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EXERCICIO II HISTORIOGRAFIA

Exercício de Historiografia Brasileira I que analisa a formação da sociedade brasileira segundo Gilberto Freyre e Capistrano de Abreu, discutindo a dicotomia casa-grande/senzala, o sistema plantation (monocultura, escravidão, latifúndio, exportação), miscigenação, catolicismo, patriarcado e desigualdade econômica.

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Universidade Estadual da Paraíba – UEPB; campus I – 
Campina Grande- PB Centro de Humanidades – CH; 
Departamento de História - DH — Noturno 2023.1; 
Docente: Alberto Edvanildo Sobreira Coura 
Disciplina: Historiografia Brasileira I Período: 2023.1 Turno: Noturno 
Discente: Danielson Jovencio de Souza Data: 10/05/2023 
 
 
EXERCÍCIO II 
 
Questão 01 
A princípio devemos compreender o estudo sobre a formação da sociedade 
brasileira, suas principais características, como tentativas de entender o porquê da 
sociedade brasileira se estruturar sobre determinados fundamentos e sobre alguns 
preceitos, que segundo os autores Gilberto Freyre e Capistrano de Abreu são, na 
verdade, uma herança do nosso processo de colonização. É importante ressaltar que 
esses autores fazem parte de um momento do pensamento social brasileiro 
classificado como geração de 30, isto é, existe uma espécie de tendência 
metodológica neste momento, com vista a tentativa de compreender as características 
da sociedade brasileira a partir de nossas especificidades históricas, como também, 
da maneira que fomos colonizados, sem tomar qualquer tipo de parâmetros de 
comparação com o desenvolvimento da sociedade europeia ou de outras colônias. 
 Desta maneira, temos a inauguração de um processo de pensar a estrutura 
social brasileira a partir da teoria de Gilberto Freyre, que tenta interpretar as 
características da sociedade brasileira a partir da existência de uma dicotomia 
extremamente importante desde do momento da nossa formação, que dá lugar até 
para o título da sua obra Casa Grande & Senzala, que consoante o autor o Brasil foi 
fundado dentro dessa dicotomia, representado pela casa grande de um lado e pela 
senzala de outro e, dessa maneira aponta as principais características da sociedade 
brasileira, então pensando no processo de colonização fundamentado nessas duas 
estruturas temos o sistema denominado de plantation (sistema econômico com quatro 
 
características fundamentais: monocultura, escravidão, latifúndio e produção voltada 
para exportação). 
Assim temos heranças, temos uma estrutura social que foi toda fundamentada 
nessas características, como exemplo claro temos o latifúndio que até os dias atuais 
podemos entender como uma das principais bases econômica do Brasil, posto isto, 
temos as chamadas comódite, herança de uma sociedade rural, de uma sociedade 
marcada pela estrutura econômica dada pela presença das grandes propriedades de 
terra. 
 Além disso, temos também a presença da escravidão, tanto no aspecto 
econômico quanto no aspecto social, segundo o Gilberto Freyre temos a compreensão 
de que uma grande parcela dos preconceitos, da marginalização e da 
descriminalização existentes na nossa sociedade são resquícios de uma mão de obra 
pautada na escravidão, como foi introduzida no Brasil, onde tivemos mais de 300 anos 
de escravidão, sendo o último país do mundo a abolir essa forma de trabalho. Assim 
como, na ótica do Freyre temos a adoção do catolicismo enquanto uma particularidade 
fundamental da nossa sociedade, uma vez que fomos colonizados sobre esses 
preceitos, fato evidente quando pensamos o papel dos jesuítas no processo de 
formação da sociedade brasileira e no sistema educacional. 
Temos como herança também desse processo, o patriarcado, a figura do chefe 
de família, as relações estabelecidas com os donos das terras (os grandes senhores 
de engenho) que para o Gilberto Freyre vão trazer uma forma de colonização que 
permitiria a construção no Brasil da democracia racial), visto que para o mesmo a 
colonização pautada na casa grande e senzala possibilitava um contato muito próximo 
entre: os brancos europeus, que vieram para colonizar — os cativos (negros africanos 
na forma de escravos) e os indígenas na forma de nativos — assim, esse contanto 
bastante próximo gerou um processo de miscigenação, ou seja, a construção de uma 
tria: o branco, o negro e índio, a qual fomentam as bases da cultura quanto étnicas da 
sociedade brasileira. 
Através disso, não podemos pensar na possibilidade de uma postura que 
represente a degradação racial do brasileiro, era muito comum pensar no 
subdesenvolvimento, no atraso econômico brasileiro como característica da sua 
população, visto de uma forma inferior à população europeia, inclusive, incentivando 
algumas políticas públicas como a política de embranquecimento da população 
 
