Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Neurocisticercose (NC) 
A neurocisticercose (NC) é a infecção do sistema nervoso central pelo estágio larval da tênia 
suína Taenia solium, chamado de Cysticercus cellulosae 
• É causada pela forma larvar da Taenia solium, afetando os humanos quando estes 
ocupam a posição de hospedeiro intermediário no ciclo evolutivo deste parasita 
• A NC é a doença parasitária que mais comumente acomete o SNC em nosso meio 
 
Quadro clínico 
Frequentemente a doença é assintomática. Há duas formas clínicas da doença: 
• NC parenquimatosa (considerada a forma benigna da doença) 
• NC extraparenquimatosa (relacionada a maior número de fatalidades e sequelas) 
Apresentação clínica mais comum: crise convulsiva (nem todos desenvolvem epilepsia) 
• A NC é a causa mais comum de epilepsia de início na idade adulta na América Latina 
Neurocisticercose intraparenquimatosa 
• Forma mais comum e Inclui pacientes com lesões únicas realçadas, múltiplos cisticercos 
viáveis e lesões calcificadas 
• Convulsões são as manifestações mais comuns e são frequentemente convulsões focais 
ou secundariamente focais generalizadas (Principal causa de epilepsia em países 
endêmicos) 
• Cefaleia crônica intermitente 
• Outras manifestações: alterações visuais, deficits neurológicos focais e meningite 
eosinofílica. 
• Em pacientes com grande número de cistos parenquimatosos, uma intensa resposta imune 
com edema difuso pode causar um quadro clínico semelhante a encefalite; as 
manifestações podem incluir convulsões, dor de cabeça, náuseas e vômitos, 
comprometimento da consciência, redução da acuidade visual e, ocasionalmente, 
febre 
• comprometimento cognitivo pode ocorrer (podendo chegar à demência) 
Neurocisticercose extraparenquimatosa 
• Pode ocorrer nos ventrículos, espaço subaracnoideo, medula espinhal e no globo ocular. 
• Mais comum em adultos 
• Pode coexistir com doença intraparenquimatosa. 
Cefaleia é queixa comum nestes pacientes, podendo sinalizar a síndrome de hipertensão 
intracraniana (SHIC), pelo bloqueio, permanente ou transitório, do fluxo liquórico, pela presença 
de cisticercos nas cavidades dos ventrículos 
• SHIC não é tão comum quanto a síndrome epiléptica na NC, porém mais grave 
• O quadro clínico é de cefaleia grave e sustentada, vômitos, papiledema e alterações 
da consciência 
• Quando o cisticerco está livre em um dos ventrículos, podemos observar SHIC de caráter 
intermitente, muitas vezes precipitada por movimentos bruscos da cabeça, conhecida 
como síndrome de Bruns 
A hidrocefalia é devida à obstrução mecânica de uma das vias de saída ventricular por 
cisticercos. 
• NC ventricular ocorre quando cistos nas cavidades ventriculares causam hidrocefalia 
obstrutiva. Os indivíduos afetados geralmente apresentam dores de cabeça crônicas. As 
dores de cabeça podem ser intermitentes ou crônicas e podem ser acompanhadas de 
náuseas, vômitos, diminuição da acuidade visual e papiledema, às vezes exacerbadas 
por movimentos da cabeça. Alguns apresentam alteração mental de início súbito 
(síndrome de Bruns). 
• Cistos móveis dentro do terceiro e do quarto ventrículo poderão levar à obstrução 
ventricular intermitente, que se manifestará com intermitentes síncopes relacionadas ao 
movimento da cabeça, também chamada de síndrome de Burns. 
• Lesões subaracnoideas podem causar intensa aracnoidite, com meningite, hidrocefalia, 
vasculites e – em casos mais severos – AVCi 
DIAGNÓSTICO POR IMAGEM 
Todo paciente com suspeita de neurocisticercose deverá ter uma imagem de encéfalo realizada. 
A RM é a modalidade de escolha para diagnóstico de neurocisticercose 
• A TC é a modalidade de escolha para detectar pequenas lesões calcificadas. A TC deve 
ser usada como alternativa quando a RM não estiver disponível ou estiver contraindicada 
• A TC de crânio é sensível na detecção de granulomas calcificados e na detecção 
precoce de envolvimento ocular. 
• No entanto, a RM tem sensibilidade maior por conseguir detectar lesões císticas 
menores não calcificadas, além de estimar lesões em áreas de risco (subaracnoidea e 
intraventriculares). 
Achados: 
As apresentações radiológicas podem variar entre cistos, lesões com realce anelar, cistos com 
conteúdo hiperintenso (escólex) e lesões calcificadas. 
• Os cisticercos aparecem como cistos redondos e cheios de líquido 
• Os cistos parenquimatosos viáveis são lesões redondas e hipodensas 
• À medida que o cisto começa a degenerar, a densidade da parede do cisto aumenta e é 
frequentemente acompanhada por edema ou realce pelo contraste. 
• Após o colapso do cisto, um granuloma calcificado residual pode estar presente 
• A visualização de um escólex, que se apresenta como um nódulo ou lesão alongada, 
aderido à parede dos cisticercos, é considerada patognomônica. 
• A identificação de um escólex (a extremidade anterior da tênia com ventosas e ganchos 
para fixação) dentro de uma lesão cística é um achado radiográfico patognomônico 
• As escólices aparecem como nódulos brilhantes arredondados ou alongados dentro da 
cavidade do cisto 
 
