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Origem do Sumô
O Sumô é uma luta bastante antiga. Sua prática existe há pelo menos 2000/2500 anos. Por outro lado, a origem exata dessa luta é desconhecida.
Sabemos, porém, que o sumô, em seus primórdios, teria sido uma uma dança, com movimentos vigorosos para afastar os espíritos que causavam males e aterrorizavam a vida na comunidade. Somente depois que o sumô passou a ser uma luta baseada em medir forças. 
Duas possíveis origens são descritas em dois textos do século XVIII: o Kojiki (Registro de Fatos Antigos), que conta a luta entre os deuses Takemikazuchi no Kami (vencedor) e Takeminakata no Kami pelo território do Japão; e o Nihonshoki (Registro sobre o Japão), que conta a luta travada entre Nomi no Sukune (vencedor), de Izumo, e Taima no Kehaya, de Yamato, sendo estes dois lutadores considerados os precursores do sumô (YOSHIDA, 2020, p. 105). Os 2 casos são disputas em que mediram as forças dos lutadores.
O sumô, como luta, fazia parte dos eventos religiosos relacionados à colheita, sendo incorporado aos eventos anuais da corte na época do imperador Shomu (que reinou entre 724 e 749). É nesse período que se origina o Sumai no Sechi, evento anual de sumô que ocorria na corte do imperador.
Com o passar do tempo, a luta foi perdendo seu caráter religioso e, na época Heian (794 a 1185), tornou-se um evento mais voltado ao entretenimento (YOSHIDA, 2020, p. 102).
O sumô passou a ser utilizado nos treinamentos militares na época do shogunato, no período Kamakura (1185-1334).
A profissionalização do sumô ocorreu mais tarde, na época Tokugawa (1603-1868), a partir da qual a estrutura organizacional do sumô moderno se consolidou (DARIDO apud LEDUR et al., 2018, p.125).
Podemos observar que desde seus primórdios, o sumô tem uma íntima relação com com a “força”. Apesar disso, o sumô não é uma arte marcial. Seu surgimento e desenvolvimento não se deu como uma forma de defesa/ataque, mas dentro de um ritual religioso voltado para colheita. Inclusive, como aponta Darido (apud LEDUR et al., 2018, p. 125), o sumô moderno ainda mantém elementos e significados dos primórdios da luta: força, fortalecimento do espírito e contribuição para o controle mental.
Atualmente, os torneios mais importantes ocorrem 6 vezes por ano, com cerca de 800 lutadores. As principais disputas ocorrem em Tóquio e os troféus são entregues pelo primeiro ministro japonês e, em ocasiões especiais, pelo próprio imperador (DARIDO apud LEDUR et al, 2018, p. 125)
Origem do termo sumô
De acordo com Nitta (apud YOSHIDA, 2020, p. 103), a palavra sumô é a forma substantivada de sumai, flexão do verbo sumau, que significa “lutar, disputar”. É também dessa palavra que se origina sumaibito “pessoa que luta sumô” e Sumai no Sechi “Evento Anual de Sumô”
Sumô no Brasil
O sumô, assim como outras lutas de origem japonesa, veio ao Brasil com a imigração ocorrida no início do século XX.
Já na década de 1910, ocorreu o primeiro campeonato de sumô, em Guatarapá/SP, realizado por imigrantes japoneses.
Em 1962, houve a primeira grande competição de sumô, mais tarde reconhecida como o 1º Campeonato Brasileiro de Sumô.
Em 1963 é fundada a Federação Paulista do Sumô (FPS).
Em 1992, é criada a Confederação Brasileira de Sumô (CBS).
Vale destacar que o Brasil foi um dos países fundadores da Federação Internacional de Sumô (IFS), em 1992, além de ter realizado o 1º campeonato mundial amador fora do Japão, em 2000.
Em São Paulo, no bairro do Bom Retiro, foi criado o primeiro dohyo (ringue) no Brasil.
Alguns brasileiros também ganharam títulos mundiais, tanto no masculino quanto no feminino:
· Cláudio Ikemori, na categoria peso leve, em 2004
· Fernanda Pereira, no peso pesado, em 2005
· Luciana Montgomery Watanabe ganhou medalha de bronze no Campeonato Mundial de Sumô no Japão, em 2010
Atualmente, ocorre anualmente em julho os Campeonato Brasileiro Masculino, Campeonato Brasileiro Feminino, Campeonato Sul-Americano Masculino, Campeonato Sul-Americano Feminino de Sumô, sediados no Ginásio de Sumô do Conjunto Esportivo e Cultural Brasil/Japão, no Bom Retiro.
Princípios e Características
Objetivo
O objetivo da luta é ou forçar o oponente para fora do dohyo ou fazê-lo tocar o solo com outra parte do corpo sem ser a sola dos pés.
Dohyo
Início da luta
A luta é sempre precedida de uma cerimônia “para purificar o espírito e o corpo dos lutadores”.
O árbitro inicia a cerimônia, em vestes xintoístas. Já os lutadores se molham com água e jogam sal no dohyo. Ao entrar na arena, os lutadores tomam o centro e batem palmas, reverenciando e invocando a presença divina. O movimento de levantar a perna e pisar no solo é para espantar espíritos malignos.
Movimentos
Para atingir o objetivo, na luta são utilizados golpes traumatizantes, bloqueios, esquivas, projeções, quedas, desequilíbrios, imobilizações. São 70 técnicas ao todo. Alguns exemplos:
	
