Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

<p>2</p><p>SUMÁRIO</p><p>1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 3</p><p>2 INFECÇÃO HOSPITALAR: IMPORTÂNCIA GLOBAL ....................................... 4</p><p>2.1 Estratégias para medidas de prevenção ............................................................. 6</p><p>2.2 Higienização das Mãos (HM) .............................................................................. 8</p><p>2.3 Limpeza do ambiente ........................................................................................ 11</p><p>2.4 Uso de jalecos/batas de uso individual ............................................................. 13</p><p>3 INFECÇÕES NO CONTEXTO GERAL .............................................................. 15</p><p>3.1 O Impacto da pandemia do Coronavírus X Controle das infecções hospitalares</p><p>...........................................................................................................................22</p><p>4 TIPOS DE INFECÇÕES ..................................................................................... 25</p><p>4.1 Conjuntivite ....................................................................................................... 30</p><p>4.2 Controle de infecções em Pediatria .................................................................. 32</p><p>5 ÉTICA E CONTROLE DE INFECÇÕES RELACIONADAS À ASSISTÊNCIA À</p><p>SAÚDE ...................................................................................................................... 35</p><p>6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................. 37</p><p>3</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Prezado aluno!</p><p>O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante</p><p>ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável -</p><p>um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma</p><p>pergunta , para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum</p><p>é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a</p><p>resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas</p><p>poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em</p><p>tempo hábil.</p><p>Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa</p><p>disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das</p><p>avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que</p><p>lhe convier para isso.</p><p>A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser</p><p>seguida e prazos definidos para as atividades.</p><p>Bons estudos!</p><p>4</p><p>2 INFECÇÃO HOSPITALAR: IMPORTÂNCIA GLOBAL</p><p>Fonte: shre.ink/myEb</p><p>A infecção hospitalar (IH) é um termo que foi substituído por Infecções</p><p>Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), acontece quando o período de incubação</p><p>do patógeno for desconhecido e não houver evidência clínica e/ou dado laboratorial</p><p>de infecção no período da internação, ou ainda, o aparecimento a partir de 72 horas</p><p>após a admissão de alguma manifestação clínica de infecção.</p><p>Destaca-se que a IRAS não está restrita ao ambiente hospitalar, existe casos</p><p>em que após a alta do paciente, o mesmo apresente sintomas, contudo, para o</p><p>diagnóstico de IH, tais sintomas necessitam estar relacionados com a hospitalização,</p><p>por exemplo, no caso de infecção de sítio cirúrgico, a infecção poderá advir até 30</p><p>dias após o ato cirúrgico. Outro exemplo a ser citado, é no caso de introdução de</p><p>prótese, na qual esse prazo pode ser de até 1 ano após o procedimento (PEREIRA,</p><p>et al., 2014).</p><p>Tais infecções adicionam-se às disfunções físicas e estresse emocional do</p><p>paciente, podendo conduzir a condições incapacitantes, diminuindo a qualidade de</p><p>vida e, consequentemente, levando ao aumento da letalidade. O aumento nos custos</p><p>relacionados à assistência à saúde é um dos resultados, no qual a prorrogação do</p><p>tempo de internação do paciente com IRAS é um elemento importante, produzindo</p><p>não só uma ampliação nos custos diretos como também nos indiretos, devido a perdas</p><p>de dias de trabalho. O aumento do número de drogas usadas, a precisão de</p><p>procedimentos de isolamento e precauções, exames laboratoriais e outros estudos</p><p>5</p><p>diagnósticos adicionais também produzem efeitos nos custos atribuídos (CORREIA,</p><p>2013).</p><p>As infecções hospitalares apresentam um problema global, visto que a</p><p>execução de programas de prevenção de infecções recebeu um reconhecimento</p><p>especial baseada na experiência do COVID-19 e da resistência a antibióticos. Houve</p><p>um aumento muito significativo de pacientes internados apresentando suspeita</p><p>ou colonização conhecida por determinados patógenos epidemiológicos, fazendo</p><p>com que estes pacientes possam sentir-se só, devido a vulnerabilidade durante sua</p><p>internação. Sendo assim, recomenda-se a permissão e envolvimento de</p><p>acompanhantes para visitas, pois possuem um impacto positivo na recuperação do</p><p>paciente.</p><p>Quando o paciente se encontra colonizado, ele apresenta risco de</p><p>transmissibilidade dos patógenos, ou seja, cuidados deverão ser executados para à</p><p>prevenção da saúde do acompanhante ou visitante (AV), porém não existem diretrizes</p><p>que garantam a adesão da criação de sugestões para esses indivíduos, resultando</p><p>em risco à saúde. A transmissão de microrganismos no ambiente hospitalar, é uma</p><p>grande preocupação e as infecções associadas à assistência à saúde (IRAS)</p><p>encontra-se entre as principais causas de morbimortalidade (SINÉSIO et al, 2018;</p><p>TAUFFER et al, 2019).</p><p>Se fizermos uma comparação entre os países desenvolvidos, iremos observar</p><p>que os percentuais de IRAS aumentaram 20 vezes mais do que quando comparadas</p><p>às de países desenvolvidos, ou em países em desenvolvimento. Fato este relacionado</p><p>ao baixo capital conduzido aos gastos com a saúde. A razão pela preocupação com</p><p>as IRAS, está relacionado à resistência aos antibióticos, devido seu uso frequente na</p><p>área da saúde beneficiando a escolha de cepas resistentes que podem multiplicar</p><p>facilmente no ambiente, caso não adotarem as medidas preventivas apropriadas</p><p>(PADOVEZE et al, 2019; SINÉSIO et al. 2018).</p><p>6</p><p>2.1 Estratégias para medidas de prevenção</p><p>Fonte: bityli.com/SLQHutJC</p><p>As estratégias consideradas mais importantes para a prevenção da</p><p>transmissão de microrganismos resguardando tanto o trabalhador quanto ao</p><p>paciente, são as precauções padrão. Medidas essas que se baseiam no princípio de</p><p>que todo o sangue, fluidos corporais, secreções e excreções, exceto suor, pele não</p><p>intacta e membranas mucosas, são capazes de conter agentes infecciosos</p><p>transmissíveis, sendo necessário que se evite o contato com tais líquidos.</p><p>Essas medidas incluem à higienização correta das mãos (HM), o uso de</p><p>equipamentos de proteção individual (EPI), etiqueta respiratória, descarte adequado</p><p>de resíduos e o reprocessamento de produtos para à saúde. Ao selecionar o EPI, os</p><p>riscos potenciais de exposição à sangue ou outros fluidos corporais devem ser</p><p>avaliados (BRASIL, 2017; SIEGEL et al. 2007).</p><p>No âmbito de prevenção específica, o aumento do número de internações</p><p>hospitalares aumentou significativamente, refletindo em um número crescente de</p><p>doentes com infecções ou colônias, a pandemia provocada pelo SARS-CoV-2 (Covid-</p><p>19) e também o ressurgimento destacando os casos de sarampo, em foco na América</p><p>do Sul (GÉNÉREUX et al, 2020; CHATZOPOULOU et al, 2020; OPAS, 2016;</p><p>ROSELLI et al, 2020; ZHOU et al, 2020).</p><p>O estabelecimento de boas práticas em Precaução Específica (PE), possui uma</p><p>grande importância para prevenir a transmissão de microrganismos de um paciente</p><p>7</p><p>para outro ou para o meio ambiente ou para a segurança de pacientes, profissionais e</p><p>demais envolvidos na assistência à saúde. Os pacientes em precaução</p><p>an urgent need for action. Health</p><p>Promotion International, 2020.</p><p>GONZÁLEZ-ESTRADA, A.; FERNÁNDEZ-PRADA, M.; ORTEGA, C. M.; PÉREZ, A.</p><p>L.; GONZÁLEZ, M. L. L. Cumplimiento de las precauciones de aislamiento de contacto</p><p>por microorganismos multirresistentes en un hospital de tercer nivel. Revista de</p><p>Calidad Asistencial, v. 31, n. 5, p. 293–299, 2016.</p><p>HIGGINSON R. Taking uniforms home: why it just doesn`t wash. Br J</p><p>Nurs.20(3):781, 2011.</p><p>HINRICHSEN, Sylvia L. Biossegurança e Controle de Infecções - Risco Sanitário</p><p>Hospitalar, 3ª edição. Disponível em: Minha Biblioteca, Grupo GEN, 2018.</p><p>JESUS, J. B. DE; DIAS, A. A. L.; FIGUEIREDO, R. M. DE. Precauções específicas:</p><p>vivências de pacientes internados. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 72, n. 4, p.</p><p>924–930, 2019.</p><p>JUSKEVICIUS, L. F.; PADOVEZE, M. C. Precauções Específicas Para Evitar a</p><p>Transmissão De Microrganismos: Desenvolvimento E Validação De Roteiro</p><p>Educacional. Cogitare Enfermagem, v. 21, n. 4, p. 1–10, 2016.</p><p>LÔBO, C. D. DE A.; CUNHA, M. C. S. O.; PONTE, V. A.; COSTA, E.C.; ARAÚJO M.</p><p>F. M.; ARAÚJO, T. M. O ensino de vigilância sanitária na formação do enfermeiro.</p><p>Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 43, n. spe2, p. 1232–1237, 2018.</p><p>MARQUES, Anna Clara Carnaúba et al. Dilemas vividos pela equipe de enfermagem</p><p>no cuidado ao paciente com COVID-19 na UTI: Revisão integrativa. Research,</p><p>Society and Development, v. 10, n. 12, p. e417101220296-e417101220296, 2021.</p><p>39</p><p>MARQUES, R. B.; LOVATTO, C. G.; PREVÊ, C. P.; SOUZA, S. B. C. de. A</p><p>compreensão dos familiares de pacientes portadores de germe multirresistente acerca</p><p>do isolamento e das medidas de precaução. Ciência & Saúde, v. 7, n. 3, p. 141, 2014.</p><p>MENEGUETI, M. G.; CANINI, S. R. M. da S.; BELLISSIMO-RODRIGUES, F.; LAUS,</p><p>A. M. Evaluation of nosocomial infection control programs in health services. Revista</p><p>Latino Americana de Enfermagem, v. 23, n. 1, p. 98–105, 2015.