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DIREITO PROCESSUAL PENAL E ORG. JUDC. E POLICIAL Aula 1: Noções de Direito Processual Penal Apresentação Nesta aula, vamos desenvolver o estudo do Direito Processual Penal e seus aspectos principais, tais como os princípios constitucionais aplicáveis, os sistemas utilizados no Brasil e a relação desta disciplina com os demais ramos do Direito. Vamos trabalhar ainda os principais ritos processuais, tais como ordinário e sumário, suas regras, prazos e objetivos. Objetivos Distinguir os sistemas processuais inquisitivo e acusatório e suas respectivas implicações na atuação do Gestor de Segurança Privada; Reconhecer os conceitos de Direito Processual Penal e princípios constitucionais correlatos, bem como os ritos processuais mais comuns; Aplicar os princípios e regras de Direito Processual Penal na atuação pro�ssional como gestor de segurança privada. Conceito e Finalidades O Direito Processual Penal é o conjunto de princípios e regras que disciplinam a apuração de um fato delituoso e a aplicação da lei penal. O Estado tem o poder-dever de punir aqueles que praticam delitos. Esse poder-dever, de início, é impessoal, pois destina-se à coletividade. No momento em que alguém pratica um delito, nasce para o Estado o direito de puni-lo com uma sanção, sendo que o acusado poderá exercer seu direito de defesa. Esse confronto entre o direito de punir do Estado e o direito de defesa do indivíduo chama- se lide penal, que será solucionada por meio do processo penal. Exemplo Se Fulano pratica um furto (art. 155 do CP), nasce ao Estado o direito de puni-lo por infração à lei. Em contrapartida, Fulano pode se defender da acusação. A solução de quem está com a razão (Fulano X Estado) se dará por meio do processo penal, daí a importância de conhecer o Direito Processual Penal. Logo, há ligação entre delito, pena e processo. A pena é a consequência para quem pratica um delito, sendo que ela apenas pode ser aplicada por meio de um processo. Diferentemente de outras áreas do Direito, no processo penal, o Estado só consegue satisfazer sua pretensão (a de punir o autor do fato) por meio do processo penal. Não há instrumentos extraprocessuais para isso. Comentário A essa altura, você já percebeu a �nalidade do processo penal e, por isso, a importância de conhecê-lo: ele estabelece o conjunto de regras que devem ser observadas para que o Poder Judiciário possa a�rmar se alguém é inocente ou culpado. Vamos fazer um paralelo com uma partida de futebol. A partida em si seria o confronto entre o Estado e o réu (o processo). As regras em que o jogo se desenvolve seriam semelhantes ao Direito Processual Penal. No futebol, o regulamento prevê uma ordem para que as coisas aconteçam, pois isso gera previsibilidade, segurança. Com essa mesma �nalidade, o processo penal também tem um conjunto de regras estipulando a ordem com que as coisas devem acontecer no processo. A isso chamamos de procedimento ou rito. Você sabe quais são os tipos de procedimento ou rito? Conforme o Código de Processo Penal (CPP), o procedimento será comum ou especial. O Art. 394 do CPP divide o procedimento comum em ordinário, sumário e sumaríssimo. A regra será a aplicação do procedimento comum, salvo exceção expressa pela lei (art. 394, §2º do CPP). O processo penal adotará o procedimento ordinário quando o delito apurado tiver pena máxima igual ou superior a quatro anos (Art. 394, §1º, I do CPP). Esse procedimento também poderá ser usado de forma subsidiária aos demais procedimentos quando houver alguma omissão a suprir (Art. 394, §5º do CPP). Adotaremos o processo sumário quando tivermos por objeto crime cuja sanção máxima cominada seja inferior a quatro anos de pena privativa de liberdade (Art. 394, §1º, II do CPP). Usaremos do rito sumaríssimo quando o processo versar sobre delitos de menor potencial ofensivo (Art. 394, §1º, III do CPP), que hoje correspondem àqueles menos graves, ou seja, com pena máxima não superior a dois anos (Art. 61 da Lei 9.099/95). Sistemas Processuais: Inquisitivo e Acusatório Tem-se por sistema inquisitivo aquele em que as atividades de investigar, acusar e julgar alguém por um delito estão concentradas nas mãos de apenas uma pessoa e não há simpatia por direitos e garantias processuais como contraditório e ampla defesa. Usando uma comparação, seria como o jogador de futebol que bate o escanteio, cabeceia, faz o gol e ainda apita o jogo. Esse sistema foi adotado pelo Direito Canônico a partir do Século XIII. Com a Revolução Francesa, o Iluminismo defendeu a necessidade de divisão das tarefas de investigar, acusar e julgar sujeitos processuais distintos, assegurando-se uma decisão imparcial e com respeito aos direitos e garantias fundamentais. Eis o sistema acusatório. Embora haja divergência entre doutrinadores (ver por exemplo Lopes Jr., 2019, p. 61), prevaleceu no Brasil a adoção de um sistema processual misto, pois o nosso sistema por regra tem dois momentos distintos: A fase pré-processual ou de investigações preliminares é normalmente representada pelo inquérito policial. Nela, há um predomínio do sistema inquisitivo, pois a autoridade policial conduz o inquérito e o relata, sendo que o grau existente de ampla defesa e contraditório é mínimo (art. 14, do CPP). Já na fase processual, uma vez proposta a ação penal, tem-se o predomínio do sistema acusatório, com divisão de atribuições e observância de contraditório e ampla defesa. Na sequência, vamos abordar os conceitos de contraditório e ampla defesa, para uma melhor compreensão do conteúdo. Mas, no momento, basta que você entenda que no sistema inquisitivo não há apreço por eles, ao contrário do sistema acusatório. O quadro a seguir traz um comparativo entre os sistemas processuais inquisitorial e acusatório: Quadro comparativo entre sistemas processuais. Fonte: Lima, 2019 O Direito Processual Penal e a Constituição Federal É importante que você saiba a relação entre a Constituição Federal e o Direito Processual Penal. Isso porque os sujeitos do processo (juiz, acusador, defensor, réu) devem basear a sua atuação nos limites e balizamentos impostos pela Constituição Federal, em especial com �el observância do sistema de direitos e garantias fundamentais. Para Aury Lopes Jr. (2019, p. 83), o sistema de garantias no qual o juiz atua como garantidor dos direitos do acusado possui cinco princípios básicos. É sobre esses princípios que vamos falar a seguir. Clique nos botões para ver as informações. Embora não haja previsão expressa da análise conjunta da Constituição Federal (Art. 5º, incisos LV, LIV, LVII, art. 93, IX e art. 129, I da CF), conclui-se que o sistema processual adotado deve ser o acusatório: aquele em que as funções de investigar, acusar, defender e julgar estão divididas a pessoas diferentes, e não concentradas nas mãos de apenas um dos sujeitos processuais. A decorrência da adoção do sistema acusatório é que a produção de provas no processo penal incumbe às partes, e não ao juiz, garantindo-se uma postura imparcial deste. Voltando ao nosso jogo de futebol, é a vedação de o árbitro substituir- se ao jogador de um dos times, favorecendo-o. Princípio acusatório É a regra do Art. 5º, LVII da CF, a famosa presunção de inocência. Por ela, ninguém deve ser tratado como culpado até que haja uma sentença condenando-a de forma de�nitiva (esgotando-se todas as possibilidades de recurso contra a condenação). É uma regra de tratamento (ninguém pode ser tratado como culpado antes), de prova (se sou presumido inocente, cabe a quem acusa provar a minha culpa) e de julgamento (o juiz só pode condenar alguém se tiver a certeza da culpa; na dúvida, deve absolvê-lo na forma do Art. 386, VII do CPP). Presunção de inocência (ou um dever de tratamento) A ampla defesa é o direito de defender-se da acusação, que contempla a autodefesa (realizada pelo próprio acusado no interrogatório) e a defesa técnica (aquela feita por advogado ou defensor público), sendo que esta sempre deveráexistir, mesmo que o acusado não queira. Já o contraditório é o instrumento de exercício do direito de defesa, que se materializa pelo direito de ter plena ciência da acusação contra ele, da possibilidade de contradizê-la (dar a sua versão sobre o fato) e de in�uenciar o juiz (produzir prova do que está dizendo); Contraditório e ampla defesa Consagrado no Art. 93, IX da CF, prevê que todas as decisões do Poder Judiciário devem ser fundamentadas. Ou seja, deve o juiz deixar claras as razões pelas quais está tomando determinada decisão (indicando as provas e os fatos provados ou não e as respectivas repercussões jurídicas), seja absolvendo ou condenando. Isso deve acontecer principalmente quando for condenar alguém, pois a motivação é a maneira pela qual a sociedade e o réu podem avaliar se concordam ou não com a decisão. A ausência dessa motivação torna a decisão nula; Motivação das decisões judiciais É a garantia de que a lide penal seja julgada por um juiz (e não por outro órgão alheio ao Poder Judiciário) natural, imparcial e guardião dos direitos e garantias fundamentais. Juiz natural é aquele designado pela lei previamente, antes da prática do fato delituoso. Imparcial é o juiz que não tem preferências por nenhuma das partes, e sim pelo resultado justo. Por �m, a atuação desse juiz deve ser em total respeito aos direitos e garantias fundamentais, pois os �ns não devem justi�car os meios. Princípio do juiz natural (jurisdicionalidade) Princípios processuais aplicáveis à segurança privada Os cinco princípios que norteiam o sistema processual, além de outros que vamos abordar aqui, também podem, guardadas as devidas proporções, nortear a sua atuação do gestor de segurança privada. Sabe por quê? Eles são balizas que, se seguidas, indicam a tomada de decisões justas. Nesse passo, além daqueles cinco princípios, com base em Lima (2019), princípios como o da publicidade, da busca da verdade, da inadmissibilidade das provas ilícitas, do nemo tenetur se detegere e o da proporcionalidade devem guiar você na sua futura pro�ssão. Vejamos como. Clique nos botões para ver as informações. Sabendo que não cabe ao juiz a produção de provas, você, na qualidade de gestor de segurança privada, deve atentar para o fato de que toda acusação contra alguém precisa vir acompanhada de provas. Ademais, é preciso cautela para que as pessoas sejam tratadas de início como inocentes, ou seja, com dignidade e respeito aos direitos fundamentais, mesmo em situação de um �agrante delito, evitando-se o uso desnecessário da força. À luz do princípio da motivação das decisões judiciais e da jurisdicionalidade, você já sabe que, para o juiz condenar alguém, é preciso que haja provas da culpa, porque ele terá que se lastrear nessas provas para fundamentar a sentença condenatória. Assim, um bom gestor de segurança deve atentar para eventuais meios de provas em seu ambiente pro�ssional. Sistema acusatório e presunção de inocência Deve-se atentar para o fato de que todos os julgamentos do Poder Judiciário serão públicos, podendo a lei limitar a presença em caso de prejuízo à intimidade do interessado (art. 93, IX, da CF). Este princípio mostra o respeito que o Estado deve ter para com a intimidade das pessoas, que apenas encontra ressalva quando existe interesse público na informação. Assim, também deve se pautar o gestor de segurança, preservando a intimidade das pessoas quando não existir interesse público relevante naquela situação. A busca pela verdade pode se traduzir na atividade estatal de tentar descobrir como realmente ocorreu o fato delituoso. Esse também deve ser um norteador na sua atuação pro�ssional, pautando-se pela análise objetiva dos fatos sem predileções quanto aos envolvidos. Princípio da publicidade Não pode ocorrer a qualquer custo a busca pela verdade, porque os �ns não justi�cam os meios. Por isso proíbe-se o uso de provas ilícitas, ou seja, aquelas obtidas com violação de direitos fundamentais (art. 5º, LVI da CF). Daí por que não se pode tentar esclarecer um fato forçando-se a con�ssão com tortura. Essa con�ssão, se obtida dessa forma, é ilícita e, portanto, inválida. Busca da verdade É um desdobramento do famoso direito ao silêncio (art. 5º, LXIII da CF). O direito ao silêncio é a garantia que todo indivíduo tem de permanecer calado diante de uma acusação, sendo que essa postura não pode ser interpretada em seu desfavor. Não vale aqui o brocardo “quem cala consente”. Se o indivíduo pode permanecer em silêncio, como desdobramento lógico desse direito e da presunção de inocência, tem-se que ninguém também pode ser forçado a produzir prova contra si mesmo. Essa é uma importante limitação na apuração dos fatos, de sorte que você não pode obrigar ninguém a fazer prova contra ela mesma na sua atuação pro�ssional, sob pena de essa prova ser considerada ilícita (inválida). Princípio do nemo tenetur se detegere (ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo) Encontra fundamento no Art. 5º, LIV da CF, na vertente substancial. Todas as medidas estatais devem ser adequadas, necessárias e proporcionais. Adequada signi�ca aptas a atingirem os efeitos almejados, necessária representa a única maneira que o Estado tem para conseguir aquilo. Por �m, proporcional em sentido estrito representa análise de ônus X bônus na adoção daquela medida. Princípio da proporcionalidade Assim, tanto o Estado como você, gestor de segurança, ao adotar medidas constritivas de direitos dos cidadãos, deve se pautar pelo princípio da proporcionalidade. Ou seja, analisar se a medida tomada é adequada ao �m a que se destina, se é a única maneira para se conseguir aquele objetivo e se há uma relação favorável de custo x benefício social na adoção daquela solução. Visão Geral do Rito Processual Clique no botão acima. Processo, procedimento e rito processual são de�nições muito importantes, havendo necessidade de analisar as principais de�nições a respeito do tema. Como já destacamos, processo é a relação jurídica travada entre os sujeitos processuais (acusação, juiz, defensor, réu), e procedimento ou rito é a ordem dos atos processuais praticados pelos sujeitos da relação jurídica. Processo é o jogo de futebol, enquanto procedimento ou rito são as regras daquele jogo. A fase pré-processual (inquérito policial, por exemplo) se inicia com a notitia criminis, que consiste em levar ao conhecimento da autoridade policial a prática de um delito. Isso pode ser feito por qualquer das pessoas elencadas no Art. 5º do CPP. A partir da notícia do crime, a autoridade policial instaurará o inquérito policial e determinará as diligências necessárias para a elucidação do fato (Art. 6º do CPP). Alguns crimes necessitam de uma condição especial para que sejam investigados e processados. São os crimes de ação penal privada e de ação penal pública condicionada à representação do ofendido (Art. 5º, §§4º e 5º do CPP). Neles é preciso que a vítima, seu representante legal (se menor de 18 anos) ou seus parentes na situação do Art. 31 do CPP manifestem expressamente a vontade de investigar e processar o fato ou seu autor. O próprio boletim de ocorrência ou a comunicação do fato para a autoridade policial, na forma do Art. 5º, II, §1º do CPP já são su�cientes para aquela manifestação, pois a lei não exige maiores rigores formais. Quando o crime for de ação penal pública (Art. 100 do Código Penal), o início da fase processual dá-se com a apresentação de uma denúncia pelo Ministério Público contendo os requisitos do Art. 41 do CPP. Se for um crime de ação penal pública condicionada à representação, a denúncia deve vir acompanhada da representação da vítima (Art. 38 e 39 do CPP). Se o delito for de ação penal privada (Art. 100, §2º CPP), o procedimento penal se iniciará com a apresentação de queixa-crime pela vítima, seu representante ou familiares (na hipótese do Art. 31 do CPP), subscrita por advogado com poderes especiais (Art. 38 e 44 do CPP). O prazo parapropositura da queixa-crime (ação penal privada) ou para a representação da vítima na ação penal pública condicionada é de seis meses a contar da data do conhecimento da autoria do fato (Art. 38 do CPP). Tal prazo é decadencial, e seu transcurso gera a extinção do direito de punir do Estado (Art. 107, IV do CPP). É possível que, após a apresentação de representação, haja arrependimento da vítima, e ela se retrate. Por regra, se isso ocorrer até o oferecimento da denúncia (Art. 25 do CPP), haverá também a extinção do direito de punir pela retratação do ofendido (Art. 107, VI do CPP). Com a apresentação da denúncia ou da queixa-crime e seu recebimento, inicia-se a fase processual. O procedimento ordinário se inicia com a denúncia do réu, no caso de ação penal pública, ou com a queixa-crime, no caso de ação penal privada. O juiz pode, dentre outras hipóteses, receber a denúncia/ queixa-crime ou rejeitar a petição inicial por inépcia (Art. 395 do CPP). Nesse procedimento, é possível arrolar até oito testemunhas. Após citado, o réu terá até 10 dias para apresentar resposta à acusação. Depois disso, o juiz tem o retorno dos autos para a conclusão, e a audiência, em regra una, deverá ocorrer dentro de 60 dias (Art. 399 e 400 do CPP ). O procedimento será sumário quando a pena privativa de liberdade for inferior a quatro anos. Inicia-se da mesma forma que o procedimento ordinário e somente se diferencia em dois momentos: no prazo para a audiência, que passa a ser de 30 dias, e no número máximo de testemunhas que podem ser arroladas: 5 por fato. Por �m, o procedimento será sumaríssimo para as infrações penais de menor potencial ofensivo. Logo, não está previsto no CPP, e sim nos Art. 77 a 83 da Lei 9.099/95, diferenciando-se bastante dos procedimentos anteriores. Na primeira audiência, há uma tentativa de conciliação através de transação penal ou composição civil . O número de testemunhas pode ser de até cinco, em geral. A transação penal (Art. 76 da Lei 9.099/95) é um acordo entre o autor do fato e o Ministério Público para que aquele cumpra determinadas condições e, em troca, o Ministério Público deixa de oferecer denúncia contra ele. Já a composição civil é o acordo entre o autor do fato e a vítima quanto aos danos sofridos por esta em relação ao fato delituoso. Não havendo uma conciliação ou transação, será designada uma audiência de instrução e julgamento quando a defesa deverá apresentar a sua resposta à acusação/ defesa prévia e terá prazo para recurso de apelação em 10 dias (Art. 81 da Lei 9.099/95). Contra a sentença no Juizado Especial Criminal, cabe recurso de apelação, com prazo de dez dias (Art. 82 da Lei 9.099/95). Após a defesa prévia, o juiz analisa se recebe ou não a denúncia. Recebendo, nessa mesma audiência ele já faz a oitiva de vítimas, testemunhas e interrogatório. Em seguida, há os debates entre as partes e a sentença (Art. 81). Para alguns crimes, há procedimentos próprios chamados de especiais, a serem observados em substituição ao comum (Art. 394, §2º do CPP). Por exemplo: para o crime de trá�co de drogas (Art. 33 da Lei 11.343/2006), há procedimento próprio (Art. 54 e seguintes da Lei 11.343/2006). A notícia-crime, conhecida pelos operadores de direito como notitia criminis, é uma forma de abertura do inquérito policial. Pode ser gerada por informação idônea de qualquer pessoa do povo, desde que seja um relato de crime de ação pública incondicionada. Essa forma de instauração de inquérito pode ser por boletim de ocorrência ou outros meios, pois não há rigor formal imposto pela legislação. Diferencia-se da queixa-crime e da representação: A queixa-crime é a petição inicial da ação privada, e o próprio ofendido deve movimentar a ação. Esse documento tem prazo estipulado, conforme o Art. 38 do CPP. O prazo decadencial é de seis meses, a contar do dia em que vier a saber quem é o autor do crime; Já a representação se encaixa nos crimes de ação penal pública condicionada, ou seja, condicionada à representação. Até então, o Ministério Público (MP) não pode propor a ação penal. O prazo decadencial é o mesmo da queixa. Ela pode ser direcionada ao juiz, à autoridade policial ou ao representante do MP. Pode ser retratada até o tempo do oferecimento da denúncia, conforme o Art. 25 do CPP: “A representação será irretratável, depois de oferecida a denúncia”. Atividade 1. Ao longo do tempo, os sistemas processuais penais tradicionalmente vêm sendo classi�cados como inquisitivo, acusatório e misto. A de�nição da classi�cação considera as principais características do processo penal e os princípios que o informam. Considerando as previsões constitucionais e do Código de Processo Penal, o sistema processual penal brasileiro pode ser classi�cado como: a) Inquisitivo no momento do inquérito policial, de modo que não pode o advogado do indiciado ter acesso ao inquérito e aos elementos informativos produzidos, ainda que já documentados, antes de sua conclusão. b) Acusatório, primordialmente, razão pela qual não se aplica o sistema de prova tarifada, podendo a infração penal que deixa vestígios ser comprovada por qualquer meio de prova, inclusive, unicamente, a confissão. c) Acusatório, primordialmente, de modo que não pode o magistrado decretar prisão preventiva, em nenhuma fase processual, de ofício, sem representação do Ministério Público ou da autoridade policial simples. d) Inquisitivo no momento do inquérito policial, admitindo-se que seja decretada a prisão temporária, ainda durante as investigações, pelo prazo inicial de dez dias, em sendo investigada a prática do crime de roubo. 2. Acerca dos princípios penais constitucionais e do Direito Processual Penal à luz da CRFB, julgue os itens a seguir: I. São princípios processuais penais expressos na CRFB a presunção de inocência, o devido processo legal e a ampla defesa. II. O direito processual penal compreende o conjunto de normas jurídicas destinadas a regular o modo, os meios e os órgãos do Estado encarregados do exercício do jus puniendi. III. O procedimento comum é o mais aplicado no processo penal e poderá ser ordinário, sumário ou sumaríssimo. IV. De acordo com o princípio da motivação das decisões judiciais, a decisão dos órgãos do Poder Judiciário não necessariamente precisa ser fundamentada. Estão certos apenas os itens: a) I e II b) I e IV c) I, II e III d) II, III e IV 3. (2016 – VUNESP – TJM-SP - adaptada) A respeito dos princípios processuais penais, é correto a�rmar que: a) O direito ao silêncio, que está previsto na Constituição da República, de acordo com entendimento doutrinário, é um direito exercido pelo acusado de omitir-se ou permanecer em silêncio durante interrogatório. b) O princípio da busca da verdade constitui princípio supremo no processo penal e leva a entender que os fatos que se buscam podem ser ditos verdadeiros e atingem uma verdade absoluta. c) O princípio do contraditório não restará violado se entre a acusação e a sentença inexistir correlação. d) O princípio da inadmissibilidade de provas ilícitas tem previsão constitucional e também no Direito Processual Penal, sendo válidas, entretanto, as provas derivadas das provas ilícitas em qualquer ocasião. Notas Título modal 1 Lorem Ipsum é simplesmente uma simulação de texto da indústria tipográ�ca e de impressos. Lorem Ipsum é simplesmente uma simulação de texto da indústria tipográ�ca e de impressos. Lorem Ipsum é simplesmente uma simulação de texto da indústria tipográ�ca e de impressos. Título modal 1 Lorem Ipsum é simplesmente uma simulação de texto da indústria tipográ�ca e de impressos. Lorem Ipsum é simplesmente uma simulação de texto da indústria tipográ�ca e de impressos. Lorem Ipsum é simplesmente uma simulação de texto da indústria tipográ�ca e de impressos. Referências CAPEZ, F. Curso de processo penal. 26. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019. LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de processo penal: volume único. 7. ed. rev. ampl. atual. Salvador: JusPodivm, 2019. LOPESJR., Aury. Direito Processual Penal. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2019. PACELLI, Eugênio. Curso de Processo Penal. 23. ed. São Paulo: Atlas, 2019. Próxima aula Ciclo de polícia e ciclo de persecução criminal; Investigação criminal e inquérito policial; Características do inquérito policial. Explore mais Direito Penal, Direito Processual Penal e instrumentalidade processual penal (Leonardo Aguiar). Disponível em: : https://leonardoaaaguiar.jusbrasil.com.br/artigos/324823584/direito-penal-direito-processual-penal-e-instrumentalidade- processual-penal. Acesso em: 1 jul. 2020. Princípios processuais penais: importância e aplicabilidade (Arielle Trindade Santiago; Denilson Victor Machado Teixeira). Disponível em: : https://ambitojuridico.com.br /edicoes/revista-141/principios-processuais -penais-importancia- e-aplicabilidade/. Acesso em: 1 jul. 2020. Termo circunstanciado: para compreender e diferenciar de inquérito policial (Frederico Cattani). Canal das Ciências Criminais. Rio de Janeiro, 30 out. 2018. Disponível em: https://canalciencias criminais.com.br/ termo-circunstanciado - compreender/. Acesso em: 1 jul. 2020. javascript:void(0); javascript:void(0); javascript:void(0); javascript:void(0); javascript:void(0); javascript:void(0); javascript:void(0); DIREITO PROCESSUAL PENAL E ORG. JUDC. E POLICIAL Aula 2: Ciclo de Polícia e Ciclo de Persecução Criminal; Investigação Apresentação Nesta aula, você estudará a investigação penal, bem como o inquérito policial, veri�cando quais são as etapas da atuação da Polícia e suas atividades principais. Também conhecerá as caraterísticas basilares do inquérito e sua principal motivação, conferindo ainda quais são os prazos que a autoridade policial deve cumprir e qual o objetivo principal do inquérito. Objetivos Descrever as etapas do inquérito policial, suas características e o que signi�ca a persecução penal; Identi�car os princípios da persecução penal, as fases da investigação penal e a diferença entre crime de ação pública e de ação privada; Reconhecer a abrangência da Polícia, sua atuação e o seu papel na investigação penal, bem como as verdadeiras etapas do inquérito policial e os princípios utilizados. Ciclo de Polícia e Ciclo de Persecução Criminal O Estado, para cumprir sua tarefa de reprimir a criminalidade, criou seus órgãos próprios (Art. 144 da CF). Cada um cumpre uma função especí�ca para o combate à criminalidade. O Estado criou o Ministério Público (MP), outorgando-lhe a tarefa de propor ações penais nos casos previstos em lei. Criou também a Polícia, outorgando-lhe as funções de garantir a ordem pública e investigar os fatos tidos como criminosos. Criou ainda o Poder Judiciário para julgar, cabendo somente a ele esse poder. Em relação aos órgãos policiais, a segurança pública está organizada pelo Ciclo de Polícia, que são as fases em que cada órgão policial atua no combate ao delito. Nesse sentido, pode-se dizer que há uma atuação preventiva, com vistas a impedir que o delito aconteça. Exemplo A Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Militar são bons exemplos de órgãos policiais que atuam naquela fase. Há também a atuação repressiva, destinada a investigar delitos, de sorte que suas atuações ocorrem após a infração penal. A Polícia Civil e a Polícia Federal são bons exemplos desse tipo de atuação. Essa divisão hoje não é mais estanque, porque se percebeu que as duas fases estão interconectadas, já que a atuação na fase preventiva pode repercutir na fase repressiva e vice-versa. Por exemplo: informações que a PM obtém durante o patrulhamento podem ajudar a esclarecer crimes já ocorridos, assim como conhecimentos adquiridos pela Polícia Civil sobre o modo como determinados crimes estão ocorrendo podem auxiliar o patrulhamento preventivo da Polícia Militar. De qualquer forma, essa divisão em ciclos é didática e pode auxiliar você na compreensão da matéria, mas lembrando que atualmente os órgãos que atuam na fase preventiva têm reservado uma parte de seus integrantes para atuar na fase repressiva e vice-versa. Assim, podemos agrupar em três categorias os tipos de polícia de acordo com suas atividades preponderantes: polícia de segurança, administrativa e judiciária. 