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G RU PO SER ED U CACIO N AL PSICO LO G IA, LID ERAN ÇA E CO M PO RTAM EN TO N AS O RG AN IZAÇÕ ES Autores: Fabiana Sekiguchi de Carvalho Buchmann; . Dayanna dos Santos Costa Maciel. Organizadora: Manuela Pereira Gomes. PSICOLOGIA, LIDERANÇA E COMPORTAMENTO NAS ORGANIZAÇÕES Autores: Fabiana Sekiguchi de Carvalho Buchmann; . Dayanna dos Santos Costa Maciel. Organizadora: Manuela Pereira Gomes. PSICOLOGIA, LIDERANÇA E COMPORTAMENTO NAS ORGANIZAÇÕES Capa para impressão_2022 1,3Capa para impressão_2022 1,3 10/10/2022 04:50:5910/10/2022 04:50:59 Psicologia, Liderança e Comportamento nas Organizações © by Ser Educacional Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, do Grupo Ser Educacional. Imagens e Ícones: ©Shutterstock, ©Freepik, ©Unsplash. Diretor de EAD: Enzo Moreira. Gerente de design instrucional: Paulo Kazuo Kato. Coordenadora de projetos EAD: Jennifer dos Santos Sousa. Equipe de Designers Instrucionais: Gabriela Falcão; José Carlos Mello; Lara Salviano; Leide Rúbia; Márcia Gouveia; Mariana Fernandes; Mônica Oliveira e Talita Bruto. Equipe de Revisores: Camila Taís da Silva; Isis de Paula Oliveira; José Felipe Soares; Nomager Fabiolo Nunes. Equipe de Designers gráficos: Bruna Helena Ferreira; Danielle Almeida; Jonas Fragoso; Lucas Amaral, Sabrina Guimarães, Sérgio Ramos e Rafael Carvalho. Ilustrador: João Henrique Martins. BUCHMANN, Fabiana Sekiguchi de Carvalho; MACIEL, Dayanna dos Santos Costa. Organizador(a): GOMES, Manuela Pereira. Psicologia, Liderança e Comportamento nas Organizações Recife: Digital Pages, Telesapiens e Grupo Ser Educacional - 2022. 120 p.: pdf ISBN: ------------ 1. Psicologia 2. Liderança 3. Comportamento. Grupo Ser Educacional Rua Treze de Maio, 254 - Santo Amaro CEP: 50100-160, Recife - PE PABX: (81) 3413-4611 E-mail: sereducacional@sereducacional.com Iconografia Estes ícones irão aparecer ao longo de sua leitura: ACESSE Links que complementam o contéudo. OBJETIVO Descrição do conteúdo abordado. IMPORTANTE Informações importantes que merecem atenção. OBSERVAÇÃO Nota sobre uma informação. PALAVRAS DO PROFESSOR/AUTOR Nota pessoal e particular do autor. PODCAST Recomendação de podcasts. REFLITA Convite a reflexão sobre um determinado texto. RESUMINDO Um resumo sobre o que foi visto no conteúdo. SAIBA MAIS Informações extras sobre o conteúdo. SINTETIZANDO Uma síntese sobre o conteúdo estudado. VOCÊ SABIA? Informações complementares. ASSISTA Recomendação de vídeos e videoaulas. ATENÇÃO Informações importantes que merecem maior atenção. CURIOSIDADES Informações interessantes e relevantes. CONTEXTUALIZANDO Contextualização sobre o tema abordado. DEFINIÇÃO Definição sobre o tema abordado. DICA Dicas interessantes sobre o tema abordado. EXEMPLIFICANDO Exemplos e explicações para melhor absorção do tema. EXEMPLO Exemplos sobre o tema abordado. FIQUE DE OLHO Informações que merecem relevância. SUMÁRIO UNIDADE 1 O que caracteriza os grupos e as equipes? � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 13 Os tipos de grupo e as suas especificidades � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �16 A formação de grupos e equipes � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �18 Os diversos modos de atuação em equipe � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 24 Equipes funcionais cruzadas ou multifuncionais � � � � � � 25 Equipes virtuais � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 25 Equipes autogerenciadas � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 26 Equipes de resolução de problemas � � � � � � � � � � � � � � � � � � 26 O comportamento organizacional � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �28 O cuidado da Psicologia Organizacional � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 31 Uma nova abordagem: a Gestão com Pessoas � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 32 UNIDADE 2 Conceituando e distinguindo líder e chefe � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 41 Estilos de liderança � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 44 Teorias comportamentais � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 44 Teorias contingenciais � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 45 Modelo de Contingência de Fiedler � � � � � � � � � � � � � � � � � � 46 Teoria Situacional de Hersey e Blanchard� � � � � � � � � � � � � 46 Teoria do Caminho-meta de House � � � � � � � � � � � � � � � � � � 47 Novas abordagens em teorias de liderança � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 48 Características comportamentais dos líderes � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 51 Habilidades e atitudes necessárias ao exercício da liderança � � � � �54 UNIDADE 3 O perfil de competência do líder do século XXI � � � � � � � � � � � � � � � � � � 63 Os processos de gestão de pessoas � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 71 Práticas de seleção: agregando pessoas � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 73 Treinamento e desenvolvimento � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 75 Processo de treinamento � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 77 Remuneração: recompensando pessoas � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 83 Desenho do sistema de remuneração � � � � � � � � � � � � � � � � 83 Rotatividade � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 84 A tomada de decisão e a gestão de equipes � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �86 UNIDADE 4 A liderança versus os resultados: uma visão introdutória � � � � � � � �93 Mentoring � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 95 Coaching � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 98 O comportamento humano nas organizações � � � � � � � � � � � � � � � � � � 101 A liderança versus a emoção e o sentimento � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �105 A saúde e a qualidade de vida: mantendo pessoas no trabalho � � � � � 108 Medicina ocupacional � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 109 Qualidade de vida � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �110 Apresentação Olá, aluno(a)! Tudo bem? Agora, vamos iniciar os nossos estudos sobre Psicologia, liderança e comportamento nas organizações. Aqui, abordaremos os conceitos de psicologia organizacional, buscando entender os fenômenos do comportamento humano que acontecem dentro do ambiente de trabalho. Para tanto, falaremos a respeito das vantagens e desvanta- gens dos grupos e das equipes, ou seja, as suas diferenças frente à realização de um trabalho. Também discutiremos sobre a gestão de pessoas e os seus processos, para compreendermos a importância dos estudos sobre o comportamento humano nas organizações. É com isso em mente que vamos contextualizar a temática da liderança e dos estilos de liderança, ok? Vamos começar! Autoria Dayanna dos Santos Costa Maciel. Olá! Como vai? Eu sou Dayanna dos Santos Costa Maciel e serei uma das pessoas responsáveis por guiar você nesta etapa de estudos. Sou formada em Administração, pela Universidade Federal de Cam- pina Grande (UFCG), e tenho mestrado nessa mesma área, com ên- fase em Estratégia e Inovação, pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), desde 2019. Também possuo mestradoem Gestão de Re- cursos Naturais, pela UFCG, desde 2014, com ênfase em Estratégia Ambiental e foco em Modelos e Ferramentas de Gestão nas Empre- sas. Além disso, tenho experiência técnico-profissional no ensino de Administração, ministrando algumas disciplinas, como Marketing, Planejamento Estratégico, Cultura organizacional e Liderança e Ad- ministração de Recursos Materiais e Patrimoniais, nos âmbitos da graduação e da pós-graduação. Adoro transmitir meus conhecimentos e minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Estou feliz em poder ajudá-lo(a) neste momento. Curriculo Lattes Fabiana Sekiguchi de Carvalho Buchmann. Oi, aluno(a)! Tudo bem? Eu sou Fabiana Sekiguchi de Carvalho Buchmann e estarei com você nesta jornada de aprendizagem. Bem, sou graduada em Psicologia, pela Universidade de São Paulo (USP), pós-graduada em Docência no Ensino Superior pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), especialis- ta (practitioner) em Programação Neurolinguística, pela Sociedade Brasileira de Neurolinguística, e coach, pela Sociedade Brasileira de Coaching. Além de possuir conhecimento e atuação nessas áreas, tenho vivência profissional desenvolvida em Recursos Humanos, princi- palmente nos subsistemas de Treinamento, Gestão por Competên- cias, Avaliação de Desempenho e Processos Seletivos. Curriculo Lattes Organizadora Manuela Pereira Gomes. Oi, caro(a) aluno(a)! Como você está? Agora é a minha vez de me apresentar! Meu nome é Manuela Gomes, sou graduada em Turismo e apaixonada pelo segmento que atuo, que é a Hotelaria e o Turismo. Tenho MBA em Gestão de Pessoas e em Comunicação e Marketing Turístico, sou mestra em Hotelaria e Turismo e estou concluindo outro mestrado em Tecnologia e Gestão da Educação a distância. Atualmente, sou professora EAD nos cursos de Gestão do Grupo Ser Educacional, coach de Carreiras, com Formação em Coa- ch Estratégico Comportamental e diretora de uma consultoria de Gestão de Pessoas para Hotelaria. Trabalho com recrutamento, se- leção, treinamento e desenvolvimento de pessoas, além de minis- trar palestras e cursos neste segmento. Conhecendo um pouco mais de nós, que tal iniciarmos nossa discussão? Vamos lá! Curriculo Lattes UN ID AD E 1 Objetivos 1. Compreender as características básicas que distinguem os grupos das equipes. 2. Conhecer as diversas atuações enquanto grupo e equipe. 3. Familiarizar-se com o conceito de comportamento organiza- cional e a sua relação com a cultura do ambiente de trabalho. 4. Estudar sobre a Psicologia Organizacional e sua importância. 12 Introdução Certamente, você já teve a oportunidade de desenvolver alguma ati- vidade em grupo ou equipe, então é capaz de discernir um pouco sobre o seu funcionamento, certo? Pois bem, isso significa que, na prática, você já tem alguma noção sobre o contexto de estruturação e de interação existente em grupos, mas é necessário conhecer teorica e objetivamente alguns conceitos que o(a) nortearão em sua prática profissional. Este é o assunto que abordaremos aqui. Mais que isso, falaremos a respeito dos fundamentos de gru- pos e equipes, apresentando, para seu conhecimento, os tipos e as características, bem como a formação e o comportamento deles. Para tanto, iremos desvendar como podemos fazer uso dessas in- formações para alcançar os objetivos para os quais o grupo ou equi- pe foi criado, empreendendo mecanismos como a comunicação e o processo de tomada de decisões. Somado a isso, antecipamos a nossa discussão sobre o mun- do corporativo, que está em constante mudança e transformação. Sabemos que para se manterem competitivas as organizações pre- cisam se utilizar de todos seus recursos e, para isso, precisamos entender que, no fim das contas, é tudo uma questão de compor- tamento organizacional. Isto é, como os colaboradores atuam em meio ao ambiente de trabalho que está à disposição deles, enquanto grupos ou equipes. É interessante como dentro de uma organização tudo está co- nectado e uma coisa pode influenciar a outra, não é mesmo? Para aprofundarmos mais nossa compreensão sobre este as- sunto, vamos começar! 13 O que caracteriza os grupos e as equipes? Para responder a essa pergunta, iniciamos agora os nossos estudos refletindo sobre o que conhecemos, na prática, como um grupo e/ ou uma equipe, antes mesmo de adentrarmos em definições mais teóricas, ok? Nesse sentido, tendo por base as suas experiências, pense em questões como: Grupo e equipe são a mesma coisa? Há características que você identifica nos grupos e/ou nas equipes dos quais você faz ou já fez parte, por exemplo? E quais seriam essas características? Em linhas gerais, as definições atribuídas a um grupo envol- vem os seguintes termos: conjunto de pessoas; interação; compar- tilhamento de valores e crenças; identidade; e objetivos comuns. Consideramos, pela perspectiva de Robbins (2010), que o grupo é um conjunto de dois ou mais indivíduos interdependentes e interativos, que se juntam visando à obtenção de um determinado objetivo, ele possui identidade, originada no compartilhamento de valores e crenças, e o seu desempenho é igual à somatória das con- tribuições individuais. Deu para acompanhar? Por sua vez, para nós, as equipes são tidas como o conjunto de pessoas que atuam com responsabilidade mútua e têm habilida- des complementares. Nesse caso, compreendemos que uma equipe promove uma sinergia positiva por meio do esforço coordenado das habilidades de seus membros. Dessa maneira, essas habilidades e esses esforços coletivos resultam em um nível de desempenho maior do que a soma das contribuições individuais e, como você entenderá ao longo da nossa discussão, isto é um aspecto importante para a formação de equipes eficazes. Voltando às diferenciações da atuação em grupo e equipe, trazemos a perspectiva de Bowditch e Buono (2015, p. 95), que defi- nem grupos como “duas ou mais pessoas que são psicologicamen- 14 te conscientes umas das outras, e que interagem para atingir uma meta comum.” Já Chiavenato (2005, p. 280) estabelece que […] quando um grupo existe em uma organi- zação, os seus membros estão motivados a trabalhar juntos; percebem o grupo como uma unidade unificada de pessoas que interagem entre si; contribuem em várias medidas para os processos grupais, o que significa que algumas pessoas contribuem com mais tempo e energia do que outras; alcançam acordos e desacordos por meio de várias formas de interação. Ciente dessas perspectivas que trouxemos, o que você con- clui? Embora sejam definições parecidas, há uma linha tênue que distingue esses dois âmbitos de atuação, concorda? Portanto, não se esqueça: um grupo não é uma equipe, e, dentro das organizações, a diferença entre eles se mostra na exis- tência ou não do trabalho coletivo engajado, ok? Figura 1 - Diferença entre grupos e equipes Fonte: Gavioli (2012). 15 Ainda a esse respeito, Robbins, Judge e Sobral (2010, p. 299) afirmam: Um grupo de trabalho é aquele que interage basicamente para compartilhar informações e tomar decisões para ajudar cada membro em seu desempenho na área de responsabilidade. Os grupos de trabalho não têm necessidade nem oportunidade de se engajar em um tra- balho coletivo que requeira esforço conjunto. Assim, seu desempenho é apenas o somatório das contribuições individuais de seus mem- bros. Não existe uma sinergia positiva que pos- sa criar um nível geral de desempenho maior do que a soma das contribuições individuais. Uma equipe de trabalho, por sua vez, gera uma sinergia positiva por meio do esforço coorde- nado. Os esforços individuais resultam em um nível de desempenho maior do que a soma de suas contribuições individuais. Abaixo, há uma representação básica que pode lhe auxiliar a entender melhor a maneira como o trabalho é desenvolvido nessas duas frentes, comparando-as. Figura 2 - Atuação dos colaboradores em grupos e equipes Fonte: Robbins; Judge; Sobral(2010, p. 300). 16 Chegando aqui, devemos fazer uma ressalva: nesse contexto de grupos e equipes, sinergia significa a cooperação e o esforço em- preendido para realizar algo muito complexo e ter êxito no final, ou seja, é quando o trabalho conjunto acaba sendo maior que a soma dos trabalhos individuais. Sabendo de tudo isso e que um grupo é formado por pessoas que se unem em prol de um objetivo específico, você precisa ter em mente também que os objetivos e/ou as metas visados podem se di- recionar para tarefas, em um contexto organizacional, ou para ati- vidades sociais, voltando-se para as nossas relações interpessoais. E é justamente com uma noção maior a respeito deste tema que vamos nos utilizar dos conceitos mencionados por Bowditch e Buono (2015), Robbins (2010) e Chiavenato (2005) para estudar os tipos de grupo e suas estruturas no tópico a seguir. Os tipos de grupo e as suas especificidades Alguns tipos de grupo são mencionados por Bowditch e Buo- no (2015), os quais daremos atenção a partir de agora: Primários Estes se voltam para relacionamentos interpessoais, como família e amigos mais chegados, e podem surgir a partir de grupos secundários, uma vez que é comum fazermos amigos de longa data a partir de relações de trabalho, por exemplo. Secundários Eles se direcionam para tarefas ou metas e grupos de trabalho ou se voltam para objetivos organizacionais. OBSERVAÇÃO 17 Formais Formados dentro da empresa com objetivos específicos e re- lacionados a tarefas ou projetos, estes grupos geralmente estão de- limitados por um organograma e dizem respeito aos que surgem da interação interpessoal entre membros de um time da empresa. Informais Estes não obedecem à mesma diretriz dos grupos formais, pois se baseiam em relações de afinidade. Homogêneos Os membros deste tipo possuem características em comum, como valores, metas, idade ou gênero. Heterogêneos Eles apresentam muita variedade e poucas coisas em comum e são classificados com base no grau de semelhança entre os mem- bros, do ponto de vista de um conjunto específico de particularida- des. Nesse sentido, o grupo pode ser heterogêneo em relação a traços culturais ao mesmo tempo que é homogêneo frente a algo que os une, como ajudar pessoas em situação de rua, por exemplo. Interativos Nestes, os participantes interagem entre si com algum tipo de troca presencial. Nominais Aqui, a interação é indireta, sem que haja a presença física dos integrantes. Um bom exemplo de grupo nominal é a aula EAD, em que não existe essa presença física do aluno e do professor, pois só há de forma virtual. Embora tenham suas vantagens, como baixo custo, redução de influências pessoais no processo decisório e otimização das agendas dos participantes, os grupos nominais não são tão ricos no que se refere aos debates presenciais. 18 Permanentes São aqueles que continuam, independentemente das tarefas ou atividades. Temporários Eles são formados em virtude de uma tarefa, um aumento inesperado no volume de trabalho ou um projeto específico, impor- tante ou muito extenso, e assim que o trabalho é entregue, o grupo temporário se desfaz. Desse modo, a maior parte dos grupos dentro da organização é permanente. Frente a todo esse cenário que estamos apresentando, você já parou para pensar como surgem os grupos e as equipes? Como eles se desenvolvem e quais são os elementos que os estruturam e caracterizam? Se não pensou, chegou o momento de conhecer mais sobre isso. A formação de grupos e equipes Na literatura sobre comportamento organizacional, encon- tramos alguns modelos que buscam elucidar o desenvolvimento dos grupos, e, dentre eles, destacamos, para fins de aprendizado, o mo- delo dos cinco estágios, representado e detalhado abaixo. Figura 3 - Estágios de desenvolvimento de um grupo Fonte: Robbins; Judge; Sobral (2010, p. 265). 