</p><p>MOREIRA, Maria de Fátima; MEIRELLES, Luiz Claudio; CUNHA, Luiz Alexandre</p><p>Mosca. COVID-19 no ambiente de trabalho e suas consequências à saúde dos</p><p>trabalhadores. Saúde em Debate, v. 45, p. 107-122, 2022</p><p>NERI, Maria Fabiana de Sena et al. Determinantes de higienização das mãos de</p><p>cuidadores informais em hospitais sob a perspectiva de Pender. Revista Brasileira</p><p>de Enfermagem, v. 75, 2021.</p><p>OLIVEIRA, Adriana Cristina de; LUCAS, Thabata Coaglio; IQUIAPAZA, Robert Aldo.</p><p>Percepção Do Risco De Contaminação Dos Profissionais De Saúde Por Covid-19 No</p><p>Brasil. Texto & Contexto-Enfermagem, v. 30, 2021.</p><p>OPAS. Folha Informativa. 2016.</p><p>PADOVEZE, M. C.; JUSKEVICIUS, L. F.; SANTOS, T. R. DOS; NICHIATA, L. I.;</p><p>CIOSAK, S. I.; BERTOLOZZI, M, R. O conceito de vulnerabilidade aplicado às</p><p>Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde. Revista Brasileira de Enfermagem</p><p>v. 72, n. 1, p. 311–316, 2019.</p><p>PANDEY A, ASTHANA AK, TIWARI R, KUMAR L, DAS A, MADAN M. Physician</p><p>accessories: doctor, what you carry is every patient’s worry? Indian J Pathol</p><p>Microbiol. 53(4):711-3, 2010.</p><p>PEREIRA BRR, et al. Artroplastia do quadril: prevenção de infecção do sítio cirúrgico.</p><p>Revista SOBEC, v.19, n.4, p.181-7, 2014.</p><p>REIS, T. B. DOS.; TACLA, M. T. G. M.; FERRARI, R. A. P.; SANT’ANNA, F. L.;</p><p>FACCIOLI, S. C. Precaução de contato: percepção dos acompanhantes de crianças</p><p>internadas em unidade pediátrica. Ciência, Cuidado e Saúde, v. 14, n. 3, p. 1315,</p><p>2015.</p><p>ROCHA, João Victor Rodrigues; ROCHA, Lauanne Steter Dos Santos; MADUREIRA,</p><p>Moisés Teles. A importância do tratamento e descarte adequados dos resíduos de</p><p>serviços de saúde em tempos de pandemia Covid-19. Research, Society and</p><p>Development, v. 10, n. 15, p. e260101522807-e260101522807, 2021</p><p>ROSELLI, L. R. P.; FREJ, E. A.; FERREIRA, R. J. P.; ALBERTI, A. R.; ALMEIDA, A.</p><p>T. DE. Utility-Based Multicriteria Model for Screening Patients under the COVID-19</p><p>Pandemic. Computational and mathematical methods in medicine, v. 2020, p. 939-</p><p>1251, 2020.</p><p>SANTOS, B. S. P. DOS; SANTOS, B. S. P. DOS.; RIBEIRO, I. P.; CAMPELO, S. M.</p><p>A.; CARVALHO, H. E. F. DE.; SOUSA, B. S. DE A.; VALLE, A. R. M. DA. Compreensão</p><p>40</p><p>do Familiar Acompanhante sobre Prevenção das Infecções Relacionadas à</p><p>Assistência em Saúde. Revista Enfermagem Atual In Derme, v. 86, n. 24, 2018.</p><p>SIEGEL, J. D.; RHINEHART, E.; JACKSON, M.; CHIARELLO, L.; HEALTHCARE</p><p>INFECTION CONTROL PRACTICES ADVISORY COMMITTEE. Guideline for</p><p>isolation precautions: Preventing transmission of infectious agents in healthcare</p><p>settings 2007. HospitalAcquired Infections, p. 1–232, 2007.</p><p>SILVA DOS SANTOS, Emily; LUNA, Aline Affonso; SOUZA SZPALHER, Adriana.</p><p>Tecnologias Realizadas Pela Enfermagem Em Portadores De Covid-19: Revisão</p><p>Integrativa. Revista Científica de Enfermagem-RECIEN, v. 12, n. 37, 2022.</p><p>SINÉSIO, M. C. T.; MAGRO, M. C. DA S.; CARNEIRO, T. A.; SILVA, K. G. N. DA.</p><p>Fatores De Risco Às Infecções Relacionadas À Assistência Em Unidades De Terapia</p><p>Intensiva*. Cogitare Enfermagem, v. 23, n. 2, 2018.</p><p>STAPENHORST, A. BIOSSEGURANÇA. SAGAH, 2019.</p><p>TAUFFER, J.; CARMELLO, S. DE K. M.; BERTICELLI, M. C.; ZACK, B. T.; KASSIM,</p><p>M. J. N.; ALVES, D. C. I.; et al. Caracterização das infecções relacionadas à</p><p>assistência à saúde em um hospital de ensino. Revista de Epidemiologia e Controle</p><p>de Infecção, Santa Cruz do Sul, v. 9, n. 3, p. 4–9, 2019.</p><p>TEIXEIRA, Carmen Fontes de Souza et al. A saúde dos profissionais de saúde no</p><p>enfrentamento da pandemia de Covid-19. Ciencia & saude coletiva, v. 25, p. 3465-</p><p>3474, 2020.</p><p>VITÓRIA, A. M.; CAMPOS, GW de S. Só com APS forte o sistema pode ser capaz</p><p>de achatar a curva de crescimento da pandemia e garantir suficiência de leitos</p><p>UTI, 2020.</p><p>WERNECK, Guilherme Loureiro; CARVALHO, Marilia Sá. A pandemia de Covid-19 no</p><p>Brasil: crônica de uma crise sanitária anunciada. Cadernos de Saúde Pública, v. 36,</p><p>p. 00068820, 2020</p><p>WHO. Guidelines on Hand Hygiene in Health Care: First Global Patient Safety</p><p>Challenge Clean Care Is Safer Care. Geneva: World Health Organization; 2009.</p><p>ZHOU, H.; LENG, Y.; WANG, D.; BAI, H. X.; XIONG, Z.; SHI, L.; et al. Clinical and</p><p>imaging findings of discharged patients with SARS-CoV-2 positive anal swab samples:</p><p>A descriptive study. BMC Infectious Diseases, v. 20, n. 1, p. 1–11, 2020.</p><p>específica,</p><p>podem se sentir vulneráveis, desenvolvendo múltiplos sentimentos como: o medo da</p><p>piora de sua saúde ou que se torne uma ameaça para a comunidade, devido sua</p><p>condição ser contagiosa (JESUS; DIAS; FIGUEREDO, 2019).</p><p>O acompanhante é um representante da rede social do paciente que o</p><p>acompanha durante todo o período da internação, visando buscar melhorias em</p><p>termos de uma internação mais humanizada (BRASIL, 2010).</p><p>Eles poderão ser bastante úteis para prevenir a transmissão de infecções,</p><p>sendo indispensável que ambos recebam todas orientações necessárias sobre a PE,</p><p>em materiais informativos para pacientes, acompanhantes e visitantes, o que pode</p><p>ser a justificativa da precaução e medidas, os riscos, caso as medidas recomendadas</p><p>e as instruções de uso dos EPIs não forem corretamente seguidas (SIEGEL et al,</p><p>2007).</p><p>A Higienização das mãos (HM) é uma medida simples que deve ser utilizada</p><p>para prevenir à transmissão de microrganismos. É necessário ensinar a forma</p><p>adequada dessa higienização, não apenas para os envolvidos no cuidado à saúde do</p><p>paciente, mas a todos que estão em contato com ele (AZEVEDO et al, 2018).</p><p>Ao se ter contato com superfícies, objetos ou pessoas contaminadas, as mãos</p><p>tornam-se uma das principais vias de transmissão de patógenos, sendo</p><p>imprescindível ser higienizadas de maneira correta com água e sabão ou com</p><p>desinfetantes a base de álcool, principalmente soluções etanólicas ou isopropílicas</p><p>(SEQUINEL et al, 2020; WHO, 2009).</p><p>A maneira correta de se utilizar os EPIs, também foi sinalizada como uma das</p><p>principais ações de não conformidade feita pelos Acompanhantes e Visitantes (AV),</p><p>se forem utilizados corretamente, os EPIs como luvas, máscaras cirúrgicas e aventais,</p><p>os mesmos servirão como uma barreira física à transmissão de partículas infecciosas</p><p>presentes nos fluidos corporais (BROWN et al, 2019).</p><p>A Lei Federal nº. 9.431, de 06 de janeiro de 1997, e a Portaria nº. 2616 de 12</p><p>de maio de 1998, dispõem sobre a obrigatoriedade da existência de uma CCIH e de</p><p>um Programa de Controle de Infecções Hospitalares (PCIH), respectivamente, nos</p><p>hospitais brasileiros. Constitui parte da CCIH/CCIRAS uma equipe multiprofissional</p><p>que atua de forma conjunta para evitar a transmissão e disseminação de</p><p>8</p><p>microrganismos. Contudo, no que concerne à formação dos profissionais de saúde, o</p><p>tema de controle de IRAS não é abordado com a devida relevância, sendo raros os</p><p>cursos de graduação que abordem adequadamente essa temática, tendo como</p><p>consequência um grande hiato entre a prática e as recomendações do PCIH</p><p>(SINÉSIO et al, 2018; LÔBO et al, 2018; MENEGUETI et al, 2015; PADOVEZE et al,</p><p>2014).</p><p>Deste modo, é imprescindível o treinamento da equipe multidisciplinar para a</p><p>obtenção do êxito nos aspectos que tangem à prevenção e controle das IRAS</p><p>(SINÉSIO et al, 2018). Além disso, há necessidade de mudanças relacionadas as</p><p>atitudes e comportamentos dos profissionais de saúde para melhora da adesão em</p><p>relação às medidas preventivas específicas (GONZÁLEZ-ESTRADA et al, 2016).</p><p>Observa-se que muitas vezes, o significado e a utilidade das medidas de PE</p><p>não são bem esclarecidos aos AV, possibilitando o risco de contaminação ou da</p><p>transmissão de microrganismos para demais pessoas (JUSKEVICIUS et al, 2016;</p><p>PADOVEZE et al, 2019; SIEGEL et al, 2009). Outra situação que merece destaque se</p><p>refere à utilização equivocada dos EPIs. Em alguns casos, o uso de EPIs por AV é</p><p>negligenciado pois envolve sentimentos de desconforto ao ter como imposição uma</p><p>barreira física, como avental e luvas, para lidar com o paciente (MARQUES et al, 2014;</p><p>REIS et al, 2015).</p><p>Por outro lado, estudos apontam que frequentemente, a utilização de EPIs não</p><p>é totalmente esclarecida ou compreendida, ocasionando muitas vezes o uso</p><p>desnecessário desses equipamentos sucedendo a elevação dos custos relacionados</p><p>ao aumento do seu uso (REIS et al, 2015; SANTOS et al, 2018).</p><p>2.2 Higienização das Mãos (HM)</p><p>Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que existam 1,4</p><p>milhões de casos de infecções provenientes dos serviços de saúde, a maioria dos</p><p>quais, poderia ser impedida com a adoção de uma técnica simples: a higienização das</p><p>mãos.</p><p>9</p><p>Fonte: shre.ink/my0G</p><p>Estudos epidemiológicos indicam que pacientes recentemente hospitalizados</p><p>apresentam alto risco de contaminação em ambientes anteriormente ocupados por</p><p>outro indivíduo sabidamente infectado, principalmente por microrganismos</p><p>multirresistentes. Os profissionais de saúde estão constantemente expostos a</p><p>superfícies e materiais potencialmente contaminantes, aumentando a possibilidade de</p><p>contaminação das mãos durante o atendimento aos pacientes e/ou procedimentos</p><p>clínicos. A higienização das mãos é considerada a forma mais importante para reduzir</p><p>a transmissão de doenças infectocontagiosas.</p><p>Em 1846, o médico húngaro Ignaz Philip Semmelweis relatou a ocorrência de</p><p>febre em mulheres que recentemente haviam dado à luz com os cuidados médicos</p><p>que elas recebiam. Após Semmelweis observar que os médicos saíam das salas de</p><p>autopsia e iam diretamente para as salas de parto, sem higienizar as mãos, ele</p><p>identificou que esses mesmos médicos possuíam um odor desagradável nas mãos.