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O surgimento da proteção internacional ao meio 
ambiente no âmbito das Nações Unidas 
 
O arcabouço da proteção e da governança ambiental tem os seus aspectos mais importantes nas instâncias 
internacionais, pois as questões ambientais não estão limitadas às definições de fronteiras entre países, ou 
seja, os desafios são transfronteiriços ou transnacionais e discuti-los e enfrentá-los exige a cooperação 
comum entre os Estados. As deliberações são estabelecidas nos arranjos das organizações supranacionais. 
A temática ambiental entrou na agenda global na década de 1960, a partir das preocupações com os efeitos 
da explosão demográfica mundial e do aumento da poluição. Em um período de forte expansão do comércio 
e das atividades econômicas, houve a constatação dos limites desse crescimento, que se tornou um assunto 
de debates entre pesquisadores e atores das instâncias internacionais. 
O sistema internacional contemporâneo é relativamente recente, com origem no final da Segunda Guerra 
Mundial, com a Conferência de São Francisco, de 1945, que aprovou a Carta de São Francisco, de criação 
da Organização das Nações Unidas (ONU). O propósito primordial da ONU é o de garantir a paz mundial, 
mas também o de “conseguir uma cooperação internacional para resolver os problemas internacionais de 
caráter econômico, social, cultural ou humanitário [...]” e de 
“ser um centro destinado a harmonizar a ação das nações para a consecução desses objetivos comuns” 
(BRASIL, 1945, [s. p.]). 
Nota-se, pois, que a ONU se tornou, assim, o centro das discussões globais, atuando por meio de seus 
conselhos – Segurança; Econômico e Social; outros –, de suas comissões – Direitos Humanos (que desde 
2006 se transformou em Conselho) e outras – e de suas agências especializadas – Organização das Nações 
Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco); Organização das Nações Unidas para a 
Alimentação e Agricultura (FAO); Fundo Monetário Internacional (FMI). 
Além da ONU, organizações foram criadas em âmbito regional, como a Organização dos Estados 
Americanos (OEA), em 1948, pelos países das Américas. Na Europa, foram criados o Conselho da Europa, 
em 1949, e a Comissão Europeia, em 1951. Esses compõem, hoje, o arcabouço da União Europeia, a qual, 
por sua vez, foi criada em 1993. 
No que se refere ao direito internacional, em que os principais sujeitos são os Estados, é preciso destacar o 
papel da ONU, que se tornou o lócus de formação de um arcabouço de normas e instituições em várias 
áreas, como direitos humanos, educação, cultura e meio ambiente. Com essa perspectiva, a discussão entre 
Estados é fundamental para a formação de normas ambientais internacionais, com o objetivo comum de 
proteção ao meio ambiente em todas as suas dimensões. Vários problemas ambientais são de caráter 
transnacional e exigem ações multilaterais e cooperativas (BURSZTYN; BURSZTYN, 2012). 
A formalização da proteção ambiental no âmbito internacional se dá essencialmente por meio de dois tipos 
de atos: tratados e declarações. Os tratados são firmados entre Estados e podem ser bilaterais (dois Estados) 
ou multilaterais (vários Estados). Um tratado possui força jurídica vinculante, assim, é chamado de hard 
law. Os tratados podem ser globais, quando estabelecidos em organizações de abrangência mundial (por 
exemplo, ONU), ou regionais, quando firmados por países de uma determinada região do mundo ou em uma 
organização delimitada geograficamente (por exemplo, OEA). Os tratados de direito ambiental 
frequentemente recebem a denominação de convenção, porque costumam ser oriundos de conferências 
específicas para debater temáticas ambientais. Já as declarações, no direito ambiental, não têm força jurídica 
vinculante, são chamadas de soft law, ou seja, não são normas impositivas, mas formam os princípios do 
direito internacional. Esses são gradativamente reconhecidos nas instâncias internacionais e nacionais. 
Portanto, ao estudar o direito ambiental, esses dois tipos de atos são os mais frequentes. 
Os tratados em matéria ambiental costumam ter algumas características, como: (i) os países signatários se 
submetem às regras comuns; (ii) os países adotam uma cooperação interestatal, por meio de agências 
internacionais ou órgãos específicos que são criados; (iii) o conteúdo dos tratados depende do estágio atual 
do conhecimento científico; (iv) os tratados podem comportar obrigações diferenciadas entre países 
(BURSZTYN; BURSZTYN, 2012). Os tratados ambientais são compromissos para enfrentar questões, 
como poluição, diversidade biológica, mudança do clima, florestas, entre outros, que são reveladores de 
como as dinâmicas ambientais não respeitam fronteiras de Estados. Exige-se deles a cooperação e a 
articulação comum para o enfrentamento dos desafios ambientais. 
Por evidente, esse é um processo complexo, com dificuldades, porque a estrutura do direito internacional foi 
construída em observância a um dos pressupostos do Estado moderno, a soberania. E isso significa a 
autodeterminação sobre os seus territórios para dispor livremente de suas riquezas e de seus recursos 
naturais. Além disso, a autodeterminação está diretamente ligada ao desenvolvimento, que é um argumento 
presente entre os países, em especial, os emergentes, marcados pela desigualdade em múltiplas dimensões – 
econômica, social, ambiental. A cooperação para lidar com os problemas ambientais deve equacionar esses 
desafios. Isso demonstra a complexidade dos debates nas instâncias internacionais. 
A partir da década de 1970, há o franco desenvolvimento do direito internacional do meio ambiente, que 
ocorreu com as conferências no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU), como veremos a seguir. 
 
As principais conferências internacionais de 
proteção ao meio ambiente 
 
Entender o processo de constituição das instâncias de governança ambiental internacional passa pela 
compreensão das conferências das Nações Unidas sobre a temática. Da primeira conferência em 1972 até os 
dias atuais, a ONU promoveu quatro conferências mundiais, que foram decisivas para que assuntos, como 
meio ambiente equilibrado, desenvolvimento sustentável, mudanças climáticas, entre outros, assumissem 
centralidade na agenda global. São elas: 
1. Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano (1972). 
2. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (1992). 
3. Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável – Rio+10 (2002). 
4. Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – Rio+20 (2012). 
Em 1968, a Assembleia-Geral das Nações Unidas, por meio da Resolução nº 2.398 (XXIII), decidiu pela 
realização de uma conferência mundial para discutir as questões ambientais. Dessa forma, ocorreu, de 5 a 16 
de junho de 1972, na cidade de Estocolmo, Suécia, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio 
Ambiente Humano, que é considerada um marco do direito ambiental internacional. 
No curso dos trabalhos da Conferência, os países participantes dividiram-se em duas correntes de 
interpretação sobre os problemas ambientais (MELO, 2017): de um lado, os preservacionistas, liderados 
pelos países desenvolvidos, que defenderam a mitigação nas intervenções antrópicas sobre o meio ambiente; 
de outro, os desenvolvimentistas, composta pelos países em desenvolvimento, entre os quais o Brasil, que 
defendiam a aceitação da poluição e que a preocupação deveria ser com o crescimento econômico. 
Ao término dos trabalhos foi editada a Declaração de Estocolmo sobre Meio Ambiente Humano, com 26 
princípios. O Princípio 1 da Declaração reconhece o meio ambiente com qualidade como direito 
fundamental: 
O homem tem o direito fundamental à liberdade, à igualdade e ao desfrute de condições de vida adequadas, 
em um meio ambiente de qualidade tal que lhe permita levar uma vida digna, gozar de bem-estar e é 
portador solene de obrigação de proteger e melhoraro meio ambiente, para as gerações presentes e futuras. 
(ONU, 1972, p. 2) 
No quadro de governança internacional, em dezembro de 1972, foi criado o Programa das Nações Unidas 
para o Meio Ambiente (PNUMA), com sede em Nairóbi, Quênia, responsável por promover a proteção ao 
meio ambiente e o uso eficiente de recursos naturais no contexto do desenvolvimento sustentável. O 
PNUMA é uma agência do Sistema das Nações Unidas e a principal autoridade global em meio ambiente 
(MELO, 2017). 
A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), realizada em 1992, 
na cidade do Rio de Janeiro, também conhecida como a Cúpula da Terra, representou o momento máximo 
da preocupação ambiental global. Foram produzidos cinco documentos internacionais: (i) Declaração do Rio 
sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento; (ii) Agenda 21; (iii) Convenção-Quadro sobre Mudanças do 
Clima; (iv) Convenção sobre Diversidade Biológica ou da Biodiversidade; (v) Declaração de Princípios 
sobre Florestas. Desses, somente a Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima e a Convenção sobre 
Diversidade Biológica possuem força jurídica vinculante, obrigatória, denominados no direito internacional 
de hard law. Os demais são declarações, destituídas de caráter vinculante, chamadas de soft law. 
A Declaração do Rio é um documento que contém 27 princípios, norteadores do direito ambiental na esfera 
internacional e fonte para o desenvolvimento principiológico na legislação ambiental dos países. A 
Declaração do Rio traz preceitos fundamentais para o desenvolvimento de uma agenda internacional de 
proteção ao meio ambiente, que conjugue compromissos e obrigações para os Estados. 
No que se refere à Agenda 21, trata-se de um documento programático, com 40 capítulos, em que se 
estabelecem diretrizes para a implementação do desenvolvimento sustentável, do espaço global ao local. 
Já a Convenção sobre Diversidade Biológica é o mais importante instrumento internacional de proteção da 
biodiversidade. Os objetivos da Convenção sobre Diversidade Biológica são: (i) a conservação da 
diversidade biológica; (ii) a utilização sustentável de seus componentes; (iii) a repartição justa e equitativa 
dos benefícios derivados da utilização dos recursos genéticos, mediante, inclusive, o acesso adequado aos 
recursos genéticos e a transferência adequada de tecnologias pertinentes, levando em conta todos os direitos 
sobre tais recursos e tecnologias e mediante financiamento adequado (MELO, 2017). 
Por fim, a Declaração de Princípios sobre Florestas é um documento sem força jurídica vinculativa. Em seu 
conteúdo, ela exprime que os países, em especial os desenvolvidos, devem empreender esforços para 
recuperar a Terra por meio de reflorestamento, arborização e conservação florestal. 
Em 2002, a ONU promoveu, em Johanesburgo, África do Sul, a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento 
Sustentável, também conhecida como Rio+10. Em seus debates, emergiu a necessidade de adoção de 
medidas concretas para executar os objetivos da Agenda 21 até então não suficientemente implementados, 
além do enfoque na importância da concretização de políticas públicas para um crescimento com 
sustentabilidade. Dois foram os documentos oficiais da Cúpula Mundial: a Declaração Política e o Plano de 
Implementação. 
A Declaração Política, denominada “O Compromisso de Johanesburgo sobre Desenvolvimento 
Sustentável”, reafirma os princípios das duas conferências anteriores e faz uma análise da pobreza e da má 
distribuição de renda no mundo. O Plano de Implementação é o documento das metas, assentadas em três 
objetivos: (i) a erradicação da pobreza; (ii) a alteração nos padrões insustentáveis de produção e consumo; 
(iii) a proteção dos recursos naturais para o desenvolvimento econômico e social. A partir deles, o Plano de 
Implementação relaciona as medidas de desenvolvimento sustentável para cada região do planeta. 
Em junho de 2012, a cidade do Rio de Janeiro foi palco da Conferência das Nações Unidas sobre 
Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). A Rio+20 teve dois temas principais: (i) a economia verde no 
contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza; (ii) a estrutura institucional para o 
desenvolvimento sustentável (MELO, 2017). A Rio+20 não teve a mesma representatividade das 
conferências anteriores. Os países desenvolvidos, diante da crise econômica global de 2008, optaram por 
não se comprometer com medidas vinculantes ou mesmo metas específicas para as diversas temáticas com 
pertinência ambiental. O documento final da Conferência é denominado “O Futuro que Queremos”, 
contendo 283 tópicos que, em linhas gerais, relaciona a renovação dos compromissos políticos das 
conferências anteriores (Estocolmo/1972, Rio/1992 e Johanesburgo/2002) e consigna proposições genéricas 
sobre a economia verde e o quadro institucional para o desenvolvimento sustentável (MELO, 2017). 
Por fim, em 28 de julho de 2022, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução declarando 
que todas as pessoas têm direito a um meio ambiente limpo e saudável (ONU, 2022). Apesar de não ser 
vinculante, a resolução é um importante indicativo para a proteção ambiental em todo o planeta. 
 
