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PERSPECTIVAS ATUAIS DA AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA 
1 
 
 
 
Sumário 
 
NOSSA HISTÓRIA ................................................. Erro! Indicador não definido. 
INTRODUÇÃO ................................................................................................... 3 
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA NO BRASIL: FUNDAMENTOS E SITUAÇÃO 
ATUAL ............................................................................................................... 6 
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA: PASSADO, PRESENTE E FUTURO .............. 11 
O INÍCIO DO PROCESSO DE AVALIAÇÃO 
PEDAGÓGICA..................................................................................................17 
ESTRATÉGIAS DE DIAGNÓSTICO E AVALIAÇÃO 
PSICOLÓGICA.................................................................................................23 
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICAS: SITUAÇÃO, DESAFIOS E 
DIRETRIZES.....................................................................................................29 
REFERÊNCIAS.................................................................................................32 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de 
empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de 
Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como 
entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a 
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua 
formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, 
científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o 
saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
INTRODUÇÃO 
A avaliação psicológica é um processo de construção de conhecimentos 
acerca de aspectos psicológicos, com a finalidade de produzir, orientar, 
monitorar e encaminhar ações e intervenções sobre a pessoa avaliada, e, 
portanto, requer cuidados no planejamento, na análise e na síntese dos 
resultados obtidos. Nesse sentido, sobre as dimensões éticas da avaliação 
psicológica relaciona diferentes infrações que motivaram processos éticos 
envolvendo a avaliação psicológica, os quais foram julgados pelo Conselho 
Federal de Psicologia à luz dos princípios éticos preconizados pela Associação 
Americana de Psicologia (APA) em 1992 e revisado em 2002, a saber: 
competência, integridade, responsabilidade científica e profissional, respeito 
pela dignidade e pelos direitos das pessoas, preocupação com o bem-estar do 
outro e responsabilidade social. 
A responsabilidade social da Psicologia expressa-se por meio de seus 
métodos e suas técnicas, os quais devem ser confiáveis, válidos e fidedignos 
para a população na qual eles serão empregados. Sobre isso, o capítulo 
Avaliação psicológica, testes e possibilidades de uso, reafirma que o teste é um 
instrumento especializado que requer estudos psicométricos de alta precisão e 
compõe a avaliação psicológica, a qual não se restringe exclusivamente a ele. 
A qualificação dos testes psicológicos, com observância dos critérios 
mínimos estabelecidos para considerá-los indicados para a população brasileira, 
foi abordada no capítulo O Satepsi: desafios e propostas de aprimoramento, no 
qual se discutem os avanços e os limites desse sistema. Os avanços podem ser 
observados na qualificação dos manuais dos instrumentos e no aumento do 
número de testes psicológicos aprovados pelo Conselho Federal de Psicologia. 
Os limites podem ser identificados nas indagações geradas no processo de 
avaliação dos testes psicológicos, entre elas sobre o aumento dos critérios 
mínimos e das especificidades dos testes como instrumentos privativos da área 
de Psicologia. Essas dúvidas, quando respondidas, poderão subsidiar as 
práticas da avaliação psicológica tanto nas áreas tradicionais da Psicologia como 
nas áreas emergentes. 
4 
 