tomada pelo segundo reinado, que prezava pela entrada de imigrantes brancos no 
Brasil com a finalidade de melhorar a qualidade da população brasileira, pressupondo 
que existiria um estipe de “povo superior”, tal qual era considerado o povo europeu 
como padrão de civilização, como um padrão daquilo que todos os países deveriam 
alcançar. 
 No entanto, o Freyre diz que não temos uma degradação racial, o que temos 
segundo ele é uma desigualdade econômica, e o Brasil por ser essencialmente 
mestiço representaria a negação de qualquer forma de inferioridade biológica do 
brasileiro com as demais populações. Então na visão do Freyre jamais pode ser 
considerada a existência de uma pureza racial, pois essa ideia é fruto de preconceito, 
não existe nenhum brasileiro que possa ser considerado “puro”, temos na própria 
construção da população o processo de miscigenação. Então em sua obra ele faz um 
reelogio da colonização portuguesa, tenta explicar a conquista e ocupação portuguesa 
do Brasil. 
Em capítulos da História Colonial de Capistrano de Abreu, um entusiasta dos 
diversos aspectos do pensamento cientificista então dominante no campo intelectivo, 
como o positivismo de Comte e Spencer, o evolucionismo de Darwin, o determinismo 
geográfico de Ratzel. Efetivamente pode-se considera que Abreu aos poucos 
abandonou a maior parte dessas asserções cientificistas, no entanto, desde do 
começo de sua trajetória se distinguiu pela singularidade do seu modo de 
compreender e evidenciar os precedentes e sujeitos decisórios na execução de 
formação do povo brasileiro, a priori pela discussão da mestiçagem e o papel exercido 
pelo indígena. Ele era pretensioso do papel essencial desempenhado pelo índio no 
movimento de povoamento e exploração da colônia, principalmente no processo de 
mestiçagem que originou o mameluco. Então acatar essa relevância do indígena, até 
mesmo no esboço cultural, aparenta ser mais considerável para Capistrano que 
vasculhar sobre o provável branqueamento gradual do povo brasileiro. 
Fica evidente a forma como Capistrano encara a presença e a natureza do 
“povo” na história do Brasil, quando entendemos suas apreciações acerca das teses 
ou premissas norteadoras dessa crônica — o espaço geográfico e a ocupação 
humana. No relato de Abreu essas questões instituem uma estirpe de meta criatura 
que orientam a operação histórica, transmitindo-lhe suas qualidades essenciais — a 
espacialização e a mestiçagem. Posto isto, condicionalmente, distingue-se dos 
 
romancistas, refutando, à visão bucólica da natureza e das linhagens, os pareceres 
“cientificistas” do centro como barreiras e da miscigenação como obstáculo biológico-
cultural. A extensão territorial para Capistrano, é constituída pelos diversos espaços 
geográficos e pela natureza em suas inúmeras transformações. Destarte, a história 
efetiva-se, assim, na superfície espacial — ou seja — mais em ampliação do que em 
profundidade. 
A apropriação humana do espaço físico é a essência da própria história colonial 
e, consequentemente, dos Capítulos da História Colonial. Contudo, já não faz mais 
parte o aspecto do mito romântico do “envolvimento das três raças” e das suas 
“radiantes” consequências para a formação do povo brasileiro. Desse modo, esforçou-
se em elaborar uma história do Brasil na qual os indígenas tivessem o lugar 
efetivamente adequado, a importância de suas contribuições; é aqui também que 
temos uma das diferenças entre o Capistrano e Varnhagen. Capistrano integra o 
indígenaao acontecimento histórico, o povoamento como fruto das diferentes formas 
de interação entre o homem e o seu meio. 
Ao projetar a história do povo brasileiro, com vista as condições expostas 
acima, Capistrano classifica seus ciclos consoante a visão que se tinha do vínculo 
entre nascidos no Brasil e nascidos no Reino. Primordialmente, afirma, o nascido no 
Brasil era um ser devasso, um “mazombo”, palavra que traz por si mesma a ideia de 
insulto. Diferentemente, do fato de se ter nascido em Portugal, a qual era um pretexto 
de prestígio e nobreza. Por conseguinte, a concepção de povo em Capistrano, apesar 
de algumas alternâncias, não se afasta muito da visão de um conglomerado 
desenvolvido basicamente pelos colonizados e colonos. 
Já o Sergio Buarque de Holanda parte de um pressuposto completamente 
diferente sobre a constituição da sociedade brasileira, partindo do que ele chama de 
sentido da colonização, de acordo com Sergio podemos entender no continente 
americano, principalmente, dois sentidos diferentes da nossa colonização, a qual 
seriam dados sobre a ética dos aventureiros (países ibéricos), onde significava a 
busca pelo enriquecimento, a ideia de explorar a terra o máximo possível em menor 
tempo. E, a ética dos trabalhadores (países anglo-saxões), principalmente a 
Inglaterra, pensando nas colônias de povoamento no norte dos Estados Unidos, onde 
existe um processo completamente diferente, os puritanos que vão colonizar essas 
regiões estão fugindo de perseguições religiosas na Inglaterra, e dessa maneira não 
 
