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Micologia clínica LOBOMICOSE É uma micose subcutânea que necessita de inoculação traumática, causando pelo agente Laccazia loboi. O Brasil detém o maior número de casos, distribuída de forma irregular, predominante no Amazonas e Acre (clima quente e úmido). A maior parte dos casos é em homens em áreas rurais, devido a exposição a natureza. Doença de evolução crônica com prognostico bom, restrita a pele causando problemas estéticos e funcionais. A lesão se localiza em áreas expostas, e são papulosas, lisas, brilhantes e volumosas. Logo após a inoculação na pele, surge um granuloma, que em 1 ou 2 anos vira uma lesão característica de lobomicose. Quando ocorre nas mãos, afeta o paciente, principalmente em situações de segurar objetos. Na histopatologia, se observa um granuloma histiocitário com histócitos rodeando o fungo. A lâmina quando é corada com HE, os fungos ficam brancos. Na suspeita de lobomicose, pode ser feita análise corada com prata, que deixa os fungos escuros. Os fungos da lobomicose apresentam tubos interconectantes. O diagnóstico deve ser por exame direto com KOH, pois o fungo não se desenvolve em meio de cultura. Não há tratamento específico, é feito exérese cirúrgica, crioterapia. RINOSporiDIOSE É uma micose subcutânea causada pelo Rhinosporidium seeberi que se caracteriza pelo aparecimento de pólipos, rara no Brasil. Afeta principalmente a mucosa nasal e conjuntival, podendo chegar a uma infecção visceral generalizada. Não pode ser cultivado, e é caracterizado pela forma que aparece no tecido, sendo o maior parasita fungo do homem. Pode ser pego por mergulho de águas estagnadas, principalmente no Nordeste, em ar (empoeirada, areia), a transmissão não homem para homem não ocorre. É frequente em equinos e bovinos. Na cavidade nasal apresenta uma massa polipóide, quase sempre unilateral e pedunculado, que pode exteriorizar. É de tamanho variável, podendo causar obstrução nasal. Em regiões desérticas pode causar doença ocular, devido ao vento levantar poeira que carrega o fungo. Pode ser localizado na laringe, faringe, vagina e anus, mas em menos frequência. O diagnostico é feito com exame direto do material da biopsia, porque o raspado sangra muito. Não é feita cultura pois não cresce em meio. Na biopsia, se ve esporângios, que são estruturas arredondadas de diferentes tamanhos. Os maiores normalmente ficam perto da superfície epitelial. Em casos que foi corada com prata, todas as estruturas fúngicas ficam escuras. O tratamento se dá com remoção cirúrgica, e injeção com anfotericina B. ESPOROTRICOSE É uma micose subcutânea subaguda ou crônica, em maior parte das vezes benigna. Se dissemina em ossos e tecidos em formas mais graves, e em mais raras, pode virar sistêmica pulmonar. Causada pelo Sporothrix schenckii, é um fungo dimórfico térmico, se apresentando como filamentoso a 25°C, e como levedura a 37°C. O fungo é encontrado na natureza em folhas secas, espinhos, tatus, roseiras e alguns animais. É muito comum no RS agricultores se cortarem com folhas secas, inoculando o agente, da mesma forma com os espinhos (roseiras). No reino animal, os tatus fazem tocas, cavando o solo, depositando os fungos nas suas unhas. Quando ocorre a caça ilegal do tatu, para defesa, ele arranha, inoculando o fungo. É uma zoonose, acometendo homens e animais principalmente em regiões quentes. No caso do gato, por exemplo, o fungo se aloja nas suas unhas, e quando entram em brigas com outros gatos, inoculam o fungo no focinho, por exemplo. Nesses casos, o homem ao entrar em contato com a lesão do gato com esporotricose pode adquirir a doença. Fatores como diabetes, alcoolismo, idade e imunodepressão/corticoides podem ser predisponentes para a infecção sistêmica. Se apresenta em formas cutâneas (linfocutânea, cutânea fixa, cutânea disseminada e mucosas) e extracutâneas. LINFOCUTÂNEA -> forma mais comum, se inicia com o traumatismo e os sinais aparecem em 5 dias com um pequeno nódulo, que vira um cancro esporotricótico (nódulo ulcerado), e após semanas, viram nódulos ao longo dos vasos linfáticos. CUTÂNEA FIXA -> a lesão fica restrita ao sítio de inoculação, normalmente em indivíduos com imunidade “melhor”. A coleta se faz de pus