 
Dentre as áreas tradicionais da Psicologia, a avaliação psicológica foi e é 
utilizada no contexto organizacional e do trabalho, tal como é mostrado no 
histórico e no desenvolvimento do capítulo A avaliação psicológica no contexto 
organizacional e do trabalho. A avaliação psicológica nesse contexto tornou-se, 
ao longo do tempo, uma ferramenta poderosa de tomada de decisão que, 
quando implementada de modo apropriado, pode trazer benefícios importantes 
para os trabalhadores, para as organizações e para a sociedade em geral. Assim 
é que a escolha de pessoas com perfis mais adequados a determinada função 
aumenta a probabilidade de que elas obtenham maior satisfação no trabalho e, 
consequentemente, tenham melhor qualidade de vida. 
Assim, a avaliação psicológica é compreendida como um processo 
científico no qual o psicólogo busca informações que o auxilie no diagnóstico e 
na escolha da intervenção mais adequada frente a cada indivíduo. A prática 
avaliativa inclui técnicas e instrumentos testados empiricamente e validados de 
acordo com os critérios estabelecidos pela comunidade científica. No Brasil, a 
regulamentação dos testes psicológicos é feita pelo Conselho Federal de 
Psicologia (Resolução nº2/2003) que, inclusive, dispõe de um código de ética 
que orienta a atuação do profissional na aplicação desses instrumentos. 
Conhecer é um processo de ambientação, gradual e permanente, dado 
que as circunstâncias em que ocorre o processo de conhecimento são 
dinâmicas, complexas e diversificadas. O processo de querer conhecer é, 
portanto, concomitante a o processo de intervir (Severino, 1994; Alves, 1999). O 
processo de conhecer implica em mobilizar-se frente às circunstâncias, 
intervindo nelas exatamente para poder conhecer. E, apesar de se ter 
consciência de que nunca se conhece suficientemente, o ser humano busca 
permanentemente esclarecer aquilo que lhe é desconhecido, o que lhe 
impressiona, o que lhe incomoda (Botomé, 1993; Cruz, 2002/2004). Um 
processo de avaliação psicológica depende, particularmente, da atitude 
orientada para a compreensão do que se quer avaliar, da habilidade do 
avaliador em escolher estratégias e procedimentos (recursos metodológicos e 
técnicos) específicos às necessidades oriundas das demandas por avaliação 
(objetivo visado). Adotar recursos metodológicos significa escolher caminhos 
que, muitas vezes, precisam ser reorientados sistematicamente. O mais 
5 
 
 
importante é criar as condições para conhecer e permitir que o conhecimento 
gerado seja útil e traga benefícios sociais e sirva para o aperfeiçoamento da 
ciência psicológica como uma possibilidade efetiva de compreender os 
problemas humanos. 
 
Fonte:https://www.echospsicologia.com.br/post/avalia%C3%A7%C3%A3o-psicol%C3%B3gica-
enfim-uma-especialidade 
 
 
 
 
 
 
6 
 
 
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA NO BRASIL: FUNDAMENTOS 
E SITUAÇÃO ATUAL 
A avaliação psicológica é, talvez, uma das áreas mais antigas da 
psicologia. Ao nascer, teve uma de suas aplicações práticas – o desenvolvimento 
dos testes psicológicos e da psicometria – voltada para seleção de soldados nas 
grandes guerras (Anastasi & Urbina, 2000). Dessa forma, a avaliação é muitas 
vezes identificada com um segmento particular da psicologia dedicado à criação 
de instrumentos e técnicas. No entanto, a avaliação, em geral, e, em particular, 
o desenvolvimento de instrumentos,representa uma área central da ciência 
psicológica porque permite a objetivação e operacionalização de teorias 
psicológicas. Em outro momento ressaltou-se esse aspecto: 
A avaliação psicológica é geralmente entendida como uma área 
aplicada, técnica, de produção de instrumentos para o psicólogo, visão 
certamente simplista da área. A avaliação psicológica não é 
simplesmente uma área técnica produtora de ferramentas 
profissionais, mas sim a área da psicologia responsável pela 
operacionalização das teorias psicológicas em eventos observáveis. 
Com isso, ela fomenta a observação R. Primi sistemática de eventos 
psicológicos, abrindo os caminhos para a integração teoria e prática. 
Ela permite que as teorias possam ser testadas, eventualmente 
aprimoradas, contribuindo para a evolução do conhecimento na 
psicologia. Portanto, a avaliação na psicologia é uma área fundamental 
de integração entre a ciência e a profissão. Disso decorre que o avanço 
da avaliação psicológica não é um avanço simplesmente da 
instrumentação, mas sobretudo das teorias explicativas do 
funcionamento psicológico. (Primi, 2003, p. 68) 
Segundo Muniz (2004), o processo de validação de instrumentos 
psicológicos se constitui em um caso particular de um processo mais geral, de 
validação de hipóteses científicas. Em ambos os casos, tenta-se validar 
explicações por meio de um processo hipotético-dedutivo, no qual se levantam 
hipóteses teóricas, planejam-se estudos empíricos, coletam-se e analisam-se 
dados, buscando-se testar as hipóteses explicativas, falseando-as ou 
corroborando-as. Esse processo interativo teoria-hipótese-falseamento 
encontra-se na base do desenvolvimento do conhecimento e da maturidade da 
psicologia como ciência. A diferença entre validar uma teoria ou um teste situa-
7 
 