19 Os estágios de desenvolvimento de grupos e equipes possuem peculiaridades, e, além disso, é essencial destacarmos que não é ne- cessário a todos os grupos passarem pelas cinco fases citadas. Quadro 1 - Modelo dos cinco estágios de desenvolvimento de um grupo ESTÁGIO DESCRIÇÃO FORMAÇÃO É caracterizada por uma grande dose de incerteza sobre os pro- pósitos do grupo, sua estrutura e liderança. Os membros estão “reconhecendo o terreno” para descobrir quais comportamen- tos são aceitáveis no grupo. Este estágio estará concluído quando os membros começarem a pen- sar em si mesmos como parte do grupo. TORMENTA É quando há conflitos dentro do grupo, inclusive sobre quem vai controlá-lo. Os membros acei- tam a existência do grupo, mas resistem aos limites impostos à individualidade. Quando este estágio estiver concluído, have- rá uma hierarquia de liderança relativamente clara. 20 NORMATIZAÇÃO É o estágio em que se desenvol- vem os relacionamentos mais próximos e o grupo passa a de- monstrar coesão. Existe agora um forte sentido de identida- de coletiva e de camaradagem. Este momento de normatização se completa quando a estrutura do grupo se solidifica e assimi- la um conjunto de expectativas comuns que definem qual deve ser o comportamento correto de seus membros. DESEMPENHO Neste estágio, a estrutura é to- talmente funcional e aceita. A energia do grupo se transferiu do esforço voltado ao conhe- cimento e à compreensão mú- tuos de seus membros para o desempenho da tarefa que deve ser realizada. INTERRUPÇÃO Estágio final do desenvolvi- mento para os grupos tempo- rários, é caracterizada por uma preocupação maior com a con- clusão das atividades do que com o desempenho para reali- zá-las. Fonte: adaptado de Robbins; Judge; Sobral (2010, p. 265). Mediante todos esses processos, podemos dizer, ainda, que os grupos fazem parte da organização e que seu comportamento está sujeito às influências de condições externas e impostas a ele. Em resumo, o grupo deve ser considerado como um subsistema de um sistema bem maior. Para a realização do trabalho em grupo, Chiavenato (2005) relata oito condições organizacionais. Vamos a elas! 21 1. Estratégia organizacional Definida pela cúpula da empresa, a estratégia estabelece os objetivos e os meios para alcançá-los, além de direcionar a organi- zação. Ela influencia os grupos, pois decide a alocação de recursos ou a importância dada a eles nas diversas áreas da empresa. 2. Estrutura de autoridade Com isso, é estabelecida quem se reporta a quem, estipulada a autonomia na tomada de decisões, localizado o grupo na hierar- quia da empresa e definidos quem são seus líderes e suas relações com os outros grupos. 3. Regulamentações formais Essas regulamentações visam à padronização das regras, po- líticas e diretrizes que os colaboradores devem seguir. Quanto mais formais forem os procedimentos, maior será a previsibilidade e a compatibilidade do comportamento dos grupos, ainda que a liber- dade e a autonomia sejam afetadas. 4. Alocação de recursos Aqui, todos os recursos serão distribuídos pela empresa: equipamentos, verba, matéria-prima e tempo, seguindo as delibe- rações da organização. Os grupos de trabalho estão sujeitos à dispo- nibilidade, abundância ou escassez desses recursos. 5. Processos de seleção de pessoal Os critérios de seleção utilizados nos processos de escolha dos colaboradores são determinantes para as características das pessoas que serão os membros dos grupos de trabalho da empresa. 6. Sistema de avaliação de desempenho e recompensas O comportamento dos grupos é fortemente influenciado pe- los processos de avaliação do desempenho dos seus membros, na definição de quais comportamentos serão valorizados e premiados. 7. Cultura organizacional Ela delimita modelos de comportamento dos colaboradores 22 que são aceitos ou não pela empresa. Para permanecer na organiza- ção, os membros do grupo precisam acatar e seguir esses modelos. 8. Condições físicas de trabalho São as características do local de trabalho que são impostas aos grupos, taiscomo: disposição física, colocação dos equipamen- tos, arrumação do espaço de trabalho das pessoas, nível de ilumi- nação e de conforto. Todos esses fatores podem criar ou impedir oportunidades de interação, da mesma maneira que podem ser facilitadores ou agra- vadores da atuação dos grupos dentro da organização. Nesse sentido, a postura e preocupação atual das empresas é proporcionar um ambiente positivo e agradável, incentivando o melhor funcionamento dos grupos de trabalho por meio do atendi- mento das condições adequadas ao trabalho em grupo. Se você vem nos acompanhando no desenvolvimento desta discussão, podemos assumir que já tenha compreendido bem como se dá o modus operandi dos grupos. Sendo assim, o que mais pode- mos falar a respeito das equipes? Talvez pelo contraste possamos tornar mais claras as suas particularidades. Vamos compará-los mais uma vez? Quadro 2 - Características da atuação em grupos e equipes GRUPOS EQUIPES Têm um só líder. Compartilham a liderança. A responsabilidade é individual. A responsabilidade é individual e compartilhada. Têm o mesmo propósito que a organização. Têm um propósito específico. O produto de trabalho é individual. O produto de trabalho é coletivo. Realizam reuniões eficientes. Estimulam reuniões abertas e constantes, direcionadas para a solução de problemas. 23 Têm seu desempenho medido de forma indireta. Têm seu desempenho medido de forma direta, pela avaliação dos produtos de trabalho coletivos. Discutem, decidem e delegam. Discutem, decidem e fazem o trabalho real. Fonte: adaptado de Daft (2005, p. 450). Enfatizando nosso olhar sobre as equipes, observamos, além do que foi mencionado, que elas sempre envolvem relacionamentos e essa característica coletiva gera sinergia, o que não encontramos em um grupo. As equipes se baseiam em conexões pessoais e em relações afetivas entre os membros, envolvem diversidade e unidade, honestidade e empatia, aceitação e abertura, criticismo e acordo, confiança e acei- tação de riscos para criar algo maior do que a união das partes. Nos grupos, as decisões são tomadas por uma pequena parcela de integrantes, e o poder é distribuído de forma hierárquica. Seus líde- res têm a capacidade para pressionar, coagir e manipular os outros, e o grupo é estreitamente dependente deles. Como explicamos, as equipes não se utilizam da coação ou da pressão para obter a lealdade, visto que a direção se dá automati- camente por meio da identificação e integração dos objetivos, visão e estratégia. Não há necessidade de obediência, medo ou subordi- nação, visto que elas atuam com interdependência, autoconfiança e re- troação crítica. Valorizam a diversidade, o diálogo e a negocia- ção para atingir o consenso e uma direção comum. Por isso, clareza de coesão, espírito focado na tarefa, quali- dade de sua satisfação nos processos de trabalho e afeição nos rela- cionamentos de seus membros são algumas das características das equipes. Seu poder vem da capacidade de atuar em conjunto. EXPLICANDO DIFERENTE 24 Devido a essas qualidades, progressivamente, elas estão se tornando unidades fundamentais de energia nas organizações, fa- zendo com que seus membros deixem para trás comportamentos inadequados como egocentrismo, individualismo e competitividade para aproveitar a ausência de restrições sociais. Afinal, equipes bem-sucedidas prosperam em empresas de- mocráticas, pois elas requisitam um contexto de ética, integridade, processos colaborativos e abertos, redes de associação e lideranças também democráticas e comprometidas. Nesse sentido, ser parte de uma equipe não significa perder a individualidade, e sim contribuir para a melhoria de produtos, processos e relacionamentos. Essas descrições nos auxiliam a entender as razões pelas quais as organizações estão reestruturando seus processos de tra- balho em torno das equipes. Além de trazerem sinergia positiva que ajuda os gestores a alcançarem suas metas, como mencionamos, as equipes requerem mudanças na atitude dos colaboradores que fazem parte delas, pois é necessário que eles aprendam a cooperar com os outros integran- tes, a compartilhar informações, confrontar diferenças e a superar seus interesses pessoais pelo bem de todos. Sabendo disso e pensando no meio em que trabalha, se este for seu contexto, você se reconhece em uma equipe? Para facilitar essa sua identificação, vamos iniciar o próximo tópico. Os diversos modos de atuação em equipe Veja, há vários tipos de equipe descritos na literatura, para o nos- so estudo atual, consideraremos as equipes funcionais cruzadas, as virtuais, as autogerenciadas e as forças-tarefa, trazidas por Chia- venato (2005). Além desses tipos, é importante destacar que, aqui, focare- mos ainda na equipe de resolução de problemas abordada por Ro- bbins (2010), levando em consideração que as outras trazidas por este autor já estão contempladas por Chiavenato (2005), está bem? 25 Figura 4 - Os quatro tipos de equipes Fonte: Robbins; Judge; Sobral (2010, p. 300). Equipes funcionais cruzadas ou multifuncionais As equipes funcionais cruzadas ou multifuncionais são formadas por membros de departamentos e especialidades diferentes, possi- bilitando a troca de informações, a solução de problemas e a admi- nistração de projetos complexos com mais riqueza de ideias. Equipes virtuais Nas equipes virtuais, os membros se comunicam à distância, em tempo real, utilizando a tecnologia — e-mail, chat, videoconferên- cia etc., ou seja, as tarefas podem ser executadas por membros lo- calizados em diferentes ambientes físicos. E como não há interação direta entre os integrantes, essas equipes tendem a focar nas tarefas e demonstram menor troca de informações afetivas entre si. Para que essas equipes sejam eficazes, a gestão precisa ga- rantir que os membros confiem uns nos outros para diminuir os ruídos na comunicação e garantir que o progresso seja, constante- mente, monitorado, fazendo com que os objetivos não se percam e todos os integrantes tenham visibilidade. Nesse cenário, também é importante que os resultados e os esforços sejam divulgados para toda a organização a fim de trazer evidência à equipe. 26 Equipes autogerenciadas As equipes autogerenciadas são equipes independentes que geren- ciam suas atividades na totalidade: admitir, planejar, programar, executar e avaliar. Elas são responsáveis pelo gerenciamento e de- sempenho de tarefas que geram produtos ou serviços para clientes internos ou externos, e a posição de supervisão pode chegar a ser eliminada. Suas dificuldades estão na administração de conflitos e nos índices de absenteísmo e rotatividade, ainda que demonstrem índices de satisfação superiores. Equipes de resolução de problemas Estas equipes trocam informações e apresentam sugestões sobre como melhorar a qualidade de produtos, processos, métodos de trabalho e ambiente, mas não têm autonomia para implantar as su- gestões. Um dos grandes desafios das organizações é transformar seus times em equipes altamente eficazes, no entanto, essa mudança não surge espontaneamente, sendo necessárias ações de aprendizagem, desenvolvimento das equipes e, por parte da organização, a utiliza- ção de técnicas de melhoria contínua. Equipes bem constituídas são a sustentação das corporações, e seu desenvolvimento e manuten- ção requer disciplina, esforço e engajamento de todos. E que qualidades comportamentais devem existir nas equipes efi- cazes? 1. Os membros precisam entender claramente os objetivos. 2. Cada integrante deve possuir habilidades significativas para a execução das tarefas, podendo contribuir de forma efetiva SAIBA MAIS 27 para a equipe. 3. Os integrantes necessitam compartilhar um sentimento de confiança entre si. 4. A boa comunicação interna é imprescindível nesse contexto. 5. Todos devem se engajar em relação aos objetivos de forma a alcançá-los. 6. Uma capacidade de negociação deve ser usada para chegar ao consenso dentroda equipe e à aceitação externa. 7. Uma liderança renovadora deve existir para estimular e con- duzir seus membros. 8. O apoio interno dos componentes e externo à organização deve existir. Figura 5 - Modelo de eficácia da equipe Fonte: Robbins, Judge e Sobral (2010, p. 303). 28 O comportamento organizacional Até aqui, vimos que os grupos e equipes se formam de acordo com diferentes contextos organizacionais e de liderança, no entanto, não chegamos a falar com maior detalhamento em que influencia o comportamento da organização e dos colaboradores em meio ao ambiente de trabalho. Por isso, agora que nos deteremos neste assunto, devemos informá-lo(a), inicialmente, que o comportamento organizacional é algo particular de cada companhia. Ele é composto pelos valores, crenças e objetivos que são compartilhados pela gestão e pelos colaboradores. Trata-se, por- tanto, de uma junção daquilo que o colaborador traz de sua perso- nalidade, experiência e vida pessoal com as regras da empresa. Cada organização tem sua própria cultura, composta por um conjunto de crenças, valores e comportamentos, além de uma es- trutura, o que a torna única e específica: não existe outra igual a ela. Frente a isso, a área do comportamento organizacional quer compreender como cada organização funciona e se comporta, pois elas não existem isoladas e sozinhas no universo corporativo. Sem pessoas, a companhia simplesmente não funciona, de modo que é fundamental estudar e compreender esse compor- tamento. Em especial, porque a estrutura organizacional precisa acolher, de forma adequada, seu capital humano (colaboradores), criando condições para que ele possa alavancar a empresa ao su- cesso. De que forma uma organização pode garantir uma estrutura que possibilite esse reconhecimento e essa atenção aos seus cola- boradores? Bem, o foco está nos Recursos Humanos da companhia, que deve buscar alinhar os interesses da empresa e as necessidades dos colaboradores. Sendo assim, a proposta é promover qualidade de vida e condições favoráveis para que os profissionais tenham o má- ximo de produtividade e bom desempenho, por meio da mediação 29 entre os interesses empresariais e a qualidade de vida da equipe, entende? Em um mundo corporativo como esse, que está em cons- tante mudança e transformação, para se manterem competitivas, as organizações precisam utilizar de todos seus recursos e, por sua vez, também precisam entender que, no fim das contas, é tudo uma questão de comportamento organizacional. Somando a essas perspectivas como um todo, Robbins (2005) define o comportamento organizacional como o estudo do que as pessoas fazem na organização e como este comportamento afeta o desempenho da empresa. Para que seja possível o entendimento mais amplo do com- portamento organizacional, consideramos o modelo conceitual de Chiavenato (2005), que o divide em três níveis hierárquicos: orga- nizacional, grupal e individual , que, por sua vez, estão subdividi- dos em variáveis que influenciam ou são influenciadas em seu de- sempenho e resultados. 30 Figura 6 - Níveis hierárquicos Fonte: Chiavenato (2005). Salientamos, ainda, que esses três níveis são como tijolos em uma construção, ou seja, cada nível é construído sobrepondo um ao outro. Um conjunto de indivíduos forma um grupo, e a soma de to- dos os grupos compõem a organização. Nesse sentido, todas as variáveis nos três níveis hierárquicos do comportamento organizacional estão interligadas em uma ca- deia de valores crescente: para que a organização atinja seus objeti- vos, ela precisa de times comprometidos e engajados, formados por colaboradores motivados, que saibam trabalhar em grupo e execu- tem seu trabalho com qualidade. 31 Em situações como essa, percebemos que o absenteísmo tende a ser pequeno e o desempenho das pessoas é otimizado pela satisfação de um trabalho bem feito. Organização, Times e Colabo- radores com bom desempenho conquistarão a satisfação de seus clientes, o que resulta em crescimento organizacional. Daí a importância do estudo do comportamento organiza- cional: ele esclarece como a empresa se comporta de forma global (macroperspectiva), permitindo ajustes e correções em seus pro- cessos (mesoperspectiva) e buscando atingir a excelência por meio de seus colaboradores (microperspectiva). O cuidado da Psicologia Organizacional O que você sabe sobre a Psicologia? Bem, a palavra “psicologia” vem do termo grego psyche, que signi- fica “estudo da mente ou da alma”. Mas mais que isso, esse estudo foi influenciado pelas bases da Psicologia originária da Filosofia. Com a preocupação dos precursores em construir uma ciência e de- vido à influência dos pressupostos positivistas, ela foi determinada pela concepção de ciência que estuda o comportamento e os proces- sos mentais (NARBAL; TOLFO, 2014). A Psicologia Organizacional, portanto, mostra-se como a área de estudo responsável pelo cuidado das pessoas nas organizações. Empresas não são somente máquinas, matéria-prima e processos, são pessoas que elaboram esses processos, que fazem a manutenção dessas máquinas e que fazem a empresa girar, não é mesmo? Falar de Psicologia Organizacional é falar sobre Gestão de Pessoas, em que a atenção se dá tanto na manutenção dos processos e da produtividade quanto na satisfação e na qualidade de vida do colaborador. Em síntese, é aliar os dois lados da moeda: organização e colaborador. Em um cenário onde as demandas por aumento de produção e lucratividade precisam estar aliadas ao bem-estar e à satisfação de colaboradores, a Psicologia Organizacional se torna uma das áreas mais dinâmicas e desafiadoras no mundo dos negócios. Seu papel 32 é focar no recurso humano da organização, sem perder de vista os interesses da empresa, conciliando qualidade de vida e desempenho organizacional, como chegamos a mencionar aqui. Um funcionário bem adaptado, motivado e treinado adequa- damente terá um rendimento melhor e trará mais resultados, da mesma maneira que será mais cuidadoso com seus horários e terá melhores relações interpessoais. Por isso, podemos dizer que a Gestão de Pessoas é uma das áreas que mais sofreu transformações nestes últimos tempos, passando de administradora de benefícios e fornecedora de funcionários a uma área estratégica, ligada diretamente aos resultados e ao core business da organização. A empresa é um organismo vivo, nutrido e sustentado pelas pessoas que a compõem: são essas pessoas que atendem o cliente, que fabricam o produto e mantêm a empresa no mercado. Também são elas que lideram, organizam e representam a organização frente à sociedade e ao consumidor. Ao fazer uma boa gestão de pessoas, faz-se uma boa gestão de empresas; isso se dá por meio de políticas e diretrizes que serão elaboradas para lidar com as pessoas em suas atividades desde a in- serção do colaborador na empresa, sua retenção e desenvolvimen- to, até o atendimento de suas necessidades básicas de alimentação, saúde e segurança. Que tal discutirmos um pouco sobre isso? Uma nova abordagem: a Gestão com Pessoas Para Chiavenato (2014), existe uma transição para a terminologia “Gestão com Pessoas” para ilustrar uma possível nova abordagem VOCÊ SABIA? 