1 Polícia Administrativa: Polícia Aduaneira e Polícia Rodoviária. Tem caráter preventivo, e o objetivo éimpedir a prática de atos lesivos a bens individuais e coletivos; (CAPEZ, 2019) 2 Polícia de Segurança: Polícia Militar. É uma polícia preventiva que existe para inibir a criminalidade. Tem a função precípua de evitar a ocorrência de delitos e intervir de imediato para fazer cessá-la. O policiamento ostensivo, armado, tem como uma das características marcantes a discricionariedade, ou seja, o poder de intervir no momento dos con�itos sem pedir autorização a ninguém (juiz). Quando a polícia de segurança não consegue evitar a ocorrência do delito, entra em cena a Polícia Civil, que é judiciária; 3 Polícia Judiciária: Polícia Civil e Polícia Federal. Tem a função de investigar de forma circunstanciada,esclarecendo o fato criminoso. Essa investigação é feita por inquérito policial. Conforme o caput do Art. 144 da CF, a segurança pública é dever do Estado e direito e responsabilidade de todos. Seu objetivo é preservar a ordem pública e a incolumidade (segurança) das pessoas e do patrimônio que não tangem à competência da União. Para satisfazê-lo, é necessária a atuação de diversos órgãos, evitando-se a prática de infrações penais (preventivo) ou reprimindo aquelas já praticadas (repressivo). Essa atividade, vista de forma global, desde a preocupação com a prevenção até a investigação e o esclarecimento dos delitos, chama-se ciclo completo de polícia. De outro lado, como você já aprendeu, uma vez praticado um delito por alguém, nasce ao Estado o direito de punir aquele fato. A isso chamamos de pretensão punitiva. Mas, para que o exercício dessa pretensão punitiva seja legítimo, é preciso observar as regras do jogo (Direito Processual Penal). Comentário Então, é necessário, antes que haja uma investigação sobre o fato, colher provas mínimas que autorizem a propositura de uma ação penal contra o suspeito e, ao �m, comprovada a culpa dele, haverá uma condenação. Esse é o chamado ciclo de persecução penal, que envolve todos os sujeitos processuais já mencionados na nossa aula anterior (autoridade policial, acusação, defensor, juiz e réu). Logo, as ações policiais e o ciclo de polícia estão ligados à persecução penal. Esta envolve diversos órgãos, sejam eles o Ministério Público, a Defensoria Pública, a justiça etc. Tem seu início a partir das atividades de polícia, prevenindo e reprimindo o crime antes de o Ministério Público tomar seu lugar no cenário. É certo que muitas vezes a lei permite que um caso criminal seja solucionado sem observância daquele ciclo de persecução penal. Em determinados tipos de infrações penais, normalmente aqueles de menor gravidade (seja em razão da quantidade da pena ou por características do delito, por exemplo, sem violência ou grave ameaça) e quando características pessoais do suspeito permitirem (sem antecedentes criminais ou sem personalidade voltada ao crime, por exemplo), a lei admite a chamada justiça penal negociada. Ou seja, uma espécie de acordo entre o Ministério Público e o suspeito, no qual este cumpre determinadas condições e, em troca, pode deixar de ser processado (Art. 76 da Lei 9.099/95 e 28-A, §2º do CPP) ou ter seu processo suspenso com posterior extinção do direito de punir do Estado, caso o acordo seja cumprido (Art. 89 da Lei 9.099/95). De qualquer modo, não deixa de ser uma forma autorizada pelo Estado para solucionar o problema gerado com a prática do delito, de sorte que também devem compor o chamado ciclo de persecução penal. Investigação Criminal e Inquérito Policial A investigação criminal pode ser entendida como um procedimento destinado ao esclarecimento de um fato criminoso, sua autoria e circunstâncias em que foi praticado. O procedimentoque mais conhecemos é o inquérito policial, mas ele não é o único. A conhecida Comissão Parlamentar de Inquérito - CPI também pode ser uma forma de investigação criminal quando o seu objeto for um fato criminoso, assim como um procedimento administrativo �scal aberto para investigar sonegação �scal e também os chamados Procedimentos de Investigação Criminal - PIC instaurados pelo MP para investigar alguns delitos. Então, podemos dizer que esses instrumentos investigativos podem ser agrupados no conceito de fase de investigação preliminar ou fase pré-processual, pois antecedem a ação penal e podem servir para subsidiá-la. Por ser o mais recorrente e também por ser uma fonte inspiradora dos demais, o inquérito policial merece sua especial atenção. Ele tem previsão nos artigos 4º a 23 do CPP, podendo ser conceituado como: Procedimento administrativo inquisitório e preparatório consistente em um conjunto de diligências realizadas pela polícia investigativa para apuração da infração penal e de sua autoria, presidido pela autoridade policial a �m de fornecer elementos de informação para que o titular da ação penal possa ingressar em juízo.” - ANTUNES; MISAKA, 2020, p. 204 Desse conceito, podemos extrair as principais características do inquérito policial: Clique nos botões para ver as informações. é um instrumento de investigação preliminar para esclarecer o fato criminoso e sua autoria, evitando-se também acusações infundadas (sem o mínimo de provas); Instrumental embora importante, desde que o autor da ação penal já reúna elementos de prova mínimos da existência de um delito e da sua autoria, ele não precisa se basear em um inquérito policial. Este será indispensável quando for necessário esclarecer-se o fato criminoso e sua autoria antes da propositura da ação penal; Dispensável na forma do Art. 20 do CPP, a autoridade irá assegurar no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade. Muitas vezes, o sigilo é essencial para esclarecer os fatos, evitando-se por exemplo que o suspeito tome medidas para dissipar provas importantes. E quem pode ter acesso ao inquérito? Os agentes policiais que nele estão atuando, o Ministério Público e o juiz. E o suspeito? Devemos lembrar a súmula vinculante nº 14 do STF: Pelo teor da súmula, o suspeito e seu advogado podem saber o conteúdo das provas já produzidas no inquérito policial, mas não aquelas diligências que ainda estão em andamento. Isso é intuitivo, pois não teria sentido que o suspeito soubesse que seu telefone está interceptado ou que a polícia vai cumprir um mandado de busca na sua casa amanhã, por exemplo. Se o suspeito souber disso antes que ocorra, a medida pode se tornar ine�caz; Sigiloso o inquérito é um procedimento sem o mesmo grau de contraditório e ampla defesa da ação penal. Nele não há obrigatoriedade de assistência por advogado, e o suspeito ou o advogado podem sugerir diligências (Art. 14 do CPP), �cando ao prudente arbítrio da autoridade policial aceitar ou não; Hoje há uma ressalva a isso no art. 14-A, do CPP, nos casos de inquérito policial contra agente de segurança pública com o objetivo de investigar o uso de força letal no exercício da sua pro�ssão. Nesse caso, ele deve ser assessorado por um defensor que ele constituir ou nomeado pelo órgão a que ele pertencer; Inquisitivo as provas colhidas no inquérito policial se prestam a formar o convencimento do Ministério Público quanto à necessidade ou não de propor uma ação penal contra o suspeito. Uma vez que não há pleno exercício do contraditório e da ampla defesa sobre aquelas provas, elas por si sós não podem basear uma futura condenação contra o réu (Art. 155 do CPP). Daí por que se diz que aquilo que foi produzido no inquérito policial são elementos de informação para o autor da ação penal, e não provas para condenação. Informativo (Fonte: Shutterstock). O inquérito policial é presidido pelo delegado de polícia no âmbito da Polícia Civil e pelo delegado federal na Polícia Federal (Art. 4º do CPP), sendo que cada um deles atua dentro das esferas de atribuições que a lei lhes dá. A lei pode limitar essa atuação de acordo com o assunto (por exemplo: quando há delegacias especializadas) ou a localização (a Polícia Federal do Rio de Janeiro atuará em crimes praticados naquele município, por exemplo). O Art. 5º do CPP nos diz quais são as formas de se instaurar um inquérito policial, e isso tem ligação com o tipo de futura ação penal. Nos crimes de ação penal privada, a instauração depende de pedido do ofendido (Art. 5º, §5º do CPP); a autoridade policial não pode instaurar de ofício, ou seja, sem esse pedido. Já no caso de ação penal pública condicionada, na forma do Art. 5º, §4º do CPP, é preciso também a representação do ofendido ou a requisição do Ministro da Justiça em crimes desta natureza (Por exemplo: Art. 141, I e 145, § único do Código Penal). Quando o crime for de ação penal pública incondicionada, há mais liberdade para o Estado agir. O inquérito policial pode ser instaurado a pedido do juiz (Art. 5º, II do CPP), do Ministério Público (Art. 5º, II do CPP), do ofendido, de qualquer pessoa (Art. 5, §3º do CPP) ou de ofício pela autoridade policial ao tomar conhecimento de um delito cuja investigação seja de sua atribuição. Ele pode tomar conhecimento pelo auto de prisão em �agrante, boletim de ocorrência ou até por noticiários. Atenção Destaque-se que, quando o juiz ou o Ministério Público requisitam a instauração de inquérito policial, a autoridade policial deve instaurá-lo. Nos demais casos, há maior liberdade para a autoridade policial em decidir ou não pela instauração. Na condução do inquérito policial, a autoridade policial tem discricionariedade para realizar as diligências que entender necessárias ao esclarecimento do fato e sua autoria (Art. 6º do CPP); não há uma ordem a ser seguida, como na fase processual. O prazo para o encerramento do inquérito policial, por regra, será de dez dias se o suspeito estiver preso e de 30 dias se solto (Art. 10 do CPP). É possível que a autoridade policial solicite ao juiz a prorrogação do prazo de conclusão, desde que justi�que as diligências que ainda faltam ser realizadas (Art. 10, §3º do CPP). Nos inquéritos da Polícia Federal, os prazos são: 15 dias para réu preso e 30 dias para solto. Cuidando-se de investigação de trá�co de drogas, o prazo é de 30 dias para réu preso e de 90 dias para suspeito solto. Em qualquer hipótese de trá�co de drogas, há possibilidade de duplicarem-se os prazos (Art. 51 da Lei 11.343/2006). Esgotadas todas as diligências investigativas ou transcorrido o prazo para conclusão do inquérito policial, a autoridade policial deve fazer um relatório de tudo (Art. 10, §1º do CPP) e encaminhar o inquérito para o Poder Judiciário, que por sua vez possibilitará ao Ministério Público a manifestação sobre ele. Nesse momento, o Ministério Público pode adotar uma das seguintes posturas: a) Requerer a realização de novas diligências, apontando-as e justi�cando a sua necessidade (Art. 16 do CPP); b) Oferecer a ação penal (denúncia) contra o suspeito; c) Promover o arquivamento do inquérito policial (Art. 17 do CPP). Caso o juiz concorde com o pedido de novas diligências, o inquérito retornará ao delegado para a realização delas (Art. 13, II do CPP). Se o Ministério Público oferecer a ação penal, terá início a fase processual. Já se o juiz concordar com o pedido de arquivamento do inquérito policial, este será encerrado e arquivado, apenas podendo ser reaberto se novas provas surgirem (Art. 18 do CPP). Interessante que, uma vez arquivado pela autoridade judiciária, não há recurso contra esta decisão, por exemplo; mesmo que a vítima discorde, o inquérito será arquivado. É possível também que o juiz discorde do pedido de arquivamento do inquérito policial. Aí ele aplicará o Art. 28 do CPP, remetendo o procedimento ao Procurador-Geral de Justiça (Ministério Público Estadual) ou Câmara deCoordenação e Revisão (Ministério Público Federal), que são os órgãos superiores do Ministério Público para análise da manifestação de arquivamento. Atenção Se o Procurador-Geral de Justiça ou a Câmara concordarem com o arquivamento, isso ocorrerá mesmo com a discordância do juiz. Se aqueles órgãos concordarem com o juiz, eles designarão outro membro do Ministério Público para oferecer a ação penal no lugar daquele que pediu o arquivamento. Atividade Assinale a alternativa que apresenta uma descrição correta do inquérito policial: a) É o único procedimento administrativo e judiciário com previsão legal, conforme a doutrina tradicional. b) No ordenamento jurídico brasileiro, não há outra forma de investigação criminal que não seja o inquérito policial. c) É um instrumento de investigação final para definir a penalidade do fato criminoso. d) É presidido pelo delegado de polícia, no âmbito da Polícia Civil, e pelo delegado federal, no âmbito da Polícia Federal. 2 (FGV - 2012 - OAB - Exame de Ordem Uni�cado - VI - Primeira fase) Tício está sendo investigado pela prática do delito de roubo simples, tipi�cado no Artigo 157, caput do Código Penal. Concluída a investigação, o delegado titular da 41ª Delegacia Policial envia os autos ao Ministério Público, a �m de que este tome as providências que entender cabíveis. O Parquet, após a análise dos autos, decide pelo arquivamento do feito, por faltas de provas de autoria. A vítima ingressou em juízo com uma ação penal privada subsidiária da pública, que foi rejeitada pelo juiz da causa, que, no caso acima, agiu: a) Erroneamente, tendo em vista que a Lei Processual admite a ação privada nos crimes de ação pública quando esta não for intentada. b) Corretamente, pois a vítima não tem legitimidade para ajuizar ação penal privada subsidiária da pública. c) Corretamente, já que a Lei Processual não admite a ação penal privada subsidiária da pública nos casos em que o Ministério Público não se mantém inerte. d) Erroneamente, já que a Lei Processual admite, implicitamente, a ação penal privada subsidiária da pública. 3 - (MPE-PR - 2019 - MPE-PR - Promotor Substituto - Adaptada) Sobre o inquérito policial, controle externo da atividade policial e poder investigatório do Ministério Público, analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa incorreta: a) O inquérito policial pode ser instaurado de ofício, por requisição do Ministério Público e a requerimento do ofendido em casos de crime de ação penal pública incondicionada. b) O membro do “Parquet”, com atuação na área de investigação criminal, pode avocar a presidência do inquérito policial, em sede de controle difuso da atividade policial. c) No exercício do controle externo da atividade policial, o membro do “Parquet”, pode requisitar informações, a serem prestadas pela autoridade, acerca de inquérito policial não concluído no prazo legal, bem como requisitar sua imediata remessa ao Ministério Público ou Poder Judiciário, no estado em que se encontre. d) O membro do Ministério Público pode encaminhar peças de informação em seu poder diretamente ao Juizado Especial Criminal, caso a infração seja de menor potencial ofensivo. 4 - Sobre a persecução penal, assinale a alternativa incorreta: a) A investigação criminal é a atividade preparatória para o exercício da ação penal, procurando elementos sobre autoria e materialidade, bem como as circunstâncias que envolvem o delito. b) O Ministério Público não pode oferecer denúncia com base em peças de informação, mesmo se estas forem suficientes para indicar elementos de autoria e materialidade de determinado fato típico, sendo necessário requisitar a instauração de inquérito policial. c) A sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção da punibilidade, não podendo ser considerada para efeitos de reincidência. d) O inquérito policial é uma das formas de investigação criminal, não tem rito preestabelecido, nem é providência prévia indispensável ao início da persecução penal. e) Na persecução penal, o Estado cria dois órgãos persecutórios que são chamados de Polícia Judiciária, que leva ao conhecimento da infração e o Ministério Público, que pode dar início à ação penal. 5 - (Polícia Civil do Espírito Santo - PC/ES/ES 2019 - Adaptada) Considere a seguinte situação: Gerson está respondendo a procedimento investigatório, conduzido por delegado de Polícia Civil. Em meio à investigação, foi decretado sigilo do inquérito policial para assegurar as investigações. Levando em conta este caso hipotético, é correto a�rmar que: a) Apenas no caso de não ser decretado o sigilo dos autos do inquérito, o advogado terá acesso aos autos, caso em que terá que aguardar a instauração do processo judicial. b) Os autos do inquérito policial poderão ser examinados pelo advogado, que ainda terá informações sobre os atos de investigação a serem realizados. c) O advogado do indiciado não terá acesso aos autos, nos crimes hediondos, para assegurar a proteção das investigações. d) Ainda que tenha sido decretado o seu sigilo, o advogado poderá examinar os autos do inquérito policial. e) Tendo em vista a necessidade de preservar a ordem pública, o sigilo decretado no inquérito policial não impede que os meios de comunicação televisivas tenham acesso. 6 - Marque a assertiva incorreta acerca da investigação no processo penal: a) O Ministério Público não encontra respaldo em qualquer regulamentação constitucional e legal em relação à autorização de apuração de infração penal. b) A condução da investigação criminal cabe ao delegado de polícia e ao promotor de justiça, que têm autoridade policial e procederão à investigação criminal por meio de inquérito policial ou, ainda, se utilizar de outro procedimento legalmente previsto, com a finalidade de apurar nas infrações penais suas circunstâncias, sua materialidade e sua autoria. c) Em alguns estados, a PM lavra um termo circunstanciado de infração penal mesmo em face da determinação legal de o delegado de polícia presidir a investigação criminal, além de não haver atribuição constitucional e legal para a polícia militar investigar crimes comuns. d) É possível ao detetive particular contribuir com a investigação criminal. e) A investigação criminal pode ser conduzida pelo Ministério Público, conforme entendimento expresso do Supremo Tribunal Federal. 7 - (Concurso Agente de Polícia Legislativa, Câmara Legislativa do Distrito Federal, 2018 – Adaptada) Conforme concepção moderna, o inquérito policial: a) É procedimento presidido tanto pelo delegado de polícia quanto pelo membro do Ministério Público, se o MP for o órgão responsável pela investigação. b) Não poderá acompanhar a denúncia ou queixa, sempre que servir de base a uma ou outra. c) Que apresentar vício poderá contaminar eventual ação penal subsequente proposta com base unicamente nos elementos contaminados. d) É um procedimento escrito, obrigatório e preparatório da ação penal, prescindível, em regra, para embasar o oferecimento da denúncia. e) É o único procedimento investigatório policial em nosso ordenamento jurídico. 8 - Marque a alternativa que apresenta a�rmação correta sobre a investigação criminal: a) A inteligência tem como objetivo a produção de conhecimento e investigação criminal se orienta pelo modelo de persecução penal que encontra previsão e regulamentação em norma processual própria, portanto, a investigação criminal não se confunde com a inteligência. b) Encontramos inovação no ordenamento jurídico, em relação à possibilidade de realização de investigações criminais por meio do detetive particular, quando consideramos o texto da lei 13432/17, conhecida como Lei do Detetive Particular. c) Na investigação criminal, é totalmente vedada a contribuição do detetive particular, mesmo sob autorização do contratante e aceite do Delegado de Polícia d) Conforme o Art. 144, §4 da CF, parte final, cabe à Polícia Militar a apuração de crimes comuns. e) Para a doutrina tradicional, o inquérito policial, que é um método de investigação, é um processoadministrativo sui generis. 9 - (CESPE - 2018 - PC-MA - Médico Legista adaptada) Ao tomar conhecimento da prática de uma infração penal, caberá à autoridade policial: 1. Dirigir-se ao local, onde deve providenciar para que não se alterem o estado e a conservação das coisas até a chegada dos peritos criminais. 2. Informar o fato de pronto ao Ministério Público, ao qual compete �scalizar o trabalho policial. 3. Proceder a diligências, no sentido de apurar as circunstâncias do fato criminoso e identi�car a autoria provável. 4. Encerrar a investigação quando não for possível identi�car um suspeito dentro de prazo razoável. Estão certos apenas os itens: a) I e II b) I e III c) III e IV d) I, III e IV e) II, III e IV Notas Referências ANTUNES, Carlos P.; MISAKA, Marcelo Y. Prática penal: do exame da OAB à prática forense. Birigui: Mundial, 2020. CAPEZ, F. Curso de processo penal. 26. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019. Próxima aula A intervenção da polícia nos crimes de menor potencial ofensivo e nas contravenções penais; As principais etapas do procedimento sumaríssimo e os seus institutos; O processo nestes delitos, suas fases, suas consequências e aplicação da pena que não seja privativa de liberdade. Explore mais • Assista ao vídeo: AGU Explica - Ciclos do Poder de Polícia (Clarissa Borges). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=oi- hRKxwmBM. Acesso em: 2 jul. 2020. • Leia o artigo: Primeiras impressões sobre o acordo de não persecução penal (Salvei Alai). Disponível em:https://www.migalhas.com.br/depeso/320078/primeiras-impressoes-sobre-o-acordo-de-nao-persecucao-penal. Acesso em: 2 jul. 2020. javascript:void(0); javascript:void(0); javascript:void(0); Direito Processual Penal e Org. Judc. e Policial Aula 3: Termo circunstanciado e os Juizados Especiais Criminais da Lei número 9.099/95 Apresentação Esta aula irá aprofundar o estudo dos Juizados Especiais Criminais e seus aspectos principais, tais como os princípios aplicáveis, os institutos utilizados no âmbito desta lei e as consequências jurídicas da sua aplicação. Vamos observar também os principais aspectos do procedimento sumaríssimo, tais como a transação penal, a composição civil dos danos e a suspensão condicional do processo. Objetivos Identi�car o procedimento sumaríssimo e sua relação com a Constituição Federal; Reconhecer a origem, as peculiaridades e a função precípua do processo sumaríssimo; De�nir o conceito de termo circunstanciado, o papel da Autoridade Policial, como é feito e depois remetido ao Juizado especial criminal. A Constituição Federal e os delitos de menor potencial ofensivo O Art. 98, inciso I da Constituição Federal (CF) autorizou a criação dos Juizados Especiais Criminais para o julgamento das infrações penais de menor potencial ofensivo. Concretizando aquela autorização, editou-se a Lei 9.099/95 que, nos artigos 60 a 83, tratou do conceito de delitos de menor potencial ofensivo, dos princípios regentes do procedimento sumaríssimo e do procedimento em si. O que seria uma infração penal de menor potencial ofensivo? A Constituição Federal utilizou a expressão infração penal de menor potencial ofensivo, mas não disse o que era. Você saberia dizer? Ela delegou ao legislador o conceito, e o Art. 61 da Lei 9.099/95 de�niu infração de menor potencial ofensivo como as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a dois anos, cumulada ou não com multa. As contravenções penais estão previstas no Decreto-Lei Nº 3.688/41 e são espécies do gênero delito ou infração penal. Em essência, essas contravenções não se diferem dos crimes, mas os dois não se confundem. O Art. 1º, da Lei de Introdução ao Código Penal, faz a distinção pelo tipo de pena: a contravenção penal é punida com pena de prisão simples ou de multa, ao passo que o crime é punido com pena de reclusão ou detenção, isolada ou cumulativamente, com multa. Por ser uma infração com sanção mais branda, justamente porque são condutas menos graves, o jurista Nelson Hungria (1891-1969) chamava as contravenções penais de delito-anão. É possível que alguns delitos tenham pena máxima inferior a dois anos, mas não sejam considerados de menor potencial ofensivo pelo legislador. Exemplo Isso ocorre, por exemplo, com os crimes que envolvam violência doméstica e familiar contra a mulher, pois o Art. 41 da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) expressamente excluiu a incidência da Lei 9.099/95 àqueles delitos. Princípios reitores do Juizado Especial Criminal O Art. 2º da Lei 9.099/95 de�niu os princípios que devem nortear o procedimento sumaríssimo: “o processo orientar-se-á pelos critérios da oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade, buscando, sempre que possível, a conciliação ou a transação”. É importante ter em mente esses princípios, pois eles devem nortear a atuação no juizado especial criminal e também a interpretação da Lei 9.099/95. Clique nos botões para ver as informações. Oralidade: signi�ca o predomínio de atos processuais praticados na forma falada em detrimento dos atos por escrito. Veja, por exemplo, que o Ministério Público oferecerá a denúncia oral (Art. 77 da Lei 9.099/95) e há uma concentração de atos a serem praticados em uma só audiência, tudo de forma oral (Art. 81 da Lei 9.099/95); Oralidade Informalidade: quem atua nos procedimentos do Juizado Especial Criminal deve-se preocupar mais com a questão de fundo (resolver o caso, o problema) do que com questões formais (por exemplo: como uma peça processual deve ser redigida, qual o padrão etc.), desburocratizando ao máximo os atos processuais; Informalidade Economia processual: deve-se conseguir o máximo de proveito com mínimo de atos processuais. (Santos, 2011, p. 53) Por exemplo: há uma concentração de vários atos processuais a serem praticados na audiência, com vistas a tornar o procedimento mais célere. Economia processual Celeridade: a rápida solução do caso talvez seja a grande meta da Lei 9.099/95 e a razão de ser dos demais princípios reitores, a�nal o procedimento é sumaríssimo. Então, todos os atos processuais devem objetivar a rápida solução do caso, sem procrastinações desnecessárias. Celeridade Termo circunstanciado Você já estudou o inquérito policial. Lembra qual era sua �nalidade? Exatamente: esclarecer o fato criminoso, sua autoria e todas as circunstâncias importantes sobre ele. O termo circunstanciado tem essa mesma �nalidade, mas é reservado para os casos de infrações de menor potencial ofensivo. Embora com a mesma �nalidade do inquérito policial, o termo circunstanciado, inspirado pelos princípios da informalidade, celeridade e economia processual, é muito mais simples e descomplicado que o inquérito policial. Nos termos do Art. 69 da Lei 9.099/95, o termo circunstanciado é mais parecido com um boletim de ocorrência. É lavrado na hora pela autoridade policial que colhe todas as versões dos envolvidos (vítima, autor do fato, testemunhas etc.), e o expediente remete ao Juizado Especial Criminal. Saiba mais Para que você tenha ideia dessa celeridade e simplicidade, em caso de crime de lesões corporais, a autoridade policial não precisa sequer providenciar o exame de corpo de delito da vítima. Basta que anexe um boletim médico ou documento equivalente (Art. 77, §1º da Lei 9.099/95). Pelo texto legal, a autoridade policial competente para lavrar o termo circunstanciado é o delegado de polícia. Contudo, sempre norteados pelos princípios da informalidade, celeridade e economia processual, há entendimentos no sentido de que a Polícia Militar também poderia fazê-lo. Isso porque em alguns locais do Brasil é possível que não haja delegacias de polícia, e nesses casos a PM poderia fazer o termo circunstanciado para imprimir celeridade ao procedimento. O Fórum Nacional dos Juizados Especiais (FONAJE) é um encontro no qual se discute a interpretação da Lei 9.099/95. Desse encontro nasceu o enunciado 34 do FONAJE: “Atendidasas peculiaridades locais, o termo circunstanciado poderá ser lavrado pela Polícia Civil ou Militar”. Comentário Você se recorda do ciclo de polícia que já estudamos? E quando falamos que muitas vezes os órgãos que atuam na prevenção do delito acabam exercendo atividades repressivas também? Eis um exemplo da Polícia Militar elaborando termo circunstanciado. Da audiência preliminar A vontade do legislador era de que o termo circunstanciado fosse lavrado logo após a ocorrência do delito e remetido em seguida para a Justiça. Assim, no mesmo dia já seria realizada a audiência preliminar. Contudo, sabendo que muitas vezes isso não é possível, seja pelo volume de ocorrências policiais ou pela quantidade de casos para agendar audiência, o Art. 70 da Lei 9.099/95 facultou a possibilidade de agendar essa audiência para outra data próxima. A essa altura você está se perguntando: o que é essa audiência preliminar? A resposta está no Art. 72 da Lei 9.099/95. No procedimento desta lei, prestigia-se a solução consensual do caso, seja por meio de uma composição civil ou pela transação penal. Então, essa audiência preliminar se destina a isso: tentar uma composição civil ou uma transação penal. Composição civil Em algumas infrações penais de menor potencial ofensivo, como por exemplo uma lesão corporal leve (Art. 129, caput, do CP) ou uma lesão corporal culposa no trânsito (Art. 303 da Lei 9.503/97), é possível que a vítima esteja indignada com o fato porque, além do delito que sofreu, ainda experimentou prejuízos �nanceiros. Exemplo: �cou com seu carro dani�cado com o acidente, quebrou seu aparelho celular durante a agressão etc. Nesses casos, pensando nos interesses da vítima em ser ressarcida, a lei admite que o autor do fato e a vítima cheguem a um acordo de composição dos danos. A vantagem desse acordo para a vítima é que poderá ter seu prejuízo �nanceiro ressarcido, ao passo que, para o autor do fato, em determinados crimes, pode importar em cessação do direito do Estado de puni-lo (Art. 73 e 74 da Lei 9.099/95). Uma vez que a composição civil pode ser boa para ambas as partes, paci�cando-se o con�ito gerado com o crime, a lei estimula que isso ocorra na audiência preliminar. Atenção Em alguns casos, a composição civil não pode ocorrer, seja porque autor e vítima não chegaram a um denominador comum, seja porque aquele delito não tem vítima certa (por exemplo: no delito de uso de drogas do Art. 28 da Lei 11.343/2006). Transação penal Não sendo possível a composição civil e não sendo o caso de arquivamento do termo circunstanciado, ainda naquela audiência preliminar, será tentada a solução consensual por meio da transação penal (Art. 76 da Lei 9.099/95). Ela é um acordo entre o órgão acusador e o réu para evitar a instauração do processo penal. (ANTUNES; MISAKA, 2020, p. 256) Você saberia dizer quando é possível a transação penal? O legislador se preocupou em