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Introdução ao corpo humano e ao sistema esquelético Conceito de anatomia e considerações gerais: Muito extenso foi o percurso dos diversos estudiosos que se dedicaram à difícil tarefa de entender o funcionamento do organismo humano. Como se sabe, nenhuma área de conhecimento desabrocha por completo ou surge a partir de uma única mente extraordinária. Pelo contrário: é sempre necessário o somatório de muitas experiências e de vários anos de pesquisa. Com a disciplina que começaremos a estudar nesta primeira unidade não foi exceção. Segundo um tradicional conceito proposto em 1981, “anatomia é a análise da estrutura biológica, sua correlação com a função e com as modulações de estrutura em resposta a fatores temporais, genéticos e ambientais” (DANGELO; FATTINI, 2003, n.p.). Em princípio, a anatomia é o campo da ciência que investiga a composição e o desenvolvimento dos organismos vivos em seus diversos níveis de organização. Entre seus principais objetivos, há a compreensão dos princípios da constituição dos organismos, a evidenciação da base estrutural das funções em suas várias divisões e o entendimento dos processos relacionados ao seu desenvolvimento. O termo "Anatomia" é uma derivação do grego anatome (ana: “em partes”; tome: “corte”). Do ponto de vista etimológico, temos o seu equivalente latino na palavra "dissecação" (dis: “separadamente”; secare: “cortar”). A associação de palavras significa o ato ou técnica de cortar de maneira ordenada um objeto para conhecer a arquitetura do todo e de suas partes. Assim, consideramos como anatomia a dissecação, descrição, interpretação e avaliação de um ser e de suas partes, com base em peças fixadas anteriormente através de soluções apropriadas. É digno de nota que, atualmente, consideramos anatomia como a ciência, enquanto que dissecação é uma das técnicas utilizadas nessa ciência. HISTÓRIA DA ANATOMIA Estudos anatômicos são observados desde as primeiras civilizações humanas e, inicialmente, a anatomia era restrita à observação a olho nu e ao manuseio de corpos. Algumas figuras ilustres que merecem destaque: Hipócrates, médico grego considerado como o “pai da medicina”, foi pioneiro ao elaborar escritos e coleções sobre a anatomia humana; Herófilo da Calcedônia, médico grego conhecido como o “pai da anatomia”, realizou a primeira dissecação humana pública registrada; e Galeno, um médico romano, trouxe contribuições impressionantes para o campo da anatomia, compilando estudos anteriores e inferindo a função de órgãos através da vivissecção (dissecação de animais vivos). Por não ter acesso a cadáveres humanos em seus estudos, Galeno fez afirmações comparando a anatomia animal à anatomia humana que se provaram equivocadas posteriormente. Há também Leonardo da Vinci, famoso artista e anatomista italiano, que fez descobertas anatômicas importantes, além de ser o primeiro a desenvolver técnicas de desenho em anatomia para transmitir informações utilizando seções transversais e múltiplos ângulos. Por fim, temos Andreas Vesalius, anatomista belga e autor de De Humani Corporis Fabrica, o primeiro atlas de anatomia humana e um dos mais influentes livros de todos os tempos (SINGER, 1996). Com o advento da imprensa, a divulgação de ideias e descobertas científicas foi extremamente facilitada, permitindo a expansão global da anatomia humana. Com isso, o próximo grande salto foi a expansão através da aquisição de novas tecnologias, que auxiliaram no estudo da anatomia de cadáveres e indivíduos vivos. Assim foi estabelecida a anatomia como conhecemos atualmente. TERMINOLOGIA ANATÔMICA BÁSICA Como toda atividade, a anatomia tem uma linguagem própria. Pesquisadores e profissionais de saúde utilizam termos específicos ao se referirem às estruturas do corpo e suas funções. Assim, a linguagem na anatomia precisa de significados definidos com precisão, permitindo uma comunicação que seja clara e concisa. Para evitar confusões, os anatomistas definiram a terminologia anatômica, que é o vocabulário oficial de palavras empregadas para nomear e identificar o organismo ou suas partes. O grego antigo e o latim constituem a base da maioria dos termos e expressões anatômicas, mas cada país pode traduzi-los para sua própria língua. Ao nomear uma estrutura, a terminologia anatômica busca utilizar termos que não apenas colaborem na memorização, como também apresentem informações sobre a estrutura em questão. Por isso, foram abolidos os epônimos, os nomes de pessoas designando estruturas anatômicas e condições clínicas. Nos últimos 100 anos, a maioria dessas designações concedidas em homenagem a outrem foi substituída por termos mais pertinentes. Anomalia e monstruosidade Normalidade e variação anatômica Nós, seres humanos, somos diferentes uns dos outros. Esse conceito, aparentemente óbvio, de que temos diferenças físicas (como forma do corpo e rosto) em relação às pessoas à nossa volta é muito importante para anatomia humana, uma vez que também podemos observar essas diferenças no interior do corpo humano. Assim sendo, algumas observações estruturais em um livro podem não ser válidas para todos os indivíduos ou cadáveres que você encontrar em um laboratório de anatomia. As descrições anatômicas seguem um padrão que não abrange a possibilidade de variações. Esse padrão considera as estruturas que ocorrem com maior frequência na população. Assim, os anatomistas usam uma abordagem estatística para alcançar a seguinte definição: uma estrutura que se encontra mais frequentemente em uma amostragem de indivíduos é denominada normal ou dentro da normalidade. Quando ocorre uma estrutura diferente do que é observado na maioria das pessoas e sem prejuízo das funções, chamamos de variação anatômica. Ocasionalmente, podem acontecer variações morfológicas que afetam as funções, como vemos nas más formações, em que uma pessoa pode nascer com um dedo a mais no pé, por exemplo. Caso o desvio do padrão anatômico produza alteração funcional, estamos diante de uma anomalia. As anomalias podem ser congênitas (má formação na gravidez) ou adquiridas (sequela de uma lesão ou doença). Temos como exemplos de anomalias: lábio leporino, fenda palatina, dedos supranumerários. Quando a anomalia é tão acentuada que deforma a construção do corpo do indivíduo, sendo comumente incompatível com a vida, tal condição é designada monstruosidade. Temos como exemplo de monstruosidade: a agenesia (não formação) do encéfalo. O campo que estuda essas variações disfuncionais é a teratologia. A partir de seus estudos, a medicina cirúrgica tem feito avanços no sentido de corrigir imperfeições físicas, permitindo aos portadores de anomalias e monstruosidades uma vida normal. Por outro lado, monstruosidades podem ser produzidas pela própria ciência, como as crianças nascidas de gestantes que ingeriram talidomida. EXPLICANDO A talidomida é um medicamento que, na década de 60, era usado no tratamento de resfriados, insônia e náuseas, principalmente em grávidas nos primeiros meses de gestação. Com o tempo, foi observado que o medicamento causava monstruosidades nos fetos, como a focomelia (ausência parcial de um ou mais membros). Por isso, o uso de talidomida é proibido para mulheres grávidas. O caso da talidomida foi fundamental para a elaboração dos conceitos de vigilância dos medicamentos, assim como debates éticos sobre as condições de vida e os direitos das pessoas nascidas com deficiências. FATORES GERAIS DE VARIAÇÃO ANATÔMICA Observamos que as variações anatômicas acontecem de maneira costumeira nos indivíduos. Algumas são identificadas em determinado grupo ou fase da vida da população e são denominadas fatores de variação anatômica. Assim, podemos citar: idade, sexo, etnia, biótipo e evolução. · Idade: é o tempo de duração da vida. Ao longo das fases da vida intrauterina e extrauterina, podemos notar algumas modificações anatômicas. a. Fase intrauterina: dividida em ovo (durante os sete primeiros dias), embrião (até o fim do segundo mês) e feto (até o nono mês); b. Fase extrauterina: dividida em recém-nascido (até primeiromês após o nascimento), infante (até o fim do segundo ano), menino (até o fim do décimo ano), pré-púbere (até a puberdade), púbere (dos 12 aos 14 anos, período da maturidade sexual), jovem (até 21 anos no sexo feminino e 25 anos no sexo masculino), adulto (a partir dos 50 anos, período da menopausa feminina e processo equivalente no homem) e velho (após os 60 anos); · Sexo: é o conjunto de estruturas funcionais que define a masculinidade ou feminilidade. Mesmo quando não observamos os genitais, é possível reconhecer características especiais referentes ao sexo masculino ou feminino; · Raça: é o conjunto de características físicas, externas e internas, comuns entre grupamentos humanos específicos. Também é comumente dividida em três grupos étnicos: os negroides, os caucasianos e os mongoloides e seus entrecruzamentos. Vale destacar que o conceito de raças humanas é discutível, uma vez que pesquisas recentes em genética humana comprovam que o DNA é o mesmo entre os diferentes grupos, compondo uma só raça: a humana · Biótipo: é a manifestação da combinação de características herdadas e adquiridas com a interação com o meio. Geralmente é classificado com base na construção corpórea, sendo divididos em longilíneos, brevilíneos e mediolíneos (Figura 2). a. Os longilíneos são caraterizados como magros, alta estatura, pescoço longo, tronco achatado e membros longos em relação ao tronco; b. Os brevilíneos são atarracados, baixa estatura, pescoço curto, tronco alongado e membros curtos em relação ao tronco; c. Os mediolíneos apresentam características intermediárias aos outros biótipos; · Evolução: é o processo que influencia o surgimento de diferenças estruturais ao longo do tempo, algo que propicia o aparecimento de novas espécies. Vale lembrar que a evolução é contínua e ocorre em todas as espécies viventes, inclusive a espécie humana. Além desses citados, podemos incluir também o meio ambiente, o esporte, o trabalho e os processos mórbidos (que ocorrem após a morte) como fatores que influenciam as variações anatômicas. No entanto, levando em consideração esse último, as condições observadas nos cadáveres não correspondem com exatidão ao que é encontrado in vivo, em especial no que se refere à coloração, consistência e elasticidade. Com isso, devemos sempre comparar o estudo das estruturas de um cadáver ao de um indivíduo vivo. Posição, planos e eixos anatômicos: termos anatômicos Posição anatômica Com o intuito de evitar confusão na utilização de termos diferentes em seu ofício, os anatomistas definiram uma posição padronizada para suas descrições anatômicas, conhecida como posição de descrição anatômica ou somente posição anatômica. A posição anatômica apresenta um indivíduo ereto (em pé), com a face dirigida para a frente, olhar direcionado para o horizonte, membros superiores estendidos juntos ao tronco com as palmas para frente e membros inferiores unidos, direcionando as pontas dos pés para frente. Assim, não importa se o cadáver esteja em decúbito dorsal (o dorso aderido à mesa) ou decúbito ventral (ventre aderido à mesa), deve ser considerada a posição de descrição anatômica em seus estudos. Planos e eixos anatômicos Planos são superfícies planas imaginárias que utilizamos como referência quando relacionamos partes do corpo. Sendo assim, com base na posição anatômica, podemos delimitar o corpo humano através de planos, tangenciando sua superfície como se o indivíduo estivesse dentro de uma caixa retangular e cada parede dessa caixa imaginária representasse um plano de delimitação, sendo os principais: · Dois planos verticais, um passando à frente do corpo: plano ventral ou anterior – e outro por trás corpo: plano dorsal ou posterior. São também conhecidos como planos frontais; · Dois planos verticais, passando pelos lados do corpo: planos laterais direito e esquerdo; · Dois planos horizontais, um por cima da cabeça: plano cranial ou superior – e outro por baixo dos pés: plano podálico ou inferior. Caso o tronco seja isolado dos membros, designamos o plano horizontal, que limita esse tronco por baixo, como caudal. Além de conhecer os planos de delimitação, é comum também estudar as estruturas internas do corpo através de cortes (secções) em diversas formas e examinar suas divisões. Esses planos de referência são conhecidos como planos de secção, sendo os principais: · O plano vertical, que divide o corpo humano ou órgão em lados direito e esquerdo, denominado plano sagital. Porém, se esse plano atravessa a linha mediana do corpo, é denominado plano mediano; · O plano vertical, que divide o corpo humano ou órgão em partes anterior e posterior, chamado de plano frontal ou coronal; · Os planos horizontais, que dividem o corpo humano ou órgão em partes superior e inferior, denominados planos transversais. Por fim, existem os eixos anatômicos, que são linha imaginárias formadas pelo encontro de dois planos. Os eixos principais são: · Eixo sagital ou ântero-posterior, que une o centro do plano sagital ao centro do plano transversal; · Eixo longitudinal ou craniocaudal, que relaciona o centro do plano coronal ao centro do plano sagital; · Eixo transversal ou laterolateral, que conecta o centro do plano transversal ao centro do plano coronal. TERMOS DE POSIÇÃO E DIREÇÃO Com base no conhecimento sobre os planos de delimitação e secção do corpo, é possível indicar a situação e a posição dos órgãos, ou partes do corpo em função deles, utilizando os conhecidos termos descritivos da posição e direção dos órgãos. Para indicar direção, os termos são considerados aos pares, cada um indicando uma direção oposta. Vale comentar que o termo médio aponta estruturas que estão entre duas outras partes, podendo estar entre ventral (anterior) e dorsal (posterior); entre cranial (superior) e caudal (inferior); entre interna e externa; ou ainda entre proximal e distal. Abordagens anatômicas e divisão do corpo humano Abordagens anatômicas A extensão das abordagens possíveis na anatomia é ampla (Quadro 2), abrangendo estudos das variações estruturais a longo prazo, considerando desde os eventos de duração intermediária no desenvolvimento e envelhecimento, até as variações de curto prazo, relacionadas com as diferentes fases de atividade funcional. Em termos de complexidade, pode-se compreender todo um sistema biológico considerando organismos inteiros, órgãos, organelas celulares e até macromoléculas. Níveis de organização do corpo humano Entendendo as várias perspectivas de abordagens anatômicas, convencionou-se analisar as estruturas humanas a partir de seus diferentes níveis de organização. As menores unidades biológicas, as células, organizam-se em tecidos, estabelecidos como um complexo de células similares que realizam a mesma função. Também capazes de se agrupar funcionalmente, os tecidos compõem os órgãos. Esses, por sua vez, com mesma estrutura e origem, que possuem funções similares e interagem para realizar funções complexas, são nomeados de sistema. Em conjunto, os sistemas constituem o corpo humano. Divisão do corpo humano Com base na anatomia macroscópica, podemos dividir o corpo humano principalmente utilizando duas perspectivas: a localização e a proximidade das estruturas do corpo humano (anatomia regional ou topográfica) ou com base em estruturas com funções em comum (anatomia sistemática ou descritiva). Quando ocorre a reunião de dois ou mais sistemas que tenham relações íntimas no que diz respeito a desenvolvimento, localização ou função, é constituído um aparelho. Os principais aparelhos do corpo humano são: · Locomotor: constituído pelos sistemas esquelético, articular e muscular; · Urogenital: constituído pelos sistemas urinário e genital (masculino ou feminino). A abordagem sistêmica, que é a mais utilizada no ensino de anatomia, utiliza uma perspectiva mais fisiológica, estudando os seguintes sistemas orgânicos: Considerando a abordagem regional, a organização do corpo humano se divide nas seguintes regiões: cabeça, pescoço, tronco e membros. A cabeça consiste na extremidadesuperior do corpo, que se une ao tronco por uma região estreita, o pescoço. Os membros compreendem dois na região superior do tronco (membros superiores) e dois na região inferior (membros inferiores). Por fim, o tronco, também chamado de torso, é uma região central que interliga todas as extremidades. As regiões do corpo humano apresentam as seguintes subdivisões: · Cabeça: fronte (a testa); occipital (nuca); têmpora (porção lateral, anterior à orelha); orelha; mandíbula e face; · Pescoço; · Tronco: tórax; abdome; pelve e dorso; · Membro superior: cintura do membro superior; axila; braço; cotovelo; antebraço e mão (carpo, metacarpo, palma, dorso da mão, dedos da mão); · Membro inferior: cintura do membro inferior; nádegas; quadril; coxa; joelho; perna e pé (tarso, calcanhar, metatarso, planta, dorso do pé). Conceito e funções do esqueleto Quando pensamos em esqueleto, é comum pensarmos em uma estrutura rígida, seca e sem vida, que reúne várias peças menores – os ossos. De fato, a palavra esqueleto deriva de um termo grego que significa “corpo seco”. No entanto, o termo acabou indo além do campo das ciências, sendo utilizado rotineiramente como sinônimo para a palavra “arcabouço” (Ex.: O chassi é o esqueleto do automóvel). No âmbito da anatomia, podemos estabelecer esqueleto como uma coleção de ossos e estruturas relacionadas que se integram para compor o arcabouço do corpo. Já os ossos, por sua vez, são definidos como estruturas rígidas com origem, composição e função similares e que, quando unidos, constituem o esqueleto. O estudo dos ossos, sua estrutura e particularidades é conhecido como osteologia (osteo: “osso”; logia: “estudo”). Retornando ao pensamento do início do texto, os nossos ossos não são estruturas sem vida e inertes, como aqueles que examinamos em um laboratório ou expostos em museu. Ao contrário, eles são órgãos vivos e complexos, que representam os registros da nossa história, sendo influenciados por diversos aspectos de nossa vida, como idade, gênero, altura ou mesmo nutrição. FUNÇÕES DO ESQUELETO · Sustentação: O esqueleto estrutura o alicerce rígido do corpo, dando sustentação aos órgãos e tecidos moles que podem ter um peso até cinco vezes maior. Dessa forma, a resistência dos ossos vem da sua composição inorgânica, cuja durabilidade persiste à decomposição mesmo após a morte do indivíduo; · Proteção: O esqueleto defende órgãos internos vitais contra impactos e lesões. Assim, o crânio e a coluna vertebral protegem o encéfalo e a medula espinal; a caixa torácica, por sua vez, guarda o coração, os pulmões, os grandes vasos; e, finalmente, o cíngulo do membro inferior envolve as vísceras da região pélvica; · Movimento do corpo: Os ossos atuam como áreas de fixação para os músculos esqueléticos. Assim, os ossos agem como alavancas, sendo tracionados quando os músculos contraem para produzir movimento; · Armazenamento e liberação de minerais: O osso deposita diversos minerais em sua estrutura, que contribuem para sua própria resistência. Destacam-se o cálcio e o fósforo, embora também sejam armazenados sódio, magnésio, flúor e estrôncio em menor quantidade. No entanto, se a quantidade de sais minerais na dieta não for suficiente, eles são liberados na corrente sanguínea para cumprir a demanda desses elementos no corpo até que a alimentação possa compensar essa extração; · Hematopoiese: O processo de formação de eritrócitos (as “células vermelhas” do sangue) é designado de hematopoiese (hemo: “sangue”; poesis: “criação”) e ocorre na medula óssea vermelha, localizada nos ossos do feto e no interior de alguns ossos adultos, como as extremidades do fêmur e úmero, os ossos do quadril, esterno e costelas; · Armazenamento de gorduras: Os triglicerídeos são armazenados no tecido adiposo presente no interior de ossos específicos, compondo a medula óssea amarela. Os triglicerídeos armazenados são reservas de energia. Tipo e divisão do esqueleto Através da anatomia comparada e da zoologia, verificamos que há diferenças quanto à posição do alicerce de sustentação. Assim, podemos definir o exoesqueleto, onde a base de sustentação é externa; e o endoesqueleto, onde a base de sustentação fica no interior do corpo do indivíduo, como vemos nos humanos. Entretanto, pelo fato de o exoesqueleto não ser uma estrutura viva, os animais que têm essa estrutura devem se desprender e formar uma nova e maior estrutura esquelética para continuar seu crescimento. Exemplificando, podemos citar a presença de exoesqueleto nos artrópodes. Baseado na localização de suas estruturas, o esqueleto pode ser dividido em esqueleto axial e esqueleto apendicular. A combinação entre as duas porções é realizada através de cíngulos (ou cinturas), havendo o cíngulo do membro superior (formado pela clavícula e a escápula) e o cíngulo do membro inferior (composto pelo osso do quadril e o sacro). ESQUELETO AXIAL O esqueleto axial consiste nos ossos que formam o eixo do corpo, sustentam e protegem os órgãos da cabeça, pescoço e tronco. Possui 80 ossos dispostos em três regiões principais: o crânio, a coluna vertebral e a caixa torácica. Essa divisão axial do esqueleto sustenta a cabeça, o pescoço, o tronco e protege o encéfalo, a medula espinal e os órgãos do tórax. 