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APG	15	
POLLIANY	FOLLMANN	
	
PELE	E	ANEXOS		
Þ A	pele	recobre	a	superfície	do	corpo	e	é	
constituída	por	um	tecido	epitelial	de	origem	
ectodérmica,	a	epiderme,	e	um	tecido	conjuntivo	de	
origem	mesodérmica,	a	derme.		
Þ Dependendo	da	espessura	da	epiderme,	
distinguem-se	a	pele	espessa	e	a	fina.		
Þ A	pele	espessa	é	encontrada	na	palma	das	mãos,	
na	planta	dos	pés	e	recobrindo	algumas	articulações.		
Þ O	restante	do	corpo	é	protegido	por	pele	fina.		
Þ Abaixo	e	em	continuidade	com	a	derme,	
encontra-se	a	hipoderme	ou	tecido	celular	subcutâneo,	
que	não	faz	parte	da	pele,	apenas	lhe	serve	de	união	
com	os	órgãos	subjacentes.		
Þ A	hipoderme	é	um	tecido	conjuntivo	frouxo	que	
pode	conter	muitas	células	adiposas,	constituindo	o	
panículo	adiposo.	
Þ A	pele	é	o	maior	órgão	do	corpo	humano,	
compondo	16%	do	peso	corporal,	e	desempenha	
múltiplas	funções.		
Þ Graças	à	estrutura	da	epiderme,	com	suas	
múltiplas	camadas	celulares	e	camada	córnea,	ela	
protege	o	organismo	contra	desidratação,	atrito,	
agentes	químicos	e	patógenos.		
Þ Por	meio	de	suas	terminações	nervosas	
sensoriais,	a	pele	recebe	constantemente	informações	
sobre	o	ambiente	e	as	envia	para	o	sistema	nervoso	
central.		
Þ Em	virtude	de	seus	vasos	sanguíneos	e	
glândulas,	colabora	com	a	termorregulação	do	
organismo.		
Þ Suas	glândulas	sudoríparas	participam	da	
termorregulação	e	da	excreção	de	várias	substâncias.	
Þ Um	pigmento	que	é	produzido	e	acumulado	na	
epiderme,	a	melanina,	tem	função	protetora	contra	os	
raios	ultravioleta.		
Þ Ela	apresenta	ainda	células	do	sistema	
imunitário,	que	atuam	contra	a	invasão	de	
microrganismos.	
Þ A	junção	entre	a	epiderme	e	a	derme	é	irregular.		
Þ A	derme	tem	projeções,	as	papilas	dérmicas,	
que	se	encaixam	em	reentrâncias	da	epiderme,	as	
cristas	epidérmicas,	aumentando	a	coesão	entre	essas	
duas	camadas.	Essa	coesão	é	muito	importante,	porque	
a	pele	está	constantemente	sujeita	a	agressões	
mecânicas	provenientes	de	múltiplas	direções.	Pelos,	
unhas	e	glândulas	sudoríparas,	sebáceas	e	mamárias	
são	estruturas	anexas	da	pele.	
	
	
EPIDERME	
Þ É	constituída	por	epitélio	estratificado	
pavimentoso	queratinizado	(com	camada	córnea),	cujas	
células	mais	abundantes	são	os	queratinócitos.		
Þ A	epiderme	apresenta	ainda	outros	três	tipos	de	
células:	os	melanócitos,	as	células	de	Langerhans	e	as	de	
Merkel.	
Þ A	espessura	e	a	estrutura	da	epiderme	variam	
com	o	local	estudado,	sendo	mais	espessa	e	complexa	
na	palma	das	mãos,	na	planta	dos	pés	e	em	algumas	
articulações.	Nessas	regiões,	a	espessura	chega	até	a	1,5	
mm	e,	vista	da	derme	para	a	superfície,	apresenta	cinco	
camadas	–	basal,	espinhosa,	granulosa,	lúcida	e	córnea.	
Þ A	camada	basal	é	constituída	por	células	
prismáticas	ou	cuboides,	ligeiramente	basófilas,	que	
repousam	sobre	a	membrana	basal	que	separa	a	
epiderme	da	derme.	A	camada	basal,	rica	em	células-
tronco	(stem	cells)	da	epiderme,	é	também	chamada	de	
germinativa.	Apresenta	atividade	mitótica,	sendo	
responsável,	junto	com	a	camada	seguinte	(espinhosa),	
pela	constante	renovação	da	epiderme.		
Þ Os	queratinócitos	proliferam	na	camada	basal	e	
migram	em	direção	à	superfície	da	epiderme,	
diferenciando-se	progressivamente	até	contribuir	para	a	
formação	da	camada	córnea.	Fatores	mitogênicos	
produzidos	pelos	fibroblastos	presentes	na	derme	
subjacente,	como	o	fator	de	crescimento	semelhante	à	
insulina	(IGF),	o	fator	de	crescimento	de	fibroblastos	7	e	
10	(FGF-7	e	FGF-10)	e	diversos	ligantes	para	o	receptor	
do	fator	de	crescimento	epidérmico	(EGFR),	são	muito	
importantes	para	a	proliferação	celular	na	camada	
basal.	Calcula-se	que	a	epiderme	humana	se	renove	a	
cada	15	a	30	dias,	dependendo	principalmente	do	local	
e	da	idade	da	pessoa.	Os	queratinócitos	contêm	
filamentos	intermediários	de	queratina,	que	se	tornam	
mais	abundantes	à	medida	que	a	célula	avança	para	a	
superfície.	
Þ A	camada	espinhosa	é	formada	por	células	
cuboides	ou	ligeiramente	achatadas,	com	volume	maior	
que	o	das	células	da	camada	basal,	de	núcleo	central	e	
citoplasma	com	feixes	de	filamentos	de	queratina	
(tonofilamentos).	Nessa	camada	os	queratinócitos	estão	
unidos	entre	si	por	inúmeras	junções	intercelulares	do	
tipo	desmossomo.	Em	preparações	histológicas,	essas	
junções	aparecem	como	pequenas	projeções	celulares,	
o	que	confere	a	cada	célula	um	aspecto	espinhoso.	Ao	
microscópio	eletrônico,	verifica-se	que	os	
tonofilamentos	terminam	inserindo-se	nos	
espessamentos	citoplasmáticos	dos	desmossomos.	Os	
filamentos	de	queratina	e	os	desmossomos	têm	
importante	papel	na	manutenção	da	coesão	entre	as	
células	da	epiderme	e	na	resistência	ao	atrito.	
	
	
	
Corte	de	pele	espessa,	na	qual	podem	ser	observadas	a	
epiderme	com	suas	várias	camadas:	basal	(junto	à	
membrana	basal	e	à	derme),	espinhosa,	granulosa,	
lúcida	e	córnea.	
	
Þ A	camada	granulosa	tem	apenas	três	a	cinco	
fileiras	de	células	poligonais	achatadas,	núcleo	central	e	
citoplasma	carregado	de	grânulos	basófilos,	chamados	
de	grânulos	de	querato-hialina,	que	não	são	envolvidos	
por	membrana.	Esses	grânulos	contêm	uma	proteína	
rica	em	histidina	fosforilada	e	também	proteínas	com	
cisteína.	Os	grânulos	de	querato-hialina	são	importantes	
para	a	condensação	dos	tonofilamentos,	previamente	à	
formação	da	camada	córnea.	Outra	característica	das	
células	da	camada	granulosa,	que	somente	pode	ser	
visualizada	ao	microscópio	eletrônico,	são	os	grânulos	
lamelares,	com	0,1	a	0,3	mm,	que	contêm	discos	
lamelares	formados	por	bicamadas	lipídicas	e	são	
envoltos	por	membrana.	Esses	grânulos	se	fundem	com	
a	membrana	plasmática	e	expulsam	seu	conteúdo	para	
o	espaço	intercelular	da	camada	granulosa,	onde	o	
material	lipídico	se	deposita,	contribuindo	para	a	
formação	de	uma	barreira	contra	a	penetração	de	
substâncias	e	para	tornar	a	pele	impermeável	à	água,	
impedindo	a	desidratação	do	organismo.		
	
Células	da	camada	espinhosa	da	epiderme	
	
Þ A	camada	lúcida,	mais	evidente	na	pele	espessa,	
é	constituída	por	uma	delgada	camada	de	células	
achatadas,	eosinófilas	e	translúcidas,	cujos	núcleos	e	
organelas	citoplasmáticas	foram	digeridos	por	enzimas	
dos	lisossomos	e	desapareceram.	O	citoplasma	
apresenta	numerosos	filamentos	de	queratina,	
compactados	e	envolvidos	por	material	elétron-denso.	
Ainda	se	podem	ver	desmossomos	entre	as	células	ao	
microscópio	eletrônico,	mas	as	células	são	
indistinguíveis	ao	microscópio	óptico.	
	
A.	Célula	da	camada	espinhosa,	mostrando	seu	núcleo	e	
o	citoplasma	com	feixes	de	filamentos	intermediários	e	
grânulos	de	melanina.	De	cada	lado	da	célula,	são	bem	
visíveis	as	pequenas	expansões	citoplasmáticas	que	se	
tocam	com	as	células	adjacentes	(setas).	B.	Observam-se	
as	pequenas	expansões	citoplasmáticas	(setas	
superiores)	de	duas	células	adjacentes,	com	os	
desmossomos	e	espaços	intercelulares	(setas	inferiores).	
C.	Observam-se	vários	desmossomos,	nos	quais	podem	
ser	vistas	claramente	duas	linhas	escuras,	paralelas	e	
grossas.	Entre	elas	aparecem	três	linhas	finas,	também	
paralelas	(mais	visíveis	no	desmossomo	indicado	pela	
seta).	Na	porção	superior,	feixes	de	filamentos	
intermediários	inserindo-se	nos	desmossomos.	
	
