivemos, como durante a hospitalização. Como nosso estudo se restringe a temática IH, vamos ver a seguir um tipo específico desta patologia específica. Ramsey (1995) define a sinusite nosocomial como aquela adquirida no hospital, sendo um problema comum em pacientes internados em UTI devido ao uso prolongado de tubos naso ou orotraqueais. É geralmente causada por germes gram-negativos resistentes a antibióticos. O tratamento depende de resultados das culturas de material obtido de punção sinusal direta. Infecções Faríngeas: as faringites que ocorrem no meio hospitalar se dão por bactérias tais como Pseudomonas aeruginosa, Acinetobacter spp, enterobactérias, etc. Se tornam muitas vezes mais difíceis de serem http://www.brasilescola.com/doencas/pneumonia.htm AN02FREV001/REV 4.0 47 tratadas por colonizarem pacientes imunodeprimidos, comprometendo este indivíduo como doença secundária à causa da internação. Outras patologias: devemos estar atentos também a outras patologias que podem ser adquiridas, principalmente em pacientes imunodeprimidos são: otites, amidalites, laringites, epiglotites, candidíase oral, dentre outras. 6 EXAMES DIAGNÓSTICOS Para a correta identificação da bactéria causadora da infecção deverá ser colhida amostra, que após análise laboratorial, deverá ser tratada com a conduta centrada sob o resultado. 6.1 COLETA DE ESCARRO Deverá ocorrer preferencialmente pela manhã; Higienizar a cavidade oral; Coletar o exame através da estimulação da tosse; Manter a amostra em frasco estéril; Encaminhar devidamente identificado ao laboratório o mais rápido possível. 6.2 COLETA DE EXAMES EM PACIENTES TRAQUEOSTOMIZADOS OU COM INTUBAÇÃO OROTRAQUEAL Aspiração da secreção do tubo endotraqueal ou traqueostomia; Deverá ocorrer de forma asséptica com a sonda de aspiração: depois de realizada a coleta, cortar com tesoura estéril a ponta da sonda com a secreção guardando-a em frasco estéril; AN02FREV001/REV 4.0 48 Em alguns hospitais existem sistemas próprios para coleta, como um frasco coletor que é acoplado à sonda de aspiração. 6.2.1 Broncoscopia Segundo Brunner e Suddarth (2001), é a inspeção direta da laringe, traqueia e brônquios através de broncoscópio flexível ou rígido. O flexível é utilizado sua fibra ótica, possibilitando maior conforto ao paciente, bem como uma melhor visualização das vias aéreas de menor calibre; o rígido é normalmente utilizado em crianças pequenas e para ressecção de tumores endobrônquicos. Por meio deste método pode-se colher secreções, determinar a localização e extensão da doença, coletar material para biópsias, diagnosticar hemorragias, além da sua utilização quando é necessária a retirada de corpos estranhos das vias aéreas. AN02FREV001/REV 4.0 49 FIGURA 12 – BRONCOSCOPIA FONTE: Disponível em: <http://mmspf.msdonline.com.br/pacientes/manual_merck/secao_04/cap_032.html>. Acesso em: 06 fev. 2012. 6.2.2 Gasometria Arterial Conforme Brunner e Suddarth (2001), consiste na mensuração do oxigênio, dióxido de carbono e pH do sangue. O material é obtido a partir da coleta do sangue diretamente da artéria – femoral, radial ou braquial, através de punção com a técnica adequada e envio do material coletado imediatamente ao laboratório. AN02FREV001/REV 4.0 50 6.2.3 Radiologia e Imageamento Um dos exames mais comuns utilizados nos hospitais é o raio-x do tórax, por meio dele são visualizados infiltrados, presença de sombras anormais, etc. Exames mais elaborados também podem ser utilizados, tais como a Tomografia Computadorizada, Ressonância Magnética, Angiografia Pulmonar, dentre outros. Cabe ressaltar que são exames mais caros, e que muitas vezes dependem de preparo do paciente, podendo prolongar a espera de um resultado mais rápido. Porém são métodos que trazem resultados mais aprofundados e apurados sobre a patologia pesquisada. FIGURA 13 – TOMOGRAFIA FIGURA 14 - RESSONÂNCIA MAGNÉTICA 6.3 SEPSE Carvalho e Trotta (2003) definem a sepse como uma síndrome complexa causada pela resposta inflamatória de origem infecciosa, que acomete o indivíduo FONTE: Disponível em: <http://portaldaradiologia.com>. Acesso em: 06 fev. 2012. FONTE: Disponível em: <http://www.portalcodo.com.br>. Acesso em: 06 fev. 2012. http://www.portalcodo.com.br/site/?p=215 AN02FREV001/REV 4.0 51 de forma sistêmica e descontrolada, sendo caracterizada por manifestações múltiplas, que podem levar a falência de órgãos ou mesmo a morte. FIGURA 15 - ESQUEMA SEPSE FONTE: Disponível em: <http://www.clasaanestesia.org>. Acesso em: 06 fev. 2012. Para melhor entender a Sepse vamos conhecer alguns termos relacionados ao assunto, porém distintos entre si. AN02FREV001/REV 4.0 52 Bacteremia: presença de bactérias na corrente sanguínea. Choque séptico: Brunner e Suddarth (2001) conceituam o choque séptico como decorrente das bactérias e seus produtos que circulam no sangue, tendo como causa primária a liberação de mediadores vasoativos liberados pelas bactérias. Qualquer foco séptico possui potencial para gerar choque séptico. Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS): resposta inflamatória inespecífica do organismo a uma determinada agressão manifesta-se segundo o American College of Chest Phsysicians e a Society of Critical Care Medicina Consensus Conference (1992) por duas ou mais das seguintes condições: Temperatura maior que 38°C ou menor que 36°C; Frequência cardíaca maior que 90 batimentos por minuto; Frequência respiratória maior que 20 incursões por minuto ou PaCO2 menor que 32 mmHg ; Leucócitos maiores que 12.000/mm³ ou menor 4.000/mm³ ou bastonetes >10%. SÍNDROME DA DISFUNÇÃO MÚLTIPLA ORGÂNICA: síndrome na qual a função dos órgãos não pode ser mantida sem cuidados intensivos. Segundo o American College of Chest Phsysicians e a Society of Critical Care Medicina Consensus Conference (1992), a Sepse pode ser definida como uma resposta inflamatória à infecção, traduzida por duas ou mais das manifestações a seguir: Frequência cardíaca maior que 90 batimentos por minuto; Frequência respiratória maior que 20 incursões por minuto; pCO2 menor que 32mmHg; Temperatura corporal: maior que 38°C ou menor que 36°C; AN02FREV001/REV 4.0 53 Achados laboratoriais: Glóbulos brancos maiores que 12.000 milímetros cúbicos ou menores que 4.000 milímetros cúbicos ou presença de bastonetes maior que 10%. O diagnóstico deve ser realizado com base na clínica do paciente, bem como por meio de exames laboratoriais. A avaliação laboratorial ou complementar é capaz de revelar dois aspectos distintos da sepse. O primeiro é o que se refere à busca ou identificação do agente agressor, através do rastreamento microbiológico do paciente; o segundo, diz respeito à identificação de alterações metabólicas ou da homeostasia, indicativas de comprometimento sistêmico e de órgãos específicos (CARVALHO; TROTTA, 2003). Você sabia que uma Conferência realizada pelo American College of Chest Physicians e Society of Critical Care Medicine em agosto 1991 uniformizou os de protocolos de tratamento e de pesquisa para detecção e intervenção precoce da sepse? Os exames laboratoriais mais utilizados para auxílio diagnóstico são culturas de: sangue, fezes, urina, secreções traqueais, liquor, ponta de cateteres periféricos e centrais, sondas vesicais, exsudatos purulentos de cicatrizes cirúrgicas, etc. 6.3.1 Tratamento da Sepse Segundo a Surviving Sepsis Campaing – “CampanhaMundial para sobreviver a Spese”, o protocolo de tratamento se baseia de forma resumida em: AN02FREV001/REV 4.0 54 FIGURA 1 - SITE DA SURVIVING SEPSIS CAMPAING FONTE: Disponível em: <www.survivingsepsis.org>. Acesso em: 06 fev. 2012. 6.3.2 Ressuscitação Inicial Tem por objetivo reverter os primeiros eventos desencadeados pela sepse no organismo. Para tanto, deve-se instalar um acesso venoso central (AVC) a fim de se infundir cristaloides ou coloides e monitorar a pressão venosa central (PVC). Nesse período também deve ser controlado o débito urinário, a pressão arterial média (PAM). Caso a hipotensão continue severamente, poderão ser administrados vasopressores. 6.3.3 Identificação do agente infeccioso Realizar a coleta hemoculturas antes do início da antibioticoterapia. São necessárias a coleta de duas ou mais amostras de acessos venosos distintos, ou seja, se a primeira amostra for colhida no membro superior direito, colher a segunda amostra, por exemplo, no outro membro e a terceira da acesso venoso central. http://www.survivingsepsis.org/ AN02FREV001/REV 4.0 55 6.3.4 Antibioticoterapia Deve ser iniciada antibioticoterapia de amplo espectro, já que os resultados laboratoriais das culturas demoram a ficar prontos. O quanto antes iniciado maiores as chances de sobrevida do paciente. 6.3.5 Controle do sítio de infecção Os focos possíveis devem ser identificados e removidos o quanto antes. Exemplos de focos: abscessos, tecidos necróticos infectados, acessos venosos, sondas vesicais, etc. 6.3.6 Reposição volêmica Utilização de cristaloides ou coloides para aumentar a volemia sanguínea. São exemplos de cristaloides Ringer Lactato e Soro Fisiológico 0,9%. Os coloides podem ser exemplificados pela Albumina. 6.3.7 Vasopressores Quando houver falha da reposição volêmica, deverão ser administrados os vasopressores. A PAM deverá sem mantida igual ou maior a 65 mmHg. As drogas mais utilizadas são a Noradrenalina ou Dopamina. Ambas devem ser administradas através de AVC. AN02FREV001/REV 4.0 56 6.3.8 Terapia Inotrópica Terapia utilizada para manutenção das contrações musculares cardíacas que podem ser afetadas na sepse. A Dopamina está indicada em caso de baixo débito cardíaco. 6.3.9 Corticoterapia A administração de corticoides está indicada quando o paciente não respondeu adequadamente às terapêuticas anteriores. A droga adotada neste caso é a Hidrocortisona. 6.3.10 Proteína C ativada É utilizada para pacientes com grande risco de óbito, seguindo critérios específicos de avaliação da clínica do paciente. Sua contraindicação está no aumento da chance de sangramento. Xigris é um exemplo de droga a ser utilizada. Seu custo é alto e deve seguir diversos critérios de uso. 6.3.11 Ventilação Mecânica As lesões pulmonares podem complicar e muito a sepse. Logo, a utilização da ventilação mecânica é de grande valia no tratamento do paciente. Porém, deve seguir os parâmetros ventilatórios adequados, além de constante monitoração. AN02FREV001/REV 4.0 57 Quando o paciente apresentar condições deve ser realizado o desmame. 