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SOCIALIZAÇÃO ORGANIZACIONAL João Pessoa, Março de 2014 2 1. INTRODUÇÃO A socialização começa cedo na vida, tendo como participantes diretos, os membros da família. A família desempenha um papel fundamental no que diz respeito aos valores e atitudes bem como padrões culturais. Ao ter contato com outras pessoas, o indivíduo exerce uma tentativa de influência, buscando se identificar com o grupo, sendo que suas atitudes podem ser transmitidas de modo muito sutil. “O ser humano não vive em círculo fechado, pois é na relação com o outro que o ego se constrói”. (Chanlat, 1991 p. 36). Hutchins (1993), ao comentar as crenças fundamentais em relação às pessoas e grupos, diz que estas definem o homem como um ser social em sua essência. Portanto, “se o ser humano nasceu com a necessidade de comunicar-se, compete então à empresa, na figura de seus gestores dos recursos humanos, criar esses espaços tão importantes para a evasão e o desenvolvimento da inteligência emocional humana.” (Figueiredo, 1999 p.17). Infelizmente, a literatura não tem dedicado grande atenção à temática que aborda a movimentação de pessoas nas organizações, embora na prática organizacional tal abordagem mereça grande cuidado para um bom desenvolvimento organizacional. O programa “Integração de Novas Pessoas” ou “Socialização Organizacional” tem como um dos seus principais objetivos informar e esclarecer ao recém-admitido os aspectos que propiciem a ter uma visão de conjunto da organização, seus objetivos e sua estrutura organizacional. Outros esclarecimentos são também destacados em função do que a organização espera e pode oferecer ao novo empregado. Seus conceitos e práticas são seguidos por organizações dos mais diversos setores e segmentos, que buscam por meio deles quebrar o impacto da inicialização, buscando aproximação no relacionamento, proporcionando um melhor ambiente de trabalho entre colaboradores. Está mais do que comprovado, o ser humano não vive isoladamente, e sim em contínua interação com seus semelhantes. Sobre a questão, pontua Chiavenato (1999, p. 146): “Essas pessoas são admitidas na organização e se tornam seus novos membros e ocupantes de cargos. Contudo, antes que eles iniciem suas atividades, as organizações procuram integrá-los em seu contexto, condicionando-os as suas práticas e filosofias predominantes através de cerimônias de iniciação e de aculturamento social, ao mesmo tempo em que tentam o desprendimento de antigos hábitos e prejuízos arraigados e indesejados que devem ser banidos do comportamento do recém-iniciado”. 3 A orientação das pessoas é o primeiro passo para a sua adequada aplicação dentro das diversas atividades da organização. O ato da orientação deve valer tanto para os novos como para os antigos funcionários. Quando ingressam na organização, ou quando a organização faz mudanças, as pessoas precisam sentir em que situação se encontra e para onde devem conduzir suas atividades e esforços. Portanto, o objetivo maior do trabalho foi realizar um estudo exploratório sobre socialização organizacional, percebendo seus conceitos, etapas, métodos e vantagens para a conquista de um bom desempenho organizacional frente a nova visão estratégica de gestão de pessoas. A motivação e interesse à escolha do tema em estudo justificaram-se por quatro razões fundamentais. Em primeiro lugar, apesar da literatura não dar grande atenção à temática, percebe-se a importância da socialização organizacional como fator de desempenho das organizações. Em segundo lugar, um processo de socialização mal administrado pode levar a uma rotação prematura ou a um contrato psicológico que provoque a realização de uma quantidade mínima de trabalho. Em terceiro lugar, a socialização, apesar se sua importância, tem sido relegado por dirigentes e por teóricos a um segundo plano na discussão sobre gestão de pessoas, ocorrendo por se acreditar que é um processo menos nobre quando comparado com os processos de valorização e desenvolvimento das pessoas. Por fim, o processo de socialização da pessoa em seu ambiente de trabalho, no qual ela entra em contato com os padrões culturais e políticos da organização. Ao mesmo tempo em que vai descobrindo a organização, a pessoa é também descoberta. Todavia, de nada vale tentar orientar as pessoas dentro da organização se a organização não sabe para onde pretende ir. O importante é saber para onde a organização está indo para tentar fazer com que as pessoas a ajudem em sua trajetória. Conhecer a missão e a visão da organização é fundamental. E, sobretudo, ajustar-se a sua cultura organizacional. 4 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 Processo de Integração Grupal 2.1.1 A Janela de Johari 2.1.2 Etapas Pessoais para a Integração Grupal Um dos desafios com que se defronta o responsável de um grupo de trabalho é o de favorecer e assegurar o crescimento de seu grupo de dentro, para além e muitas vezes a despeito de sua organização formal, isto é, das estruturas de trabalho e de poder que seu grupo assumiu ou que lhe foram importas no momento de sua constituição. Crescer, para um grupo de trabalho, é tornar-se mais eficiente, mais criativo ao nível da tarefa. Ora, os pesquisadores sobre a gênese dos pequenos grupos de trabalho acumularam, nesses últimos anos, dados experimentais convergentes, demonstrando que não há criatividade durável nem autêntica ao nível da tarefa, enquanto os membros do grupo não tiverem conseguido integrar-se como grupo. Diante desta realidade, Mailhiot (1991) aponta que esta é a conclusão que chegaram, sobretudo, os trabalhos de C. Aryris, de Bion e de Heider. Tais pesquisadores concebem a integração de um grupo de trabalho: suas fases, suas leis, seus critério. 2.1.2.1 Fases de integração Anunciou Mailhiot (1991) que é em três fases, quase sempre, que se opera gradualmente a integração de um grupo de trabalho. Cada uma destas fases propõe problemas específicos a uma autoridade que pretende se exercer de modo funcional. Por outro lado, a passagem de uma fase a outra, para um grupo de trabalho, depende de modo decisivo do clima de grupo que o líder consegue criar. A) Fase individualista A primeira fase da evolução de um grupo de trabalho é identificada pela maior parte dos pesquisadores recentes, como a fase individualista. Independentemente da natureza da tarefa e das estruturas de organização formal do grupo, indivíduos que se reúnem para executar juntos um trabalho, têm tendência, no início e por um certo tempo, a querer se afirmar como indivíduos. Esta fase durará até que cada um tenha conseguido se fazer aceitar como indivíduo. Esta fase que parece mobilizar os membros do grupo em torno de preocupações que os afastem sua integração. 5 Desta forma, o responsável pelo grupo deve saber reconhecer que esta fase responde às necessidades fundamentais dos membros. Eles não se engajarão na tarefa senão a partir do momento em que se sentirem plenamente aceitos. O líder não deve frear ou acelerar esta fase, mas sensibilizar os membros do seu grupo quanto ao partido que podem tirar destas primeiras confrontações, objetivando-se uns em relação aos outros. Conhecendo-se melhor e aceitando- se reciprocamente, eles têm oportunidade de descobrir os recursos de cada um em função da tarefa que realizarão eventualmente juntos. Tem-se assim, que os papeis aparentemente negativos que durante esta fase certos membros podem assumir, como monologar ou se comprazer em detalhar sua biografia, e que parecem distrair o grupo da tarefa, são funcionais na medida em que a necessidades de segurança dos participantes. É uma ocasião privilegiada para o líder reconhecer, por suas próprias atitudes e comportamento, que a primeira tarefa de um grupo de trabalho é a aceitação mútua. B)Fase de identificação A segunda fase pela qual uma pessoa deve passar para assegurar sua integração é conhecida como a fase de identificação. Quanto mais heterogêneo é o grupo, mais esta fase terá tendência a se prolongar. Uma vez aceitos como indivíduos, certos membros, antes de consentirem em fazer grupo, procurarão integrar-se inicialmente em subgrupos. É o caso dos membros que se percebem como minoritários no grupo de trabalho, não se sentem considerados como membros, totalmente, nos momentos de decisão. Sentem, então, a necessidade de sub-agrupar com aqueles que experimentam este mesmo temor e partilham das mesmas apreensões. Assim, fica evidenciado que o líder pode desempenhar então um papel decisivo, pelo valor e autenticidade de sua presença junto aos membros, demonstrando interesse em que cada um participe em todas as deliberações do grupo, mostrando assim que ele julga indispensável o trabalho de cada um para a execução da tarefa. C) Fase de Integração. Quando cada um se sente plenamente aceito, quando os membros minoritários tiveram certeza de que no momento das decisões serão aceitos, um grupo de trabalho consegue então integrar-se. Chega-se, assim, à terceira fase, chamada fase de integração. O líder deve então assumir simultaneamente dois tipos de papéis de solidariedade. Deve verificar se a integração do grupo de trabalho não foi concluída excluindo alguém ou fazendo 6 pressão sobre quem quer que seja. Importa que o seu grupo de trabalho tome o tempo necessário para operar sua integração em profundidade. Por outro lado, é preciso estar atento para que o clima de trabalho marcado, então, pela aceitação e solidariedade não se deteriore em clima de enfatuação. Certos grupos de trabalho que tiveram dificuldades em se integrar, sentem de tal modo a exaltação quando conseguem enfim esta integração que têm tendência a voltar-se sobre si mesmos, a se comprazer em seus sentimentos de perfeito entendimento e negligenciam ou esquecem, pouco a pouco, a tarefa a executar. 2.1.2.2 Leis de integração Mailhiot (1991) acrescenta ainda que para assumir estes papéis específicos e criar clima de grupo propício à integração, o líder de um grupo de trabalho deve respeitar o que se convencionou chamar as “leis fundamentais da integração” de um grupo de trabalho. Há duas: a) A primeira lei consiste em aceitar e fazer aceitar pelos membros os momentos de ansiedade inerentes a todo processo de crescimento psíquico. Nós sabemos presentemente que os grupos, como os indivíduos, devem desenvolver níveis elevados de tolerância à frustração, caso contrário, nos momentos inevitáveis de ansiedade que conhecem durante a sua evolução, ao invés de crescer e de se superar, terão tendência a regredir recorrendo a um conjunto de mecanismos de defesa de grupo e de compensação em grupo. b) A segunda lei da integração de um grupo de trabalho é a “lei da complementariedade”. A integração para se operar de modo duradouro e em profundidade, deve se concluir não pelo nivelamento das diferenças entre os membros, mas por sua complementariedade. Mas para que esta possa emergir e se atualizar entre os membros de um grupo de trabalho, importa que o líder tenha conseguido criar um clima de grupo onde cada membro aceita perceber-se diferente, mas incompleto e cada um dos outros membros como seu complemento eventual. Cada membro aprende, assim, a não renegar sem renunciar ao que ele é, mas a ser cada vez mais ele mesmo e a colocar à disposição do grupo os recursos únicos de que dispõe. As diferenças de opinião, as divergências de pontos de vista, longe de serem apreendidas como fontes de conflitos e de tensões no grupo, são acolhidas como outras tantas possibilidades de complementariedade e de interdependência entre os membros na elaboração 7 de soluções sempre mais adequadas aos problemas que devem resolver juntos na execução da tarefa. 