Þ A	camada	córnea	tem	espessura	muito	variável	
e	é	constituída	por	células	achatadas,	mortas	e	sem	
núcleo,	cujo	citoplasma	se	apresenta	repleto	de	
queratina.	A	composição	dos	tonofilamentos	se	
modifica	à	medida	que	os	queratinócitos	se	
diferenciam.	Na	camada	córnea	os	tonofilamentos	se	
aglutinam	junto	com	uma	matriz	formada	pelos	
grânulos	de	querato-hialina.	Nessa	etapa	da	
diferenciação,	os	queratinócitos	estão	transformados	
em	placas	sem	vida	e	descamam	continuamente.	
Þ Essa	descrição	da	epiderme	corresponde	à	
epiderme	na	sua	maior	complexidade,	que	é	encontrada	
na	pele	espessa.	Na	pele	fina,	a	epiderme	é	mais	
simples,	faltando	frequentemente	as	camadas	
granulosa	e	lúcida,	e	apresenta	uma	camada	córnea	
muito	reduzida.	
	
DERME	
Þ É	o	tecido	conjuntivo	em	que	se	apoia	a	
epiderme	e	que	une	a	pele	ao	tecido	subcutâneo,	ou	
hipoderme.	A	derme	apresentaespessura	variável	de	
acordo	com	a	região	observada,	alcançando	um	
máximo	de	3	mm	na	planta	do	pé.	Sua	superfície	
externa	é	irregular,	observando-se	saliências,	as	papilas	
dérmicas,	que	acompanham	as	reentrâncias	
correspondentes	da	epiderme.	As	papilas	são	mais	
frequentes	nas	zonas	sujeitas	a	pressões	e	atritos.	
Þ A	derme	oferece	suporte	à	epiderme	e	é	
essencial	para	a	sua	nutrição,	já	que	a	epiderme	não	é	
vascularizada.	Além	disso,	os	vasos	sanguíneos	da	
derme	são	importantes	para	a	função	de	
termorregulação	da	pele.		
Þ A	derme	é	também	importante	para	a	
percepção	sensorial	(tato,	temperatura,	dor)	e	para	a	
defesa	imunológica	da	pele.	
Þ A	derme	é	constituída	por	duas	camadas	de	
limites	pouco	distintos:	a	papilar,	superficial,	e	a	
reticular,	mais	profunda.	
Þ A	camada	papilar	é	delgada,	constituída	por	
tecido	conjuntivo	frouxo	que	forma	as	papilas	
dérmicas.	Nessa	camada	foram	descritas	fibrilas	
especiais	de	colágeno,	que,	por	um	lado,	se	inserem	na	
membrana	basal	e,	por	outro,	penetram	
profundamente	a	derme.	Essas	fibrilas	contribuem	para	
prender	a	derme	à	epiderme.	Os	pequenos	vasos	
sanguíneos	observados	nessa	camada	são	responsáveis	
pela	nutrição	e	oxigenação	da	epiderme.	
	
Melanócitos	
	
Þ A	cor	da	pele	se	deve	a	vários	fatores,	e	os	de	
maior	importância	são:	seu	conteúdo	em	melanina	e	
caroteno,	a	quantidade	de	capilares	na	derme	e	a	cor	
do	sangue	nesses	capilares.	A	pigmentação	da	pele	é	
regulada	por	fatores	genéticos,	ambientais	e	
endócrinos,	que	modulam	a	quantidade,	o	tipo	e	a	
distribuição	de	melaninas	na	pele,	nos	pelos	e	nos	
olhos.	
Þ A	melanina	é	um	pigmento	de	cor	marrom-
escura,	produzido	pelos	melanócitos,	que	se	
encontram	na	junção	da	derme	com	a	epiderme	ou	
entre	os	queratinócitos	da	camada	basal	da	epiderme.	
Os	melanócitos	são	células	que	se	originam	das	cristas	
neurais	do	embrião	e	invadem	a	pele	entre	a	12a	e	a	
14a	semana	da	vida	intrauterina.	Apresentam	
citoplasma	globoso,	de	onde	partem	prolongamentos	
que	penetram	as	reentrâncias	das	células	das	camadas	
basal	e	espinhosa	e	transferem	os	grânulos	de	
melanina	para	as	células	dessas	camadas.	Os	
melanócitos	se	prendem	à	membrana	basal	por	meio	
de	hemidesmossomos.	
Þ A	melanina	é	sintetizada	nos	melanócitos	com	a	
participação	da	enzima	tirosinase.	Nas	vesículas	
(melanossomos)	que	se	inicia	a	síntese	da	melanina.	
Inicialmente	coexistem	melanina	e	tirosinase	nos	
melanossomos.	Quando	cessa	a	síntese	de	melanina,	o	
melanossomo	está	repleto	de	melanina	e	perde	sua	
atividade	tirosinásica,	recebendo,	então,	o	nome	de	
grânulo	de	melanina.	
Þ Uma	vez	formados,	os	grânulos	de	melanina	
migram	pelos	prolongamentos	dos	melanócitos	e	são	
injetados,	por	mecanismo	pouco	conhecido,	no	
citoplasma	dos	queratinócitos,	que	funcionam	como	
depósitos	de	melanina	e	contêm	maior	quantidade	
desse	pigmento	do	que	os	melanócitos.	Os	grânulos	de	
melanina	se	fundem	com	os	lisossomos	dos	
queratinócitos;	por	isso,	as	células	mais	superficiais	da	
epiderme	não	têm	melanina.	Nas	células	epiteliais	os	
grânulos	de	melanina	localizam-se	em	posição	
supranuclear,	oferecendo	proteção	máxima	ao	ácido	
desoxirribonucleico	(DNA)	contra	os	efeitos	
prejudiciais	da	radiação	solar.	
Þ O	bronzeamento	da	pele	por	exposição	à	luz	do	
sol	ocorre	inicialmente	em	razão	do	escurecimento	da	
melanina	preexistente	e	da	aceleração	da	
transferência	de	melanina	para	os	queratinócitos.	Em	
uma	segunda	etapa,	a	síntese	da	melanina	é	
aumentada.	
	
Þ A	camada	reticular	é	mais	espessa,	constituída	
por	tecido	conjuntivo	denso.	Ambas	as	camadas	contêm	
muitas	fibras	do	sistema	elástico,	responsáveis,	em	
parte,	pela	elasticidade	da	pele.	Além	dos	vasos	
sanguíneos	e	linfáticos,	e	dos	nervos,	também	são	
encontradas	na	derme	as	seguintes	estruturas,	
derivadas	da	epiderme:	folículos	pilosos,	glândulas	
sebáceas	e	glândulas	sudoríparas.	
	
HIPODERME	
Þ É	formada	por	tecido	conjuntivo	frouxo,	que	une	
de	maneira	pouco	firme	a	derme	aos	órgãos	
subjacentes.	É	a	camada	responsável	pelo	deslizamento	
da	pele	sobre	as	estruturas	nas	quais	se	apoia.	
	
Þ Desenho	de	um	melanócito.	Seus	
prolongamentos	citoplasmáticos	se	insinuam	entre	as	
células	da	camada	basal	da	epiderme.	Esses	
prolongamentos	estão	cheios	de	grânulos	de	melanina,	
que	são	transferidos	para	o	citoplasma	dos	
queratinócitos.	
	
Þ Melanócito	mostrando	o	processo	de	
melanogênese.	A	tirosinase	é	sintetizada	no	retículo	
endoplasmático	granuloso	e	daí	passa	ao	complexo	de	
Golgi,	onde	é	acumulada	em	vesículas.	Estas,	uma	vez	
livres	no	citoplasma	e	cheias	de	tirosinase,	são	os	
melanossomos	I.	É	nelas	que	se	inicia	a	síntese	da	
melanina,	graças	à	ação	da	tirosinase	sobre	a	tirosina.	
As	vesículas	com	tirosinase	e	melanina	são	os	
melanossomos	II	e	III.	A	etapa	seguinte	do	processo	é	o	
desaparecimento	da	tirosinase,	constituindo-se	os	
grânulos	de	melanina,	os	quais	são	transferidos	para	os	
queratinócitos	por	meio	dos	prolongamentos	dos	
melanócitos.	
	
Þ Epiderme	mostrando	acúmulos	de	melanina	em	
queratinócitos.	A	melanina	protege	o	DNA	da	radiação	
ultravioleta	do	sol,	que	provoca	mutações	genéticas,	
acumulando-se	principalmente	sobre	os	núcleos	das	
células.	A	melanina	é	produzida	pelos	melanócitos	na	
camada	basal	e	transferida	aos	queratinócitos	vizinhos.	
	
Células	de	Langerhans	
	
Þ As	células	de	Langerhans	localizam-se	em	toda	a	
epiderme	entre	os	queratinócitos;	porém,	são	mais	
frequentes	na	camada	espinhosa.	Possuem	muitos	
prolongamentos;	contudo,	em	preparações	histológicas	
comuns,	aparecem	arredondadas,	com	um	halo	claro	ao	
seu	redor,	separando-as	dos	queratinócitos.	Essas	
células	se	originam	de	células	precursoras	da	medula	
óssea	que	são	transportadas	pelo	sangue	circulante.	As	
células	de	Langerhans	são	móveis,	capazes	de	captar	
antígenos,	processá-los	e	apresentá-los	aos	linfócitos	T,	
participando	da	defesa	imunológica	na	pele	e	exercendo	
um	papel	importante	nas	reações	imunitárias	cutâneas.	
	
Células	de	Merkel	
	
Essas	células	existem	em	maior	quantidade	na	pele	
espessa	da	palma	das	mãos	e	da	planta	dos	pés,	
especialmente	nas	pontas	dos	dedos,	onde	a	
sensibilidade	tátil	é	maior.	Apresentam	pequenos	
grânulos	citoplasmáticos	elétron-densos,	de	composição	
desconhecida.	As	células	de	Merkel,	que	se	originam	de	
precursores	epidérmicos,	localizam-se	na	parte	profunda	
da	epiderme,	apoiadas	na	membrana	basal	e	unidas	aos	
queratinócitos	por	meio	de	desmossomos.	Em	contato	
com	a	base	das	células	de	Merkel	existe	uma	estrutura	
em	forma	de	disco,	onde	se	inserem	fibras	nervosas	
aferentes	(conduzem	impulsos	para	o	sistema	nervoso	
central).	As	células	de	Merkel	são	mecanorreceptores	
(sensibilidade	tátil),	embora	existam	algumas	evidências	
de	que	elas	também	participem	do	sistema	
neuroendócrino	difuso,	secretando	neuropeptídios	que	
podem	potencialmente	regular	a	função	de	
queratinócitos,	fibroblastos,	células	imunitárias,	vasos	
próximos	e	neurônios.	
	
