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PRINCÍPIOS E IMUNIDADES TRIBUTÁRIAS Princípios: O Texto de 1988 define duas espécies de limitações constitucionais ao poder de tributar: princípios e imunidades. Assim, verifica-se inicialmente que, junto com as imunidades, os princípios são normas constitucionais que restringem a atividade tributante. Princípios são preceitos instituídos em favor do contribuinte e contra o Fisco, nunca o contrário. ● Princípio da Legalidade (arts. 150, I, da CF e 97 do CTN): O princípio da legalidade tributária, estrita legalidade ou tipicidade cerrada vem enunciado nos arts. 150, I, da Constituição Federal e 97 do CTN. “Art. 150, I, da CF: Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I – exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça.” “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I – a instituição de tributos, ou a sua extinção; II – a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos arts. 21, 26, 39, 57 e 65; III – a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do art. 52, e do seu sujeito passivo; IV – a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos arts. 21, 26, 39, 57 e 65; V – a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI – as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.” Assim, analisando associadamente os preceitos contidas na Constituição Federal e no CTN, verifica-se que o princípio da legalidade tributária tem o seguinte conteúdo: a INSTITUIÇÃO, MAJORAÇÃO, REDUÇÃO ou EXTINÇÃO DE TRIBUTO sempre DEPENDEM DE LEI. Como regra geral, a lei exigida pelo ordenamento jurídico brasileiro para instituir, majorar, reduzir ou extinguir tributo é a lei ordinária emanada da entidade federativa competente para a respectiva exação. Somente quatro tributos são instituídos por meio de lei complementar, são eles: empréstimos compulsórios (art. 148), imposto sobre grandes fortunas (art. 153, VII), impostos residuais (art. 154, I) e novas fontes de custeio da seguridade (art. 195, § 4º). Exceções ao princípio da legalidade: Constituição de 1988 prevê seis tributos cujas ALÍQUOTAS podem ser MODIFICADAS por meio de ATO DO PODER EXECUTIVO. É isso que o art. 153, § 1º, da CF quer dizer ao prescrever que: “É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V”. Os tributos que podem ter alíquotas alteradas por ato do Executivo são: a) imposto de importação (II); b) imposto de exportação (IE); c) imposto sobre operações financeiras (IOF); d) imposto sobre produtos industrializados (IPI); e) ICMS/combustíveis; f) Cide/combustíveis. ● Princípio da anterioridade (art. 150, III, b e c, da CF): O princípio da anterioridade tributária estabelece um intervalo mínimo entre a publicação da lei que cria ou majora o tributo e a data de sua efetiva exigência. Sua finalidade é dar um “prazo de respiro” a fim de que o contribuinte possa preparar-se para pagar novos valores ao Fisco. É por essa razão que o art. 150, III, da Constituição Federal deixa claro que o intervalo da anterioridade só se aplica para criação e aumento do tributo, mas não quando o tributo é reduzido ou extinto. Leis que REDUZEM ou EXTINGUEM tributos, embora muito raras no Brasil, TÊM APLICAÇÃO IMEDIATA, não se sujeitando a qualquer intervalo de anterioridade, na medida em que são mais benéficas ao contribuinte, inexistindo lógica na invocação de uma garantia (regra da anterioridade) contra o interesse de seu titular (contribuinte). Nos termos do art. 150, III, b e c, da CF: Tributo instituído (criado) ou majorado (aumentado) em um exercício* (ano) somente poderá ser exigido no ano seguinte, respeitado o intervalo mínimo de noventa dias. *O exercício fiscal inicia em 1º de janeiro e termina em 31 de dezembro. O atual conteúdo do princípio da anterioridade é composto por duas partes: a) anterioridade anual: adia a cobrança para o exercício seguinte (art. 150, III, b, da CF); b) anterioridade nonagesimal: estabelece um intervalo de mínimo 90 dias entre a publicação da lei e a exigência do tributo (art. 150, III, c, da CF). Após a promulgação da Emenda Constitucional n. 42/2003, passou a vigorar a “regra da anterioridade mais benéfica para o contribuinte”, segundo a qual, quando determinado tributo for instituído ou majorado, deve ser aplicada a regra de anterioridade (anual ou nonagesimal) que tornar mais distante a data da exigência. Em termos práticos, é preciso verificar se para o contribuinte é mais vantajoso o uso da anterioridade anual ou da nonagesimal. Desse modo, constata-se que a Emenda n. 42/2003 garantiu um intervalo mínimo de 90 dias entre as datas de publicação da lei e da cobrança efetiva do novo tributo. Exceções à anterioridade: 1) TRIBUTOS DE COBRANÇA IMEDIATA (podem ser cobrados no dia seguinte): nesse estão os tributos que não se sujeitam nem à anterioridade anual, nem à nonagesimal. São eles: alteração nas alíquotas do Imposto de Importação, Imposto de Exportação, Imposto sobre Operações Financeiras, bem como criação e majoração do Imposto Extraordinário de Guerra e do Empréstimo Compulsório nos casos de calamidade pública ou guerra externa; 2) TRIBUTOS QUE RESPEITAM SOMENTE A ANTERIORIDADE NONAGESIMAL (podem ser cobrados no mesmo exercício): no segundo grupo de exceções temos os tributos que, embora submetidos à anterioridade nonagesimal, não cumprem a anual, razão pela qual podem ser exigidos noventa dias após a publicação do ato normativo que os