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ENCEFALOPATIA ESPONGIFORME BOVINA “ VACA LOUCA” Antes de começarmos a falar da “VACA LOUCA” propriamente dita, precisamos saber de algumas informações importantes...... O QUE SÃO AS ENCEFALOPATIAS ESPONGIFORMES TRANSMISSÍVEIS - (EET)? doenças neurodegenerativas que acometem gravemente toda a estrutura do SISTEMA NERVOSO CENTRAL. São causadas pelo acúmulo de uma PROTEÍNA ANORMAL, que se origina a partir de uma ALTERAÇÃO DE UMA PROTEÍNA NORMAL do hospedeiro. Ocorrem em muitas espécies e, após a instalação do quadro clínico, é invariavelmente, FATAL. Atualmente não é passível de tratamento específico e é de difícil diagnóstico. Encefalopatia Espongiforme Bovina – EEB, comumente conhecida como “DOENÇA DA VACA LOUCA”, é uma enfermidade degenerativa fatal e transmissível do sistema nervoso central de bovinos, com longo período de incubação (média de 5 anos), CARACTERIZADA CLINICAMENTE por NERVOSISMO, REAÇÃO EXAGERADA A ESTÍMULOS EXTERNOS DIFICULDADE DE LOCOMOÇÃO O QUE É PRÍON? PRÍONS SÃO AGENTES INFECCIOSOS NÃO CONVENCIONAIS, pois não tem ácido nucleico e são muito resistentes a inativação pelo calor, a agentes químicos e irradiação PRINCIPAL VIA DE TRANSMISSÃO através da ingestão de alimentos contendo farinhas de carne e ossos provenientes de carcaças infectadas pelo prion. De acordo com as pesquisas científicas atuais, é IMPROVÁVEL a transmissão do agente através do sêmen, óvulos e leite, assim como não há comprovação de transmissão horizontal (de um animal a outro). COMO TUDO COMEÇOU.... BOVINO OVINO INDÚSTRIA DE ALIMENTOS RECICLAGEM DE TECIDOS INFECTADOS INGESTÃO DE FARINHAS DE CARNE E OSSOS CONTAMINADOS COM PRIONS EPIDEMIA DE EEB INCORPORAÇÃO DE TECIDOS INFECTADOS NA CADEIA ALIMENTAR DE HUMANOS E OUTROS ANIMAIS CASOS HUMANOS É CONSENSO QUE REDUÇÃO DO TRATAMENTO EXTRATIVO DA FRAÇÃO LIPÍDICA COM AGENTES SOLVENTES AQUECIMENTO SEM UTILIZAÇÃO DE ÁGUA FORAM DETERMINANTES NA REDUÇÃO DA CAPACIDADE DE INATIVAÇÃO DO AGENTE Primeiros casos diagnosticados em 1986 na Inglaterra Agente veiculado na ração farinha de carne e ossos de carcaças de bovinos e ovinos acometidos Exposição efetiva em 1980-81 Sem predileção aparente por sexo ou raça, mas a maioria dos animais afetados são vacas de leite entre 3 e 6 anos de idade (maioria dos animais infectados quando jovens) Patogenia da BSE VIA ORAL Ao ser ingerido, o PrPSc é absorvido no tubo digestivo – baço - corrente circulatória – SNC - penetra nas células nervosas Patogenia da BSE Acúmulo progressivo de PrPSc no citoplasma dos neurônios – degeneração celular - vacúolos Do aspecto vacuolizado do tecido nervoso, ao exame histopatológico, resulta o termo "espongiforme“ (= semelhante a esponja) Sinais Clínicos da BSE Distúrbios do comportamento Distúrbios da sensibilidade Distúrbios da locomoção Sinais Clínicos da BSE Distúrbios do comportamento Nervosismo Apreensão Medo Ranger de dentes Sinais Clínicos da BSE Distúrbios da sensibilidade Hipersensibilidade • Ao toque • Ao som • À luz Sinais Clínicos da BSE Distúrbios da locomoção Ataxia DIAGNÓSTICO Até o momento, NÃO EXISTEM PROVAS DISPONÍVEIS, validadas internacionalmente, para o diagnóstico da doença no animal vivo. Apenas o diagnóstico laboratorial realizado em amostras do SISTEMA NERVOSO CENTRAL DO ANIMAL, devidamente coletadas por médicos veterinários, pode confirmar a existência da doença. DIAGNÓSTICO BRASIL EXAME HISTOLÓGICO seguido da técnica de imunohistoquímica, realizado nos laboratórios credenciados pelo MAPA, distribuídos em diferentes unidades da federação. BSE - HISTOPATOLOGIA Vacuolização dos processos dos neurônios (alteração espongiforme) BSE - HISTOPATOLOGIA Vacuolização do pericário dos neurônios BSE-IMUNOISTOQUÍMICA O QUE O BRASIL VEM FAZENDO Desde 1997 é obrigatória a notificação das suspeitas de doenças nervosas em ruminantes. ATUALMENTE as ações de vigilância da EEB são direcionadas a uma população estabelecida como de MAIOR RISCO, como a seguir: ruminantes domésticos com distúrbios nervosos ou doenças depauperantes; bovinos acima de 24 meses, e ovinos e caprinos acima de 12 meses, com resultados negativos para raiva, obrigatoriamente; bovinos, ovinos e caprinos destinados ao abate de emergência em matadouros, ou que chegam mortos aos matadouros ou que morrem durante o exame ante-mortem; bovinos importados de países de risco para EEB. VIGILÂNCIA As amostras encefálicas provenientes da população anteriormente especificada, são enviadas a um laboratório credenciado pelo Mapa para o teste diagnóstico das EET. E para a continuidade dessa vigilância, é primordial a ação do médico veterinário na ADEQUADA COLHEITA E ENVIO DE AMOSTRAS AO LABORATÓRIO, provenientes de