ou biopsia. MUCOSAS -> ocorre nos sítios de mucosas (boca, nariz, anus), principalmente em indivíduos do meio rural, que usam de folhas secas em locais para higiene. CUTÂNEA DISSEMINADA -> é uma forma rara, associada normalmente com indivíduos imunodeprimidos, onde ocorre a disseminação das lesões que podem se ulcerar. Em pacientes com HIV, as lesões são mais graves, múltiplas e disseminadas, e o tratamento requer a anfotericina B. FORMA EXTRACUTÂNEA -> é rara, e normalmente é associada a imunodepressão, acometendo principalmente o tecido ósseo. O diagnostico é feito com COLONIA, uma vez que o exame direto não é obrigatório, visto que existe um número baixíssimo de fungos na lesão do homem. No gato, o exame direto sempre sera positivo, devido ao sistema imune mais fraco. A CULTURA É OBRIGATÓRIA! feita em mycozol a 25°C e sabouraud a 37°C, se ve colonias filamentosas brancas que ficam enrugadas ao crescer. Ao retirar um pedaço da colônia, se observa conidióforos em forma de margarida (25°C). Para o diagnostico, é possível fazer a prova da reversão térmica, onde colocamos uma colônia e inoculamos ao meio BHI com sangue a 37°C, e após 7 dias, nasce colônias cremosas. 25°C = hifa -> Fase M (mould) 37°C – só leveduras -> Fase Y (yeast) O diagnostico histopatológico é solicitado quando os laboratórios não fazem exame micológico, ou se a lesão não tem pus. Nesse caso, se observa apenas leveduras. Essa imagem se da de um gato, pois no homem não há essa quantidade de fungos. O diagnostico se dá com a cultura, mas pode ser por sorologia, porém, é pouco específico. Pode ser feito por padrões moleculares, porém são técnicas caras. O tratamento se dá com itraconazol, ou iodeto de potássio (em desuso devido ao bócio). É uma doença de notificação compulsória. CROMOMICOSES É caracterizada por um grupo específico de fungos com pigmentos negros, que necessitam da implantação subcutânea. Os fungos são: Phialophora verrucosa, Fonsecaea pedrosoi, Cladophialophora carrionii, e Rhinocladiella aquaspersa. Tem maior frequência em regiões tropicais e em países agrícolas, mais comum em homens no meio rural devido ao hábito de se andar descalço. O mais comum é o F. pedrosoi. A lesão se inicia com o traumatismo, implantando o agente, formando nódulos que se tornam lesões com aspecto verrucoide, causando hiperplasia dos tecidos e um aspecto de couve flor. São lesões unilaterais e assimétricas, com mais ocorrência em membros inferiores. Se inicia com uma pápula e pode se ulcerar, virando tipo tumoral ou placa. TUMORAL -> nódulos duros e secos com superfície verrucosa, podendo ser purulenta. PLACA -> é um crescimento excêntrico da lesão inicial, expandindo radialmente. INDEPENDENTE DO AGENTE, qualquer um dos 5 causam o mesmo tipo de lesão. É necessário fazer um diagnostico diferencial, pois as lesões iniciais da cromomicose se parecem com lesões de esporotricose. CROMOMICOSE ESPOROTRICOSE O diagnóstico pode ser feito através da histopatologia corada com HE, que mostrará um corpo demáceo/esclerótico/talo moriforme. A estrutura é marrom pois produz melanina, por ser um fungo demaceo, o que difere da lobomicose e rinosporidiose, que se coram de escuro apenas com a prata. Não se faz raspado nas lesões, se pega pus ou material para biopsia onde há pontos negros. Após, se faz o exame com KOH, onde se observa estruturas globosas acastanhadas, sem hifas, com corpo esclerótico demaceo, talo muriforme ou corpos fumagoides. Tinta Parker mostrandocorpos escleróticos arredondados característicos de pigmentação marrom, divisão plana. A cultura não é obrigatória, tendo importância apenas acadêmica. Mas se faz em mycozel ou sabouraud, em temperatura ambiente por 2 a 4 semanas. - Phialophora verrucosa -> se identifica através dos conidióforos, nesse caso, do tipo fialide (vaso de plantas). O P. verrucosa é o único cujo nome não condiz com o conidióforo. - Cladosporium carrionii -> possui o conidióforo em forma de corrente do tipo cladosporium. - Rhinocladiella aquaspersa -> possui o conidióforo em forma de árvore, do tipo rhinocladiella - Fonsecoea pedrosi -> ele precisa dos três tipos de conidióforo (fialide, rhino e cladosporium). Não há um tratamento ideal, se usa anfotericina B, itracozanol combinando com antifúngicos.