6.3.12 Controle Glicêmico Após a estabilização do paciente, é recomendável se manter o controle glicêmico por meio da infusão de insulina, buscando manter o nível de glicemia orgânico abaixo de 150 mg/dl. 6.3.13 Profilaxia de Trombose Devem utilizar Heparina profilática a fim de não desenvolver trombose venosa profunda. 6.3.14 Profilaxia de Úlceras Gástricas Para esta profilaxia devem ser utilizados inibidores de bomba de prótons tais como Esomeprazol, Cloridrato de Ondansetrona, Pantoprazol, etc. 6.4 TERAPIA DE SUBSTITUIÇÃO RENAL Quando o paciente estiver hemodinamicamente instável esta terapia visa manter o balanço de líquidos orgânicos através de Diálise ou Hemodiálise. FIM DO MÓDULO II AN02FREV001/REV 4.0 58 PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA Portal Educação CURSO DE INFECÇÃO HOSPITALAR – PREVENÇÃO E TRATAMENTO Aluno: EaD - Educação a Distância Portal Educação AN02FREV001/REV 4.0 59 INFECÇÃO HOSPITALAR – PREVENÇÃO E TRATAMENTO MÓDULO III Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. AN02FREV001/REV 4.0 60 MÓDULO III 7 BIOSSEGURANÇA Na área da saúde, a Biossegurança suscita reflexões por parte dos profissionais, especialmente dos que trabalham nas áreas críticas dos hospitais, uma vez que estão mais suscetíveis a contrair doenças advindas de acidentes de trabalho, através de procedimentos que envolvem riscos biológicos, químicos, físicos, ergonômicos e psicossociais (VALLE, et al, 2008). O termo Biossegurança, ao analisarmos a formação da palavra: bio = vida, associada à palavra segurança, ou seja: trata-se da segurança que devemos ter para manter a vida, precavendo para que nenhum imprevisto aconteça. Outro autor define Biossegurança como: É o estado, qualidade ou condições de segurança biológica, de vida e de saúde dos homens, dos animais e das plantas, bem como do meio ambiente, não hierarquizando essa proteção, dos riscos associados aos organismos geneticamente modificados segundo a lei 8.974/95 (TEIXEIRA, VALLE, 1998). A ANVISA define Biossegurança como a “condição de segurança alcançada por um conjunto de ações destinadas a prevenir, controlar, reduzir ou eliminar riscos inerentes às atividades que possam comprometer a saúde humana, animal e o meio ambiente”. Apesar de tantas definições devemos saber que a Biossegurança deve ser entendida por meio de uma visão holística. Não podemos apenas assistir aos acidentes e não verificarmos todos os motivos pelo qual ele ocorreu. Ela visa à prevenção e o bem-estar do indivíduo. AN02FREV001/REV 4.0 61 Em nosso cotidiano, se prestarmos bem a atenção, podemos verificar várias situações em que utilizamos da Biossegurança ao nosso favor como, por exemplo, quando utilizamos o de cinto de segurança que nos protege em caso de acidentes, quando aplicamos o protetor solar para ir à praia evitando queimaduras solares, quando mantemos a postura correta ao sentar-se, evitando sentir dores na coluna, dentre outras situações. Logo, é um assunto extremamente importante e também intimamente ligado à prevenção e tratamento das infecções hospitalares, pois a Biossegurança norteia como devem ser organizados os ambientes hospitalares, nos mostra como devemos manipular, descartar ou esterilizar os materiais. Normatiza, por exemplo, como devemos agir diante de um acidente com material biológico. FIGURA 17 FONTE: Arquivo pessoal do autor. Este capítulo trará conceitos e conhecimentos indispensáveis para quem atua ou pretende atuar na área de saúde e em ambientes hospitalares. Primeiramente, devemos conhecer um pouco a respeito das Normas Regulamentadoras estabelecidas pelo Ministério da Saúde (NR), através da Portaria 3214 de 8 de junho de1978. A seguir veremos um resumo das NRs mais importantes quando se fala em Biossegurança: AN02FREV001/REV 4.0 62 7.1 NR4 A organização dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) tem a finalidade de promover a saúde e protegera integridade do trabalhador em seu local de trabalho; trata do dimensionamento dos SESMT (deverão ser integrados por Médico do Trabalho, Engenheiro de Segurança do Trabalho, Enfermeiro do Trabalho, porém, obedecendo a critérios em relação ao risco das atividades da empresa e número de funcionários). 7.2 NR5 Regulamenta a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), tendo como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador. Regula quais membros devem integrá-la, trata de seu funcionamento, das atribuições de cada membro, aborda como deverá ser realizado o processo de eleição de membros e sobre seu treinamento para atuação na CIPA. 7.3 NR6 Regulamenta os Equipamentos de Proteção Individual (EPI), conceituados como todo dispositivo ou produto, de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho. Aborda quais são as responsabilidades do empregador e a do funcionário AN02FREV001/REV 4.0 63 em relação à utilização dos EPIs, trata sobre a certificação da qualidade dos EPIs a serem utilizados pelos trabalhadores, dentre outras providências. FIGURA 18 - EPI FONTE: Disponível em: <http://www.riscobiologico.org/pagina_basica.asp?id_pagina=242>. Acesso em: 06 fev. 2012. 7.4 NR7 Estabelece a obrigatoriedade de elaboração e implementação, por parte de todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados, do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional - PCMSO, com o objetivo de promoção e preservação da saúde do conjunto dos seus trabalhadores. Trata da obrigatoriedade de exames médicos periódicos por ocasião de admissão, demissão, mudança de cargo/função ou setor e retorno às atividades, após afastamento por mais de 30 dias por motivo de saúde, inclusive gestação. AN02FREV001/REV 4.0 64 7.5 NR9 Estabelece o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). Regulamenta que os empregadores deverão informar aos trabalhadores de maneira apropriada e suficiente sobre os riscos ambientais que possam originar-se nos locais de trabalho e sobre os meios disponíveis para prevenir ou limitar tais riscos e para proteger-se dos mesmos. São considerados riscos ambientais os agentes agressivos físicos, químicos e biológicos que possam trazer ou ocasionar danos à saúde do trabalhador. 7.6 NR15 Define as atividades ou operações insalubres, assegurando ao trabalhador, nestes casos, remuneração adicional (incidente sobre o salário mínimo regional). Estabelece o “Limite de Tolerância”, definindo a concentração ou intensidade máxima ou mínima, relacionada com a natureza e o tempo de exposição ao agente, que não causará dano à saúde do trabalhador, durante a sua vida laboral. 7.7 NR32 Esta Norma Regulamentadora tem por finalidade estabelecer as diretrizes básicas para a implementação de medidas de proteção à segurança e à saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde, bem como daqueles que exercem atividades de promoção e assistência à saúde em geral. Propõe a identificação dos riscos biológicos mais prováveis, considerando: fontes de exposição e reservatórios; vias de transmissão e de entrada; transmissibilidade, patogenicidade e virulência do AN02FREV001/REV 4.0 65 agente; persistência do agente biológico no ambiente; estudos epidemiológicos ou dados estatísticos; outras informações científicas. Além disso, norteia a utilização de vestimenta de trabalho adequada, obriga as empresas a proporcionar capacitação adaptada à evolução do conhecimento e à identificação de novos riscos biológicos. Aborda a manipulação de quimioterápicos, proteção radiológica, como devem ser os ambientes para trabalho, tais como lavanderias hospitalares, estocagem de resíduos, dentre outros. 8 TIPOS DE RISCO Considera-se risco de acidentes qualquer fator que exponha o trabalhador em uma situação de perigo podendo afetar sua integridade, bem-estar físico ou moral. Exemplificando: não utilização de capacete por pedreiros da construção civil, recapear agulhas após administração de medicação endovenosa, não utilizar luvas para realizar um curativo, dentre outros infinitos exemplos. Após conhecermos um pouco sobre as Normas Regulamentadoras, vamos entender cada tipo de risco baseado na Portaria do Ministério do Trabalho nº 3.214, de 08 de junho de 1978 relativas à Segurança e Medicina do Trabalho. Segundo ela temos: Risco ergonômico Classifica-se risco ergonômico qualquer fator que possa interferir nas atividades do trabalhador lhe conferindo desconforto ou afetando sua saúde. Exemplificando: postura inadequada para digitar ao computador, levantar peso, repetições excessivas do mesmo movimento, cadeira inadequada para trabalhar, permanecer muito tempo na mesma posição (em pé ou sentado), etc. AN02FREV001/REV 4.0 66 Risco físico A promoção de risco físico aos trabalhadores pode ocorrer sob diversas formas tais como: ruídos, vibrações, pressões anormais, radiações ionizantes, radiações não ionizantes, ultrassom, temperaturas extremas, materiais cortantes, dentre outros. Exemplo: exposição ao raio-x, manipulação de instrumentais cortantes como vidro ou metais, ruídos contínuos como os presentes nas lavanderias hospitalares, etc. Risco químico São agentes de risco químico substâncias ou produtos que possam penetrar no organismo por via respiratória, cutânea ou digestiva. As formas de contaminação podem ser por névoas, poeiras, fumos, neblinas, gases ou vapores. Exemplos: gases utilizados para indução anestésica, monóxido de carbono, dentre outros. Risco biológico Consideram-se agentes de risco biológico bactérias, fungos, parasitas e vírus. Ambos estão continuamente presentes em ambiente hospitalar e requerem uma série de cuidados visando interromper a contaminação. Veremos mais adiante medidas de prevenção para este tipo de risco. Conhecendo um pouco sobre os riscos aos quais podemos estar expostos fica mais fácil estabelecer medidas de prevenção de danos a nossa saúde, aos demais colegas de profissão e de nossos pacientes. Porém, podemos nos perguntar: caso esteja trabalhando e vier a acontecer um acidente comigo. Como devo fazer? Que passos seguir? Como nossa temática é as infecções e o ambiente hospitalar, vamos conhecer agora como agir em caso de acidentes com materiais biológicos: AN02FREV001/REV 4.0 67 8.1 CONDUTA