houver instituído ou majorado, ainda que a cobrança ocorra no mesmo ano. São eles: instituição ou majoração do Imposto sobre Produtos Industrializados, Contribuições Sociais (art. 195 da CF), Cide/Combustíveis e ICMS/Combustíveis (art. 155, § 4º, IV, c, e § 5º da CF); 3) TRIBUTOS QUE RESPEITAM SOMENTE A ANTERIORIDADE ANUAL (não se sujeitam ao intervalo mínimo de noventa dias): por fim estão os tributos que se submetem somente à anterioridade anual, mas não à nonagesimal. Nesse caso, tais tributos podem ser cobrados sempre em 1º de janeiro do ano seguinte ao da publicação do ato normativo que os tiver instituído ao majorado, independentemente do intervalo mínimo de noventa dias. São eles o Imposto de Renda, bem como as alterações na base de cálculo do IPTU (mudança na planta genérica de valores que implique aumento real no imposto) e na base de cálculo do IPVA (modificação na tabela oficial de valores de veículos resultando em majoração efetiva no valor do carro). 4) TRIBUTOS QUE RESPEITAM A ANTERIORIDADE ANUAL E NONAGESIMAL: (se forem criados ou majorados entre janeiro e setembro de um ano, serão cobrados já em 1º de janeiro do ano seguinte; se forem criados ou majorados entre outubro e dezembro, por força da anterioridade nonagesimal, a data de incidência será após 1º de janeiro, dependendo do dia e do mês em que houve a criação ou majoração): ISS, IPTU (majorado ou criado, pois alterações na base de cálculo entram na regra apenas anual), ITBI, ICMS (sem ser combustível), IPVA (sem ser alteração na base de cálculo, conforme visto anteriormente), ITCMD, IGF, ITR, Imposto Residual, taxas, contribuições de melhoria, empréstimos compulsórios para investimento público urgente e de relevante interesse nacional, contribuições em geral (exceto as sociais-previdenciárias). ● Princípio da Isonomia (art. 150, II, da CF): Pela aplicação da noção geral de isonomia (art. 5º, caput, da CF) no campo fiscal, o princípio da igualdade tributária proíbe que seja dado tratamento diferenciado a contribuintes que se encontrem em situação equivalente. Nesse sentido, dispõe o art. 150, II, da Constituição Federal: “Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte,é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: II – instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos títulos ou direitos.” ● Princípio da Irretroatividade (art. 150, III, a, da CF): Estabelece o art. 150, III, a, da Constituição Federal: “Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: III – cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado.” O princípio da irretroatividade é um desdobramento da garantia da segurança jurídica e tem como objetivo específico impedir que novas leis tributárias alcancem fatos anteriores à data de sua vigência. Desse modo, a lei publicada hoje vale para o presente (fatos pendentes) e o futuro (fatos futuros), mas não atinge os fatos geradores já ocorridos. ● Princípio da Vedação do Confisco (art. 150, IV, da CF): Estabelece o art. 150, IV, da Constituição Federal: “Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV – utilizar tributo com efeito de confisco.” O princípio da vedação do confisco, ou do não confisco, proíbe que a tributação seja estabelecida em patamar exorbitante a ponto de o bem tributado inviabilizar o exercício de atividade econômica. Trata-se de um desdobramento dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade na seara específica da tributação. É um princípio aplicável a todas as espécies tributárias. ● Princípio da Capacidade Contributiva (art. 145, § 1°): “Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) § 1° Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte.” A tributação deve ocorrer, em princípio, em um espaço imaginário localizado entre a satisfação do mínimo existencial e antes de confisco. A capacidade contributiva deve ser concreta. Isso não quer dizer que não possa essa concretude ser presumida. No consumo de bens supérfluos (presume-se maior capacidade contributiva). Impostos diretos = a capacidade contributiva é a realizada através da progressividade = IR, IPTU. Impostos indiretos = a capacidade contributiva é a realizada através da seletividade = IPI, ICMS. ● PRINCÍPIO DA NÃO LIMITAÇÃO (art. 150, V, da CF): O art. 150, V, da Constituição Federal prescreve: “Art. 150, V - Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: V – estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público.” O princípio da não limitação impede que o tributo seja utilizado para restringir o trânsito de pessoas e bens no território nacional. Desse modo, o art. 150, V, da CF atua como norma jurídica de reforço da liberdade constitucional de ir, vir e permanecer (art. 5º, XV, da CF), vedando que a tributação crie barreiras para a livre locomoção de pessoas e bens. Assim, por exemplo, é inconstitucional, por violar tal princípio, a taxa de estacionamento cobrada para restringir o acesso de turistas a determinada praia. ➔ O pedágio como exceção ao princípio: O art. 150, V, da Constituição Federal estabelece importante exceção ao princípio da não limitação, admitindo a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público. O pedágio poderá ter natureza de taxa ou tarifa, dependendo da forma como é prestado o serviço de conservação da via pública. Se a conservação estiver a cargo do próprio Poder Público (prestação direta), havendo cobrança de pedágio, sua natureza será de taxa (natureza tributária). Porém, se a via for explorada em regime de concessão ou permissão (prestação indireta), o pedágio terá natureza de tarifa (ou preço público). Importante destacar que, em qualquer caso, a cobrança de pedágio está consoante o princípio da não limitação, diante da expressa ressalva estabelecida pelo art. 150, V, da CF. Imunidades Tributárias: Imunidades são normas constitucionais que limitam a competência tributária afastando a incidência de tributos sobre determinados itens ou pessoas. Imunidade X Isenção A imunidade é uma norma constitucional que limita a competência tributária, afastando a incidência de tributos sobre determinados itens ou pessoas. Assim, a imunidade opera no plano constitucional, interagindo com as regras que definem a competência para a instituição de tributos antes que o fato gerador ocorra. A isenção é um benefício legal concedido pelo legislador que, excluindo o crédito tributário (art. 175 , I, do CTN), libera o contribuinte de realizar o pagamento do tributo após a ocorrência do fato gerador. Costuma-se dizer que, enquanto a imunidade é uma hipótese de não incidência constitucionalmente qualificada, a isenção é uma hipótese de não incidência legalmente qualificada. ❖ Fatos que levam à inexigibilidade do tributo: ● Imunidade: previsão em norma constitucional; ● Isenção: previsão em norma infraconstitucional; ● Não incidência: NT; ● Alíquota zero: do ponto de vista prático, não precisa pagar nada. Hipóteses de imunidades: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI — instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão; e) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser.” ● Imunidade recíproca: A imunidade prevista na alínea a do art. 150, VI, é chamada de imunidade recíproca, pois a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios não podem cobrar impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros. A imunidade recíproca também alcança todos os imóveis pertencentes à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, independentemente de sua situação jurídica, ou seja, de eventual cessão a empresas delegatárias de serviços públicos A imunidade recíproca não alcança outras espécies tributárias, como as taxas e as contribuições. As autarquias e as fundações públicas também são imunes, desde que pratiquem atividade vinculada às suas finalidades essenciais, nos termos do § 2º do art. 150, verbis: “§ 2º A vedação do inciso VI, a, é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes.” Nesse contexto, existem limites para a imunidade dessas entidades, como prevê o § 3º do mesmo art. 150, posto que, se as autarquias e fundações explorarem atividade econômica a proteção deixa de existir, em razão do princípio da livre concorrência, visto que o Estado não pode se valer de vantagensnão extensíveis ao particular, notadamente quando a disputa ocorre em condições de mercado. Ressaltamos que o STF apenas exige a vinculação às finalidades essenciais, como condição para a imunidade, para as autarquias e fundações públicas, dispensada a comprovação quando se tratar da própria União. ● Imunidade Religiosa: Em homenagem à liberdade religiosa existente no país, o constituinte decidiu conferir imunidade tributária aos templos de qualquer culto. O STF entende que o conceito de templo não abrange somente o prédio ou a estrutura física em que se professa a religião, mas a própria entidade religiosa, considerando-se esta o conjunto de bens, rendas e serviços destinados à sua manutenção. Também serão imunes as rendas obtidas por meio de aluguéis, inclusive de imóveis utilizados por terceiros e sem finalidade religiosa (um prédio de escritórios, por exemplo), pois o objetivo da imunidade, segundo o STF, é que o dinheiro arrecadado seja revertido para a atividade religiosa. ● Imunidade dos partidos políticos e fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e assistência social: O art. 150, VI, c, da Constituição prevê a imunidade de impostos sobre o patrimônio, a renda ou os serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e assistência social, sem fins lucrativos. Cumpre salientar que as entidades sindicais dos empregadores não gozam de imunidade. Em relação às entidades de educação e assistência social, a Constituição exige a ausência de fins lucrativos. Portanto, sempre que a entidade sem fins lucrativos cumprir os requisitos de a) não distribuir parcelas de sua renda, a qualquer título, a terceiros (salvo o pagamento de salários para empregados), b) aplicar integralmente os recursos no Brasil e c) manter escrituração contábil, para que se comprove a destinação do dinheiro, terão direito à imunidade tributária. ● Imunidade dos livros, jornais e periódicos: O art. 150, VI, d, da Constituição estabeleceu a chamada imunidade cultural, destinada a afastar a tributação sobre a cadeia produtiva e econômica dos livros, jornais e periódicos, com o objetivo de desonerar custos e facilitar o acesso à leitura a todas as camadas da população. A imunidade recai apenas sobre os impostos na operação (ICMS e IPI), ou seja, há imunidade na tributação dos insumos para a fabricação dos livros e jornais. Não alcançando os tributos incidentes sobre os lucros das empresas que comercializam livros, jornais, revistas, periódicos, papéis para impressão, e-books (IRPJ e CSLL). STF prevê que essa imunidade recaia sobre os e-books, audio-books, e-readers e etc.