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Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 2 SUMÁRIO VULVOVAGINITES ................................................................................................................................... 3 DOENCA INFLAMATORIA PELVICA ......................................................................................................... 12 ULCERAS GENITAIS............................................................................................... ...................................13 VIOLENCIA SEXUAL ............................................................................................................................... 16 AMENORREIAS ..................................................................................................................................... 18 INFERTILIDADE ..................................................................................................................................... 21 SINDROME DO OVARIO POLICISTICO .................................................................................................... 23 SANGRAMENTO UTERINO ANORMAL ................................................................................................... 25 PLANEJAMENTO FAMILIAR ................................................................................................................... 38 CLIMATERIO ......................................................................................................................................... 52 DOENCAS DA MAMA ............................................................................................................................ 54 CANCER DE MAMA.............................................................................................. ...................................57 CANCER DE OVARIO ............................................................................................................................. 61 CANCER DE ENDOMETRIO ..................................................................................................................... 63 RASTREAMENTO DO CANCER DE COLO UTERINO .................................................................................. 64 CANCER DE COLO....................................................................................................................................74 CANCER DE VULVA ............................................................................................................................... 77 Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 3 VULVOVAGINITES FLORA VAGINAL NORMAL E CORRIMENTO FISIOLÓGICO Antes de iniciarmos o estudo das vulvovaginites, é importante que você entenda o mecanismo de defesa vaginal e o que consideramos como corrimento vaginal fisiológico. Em condições de eubiose vaginal, ou seja, de normalidade, a região vulvovaginal apresenta um conteúdo líquido em pequena quantidade, de cor transparente ou branca, no fundo de saco posterior. CORRIMENTO VAGINAL FISIOLÓGICO Pequena quantidade, homogêneo. Fluido, esbranquiçado ou eventualmente amarelado. pH entre 4,0 - 4,5. Odor ausente. Ausência de prurido. Ausência de sinais inflamatórios. Várias são as condições que podem alterar a flora vaginal normal, como microrganismos, vestuário, higiene íntima inadequada e fases da vida da mulher. Entretanto, existem mecanismos de defesa para que isso não ocorra! GUARDE ESSE CONCEITO: A FLORA VAGINAL NORMAL É CONSTITUÍDA, PRINCIPALMENTE, POR DIFERENTES ESPÉCIES DE LACTOBACILOS (L. ACIDOPHILUS OU BACILOS DE DODERLEIN), BACTÉRIAS AERÓBIAS GRAM- POSITIVAS. Os lactobacilos são o “escudo” do meio vaginal, os quais atuam por meio de diversos mecanismos Em condições normais, os lactobacilos utilizam o glicogênio das células epiteliais vaginais como substrato para a produção de ácido lático, criando um ambiente vaginal ácido (pH 4,0 a 4,5). Essa acidez ajuda a manter a flora vaginal normal e inibe o crescimento de organismos patogênicos. Quando temos ruptura do ecossistema normal, seja por redução de lactobacilos, seja por aumento de micro-organismos patogênicos, temos a disbiose vaginal, que pode acarretar vulvovaginites, como veremos adiante. MUDANÇAS DE FLORA VAGINAL As fases da vida da mulher podem provocar modificações na flora vaginal: FLORA VAGINAL EM CRIANÇAS Como vimos acima, os lactobacilos dependem da presença de glicogênio para a produção de ácido lático e, para isso, é necessário um adequado nível de estrogênio. Logo, nas meninas pré-púberes, nas quais os níveis de estrogênio são mais baixos, temos menores níveis de glicogênio e, consequentemente, pH mais alcalino e predisposição às vulvovaginites. Além disso, higiene inadequada, uso de fraldas e possibilidade de corpos estranhos, contribuem para o aparecimento de vulvovaginites nessa faixa etária. ATENÇÃO: A maioria das vulvovaginites em crianças são inespecíficas, as quais estão relacionadas ao pH alcalino da faixa etária e à higiene deficiente. Entretanto, quando a questão se referir à presença de corrimento vaginal com odor fétido, sanguinolento e sem melhora com medidas iniciais, pense também na possibilidade de corpo estranho! FLORA VAGINAL NO CLIMATÉRIO Nessa fase, as mulheres têm menores níveis de glicogênio devido ao hipoestrogenismo e à depleção dos lactobacilos vaginais. A colonização por Escherichia coli é maior nessas pacientes, independente da atividade sexual. Bom, já Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 4 falamos sobre o corrimento fisiológico e sobre a flora vaginal. Agora vamos conversar sobre as vulvovaginites propriamente ditas: VAGINOSE BACTERIANA (VB) É A PRINCIPAL CAUSA DE CORRIMENTO VAGINAL DE ORIGEM INFECCIOSA NO MENACME. OCORRE DESBALANÇO DA FLORA VAGINAL COM AUMENTO MACIÇO DE ANAERÓBIOS, PARTICULARMENTE GARDNERELLA VAGINALIS E ESPÉCIES DE MOBILUNCUS E BACTERIOIDES, EM CONSEQUÊNCIA DA DIMINUIÇÃO DOS LACTOBACILOS. A queda dos lactobacilos é responsável pelo aumento do pH vaginal, que estimula o aumento dos anaeróbios, os quais, por sua vez, produzem enzimas proteolíticas que liberam aminas (putrecina, cadaverina e trimetilamina). Elas atuam aumentando a transudação de fluidos vaginais e a esfoliação de células epiteliais, resultando no corrimento característico da patologia: branco ou branco-acinzentado, homogêneo, com odor fétido. FATORES DE RISCO Os principais fatores de risco para VB são: • Atividade sexual: apesar da VB não ser considerada uma infecção sexualmente transmissível (IMPORTANTE), a atividade sexual desprotegida aumenta as chances de desenvolvimento da doença; • Duchas vaginais; • Tabagismo; • Infecções sexualmente transmissíveis; • Raça negra; • Obesidade. QUADRO CLÍNICO APESAR DA MAIORIA DAS PACIENTES COM VB SER ASSINTOMÁTICA (50%-75%), O QUADRO CLÍNICO CLÁSSICO DAS PROVAS É A PRESENÇA DE CORRIMENTO BRANCO OU BRANCO-ACINZENTADO, HOMOGÊNEO, COM ODOR FÉTIDO, PH VAGINAL ALCALINO, SEM SINAIS INFLAMATÓRIOS. CONSEQUÊNCIAS DA VB • Na gestação: aumento do risco de parto prematuro; • Aumento do risco de: • Endometrite; • Doença inflamatória pélvica (DIP), quando presente em pacientes que irão realizar procedimentos, como inserção de DIU, curetagem uterina etc.; • Aquisição de ISTs. DIAGNÓSTICO Para o diagnóstico da VB, podemos utilizar tanto os critérios de Amsel quanto os critérios de Nugent. Este último é considerado o método “padrão-ouro”, pois faz a avaliação microbiológica dos elementos vaginais. Entretanto, é pouco utilizado na prática clínica e pouco cobrado nas provas de Residência Médica. Para a sua prova, você deve estar com os critérios de Amsel na “ponta da língua”, pois eles fazem o diagnóstico clínico da VB. Para isso, a paciente deve ter pelo menos 3 dos 4 critérios abaixo: Licensed to Aline Dias- aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 5 CRITÉRIOS DE AMSEL 1. Corrimento vaginal branco ou brancoacinzentado, homogêneo. 2. pH > 4,5. 3. Teste das aminas positivo. 4. Observação das clue cells (células-alvo ou células-guia) ao exame bacterioscópico. Teste das aminas (Whiff test): consiste na adição de solução de KOH 10% na secreção vaginal. O resultado é positivo caso haja liberação de odor de “peixe podre”, devido à volatização das aminas produzidas pelos anaeróbios. TRATAMENTO As questões que envolvem o tratamento de vulvovaginites focam nos seguintes pontos: 1. Há uma primeira opção de tratamento preconizada? 2. Qual a via preconizada? Oral ou tópica? 3. Há necessidade de tratamento das parcerias sexuais? 4. Existe diferença entre o tratamento para gestantes e para lactantes? O tratamento da VB deve ser feito para: • Pacientes sintomáticas; • Pacientes assintomáticas se: • gestantes; • Irão se submeter a procedimentos, como inserção de DIU e cirurgias ginecológicas. Na VB, a via oral e a tópica têm a mesma eficácia e não há necessidade de tratamento das parcerias sexuais. Seguem abaixo as recomendações de tratamento do Ministério da Saúde (MS): Alguns detalhes importantes: PRIMEIRA OPÇÃO (INCLUINDO GESTANTES E LACTANTES) SEGUNDA OPÇÃO RECORRÊNCIA Metronidazol 250 mg, 2 cp, VO, de 12/12h por 7 dias. OU Metronidazol gel vaginal 100 mg/g, um aplicador cheio, via vaginal, à noite, ao deitar-se, por 5 dias. Clindamicina 300 mg, 1 cp, VO, de 12/12h, por 7 dias Metronidazol 250 mg, 2 cp, VO, de 12/12h por 10 a 14 dias. OU Metronidazol gel vaginal 100 mg/g, um aplicador cheio, via vaginal, à noite, ao deitar-se, por 10 dias, seguido de tratamento supressivo com óvulo de ácido bórico intravaginal 600 mg por 21 dias e metronidazol gel vaginal 100 mg/g, 2x/semana, por 4 a 6 meses. Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 6 • Caso seja optado por metronidazol oral, deve ser orientada a abstinência de álcool até 24 horas após o tratamento; • A FEBRASGO e o CDC acrescentam o Tinidazol como opção terapêutica, mas este não deve ser utilizado na gestação; • A literatura considera portadoras de VB recorrente as pacientes com mais de 3 episódios de VB em 12 meses. CANDIDÍASE A candidíase vulvovaginal (CVV) é a segunda causa mais comum de vulvovaginites (ficando atrás apenas da vaginose bacteriana) e é responsável por um terço dos casos de vulvovaginites. É causada por espécies de Candida sp., na maioria dos casos por Candida albicans (80%-92%). Esse fungo pode estar presente na flora vaginal normal como comensal, mas tem a habilidade de tirar proveito das alterações do meio vaginal do hospedeiro para agredir a mucosa e gerar doença. FATORES DE RISCO Os casos de CVV esporádica, geralmente ocorrem sem um fator precipitante identificável. Entretanto, existem alguns fatores de risco que predispõem à infecção sintomática: FATORES DE RISCO PARA CANDIDÍASE Gravidez Imunossupressão Diabetes mellitus Uso de antibióticos e corticoides Estresse Uso de contraceptivos hormonais Hábitos de higiene íntima inadequados Uso de DIU e diafragma. QUADRO CLÍNICO O quadro clínico da vulvovaginite fúngica caracteriza-se por prurido de intensidade variável, acompanhado de corrimento vaginal esbranquiçado com aspecto de “leite coalhado” ou “queijo cottage”, sem odor associado. Se houver muita inflamação, pode haver queixa de dispareunia, de queimação e de disúria. Geralmente, os sintomas são piores na semana que antecede a menstruação. Ao exame ginecológico, podem ser observados hiperemia vulvar, edema e fissuras. O exame especular mostra mucosa vaginal hiperemiada e corrimento vaginal aderido às paredes vaginais. CLASSIFICAÇÃO A candidíase pode ser classificada em “não complicada” e “complicada”: CANDIDÍASE NÃO COMPLICADA (todos os critérios a seguir devem estar presentes) CANDIDÍASE COMPLICADA (pelo menos um dos critérios) Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 7 EPISÓDIOS Esporádicos e pouco frequentes. (≤ 3 episódios/ano). Recorrentes. SINTOMAS Leves a moderados. Graves. AGENTE ETIOLÓGICO Provável Candida albicans Outras espécies de Candida que não C. albicans, particularmente C. glabrata. CARACTERÍSTICAS DAS PACIENTES Não gestante e imunocompetente. Grávidas, portadoras de diabetes descontrolado, imunossuprimidas. ATENÇÃO: É MUITO IMPORTANTE QUE VOCÊ TAMBÉM SAIBA A DEFINIÇÃO DE CANDIDÍASE RECORRENTE, QUE CORRESPONDE À PRESENÇA DE 4 OU MAIS EPISÓDIOS DE CANDIDÍASE EM 12 MESES. DIAGNÓSTICO Medworker, na prática clínica, apesar de diversas vezes nós diagnosticarmos e tratarmos vulvovaginites apenas pelas características do corrimento vaginal ao exame físico, lembre-se: nas provas, o diagnóstico sempre será feito por meio do exame físico associado a um exame complementar! Veja como estão os exames complementares na CVV: • pH vaginal: ácido, abaixo de 4,5; • Teste das aminas: negativo, pois aqui não há anaeróbios; • Microscopia: com esse exame, você consegue fechar o diagnóstico da CVV, uma vez que é possível visualizar o fungo (leveduras, hifas e pseudohifas). A secreção vaginal deve ser colocada em, no mínimo, duas lâminas, sendo uma com solução salina e outra com KOH 10%. A preparação com KOH destrói os elementos celulares e facilita o reconhecimento do fungo. • Cultura de secreção vaginal: só deve ser solicitada em duas situações: • Alta suspeita de candidíase com microscopia negativa; • Mulheres com sintomas persistentes ou recorrentes (para avaliar a possibilidade de espécies não albicans). TRATAMENTO Na CVV, a via oral e a tópica têm a mesma eficácia e não há necessidade de tratamento das parcerias sexuais, pois não se trata de uma infecção sexualmente transmissível. Entretanto, na gestação e na lactação, apenas é indicado o tratamento tópico. TRATAMENTO DA CANDIDÍASE NÃO COMPLICADA: Para os episódios de candidíase “não complicada”, os tratamentos de dose única ou de curta duração (1 a 3 dias) costumam ser eficazes. Seguem as recomendações do Ministério da Saúde: PRIMEIRA OPÇÃO SEGUNDA OPÇÃO Miconazol creme a 2% ou outros derivados imidazólicos, via vaginal, um aplicador cheio, à noite, ao deitar-se, por 7 dias. OU Nistatina 100.000 UI, uma aplicação, via vaginal, à noite, ao deitar-se, por 14 dias. Fluconazol 150 mg, VO, dose única. OU Itraconazol 100 mg, 2 comprimidos, VO, 2x/dia, por 1 dia. Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 8 TRATAMENTO DA CANDIDÍASE COMPLICADA: A FEBRASGO e o CDC recomendam a confirmação diagnóstica por meio de cultura de secreção vaginal para a identificação de eventuais cepas não albicans e para realizar o diagnóstico diferencial com a vaginose citolítica e as dermatopatias. LEMBRE-SE: A MAIORIA DOS EPISÓDIOS DE RECORRÊNCIA SÃO CAUSADOS PELA C. ALBICANS. CERCA DE 10-20% DOS CASOS TÊM COMO AGENTE ETIOLÓGICO A C. GLABRATA E AS ESPÉCIES NÃO ALBICANS. Para o tratamento da candidíase recorrente, é necessário tratar o episódio agudo e realizar tratamento de manutenção, em geral, por seis meses. Além disso, é importante conscientizar a paciente da retirada dos fatores precipitantes das crises. Seguem as recomendações do Ministério da Saúde: TRATAMENTO DE INDUÇÃO (NO EPISÓDIO AGUDO) TRATAMENTO DE MANUTENÇÃO Fluconazol 150 mg, VO, 1x/dia, dias 1, 4 e 7. OU Itraconazol 100 mg, 2 cp, VO, 2x/dia, por 1 dia. OU Miconazol creme vaginal tópico diário por 10 a 14 dias. Fluconazol 150 mg, VO, 1x/semana, por 6 meses. OU Miconazol creme vaginal tópico, 2x/semana. OU Miconazol óvulo vaginal, 1x/semana, durante 6 meses. TRICOMONÍASE A tricomoníase é a infecção sexualmente transmissível (IST) de etiologia não viralmais comum no mundo e é a terceira maior causa de vulvovaginite em mulheres no menacme. Seu agente etiológico é o protozoário flagelado anaeróbio Trichomonas vaginalis. Além da transmissão sexual (principal), há transmissão de mães infectadas para recém-nascidos (2-17%). Embora a sobrevivência em fômites tenha sido relatada, a transmissão não foi diretamente comprovada. QUADRO CLÍNICO A maioria das pacientes é assintomática. Quando sintomáticas, a queixa mais comum é a de corrimento amarelo- esverdeado, fluido, abundante, bolhoso, podendo ter odor desagradável (existe alta taxa de coinfecção com vaginose bacteriana). Devido à intensa reação inflamatória, ocorre ardor, prurido, dispareunia e disúria. Ao exame especular, podem ser visíveis hemorragias pontuais no colo uterino e na vagina em 2% dos casos: o famoso “colo em framboesa/em morango” que, após a aplicação da solução de lugol, é traduzido como Schiller malhado ou “colo tigroide”. CONSEQUÊNCIAS DA INFECÇÃO As principais consequências da tricomoníase são: 1.Mulheres não grávidas: uretrite, cistite, doença inflamatória pélvica (DIP), infertilidade e aumento do risco de infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV); Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 9 2.Mulheres grávidas: a tricomoníase está associada a resultados obstétricos adversos, como ruptura prematura de membranas, parto pré-termo e recém-nascido com baixo peso ao nascer; 3.Recém-nascidos: como mencionamos, há o risco de a mãe infectada transmitir para o bebê; 4. Homens: apesar da maioria dos casos ser assintomática, a infecção não tratada tem sido associada à prostatite, à balanopostite, à epididimite, à infertilidade e ao câncer de próstata. DIAGNÓSTICO Conforme vimos acima, para o diagnóstico, são necessários, além da anamnese e do exame físico, exames complementares: • Microscopia: principal exame para as provas de Residência Médica, pois identifica o protozoário, descrito na prova como “corpos ovalares móveis”. • pH vaginal: acima de 4,5; • Teste das aminas: pode ser positivo, devido à coinfecção com vaginose bacteriana; • PCR (reação em cadeia da polimerase): é atualmente o método “padrão-ouro”, mas aparece pouco nas provas. TRATAMENTO Na tricomoníase, o tratamento deve ser somente pela via oral, pois as medicações tópicas não atingem níveis terapêuticos na uretra e nas glândulas de Bartholin, as quais servem como reservatórios endógenos do protozoário e podem causar recorrência. Seguem as recomendações do Ministério da Saúde: Alguns detalhes são importantes: • Por se tratar de uma IST, todas as parcerias sexuais devem ser tratadas; • A paciente não pode consumir bebida alcóolica durante o tratamento e até 24 horas após o término; • O tratamento não difere para gestantes e para lactantes (o metronidazol é categoria B). Medworker, a imensa maioria das questões de prova cobrarão os conceitos que foram abordados até aqui e a prova do REVALIDA até hoje não passou disso. VULVOVAGINITES INEESPECÍFICAS TRATAMENTO DA TRICOMONÍASE SEGUNDO O MINISTÉRIO DA SAÚDE (2020) Metronidazol 400 mg, 5 cp, VO, dose única (dose total: 2 g). OU Metronidazol 250 mg, 2 cp, VO, de 12/12h, por 7 dias. Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 10 É a mais comum na infância → falha na higiene, uso de fraldas... Sem agente específico! Diagnóstico Exclusão: exame físico, exame à fresco e EPF Tratamento Medidas de higiene, modificação do vestuário, banhos de assento, tratar verminoses (SOS) Vulvovaginites Corrimento Exames pH e KOH Tratamento VAGINOSE Acinzentado, homogêneo Clue-cells pH > 4,5 KOH (+) Metronidazol CANDIDÍASE Branco, nata, aderido Pseudo-hifas, esporos pH < 4,5 KOH (-) Imidazólicos, fluconazol TRICOMONÍASE Amarelo- esverdeado, bolhoso Protozoário móvel pH > 4,5 KOH (+) Metronidazol CERVICITE Corresponde a uretrite no homem Agente: Neisseria gonorrhoeae (Gonococo) ou Chlamydia trachomatis Fator de risco: transmissão sexual (rastrear outras ISTs) Diagnóstico: corrimento cervical (pus saindo do colo), colo hiperemiado e friável sinusorragia (sangramento pós- coito) e dispaurenia Tratamento: Ceftriaxona 500mg IM + Azitromicina 1g VO Complicações: Doença Inflamatória Pélvica DIP – DOENCA INFLAMATORIA PELVICA Agentes: gonococo e clamídia são a porta de entrada. Mas a DIP é polimicrobiana Diagnóstico: 3 critérios maiores (mínimos) Maiores: Dor hipogástrica ou pélvica + dor à palpação de anexo + à mobilização do colo. Menores: (1 critério menor (adicional)): febre ou VHS/PCR aumentados ou desvio a E ou cervicite. Ou o diagnóstico ainda pode ser feito na presença de 1 critério elaborado endometrite na biópsia; abscesso tubo-ovariano ou no fundo de saco; DIP na laparoscopia. Conduta: Classificação de Monif o Estágio 1 DIP não complicada (sem abscesso, peritonite ou irritação peritoneal, estado geral bom) tratamento ambulatorial (reavaliar dentro de 48 a 72 horas). Internar se gestantes, AIDS ou sem melhora com 72 horas. o Estágio 2 com peritonite internar do estágio 2 ao 4. o Estágio 3 com sequela (oclusão de trompa ou abscesso TO). Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 11 o Estágio 4 abscesso > 10 cm ou roto (cirurgia). Tratamento: Ambulatorial: Ceftriaxone 500 mg IM (dose única) + Doxiciclina 100 mg 12/12 VO 14 dias + metronidazol 500mg VO 12/12 horas por 14 dias Hospitalar: Ceftriaxone 1g IV 14 dias + Doxiciclina 100 mg 12/12 VO 14 dias + metronidazol 400mg IV 12/12 horas por 14 dias; 2ª Opção (Clinda IV + Genta IV) Estágio 4: tratamento cirúrgico; Complicações: Sd de Fitz-Hugh-Curtis (Perihepatite Gonocócica) ou Inflamação da Cápsula de Glisson o Pode ser tanto gonocócica quanto por Chlamydia o São aderências chamadas em cordas de violino Dispaurenia Infertilidade Prenhez Ectópica Algoritmo da Uretrite Masculina Uretrite – Gram Disponível? o Sim. Diplococo gram negativo intracelular tratar clamidíase o Sim. Sem diplococo ou não tratar clamidíase e gonorreia. ÚLCERAS GENITAIS Múltiplas Herpes, cancro mole e donovanose Únicas Sífilis e LFNgranuloma Dolorosas (CHora de dor) Herpes fundo limpo Cancro Mole suja, fétida, purulenta. Não dolorosas Sífilis, donovanose ou linfogranuloma Fistulizam Cancro mole um único ponto de saída Linfogranuloma múltiplos pontos de saída Não fistulizam Sífilis, herpes, donovanose CANCRO MOLE Agente: Haemophilus ducreyi Diagnóstico: Múltiplas úlceras, dolorosas, de fundo sujo. Adenopatia que fistuliza para 1 orifício. Tratamento: Azitromicina 1g em dose única VO Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 12 HERPES VAGINAL Agente: Herpes simplex Diagnóstico: Vesículas e úlceras dolorosas e limpas, adenopatia dolorosa que não fistuliza, além de sintomas prodrômicos (febre, mal estar, etc) Tratamento: aciclovir 400 mg 8/8 horas por 7 a 10 dias na primeira infecção; na recidiva, por 5 dias apenas. Prescrever sintomáticos. Obs: Herpes ativo no TP = Cesária SÍFILIS Agente: Treponema pallidum Formas clínicas: Primária: cancro duro (úlcera única, indolor que some, de resolução espontânea, borda elevada). Secundária: condiloma plano, roséola (palmo e planta), sífilides, madarose Terciárias: gomas sfilíticas, tabes dorsalis, aneurisma aórtico, Artropatia de Charcot Diagnóstico: Exame em campo escuro (Padrão-ouro na primária) Sorologia treponêmica (teste rápido, FTA-Abs) esse teste deve ser também usado em casos primários caso não possa fazer exame em campo escuro, pois positiva primeiro que o VDRL, caso dê negativo, pode ser falso negativo, pois pode não ter havido tempo de haver reação imunológica do organismo; Sorologia não treponêmica (VDRL): último a positivar MS: o Faço primeiro o teste treponêmico (teste rápido), se positivo, ideal é avaliar o VDRL, se positivo está diagnosticado; o Se caso comece fazendo o VDRL e o mesmo vir positivo, fazer teste rápido para confirmar, devido que o VDRL da muito falso positivo o Gestante: um dos dois positivos (treponêmico ou não) inicia tratamento e depois pede o segundo teste para confirmar, tempo é importante na gestação para evitar complicações; o Controle de cura: VDRL trimestral (exceto gestante que controle é mensal) Tratamento: Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 13 Penicilina benzatina IM 2.400.000 (1.200.000 em cada nádega) o Dose única: na primária, secundária, latente recente. o 3 doses (1/semana): na terciária ou duração indeterminada. Tratamento na gestante o VDRL ≥ 1:8 tratar o Controle de cura mensal o Tratar parceiro!!! o Alergia a penicilina (dessensibilização no hospital) LINFOGRANULOMA VENÉREO Agente: Chlamydia trachomatis L1, L2 e L3 Diagnóstico: Úlcera única e indolor; adenopatia dolorosa que fistuliza por bico de regador. Tratamento: doxiciclina 100 mg VO 12/12 hrs por 21 dias o Cervicite o Linfogranuloma o Adenite o Múltiplas fistulizações o Imunofluorescência o Dioxiciclina no linfogranuloma o Azitromicina na cervicite DONOVANOSE Agente: Calymmatobacterium (klebsiella) granulomatis Diagnóstico: úlcera profunda, indolor e crônica; corpúsculos de Donavan à Biópsia. Faz DxD com câncer Tratamento: doxiciclina 100mg VO 12/12 hrs por 21 dias ou até lesão sumir ou Azitromicina 1g VO 1x/semana por 3 semanas Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 14 VIOLÊNCIA SEXUAL Atendimento: Fazer a Notificação (24 hrs), que é compulsória!! Exames, avaliar existência prévia de alguma infecção para depois continuar avaliando se existe surgimento de infecções; o Pedir sorologias (conteúdo vaginal, HIV, HEP B, HEP C, Sífilis e transaminases e hemograma se for usar TARV) e agendar retorno; Não exigir B.O Fazer um tratamento conjunto com psicóloga, serviço social Exames: Sangue: Anti HIV; Hepatite B (HbsAG e anti Hbs); Hepatite C (anti HCV); Sífilis; Transaminases; Hemograma e ß HCG (para mulheres em idade fértil). Para os exames de HIV, Hepatite B e Sífilis serão realizados testes rápidos. Contracepção de emergência: Se a paciente já faz, não precisa; Se contracepção irregular ou apenas faz uso de preservativo: o 1,5 mg VO de levonogestrel dose única Profilaxia das DSTs HIV Tenofovir + Lamivudina + Dolutegravir – dentro de 72 horas HBV vacina e imunoglobulina se necessário até 14 dias. Sífilis benzetacil (IM) Chlamydias e Donovanose azitromicina (1g) Gonorréia Ceftriaxona (500mg) Tricomoníase metronidazol (2g) (esperar acabar TARV devido à interação medicamentosa) O que não fazer: Exigir que a paciente faça BO antes do atendimento Exigir exame de corpo de delito ABORTO LEGAL O que o médico NÃO pode exigir: • Boletim de ocorrência. • Autorização judicial. Lembre a instituição deve comunicar a autoridade policial, isso não quer dizer que devemos pedir autorização. O que deve exigir: • Termo de consentimento livre e esclarecido (paciente ). Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 15 • Termo de responsabilidade (paciente faz). • Termo de relato circunstanciado (paciente faz, assinado por 2 profissionais). • Parecer técnico (médico faz). • Termo de aprovação de procedimento de interrupção da gravidez (assinado por 3 profissionais de preferência medico, enfermeiro, psicólogo). O médico pode se recusar a realizar o procedimento? Caso não seja uma emergência e haja outro profissional disponível para realizá-lo. Ou objeção de consciência, mas encaminhe o caso porque o direito da paciente tem que ser garantido AMENORREIAS AMENORREIA PRIMÁRIA: 14 anos sem menstruação e sem desenvolvimento sexual secundário OU 16 anos sem menstruação com desenvolvimento sexual secundário AMENORREIA SECUNDÁRIA: Sem menstruação por 6 meses ou 3 ciclos O problema da amenorreia pode estar no compartimento IV (hipotálamo), III (hipófise), II (ovário) ou I (uterovaginal) AMENORREIA SECUNDÁRIA INVESTIGAÇÃO: 1º) Excluir gestação HCG 2º) Dosar TSH e PROLACTINA Hipotireoidismo – investigar; se ocorrer, tratar que irá melhorar a hiperprolactinemia! Hiperprolactinemia Hiperprolactinemia: Prolactinoma diagnostico: RM Tratamento: Inicial: clínico Carbegolina ou Bromocriptina Medicamentosa Metoclopramida, Neurolépticos, Tricíclicos, Ranitidina, ACO... Outras Gestação, Hipotireoidismo, estimulação insuficiência renal, estresse Carbegolina tem vantagem posológica e possui menos efeitos colaterais; também é utilizada em pacientes HIV+ após o parto para inibir a lactação 3º) TESTE DA PROGESTERONA: avalia os níveis de estrogênio e trato de saída Medroxiprogesterona 10mg por 5-10 dias Houve sangramento: anovulação (não tem progesterona suficiente para estabilizar o endométrio) – ex.: SOP Sem sangramento: o Falta de estrogênio (?) o Lesão de endométrio (?) o Obstrução ao fluxo (?) 4º) TESTE DO ESTROGÊNIO + PROGESTERONA: avalia endométrio e trato de saída Estrogênio + progesterona por 21 dias Houve sangramento: excluídas causas uterovaginais / falta de estrogênio – problema no compartimento II ou III ou IV Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 16 Sem sangramento: alteração uterovaginal (compartimento I) – avaliar: USG, histeroscopia, RNM... 5º) DOSAGEM DO FSH: define se a falta de estrogênio é causa ovariana ou causa central ↑ FSH (> 20): causa ovariana (compartimento II) FSH normal ou ↓ (< 5): hipófise (compartimento III) ou hipotálamo (compartimento IV) 6º) TESTE DO GnRH: administrar GnRH ↑ LH e/ou FSH: hipotalâmica Não ↑LH e/ou FSH: hipofisária AMENORREIA PRIMÁRIA Exame físico: Estigmas de Turner, hímen imperfurado CARACTERES SEXUAIS SECUNDÁRIOS PRESENTES? NÃO SIM Causa ovariana x central (Sem ação do estrogênio) - LH/FSH: disgenesia gonadal (cariótipo para diagnóstico tratamento – retirar ou não a gônada) - LH/FSH: teste GnRH (problema na hipófise ou hipotálamo) AVALIAÇÃO UTEROVAGINAL Anormalidade Mülleriana (?) DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS HIPOTALÂMICAS (COMPARTIMENTO IV) Tumores: craniofaringiomas Síndrome de Kallman: amenorreia primária + anosmia + cegueira para cores Outras: estresse, anorexia, exercício físico extenuante HIPOFISÁRIA (COMPARTIMENTO III) Tumores: prolactinoma Síndrome de Sheehan: necrose hipofisária pós-parto (hemorragia puerperal significativa – ex.: DPP, atonia uterina) – pode causar hipopituitarismo OVARIANAS (COMPARTIMENTO II) Falência ovariana precoce (< 40a): FSH > 20 Síndrome de Savage: folículo resistente às gonadotrofinas - diagnóstico diferencial com FOP através de biópsia ovariana – tratamento com reposição hormonal Disgenesia gonadal: maior causa de amenorreia primária DISGENESIA COM Y RETIRAR GÔNADA! (ex.: Síndrome de Swyer 46XY: o fator determinante testicular está no Y a gônada será o testículo testículo fibrosado – não funciona = fenótipo feminino – genitália interna e externa feminina) Síndrome de Turner (45XO) é a mais comum: pescoço alado, tórax em escudo, baixa estatura... (estigmas de Turner) UTEROVAGINAIS (COMPARTIMENTO I) Malformações Müllerianas – ex.: Roktansky (amenorreia primária, dor na relação sexual, e com caracteres sexuais secundários presentes, sem útero e sem a parte superior da vagina) Sindrome de Asherman – lesão endometrial Hiperplasia