APÓS ACIDENTE BIOLÓGICO Para avaliação do acidente devemos atentar primeiramente para o tipo de exposição: Exposições percutâneas: lesões provocadas por instrumentos perfurantes e/ou cortantes. Exemplos: agulhas, bisturi, etc.; Exposições em mucosas: exposição da mucosa dos olhos, nariz e boca; Exposições em pele não íntegra: contato com feridas abertas, contato com sangue de mordeduras humanas. O Ministério da Saúde (2006) recomenda a seguinte conduta após acidentes com materiais biológicos: Cuidados locais imediatos: Em caso de acidentes com perfurocortantes, retirar a luva e lavar a lesão imediatamente com água e sabão. Em caso de acidentes envolvendo mucosas e pele deve-se lavar com água corrente ou soro fisiológico 0,9%. Observações: Não há evidência de que o uso de antissépticos ou a expressão do local do ferimento reduzam o risco de transmissão, entretanto, o uso de antisséptico não é contraindicado; Não devem ser realizados procedimentos que aumentem a área exposta, tais como cortes e injeções locais. A utilização de soluções irritantes como éter, glutaraldeído ou hipoclorito de sódio também estãocontraindicadas; AN02FREV001/REV 4.0 68 Caso a fonte seja conhecida, porém sem informação de seu status sorológico, é necessário orientar o profissional acidentado sobre a importância da realização dos exames HBsAg, Anti-HBc , Anti-HCV e Anti-HIV; Deve ser utilizado o teste rápido para HIV, sempre que disponível, junto com os exames acima especificados; Caso haja recusa ou impossibilidade de realizar os testes, considerar o diagnóstico médico, sintomas e história de situação de risco para aquisição de HIV, HBC e HCV; Quando a fonte é desconhecida: levar em conta a probabilidade clínica e epidemiológica de infecção pelo HIV, HCV, HBV – prevalência de infecção naquela população, local onde o material perfurante foi encontrado (emergência, bloco cirúrgico, diálise), procedimento ao qual ele esteve associado, presença ou não de sangue, etc.; Após deverão ser iniciados, caso necessário, a profilaxia medicamentosa; Deverão ser realizados os testes laboratoriais Anti-HIV no acidentado: no momento zero, 42 dias, três meses e seis meses. Deverá ser repetida em 12 meses no caso de fonte HIV e HCV positivas, com soro conversão para o HCV; HBs Ag e Anti HBc Total no acidentado: No momento do acidente e após seis meses; os acidentados imunizados não precisam deste teste; No paciente fonte deverão ser realizados: teste rápido de HIV, HBs Ag e Anti-HBc IGM e Anti-HCV; Deve ser assinado um termo de consentimento pelo paciente fonte ou familiar responsável para coleta dos exames. No momento do acidente, deverá ser feita a notificação à chefia imediata, a qual, por sua vez, notificará o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar e/ou o setor responsável para avaliar o acidente e determinar a conduta. A instituição deve emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), a fim de documentar o acidente para efeitos legais. AN02FREV001/REV 4.0 69 8.3 PRECAUÇÃO PADRÃO Sabemos que no ambiente hospitalar se lida constantemente com ambientes contaminados e pacientes com as mais diversas patologias. Logo, o uso de proteção é imprescindível. Ao lado as figuras exemplificam o que devemos fazer como medidas de precaução para evitar a disseminação de infecções, bem como nos proteger de micro-organismos presentes em secreções humanas e no ambiente. Além do uso destes equipamentos de proteção, devemos nos preocupar com o descarte adequado de materiais contaminados. É obrigatória a presença de caixas adequadas para o descarte de materiais perfurocortantes tais como agulhas, scalp, abocath, lâminas de bisturi, agulhas de sutura. Materiais contaminados como, por exemplo, luvas, sondas de aspiração, seringas, aventais descartáveis, compressas e gazes contaminadas utilizadas em curativos, equipos, dentre outros devem ser descartados em saco leitoso, apropriados para esse tipo de lixo. Já materiais não contaminados como papel toalha e demais itens deverão ser descartados em saco preto. AN02FREV001/REV 4.0 70 8.4 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO COLETIVA (EPC) Consideramos EPC todo equipamento que vem a proteger a coletividade. Ou seja, protege um grupo de pessoas expostas a um determinado risco. Exemplos de EPC são: Capelas químicas – utilizadas, por exemplo, na preparação de quimioterápicos; Extintores de incêndio; Mangueira de incêndio; Fluxo laminar, etc. Outros conceitos importantes para conhecermos dentro da Biossegurança é a classificação dos riscos biológicos. São: Classe de Risco I – pouco risco individual e comunitário para contaminação; Classe de Risco II - risco individual moderado e risco comunitário limitado; Classe de Risco III - grande risco individual e baixo risco comunitário; Classe de Risco IV - Elevado risco comunitário e individual. 8.5 TIPOS DE ISOLAMENTO Sabemos que muitas das infecções exigem o devido isolamento não só para conter sua propagação, como para manter a segurança da equipe de saúde AN02FREV001/REV 4.0 71 envolvida no tratamento do paciente. Elas devem ser instituídas tanto nas situações de suspeita como após a confirmação da doença, até que a equipe responsável do hospital pelas medidas de isolamento libere o paciente deste. 8.5.1 Precauções de contato Deve ser estabelecida quando existe a possibilidade de transmissão do micro-organismo por meio do contato direto ou indireto entre o paciente e o profissional de saúde que realiza o atendimento, entre pacientes ou pelo contato com itens utilizados pelo indivíduo contaminado como lençóis, travesseiro, artigos de uso pessoal e hospitalar, dentre outros. Nesse tipo de isolamento o quarto deve ser privativo ou dividido com pacientes contaminados pelo mesmo patógeno. A precaução padrão necessária para manipular este paciente são luvas, as quais devem ser descartadas dentro do quarto do isolamento e avental, sendo este individual para cada um que for manipular o paciente contaminado. No caso de ser necessário transportar este paciente pelo hospital para realizar exames, cirurgias, entre outros procedimentos, os profissionais deverão estar paramentados adequadamente com luvas e aventais, bem como verificar, por exemplo, se curativos contaminados estão bem ocluídos ou que drenos não apresentem vazamento. Estas medidas servem para evitar a propagação desta infecção para outros locais. Patologias que devem seguir o isolamento de contato: Infecções entéricas como as por E. coli, Herpes simples, Pediculose, Escabiose, Herpes zoster, Conjuntivite viral, dentre outras. AN02FREV001/REV 4.0 72 FIGURA 19 - HERPES ZOSTER FONTE: Disponível em: <http://matheuseandressav03.wordpress.com/2011/02/22/herpes-o-que/>. Acesso em: 06 fev. 2012. 8.5.2 Precauções Respiratórias para Aerossóis A transmissão por aerossóis ocorre através da eliminação de minúsculas partículas por meio da tosse, respiração ou da fala. Essas permanecem em suspensão no ar, podendo contaminar diversos locais. Neste tipo de isolamento o quarto deve ser privativo e a porta deve estar sempre fechada. Além disso, o uso de máscaras tipo n. 95 é obrigatório por qualquer profissional que adentre o local. Essa máscara especial deve ser colocada sobre a face antes de entrar no quarto e retirada apenas quando sair definitivamente. A máscara pode ser utilizada por outros profissionais, desde que esses utilizem uma máscara comum por baixo da N-95. Todos os equipamentos deverão ser de uso exclusivo para este paciente, como por exemplo, estetoscópio, esfigmomanômetro, dentre outros. AN02FREV001/REV 4.0 73 Quando houver necessidade de transportar o paciente, esse deve estar utilizando máscara comum visando evitar a contaminação do ambiente. Doenças as quais devem estar em isolamento por aerossóis: Tuberculose pulmonar, Herpes zoster, Sarampo e Varicela. FIGURA 20 – VARICELA FONTE: Disponível em: <http://patologiasvirais.blogspot.com/p/varicela.html>. Acesso em: 06 fev. 2012. 8.5.3 Precauções Respiratórias para Gotículas Na transmissão por gotículas, diferente da por aerossóis é necessário ocorrer um contato mais próximo ao paciente, pois as gotículas possuem um tamanho maior. São veiculadas no ambiente através da tosse, fala e respiração. Neste tipo de isolamento o quarto deve ser privativo para um único paciente ou dividido por pacientes com confirmação da mesma patologia. Adotar uso de máscaras comuns que devem ser descartadas ao sair do local. Para transportar o paciente esse deverá utilizar máscara comum, assim como os profissionais de saúde que o conduzirem. Equipamentos do isolamento deverão ser de uso exclusivo do paciente. Doenças as quais devem ser isoladas por gotículas: Meningite Meningocócica, Streptococcuspneumoniae multirresistentes, Rubéola, Coqueluche, dentre outras. AN02FREV001/REV 4.0 74 FIGURA 21 – RUBÉOLA FONTE: Disponível em: <http://www.palestrassaude.com.br/2008/08/21/rubeola/>. Acesso em: 06 fev. 2012. 