Þ Camadas	papilar	e	reticular	da	derme.	A	camada	
papilar	é	constituída	por	tecido	conjuntivo	frouxo	e	
contém	as	papilas	dérmicas.	A	camada	reticular	é	
constituída	por	tecido	conjuntivo	denso,	com	feixes	
grossos	de	fibras	de	colágeno	tipo	I.	
	
	
Þ A espessura das fibras se reduz gradualmente à 
medida que elas se aproximam da epiderme. As mais 
grossas são as fibras elásticas, as de diâmetro 
intermediário são as elaunínicas, e as mais finas, 
próximas à epiderme, são as fibras oxitalânicas, que se 
prendem à membrana basal localizada entre a derme e 
a epiderme. 
 
 
Þ Fibras	do	sistema	elástico	
	
Þ Dependendo	da	região	e	do	grau	de	nutrição	do	
organismo,	a	hipoderme	pode	ter	uma	camada	variável	
de	tecido	adiposo,	que,	quando	desenvolvida,	constitui	
o	panículo	adiposo.	Este	modela	o	corpo,	é	uma	reserva	
de	energia	e	proporciona	proteção	contra	o	frio	(a	
gordura	é	um	bom	isolante	térmico).	
	
VASOS	E	RECEPTORES	SENSORIAIS	DA	PELE	
Þ Os	vasos	arteriais	que	suprem	a	pele	formam	
dois	plexos:	um	que	se	situa	no	limite	entre	a	derme	e	a	
hipoderme	e	outroentre	as	camadas	reticular	e	papilar.	
Deste	último	plexo	partem	finos	ramos	para	as	papilas	
dérmicas;	cada	papila	tem	uma	única	alça	vascular,	com	
um	ramo	arterial	ascendente	e	um	venoso	descendente.	
Þ Existem	três	plexos	venosos	na	pele:	dois	nas	
posições	descritas	para	as	artérias	e	mais	um	na	região	
média	da	derme.	Frequentemente,	encontram-se	na	
pele	anastomoses	arteriovenosas	com	glomus,	que	têm	
papel	importante	nos	mecanismos	de	termorregulação.	
Þ O	sistema	de	vasos	linfáticos	inicia-se	nas	
papilas	dérmicas	como	capilares	em	fundo	cego,	que	
convergem	para	um	plexo	entre	as	camadas	papilar	e	
reticular.	Desse	plexo	partem	ramos	para	outro	plexo	
localizado	no	limite	da	derme	com	a	hipoderme;	
portanto,	na	mesma	localização	dos	vasos	sanguíneos	
arteriais.	
Þ Uma	das	funções	mais	importantes	da	pele,	
graças	à	sua	grande	extensão	e	à	sua	abundante	
inervação	sensorial,	é	receber	estímulos	do	meio	
ambiente,	já	que	ela	é	o	receptor	sensorial	mais	extenso	
do	organismo.		
Þ Além	das	numerosas	terminações	nervosas	
livres	localizadas	na	epiderme,	nos	folículos	pilosos	e	
nas	glândulas,	existem	receptores	encapsulados	e	não	
encapsulados	na	derme	e	na	hipoderme,	sendo	mais	
frequentes	nas	papilas	dérmicas.	As	terminações	
nervosas	livres	são	sensíveis	ao	toque	e	à	pressão	
(receptores	táteis),	bem	como	a	variações	de	
temperatura,	e	estão	associadas	a	dor,	coceira	e	outras	
sensações.	Os	receptores	encapsulados	são	os	
corpúsculos	de	Ruffini,	Vater-Pacini,	Meissner	e	Krause.	
Há	evidências	que	mostram	que	os	corpúsculos	
mencionados	não	são	necessários	para	a	sensibilidade	
cutânea.	Muitas	áreas	da	pele	são	desprovidas	desses	
corpúsculos,	porém	têm	sensibilidade.	No	entanto,	
quando	são	encontrados,	eles	funcionam	como	
mecanorreceptores.	Os	corpúsculos	de	Vater-Pacini	e	os	
de	Ruffini	são	encontrados	também	no	tecido	
conjuntivo	de	órgãos	situados	nas	partes	profundas	do	
corpo,	em	que	provavelmente	são	sensíveis	aos	
movimentos	dos	órgãos	e	às	pressões	de	uns	órgãos	
sobre	os	outros.	
	
PELOS	
Þ Os	pelos	são	estruturas	delgadas	e	
queratinizadas	que	se	desenvolvem	a	partir	de	uma	
invaginação	da	epiderme.	A	cor,	o	tamanho	e	a	
disposição	deles	variam	de	acordo	com	a	cor	da	pele	e	
a	região	do	corpo.	São	observados	em	quase	toda	a	
superfície	corporal,	com	exceção	de	algumas	regiões	
bem	delimitadas.	Os	pelos	são	estruturas	que	crescem	
descontinuamente,	intercalando	fases	de	repouso	com	
fases	de	crescimento,	cuja	duração	é	variável	de	uma	
região	para	outra.	No	couro	cabeludo,	por	exemplo,	a	
fase	de	crescimento	é	muito	longa,	durando	vários	
anos,	enquanto	a	fase	de	repouso	é	da	ordem	de	3	
meses.	As	características	dos	pelos	de	determinadas	
regiões	do	corpo	(face	e	região	pubiana)	são	
influenciadas	por	hormônios,	principalmente	os	
hormônios	sexuais.	
	
Þ Tipos	de	receptores	sensoriais	encontrados	na	
pele.	
	
Þ Papila	dérmica	contendo	um	corpúsculo	de	
Meissner.	
	
Þ Cada	pelo	se	origina	de	uma	invaginação	da	
epiderme,	o	folículo	piloso	que,	no	pelo	em	fase	de	
crescimento,	apresenta-se	com	uma	dilatação	terminal,	
o	bulbo	piloso,	em	cujo	centro	se	observa	uma	papila	
dérmica.	As	células	que	recobrem	a	papila	dérmica	
formam	a	raiz	do	pelo,	de	onde	emerge	o	eixo	do	pelo.	
Þ Na	fase	de	crescimento,	as	células	da	raiz	
multiplicam-se	e	diferenciam-se	em	vários	tipos	
celulares.	Em	certos	tipos	de	pelos	grossos,	as	células	
centrais	da	raiz	produzem	células	grandes,	vacuolizadas	
e	fracamente	queratinizadas,	que	formam	a	medula	do	
pelo.	Ao	redor	da	medula	diferenciam-se	células	mais	
queratinizadas	e	dispostas	compactamente,	formando	o	
córtex	do	pelo.	Células	mais	periféricas	formam	a	
cutícula	do	pelo,	constituída	por	células	fortemente	
queratinizadas	que	se	dispõem	envolvendo	o	córtex	
como	escamas.	Finalmente,	das	células	epiteliais	mais	
periféricas	de	todas,	originam-se	duas	bainhas	epiteliais	
(uma	interna	e	outra	externa),	que	envolvem	o	eixo	do	
pelo	na	sua	porção	inicial.	A	bainha	externa	se	continua	
com	o	epitélio	da	epiderme,	enquanto	a	interna	
desaparece	na	altura	da	região	onde	desembocam	as	
glândulas	sebáceas	no	folículo.		
Þ Separando	o	folículo	piloso	do	tecido	conjuntivo	
que	o	envolve,	encontra-se	uma	membrana	basal	muito	
desenvolvida,	que	recebe	o	nome	de	membrana	vítrea.	
O	conjuntivo	que	envolve	o	folículo	apresenta-se	mais	
espesso,	formando	a	bainha	conjuntiva	do	folículo	
piloso.	Dispostos	obliquamente	e	inseridos	de	um	lado	
nessa	bainha	e	do	outro	na	camada	papilar	da	derme,	
encontram-se	os	músculos	eretores	dos	pelos,	cuja	
contração	puxa	o	pelo	para	uma	posição	mais	vertical,	
tornando-o	eriçado.	
	
Corpúsculo	de	Vater-Pacini,	receptor	sensorial	da	pele,	
frequentemente	localizado	na	derme	profunda	e	na	
hipoderme.	
	
Þ Folículo	piloso.	O	folículo	piloso	apresenta	uma	
dilatação	terminal,	o	bulbo	piloso,	que	contém	a	papila	
dérmica.	Recobrindo	a	papila	dérmica	estão	as	células	
que	formam	a	raiz	do	pelo.	As	células	centrais	da	raiz	
do	pelo	(A)	produzem	células	grandes,	vacuolizadas	e	
fracamente	queratinizadas,	que	formam	a	medula	do	
pelo.	Em	seguida,	lateralmente,	aparecem	células	que	
dão	origem	ao	córtex	(B)	do	pelo.	Células	epiteliais	
mais	periféricas	dão	origem	às	bainhas	interna	(C)	e	
externa.	A	bainha	externa	continua-se	com	o	epitélio	
da	epiderme,	e	a	bainha	interna	desaparece	na	altura	
da	região	onde	desembocam	as	glândulas	sebáceas	no	
folículo.	Entre	o	folículo	piloso	e	o	conjuntivo	que	fica	
em	volta,	situa-se	a	membrana	vítrea.	
	