adrenal congênita: diagnóstico diferencial com SOP (lembrar que SOP é diagnóstico de exclusão) – maiorcausa de genitália ambígua na mulher (obs.: maior causa de HAC: deficiência de 21-hidroxilase) Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 17 Síndrome de Roktansky Síndrome de Morris Agenesia Mülleriana 46 XX (feminino) Clínica: amenorreia primária com caracteres sexuais secundários, sem útero, vagina curta e pelo normal Tem ovários normais Defeito no receptor de androgênio 46 XY (masculino) Clínica: amenorreia primária, mama pequena, sem útero, vagina curta, mas sem pelos Tem testículo (pode herniar) INFERTILIDADE Definição: Ausência de gravidez após 1 ano Causas Fator masculino: 35% Fator tuboperitoneal: 35% Anovulação: 15% Investigação do casal infértil Idade da Mulher: o < 35 anos aguardar até 1 ano o > 35 anos, imediato ou após 6 meses, devido a perda folicular Frequência de relações: o 2-4 no mínimo por semana Avaliação Básica: Hormônios: FSH, progesterona, TSH, prolactina. USGTV: procurar anormalidades anatômicas. Histerossalpingografia: avaliar trompa (fator tuboperitoneal). Espermograma o Se normal, não repetir. o Anormal, repetir após 3 meses. Azoospermia: repete em 3 meses, se vir novamente azoospermia fazer biópsia testicular (ver se é problema obstrutivo ou de formação) Avaliação avançada Videolaparoscopia e histeroscopia Infertilidade Feminina Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 18 Fator ovariano o Dosar Progesterona entre o dia 21 e 24 do ciclo, > 3 ng/ml, > 10 função lútea perfeita; o Dosar FSH entre o dia 2 e 5 do ciclo (< 10 é bom prognóstico), é o mais usado para avaliar reserva ovariana. o USGTV seriada documenta ovulação (para coito/captação). Faz contagem de folículos, avaliando sucesso de reprodução assistida. Fator tubuloperitoneal o Histerossalpingografia: exame inicial para trompa, injeta contraste e vê se o mesmo passa pela cavidade uterina e trompas e cai na cavidade peritoneal; Teste de cotte + = trompa pérvia (constraste extravasado pelos infundíbulos), se der negativa, faz Videolaparoscopia; o Videolaparoscopia (Padrão-Ouro p/ doença tubária e peritoneal) Cromotubagem + azul na cavidade Fator Uterino o USGTV e Histerossalpingografia o Histeroscopia – padrão ouro Fator cervical o Teste pós-coito (ou de Sims). Avalia interação SPTZ com muco. Em desuso. Na sua suspeita, inseminação de SPTZ preparados diretamente no útero. Procedimento relativamente barato e simples. Tratamento da Infertilidade Fator Masculino o Maioria faz FIV (Fertilização in-vitro); FIV convencional: Oócito e SPTZ na placa e deixa ocorrer a fecundação “natural” FIV com ICSI (Injeção Intra-citoplasmática de Espermatozóides): espermatozoide é injetado no oócito Fator tuboperitoneal o Videolaparoscopia – retirar aderência, endometriose, salpingoplastia Fator Uterino o Cirurgias: Polipectomias, retirada de sinéquias Fator cervical o Inseminação intra-uterina. Boa indicação quando fator masculino discreto ou infertilidade sem causa aparente. Fator ovariano o Indução de ovulação – citrato de clomifeno o FIV Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 19 SÍNDROME DO OVÁRIO POLICÍSTICO OU ANOVULAÇÃO HIPERANDROGÊNICA Redução da SHBG (proteína transportadora de hormônio sexual) levando a mais hormônio biologicamente ativo. Fisiopatologia – o que diminui SHBG: o Resistência insulínica o Maior fração livre de androgênio e estrogênio o Hiperandrogenismo anovulatório Clínica o Acantose nigricans o Acne, alopécia androgênica, hirsutismo (padrão masculino de pêlos) o Irregularidade menstrual e infertilidade Laboratório o Pedir TSH e prolactina, que também explica irregularidade menstrual, bem como 17-OH-progesterona e cortisol, cujos aumentos explicariam a virilização. o Valores de SHBG e FSH diminuídos; de FSH pode estar normal. Todas as outras dosagens (LH, estrogênio, progesterona, androgênios) aumentadas. o Avaliar Sd Metabólica Dx: Critérios de Rotterdam (2 de 3 fazem o diagnóstico) o Ovários policístico a USG – 20% de falso positivo >= 12 folículos de 2 a 9 mm ou ovário >= 10 cm³ o Oligoanovulação o Hiperandrogenismo Diagnostico diferencial de SOP: Hiperplasia adrenal congênita Cushing Hipotiroidismo Hiperprolactinemia Tumor ovariano Tumor addrenal Repercussões o DM, HAS, estética, hiperplasia endometrial (excesso de estrogênio) Tratamento o Atividade física, dieta e diminuição do peso Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 20 o Metformina se houver resistência insulínica o Ciproterona (progestagênio de ação anti-androgênica; cuidado, quanto maior a ação anti-androgênica, mais trombogênico) o ACHO – faz controle do ciclo menstrual o Citrato de Clomifeno – indutor de ovulação ao inibir receptores de estrogênio no hipotâlamo e desligar o feedback negativo, estimulando o eixo HHG. Sangramento Uterino Anormal e Infertilidade Menorragia: aumento da duração e fluxo, mas ciclo regular Metrorragia: irregularidadem menstrual Hipermenorréia: aumento do fluxo, mas duração normal e regularidade SANGRAMENTO UTERINO ANORMAL Definição. Para sabermos o que é o sangramento uterino anormal, precisamos saber antes o que é o sangramento uterino normal, precisamos definir quais são os padrões considerados normais para a menstruação. A menstruação normal é definida como: ● Frequência – de 24 a 38 dias; ● Regularidade – variação ≤ 7 a 9 dias. (Mulheres < 25 anos e na perimenopausa podem apresentar variações de até 20 dias.) ● Duração – ≤ 8 dias. Até oito dias. A duração da menstruação é o número de dias em que a mulher fica menstruada em um ciclo menstrual. ● Volume – ≤ 80 ml. A definição clínica pode ser subjetiva, considerando um volume que não interfira na qualidade de vida da mulher. A definição objetiva considera como normal o volume ≤ 80 ml por ciclo. O sangramento uterino anormal (SUA) é uma queixa ginecológica comum que afeta até 40% das mulheres no mundo. Apresenta um impacto negativo nos aspectos físicos, emocionais, sexuais e profissionais, piorando a qualidade de vida das mulheres. O SUA é definido como perda menstrual excessiva com repercussões na qualidade de vida da mulher. Pode estar associado a perda menstrual anormal em duração, regularidade, volume e frequência. • Sangramento uterino anormal agudo: é o episódio de sangramento uterino na mulher em idade reprodutiva, que não está grávida, em quantidade suficiente para que seja necessária uma intervenção para interromper a perda sanguínea. • Sangramento uterino anormal crônico: é o SUA que está ocorrendo há pelo menos 6 meses. Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 21 O sangramento uterino anormal não é uma doença e sim um sintoma que pode ser causado por várias doenças ou pelo uso de alguns medicamentos. É muito importante definir a causa do SUA para indicar o tratamento certo. SANGRAMENTO INTERMENSTRUAL O SUA pode ocorrer entre as menstruações, recebendo o nome de sangramento intermenstrual. Sua etiologia varia de acordo com a fase do ciclo menstrual em que ele aparece: • Sangramento no meio do ciclo: é fisiológico e comum. Ocorre devido à queda dos níveis de estradiol, que acontece antes da ovulação. Até 10% das mulheres reclamam desse sintoma. • Sangramento intermenstrual cíclico pré-menstrual ou pósmenstrual: pode ocorrer na primeira ou na segunda fase do ciclo menstrual. Costuma apresentar-se como um sangramento discreto por um ou mais dias. Pode ocorrer devido a um defeito da fase lútea ou devido a patologias estruturais. • Sangramento intermenstrual acíclico (aleatório): não é cíclico nem pode ser previsto. Na maioriados casos, é causado por patologias benignas, como a cervicite ou os pólipos, mas também pode ser causado pelo câncer do colo do útero ou do endométrio. VARIAÇÕES DO CICLO MENSTRUAL Menorragia: Menstruação excessiva, com fluxo aumentado (> 80 ml) Hipermenorreia: Menstruação prolongada (> 8 dias) Hipomenorreia: Menstruação < 3 dias ou < 5 ml Metrorragia: Sangramento contínuo, não relacionado ao ciclo menstrual Oligomenorreia: Menstruações com intervalos superiores a 38 dias Polimenorreia: Menstruação com intervalos inferiores a 24 dias Amenorreia: Ausência de menstruação por 3 meses ou ciclos irregulares por 6 meses CLASSIFICAÇÃO (FIGO) A FIGO classificou as etiologias do sangramento uterino anormal das mulheres em idade reprodutiva não grávidas de acordo com o mnemônico PALM-COEIN: Pólipo, Adenomiose, Leiomioma, Malignidade e hiperplasia, Coagulopatia, disfunção Ovulatória, disfunção Endometrial, Iatrogênica e "Não classificada de outra forma". O grupo PALM (Pólipo, Adenomiose, Leiomioma, Malignidade e hiperplasia) representa as patologias estruturais, que podem ser diagnosticadas por meio de exames de imagem ou estudo anatomopatológico. Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 22 O grupo COEIN (Coagulopatia, disfunção Ovulatória, disfunção Endometrial, Iatrogênica e "Não classificada de outra forma") representa as patologias não estruturais, que não se mostram nos exames de imagem. O termo sangramento uterino disfuncional também está em desuso. Atualmente, a FIGO inclui esse conceito em três possíveis categorias do sistema PALM-COEIN. São elas: ● Distúrbios da hemostasia (Coagulopatias). ● Distúrbios ovulatórios – Disfunções no eixo hipotálamo-hipófise-ovário, que geralmente se manifestam com irregularidade menstrual. ● Distúrbios endometriais – Causados por distúrbio do mecanismo de controle local do volume de sangue perdido na menstruação. Os distúrbios endometriais infecciosos, como a endometrite por Chlamydia, também são incluídos aqui. Mas, em geral, o sangramento disfuncional é descrito como um sangramento devido ao distúrbio hormonal, ou seja, mais comumente relacionado aos distúrbios ovulatórios. ETIOLOGIA: PALM-COEIN A idade da mulher é uma boa orientação para as possíveis causas do sangramento uterino anormal. Muitas questões seguem essa lógica. Nos primeiros anos após a menarca, é bastante frequente a irregularidade menstrual devido à imaturidade do eixo HHO e os ciclos anovulatórios. A segunda causa mais frequente de SUA desde a menarca são as coagulopatias, principalmente a síndrome de von Willebrand. Nas mulheres entre 20 e 40 anos o eixo já está amadurecido e as menstruações costumam ser regulares. Nessa idade as causas mais comuns de sangramento uterino anormal são as estruturais. Próximo à menopausa, a causa mais frequente de SUA são os ciclos anovulatórios devido à proximidade do esgotamento folicular dos ovários. Após a menopausa, são mais comuns as causas endometriais, e a causa mais frequente de sangramento pós- menopausa é a atrofia endometrial. CAUSAS ESTRUTURAIS (PALM) P - Pólipos Os pólipos são tumores epiteliais que podem ser localizados na cavidade endometrial ou no canal cervical. Sua prevalência é em cerca de 20% a 30% dos casos de sangramento uterino anormal, sendo mais comuns perto da menopausa. A principal manifestação clínica dos pólipos é a menorragia ou a metrorragia, e ao ultrassom costumam mostrar-se como nódulos hiperecogênicos. A - Adenomiose A adenomiose é a presença de tecido endometrial entremeado no miométrio. O diagnóstico definitivo é feito por meio do estudo anatomopatológico do útero (proveniente de histerectomia). Entretanto, é possível fazer o diagnóstico presumido por meio da história, exame físico e exames de imagem (ultrassonografia e Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 23 ressonância magnética) da paciente. Os principais sintomas da adenomiose são o aumento do fluxo menstrual e a dismenorreia (cólica menstrual). Acomete principalmente as mulheres na perimenopausa. L- Leiomioma Os leiomiomas do útero (também chamados de miomas) são neoplasias benignas do músculo liso do útero (miométrio). Podem ser submucosos, intramurais ou subserosos. Os submucosos e os intramurais podem causar o sangramento uterino anormal, sendo que os submucosos costumam provocar metrorragia (sangramento durante o mês inteiro), e os intramurais costumam provocar a menorragia ou hipermenorreia (menstruação com fluxo aumentado e prolongado). A leiomiomatose uterina pode apresentar-se no exame físico com a presença de um útero aumentado de consistência fibroelástica e contornos bocelados. O ultrassom é o exame de imagem mais comumente utilizado para confirmar essa hipótese diagnóstica, e os miomas costumam mostrar-se como nódulos hipoecogênicos. M - Malignidade e Hiperplasia A malignidade pode ocorrer em qualquer idade, sendo mais frequente nas mulheres perto da menopausa e após a menopausa. Por isso, nesses casos, sempre devemos pensar em avaliar o endométrio. Tanto a hiperplasia endometrial com atipia quanto o câncer de endométrio e o sarcoma podem causar sangramento uterino anormal. A observação no exame ultrassonográfico de espessamento endometrial maior que 4 mm a 5 mm nas mulheres pós-menopausa sem uso de TH e maior que 8 mm nas mulheres pós-menopausa em uso de TH sugere o diagnóstico de hiperplasia endometrial ou câncer de endométrio. Nesses casos, está indicada a biópsia de endométrio (de preferência por meio da histeroscopia). O valor considerado como normal para eco endometrial durante o menacme não está estabelecido e é controverso. CAUSAS NÃO ESTRUTURAIS (COEIN) C- Coagulopatia As coagulopatias são distúrbios da hemostasia que podem se manifestar clinicamente por meio de SUA. Elas podem ser encontradas em cerca de 20% das mulheres com sangramento menstrual aumentado, principalmente nas adolescentes, sendo que a coagulopatia mais frequente é a doença de von Willebrand. (A anamnese é essencial para o diagnóstico das coagulopatias! Devemos suspeitar de coagulopatia quando a paciente refere sangramento aumentado desde o início da menarca, outros episódios de hemorragia (em cirurgias, parto ou tratamento dentário), hematomas frequentes de causa desconhecida (a paciente não sabe referir onde bateu), episódios de epistaxe ou sangramento gengival frequente e antecedente familiar de coagulopatias.) As causas mais comuns de SUA nas adolescentes (nos primeiros anos após a menarca) são a anovulação, devido à imaturidade do eixo HHO, e as coagulopatias, principalmente a doença de von Willebrand. Para diferenciar as duas basta sabermos o início do sangramento uterino anormal. As pacientes com von Willebrand (coagulopatia) apresentam sangramento menstrual intenso desde a menarca. Além disso, as pacientes com coagulopatias costumam ter ciclos regulares, e as pacientes com anovulação costumam ter ciclos irregulares. O - Distúrbio Ovulatório Os distúrbios ovulatórios ocorrem quando a mulher não está ovulando ou ovula esporadicamente. São mais comuns nos extremos da vida reprodutiva, logo após a menarca e pouco antes da menopausa. Durante o menacme, a causa mais frequente de anovulação crônica é a síndrome dos ovários policísticos, já que é a doença endócrina mais frequente nesse período, afetando cerca de 10% das mulheres. O sintoma mais frequente da anovulação crônica é a irregularidade menstrual. Pode ocorrer também variação no volume da menstruação, com episódios de sangramento menstrual intenso. Tudo isso acontece porque na anovulação crônica ocorre a falta de progesterona, que seria produzida pelo corpo lúteo após a ovulação, evitaria a proliferação excessiva e estabilizaria o endométrio nos ciclos menstruais. Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP1841655229564724 E - Causas Endometriais Essa categoria se refere aos distúrbios primários do endométrio, que ocorrem devido a um distúrbio da hemostasia local por causa de uma resposta inflamatória. Isso é o que acontece na doença inflamatória pélvica (endometrite por Chlamydia), por exemplo. Em geral, o diagnóstico de patologias endometriais é difícil porque é um diagnóstico de exclusão, feito após afastarmos as causas estruturais, a anovulação e as coagulopatias. A confirmação do diagnóstico das causas endometriais geralmente é feita por meio do estudo histológico (biópsia do endométrio). I - Causas Iatrogênicas Essa categoria se refere às causas iatrogênicas (“causadas pelo médico”): Anticoncepcionais (estrogênios e progestágenos) e andrógenos; Análogos do GnRH, os inibidores da aromatase, os SERMs (agonistas parciais do estrogênio - tamoxifeno) e os SPRMs (agonistas parciais da progesterona - ulipristal); • Anticoagulantes; • Agonistas e antagonistas dopaminérgicos; • Uso de DIU de cobre ou SIU de levonorgestrel. N - Causas Não Classificadas Todas as causas de sangramento uterino anormal que não se encaixam nas outras categorias podem ser colocadas aqui, logo podemos chamar essa categoria de “resto”. São causas bastante raras. Essa categoria inclui a malformação arteriovenosa uterina, a hipertrofia miometrial, as malformações müllerianas e a istmocele secundária a uma cesárea. A istmocele é uma falha do miométrio na altura do segmento inferior do útero que se forma devido a um defeito de cicatrização na incisão da cesárea. Pode haver acúmulo de sangue nesse defeito, causando o quadro de sangramento uterino anormal. O tratamento é cirúrgico, podendo ser realizado pela via histeroscópica. DIAGNÓSTICO Medworker, na avaliação dos quadros de sangramento uterino anormal, você deve fazer três perguntas iniciais para guiar seu raciocínio clínico: 1- Esse sangramento vem do útero mesmo? 2- Essa paciente está grávida? 3- Qual é a idade da paciente? ESTE SANGRAMENTO VEM DO ÚTERO MESMO? Lembre-se de que estamos falando do sangramento uterino anormal. As mulheres com SUA apresentam-se com uma queixa de sangramento vaginal, é muito importante determinar se o sangramento realmente está vindo do útero. Nesses casos, sempre devemos nos perguntar: Esse sangramento vem do útero mesmo? De onde vem esse sangramento? Os locais que podem ser confundidos com sangramento uterino são o trato genital inferior (vulva, vagina ou colo do útero), trato urinário e trato gastrointestinal. É sempre importante examinar a uretra e a região anorretal. Devemos suspeitar de lesão no trato genital inferior quando a paciente se queixa de sangramento após a relação sexual. Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 25 É importante, nesses casos, investigar a possibilidade de câncer de colo, mas outras patologias do trato genital inferior também podem causar sangramento genital, tais como as cervicites, os pólipos cervicais, a atrofia vulvovaginal, as úlceras genitais e até mesmo as lacerações vaginais. ESTA PACIENTE ESTÁ GRAVIDA? Toda mulher com sangramento genital (na menacme) deve fazer o teste de gravidez! Sempre devemos perguntar para a paciente se existe chance de estar grávida. Sempre devemos perguntar a data de sua última menstruação. Mesmo que não haja suspeita de gravidez, o primeiro exame que sempre devemos solicitar é o Beta HCG! A hipótese de gravidez sempre deve ser afastada nos casos de sangramento genital. QUAL É A IDADE DA PACIENTE? A maioria das questões pergunta sobre as causas de sangramento uterino anormal, que são diferentes de acordo com a idade da paciente. Antes da menarca: as causas mais frequentes de sangramento vaginal são distúrbios hormonais, presença de corpo estranho, infecção, trauma ou câncer. Menacme: as causas mais frequentes de sangramento uterino anormal durante o menacme são a disfunção ovulatória, a miomatose uterina, pólipos, adenomiose, infecção, SOP, tireoidopatia, coagulopatia e a medicamentosa (uso de ACO, por exemplo). Após a menopausa: as causas mais comuns de sangramento uterino “anormal” (já que todo sangramento após a menopausa é anormal) são a atrofia endometrial, os pólipos endometriais, a hiperplasia/câncer de endométrio e o uso de terapia hormonal. INVESTIGAÇÃO DIAGNÓSTICA A investigação diagnóstica do sangramento uterino anormal deve seguir os seguintes passos: 1. Anamnese e exame físico; 2. Solicitação do teste de gravidez (Beta HCG); 3. Solicitação de hemograma completo e coagulograma; 4. Solicitação de ultrassonografia para avaliar causas estruturais do SUA; 5. Solicitar dosagens hormonais se o quadro clínico sugere endocrinopatia (anovulação ou hiperandrogenismo); 6. Se necessário, avaliação secundária com histeroscopia e biópsia do endométrio. Estrategista, muitas questões perguntam sobre os exames que devem ser solicitados na investigação do SUA. Guarde bem: o primeiro exame que deve ser solicitado é o Beta HCG, e o primeiro exame de imagem que deve ser solicitado é o ultrassom. INDICAÇÕES DE AVALIAÇÃO ENDOMETRIAL NO SUA: Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 26 Idade > 45 anos Espessamento endometrial Mulheres com fatores de risco para câncer de endométrio História de exposição estrogênica sem oposição da progesterona Dúvida no diagnóstico Idade entre 35 e 45 anos Sem melhora com o tratamento medicamentoso Suspeita de sangramento anovulatório Idade < 35 anos Estimulação estrogênica prolongada TRATAMENTO O que devemos levar em consideração para decidir o tratamento do sangramento uterino anormal: 1-Causa do SUA 2-Intensidade do sangramento (estabilidade hemodinâmica) 3-Desejo de gravidez/prole constituída 4-Risco de tromboembolismo TRATAMENTO DO SUA DE ACORDO COM A ETIOLOGIA Pólipo: Ressecção cirúrgica Adenomiose: Histerectomia ou adenomiomectomia/tratamento clínico Leiomioma: Miomectomia ou histerectomia/tratamento clínico Malignidade: Cirurgia – tratamento adjuvante/altas doses de progestágenos/paliativo Coagulopatia: Ácido tranexâmico Ovulatório: Modificação do estilo de vida/cabergolina (hiperprolactinemia)/levotiroxina (hipotireoidismo) Endometrial :Terapia específica/antibioticoterapia Iatrogênico: Suspender o fator causal Não classificado: Embolização para malformação arteriovenosa TRATAMENTO INICIAL O tratamento medicamentoso é o primeiro tratamento indicado para quase todos os casos de sangramento uterino anormal, com o objetivo de parar o sangramento ou pelo menos diminuir sua intensidade. Existem várias opções medicamentosas para o tratamento do sangramento uterino anormal: OPÇÕES DE TRATAMENTO CLÍNICO NO SUA 1. Anticoncepcional combinado 2. SIU levonorgestrel 3. Progestágenos (altas doses) 4. Anti-inflamatórios 5. Antifibrinolíticos TRATAMENTO DO SANGRAMENTO UTERINO ANORMAL AGUDO Como foi dito acima, quando uma paciente procura o serviço médico apresentando sangramento uterino anormal, precisamos pensar na idade da paciente e se ela está grávida. Além disso, é muito importante avaliar a intensidade do sangramento e a estabilidade hemodinâmica da paciente. Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 27 Os casos de sangramento uterino anormal agudo intenso são comuns no pronto socorro de ginecologia. É muito importante que você saiba tratar esses casos! A abordagem inicial desses casos é o tratamento hormonal em altas doses e a reposição volêmica ou transfusão em caso de instabilidade hemodinâmica da paciente. O objetivo principal do tratamento do SUA agudo é manter a estabilidade hemodinâmica do paciente. As pacientes com sinais de instabilidade hemodinâmica e queda dos níveis de Hb/Ht devem ser internadas, receber reposiçãovolêmica e transfusão sanguínea se houver indicação. Na maioria dos casos, o tratamento do SUA agudo é medicamentoso e pode ser feito com o uso de estrogênio conjugado endovenoso (estrógenos em altas doses), anticoncepcionais combinados ou progestágenos isolados em altas doses. A opção de tratamento não hormonal são os antifibrinolíticos, como o ácido tranexâmico O tratamento cirúrgico do SUA agudo pode ser feito com a curetagem ou a histerectomia e fica reservado para os casos em que houver falha do tratamento clínico ou quando a paciente se apresentar hemodinamicamente instável, com sangramento incoercível. TRATAMENTO DO SANGRAMENTO UTERINO ANORMAL DE CAUSA NÃO ESTRUTURAL O tratamento das causas não estruturais de sangramento uterino anormal é geralmente clínico. Poucas causas não estruturais têm a opção de tratamento cirúrgico, tais como a malformação arteriovenosa uterina e a istmocele. Como dissemos, a disfunção ovulatória (anovulação) é a causa não estrutural mais frequente de SUA e ocorre mais frequentemente devido à síndrome dos ovários policísticos. Nesses casos, as pacientes apresentam ciclos de uma fase só (monofásicos), com ausência da fase secretora. Sendo assim, a exposição contínua do estrógeno, sem oposição da progesterona, produz um endométrio instável, que acaba “desmoronando” de forma irregular levando à oligomenorreia ou amenorreia. O tratamento intuitivo para esses casos é a administração de progesterona (que está faltando no ciclo). A prescrição de anticoncepcionais combinados também é eficaz, porque um pouco de estrógeno também ajuda a evitar o sangramento de escape. Por isso, para esses casos, tanto os anticoncepcionais combinados quanto os progestágenos isolados e o SIU de levonorgestrel são opções terapêuticas eficazes e diminuem o risco de hiperplasia endometrial ou de câncer de endométrio, já que a progesterona faz oposição ao efeito proliferativo do estrógeno sobre o endométrio. TRATAMENTO CIRÚRGICO O tratamento cirúrgico é indicado especificamente para as patologias estruturais (PALM), para os casos de falha na terapêutica medicamentosa ou para as pacientes que desejam um procedimento definitivo (histerectomia). O principal fator envolvido na escolha da modalidade de tratamento cirúrgico é o futuro reprodutivo da mulher. Dentre os tipos de tratamento cirúrgico, os únicos que preservam a fertilidade são a miomectomia e a polipectomia. A ablação endometrial e a embolização das artérias uterinas são opções de tratamentos cirúrgicos minimamente invasivos para as pacientes com prole constituída, pois ambos são contraindicados para as pacientes que desejam engravidar no futuro. A histerectomia é o tratamento cirúrgico definitivo (e “radical”) para o sangramento uterino anormal. Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 28 MIOMA Epidemiologia: Representa 95% dos tumores benignos do T. Genital. Tumor da musculatura lisa, tumor hormôniodependente, sendo raros em < 20 anos Maioria é assintomática Incidência: aumenta com a idade até a menopausa Tipos: Subseroso: compressão e dor em poucos casos – não sangra e pouca relação com infertilidade Intra-mural: sangramento e infertilidade (como diagnóstico de exclusão) Submucoso: É o que mais sangra sangramento e infertilidade (como diagnóstico de exclusão) Diagnóstico: USG já consegue visualizar bem, RMN e Histeroscopia (abaulamento) Porque mioma sangra? Aumento da área de sangramento Diminui a contratilidade do miométrio Estase venosa endometrial Podem degenerar Hialina: + comum. Mioma torna-se amolecido Rubra ou necrose asséptica: dor na gestação Sarcomatosa: raríssima <0,5% (pensar se crescer após a menopausa) Tratamento: Assintomático: não tratar Sintomático: (avaliar se os sintomas são devidos ao mioma) o Sangramento Leve/moderada e pequeno: expectante; tratamento clínico (anticoncepcional), tentar ganhar tempo até chegar a menopausa onde acabam os problemas com esse tumor; o Sangramento Intenso e nulípara: miomectomia o Sangramento Intenso e multípara: histerectomia, se mioma só submucoso (miomectomia histeroscópica) Preparo Cirúrgico: Análogo do GnRH. Fará uma menopausa química, que encolhera o mioma, facilitando a técnica cirúrgica e diminuindo a anemia. Utilizar por pouco tempo pois, pode levar a osteoporose e depois que sessa o tratamento ele volta a crescer Diagnóstico diferencial de miomas: Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 29 Adenomiose: sangramento + dismenorreia secundária + miométrio heterogêneo ADENOMIOSE Miométrio heterogêneo + sangramento + dismenorreia secundária progressivamente mais intensa Tem como característica a presença de glândulas endometrias dentro do miométrio. Diagnóstico: Exame físico: Pouco ajuda, apenas um útero um pouco maior que o normal USG: (maioria das vezes normal) Miométrio heterogêneo RNM: zona juncional mioendometrial > 12mm (espessa) é muito sugestivo Histopatológico: diagnóstico definitivo Tratamento definitivo: histerectomia. No pré-menopausa: clínico (anticoncepcional direto ou DIU de progesterona, ablação endométrio). ENDOMETRIOSE Definição: “Endométrio (glândulas e estroma) fora do útero”. A porção intestinal mais acometida por focos de endometriose é o Retossigmoide. Fatores de fisiopatologia: Genético Hormonal Imunológico Inflamatorio. Clínica: Dismenorreia + infertilidade + dor pélvica crônica + dispareunia, NÃO tem sangramento. Etiologia: (TEORIAS) Menstruação retrógrada: disseminada pelas trompas; Imunológica: endométrio “escapa” sistema imune e consegue se implantar em outras partes do corpo; Metaplásica: Células totipotentes viram endométrio, explicando porque em órgãos distantes pode haver tecido endometrial Localização + comum é no ovário Fatores de Risco: (bem perguntado) História familiar, branca, nulípara, gestação tardia, excesso café e álcool, estenose cervical e fluxo alto Exames: USG: aspecto vidro fosco, bom para avaliar ovários; RNM: consegue identificar implantes, só não os muito pequenos; Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 30 Laparoscopia (Padrão-ouro) Observação: Não há correlação direta entre extensão da lesão e intensidade da dor CA 125: Não define doença, pouco sensível, pode dar negativo em casos leves; serve de controle pós- tratamento. Dosar entre 1º e 3º dias do ciclo Tratamento: Dor inicialmente clínico. Pílula combinada ACO, progesterona contínua, Análogo GnRH (com dose baixa de estrogênio), inibidores da aromatase Endometrioma: cistectomia Infertilidade: tto clínico não resolve o Se mínimo ou leve: laparoscopia deve resolver. o Intenso: fertilização in vitro Sangramento Disfuncional Extremos de idade reprodutiva o Se intenso: fazer ACO 8/8 horas por 7 dias. Se não parar em 48 horas, o Dx tava errado. Ou curetagem mesmo o Leve/moderado AINES, antifibrinolítico, ACO, progesterona oral, Mirena Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 31 PLANEJAMENTO FAMILIAR Lembre-se de que nenhum método é 100% seguro. Sua taxa de falha é quantificada através do índice de Pearl. O QUE CAI SOBRE ÍNDICE DE PEARL NAS PROVAS? 1. Quanto menor o índice, mais eficaz é o método. 2. Cada método tem um índice para uso perfeito (correto) e outro para uso típico (uso inferior ao rigor ideal. Ex.: esquecimento da pílula). 