9 CCIH Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) é um órgão responsável por desenvolver ações de controle e prevenção de infecções hospitalares. De acordo com a Portaria 2.616 do Ministério da Saúde de 1998, deverá ser composta por membros do serviço médico, de enfermagem, de farmácia, do laboratório, de microbiologia e da administração, da seguinte forma: Os hospitais com número até 70 leitos: composição de equipe – médico e enfermeiro. Os membros executores serão, no mínimo, 2 técnicos de nível superior da área de saúde para cada 200 leitos ou fração deste número com carga horária diária, mínima, de 6 horas para o enfermeiro e 4 horas para os demais profissionais. Um dos membros executores deve ser preferencialmente, um enfermeiro. Nos hospitais com leitos destinados a pacientes críticos, a CCIH deverá ser acrescida de outros profissionais de nível superior da área AN02FREV001/REV 4.0 75 de saúde. Os membros executores terão acrescidas 2 horas semanais de trabalho para cada 10 leitos ou fração. Em relação às competências da CCIH, ainda conforme a Portaria 2.616 do Ministério da Saúde de 1998, temos: Elaboração, implementação e avaliação do programa de controle de infecção hospitalar, adequado às características e necessidades da instituição; Implantação de um Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares; Capacitação do quadro de funcionários e profissionais da instituição, referente à prevenção e controle das infecções hospitalares; Utilização racional de antimicrobianos, germicidas e materiais médico- hospitalares; Avaliação, periódica e sistemática das informações providas pelo Sistema de Vigilância Epidemiológica; Realização de investigação epidemiológica em casos de surtos, e implantando medidas de controle imediatamente; Elaborar e divulgar regularmente, relatórios e comunicar, periodicamente, à autoridade máxima de instituição e às chefias de todos os setores do hospital, a situação do controle das infecções hospitalares, promovendo seu amplo debate na comunidade hospitalar; Elaborar, implantar e supervisionar medidas de precaução e de isolamento; Adequar, implementar e supervisionar a aplicação de normas e rotinas técnico-operacionais, visando à prevenção e ao tratamento das infecções hospitalares; Capacitação adequada do quadro de funcionários e profissionais, no que diz respeito ao controle das infecções hospitalares; Cooperar com a ação do órgão de gestão do SUS, bem como fornecer, prontamente, as informações epidemiológicas solicitadas pelas autoridades competentes; Notificar os casos diagnosticados ou suspeitos de outras doenças sob vigilância epidemiológica (notificação compulsória), atendidos em qualquer dos AN02FREV001/REV 4.0 76 serviços ou unidades do hospital, e atuar cooperativamente com os serviços de saúde coletiva; Notificar ao Serviço de Vigilância Epidemiológica e Sanitária do organismo de gestão do SUS, os casos e surtos diagnosticados ou suspeitos de infecção associadas à utilização de insumos e/ou produtos industrializados. Após um breve estudo da Portaria 2.616 do Ministério da Saúde, você deve estar se perguntando uma forma básica de aplicação prática para o posterior desenvolvimento de ações de prevenção e controle. Para tanto, devemos conhecer a coleta de dados referentes às infecções hospitalares. 9.1 VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA EM CCIH Segundo a portaria do Ministério da Saúde 2.616 de 1998 - anexo III há três métodos de vigilância: Prospectivo Neste método a monitorização do paciente é realizada ainda durante a sua internação. Por meio desse método é avaliado o grau de risco de infecção no momento de admissão. Após é realizada visitas frequentes ao paciente acompanhando sinais de febre, resultado de exames de culturas, uso de antimicrobianos, acompanhamento do tempo de internação, realização de procedimentos invasivos, dentre outros. Retrospectivo A busca é realizada após a alta do paciente mediante ao prontuário. Esse método possui desvantagens, pois depende de anotações corretas no prontuário, não detecta casos de surto em andamento, e que muitas vezes, afasta o profissional da CCIH dos profissionais assistenciais furtando a oportunidade de realizar orientações na íntegra. AN02FREV001/REV 4.0 77 Transversal Nesse método é escolhida uma amostra para avaliação, ou seja, é determinado, por exemplo, avaliar um setor específico ou o hospital como um todo estipulando um período de tempo para fechar os dados da pesquisa. Infelizmente, possui a desvantagem na identificação de surtos. 9.2 RESUMINDO A ATUAÇÃO DA CCIH Detecção de casos de infecção hospitalar; Conhecimento as principais infecções hospitalares observadas no Hospital e surtos; Responsável pela elaboração de normas de padronização para que os procedimentos que forem feitos na instituição estejam dentro de um programa asséptico; Realizar treinamentos dos profissionais da saúde direcionando a realidade do hospital; Controlar a prescrição de antibióticos por meio de justificativa médica para uso da droga e análise da comissão para liberação desta; Verificar os tipos de materiais utilizados pelos profissionais e se estão sendo manipulados e descartados corretamente; Auxiliar no planejamento e organização dos setores hospitalares; Realizar buscas ativas a procura se surtos de infecção hospitalar; Criar manuais de boas práticas e normativas referentes à precaução de infecção hospitalar; Verificar curativos avaliando a presença de infecção, bem como a técnica utilizada durante sua troca; AN02FREV001/REV 4.0 78 Quando verificada a necessidade de se manter precaução de contato, por aerossóis ou respiratória, estar divulgando e limitando o acesso ao isolamento além de orientar sobre o uso de EPI adequado, etc. FIM DO MÓDULO III AN02FREV001/REV 4.0 79 PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA Portal Educação CURSO DE INFECÇÃO HOSPITALAR – PREVENÇÃO E TRATAMENTO Aluno: EaD - Educação a Distância Portal Educação AN02FREV001/REV 4.0 80 INFECÇÃO HOSPITALAR – PREVENÇÃO E TRATAMENTO MÓDULO IV Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. AN02FREV001/REV 4.0 81 MÓDULO IV 10 PRINCIPAIS MEDIDAS PARA PREVENÇÃO DE INFECÇÕES HOSPITALARES As medidas de prevenção de infecção hospitalar são primordiais para se evitar a morte ou a morbidade em pacientes internados. São essas medidas que tornam possível a diminuição da propagação de patógenos, bem como a extinção das infecções hospitalares. Muitas delas são simples, como a lavagem das mãos, as quais verão a seguir, outras, como a desinfecção, esterilização, prevenção de ITU e ISC são mais complexas, porém não impossíveis. Estas dependem apenas do bom senso do profissional de saúde, como também do conhecimento que ele possui acerca deste assunto. É bom lembrar que a prevenção é sempre a melhor forma de cuidado para conosco, como também para os pacientes internados. 10.1LAVAGEM DAS MÃOS Conforme Martinez et al (2009), cerca de 30% dos casos de infecções relacionadas à assistência à saúde são considerados preveníveis por meio de medidas simples, sendo a mais efetiva a lavagem correta das mãos pelos profissionais de saúde. É importante saber que a lavagem das mãos é uma técnica simples, porém que deve ser realizada da maneira correta a fim de se obter o resultado desejado. Ela deve ser realizada antes do contato ou procedimento a ser realizado, após o contato com o paciente ou após o um procedimento, após a exposição ou AN02FREV001/REV 4.0 82 contato com fluidos corporais e após contato com áreas próximas ao paciente, como por exemplo, o leito, grades da cama, lençóis, dentre outros. FIGURA 22 - QUANDO LAVAR AS MÃOS? FONTE: Disponível em: <http://www.noticias.uff.br/noticias/2009/05/huap-campanha- higienizacao.php>. Acesso em: 06 fev. 2012. Técnica da lavagem das mãos Retirar anéis, pulseiras ou relógio; Abrir a torneira e molhar as mãos; Colocar nas mãos sabão que deve ser, de preferência, líquido; Ensaboar as mãos friccionando-as por aproximadamente 15 segundos; Friccionar a palma, o dorso das mãos, os espaços interdigitais, articulações, polegar e extremidades dos dedos, embaixo das unhas; Os antebraços também devem ser lavados; http://www.noticias.uff.br/noticias/2009/05/huap-campanha-higienizacao.php http://www.noticias.uff.br/noticias/2009/05/huap-campanha-higienizacao.php AN02FREV001/REV 4.0 83 Enxaguar as mãos e antebraços em água corrente abundante, retirando totalmente o resíduo do sabão. Posicionar as mãos para cima de forma que a água venha a escorrer das mãos para os braços; Enxugar as mãos com papel toalha; Fechar a torneira acionando o pedal, com o cotovelo ou utilizar o papel toalha; Nunca use as mãos diretamente para fechar a torneira após a lavagem. Observações: As torneiras devem ser adequadas para atender as normativas da vigilância sanitária; Nunca enxugar as mãos em toalhas de pano; Utilizar sabão líquido; Podem ser utilizadas compressas limpas ou esterilizadas para secar as mãos, porém devem ser descartadas logo em seguida; Manter sempre as unhas curtas a fim de não haver acúmulo de micro- organismos; A lavagem das mãos antes de procedimentos cirúrgicos é semelhante, porém com alguns diferenciais que veremos a seguir; A pia em que utilizamos para lavagem das mãos não pode ser a mesma adotada para lavagem de materiais contaminados: instrumentais, comadres, etc.; A utilização de luvas não exime o profissional de realizar a lavagem das mãos; Evitar ferir as mãos ou retirar cutículas; O descarte do papel toalha utilizado deve ser realizado em lixo apropriado com pedal; Não descartar secreções na pia utilizada para lavagem das mãos. AN02FREV001/REV 4.0 84 FIGURA 23 - LAVAGEM DAS MÃOS FONTE: Disponível em: <http://www.itaigaramemorial.com.br/dicas.asp?id=10>. Acesso em: 06 fev. 2012. AN02FREV001/REV 4.0 85 10.2 DESINFECÇÃO Segundo Kalil e Costa (1996) é o processo que elimina todos os micro- organismos com exceção dos esporos bacterianos. Não deve ser confundido com a esterilização, haja vista que não elimina totalmente todas as formas de vida microbiana. Conforme os autores, os dois procedimentos diferem quanto à capacidade para eliminação dos esporos a qual é uma propriedade inerente à esterilização. De acordo com Opperman (2003) a desinfecção pode ser dividida em três níveis de acordo com o espectro de destruição dos microrganismos: Desinfecção de alto nível: destroem todas as formas vegetativas de micro-organismos, inclusive Mycobacterium tuberculosis, vírus lipídicos e não lipídicos, fungos e uma parte dos esporos. Como exemplo: glutaraldeído 2% (período mínimo de 30 minutos), peróxido de hidrogênio 3- 6%, formaldeído 1-8%, ácido peracético e composto clorado a 10.000 ppm. Desinfecção de médio nível: inativa o bacilo da tuberculose, bactérias na forma vegetativa, a maioria dos vírus e fungos, exceto esporos bacterianos. Exemplo: compostos clorados de 500 a 5000 ppm, álcool 70% (tempo de contato mínimo é de 10 minutos). Desinfecção de baixo nível: elimina a maioria das bactérias, alguns vírus como o HIV, o da Hepatite B e Hepatite C, fungos. Não destrói microrganismos resistentes como bacilo da tuberculose e esporos bacterianos. Como exemplo: compostos fenólicos 0,5-3%, compostos de iodo, quaternário de amônia. O Álcool 70% é um dos desinfetantes mais comumente utilizados na rotina por todos os profissionais de saúde. Tem como vantagem sua de ação bactericida rápida. É levemente irritante à pele, econômico. Porém, suas desvantagens consistem em não eliminar esporos, danificar materiais como a borracha e plástico e na sua rápida evaporação. AN02FREV001/REV 4.0 86 Observações: Para a desinfecção de máscaras de nebulização é recomendado hipoclorito a 0,5%. O hipoclorito a 1% é indicado para limpeza de superfícies. 