A interface da proteção internacional e o direito 
nacional 
 
As decisões proclamadas nas conferências das Nações Unidas e nos acordos internacionais têm influência 
direta na estrutura jurídica e nos órgãos de governança ambiental nacional. Há uma simbiose entre direito 
internacional e nacional na proteção ambiental. Isso se dá tanto pela incorporação dos tratados ambientais na 
ordem jurídica brasileira quanto pela inspiração na elaboração de diplomas legais na legislação brasileira. 
Inicialmente, a aprovação de um tratado pelo Brasil passa por estágios, como a negociação; a assinatura pelo 
representante do Estado, no caso do Brasil, o Presidente da República; a aprovação pelas duas casas do 
Congresso Nacional – Câmara dos Deputados e Senado Federal; a ratificação, ato pelo qual o país assume a 
obrigação de cumpri-lo no plano internacional. Com essas etapas, o tratado é válido em nível internacional. 
Contudo, para concluir a incorporação do tratado, o Presidente da República edita um decreto com a sua 
promulgação na ordem jurídica brasileira. Com isso, o Brasil assume uma série de obrigações para a 
implementação correspondente, de acordo com as disposições específicas de cada convenção. Para 
exemplificar, no caso da Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima, o Brasil assumiu o compromisso de 
reduzir as suas emissões de gases de efeito estufa, o que implica uma série de medidas e instrumentos para 
observar as prescrições da Convenção-Quadro, o que afeta todos os setores do país, como o poder público, a 
esfera empresarial e a sociedade civil. O Acordo de Paris, decorrência da Convenção-Quadro, também foi 
incorporado à ordem jurídica brasileira. A propósito, o Supremo Tribunal Federal reconheceu recentemente 
o Acordo de Paris como um tratado de direitos humanos, ou seja, possui um status especial, de 
supralegalidade, estando acima da legislação brasileira, mas abaixo da Constituição (BRASIL, 2022). Isso 
significa que a legislação ordinária terá que observar as normas do Acordo de Paris para a redução dos gases 
de efeito estufa. 
Figura 1 | Status dos Tratados de Direitos Humanos. 
Outro exemplo de aplicabilidade dessa sistemática é Convenção sobre Diversidade Biológica, que, além de 
incorporada internamente, proporcionou a edição do Decreto nº 4.339/2002, com os princípios e as diretrizes 
para a implementação da Política Nacional da Biodiversidade. Esses são somente alguns exemplos da 
dinâmica de relação entre as esferas nacional e internacional. Portanto, os compromissos no âmbito 
internacional têm implicações diretas no direito brasileiro. Ser signatário de um tratado em matéria 
ambiental é assumir obrigações perante a comunidade internacional e conferira sua observância na ordem 
jurídica doméstica. 
A partir da normatização internacional, temos reflexos na ordem jurídica brasileira, inclusive em nível 
constitucional. Até mesmo instrumentos sem força jurídica vinculante, como as declarações, têm influência. 
A Declaração de Estocolmo, de 1972, inseriu o meio ambiente no rol dos direitos humanos, enquanto o 
Relatório Nosso Futuro Comum, de 1987, consignou que o meio ambiente deve ser protegido para as 
presentes e futuras gerações. O art. 225 da Constituição de 1988, que é o coração da proteção ambiental em 
nível constitucional, dispôs que o meio ambiente ecologicamente equilibrado é um direito fundamental e que 
deve ser protegido para as presentes e futuras gerações (BRASIL, 1988). Essa passagem demonstra a 
influência das discussões da ONU. Em nível infraconstitucional, o exemplo mais significativo é a 
Declaração do Rio de Janeiro, de 1992, que trouxe princípios internacionais de proteção ao meio ambiente, 
que são atualmente previstos na legislação brasileira, como os princípios da precaução, poluidor-pagador, 
participação comunitária, informação e análogos. No mesmo sentido, a Agenda 21, elaborada em 1992, que 
apesar de não ser obrigatória, serviu de parâmetro para muitas iniciativas nos órgãos da Administração 
Pública brasileira e no setor empresarial. 
Com relação à legislação propriamente dita, o Brasil editou leis a partir das discussões originárias nos 
documentos e acordos das organizações supranacionais. Como exemplos, a Lei nº 12.187/2009, que instituiu 
a Política Nacional de Mudanças do Clima, e a Lei nº 13.123/2015, que disciplina conteúdo atinente à 
biodiversidade e ao patrimônio genético. 
No que se refere à estrutura administrativa brasileira, ela é igualmente influenciada pelas conferências das 
Nações Unidas. Após a realização da Conferência de Estocolmo, o Brasil criou, em 1973, no âmbito do 
Ministério do Interior, a Secretaria Especial de Meio Ambiente da Presidência da República, como primeiro 
órgão nacional de proteção ao meio ambiente, tendo como secretário o Sr. Paulo Nogueira Neto. Em 1992, 
após a Cúpula da Terra (Rio-92), a Secretaria de Meio Ambiente se transformou no Ministério do Meio 
Ambiente e Amazônia Legal, integrando a estrutura diretamente vinculada à Presidência da República 
(MELO, 2017). Por todos esses elementos, evidencia-se a influência do domínio internacional em face da 
legislação brasileira. 
 
 
Nesse vídeo, conheceremos o sistema de proteção internacional ao meio ambiente, a 
partir do sistema global das Nações Unidas (ONU). Para tanto, faremos uma 
abordagem do processo de afirmação da proteção ambiental, a partir das conferências 
da ONU. Por fim, demostraremos a relação entre o direito internacional e o direito 
brasileiro. Vamos juntos? Estou te aguardando para essa aula! 
 
 
 
 
Saiba mais 
 
Nessa aula, estudamos o sistema internacional de proteção ao meio ambiente. Como forma de aprofundar, 
uma sugestão é conhecer o site da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), que mantém 
um banco de dados com as principais convenções internacionais em matéria de meio ambiente. Trata-se de 
uma oportunidade de conhecer os documentos e instrumentos globais das principais temáticas 
ambientais. Procure conhecer e aprofundar o conhecimento sobre os principais documentos ambientais em 
nível internacional. 
 
Introdução 
 
Querido aluno, é uma alegria tê-lo conosco em uma aula sobre um tema fundamental para a sua formação 
profissional: a sustentabilidade. 
Atualmente, não há nenhuma discussão estatal ou empresarial que prescinda da sustentabilidade enquanto 
um valor central para as nossas sociedades, em todas as escalas, do global ao local. Por meio da 
https://cetesb.sp.gov.br/centroregional/
sustentabilidade, temos o compromisso de compatibilização das atividades econômicas com a proteção ao 
meio ambiente. 
Assim, conhecer o surgimento, os desafios e a implementação da sustentabilidade é uma competência 
essencial na formação dos profissionais contemporâneos. A sustentabilidade é uma proposição necessária 
para uma sociedade ética e socialmente comprometida com o planeta. 
Vamos juntos no estudo dessa instigante temática! 
 