1. Crânio. Consiste em dois conjuntos de ossos: a. O neurocrânio, também chamado de ossos do crânio, composto por oito ossos que formam a calota craniana (ou caixa encefálica) e protegem o encéfalo, quatro ossos ímpares (frontal, occipital, esfenóide e etmoide) e dois ossos pares (parietais e temporais); b. O viscerocrânio, também chamado ossos da face, composto por 14 ossos que fornecem suporte para os olhos, a cavidade nasal e a cavidade oral. Possui majoritariamente ossos pares (maxila, palatino, zigomático, lacrimal, nasal, concha inferior nasal), com exceção do vômer e da mandíbula; c. No crânio, também encontramos os ossículos da audição. Três pequenos pares de ossos localizados na parte petrosa do osso temporal, inseridos dentro da cavidade da orelha média. Os ossos são martelo, bigorna e estribo, seguindo a ordem de aparecimento de fora para dentro. É a partir dos movimentos desses ossos que os impulsos sonoros são transmitidos para a cavidade da orelha interna; 2. Osso hióide. É o único osso do esqueleto que não se relaciona diretamente com outros ossos. Localizado no pescoço, debaixo da mandíbula, se conecta com o osso temporal pelos músculos estilo-hióideos. Funcionalmente, esse osso atua como uma base móvel para a língua, auxiliando na deglutição. Ele é examinado cuidadosamente em uma autópsia se há suspeita de estrangulamento, uma vez que ele, em geral, apresenta fratura nesse tipo de assassinato; 3. Coluna vertebral. Como principal suporte da linha mediana do corpo, a coluna vertebral apresenta 26 ossos e abarca do crânio até o quadril, distribuindo o peso das estruturas acima da pelve para os membros inferiores, além de proteger a medula espinal. Ela é dividida em cinco regiões segmentadas em 33 ossos separados, as vértebras. As sete vértebras do pescoço são as vértebras cervicais, as 12 seguintes são as vértebras torácicas e as cinco que apoiam a parte inferior do dorso são as vértebras lombares. Dessa forma, para suporta o peso que aumenta progressivamente, elas tornam-se proporcionalmente maiores da região cervical para a região lombar. No segmento inferior às vértebras lombares, nove eventualmente se fundem para formar dois ossos: o sacro, resultado da fusão de cinco ossos que se articulam com os ossos da pelve, e no segmento mais inferior da coluna vertebral, as quatro vértebras finais estão fundidas para formar o cóccix; 4. Caixa torácica. É composta por 12 pares de costelas, o esterno (“osso do peito”) e as cartilagens costais, articulando-se posteriormente com as vértebras torácicas. Entre suas funções, sustenta o cíngulo do membro superior e os membros superiores; suporta e protege os órgãos torácicos e abdominais superiores; e colabora nos movimentos relacionados à respiração; a. O esterno é um osso plano e alongado, formado por três ossosseparados: no trecho superior se localiza o manúbrio; no centro se encontra o corpo do esterno; e, no trecho inferior, reconhecemos o processo xifóide, estrutura frequentemente cartilagínea. Ainda, na lateral do esterno estão as incisuras costais, onde as cartilagens costais se conectam; b. Os doze pares de costelas são encontrados entre os músculos da parede torácica, com cada par se articulando posteriormente com uma vértebra torácica. Na região anterior, os primeiros sete pares estão conectados ao esterno a partir das cartilagens costais individuais e são chamados costelas verdadeiras. Os cinco pares seguintes (costelas oito a 12) não se ligam diretamente ao esterno, são designados costelas falsas. Por fim, os últimos dois pares de costelas falsas não se relacionam com o esterno, sendo nomeados de costelas flutuantes. ESQUELETO APENDICULAR O esqueleto apendicular é composto pelos ossos dos cíngulos, que firmam os membros ao esqueleto axial, e pelos ossos do membro superior e inferior. Assim: 1. Cíngulo do membro superior. Os ossos pares escápula e clavícula constituem a porção apendicular da cintura do membro superior, enquanto o esterno é a porção axial. Como não suporta tanto peso, tem uma estrutura mais delicada que o cíngulo do membro inferior. Tem como função principal servir de ponto de inserção para vários músculos relacionados às articulações do ombro e do cotovelo; 2. Membros superiores. Cada membro superior possui os seguintes ossos: o úmero no braço; o rádio e a ulna no antebraço; e os ossos do carpo, ossos do metacarpo e as falanges (ossos dos dedos) na mão; 3. Cíngulo do membro inferior. Os dois ossos do quadril constituem a porção apendicular da cintura do membro inferior, enquanto o sacro é a porção axial. Os ossos do quadril estão ligados pela sínfise púbica, anteriormente, e pelo sacro, posteriormente. O cíngulo do membro inferior sustenta o peso corpóreo a partir da coluna vertebral e guarda os órgãos abdominais inferiores no interior da cavidade pélvica; 4. Membro inferior. Cada membro inferior possui os seguintes ossos: o fêmur na coxa; a tíbia e a fíbula na perna; os ossos do tarso, os ossos do metatarso e as falanges no pé. Podemos citar também a patela, que está localizada entre a coxa e a perna, na face anterior da articulação do joelho. Número e classificação dos ossos Número de ossos Um indivíduo apresenta 206 ossos quando alcança a fase adulta, a qual compreende o período que consideramos o desenvolvimento orgânico completo. Entretanto, esse número pode variar devido aos seguintes fatores: · Fatores etários: Ao longo da vida humana, ocorre uma diminuição do número de ossos. O esqueleto apresenta aproximadamente 270 ossos no nascimento e, após esse período, alguns deles são formados por fusão de partes ósseas, como podemos observar no osso frontal, originalmente formado por duas porções, e o osso do quadril, que é formado de três partes (ísquio, púbis e ílio) que posteriormente se fundem em um único osso na fase adulta; · Fatores individuais: É possível observar em alguns indivíduos a manutenção do osso frontal dividido na fase adulta, assim como a ocorrência de ossos extranumerários. EXPLICANDO Um osso acessório ou extranumerário pode ser definido como um osso que excede o número normal de ossos. Descritos primeiramente por André Vesalius em 1543, esses ossículos não se originam de fraturas e derivam de centros de ossificação não fusionados. Atualmente, já foi observada a presença de outras estruturas supranumerárias, como dentes. Classificação dos ossos Podemos classificar os ossos de diferentes maneiras, como por sua posição topográfica, diferenciando ossos axiais (presentes no esqueleto axial) e apendiculares (presentes no esqueleto apendicular). No entanto, a classificação mais conhecida é com base na forma dos ossos, sendo organizados conforme a relação de suas dimensões (comprimento, largura e espessura). Assim, temos: Osso longo: Osso plano: Osso curto: Apresenta o comprimento maior que a largura e a espessura. Os ossos do esqueleto apendicular, como o úmero, o rádio, a ulna, o fêmur, a tíbia, a fíbula e as falanges, são exemplos clássicos. Vale destacar que os ossos longos são nomeados por sua forma alongada e não por seu tamanho de fato; as falanges, os ossos dos dedos, são ossos longos, embora sejam pequenos; Também chamado de osso laminar ou chato, apresenta comprimento e largura equivalentes, com predomínio da sua espessura. Exemplos característicos desse tipo de osso são os ossos do crânio, como o parietal, frontal e occipital; e outros, como o esterno, a escápula, as costelas e osso do quadril; Apresenta correspondência em suas três dimensões. Os ossos carpais e tarsais são exemplos típicos. Osso irregular: Osso pneumático: Osso sesamoide: Apresenta uma estrutura complexa, sem correspondentes nas formas geométricas conhecidas. Podemos exemplificar com as vértebras e o osso temporal; Apresenta um ou mais seios, cavidades com volume variável e revestidas de mucosa. Os ossos pneumáticos são encontrados no crânio, recebendo essa classificação o osso frontal, temporal, maxilar, esfenoide e etmoide; Os ossos sesamoides (“em formato de semente de gergelim”) são um tipo especial de osso curto que ocorre no interior de certos tendões (intratendíneos) ou na cápsula fibrosa de algumas articulações (periarticulares). A patela é um exemplo clássico de osso sesamoide intratendíneo. Alguns ossos podem ter mais de uma classificação: o frontal é um osso plano e também pneumático; o maxilar é pneumático e também irregular, por exemplo. ANATOMIA DOS OSSOS Em uma análise mais atenta, os ossos apresentam uma camada exterior densa que parece lisa e sólida a olho nu e que é encontrada em quase todos os ossos do esqueleto, denominada como substância compacta ou osso compacto. Na parte interna, há uma substância esponjosa ou osso esponjoso, que possui o aspecto de favo de mel devido à presença de pequenas estruturas planas denominadas trabéculas. Os espaços entre as trabéculas são preenchidos com medula óssea amarela ou vermelha. O osso longo apresenta duas epífises (extremidades) e uma diáfise (corpo). No interior dessa última, encontramos uma cavidade denominada canal medular, que assenta a medula óssea. Em ossos com ossificação incompleta, podemos visualizar um disco cartilaginoso entre a epífise e a diáfise chamado de lâmina epifisial, onde ocorre o crescimento longitudinal do osso. Desse modo, o periósteo de tecido conjuntivo denso regular cobre a superfície do osso, exceto a cartilagem articular, uma estrutura composta por uma camada delgada de cartilagem hialina que envolve as epífises e auxilia no movimento articular. O osso compacto, por sua vez, tem predominância na diáfise dos ossos longos, envolve uma cavidade medular central e contém medula óssea; enquanto que o osso esponjoso tem maior presença nas epífises dos ossos longos e curtos, sendo revestido por uma camada delgada de osso compacto. Assim, ossos curtos, irregulares e planos têm a mesma composição que os ossos longos: externamente são ossos compactos, revestidos por periósteo, e internamente são ossos esponjosos revestidos pelo endósteo. Entretanto, não têm diáfise e epífise, apesar de conter a medula óssea entre as trabéculas de substância esponjosa, ainda que não possua cavidade medular. Já em ossos planos, são formados por osso esponjoso entre duas camadas finas de osso compacto, uma estrutura denominada díploe nos ossos do crânio. Principais acidentes ósseos do esqueleto axial e do esqueleto apendicular A anatomia de cada osso reflete as forças de tensão e compressão aplicadas sobre eles com maior frequência, em especial nas superfícies externas. Nelas são encontradas características estruturais distintas, designadas de acidentes ósseos e aparecem tanto no esqueleto axial quanto esqueleto apendicular. Os acidentes ósseos são classificados em três categorias: projeções, que são os locais de fixação para os músculos e ligamentos; as superfícies, que participam das e depressões eaberturas. Sistema articular: conceito e classificação das articulações As junturas ou articulações (arthro: “juntas”) podem ser definidas pela comunicação entre duas ou mais estruturas rígidas, como ossos, cartilagens ou dentes. Essas estruturas são fortemente relacionadas à movimentação, uma vez que o movimento só é possível pela articulação dos ossos nas junturas e pela contração dos músculos inseridos nos ossos. Assim, para movimentar uma parte do corpo, algumas articulações precisam permanecer rígidas, dando estabilidade e mantendo o equilíbrio. Sua estrutura permite resistir a esmagamentos, dilacerações e a várias forças que as impulsionariam para fora do alinhamento. Dessa forma, passamos a conhecer o estudo das articulações, denominado artrologia. Como visto em apresentações de balé e de ginástica olímpica, as articulações permitem uma ampla diversidade de movimentos. Desta maneira, podemos classifica-las com base em sua função ou estrutura. A classificação estrutural é baseada no tecido que interliga os ossos, identificando-se como fibrosas, cartilagíneas e sinoviais. Por outro lado, a classificação funcional se concentra na quantidade de movimento permitido. Assim, sinartroses são articulações imóveis, anfiartroses são articulações ligeiramente moveis e diartroses são articulações livremente moveis. As diartroses predominam nos membros, ao passo que as sinartroses e anfiartroses são mais restritas ao esqueleto axial. ARTICULAÇÃO FIBROSA Nas articulações fibrosas, os ossos são conectados através do tecido conjuntivo fibroso e não há qualquer cavidade articular presente. Essas articulações fibrosas são comumente imóveis ou com mobilidade limitada e seus tipos são denominados suturas, sindesmoses e gonfoses. Nas suturas, os ossos estão firmemente ligados por uma quantidade mínima de tecido fibroso. Elas somente ocorrem entre os ossos do crânio, tendo seu tecido fibroso contínuo com o periósteo em torno desses ossos planos. Dessa forma, além de unir os ossos, as suturas permitem seu crescimento, de forma que o crânio possa expandir-se com o encéfalo durante a infância. Nas sindesmoses, os ossos são unidos por ligamentos, formados por cordões de tecido fibroso mais extensos do que aqueles que ocorrem nas suturas. Assim, a mobilidade permitida é relacionada ao comprimento das fibras que a compõem. Portanto, se as fibras são curtas, como na articulação tibiofibular distal, pouco ou nenhum movimento é permitido. Mas, se elas são longas, como na membrana interóssea entre os ossos do antebraço, é possível realizar uma maior quantidade de movimento. Por fim, gonfoses são articulações fibrosas entre os dentes e os ossos onde se inserem as maxilas e a mandíbula. Também chamada de articulação dentoalveolar, uma gonfose é o local que fixa a raiz do dente ao ligamento periodontal do alvéolo dental. ARTICULAÇÃO CARTILAGINOSA Nas articulações cartilaginosas ou cartilagíneas, os ossos são conectados por cartilagem. Elas possuem pouca mobilidade, geralmente em resposta a torções ou compressões. Vale destacar que, assim como as articulações fibrosas, estas não possuem uma cavidade articular e podem ser divididas em duas classes: sincondroses e sínfises. Na sincondrose, os ossos são unidos por uma cartilagem hialina, a qual também pode estar presente na superfície óssea como cartilagens articulares, atuando na redução da fricção entre os ossos durante a realização dos movimentos. Ainda considerando as sincondroses, podemos citar as cartilagens dentoalveolar e as articulações costocondrais como exemplos. Na sínfise, os ossos são conectados por uma cartilagem fibrosa e, como exemplos, podemos incluir os discos intervertebrais e a sínfise púbica na pelve. Vale ressaltar que a fibrocartilagem resiste tanto à tensão quanto à compressão, atuando como um amortecedor resistente. Com isso, as sínfises são articulações ligeiramente moveis (anfiartroses) que fornecem resistência com flexibilidade. Articulações sinoviais, planos e eixos de movimentos, principais ligamentos Articulações sinoviais A classe mais evidente de articulação no corpo são as articulações sinoviais. Capazes de se moverem livremente (diartroses), essas articulações proporcionam uma larga amplitude de movimentos precisos, uniformes e, ao mesmo tempo, são capazes de manter a estabilidade, a potência e, em certos aspectos, a firmeza do corpo. Assim, as partes dos ossos que se articulam estão cobertas com cartilagem e geralmente são auxiliadas por ligamentos que lhes dão suporte. Como características de articulação sinovial, temos a cápsula articular, a cavidade articular e a sinóvia. Sendo assim, a cápsula articular é uma membrana de tecido conjuntivo denso que envolve a articulação sinovial. Cada cápsula articular contém uma sinóvia ou líquido sinovial, que se trata de um líquido lubrificante presente no interior da cavidade articular, produzido por uma membrana sinovial que reveste internamente a cápsula articular. Dessa maneira, os ossos presentes em uma articulação sinovial são envolvidos por uma camada de cartilagem hialina chamada cartilagem articular, a qual não possui vasos sanguíneos, obtendo sua nutrição através do movimento do líquido sinovial. Movimentos realizados nas articulações sinoviais À medida em que os músculos se contraem, eles fazem com que os ossos se movam nas articulações sinoviais. Os movimentos resultantes são de três tipos básicos: deslizamento de uma superfície óssea em outra; movimentos angulares, que alteram o ângulo entre os dois ossos; e rotação em torno do eixo longo de um osso. Além desses, temos movimentos especiais, que ocorrem em certas articulações. Tipos de articulações sinoviais As articulações sinoviais podem ser classificadas com base no formato das superfícies articulares e nos movimentos permitidos por essa morfologia. Assim, as articulações sinoviais são classificadas funcionalmente nas seguintes categorias: Uniaxial Biaxial Triaxial O movimento permitido pela articulação é realizado em torno de um único eixo; O movimento permitido pela articulação é realizado, podendo ocorrer em torno de dois eixos. O movimento permitido pela articulação é realizado, podendo ocorrer em torno de todos os três eixos. Por outro lado, a classificação morfológica das junturas sinoviais ocorre nas seguintes categorias: plana, gínglimo, trocóidea, condilar (ou elipsóidea), selar e esferóidea. Ligamentos Os ligamentos são cordões resistentes e flexíveis de tecido conjuntivo que estão anexos às articulações. Eles conectam os ossos entre si, além de dar suporte às articulações e limitar seus movimentos. Encontramos ligamentos ao redor dos joelhos, tornozelos, cotovelos, ombros e outras articulações. Logo, qualquer lesão nos ligamentos pode tornar suas articulações instáveis. Os principais ligamentos do corpo são encontrados nas seguintes articulações: · Articulação temporomandibular: esse gínglimo compreende a fossa mandibular do osso temporal e o processo condilar da mandíbula. As estruturas que auxiliam essa articulação são o ligamento temporomandibular, o ligamento estilomandibular e o ligamento esfenomandibular; · Articulações da coluna vertebral: são articulações planas, formadas pela união entre os processos articulares superior e inferior das vértebras com os das vértebras próximas. Diversos ligamentos atuam nessa região, dentre eles o ligamento longitudinal anterior, o ligamento longitudinal posterior, o ligamento amarelo, o ligamento interespinal e o ligamento supraespinhal; · Articulação esternoclavicular: é plana e se localiza entre a extremidade esternal da clavícula e o manúbrio do esterno. A cápsula é reforçada pelos ligamentos esternoclaviculares anterior e posterior, bem como pelos ligamentos interclavicular e costoclavicular; · Articulação do ombro (glenoumeral): é esferóidea e composta pela cavidade glenoidal e pela cabeça do úmero. O ligamento coracoumeral, os ligamentos glenoumerais e o ligamento transverso do úmero recobreme mantêm a articulação do ombro, atuando com os músculos e tendões circundantes para proporcionar força e estabilidade.; · Articulação do cotovelo: é um gínglimo formado por duas articulações, sendo a articulação umeroulnar (entre o úmero e a ulna) e a articulação umerorradial (entre o úmero e o rádio). Os ligamentos colaterais radial e ulnar e os anulares colaboram na estabilização dessa articulação; · Articulações radiulnares: as articulações radiulnar proximal e radiulnar distal permitem a supinação e a pronação do antebraço. A cabeça do rádio é estabilizada pelo ligamento anular do rádio, enquanto que as faces articulares radiulnares distais se mantêm articuladas por ligamentos radiulnares e pela membrana interóssea do antebraço; · Articulações do punho: é composta pela articulação radiocarpal e pelas articulações intercarpais. Os principais ligamentos da articulação radiocarpal são o ligamento radiocarpal palmar, o ligamento radiocarpal dorsal, o ligamento colateral ulnar e o ligamento colateral radial do carpo. Além deles, diversos ligamentos intercarpais unem os ossos carpais, e os ligamentos carpometacarpais conectam os ossos carpais distais aos ossos metacarpais; · Articulação do quadril: é uma sinovial esferóidea constituída pela união do acetábulo do quadril com a cabeça do fêmur. Sua cápsula articular é reforçada e estabilizada por quatro amplos ligamentos, sendo estes o iliofemoral, pubofemoral, isquiofemoral e transverso do acetábulo. Vale considerar que o ligamento da cabeça do fêmur também ajuda a estabilizar a articulação do quadril; · Articulação do joelho: atua como um gínglimo modificado, sendo mais complexo que os gínglimos comuns. Sete importantes ligamentos interligam e mantêm a estabilidade da articulação do joelho, sendo os ligamentos da patela, colateral tibial, colateral fibular, poplíteos oblíquo e arqueado e ligamentos cruzados anterior e posterior; · Articulações do tornozelo (talocrural): é um gínglimo constituído por diversas articulações, em que a principal é a tibiotalar. A tíbia e a fíbula são ligadas pelos ligamentos tibiofibulares anterior e posterior, que mantêm estáveis os ossos unidos e evitam o deslizamento da tíbia. Além disso, o ligamento colateral medial (deltóideo) e o ligamento colateral lateral estabilizam ainda mais a articulação do tornozelo. Sistema muscular: conceitos, funções e grupos musculares “O corpo humano é uma máquina perfeita”. Para entendermos essa máxima, vamos imaginar o corpo e suas estruturas, em especial órgãos e sistemas, como partes funcionais de uma máquina. Assim, um dos componentes essenciais desse sistema é o tecido muscular, cujo peso varia entre 40 e 50% da massa total do nosso corpo (dependendo de fatores como percentual de gordura, gênero ou programa de exercícios). O estudo dos músculos, nesse sentido, é conhecido como miologia (mio: músculo; logia: estudo). Aproximadamente, 600 músculos esqueléticos compõem o sistema muscular. Eles são órgãos formados por tecido conjuntivo, tecido nervoso e tecido muscular e desempenham atividades vitais, como o bombeamento do sangue pelos vasos sanguíneos, a alimentação, a respiração, a fala, o aquecimento e o movimento do nosso esqueleto. Sendo assim, todo tecido muscular e, consequentemente, os músculos formados por ele, possuem quatro propriedades especiais que os diferenciam dos outros tecidos e lhes permitem realizar as suas funções, além de contribuir para a homeostasia do corpo: · Excitabilidade: capacidade de responder aos impulsos nervosos e outros estímulos corporais; · Contratilidade: capacidade de encurtar sua estrutura de maneira ativa e exercer força de tensão; · Extensibilidade: capacidade de esticar quando um músculo oposto se contrai; · Elasticidade: capacidade de retornar ao seu tamanho de repouso após se esticar. Vale comentar que o músculo esquelético difere entre homens e mulheres. Mulheres adultas têm menor força corpórea quando comparadas a homens adultos, em especial, por conta dos efeitos dos hormônios sexuais masculinos (testosterona, principalmente) sobre os músculos esqueléticos do corpo masculino. Esses hormônios também influenciam o aumento da musculatura no sexo masculino quando sob efeito de exercício muscular intenso. FUNÇÕES DO SISTEMA MUSCULAR Por meio das contrações, o sistema muscular desempenha quatro funções principais: produzir movimento, estabilizar a postura, movimentar substâncias no interior do corpo e gerar calor. 1. Produção de movimentos A função mais evidente realizada pelos músculos está relacionada aos movimentos corporais. Tantos movimentos globais do corpo (como andar), quanto movimentos localizados (como pegar uma caneta), são dependentes da integração dos músculos esqueléticos e das estruturas relacionadas a eles, como os ossos e as articulações. As fibras musculares esqueléticas mantêm um estado de contração muscular por meio de estímulos nervosos, um processo chamado de tônus muscular, importante para exercitar continuamente as fibras musculares esqueléticas e mobilizar o sangue e a linfa. 2. Estabilização de postura corpórea O esqueleto fornece um alicerce para o corpo. Nesse sentido, os músculos esqueléticos também mantêm a postura, estabilizam as articulações e oferecem suporte às vísceras. Alguns músculos são músculos posturais, que atuam contra a ação da gravidade e permanecem em contração continuamente quando estamos alertas. Os músculos do pescoço, por exemplo, sustentam a cabeça ereta durante uma aula. 3. Condução e armazenamento de substâncias no interior do corpo A contração das camadas de músculos lisos em formato circular, denominadas esfíncteres, controlam a abertura e o fechamento dos órgãos ocos. As contrações do músculo liso também mobilizam substâncias, como as enzimas pelo trato gastrointestinal, os gametas (espermatozoides e óvulos) pelos sistemas reprodutores e a urina pelo sistema urinário. A contração do músculo cardíaco impulsiona o sangue pelos vasos sanguíneos do corpo. Já a contração do músculo esquelético, por sua vez, provoca indiretamente o fluxo de sangue das veias para coração, assim como o fluxo de linfa por todo o corpo. 