 
se nos seguintes fatos: no primeiro caso, há um processo mais amplo, visto que 
tenta-se validar a existência de construtos e as relações causais entre eles; e no 
segundo caso, tenta-se validar as interpretações sobre o construto psicológico 
que são feitas a partir do instrumento. 
O que se pode notar é que há uma relação estreita entre os instrumentos 
e a pesquisa científica uma vez que os estudos empíricos fazem uso dos 
instrumentos para observar determinados construtos no percurso de validar 
determinadas explicações sobre o comportamento humano. Wright (1999), um 
dos pioneiros no desenvolvimento do modelo de Rasch nos Estados Unidos, 
propôs um modelo de filosofia da ciência envolvendo cinco estágios: exposição, 
observação, medida, análise e teoria. A produção do conhecimento científico se 
inicia com a exposição ou consciência dos fenômenos. Em seguida, são 
organizados meios mais sistemáticos de observação, como itens e testes. A 
essas observações são aplicados modelos matemáticos, como a Teoria de 
Resposta ao Item, transformando as observações em medidas. Só então é que 
essas medidas são transformadas em teorias entendidas como abstrações que 
servem para predizer eventos da realidade de maneira mais generalizada. 
Assim, a avaliação psicológica, especialmente aquela parte que se dedica 
ao desenvolvimento de instrumentos, é uma área nuclear da psicologia e de sua 
edificação enquanto ciência. Em primeiro lugar porque envolve a objetivação dos 
conceitos teóricos em elementos observáveis. Em segundo lugar porque requer 
aplicação de método científico baseado no conhecimento sobre quais 
delineamentos (levantamento, correlacional, quase-experimental e 
experimental) são mais adequados ao conhecimento que se deseja ter. Em 
terceiro lugar porque envolve também o uso de modelagem matemática na 
representação dos processos psicológicos, abordagem que vem gradativamente 
substituindo o modelo clássico de análise de dados baseado somente no teste 
de significância da hipótese nula (Rodgers, 2010). E, por último, porque seus 
produtos (instrumentos de medida) são peças necessárias ao desenvolvimento 
do conhecimento científico dentro da psicologia. Por esses motivos, ao se tratar 
do tema avaliação, sua história e seu desenvolvimento, não se está falando de 
um assunto restrito a uma determinada área, mas sim dos fundamentos mais 
gerais da psicologia. 
8 
 