33 dentro da Psicologia Organizacional. Esta seria uma abordagem em que o colaborador é um agente ativo e agregador de valor com suas ideias, ações e inovações. Nesse novo contexto, a grande responsabilidade da Psicolo- gia Organizacional, que passaremos a chamar de Gestão com Pes- soas mediante suas atividades, será a de transformar colaboradores em parceiros, empregados em fornecedores de competências e exe- cutores em detentores de capital intelectual. E para que essa área consiga atingir seus objetivos transfor- madores, é necessário que a organização também enxergue seus colaboradores como parceiros, não somente provedores de mão de obra. Os colaboradores devem ser encarados como fornecedores de competências (conhecimento, habilidadee atitude), experiências e talentos que possam contribuir para o alcance dos objetivos da em- presa. Se é necessário um produto melhor, é preciso investir na con- tratação de pessoas mais qualificadas e/ou treinar as que já estão na organização. Encorajar o desenvolvimento individual do colabora- dor por meio de incentivos educacionais elevaria seu nível técnico, trazendo, com isso, benefícios mútuos. Você já havia pensado nisso? Quando Chiavenato (2005) utiliza os termos empregabilidade e empresabilidade, por exemplo, ele está enfatizando tanto a capa- cidade de conquistar e se manter no emprego quanto a capacidade da empresa em desenvolver e utilizar as competências dos seus co- laboradores. Para que essa dinâmica aconteça, a Gestão com Pessoas pre- cisa se fundamentar em alguns pontos importantes. Dentre eles, as pessoas devem ser vistas como: • seres humanos, não somente como recursos, logo sua contri- buição à organização deve ser reconhecida; • ativadoras, que impulsionam a empresa aos seus objetivos; • parceiras da organização, uma vez que todo investimento só se justifica quando traz retorno, assim, o esforço, a dedicação e a responsabilidade do colaborador devem ser recompensa- 34 dos com carreira, benefícios, crescimento e reciprocidade; • talentos fornecedores de competências, já que a tecnologia é inútil sem alguém para manuseá-la com destreza; • capital humano, agrega inteligência ao negócio da organiza- ção; Em suma, para que os objetivos sejam alcançados, é necessá- rio que as pessoas sejam vistas como elementos fundamentais para a eficácia organizacional. • Sendo assim, a atuação da gestão deverá: • Ajudar a organização a alcançar seus objetivos e metas, pois, mais do que fazer corretamente (eficácia), devemos buscar as nossas metas com excelência (eficiência). • Trazer competitividade, fazendo com que as pessoas sejam mais produtivas e, com isso, tragam mais benefícios para to- dos — clientes, parceiros, colaboradores. • Prover pessoas bem treinadas e motivadas, havendo capaci- tação contínua e recompensas vinculadas ao desempenho. • Aumentar a satisfação das pessoas no trabalho, respeitando- -as e reconhecendo-as, pois pessoas satisfeitas rendem me- lhor e realizam suas atividades com mais qualidade. • Promover a qualidade de vida no trabalho, pois a confiança das pessoas na empresa é vital para a fidelidade e a motivação dos colaboradores, o que inclui segurança, estilo de gestão, ambiente de trabalho e autonomia. • Administrar mudanças, levando em consideração que nada é estático e a organização precisa estar pronta para as novas estratégias, soluções e ações de acordo com as novas aborda- gens. • Zelar pela ética e comportamento socialmente responsável, de modo que toda ação deve ser transparente, justa e confiá- vel, mantendo o cuidado para que não haja discriminação ou 35 violações aos direitos básicos das pessoas. • Construir a melhor equipe para a melhor empresa, visto que uma força de trabalho bem estruturada constrói uma empresa de sucesso. Além do que estamos trazendo, aqui, sabemos que a Psicolo- gia Organizacional pode ser utilizada em qualquer tipo de ambiente de trabalho: em empresas privadas, instituições públicas, organiza- ções não governamentais e órgãos pertencentes ao governo. Dessa forma, frisamos que a existência de um trabalho de Psicologia Organizacional é de suma importância para garantir mais saúde, qualidade de vida e produtividade dentro do ambiente de tra- balho. Assim, o acompanhamento psicológico no ambiente de tra- balho é favorável tanto para o bem-estar dos funcionários quanto para o sucesso da empresa. A seguir, podemos analisar as interfaces da Psicologia do Trabalho, Psicologia Organizacional e a Gestão de Pessoas. Figura 7 - Interfaces das áreas Fonte: Zanelli; Bastos (2004, p. 483). 36 Diante disso, podemos compreender que a psicologia do trabalho está mais voltada às questões do mercado, do emprego, da organização do trabalho, da ergonomia e da saúde no trabalho, ao passo que as atividades do psicólogo relacionadas à gestão e ao comportamento se dirigem mais às atividades do administrador. Concluímos, então, que o psicólogo contribui com conheci- mento, métodos e técnicas sobre como gerir as pessoas e os pro- cessos organizacionais. E a Psicologia Organizacional, frente a isso, constitui-se como o que usualmente definimos por comportamen- to humano nas organizações ou comportamento organizacional (NARBAL & TOLFO, 2014), certo? Olá, caro(a) aluno(a)! Chegando a este momento, você já sabe que o foco do estudo do comportamento organizacional é entender como as empresas se comportam e como são afetadas pelas ações de seus colaboradores, de forma individual e em grupos, bem como quais são as interferên- cias que acontecem nesta relação, não é mesmo? Aqui, além de se familiarizar com esse tema, você pôde perceber que trabalhar com pessoas de culturas, idade e gêneros diferentes é sempre um estímulo ao novo, um incentivo à busca da conciliação frente aos contrastes que percebemos diariamente. É por isso que ajustar nosso estilo de relacionamento em respeito à diversidade é uma atitude cada vez mais valorizada no contexto empresarial, e este é somente um dos desafios que a Psicologia Or- ganizacional enfrenta no dia a dia: dar atenção aos recursos huma- nos da empresa, buscando o aumento da produtividade sem perder de vista a qualidade de vida dos colaboradores. Nesse sentido, a área de Gestão com Pessoas tem por finalidade au- xiliar a organização no alcance das metas, trazer competitividade e prover pessoas bem selecionadas e treinadas, mantendo um bom nível de satisfação no trabalho, além da qualidade de vida, admi- ACESSE 37 nistrando mudanças e construindo a melhor equipe para sua orga- nização. Frente a isso tudo, aos conceitos e às características de grupos e equipes, o que você conseguiu discernir? Para garantirmos uma resposta positiva, vamos recordar: concei- tualmente os grupos e equipes não são a mesma coisa. Como explicamos, o grupo é um conjunto de dois ou mais indivíduos interdependentes e interativos, que se juntam visando à obtenção de um determinado objetivo. Ele possui identidade, originada no compartilhamento de valores e crenças, e o seu desempenho é igual à somatória das contribuições individuais. Já as equipes são tidas como o conjunto de pessoas que atuam com responsabilidade mú- tua e têm habilidades complementares que geram sinergia positiva por meio do esforço coordenado. Com isso, você pôde concluir que os grupos e as equipes têm pe- culiaridades na sua formação, o que lhes concede características e comportamentos organizacionais distintos, concorda? Então, se você fosse convocado(a) para analisar o comportamento de um grupo, por onde você começaria sua missão? Ficou motivado(a) a criar grupos e equipes, ou participar deles em sua vivência social? Esperamos que você tenha gostado do que apresentamos aqui. Desejamos bons estudos, até a próxima! 38 UN ID AD E 2 Objetivos ◼ Entender o conceito de liderança, discernindo sobre a dife- rença entre líderes e chefes, identificando os reflexos da teoria do traço e da teoria comportamental. ◼ Identificar as características comportamentais dos líderes nas organizações. ◼ Identificar e analisar os diversos estilos de liderança. ◼ Compreender o que envolve a competência (conhecimento, habilidade e atitude). 40 Introdução Olá, aluno(a)! Tudo bem com você? Seja bem-vindo(a) aos estudos sobre Psicologia, liderança e com- portamento nas organizações. Você sabia que o comportamento dos indivíduos e dos grupos pode ser dirigido conforme a necessidade da organização? Pois bem, isso é possível por meio da figura dos chefes e dos líderes, que serão nosso tópico inicial de estudo. A figura do líder se destaca pela sua utilização de outras fontes de autoridade que não seja o poder para convencer e direcionar seus liderados e é por issoque a liderança nas organizações pode impactar diversos fatores. Além disso, quando falamos a respeito do mundo administra- tivo, são perceptíveis três estilos principais de liderança: a Autocrá- tica, quando o líder centraliza em si as decisões; a Liberal, quando o líder interfere pouco, deixando o poder de decisão a cada indivíduo; e, por fim, a Democrática, quando o líder organiza os liderados de forma que as decisões sejam feitas em conjunto. Nesse sentido, este material será destinado também a alguns tipos de liderança que estão sendo altamente debatidos no âmbi- to corporativo, dentre eles: liderança contingencial, liderança si- tuacional, liderança carismática, liderança transacional, liderança transformacional e liderança do tipo Laissez-faire (liberal). Então, você está preparado(a) para embarcar nessa jornada? Sigamos em frente! 41 Conceituando e distinguindo líder e chefe Vamos iniciar o estudo da liderança refletindo sobre a referência que temos do que é um líder e um chefe a partir das experiências de vida. Para isso, pare um pouco e recorde algumas ocasiões em que você esteve sob o comando de um chefe e as que você esteve sob o co- mando de um líder. Então, notou diferenças entre o comportamento dessas pessoas (chefe e líder)? Em qual situação de comando você se sentiu mais confortável? Muitas vezes, a palavra chefe possui uma conotação negativa no ambiente de trabalho, de modo que é associada à figura de uma pessoa exigente com um alto nível de cobrança e que é responsá- vel pelas decisões ou pela aprovação das decisões e dos trabalhos realizados por seus subordinados. Mas, em termos teóricos, o que é um chefe e o que caracteriza este cargo? Vamos agora elucidar esses conceitos. O chefe ou a função de chefia remete ao desenvolvimento de pa- péis de gestão, por isso, a palavra chefe no ambiente de trabalho, comumente, lembra a figura de um gerente ou de um gestor supe- rior. Portanto, podemos assim assumir que a definição de gerente se aplica à definição de chefe, e, a esse respeito, assevera Maximiano que: cada gerente, em uma organização formal contemporânea, ocupa uma posição dentro de uma hierarquia regida por normas impes- soais. Essa posição, chamada de cargo, empre- ga a seu ocupante o direito de tomar decisões e de se fazer obedecido, durante um período, chamado mandato, e dentro de uma jurisdição definida por algum critério de divisão do tra- DEFINIÇÃO 42 balho. [...] As normas impessoais transformam o ocupante do cargo em figura de autoridade, com poderes formais para influenciar o com- portamento alheio – seus subordinados ou go- vernados. As normas também definem os limi- tes nos quais esses poderes podem ser usados (MAXIMIANO, 2017, p. 270). Com base no disposto, podemos, de forma objetiva, definir chefe como aquele que está em uma posição mais elevada dentro da organização e que tem como objetivo o gerenciamento, sendo res- peitado por seu poder dentro da organização (OLIVEIRA, 2014). Nesse sentido, os subordinados obedecem ao chefe porque têm a obrigação legal de obedecer, independente de suas opiniões e percepções sobre o chefe, suas atitudes e decisões. Agora que você conhece a definição de chefe, é importante ter em mente que chefia é uma posição, de modo que o indivíduo que o ocupa foi designado para essa função mediante um critério. Por- tanto, há casos em que o chefe assume a posição por outros moti- vos que não sejam seu conhecimento ou aptidões de liderança. Com isso, podemos concluir então que nem todo chefe é um líder. Tornar-se um líder é um processo gradativo que depende de investimentos tanto em habilidades quanto em conhecimentos e emoções. A capacidade de liderar é um conjunto de aptidões que po- dem ser aprendidas e aperfeiçoadas mesmo naqueles que são consi- derados líderes natos, ou seja, sempre é possível melhorar e lapidar. O papel do líder é fundamental na elaboração e desenvolvi- mento de estratégias, na condução e motivação de grupos, para que estes possam alcançar, de maneira individual e coletiva, seus pro- pósitos pessoais e profissionais. A liderança coloca energia e define a direção nas corporações. Podemos encontrar várias definições que tentam explicar o que é liderança, mas vamos nos concentrar em dois autores para desenvolver esses conceitos: Chiavenato e Robbins. Robbins, Judge e Sobral (2010, p. 359) definem liderança como a “capacidade de influenciar um conjunto de pessoas para al- 43 cançar metas e objetivos”. Esta influência pode ser formal, vinda do cargo que o líder ocupa, ou informal, quando vem de pessoas que são respeitadas por suas ações ou opiniões, mas não são lideranças formais. Ambas são importantes e têm seu lugar de destaque na es- trutura da empresa. Segundo Robbins, Judge e Sobral, as organizações precisam de líderes desafiadores, com visão de futuro, inspiradores de times que serão os responsáveis pela realização dessas visões. Assim, lí- deres que sejam capazes de gerenciar os trabalhos dentro de siste- mas corporativos eficientes. De acordo com Chiavenato (2005), liderança é uma forma de poder pessoal através do qual uma pessoa influencia outra para provocar ou modificar o comportamento dela. Ele define poder como o potencial de influência de um indivíduo sobre o outro e a autoridade como o poder reconhecido e socialmente aceito; a per- cepção de poder em um líder está fortemente ligada à sua capacida- de de persuadir e motivar seu time. Em sua visão, existem cinco tipos diferentes de poder, que podem ser derivados da posição (coerção, recompensa e legitima- do) ou da pessoa (competência e referência): → Poder coercitivo – é baseado no medo e na imposição, ou seja, o liderado sabe que sofrerá algum tipo de penalidade caso não atenda às exigências do líder. → Poder de recompensa – é baseado no incentivo ou reco- nhecimento da equipe. → Poder legitimado – esse se origina da posição ou cargo que o líder ocupa no grupo ou na empresa. Neste cenário, é a hierarquia que determina o nível de autoridade. → Poder de competência – como o próprio nome já diz, está apoiado no talento, no conhecimento técnico e na competência de seu ocupante. Os liderados o enxergam como alguém que está além de seus próprios conhecimentos. → Poder de referência – está apoiado na atuação e no caris- ma do líder e, assim, ele é admirado por suas ações e seus traços de 44 personalidade que lhe dão referências positivas com sua equipe. Seu poder vem da admiração e do desejo do time em querer se parecer com ele. Vale lembrar que a verdadeira liderança deve se basear em exemplos de poder, de competências, ou de referências, para que seja capaz de gerar resultados por meio das pessoas e não por pres- são, dádivas ou por conta do cargo que ocupa. Estilos de liderança O tema liderança é, sem dúvida, um dos mais estudados graças à sua importância no mundo corporativo, que solicita líderes cada vez mais eficazes para renovar e estimular as empresas rumo a novas conquistas. Por isso, vamos agora nos aprofundar em algumas teo- rias de liderança e seus respetivos estilos. Teorias comportamentais As teorias comportamentais propõem que certos comportamentos diferenciam os líderes daqueles que não são e que é possível treinar as pessoas para se tornarem líderes. Dessa forma, estas buscam mapear e compreender o com- portamento das lideranças para, assim, perceber como as pessoas lideram suas equipes e quais são suas técnicas de administração. Elas oferecem sete estilos de liderança, que são: autocrático, liberal ou laissez-faire, democrático, orientado para a produção, orientado para as pessoas, estrutura de iniciação e estrutura de consideração. A liderança autocrática é centralizadora, fixa diretrizes e su- pervisiona a equipe de perto. Por isso, há pouco espaço para discus- sões e as decisões devem ser acatadas. Ainda que pareça difícil lidar com esse estilo, em algumas situações de pressão ou prazos muito curtos, umlíder dominador pode ser a melhor opção, contando que esse estilo seja amenizado assim que o contexto mudar. Na liderança laissez-faire, o grupo tem total liberdade de ação e o líder interfere muito pouco nas decisões, com participação mí- 45 nima nas atividades, limitando-se a dar instruções gerais ao time. Este estilo só é eficaz se o grupo for suficientemente maduro, hábil e responsável para se autogerenciar; caso contrário, o resultado pode ser desastroso. Quando o líder conduz a equipe, orienta o grupo em suas ati- vidades e diretrizes, incentiva a participação de todos nas decisões e sua autoridade é descentralizada, temos o estilo democrático. Sua grande vantagem é promover o desenvolvimento das pessoas, além de seu amadurecimento enquanto profissionais. No estilo orientado para a produção, o nome se explica: esta liderança prioriza os aspectos técnicos e práticos do trabalho, enfa- tizando o cumprimento dos objetivos e tarefas do grupo. O colabo- rador é visto como um meio para a realização do trabalho. Já para o líder orientado para as pessoas, o foco está nas re- lações interpessoais, nas necessidades de seu time e na aceitação das diferenças pessoais; sua base de liderança é atingir os resultados por meio das pessoas. No caso da estrutura de iniciação, este estilo se refere à for- ma como o líder é capaz de definir seu papel em relação aos papéis dos liderados, ou seja, quem faz o quê e até onde cada um pode che- gar em termos de autonomia (líder e equipe). Lideranças com alto grau de estruturação delegam tarefas aos membros, enfatizam o cumprimento dos prazos e cobram o desempenho. O estilo de estrutura de consideração tem relação com a ca- pacidade do líder em manter relacionamentos de trabalho confiá- veis e de respeito às ideias dos seus membros, tendo consideração por seus sentimentos. Esse líder demonstra interesse nos proble- mas pessoais de seus liderados, trata a todos como iguais e oferece apoio e reconhecimento. Teorias contingenciais Esta linha de estudo enfatiza a influência da situação e do contexto no estilo de liderança exercido pelo gestor, levando em considera- ção o ambiente, a tarefa, a equipe e os objetivos. 