4. Produção de calor O tecido muscular também produz calor ao se contrair, um processo chamado termogênese. A maior parte do calor produzido é utilizado para a manutenção da temperatura corporal. Essa produção de calor é amplificada durante exercícios forçados. Além disso, calafrios e contrações involuntárias dos músculos esqueléticos também conseguem aumentar a intensidade da produção de calor. GRUPOS MUSCULARES Os músculos podem ser agrupados em conjuntos, de acordo com a sua função e origem embrionária, colaborando para a formação e disposição dos músculos esqueléticos. Assim, podemos organizar quatro grupos musculares: músculos das vísceras, músculos do arco faríngeo, músculos axiais e músculos dos membros. · Músculos das vísceras: Esse tecido muscular é encontrado nas vísceras. Uma vez que os músculos das vísceras não se relacionam diretamente com o esqueleto, comentaremos adiante sobre esse grupo muscular ao estudarmos, respectivamente, o sistema digestório e o sistema circulatório. · Músculos do arco faríngeo: Nesse grupo estão inclusos os músculos esqueléticos da faringe, bem como alguns músculos da cabeça e do pescoço. A característica em comum entre esses músculos é que eles se desenvolvem em volta da faringe na fase embrionária. Alguns deles, inclusive, são músculos da expressão facial, da mastigação, os músculos supra hioideos, os constritores da faringe, os músculos esternocleidomastoideos e o músculo trapézio. · Músculos axiais: São os músculos esqueléticos relacionados ao esqueleto axial, localizados no tórax, abdome e pelve, bem como em alguns músculos do pescoço e da cabeça. Suas principais funções envolvem manter a postura e movimentar o tronco. Pertencem a esse grupo os músculos extrínsecos do olho, os músculos que movimentam a língua, os músculos infra hioideos, os músculos respiratórios do tórax, os músculos profundos do dorso, os músculos do abdômen e osmúsculos da pelve. · Músculos dos membros: Esse agrupamento de músculos, que atua na locomoção e na manipulação de objetos, inclui os músculos dos membros superiores e inferiores, bem como os músculos que conectam os membros aos seus cíngulos e os músculos que conectam os cíngulos ao tronco. Nos membros superiores, os músculos extensores são posteriores, enquanto os músculos flexores são anteriores. Durante o desenvolvimento embrionário, o membro inferior é invertido, ou seja, os músculos extensores ficam anteriores e os músculos flexores se tornam posteriores. CLASSIFICAÇÃO DOS MÚSCULOS Os músculos podem ser classificados com base em diversos critérios, sendo os principais: a forma do músculo e o arranjo de suas fibras, o número de origens, o número de inserções, o número de ventres musculares, o tipo de ação executada, e, por fim, a função. · Forma do músculo e arranjo de suas fibras: o funcionamento do músculo condiciona sua forma e o arranjo de suas fibras: além disso, sua arquitetura e organização é diversa. Em suma, os músculos podem ter suas fibras dispostas de modo paralelo, oblíquo ou circular em relação à direção de tração exercida: · Disposição paralela das fibras: pode ser encontrada nos músculos longos (com predomínio do comprimento, como o músculo esternocleidomastoideo) e nos músculos largos (com equivalência do comprimento e largura, como o músculo glúteo máximo). Os músculos longos comumente têm as fibras musculares organizadas em direção aos tendões, de origem e inserção. Eles possuem aspecto fusiforme, embora também possam ser cônicos ou cilíndricos (redondos). Os músculos largos têm comumente as fibras convergindo para um tendão em uma das extremidades, dando-o o aspecto de leque. Os músculos longos podem também ser cônicos ou cilíndricos (redondos); · Disposição oblíqua das fibras: músculos com essa disposição em relação aos tendões são denominados peniformes (em forma de pena). Caso os feixes musculares se prendam em apenas uma borda do tendão ele é dito unipenado (como o músculo extensor longo dos dedos do pé), caso os feixes se prendam nas duas bordas é nomeado bipenado (como o músculo reto da coxa); · Disposição circular das fibras: são músculos que circulam canais e orifícios, como podemos observar nos músculos orbiculares. · Número de origens: origem ou cabeça é como chamamos a conexão de um músculo a um osso menos móvel, sendo que os músculos podem possuir mais de uma origem. Assim, eles são classificados como músculos bíceps (duas cabeças), tríceps (três cabeças) ou quadríceps (quatro cabeças). Exemplos mais comuns são encontrados nos membros superiores e inferiores: músculo bíceps braquial e quadríceps femoral, por exemplo; · Número de inserções: do mesmo modo, denominamos de inserção (ou cauda) a conexão de um músculo ao osso mais móvel, sendo que os músculos podem possuir mais de uma inserção. Assim, eles são classificados como bicaudados (duas inserções) ou policaudados (três ou mais inserções). Como exemplo, temos o músculo extensor longo dos dedos do pé; · Número de ventres musculares: a região média do músculo, conhecida popularmente como "carne", é denominada ventre muscular. Alguns músculos apresentam mais de um ventre muscular, sendo classificados como digástricos (dois ventres, como o músculo digástrico) e poligástricos (três ou mais ventres, como o músculo reto do abdômen); · Ação executada: de acordo com a ação principal decorrente da contração muscular, podemos classificar um músculo de diversas maneiras, como: extensor, flexor, abdutor, adutor, rotador medial, rotador lateral, supinador, pronador, levantador, depressor, esfíncter, orbicular, tensor, dilatador e retrator; · Função: do ponto de vista funcional, os músculos podem ser classificados como agonistas, antagonistas, sinergistas e fixadores. O músculo agonista é o agente executor do movimento principal. O músculo antagonista se opõe ao movimento do agonista, no intuito de regular a potência da ação ou a velocidade do movimento. Por exemplo, podemos citar a flexão do antebraço, em que o músculo bíceps braquial atua como agonista e o músculo tríceps braquial age como antagonista. O músculo sinergista atua impedindo movimentos indesejáveis do agonista. Além disso, os músculos sinergistas são os que mantêm a postura e estabilizam as articulações, agindo como fixadores. Como exemplo, temos os músculos que fixam a escápula quando o braço se move. ANEXOS DO SISTEMA MUSCULAR Em um músculo esquelético típico, podemos observar uma porção média (ventre muscular) e suas extremidades. Se as extremidades têm forma cilindroide ou de fita, denominamos tendões; caso manifestem formato laminar, denominamos aponeuroses. Tanto tendões quanto aponeuroses são constituídos por tecido conjuntivo denso e possuem aspecto esbranquiçado, sendo muito resistentes e inextensíveis. Ambos elementos atuam fixando o músculo ao esqueleto, embora possam realizar essa fixação do músculo em outras estruturas, como cartilagem, tendão de outro músculo, cápsulas articulares etc. Aponeuroses, fáscias, bainhas tendíneas e as bolsas sinoviais são consideradas órgãos acessórios do sistema muscular. As fáscias envolvem cada músculo ou grupos de músculos, além de mantê-los em posição durante a contração. Outras funções delas incluem atuar como origem ou inserção para os músculos, compor retináculos (espessamentos transversais da fáscia que retêm os tendões), servir como vias de passagem para vasos e nervos e viabilizar o deslizamento dos órgãos adjacentes. Bainhas tendíneas e bolsas sinoviais são estruturas associadas às articulações sinoviais e atuam como “rolamentos”, reduzindo o atrito entre os elementos do corpo durante a movimentação. A bolsa sinovial é a estrutura fibrosa achatada em forma de saco, revestida por uma membrana sinovial, em que músculos, tendões, ligamentos ou ossos se sobrepõem e geram fricção. Uma bainha tendínea é uma bolsa fechada revestida por uma membrana sinovial que envolve um tendão, sendo encontrada em tendões sujeitos ao atrito (por exemplo, superfícies articulares de grande movimentação) ou em estruturas (como pontes ou túneis) entre os ossos, local onde os tendões deslizam (por exemplo, túnel do carpo). Pode tanto ser fibrosa como sinovial. Tipos de músculos O tecido muscular pode ser classificado em três tipos: estriado esquelético, estriado cardíaco e liso. Duas características principais definem cada um desses tipos: a presença de estrias nas células musculares e a consciência no controle da contração. · Tecido muscular estriado esquelético: correspondendo a 40% do peso corporal, esse tecido se situa nos músculos esqueléticos, órgãos individuais que se conectam ao esqueleto e garantem o seu movimento. Possui estrias escuras e claras que atravessam transversalmente suas alongadas e cilíndricas células musculares esqueléticas (também conhecidas como fibras musculares). O músculo esquelético está sujeito ao controle consciente, ou seja, é possível controlá-lo de acordo com a vontade; · Tecido muscular estriado cardíaco: o tecido muscular cardíaco é encontrado apenas no coração. Assim como as células musculares do músculo esquelético, a musculatura cardíaca também é composta por músculos estriados, entretanto, sua contração é involuntária, ou seja, não temos controle consciente sobre a velocidade das batidas do nosso coração; · Tecido muscular liso: o tecido muscular liso no corpo é encontrado nas paredes dos órgãos internos ocos (com exceção do coração), como o trato gastrointestinal, as vias respiratórias, os vasos sanguíneos e a bexiga urinária. Esse tecido é conhecido como não estriado, devido à ausência de estrias em suas células musculares. Suas células são alongadas, assim como as do músculo esquelético, e sua contração é involuntária, como no músculo cardíaco. CURIOSIDADE Há músculos estriados esqueléticos que só estão parcialmente sob o controle da vontade, como podemos observar no caso do diafragma e os músculos da respiração: é possível suspender a respiração voluntariamente por algum tempo, aofixar o diafragma, mas com o fim da nossa tolerância, o diafragma se contrai e a respiração volta ao normal. Outra musculatura parcialmente controlável é a do canal anal, também sob o controle parcial do indivíduo. Ainda vale destacar que o tecido muscular liso e o tecido muscular cardíaco são conhecidos como músculos viscerais, uma vez que ambos ocorrerem em órgãos e possuem contração involuntária. Além disso, embora todos os tipos musculares tenham estrias longitudinais, apenas os chamados músculos estriados possuem de estrias transversais. Sendo assim, os músculos lisos são classificados como lisos justamente por não possuírem estriações transversais. Tipos de contração muscular A célula muscular é controlada pelo sistema nervoso. Cada músculo possui um nervo motor com suas ramificações, visando inervar todas as células do músculo. Quando o impulso nervoso é transmitido por meio de um nervo, esse impulso é repassado para as células musculares que realizam contrações, geralmente classificadas como isotônicas ou isométricas. · Na contração isotônica, o músculo gera tensão (força de contração) para a movimentação corporal e a movimentação de objetos, e sofre alteração em seu comprimento. A contração isotônica pode ser concêntrica (quando o músculo encurta o comprimento durante a contração e traciona seu tendão para aproximar as estruturas ósseas) ou excêntrica (quando o músculo aumenta o comprimento durante a contração ao afastar as estruturas ósseas); · Na contração isométrica, o músculo gera tensão, mas não ocorre alteração no seu comprimento (não há movimento). As contrações isométricas são importantes porque estabilizam as articulações, bem como são responsáveis pela manutenção da postura e pela sustentação de objetos em posição fixa. Para que a contração muscular ocorra, o neurônio motor se estende para atingir a junção neuromuscular – a sinapse (local de comunicação entre dois neurônios ou entre um neurônio e uma célula-alvo) entre um neurônio somático motor e uma fibra muscular esquelética. A terminação da célula nervosa, na sinapse neuromuscular, é chamada de terminação sináptica e possui, em seu citoplasma, numerosas mitocôndrias e vesículas sinápticas (pequenas vesículas secretoras preenchidas por substâncias químicas). Essas moléculas químicas são chamadas de neurotransmissores. A acetilcolina (ACh), por sua vez, é o neurotransmissor liberado na junção neuromuscular. Quando o impulso nervoso alcança a terminação sináptica, a ACh é liberada na fenda sináptica, ligando-se aos receptores da fibra muscular, dando início a uma alteração no potencial transmembrana dessa célula. Essa alteração inicia um impulso elétrico, que se propaga por toda célula muscular, e os impulsos elétricos permanecem, sendo gerados continuamente até que a enzima acetilcolinesterase (AChE) remova a ACh dos receptores. Fibra muscular Cada músculo esquelético é um órgão próprio, constituído por várias células musculares esqueléticas, também denominadas fibras musculares, em consideração ao seu formato alongado (algumas podem alcançar 30 cm e diâmetros de 10 a 100 μm). As fibras musculares esqueléticas possuem como características próprias; estrias, vários núcleos, além de nunca sofrerem mitose após terem se formado, ficando apenas mais longas e espessas durante a infância e a adolescência, por conta do crescimento do corpo. Vale destacar, também, que as fibras musculares esqueléticas são circundadas por células satélites, células musculares imaturas. Durante a juventude, algumas células satélites se fundem com as fibras musculares, colaborando para o crescimento do corpo. Ademais, havendo uma lesão muscular, as células satélite se proliferam no tecido muscular danificado e produzem proteínas para reparar a lesão. Contudo, a capacidade de regeneração do tecido muscular esquelético ainda é bem limitada, e pode ser substituída, principalmente, pelo tecido cicatricial. Para compreender como a fibra muscular funciona, precisamos aprender sobre os termos específicos do sistema muscular. Os prefixos mio: músculo e sarco: carne, referem-se ao músculo, termos esses presentes nas estruturas das células musculares. Por exemplo, a membrana plasmática das células musculares é chamada de sarcolema; o citoplasma é denominado sarcoplasma; o retículo endoplasmático, especializado em armazenamento de cálcio, é designado retículo sarcoplasmático; os microfilamentos, compreendendo proteínas contráteis, são nomeados miofilamentos. Apesar da nomenclatura incomum, as células musculares possuem organelas iguais a outras células. Cada fibra muscular é envolvida pelo sarcolema. Podemos observar milhares de pequenas invaginações no sarcolema, chamadas de túbulos transversos ou túbulos T, que se abrem para o exterior e seguem perpendiculares ao retículo sarcoplasmático. O retículo sarcoplasmático, por sua vez, apresenta-se como uma rede de canais membranosos e se estende ao longo do sarcoplasma. Quando a fibra muscular está relaxada, o retículo sarcoplasmático armazena íons cálcio (Ca2+). Quando a fibra é estimulada, Ca2+ é liberado para o sarcoplasma, o que permite a contração do músculo. No interior das fibras musculares, encontramos também muitas miofibrilas, organelas lineares e cilíndricas com aproximadamente um micrômetro (1 μm) de diâmetro, que se estendem paralelamente de uma extremidade a outra na célula muscular. Os filamentos na miofibrila estão dispostos em compartimentos chamados sarcômeros. Além disso, cada miofibrila é constituída por miofilamentos, que são filamentos menores de proteínas contráteis, que podem ser classificados como filamentos finos, compostos de proteína actina, ou filamentos espessos, compostos da proteína miosina. Ambos miofilamentos estão relacionados ao processo de contração. As miofibrilas exibem padrões de estrias escuras e claras, e os miofilamentos determinam o padrão das estrias, que consiste em várias bandas e zonas, que podem ser vistas tanto em uma única miofibrila quanto na fibra muscular inteira. Nessa organização do padrão temos a banda A, em que ocorre os filamentos espessos; banda I, que contém somente filamentos finos; e a banda Z, onde os filamentos finos de sarcômeros vizinhos se unem. Também existem as linhas M e a banda H, onde se situam apenas filamentos espessos. Durante a contração muscular, o músculo esquelético se encurta devido ao deslizamento que ocorre na sobreposição dos filamentos finos e espessos, um processo conhecido como teoria dos filamentos deslizantes. Isso ocorre porque as cabeças de miosina se prendem aos filamentos finos e "caminham" em ambas as extremidades do sarcômero, tracionando os filamentos rumo a linha M. Assim, os filamentos finos deslizam e se encontram no centro do sarcômero, encurtando o sarcômero e aproximando as linhas Z. O encurtamento dos sarcômeros resulta no encurtamento da fibra muscular inteira e, consequentemente, no encurtamento (contração) do músculo. Vale destacar, ainda, que o comprimento dos miofilamentos individuais não se alteram durante a contração. Tecido conjuntivo A ligação no interior do músculo é realizada por meio do tecido conjuntivo, cuja função é fortalecer, proteger e conectar as fibras musculares em fascículos, além de ligá-los aos músculos. Cada fibra individual dos músculos esqueléticos está coberta pelo endomísio, uma bainha delgada de tecido conjuntivo que liga fibras em conjunto, além de conter estruturas que servem ao músculo, como os vasos capilares e as terminações nervosas. O perimísio liga os fascículos e contém vasos sanguíneos e fibras nervosas que atuam em vários deles. O músculo inteiro é envolvido pelo epimísio. Todas essas bainhas de tecido conjuntivo contribuem para a formação dos tendões. Sistema nervoso: conceito e divisão do sistema nervoso Imagine as seguintes situações. (1) Você está andando pela rua, escuta uma buzina e desvia para a calçada mais próxima. (2) Um rádio toca o trecho de uma música que você reconhece. (3) Enquanto cochila, seu despertador toca e, instantaneamente, você desperta.Todos eles são exemplos diários do funcionamento do sistema nervoso, cujas células permanecem quase o tempo inteiro em atividade no nosso corpo. A importância do sistema nervoso é tamanha que seu estudo compõe uma disciplina própria no currículo de formação de profissionais da área da saúde, a Neuroanatomia. Na prática médica, a Neurologia, a Neurocirurgia e a Psiquiatria focam seus esforços na compreensão do sistema nervoso. FUNÇÕES DO SISTEMA NERVOSO O sistema nervoso coordena uma complexa diversidade de tarefas, permitindo monitorar e interpretar os estímulos do interior e do exterior do corpo. Tal fato, por sua vez, envolve, desde o controle dos movimentos corporais, até a regulação da atividade dos órgãos internos. Essas atividades diversas são agrupadas com base em três funções: sensitiva, integrativa e motora. Função sensitiva Função integrativa Função motora Os receptores sensitivos captam estímulos internos, como a diminuição na pressão arterial, tanto quanto estímulos externos, como raios solares sob a pele. Os neurônios sensitivos ou aferentes transmitem essa informação para o encéfalo e a medula espinhal. O sistema nervoso processa as informações, armazenando algumas e elaborando respostas apropriadas – uma atividade conhecida como integração. Muitos dos neurônios que realizam a integração são interneurônios (neurônios que se interconectam com outros neurônios). Os interneurônios compreendem a maior parte do sistema nervoso central, bem como a vasta maioria dos neurônios do corpo. Após a integração do estímulo, o sistema nervoso determina uma resposta motora, como uma contração muscular ou uma secreção glandular, através dos chamados neurônios eferentes ou motores. Os neurônios motores conduzem a informação do encéfalo para a medula espinhal ou para além dessas estruturas, rumo aos efetores (músculos e glândulas). DIVISÃO DO SISTEMA NERVOSO O sistema nervoso central (SNC) é constituído pelo encéfalo e pela medula espinhal. O encéfalo é protegido pelo crânio, enquanto a medula espinhal é protegida pela coluna vertebral. O SNC é o centro de comando e integração do sistema nervoso, recebendo sinais sensitivos, interpretando-os e coordenando respostas motoras baseadas em condições atuais, experiências anteriores e reflexos. O sistema nervoso periférico (SNP) é constituído, principalmente, por nervos que se estendem do cérebro à medula espinhal, aos gânglios e aos receptores sensoriais. O SNP interliga o sistema nervoso central ao restante do corpo, dessa forma, os nervos periféricos atuam como vias de comunicação, ligando todas as partes do corpo ao SNC. Os gânglios, por sua vez, são áreas que agrupam os corpos celulares dos neurônios periféricos; já os receptores sensoriais são estruturas que atuam monitorando alterações externas e internas, como os receptores na pele que detectam sensações táteis. Sistema nervoso central Consideramos como pertencentes ao sistema nervoso central o encéfalo e a medula espinhal. Marieb e colaboradores (2014), dissertam sobre a natureza desse sistema: Historicamente, o SNC tem sido comparado ao quadro de distribuição central de um sistema de telefonia que interconecta e roteia um número gigantesco de chamadas. Hoje em dia, muitos pesquisadores o assemelham a um supercomputador. Essas analogias podem ser suficientes para alguns trabalhos sobre a medula espinhal, mas nenhuma delas faz justiça à fantástica complexidade do encéfalo humano. Como base do comportamento, personalidade e intelecto exclusivos de cada pessoa, o funcionamento do encéfalo humano é um milagre, e compreender sua complexidade é um desafio (MARIEB; WILHELM; MALLATT, 2014, p. 389). Nesse sentido, para compreendermos as maravilhas do encéfalo e do sistema nervoso central, precisamos de alguns termos direcionais exclusivos do SNC: as regiões mais altas do sistema se situam na direção rostral (direção da face) e suas partes inferiores se situam na direção caudal (direção da cauda). Assim, o SNC é constituído por regiões distintas de substâncias cinzentas e brancas, que refletem a organização dos seus neurônios. A substância cinzenta consiste em um aglomerado de dendritos, corpos celulares de neurônios, neurônios curtos amielínicos e neuróglias, e é nessa região que ocorrem as sinapses. A substância branca, por sua vez, consiste em agrupamentos de axônios mielínicos com neuróglias associadas. Sua cor branca é proveniente das bainhas de mielina em volta de vários axônios. O cérebro consiste em duas camadas. A camada superficial, que forma o córtex do cérebro e do cerebelo, é composta por uma substância cinzenta. Abaixo do córtex cerebral está a espessa camada de substância branca do cérebro. Na medula espinhal, entretanto, a substância cinzenta está localizada no centro e é envolvida pela substância branca. A relação entre os tamanhos e a forma das substâncias cinzentas e substâncias brancas varia ao longo da medula espinhal. A quantidade de substância branca aumenta em direção ao encéfalo, enquanto a substância cinzenta é encontrada em maior quantidade nas intumescências cervical e lombossacral, onde as inervações dos membros superiores e inferiores, respectivamente, fazem conexões. MEDULA ESPINHAL A medula espinhal de um indivíduo adulto possui aproximadamente 100 milhões de neurônios e mede cerca de 45 cm de comprimento, estendendo-se do forame magno do crânio até a margem inferior da segunda vértebra lombar (L2). Trinta e um pares de raízes nervosas espinhais saem da medula espinhal. O feixe de raízes mais inferior se assemelha a uma cauda de cavalo (cauda equina). A medula espinhal apresenta intumescências localizadas (intumescência cervical e intumescência lombar) e trechos expandidos e alargados na coluna vertebral, refletindo na inervação dos membros superiores e inferiores, respectivamente. Apesar de serem anatomicamente conectados, a medula espinhal e o encéfalo apresentam uma significativa independência funcional. A medula espinhal é mais do que apenas uma via para transmissão de informações ao encéfalo ou a partir dele. Embora a maioria dos estímulos seja transmitido para o encéfalo, a medula espinhal também é capaz de integrar e processar informações, como acontece nos arcos reflexos. Um arco reflexo implica em uma resposta automática, inconsciente e protetora diante de uma situação que visa preservar a homeostasia do corpo. Os impulsos são conduzidos por uma via pequena do neurônio sensitivo para o neurônio motor, e apenas dois ou três neurônios estão envolvidos. Os cinco componentes de um arco reflexo são o receptor, o neurônio sensitivo, o neurônio central, o neurônio motor e o efetor. O receptor inclui o dendrito de um neurônio sensitivo e o lugar em que o impulso nervoso é iniciado, com o neurônio sensitivo retransmitindo o impulso para o SNC. O neurônio central está localizado dentro do SNC e normalmente envolve um ou mais neurônios de associação (interneurônios), processando a informação. O neurônio motor conduz o impulso nervoso para um órgão efetor (geralmente um músculo esquelético). O encéfalo é, provavelmente, o mais fascinante órgão do corpo, sendo muito mais complexo do que a medula espinhal. É capaz de responder a estímulos com grande versatilidade, resultado de seus aproximados 20 bilhões de neurônios, cada um podendo receber informações simultaneamente por meio de milhares de sinapses. O encéfalo surge como a parte superior do tubo neural a partir da 4ª semana de desenvolvimento embrionário. Imediatamente, com a sua expansão, aparecem as constrições que definem as três vesículas encefálicas primárias: o prosencéfalo, o mesencéfalo e o rombencéfalo. Com base nessas transformações, as partes mais importantes do SNC são originadas. O telencéfalo desenvolve duas intumescências