Þ Pele	com	folículo	piloso,	glândula	sebácea,	
músculo	eretor	do	pelo	e	uma	glândula	sudorípara,	
cujo	ducto	tem	um	trajeto	helicoidal	ao	atravessar	a	
epiderme.	O	curto	ducto	da	glândula	sebácea	abre-se	
no	folículo	piloso,	na	região	entre	a	inserção	do	
músculo	eretor	e	a	epiderme.	O	músculo	eretor	do	
pelo	se	insere,	de	um	lado,	na	camada	papilar	da	
derme,	e	do	outro,	na	bainha	de	conjuntivo	do	folículo	
piloso;	é	um	músculo	liso	e,	portanto,	involuntário.	Sua	
contração	eriça	o	pelo.	
Þ Embora	os	processos	de	queratinização	pareçam	
semelhantes	na	epiderme	e	no	pelo,	eles	diferem	em	
alguns	aspectos:	
■	Enquanto	a	epiderme	produz	uma	camada	superficial	
de	células	mortas	contendo	queratina	relativamente	
mole,	com	pouca	adesividade	e	que	se	descama	
continuamente,	no	pelo	acontece	o	oposto.	Os	pelos	
têm	uma	estrutura	compacta	constituída	de	queratina	
mais	dura.	
■	Na	epiderme,	o	processo	de	diferenciação	e	
queratinização	é	contínuo	e	tem	lugar	sobre	toda	a	
superfície.	No	pelo,	ele	é	intermitente	e	localizado	no	
bulbo	piloso.	A	papila	do	pelo	tem	ação	indutiva	sobre	o	
epitélio	que	o	recobre,	o	que	explica	a	ausência	de	pelos	
quando	ocorre	a	destruição	da	papila	
■	Enquanto	na	epiderme	as	células	se	diferenciam	de	
modo	uniforme,	resultando	na	camada	córnea,	as	
células	epiteliais	da	raiz	do	pelo	diferenciam-se	em	
múltiplos	tipos	celulares,	cada	qual	com	sua	
ultraestrutura,	histoquímica	e	funções	características.	A	
atividade	mitótica	das	células	dos	folículos	dos	pelos	é	
influenciada	pelos	hormônios	androgênicos	(hormônios	
masculinos).	
	
UNHAS	
Þ As	unhas	são	placas	de	células	queratinizadas	
localizadas	na	superfície	dorsal	das	falanges	terminais	
dos	dedos.	Sua	porção	proximal	é	chamada	de	raiz	da	
unha.	O	epitélio	da	dobra	de	pele	que	cobre	a	raiz	da	
unha	consiste	nas	camadas	usuais	da	epiderme,	e	a	
camada	córnea	desse	epitélio	forma	a	cutícula	da	
unha.	É	na	raiz	da	unha	que	se	observa	sua	formação,	
graças	a	um	processo	de	proliferação	e	diferenciação	
das	células	epiteliais	aí	colocadas,	que	gradualmente	
se	queratinizam,	formando	uma	placa	córnea.		
Þ A	unha	é	constituída	essencialmente	por	
escamas	córneas	compactas,	fortemente	aderidas	
umas	às	outras.	Elas	crescem	deslizando	sobre	o	leito	
ungueal,	que	tem	estrutura	típica	de	pele	e	não	
participa	na	firmação	da	unha.	A	transparência	da	
unha	e	a	pequena	espessura	do	epitélio	do	leito	
ungueal	possibilitam	observar	a	cor	do	sangue	dos	
vasos	da	derme,	constituindo	uma	maneira	de	se	
avaliar	aoxigenação	sanguínea.	
	
GLÂNDULAS	DA	PELE	
►	Glândulas	sebáceas	
Þ As	glândulas	sebáceas	situam-se	na	derme,	e	os	
seus	ductos,	revestidos	por	epitélio	estratificado,	
geralmente	desembocam	nos	folículos	pilosos.		
Þ Em	algumas	regiões	(lábio,	mamilos,	glande	e	
pequenos	lábios	da	vagina),	porém,	os	ductos	abrem-
se	diretamente	na	superfície	da	pele.		
Þ A	pele	da	palma	das	mãos	e	a	da	planta	dos	pés	
não	têm	glândulas	sebáceas.	As	glândulas	sebáceas	
são	acinosas,	e	geralmente	vários	ácinos	desembocam	
em	um	ducto	curto.	Os	ácinos	são	formados	por	uma	
camada	externa	de	células	epiteliais	achatadas	que	
repousam	sobre	uma	membrana	basal.	Essas	células	
proliferam	e	se	diferenciam	em	células	arredondadas,	
que	acumulam	no	citoplasma	o	produto	de	secreção,	
de	natureza	lipídica.	Os	núcleos	tornam-se	
gradualmente	condensados	e	desaparecem.	As	células	
mais	centrais	do	ácino	morrem	e	se	rompem,	
formando	a	secreção	sebácea.	A	atividade	secretora	
dessas	glândulas	é	muito	pequena	até	a	puberdade,	
quando	é	estimulada	pelos	hormônios	sexuais.	As	
glândulas	sebáceas	são	um	exemplo	de	glândula	
holócrina,	pois	a	formação	da	secreção	resulta	na	
morte	das	células.	A	secreção	sebácea	é	uma	mistura	
complexa	de	lipídios,	que	contém	triglicerídios,	ácidos	
graxos	livres,	colesterol	e	ésteres	de	colesterol.	
	
Þ Glândulas	sebáceas	associadas	a	um	folículo	
piloso.	B.	Ácinos	de	glândula	sebácea,	apresentando	
uma	camada	externa	de	células	achatadas	e	células	
centrais	mais	arredondadas	com	aspecto	claro.	Esse	
aspecto	claro	deve-se	ao	conteúdo	lipídico	da	secreção	
sebácea.	
Þ A	secreção	sebácea	é	contínua	e	muito	
aumentada	na	puberdade,	em	consequência	da	
produção	acelerada	de	hormônios	sexuais.	Qualquer	
distúrbio	no	fluxo	da	secreção	sebácea	para	a	
superfície	da	epiderme	pode	provocar	uma	inflamação	
crônica	nos	ductos	obstruídos,	o	que	se	denomina	
acne.	Embora	possa	ocorrer	em	qualquer	idade,	
exceto	na	infância,	a	acne	é	muito	mais	frequente	na	
puberdade.	
	
►	Glândulas	sudoríparas	
Þ As	glândulas	sudoríparas	merócrinas	são	muito	
numerosas	e	encontradas	em	toda	a	pele,	excetuando-
se	certas	regiões,	como	a	glande.	
Þ 	Essas	glândulas	são	tubulosas	simples	
enoveladas,	cujos	ductos	se	abrem	na	superfície	da	
pele.	Os	ductos	não	se	ramificam	e	têm	menor	
diâmetro	do	que	a	porção	secretora,	que	se	encontra	
na	derme.		
Þ As	células	secretoras	são	piramidais,	e	entre	elas	
e	a	membrana	basal	estão	localizadas	as	células	
mioepiteliais,	que	ajudam	a	expulsar	o	produto	de	
secreção.	Nessas	glândulas	existem	dois	tipos	de	
células	secretoras,	as	células	escuras	e	as	células	
claras.		
Þ As	escuras	são	adjacentes	ao	lúmen,	e	as	claras	
localizam-se	entre	as	células	escuras	e	as	mioepiteliais.	
Þ O	ápice	das	células	escuras	apresenta	muitos	
grânulos	de	secreção	que	contêm	glicoproteínas,	e	o	
citoplasma	é	rico	em	retículo	endoplasmático	
granuloso.	As	células	claras	não	contêm	grânulos	de	
secreção	e	são	pobres	em	retículo	endoplasmático	
granuloso,	mas	contêm	muitas	mitocôndrias.	Entre	
elas	existem	delgados	espaços	intercelulares	
(canalículos).	As	células	claras	apresentam	muitas	
dobras	da	membrana	plasmática,	uma	característica	
das	células	que	participam	do	transporte	transepitelial	
de	fluido	e	sais.	Essas	características	estruturais	
sugerem	que	a	função	das	células	claras	seja	produzir	
a	parte	aquosa	do	suor.	
Þ O	ducto	da	glândula	abre-se	na	superfície	da	
pele	e	segue	um	curso	em	hélice	ao	atravessar	a	
epiderme.	Apresenta-se	constituído	por	epitélio	cúbico	
estratificado	(duas	camadas	de	células),	que	repousa	
sobre	a	membrana	basal.	As	células	da	camada	mais	
externa	do	revestimento	dos	ductos,	em	contato	com	
a	membrana	basal,	apresentam	invaginações	da	
membrana	plasmática	e	citoplasma	rico	em	
mitocôndrias,	que	são	aspectos	característicos	de	
células	que	transportam	íons	e	água.	
	
Þ O	suor	secretado	por	essas	glândulas	é	uma	
solução	extremamente	diluída,	que	contém	
pouquíssima	proteína,	além	de	sódio,	potássio,	
cloreto,	ureia,	amônia	e	ácido	úrico.		
Þ Além	das	glândulas	sudoríparas	merócrinas,	nas	
axilas,	nas	regiões	perianal	e	pubiana,	bem	como	na	
aréola	mamária,	existem	glândulas	de	maior	tamanho	
(3	a	5	mm),	com	partes	secretoras	muito	dilatadas,	as	
glândulas	sudoríparas	apócrinas,	localizadas	na	derme	
e	na	hipoderme.	Há	fortes	indicações	de	que	essas	
glândulas	secretem	pelo	processo	merócrino,	mas	o	
nome	de	glândulas	sudoríparas	apócrinas	tornou-se	
consagrado	pelo	uso.	
Þ Os	ductos	dessas	glândulas	desembocam	em	um	
folículo	piloso,	e	o	lúmen	de	suas	partes	secretoras	é	
dilatado.	A	secreção	é	ligeiramente	viscosa	e	inodora,	
mas	adquire	um	odor	desagradável	e	característico	
pela	ação	das	bactérias	da	pele.	Na	mulher,	as	
glândulas	apócrinas	axilares	passam	por	alterações	
durante	o	ciclo	menstrual.	As	glândulas	apócrinas	são	
inervadas	por	fibras	adrenérgicas,	enquanto	as	
merócrinas	o	são	por	fibras	colinérgicas.	As	glândulas	
de	Moll	da	margem	das	pálpebras	e	as	de	cerume	do	
ouvido	são	glândulas	sudoríparas	modificadas.	
	