10.3 ESTERILIZAÇÃO Opperman (2003) definem esterilização como o processo utilizado para completa destruição de microrganismos, incluindo todas as suas formas, inclusive as esporuladas, com a finalidade de prevenir infecções e contaminações decorrentes de procedimentos cirúrgicos e invasivos com utilização de artigos críticos. A esterilização pode ser realizada por diversos meios, entre eles: Processos químicos: glutaraldeído, formaldeído e ácido peracético; Processos físicos: vapor saturado (autoclave), calor seco (estufa); Processos físico-químicos: óxido de etileno, plasma de peróxido de hidrogênio e vapor de formaldeído. Materiais sensíveis ao calor devem ser esterilizados por meio dos processos físicos e químicos. Primeiramente os materiais devem ser lavados com água, sabão, escova, esponja podendo ser utilizados detergentes desincrostantes tanto para fricção como para imersão. Após, os materiais deverão ser lavados em água corrente e secos e encaminhados para esterilização. Processos físicos Autoclave É o método em que se utiliza calor úmido e pressão. Nesse método ocorre a desorganização celular dos micro-organismos que acabam por serem destruídos. AN02FREV001/REV 4.0 87 Para garantir que o processo seja efetivo os materiais deverão ficar em exposição por 15 (quinze) minutos a uma temperatura de 132ºC em autoclaves convencionais (uma atmosfera de pressão) e exposição por 04 (quatro) minutos a uma temperatura de 132ºC em autoclave de alto vácuo. FIGURA 24 - AUTOCLAVE FONTE: Disponível em: <http://www.cemig.com.br/Sustentabilidade/Programas/EficienciaEnergetica/Paginas/Autoclaves.aspx >. Acesso em: 06 fev. 2012. 10.3.1 Testes de Validação da esterilização Com a finalidade de verificarmos a eficiência do ciclo da autoclave, devem ser utilizados habitualmente indicadores que podem ser químicos ou biológicos Segundo a NBR 9804 há a recomendação que os esterilizadores a vapor devem ser avaliados semanalmente com estes indicadores em todos os ciclos e em cada embalagem a ser esterilizada. AN02FREV001/REV 4.0 88 FIGURA 25 - INDICADORES BIOLÓGICOS E QUÍMICOS FONTE: Disponível em: <http://www.axss.com.tr/por/sterilization-control-products.html>. Acesso em: 06 fev. 2012. 10.3.2 Estufa O uso do calor seco não tão rápido quanto o uso do calor úmido, logo requer maior tempo de exposição o uso de temperaturas elevadas. Devemos tomar cuidado em relação ao tipo de materiais a serem esterilizados, pois as altas temperaturas podem danificá-los. Costa (1990) aborda o tempo e a temperatura necessários para esterilização em estufas: FIGURA 26 - TEMPERATURAS ÓTIMAS ESTUFA Temperatura ( o C) Tempode Exposição 180 30 minutos 170 1 hora 160 2 horas 150 2 horas e 30 minutos 140 3 horas AN02FREV001/REV 4.0 89 10.3.2.1 Atenção durante o uso da autoclave e estufa A Autoclave deve permanecer bem fechada durante a esterilização para evitar o risco de acidentes graves (as tampas podem se soltar violentamente); Nunca tente abrir a tampa da autoclave enquanto houver pressão; O vapor da despressurização da autoclave pode provocar queimaduras; Após a esterilização, o material deve ser guardado em local limpo; Vestígios de umidade no pacote revelam deficiência no processo de esterilização da autoclave; Os materiais nunca devem ser empilhados e não devem tocar as paredes da câmara, o vapor deve circular livremente entre eles; Tempo e temperatura são fatores críticos no processo de esterilização, logo devem ser monitorados e obedecidos; Os invólucros devem ser adequados para cada tipo de esterilização; Na estufa marcar o início do tempo de exposição quando o termômetro marcar a temperatura correta; A estufa não deve ser aberta durante a esterilização. 10.4 PROCESSO QUÍMICO 10.4.1 Glutaraldeido A solução de Glutaraldeído a 2% é utilizada para desinfecção de artigos termossensíveis. Também é utilizada na esterilização artigos críticos termossensíveis como, por exemplo, cateteres, drenos, tubos de polietileno dentre outros. É também utilizado na esterilização de artigos termorresistentes, tais como: AN02FREV001/REV 4.0 90 instrumentos metálicos, tubos silicone, ou PVC, componentes metálicos utilizados na endoscopia. O Glutaraldeido tem ação esporicida, ou seja, elimina os esporos de bactérias, age na presença de matéria orgânica presente nos materiais contaminados, pode ser utilizado em metais sem que haja corrosão e não causa danos as lentes dos endoscópios. Para que sua ação seja efetiva, devemos ter uma série de cuidados: Observar sua coloração a qual é esverdeada e a presença de matéria orgânica em suspensão após uso; Deve ser observada a validade do produto após diluição conforme fabricante, normalmente é de 14 ou 28 dias; O recipiente utilizado para acondicionar a solução ativada de glutaraldeído deverá possuir tampa e ser mantido fechado; O material que será imerso deverá ser previamente lavado rigorosamente, enxaguado e estar seco para evitar a contaminação da solução ou alteração de sua concentração devido à presença de água no material a ser imerso; Anotar a hora em que foi submerso e retirar para desinfecção após trinta minutos ou conforme orientação do fabricante; no caso de esterilização normalmente o tempo utilizado é de 8 a 10 horas; O recipiente o qual acondiciona a solução de glutaraldeído ativada deverá ser identificado com data de ativação e de preferência o profissional que a preparou. Um estudo patrocinado pela Community Alliance for Health Research (CAHR) e conduzido por pesquisadores da University of British Columbia (UBC) avaliou o impacto negativo que o uso do glutaraldeido tem trazido à saúde dos trabalhadores que o manipulam, como dermatite e problemas respiratórios como a asma ocupacional e sugere o uso do ácido peracético como uma escolha mais segura à saúde dos trabalhadores (WORLD HEALTH ORGANIZATION - WHO). O parágrafo acima nos mostra a importância de manter o trabalhador protegido em relação ao uso do Glutaraldeido, com isso deve haver a devida orientação para sua manipulação e manutenção. AN02FREV001/REV 4.0 91 10.4.2 Ácido Peracético O ácido peracético é uma combinação de ácido acético com peróxido de hidrogênio e surgiu no mercado mundial na segunda metade do século passado, sendo incluído como princípio ativo desinfetante/esterilizante pela portaria nº 15 de 23/08/88, sub anexo 1 alínea I da ANVISA. O princípio ativo ácido peracético foi incluído nesta portaria e reconhecido como princípio ativo autorizado pelo Ministério da Saúde pela publicação da Portaria n° 122, de 29 de novembro de 1993. Possui amplo espectro de ação microbiana, agindo mesmo em presença de matéria orgânica (GRAZIANO et al, 2000). Pode ser utilizado para esterilização de metais tem rápida ação esterilizante mesmo em baixas temperaturas. É considerado atóxico, sem feito residual, pois se decompõe na presença de oxigênio e água (biodegradável). Na esterilização pode ser utilizado em materiais de aço inox puro, fibra ótica e materiais termossensíveis. Seu tempo na esterilização em concentração a 2% é de 1 hora. 10.5 PROCESSOS FÍSICO-QUÍMICOS 10.5.1 Óxido de etileno É um gás incolor com odor semelhante ao éter. É altamente tóxico e inflamável, sendo permitida a sua utilização para esterilização de materiais médico- hospitalares somente na sua forma gasosa e misturado a outros gases inertes. Seu uso é imprescindível na esterilização de artigos termossensíveis. A utilização desse processo de esterilização necessita de instalações adequadas, controle de segurança rigorosos e pessoal altamente treinado. Por esse motivo não é realizada no âmbito hospitalar, há empresas terceirizadas que realizam este processo. Exemplos da utilização do óxido de etileno na esterilização em produtos médico-hospitalares: instrumentos de uso intravenoso e de uso cardiopulmonar em AN02FREV001/REV 4.0 92 anestesiologia, aparelhos de monitorização invasiva, citoscópios, broncoscópios, eletrodos, fios elétricos, marca-passos, circuitos de ventilação mecânica, “traqueinhas”, motores, dentre outros. 10.5.2 Vapor de Formaldeído Esse tipo de esterilização é realizada através de formaldeído gasoso na presença de vapor saturado. Segundo Ramos et al (2000) o processo inteiro normalmente inclui 20 pulsos, e dura aproximadamente 2 horas, a 65°C sendo mais curto a temperaturas mais elevadas. É indicado para esterilização de materiais sensíveis ao calor, tais como endoscópios rígidos, equipamentos elétricos, vários objetos fabricados com plásticos sensíveis ao calor, entre outros. São aplicáveis os mesmos procedimentos de embalagem para esterilização em autoclave a vapor d’água. 10.5.3 Plasma de peróxido de hidrogênio Esterilizadores que operam a baixa temperatura utilizando peróxido de hidrogênio como substrato para formação de plasma. Alfa (1996) define plasma como uma nuvem de íons, elétrons e partículas neutras, muitas das quais em forma de radicais livres altamente reativos, sendo denominado o quarto estado da matéria. Nesse processo podemos submeter artigos sensíveis ao calor e a umidade. Esse processo é uma opção para artigos sensíveis ao calor e a umidade. Os materiais que podem ser esterilizados por óxido de etileno são: látex, borrachas, alumínio, silicone, bronze, acetato de vinil etílico (EVA), craton, polietileno, policarbonatos, poliolefinas, polipropileno, poliuretano, PVC, aço inoxidável, materiais pneumáticos, teflon, vidro, acrílico, fibra óptica, equipamentos e materiais elétricos. AN02FREV001/REV 4.0 93 10.6 PREVENÇÃO DE ITU Como vimos anteriormente em nossos estudos, as infecções do trato urinário são desencadeadas principalmente pela manipulação inadequada das sondas vesicais. A prevenção deste tipo de infecção pode ser realizada por meio de uma técnica perfeita na introdução da sonda vesical. Além disso, é exigido cuidados em relação ao coletor de urina o qual nunca deve ficar cheio, pois poderá propiciar o retorno da urina para dentro da bexiga bem como gerar distensões e danos. A seguir a técnica correta de passagem de sonda vesical de demora e alívio segundo Brunner e Suddarth (2001): AN02FREV001/REV 4.0 94 FIGURA 27 - SONDA VESICAL DE DEMORA FONTE: Disponível em: <http://www.br.all.biz>.Acesso em: 06 