2.1.2.3 Critérios de integração Através de que critérios se reconhece que o exercício da autoridade em grupo de trabalho favoreceu sua integração? Os mais significativos e os mais reveladores na visão de Mailhiot (1991) são os três seguimentos: A) Validade das comunicações O primeiro critério de integração é a validade das comunicações que se estabelecem entre todos os membros do grupo inclusive o responsável pelo trabalho. Sobre este assunto possuímos vários dados convergentes. Para serem válidas as comunicações no interior de um grupo de trabalho, pressupõem que seus membros tenham conseguido, ao se integrarem, adotar uma linguagem comum, recorrer a símbolos e códigos que lhes são próprios. Além disto, os membros deverão ter aprendido a prestar uma atenção mútua e um interesse real. Sobretudo o líder do grupo deverá ter conseguido estabelecer relações humanas igualitárias entre ele e os membros. Quanto mais estas relações se tornarem autenticamente igualitárias, mais a comunicação terá condições de ser aberta e circular. Por outro lado, quanto mais a integração do grupo de trabalho tenha se concluído sobre uma base de complementariedade e não de subordinação, mais os canais de comunicação se tornarão funcionais entre eles. Por outro lado, se as relações ao se articularem tornam-se hierarquizadas, as linhas de comunicação no interior do grupo, cedo ou tarde, estabelecer-se-ão em sentido único. Bloqueios e filtragens se multiplicarão, as relações interpessoais entre colegas ou com o responsável arriscarão tornar-se muito cedo negativas, prejudicadas pelos mal-entendidos, equívocos ou ressentimentos que parecerão irredutíveis. Relações humanas rigidamente hierarquizadas em pequenos grupos de trabalho dão fatalmente lugar a atritos desastrosos, polarizados por conflitos de prestígio que, pelo fato de não poderem ser despersonalizados, em razão do clima de grupo, terminam por prejudicar a comunicação no interior do grupo, de modo insolúvel. A integração, então, só poderá ser artificial e aparente, se não chegar a ser totalmente comprometida para sempre. B) Coesão ótima Os dois outros critérios decorrem imediatamente do primeiro. Uma vez tornada válida a comunicação no interior de um grupo de trabalho, e os membros capazes de dialogar entre 8 eles, de melhor se sensibilizar para tudo o que os torna diferentes mentalmente uns dos outros, suas relações interpessoais podem então atingir um alto grau de coesão. Sentem também uma verdadeira culpabilidade toda vez que são forçados a se ausentarem das sessões de trabalho de grupo. Sentem a necessidade de explicar previamente as razões de suas ausências, se estas razões são imperiosas e de se desculparem junto ao grupo cada vez que sua ausência não lhes parece absolutamente justificada. Nos momentos de hesitações ou de fracassos, sua empatia transforma-se em solidariedade e lealdade. Essa coesão ótima, indício de que sua integração está concluída, torná-los-á aptos a coordenar, sincronizar e sintonizar seus esforços em relação à tarefa, Este sentimento de pertencer ao grupo, se foi adquirido em clima igualitário, não será sentido como uma fixação. A interdependência dos membros repousará sobre sua autonomia e sua independência respectivas e se conciliará com elas. C) Permeabilidade das fronteiras O terceiro e último critério de integração de um grupo de trabalho é a permeabilidade das fronteiras. Um grupo de trabalho atinge este nível quando sua integração funda-se sobre uma tal solidariedade que ela não é ameaçada pela saída ou ausência de um de seus membros, nem comprometida pela chegada de novos. As dificuldades que os novos membros sentem ao se integrarem são logo su0peradas. Estruturas de acolhimento em relação a toda colaboração do exterior realmente positiva se desenvolvem sem que o grupo tema perder sua identidade. 2.1.3 Estágios de desenvolvimento do grupo As pessoas não vivem isoladas e nem trabalham sozinhas.O espírito gregário faz com que elas procurem viver em agrupamentos sociais. O grupo social – seja ele primário, espontâneo ou de trabalho – ocupa a maior parte da vida das pessoas. A filiação a um grupo constitui parte da vida de trabalho da maioria das pessoas. Daí a importância em se compreender a formação, o desenvolvimento e as características dos grupos. É assim que Bitencourt (2004) afirma que para que as pessoas trabalhem em grupo, antes de tudo, é necessário, que elas estejam preparadas para isso, e mesmo uma cultura diferente do coletivismo pode assimilar essa técnica de organização do trabalho, desde que seja criado um ambiente propício às relações interpessoais. Sobre esta questão Chiavenato (2005) destaca que as organizações modernas estão migrando rapidamente de estruturas tradicionais baseadas em órgãos e cargos para estruturas baseadas em equipes. Ao invés de separar as pessoas em cargos individualizados e isolados, 9 as organizações estão preferindo junta-las e integrá-las em equipes coesas e de alto desempenho. O grupo é amplamente reconhecido como uma importante unidade de análise no estudo do Comportamento Organizacional. O estudo de grupos é extremamente importante quando sua dinâmica é também analisada. A dinâmica de grupo significa as interações e forças entre os membros de um grupo em uma situação social. Assim, um grupo pode ser definido com duas ou mais pessoas interagentes e interdependentes para alcançar determinados objetivos particulares. Segundo WAGNER III e HOLLENBECK (2000), grupo é um conjunto de duas ou mais pessoas que interagem entre si de tal forma que cada uma influencia e é influenciada pelas outras. Os membros de um grupo definem importantes distinções psicológicas entre si e as pessoas que não participam do grupo. Em geral, elas: (1) Definem a si mesmas como membros; (2) São definidas pelas outras como membros; (3) Identificam-se umas com as outras; (4) Envolvem-se em interação freqüente; (5) Participam de um sistema de papéis interdependentes; (6) Compartilham normas comuns; (7) Buscam metas comuns, interdependentes; (8) Sentem que sua filiação ao grupo é compensadora; (9) Possuem uma percepção coletiva da unidade; e (10) Unem-se em todo confronto com outros grupos ou indivíduos. Essas distinções na visão dos autores fornecem ao grupo suas fronteiras e um sentido de permanência. Emprestam ao grupo uma identidade distinta e o separam de outras pessoas e grupos. Contribuem também para a eficácia do grupo, o objetivo último das atividades grupais. Um grupo é eficaz quando satisfaz três critérios importantes: (1) Produção: O produto do trabalho do grupo deve atender ou superar os padrões de quantidade e qualidade definidos pela organização. A produtividade do grupo é uma medida dessa produção; (2) Satisfaçâo dos membros: A filiação ao grupo deve propiciar às pessoas satisfação a curto prazo e facilitar seu crescimento e desenvolvimento a longo prazo. Se não o faz, os membros sairão, e o grupo deixará de existir; e (3) Capacidade para cooperação contínua. Os processos interpessoais que o grupo utiliza para concluir uma tarefa devem manter ou ampliar a capacidade dos membros de trabalhar juntos. Grupos que não cooperam não conseguem permanecer viáveis. Um grupo eficaz, portanto, é capaz de satisfazer demandas imediatas de desempenho e satisfação do grupo e, ao mesmo tempo, estabelecer condições para a 10 sobrevivência em longo prazo. A capacidade de um grupo de realizar esses objetivos, muitas vezes conflitantes depende dos processos intimamente relacionados da formação e do desenvolvimento do grupo. Muitos autores (CHIAVENATO, 2005; WAGNER III e HOLLENBECK, 2000) discorrem sobre etapas do desenvolvimento do grupo como um pocesso dinâmico. Cada grupo está em um estágio de desenvolvimento que mostra como ele evolui. Um grupo nunca alcança completa estabilidade. Tem-se, assim, de acordo com Chiavenato (2005) os grupos passam por um padrão de seqüências de cinco estágios, sendo assim definidos: 1.Formação: é o estágio inicial da formação e construção de um grupo, e apresenta dois aspectos. No primeiro, as pessoas ingressam no grupo seja devido à atribuição do trabalho, no caso de um grupo formal, ou devido a algum benefício desejado, no caso de um grupo infor- mal. Quando as pessoas estão reunidas em grupo, a segunda fase no estágio de formação é a tarefa de definir os propósitos do grupo, estrutura e liderança. Essa fase é caracterizada pelo aspecto de incerteza. Os membros estão testando os outros para determinar quais os tipos de comportamento são aceitáveis. Esse estágio se completa quando os membros começam a pen- sar em si mesmos como parte de um grupo. 2.Tormenta: é o estágio em que surge o conflito intragrupal. Os membros aceitam a existência do grupo, mas resistem ao controle que o grupo impõe sobre a sua individualidade. Além disso, O conflito se estende para quem deve controlar o grupo. Quando esse estágio se completa, surge uma hierarquia relativamente clara de liderança dentro do grupo e um acordo ou consenso quanto a sua direção. 3. Normalização. Neste estágio se desenvolve um estreito relacionamento, e o grupo demonstra uma gradativa coesão. Ocorre um forte senso de identidade grupal e de cama- radagem. Essa terceira fase se completa quando a estrutura do grupo se solidifica e o grupo assimila um conjunto comum de expectativas que definem o comportamento atual dos membros. 4.Desempenho. No quarto estágio, a estrutura do grupo já é totalmente funcional e aceita. A energia grupal move-se do conhecimento e compreensão de cada um dos membros 11 para o desempenho da tarefa a ser feita. O desempenho significa o último estágio do desenvolvimento de grupos permanentes de trabalho. 5.Interrupção: Os grupos temporários - como comissões, forças-tarefa, equipes ou grupos similares - que têm uma tarefa limitada para desempenhar possuem um quinto estágio. Nesse estágio o grupo se prepara para a debandada, isto é, o retorno dos membros às suas atividades normais em outras áreas. É o momento em que o grupo deixa de existir. Altos níveis de de'sempenho na tarefa constituem uma das prioridades principais de um grupo quando a atenção é direcionada para a melhoria das atividades. As respostas dos membros do grupo variam nesse estágio: alguns membros querem melhorar mais ainda, enquanto outros se preocupam com a perda da camaradagem e amizade ganhas durante a vida do grupo de trabalho. Figura 1 – Os cinco estágios do desenvolvimento de um grupo. 1. Formação 2. Tormenta 3. Normatização 4. Desempenho 5. Interrupção Fonte: Wagner III e Hollenbeck, 2000. 12 À medida que os grupos se desenvolvem, seus membros modificam tarefas formalmente prescritas, esclarecem papéis pessoais e definem normas. Na concepção de Chiavenato (2005), os processos de desenvolvimento dos grupos seguem quatro etapas. A primeira etapa de desenvolvimento do grupo, a iniciação, é marcada pela incerteza e ansiedade. Membros novos ou potenciais se concentram em conhecer suas mútuas opiniões e habilidades pessoais. No começo, é provável que discutam assuntos neutros, como o clima e notícias locais com pouca relação com o objetivo do grupo. À medida que ganham familiaridade e começam a sentir-se mais à vontade, passam a discutir questões gerais do trabalho e aprovável relação de cada pessoa com a tarefa formalmente prescrita para o grupo. A atenção agora se concentra na definição de quais comportamentos devem ser considerados apropriados e que tipo de contribuição se espera que as pessoas forneçam ao grupo. À medida que se trocam e se discutem idéias, as pessoas que dispõem de opção podem decidir se continuam ou se desligam do grupo. Os membros do grupo também podem tentar escolheralguém para atuar como líder. Quando o grupo entra na segunda etapa de desenvolvimento, a diferenciação, é provável que surjam conflitos à medida que os seus membros tentam alcançar acordo quanto ao propósito, às metas e aos objetivos elo grupo. Diferenças pronunciadas de opinião também podem surgir à medida que os membros tentem obter consenso sobre como exatamente executarão a tarefa formalmente prescrita para o grupo. Definir quem fará o quê - e quando, onde, por que e como - e que recompensa os membros do grupo receberão por seu desempenho geralmente se mostra extremamente difícil. Desacordos quanto aos papéis dos membros tornam-se, às vezes, violentos o bastante para ameaçar a própria existência elo grupo. Se bem-sucedida, contudo, a diferenciação cria uma estrutura ele papéis e normas que permite ao grupo realizar missões que seus membros não conseguiriam realizar sozinhos. Tendo amadurecido a etapa de diferenciação, os membros do grupo devem resolver conflitos acerca de outras questões cruciais na terceira etapa de desenvolvimento do grupo, a integração. A integração está voltada ao restabelecimento do propósito central do grupo à luz da estrutura de papéis desenvolvida durante a diferenciação. A tarefa do grupo pode passar a ser definida em termos informais que modificam o seu propósito forma! e refletem a experiência e as opiniões dos membros do grupo. Alcançar um consenso sobre o propósito do grupo ajuda a desenvolver um sentido de identidade entre os membros e promove a 13 coesão interna do grupo. Também fornece o fundamento para o desenvolvimento de regras, normas e procedimentos adicionais para ajudar a coordenar interações entre os membros elo grupo e facilitar a busca de metas. Na etapa final do desenvolvimento elo grupo, a maturidade, os membros desempenham seus papéis e trabalham para alcançar as metas do grupo. Muitos dos acordos informais quanto a metas, papéis e normas podem assumir importância formal, sendo adorados pela gerência e documentados por escrito. Formalizar esses acordos ajuda a garantir que as pessoas que entram para o grupo nessa etapa compreendam o propósito e o modo ele funcionamento elo grupo. Mesmo nesta última etapa, o grupo pode ser confrontado com novas tarefas ou novas exigências de desempenho. Mudanças no ambiente ou na composição do grupo podem tornar necessária a volta a uma etapa anterior e a retomada do processo de desenvolvimento. O desenvolvimento do grupo, portanto, é um processo dinâmico e contínuo no qual os entendimentos informais sustentam, ou ocasionalmente deslocam, as características formais do grupo e de suas tarefas. Nem todo grupo passa de um modo previsível e gradual por todas as quatro etapas descritas. Além disso, o processo de passagem de uma etapa para outra pode ser mais errático elo que uniforme. No entanto, juntamente com o processo de formação, o desenvolvimento do grupo é o meio pelo qual os grupos ganham existência e organização. Dos valores culturais, estabelecem-se as normas, que são os tipos de comportamento desejáveis ou adequados estabelecidos pelo grupo. As normas são fundamentais à organização. A conformidade às normas é aprendida: as recompensas se apresentam sob forma de aprovação social. Quando o indivíduo está sob nova influência de um grupo, passa por um processo de adaptação às normas e mudanças internas que com ele ocorrem. É a nova fase de adaptação, dele com si próprio e dele com a atual sociedade, aqui ocorre a integração do indivíduo com as demais personagens do meio organizacional: O período inicial do emprego constitui uma fase crucial dessa adaptação e do desenvolvimento de um relacionamento saudável entre o novo membro e a organização. É um período lento e difícil de adaptação, no qual a rotatividade de pessoal costuma ser mais elevada do que nos outros períodos subseqüentes. Nesse período, cada uma das partes aprende a se ajustar à outra. É uma aprendizagem recíproca, em que ambas as partes procuram reduzir a incerteza uma a respeito da outra (CHIAVENATO, 1999) 14 Quando os grupos se mantêm em harmonia dentro de uma estrutura central e podem trabalhar em conjunto e comunicar-se entre si em ambos os sentidos, estão presentes os aspectos essenciais para a integração. O controle social e, consequentemente, a ordem social são alcançados pela interpenetração das necessidades e da dependência de cada grupo em relação aos demais (KOLASA, 1978). 