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CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO MOTOR Professora Juliana Montenegro Seron Reitor Márcio Mesquita Serva Vice-reitora Profª. Regina Lúcia Ottaiano Losasso Serva Pró-Reitor Acadêmico Prof. José Roberto Marques de Castro Pró-reitora de Pesquisa, Pós-graduação e Ação Comunitária Profª. Drª. Fernanda Mesquita Serva Pró-reitor Administrativo Marco Antonio Teixeira Direção do Núcleo de Educação a Distância Paulo Pardo Coordenação Pedagógica do Curso Fabiana Arf Edição de Arte, Diagramação, Design Gráfico B42 Design *Todos os gráficos, tabelas e esquemas são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência. Informamos que é de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem autorização. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido pela Lei n.º 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal. Universidade de Marília Avenida Hygino Muzzy Filho, 1001 CEP 17.525–902- Marília-SP Imagens, ícones e capa: ©freepik, ©envato, ©pexels, ©pixabay, ©Twenty20 e ©wikimedia F385m sobrenome, nome nome livro / nome autor. nome /coordenador (coord.) - Marília: Unimar, 2021. PDF (00p.) : il. color. ISBN xxxxxxxxxxxxx 1. tag 2. tag 3. tag 4. tag – Graduação I. Título. CDD – 00000 BOAS-VINDAS Ao iniciar a leitura deste material, que é parte do apoio pedagógico dos nossos queridos discentes, convido o leitor a conhecer a UNIMAR – Universidade de Marília. Na UNIMAR, a educação sempre foi sinônimo de transformação, e não conseguimos enxergar um melhor caminho senão por meio de um ensino superior bem feito. A história da UNIMAR, iniciada há mais de 60 anos, foi construída com base na excelência do ensino superior para transformar vidas, com a missão de formar profissionais éticos e competentes, inseridos na comunidade, capazes de constituir o conhecimento e promover a cultura e o intercâmbio, a fim de desenvolver a consciência coletiva na busca contínua da valorização e da solidariedade humanas. A história da UNIMAR é bela e de sucesso, e já projeta para o futuro novos sonhos, conquistas e desafios. A beleza e o sucesso, porém, não vêm somente do seu campus de mais de 350 alqueires e de suas construções funcionais e conectadas; vêm também do seu corpo docente altamente qualificado e dos seus egressos: mais de 100 mil pessoas, espalhados por todo o Brasil e o mundo, que tiveram suas vidas impactadas e transformadas pelo ensino superior da UNIMAR. Assim, é com orgulho que apresentamos a Educação a Distância da UNIMAR com o mesmo propósito: promover transformação de forma democrática e acessível em todos os cantos do nosso país. Se há alguma expectativa de progresso e mudança de realidade do nosso povo, essa expectativa está ligada de forma indissociável à educação. Nós nos comprometemos com essa educação transformadora, investimos nela, trabalhamos noite e dia para que ela seja ofertada e esteja acessível a todos. Muito obrigado por confiar uma parte importante do seu futuro a nós, à UNIMAR e, tenha a certeza de que seremos parceiros neste momento e não mediremos esforços para o seu sucesso! Não vamos parar, vamos continuar com investimentos importantes na educação superior, sonhando sempre. Afinal, não é possível nunca parar de sonhar! Bons estudos! Dr. Márcio Mesquita Serva Reitor da UNIMAR Que alegria poder fazer parte deste momento tão especial da sua vida! Sempre trabalhei com jovens e sei o quanto estar matriculado em um curso de ensino superior em uma Universidade de excelência deve ser valorizado. Por isso, aproveite cada minuto do seu tempo aqui na UNIMAR, vivenciando o ensino, a pesquisa e a extensão universitária. Fique atento aos comunicados institucionais, aproveite as oportunidades, faça amizades e viva as experiências que somente um ensino superior consegue proporcionar. Acompanhe a UNIMAR pelas redes sociais, visite a sede do campus universitário localizado na cidade de Marília, navegue pelo nosso site unimar.br, comente no nosso blog e compartilhe suas experiências. Viva a UNIMAR! Muito obrigada por escolher esta Universidade para a realização do seu sonho profissional. Seguiremos, juntos, com nossa missão e com nossos valores, sempre com muita dedicação. Bem-vindo(a) à Família UNIMAR. Educar para transformar: esse é o foco da Universidade de Marília no seu projeto de Educação a Distância. Como dizia um grande educador, são as pessoas que transformam o mundo, e elas só o transformam se estiverem capacitadas para isso. Esse é o nosso propósito: contribuir para sua transformação pessoal, oferecendo um ensino de qualidade, interativo, inovador, e buscando nos superar a cada dia para que você tenha a melhor experiência educacional. E, mais do que isso, que você possa desenvolver as competências e habilidades necessárias não somente para o seu futuro, mas para o seu presente, neste momento mágico em que vivemos. A UNIMAR será sua parceira em todos os momentos de sua educação superior. Conte conosco! Estamos aqui para apoiá-lo! Sabemos que você é o principal responsável pelo seu crescimento pessoal e profissional, mas agora você tem a gente para seguir junto com você. Sucesso sempre! Profa. Fernanda Mesquita Serva Pró-reitora de Pesquisa, Pós-graduação e Ação Comunitária da UNIMAR Prof. Me. Paulo Pardo Coordenador do Núcleo EAD da UNIMAR 006 Unidade 01: 042 Unidade 02: 072 Unidade 03: 103 Unidade 04: Plano de Conhecimento Primeira Infância Infância e Adolescência Idade Adulta e o seu Desenvolvimento 01UNIDADE Plano de Conhecimento Introdução Olá, caro(a) aluno(a). Daremos início à primeira unidade da disciplina de Desenvolvimento e Comportamento Motor. Nesse momento serão trabalhados alguns conceitos básicos que envolvem os diversos assuntos relacionados ao desenvolvimento e ao comportamento motor, necessários para que você possa estudar os próximos assuntos e aprender sobre aspectos do desenvolvimento humano. Para que você se torne o pro�ssional que atue de maneira e�caz é necessário conhecer cada uma das etapas do desenvolvimento e os diversos aspectos que fazem parte de cada uma delas. Depois que conhecer alguns termos que iremos utilizar durante toda disciplina, você irá compreender o desenvolvimento motor, suas características e particularidades. Em seguida, aprenderá que existem diferentes modelos teóricos de desenvolvimento motor e, a partir de alguns referenciais teóricos selecionados, observará possibilidades de trabalho para o pro�ssional da Educação Física. Vale lembrar que o desenvolvimento humano não é linear nem tampouco �xo, ou seja, sofre a in�uência de diversos aspectos e pode ser diferente de uma pessoa para outra, o que justi�ca a necessidade de que você conheça alguns modelos teóricos de desenvolvimento motor, buscando autores que estudam o assunto em suas pesquisas. Diante disso, ao término da unidade você irá conhecer os aspectos que podem interferir no desenvolvimento humano. Costumeiramente usamos para designar desenvolvimento motor os termos típico – quando as aprendizagens motoras estão acontecendo conforme o esperado para determinada idade; e atípico – quando algo nas ações motoras de um ser humano não acontece de acordo com o esperado e este demonstra não estar desenvolvendo as habilidades motoras de acordo com as tabelas de referência. Considerando o exposto, �nalizo a unidade explicando um modelo teórico de desenvolvimento motor. Espero ter instigado sua curiosidade. A partir de agora te convido a �car cada vez mais intrigado e entendido do assunto. Bons estudos! Plano de Estudo: �. Introdução e conceitos; �. Compreendendo o desenvolvimento motor; �. Modelos de desenvolvimento humano; �. Fatores que afetam o desenvolvimento motor; �. Explanação do modelo teórico do desenvolvimento motor. Objetivos de Aprendizagem: �. Conceituar e contextualizar os principais termos utilizados que permeiam o desenvolvimentomotor; �. Compreender o desenvolvimento motor a partir de diferentes referenciais teóricos; �. Conhecer os fatores que interferem no desenvolvimento motor típico considerando suas etapas. Introdução e conceitos Neste tópico inicial você irá conhecer termos que serão utilizados durante toda a disciplina. É fundamental que, sempre que necessário, esta unidade seja retomada. Se achar melhor, monte uma tabela ou mapa mental desses termos para tê-los sempre à mão. São conceitos que fazem parte dos estudos em desenvolvimento humano e que dialogam, ou seja, existe uma relação entre eles, mas cada um tem aspectos especí�cos, que precisam ser conhecidos por você. Por isso recomendo que, ao estudar o tópico, vá montando anotações e recorra a elas sempre que precisar. Desenvol�mento, Maturação, Crescimento, Aprendizagem e outros Termos Neste tópico você irá conhecer termos e conceitos que serão utilizados de maneira recorrente na disciplina e na sua atuação como pro�ssional da Educação Física. Para tanto, o embasamento teórico se deu em Gallahue e Ozmun (2013); Tani (2008); Fonseca (2008); Magill (2000) e Haywood e Getchell (2016). O desenvolvimento é entendido como o conjunto de processos de natureza biológica que representa as transformações que ocorrem em um organismo no decorrer da vida. Em se tratando de desenvolvimento humano, tal processo está relacionado a aspectos de ordem psíquica, também é fruto das frequentes relações e interações sociais que constrói, estabelece e promove no decorrer de sua vida. Sendo assim, em nós, seres humanos, o desenvolvimento abrange diversos aspectos, sendo: sociológico, biológico e psicológico. Considerando que tais dimensões funcionam de maneira interativa, formando o ser humano de maneira integral, temos complexidade e individualidade no mesmo ser. Ao tratarmos do desenvolvimento motor, falamos do conjunto de modi�cações no comportamento, nas ações motoras, de acordo com a idade. Constitui um processo complexo de alterações que, interligadas, envolvem aspectos de crescimento maturação de sistemas e aparelhos do corpo humano. O desenvolvimento motor tem início na concepção, se estende por toda a vida e termina ao morrer. Gallahue e Ozmun (2013, p. 30), na obra, considerada a “bíblia” do desenvolvimento motor, de título Compreendendo o desenvolvimento motor, apresentam as seguintes concepções (caro(a) aluno(a), recomendo que você grave este nome, será uma referência fundamental na sua área). Por crescimento entende-se o conjunto de modi�cações morfológicas do ser humano nos aspectos corporais, como composição e proporção dos segmentos, resulta da mensuração das transformações de hipertro�a – aumento de massa muscular – e de hiperplasia – aumento do número de células em órgãos ou tecidos. O crescimento é um processo permeado por mudanças hormonais complexas, manifestado em períodos mais e menos intensos. Portanto, não é um percurso linear e acaba por ser assimétrico, com momentos de maior ou menor estabilidade. Os termos crescimento e desenvolvimento são usados com frequência como sinônimos, mas há diferença de ênfase. No seu sentido mais puro, o crescimento físico refere-se ao aumento do tamanho do corpo do indivíduo ou de suas partes durante a maturação. Em outras palavras, crescimento físico é o aumento na estrutura do corpo provocado pela multiplicação ou aumento das células. No entanto, o termo crescimento muitas vezes é usado para se referir à totalidade das mudanças físicas e, assim, torna-se mais inclusivo, assumindo o mesmo sentido de desenvolvimento. [...] o desenvolvimento, no seu sentido mais puro, refere-se a mudanças no nível de funcionamento do indivíduo ao longo do tempo. [...] embora o desenvolvimento seja visto mais como o surgimento e a ampliação da capacidade de funcionar em um nível elevado, temos de reconhecer que o conceito de desenvolvimento é muito mais amplo e que ele é um processo cuja duração se estende pela vida inteira. A maturação é uma concepção estritamente biológica, expressa por um conjunto de modi�cações �siológicas determinadas pelas especi�cidades genéticas. Apesar de encontrar o seu sentido de forma mais ampla e até mesmo como sinônimo de desenvolvimento, ou algumas vezes de aprendizagem, optamos por estabelecer maturação no patamar dos processos internos que geram alterações morfológicas ou do que tange ao potencial de aprendizagem e desenvolvimento do ser humano. Sobre maturação, Gallahue e Ozmun (2013, p. 30) apresentam que refere-se a mudanças qualitativas, que permitem a progressão até níveis mais elevados de funcionamento. Quando vista a partir de uma perspectiva biológica, a maturação é primordialmente inata; ou seja, é determinada geneticamente e resistente a in�uências externas ou ambientais. A maturação é caracterizada por uma ordem de progressão �xa, em que o ritmo pode variar, mas a sequência de surgimento das características, em geral, não varia. Ao tratarmos de maturação nos referimos aos processos especí�cos que ocorrem em sistemas, como nervoso, ósseo, entre outros. Mesmo que possamos olhar aspectos maturacionais de cada um desses sistemas, é fato que existem entre eles uma espécie de comunicação expressa num mecanismo de regulação em conjunto, o que faz com que o organismo funcione de maneira harmônica. Segundo Haywood (2016, p. 21) Maturação denota o progresso em direção à maturidade física, ao estado de integração funcional ideal dos sistemas corporais de um indivíduo e à capacidade de reprodução. já o desenvolvimento continua o mesmo depois que se atinge a maturidade física. As mudanças �siológicas não param ao �nal do período de crescimento físico: elas ocorrem durante toda a vida. Aspectos maturacionais são essenciais para o desenvolvimento motor e interferem nas aprendizagens das pessoas, ou seja, caso uma criança, adolescente ou adulto não esteja com seus sistemas “maduros” para desenvolver determinada habilidade ou competência, e isso está intimamente relacionado com a idade, ela pode não ocorrer. O que quero dizer com isso, aluno(a)? Pense na aprendizagem do andar pela criança, que acontece por volta dos 12 meses de vida. Pois bem, se não há minimamente a maturação dos sistemas nervoso, ósseo e muscular, a criança vai conseguir aprender a andar? Re�ita sobre a situação por alguns instantes antes de continuar seus estudos... Mas vamos deixar claro que o desenvolvimento humano não depende exclusivamente da maturação, apesar de existirem linhas teóricas que defendem tal premissa. Neste material vamos trabalhar com a ideia de que para que o desenvolvimento ocorra de maneira saudável é necessário um conjunto de aspectos, entre esses a aprendizagem. SAIBA MAIS Aprendizagem é entendida como o conjunto de adequações e ajustes da resposta a partir de uma vivência, que envolvem estruturas de tomada de decisão superiores. Constitui-se em processos de mudanças comportamentais derivados de experiências construídas em aspectos sócio afetivos, emocionais, neurológicos, ambientais e relacionais. Nesse sentido, a aprendizagem motora é o conjunto de processos motores e cognitivos relacionados às ações e à prática, e que acabam por modi�car o comportamento motor. A aprendizagem motora vai estudar o desenvolvimento de aquisições motoras no decorrer da vida, quando, por exemplo, uma criança passa do não saber andar de bicicleta para o conseguir realizar tal ação motora com destreza e segurança e de que maneira todo o processo acontece. Nesta perspectiva serão estudados os aspectos que interferem na aquisição das habilidades motoras, bem como os mecanismos que atuam nas alterações do comportamento motor. De acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p. 32), “aprendizado motor portanto, é o aspecto do aprendizado em que o movimento desempenha a principal parte. O aprendizado motor é uma mudança relativamente permanente no comportamento motor, resultando da prática ou da experiência passada”. Por controle motor entende-se os movimentos realizados econtrolados, ou seja, os que são intencionais. Nesse caso são controlados voluntariamente pelo Sistema Nervoso Central e trabalham de maneira coordenada do sistema muscular e ósseo, numa relação entre sistema sensorial, meio ambiente e movimentos corporais. Para Gallahue e Ozmun (2013, p. 33) “é o aspecto do aprendizado e do desenvolvimento motor que lida com o estudo dos mecanismos neurais e físicos subjacentes ao movimento humano”. O termo comportamento motor refere-se às alterações no controle e no desenvolvimento motor e contempla aspectos de aprendizagem e dos processos maturativos relacionando a performance na realização dos movimentos corporais. Sendo assim, o comportamento motor estuda aprendizagem, controle e desenvolvimento motor. Estudando de que maneiras os movimentos são apreendidos, bem como as alterações sofridas no decorrer da vida em resposta aos fatores internos e externos. Por habilidade motora entende-se a execução de uma ação motora que tenha um objetivo especí�co e, para tal, requer a realização de movimentos voluntários do corpo ou de membros, quais sejam: andar, correr, saltar, tocar um instrumento, entre outros. São os movimentos voluntários realizados pelo corpo para executar determinada tarefa. O termo movimento diz respeito às mudanças que observamos nas posições dos segmentos corporais, que culminam de atos motores subjacentes. E para terminar nosso glossário de verbetes fundamentais da disciplina vamos falar de experiência, entendida como aspectos ambientais que possibilitam a alteração do desenvolvimento no decorrer do processo de aprendizagem. As vivências da criança podem interferir no ritmo dos padrões de comportamento motor que surgem. Por isso é essencial que o ambiente seja saudável e que os estímulos proporcionados às pessoas sejam coerentes com as etapas de desenvolvimento, respeitem os níveis maturacionais e os interesses de acordo com a faixa etária. Ao iniciarmos esta unidade �z uma sugestão que retomo agora, se, por acaso, você não fez. Agora que estudou diversos termos que serão utilizados no decorrer da disciplina, e bem provavelmente durante o curso, bem como em sua atuação pro�ssional, monte uma tabela ou mapa mental do que foi trabalhado. Sempre que precisar ou tiver dúvida em relação a um desses verbetes recorra às suas anotações. Compreendendo o desenvol�mento motor No presente tópico iremos tratar do desenvolvimento motor: noções básicas e conceituais, aspectos históricos, métodos de estudo do desenvolvimento – longitudinal, transversal e longitudinal misto. Neste momento buscamos um aporte teórico essencial para construção dos saberes da disciplina e que irão contribuir de maneira signi�cativa para as próximas unidades e para a sua formação pro�ssional. Noções Básicas e Conceituais Antes de mais nada, pense por alguns instantes na importância dos movimentos para a vida das pessoas. Isso mesmo... Pense no cotidiano das pessoas e o quanto o movimento corporal é fundamental para realização das inúmeras tarefas que executamos. Na verdade, tudo o que fazemos depende e envolve ações motoras, desde movimentos involuntários, como as batidas do coração ou a respiração, até os intencionais, como caminhar, digitar e tantos outros que executamos o tempo todo. Por isso entender a maneira como tais movimentos são realizados, compreender o controle motor e aspectos de coordenação, realização de movimentos e de desenvolvimento é fundamental para entendermos a vida humana. Ao conhecer o processo de desenvolvimento motor típico – quando se dá de maneira saudável e de acordo com o esperado para a idade, sem intercorrências – somos capazes de proporcionar estímulos adequados e orientações essenciais para que o ensino-aprendizagem ocorra de maneira e�caz. O que isso quer dizer na prática? Quando os pro�ssionais da Educação, da Educação Física e até mesmo pais e responsáveis compreendem aspectos do desenvolvimento, estão aptos a selecionar estratégias, técnicas e atividades condizentes com as necessidades de desenvolvimento do aluno, o que os permite construir o planejamento de ensino pautado em referenciais que estudam o ser humano com base em suas especi�cidades, respeitando cada etapa de aprendizagem. O resultado são aulas mais signi�cativas para o grupo, mais relevantes e que realmente desenvolvem habilidades essenciais para determinada faixa etária e promovem aprendizagens que serão importantes para os próximos conteúdos a serem aprendidos. Pois bem, para essas pessoas, entender de desenvolvimento motor pelos pro�ssionais que os atendem fornece um suporte consistente que contribui na intervenção, no processo terapêutico e na prescrição da medicação. Compreender os processos de desenvolvimento humano é necessário em diversos contextos da sua atuação pro�ssional, quais sejam: escola, treinamento desportivo, academia, clínica, entre outros. Leia com atenção o que Gallahue e Ozmun (2013, p. 21) dizem sobre o assunto Você pode estar se perguntando, mas e aquelas pessoas que têm desenvolvimento atípico, como crianças com transtornos do neurodesenvolvimento: Autismo, TDAH, De�ciência Intelectual; ou transtornos especí�cos de aprendizagem: Dislexia, Disortogra�a, Disgra�a, entre outros? De que serve conhecer aspectos e tabelas de referência de desenvolvimento motor? Sem noções sólidas sobre os aspectos do desenvolvimento do comportamento humano, podemos apenas intuir técnicas educativas e procedimento de intervenção apropriados. As instruções com base no desenvolvimento envolvem experiências de aprendizado que são não apenas adequadas à idade, mas também apropriadas e divertidas em termos de desenvolvimento. O fornecimento de instruções é um aspecto importante do processo ensino-aprendizado. As instruções, entretanto, não explicam o aprendizado; o desenvolvimento, sim. E aí? Percebeu a importância de conhecer o desenvolvimento para intervir de maneira consistente e responsável? Sendo assim, podemos continuar nossos estudos... Gostaria de esclarecer que para montagem deste material utilizei referenciais teóricos signi�cativos sobre o tema, mas que não se con�guram como verdades absolutas, pode ser que em suas pesquisas e estudos posteriores você encontre outras perspectivas e diferentes abordagens e linhas teóricas. Permita-se o debate entre os diferentes olhares e possibilite o diálogo e não o enfrentamento das teorias. Feitos os devidos esclarecimentos, vou apresentar um esquema construído por David Gallahue e Ozmun (vai aparecer muitas vezes por aqui...) que consiste numa visão transacional sobre as causas do desenvolvimento motor. Neste momento gostaria que você observasse a imagem e buscasse exemplos do cotidiano que explicitem cada um dos fatores. Faça a tentativa! Figura 1 - Visão tradicional da relação causal no desenvolvimento motor Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 22). A Figura 1 mostra os diversos aspectos que atuam no desenvolvimento motor do ser humano e representam a maneira como estão interligados. Justamente por isso que o pro�ssional da Educação Física deve estar atento às condições para o desenvolvimento dos seus alunos, lembrando sempre que para que uma aprendizagem aconteça deve estar em condições favoráveis: individuais, ambientais e da tarefa, como apresenta a �gura. Para vencer a relação dicotômica que existe entre os aspectos biológicos e os ambientais a �m de compreender o desenvolvimento motor, Manoel (2008, p. 34) esclarece que [...] o desenvolvimento motor, nos últimos anos, é visto como um processo que envolve a emergência, a aquisição e o aperfeiçoamento de funções e habilidades a partir de um script que vai sendo escrito ao longo da experiência. A extensão do script, a gramática sobre a qual ele opera, é predeterminada pela nossa natureza (biológica) humana. É fundamental estudarmos o desenvolvimento como um processo contínuo que começa ao nascer e se estende durante toda a vida, terminando com a morte. Por isso devemos estudar o desenvolvimentoem todas as idades, pensando que ocorre no decorrer da vida e que as aquisições e aprendizagens são progressivas e contínuas, ou seja, elas acontecem do mais simples para o mais complexo e dependem de aprendizagens anteriores para que possam evoluir. Ficou confuso? Exempli�co para esclarecer... Para aprender a correr, a criança deve primeiro andar, para andar deve aprender a �car em pé, em equilíbrio, e assim sucessivamente. De acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p. 23), O processo de