46 Sob determinadas condições, o líder pratica certo tipo de es- tilo, porém, se as condições mudarem, ele pode mudar seu estilo de gerenciamento da equipe. Vamos considerar três modelos de estilos de liderança que levam em consideração as situações em que acon- tecem: Modelo de Contingência de Fiedler, Teoria Situacional de Hershey e Blanchard e Teoria do Caminho-meta de House. Modelo de Contingência de Fiedler Este modelo propõe combinar o estilo do líder com a situação orga- nizacional, ou seja, escolher o líder que vai se adequar a determina- da situação, na qual ele será mais eficaz. O primeiro passo é identificar o estilo do gestor, detectando se ele é mais orientado para a tarefa ou para as relações pessoais; para esta verificação, a teoria se baseia em três variáveis: relações entre líder e liderados (a forma como os membros apoiam o líder), estrutura da tarefa (entendimento dos membros quanto aos obje- tivos e procedimentos) e poder da posição (grau de autoridade do líder para recompensar ou corrigir e seu conhecimento da tarefa). Com essas informações, é possível ajustar o líder à situação em que ele irá obter melhores resultados. Equipes com baixo rendi- mento, gerenciadas por um líder orientado para os relacionamen- tos, podem melhorar seu desempenho se forem administradas por outro orientado para a tarefa. Equipes produtivas, com mau rela- cionamento, pedem um gestor voltado aos relacionamentos para melhorar o clima entre os membros. Teoria Situacional de Hersey e Blanchard Outra alternativa seria modificar a situação ou contexto para ade- quar ao estilo do líder: reestruturar as tarefas, aumentar ou limitar seu poder de recompensa. Esta teoria destaca o grau de maturidade das equipes, que podem ser mais maduras (membros capacitados tecnicamente e mais confiantes) ou menos (integrantes com poucos recursos técnicos e mais inseguros); o nível de maturidade técnica e emocional determina o estilo do líder em seu gerenciamento, vamos 47 entender agora os diferentes tipos. → Estilo de contar – é usado nas equipes com baixa habili- dade e baixo desejo de executar o trabalho, onde o líder define as tarefas e incentiva os membros a assumirem sua responsabilidade por elas. → Estilo de vender – se a equipe está motivada, porém, ainda não tem o domínio das tarefas, este é o mais indicado, pois diminui a insegurança no trabalho ao dar apoio técnico e encorajar o entu- siasmo. → Estilo participativo – no caso de equipes capazes, mas des- motivadas, é necessário que o líder tenha este estilo, atuando com ações de incentivo sem deixar de lado o apoio ao trabalho. → Estilo delegativo – caracteriza um líder de equipes madu- ras, coesas e motivadas e sua principal atuação é direcionar o dia a dia do trabalho. Teoria do Caminho-meta de House A responsabilidade do líder no alcance das metas passa dire- tamente pelo aumento da motivação da equipe: é o que diz a Teoria do Caminho-meta de House. Nessa linha de pensamento, o estilo do líder deve facilitar o caminho da sua equipe para o atingimento das metas, reduzindo as dificuldades por meio de informações, recursos e apoio. Os estilos deste gestor podem ser de liderança diretiva, apoia- dora, orientada para resultados ou participativa. Como o seu nome já diz, a liderança diretiva guia os times nas tarefas, demonstrando o que deve ser feito e de que maneira deve ser executado: planejamento e programação das atividades, objeti- vos de desempenho e padrões de comportamento, regras e procedi- mentos. Ela é muito eficaz em situações em que as tarefas não são muito claras ou falta estrutura para executá-las, visto que o líder decide tudo. Em um contexto onde as tarefas são estressantes, repetiti- 48 vas ou desagradáveis, a liderança apoiadora pode tornar o ambiente mais agradável e melhorar a execução das atividades. Ela cria um clima de equipe, elevando a satisfação do time, pois foca sua atua- ção nas relações interpessoais. Em linhas de produção, nas quais o trabalho é frustrante, monótono e cansativo, esse estilo pode ame- nizar o desconforto da atividade. A liderança orientada para resultados incentiva seus lidera- dos a atingir níveis mais altos de qualidade e desempenho. O líder mostra confiança em sua equipe e em suas habilidades para atingir níveis desafiadores de performance ao encorajá-los a buscar novos padrões de qualidade em seu trabalho. Quando o líder valoriza as opiniões e sugestões de seus lide- rados, incentiva sua participação na tomada de decisões e nas reu- niões de trabalho, ele está praticando a liderança participativa. O líder ideal deve praticar estes quatro estilos ao mesmo tempo, de acordo com a situação ou contexto do momento, adaptando-se ao cenário que envolve equipe, tarefa, complexidade e ambiente. Novas abordagens em teorias de liderança As novas abordagens no assunto liderança possuem um ponto em comum: enxergar o líder como uma pessoa inspiradora que entu- siasma seus seguidores por meio de suas palavras, ideias e compor- tamentos. Estes estilos são a Liderança Carismática, a Liderança Transacional e Transformacional e a Liderança Autêntica. CURIOSIDADE 49 Segundo o dicionário Aurélio, carisma é definido como grande pres- tígio de uma personalidade excepcional, ascendente que exerce so- bre outrem. A liderança carismática se baseia na força das habilidades pessoais de uma pessoa que causam um profundo efeito em seus liderados. Portanto, são líderes caracterizados por autoconfiança e confiança em seus liderados, altas expectativas em seu time e o uso do exemplo pessoal. Robbins, Judge e Sobral (2010) descrevem quatro caracterís- ticas para esses líderes: 1. visão e articulação – este líder é capaz de elucidar a impor- tância de uma meta e como ela podemudar seu futuro; 2. risco pessoal – são os líderes dispostos a correr riscos pes- soais e se sacrificam para atingir suas visões; 3. Sensibilidade às necessidades dos liderados – são os líderes sensíveis às necessidades e sentimentos dos outros; 4. comportamentos não convencionais – esses líderes têm comportamentos inovadores e que vão contra as normas. Es- ses atributos impulsionam os liderados a se identificarem com a liderança e com sua missão, desenvolvem alta confiança e lealdade, absorvem seus valores e imitam seu comportamen- to. São líderes que “contaminam” com seu entusiasmo, con- fiança nos objetivos e no atingimento das metas; estilo mais comum nas personalidades do mundo corporativo, político e da música. As Lideranças Transacional e Transformacional são, na verdade, dois estilos que se complementam: a transacional conduz seus membros aos objetivos viabilizando recursos e informações (muito parecida com a teoria do caminho-meta que já vimos), po- DEFINIÇÃO 50 rém, a transformacional inspira os liderados a superar limites e se esforçar ao máximo pelo bem da organização. Nesse sentido, são atentos às necessidades e preocupações de seus liderados, ajudando-os a ver os problemas sob novas perspec- tivas e modificando (positivamente) sua visão do trabalho. Trans- mitem e inspiram confiança, fazendo com que todos se esforcem. Além disso, usa de seu prestígio para estimular o orgulho da equipe. O líder transformacional utiliza técnicas do líder transacional para atingir seus objetivos: por meio da facilitação das tarefas e de metas claras (transacional), o líder transformacional incentiva seus liderados por meio da atenção pessoal, utilizando novas formas na solução de problemas (criatividade), promovendo o estímulo inte- lectual e oferecendo uma missão ao grupo que traz orgulho e res- peito. Por fim, a liderança autêntica se baseia na confiança e na éti- ca. Os líderes autênticos são conscientes de sua identidade, daquilo que acreditam e agem de acordo com seus valores e crenças de for- ma sincera e aberta. Com isso, geram confiança, pois transmitem credibilidade por seus atos e regras morais. Também compartilham informações, encorajam a comunicação aberta e são fiéis aos seus ideais. Esse estilo de liderança pensa além dos seus próprios inte- resses e visa as necessidades de todas as outras partes interessadas: empresa, colaborador, comunidade, ambiente. Ética e liderança estão ligadas por laços muito fortes: líderes sem ética podem ser tão impactantes quanto os éticos, pois utili- zam de seu carisma para exercer seu poder sobre seus seguidores. A confiança é a qualidade mais importante na liderança autêntica, pois dela derivam todos os outros atributos desse líder e a sua falta causa sérios problemas na equipe. O engajamento e comprometi- mento são medidos pelo nível de confiança da equipe em seu líder, SAIBA MAIS 51 ou seja, somente o líder confiável e transparente será capaz de fazer seu time se superar no alcance das metas e objetivos traçados. Po- demos desenvolver a confiança através de três características: inte- gridade, benevolência e capacidade. Características comportamentais dos líderes Antes de entrarmos no assunto deste tópico, vamos refletir um pou- co sobre o comportamento do líder. Será que todas as habilidades de liderança são usadas em todos os momentos? Possivelmente não, porque a liderança é um processo que envolve o interpessoal e o social dentro de um contexto com- plexo. Além das teorias que estudamos, existe uma que ainda vale a pena destacar: a teoria dos traços de liderança. Esta teoria busca identificar qualidades e características pessoais que diferenciam lí- deres de não líderes (ROBBINS; JUDGE; SOBRAL, 2010). A teoria dos traços procura explicar o fenô- meno da liderança por meio de certos traços de personalidade, de nascença ou adquiridos, que os líderes demostram. Conhecendo esses traços, consegue-se identificar os líderes po- tenciais. Além disso, seria possível desenvolver esses traços nas pessoas e, assim, formar líde- res (MAXIMIANO, 2017, p. 279). Nesse sentido, podemos entender que esses traços são ca- racterísticas pessoais distintas, como inteligência, valor, aparência etc. Estas características refletem no comportamento do líder, como REFLITA 52 a inteligência que pode fazer com que o líder exiba um comporta- mento calculista junto aos seus liderados. Segundo Bryman (1992), podemos agrupar esses traços em três grupos, conforme resume o seguinte quadro: Quadro 1 – Os três principais tipos de traço dos líderes. TRAÇO DESCRIÇÃO EXEMPLOS Fatores físicos Têm relação com as características físicas do indivíduo, como altura, peso, aparência física e idade. Dentro de um grupo de adolescentes, é muito mais fácil um líder jovem ser aceito, devido à sua vitalidade, do que um idoso, com larga experiência e vivên- cia. Contudo, isso não é uma regra. Habilidades Inteligência, fluên- cia verbal, esco- laridade e conhe- cimento são tidos como características facilitadoras da liderança. Em princípio, quando alguém tem habilidades de comunicação ou informação, existe uma maior possi- bilidade de atrair atenção. Aspectos de personalidade Moderação, intro- versão, dominân- cia, ajustamento pessoal, autocon- fiança, sensibili- dade interpessoal e controle emocional são as característi- cas mais atuantes na aceitação ou não de um líder. Uma pessoa sensível nem sempre conse- gue manter um bom relacionamento com as demais. Fonte: Adaptado de Bryman (1992). 53 Conforme estamos aprendendo, o comportamento do líder facilita o exercício da liderança, ou seja, ela resulta da presença de traços específicos no comportamento e na figura física do líder. Que traços e características são essas? Pare um pouco e descreva men- talmente um líder que você conheça. Quais caraterísticas você iden- tificou imediatamente? Acredito que algumas dessas características podem estar comtempladas na seguinte figura: Figura 1 – Características pessoais dos líderes. Fonte: Adaptado de Daft (2005). Ainda a respeito das caraterísticas pessoais dos líderes, Chia- venato (2006, p. 451- 452) identifica as seguintes: → facilidade em solucionar problemas e conflitos; → habilidade de delegar responsabilidades aos outros; → habilidade de interpretar objetivos e missões; → habilidade de estabelecer prioridades; → habilidades de planejar e programar atividades em equipe; → facilidade em supervisionar e orientar pessoas. 54 Habilidades e atitudes necessárias ao exercício da liderança Você já parou para pensar o que define um líder competente? Para responder a essa questão, vamos compreender, inicialmente, qual é o significado da palavra “competência”. Com uma breve busca, encontramos os seguintes significados dis- postos no Dicionário On-line Português (2009-2020, p. 1): [Substantivo feminino] Capacidade decorren- te de profundo conhecimento que alguém tem sobre um assunto: recorrer à competência de um especialista. [Jurídico] Atribuição, jurídica ou consuetudi- nária, de desempenhar certos encargos ou de apreciar ou julgar determinados assuntos. Ca- pacidade de fazer alguma coisa; aptidão. Dever ligado a um ofício, cargo, trabalho; atribuição, alçada. Conjunto de habilidades, saberes, co- nhecimentos: entrou na faculdade por compe- tência própria. No contexto da liderança e da gestão de pessoas nas organi- zações, o termo competência é utilizado como um substantivo vin- culado ao conhecimento, às habilidades e às atitudes das pessoas. É importante observar que a definição de competência re- mete aos seguintes termos e expressões: saber agir, mobilização de recursos, interação entre saberes múltiplos e complexos, aprendi- zado, engajamento, assumir responsabilidades e visão estratégica. Portanto, no contexto das organizações, as competências dos indi- DEFINIÇÃO 55 víduos (incluindo os líderes) são fontes de valor para a organiza-ção, ou seja, direcionadas aos objetivos da organização, permitem alcançá-los com sucesso. De acordo com Fleury (2002, p. 55), nesse sentido: “Do lado da organização, as competências devem agregar valor econômico para a organização e valor social para o indivíduo [...]”. Portanto, para fins de nossos estudos, assumimos a defini- ção de competência disposta por Fleury (2002), de modo que ela é o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes, isto é, o conjun- to de capacidades humanas que justificam uma alta performance. Portanto, líderes competentes são líderes de alta performance que geram valor econômico para as organizações e valor social para as pessoas que dela fazem parte. Diante do que já foi exposto aqui, proponho a seguinte reflexão: eu possuo quais dessas competências? Independentemente de sua res- posta, saiba que cada uma delas pode ser desenvolvida por meio de treinamentos. Por exemplo, as competências de comunicação po- dem ser desenvolvidas ou melhoradas por meio da sua participação em um curso de oratória ou em dinâmicas de interação com pessoas. Ficou curioso(a) para saber como desenvolver as demais competên- cias? Pesquise um pouco sobre o assunto e irá descobrir como ad- quiri-las ou aprimorá-las. Resumidamente, o foco do nosso aprendizado, nesta etapa, é a competência do ser individual. Como pudemos ver, a competência de liderar remete a agregar valor social aos indivíduos por meio de conhecimento (C), habilidades (H) e atitudes (A), o que é denomi- nado na literatura como CHA da competência. No que tange ao conhecimento, ele é definido por Davenport e Prusak (1998, p. 6) do seguinte modo: REFLITA 56 conhecimento é uma mistura fluida de ex- periência condensada, valores, informação contextual e insight experimentado, o qual proporciona uma estrutura para a avaliação e incorporação de novas experiências e informa- ções. Nas organizações, ele costuma estar em- butido não só em documentos ou repositórios, mas também em rotinas, processos, práticas e normas organizacionais. Outra definição de conhecimento nos é fornecida por Chiave- nato (2016, p. 338): o conhecimento é uma mistura de experiências condensada, valores, informações contextuais e insights (discernimento) de uma pessoa e que proporciona uma estrutura para a avalia- ção e a incorporação de novas experiências e informações. O conhecimento está na mente das pessoas. As pessoas transformam a infor- mação em conhecimento, fazendo compara- ções, analisando as consequências, buscando as conexões e conversando com outras pessoas sobre as informações recebidas Com base nas definições acima, temos que o conhecimento está relacionado à experiência das pessoas e ao processamento de informações. Nesse sentido, entendemos por informação, a reunião ou o conjunto de dados e conhecimentos organizados, que permite cons- tituir referências sobre um determinado acontecimento, fato ou fe- nômeno. Já a experiência remete aos sentimentos, procedimentos, rotinas vivenciadas pelos indivíduos. Assim, objetivamente pode- mos entender por conhecimento, o atributo de possuir entendi- mento e compreensão sobre algo por intermédio da experiência e do raciocínio acerca das informações. Dentro dessa perspectiva, o conhecimento encontra-se classificado, basicamente, em explícito (transmitido por informações) e em tácito (relacionado com expe- riências). No que se refere às habilidades no contexto do CHA, podemos 57 defini-las como a capacidade individual de desempenhar as diver- sas tarefas de uma função. Essas habilidades podem ser tanto inte- lectuais como físicas, conforme: as habilidades totais de uma pessoa normal- mente são formadas por dois grupos de fato- res: as habilidades intelectuais e as físicas. [...] habilidades intelectuais - capacidade para de- sempenhar atividades mentais, tais como re- fletir, raciocinar e resolver problemas. [...] ha- bilidades físicas - capacidade de desempenhar atividades que demandam resistência, destre- za, força e características similares (ROBBINS; JUDGE; SOBRAL, 2010, p. 49). Dentro das organizações, um líder competente é aquele que consegue colaborar na geração do conhecimento e desenvolver, aprimorar e direcionar as habilidades dos seus liderados para atin- gir os objetivos organizacionais, gerando valor tanto para a empresa como para seus liderados. Ainda, cabe ao líder influenciar e geren- ciar atitudes dos indivíduos, aqui temos, então, o “A” do CHA da competência. Segundo Robbins, Judge e Sobral (2010), a atitude é uma ação que remete a uma avaliação de algo por parte do indivíduo. Assim, os autores destacam que: atitudes são afirmações avaliatórias — favorá- veis ou desfavoráveis — com relação a objetos, pessoas ou eventos. Refletem uma predispo- sição individual com relação a alguma situa- ção ou fenômeno. Quando digo “gosto do meu trabalho”, estou expressando a minha atitude com relação ao trabalho. (ROBBINS; JUDGE; SOBRAL, 2010, p. 66). Dessa forma, as atitudes dos indivíduos dentro das organiza- ções refletem a combinação dos componentes cognitivos, afetivos e comportamentais deles. A figura 2 ilustra e define cada um desses componentes. Perceba nele que uma atitude resulta da combinação entre avaliação, sentimento e comportamento. 58 Figura 5 – Componentes da atitude dos indivíduos. Fonte: Adaptado de Robbins, Judge e Sobral (2010). Parabéns, estudante! Em conjunto, finalizamos esta etapa. Inicialmente, aprendemos que chefe e líder são papéis diferentes, embora ambos lidem com grupos de pessoas. O poder do gerente vem da estrutura organizacional, enquanto o poder da liderança, vem de fontes pessoais, como os interesses pessoais, as metas e os valores. Assim, é possível entender a liderança por meio dos traços e do comportamento dos líderes. O momento atual das organizações pede equipes que possam atuar com autonomia e independência, para isso, o líder deve ter a clareza e o discernimento para saber usar suas habilidades e expertise para SINTETIZANDO 59 obter de seu time o máximo de potencial, utilizando todas as técni- cas, conhecimentos e experiência que dispõe. Nesse sentido, você adquiriu a habilidade de identificar diversos estilos de liderança, aprofundando-se em algumas teorias, como o autocrático, liberal, democrático, transacional, transformacional, carismático, contingencial e situacional. Por fim, aprendemos brevemente sobre a competência, que é o con- junto de conhecimentos, habilidades e atitudes, isto é, o conjunto de capacidades humanas que justificam uma alta performance. Dessa definição, deriva o CHA da competência que engloba: Conhecimen- to, Habilidades e Atitudes. Diante do exposto, conclui-se que um líder competente é aquele que consegue, dentro das organizações, colaborar para gerar conheci- mento, desenvolver, aprimorar e direcionar as habilidades, in- fluenciar e gerenciar atitudes dos seus liderados para atingir os ob- jetivos organizacionais, gerando valor tanto para a empresa como para eles. Assim, espero que tenha assimilado este conteúdo e até a próxima! 