	
Estratos	da	epiderme	de	uma	pele	espessa	
	
	
Estratos	da	epiderme	de	uma	pele	fina	
	
Visão	Geral	do	Reparo	Tecidual	
Þ A	resposta	inflamatória	a	microrganismos	e	
tecidos	lesados	não	serve	apenas	para	eliminar	esses	
perigos,	mas	também	inicia	o	processo	de	reparo.	
Þ O	reparo	ocorre	por	meio	de	dois	tipos	de	
reações:	regeneração	por	proliferação	das	células	
residuais	(não	lesadas)	e	maturação	de	células-tronco	
teciduais	e	deposição	de	tecido	conjuntivo	para	formar	
uma	cicatriz.	
	
Regeneração	
Þ Alguns	tecidos	são	capazes	de	substituir	os	
componentes	lesados	e	retornar	ao	estado	normal;	
esse	processo	é	chamado	regeneração.		
Þ A	regeneração	ocorre	por	meio	da	proliferação	
das	células	que	sobrevivem	à	lesão	e	que	mantêm	a	
capacidade	proliferativa	como,	por	exemplo,	o	epitélio	
que	se	divide	rapidamente,	na	pele	e	nos	intestinos,	e	
em	alguns	órgãos	parenquimais,	principalmente	o	
fígado.	Em	outros	casos,	as	células-tronco	teciduais	
podem	contribuir	para	a	restauração	dos	tecidos	
lesados.		
	
Deposição	de	tecido	conjuntivo	(formação	de	cicatriz).	
Þ Se	os	tecidos	lesados	são	incapazes	de	
regeneração	completa	ou	se	as	estruturas	de	suporte	do	
tecido	são	gravemente	lesadas,	o	reparo	ocorre	por	
deposição	de	tecido	conjuntivo	(fibrose),	um	processo	
que	resulta	na	formação	de	cicatriz.		
Þ Embora	a	cicatriz	fibrosa	não	possa	realizar	a	
função	das	células	perdidas	do	parênquima,	ela	
proporciona	estabilidade	estrutural	suficiente	para	
tornar	o	tecido	lesado	capaz	de	funcionar.	O	termo	
fibrose	é	mais	frequentemente	usado	para	descrever	a	
extensa	deposição	de	colágeno	que	ocorre	nos	
pulmões,	fígado,	rins	e	outros	órgãos,	como	
consequência	da	inflamação	crônica,	ou	no	miocárdio	
após	extensa	necrose	isquêmica	(infarto).		
	
	
	
Regeneração	das	Células	e	Tecidos	
Þ A	regeneração	das	células	e	tecidos	lesados	
envolve	proliferação	celular,	que	é	dirigida	pelos	fatores	
de	crescimento	e	é	criticamente	dependente	da	
integridade	da	matriz	extracelular	e	do	
desenvolvimento	de	células	maduras	a	partir	de	células-
tronco.		
	
Proliferação	Celular:	Sinais	e	Mecanismos	de	Controle	
Þ Vários	tipos	celulares	proliferam	durante	o	
reparo	do	tecido.	Entre	eles	estão	as	células	
remanescentes	do	tecido	lesado	(que	tentam	restaurar	
a	estrutura	normal),	as	células	endoteliais	vasculares	
(criam	novos	vasos	que	fornecem	os	nutrientes	
necessários	para	o	processo	de	reparo)	e	os	fibroblastos	
(fonte	de	tecido	fibroso	que	forma	a	cicatriz	que	
preenche	os	defeitos	que	não	são	corrigidos	por	
regeneração).	
Þ A	capacidade	de	reparo	dos	tecidos	é	
determinada,	em	parte,	pela	sua	capacidade	intrínseca	
de	proliferação.		
Þ Em	alguns	tecidos	(às	vezes	chamados	tecidos	
lábeis),	as	células	são	constantemente	perdidas	e	
continuamente	substituídas	por	novas	células	derivadas	
de	células-tronco	teciduais	e	progenitores	imaturos	que	
proliferam	rapidamente.	Esses	tipos	de	tecidos	incluem	
células	hematopoéticas	damedula	óssea	e	muitos	
epitélios	superficiais,	como	as	camadas	basais	do	
epitélio	escamoso	da	pele,	cavidade	bucal,	vagina	e	colo	
do	útero;	o	epitélio	cuboide	dos	ductos	de	drenagem	de	
órgãos	exócrinos	(p.	ex.,	glândulas	salivares,	pâncreas,	
trato	biliar);	o	epitélio	colunar	do	trato	gastrointestinal,	
útero	e	tubas	uterinas;	e	o	epitélio	de	transição	do	trato	
urinário.		
Þ Esses	tecidos	podem	regenerar	imediatamente	
após	uma	lesão,	desde	que	o	pool	(grupo)	de	células-
tronco	esteja	preservado.	
Þ Outros	tecidos	(chamados	tecidos	estáveis)	são	
constituídos	por	células	que	normalmente	estão	no	
estágio	G0	do	ciclo	celular	e,	portanto,	não	proliferam,	
mas	são	capazes	de	se	dividir	em	resposta	à	lesão	ou	à	
perda	de	massa	tecidual.	Entre	esses	tecidos	está	o	
parênquima	da	maioria	dos	órgãos	sólidos,	como	fígado,	
rim	e	pâncreas.		
Þ As	células	endoteliais,	os	fibroblastos	e	as	
células	musculares	lisas	geralmente	também	são	
quiescentes,	mas	podem	proliferar	em	resposta	aos	
fatores	de	crescimento,	uma	reação	que	é	
particularmente	importante	para	a	cicatrização	das	
feridas.	
Þ Alguns	tecidos	(chamados	tecidos	permanentes)	
consistem	em	células	não	proliferativas	terminalmente	
diferenciadas,	como	a	maioria	dos	neurônios	e	células	
musculares	cardíacas.	A	lesão	desses	tecidos	é	
irreversível	e	resulta	em	cicatriz,	porque	as	células	não	
podem	se	regenerar.	As	células	do	músculo	esquelético	
geralmente	são	consideradas	não	proliferativas,	mas	as	
células-satélites	ligadas	à	bainha	endomisial	
proporcionam	alguma	capacidade	regenerativa	ao	
músculo.	
Þ A	proliferação	celular	é	impulsionada	por	sinais	
fornecidos	por	fatores	de	crescimento	e	a	partir	da	
matriz	extracelular.	Muitos	fatores	de	crescimento	
diferentes	foram	descritos	e	alguns	deles	atuam	em	
vários	tipos	de	células,	enquanto	outros	são	específicos	
para	um	tipo	celular.	Os	fatores	de	crescimento	
geralmente	são	produzidos	por	células	próximas	ao	
local	lesado.	As	fontes	mais	importantes	desses	fatores	
de	crescimento	são	os	macrófagos	ativados	pela	lesão	
tecidual,	mas	as	células	epiteliais	e	estromais	também	
produzem	alguns	desses	fatores.	Vários	fatores	de	
crescimento	se	ligam	às	proteínas	da	MEC	e	são	
exibidos	no	local	da	lesão	tecidual	em	altas	
concentrações.	Todos	os	fatores	de	crescimento	ativam	
as	vias	de	sinalização	que,	em	última	instância,	induzem	
alterações	na	expressão	gênica	que	impulsionam	as	
células	através	do	ciclo	celular	e	suportam	a	biossíntese	
de	moléculas	e	organelas	que	são	necessárias	para	a	
divisão	celular.	Além	de	responder	aos	fatores	de	
crescimento,	as	células	usam	as	integrinas	para	se	ligar	
às	proteínas	da	MEC	e	os	sinais	das	integrinas	também	
podem	estimular	a	proliferação	celular.	
Þ No	processo	de	regeneração,	a	proliferação	das	
células	residuais	é	complementada	pelo	
desenvolvimento	de	células	maduras	a	partir	das	
células-tronco.	Em	adultos,	as	células-tronco	mais	
importantes	para	regeneração	após	uma	lesão	são	as	
células-tronco	do	tecido.	Estas	vivem	em	nichos	
especializados	e	acredita-se	que	a	lesão	desencadeia	
sinais	nesses	nichos	que	ativam	as	células-tronco	
quiescentes	para	proliferar	e	se	diferenciar	em	células	
maduras	que	repovoam	o	tecido	lesado.	
	
Mecanismos	de	Regeneração	Tecidual	
Þ Varia	nos	diferentes	tipos	de	tecidos	e	de	acordo	
com	a	gravidade	da	lesão.	
•	No	epitélio	do	trato	intestinal	e	pele,	as	células	
lesadas	são	rapidamente	substituídas	por	proliferação	
das	células	residuais	e	diferenciação	das	células	
derivadas	das	células-tronco	teciduais,	permanecendo	a	
membrana	basal	subjacente	intacta.	As	células	epiteliais	
residuais	produzem	fatores	de	crescimento	envolvidos	
nestes	processos.	As	células	recém-geradas	migram	
para	preencher	o	defeito	criado	pela	lesão,	e	a	
integridade	dos	tecidos	é	restaurada.	
•	A	regeneração	tecidual	pode	ocorrer	em	órgãos	
parenquimatosos	cujas	células	são	capazes	de	proliferar	
e,	com	exceção	do	fígado,	este	é	um	processo	
geralmente	limitado.	Pâncreas,	adrenal,	tireoide	e	
pulmão	apresentam	alguma	capacidade	regenerativa.	A	
remoção	cirúrgica	de	um	rim	desencadeia	no	rim	
remanescente	uma	resposta	compensatória	que	
consiste	tanto	em	hipertrofia	quanto	em	hiperplasia	das	
células	ductais	proximais.		
Þ A	restauração	da	arquitetura	do	tecido	normal	
pode	ocorrer	apenas	se	o	tecido	residual	estiver	
estruturalmente	intacto,	por	exemplo,	após	a	ressecção	
cirúrgica	parcial	do	fígado.	Por	outro	lado,	se	o	tecido	
estiver	inteiramente	lesado	pela	infecção	ou	
inflamação,	a	regeneração	é	incompleta	e	
acompanhada	pela	formação	de	cicatrizes.	Por	
exemplo,	a	extensa	destruição	do	fígado	com	o	colapso	
da	estrutura	de	reticulina,	como	ocorre	em	um	
abscesso	hepático,	desencadeia	formação	de	cicatriz,	
embora	as	células	hepáticas	remanescentes	
apresentem	a	capacidade	regenerativa.	
	