A concepção de desenvolvimento sustentável 
 
As ocorrências das expressões sustentabilidade e desenvolvimento sustentável encontram-se associadas 
nos documentos oficiais, sejam internacionais ou nacionais. Contudo, deve-se apontar que sustentabilidade é 
uma expressão mais antiga e com significado singular. Sustentabilidade é uma palavra de origem 
latina, sustentare, e significa sustentar, manter algo. O conceito de sustentabilidade surgiu nas províncias da 
Saxônia e da Prússia, nos primórdios da modernidade, nos processos de manejo das florestas (BOFF, 2016) 
e se consolidou na Alemanha do século XIX, dando origem à prática da silvicultura (restauração de 
florestas). 
Na primeira metade do século XX, a sustentabilidade esteve majoritariamente ligada aos domínios da 
biologia e, em especial, da ecologia. Ao longo da segunda metade do século XX, o termo se estende para a 
problemática da explosão demográfica e da poluição na sociedade global, como alertou o zoólogo Eugene 
Odum (2001, p. 812): 
“chegou o momento de o homem administrar tanto a sua própria população com os recursos de que depende, 
dado que pela primeira vez na sua breve história se encontra perante limitações definitivas, e não puramente 
locais”. 
Tal estado de coisas se deve à intensidade das intervenções antropogênicas que afetaram decisivamente 
“[...] o frágil e complexo equilíbrio entre componentes e acontecimentos que determinam a organização do 
ecossistema no Planeta Terra ao longo de milhões de anos” (ALMEIDA, 2016, p. 58). 
A noção de sustentabilidade, em sentido amplo, é primordialmente a manutenção dos sistemas de suporte à 
vida. Portanto, a sustentabilidade é um conceito sistêmico, visto que conjuga saberes interdisciplinares, 
especificamente aqueles de sustentação da vida no planeta e, no caso da vida humana, os processos 
econômicos, sociais, culturais e, claro, ambientais. 
A partir dos domínios da ecologia, com as suas preocupações com a superpopulação, uso dos recursos 
naturais e a poluição e seus resíduos, houve a transposição de suas análises para outros domínios, 
notadamente através dos relatórios patrocinados pelo Clube de Roma, grupo de empresários e pensadores 
formado no final da década de 1960 e que patrocinou uma série de discussões sobre o futuro do planeta. Um 
dos estudos foi particularmente importante, o denominado Os limites do crescimento, do ano de 1972, 
elaborado por cientistas do Massachusetts Institute of Technology (MIT), também conhecido como Relatório 
Meadows, por ter sido liderado por Dennis Meadows e Donella Meadows. A principal conclusão desse 
estudo científico foi de que: 
Se se mantiverem as tendências actuais de crescimento da população mundial, da industrialização, da 
poluição, da produção de alimentos e de esgotamento de recursos, os limites de crescimento do nosso 
planeta serão atingidos nos próximos cem anos. O resultado mais provável vai ser um declínio súbito e 
incontrolável da população e da capacidade produtiva. (TAMARES,1983, p. 151) 
Contudo, o relatório científico apontou: 
É possível alterar essas tendências de crescimento e criar condições de estabilidade ecológica e económica 
que podem ser mantidas a longo prazo. O estado de equilíbrio global pode ser concebido de forma a garantir, 
a cada habitante da Terra, a satisfação das necessidades materiais básicas e a igualdade de oportunidades por 
forma que cada pessoa possa atingir a sua plena realização humana. (TAMARES, 1983, p. 151) 
Apesar das críticas que recebeu, diante de suas projeções pouco otimistas sobre o futuro da humanidade, 
deixando clara a finitude de recursos naturais em uma sociedade de consumo acelerado, o RelatórioMeadows contribuiu para que as discussões ambientais adentrassem definitivamente no tabuleiro global. 
Afinal, ele tocou num ponto central para o sistema econômico global: a necessidade de limitações nos 
padrões de produção e consumo. 
É a partir desse momento que entra em debate uma série de termos e teorias para equacionar as premissas do 
crescimento econômico em um mundo finito, limitado. Por isso, a ideia de crescimento, central para o 
pensamento moderno e intensificada após o término da Segunda Guerra Mundial, precisará ser sustentada, 
razão pela qual se iniciam as formulações teóricas para uma concepção de desenvolvimento, que deverá ser 
sustentável. Isto é, um desenvolvimento em que a economia seja sustentada pelo uso racional dos recursos 
naturais; o que é preciso reconhecer, trata-se de um dos grandes desafios da contemporaneidade. 
Gradativamente, como veremos, as expressões desenvolvimento e sustentabilidade serão associadas, com 
o surgimento da compreensão de desenvolvimento sustentável e de uma multiplicidade de sentidos para a 
palavra sustentabilidade. 
 
A evolução do conceito de desenvolvimento 
sustentável e de sustentabilidade 
 
Em 1972, a Organização das Nações Unidas (ONU) realizou a Conferência sobre o Meio Ambiente 
Humano, em Estocolmo, Suécia. Nesse período, deu-se o delineamento dos contornos da expressão 
ecodesenvolvimento por Maurice Strong – Secretário-Geral dessa Convenção –, cabendo a Ignacy Sachs a 
popularização do conceito como um projeto de desenvolvimento socialmente inclusivo, ecologicamente 
viável e economicamente sustentado, o qual se converteu com o passar dos anos no conceito de 
desenvolvimento sustentável. 
A expressão desenvolvimento sustentável apareceu pela primeira vez no ano de 1980 no documento 
intitulado Estratégia de Conservação Mundial (World Conservation Strategy), que foi editado pelas 
organizações ambientalistas União Internacional para a Conservação da Natureza (IUNC) e World Wildlife 
Fund (WWF), a pedido das Nações Unidas (BARBIERI, 2020). 
Em 1983, a ONU criou a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, cujo longo ciclo de 
audiências e debates com líderes políticos e organizações em todo o planeta resultou, em 1987, como 
conclusão de suas atividades, no Relatório Nosso Futuro Comum, também conhecido como Relatório 
Brundtland, nome dado em homenagem à senhora Gro Harlen Brundtland, a ex-primeira-ministra da 
Noruega, que havia presidido os trabalhos (MELO, 2017). Esse documento definiu os contornos clássicos do 
desenvolvimento sustentável, que passou a ser considerado como aquele 
“[...] que atende às necessidades das gerações atuais sem comprometer a capacidade de as futuras gerações 
terem suas próprias necessidades atendidas” (ONU, 1991). 
O Relatório Nosso Futuro Comum é um manifesto essencialmente ético, de conjugação da economia com os 
propósitos de justiça social e ambiental. A partir de sua elaboração, expressões como desenvolvimento 
sustentável e sustentabilidade passam a ser associadas como sinônimos. 
Em 1992, a ONU realizou a Conferência Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92) e o 
conceito de desenvolvimento sustentável cristalizou-se por meio de um dos seus principais documentos: a 
Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, cujas principais proposições 
seguem: 
Os seres humanos estão no centro das preocupações com o desenvolvimento sustentável. Têm direito a uma 
vida saudável e produtiva, em harmonia com a natureza (princípio 01). 
O direito ao desenvolvimento deve ser exercido de modo a permitir que sejam atendidas equitativamente as 
necessidades de desenvolvimento e de meio ambiente das gerações presentes e futuras (princípio 03). 
Para alcançar o desenvolvimento sustentável, a proteção ambiental constituirá parte integrante do processo 
de desenvolvimento e não pode ser considerada isoladamente deste (princípio 04). 
Para todos os Estados e todos os indivíduos, como requisito indispensável para o desenvolvimento 
sustentável, irão cooperar na tarefa essencial de erradicar a pobreza, a fim de reduzir as disparidades de 
padrões de vida e melhor atender às necessidades da maioria da população do mundo (princípio 05). 
Para alcançar o desenvolvimento sustentável e uma qualidade de vida mais elevada para todos, os Estados 
devem reduzir e eliminar os padrões insustentáveis de produção e consumo, e promover políticas 
demográficas adequadas (princípio 08). (ONU, 1992, [s. p.]) 
A Declaração do Rio Janeiro pretendeu, através de suas proposições, conciliar os pleitos do mercado 
capitalista com as carências dos países em desenvolvimento e pobres, o que terminou por elencar princípios 
contraditórios. De qualquer forma, por meio de uma declaração flexível – soft law –, foi possível articular o 
desenvolvimento sustentável em escalas e esferas, do global ao local, dos mercados à sociedade civil, apesar 
de tal abrangência se reduzir ao plano discursivo. 
Outro documento representativo dessas conjugações foi igualmente editado ao término dos trabalhos da Rio-
92, a ambiciosa Agenda 21. Trata-se de um documento programático, com 40 capítulos, com as diretrizes 
para a implementação do desenvolvimento sustentável em todas as escalas, do global ao local, para o século 
XXI (MELO, 2017). Apesar de festejada em sua edição, a Agenda 21 foi perdendo força com os passar dos 
anos. 
A interpretação sobre desenvolvimento sustentável foi consolidada com a Cúpula Mundial sobre 
Desenvolvimento Sustentável (Rio+10), realizada em Johannesburgo, África do Sul, em 2002. A 
conferência admitiu as limitações e as dificuldades na implementação da Agenda 21, mas reafirmou o 
significado de desenvolvimento sustentável da Rio-92. A Declaração de Johannesburgo sobre o 
Desenvolvimento Sustentável defendeu o capitalismo verde, diante da globalização e que 
“[...] a rápida integração de mercados, a mobilidade do capital e os significativos aumentos nos fluxos de 
investimento mundo afora trouxeram novos desafios e oportunidades para a busca do desenvolvimento 
sustentável” (MELO, 2017, p. 29). 
Contudo, 
“[...] os benefícios e custos da globalização são distribuídos desigualmente, e os países em desenvolvimento 
enfrentam especiais dificuldades para encarar esse desafio” (MELO, 2017, p. 29). 
Da edição do Relatório Brundtland, passando pela Agenda 21 até chegar aos dias atuais, a esfera 
internacional reforçou o aspecto de multiplicidade de significados de desenvolvimento sustentável e da 
expressão sustentabilidade, que, inclusive, foi apropriada por adjetivações, tais como sustentabilidade 
ambiental, econômica, social, cultural e tantas outras digressões. Apesar dessas perspectivas, as expressões 
desenvolvimento sustentáveis e sustentabilidade conjugam a abordagem preferencial dos documentos 
oficiais e diplomas legais. 
 