 
A avaliação psicológica, deve-se, em primeiro lugar, se distinguir dos 
instrumentos de avaliação. A avaliação psicológica é uma atividade mais 
complexa e constitui-se na busca sistemática de conhecimento a respeito do 
funcionamento psicológico das pessoas, de tal forma a poder orientar ações e 
decisões futuras. Esse conhecimento é sempre gerado em situações que 
envolvem questões e problemas específicos. Já os instrumentos de avaliação 
constituem-se em procedimentos sistemáticos de coleta de informações úteis e 
confiáveis que possam servir de base ao processo mais amplo e complexo da 
avaliação psicológica. Portanto, os instrumentos estão contidos no processo 
mais amplo da avaliação psicológica (Primi, Nascimento & Souza, 2004). 
Em geral, os instrumentos são meios padronizados de se obter 
amostras/indicadores comportamentais que irão revelar diferenças individuais 
nos construtos, traços latentes ou processos mentais subjacentes. Presume-se, 
então, que os traços latentes são as variáveis causais dos comportamentos que 
se manifestam na situação de testagem. Dessa forma, o processo amplo de 
medida consiste em uma via indireta que, por meio da observação dos 
indicadores, torna possível se inferir algo sobre o construto que se deseja avaliar 
(Gottfredson & Saklofske, 2009). Assim, de acordo com Borsboom, Mellenbergh 
e Heerden (2004), os estudos de validade tentam provar a relação causal entre 
as variações no construto subjacente e as variações nos indicadores 
comportamentais avaliados pelo instrumento, justificando, dessa maneira, os 
sentidos atribuídos aos escores em relação ao construto. Essa conceituação 
deixa mais claro que, no âmago dos estudos de validade, há uma questão de 
relação de causalidade entre o construto e os indicadores. Consequentemente, 
o processo de validação dos testes envolve todos os desafios metodológicos ao 
se deparar com a necessidade de estabelecer relações funcionais entre duas 
variáveis, nesse caso, entre uma variável latente, o construto, e outra observada, 
os indicadores. 
Ao se tratar dos fundamentos da avaliação psicológica, é preciso entender 
a diversidade de estilos de pensamento que são subjacentes às práticas de 
diferentes grupos dentro da área. Essa diversidade de métodos e estilos revelam 
aspectos fundamentais da avaliação que precisam ser compreendidos e 
integrados em um modelo mais amplo com vários níveis que se tentará esboçar 
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mais adiante. Cronbach (1996) define essas diferenças ao descrever as 
características dos estilos psicométrico (nomotético) e impressionista 
(idiográfico). Ao se tratar dos fundamentos da avaliação psicológica, é preciso 
entender a diversidade de estilos de pensamento que são subjacentes às 
práticas de diferentes grupos dentro da área. Essa diversidade de métodos e 
estilos revelam aspectos fundamentais da avaliação que precisam ser 
compreendidos e integrados em um modelo mais amplo com vários níveis que 
se tentará esboçar mais adiante. Cronbach (1996) define essas diferenças ao 
descrever as características dos estilos psicométrico (nomotético) e 
impressionista (idiográfico), 
A primeira delas, a tradição psicométrica, pode ser exemplificada ao 
olharmos, por exemplo, para o início das teorias fatoriais de personalidade nos 
trabalhos de Cattell (1957, 1973). O autor afirma que: 
 
A mensuração é o fundamento da ciência. Mas, em personalidade, 
deve-se começar com a descoberta das formas naturais de padrões de 
comportamentos humanos. Devemos definir os traços unitários 
naturais, por exemplo, ansiedade, conscienciosidade, força do ego, 
dominância, que constituem a topografia (ou taxonomia) da 
personalidade. Somente depois estaremosprontos para construir 
escalas e baterias para medir tais traços. Chamo o primeiro passo de 
pesquisa da estrutura (ou taxonômica) e o segundo, desenvolvimento 
estrutural de escalas. (Cattell, 1973, p. 2) 
 
Seguindo esse objetivo, Cattell passou a analisar estruturas manifestas 
em diferentes dados observacionais oriundos de três fontes: (a) respostas a 
questionários em que as pessoas são as próprias observadoras e relatoras de 
seu comportamento (dados Q), (b) dados de pessoas por meio de observações 
de terceiros que relatam o que vêm nelas em sua vida diária (dados L); e (c) 
medidas relativamente diretas de comportamentos em situação de testagem em 
laboratório (dados T). Usando a análise fatorial com o objetivo de sistematizar 
as correlações entre indicadores, de forma a inferir os traços unitários, Cattell 
(1957) encontrou mais de 23 traços básicos que supostamente seriam as forças 
10 
 
 
causais dos comportamentos observados. Há uma analogia de Cattell que é 
muito interessante para esclarecer aspectos dessa metodologia: 
 
O problema que por muitos anos desconcertou os psicólogos era 
encontrar um método que deslindasse essas influências 
funcionalmente unitárias na floresta caótica do comportamento 
humano. Mas como é que numa floresta tropical de fato decide o 
caçador se as manchas escuras que vê são dois ou três troncos 
apodrecidos ou um só jacaré? Ele fica à espera de movimento. Se eles 
se movem juntos - aparecem e desaparecem juntos - ele conclui por 
uma única estrutura. Da mesma forma, como John Stuart Mill observou 
em sua filosofia da ciência, o cientista deveria ter em mira a "variação 
concomitante" na busca de conceitos unitários. (Cattell,1965, p. 55) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
11 
 