Regeneração	do	Fígado	
O	fígado	humano	apresenta	uma	notável	capacidade	
para	regenerar,	como	demonstrado	pelo	seu	
crescimento	após	hepatectomia	parcial,	que	pode	ser	
realizada	para	a	ressecção	de	um	tumor	ou	para	
transplante	hepático	de	doador	vivo.		
Þ A	regeneração	hepática	ocorre	por	meio	de	dois	
mecanismos	principais:	proliferação	dos	hepatócitos	
restantes	e	repovoamento	a	partir	de	células	
progenitoras.	O	mecanismo	que	desempenha	o	papel	
predominante	dependerá	da	natureza	da	lesão.	
Þ Proliferação	dos	hepatócitos	após	hepatectomia	
parcial.	Nos	seres	humanos,	a	ressecção	de	até	90%	do	
fígado	pode	ser	corrigida	pela	proliferação	dos	
hepatócitos	residuais.	Este	processo	é	conduzido	por	
citocinas,	como	a	IL-6	produzida	pelas	células	de	
Kupffer;	e	por	fatores	de	crescimento	como	o	fator	de	
crescimento	de	hepatócitos.	
Þ Regeneração	hepática	a	partir	de	células	
progenitoras.	Em	situações	nas	quais	a	capacidade	
proliferativa	dos	hepatócitos	é	prejudicada,	como	após	
a	injúria	hepática	crônica	ou	inflamação,	as	células	
progenitoras	do	fígado	contribuem	para	o	
repovoamento.		
Reparo	por	Cicatrizes	
Þ Se	o	reparo	não	puder	ser	realizado	somente	
por	regeneração,	ele	ocorre	pela	substituição	das	
células	lesadas	por	tecido	conjuntivo,	levando	à	
formação	de	uma	cicatriz,	ou	por	uma	combinação	de	
regeneração	de	algumas	células	residuais	e	formação	
de	cicatriz.		
Þ As	cicatrizes	teciduais	podem	acontecer	se	a	
lesão	for	grave	ou	crônica	e	resultar	em	danos	às	
células	parenquimais	e	epiteliais,	bem	como	a	estrutura	
do	tecido	conjuntivo,	ou	se	as	células	sem	capacidade	
proliferativa	forem	lesadas.		
Þ Em	contraste	com	a	regeneração,	que	envolve	a	
substituição	dos	componentes	do	tecido,	a	formação	
de	cicatriz	é	uma	resposta	que	“remenda”	em	vez	de	
restaurar	o	tecido.		
Þ O	termo	cicatriz	é	mais	frequentemente	usado	
em	associação	à	cicatrização	de	feridas	na	pele,	mas	
também	pode	ser	utilizado	para	descrever	a	
substituição	de	células	parenquimais	de	qualquer	
tecido	por	colágeno,	como	no	coração	após	o	infarto	
do	miocárdio.	
	
Etapas	na	Formação	de	Cicatrizes	
Þ O	reparo	por	deposição	de	tecido	conjuntivo	
consiste	em	uma	série	de	etapas	sequenciais	que	
ocorrem	a	pós	a	lesão	do	tecido.	
Þ Alguns	minutos	após	uma	lesão,	um	tampão	
hemostático	composto	por	plaquetas	é	formado,	o	que	
interrompe	o	sangramento	e	proporciona	uma	
estrutura	para	as	células	inflamatórias	infiltrativas.	
Þ Inflamação.	Esta	etapa	é	composta	pelas	típicas	
respostas	inflamatórias	aguda	e	crônica.	Os	produtos	
da	degradação	da	ativação	do	complemento,	
quimiocinas	liberadas	a	partir	das	plaquetas	ativadas	e	
outros	mediadores	produzidos	no	local	da	lesão	agem	
como	agentes	quimiotáticos	para	recrutar	neutrófilos	e	
monócitos	durante	as	6	a	48	horas	seguintes.	Essas	
células	inflamatórias	eliminam	os	agentes	agressores,	
tais	como	microrganismos	que	possam	ter	entrado	
através	da	ferida,	e	limpam	os	debris.		
Þ Os	macrófagos	são	os	principais	agentes	no	
processo	de	reparo	celular	–	macrófagos	M1	removem	
microrganismos	e	tecido	necrótico	e	promovem	a	
inflamação	em	uma	retroalimentação	positiva,	e	os	
macrófagos	M2	produzem	fatoresde	crescimento	que	
estimulam	a	proliferação	de	muitos	tipos	celulares	na	
próxima	etapa	do	reparo.	À	medida	que	os	agentes	
causadores	da	injúria	e	as	células	necróticas	são	
eliminados,	a	inflamação	se	resolve.	
Þ Proliferação	celular.	Na	etapa	seguinte,	o	que	
leva	até	10	dias,	vários	tipos	de	células,	incluindo	
células	epiteliais,	endoteliais	e	outras	células	vasculares	
e	fibroblastos,	proliferam	e	migram	para	fechar	a	
ferida,	agora	limpa.	Cada	tipo	de	célula	apresenta	
funções	únicas.	
Þ As	células	epiteliais	respondem	a	fatores	de	
crescimento	produzidos	localmente	e	migram	sobre	a	
ferida	para	cobri-la.	
Þ As	células	endoteliais	e	outras	células	vasculares	
proliferam	para	formar	novos	vasos	sanguíneos,	um	
processo	conhecido	como	angiogênese.	Devido	à	
importância	desse	processo	fisiológico	nas	respostas	do	
hospedeiro	e	em	muitas	condições	patológicas.	
Þ Os	fibroblastos	proliferam	e	migram	para	o	local	
da	lesão	e	repousam	sobre	as	fibras	colágenas	que	
formam	a	cicatriz.	
Þ A	combinação	de	fibroblastos	em	proliferação,	
tecido	conjuntivo	frouxo,	novos	vasos	sanguíneos	e	
células	inflamatórias	crônicas	espalhadas	forma	um	tipo	
de	tecido	ímpar	para	cicatrização	das	feridas,	chamado	
tecido	de	granulação.	Este	termo	deriva	da	sua	
coloração	rosada,	aparência	macroscópica	granular	e	
macia,	tal	como	se	pode	observar	abaixo	da	crosta	da	
pele	de	uma	ferida.	
Þ Remodelação.	O	tecido	conjuntivo	que	foi	
reorganizado	é	depositado	pelos	fibroblastos	para	
produzir	uma	cicatriz	fibrosa	estável.	Este	processo	se	
inicia	2	a	3	semanas	após	a	injúria	e	pode	continuar	por	
meses	ou	anos.	
	
Þ A	cicatrização	das	feridas	da	pele	pode	ser	
classificada	como	cicatrização	por	primeira	intenção	
(união	primária),	que	se	refere	à	regeneração	epitelial	
com	formação	mínima	de	cicatrizes,	como	a	que	
ocorre	nas	incisões	cirúrgicas	com	bordas	bem	
aproximadas,	e	cicatrização	por	segunda	intenção	
(união	secundária),	que	se	refere	às	feridas	maiores	
que	cicatrizam	por	meio	da	combinação	de	
regeneração	e	cicatrização.		
		
Angiogênese	
Þ A	angiogênese	é	o	processo	de	desenvolvimento	
de	novos	vasos	sanguíneos	a	partir	de	vasos	existentes.		
Þ É	essencial	para	a	cicatrização	dos	locais	de	
lesão,	para	o	desenvolvimento	de	circulação	colateral	
em	locais	de	isquemia	e	para	permitir	o	aumento	do	
tamanho	dos	tumores	para	além	do	seu	tamanho	
original	sem	restrição	de	suprimento	sanguíneo.		
Þ A	angiogênese	envolve	o	brotamento	de	novos	
vasos	a	partir	dos	vasos	preexistentes	e	é	composta	
pelas	seguintes	etapas:	
Þ Vasodilatação	em	resposta	ao	NO	e	aumento	da	
permeabilidade	induzida	pelo	VEGF.	
Þ Separação	dos	pericitos	da	superfície	abluminal	
e	degeneração	da	membrana	basal	para	permitir	a	
formação	de	um	broto	de	vaso.	
Þ Migração	das	células	endoteliais	em	direção	à	
área	da	lesão.	
Þ Proliferação	de	células	endoteliais	logo	atrás	das	
células	migratórias	que	lideram	à	frente	(“ponta”).	
Þ Remodelação	de	tubos	capilares.	
Þ Recrutamento	de	células	periendoteliais	
(pericitos	para	pequenos	capilares	e	células	musculares	
lisas	para	vasos	maiores)	para	formar	o	vaso	maduro.	
Þ Supressão	da	proliferação	e	migração	endotelial	
e	deposição	de	membrana	basal.	
	