</p><p>Então, Semmelweis deduziu que a alta incidência de febre era originada de partículas</p><p>cadavéricas, sendo transmitidas das salas de autopsia para a ala de obstetrícia pelas</p><p>mãos de estudantes e médicos. Em seguida, ele orientou que todos realizassem a</p><p>higienização das mãos com solução clorada a cada realização de procedimento, seja</p><p>ele no início ou término. Com isso, no mês seguinte, foi percebido para surpresa de</p><p>todos, a queda da taxa de infecção e mortalidade de 12,2% para apenas 1,2%,</p><p>10</p><p>evidenciando a importância da limpeza das mãos na prevenção de doenças</p><p>infectocontagiosas (STAPENHORST, 2019).</p><p>A higienização das mãos (HM) tem duas finalidades:</p><p>➢ retirada de sujeira, suor, oleosidade, pelos, células descamativas e microbiota</p><p>da pele, interrompendo a transmissão de infecções relacionadas ao contato</p><p>direto;</p><p>➢ prevenção e diminuição das infecções causadas pelas transmissões cruzadas.</p><p>Orienta-se à higienização das mãos regularmente para todos os profissionais</p><p>da saúde que mantêm contato direto ou indireto com pacientes, manipulam</p><p>medicamentos, alimentos ou materiais estéreis ou contaminados.</p><p>Os sabonetes comuns (barra, líquidos ou em espuma) favorecem a eliminação</p><p>da sujeira e da microbiota transitória. Entretanto, só terá eficácia a utilização de</p><p>sabonete comum quando associada ao uso correto da técnica de higienização das</p><p>mãos e da fricção mecânica durante o processo de lavagem. Condutas para o controle</p><p>de infecções para o contato direto em geral e para a maioria das atividades práticas</p><p>laboratoriais ou ambulatoriais.</p><p>A utilização de sabonete líquido (com refil) nos serviços de saúde, é</p><p>recomendação da ANVISA devido ao menor risco de contaminação do produto.</p><p>Alguns estudos mostraram que os sabonetes em barra possuem grandes</p><p>concentrações de bactérias, respectivo ao uso coletivo, e que a contaminação poderia</p><p>ocorrer facilmente se a manipulação do suporte para o refil, não for realizada de forma</p><p>correta durante a troca do produto (STAPENHORST, 2019).</p><p>Os produtos antissépticos empregados na higienização das mãos não podem</p><p>possuir apenas ação antimicrobiana, mas também ação residual ou prolongada. Os</p><p>álcoois etanol, isopropanol e n-propanol são comumente utilizados como produtos</p><p>para a higienização das mãos. Desses três, o etanol é o mais utilizado e reconhecido</p><p>como agente antimicrobiano há séculos.</p><p>A forma de ação desses produtos constitui na desnaturação (alteração da</p><p>conformação) e na coagulação de proteínas. Esses produtos acarretam também uma</p><p>quebra da integridade da membrana celular, levando à ruptura desta. Os álcoois</p><p>possuem rápida ação e eficaz contra a atividade</p><p>bacteriana e fungicida. Para que a</p><p>eficácia do produto seja aumentada, as soluções alcoólicas necessitam ter entre 60 e</p><p>11</p><p>80% de concentração, visando que quanto maior a quantidade de água presente,</p><p>menor a capacidade do produto de interferir na integridade da membrana celular</p><p>bacteriana (STAPENHORST, 2019).</p><p>A ciclodextrina é um produto antisséptico empregado há, cerca de, 70 anos e</p><p>sua atividade antimicrobiana, tais como os álcoois, também é atribuída à ruptura da</p><p>membrana plasmática de consequente coagulação de proteínas. Contudo, apesar de</p><p>a ciclodextrina ter ação residual mais forte (de aproximadamente 6 horas), a sua ação</p><p>imediata é mais lenta quando comparada com produtos à base de álcoois.</p><p>Mas, é de grande importância citar que a ciclodextrina, por causa do seu efeito</p><p>residual prolongado, é considerada como o melhor antisséptico disponível no</p><p>mercado. Ela apresenta alta eficácia contra bactérias Gram-positivas e fungos, porém,</p><p>não possui ação contra esporos fúngicos. O iodo, propriamente dito, desde de 1821 é</p><p>usado como antisséptico, porém, como o composto ocasiona irritações e manchas</p><p>cutâneas, em 1960, ele foi suprido pela polivinilpirrolidona iodo (PVIP).</p><p>Então, ao realizar a escolha do produto que você utilizará, considere sempre a</p><p>indicação, a eficácia, a técnica utilizada e os recursos disponíveis. Porém, grande</p><p>parte dos manuais de higienização das mãos orienta a lavagem simples, seguida do</p><p>uso de solução alcoólica, como o método mais eficaz.</p><p>2.3 Limpeza do ambiente</p><p>A higiene do ambiente é considerada, pela ANVISA, como um dos critérios</p><p>mínimos para o funcionamento e a qualidade oferecida pelos serviços de saúde. O</p><p>ambiente de trabalho é um ambiente coletivo, onde várias pessoas, com hábitos e</p><p>costumes diferentes, convivem, portanto, é necessário adotar procedimentos de</p><p>higienização, visando à redução dos riscos associados aos serviços da saúde.</p><p>A realização da limpeza do ambiente, desde bancadas até mesmo o chão, deve</p><p>ser concretizada seguindo os princípios simples preconizados pelas Normas de</p><p>Biossegurança. É importante sempre realizar a limpeza no sentido da área mais limpa</p><p>em direção à mais suja ou da área menos contaminada para a mais contaminada,</p><p>sempre de cima para baixo, no mesmo sentido e mesma direção, ou seja, se você</p><p>começar pelo lado esquerdo da área, passe o pano com o produto de trás para frente</p><p>e refaça o mesmo movimento na área adjacente àquela que foi higienizada. Jamais</p><p>12</p><p>utilize movimentos de vai e vem ou circulares durante a higienização das bancas, pois</p><p>esses movimentos espalham sujidade (STAPENHORST, 2019).</p><p>Os métodos de limpeza de superfícies em serviços de saúde abrangem a</p><p>limpeza concorrente (diária) e a limpeza terminal. A limpeza terminal é,</p><p>principalmente, utilizada em ambientes hospitalares e Unidades de Pronto</p><p>Atendimento (UPAs), pois é realizada com máquinas de lavar piso e com produtos</p><p>químicos mais fortes. O serviço de saúde que mais faz uso desse tipo de limpeza são</p><p>os hospitais e as upas.</p><p>Fonte: shre.ink/my01</p><p>A limpeza concorrente deve ser executada diariamente, com o objetivo de</p><p>limpar, organizar o ambiente de trabalho, repor os insumos de consumo diário, separar</p><p>e organizar os materiais que serão processados para a esterilização. Devendo ser</p><p>realizada em todas as superfícies horizontais de móveis e equipamentos, portas,</p><p>maçanetas, piso e instalações sanitárias.</p><p>A limpeza dos pisos diariamente deve ser feita sempre que houver</p><p>necessidade, varrendo, essencialmente, os resíduos existentes. Use um pano</p><p>embebido em água e sabão e utilize sempre dois baldes com água: um contendo água</p><p>limpa e o produto e o outro com água apenas para o enxague do pano, removendo,</p><p>assim, o excesso de sujidade. Posteriormente, o produto desinfetante, comumente</p><p>13</p><p>hipoclorito, necessita ser aplicado em toda a superfície do piso, utilizando um pano</p><p>limpo (STAPENHORST, 2019).</p><p>2.4 Uso de jalecos/batas de uso individual</p><p>Sabe-se que jalecos (batas brancas) de uso individual usados pelos</p><p>profissionais de saúde agregam inúmeras bactérias e vírus transmissores de doenças,</p><p>principalmente de infecções hospitalares que se alojam no tecido da vestimenta.</p><p>Alguns tipos de bactérias se conservam por dias até 2 meses na peça/roupa, e pelo</p><p>menos 90% delas resistem no tecido durante 12 h.</p><p>Fonte: shre.ink/myHu</p><p>Existe contaminação por microrganismos nos diferentes artigos utilizados pelos</p><p>profissionais de saúde durante a assistência, entre eles, estão respectivamente</p><p>segundo a presença de microrganismos patogênicos, as canetas, estetoscópios,</p><p>telefones celulares e aventais (PANDEY, 2010).</p><p>A utilização de jalecos e/ ou aventais é prática comum entre a equipe de saúde.</p><p>Contudo, reconhece-se que estes são progressivamente contaminados durante os</p><p>atendimentos realizados aos pacientes, tornando os uniformes veículos potenciais</p><p>14</p><p>para a transmissão de microrganismos, o que poderia contribuir para o aumento das</p><p>infecções associadas aos cuidados de saúde (CARVALHO, 2009).</p><p>Ressalta-se também que essas vestimentas não constituem apenas risco para</p><p>a transmissão de microrganismos aos pacientes, pois os profissionais de saúde, de</p><p>forma geral, realizam a higienização de suas vestimentas em seus domicílios, o que</p><p>potencialmente gera riscos para a família e comunidade onde estão inseridos</p><p>(HIGGINSON, 2011).</p><p>Grande parte dos profissionais de saúde acredita que as roupas podem ser</p><p>veículos de transmissão de infecções hospitalares, o que é suportado por evidências</p><p>científicas frágeis. Assim, para comprová-las, é necessário que sejam testadas e</p><p>examinadas, quantificando-se e qualificando-se os microrganismos presentes nas</p><p>vestimentas (CARVALHO, 2009).</p><p>Em alguns hospitais, o uso de jalecos/batas de uso individual vem sendo</p><p>restrito às áreas de assistência a pacientes. Orientados por normas internas, os</p><p>colaboradores devem retirar o jaleco antes de saírem das unidades, em especial da</p><p>unidade de terapia intensiva (UTI) neonatal/pediátrica e até de adultos, para entrarem</p><p>no refeitório sem esse equipamento de proteção individual (EPI).</p><p>Recomenda-se também que os profissionais de saúde utilizem um jaleco/bata</p><p>de uso individual novo (limpo) todos os dias, promovendo, assim, maior controle de</p><p>infecções dentro e fora dos hospitais, visto que também não está aconselhado esse</p><p>tipo de roupa em áreas e/ou vias públicas (Recife – Lei no 17.601/2009/São Paulo –</p><p>Projeto Lei no 687/2009).</p><p>É importante diferenciar os jalecos/batas de uso pessoal dos aventais</p><p>(descartáveis/tecido) indicados em casos de risco de contaminar a roupa das equipes</p><p>multiprofissionais e para proteger a pele no contato com sangue e fluidos corporais. A</p><p>indicação e a escolha do tipo de avental baseiam-se na natureza da intervenção com</p><p>o paciente, incluindo o grau esperado de contato com material infectante e o potencial</p><p>de penetração de sangue e fluidos no avental. Se os aventais forem do tipo</p><p>impermeável a líquidos, a utilização de cobertura de pernas, botas ou de sapatos</p><p>aumenta a proteção da pele quando há presença ou possibilidade de respingos ou</p><p>grande quantidade de material infectante (HINRICHSEN, 2018).