dizer quando a transação penal não seria cabível (art. 76, §2º, da Lei 9.099/95). Assim, fora daqueles casos, ela será cabível, desde que se trate de uma infração penal de menor potencial ofensivo. Não é admitida a transação penal quando �car comprovado que: 1. O autor do fato já foi condenado pela prática de crime anterior, de forma de�nitiva, com pena de prisão; 2. O autor do fato já foi bene�ciado por transação penal há menos de cinco anos; 3. Os antecedentes, a conduta social e a personalidade do autor do fato, ou os motivos e as circunstâncias da infração penal, não recomendam a transação penal. A transação penal é um acordo; por isso, não basta ser cabível. As duas partes (autor do fato e Ministério Público) devem aceitar realizar esse acordo. Caso seja cabível a transação, mas o Ministério Público (MP) se recuse injusti�cadamente a oferecer a proposta, deve-se usar o Art. 28 do CPP por analogia, assim como na questão do pedido de arquivamento do inquérito policial, como você deve se recordar. Quais as condições estipuladas nesse acordo de transação penal? Normalmente, o MP propõe que o autor do fato cumpra determinadas obrigações, como pagar algum valor em dinheiro para determinada entidade, ressarcir a vítima, frequentar cursos ou terapias (alcoólicos anônimos por exemplo). Em contrapartida, o Ministério Público se compromete a não oferecer a ação penal contra o autor do fato caso sejam cumpridas as condições. A aceitação da proposta pelo autor do fato não implica con�ssão e não será anotada em sua �cha de antecedentes criminais, a não ser para impedir a concessão de nova transação penal no prazo de cinco anos, como vimos (Art. 76, §§4º e 6º da Lei 9.099/95). Caso o autor do fato não cumpra as condições estipuladas no acordo, ele será rescindido, e o Ministério Público irá propor a ação penal contra ele (súmula vinculante nº 35 do Supremo Tribunal Federal- STF). Se estivermos diante de um crime de ação penal privada, também é possível a transação penal; contudo quem irá propô-la é o querelante (a vítima do crime), segundo entendimento do STF (RHC 102.381/BA, Rel. Ministro Felix Fischer, quinta turma, julgado em 09/10/2018, DJe 17/10/2018). Atenção Destaque-se que o autor do fato deve estar assistido por um advogado, constituído por ele ou nomeado pelo juiz, para aceitar a proposta de transação penal, sob pena de nulidade. Fase judicial Não obtidas a composição civil ou a transação penal, nessa mesma audiência preliminar o Ministério Público oferecerá a denúncia oral contra o autor do fato, se não houver necessidade de diligências (Art. 77 da Lei 9.099/95). Se necessária a realização de alguma diligência (Art. 77, §2º da Lei 9.099/95), ela será requerida e, depois de realizada, o procedimento retorna ao Ministério Público. Neste caso, o MP oferecerá a denúncia de forma escrita Em caso de ação penal privada, conforme previsão do Art. 77, §3º da Lei 9.099/95, quem irá oferecer a queixa-crime é a vítima, seu representante legal ou os sucessores legitimados (art. 31 do CPP). Oferecida a denúncia ou a queixa-crime, oral ou escrita, o acusado será citado e cienti�cado a comparecer na audiência de instrução e julgamento, devendo ele trazer suas testemunhas ou apresentar requerimento para a intimação delas no mínimo cinco dias antes da data agendada (Art. 78, §1º da Lei 9.099/95). As testemunhas indicadas pela acusação e defesa serão noti�cadas a comparecer na mencionada audiência. Caso o réu não constitua um advogado para defendê-lo, o juiz deverá nomear um defensor a ele (defensor nomeado), porque a defesa técnica é imprescindível no processo penal. Iniciada a audiência, o defensor do réu se manifestará sobre a denúncia, trazendo a(s) tese(s) da defesa. Depois, o juiz decidirá se recebe ou não a denúncia ou queixa. Em caso de recebimento, serão ouvidas as vítimas e as testemunhas de acusação e defesa. Ao �nal, o réu será interrogado. Eventual impossibilidade de comparecimento de qualquer pessoa à audiência deverá ocorrer de forma justi�cada, oportunidade em que será deliberado sobre a redesignação de nova audiência. Encerradas as oitivas e o interrogatório, passa-se para a fase de debates orais entre as partes, iniciando-se pela acusação e depois defesa. Fonte: succo/ Pixabay Esse é o momento em que as partes fazem as últimas considerações sobre suas teses e provas produzidas em audiência, com vistas a convencer o magistrado do acerto das teses trazidas por cada uma das partes. Após os debates, o juiz proferirá a sentença (Art. 81 da Lei 9.099/95). É possível que, por algum motivo justi�cado (necessidade de alguma diligência, algum problema no computador da sala de audiências etc.), o juiz delibere por converter os debates orais em memoriais. Nesse caso, em vez de fazer suas alegações �nais de forma oral, as partes irão apresentar por escrito suas considerações. São os chamados memoriais. Em seguida, o juiz também prolatará a sentença de forma escrita. Atenção Contra a decisão do juiz que rejeita a peça acusatória (denúncia ou queixa-crime) e contraa sentença de mérito (absolvendo ou condenando), cabe recurso de apelação com prazo de dez dias a contar da intimação da decisão (Art. 82 da Lei 9.099/95). Esse recurso de apelação será julgado por uma turma composta por três juízes (Art. 82 da Lei 9.099/95). Suspensão condicional do processo A Lei 9.099/95, com vistas a reduzir o encarceramento, trouxe o instituto da suspensão condicional do processo no seu artigo 89. Embora previsto naquela lei, a suspensão condicional do processo nada tem a ver com os delitos de menor potencial ofensivo, pois, nas palavras do próprio texto legal, ela se aplica às infrações penais previstas ou não naquela lei. Assim: A suspensão condicional do processo é o acordo entre as partes para suspender o andamento do processo, desde que o acusado cumpra determinadas condições por um período de tempo. Cumprido, haverá a extinção da punibilidade. - (ANTUNES; MISAKA, 2020, p. 256). O Art. 89 da Lei 9.099/95 traz as situações em que é possível a concessão do sursis processual (suspensão condicional do processo): Sendo cabível a suspensão condicional do processo, ela será proposta pelo Ministério Público nos crimes de ação penal pública e pelo querelante nos delitos de ação penal privada. As condições desse acordo estão no Art. 89, §1º da Lei 9.099/95: 1 Reparar o dano, salvo impossibilidade de fazê-lo; 2 Proibição de frequentar determinados lugares; 3 Proibição de ausentar-se da comarca onde reside sem autorização do juiz; 4 Comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justi�car suas atividades. Além dessas condições, é possível que o juiz especi�que outras, desde que adequadas ao fato e à situação pessoal do acusado (Art. 89, §2º da Lei 9.099/95). O acusado deverá cumprir essas condições por um prazo de dois a quatro anos. Transcorrido o prazo, será extinta a punibilidade (Art. 89, §5º da Lei 9.099/95). Se, durante o prazo, houver descumprimento das condições pelo acusado, o benefício poderá ser revogado, e o processo seguirá seu curso normal (Art. 89, §§3º e 4º da Lei 9.099/95). Atenção A suspensão condicional não se confunde com a transação penal. Aquela é concedida para crimes com pena mínima igual ou inferior a um ano e implica suspensão do processo. Já a transação é para delitos de menor potencial ofensivo e ocasiona a exclusão do processo (não será processado se cumpridas as condições). Atividade 1 - Assinale a alternativa que apresenta uma a�rmação que identi�ca corretamente a relação entre o procedimento sumaríssimo e a Constituição Federal: a) O procedimento sumaríssimo teve seus princípios definidos integralmente pela Constituição Federal, restando ao Art. 2º da Lei 9.099/95 apenas a sua confirmação. b) O Art. 98, inciso I da Constituição Federal (CF) dasautorizou a criação dos Juizados Especiais Criminais para o julgamento das infrações penais de menor potencial ofensivo, o que foi alterado posteriormente por meio de medida provisória. c) O Art. 2º da Lei 9.099/95 definiu os critérios da oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade como princípios norteadores do procedimento sumaríssimo. d) O Art. 41 da Lei Maria da Penha (Nº 11.340/2006) inclui a incidência da Lei 9.099/95 aos delitos que envolvam violência doméstica e familiar contra a mulher. 2 - Pedro, plenamente capaz, apresentou queixa-crime contra Paulo, igualmente capaz, alegando ter sido vítima de injúria. No juízo criminal, realizada audiência preliminar, não concordaram as partes em conciliar. Ato contínuo, foi oferecida representação por parte de Pedro e apresentada pelo Ministério Público proposta de transação penal, a qual foi integralmente aceita por Paulo. Assim, ante a transação penal realizada, restou Paulo obrigado a pagar o valor correspondente a uma cesta básica em favor de entidade de cunho assistencial, a ser designada pelo juízo. Considerando este caso e o que estabelece a Lei 9.099/95 em relação à transação penal no contexto do processo sumaríssimo, assinale a alternativa correta: a) A transação penal realizada por Paulo gera presunção absoluta de culpa em eventual ação de reparação de dano civil proposta por Pedro. b) Com transação penal e aplicação da pena restritiva de direitos imposta pelo juiz a Paulo, a mesma não importará em reincidência e não terá efeitos civis. c) Com transação penal e aplicação da pena restritiva de direitos imposta pelo juiz a Paulo, importará em reincidência e terá efeitos civis. d) Paulo não poderá, quando da ação de reparação civil, questionar a existência do fato ou sobre quem seja o seu autor, uma vez que essas questões já se acham decididas no juízo criminal. 3 - Diante da ocorrência de uma infração de menor potencial ofensivo, assinale a alternativa correta para a conduta da autoridade em relação ao termo circunstanciado: a) A autoridade que tiver conhecimento da ocorrência do fato lavrará o auto de prisão em flagrante se presentes as circunstâncias que autorizem a prisão nos termos do Art. 302 do CPP. b) A autoridade que tomar conhecimento da ocorrência do fato instaurará o inquérito policial por portaria. c) O policial representará pela prisão temporária. d) A autoridade que tiver conhecimento do fato lavrará o termo circunstanciado e encaminhará o autor do fato imediatamente ao juizado especial criminal, quando possível. 4 - Flávio, motorista de táxi, dirigia seu auto por via estreita, que impedia ultrapassagem de autos. Túlio, septuagenário, seguia com seu veículo à frente do de Flávio, em baixíssima velocidade, causando enorme congestionamento na via. Quando Túlio parou em semáforo, Flávio desceu de seu táxi e passou a desferir chutes e socos contra a lataria do auto de Túlio, dani�cando-a. Policiais se acercaram do local e detiveram Flávio, que foi conduzido à delegacia de polícia. Lá, o delegado entendeu que o crime era de dano, com pena de detenção de um a seis meses ou multa. Iniciou a lavratura do termo circunstanciado, previsto na Lei Nº 9.099/95. Ao �nalizá-lo, entregou a Flávio para que assinasse o termo de comparecimento ao Juizado Especial Criminal, o que foi por ele recusado. Indique o procedimento a ser adotado: a) Registrar apenas em boletim de ocorrência para futuras providências. b) Considerando que ocorrera prisão em flagrante, ante a não assinatura do termo de comparecimento ao Jecrim, deve o delegado de polícia lavrar auto de prisão em flagrante, fixando fiança. c) Deve o delegado lavrar o auto de prisão em flagrante e permitir que Flávio se livre solto. d) O termo circunstanciado deve ser remetido ao juízo, mesmo que Flávio não tenha assinado, para que o Magistrado, ouvido o Ministério Público, tome as providências que julgar cabíveis, podendo até decretar eventual prisão temporária. e) Na prisão em flagrante, se o infrator não assinar o termo circunstanciado, o delegado de polícia fica impedido de lavrar o auto de prisão em flagrante. 5 - (CESPE - Defensor Público do Acre - 2017) De acordo com a Lei 9.099/95 e com o entendimento doutrinário e jurisprudencial dominantes, assinale a alternativa correta em relação à proposta de transação penal: a) Configura hipótese de retratação da ação penal oferecida. b) É cabível nos crimes de ação penal privada, caso não haja prévia composição dos danos cíveis. c) Deve ser ofertada, de ofício, pelo juiz ao autor do crime quando não tiver sido apresentada pelo MP. d) Depende de consentimento prévio do ofendido ou de quem o represente na ação penal pública condicionada à representação. e) Dispensa a não ocorrência da prévia composição dos danos civis. 6 - Considere as a�rmativas abaixo em relação à fase preliminar do processo do Juizado Especial Criminal: I - Na audiência preliminar, presente o representante do Ministério Público e as partes acompanhadas por seus advogados, o juiz esclarecerá sobre a possibilidade da composição dos danos e da aceitação da proposta de aplicação imediata de pena privativa de liberdade. II - A conciliação será conduzida pelo juiz ou porconciliador sob sua orientação. III - Nos crimes de ação penal pública condicionada à representação, o não oferecimento desta na audiência preliminar implica decadência do direito. IV - A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo circunstanciado e o encaminhará imediatamente ao Juizado, com o autor do fato e a vítima, providenciando-se as requisições dos exames periciais necessários. Quais estão corretas? a) Apenas I b) Apenas II c) Apenas I e III d) Apenas II e IV e) Apenas III e IV 7 - (FCC - 2020 - TJ-MS - Juiz Substituto, adapatada) Em relação aos Juizados Especiais Criminais, é correto a�rmar que: a) A competência será determinada pelo lugar em que foi praticada a infração penal ou pelo domicílio da vítima, a critério desta. b) É cabível a interposição de recurso em sentido estrito, no prazo de cinco dias, contra a decisão de rejeição da denúncia ou queixa, com abertura de vista para apresentação das razões em oito dias. c) Não cabe recurso especial contra decisão proferida por turma recursal, competindo a esta, porém, processar e julgar mandado de segurança contra ato de juizado especial. d) Os atos processuais serão públicos e poderão realizar-se em horário noturno e em qualquer dia da semana; é incabível, porém, a prática em outras comarcas e) Contra decisão emitida por órgão de segundo grau dos Juizados Especiais cabe recurso especial. 8 - (VUNESP - 2019 - TJ-RJ - Juiz Substituto - adaptada) A aplicação imediata da pena restritiva de direitos ou multa, conhecida como “transação penal”, tal qual prevista no Art. 76, parágrafo 2° da Lei n° 9.099/95, não será admitida se �car comprovado: a) Ter sido o agente beneficiado anteriormente pela aplicação de pena restritiva ou multa na mesma modalidade de “transação penal”. b) Ter sido o autor da infração condenado, pela prática de crime ou contravenção, à pena privativa de liberdade transitada em julgado. c) Ter sido o autor da infração condenado, pela prática de crime ou contravenção, a pena privativa de liberdade, por sentença definitiva. d) Não indicarem os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias, ser necessária e suficiente a adoção da medida. e) Que o crime foi praticado com violência ou grave ameaça à pessoa. 9 - (UEPA - 2013 - PC-PA - Escriturário - Investigador adaptada) Assinale a alternativa correta quanto ao procedimento no Jecrim: a) A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência, envolvendo infração penal de menor potencial ofensivo, lavrará termo circunstanciado e o encaminhará imediatamente ao juizado, com o autor do fato e a vítima, providenciando-se as requisições dos exames periciais necessários. b) ) Os juizados especiais criminais são competentes para processar e julgar as infrações penais de menor potencial ofensivo, incluindo as contravenções penais e os crimes que a lei comine pena máxima não superior a quatro anos, cumulada ou não com multa. c) Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por dois a quatro anos, sendo requisito único para a suspensão a inexistência de condenação anterior do acusado pela prática de outro crime. d) Na hipótese de composição dos danos civis, homologada pelo juiz, remanesce à vítima o direito de promover a queixa ou representação, conforme o caso. e) A competência para processar e julgar a ação penal é definida a partir do lugar do domicílio do autor do ilícito, em sede de juizado especial criminal. Notas CNE 1 Conselho Nacional de Educação. Título modal 1 Lorem Ipsum é simplesmente uma simulação de texto da indústria tipográ�ca e de impressos. Lorem Ipsum é simplesmente uma simulação de texto da indústria tipográ�ca e de impressos. Lorem Ipsum é simplesmente uma simulação de texto da indústria tipográ�ca e de impressos. Referências ANTUNES, Carlos Paschoalik; MISAKA, Marcelo Yukio. Prática penal: do exame da OAB à prática forense. 2. ed., Birigui: GH St bil 2020 javascript:void(0); javascript:void(0); javascript:void(0); Stabile, 2020. SANTOS, Moacyr Amaral. Primeiras linhas de Direito Processual Civil. Vol. 2. 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2011. Próxima aula A fase processual ação penal; Distinção entre ação penal pública e privada; Finalidade, classi�cação, titularidade e prazos relacionados à ação penal. Explore mais Leia o seguinte artigo: Termo circunstanciado: para compreender e diferenciar de Inquérito Policial (Frederico Cattani). Disponível em: https://canalcienciascriminais.com.br/termo-circunstanciado-compreender/ <https://canalcienciascriminais.com.br/termo-circunstanciado-compreender/> . Acesso em: 3 jul. 2020. Leia o livro: Juizados especiais criminais: teoria e prática- 2. ed. (Beatriz Abraão de Oliveira). Rio de Janeiro: Renovar, 2007. https://canalcienciascriminais.com.br/termo-circunstanciado-compreender/ https://canalcienciascriminais.com.br/termo-circunstanciado-compreender/ Direito Processual Penal e Org. Judc. e Policial Aula 4: Ação penal: Finalidade, classi�cação, titularidade e prazos Apresentação Estudaremos a ação penal, conhecendo o conceito, as espécies e a forma como se identi�ca nos crimes, importantes também para a análise da titularidade por parte do Ministério Público ou do querelante. Examinaremos também os principais aspectos da ação penal pública, como condicionada à representação ou à requisição do Ministro da Justiça. No caso da ação penal privada, analisaremos as suas espécies, que são a propriamente dita, a personalíssima e a subsidiária da pública, visando à aplicação das modalidades a cada tipo penal. Objetivos De�nir o conceito, a �nalidade, os pressupostos e as condições da ação penal para a propositura ao juiz; Identi�car os prazos e as espécies de ação penal, as modalidades, as diferenças e os desdobramentos da ação penal pública, bem como da ação penal privada, promovida pelo querelante; Reconhecer os princípios das ações penais pública e privada e seu impacto nos tipos penais. Conceito de ação penal Antes de tratarmos das �nalidades da ação penal, devemos primeiramente conhecer o seu conceito. A ação penal, disposta no Título VII do Código Penal (CP) e no Título III do Código de Processo Penal (CPP), é um direito abstrato, autônomo, subjetivo e público da vítima ou do Estado-acusador de acionar o Poder Judiciário para que este se pronuncie sobre um fato delituoso. Por que direito abstrato, autônomo, subjetivo e público? Abstrato Porque o exercício da ação penal não depende da procedência ou da improcedência da pretensão acusatória. Autônomo Porque, apesar de ser atrelado ao direito material tutelado ou que se pretende tutelar, não pode se confundir com ele. Subjetivo Porque o Estado-Juiz será exigido de atividade jurisdicional concreta. Público Porque a regra é que a ação penal será pública e as exceções estarão expressas na lei (CRUZ, 2009). Tal direito de ação , resumidamente o direito de exigir do Estado o exercício da jurisdição, está previsto no artigo 5º, inciso XXXV da Constituição Federal (CF), quando dispõe que a lesão ou ameaça ao direito não podem ser excluídas da apreciação do Poder Judiciário. Ação É a própria iniciativa da busca pelo exercício do direito e pela prestação da tutela jurisdicional. Finalidade da ação penal É pela ação penal que o direito penal objetivo pode ser aplicado a determinado caso concreto. E é por meio dela que o Estado- Administração exerce o direito público subjetivo ao pleitear ao Estado-Juiz a referida aplicação do direito penal objetivo. Saiba mais A regra geral é que a ação penal tem a utilização a cargo do Estado, com legitimação ativa deste. Também segue essa regra a fase pré-processual da persecução penal, em sua maioria, aos crimes comuns. O inquérito pode ser dispensável para a propositura da ação penal, pois é possível que a acusação utilize quaisquer outros elementos informativos. Nas açõespenais não condenatórias, há uma diferença. O interesse de agir se aplica ao processo penal. Alguns doutrinadores entendem que a ação penal é um poder, visto que é de responsabilidade do Estado-Juiz a sua manifestação. Titularidade O artigo 129, inciso I, da CF é claro: cabe exclusivamente ao Ministério Público a propositura da ação penal pública. O mesmo instrumento jurídico traz uma exceção, nos casos em que a ação penal pública não for promovida dentro do prazo legal, restando a ação privada. Essa exceção está disposta no artigo 5º, inciso LIX, da Constituição Federal. Atenção https://stecine.azureedge.net/webaula/estacio/go0254/aula4.html A titularidade da ação penal ainda é do Ministério Público, mas exige-se uma condição para o seu exercício: A representação da vítima ou de seu representante legal. Nos casos de ação penal privada, o titular da ação é o chamado querelante, que a propõe contra o suposto acusado, o querelado. Condições da ação penal A doutrina se divide quando o tema se reporta às condições da ação penal, pois a maioria dos estudiosos entende que são duas categorias: Condições genéricas da ação penal As que estão presentes em todas as ações penais. Condições especí�cas da ação penal As que são exigidas em determinadas ações penais. As condições da ação penal são requisitos que o titular dessa ação precisa demonstrar para que o seu pedido seja apreciado pelo Poder Judiciário. Condições genéricas e especí�cas da ação penal Clique no botão acima. Condições genéricas da ação penal Em relação às condições genéricas, parte da doutrina entende que podem ser as mesmas do processo civil, sendo: O interesse de agir; A possibilidade jurídica do pedido; A legitimidade para agir. Já outra parte da doutrina discorda. O pensamento é que essas condições devem ser buscadas dentro do próprio processo penal. Seriam, então: A prática de fato aparentemente criminoso; A punibilidade concreta; A legitimidade da parte; A justa causa. A seguir, serão analisadas as três condições que se encaixam no entendimento majoritário. Interesse de agir Quando se fala nessa condição da ação, é necessário que se tenham em mente três requisitos: necessidade, utilidade e adequação. Necessidade – é a indispensabilidade de utilização das vias processuais para que haja o devido processo legal. Utilidade – signi�ca que a ação penal deve alcançar sua �nalidade, que é buscar indícios de autoria e de materialidade, pois, se a persecução penal for considerada inútil, pode ser considerado também que não há interesse de agir. Adequação – o meio processual eleito pelo titular da ação penal deve ser adequado para obter o pedido que ele deseja. Aqui o autor não é julgado sobre o direito que alega. É julgado se o autor tem a necessidade da prestação jurisdicional. Possibilidade jurídica do pedido O fato narrado na ação penal deve encontrar previsão na lei como delito e ser passível de uma sanção penal. Legitimidade para agir Também é conhecida como legitimatio ad causam. Diz respeito a quem pode propor a ação penal (legitimidade ativa) e contra quem se pode entrar com uma ação penal (legitimidade passiva). Na ação penal pública, somente o Ministério Público tem legitimidade para propô-la; e, na ação penal privada, o ofendido tem legitimidade para acusar o suspeito. Neste caso, o ofendido tem legitimidade extraordinária. Condições especí�cas da ação penal De acordo com a doutrina, há também – dentre outras – algumas condições especí�cas de procedibilidade da ação penal: a representação do ofendido e requisição do Ministro da Justiça, a entrada do agente em território nacional e a autorização do legislativo para a instauração de processo contra presidente e governadores por crimes comuns. Espécies de ação penal É comum que se faça a divisão das espécies de ação penal de acordo com a qualidade do sujeito titular. O que de�ne a espécie é a titularidade. Seguindo essa linha de divisão, as ações penais podem ser classi�cadas como públicas ou privadas. De acordo com o art. 100 do CP, a regra é que a ação penal seja pública. Não será quando o dispositivo legal determinar expressamente que é privativa do ofendido. A ação penal pode ser prosseguida por cônjuge, ascendente, descendente ou irmão, nos casos em que o ofendido seja declarado ausente por decisão judicial ou morra. De acordo com o artigo 41 do CPP, a denúncia (nos casos de ação penal pública) ou queixa (nos casos de ação penal privada) deverá conter certos elementos: Exposição do fato criminoso; Quali�cação do acusado com o objetivo de identi�cá-lo; Classi�cação do crime; Rol de testemunhas, quando for necessário. A exposição do fato criminoso deve conter todas as circunstâncias que venham a agravar ou a atenuar a pena. A classi�cação do crime tem a ver com a sua tipi�cação legal. Quando na ação penal não constar os elementos elencados anteriormente, ela se tornará inepta. Sendo assim, o juiz deve rejeitá-la de forma que, como consequência, haja coisa julgada formal. É possível de se analisar, pelo artigo 395 do CPP, o que se relata: motivos para a rejeição da denúncia ou até da queixa. Ação penal pública A ação penal será pública quando for promovida pelo Ministério Público. Se o Ministério Público não oferecer denúncia dentro do prazo estabelecido pela lei, a ação de iniciativa privada pode intentar-se nos crimes de ação pública. Nos casos de ação penal pública, o direito de representação decai a partir do dia em que o prazo para oferecimento da denúncia se esgotou. A ação penal pública será promovida nos casos de crimes praticados em detrimento do patrimônio ou interesse da União, dos estados ou dos municípios. Quando atingir esses patrimônios, sempre será ação penal pública (CPP, art. 24, §2º), mas não necessariamente só nesses casos. Ex.: No homicídio a ação penal é pública, apesar de o delito não ser contra o patrimônio daqueles. Comentário Na realidade, a ação penal será pública quando o Estado entender que a persecução penal daqueles delitos interessa mais à sociedade do que para a vítima. E em alguns casos, quando esses interesses se equilibram, o legislador opta pela pública condicionada à representação. A ação penal pública pode ser dividida em incondicionada ou condicionada. Vejamos a seguir. Ação penal pública incondicionada e condicionada Clique no botão acima. Ação penal pública incondicionada É a regra no CP. No silêncio do legislador, presume-se que é ação penal pública incondicionada (CP, art. 100). Quando o Ministério Público promover ação independentemente da vontade do ofendido ou da interferência de terceiros, ela será classi�cada como ação penal pública incondicionada. O nome é devido ao elevado grau da ofensa que o crime pode gerar. Como o interesse é geral e o crime interfere na estrutura social, a ação é incondicionada. - Prazo da ação penal pública incondicionada Diante do disposto no artigo 46 do CPP, a denúncia deve ser oferecida pelo Ministério Público em cinco dias, no caso de o réu estar preso, ou 15 dias, no caso de o réu estar solto. Já a Lei de Drogas (Lei nº 11.343/2006) estabelece, em seu artigo 54, inciso III, que o prazo para o oferecimento da denúncia não varia se o réu estiver preso ou solto. Será, nos dois casos, de dez dias. Ação penal pública condicionada Quando o Ministério Público promover ação que dependa da manifestação de vontade do ofendido, do seu representante legal ou do Ministro da Justiça, ela será classi�cada como ação penal condicionada. Nessa ação penal, o ofendido ou seu representante legal (cônjuge, ascendente, descendente ou irmão) deve fazer a representação ou, no caso de delitos contra a honra do Presidente da República, o Ministro da Justiça deve fazer a requisição ao Ministério Público do oferecimento da denúncia. É pública condicionada a ação referente ao crime que ofenda a esfera íntima do particular de forma mais prejudicial do que o interesse geral. Por isso, se condicionaà vontade do indivíduo. Há crimes em que a ação depende da representação da vítima ou de seu representante legal. São alguns deles os crimes de lesão corporal leve (CP, art. 129, caput) ou culposa (CP, art. 129, § 6º) e o crime de ameaça (CP, art. 147). A representação é condição especí�ca da ação penal pública, pois é a manifestação de vontade que permite a efetividade da persecução penal. A representação não observa forma especial e nem é exigida que seja declarada em peça formal. Somente é necessário seguir o disposto no artigo 39, §1º e §2º do CPP. Essa ação pode ser dirigida a três destinatários: ao juiz, à autoridade policial ou