	
Þ Postula-se	que	as	células	progenitoras	
endoteliais	estão	presentes	na	medula	óssea	e	podem	
ser	recrutadas	para	promover	formação	de	novos	
vasos.	No	entanto,	essas	células	provavelmente	
desempenham	papel	menos	importante,	ou	nenhum,	
na	angiogênese	associada	à	cicatrização	da	maioria	das	
feridas.	
Þ O	processo	da	angiogênese	envolve	uma	série	
de	vias	de	sinalização,	interações	célula-célula,	
proteínas	da	MEC	e	enzimas	teciduais.	
Þ Fatores	de	crescimento.	VEGF,	principalmente	
VEGF-A,	estimula	a	proliferação	e	a	migração	das	células	
endoteliais,	iniciando	assim	o	processo	de	brotamento	
capilar	na	angiogênese.	Promove	a	vasodilatação,	
estimulando	a	produção	de	NO	e	contribui	para	a	
formação	do	lúmen	vascular.	Os	fatores	de	crescimento	
de	fibroblastos	(FGFs),	sobretudo	o	FGF-2,	estimulam	a	
proliferação	de	células	endoteliais.	Eles	também	
promovem	a	migração	de	macrófagos	e	fibroblastos	
para	a	área	danificada	e	estimulam	a	migração	de	
células	epiteliais	para	cobrir	as	feridas	epidérmicas.	Os	
vasos	recém-formados	são	estabilizados	a	partir	do	
recrutamento	de	pericitos	e	células	musculares	lisas,	e	
pela	deposição	de	tecido	conjuntivo.		
Þ Sinalização	Notch.	Por	meio	da	“conversa”	com	
o	VEGF,	a	via	de	sinalização	Notch	regula	o	brotamento	
e	a	ramificação	de	novos	vasos	e,	assim,	garante	que	os	
novos	vasos	formados	mantenham	o	espaçamento	
adequado	para	suprir	de	sangue,	eficientemente,	o	
tecido	em	cicatrização.	
Þ Proteínas	da	MEC	participam	do	processo	de	
brotamento	dos	vasos	na	angiogênese,	em	grande	parte	
por	meio	de	interações	com	receptores	de	integrina	das	
células	endoteliais	e	fornecendo	o	arcabouço	para	o	
crescimento	dos	vasos.	
Þ As	enzimas	da	MEC,	denominadas	
metaloproteinases	de	matriz	(MMPs),	degradam	a	MEC	
para	permitir	a	remodelação	e	a	extensão	do	tubo	
vascular.	
Þ Vasos	recém-formados	são	permeáveis	porque	
as	junções	entre	as	células	endoteliais	são	incompletas	
e	porque	o	VEGF,	o	fator	de	crescimento	vascular	que	
dirige	a	angiogênese,	aumenta	a	permeabilidade	
vascular.	Essa	permeabilidade	é	responsável,	em	parte,	
pela	persistência	do	edema	na	cicatrização	de	feridas	
por	muito	tempo	após	a	resposta	inflamatória	aguda	ter	
sido	resolvida.	
	
Ativação	de	Fibroblastos	e	Deposição	de	Tecido	
Conjuntivo	
Þ A	deposição	de	tecido	conjuntivo	ocorre	em	
duas	etapas:	(1)	migração	e	proliferação	de	fibroblastos	
no	local	da	injúria	e	(2)	deposição	de	proteínas	da	MEC	
produzidas	por	essas	células.		
Þ Esses	processos	são	regulados	por	fatores	de	
crescimento,	incluindo	PDGF,	FGF-2	e	TGF-β	e	citocinas	
produzidos	localmente.	As	principais	fontes	destes	
fatores	são	as	células	inflamatórias,	particularmente	
macrófagos	(M2)	ativados	pela	via	alternativa	que	
infiltram	os	locais	de	lesão.	
Þ Em	resposta	às	citocinas	e	aos	fatores	de	
crescimento,	os	fibroblastos	penetram	a	ferida	a	partir	
das	bordas	e	migram	em	direção	ao	centro.	Algumas	
dessas	células	se	diferenciam	em	células	chamadas	
miofibroblastos,	que	contêm	actina	do	músculo	liso	e	
apresentam	atividade	contrátil	aumentada,	e	servem	
para	fechar	a	ferida,	“puxando”	as	margens	em	direção	
ao	centro.	Fibroblastos	ativados	e	miofibroblastos	
também	aumentam	sua	atividade	sintética	e	produzem	
proteínas	do	tecido	conjuntivo,	principalmente	
colágeno,	o	principal	componente	da	cicatriz	
completamente	desenvolvida.	
Þ O	TGF-β	é	a	citocina	mais	importante	para	a	
síntese	e	a	deposição	de	proteínas	do	tecido	
conjuntivo.	É	produzido	pela	maioria	das	células	do	
tecido	de	granulação,	incluindo	macrófagos	
alternativamente	ativados.	O	TGF-β	não	está	envolvido	
somente	na	formação	de	cicatrizes	após	uma	lesão,	
mas	também	no	desenvolvimento	da	fibrose	presente	
no	pulmão,	fígado	e	rins	que	surge	após	a	inflamação	
crônica.	O	TGF-β	também	apresenta	efeitos	anti-
inflamatórios	que	servem	para	limitar	e	finalizar	as	
respostas	inflamatórias.	O	TGF-β	atua	inibindo	a	
proliferação	dos	linfócitos	e	atividade	de	outros	
leucócitos.	
Þ À	medida	que	a	cicatrização	progride,	o	número	
de	fibroblastos	em	proliferação	e	vasos	novos	diminui,	
mas	os	fibroblastos	assumem	um	fenótipo	
progressivamente	mais	sintetizador,	e	há,	portanto,	
aumento	na	deposição	de	MEC.	A	síntese	de	colágeno,	
em	particular,	é	necessária	para	a	cicatrização	das	
feridas	para	que	elas	se	tornem	fortes	e	estáveis	
mecanicamente.	A	síntese	de	colágeno	pelos	
fibroblastos	inicia-se	cedo	no	processo	de	cicatrização	
de	feridas	(3	a	5	dias)	e	continua	por	várias	semanas,	
dependendo	do	tamanho	da	ferida.	O	acúmulo	de	
colágeno	total	depende	não	apenas	de	síntese	
aumentada,	mas	também	da	redução	da	degradação	
do	colágeno.	À	medida	que	a	cicatriz	amadurece,	há	
regressão	vascular	progressiva,	que	transforma	o	
tecido	de	granulação	altamente	vascularizado,	
eventualmente,	emuma	cicatriz	pálida	e	avascular.	
	
Remodelação	do	Tecido	Conjuntivo	
Þ Após	a	cicatriz	ser	formada,	ela	é	remodelada	
para	aumentar	a	sua	força	e	contratilidade.	A	
resistência	da	ferida	aumenta	por	causa	das	ligações	
cruzadas	do	colágeno	e	aumento	do	tamanho	das	
fibras	de	colágeno.	Além	disso,	existe	uma	alteração	do	
tipo	de	colágeno	depositado,	de	colágeno	do	tipo	III	no	
processo	inicial	de	reparo	para	o	colágeno	tipo	I	mais	
resistente.	Nas	feridas	cutâneas	bem	suturadas,	entre	
70%	e	80%	da	força	da	pele	normal	pode	ser	
recuperada	em	3	meses.	A	contração	da	ferida	é	
desencadeada	inicialmente	pelos	miofibroblastos	e,	
mais	tarde,	pelas	ligações	cruzadas	das	fibras	de	
colágeno.	
Þ Com	o	passar	do	tempo,	o	tecido	conjuntivo	é	
degradado	e	a	cicatriz	encolhe.	A	degradação	do	
colágeno	e	de	outros	componentes	da	MEC	é	realizada	
por	uma	família	de	metaloproteinases	da	matriz	
(MMPs),	assim	denominadas	porque	são	dependentes	
de	íons	metálicos	(p.	ex.,	zinco)	para	exercer	a	sua	
atividade	enzimática.		
Þ As	MMPs	são	produzidas	por	vários	tipos	de	
células	(fibroblastos,	macrófagos,	neutrófilos,	células	
sinoviais	e	algumas	células	epiteliais)	e	sua	síntese	e	
secreção	são	reguladas	por	fatores	de	crescimento,	
citocinas	e	outros	agentes.	Entre	elas	estão	as	
colagenases	intersticiais,	que	clivam	o	colágeno	fibrilar	
(MMP-1,	-2,	e	-3);	gelatinases	(MMP-2	e	9),	que	
degradam	o	colágeno	amorfo	e	a	fibronectina;	e	
estromelisinas	(MMP-3,	-10	e	-11)	que	degradam	vários	
constituintes	da	MEC,	incluindo	proteoglicanos,	
laminina,	fibronectina	e	colágeno	amorfo.	A	elastase	
neutrofílica,	catepsina	G,	plasmina	e	outras	
serinoproteinases	podem	degradar	a	MEC,	mas	são	
menos	importantes	no	processo	de	remodelação	da	
ferida	do	que	as	MMPs.	Além	disso,	as	colagenases	
podem	ser	rapidamente	inibidas	por	inibidores	
teciduais	específicos	das	metaloproteinases	(TIMPs),	
produzidos	pela	maioria	das	células	mesenquimais.	
Assim,	o	equilíbrio	entre	as	MMPs	e	os	TIMPs	regula	o	
tamanho	e	a	natureza	da	cicatriz.	
	