</p><p>É importante lembrar que os aventais deverão ser retirados após contato com</p><p>pacientes e não deverão ser reutilizados antes de serem reprocessados, devendo ser</p><p>15</p><p>retirados na saída do quarto/enfermaria/unidade assistencial, seguindo-se a</p><p>higienização das mãos. Além disso, eles não devem ser reutilizados de um paciente</p><p>para o outro e, após uso, precisam ser depositados em recipiente apropriado, não</p><p>devendo ser pendurados para uso posterior, especialmente em unidades de</p><p>neonatologia, pediatria e berçários.</p><p>A cultura de prevenção de infecções hospitalares deve contemplar não só a</p><p>mudança de comportamento da equipe e dos profissionais de saúde, mas também da</p><p>família que</p><p>acompanha o paciente e permanece no ambiente hospitalar, bem como</p><p>da comunidade a que pertence. A atualização e o treinamento das equipes são</p><p>essenciais para garantir boas práticas de saúde e minimizar o risco de contágio</p><p>(CAETANO, 2020).</p><p>3 INFECÇÕES NO CONTEXTO GERAL</p><p>Fonte: shre.ink/my0b</p><p>Além da suscetibilidade individual a processos infecciosos, deve-se levar em</p><p>consideração a existência de múltiplos fatores que colaboram para a manifestação de</p><p>infecções relacionadas à assistência à saúde (IrAS) em pacientes. Observam-se entre</p><p>eles o estado clínico e/ou a suscetibilidade do hospedeiro; a falta de adoção de</p><p>medidas preventivas na realização dos procedimentos; a manipulação imprópria de</p><p>16</p><p>substâncias particulares (uso indiscriminado de antissépticos e antimicrobianos); os</p><p>descuidos de medidas de segurança na preparação e conservação do sangue para</p><p>transfusões ou nas prescrições da alimentação parenteral, que acrescentam a</p><p>probabilidade da introdução de bactérias no organismo do paciente.</p><p>Outras causas de IrAS são:</p><p>➢ transmissão direta do microrganismo;</p><p>➢ utilização de dispositivos invasivos, uma vez que essas substâncias são</p><p>administradas por meio de cateteres, em veias periféricas ou centrais,</p><p>para a corrente sanguínea;</p><p>➢ utilização indevida de antissépticos cutâneos, que podem não criar</p><p>barreiras ou contaminação a partir do ponto de introdução do cateter</p><p>venoso na artéria.</p><p>O aumento do número de leitos e de internações leva uma maior convivência</p><p>de pacientes no hospital, resultando na necessidade de contratação de mais</p><p>funcionários para o cuidado com o paciente, bem como para a realização de atividades</p><p>com maior agilidade, aumentando o risco de transmissão da infecção de um doente</p><p>para outro, como também a transferência de pacientes para outras instituições</p><p>hospitalares, diagnósticas e terapêuticas (HINRICHSEN, 2018).</p><p>Um ambiente bastante propício à ocorrência de IrAS é a unidade de terapia</p><p>intensiva (UTI) de um hospital, por uma série de motivos: os pacientes admitidos em</p><p>ambiente de terapia intensiva se encontram habitualmente em estado crítico, com</p><p>seus mecanismos de imunidade afetados, sendo suscetíveis a infecções; o próprio</p><p>ambiente da UTI agrupa muitos doentes com infecções graves, por vezes por</p><p>microrganismos resistentes, facilitando assim as infecções cruzadas, caso não tenha</p><p>mecanismos adequados de barreira implementados.</p><p>Os pacientes que se submetem a inúmeros procedimentos invasivos, criam</p><p>portas de entrada para os microrganismos da própria microbiota do paciente e do</p><p>ambiente. Vale ressaltar que muitos destes pacientes estão intubados e submetidos</p><p>a ventilação mecânica (VM), que é potencialmente contaminante do sistema</p><p>respiratório, principalmente se não houver cuidado adequado em procedimentos de</p><p>aspiração orotraqueal ou se houver abertura desnecessária do circuito do ventilador.</p><p>17</p><p>O uso de filtros higroscópicos e de sistemas de aspiração fechada pode acarretar</p><p>benefício por diminuir a frequência de desconexão do ventilador.</p><p>Da mesma forma, os procedimentos que utilizam circulação extracorpórea,</p><p>como hemodiálise e oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO), aumentam as</p><p>chances de infecção de corrente sanguínea por contaminação dos circuitos e até</p><p>mesmo das soluções as quais foram utilizadas no procedimento. A prática da</p><p>automedicação induz ao consumo incorreto e indiscriminado de medicamentos,</p><p>especialmente antibióticos. Isso contribui para que cepas resistentes e seletivas</p><p>surjam no ambiente hospitalar, favorecendo infecções (HINRICHSEN, 2018).</p><p>A Lei Federal no 9.431, de 1997, regulamentada pela Portaria no 2.616, exige</p><p>que os hospitais mantenham um programa de controle de IrAS (infecções hospitalares</p><p>– IH), e estabeleçam dados epidemiológicos, pesquisar de vigilância epidemiológica</p><p>para identificação de eventos, determinar causas e possibilitar a proposição de</p><p>medidas administrativas coerentes e oportunas, obrigando ter um controle dos</p><p>procedimentos invasivos, à aplicação efetiva de técnicas de limpeza, desinfecção,</p><p>antissepsia, esterilização e isolamento.</p><p>Os processos judiciais a que estão expostos os hospitais, são outra razão</p><p>importante para prevenção e controle de IrAS/IH. O hospital possui a responsabilidade</p><p>de resguardar a incolumidade do paciente em tudo que possa lhe causar dano.</p><p>O artigo 159 do Código Civil mostra que aquele que, por ação ou omissão</p><p>voluntária, negligência ou imprudência, causar prejuízo a outrem fica obrigado a</p><p>reparar o dano. É de responsabilidade do hospital o trabalho de seus funcionários. Em</p><p>um processo jurídico, o prestador avaliado culpado poderá ser obrigado a indenizar o</p><p>paciente ou familiares, e, além dos danos à sua imagem, também poderá vir a perder</p><p>seu alvará, afetando sua lucratividade e viabilidade.</p><p>Os profissionais, estão sujeitos às sanções do código de ética e órgãos de</p><p>classe. O artigo 1.545 do Código Civil estabelece que médicos, cirurgiões,</p><p>farmacêuticos, parteiras e dentistas ficam obrigados a satisfazer o dano sempre que,</p><p>da imprudência, negligência ou imperícia em atos profissionais, resultar morte,</p><p>inabilitação de servir ou ferimento. O artigo 1.538 aborda da liquidação das obrigações</p><p>resultantes de ato ilícito, enquadrando-se neste as IrAS por imperícia, imprudência ou</p><p>negligência.</p><p>18</p><p>O próprio Ministério da Saúde coloca a IrAS/IH como a provável quarta causa</p><p>de óbito. As vantagens de um programa ativo de prevenção e controle das infecções</p><p>são inquestionáveis, destacando-se a diminuição da morbimortalidade e dos custos.</p><p>Quando se trata de saúde é especificamente delicado, principalmente abordar</p><p>a questão econômica, mas a falta de recursos financeiros, tem exigido dos</p><p>administradores e profissionais de saúde a busca da eficácia e eficiência do</p><p>tratamento ao menor custo possível. A redução de custos não implica a perda de</p><p>qualidade assistencial, ao contrário: um hospital com bom gerenciamento financeiro</p><p>tem condições de reverter o resultado desse trabalho na educação continuada de seus</p><p>profissionais, em hotelaria (na modernização do espaço físico) e na aquisição de</p><p>equipamentos de última geração que trarão mais conforto, proporcionando maior</p><p>confiabilidade na assistência aos pacientes (HINRICHSEN, 2018).</p><p>Os custos dessas IrAS são três: diretos, quando efetuados pelo hospital e pelo</p><p>paciente; indiretos, quando há parada ou descontinuidade do trabalho e da produção</p><p>decorrentes do afastamento do paciente; e intangíveis, que são relacionados com as</p><p>alterações emocionais e psicológicas no paciente resultantes da doença.</p><p>Atualmente, a maioria das instituições de saúde do Brasil não dispõe de um</p><p>sistema técnico, detalhado e consistente de custos para estabelecer o preço de seus</p><p>serviços, além de apresentarem desperdício ou má aplicação de seus recursos, visto</p><p>que uma instituição de saúde que não conheça seus custos, provavelmente terá</p><p>graves problemas na administração de seu fluxo de caixa.</p><p>Portanto as IrAS constituem em um problema grave e um desafiador, exigindo</p><p>trabalho ininterrupto. Todos no hospital, pacientes, familiares, funcionários, médicos e</p><p>fornecedores, são responsáveis pela prevenção e controle da IH.</p><p>Uma CCIH/gerência de risco/qualidade, estruturada e eficaz, com uma equipe</p><p>de profissionais comprometida em obter a diminuição dos índices de infecção,</p><p>acarretará melhoria significativa na qualidade da assistência aos pacientes e</p><p>expressiva redução de custos, assim como de processos judiciais (HINRICHSEN,</p><p>2018).</p><p>O processo de qualidade nos serviços de saúde ligada à questão das IrAS é</p><p>uma temática que continua evocando atenção no cenário mundial para a concepção</p><p>da cultura de segurança do paciente. Trata-se de evento não somente biológico, mas</p><p>histórico e social, que causa impacto direto na segurança da assistência à saúde, e</p><p>19</p><p>constitui um dos principais desafios</p><p>mundiais para a qualidade dos cuidados em</p><p>saúde.</p><p>Critérios para definição de irAS/IH</p><p>Qualquer processo infeccioso adquirido em ambiente hospitalar, diagnosticado</p><p>especialmente durante sua internação, é considerado IrAS/IH, porém pode ser</p><p>detectado após comprometendo também qualquer outra pessoa presente no hospital.</p><p>O diagnóstico e a localização são adquiridos com o conjunto de dados clínicos e</p><p>laboratoriais. Para que se defina a infecção o tempo de acompanhamento do paciente</p><p>é de até 48 h após a alta da unidade de terapia intensiva (UTI), 30 dias após a cirurgia</p><p>sem colocação de prótese e 1 ano após colocação de prótese. Qualquer infecção do</p><p>neonato até 28 dias de vida é classificada como hospitalar (nosocomial – IrAS), desde</p><p>que a via de aquisição não seja transplacentária (HINRICHSEN, 2018).