desenvolvimento, e, de modo mais especí�co, o processo de desenvolvimento motor, deve nos fazer lembrar constantemente da individualidade do aprendiz. Cada indivíduo tem um cronograma singular para a aquisição das capacidades de movimento e das habilidades de movimento. Embora o “relógio biológico” do indivíduo seja bem especí�co, quando se trata da sequência de aquisição das habilidades de movimento (maturação), a taxa e a extensão do desenvolvimento são determinadas individualmente (experiência) e sofrem drástica in�uência das demandas de performance das tarefas. Sobre o desenvolvimento motor Haywood (2016, p. 4-5) aponta que deriva de diversos aspectos e os aponta ao a�rmar que Primeiro, é um processo contínuo de mudanças na capacidade funcional. pense na capacidade funcional como a capacidade de existir - viver, mover-se e trabalhar - no mundo real. Esse é um processo cumulativo, em que os organismos vivos estão sempre em desenvolvimento, mas a quantidade de mudanças pode ser mais ou menos observável ao longo da vida. Segundo, o desenvolvimento está relacionado à idade (apesar de não depender dela). À medida que a idade avança, o desenvolvimento ocorre. Todavia, ele pode ser mais rápido ou mais lento em diferentes períodos, e suas taxas podem diferir entre pessoas da mesma idade. Cada indivíduo não necessariamente avança em idade e desenvolvimento na mesma proporção. Além disso, o desenvolvimento não para em uma idade em particular, mas continua ao longo da vida. Terceiro, o desenvolvimento envolve mudanças sequenciais. Um passo leva ao passo seguinte, de maneira irreversível e ordenada. essa mudança é resultado de interações internas do indivíduo e de interações entre o sujeito e o ambiente. Todos os componentes de uma espécie passam por padrões previsíveis de desenvolvimento, mas o resultado é sempre um grupo de indivíduos únicos. Ainda sobre desenvolvimento motor, temos um pesquisador da área da Educação Física, com uma abordagem inicialmente desenvolvimentista, Tani (2008, p. 317), que considera como ótimo o desenvolvimento motor que implica no [...] aumento da diversi�cação e complexidade do comportamento motor. Entende-se por aumento de diversi�cação o aumento na quantidade de elementos do comportamento e por aumento de complexidade, o aumento de interação entre os elementos de comportamento. No próximo tópico iremos conhecer, de maneira sucinta, os principais aspectos históricos que permeiam os estudos de desenvolvimento motor. Tais informações irão contribuir de maneira signi�cativa para compreender a importância de estudar o tema na sua atuação pro�ssional. O desenvolvimento motor transversaliza o trabalho do pro�ssional de Educação Física, tendo em vista que o seu objeto de estudo é o corpo em movimento. Aspectos Históricos Os primeiros estudos que tematizam o desenvolvimento motor partiram do princípio da maturação e foram encabeçados por Arnold Gesell (1928) e Myrtle McGraw (1935). Os pesquisadores defendiam a ideia de que “o desenvolvimento é função de processos biológicos inatos, que resultam em uma sequência universal de aquisição das habilidades de movimento pelo bebê” (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 23). Além disso, partiam do pressuposto de que o ambiente in�uencia o desenvolvimento, mas que de temporariamente, tendo em vista que os aspectos genéticos se sobrepunham aos fatores ambientais. No �nal do século XIX aconteceram alguns estudos sobre a aprendizagem motora e, nesse momento, foram impulsionados pela Psicologia, com os pesquisadores Bryan e Harter (1897), ao tratar da aquisição de habilidades de manejo do código Morse. Posteriormente por Woodsworth (1899), com base na análise da relação entre precisão e velocidade nos movimentos das mãos. Franklin M. Henry (1964), a partir da psicologia experimental, considerado um dos principais pesquisadores das habilidades motoras, propõe estudos da coordenação motora ampla, observando ações motoras realizadas por todo o corpo em situações de jogos e ginásios. Henry teve como discípulos nas décadas de 70 e 80 Dick Schmidt e Craig Wrisberg, haja vista que Henry in�uenciou diretamente as áreas da Educação Física e da Cinesiologia – ciência que analisa os movimentos corporais. Após a segunda guerra mundial surgiram novos estudos sobre o desenvolvimento motor, por pesquisadores da área da Educação Física que trabalharam com as potencialidades da performance motora em crianças. Diferente de Gesell e McGraw, que trabalharam mais com bebês, Espenschade, Glassow e Rarick (1981) concentraram suas investigações em crianças em idade escolar. Depois da década de 60, os estudos acerca do desenvolvimento motor foram ampliando. Estudantes e pesquisadores se propuseram a investigar a aquisição dos padrões dos movimentos fundamentais e os meios subjacentes para tais aquisições, ou seja, quais aspectos interferem nas aprendizagens motoras. De acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p. 24), Durante as décadas de 1980 e 1990, a ênfase do estudo do desenvolvimento motor de novo mudou de forma drástica. Em vez de focar o produto do desenvolvimento, como nas abordagens normativas/descritivas das três décadas precedentes, os pesquisadores passaram a enfatizar outra vez a compreensão dos processos subjacentes envolvidos no desenvolvimento motor. Embora a importância fundamental da hereditariedade tivesse sido reconhecida, agora era dada uma importância complementar às condições do ambiente do aprendizado e às exigências especí�cas da tarefa ou ação motora. Com o surgimento de novas perspectivas e outras possibilidades de entendimento do desenvolvimento motor, os olhares para as aprendizagens foram se expandindo. Isso aconteceu também pois o desenvolvimento infantil foi sendo mais estudado e as particularidades da infância sendo analisadas e observadas com mais critérios. Durante muitos anos a criança era vista como um “adulto em miniatura” e bastava que ela fosse capaz de executar tarefas típicas da fase adulta para que a ela fossem dadas tarefas típicas da maturidade. Para ampliação das aprendizagens, no próximo tópico você irá conhecer alguns modelos de desenvolvimento humano a partir de diferentes referenciais teóricos, pesquisadores que se propuseram a estudar o fenômeno do desenvolvimento humano e, a partir disso, construíram teorias consistentes sobre o desenvolvimento do ser humano em perspectivas teóricas diversas. Modelos de desenvol�mento humano Neste tópico iremos conhecer algumas teorias que tratam do desenvolvimento humano em diferentes perspectivas. A proposta aqui é promover a ampliação de ideias sobre a maneira como acontece o desenvolvimento humano a partir de diferentes referenciais teóricos. Vale esclarecer que foram selecionados alguns pesquisadores que podem contribuir para sua aprendizagem, o que não quer dizer que sejam os únicos. Piaget – Teoria do Desenvol�mento Cognitivo Uma das teorias mais exploradas pela Educação, idealizada por Piaget, a Teoria do Desenvolvimento Cognitivo, está entre as mais conhecidas por pesquisadores do desenvolvimento infantil. Piaget parte do desenvolvimento cognitivo para construir uma tabela de referenciais de aprendizagem, de acordo com a faixa etária da criança. Estuda a maneira como se aprende, do nascimento até os 11 anos, principalmente, e sugere organizar em estágios, que podem ser observados na Tabela 1. Distinguindo quatro períodos de desenvolvimento cognitivo, quais sejam: sensório-motor, pré-operatório, operatório concreto e operatório formal, Piageta�rma que o sujeito constrói esquemas de assimilação mentais para interpretar a realidade. Tabela 1 - Desenvolvimento cognitivo por estágios - Jean Piaget Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 58). A aprendizagem humana acontece por meio da adaptação, complementada por processos conhecidos como acomodação e assimilação, como pode ser observado no esquema a seguir: Figura 2 - Processos do desenvolvimento cognitivo de acordo com Piaget Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 59). Nesta perspectiva, Piaget (2011, p. 89) a�rma que Levando em conta, então, esta interação fundamental entre fatores internos e externos, toda conduta é uma assimilação do dado a esquemas anteriores (assimilação a esquemas hereditários em graus diversos de profundidade) e toda conduta é, ao mesmo tempo, acomodação destes esquemas a situação atual. Daí resulta que a teoria do desenvolvimento apela, necessariamente, para a noção de equilíbrio entre os fatores internos e externos ou, mais em geral, entre a assimilação e a acomodação. Erik Erikson – Teoria Psicossocial Conhecida como psicossocial, essa teoria apresenta fases-estágio para estudar o desenvolvimento humano. Embasado na experiência, Erikson defende que o desenvolvimento psicossocial sofre in�uência de aspectos motores e da educação pelo movimento no decorrer da vida, sendo o movimento o componente fundamental na relação de reciprocidade nas relações parentais. Para o autor, o contato físico e as experiências corporais oferecem suporte para o estado psíquico de con�ança ou descon�ança estabelecido (GALLAHUE; OZMUN, 2013). A Tabela 2 mostra os estágios e as características da teoria proposta por Erikson. Para esse momento da sua formação, caro(a) aluno(a), este panorama é su�ciente, já que a proposta aqui é apresentar teorias que possam dialogar com o desenvolvimento motor. Tabela 2 - Desenvolvimento psicossocial organizado em estágios - Erikson Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 55). Arnold Gesell – Teoria da Maturação Gesell aborda na teoria da maturação do desenvolvimento e do crescimento que o aspecto principal para o desenvolvimento dos aspectos físicos e motores do comportamento humano é a maturação do sistema nervoso. Para o pesquisador, o desenvolvimento humano está pautado em adquirir uma gama de habilidades motoras rudimentares pelo bebê, e que essas capacidades atuam como indicadores fundamentais para o crescimento social e emocional do indivíduo. Gallahue e Ozmun (2013, p. 44) esclarecem que Gesell descreveu várias idades em que as crianças se encontram em períodos “nodais” ou então “fora de foco” em relação ao seu ambiente. O estágio nodal é um período de maturação, durante o qual a criança exibe elevado grau de domínio em situações no ambiente imediato, apresenta equilíbrio de comportamento e geralmente é agradável. Estar fora de fora é o contrário: a criança exibe um baixo grau de domínio em situações no ambiente imediato, apresenta desequilíbrio ou problemas de comportamento e geralmente é desagradável. Essa teoria atualmente não é largamente aceita, mas já serviu de base para orientar muitos estudos e pesquisas. Freud – Teoria Psicanalítica A teoria psicanalítica proposta por Freud apresenta estágios e pode ser vista como um dos primeiros modelos do desenvolvimento humano, centrada na personalidade, trata de “estágios psicossexuais do desenvolvimento”, que [...] re�etem várias zonas do corpo comas quais o indivíduo busca satisfazer o id (fonte inconsciente de motivos, desejos, paixões e busca de prazer) em determinados períodos etários gerais. O ego faz a mediação entre o comportamento de busca do prazer do id e o superego (senso comum, razão e consciência) (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 43). Freud organizou sua teoria nos seguintes estágios: oral, anal, fálico, latente e genital, com base nos locais de busca de prazer do ser humano e a�rma que, cada estágio está relacionado com as sensações físicas e com as atividades motoras. Robert Ha�ghurst – Teoria do Ambiente Essa abordagem parte do princípio de que, ao realizar uma tarefa e obter sucesso, o indivíduo �ca feliz, o que garante êxito nas atividades posteriores. Caso a realização da tarefa não seja bem sucedida, o resultado será a infelicidade, desaprovação social e di�culdade. De acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p. 62), Em cada nível do desenvolvimento, a criança encontra novas demandas sociais. Essas demandas, ou tarefas, surgem a partir de três fontes. Primeiro, surgem da maturação física. Depois, surgem das pressões culturais da sociedade, como aprender a ler e a ser cidadão responsável. A terceira fonte de tarefas é o próprio indivíduo. As tarefas surgem da personalidade em maturação e dos valores e das aspirações próprias individuais. Para Havighurst, o professor tem papel fundamental nesse processo, pois pode planejar de maneira adequada o processo de ensino, “identi�cando as tarefas adequadas a determinado nível de desenvolvimento e tendo plena consciência de que o nível de prontidão da criança é in�uenciado por fatores biológicos, culturais e pessoais”, e que estes, por sua vez funcionam de maneira integrada (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 62) Havighurst organizou as etapas do desenvolvimento da seguinte forma: fase do bebê e primeira infância – nascimento até 5 anos; segunda infância – 6 a 12 anos; adolescência – 13 a 18 anos; adultez jovem – 19 a 29 anos; meia-idade – 30 a 60 anos e terceira idade – 60 anos em diante. Segue uma tabela, trazida por Gallahue e Ozmun (2013), que apresenta os marcos do desenvolvimento a partir da teoria de Havighurst. Lembrando que as aprendizagens devem ser observadas de maneira ampla e com certa �exibilidade, haja vista que o ser humano pode apresentar alterações, considerando que o que temos em tabelas de referência são aproximações convenientes e não protocolos rígidos ou enquadramentos que determinam desenvolvimento humano. QUADRO - Períodos do desenvolvimento de acordo com a teoria de Havighurst A. Fase do bebê e da primeira da infância (do nascimento até os 5 anos) �. Aprender a andar. �. Aprender a ingerir alimentos sólidos. �. Aprender a falar. �. Aprender a controlar a eliminação das fezes e da urina. �. Aprender as diferenças sexuais e o modo correto de comportar-se sexualmente. �. Aquisição de conceitos e de linguagem para descrição da realidade social e física. �. Prontidão para ler. �. Aprender a distinguir o certo do errado e desenvolver a consciência. B. Segunda infância e pré-adolescência (de 6 a 12 anos) �. Aprender as habilidades físicas necessárias a jogos comuns. �. Construir uma atitude bené�ca em relação a si mesmo. �. Aprender a conviver com seus pares. �. Aprender um papel sexual apropriado. �. Desenvolver habilidades fundamentais de leitura, escrita e cálculo. �. Desenvolver conceitos necessários à vida diária. �. Desenvolver a consciência, a moralidade e uma escala de valores. �. Alcançar independência pessoal. C. Adolescência (de 13 a 18 anos) �. Manter relações maduras com ambos os sexos. �. Manter um papel masculino ou feminino �. Aceitar o próprio físico. �. Conquistar independência emocional em relação aos adultos. �. Preparar-se para o casamento e a vida em família. �. Preparar-se para uma carreira rentável. �. Adquirir valores e um sistema ético para orientar o próprio comportamento. �. Desejar e alcançar um comportamento socialmente responsável. D. Adulto jovem (de 19 a 29 anos) �. Escolher um companheiro. �. Aprender a viver com um parceiro. �. Formar uma família. �. Criar os �lhos. �. Administrar a casa. �. Iniciar-se em uma pro�ssão. �. Assumir a responsabilidade cívica. E. Adulto médio �. Ajudar os �lhos adolescentes a serem adultos felizes e responsáveis. �. Ter responsabilidade social e cívica de adulto. �. Alcançar resultados satisfatórios na carreira. �. Participar de atividades de lazer adultas �. Relacionar-se com o cônjuge como pessoa. �. Aceitar as mudanças �siológicas da meia-idade. �. Adaptar-se ao envelhecimentodos pais. F. Terceira idade (de 60 anos em diante) �. Adaptar-se à redução da força e da saúde. �. Adaptar-se à aposentadoria e à redução da renda. �. Adaptar-se à morte do cônjuge. �. Estabelecer relações com um grupo de pessoas da mesma idade. �. Cumprir obrigações sociais e cívicas. �. Estabelecer um local de moradia satisfatório. Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 62-63). Fatores que afetam o desenvol�mento motor Para começo de conversa re�ita sobre as seguintes questões: Todas as pessoas têm as mesmas habilidades motoras desenvolvidas? Existem aprendizagens de movimento corporal que você consegue e outras pessoas que conhece não conseguem fazer? Todas as crianças aprendem as ações motoras com a mesma idade? Pois bem, acredito que suas respostas para as perguntas foram negativas, tendo em vista que, mesmo entre irmãos gêmeos univitelinos, as aquisições das habilidades motoras podem ser diferentes. O que quero dizer com isso? Que apesar de existirem referências e tabelas para o desenvolvimento humano, e para o motor também, existem aspectos que interferem e in�uenciam diretamente na aprendizagem humana. E o objetivo deste tópico é exatamente esse: mostrar para você quais fatores podem afetar o desenvolvimento das aprendizagens motoras. Sabendo que existem os fatores individuais, que estão relacionados a cada ser humano particularmente, os fatores ambientais, que dizem respeito ao meio no qual a criança está inserida, e, por último, mas não menos importante, existem os aspectos relacionados às tarefas físicas, como questões étnicas e culturais. É imprescindível que nós, pro�ssionais da Educação Física possamos conhecer cada um deles, para olhar o desenvolvimento motor e todas as variáveis que interferem na evolução saudável. Fatores Indi�duais Aqui tratamos dos aspectos genéticos e hereditários. Quando falamos de similaridades, entendemos que existe uma tendência de que o desenvolvimento humano aconteça de forma ordenada e previsível, porém existem aspectos biológicos que podem alterar tal ordem e previsibilidade. A direção do desenvolvimento é um desses aspectos individuais, está relacionada à maturação neuromotora e à progressão cefalocaudal – controle da musculatura partindo da cabeça em direção aos pés – e proximodistal – controle da musculatura e dos movimentos, partindo do centro do corpo para as extremidades, em direção às partes mais distantes. Assim como no desenvolvimento cefalocaudal, o conceito de proximodistal aplica-se tanto aos processos do crescimento como à aquisição das habilidades de movimento. Por exemplo, em relação ao crescimento, o tronco e a cintura escapular crescem antes dos braços e das pernas, que crescem antes dos dedos das mãos e dos pés. Na aquisição das habilidades, a criança mais nova é capaz de controlar os músculos do tronco e da cintura escapular antes dos punhos, das mãos e dos dedos. Esse princípio do desenvolvimento é usado com frequência nos primeiros anos de escola, quando são ensinados os elementos menos re�nados da escrita antes do ensino dos movimentos mais re�nados e complexos (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 84-85). Tais aspectos se desenvolvem durante toda a vida e na velhice acontece o caminho inverso, ou seja, as ações motoras que os membros inferiores e superiores realizam tendem a perder a destreza e e�cácia. Por isso é necessário que as pessoas se mantenham ativas durante toda a vida e continuem fazendo atividades físicas na terceira idade, para que não percam a capacidade de mobilidade corporal adquirida, tendo em vista que isso acontece biologicamente. Outro aspecto é a taxa de crescimento, que pode sofrer interferência quando a criança é acometida por uma doença grave que, momentaneamente, pode afetar o seu padrão de crescimento. Esse fator é resistente à in�uência externa, ou seja, mesmo que haja alteração no crescimento no indivíduo, por doença ou prematuridade, a tendência é que a criança recupere os níveis de crescimento e alcance os colegas com idade aproximada a sua. Caso ocorra a permanência no atraso de crescimento essa diferença pode afetar o desenvolvimento motor de maneira signi�cativa e o efeito disso está relacionado ao tempo de duração e da gravidade da carência, O entrelaçamento recíproco é um aspecto do indivíduo que corresponde ao “entrelaçamento coordenado, progressivo e intrincado dos mecanismos neurais dos sistemas musculares opostos em uma relação de maturidade crescente” (GALLAHUE E OZMUN, 2013, p. 85). Está relacionado à capacidade de diferenciar e integrar mecanismos motores e sensoriais, aumentando de maneira complexa dois processos diferentes, chamados de diferenciação e integração. A diferenciação é relativa às ações motoras amplas que vão sendo progressivamente re�nadas na infância e adolescência. Por exemplo, a pega de um objeto, primeiro ela é feita com a mão toda de maneira mais global e, à medida que o movimento vai sendo diferenciado, vai re�nando até que a pega �ca como pegamos no lápis de maneira madura, por volta dos 7 anos. O controle desses movimentos re�nados se dá a partir da prática. A integração acontece quando os músculos opostos e os sistemas sensoriais interagem de maneira coordenada. A criança mais nova vai dos movimentos pouco coordenados e imprecisos para ações motoras de�nidas, maduras e orientadas. Sobre os processos de diferenciação e integração Gallahue e Ozmun (2013, p. 86) esclarecem que [...] tendem a reverter-se quando a idade avança. Conforme a pessoa envelhece e as capacidades de movimento começam a regredir, a interação coordenada dos mecanismos sensoriais e motores frequentemente �ca inibida. O grau de regressão das capacidades do movimento coordenado não é mera função da idade, mas sofre grande in�uência dos níveis de atividade e da atitude. Outro fator individual é a prontidão, que depende da junção de aspectos biológicos, ambientais e físicos, diz respeito a estar pronto para aprender determinada tarefa. Algumas variáveis interferem na capacidade de estar apto para aprender uma nova habilidade de movimento corporal, quais sejam, maturação psíquica e física, interação de maneira motivada, aprendizado de pré- requisitos e ambiente rico em estímulos. O aspecto da prontidão sofre in�uência direta do professor, ou seja, cabe a quem ensina observar se a criança está “madura” e já possui as aprendizagens necessárias para vivenciar um novo estímulo, que vai dar origem a uma nova habilidade. Os períodos de aprendizagem críticos e sensíveis estão relacionados à prontidão e aos momentos da vida nos quais os indivíduos estão mais suscetíveis a certos estímulos em relação a outros períodos. Por exemplo, a da idade em que tal fato ocorrer e do potencial de crescimento genético do indivíduo. criança que não tem nutrição adequada ou carência de experiências motoras na primeira infância pode sofrer consequências negativas no desenvolvimento em uma idade mais avançada. Existem etapas sensíveis amplamente determinadas, durante os quais as pessoas estão aptas a aprender novas tarefas de forma mais e�caz e efetiva. Vale destacar que o aprendizado acontece durante toda a vida, ou seja, é possível aprender novas habilidades motoras ou de outra natureza em qualquer momento da vida, mas existem períodos em que ocorre a aprendizagem facilitada, em que existem condições favoráveis para tal. O fator que trata das diferenças individuais está relacionado às singularidades que cada ser humano apresenta, ou seja, cada pessoa possui seu cronograma próprio de desenvolvimento, que deriva da hereditariedade somada à in�uência do ambiente. Mesmo que exista uma sequência para o desenvolvimento das características, o ritmo das aquisições pode variar. As habilidades �logenéticas são vistas na perspectiva da maturação, surgem de forma automática e resistem às in�uências externas, são [...] as tarefas de manipulação rudimentares de alcançar, pegar e soltar objetos; tarefas de estabilidade para adquirir controle sobre a musculaturaampla do corpo; e as capacidades locomotoras fundamentais de caminhar, saltar e correr são exemplos do que é considerado habilidade �logenética (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 88). As habilidades ontogenéticas resultam de estímulos do ambiente e de oportunidades de aprendizagem. Exemplos como andar de bicicleta, nadar, não aparecem de maneira automática, mas devem ser aprendidos ou vistos e experimentados para que possam ser aprendidos pela criança, são fortemente in�uenciados por aspectos culturais e ambientais. De acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p. 88), Embora haja uma tendência biológica para o desenvolvimento de determinadas habilidades em função de processos �logenéticos, seria