 
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA: PASSADO, PRESENTE E 
FUTURO 
Falar sobre avaliação psicológica é refletir sobre a importância de uma 
das principais funções do profissional de Psicologia. Historicamente, a imagem 
que se tem do psicólogo é a do profissional que se utiliza de testes, que avalia 
"se uma pessoa é normal ou não", se está apta a executar determinada função, 
já que a testagem foi uma das atividades mais comuns no século XX no campo 
da Psicologia (Cunha, 2000), como discutiremos mais adiante. Porém, a prática 
psicológica tem se expandido cada vez mais, e neste movimento, a avaliação 
psicológica passou a ser bem mais abrangente, considerando diversos fatores 
em seu processo de estudo e análise dos sujeitos. 
De acordo com a Resolução do Conselho Federal de Psicologia no. 007 
(2003), pode-se definir a avaliação psicológica como sendo o processo técnico-
científico de coleta de dados, estudos e interpretação de informações a respeito 
dos fenômenos psicológicos da relação do indivíduo com a sociedade. Utiliza-
se, para isto, de estratégias psicológicas – métodos, técnicas e instrumentos. Os 
resultados das avaliações devem considerar e analisar os condicionantes 
históricos e sociais e seus efeitos no psiquismo, com a finalidade de servirem 
como instrumentos para atuar não somente sobre o indivíduo, mas em todo o 
contexto social e histórico no qual ele se insere. 
Na prática, agregar todas estas informações em uma análise que seja 
capaz de utilizá-las de forma integradora e dialética ainda é um desafio. O debate 
e a reflexão sobre o papel do psicólogo nesta questão são extremamente 
importantes, uma vez que é necessário manter uma visão crítica que vai além 
da concepção de investigar o que é patológico ou não, e passa a ter como 
enfoque a compreensão acerca da subjetividade de determinado indivíduo, 
visando seu benefício. O psicólogo deve buscar, da melhor maneira possível, 
apreender a relação entre saúde mental e subjetividade, considerando sua 
dimensão social. Porém, estamos tão acostumados a pensar em utilizar a 
avaliação psicológica com o objetivo de chegar a um diagnóstico, que às vezes 
fica difícil conseguirmos separar o que é individual e o que é social. 
12 
 
 
A Psicologia enquanto ciência foi caracterizada principalmente por sua 
capacidade de avaliar os sujeitos. O rompimento com esta dicotomia, de acordo 
com Bock (2001), surge com a Psicologia Sócio Histórica, que, baseada na teoria 
de Vygotsky, traz uma concepção de homem como ser ativo, social e histórico, 
que não pode ser separado da realidade social e cultural na qual está inserido. 
Para que se possa compreender o fenômeno psicológico, é necessário entender 
que "o homem constrói e modifica o mundo e este, por sua vez, propicia os 
elementos para a constituição psicológica do homem". (Bock, 2001, p. 22). 
Considerando esta concepção psicossocial de homem e de mundo, 
investigar e analisar as características individuais de determinado sujeito sem 
levar em conta o contexto social e histórico no qual está inserido, é deixar de 
lado dados fundamentais para que se compreenda a subjetividade do mesmo. É 
ignorar que seu comportamento, seu pensamento, sua visão de mundo, foram 
construídos ao longo de sua história, não são inatos, tampouco são estáticos. 
Lane (1987) alerta sobre o perigo de pensarmos em uma avaliação que 
tem como enfoque apenas investigar se determinado sujeito se encaixa dentro 
de uma classificação nosológica: 
"Se assumirmos que somos essencialmente a nossa identidade social, 
que ela é a consequência de opções que fazemos devido a nossa 
constituição bioenergética, ou temperamento, ou mesmo atrações de 
personalidade, como aspectos herdados geneticamente, sem 
examinarmos as condições sociais que, através da nossa história 
pessoal, foram determinando a aquisição dessas características que 
nos definem, só poderemos estar reproduzindo o esperado pelos 
grupos que nos cercam e julgados 'bem ajustados'" (Lane, 1987, p. 22-
23). 
Concordamos com Vygotsky (1998), em sua afirmativa que o 
funcionamento psicológico é fundamentado nas relações sociais entre o 
indivíduo e o mundo exterior, desenvolvidos em um processo que é social e 
histórico. Vygotsky defendia a ideia de que ao longo do desenvolvimento de suas 
funções psicológicas superiores, o homem passa a ter a capacidade de 
expressar e compartilhar seu entendimento individual em relação à experiência 
comum ao grupo, distinguindo dois componentes do significado da palavra. Um 
componente seria o significado coletivo, base da compreensão da palavra, 
13 
 