</p><p>Segundo a Portaria no 2.616 do ministério da saúde (MS), um processo</p><p>infeccioso relacionado ao ambiente hospitalar é definido quando pode estar</p><p>relacionado à internação ou procedimentos complementares. Deve-se considerar</p><p>também a suscetibilidade individual a infecções, que podem ser endógenas (pelos</p><p>próprios microrganismos do paciente, que podem ser induzidos por doenças ou</p><p>medicamentos, como antibióticos, corticosteroides, anti-helmínticos, gases</p><p>anestésicos e imunossupressores); ou exógena, que aparece a partir de</p><p>microrganismos estranhos ao paciente, sendo veiculada pelas mãos da equipe de</p><p>saúde, por nebulização, uso de respiradores, vetores, medicamentos ou alimentos</p><p>contaminados.</p><p>Antibioticoprofilaxia</p><p>A utilização em cirurgia geral de antibióticos profiláticos pode não ser</p><p>necessário quando realiza é realizada uma cirurgia limpa, exceto quando existe algum</p><p>certo risco de infecção. Quando utilizados, seguem protocolos com base em</p><p>evidências científicas, que levam em conta os microrganismos mais frequentemente</p><p>relacionados aos procedimentos cirúrgicos, segundo microbiota hospitalar, cujos</p><p>agentes mais frequentes são bactérias gram-positivas (Staphylococcus aureus,</p><p>Staphylococcus epidermidis) e coliformes aeróbios (Escherichia coli).</p><p>20</p><p>A indicação de antibioticoprofilaxia cirúrgica, quando realizada, visa à</p><p>prevenção de infecção cirúrgica, local, porém não previne outras infecções já</p><p>existentes, como as urinárias, pneumonia ou infecção de cateter. Deverá ser iniciada</p><p>1 h antes do procedimento (coincidindo geralmente com o momento da indução</p><p>anestésica) e descontinuada logo após. Cirurgias com mais de 4 h, deve-se repetir a</p><p>dose após 2 h da primeira e suspender posteriormente.</p><p>Os antibióticos empregados como profiláticos em procedimentos cirúrgicos são</p><p>a cefazolina e a cefalotina, ambas cefalosporinas de primeira geração e com espectro</p><p>semelhante para microrganismos comuns como Staphylococcus aureus/epidermidis</p><p>e Escherichia coli. A cefazolina é preferida à cefalotina, por sua meia-vida sérica</p><p>tecidual maior (4 h), possibilitando uma excelente ação sobre as principais bactérias</p><p>de interesse cirúrgico (HINRICHSEN, 2018).</p><p>Devido a cefalotina, possuir meia-vida mais curta (2 h), obriga ao aumento do</p><p>número de doses a cada hora. A repetição do antibiótico profilático intraoperatório</p><p>deverá ocorrer se o tempo cirúrgico ultrapassar a meia-vida do antibiótico escolhido.</p><p>Translocação bacteriana</p><p>Definida como translocação bacteriana a passagem de bactérias viáveis ou</p><p>endotoxinas por intermédio da mucosa e da lâmina própria do sistema gastrintestinal</p><p>para os linfonodos mesentéricos e outros órgãos. Este fenômeno tem sido associado</p><p>a bacteremia e síndrome da falência de múltiplos órgãos e sistemas. Espera-se que,</p><p>para acontecer a passagem de microrganismos e endotoxinas do lúmen intestinal para</p><p>a corrente sanguínea, exista precisão da existência isolada ou em conjunto de queda</p><p>da imunidade do paciente, alteração da flora intestinal e de quebra da barreira</p><p>defensiva do intestino, representada pela mucosa intestinal (HINRICHSEN, 2018).</p><p>Diferentes situações clínicas, incluindo obstrução intestinal, têm sido</p><p>implicadas na ocorrência de translocação bacteriana. Alguns estudos apontam que</p><p>pacientes com obstrução intestinal, mostram a presença de bactérias gram-negativas</p><p>em linfonodos mesentéricos. A translocação bacteriana também tem sido</p><p>demonstrada na obstrução experimental do intestino delgado, tanto nos linfonodos</p><p>quanto no fígado, baço e sangue. Existem evidências, experimentalmente, de que a</p><p>obstrução aguda do cólon esquerdo facilita a translocação bacteriana.</p><p>21</p><p>A função intestinal normal abrange um complexo processo de digestão e</p><p>absorção de alimentos. Devido à quantidade imensa de bactérias em seu lúmen, o</p><p>intestino grosso possui um intricado sistema de defesa, o qual ajuda a reconhecer</p><p>nutrientes que serão absorvidos de endotoxinas e bactérias que necessitam ser</p><p>excluídos. Esse mecanismo de prevenção engloba um sistema imune ativo, a barreira</p><p>mucosa e a peristalse, entre outros (HINRICHSEN, 2018).</p><p>Em ocasiões em que existe deficiência imunológica, como idade avançada;</p><p>doenças associadas a diabetes melito; depressão; epilepsia; instabilidade</p><p>hemodinâmica após procedimentos cirúrgicos prolongados (maiores que 3 h), com</p><p>ampla perda sanguínea (sangramentos durante cirurgias e ou após estas); precisão</p><p>de reposição sanguínea (hemotransfusões de concentrado de hemácias);</p><p>desnutrição; episódios de constipação intestinal com uso de medicamentos laxantes</p><p>que possam levar a desequilíbrio hídrico (desidratação), seguidos de diarreia e/ou</p><p>alterações gastrintestinais, podem causar quebra física da barreira mucosa, aumento</p><p>da permeabilidade mucosa e estase intestinal. A translocação bacteriana para</p><p>linfonodos mesentéricos tem sido demonstrada.</p><p>Em episódio de obstrução intestinal, as causas possíveis para o aumento da</p><p>translocação bacteriana seriam a estase fecal, que determina uma quebra de balanço</p><p>ecológico da microflora intestinal (com rápido aumento da população bacteriana), e a</p><p>isquemia, que leva a déficit de irrigação e lesão da barreira mucosa.</p><p>Escherichia coli (E. coli), Proteus mirabilis e Klebsiella pneumoniae são</p><p>bactérias gram-negativas, aeróbias bastante encontradas em culturas. São as</p><p>bactérias, principalmente a E. coli, que mais se translocam, em particular quando há</p><p>fatores de risco associados, que afetam a imunidade do indivíduo. Os patógenos mais</p><p>envolvidos nas infecções do paciente grave são E. coli, Pseudomonas aeruginosa,</p><p>Staphylococcus aureus e Enterococcus spp., acontecendo principalmente em</p><p>infecções ginecológicas, obstétricas e intraperitoneais.</p><p>Outro fator importante na incidência de translocação, é o aumento da</p><p>população bacteriana sobretudo porque o intestino delgado exibe maior</p><p>suscetibilidade em relação ao colo, devido às diferenças estruturais e fisiológicas entre</p><p>os intestinos delgado e grosso, e, ainda, porque ele é um órgão frequentemente</p><p>afetado nos estados de hipoperfusão ou na evolução de doenças inflamatórias</p><p>abdominais (HINRICHSEN, 2018).</p><p>22</p><p>3.1 O Impacto da pandemia do Coronavírus X Controle das infecções</p><p>hospitalares</p><p>Fonte: bityli.com/TpYKhFAH</p><p>Foi descoberto em novembro de 2019, um surto de doenças respiratórias</p><p>fomentada pelo Coronavírus (SARS-CoV-2) em Wuhan conhecida, mundialmente</p><p>como Coronavirus Disease 2019 (COVID-19). Este vírus multiplicou-se ligeiramente</p><p>entre os países, interferindo mundialmente a vida diária de bilhões de pessoas, sendo</p><p>declarado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em março de 2020, como uma</p><p>pandemia (ANDRADE et al., 2021).</p><p>A pandemia gerada pela SARS-CoV-2, estabeleceu números expressivos</p><p>mundialmente de pessoas contaminadas, tendo gravidade do quadro acarretando em</p><p>óbitos, ocasionando assim uma nova realidade para todo o mundo, principalmente</p><p>para os profissionais da saúde que adentraram para a linha de frente. O maior desafio</p><p>sanitário encontrado neste século acontece através da pandemia de COVID-19, ao</p><p>mesmo tempo, trazendo um desafio para as equipes de saúde onde mundialmente os</p><p>profissionais de saúde, passaram por uma realidade surreal especialmente durante a</p><p>assistência, e a grande demanda nos atendimentos das Unidades de Terapia</p><p>Intensiva (UTI,s), culminando na ampliação de novos leitos de UTI em todo país</p><p>(WERNECK & CARVALHO, 2020).</p><p>23</p><p>É importante saber que quando mencionamos sobre leitos de UTI’s é</p><p>necessário saber quantos existem no país, essas informações facilmente podemos</p><p>encontrar no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) que em 2020</p><p>indicavam a totalidade de 86.392 leitos complementares, sendo 51,6% públicos ou</p><p>contratados pelo SUS e os remanescentes 48,4% de propriedade privadas.</p><p>Contudo, 31.940 são leitos de UTI Adulto e 4.938 de UTI Pediátrica, sendo,</p><p>respectivamente, 15.322 (48,0%) e 2.669 (54,1%) ‘leitos do Sistema Único de Saúde</p><p>(SUS)’ (BRASIL, 2020; ARAÚJO et al., 2021).</p><p>A Portaria GM/MS nº 237 e 414/GM/MS, de 18 de março de 2020, autoriza a</p><p>habilitação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva Adulta e Pediátrica, para</p><p>acolhimento exclusivo dos pacientes COVID-19, por esta razão, é necessário a</p><p>inclusão na Tabela de Leitos do CNES, Tipo 03 - Complementar, o Leito 51 - UTI II</p><p>Adulto - COVID-19 e o Leito 52 - UTI II Pediátrica - COVID-19.</p><p>Entretanto, em julho de 2020, continuaram cadastrados 20.203 leitos COVID-</p><p>19 Adultos e 729 leitos COVID-19 Pediátricos, sendo, simultaneamente, 10.228</p><p>(50,6%) e 200 (27,4%) SUS (VITÓRIA & CAMPOS, 2020).</p><p>Este acréscimo nas UTI,s simboliza cerca de 35,3% sobre a totalidade de leitos</p><p>complementares do período imediato anterior à pandemia aos meses de janeiro e</p><p>fevereiro onde 58,7% de ampliação, sobre o somatório dos leitos de UTI Adulto e</p><p>Pediátrico existentes em janeiro e fevereiro de 2020 (35.682 leitos à época). O maior</p><p>desenvolvimento proporcional aconteceu na Região Sudeste (48,3%), seguido das</p><p>Regiões Nordeste (24,7%), Sul (13,0%), Norte (6,0%) e Centro-Oeste (8,0%)</p><p>(CAMPOS & CANABRAVA, 2021).</p><p>Exclusivamente foram oferecidos a habilitação de leitos de UTI,s durante a</p><p>pandemia de COVID-19, pelo Ministério da Saúde (MS) onde foi regulamentada pela</p><p>Portaria GM/MS nº 568, de 26 de março de 2020. No período de abril a agosto de</p><p>2020, foram habilitados 12.244 leitos de UTI,s COVID-19 adultos e 249 leitos de UTI,s</p><p>COVID-19 pediátricas, a partir de 156 diferentes portarias ministeriais. Neste cenário</p><p>atual foram habilitados 100% dos leitos SUS COVID-19, tanto adulto quanto pediátrico</p><p>estão prontos para receber os pacientes de Coronavírus (BRASIL, 2020; MARQUES</p><p>et al., 2021).