Fatores	que	Impedem	o	Reparo	do	Tecido	
Þ O	reparo	tecidual	pode	ser	influenciado	por	
vários	fatores	que	reduzem	a	qualidade	ou	
adequação	do	processo	de	reparação.		
Þ Os	fatores	que	interferem	na	cicatrização	
podem	ser	extrínsecos	(p.	ex.,	infecção)	ou	
intrínsecos	ao	tecido	lesado,	sistêmicos	ou	locais:	
Þ A	infecção	é	uma	das	causas	mais	importantes	
de	retardo	da	cicatrização;	ela	prolonga	a	inflamação	
e	aumenta	potencialmente	a	lesão	tecidual	local.	
Þ O	diabetes	é	uma	doença	metabólica	que	
compromete	o	reparo	dos	tecidos	por	muitas	razões,	
e	é	uma	causa	sistêmica	importante	da	cicatrização	
anormal	das	feridas.	
Þ O	estado	nutricional	exerce	profundos	efeitos	
sobre	o	reparo;	desnutrição	proteica	e	deficiência	
vitamina	C,	por	exemplo,	inibem	a	síntese	de	
colágeno	e	retardam	a	cura.	
Þ Os	glicocorticoides	(esteroides)	apresentam	
efeitos	anti-inflamatórios	já	bem	documentados,	e	a	
sua	administração	pode	resultar	em	cicatrização	
deficiente	porque	inibem	a	produção	de	TGF-β	e	
diminuem	a	fibrose.	Em	alguns	casos,	no	entanto,	os	
efeitos	anti-inflamatórios	dos	glicocorticoides	são	
desejáveis.	Por	exemplo,	nas	infecções	da	córnea,	os	
glicocorticoides	podem	ser	prescritos	(juntamente	
com	antibióticos)	para	reduzir	a	probabilidade	de	
opacidade	devido	à	deposição	de	colágeno.	
Þ Fatores	mecânicos:	aumento	da	pressão	local	ou	
torção	podem	causar	separação	ou	deiscência	da	
ferida.	
Þ Má	perfusão,	devido	à	aterosclerose	e	ao	
diabetes,	ou	obstrução	da	drenagem	venosa	(p.	ex.,	
em	veias	varicosas),	também	prejudicam	a	
cicatrização.	
Þ Corpos	estranhos,	como	fragmentos	de	aço,	
vidro,	ou	mesmo	osso,	impedem	a	cicatrização.	
Þ O	tipo	e	a	extensão	da	lesão	tecidual	
influenciam	no	reparo	subsequente.	A	restauração	
completa	pode	ocorrer	apenas	em	tecidos	compostos	
por	células	capazes	de	proliferação.	Mesmo	assim,	
uma	lesão	extensa	provavelmente	resultará	em	
regeneração	incompleta	e,	ao	menos,	perda	parcial	
da	função.	Inevitavelmente,	a	lesão	de	tecidos	
compostos	por	células	que	não	possuem	capacidade	
proliferativa	resulta	na	formação	de	cicatrizes,	como	
no	infarto	do	miocárdio.	
Þ A	localização	da	lesão	e	a	natureza	do	tecido	
lesado	também	são	importantes.	Por	exemplo,	na	
inflamação	que	surge	nos	espaços	teciduais	(p.	ex.,	
nas	cavidades	pleural,	peritoneal	e	sinovial),	
pequenos	exsudatos	podem	ser	reabsorvidos	e	
digeridos	pelas	enzimas	proteolíticas	dos	leucócitos,	
resultando	em	resolução	da	inflamação	e	
restabelecimento	da	arquitetura	tecidual	normal.	
Contudo,	quando	o	exsudato	é	muito	grande	para	ser	
totalmente	reabsorvido,	ele	sofre	organização,	um	
processo	no	qual	o	tecido	de	granulação	cresce	
dentro	do	exsudato,	e,	por	fim,	há	a	formação	da	
cicatriz	fibrosa.	
	
Exemplos	Clínicos	da	Cicatrização	Anormal	de	Feridas	
e	Cicatrizes	
Þ Complicações	no	reparo	tecidual	podem	surgir	
devido	a	anomalias	em	qualquer	um	dos	componentes	
básicos	do	processo,	incluindo	formação	de	cicatriz	
deficiente,	formação	excessiva	dos	componentes	do	
reparo	e	formação	de	contrações.	
Þ Defeitos	da	Cicatrização:	Feridas	Crônicas	
Þ Os	defeitos	são	observados	em	inúmeras	
situações	clínicas,	como	resultado	da	influência	de	
fatores	locais	e	sistêmicos.	Alguns	exemplos	são	
comuns.	
Þ Úlceras	venosas	das	pernas	se	desenvolvem	
mais	frequentemente	em	pessoas	idosas,	como	
resultado	de	hipertensão	venosa	crônica,	que	pode	ser	
causada	por	varizes	graves	ou	insuficiência	cardíaca	
congestiva.	Depósitos	de	pigmento	de	ferro	
(hemossiderina)	são	comuns,	resultantes	da	
degradação	de	eritrócitos,	e	podem	estar	
acompanhados	por	inflamação	crônica.	Essas	úlceras	
não	cicatrizam	devido	ao	mau	fornecimento	de	
oxigênio	para	o	local	da	úlcera.	
Þ Úlceras	arteriais	se	desenvolvem	em	indivíduos	
com	aterosclerose	das	artérias	periféricas,	
especialmente	associadas	ao	diabetes.	A	isquemia	
resulta	em	atrofia	e	então	necrose	da	pele	e	dos	
tecidos	subjacentes.	Essas	lesões	podem	ser	muito	
dolorosas.	
Þ Úlceras	de	pressão	são	áreas	de	ulceração	da	
pele	e	necrose	dos	tecidos	causada	por	compressão	
prolongada	dos	tecidos	contra	um	osso	subjacente,	
por	exemplo,	em	pessoas	acamadas,	idosos	
imobilizados	por	várias	morbidades.	As	lesões	são	
causadas	por	pressão	mecânica	e	isquemia	local.	
Þ Úlceras	diabéticas	afetam	as	extremidades	
inferiores,	particularmente	o	pé.	A	necrose	tecidual	e	a	
cicatrização	deficiente	são	o	resultado	de	doença	dos	
pequenos	vasos,	que	causam	isquemia,	neuropatia,	
anormalidades	metabólicas	sistêmicas	e	infecções	
secundárias.	Histologicamente,	essas	lesões	são	
caracterizadas	por	ulceração	epitelial	e	extenso	tecido	
de	granulação	na	derme	subjacente.	
	
(A-D)	Aparência	externa	de	úlceras	de	pele	(De	Eming	
SA,	Margin	P,	Tomic-Canic	M:	Wound	repair	and	
regeneration:	mechanisms,	signaling,	and	translation,	
Sci	Transl	Med	6:265,	2014.)	(A)	Úlcera	venosa	na	
perna.	(B)	Úlcera	arterial,	com	necrose	tecidual	
extensa.	(C)	Úlcera	diabética.	(D)	Úlcera	de	pressão.	(E-
F)	Aparência	histopatológica	de	uma	úlcera	diabética.	
(E)	Cratera	da	úlcera.	(F)	Inflamação	crônica	e	tecido	de	
granulação.	
	
Þ Em	alguns	casos,	a	falha	na	cicatrização	pode	
levar	a	deiscência	(ruptura	da	ferida).	Embora	não	
seja	comum,	a	deiscência	ocorre	mais	
frequentemente	após	cirurgia	abdominal	e	é	
resultante	do	aumento	da	pressão	abdominal,	o	que	
pode	ocorrer	em	episódios	de	vômito,	tosse	ou	íleo	
adinâmico.	
	
Cicatrização	Excessiva	
Þ A	formação	excessiva	dos	componentes	do	
processo	de	reparo	pode	originar	cicatrizes	
hipertróficas	e	queloides.		
Þ O	acúmulo	de	quantidades	excessivas	de	
colágeno	pode	resultar	em	uma	cicatriz	elevada	
conhecida	como	cicatriz	hipertrófica.	Muitas	vezes,	
crescem	rapidamente	e	contêm	miofibroblastos	em	
abundância,	mas	tendem	a	regredir	no	decorrer	de	
vários	meses.	As	cicatrizes	hipertróficas	geralmente	
se	desenvolvem	após	uma	lesão	térmica	ou	
traumática	que	envolve	as	camadas	profundas	da	
derme.		
Þ Se	o	tecido	cicatricial	crescealém	dos	limites	da	
ferida	original	e	não	regride,	é	chamado	queloide.	
Certos	indivíduos	parecem	estar	predispostos	à	
formação	de	queloide,	particularmente	aqueles	de	
ascendência	africana.	
	
(A) Cicatriz	hipertrófica.	(B)	Queloide.	(C)	Aparência	
microscópica	de	um	queloide.	
	
Þ A	granulação	exuberante	é	outro	desvio	
na	cicatrização	de	feridas	caracterizado	pela	
formação	de	quantidades	excessivas	de	tecido	de	
granulação,	que	se	projeta	acima	do	nível	da	pele	
circundante	e	bloqueia	a	reepitelização	(esse	
processo	é	chamado	popularmente	carne	
esponjosa).		
Þ A	granulação	excessiva	deve	ser	
removida	por	cauterização	ou	excisão	cirúrgica	a	
fim	de	permitir	a	restauração	da	continuidade	
epitelial.		
Þ A	contração	da	ferida	é	uma	parte	
importante	do	processo	da	cicatrização	normal.	
O	exagero	nesse	processo	origina	a	contração	e	
resulta	em	deformidades	da	ferida	e	dos	tecidos	
circundantes.	As	contrações	são	propensas	a	se	
desenvolver	particularmente	nas	palmas	das	
mãos,	nas	solas	dos	pés	e	na	parte	anterior	do	
tórax.	As	contrações	são	comumente	observadas	
após	queimaduras	graves	e	podem	comprometer	
o	movimento	das	articulações.	
	
Fibrose	em	Órgãos	Parenquimatosos	
Þ O	termo	fibrose	é	utilizado	para	
designar	a	deposição	excessiva	de	colágeno	e	
outros	componentes	da	MEC	em	um	tecido.	Os	
termos	cicatriz	e	fibrose	podem	ser	utilizados	de	
forma	semelhante,	mas	fibrose	refere-se,	na	
maioria	das	vezes,	à	deposição	anormal	de	
colágeno	que	ocorre	em	órgãos	internos	nas	
doenças	crônicas.		
Þ A	fibrose	é	um	processo	patológico	
induzido	por	estímulos	prejudiciais	persistentes,	
como	infecções	crônicas	e	reações	imunológicas,	
e	geralmente	está	associada	à	perda	de	tecido.	
Pode	ser	responsável	por	disfunção	substancial	e	
até	insuficiência	de	órgãos.	
	
Þ A	injúria	tecidual	persistente	leva	a	
inflamação	crônica	e	perda	da	arquitetura	
tecidual.	As	citocinas	produzidas	por	macrófagos	
e	outros	leucócitos	estimulam	a	migração	e	a	
proliferação	de	fibroblastos	e	miofibroblastos	e	a	
deposição	de	colágeno	e	outras	proteínas	da	
matriz	extracelular.	O	resultado	final	é	a	
substituição	de	tecido	normal	por	fibrose.	
	
Þ Na	maioria	dos	órgãos,	como	no	pulmão	
e	rim,	os	miofibroblastos	constituem	a	principal	
fonte	de	colágeno,	mas	as	células	estreladas	são	
as	principais	produtoras	de	colágeno	na	cirrose	
hepática.

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