3. Baseado no índice de Pearl, os métodos podem ser classificados em muito efetivos, efetivos, moderadamente efetivos e pouco efetivos (tabela abaixo). ANTICONCEPCIONAL USO PERFEITO USO TÍPICO MUITO EFETIVOS Implante 0,05 0,05 Vasectomia 0,1 0,15 DIU delevonorgestrel 0,2 0,2 Laqueadura tubária 0,5 0,5 DIU de cobre 0,6 0,8 EFETIVOS Amenorreia lactacional 0,9 2 Injetáveis 0,3 3 Anel vaginal 0,3 3 Pílulas combinadas e de progestagênios 0,3 3 Adesivo transdérmico 0,3 3 MODERADAMENTE EFETIVOS Condom masculino 2 16 Condom feminino 5 21 Tabelinha 2-5 24 Diafragma com espermicida 6 16 POUCO EFETIVOS Coito interrompido 4 27 Espermicida isolado 18 29 A o prescreve r um método, você deve avaliar vários fatores, como: preferências da paciente, ciclo menstrual, comorbidades, hábitos de vida e custos. A avaliação das condições clínicas da paciente é de fundamental importância para minimizar os riscos dos métodos contraceptivos. Para isso, foram criados os critérios de elegibilidade da OMS. COMO FUNCIONAM OS CRITÉRIOS DE ELEGIBILIDADE DA OMS? ÍNDICE DE PEARL Corresponde ao número de gestações que ocorrem no primeiro ano de uso do método em 100 mulheres/ano. O cálculo é o seguinte: N° de gestações x 12 (meses) x 100 (mulheres) N° total de meses de exposição De todos os métodos contraceptivos disponíveis, o mais eficaz é o implante subdérmico de etonogestrel. Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 32 Cada situação clínica recebe uma categoria de 1 a 4 para os métodos contraceptivos. Se esse método estiver nas categorias 1 ou 2, você pode prescrevê-lo. Caso se encontre nas categorias 3 ou 4, você não deve prescrevê-lo. CATEGORIA DESCRIÇÃO CONDUTA 1 Não existe restrição ao uso do método contraceptivo Prescrever o método 2 As vantagens do uso do método sobrepõem-se aos riscos teóricos ou comprovados Prescrever o método 3 Os riscos teóricos ou comprovados geralmente sobrepõem-se às vantagens do uso do método Não prescrever (exceto se não houver outra alternativa) 4 Risco inaceitável à saúde caso o método seja utilizado Não prescrever (contraindicação absoluta) CONTRACEPÇÃO EM ADOLESCENTES MÉTODOS COMPORTAMENTAIS São métodos baseados na identificação do período fértil e abstinência sexual nessa fase. MÉTODO DESCRIÇÃO OGINO-KNAUS Abstenção do coito vaginal durante o período fértil TEMPERATURA BASAL Identifica a fase lútea do ciclo menstrual com base na temperatura basal MUCO CERVICAL OU MÉTODO BILLINGS Identifica o início e o fim do período fértil com base nas características do muco cervical AMENORREIA LACTACIONAL Baseado na supressão da ovulação durante o período de amamentação exclusiva SINTOTÉRMICO Baseado no muco cervical, calendário e temperatura basal COITO INTERROMPIDO Ejaculação fora da vagina MÉTODO DE OGINO-KNAUS, RITMO OU TABELINHA A mulher deve registrar o número de dias de cada ciclo por, pelo menos, seis meses. Para a definição do primeiro dia do período fértil deve ser subtraído 18 do número de dias de duração do ciclo mais curto; o último dia do período fértil é calculado subtraindo-se 11 do número de dias do ciclo mais longo. Não é indicado para pacientes com grande variação de dias de ciclo. As provas de concursos médicos adoram cobrar detalhes de contracepção em adolescentes, pois, além da contracepção em si, temos aspectos éticos envolvidos. O que é mais importante no assunto: 1. O adolescente tem direito ao sigilo médico. Este só pode ser quebrado em duas situações: suspeita de violência sexual ou caso o médico identifique pensamentos suicidas. 2. A prescrição dos métodos contraceptivos na adolescente não difere da mulher adulta, devendo seguir os critérios de elegibilidade. 3. Os LARCs (métodos reversíveis de longa duração) são ótimas opções para as adolescentes, pois têm longa duração e independem da lembrança. PERÍODO FÉRTIL = (N° DE DIAS DO CICLO MAIS CURTO - 18) ATÉ (N° DE DIAS DO CICLO MAIS LONGO - 11) Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 33 AMENORREIA LACTACIONAL Para garantir a eficácia do método, todos os pré-requisitos abaixo devem ser preenchidos: FIQUE ATENTO: as questões de contracepção no puerpério são muito frequentes nas provas MUCO CERVICAL OU BILLINGS A paciente deve monitorar as variações do muco cervical. Como no período periovulatório os níveis estrogênicos estão maiores, o muco cervical está abundante e filante. Após a ovulação, a progesterona produzida pelo corpo lúteo deixa o muco cervical espesso. TEMPERATURA BASAL Esse método se baseia no fato de haver alteração da temperatura basal durante a fase lútea do ciclo menstrual devido à ação de hipertermia do sistema nervoso central (SNC) provocada pela progesterona. O aumento de temperatura deve ser monitorado durante três dias e, logo após esse período, as relações sexuais podem ser reiniciadas. MÉTODOS DE BARREIRA Os métodos de barreira impedem a ascensão dos espermatozoides para a cavidade uterina, por meio de ações mecânicas ou químicas. Nesses grupos estão incluídos: preservativos femininos e masculinos, diafragma, espermicidas, esponjas e capuz cervical. Aqui traremos detalhes apenas sobre os preservativos e o diafragma, pois são aqueles cobrados nas provas. PRESERVATIVO FEMININO E MASCULINO Como métodos contraceptivos isolados, os preservativos são moderadamente efetivos, mas apenas eles conferem proteção contra as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), inclusive o HIV. Por isso, devem ser recomendado s em todas as relações sexuais. DIAFRAGMA É um dispositivo reutilizável em formato de capuz, disponível em vários tamanhos, que é inserido na vagina. Deve ser usado com espermicida para aumentar eficácia. • Período de até seis meses após o parto. • Amamentação sem suplementação e sem grande intervalo entre as mamadas. • Ausência de menstruação. ESTROGÊNIO -> MUCO FILANTE E ABUNDANTE -> EVITAR O SEXO. PROGESTERONA -> MUCO ESPESSO E EM MENOR QUANTIDADE -> PODE HAVER O SEXO. O preservativo feminino confere maior proteção contra ISTs, pois fornece maior cobertura para a genitália externa. A única contraindicação aos preservativos é a alergia ao látex. (contraindicação relativa- categoria 3). O diafragma não protege contra ISTs! Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 34 MÉTODOS HORMONAIS Medworker, os métodos hormonais são os mais cobrados em prova. Então, foque nos detalhes a seguir: Mecanismo de ação. Riscos e benefícios. Tipos de progestágenos e seus efeitos. Contraindicações MÉTODOS COMBINADOS São assim chamados porque combinam estrogênio e progesterona. MECANISMO DE AÇÃO: O principal componente responsável pela eficácia contraceptiva é a progesterona! MÉTODOS DISPONÍVEIS: 1. Injetável mensal: composto de estrogênio natural + progesterona. Deve ser aplicado a cada 30 dias. Vantagens: aplicação mensal, via não oral (evita primeira passagem hepática, causando menor intolerância gástrica e reduz risco tromboembólico) e presença de estrogênio natural (reduz risco tromboembólico). Desvantagens: irregularidades menstruais, depende de profissional de saúde para aplicação. 2. Adesivo transdérmico: deve ser trocado semanalmente por 3 semanas consecutivas com a quarta semana de pausa. Não deve ser indicado em pacientes com peso > 90 kg e/ou IMC ≥ 30 kg/m², pois há redução de eficácia. 3. Anel vaginal: deve ser inserido no terço superior da vagina e mantido por três semanas consecutivas. Um novo anel deve ser inserido no 28° dia do ciclo. 4. Pílulas combinadas: são as mais cobradas em provas, pois possuem várias formulações. DETALHES SOBRE AS PÍLULAS COMBINADAS Fique atento aqui para os tipos de componentes da pílula: PROGESTERONA: Inibe o LH -> bloqueia a ovulação. Espessamento de muco cervical. Atrofia endometrial. Comprometimento da motilidade tubária. ESTROGÊNIO: Inibe o FSH -> bloqueia o desenvolvimento folicular. Estabilizaçãoendometrial. Regime cíclico x estendido x contínuo: no regime contínuo, não há interrupção das pílulas com hormônio e, no uso estendido, a paciente realiza pausas apenas alguns vezes ao ano. A vantagem dos regimes contínuo e estendido é reduzir o sangramento uterino, melhorando sintomas associados, como cefaleia e dismenorreia. Mono x multifásica: na multifásica, há variação de dosagem hormonal entre as pílulas. Nesses casos, há redução de efeitos colaterais, mas a paciente necessita seguir a ordem sequencial da cartela. Dosagem de estrogênio: quanto menor a dosagem de estrogênio, menor o risco tromboembólico e os efeitos colaterais desse hormônio. Entretanto, a paciente pode apresentar sangramentos irregulares. Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 35 • Estrogênio: A maioria das pílulas combinadas possui estrogênio sintético, o etinilestradiol, mas algumas formulações contêm estrogênio natural, o 17-beta-estradiol e o valerato de estradiol. O estrogênio natural reduz o risco tromboembólico. • Progesterona: As provas adoram cobrar os efeitos secundários dos progestágenos. A tabela abaixo divide os principais progestágenos baseado nessas ações (esteja com ela decorada para a prova!). PROGESTÁGENOS E SEUS EFEITOS ANDROGÊNICOS ANTIANDROGÊNICOS GLICOCORTICOIDE ANTIMINERALOCORTICOIDE Levonorgestrel Ciproterona Acetato de medroxiprogesterona Drospirenona Gestodeno Drospirenona Gestodeno Desogestrel Clormadinona Dienogeste As provas também adoram cobrar a forma de uso e o que fazer no caso de esquecimento da pílula: • Forma de uso: a pílula pode ser iniciada em qualquer dia do ciclo, caso a gravidez seja descartada. Se iniciada no primeiro dia do ciclo, a paciente já está protegida desde a primeira cartela. Os comprimidos devem ser tomados sempre no mesmo horário. Caso ocorra diarreia ou vômitos até duas horas após a ingesta, é aconselhável tomar outra pílula. O QUE FAZER NO CASOS DE ESQUECIMENTO DA PÍLULA? Esquecimento de uma pílula -> tomar a pílula esquecida assim que se lembrar dela e continuar tomando as demais pílulas normalmente. Não é necessária nenhuma contracepção adicional. Esquecimento de duas pílulas -> tomar o último comprimido esquecido assim que possível e utilizar contracepção de barreira por sete dias. Tomar o restante das pílulas de maneira habitual. Esquecimento de três ou mais pílulas -> nesse caso, provavelmente ocorrerá sangramento. A cartela antiga deve ser desprezada e iniciada nova cartela, associada à contracepção de barreira por quinze dias. Nos dois últimos casos, ocorrendo relação sexual na época do esquecimento, está indicada contracepção de emergência. BENEFÍCIOS 1. Anovulação: redução da síndrome pré-menstrual, dismenorreia e cistos ovarianos. 2. Presença de estrogênio: melhora da densidade mineral óssea. 3. Espessamento do muco cervical pela progesterona: redução do risco de doença inflamatória pélvica (DIP). 4. Aumento da SHBG (estrogênio) e progesteronas antiandrogênicas: redução de hiperandrogenismo. O QUE REALMENTE PRECISO SABER? O levonorgestrel é a progesterona menos trombogênica e mais androgênica e a ciproterona é a progesterona mais trombogênica e mais antiandrogênica. Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 36 5. Redução do risco de câncer de ovário, endométrio e colorretal. RISCOS 1. Tromboembólico: aumento do risco tromboembólico arterial e venoso. Fique atento, pois, devido a esse risco, a lista de contraindicações aos combinados é extensa. Quanto maior a dosagem de estrogênio utilizada, maior o risco. 2. Pressão arterial: aumento da pressão arterial média em até 20 mmHg. Esse aumento só é importante em pacientes já hipertensas. 3. Risco de câncer: aumento do risco de câncer de mama e colo uterino. INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS Algumas medicações aumentam a atividade para as enzimas do citocromo P450 e, com isso, há aumento da metabolização dos anticoncepcionais combinados (exceção para injetável mensal) e pílulas orais de progesterona e, consequentemente, redução da eficácia. Você precisa estar com essas medicações decoradas para sua prova: MEDICAMENTOS QUE DIMINUEM A EFICÁCIA DOS ANTICONCEPCIONAIS COMBINADOS ANTICONVULSIVANTES ANTIBIÓTICOS ANTIRETROVIRAIS Fenitoína Rifampicina Efavirenz Carbamazepina Rifabutina Ritonavir Barbitúricos Saquinavir Primidona Atazanavir Topiramato Fosamprenavir Oxicarbamazepina Nelfinavir A DEPENDER DA BANCA, A GRISEOFULVINA, UM ANTIFÚNGICO, TAMBÉM PODE ESTAR INCLUÍDA NESSA LISTA. CONTRAINDICAÇÕES Esse é o ponto-chave em relação aos métodos combinados! Você deve saber todas as contraindicações relativas (categoria 3) e absolutas (categoria 4) para esses métodos. CONTRAINDICAÇÕES ABSOLUTAS (CATEGORIA 4) AOS ANTICONCEPCIONAIS HORMONAIS COMBINADOS, DE ACORDO COM OS CRITÉRIOS DE ELEGIBILIDADE DA OMS: < 6 semanas pós-parto em lactantes < 21 dias pós-parto em não lactantes, mas com fatores de risco para TVP TVP/TEP atual ou pregressa, independente do uso de anticoagulante Trombofilia conhecida Cirurgia maior com imobilização prolongada Lúpus eritematoso sistêmico com anticorpos antifosfolipídeos positivos ou desconhecidos Doença valvular complicada com hipertensão pulmonar, FA ou endocardite Tabagismo (≥ 15 cigarros/dia + idade ≥ 35 anos) Enxaqueca com aura Doença cardíaca isquêmica atual ou pregressa Hipertensão arterial sistêmica descompensada (sistólica > 160 ou diastólica > 100 mmHg) Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 37 Hipertensão arterial sistêmica associada à doença vascular Múltiplos fatores de risco para DCV (idade avançada, tabagismo, DM, HAS) Câncer de mama atual Adenoma hepatocelular e tumores hepáticos malignos Cirrose descompensada MÉTODOS CONTENDO APENAS PROGESTERONA A grande vantagem desses métodos é a possibilidade de utilização em pacientes que não querem ou não podem utilizar os combinados. Discutiremos o dispositivo intrauterino (DIU) liberador de levonorgestrel no tópico específico para DIUs. Mecanismo de ação: inibir o pico pré- ovulatório do hormônio luteinizante (LH), evitando, assim, a ovulação. Além disso, deixam o muco cervical espesso e hostil aos espermatozoides, atrofiam o endométrio e reduzem a motilidade tubária. Apenas o DIU de levonorgestrel tem ação principal local (atrofia do endométrio e alteração do muco cervical), provocando anovulação em menos de 25% dos casos. Métodos disponíveis 1. Injetável trimestral: contém acetato de medroxiprogesterona (AMP). Deve ser administrado a cada 12 semanas. 2. Pílulas contendo apenas progesterona (minipílulas): aqui você deve atentar-se ao fato de que apenas o Desogestrel 75 mcg tem eficácia semelhante aos métodos combinados. As demais formulações possuem menores taxas de anovulação e por isso só devem ser utilizadas durante a lactação. 3. Implante subdérmico de etonogestrel: é inserido no braço não dominante e tem duração de três anos. Faz parte dos LARCS (métodos reversíveis de longa duração). O principal efeito adverso é o padrão de sangramento irregular CONTRAINDI CAÇÕES ABSOLUTAS (CATEGORIA 4) AOS ANTICONCEP CIONAIS CONTENDO APENAS PROGESTERONA: Câncer de mama atual FIQUE ATENTO! Como você verá adiante, a lista de contraindicações aqui é bem menor. Logo, na maioria das questões em que a paciente tem contraindicação aos combinados, a anticoncepção apenas com progesterona será a melhor opção. Uma única dose do injetável trimestral inibe a ovulação por 14 semanas. Entretanto, ao descontinuar o método, a paciente pode demorar até 18 meses ao retorno dos ciclos ovulatórios. LARCS Consideramos como métodos reversíveis de longa duração (LARCs) aqueles com duração igual ou superior atrês anos. Estão incluídos aqui os dispositivos intrauterinos (DIUs), tanto o de cobre quanto o liberador de levonorgestrel, e o implante subdérmico. Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 38 DISPOSITIVOS INTRAUTERINOS (DIUS) São métodos de alta eficácia e longa duração. Estão disponíveis o DIU de cobre e o DIU com levonorgestrel. Neste tópico, além do mecanismo de ação e das contraindicações, foque também nas complicações pós-inserção e nos mitos envolvendo os DIUs. DIU DE COBRE É um método não hormonal que contém uma superfície de cobre. Existem vários modelos disponíveis, mas o modelo disponibilizado no SUS é o T380A, com duração de 10 anos. Mecanismo de ação 1. Efeito do DIU: reação inflamatória local, impedindo a fecundação. 2. Efeito do cobre: aumenta a resposta inflamatória, sendo tóxico para os gametas. Vantagens: método de longa duração e não hormonal. Desvantagens: aumento de fluxo menstrual e dismenorreia, especialmente nos primeiros meses pós- inserção. Contraindicaçõ es CONTRAINDICAÇÕES ABSOLUTAS (CATEGORIA 4) AO DIU DE COBRE Gravidez Sepse puerperal Imediatamente após aborto séptico Sangramento vaginal inexplicado Doença trofoblástica gestacional com níveis elevados de beta HCG ou com malignidade Câncer de colo uterino Câncer de endométrio Anormalidades que distorcem a cavidade uterina Doença inflamatória pélvica (DIP) ativa Cervicite purulenta ou infecção ativa por clamídia ou gonococo Tuberculose pélvica Alergia ao cobre e doença de Wilson DIU LIBERADOR DE LEVONORGESTREL Existem dois modelos no Brasil, ambos com duração de 5 anos. Mecanismos de ação 1. Efeito do DIU: reação inflamatória local, impedindo a fecundação. 2. Efeito do levonorgestrel: atrofia endométrio, espessamento do muco cervical, redução de peristaltismo tubário, anovulação em 20% a 25% dos casos. Vantagens: método de longa duração, capacidade de reduzir sangramento menstrual e dismenorreia. Atenção: o DIU de cobre não deve ser a primeira opção em pacientes que tenham fluxo menstrual aumentado e/ou dismenorreia, mesmo que não existam contraindicações. Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 39 Desvantagens: sangramento irregular, acne, mastalgia e alterações de humor. Contraindicações: CONTRAINDICAÇÕES ABSOLUTAS (CATEGORIA 4) AO DIU/SIU LIBERADOR DE LEVONORGESTREL Gravidez Sepse puerperal Imediatamente após aborto séptico Doença trofoblástica gestacional com níveis elevados de beta HCG ou com malignidade Câncer de colo uterino Câncer de mama atual Planejamento Familiar Câncer de endométrio Anormalidades que distorcem a cavidade uterina Sangramento transvaginal inexplicado Doença inflamatória pélvica (DIP) atual Cervicite purulenta ou infecção ativa por clamídia ou gonococo Tuberculose pélvica INSERÇÃO Para inserção, é necessário apenas exame pélvico e exclusão de gestação. Se a inserção for realizada até o 12° dia do ciclo, não há necessidade de proteção contraceptiva adicional. Complicações após a inserção 1. Perfuração uterina: ocorre no momento da inserção. A conduta deve ser expectante e devem ser observados os sinais vitais da paciente. Caso necessário, a paciente deve ser abordada cirurgicamente. 2. DIU na cavidade abdominal: deve ser retirado cirurgicamente. 3. Infecção: rara, mas, quando ocorre, é próximo ao momento da inserção. 4. Expulsão: mais comum nos primeiros meses após inserção. Gestação em usuárias de DIU PRIMEIRO PASSO: EXCLUIR GRAVIDEZ ECTÓPICA! COMO PROCEDER? Se o fio do DIU estiver visível e idade gestacional < 12 semanas -> remover o fio do DIU o mais cedo possível. Deve ser feita antibioticoprofilaxia, devido ao risco de corioamnionite (Azitromicina 500 mg, dose única). A paciente deve estar ciente dos riscos. Se o fio do DIU não estiver visível ou gestação mais avançada -> não tentar remover. Não há evidências que apoiem a retirada sob visão ultrassonográfica ou histeroscópica. A retirada do DIU reduz, mas não elimina, o risco de aborto, corioamnionite e parto prematuro. Mitos envolvendo os DIUs Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 40 1. DIP: o DIU não aumenta o risco de DIP 2. Gravidez ectópica: quando comparado às pacientes que não utilizam nenhum método contraceptivo, o risco de gravidez ectópica em usuárias de DIU é menor. Entretanto, se a paciente engravida utilizando DIU, há maior chance de gravidez ectópica. 3. Infertilidade: não há aumento de infertilidade em usuárias de DIU. 4.4 CONTRACEPÇÃO DE EMERGÊNCIA A contracepção de emergência (CE) é definida como “um método que oferece às mulheres uma maneira não arriscada de prevenir gravidez não planejada até 120 horas da relação sexual”. Estes são os principais tópicos que você deve saber: • Métodos disponíveis no Brasil e mecanismo de ação. • Em que situações indicar a CE. • Até quantas horas após a relação sexual pode ser utilizada. Mecanismo de ação Não é completamente elucidado. No geral, atuam impedindo ou atrasando a ovulação. Apenas o DIU de cobre, além da sua ação tóxica para os gametas e efeito inflamatório no útero, também pode atuar prevenindo a implantação de um óvulo fertilizado. Métodos disponíveis e período de utilização ANTICONCEPÇÃO DE EMERGÊNCIA MÉTODO USADO DOSE PERÍODO EFEITOS ADVERSOS Método Yuzpe 2 doses/intervalo de 12 horas Etinilestradiol 100 mcg + levonorgestrel 0,5 mg Até 5 dias Náuseas, vômitos, cefaleia, alteração de sangramento Levonorgestrel Única 1,5 mg Ideal até 3 dias Pode ser estendido até 5 dias (menor eficácia) Náuseas, vômitos, cefaleia, alteração de sangramento Ulipristal Única 30 mg Até 5 dias Náuseas, vômitos, cefaleia, alteração de sangramento DIU de cobre Até 5 dias Dor, sangramento No Brasil, só estão disponíveis para contracepção de emergência o método de Yuzpe e o levonorgestrel (FEBRASGO). O levonorgestrel é mais eficaz que o método de Yuzpe e tem menor perfil de efeitos colaterais. Se a paciente com DIU evolui com DIP a conduta é antibioticoterapia e reavaliação em 48 a 72 horas. Caso não haja melhora, a retirada do DIU está indicada. O QUE FAZER EM CASO DE VÔMITOS? Casos os vômitos ocorram até 2 a 3 horas após a ingestão da CE, a dose deve ser repetida. Em casos de vômitos persistentes, a paciente deve dar preferência à via vaginal. Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 41 Quando indicar 1. Pacientes que não usam método contraceptivo e tiveram relação sexual desprotegida. 2. Na suspeita de falha do método contraceptivo. 3. Em caso de violência sexual. MÉTODOS IRREVERSÍVEIS Os métodos contraceptivos irreversíveis visam obstruir os gametodutos (tubas uterinas nas mulheres e ductos deferentes nos homens). São incluídas nesse grupo a laqueadura tubária e a vasectomia. Neste tópico, as provas não cobram detalhes sobre os procedimentos, mas sim a Lei do planejamento familiar n° 9263/1996: "PONTOS-CHAVE" DA LEI DE PLANEJAMENTO FAMILIAR 1. QUEM PODE? • Homens e mulheres. • Idade igual ou superior a 25 anos ou dois filhos vivos. • Em caso de risco de vida à mulher ou ao futuro concepto -> deve ser assinado por dois médicos. 2. Manifestação da vontade por escrito -> prazo de 60 dias entre a manifestação do desejo e o procedimento. 3. Proibida esterilização cirúrgica no parto ou aborto, exceto se comprovada necessidade. 4. Proibida esterilização por histerectomia ou ooforectomia. 5. Se sociedade conjugal -> autorização de ambos os cônjuges. 6. PENA: • reclusão de 2-8 anos e multa. Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP1841655229564742 CLIMATÉRIO Vai dos primeiros indícios de falha ovariana até os 65 anos Sintoma mais frequente é irregularidade menstrual Queixa clínica mais comum é o fogacho Perimenopausa: poucos folículos e envelhecidos diminuição da produção de inibina FSH e LH elevados, esgotando assim os folículos (menopausa) Menopausa: ovário não produz estrogênio e progesterona (mas continua produzindo androgênio) sobra apenas estrogênio aromatizado perifericamente (forma-se estrona apenas, principalmente no tecido gorduroso), cuidado com mulheres obesas devido ao risco de CA de endométrio (estimulação da estrona no endométrio sem progesterona para defender); Diagnóstico de menopausa: Clínico: > 1 ano da última menstruação Laboratório: FSH > 35-40 UI/L, usado para diagnóstico de menopausa precoce. Indicações de terapia hormonal (cai muito) Fogacho é a indicação + comum o Qual terapia escolher? Com útero: sempre estrogênio + progesterona Sem útero: Apenas estrogênio o Qual via escolher? Estrogênio Oral ou Parenteral (transdérmico) Parenteral: DM, HAS, fumo, risco de trombose, doenças hepáticas, Hipertrigliceridemia (patologias em geral via parenteral) Oral: Colesterol alto (Colesterol alto – Comprimido) Progesterona pode ser oral ou DIU DE Levonorgestrel Atrofia (ressecamento da vagina) como única indicação de terapia hormonal: creme vaginal de estrogênio Osteoporose não é indicação isolada de terapia hormonal, usar bifosfonados o Densitometria óssea Normal: T-score > -1 (0, 1, 2...) Osteopenia: T-score entre -1 e -2,5 Osteoporose: T-score ≤ -2,5 (-3, -4...) Contraindicação de TRH Câncer de mama (ou precursoras) ou endométrio TEV e TVP (avaliar via administração) Sangramento Vaginal Indeterminado Doença Hepática descompensada Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 43 AVE e IAM Porfiria Meningioma (para uso de progesterona) Observação: Em mulheres saudáveis sem doenças cardiovasculares existem benefícios cardiovasculares quando a TH é iniciada na transição menopáusica ou nos primeiros anos, mas não é justificativa para fazer a TH, apenas se tiver fogacho; DOENÇAS DA MAMA Observações 99% da drenagem linfática da mama é para os gânglios da axila, por isso sempre observar a disseminação para essa cadeia linfática, pois o CA de mama preferencialmente se dissemina por via linfática Irrigação da mama: artéria mamaria interna, 60% da vascularização mamária Na mama tudo que é bilateral é bom Quatro queixas de mastologia: Mastalgia; Eczema; Secreção (derrame) Papilar; Nódulo Palpável MASTALGIA Cíclica Mais na fase lútea e > bilateral, quadrante superior externo que mais doe (+ receptores hormonais) Diagnóstico: Alteração Funcional Benigna da Mama o Mastalgia cíclica, o Adensamento da mama e o Cistos mamários à USG – anecóicos (redondo de cor preta uniforme) com reforço acústico posterior (“sombra branca”), o Descarga mamária bilateral (líquido multicolor) o Todos esses sintomas ocorrem mais no final do ciclo, próximo a menstruação; Conduta: orientação “não é e nem virará câncer” e sustentar melhor a mama. Evitar medicação devido aos efeitos colaterais; Vitamina E tem efeito um pouco superior ao placebo. Casos graves, tamoxifeno (antagonista do receptor de estrogênio na mama, mas no endométrio é agonista- CA endométrio). Acíclica Sem relação com o ciclo e pode ser mais unilateral Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 44 Diagnóstico diferencial: 1) Mastite; 2) Abscesso; 3) Esteatonecrose; 4) Dor costocondral; 5) Angina MASTITE/ABSCESSO Mastite Puerperal Staphylococcus aureus Causa: estase láctea e fissuras mamárias. Estas, por sua vez, decorrem duma pega incorreta Diagnóstico: Mastalgia + sinais flogísticos + febre Tratamento: cefalo 1º (cefalexina) + manter ordenha (amamentação) mesmo no abscesso, exceto se: pus ou incisão na papila. Ou seja, tto: drenagem, ordenha e ATB, melhorar sustentação da mama pois devido à queda pode obstruir os ductos, massagem mamária (dentro para fora); Lembrar de explicar a pega correta; Fazer a criança esvaziar toda uma mama para depois passar para a outra (início do leite conteúdo + proteico e final mais rico em gordura) Se fissura: pode expor as mamas ao sol ou lâmpada 40w a 2 palmos da mama para fortalecer a pele Abscesso Mamário Pode amamentar SIM!!, Exceto em casos de abscesso areolar, descarga purulenta ou incisão cirúrgica próxima ao mamilo; Mas continua a ordenha mamária Tratamento: drenagem, esvaziar mama e ATB ECZEMA Eczema Areolar Benigno Descamação bilateral e pruriginosa Preserva papila Melhora com CTC tópico Doença de Paget Câncer de pele Descamação unilateral e pouco prurido Destrói papila Não responde a CTC tópico depois de 14 dias, se não responder ao corticoide se pede uma biópsia (pele e glândula) DERRAME PAPILAR Coloração/aspecto: Lácteo: hiperprolactinemia o Pedir B-HCG, TSH (hipotireoidismo), prolactina e investigar medicações (antagonista da dopamina), prolactinoma (prolactina >200, tratar cabergolina, bromocriptina); Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 45 Multicolor (verde/amarelo/marrom) o Alteração funcional benigna da mama (junto com mastalgia cíclica, adensamento, etc); o Ectasia ductal (apenas a descarga sem demais sintomas); Sanguíneo/Serossanguinolento: o Maior causa é papiloma intraductal, mas pode ser câncer; o Investigar se: Descarga em água de Rocha (cristalina): alto risco para malignidade; Derrame espontâneo (sem fazer pressão no peito); uniductal, unilateral; Biópsia (ressecar ducto- Biópsia cirúrgica da unidade mamária) NÓDULO PALPÁVEL Exame clínico Móvel x Aderido Regular x Irregular Fibroelástico (fibroadenoma) x Pétreo Primeira conduta após encontrar nódulo suspeito PAAF (pode fazer ambulatorialmente, com agulha preta, sem anestesia) Sinais de benignidade ao EF o Mobilidade do nódulo, bordas regulares, consistência fibroelástica, sem retração de pele Sinais de benignidade na PAAF o Líquido amarelo-esverdeado sem lesão residual (não deve ser Ca; não fazer citológico). Ainda assim, manda para exame de imagem (USG ou MMG). Sinais de malignidade na PAAF o Sangue; > 2 recidivas; massa residual; nódulo sólido (sai nada no aspirado), pedir USG/MMG e Biópsia; Sinais de malignidade na USG o Padrão misto; heterogêneo; mal delimitado (imagem irregular); sombra acústica posterior; conteúdo intracístico Mamografia mais a partir dos 35 anos pois em mulheres mais jovens apenas visualizará uma coloração branca, por isso nesses casos a USG disponibiliza uma imagem melhor; Mas ambas podem se completar; Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 46 CÂNCER DE MAMA Fatores de risco > 40 anos; História Familiar (1º grau); nuliparidade; menacne longo; mutação BRCA 1 e 2; hiperplasia atípica; Ca in situ ductal e lobular, Sexo Feminino Rastreio de Câncer de Mama (MS) Mamografia bienal de 50 a 69 anos Autoexame ocasional da mama Se histórico familiar pedir anualmente. FEBRASGO/SBM: mamografia e exame clínico anualmente dos 40 aos 69 anos Mamografia Incidência: médiolateral e craniocaudal (o que esriver mais branco é a face lateral) BI-RADS o BI-RADS 0 exame inconclusivo (mama densa normalmente) pedir outra MMG com compressão ou outro tipo de exame – USG ou RNM o BI-RADS 1 nenhuma alteração, repetir de acordo com a idade o BI-RADS 2 alteração benigna, repetir de acordo com a idade o BI-RADS 3 provável benigno (duvidosa), repetir em 6 meses o BI-RADS 4 suspeito de malignidade, Biópsia o BI-RADS 5 altamente suspeito demalignidade, Biópsia o BI-RADS 6 Ca já confirmado em Bx (pós-QT neo-adjuvante, p ex) Exemplos de BI-RADS 4/5: microcalcificações pleomórficas