simplista pressupor que, sozinha, a maturação é responsável pelo desenvolvimento motor. A extensão ou domínio de qualquer habilidade de movimento voluntário depende, em parte, da ontogenia, ou seja, do ambiente. Em outras palavras, oportunidades de prática, estímulo e instrução, a ecologia ou condições do ambiente contribuem signi�cativamente para o desenvolvimento das habilidades de movimento ao longo da vida. Apesar de existirem fatores individuais, �cou bastante claro que o papel do professor, dos estímulos e das vivências a serem oferecidas ao indivíduo constituem-se como essenciais na formação e no desenvolvimento das habilidades motoras. A aprendizagem depende de diversos aspectos, mas é imprescindível que seja oferecido à criança um ambiente saudável e favorável para aquisição de habilidades e competências quando se trata de movimento humano. Fatores Ambientais Quando falamos de fatores ambientais nos concentramos no comportamento das pessoas que convivem com as crianças, nas relações parentais estabelecidas e na maneira como tais relacionamentos afetam o desenvolvimento humano. O aspecto conhecido como estimulação e privação diz respeito ao nível de experiências a que o ser humano é submetido. O quanto o treinamento e a exposição a estímulos interferem no desenvolvimento de habilidades. Em contrapartida a carência e escassez de vivências pode “atrasar” tais aprendizagens. Apesar de existir um potencial biológico para que determinada habilidade seja desenvolvida, é fato que quando a criança é estimulada a experimentar diversas possibilidades de ação motora, o resultado é um repertório de habilidades e nível de destreza de acordo com o esperado para a idade ou até mesmo avançado se comparado com uma criança da mesma idade que vive em condições ambientais desfavoráveis em se tratando de estímulos ambientais. Tal aspecto é facilmente observado quando olhamos os intervalos escolares. Vemos meninos e meninas da mesma idade, mas com níveis de habilidades motoras bastante diversi�cados. A premissa básica para entendermos esse aspecto é que as crianças aprendem e passam grande parte da infância agindo por imitação. Isso mesmo, as crianças imitam muitas coisas que estão ao seu redor. O que justi�ca muitas vezes os pais “não saberem” a origem de determinados comportamentos, gestos ou falas de seus �lhos. O fator conhecido como laços trata da interação recíproca que se estabelece entre mãe e �lho, pai e �lho, entre outras. Esta relação mútua pode atuar de maneira signi�cativa no ritmo e na extensão do desenvolvimento da criança. Fatores das Tarefas Físicas Neste item precisamos olhar para aspectos como: etnia, classe social, gênero, formação étnica e cultural e, sem qualquer tipo de preconceito, olhar para tais fatores como passíveis de in�uenciar o crescimento e o desenvolvimento motor. Vamos exempli�car de maneira simples: se pensarmos na coordenação motora óculo pedal, quem desenvolve mais facilmente? Meninos ou meninas? Pois bem, de maneira geral, por questões culturais, os meninos são orientados para o futebol e suas habilidades muito precocemente, o que interfere na aquisição e aprimoramento das habilidades. Evidente que muitas a�rmativas que fazíamos há algum tempo já não podem ser feitas atualmente, e assim as coisas vão sendo modi�cadas. Mas, como pro�ssionais que lidam diariamente com desenvolvimento humano, é necessário re�etir sobre diversas situações que fazem parte do nosso cotidiano e da nossa atuação pro�ssional. ATENÇÃO A prematuridade é um aspecto bastante observado quando vamos tratar de desenvolvimento humano, mas especi�camente das aquisições motoras. O nascimento prematuro pode acarretar efeitos a longo prazo e ocasionar diferenças nas aquisições motoras no decorrer da vida do indivíduo. Quando o bebê é submetido aos estímulos adequados e tem os atendimentos necessários, muitas vezes acaba progredindo de maneira satisfatória e acaba alcançando níveis de desenvolvimento de acordo com o esperado para a idade. Porém, se não houver um acompanhamento adequado e atendimento necessário, a criança pode ter seu desenvolvimento afetado. O aspecto que se refere aos transtornos de alimentação trata de situações como obesidade, compulsão alimentar, anorexia/bulimia, e entre crianças, adolescentes e adultos podem afetar de maneira acentuada o crescimento e desenvolvimento motor. A obesidade e o sobrepeso aumentam o risco do aparecimento de doenças graves, como diabetes e hipertensão e estão associadas a várias situações negativas de saúde, como colesterol elevado, problemas hormonais, entre outros. A compulsão alimentar é um transtorno no qual o indivíduo apresenta descontrole nos episódios de alimentação com intervalos e quantidades irregulares. A anorexia/bulimia é um transtorno psíquico que deriva da aversão à comida e na autoinanição, podendo resultar em atraso no desenvolvimento ou até mesmo levar à morte. O nível de aptidão física de uma pessoa afeta no desenvolvimento motor, quando falamos das condições de força, velocidade, �exibilidade, resistência, entre outras capacidades relacionadas ao condicionamento físico, estamos também falando do desenvolvimento das habilidades motoras. Quanto mais treinamos e nos exercitamos, melhores são as nossas capacidades e consequentemente melhor será nosso condicionamento físico. O aspecto que trata da biomecânica trata dos princípios mecânicos do movimento corporal, numa relação com estabilidade, locomoção e manipulação. O ser humano é capaz de movimentar-se de muitas formas, mas é importante conhecermos alguns movimentos básicos que dão suporte para que todos os outros movimentos sejam aprendidos e realizados. Entre eles podemos citar o equilíbrio corporal, que dá base para muitos movimentos que realizamos. Como podemos andar se não somos capazes de manter o corpo em equilíbrio, em bipedia? O equilíbrio corporal sofre a ação da gravidade sobre o corpo e a maneira como respondemos corporalmente a ela. A força em situações como aplicação e recepção está relacionada à capacidade de contração e relaxamento que permite executar diversas ações motoras e serve de pré-requisito para que o corpo realize e aprenda uma variedade de movimentos corporais cada vez mais complexos. O modelo teórico do desenvol�mento motor Metodologicamente, o desenvolvimento motor é categorizado de acordo com a idade cronológica, por meio da distribuição em grupos a partir das faixas etárias correspondentes. Nesse sentido, Gallahue e Ozmun (2013) destacam que não são protocolos fechados, mas sim escalas de tempo aproximadas que mostram os comportamentos observáveis durante um período da vida. A vida humana tem como uma das características justamente passar por diversas transformações no seu decorrer e por diversas etapas: ovo, embrião, feto, recém-nascido, criança, adolescente, adulto, idoso. Tais fases perpassadas pelo ser humano parte do conjunto de funções básicas peculiares ao processo como um todo, que são crescimento, desenvolvimento e maturação, incorporado às dimensões cognitiva, afetiva e social. É fundamental que possamos olhar o desenvolvimento humano de maneira holística, ou seja, como um todo, no qual as dimensões cognitiva, afetiva e motora atuam e funcionam de maneira integrada, para que possamoscontribuir de maneira signi�cativa em suas aprendizagens. Os domínios do desenvolvimento humano não atuam de maneira isolada ou independente, mas de forma interativa. Vou exempli�car... Quando estamos emocionalmente desestabilizados nossa capacidade de aprendizagem, ou seja, nossa cognição, acaba sendo afetada. A condição afetiva do ser humano interfere na cognitiva e nos movimentos corporais e assim por diante. Já que mencionamos os domínios de desenvolvimento humano, vamos entender de maneira sucinta cada um deles: Domínio motor: caracteriza as estruturas para identi�car os movimentos corporais humanos. Atualmente, usamos o termo Psicomotor para designar esse domínio, por entender que mente e corpo são aspectos indissociáveis e se re�etem nas habilidades motoras. São as transformações progressivas no comportamento motor, que ocorrem a partir de condições ambientais, interagindo com ambientes favoráveis de aprendizado. Nesse domínio estão as ações motoras básicas e fundamentais, como andar, correr, saltar, pegar, lançar etc. Além dessas, também as habilidades esportivas, laborais e especí�cas, como pilotar um avião. Domínio cognitivo: são as mudanças progressivas nas habilidades de pensamento, raciocínio e ação. É constituído de diversos processos mentais, tais como: atenção, concentração, memória, entre outros. Domínio afetivo: diz respeito à capacidade de interação e relacionamento que o ser humano aprende no decorrer da vida. As pessoas utilizam o movimento para se relacionarem com o mundo ao seu redor, com as pessoas, com os objetos, com a natureza. Esse domínio trata dos comportamentos sociais que são aprendidos quase em sua totalidade e podem ser melhorados. É de suma importância conhecer os domínios do desenvolvimento, tendo em vista que existe uma inter-relação entre eles. Nosso comportamento motor responde aos estímulos decorrentes das demais dimensões do desenvolvimento humano. Quando tratamos do desenvolvimento motor, buscamos referências que possam contribuir para entender as aquisições e aprendizagens no decorrer da vida, do nascimento até a velhice. Para nos ajudar no entendimento das aprendizagens motoras, irei apresentar a famosa “ampulheta” do desenvolvimento motor, proposta por Gallahue e Ozmun (2013), que mostra as etapas distribuídas por faixa etária. A ideia é que você comece a se familiarizar com ela. Para tanto, gostaria que você observasse a imagem a seguir e pensasse por alguns instantes em crianças e adolescentes do seu convívio, se assim for possível, que estejam em cada uma das etapas. Figura 3 - Fases e estágios do desenvolvimento motor Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 69). Essa ampulheta apresenta as etapas do desenvolvimento motor, que, neste momento do material, serão brevemente apresentadas. Cada uma das etapas mostradas será devidamente tratada nas próximas unidades. Fique tranquilo(a), aluno(a), que ao término desta disciplina você irá conhecer todas as fases do desenvolvimento motor de maneira detalhada, a �m de que tais conhecimentos possam auxiliar sua prática. Vale ressaltar que tal ampulheta sofreu algumas alterações, ao considerar que existem aspectos que interferem no desenvolvimento da motricidade, e ampliou o modelo para o que será apresentado na sequência. Observe com atenção quais alterações foram realizadas e tente, como num jogo das diferenças, detectar tais modi�cações. A nova versão foi chamada “ampulheta triangulada”. Figura 4 - Ampulheta triangulada proposta por Gallahue e Ozmun Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 76). E então? Observou as inserções? Veja o que Gallahue e Ozmun (2013, p. 76) a�rmam sobre a �gura Preenchimento da ampulheta individual com “areia” (i.e., substância da vida). A ampulheta representa a visão descritiva (produto) do desenvolvimento. O triângulo invertido representa a visão explicativa (processo) do desenvolvimento. Ambas são úteis à compreensão do desenvolvimento motor à medida que o indivíduo se adapta continuamente às mudanças na busca constante pela aquisição e manutenção do controle motor e da competência no movimento. Essa ampulheta fornece a visão descritiva de desenvolvimento humano, mostrando as fases típicas e os estágios de acordo com a faixa etária, do nascimento até a velhice. O triângulo invertido que atravessa a �gura consiste numa orientação visual para observarmos aspectos como hereditariedade, meio e a maneira como interferem na realização das tarefas de aquisição e desenvolvimento das habilidades motoras. É fundamental estar atento(a) aos aspectos que interferem no desenvolvimento motor, como os autores colocam na imagem: hereditariedade e ambiente. Aspectos que podem ser herdados geneticamente e que fazem diferença na aquisição e desenvolvimento de aprendizagens motoras e aspectos ambientais como uma variável essencial na aprendizagem das ações motoras pelas pessoas. Na segunda, os pro�ssionais que passam pela vida do indivíduo consistem em elementos fundamentais, ou seja, os estímulos recebidos pelas crianças serão decisivos no seu desenvolvimento saudável ou não. Esteja sempre atento(a) para a escolha das atividades e intervenções a serem realizadas para que sejam coerentes com as necessidades, interesses e etapas de desenvolvimento do grupo que atende. Como podemos observar na própria ampulheta o desenvolvimento motor está organizado em estágios: re�exivo, rudimentar, fundamental e especializado. Essas etapas vão do nascimento até por volta de 12 anos de idade. A partir de 12 anos o ser humano vai especializando os movimentos que já aprendeu e vai aprimorando suas habilidades motoras aprendidas anteriormente. Sobre o assunto Gallahue e Ozmun (2013, p. 80) esclarecem que A aquisição de competências no movimento é um processo extensivo, que começa com os movimentos re�exos iniciais do recém-nascido e continua por toda a vida. O processo pelo qual o indivíduo passa pelas fases dos movimentos re�exo, rudimentar e fundamental, até chegar, �nalmente, a fase das habilidades do movimento especializado e in�uenciado por fatores da tarefa, do indivíduo e do ambiente. Para esta unidade do material �caremos por aqui. Daqui em diante iremos conhecer cada etapa do desenvolvimento motor e suas particularidades. SAIBA MAIS Vamos falar sobre Psicomotricidade? Durante a unidade tratamos do Desenvolvimento Motor numa perspectiva essencialmente desenvolvimentista e foram apresentadas diversas perspectivas teóricas e a fundamentação pautada em autores que, em seus estudos, privilegiaram as ações motoras como objeto de estudo. Neste momento trago uma ciência que tem por objetivo ampliar o olhar para a aprendizagem e para a realização dos movimentos corporais. Diante disso, apresento a de�nição de Psicomotricidade de acordo com a Associação Brasileira de Psicomotricidade (2019, on-line) e convido você a se encantar por essa área, que olha para os movimentos humanos de maneira mais abrangente e além da simples execução física deles. “’Psicomotricidade, portanto, é um termo empregado para uma concepção de movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização.’ (Associação Brasileira de Psicomotricidade) ‘A Psicomotricidade baseia-se em uma concepção uni�cada da pessoa, que inclui as interações cognitivas, sensório motoras e psíquicas na compreensão das capacidades de ser e de expressar-se, a partir do movimento, em um contexto psicossocial. Ela se constitui por um conjunto de conhecimentos psicológicos, �siológicos, antropológicos e relacionais que permitem, utilizando o corpo como mediador, abordar o ato motor humano com o intento de favorecer a integração deste sujeito consigo e com o mundo dos objetos e outros sujeitos.’ (Costa, 2002) ‘Em razão de seu próprio objeto de estudo, isto é, o indivíduo humano e suas relações com o corpo, a Psicomotricidade é uma ciência encruzilhada... que utiliza as aquisições de numerosasciências constituídas (biologia, psicologia, psicanálise, sociologia, linguística...) Em sua prática empenha-se em deslocar a problemática cartesiana e reformular as relações entre alma e corpo: O homem é seu corpo e NÃO - O homem e seu corpo’. (Jean-Claude Coste, 1981) A psicomotricidade pode também ser de�nida como o campo transdisciplinar que estuda e investiga as relações e as in�uências recíprocas e sistémicas entre o psiquismo e a motricidade. Baseada numa visão holística do ser humano, a psicomotricidade encara de forma integrada as funções cognitivas, sócio-emocionais, simbólicas, psicolinguísticas e motoras, promovendo a capacidade de ser e agir num contexto psicossocial. A psicomotricidade possui as linhas de atuação educativa, reeducativa, terapêutica, relacional, aquática [...]”. Fonte: Associação Brasileira de Psicomotricidade (2019). REFLITA “Se uma pessoa não pode aprender da maneira que é ensinada, é melhor ensiná-la da maneira que pode aprender” (Marion Welchmann). O desenvolvimento depende de história e contexto. Cada pessoa desenvolve-se dentro de um conjunto especí�co de circunstâncias ou condições de�nidas por tempo e lugar. Os seres humanos in�uenciam seu contexto histórico e social e são in�uenciados por eles. Eles não apenas respondem a seus ambientes físicos e sociais, mas também interagem com eles e os mudam (PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2006). 02 Primeira Infância UNIDADE Introdução Caro(a) estudante, É com satisfação que dou início à nossa Unidade II desta disciplina. Durante nossos estudos você terá a oportunidade de compreender o começo do desenvolvimento infantil, quando pensamos numa perspectiva cronológica. Isso mesmo. Vamos começar esta caminhada estudando o desenvolvimento motor antes do ser humano ter nascido, na fase que chamamos de pré-natal, olhando para aspectos que acontecem durante a gestação, no que se refere ao crescimento e desenvolvimento. Com base nas teorias de desenvolvimento que já estudamos, estamos falamos da origem das aprendizagens e do comportamento motor. Pensando em contribuir em sua formação de maneira signi�cativa, iremos explorar aspectos do desenvolvimento desde a fase pré-natal, por entender que nesse período acontecem diversas situações que devem ser aprendidas e que interferem na vida futura e nas intercorrências ao longo do desenvolvimento. Neste momento da disciplina nós iremos conhecer a base da ampulheta proposta por Gallahue e Ozmun (2013), que foi apresentada a você na primeira unidade, a dos movimentos re�exos, que são aqueles realizados pelo bebê, e a fase dos movimentos rudimentares, ou seja, iremos explorar o desenvolvimento motor do nascimento até 2 anos de idade. Se buscarmos historicamente, durante muito tempo a infância não era vista com suas particularidades e especi�cidades. A criança era vista como “adulto em miniatura” e socialmente bastava que ela fosse capaz de realizar as tarefas típicas da vida adulta para que ela assumisse diversas responsabilidades, dando adeus à infância e tudo àquilo que uma criança precisa para se desenvolver como ser humano. Hoje existem inúmeros estudos que apontam para o quanto esse período da vida é fundamental para as etapas futuras e o quanto existe uma base de aprendizagens que acontece na infância e que são aprendizagens essenciais e habilidades necessárias, que serão utilizadas em muitas outras demandas, como na alfabetização, por exemplo. Vamos, então, conhecer as duas primeiras fases do desenvolvimento motor: movimento re�exo e movimento rudimentar? Plano de Estudo: �. Fase pré-natal e infantil; �. Re�exos infantis e estereótipos rítmicos; �. Habilidades motoras rudimentares; �. Percepção infantil. Objetivos de Aprendizagem: �. Conceituar e contextualizar os aspectos que afetam no desenvolvimento motor e que acontecem na fase pré-natal; �. Compreender as características do crescimento infantil nas fases pré-natal e no período da infância no que tange o desenvolvimento motor; �. Entender as particularidades do desenvolvimento desde o período gestacional até a infância; �. Conhecer as etapas de desenvolvimento motor do movimento re�exo e do movimento rudimentar; �. Entender a percepção infantil e de que maneira são desenvolvidas as percepções. Fase pré-natal e infantil Neste tópico iremos começar a explorar o desenvolvimento motor, partindo da etapa pré-natal, que corresponde aos 9 meses ou 40 semanas de gestação, que pode, por diversos fatores, durar mais ou menos tempo. Vamos apresentar aqui uma série de aspectos que podem acontecer nesse período e podem também ser controlados, e, por sua vez, impactam o desenvolvimento motor do bebê e no decorrer da vida. Em seguida iremos tratar da taxa de crescimento pré-natal e infantil, sabendo que em nenhum momento da vida o corpo humano cresce como desde a concepção até os dois anos aproximadamente. Pensando na velocidade de crescimento que acontece nesse período de que formas o movimento se comporta? E as aprendizagens motoras? Neste tópico iremos conhecer aspectos da gestação que interferem no desenvolvimento, ou seja, condições de antes ou durante a gravidez que aumentam o risco da criança ter intercorrência e consequências no seu desenvolvimento. Em seguida vamos entender como acontece o crescimento pré-natal e durante a infância. Fatores Pré-Natais que Afetam o Desenvol�mento Existem diversos fatores que afetam o desenvolvimento da criança e podem inclusive interferir futuramente no aprendizado de diversas habilidades e que acontecem durante a gestação. Os fatores nutricionais e químicos estão relacionados à alimentação da mãe durante o período da gravidez. Se tais aspectos irão realmente interferir no desenvolvimento vai depender de algumas variáveis, tais como: “a condição do feto, o grau de abuso nutricional ou químico, a quantidade ou dosagem, o período da gravidez” (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 100). O risco para o feto se dá quando existe um ou mais desses fatores apresentados. Especi�camente como aspecto nutricional temos a má nutrição pré-natal, que podem ter como resultado a má nutrição do feto, da placenta ou da mãe. A nutrição materna adequada signi�ca que a mulher não ingere a quantidade necessária de nutrientes diariamente, o que contribui signi�cativamente para a saúde geral da mãe e do bebê e, em alguns casos, impede de�ciências de nascimento. Existem diversos estudos que associam determinados nutrientes a menor incidência de doenças, como, por exemplo, a ingestão do ácido fólico e a redução de deformidades do tubo neural que ocasiona a mielomeningocele ou espinha bí�da. Um dos aspectos químicos que pode causar danos no desenvolvimento infantil é o uso de medicamentos e drogas pela mãe. Como a parede da placenta é “porosa”, é possível que substâncias a penetrem e atinjam o feto. Medicamentos comprados rotineiramente nas farmácias, sem necessidade de receita ou acompanhamento médico podem causar danos para o feto. Por isso o cuidado com a gestante e os medicamentos a serem usados durante a gravidez são necessários, principalmente em determinados períodos da gestação. Você já deve ter lido algo ou ouvido falar em doenças que acometem o universo infantil e que podem ser associadas ao uso de determinados remédios. Muitas vezes são pesquisas em andamento ou especulações, mas existe uma relação íntima do uso de medicamentos com o desenvolvimento do bebê e o surgimento de doenças. Sempre que for considerada a possibilidade de que uma disfunção seja associada ao uso de medicamentos durante a gestação devem ser considerados os seguintes fatores: período da gravidez que foi tomado, dose, tempo que tomou o remédio, predisposições genéticas do feto, interação dos quatro aspectos. A tabela a seguir mostra alguns exemplos de medicamentos que ocasionam efeitos na criança quando usados durante a gestação. Tabela 1 - Efeitos de medicamentos usados durante a gestação que podem afetar o desenvolvimento Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p.111). Por outro lado, existem aqueles medicamentos que são “necessários”, ou seja, que a mãe precisa tomar, pois estão em tratamento médico ou por mal-estar. Evidente que quando existe o acompanhamento médico saudável, o pro�ssional vai receitar remédio em último caso. Vários medicamentos, sem receita, apresentam potencial para prejudicar o desenvolvimento do feto. A tabela a seguir mostra algumas doenças que a mãe pode ter, qual medicação é administrada e quais seus possíveis efeitos. Tabela 2 - Drogas usadas durante a gestação e seus possíveis efeitos no bebê Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 112). Por último vamos falar sobre o uso de drogas lícitas e ilícitas durante a gravidez. Você já ouviu falar sobre a Síndrome Alcoólica Fetal ou do Alcoolismo Fetal? Pois bem, está relacionada ao abuso de álcool durante a gestação e a maneira como tal hábito afeta o desenvolvimento do feto. Essa síndrome, além de causar alterações nas características faciais, traz como consequências atrasos no desenvolvimento psicomotor. Sobre o uso de álcool e tabaco na gestação Gallahue e Ozmun (2013, p. 113) explicam que Embora o álcool e o tabaco