A aplicação do desenvolvimento sustentável no 
âmbito estatal e corporativo 
 
O desenvolvimento sustentável é um princípio no direito brasileiro. A Constituição de 1988, em seu art. 170, 
disciplina que a ordem econômica é fundada na valorização do trabalho e na livre-iniciativa e visa assegurar 
uma existência digna para todos conforme os ditames da justiça social, com a observância, entre outros, dos 
princípios da função social da propriedade e da defesa do meio ambiente (BRASIL, 1988). Por função social 
entende-se que o exercício do direito de propriedade impõe o respeito pelas normas ambientais (MELO, 
2017). A defesa do meio ambiente nas atividades econômicas ocorre igualmente por meio do tratamento 
diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e 
prestação (BRASIL, 1988). 
Na ordem constitucional brasileira, o desenvolvimento sustentável encontra-se na conjugação do art. 170 – 
ordem econômica – com o art. 225 – proteção ao meio ambiente –, ambos da Constituição Federal (MELO,2017). Apesar disso, há uma constante tensão na implementação das atividades econômicas com as normas 
jurídicas de proteção ambiental. Daí surge a indagação: em caso de confronto entre uma atividade 
econômica e a proteção ao meio ambiente, qual é a interpretação que deverá prevalecer? Embora sejamos 
uma economia de livre mercado, nenhuma atividade pode ser exercida em desconformidade com a proteção 
ao meio ambiente. Afinal, só é possível uma existência com dignidade se as pessoas possam viver em um 
meio ambiente ecologicamente equilibrado, sem poluição, com salubridade. E se não temos o ambiente 
saudável, como falar em saúde e qualidade de vida? Apesar dessas afirmações serem reconhecidas por 
todos, sabemos que a questão é bem mais complexa. Por isso, o Supremo Tribunal Federal (STF) chegou a 
disciplinar a matéria, decidindo que é necessária a compatibilização entre atividades econômicas e proteção 
ao meio ambiente. Contudo, consignou que as atividades econômicas não podem ser exercidas em 
desarmonia com os princípios destinados a tornar efetiva a proteção ao meio ambiente (MELO, 2017). Nos 
termos da Ação Direta de Inconstitucionalidade 3.540, 
“[...] a atividade econômica não pode ser exercida em desarmonia com os princípios destinados a tornar 
efetiva a proteção ao meio ambiente”. 
E conclui que: 
“A incolumidade do meio ambiente não pode ser comprometida por interesses empresariais nem ficar 
dependente de motivações de índole meramente econômica [...]” (BRASIL, 2005, [s. p.]). 
Portanto, é necessário sempre buscar a compatibilização entre atividades econômicas e proteção ao meio 
ambiente; na impossibilidade, é preciso atentar para as questões ambientais. E isso porque a preocupação 
somente na dimensão econômica tem ocasionado os danos e desastres ambientais que são constantemente 
relatados nos meios de comunicação, em que pessoas, populações ou cidades são afetadas. Afinal, ao se 
privilegiar somente os argumentos econômicos, continuamos somente como crescimento econômico, e a 
sustentabilidade torna-se meramente retórica, sem qualquer efetividade. 
Em meados da década de 1990, o britânico John Elkington propõe o termo Triple Bottom Line (TBL), no 
âmbito corporativo norte-americano, o qual fica conhecido no Brasil como o tripé da sustentabilidade, 
conjugando as dimensões econômica, social e ambiental. Esse conceito possui como elementos constitutivos 
os três Ps da sustentabilidade (people, planet, profit; ou em português, pessoas, planeta e lucro). Em suma, 
as empresas devem buscar o lucro corporativo, mas com responsabilidade social em suas operações, que 
devem estar alinhadas no compromisso ambiental com o planeta (MELO, 2017). O TBL é utilizado 
atualmente como um dos indicadores de mensuração da sustentabilidade para governos, setor empresarial e 
organizações sem fins lucrativos. 
O tripé da sustentabilidade associa os aspectos econômicos, sociais e ambientais. Por sustentabilidade 
econômica, o uso racional e eficiente dos recursos naturais, com o uso de tecnologias que diminuam os 
impactos ambientais e as externalidades negativas. A sustentabilidade social envolve uma distribuição de 
renda justa, de modo a reduzir as desigualdades e promover os valores de uma sociedade inclusiva. Por 
sustentabilidade ambiental, respeitar e proteger os ciclos de regulação dos processos ecológicos essenciais, 
de modo a garantir recursos para as presentes e futuras gerações, em uma concepção que as variáveis 
ambientais sejam integradas aos ciclos econômicos. 
No âmbito governamental, um exemplo de aplicação do tripé da sustentabilidade é a Agenda Ambiental na 
Administração Pública (A3P), que articula a promoção da sustentabilidade nas entidades da Administração 
Pública Direta e Indireta em nível federal, estadual e municipal, nos três poderes: Executivo, Legislativo e 
Judiciário. Apesar da adesão ser voluntária, a A3P é um relevante programa de práticas governamentais 
sustentáveis. 
Uma outra leitura de sustentabilidade procura dividi-la em duas abordagens: sustentabilidade fraca e 
sustentabilidade forte (BURSZTYN; BURSZTYN, 2012). A sustentabilidade fraca é aquela que se baseia na 
economia clássica, em que o capital natural pode ser substituído pelo capital produzido e que, por 
consequência, não há limites para o crescimento econômico. Nesse pensamento, é possível adotar soluções 
tecnológicas para solucionar os problemas ambientais. Já a sustentabilidade forte assenta-se na economia 
ecológica, isto é, a ausência do capital natural impõe limites para o crescimento econômico. Essa 
compreensão tem como fundamento a preservação dos componentes ecológicos, de forma que será preciso 
conter os fatores de pressão, ou seja, limites para uma economia de crescimento contínuo. Em qualquer 
dessas perspectivas, é importante compreender a importância que a sustentabilidade assume na 
contemporaneidade, como elemento essencial para as nossas sociedades. 
 
Nesse vídeo, quero convidá-lo para conhecer as principais discussões sobre a 
sustentabilidade, um valor fundamental em nossas sociedades. Faremos uma 
abordagem do processo de afirmação do desenvolvimento sustentável e das principais 
interpretações sobre a sustentabilidade, no âmbito público e empresarial. Trata-se de 
um tema que estará muito presente no seu dia a dia. Vamos juntos? Estou te 
aguardando para essa aula! 
Saiba mais 
 
Nessa aula, estudamos o surgimento e o contexto da sustentabilidade no mundo contemporâneo. Essa será 
uma temática constante em sua vida profissional. Como aprofundamento, sugerimos o 
artigo Desenvolvimento Sustentável: a evolução teórica, o abismo com a prática e o princípio de 
responsabilidade, de autoria de Isabella Pearce de Carvalho Monteiro. 
A autora faz uma abordagem histórica do desenvolvimento sustentável para, ao final, defender a importância 
em nossas sociedades 
 
Introdução 
 
Querido aluno, você sabe o que são políticas públicas? Qual é a importância delas em nossa sociedade? E 
como as políticas públicas ambientais dialogam com as atividades econômicas? 
Esta é a temática da nossa aula: as políticas públicas ambientais. Estudaremos a Política Nacional do Meio 
Ambiente, que é o diploma legal estruturante das políticas e da governança ambiental no Brasil. Você 
conhecerá o Sistema Nacional do Meio Ambiente, com os órgãos em nível federal, estadual e municipal 
responsáveis pela promoção e proteção ao meio ambiente. Além disso, faremos uma abordagem de dois dos 
principais instrumentos da Política Nacional que regulamentam as atividades econômicas: a avaliação de 
impactos ambientais e o licenciamento ambiental. 
Venha conosco conhecer os principais fundamentos da estrutura normativa e de governança ambiental no 
nosso país. 
 
 
 
 
 
 
 
 
https://sou.undb.edu.br/public/publicacoes/revceds_n_2_desenvolvimento_sustentavel_a_evolucao_teorica_o_abismo_com_a_pratica_e_o_principio_de_responsabilidade_isabella_pearce_monteiro.pdf
https://sou.undb.edu.br/public/publicacoes/revceds_n_2_desenvolvimento_sustentavel_a_evolucao_teorica_o_abismo_com_a_pratica_e_o_principio_de_responsabilidade_isabella_pearce_monteiro.pdf
O conceito de políticas públicas 
 
O que é uma política pública? Quando ela deve ser elaborada? Quem participa da sua elaboração? Qual o 
conteúdo de uma política pública? Essas são perguntas necessárias para a compreensão da importância das 
políticas públicas de responsabilidade social e ambiental. São múltiplas as interpretações para essas 
indagações, mas vamos nos ater às respostas que dialogam com a nossa atuação profissional. 
Quando um problema público é identificado, surge a necessidade de ofertar respostas e alternativas para 
resolvê-lo. Situações socialmente sensíveis exigem do poder público uma diretriz. Essa diretriz é o que 
chamamos de políticas públicas (SECCHI; COELHO; PIRES, 2019), isto é, o mecanismo de atuação estatal 
para a resolução de problemaspúblicos. Portanto, esses, socialmente reconhecidos por atores estatais e não 
estatais, entram na agenda de discussões do poder público e, como tal, exigem a formulação de políticas 
públicas para as mudanças possíveis e pretendidas 
 
Figura 1 | A formação da política pública. Fonte: elaborada pelo autor. 
A pergunta seguinte é: a quem cabe a elaboração de políticas públicas? Há duas interpretações para essa 
indagação (SECCHI; COELHO; PIRES, 2019). De um lado, há os que defendem a centralidade dos atores 
estatais na elaboração dessas – por exemplo, agentes políticos e técnicos dos poderes Executivo e 
Legislativo –, pela legitimidade e pela capacidade de alocar recursos financeiros para equacionar os 
problemas públicos. Do outro lado, há os que advogam uma compreensão multicêntrica, de que a elaboração 
das políticas públicas é uma conjugação da atuação de atores estatais com os atores não estatais, como 
empresas, sindicatos, organizações religiosas, organizações não governamentais etc. No caso brasileiro, as 
dinâmicas das políticas públicas estão diretamente ligadas ao Estado pela sua centralidade e 
intervencionismo histórico. Isto é: o Estado brasileiro é o responsável pela elaboração de políticas públicas. 
Mas o fato de ser o responsável não impede a participação dos grupos de interesse, como o setor empresarial 
e a sociedade civil. 
É importante destacar que o Brasil é uma Federação, em que o Estado divide suas atribuições com 
competências atribuídas aos seus entes federativos União, estados-membros, Distrito Federal e municípios. 
Assim, políticas públicas são formuladas em termos espaciais ou territoriais, isto é, aquelas que interessam a 
todo o país são políticas nacionais, como é o caso do meio ambiente, da educação, da saúde e de outras 
áreas. Em articulação com as políticas nacionais, as políticas estaduais e municipais são estabelecidas 
atendendo às especificidades e singularidades de cada recorte territorial. 
Mas, qual o conteúdo de uma política pública? Como já mencionamos, uma política pública parte de um 
problema público, uma situação que a sociedade exige um conjunto de ações para a resolução do problema. 
A política pública abrange o reconhecimento do problema e o nível de mudança pretendido, ou seja, as 
transformações desejadas. É nesse ponto que temos o conteúdo de uma política pública. Essa é composta de 
princípios, objetivos e instrumentos para a sua concretização. Os princípios são os elementos estruturantes 
que balizarão a política pública; é por meio deles que são definidas as estratégias. Quanto aos objetivos, eles 
articulam as mudanças pretendidas, os estágios de implementação de uma política pública e, por vezes, o 
tempo necessário. Já os instrumentos são as ações, os meios e os mecanismos que permitem que a política 
pública alcance os seus objetivos. 
Uma outra forma de compreender as políticas públicas é por meio dos níveis operacionais. Nesse sentido, 
temos três níveis: plano, programa e projetos. No plano, temos os princípios, objetivos e instrumentos, como 
já estudamos no parágrafo anterior. O plano deve ser aplicado por meio de programas, que são os recortes ou 
desdobramentos dele. Para exemplificar, os programas podem ser aplicados no âmbito dos estados ou dos 
municípios e podem ser divididos em projetos, que são a menor unidade de planejamento ou de ação. 
Portanto, políticas públicas possuem níveis operacionais na articulação e operacionalização por meio de um 
plano, que é um nível estruturante e de longo prazo; com os programas, em um nível intermediário e de 
médio prazo; com os projetos, de curto prazo e em um nível operacional (SECCHI; COELHO; PIRES, 
2019). A imagem a seguir expõe os níveis operacionais de uma política pública. 
 
