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Aula 11 - autocompaixao

Texto sobre autocompaixão no Mindful Eating: explica por que é essencial para sustentar a atenção plena, diferencia compaixão e autocompaixão, relaciona aceitação e não-julgamento, propõe perguntas para pacientes, psicoeducação e exemplos de situações comuns.

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Amelia

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Autocompaixão 
A autocompaixão precisa estar por trás de todo processo de Mindful Eating, é 
muito difícil, a gente conseguir ajudar nossos pacientes a prestar atenção 
nos seus comportamentos com a comida sem autocompaixão. 
Por que toda vez que estimulamos eles a botar consciência nas ações e 
atitudes com a comida, inicialmente eles percebem um monte de 
comportamentos disfuncionais, percebem que nem todos pensamentos são 
legais, as emoções também não, o comportamentos menos ainda. 
E se não ajudarmos os nossos pacientes com exercícios de autocompaixão, 
a atenção plena nas atitudes alimentares, ao invés de ser momentos de 
consciência, vão ser momentos de tortura. E vai ser tão desagradável 
praticar a atenção plena na comida que eles podem até desistir. 
Então para que os nossos pacientes consigam sustentar a atenção neles 
mesmos, precisam de um trabalho de autocompaixão, para não encarar tudo 
que for percebendo com julgamentos. 
Comecem questionando eles: 
O que você diria para algum amigo que fracassou e não mandou muito bem 
em algo? 
Provavelmente, diriam palavras de incentivo e de compreensão. Diriam que 
só volta a tentar, segue em frente. Que todo mundo erra. Pelo menos você 
tentou. 
Mas com erros deles, eles se tratam com muitos julgamentos. 
Com os outros eles são compreensivos, empáticos e com eles mesmo é só 
paulada. Só criticas e julgamentos. E ainda pegam aquele erro e generalizam 
ao seu valor e sua capacidade. Passam a se tratar: eu não sou capaz, 
gaguejei na palestra e sou ruim. Um amigo meu gaguejou, foi a mesma 
situação e eu digo, calma, só foi um pouco no começo, você estava ótimo, o 
conteúdo foi ótimo. 
Licenciado para - Larissa P
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Ou seja, o erro do outro é só um erro e um acontecimento e o dele é uma 
sentença de fracasso, uma prova de incapacidade. E as vezes é o mesmo 
erro. E o que agrava ainda mais essa falta de autocompaixão é o quanto eles 
fazem isso sem se dar conta. 
Também é importante uma psicoeducação sobre Autocompaixão: 
Compaixão é um conceito assim como o Mindfulness da psicologia budista 
dessa compreensão oriental de ver o sofrimento do outro de uma forma 
gentil, empática, querendo genuinamente que o outro se livre do sofrimento. 
É ver um amigo sofrendo e acolher aquele sofrimento e ter vontade que ele 
pare. 
E o que seria a Autocompaixão? 
Seria se tratar com compaixão, de forma compassiva. Nos momentos que 
não mandamos muito bem. É olhar com responsabilidade para a situação, 
enxergar onde você errou e com gentileza tentar ver o que você pode 
melhorar e se você já consegue melhorar. Porque as vezes a gente se exige 
para mudar algo e ainda não consegue. 
E como faz isso? 
Oferecendo a si mesmo a empatia que ofereceríamos a um outro que está 
sofrendo. É assumir um erro, perceber que não foi tão legal, que podia ter 
feito melhor, e isso não é se acomodar no erro. Muito ao contraio, isso é 
autorresponsabilidade e é autocompaixao. 
Não existe autocompaixão sem aceitação. Se ele não aceitar, que naquele 
momento, foi o melhor que pôde fazer, mesmo não sendo legal, ele vai ficar 
remoendo, se esculachando e não vai conseguir se tratar com 
autocompaixão para ver o que pode melhorar. 
Porque ele fica preso no erro, na falhar. E o pior, sem poder fazer nada pra 
mudar, porque já passou. 
O não julgamento da espaço para a aceitação. Quando a gente ajuda o 
nosso paciente a não olhar a situação com criticas e sim como uma 
possibilidade de aprender com aquela situação, isso é aceitação. A aceitação 
é a base do mindfulness. Não tem como ter atenção plena e ficar se 