	Tsuridashi: segurar o adversário pelo mawashi e “levando-o” para fora do dohyo
	
	Tsukidashi: empurrar o oponente por meio de palmadas no rosto ou peito
	
	Kekaeshi: chutar o tornozelo do adversário enquanto puxa pelo ombro do oponente para desequilibrá-lo
Alguns golpes são proibidos (kinjite): socos e chutes, segurar o cabelo e segurar as vestimentas, no feminino
Vestimentas
Os lutadores de sumô usam basicamente o mawashi, uma faixa normalmente de 6m de comprimento e 45cm de largura, que fica enrolada na cintura e cobre e protege a região íntima do lutador.
Divisões e Categorias
O sumô profissional não é dividido por categorias de peso, mas por divisões. São 6 divisões no total, da mais alta para a mais baixa: makuuchi, juryo, makushita, sandanme, jonidan e jonokuchi. Cada divisão “comporta” uma quantidade de lutadores, sendo o total de 550 rikishi. Em cada divisão, os lutadores são subdivididos em grupos “leste” e “oeste”, sendo o “leste” o de ranking maior e de maior prestígio. Essa subdivisão também indica qual o lado do dohyo que vão entrar em todas as competições
A divisão principal e, consequentemente, recebe mais atenção, e a primeira: Makuuchi. É nessa divisão que se encontra o título mais alto do sumô: Yokozuna. Atingir esse nível é tão difícil que, em séculos de história profissional do sumô, somente 70 lutadores conseguiram esse título. O título é tão bem-visto que ele equivale a de um ministro de Estado e são extremamente exaltados no Japão (Ledur et al., 2018, p. 125). Além disso, o yokozuna é o único título que não sofre rebaixamento por seu desempenho em lutas; todos os demais podem ser rebaixados.
Outro ponto importante das divisões é que elas determinam a vestimenta do lutador. Por exemplo, nas 1ª e 2ª divisões, o mawashi do lutador é mais colorido, além de amarrar o cabelo com o formato de uma folha de nogueira-do-japão (ginkgo).
Importante destacar que, por não adotar a divisão por peso, o sumo profissional permite que lutadores de diferentes estruturas físicas lutem entre si.
Já o sumô amador adota a divisão por peso. Conforme a Confederação Brasileira de Sumô, é adotado no Brasil as seguintes categorias:
ADULTO MASCULINO
Leve: até 85kg
Médio: 85-100kg
Meio-Pesado: 100-115kg
Pesado: +115kg
 