Pois bem, feitas essas considerações, estudaremos agora as políticas públicas em matéria ambiental. 
 
As principais políticas públicas de proteção ao 
meio ambiente no Brasil 
 
Uma política pública ambiental é uma diretriz de planejamento e intervenção estatal, com a participação do 
setor produtivo e dos atores não governamentais, para a proteção do meio ambiente. Uma política pública 
ambiental condiciona e disciplina as atividades econômicas e sociais em compatibilização com a proteção 
ambiental. 
No Brasil, as políticas públicas ambientais existem desde a década de 1930, com a aprovação do Código 
Florestal de 1934, do Código de Águas de 1934 e outros diplomas legais (BURSZTYN; BURSZTYN, 
2012). Na década de 1970, teve início a estruturação dos órgãos administrativos de proteção ao meio 
ambiente, mas de forma fragmentada. Esse quadro mudaria na década seguinte. 
A efetiva concepção de proteção ao meio ambiente ocorreu somente em 1981, quando foi editada a Lei da 
Política Nacional do Meio Ambiente, instituída pela Lei nº 6.938. Essa é a lei estruturante da proteção 
ambiental brasileira e traz os princípios, objetivos e instrumentos para uma política ambiental para o Brasil. 
Em primeiro plano, é preciso mencionar a importância dos princípios, uma vez que toda política ambiental 
ocorre pela observância deles. No contexto das nossas discussões, dois merecem destaque: o princípio da 
prevenção e o princípio da precaução. O princípio da prevenção significa agir antecipadamente para evitar 
os possíveis danos ambientais, que costumam ser irreversíveis. Assim, as políticas ambientais são 
formuladas de forma a prevenir os impactos ambientais negativos. Por meio do princípio da precaução, 
deve-se observar que, em situações que predominem a incerteza científica, com a ausência de pesquisas e 
estudos científicos sobre as possíveis consequências de atividades econômicas sobre a saúde das pessoas e o 
meio ambiente, não se façam as intervenções pretendidas. Esses dois princípios são balizadores das políticas 
públicas no Brasil. 
A Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) estabeleceu como objetivo geral 
“[...] a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no 
País, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da 
dignidade da vida humana [...]” (BRASIL, 1981, [s. p.]). 
Nota-se que a PNMA conjuga o desenvolvimento das atividades sociais e econômicas com a proteção 
ambiental, de forma a assegurar a dignidade humana. 
O art. 4º da Lei nº 6.938 (BRASIL, 1981) elenca os seus objetivos específicos. Destacaremos os três mais 
relevantes para a nossa discussão. O primeiro deles é a 
“[...] compatibilização do desenvolvimento econômico-social com a preservação da qualidade do meio 
ambiente e do equilíbrio ecológico” (BRASIL, 1981, [s. p.]). 
Esse objetivo é o que chamamos atualmente de desenvolvimento sustentável, ou seja, compatibilizar as 
atividades econômicas com a proteção ao meio ambiente. O segundo objetivo é o 
“[...] estabelecimento de critérios e padrões da qualidade ambiental e de normas relativas ao uso e manejo de 
recursos ambientais” (BRASIL, 1981, [s. p.]). 
Cabe ao poder público estabelecer padrões de qualidade ambiental para o ar, os recursos hídricos e o solo. O 
terceiro objetivo é a 
“[...] imposição, ao poluidor e ao predador, da obrigação de recuperar e/ou indenizar os danos causados e, ao 
usuário, da contribuição pela utilização de recursos ambientais com fins econômicos” (BRASIL, 1981, [s. 
p.]). 
Esse último objetivo articula dois aspectos que convergem para o conteúdo de princípios ambientais. O 
primeiro é o princípio do poluidor-pagador, que estabelece a obrigação do poluidor de reparar os danos 
causados ao meio ambiente. O segundo é o princípio do usuário-pagador, que impõe o pagamento pelo uso 
de recursos ambientais com fins econômicos, como no caso da cobrança pelo uso de recursos hídricos. Por 
exemplo, uma empresa ou uma atividade agropecuária que faça a captação de água em um rio – em níveis 
que afetem a qualidade ou a quantidade desse curso d’água – deve pagarpor esse uso. 
Outro ponto fundamental da Lei nº 6.938/1981 foi a criação do Sistema Nacional do Meio Ambiente 
(Sisnama), que é o conjunto de órgãos da União, estados, Distrito Federal, municípios e suas respectivas 
administrações indiretas, responsáveis pela proteção, pelo controle, pelo monitoramento e pela melhoria da 
qualidade e da política ambiental no país. Trata-se da estrutura responsável pela administração ambiental no 
Brasil. O Sisnama é regulamentado pelo Decreto nº 99.274/1990 (BRASIL, 1990) e estrutura-se em seis 
recortes fundamentais: 
1. Órgão superior: o Conselho de Governo, com a finalidade de assessor o Presidente da República 
nas questões ambientais. 
2. Órgão consultivo e deliberativo: o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), com a função 
de assessor o Conselho de Governo e, especialmente, de deliberar sobre normas e padrões 
compatíveis com o meio ambiente. 
3. Órgão central: o Ministério do Meio Ambiente, com a finalidade de coordenar a política nacional e 
as diretrizes para a proteção ambiental. 
4. Órgão executor: o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis 
(Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, que são autarquias federais 
responsáveis por executar e fazer executar as diretrizes governamentais para o meio ambiente. 
5. Órgãos seccionais: os órgãos ou as entidades estaduais responsáveis pela execução de programas, 
projetos e pelo controle e fiscalização de atividades capazes de provocar a degradação ambiental. 
6. Órgãos locais: os órgãos ou as entidades municipais responsáveis pelo controle e pela fiscalização 
dessas atividades nas suas respectivas jurisdições. 
Por fim, é preciso evidenciar que a partir da PNMA surgiram outras políticas públicas em áreas específicas 
em matéria ambiental, como a Política Nacional de Recursos Hídricos; a Política Nacional de Resíduos 
Sólidos; a Política Nacional de Biodiversidade; a Política Nacional Educação Ambiental; a Política Nacional 
de Mudança do Clima e outras. O fato de termos políticas em nível nacional mostra a preocupação da 
articulação entre a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios. 
 
 
 
 
 
 
 
 
As políticas públicas e a regulação das atividades 
econômicas 
 
As políticas públicas ambientais possuem uma interface imediata com as atividades econômicas, 
especificamente por meio de programas e procedimentos para disciplinar e condicionar empreendimentos e 
atividades potencialmente poluidores ou causadores de degradação. No caso da Política Nacional do Meio 
Ambiente, dois de seus instrumentos, previstos em seu art. 9º (BRASIL, 1981), são fundamentais para a 
regulação das atividades econômicas: a avaliação de impactos ambientais e o licenciamento ambiental. 
A avaliação de impactos ambientais é um instrumento de gestão ambiental que dispõe sobre a 
obrigatoriedade de estudos sobre os impactos ambientais de atividades e empreendimento potencialmente 
causadores de poluição ou degradação ambiental. A avaliação de impactos ambientais é a análise técnica 
sobre os possíveis impactos, que se dá por meio dos estudos ambientais. Um exemplo é o Estudo Prévio de 
Impacto Ambiental, conhecido pela sigla Eia/Rima, com previsão constitucional e obrigatório para as 
atividades e empreendimento potencialmente causadores de significativa degradação do meio ambiente 
(BRASIL, 1988). Note que o Eia/Rima não é para todos os empreendimentos; o pressuposto é que a obra ou 
atividade seja potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, como é o caso de 
rodovias, ferrovias, atividades de mineração e outras (CONAMA, 1986). O Eia/Rima é um estudo público, 
complexo, elaborado pelo empreendedor, que será analisado pelo órgão ambiental competente. Agora, 
quando o empreendimento não for causador de significativa degradação ambiental, os estudos ambientais 
serão simplificados, como é o caso do Relatório Ambiental Preliminar (RAP), aplicável para obras e 
atividades poluidoras e degradadoras, mas não de forma significativa. 
A avaliação de impactos ambientais está diretamente ligada a outro importante instrumento da PNMA: o 
licenciamento ambiental. Isso porque, no curso de um licenciamento ambiental, teremos a necessidade de 
elaboração de estudos ambientais por parte dos empreendedores. O licenciamento ambiental, segundo Melo 
(2017, p. 221), é um procedimento administrativo com a 
“[...] finalidade de avaliar os possíveis impactos e riscos de uma atividade ou empreendimento 
potencialmente causador de degradação ambiental ou poluição”. 
Esse instrumento é uma manifestação do princípio da prevenção, ou seja, tem como objetivo antecipar e 
mitigar os impactos negativos de uma empresa ou atividade potencialmente causadora de poluição ou 
degradação ambiental. Enquanto procedimento, o licenciamento ambiental passa por etapas, em que o 
empreendedor deverá observar as prescrições do órgão ambiental para a obtenção das licenças ambientais do 
seu negócio. No licenciamento ambiental trifásico, que é o mais completo, é necessária a obtenção de três 
licenças ambientais. São elas (MELO, 2017): (i) licença prévia, obtida com a aprovação do projeto e de sua 
localização; (ii) licença de instalação, em que o projeto é implementado e ganha materialidade; (iii) licença 
de operação, que permite o funcionamento da empresa. Caso o empreendimento seja potencialmente 
causador de significativa degradação do meio ambiente, o empreendedor deverá elaborar o Eia/Rima, cuja 
aprovação pelo órgão ambiental enseja a concessão da licença prévia, prosseguindo, depois, com as demais 
etapas. A propósito, nos casos de exigência de Eia/Rima, será possível a realização de audiência pública, na 
garantia do princípio da participação comunitária. Podem requerer a audiência pública o próprio órgão 
ambiental licenciador, o Ministério Público, uma entidade da sociedade civil ou cinquenta ou mais cidadãos 
(CONAMA, 1987). 
O licenciamento ambiental pode ser realizado por qualquer ente federativo – União, estados-membros, 
Distrito Federal e municípios –, desde que tenha órgão ambiental capacitado e conselho de meio ambiente. 
Para exemplificar, no âmbito federal temos o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais 
Renováveis (IBAMA) – órgão ambiental – e o Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA). Esses 
dois requisitos são obrigatórios para que um ente federativo proceda ao licenciamento ambiental. A divisão 
de atribuições entre os entes federativos encontra-se na Lei Complementar nº 140/2011, que divide as ações 
administrativas entre os entes federativos. 
Em uma síntese, a União licenciará os empreendimentos localizados e desenvolvidos (i) no Brasil e em país 
limítrofe; (ii) no mar territorial, na plataforma continental ou na zona econômica exclusiva; (iii) em terras 
indígenas; (iv) em unidades de conservação instituídas pela União, exceto em Áreas de Proteção Ambiental 
(APAs); (v) em dois ou mais Estados; (vi) de caráter militar; (vii) destinados a material radioativo, em 
qualquer estágio, ou que utilizem energia nuclear, mediante parecer da Comissão Nacional de Energia 
Nuclear (CNEN); entre outras atribuições (BRASIL, 2011). Os estados-membros promoverão o 
licenciamento de atividades ou empreendimento efetivos ou potencialmente poluidores ou capazes de causar 
degradação, ressalvada as atribuições dos demais entes; ou de atividades ou empreendimentos em unidades 
de conservação instituídas pelo Estado, exceto em APAs (BRASIL, 2011). Por fim, os municípios 
licenciarão os empreendimentos que causem ou possam causar impacto ambiental de âmbito local, ou em 
unidades de conservação instituídas pelo município, exceto em APAs (BRASIL, 2011). 
O licenciamento ambiental é, portanto, um instrumento de grande centralidade para as atividades 
econômicas em nosso país. 
 