laterais, que se transformam nos grandes hemisférios cerebrais, popularmente conhecidos como cérebro. O diencéfalo está recoberto pelos hemisférios cerebrais que derivam do telencéfalo, sendo somente possívelvisualizá-lo através de um corte sagital mediano que separa os hemisférios cerebrais. O cerebelo, por sua vez, está situado em posição dorsal à ponte e ao bulbo. O tronco encefálico é constituído pelo mesencéfalo, a ponte e o bulbo, que se ligam aos hemisférios cerebrais a partir do mesencéfalo. O cérebro, o cerebelo e o tronco encefálico constituem o encéfalo. Tronco encefálico O tronco encefálico é o segmento do encéfalo localizado entre a medula espinhal e o diencéfalo, sendo composto por três estruturas: o mesencéfalo, a ponte e o bulbo (medula oblonga). · Núcleos no mesencéfalo processam a informação visual e auditiva e coordenam e comandam respostas somáticas motoras relacionadas aos estímulos. Além disso, também contêm centros relacionados à manutenção da consciência; · A ponte se encontra abaixo do mesencéfalo. Ela contém núcleos envolvidos no controle motor somático e visceral. A ponte recebe esse nome devido a sua função de conectar o cerebelo ao tronco encefálico; · A medula espinhal se conecta ao tronco encefálico pelo bulbo. A parte superior do bulbo possui um teto fino, membranoso, enquanto a parte inferior se assemelha à medula espinhal. O bulbo retransmite a informação sensitiva para o tálamo e outros centros do tronco encefálico. Além disso, o bulbo contém importantes centros relacionados à regulação da função autonômica, como a frequência cardíaca, a pressão sanguínea e as atividades digestivas. Cerebelo O cerebelo é a segunda maior parte do encéfalo, corresponde a até 11% da massa do encéfalo. O cerebelo está situado em posição dorsal à ponte e ao bulbo e faz a regulação automática das atividades motoras, ajudando a manter a postura e o equilíbrio. Telencéfalo (cérebro) O cérebro é a maior estrutura do encéfalo. Está dividido em dois grandes hemisférios cerebrais, separados pela fissura longitudinal. A superfície do cérebro, o córtex cerebral, é constituída por uma substância cinzenta. O córtex cerebral é convoluto por fendas chamadas de sulcos. Esses sulcos separam cristas intermediárias, denominadas giros. Cada hemisfério cerebral é subdividido em cinco lobos (Quadro 3) por sulcos e fissuras profundas, sendo que o nome dos lobos deriva dos ossos do crânio adjacentes a cada um. O processamento consciente do pensamento, as funções intelectuais, o armazenamento e a recuperação da memória e os padrões motores complexos originam-se no cérebro. Diencéfalo A parte profunda do encéfalo, ligada ao cérebro, é chamada de diencéfalo. O diencéfalo tem três subdivisões, e suas funções podem ser resumidas de acordo com os tópicos: · O epitálamo contém a hipófise, também conhecida como glândula pineal, a principal estrutura endócrina do corpo; · O tálamo é a sede do processamento e retransmissão de impulsos sensitivos; · O hipotálamo se conecta à hipófise e contém centros envolvidos em emoções, produção hormonal e função do sistema nervoso autônomo. Tecido nervoso O sistema nervoso é altamente especializado e complexo, sendo formado por duas categorias de células: neurônios e células da glia. Os neurônios são células especializadas capazes de responder a estímulos físicos e químicos, conduzir impulsos e liberar reguladores químicos específicos. Com isso, os neurônios executam funções como pensar, armazenar memória e regular outros órgãos. Neurônios desenvolvidos não podem se dividir, embora sob certas condições alguns deles possam regenerar pequenas porções cortadas ou desenvolver pequenos ramos novos. As células da glia ou neuróglia são células nervosas que auxiliam os neurônios em suas funções. As neuróglias possuem limitada capacidade de mitose e são cerca de cinco vezes mais populosas do que os neurônios. NEURÓGLIAS Diferentemente de outros sistemas, as neuróglias, células de suporte do sistema nervoso, possuem a mesma formação embrionária dos neurônios, isto é, ambas derivam do ectoderma e podem ser classificadas em seis categorias, NEURÔNIOS Embora os neurônios possam variar em forma e tamanho, três componentes principais estão sempre presentes: o corpo celular, os dendritos e o axônio. O corpo celular é a porção onde encontramos o núcleo celular e as outras organelas típicas. Os corpos celulares no interior do SNC geralmente são agrupados em regiões denominadas núcleos, enquanto os corpos celulares no SNP frequentemente são encontrados em agrupamentos chamados gânglios. O corpo celular possui dois tipos de ramificações citoplasmáticas. O primeiro deles são os dendritos, que respondem aos estímulos e conduzem impulsos para o corpo celular. A área preenchida por dendritos é denominada zona dendrítica de um neurônio. O segundo tipo de ramificação citoplasmática é o axônio, um prolongamento extenso e cilíndrico que conduz impulsos que saem do corpo celular. Os axônios podem variar desde alguns milímetros no interior do encéfalo até mais de um metro entre a medula espinhal e as partes mais distais dos membros. O termo fibra nervosa é comumente utilizado para designar um axônio longo. Ao longo do axônio, o citoplasma contém muitas mitocôndrias e microtúbulos. Alguns neurônios têm partes de seus axônios cobertas por uma substância lipoprotéica branca chamada mielina, produzida através de células gliais específicas, um processo designado de mielinização. A mielina forma uma bainha entorno do axônio, dando suporte e ajudando na condução dos impulsos nervosos. Vale destacar que os neurônios podem ser mielínicos ou amielínicos. Neurônios mielínicos são encontrados no SNC e no SNP, com a mielina sendo a responsável pela cor esbranquiçada dos nervos e pela coloração da substância branca do encéfalo e da medula espinhal. No SNP, a mielinização ocorre com as células de Schwann envolvendo um axônio. Cada célula de Schwann enovela aproximadamente 1 mm de axônio, deixando lacunas sem mielina entre as células de Schwann adjacentes. Estas lacunas na bainha de mielina são denominadas nódulos de Ranvier, local onde ocorre a propagação do impulso nervoso ao longo de um neurônio. No SNC, as bainhas de mielina são formadas por oligodendrócitos. Cada oligodendrócito possui extensões capazes de formar bainhas de mielina em vários axônios, diferindo das células de Schwann, que atuam somente em um axônio. Para a transmissão de um impulso nervoso, são imprescindíveis duas propriedades funcionais dos neurônios: a irritabilidade e a condutividade. A irritabilidade é a capacidade de responder a um estímulo e convertê-lo em um impulso, enquanto a condutividade é capacidade de transmitir um impulso. Assim, para conseguir realizar essa transmissão, é necessário que o potencial de ação seja formado e uma troca de íons sódio (Na+) e potássio (K+) ao longo da membrana de uma fibra nervosa resulte na criação de um estímulo capaz de ativar outras células. Para que uma fibra nervosa possa responder a um estímulo, ela deve estar polarizada. A fibra nervosa polarizada tem uma abundância de íons sódio no exterior da membrana do axônio, produzindo uma diferença de carga elétrica chamada de potencial de repouso. Quando um estímulo com força suficiente chega à porção receptora do neurônio, a fibra nervosa se despolariza, e um potencial de ação é iniciado. Uma vez que a despolarização é iniciada, ocorre uma sucessão de trocas iônicas ao longo do axônio e o potencial de ação é conduzido. Depois que a membrana do axônio alcança sua despolarização máxima, as concentrações originais de íons sódio e potássio são restabelecidas por um processo chamado de repolarização, que restabelece o potencial de repouso e torna a fibra nervosa apta ao envio de outro impulso. Um potencial de ação somente é deslocado em um único sentido e é caracterizado como uma resposta do tipo tudo ou nada, ou seja, um impulso iniciado se deslocará ao longo da fibra nervosa e prosseguirá sem perda na voltagem. Vários fatores determinam a velocidade de um potencial de ação, como o diâmetro da fibra nervosa, seu tipo (mielínica ou amielínica), e a condição fisiológica geral do neurônio. Por exemplo, neurônios amielínicoscom diâmetros pequenos conduzem impulsos na relação de cerca de 0,5 m/s; enquanto fibras nervosas mielínicas transmitem impulsos em velocidades superiores a 130 m/s. A sinapse é como chamamos uma conexão entre o axônio de um neurônio e um dendrito de outro neurônio. O terminal axônico (botões sinápticos) é a porção distal do neurônio pré-sináptico na extremidade do axônio e é caracterizado pela presença de numerosas mitocôndrias e vesículas sinápticas. As vesículas sinápticas contêm neurotransmissores, sendo a acetilcolina o mais comum. Quando um potencial de ação chega ao terminal axônico, algumas vesículas respondem, liberando seus neurotransmissores na fenda sináptica, um espaço minúsculo que separa as membranas pré-sinápticas e pós-sinápticas. Se ocorrer um número suficiente de impulsos nervosos em um curto intervalo de tempo, quantidades suficientes de neurotransmissores devem se acumular no interior da fenda sináptica para estimular o neurônio pós-sináptico a se despolarizar. Os neurotransmissores são decompostos por enzimas presentes na fenda sináptica. A acetilcolinesterase é a enzima que decompõe a acetilcolina e prepara a sinapse para receber mais neurotransmissores para um próximo impulso. MENINGES/ LÍQUOR E VASCULARIZAÇÃO As meninges são três membranas de tecido conjuntivo encontradas ao redor do encéfalo e da medula espinhal. Suas funções são: envolver e guardar o SNC; proteger os vasos sanguíneos que nutrem o SNC e conter o líquido cerebrospinal. As meninges se dividem em três: são a dura-máter, a aracnoide-máter e a pia-máter, sendo esta última a mais interna. · A dura-máter é a membrana mais externa e de maior resistência, envolvendo a medula como um dedo de luva, o saco dural; cranialmente, a dura-máter continua-se com a dura-máter craniana; · A aracnoide-máter encontra-se entre a dura-máter e a pia-máter, possui esse nome em virtude da distribuição de fibras colágenas e algumas fibras elásticas, semelhante a uma teia de aranha; · A pia-máter é a membrana mais delicada e mais interna. Está em contato direto com o tecido nervoso da superfície do SNC. Abaixo da aracnoide-máter, situa-se o espaço subaracnóideo, preenchido com líquido cerebrospinal, contendo os principais vasos sanguíneos que abastecem o encéfalo. O líquido cerebrospinal é um líquido claro, semelhante à linfa, que forma um coxim protetor ao redor e dentro do SNC, conferindo ao cérebro a capacidade de flutuar. Além disso, colabora com a nutrição do encéfalo, remove resíduos produzidos pelos neurônios e transporta os sinais químicos (hormônios, por exemplo) entre as diferentes regiões do SNC. O líquido cerebrospinal surge do sangue e volta para ele aproximadamente em uma taxa de 500 ml por dia. Ainda, Marieb e colaboradores (2014) apontam alguns fatores e dispositivos para o abastecimento e proteção do encéfalo: O encéfalo possui um rico suprimento de capilares que abastecem seu tecido nervoso com nutrientes, oxigênio e todas as outras moléculas vitais. No entanto, algumas moléculas transportadas pelo sangue que conseguem atravessar outros capilares do corpo não conseguem atravessar os capilares cerebrais. As toxinas transportadas pelo sangue, como a ureia, e as toxinas bacterianas são algumas das substâncias impedidas de entrar no cérebro pela barreira hematoencefálica, que visa proteger as células nervosas do SNC. A barreira hematoencefálica resulta basicamente de características especiais do epitélio que compõe (sic) as paredes dos capilares cerebrais. As células epiteliais desses capilares são reunidas em torno de seus perímetros inteiros por junções impermeáveis, fazendo que esses capilares sejam os menos permeáveis no corpo. Mesmo assim, a barreira hematoencefálica não é absoluta. Nutrientes e íons essenciais para os neurônios passam por ela, alguns por meio de mecanismos de transporte especiais nas membranas plasmáticas das células epiteliais dos capilares. Entretanto, ela é ineficaz com as moléculas de natureza lipossolúvel, que se difundem facilmente através das membranas celulares, a barreira permite que a nicotina, o álcool e fármacos anestésicos atravessem até os neurônios do cérebro Sistema nervoso periférico Marieb e colaboradores (2014), dissertam sobre a importância dos estímulos externos para o bem-estar dos seres humanos. O sistema nervoso periférico (SNP), por sua vez, é responsável pelo transporte desses estímulos para o SNC: O encéfalo humano, com toda a sua sofisticação, seria inútil sem suas conexões sensitivas e motoras com o mundo exterior. A sanidade do ser humano depende de um fluxo contínuo de informações sensitivas provenientes do ambiente. Quando voluntários vendados foram suspensos em um tanque de água quente (um tanque de privação dos sentidos), eles começaram a ter alucinações: um deles viu elefantes roxos, outro ouviu um coral cantando e outros tiveram alucinações gustativas. A sensação de bem-estar também depende da capacidade para executar as instruções motoras enviadas pelo SNC. Muitas vítimas de lesão na medula espinhal se desesperam ao não serem capazes de se locomover ou de cuidar das próprias necessidades O SNP abrange as estruturas do sistema nervoso que são externas ao encéfalo e a medula espinhal. É importante notar que as estruturas do SNP são determinadas pela sua organização funcional – impulsos nervosos de cada modalidade (sensitivo somático, sensitivo visceral, motor somático, motor visceral) que são transportados em neurônios diferentes. As estruturas do SNP são: · Receptores sensitivos: São terminações nervosas variadas que captam os estímulos do interior e exterior do corpo e depois iniciam impulsos nervosos nos axônios sensitivos, que levam os impulsos para o SNC. Os receptores dos sentidos especiais são células receptoras especializadas. · Nervos e gânglios: Os nervos são feixes de axônios periféricos e os gânglios são agrupamentos de corpos celulares periféricos, como aqueles pertencentes aos neurônios sensitivos. A maioria dos nervos contém axônios sensitivos e motores, sendo chamados de nervos mistos. Certos nervos cranianos (os nervos conectados ao encéfalo) contêm apenas axônios sensitivos e, portanto, têm função puramente sensitiva; outros contêm principalmente axônios motores e, portanto, têm função puramente motora. · Terminações motoras: As terminações motoras são as terminações dos axônios dos neurônios motores que inervam os efetores: órgãos, músculos e glândulas. As terminações motoras para os músculos e glândulas do corpo são descritas junto ao sistema orgânico apropriado: inervação do músculo esquelético; inervação do músculo cardíaco e inervação do músculo liso e das glândulas. Os nervos do SNP são classificados como nervos cranianos (oriundos do encéfalo) ou nervos espinhais (oriundos da medula espinhal). Os nervos cranianos são 12 pares de nervos que se conectam ao encéfalo com a maioria (dez), originando-se no tronco encefálico. Os nervos cranianos são designados por nomes e números romanos em sequência crânio-caudal. Os nervos espinhais são 31 pares de nervos que se conectam com a medula, nomeados com base em sua localização vertebral. São divididos em grupos: cervical (oito nervos), torácico (12 nervos), lombar (cinco nervos), sacral (cinco nervos) e coccígeo (um nervo). O primeiro nervo espinhal cervical sai acima da primeira vértebra cervical e cada nervo espinhal restante deriva da posição inferior à sua vértebra cervical. O SNP apresenta duas subdivisões: a divisão aferente (ou sensitiva) do SNP, que conduz informações sensitivas ao SNC, e a divisão eferente (ou motora), que conduz estímulos motores para os músculos e as glândulas. A divisão aferente tem início com os receptores que monitoram características específicas do ambiente, enquanto a divisão eferente começa no interior do SNC e termina em um efetuador: uma célula muscular, glandular ou outra célula especializada. Ambas as divisões apresentam componentes somáticos e viscerais. A divisão aferente conduz informações dos receptores sensitivos somáticos, que monitoram os músculosesqueléticos, as articulações e a pele; já dos receptores sensitivos viscerais, há o monitoramento dos outros tecidos, como a musculatura lisa, o músculo cardíaco e as glândulas. A divisão aferente também fornece informações advindas dos órgãos sensitivos especiais, como o olho e a orelha. Já a divisão eferente inclui o sistema nervoso somático (SNS), que regula a contração dos músculos esqueléticos, e o sistema nervoso autônomo (SNA), também nomeado como sistema motor visceral, que controla a musculatura lisa, o músculo cardíaco e a atividade glandular. As atividades do sistema nervoso somático podem ser voluntárias ou involuntárias. Contrações voluntárias dos músculos esqueléticos estão sob controle consciente, como quando um indivíduo controla os músculos do braço para levar um copo d’água até a boca. As contrações involuntárias são gerenciadas inconscientemente; como podemos observar quando retiramos a mão rapidamente de uma superfície quente antes que possamos nos dar conta da dor. As atividades do sistema nervoso autônomo, por sua vez, costumam ocorrer sem que tenhamos consciência ou controle. Além disso, esse sistema pode ser subdividido em simpático e parassimpático. A maioria dos órgãos apresentam inervação dupla, isto é, recebe impulsos dos neurônios simpáticos e parassimpáticos, embora cada divisão atue de maneira distinta nos órgãos viscerais. A ativação da divisão simpática prepara o corpo para a intensa atividade física em emergências (luta ou fuga); entretanto, os efeitos da estimulação dos nervos parassimpáticos são muitas vezes contrários aos efeitos da estimulação simpática, cujas atividades visam restabelecer o corpo durante períodos de repouso e de digestão alimentar (repouso e digestão). chamados gânglios. //////////////// Sistema cardiovascular: O corpo humano é constituído por diversas células especializadas que dependem de suas inter-relações para garantir a própria manutenção e continuidade. A maioria das células do corpo está fixa em tecidos e não são capazes de obter alimento e oxigênio em seus próprios locais ou mesmo descartar seus próprios resíduos. Com isso, é necessário um sistema altamente eficiente para a condução de materiais no interior do corpo, o sistema cardiovascular (ou circulatório). Em comparação, o sistema circulatório equivale ao sistema de resfriamento de um carro, com seus componentes básicos incluindo o líquido circulante (o sangue), uma bomba induzindo a circulação do líquido (o coração) e diversos tubos condutores (os vasos sanguíneos). O sistema cardiovascular é tão importante que possui diversas especialidades médicas que se dedicam à compreensão de seus componentes. O ramo relacionado com o estudo do sangue, tecidos formadores do sangue e os distúrbios associados é a hematologia. O ramo relacionado ao estudo científico do coração e das doenças associadas é a cardiologia. Por fim, o ramo relacionado ao estudo dos vasos sanguíneos e linfáticos e das doenças associadas é a angiologia. Funções do sistema cardiovascular As funções do sistema cardiovascular estão relacionadas ao sangue, uma massa líquida de tecido conjuntivo especializado, e podem ser agrupadas em três grandes áreas: transporte, regulação e proteção. Trasp tr Transporte Regulação Proteção O sangue realiza o transporte de oxigênio (O2), dos pulmões para as células do corpo, e dióxido de carbono (CO2), das células do corpo para os pulmões. O sangue também conduz: nutrientes absorvidos no trato gastrintestinal para as células do corpo; hormônios produzidos nas glândulas endócrinas para outros locais no corpo onde devem atuar; e produtos residuais para eliminação do corpo em locais como pulmões, rins e pele. Por fim, o sangue também transporta calor; A circulação do sangue ajuda na manutenção da homeostasia do corpo. O sangue atua na regulação do pH por meio de tampões, substâncias químicas que convertem ácidos ou bases fortes em ácidos ou bases fracos. O sangue também colabora no ajuste da temperatura do corpo, por meio das propriedades físicas do plasma sanguíneo (a porção líquida do sangue) e da velocidade de fluxo sanguíneo na pele, que permitem a dissipação do excesso de calor do sangue para o ambiente; Devido aos componentes sanguíneos, o sistema cardiovascular é capaz de gerar uma proteção contra a perda excessiva de sangue após uma lesão, um processo conhecido como coagulação. Além disso, os leucócitos protegem contra agentes infecciosos pela fagocitose. Vários tipos de proteínas presentes no sangue, como anticorpos, colaboram na proteção contra doenças de diversas formas. As funções do sistema cardiovascular são essenciais, de forma que qualquer célula ou órgão que tiver privação completa da circulação pode morrer em questão de minutos. Divisão do sistema cardiovascular O sistema circulatório é dividido em sistema cardiovascular, formado pelo coração, vasos sanguíneos e sangue, e sistema linfático, composto pelos vasos linfáticos e órgãos linfáticos. O coração atua como uma bomba hidráulica com quatro câmaras, que proporciona a pressão necessária para conduzir o sangue por meio dos vasos para os pulmões e para os demais tecidos do corpo. O coração de um adulto em repouso bombeia cerca de cinco litros de sangue por minuto. É necessário, aproximadamente, um minuto para que o sangue circule da extremidade mais distante e retorne ao coração. Os vasos sanguíneos estabelecem uma rede de canais que permite ao sangue fluir do coração para todas os tecidos do corpo e, em seguida, de volta ao coração. Artérias conduzem o sangue para fora do coração, enquanto as veias conduzem o sangue de volta ao mesmo. Ambas se ramificam para formar uma rede de vasos progressivamente menores. O sangue é transportado dos vasos arteriais aos vasos venosos pelos capilares, vasos sanguíneos finos e muito numerosos. Todas as trocas de nutrientes, líquidos e resíduos entre o sangue e as células dos tecidos são viabilizadas pelas paredes permeáveis dos capilares. CORAÇÃO, CIRCULAÇÃO E TIPO DE CIRCULAÇÃO SANGUÍNEA Coração O coração é uma estrutura muscular oca, com quatro câmaras e do tamanho, aproximado, de um punho fechado. O coração está localizado dentro da cavidade torácica no mediastino, um espaço existente entre os pulmões. Se encontra majoritariamente à esquerda do plano mediano, com seu ápice (ponta em forma de cone) para baixo, logo acima do diafragma, e com sua base na extremidade superior, uma região larga que se conecta com os grandes vasos. Externo ao coração, temos um saco seroso de tecido conjuntivo denso fibroso denominado pericárdio parietal, que recobre o coração e delimita o coração dos demais órgãos torácicos. O pericárdio parietal é composto por uma membrana externa fibrosa e uma membrana interna serosa, também conhecida como lâmina parietal do pericárdio seroso. A lâmina visceral do pericárdio seroso (também chamada de epicárdio) se encontra na superfície do coração, sua camada mais externa. A lacuna entre as lâminas parietal e visceral do pericárdio seroso é denominada cavidade do pericárdio. O pericárdio seroso produz o líquido pericárdico, um líquido aquoso e lubrificante que envolve o coração e o protege contra o atrito durante seus batimentos. como descrito no Quadro 1. Internamente, o coração é organizado em quatro câmaras: duas superiores, átrios direito e esquerdo e duas inferiores, ventrículos direito e esquerdo. Os átrios atuam simultaneamente, se contraindo e impulsionando o sangue para o interior dos ventrículos, que também se contraem em conjunto. Os átrios estão separados entre si pelo fino septo interatrial, enquanto os ventrículos estão separados entre si pelo espesso septo interventricular. As valvas do coração são estruturas presentes nas entradas e saídas dos ventrículos e atuam