agrupadas e nódulos espiculados (quanto mais clara essas características, mais provável de malignidade) Histopatológico Existem 2 técnicas ambulatoriais: Core Biopsy (punção com agulha grossa): mais usada, mais barata, mais fácil de usar e complica menos; Pode ser guiada com US. Botão anestésico e pique com bisturi; Problema é que tem que fazer várias retiradas de material; Mamotomia –Pode retirar todo o material com uma amostra só; Essas técnicas podem dar falso negativo, quando há suspeita podemos realizar a biópsia cirúrgica que são o padrão ouro. Biópsias Cirúrgicas Biópsia incisional: utilizada em lesões maiores, retira parte do tumor; Biópsia excisional: lesões pequenas ou sólido-císticas, retira todo o tumor Estereotaxia (fio de aço): utilizada para lesões impalpáveis (microcalcificações, p. ex) Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 47 Atenção: PAAF não define tratamento – não é biópsia, e sim citológico RNM pode ser indicada em casos com próteses de silicone ou ainda várias cxs prévias. Contudo, não detecta nódulos < 2 mm e microcalcificações Lesões Benignas Fibroadenoma: Lesão sólida + comum, paciente jovem (20-30 anos). o Acompanhamento se 2-3 cm o Retirar se grande (> 3cm) ou paciente > 35 anos Tumor Filodes: é um fibroadenoma de crescimento rápido. Apesar de benigno, ressecar com margem cirúrgica. Esteatonecrose: nódulo após trauma recente na mama AFBM: mastalgia bilateral cíclica Ectasia ductal: E mais frequente entre mulheres jovens 20 – 30 anos podendo também ocorrer em homens e crianças. Lesões Malignas Ductal infiltrante: tipo invasor + comum Lobular Infiltrante: tendência à bilateralidade, à multicentricidade Ca Inflamatório: é localmente avançado (=QT). É aquele em casca em laranja. Parece mastite em mulher mais velha. Tratamento Tipos de cirurgia Conservadora: Avaliar a relação do tumor com a mama (até 3,5 cm e < 20% da mama) o Segmentectomia ou Quadrantectoma o Obs: obrigatória a RT pós-operatória Radical – Mastectomia o Halsted – tira os 2 peitorais (maior e menor) - quase não se faz mais o Patey – tira o peitoral menor o Madden (radical modificada) – mantém ambos peitorais. “Todo câncer ginecológico, à exceção do de ovário, é de disseminação linfática! Quanto à axila Sempre que for tumor infiltrante deve ser avaliado linfonodo Esvaziamento Completo o Complicação é escápula alada, pela lesão do N. torácico longo, que inerva o M. serrato anterior Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 48 Linfonodo sentinela (indicado em tu < 5 cm) o Injeta na área do tumor um corante e/ou um radioisótopo e inicia a cirurgia, quando terminar de operar a mama se observa o linfonodo sentinela (primeiro linfonodo a drenar a área do tumor, o que mais corar), é retirado o que mais corar, se esse linfonodo não estiver atingido pelo tumor (avaliado pelo anatomopatologista intraoperatório) não é necessário drenar toda a axila; Se estiver comprometido tem que esvaziar toda a axila; o Se LFN axilar clinicamente palpável, não fazer mais teste de LFN sentinela, fazer esvaziamento radical da axila; Quimioterapia Adjuvante Tumores > 1 cm (ou seja, todos palpáveis) Linfonodo positivo Expressão do HER2 (avaliado na biópsia pela imunohistoquímica) Receptor hormonal negativo (geralmente CA mama em jovens) Quimioterapia Neoadjuvante Quimioterapia antes da cirurgia Para tumores localmente avançados para reduzir seu tamanho Radioterapia adjuvante Em todos os casos de cirurgia conservadora Para tumores > 4 centímetros Hormonioterapia Para tumores receptores estrogênicos positivos, tamoxifeno ou inibidores de aromatase por 5 anos. Lembrar que o tamoxifeno tem ação estrogênica no endométrio Terapia alvo dirigida Trastuzumab (herceptin) para aquelas que superexpressamreceptore HER2 (relação com pior prognóstico e agressividade). Tem menos efeito adverso; MAU PROGNÓSTICO: sem receptor hotmonal, não responde a hormonioterapia, linfonodo positivo, Superexpressão de HER-2, CA de mama em mulher jovem (costuma ser receptor negativo) Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 49 CÂNCER DE OVÁRIO FATORES DE RISCO História familiar (↑3x), Idade (± 60 anos), Mutação no BRCA, Dieta rica em gordura, Tabagismo; obesidade; menacme longo; nuliparidade; indutores de ovulação FATORES DE PROTEÇÃO Uso de anovulatório Amamentação Laqueadura tubária (*) A maioria dos Ca de ovário são esporádicos, mas quando há história familiar, há um risco até 3x maior DIAGNOSTICO CLÍNICA e USG+DOPPLER → SUSPEITA A clínica é muito inespecífica A USG pode nos ajudar na suspeita S solida U USG DOPPLER ↓ IR ( < 0,4) S Septada (espesso) P Papilas E Espessamento de parede I Irregular T Tamanho > 8 cm A Antes / após menacme MARCADORES TUMORAIS CA 125 – tumores epiteliais (os mais comuns) Desidrogense (LDH) – disgerminoma Alfafetoproteína e HCG – embrionário CA - 125 Ruim Ca de ovário em estágio inicial → pode dar normal Inespecífico: ↑ em DIP, mioma, gravidez Bom Complementar a avaliação tumoral Seguimento pós-tratamento Suspeito 35 pós-menopausa > 200 no menacme DIAGNÓSTICO DEFINITIVO → HISTOPATOLÓGICO Tumores benignos Tumores malignos Não neoplásicos Neoplásicos Epitelial Germinativo Cistos funcionais (Folicular / corpo lúteo) Teratoma benigno (Complicação → torção) Adenocarcinoma seroso (+ comum) Disgerminoma (Germinativo maligno + comum) Endometriomas Cistoadenoma Adenocarcinoma mucinoso (Pseudomixoma) Teratoma imaturo (Pseudopuberdade precoce) Abscesso Struma ovarii Cordão sexual Fibromas (Síndrome de Meigs) Androblastoma (androgênio) Krukenberg (metástase TGI – anel de sinete) Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 50 Cirurgia nos tumores benignos → conservadora (ooforoplastia) Síndrome de MEIGS: tumor de ovário + ascite + derrame pleural o Geralmente fibromas! ESTADIAMENTO IA: apenas ovário lB: Bilateral lC: Capsula rota ll: Pelve III: Abdome IV: Metástase fora do abdome TRATAMENTO Laparotomia → diagnóstico, estadiamento e tratamento Cirurgia radical citorredutora Lavado peritoneal + HTA (histerectomia total abdominal) com AB (anexectomia bilateral/ salpingooforectomia) + omentectomia + ressecar implantes e linfonodos Idade fértil IA e G1 (bem diferenciado) Avaliar salpingo-ooforoplastia unilateral ou salpingo-ooforectomia unilateral QT adjuvante ≥ IC (citologia +/ cápsula rota) ou tumor indiferenciado (G3) G1: bem diferenciado G2: moderadamente indiferenciado G3: indiferenciado (*) Quase todas as pacientes necessitam de QT adjuvante CÂNCER DE ENDOMÉTRIO Epidemiologia: Câncer de endométrio mais comum é o que tem efeito do estrogênio no endométrio sem proteção da progesterona, gordura retém estrona. (PROgesterona-PROtege) Fator de Risco: Lembrar da FREIRA Todo fator que aumente a exposição ao estrogênio sem oposição da progesterona eleva o risco de câncer do endométrio. Obesidade (+ importante), > 60 anos, nuliparidade, branca, anovulação crônica, menacne longo, DM, hiperplasia atípica, Síndrome de Lynch II, Tamoxifeno. Fator de Proteção: Tabagismo (efeito anti-estrogênico), multiparidade, uso de progesterona (contraceptivo oral) Clínica: Sangramento peri/posmenopaisa. SUA após menopausa: 30% é atrofia; 30% é Terapia de Reposição Hormonal e 15% é câncer Suspeita Endométrio > 4-5 mm sem terapia hormonal ou > 8-10 mm com TRH Atipia glandular ou célula endometrial nocolpocitológico do colo pós-menopausa Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 51 Diagnóstico Cureta de Novak (muito falso-negativo) possível de ser feita ambulatorialmente Curetagem fracionada Histeroscopia com Biópsia padrão ouro o Aspecto cerebroide o Hiperplasia endometrial o Câncer de endométrio HIPERPLASIA ENDOMETRIAL vs CÂNCER DE ENDOMÉTRIO HISTOLOGIA EVOLUÇÃO PARA CÂNCER CONDUTA Benigna ou Sem Atipia 4% Progesterona. Na falha, pode fazer histerectomia Neoplasia Intraepitelial endometrial ou Atípica 37% Histerectomia total. Se desejar gestar ou alto risco cx, progesterona Câncer de Endométrio Endometrióide (AdenoCa) Laparotomia estadia e trata: Lavado peritoneal + Inventario cavidade Histerectomia Total Ampliada com anexectomia bilateral + LFNectomia pélvica e para-aórtica (?) RASTREAMENTO DO CÂNCER DE COLO UTERINO CONCEITOS E DEFINIÇÕES O colo do útero pode ser dividido em duas partes: ectocérvice, sua porção externa, e a endocérvice, que fica no interior do canal cervical. Essas duas partes são revestidas por diferentes tipos de tecido. A região endocervical é constituída por epitélio colunar simples, ao passo que a ectocérvice e as paredes vaginais são recobertas por epitélio escamoso estratificado não queratinizado. O local de união entre o epitélio escamoso e glandular é chamado de junção escamocolunar (JEC). Aqui, um detalhe é importante: a JEC tem localização dinâmica ao longo da vida mulher. Em situações hiperestrogênicas (ex.: gravidez, menacme, uso de anticoncepcionais), localiza-se na ectocérvice, processo denominado de ectopia. Já em situações de baixo nível estrogênico, como na menopausa, ela se localiza no interior do canal endocervical. O epitélio colunar que sofreu ectopia, sob ação do pH vaginal ácido, transforma-se em epitélio escamoso, processo chamado de metaplasia escamosa. A região do colo uterino em que ocorre a metaplasia escamosa é denominada de zona de transformação (ZT). Guarde esse conceito, pois como é uma região onde está havendo bastante multiplicação celular, quase todas as alterações causadas pelo HPV (papilomavírus humano) ocorrem nessa área. JUNÇÃO ESCAMOCOLUNAR (JEC): é uma linha em que ocorre a junção entre os epitélios escamoso e glandular. ZONA DE TRANSFORMAÇÃO (ZT): é a região entre a JEC nova e a JEC antiga, em que ocorre a metaplasia escamosa. HPV O HPV é o principal fator de risco para o desenvolvimento de câncer de colo uterino. Os tipos de HPV podem ser divididos em baixo risco oncogênico (responsáveis pelos condilomas) e alto risco oncogênico (responsáveis pela neoplasia intraepitelial de alto grau e câncer). I. Principais tipos de HPV de baixo risco -> 6 e 11. Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 52 II. Principais tipos de HPV de alto risco -> 16 e 18. Esse dado é cobrado nas provas tanto de forma direta como também de forma indireta, através da composição das vacinas contra o HPV, que veremos adiante. A maioria das pessoas vai ter contato com o vírus HPV em algum momento da vida, mas a maior parte das infecções desaparece em 6 a 24 meses. Quando ocorre infecção persistente por HPV de alto risco oncogênico, há maior chance de desenvolvimento de lesões precursoras e câncer de colo uterino. FORMAS DE APRESENTAÇÃO CLÍNICA Aqui, ficam as lesões percebidas pelo paciente ou pelo médico, os condilomas ou verrugas genitais. Lembre- se de que são causados pelo HPV de baixo risco oncogênico, em geral, os tipos 6 e 11. SUBCLÍNICA Ocorre quando o HPV causa alterações microscópicas do epitélio. Logo, só pode ser diagnosticado através de exames como citologia, colposcopia e biópsia. É aqui que o programa de rastreio brasileiro irá atuar, buscando essas alterações celulares na citologia. Histologicamente, as lesões HPV induzidas são classificadas segundo a espessura do epitélio acometida pelas células atípicas. Essa é a classificação de Richart. Quando não há invasão da membrana basal, dá-se o nome de neoplasia intraepitelial cervical (NIC). Na NIC I, as atipias ocorrem no 1/3 basal do epitélio; na NIC II, até 2/3 inferiores do epitélio são acometidos; na NIC 3, as atipias ocorrem em mais de 2/3 do epitélio. Caso as atipias celulares ultrapassem a membrana basal, temos o carcinoma invasor. FORMA LATENTE Nessa forma, o DNA do HPV é detectado somente por técnicas moleculares, não existindo evidências clínicas, citológicas, colposcópicas ou histológicas dessa infecção. MÉTODOS MOLECULARES PARA DIAGNÓSTICO DO HPV Não são tão cobrados nas provas de Residência, pois ainda não estão incluídos nas diretrizes de rastreamento. São testes em que o HPV é identificado através de técnicas moleculares (captura híbrida, reação em cadeia da polimerase, hibridização in situ e detecção de oncoproteínas). VACINAS CONTRA HPV As vacinas contra o HPV são uma forma de prevenção primária contra o câncer de colo uterino. Sobre esse tema, as provas de Residência costumam cobrar a constituição das vacinas e o programa de imunização nacional contra o HPV. Em sua constituição, as vacinas contêm partículas que se assemelham às proteínas do capsídeo viral (VLPs: virus-like particles). Dessa maneira, as VLPs utilizadas são partículas não infecciosas e apenas imitam a infecção natural pelo HPV, produzindo anticorpos específicos contra os tipos de HPV contidos na vacina. Existem três vacinas contra HPV disponíveis e aprovadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária): 1. Bivalente: protege contra os tipos 16 e 18. 2. Quadrivalente: protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18. 3. Nonavalente: protege contra os subtipos 6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58. A vacinação para o HPV está disponível no calendário vacinal brasileiro desde 2014, e a partir de 2017 foi incluído o sexo masculino na população-alvo. Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 53 A vacina disponível é a quadrivalente. A tabela a seguir resume as indicações da vacina contra o HPV pelo Ministério da Saúde: INDICAÇÕES DE VACINA QUADRIVALENTE HPV (MINISTÉRIO DA SAÚDE) MENINAS • 9-14 anos (duas doses: 0 e 6 meses). • 9-26 anos (três doses: 0, 2 e 6 meses): - Convivendo com HIV/AIDS. - Transplantadas de órgãos sólidos. - Em quimioterapia. MENINOS • 11-14 anos (duas doses: 0 e 6 meses). • 9-26 anos (três doses: 0, 2 e 6 meses): - Convivendo com HIV/AIDS. - Transplantados de órgãos sólidos. - Em quimioterapia. RASTREAMENTO DO CÂNCER DE COLO UTERINO Esse é o assunto mais cobrado nas provas de Revalidação! No Brasil, a recomendação é o rastreio através da colpocitologia. As informações foram extraídas das Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo Uterino, de 2016. COLETA DA COLPOCITOLOGIA ONCÓTICA Nesse exame, são coletadas células do trato genital inferior em busca de alterações causadas pelo HPV. Existem duas formas de coleta: a citologia convencional, mais utilizada no SUS (Sistema Único de Saúde), e a citologia em meio líquido (maior sensibilidade). A coleta deve ser dupla, ou seja, conter material da ecto (com espátula de Ayres) e endocérvice (com escova endocervical ou citobrush) e a paciente não pode estar menstruada, sendo o período periovulatório o ideal para a realização do exame. POPULAÇÃO-ALVO E INTERVALO DE RASTREIO Devem ser rastreadas as mulheres sexualmente ativas com idade igual ou superior a 25 anos. Os dois primeiros exames devem ser feitos com intervalo anual e, se negativos, o rastreamento pode ser feito a cada três anos. • Nas imunossuprimidas, o rastreamento muda: deve ser iniciado logo após o início da vida sexual. Os dois primeiros exames devem ser feitos com intervalo semestral e, se ambos negativos, o rastreio passa a ser anual. - Em pacientes HIV positivas, enquanto os níveis de CD4+ forem < 200 cel/mm³, o rastreio persistesemestral. • O rastreamento deve seguir até os 64 anos de idade e deve ser interrompido caso a paciente já tenha pelo menos dois exames negativos consecutivos nos últimos cinco anos. • Mulheres > 64 anos que nunca fizeram citologia devem fazer dois exames com intervalo de um a três anos. Se ambos negativos, estão excluídas do rastreio. • Lembre-se de que o HPV é transmitido sexualmente, logo mulheres que nunca tiveram relação sexual não necessitam ser rastreadas. • O rastreio da gestante é realizado da mesma forma que as demais mulheres. Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 54 • As histerectomizadas estão excluídas do rastreio se realizaram histerectomia total (corpo e colo uterino) por doença benigna, sem história prévia de tratamento por doença prémaligna no colo. NOMENCLATURA CITOLÓGICA BRASILEIRA Na Diretriz do Ministério da Saúde, as atipias citológicas seguem a Nomenclatura Citológica Brasileira. É importante que você saiba a correlação entre essa nomenclatura e a classificação de Richart, que vimos anteriormente, pois as provas costumam utilizar as duas: Classificação de RICHART Nomenclatura citológica brasileira NIC I LSIL/LIEBG (lesão intraepitelial de baixo grau) NIC II e NIC III HSIL/LIEAG (lesão intraepitelial de alto grau) Carcinoma invasor Carcinoma invasor Observe que a LSIL (lesão de baixo grau) corresponde a NIC I, e a HSIL (lesão de alto grau) corresponde a NIC II e NIC III. COLPOSCOPIA A colposcopia é uma técnica que possibilita a ampliação dos tecidos do trato genital inferior. Lembre-se de que ela faz parte do tripé diagnóstico das alterações do colo uterino (citologia-colposcopia-anatomopatológico) e que não deve ser solicitada para todas as pacientes, apenas com a indicação baseada na alteração citológica. Em provas, costumam ser cobrados o mecanismo de ação dos seus reagentes e os achados colposcópicos. REAGENTES O ácido acético (figura 1) atua causando desidratação celular e coagulação das proteínas intranucleares, diminuindo a transparência do epitélio. Células em atividade mitótica irão apresentar acetobranqueamento, com intensidade proporcional à gravidade da lesão. figura 1 A solução de lugol (figura 2) é captada pelas células ricas em glicogênio, ficando marrom-escuro (iodo positivo). Células alteradas consomem o glicogênio, ficando com coloração mostarda. Chamamos essa área de “iodo negativa”. Anteriormente, esse teste era denominado teste de Schiller e, ainda hoje, é utilizado em provas de Residência Médica. Deve ser interpretado da seguinte maneira: Iodo positivo -> teste de Schiller negativo (cor marrom-escuro). Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 55 Iodo negativo -> teste de Schiller positivo (cor amarelo-mostarda). ACHADOS COLPOSCÓPICOS Para a prova, você deve saber o que é considerado normal ou não. Dentre os achados anormais, aqueles denominados “menores” sugerem, no máximo, lesão de baixo grau. Os “achados maiores” sugerem lesão de alto grau e os “achados suspeitos de invasão” sugerem câncer. INTERPRETAÇÃO E CONDUTA DIANTE DE ATIPIAS CITOLÓGICAS Achados anormais Menores: Epitélio acetobranco tênue; Mosaico fino; Pontilhado fino. Maiores: Epitélio acetobranco denso; Mosaico grosseiro; Pontilhado grosseiro; Orifícios glandulares espessados. Sugestivos de invasão: Vasos atípicos; Ulceração; Lesão exofítica; Necrose. Medworker, a conduta diante de alterações da citologia é, com toda a certeza, questão de sua prova! A tabela a seguir resume a conduta: DIAGNÓSTICO CITOPATOLÓGICO FAIXA ETÁRIA CONDUTA INICIAL Células escamosas atípicas, de significado indeterminado Possivelmente não neoplásicas (ASC-US) < 25 anos Repetir em 3 anos Entre 25-29 anos Repetir citologia em 12 meses ≥ 30 anos Repetir citologia em 6 meses Não se podendo afastar lesão de alto grau (ASC-H) Encaminhar para colposcopia Células glandulares atípicas, de significado indeterminado Possivelmente não neoplásicas, ou não se podendo afastar lesão de alto grau Encaminhar para a colposcopia Células atípicas de origem indefinida (AOI) Possivelmente não neoplásicas, ou não se podendo afastar lesão de Encaminhar para a colposcopia Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 56 alto grau Lesão de baixo grau (LSIL/LIEBG) < 25 anos Repetir em 3 anos ≥ 25 anos Repetir citologia em 6 meses Lesão de alto grau (HSIL/LIEAG) Encaminhar para a colposcopia Lesão intraepitelial de alto grau, não podendo excluir microinvasão Encaminhar para a colposcopia Carcinoma escamoso invasor Encaminhar para a colposcopia Adenocarcinoma in situ (AIS) ou invasor Encaminhar para a colposcopia Fique atento, em especial, para os detalhes da investigação das seguintes atipias: ASCUS, LIEBG, LIEAG e AGC! CÉLULAS ESCAMOSAS ATÍPICAS DE SIGNIFICADO INDETERMINADO, POSSIVELMENTE NÃO NEOPLÁSICAS (ASCUS) Essa é a atipia mais frequente de todas! O “significado indeterminado” indica que não há diagnóstico firmado, seja de alteração do HPV, seja de inflamação. Logo, a conduta deve ser conservadora! Conduta: repetir a citologia. O intervalo de repetição depende da faixa etária: 1. Pacientes com idade inferior a 30 anos: repetir citologia em 12 meses. 2. Pacientes com idade igual ou superior a 30 anos: repetir citologia em seis meses. Caso a nova citologia repita ASCUS, a paciente deve ser encaminhada para colposcopia. Situações especiais: • Mulheres até 24 anos: repetir citologia em três anos. • Gestante: seguir as mesmas recomendações da paciente não gestante. Caso seja encaminhada para a colposcopia, realizar biópsia apenas na suspeita de invasão. • Mulheres na pós-menopausa: antes de repetir a citologia, é fundamental realizar estrogenioterapia tópica. • Imunossuprimidas: encaminhar para colposcopia logo no primeiro exame alterado. CÉLULAS ESCAMOSAS ATÍPICAS DE SIGNIFICADO INDETERMINADO, QUANDO NÃO SE PODE EXCLUIR LESÃO INTRAEPITELIAL DE ALTO GRAU (ASC-H) Nessa atipia, como há uma maior chance de lesão de alto grau, você deve prosseguir à investigação. Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 57 Conduta: encaminhar para colposcopia. Situações especiais: • Mulheres até 24 anos: realizar colposcopia, mas biopsiar apenas achados MAIORES. • Gestantes: todas serão encaminhadas para colposcopia. A biópsia só deve ser feita em caso de suspeita de invasão. • Imunossuprimidas: a conduta não deve ser diferente das demais. • Mulheres na pós-menopausa: realizar estrogenização antes da colposcopia. 5.3 CÉLULAS GLANDULARES ATÍPICAS DE SIGNIFICADO INDETERMINADO (AGC), POSSIVELMENTE NÃO NEOPLÁSICAS OU CÉLULAS GLANDULARES ATÍPICAS DE SIGNIFICADO INDETERMINADO, QUANDO NÃO SE PODE EXCLUIR LESÃO DE ALTO GRAU Atenção para essa atipia! Como a alteração ocorre em células glandulares, elas podem representar diversas patologias, intra ou extrauterinas. As bancas adoram cobrar as situações em que há necessidade de investigação endometrial. Conduta: encaminhar para colposcopia. Veja a seguir os critérios para avaliação endometrial (através de ultrassonografia transvaginal). Avaliação endometrial: 35 anos Independentemente da idade se: Sangramento anormal Citologia sugerindo origem endometrial LESÃO INTRAEPITELIAL ESCAMOSA DE BAIXO GRAU (LIEBG/LSIL) A lesão de baixo grau representa a infecção pelo HPV, com grande capacidade de regressão. Por isso, uma conduta conservadora deve tomada. Conduta: repetir citologia em seis meses. Se na repetição se mantiver a atipia citológica, a paciente deve realizar colposcopia. Situações especiais:• Mulheres até 24 anos: repetir citologia em três anos. • Gestantes: qualquer abordagem diagnóstica da gestante com citologia LSIL deve ser feita apenas após três meses do parto. • Mulheres na pós-menopausa: antes de repetir a citologia, é fundamental realizar estrogenioterapia tópica. • Imunossuprimidas: encaminhar para colposcopia logo no primeiro exame alterado. LESÃO INTRAEPITELIAL ESCAMOSA DE ALTO GRAU (LIEAG/HSIL) Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 58 Como existem grandes chances de confirmação da lesão de alto grau na biópsia, você sempre deve encaminhar essa paciente para a colposcopia! Nessa atipia, o que ficar de olho? Classificar os achados anormais em maiores ou menores e avaliar a visibilidade da JEC. LESÃO INTRAEPITELIAL DE ALTO GRAU, NÃO PODENDO EXCLUIR MICROINVASÃO OU CARCINOMA EPIDERMOIDE INVASOR Apesar de essa atipia ser incomum em prova, quando cobrada, fique atento ao detalhe: a biópsia só é realizada em casos de suspeita de invasão. Nos demais casos (achados maiores, achados menores ou colposcopia normal), a paciente deve ser submetida a procedimento excisional, pois a lesão pode estar “escondida” no interior do canal endocervical. TRATAMENTO O objetivo do tratamento das lesões pré-neoplásicas é impedir a progressão para o câncer de colo uterino. A MAIORIA DAS LESÕES DE BAIXO GRAU IRÃO REGREDIR E AS LESÕES DE ALTO GRAU TÊM REAL CHANCE DE PROGRESSÃO PARA O CÂNCER. QUEM TRATAR? • Lesão intraepitelial de alto grau. • Histopatológico com lesão de baixo grau persistente (acima de 24 meses). • Discordância colpo-cito-histológica. Exemplo: paciente com duas citologias de alto grau, com intervalo de seis meses e colposcopia normal. Nesses casos, a lesão pode estar escondida no canal endocervical. COMO TRATAR? O tratamento padrão deve ser EXCISIONAL, ou seja, retirar toda a lesão, para que você envie material para análise histológica. O nome mais adequado é EXÉRESE DE ZONA DE TRANSFORMAÇÃO (EZT) (figura 3), mas você pode encontrar em sua prova como CIRURGIA DE ALTA FREQUÊNCIA (CAF) ou CONIZAÇÃO. figura 3 Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 59 A exérese de zona de transformação é classificada em 1, 2 ou 3, baseada no tipo de zona de transformação da paciente. A conização nada mais é do que uma EZT do tipo 3. SEGUIMENTO PÓS- TRATAMENTO O principal fator de risco para a doença residual ou recorrente é o relato de margens cirúrgicas comprometidas, mas a presença delas NÃO indica retratamento! Veja como a Diretriz recomenda o seguimento das pacientes que realizaram procedimento excisional: • Se margens cirúrgicas livres ou comprometidas por NIC 1: - Citologia dentro de 6 e 12 meses após o procedimento. A colposcopia fica a critério do serviço. - Após o primeiro ano: citologia anual, até completar cinco anos do tratamento. • Se qualquer uma das margens for comprometida por NIC 2/3: - Citologia + colposcopia semestralmente por dois anos. - Após os dois primeiros anos: citologia anual, até completar cinco anos do tratamento. - Após 5 anos: citologia trienal. Para facilitar seu entendimento: A ZT do tipo 1 é aquela que é facilmente visível, pois é totalmente ectocervical. Na ZT do tipo 2, você precisa “abrir” o canal endocervical para visualizar o final da ZT. Na ZT do tipo 3, mesmo que você tente abrir o canal endocervical, não consegue ver o final da ZT, pois está muito profunda. Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 60 CÂNCER DE COLO FATORES DE RISCO HPV Tabaco Fatores para DST ↓ Imunidade ANAMNESE + EXAME FÍSICO Estágios avançados: dor, corrimento, sangue RASTREIO: COLPOCITOLOGIA DIAGNÓSTICO: COLPOSCOPIA + BIÓPSIA ÁCIDO ACÉTICO: ↑ atividade proteica → acetobranca TESTE DE SCHILLER (LUGOL): ↓ glicogênio → iodo (-) o Iodo negativo = Schiller positivo Achado mais suspeito = VASOS ATÍPICOS Gestante → biópsia só na suspeita de invasão! Em caso de colposcopia insatisfatória (sem JEC): Afastador (abrir + espéculo) Espéculo endocervical Estrogênio Avaliação do canal endocervical Escovado endocervical Curetagem endocervical Histeroscopia CÂNCER CERVICAL (colo uterinio) Tipo mais comum → epidermoide (espinocelular ou escamoso). HISTOLOGIA Lesões intraepiteliais Câncer cervical LESÕES INTRAEPITELIAIS (NIC) NIC I Acompanhar Se em 2 anos persistir (NIC I persistente) → tratamento destrutivo: Crioterapia Cauterização NIC II NIC III Exérese: CAF ou CONE CAF / EZT (cirurgia de alta frequência / excisão da zona de transformação) – ambulatorial CONE – em centro cirúrgico / ↑ sangramento (*) Em caso de suspeita de invasão → conização Contraindicações de CAF: Suspeita de invasão Não vê limite da lesão JEC não visível (colposcopia insatisfatória) Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 61 Segundo mais comum → adenocarcinoma (*) Avaliar paramétrio: toque retal (**) Invasão: por continuidade ou por contiguidade! É o estadiamento ginecológico que cai em prova! Estudar!!! Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 62 TRATAMENTO ESTÁDIO 0: Cone é diagnóstico e terapêutico ESTÁDIO IA1: Padrão: histerectomia tipo 1 Se deseja gestar: cone ESTÁDIO IA2: Padrão: histerectomia tipo 2 + linfadenectomia pélvica ESTÁDIO IB1: Padrão: Wertheim-Meigs ESTÁDIO IB2/IB3/ ESTÁDIO IIA: Wertheim-Meigs ou quimiorradioterapia ESTÁDIO ≥ IIB: Quimiorradioterapia (*) O que mais cai em provas: estádio IB1 = clássica indicação de Wertheim –Meigs (**) ≥ IIB: quimiorradioterapia CIRURGIA DE WERTHEIM-MEIGS Histerectomia total + retirada paramétrios e uterossacros + terço superior da vagina + linfadenectomia pélvica Anexectomia não é obrigatória CÂNCER DE VULVA Fatores de risco: HPV, tabagismo, Linfogranuloma venéreo Diagnóstico: Clínica: prurido (+ comum e precoce) → 70% Exames: teste de Collins (direciona biópsia) e biópsia Tipo histológico: Escamoso Local mais comum: Grandes lábios Disseminação: Linfática Tratamento: > 2cm → vulvectomia < 2cm → retirar com margem de 2 cm OUTRAS LESÕES VULVARES *LÍQUEN ESCLEROSO: Idosa com apagamento de pequenos lábios, hipocromia vulvar e prurido = BIÓPSIA Tratamento = clobetasol pomada (↑ potência) *MELANOMA: Lesão hiperpigmentada = BIÓPSIA *PAGET: Erosão e descamação na vulva = BIÓPSIA SANGRAMENTO NA PÓS-MENOPAUSA Atrofia endometrial (30%) Uso de terapia hormonal (30%) Câncer de endométrio (15%) → USG com endométrio espesso + fatores de risco SUSPEITA DE CÂNCER MENOPAUSA Endométrio > 4 mm sem TH Endométrio > 8 mm com TH COLPOCITOLOGIA Atipia glandular em > 35 anos Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647 63 PODE SER SUSPEITA Célula endometrial após menopausa FATORES DE RISCO FATORES DE PROTEÇÃO Obesidade, > 60 anos, nuliparidade, branca, anovulação crônica, menacme longo, DM, hiperplasia... Multiparidade, tabagismo, ACHO (progesterona), DIU de progesterona DIAGNÓSTICO CLÍNICA e USG → SUSPEITA! SUSPEITA → realizar BIÓPSIA Cureta de NOVAK Vantagem: ambulatorial Desvantagens: às cegas / muitos resultados falso-negativos Curetagem FRACIONADA (semiótica) Desvantagem: às cegas / possibilidade de falso negativo HISTEROSCOPIA COM BIÓPSIA: visualização direta (padrão-ouro) LESÕES PRECURSORAS CÂNCER DE ENDOMÉTRIO LESÕES PRECURSORAS HIPERPLASIA ENDOMETRIAL (precedem 80% dos CA) Hiperplasia é laudo histopatológico Tipos de hiperplasia e risco de malignização Simples sem atipia1% Complexa sem atipia 3% Simples com atipia 8% Complexa com atipia 29% Quem manda na conduta → ter ou não atipia (*) Com atipia = histerectomia TRATAMENTO: ATIPIA x DESEJO DE GESTAR: Simples ou complexa SEM ATIPIA Progesterona: mais usado Histerectomia: pós-menopausa ou falha de tratamento clínico (exceção) Simples ou complexa COM ATIPIA Histerectomia: eleição na presença de atipia Progesterona: desejo de gestar ou alto risco cirúrgico (exceção) Licensed to Aline Dias - aline_diaas@hotmail.com - HP18416552295647