fev. 2012. Separar o material a ser utilizado, lembrando que é uma técnica asséptica; Lavar as mãos; Explicar ao paciente o procedimento a ser realizado; Propiciar privacidade durante este procedimento; Posicionar a paciente confortavelmente em decúbito dorsal com os joelhos flexionados, os pés sobre o leito e afastando os joelhos; Abrir a bandeja de cateterismo usando técnica asséptica; Na mulher: separar os pequenos lábios visualizando o meato uretral, afastando-os até o final do procedimento; Realizar a limpeza com solução de povidona ao redor do meato uretral; Manipular as gazes estéreis de limpeza realizando movimento para baixo e no sentido Anteroposterior; No homem: limpar o meato uretral da ponta do prepúcio com movimentos para baixo em um lado. Descarta a gaze e utilizar outra para realizar do outro lado, introduzir com uma seringa cerca de 10ml de anestésico gel; Lubrificar a sonda com anestésico gel; AN02FREV001/REV 4.0 95 Realizar a introdução da sonda até haver refluxo de urina; No caso de sondagem de alívio aguardar até que fluxo urinário pare e após retirar a sonda; No caso de sondagem vesical de demora, insuflar o balonete com água destilada e conectar a sonda ao coletor de urina sistema fechado; Observações Importantes: Ter cuidado para não insuflar o balonete na uretra; Calçar as luvas estéreis de forma correta; Fixar adequadamente a sonda vesical: em mulheres prender a sonda e equipo de drenagem na coxa e no homem prende a sonda na coxa mantendo o equipo sobre a perna do paciente; Realizar a limpeza diária da junção do meato uretral-cateter com sabão e água durante o banho; Evitar tracionar o cateter, pois pode trazer contaminantes para dentro da uretra; Observar drenagem supurativa e mudanças na cor e odor da urina; Realizar o esvaziamento do coletor de forma periódica e evitar seu contato com o solo; Trocar o coletor quando houver qualquer suspeita de contaminação ou houver extravasamento de urina nas conexões; Lavar as mãos antes e depois de manusear a bolsa coletora; Manter a bolsa coletora sempre em um nível mais baixo que a bexiga. AN02FREV001/REV 4.0 96 FIGURA 28 - REGIÃO GENITAL FEMININA FONTE: Disponível em: <http://www.oncogineco.com>. Acesso em: 06 fev. 2012. Para melhor visualização da técnica sugere-se acessar: http://www.youtube.com/watch?v=d3tKDuvVPUk&feature=related http://www.oncogineco.com/ AN02FREV001/REV 4.0 97 10.7 PREVENÇÃO DE INFECÇÃO DO SÍTIO CIRÚRGICO A prevenção de infecção do sítio cirúrgico começa antes mesmo da realização da cirurgia. São medidas que devem ser realizadas por toda equipe de profissionais da saúde no pré-operatório com a manutenção, desinfecção e esterilização dos equipamentos a serem utilizados, bem como a limpeza adequada da sala cirúrgica. Passa pelo período transoperatório com a manutenção constante de técnicas assépticas chegando ao pós-operatório com a realização correta de curativos, manutenção adequada de drenos, dentre outras medidas. Vamos estudar mais a fundo as medidas de prevenção de infecção do sítio cirúrgico. 1. Pré-operatório Preparar o paciente para a cirurgia verificando seu estado de saúde e doenças como o diabetes, que quando descompensada acaba por dificultar o processo de cicatrização; Realizar antissepsia pré-operatória adequadamente; Antissepsia correta das mãos e braços de toda equipe de cirurgiões e demais auxiliares; Administrar, conforme prescrição médica, antimicrobianos profiláticos quando indicado. O método de escolha deve ser baseado na eficácia contra os patógenos mais comuns para os tipos específicos de cirurgias; 2. Transoperatório Manutenção de ambiente limpo e adequado; Evitar circulação de pessoas desnecessárias ao procedimento na sala; Utilizar a paramentação adequada tais como gorros, luvas estéreis, máscaras e avental; AN02FREV001/REV 4.0 98 Abrir as bandejas estéreis e demais invólucros tomando cuidado para não contaminar; Controlar correntes de ar na sala cirúrgica; Realizar divisão das salas de cirurgia de acordo com cirurgias limpas, contaminadas, potencialmente contaminadas e infectadas; Evitar cruzar materiais infectados com os limpos e/ou estéreis; Realizar a guarda de materiais estéreis ou limpos em local próprio livre de umidade e com invólucros fechados; Instalar cateteres periféricos bem como centrais obedecendo às técnicas assépticas, dentre outras medidas. 3. Pós-operatório Proteger com curativo estéril por 24 a 48 horas pós-operatória as incisões cirúrgicas; Lavar as mãos antes e depois de trocar os curativos; Trocar o curativo utilizando técnica asséptica; Realizar observação das características da incisão cirúrgica bem como sintomas como febre, calafrios, vermelhidão local, edema e dor; Educar o paciente e cuidadores sobre manutenção da incisão: sinais de infecção além da realização correta do curativo. Cabe lembrar que as estruturas físicas do Centro-Cirúrgico e Central de Material Esterilizado devem ser adequadas para que não haja contaminação. Além disso, devem estar de acordo com normativas preconizadas pela ANVISA. A RDC nº 50 de 21 de fevereiro de 2002 da ANVISA aborda a estrutura física dos setores hospitalares bem como as condições ambientais para controle de infecções. É uma leitura obrigatória para saber sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração de projetos físicos de estabelecimentos de saúde. Além disso, outra medida primordial no controle da ISC é a realização correta do curativo. Para tanto devemos conhecer primeiramente a classificação das feridas cirúrgicas. AN02FREV001/REV 4.0 99 Segundo Dealey apud Cruse & Foord (2008) as feridas cirúrgicas são classificadas como: Limpas: cirurgias em que não havia infecção visível, sem falhas na assepsia e sem penetração em órgãos musculares ocos. Exemplos: histerectomia, colecistectomia ou apendicectomia; Limpa-contaminada: Quando penetra em órgão oco, mas com o mínimo de extravasamento de seu conteúdo; Contaminada: quando se abriu órgão oco, com grande transbordamento de conteúdo, inflamação aguda sem secreção purulenta, grande falha na assepsia ou feridas traumáticas surgidas há menos de 4 horas; Suja: feridas traumáticas surgidas há mais de 4 horas. Cirurgia na qual se encontrou vísceras perfuradas e pus. Os curativos das feridas cirúrgicas e drenos devem, segundo Silva et al (2005), ser realizados de forma asséptica, trocados de acordo com a prescrição médica, procedendo anotação das características da ferida cirúrgica e local de inserção do dreno, bem como registrar a quantidade e aspecto de secreção drenada. FIGURA 29 - DRENO "T" OU KHER FONTE: Disponível em: <http://catalogohospitalar.com.br>. Acesso em: 06 fev. 2012. AN02FREV001/REV 4.0 100 FIGURA 30 - TRATAMENTO DE FERIDAS FONTE: Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0066- 82X2007001300013&script=sci_arttext>. Acesso em: 06 fev. 2012. Lembrar que a bolsa ou sistema de drenagem nunca deve permanecer acima do local de saída do dreno, prevenindo o refluxo de drenagem em direção ao paciente, evitando assim infecções. Além disso, sempre realizar os curativos do local mais limpo para o mais contaminado evitando deixar o curativo sem a cobertura adequada. FIGURA 31 - ENTRADA DO DRENO FONTE: Disponível em: <http://casosvidagrela.blogspot.com>. Acesso em: 06 fev. 2012. AN02FREV001/REV 4.0 101 10.8 PREVENÇÃO DE PNEUMONIAS A pneumonia é uma infecção que ocorre no parênquima pulmonar atingindo bronquíolos respiratórios e alvéolos, prejudicando as trocas gasosas,e é considerada a principal causa de morte em pacientes hospitalizados (SALDIVA et al, 2000). A tarefa de prevenir a pneumonia não é fácil, porém há métodos que deverão ajudar neste controle. Segundo a CDC - Centers of Disease Control and Prevention, há uma série de recomendação para se evitar o desenvolvimento da Pneumonia, algumas destas medidas são: 1. Vigilância e Educação Orientar e educar o grupo de profissionais de saúde sobre medidas preventivas de Pneumonia; Identificar os micro-organismos causadores e verificar sua suscetibilidade a antibióticos; Traçar as competências para cada membro da equipe. As tarefas devem ser divididas para que controle e prevenção sejam eficazes; Criar e manter o envolvimento de toda a equipe para prevenir a pneumonia; Realizar estudos epidemiológicos que visem ajudar no controle e prevenção. 2. Prevenção da transmissão de micro-organismos: Tratamento e manutenção de materiais e equipamentos Todos os materiais e equipamentos devem ser esterilizados e desinfetados; Esterilizar ou realizar desinfecção de alto nível em materiais que entrem em contato com trato respiratório inferior e que não são sensíveis ao calor e a umidade (desinfecção de alto nível: soluções desinfetantes líquidas ou 76ºC AN02FREV001/REV 4.0 102 por 30 minutos). Enxaguar, secar e empacotar tomando cuidado para não contaminar os itens desinfetados no processo; O enxágue após a desinfecção dos equipamentos respiratórios deve ser realizado com água estéril; Não reprocessar equipamentos descartáveis, somente quando assumido que não há dano ao paciente, que há custo-benefício e que não afete a estrutura e/ou a função do material ou equipamento; AMBU exclusivo para cada paciente. Após o uso, realizar esterilização ou desinfecção de alto nível. FIGURA 32 - TUBO ENDOTRAQUEAL FIGURA 33 – AMBU FONTE: Disponível em: <http://www.almedical.com.br>. Acesso em: 06 fev. 2012. AN02FREV001/REV 4.0 103 3. Ventiladores Mecânicos Não esterilizar ou desinfetar rotineiramente o maquinário interno; Circuitos com umidificadores não devem ser mais trocados a cada 48 horas. Não há recomendação para tempo máximo de troca; Drenar e descartar periodicamente solução condensada nos circuitos, tomando extremo cuidado para não refluir em direção ao paciente. Utilizar luvas para tal procedimento; Sempre descontaminar as mãos após estes procedimentos: lavando-as ou utilizando álcool; Umidificadores: trocar de acordo com instruções do fabricante, contaminação evidente ou disfunção mecânica. Não trocar o circuito ventilatório conectado ao umidificador enquanto estiver em uso no paciente. Utilizar fluidos estéreis e técnica asséptica para nebulização. 