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Farmacopeia Brasileira, 6ª edição 412
 
5.5.3.1.5 LIMITES MICROBIANOS
 
A contaminação microbiana de um produto não estéril (especialidade e insumos farmacêutico) pode 
conduzir não somente à sua deterioração, com as mudanças físicas e químicas associadas, mas 
também ao risco de infecção e toxi-infecção para o usuário. Consequentemente, os produtos 
farmacêuticos orais e tópicos (cápsulas, comprimidos, suspensões, cremes, etc.), que não são estéreis, 
devem ser submetidos aos controles da contaminação microbiana. 
 
A garantia de qualidade e os controles de produção devem ser tais que os micro-organismos capazes 
de proliferar e contaminar o produto estejam dentro dos limites especificados. Os limites microbianos 
devem ser adequados às várias categorias de produtos que reflitam o tipo de contaminação mais 
provável introduzida durante a fabricação, bem como a via de administração, o consumidor final 
(neonatos, crianças, idosos, debilitados), o uso de agentes imunossupressores, corticosteroides e 
outros fatores. Ao avaliar os resultados dos testes microbiológicos, o número e os tipos de micro-
organismos presentes devem ser considerados no contexto do uso do produto proposto. 
 
O teste microbiológico de produtos não estéreis e de insumos farmacêuticos é realizado segundo a 
metodologia descrita em Ensaios microbiológicos para produtos não estéreis (5.5.3.1) e os limites 
de aceitação estão descritos na Tabela 1. 
 
Farmacopeia Brasileira, 6ª edição 413
 
Tabela 1 Limites microbianos para produtos não estéreis.
Via de administração 
Contagem total 
de bactérias 
aeróbias 
UFC/g ou mLa 
Contagem total 
de fungos 
UFC/g ou mLa 
Pesquisa de patógenosb, c 
1 Produtos acabados de origem sintética ou biológicad 
Aquoso para uso oral 102 101 Ausência de Escherichia coli em 1 g ou mL. 
 
Não aquoso para uso oral 103 102 Ausência de Escherichia coli em 1 g ou mL. 
 
Para uso retal 103 102 - 
 
Para uso tópico (oromucosa, 
nasal, gengival, cutâneo, 
auricular) 
102 101 Ausência de Staphylococcus aureus e 
Pseudomonas aeruginosa em 1 g ou mL. 
 
Inalatórios 102 101 Ausência de Staphylococcus aureus, 
Pseudomonas aeruginosa e bactéria Gram 
negativa bile tolerantee em 1 g ou mL. 
 
Para uso vaginal 102 101 Ausência de Staphylococcus aureus, 
Pseudomonas aeruginosa e Candida albicans 
em 1 g ou mL. 
 
Dispositivo transdérmico 
(limite por unidade) 
102 101 Ausência de Staphylococcus aureus e 
Pseudomonas aeruginosa/dispositivo. 
2 Produtos de origem vegetald 
2.1 Produto acabado 
Para uso oral, contendo insumo 
ativo que foi submetido a pré-
tratamento que reduz a carga 
microbiana. 
104 102 Ausência de Escherichia coli e Staphylococcus 
aureus em 1 g ou mL. Ausência de Salmonella 
em 10 g ou 10 mL. Limite máximo de 102 
bactéria Gram negativa bile tolerantee em 1 g 
ou mL. 
 
Para uso oral que será 
submetido a processo extrativo 
a quente (por exemplo, infusões 
ou decocções). 
107 104 Ausência de Escherichia coli em 1 g. Ausência 
de Salmonella em 10 g. Limite máximo de 104 
bactéria Gram negativa bile tolerantee em 1 g. 
 
 
Para uso oral, contendo insumo 
ativo que não foi submetido a 
pré-tratamento que reduz a 
carga microbiana. 
105 103 Ausência de Escherichia coli em 1 g. Ausência 
de Salmonella em 10 g. Limite máximo de 103 
bactéria Gram negativa bile tolerantee em 1 g. 
 
 
Para uso tópico (oromucosa, 
nasal, gengival, cutâneo, 
auricular) 
102 101 Ausência de Staphylococcus aureus, 
Pseudomonas aeruginosa e Clostridium em 1 
g. Limite máximo de 102 bactéria Gram 
negativa bile tolerantee em 1 g. 
 