podem voltar para a sua terra natal, sendo necessário formar um povo nessa nova 
terra, então temos a ética trabalho, a ética do esforço e o lucro basicamente como 
uma espécie de recompensa pelo trabalho da população. 
 Percebemos com isso uma grande influência da teoria weberiana sobre a ética 
protestante e o espirito do capitalismo no sentido de que segundo Weber os países 
predominantemente protestantes trazem a ética do asceticismo, ou seja, uma vida 
focada no trabalho e no esforço e, o enriquecimento como uma espécie de 
demonstração de recompensa por essa ética acética e isso representaria a salvação 
dentro dessa doutrina religiosa, já os aventureiros eles agem conforme a ética cristã 
que segundo Sergio Buarque e Weber não são exatamente focadas no 
desenvolvimento econômico. 
 Portanto, neste contexto para o Sergio o Brasil é, na verdade, herdeiro de uma 
série de características da colonização portuguesa, como, por exemplo, a ruralização 
da sociedade e o personalismo (a valorização das relações pessoais entre os 
indivíduos), na qual pensamos no conceito de patrimonialismo, onde o bem público é 
confundido como algo de propriedade particular, como, por exemplo, o poder dos reis 
absolutistas, justamente o que o Sergio Buarque classifica como “homem cordial”, que 
seria a capacidade de tratar as relações pessoais a partir da afetividade e qualificá-
las como importantes para a condução do espaço público e das políticas públicas. 
 
Questão 02 
É sabido que Capistrano fez uma grande inovação na compreensão do Brasil, 
principalmente em referência as teses já publicadas pelo Varnhagen. É importante 
salientarmos que essa mudança não se explica só em termos da origem social, como 
também em razão da época diversa vivida pelo Brasil nos anos seguintes a 1870, o 
meio culto brasileiro era mais amplo, consequentemente refletia também uma maior 
profundidade da vida brasileira, onde se desassossegava após o fim da Guerra do 
Paraguai. Desse modo, pode-se afirmar que Capistrano estabelecerá a sua 
interpretação do Brasil no momento em que o governo monárquico estava conturbado, 
em xeque, assim como a escravidão, e se buscavam novas bases econômicas, 
sociais, políticas e mentais para o Brasil. 
A inquietação cienticista de Capistrano era igualmente de uma nova geração. 
No período pós-Guerra do Paraguai, os descendentes querem reinterpretar a história 
 