Nesse vídeo, estudaremos as políticas públicas ambientais.Qual a importância delas e 
como se relacionam com as suas atividades profissionais? É o que responderemos! 
Para isso, faremos uma leitura da Política Nacional do Meio Ambiente e do Sistema 
Nacional do Meio Ambiente. Ao final, o estudo de um importante instrumento: o 
licenciamento ambiental. Vamos juntos? Estou te aguardando para essa aula! 
Saiba mais 
 
Um dos principais instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente para compatibilizar as atividades 
econômicas com a proteção ao meio ambiente é o licenciamento ambiental. É importante para o profissional 
das áreas pública e corporativa conhecer os fundamentos e procedimentos do licenciamento ambiental. Por 
isso, a dica é baixar a Cartilha do Licenciamento Ambiental, do Tribunal de Contas da União (TCU). 
Com ela, você conhecerá a leitura sobre o licenciamento ambiental pelo principal órgão de fiscalização das 
contas públicas do Brasil. 
 
Introdução 
 
https://portal.tcu.gov.br/biblioteca-digital/cartilha-de-licenciamento-ambiental-2-edicao.htm
Querido aluno, nessa aula, estudaremos um dos temas mais importantes para a sua formação acadêmica e 
profissional: a responsabilidade em matéria ambiental. 
Apesar do sistema jurídico ambiental pautar-se na prevenção das condutas consideradas lesivas ao meio 
ambiente, sabemos que mesmo assim elas ocorrem, em especial, os danos ambientais. E é nesse momento 
que surge a discussão da nossa aula. Afinal, será preciso responsabilizar as pessoas físicas e jurídicas que 
violam as normas jurídicas de proteção ao meio ambiente. 
Assim, você conhecerá os principais fundamentos da responsabilidade civil, penal e administrativa em 
matéria ambiental, com a leitura dos tribunais superiores sobre os principais pontos dessa aula. 
Tenho certeza de que você vai gostar desse conteúdo! 
Vamos juntos! 
 
O conceito de dano ambiental 
 
O arcabouço jurídico de proteção ao meio ambiente tem como objetivo a prevenção aos impactos ambientais 
que causem poluição ou degradação, notadamente em casos de dano ambiental. Com a ocorrência de um 
dano ambiental, adentra-se nas discussões sobre a responsabilidade em matéria ambiental (MELO, 2017). 
Em que pese a sua importância, o ordenamento jurídico brasileiro não confere uma definição de dano 
ambiental. Por essa razão, a sua compreensão passa por elementos doutrinários e pela interpretação dos 
tribunais superiores, especialmente o Superior Tribunal de Justiça (MELO, 2017). Antes de adentrar nos 
aspectos doutrinários e jurisprudenciais, é importante conhecer dois conceitos legais e que estão associados 
ao entendimento do dano ambiental. São eles: degradação da qualidade ambiental e poluição. 
Considera-se degradação da qualidade ambiental a “[...] alteração adversa das características do meio 
ambiente”, conforme o art. 3º, II, da Lei nº 6.938/1981 (BRASIL, 1981, [s. p.]). A degradação da qualidade 
ambiental ocorre tanto pela ação antrópica (humana) quanto por um evento natural, como um abalo sísmico 
ou uma erupção vulcânica. 
Já o conceito de poluição possui amparo legal no art. 3º, III, da Lei nº 6.938/1981, considerada 
[...] a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: a) 
prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem condições adversas às atividades 
sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do 
meio ambiente; e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos. 
(BRASIL, 1981, [s. p.]) 
 A poluição é a degradação da qualidade ambiental provocada por uma atividade antropogênica, isto é, 
promovida pelo homem. A poluição é sempre negativa, e no ordenamento jurídico brasileiro é um ilícito 
penal, conforme o art. 54 da Lei nº 9.605/1998 (BRASIL, 1998), e administrativo, ao teor do art. 61 do 
Decreto nº 6.514/2008 (BRASIL, 2008). 
Quanto ao dano ambiental, Benjamin (2011, p. 132) vai defini-lo 
“[...] como a alteração, deterioração ou destruição, parcial ou total, de qualquer dos recursos naturais, 
afetando adversamente o homem e/ou a natureza”. 
Leite e Ayala (2010, p. 102), após análise da legislação brasileira, apresentam o seguinte conceito: 
Dano ambiental deve ser compreendido como toda lesão intolerável causada por qualquer ação humana 
(culposa ou não) ao meio ambiente, diretamente, como macrobem de interesse da coletividade, em uma 
concepção totalizante, e, indiretamente, a terceiros, tendo em vista interesses próprios e individualizáveis e 
que refletem no macrobem. 
Por essa leitura, o dano ambiental pode atingir o macrobem ambiental, esse que é o meio ambiente em uma 
visão global e integrada, como bem de uso comum do povo, e os microbens, que são a parte corpórea do 
meio ambiente (fauna, flora etc.). Ademais, o dano ambiental pode afetar interesses individualizáveis, 
patrimoniais ou extrapatrimoniais. 
De comum entre esses conceitos é a caracterização, em regra, da dupla face do dano ambiental, afetando a 
natureza e o homem. O dano ambiental possui 
“[...] feição multifacetária, com implicações no macrobem ambiental, nos microbens ambientais (florestas, 
rios, fauna etc.), no patrimônio material e moral de pessoas e da coletividade” (MELO, 2017, [s.p.]). 
Nesse sentido, diante das várias dimensões jurídicas, apresentaremos duas das principais classificações 
doutrinárias e jurisprudenciais sobre o dano ambiental: quanto à extensão do bem protegido e quanto à 
extensão do dano ambiental (LEITE; AYALA, 2010). 
Figura 1 | Classificação de dano ambiental. Fonte: elaborada pelo autor. 
Quanto à extensão do bem protegido, é possível configurar como: (i) dano ambiental lato sensu; (ii) dano 
individual, reflexo ou em ricochete. 
Compreende-se como 
“[...] dano ambiental lato sensu (em sentido amplo) o que afeta os interesses difusos da coletividade e, como 
tal, todos os componentes do meio ambiente (meio ambiente natural, cultural, artificial)” (MELO, 2017, p. 
374). 
Dano ambiental individual, reflexo ou em ricochete é 
“[...] o dano individual, que afeta interesses próprios, e somente de forma indireta ou reflexa protege o bem 
ambiental” (MELO, 2017, p. 374). 
Para exemplificar, as lesões à saúde, ao patrimônio e à atividade econômica de uma ou de um grupo de 
pessoas. 
Quanto à extensão do dano, a divisão em: (i) dano patrimonial; (ii) dano extrapatrimonial. Dano ambiental 
patrimonial 
“[...] é o que diz respeito à perda material do bem atingido. É o dano físico, material” (MELO, 2017, p. 375). 
Quanto ao dano extrapatrimonial ou moral ambiental, é aquele que ofende valores imateriais, reduzindo o 
bem-estar, a qualidade de vida do indivíduo ou da coletividade ou atingindo o valor intrínseco do bem. O 
dano extrapatrimonial pode ser dividido em individual e coletivo. O dano moral ambiental individual é 
aquele que acarreta dor ou sofrimento psíquico para uma pessoa, como no caso de um pescador impedido de 
exercer sua atividade econômica por causa de um dano ambiental. O dano moral ambiental coletivo, por sua 
vez, se dá pelo prejuízo à imagem e moral coletiva dos indivíduos. Com esses apontamentos, fica 
evidenciado o caráter multifacetário do dano ambiental no ordenamento jurídico brasileiro. 
A responsabilidade nas esferas civil, penal e 
administrativa 
 