2.2 Socialização Organizacional: Um panorama conceitual A missão, a visão, os objetivos organizacionais e a cultura constituem o complicado contexto dentro do qual as pessoas trabalham e se relacionam nas organizações. E é óbvio que a organização procure envolver as pessoas com os seus tentáculos para ajustá-las a esse contexto. Principalmente as pessoas que estão ingres- sando na organização: os novos funcionários. Após vencerem os obstáculos do processo seletivo, os candidatos são admitidos na organização e se tornam seus novos membros e ocupantes de cargos. Contudo, antes que eles iniciem suas atividades, as organizações procuram integrá-los em seu contexto, condicionando-os as suas práticas e filosofias predominantes através de cerimônias de iniciação e de aculturamento social, ao mesmo tempo em que tentam o desprendimento de antigos hábitos e prejuízos arraigados e indesejados destacado por Chiavenato (1999) que devem ser banidos do comportamento do recém-iniciado. Segundo Shinyashiki (2003) Dá-se o nome de socialização organizacional à maneira como a organização recebe os novos funcionários e os integra à sua cultura, ao seu contexto e ao seu sistema para que eles possam comportar-se de maneira adequada às expectativas da organização. A socialização organizacional é a maneira como a organização procura marcar no novo participante o modo como ele deve pensar e agir de acordo com os ditames da organização. O novo participante deve renunciar a um certo grau de sua liberdade de ação para poder ingressar na organização e seguir os seus preceitos internos, pois deve concordar em obedecer a um horário de trabalho, desempenhar uma determinada atividade, seguir a orientação de seu gerente imediato, atender a regras e regulamentos internos, etc. A organização procura induzir a adaptação do comportamento do indivíduo as suas expectativas e necessidades. Enquanto isso, o novo participante procura influenciar a organização e o seu gerente superior para criar uma situação de trabalho que lhe proporcione satisfação e o alcance 15 de seus objetivos pessoais. Trata-se de um processo de quatro mãos em que cada uma das partes tenta influenciar e adaptar a outra aos seus propósitos e conveniências: de um lado a socialização e, de outro lado, a personalização (CHIAVENATO, 1999). Nesse processo bidirecional, a adaptação é mútua, tendo em vista a busca de uma verdadeira simbiose entre as partes. Além de bidirecional é recíproca, pois cada parte atua sobre a outra. O período inicial do emprego constitui uma fase crucial dessa adaptação e do desenvolvimento de um relacionamento saudável entre o novo membro e a organização. É um período lento e difícil de adaptação, no qual a rotativi- dade de pessoal costuma ser mais elevada do que nos outros períodos subseqüentes. Nesse período, cada uma das partes aprende a se ajustar à outra. É uma aprendizagem recíproca, em que ambas as partes procuram reduzir a incerteza uma a respeito da outra. Diante desta realidade, Dutra (2002) afirma que o contrato psicológico condiciona boa parte desse ajustamento mútuo. Um contrato é um acordo ou expectativa que as pessoas mantêm consigo mesmas ou com os outros. O contrato torna-se um meio utilizado para a criação e troca de valores ou intercâmbio de recursos entre as pessoas. Cada pessoa representa seus próprios contratos que regem tanto as suas relações interpessoais comointrapessoais. O contrato psicológico é um entendimento tácito entre indivíduo e organização a respeito de direitos e obrigações consagrados pelo uso que serão respeitados e observados por ambas as partes. Ao contrário do contrato formal, o contrato psicológico não é escrito e muitas vezes nem é discutido ou esclarecido. Ele se refere à expectativa do indivíduo e da organização em que prevalece o sentimento de reciprocidade: cada parte avalia o que está oferecendo e o que está recebendo em troca. Se desaparecer o sentimento de reciprocidade, ocorre uma modificação dentro do sistema. Os contratos psicológicos são desenvolvidos entre pessoas, grupos de pessoas ou organizações. Na realidade, o processo de integração procura fazer com que o novo participante assimile de maneira mais intensiva e rápida, em uma situação de laboratório, a cultura da organização e se comporte a partir daí como um membro que veste a camisa da organização. Segundo Chiavenato (1999) a socialização organizacional é o conjunto pelos quais um novo membro aprende o sistema de valores, as normas e os padrões de comportamentos requeridos pela organização na qual ingressa. É uma aprendizagem específica e que representa o preço de ser um novo membro da organização. 16 Chiavenato (1999) acrescenta ainda que o processo de socialização organizacional – mais conhecido como processo de integração, de adaptação ou de indução – visa fazer com que o novo participante da organização aprenda e incorpore certos valores, normas e padrões de comportamento que a organização considera imprescindíveis e relevantes para um bom desempenho em seus quadros. Quase sempre envolve: a) os objetivos básicos da organização; b) os meios preferidos através dos quais os objetivos serão alcançados; c) as responsabilidades básicas de cada membro no papel que lhe está sendo confiado; d) os padrões de comportamento requeridos para o desenvolvimento eficaz do papel; e) o conjunto de regras ou princípios que asseguram a manutenção da identidade e integridade da organização; f) os produtos e serviços produzidos pela organização; e g) os clientes internos e externos. Nesse sentido, o grau em que o novo membro deve aprender esses valores, normas e padrões de comportamento depende obviamente do grau de socialização exigido pela organização. Quanto mais rígida a organização, tanto maior a necessidade de um processo de integração mais demorado e capaz de adaptar e ajustar o novo membro às expectativas da cultura predominante. O conceito de socialização organizacional focaliza a interação entre um sistema social estável e os novos membros que nele ingressam. Refere-se aos processos pelos quais um novo membro aprende o sistema de valores, as normas e os padrões de comportamento requeridos pela sociedade, pela organização ou pelo grupo para o qual ingressa. Chiavenato (1981) afirma que em muitas vezes, a socialização organizacional exige uma fase destrutiva ou descongeladora dos valores e padrões de comportamento previamente aprendido pelo novo membro em outras organizações anteriores. Outras vezes, o processo de socialização envolve apenas a reafirmação de algumas normas através de vários canais de comunicação existentes na organização ao longo do tempo e de instruções diretas obtidas dos supervisores e instrutores. Geralmente, o processo de socialização organizacional é conhecido como programa de integração de novos empregados. De forma geral, o que se observa, é que a socialização, e de modo especial, a socialização organizacional vem despertando o interesse não somente de profissionais do meio acadêmico, mas também de profissionais de empresas há muito tempo (SHINYASHIKI, 2003). Pelo fato de envolver, tanto elementos objetivos, como subjetivos, com implicações na vida afetiva, educacional e profissional do indivíduo, a socialização organizacional é tida como um processo, muitas vezes, complexo de ser descrito e conduzido. É uma tarefa difícil e que exige sensibilidade dos profissionais, já que em um processo de integração, as 17 necessidades, capacidades, motivações e expectativas dos diversos novatos na empresa podem ser bastante diferentes (LUZ FILHO e GARCIA, 1991 apud SHINYASHIKI, 2003). Quanto ao uso do termo “socialização organizacional”, observa-se para Schein (1988 apud SHINYASHIKI, 2003), que este pode estar associado ao processo no qual um novo membro aprende os sistemas de valores, as normas e os padrões de comportamento demandados por uma organização ou pelo grupo no qual está entrando. É um processo de assimilar práticas, ser treinado e doutrinado e que ocorre em diversos momentos, pois as atitudes e valores dos indivíduos estão constantemente sendo revistos e mudados ao longo de sua carreira. A socialização organizacional pode ser vista então, como um processo contínuo que se inicia antes mesmo da entrada do indivíduo na empresa e continua durante toda a sua permanência na organização (MOTTA, 1993). Assim, os indivíduos passam por processos de socialização durante toda a etapa de sua vida, internalizando padrões de comportamento, normas e valores decorrentes do contexto no qual se encontram inseridos ou da situação social na qual estão vinculados (SHINYASHIKI, 2003). Do ponto de vista de Van Maanen (1996, p. 45 apud LIEDKE, 2001), a socialização organizacional refere-se à “maneira pela qual as experiências de aprendizagem de pessoas que assumem novos cargos, status, ou papéis nas organizações são estruturadas por outras pessoas dentro da organização”. Em seus estudos sobre socialização organizacional, Van Maanen (1996 apud LIEDKE, 2001) salienta que as perspectivas de análise quanto ao tema, devem sublinhar a noção de que as pessoas, em estado de transição, se encontram em situação de ansiedade, logo são motivadas a diminuir o mais rápido possível, tal ansiedade através do aprendizado; e a noção de que essas pessoas estão em busca de indícios de como proceder. Na busca por tais indícios, colegas de trabalho, superiores, subordinados e clientes podem tanto apoiar, quanto confundir e pressionar o indivíduo. A integração normativa como é referenciada por Nickel (2001), refere-se à busca da adaptação do indivíduo aos papéis que lhe são atribuídos pela organização, a fim de que os objetivos organizacionais sejam atingidos. Espera-se um determinado comportamento do indivíduo conforme o cargo que ocupa. Segundo Van Maanen (1992 apud SHINYASHIKI, 2003), este processo pode ocorrer formalmente, agindo na preparação do indivíduo para ocupar um determinado status, e de maneira informal, preparando uma pessoa para desempenhar um determinado papel na organização. Segundo Chao et al. (1994 apud LIEDKE, 2001) consideram a Socialização Organizacional como o aprendizado do conteúdo e do processo, que permite ao indivíduo efetuar ajustes particulares, para executar seus papéis específicos na organização. Os mesmos 18 autores (1994:730) citam o conceito de Louis, de que Socialização Organizacional é o processo com o qual um indivíduo passa a apreciar e introspectar os valores, as habilidades, o comportamento esperado e o conhecimento social essencial, para assumir seu papel organizacional e poder participar como membro desta organização. Com esta mesma visão Van Maanen (1989: 45 apud SHINYASHIKI, 2003) considera a Socialização Organizacional um processamento de pessoas na qual estas adquirem experiências para assumirem novos cargos, status, ou papéis nas organizações. Sendo mais óbvio sua identificação, ressalta o autor, quando um indivíduo é contratado, promovido ou rebaixado de cargo (Van Maanen, 1989 apud SHINYASHIKI, 2003) e em geral, menos aparente, quando ocorre apenas uma modificação de tarefa, substituição de um colega ou transferência de local de trabalho. Neste ínterim, Borges (1998) apresenta a socialização de forma ampla, considerando-a como o processo emque o indivíduo se torna membro de uma sociedade ou de um setor dela, devendo, no entanto, ser diferenciado do aprendizado. Considera-se, contudo, que o conceito de Socialização Organizacional, apresentado por Schein, e transcrito por Borges (1998: 343), o mais amplo e completo: processo pelo qual um novo membro aprende e se adapta ao sistema de valores, às normas e ao padrão decomportamento requerido pela organização, sociedade ou grupo no qual ele está entrando. Justifica-se esta escolha uma vez que este conceito, ao abranger todas as situações de novos papéis na organização, compreende desde a entrada em uma organização, até as mudanças de grupos de trabalho. Em todas estas ocasiões, salienta Van Maanen (1989 apud SHINYASHIKI, 2003), existem três pressuposições: a de que o estado de transição - nova posição - gera ansiedade, e, portanto o indivíduo busca conhecer sobre seu futuro papel; que existem interferências positivas e negativas durante o período de transição gerada através de colocações de colegas, superiores, clientes e subordinados; e, por último, que a estabilidade e a produtividade de qualquer organização dependem e grande parte da maneira que os novatos ocupantes de certos cargos vão executar suas tarefas. Portanto, constata-se que o processo de socialização inicia-se mesmo antes da entrada do indivíduo na organização, ou no novo posto, no caso de transferência ou promoção, aspecto reforçado pelos estudos de Major et al. (1995 apud LIEDKE, 2001) e pelo enfoque desenvolvimentista da socialização, que apresenta três estágios: a socialização antecipatória, a acomodação e o gerenciamento de papéis (BORGES, 1998). 