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CONTRATO DE EMPRÉSTIMO CONTRATOS EM ESPÉCIE PROF. KENZA BORGES SENGIK DO EMPRÉSTIMO (COMODATO E MÚTUO) – Arts. 579 a 592, do CC/02 • O contrato de empréstimo pode ser conceituado como sendo o negócio jurídico pelo qual uma pessoa entrega uma coisa a outra, de forma gratuita, obrigando-se a devolver a coisa emprestada ou outra de mesma espécie e quantidade. (TARTUCE, Flávio) • ESPÉCIES: • COMODATO • MÚTUO a) Comodato – Arts. 579 a 585 do CC • Empréstimo de bem infungível e inconsumível, em que a coisa emprestada deverá ser restituída findo o contrato (empréstimo de uso). (TARTUCE, Flávio) • O comodato é um contrato unilateral, benéfico e gratuito em que alguém entrega a outra pessoa uma coisa infungível, para ser utilizada por um determinado tempo e devolvida findo o contrato. Por razões óbvias, o contrato pode ter como objetos bens móveis ou imóveis, pois ambos podem ser infungíveis. (TARTUCE, Flávio) • Partes • Comodante – É a parte que empresta a coisa. • Comodatário – É a parte que recebe a coisa. •Características I – Somente bens infungíveis – Art. 579 do CC II - Contrato Real – Art. 579 do CC O Art. 579 do CC é claro ao prever que o comodato se perfaz com a tradição do objeto, com a sua entrega, o que denota a sua natureza real. Não há qualquer formalidade para a avença, que pode ser verbal, como é comum na prática. (TARTUCE, Flávio) III – Contrato Unilateral IV - É gratuito – Art. 579 do CC V – Prazo – Art. 581 do CC • De início, quanto ao comodato com prazo determinado, findo esse, será devida a devolução da coisa, sob pena de ingresso de ação de reintegração de posse e sem prejuízo de outras consequências previstas em lei. (TARTUCE, Flávio) • Não havendo prazo fixado, a coisa será utilizada conforme sua natureza, presumindo-se o citado uso concedido de acordo com as circunstancias do caso concreto. (TARTUCE, Flávio) VI - Durante o tempo de uso deve conservar e manter o bem como se dono fosse (art. 582, CC) • A primeira parte do art. 582 do CC traz a regra pela qual o comodatário deve conservar a coisa emprestada como se fosse sua. O comodatário não pode, ainda, usá-la em desacordo do que prevê o contrato ou a própria natureza da coisa, sob pena de responder, de forma integral, pelas perdas e danos que o caso concreto indicar. O dispositivo impõe as seguintes obrigações ao comodatário: • a) Obrigação de fazer – guardar e conservar a coisa; • b) Obrigação de não fazer – não desviar o uso da coisa do convencionado ou da natureza da coisa. (TARTUCE, Flávio) VII – Perecimento da coisa – Art. 583 do CC • O art. 583 do CC também traz uma consequência importante para o comodatário. Se, caindo em risco a coisa emprestada, o comodatário deixar de salvá-la para salvar coisa própria, responderá pelo dano ocorrido, ainda que em decorrência de caso fortuito (evento totalmente imprevisível) e forca maior (evento previsível, mas inevitável). (TARTUCE, Flávio) VIII – Responsabilidade Solidária – Art. 585 do CC • Em havendo pluralidade de comodatários, haverá responsabilidade solidária entre os mesmos (art. 585 do CC). Há hipótese é de solidariedade passiva de origem legal, no que se refere ao conteúdo do contrato. Anote-se que se a coisa se perder por culpa de um dos Do mútuo ou empréstimo de consumo – Art. 586 do CC/02 • O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis (art. 586 do CC), sendo partes do contrato o mutuante (aquele que cede a coisa) e o mutuário (aquele que a recebe). Em regra, trata-se de contrato unilateral e gratuito, exceção feita para o mútuo oneroso. Além disso, o contrato é comutativo, real, temporário e informal. O exemplo típico envolve o empréstimo de dinheiro, uma vez que o mútuo somente terá como objeto bens móveis, pois somente esses podem ser fungíveis (art. 85 do CC). (TARTUCE, Flávio) • Partes - Mutuário - aquele que a recebe - Mutuante - aquele que cede a coisa • Características I – Somente bens fungíveis II – Contrato Translatício de Propriedade – Art. 587 do CC • Como a coisa é transferida a outrem e consumida, sendo devolvida outra de mesmo gênero, qualidade e quantidade, o contrato é translativo da propriedade, o que o aproxima da compra e venda somente neste ponto. Por transferir o domínio da coisa emprestada, por conta do mutuário correm todos os riscos da coisa desde a tradição (art. 587 do CC). (TARTUCE, Flávio) III – Contrato real IV- Mútuo celebrado com pessoa menor de idade • Em regra, o mútuo feito a menor sem a autorização do seu representante ou daquele sob cuja guarda estiver, não poderá ser reavido nem do mutuário, nem de seus fiadores (art. 588 do CC). (TARTUCE, Flávio) • O menor pode celebrar contrato de mútuo, desde que assistido ou representado, salvo o menor emancipado. O contrato será nulo ou anulável se o menor não estiver assistido ou emancipado, não podendo ser cobrado pelo mutante, mesmo em casos em que o contrato é celebrado com garantia (fiança, por exemplo). Mas tal regra não é absoluta, havendo as previsões do artigo 589 do CC/02. • Exceções – Art. 589 do CC. Art. 589. Cessa a disposição do artigo antecedente: I - se a pessoa, de cuja autorização necessitava o mutuário para contrair o empréstimo, o ratificar posteriormente; II - se o menor, estando ausente essa pessoa, se viu obrigado a contrair o empréstimo para os seus alimentos habituais; III - se o menor tiver bens ganhos com o seu trabalho. Mas, em tal caso, a execução do credor não lhes poderá ultrapassar as forças; IV - se o empréstimo reverteu em benefício do menor; V - se o menor obteve o empréstimo maliciosamente. Assim, se menor mentir sua idade não poderá pedir nulidade do contrato V – Gratuito ou Oneroso • Pela leitura do dispositivo percebe-se que o mútuo oneroso de dinheiro envolve a cobrança de juros, que constituem remuneração devida pela utilização de capital alheio (frutos civis ou rendimentos). Quanto a este dispositivo, dispõe o Enunciado n. 34 CJF/STJ, aprovada na I Jornada de Direito Civil, que “No novo Código Civil, quaisquer contratos de mútuos destinados a fins econômicos presumem-se onerosos (art. 591), ficando a taxa de juros compensatórios limitada ao disposto no art. 406, com a capitalização anual”. (TARTUCE, Flávio) VI – Prazo – Art. 592 do CC Art. 592. Não se tendo convencionado expressamente, o prazo do mútuo será: I - até a próxima colheita, se o mútuo for de produtos agrícolas, assim para o consumo, como para semeadura; II - de trinta dias, pelo menos, se for de dinheiro; III - do espaço de tempo que declarar o mutuante, se for de qualquer outra coisa fungível.