</p><p>24</p><p>De acordo com Oliveira, Lucas e Iquiapaza (2020), a SCIH precisou intervir nas</p><p>medidas de precaução devido ao potencial de sobrevivência do vírus no ambiente por</p><p>vários dias, e nas instalações e áreas com grande potencialmente de contaminados</p><p>por SARS-CoV-2. Essas medidas de precaução são para todos os ambientes</p><p>hospitalares comuns e restritos, onde antes de serem reutilizadas, devem ser limpas</p><p>com produtos que contenham agentes antimicrobianos conhecidos por sua eficácia</p><p>contra os Coronavírus.</p><p>Segundo Neri et al. (2021), os testes realizados com álcool 70% exibiram um</p><p>efeito de desinfecção esperado para dois tipos de Coronavírus (vírus da hepatite de</p><p>camundongo e vírus da gastroenterite transmissível) em seguida um minuto de</p><p>contato em comparação com 0,06% de sódio hipoclorito também.</p><p>Exames realizados com SARS-CoV-2 mostraram que o hipoclorito de sódio</p><p>possui eficácia em uma concentração de 0,05% a 0,1% após cinco minutos quando é</p><p>agregado a um material contendo SARS-CoV-2. Conforme Moreira, Meirelles e Cunha</p><p>(2022), relata que a transmissão do SARS-CoV-2 acontece de pessoa para pessoa</p><p>que através da autoinoculação do vírus em membranas mucosas (nariz, olhos ou</p><p>boca) e do contato com superfícies inanimadas infectadas, por este motivo, se</p><p>fazendo necessário uma prevenção de medidas de proteção humana a fim de evitar</p><p>a contaminação de pessoas.</p><p>Essas medidas são imprescindíveis para a prevenção da transmissão</p><p>relacionada à higienização das mãos, considerada uma medida de baixo custo e alta</p><p>efetividade, por serem as mãos o principal veículo de contaminação cruzada. Segundo</p><p>Dias et al. (2021), comenta que a higienização das mãos, que contempla todas as</p><p>metas internacionais de segurança do paciente, trabalhadas em cima da Agência</p><p>Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), protocoladas como medidas assistenciais</p><p>como barreira essencial e eficaz para a proteção do paciente e do trabalhador de</p><p>saúde.</p><p>Considerando essa perspectiva no momento atual, observa-se que o</p><p>trabalhador passou a perceber quando existe a falta dos insumos essenciais a essa</p><p>prática, como lavatórios e torneiras danificados, ou se os dispensadores de álcool gel,</p><p>sabões e papel toalha estão vazios.</p><p>Já Silva, Emily e Souza (2022), relatam que o monitoramento entre os colegas</p><p>de trabalho quanto à realização da técnica correta da higiene das mãos, uma vez que</p><p>25</p><p>a disseminação do SARS-CoV-2, do mesmo modo, alcançava toda a equipe</p><p>interdisciplinar. A promoção da higiene das mãos é essencial para minimizar a</p><p>transmissão do SARS-CoV-2 de outras patologias. Os Equipamentos de Proteção</p><p>Individual (EPI,s) e Coletivo (EPC,s), ambos em contato com o pacientes</p><p>contaminados por várias patologias entre elas o Coronavírus.</p><p>Entretanto Teixeira et al. (2020) comenta que a exposição dos profissionais de</p><p>saúde nas UTI’s com relação ao vírus da COVID-19 tem uma magnitude de riscos</p><p>ocupacionais, devidos as horas exaustivas, não somente voltados aos</p><p>perfurocortantes e riscos biológicos em geral, por executar inúmeros e diferentes</p><p>procedimentos. Por este motivo, se faz necessário o uso regular e intermitente dos</p><p>EPI’s veste de sua relevância na minimização das possibilidades de se desenvolver</p><p>uma doença ou acidentes provenientes do trabalho executado.</p><p>A SCIH tem um papel fundamental que é a fiscalização nestes ambientes</p><p>hospitalar, que é um local altamente periculoso, que nenhum profissional da saúde</p><p>está isento de acidentes causados por materiais biológicos ou doenças ocupacionais,</p><p>o uso de EPI’s é fundamental para os profissionais, cabe a eles julga-se útil o uso e</p><p>incentivar o uso frequente desse recurso durante a atividade laboral. Ainda assim,</p><p>todos os profissionais de saúde tiveram que passar por treinamentos intensivos,</p><p>principalmente com os cuidados direto com os pacientes (ROCHA; ROCHA;</p><p>MADUREIRA, 2021).</p><p>4 TIPOS DE INFECÇÕES</p><p>A infecção comunitária é aquela detectada na admissão do paciente ou em fase</p><p>e incubação, desde que não relacionada com internação anterior no mesmo hospital.</p><p>Também são comunitárias as infecções conexas a complicação ou extensão de</p><p>infecção já existente por ocasião da admissão, a menos que exista troca de</p><p>microrganismos com sinais ou sintomas fortemente sugestivos da aquisição de nova</p><p>infecção, as infecções de recém-nascidos, cuja aquisição por via transplacentária seja</p><p>conhecida ou tenha sido comprovada e que se tornaram evidentes logo após o</p><p>nascimento, e as infecções de recém-nascidos associados a bolsa rota superior a 24</p><p>horas.</p><p>26</p><p>Fonte: shre.ink/myxO</p><p>Os indivíduos que exercem seu trabalho em hospitais estão potencialmente</p><p>expostos a uma diversidade de doenças infectocontagiosas e podem adquirir IrAS.</p><p>Esse tipo de infecção diz-se ocupacional.</p><p>IrAS são complicações infecciosas correlacionadas com o paciente e a</p><p>diminuição de sua capacidade de defesa anti-infecciosa, podem ser endógenas,</p><p>exógenas, cruzadas e inter-hospitalares.</p><p>A infecção endógena ocorre quando é gerada pelos próprios microrganismos</p><p>do paciente, comumente imunodeprimido, e que corresponde aproximadamente a</p><p>66% das infecções hospitalares.</p><p>A infecção exógena é a que se verifica a partir de microrganismos estranhos</p><p>ao paciente, sendo veiculada</p><p>pelas mãos da equipe de saúde, nebulização, uso de</p><p>respiradores, vetores, por medicamentos ou alimentos contaminados.</p><p>A infecção cruzada é a que se transmite de paciente para paciente,</p><p>geralmente pelas mãos da equipe de saúde.</p><p>A infecção inter-hospitalar foi criada para definir as IrAS que são levadas de</p><p>um hospital para outro com a alta e subsequente internação do mesmo paciente em</p><p>diferentes hospitais. Os agentes etiológicos mais frequentemente encontrados nos</p><p>processos infecciosos são as bactérias. Entretanto, fungos, vírus ou protozoários, na</p><p>dependência da infecção, tipo e gravidade da doença de base do paciente, assim</p><p>como dos antibióticos usados previamente e do tempo de hospitalização, podem ser</p><p>igualmente frequentes e graves.</p><p>27</p><p>Os pacientes que apresentam maior risco de contrair IrAS nos hospitais são os</p><p>neutropênicos, os submetidos a cirurgias, os internados em UTI, os politraumatizados</p><p>e os grandes queimados (HINRICHSEN, 2018).</p><p>As infecções podem gravíssimas ou assintomáticas, como, por exemplo, as</p><p>bacteriúrias assintomáticas, associadas ao uso do cateter vesical. Em geral, as mais</p><p>graves, com maior taxa de letalidade, são as pneumonias associadas à ventilação</p><p>mecânica (PAV). Estima-se que 90% das IrAS/IH sejam causados por bactérias, 9%</p><p>por fungos e 1% por vírus, protozoários e helmintos.</p><p>A taxa de incidência de IrAS/IH depende da técnica de vigilância</p><p>epidemiológica, dos critérios de diagnóstico e fatores de risco presentes em</p><p>determinada unidade em um dado tempo. Os fatores de risco podem ser intrínsecos</p><p>ou extrínsecos. Os intrínsecos ocorrem quando há predisposição para a infecção,</p><p>determinada pelo tipo e gravidade da doença de base do hospedeiro e que pode ser</p><p>modificado pela terapêutica habitual da doença. Os fatores de risco extrínsecos são</p><p>vários, como: disponibilidade de técnicas invasivas; metodologia da coleta de dados;</p><p>grau de atuação e atualização do serviço de controle da IrAS; qualidade técnica e</p><p>nível de compromisso da equipe de saúde e higiene hospitalar, que compreende</p><p>higienização de mãos da equipe de saúde, métodos de assepsia e antissepsia</p><p>utilizados nos procedimentos invasivos, limpeza ambiental, desinfecção e</p><p>esterilização do equipamento e instrumental, qualidade do ar e da água.</p><p>As doenças microbianas são fenômenos multicausais que decorrem da</p><p>existência de um agente infeccioso em número suficiente; uma via de acesso ao</p><p>hospedeiro; uma porta de entrada e um hospedeiro suscetível (HINRICHSEN, 2018).</p><p>A primeira condição é fácil de ser atendida, pois o hábitat humano é um</p><p>riquíssimo reservatório de microrganismos. O próprio corpo humano tem abundante</p><p>microbiota composta de bactérias, vírus, fungos e protozoários de baixa virulência que</p><p>permanentemente nele habitam. Para que se inicie o processo infeccioso, é</p><p>necessário que a população microbiana seja suficientemente virulenta ou numerosa</p><p>para superar a resistência anti-infecciosa do hospedeiro. A dose infectante (mínimo</p><p>de organismos para iniciar o processo infeccioso) varia de acordo com a virulência do</p><p>agente, a porta de entrada e o hospedeiro.</p><p>A via de transmissão entre o reservatório infeccioso (local em que o agente vive</p><p>e se reproduz) e o hospedeiro pode ser: contato direto (profissional, familiar, social,</p><p>28</p><p>sexual); água, alimentos; fômites (roupas e objetos); vetores mecânicos (utilizados</p><p>como meios de transporte do agente) e vetores biológicos (usados como meios de</p><p>transporte, instrumentos para incubação e, algumas vezes, como hospedeiros</p><p>intermediários).</p><p>A porta de entrada pode ser a via digestiva, a pele, a conjuntiva ou o sistema</p><p>geniturinário. A suscetibilidade à infecção está relacionada com patrimônio genético,</p><p>idade, inibição dos mecanismos de defesa naturais e/ou adquiridos, integridade</p><p>anatômica dos tecidos e, em alguns casos, sexo. O termo infecção está associado à</p><p>ideia de doença mais do que à ocorrência de um agente infeccioso sem conotação</p><p>patológica (HINRICHSEN, 2018).</p><p>Diz-se que há contaminação quando os microrganismos estão transitoriamente</p><p>presentes na superfície do corpo humano sem invasão tissular ou reação fisiológica.</p><p>Esse termo também se refere a microrganismos em objetos inanimados.</p><p>A colonização é o crescimento de um microrganismo em um hospedeiro sem</p><p>nenhuma manifestação clínica ou reação detectável no momento do isolamento. Há</p><p>infecção quando se registram efeitos anatômicos e fisiopatológicos resultantes da</p><p>interação anormal do hospedeiro com um microrganismo qualquer.