sejam considerados por muitos como drogas que alteram a mente ou o humor, nos falaremos elas em separado por causa da frequência de uso e para ampli�car os potenciais perigos. Foi relatado variavelmente que há mais de um milhão de mulheres alcoolistas em idade fértil. O feto é afetado duas vezes mais rápido do que a mãe pelo consumo de álcool e com o mesmo nível de concentração. O uso de álcool e tabaco durante a gestação é muito mais comum do que imaginamos e pode trazer consequências signi�cativas no desenvolvimento do feto e para as aquisições psicomotoras da criança. Não podemos esquecer do uso de drogas ilícitas, como maconha, cocaína, anfetaminas, entre outras. Só para você ter uma ideia, o uso de cocaína durante a gestação indica para os bebês risco de mortalidade, morbidade e distúrbios de desenvolvimento e de comportamento a longo prazo. Observe a Tabela 3 e veja as possíveis decorrências do uso de drogas ilícitas. Tabela 3 - Efeitos do uso de drogas ilícitas na gestação e recém-nascidos Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 113). Muitas vezes a mãe não fornece tais informações sobre a gestação do bebê, ou seja, ela pode não dizer que fez uso de drogas durante a gravidez, mas é fundamental que os pro�ssionais que trabalham com aprendizagem e desenvolvimento humano tenham conhecimento de que tais in�uências existem e podem ser a causa de disfunções no desenvolvimento da criança. Nesse sentido, o que devemos fazer? Buscar estratégias para estimular essa criança/adolescente, buscando amenizar suas di�culdades e dar condições para que ele tenha autonomia e possa desenvolver o maior número de habilidades possível. Vamos agora conhecer os aspectos hereditários que podem afetar o desenvolvimento. No caso estão relacionados aos genes, aos aspectos genéticos do indivíduo e podem ser expressos de duas formas: transtornos com base em cromossomos ou distúrbios baseados em genes. Nos transtornos com base em cromossomos podemos citar a Síndrome de Down como um dos mais conhecidos. A também chamada Trissomia do 21 afeta os pares cromossômicos da ordem genética do ser humano e traz diversas consequências de ordem fenotípica. Quando observamos o desenvolvimento motor de uma criança com Síndrome de Down, temos os seguintes distúrbios: “(1) atrasos no surgimento e inibição dos re�exos primitivos e posturais, (2) hipotonia e hiper�exia e (3) atrasos substanciais no alcance dos marcos motores” (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 115). Vamos parar um pouco aqui, aluno(a)... Com a inclusão e o aumento signi�cativo de pessoas com de�ciência nas escolas e convivendo socialmente amparadas no princípio da equidade, acredito que é fundamental olhar para este público, que tem direito de acessibilidade e de aprendizagem. Não podemos esquecer jamais que o nosso trabalho deve se pautar no direito que TODOS têm de aprender. Agora podemos continuar! Os distúrbios baseados em genes são os defeitos genéticos e variam muito quanto às consequências. De acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p. 116), Nesse sentido, vou fazer aqui uma orientação breve e e�caz. Sempre que você tiver que contribuir na aprendizagem e no desenvolvimento de uma pessoa com de�ciência, busque estudar o diagnóstico e saber quais são as limitações, causas, consequências, quadro clínico, aspectos neurobiológicos, comorbidades, entre outros. Só assim é possível que o seu trabalho seja realmente assertivo e promova os estímulos necessários para atender o indivíduo dentro das suas capacidades. Além disso é essencial conhecer e explorar as potencialidades do sujeito, valorizando, assim, aquilo que é capaz de fazer e não somente enfatizando sua di�culdade. A gravidade do defeito depende de o gene mutante se encontrar em um cromossomo autossômico ou ligado ao sexo, em um único gene ou também no seu correspondente. Atraso e retardo no funcionamento motor e cognitivo em geral não estão presentes em mutações autossômicas dominantes. A tabela a seguir apresenta, de forma sucinta, o defeito no gene e a condição que deriva dele e pode ser explorada a �m de entender esse fator. Tabela 4 - Problemas com genes comuns no nascimento Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 118). Como fatores pré-natais que afetam o desenvolvimento humano temos ainda os ambientais, como a exposição à radiação e aos poluentes químicos – chumbo e mercúrio, por exemplo. Os problemas médicos, como doenças sexualmente transmissíveis, infecções maternas, desequilíbrios hormonais, incompatibilidade do fator Rh, gravidez na adolescência e a Toxoplasmose, também podem afetar o desenvolvimento do feto e, consequentemente, o decorrer da vida e das aprendizagens futuras. Por essas e outras razões que fazer o acompanhamento médico, bem como ter os cuidados necessários da mãe e do bebê durante a gravidez, é essencial e pode diminuir os casos de de�ciências e distúrbios que acometem o desenvolvimento infantil. Evidente que algumas das situações apresentadas não podem ser controladas e estão relacionadas a alterações genéticas, mas existem diversas intercorrências que podem ser tratadas ou evitadas com cuidados básicos que envolvem saúde pública, maternagem, entre outros. Crescimento Pré-Natal e Infantil Esse tópico irá tratar da taxa de crescimento, desde a concepção até o �nal do período que temos um bebê, aos 2 anos de idade. Vale ressaltar que em nenhum outro momento da vida crescemos em tamanho e mudamos as proporções como acontece da concepção até a infância, considerando crescimento típico e saudável, sem intercorrências ou qualquer doença ou problemas que possam interferir no crescimento. O crescimento começa na concepção e segue de maneira ordenada durante o período pré-natal. Espermatozóide e óvulo se fundem na fecundação, formando o zigoto, que vai se implantar na parede uterina e, nesse momento, começa a gravidez. Da segunda semana até o segundo mês é o período chamado de embrionário, do terceiro mês até o parto temos o período fetal. Mas quando tratamos de desenvolvimento, consideramos o desenvolvimento por trimestre. Na imagem vemos a proporção de crescimento de 14 dias após a formação do zigoto até 15 semanas de gestação, num desenho do embrião em tamanho real. Figura 1 - Esquema de um embrião - tamanho real Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 131). Na tabela a seguir você pode observar os marcos de desenvolvimento embrionário e fetal durante a gestação. Tabela 5 - Crescimento e desenvolvimento pré-natal Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 133). Após o nascimento, o crescimento infantil é ainda mais impressionante. O bebê nasce como um ser muito pequeno, indefeso, com repertório de movimentos bastante restrito e de posição predominantemente horizontal e torna-se uma criança que tem tamanho maior, autonomia para realizar ações motoras, posição corporal verticalizada e �sicamente ativa,em menos de 12 meses. Sobre o assunto Gallahue e Ozmun (2013, p. 132-134) escrevem que O crescimento físico do bebê tem in�uência de�nida sobre o seu desenvolvimento motor. O tamanho da cabeça, por exemplo, afeta o desenvolvimento das capacidades de equilíbrio. O tamanho da mão in�uencia o modo de contato com objetos de tamanhos diferentes, e o desenvolvimento da força in�uencia o surgimento da locomoção. Ao observar a �gura a seguir você pode perceber a relação de proporção das partes do corpo, o tamanho da cabeça em relação ao tronco, por exemplo, como vai mudando com o passar do tempo. O esquema mostra até 12 anos, quando consideramos ainda como criança (a partir dessa idade já temos a adolescência). Figura 2 - Modi�cações na forma e proporção do corpo antes e após o nascimento Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 134). No segundo ano de vida o crescimento do corpo ainda é rápido, mas diminui um pouco em relação ao primeiro ano. Existe uma pequena diferença na altura e no peso dos meninos em relação ao das meninas. Daqui para frente o crescimento da cabeça diminui, o de tronco é moderado e os membros passa a ser mais rápido. Nesse caso, mãos e pés passam, a partir dos anos, a crescer mais rapidamente, o que chamamos, na Unidade I, de proximodistal. Se, porventura, você sentir necessidade, volte e dê uma olhada quando tratamos dos conceitos cefalocaudal e proximodistal. Re�exos infantis e estereótipos rítmicos Neste tópico, se, por acaso, você tem ou teve contato com algum bebê, vai reconhecer facilmente o conteúdo que irei apresentar. Vamos estudar os re�exos e os padrões de comportamento motor estereotipados que os bebês fazem e que mostram informações relevantes para compreendermos o desenvolvimento da motricidade humana. Os recém-nascidos parecem se movimentar de maneira aleatória e somente em uma direção. Realizam movimentos espontâneos que aparentemente parecem não ter sido estimulados. Em outras situações parecem executar um movimento especí�co quando são tocados em determinada parte do corpo, como, por exemplo, quando tocamos a palma da mão do bebê e ele responde fechando os dedos, como se segurasse o nosso dedo. Esses movimentos, chamados de re�exos, aparecem logo ao nascer e vão sumindo com a idade. Por mais que pareçam aleatórios, existem algumas ações motoras que o bebê realiza e que são consideradas marcos referenciais no desenvolvimento, que são base para outras habilidades posteriores de locomoção, alcance para pegar e postura ereta. Vamos pensar naquela lógica de realização de movimento que já havíamos comentado... Aprendemos a andar porque anteriormente nos colocamos em bipedia, a correr porque desenvolvemos a capacidade de andar com destreza e assim vamos compondo um repertório de habilidades motoras que acontecem de maneira contínua e progressiva. Para você ter uma ideia, existem até nomes – como re�exo de Moro – para os movimentos re�exos que o bebê precisa realizar para que seja avaliado seu desenvolvimento. O médico pediatra vai fazer as devidas análises investigando com manobras simples a resposta do recém-nascido, muitas vezes são diagnosticados distúrbios do Sistema Nervoso Central somente observando os movimentos re�exos realizados pelo recém-nascido. Os re�exos primitivos são aqueles relativos à conquista de nutrição e de proteção que o bebê instintivamente necessita. Começam na fase fetal e duram o primeiro ano de vida, são eles: re�exo de Moro e de alarme, que acontece quando “coloca-se o bebê na posição supino e dá-se um tapinha em seu abdome ou produz-se alguma sensação de insegurança de apoio”, como mostra a �gura a seguir, em quem (a) é a fase de extensão e (b) é a fase de �exão (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 143). Figura 3 - Re�exo de Moro - duas fases Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 144). Esse re�exo pode ocorrer até o sexto mês de vida, passado esse período, se ele persistir pode ser indicativo de disfunção neurológica. Conseguem perceber porque é tão importante conhecer as etapas do desenvolvimento motor e suas peculiaridades? Além desse, temos como primitivos os re�exos de busca e sucção, quando o bebê, ao ser estimulado ao redor da boca virar a cabeça em direção à fonte de estimulação. Os re�exos mãos-boca, “quando se esfrega levemente a base da palma, causa contração dos músculos do queixo, erguendo-o” (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 145). Outro movimento re�exo do bebê é o de preensão palmar, quando há o estímulo palmar, os dedos se fecham em volta do objeto, sem usar o polegar. É uma pega bastante forte a ponto de sustentar a criança se for suspendida. Esse re�exo acontece do nascimento até quatro meses de vida e A intensidade da resposta tende a aumentar durante o primeiro mês e diminui aos poucos depois disso. Uma preensão fraca ou a persistência do re�exo após o primeiro ano pode ser um sinal de atraso no desenvolvimento motor ou de hemiplegia, quando ocorre em um único lado (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 145). Mais duas formas de movimentos são consideradas primitivas: re�exos de Babinski e preensão plantar e re�exos tônicos assimétricos e simétrico do pescoço. O primeiro é aquele ocorrido ao tocar a sola do pé do bebê, que provoca a extensão dos dedos e posteriormente, com o sistema neuromuscular maduro a resposta é a contração dos dedos quando estimulamos a sola dos pés. O segundo está relacionado à posição que a cabeça assume quando colocamos o bebê em posição supino ou com o corpo de lado, conforme mostra a imagem abaixo, na qual (a) é o re�exo tônico assimétrico do pescoço e (b, c) representam o re�exo tônico simétrico do pescoço: Figura 4 - Re�exo tônico assimétrico e simétrico do pescoço. Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 147). Existem também os re�exos posturais, que são: o Re�exo de endireitamento labiríntico e óptico, quando a criança é colocada em pé e inclinada para frente, para trás ou para um dos lados e ela responde ao estímulo tentando voltar a posição ereta com a cabeça, tem a ver com a visão e com a necessidade de equilíbrio corporal da criança. No re�exo de endireitamento labiríntico, os impulsos que emergem do otólito do labirinto fazem com que o bebê mantenha o alinhamento apropriado da cabeça em relação ao ambiente, inclusive quando outros canais sensórios (i.e., a visão e o tato) são excluídos. O re�exo de endireitamento labiríntico surge pela primeira vez em torno do segundo mês e persiste até cerca de 6 meses de idade, quando a visão geralmente se toma um fator importante. O re�exo continua ao longo do primeiro ano como re�exo de endireitamento ótico. Esse último, junto com seu similar mais primitivo, ou seja, o re�exo de endireitamento labiríntico, ajuda o bebê a colocar a cabeça e o corpo na posição ereta e a manter essa posição e contribui para o movimento do bebê para a frente, que ocorre em torno do �nal do primeiro ano (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 147). O Re�exo de �exão dos braços para manter a posição ereta pelo bebê, se o seguramos pelos braços sentado e inclinamos o corpo para trás, a tendência é que ele �exione os braços para voltar à posição, como quando brincamos de serra, serra. Os Re�exos de paraquedas e de extensão “são movimentos protetores dos membros na direção da força aplicada” (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 149), conforme mostra a �gura: Figura 5 - Re�exo de paraquedas Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 149). Os Re�exos de endireitamento do pescoço e do corpo acontecem quando colocamos o bebê na posição supina, com a cabeça de lado, e o corpo vai se movimentando de acordo com os movimentos que a cabeça realiza, buscando estar alinhado com a cabeça. O Re�exo de engatinhar é quando colocamos o bebê na posição pronada e pressionamos a sola do seu pé, num movimento re�exo ele vai se colocar na posição de engatinhar, tanto com as pernas quanto com os braços. O Re�exo primário de marcha automática é quando o bebê é colocado na posição ereta sob uma superfície plana e ele “anda”, faz a troca da passada, como se estivesse andando.O Re�exo de nadar é aquele que vemos em propagandas ou reportagens sobre bebês, que consiste em colocar o bebê dentro da água na posição pronada, de maneira re�exa, a resposta do bebê é se movimentar como se estivesse realmente nadando, a impressão que temos é que ele sabe nadar. Todos os movimentos re�exos apresentados são fundamentais no desenvolvimento do bebê e tem um tempo de duração para acontecer. Eles demonstram que existe ou não um SNC que está se desenvolvendo de maneira saudável e que não existe nenhuma intercorrência, mostra um desenvolvimento neurotípico. A tabela a seguir é um resumo das aprendizagens do bebê e pode te ajudar a veri�car diferentes aspectos dessa etapa do desenvolvimento. Tabela 6 - Marcos do desenvolvimento do bebê Fonte: Haywood (2016, p. 104-105). Estereótipos Rítmicos Quanto aos estereótipos rítmicos, eles são comportamentos motores que o bebê faz repetidas vezes espontaneamente e tem um certo ritmo nos movimentos, eles nos mostram que o desenvolvimento motor humano acontece num sistema auto-organizado, dedicado em ampliar o controle motor. A partir de pesquisas realizadas existem mais de 40 comportamentos desta natureza e podem ser observados em diversas partes do corpo, quais sejam: pernas e pés, torso, braços, mãos e dedos, cabeça e face. Nas pernas e pés o que vemos com maior frequência são os chutes. No torso, o mais comum é aquele em que o bebê, quando colocado de barriga para baixo, faz um arco com as costas e vira uma “canoa”. Movimentos estereotipados rítmicos de braços, mãos e dedos mais frequentes são acenar e esmurrar. E com a cabeça e face são os que fazem “não” e “sim”. É fundamental �car atento à persistência desses comportamentos após 1 ano de idade, quando eles fazem parte do desenvolvimento motor infantil e a maneira com que o bebê os realiza. Alterações observadas quanto à frequência, persistência ou tipologia podem ser indicativo de alguma alteração no desenvolvimento do SNC e devem ser comunicados aos pro�ssionais que acompanham o bebê. Vale lembrar que na carteira de acompanhamento do bebê, na qual são colocadas as vacinas e as consultas médicas, existe uma tabela de referência com alguns marcos de desenvolvimento, que pode ser utilizada como demonstrativo das aprendizagens. Habilidades motoras rudimentares Dando continuidade aos nossos estudos, iremos conhecer aspectos do desenvolvimento motor que estão na segunda fase da ampulheta do Gallahue e Ozmun. Lembra dela? Isso mesmo, vamos falar da etapa conhecida como Fase Motora Rudimentar. Neste tópico iremos aprender sobre três categorias de movimentos essenciais para o desenvolvimento infantil, que acontecem normalmente entre 1 e 2 anos de idade, a de estabilidade, locomoção e manipulação, que são classi�cadas de acordo com a intencionalidade. Diversas aprendizagens acontecem nesse período e são a base para aprendizagens futuras. Para que a criança �que em pé, um longo caminho de controle de partes do corpo vai sendo percorrido, desde o controle de cabeça e pescoço, em seguida o de tronco. Feito isso a criança vai aprender a sentar, num primeiro momento com o apoio, até conseguir �rmar o tronco para que sente sem apoio e então consiga �car em pé. Primeiro ela �ca em pé segurando em objetos e buscando contato para se equilibrar, até que é capaz de �car em bipedia com segurança. Todas essas etapas precisam ser ultrapassadas para que a criança possa começar a andar. Esse processo é uma das categorias de movimento, chamada de estabilidade, que, segundo Gallahue e Ozmun (2013, p. 159) “é a mais básica das três categorias de movimento, pois todo movimento voluntário envolve um elemento de estabilidade”. Na tabela a seguir você pode observar as tarefas de estabilidade numa sequência desenvolvimental, bem como a respectiva idade que ocorre tal aprendizagem na fase motora rudimentar. Tabela 7 - Capacidades de estabilidade rudimentar - sequência e idade aproximada Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 160). Enquanto você estiver estudando as aquisições motoras da fase rudimentar, e durante a disciplina, tente pensar numa criança aprendendo e vivendo cada uma das aprendizagens. Uma das necessidades básicas do bebê é explorar o espaço ao seu redor e a categoria da locomoção dá condições para tal. Aqui encontramos ações motoras, tais como rastejar, engatinhar e executar a marcha ereta. É fundamental que uma habilidade não substitua a outra e que o bebê realize todas para que ocorra o desenvolvimento saudável. Comumente ouvimos comentários sobre o fato de que a criança andou sem ter engatinhado, do ponto de vista do desenvolvimento motor não é recomendado que isso ocorra, pois os estímulos e habilidades desenvolvidas ao engatinhar são essenciais para aprendizagens futuras. O rastejar consiste em se locomover pelo espaço de barriga para baixo, arrastando o corpo sob a superfície, de modo que o bebê é capaz de controlar a cabeça, o pescoço e o tronco. Geralmente usa os braços para se locomover e pode alcançar objetos que estão a sua volta, deslizando o tronco pelo espaço. Engatinhar é diferente, é uma evolução do rastejar, já que o tronco não tem contato com o chão. Nesse movimento braços e pernas se movimentam em oposição de maneira rítmica e coordenada para realizar a ação. A marcha ereta ou andar envolve estabilidade corporal. Assim que o bebê conseguir se colocar em pé de forma equilibrada ele vai, então, iniciar a realização da passada, que, num primeiro momento, vai ser executada de maneira imprecisa, irregular e hesitante. Até conseguir realizar o andar com segurança e maturidade, para, então, realizar algumas variações dessa habilidade, como andar de lado ou de costas. Na tabela a seguir você poderá visualizar as capacidades locomotoras rudimentares de acordo com a idade. Tabela 8 - Capacidades locomotoras rudimentares - sequência e idade aproximada Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 162). Por �m, neste tópico veremos as capacidades manipulativas, que, assim como as outras, acontecem no decorrer de uma série de estágios. Essas capacidades possibilitam ao ser humano ter o mundo ao alcance das suas mãos, promovem o primeiro contato com objetos no ambiente imediato. Estamos falando de ações motoras como alcançar, de preensão e de soltar. Nos primeiros meses de vida o bebê começa a ajustar os olhos com as mãos para estar em contato com objetos, por vezes alternando o olhar entre o objeto desejado e a mão. Isso acontece como preparação para que, posteriormente ele possa alcançá-lo e segurá-lo. A preensão está relacionada ao movimento que o bebê realiza quando colocamos algo na palma se sua mão e ele o pega. Até o quarto mês de vida essa ação motora é re�exa e não intencional. A partir de 5 meses o bebê tem capacidade para alcançar o objeto e estar em contato com ele, já tem �rmeza para isso. Aos 10 meses o movimento de preensão já é coordenado e realizado em um movimento único e contínuo. Aos 14 meses sua capacidade de preensão já é muito semelhante à de um adulto. Essa habilidade é fundamental para o desenvolvimento da escrita da criança, estimular a pega de diferentes objetos desde os primeiros meses de vida vai fazer com que a criança adquira destreza na realização de tal habilidade. O soltar é nossa última capacidade rudimentar manipulativa e consiste em abrir a mão e deixar o objeto que está segurando sair da mão. Até os 14 meses a criança não tem domínio motor para realizar tal ação, ela somente segura o objeto. A partir dos 6 meses de vida é capaz de segurar e, por vezes, ela balança o chocalho e parece até estar com “raiva”, num movimento até frenético, o que é justi�cado quando sabemos que, na verdade, ela ainda não sabe soltar. Quando ela aprende a soltar os objetos, passa a executar essa ação motora como uma brincadeira e “solta” repetidamente para que o adulto pegue. Com 18 meses a criança já tem domínio motor para realização de movimentos, como alcançar, pegar e soltar, ou seja, existe uma gama de movimentosque já possibilita uma série de brincadeiras. Observe a tabela das capacidades manipulativas e esteja atento para as ações especí�cas a serem aprendidas e com que idade deve acontecer. Tabela 9 - Capacidades manipulativas rudimentares - sequência e idade aproximada Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 165). Vale ressaltar que desenvolver as capacidades de estabilidade, locomoção e manipulação dependem de maturação biológica e neuromotora e de aprendizado, ou seja, a criança vai adquirir tais habilidades mediante estímulos, ambiente favorável e saúde do SNC e bom funcionamento do corpo. Lembrando que essas capacidades servem de base para as aquisições que iremos aprender nas próximas unidades desta disciplina e que estão na fase do movimento fundamental e na fase do movimento especializado. Percepção infantil Vamos terminar esta unidade falando das percepções infantis. O objetivo deste tópico é tratar dos sentidos humanos e de como eles se desenvolvem. Existe uma relação bastante estreita do sistema perceptivo com o motor, o que Gallahue e Ozmun (2013) denominam de sistema perceptivo-motor. Antes de começarmos nossos estudos pelas percepções humanas e como elas se formam na infância e porque devemos estudá-las, gostaria