ao representante do Ministério Público. Sendo destinada ao juiz e havendo os elementos necessários, aquele deverá remetê-la ao Ministério Público para que haja o oferecimento da denúncia. Não havendo os elementos necessários, o juiz deve encaminhar a ação penal à autoridade policial, uma vez que é necessária a instauração de inquérito. É necessário esclarecer que, após o oferecimento da denúncia, a representação torna-se irretratável. Isso está expressamente disposto no artigo 25 do CPP. Quando a ação é requisitada pelo Ministro da Justiça, o dispositivo legal esclarecerá de forma expressa. Dois exemplos dessa hipótese são quando ocorrerem crimes contra a honra praticados contra o chefe de governo estrangeiro e crimes contra a honra praticados contra o Presidente da República, conforme ao artigo 145, parágrafo único do CP. O CPP prevê o prazo de 5 (cinco) dias para o indiciado preso e de 15 (quinze) dias para o indiciado solto, para o oferecimento da denúncia. - Prazo da representação na Ação Pública condicionada à representação O direito à representação decairá se não for exercido no prazo de até 6 (seis) meses contados do dia em que o autor do crime é conhecido. Essa regra está expressa no artigo 38 do CPP. O artigo 25 do CPP prevê a retratação. Quando depara com os casos de menor de 18 anos ou sujeito possuidor de doença mental, é discutível se o prazo �ui, sendo que a maioria entende que é apenas para o representante legal do agente. A seguir, faremos a análise de alguns princípios elencados pela doutrina da ação penal pública: Clique nos botões para ver as informações. Esse princípio é interpretado pela leitura do artigo 24 do CPP e do artigo 129, inciso I, da Constituição da República, que estabelecem que é dever e função institucional do Ministério Público oferecer denúncia nos casos em que se encaixem a ação penal pública. Se não estiverem presentes as condições da ação penal, o promotor deverá solicitar o arquivamento do inquérito policial ao juiz . O Ministério Público não pode se recusar a dar início à ação penal. Sendo assim, como titular da ação, deve propô-la quando os requisitos necessários forem preenchidos. Princípio da legalidade ou obrigatoriedade Esse princípio pode ser interpretado à luz do artigo 24 do CPP. Quando o processo é iniciado, o Ministério Público não pode desistir dele. Tampouco poderá desistir de recurso interposto (CPP, art. 576). Esse princípio não é usado nos crimes de menor potencial ofensivo, elencados na Lei 9.099/1995. Nesse caso, o Ministério Público pode propor ao acusado a suspensão condicional do processo, que poderá acarretar na extinção de punibilidade do agente. Princípio da indisponibilidade Cabe aos membros do Ministério Público executar a ação penal pública por meio da denúncia. Princípio da investidura Signi�ca que a ação penal pública deve conseguir abarcar todos que cometeram os determinados crimes ou infrações. Não pode existir direito de escolha. Princípio da indivisibilidade Esse princípio é válido para os casos de ação penal pública incondicionada, pois os agentes da persecução penal devem agir de ofício. Como já aludido anteriormente, é nesse tipo de ação penal que não há necessidade de provocação. Princípio da o�ciosidade O Estado é o responsável pelo controle da criminalidade. Logo, o que prevalece é a natureza pública. Sendo assim, os órgãos responsabilizados pelas funções da persecução penal são públicos/o�ciais. Princípio da o�cialidade Ação penal privada A ação penal será privada quando promovida mediante queixa-crime pela vítima/ofendido ou por quem tenha qualidade para ser o representante legal deste. Ela é possível pela menção expressa na lei. Senão, a regra é a ação penal pública. Ao ofendido decai o direito de queixa ou de representação se não o tiver exercido dentro do prazo de seis meses contados do dia em que o autor do crime se tornou conhecido. Nessa espécie de ação penal, o interesse do sujeito é muito afetado. Ele se torna o detentor do direito de ação, mas o Estado continua tendo o direito de punir. Até mesmo as nomenclaturas são diferentes. O titular da queixa-crime é identi�cado como querelante e o acusado é identi�cado como querelado. Alguns doutrinadores classi�cam a ação penal privada a partir de três espécies. Vejamos a seguir. Clique nos botões para ver as informações. Também chamada de comum pelo fato de que a ação penal de iniciativa privada é tradicional. A queixa-crime pode ser oferecida pelo ofendido ou seu representante legal dentro do prazo de seis meses, como nos crimes contra a honra previstos nos artigos 138 ao 140 do CP. Propriamente dita ou exclusivamente privada A ação penal privada é um dever-poder exercido somente pelo ofendido e facultado a ele, como no caso do artigo 236 do CP. Personalíssima De acordo com o artigo 29 do CPP, nos casos em que a ação penal deverá ser pública e o Ministério Público perder o prazo para o oferecimento da denúncia e restando inerte, o ofendido pode exercer a ação penal. Ou seja, cabe ao indivíduo oferecer a queixa subsidiária uma vez que o Ministério Público não tenha se pronunciado em relação ao caso. Subsidiária da pública Prazo da ação penal privada O artigo 38 do CPP é claro quando expressamente dispõe que o direito à queixa ou à representação decairá se não for exercido no prazo de até 6 (seis) meses contados do dia em que o autor do crime é conhecido. Nos casos de ação penal privada subsidiária da pública, o prazo decairá também em 6 (seis) meses para o ofendido, porém a contagem inicia-se no dia em que se esgotar o prazo para oferecimento da denúncia por parte do Ministério Público. Remonta-se ao CP, no seu artigo 107, inciso IV, para lembrar e salientar que o prazo decadencial é causa extintiva da punibilidade do agente, assim como a prescrição e a perempção. A seguir, faremos a análise de alguns princípios da ação penal privada: Princípio da oportunidade ou da conveniência Signi�ca que o ofendido tem a liberdade de escolher se deseja ou não exercer a ação penal. É facultada a ele, dentro do prazo de seis meses, a escolha de fazer a acusação. Princípio da disponibilidade De acordo com o disposto no artigo 60 do CPP, o ofendido/a vítima pode desistir da ação, ou seja, pode renunciar ao direito de ação. Sendo assim, como consequência, considerar-se-á a ação penal perempta, caso o ofendido �que inerte. Princípio da indivisibilidade O ofendido não tem a capacidade de escolher, na hipótese de mais de um acusado, contra quem irá oferecer a queixa. Atividade 1 (Concurso O�cial de Justiça – TJ_PE – 2017 - adaptada) A ação penal necessita de condições e requisitos para a sua subsistência. Tais elementos estão dispostos em lei e sua ausência no caso concreto gera a extinção da demanda. Neste contexto, são condições da ação penal: a) Legitimidade de parte, qualificação do acusado e prazo. b) Que o fato narrado constitua crime, que a parte seja legítima e que esteja presente condição de procedibilidade. c) Prazo, forma, indivisibilidade da acusação. d) Possibilidade jurídica do pedido, interesse de agir e justa causa. 2 - (CESPE – 2019 – TJ-BA – Conciliador – adaptada) Em se tratando dos crimes de ação penal pública incondicionada no CPP, não vigora o princípio da: a) Indisponibilidade b) Oportunidade c)Indivisibilidade d) Obrigatoriedade 3 - Assinale a alternativa INCORRETA: a) A ação penal privada tem o prazo de 6 meses para ser oferecida. b) A ação penal pública condicionada depende de representação da vítima (ou do seu representante legal) ou de representação do Ministro da Justiça. c) A ação penal privada pode ser exclusiva, subsidiária da pública ou personalíssima. d) A ação penal privada subsidiária da pública só pode ser intentada se houver inércia do Ministério Público. lavrará o termo circunstanciado e encaminhará o autor do fato imediatamente ao juizado especial criminal, quando possível. Notas Referências BRASIL. Lei n. 11.343, de 23 de agosto de 2006. Institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas – Sisnad; prescreve medidas para prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas; estabelece normas para repressão à produção não autorizada e ao trá�co ilícito de drogas; de�ne crimes e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/ _ato2004-2006/2006/ lei/l11343.htm. Acesso em: 14 jul. 2020. BRASIL. Decreto-Lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm. Acesso em: 14 jul. 2020. BRASIL. Decreto-Lei n. 3.689, de 3 de outubro de 1941. Código de Processo Penal. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/ decreto-lei/ del3689.htm. Acesso em: 14 jul. 2020. CRUZ, A. L. V. O direito de ação e suas teorias explicativas. Revista Âmbito Jurídico, São Paulo, n. 68, 1 set. 2009. Disponível em: https://ambitojuridico.com.br/ cadernos/ direito-processual-civil/o-direito- de-acao-e-suas- teorias-explicativas/. Acesso em: 7 jul. 2020. javascript:void(0); javascript:void(0); javascript:void(0); javascript:void(0); javascript:void(0); DIREITO NET. Ação Penal: conceito, classi�cação, condições da ação penal e princípios da ação penal pública incondicionada. 2008. Disponível em: https://www.direitonet.com.br/ resumos/ exibir/100/Acao-penal#:~:text= %20Interesse%20de%20a gir%3A%20a%20viabili dade%20da%20a%C3 %A7%C3%A3o,entre%20o%20pedid o%20e%20o%20proces so%20penal%20co ndenat%C3%B3rio. Acesso em: 24 jun. 2020. IMMICH, M. Ação penal: noções preliminares. Jusbrasil. 2016. Disponível em: https://michellipimmich. jusbrasil.com.br/artigos/ 336956492/acao-penal -nocoes-preliminares. Acesso em: 14 jul. 2020. PENALISTA NINJA. Qual a diferença entre ação penal pública condicionada e incondicionada?. Jusbrasil. 2016. Disponível em: https://penalistaninja .jusbrasil.com.br /artigos/302752992/qual-a-diferenc a-entre-acao-penal- publica-condicionada -e- incondicionada. Acesso em: 14 jul. 2020. Próxima aula Prisões cautelares e prisão pena; Espécies de prisão e medidas usadas para sua liberdade; Conceito de audiência de custódia. Explore mais Leia os textos: Ação penal: noções preliminares Qual a diferença entre ação penal pública condicionada e incondicionada? javascript:void(0); javascript:void(0); javascript:void(0); javascript:void(0); javascript:void(0); javascript:void(0); javascript:void(0); javascript:void(0); javascript:void(0); Direito Processual Penal e Org. Judc. e Policial Aula 5: Prisão cautelar, suas espécies, liberdade e audiência de custódia Apresentação Estudaremos as espécies de prisões cautelares (prisão em �agrante, prisão temporária, prisão preventiva e prisão domiciliar) e a importância do princípio constitucional da presunção de inocência. Trataremos também da liberdade, com ou sem �ança, do relaxamento da prisão e da importância da audiência de custódia. Objetivos Discutir a diferença entre prisão cautelar e prisão pena, bem como a pertinência atual do princípio da presunção de inocência; Identi�car as espécies de prisões, suas peculiaridades, bem como as medidas para a liberdade; Explicar o conceito de audiência de custódia, sua importância no processo penal moderno e a implicação de sua inobservância. Conceito de prisão e sua �nalidade Prisão, do latim prehensio e prehendere, é o local no qual o agente autor da infração, seja em �agrante delito, ou por ordem escrita e fundamentada, ou por sentença condenatória transitada em julgado, perde a liberdade e permanece segregado por um tempo determinado. Uma das �nalidades da prisão é a utilização desta como sanção pela prática de um delito, que pode ser detenção, reclusão ou prisão simples. Ela deve ocorrer nos moldes do artigo 288, caput, do Código de Processo Penal (CPP). Apesar de ser usada como punição pelo cometimento de um crime, de acordo com o artigo 5º, inciso LXVI da Constituição Federal (CF), quando houver a possibilidade de liberdade provisória, ninguém será mantido na prisão. O artigo 288, §2º do CPP é claro ao expressar que a prisão poderá ser efetuada em qualquer dia e qualquer horário, desde que seja respeitada a inviolabilidade do domicílio. Sobre a inviolabilidade do domicílio, pode-se citar o artigo 5º, inciso XI da CF que considera a casa do indivíduo o local que ninguém pode entrar sem o consentimento do morador, ressalvadas as exceções como o �agrante delito ou durante o dia por determinação judicial. Prisão cautelar As medidas cautelares têm como pressupostos o fumus boni iuris (denominado no processo penal como fumus comissi delicti) e o periculum in mora (denominado no processo penal como periculum libertatis). O primeiro diz respeito à prova da materialidade e indícios de autoria. O segundo diz respeito ao perigo de manter em liberdade, o risco para a sociedade de manter o infrator solto, ou seja, diz respeito à garantia da ordem no geral. São medidas de natureza que demandam certa urgência e seguem determinados princípios para que haja um equilíbrio entre a prisão e a ausência da sentença que condena o indivíduo. De acordo com Aury Lopes Júnior (2019), os princípios são: Clique nos botões para ver as informações. A jurisdicionalidade está prevista no artigo 5º, inciso LXI, da CF. As prisões cautelares devem ser decretadas mediante ordem judicial fundamentada. No caso da prisão em �agrante, o juiz homologará ou relaxará a prisão que já tenha sido decretada sem a ordem judicial. Jurisdicionalidade e motivação Esse princípio, para ser efetivado, depende de cada situação fática e dos riscos da prisão. Contraditório As prisões podem ser revogadas ou substituídas e, até mesmo, novamente decretadas. Tudo irá depender do que a situação exigir. Provisionalidade É associada à necessidade, à proporcionalidade e à presunção de inocência, uma vez que devem ser decretadas como caráter excepcional (decretadas apenas quando outras medidas se mostrarem insu�cientes). Excepcionalidade Deve haver um equilíbrio entre o direito à liberdade do indivíduo e a repressão dos delitos, ou seja, o juiz deve balancear a medida imposta em relação ao fato praticado. Proporcionalidade Espécies de prisão Prisão em �agrante Disposta no artigo 5º, inciso LXI, da CF, diz respeito a um mero ato administrativo que tem como motivo o delito que acabou de ser praticado ou que está sendo praticado. Por esse motivo, a prisão do sujeito é autorizada sem que haja autorização judicial. Saiba mais Tem como sujeito ativo quem efetua a prisão do sujeito infrator, ou seja, qualquer pessoa que consiga fazê-lo. O artigo 301 do CPP é claro quando expressa que qualquer um do povo pode prender quem seja encontrado na situação de �agrante delito. Já para a autoridade policial que depara com essa situação, é obrigatória a prisão do infrator. Todavia, é importante destacar esse ponto, pois não se pode confundir o sujeito ativo com o condutor, que é quem realmente leva o infrator à autoridade policial. Tanto o sujeito ativo como o condutor podem ser a mesma pessoa, mas não é a regra geral. Atenção A prisão em �agrante não é um instituto válido para os casos de crimes de menor potencial ofensivo. O parágrafo único do artigo 69 da Lei n. 9.099/1995 dispõe que, nesses casos, élavrado o Termo Circunstanciado de Ocorrência e o sujeito deve assumir o compromisso de comparecer ao Juizado. A prisão em �agrante tem, entre os objetivos, o de evitar que o autor do delito fuja, impedir a consumação ou o exaurimento do crime, quando este estiver sendo praticado; e também evitar que o autor do crime seja linchado por causa do sentimento que causa na população. Houve mudanças signi�cativas, ao longo dos anos, de autorização para a permanência do sujeito preso durante todo o processo à obrigação do magistrado de averiguar a legalidade da prisão para que haja relaxamento. O artigo 310 do CPP foi modi�cado com a entrada em vigor da Lei n. 12.403/2011. Passa a ser atribuída ao juiz a função de relaxar a prisão (que se tornou ilegal), converter a prisão em �agrante em prisão preventiva em determinadas situações e conceder a liberdade provisória independentemente de �ança. A prisão em �agrante pode ser dividida em fases: Existem algumas espécies de prisão em �agrante, são elas: Prisão temporária Esta espécie de prisão cautelar foi criada por meio da Lei n. 7.960/1989, um pouco depois da primordial CF. O principal propósito é servir como instrumento de auxílio nas investigações de delitos considerados mais graves pela lei, subsidiando eventual oferecimento de denúncia no futuro pelo Promotor de Justiça. Essa e�cácia pode ser questionada e os elementos ou a forma como eles podem ser gerados também, a�nal, o sujeito infrator é submetido às sessões de colaboração. Quanto a esta, não se sabe exatamente em que meios é tomada. Deve ser decretada durante a fase preliminar das investigações pela autoridade judiciária competente em face do requerimento do Ministério Público ou da autoridade policial (Lei n. 7.960/1989, art. 2º), quando das hipóteses do artigo 1º da Lei n. 7.960/1989. Deve ser decretada de forma necessária e adequada ao que a autoridade policial aponta. Necessária No caso de estar fundamentada no periculum in mora e essencial para que o processo siga. Senão, como diz Fernando Capez, a prisão será ilegal. Adequada Pois a sua decretação não pode ser efetivada de forma que a consequência seja majorada quando essa majoração era evitável. Não pode, em nenhuma hipótese, ser decretada de ofício pelo juiz. Após este receber a representação ou requerimento, tem vinte e quatro horas para fundamentar o motivo da prisão. Atenção O inquérito policial é muito importante e necessário para a decretação dessa espécie de prisão cautelar. Porém, ela não pode ser decretada com o objetivo de que o infrator seja conduzido para ser ouvido. É uma forma de prisão provisória, pois a lei lhe determina a duração. Além disso tudo, é importante que a autoridade policial cienti�que o preso do direito dele de permanecer calado e também dos direitos constitucionais. O referido artigo 1º da Lei n. 7.960 elenca os crimes em que é possível a decretação da prisão temporária, como sequestro ou cárcere privado, ou até mesmo o trá�co de drogas. Ao ser a única espécie de prisão cautelar com prazo de término, este é de cinco dias contados da captura do agente infrator, prorrogáveis por mais cinco nos casos de extrema e comprovada necessidade. Já nos casos de crimes hediondos, a Lei n. 8.072/1990, em seu artigo 2º, §4º, determina que o prazo da prisão temporária será de trinta dias podendo ser prorrogados por mais trinta. A prorrogação dos prazos será acompanhada de comprovação para isso. O artigo 3º da Lei n. 7.960 elude uma assistência aos presos temporários de permanecerem separados dos demais detentos. É uma ordem que deve ser seguida. Cabe salientar um trecho do livro de Aury Lopes Júnior, no qual ele se refere à criação e à ideia de inconstitucionalidade da prisão temporária: "Outro detalhe importante é que a prisão temporária possui um defeito genético: foi criada pela Medida Provisória n. 111, de 24 de novembro de 1989. O Poder Executivo, violando o disposto no art. 22, I, da Constituição, legislou sobre matéria processual e penal (pois criou um novo tipo penal na Lei n. 4.898), através de medida provisória, o que é manifestamente inconstitucional. A posterior conversão da medida em lei não sana o vício de origem. Mas, como os juízes e tribunais brasileiros �zeram vista grossa para essa grave inconstitucionalidade, a lei segue vigendo.” - LOPES JR., 2019, p. 836-837 Prisão preventiva Regulada pelos artigos 312 e 313 do CPP, essa espécie de prisão pode ser decretada para garantir a ordem pública e para impor que o agente respeite as obrigações impostas por outras medidas cautelares, entre outras situações. É admitida, entre outras hipóteses do rol do artigo 313 do CPP, nos casos de crimes dolosos com pena privativa de liberdade máxima superior a quatro anos. Pode vir a ser confundida com prisão temporária, mas são institutos com grandes diferenças. Vejamos o quadro a seguir. Prisão preventiva Prisão temporária - decretada na fase de investigação policial; - decretada na fase pré-processual; - sem prazo pré-determinado. - com prazo pré-determinado (mais de um, conforme a necessidade de cada crime). Adentrando as particularidades do instituto, essa espécie de prisão pode ser decretada aos moldes do artigo 311 do CPP, na investigação policial ou no processo penal, independendo da fase em que estejam. Atenção O princípio da presunção de não culpabilidade veda que haja uma execução provisória da pena, mas os benefícios da execução penal têm autorização para sua antecipação. É decretada pelo juiz a requerimento do Ministério Público, a requerimento do querelante ou do assistente ou por representação da autoridade policial. Para ser aplicada é necessário que a situação fática contemple o fumus boni iuris (CPP, parte �nal do artigo 312), o periculum in mora (CPP, artigo 312, em referência às situações dispostas nele) e a demonstração de que as outras medidas cautelares que não tenham como objetivo a prisão não podem ser utilizadas (CPP, artigo 282, §6º). Pode ser aplicada de acordo com os delitos listados do artigo 313 do CPP. Porém, não pode ser aplicada se relacionado o ato infrator com as hipóteses referidas no artigo 314 do CPP, quais sejam as previstas no artigo 23 do CP e seus incisos. Prisão domiciliar O artigo 317 do CPP dispõe sobre a prisão domiciliar (também conhecida como prisão preventiva domiciliar) e seu conceito. A prisão domiciliar acontece quando se tem como medida o recolhimento do sujeito em domicílio, ou seja, na própria casa. Para ter e�cácia, ele só pode sair do local com autorização judicial. Tem como base o princípio da dignidade humana. Essa medida pode ser reconhecida como humanitária, uma vez que traz benefícios aos réus. Esse instituto possibilita a substituição da prisão preventiva dos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça às vítimas que não sejam criança ou pessoa com de�ciência, desde que comprovada a necessidade, nos termos dos artigos 318, 318-A, 318-B do CPP. Entre as hipóteses previstas pelo artigo, incluem-se as pessoas maiores de 80 anos de idade. Atenção A diferença entre a prisão domiciliar e o artigo 319, inciso V, do CPP é que este traz, como medida cautelar diversa da prisão, o recolhimento domiciliar noturno. O referido dispositivo foi incluído com a Lei n. 12.403 de 2011. O recolhimento domiciliar dá uma certa liberdade ao sujeito, autorizando que ele trabalhe. A prisão domiciliar é uma medida cautelar privativa de liberdade. Para o advogado, é reservado o direito de não ser recolhido preso antes de sentença transitada em julgado. Esse direito está previsto no disposto no artigo 7º, inciso V, da Lei n. 8906. Em contrapartida, quando o crime for de autoria de organizações criminosas, o líder sofre a possibilidade de perder o direito previsto no CPP de substituição da prisão preventiva pela prisão domiciliar. Audiência de custódia Clique no botão acima. Audiência de custódia Também conhecida como audiência de apresentação, atualmente estáprevista no artigo 310 do CPP e trata-se de formalidade de extrema importância, momento em que o juiz de�nirá se concede a liberdade ao preso em �agrante ou decreta outra prisão cautelar. Envolve o juízo preliminar acerca da necessidade da manutenção da prisão, da sua legitimidade, da possibilidade de relaxamento ou de sua substituição por medidas alternativas. Renato Brasileiro de Lima traz uma explicação resumida sobre a audiência de custódia, na qual diz que ela é “[...] a realização de uma audiência sem demora após a prisão penal, em �agrante, preventiva ou temporária, permitindo o contato imediato do preso com o juiz, com um defensor (público, dativo ou constituído) e com o Ministério Público” (LIMA, 2019, p. 48). A audiência de custódia é, na verdade, uma espécie de instrumento do processo penal que deve ocorrer dentro de até 24 horas após a realização da prisão em �agrante feita pela autoridade policial. Nessa audiência que deveria ocorrer, o sujeito seria ouvido pelo juiz e este decidiria sobre a homologação do �agrante. Sendo assim, não haveria tanta demora para o sujeito ser ouvido pela autoridade judiciária. Logo, poderia evitar prisões desnecessárias tanto quanto ilegais. O preso deverá ser informado sobre o seu direito de permanecer em silêncio. Além disso, é necessário con�rmar se ele foi cienti�cado sobre os direitos constitucionais dele. A autoridade judiciária deve, entre outras ações, se abster de perguntar ao preso questões que possam servir posteriormente para a produção de provas. Prazo da audiência de custódia Acerca do prazo para a audiência de custódia, podemos citar o artigo 310 do CPP. Os precedentes das Cortes Internacionais de Direitos Humanos mostram que esse prazo pode levar dias e não 24 horas improrrogáveis como entende o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. O prazo não pode ser tão curto, prejudicando a audiência de custódia, e nem tão longo. Além do mais, precisa se adequar à realidade brasileira, que não tem uma boa reputação judiciária no que se refere aos prazos. E se não for realizada a audiência de custódia? Há consequências? Não sendo realizada a audiência de custódia 24 horas após a prisão, essa inobservância deveria acarretar relaxamento da prisão, uma vez que ela se torna ilegal. Outra hipótese seria a do início da contagem do prazo, que já deveria ocorrer nessas 24 horas não acompanhadas, pelo que diz o texto legislativo. Liberdade no processo penal A liberdade, na hipótese da prisão em �agrante, ocorre tanto no pedido de relaxamento como na liberdade provisória. Sendo a prisão legal ou ilegal, mas desnecessária. O habeas corpus também poderá ser utilizado como mecanismo de liberdade para as prisões cautelares. Atividades 1 (FEMPERJ – 2012 – TCE-RJ – Técnico de Controle Externo – Técnico de Noti�cações – adaptada) Constitui hipótese que viola o princípio constitucional da presunção de inocência ou de não culpabilidade (ou garantia do estado de inocência – art. 5º, inciso LVII, CRFB): a) Decretação de prisão processual fundamentada na gravidade em abstrato do crime. b) Decretação de prisão preventiva antes do trânsito em julgado da sentença. c) Antecipação da execução provisória da pena observados os benefícios da execução penal. d) Decretação de prisão cautelar antes do trânsito em julgado da sentença. 2 - (VUNESP – 2018 – TJ-MT – Juiz Substituto – adaptada) Com relação ao cabimento das prisões domiciliar e preventiva, é correto a�rmar que: a) A prisão preventiva pode ser admitida nos casos de crimes dolosos e com culposos, com pena privativa de liberdade máxima superior a quatro anos, tanto na investigação policial ou no processo penal, independendo da fase que estejam. b) A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal. c) É cabível a substituição da prisão preventiva pela prisão domiciliar às acusadas gestantes ou com filho de até oito anos de idade incompletos, assim como aos acusados maiores de setenta anos. d) É cabível a substituição da prisão preventiva pela prisão domiciliar aos acusados, primários e de bons antecedentes, ainda que cometidos crimes com violência ou grave ameaça. 3 - (PGR – 2017 – PGR – Procurador da República – adaptada) No que se refere à audiência de custódia, analise as assertivas a seguir: I. A autoridade judicial entrevistará a pessoa presa em �agrante devendo abster-se de formular perguntas com a �nalidade de produzir prova para a investigação ou ação penal posterior. II. Concluída a audiência de custódia, cópia da sua ata será entregue à pessoa presa em �agrante delito, ao Defensor e ao Ministério Público, tomando-se a ciência de todos, e apenas o auto de prisão em �agrante, com antecedentes e cópia da ata, seguirá para livre distribuição. III. Não sendo realizada a audiência em até 24h após a prisão em �agrante, como prevista em lei, uma das hipóteses é que deverá ocorrer o relaxamento da prisão, visto que se torna ilegal. IV. A audiência de custódia será realizada na presença do Ministério Público e da Defensoria Pública caso o preso não possua defensor constituído, junto à presença dos responsáveis pela prisão ou pela investigação durante a audiência. Agora, assinale a alternativa correta: a) Todas as assertivas estão corretas. b) As assertivas I, II e III estão corretas. c) As assertivas I, II e IV estão corretas. d) As assertivas I e III estão corretas. Notas CNE 1 Conselho Nacional de Educação. Título modal 1 Referências BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 14 jul. 2020. Lorem Ipsum é simplesmente uma simulação de texto da indústria tipográ�ca e de impressos. Lorem Ipsum é simplesmente uma simulação de texto da indústria tipográ�ca e de impressos. Lorem Ipsum é simplesmente uma simulação de texto da indústria tipográ�ca e de impressos. BRASIL. Decreto-Lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm. Acesso em: 14 jul. 2020. BRASIL. Decreto-Lei n. 3.689, de 3 de outubro de 1941. Código de Processo Penal. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689.htm. Acesso em: 14 jul. 2020. CANÁRIO, P. Pacote anticrime acaba com decretação preventiva de ofício. 2019. Disponível em: https://www.conjur.com.br/2019-dez-27/pacote-anticrime-acaba-decretacao-preventiva-o�cio. Acesso em: 15 jul. 2020. CAPEZ, F. Curso de processo penal. 25. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2018. GANEM, P. M. Entenda as mudanças na audiência de custódia com o pacote anticrime. 