animais incluídos na população de maior risco. CONTROLE DE PRODUTOS UTILIZADOS NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL Para evitar a introdução de um agente da EEB, caso presente, na cadeia de alimentos para ruminantes, é proibida a produção, a comercialização e a utilização de produtos que contenham proteínas e gorduras de origem animal na alimentação de ruminantes VISANDO MONITORAR A OBEDIÊNCIA A ESSA PROIBIÇÃO, O MAPA VEM PROMOVENDO FISCALIZAÇÕES NOS SEGUINTES ESTABELECIMENTOS: de criação de ruminantes; de produtores de alimentos para animais; de processadores de subprodutos de animais, denominados de “graxarias” INTERESSANTE!!!! NÃO utilizar a cama de aviário e dejetos de suínos como alimento para ruminantes, pois A RAÇÃO desses animais recebe proteína de origem animal, e os RESTOS DESSAS RAÇÕES juntamente com as partículas não digeridas que saem nas fezes, PODEM VEICULAR O AGENTE DA EEB, CASO PRESENTE. Essas espécies (suínos e aves) são naturalmente refratárias à doença da vaca louca. Baseando-se na complexa epidemiologia da doença, as principais ações para a prevenção da EEB são: 1. Controle da importação de ruminantes, de seus produtos e subprodutos; 2. Controle de produtos utilizados na alimentação animal; 3. Vigilância epidemiológica na população de risco; 4. Difusão e Capacitação. Visando promover a EDUCAÇÃO CONTINUADA e a difusão de informações sobre as ações de prevenção da EEB, o Mapa vem produzindo constantemente material educativo. Risco Geográfico para BSE Qual a situação do Brasil? Risco Geográfico para BSE O risco de BSE associado a população bovina de um país deve ser determinado em função de uma AVALIAÇÃO do RISCO e de uma série de critérios que estão descritos no Código Sanitário para animais terrestres ABRIL 2014 LANAGRO – PE LAUDO POSITIVO PARA MARCAÇÃO PRIÔNICA EM AMOSTRA de tecido nervoso bovino oriunda do Estado do Mato Grosso. SERVIÇO OFICIAL Investigação a campo para enviar amostras para OIE Testes confirmatórios e complementares Protocolos estabelecidos ATUALIDADE VACA 12 anos de idade, nascida e criada na mesma fazenda, sistema extensivo de produção a pasto e sal mineral, enviada para abate no dia 19 de março, devido a problemas reprodutivos ocasionados pela idade avançada. chegou ao matadouro decúbito esternal e com sinais de fadiga muscular, devido ao longo tempo de viagem em função das condições inadequadas da estrada. ABATE DE EMERGÊNCIA e submetido à colheita de amostras para teste laboratorial no Lanagro-PE, CONFORME PROTOCOLO DE VIGILÂNCIA PARA ENCEFALOPATIA ESPONGIFORME BOVINA (EEB). A carne e outros produtos do animal não ingressaram na cadeia alimentar e o material de risco específico foi incinerado no matadouro. Investigações complementares de campo, envolvendo 11 propriedades com vínculo de movimentação animal, Esses animais foram examinados, sem constatação de quaisquer alterações clínicas, sendo então sacrificados e completamente destruídos. Amostras de tecido nervoso desses animais foram submetidas ao teste para EEB no Lanagro-PEe resultaram todas negativas no dia 30 de abril. Isso demonstra de forma inequívoca que o animal identificado é um caso isolado e não representa risco algum para a sanidade animal e à saúde pública. REINO UNIDO POSITIVO NA PROVA DE IMUNOHISTOQUÍMICA, 178 países membros, informados oficialmente pelo delegado do Brasil perante aquela organização. evidências epidemiológicas apontam para UM CASO ATÍPICO DE EEB, que ocorre de forma esporádica e espontânea, NÃO RELACIONADA À INGESTÃO DE ALIMENTOS CONTAMINADOS. 04/09/2021 EEB atípica É CAUSADA por príons ligeiramente diferentes da causa clássica. Ocorre em animais mais velhos acima de 9 anos. Trata-se de uma manifestação rara, cuja origem não está totalmente esclarecida. Ainda assim, a teoria mais aceita é que esta apresentação é uma forma espontânea da doença, NÃO sendo relacionada com a ingestão de alimentos contaminados. JÁ FORAM REGISTRADOS 6 CASOS DE EEB ATÍPICA Brasil mantém status de risco insignificante para EEB Organismo internacional reconhece medidas adotadas pelo Brasil no sistema de prevenção O comitê científico da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) manteve risco insignificante para a Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB) – doença neurodegenerativa que afeta o gado bovino. O Brasil detém o reconhecimento desde 2012. Profa. Dra. Adolorata Ap. Bianco Carvalho abril/2009 (Curso PNCEBT) http://www.oie.int/es/sanidad-animal-en-el-mundo/estatus-sanitario-oficial/ http://www.agricultura.gov.br/ QUINN, P.J., MARKEY, B.K., CARTER, M.E., DONNELLY, W.J., LEONARD, F.C. Microbiologia Veterinária e Doenças Infecciosas.Porto Alegre: ARTMED, 2005, 511p.