de dar algumas dicas. Sempre que tiver que selecionar uma atividade ou estratégia para crianças, lembre-se da seguinte ordem: CORES-FORMAS-DESENHOS-IMAGENS- NÚMEROS-LETRAS. Achou estranho? Eu explico! Coloquei na ordem o que nós, seres humanos, captamos primeiro e identi�camos visualmente. As cores são os elementos de mais fácil identi�cação pela visão humana, em seguida vem as formas simples: círculo, quadrado, triângulo, retângulo – depois você pode colocar outras formas, tanto geométricas como não geométricas. Então use desenhos, que são representações. Depois utilize as imagens, como as fotos. Os números e as letras são símbolos que representam quantidades e sons, respectivamente. Para a criança a linguagem simbólica vai sendo apreendida no decorrer da infância e demora um pouco para internalizar. Você pode misturar os elementos nas brincadeiras, atividades e jogos que vai aplicar. Voltando... Primeiro vamos entender o que signi�ca percepção, segundo Gallahue e Ozmun (2013, p. 174) [...] refere-se a qualquer processo em que informações sensórias ou sensações são interpretadas ou recebem signi�cado em relação ao que está ocorrendo com a própria pessoa. O perceptivo-motor refere- se ao processo de organização das informações recebidas e das informações armazenadas, que leva a um ato ou a uma performance motora evidente. Todo movimento voluntário envolve um elemento de percepção. Os estudiosos do desenvolvimento motor devem preocupar-se com o desenvolvimento perceptivo por sua importante ligação entre os processos perceptivo e motor. Os sentidos são a nossa porta de conexão com o meio externo, todas as informações são captadas pelos sentidos humanos. No bebê a percepção se desenvolve mais rápido que a motricidade. Existem alguns sentidos que são extremamente aguçados no bebê. Como ele reconhece a mãe, se até os 6 meses de vida ainda não tem visão nítida? O neonato não tem acuidade visual, mas responde a intensidade da luz. Com 6 meses, devido à maturidade do sistema nervoso central e do periférico a acuidade visual, já tem a visão nítida. A Tabela 10 mostra o desenvolvimento da percepção de acordo com o tempo de vida do bebê. Lembrando que o estímulo adequado é fundamental nesse período e que a criança deve estar exposta a brinquedos e objetos que sejam condizentes com a idade dela e respeitem sua etapa de desenvolvimento. Na verdade, o reconhecimento da mãe, assim como em outros animais, se dá pela voz e pelo cheiro. O bebê passa todo o período da gestação ouvindo a voz da mãe como uma caixa acústica, por isso quando nasce reconhece com facilidade a voz da mãe e responde quando ouve. Você já deve ter visto alguns vídeos que circulam na internet em que o bebê está chorando e se acalma quando uma peça de roupa da mãe é colocada próxima a ele. O cheiro faz com que a criança entenda a presença da mãe e �que calma. Tabela 10 - Desenvolvimento de determinadas capacidades sensoriais dos bebês Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 184). Estimular o bebê com sons, músicas infantis, aromas e cheiros, sabores e gostos, texturas e a�ns é fundamental para o desenvolvimento das percepções e de todo sistema sensorial. Sempre com cautela e respeitando o desenvolvimento infantil e suas particularidades. A alimentação, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, deve ser de fonte exclusivamente materna até os seis meses de vida. Passado esse tempo, é fundamental que a criança seja estimulada a ingerir alimentos in natura, pouco processados e com menos aditivos possível. (BRASIL, 2002) SAIBA MAIS Integração sensorial – O que é, qual sua importância e dicas de como estimular A Integração Sensorial é a capacidade de receber, organizar e processar a informação que chega pelos diferentes canais sensoriais (olhos, ouvidos, mãos, pés, boca e pele) e produzir uma resposta motora adequada. Parte das habilidades de autoajuda está na consciência do próprio corpo, onde e em qual posição no ambiente e isso se desenvolve através do processamento sensorial. As crianças que apresentam desordens de processamento sensorial poderão exibir atrasos nas aquisições motoras grossas e �nas, de equilíbrio, de coordenação, de comportamento e di�culdade na transição alimentar (deixar a mamadeira e passar a comer frutas, papas e alimentos em pedaços). Crianças com T21 podem apresentar diferenças na forma de processar os estímulos sensoriais tendo como resultado �nal, di�culdade nas habilidades motoras, na alimentação e na exploração de objetos e brinquedos (limitando o brincar). Isso acontece devido ao atraso no desenvolvimento cerebral e pode se agravar por internações frequentes no início da vida e pela eventual superproteção dos pais e cuidadores. A boa notícia, é que a estimulação sensorial correta pode leva à adaptação, resultando na melhora das respostas ao ambiente, da percepção corporal, da exploração do meio e do comportamento no geral. Adiante, algumas dicas de como estimular o sistema sensorial em casa: Sempre que possível, permita que a criança ande descalça em diferentes superfícies – areia, grama, piso gelado, terra, tapetes, cimento. Na hora da alimentação, ofereça pedaços maiores do que ela estiver comendo, para que segure na mão, passe no rosto, faça “meleca” com a comida, experimentando as diferentes sensações e texturas dos alimentos. No banho, deixe que a água do chuveiro caia em seu rosto, de forma gradual para não assustar. Mude a temperatura da água sempre que possível. Passe pelas mãos, pés e rosto, texturas diferentes, vindas de peças de roupas, bolinhas, brinquedos, gelo, algodão… Faça massagem com hidratante ou óleo (prescrito pelo pediatra) diariamente. Faça gelatina colorida em forminha de gelo, coloque em uma bacia e permita que a criança brinque, experimente o sabor e a textura (inclusive pelo corpo). Brinque de massinha de modelar, massinha de areia, água, tinta guache, giz de cera, sempre buscando sensações diferentes. Brincar de pular, correr, subir e descer de locais também é um ótimo estímulo. É importante saber que cada criança pode ter um distúrbio diferente, sendo necessária uma avaliação especí�ca, que pode ser realizada por terapeuta ocupacional ou �sioterapeuta, com um plano terapêutico individualizado. Se a criança tiver oportunidades, ela tentará experimentar, explorar, saber o que ela pode fazer com tudo o que está a sua volta. Desde que seja seguro, deixe-a livre para testar e descobrir o mundo! Fonte: Biemann (2019). REFLITA A motricidade animal adaptou-se em termos sensório-motores à Natureza e transformou alguma da sua ecologia, mas a motricidade humana (no sentido de atos, gestos e ações), em particular as praxias aprendidas culturalmente, transformou radicalmentea Natureza e criou um novo mundo envolvimental, ou seja, criou a Civilização, preservou e transmitiu a Cultura, o que é algo diferente e de uma superioridade e excelência experiencial verdadeiramente incomensurável. Fonte: Fonseca (2018, p. 10). 03 Infância e Adolescência UNIDADE Introdução Caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) à Unidade III da disciplina Desenvolvimento e comportamento motor. Nesta unidade iremos começar conhecendo a fase motora fundamental e o que tem de mais importante nesse período, até chegar na adolescência. Vamos percorrer um caminho de aquisições de habilidades motoras que vai de 3 a 7 anos, a fase fundamental, e de 7 a 14 anos ou mais, a fase especializada. Lembra da ampulheta do Gallahue e Ozmun? Falei que iríamos retomar algumas vezes durante nossos estudos, não é?! Lembre-se que o desenvolvimento humano não pode ser algo engessado e que, apesar de existirem padrões de aquisições e aprendizagens, é necessário sempre observar os aspectos que interferem no desenvolvimento. Cada criança é única e, portanto, o tempo de aprendizagem pode ser diferente de uma para outra, o que não muda é a ordem, a sequência. Na fase motora fundamental é que acontece o amadurecimento de capacidades motoras essenciais, como coordenação, lateralidade, equilíbrio, estruturação temporal, estruturação espacial, consciência corporal, esquema corporal, que são um pré-requisito para realização de muitas tarefas que executamos em nosso cotidiano, como ler, escrever, dirigir, entre outras. Na fase motora especializada todo repertório motor adquirido vai sendo aprimorado. Nessa etapa ocorre a associação dos movimentos maduros e re�nados e dos movimentos complexos e especí�cos, e esses, por sua vez, sofrem adaptações de acordo com as condições de determinada atividade, do cotidiano ou de uma prática desportiva. Convido você para estudar comigo essas duas fases marcantes no desenvolvimento da motricidade e que devem ser observadas com cuidado, pois são determinantes em muitos aspectos do desenvolvimento humano. Plano de Estudo: �. Conceitos e De�nições de crescimento e desenvolvimento na infância; �. Habilidades motoras fundamentais; �. Conceitos e De�nições de crescimento e desenvolvimento na adolescência; �. Habilidades motoras especializadas. Objetivos de Aprendizagem: �. Conceituar e contextualizar o crescimento e o desenvolvimento no período da infância e da adolescência; �. Compreender a fase motora fundamental, bem como as aprendizagens que fazem parte desta etapa; �. Estudar as características da fase da adolescência a partir do desenvolvimento motor num diálogo com as dimensões social afetiva e cognitiva; �. Entender a fase motora especializada e suas particularidades. Crescimento e desenvol�mento na infância O desenvolvimento na fase da infância é demarcado por modi�cações que são incrementadas regularmente nos diversos domínios: cognitivo, socioafetivo e psicomotor. O peso, a altura e a massa muscular durante a infância aumentam regularmente. O crescimento nesse período não é tão intenso quanto na fase de bebê, diminui gradativamente até o famoso “estirão”, que acontece na adolescência – falaremos sobre ele ainda nesta unidade. Sobre o crescimento na infância, Gallahue e Ozmun (2013, p. 189) a�rmam que As proporções corporais mudam acentuadamente durante o início da infância devido às várias taxas de crescimento do corpo. De modo gradual, o peito torna-se mais largo do que o abdome, e a protrusão do estômago diminui. Quando os pré-escolares chegam ao primeiro ano da escola, as suas proporções corporais lembram bastante as de crianças mais velhas. No início da infância, o crescimento ósseo é dinâmico, e o sistema esquelético e particularmente vulnerável à má nutrição, fadiga e doenças. Os ossos consolidam-se em um ritmo rápido no início da infância e apresentam um atraso de crescimento de cerca de três anos em crianças que sofrem privações. Quanto ao desenvolvimento no início da infância, a principal ocupação da criança é brincar, considerada equivalente ao trabalho para o adulto. Brincar para a criança é coisa séria. A criança brinca para entender o mundo ao seu redor, e pela vivência com as brincadeiras ela vai ampliando seu repertório de habilidades, tanto motoras quanto cognitivas e socioafetivas. O brincar das crianças e o modo primário pelo qual aprendem sobre seus corpos e potencialidades de movimento. Também é um importante facilitador do crescimento cognitivo e afetivo da criança mais nova, assim como importante recurso para o desenvolvimento tanto das habilidades amplas quanto das �nas (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 193-194). Nesse período as crianças irão desenvolver funções cognitivas essenciais que resultam em pensamento lógico e na capacidade de formular conceitos. Piaget (2011), que nos conhecemos na Unidade I desta disciplina, com sua teoria do desenvolvimento cognitivo, deu o nome de pré-operatória a essa fase. Alguns aspectos são bastante recorrentes na criança, quais sejam, o egocentrismo e a visão do mundo a partir de si mesmas; o entendimento das coisas de forma literal; senso de autonomia e de iniciativa; aumento da curiosidade e exploração; experimentação de novas ações motoras; formação do autoconceito; imaginação criativa, entre outras. Sendo assim, os pro�ssionais devem entender as características de desenvolvimento, os limites e as potencialidades das crianças nessa etapa. Somente assim é possível organizar de maneira e�caz as experiências e vivências que representam as necessidades e os interesses dos alunos, bem como estar condizente com o nível de desenvolvimento do grupo. A seguir você irá conhecer as principais características de desenvolvimento, separadas por domínio: motor, cognitivo e afetivo. Para �ns didáticos, organizei em formato de quadro algumas das aprendizagens essenciais que acontecem durante o período que estamos estudando. Nessa etapa é necessário oferecer experiências em que a criança possa vivenciar diversas possibilidades de movimentos e explorar ambientes e materiais diversi�cados. As atividades devem buscar estimular a resolução de problemas, Quadro 1 - Características de cada um dos domínios do desenvolvimento humano: motor, cognitivo e afetivo DOMÍNIO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS MOTOR Altura entre 83,8 e 119,4 cm, peso entre 11,3 e 24 kg para meninos e meninas; Rápido desenvolvimento das percepções, mas confusão frequente das sensações corporais, senso de direção e espaço-temporal; Controle de esfíncteres com episódios esporádicos de eliminação de urina e fezes; Facilidade de realização de movimentos unilaterais, mas os bilaterais como skipping com di�culdade. Tem bastante energia e correm mais do que andam, descansam em períodos bastante curtos; Vestem-se sozinhas, precisando de auxílio para ações re�nadas como abotoar ou ajustar as roupas; Funções e processos corporais regulados; Meninos e meninas são �sicamente bastante similares; Coordenação motora ampla de�nida, porém, a �na em processo; Di�culdade de esforço visual de curta distância por tempo prolongado. COGNITIVO Consegue verbalizar ideias e pensamentos; Imaginação fantasiosa que permite imitar ações e símbolos; Capacidade investigativa e de descoberta; Aprende por meio das brincadeiras e das práticas o como e o porquê das coisas do mundo; Transita da necessidade de autossatisfação para estabelecimento dos comportamentos sociais. AFETIVO São egocêntricas e tem di�culdade de compartilhamento e de convivência; Temem viver novas situações e precisam se sentir seguras; Diferenciam certo de errado; Crianças com 2 e 4 anos tem comportamento instável, enquanto com 3 e 5 anos demonstram estabilidade comportamental e docilidade; Desenvolvem rapidamente o autoconceito, precisando de orientação coerente e reforço positivo constante. Fonte: a autora. otimizando a criatividade e fomentando a curiosidade. À medida que a criança vai aprendendo o queestá sendo ensinado, é fundamental que o nível de complexidade da tarefa vá sendo intensi�cado, para que haja o desa�o e ocorra o aprendizado. A correta execução das ações motoras deve ser trabalhada, mas não com ênfase na performance de movimento. Lembre-se: todo movimento tem técnica. Se porventura a criança aprende que pode andar na ponta dos pés, assim ela irá fazer, e fazendo o movimento da maneira errada pode prejudicar seu desenvolvimento. O trabalho com a criança deve ser pautado no respeito às diferenças, entendendo que cada uma tem um ritmo de aprendizagem próprio, desde que o progresso seja visível em seu desenvolvimento. A abordagem deve ser sempre multissensorial, ou seja, aquela que privilegia a diversidade de experiências e vivências, fazendo uso da estimulação sensorial em todos as possibilidades. Existem alguns aspectos que interferem na curva de crescimento e no desenvolvimento infantil, quais sejam: nutrição precária e inadequada – pobreza em nutrientes essenciais para o funcionamento do corpo, de�ciências prolongadas e excessos alimentares; exercícios e lesões que causam hipertro�a ou atro�a dos músculos ou lesões na placa de crescimento; doença, clima, emoções e condições incapacitantes; tendências seculares, que estão relacionadas ao aumento na taxa de crescimento de determinada geração. Esteja atento às características que envolvem o crescimento das crianças e aos aspectos que devem ser considerados quando tratamos do desenvolvimento infantil. Sempre olhe o desenvolvimento de maneira integral, a partir de diversos aspectos, considerando que os domínios funcionam numa inter-relação. O pro�ssional responsável vai ter consciência de que o desenvolvimento psicomotor está associado a questões sociais e afetivas, que, por sua vez, têm uma relação direta com a cognição e aspectos da inteligência humana. Habilidades motoras fundamentais Entre 2 e 7 anos de idade a criança está na fase que desenvolve as habilidades motoras fundamentais (HMFs), é nesse período que deve ocorrer a exposição intensa da criança a uma multiplicidade de experimentações e vivências que possibilitem aquisição efetiva de condutas motoras básicas, expressas numa sequência formada por estágios e etapas que representam de maneira progressiva a aquisição das habilidades motoras. Tais habilidades derivam das aprendidas na etapa anterior, dos movimentos rudimentares, que já estudamos. Sobre a fase que iremos estudar agora, Gallahue e Ozmun (2013, p. 207) a�rmam que Agora as crianças são capazes de explorar o potencial de seus corpos quando se movimentam no espaço (locomoção), tem maior controle sobre a própria musculatura em oposição a gravidade (estabilidade) e dispõem de crescente habilidade no estabelecimento de contatos controlados e precisos com os objetos do seu ambiente (manipulação). É uma fase que serve para descobrir como executar vários movimentos de estabilização, locomoção e manipulação, inicialmente de maneira isolada e depois combinados. Como, por exemplo, primeiro a criança anda, pega ou lança, executa um movimento de cada vez. Nessa etapa ela vai aperfeiçoar a execução dessas habilidades isoladamente e vai aprender a executar de maneira combinada, ou seja, ela vai andar lançando uma bola e pegando ao mesmo tempo. A �gura a seguir mostra, de maneira esquemática, a ação motora de pegar a bola e de que forma os aspectos do ambiente e o propósito da tarefa operam sobre a pessoa executando o movimento, gerando o resultado. Figura 1 - Exemplo de pegar uma bola: restrições em ação Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 207). Se, por um lado, é importante compreender como as restrições atuam sobre a criança, resultando em um nível especí�co de performance, por outro, o mais importante é considerar que as restrições da tarefa e do ambiente podem ser manipuladas por professores, técnicos e médicos para promover o seu desenvolvimento motor (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 207-208). As limitações individuais, ambientais, e da tarefa interferem na performance motora da criança, mas podem ser modi�cadas pelos professores, técnicos ou médicos, a �m de contribuir no desenvolvimento de habilidades motoras. As crianças que estão em desenvolvimento dos padrões motores fundamentais aprendem a reagir de maneira controlada e com competência motora aos diversos estímulos. O controle motor vai aumentando gradativamente mediante prática, e o movimento passa a ser executado de maneira segura, discreta e contínua. Essas HMFs são in�uenciadas por fatores maturacionais, ambientais e por fatores da tarefa, que consiste no quanto a criança está exposta a esses estímulos. Embora a maturação tenha um papel signi�cativo na aprendizagem e desenvolvimento dos padrões de movimento, não pode ser vista como única in�uência. As condições ambientais, como oportunidades de vivência, instrução e cenário, ocupam papel fundamental no nível máximo que os padrões de movimento alcançam. Por que é tão importante que a criança desenvolva de maneira saudável as HMFs? Para responder a essa pergunta, convido os pesquisadores que têm me auxiliado na montagem de todo este material, Gallahue e Ozmun (2013, p. 208): O desenvolvimento das HMFs e essencial para o alcance da pro�ciência em vários esportes, jogos e danças de uma cultura. Elas consistem em blocos básicos para um movimento e�ciente e efetivo e oferecem às crianças modos de explorar os seus ambientes, de adquirir conhecimentos sobre o mundo ao seu redor. As HMFs em desenvolvimento podem ser consideradas como letras ou caracteres de um alfabeto em uma cartilha para aprendizes. Esses caracteres fornecem a base para o aprendizado das palavras (habilidades motoras combinadas), que depois permitiram às crianças a produção de sentenças e parágrafos (habilidades esportivas e sequências de dança especí�cas) por meio da reestruturação das letras em várias combinações. Se os princípios básicos dos caracteres e das letras não forem assimilados, as crianças terão um desenvolvimento linguístico de�ciente. Todo movimento aprendido passa por etapas. Inicialmente a execução é imprecisa e, mediante prática é que a criança é capaz de executar com destreza. A maestria na execução das ações motoras vai depender da orientação que é dada e da repetição da vivência. Numa situação de avaliação psicomotora é possível saber em qual estágio a criança se encontra com base na execução da tarefa. Os estágios que iremos conhecer agora são: inicial, elementar e maduro. Estágio inicial: são as primeiras tentativas de execução dos movimentos. Geralmente aos 2 anos de idade os movimentos de locomoção, manipulação e estabilização da criança estão na fase inicial. Evidente que pode ser diferente de uma criança para outra, mas de maneira geral é o que acontece. Nesse estágio os movimentos são caracterizados por elementos que faltam, que são restritos ou marcados em sequência, nos quais a criança usa o corpo de maneira exagerada, realizados com di�culdade. Estágio elementar/emergente: aqui os movimentos já mostram maior controle motor e coordenação rítmica, realizados de maneira sincronizada entre elementos de tempo e espaço. Os movimentos são mais coordenados, mas ainda restritos e exagerados. Crianças com desenvolvimento típico evoluem signi�cativamente nessa fase, muitas vezes vemos até mesmo adultos com desenvolvimento estagnado nesse estágio. Estágio maduro/pro�ciente: as ações motoras são realizadas de maneira coordenada, controlada e mecanicamente e�ciente. A maior parte das HMFs podem ser adquiridas por crianças entre 5 e 6 anos de idade com maestria. As habilidades manipulativas, como rebater, derrubar, entre outras, por necessitarem de acompanhamento e interceptação de objetos, acabam se desenvolvendo um pouco depois, devido aos requisitos e motores serem mais so�sticados para execução dessa tarefa. A �gura a seguir apresenta a aprendizagem do chute, desde o estágio inicial até que o movimento seja realizado com maturidade. Pode-se observar que,a cada etapa, a criança vai modi�cando o gesto motor e isso está relacionado aos diversos aspectos que já foram apresentados neste material. Segundo Gallahue e Ozmun (2013, p. 208) Figura 2 - Sequência da aprendizagem do chute Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 235). O desenvolvimento das HMFs e essencial para o alcance da pro�ciência em vários esportes, jogos e danças de uma cultura. Elas consistem em blocos básicos para um movimento e�ciente e efetivo e oferecem às crianças modos de explorar os seus ambientes, de adquirir conhecimentos sobre o mundo ao seu redor. As HMFs em desenvolvimento podem ser consideradas como letras ou caracteres de um alfabeto em uma cartilha para aprendizes. Esses caracteres fornecem a base para o aprendizado das palavras (habilidades motoras combinadas), que depois permitiram às crianças a produção de sentenças e parágrafos (habilidades esportivas e sequências de dança especi�cas) por meio da reestruturação das letras em várias combinações. Se os princípios básicos dos caracteres e das letras não forem assimilados, as crianças terão um desenvolvimento linguístico de�ciente. De modo similar, no desenvolvimento motor, a capacidade de movimentar-se com facilidade, combinando várias HMFs, �ca comprometida quando a criança não adquire a competência motora básica durante os primeiros anos. Diante disso, as atividades motoras precisam auxiliar os alunos no conhecimento do próprio corpo e no domínio do repertório das habilidades fundamentais, a �m de contribuir de forma positiva para desenvolver as capacidades psicomotoras, cognitivas e socioafetivas. Quando tratamos das