60 UN ID AD E 3 Objetivos ◼ Identificar o perfil de competência do líder do século XXI, observando como são expressas as principais característi- cas dele em função da dinâmica da nova economia e do novo mundo do trabalho. ◼ Compreender a importância dos processos de gestão de pes- soas no contexto corporativo. ◼ Compreender a importância do comportamento do líder na tomada de decisão da empresa.. 62 Introdução Olá, querido(a) aluno(a)! Como está? Chegando aqui, você já deve saber que há diferentes estilos de li- derança e que os colaboradores podem ser reunir em prol de seus objetivos por meio de equipes e/ou grupos, a depender de cada or- ganização, certo? Aqui, indo um pouco além disso, iremos abordar o perfil de competência do líder do século XXI e analisaremos os processos de gestão de pessoas e sua importância na organização. Nesse sentido, também veremos como seconstitui o contexto da tomada de deci- são do líder nas equipes. Está preparado(a) para esta viagem ao conhecimento? Bons estudos! 63 O perfil de competência do líder do século XXI Sabemos que existem variáveis presentes no ambiente das organi- zações no século atual que irão requerer dos líderes o conhecimen- to, as habilidades e as atitudes adequados para que liderem em meio a esse contexto. Frisamos que o líder preparado é capaz de exercer influência sobre o clima da empresa e a tomada de decisão da organização, dependendo do tipo de liderança que se exerce. Por isso, a análise e a compreensão dos processos de gestão de pessoas são práticas in- dispensáveis para qualquer empresa, desde que estejam alinhados à cultura organizacional, ao propósito, às ações e aos valores que conduzem a empresa ao seu objetivo. Nesse sentido, o comportamento de uma equipe pode ser analisado pela forma como as decisões são tomadas por seus mem- bros, algo que precisa ser compreendido sem que se perca de vista o fato de que cada organização é um sistema complexo. Partindo desta explanação e do que você conhece sobre lide- rança, queremos saber: o que é um líder de sucesso? Adiantando um pouco nossa discussão, podemos dizer, em termos simples, que um líder competente possui características que lhe permitem se destacar no contexto de liderança, mas os líderes competentes são, necessariamente, líderes de sucesso? Não! Na realidade, para que isso ocorra, como mencionamos ante- riormente, é preciso que o perfil de competência do líder (conheci- mento, habilidades e atitudes) esteja alinhado com o contexto em que a liderança é exercida. Assim, assumimos que um líder de sucesso é um líder com- petente em seu contexto de atuação, percebe a diferença? Mas, então, no século XXI, qual é o perfil desse líder? Primeiramente, para nos situarmos melhor, é interessan- te saber os desafios das organizações deste século e, a posteriori, identificar esse perfil. A esse respeito, Ferraz (2015, p. 13) explica: 64 Mudanças abruptas, vantagens fugazes, ino- vações tecnológicas, concorrentes indiscipli- nados, mercados fragmentados, clientes po- derosos, acionistas rebeldes - esses desafios do século XXI estão pondo à prova os limites da estrutura das organizações em todo o mundo, e expondo as limitações do modelo de gestão que não conseguiu acompa- nhar os tempos. Fim da era da liderança autoritária e o início de um ciclo competitivo centrado no capital humano. Os líderes do século XXI vêm se defrontando com um mundo que se modifica rapidamente. A revolução do consumo de tecnologia, infor- mação e conhecimento atingiu grande velo- cidade. As pessoas estão cada vez mais escla- recidas, conscientes e nem exércitos inteiros podem conter ou mesmo diminuir o fluxo ace- lerado de informações através das fronteiras. Padrões de qualidade cada vez mais elevados exigem transformação das organizações em mercados globais. Com base no exposto, as variáveis de que falamos, que irão requerer dos líderes o conhecimento, as habilidades e as atitudes adequados para liderarem em meio às circunstâncias do século XXI são: • mudança organizacional; • vantagem competitiva; • forças competitivas; • inovação tecnológica; • e segmentação de mercado. Dentre elas, destacamos a mudança organizacional, uma vez que as demais, quando integradas às organizações, geram mudan- ças. Um exemplo prático disso é quando uma inovação é incorpo- rada no processo de produção de uma empresa, visivelmente se per- 65 cebe que isso gera mudança nas rotinas do trabalho e nas atividades desenvolvidas pelos funcionários. Por efeito, isso irá demandar, em muitos casos, outros novos conhecimentos, habilidades e atitudes das pessoas para lidarem com a inovação, o que também exigirá dos líderes um comportamento de orientação a esse respeito. Assim, temos que o papel principal do líder deste século é gerenciar a mudança, conforme enfatizam Souza Neto e Calvosa (2006, p. 86): [...] o papel do líder no século XXI não é “ge- renciar a mudança”, mas sim criar o próprio futuro dentro do panorama que se está mo- dificando em um conceito que ele determina como “liderar a mudança”. A outra caracterís- tica desta época que estamos vivendo é o que podemos denominar de “universalização da mudança», o que significa que praticamente ninguém escapará de seus impactos. Os líderes em todos os níveis hierárquicos precisam estar à frente da mudança e fazê-la acontecer. Es- pera-se de um líder a capacidade de atuar em cenários nos quais a convivência da ordem e do caos se faz sentir. Que possuam múltiplas habilidades, tanto de natureza comportamen- tal quanto técnica que, ancoradas em valores e atitudes, lhes permita lidar adequadamente com ambiguidades [...]. Ainda a respeito disso, Bass (apud COUVEY, 1994, p. 137) de- fine que a liderança para o novo século encabeça a: [...] interação entre dois ou mais membros de um grupo que frequentemente envolve uma estrutura ção ou uma reestruturação de situa- ções, percep- ções e expectativas destes mem- bros. Líderes são agentes de mudança – pes- soas cujos atos afetam outras pessoas mais do que os atos de outras pes- soas os afetam. Agora que você já conhece um pouco mais sobre a liderança desenvolvida em um contexto de mudança, precisa entender como 66 se dá esse processo, para ser mais fácil identificar quais as habili- dades do líder, os atributos e as práticas que são pedidos dele, está bem? Mas então em que consiste objetivamente a mudança orga- nizacional, considerando que os líderes são os agentes dela? Bem, a mudança pode ocorrer de forma planejada ou espon- tânea, dependendo das necessidades que a organização apresenta e das circunstâncias em que ela está inserida. Quando essa mudan- ça ocorre de maneira planejada, os seus gestores que programam, implementam e controlam sua execução e seu desempenho. No en- tanto, quando ocorre espontaneamente, as ações do cotidiano da empresa são responsáveis por fazer surgir as mudanças, para que se adequem às necessidades encontradas, de modo que é, em geral, aplicada por pessoas que não possuem posição de autoridade (PIN- TO; LYRA, 2003). Ressaltamos também que as mudanças organizacionais são instigadas, principalmente, por demandas do mercado, avanços na tecnologia e/ou uma estratégia organizacional que vise a algum ob- jetivo específico. Robbins, Judge e Sobral (2010), por exemplo, lis- tam seis principais fatores que influenciam a mudança: a natureza da força de trabalho, a tecnologia, os choques econômicos, a com- petição, as tendências sociais e a política internacional. Por outro lado, a principal barreira encontrada para a imple- mentação de uma mudança organizacional é a resistência à mu- dança, que pode ser caracterizada como qualquer comportamento de um indivíduo ou grupo de indivíduos que busca manter o status quo ao surgir uma pressão para a mudança (HERNANDEZ; CALDAS, 2001), sendo ela de hábitos, de atividades, de processos etc. A resistência à mudança, então, pode advir de fontes indivi- duais e organizacionais. Destacam-se, nesse contexto, as seguintes fontes individuais: hábitos, segurança, fatores econômicos, medo do desconhecido e processo seletivo de informação (ROBBINS, JUD- GE & SOBRAL, 2010). Abaixo, trazemos um quadro para elucidar cada uma dessas possíveis fontes de resistência a mudanças. 67 Quadro 1 - Fontes individuais de resistência a mudanças nas organizações FONTE IMPLICAÇÕES PARA A RESISTÊNCIA Hábitos Hábitos ou respostas progra- madas para enfrentar a com- plexidade da vida. Quando nos defrontamos com a mudança, essa tendência de reagir con- forme de costume se transfor- ma em fonte de resistência. Segurança As pessoas com elevada neces- sidade de segurança costumam resistir à mudança por se senti- rem ameaçadas. Fatores econômicos As mudanças nas tarefas ou rotinas estabelecidas podem suscitar temor com relação às finanças no casoem que uma pessoa acha que não será capaz de apresentar o mesmo desem- penho de antes, em especial quando a remuneração é vincu- lada à produtividade. Medo do desconhecido A mudança faz o conhecido ser trocado pela ambiguidade e pela incerteza. Processamento seletivo de informações As pessoas processam se- letivamente as informações para manter suas percepções intactas. Ou seja, elas só ouvem o que querem ouvir e ignoram informações que possam desa- fiar o mundo que construíram. Fonte: adaptado de Robbins, Judge e Sobral (2010). 68 Para facilitar o seu entendimento, iremos visualizar na práti- ca as fontes de resistência a mudanças, ok? Para isso, agora você vai se colocar no lugar de um funcio- nário que foi transferido de departamento para desempenhar uma nova função, uma vez que a antiga será desenvolvida por um novo equipamento que a empresa pensa em adquirir. Frente a isso, quais são as perguntas que vêm à sua mente? Quais são os sentimentos que você imagina que sentiria nessa si- tuação se você não queisse mudar de função? Ao responder a essas perguntas, você poderia tomar duas de- cisões. A primeira é resistir à mudança, buscando justificativas para a empresa não comprar a nova máquina ou aceitar o que virá. Diante da possibilidade de resistência à mudança, é necessário que a orga- nização busque adotar medidas que visem superar resistências ou até mesmo evitar que elas surjam diante de um cenário de mudança. Nesse sentido, a segunda forma de a organização lidar com esse cenário, é fazendo o uso de vários mecanismos/táticas, que são destacados no quadro a seguir. Salientamos também que a escolha pela adoção desses mecanismos deve considerar as percepções dos indivíduos em relação à mudança, fazendo a escolha da(s) tática(s) que melhor contribuirão para a redução da própria resistência. 69 Quadro 2 - Mecanismos e táticas para lidar com a resistência à mudança MECANISMO/ TÁTICA REFLEXOS PARA RESISTÊNCIA Educação e comunicação Comunicar a lógica da mudança pode reduzir a resistência dos funcionários em dois níveis. No primeiro, ela combate os efeitos da falta de informação e da comunicação deficiente: se os funcionários ficam sabendo de tudo o que se refere aos fatos e esclarecem qualquer mal-entendido, a resistência pode retroceder. No segundo, a comunicação pode ser útil para “vender” a necessidade de mudança ao apre- sentá-la de maneira apropriada. Participação Quando os participantes tiverem competência para dar uma contribuição significativa, seu envolvimento poderá reduzir a resistência, gerar comprometimento e melhorar a quali- dade da decisão final. Apoio Num contexto em que o funcionário demons- tra muito medo e ansiedade, o aconselhamen- to, a terapia, o treinamento em novas habili- dades ou uma pequena licença remunerada pode facilitar o ajuste. Por outro lado, quando os gestores ou funcionários têm baixo com- prometimento emocional com a mudança, eles são mais resistentes a ela. Desenvolvimento de relações positivas As pessoas se dispõem mais a aceitar as mu- danças se confiam nos gerentes que as imple- mentam. 70 Implementação de mudanças de forma justa Procedimentos justos tornam-se particu- larmente relevantes quando os funcionários percebem os resultados como negativos. Por- tanto, é de suma importância que os funcio- nários vejam a razão da mudança e percebam a sua implementação como coerente e justa. Fonte: adaptado de Robbins, Judge e Sobral (2010, p. 270-271). Certo, neste momento você já sabe como usar artifícios para superar a resistência à mudança, então, que tal imaginar como isso se aplica? Lembra da situação exposta anteriormente, em que você se colocou no lugar de um funcionário que resistia à mudança de fun- ção devido à aquisição de uma máquina? Com isso em mente, passe a se imaginar na posição do líder que deverá convencer esse funcionário a aceitar a mudança… Como esse líder, o que você faria? A princípio, pensamos em algumas possibilidades: • comunicar-se com o funcionário e envolvê-lo na escolha da máquina, para ele entender a importância dela para a orga- nização; • informá-lo de que modo será importante tê-lo na nova fun- ção; • mostrar seu apoio aos sentimentos de medo e dúvida, fazendo com que ele se sinta seguro e possa contar com você quando tiver dificuldade na nova função; • ameaçar despedi-lo, caso ele não aceite a nova função. Em suma, percebemos que é de responsabilidade do líder identificar as fontes individuais de resistência a mudanças na orga- nização e selecionar mecanismos e táticas apropriados para superar a resistência que possa existir. Essa tarefa não é simples, e, como você já está cansado(a) de saber, exige do líder habilidades, atribu- tos e práticas que o caracterizam com um perfil de competência do 71 século XXI. Os processos de gestão de pessoas As práticas da Gestão de Pessoas (GP) podem ser descritas em seis principais processos de atuação, como os apresentados abaixo. Figura 1 - Processos de gestão de pessoas Fonte: Manuela Gomes (2022). Esses processos estão interligados e se influenciam mutua- mente: se um deles não funciona bem, interfere no resultado de ou- tros, assim como o sucesso pode beneficiá-los na mesma medida. Nesse sentido, um processo seletivo conduzido adequada- mente pode minimizar as necessidades de treinamento de um novo colaborador, agilizando sua entrada na área de trabalho. Por outro lado, se o resultado de uma avaliação de desempenho não for bem 72 comunicado, é sujeito causar uma desmotivação e um possível pe- dido de desligamento do colaborador da empresa, provocando o tur- nover e ainda mais vagas a serem trabalhadas pela área de seleção. Percebe como são tênues os limites, caso as ações não sejam tomadas com cuidado? E o que é o turnover? “Turnover é um termo em inglês que define o movimento de entrada e saída dos colaboradores em uma organização, independentemen- te de ter sido motivado pelo empregador ou por decisão do empre- gado”. (SILVEIRA, 2011, p. 10 apud PINHEIRO & SOUZA, 2013). Ainda pensando nesse cenário de gestão de pessoas, devemos explicar que esses processos estão sujeitos a interferências externas e internas. A abertura de uma nova filial, por parte de um concorrente, pode causar a saída de colaboradores e aumentar a dificuldade na contratação de novos, pois aquela nova unidade está absorvendo mão de obra qualificada. Somada a isso, a retomada do crescimento econômico resulta em aumento da produção, gerando novas con- tratações e treinamentos e fazendo girar a economia local. Para você entender melhor, esses são bons exemplos de interferências exter- nas. Já um estilo de gestão mais conservador que pode prejudicar a retenção de talentos, assim como a falta de políticas de RH bem de- finidas e comunicadas, é considerada uma situação de interferência interna, percebe a diferença? Por isso, uma visão mais atual da área de Gestão de Pessoas descreve esses processos com menos compartimentalização e mais fluidez e comunicação. A atuação dessa gestão se torna mais mul- tifuncional, agindo como uma consultoria interna e auxiliando os DEFINIÇÃO 73 departamentos a gerenciarem seus colaboradores. Para tanto, constituem-se, então, equipes de profissionais de várias formações dedicadas para cada área da empresa que dão su- porte às suas necessidades. Seja qual for o modelo adotado pela or- ganização, as etapas básicas da Gestão de Pessoas serão executadas, algo que veremos em detalhes aqui. Vamos lá? Práticas de seleção: agregando pessoas Bem, este é um processo contínuo dentro das empresas, pois sem- pre haverá pessoas saindo e entrando na organização. De acordo com Robbins (2005), uma seleção eficaz é a que adequa as características individuais (capacidade e experiência) aos requisitos do trabalho. Em outras palavras, selecionar pessoas é o processo de escolher e classificar candidatos de acordo com crité- rios preestabelecidos,levando em consideração a escolaridade, a vivência na função, os conhecimentos específicos, as competências do cargo e outros fatores descritos anteriormente. Nesse contexto, recrutar, por sua vez, trata-se de procurar pessoas compatíveis com as vagas em aberto por meio da divulga- ção em meios de comunicação de massa: site da empresa, mídias sociais, sites de emprego, mídias especializadas etc. Para além disso, são inúmeros os instrumentos que a seleção emprega para fazer este filtro dos candidatos mais compatíveis com a necessidade da empresa. É, portanto, uma área estratégica, res- ponsável pela manutenção e pela renovação do capital humano da organização. E tem por foco a aquisição de pessoas que possuam as competências necessárias para o sucesso organizacional. Então, mais do que buscar candidatos compatíveis, você deve checar o que o candidato pode oferecer à área, identificando os ta- lentos e conhecimentos dele, está bem? A seleção geralmente engloba a seguinte sequência de ativi- dades: 74 • Recebimento da requisição da vaga: nesta etapa o profissio- nal da área de Gestão de Pessoas define com o gestor solicitan- te qual é o perfil profissional e pessoal adequado para ocupar o cargo em aberto. São consideradas, portanto, as competências técnicas e as comportamentais. • Divulgação da vaga para o mercado: aqui, o objetivo é atrair candidatos compatíveis com o cargo. • Triagem e análise de currículos: visa-se selecionar aqueles que estão dentro do perfil técnico desejado pela empresa. • Entrevista de seleção: nesta fase, são convocados os candi- datos pré-selecionados via currículo para uma conversa, in- dividual ou coletiva, para a obtenção de maiores informações sobre a experiência profissional e a vida pessoal do mesmo. • Aplicação de instrumentos de avaliação: podem ser provas de conhecimentos específicos, testes psicológicos ou ferramen- tas de avaliação comportamental. Estas informações servirão como apoio à decisão de escolha. • Dinâmicas de grupo: neste caso, estas são situações simula- das nas quais o candidato é levado a demonstrar as compe- tências desejadas pela organização e contidas na descrição de cargo. • Entrevista com o requisitante da vaga: geralmente, esta é a última etapa do processo, uma vez escolhido o candidato, ele passa para a fase de documentação. Lembramos que essas etapas não acontecem, necessaria- mente, nesta ordem, a sequência pode variar de acordo com a es- trutura, a formação e o tamanho do RH da empresa, ok? Sobre isso, Chiavenato (2014, p. 142) menciona que “cada or- ganização precisa determinar quais são os processos e os procedi- mentos de seleção mais adequados e que proporcionam os melhores resultados”. Um processo seletivo alinhado com as necessidades da em- presa traz consequências importantes para os indicadores da orga- 75 nização: • favorece o sucesso no cargo pelo novo colaborador; • evita futuros desligamentos por insatisfação; • agrega as pessoas com potencial para carreira; • melhora o ambiente com colaboradores mais satisfeitos. A prática de seleção de novos colaboradores deve ser feita de forma ágil, adaptável e participativa, nesse sentido, tanto requisi- tante quanto RH devem compartilhar suas ações para chegarem à melhor decisão e, assim, agregar novos talentos. Treinamento e desenvolvimento O treinamento é definido por Chiavenato (2016, p. 310) da se- guinte forma: É o processo de desenvolver qualidades nos recursos humanos para habilitá-los a serem mais produtivos e contribuir melhor para o al- cance dos objetivos organizacionais. O propó- sito do treinamento é aumentar a produtivida- de dos indivíduos em seus cargos e influenciar seu comportamento. No contexto da manutenção de equipes, o treinamento é o processo para desenvolver qualidades nos membros das equipes e habilitá-los a contribuírem melhor com os objetivos e a permane- cerem como membros. Dentro desse cenário, o líder deve identificar e definir os objetivos do treinamento. Consideramos os objetivos apresentados a seguir. 