 
compartilhada socialmente. Outro componente seria o sentido da palavra, um 
significado pessoal, referente ao contexto de uso da palavra e às experiências e 
vivências afetivas do sujeito em relação a ela (Oliveira, 1997). É este sentido 
individual que o psicólogo deve tentar captar, utilizando em sua atuação um 
enfoque que busca apreender o que está implícito na fala dos sujeitos, 
contextualizando sua realidade. 
No entanto, sabemos que ainda há um longo caminho a ser percorrido 
para que esta concepção se torne uma realidade na práxis psicológica, ou seja, 
que possamos nos aproximar mais desta construção de sentidos, partilhado pelo 
sujeito. O desafio é pensar em formas de avaliação psicológica que consigam 
abranger a individualidade sem descaracterizar o contexto social e histórico em 
sua totalidade. Compreender a subjetividade considerando toda a sua dimensão 
social e histórica demanda de uma constante reflexão e aperfeiçoamento de 
técnicas e saberes, pois a realidade é dinâmica, e não podemos esquecer que o 
próprio observador tem suas próprias concepções, que podem acabar 
interferindo no fenômeno que é observado. 
Dentro da Psicologia existem duas posições em relação à avaliação 
psicológica: uma crítica fortemente os testes psicológicos, concebendo-os como 
produto de uma visão de homem, sociedade e conhecimento tecnicista, onde os 
testes psicológicos seriam instrumentos que justificariam os processos de 
exclusão social: 
"Assim, a Psicologia tem contribuído para responsabilizar os sujeitos 
porseus sucessos e fracassos; [...] temos acreditado que pessoas 
podem ser classificadas e diferenciadas por suas características e 
dinâmicas psicológicas; temos criado (ou contribuído para reforçar) 
padrões de conduta que interessa a sociedade manter, como 
necessários ao 'bom desenvolvimento das pessoas'. [...] Tem 
transformado em anormal o diferente, o 'fora do padrão dominante'" 
(Bock, 2001, p. 25). 
O grupo divergente entende que a avaliação psicológica baseada em 
testes representa um conhecimento legítimo, constituindo um critério de avanço 
do saber embasado cientificamente. (Noronha et al, 2002). Enquadrar os testes 
psicológicos em uma ótica exclusivamente negativa é ignorar sua importância 
14 
 
 
enquanto instrumento diagnóstico, os estudos realizados e validados no 
processo de investigação do funcionamento psicológico dos sujeitos. 
Sabemos que o comprometimento da atuação do psicólogo deve 
caminhar na direção da emancipação humana, no respeito à liberdade, à 
dignidade e na integridade do ser humano. Não é por acaso que um dos 
princípios fundamentais do atual Código de Ética Profissional do Psicólogo (CFP, 
2005) seja basear sua atuação nos valores que embasam a Declaração 
Universal dos Direitos Humanos. Portanto, podemos pensar que o ideal seria 
buscar um meio termo entre estes dois posicionamentos, utilizando-se dos 
instrumentos de avaliação com uma visão que abrange outros elementos 
constituintes da subjetividade, como os fatores sociais, culturais e ideológicos, 
possibilitando uma visão global de cada indivíduo. 
A Psicologia Social tem contribuído muito para a transformação da 
realidade social de nosso país. Nos últimos anos, o profissional de Psicologia 
tem tido uma participação cada vez maior dentro das políticas públicas, 
especialmente naquelas voltadas para que a população com menos recursos 
econômicos tenha acesso a esse cuidado psicossocial, fundamental para o bem-
estar. A inclusão do psicólogo nas equipes dos CAPS (Centro de Atendimento 
Psicossocial), do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), do SUS 
(Sistema Único de Saúde) e nos programas do SUAS (Sistema Único de 
Assistência Social) mostram que sua participação é fundamental no processo de 
inclusão social e de transformação da realidade. Os grupos terapêuticos são um 
dos fatores fundamentais quando se fala em Saúde Mental e Assistência Social 
na atualidade. O Ministério do Desenvolvimento Social (2006), em seu guia de 
orientações técnicas para o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), 
afirma que o grupo socioeducativo para as famílias é um excelente espaço para 
trocas, contribuindo para o exercício da escuta e da fala, da elaboração de 
dificuldades e de reconhecimento de potencialidades. Contribui para oferecer 
aos cidadãos a oportunidade de melhor viver os seus direitos dentro de um 
contexto de proteção mútua, afeto, desenvolvimento pessoal e solidariedade. 
(Ministério do Desenvolvimento Social, 2006). No entanto, é preciso pensar 
também neste enfoque dentro da avaliação psicológica, no atendimento 
individual. 
15 
 