2020. Disponível em: https://pedromaganem.jusbrasil.com.br/artigos/803660749/entenda-as-mudancas-na-audiencia-de-custodia-com-o-pacote- anticrime. Acesso em: 15 jul. 2020. LIMA, R. B. de. Manual de processo penal. 7. ed. rev., ampl. e atual. Salvador: JusPodivm, 2019. (volume único) LOPES JR., A. Direito processual penal. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2019. PACELLI, E. Curso de processo penal. 23. ed. São Paulo: Atlas, 2019. SCHREIBER, S. Prisões cautelares: o que há de novo?. 2020. Disponível em: https://www.justi�cando.com/2020/05/15/prisoes- cautelares-o-que-ha-de-novo/. Acesso em: 15 jul. 2020. Próxima aula A utilização da liberdade provisória e do relaxamento da prisão, distinções e a questão da �ança; O habeas corpus como medida não privativa da liberdade e sua utilidade; O instituto da �ança, suas peculiaridades e a utilização da liberdade provisória. Explore mais Leia os textos: Pacote anticrime acaba com decretação preventiva de ofício https://www.conjur.com.br/2019-dez-27/pacote-anticrime-acaba-decretacao-preventiva-o�cio <https://www.conjur.com.br/2019-dez-27/pacote-anticrime-acaba-decretacao-preventiva-o�cio> Entenda as mudanças na audiência de custódia com o pacote anticrimehttps://pedromaganem.jusbrasil.com.br/artigos/803660749/entenda-as-mudancas-na-audiencia-de-custodia-com-o- pacote-anticrime <https://pedromaganem.jusbrasil.com.br/artigos/803660749/entenda-as-mudancas-na-audiencia-de- custodia-com-o-pacote-anticrime> Prisões cautelares: o que há de novo? https://www.justi�cando.com/2020/05/15/prisoes-cautelares-o-que-ha-de-novo/ <https://www.justi�cando.com/2020/05/15/prisoes-cautelares-o-que-ha-de-novo/> https://www.conjur.com.br/2019-dez-27/pacote-anticrime-acaba-decretacao-preventiva-oficio https://www.conjur.com.br/2019-dez-27/pacote-anticrime-acaba-decretacao-preventiva-oficio https://pedromaganem.jusbrasil.com.br/artigos/803660749/entenda-as-mudancas-na-audiencia-de-custodia-com-o-pacote-anticrime https://pedromaganem.jusbrasil.com.br/artigos/803660749/entenda-as-mudancas-na-audiencia-de-custodia-com-o-pacote-anticrime https://pedromaganem.jusbrasil.com.br/artigos/803660749/entenda-as-mudancas-na-audiencia-de-custodia-com-o-pacote-anticrime https://pedromaganem.jusbrasil.com.br/artigos/803660749/entenda-as-mudancas-na-audiencia-de-custodia-com-o-pacote-anticrime https://www.justificando.com/2020/05/15/prisoes-cautelares-o-que-ha-de-novo/ https://www.justificando.com/2020/05/15/prisoes-cautelares-o-que-ha-de-novo/ Direito Processual Penal e Org. Judc. e Policial Aula 6: Liberdade provisória, �ança, relaxamento de prisão e habeas corpus Apresentação Estudaremos a liberdade provisória, a �ança, o relaxamento da prisão e o habeas corpus, importantes aspectos do Direito Processual Penal. Aprenderemos quando a prisão em �agrante é legal e quando é ilegal. Também conheceremos as principais características do instituto da �ança. Trataremos, ainda, de todos os princípios e características do habeas corpus, identi�cando a importância e as principais regras dele, bem como sua natureza jurídica. Objetivos De�nir liberdade provisória e �ança; Reconhecer os princípios e a importância do relaxamento da prisão, a ilegalidade da prisão em �agrante e suas causas; Identi�car a abrangência, as regras, a titularidade, a competência e as partes envolvidas no habeas corpus. Liberdade provisória A liberdade provisória é uma medida cautelar, fundamentada no artigo 5º, inciso LXVI, da Constituição Federal (CF). Atualmente está prevista no artigo 310, inciso III, do Código de Processo Penal (CPP). Essa medida cautelar equivale ao período em que ao sujeito é assegurado o direito de aguardar em liberdade enquanto o processo transcorre até o trânsito em julgado, quando ocorre caso de prisão em �agrante legal, mas desnecessária. É claro que, pensando pelo lado da superlotação carcerária, a liberdade provisória é uma medida que ajuda a não levar ao cárcere pessoas que tenham cometido delitos menos graves ou delitos que não levariam à necessidade de manter alguém preso. Sendo assim, levaria à diminuição da quantidade de sujeitos no cárcere. Lógico que aqui se fala de forma resumida sobre o cárcere e não se leva em conta quais seriam as melhores medidas não carcerárias para tentar ressocializar e reintegrar os agentes. Em algumas hipóteses ocorre mediante �ança e, em outras, sem �ança. É evidente que esse instituto não deixará de sofrer alterações, por exemplo, no caso de o sujeito réu do processo descumprir algumas obrigações. Sendo assim, ela é um instituto revogável. Nos casos em que a lei permite a liberdade provisória, nenhuma pessoa é levada à prisão ou é mantida nela. É um avanço, se pensarmos pelo lado dos direitos humanos e do direito fundamental da dignidade da pessoa humana. Comentário Alguns doutrinadores ressaltam que o termo liberdade provisória é equivocado, pois o que seria e deveria ser provisório é a prisão, de acordo com o nosso sistema penal. A liberdade, na verdade, deveria ser a regra. Sendo assim, o texto constitucional estaria atrasado. O artigo 292, §2º, do CPP, modi�cado com a Lei n. 12.403/2011, traz a possibilidade da imposição de medidas cautelares diversas da prisão, e não traz como requisito a prévia prisão em �agrante. É uma mudança positiva, pois, antigamente, a liberdade provisória só podia ser concedida para o sujeito preso em �agrante delito. De acordo com o artigo 321 do CPP, a liberdade provisória deverá ser imposta pelo juiz caso a prisão preventiva não seja autorizada se não apresentar os requisitos necessários. Atenção Note que, com a alteração da Lei n. 8.072/1990, trazida com a Lei n. 11.464, não é possível, nos casos em que essa lei trata, a liberdade provisória com �ança. Extrai-se essa interpretação após a leitura do artigo 2º, inciso II. O capítulo que trata da liberdade provisória no CPP traz, em seus artigos 323 e 324, hipóteses segundo as quais não devem ser concedidas �anças, como no caso dos crimes de racismo (artigo 323, inciso I). A doutrina divide essa medida cautelar nas espécies obrigatória, permitida ou vedada (CAPEZ, 2018). Clique nos botões para ver as informações. Não se sujeita a nenhuma condição, pois é um direito incondicional do acusado (direito público subjetivo da prisão preventiva). Obrigatória Quando os requisitos para a decretação da prisão preventiva estão ausentes. Permitida Essa espécie não existe, pois, se a lei proibir o juiz de conceder a liberdade provisória, ela será inconstitucional. Vedada A Lei n. 11.464/2007 trouxe uma modi�cação para os crimes previstos na Lei n. 8.072/1990, em seu artigo 2º, inciso II. Graças a ela, a proibição de liberdade provisória para os crimes hediondos foi revogada. A liberdade provisória é e somente pode ser concedida após ouvir o Ministério Público, pelo juiz. Assim, quando houver requerimento da referida medida cautelar, o juiz deve fundamentar o despacho que autorize a prisão preventiva para que não seja concedida a liberdade provisória. Para que a liberdade provisória seja concedida, o sujeito processado deve se comprometer assinando um termo de comparecimento a todos os atos do processo. Se ele não cumprir o acordo, a liberdade provisória pode ser revogada. Conforme o artigo 581, inciso V, do CPP, cabe recurso, em sentido estrito da decisão, despacho ou sentença que conceda, entre outras medidas, a liberdade provisória. Se o periculum libertatis da prisão preventiva não estiver presente ou estiver presente em medidas não signi�cantes, nos casos de crimes ina�ançáveis, há a possibilidade de o juiz conceder a liberdade provisória sem exigir �ança. Para isso, é necessário que sejam concedidas medidas cautelares alternativas. A liberdade provisória pode ser confundida com o instituto da revogação da prisão, em que a diferença está no tipo de prisão. Grosso modo, a revogação de prisão se dá nos casos em que forem de prisões preventivas ou temporárias e a liberdade provisória nos casos em que for de prisão em �agrante. A liberdade provisória pode vir acompanhada do pagamento de �ança ou não. Trataremos desse assunto a seguir. Fiança Modi�cada com a Reforma Processual Penal de 2011, a �ança passou a ter dois campos de atuação: A �ança também é considerada por alguns doutrinadores como garantia real do cumprimento das obrigações processuais do réu. Não existe mais a �ança �dejussória, que era baseada na garantia do preso por meio da sua palavra (o tal compromisso de acompanhar a instrução e de se apresentar que hoje é oferecido ao imputado – por exemplo, nos crimes de pequeno potencial ofensivo – era oferecido ao preso). A �ança é considerada uma espécie de liberdade provisória que substitui a prisão em �agrante, porém, não é obrigatória para todos os casos. Pode ser concedida em qualquer fase do inquérito ou do processo no limite do trânsito em julgado. De acordo com Fernando Capez: "Consiste na prestação de uma caução de natureza real destinada a garantir o cumprimento das obrigações processuais do réu ou indiciado. Não se admite a de natureza �dejussória, ou seja, mediante a apresentação de um �ador, devendo ser prestada por meio de dinheiro, joias ou qualquer objeto que tenhavalor.” - CAPEZ, 2018, p. 356 Os casos do artigo 283, §1º, do CPP, em que a pena privativa de liberdade não é uma hipótese e nos casos de infrações de menor potencial ofensivo, quando o sujeito acorda e se compromete a comparecer ao Juizado Especial Criminal (normalmente para assinar um papel mensalmente), podem ser elencados como hipóteses em que não há necessidade de pagamento de �ança. Saiba mais Para que a �ança seja concedida, o juiz deverá analisar caso a caso, identi�car a sua necessidade e fundamentá-la. Será imposta se, para o processo, houver essa necessidade de garantia. É claro que, ao ser concedida, a gravidade do delito e a possibilidade econômica do agente deverão ser levadas em consideração para a sua �xação. Pode ser imposta de forma acumulada a outras medidas cautelares ou de forma isolada. Para tal decisão, é necessário averiguar se a adoção da �ança cumulada é ou não é compatível com a realidade do fato e se não é excessivamente onerosa à liberdade do acusado. A autoridade policial pode conceder a �ança? Sim. De acordo com o artigo 322 do CPP, é possível, nos casos em que a pena privativa de liberdade máxima não seja superior a quatro anos. Nos demais casos, apenas o juiz poderá fazê-lo. Se a autoridade policial demorar para concedê-la, o interessado pode solicitá-la ao juiz. Este pode se manifestar, de acordo com o artigo 310 do CPP, mesmo que não tenha sido solicitado. Atualmente, ele pode conceder de ofício. Quando não for a hipótese anterior, a �ança será requerida ao juiz. Este terá 48 horas para decidir. Ela poderá ser concedida até o trânsito em julgado da sentença condenatória. A �m de ser determinada, o artigo 326 do CPP traz algumas observações. Deverão ser analisadas, entre outras circunstâncias, a natureza da infração e a importância provável das custas do processo até o �nal do julgamento. Há hipóteses em que a �ança pode perder o efeito e seja decretada a prisão do réu, caso ela não seja reforçada nos moldes do artigo 340 do CPP. Saiba mais O que acontece se a �ança for declarada sem efeito ou o réu for absolvido? De acordo com o artigo 336, devem ser devolvidos todos os valores dados como garantia. Outra situação em que os valores são devolvidos integralmente ao réu é no caso de cassação de �ança (CPP, arts. 338 e 339). Há casos em que poderá ser decretada a prisão preventiva. Modalidade de �ança A doutrina classi�ca a �ança em duas modalidades, por depósito e por hipoteca. Fiança por depósito É o caso do artigo 330, primeira parte do CPP: Depósito de dinheiro, pedras, objetos ou metais preciosos, títulos da dívida pública. Fiança por hipoteca Quando inscrita em primeiro lugar (CPP, art. 330, segunda parte). O artigo ainda prevê o que pode ser objeto da �ança. Um perito será nomeado pela autoridade competente para que avalie o imóvel ou os objetos (CPP, art. 330, §1º). Quebramento da �ança A �ança será julgada quebrada nas hipóteses do artigo 341 do CPP. Uma das hipóteses é o caso de o acusado praticar nova ação penal dolosa. O artigo 343 do CPP é claro. Se houver quebramento injusti�cado da �ança, haverá perda da metade do valor. Caberá ao juiz decidir sobre a imposição, se for o caso, de prisão preventiva. Relaxamento de prisão O relaxamento de prisão é bastante confundido com a liberdade provisória. Porém, é uma ilegalidade que pode vir a ocorrer em qualquer tipo de prisão. O relaxamento é o reconhecimento de que aquela prisão foi ilegal. Não distante da liberdade provisória, o relaxamento de prisão é fundamentado no artigo 5º, inciso LXV da CF. Neste está estabelecido que o relaxamento se dará pela autoridade judiciária, na ocasião de prisão ilegal. Também presente no artigo 310, inciso I, do CPP, o relaxamento de prisão deve ser concedido pelo juiz de maneira fundamentada em audiência de custódia a ser realizada até 24 horas após a realização da prisão. Atenção Uma vez concedido o relaxamento da prisão ao imputado, são anulados os deveres e as obrigações deste. Sendo assim, ele �ca livre. Para o melhor entendimento do tema, é necessário exempli�car algumas causas de relaxamento da prisão. Seriam: Renato Brasileiro de Lima, no livro Manual de processo penal, faz um quadro comparativo entre dois institutos estudados nesta aula com a revogação da prisão cautelar, que veremos adiante. Diferenças entre relaxamento de prisão, revogação de prisão cautelar e liberdade provisória. Fonte: (LIMA, 2019, p. 1086). Relaxamento de prisão ilegal Tem natureza de garantia ao réu, tendo em vista que teve a liberdade de locomoção constrangida. Não tem natureza de medida cautelar, ao contrário da liberdade provisória. Um interessante exemplo, baseado na CF, é o inciso LXXVIII. Este ressalta o direito à duração razoável do processo. Sendo o prazo excedido, deve haver o relaxamento da prisão. Relaxamento de prisão, liberdade provisória e habeas corpus (Súmula n. 697 do STF) Clique no botão acima. Relaxamento de prisão, liberdade provisória e habeas corpus (Súmula n. 697 do STF) A Súmula n. 697 do Supremo Tribunal Federal (STF) traz à tona a questão da não vedação do relaxamento da prisão, mesmo em casos de proibição da liberdade provisória. O texto estabelece que “A proibição de liberdade provisória nos processos por crimes hediondos não veda o relaxamento da prisão processual por excesso de prazo” (STF, 2003, on-line). Em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a 5ª Turma entendeu pelo habeas corpus em prol do relaxamento da prisão na ocasião de um processo que envolvia um crime hediondo (STJ, 2004). Habeas corpus É um remédio constitucional previsto na CF, no artigo 5º, inciso LXVIII. É previsto no Capítulo X do CPP, que versa sobre o habeas corpus e seu processo. É uma ação que serve para prevenir ou anular alguma prisão arbitrária. Serve para alguém que sofra ou se sinta ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção por ilegalidade ou abuso de poder. É uma ação gratuita. É uma ação autônoma de impugnação com o objetivo de garantir o direito à liberdade de locomoção, ou seja, de proteger o ius libertatis do sujeito. Todavia, não tem natureza jurídica de recurso. Atenção É necessário ressaltar que o habeas corpus pode ser impetrado por qualquer pessoa e não há a necessidade de advogado, mas é importante ter um para que não haja desfavorecimentos ao constrangido. Renato Brasileiro Lima (2019) descreve, em seu livro Manual de processo penal, as expressões violência e coação, que são necessárias como uma das modalidades para a concessão do habeas corpus. Clique nos botões para ver as informações. Tem a ver com a violência física ou material, a vis corporalis. Seria, por exemplo, a agressão física ou o emprego de força que faça a pessoa não ter liberdade para se mexer. Violência Tem a ver com violência moral, a vis compulsiva. Seria, por exemplo, consequência de ameaça ou intimidação. Coação O habeas corpus pode ser apresentado de duas formas, habeas corpus preventivo e habeas corpus liberatório. Habeas corpus preventivo – tem como objetivo antever o constrangimento ilegal e evitar uma ameaça à liberdade de locomoção. Habeas corpus liberatório – tem como objetivo afastar o constrangimento ilegal que já tenha ocorrido em detrimento da liberdade de locomoção. É possível habeas corpus contra ato hipotético? Não. Para a impetração do habeas corpus, é necessário que a ameaça ao ius libertatis seja iminente. É necessário que essa ameaça seja concreta e vá causar perigo ao sujeito mesmo que indiretamente. A ausência de precisa indicação de atos concretos e especí�cos, por parte da autoridade apontada como coatora, que revelem prática atual ou iminente de comportamento abusivo ou de conduta revestida de ilicitude, inviabiliza, processualmente, a impetração do writ of habeas corpus.” - LIMA, 2019, p. 1801 Um caso interessante e recente foi o habeas corpus impetrado pelo promotor de justiça do Rio Grande doNorte, Wendell Bethoven. O objetivo do promotor era que fosse concedido habeas corpus para os casos hipotéticos de policiais que pudessem responder criminalmente por não prender manifestantes por descumprirem as recentes normas de isolamento social por causa da pandemia do coronavírus. Habeas corpus substitutivo de recurso ordinário e Habeas corpus coletivo Clique no botão acima. Habeas corpus substitutivo de recurso ordinário e Habeas corpus coletivo Habeas corpus substitutivo de recurso ordinário A ação de habeas corpus é revista de um procedimento sumaríssimo. Logo, é mais célere e tem uma e�cácia mais ágil do que qualquer outra tutela que disponha da liberdade do indivíduo. A jurisprudência era pací�ca no entendimento de que o interesse de agir para a utilização do habeas corpus não seria afastado no caso de possibilidade de recurso contra decisão judicial, mesmo que presente o efeito suspensivo. O habeas corpus substitutivo seria a possibilidade de o agente impetrar com nova ação de habeas corpus ao Tribunal Superior e não decidir pelo recurso do habeas corpus original. Sendo o habeas corpus original negado, o juiz ou o Tribunal poderiam de certa forma constranger o indivíduo e, assim, este poderia impetrar com o habeas corpus substitutivo em vez do recurso ordinário. Com o tempo, essa orientação jurisprudencial vem se modi�cando e já há entendimentos de que o habeas corpus é inadequado quando possível interpor recurso ordinário. Habeas corpus coletivo É uma possibilidade que veio para inovar o sistema jurídico brasileiro. Por meio do habeas corpus coletivo, é possível atingir toda a coletividade ou um grupo especí�co. Essa inovação veio com o HC143641, em que a Segunda Turma do STF decidiu conceder essa modalidade de habeas corpus para todas as mulheres presas gestantes, ou mães de crianças com até 12 anos, ou mães de pessoas com de�ciência. É aplicado para que haja uma substituição de prisão preventiva para prisão domiciliar (STF, 2018). É claro que o habeas corpus não pode prejudicar as medidas elencadas no artigo 319 do CPP, como o “[...] comparecimento periódico em juízo, no prazo e nas condições �xadas pelo juiz, para informar e justi�car atividades”. Atividades 1 (Vunesp – 2019 – TJ-AC – Juiz de Direito Substituto – adaptada) Em relação à �ança e à concessão de liberdade provisória, assinale a alternativa correta. a) A fiança tomada por termo obrigará o afiançado a comparecer perante a autoridade todas as vezes que for intimado para atos do inquérito e da instrução criminal e para o julgamento. Quando o réu não comparecer, a fiança será havida como cassada. b) Entende-se por perdido, na totalidade, o valor da fiança, se, regularmente intimado para ato do processo, deixar de comparecer, sem motivo justo. c) A fiança não pode ser considerada uma espécie de liberdade provisória que substitui a prisão em flagrante. d) Julgar-se-á quebrada a fiança quando o acusado descumprir medida cautelar imposta cumulativamente com a fiança. 2 - (Fepese – 2019, Agente Penitenciário – adaptada) A respeito da prisão ilegal, assinale a alternativa correta. a) A prisão em flagrante somente poderá ser relaxada após fixada a fiança pela autoridade judicial. b) Somente cabe relaxamento de prisão quando há prisão em flagrante delito e essa se dá de maneira ilegal. c) A ilegalidade da prisão pode ocorrer antes, durante ou após a lavratura do auto de prisão em flagrante. d) O relaxamento da prisão é considerado medida cautelar, igualmente a liberdade provisória. 3 - Sobre o habeas corpus no processo penal, assinale a alternativa INCORRETA. a) O habeas corpus é uma ação que serve para prevenir ou anular a prisão arbitrária, impetrada por alguém que sofra ou está na iminência de sofrer coação à liberdade de locomoção. b)Tanto o Ministério Público quanto qualquer cidadão (em seu benefício ou de outro) poderão impetrar o habeas corpus. c) Compete apenas aos tribunais colegiados a expedição, de ofício de ordem de habeas corpus, quando se certificarem de que alguém sofre ou está na iminência de sofrer coação ilegal. d) Não é possível impetrar habeas corpus contra ato hipotético, ou seja, é necessário que a ameaça à liberdade seja iminente, concreta e vá causar perigo. Notas CNE 1 Conselho Nacional de Educação. Referências BLUME, B. A. O que é habeas corpus?. 2019. Disponível em: https://www.politize.com.br/habeas-corpus/ <https://www.politize.com.br/habeas-corpus/> . Acesso em: 6 jun. 2020. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 14 jul. 2020. BRASIL. Decreto-Lei n. 3.689, de 3 de outubro de 1941. Código de Processo Penal. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689.htm. Acesso em: 14 jul. 2020. CAPEZ, F. Curso de processo penal. 25. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2018. CAVALCANTI, D. HC Coletivo como ferramenta igualitária de acesso à Justiça. 2020. 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Supremo Tribunal Federal. 2ª Turma concede HC coletivo a gestantes e mães de �lhos com até doze anos presas preventivamente. 2018. Disponível em: http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=370152. Acesso em: 6 jun. 2020. STF. Supremo Tribunal Federal. Súmula 697. 2003. Disponível em: http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=697.NUME.%20NAO%20S.FLSV.&base=baseSumulas. Acesso em: 6 jun. 2020. STJ. Jurisprudência da quinta turma. RSTJ, a. 16, n. 175, p. 471-541, mar. 2004. Disponível em: http://www.stj.jus.br/docs_internet/revista/eletronica/stj-revista-eletronica-2004_175_capQuintaTurma.pdf. Acesso em: 6 jun. 2020. Próxima aula Estudo do sistema judiciário brasileiro, a estrutura do Poder Judiciário e a função do juiz; O Ministério Público, suas atribuições e a sua importância no cenário nacional; Os serventuários da Justiça e as suas principais funções. A necessidade de veri�cação dos aspectos em que podem ser úteis. Explore mais Leia os textos: Relaxamento da prisão, liberdade provisória ou revogação da prisão? https://pedromaganem.jusbrasil.com.br/artigos/641581244/relaxamento-da-prisao-liberdade-provisoria-ou- revogacao-da-prisao <https://pedromaganem.jusbrasil.com.br/artigos/641581244/relaxamento-da-prisao- liberdade-provisoria-ou-revogacao-da-prisao> Revogação e relaxamento da prisão. Habeas corpus e liberdade provisória https://modeloinicial.com.br/artigos/59/revogacao-relaxamento-prisao-habeas-corpus-liberdade-provisoria- veja-algumas-diferencas <https://modeloinicial.com.br/artigos/59/revogacao-relaxamento-prisao-habeas- corpus-liberdade-provisoria-veja-algumas-diferencas> https://pedromaganem.jusbrasil.com.br/artigos/641581244/relaxamento-da-prisao-liberdade-provisoria-ou-revogacao-da-prisao https://pedromaganem.jusbrasil.com.br/artigos/641581244/relaxamento-da-prisao-liberdade-provisoria-ou-revogacao-da-prisao https://pedromaganem.jusbrasil.com.br/artigos/641581244/relaxamento-da-prisao-liberdade-provisoria-ou-revogacao-da-prisao https://pedromaganem.jusbrasil.com.br/artigos/641581244/relaxamento-da-prisao-liberdade-provisoria-ou-revogacao-da-prisao https://modeloinicial.com.br/artigos/59/revogacao-relaxamento-prisao-habeas-corpus-liberdade-provisoria-veja-algumas-diferencas https://modeloinicial.com.br/artigos/59/revogacao-relaxamento-prisao-habeas-corpus-liberdade-provisoria-veja-algumas-diferencas https://modeloinicial.com.br/artigos/59/revogacao-relaxamento-prisao-habeas-corpus-liberdade-provisoria-veja-algumas-diferencas https://modeloinicial.com.br/artigos/59/revogacao-relaxamento-prisao-habeas-corpus-liberdade-provisoria-veja-algumas-diferencas Direito Processual Penal e Org. Judc. e Policial Aula 7: Organização Judiciária do Poder Judiciário, do Ministério Público e os Auxiliares da Justiça Apresentação Nesta aula, você estudará as instituições que atuam em um processo, também chamados de sujeitos processuais, tais como o juiz, Ministério Público, defensor e auxiliares da justiça. Objetivos Descrever a constituição do Poder Judiciário, as funções do juiz, como se distribui sua competência e como atua na sociedade; Identi�car os princípios relacionados ao Ministério Público, suas atribuições, como é a sua estrutura principal e como são dirimidos alguns con�itos na sua atribuição; Reconhecer a atuação e as funções dos auxiliares da justiça: o�ciais, peritos, serventuários. Sujeitos da relação processual Sujeitos da relação processual Em resumo, é um laço entre partes/ órgãos/ pessoas que se inicia com uma pretensão punitiva. A parte autora oferece a chamada peça acusatória (queixa-crime ou denúncia) e, a partir daí, exige que haja uma prestação jurisdicional do Estado. Essa relação processual pode vir a demorar bastante. Enquanto isso, alguns sujeitos acessórios são chamados para prestar esclarecimentos. Há, pelo menos, a existência de três sujeitos processuais: as partes (demandante e demandado) que compõem a relação material e o juiz (imparcial). Os agentes podem ser principais ou acessórios. São principais, uma vez que muito importantes para manter a relação jurídica processual, ou acessórios quando — ao contrário — não fazem diferença se estiverem ali ou não. Sujeitos principais Ministério Público ou o ofendido, juiz, autor e acusado. A presença dessas �guras é vital para a manutenção da relação jurídica. Sujeitos acessórios Também chamados de colaterais; terceiros interessados ou não, que estão ligados ao processo. Poder Judiciário O �lósofo Montesquieu (1689 - 1755) dividia a estrutura organizacional do Estado Moderno nas três esferas dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário de forma mais equilibrada do que Aristóteles e Locke. Estes já tinham essa ideia de modelo tripartite, porém com pontos que foram se modi�cando e melhor contemplando a sociedade. Em resumo, o poder Legislativo seria aquele através do qual se delibera sobre a construção e mudança das leis e �scalização do poder Executivo. Seria através dele que caberia a administração do Estado: execução de leis, administração dos interesses sociais da coletividade etc. E, por �m, a função do poder Judiciário seria julgar, interpretar e aplicar as leis caso a caso. Comentário Nenhum dos poderes deveria se sobrepor ao outro. Atualmente, o que se observa é o contrário: é possível identi�car uma mistura entre eles. É claro que cada um tem sua função especí�ca, mas eles podem acabar atingindo a função do outro. O poder Judiciário é integrado por juízes, desembargadores e ministros. Eles devem julgar os casos de forma isenta e imparcial, sendo que há toda uma estrutura do poder Judiciário prevista na Constituição Federal (Art. 92). São órgãos do poder Judiciário: I - O Conselho Nacional de Justiça; II - O Superior Tribunal de Justiça; III - O Tribunal Superior do Trabalho; IV - Os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais; V - os Tribunais e Juízes do Trabalho; VI - os Tribunais e Juízes Eleitorais; VII - os Tribunais e Juízes Militares; VIII - os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios. O poder Judiciário é dividido em instâncias judicantes.A primeira instância teria como função analisar e julgar as ações apresentadas ao poder em questão. As decisões proferidas nessa instância podem ser revistas em instância superior, respeitando o duplo grau de jurisdição. Além dessa divisão tripartite, existe a divisão entre vários órgãos nos âmbitos estadual e federal. Esta segunda é dividida entre justiça federal comum e especializada (composta pela Justiça do Trabalho, Justiça Eleitoral e Justiça Militar). A primeira julgará as ações restantes que não forem objeto da Justiça Federal. Organograma do Poder Judiciário O poder Judiciário é dividido entre o Supremo Tribunal Federal, o Superior Tribunal de Justiça, o Tribunal Superior do Trabalho, o Tribunal Superior Eleitoral e o Superior Tribunal Militar. Temos ainda o Conselho Nacional de Justiça, que tem atribuições administrativas. Organograma do Poder Judiciário. Fonte: STF Supremo Tribunal Federal Disposto na Seção II da Constituição Federal, entre os Artigos 101 a 103, ao Supremo Tribunal Federal compete o ato de processar e julgar originariamente diversas hipóteses como as ações contra o Conselho Nacional de Justiça e contra o Conselho Nacional do Ministério Público. Também cabe julgar outras hipóteses assinaladas pelo Artigo 102 da Constituição Federal. Inserido no âmbito do poder Judiciário, é o seu órgão máximo, composto por 11 ministros, escolhidos entre brasileiros natos com mais de 35 anos e menos de 65 anos de idade com notável saber jurídico e reputação ilibada. Estes ministros serão nomeados pelo Presidente da República (Art. 101 da CF). Saiba mais É dividido em duas turmas, com cinco integrantes cada, e o plenário, composto pelos onze Ministros. De acordo com o próprio site do Supremo Tribunal Federal, uma das suas principais funções é a de julgar a ação direta de inconstitucionalidade (é uma ação com o objetivo de examinar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual). Também tem a função de julgar habeas corpus, do qual tratamos na aula passada, habeas data, mandado de segurança e mandado de injunção. Estes devem ser decididos pelos Tribunais Superiores, ou seja, em uma única instância. Tem o condão de aprovar súmulas com efeitos vinculantes aos órgãos do poder Judiciário após reiteradas decisões sobre a matéria constitucional. Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa o�cial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” Mais informações sobre o STF Clique no botão acima. Organograma do Supremo Tribunal Federal A �gura do juiz, impedimento e suspeição A �m de superar um sistema inquisitivo, que concentra em uma única �gura as funções de acusar, defender e julgar, e com o advento do sistema acusatório, passa a ter maior relevância a imparcialidade do juiz. A imparcialidade está relacionada com o princípio do juiz natural, com a respectiva vedação ao juiz ou tribunal de exceção, visando evitar a alteração de determinada, concreta e especí�ca decisão. Daí falar-se em casos de impedimento, incompatibilidades e suspensão do juiz. As hipóteses de impedimento estão relacionadas a fatos e circunstâncias de fato e de direito, com condições pessoais do próprio julgador. O Artigo 252, incisos I e II do Código de Processo Penal, prevê a hipótese na qual determinados parentes do juiz, seu cônjuge ou ele próprio tenham exercido funções relevantes no processo, que, inclusive, in�uenciaram na formação do convencimento judicial. O inciso III do referido artigo, ao dispor sobre duplo grau de jurisdição, pronuncia-se sobre a hipótese de o juiz também ter exercido a função de juiz em outra instância. Impende consignar que o referido impedimento deve ser suscitado, a �m de que a referida questão seja apreciada, sem prejuízo da validade do primeiro julgamento. Quanto a este aspecto, Eugênio Pacelli de Oliveira esclarece que: Organograma do STF. Fonte: STF Prevê, ainda, o Artigo 252, inciso IV que também haverá impedimento quando o juiz, seu cônjuge ou parente, consanguíneo ou a�m, em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive, for parte (caso de ação penal privada) ou diretamente interessado no feito, em caso de recomposição civil do dano, por exemplo. Em seguida, prevê o CPP que, nos juízos coletivos, não podem prestar serviços no mesmo processo os juízes que foram parentes entre si, para que se evite in�uência no julgamento. Nos procedimentos do Tribunal do Júri, são impedidos de servir no mesmo conselho de sentença marido e mulher, ascendentes, descendentes, sogro e genro ou noras, irmãos, cunhados, tio e sobrinho, padrasto, madrasta ou enteado, conforme prescreve o Art. 448 do CPP. Consigne-se que o mesmo ocorre com aqueles que mantêm união estável. Já em relação à suspeição, pode-se de�ni-la como os fatos e/ou circunstâncias objetivas que in�uenciem no ânimo do julgador, podendo ser objetivos, quando se referem ao objeto, ou subjetivos, em relação aos sujeitos envolvidos. O Artigo 254 do CPP estabelece como causas de suspeição: Amizade íntima ou inimizade capital com qualquer das partes (inciso I); O fato de estar o juiz, cônjuge, ascendente ou descendente respondendo a processo por fato análogo, cujo caráter criminoso haja controvérsia (inciso II); Se o juiz, ou o cônjuge ou parente sustentar demanda ou responder a processo que tenha de ser julgado por qualquer das partes (inciso III); Se tiver aconselhado qualquer das partes (inciso IV); Se for credor ou devedor, tutor ou curador de qualquer das partes (inciso V); Se for sócio, acionista ou administrador de sociedade interessada no processo (inciso VI). Como bem lembra Pacelli (2019), o juiz não pode ser administrador de sociedade, a não ser associação de classe, em virtude da vedação ínsita no Art. 36, II da Lei Complementar Nº 35/79. No que se refere ao parentesco por a�nidade, há de se registrar que esta cessa com a dissolução do casamento, exceto na hipótese de sobrevierem descendentes. Entretanto, conforme o Artigo 255 do CPP, o juiz não poderá atuar em processo quando for parte sogro, genro, cunhado ou enteado, ainda que tenha havido dissolução do casamento sem descendentes. Em relação à �gura da suspeição provocada — injúria ou qualquer outro ato praticado com o �m de afastar o juiz —, não estará con�gurada a suspeição, segundo inteligência do Art. 256 do CPP. Diferentemente das hipóteses de suspeição e impedimento, as hipóteses de incompatibilidade reclamam o exame detido de cada situação concreta, quando não a�rmada de ofício pelo magistrado. Ora, inexiste casuística legal das incompatibilidades (Artigo 112 do CPP). O simples recebimento da denúncia ou queixa, por exemplo, embora portador de certo conteúdo decisório, não será causa de impedimento, uma vez que as questões mais relevantes do processo, sejam elas de fato, sejam elas de direito, não são frequentemente resolvidas naquele momento. Obviamente, ocorrerá impedimento se a decisão anterior for em sentido contrário, isto é, de rejeição da denúncia ou queixa, hipótese em que o conteúdo decisório é manifesto e evidente. (PACELLI, 2019) Diante disto, pode-se dizer que se reúnem as recusas do juiz sob o fundamento de razões de foro íntimo. Embora não haja previsão legal, não pairam dúvidas de que a imparcialidade do juiz restaria comprometida. Formas de tratamento e abordagem ao juiz O Tribunal de Justiça do Distrito Federal elaborou um texto dando várias explicações sobre o tema do relacionamento com o Judiciário. Neste texto, é trazida a informação de como abordar o juiz e como fazer o texto jurídico. O juiz, pessoa que re�ete sobre os casos, nãopode se eximir de despachar ou sentenciar os casos concretos. Além disso, não pode julgar mais, menos ou diferente do que foi pedido. Ele deve se limitar a julgar e interpretar aquilo de que trata o processo e o pedido. É necessário atentar ao vocabulário utilizado nos dispositivos jurídicos, pois é a partir da escrita e da fala que o juiz irá formar o seu convencimento. Além disso, a linguagem utilizada é bastante burocratizada e a porta de entrada para uma boa impressão. O emissor deve se atentar às expressões sem que a preocupação em escrever de forma clara, concisa e formal confunda sua cabeça e o faça esquecer peças muito importantes para a explicação da relação jurídica. A dica do Tribunal de Justiça do Distrito Federal é simples: o pro�ssional de Direito deve atentar à língua-padrão, e o jornalista deve usar como base uma linguagem informativa. Nos dois casos, necessário demonstrar raciocínio lógico. Ministério Público O Ministério Público ocupa um papel muito importante no sistema processual penal acusatório. É uma ampliação dos poderes do Estado, pois deve-se impedir — entre outras circunstâncias — a vingança originada pelos con�itos sociais que sempre costumam ocorrer. Representa, então, o Estado-Administração, que tem função exclusiva de propor ação penal pública para os crimes que dela se utilizam. Também há o caso — como estudamos nas aulas passadas — de o Ministério Público vir a deixar de representar o ofendido se, por exemplo, perder o prazo. Sendo assim, ao ofendido, �ca a liberdade de propor uma ação penal privada. Comentário Apesar de ser inserido no sistema processual penal acusatório, não é um órgão acusatório, mas sim um órgão legitimado para a acusação. O objetivo é a defesa da ordem jurídica na sociedade, dos interesses sociais e individuais. As atribuições do Ministério Público estão elencadas no Art. 127 da Constituição Federal: defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. Surge para retirar do juiz o papel de investigação, pois este — como já vimos em aulas anteriores — não pode ter todos os papéis do processo, pois isso prejudicaria sua imparcialidade. É notório que a imparcialidade já é uma di�culdade inerente do ser humano. Um ator fazer parte de todas as fases di�culta mais ainda esse princípio. O órgão ministerial segue alguns princípios. Os principais, de acordo com o Artigo 127, §1º da Constituição Federal são a independência, a unidade e a indivisibilidade. Clique nos botões para ver as informações. Signi�ca que, embora composto por vários integrantes (Promotores de Justiça ou Procurador da República), todos fazem parte de uma mesma instituição, o Ministério Público. Unidade É uma decorrência da unidade, de sorte que cada um dos integrantes do Ministério Público tem legitimidade por falar em nome da instituição Ministério Público, representando-a de forma indivisível. Indivisibilidade O membro do Ministério Público em sua atuação não está subordinado a nenhum outro órgão, nem mesmo ao Chefe da Instituição (Procurador-Geral de Justiça no âmbito Estadual ou Procurador-Geral da República no federal), devendo apenas observar o que determina a Constituição e as leis para aquela situação que está analisando. Independência Além disso, o Ministério Público tem, de acordo com o Artigo 127, §2º da Constituição Federal, autonomia funcional e administrativa, que signi�ca a capacidade de governar e gerir a si próprio, sem interferência dos demais poderes. As funções institucionais do Ministério Público estão elencadas no Artigo 129 da Constituição Federal. Uma delas é (inciso IX): exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis com sua �nalidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas. Esse artigo traz à interpretação da lei que o Ministério Público tem um rol bem amplo de atividades que pode exercer, uma vez que ele não é taxativo Natureza da Função do Ministério Público A doutrina diverge em diversos assuntos. Um deles é o tema em questão. Há quatro teorias sobre a natureza da função do Ministério Público: O Ministério Público pertence ao poder Judiciário; É considerado parte comum, e aí �ca a questão: seria, então, de acordo com o pensamento dessa teoria, considerado um sujeito acessório e podendo ser descartado? Não se encaixaria na divisão tripartite dos poderes; Sua atividade instrumental se equipara ao magistrado e se assemelha aos poucos às partes privadas. Organograma do Ministério Público O Conselho Nacional do Ministério Público disponibiliza em seu site a estrutura organizacional resumida e completa do órgão de forma esquematizada e didática, como podemos ver a seguir: Carreiras na Justiça Clique no botão acima. São diversas as carreiras na área do Direito. A licença da OAB não é necessária para muitas atividades judiciárias, pois na maioria é necessário ser aprovado em concurso público, como por exemplo, a carreira de juiz. Para seguir a carreira de juiz, é necessário passar em concurso público, ter nacionalidade brasileira, ter aptidão física e mental para o exercício do cargo, ter até 65 anos de idade até a data da inscrição de�nitiva etc. Promotor de justiça: ser brasileiro, apresentar comprovada idoneidade moral nos âmbitos pessoal, pro�ssional e familiar, estar no exercício dos direitos políticos etc.; Procurador geral do Estado, procurador regional do município e procurador do trabalho: dentre outras características, deve estar em gozo com os direitos políticos e ser bacharel em Direito; Procurador federal: ter licença da OAB, ter exercido atividade jurídica por, pelo menos dois anos, ser brasileiro nato ou naturalizado etc.; Defensor público: ter nacionalidade brasileira ou portuguesa, estar em dia com as obrigações eleitorais, ter exercido atividade jurídica por pelo menos três anos até a data da posse etc.; Delegado de Polícia Civil: trabalha em torno de 36h semanais. É necessário ter nacionalidade brasileira ou portuguesa, estar quite com as obrigações eleitorais, ter pelo menos 18 anos até a data da posse, apresentar certidões negativas de antecedentes criminais, entre outros; Advogado da União: ter nacionalidade brasileira ou portuguesa, estar no gozo dos direitos políticos, ter a licença da OAB e, além de todas as outras condições, cumprir com as determinações do edital. Auxiliares da Justiça Os auxiliares da justiça são responsáveis pela realização de tarefas técnicas ou administrativas. Também são responsáveis pelo bom andamento da justiça. Entre eles, encontram-se os escreventes, analistas, o�ciais de justiça, peritos, intérpretes. Saiba mais Nos termos do Art. 274 do Código de Processo Penal, estendem-se aos serventuários e funcionários da justiça, no que for aplicável, a suspeição dos juízes, cujas hipóteses estão previstas no Art. 254 do mesmo Código. Parte da doutrina entende inaplicável o dispositivo, pois os serventuários estão sujeitos às normas disciplinares da Administração, bem como à correição do magistrado. Ademais, os serventuários não praticam atos decisórios, o que não justi�ca a suspeição. O Código de Processo Penal também estabelece regras para a atuação dos peritos e intérpretes, tendo em vista a relevância da função desempenhada por eles, de cunho essencialmente técnico. Há necessidade de um perito no processo quando a solução de uma questão depender de conhecimentos técnicos de outras áreas de conhecimento que não o Direito (ex.: medicina, engenharia, física etc.). O perito pode ser o�cial ou nomeado pelo juiz. O�cial é aquele pertencente aos quadros do Estado, enquanto o outro é pessoa com conhecimento técnico na matéria, que vem a ser nomeado pelo magistrado, na falta daquele. Qualquer um deles está sujeito à disciplina judiciária, ou seja, cumprir �elmente seu encargo, nos termos do Art. 275 do CPP. O perito pode ser o�cial ou nomeado pelo juiz. O�cial é aquele pertencente aos quadrosdo Estado, enquanto o outro é pessoa com conhecimento técnico na matéria, que vem a ser nomeado pelo magistrado, na falta daquele. Qualquer um deles está sujeito à disciplina judiciária, ou seja, cumprir �elmente seu encargo, nos termos do Art. 275 do CPP. Principais Entendem-se aqueles cuja ausência torna impossível a existência ou a complementação da relação jurídica processual Acessórios São aqueles que, não sendo indispensáveis à existência da relação processual, nela intervêm de alguma forma. Os principais são o juiz, o autor (que pode ser o Ministério Público ou o ofendido) e o acusado. Os acessórios ou colaterais são o assistente, os auxiliares da justiça e os terceiros, interessados ou não, que atuam no processo. Atividade 1 Assinale a alternativa correta quanto ao tema do Poder Judiciário: a) É dividido em STF, STJ e TST, sendo este último um órgão da justiça especial. b) São representantes do Judiciário os juízes e promotores de justiça e, no Processo Penal, respectivamente, atuam como julgador e acusador. c) O juiz não pode se eximir de despachar ou sentenciar casos do caso concreto, bem como não pode julgar extra ou ultra petita. d) Não compete ao juiz prevenir ou reprimir qualquer ato contrário à dignidade da justiça. 2 - De acordo com o material estudado sobre o Ministério Público, marque a alternativa incorreta: a) O MP tem função exclusiva para propor ação penal pública e também ação penal privada subsidiária da pública. b) São atribuições do Ministério Público a defesa da ordem jurídica, do regime democrático, dos interesses sociais e individuais indisponíveis. c) Os princípios que norteiam o Ministério Público são independência, indivisibilidade e unidade. d) O Ministério Público da União tem por chefe o Procurador-Geral da República, com mandato de dois anos, sendo vedada a recondução, assim como ocorre com cada Ministério Público do Estado. 3 - Considere as a�rmativas a seguir, referentes aos auxiliares da Justiça: I. O o�cial tem várias atribuições, dentre elas realizar citações e intimações. II. Não poderão ser peritos os que tiverem opinado antes sobre o objeto da perícia. III. O intérprete é pessoa idônea que traduzirá o texto, documento, �gura ou outro meio passível de interpretação que está redigido em língua estrangeira. Estão corretas: a) apenas I e II. b) apenas I e III. c) apenas a II. d) I, II e III. Notas Referências BRASIL. Cartilha do Poder Judiciário. Supremo Tribunal Federal. Secretaria de Documentação, 2018. Disponível em: http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/jurisprudenciaGlossarioMirim/anexo/Cartilha_Glossrio_STF16042018_FINAL__ELETRNICO.pdf. Acesso em: 23 jul. 2020. CAPEZ, Fernando. Curso de Processo Penal. 25. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2018. LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de processo penal: volume único. 7. ed. rev. ampl. atual. - Salvador: Ed. JusPodivm, 2019. MIRABETTE, Júlio Fabbrini. Código de processo penal interpretado: referências doutrinárias, indicações legais, resenha jurisprudencial. 13. ed. São Paulo: Atlas, 2008. javascript:void(0); MOREIRA, Manoela. Conheça os cargos das Carreiras Jurídicas. CERS, Recife/PE, 23 ago. 2018. Disponível em: https://noticias.cers.com.br/noticia/cargos-carreiras-juridica. Acesso em: 23 jul. 2020. PACELLI, Eugênio. Curso de Processo Penal. 23. ed. São Paulo: Atlas, 2019. SANTTANA, Gustavo. A Separação dos Três Poderes. Disponível em: https://www.politize.com.br/separacao-dos-tres-poderes- executivo-legislativo-e-judiciario/. Acesso em: 23 jul. 2020. Próxima aula Teoria geral das provas; Espécies de provas; A fundamentação do juiz baseando-se nos meios de prova. Explore mais LIRA, Leticia Rodrigues; MELLO, Antônio César. Vitimologia no Direito Penal: importância da vítima no delito. Revista Âmbito Jurídico. 22 jul. 2019. Disponível em: https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-penal/vitimologia-no-direito- penal-importancia-da-vitima-no-delito/. Acesso em: 23 jul. 2020. OLIVEIRA, Elaine Filgueiras. Prova testemunhal de pessoa suspeita. Migalhas, 18 jun. 2019. Disponível em: https://www.migalhas.com.br/depeso/304574/prova-testemunhal-de-pessoa-suspeita. Acesso em: 23 jul. 2020. CAVALCANTI, Dora. HC Coletivo como ferramenta igualitária de acesso à Justiça. Migalhas, 08 abr. 2020. Disponível em: https://www.migalhas.com.br/depeso/324061/hc-coletivo-como-ferramenta-igualitaria-de-acesso-a-justica. Acesso em: 23 jul. 2020. Assista ao seguinte vídeo: SOARES, Melquizedek. AGU Explica - Estrutura do Poder Judiciário. Youtube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Rkk3ZqQPSt4. Acesso em: 23 jul. 2020. javascript:void(0); javascript:void(0); javascript:void(0); javascript:void(0); javascript:void(0); javascript:void(0); javascript:void(0); javascript:void(0); Direito Processual Penal e Org. Judc. e Policial Aula 8: Provas no Processo Penal - Teoria geral e espécies. Atos processuais Apresentação Nesta aula, você estudará as provas em processo penal, sua teoria, princípios, rol e a importância da utilização delas no Direito Processual Penal e nos demais ramos do Direito. Vamos tratar das espécies de provas, tais como interrogatório, acareação, exame de corpo de delito etc., com suas características principais e seus dispositivos legais pertinentes. Estudaremos ainda os atos processuais, a distinção entre eles, citação, intimação e demais atos necessários ao andamento do processo. Objetivos Descrever a teoria geral das provas, os princípios a eles relacionados, bem como a distinção entre prova ilícita e ilegítima; Identi�car as espécies de provas, suas sistemáticas, características e formas de aplicação; Reconhecer os atos processuais, sua importância e �nalidade, bem como distingui-los entre si. Das provas no processo penal - Teoria Geral das Provas Acerca deste conceito, o professor Guilherme de Souza Nucci (2014) aduz que o termo da palavra prova é originário do latim, probatio, que se refere a ensaio, veri�cação, exame, razão, con�rmação, sendo que deste deriva-se o verbo de provar, probare, que signi�ca reconhecer por experiência, aprovar, estar satisfeito com algo. Portanto, prova é a reunião de indícios que possam levar ao conhecimento do juiz acerca de determinado fato e, como rati�ca Aury Lopes Jr. (2019), o processo penal e a prova integram o que se chama de modos de construção do convencimento do julgador, que formará sua convicção e legitimará o poder contido na sentença. Princípios atinentes à prova e Provas ilícitas e ilegítimas Clique no botão acima. Princípios atinentes à prova e Provas ilícitas e ilegítimas Princípios atinentes à prova No processo penal, os princípios são um mecanismo viabilizador da igualdade e da busca pela verdade real. Existem os princípios que são baseados na Constituição Federal e os sistemas de valoração do Direito Processual Penal. São eles: 1) Verdade real - No processo penal, o magistrado deve optar pela versão dos fatos que mais se conforma com aquilo que realmente aconteceu, de sorte que a produção de provas seja dirigida a demonstrar como os fatos realmente aconteceram. É diferente do processo civil, que se guia pelo princípio da verdade formal, como por exemplo presumem-se verdadeiros os fatos se não existir defesa no prazo. No processo penal, não há espaço para tal presunção, porque se busca a verdade real. Contudo, essa busca pela verdade real não ocorre a todo custo, pois deve dar-se em conformidade com a lei, sob pena de a prova ser considerada ilícita ou ilegítima. 2) Comunhão das provas - Uma vez produzida no processo, a prova pode ser utilizada por ambas as partes. Ainda que apresentada por uma das partes, os sujeitos processuais podem fazer uso delas igualmente. 3) Liberdade na produção da prova - Aduz que é admitido às partes produzir provas que não estão, necessariamente, na lei, visto que busca a verdade real. Porém, tal princípio não é absoluto, apesar de ser regra, posto que o juiz estará restrito somente a sua pesquisa acerca da verdadedos fatos. E uma exceção à liberdade na produção da prova é a vedação às provas ilícitas. 4) Livre convencimento motivado - Não há uma hierarquia de provas, ou seja, uma prova não tem mais poder que a outra. Para formar sua convicção sobre os fatos, o juiz pode se basear em quaisquer provas existentes no processo; ele tem o livre convencimento. Contudo, essa liberdade encontra duas restrições: ele precisa justi�car quais provas usou para se convencer e dizer o porquê. E também não pode se basear em provas ilícitas. 5) Contraditório - É o direito de ser informado e de participar no processo. Logo, as provas devem ter a atuação das partes, levando em consideração o contraditório. 6) Nemo tenetur se detegere - Direito de não produzir provas contra si mesmo. Não autoincriminação. Das provas ilícitas e ilegítimas A doutrina diferencia a prova ilícita da ilegítima, ambas sendo espécies do gênero prova ilegal. A prova ilegítima é aquela obtida com violação de regras processuais. Um dos exemplos é a utilização de prova no plenário do júri, sem ter sido juntada aos autos com antecedência mínima de três dias, violando as regras contidas no CPP (Art. 479). Já a prova ilícita é aquela obtida com violação a regras de direito material, contida no Direto Penal e também constitucional. Um exemplo é utilizar-se da tortura para obter a con�ssão do acusado, contrariando direitos constitucionais e a garantia da pessoa, presentes na Constituição da República. No CPP, há indicação de que são inadmissíveis as provas ilícitas e que estas devem ser desentranhadas do processo. Também a Constituição Federal, a respeito do tema, em seu Art. 5.º, inciso LVI, aduz que “são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos”. Entretanto, boa parte da doutrina admite a utilização da prova ilícita se este for o único meio de provar a inocência do réu no processo, pois está privilegiando um bem maior do que o protegido pela norma: a liberdade. Essa interpretação se dá perante a teoria da proporcionalidade, que busca o equilíbrio entre garantias em con�ito por meio da veri�cação de como um deles pode ser limitado no caso concreto, tendo em vista a menor lesividade. Segundo Fernando Capez, é uma excepcionalidade a adoção desse princípio. (CAPEZ, 2015) Existe também a teoria dos frutos da árvore envenenada, entendida como as provas ilícitas por derivação. São aquelas em que, se obtidas de maneira isolada, serão lícitas (válidas), porém, por se originar de uma prova ilícita, contamina-se também de ilicitude, ainda que produzidas legalmente em momento posterior. Com a positivação expressa no Art. 157 do CPP, há o entendimento de que não se trata mais de uma teoria, mas sim de uma norma. O processo será aproveitado se houver outras provas válidas independentes da prova ilícita, ou seja, não demonstrado o nexo de causalidade entre as provas obtidas, bem como demonstrado que elas, inevitavelmente, seriam descobertas de outra maneira, por outro meio válido. Meios de prova e de obtenção de prova Alguns doutrinadores, como Aury Lopes Jr., por exemplo, fazem distinção entre meios de prova e meios de obtenção de prova. (LOPES JR., 2019) Meios de prova são os instrumentos que demonstram um fato (documento, testemunha, perícia). Já meios de obtenção de provas são instrumentos que auxiliam chegar-se à prova. Não é a prova em si, mas meios que facilitam a sua obtenção. Traz como exemplos a delação premiada, buscas e apreensões e interceptações telefônicas. Perícia Meio de prova previsto nos Art. 158 a 184 do CPP, consiste no exame realizado por pro�ssionais com conhecimentos técnicos, tanto na fase de inquérito policial quanto no processo penal, a qualquer dia e horário, observando o prazo de dez dias para a elaboração do laudo (o documento elaborado pelos peritos), a �m de auxiliar o julgador na formação de sua convicção. O juiz não está vinculado ao laudo elaborado pelos peritos, podendo julgar contrariamente às suas conclusões, desde que o faça de forma fundamentada. O CPP institui alguns requisitos para que seja feita a perícia, como ser realizada por um perito o�cial, portador de diploma de curso superior. Entretanto, poderão ser designados dois peritos se a perícia for complexa, abrangendo mais de uma área de conhecimento especializado. Saiba mais Caso não haja perito o�cial, será elaborada a perícia por duas pessoas idôneas, portadoras de diploma de curso superior e, de preferência, com habilitação na área em que for realizado o exame. O Código prevê, também, que as partes podem, durante o curso do processo judicial, requerer a oitiva dos peritos para esclarecer a prova ou para responder a quesitos, desde que o mandado de intimação e os quesitos ou questões a serem esclarecidas sejam encaminhados com antecedência mínima de dez dias. Uma espécie de prova pericial é o exame de corpo de delito, indispensável nas infrações que deixam vestígios, não podendo supri-lo nem mesmo a con�ssão do acusado. Porém, há uma exceção trazida no CPP em que, se não for possível a realização do exame, por terem desaparecido os vestígios do crime, a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta. Pode ser dividido em direto ou indireto .1 2 Testemunhas Prova testemunhal está prevista nos Art. 202 a 225 do CPP. São terceiros à relação processual, que narram fatos de que tenham conhecimento acerca do objeto do processo para auxiliar o convencimento do juiz. Qualquer pessoa poderá ser testemunha, com exceção o cônjuge, o ascendente, o descendente e os a�ns em linha reta do réu, os doentes mentais e as pessoas menores de 14 anos. Neste caso, não há o compromisso de dizer a verdade, porque serão ouvidos como informantes do juízo. Há, de acordo com o CPP, a proibição do depoimento de algumas pessoas, e são essas as que devem guardar sigilo em razão de função, ministério, ofício ou pro�ssão, salvo se, desobrigadas pelo interessado, quiserem dar seu depoimento. Algumas características compõem a prova testemunhal. São elas: A oralidade, em que o depoimento é oral, não pode ser trazido por escrito. A objetividade, pois a testemunha deve responder o que sabe a respeito dos fatos, sendo vedado emitir sua opinião a respeito. Documentos Meio de prova disposto nos Art. 231 a 238 do CPP. De acordo com o CPP, consideram-se documentos quaisquer escritos, instrumentos ou papéis, públicos ou particulares, sendo instrumento o documento constituído especi�camente para servir de prova para o ato ali representado, como por exemplo a procuração. https://stecine.azureedge.net/webaula/estacio/go0254/aula8.html https://stecine.azureedge.net/webaula/estacio/go0254/aula8.html https://stecine.azureedge.net/webaula/estacio/go0254/aula8.html https://stecine.azureedge.net/webaula/estacio/go0254/aula8.html Para PACELLI (2019), documento é qualquer manifestação materializada, por meio de gra�a, de símbolos, de desenhos e que seja uma forma ou expressão de comunicação possível à compreensão de seu conteúdo. Porém, a vedação à apresentação de material jornalístico ou de mídia, no procedimento do Tribunal do Júri, é de grande relevância para o autor, pois não é efetivamente considerado um documento. Interrogatório