76 Figura 2 - Tipos de mudanças de comportamento decorrentes do treinamento Fonte: Chiavenato (2016, p. 311). Com isso em mente, devemos saber que desenvolver pessoas não significa, apenas, oferecer informações suficientes para que possam desenvolver seu trabalho com mais qualidade. Significa, em especial, dar condições para que aprendam novas atitudes, tenham possam novas ideias e se tornem mais eficazes em seu trabalho. Destacamos que a definição de treinamento também passou por mudanças, deixando de ser uma ação de melhoria do desempe- nho para uma atividade de desenvolvimento de competências, tor- nando o colaborador mais produtivo, por meio da criatividade e da inovação, e mais valioso para a organização. Ou seja, dentro desse contexto, percebemos que o treina- 77 mento agrega valor às pessoas e à organização e contribui para o alcance de metas e objetivos departamentais e corporativos. Mas então qual a diferença entre treinamento e desenvolvi- mento? Treinar significa capacitar para o presente, em uma neces- sidade imediata. Desenvolver foca no futuro, preparando o colabo- rador para uma futura promoção ou nova função. (CHIAVENATO, 2014). O foco do treinamento pode ser comportamental ou técni- co, podemos ensinar como operar um novo equipamento da fábri- ca (habilidade) ou melhorar a comunicação entre departamentos (atitudes), transmitindo informações sobre políticas e diretrizes da empresa. Processo de treinamento Este é um processo cíclico e contínuo, já que as necessidades de atualização ou desenvolvimento também são constantes. As quatro etapas do processo de treinamento são: diagnóstico, desenho, im- plementação e avaliação. Diagnóstico Também conhecido como levantamento de necessidades, pode ser feito de várias formas, como a solicitação das áreas, os indicadores da empresa, avaliação de desempenho/competências, os novos co- laboradores e as novas tecnologias. Qualquer que seja a fonte, a ne- cessidade sempre será fruto de uma lacuna entre o esperado e o real. Desenho Chamado de elaboração do programa de treinamento, trata-se do planejamento das ações necessárias para se atender ao diagnóstico já realizado. Por isso, também deve estar alinhado com os objetivos organizacionais e contemplar sete requisitos. 1. Quem deve ser treinado: quais equipes participarão. 2. Como as pessoas serão treinadas: quais metodologias serão 78 utilizadas. 3. Em que serão treinadas: quais temas serão abordados. 4. Quem irá treinar: quem será o instrutor. 5. Onde acontecerá o treinamento: definição do local do evento. 6. Quando será o treinamento: data e horário. 7. Para que treinar: objetivos do treinamento. Implementação Esta etapa de execução do programa já estabelecido de treinamen- to implica na correlação de vários dos requisitos apresentados. De acordo com a metodologia que será utilizada, o local deverá ser es- colhido com mais cuidado. Se for um treinamento outdoor, será necessário um local aberto, com gramado e árvores. Lembramos que o treinamento outdoor é feito ao ar livre, o que possibilita o desenvolvimento de várias habilidades, como mo- tivação, fortalecimento do trabalho em equipe, aumento das toma- das de decisão, criatividade, gestão de crise, mudanças de compor- tamento, entre outras. Se o instrutor for um profissional contratado de uma consul- toria externa, a data deverá ser ajustada de acordo com a agenda dele e da equipe que participará do evento. A modalidade será pre- sencial ou a distância, se a escolhida for a distância, a disponibili- zação de equipamentos e internet aos participantes deverá ser pro- videnciada. Avaliação dos resultados Após todas essas escolhas e decisões tomadas, passamos a esta eta- pa para checarmos se os objetivos iniciais foram atingidos, e, nesse sentido, qualquer programa de treinamento tem seus custos diretos e indiretos. O aluguel de equipamentos ou de salas, remuneraçãodo con- sultor, transporte dos participantes, alimentação são custos diretos. Já as horas não trabalhadas dos participantes, a ausência no pro- 79 cesso produtivo causando perda de produção, o custo do profissio- nal interno de RH no planejamento e a execução do treinamento são custos indiretos e também devem ser levados em consideração na avaliação final do programa, está bem? Além dos já citados, Chiavenato (2014) elenca outros cinco fatores de avaliação: 1. Custo: qual o valor investido? 2. Qualidade: como o programa atendeu às expectativas? 3. Serviço: atendeu às necessidades? 4. Rapidez: o programa se ajustou aos novos desafios? 5. Resultados: quais foram os resultados do programa? Quando mencionamos os resultados de treinamento, deve- mos falar de return on investiment (ROI), expressão que significa retorno sobre o investimento, que vai mensurar o antes e o depois do programa de treinamento, analisando se o resultado foi satisfa- tório ou não. Aqui, é necessário que haja uma análise prévia de indicado- res claros e mensuráveis, além dos custos diretos e indiretos. São exemplos de indicadores os nível de absenteísmo, os números de produção, o aumento nas vendas, a diminuição do número de recla- mações, entre outros. Eles vão variar de acordo com os objetivos do treinamento traçados no diagnóstico. O absenteísmo genericamente se refere à ausência do tra- balhador no local de trabalho. Dentre os denominados fatores hu- manos no processo de trabalho, que incluem as chamadas doenças ocupacionais e a rotatividade, o absenteísmo se situa como um dos efeitos mais danosos ao processo de trabalho e ao suporte social do trabalhador. SAIBA MAIS 80 Ou seja, ele se caracteriza como um duplo efeito: do ponto de vista do trabalhador, mostra-se a possibilidade de desconto no salário, de demissão ou de outros problemas correlatos; do ponto de vista da organização do trabalho, apresenta-se como a dificuldade de rea- lização do trabalho previsto e os prejuízos por ventura decorrentes (PENATTI, ZAGO & QUELHAS, 2013). Avaliação de desempenho De acordo com Robbins (2005, p. 404): “[...] a escolha de um sistema de avaliação de desempenho – e a forma como ele é adminis- trado – pode ser uma importante força a in- fluenciar o comportamento dos funcionários.” Somos avaliados e avaliamos a todo momento, dentro e fora da empresa, e, para que os objetivos sejam alcançados, o desempe- nho humano precisa estar em níveis de excelência para assegurar a posição da organização no mercado. A avaliação de desempenho, portanto, mensura, de forma objetiva, o quão próximo o colaborador está das expectativas da empresa, ou seja, se a performance dele está acima, dentro ou abai- xo do esperado. Ela também pode focar em dois aspectos distintos: as características do cargo ou as competências relacionadas a ele. Desse modo, ela pode ser utilizada como critério de promo- ções ou demissões, fonte de necessidades de treinamento, realoca- ção de funcionários que estariam em funções inadequadas ao seu potencial e filtro de recompensas por mérito. Chiavenato (2005) explica que há seis questões fundamen- tais para a avaliação de desempenho, sendo as seguintes: 1. Por que avaliar Recompensar o mérito, dar feedback dos resultados indi- viduais, desenvolver pessoas (pontos fortes e fracos), melhorar o relacionamento com pares ou superiores, percepção da área sobre o colaborador; haver aconselhamento e orientação, perceber o po- 81 tencial de desenvolvimento. Essas são algumas das razões que mo- tivam as avaliações de desempenho. 2. O que será avaliado Aqui, serão avaliados o alcance de metas, a qualidade das ati- vidades executadas e os comportamentos esperados, por exemplo. O resultado desses deverá ser aceito por todas as partes, podendo ter a assessoria da Gestão de Pessoas nesse processo. 3. Como avaliar Isto se dá por meio de escalas gráficas, formulários pré-for- matados, relatórios escritos, softwares específicos, entre outros. A forma de avaliação vai depender da escolha da empresa levando em conta sua complexidade, seus recursos e suas dimensões. 4. Quem vai avaliar Além da autoavaliação, o colaborador pode ser avaliado por seus pares e sua liderança — e, se ele próprio for um gestor, por sua equipe também. 5. Quando será feita Em época acordada entre Gestão de Pessoas e gestores. 6. Como será comunicada a avaliação O feedback deverá ser dado individualmente pelo gestor ime- diato, e a área de Gestão de Pessoas pode ser envolvida. Se desejamos uma organização voltada aos seus objetivos, com pessoas engajadas e bem posicionadas em suas funções, é pri- mordial que tenhamos um modelo de avaliação que esteja alinhado com estes fatores de sucesso. As novas abordagens versam sobre autodireção das pessoas, maior participação no planejamento no seu desenvolver e maior responsabilidade pelo seu desempenho. É quando surge a Avaliação Participativa por Objetivos (APPO), que está focada no futuro do colaborador, e não no desempenho do passado. Frente a isso, metas e objetivos específicos são previamente 82 negociados, recursos providenciados, e, por meio de relatórios pe- riódicos, o gestor e o colaborador prestam contas do andamento do programa. Ambos são responsáveis pelo cumprimento dos objetivos pré-fixados, o colaborador trabalha pela execução enquanto o ges- tor se concentra em prover os recursos necessários. Em relação a isso, Chiavenato (2014) especifica quais são as seis etapas distintas para a APPO: 1. Formulação de objetivos consensuais: o colaborador e o ges- tor devem estar de acordo, pois será através do alcance destes objetivos que o avaliado poderá receber alguma recompensa além da avaliação em si. 2. Comprometimento pessoal no alcance dos objetivos: isto é algo imprescindível neste sistema. 3. Negociação dos recursos necessários para obtenção dos ob- jetivos: aqui, temos a definição sobre o que é necessário para o atingimento das metas. 4. Desempenho: devemos considerar a estratégia do colabora- dor na obtenção dos resultados esperados, e o papel do gestor é aconselhar e orientar sem direcionar. 5. Constante monitoramento dos resultados e comparação com os objetivos formulados: trata-se do feedback contínuo entre real e executado. 6. Retroação intensiva e contínua avaliação conjunta e intera- tiva: o colaborador precisa de informação sobre seu desempe- nho para corrigir possíveis falhas, e o seu gestor pode ajudá- -lo neste processo. Uma avaliação eficaz, aquela em que o funcionário percebe como justa e construtiva, além de motivar e encorajar, indica onde estão os pontos de atenção do colaborador. Assim, uma análise des- se tipo bem executada diz respeito muito mais a um aconselhamen- to do que a um julgamento e deve conduzir tanto organização quan- to colaborador aos seus objetivos finais. 83 Remuneração: recompensando pessoas Pensando nesse processo de avaliação de desempenho, onde se en- caixa a recompensa do trabalho realizado, por exemplo? Consideramos que ela é justamente é o símbolo do reconhe- cimento do desempenho de um colaborador dentro da organização e que, além de motivar, funciona como fortalecedor do próprio de- sempenho e do engajamento. Afinal, todos nós trabalhamos na ex- pectativa de sermos recompensados por nosso esforço e pela nossa dedicação. Mas vale dizer que tudo depende do grau de retorno perce- bido. Dentro desse contexto, quanto maior for a percepção de reco- nhecimento, maior será o engajamento e a fidelidade, o que tornará um sistema de recompensas bem estruturado em um investimento importante na organização. Sendo assim, a remuneração é a retri- buição que recebemos em função de serviços prestados à empresa, é o conjunto de todos os nossos ganhos, entende? Desenho do sistema de remuneração Este é um assunto complexo, pois há inúmeras formas de se cons- truir um modelo de remuneração, porém existem nove critérios que são fundamentais e devem ser observados por você,certo? • Equilíbrio interno versus equilíbrio externo: visa-se a har- monia entre os salários pagos no mercado e os praticados pela empresa. • Remuneração fixa ou variável: considera-se aqui valores pré-fixados ou variáveis de acordo com metas alcançadas. • Desempenho ou tempo de casa: aqui, enfatiza-se a contri- buição do colaborador ou o seu tempo de casa. • Remuneração do cargo ou das competências: deve-se valo- rizar a contribuição do cargo ou das suas competências. • Igualitarismo ou elitismo: aqui, é interessante aplicar uma 84 mesma política a todos os cargos ou diferenciá-los por níveis hierárquicos. • Prêmios monetários ou não monetários: recompensar em valores ou com reconhecimento e autonomia se encaixa neste critério. • Remuneração aberta ou confidencial: abrir ou não o acesso à remuneração de pares. • Remuneração abaixo ou acima do mercado. • Centralização ou descentralização das decisões. Sejam quais forem os critérios adotados, este sistema deve atender às expectativas de reconhecimento dos funcionários sem perder de vista os objetivos estratégicos da organização. Por esse motivo, caso a organização opte pela remuneração por competên- cias, será preciso realizar um mapeamento destas que passará por todos os níveis: competências da organização, gerenciais, de cada departamento e individuais (ligadas aos cargos) para, então, serem avaliadas e classificadas por relevância e contribuição. O último passo é a construção da Política Salarial da empresa, nela constarão todos os critérios e as normas de remuneração orga- nizacional. Ela traz clareza e transparência nas regras, facilitando o processo de comunicação e proporcionando igualdade nos proces- sos que envolvem reconhecimento e mérito. Rotatividade E o que é a rotatividade que se mostra nas empresas hoje em dia? Bem, as equipes podem não ser mantidas se seus membros saírem por motivações próprias ou por opção da organização. Assim, quan- to menor a rotatividade dos colaboradores de uma organização, maior será a possibilidade da manutenção das equipes existentes nela. Nesse sentido, como a liderança pode ajudar na manutenção das pessoas nas organizações e, consequentemente, na permanência 85 delas nas equipes de trabalho? Como reduzir a rotatividade? Primeiramente, deve-se entender quais as causas da rotati- vidade para, em seguida, agir sobre elas. A respeito dessas causas, Chiavenato (2010, p. 90) assevera: A rotatividade não é causa, mas o efeito de al- gumas variáveis internas e externas. Dentre as variáveis externas estão a situação de ofer- ta e procura do mercado de RH, a conjuntura econômica, as oportunidades de empregos no mercado de trabalho, etc. Dentre as políticas internas estão a política salarial e de benefícios que a organização oferece, o estilo gerencial, as oportunidades de crescimento interno, o desenho dos cargos, o relacionamento huma- no, as condições físicas e psicológicas de tra- balho. A estrutura e a cultura organizacional são responsáveis por boa parte dessas variá- veis internas. Agora você já sabe que a rotatividade é causada por fatores internos e externos, sendo que os fatores externos não são de con- trole das organizações, de modo que para manter seus colaborado- res e equipes, reduzindo a rotatividade, é preciso agir sobre os fa- tores internos. Em suma, os fatores internos estão relacionados, como po- demos compreender, ao desenvolvimento das pessoas (oportunida- des de crescimento interno) e à gestão de emoções e de sentimentos (relacionamento humano e condições psicológicas). Então, a partir disto, você não deve esquecer que o caminho para reduzir a rotatividade é a retenção de talentos, que pode ser feita por meio do desenvolvimento de pessoas e da gestão das emo- ções e dos sentimentos. 86 A tomada de decisão e a gestão de equipes Se você chegou até aqui, já tem uma noção mais clara acerca das etapas que envolvem o gerenciamento de equipes e das atitudes que precisam ser direcionadas para o alcance dos objetivos da organi- zação. Nesse sentido, o comportamento de uma equipe pode ser analisado pela forma como as decisões são tomadas por seus mem- bros, de modo tal que precisamos manter a visão de que a organiza- ção é um sistema complexo. Assim como as organizações, o proces- so de tomada de decisão também é complexo, por envolver muitas informações, risco, incerteza e ambiguidade. Figura 3 - O contexto das decisões administrativas Fonte: adaptada de Daft (2005, p. 197-198). No contexto da tomada de decisão, o líder deve auxiliar no processo coletando informações junto aos seus liderados, as quais permitam reduzir a incerteza do processo, bem como envolvê-los na tomada de decisão quando necessário. Mas, enfim, o que é uma decisão? 