4. Cuidado em pacientes com traqueostomia Realizar a traqueostomia em condições de esterilidade cirúrgica; Trocar o tubo de traqueostomia utilizando técnica asséptica; Curativos locais devem ser realizados com material estéril e técnica adequada. AN02FREV001/REV 4.0 104 FIGURA 34 - CÂNULA DE TRAQUEOSTOMIA FONTE: Disponível em: <http://www.concursoefisioterapia.com>. Acesso em: 06 fev. 2012. 5. Aspiração de secreções respiratórias Utilizar a cada aspiração um cateter novo se o sistema é aberto; Utilizar apenas fluidos estéreis para instilar no trato respiratório durante a aspiração; Não utilizar o mesmo frasco de aspiração entre pacientes; Não utilizar a mesma extensão (tubos de silicone) entre diferentes pacientes, a menos que em unidades de curta permanência; 6. Cuidados quando o paciente estiver utilizando nutrição por sonda Se não houver contraindicação, elevar a cabeceira a um ângulo de 30º a 45º nos pacientes com maior risco de pneumonia aspirativa. Este risco é maior em pacientes em ventilação mecânica; Checar rotineiramente motilidade gástrica e ajustar o volume da administração enteral de modo a evitar o retorno do conteúdo gástrico; Verificar posição da sonda antes de infundir a dieta. AN02FREV001/REV 4.0 105 7. Prevenção de pneumonia pós-operatória Orientar os pacientes com relação a tossir, realizar respiração profunda, realizar deambulação precoce no período pós-operatório (com indicação médica) especialmente naqueles com alto risco de pneumonia: pacientes que se submeteram à anestesia, principalmente em cirurgias torácicas, de cabeça e pescoço, pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica – DPOC e indivíduos com anormalidades musculoesqueléticas do tórax. 8. Precauções Gerais Usar luvas para contato com materiais contaminados com secreções de vias aéreas ou quando for entrar em contato com as secreções do paciente no qual o procedimento será realizado; Trocar luvas e lavar as mãos: entre contato com pacientes; após contato com secreções ou objetos contaminados com secreções respiratórias e antes do contato com outro paciente, objeto ou superfície e entre contatos com sítio corporal e trato respiratório ou material de terapia respiratória no mesmo paciente; Vestir avental quando em contato com secreções aéreas. Deve ser realizada a troca após contato. Utilizar outro avental limpo para cuidados com outro paciente; Descontinuar nutrição enteral, remover tubos endotraqueais, traqueostomia e sondas enterais quando as condições clínicas do paciente estiverem melhores. Essas ações são formas de prevenir a pneumonia endógena; Utilizar na higiene oral de pacientes que se submeteram a cirurgia cardíaca o Gluconato de Clorexidine 0,12%; Além de todos estes métodos preconizados pelo CDC, há outros que podem ser realizados com a finalidade de evitar a pneumonia, tais como: AN02FREV001/REV 4.0 106 Mudança de decúbito – mobiliza as secreções pulmonares; Segundo Gomes (2005), a elevação do tórax do paciente em condições hemodinamicamente estáveis, acentua a ação da gravidade sobre as secreções da periferia pulmonar, drenando-as para a árvore brônquica, nos ramos mais calibrosos de onde podem ser aspiradas ou eliminadas para a tosse; Dependendo das condições clínicas do paciente as secreções podem ser eliminadas por meio de drenagens posturais; Realizar ausculta respiratória em busca de ruídos anormais e sinais de hipoventilação; Utilização de antibioticoterapia de acordo com a prescrição médica; Realizar isolamento de acordo com as condições clínicas do paciente. Técnica de Aspiração Esta técnica pode ser realizada por médicos, fisioterapeutas, Enfermeiros e Técnicos de Enfermagem. Toda a equipe deve estar bem treinada para sua realização. É uma técnica frequente em Unidades de Terapia Intensiva, haja vista que muitos pacientes se encontram em ventilação mecânica e acumulam secreções. Nenhum material pode ser contaminado durante sua realização, pois permite a entrada de micro-organismos no trato respiratório. Reunir material necessário: luvas estéreis, sonda para aspiração, AMBU, máscara, estetoscópio, soro fisiológico 0,9%, sistema de aspiração: coletor e extensão. Lavar as mãos; Explicar o paciente o procedimento; Realizar a ausculta pulmonar; Conectar a sonda de aspiração ao extensor sem contaminá-la; Calçar as luvas estéreis com a técnica correta; Se intubado, desconectar o tubo do respirador com uma das mãos e não mais utilizá-la para pegar materiais estéreis; AN02FREV001/REV 4.0 107 Introduzir a sonda de aspiração sem sucção (apertá-la com a mão ou tampar o orifício presente no final da sonda); Retirar a sonda aspirando às secreções; Reconectar o tubo ao ventilador; Se necessário instilar algumas gotas de soro fisiológico de modo a umidificar as secreções caso estejam espessas; Realizar ausculta; Repetir o procedimento senecessário; Lavar as mãos; Reunir material utilizado e descartar em local apropriado. Observações: Sempre visualizar a saturação de oxigênio do paciente durante este procedimento; Deixar o paciente posicionado confortavelmente após o procedimento; Aspirar a cavidade bucal somente quando não for mais introduzir a sonda no trato respiratório; Caso haja “rolhas” instilar algumas gotas de soro fisiológico e “ambuzar” o paciente duas ou três vezes antes de continuar a aspiração; Tomar cuidado para não traumatizar a mucosa traqueal; Atualmente existem sistemas de aspiração fechados, como o ilustrado na figura a seguir: AN02FREV001/REV 4.0 108 FIGURA 35 - SISTEMA FECHADO PARA ASPIRAÇÃO FONTE: Disponível em: <http://mahospitalar.com.br>. Acesso em: 06 fev. 2012. Este sistema mantém o paciente conectado ao ventilador durante as aspirações, evita riscos de contato acidental com a secreção durante o procedimento, diminui o risco de hipoxemia induzida pela aspiração, diminui o risco de infecção, pois não é necessário desconectar o sistema para aspirar. AN02FREV001/REV 4.0 109 11 PREVENÇÃO DE INFECÇÃO RELACIONADA A ACESSOS VENOSOS PERIFÉRICOS E CENTRAIS Sabemos que dificilmente um paciente é internado sem que seja puncionado um acesso venoso para infusão das drogas e soluções. Segundo Brunner e Suddarth (2001), os objetivos da terapia intravenosa são: Restaurar o equilíbrio ácido-básico; Restaurar o volume dos componentes sanguíneos; Manter ou repor reservas corporais de água, eletrólitos, vitaminas, proteínas, lipídeos e calorias que o paciente não consegue manter pela ingesta via oral; Administrar infusões seguras e efetivas de medicamentos por meio do uso de acesso vascular apropriado; Monitorar a pressão venosa central (PVC); Fornecimento de nutrição, enquanto repousa o trato gastrointestinal. Quanto maior o tempo de internação ou o estado de saúde do paciente, mais vezes os acessos venosos serão manipulados ou trocados, aumentando assim a chance de infecção. A seguir ilustração relacionada ao tempo de troca dos acessos venosos: AN02FREV001/REV 4.0 110 FIGURA 361 - TROCA DE DISPOSITIVOS INTRAVASCULARES FONTE: Disponível em: <Manual de Prevenção de Infecções Hospitalares HU/USP>. Acesso em: 06 fev. 2012. AN02FREV001/REV 4.0 111 11.1 COMPLICAÇÕES DA TERAPIA INTRAVENOSA Há vários tipos de complicações relacionadas à terapia intravenosa. Muitas delas podem desencadear infecções locais que podem se espalhar pela corrente sanguínea levando a sérias complicações. Veremos a seguir algumas das complicações mais comuns e que devem ser evitadas. 11.2 INFILTRAÇÃO Ocorre quando se dá o deslocamento do cateter da veia resultando em infusão de líquido nos tecidos adjacentes. Manifesta-se por edema localizado, desconforto durante a infusão venosa, velocidade lenta ou interrupção da infusão. A prevenção se dá por meio da fixação correta do dispositivo venoso, verificação frequente do local e imobilização do membro puncionado, principalmente em crianças. 11.3 TROMBOFLEBITE Lesão da veia causada durante a punção ou ao uso prolongado do cateter venoso. Pode ocorrer também devido a infusão de soluções irritantes como potássio, agentes citotóxicos, dentre outros. Manifesta-se por dor, edema, calor e rubor no local da infusão. A prevenção se dá pela troca adequada do acesso de acordo com a tabela acima, utilização de veias mais calibrosas para infundir substâncias irritantes, diluição adequada das soluções. AN02FREV001/REV 4.0 112 11.4 BACTEREMIA Segundo Brunner e Suddarth (2001) ocorre pela infusão de material contaminado, permanência indefinida do dispositivo venoso, realização inadequada de curativo no local da punção venosa, pacientes imunodeprimidos, contaminação cruzada. A flebite aumenta o risco de bacteremia. Manifesta-se por calafrios, aumento da temperatura, náuseas e vômitos, cefaleia, taquicardia, dor, calor e rubor no local da inserção venosa, aumento da contagem de leucócitos do sangue. A prevenção se dá por assepsia rigorosa no ato da punção, assim como nas trocas de curativos subsequentes, troca do local da inserção de acordo com tabela acima, troca dos equipos de infusão. 11.4.1 Técnica de punção venosa Lavar as mãos; Explicar o procedimento ao paciente; Retirar o ar do equipo, polifix ou do scalp com solução fisiológica; Selecionar o local para punção; Garrotear membro acima do local da punção desejada; Calçar as luvas; Realizar a limpeza da pele com algodão com álcool; Introduzir a agulha com o bisel voltado para cima; Verificar o refluxo sanguíneo adequado; Retirar o garrote; Fixar o cateter adequadamente; Realizar infusão prescrita; Lavar as mãos. AN02FREV001/REV 4.0 113 A seguir ilustrações dos dispositivos venosos mais utilizados: FIGURA 37 – ABOCATH FONTE: Disponível em: <http://comentariosemenfermagem.blogspot.com>. Acesso em: 06 fev. 2012. FIGURA 38 – SCALP FONTE: Disponível em: <http://www.cirurgicalucena.com.br>. Acesso em: 06 fev. 2012. http://comentariosemenfermagem.blogspot.com/ http://www.cirurgicalucena.com.br/ AN02FREV001/REV 4.0 114 FIGURA 39 - ACESSO VENOSO CENTRAL FONTE: Disponível em: <http://www.hospvirt.org.br/enfermagem/port/pvc4.html>. Acesso em: 06 fev. 2012. 