mantendo o fluxo de sangue em somente uma direção. A contração dos ventrículos chama-se sístole. Ela, juntamente com a tensão das fibras elásticas e a contração dos músculos lisos nas paredes das artérias sistêmicas,colabora para a pressão sistólica nas artérias. O relaxamento ventricular chama-se diástole cuja pressão diastólica, no interior das artérias pode ser registrada durante o movimento. Vale destacar que o controle da atividade cardíaca é feito pelo sistema autônomo, tanto parassimpático (atua inibindo) e quanto simpático (atua estimulando). Estes nervos agem sobre uma formação de células musculares na parede do átrio direito chamada nó sinoatrial, uma espécie de “marca-passo” do coração. Assim, ritmicamente, o impulso se distribui no miocárdio, resultando em contração. Este impulso alcança o nó atrioventricular, encontrado na parte inferior do septo interatrial, e é propagado para os ventrículos por meio do fascículo atrioventricular, permitindo ao estímulo alcançar o miocárdio. O conjunto destas estruturas especializadas é denominado complexo estimulante do coração. Circulação sanguínea A circulação é como denominamos o trajeto do sangue por meio do coração e dos vasos, que ocorre na forma de duas correntes sanguíneas, com ambas partindo ao mesmo tempo do coração. O átrio e ventrículo direito recebem sangue com baixo teor de oxigênio (O2) e o impulsionam para os pulmões. O átrio e o ventrículo esquerdo recebem sangue rico em O2 (sangue oxigenado) dos pulmões e o impulsionam para o resto do corpo. A circulação sanguínea pode ser diferenciada em circulação pulmonar e circulação sistêmica. A circulação pulmonar abrange os vasos sanguíneos que conduzem o sangue para os pulmões para ocorrer a hematose (processo de eliminação do dióxido de carbono e aumento da concentração de oxigênio) e, em seguida, retornam o sangue ao coração. Compõem essa circulação: o ventrículo direito, que ejeta o sangue; o tronco pulmonar; as artérias pulmonares, que levam o sangue desoxigenado para os pulmões; os capilares pulmonares no interior dos pulmões; as veias pulmonares, que levam o sangue oxigenado para o coração; e o átrio esquerdo, que acolhe o sangue das veias pulmonares. A circulação sistêmica agrupa todos os vasos sanguíneos que não participam da circulação pulmonar. Compõem essa circulação: o átrio esquerdo; o ventrículo esquerdo; a aorta e todos os seus ramos; todos os capilares que não estejam envolvidos com a hematose nos pulmões; e todas as veias, com exceção das veias pulmonares. Vale destacar que o átrio direito recebe o sangue desoxigenado vindo da circulação sistêmica. Além dessas duas principais circulações sanguíneas, podemos ressaltar mais três circulações de menor importância: Circulação colateral Circulação portal Circulação coronária É possível observar anastomoses (comunicações) entre ramos adjacentes de artérias ou de veias entre si. Na presença de uma obstrução (parcial ou total), o sangue pode circular ativamente por essa rede, estabelecendo uma efetiva circulação colateral; Ocorre quando uma veia conecta duas redes de capilares, sem passar por um órgão intermediário. O principal exemplo desse tipo é a circulação porta hepática, em que a rede capilar no intestino e a rede de capilares sinusoides no fígado, com a veia porta interpondo essas duas redes; As paredes do coração possuem um suprimento particular de vasos sanguíneos para suprir suas necessidades. O miocárdio é alimentado pelas artérias coronárias direita e esquerda, originadas da parte ascendente da aorta. Após alcançar os capilares no miocárdio, o sangue é recolhido para as veias cardíacas e, em seguida, entra no átrio direito através de um óstio (abertura). ARTÉRIAS E VEIAS, CAPILARES SANGUÍNEOS, SISTEMA LINFÁTICO, BAÇO E TIMO Vasos sanguíneos Os vasos sanguíneos compreendem uma rede fechada de canais por onde transita o sangue devido à contração rítmica do coração. Ao sair do coração, o sangue é transportado por vasos de diâmetros progressivamente menores denominados artérias, arteríolas e capilares. Os capilares são microscópicos vasos que interpõem o fluxo arterial e o fluxo venoso. A partir dos vasos capilares, o sangue é conduzido de volta ao coração por vasos de diâmetros progressivamente maiores chamados vênulas e veias. Essa disposição dos vasos assegura um suprimento contínuo de sangue para essas estruturas. É digno de nota que os vasos sanguíneos não são tubos rígidos que simplesmente direcionam o fluxo do sangue, mas são estruturas dinâmicas que pulsam, constringem e relaxam, e até mesmo proliferam, segundo as necessidades variáveis do corpo. Essas características originam nas paredes dos vasos sanguíneos, que são constituídas de três túnicas (ou camadas): · Túnica externa (ou adventícia): localizada mais externamente, é composta de tecido conjuntivo frouxo; · Túnica média: essa camada intermediária é composta de músculo liso. As artérias possuem quantidades variáveis de fibras elásticas em sua túnica média; · Túnica interna: é a mais interna das três camadas, sendo composta de epitélio simples pavimentoso (o endotélio) e fibras elásticas. Os capilares são compostos apenas do endotélio, sobre uma lâmina basal. Muitas veias possuem uma estrutura chamada válvula, que estão ausentes nas artérias, nas veias do cérebro e em algumas veias do pescoço e do tronco. As válvulas são pregas membranosas da túnica interna da veia que orientam a direção da corrente sanguínea, mantendo sua circulação rumo ao coração e impedindo seu refluxo. EXPLICANDO A retenção de sangue nas veias das pernas por períodos longos pode causar a deformação das veias nos trechos onde as válvulas se tornam ineficientes. O resultado são as veias varicosas, conhecidas popularmente como varizes. As varicosidades resultantes nas veias anais são conhecidas como hemorroidas. As veias varicosas podem ser hereditárias, mas também podem ocorrer com pessoas em ocupações que requerem longos períodos de imobilidade. A obesidade e a gravidez podem provocar ou agravar o problema. Chamamos de pressão sanguínea a força gerada pelo sangue contra as paredes internas dos vasos que percorrem. É principalmente observada nas artérias e arteríolas nas quais a pressão é mais alta. Nos capilares e vênulas, a pressão sanguínea é consideravelmente baixa, com isso, o movimento do sangue é mais lento. Nas veias, a pressão sanguínea atua secundariamente, porque a ação das válvulas e a contração dos músculos esqueléticos exercem a maioria da força necessária para mover o sangue para o coração. A pressão sanguínea comumente é considerada um sinal vital, bem como outros fatores como a frequência respiratória, a medida da frequência de pulsação e a temperatura corpórea. Sistema linfático O sistema linfático se relaciona intimamente com o sistema cardiovascular, uma vez que sua função principal é devolver o excesso de líquido para os vasos sanguíneos por meio dos vasos linfáticos. Além disso, esse sistema atua na defesa do corpo contra microrganismos e substâncias estranhas, bem como na absorção de gordura. Todos os capilares sanguíneos são envolvidos por tecido conjuntivo frouxo que contém líquido tecidual (ou intersticial), originado do sangue filtrado pelas paredes dos capilares, e cuja composição consiste em água, vários íons, moléculas de nutrientes e gases respiratórios. Os vasos linfáticos atuam na coleta desse excesso de líquido em volta dos capilares e na sua devolução para a corrente sanguínea. Uma vez dentro dos vasos linfáticos, esse líquido chama-se linfa. Quando ocorre um bloqueio dos vasos linfáticos, a região do corpo afetada incha devido ao excesso de líquido tecidual, uma condição conhecida como edema. Como a linfa é conduzida somente na direção do coração, os vasos linfáticos mantêm um sistema de mão única e variam de acordo com seus tamanhos (calibre). Os vasos menores, que recebem a linfa primeiro, são os capilares linfáticos, que conduzem a linfa para os vasos (coletores) linfáticos. Os vasos linfáticos drenam para os troncos linfáticos, que se unem para formar os ductos linfáticos e desembocarem nas veias da raiz do pescoço. Ao longo do seu trajeto pelos vasos linfáticos, a linfa é filtrada por centenas de linfonodos, pequenos órgãosem forma de feijão. Em seu interior, os linfonodos contêm células fagocíticas que ajudam a remover patógenos da linfa antes que ela atinja o sistema venoso. A linfa é transportada para um linfonodo pelos vasos linfáticos aferentes e saem pelos vasos linfáticos eferentes. Nódulos linfáticos no interior de linfonodos são locais de produção de linfócitos e, portanto, são importantes no desenvolvimento de uma resposta imune. Frequentemente, os linfonodos são encontrados ao longo do percurso dos vasos sanguíneos. Em inflamações, o linfonodo pode inchar e tornar-se doloroso, uma ocorrência popularmente conhecida como íngua. Além dos linfonodos, constituem órgãos linfáticos as tonsilas, o baço e o timo. Os órgãos linfáticos desempenham funções importantes no sistema imunológico (Quadro 4). Os grandes nódulos nas paredes da faringe são denominados tonsilas Sistema respiratório: Os seres humanos são capazes de sobreviver sem água por dias e sem alimento por semanas, mas não conseguem sobreviver sem oxigênio por nem mesmo alguns minutos. As inúmeras células no corpo exigem um suprimento contínuo de oxigênio (O2) para produzir a energia da qual precisam para desempenhar suas funções vitais. Além disso, as células produzem dióxido de carbono (CO2), um subproduto gerado durante um processo químico de conversão da glicose em energia celular (ATP) chamado respiração celular e que o corpo deve eliminar. Para realizar a função primordial de abastecer o corpo com O2 e descartar CO2, precisam ocorrer os seguintes processos, chamados coletivamente de respiração: Ainda vale destacar que o tecido muscular liso e o tecido muscular cardíaco são conhecidos como músculos viscerais, uma vez que ambos ocorrerem em órgãos e possuem contração involuntária. Além disso, embora todos os tipos musculares tenham estrias longitudinais, apenas os chamados músculos estriados possuem de estrias transversais. Sendo assim, os músculos lisos são classificados como lisos justamente por não possuírem estriações transversais. · Ventilação pulmonar: O ar precisa entrar e sair dos pulmões para que os gases nos alvéolos pulmonares (sacos de ar) sejam substituídos continuamente. Esse movimento se chama ventilação ou respiração; · Respiração externa: A troca gasosa deve ocorrer entre o sangue e o ar nos alvéolos. O O2 nos sacos de ar se difunde no sangue; o CO2 no sangue se difunde nos alvéolos; · Transporte dos gases respiratórios: O O2 e o CO2 precisam ser conduzidos dos pulmões para as células do corpo, um processo realizado pelo sistema cardiovascular, com o sangue atuando de fluido de transporte; · Respiração interna: Nos capilares sistêmicos, os gases necessitam ser trocados entre o sangue e as células dos tecidos. Os processos respiratórios asseguram que a respiração celular possa ocorrer em todas as células do corpo. Podemos observar que os sistemas respiratório e cardiovascular estão intimamente associados: se algum deles falhar, as células do corpo começam a morrer devido à privação de oxigênio. Como o sistema respiratório movimenta o ar para dentro e para fora do corpo, ele também está relacionado com a fala e com o olfato. O ramo da medicina que atua com o diagnóstico e tratamento das doenças das orelhas, nariz e garganta é chamado de otorrinolaringologia, enquanto pneumologia é a especialidade de diagnóstico e tratamento das doenças dos pulmões. No que se refere à divisão do sistema respiratório, ele inclui os seguintes órgãos: o nariz, a cavidade nasal e os seios paranasais; a faringe; a laringe; a traqueia; os brônquios e suas ramificações; e os pulmões, que contêm os sacos de ar terminais, ou alvéolos. Em termos funcionais, essas estruturas respiratórias são divididas em estruturas de condução e de respiração. A parte de condução inclui as vias de passagem respiratórias, que transportam o ar para os locais de troca gasosa. Suas estruturas também filtram, umidificam e aquecem o ar que passa por elas. Desse modo, o ar que chega aos pulmões contém muito menos poeira do que continha quando entrou pelo nariz, sendo aquecido e eliminado. A parte de respiração, em que realmente ocorre a troca gasosa nos pulmões, é constituída pelas vias de passagem respiratórias terminais dos pulmões, isto é, bronquíolos respiratórios, ductos alveolares, sacos alveolares e alvéolos. NARIZ, CAVIDADE NASAL E SEIOS PARANASAIS, FARINGE, LARINGE, TRAQUEIA, BRÔNQUIOS, PLEURA E PULMÕES Parte condutora do sistema respiratório Nariz, cavidade nasal e seios paranasais A primeira via do sistema respiratório por onde o ar adentra é o nariz, que possui duas aberturas chamadas narinas. Elas permitem a entrada do ar para a cavidade nasal, a parte interna do nariz. A região da cavidade nasal compreendida pelas estruturas cartilaginosas do nariz é chamada de vestíbulo e possui pelos em seu epitélio, que capturam grandes partículas no ar e os impedem de prosseguir para o restante do sistema respiratório. A cavidade nasal é separada pelo septo nasal, que possui uma porção cartilaginosa (formada pela cartilagem septal) e uma porção óssea (constituída pela lâmina perpendicular do osso etmoide e pelo vômer). As maxilas, os ossos nasais e frontal, o etmoide e o esfenoide formam as paredes laterais e superior da cavidade nasal. A partir da parede lateral, se projetam três estruturas ósseas chamadas conchas nasais superior, média e inferior que geram espaços conhecidos como meatos nasais superior, médio e inferior caracterizados por serem canais aéreos estreitos que promovem filtração, aquecimento e o umedecimento do ar inspirado. O palato duro, formado pelos ossos maxila e palatino, forma o assoalho da cavidade nasal e separa as cavidades oral e nasal. O palato mole muscular se estende ao palato duro posteriormente, definindo o limite entre a parte nasal da faringe e as partes restantes da faringe. A cavidade nasal se encerra em duas aberturas para a região nasal da faringe, chamadas cóanos. A cavidade nasal se comunica com espaços aéreos encontrados em alguns ossos do crânio chamados seios paranasais. Existem quatro pares de seios paranasais, que são nomeados de acordo com os ossos que se encontram com o seio maxilar, frontal, esfenoidal e células etmoidais. Os seios paranasais são parcialmente responsáveis pela ressonância do som e atuam na diminuição do peso do crânio. Além disso, Faringe Comumente conhecida como garganta ou goela, a faringe é um órgão muscular em forma de funil que interliga as cavidades nasais e oral com a laringe (sistema respiratório) e o esôfago (sistema digestório), possuindo funções respiratória e digestória. Além disso, atua como câmara de ressonância para alguns sons da fala. A faringe é dividida com base na localização e função em três regiões. · produzem uma secreção mucosa que colabora para a superfície da cavidade nasal se manter úmida e limpa. Quando a mucosa que produz essa secreção inflama, estamos diante de um quadro clínico chamado sinusite. A parte nasal da faringe atua somente como passagem para o ar, pois se localiza acima da entrada de alimentos do corpo (a boca). Sua posição é logo atrás da cavidade nasal e acima do palato mole, sendo a parte superior da faringe. Uma úvula palatina pende da porção inferior mediana do palato mole; · A parte oral é a porção seguinte da faringe, localizada entre o palato mole e o osso hioide. Passam por essa região o ar inalado da respiração, assim como os alimentos e líquidos deglutidos. A base da língua compõe a parede anterior da parte oral da faringe; · A parte laríngea é a porção inferior da faringe, que se estende inferiormente do osso hioide até a laringe. Na parte inferior da parte laríngea da faringe ocorre a separação dos sistemas respiratório e digestório, com o ar inalado é conduzido anteriormente na laringe, enquanto os alimentos e líquidos deglutidos são encaminhados ao esôfago. Na parede lateral da parte nasal da faringe há uma abertura que se liga à tuba auditiva, que permite a comunicação da parte nasal da faringe com a cavidade timpânica da orelha média, atuando para igualaras pressões do ar na cavidade timpânica com a pressão externa, permitindo a livre movimentação da membrana timpânica. Entretanto, esta comunicação permite que infecções da faringe se propaguem para a orelha média. Laringe A laringe, ou “caixa” de voz, é um órgão que conecta a parte laríngea da faringe com a traqueia e está localizada na linha mediana anterior do pescoço, entre a quarta e sexta vértebra cervical. A laringe tem como principal função permitir a passagem do ar durante a respiração, além de bloquear a entrada de alimentos ou líquidos na traqueia durante a deglutição. Uma função secundária é a produção de sons. A laringe possui o formato de uma caixa triangular, sendo constituída por nove cartilagens: três grandes ímpares e seis menores pares. A maior das cartilagens ímpares é cartilagem tireoidea, conhecida por sua proeminência anterior popularmente chamada de “pomo de Adão”. Ela é comumente maior e mais proeminente nos homens devido ao efeito dos hormônios sexuais masculinos durante a puberdade. Fixada ao osso hioide e à cartilagem tireoidea, se encontra a epiglote, que tem forma de colher e possui um arcabouço chamado cartilagem epiglótica. A epiglote está posicionada atrás da raiz da língua e controla a abertura da laringe durante a deglutição. Inferiormente, a laringe é composta pela cartilagem cricoidea, uma cartilagem em forma de anel que se liga à cartilagem tireoidea e à traqueia. O par de cartilagens aritenoideas, situadas acima da cricoidea e abaixo da tireoidea, atuam como pontos de fixação posterior para as pregas vocais. As outras cartilagens pares, as cartilagens cuneiforme e corniculada, são pequenas e acessórias, estando próximas e associadas às cartilagens aritenoideas. Traqueia A traqueia é um órgão tubular que se localiza anteriormente ao esôfago e inferiormente a laringe. É formada por aproximadamente 16 a 20 cartilagens hialinas em forma de C, garantindo que a via aérea permaneça sempre aberta. A mucosa, superfície que reveste a traqueia, contém numerosas células secretoras de muco, proporcionando uma proteção contra partículas similar à encontrada no revestimento da cavidade nasal e da laringe. Sendo uma estrutura presente na linha mediana, a traqueia se ramifica para dar origem aos brônquios principais direito e esquerdo. Essa bifurcação é reforçada por uma crista cartilaginosa em forma de quilha, a carina. Árvore bronquial A árvore bronquial é como denominamos uma série de tubos respiratórios que se bifurcam em tubos menores que se estendem profundamente para os pulmões. A traqueia se ramifica nos brônquios direito e esquerdo, que seguem para o seu respectivo pulmão. O brônquio principal direito é menor, mais vertical e calibroso que o esquerdo. Vale destacar que os brônquios principais possuem características em comum com a traqueia, como a presença de anéis incompletos de cartilagem. Após entrar nos pulmões, o brônquio principal divide-se mais para formar os brônquios lobares (secundário) e brônquios segmentares (terciários). A árvore bronquial continua sucessivamente se dividindo em túbulos menores denominados bronquíolos, que possuem sua parede composta de músculo liso espesso, diferindo dos brônquios com paredes cartilaginosas. Essa estrutura dos bronquíolos confere mais resistência para o fluxo do ar. A ramificação seguinte são os bronquíolos terminais, que encerram a porção condutora do sistema respiratório. Parte respiratória do sistema respiratório Bronquíolos e alvéolos As primeiras estruturas da porção respiratória são os bronquíolos respiratórios, que se bifurcam a partir dos bronquíolos terminais. Eles podem ser reconhecidos pelos alvéolos dispersos que se projetam de suas paredes. Os bronquíolos respiratórios originam os ductos alveolares, cujas paredes são formadas quase inteiramente por alvéolos. Os ductos alveolares se encerram nos sacos alveolares. Alvéolos e sacos alveolares são estruturas diferentes: o saco alveolar é semelhante a um cacho de uvas, em que cada uva é um alvéolo. Cada pulmão contém aproximadamente 400 milhões de alvéolos, o que confere ao órgão um aspecto esponjoso. Uma vasta rede de vasos capilares está associada a cada alvéolo, formando a membrana respiratória, na qual é efetuada a hematose (troca gasosa entre os alvéolos e o sangue). O ar está presente no lado alveolar da membrana e o sangue flui no lado capilar. Os gases passam facilmente através dessa fina membrana: o oxigênio se difunde para o sangue, enquanto o dióxido de carbono parte para os alvéolos cheios de ar. Pulmões Os pulmões direito e esquerdo estão localizados na cavidade torácica, envolvidos pelas cavidades pleurais direita e esquerda, respectivamente. Cada pulmão apresenta uma extremidade superior arredondada, chamada de ápice do pulmão, que se estende superiormente à primeira costela. A extremidade inferior côncava, ou base do pulmão, apoia-se na face superior do diafragma. Entre os pulmões, há um compartimento central chamado mediastino, onde permanecem o coração e seus grandes vasos, o esôfago, parte da traqueia e os brônquios principais. Os pulmões apresentam lobos distintos, separados por fissuras profundas. O pulmão direito se divide em três lobos: superior, médio e inferior. A fissura horizontal delimita os lobos superior e médio, enquanto a fissura oblíqua separa os lobos superior e inferior. O pulmão esquerdo apresenta somente dois lobos, superior e inferior, separados pela fissura oblíqua. O pulmão direito é maior que o esquerdo, pois a maior parte do coração projeta-se em direção ao pulmão esquerdo; contudo, o pulmão esquerdo é mais extenso que o direito porque o diafragma eleva-se mais do lado direito. Em volta de cada pulmão há um saco achatado cujas paredes são formadas por uma membrana serosa chamada pleura. A camada externa dessa membrana é a pleura parietal, que envolve a superfície interna da parede torácica, a superfície superior do diafragma e as superfícies laterais do mediastino. A camada interna, diretamente sobre o pulmão, é a pleura visceral. Na área onde esses vasos entram no pulmão, a pleura parietal é contínua à pleura visceral, que cobre a superfície externa do pulmão. Entre as pleuras parietal e visceral, encontramos um espaço virtual chamado cavidade pleural, preenchida com uma película fina de fluido pleural. Produzido pelas pleuras, esse fluido lubrificante permite que os pulmões deslizem sem atrito durante os movimentos respiratórios. As pleuras também dividem a cavidade torácica em três compartimentos separados: o mediastino e os dois compartimentos pleurais, direito e esquerdo. Essa compartimentalização ajuda a evitar que os pulmões em movimento ou o coração interfiram um no outro, além de limitar a disseminação de infecções localizadas e o grau de lesão traumática. Sistema digestório: A nutrição influencia o estado de saúde, o estado mental e emocional, bem como nossa própria sensação de bem-estar. As proteínas, os carboidratos complexos, as gorduras insaturadas, as vitaminas, os minerais e a água são componentes essenciais de uma alimentação saudável. O processo de conversão dos alimentos ingeridos em unidades que nosso corpo é capaz de absorver é chamada de digestão e o sistema corporal responsável pela digestão é o sistema digestório. O sistema digestório forma uma extensa área de contato com o meio externo e está intimamente associado ao sistema cardiovascular, sendo essencial para o processamento do alimento que comemos. Podemos destacar como especialidades médicas que atuam no sistema digestório a gastroenterologia (estuda as características e distúrbios do estômago e do intestino) e a proctologia (estuda as características e doenças do reto e do ânus). De acordo com a anatomia e a função das estruturas, o sistema