habilidades motoras fundamentais estamos falando de manipulação, tais como: arremessar, pegar, chutar, volear, rebater. É fundamental entendermos que, para que tais ações motoras sejam aprendidas, é necessário que a criança seja ensinada e que as etapas sejam respeitadas, da inicial, passando pela elementar, até que a realização do gesto motor esteja madura. O tempo de prática destinado a aprender as habilidades de manipulação, bem como as estratégias utilizadas farão diferença na aquisição delas. Como habilidade de locomoção temos cinco possibilidades no desenvolvimento motor: corrida, galope, skip, saltos e saltitos. Para ilustrar o desenvolvimento progressivo de uma das capacidades, trago a seguir uma �gura que mostra o skipping. A Criança e seu Desenvol�mento Físico Nesse tópico iremos tratar da aptidão física relacionada à saúde e aptidão motora das crianças. Segundo especialistas, esse assunto deve preocupar não somente professores de Educação Física, mas também médicos, técnicos e demais pro�ssionais da Educação, pois está relacionado à diversos aspectos, como alimentação, atividade física e hábitos de vida. Para esta disciplina iremos focar nas capacidades físicas, mas é preciso estar atento a todos os aspectos que envolvem a saúde das crianças, desde os nutricionais até as práticas de lazer e exposição aos equipamentos eletrônicos. Figura 3 - Sequência da aprendizagem do skipping Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 256). Nos últimos anos o número de criança com indícios de sobrepeso e obesidade vem se tornando cada vez mais signi�cativo. O que torna necessário que olhemos para esse tema com cuidado e que o tornemos um dos conteúdos escolares. De acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p. 274) A de�nição de aptidão física e um passo necessário para o estabelecimento de padrões para crianças. Embora não haja consenso a respeito do termo aptidão física, usaremos a seguinte de�nição como guia: “aptidão física e um estado positivo de bem- estar, in�uenciado por atividade física regular, constituição genética e adequação nutricional". Em termos mais especí�cos, pode ser dividida em aptidão física relacionada à saúde e aptidão motora ou relacionada a performance. A aptidão física em crianças com menos de 6 anos é pouco estudada e encontramos uma carência de informações sobre o tema na literatura. Você pode estar pensando que são questões relacionadas somente aos adultos, mas não são. E quando falamos de aptidão física relacionadas à saúde, a que habilidades nos referimos? Estamos falando da capacidade de resistência cardiovascular, força muscular, �exibilidade, resistência muscular e composição corporal. Quanto aos componentes da aptidão motora tem-se: coordenação, equilíbrio, velocidade, agilidade e potência. Consegue perceber o quanto é essencial que possamos olhar para a aptidão física no desenvolvimento do ser humano durante a infância e adolescência?! Se pararmos para pensar, são esses componentes que citamos que nos possibilitam realizar todos os movimentos corporais que nos permitem viver de maneira saudável. Na sequência irei colocar duas tabelas que estão presentes no livro Compreendendo o desenvolvimento motor, do Gallahue e Ozmun, que irão fornecer diversos elementos para entender as capacidades relacionadas à aptidão física. Vale ressaltar que a criança deve ser “testada” de acordo com a etapa de desenvolvimento em que se encontra e com suas condições. Cada criança tem um tempo de aprendizagem e deve ser estimulada para que possa desenvolver habilidades e competências que lhe permitam ter uma vida saudável. Tabela 1 - Medidas de aptidão física relacionada à saúde Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 284). O desenvolvimento motor e as aprendizagens dependem dos componentes apresentados, como coordenação e equilíbrio. Assim que a criança demonstra controle de coordenação e equilíbrio, está apta a melhorar a capacidade de força muscular. As medidas de aptidão motora melhoram de maneira linear. Tabela 2 - Medidas de aptidão física relacionada ao desempenho Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 285). Desenvol�mento Perceptivo-Motor O desenvolvimento perceptivo-motor tem uma relação íntima com o desenvolvimento motor infantil. Embora progridam em ritmos diferentes, as capacidades motoras são afetadas pelas perceptivas e vice-versa. Todos os movimentos voluntários que realizamos estão envolvidos com um elemento da percepção. A partir do nascimento a criança interage com o ambiente por meio das percepções e das ações motoras. Em torno de 2 anos os olhos já estão anatomicamente e �siologicamente prontos, porém as habilidades perceptivas ainda não estão maduras. Por isso a criança consegue olhar �xamente em determinado objeto, acompanhar sua movimentação e avaliar aspectos desse elemento, como tamanho e forma, ainda assim, carecem de muito re�namento. O desenvolvimento motor sofre in�uência da acuidade visual, da percepção das imagens planas, percepção de profundidade e coordenação visomotora. Na criança as habilidades de percepção visual são restritas quando comparadas às do adulto. Quanto mais vivências e experiências estimularem o aprendizado motor perceptivo da criança, melhor ela desenvolverá a plasticidade de reação às situações motoras diversas. São aspectos do desenvolvimento da percepção visual infantil: acuidade visual – capacidade de diferenciar detalhes em ambientes estáticos e dinâmicos –, percepção da �gura-fundo – separar visualmente os objetos dos seus vizinhos –, percepção de profundidade – condição de avaliar a distância dos elementos em relação a si mesma –, coordenação visomotora – integrar olhos e mãos para rastrear e pausar em objetos ao redor. Esses aspectos são desenvolvidos na criança até os 12 meses de vida. Geralmente as crianças que apresentam falhas na aprendizagem perceptivo- motora sofrem restrições ambientais ou estímulos precários. Famos sobre perceptivo-motor até agora e buscamos ajuda de Gallahue e Ozmun (2013, p. 298) para esclarecer porque os termos estão juntos neste tópico. Há hífen no termo perceptivo-motor por duas razões. Em primeiro lugar, signi�ca que a atividade de movimento voluntário depende de algumas formas de informação perceptiva. Todos os movimentos voluntários envolvem um elemento de consciência perceptiva, resultante de algum tipo de estimulação sensorial. Em segundolugar, o hífen indica que o desenvolvimento das capacidades perceptivas do indivíduo depende, em parte, da atividade motora. As capacidades perceptivo-motoras são aprendidas. Assim, elas usam o movimento como um importante meio de concretização do aprendizado. São considerados componentes perceptivos-motores a consciência corporal, a consciência espacial, a consciência direcional que, envolve lateralidade e direcionalidade, a consciência temporal, que envolve o ritmo. Esses aspectos devem ser trabalhados nas aulas de Educação Física e nos diversos momentos de estimulação que fazem parte das atividades escolares. Os programas de estimulação psicomotora privilegiam o trato com as habilidades apresentadas, haja vista que são essenciais para o desenvolvimento do ser humano nas dimensões cognitiva e socioafetiva, e contribuem para a formação do aluno de maneira integral. A seguir você pode observar quais fatores estão relacionados aos componentes perceptivo-motores. Figura 4 - Fatores relacionados aos componentes perceptivo-motores Consciência corporal Conhecer as partes do corpo Conhecer o que as partes do corpo podem fazer Saber como fazer para que as partes do corpo se movimentem com e�ciência Consciência espacial Localização subjetiva Localização objetiva Autoespaço Espaço geral Consciência direcional Lateralidade Direcionalidade Consciência temporal Sincronização Sequência Ritmo Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 301). É de suma importância que os pro�ssionais da Educação conheçam detalhadamente os aspectos do desenvolvimento infantil; saibam as habilidades motoras que devem ser aprendidas, as percepções que a criança desenvolve, a relação entre as aprendizagens motoras e as percepções e tudo mais que faz parte do repertório motor. Todos esses aspectos são decisivos nas aprendizagens futuras e servem de base para algumas aprendizagens formais que acontecem na escola, como aquilo que devemos aprender em Língua Portuguesa, Matemática, Geogra�a, entre outras disciplinas que contemplam a grade curricular da escolarização. Muitas vezes di�culdades de aprendizagem são justi�cadas por situações de dé�cits psicomotores ou atrasos/falhas no desenvolvimento motor, que ocorrem por diversos fatores que já foram explorados neste material. Para terminar o tópico, falaremos sobre o autoconceito na infância. Por autoconceito entendemos: crença de que podemos nos descrever, em palavras, para os outros. Está relacionado com a imagem ou percepção que a criança tem de si mesma e como se vê. A construção do autoconceito começa na infância e perpassa a vida de uma pessoa. Devemos estar sempre atentos ao modo como a criança constrói uma ideia de si mesma, e isso deve ocorrer de maneira saudável. A formação do autoconceito pela criança tem muita in�uência do meio e da maneira como as relações são estabelecidas. Frases como “ela é preguiçosa” ou “ele não sabe escrever/ler” são destrutivas no processo de formação do autoconceito e acabam contribuindo negativamente no entendimento que a criança faz de si mesma. Certa vez, li uma frase em algum lugar, que faz muito sentido para o assunto e eu gostaria de compartilhar com você. A frase era assim: uma criança agredida verbalmente e menosprezada pelos pais não é capaz de deixar de amá-los, então deixa de amar a si mesma... Forte não?! Mas é exatamente isso que acontece. O meio e a maneira como o adulto conceitua a criança interfere no entendimento que faz de si mesma e na maneira como ela irá também formar o autoconceito, porque as crianças têm no adulto a referência e buscam nele a segurança que precisam. A família atua como primeiro espelho para a criança se construir como ser humano, e posteriormente ela vai encontrando outras possíveis referências para que possa se espelhar, como na escola, os professores, o grupo de amigos na adolescência, entre outros. Crescimento e desenvol�mento na adolescência Chegou a hora de falarmos da etapa da adolescência, uma fase da vida tão cheia de particularidades, que precisa ser vista e entendida em suas características. Neste tópico vamos tratar do crescimento e da maturidade biológica na adolescência. Iremos conhecer o que seria o famoso estirão que acontece nesse período da vida e que interfere nas aprendizagens motoras. Trataremos de puberdade e outros assuntos relacionados à adolescência. A passagem da infância para a adolescência é demarcada por um conjunto de acontecimentos físicos e culturais, que, juntos, cooperam para o crescimento e desenvolvimento motor. As pesquisas apontam que o período da adolescência tem se estendido devido à associação de implicações biológicas e culturais. Durante a adolescência ocorre a aceleração da curva do crescimento. Dos meninos entre 12 e 17 anos, normalmente 1 ano após o aumento dos testículos; eles crescem em torno de 10 centímetros no ano de crescimento máximo. Das meninas acontece entre 9,5 e 13,5 anos; elas crescem 9 centímetros no ano de crescimento máximo. Geralmente os meninos �cam mais fortes e altos que as meninas. No aspecto crescimento existem essas diferenças entre os gêneros. No início da adolescência temos aumentos somatizados de peso e altura. A idade, duração e intensidade do estirão vão variar de acordo com a genética e com aspectos individuais. De acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p. 315), A puberdade depende de aspectos genéticos e ambientais e tem início em diversas idades. A adolescência é a preparação para a vida adulta, que sofre in�uência de aspectos biológicos, considerando que no �nal da infância e início da adolescência temos o aparecimento da maturação sexual. O marco inicial da vida adulta é, culturalmente, a independência �nanceira e emocional da família. O genótipo (herança genética) estabelece as fronteiras do crescimento individual. No entanto, o fenótipo do indivíduo, ou seja, o modo como o seu genótipo se expressa em características observáveis e mensuráveis, como altura e peso, pode ser in�uenciado pelas condições do ambiente, como nutrição e exercício. Para cada genótipo, é possível haver expressão de uma ampla variedade de genótipos. Ainda que pudéssemos responder por todos os fatores genéticos que contribuem para a altura e o peso de uma pessoa, seria impossível prever com exatidão quais seriam as medidas de altura e de peso, pois ambos são modelados, em certo grau, pelo fenótipo singular de cada um (p. ex., fatores ambientais). O estirão a que nos referimos dura em torno de 4 anos e meio. É variável, enquanto alguns estão terminando o processo, outros ainda nem iniciaram. Na �gura a seguir você pode ver o pico de velocidade da altura de homens e mulheres em números, de acordo com a faixa etária. Figura 5 - Pico de altura em relação à idade Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 317). Em relação ao peso, as mudanças durante a adolescência são grandes. Geralmente o pico de velocidade é mais demorado nos meninos que nas meninas. Porém nas meninas acontece entre 6 a 12 meses antes do que acontece nos meninos. Nos meninos o ganho de peso ocorre devido ao aumento da massa muscular e da altura, que são bastante signi�cativos na adolescência. Sendo que o peso é bastante afetado por fatores ambientais, como hábitos alimentares. O ganho de peso pode ser observado na �gura a seguir. Figura 6 - Ganho de peso em relação à idade Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 319). Habilidades motoras especializadas Estamos no último tópico desta unidade. Aqui iremos conhecer a etapa do desenvolvimento motor em que ocorre o aprimoramento dos movimentos fundamentais adquiridos nas etapas anteriores. Isso mesmo! Durante os anos anteriores, a criança, que agora já não está mais na infância e sim na adolescência, vai adquirindo um repertório diversi�cado de habilidades motoras e passando por cada um dos estágios do desenvolvimento motor, conforme a ampulheta proposta por Gallahue e Ozmun (2013), que estamos utilizando como referência na disciplina. Lembrou da conhecida ampulheta propostapor Gallahue e Ozmun? A fase que antecede a que iremos estudar agora é a das habilidades motoras fundamentais. Entre 2 e 7 anos acontece o aprendizado de uma série de ações motoras de locomoção, manipulação e estabilização. A partir disso, tudo o que foi aprendido na fase motora fundamental será aprimorado, re�nado e especializado de maneira elaborada e combinada, na fase motora especializada, como o próprio nome diz. Os movimentos passam a ser aplicados como instrumentos em diversas atividades motoras, cada vez mais complexas, com maior nível de exigência. Estão presentes em situações do cotidiano, em situações recreativas e nas diversas modalidades esportivas. Para que o indivíduo passe para a etapa do movimento especializado, deve estar pro�ciente na etapa do movimento fundamental, conforme mostra a Figura 7. Figura 7 - Relação entre habilidades motoras fundamentais e especializadas Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 333). Como nas demais fases do desenvolvimento motor, aqui também as aprendizagens acontecem em estágios, quais sejam: transitório, de aplicação e permanente. No estágio transitório, que vai dos 7 aos 10 anos, o indivíduo é capaz de fazer associações, combinações e aplicações das habilidades motoras fundamentais no desempenho das habilidades especializadas nas modalidades esportivas. De acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p. 334), “é caracterizado pelas primeiras tentativas do indivíduo de re�nar e combinar habilidades de movimento pro�cientes. Esse é o período em que os aspirantes a atleta aprendem a treinar para aumentar a habilidade na performance”. Dos 11 aos 13 anos temos o estágio de aplicação, no qual ocorre a busca por participar de atividades especí�cas. Cresce quantitativamente a habilidade, a precisão de movimentos, o desempenho motor. Nesse estágio são exploradas habilidades mais complexas que serão utilizadas em atividades avançadas. Ocorre a participação mais intensa em esportes que exigem maior precisão de movimentos. Durante este estágio [...] o indivíduo torna-se mais consciente dos valores e das limitações físicas pessoais e, de modo adequado, foca certos tipos de esporte em ambientes tanto recreativos como competitivos. A ênfase está em melhorar a pro�ciência. A prática e fundamental para desenvolver graus de habilidade mais elevados (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 334). O próximo é o estágio permanente, a partir dos 14 anos, considerado o auge do desenvolvimento motor, de�nido como período da diversidade de movimentos que foram adquiridos e serão utilizados no decorrer da vida. No entanto, quando pensamos em conteúdos para ensinar algum esporte especi�camente, em especial para crianças, é fundamental que o professor tenha um conjunto de conhecimentos a respeito da etapa de desenvolvimento que a criança está, bem como suas características, para que o trabalho seja feito com responsabilidade, respeitando a necessidade de aprendizagem e o ritmo de cada faixa etária. O estágio que estamos conhecendo também pode ser conhecido como estágio de uso ao longo da vida. Conforme Gallahue e Ozmun (2013, p. 335), [...] os indivíduos em geral reduzem a abrangência de suas buscas esportivas, escolhendo algumas poucas atividades para engajamento regular em ambientes competitivos, recreativos ou cotidianos. Maior especialização e re�namento das habilidades ocorrem no estágio de treinamento para competir e para participar. A maximização da performance e o objetivo-chave desse estágio. Das habilidades esportivas em que se adquiriu domínio, e colocada ênfase no nível ótimo da preparação de aptidão física, psicológica e tática. As atividades ao longo da vida são escolhidas com base em interesses, capacidades, ambições, disponibilidade e experiências prévias do indivíduo. Nesse estágio, muitas vezes, as oportunidades de participação são limitadas, em função das crescentes responsabilidades e dos compromissos. Interessante pensar que quanto mais habilidades e potencial de movimento temos, menores são as oportunidades de praticarmos esportes não é mesmo?! Considerando que quanto mais velhos, mais responsabilidades diversas assumimos, com estudos, trabalhos e outras tarefas e, por vezes, não conseguimos tempo para vivenciar modalidades esportivas variadas e encontrar aquela que mais nos familiarizamos. É evidente que quanto mais velhos �camos, se não seguimos carreira de atleta ou não fazemos parte de algum time ou equipe desportiva, acabamos praticando menos esporte, em virtude da rotina de atividades. SAIBA MAIS POR QUE A ATIVIDADE FÍSICA NA INFÂNCIA É IMPORTANTE? Uma das maiores alegrias da vida é ver uma criança correndo e brincando, dançando e se divertindo, com saúde e disposição, seja nos parques, na rua, ou em uma sala cheia de brinquedos. Ou seja, qualquer atividade física na infância. Mas, é impressão minha, ou quase não estamos mais vendo crianças andando de bicicleta, de patins, correndo, e subindo em árvores? Sim, é verdade, a nova tecnologia chegou para todos, até para as crianças. Não precisamos ir muito longe para ver uma criança de quatro anos já com o celular do pai, do irmão, mexendo e vendo animações virtuais, pulando e saltitando apenas com os dedinhos, mas seu corpo extremamente parado em uma cadeira, sofá, ou até mesmo no chão, onde a interação acontece apenas entre ela e sua tela, do celular ou tablet. E aí que chega a seguinte interrogação: e a socialização com as demais crianças? E a fantasia de ser criança? E o movimento motor para chegar à idade adulta? E a saúde, aonde �ca? Pois o corpo necessita de movimentos, o ser humano necessita de interação, socialização, precisa manipular e sentir, precisa tocar, e a infância é o período onde as descobertas entram! Portanto, o texto abaixo descreve a importância da atividade física na infância e os benefícios do exercício físico. Vamos lá? Atividade física na infância A atividade física na infância, ou o movimento do corpo, tem um papel essencial para o desenvolvimento infantil! Esses movimentos expressam emoções, ampliam a postura corporal, auxiliam na linguagem corporal, e desenvolvem a capacidade afetiva e intelectual. Habilidades Motoras do Movimento Caminhar Correr Saltar Habilidades Manipulativas do Movimento Arremesso de Objeto Chute de Bola Recepção de Algum Item, Ou até como Cortar um Papel Habilidades Estabilizadores do Movimento Tentar Manter a Postura Vertical Ter Domínio do Corpo Rolar Andar sobre uma Faixa Corda no Chão Todas essas habilidades devem ser estimuladas dentro da atividade física na infância, e uma vez que esta etapa não seja trabalhada, a criança perde, e infelizmente não recupera na idade adulta. As mudanças do desenvolvimento motor e até afetiva ou emocional, ocorre no período da educação infantil, e é na infância onde se constroem o desenvolvimento psicológico e as habilidades motoras, e isto inclui atividades/ brincadeiras das crianças na infância. O brincar no trabalho pedagógico é uma tarefa estratégica, utilizando de atividades para garantir o aprimoramento das habilidades motoras. E conforme esta criança avança com a idade, essas funções que foram desenvolvidas ao longo do período auxiliam na melhora da capacidade de seus movimentos e habilidades e uma maior capacidade de controlar seus movimentos. O brincar é onde a fantasia toma conta da realidade, e assim as atividades vão acontecendo naturalmente. Freire (1997) a�rma que a criança é para ser educada e não adestrada, sendo assim, as atividades desenvolvidas pelas crianças devem levá-las a pensar, a terem consciência da ação corporal que estão realizando. Independentemente de qual seja o conteúdo escolhido, os processos de ensino e aprendizagem devem considerar as características dos alunos em todas as suas dimensões: �. Cognitiva �. Corporal �. Afetiva �. Ética �. Estética �. Relação Interpessoal �. Inserção Social É com toda clareza que a infância é uma fase importantíssima para os desenvolvimentos de habilidades e comportamentos,que perduram ao longo da vida. Benefícios da atividade física na infância Há 3 décadas ainda víamos crianças brincando nas ruas, com seus colegas e vizinhos de porta, víamos mais crianças andando de bicicleta e brincando de pique esconde. Os parques muitas vezes eram morros de areia de construção, os tijolos dos vizinhos, e qualquer objeto que levasse a criança a imaginar uma situação no seu mundo imaginário. Porém, hoje temos crianças presas em paredes de tijolos, chamadas casas, que mais parece uma prisão com muitos equipamentos eletrônicos. O nível de obesidade infantil está se tornando algo comum na sociedade atual. Isso, porque a falta de espaço no ambiente de casa, a falta de estrutura das cidades grandes, e dos colégios e escolas fazem com que a criança se desmotive para brincar ou fazer qualquer atividade, gerando assim um corpo parado, sem movimento, e atrás de telas virtuais. E para piorar: uma imensidade alimentos industrializados, devido à praticidade do dia a dia. Os tornando assim, seres pequeninos, acima do peso, depressivos e com doenças que antes aparecia apenas em pessoas adultas ou idosas. A prática da atividade física pode aumentar a autoestima de qualquer pessoa, mas para a criança, gera uma alegria imensurável, aquele sorriso no rosto, as mãos sujas de manipular algo diferente, a socialização de um convívio com demais crianças da mesma idade, o humor e a autocon�ança. A socialização com outras crianças é essencial, porque há brincadeiras individuais, mas há outras brincadeiras que são coletivas e que precisam deste convívio, e dentro dessas brincadeiras há regras, que devem ser orientadas a todos pelo professor, que tem papel essencial nesta etapa. Pois os jogos coletivos ou brincadeiras que envolvam ganhos e perdas, levam a criança a lidar com este equilíbrio. A questão de saúde e estética também é importante, pois hoje o índice de crianças com diabetes e colesterol elevado, e um circunferência abdominal altíssima, faz com que haja uma re�exão sobre o quão doente será este indivíduo na idade adulta. E a atividade física in�uencia nesta questão, pois um corpo ativo, é um corpo saudável! Muito se questiona que exercício físico para a criança é prejudicial, porém a atividade física pode ser uma brincadeira ativa na qual a criança se movimenta brincando, e os benefícios, são muitos. Dos quais: Estimula o Crescimento e Desenvolvimento Melhora Postura e Equilíbrio Fortalece Ossos, Músculos e Articulações Tem Domínio do Corpo Autoestima Elevada Socialização Promove a Saúde Minimiza a Obesidade e Depressão Minimiza Doenças relacionadas ao Sedentarismo Devemos ressaltar que toda atividade, brincadeira ou exercício, deve entreter e ser do gosto da criança, para que seja algo prazeroso. E assim seja aproveitada a atividade física na infância. Concluindo… O exercício físico ou qualquer atividade, é bem-vinda em qualquer idade da vida, porém, é na infância que os movimentos são trabalhados. A atividade deve ser inserida desde os primeiros meses da vida, estimulando esta criança a manipular objetos diferenciados, engatinhar, segurar e puxar. É importante que qualquer atividade seja feita de forma prazerosa, e que este importante do movimento do corpo perdure até a velhice. A atividade física na infância, de forma bem orientada, só trará benefícios ao corpo e a mente. Muito além do lado estético, temos a saúde, porém a mente deve estar em equilíbrio também! Fonte: Zapelini (2018). REFLITA “Na brincadeira, a criança está sempre acima da média da sua idade, acima de seu comportamento cotidiano; na brincadeira, é como se a criança estivesse numa altura equivalente a uma cabeça acima da sua própria altura”. Fonte: Vigotski (2008, p. 35). 