A punção lombar em um paciente com neurocisticercose subaracnoidea, forma clínica que cursa 
com meningite, será realizada apenas se ele não apresentar sinais de hipertensão intracraniana. 
• A análise do LCR nessa doença terá discreto infiltrado eosinofílico/polimorfonuclear, 
com proteínas e glicoses próximas ao normal. 
Critérios diagnósticos 
• O diagnóstico de cisticercose deve ser suspeitado em pacientes com convulsões e/ou 
manifestações de pressão intracraniana elevada e achados de neuroimagem 
relevantes (como lesões císticas, lesões realçadas e/ou calcificações), no cenário de 
exposição epidemiológica relevante (ingestão de ovos de T. solium eliminados nas 
fezes de um portador de tênia, seja em associação com exposição em uma área endêmica 
ou exposição domiciliar a um portador assintomático). 
 
Critérios diagnósticos para neurocisticercose 
Um diagnóstico definitivo de neurocisticercose é estabelecido por qualquer um dos seguintes: 
• Um critério absoluto, OU 
• Dois critérios principais de neuroimagem MAIS quaisquer critérios de exposição clínica/epidemiológica, 
OU 
• Um critério principal de neuroimagem e um critério confirmativo de neuroimagem, MAIS quaisquer 
critérios de exposição clínica/epidemiológica, OU 
• Um critério principal de neuroimagem MAIS dois critérios de exposição clínica/epidemiológica (incluindo 
pelo menos um critério principal) E exclusão de outras patologias que produzam achados de neuroimagem 
semelhantes 
Um diagnóstico provável de neurocisticercose é estabelecido por qualquer um dos seguintes: 
• Um critério principal de neuroimagem MAIS quaisquer dois critérios de exposição clínica/epidemiológica, 
OU 
• Um critério menor de neuroimagem MAIS um critério principal de exposição clínica/epidemiológica 
 
Critérios absolutos 
• Demonstração histológica do parasita a partir de biópsia de lesão cerebral ou medular 
• Visualização do cisticerco sub-retiniano 
• Demonstração conclusiva de escólex dentro de lesão cística* em estudo de neuroimagem 
Critérios de neuroimagem 
Critérios principais: 
• Lesão(ões) cística(s)* sem escólex discernível 
• Melhorando a(s) lesão(ões) ¶ 
• Lesão(s) cística(s) multilobulada(s) no espaço subaracnóideo. 
• Calcificação(ões) parenquimatosa(s) cerebral(is) típica(s) Δ 
Critérios de confirmação: 
• Resolução de lesões císticas após terapia medicamentosa cística 
• Resolução espontânea de pequenas lesões únicas com realce ◊ 
• Migração de cistos ventriculares documentados em estudos sequenciais de neuroimagem § 
Critérios menores: 
• Hidrocefalia obstrutiva ou realce anormal das leptomeninges basais 
Critérios de exposição clínica/epidemiológica 
Critérios principais: 
• Detecção de anticorpos anticisticercais específicos ou antígenos cisticercais por testes imunodiagnósticos 
bem padronizados ¥ 
• Cisticercose fora do sistema nervoso central‡ 
• Contato domiciliar com infecção por Taenia solium 
Critérios menores: 
• Manifestações clínicas sugestivas de neurocisticercose † 
• Indivíduos com residência anterior ou atual em área onde a cisticercose é endêmica* 
 