19 Em síntese, a socialização refere-se ao processo pelo qual as pessoas adquirem conhecimento, habilidades e disposições que as fazem mais ou menos competentes para serem membros da sociedade (BRIM, 1966 apud NICKEL, 2001). Pode-se dizer que todos estes processos fazem parte da concretização do contrato psicológico, o qual denota um conjunto não explícito de expectativas mútuas, das quais as pessoas envolvidas no relacionamento podem não estar conscientes, atuando em todos os momentos entre todos os membros de uma organização (SCHEIN, 1982). Muitas das expectativas são implícitas e relacionadas com os valores pessoais. O contrato psicológico muda com o tempo, de acordo com as mudanças de expectativas, exercendo uma grande influência no comportamento das organizações. Este contrato parece impossível de ser cumprido integralmente (NICKEL, 2001). Entretanto, se a organização tiver interesse no que o indivíduo pode oferecer com o seu trabalho, capacidades, competências, considerando-o adequado ao cargo em questão, e o indivíduo visualizar algum ganho, seja ele material, financeiro ou psicológico, existirá uma relação de interesses mútuos entre o indivíduo e a organização, trazendo a efetividade ao processo seletivo. Para Schein (1982), a adaptação e o contrato do indivíduo-organização estão no reconhecimento de que este é um processo bidirecional. Concluindo, as práticas de Recursos Humanos possuem um papel relevante na integração dos indivíduos na organização, principalmente por meio de processos formais como a seleção de pessoal. De acordo com PAGÉS e FAVATTI (1993 apud NICKEL, 2001), vários mecanismos são utilizados para a busca de adaptação do indivíduo, afim de que os objetivos organizacionais se concretizem, obtendo-se o que é esperado do indivíduo. Enfim, todos esses mecanismos fazem parte da cultura organizacional, a qual procura enfatizar as idéias comuns, formas de pensar, valores, padrões e maneiras de trabalhar, sendo um poderoso mecanismo de controle para conformar condutas e homogeneizar maneiras de pensar e viver na organização (FREITAS, 1991 apud LIEDKE, 2001). 2.2.1 Conteúdo da Socialização A socialização do indivíduo na organização gira em torno de algumas ‘temáticas’, ou seja, algumas informações ou conteúdos que os membros precisam tomar conhecimento. Segundo Chao et al (apud SHINYASHIKI, 2003) a socialização ocorre em torno de várias dimensões as quais são relativamente independentes, o conhecimento dos conteúdos específicos de cada dimensão indicam em torno do que ocorre a socialização. Ao todo o autor enumera seis dimensões: 1. História: tradições, costumes e histórias das pessoas; 20 2. Políticas: relações formais e informais e estrutura de poder; 3. Linguagem: Linguagem técnica, gíria e siglas; 4. Valores e objetivos organizacionais; 5. Pessoas: relacionamentos bem-sucedidos e satisfatórios; 6. Proficiência do desempenho: aprendizado das tarefas do trabalho. Como afirma Nickel (2001, p.41) papéis, normas e valores “fornecem as três bases inter- relacionadas para a integração”. Chiavenato (1999) aborda a socialização como o aprendizado de valores, normas e padrões de comportamentos requeridos pela organização, nesse sentido, apoiado nos estudos de Schein (1982), o autor enumera alguns itens a ser aprendidos: Objetivos da organização; Meios para o alcance dos objetivos; Responsabilidade de cada membro em relação ao seu papel; Padrões de comportamentos requeridos; Conjunto de regras e princípios; Produtos e serviços produzidos; Clientes internos e externos. Diante desta realidade, trata-se de um conjunto amplo de requisitos a serem conhecidos e apreendidos pelos indivíduos para que esse possa se socializar de forma completa com o novo ambiente organizacional. Como afirma Shinyashiki (2003) o individuo pode ser bem socializado em políticas organizacionais e não tão bem assim com o grupo de pessoas da organização, as dimensões podem identificar o sentido da socialização empreendida. Como salienta Dutra (2002 p.87) “ao mesmo tempo em que vai descobrindo a organização, a pessoa também é descoberta”. Feldman (apud LIEDKE, 2001) apresenta quatro processos de socialização tendo o conteúdo com elemento central e diferenciador entre os processos, para o autor estes procedimentos auxiliam não apenas na integração de novos membros, mas também quando um funcionário troca de função ou desloca-se de unidade. Os processos são: Desenvolvimento de destreza e habilidade para o trabalho: torna-se necessário realizar tal processo quando se verifica diferentes níveis de habilidades entre os 21 contratados, quando se deseja compensar alguma deficiência de habilidade ou quando é necessário proporcionar uma evolução de performance; Aquisição de comportamento apropriado para o desempenho do papel organizacional: adequar o indivíduo aos vários papéis relacionados ao seu cargo, seu papel na relação com o grupo, com outros grupos e com pessoas externas; Ajuste para trabalhar em grupo e com as normas existentes: visa integrar o membro ao novo grupo, minimizando conflitos interpessoais e intergrupais e aumentando a aceitação do novo membro; Aprendizado dos valores organizacionais: expõe o indivíduo de forma seletiva aos valores organizacionais, visando obter credibilidade. 2.2.2 Dimensões da Socialização Organizacional Ocorre socialização toda vez que o indivíduo se move ao longo de alguma das três dimensões organizacionais: funcional, hierárquica e inclusiva. A dimensão funcional reflete diferenças nas várias tarefas executadas por membros de um grupo ou organização, difere para cada setor, o de marketing, finanças, recursos humanos. A Segunda dimensão, a hierárquica, diz respeito a distribuição de posição e autoridade em um grupo ou organização. Numa hierarquia, é estabelecido quem é oficialmente responsável pelas ações de quem. Em organizações tradicionais, essa dimensão assume a forma de uma pirâmide na qual os graus mais elevados são ocupados por menos pessoas. Os papéis desempenhados por pessoas nas posições mais altas da pirâmide diferem dos papéis de indivíduos de posições inferiores, em grande partedevido ao fato de que os primeiros detêm maior autoridade e poder. A terceira dimensão, a inclusiva, reflete o grau em que os trabalhadores de uma organização se vêem no centro ou na periferia das coisas. Uma pessoa pode passar da condição de estranho, para um líder informal. Um candidato ao cargo, ou estranho, entra na organização e se torna um novato. O novato deve ser aceito pelos demais como membro pleno da organização. Normalmente, os novatos devem ser primeiro testados – formal ou informalmente – em suas aptidões, motivações e valores antes de lhe serem concedidos direitos e privilégios de inclusão (WAGNER III E HOLLENBECK, 2000). 22 Segundo John A. Wagner, a socialização ocorre sempre que um indivíduo cruza fronteiras em algumas das três dimensões, como, por exemplo, a transferência de departamentos funcionais ou a promoção para uma posição de maior autoridade. Entretanto, é provável que seja intensa quando uma pessoa está cruzando duas ou três dimensões simultaneamente. Quando uma pessoa entra para uma nova empresa, ela cruza a fronteira inclusiva, passando do status de não-membro para o status de membro, atravessa fronteiras funcionais e hierárquicas quando entra para uma determinada unidade funcional, como o departamento de publicidade, num nível hierárquico específico, como o de gerente de conta. É nesse momento que a organização realiza a atividade mais instrutiva e persuasiva e também, é aqui que uma pessoa é mais suscetível de ser ensinada e influenciada. 2.2.3 Tipos de Estratégias de Socialização Organizacional Existem diferentes tipos de estratégias de socialização que as empresas podem usar, cada uma das quais produzem efeitos diferentes. Segundo Wagner III e Hollenbeck (2000), essas estratégias podem ser classificadas ao longo de quatro dimensões críticas: Socialização coletiva: onde os beneficiários são colocados em grupos para passarem juntos por experiências de socialização. Método usado por recrutas do exército, grêmios universitários e repúblicas. Socialização serial: membros experientes da organização ensinam aos indivíduos os papéis que estão prestes a assumir. Esses membros experientes se tornam modelos do papel ou mentores para os novos membros. Esse tipo de socialização permite que o novato olhe para o futuro e vislumbre sobre o qual será o seu papel dentro de alguns anos. Deve-se por este motivo, tomar cuidado na indicação do mentor para os novos membros. Socialização seqüencial: os novos membros passam por uma sucessão fixa de etapas discretas e identificáveis que conduzem ao papel almejado. Fazer o que gosta minimiza o desânimo de saberem que estão muito longe de onde precisam chegar. Socialização destituinte: ignora ou nega o valor das características pessoais do indivíduo. A instituição, neste caso, deseja reduzir a nada os novos membros e depois reconstruí-los como indivíduos completamente novos e diferentes. A organização promove essas provações na convicção de que aqueles que passarem por elas perderão seu senso de identidade pessoal e se dedicarão intensamente à missão e aos objetivos da organização. 23 Socialização individual: onde os novos membros são separados para vivenciarem experiências únicas. É característico de programas de aprendizado ou de estágio. Seus resultados são variáveis e seu sucesso depende de grande parte das qualidades do supervisor. Socialização aleatória: não há nenhuma lógica ou estrutura aparente para as experiências de aprendizagem. Suas etapas são desconhecidas, ambíguas ou em constante transformação. Alguns gerentes ascendem a partir de graus inferiores, outros provêm de outras organizações e outros ainda procedem diretamente de cursos de MBA. Socialização disjuntiva: os novos membros devem aprender por si só como desempenhar um novo papel. Esse tipo de socialização é introduzida por organizações que queiram “limpar a casa”. Saem os membros mais velhos e entra o pessoal novo. Via de regra, a organização espera que o resultado traga mais criatividade na solução de problemas. Socialização investidora: aqui em vez da organização querer mudar o indivíduo, ela quer que o indivíduo mude a organização. Em tais condições, a empresa pode tentar tornar o processo de socialização menos indolor para o novo membro. A estratégia de socialização adotada pela organização depende das suas metas: se a meta é provocar uma resposta de conservação, um grupo ou organização são mais bem atendidos por uma estratégia que seja coletiva, seqüencial e serial e que envolva destituição. Uma estratégia deste tipo garantirá que todo aquele que passar pela socialização começará com a mesma “lousa limpa” e receberá as mesmas experiências na mesma ordem. Se a meta é promover inovação, um grupo ou organização são mais bem atendidos pela estratégia exatamente oposta, que proporcione um programa único e individualizado para cada beneficiário e valorize sua personalidade, características e estilo (WAGNER III E HOLLENBECK, 2000). 2.2.4 Táticas de Socialização e os estudos de Van Maanen John Van Maanen é um dos autores mais citados nas pesquisas sobre socialização organizacional, seu estudo sobre as táticas de socialização é recorrente em alguns trabalhos (SHINYASHIKI 2003, GONTIJO 2005, LIEDKE 2001), além de ser referência por quase todos os outros autores. Para o autor socialização é o processo pelo qual a pessoa aprende os valores, normas e comportamentos requeridos que lhe permitirá participar como membro da organização. 24 Van Maanen estrutura sua teoria baseado algumas premissas (SHINYASHIKI 2003, LIEDKE 2001, DIAS, 2003): a. O indivíduo encontra-se num estado de transição gerador de ansiedade, deste modo tende a aprender as exigências funcionais e sociais e buscar maiores conhecimentos sobre seu novo papel; b. A sensibilidade do indivíduo aos sinais e interferências positivas ou negativas de seus colegas, superiores, clientes ou subordinados estará mais aguçada; c. A estabilidade e produtividade de qualquer organização dependem, em grande parte, da maneira como os novos membros vão desempenhar suas tarefas; d. Apesar das grandes variações na maneira como a socialização é efetuada a forma como os indivíduos se ajustam às novas circunstâncias é bastante similar. A grande contribuição teórica do autor reside na definição das táticas de socialização. Entende-se que a forma como tais táticas são utilizadas e implementadas pela organização e seus membros definem o modo como às experiências dos novos membros são estruturadas, determinando quais informações ele vai receber, e de outro lado resultaria numa forma de dirigir e controlar os comportamentos desses novos membros. As táticas de socialização são agrupadas em seis dimensões, cada uma das seis constituída por dois pólos opostos. As táticas podem ser combinadas de diversas formas, mas devem ser consideradas como situadas em algum ponto entre os dois pólos em cada dimensão. As táticas são as seguintes: Coletiva < = > Individual: na tática coletiva os indivíduos são agrupados e passam a vivenciar um conjunto de experiências idênticas, o que pode trazer resultados similares e até o desenvolvimento de uma consciência de grupo. Em contrapartida, a socialização individual tem resultados menos homogêneos, embora o repasse de valores seja mais efetivo, fato que vai depender da relação estabelecida entre socializador e novato. 