digestório é dividido em um trato gastrointestinal, chamado também de trato digestório, e órgãos digestórios anexos. O trato gastrointestinal é um tubo muscular contínuo que se estende da boca ao ânus, atravessando a cavidade torácica e entrando na cavidade abdominal por meio do músculodiafragma. Os órgãos presentes no trato gastrointestinal são a cavidade oral, a faringe, o esôfago, o estômago e os intestino delgado e grosso. Os órgãos anexos do sistema digestório são a língua, os dentes, as glândulas salivares, o pâncreas, o fígado e a vesícula biliar. É importante esclarecer que o termo víscera é frequentemente usado para se referir aos órgãos abdominais da digestão, mas, na verdade, vísceras podem ser quaisquer órgãos das cavidades torácica e abdominal, como os pulmões, o estômago, o baço etc. FUNÇÕES DO SISTEMA DIGESTÓRIO O trato digestório e os órgãos acessórios trabalham em conjunto para desempenhar as seguintes funções: · Ingestão; É a introdução de alimentos e líquidos no trato digestório pela boca; · Processamento mecânico; A maioria dos alimentos ingeridos precisa passar por decomposição mecânica para serem digeridos. A pressão com a língua e a mastigação realizada pelos dentes são exemplos de processamentos mecânicos que ocorrem antes da deglutição; · Mistura e propulsão; Chamamos de propulsão o movimento do alimento pelo tubo digestório, incluindo a deglutição (um processo voluntário) e a peristalse (processo involuntário). A peristalse, ou peristaltismo, se refere às ondas alternadas de contração e relaxamento da musculatura das paredes dos órgãos. Movimentos de mistura e de propulsão ocorrem ao longo do canal alimentar e continuam o processamento mecânico após a deglutição, como a agitação do alimento no estômago e a segmentação, constrições locais rítmicas do intestino; · Digestão; É a quebra química e enzimática de moléculas complexas do alimento (carboidratos, proteínas e lipídios) em moléculas orgânicas menores que podem ser absorvidas pelo trato digestório. A digestão geralmente envolve a ação de ácidos, enzimas e soluções-tampão produzidos por secreção ativa. Algumas destas secreções são produzidas pelo revestimento do trato digestório, mas a maioria delas é oriunda de glândulas anexas ao tubo gastrointestinal; · Absorção; Consiste no transporte de moléculas orgânicas, eletrólitos, vitaminas e água para os capilares presentes no epitélio digestório, com o intuito de distribuí-los às células; · Defecação; Os resíduos da digestão são secretados pelo trato digestório e desidratados, progressivamente, para serem eliminados pelo corpo. O material eliminado é denominado fezes e chamamos de defecação a eliminação das fezes pelo corpo. Em resumo, os órgãos do sistema digestório atuam no processamento dos alimentos introduzidos na boca e conduzidos ao longo do trato digestório. A finalidade destas atividades é a de reduzir estruturas químicas complexas e sólidas de alimento em moléculas menores que podem ser absorvidas pelo revestimento do trato gastrointestinal e transportadas para a circulação sanguínea. Ademais, o revestimento do trato digestório também desempenha uma função específica, atuando na defesa dos tecidos circunvizinhos contra: (I) os efeitos corrosivos dos ácidos e das enzimas digestivas; (II) agressões mecânicas, como a abrasão; e (III) patógenos ingeridos com os alimentos ou presentes no trato digestório. Trato gastrointestinal Geralmente, o alimento leva aproximadamente 24 a 48 horas para ser transportado ao longo de todo trato gastrointestinal. O alimento ingerido pela boca passa por regiões do trato digestório com funções específicas, onde moléculas complexas são progressivamente quebradas e preparadas para utilização. · Boca O tubo digestório é iniciado pela boca (ou cavidade oral), onde o alimento começa a ser processados pelas estruturas anexas presentes (dentes, língua e glândulas salivares). A cavidade oral é dividida em um vestíbulo e a cavidade própria da boca. Chamamos de vestíbulo da boca a fenda entre os dentes e as estruturas musculares que o circundam (bochechas ou lábios). Quando você escova a superfície externa dos seus dentes, a escova está no vestíbulo da boca. A cavidade própria da boca é a região situada posteriormente em relação aos dentes. A cavidade oral comunica-se com o exterior por uma abertura chamada rima da boca e com a faringe com uma abertura chamada fauces. As bochechas formam os limites laterais da cavidade oral. Elas consistem, externamente, nas camadas da pele, na tela subcutânea, nos músculos faciais que colaboram para direcionar o alimento na cavidade oral e, internamente, nos revestimentos de epitélio estratificado pavimentoso umedecido. A porção anterior das bochechas termina nos lábios superior e inferior, que contornam a rima da boca. O limite anterior da cavidade oral são os lábios, órgãos carnosos, altamente móveis cuja função principal nos humanos está associada com a fala. Os lábios também servem para amamentação, direcionar o alimento e conter o alimento entre os dentes superiores e inferiores. Eles são formados pelo músculo orbicular da boca e tecido conjuntivo associado, e são cobertos com pele mole e flexível. Os lábios são vermelhos, tendendo ao marrom avermelhado devido aos vasos sanguíneos próximos da superfície. Os numerosos receptores sensitivos dos lábios permitem determinar a temperatura e composição do alimento. O palato atua como o limite superior da cavidade oral e é composto pelo palato duro ósseo, anteriormente, e pelo palato mole, posteriormente. O palato duro é constituído estruturalmente pelas lâminas horizontais dos ossos palatinos e pelos processos palatinos da maxila. As pregas palatinas transversas, também chamadas rugas palatais, estão situadas ao longo da membrana mucosa presente no palato duro e servem como cristas de fricção contra as quais a língua é colocada na deglutição. Contínuo com o palato duro, o palato mole é um arco muscular coberto com membrana mucosa. Suspenso no palato mole, encontra-se medialmente em sua margem inferior uma saliência cônica chamada úvula palatina. O palato mole e a úvula palatina são levantados durante a deglutição, fechando a parte nasal da faringe e impedindo que alimentos e líquidos entrem na cavidade nasal. · Faringe No período onde está na cavidade oral, o alimento é misturado com saliva, triturado pelos dentes e manipulado pela língua. Desse modo, é reduzido a uma massa flexível e macia, denominada bolo alimentar, que pode ser deslocada com facilidade para o restante do canal alimentar, um mecanismo chamado deglutição. Ao ser deglutido, o alimento passa da boca para a faringe, um tubo muscular afunilado que se conecta com a terminação das cavidades oral e nasal e se estende até a laringe, anteriormente, e o esôfago, posteriormente. A parte nasal da faringe se relaciona somente com a respiração, enquanto as partes oral e laríngea da faringe servem à digestão e à respiração. Antes de entrar no esôfago, o alimento deglutido passa da boca para as partes oral e laríngea da faringe, e as contrações musculares dessas partes da faringe ajudam a impulsionar o alimento para o esôfago. · Esôfago O esôfago é um canal muscular depressível (pode ser colabado) que conduz alimentos sólidos e líquidos ao estômago. Situado posteriormente à traqueia, o esôfago inicia na região terminal da parte laríngea da faringe e percorre a face inferior do pescoço, onde adentra o mediastino. A partir do mediastino, o esôfago desce anteriormente à coluna vertebral, atravessa uma abertura do diafragma chamada hiato esofágico e se encerra na porção superior do estômago. · Estômago O estômago é uma expansão do trato gastrointestinal em forma de J e se localiza no abdome, ocupando a posição diretamente inferior ao diafragma. O estômago interliga o esôfago à porção inicial do intestino delgado, o duodeno. Como a ingestão de uma refeição pode ser muito mais rápida que o tempo necessário para digestão e absorção, o estômago serve como área de mistura e reservatório, sendo capaz de acomodar grande volume de alimento (até 6,4 litros). A posição e o tamanho do estômago variam continuamente devido à movimentação do diafragma a cada inspiração e expiração. Estruturalmente, o estômago possui quatro regiões características: cárdia, fundo, corpo e parte pilórica. A cárdiaenvolve a abertura superior do estômago. O fundo é a extremidade superior arredondada que se encontra à esquerda da cárdia. Inferiormente a cárdia e o fundo, se situa o corpo, a grande porção central do estômago. A parte pilórica se subdivide em três regiões: o antro pilórico, que se conecta ao corpo gástrico; o canal pilórico; e o piloro, que se conecta ao duodeno por um esfíncter de músculo liso chamado esfíncter do piloro. A curva medial côncava do estômago é chamada curvatura menor, enquanto a curva lateral convexa é a curvatura maior. A mucosa interna do estômago possui alto número de pregas gástricas, elevações que ampliam o contato do bolo alimentar. Esse contato viabiliza a eficiência do suco gástrico, um fluído digestivo formado por três secreções produzidas por essa mucosa: ácido clorídrico, muco e enzimas, em especial a pepsina, que transforma as proteínas em aminoácidos. Além disso, continua a digestão de amido e dos triglicerídeos iniciada pela saliva na boca, e ocorre a conversão do bolo alimentar semissólido em uma massa viscosa chamada quimo. Em intervalos apropriados, o estômago transfere um pequeno volume de material para o duodeno. · Intestino delgado O intestino delgado é a estrutura mais longa do tubo digestório, sendo o principal local de atividade enzimática e de absorção de nutrientes. A maioria das enzimas que atuam no intestino delgado é secretada pelo pâncreas. Durante a digestão, o intestino delgado realiza movimentos de segmentação, que misturam o quimo e ampliam seu contato com a mucosa para absorver nutrientes. O peristaltismo impele o quimo através do intestino delgado em aproximadamente três a seis horas. O intestino delgado se subdivide em três regiões: o duodeno, o jejuno e o íleo, que medem aproximadamente 5%, 40% e 60% do seu comprimento, respectivamente. A maior parte do duodeno tem a forma da letra C, enquanto o jejuno e o íleo formam espirais suspensas na parte posterior do abdome, que são emolduradas pelo intestino grosso. O jejuno corresponde à parte superior dessa massa intestinal espiralada, enquanto o íleo se refere à parte inferior. Embora o duodeno seja a divisão mais curta do intestino delgado, ele tem como característica receber enzimas digestórias do pâncreas via ducto pancreático, e bile do fígado e da vesícula biliar via ducto colédoco. Esses ductos entram na parede do duodeno, onde formam um bulbo chamado ampola hepatopancreática, que se abre em uma pequena saliência chamada papila maior do duodeno. A entrada de bile e o suco pancreático no duodeno é controlada por esfíncteres de músculo liso que circundam a ampola hepatopancreática e pelas terminações dos ductos pancreático e colédoco. · Intestino grosso Encerando o tubo gastrointestinal, o intestino grosso possui formato de ferradura e se estende da porção terminal do íleo até o ânus, circundando quase completamente o intestino delgado. Chegam no intestino grosso resíduos altamente digeridos que contém poucos nutrientes e, durante o período que permanece no intestino grosso, ocorre pouca decomposição adicional do alimento, exceto quanto à pequena quantidade de digestão realizada pelas muitas bactérias que nele vivem, a chamada flora intestinal. Podemos destacar como principais funções do intestino grosso: a compactação do conteúdo intestinal em fezes, pela absorção de água e eletrólitos; a absorção de importantes vitaminas produzidas por ação bacteriana; e o armazenamento e eliminação do material fecal. Sendo mais calibroso e curto, se comparado com o intestino delgado, podemos subdividir o intestino grosso em três regiões: o ceco, semelhante a uma bolsa de fundo cego; o colo, porção de maior comprimento do intestino grosso; e o reto, os últimos 15 cm do intestino grosso. O ceco é uma dilatação em fundo cego que se posiciona abaixo da papila ileal, uma prega de túnica mucosa na junção dos intestinos que impede o refluxo do quimo. Destaca-se no ceco o apêndice vermiforme, um prolongamento linfático que ajuda na defesa do organismo. Processos infecciosos que atingem o apêndice vermiforme podem causar apendicite, que exige tratamento cirúrgico. O colo se subdivide em colo ascendente, colo transverso, colo descendente e colo sigmoide. O colo ascendente se estende superiormente ao longo do lado direito da parede abdominal até a superfície inferior do fígado, onde dobra para a esquerda e continua pela cavidade abdominal superior como colo transverso. No lado esquerdo da parede abdominal, curva-se novamente em ângulo reto dando início ao colo descendente. O colo descendente se estende inferiormente, ao longo do lado esquerdo da parede abdominal, em direção à região pélvica. A seguir, o colo forma uma curva em forma de S conhecida como colo sigmoide. Por fim, o reto ocupa posição anterior ao sacro e ao cóccix, onde seu trecho final de dois a três centímetros é denominado canal anal. O ânus, abertura externa do canal anal, é protegido por um esfíncter interno de músculo liso (involuntário) e um esfíncter externo de músculo esquelético (voluntário). Normalmente, o ânus está fechado, exceto durante a eliminação de fezes. Peritônio A maioria dos órgãos do sistema digestório está localizada na cavidade abdominopélvica, sendo sustentados e envolvidos por membranas serosas que revestem essa cavidade e recobrem seus órgãos. As membranas serosas secretam um líquido lubrificante que umedece os órgãos associados a elas. A porção parietal da membrana serosa reveste a parede do corpo, e a porção visceral recobre os órgãos internos. As membranas serosas presentes na cavidade abdominal são chamadas de peritônio e os órgãos abdominais podem apresentar as seguintes relações com ele: · Órgãos intraperitoneais localizam-se dentro da cavidade peritoneal na qual são recobertos em todos os lados por peritônio visceral; · Órgãos retroperitoneais são recobertos por peritônio visceral apenas na sua superfície anterior, e o órgão localiza-se fora da cavidade peritoneal. . As vísceras retroperitoneais são fixas, entretanto, muitos órgãos destacam-se da parede da cavidade abdominal e o revestimento peritonial as acompanha, formando uma dupla camada de peritônio, denominadas mesentérios, que se estende da parede do corpo até os órgãos digestórios. Os mesentérios mantêm os órgãos em suas posições, armazenam gordura e, mais importante, proporcionam uma rota para os vasos circulatórios e nervos chegarem aos órgãos na cavidade peritoneal. Em outros casos, estas pregas peritoniais formadas por duas camadas de peritônio se estendem entre dois ou mais órgãos e são nomeadas de omentos. Existem dois deles: o omento menor, que conecta a pequena curvatura do estômago e o duodeno ao fígado; e o omento maior, que conecta o estômago ao diafragma, baço e cólon transverso. ÓRGÃOS ANEXOS AO SISTEMA DIGESTÓRIO Anexos da cavidade oral Como órgão do sistema digestório, a língua funciona na movimentação do alimento no interior da boca durante a mastigação e ajuda na deglutição do alimento. Também se relaciona para a produção da fala, ajudando a formar algumas consoantes (K, D, T e L, por exemplo). A língua é formada de músculo esquelético e revestida com membrana mucosa. Na superfície da língua encontram-se numerosas e pequenas elevações chamadas papilas. Elas dão à superfície da língua uma rugosidade nítida, que ajuda a controlar o alimento. Algumas delas também contêm calículos gustatórios, que respondem aos estímulos químicos, isto é, identificam doce, salgado, azedo e amargo. Os movimentos da língua são importantes na condução do alimento para a região da superfície dos dentes, que efetuam a mastigação do alimento. Essa ação quebra tecidos conectivos resistentes e fibras vegetais, contribuindo para saturar o alimento com secreções salivares e enzimas. Os dentes situam-se em encaixes (alvéolos) nas margens da mandíbula e maxilas cobertas por gengiva. De acordo com a sua forma e função, os dentes são classificados como: · Incisivos; São dentes em forma de lâmina encontrados na região anterior da boca. São úteis para agarrar e cortar; · Caninos;Sãocônicos com superfícies laterais aguçadas e uma ponta aguda. São utilizados para rasgar e lacerar; · Pré-molares; Apresentam coroas (porções visíveis do dente, acima da gengiva) planas com cristas proeminentes. São utilizados para amassar e triturar; · Molares; Apresentam coroas grandes e planas com cristas proeminentes para amassar e triturar os alimentos. Por fim, as glândulas salivares produzem uma secreção líquida chamada saliva. Ela funciona como solvente, limpando os dentes e dissolvendo moléculas de alimento de forma que possam ser degustadas. A saliva também contém enzimas que digerem o amido e muco lubrificante que ajuda a deglutição. As glândulas salivares menores (intrínsecas) estão espalhadas na mucosa da língua, palato, lábios e bochechas. A saliva das glândulas salivares menores mantém a boca sempre úmida. Por outro lado, as glândulas salivares maiores (extrínsecas), situadas fora da boca e conectadas a ela por seus ductos, secretam saliva apenas durante as refeições, tornando a boca molhada. As glândulas salivares maiores são as parótida, submandibular e sublingual. Fígado e vesícula biliar O fígado é o maior órgão interno, sendo localizado inferiormente ao diafragma. Este órgão possui coloração marrom-avermelhada e apresenta uma face diafragmática (anterossuperior) e uma face visceral (posteroinferior). Além disso, o fígado se subdivide em quatro lobos: lobo direito, lobo esquerdo, lobo quadrado e lobo caudado. Anteriormente, o ligamento falciforme marca a separação entre o lobo direito e o lobo esquerdo. Inferiormente, o lobo caudado está situado adjacente à veia cava inferior e o lobo quadrado está próximo a vesícula biliar. Todo sangue que deixa as superfícies de absorção do trato digestório entra no sistema porta-hepático e flui para o fígado. Esta disposição faz com que as células do fígado extraiam nutrientes absorvidos ou toxinas do sangue antes que eles atinjam a circulação sistêmica através das veias hepáticas. O fígado desempenha funções essenciais que são executadas, em sua maioria, pelas células hepáticas (ou hepatócitos). Podemos classificar as funções importantes do fígado em três categorias: regulação metabólica, regulação hematológica e produção de bile. · Regulação metabólica; O fígado atua como o centro de regulação metabólica do corpo, onde os hepatócitos monitoram e regulam os níveis de carboidratos, lipídios e aminoácidos circulantes conforme a necessidade do organismo. O excesso de nutrientes é removido para armazenamento, assim como as deficiências nutricionais são corrigidas pela mobilização de reservas ou de atividades de síntese. Toxinas e resíduos do metabolismo são removidos do sangue para serem armazenados, inativados ou excretados. As vitaminas lipossolúveis (A, D, K e E) também são absorvidas e armazenadas no fígado; · Regulação hematológica; O fígado também atua o maior reservatório sanguíneo do corpo. A partir da passagem do sangue através de capilares chamados vasos sinusoides hepáticos, dois processos ocorrem: células fagocitárias presentes no fígado removem glóbulos vermelhos danificados ou envelhecidos, fragmentos celulares e patógenos da circulação; e as células hepáticas sintetizam a maioria das proteínas plasmáticas, que colaboram com o transporte de nutrientes, a concentração osmótica do sangue e a coagulação; · Síntese e secreção de bile; A bile é produzida por hepatócitos, armazenada na vesícula biliar e secretada no duodeno. A bile é um líquido alcalino verde e basicamente composto de água, poucos íons, bilirrubina (um pigmento derivado da hemoglobina), além de diversos lipídios, chamados de sais biliares. A água e os íons atuam para a diluição e o tamponamento de ácidos no quimo. Sais biliares associam-se aos lipídios presentes no quimo, permitindo a ação de enzimas para emulsificação (redução em partículas menores) de lipídios em ácidos graxos de fácil absorção. A vesícula biliar é uma estrutura piriforme que se subdivide em fundo, corpo, infundíbulo, colo e ducto cístico. Quando a vesícula está cheia, o fundo gera uma proeminência entre o lobo direito e o lobo quadrado. Ele se estende com o corpo, que se estreita para compor o infundíbulo, e logo se afunila no colo. A continuação do colo é o ducto cístico, que se liga ao ducto hepático comum para constituir o ducto colédoco, que termina no duodeno. A ejeção da bile ocorre sob estimulação do hormônio colecistoquinina com a chegada do quimo. A vesícula biliar apresenta duas funções principais: armazenamento da bile, quando a bile não pode fluir ao longo do ducto colédoco; e modificação da bile, em que a água é absorvida e os sais biliares e outros componentes tornam-se mais concentrados. Pâncreas O pâncreas é a maior segunda glândula anexa do sistema digestório e situa-se transversalmente e posterior à curvatura maior do estômago. O pâncreas é formado por cabeça, corpo e cauda. A cabeça é a porção expandida do órgão perto da curvatura do duodeno. Da porção inferior da cabeça projeta-se o processo uncinado, que forma um arco atrás da artéria e da veia mesentéricas superiores, circundando-as. O pâncreas é um órgão misto (ou anfícrino), pois trata-se de uma glândula com função exócrina e endócrina. As secreções endócrinas são os hormônios insulina e o glucagon, envolvidos no metabolismo dos glicídios. A secreção exócrina é o suco pancreático, que é composto por enzimas que digerem proteínas, lipídios e glicídios. Embora se presuma que a inervação autônoma influencie a produção de enzimas, a secreção pancreática é controlada principalmente pelos hormônios secretina e colecistoquinina liberados pelo intestino delgado na presença do quimo. O suco pancreático é produzido pelas células secretoras acinares e segue para fora do pâncreas por dois canais: o ducto pancreático (ducto de Wirsung) e o ducto pancreático acessório (ducto de Santorini). O ducto pancreático une-se ao ducto colédoco e entra no duodeno como um ducto comum dilatado, denominado ampola hepatopancreática (ampola de Vater). O ducto pancreático acessório esvazia-se diretamente no duodeno, poucos centímetros acima da ampola hepatopancreática. Sistema urinário e sistema reprodutor Embora funcionalmente diferentes, o sistema urinário e o sistema reprodutor são trabalhados tradicionalmente juntos, na forma do aparelho urogenital. Ambos os sistemas compartilham a mesma origem embriológica – o mesoderma intermediário –, antes de se diferenciarem. No sexo masculino, a associação destes sistemas é anatômica, ocorrendo pelo ducto que expele a urina e os gametas para o exterior do corpo. Os sistemas urinário e reprodutor são de particular interesse para a medicina, uma vez que podemos destacar como ramos especializados nesses sistemas: a nefrologia, especializada no estudo da anatomia, fisiologia e patologia dos rins; a urologia, que estuda o sistema urinário, bem como diagnostica e trata doenças específicas do sistema genital masculino; a andrologia, que trata os distúrbios referentes ao sexo masculino, como a infertilidade e a disfunção sexual; e, por fim, a ginecologia, especializada no diagnóstico e no tratamento de doenças do sistema genital feminino. Sistema urinário: Em nosso metabolismo, nutrientes absorvidos na digestão e o oxigênio do ar inalado são utilizados para fornecer a energia necessária para a manutenção do corpo. Entretanto, o metabolismo produz resíduos celulares que devem ser eliminados para manter a homeostase. Assim como o sistema circulatório transporta os nutrientes importantes para as células, ele também remove os resíduos celulares e os conduz para os sistemas de excreção. Apesar de os pulmões, o fígado e a