É o meio de prova previsto no Art. 185 a 196 do CPP e consiste no ato em que o acusado é ouvido sobre a imputação que foi dirigida a ele, levando elemento de convicção ao julgador. Ademais, é considerado também meio de defesa do acusado, pois o interrogatório é o último ato da audiência de instrução, cabendo ao acusado escolher a estratégia de autodefesa que melhor consulte aos seus interesses. (PACELLI, 2019). Na Lei Nº 11.343/06, dos crimes de trá�co ilícito de drogas, prevê-se, contudo, que o interrogatório seria ainda o primeiro ato de inquirição, como exceção à regra do CPP. O STF entendeu, porém, que, mesmo no rito da lei de drogas, o interrogatório deve ser o último ato (Habeas Corpus 162650 SP, Supremo Tribunal Federal – STF, 21 nov. 2019). O acusado deverá ser interrogadosempre na presença de seu defensor. Antes do interrogatório, o juiz deve assegurar o direito de entrevista reservada com seu defensor. Se ele não tiver um, deve ser nomeado um defensor público, ainda que só para acompanhar o ato. Uma grande inovação acerca do tema é que, em caráter excepcional, poderá o juiz, por decisão fundamentada, de ofício ou por requerimento das partes, realizar o interrogatório do réu preso por videoconferência, desde que seja necessário para atender à �nalidade de prevenir risco à segurança pública, quando exista fundada suspeita de que o preso integre organização criminosa ou de que, por outra razão, possa fugir durante o deslocamento; viabilizar a participação do réu no referido ato processual, quando há di�culdade para seu comparecimento em juízo, por enfermidade ou outra circunstância pessoal; impedir a in�uência do réu no depoimento de testemunha ou da vítima, desde que não seja possível colher o depoimento destas por videoconferência. (Art. 185, §2º do CPP). Atenção As partes devem ser intimadas da decisão que determina a realização do ato por videoconferência com antecedência de dez dias. Por tratar-se de meio de defesa, haverá a nulidade absoluta do processo se realizado sem que se dê ao réu a oportunidade de se submeter ao interrogatório. Con�ssão Modalidade de prova, prevista nos Art. 197 a 200 do CPP, em que o réu pode confessar a autoria ou não dos crimes imputados a ele. Pode ser feita dentro ou fora do interrogatório, sendo o juiz obrigado a informar sobre o seu direito a permanecer calado. Vale ressaltar que não existe con�ssão �cta no processo penal, ou seja, mesmo que o acusado não exerça a sua autodefesa, não se presumem verdadeiros os fatos a ele imputados. Dica A con�ssão não é tida como prova de valor absoluto; portanto, deve ser avaliada em conjunto com os demais elementos de prova do processo, veri�cando-se sua compatibilidade ou concordância com eles. Por �m, a con�ssão é também retratável, isto é, o acusado pode voltar atrás/ arrepender-se na sua admissão de culpa, e divisível: dentro do livre convencimento do juiz, ele poderá valer-se apenas de parte da con�ssão. Reconhecimento de pessoas e coisas Segundo Pacelli (2019), trata-se de mero procedimento que tende à identi�cação de pessoas, de alguma maneira envolvidas no delito, e de coisas, cuja prova da existência e individualização seja relevante para a apuração das responsabilidades. O CPP prevê essa modalidade nos Art. 226 a 228 (exemplos: reconhecer o autor de um crime, a arma utilizada etc.). O próprio Código traz o procedimento a ser seguido para o que o reconhecimento se dê de maneira legal. Vale atentar que a Lei Nº 11.719/08, que alterou as regras de procedimento do CPP, dispõe que o reconhecimento de pessoa, tal como outros atos de instrução, é realizado na audiência una de instrução. Saiba mais Uma observação a ser feita é acerca do reconhecimento de pessoas, que deverá ser feito de maneira sigilosa, ou seja, aquele que será reconhecido é impedido de ver aquele que reconhece. Acareação É uma prática processual em que são colocadas duas ou mais pessoas, frente a frente, para esclarecerem divergências relevantes em suas declarações. (MILANEZ, 2016). Esse ato é previsto nos Art. 229 e 230 do CPP. A regra prevê a admissibilidade da acareação tanto no curso do processo como em sede de inquérito policial e pode ser realizada entre acusados, entre testemunhas, entre vítimas e até entre o acusado e as testemunhas, quando se sabe que um não tem qualquer compromisso com a verdade. (PACELLI, 2019) É preciso que as declarações e testemunhos já tenham sido prestadas; caso contrário não haveria a possibilidade de veri�car ponto con�itante entre elas. Busca e apreensão Está prevista no Art. 240 do CPP e é um meio de prova diferente dos demais apresentados. Trata-se de medida de natureza cautelar, para resguardar material probatório, coisa, animais e até pessoas que não estejam ao alcance espontâneo da Justiça. Somente quando estiverem presentes elementos quanto à urgência e à necessidade da medida é que se poderá conceder a busca e apreensão, tanto na fase de investigação como no curso da ação penal. (PACELLI, 2019) A busca pode ser domiciliar, realizada em residência ou qualquer local não aberto ao público ou pessoal. Atenção Para sua realização, em geral, é necessário o mandado, expedido pela autoridade competente, determinado, especi�cando o máximo possível onde será realizado, por ser uma medida que vai de encontro a uma garantia constitucional. Entretanto, há uma divergência na doutrina quanto ao mandado na busca pessoal. Para Pacelli (2019), é possível a realização sem autorização judicial, desde que prevista em lei e estejam presentes razões de natureza cautelar urgentes para determinado ato. Ônus da prova É a faculdade referente ao encargo atribuído às partes para demonstrar a veracidade do fato alegado. Segundo Renato Brasileiro (LIMA, 2015), há duas correntes acerca da distribuição do ônus da prova: - A corrente minoritária aponta que o ônus da prova é exclusivo da acusação; - A corrente majoritária distribui o ônus da prova entre a acusação e a defesa no processo penal. O ônus da prova da acusação dispõe que cabe à acusação provar tanto a existência do fato típico quanto provar a autoria ou participação do agente no fato criminoso. O ônus da prova da defesa dispõe sobre provar os fatos modi�cativos, impeditivos e extintivos do autor, como regra geral do processo. Prova emprestada É um meio de prova que se entende ser aquela obtida a partir de outra, originariamente produzida em processo diverso. (LOPES JR., 2019) Ou seja, é utilizar a prova em um processo distinto daquele em que foi produzida. Para que seja admissível, é preciso que haja as mesmas partes em ambos os processos, o mesmo fato probatório, o respeito à norma que rege a produção probatória e que tenha sido observado também o contraditório. Satisfeitas estas duas condições, terá a prova emprestada o mesmo valor das demais provas realizadas dentro do processo. Ausentes essas condições, deve ser considerada como simples indício. (AVENA, 2014) Comentário Apesar de divergência na doutrina, o Superior Tribunal de Justiça entende que inexiste nulidade processual caso a defesa tenha concordado com a produção da prova emprestada. Dos atos processuais Ato processual é toda conduta dos sujeitos do processo que tenha por efeito a criação, modi�cação ou extinção de situações jurídicas. É praticado por juízes, auxiliares e pelas partes para dar andamento ao processo. Comunicação dos atos processuais Clique no botão acima. Comunicação dos atos processuais Citação (Art. 351 a 369 do CPP) É o ato processual pelo qual se leva ao conhecimento do réu sobre a tramitação de um processo penal e que lhe é imputado um crime e lhe dá um prazo para se manifestar. A citação pode ser: Real ou pessoal – Em regra, é feita por o�cial de justiça na pessoa do acusado, pessoalmente. Efetuada a citação, passa a correr o prazo de dez dias, do cumprimento do mandado ou da juntada aos autos do mandado cumprido, para a apresentação da defesa do acusado; Ficta ou por edital ou presumida - Quando o acusado está em local ignorado (L.I.N.S: local incerto e não sabido), expede-se edital em que se presume a tomada de conhecimento do processo por parte dele. É chamada de �cta, pois é uma �cção, ou seja, presume-se que com a publicação do edital o réu tomou conhecimento do processo; Por hora certa – Quando o réu se oculta para evitar a citação. Efetuada a citação com hora certa, e o acusado não apresenta resposta em dez dias, segue o processo com réu revel. A falta de citação ou feita fora do prazo gera nulidade absoluta. Essa falta ou nulidade da citação estará sanada se o interessado comparecer antes de o ato se consumar. Também vale ressaltar que não se exige a citação para �ns de execução das penas ou medidas de segurança. Intimação (Art. 370 a 372 do CPP)É a ciência que se dá a alguém de um ato já praticado, ou seja, é meramente o canal de aviso ou ciência. Intima-se o réu, pessoalmente ou na pessoa de seu advogado, dependendo do ato. Noti�cação O CPP não traz uma diferença relevante quanto à noti�cação e intimação e muitas vezes usa os dois como sinônimos. Porém, a diferença reside no fato de que a noti�cação é algo futuro e deverá ser feito pela pessoa, enquanto que na intimação já ocorreu o ato (passado), estando a cienti�cá-lo. Cartas (Art. 237 e 260 a 268 do CPP) São expedidas para atos processuais praticados fora dos limites da comarca, da seção ou subseção judiciária, bem como fora do território brasileiro. São algumas espécies de carta: Rogatória – É a carta cuja comunicação se dá entre o judiciário de países diferentes, com o objetivo de realização de atos e diligências processuais no exterior, como por exemplo audição de testemunhas. Semelhante à carta precatória, mas a principal diferença é que, na rogatória, o processo está tramitando em um país, e o ato processual tem que ser cumprido em outro. Precatória – É a carta cuja comunicação se dá entre juízos de comarcas distintas com o objetivo de cumprir um ato processual. Por meio dela, o juiz competente para atuar em um processo solicita ao juiz de outra comarca o cumprimento de algum ato necessário ao andamento do processo, como por exemplo a citação, penhora. Arbitral - É a carta cuja comunicação se dá também entre juízes de comarcas distintas, com o objetivo de cumprir algum ato processual formulado por juízo arbitral. Decisões São atos processuais do juiz que podem decidir ou não o mérito da causa. Apesar de no Processo Penal não haver uma distinção acentuada quanto à decisão, despacho e sentença, como acontece no processo civil, o Código de Processo Penal e a doutrina dividem as decisões em: De�nitivas - Aquelas que põem �m ao mérito do processo; Interlocutórias mistas - São as que põem �m ao processo sem julgar o mérito. Interlocutória simples – Traz a solução de questões incidentes, no decorrer do processo, sem pôr �m a ele. Sentença (Art. 381 do CPP) Também é um ato processual do juiz, sendo essa uma decisão que põe �m ao processo, com ou sem julgamento do mérito. Segundo Nucci (2014), é a decisão terminativa do processo e de�nitiva quanto ao mérito, para julgar procedente ou improcedente a imputação feita ao réu. Podem ser classi�cadas como: Condenatória - Quando reconhece a responsabilidade penal do réu pelo delito atribuído a ele; Absolutória - Quando se exclui a responsabilidade penal do réu pelo fato a ele atribuído, sendo que tal decisão pode ocorrer com base no Art. 386 do CPP; Declaratória - Não há imposição de uma pena ou condenação; somente declara a existência ou inexistência de uma relação jurídica; A sentença ainda deve ter alguns elementos para não ser considerada nula; são eles: Relatório - É um resumo breve da lide do processo; Fundamentação - Representa o desenvolvimento e aspectos jurídicos que o levou à tomada de decisão; Dispositivo – O juiz a�rma se acolhe ou não o pedido pretendido, sendo uma conclusão. Mandado judicial É a ordem escrita contendo a ordem judicial e emitida pela autoridade competente para que se cumpra determinado ato. Tem conteúdo e �nalidade especí�ca, como a citação do réu, intimação de partes, prisão etc. O prazo para o o�cial de justiça cumprir o mandado é a partir do dia útil seguinte à distribuição. Entretanto, em situações excepcionais, este prazo pode ser reduzido, como nas hipóteses de audiências próximas, liminares ou mandados que se re�ram a réus presos. Esse instrumento deve conter alguns requisitos para não gerar nulidade. Por exemplo: o mandado de prisão deve conter o nome da pessoa a ser presa, mencionando a infração penal que motivar a prisão e eventual valor da �ança arbitrada, quando for o caso. Será dirigido a quem tiver qualidade para dar execução, lavrado pelo escrivão e assinado pelo juiz. (NUCCI, 2014) O mandado de citação deve obedecer ao disposto no Art. 357 do CPP, como a leitura do mandado ao citando pelo o�cial, na qual se mencionarão dia e hora da citação e a declaração do o�cial, na certidão, da entrega da contrafé e sua aceitação ou recusa. Atividades 1. (VUNESP - 2014 - TJ SP - Juiz ADAPTADA) Dispõe o Art. 5.º, inc. LVI da Constituição Federal que “são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos”. Trata-se do princípio da vedação das provas ilícitas, invocado no Art. 157 do Código de Processo Penal. Sobre este tema, assinale a opção incorreta: a) A reforma no processo penal advinda pela Lei Nº 11.690/2008 distanciou-se da doutrina e jurisprudência que distinguiam as provas ilícitas das ilegítimas, concebendo como provas ilícitas tanto aquelas que violem disposições materiais como processuais. b) São admissíveis as provas derivadas das ilícitas quando puderem ser obtidas por meio que por si só — seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal — seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova. c) É quase unânime na doutrina e na jurisprudência o entendimento que não admite a utilização no processo penal da prova favorável ao acusado se colhida com infringência a direitos fundamentais seus ou de terceiros. d) São admissíveis as provas derivadas das ilícitas quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras. 2. (Instituto AOCP – 2018 – ITEP/RN – Agente Técnico Forense) Acerca do exame de corpo de delito e perícias em geral, assinale a alternativa correta: a) Os exames de corpo de delito somente poderão ser realizados em dias úteis. b) A confissão do acusado é suficiente para a comprovação das infrações penais que deixam vestígios. c) As perícias em geral serão, em regra, realizadas por peritos oficiais, portadores de diploma de curso superior, não cabendo às partes formular quesitos ou indicar assistente técnico. d) Não sendo possível realizar o exame de corpo de delito, por haver desaparecido os vestígios, tal prova poderá ser suprida pela prova testemunhal. 3 - (TJ/GO 2012 - FCC - Juiz Substituto - adaptada) No tocante aos atos processuais em geral, é incorreto a�rmar: a) Qualquer das partes poderá, no prazo de dois dias, pedir ao juiz que esclareça a sentença, se houver obscuridade. b) No caso de o acusado estar no estrangeiro, em lugar sabido, será citado mediante carta rogatória, suspendendo-se o curso do prazo de prescrição até o seu cumprimento. c) Quando o réu se oculta para não ser citado, ele deverá ser citado por hora certa, de acordo com as normas preconizadas pelo Código de Processo Civil. d) O juiz, ao proferir sentença condenatória, fixará valor máximo para a reparação dos danos causados pela infração, considerados os prejuízos sofridos pelo ofendido. Notas Direto1 Feito no próprio corpo do delito. Indireto 2 Feito por meio de elementos periféricos, ou seja, fora do corpo do delito, como a análise de �cha clínica de paciente que foi atendido em hospital, por exemplo. Referências AVENA, Norberto. Processo Penal Esquematizado. 6. ed. Método, 2014. CAPEZ, Fernando; COLNAGO, Rodrigo. Código de processo penal comentado. 1. ed. Saraiva, 2015. LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de processo penal. 3. ed. Salvador: JusPODIVM, 2015. LOPES JR., Aury. Direito processual penal. 16. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019. MILANEZ, Bruno. O que se entende por acareação no processo penal? JusBrasil, jul. 2016. Disponível em: https://canalcienciascriminais.jusbrasil.com.br/artigos/395518910/o-que-se-entende-por-acareacao-no-processo-penal <https://canalcienciascriminais.jusbrasil.com.br/artigos/395518910/o-que-se-entende-por-acareacao-no-processo-penal> . Acesso em: 28 jul. 2020. NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de Processo e Execução Penal. 11. ed., Rio de Janeiro: Forense, 2014. PACELLI, Eugênio. Curso de Processo Penal. 23. ed. São Paulo: Atlas, 2019. Próxima aula Organização policial, sua estrutura e seus aspectos principais; Osexemplos de aplicação da Polícia no Brasil e a importância do enfrentamento das questões nacionais relacionadas a essa instituição; A atuação da autoridade policial diante do cometimento de um crime e suas principais etapas. Explore mais Leia os seguintes artigos: SILVA. Grazielle Ellen da. Provas no processo penal. DireitoNet, 14 ago. 2018. Disponível em: https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/10779/Provas-no-Processo-Penal <https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/10779/Provas-no-Processo-Penal> . Acesso em: 28 jul. 2020. CAPRIGLIONI, Gustavo. As provas em espécie na esfera penal. JusBrasil, jul. 2017. Disponível em: https://ghcapriglioni.jusbrasil.com.br/artigos/517963163/as-provas-em-especie-na-esfera-penal <https://ghcapriglioni.jusbrasil.com.br/artigos/517963163/as-provas-em-especie-na-esfera-penal> . Acesso em: 28 jul. 2020. TALON, Evinis. O reconhecimento de pessoas. JusBrasil, jul 2017. Disponível em: https://canalcienciascriminais.jusbrasil.com.br/artigos/395518910/o-que-se-entende-por-acareacao-no-processo-penal https://canalcienciascriminais.jusbrasil.com.br/artigos/395518910/o-que-se-entende-por-acareacao-no-processo-penal https://canalcienciascriminais.jusbrasil.com.br/artigos/395518910/o-que-se-entende-por-acareacao-no-processo-penal https://canalcienciascriminais.jusbrasil.com.br/artigos/395518910/o-que-se-entende-por-acareacao-no-processo-penal https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/10779/Provas-no-Processo-Penal https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/10779/Provas-no-Processo-Penal https://ghcapriglioni.jusbrasil.com.br/artigos/517963163/as-provas-em-especie-na-esfera-penal https://ghcapriglioni.jusbrasil.com.br/artigos/517963163/as-provas-em-especie-na-esfera-penal https://ghcapriglioni.jusbrasil.com.br/artigos/517963163/as-provas-em-especie-na-esfera-penal https://ghcapriglioni.jusbrasil.com.br/artigos/517963163/as-provas-em-especie-na-esfera-penal https://evinistalon.jusbrasil.com.br/artigos/492181407/o-reconhecimento-de-pessoas-por-que-as-autoridades-tratam-o-art-226-do-cpp-como-mera-recomendacao https://evinistalon.jusbrasil.com.br/artigos/492181407/o-reconhecimento-de-pessoas-por-que-as-autoridades- tratam-o-art-226-do-cpp-como-mera-recomendacao <https://evinistalon.jusbrasil.com.br/artigos/492181407/o- reconhecimento-de-pessoas-por-que-as-autoridades-tratam-o-art-226-do-cpp-como-mera-recomendacao> . Acesso em: 28 jul. 2020. https://evinistalon.jusbrasil.com.br/artigos/492181407/o-reconhecimento-de-pessoas-por-que-as-autoridades-tratam-o-art-226-do-cpp-como-mera-recomendacao https://evinistalon.jusbrasil.com.br/artigos/492181407/o-reconhecimento-de-pessoas-por-que-as-autoridades-tratam-o-art-226-do-cpp-como-mera-recomendacao https://evinistalon.jusbrasil.com.br/artigos/492181407/o-reconhecimento-de-pessoas-por-que-as-autoridades-tratam-o-art-226-do-cpp-como-mera-recomendacao https://evinistalon.jusbrasil.com.br/artigos/492181407/o-reconhecimento-de-pessoas-por-que-as-autoridades-tratam-o-art-226-do-cpp-como-mera-recomendacao Direito Processual Penal e Org. Judc. e Policial Aula 9: Organização Policial Apresentação Nesta aula, estudaremos a organização policial no Brasil, bem como o papel da Polícia e o da segurança pública na Constituição Federal. Abordaremos os órgãos de segurança pública, sua composição e divisão, a forma de ingresso, como são compostos e sua estrutura organizacional. Também estudaremos as formas de tratamento, como se relacionam com os membros de outros poderes e a estrutura organizacional. Objetivos De�nir o conceito de segurança pública, seu papel na Constituição Federal e seus órgãos principais; Esclarecer a estrutura organizacional do Ministério da Justiça, a importância das polícias administrativa e judiciária; Identi�car os órgãos das polícias administrativa e judiciária, tais como: Polícia Militar, Civil, Federal etc. Segurança Pública na Constituição Federal De acordo com o Art. 144 da Constituição Federal, a segurança pública é um dever do Estado e um direito e responsabilidade de todos, sendo exercida para a preservação da ordem pública, proteção das pessoas e do patrimônio. É preservada através dos órgãos da Polícia Federal, polícias Rodoviária e Ferroviária Federal, Civis, Militares e Corpos de Bombeiros militares e Polícias Penais Federal, Estaduais e Distrital. Conforme argumenta Alexandre de Moraes (2015), os órgãos de defesa da segurança pública, por meio da Constituição Federal (CF) de 1988, tiveram uma dupla �nalidade: Logo, apesar de a lista de órgãos responsáveis ser um rol taxativo, o objetivo do legislador era dividi-los em diversas funções para atender às necessidades populares. Órgãos Responsáveis pela Segurança Pública O primeiro órgão a ser analisado é a Polícia Federal, previsto no §1º do Art. 144 da CF, que é subordinado ao Ministério da Justiça, organizado e mantido pela União. Dedica-se exclusivamente a: Apurar infrações penais que irão contra os interesses da União, bem como infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional; Prevenir e reprimir o trá�co ilícito de drogas a�ns, o contrabando e o descaminho; Exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras; Exercer as funções de polícia judiciária da União. Saiba mais O Decreto nº 73.332/1973 elenca as funções da Polícia Federal (Art. 1º) e de�ne a estrutura da PF. O segundo órgão, previsto no §2º do Art. 144 da CF, é a Polícia Rodoviária Federal, que também é mantido pela União, responsável pelo patrulhamento ostensivo das estradas federais brasileiras, com o objetivo de �scalizar o tráfego nas rodovias e evitar crimes de trânsito. Saiba mais O Decreto nº 1.655/95 de�ne as atribuições da Polícia Rodoviária Federal, e a Lei 9.654/98 cria a carreira de policial rodoviário federal e dá outras providências. O terceiro órgão, conforme §3º do Artigo 144 da CF, é a Polícia Ferroviária Federal, semelhante à rodoviária, porém, no âmbito das ferrovias, compete à Polícia Ferroviária Federal a função de patrulhamento das ferrovias federais na prevenção de acidentes e em toda a malha ferroviária do país. No §4°, tem-se a função da Polícia Civil, dirigida por delegados de polícia, que em síntese faz o papel da polícia judiciária, que é o da investigação de delitos, registrando Boletins de Ocorrência, elaborando o inquérito policial e cumprindo decisões judiciais, como mandados de prisão. O §5º traz a �gura da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. A função da PM é proteger o cidadão, a sociedade e os bens públicos, diminuindo con�itos e garantindo a segurança para a população. O Corpo de Bombeiros tem a função de executar atividades de defesa civil, ou seja, atos realizados após desastres, para que as consequências não sejam tão graves. Recentemente, a EC 104/2019 determinou, no §5º, que cabe às Polícias Penais a vigilância, ordem e segurança dos estabelecimentos penais. Outro órgão responsável pela segurança pública é a Guarda Municipal, prevista no §8º. Tem caráter civil e a função preventiva de proteção de bens, serviços e instalações. A lei prevê que os municípios têm essa competência, ressalvada a competência da União e Estados. Atenção A Polícia Penal é um órgão recentemente inserido no §5º-A do Artigo 144 da CF pela EC 104/2019. Carreiras e remuneração Clique no botão acima. Carreiras e remuneração Ainda sobre o Art. 144 da CF, em seu §9°, trata da remuneração dos servidores policiais, sendo pautada no Art. 39. Esse artigo dispõe que a União, Estados e DF irão instituir, de acordo com a sua competência, um regime jurídico e planos de carreira para servidores da administração pública. A remuneração dos servidores dos órgãos relacionados no artigo 144 será por meio de subsídios. O membro de Poder, os Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais serão remunerados exclusivamente por subsídio �xado em parcela única, sendo vedado o acréscimo de qualquer grati�cação, adicional, abono, prêmio, verba de representaçãoou outra espécie remuneratória. Ministério da Justiça e a Secretaria Nacional de Segurança Pública É importante destacar como se dá a organização da Segurança Pública na federação, principalmente a estrutura do Ministério da Justiça, um órgão do Poder Executivo Federal que garante o Estado Democrático de Direito. Entre suas atribuições, estão: Para que suas atribuições sejam plenamente satisfeitas, foram criadas algumas secretarias, dentre elas a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). A ela compete: Coordenar as Forças de segurança Pública; Assessorar o Ministro de Estado na de�nição, implementação e acompanhamento da Política Nacional de Segurança Pública e dos Programas Federais de Prevenção Social e Controle da Violência e Criminalidade; Planejar e acompanhar a implementação de programas do Governo Federal para a área de segurança pública; Elaborar propostas de legislação e regulamentação em assuntos de segurança pública, referentes aos setores público e privado; Realizar e fomentar estudos e pesquisas voltados para a redução da criminalidade e da violência, dentre outras funções. Fonte: Governo Federal – Ministério da Justiça. Disponível em: https://www.justica.gov.br/Acesso/institucional/imagem/organograma-web.jpg/view <https://www.justica.gov.br/Acesso/institucional/imagem/organograma-web.jpg/view> Apesar de sua importante função, as Secretarias Estaduais de Segurança Pública (Sesp) não são tão conhecidas. Sua estrutura varia de Estado para Estado, assim como o per�l de seus pro�ssionais. Ademais, há diferenças relevantes em relação ao seu status político diante das Polícias Civil e Militar. (TRINDADE, 2015, p. 608) Saiba mais Existem situações em que “as polícias são formalmente subordinadas aos Secretários de Segurança Pública. Em outras situações, os comandantes e chefes de polícia possuem as mesmas prerrogativas dos secretários. Estas diferenças acabam por repercutir na capacidade destas secretarias de elaborar e implantar políticas públicas de segurança”. (TRINDADE, 2015, p. 608) Polícia Judiciária e Polícia Administrativa A polícia brasileira desempenha dois papéis: judiciário e preventivo. A polícia judiciária é encarregada da investigação preliminar, sendo desempenhada nos Estados pela Polícia Civil e, no âmbito federal, pela Polícia Federal. Em regra, a atuação de cada polícia tende a limitar-se ao âmbito de atuação da respectiva Justiça (Federal ou Estadual), mas nada impede que o contrário possa acontecer. (LOPES JR., 2019) A polícia preventiva ou ostensiva, chamada de polícia administrativa, é levada a cabo pelas Polícias Militares dos Estados, que, como regra, não possuem atribuição para realizar a investigação preliminar. O CPP remete à competência para a investigação da existência dos crimes comuns, em geral, a alguns órgãos, qual seja, polícia judiciária. Para Pacelli, (2019) essa autoridade não deveria ser chamada assim, visto que o juiz não investiga nem aproveita o material colhido por ela para o exercício de sua função jurisdicional. A fase de investigação, em regra, é promovida pela polícia judiciária e tem natureza administrativa, sendo realizada antes de a ação penal ser promovida. https://www.justica.gov.br/Acesso/institucional/imagem/organograma-web.jpg/view https://www.justica.gov.br/Acesso/institucional/imagem/organograma-web.jpg/view Saiba mais Então, tem-se a polícia administrativa, cuja natureza é preventiva do ilícito penal e possui uma característica ostensiva, como a Polícia Militar, Federal e o Corpo de Bombeiros Militar. A Polícia Rodoviária Federal é também uma polícia administrativa, ao prevenir acidentes. Já a polícia judiciária atua quando a administrativa não funciona, ou ainda após a sua atuação. A natureza é repressiva, e não preventiva, ocorrendo a sua atuação quando o ilícito penal já ocorreu. Nos Estados e Distrito Federal, corresponde à Polícia Civil, enquanto a Polícia Federal é exclusiva da União. Vale ressaltar que a Polícia Civil é subordinada aos governadores dos Estados e do Distrito Federal, e a Federal, ao Presidente da República, ou seja, ambas ao Poder Executivo. Há ainda uma visão de parte da doutrina em que as polícias investigativa e judiciária não se confundem. Caberia à polícia investigativa reunir elementos de informação a respeito de materialidade ou autoria de crimes, ou seja, apurar. Já à polícia judiciária caberia o auxílio ao Poder Judiciário no cumprimento de ordens e diligências. Órgãos da Polícia Administrativa Clique no botão acima. Órgãos da Polícia Administrativa Polícia Militar (Art. 144, §5º da CF) Essa polícia faz parte da polícia administrativa, tendo caráter preventivo e