ADULTO FEMININO
Leve: até 65kg
Médio: 65-73kg
Meio-Pesado: 73-80kg
Pesado: +80kg
 
JUNIOR MASCULINO
Leve: até 80kg
Médio: 80-100kg
Pesado: +100kg
 
JUNIOR FEMININO
Leve: até 60kg
Médio: 60-75kg
Pesado: +75kg
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=75HUVnwi_1U 
Detalhes (leia se interessar)
Origem do Sumô
Como fontes da história do sumô encontramos: a terracota haniwa, no túmulo kofun de Inbe Hachimanyama, na cidade da Wakayama, datado do século VI; pinturas de murais do Complexo de Túmulos kofun de Goguryeo, dos séculos IV a VI; descrições de lutas chinesas encontradas em documentos históricos; Kojiki “Registros de Fatos Antigos”, de 712; Nihonjiki “Registro sobre o Japão, de 720. (NITTA apud YOSHIDA, 2020, p. 104).
As 2 primeiras fontes são fontes iconográficas e mostram um “lutador trajando apenas um tipo de tanga (fundoshi), com joelhos levemente flexionados e com os braços estendidosà frente”.
Já no Kojiki, encontramos uma origem mitológica do sumô: tratando da “Cessão do País”, conta-se a história em que Okuninushi no Mikoto, deus que administrava o mundo dos homens, sob às ordens da deusa Amaterasu Omikami, cede o país de Ashihara no Nakatsukuni — antiga denominação do Japão, sendo o Mundo dos Homens, que ficava entre o Mundo Celestial, reino de Amaterasu, e o Reino da Escuridão — para Ninigi no Mikoto, neto de Amaterasu, designado por ela para governar o Mundo dos Homens.
Houve resistência por parte de Takeminakata no Kami, filho do deus Okuninushi. Assim, ele e o deus Takemikazuchi no Kami, deus emissário enviado por Amaterasu, travam uma disputa em Izumo, “medindo suas forças”. A vitória foi de Takemikazuchi, e Takeminakata foge para a região de Suwa, na província de Shinano (YOSHIDA, 2020, p. 104-105).
Já o Nihinshoki possui o registro mais antigo de luta travada entre dois homens: Nomi no Sukune, considerado o homem mais forte do país de Izumo (e atualmente considerado o ancestral e deus do sumô), e Taima no Kehaya, que se gabava de ser o mais forte do país de Yamato. Convocados pelo imperador Suinin, a luta foi realizada no sétimo mês do ano 7 da era Suinin (23 a.C.), sendo vencida por Sukune, que mata Kehaya após um chute que fratura suas costelas e outro que esmaga seu quadril.
Referências
EMBAIXADA DO JAPÃO NO BRASIL. Sumô. Disponível em: https://www.br.emb-japan.go.jp/cultura/sumo.html. Acessado em 29 out. 2023
CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE SUMÔ. Disponível em: https://www.brasilsumo.com.br/sumo. Acessado em 29 out. 2023
LEDUR, J. A.; ASSMANN, A. B.; MAZO, J. Z. Sumô: esporte de japonês em Ivoti/RS. In: Revista Motrivivência, Florianópolis/SC, v. 30, n. 56, p. 120-139, dezembro/2018. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/motrivivencia/article/view/2175-8042.2018v30n56p120. Acessado em: 15 out. 2023
MOCARZEL, R. C. da S. Relatos sobre o sumô ontem e hoje no Brasil e no mundo.. In: Kinesis, [S. l.], v. 34, n. 2, 2016. DOI: 10.5902/2316546423188. Disponível em: https://periodicos.ufsm.br/kinesis/article/view/23188. Acesso em: 29 out. 2023.
Sumo Techniques. Disponível em: https://sports.japantimes.co.jp/sumo/techniques.html. Acessado em 5 nov. 2023
The Structure of Sumo. Disponível em: https://www.sumotalk.com/structure.htm. Acessado em: 5 nov. 2023
YOSHIDA, L. N. Konjaku monogatarishû: sumô e os lutadores. Estudos Japoneses, [S. l.], n. 44, p. 101-121, 2020. DOI: 10.11606/ej.vi44.186002. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/ej/article/view/186002. Acesso em: 15 out. 2023.

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