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Correntes do Pensamentos Geográficos
Determinismo geográfico
O determinismo na geografia surgiu primeiramente no século XIX, na Alemanha, com Friedrich Ratzel. O estudioso acreditava que o meio seria o determinante na vida do ser humano – em outras palavras, o ser humano reflete apenas o espaço e as características naturais e fisiográficas do local onde vive.
Na visão do determinismo, o homem é um produto do meio – o que hoje seria visto como uma visão preconcebida da sociedade. O determinismo surgiu numa época em que o imperialismo tomava o mundo. As potências europeias, por sinal, encontraram nele uma “explicação” adicional para validar os seus direitos de submissão e conquista de nações ao redor do mundo.
Segundo a interpretação imperialista, o determinismo ambiental fazia com que as nações em colônias africanas, asiáticas e americanas produzissem um povo indolente e atrasado tecnologicamente. Assim sendo, a conquista e controle pelas metrópoles seria uma verdadeira “dádiva” para esses povos.
Entre as principais ideias dessa corrente está a teoria do espaço vital, em que o espaço é determinante e características físicas como relevo, clima, vegetação e hidrografia são decisivas na formação da sociedade. Ainda que tenha mais de dois séculos, a corrente determinista ainda é em muito utilizada pelo senso comum, para generalizar aspectos regionais e locais de desenvolvimento.
O determinismo influenciou no que podemos chamar de expansionismo, além de fomentar o imperialismo. Segundo a corrente, a riqueza está no espaço geográfico – o que vai ao encontro da ideia de que para expandir recursos é preciso conquistar novos territórios.
Possibilismo geográfico
O possibilismo nasceu na França, no final do século XIX e início do século XX, com o pensador Paul Vidal de La Blache. Para ele, o homem (sociedade) consegue adaptar o meio pela técnica, pelo trabalho. O termo possibilismo foi cunhado pelo historiado Lucien Febvre – como forma de confrontar as ideias do determinismo.
La Blache dedicou-se à ideia de gênero de vida, com base na relação entre sociedade e espaço. O homem não era mais um produto do meio – ao contrário – era o agente capaz de modificar o meio através das técnicas, das revoluções tecnológicas e da sua própria ocupação e estilo de vida. Ou seja, o ser humano consegue transformar o espaço, adaptando o relevo, superando o clima, modificando o curso dos rios, construindo hidrelétricas, transformando zonas desérticas em áreas férteis.
Método regional
Corrente que enfatiza a aplicação do princípio da analogia, isto é, da comparação entre duas situações, locais ou circunstâncias.
Também conhecida por geografia regional, essa corrente busca a separação e segregação de características conforme áreas específicas, ou regiões. Por essa razão, por exemplo, o Brasil é dividido em regiões, além da divisão política por estados. Cada região compartilha de características climáticas, de flora e fauna, de relevo e até sociais que a distingue das demais. Assim, para entender melhor o espaço e as interações sociais dentro dele, a comparação e a diferenciação de áreas são elementos fundamentais.
Essa corrente ganhou maior notoriedade na década de 1940, com Richard Hartshorne e Alfred Hettner, que defenderam a importância de criar referenciais de análise por meio da comparação dos lugares – a comparação se dá por fatores ambientais e humanos, englobando aspectos defendidos pelo determinismo e pelo possibilismo ao mesmo tempo. Apesar de recente em sua profundidade, a divisão geográfica por regiões era já comum no século XIX e era defendida muito antes por pensadores, filósofos e estudiosos, tais como Immanuel Kant, no século XVIII, e Karl Ritter, no século XIX.
Geografia teorética ou quantitativa (Nova Geografia)
Essa teoria considera os números como fundamentais para explicar a sociedade e a natureza. Defende o uso de métodos matemáticos e estatísticos de quantificação dos fenômenos naturais e sociais para seu melhor entendimento.
Como exemplo claro de utilização dessa abordagem, grande parte dos estudos, dados e pareceres desenvolvidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), empregam análises quantitativas – entre elas o Censo.
Essa abordagem também ficou conhecida como Nova Geografia quando surgiu, após a Segunda Guerra Mundial, na década de 1950. Com dados e números, governos podiam criar e desenvolver indicadores socioeconômicos, bem como de institutos de análise baseados em recenseamentos para entender melhor a sociedade – entre eles o IBGE.
Geografia crítica
A corrente começou a se consolidar como escola de pensamento a partir da década de 1970, inicialmente na França, com o advento da obra “Geografia: isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra”, de Yves Lacoste. A postura de contracultura dessa abordagem garantiu o seu sucesso nos anos 1970 e 1980.
No Brasil, a geografia crítica foi defendida por Milton Santos, expoente da geografia brasileira, que acreditava no papel de denúncia, crítica e transformação social dos estudos geográficos.
Também conhecida como Geografia marxista (ainda que não possua qualquer influência direta do filósofo alemão), enxerga a sociedade procurando identificar seus problemas, suas contradições.
Essa nova corrente foi em muito influenciada por movimentos de rompimento com a academia e o establishment – protestos “hippies” e contra a Guerra do Vietnã, o movimento feminista, correntes anarquistas durante a Guerra Fria, assim como críticas intelectuais ao regime militar no Brasil.
Fenomenologia ou Geografia humanística
A corrente tem como fundamentos os trabalhos realizados por Yi-Fu Tuan, Anne Buttimer, Edward Relph e Mercer e Powell. A fenomenologia é uma corrente empregada em diversas áreas das ciências humanas – trata-se do estudo da consciência, uma metodologia filosófica que ganhou espaço em diversas ciências.
São claras as influências de Hegel e do filósofo Edmund Husserl (1859-1939). Sob o olhar da fenomenologia, a geografia depende da valorização da percepção do indivíduo e do grupo social na busca de compreender a forma de sentir das pessoas em relação aos seus lugares.  É uma geografia focada nas relações humanas e sociais, onde o lugar, fisicamente falando, recebe menor atenção.
Geopolítica
Entre as maneiras de estruturar o pensamento geográfico, a partir do século XIX ganha destaque o avanço da geopolítica. Nesse sentido, evidencia-se o teórico da expansão imperialista Halford Mackinder. Por definição, a geopolítica é uma geografia centrada no poder e na forma com que ele intervém e influencia o ambiente – os conceitos de território, ocupação, estratégia, delimitação, guerra são essenciais nesse sentido.
Mackinder estabeleceu, ainda em 1904, uma divisão do mundo baseada em duas grandes faixas circulares, as quais denominou “crescente interior” ou “marginal” e “crescente exterior” ou “insular”, tendo como centro aquilo que chamou de “Heartland” – uma região da Ásia Central jamais conquistada por qualquer uma das potências navais imperialistas do século XIX. Sob sua visão, o domínio geográfico desse “coração do mundo”, em conjunção com uma saída para o mar, criaria a “potência final” em termos imperialistas. Uma nação capaz de dominar toda a Eurásia e o mundo.

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