 
A Psicologia tem avançado de forma significativa na busca por 
instrumentos e técnicas que consigam compreender os fenômenos psicológicos 
como sendo resultado de múltiplos fatores. Para chegar a uma conclusão do 
caso, ou seja, o diagnóstico, o psicólogo analisa e interpreta os dados que obteve 
ao longo do processo de avaliação psicológica (informações sobre a queixa 
inicial, os sintomas apresentados, dados da história clínica, observações do 
comportamento do paciente durante o processo psicodiagnóstico e os resultados 
de testes psicométricos e projetivos), de acordo com determinados critérios 
científicos e diagnósticos. Se certos critérios específicos são atendidos, pode 
classificar o caso numa categoria nosológica. Para isso, pode-se utilizar de uma 
das classificações oficiais, como o DSM-IV ou o CID-10. Com base em tal 
classificação e em aspectos específicos da história clínica, poderá fazer 
predições sobre o curso provável do transtorno (prognóstico) e planejar a 
intervenção terapêutica adequada. (Cunha, 2000). 
A relevância dos aspectos sociais e históricos na construção da história 
de vida dos sujeitos é tão importante em uma avaliação psicológica que o 
Conselho Federal de Psicologia criou, em 2003, o Sistema de Avaliação 
Psicológica (SATEPSI). Este tem como objetivo de qualificar os instrumentos de 
avaliação, uma vez que muitos deles eram apenas traduções de testes 
construídos em outros países, que não necessariamente seriam válidos para 
nossa população (CFP, 2011). 
Dentro deste processo de avaliação psicológica ampliada que se propõe, 
apontamos o uso da entrevista como uma das alternativas eficientes para que 
se possa ter um acesso diferenciado à realidade do sujeito. É através da fala do 
indivíduo que poderemos ter acesso à sua subjetividade, ao significado que ele 
atribui à sua existência, às suas construções subjetivas, experiências e 
vivências. Com um diálogo onde psicólogo e sujeito tenham a mesma 
importância, dividindo igualitariamente a responsabilidade na construção de uma 
compreensão acerca da sua realidade, é que poderemos abrir espaço para um 
saber compartilhado. É necessário que se tenha o cuidado de conhecer a 
realidade da população atendida, de procurar entender a sua linguagem e sua 
cultura e respeitá-las, sem um julgamento prévio do que é certo ou errado ou 
ainda do que seria melhor para os sujeitos. 
16 
 
 
É importante lembrar que a avaliação psicológica pode ser um importante 
momento de escuta, uma chance para que o próprio sujeito possa compreender 
a sua realidade, adquirindo assim uma visão crítica de si mesmo e do mundo, 
portanto uma ação que pode ser transformadora em si mesma. Talvez uma das 
possibilidades para uma avaliação psicológica mais próxima da realidade do 
indivíduo atendido seja que os instrumentos de avaliação sejam utilizados pelos 
psicólogos como um meio de facilitar o diálogo com o paciente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
17 
 