Entende-se por responsabilidade a obrigação de responder pela ação ou omissão que seja lesiva a uma 
pessoa, patrimônio ou em face de uma obrigação legal. Na esfera ambiental, a responsabilidade surge com a 
conduta considerada lesiva ao meio ambiente. Nesse sentido, a Constituição Federal de 1988 disciplina a 
responsabilidade em matéria ambiental nos seguintes termos: 
“as condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou 
jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados” 
(BRASIL,1988, [s. p.]). 
Essa norma estabelece a tríplice responsabilidade em matéria ambiental: civil, penal e administrativa. Cada 
uma delas dispõe de um regime jurídico próprio que, apesar de disciplinarem a aplicação de sanções aos 
responsáveis, a preocupação central está em reparar os danos causados ao meio ambiente. 
Figura 2 | Natureza jurídica da responsabilidade ambiental. Fonte: elaborada pelo autor. 
A responsabilidade penal ambiental é disciplinada pela Lei nº 9.605/1998, também conhecida como Lei de 
Crimes Ambientais. No caso de cometimento de um crime ambiental, conforme os tipos penais, teremos a 
imputação da pessoa física ou jurídica. Essa responsabilidade é sempre subjetiva, com a necessidade de 
comprovação da culpabilidade – dolo ou culpa – do autor do crime. Uma das novidades da Lei nº 
9.605/1998 foi instituir a responsabilidade penal da pessoa jurídica, 
“[...] nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de 
seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade” (BRASIL, 1998, [s. p.]). 
Dois são os requisitos para configurar a responsabilidade penal da pessoa jurídica: (i) a decisão deve ser 
praticada pelo representante legal ou pelo órgão colegiado da empresa; (ii) a conduta deve satisfazer ou 
beneficiar os interesses da pessoa jurídica. Assim, uma decisão do representante legal/contratual ou de um 
órgão colegiado, que beneficie a empresa, enseja a discussão do cometimento de um ilícito penal e, caso se 
confirme, ela poderá ser condenada isolada, cumulativa ou alternativamente às penas de multa, restritivas de 
direitos e prestação de serviços à comunidade (BRASIL, 1998). Registra-se que não é obrigatório a dupla 
imputação, isto é, a persecução penal simultânea da pessoa jurídica e da pessoa física responsável no âmbito 
da empresa. Já as pessoas físicas que cometem crimes ambientais poderão sofrer as penas restritivas de 
liberdade, restritivas de direitos e multa, de acordo com o crime ambiental cometido. 
A responsabilidade administrativa ambiental, por sua vez, surge quando a pessoa física ou jurídica pratica 
uma infração administrativa que, segundo definição legal, é 
“[...] toda ação ou omissão que viole as regras jurídicas de uso, gozo, promoção, proteção e recuperação do 
meio ambiente” (BRASIL, 1998, [s. p.]). 
Em nível federal, o Decreto nº 6.514/2008 disciplina as infrações administrativas e o processo 
administrativo ambiental. Na responsabilidade administrativa, que é subjetiva – há que demonstrar o dolo e 
a culpa do responsável –, ao se verificar o cometimento de uma infração ambiental, o fiscal do órgão 
ambiental – que pode ser federal, estadual ou municipal – lavra um auto de infração e aplica uma sanção à 
pessoa física ou jurídica, que pode ser uma multa, suspensão de atividades, demolição de obra e outras 
(BRASIL, 2008). Com isso, é instaurado o processo administrativo, em que o autuado poderá se defender 
dos fatos e fundamentos consignados no auto de infração e, ao final, a decisão da autoridade administrativa 
ambiental. 
Por fim, temos a responsabilidade civil ambiental. No caso da ocorrência de um dano ambiental, o 
responsável, pessoa física e jurídica, de direito público ou privado, é obrigado à reparação. O ordenamento 
jurídico brasileiro adota, desde a Lei nº 6.938/1981, a teoria da responsabilidade civil objetiva, em que é 
necessária somente a comprovação do nexo de causalidade entre a conduta e o dano, sem discutir sobre a 
culpabilidade, isto é, não é preciso investigar a culpa ou o dolo do poluidor/degradador. Além disso, a 
adoção da teoria da responsabilidade objetiva implica a irrelevância da licitude ou ilicitude da atividade e 
que questões como caso fortuito e de força maior não são excludentes. 
A licitude de uma atividade ou um empreendimento, quer autorizado ou licenciado, não afasta ou atenua a 
responsabilidade do poluidor. Isso porque, nas palavras de Milaré (2011, p. 1257), 
“[...] não raras vezes o poluidor se defendia alegando ser lícita a sua conduta, porque estava dentro dos 
padrões de emissão traçados pela autoridade administrativa e, ainda, tinha autorização ou licença para 
exercer aquela atividade”. 
O fato do empreendimento ou da atividade ter se submetido ao licenciamento ambiental, por exemplo, não 
exime a empresa da obrigação de reparar as consequências de suas intervenções, especialmente em caso de 
dano ao meio ambiente. De forma direta, o argumento da licitude da atividade não afasta eventual 
responsabilidade do poluidor. Em paralelo, é tese do STJ que 
“[...] não há direito adquirido à manutenção de situação que gere prejuízo ao meio ambiente” (BRASIL, 
2018a, [s. p.]). 
Com relação ao caso fortuito e da força maior, que são clássicas excludentes de responsabilidade, elas não 
podem ser invocadas para elidir a obrigação de reparar os danos causados. Uma vez que o empreendedor 
assume a atividade, ele é integralmente responsável pelos danos decorrentes de sua atividade econômica. 
Isso porque o STJ adota a teoria do risco integral em matéria ambiental, que não admite excludentes e 
atenuantes na responsabilização do degradador (BRASIL, 2014). 
 
A reparação do dano ambiental 
 
Ao se verificar a ocorrência de um dano ao meio ambiente, é necessário que se proceda à sua reparação, que 
deve ser integral. 
A primeira pergunta é: quem deve reparar? Por evidente, o causador do dano ambiental. Todavia, essa 
resposta precisa ser adequada com a figura do poluidor no sistema jurídico brasileiro. Conforme a Lei nº 
6.938/1981, que instituiu a Política Nacional do Meio Ambiente, o poluidor é a pessoa física ou jurídica, de 
direito público ou de direito privado, direta ou indiretamente responsável pela poluição ou degradação 
ambiental (BRASIL, 1981). Por esse conceito, tanto pessoas de direito privado – empresas – quanto as 
entidades da Administração Pública Direta – União, estados, Distrito Federal e municípios – e indireta – 
autarquias, fundações públicas e outras – podem ser consideradas como poluidoras. Mas, há um aspecto 
muito importante: o poluidor pode ser direto ou indireto. O poluidor direto é aquele que efetivamente causou 
a degradação, ao passo que o poluidor indireto é aquele que, de alguma forma, contribuiu para o dano 
ambiental. Como exemplo, instituições financeiras podem ser responsabilizadas por empréstimos a empresas 
que causem danos ambientais; a empresa como poluidora direta, a instituição financeira como poluidora 
indireta, porque sem o empréstimo não teria ocorrido o dano ambiental. E o último ponto a ser destacado é 
que pela jurisprudência firmada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) os poluidores direto e indireto são 
solidários, significa dizer que aqueles que participaram do dano ambiental ou que tiraram proveito da 
atividade são igualmente responsáveis pela reparação. Assim, uma ação civil pública – a principal ação de 
natureza ambiental – pode ser ajuizada em face de ambos, poluidor direto ou indireto, ou de qualquer um 
deles. 
A Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (BRASIL, 1981) e a Lei da Ação Civil Pública (BRASIL, 
1985) relacionam, basicamente, duas formas de reparação do dano ambiental: (i) a reparação/restauração e a 
(ii) indenização pecuniária. Uma outra modalidade de reparação é destacada pela doutrina: a compensação 
ecológica (MELO, 2017). Dessa forma, são três as modalidades de reparação do dano ambiental: (i) 
reparação específica (in natura); (ii) compensação ecológica; (iii) indenização pecuniária. Destaca-se, em um 
primeiro momento, que a ordem estabelecida deve ser observada, ou seja, deve ser priorizada a reparação 
específica sobre as demais modalidades, que são subsidiárias. 
A reparação específica, também chamada de in natura, é aquela no local em que ocorreu o dano ambiental e, 
assim, encontra-se na perspectiva de retorno do equilíbrio ecológico, ou pelo menos uma situação maispróxima (MELO, 2017). Nessa modalidade, é o próprio bem lesado que deve ser reparado. Por exemplo, se 
o dano é o desmatamento de dez hectares de vegetação primária, a reparação será no próprio local, com a 
obrigação de fazer, consistente na recomposição da área desmatada. 
Agora, se não for possível a reparação específica, adentra-se nas hipóteses de compensação ecológica ou de 
indenização pecuniária. A compensação ecológica é a substituição do bem lesado por outro equivalente 
(MELO, 2017). Para essa modalidade, além da impossibilidade da reparação específica, é preciso que a área 
a ser compensada seja do mesmo tamanho da área do dano e que tenha a mesma importância ecológica. A 
indenização pecuniária, por fim, é a forma clássica de reparação no direito civil, mas subsidiária no direito 
ambiental (MELO, 2017). Os valores arrecadados a título de indenização são destinados para o fundo para 
reconstituição dos bens lesados, criado pela Lei da Ação Civil Pública. 
Uma questão relevante é a cumulação de pedidos em uma ação civil pública ambiental, isto é, tanto a 
reparação específica – obrigação de fazer ou de não fazer – quanto a indenização pecuniária. O STJ entende 
por essa possibilidade. Segundo a Súmula 629, 
“quanto ao dano ambiental, é admitida a condenação do réu à obrigação de fazer ou à de não fazer cumulada 
com a de indenizar” (BRASIL, 2018b, [s. p.]). 
Portanto, aquele que cometer um dano ambiental poderá ser obrigado reciprocamente a reparar onde ocorreu 
o dano ambiental e destinar recursos financeiros para o fundo para reconstituição dos bens lesados. 
Por fim, a pretensão de reparação aos danos causados ao meio ambiente é imprescritível, conforme decidiu o 
STF (BRASIL, 2020). Por outras palavras, uma ação civil pública de reparação de danos causados ao meio 
ambiente não está sujeita ao instituto da prescrição, podendo ser ajuizada mesmo que tenha se passado 
vários anos da ocorrência do dano. Trata-se de demonstração da relevância do bem ambiental, cuja proteção 
é imprescindível para todas as atividades humanas. 
 
Nesse vídeo, estudaremos um dos temas mais importantes no âmbito profissional: a 
responsabilidade em matéria ambiental. Você conhecerá as dimensões do dano 
ambiental e a responsabilidade civil, penal e administrativa das pessoas físicas ou 
jurídicas que cometem condutas lesivas ao meio ambiente. Por fim, conhecerá as 
formas de reparação do dano ambiental. Vamos juntos? Estou te aguardando para essa 
aula! 
 