04 Idade Adulta e o seu Desenvolvimento UNIDADE Introdução Chegamos à quarta e última unidade desta disciplina. Pois bem, caro(a) aluno(a), nesta etapa iremos falar sobre a idade adulta e os processos de envelhecimento. Conheceremos a maneira como o corpo humano responde, com o passar do tempo, às mudanças que acontecem. A gente sempre ouve expressões como: “depois dos 30 o metabolismo �ca lento... depois dos 40 a gente come menos e precisa se exercitar o dobro... ah, você vai ver como as coisas mudam depois dos 50 anos...” Nesta unidade do material iremos falar exatamente disso, sobre as modi�cações �siológicas, anatômicas, comportamentais, entre outras, que levam o nosso corpo – isso mesmo, NOSSO CORPO, porque todos iremos envelhecer, é o curso natural da vida – a funcionar de maneira diferente. É evidente que as pessoas percebem os resultados dessas mudanças. É por isso que os pro�ssionais que, de certa forma, atuam no desenvolvimento humano, precisam ter conhecimento sobre as transformações relacionadas à idade nos diversos sistemas que afetam o corpo humano e de que maneiras a sua atuação pode contribuir nessa jornada de envelhecimento. Nesta unidade buscaremos entender os efeitos que manter-se �sicamente ativo têm sobre o processo de envelhecimento e como a atividade física é importante para a manutenção da saúde, na previsão da longevidade e do envelhecimento saudável. A expectativa de vida da população vem aumentando signi�cativamente nas últimas décadas, o que nos resta saber é de que maneira isso tem acontecido. É fato que o envelhecimento implica em diversas limitações e di�culdades, inclusive físicas. Agora, a maneira como as pessoas querem passar por essa etapa é fruto das escolhas feitas por cada um. Vamos lá conhecer a idade adulta e os aspectos que envolvem o envelhecimento do ser humano. Plano de Estudo: �. Conceitos e De�nições de desenvolvimento motor na idade adulta; �. Conceitos e de�nições da terceira idade; �. Aspectos do desenvolvimento motor e da vida do idoso. Objetivos de Aprendizagem: �. Conceituar e contextualizar o desenvolvimento motor da idade adulta; �. Compreender as especi�cidades do desempenho motor do adulto; �. Entender as alterações �siológicas que acontecem na fase adulta; �. Conhecer aspectos da terceira idade; �. Compreender a importância do desenvolvimento psicossocial para o idoso. Entendendo a idade adulta Dando início ao primeiro tópico desta unidade, iremos falar sobre a idade adulta. Da mesma maneira que o crescimento e o desenvolvimento nas outras fases da vida podem ser afetados por condições adversas, isso também acontece na fase adulta, considerando que a execução das tarefas motoras nessa etapa pode sofrer comprometimento devido a processos sofridos pelo sistema �siológico em função da idade pelo envelhecimento. Atualmente são utilizados alguns termos para designar essa fase, tais como: adultez, adultescência, andragogia, adultidade, entre outros. A alguns desses nem estamos familiarizados ainda, mas adianto que a ideia é olhar para essa etapa da vida, assim como �zemos com as outras, entendendo que existem características peculiares e que devem ser estudadas. Quando compreendemos aspectos especí�cos de cada etapa da vida humana somos capazes de buscar meios para passar por cada fase, respeitando suas características e da maneira mais saudável possível. A idade adulta é permeada por fatos e feitos que levam as pessoas a agir, pensar e tomar decisões de modos distintos, não estamos vivendo mais uma fase de aprendizagens e de vivências que possibilitam estar em constante equilíbrio emocional. Não podemos generalizar, mas “ser adulto” implica em ter know-how para lidar com muitas demandas e ainda enfrentar, no decorrer dessa etapa, as mudanças �siológicas que acontecem. As demandas a que me re�ro são relativas à pro�ssão, relacionamentos, vida pessoal, entre outras. Muitas vezes o envelhecimento traz como consequência restrições na realização de determinadas ações motoras ou di�culdades na execução de tarefas que, até então, eram realizadas com certa facilidade. Conforme a idade vai avançando, aspectos das nossas dimensões motora, cognitiva e afetiva interagem de maneiras diferentes e acabamafetando nosso comportamento motor. De acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p. 379), Quando entramos na vida adulta, vivenciamos uma série de mudanças físicas e �siológicas que afetam o nosso comportamento. De modo similar, a medida que damos prosseguimento a nossa vida, mudanças em nossas capacidades afetivas e cognitivas alteram o modo como respondemos ao ambiente. Conforme abordado nos capítulos anteriores, esses domínios não são mutuamente exclusivos, mas estão intricadamente inter-relacionados. As suas relações �cam evidentes quando um indivíduo mais velho compensa a redução do tempo de reação relacionada à idade usando estratégias cognitivas diferentes para realizar a tarefa. Nós também vemos a associação entre os diferentes domínios quando indivíduos mais velhos apresentam declínios na auto competência e na autoestima à medida que mudanças na força muscular relacionadas à idade começa a limitar as suas capacidades de realização das habilidades funcionais na vida diária. Nesta unidade vamos conhecer as diversas mudanças que ocorrem na vida adulta. Vale ressaltar que o desenvolvimento deriva da interação entre aspectos individuais, da natureza da tarefa e das condições ambientais. Podemos destacar que existem mudanças �siológicas relacionadas à idade que acontecem no sistema musculoesquelético, no sistema nervoso central, no sistema circulatório e respiratório, na composição corporal e nos sistemas sensoriais. Lembrando que existe uma relação entre o domínio motor e o psicossocial já que a prática de exercícios tem um efeito sobre os aspectos psicológicos especi�camente em adultos de meia-idade e idosos. Fique tranquilo que todos esses assuntos serão tratados no decorrer desta unidade. Vale ressaltar que a expectativa de vida da população tem aumentado década após década, com base em pesquisas e dados fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geogra�a e Estatística (IBGE), anualmente. Fato esse que acontece em decorrência de vários fatores, entre eles, a melhoria na qualidade de vida, a prevenção de doenças, o cuidado e o tratamento de doenças que antes causavam a morte, a melhoria na saúde pública, as condições de saneamento básico, o surgimento de vacinas e prevenção contra diversos males que acometiam a vida adulta. Para você ter uma ideia, quem nascia no ano de 1900 tinha como expectativa de vida em torno de 47 anos, o que em números atuais seria considerado absurdo, já que a média de vida atual é de 77 anos. Apesar do cenário ser favorável e muitas mudanças ambientais terem favorecido o aumento na expectativa de vida das pessoas, as características individuais constituem papel determinante se a pessoa vai ou não seguir a tendência atual de viver até 80 ou 90 anos com qualidade de vida. A neurociência nos traz que o término da adolescência ocorre em torno de 24 anos, o que nos leva a entender que a fase adulta começa a partir de então. De acordo com Silva (2004), a idade adulta vai de 25 a 44 anos – adulto-jovem –, o envelhecimento, por sua vez, é classi�cado em quatro etapas, a saber: meia- idade (45 a 59 anos), idoso (60 a 75 anos), ancião (75 a 90 anos) e velhice extrema (90 anos em diante). Na idade adulta ocorrem algumas mudanças �siológicas que merecem nossa atenção. Entenda que essas modi�cações são gradativas e dependem de diversos aspectos. Já vimos que os fatores ambientais interferem de maneira signi�cativa no desenvolvimento motor do ser humano. Adultos ativos �sicamente e que buscam hábitos de vida saudáveis, de certa forma, “retardam” os efeitos do envelhecimento. Por outro lado, aqueles que contrariam essa lógica costumam antecipar as consequências do envelhecimento. O sistema musculoesquelético tem diversas funções e acaba sofrendo algumas alterações com o envelhecimento, como a redução da estatura. Para você ter uma ideia, as mulheres podem perder 5 cm entre 25 e 75 anos. Doenças como a osteoporose e a osteopenia podem acometer pessoas na idade adulta. Atividade física regular e exercícios apropriados podem contribuir para minimizar os sintomas dessas doenças, mantendo a força muscular que sustenta a coluna. Com a osteoporose ocorrem mudanças esqueléticas, como na estatura e no encurvamento da coluna, como mostra a imagem a seguir. Vale ressaltar que existem diversos fatores de risco associados à osteoporose e que, diante da incidência de casos que podemos encontrar, coloco neste material uma tabela que os apresenta de maneira clara e objetiva. Figura 1 - Mudanças esqueléticas com osteoporose Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 386). Outro aspecto �siológico que muda na idade adulta é a força muscular e acaba afetando diretamente os músculos e as articulações. Usamos a força em diversas situações da vida diária e em atividades esportivas, a massa muscular diminui à medida que são reduzidos o número e tamanho das �bras musculares. Isso acontece de meados para o �nal da vida adulta. A perda progressiva da massa muscular que acontece com o envelhecimento é chamada de sarcopenia. Atingimos nosso vigor máximo de força muscular antes dos 30 anos, depois disso ocorre a redução natural. Segundo Gallahue e Ozmun (2013, p. 287) Tabela 1 - Fatores de risco associados à osteoporose Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 388). A força muscular é essencial para a performance de habilidades motoras, sejam elas relacionadas a performance esportiva de alto nível ou a vida funcional diária. Com a idade, a estrutura e a função do sistema musculoesquelético mudam. Estruturalmente, os indivíduos apresentam a sarcopenia ou atro�a da massa muscular esquelética. A massa muscular diminui à medida que se reduzem o número e o tamanho das �bras musculares de meados até o �nal da vida adulta. Do ponto de vista funcional, a redução na força muscular parece ser paralela a essa perda de tecido muscular. Os mesmos autores a�rmam que Há uma tendência geral nas mudanças na função muscular relacionadas com a idade, mas se observa, também, imensa variabilidade entre os indivíduos. A perda de massa muscular observada à medida que os anos passam também e afetada pelos níveis individuais de atividade física e uso muscular. Além disso, as demandas da função muscular de várias tarefas afetam o resultado da performance da tarefa (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 390). Além da força muscular, as articulações e os tecidos conjuntivos também sofrem modi�cações, pois parecem perder a �exibilidade. Em torno de 20 anos temos o ápice da �exibilidade articular e, depois disso, nossa capacidade de �exibilidade vai degradando à medida que os anos passam. A maior parte disso resulta da perda de água que ocorre no tecido conjuntivo e que tem efeito sob os ligamentos e tendões, aumentando sua rigidez. Em idosos as consequências são observadas nas atividades da vida diária, com a perda da estabilidade articular. Algumas doenças estão relacionadas à perda da mobilidade articular, as artrites, como a osteoartrite, que causa não somente limitação em determinadas ações motoras, mas pode restringir por completo alguns movimentos. Ainda pensando nas alterações �siológicas que ocorrem a partir da idade adulta, temos as mudanças no Sistema Nervoso Central (SNC) – cérebro e medula espinhal. Ocorre a perda de neurônios que não serão substituídos. De acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p. 392), Outras manifestações que parecem estar relacionadas com a idade são as formações anormais, incluindo entrelaçamentos neuro�brilares, placas senis e acumulação de lipofuscina. Essas formações com frequência são chamadas de marcadores da idade, pois aparecem no cérebro mais velho e aumentam em número enquanto continua o processo de envelhecimento. Além disso, o cérebro humano, ao envelhecer, recebe uma quantidade menor de oxigênio, o que pode causar hipóxia, que prejudica o funcionamento neurológico típico. Algumas doenças, como o Alzheimer, são decorrentes do funcionamento anormal do SNC. Vale ressaltar que existe a neuroplasticidade, que é a capacidade que o cérebro temde se reorganizar e de se modi�car. É um processo contínuo de reorganização dos circuitos neuronais, que possibilita que o idoso mantenha a saúde neurológica, mesmo considerando as alterações que o sistema nervoso sofre com o avançar da idade. Os sistemas respiratório e circulatório também têm suas funções reduzidas com o envelhecimento. Quando envelhecemos nosso coração e vasos sanguíneos passam por modi�cações que podem interferir no seu funcionamento. As paredes das artérias perdem elasticidade, tornando-as mais rígidas, a formação de gordura nas paredes das artérias são alguns dos exemplos de consequências do envelhecimento no sistema circulatório, que afetam as tarefas cotidianas das pessoas e podem causar doenças cardiovasculares. Mais alterações podem acontecer no sistema circulatório, como: as válvulas do coração e os vasos engrossam e enrijecem, interferindo na sua e�cácia. Os órgãos que fazem parte da respiração também mudam com o envelhecimento. Problemas posturais podem causar alterações na respiração, comprimindo o tórax e di�cultando o trabalho dos pulmões. Ocorre a diminuição da absorção máxima de oxigênio, uma parte resulta do envelhecimento, outra se dá em virtude da falta de atividade física. Nesse sentido o treinamento aeróbico em adultos seria o mais recomendado, tendo em vista que potencializa os níveis de oxigênio no corpo e melhora sua capacidade de absorção. Além de que atividade aeróbica melhora o potencial cognitivo, justamente em função do aumento do volume de oxigênio. A composição corporal é modi�cada com o advento da idade adulta e o passar dos anos. Ocorre o aumento do peso corporal geral e da massa corporal até os 60 anos, depois dessa idade a tendência é diminuir. A gordura abdominal aumenta e essa gordura localizada está relacionada a condições como diabetes e obesidade. Dois fatores são considerados signi�cativos nesse processo de ganho de peso, o estilo de vida das pessoas, que têm o nível de atividade física reduzido, e a diminuição natural da taxa metabólica basal, que representa a e�cácia do gasto energético. Segundo Gallahue e Ozmun (2013, p. 396) Quando ganham peso além do que é considerado saudável, os adultos mais velhos reduzem a sua mobilidade, o funcionamento físico e a independência. Assim, aumenta o risco da necessidade de serviços de apoio, e a capacidade de realizar as atividades da vida diária se reduzem. A visão é o sentido que predomina nas habilidades de movimento, a diminuição da qualidade visual com a idade avançada pode impactar diretamente as atividades funcionais e adaptativas. Uma doença oftalmológica comum em decorrência do envelhecimento e que interfere na qualidade visual das pessoas é a cataratas. Com intervenção cirúrgica é possível resolver o problema, mas é fato que as pessoas idosas têm sua competência visual reduzida e isso acaba interferindo na realização de atividades e tarefas do cotidiano. A audição não é considerada primordial na realização da maior parte das tarefas motoras, pois “as informações auditivas podem ser extremamente valiosas para fornecer feedback em uma série de situações de movimentos” (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 398), mesmo assim, é essencial saber que consiste em um dos aspectos que sofre com o avanço da idade e pode prejudicar o convívio social e situações do cotidiano dos idosos. Por �m, com o avanço da idade, ocorrem alterações na propriocepção, que, segundo Gallahue e Ozmun (2013, p. 399), [...] refere-se ao senso de posição e consciência do corpo. Um dos principais métodos de recepção de informações proprioceptivas é por meio do sistema vestibular. A principal função do sistema vestibular é fornecer informações relativas aos movimentos e a posição da cabeça. Comumente adultos e idosos sentem tonturas e vertigens. Tal fato pode estar relacionado às alterações na propriocepção e no sistema vestibular. ATENÇÃO A idade adulta e o envelhecimento modi�cam os sistemas sensoriais. Os olhos e os ouvidos mudam anatomicamente com a idade, o que altera a captação da informação e, consequentemente, a emissão das informações visuais, auditivas e proprioceptivas para o cérebro ocorre de forma insu�ciente ou distorcida. No próximo tópico desta unidade iremos conhecer alguns aspectos da idade adulta a partir do desempenho motor e do desenvolvimento psicossocial do ser humano. O adulto e o desenvol�mento Neste tópico iremos abordar o desempenho motor do ser humano na idade adulta. Portanto vamos conhecer aspectos da performance motora de pessoas com idade entre 25 e 59 anos, conforme apresentamos no início desta unidade. Para começarmos essa conversa, apresento uma a�rmação de Gallahue e Ozmun (2013, p. 280) sobre os aspectos que interferem no desempenho motor de uma pessoa: O comportamento motor exibido por um indivíduo depende da interação de uma série de variáveis categorizadas por: (1) a natureza da tarefa; (2) as condições ambientais; e (3) as características cognitiva, afetiva e psicomotora do indivíduo. A natureza da tarefa envolve elementos como o grau de di�culdade, duração e necessidade de velocidade ou precisão. O adulto mais velho cuja visão está enfraquecida as vezes não é capaz de realizar bem uma tarefa especí�ca que envolva velocidade. No entanto, se não houver exigências de tempo, o indivíduo consegue completar a tarefa com elevado grau de sucesso. O ser humano tem uma melhoria das capacidades motoras adquiridas na infância durante a adolescência e atinge seu máximo potencial de desenvolvimento das habilidades motoras na vida adulta. Isso mesmo, entre 25 e 30 anos atingimos o ápice do desempenho motor, quando estamos com níveis excelentes do estado físico e �siológico e acontece a etapa de estabilização. Já desenvolvemos e aprimoramos muitas habilidades motoras e agora somos competentes na realização. Usamos nosso repertório motor com maestria e em diversas e complexas situações da vida diária e em eventos desportivos quando necessário. Existem algumas diferenças do primeiro para o segundo grupo citado, entre 25 e 44 anos de idade é que ocorre o período da estabilização e que temos o auge da performance e da maturação do sistema motor. Contudo a partir dos 45 anos ocorre o leve declínio do desempenho motor em detrimento das alterações que foram estudadas no tópico 1 desta unidade. Vamos entender que entre 25 e 44 anos o indivíduo executará as tarefas motoras do cotidiano com competência e, à medida que a idade vai avançando os declínios na performance motora vão acontecendo. De acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p. 410), A maioria dessas mudanças envolve declínio na realização bem- sucedida de tarefas. Essas mudanças prejudiciais à performance motora resultam de degeneração nos sistemas �siológicos relacionada com a idade, fatores psicológicos relacionados com a idade, mudanças ambientais, demandas da tarefa ou alguma combinação dessas quatro variáveis. [...] A interação de diversas variáveis, algumas relacionadas com a idade, dita se o indivíduo vai experimentar declínio em uma tarefa motora especí�ca. Quando pensamos no sistema motor, alguns sistemas �siológicos sofrem alterações e merecem ser estudados neste tópico. São eles: tempo de reação, equilíbrio e controle postural, marcha e atividades da vida diária (AVDs). O tempo de reação é o intervalo de tempo entre captar o estímulo do meio e iniciar a resposta motora, como, por exemplo, acionar o pedal do freio ao sinal de pare ao dirigir. O tempo de reação é um componente primordial para realização de muitas tarefas motoras que realizamos. Nessa etapa, a curva de desenvolvimento está estável, considerando que atingimos o limiar máximo de competência na performance motora. É evidente que isso acontece desde que as condições ao longo da vida tenham sido favoráveis e o indivíduo mantenha-se ativo �sicamente. A idade adulta, por sua vez, ainda é dividida em dois momentos, conforme já mencionado anteriormente, de 25 a 44 anos temos o chamado adulto-jovem e com idadeentre 45 a 59 anos está o grupo da meia-idade. Uma vez que os outros sistemas estão envolvidos, o tempo de receber o estímulo, assim como o tempo de integração motora e de descarga motora vão prejudicar o tempo de reagir, causando a demora na resposta motora nas diversas tarefas diárias. Desse modo, a execução da maior parte das ações motoras pode signi�car algum tipo de perigo sempre que o tempo de reação está prejudicado. Caminhar num trajeto com desnível ou frear bruscamente no trânsito, quando necessário, podem ser tarefas difíceis, pois há necessidade de reagir rapidamente. Quando acometidos por essa di�culdade, adultos de meia-idade acabam optando por realizar as tarefas mais devagar e com maior precisão, uma vez que não são mais capazes de executar determinadas ações motoras com rapidez. O equilíbrio e controle postural consistem em controlar a posição corporal no espaço com estabilidade e orientação. O controle da posição do corpo é essencial para a realização de diversas tarefas do cotidiano, envolve basicamente dois sistemas: musculoesquelético e neurológico. Os elementos do sistema musculoesquelético, necessários para manutenção do equilíbrio, são: a amplitude de movimento das articulações do corpo; �exibilidade da espinha; especi�cidade muscular; interações biomecânicas dos segmentos corporais conectados. Quanto aos componentes neuronais, têm-se: os processos motores, que envolvem a organização dos grupos musculares na execução de determinado movimento; o processo sensorial, que envolve a relação entre os sistemas visual, vestibular e somatossensorial; e os processos mentais superiores, que envolvem o processamento das informações captadas pelos sentidos e a resposta motora a ser realizada. Os adultos com mais idade têm maneiras diferentes dos jovens para recuperar a estabilidade depois de sofrer alguma perturbação do equilíbrio corporal. E alguns aspectos devem ser considerados – peso, altura e tamanho do pé – como decisivos para orientação e equilíbrio das pessoas. O controle postural tem uma estreita relação com o tempo de reação, sendo um aspecto essencial para o desempenho motor. Nas ações motoras que realizamos diariamente está presente o desequilíbrio postural em diversos