pele também participarem da excreção, os principais órgãos excretores são os rins. Os órgãos que compõem o sistema urinário são os rins, os ureteres, a bexiga urinária e a uretra. Nesse sistema, as funções excretoras são realizadas pelo par de rins, com túbulos que se entrelaçam com capilares sanguíneos para produzir urina, um líquido residual que contém principalmente água e íons, além de pequenoscompostos solúveis. A partir dos rins, a urina segue por tubos condutores chamados ureteres até a bexiga urinária, permanecendo temporariamente armazenada. Durante a micção (o ato de urinar), a musculatura da bexiga contrai e impele a urina em direção à uretra, um tubo condutor para o exterior do corpo. Além das funções excretoras, o sistema urinário desempenha várias atividades essenciais, que incluem: · Regulação da concentração plasmática de vários íons, como sódio (Na+), potássio (K+), cálcio (Ca2+), cloreto (Cl-) e fosfato (HPO42-); · Regulação do volume sanguíneo e da pressão arterial pela conservação e eliminação de água presente na urina; · Colaboração para a regulação do pH sanguíneo, com base na quantidade de íons hidrogênio (H+) e bicarbonato (HCO3-) no sangue; · Preservação dos nutrientes, evitando sua excreção; · Eliminação de produtos residuais orgânicos, especialmente substâncias tóxicas, drogas e resíduos nitrogenados, como: a amônia e a ureia, resultantes da decomposição de aminoácidos; a bilirrubina, produzida pela decomposição da hemoglobina; a creatinina, derivada da decomposição do fosfocreatina nas fibras musculares; e o ácido úrico, originado da renovação dos ácidos nucleicos; · Produção de hormônios pelos rins, como o calcitriol (a forma ativa de vitamina D), que regula a homeostase do cálcio, e a eritropoietina, que estimula a produção de hemácias; · Contribuição na atividade hepática de desintoxicação e, durante o jejum, na gliconeogênese, a síntese de novas moléculas de glicose. Em resumo, todas as atividades do sistema urinário são cuidadosamente reguladas para manter a composição e a concentração de solutos no sangue dentro de limites aceitáveis. Uma alteração de qualquer uma dessas funções acarretará consequências imediatas e potencialmente fatais. Sistema reprodutor: O sistema reprodutor (ou genital), diferente dos outros sistemas, não é essencial para a manutenção do indivíduo, contudo, sua utilidade se faz necessária para a sobrevivência da espécie. O sistema reprodutor tem como função a perpetuação da espécie por meio da reprodução, isto é, a capacidade de indivíduos gerarem novos seres da mesma espécie. Em humanos, a reprodução é sexuada, isto é, necessita que dois indivíduos, um macho e uma fêmea, realizem o ato sexual (coito), que permite a passagem e o encontro dos gametas masculino e feminino no interior dos órgãos genitais femininos. Embora os órgãos genitais (ou sexuais) masculinos e femininos possuam diferenças entre si, eles compartilham a função reprodutora e a origem embrionária comum. Em ambos sexos, os órgãos sexuais são divididos em órgãos primários e acessórios. Os órgãos sexuais primários ou gônadas são os testículos e os ovários, presentes respectivamente nos homens e nas mulheres. As gônadas produzem as células sexuais ou gametas – o espermatozoide nos homens e o óvulo nas mulheres –, que se unem (fecundação) e formam um zigoto, uma célula cujo desenvolvimento dará origem a uma criança em aproximadamente nove meses. Todos os outros órgãos sexuais são acessórios, incluindo os genitais externos, as glândulas internas e os ductos que nutrem os gametas e os transportam para fora do corpo. Além de produzirem células sexuais, as gônadas secretam hormônios sexuais e, portanto, funcionam como glândulas endócrinas. Os hormônios são moléculas mensageiras que percorrem a corrente sanguínea de modo a sinalizar diversas respostas fisiológicas em determinados órgãos-alvo. Os hormônios sexuais desempenham papéis vitais no desenvolvimento, manutenção e função de todos os órgãos sexuais. ÓRGÃOS DO SISTEMA URINÁRIO · Rins O rim é um órgão com a forma de um grão de feijão e coloração avermelhada, que ocorre em pares localizados logo acima da pelve. Como ocupam posição posterior ao peritônio da cavidade abdominal, diz-se que são órgãos retroperitoneais. O rim direito está em posição um pouco inferior ao esquerdo porque o fígado ocupa espaço considerável no lado direito superiormente ao rim. A superfície medial do rim possui uma fenda vertical denominada hilo renal, por onde entram e saem os vasos, nervos e ureteres. Na parte superior de cada rim encontramos uma glândula endócrina chamada glândula suprarrenal, sem qualquer relação funcional com o rim. A anatomia externa de cada rim é revestida por três camadas: a camada mais externa é a fáscia renal, constituída por tecido conjuntivo denso irregular e mantém o rim ancorado ao peritônio e à parede abdominal; a camada intermediária é a cápsula adiposa, uma massa de tecido adiposo que mantém a sustentação; e a camada mais interna envolvida pela cápsula adiposa é a capsula fibrosa, um tecido conjuntivo liso e transparente que se fixa à superfície do rim e o protege. No interior dos rins, encontramos duas regiões distintas: córtex e medula. O primeiro é a região mais superficial, de coloração clara e textura granular. Abaixo do córtex encontra-se a medula, de coloração mais escura e com massas cônicas denominadas pirâmides renais, que apresentam bases amplas voltadas para o córtex e um ápice, a papila renal, direcionada para a pelve renal. A papila renal projeta-se em uma depressão chamada cálice menor, que se une a outros cálices menores para formar um cálice maior. Por sua vez, os cálices maiores se unem para formar a pelve renal, em forma de funil. A pelve renal recebe a urina produzida nos néfrons e transporta-a dos cálices renais para o ureter. Cada néfron é formado pelo corpúsculo renal e pelo túbulo renal. O néfron inicia-se na cápsula glomerular, uma câmara em forma de cálice, que constitui o corpúsculo renal. Este contém uma rede capilar denominada glomérulo renal, que consiste em cerca de 50 capilares entrelaçados. A filtração através das paredes do glomérulo produz uma solução isenta de proteínas, conhecida como filtrado glomerular, ou simplesmente filtrado. A partir do corpúsculo renal, o filtrado entra em uma longa via tubular que é subdividida em regiões com diferentes características estruturais e funcionais, que incluem: o túbulo contorcido proximal, a alça do néfron (ou alça de Henle), e o túbulo contorcido distal. O corpúsculo renal e o túbulo contorcido proximal se situam no córtex. A parede do túbulo contorcido proximal consiste em um epitélio com milhões de microvilos, que aumentam a área de superfície para reabsorção. Na reabsorção, água, sais e outras moléculas úteis ao corpo são transportadas para os capilares que circundam o néfron. O líquido é, então, conduzido do túbulo contorcido proximal para a alça de Henle, cujo ramo descendente se encontra na medula renal e o ramo ascendente retorna ao córtex renal. No córtex renal, o túbulo torna-se novamente contorcido, tornando-se o túbulo contorcido distal, o último segmento do néfron. O túbulo contorcido distal é menor que o túbulo contorcido proximal e possui uma menor quantidade dos microvilos. Um túbulo coletor, continuação do túbulo contorcido distal, conduz o filtrado a um ducto coletor nas proximidades. Os ductos coletores deixam o córtex renal e percorrem um trajeto descendente em direção à medula renal, conduzindo o líquido a um ducto papilar. Esse líquido é drenado pelos cálices renais, onde este líquido passa a ser conhecido como urina, até a pelve renal. · VIAS URINÁRIAS Ureteres: A partir dos rins, a urina flui da pelve renal por meio dos ureteres, tubos delgados que transportam a urina para a bexiga urinária, por onde entram através dos ângulos póstero-laterais de sua base. Qualquer aumento de pressão dentro da bexiga comprime suas paredes, fechando as aberturas para os ureteres e evitando o refluxo de urina. A parede de cada ureter é composta de três camadas: uma mucosa interna capaz de secretar um muco que cobre e protege as paredes do ureter; uma túnica muscular intermediária constituída por uma camada longitudinal (interna) e uma camada circular (externa) de músculo liso; e uma túnica mais externa de tecido conjuntivo (adventícia), que envolve e protege as camadas mais internas, além de sustentar o ureter em posição.Ondas peristálticas movimentam a urina através do ureter, sendo iniciadas pela presença de urina na pelve renal e cuja frequência é influenciada pelo volume de urina. As ondas podem ocorrer por alguns segundos até alguns minutos. bexiga urinaria: A bexiga urinária é um reservatório muscular que armazena e expele urina, sendo encontrada abaixo da cavidade peritoneal no assoalho pélvico. De acordo com o sexo do indivíduo, a bexiga situa-se na posição anterior ao reto (nos homens) ou imediatamente anterior à vagina e ao útero (nas mulheres). O formato da bexiga varia com base no volume de urina, sendo piramidal quando a bexiga está vazia, ou ovoide com uma saliência para a cavidade abdominal, quando cheia. A base da bexiga urinária recebe os ureteres e a uretra sai no ápice, sua porção inferior. Chamamos de colo da bexiga urinária a região que circunda a abertura uretral. A parede da bexiga urinária contém uma túnica mucosa constituída por epitélio de transição, uma tela submucosa e uma túnica muscular. A túnica muscular é composta de três camadas: duas camadas musculares lisas longitudinais (interna e externa) com uma camada muscular circular disposta entre elas. Coletivamente, essas camadas formam o músculo detrusor da bexiga. A contração desse músculo comprime a bexiga e expele o seu conteúdo para o interior da uretra. Uma túnica serosa reveste a superfície superior da bexiga urinária. Uretra: A partir da bexiga, a urina é drenada para a uretra, um tubo de parede fina que a transporta para o exterior do corpo. A uretra é composta por músculo liso e uma mucosa interna, que possui em sua parede glândulas uretrais especializadas, secretoras de muco protetor no canal uretral. Envolvendo a uretra, temos dois esfíncteres musculares: o esfíncter situado superiormente é o esfíncter interno da uretra, formado por músculo liso involuntário, enquanto o esfíncter mais inferior é o esfíncter externo da uretra, constituído pelo músculo esquelético voluntário. Podemos observar variações na uretra entre homens e mulheres. A uretra feminina é um tubo retilíneo, com cerca de 4 cm de extensão, que esvazia a urina através do óstio externo da uretra, localizado no vestíbulo da vagina entre o clitóris e a abertura da vagina. A uretra feminina atua somente transportando urina para o exterior. Por sua vez, a uretra masculina tem cerca de 20 cm de comprimento e possui um formato curvo, devido à sua localização no pênis. É possível identificar três regiões na uretra masculina: a parte prostática da uretra, que passa pelo centro da próstata; a parte membranácea, em que há um curto segmento que penetra o diafragma urogenital, parte do soalho muscular da pelve; e a parte esponjosa, ou parte peniana, que se estende da face inferior do diafragma urogenital até a extremidade do pênis, onde localiza-se o óstio externo da uretra. Vale destacar que a uretra masculina serve ao sistema urinário, transportando a urina na micção, e ao sistema reprodutor, transportando o sêmen na ejaculação, embora não simultaneamente. ÓRGÃOS GENITAIS MASCULINOS Considerando sua funcionalidade, os sistemas genitais masculino e feminino diferem bastante entre si. Assim, veremos os órgãos genitais que compõem esse sistema separadamente de acordo com o sexo. · Escroto: O escroto, ou bolsa escrotal, Em um homem adulto, a pele do escroto é coberta com pelos esparsos, numerosas glândulas sebáceas e possui coloração mais escura que o restante da pele do corpo. Externamente, Vale destacar que a localização do escroto, bem como a contração e o relaxamento de suas fibras musculares que atuam na regulação da temperatura dos testículos.. Em resposta a baixas temperaturas, o músculo cremaster contrai, aproximando os testículos do corpo para absorver o calor corporal, bem como ocorre a contração do músculo dartos, repuxando o escroto para reduzir a perda de calor. A elevação da temperatura inverte essas ações. · Testículos: Os testículos O testículo desenvolve-se próximo aos rins e, posteriormente, migra para alojar-se na bolsa escrotal. No interior da túnica vaginal, encontramos uma cápsula fibrosa branca chamada túnica albugínea, constituída de tecido conjuntivo que se estende internamente e divide cada testículo em diversos compartimentos internos denominados lóbulos. Ao todo, existem cerca de 200 a 300 lóbulos, e cada um contém de um a três túbulos densamente espiralados, os túbulos seminíferos, nos quais são produzidos os espermatozoides. As paredes dos túbulos seminíferos possuem dois tipos de células: as espermatogênicas, que dão origem aos espermatozoides; e as nutrientes ou células de Sertoli, que possuem funções de apoio à produção de espermatozoides nos túbulos seminíferos dos testículos, denominada espermatogênese. Nos espaços entre os túbulos seminíferos adjacentes há aglomerados de células intersticiais (de Leydig). Essas células secretam testosterona, um hormônio que promove o desenvolvimento de características masculinas a partir da puberdade. A testosterona também promove a libido (desejo sexual) masculina. · Epidídimo: O epidídimo Os dúctulos eferentes do testículo unem-se ao ducto do epidídimo na porção superior, maior, do epidídimo, chamada cabeça. O corpo é a porção intermediária estreita do epidídimo, e,na extremidade distal se localiza a porção inferior, menor, chamada cauda do epidídimo. Funcionalmente, o epidídimo O epidídimo também os armazena e, durante a excitação sexual, ajuda a impulsioná-los para o ducto deferente, por meio da contração peristáltica de sua musculatura lisa. Os espermatozoides podem permanecer armazenados no epidídimo por vários meses. Todos aqueles não ejaculados acabam por ser fagocitados e reabsorvidos. · Ducto deferente: A partir da cauda do epidídimo, o ducto do epidídimo aumenta seu diâmetro e torna-se menos contorcido, passando a ser chamado de ducto deferente. Ele ascende pela lateral da bolsa escrotal e atravessa o abdome, contornando a bexiga urinária pelo lado medial do ureter. A porção terminal dilatada do ducto deferente é conhecida como ampola. A principal função é conduzir espermatozoides do epidídimo para a uretra durante a excitação sexual por meio das contrações peristálticas de sua túnica muscular. Como o epidídimo, o ducto deferente também armazena espermatozoides por algum tempo e reabsorve os espermatozoides não ejaculados. · Ductos ejaculatórios: Cada ducto ejaculatório é composto pela fusão do ducto deferente com o ducto da glândula seminal. É a porção de menor dimensão e de calibre mais reduzido entre as vias condutoras dos espermatozoides, seguindo pela próstata e se abrindo na parte prostática da uretra, em uma saliência denominada colículo seminal. Ao alcançar a uretra, esses ductos ejetam os espermatozoides e as secreções da glândula seminal. · Uretra: A uretra masculina A uretra masculina se divide em três regiões: a parte prostática, quando atravessa a próstata; parte membranosa, quando atravessa o assoalho da pelve; e parte esponjosa, localizada no corpo cavernoso do pênis. A parte prostática apresenta duas pequenas saliências, os colículos seminais, por onde desembocam os ductos ejaculatórios. Na extremidade da parte esponjosa, a partir da abertura da uretra há uma dilatação conhecida como fossa navicular. Também na porção esponjosa encontramos as glândulas de Littré, produtoras de muco relacionadas a lubrificação sexual. · Glândulas seminais: . Sua extremidade inferior torna-se estreita e retilínea para formar um ducto excretor, que se une ao ducto deferente para compor o ducto ejaculatório.. O pH alcalino do líquido colabora para neutralizar a acidez da uretra masculina e do trato genital feminino, impedindo a inativação e destruição imediata dos espermatozoides. A frutose é usada pelo espermatozoide para nutrição e produção de energia. As prostaglandinas contribuem para a viabilidade e motilidade dos espermatozoides, além de induzir contrações musculares no trato genital feminino. As proteínas da coagulação ajudam na coagulação do sêmen após aejaculação. · Próstata: A próstata é um A próstata produz uma secreção leitosa e levemente ácida chamada líquido prostático, que contribui com cerca de 30% do volume do sêmen e o confere seu odor característico. · Glândulas bulbouretrais: As duas glândulas bulbouretrais (glândulas de Cowper) possuem, cada uma, aproximadamente o tamanho de uma ervilha e localizam-se inferiormente à próstata em cada lado da parte membranácea da uretra, com seus ductos abrindo-se na parte esponjosa dela. Ao mesmo tempo, secretam um muco que lubrifica o revestimento da uretra e a extremidade do pênis, reduzindo o número de espermatozoides danificados na ejaculação. Alguns homens liberam uma ou duas gotas desse muco durante a excitação sexual ou na ereção. · Pênis: O pênis, o O pênis consiste em uma raiz proximal, fixada ao arco púbico; um corpo tubular livre e alongado; e uma ponta distal alargada, a glande do pênis. A raiz do pênis se insere no interior do arco púbico e expande para formar o bulbo e os ramos do pênis. O corpo do pênis é constituído de três colunas cilíndricas de tecido erétil: os corpos cavernosos, um par posicionado dorsamente, e o corpo esponjoso, inserido ventralmente e envolvendo a uretra. O tecido fibroso, entre os dois corpos cavernosos, compõe o septo do pênis. Tanto o corpo cavernoso quanto o esponjoso são mantidos unidos através de tecido fibroso e recobertos por pele. A pele que recobre o pênis é frouxa e estende-se na direção distal em volta da glande, formando o prepúcio. A ereção do pênis requer funcionamento em sintonia dos sistemas vascular e nervoso. O pênis permanece flácido quando o tecido erétil não estiver irrigado de sangue. Na estimulação sexual (visual, tátil, auditiva, olfatória ou imaginária), fibras parassimpáticas da parte sacral da medula espinal iniciam e mantêm a ereção, expansão e enrijecimento do pênis. As fibras parassimpáticas produzem, liberam e causam a produção local de óxido nítrico (NO). O NO relaxa o músculo liso nas paredes das arteríolas que irrigam o tecido erétil, o que permite a dilatação desses vasos sanguíneos, e, consequentemente, aumenta a quantidade de sangue que entra no tecido erétil do pênis. O NO também causa o relaxamento do músculo liso no tecido erétil, provocando o alargamento dos espaços vasculares. A associação de aumento do fluxo sanguíneo e alargamento dos espaços vasculares leva à ereção. A expansão dos espaços vasculares também comprime as veias que drenam o pênis; a desaceleração da saída do sangue ajuda a manter a ereção. ÓRGÃOS GENITAIS FEMININOS Os órgãos genitais femininos possuem diversas diferenças importantes dos órgãos masculinos. Primeiro, além de produzirem gametas, os órgãos genitais femininos preparam-se para dar suporte ao embrião durante a gravidez. Além disso, os órgãos femininos sofrem mudanças reguladas pelo ciclo menstrual, um ciclo reprodutivo que dura aproximadamente 28 dias. Os órgãos genitais femininos primários são os ovários produtores de óvulos. Os ductos acessórios incluem as tubas uterinas, onde normalmente ocorre a fertilização; o útero, onde o óvulo fertilizado se fixa e o embrião se desenvolve; e a vagina, que recebe o pênis durante o intercurso sexual e atua como passagem de saída do feto durante o parto. Os genitais femininos externos constituem o pudendo (ou vulva). As glândulas mamárias produtoras de leite, que fazem parte do sistema tegumentar, também são consideradas do sistema reprodutor devido a sua função de nutrir o bebê. · Ovários: Antes da primeira ovulação, isto é, a liberação do óvulo pela superfície do ovário, o ovário possui aparência rosada e lisa, porém torna-se acinzentado e rugoso devido às cicatrizes resultantes das ovulações. Com a velhice, os ovários diminuem de tamanho e param de liberar gametas. · Tubas uterinas: As tubas uterinas Os espermatozoides também passam pelas tubas uterinas durante o intercurso sexual, ocorrendo a fecundação geralmente no interior da tuba. Vale destacar que o óstio abdominal permite a comunicação da cavidade peritoneal com o meio exterior através do trato genital feminino da tuba, sendo esta comunicação exclusiva do sexo feminino. Partindo do útero para o ovário, a tuba é dividida em quatro porções: uterina (na parede do útero), istmo, ampola e infundíbulo. A porção afunilada de cada tuba uterina, denominada infundíbulo, está próxima do ovário, mas é aberta para a cavidade peritoneal, e termina nas fimbrias, uma franja de projeções digitiformes presas à extremidade lateral do ovário. A partir do infundíbulo, a tuba estende-se em sentido medial e inferior, se fixando ao útero em um ângulo lateral superior. A ampola da tuba uterina é a porção mais larga e longa, constituindo cerca de dois terços laterais de seu comprimento. O istmo da tuba uterina é a porção de parede espessa mais medial, curta e estreita, que se une ao útero. A porção uterina da tuba uterina está unida na parede do útero por meio do óstio uterino da tuba uterina. Supõe-se que contrações rítmicas da tuba uterina podem realizar movimentos alternados de encurtamento e distensão, favorecendo o transporte do óvulo para o útero. · Útero: As cavidades do útero e da vagina formam juntas o canal do parto, por onde o feto passa ao ser liberado após completar sua vida intrauterina. O útero localiza-se entre a bexiga urinária e o intestino reto, na pelve. Possui o formato de pera invertida e é subdivido em três regiões: a porção superior é chamada fundo do útero, que possui forma de cúpula e se conecta com as tubas uterinas; a porção intermediária é o corpo do útero, sendo a maior e mais larga região anatômica do útero; e a porção inferior e mais estreita é o colo do útero, que se abre na vagina ao projetar-se posterior e inferiormente. As paredes do útero são espessas devido à musculatura do miométrio, mas o órgão é relativamente estreito na ausência de gestação. O endométrio se prepara para receber o óvulo fecundado mensalmente, aumentando seu volume pela formação de redes capilares, além de outras modificações. Caso não ocorra a fecundação, a camada do endométrio descama e ocorre eliminação sanguínea por meio da vagina, um fenômeno conhecido como menstruação. · Vagina: A vagina A parede altamente distensível da vagina é composta por três camadas: uma adventícia externa de tecido conjuntivo fibroso, uma muscular, de músculo liso, e uma mucosa interna, marcada por pregas transversais, as rugas vaginais. Essas pregas estimulam o pênis durante o intercurso e achatam-se à medida que a vagina se expande durante o parto. A mucosa consiste em uma lâmina própria, que contém fibras elásticas que ajudam a vagina a retomar sua forma normal após se expandir, e um epitélio escamoso estratificado que consegue suportar o atrito do intercurso e resiste à infecção bacteriana. Além disso, a mucosa da vagina contém grandes depósitos de glicogênio, que produzem ácidos orgânicos, elevando a acidez da vagina e retardando a proliferação microbiana, mas também prejudicando a viabilidade dos espermatozoides. Os componentes alcalinos do sêmen, principalmente oriundos das glândulas seminais, afetam o pH vaginal, mantendo-o adequado para a sobrevivência dos espermatozoides. Próximo à abertura externa da vagina (o óstio da vagina), a mucosa forma um diafragma incompleto chamado hímen. O hímen é vascularizado e tende a sangrar quando se rompe durante o primeiro intercurso sexual. No entanto, sua consistência varia: em algumas mulheres, ele é delicado e pode se romper durante a atividade esportiva, na inserção de um absorvente interno ou em um exame pélvico; em