brasileira, priorizando não mais a monarquia, como Varnhagen, mas sim o povo e a 
sua estrutura étnica. O debate naquela ocasião era, então, o positivismo, o 
determinismo climático, o determinismo biológico, o spencerianismo, o comtismo, o 
darwinismo, assim também como as teorias raciais. Tinha-se ali uma ideia de que a 
sociedade poderia ser estudada com o mesmo direcionamento com que se estudava 
a natureza, visto que se submetia aos regimentos gerais de desenvolvimento. 
Segundo Reis 2007 apud Chacon, 1977; Wehling, 1994) “Euclides da Cunha, O. 
Vianna, Silvio Romero, Tobias Barreto, enfim, a geração de Capistrano de Abreu, 
discutia darwinismo social, luta pela vida, seleção das espécies e defendia um 
conhecimento antimetafísico, empírico, histórico”. 
 Existia uma grande tentativa desses autores para afrontar de modo diferente o 
remoto passado brasileiro — havia, naquele momento, uma preocupação dita 
“cientificista”. E quiçá, Abreu no momento que foi para o Estado do Rio de Janeiro, 
tenha tido um maior contato com os autores positivistas ingleses e franceses no 
Colégio Pedro II e, por consequência disto, tenha sofrido o doutrinamento das 
discussões positivistas. De acordo com Reis (2007) apud Wehling, “a influência 
cientificista é determinante na obra de Capistrano entre 1874 e 1880”. Contudo, é 
considerado que esse interesse pelos ideais do positivismo se limitou a uma fase 
primária de sua produção. Pois com o passar do tempo, com o conhecimento da língua 
alemã, passou dos positivismos ao realismo histórico rankiano. 
 Ademais, Capistrano, teve um aspecto diferente dos autores da sua geração 
— trará o futuro do Brasil, ganhara o ceticismo transcorrido entre os eruditos 
brasileiros, a qual visavam o Brasil com as postulações decisivas europeias e nele 
não viam o que elas valorizavam, mesmo que ele também, em um primeiro momento, 
tivesse se impregnado de tais teorias e feito também alguma contorção conceitual. 
Por conseguinte, optou pela teoria também europeia que aprecia a singularidade, a 
autenticidade de cada povo, e idealizou uma nova constituição do Brasil, onde 
trabalhara o tempo histórico particularmente brasileiro, ele valorizou o seu povo, as 
suas batalhas, os seus hábitos, assim também como a miscigenação, os ares tropicais 
e a natureza brasileira. 
 Logo, após todas essas influências a qual vimos a cima é possível destrinchar 
a obra Capítulos da História Colonial, uma obra que percebemos que o Capistrano de 
Abreu valoriza a existência indígena e considera um Brasil mais caboclo do que 
 
mulato, um povo mais do sertão do que do litoral. Desse modo, na encantadora obra 
aparecem os percursos que conduzem ao sertão, achegando no Brasil, os colonos se 
alteraram e se tornaram uma individualidade distintamente brasileira, buscava-se alí 
instruir a sociedade brasileira o seu enigma, elucidar a história pátria, em um período 
em que a história do país era ignorada. Localizar o Brasil era relevante, onde fica, 
divisas a leste, oeste, norte e sul, isto é, as suas demarcações. 
 Então era feito observações sobre o relevo, e traços geográficos, efetuando 
um tipo de mapeamento do território. E, como ocupadores desse território, havia o 
indígena, narrado em seus costumes, práticas, técnicas, sexualidade, trabalho, língua, 
educação, crenças. Além dessas duas referências, Abreu incluíra outros dois a qual 
não fazia parte desse espaço, porém aqui vieram chegar: o europeu e o africano. A 
qual os classifica como sujeitos exóticos — os “alienígenas”. Os índios temiam os 
portugueses, ao mesmo tempo que eram cativados, eram encantados pelos seus 
equipamentos de caça, pesca, roupas e objetos corados e brilhantes. Contudo, 
geravam-lhe conflitos, já os negros eram dominados, humilhados, submetidos, viviam 
sob a malevolência frequente do português. 
Portanto, Capistrano diferencia bastante de Varnhagen em sua obra, ele não 
faz mais uma história oficial, conectada ao Estado,não faz só uma narrativa político-
administrativa, faz um trabalho também, ligado ao social e cultural, não faz um elogio 
da conquista e colonização portuguesa, e sim da conquista e colonização do Brasil 
pelo brasileiro mulato; relata a ocupação do interior; o sujeito da história do Brasil 
nessa ótica é o brasileiro mestiço, ainda cristão — mas sem um linguajar político claro 
— não faz uma história da construção da identidade do Brasil em modelos europeus, 
procurava as identidades brasileiras no interior, “nos sertões”. 
É de conhecimento que a obra Raízes do Brasil deu-se da ideia do Sergio 
Buarque de Holanda em escrever um livro sobre o Brasil chamado teoria da América, 
publicado no ano de 1936, na obra o historicismo alemão faz parte de suas pesquisas 
históricas, onde ele se mostra em grande parte weberiano, assuntos tratados pelo 
teórico alemão, como a constituição das culturas, o dialeto, o domínio, a 
racionabilidade e as modas de seu tempo, manifestam-se como intento da obra. 
A invenção se deu no momento em que a situação do meio científico primavam 
em ideias naturalistas, elencando que aspectos naturais e biológicos eram causados 
por um certo tipo de atraso civilizacional do Brasil. Vulgarizando tais presunções, 
 