</p><p>As doenças infectocontagiosas decorrem da agressão direta ou indireta de um</p><p>agente infeccioso inexistente na microbiota do hospedeiro. São etiologicamente</p><p>específicas e tipicamente comunitárias, pois acometem os indivíduos saudáveis. As</p><p>complicações infecciosas resultam de um desequilíbrio entre os mecanismos anti-</p><p>infecciosos do hospedeiro e sua microbiota normal (HINRICHSEN, 2018).</p><p>A frequência das complicações de IrAS varia de acordo com a causa da</p><p>internação, o estado do paciente e o tipo de assistência que recebe. A suscetibilidade</p><p>à infecção pode ser de origem congênita ou adquirida. As imunodeficiências</p><p>adquiridas são encontradas em condições como AIDS, algumas viroses,</p><p>prematuridade, trauma, neoplasias malignas, desnutrição, diabetes, sarcoidose,</p><p>fibrose cística e envelhecimento; além de receptores de órgãos, que são suscetíveis</p><p>a IH devido à supressão da imunidade celular. A suscetibilidade também pode ser</p><p>induzida por medicamentos, como antibióticos, corticosteroides, anti-helmínticos,</p><p>gases anestésicos e imunossupressores.</p><p>Infecção broncopulmonar, supuração de ferida cirúrgica, infecção do sistema</p><p>urinário e sepse de outros focos (primária e secundária) representam 80% das</p><p>29</p><p>complicações infecciosas hospitalares. Entre as menos frequentes estão:</p><p>gastroenterites (3%); supuração de úlceras por pressão (2%); infecção intra-</p><p>abdominal em paciente não operado (1%); impetigo (1%); conjuntivite (1%); otite (1%);</p><p>e outras. A maioria das complicações IrAS está associada a um procedimento de risco.</p><p>Em torno de 65 a 80% das complicações infecciosas do sistema urinário</p><p>ocorrem após cateterização vesical, podendo chegar a mais de 90% em pacientes</p><p>ginecológicas; e 60 a 65% dos casos de sepse hospitalar manifestam-se após</p><p>instrumentação vascular (dissecção venosa, punção para acesso venoso profundo,</p><p>inserção de cateter de Swan-Ganz ou cateterização arterial), podendo chegar a 80%</p><p>em pacientes cirúrgicos. Cerca de 50 a 55% das complicações do sistema respiratório</p><p>inferior ocorrem após intubação oro ou nasotraqueal com ou sem ventilação</p><p>mecânica, podendo chegar a mais de 80% em pacientes cirúrgicos (HINRICHSEN,</p><p>2018).</p><p>Inserção de Cateteres e Drenos</p><p>As sondas, os drenos e os cateteres são rotineiramente utilizados no ambiente</p><p>hospitalar, principalmente nos pacientes cirúrgicos. Esses dispositivos possuem como</p><p>principal finalidade é a contribuição para o tratamento e a recuperação do paciente. A</p><p>maioria deles é inserida pelo enfermeiro, que também podem ser responsáveis pelos</p><p>cuidados diários que esses dispositivos demandam, supervisionando-os e</p><p>manipulando-os (ANDRADE, 2021).</p><p>Todos os dispositivos que são inseridos em nosso corpo, bem como sondas,</p><p>drenos e cateteres, ambos possuem uma permanência específica tolerável, onde que</p><p>se desobedecermos ao tempo permitido nosso corpo começará a dar inicio ao</p><p>processo dos sinais flogísticos, acarretando assim uma possível infecção.</p><p>Existem os cateteres venosos para inserção periférica (CVP) e para inserção</p><p>central (CVC). O cateterismo venoso periférico é amplamente usado na rotina</p><p>hospitalar e consiste na inserção de um cateter de tamanho curto na circulação venosa</p><p>periférica (BARROS, 2016). É um procedimento simples e apresenta baixo risco de</p><p>infecção, podendo ser realizado pelo técnico de enfermagem, porém deve-se respeitar</p><p>os protocolos para</p><p>cada procedimento, bem como usar luvas, fazer a assepsia correta</p><p>entre outros.</p><p>30</p><p>4.1 Conjuntivite</p><p>Fonte: shre.ink/myDw</p><p>A conjuntivite é o tipo mais comum de infecção ocular. Caracteriza-se por</p><p>inflamação na conjuntiva, a membrana mucosa que recobre a parte interna da</p><p>pálpebra e a superfície da esclera, e apresenta-se com hiperemia e exsudato ocular.</p><p>A conjuntivite neonatal é definida como conjuntivite do RN que ocorre nos primeiros</p><p>28 dias de vida, em geral contraída durante o nascimento, a partir do contato com</p><p>secreções genitais maternas contaminadas. Em partos cesarianos, as crianças</p><p>nascidas podem vir a desenvolver conjuntivite neonatal por infecção por via</p><p>ascendente (HINRICHSEN, 2018).</p><p>Os agentes infecciosos mais comumente relacionados são Neisseria</p><p>gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis. Entretanto, outros podem estar associados,</p><p>como herpes simples, Streptococcus viridans, Staphylococcus aureus, Haemophilus</p><p>influenzae, Streptococcus do grupo D, Moraxella catarrhalis, Escherichia coli e outras</p><p>bactérias gram-negativas. RN com conjuntivite devem ser colocados em precaução</p><p>de contato, de modo a evitar transmissão da infecção para outros pacientes.</p><p>As instituições de saúde/hospitais, de modo geral, devem estar atentas para</p><p>manter a esterilidade de produtos para uso ocular, como os colírios. Em geral, eles</p><p>contêm substâncias preservativas para manter a estabilidade da medicação e diminuir</p><p>a probabilidade de contaminação. Os colírios do tipo multidose (com preservativos) e</p><p>de uso domiciliar devem ser usados por um tempo máximo de 1 mês. Já os sem</p><p>31</p><p>preservativo, contendo alcaloide ou antibiótico, devem ser utilizados por até 1 semana,</p><p>desde que conservados à temperatura entre 2 e 8°C.</p><p>Deve-se evitar o uso fracionado de medicações intravítreas, assim como o uso</p><p>de solução antisséptica (iodopovidona ou clorexidina) em almotolias reenvasadas,</p><p>dando-se preferência a frascos descartáveis de uso único. Não se deve, também,</p><p>reaproveitar sobras de solução viscoelástica.</p><p>Os critérios diagnósticos das infecções oculares nosocomiais devem classificá-</p><p>las como conjuntivites e outras infecções oculares, não devendo ser relatadas as</p><p>causadas por instilação ocular de nitrato de prata e as que ocorrerem como</p><p>manifestação de uma doença viral disseminada. Infecções oculares pós-cirurgias são</p><p>definidas como aquelas que ocorrem no período de até 30 dias após o procedimento</p><p>cirúrgico, ou no período de até 1 ano após o procedimento, se houver implante ocular.</p><p>Infecções oculares que se desenvolvam 7 a 14 dias após a alta hospitalar também</p><p>devem ser vistas como IrAS na ausência de vínculo epidemiológico sugerindo</p><p>aquisição na comunidade (HINRICHSEN, 2018).</p><p>As infecções oftalmológicas relacionadas a cirurgias e procedimentos</p><p>oftalmológicos devem ser notificadas e discutidas com equipe multiprofissional, para</p><p>a elaboração de planos de ação para evitar o surgimento de novos casos na instituição</p><p>de saúde/hospital.</p><p>Assim, a introdução de práticas e cuidados gerais, em especial durante os</p><p>procedimentos de manipulação ocular, cirúrgicos ou não, é essencial para prevenção</p><p>de infecções oculares. Por isso, medidas gerais deverão ser sistematizadas para a</p><p>prevenção de infecção ocular relacionada a procedimentos não cirúrgicos e/ou</p><p>cirúrgicos, como a higienização das mãos com água e sabão e/ou solução alcóolica</p><p>antes e após a manipulação ocular e o uso domiciliar de medicamentos tópicos. É</p><p>também importante não compartilhar com outras pessoas frascos de medicamentos</p><p>oculares tópicos, assim como evitar contato do conta-gotas dos frascos de</p><p>medicamentos com pálpebras, cílios, sobrancelhas e pele facial.</p><p>Ao sinal de blefarite, conjuntivite ou outras infecções sistêmicas e/ou locais, os</p><p>procedimentos cirúrgicos deverão ser adiados.</p><p>32</p><p>4.2 Controle de infecções em Pediatria</p><p>Fonte: shre.ink/my0s</p><p>O controle de infecções em pediatria envolve tanto a assistência direta ao</p><p>paciente pediátrico como o ambiente que o acolhe. A origem das IrAS, tanto no adulto</p><p>como na criança, pode ser endógena (a partir da própria microbiota do paciente) ou</p><p>exógena (a partir do ambiente, de outros pacientes ou de profissionais de saúde). A</p><p>transmissão de infecções exógenas pode ocorrer por contato direto (de paciente para</p><p>paciente) ou indireto (através das mãos contaminadas de equipes multiprofissionais),</p><p>por via respiratória (aerossóis e gotículas), por meio de vetores (picada de mosquito)</p><p>e através de veículos comuns (alimento, água, medicamentos, soluções</p><p>intravenosas).</p><p>São fatores de risco de IrAS comuns a adultos e crianças: tempo prolongado</p><p>de hospitalização; exposição a procedimentos invasivos; uso não adequado de</p><p>antimicrobianos; uso de cateter venoso central, uso de cateter vesical, intubação</p><p>traqueal, além de outros fatores peculiares à assistência prestada.</p><p>Em relação aos brinquedos/brinquedoteca em unidades de pediatria, devem</p><p>ser instituídas rotinas de higienização nos ambientes assistenciais. É importante que</p><p>sejam escolhidos brinquedos que permitam a limpeza com água e sabão,</p><p>preferencialmente os de plástico, borracha, acrílico, metal, sem orifícios que</p><p>favoreçam o acúmulo de água em seu interior. Além disso, esses brinquedos devem</p><p>ser atóxicos e fabricados em material que permita a desinfecção com produtos como</p><p>álcool a 70% ou biguanidas. Também é importante que sejam definidos locais de</p><p>33</p><p>acondicionamento desses brinquedos, como caixas laváveis com tampa ou armários</p><p>que sejam acessíveis a uma limpeza periódica e eficaz (HINRICHSEN, 2018).</p><p>Fatores de risco para IrAS em adultos e crianças:</p><p>➢ Imaturidade imunológica;</p><p>➢ Ausência de contato anterior com patógenos;</p><p>➢ Anomalias congênitas que propiciem quebras de barreiras anatômicas;</p><p>➢ Doenças de base motivadoras de internação;</p><p>➢ Falta de controle esfincteriano (nas de pouca idade);</p><p>➢ Fase oral do desenvolvimento;</p><p>➢ Contato físico com pessoas aumentado, possibilitando exposição a</p><p>microrganismos patogênicos;</p><p>➢ Atividades em salas de jogos/brinquedos não adequadamente</p><p>limpos/higienizados;</p><p>➢ Contato com animais de estimação para fins terapêuticos sem controle</p><p>e acompanhamento.