25 Formal < = > Informal: no processo informal o próprio indivíduo busca sua aprendizagem no interior das redes sociais e por meio da experiência e do contato com as tarefas, preparando-se para desempenhar um papel específico. No processo informal o indivíduo é segregado, diferenciado e especificado, sendo retirado de seu cotidiano para obter a aprendizagem necessária, posteriormente ele é inserido em suaposição/posto, devendo “aprender informalmente as práticas reais que ocorrem em seu local de trabalho” (DIAS 2003, p. 68). De forma que, o indivíduo é preparado para ocupar um cargo/status específico. Seqüencial < = > Randômicas: na socialização seqüencial o indivíduo passa por uma série de etapas ou processos de transição identificáveis e com graus de complexidade crescente até ocupar determinada posição/papel. Na tática randômica, ou não seqüencial, os estágios não possuem relações com etapas anteriores, sendo aleatórios e variáveis, ou seja, há a possibilidade de se chegar a posições superiores ‘pulando’ etapas intermediárias. Fixa < = > Variável: na tática fixa o indivíduo possui um conhecimento exato do tempo de transição que passará para completar determinado estágio ou posição. Na variável não se conhece o tempo de duração em que se permanecerá em determinada papel, e quando se chegará a outras posições. Serial < = > Isoladas: no processo serial os funcionários antigos conseguem repassar os conhecimentos relacionados a determinados papéis garantindo uma continuidade e um senso histórico, o que assegura que a organização não mudará ao longo do tempo (estabilidade). Provavelmente este fato não ocorrerá na socialização isolada, pois não se tem nenhum padrão a seguir, o que por um lado abre espaço para inovação e criatividade do novo membro e por outro, pode gera confusão e a sensação de que se está perdido. Valorização < = > Despojamento: Nessa dimensão objetiva-se confirmar ou destruir a identidade do novo membro. A organização pode valorizar os novatos investindo, aceitando, facilitando sua aprendizagem e confirmando seus valores ou pode, de outro modo, despojar o novo membro de certas características e valores para que ele possa 26 ser aceito, para isso são realizados ‘testes’, podendo haver até humilhações antes de sua possível aceitação e , agora, valorização. Gontijo (2005) e Dias (2003), além destas seis dimensões nos apresentam uma sétima tática identificada por Van Maanen em seus estudos: Concurso < = > Competição: a tática por concurso evita-se que se façam maiores distinções entre os novos membros, independente dos fatores e avaliações antecedentes, podendo, assim, haver maior participação e cooperação. Já no processo por competição, os membros são separados em diferentes programas de socialização a partir de suas habilidades, ambições e antecedentes, nesse caso, “cada um atua por conta própria e dificilmente procura apoio do grupo para as ações de sintonia, contra ou a favor da organização.” (GONTIJO 2005). A maneira como as diversas táticas são estruturadas influencia as respostas dos novos membros, provocando resultados diferentes, mas segundo Van Maneen e Schein (apud SHINYASHIKI 2003) estruturados em três tipos básicos de respostas: I. Resposta Custodial – Conservadora: o indivíduo cuida dos conhecimentos, estratégias e missões associadas ao papel, assumindo um papel não-questionador e mantedor do status quo. Sendo este o resultado mais provável para as táticas seqüencial, variável, serial e despojamento; II. Resposta de Inovação de Conteúdo: o indivíduo implementa mudanças ou melhorias nas práticas de um papel em particular. Sendo resultado mais provável para táticas coletiva, formal, randômica, fixa e isolada. III. Resposta de Inovação de Papel: o indivíduo redefine o papel em particular através da rejeição e ataque a missão e normas que regulamentam a conduta e desempenho desse papel. É o resultado provável da socialização individual, informal, randômica, isolada e valorização. Embora a par destas repostas, deve-se considerar que “os recém-chegados podem não conseguir integrar-se, e são às vezes levados ou forçados a deixar a organização ou grupo social” (MAXIMIANO 2004 p. 339). Como demonstra Mesquita e Goerck (2001), quando não há uma socialização efetiva ou quando esta é deficiente, podem-se gerar situações conflituosas, comportamentos não desejados e rotatividade, cabendo perguntar as organizações se “elas estão gerando estranhos ou bem-vindos ao ninho?”. 27 2.2.5 Métodos de Socialização Organizacional As organizações precisam promover a socialização de seus novos membros e integrá-los adequadamente em sua força de trabalho. Em algumas delas, a socialização é contundente, como o trote dos calouros nas escolas e universidades. Nas organizações em geral, a socialização visa criar um ambiente imediato de trabalho favorável e receptivo durante a fase inicial do emprego. Ninguém é jogado na cova dos leões para se defender por si próprio em um ambiente destafavorável. Pelo contrário, a socialização quer aplainar o caminho. Os métodos de socialização organizacional mais utilizados na visão de Chiavenato (1999) são os seguintes: 1. Processo seletivo: A socialização tem início nas entrevistas de seleção através das quais o candidato fica conhecendo o seu futuro ambiente de trabalho, a cultura predominante na organização, os colegas de trabalho, as atividades desenvolvidas, os desafios e recompensas em vista, o gerente e o estilo de administração existente etc. Antes mesmo do candidato ser aprovado, o processo seletivo permite que ele obtenha informações e veja com seus próprios olhos como funciona a organização e como se comportam as pessoas que nela convivem. 2. Conteúdo do cargo: O novo funcionário deve receber tarefas suficientemente solicitadoras e capazes de proporcionar-lhe sucesso no início de sua carreira na organização, para depois receber tarefas gradativamente mais complicadas e crescentemente desafiadoras. Os novos empregados que recebem tarefas relativamente solicitadoras estão mais preparados para desempenhar as tarefas posteriores com mais sucesso. Com isso, os empregados principiantes tendem a internalizar altos padrões de desempenho e expectativas positivas a respeito de recompensas resultantes do desempenho excelente. Quando os principiantes são colocados em tarefas inicialmente fáceis, não têm chance de experimentar o sucesso e nem a motivação dele decorrente. 3. Supervisar como tutor: O novo funcionário pode ligar-se a um tutor capaz de cuidar de sua integração na organização. Para os novos empregados, o supervisor representa o ponto de ligação com a organização e a imagem da empresa. O supervisor deve cuidar dos novos funcionários como um verdadeiro tutor, que os 28 acompanha e orienta durante o período inicial na organização. Se o supervisor realiza um bom trabalho neste sentido, a organização tende a ser vista de forma positiva. Se, porém, o supervisor é ineficiente na recepção e condução do recém-chegado, a organização tende a ser vista negativamente. Para tanto, o supervisor deve realizar quatro funções básicas junto ao novo empregado: a.Transmitir ao novo empregado uma descrição clara da tarefa a ser realizada. b.Proporcionar todas as informações técnicas sobre como executar a tarefa. c.Negociar com o novo empregado as metas e resultados a alcançar. d.Proporcionar ao novo empregado a retroação adequada sobre o seu desempenho. Os supervisores devem ser adequadamente escolhidos para acolher e tutoriar os novos membros para que eles sejam bem supervisionados, acompanhados e orientados. Para funcionar como verdadeiro tutor ou mentor, cada supervisor deve possuir um alto grau de segurança pessoal a fim de que não se sinta pessoalmente ameaçado pela falha ou sucesso dos novos empregados. E uma dose grande de pa- ciência para lidar com os novos e inexperientes recrutas. 4. Grupo de trabalho: o grupo de trabalho pode desempenhar um papel importante na socialização dos novos empregados. A integração do novo funcionário deve ser atribuída a um grupo de trabalho que possa provocar nele um impacto positivo e duradouro. A aceitação grupal é fonte crucial de satisfação das necessidadessociais. Além disso, os grupos de trabalho têm uma forte influência sobre as crenças e atitudes dos indivíduos a respeito da organização e de como eles devem se comportar. 5. Programa de integração: é um programa formal e intensivo de treinamento inicial destinado aos novos membros da organização para familiarizá-los com a linguagem usual da organização, com os usos e costumes internos (cultura organizacional), a estrutura de organização (as áreas ou departamentos existentes), os principais produtos e serviços, a missão da organização e os objetivos organizacionais. Recebe também o nome de programa de indução e constitui o principal método de aculturamento dos novos participantes às práticas correntes da organização. Sua finalidade é fazer com que o novo participante aprenda e incorpore os valores, normas e padrões de comportamento que a organização considera imprescindíveis e relevantes para um bom desempenho em seus quadros. Assim, fica por evidenciado por Chiavenato (1999) que o programa de 29 integração procura fazer com que o novo participante assimile de maneira intensiva e rápida, em uma situação real ou de laboratório, a cultura da organização e se comporte daí para a frente como um membro que veste definitivamente a camisa da organização. Em algumas organizações, os programas de integração são totalmente desenvolvidos pelo órgão de treinamento, enquanto em outras são coordenados pelo órgão de treinamento e executados por gerentes de linha nos diversos assuntos abordados. São programas que duram de um a cinco dias, dependendo da intensidade de socialização que a organização pretende imprimir, mas que depois contam com um acompanhamento, a médio prazo, do novo participante pelo gerente ou supervisor que funcionam como seus tutores e que se responsabilizam pela avaliação de seu desempenho. Nos casos em que o novo membro ocupa posição de destaque, em níveis de gerência ou direção, o programa de integração pode durar meses, com uma agenda que programa sua permanência nas diversas áreas ou departamentos da organização com um tutor permanente (seu gerente ou diretor) e um tutor específico para cada área ou departamento envolvido na agenda. Quase sempre, o novo funcionário recebe um manual com informações básicas para sua integração na organização. Por outro lado, um processo de socialização mal administrado pode levar a uma rotação prematura ou a um contrato psicológico que provoque a realização de uma quantidade mínima de trabalho. 2.2.6 Vantagens do Programa de Socialização O processo de orientação procura enviar mensagens claras e proporcionar informação a respeito da cultura da organização, do cargo a ser ocupado e das expectativas em relação ao trabalho. O programa de orientação, na visão de Chiavenato (1999) visa alcançar os seguintes objetivos: 1. Reduzir a ansiedade das pessoas. A ansiedade é geralmente provocada pelo receio de falhar no trabalho. Trata-se de um sentimento normal decorrente da incerteza sobre a capacidade de realizar o trabalho. Quando os novos funcionários recebem a tutoria de funcionários experientes através de orientação e apoio, a ansiedade se reduz. 2. Reduzir a rotatividade. A rotatividade é mais elevada durante o período inicial do trabalho, pelo fato de os novos funcionários se sentirem ineficientes, indesejados ou desnecessários. A orientação eficaz reduz essa reação. 30 3. Economizar tempo. Quando os novos funcionários não recebem orientação, eles gastam mais tempo para conhecer a organização, o seu trabalho e os colegas. Perdem eficiência. Quando colegas e supervisor os ajudam de maneira integrada e coesa, eles se integram melhor e mais rapidamente. 4. Para desenvolver expectativas realísticas: Através do programa de orientação os novos funcionários ficam sabendo o que deles se espera e quais os valores almejados pela organização. 