Saiba mais 
 
Um dos maiores desastres ambientais do Brasil foi o rompimento da barragem de rejeitos da mineração no 
distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, Minas Gerais, em 5 de novembro de 2015. Durante o processo de 
reparação, um dos ajustes feitos entre as empresas responsáveis pela barragem e o Ministério Público 
Federal foi a assinatura de um Termo de Transação e Ajustamento de Conduta. Nele ficou estabelecida a 
criação de uma organização autônoma, dedicada às atividades de reparação e compensação dos impactos 
ambientais na Bacia do Vale do Rio Doce. Essa organização é a Fundação Renova. Trata-se de uma entidade 
que hoje é responsável por vários projetos e iniciativas de reparação dos danos ambientais do acidente de 
Mariana. Você pode conhecer o trabalho da Fundação Renova em seu site. 
 
https://www.fundacaorenova.org/
Governança para a sustentabilidade 
 
A questão ambiental é um componente indissociável dos processos econômicos. Os Estados, as corporações 
e a sociedade discutem a relação entre economia e meio ambiente. Em uma sociedade global, com os fluxos 
econômicos e com a interação de sistemas empresariais, os temas ambientais estão presentes em todos os 
níveis. Por isso, a importância de conhecermos as estruturas de governança ambiental, tanto em nível 
internacional quanto nacional. 
Toda a dinâmica de reconhecimento dos problemas ambientais e a formulação de normas de regulação e de 
governança ambiental tiveram início nos eventos promovidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). 
A partir da Conferência de Estocolmo, em 1972, e da criação do Programa das Nações Unidas para o Meio 
Ambiente (Pnuma), uma série de encontros entre os atores globais – organizações internacionais, Estados e 
entidades não governamentais – passaram a discutir os desafios para superar os efeitos causados pelo 
crescimento econômico acelerado e o comprometimento da disponibilidade de recursos ambientais. Nisso, 
assume relevância a necessidade de compatibilizar os avanços econômicos sem desestruturar os sistemas 
ecológicos. É nesse momento que o desenvolvimento, uma temática que ganhou força após a Segunda 
Guerra Mundial, passa a ser articulado com a necessidade de ser sustentado, ou seja, cria-se a concepção de 
um desenvolvimento que possa ser durável, sustentável. 
O conceito de desenvolvimento sustentável foi consolidado com o Relatório Nosso Futuro Comum, da 
ONU, de 1987, o qual declarou que o uso dos recursos naturais pelas presentes gerações não pode 
comprometer a disponibilidade para as futuras gerações. Trata-se de um compromisso ético entre gerações e 
de afirmação de um desenvolvimento que seja sustentado. Essa concepção adentrou em todos os âmbitos 
institucionais, de governos ao setor corporativo, da escala global à local. Tanto que hoje nenhuma discussão 
prescinde da sustentabilidade enquanto norteadora das atividades econômicas, em que pese as tensões e 
dificuldades de conjugação, sobretudo em países como o Brasil, em que as exigências materiais mínimas 
para a maioria da população continuam a ser um objetivo a ser superado em nossa sociedade. 
Nesse contexto, as políticas públicas são um mecanismo fundamental para a promoção da sustentabilidade. 
No Brasil, a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) é o diploma legal estruturante, com os princípios, 
objetivos e instrumentos de proteção e promoção do meio ambiente. A PNMA criou o Sistema Nacional do 
Meio Ambiente, com os entes e órgãos responsáveis pela proteção do ambiente em todos os níveis: federal, 
estadual e municipal. Além disso, temos os instrumentos da PNMA, que regulamentam as atividades 
econômicas, como é o caso do licenciamento ambiental, que estabelece a conjugação dos valores 
econômicos e da proteção ao meio ambiente. 
Embora toda a sistemática ambiental esteja assentada na definição de políticas e instrumentos de prevenção 
aos danos ambientais, é preciso disciplinar as consequências jurídicas pela não observância das prescrições 
legais. É nesse ponto que surge um tema de fundamental relevância profissional: a responsabilidade 
ambiental das pessoas físicas e jurídicas responsáveis por condutas consideradas lesivas ao meio ambiente. 
Por disposição constitucional, essa reponsabilidade impõe sanções penais e administrativas aos poluidores, 
que são obrigados a reparar os danos causados. A responsabilidade em matéria ambiental é um mecanismo 
de defesa contra as intervenções deletérias ao ambiente, assumindo um tema central no dia a dia de qualquer 
profissional dos setores corporativos. 
 
Olá! Tudo bem? Neste vídeo, faremos uma abordagem sobre a proteção ambiental 
internacional e nacional. Conheceremos as principais conferências das Nações Unidas 
para, em seguida, adentrarmos nas políticas públicas ambientais, em especial, a 
Política Nacional do Meio Ambiente. Por fim, realizaremos uma abordagem da 
responsabilidade civil, penal e administrativa em matéria ambiental. Quero convidá-
lo para dialogarmos sobre a governança para a sustentabilidade. Vamos juntos? 
Estudo de caso 
 
Para contextualizar sua aprendizagem, imagine que você trabalha como consultor na área ambiental e foi 
contratado por determinada entidade da sociedade civil para emitir análise técnica sobre um caso que 
envolve a conduta poluidora de uma empresa e a possível responsabilidade em matéria ambiental. 
Nesse sentido, trata-se de problemática que envolve empresa do ramo têxtil,em que o processo industrial 
envolve o uso intensivo de produtos químicos. A atividade é considerada potencialmente causadora de 
significativa degradação, sendo que a empresa se submeteu ao licenciamento ambiental, com a elaboração 
do estudo prévio de impacto ambiental (Eia/Rima). Durante o procedimento administrativo, foi realizada 
audiência pública e uma parcela significativa da população das cidades vizinhas manifestou-se contrária à 
instalação do empreendimento, por estar muito próximo de um rio que abastece várias cidades e pelos riscos 
envolvidos. Apesar das manifestações contrárias, o órgão ambiental licenciador concedeu as licenças 
ambientais e a empresa está em operação há mais de três anos. 
No início do ano de 2022, diante dos efeitos econômicos advindos da pandemia, a empresa resolveu cortar 
custos operacionais, e um dos aspectos mais afetados foram as operações de tratamento dos efluentes 
líquidos e gasosos gerados em sua dinâmica industrial. Apesar da redução de custos no sistema de 
tratamento de efluentes, as metas financeiras pretendidas não foram atingidas. 
Diante disso, no mês de setembro de 2022, uma decisão do diretor-presidente da empresa determinou que os 
funcionários fizessem o lançamento dos efluentes da empresa diretamente no rio que atravessa a área do 
empreendimento. Com essa destinação direta no curso d’água, houve uma redução dos custos operacionais, 
já que os fluentes não precisaram de tratamento. 
No entanto, essa decisão teve consequências imediatas, com a mortandade de peixes e a contaminação da 
água, com o uso impróprio por semanas, impedindo que os moradores das cidades vizinhas pudessem usá-la 
no abastecimento público e como insumo de seus processos produtivos, em especial, na agricultura e na 
pecuária. Diante da repercussão negativa, a empresa veio a público se manifestar e pedir desculpas pelo 
ocorrido. Contudo, alegou que não pode ser responsabilizada porque é uma atividade devidamente 
licenciada pelo órgão ambiental estadual e que adota padrões internacionais de sustentabilidade, inclusive o 
lema da empresa baseia-se no tripé da sustentabilidade: econômico, social e ambiental. Além disso, que a 
sua responsabilização poderia levar ao fechamento de suas atividades e à dispensa de seus funcionários. 
Diante desse relato, a análise agora é com você. Para tanto, emita as suas considerações sobre a possível 
responsabilidade da empresa no caso em questão. 
Reflita 
Procure refletir e discorra sobre a importância do licenciamento ambiental no contexto empresarial. Veja 
que é um instrumento necessário para avaliar os impactos ambientais das atividades econômicas. 
Mas, procure refletir e descreva, igualmente, que a exigência do licenciamento não supre o dever de 
observar as prescrições legais de proteção ao meio ambiente, sob pena de ser responsabilizada civil, penal e 
administrativamente pelos danos causados. Portanto, o licenciamento ambiental é somente o primeiro passo 
para uma empresa comprometida com a proteção ao meio ambiente. 
 
Vamos, juntos, articular os principais aspectos para a resolução do nosso estudo de 
caso. 
Em primeiro lugar, é necessário contextualizar que o caso se trata de um dos aspectos 
mais recorrentes e sensíveis da nossa realidade: o desenvolvimento de atividades 
econômicas em respeito à proteção ao meio ambiente. Trata-se de uma questão 
recorrente no universo profissional, mas com consequências para todos, uma vez que 
os impactos ambientais têm efeitos sociais e econômicos. Para a resolução, é 
importante identificar que o problema conjuga o conhecimento dos instrumentos 
regulatórios das atividades econômicas previstos na Lei nº 6.938/1991, que instituiu a 
Política Nacional do Meio Ambiente, em especial, o licenciamento ambiental, com a 
responsabilidade ambiental, ou seja, as consequências pelo descumprimento das 
normas ambientais, com a ocorrência de dano ambiental. 
Nesse sentido, a partir do problema proposto, nota-se que a empresa cumpriu 
normalmente os procedimentos do licenciamento ambiental. Por se tratar de atividade 
potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, foi exigida a 
realização do estudo prévio de impacto ambiental (Eia/Rima), inclusive com a 
realização de audiência pública, momento de informação e participação da sociedade. 
Diante da regularidade das etapas procedimentais, foram concedidas as licenças 
ambientais, com o funcionamento das operações. 
Contudo, podemos notar que, diante das dificuldades financeiras, especialmente 
decorrentes dos efeitos da pandemia de Covid-19, a empresa optou por reduzir custos e 
direcionou esse intento nos procedimentos e nas medidas de controle de suas 
externalidades, ou seja, daquelas que podem causar poluição. E, aqui, temos o início 
do problema, porque, ao reduzir as medidas de tratamento de efluentes, de uma 
atividade que é reconhecidamente poluidora, aumentaram os riscos de um dano 
ambiental, que viria a ser confirmado. 
O lançamento de efluentes, com a contaminação do rio, ocasionou o dano ambiental. 
Esse teve reciprocamente duas dimensões: (i) causou danos à natureza, com a 
mortandade de peixes; (ii) impossibilitou o uso da água para o abastecimento público e 
insumo de atividades produtivas (MELO, 2017). Por isso, no caso em análise, a 
empresa será responsável por esses aspectos. 
Quanto às alegações da empresa, elas não coadunam com o sistema jurídico brasileiro, 
isso porque a Constituição Federal, em seu art. 225, § 3º (BRASIL, 1988), determina a 
tríplice responsabilidade – civil, penal e administrativa – para os causadores de dano 
ao meio ambiente. No caso, é possível discutir a responsabilidade penal da pessoa 
jurídica, porque houve uma decisão do órgão colegiado, que beneficiou a empresa, já 
que deixou de investir recursos financeiros com essa conduta que, ao final, ocasionou 
o crime de poluição (BRASIL, 1998). Além disso, essa conduta pode ser analisada à 
luz da responsabilidade administrativa ambiental (BRASIL, 2008). E, por fim, 
implicará a obrigação de reparar os danos causados ao meio ambiente. 
O argumento de que a empresa é licenciada não afasta a obrigação de reparar os danos 
causados ao meio ambiente. Ademais, usar a justificativa da empregabilidade e do 
possível fechamento como forma de se esquivar da responsabilidade, além de não ter 
qualquer embasamento jurídico, representa uma lógica de privatizar os lucros e 
socializar os prejuízos com a sociedade. Por evidente, isso não se coaduna com os 
parâmetros de uma empresa que se apresenta seguindo o tripé da sustentabilidade. 
Esses são, em síntese, os principais argumentos para o deslinde da sua atuação como 
consultor ambiental. 
 
 
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