Para uso vaginal 102 101 Ausência de Staphylococcus aureus, 
Pseudomonas aeruginosa e Candida albicans 
em 1 g ou mL. 
 
Para uso inalatório 102 101 Ausência de Staphylococcus aureus, 
Pseudomonas aeruginosa e bactéria Gram 
negativa bile tolerantee em 1 g ou mL. 
2.2 Insumos farmacêuticos vegetais 
Droga vegetal (rasurado ou 
triturado) que será submetida a 
pré-tratamento que reduz a 
carga microbiana. 
107 104 Ausência de Escherichia coli em 1 g. Ausência 
de Salmonella em 10 g. 
Limite máximo de 103 bactéria Gram negativa 
bile tolerantee em 1 g. 
 
Farmacopeia Brasileira, 6ª edição 414
 
Droga vegetal (rasurada ou 
triturada) que não será 
submetida a pré-tratamento que 
reduz a carga microbiana. 
105 103 Ausência de Escherichia coli em 1 g. Ausência 
de Salmonella em 10 g. Limite máximo de 103 
bactéria Gram negativa bile tolerantee em 1 g. 
 
 
Extrato seco, extrato fluido e 
tintura 
104 102 Ausência de Escherichia coli em 1 g. 
Ausência de Salmonella em 10 g. 
3 Produtos de origem animal ou minerald 
Para uso oral 104 102 Ausência de Escherichia coli e Staphylococcus 
aureus em 1 g ou mL. Ausência de Salmonella 
em 10 g ou 10 mL. Limite máximo de 102 
bactéria Gram negativa bile tolerantee em 1 g 
ou mL. 
 
Para uso tópico 102 101 Ausência de Staphylococcus aureus e 
Pseudomonas aeruginosa em 1 g ou mL. 
4 Substâncias para uso farmacêutico 
Matéria primaf, base galênica 103 102 Ausência de Escherichia coli, Pseudomonas 
aeruginosa e Staphylococcus aureus em 1 g ou 
mL. 
 
(a) É aceitável um resultado duas vezes o valor de especificação em virtude da variabilidade maior de execução dos 
testes para determinação da biocarga, porém, quando estes valores são encontrados com frequência, é necessário 
rever o processo produtivo. Assim: 
- 101 UFC: valor máximo aceitável = 20 
- 102 UFC: valor máximo aceitável = 200 
- 103 UFC: valor máximo aceitável = 2000 e assim sucessivamente. 
(b) Resultados de contagem de bactérias e fungos dentro dos limites aceitáveis não exclui a necessidade da pesquisa 
de patógenos. 
(c) Além dos micro-organismos listados na Tabela, a significância de outros micro-organismos recuperados deve ser 
avaliada levando em consideração: 
- o uso do produto: considerar a via de administração a ser utilizada; 
- a natureza do produto: o produto é susceptível ao crescimento microbiano? 
- o usuário: considerar o risco para neonatos, infantes e debilitados. 
(d) Para produtos que se enquadrem em mais de uma situação prevalecerão os limites mais restritivos. 
(e) Outras enterobactérias. 
(f) Para matérias-primas, a frequência da realização dos testes de contagem e identificação de patógenos deve ser 
determinada considerando a sua susceptibilidade à contaminação microbiana. Resultados de baixa atividade de 
água (igual ou inferior a 0,75 medidos a 25 ºC), assim como baixo ou alto pH, diminuem essa susceptibilidade. 
 
Com base em dados históricos dos testes de monitoramento microbiológico, da baixa carga 
microbiana da matéria-prima, de composição aquosa, do processo de fabricação, da formulação, a 
frequência do teste para a determinação do limite microbiano pode ser alterada para as formas 
farmacêuticas se apresentarem atividade de água (Aa) inferior a 0,75 medida a 25 °C. Para os 
correlatos, considerar como limite microbiano àqueles expressos de acordo com a via de aplicação. 
 
5.5.3.2 ENSAIOS MICROBIOLÓGICOS PARA PRODUTOS ESTÉREIS 
 
5.5.3.2.1 TESTE DE ESTERILIDADE 
 
Os testes de esterilidade aplicam-se a insumos farmacêuticos, medicamentos e produtos para saúde 
que, de acordo com a Farmacopeia, devem ser estéreis, sendo adequados para revelar a presença de 
bactérias e fungos. Contudo, um resultado satisfatório indica que não foi encontrado micro-organismo 
contaminante somente na amostra examinada.

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