2.2.7 Socialização e suas relações A revisão da literatura evidencia que os diversos estudos conectam o processo de socialização com outros elementos organizacionais, mostrando que apesar de a literatura ter dedicado pouca atenção a esta temática (DUTRA 2002 p. 87), “a socialização estabelece relação com a cultura organizacional, o processo seletivo e a movimentação de pessoas, além de evidenciar conexões com as questões do contrato psicológico e comprometimento”. A) Socialização e Cultura Organizacional A cultura é tema recorrente nos estudos sobre socialização, visto que a integração é um processo de assimilação de valores, comportamentos e normas pelo novo membro. Nesse sentido, Sá et al (2005) afirma que a socialização é uma oportunidade de divulgar a cultura organizacional, pois segundo Fleury (apud SÁ et al 2005) “analisar o teor e o processo de socialização pode constituir numa das formas de desvendar e disseminar a cultura da organização”. Gontijo (2005) também relata que a cultura organizacional norteia todo o processo e estratégias de socialização a partir de seus valores, crenças, símbolos etc. Integrar os membros aos critérios de decisão e as normas de comportamentos significa coloca-los diante da cultura organizacional, fazendo com que estes estejam à vontade e de acordo com as normas da cultura. Segundo Dias (2003, p.67) é nos momentos de ingresso, promoções, rebaixamentos (movimentação de pessoal) que determinados valores afloram com mais clareza, de modo que a cultura é transmitida. Para o autor: “o processo de socialização, embora extremamente complexo, fundamenta-se na transmissão de alguns elementos básicos da cultura 31 organizacional como: normas, valores e pressupostos básicos”. É nesse sentido, da adaptação e aprendizagem dos elementos da cultura organizacional que a socialização se relaciona com a mesma. De forma que se pode retirar da cultura os conteúdos da socialização. Para Lucca (2003) as empresas recomendam e premiam o comportamento das pessoas que agem de acordo com as normas da cultura. Já para Maximiano (2004, p. 337) a cultura ao definir as fronteiras e identidade dos grupos, também determina “o tempo e as condições para os recém-chegados serem aceitos”. Na realidade, a socialização pode ser considerada um processo central a partir do qual a cultura é transmitida e aprendida, principalmente quando se considera que a socialização, como afirma Wanous (apud SHINYASHIKI 2003), possui um estágio de pré-entrada, sendo um “processo que começa antes do ingresso da pessoa na organização ou grupo” (MAXIMIANO 2004, p. 338) e continua ao longo de todo o tempo de permanência do novo membro no grupo ou organização (DIAS, 2003). B) Socialização e Processo Seletivo Quando se considera a existência de um estágio de pré-entrada ou de socialização antecipatória, vislumbram-se desde já os possíveis efeitos da seleção sobre a socialização ou vice-versa. Para Nickel (2001 p.40) todos os instrumentos a serviço do processo de seleção “visam a um mesmo fim: predizer qual dos indivíduos terá melhor capacidade de integração e adaptação à organização”, na medida em que a seleção busca identificar o indivíduo passível de ser um empregado satisfatório. Segundo Lucca (2003) o próprio processo de recrutamento e seleção pode instalar nos contratados os valores básicos da organização, principalmente quando as empresas vivem intensamente seus valores e os repassam ao processo seletivo. Segundo Shinyashiki (2003) a importância da política de seleção reside no fato de que esta descreve e explica ao candidato detalhes da organização, suas políticas e as características do novo papel organizacional que lhe caberá. Diante do exposto, percebe-se o papel decisivo da seleção na clarificação para os indivíduos dos comportamentos e normas a serem requeridos pela organização, aumentando as chances de uma maior conformidade entre indivíduo e organização além de minimizarpossíveis desapontamentos por expectativas discordantes, no momento do ingresso na empresa. Por isso, “muitas organizações, em seus processos de recrutamento, procuram deixar 32 claro quais são as regras que os interessados devem aceitas” (MAXIMIANO 2004, p. 339), evitando que haja compreensão errônea das informações repassadas. Pascale (apud GONTIJO, 2005) estabelece sete fases que estruturam o processo integrativo, a primeira destas é a seleção, vista como “a oportunidade inicial de atrair indivíduos que se identifiquem com os valores organizacionais e que reforcem a cultura da organização”, escolhendo os candidatos predispostos a aceitar às crenças e valores organizacionais. Nickel (2001) relata que a falta de clarificação de expectativas na fase de contratação tem gerado conflitos entre o esperado e o recebido, aumentando a possibilidade de interpretações subjetivas e frustrações, pois não delimitação clara dos papéis a serem desempenhados pelos indivíduos contratados. Segundo Mesquista e Goerck (2001) a falta de clareza e entendimento dos papéis e valores pode dar margem a conflitos, desentendimentos e a possíveis desligamentos. Apesar de os critérios balizadores do processo seletivo visarem à integração normativa, muitas das expectativas criadas neste processo encontram-se intrínsecas, gerando alguns desencontros e frustrações, o que não deve ser confundido com a falta de relação entre estas duas categorias analíticas, mas uma relação que pode ser caracterizada pela ambigüidade (NICKEL 2001). C) Socialização e Contrato Psicológico O contrato psicológico, segundo Nickel 2001 é um conjunto não explícito de expectativas mútuas, das quais as pessoas envolvidas no relacionamento podem não estar conscientes, atuando em todos os momentos entre todos os membros de uma organização. De outro lado, a socialização organizacional é capaz de construir tais expectativas, na medida em que envolve a integração de valores, normas e papéis, e em si constitui um processo de mão dupla, visto que os recém-chegados aprendem os símbolos e outros elementos da cultura. Ao mesmo tempo, trazem para os nativos seus costumes e valores (MAXIMIANO, 2004), de modo, que todos esses processos fazem parte da concretização do contrato psicológico (NICKEL, 2001). Quando a organização tiver interesse no que o indivíduo pode oferecer e o indivíduo visualizar algum ganho existirá uma relação de interesses mútuos entre o indivíduo e a organização (NICKEL 2001), estabelecendo um processo bilateral que caracteriza o contrato psicológico. Assim, como afirma Dutra (2002, p. 71) “ao mesmo tempo em que vai 33 descobrindo a organização, a pessoa é também descoberta. Nesse processo é construída a incorporação da pessoa pela organização” e nesse caminho há mudanças de expectativas e consequentemente mudanças no contrato psicológico. D) Socialização e Comprometimento Normalmente a literatura elenca três dimensões constitutivas do comprometimento: afetiva, normativa e instrumental. Entende-se também que o comprometimento afetivo: “o grau em que o colaborador se sente emocionalmente ligado, identificado e envolvido na organização (...) sente que quer permanecer” (REGO 2003) seja aquele em que os laços psicológicos são maiores, possibilitando que os indivíduos exerçam maiores esforços. A par disto, Scheible e Bastos (2005) relata a existência de duas escolas sobre comprometimentos: atitudinal e comportamental, esta considera que os indivíduos se comprometem como resultado de terem se engajado em comportamentos de difícil reversibilidade, tendendo a repeti-los enquanto que aquela afirma que o comprometimento se desenvolve a partir de experiências vividas no trabalho, percepções e características pessoais, que levam a sentimentos positivos em relação à organização. Para Mesquita e Goerck (2001) socialização está no alicerce do comprometimento do indivíduo com a cultura e seus objetivos, tornando-se elemento vital ao comprometimento, pois é mais que um mero processo informativo, na medida em que visa integrar novos membros aos princípios e regras da organização. Esse entendimento encontra maior respaldo quando se considera que o comprometimento se expressa em três dimensões: 1) forte crença e aceitação dos objetivos da organização, 2) um desejo de exercer considerável esforço em favor da organização e 3) forte desejo de ser membro da organização. (MESQUITA e GOERCK, 2001). Entende-se haver um laço psicológico que liga a organização ao indivíduo. 2.3 Movimentação de Pessoas Ao tempo do empirismo administrativo, o órgão de pessoal de uma empresa existia apenas para registrar os empregados, proceder à apuração de sua freqüência efetuar-lhes o devido pagamento e anotar o que de mais importante viesse a ocorrer em sua vida funcional. 34 Nos dias de hoje, a moderna Administração de Pessoal, ampliada em seus limites e enriquecida em seu conteúdo, ganhou novas dimensões, assumindo, assim, um papel de transcendental importância no conjunto empresarial. Novas técnicas foram surgindo e sendo aperfeiçoadas, tais como o recrutamento e a seleção, a avaliação do mérito ou desempenho, a classificação de cargos e avaliação de salários, o treinamento etc. Incorporadas à moderna Administração de Pessoal, essas técnicas passaram a construir na visão de Ferreira (1986), áreas de especialização, cujo domínio passou a exigir estudos e conhecimentos específicos. O desdobramento, a autonomia, por assim dizer, das várias funções do órgão de pessoal foi, como se pode inferir, determinada pelo imperativo de se dar uma orientação eficiente, racional e uniforme a essas várias funções. Grosso modo, apesar dos atrativos que essas novas especializações oferecem, nem por isso a “Movimentação das Pessoas” perderam seu interesse, ou deixaram de representar seu papel de fundamental importância nas empresas modernas. Em verdade, ao se introduzirem, na Administração de Pessoal, essas modernas técnicas, nada mais se fez que desdobrar aquilo que, de maneira inadequada, incompleta e até mesmo aleatória se vinha realizando em um único setor, cujas atividades se misturavam e se confundiam. Antes de tratarmos diretamente do termo socialização organizacional, foco principal do nosso estudo, se faz necessário entendermos sobre os movimentos efetuados pelas pessoas nas organizações. Esse movimento segundo Dutra (2002) é de natureza física, ou seja, ocorre quando a pessoa muda de local de trabalho, de posição profissional, de empresa e de vínculo empregatício. Do ponto de vista de Ferreira (1986) é em dois sentidos, igualmente técnicos, que se pode usar o termo movimentação na gestão de pessoas, tanto é comum designar-se a movimentação de entrada e saída de empregados – admissão e dispensa – como, também os deslocamentos funcionais dos empregados dentro da própria empresa. As causas determinantes da movimentação são decorrentes, ora da própria vontade do empregado, ora das contingências ou da estrutura da organização. Segundo Dutra (2002), o uso do conceito de movimentação também permitiu o surgimento de uma gestão de pessoas mais alinhada com as expectativas e as necessidades das organizações e das pessoas, numa perspectiva ligadas às decisões de cada uma dessas dimensões, tais como: 35 Quadro 1 – Perspectivas ligadas à Movimentação na gestão de pessoas. PARA A ORGANIZAÇÃO Planejamento de Pessoas; Atração de Pessoas; Socialização e aclimatação das pessoas; Reposicionamento das pessoas; Recolocação das pessoas. PARA AS PESSOAS Inserção no mercado de trabalho; Melhores oportunidades de trabalho; Retirada do mercado de trabalho. Fonte: Elaboração própria a partir de Dutra, 2002 O processo de movimentação das pessoas tem, portanto, grande influência na vida das organizações e daspessoas. A movimentação, apesar de sua importância, tem sido relegado por dirigentes e por teóricos a um segundo plano na discussão sobre gestão de pessoas. Isso ocorre por se acreditar que é um processo menos nobre quando comparado com os processos de valorização e desenvolvimento das pessoas. De acordo com Dutra (2002) a discussão sobre movimentação fica restrita às pessoas com as quais a empresa mantém vínculo empregatício, e esse é um grande equívoco nas discussões sobre movimentação de pessoas. É clara a tendência de a empresa trabalhar com pessoas quem mantêm os mais variados vínculos contratuais com a empresa. O que nos importa aqui não é o vínculo contratual, mas o fato de a pessoa manter relação de trabalho com a empresa, e será dessa forma que trabalharemos a questão da movimentação de pessoas. A movimentação é classificada por Dutra (2002) e pode ser observada na Figura 2 nas seguintes categorias, em função de sua natureza: 2.3.1 Captação A captação de pessoas pode ser compreendida como toda e qualquer atividade da organização para encontrar e estabelecer uma relação de trabalho com pessoas capazes de atender a suas necessidades presentes e futuras. A captação de pessoas pressupõe consciência da organização em relação a suas necessidades. Somente dessa maneira é possível saber quem procurar, onde procurar e que tipo de relação será estabelecido entre a pessoa e a organização. Incluem-se nessa categoria todas as ações da organização na busca de seleção de pessoas para trabalhar com a organização, independentemente de qual seja o vínculo contratual. 