11.4.1.1 Acesso Venoso Central (AVC) O acesso venoso central é um dispositivo utilizado quando: o paciente não tem mais condições de acesso periférico, para administração de drogas vasoativas ou antibióticos, infusão de nutrições parenterais e verificação da Pressão Venosa Central (PVC). É introduzido pelo médico, normalmente na veia subclávia. Segundo Diener (1996) várias condições têm sido apontadas como fatores de risco para o desenvolvimento de infecções relacionadas ao AVC: duração do cateterismo, colonização cutânea no local do cateter, manipulação frequente, tipo de curativo utilizado, a doença de base e a gravidade do estado clínico do paciente. Quando há suspeita de infecção hospitalar, muitas vezes é solicitada pelo médico a retirada do acesso venoso central e o envio de sua ponta para cultura. Para evitar infecções do AVC devem-se realizar curativos diários, utilizando soro fisiológico e oclusão com gazes. Outra forma é a utilização de curativos industrializados como, por exemplo, os filmes transparentes que permitem a visualização da pele ao redor do cateter. AN02FREV001/REV 4.0 115 FIGURA 40 - LUGAR DA INSERÇÃO DO AVC FONTE: Disponível em: <http://www.sistemanervoso.com>. Acesso em: 06 fev. 2012. Você já ouviu falar em Microbiota Transitória e Residente? A Transitória consiste nos micro-organismos que se depositam sobre a pele colonizando-a temporariamente e que são facilmente removidos por ação mecânica. Já a microbiota residente é aquela que se encontra aderida a camadas mais profundas da pele e são de difícil remoção. 12 TRATAMENTO DAS INFECÇÕES HOSPITALARES O tratamento das Infecções Hospitalares pode ser realizado por meio de drogas, tais como, antibióticos, antifúngico e outras medicações que ajudam no http://www.sistemanervoso.com/ AN02FREV001/REV 4.0 116 tratamento da infecção já instalada. Porém, temos que ter em mente que a infecção hospitalar deve ser evitada, assim, é necessária prevenção. Além disso, também devemos considerar que um dos tratamentos das infecções hospitalares é a conservação adequada do ambiente. Um hospital que segue as medidas corretas quanto à limpeza do ambiente físico, desinfecção,esterilização de equipamentos e materiais além da educação da equipe de atendimento, está proporcionando segurança ao seu paciente. Dessa forma, podemos tratar estas medidas não só como prevenção, mas também como uma forma de tratar as infecções hospitalares. Muitos antibióticos são utilizados hoje para conter diversos tipos de infecção, a seguir veremos os mais utilizados, além de suas principais indicações: Segundo Barros (2002), Reese e Betts (2002) e Fonseca (2008), temos: 12.1 PENICILINAS Sua ação consiste na interferência na síntese de parede celular bacteriana, ocasionando sua lise. Indicação: Meningite: podem ser usadas para tratamento de meningite causada por meningococos ou pneumococos. Bronquite, sinusite e otite (Haemophilus influenzae, Pneumococos, Moraxella catarrhalis, Klebsiella pneumoniae); Também é utilizada na neurosífilis congênita, infecção de partes moles (Erisipela e Impetigo), Difteria, Endocardite Bacteriana por Streptococcus viridans, Antraz, dentre outras doenças. 12.2 CEFALOSPORINAS Dividem-se em: Cefalosporinas de primeira geração AN02FREV001/REV 4.0 117 Orais: Cefalexina, Cefadroxil, Cefradina. Parenterais: Cefalotina, Cefazolina, Cefradina. Indicações: Infecções leves a moderadas adquiridas na comunidade de partes moles ou trato urinário por germes sensíveis; Pneumonia: Cefalosporina de 1ª geração não são recomendadas como primeira escolha; Faringoamigdalites; Infecções de pele e subcutâneo (estafilocóccicas); Profilaxia pós-operatória em cirurgias gástricas, ortopédicas, biliares, vasculares e neurocirurgias; Infecção urinária não complicada; Tratamento ambulatorial após esquema parenteral; Não oferece cobertura contra Pseudomonas; Observação: Não deve ser utilizada na meningite pelo fato de ser uma droga que penetra na barreira hematoencefálica. Cefalosporinas de segunda geração São: Cefaclor, Cefamandol, Cefprozil, Cefuroxima, Cefoxitina, Cefonicida. Indicações: Espectro para gram-negativos superior às Cefalosporinas de primeira geração, incluindo os patógenos respiratórios (Haemophilus influenzae, Moraxella catarrhalis, K. pneumoniae); Infecções urinárias por bacilo gram-negativo entérico; Não possuem ação contra Pseudomonas; Indicadas no tratamento de Sinusite, Pneumonia Comunitária, Bronquite e Otite; Infecções de partes moles tais como celulite. Cefalosporinas de terceira geração AN02FREV001/REV 4.0 118 Parenterais: Cefotaxima, Ceftriaxona, Ceftizoxima, Ceftazidima, Cefoperazona. Orais: Cefixima, Cefetamet-pivoxil e Cefpodoxima-proxetil. Indicações: Cefotaxima e Ceftriaxona: Osteomielite/artrite séptica; Sepse de origem urinária Infecções do trato urinário; Sepse relacionada a cateteres intravasculares; Meningite; Pneumonia; Ferida do Pé diabético: celulite; Gonorréia, etc. Ceftazidima: Infecções por Pseudomonas aeruginosa; Pneumonia de origem hospitalar; Infecções urinárias pós-instrumentação, etc. Cefalosporinas de quarta geração Indicações: Cefepima e Cefpiroma: Infecções por Pseudomonas aeruginosa; Infecções do SNC; Pneumonia comunitária; Infecções de partes moles, ósseas e articulares; Infecções urinárias. AN02FREV001/REV 4.0 119 13 PENICILINAS COM INIBIDORES DE BETALACTAMASE Amoxicilina-clavulanato: Indicada para a maioria dos casos de infecções de pele e partes moles de gravidade leve a moderada; Sinusite, otite e bronquite agudas; Infecções de pele e tecidos frouxos; Infecções intrabdominais e ginecológicas; Infecções odontogênicas; Infecções causadas por mordidas humanas ou animais. Ampicilina-sulbactam: Indicada em casos de infecções hospitalares abdominais, pélvicas, respiratórias, urinárias, de pele e partes moles ou generalizadas, com etiologia mista (agentes aeróbios associados a anaeróbios); Ticarcilina-Clavulanato / Piperacilina-Tazobactam: Infecções polimicrobianas graves (gram-positivos, gram-negativos, anaeróbios), tais como: sepse abdominal, infecções de partes moles (pé diabético, úlceras por pressão, fasciítes necrotizantes); Pneumonia hospitalar; Infecções em imunossuprimidos; Infecções crônicas de ossos e articulações. CARBAPENEMOS São: Imipenem, Meropenem e Ertapenem. AN02FREV001/REV 4.0 120 Imipenen e Meropenem: Possui amplo espectro de ação: bactérias gram-negativas (incluindo Pseudomonas aeruginosa), gram-positivas e anaeróbios. Por ter amplo espectro não é um antibiótico de primeira escolha no caso de infecções como pneumonia comunitária ou hospitalar, infecções pélvicas, etc.; Ertapenem: Indicado no caso de infecções moderadas a severas causadas por micro- organismos suscetíveis; Infecções pélvicas e intra-abdominais complicadas; Infecções complicadas de pele e de partes moles; Infecções urinárias complicadas, inclusive Pielonefrite; Não é atuante em Acinetobacter ou Pseudomonas. AZTREONAM Osteomielite e artrite séptica por gram-negativos; Infecções urinárias nosocomiais por bactérias resistentes; Bacteremia/ Septicemia; Pneumonias nosocomiais, bronquites; Infecções da pele e das estruturas cutâneas, incluindo aquelas associadas com feridas pós-operatórias, úlceras e queimaduras; Infecções intrabdominais, incluindo peritonite; Infecções ginecológicas, incluindo enfermidades inflamatórias pélvicas, endometrite e celulite pélvica. AMINOGLICOSÍDIOS São: Gentamicina, Tobramicina, Amicacina, Estreptomicina, Neomicina, etc. Indicação: AN02FREV001/REV 4.0 121 Infecções por bactérias gram-negativas, em suspeita de sepse, Bacteremia e Endocardite. MACROLÍDEOS São: Eritromicina, Azitromicina, Claritromicina, etc. Indicações: Utilizado nas infecções leves da pele e trato respiratório; Sinusite, otite, amidalite, faringite e bronquite; Pneumonias comunitárias. CLINDAMICINA Indicações: Infecções por anaeróbios: pneumonias, septicemias; Infecções geniturinárias, gastrintestinais; Infecções da pele e tecidos moles por germes suscetíveis. METRONIDAZOL Indicações: Giardíase, amebíase e tricomoníase; Infecções por Helicobacter pylori, em associação com amoxicilina ou Claritromicina. QUINOLONAS São: Norfloxacina, Pefloxacina, Ofloxacina, Ciprofloxacina, Levofloxacina, Moxifloxacina, etc. Indicações: Norfloxacina: Principalmente utilizado nas infecções do trato urinário; Ofloxacina / Pefloxacina / Ciprofloxacina: AN02FREV001/REV 4.0 122 Infecções do trato urinário; Febre tifoide; Pneumonias hospitalares; Infecções complicadas de partes moles. Levofloxacina, Lomefloxacina, Moxifloxacina, Gatifloxacina: Pneumonia Comunitária; Sinusite aguda; Infecções do trato urinário; Osteomielite e infecções de partes moles. TETRACICLINAS São: Tetraciclina e Doxiciclina. Indicações: Infecções leves como bronquite, sinusite, furúnculos; Infecções causadas por Chlamydia trachomatis (uretrite não gonocócica, DIP); Tratamento de vulvovaginites e colpites causadas por Candida e Tricomonas. SULFAMETOXAZOL – TRIMETOPRIM Exemplo: Bactrim Indicação: Bronquite aguda e crônica, Bronquiectasia, Pneumonia, Faringite, Amidalite, Otite, Sinusite, Abcessos, feridas infectadas, osteomielite, cistite e gonorreia, etc. VANCOMICINA / TEICOPLANINA Apresentam espetro de ação e eficácia similares. Indicações: Vancomicina: Infecções ósseas (incluindo osteomielite); Septicemias e endocardite bacteriana causada por espécies de estafilococos incluindo cepas resistentes à meticilina;AN02FREV001/REV 4.0 123 Teicoplanina: Indicações acima acrescidas de: Infecções do trato respiratório inferior; Infecções de pele e tecidos moles; Infecções urinárias; Peritonite associada à diálise peritoneal crônica ambulatorial. LINEZOLIDA Mecanismo sem igual de inibição da síntese proteica e geralmente atividade de bacteriostática. Indicação: Infecções das vias respiratórias baixas (pneumonia adquirida na comunidade e pneumonia hospitalar); Infecções da pele e tecidos moles (celulites, foliculite, piodermite, abscessos); Infecções por enterococos (Streptococcus faecalis e faecium). QUINUPRISTINA/DALFOPRISTINA Infecções severas por Enterococos resistentes a Vancomicina; Infecção de tecidos moles; Pneumonia e endocardite, sendo tão eficaz quanto a vancomicina contra Staphylococcus aureus, incluindo algumas cepas meticilina-resistentes; Pode ser utilizado no tratamento das infecções descritas acima em pacientes intolerantes ou alérgicos a beta-lactâmicos, quinolonas ou glicopeptídeos. FIM DO MÓDULO IV AN02FREV001/REV 4.0 124 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALFA, M.J. Plasma:based sterilization - the challenge of narow lumens. Infection & Control Estelization Technology. p 19-24, 1996. AMADEU, A.R.O.R.M, et al. 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