87 E o que é uma tomada de decisão? Daft (2005, p. 196) assim define esses conceitos: Uma decisão é uma escolha feita das alterna- tivas disponíveis. [...] Muitas pessoas presu- mem que fazer uma escolha seja o principal da tomada de decisões, mas ela é só uma parte. A tomada de decisão é o processo de identificar os problemas e as oportunidades e em seguida solucioná-los. Quadro 3 - Técnicas de tomada de decisão em grupo TÉCNICA DEFINIÇÃO Grupos de interação Grupos típicos em que os mem- bros interagem entre si, face a face. Brainstorming Processo de geração de ideias que estimula as pessoas a ex- pressarem toda e qualquer al- ternativa ao mesmo tempo em que impede críticas a elas. Técnica de grupo nominal Método de tomada de decisões em grupo em que os membros se reúnem para escolher uma solução de maneira sistemática, porém independente. Reunião eletrônica Reunião em que os participan- tes interagem por meio de com- putadores, permitindo o ano- nimato dos comentários e da votação de cada um. Fonte: elaborado por Manuela Gomes (2022) e adaptado de Buchmann (2019). Ressaltamos aqui que é essencial que você saiba que as técni- cas dispostas acima podem ser utilizadas em conjunto. Ou seja, po- 88 demos aplicar o brainstorming em uma reunião eletrônica ou, ainda, a técnica de grupo nominal em um grupo de interação. Portanto, cabe ao líder do grupo empregar técnicas ante os seus objetivos e necessidades. A respeito das técnicas de tomada de decisão em grupo, po- demos concluir que cada uma possui pontos negativos e positivos, por isso, fica como responsabilidade dos gestores das organizações definirem qual delas mais se adequada a cada contexto. Considerando isso e o que discutimos ao longo de todo este material, acreditamos que provavelmente você seja capaz de liderar equipes com visão sistêmica para a tomada de decisão, fazer a ges- tão da equipe, analisar situações de risco e administrar crises, uma vez que já sabe os princípios que norteiam a ação de um líder dentro de uma organização sistêmica. Olá, aluno(a)! Tudo certinho? Por agora, chegamos ao fim de mais uma discussão dentro dos estu- dos de Psicologia, liderança e comportamento nas organizações. Como foi para você acompanhar nossa discussão? Existe algo que se destacou mais? Para sintetizarmos um pouco de todo o nosso conteúdo, podemos afirmar que as variáveis presentes no ambiente das organizações no século XXI, que irão requerer dos líderes conhecimentos, habilida- des e atitudes para liderar, são a mudança organizacional, a vanta- gem competitiva, as forças competitivas, a inovação tecnológica e a segmentação de mercado. Dentro desse cenário, os processos de gestão de pessoas estão in- terligados e se influenciam mutuamente, de forma que se um deles não funciona bem, interfere no resultado dos outros, assim como o sucesso também pode beneficiá-los. SINTETIZANDO 89 No que consiste na tomada de decisão, o líder deve auxiliar seus li- derados no processo coletando informações que permitam reduzir a incerteza do processo, bem como deve envolvê-los na tomada de decisão quando necessário. Sobre as técnicas que seriam utilizadas na tomada de decisãoem grupo, podemos concluir que cada uma possui pontos negativos e positivos, cabendo aos gestores das orga- nizações definirem qual delas é a ideal para o contexto em questão. Esperamos que tenha gostado do que apresentamos aqui! Até a próxima! 90 UN ID AD E 4 Objetivos ◼ Compreender os conceitos e as diferenças dos processos de Coaching e Mentoring; ◼ Estudar a liderança voltada aos resultados nas organizações; ◼ Analisar o comportamento dos colaboradores sob a perspecti- va da saúde mental no ambiente de trabalho. ◼ Compreender a Teoria de Maslow dentro da teoria do compor- tamento humano nas organizações. 92 Introdução Olá, aluno(a)! Tudo bem? Ao longo deste material, iremos um pouco além na nossa discussão sobre Psicologia, liderança e comportamento nas organizações… Aqui, abordaremos os conceitos de Coaching e Mentoring, as diferenças e os benefícios deles para os colaboradores e a empresa. Estudaremos como o líder pode atuar sob a perspectiva de uma lide- rança voltada aos resultados e, por fim, veremos que a qualidade de vida aliada à saúde física e à segurança do colaborador proporciona o bem-estar social e psicológico no desenvolvimento de nossas ati- vidades, interessante, não é? O que se sabe em relação a isso tudo é que nos estudos e nos processos de Coaching e Mentoring, por exemplo, tem sido muito comum abordar os pilares da vida humana, pois é fundamental para nós compreendermos nosso estado geral para que possamos, cons- cientemente, definir onde queremos chegar. Nesse sentido, podemos observar que a liderança voltada para resultados nas organizações visa dar atenção justamente aos efeitos gerados pela ação do líder junto a seus subordinados rumo ao alcance de metas e objetivos. Afinal, hoje, os transtornos mentais e comportamentais estão entre as principais causas de afastamento do trabalho, causando prejuízos tanto financeiros quanto na produ- tividade das empresas, sabia? É com isso em mente que iniciaremos esta jornada. Vamos lá! 93 A liderança versus os resultados: uma visão introdutória Você já parou para pensar como surgiu a perspectiva da liderança voltada aos resultados? Essa questão é respondida a partir do momento em que to- mamos conhecimento da evolução das teorias sobre liderança. Mas antes de discutirmos sobre isso, vamos recordar o conceito de lide- rança e entender como podem ser compreendidos os resultados no contexto em questão. De acordo com Robbins (2006, p. 101): Liderança é a capacidade de influenciar um conjunto de pessoas para alcançar metas e objetivos. A origem dessa influência pode ser formal, como a que é conferida por um cargo de direção em uma organização, ou informal conferida pelo respeito e/ou reconhecimento do grupo. No entanto, nem todos os líderes são administradores, nem todos os administrado- res são líderes. E qual é o sentido da palavra “resultados”? Bem, com uma breve busca, podemos encontrar os seguintes significados atribuídos a esse termo: O produto ou valor final de uma operação ma- temática. Sequência numérica sorteada num concurso: resultado da mega-sena. Consequência; aquilo que resulta de alguma coisa; o efeito de uma ação; a finalização de um problema. Solução; o que se faz com o intuito de resolver alguma coisa: esse remédio não deu resultado. Término; o momento exato em que algo se fi- naliza: qual foi o resultado do jogo? O lucro obtido em determinado negócio. (DI- 94 CIONÁRIO ONLINE, 2009-2021). Considerando isso, no contexto da liderança, a palavra “re- sultados” é empregada como consequência, aquilo que resulta de alguma coisa, o efeito de uma ação. Ou seja, o resultado é o efeito da ação do líder sobre seus liderados (ROBBINS, 2006). É partindo disso que podemos entender que a liderança vol- tada aos resultados nas organizações tem por foco os efeitos gera- dos pela ação do líder junto a seus subordinados rumo ao alcance de metas e objetivos, entende? Nesse sentido, quais aspectos da liderança contribuem para o alcance de resultados em uma equipe eficaz? Segundo Soares (2015), esses aspectos são: propósito co- mum, metas específicas, tomada de decisões, confiança e ética. Todos esses elementos, quando existentes na liderança, fa- cilitam a obtenção de resultados esperados pelo líder no processo de condução da equipe, contudo iremos destacar a confiança aqui, devido ao fato de ela influenciar os demais aspectos, ok? Nesse sentido, observamos que a confiança: • dá ao liderado a credibilidade ao propósito comum da equipe e ao processo de descoberta desse propósito por intermédio do líder; • dá credibilidade às metas definidas pelo líder com a equipe; • facilita ao líder a interação dos membros no processo de to- mada de decisão em grupo, além de se acreditar na escolha do líder em caso de divergências de opiniões; • estimula o comportamento ético, assim como um líder ético exprime confiança. E se a confiança é tão importante no âmbito da liderança, como podemos construir relações pautadas nela? Existem algumas práticas que os líderes podem fazer para desenvolver a confiança como a abertura, a justiça, a exposição de sentimentos, a falar a verdade, a demonstração de consistência, o 95 cumprimento de tarefas, o sigilo e o competência. Assim, sobre a postura dos líderes, Soares (2015, p. 94) as- severa: • Mantenha-se aberto: mantenha as pessoas informadas, deixe clara qual a sua forma de tomar decisões e justifique-se. • Seja justo: antes de agir ou tomar decisões, considere se elas serão percebidas como justas pelos outros. Seja imparcial, dê crédito a quem merece e fique atento à percepção de equidade das pessoas. • Exponha seus sentimentos: ao compartilhar seus sentimentos, você será visto como um ser humano [...] e o respeitarão ainda mais. Mentoring Dentro desse contexto de ações de liderança, em que consiste o mentoring? Como podemos defini-lo? Bem, não é uma prática moderna, sua origem vem da anti- guidade, onde mentores se destacavam na orientação e na formação de sucessores, políticos, guerreiros e artistas. Famílias ricas contra- tavam mentores para educar seus filhos e agirem como conselhei- ros, orientadores e formadores de conduta. A prática do mentoring chegou às corporações na década de 1990 e logo se afirmou como conceito, passando a expressar uma relação de proteção e protegido. 96 Figura 1 - Processos de mentoring Fonte: adaptada de Freepik pelo Editorial do Grupo Ser Educacional (2022). Um exemplo prático de mentoring frente à nossa experiên- cia profissional é lembramos de alguns profissionais em particular, que nos ajudaram de modo especial a nos desenvolver e crescer no mundo corporativo. Foram pessoas que nos deram orientação, ensi- namentos, aconselhamento, sugestões e encorajamento: eles foram nossos mentores e a eles devemos parte de nosso sucesso. Para falarmos do conceito de mentoring como um todo, utili- zaremos a visão de Chiavenato (2002, p. 283), que define mentoring como a “participação de uma pessoa experiente – mentor – para ensinar e preparar outra pessoa – orientado ou protegido – com menos conhecimento ou familiaridade em determinada área”. 97 A ideia principal nesse processo de mentoring é transmitir não só conhecimento, mas também experiências e aprendizados, auxi- liando o protegido a se desenvolver em sua área de atuação, e esse tipo de relação pode acontecer em qualquer nível da corporação. Afinal, trata-se de uma relação entre duas ou mais pessoas dire- cionada para o desenvolvimento, nesse contexto, uma delas fornece orientação, exemplos de comportamento e de papéis, rede de con- tatos e apoio em geral. O mentor pode ser voluntário nesse papel ou fazer parte de um programa estruturado pela organização que pode durar desde encontros esporádicos até períodos mais longos e estáveis. Existem, segundo Chiavenato (2005), certas exigências para que um processo de mentoring se institua, consideramos as seguin- tes: • uma relaçãode mentoring deve ser voluntária, isto é, ambas as partes devem apresentar um entendimento ao concordarem em se ajudar com base na afinidade e no relacionamento amigável, sem exigências nem cobranças; • o mentoring requer confiança e respeito entre o mentor e o protegido; • o mentoring não dá soluções, e sim facilita o aprendizado por meio da experiência do profissional mais sênior (mentor); • o mentor pode ser qualquer pessoa que esteja disposta a aju- dar, independentemente de tempo disponível ou de qualquer ameaça que o protegido, no futuro, possa gerar ao mentor. • o mentoring só pode existir em uma organização ética, pois o mentor representa a empresa para o protegido. Sendo assim, esta relação deve, necessariamente, ser honesta, íntegra e de- sinteressada; • as relações de mentoring podem durar muito tempo, porém não são permanentes e devem ter apenas a duração necessá- ria; • no mentoring, várias pessoas podem ser mentores de um pro- 98 tegido ao mesmo tempo, desde que não exista conflito entre elas; • o processo de mentoring é uma estratégia de impulso da cor- poração através do rápido crescimento de seus profissionais, certas organizações proporcionam mentoring para seus me- lhores talentos; • a capacidade de ser mentor é uma característica valorizada em certas organizações quando se trata de escolher ou promover executivos; ser capaz de ser um mentor deveria ser uma con- dição básica para se chegar a altos cargos. Coaching E o coaching? Sobre o que mais podemos falar? Além de ter ganhado grande repercussão nas mídias digitais, tem sido objeto de estudo em vários livros. Com certeza você já deve ter ouvido essa palavra… Geralmen- te é aplicada relacionada ao desenvolvimento de carreira e de pes- soas. Mas, enfim, o que ela significa no contexto das organizações e da liderança? A esse respeito Lotz e Gramms (2014, p. 17) asseveram que: O coaching é um processo que estimula re- flexões para potencializar o desempenho e aprendizado de um indivíduo, promovendo o desenvolvimento pessoal e profissional. O processo envolve a parceria entre dois atores; o coach e o coachee. O coach é o profissional que aplica o coaching, municiado pelo domínio de metodologias e ferramentas para tal propósito. O coachee, ou cliente é o indivíduo que passa pelo ciclo do coaching. 99 Assim, definimos coaching como um processo de reflexão voltado para o desempenho do indivíduo que gera o desenvolvi- mento pessoal e profissional. Ele se constitui pelos seguintes ele- mentos: coach, coachee e ferramentas ou metodologias. No caso das ferramentas especificamente, veremos elas relacionadas à figura do líder mais adiante. Figura 2 – Processos de coaching Fonte: adaptada de Freepik elaborada pelo Editorial do Grupo Ser Educacional (2022). Ainda sobre esse processo de coaching Lotz e Gramms (2014, p. 17) elucidam: O processo de coaching ocorre por meio de conversas entre o coach e o coachee. Nesse diálogo, o papel do primeiro é fazer perguntas 100 e aplicar ferramentas com o propósito de es- timular o segundo a observar sua situação sob um novo prisma. Com isso, abre possibilidades para a escolha de novos comportamentos, fa- vorecendo o alcance de diferentes patamares de resultados. O termo coaching como é conhecido atualmente foi utiliza- do pela primeira vez apenas em 1950, como uma habilidade para gerenciar pessoas a partir de técnicas de desenvolvimento pessoal e humano, valorizando as competências individuais no alcance de melhorias. No ano de 1960, em Nova Iorque, foi apresentado o “Life Coa- ching”, programa que foi aperfeiçoado com implementação de fer- ramentas e técnicas aplicadas na resolução de conflitos e questões pessoais (FERREIRA, 2011). E desde então o conceito do coaching foi difundido, assim como a criação de novas abordagens do seu uso e seu aperfeiçoamento de técnicas (LAGO, 2020). Diante desse cenário, é imprescindível que as organizações possuam leader coach. Mas o que é esse tipo de líder? O leader coach é aquele que se utiliza das fer- ra- mentas do processo de coaching para con- tribuir com o aprendizado e o desenvolvimento de seus liderados. [...] Ele é aquele que desafia e desenvolve as pessoas nas organizações. (LOTZ & GRAMMS, 2014, p. 71). Desse modo, o leader coach dá atenção ao aprendizado para o desenvolvimento de liderança ao alcance dos resultados por meio das pessoas, gerando como pessoas focadas, motivando e conhe- cendo os seus objetivos pessoais e os objetivos da empresa para a qual contribuem, com a finalidade de atingir estes. Mais que isso, segundo a ESEP (2019, p. 104), o leader coach deve seguir estas regras: 1. Aplicar os conceitos de coaching com ética, integridade e ho- nestidade. 101 2. Zelar pela sua credibilidade como líder. 3. Oferecer sigilo e ater-se ao princípio do não julgamento, per- mitindo que as pessoas encontrem a forma de atuação que melhor se adapte ao seu estilo ou personalidade. 4. Investir no autodesenvolvimento para buscar a excelência. 5. Manter conduta ética tanto na vida pessoal quanto profissio- nal. 6. Formar uma parceria de resultados com cada membro de sua equipe. 7. Contribuir para a melhoria de indivíduos, times e empresa. O comportamento humano nas organizações Você já ouviu falar na pirâmide de Maslow? Diz respeito a uma teoria sobre o comportamento humano nas or- ganizações já muito conhecida: a hierarquia de necessidades de Maslow, que é uma das mais importantes ferramentas gerenciais para recursos humanos e líderes ao redor do mundo e uma das teo- rias mais conhecidas sobre motivação. Desenvolvida por Abraham Maslow, foi um grande avanço na época de sua criação. Bem, dentro da teoria de Maslow, as necessidades humanas apresentam uma escala de valores a serem transpostos e, por con- seguinte, quando o ser humano supre uma necessidade outra surge em seu lugar, exigindo que as pessoas sempre busquem meios de satisfazê-las em uma espécie de hierarquia, entende? Embora bastante usual, é necessário lembrarmos que essa teoria possui alguns equívocos, já que sabemos que as necessidades humanas possuem igual importância não seguindo uma lógica de hierarquia conforme apresenta Maslow. Os cinco níveis hierárquicos de necessidades indicados por ela são: 102 a. Necessidades fisiológicas: fome, sede, sexo, respiração etc. b. Necessidades de segurança: abrigo, proteção etc. c. Necessidades sociais: afeição, aceitação, necessidade de per- tencer a um grupo etc. d. Necessidade de estima: respeito próprio, autonomia, reco- nhecimento, atenção etc. e. Necessidades de autorrealização: realização pessoal, alcance de seu potencial etc. Isso pode ser visto com um pouco mais detalhes na figura abaixo. Figura 3 - Pirâmide de Maslow Fonte: adaptada do Freepik pelo Editorial do Grupo Ser Educacional (2022). Ainda sobre isso, como citamos, Maslow (1943) propõe que a necessidade do nível mais baixo deve ser satisfeita para que a do nível mais acima possa surgir: isto é, você precisa suprir a sua fome e a sua sede para que perceba a necessidade de segurança; uma vez seguro(a), você passa a querer contato social, e assim por diante… Trata-se de um modelo simples, porém, há ressalvas: várias necessidades podem ser motivadoras ao mesmo tempo; ou, uma vez satisfeitas, as necessidades deixam de ser fonte de motivação. En- tretanto, ela fornece um modelo prático aos líderes desde que eles saibam em que nível está o colaborador para poder suprir sua ne- 103 cessidade. Vale ressaltar que pessoas são diferentes e apresentam ne- cessidades também diferentes. Nesse sentido, o desafio para nós é identificar o que motiva cada um para adaptar o incentivo e, com isso, obter o melhor desempenho do colaborador. Indo um pouco além, existem outros estudos que afirmam que existem três fatores que influenciam o comportamento huma- no nas organizações: 1. Valores: são a crenças e os aprendizados adquiridos ao longo do tempo. Essesfatores são determinantes para as atitudes dos indivíduos na sociedade. 2. Motivos: afinal, o que motiva cada indivíduo? E quais são as necessidades que consideram mais importantes? São as respostas a essas perguntas que movem as pessoas e justificam seus comportamentos. 