36 2.3.2 Internalização O processo de internalização é iniciado pela imagem da organização no mercado de trabalho ou pelo primeiro contato com a pessoa. A relação entre a pessoa e a organização começa a ser estabelecida e começam a ser construídas as expectativas mútuas, o que é chamado de contrato psicológico. Na internalização, está inserido o processo de socialização da pessoa em seu ambiente de trabalho, no qual ela entra em contato com os padrões culturais e políticos da organização. Ao mesmo tempo em que vai descobrindo a organização, a pessoa é também descoberta. A internalização da pessoa pela organização pode ser compreendida como todas as atividades que visam à construção de uma relação entre a pessoa e a organização. O trabalho da pessoa só será efetivo se essa relação for construída. Caso a relação não seja construída, a pessoa terá grande dificuldade ou não conseguirá entregar o que a organização necessita. De outro lado, se a relação for bem construída, a pessoa entregará o que a organização espera e sentir-se-á muito bem ao fazê-lo. Encontram-se nessa categoria as ações que permitem à pessoa atuar na organização, tais como: socialização na cultura organizacional, condições para assumir atribuições e responsabilidades, suporte para adaptação ao trabalho, etc. 2.3.3 Transferência A transferência é uma forma muito comum de movimentação das pessoas na organização. Normalmente, são movimentos dentro da própria organização pelas quais a pessoa muda de área de atuação, carreira ou área geográfica. Em termos ideais, as transferências devem atender a necessidades e prioridades da organização e das pessoas. Atualmente, com operações em dimensões nacionais e internacionais, a mobilidade das pessoas torna-se uma questão vital para dar flexibilidade e agilidade organizacional. Nessa categoria estão incluídos os movimentos das pessoas no interior da organização que envolvam mudança de local de trabalho e/ou mudança de trabalho. 2.3.4 Expatriação Um movimento que vem crescendo nas organizações é o de expatriação. A presença das organizações em vários países torna necessário pensar a expatriação de forma mais 37 estruturada. Além das características apresentadas na transferência, na expatriação as pessoas estão sendo movimentadas para outros países acompanhadas geralmente de suas famílias. A expatriação é um processo de movimentação muito dispendioso e deve ser encarado como um projeto pela organização, no qual as futuras relações do expatriado com a nova localidade são previamente trabalhadas tanto pela organização quanto pela pessoa e sua família. Incluem-se nessa categoria transferências com uma característica particular: as que envolvem mudança de país, ou seja, a pessoa terá que atuar por um período ou de forma definitiva em um país diferente daquele no qual ela foi contratada para trabalhar. 2.3.5 Recolocação A recolocação é um movimento mais característico da modernidade de gestão de pessoas. Com a maior mobilidade das pessoas no mercado, a maior longevidade profissional e o encurtamento das carreiras, as pessoas ficam cada vez mais preocupadas com a recolocação no mercado. Os movimentos das pessoas para fora da organização estão nessa categoria. Esses movimentos podem ser decorrentes da decisão da organização e/ou da pessoa de não manter mais a relação de trabalho, da decisão da pessoa de se retirar de forma definitiva do mercado de trabalho ou da decisão da pessoa de mudar de carreira. 38 Figura 2 – Processo de Movimentação Fonte: Dutra, 2002 2.4 Cultura organizacional A cultura é um termo genérico utilizado para significar duas acepções diferentes. De um lado, o conjunto de costumes, civilização e realizações de uma época ou povo e, de outro lado, artes, erudição e demais manifestações mais sofisticadas do intelecto e da sensibilidade humana, consideradas coletivamente. Neste sentido, pode-se afirmar que todos os seres humanos são dotados de cultura, pois fazem parte de algum sistema cultural. Em função disso, toda pessoa tende a ver e julgar as outras culturas a partir do ponto de vista de sua própria cultura, gerando com isto um certo relativismo: as crenças e comportamentos só podem ser compreendidos em relação a seu contexto cultural. Contexto Ambiental (econômico, social, político, tecnológico, demográfico, de sindicatos, de governo, de organizações da sociedade civil, etc.) Mercado de trabalho externo Gestão estratégica da organização Mercado de trabalho interno Planejamento do quadro de pessoas Movimentação de pessoas: Captação Internalização Transferência Expatriação Recolocação 39 Porém, o termo cultura organizacional foge em certa medida deste conceito mais amplo. A temática “cultura organizacional” vem, no Brasil e no exterior, ao longo das duas últimas décadas, recebendo uma atenção cada vez maior por parte dos acadêmicos e dos demais profissionais da área de administração. Vale destacar segundo Bitencourt (2004) que as teorizações sobre o tema “cultura” encontram a sua gênese na antropologia, disciplina que inicialmente se dedicou ao estudo das sociedades tribais e, na medida em que essas foram sendo dizimadas, voltou-se para o estudo das sociedades complexas, nas quais o diferente não está mais incrustado na floresta, mas sim, dista alguns metros do local de trabalho ou de moradia do pesquisador. Há um tendência em simplificar o conceito de cultura organizacional, quando se propõe uma reflexão sobre tal conceito. Dentre os autores consagrados, encontra-se Edgar Scheir (1984 apud BITENCOURT 2004, p. 453). Para esse autor, “a cultura organizacional é o modelo dos pressupostos básicos, que determinado grupo inventou, descobriu ou desenvolveu no processo de aprendizagem para lidar com os problemas de adaptação externa e interna. Tendo funcionado bem o suficiente para serem considerados válidos, esses pressupostos são ensinados aos demais membros como sendo a forma correta de se perceber, pensar e sentir em relação a esse problemas”. No dizer deMorgan (1996), a cultura é algo vivo, ativo, de sorte que, por meio dela, as pessoas criam e recriam os contextos nos quais vivem. Assim, a cultura é holográfica, e os administradores, cientes das conseqüências simbólicas de suas ações, podem influenciar a cultura organizacional, mas jamais poderão prescrever as mudanças a serem realizadas. Morgan (1996) enfatiza que, ao desvendar a cultura organizacional, deve-se prestar atenção no seu caráter essencialmente humano, e não se utilizar das descobertas para controlar, ou seja, para manipular. Nas palavras de Morgan (1996, p. 131), "a cultura não é algo imposto sobre uma situação social. Ao contrário, ela se desenvolve durante o curso da interação social". Vale dizer que a cultura possui uma dinâmica que lhe é própria, fruto de um processo contínuo de representação. Morgan (1996, p. 141) ressalta ainda o caráter interpretativo a ser dado quando se busca conhecer uma cultura organizacional: "Igualmente é possível compreender a maneira pela qual uma organização dá sen- tido ao seu ambiente como processo de reinterpretação do social. As organizações escolhem e estruturam o seu ambiente através de um conjunto de decisões inter- pretativas. O conhecimento que têm e as relações com o ambiente são extensões da sua cultura, desde que se chegue a saber e a compreender o ambiente a partir dos sistemas de crenças que guiam as interpretações e as ações". 40 A cultura organizacional ou cultura corporativa é o conjunto de hábitos e crenças estabelecidos através de normas, valores, atitudes e expectativas compartilhados por todos os membros da organização. Ela refere-se ao sistema de significados compartilhado por todos os membros e que distingue uma organização das demais. Constitui o modo institucionalizado de pensar e agir que existe em uma organização (CHIAVENATO, 1999). Fleury e Fischer (1989, p.22) define cultura com base na concepção de Schein, mas incorpora a dimensão política inerente a este fenômeno. Assim, cultura organizacional é concebida como: “...um conjunto de valores e pressupostos básicos expressos em elementos simbólicos, que em sua capacidade de ordenar, atribuir significações, construir a identidade organizacional, tanto agem como elemento de comunicação e consenso, como ocultam e instrumentalizam as relações de dominação” Thévenet (1991) argumenta que a empresa tem uma cultura e que ela é uma cultura. No primeiro caso, a idéia é de que cada empresa tem um conjunto de elementos que lhe são próprios, podendo a cultura ser descrita; no segundo caso, a empresa é considerada uma sociedade humana, apresentando símbolos, signos que se configuram como criações coletivas e afirmam a existência da mesma. A força da cultura organizacional sobre os membros da organização pode ser ilustrada pela analogia feita por Pagés (1987) entre o que ele chama de empresas hipomodernas e a religião. Para ele, os valores da empresa registrados em manuais podem ser considerados como escrituras sagradas, que se concretizam num conjunto de práticas rituais utilizadas pela hierarquia da empresa. Tal situação se assemelha a um sistema religioso, visto que dispõe dos elementos em torno dos quais ele é constituído. Há também a analogia feita por um dos discípulos de Pagés que também considera que algumas empresas são extremamente “religiosas”. Elas realizam, periodicamente, sessões de revitalização da fé, onde os funcionários são encorajados a darem testemunhos pessoais de suas convicções. Há um sermão de pregador (às vezes, o chefe mais antigo) e um ataque ao diabo (o concorrente mais forte). E há também os rituais dos funerais (eventos de despedida), acompanhados de discursos-sermões para os que se aposentam, as comunhões (reuniões confidenciais entre chefes) e, com muita força, “a divinização e a mitificação do líder-fundador”. 41 Schein (1984 apud Gontijo 2005) acrescenta ainda que se a organização como um todo vivenciou experiências comuns, pode existir uma forte cultura organizacional que prevaleça sobre várias subculturas das unidades (cultura dos gerentes, do sindicato, etc.). Schein (1984 apud Gontijo 2005) coloca como de maior importância o papel dos fundadores da organização no processo e moldar seus padrões culturais, que imprimem sua visão de mundo aos demais e também sua visão do papel que a organização deve desempenhar no mundo. É interessante notar a observação feita por Peter Drucker (1997) quando afirma que as organizações que se concentram em um pequeno número de valores-chave facilitam aos seus membros saberem o que realmente importa, fazendo com que se tornem desnecessárias instruções detalhadas. Com isso garantem espaço para que os colaboradores encontrem seus próprios caminhos, assumindo, como suas, as tarefas e a melhor maneira de cumpri-las. Alguns aspectos da cultura organizacional são percebidos mais facilmente, enquanto outros são menos visíveis e de difícil percepção. A cultura segundo Chiavenato (1999) reflete um iceberg. Apenas 10% ou 20% do iceberg ficam acima do nível da água e constituem a parte visível. A maior parte permanece oculta sob as águas e fora da visão das pessoas. Da mesma maneira, a cultura organizacional mostra aspectos formais e facilmente perceptíveis, como as políticas e diretrizes, métodos e procedimentos, objetivos, estrutura organizacional e a tecnologia adotada. Contudo, oculta alguns aspectos informais como as percepções, sentimentos, atitudes, valores, interações informais, normas grupais, etc.Estes aspectos ocultos da cultura organizacional são os mais difíceis de se compreender e interpretar; e também resistem a mudanças ou transformações. Na verdade, a cultura é a maneira como cada organização aprendeu a lidar com o seu ambiente e com seus parceiros. É uma complexa mistura de pressuposições, crenças, comportamentos, histórias, mitos, metáforas e outras idéias que, tomadas juntas, representam à maneira particular de uma organização funcionar e trabalhar. 2.4.1 Componentes da Cultura Organizacional Segundo Schein (1984 apud Gontijo 2005), para que se possa compreender a cultura de uma organização, há que se ter em conta: 42 2.4.1.1 Nível dos artefatos visíveis Fáceis de obter, mas difíceis de interpretar. É o ambiente construído da organização, arquitetura, layout, a maneira de as pessoas se vestirem, padrões de comportamento visíveis, documentos públicos. Constituem o primeiro nível da cultura, o mais superficial, visível e perceptível. Artefatos são as coisas concretas que cada um vê, ouve e sente quando se depara com uma organização. Incluem os produtos, serviços e os padrões de comportamento dos membros de uma organização. Quando se percorre os escritórios de uma organização, pode-se notar como as pessoas se vestem, como elas falam, sobre o que conversam, como se comportam, o que são importantes e relevantes para elas. Os artefatos são todas as coisas ou eventos que podem nos indicar visual ou auditivamente como é a cultura da organização. Os símbolos, as histórias, os heróis, os lemas, as cerimônias anuais são exemplos de artefatos. 2.4.1.2 Nível dos valores que governam o comportamento das pessoas Valores manifestos na cultura, ou seja, expressam o que as pessoas reportam ser a razão do seu comportamento, o que na maioria das vezes são idealizações ou racionalizações. São os valores relevantes que se tornam importantes para as pessoas e que definem as razões pelas quais elas fazem o que fazem. Funcionam como justificativas aceitas por todos os membros. Em muitas culturas organizacionais os valores são criados originalmente pelos fundadores da organização. 2.4.1.3 Nível dos pressupostos inconscientes São aqueles pressupostos que determinam como os membros de um grupo percebem, pensam e sentem. À medida que um pressuposto vai se tornando cada vez mais inquestionável, vaipassando para o nível do inconsciente. Constituem o nível mais íntimo, profundo e oculto da cultura organizacional. São as crenças inconscientes, percepções, sentimentos e pressuposições dominantes nos quais as pessoas acreditam. A cultura prescreve a maneira de fazer as coisas adotada na organização, muitas vezes através de pressuposições não-escritas e nem sequer faladas. 