TRATAMENTO 
O tratamento antiparasitário tem como objetivo levar à resolução de cistos ativos e inflamatórios, 
reduzindo o risco de epilepsia e de hidrocefalia recorrente. No entanto, não se faz terapia 
antiparasitária nas seguintes situações: 
• Hidrocéfalia não tratada (aumenta possibilidade de hipertensão intracraniana e óbito); 
• Elevado número de cistos (maior resposta paradoxal ao tratamento e edema cerebral); 
• Presença de lesões calcificadas apenas (sem larva viável para responder ao 
tratamento). 
A terapia antiparasitária não deve ser administrada apenas a pacientes com hidrocefalia 
não tratada, encefalite cisticercal ou lesões calcificadas. 
A melhor indicação de tratamento com drogas parasiticidas ocorreria em cistos pouco 
numerosos e íntegros de localização parenquimatosa 
• A terapia antiparasitária nunca é uma emergência e só deve ser feita sob a cobertura de 
anti-inflamatórios corticosteróides. 
• Os medicamentos antiparasitários, quando matam os parasitas, induzem uma resposta 
inflamatória que pode piorar os sintomas a curto prazo. Assim, nunca devem ser 
administrados no contexto de aumento não controlado da pressão intracraniana 
• Antes do início da terapia para cisticercose, todos os pacientes devem ser submetidos a 
um exame oftalmológico para excluir cisticercose ocular. 
A terapia anti-helmíntica, em combinação com corticoides, deve ser aplicada em indivíduos com 
neurocisticercose sintomática e cistos parenquimatosos viáveis por melhorar os desfechos 
em termos de resolução de cistos e controle das crises convulsivas 
• Esquema: albendazol + praziquantel de 10 a 14 dias. 
A escolha do regime antiparasitário depende da carga da doença: 
• Para pacientes com 1 a 2 cistos, o tratamento consiste em albendazol (15 mg/kg por dia 
em 2 doses diárias até 1.200 mg por dia, com alimentos). 
• Para pacientes com > 2 cistos, o tratamento consiste em albendazol (15 mg/kg por dia em 
2 doses diárias até 1.200 mg por dia, com alimentos) e praziquantel (50 mg/kg por dia em 
3 doses diárias). 
 
Os corticosteróides devem sempre ser administrados concomitantemente com terapia 
antiparasitária 
https://www.uptodate.com/contents/albendazole-drug-information?search=neurocisticercose&topicRef=5681&source=see_link
https://www.uptodate.com/contents/albendazole-drug-information?search=neurocisticercose&topicRef=5681&source=see_link
https://www.uptodate.com/contents/praziquantel-drug-information?search=neurocisticercose&topicRef=5681&source=see_link
• Os regimes comumente usados incluem prednisona (1 mg/kg por dia) ou dexametasona 
(0,1 mg/kg por dia) iniciados pelo menos um dia antes da terapia antiparasitária, 
continuados durante a terapia antiparasitária e seguidos por uma rápida redução 
gradual 
O tratamento da cisticercose ventricular consiste na remoção cirúrgica, se possível. 
O manejo da cisticercose subaracnóidea consiste em regimes antiparasitários e 
antiinflamatórios mais intensivos do que aqueles utilizados para doenças parenquimatosas. 
• A terapia antiparasitária deve ser continuada até que haja resolução radiográfica das 
lesões císticas, o que muitas vezes requer meses de terapia. 
• A terapia anti-inflamatória deve ser continuada durante a terapia antiparasitária 
A duração ideal da terapia medicamentosa anticonvulsivante é incerta; muitos pacientes 
continuam a ter convulsões após o tratamento antiparasitário. 
• Para pacientes com lesões viáveis e/ou múltiplas, a terapia com medicamentos 
anticonvulsivantes deve ser continuada por pelo menos 24 meses. 
• Para pacientes com uma única lesão realçada, a terapia com medicação anticonvulsivante 
deve ser continuada por seis meses ou até a resolução radiográfica da infecção ativa, se 
for mais longo. 
• Não é recomendada profilaxia anticonvulsivante 
Acompanhamento 
• neuroimagem de acompanhamento deve ser realizada a cada 6 meses após o término da 
terapia antiparasitária até a resolução radiográfica. 
• Para pacientes com lesões persistentes nos exames de imagem de acompanhamento, 
sugerimos repetir o curso de terapia antiparasitária 
 
https://www.uptodate.com/contents/prednisone-drug-information?search=neurocisticercose&topicRef=5681&source=see_link
https://www.uptodate.com/contents/dexamethasone-drug-information?search=neurocisticercose&topicRef=5681&source=see_link

Mais conteúdos dessa disciplina