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CENTRO UNIVERSITÁRIO FIBRA
CURSO DE SERVIÇO SOCIAL 
ARIADNE NAZARÉ SILVA
LUCIANE DO ROSÁRIO FERREIRA DE MENDONÇA
MAYSA MARIANA VALENTE LOPES
RESENHA: USO, MAU USO E ABUSO DOS INDICADORES SOCIAIS
BELÉM – PA
2023
CENTRO UNIVERSITÁRIO FIBRA 
CURSO DE SERVIÇO SOCIAL 
 
RESENHA: USO, MAU USO E ABUSO DOS INDICADORES SOCIAIS
Atividade acadêmica realizada no Curso de Serviço Social do Centro Universitário Fibra, na Disciplina de Elaboração e Gestão de Projetos Sociais.
Professor: Renato Soares de Aquino.
BELÉM – PA
2023
Resenha: 
JANNUZZI, P. de M. Considerações sobre o uso, mau uso e abuso dos indicadores sociais na formulação e avaliação de políticas públicas municipais. Revista de Administração Pública, Rio de Janeiro, v. 36, n. 1, p. 51-72, 2002. Disponível em: https://periodicos.fgv.br/rap/article/view/6427. Acesso em: 10 nov. 2023. 
O artigo em questão, de autoria do Professor Paulo de Martino Jannuzzi, aborda a crescente demanda por informações sociais e demográficas para a formulação de políticas públicas municipais no contexto da descentralização administrativa e tributária no Brasil. Destaca-se a intensificação das solicitações de indicadores sociodemográficos por parte de municípios de médio e grande porte, visando subsidiar o desenvolvimento urbano, avaliar impactos ambientais, justificar repasses de verbas federais e atender a necessidades específicas da população.
No que diz respeito à metodologia, o artigo busca questionar práticas de mitificação e uso inadequado dos indicadores sociais. Propõe, assim, elementos conceituais e subsídios para a definição de um marco metodológico mais abrangente e apropriado, visando aprimorar a utilização desses indicadores na formulação e avaliação de políticas públicas municipais.
Os principais pontos suscitados no texto abordam a falta de aprofundamento analítico no uso efetivo dos indicadores sociais, questionando práticas comuns de mitificação e uso inadequado. Além disso, destaca-se a necessidade de um enfoque mais crítico na aplicação desses indicadores, buscando um equilíbrio entre a crescente demanda por informações e a capacidade analítica efetiva no processo de formulação e avaliação de políticas públicas municipais.
Em síntese, o artigo propõe uma reflexão crítica sobre o emprego de indicadores sociais nas atividades relacionadas ao planejamento público municipal, ressaltando a importância de uma abordagem mais analítica e apropriada para otimizar a eficácia desses indicadores no contexto das políticas sociais.
Na primeira parte, o texto explora a relação entre o desenvolvimento dos indicadores sociais e a evolução do planejamento governamental ao longo do século XX. Inicialmente, destaca-se o surgimento desses indicadores na década de 1960, em resposta ao descompasso observado entre o crescimento econômico e a melhoria das condições sociais, especialmente nos países do Terceiro Mundo. O esforço conceitual e metodológico nesse período, apoiado por instituições multilaterais, visava criar instrumentos para mensurar o bem-estar social e a mudança social de maneira mais abrangente.
Entretanto, o otimismo inicial em relação às capacidades do planejamento governamental gerou expectativas além do alcançável, especialmente diante das crises fiscais dos Estados a partir dos anos 1970. O ceticismo resultante em relação ao planejamento tecnocrático afetou a confiança na utilidade dos indicadores sociais. O descrédito foi temporário, pois, na década de 1980, com aprimoramentos nas experiências de planejamento local e participativo, a pertinência instrumental dos indicadores sociais foi restaurada. Diversas entidades, incluindo universidades, sindicatos e centros de pesquisa, passaram a desenvolver esforços para aprimorar conceitual e metodologicamente instrumentos específicos de quantificação e qualificação das condições de vida e pobreza, originando sistemas de indicadores sociais.
Já na segunda parte, o artigo enfatiza que um indicador social, em sua essência, é uma medida quantitativa utilizada para substituir, quantificar ou operacionalizar um conceito social abstrato, seja para pesquisa acadêmica ou formulação de políticas. Ele destaca a importância dos indicadores sociais no suporte ao planejamento público e na monitorização das condições de vida. No entanto, alerta para uma prática corrente de substituir o conceito pelo indicador, especialmente em conceitos abstratos complexos, o que pode resultar em uma simplificação inadequada e na perda de nuances na avaliação de condições de vida ou desenvolvimento humano. O texto destaca a necessidade de os indicadores estarem referidos a um modelo teórico ou de intervenção social mais amplo para garantir consistência e evitar distorções.
Por fim, o texto destaca críticas ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), ressaltando sua falta de especificidade para retratar avanços e retrocessos de políticas sociais específicas. Apesar de reconhecer sua utilidade como medida-síntese de bem-estar, aponta limitações metodológicas e a mitificação das técnicas quantitativas. O autor enfatiza que a disponibilidade de indicadores sociais não deve ser superestimada, pois o processo de planejamento é complexo, influenciado por limitações nos diagnósticos, defasagens na implementação e resistências políticas, destacando a importância da participação e controle social.
Portanto, o mau uso dos indicadores sociais compromete a eficácia das análises e políticas públicas. Quando utilizados de maneira inadequada, esses indicadores podem distorcer a realidade social. Um exemplo dessa distorção seria avaliar o desenvolvimento educacional de uma região apenas com base na taxa de aprovação escolar, sem considerar a qualidade da educação e seus fatores. Isso poderia levar a conclusões equivocadas sobre o progresso educacional, pois a simples aprovação não reflete necessariamente o aprendizado efetivo dos estudantes.
Sendo assim o artigo conclui chamando a atenção para a necessidade de uma reflexão metodológica mais profunda e transparente no processo de planejamento público.

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