43 Figura 3 – Os três níveis da cultura organizacional Fonte: Chiavenato (1999) Gontijo (2005) acrescenta ainda que as organizações precisam continuamente adicionar valor ao que fazem para serem competitivas. As práticas de RH devem agregar valor para a organização, para os funcionários, para o acionista, para o cliente e para a sociedade em geral. A palavra valor tem muitos significados na teoria da administração, a saber: (1) Valores organizacionais: são questões que devem ser observadas prioritariamente, seio no processo decisório, seio no comportamento e atitude das pessoas dentro das organizações; (2) Valores pessoais: são os ideais e expectativas que as pessoas assumem como essenciais e primordiais; (3) Valor para o acionista: é o retorno que o acionista percebe e avalia em seus investimentos e transações financeiras na organização; e (4) Valor para o cliente: o retorno que o cliente percebe e avalia em suas transações com a organização ao adquirir seus produtos ou serviços. O importante é que a organização saiba incrementar simultaneamente todos esses valores para garantir a satisfação de todos os seus parceiros. Na visão de Chiavenato (1999), os elementos principais da cultura organizacional são: (1) O cotidiano do comportamento observável: como as pessoas interagem, a linguagem e os gestos utilizados, os rituais, rotinas e procedimentos comuns; (2) As normas ou regras que envolvem os grupos e seus comportamentos, como nos momentos de lazer, nas refeições, nos dias informais; (3) Os valores dominantes defendidos por uma organização, como a ética, o Artefatos Valores Compartilhados Pressuposições Básicas Estruturas e processos organizados visíveis (mais fáceis de decifrar e de mudar) Filosofia, estratégia e objetivos (justificações compartilhadas) Crenças inconscientes, percepções, pensamentos e sentimentos (fontes mais profundas de valores e ações) 44 respeito pelas pessoas, a qualidade de seus produtos ou preços baixos; (4) A filosofia administrativa que guia e orienta as políticas da organização quanto aos funcionários, clientes e acionistas; (5) As regras do jogo: como as coisas funcionam, o que um novo funcionário deve aprender para sair-se bem e ser aceito como membro de um grupo; e (6) O clima organizacional: os sentimentos das pessoas e a maneira como elas interagem entre si, com os clientes ou elementos externos. A área de Gestão de Pessoas age como guardiã da cultura na medida em que cabe a ela a função estratégica de promover a aceitação, consolidação, manutenção e evolução cultural, como a definição dos perfis compatíveis, como também os valores que orientarão o recrutamento e seleção; o desenvolvimento dos diversos programas de treinamento e desenvolvimento, mais especificamente o Programa de Integração, que é o evento de recepção do novo membro, que enfatiza a história da organização; o ouvir os colaboradores que se transforma “no depoimento dos heróis” transformados em “exemplos”; a elaboração dos sistemas de recompensa e status que visam a premiar, além da competência, a lealdade; a definição de carreiras e critérios de avaliação, buscando reforçar a filosofia, crenças e mitos; a recuperação dos desviantes, esclarecendo e aconselhando quanto às normas vigentes; a veiculação de histórias que revigoram os valores, ritos, heróis e mitos; a definição e interpretação de mensagens adequadas através dos meios de comunicação internos e tantas outras atribuições inerentes ao desempenho dessa área. Todo o indivíduo que tem sob sua responsabilidade a Gestão de Pessoas tem a função de propiciar a aceitação e, principalmente, a evolução da cultura da organização onde está inserido. A essência da cultura de uma organização é expressa pela maneira como ela faz seus negócios a maneira como ela trata seus clientes e funcionários, o grau de autonomia ou liberdade que existe em suas unidades ou escritórios e o grau de lealdade expresso por seus funcionários com relação à organização. A cultura organizacional representa as percepções dos dirigentes e funcionários da organização e reflete a mentalidade que predomina na organização. Por esta razão ela condiciona a administração das pessoas. Cada organização cultiva e mantém a sua própria cultura. É por este motivo que algumas empresas são conhecidas por algumas peculiaridades próprias. 45 2.5 Socialização Organizacional: Modelo Tradicional e Moderno de Gestão de Pessoas Sobre esta questão, existem diferentes significativas nos processos referentes à gestão de pessoas quando comparadas com as que praticavam nos anos 80 e 90. Desta forma, no que se refere à socialização organizacional, verifica-se também uma mudança na visão entre o tradicional e o moderno. Segundo Toledo (1992) uma das tarefas primordiais para o gestor de pessoas refere-se ao recebimento e integração de novas pessoas em sua organização. O primeiro contato da pessoa com seu novo ambiente de trabalho deve ser dado de forma positiva afim de que benefícios tanto para ela quanto para a organização sejam gerados. O recém-admitido sobre: (1) O que produz ou realiza a organização (passado, presente e futuro); (2) Orientação da organização; (3) Posição da organização no mercado (passado, presente e futuro); (4) Principais setores e departamentos da organização; (5) Função do departamento para o qual passará a trabalhar o recém-chegado; (6) Incluir, em termos gerais, as relações deste departamento com os demais; (7) Função da seção para a qual trabalhará o candidato dentro do departamento; e (8)Finalidade e atividades principais da função que desempenhará o recém-admitido. Toledo (1992) acrescenta ainda que estas informações devem ser breves e superficiais, pois é durante o treinamento que deverão consolidar-se os conhecimentos do funcionário. Impõe-se, desta forma que é uma visão da socialização organizacional tradicional, apenas voltada para a essência do cargo, mas nos dias atuais é fácil perceber que a socialização organizacional tem ocupado um lugar mais estratégico dentro das organizações. O quadro 2 apresenta algumas diferenças apontadas na literatura entre os paradigmas tradicional e o moderno referente à captação e seleção. Quadro 2 – Análise comparativa entre o paradigma tradicional e o moderno de captação e seleção Paradigma Tradicional Paradigma Moderno Recrutamento e seleção Captação e seleção de talentos Reativo Proativo Foco operacional Foco estratégico Escolher a pessoa certa para o cargo certo Escolher a pessoa que se identifica com a cultura da organização e que pode agregar valor a ela Visão voltada para o presente Visão voltada para o presente e para o futuro Seleção como um fim em si mesmo Compromisso com o desempenho no cargo Captação e seleção condicionadas a existência de vagas Captação e seleção contínua de talentos Captação e seleção voltadas para a admissão Captação e seleção voltadas para a admissão, ascensão profissional, formação de equipes e projetos, transferências e todas as formas de 46 aproveitamento interno de talentos Valorização do conhecimento e da experiência Valorização também do comportamento e da atitude no trabalho Atividade centralizada na área de RH Atividade descentralizada, realizada em parceira: RH e clientes internos (gerentes e equipes de trabalho) Utilização de provas e testes Ênfase em entrevistas,dinâmicas e simulação, além da utilização de testes e provas. Fonte: Almeida, 2005. A captação segundo Dutra (2002) é uma das formas de movimentação de pessoas dentro da organização e através desta prática, os novos funcionário são socializados nas normas, valores e padrões da organização. Vale ressaltar nesse quadro, o foco na organização e não apenas no cargo. A antiga premissa de escolher a pessoa certa para o cargo certo merece ser repensada, dando-se à seleção uma orientação mais macro. A socialização da pessoa à cultura da organização deve ser considerada essencial. Não adianta ter um excelente profissional que por suas habilidades é ideal para ocupar o cargo, mas que tem baixa aderência aos valores preconizados pela cultura. Portanto, o levantamento do perfil ideal do candidato deve focalizar aspectos da cultura da organizacional e do cargo afim de que o processo de socialização aconteça de forma mais plena e coerente. 2.5.1 Abordagem para construção do perfil As diferentes abordagens para a construção do perfil refletem estratégias alternativas de levantar dados e informações que se complementam, propiciando uma imagem bem próxima da organização e do contexto de trabalho. 2.5.1.1 Foco no trabalho A abordagem mais utilizada para a construção do perfil tem como foco o trabalho. Baseia-se na premissa “da pessoa certa no cargo certo”, buscando avaliar o ajustamento do candidato às atividades inerentes ao cargo pleiteado. Acredita-se que se o candidato souber fazer e quiser fazer o trabalho, apresentará um bom desempenho. Dentro desse enfoque, as informações contidas no perfil estão relacionadas com as características do trabalho em seus diversos aspectos, tais como: responsabilidades, principais atividades, ambiente de trabalho, competências profissionais exigidas, restrições, etc. 47 2.5.1.2 Foco na cultura corporativa Segundo O' Reilly (2001 apud ALMEIDA 2005), ao se referir à gestão de talentos, pergunta-se: "As pessoas 'certas' ou a organização 'correta'?", sugerindo, que além das habilidades que as pessoas trazem para organização, outros faterres relacionados a sua cultura são responsáveis para alavancar os talentos e retê-Ias. Pesquisas indicam uma relação significativa entre satisfação é produtividade no trabalho com o ajustamento do empregado à cultura da organização. Estudos sobre retenção colocam como uma das principais causas da rotatividade a cultura da organização (Harris, 2001 apud ALMEIDA 2005). Miraglia (2003 apud ALMEIDA 2005) define cultura organizacional como a soma de valores de uma organização, juntamente com suas declarações, políticas, procedimentos e comportamentos informais que suportam esses valores. Organizações que possuem uma cultura central forte como a Microsoft, Southerne Airlines, Cisco, entre outras, utilizam seus valores como parâmetro para captarem e selecionarem seus talentos, buscando o alinhamento entre os valores pessoais e os organizacionais. Segundo Almeida (2005), organizações com diferentes culturas, tais como Culturas por Serviço de Atendimento ao Cliente, Cultura por Inovação, Cultura por Excelência Operacional e Cultura por Espírito, possuem características específicas que se refletem no perfil do profissional exigido, necessitando que exista alinhamento entre as características dos empregados e o contexto da organização. Como utilizar a cultura corporativa na captação e seleção? O alinhamento dos candidatos à organização é medido em termos da congruência entre o conjunto de valores relacionados ao trabalho que os candidatos possuem e os valores sustentados por uma cultura institucional. Trata-se de uma medida que tem características subjetivas, em função de a cultura nem sempre estar explicitada claramente e, por vezes, distanciar-se daquela preconizada em documentos estratégicos da organização. Para identificar competências profissionais ligadas a características culturais, é necessário consultar várias fontes. Ter acesso à declaração de visão, missão, valores da organização, estratégias, objetivos e políticas de RH, entrevistar os gerentes e os empregados a respeito da cultura da organização e pesquisar outras culturas similares. Apoiado na linha- base de valores organizacionais identificados e em suas respectivas definições operacionais, isto é, expressas em termos de comportamentos e atitudes que sustentem aqueles valores, 48 devem-se construir questões padronizadas e testadas para permitir que possa ser avaliado o alinhamento dos candidatos à organização. Almeida (2005) acrescenta ainda que se deve ter certeza de que os padrões culturais com os quais os valores dos candidatos serão comparados refletem os adotados pelas equipes de trabalho em que irão atuar. Empresas que não fizerem um esforço consciente para criar e reforçar uma cultura central terão com freqüência miniculturas que influenciarão o comportamento de seus empregados ou até mesmo irão sobrepor-se à cultura adotada pela organização. Vale ressaltar o foco na organização e não apenas no cargo. A antiga premissa de escolher a pessoa certa para o cargo certo merece ser repensada, dando-se à seleção uma orientação mais macro. A adaptação do candidato à cultura da organização deve ser considerada fator essencial. De que. adianta termos um excelente profissional que por suas habilidades é ideal para ocupar o cargo, mas que tem baixa aderência aos valores preconizados pela cultura? Portanto, o levantamento do perfil ideal do candidato deve focalizar aspectos da cultura da organização e do cargo. 49 REFERÊNCIAS ALMEIDA, Walnice Maria Costa. Captação e seleção de talentos: Repensando a Teoria e a Prática. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2004. BITENCOURT, Claudia. et al. Gestão Contemporânea de Pessoas : novas práticas, conceitos tradicionais. Porto Alegre, 2004. BORGES, Lívia de Oliveira A socialização organizacional no significado do trabalho In: BORGES, Lívia de Oliveira. Significado do trabalho e socialização organizacional: um estudo empírico entre trabalhadores da construção habitacional e de redes de supermercados. Tese de doutorado. Brasília: Universidade de Brasília, 1998. p. 331-390. CHANLAT, J.F. 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