momentos. Para tanto, é necessário aplicar práticas que possibilitem manter o equilíbrio e a orientação da postura corporal. Tais estratégias devem ser adotadas tanto nas situações que ocorrem o desequilíbrio, quanto naquelas em que se pode antecipar para evitar a perda do equilíbrio postural. Quanto tratamos da marcha estamos falando do caminhar, que, a princípio, parece uma tarefa simples de ser executada. Mas que, por exigir a interação do SNC, dos músculos, das articulações de vários sistemas sensoriais, além de aspectos gravitacionais e ambientais, torna-se uma ação motora complexa. De acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p. 418-419) Neurologicamente, caminhar inclui a combinação intrincada de ações voluntárias e re�exas. Os músculos e as articulações do tornozelo, do joelho, da pelve e, em certo grau, do tronco e dos ombros são componentes vitais de um padrão de marcha e�ciente. O processo da marcha utiliza informações obtidas dos sistemas visual, auditivo e vestibular, e também de outros sistemas. As forças relacionadas com a gravidade terrestre estão envolvidas na constante alteração do centro de gravidade do corpo e no constante restabelecimento da base de apoio durante o ciclo da caminhada. Condições ambientais, como a superfície ou os objetos colocados no caminho de quem está andando, podem alterar o padrão da marcha. Basicamente três elementos fazem parte da execução da marcha: progressão – padrão rítmico para ativar os músculos de pernas e do tronco, movimentando o corpo na direção pretendida –; controle postural – recompor e manter a postura adequada – e adaptação – julgar mudanças ambientais e do organismo e adequar de imediato. A execução da marcha acontece em duas fases, a primeira é a de apoio, na qual os dois pés estão no chão, seguida da fase de balança, que temos um dos pés no ar e o outro no chão. Na fase de apoio ocorre uma pressão contrária à superfície, que impulsiona o corpo na direção pretendida. Na fase do balanço é preciso responder aos propósitos de progressão, bem como do controle da postura, além disso, é necessário fazer ajustes quanto aos possíveis obstáculos. Numa progressão normal de marcha, cada fase corresponde a 50% da execução, caso haja qualquer alteração nesse percentual podemos entender que houve modi�cação no padrão do movimento. E, por �m, vamos falar das atividades da vida diária, as AVDs. Aqui os adultos jovens e os de meia- idade não sofrem grandes prejuízos na execução dessas tarefas, pois estão relacionadas às ações motoras cotidianas, como escovar os dentes, levantar-se da cama, trocar de roupas, tomar banho, entre outras. Apesar de ocorrer um declínio das capacidades motoras em adultos de meia-idade, geralmente até os 59 anos é possível realizar tais atividades sem a necessidade de auxílio, salvo em caso de doenças. Quando falamos de indivíduos �sicamente ativos, então, a chance de continuarem realizando as AVDs sem grande comprometimento aumenta signi�cativamente. O que acontece é que, com o passar dos anos, é necessário que sejam feitas algumas adaptações ambientais para que as pessoas possam executar as AVDs sem di�culdade, como colocar barras de apoio no banheiro, assim, mesmo com a perda parcial da capacidade de equilíbrio corporal, a pessoa pode realizar, de maneira independente, suas atividades. O trabalho com atividades motoras, principalmente em adultos de meia-idade, deve privilegiar a melhora das capacidades motoras necessárias para realização das AVDs, tendo em vista que a ideia é praticar atividade física para não sofrer os efeitos do envelhecimento, nem tampouco antecipar os danos causados pela degeneração de alguns sistemas, como já estudamos nesta disciplina. A proposta para este grupo deve ser pautada em melhoria das capacidades físicas e de coordenação, para que possam continuar realizando as tarefas do cotidiano de maneira independente. Outro aspecto que precisamos estar atentos no desenvolvimento humano é o psicossocial, que se inter-relaciona com o domínio motor. Gallahue e Ozmun (2013, p. 400) a�rmam que Vários aspectos do domínio motor in�uenciam o estado psicológico e as características sociais dos adultos. O exercício, um estilo de vida �sicamente ativo e a capacidade de realizar as habilidades da vida diária são fatores orientados para o movimento que tem efeito positivo sobre o modo como os adultos sentem-se a respeito de si mesmos e também sobre o modo como os outros os veem. Declínios progressivos na ‘performance motora, a redução da força muscular e a incapacidade de realizar as tarefas domésticas são condições do domínio motor que afetam de modo negativo as perspectivas psicológicas e as interações sociais dos adultos. Em numerosas situações, o domínio motor interage com o domínio psicossocial. Quando há melhora da autoestima do indivíduo e da sua imagem corporal após vários meses de treinamento com peso ou quando adultos se reúnem para a caminhada matinal no calçadão da cidade, observamos in�uências positivas da performance motora sobre o comportamento psicossocial. Em contrapartida, quando pessoas com problemas motores precisam frequentar clínicas especializadas e �cam inseguras ou deprimidas, são observados aspectos negativos. Fatores psicológicos e motores interagem de diversas formas. Quando as pessoas participam de programas de exercícios físicos, logo são percebidas melhoras em estado de depressão, consciência da imagem corporal, sensação de bem-estar, entre outros. Em virtude das mudanças causadas pelo envelhecimento, muitas pessoas apresentam di�culdade em lidar com a imagem corporal de maneira saudável, o que pode ocasionar até mesmo transtornos psíquicos. O idoso em questão Os tópicos 3 e 4 desta unidade serão destinados a falar doidoso em especial, ou seja, iremos falar de pessoas que tem 60 anos ou mais. No tópico 3 iremos conhecer as principais alterações �siológicas que acontecem e as mudanças no desempenho motor advindas da idade avançada, bem como as necessidades da pessoa idosa e os cuidados necessários para melhor atendê-los no tocante às limitações motoras. A área da ciência que estuda o processo de envelhecimento é chamada de Gerontologia. Assim como nas outras fases do desenvolvimento humano, é necessário olhar para as particularidades da vida e do funcionamento do organismo do idoso para poder intervir e contribuir de maneira expressiva e signi�cativa, ajudando esse grupo, que tem necessidades especí�cas, a envelhecer da melhor forma possível, respeitando sua condição. Sugiro que, se você tem interesse em trabalhar com idosos, leia com atenção o Estatuto do Idoso, basta uma pesquisa rápida na internet e você terá acesso ao documento na íntegra #�caadica. Quem se dedica a estudar a gerontologia vai conhecer disciplinas como a biologia, a psicologia e a sociologia, a �m de entender esse grupo a partir de diferentes perspectivas para “tentar identi�car os mecanismos que fazem a pessoa envelhecer e o modo como isso afeta a vida cotidiana dos indivíduos” (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 382). Podemos retomar alguns desses prejuízos causados pelo envelhecimento, quais sejam: mobilidade articular em decorrência da rigidez das articulações, tendões e ligamentos, chegando até ao rompimento em casos graves; fraturas ósseas com facilidade como resultado de quedas devido à perda da força muscular e di�culdade de equilíbrio e controle postural; doenças do SNC, como Parkinson, Alzheimer ou demência, que interferem na capacidade de realização de tarefas simples do cotidiano; além das perdas no funcionamento do sistema sensorial, como visão e audição. Em muitos casos, a debilidade relacionada ao envelhecimento acontece em decorrência do estilo de vida das pessoas, do comportamento, da alimentação e de fatores ambientais, portanto, podem ser modi�cadas. Lembra que falamos sobre o desempenho motor em adultos jovens e de meia- idade? Então, todos aqueles danos causados pelo envelhecimento, a partir dos 60 anos são intensi�cados. Algumas perdas são até mesmo irreversíveis, como é o caso do equilíbrio e do controle postural. Para diminuir os danos causados, é necessário dispor de estratégias que possam compensar as di�culdades. Praticar atividade física, enfatizando o trabalho de �exibilidade articular, pode melhorar a força muscular, melhorando a estabilidade e a habilidade articular. A atividade física é reconhecidamente a alternativa na diminuição das quedas decorrentes das di�culdades causadas pelo envelhecimento. Nos idosos especi�camente a habilidade da marcha �ca comprometida em diversos aspectos, como: velocidade curta; extensão do passo reduzida; ritmo diminuído; amplia a largura do passo; ampliação da fase de apoio; aumenta o tempo que �ca em duplo apoio; diminui a fase de balanço; reduz o balanço dos braços; diminui a �exão de quadril, joelho e tornozelo; o pé �ca mais plano ao chocar do calcanhar com o solo; estabilidade dinâmica reduzida no apoio; contrai a potência para gerar impulso; redução da potência de absorção no choque de calcanhar. A partir dos 60 anos algumas perdas são intensi�cadas quanto à capacidade de realização de movimento corporal. No tópico 1 desta unidade vimos diversos aspectos que sofrem mudanças com o avanço da idade e com o envelhecimento. Pense que a cada década o prejuízo nas condições �siológicas vai aumentando, a perda das capacidades é gradativa e o surgimento de doenças em decorrência do envelhecimento é fato. Esse conjunto de mudanças no caminhar dos idosos os torna mais suscetíveis a quedas ou perdas do equilíbrio corporal. A tabela a seguir mostra alguns fatores de risco em relação a quedas e quais seriam as estratégias de intervenção. Gallahue e Ozmun (2013) apresentam uma tabela com sugestões para auxiliar os idoso nas atividades da vida diária em ambiente doméstico: Tabela 2 - Fatores de risco de queda e possibilidades de intervenção Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 419). Os mesmos autores trazem ainda algumas orientações para auxiliar adultos mais velhos quando vão adquirir novas habilidades, que podem ser vistas na tabela a seguir: Tabela 3 - Auxílio nas atividades da vida diária em ambiente doméstico Corrimãos �rmes nas escadas Vãos de portas largos para facilitar o acesso de aparelhos que ajudam na locomoção Barras de apoio no boxe do chuveiro e perto da banheira Superfície não escorregadia na banheira Fácil acesso a equipamentos e objetos usados nas AVDs Grade na beirada da cama, quando necessário Aquecimento ou resfriamento de acordo com as necessidades Boa iluminação Corredores e lances de escadas desobstruídos Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 421). Tabela 4 - Sugestões para auxiliar os idosos ao adquirir novas habilidades Fornecer mais aprendizado ativo do que passivo Ensinar procedimentos, e não apenas conceitos Fornecer oportunidades para modelagem do comportamento necessário Treinar em pequenos grupos Oferecer oportunidades práticas extensivas Fornecer apoio ambiental Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 422). É de suma importância conhecer as especi�cidades dessa etapa da vida, a �m de poder atender esse grupo de pessoas que tem necessidades especiais e carece de atendimento que respeite suas demandas. Vale ressaltar que o envelhecimento é um processo que faz parte da vida de todas as pessoas e que pode ser passado de maneira saudável quando o indivíduo opta por um estilo de vida pautado em atividade física regular e adequada, alimentação balanceada e cuide das condições psicológicas, fator esse que iremos tratar no próximo e último tópico desta unidade. O idoso e a �da social No presente tópico iremos estudar aspectos do desenvolvimento psicossocial do idoso, bem como a sua socialização. Lembrando que estamos falando de pessoas com mais de 60 anos de idade que, por vezes, dependendo do estilo de vida, são acometidas por doenças ou sofrem limitações decorrentes do envelhecimento e precisam de auxílio para realizar as atividades e tarefas da vida diária. Não é regra que todas as pessoas com mais de 60 anos terão as mesmas limitações e condições de vida que carecem de ajuda. Com o aumento da expectativa de vida e mudanças nos hábitos cotidianos é possível ter uma velhice saudável e poder viver bem apesar das condições e restrições causadas pelo envelhecimento. Uma das alternativas para uma velhice melhor é manter uma vida social. Existem grupos de idosos no mundo que estão se organizando para morar juntos em comunidades e envelhecer entre os pares. O que é considerada uma prática saudável para pessoas idosas, que, por vezes, acabam a vida sozinhas. Envelhecer bem é um conceito multidimensional e envolve “o engajamento apoiado em atividades sociais e produtivas, a manutenção de um elevado funcionamento físico e cognitivo e a prevenção de doenças e incapacitações”. (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 404) Na Tabela 5 você pode observar algumas percepções errôneas sobre os adultos mais velhos que são muito comuns na sociedade. Quadro - Ideias equivocadas sobre adultos mais velhos EXEMPLOS DE CONCEPÇÕES ERRÔNEAS COM BASE EM ESTEREÓTIPOS NEGATIVOS �. A maioria das pessoas mais velhas é pobre. �. A maioria das pessoas mais velhas é incapaz de se ajustar à in�ação. �. A maioria das pessoas mais velhas é frágil e tem problemas de saúde. �. A maioria das pessoas mais velhas mora mal. �. Os idosos são impotentes como força política e precisam de alguém para os defender. �. A maioria das pessoas mais velhas são empregados inadequados: são menos produtivos, e�cientes, motivados, inovadores e criativos do que os trabalhadores mais jovens. A maioria dos trabalhadores mais velhos é propensa a acidentes. �. As pessoas mais velhas são mentalmente mais lentas e mais esquecidas; são menoscapazes de aprender coisas novas. �. As pessoas mais velhas tendem a ser intelectualmente rígidas e dogmáticas. A maioria das pessoas mais velhas tem seu caminho de�nido e é incapaz de mudar. �. A maioria das pessoas mais velhas é socialmente isolada e solitária. A maioria se desengajou da sociedade ou foi desengajada por ela. ��. A maioria das pessoas mais velhas �ca con�nada em clínicas assistenciais por longo tempo. EXEMPLOS DE PERCEPÇÕES ERRÔNEAS BASEADAS EM ESTEREÓTIPOS POSITIVOS �. Os idosos têm condição �nanceira relativamente boa; eles não são pobres, na verdade se encontram em boa situação econômica. Os seus benefícios são generosamente fornecidos pela classe trabalhadora da sociedade. �. Os idosos são uma força política potente, que vota e participa de modo unido e em grande número. �. As pessoas mais velhas fazem amigos muito facilmente. Elas são gentis e sorridentes. �. A maioria das pessoas mais velhas é madura, experiente, sábia e interessante. Existe uma visão estigmatizada na sociedade de que o idoso é “incapaz”, o que torna essa fase da vida ainda mais complicada aos olhos de quem a vive. Por isso é fundamental conhecer uma base cientí�ca sobre as características deste período. Pensando ainda no conceito do “envelhecer bem”, a �gura a seguir mostra uma interseção dos fatores que levam a esse objetivo. Em relação ao desenvolvimento psicossocial do idoso, é fundamental falarmos do papel da família nesse processo, que tem como propósito proteger, oferecer afeto e garantir a sua identidade social. Consideram-se modi�cações na �. A maioria das pessoas mais velhas são muito bons ouvintes e especialmente pacientes com as crianças. �. A maioria das pessoas mais velhas é muito gentil e generosa com os �lhos e os netos. Figura 2 - Fatores que resultam no envelhecimento saudável Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 405). estrutura familiar e na sua evolução, nos papéis tradicionais e nas relações entre as diversas gerações que fazem parte de um mesmo núcleo familiar. Tudo isso pode interferir signi�cativamente na qualidade das relações estabelecidas. Pesquisas mostram que trabalhadores mais velhos tendem a ser mais estáveis, ter menos faltas e se envolver menos em acidentes do que jovens. Atualmente vemos a crescente participação de pessoas que, mesmo depois da aposentadoria, continuam atuando no mercado de trabalho de maneira formal ou na informalidade, pois muitas vezes são os mais velhos que provem por maior parte do sustento de uma família. Tais aspectos sociológicos mudam as relações sociais do idoso, que é visto como economicamente ativo na sociedade contemporânea. Quando falamos dos fatores de socialização e pensamos num processo excelente de envelhecimento no que tange às relações interpessoais, devemos conhecer duas abordagens: a Teoria da Atividade e Teoria do Desengajamento. A primeira “sugere que, à medida que �cam velhos, os adultos precisam de interação com outras pessoas e atividade física continuada para �carem felizes e satisfeitos” (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 403). As abordagens são opostas no entendimento do que seria envelhecer bem e a segunda propõe que “à proporção que envelhece, a pessoa começa a perder os relacionamentos, aos poucos abandona os interesses do passado, e, no �nal, afasta-se da sociedade” (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 403). Ambas apresentam uma visão do processo de envelhecimento com base na socialização e consideram como marco sociológico para o adulto mais velho a aposentadoria. Interessante pensar que algumas pessoas desejam e degustam, outras fogem e outras sofrem com esse momento. Numa relação com o domínio motor, Gallahue e Ozmun (2013, p. 403) a�rmam que Os aspectos do domínio motor podem ter papel benefício ou prejudicial nas várias etapas desse processo. A manutenção de um estilo de vida �sicamente ativo pode reduzir a apreensão a respeito das mudanças de vida representadas por esse evento. A participação em esportes por toda a vida ou em atividades de lazer, como golfe, tênis, ciclismo ou caminhadas, pode abrandar de algum modo as transições potencialmente difíceis da aposentadoria, fornecendo desa�os e diversão ao aposentado, dentro de uma estrutura que pode ser regulada por expectativas realistas. Além disso, como descrito em vários exemplos nos capítulos anteriores, permanecer �sicamente ativo pelo maior tempo possível pode ajudar a retardar o surgimento de problemas de saúde e a dependência em relação a outras pessoas para a performance das habilidades da vida diária. Outro aspecto social que precisa ser apresentado e discutido é a discriminação dos idosos, que diz respeitos aos preconceitos. A ideia de que os idosos têm de�ciências motoras e cognitivas e devem ser tratados como crianças é um exemplo disso. Existe uma aversão às pessoas mais velhas por acharem que têm pouco valor para a sociedade ou que somente consomem recursos. Adolescentes e adultos mais jovens consideram os idosos menos aptos na realização de atividades físicas, inferiorizando-os. Vale ressaltar que isso não é uma regra social e que muitas vezes acontece em decorrência de aspectos culturais e da maneira como os idosos são vistos socialmente. Conhecer para educar as pessoas de todas as idades quanto à necessidade de respeitar os idosos e compreender que muitas situações que acontecem com eles são em decorrência das mudanças advindas do envelhecimento é papel da sociedade, das famílias e do poder público. A�nal de contas, um dia todos seremos idosos e estaremos no mesmo lugar que eles estão atualmente. SAIBA MAIS A Importância da Atividade Física na Terceira Idade Os padrões que marcam as normas de conduta social vão se aproximando cada vez mais do lema de se ter uma vida saudável, considerando a atividade física como um elemento a mais na forma de viver e nos hábitos diários. Se o corpo é o instrumento que permite que uma pessoa se desloque, se relacione se expresse e intervenha em seu meio social, é justo cuidar bem dele. Já por volta dos 30 anos de idade os indivíduos começam a perder massa muscular e possuem uma forte tendência a aumentar o percentual de gordura. E perda de massa muscular signi�ca perda de força, o que tende a se agravar com o tempo. O envelhecimento traz consigo inúmeras transformações no corpo do idoso; e a diminuição do desempenho físico talvez seja o mais percebido pelas pessoas. Isso porque na terceira idade o organismo já não é como antes; os corpos não são mais tão �exíveis e os movimentos não são tão ágeis. As articulações perdem mobilidade e elasticidade, as lesões degenerativas como a osteoporose transformam o osso de um estado consistente para esponjoso; o aparelho bronco-pulmonar sofre alterações, inclusive o pulmão tem seu peso reduzido; no sistema cardiovascular, a capacidade do coração diminui, a pressão se eleva, diminuindo a circulação sanguínea. Certos indivíduos da terceira idade possuem a reserva funcional tão baixa que atividades cotidianas aparentemente fáceis (banhar-se, vestir-se e alimentar-se sozinho) tornam-se bastante difíceis. A diminuição da força muscular é o fator mais diretamente relacionado com a independência funcional de idosos. E o sedentarismo como fator agregado chega a ser assustador ao se avaliar as consequências para a saúde. Segundo pesquisas, o idoso tem perda de até 5% da capacidade física a cada 10 anos, e tem possibilidade de recuperar 10% dessa capacidade através de atividades físicas adequadas. A atividade física oferece importantes benefícios à população da terceira idade, tais como, a prevenção e diminuição de problemas cardiovasculares, pulmonares, auxilio no controle da diabetes, artrite, doenças cardíacas, fortalecimento muscular, manutenção da densidade óssea entre outros benefícios; proporcionando melhorias signi�cativas no equilíbrio, na velocidade de andar, no re�exo, na ingestão alimentar, diminuição da depressão, e prevenindo a tão temida osteoporose e suas consequências degenerativas. Jáé comprovado que a hipertro�a muscular e a força aumentada, tem um impacto substancial nas atividades da vida diária e na atividade funcional do idoso, uma vez que os protege contra lesões. Evidenciando uma vez mais, que a prática de exercícios produz efeitos protetores contra a evolução de doenças crônicas degenerativas, aumenta a expectativa de vida, e acima de tudo melhora o estado de saúde do indivíduo, o que faz do exercício uma importante estratégia de Saúde Pública. Os problemas musculoesqueléticos preexistentes podem ser um impedimento para o começo de uma atividade, pois mais de 50% dos idosos envolvidos em programas de exercícios desenvolvem lesões que são exacerbações de condições preexistentes. Lembrando ainda, que a osteoartrose afeta 85% de todas as pessoas com 70 anos de idade ou mais. Ou seja, é importante saber se (e quais) as atividades limitam essa população. Por isso, é imperativo que a atividade seja orientada por um pro�ssional competente e responsável, que observe e respeite o limite do idoso. Dentre tantas opções de atividades físicas, o ideal é que o idoso escolha uma onde possa executar exercícios que lhe agradem e motive, gerem bem estar e qualidade de vida; seja ela a musculação, a yoga, o pilates, a caminhada, a natação, etc. Pois, a prática regular de atividade física de maneira adequada às necessidades e realidade física, psicológica e social do idoso, pode signi�car a diferença entre uma vida autônoma ou não. Fonte: Dias (2004). REFLITA “A vida seria in�nitamente mais feliz se pudéssemos nascer aos 80 anos e gradualmente chegar aos 18” Escrito por Mark Twain (1835-1910,) inspirou o conto de F. Scott Fitzgerald, dando origem ao �lme “O curioso caso de Benjamin Button” “Vivemos em uma cultura obcecada com a juventude que está constantemente tentando nos dizer que, se não somos jovens, e não estamos brilhando, e não somos gostosos, que não importamos. Eu me recuso a deixar que um sistema ou uma cultura ou uma visão distorcida da realidade me digam que eu não sou importante. Eu sei que só sabendo quem e o que você é, você pode começar a aproveitar a plenitude da vida. Todos os anos devem nos ensinar uma lição valiosa. Se você entende a lição realmente depende só de você” (Oprah Winfrey). Plano de Conhecimento Primeira Infância Infância e Adolescência Idade Adulta e o seu Desenvolvimento título aula 5 título aula 6 título aula 7 título aula 8 título aula 9 título aula 10 título aula 11 título aula 12 título aula 13 título aula 14 título aula 15 título aula 16