julgando. Prestar atenção no momento e na situação, é aceitar o que é. 
Aceitar que a dificuldade é essa. Mas não cruzar os braços diante daquilo. E 
sim buscar melhorar. Isso é mindfulness, aceitação e autocompaixão. 
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Se eu presto atenção, mas não aceito. Não é mindfulness. Porque atenção 
plena é aceitar a situação como ela é. Aceitar o erro e buscar maneiras de 
lidar melhor com aquilo. 
A base da autocompaixão é a ideia que nosso sofrimento precisa ser 
acolhido. Que os nossos erros não anulam nossos valores como pessoa e 
temos uma humanidade em comum porque todo mundo erra. 
Exemplos: Assim como eu tive um final de semana de exagero, milhares de 
pessoas passam por isso. Assim como eu mandei mal na live, milhares de 
pessoas passam por isso. Assim como não fui tão bem no concurso que eu 
tava dando a vida estudando, milhões de pessoas passam por isso. 
Porque é do humano mandar mal. E não ir tão bem. 
Muitas vezes o que a gente ver do outro é um recorte do outro indo bem. 
Então se o seu paciente não aceitar que pode errar, ele facilmente desiste. 
Aceitar não é acomodar. Muito pelo contrário. Aceitar é olhar para aquela 
situação de maneira racional e autorresponsável para tentar o quanto antes 
continuar tentando. 
Seu paciente precisa perceber que é do humano emoções desagradáveis, 
pensamentos feios, comportamentos estranhos, assim como todo mundo. 
Se eu pratico atenção plena eu vou ver que passa um monte de coisa 
esquisita na minha cabeça. Não é legal, eu não gosto, mas é a nossa 
humanidade em comum. 
E um outro ponto é que precisamos ajudar nossos pacientes a ser capaz de 
sustenta o mal estar. Quando eles percebem que exagerou na comida, isso 
gera um mal estar, mas muitas vezes, não vou conseguir me livrar disso 
rápido, o máximo que posso fazer é tentar me tratar com gentileza e pensar 
que na próximo posso ser melhor. Mas não consigo virar chave para me 
sentir bem imediatamente, então pra eu conseguir me tratar com 
autocompaixão eu preciso sustentar o sofrimento. 
E isso é muito difícil. Talvez seja um dos trabalhos mais difíceis. Mas é 
extremamente importante. 
Alguns pacientes confundem autocompaixão com “passar a mão na cabeça 
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E vamos ensinando que não se trata disso e sim de olhar para o que 
aconteceu de errado, analisar todos os pontos do problema, mas sem 
julgamento e sim com uma intensa vontade de ajudar a si mesmo. 
Reconhecendo o que aconteceu, ao invés de ficar remoendo. 
Ajudar eles a direcionar a atenção, a percepção ao esforço, ao que foi feito, 
até no momento que ele exagerar na comida, ao invés de já se atacar por 
isso. Tentar perceber gatilhos, tentativas de resistir ao impulso, e o que pode 
fazer em outro momento. Esse raciocínio ajuda para que ele se trate com 
autocompaixão. Vamos destacar fortemente isso que a autocompaixão não 
tem a ver com ficar passando a mão na cabeça com pena, não tem a ver 
com pena, passividade ou vitimismo. 
Então o exercício é claro: 
É ensinar eles a se ajudar, a tratar a si mesmo, como trataria uma pessoa 
que ama. 
E a partir da autocompaixão eles podem praticar a bondade amorosa, para 
referirem, usarem como eles mesmo palavras de bondade. 
Bondade amorosa é se cuidar, com palavras de afirmações de qualidades 
que eles identificam nele. Isso é importante porque eles têm uma tendencia 
de só se esculacharem. A bondade amorosa vem para eles se relembrarem 
de suas qualidades. 
O maior problema desse comportamento julgador é que nunca ajuda a 
evoluir e não evoluindo, não faremos melhor de uma próxima vez. 
Eles precisam lutar contra os julgamentos. Mas orientem a eles que isso 
requer prática, já que não é algo ensinado ao longo da vida. Na nossa 
geração a quando tirávamos uma nota baixa nossos pais nos castigava, ao 
invés de nos ensinar a aprender algo com a situação, ter compaixão e 
melhorar na próxima. 
Então é treino, e compreensão o que realmente é a autocompaixão.
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