ostensivo, ou seja, age para coibir atividades ilícitas, impedindo que crimes aconteçam. Ela deve proteger o cidadão, a sociedade e os bens públicos, diminuindo con�itos e garantindo a segurança para a população. A PM tem como objetivo prender o suspeito em �agrante e realizar blitz e revistas, por exemplo. Em regra, exerce atividade administrativa; contudo, exercerá função de polícia judiciária (investigativa) quando se tratar de crimes militares. A Polícia Militar é subordinada ao governo Estadual. Dessa maneira, quem cuida da sua gestão e manutenção é cada unidade federativa, por meio da Secretaria de Segurança Pública. No caso do Distrito Federal, ela é subordinada à União. A organização da Polícia Militar segue um modelo bem semelhante ao do Exército Brasileiro, dividindo-se em soldados, praças e o�ciais. Polícia Rodoviária Federal (Art. 144, §3º da CF) A Polícia Rodoviária Federal - PRF é um órgão do Ministério da Justiça e faz parte do Poder Executivo Federal, e não do Judiciário. Apesar de ser uma polícia ostensiva, não é militarizada, ou seja, não se submete à hierarquia militar. Sua principal atribuição é realizar a �scalização e o policiamento das rodovias federais, assim como manter a segurança dessas vias. Visa a combater ilícitos, como trá�co de drogas, armas e pessoas, contrabando e descaminho, crimes ambientais, roubos e furtos de veículos e cargas. Guarda Municipal (Art. 144, §8º da CF) A partir da leitura constitucional, é possível entender o município como colaborador por meio de políticas públicas voltadas para a segurança, e é nesse contexto que está inserida a Guarda Municipal. Pode ser de�nida como uma instituição pública municipal, hierarquizada, desmilitarizada, armada ou não, de criação constitucionalmente facultativa, por iniciativa exclusiva do Executivo Municipal, ou seja, a lei prevê que os municípios tenham essa competência, ressalvada a competência da União e Estados. (VENTRIS, 2010) Tem poder de polícia administrativa, sendo uma de suas funções agir em situações para o cumprimento das leis municipais, em casos de ameaça à ordem ou à vida e em situações de calamidade pública. A Lei 13.022/2014 institui normas gerais para as guardas municipais e disciplina o § 8º do Art. 144 da CF. Órgãos da Polícia Judiciária Clique nos botões para ver as informações. Em resumo, é encarregada da investigação preliminar de crimes no âmbito estadual, exceto os militares, colhendo depoimentos, responsáveis por realizar as perícias, bem como garantir o cumprimento de mandados judiciais, como busca e apreensão, prisão etc. Essa polícia também tem a função de autorizar a realização de grandes eventos e �scalizar atividades comerciais locais. É comandada pelo delegado geral, que tem a função de supervisionar, coordenar e planejar as atividades policiais e conduzir as investigações, solicitar medidas protetivas ao juiz e administrar as delegacias. Alguns dos requisitos para a investidura no cargo são formação em Direito, ter realizado concurso público e ter vasto conhecimento da área policial e judicial. Polícia Civil (Art. 144, §4º da CF) Encarregada da investigação preliminar no âmbito federal, atendendo aos interesses da União com o objetivo de apurar crimes e infrações penais cometidas contra a União e também suasempresas públicas, repressão ao trá�co de drogas, contrabando e descaminho em nível nacional. Ademais, atua como polícia judiciária da União, ou seja, investiga crimes e colhe provas que serão usadas em processos na Justiça Federal. Cabe ressaltar que a Polícia Federal, segundo o Art. 144, §1º, inciso III da CF, poderá exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras, ou seja, é o agente o�cial nessas atribuições. Seu trabalho tem semelhanças com o da Polícia Civil, porém esta última possui atribuição em crimes locais. É comandada pelo Ministro da Justiça, indicado pelo Presidente da República. Polícia Federal (Art. 144, §1º da CF) Atividades 1. (IDIB - 2018 - Prefeitura de Farroupilha - RS - adaptada) Acerca da segurança pública, assinale a alternativa incorreta: a) A lei disciplinará a organização e o funcionamento dos órgãos responsáveis pela segurança pública, de maneira a garantir a eficiência de suas atividades. b) Os municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à apuração de infrações penais, exceto as militares. c) Aos corpos de bombeiros militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a execução de atividades de defesa civil. d) Às polícias militares cabem o policiamento ostensivo e a preservação da ordem pública. 2 - (Questão CERS – adaptada) Marque a alternativa correta acerca dos órgãos de segurança pública: a) A CF estabeleceu os órgãos destinados ao exercício das funções pertinentes à segurança pública, e um deles é o Ministério Público Federal. b) A polícia administrativa tem na prevenção de infrações penais sua principal atribuição, o que se dá pela atividade de polícia ostensiva e pela investigação criminal. c) A polícia judiciária tem por função principal a repressão de infrações penais por meio da apuração criminal. d) A Polícia Federal figura como um dos órgãos encarregados pela segurança pública, com sua função limitada exclusivamente ao exercício de polícia judiciária. 3 - (IDIB - 2018 - Prefeitura de Farroupilha - RS - Guarda Civil Municipal - adaptada) A segurança pública é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através destes órgãos: 1. Somente Polícias Federal, Rodoviária Federal e Civis. 2. Somente Polícias Federal, Rodoviária Federal, Civis e Guardas Municipais. III. Polícias Federal, Rodoviária Federal, Ferroviária Federal, Civis, Militares, Corpos de Bombeiros militares e polícias penais. Qual a�rmativa corresponde aos itens corretos? a) Apenas I b) Apenas II c) Apenas III d) Apenas I e III Notas Direto1 Feito no próprio corpo do delito. Indireto 2 Feito por meio de elementos periféricos, ou seja, fora do corpo do delito, como a análise de �cha clínica de paciente que foi atendido em hospital, por exemplo. Referências LFG. Entenda o Trabalho da Polícia Federal. Blog Acontece, 11 jul. 2017. Disponível em: https://www.lfg.com.br/conteudos/artigos/geral/entenda-o-trabalho-da-policia-federal <https://www.lfg.com.br/conteudos/artigos/geral/entenda-o-trabalho-da-policia-federal> . Acesso em: 4 ago. 2020. LOPES JR., Aury. Direito processual penal. 16. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019. MONEZI, Giovana; HENRIQUES, Bruna. A Segurança Pública na Constituição. JUS, out. 2016. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/53397/a-seguranca-publica-pelo-ambito-constitucional < https://jus.com.br/artigos/53397/a- seguranca-publica-pelo-ambito-constitucional> . Acesso em: 4 ago. 2020. MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. 31. ed. São Paulo, Atlas, 2015. 958 p. PACELLI, Eugênio. Curso de Processo Penal. 23. ed. São Paulo: Atlas, 2019. TRINDADE, Arthur. Estado, governança e segurança pública no Brasil: uma análise das secretarias de segurança pública. https://www.lfg.com.br/conteudos/artigos/geral/entenda-o-trabalho-da-policia-federal https://www.lfg.com.br/conteudos/artigos/geral/entenda-o-trabalho-da-policia-federal https://jus.com.br/artigos/53397/a-seguranca-publica-pelo-ambito-constitucional https://jus.com.br/artigos/53397/a-seguranca-publica-pelo-ambito-constitucional https://jus.com.br/artigos/53397/a-seguranca-publica-pelo-ambito-constitucional Dilemas: Revista de Estudos de Con�ito e Controle Social, vol. 8, nº 4, out./nov./dez. 2015. VENTRIS, Osmar. Guarda municipal: Poder de polícia e competência. 2. ed. São Paulo: IPECS, 2010. Próxima aula Principais aspectos da polícia e da atividade privada, analisando os seus limites e distinções; Poder de polícia, uso da força e distinções entre elas, atuação conjunta com os demais membros de outros poderes e mecanismos de cooperação internacional; Abuso de poder e distinções de acordo com a lei atual de abuso de autoridade. Explore mais Leia os seguintes artigos: NETO, Francisco. Entenda a diferença entre polícia investiga e polícia judiciária. Ciências Criminais, 22 fev. 2017. Disponível em: https://canalcienciascriminais.com.br/policia-investigativa-policia-judiciaria/. Acesso em: 4 ago. 2020. <https://canalcienciascriminais.com.br/policia-investigativa-policia-judiciaria/.%20Acesso em: 4 ago. 2020.> MONEZI, Giovana; HENRIQUES, Bruna. A Segurança Pública na Constituição. JUS, out. 2016. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/53397/a-seguranca-publica-pelo-ambito-constitucional. Acesso em: 4 ago. 2020. <%20https://jus.com.br/artigos/53397/a-seguranca-publica-pelo-ambito-constitucional. Acesso em: 4 ago. 2020.> https://canalcienciascriminais.com.br/policia-investigativa-policia-judiciaria/.%20Acesso%20em:%204%20ago.%202020. https://canalcienciascriminais.com.br/policia-investigativa-policia-judiciaria/.%20Acesso%20em:%204%20ago.%202020. https://canalcienciascriminais.com.br/policia-investigativa-policia-judiciaria/.%20Acesso%20em:%204%20ago.%202020. https://stecine.azureedge.net/webaula/estacio/go0254/%20https://jus.com.br/artigos/53397/a-seguranca-publica-pelo-ambito-constitucional.%20Acesso%20em:%204%20ago.%202020. https://stecine.azureedge.net/webaula/estacio/go0254/%20https://jus.com.br/artigos/53397/a-seguranca-publica-pelo-ambito-constitucional.%20Acesso%20em:%204%20ago.%202020. https://stecine.azureedge.net/webaula/estacio/go0254/%20https://jus.com.br/artigos/53397/a-seguranca-publica-pelo-ambito-constitucional.%20Acesso%20em:%204%20ago.%202020. https://stecine.azureedge.net/webaula/estacio/go0254/%20https://jus.com.br/artigos/53397/a-seguranca-publica-pelo-ambito-constitucional.%20Acesso%20em:%204%20ago.%202020. https://stecine.azureedge.net/webaula/estacio/go0254/%20https://jus.com.br/artigos/53397/a-seguranca-publica-pelo-ambito-constitucional.%20Acesso%20em:%204%20ago.%202020. https://stecine.azureedge.net/webaula/estacio/go0254/%20https://jus.com.br/artigos/53397/a-seguranca-publica-pelo-ambito-constitucional.%20Acesso%20em:%204%20ago.%202020. Direito Processual Penal e Org. Judc. e Policial Aula 10: Atividade de Polícia e Atividade de Segurança Privada Apresentação Nesta nossa última aula, você estudará a atividade da polícia no Brasil, seus desdobramentos e consequências. Também vai estudar as atribuições do poder de polícia, suas atividades e consequências, além da estrutura da sua divisão e a interação com o Poder Judiciário. Ainda terá oportunidade de observar quais são os efeitos do abuso desse poder e conhecer a nova Lei de Abuso de Autoridade. Bons estudos! Objetivos Descrever o papel da Polícia, suas atribuições, �nalidades e limites; Identi�car os riscos da atividade policial e a importância das polícias administrativa e judiciária; Reconhecer as alterações na Lei de Abuso de Autoridade (13.689/2019), no tocante ao poder de polícia e suas consequências. Poder de Polícia O poder de polícia encontra o seu conceito legal no Código Tributário Nacional, especi�camente no Art. 78, que dispõe ser esse poder uma atividade da administração pública que regula a prática de ato, em razão de interesse público relativo a segurança, ordem, costumes etc. Art. 78 do CTN: Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que,limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos.” - CTN O artigo de�ne o poder de polícia como atividade da administração pública, no seu parágrafo único. Considera-se regular o exercício do poder de polícia, quando desempenhado pelo órgão competente nos limites da lei aplicável, com observância do processo legal. Saiba mais É importante esclarecer que o poder de polícia é diferente de poder da polícia. O primeiro é atribuição da administração pública quando atua na �scalização, limitação de direitos do particular, incide sobre bens e pode ser executado por vários órgãos da administração direta ou indireta. Há entendimentos de que esse poder só pode ser desenvolvido por uma pessoa jurídica de direito público. Clique nos botões para ver as informações. Os atributos do poder de polícia administrativa, quanto ao seu exercício, são: a discricionariedade, a autoexecutoriedade e a coercibilidade . Porém, tais atributos não estão sempre presentes na atuação do poder de polícia, como a discricionariedade, por exemplo. A discricionariedade do exercício do poder de polícia remete à liberalidade do administrador em decidir sobre a conveniência e oportunidade de agir, ou seja, de decidir acerca das circunstâncias do uso de tal prerrogativa. Atributos do Poder de Polícia 1 2 A �nalidade da intervenção através do poder de polícia é a proteção dos interesses coletivos, o que remete ao próprio fundamento desse poder, ou seja, se o interesse público é o fundamento inspirador dessa atuação do Estado, há de constituir alvo dela a proteção do mesmo interesse. Desse modo, a intervenção do Estado no conteúdo dos direitos individuais somente se justi�ca pela �nalidade que deve sempre nortear a ação dos administradores públicos, que é o interesse da coletividade. Finalidades do Poder de Polícia https://stecine.azureedge.net/webaula/estacio/go0254/aula10.html https://stecine.azureedge.net/webaula/estacio/go0254/aula10.html https://stecine.azureedge.net/webaula/estacio/go0254/aula10.html https://stecine.azureedge.net/webaula/estacio/go0254/aula10.html A intervenção do Estado nos direitos individuais somente se justi�ca ante a �nalidade que deve sempre nortear a ação dos administradores públicos, qual seja, o interesse da coletividade. O interesse social em conjunto com os direitos fundamentais do indivíduo, assegurados na Constituição da República em seu Art. 5º, é o que demarca os limites do poder de polícia. (MEIRELLES, 2012) Limites do Poder de Polícia Autoexecutoriedade1 A autoexecutoriedade é entendida como a dispensa de um mandado judicial para pôr em prática as restrições trazidas ao indivíduo pelo poder de polícia, ou seja, é poder, por si só, pôr em execução suas decisões. Caso fosse necessário o aval do poder judiciário prévio, descaracterizaria a própria �nalidade do exercício do poder de polícia, que é de mais imediatidade. Coercibilidade2 A coercibilidade é demonstrada por uma força do Estado potencial por trás dos atos do administrador, traduzida em obrigatoriedade e possibilidade do uso da força nos casos em que não haja aceitação do indivíduo. Entretanto, é uma potencialidade limitada, devendo ser utilizada somente nos casos necessários e dentro das limitações estatais. Por essa razão, mesmo que o ato de polícia seja discricionário e extenso, ele esbarra em algumas limitações impostas pela lei quanto à competência e à forma, aos motivos ou ao objeto. Isto equivale a dizer que o poder de polícia não deve ir além do necessário para a satisfação do interesse público. Logo, o limite da discricionariedade do poder de polícia é agir dentro dos limites da lei, respeitando os direitos individuais e coletivos. Poderes administrativos – poder de polícia. (MONJARDIM, 2015) Uso da Força na Atividade de Polícia O poder de polícia coloca em confronto dois aspectos: de um lado, o cidadão, que quer exercer plenamente seus direitos; de outro, a administração tem como missão condicionar o exercício daqueles direitos ao bem-estar coletivo e o faz usando seu poder de polícia. (PATAKI, 2016) O uso da força no poder de polícia é uma prerrogativa de quem ocupa cargo público, de acordo com a lei, a moral, a �nalidade e o interesse público. Esse uso deve, claro, ser moderado, proporcional e necessário à coerção do particular a �m de sanar a situação que ocorre. Abuso do Poder de Polícia O abuso de poder ocorre quando a autoridade, que é competente para praticar o ato de coerção, ultrapassa os limites de suas atribuições ou se desvia das �nalidades administrativas que lhes são conferidas. É um ato ilícito e se apresenta ostensivo como a truculência e, por vezes, encoberto na aparência dos atos legais. Em qualquer um desses aspectos, o abuso de poder é sempre uma ilegalidade que anula o ato que o contém. Desse modo, a atuação de polícia praticada além dos limites que a lei impõe caracterizará o abuso de poder, ensejando que haja um controle da administração pública, inclusive por meio do emprego de remédios judiciais previstos na Constituição Federal (como mandado de segurança e habeas corpus). Atenção O uso do poder é lícito, e o abuso é sempre ilícito. É por meio desse entendimento que todo ato abusivo é nulo, por excesso ou desvio de poder. (MEIRELLES, 2012) O abuso de poder pode se manifestar de duas maneiras: 1 Excesso de poder Caso em que o agente público atua além de sua competência legal. 2 Desvio de poder (ou �nalidade) Em que o agente público atua contrariamente ao interesse público, desviando-se da �nalidade pública. Nova Lei de Abuso de Autoridade e Aplicabilidade (Nº 13.869/19) Clique no botão acima. O Direito brasileiro já contava com uma Lei (4.898/1965) que foi expressamente revogada. Essa lei visava exclusivamente a penalização em três searas — civil, administrativa e criminal — de condutas consideradas abusivas por parte de autoridades. Agora, com a nova redação, abrange servidores públicos e autoridades, tanto civis quanto militares, dos três Poderes — membros do Legislativo, do Judiciário e do Executivo —, bem como membros de tribunais ou conselhos. A nova lei entrou em vigor em janeiro de 2020 e trouxe mudanças e novas tipi�cações penais, tanto no assunto abordado pela própria norma quanto em outras leis esparsas vigentes. Algumas práticas, que antes eram tidas como comuns, passam a ser punidas como crimes, dentre elas: Constranger preso com violência ou ameaça; Interceptação de comunicações telefônicas ou quebrar segredo de Justiça, sem autorização judicial; Prestar informação falsa, entre outras. Na antiga lei (4.898/1965), as condutas passíveis de enquadramento como abusivas, tanto comissivas quando omissivas, estavam nos Art. 3º e 4º e eram muito abrangentes, com tipos penais mais amplos. Na nova lei (13.869/19), tem-se atos suscetíveis de con�gurar abuso de autoridade, na esfera penal, aqueles previstos nos Art. 9º a 38, descritos de forma mais detalhada e especí�ca. Um exemplo dessa diferença atenuante entre uma lei e outra está no crime de invasão de domicílio. A lei anterior caracterizava o crime como qualquer atentado contra a inviolabilidade do domicílio, observando entendimentos jurisprudenciais acerca de como se caracterizava. Já a nova lei especi�ca a forma como se dá a invasão, fazendo uso de verbos como invadir e adentrar, junto a adjetivos que trazem caráter objetivo à con�guração do crime, retirando a interpretação da esfera do Judiciário. Para alguns juristas, a lei atende aos interesses da sociedade, ao clamor público diante das ações da Operação Lava Jato e conteria vícios. Para outros, a lei é normal, semqualquer vício de inconstitucionalidade. a) Riscos da utilização no dia a dia da função policial Há uma grande crítica acerca da Lei 13.869/19, feita principalmente por policiais e representantes do Ministério Público. Na visão desses órgãos, a nova norma criminaliza boa parte da atuação cotidiana da polícia, como forma de retaliação política pela prisão de parlamentares na Operação Lava Jato. Em tese, a lei di�culta o trabalho da persecução penal para investigar, processar e punir os agentes públicos, pois há certa limitação à discricionariedade do exercício do poder de polícia, visto que esse poder remete à liberalidade do administrador em decidir sobre a conveniência e oportunidade de agir, sem comunicação prévia de alguns atos. Com o advento da nova lei, a comunicação de alguns atos é essencial para que ele não se torne nulo e, eventualmente, criminoso. Outra crítica é o acréscimo do Art. 16 da lei, que penaliza o agente público que deixa de se identi�car no momento da prisão. No caso dos policiais militares, o uso do fardamento supriria esta identi�cação. Na entrega do recibo de preso, o detento terá a quali�cação do policial que o prendeu. Anteriormente, a lei revogada não trazia dispositivo equivalente. b) Aplicação da Lei Nº 13.869/19 No país, as forças de segurança pública estão procurando se ajustar à lei. Vários estados iniciaram um ciclo de palestras para capacitar os policiais sobre as implicações da Lei de Abuso de Autoridade. Algumas secretarias de Segurança Pública determinaram que as polícias Militar e Civil deixem de apresentar presos e de divulgar seus nomes e fotos. Outras estão providenciando cartilhas para orientar policiais militares e civis. De acordo com a nova lei, as condutas nela descritas só serão consideradas criminosas quando praticadas pelo agente público com a �nalidade especí�ca, que seria “o propósito que se deseja alcançar a partir da sua ação ou atitude’’. (ALMEIDA JR., 2020) Então, além do dolo, é preciso encontrar a real intenção. O agente deve ter a “�nalidade especí�ca de prejudicar outrem ou bene�ciar a si mesmo ou a terceiro”. (Art. 1º da Lei 13.869/19) Assim, para que se con�gure, o MP tem que demonstrar expressamente qual foi o dano ou prejuízo causado, como também o benefício ou favorecimento pessoal que o agente experimentou com a conduta. É interessante também mencionar o Art. 1º, §2º da Lei. Havendo divergência na interpretação da lei ou na avaliação de fatos e provas, não se con�gura abuso de autoridade. Segundo o Art. 2º, o sujeito ativo do crime pode ser qualquer agente público, servidor ou não, da administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de Território, compreendendo, mas não se limitando, a: Servidores públicos e militares ou pessoas a eles equiparadas; Membros do Poder Legislativo; Membros do Poder Executivo; Membros do Poder Judiciário; Membros do Ministério Público; Membros dos tribunais ou conselhos de contas. A ação penal dos crimes de abuso de autoridade é pública incondicionada. As mudanças na lei estão impactando diretamente as atividades policiais. Dentre elas, é a de decretar a condução coercitiva notoriamente descabida, seja ela testemunha ou investigada, ou sem prévia intimação de comparecimento. Outras medidas também �cam proibidas. Dentre elas, a divulgação de imagens de presos, como diz o Art. 13. Outro ponto, no que concerne ao ingresso em residência, diante da limitação constitucional que assegura o direito fundamental da inviolabilidade de domicílio, como previsto constitucionalmente, é que a lei trouxe restrições quanto ao seu ingresso e preceitua isso no Art. 22. Do mesmo modo, incorre na mesma pena a conduta de coagir alguém por meio de violência ou grave ameaça para liberar o seu acesso ao imóvel ou suas dependências. Nestes termos, o dispositivo legal do Art. 16 da Lei de Abuso de Autoridade prevê pena de até dois anos para o agente que não se identi�car ou se identi�car falsamente em abordagens ou operações policiais, ou quando da prisão ou detenção de pessoas. Como direito do advogado, agora constitui crime de abuso de autoridade negar acesso aos autos ao defensor, sendo o trabalho do advogado considerado essencial à administração da justiça. c) Desdobramentos da nova lei Além dos efeitos penais, a nova lei de abuso de autoridade especi�ca os efeitos extrapenais pelo crime de abuso de autoridade. Agora prevê o dever de indenizar pelo dano causado pelo crime. O juiz deverá, a requerimento do ofendido, �xar na sentença o valor mínimo para a reparação dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido. Prevê, ainda, a inabilitação para o exercício de cargo, mandato e função pública e sua consequente perda quando houver a ocorrência de reincidência no crime de abuso de autoridade, porém não são automáticos, devendo ser declarados motivadamente na sentença pelo juiz. Na verdade, alguns pontos têm vícios, mas há de se ver também que surgiram grandes inovações para um país que se intitula democrático de direito. Portanto, não poderiam ser contrárias às ideias defendidas na Constituição Federal, mesmo que algumas medidas desagradem aos detentores do poder. (ALMEIDA JR., 2020) Sendo assim, com a nova lei, as atividades policiais passaram a incrementar novas medidas, com o objetivo de se resguardarem para que seus atos não sejam enquadrados na nova lei e não sofram eventuais punições. As consequências da nova lei são uma forte intimidação aos que atuam na persecução penal, prejudicando as investigações, como na hipótese da divulgação de nome e imagem, que era de total importância para a elucidação de crimes e agora está proibida, assim como outros dispositivos que, querendo ou não, criam uma proteção às condutas criminosas, aterrorizando a polícia. Alguns pontos na lei já eram tratados como crime, mas veri�cou-se necessário englobar na nova lei esses elementos, para que dessem a impressão de que a legislação é garantista e encoberta os tópicos maliciosos que amedrontam os que atuam no processo criminal. Atividade de Polícia e Aplicabilidade na Segurança Privada A segurança privada é formada por atividades que têm o objetivo de proteger, de forma preventiva, empresas, estabelecimentos e pessoas em uma determinada área. Essa segurança é regulamentada pela Polícia Federal, que a �scaliza, para garantir um trabalho de qualidade e em comunhão com a segurança pública. No Código Tributário Nacional, há o conceito do poder de polícia, sendo este administrado por órgãos da administração pública. Porém, há concessionárias do serviço público, ou seja, órgãos que têm autorização do Estado, como por exemplo o cartório, para chancelas desse poder, apesar de serem de esferas privadas. Deste modo, há entendimentos doutrinários no sentido de ser possível que o poder polícia seja concedido a instituições privadas. A segurança privada é diferente da pública, porém, em determinado momento, no Brasil, aquela se aproximou muito desta, quando foi regulada pelo Decreto-Lei 1.034/69. Nesse contexto, não existia proibição legal de policiais exercerem atividades de vigilância, �cando livres para atuarem na vigilância de instituições �nanceiras, tendo as mesmas prerrogativas que os policiais. Assim, podiam realizar revistas pessoais e tantas outras características relacionadas ao poder de polícia da administração pública. Entretanto, uma lei federal revogou o decreto, estabelecendo critérios claros sobre a segurança privada. Atividade 1 - De acordo com a Constituição Federal, a segurança pública é dever do Estado, por meio dos seguintes órgãos: a) Polícia Federal, que tem como uma das funções prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência. b) Polícia Ferroviária Federal, que tem como uma das funçõeso patrulhamento ostensivo das rodovias federais. c) Polícias Civis, que são dirigidas por delegados de polícia de carreira e têm como uma das funções a preservação da ordem pública. d) Polícias Civis, que, dentre outras características, executam atividades de defesa civil. e) Às polícias militares cabem o policiamento ostensivo e a preservação da ordem pública. 2 - No que tange às polícias administrativa e judiciária, marque a alternativa correta: a) São consideradas polícias repressivas. b) A polícia administrativa é considerada uma polícia preventiva, e a judiciária, repressiva. c) A polícia judiciária é considerada preventiva. d) A polícia judiciária tem como principal função evitar que ocorram atos lesivos aos bens coletivos. 3 De acordo com a Lei 13.869/2019, que de�ne os crimes de abuso de autoridade cometidos por agente público (servidor ou não) no exercício de suas funções (ou a pretexto de exercê-las), é correto a�rmar que: a) Não é efeito da condenação a perda do cargo. Somente a perda do mandato ou da função pública. b) Entre as penas restritivas de direitos substitutivas das privativas de liberdade previstas na Lei 13.869/2019, está a suspensão do exercício do cargo, da função ou do mandato, pelo prazo de dois a oito meses, com a perda dos vencimentos e das vantagens. c) É sujeito ativo do crime de abuso de autoridade qualquer agente público, servidor ou não, da administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de Território. d) Reputa-se agente público, para os efeitos desta lei, todo aquele que exerce, de maneira remunerada, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função em órgão ou entidade abrangidos pelo caput deste artigo. Notas Referências ALMEIDA JR., Mauro da Silva. A nova lei de abuso de autoridade frente à atividade policial. Conteúdo Jurídico, 9 jun. 2020. Disponível em: https://conteudojuridico.com.br/consulta/artigo/54672/a-nova-lei-de-abuso-de-autoridade-frente-a-atividade- policial. Acesso em: 5 ago. 2020. CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 16. ed. Rio de Janeiro: Lúmen Júris, 2006. LACERDA, Rodrigo. Poder de Polícia X Poder da Polícia: você sabe qual a diferença? Polícia Civil Estado de Goiás, 6 nov. 2017. Disponível em: https://www.policiacivil.go.gov.br/artigos/poder-de-policia-x-poder-da-policia-voce-sabe-qual-a-diferenca.html. Acesso em: 5 ago. 2020. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo brasileiro. 39. ed. São Paulo: Malheiros, 2012. MONJARDIM, Rosane. Da administração pública e do poder de polícia. JusBrasil, jul. 2015. Disponível em: https://rmonjardim.jusbrasil.com.br/artigos/189932643/da-administracao-publica-e-do-poder-de-policia. Acesso em: 5 ago. 2020. PATAKI, Arion A. Poder de polícia. Revista Âmbito Jurídico, 1 dez. 2016. 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