</p><p>Todos os que manusearem os brinquedos, incluindo as crianças, devem</p><p>receber orientações quanto aos hábitos de higienização das mãos antes e após</p><p>contato com os brinquedos e ambientes em que estes se encontram. Os brinquedos</p><p>em áreas de isolamento devem ser de uso individual. Em qualquer que seja a situação,</p><p>quando do contato de brinquedos com fluidos corpóreos, estes deverão ser</p><p>imediatamente limpos/higienizados.</p><p>Brinquedos de material não lavável deverão ser descartados após uso, embora</p><p>não sejam recomendados. Em caso de serem de tecido, se não puder ser evitado, o</p><p>uso deverá ser individual.</p><p>Os livros e/ou revistas, assim como dispositivos eletrônicos (tablets,</p><p>computadores, outros) poderão ser usados, mas plastificados para que possam ser</p><p>higienizados após o uso. Se não for possível a plastificação, eles deverão ser</p><p>descartados, se contaminados. A instituição de saúde/hospital deverá implantar um</p><p>procedimento operacional relacionado aos brinquedos e livros, definindo</p><p>periodicidade de limpeza/desinfecção e responsáveis (HINRICHSEN, 2018).</p><p>As unidades de terapia intensiva pediátrica também devem ter rotinas</p><p>específicas para os riscos de infecções relacionadas ao ambiente. A presença</p><p>34</p><p>constante de acompanhantes, nem sempre esclarecidos sobre as chances de</p><p>infecção cruzada e de contaminação de dispositivos, e os deslocamentos/movimentos</p><p>da criança (berço/cama-colo e vice-versa) aumentam as possibilidades de infecções</p><p>cruzadas; portanto, devem ser controlados e preveníveis.</p><p>Na pediatria, assim como com os adultos, as equipes de controle de infecções</p><p>institucionais devem focar suas atividades na implantação de pacotes de medidas que</p><p>diminuam os riscos</p><p>associados a pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV),</p><p>infecção urinária associada ao cateterismo vesical e infecção de cateter venoso</p><p>central (HINRICHSEN, 2018).</p><p>Na inserção do cateter venoso central é fundamental que as equipes</p><p>multiprofissionais sejam treinadas para tal manejo segundo protocolos de indicação</p><p>de uso, lembrando-se da importância da higienização das mãos antes, durante e após</p><p>a manipulação dos cateteres.</p><p>Na prevenção de infecção urinária associada a cateterismo vesical é importante</p><p>que sejam elaborados protocolos institucionais para identificar e remover cateteres</p><p>que não sejam mais necessários, focados em:</p><p>➢ Realizar revisão diária da necessidade de manter o CV, com suspensões</p><p>automáticas, lembretes eletrônicos ou impressos e visitas diárias em beira</p><p>de leito;</p><p>➢ Desenvolver protocolo para manuseio da retenção urinária pós-cirúrgica,</p><p>incluindo cateterismo intermitente e monitoramento por ultrassom;</p><p>➢ Estabelecer sistemas de análise e notificação do uso e eventos adversos</p><p>relacionados a cateteres urinários, assim como monitoramento de desfechos</p><p>adversos relacionados ao cateter vesical (CV), incluindo obstrução, remoção</p><p>não programada, traumas e reinserção nas primeiras 24 h após a remoção.</p><p>35</p><p>5 ÉTICA E CONTROLE DE INFECÇÕES RELACIONADAS À ASSISTÊNCIA À</p><p>SAÚDE</p><p>Fonte: shre.ink/myHf</p><p>O programa nacional de controle de IrAS/IH está vinculado à Associação</p><p>Brasileira dos Profissionais em Controle de Infecção e Epidemiologia Hospitalar, à</p><p>Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e ao Center for Disease Control</p><p>(CDC). O programa de controle de IrAS/IH é o conjunto de medidas destinadas a</p><p>reduzir incidência e gravidade de processos infecciosos. Em 1958, a Associação</p><p>Americana de Hospitais criou os comitês de IH. No Brasil, existe a CCIH, que define</p><p>as diretrizes para a ação de controle de IH. Já o Serviço de Controle de Infecção</p><p>Hospitalar (SCIH) elabora, implanta e mantém o programa de controle e o sistema de</p><p>vigilância epidemiológica e também propõe e coordena a aplicação de normas e as</p><p>motiva para a prevenção e o tratamento de IrAS/IH (HINRICHSEN, 2018).</p><p>É importante estar consciente que, independentemente da situação e a</p><p>qualquer que seja a instituição, sempre existirão pessoas insatisfeitas nos serviços</p><p>que prestam assistência à saúde, sendo a CCIH responsável por todas as situações</p><p>de conflitos como assessora, mas não como participante ativa na relação médico-</p><p>paciente. É fundamental também que o médico e todos os outros profissionais da</p><p>equipe multiprofissional entendam as inúmeras legislações vigentes; melhor</p><p>integração das diversas equipes; menor custo hospitalar; maior proteção ao paciente,</p><p>36</p><p>com menor incidência de infecções cruzadas, superinfecções e/ou multirresistência</p><p>aos antimicrobianos; assim como maior facilidade e aprimoramento na revisão de</p><p>protocolos para melhor controle de riscos e IH.</p><p>Do aspecto ético, existem alguns questionamentos com que os controladores</p><p>de infecções se deparam dia a dia, como:</p><p>➢ Os pacientes e os familiares devem ser informados de ocorrência de</p><p>IH/IrAS?</p><p>➢ Os pacientes e os familiares devem ser informados de ocorrência de surtos?</p><p>➢ As práticas de isolamento ferem direitos essenciais do indivíduo?</p><p>➢ A identificação de um paciente isolado fere o sigilo da informação?</p><p>Compreende-se que o paciente tem direito a ter seu diagnóstico e tratamento</p><p>por escrito, identificado com o nome do profissional de saúde e seu registro no</p><p>respectivo Conselho Profissional, de forma clara e legível. O Código de Ética Médica</p><p>diz que é vedado ao médico:</p><p>➢ Deixar de informar ao paciente o diagnóstico, o prognóstico, os riscos e</p><p>objetivos do tratamento, salvo quando a comunicação direta ao mesmo</p><p>possa provocar-lhe dano, devendo, nesse caso, a comunicação ser feita ao</p><p>seu responsável legal;</p><p>➢ Não permitir ao paciente ter acesso a seu prontuário médico, ficha clínica</p><p>ou similar, bem como deixar de dar explicações necessárias à sua</p><p>compreensão, salvo quando ocasionar riscos para o paciente ou para</p><p>terceiros. O médico deve manter sigilo quanto às informações confidenciais</p><p>de que tiver conhecimento no desempenho de suas atribuições, e o mesmo</p><p>se aplica ao trabalho em empresas, exceto nos casos em que seu silêncio</p><p>prejudique ou ponha em risco a saúde do trabalhador ou da comunidade.</p><p>37</p><p>6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>ANDRADE, Fabiana Martins Dias. Cuidados de enfermagem com sondas, drenos</p><p>e cateteres. SAGAH,2021.</p><p>ANDRADE, Geovana Dombrowski et al. Residência multiprofissional em unidade de</p><p>terapia intensiva: experiências exitosas em tempos de pandemia. Revista Eletrônica</p><p>Acervo Saúde, v. 13, n. 4, p. e7264-e7264, 2021.</p><p>ARAUJO, João Marcos Batista Gomes et al. O direito à saúde e o papel do Sistema</p><p>Único de Saúde em tempos de pandemia no Brasil. Research, Society and</p><p>Development, v. 10, n. 11, p. e566101118005-e566101118005, 2021.</p><p>AZEVEDO, A. P. de; CRISTINO, J. S.; VIANA, M. F.; MEDEIROS, F. P.; AZEVEDO,</p><p>L. S. de. Educação em saúde para acompanhantes de pacientes internados. Revista</p><p>de Enfermagem UFPE, v. 12, n. 4, p. 1168, 2018.</p><p>BARROS, E. Medicamentos de A a Z: 2016/2018. Porto Alegre: Artmed, 2016.</p><p>BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Critérios diagnósticos</p><p>de infecção associada à assistência à saúde. Neonatologia. 2. ed. 65 p. Brasília:</p><p>Anvisa, 2017.</p><p>BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Medidas de Prevenção</p><p>à Assistência à Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Brasília: Anvisa,</p><p>2017.</p><p>BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Pacientes pela segurança do</p><p>paciente em serviços de saúde: Como posso contribuir para aumentar a</p><p>segurança do paciente? Orientações aos pacientes, familiares e acompanhantes/</p><p>Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Brasília: Anvisa, 2017.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 568, de 26 de março de 2020. Autoriza a</p><p>habilitação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva Adulto e Pediátrica para</p><p>atendimento exclusivo dos pacientes com a Covid-19. Diário Oficial da União. 8 Abr</p><p>2020</p><p>BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico</p><p>da Política Nacional de Humanização. HumanizaSUS: Documento base para</p><p>gestores e 47 trabalhadores do SUS / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à</p><p>Saúde, Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. – 4. ed. 4. reimp. –</p><p>Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2010.</p><p>BROWN, L.; MUNRO, J.; ROGERS, S. Use of personal protective equipment in</p><p>nursing practice. Nursing standard (Royal College of Nursing (Great Britain): 1987),</p><p>v. 34, n. 5, p. 59–66, 2019.</p><p>CAETANO, K. C. Controle de infecção hospitalar: regras e organização, SAGAH,</p><p>2020.</p><p>38</p><p>CAMPOS, Francisco Carlos Cardoso de; CANABRAVA, Claudia Marques. O Brasil na</p><p>UTI: atenção hospitalar em tempos de pandemia. Saúde em Debate, v. 44, p. 146-</p><p>160, 2021.</p><p>CARVALHO CMRS, MADEIRA MZA, TAPETY FI, ALVES ELM, MARTINS MCC,</p><p>BRITO JNPO. Biosecurity aspects related to the use of laboratory coats by health</p><p>professionals: a literature review. Texto & Contexto Enferm.18(2):p. 355-60, 2009.</p><p>CHATZOPOULOU, M.; KYRUAKAKI, A.; REYNOLDS, L. Review of antimicrobial</p><p>resistance control strategies: low impact of prospective audit with feedback on bacterial</p><p>antibiotic resistance within hospital settings. Infect Dis (Lond)., v. 20, p. 2-11, 2020</p><p>CORREIA, Camila M.O. Impacto da resistência bacteriana no combate das</p><p>infecções relacionadas à assistência à saúde. 57f. 2013. Monografia. Universidade</p><p>Federal da Paraíba, 2013.</p><p>DIAS, Carla Pena et al. Segurança do paciente no cotidiano de trabalho da equipe</p><p>multiprofissional do transporte aeromédico inter-hospitalar, 2021.</p><p>GÉNÉREUX, M.; DAVID, M. D.; O´SULLIVAN, T.; CARIGNAN, M. E.;</p><p>BLOUINGENEST, G.; CHAMPAGNE-POIRIER, O.; et al. Communication strategies</p><p>and media discourses in the age of COVID-19:</p>

Mais conteúdos dessa disciplina