3. Modelos mentais: cada pessoa constrói um significado di- ferente para cada experiência e apesar de duas pessoas pas- sarem por uma mesma situação, elas têm reflexos diferentes sobre elas, certo? Essa é a ideia passada pelos modelos mentais que podem ser definidos como a base da experiência ou da cultura pessoal de cada um. Uma das principais preocupações no contexto organizacional é investigar e analisar os motivos que fazem com que algumas pes- soas desempenhem seu máximo e, outras, em situações similares, não ofereçam resultados satisfatórios. O que a organização pode fazer para elevar o resultado de al- guns (hoje em um nível deficiente) e descobrir a razão do alto de- sempenho de outros? Para Robbins (2005), a motivação é o resultado da interação do indivíduo com a situação; é o processo responsável pela inten- sidade, pela direção e pela persistência dos esforços de uma pessoa para o alcance de uma determinada meta. 104 Nesse sentido, a qualidade do esforço e a sua intensidade de- vem ser direcionadas aos objetivos organizacionais, a fim de trazer resultados mútuos para o indivíduo e para a empresa. Devemos considerar aqui que grande parte das pesquisas na área se concentram em cinco tipos de atitudes no trabalho, sendo elas: 1. Satisfação com o trabalho – Diz respeito ao sentimento po- sitivo ou negativo em relação ao trabalho desempenhado e à consequência das características da atuação do indivíduo. 2. Envolvimento com o trabalho – Trata-se do grau de identifi- cação do colaborador com o trabalho e com a importância dele para sua valorização. Também representa o quanto ele in- fluencia o ambiente corporativo e seu grau de autonomia (em- powerment psicológico). O alto envolvimento do colaborador está relacionado a baixos índices de demissão e absenteísmo. 3. Comprometimento organizacional – Corresponde ao desejo de se manter na empresa e à identificação com os objetivos dela possuem três dimensões: a. Afetivo: ligação emocional com a empresa e a crença em seus valores. b. Instrumental: percepção da importância da compensação fi- nanceira em permanecer na empresa. c. Normativo: sentimento de obrigação em permanecer na em- presa por motivos éticos ou morais. 4. Percepção de suporte organizacional – Diz respeito ao grau de valorização percebido pelo colaborador por parte da em- presa em relação às suas contribuições ou ao seu bem-estar. Uma alta Programa de Segurança Operacial (PSO) traz cida- dania organizacional e comportamentos menos negligentes e com mais qualidade. 5. Engajamento do funcionário – Corresponde ao envolvimen- to, à satisfação, ao entusiasmo com o trabalho executado. A paixão pelo trabalho reduz a rotatividade, aumenta a produti- 105 vidade e melhora o atendimento ao cliente. Além disso tudo, é interessante ter em mente que a tarefa de mudança de atitude e comportamento é resultado de dois fatores: confiança no mensageiro e no valor da mensagem (CHIAVENA- TO, 2005). Significa que o mensageiro deve passar segurança e ser confiável frente aos seus colaboradores, de forma que um gestor respeitado e estimado por sua equipe trará mais respeitabilidade às suas argumentações. Destacamos ainda que quanto maior a integridade de ambos — mensageiro e mensagem —, maior é a probabilidade de mudan- ças de atitude e, por efeito, as transformações no ambiente de tra- balho e na produtividade. A liderança versus a emoção e o sentimento Ao colaborar com a gestão dos sentimentos e das emoções das pes- soas, os líderes contribuem para a manutenção e o desenvolvimento das equipes. Portanto, se você, em sua prática profissional, for desempe- nhar esse papel, vai precisar saber o que são emoções e sentimentos e como eles são aplicados no contexto das organizações. Além disso, você deverá entender o que são as múltiplas inteligências para que possa auxiliar os membros das equipes das organizações a se auto- conhecerem. Nesse sentido, vamos começar considerando que : [...] as emoções são expressões afetivas inten- sas dirigidas a alguém ou alguma coisa. Pode- mos dizer que as emoções são uma súbita rup- tura do equilíbrio afetivo de uma pessoa. Quase sempre são de curta duração e são geralmen- te acompanhadas de reações fisiológicas, tais como choro, batimento cardíaco acelerado, suores frios ou tremor das pernas. Sentimen- tos (também chamados estados de ânimo ou 106 humores) são estados afetivos menos intensos e mais duráveis do que as emoções e que geral- mente não requerem um estímulo contextual para se manifestarem. Apesar das diferenças, tanto as emoções como os sentimentos são es- senciais para expressarmos a nossa afetivida- de. (ROBBINS, JUDGE & SOBRAL, 2010, p. 92). Ou seja, os sentimentos e as emoções não são a mesma coisa, e sim elementos que exprimem nosso afeto por algo ou alguém. Como podemos constatar, o afeto e as emoções são inerentes às pessoas, de modo que se mostram nas equipes e nas organizações, que nada mais são do que um conjunto de pessoas. Esses elementos não podem ser excluídos nem desconsiderados pelos gestores e lí- deres, eles precisam ser gerenciados. E para gerenciá-los e enten- dê-los nesse contexto e saber suas influências no comportamento das pessoas, é fundamental colocar em prática conhecimentos re- lacionados às múltiplas inteligências dos indivíduos: a emocional, a cognitiva e a social. A inteligência cognitiva está relacionada ao treinamento e ao desenvolvimento, já a emocional e a social liga-se aos sentimentos e emoções, visto que eles ajudam a entender diversos aspectos den- tro das organizações, conforme destacam Robbins, Judge e Sobral (2010, p. 107): [...] entendimento das emoções e dos senti- mentos pode melhorar nossa habilidade de ex- plicar e entender o processo de recrutamento e seleção, a tomada de decisão, a criatividade, a motivação, a liderança, o conflito interpes- soal, a negociação, o atendimento ao cliente, as atitudes no trabalho e os desvios de com- portamento no ambiente de trabalho. [...] os gestores podem influenciar os sentimentos de seus funcionários. Certo, mas como o líder pode conduzir as pessoas a uma me- lhor gestão dos sentimentos e das emoções? É mais simples do que parece: isso pode ser feito elucidando 107 como funciona e como se pratica a inteligência emocional, visto que ela incorpora também aspectos da inteligência social. Dentre os estudiosos sobre a inteligência emocional, trazemos Da- niel Goleman, que vincula este tipo de inteligência à liderança em seu livro “Liderança e a inteligência emocional na formação do líder de sucesso”, publicado no Brasil pela Editora Objetiva. Figura 4 - Daniel Goleman Fonte: World Economic Forum, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons. Disponível em: World Economic Forum, CC BY-SA 2.0 <https://creativecommons.org/licenses/ by-sa/2.0>, via Wikimedia Commons DICA 108 A saúde e a qualidade de vida: mantendo pessoas no trabalho A Organização Mundial de Saúde (OMS) define saúde mental como “um estado de bem-estar no qual o indivíduo é capaz de usar suas próprias habilidades, recuperar-se do estresse rotineiro, ser produ- tivo e contribuir com a sua comunidade”. Quando nos referimos à saúde mental no trabalho, entramos no campo do ambiente de trabalho em que o colaborador está in- serido, que pode interferir e influenciar em seu desempenho e sua condição física, dependendo das circunstâncias. Nesse sentido, a pressão excessiva no trabalho, as lideran- ças autoritárias e agressivas, o ambiente competitivo, mas desleal, a exigência cada vez maior por qualidade e produtividade são possí- veis causas de problemas de saúde mental nos colaboradores. Aliado a esses motivos, o contexto organizacional demudanças frequentes e intensas em que vivemos, exigindo que os colaboradores se adap- tem rapidamente sem perda de produtividade, demanda altas doses de flexibilidade e resiliência, Na verdade, os ambientes organizacionais deveriam ser fonte de prazer e satisfação, no entanto, nem sempre esta é a realidade que encontramos no dia a dia. As reações a um ambiente desfavo- rável de trabalho podem variar em cada pessoa, afetando em maior intensidade alguns e menos em outros. Mas vale dizer, ainda, que nem sempre eles são tão extenuantes. De qualquer maneira, como já explicamos, quando o traba- lhador não consegue lidar com situações adversas, ele pode adoecer, prejudicando sua atuação e seus resultados. Atualmente, é percep- tível, por exemplo, que os transtornos mentais e comportamentais estão entre as principais causas de afastamento do trabalho, o que causa prejuízos financeiros e na produtividade das empresas. Em suma, observamos que esses ambientes inadequados que causam estresse ou doenças ocupacionais podem elevar o índice de afastamento ou de absenteísmo; esta deve ser uma constante preo- cupação dos gestores em relação às suas equipes. 109 Ressaltamos, nesse sentido, que o estresse se mostra como uma das principais causas desses transtornos, sendo uma doença silenciosa que causa irritação e mau humor, além de consequências físicas e mentais bastante sérias, como depressão, uso excessivo de álcool, ansiedade, entre outros. É em meio a todo esse cenário que indicamos que se torna es- sencial conquistar, desenvolver e reter talentos, o que é um grande desafio que envolve muitas demandas da empresa: políticas orga- nizacionais, estilos de gestão, programas de desenvolvimento e re- muneração, segurança, saúde e qualidade de vida. Sendo assim, o foco é manter as pessoas engajadas e satisfeitas por um longo prazo. Todos esses processos visam assegurar um ambiente de tra- balho agradável e seguro, fazendo com que os colaboradores se sin- tam motivados com o que fazem e com os objetivos a serem alcan- çados. Um ambiente de trabalho agradável melhora a produtividade e incrementa as relações pessoais, o que faz dele um importante fa- tor na retenção de talentos da empresa. Medicina ocupacional Para dar o suporte aos colaboradores, a Medicina Ocupacional se encarrega das questões ligadas aos exames médicos requeridos pela legislação, mas também implementa programas de prevenção, como palestras de medicina preventiva, mapas de riscos ambien- tais, relatórios com avaliações clínicas com foco na qualidade de vida do colaborador. A ausência ou a inadequação destes programas acarreta sérios problemas à empresa e ao colaborador na forma de afastamentos, faltas no trabalho, indenizações trabalhistas e aumento da sinistra- lidade do seguro saúde, custos altos esses que podem ser evitados com medidas profiláticas e preventivas. 110 Sinistralidade é a relação entre o número de procedimentos e aten- dimentos cobertos (os sinistros) que foram realizados num deter- minado período e o prêmio (valor) pago pelos clientes. Qualidade de vida Aliado à saúde física e à segurança do colaborador, deve existir o nosso bem-estar social e psicológico no desenvolver de nossas ati- vidades, sabia? O conceito de Qualidade de Vida no Trabalho – QVT diz res- peito aos aspectos físicos, ambientais e psicológicos do local de tra- balho. Segundo Bowditch (2015, p. 207), “[…] os elementos que dis- tinguem as questões da QVT são: […] uma preocupação com o efeito do trabalho nas pessoas bem como na eficácia da organização...”. Somos diretamente influenciados pelo meio à nossa volta, assim como nossa produtividade. A preocupação com a Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) nos dias de hoje está relacionada com a produtividade e a retenção de talentos pela corporação. Cada organização deve levar em conta seus recursos, o tipo de negócio, o porte da empresa e as expectativas de seus colabora- dores no tocante à percepção deles de qualidade de vida. Um bom exemplo disso é o fato de que, para alguns, o horário flexível pode ser excelente, enquanto, para outros, acordar uma hora mais cedo não é viável. Por isso, a adoção de programas de bem-estar tem um ca- ráter de prevenção, estimulando os colaboradores a assumirem es- tilos de vida e hábitos mais saudáveis, reduzindo os custos com a manutenção da saúde e elevando a autoestima e a satisfação deles. De forma geral, podemos dizer que há três pontos aos quais DEFINIÇÃO 111 se deve dar atenção: 1. Perceber os hábitos atuais, como educação voltada ao taba- gismo, alimentação incorreta, sedentarismo, estresse. 2. Identificar os riscos potenciais à saúde. 3. Incentivar os hábitos saudáveis, como exercícios regulares, alimentação balanceada, atividades de lazer. Na prática, o melhor modelo de Qualidade de Vida no Tra- balho (QVT) é aquele que é percebido pelo colaborador como o me- lhor modelo, isto é, o que supre suas necessidades mais básicas de acolhimento e respeito. E como cada um tem uma percepção sobre a qualidade, o desafio da Gestão de Pessoas (GP) é alinhar essas per- cepções a um modelo que também atenda às metas da corporação, entende? Nesse sentido, voltamos a debater o estresse, algo que não é uma tarefa prazerosa, pois expõe aspectos negativos de uma orga- nização, mas que precisam ser tratados e enfrentados em benefício da produtividade da corporação, então não perca isso de vista, está bem? Considere também que este é um problema que cresce a cada dia nas empresas, decorrente da velocidade das mudanças e do au- mento da carga de trabalho e das exigências, o que contribui para o aumento da pressão e da tensão no trabalho. É um problema que só cresce e precisa ser combatido. Por esse motivo, vamos focar nosso estudo em suas causas, implicações e prevenção. A palavra estresse vem do inglês — stress — e é geralmente diz respeito ao que o nosso organismo responde em forma de sintomas frente às tensões que foram ocasionadas por pressão e situações ex- ternas enfrentadas (CHIAVENATO, 2005). Os sintomas que podem DEFINIÇÃO 112 vir dele são a agressividade, a irritabilidade, a fadiga, a ansiedade, a angústia e muitos outros, que, se não combatidos, podem causar outros problemas à saúde do indivíduo. Diante de todas as explicações que demos aqui, é até estranho falarmos que o estresse nem sempre é prejudicial, não é mesmo? Mas salientamos que isso só ocorre quando ele é bem admi- nistrado e direcionado para um fim específico, uma vez que gera adrenalina, fornece força e energia e nos deixa mais alertas. O problema é que esse estado de prontidão não deve durar para sempre, por causar cansaço físico e mental, além de insônia. E, como mencionamos, algumas pessoas conseguem administrar seu estresse, mas não é uma habilidade comum a todos, a maioria sofre com seus males. Chiavenato (2005) cita três componentes do estresse: 1. Desafio percebido: é a interação das pessoas com a percepção do ambiente, ou seja, um trabalhador pode sentir estresse por boatos de demissão em massa em sua empresa, mesmo que a informação não seja verdadeira. 2. Valor importante: o estresse só aparecerá se algum valor im- portante for ameaçado. 3. Incerteza de resolução: refere-se à maneira como vamos li- dar com a situação, isto é, se percebermos que é possível lidar facilmente com ela, não há estresse. Lembramos: estresse não é ansiedade, ainda que esta faça parte de seus sintomas. Ele apresenta sintomas físicos, enquanto a ansiedade trata-se de um estado emocional. Ele também não deve ser confundido com tensão nervosa pelos mesmos motivos: não é necessariamente prejudicial, desde que seja sentido por breves pe- ríodos de tempo e usado para aumentar o nível de alerta e energia. Indo além, as causas do estresse podem ser classificadas em três categorias: 1. Fatores ambientais: aqui, a incerteza econômica (economia 113 instável que gera insegurança), a incerteza política e a mu- dança tecnológica(medo de se tornar obsoleto) podem ser fontes de estresse. 2. Fatores organizacionais: sobressaem as demandas de tarefas (fatores ligados ao trabalho), de papéis (pressão sofrida pelo cargo) e interpessoais (pressão exercida por outro funcioná- rio). 3. Fatores individuais: vê-se, nesse caso, os problemas fami- liares (casamento, filhos, fim de uma relação), os econômicos (gastar mais do que ganha) e a personalidade (atitude negati- va frente à vida). Já mencionamos as consequências físicas do estresse, agora vamos falar das financeiras decorrentes dele: • Custos de assistência médica: já foi mencionado que o estres- se é uma das maiores causas de afastamento, o que também eleva os honorários pagos às empresas de medicina em grupo. • Absenteísmo e rotatividade: estes são resultados diretos da insatisfação e da falta de motivação no trabalho. Quando as pessoas se ausentam do seu posto, elas sobrecarregam outras que precisam executar suas atividades, porém, quando elas saem da empresa, o custo não é somente de sua reposição, como também do tempo que o novo funcionário contratado leva para se adaptar e começar a produzir. Isso, sem mencio- nar que, se ele for para a concorrência, levará consigo todo o know-how adquirido na empresa. • Baixo compromisso organizacional: o estresse provoca a di- minuição do grau de identificação do colaborador com a em- presa, o que provoca baixo comprometimento. • Violência no local de trabalho: níveis muito altos de estresse e insatisfação podem provocar reações violentas. • Baixo desempenho: uma parte significativa dos problemas de desempenho está relacionada a altos níveis de estresse e suas consequências no trabalho. 114 Olá, aluno(a)! E então? Chegamos ao fim desta discussão! O que achou dela? Num breve resumo, você deve ter aprendido que exercer a liderança para o atingimento de resultados requer do líder a atenção para os aspectos que contribuem para o alcance de resultados em equipes eficazes: propósito comum, metas específicas, tomada de decisão, confiança e ética, certo? Nesse contexto, você percebeu que o líder desempenha papéis re- lacionados a cada um desses aspectos, mas aqui damos destaque à confiança. Dessa maneira, liderar voltando-se aos resultados re- quer a existência de confiança entre o líder e os liderados, bem como entre os próprios liderados. Por isso, evidenciou-se que é necessário colocar em prática o coa- ching e mentoring, visto que são processos que estimulam reflexões para potencializar o desempenho e o aprendizado de um indivíduo, promovendo o desenvolvimento pessoal e profissional dele. Mesmo que haja diferenças nestas metodologias, os processos de coaching e mentoring envolvem a parceria entre dois atores: o coach e o coachee, o mentor e mentorado. E a gestão das emoções está diretamente relacionada a múltiplas inteligências, em especial à emocional e à social. Com isso, a qualidade de vida aliada à saúde física e à segurança do colaborador proporciona o bem-estar social e psicológico no desenvolver de nossas atividades. Esperamos que tenha gostado do que abordamos! Até a próxima! SINTETIZANDO 115 Referências Bibliográficas UNIDADE 1 BOWDITCH, J. L., BUONO, A. F. Elementos de Comportamento Or- ganizacional. São Paulo: [S. l.], 2015. DICIONÁRIO FINANCEIRO. Core Business. Disponível em: https:// www.dicio-nariofinanceiro.com.br. Acesso em: 17 dez. 2018. CHIAVENATO, I. Comportamento organizacional: a dinâmica do sucesso das organizações. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. CHIAVENATO, I. Gerenciando pessoas: o passo decisivo para a ad- ministração participativa. 3. ed. São Paulo: Makron Books, 1997. CHIAVENATO, I. Recursos Humanos: o capital humano das organi- zações. São Paulo: Atlas, 2006. DAFT, R. L. Organizações: teoria e projetos. Rio de Janeiro: Pioneira Thomson Learning, 2005. DRUCKER, P. A organização do futuro: como preparar hoje as em- presas de amanhã. 2. ed. São Paulo: Futura, 1997. GOLEMAN, D. Liderança: a inteligência emocional na formação de um líder de sucesso. 1. ed. 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