Buarque procurou esclarecer que, de fato, eram precedentes socioculturais os 
motivadores do “modus operandi” da sociedade brasileira, efetuando uma inspeção 
profunda de maneira de descobrir e expor aquilo que intitula Raízes do Brasil. 
Mas como podemos identificar essa linha basilar da metodologia weberiana em 
Buarque? Como se passaa identificá-los em Raízes do Brasil? A extensão 
metodológica é trabalhada quando Sérgio discorre da cultura ao imputar à coletividade 
ibérica uma série de atributos comuns, a exemplo o da cultura da personalidade. Se 
classifica como uma formação sociocultural — macro — ao ser partilhada e fortalecida 
pelos sujeitos sociais — micro — gerava diversos problemas na estruturação social 
do Brasil. 
 Segundo Oliveira Júnior (2021) apud Feldeman (2013) Há que se ressaltar que 
tanto na edição de 1936 quanto na de 1948, a cultura da personalidade foi colocada 
como um obstáculo à democracia no Brasil: na primeira, um impeditivo total, na 
segunda, um obstáculo a ser superado. Diante das características ideais e a forma 
histórico-comparativo, são observados em sua investigação sobre a ocupação das 
Américas Ibérica e Saxã, peculiarizando dois tipos de comportamentos reduzidas ao 
trabalhador e a do aventureiro. Para ele, os ibéricos foram os pioneiros dos trópicos, 
ação desempenhada com descaso, como um aventureiro, indivíduo que pretende um 
fim gerador de um benefício imediato, omitindo os esforços intermediários. 
Ademais, a participação de Weber em Raízes do Brasil é expressa nas 
remissões diretas de Holanda para realizar análises histórico-comparativas. No 
momento que expõe os Novos Tempos, o autor faz menção à Ética Protestante e o 
Espírito do Capitalismo, cotejando a circunstância da cultura fixado no Brasil não 
cultuar, o trabalho. O ímpeto final estava, na obra municiada de personalidade, o que 
divergiu dos protestantes, onde o trabalho possuía uma qualidade religiosa. 
Vale salientar a ideia de racionalidade, na concepção de Weber, a 
racionalidade, a qual estão conexas ao alongamento da avaliação das ações, é um 
feito que está no eixo da modernidade, sobrevindo uma tendência para sua 
disseminação: a ação de racionalização da vida assim como do desengano do mundo. 
Assim, Sérgio Buarque de Holanda ao trazer argumentos acerca do domínio da 
atuação tradicional e do ato afetivo no Brasil, como consequência de suas raízes, faz 
com que a velocidade do processo abordado por Weber seja colocada em pauta. O 
autor brasileiro associa este atraso com as circunstâncias de, até mesmo na 
 
administração pública, o individualismo e o sentimento familiar serem extremamente 
relevantes. 
Buarque dita até: “o homem cordial”, que basicamente caracteriza-se em um 
“modus vivendi” próprio dos brasileiros, então esse homem cordial se erige sobre 
relações de afeto e costumeiros em detrimento da racionais. Desse modo, para 
chegar-se a este tipo, o autor cedeu, que entre a família e o Estado Moderno havia 
uma descontinuidade, no sentido de as relações afetivas que estão situadas na 
primeira serem sucumbidos pelas ações impessoais presente no segundo. Neste 
aspecto, os sujeitos que se apoderassem dos cargos administrativos aspiravam a 
tratar das transações públicas como se fossem do interesse pessoal, não 
diferenciando as esferas públicas das privadas. 
Portanto, associando as reflexões de Holanda com as ideias de Weber, é 
concebível destacar que os atributos do homem cordial se conectam na forma de 
dominação tradicional. O domínio tradicional tem como particularidades a crença no 
tradicionalismo divino, isto é, no controle de bens representativos e materiais que 
definem colocações sociais, de maneira que os vínculos sociais e coletivos são 
pautados pela tradição, pelas prioridades, pelos elos de lealdades feudais ou 
“patrimoniais”, pela honra estamental (nascer pobre e ficar rico) e pela “boa vontade”. 
 
Referências bibliográficas 
ABREU, Capistrano de. Capítulos de história colonial: 1500-1800. Brasília: 
Universidade de Brasília, 1982. 
FREYRE, Gilberto. Casa-Grande & Senzala, 50ª edição. Global Editora. 2005. 
Holanda, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo: companhia das letras, 
1997. 
OLIVEIRA JÚNIOR, M. V. As Raízes Weberianas de uma Interpretação do Brasil. 
Humanidades em diálogo, v. 10 (2021) https://doi.org/10.11606/issn.1982-
7547.hd.2021.158741. 
REIS, José Carlos. As identidades do Brasil: de Varnhagen a FHC. 9. ed. Rio de 
Janeiro: Editora FGV, 2007.

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