outras mulheres, o hímen é tão rígido que precisa ser rompido cirurgicamente. · Vulva: A vulva, ou pudendo feminino, O monte do púbis é uma proeminência gordurosa que atua como proteção da sínfise púbica, tendo sua pele recoberta por pelos após a puberdade. Posteriormente ao monte do púbis, estendem-se duas dobras gordurosas de pele, os lábios maiores, que são cobertas de pelos e homólogos à bolsa escrotal masculina. Os lábios maiores circundamduas pregas finas e sem pelos denominadas lábios menores, que delimitam uma região chamada vestíbulo, que abriga a abertura externa da uretra e, posteriormente, a abertura externa da vagina. A cada lado da abertura da vagina situam-se pares de glândulas vestibulares maiores, também chamadas glândulas de Bartholin, que secretam muco lubrificante na abertura vaginal durante a estimulação sexual. Na extremidade posterior do vestíbulo, os lábios menores unem-se formando uma prega chamada fúrcula ou frênulo dos lábios. Na porção superior da vulva e anterior ao vestíbulo se localiza o clitóris, uma estrutura saliente constituída de tecido erétil sensível e irrigada com sangue durante a estimulação sexual. A junção anterior dos lábios menores envolve o clitóris com uma prega de pele, o prepúcio do clitóris. O clitóris é uma estrutura homóloga ao pênis, possuindo glande, corpo com corpos cavernosos, mas sem corpo esponjoso e uretra em seu interior. Os bulbos do vestíbulo localizam-se em cada lado da abertura da vagina e profundos aos músculos bulboesponjosos. Durante a estimulação sexual, o tecido erétil se enche de sangue e colabora na manutenção do pênis dentro da vagina. Os bulbos do vestíbulo e a base do clitóris atuam comprimindo o orifício uretral, mantendo-o fechado durante o intercurso sexual e evitando a entrada de patógenos. · Mamas: As glândulas mamárias são glândulas sudoríferas modificadas situadas nas mamas, fazendo parte do sistema tegumentar. Entretanto, a função delas está relacionada ao sistema genital, pois secretam leite, essencial para a nutrição dos recém-nascidos. O tamanho e o formato das mamas variam de acordo com fatores individuais, como diferenças genéticas, idade, porcentagem de gordura no corpo ou gravidez. Durante a puberdade, o estrógeno produzido no ovário estimula o depósito de tecido adiposo nas mamas e o crescimento das glândulas mamárias. As mamas hipertrofiam durante a gravidez e o período de lactação. Cada mama possui uma projeção pigmentada chamada papila mamária, com diversas aberturas próximas aos ductos lactíferos, responsáveis pela saída do leite. A área pigmentada circular de pele ao redor da papila é a aréola, que possui aparência rugosa devido à presença de glândulas sebáceas modificadas. Cada mama contém uma glândula mamária, que possui 15 a 20 lobos separados por tecido adiposo. Em cada lobo há vários compartimentos menores, chamados lóbulos, formados de aglomerações de glândulas secretoras de leite denominadas alvéolos. Eles, por sua vez, são circundados por células mioepiteliais cuja contração ajuda a impulsionar o leite produzido dos alvéolos para diversos túbulos secundários e, em seguida, para os ductos mamários. Os ductos mamários expandem-se próximo da papila e formam os seios lactíferos, que armazenam leite antes de sua drenagem para o ducto lactífero. Em geral, cada ducto lactífero transporta leite de um dos lobos para o meio externo. A função da glândula mamária reside na lactação, que compreende a produção e liberação do leite, estando associada à gravidez e ao parto. A produção de leite é estimulada principalmente pelo hormônio prolactina da adeno-hipófise, com contribuição da progesterona e dos estrogênios. A ejeção de leite é estimulada pela ocitocina, liberada pela neuro-hipófise em resposta à sucção da papila mamária pelo lactente. Sistema endócrino A regulação da homeostase do corpo humano consiste na coordenação das atividades dos órgãos e sistemas, com os sistemas nervoso e endócrino trabalhando em conjunto para monitorar, ajustar e integrar as atividades fisiológicas do corpo. O sistema nervoso produz respostas a curto prazo (geralmente milissegundos) e bastante específicas aos estímulos ambientais. Ao contrário, o sistema endócrino altera as atividades metabólicas de diferentes órgãos e tecidos simultaneamente, podendo ter um efeito que dure minutos, semanas ou meses. Este padrão de resposta do sistema endócrino é particularmente eficiente no controle de processos contínuos, lentos e com efeitos generalizados. Alguns processos importantes regulados pelo sistema endócrino são o crescimento do corpo, o desenvolvimento e o funcionamento dos órgãos genitais, a manutenção da composição química sanguínea e o controle da taxa metabólica. O ramo médico que estuda a estrutura e a função das glândulas endócrinas, além do diagnóstico e o tratamento de seus distúrbios, é a endocrinologia. Vale ressaltar que, com base na estrutura e na função, as numerosas glândulas do corpo podem ser classificadas em exócrinas ou endócrinas. Glândulas exócrinas, como as glândulas sudoríferas, salivares e mucosas, sintetizam secreções que são transportadas por ductos. As endócrinas constituem o sistema endócrino. Ao contrário das glândulas exócrinas, as glândulas endócrinas não possuem ductos, secretando substâncias químicas específicas chamadas hormônios diretamente no sangue, na linfa ou no líquido intersticial circundante. Os tipos básicos de hormônios são esteroides (derivados do colesterol), proteínas e aminas (derivados de aminoácidos). Estes hormônios são transportados para células-alvo, locais específicos onde executam determinadas funções. Assim, os hormônios são específicos quanto às células sobre as quais eles atuam e as mudanças celulares que promovem, dependendo da presença de receptores na célula. A relação entre a quantidade de secreção de um hormônio e a proporção de uso pelas células-alvo é intimamente equilibrada, em que os níveis de hormônios são mantidos estáveis por impulsos neurais autônomos ou pelo sistema de retroalimentação negativa. Esse sistema (feedback negativo) consiste em um mecanismo homeostático que regula uma glândula pelo seu próprio hormônio, e o aumento do hormônio inibe sua atividade. Uma glândula endócrina continua secretando hormônios até que as células-alvo informem já haver quantidades suficientes dos mesmos, que faz essa glândula inibir a secreção. A glândula endócrina somente retornará a secretar quando os níveis sanguíneos de inibição química diminuírem novamente. CLASSIFICAÇÃO TOPOGRÁFICA DAS GLÂNDULAS ENDÓCRINAS Ao contrário dos órgãos da maioria dos sistemas, que são contínuos anatomicamente, os órgãos endócrinos estão dispersos ao longo do corpo humano. Assim, podemos classificar as glândulas endócrinas a partir de sua posição topográfica: Cefálicas Cervicais Torácica Abdominais Pélvicas Escrotais Glândula pineal, hipófise (glândula pituitária) e hipotálamo; Glândulas tireoide e paratireoide; Timo; Glândulas suprarrenais e pâncreas; Ovários; Testículos. · Hipófise: A hipófise é uma pequena glândula oval, localizada inferiormente ao hipotálamo em uma depressão do osso esfenoide chamada sela turca. A hipófise já foi chamada de glândula mestra porque secreta hormônios que regulam algumas outras glândulas endócrinas. A hipófise, contudo, não é realmente uma glândula mestra, uma vez que as secreções de seus hormônios, por sua vez, são controladas por hormônios secretados pelo hipotálamo. Podemos classificar a hipófise com duas divisões: um lobo anterior, a adeno-hipófise (hipófise glandular), formado de tecido glandular, e um lobo posterior, a neuro-hipófise (hipófise neural), formado por tecido neural. Nove hormônios peptídeos importantes são liberados pela hipófise: dois pela parte nervosa da neuro-hipófise, e sete pelas partes distal e intermédia da adeno-hipófise. · Hipotálamo: A secreção de hormônios pela adeno-hipófise é controlada pelo hipotálamo, que secreta tanto hormônios de liberação, estimulando as células da adeno-hipófise a liberar seus hormônios, quanto hormônios de inibição, desligando a secreção dos hormônios pela adeno-hipófise quando necessário. Há diferentes hormônios liberadores e inibidores do hipotálamo para quase todos os hormônios da adeno-hipófise, com todos seguindo através do sistema porta hipotálamo-hipofisário para controlar as secreções de hormônios da adeno-hipófise. · Glândula pineal: A glândula pineal que faz parte do epitálamo, se localiza na linha medianado encéfalo. Essa pequena glândula endócrina produz o hormônio melatonina, que atua para o ajuste do biorritmo (o relógio biológico do corpo), controlado pelo hipotálamo. Os níveis de melatonina presentes na corrente sanguínea se elevam até dez vezes durante o sono para, em seguida, diminuírem novamente antes de acordar. A administração oral de pequenas doses de melatonina induz ao sono e reajusta os ritmos diários ou circadianos, podendo beneficiar trabalhadores que alternam os turnos de dia e noite. A melatonina também é um antioxidante potente que pode fornecer proteção relativa contra radicais livres do oxigênio prejudiciais. · Glândulas tireoide e paratireoides: A tireoide localiza-se no plano mediano do pescoço, envolvendo parte da traqueia e da laringe. A glândula tireoide apresenta um formato similar de uma borboleta e consiste em dois lobos principais. As porções superiores de cada lobo estendem-se sobre a face lateral da traqueia rumo à margem inferior da cartilagem tireóidea, enquanto as porções inferiores dos lobos estendem-se até a segunda ou terceira cartilagem traqueal. Os dois lobos estão conectados por um trecho delgado, o istmo, cuja principal função é a regulação do metabolismo basal de diversas regiões do corpo, além de estar relacionada ao processo de crescimento. A glândula tireoide secreta principalmente os hormônios tiroxina (T4) e triiodotironina (T3), e, secundariamente, calcitonina (tireocalcitonina). As pequenas e achatadas glândulas paratireoides estão incluídas na face posterior dos lobos laterais da tireoide. Normalmente, há quatro glândulas paratireoides: duas superiores e duas inferiores. Cada uma delas consiste em uma estrutura pequena, amarela tendendo para o marrom, e possui função de grande relevância, pois regulam o metabolismo do cálcio. · Timo: O timo é um órgão linfoide e bilateralmente simétrico, que se desenvolve bem até a adolescência, porém, na vida adulta, é reduzida a uma massa de tecido conjuntivo infiltrada por tecido adiposo. Os hormônios produzidos pelo timo são a timosina, o fator tumoral do timo (THF), o fator tímico (TF) e a timopoetina, que estimulam a proliferação e o amadurecimento das células T, células de imunidade que destroem microrganismos estranhos e toxinas. · Glândulas suprarrenais: As glândulas suprarrenais, ou adrenais, são pares de glândulas bilaterais que se situam sobre o polo superior dos rins. Elas se dividem em medula, uma porção central equivalente a 90% da massa glandular, e córtex, uma porção periférica que corresponde aos 10% restantes. Funcionalmente, o córtex secreta hormônios derivados do colesterol chamados corticosteroides ou corticoides. Os corticoides da suprarrenal são classificados em três categorias: mineralocorticoides, glicocorticoides e gonadocorticoides. A medula das glândulas suprarrenais secreta dois hormônios intimamente relacionados: norefinefrina e epinefrina. Assemelha-se, funcionalmente, à parte simpática da divisão autônoma do sistema nervoso. · Pâncreas: O pâncreas executa as funções de uma glândula endócrina e uma glândula exócrina simultaneamente. A porção endócrina do pâncreas consiste em agrupamentos de células dispersas chamadas ilhotas pancreáticas ou ilhotas de Langerhans. Estas estruturas endócrinas são mais comuns no corpo e na cauda do pâncreas e consistem, principalmente, em dois tipos de células secretoras chamadas células Alfa, que secretam glucagon, e células beta, que secretam insulina. · Gônadas: As gônadas são os principais órgãos sexuais masculino e feminino, e pelo fato de produzirem hormônios sexuais e células sexuais (gametas), são glândulas mistas. As gônadas masculinas são denominadas testículos e as gônadas femininas são chamadas de ovários. Nos testículos, as células endócrinas liberam androgênios (principalmente testosterona); nos ovários, os androgênios são secretados e convertidos em estrogênios pelas células foliculares ovarianas, que também produzem progesterona. Após a ovulação, os estrogênios e a progesterona continuam sendo liberados pelos folículos ovarianos remanescentes, o corpo lúteo. OUTRAS ESTRUTURAS ENDÓCRINAS Podemos encontrar células endócrinas em vários órgãos e tecidos do corpo, os quais também produzem hormônios importantes Sistema tegumentar O sistema tegumentar é, provavelmente, o sistema do corpo humano que mais dedicamos atenção cotidianamente, seja em nosso corpo ou em outras pessoas. Independentemente do vestuário, a primeira impressão que deixamos é baseada geralmente na parte com mais visibilidade do corpo, a pele e seus anexos. Podemos perceber esse impacto em nossos hábitos, como ver nossa imagem em um espelho, por exemplo. A pele também revela outras características, como quando sentimos frio (a pele e os pelos ficam arrepiados), calor ou nervosismo (a pele transpira e apresenta rubor na região da face). A autoimagem de uma pessoa e seu comportamento social podem, consequentemente, estar intimamente associados com a aparência física, de tal maneira que gastamos tempo, dinheiro e esforços consideráveis em nossos rituais de embelezamento diários. O sistema tegumentar é composto pela pele, também chamada de tegumento, e suas estruturas associadas (pelos, unhas e glândulas tegumentares), além de milhões de receptores sensitivos da pele e sua extensa rede vascular. A pele é classificada como um órgão, consistindo em vários tipos de tecidos que são estruturalmente organizados para funcionar em conjunto. Portanto, o tegumento é o maior órgão do corpo humano, ocupando cerca de 7% do peso do corpo de uma pessoa e revestindo mais de 7600 cm2 em um adulto. Possui espessura variável, sendo mais densa em regiões mais expostas ao uso e ao desgaste, como as palmas da mão e as plantas dos pés. Dermatologia é a especialidade médica que atua com o diagnóstico e o tratamento dos distúrbios da pele. FUNÇÕES DO SISTEMA TEGUMENTAR A pele possui mais do que somente uma função cosmética. Vejamos diversas outras funções: · Proteção: A pele reveste e isola os órgãos internos e protege o corpo de lesões, substâncias químicas e microrganismos invasores. A epiderme é impermeável, evitando perdas hídricas desnecessárias, e suas células sintetizam melanina, um pigmento que protege contra os efeitos nocivos da radiação ultravioleta (UV); · Regulação da temperatura corporal: Os capilares sanguíneos na pele e as glândulas sudoríferas controlam a perda de calor pelo corpo, colaborando na regulação da temperatura corporal; · Excreção: O tegumento atua como sistema excretor ao eliminar ureia, sais e água pelo suor;; · Produção de vitamina D: A radiação UV usa as células epidérmicas para sintetizar vitamina D, uma molécula essencial para absorção de cálcio a partir do trato gastrointestinal · Recepção sensorial: O tegumento possui receptores sensoriais, associados às terminações nervosas que informam as condições externas e superficiais do corpo a partir de sensações como toque, pressão, temperatura e dor. PELE A pele possui uma espessura que varia entre 1,5 mm para mais de 4 mm em diferentes regiões do corpo, sendo subdividida em duas camadas: i) a epiderme a camada superficial de tecido epitelial espesso; e ii) a derme, camada profunda de tecido conjuntivo fibroso. Abaixo da pele, ocorre uma camada adjacente denominada hipoderme, constituída de tecido adiposo e tecido conjuntivo frouxo. A hipoderme não pertence ao sistema tegumentar, embora compartilhe funções com o tegumento. · Epiderme: A epiderme é um epitélio estratificado pavimentoso e possui quatro tipos diferentes de células: queratinócitos, melanócitos, células epiteliais táteis e células dendríticas. Os queratinócitos são células especializadas que sintetizam queratina, uma proteína que fortalece e impermeabiliza a pele. Como os queratinócitos estão afastados do fornecimento de oxigênio e nutrientes vasculares da derme, seus núcleos degeneram e os conteúdos celulares são dominados por queratina, completando o processo de queratinização.Os melanócitos são células epiteliais que produzem melanina, um pigmento que atua como uma barreira protetora contra a radiação UV da luz solar e estão relacionadas às variações da cor da pele na espécie humana. As células epiteliais táteis ajudam na recepção da sensibilidade do tato e são escassas se comparadas com os queratinócitos e os melanócitos. Por fim, as células dendríticas são células macrofágicas que protegem o corpo contra bactérias e outros resíduos estranhos, estando dispersos por toda toda a basal. As células epiteliais mais abundantes são os queratinócitos, que formam muitas camadas diferentes. Os limites precisos entre elas são geralmente de difícil visualização. Nas regiões do corpo com pele espessa, podem ser diferenciadas cinco camadas, enquanto na pele delgada observamos apenas quatro camadas. · Derme: A derme é a camada mais profunda e mais espessa do tegumento. No interior da derme, as fibras colágenas e elásticas estão organizadas em padrões bem definidos, que produzem as linhas de tensão da pele e promovem o seu tônus. As fibras elásticas na derme estão mais presentes em jovens e o decréscimo de fibras elásticas está associado ao envelhecimento. As células encontradas na derme são típicas dos tecidos conjuntivos propriamente dito: fibroblastos, macrófagos, mastócitos e leucócitos dispersos. A vasta rede de vasos sanguíneos na derme supre a nutrição das células vivas da epiderme. A derme é formada por duas camadas distintas: a camada superior, em interface com a epiderme, é chamada de camada papilar. Nela, encontramos as papilas, numerosas projeções que se estendem da porção superior da derme rumo à epiderme, formando as bases para as impressões digitais presentes nos dedos da mão e do pé. Abaixo da camada papilar, encontramos a espessa camada reticular, com fibras mais densas e disposição regular formando uma rede flexível e resistente. · Hipoderme: A hipoderme, ou tela subcutânea, não é realmente parte do sistema tegumentar, mas prende a derme aos órgãos subjacentes (principalmente músculos). A hipoderme é composta de tecido conjuntivo frouxo e células adiposas enoveladas com canais sanguíneos. Fibras colágenas e elásticas reforçam a hipoderme, em especial na região palmar das mãos e na região plantar dos pés. O tecido adiposo na hipoderme varia em quantidade de acordo com a região do corpo, o sexo, a idade e o condição nutricional do indivíduo. Entre suas funções, a hipoderme atua armazenando lipídios, amortecendo choques físicos e regulando a temperatura corporal. ANEXOS DO SISTEMA TEGUMENTAR As estruturas acessórias do tegumento comum incluem pelos, unhas e glândulas cutâneas (sebáceas e sudoríferas). Durante o desenvolvimento embriológico, essas estruturas se formam por invaginações ou pregas da epiderme. Suas funções estão relacionadas com a proteção do corpo (unhas e pelos) e a regulação da temperatura corpórea (pelos e glândulas cutâneas). Pelo Uma característica marcante dos mamíferos, os pelos são estruturas queratinizadas que cobrem consideravelmente a pele, estando ausentes em poucas regiões do corpo. Os primeiros pelos que se desenvolvem no corpo formam a lanugem, que se desprende pouco antes do parto e é substituído por pelos finos. Já os pelos longos são encontrados na cabeça (couro cabeludo), nas axilas, na região genital e na face, em especial no sexo masculino. Como ocorre com a pele, a cor dos pelos está relacionada à presença e a quantidade de pigmento em seu interior. O pelo diferencia-se em duas regiões: a haste, acima da pele, e a raiz, alojada no folículo piloso, um tubo epidérmico localizado na derme ou mesmo na hipoderme. O folículo piloso possui aberturas dos ductos das glândulas sebáceas e uma dilatação na sua base chamada bulbo piloso. É possível encontrar na derme um feixe de fibras musculares lisas chamado de músculo eretor do pelo, cuja contração ocasiona a ereção do pelo. A haste é formada por três camadas, sendo uma delas uma cutícula externa; um córtex, com queratina dura; e uma medula, com queratina mole. A melanina presente nos pelos é responsável pela sua coloração e situa-se no córtex e na medula. Os cabelos brancos não possuem melanina em seu córtex, sendo substituída por ar. Unhas A unha é a modificação da epiderme em forma de placas curvas, composta de células queratinizadas mortas. Possuem aspecto rosáceo devido à numerosa rede de capilares na derme subjacente. Cada unha é dividida em três regiões: uma margem livre distal; uma parte visível chamada corpo da unha ou placa ungueal; e uma parte proximal inserida na pele chamada raiz da unha. A unha permanece assentada em um trecho de epiderme chamado leito ungueal, que substitui as camadas superficiais queratinizadas da epiderme. Esse leito espessa-se na raiz e compõe a matriz ungueal, onde ocorre o crescimento ativo da unha. As margens lateral e proximal do corpo da unha são sobrepostas por dobras de pele denominadas pregas ungueais. A cutícula, ou eponíquio, é como denominamos a prega ungueal proximal da unha. Glândulas sebáceas As glândulas sebáceas são as glândulas da pele que ocorrem no corpo inteiro, com exceção da região palmar e plantar. Entre suas principais características, as glândulas sebáceas são classificadas como glândulas alveolares simples, com vários alvéolos se abrindo para um único ducto, e glândulas holócrinas, cuja secreção é formada a partir do rompimento da célula secretora. As glândulas sebáceas produzem uma secreção oleosa chamada de sebo, constituída de lipídios, como ácidos graxos e colesterol, e porções da célula secretora. Geralmente associadas aos folículos pilosos, essas glândulas secretam o sebo na porção superior do folículo, que flui para superfície da pele. O sebo possui ação lubrificante, evitando o ressecamento da pele e dos pelos, além de diminuir a perda hídrica pelo tegumento e exterminar bactérias. A secreção do sebo é estimulada por hormônios, especialmente os sexuais. As glândulas sebáceas permanecem pouco ativas ao longo da infância, porém são ativadas durante a puberdade. A hiperatividade das mesmas pode resultar no aparecimento de acnes, especialmente durante a adolescência. Glândulas sudoríparas As glândulas sudoríparas (ou sudoríferas), popularmente chamadas de glândulas do suor, realizam o processo de transpiração, isto é, excretam o suor sobre a superfície do tegumento. O suor é composto de água, sais, ureia e ácido úrico, atuando no resfriamento corporal por meio da evaporação e na eliminação de certos resíduos. Com maior necessidade de regulação da temperatura corporal através da transpiração, a quantidade de pelos foi reduzindo nas populações humanas. A secreção das glândulas sudoríparas aumenta em resposta ao estresse e ao calor. As glândulas sudoríferas estão distribuídas ao longo de toda superfície da pele, com exceção dos mamilos e em partes dos genitais externos. Vale relembrar que as glândulas mamárias são glândulas sudoríferas especializadas localizadas no interior das mamas que secretam leite durante a lactação. Podemos classificá-las como écrinas ou apócrinas: · Glândulas sudoríferas écrinas: são formadas antes do nascimento e estão distribuídas pela superfície do corpo, em especial na fronte, no dorso, na região palmar e plantar. Atuam no resfriamento corpóreo; · Glândulas sudoríferas apócrinas: da mesma maneira como as glândulas écrinas, as glândulas apócrinas se tornam funcionais a partir da puberdade e são situadas nas regiões axilar e púbica. Liberam suas secreções nos folículos pilosos, inclusive secreções odoríferas que atuam como atração sexual.