 
O INÍCIO DO PROCESSO DE AVALIAÇÃO PEDAGÓGICA 
A importância do ensino em avaliação psicológica se constata em critérios 
e diretrizes de nossos conselhos psicológicos e educacionais, os quais indicam 
a obrigatoriedade desta temática na matriz curricular de cursos de psicologia de 
nosso país (NUNES et al. 2012). Essa formalidade se explica dentro da 
argumentação de que a avaliação psicológica, procedimento único ao psicólogo, 
está inserida em diversas oportunidades de atuação, áreas e temáticas 
(ALCHIERI; CRUZ, 2004). O profissional que se propõe ao ensino destas 
práticas sabe da importância do conhecimento em psicopatologia, psicometria, 
saúde mental, processos psicossociais, desenvolvimento humano e a atuação 
psicoterápica, entre outros importantes aspectos (ANASTASI; URBINA, 2000). 
O aluno é preparado para o processo de avaliação psicológica e deverá saber 
sobre importantes aspectos referentes ao início deste processo. Principalmente 
dentro do contexto ético. 
A ética é base fundamental do início do processo de avaliação psicológica. 
Parte-se do contexto de que este processo deve respeitar direitos e 
necessidades básicas humanas, cabidas as vertentes neurovegetativas, 
fisiológicas, comportamentais, emocionais e espirituais. Em outras palavras, o 
início do processo de avaliação psicológica consiste em perceber o contexto 
desta avaliação: a área (se clínica, hospitalar, comunitária, jurídica, educacional), 
a idade e gênero, o propósito, o histórico e a demanda, o local de atuação 
(PASQUALI, 2001). 
Deste modo, a avaliação, entendida como um todo que abrange 
procedimentos de observação e interpretação de pessoas e grupos, deve 
inicialmente respeitar preceitos éticos estabelecidos por regulamentações de 
nossa profissão, bem como o bom senso. 
Aos preceitos éticosregulamentados envolvem a preocupação em não 
submeter uma pessoa, ou grupo de pessoas, aos procedimentos de avaliação, 
caso as mesmas estejam sem condições emocionais, físicas e espirituais para 
este processo (CUNHA, 2000). Alguns casos podem ser exemplificados. Uma 
criança em situação de abuso sexual, com evidentes sintomas de transtornos 
mentais como depressão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático, 
18 
 
 
deve ser respeitada em sua menor habilidade para lidar com situações de 
testagem ou examinação psicológica que possam lhe ocasionar maior 
sofrimento psíquico. Neste caso, os testes projetivos e expressivos poderão 
auxiliar, desde que se considere o ritmo e os sinais de cansaço e sofrimento 
evidentes na criança, evitando haver maior estresse. Pacientes em situação de 
torpor devido a maiores doses de medicação não devem ser submetidos a 
testagens, considerando não estarem em estado natural para responder às 
demandas de testes. Deficiências e dificuldades físicas e mentais devem ser 
consideradas para a escolha de procedimentos de avaliação psicológica, assim 
como pessoas debilitadas por diferentes motivos. 
O cuidado com o tempo de avaliação muito extenso em pessoas com 
sofrimento psíquico deve sempre ser considerado. As crianças possuem 
peculiaridades que estão relacionadas ao seu desenvolvimento e que devem ser 
respeitadas. A menor capacidade de concentração e maior dispersão são alguns 
exemplos de aspectos comuns à faixa de desenvolvimento infantil. Bem como, 
nessa mesma linha, a dificuldade de explanar, de modo mais consciente e 
verbalmente coerente, uma série de sintomas que estão sendo vivenciados pela 
mesma. Ou seja, a criança indicará muito mais pelo seu comportamento sobre 
seus temores, anseios e fantasias. Comportamentos mais agressivos ou mais 
emotivos (choro) que destoem de outras crianças da mesma faixa etária, muitas 
vezes são importantes indicativos de sintomas psicopatológicos ou sofrimento 
psíquico não verbalizado. 
Os adolescentes podem verbalizar de modo mais coerente e consciente 
os seus sintomas. Entretanto, a fase adolescente também irá envolver muitas 
peculiaridades que devem ser consideradas. A maior angústia em relação aos 
aspectos interpessoais e à sexualidade são alguns dos importantes aspectos 
desta fase. A ambivalência e a pouca percepção de limites em relação à própria 
vida e a morte também são características a serem consideradas. As implicações 
de sentimentos de exclusão e rejeição, a procura por ídolos e as preocupações 
com o próprio corpo e imagem são outros exemplos desta fase. Em muitos 
casos, o adolescente em situação de avaliação psicológica não apresenta 
interesse em estar neste processo, principalmente em situações clínicas – 
havendo uma demanda familiar ou da escola que não condiz com suas vontades, 
19 
 
 
desejos e fantasias. Nestes casos, o início do processo de avaliação deverá 
consistir em uma abordagem direcionada ao jovem respeitando seus valores e 
vontades, impedindo-o de expor-se a riscos de vida, mas com a ciência de que 
haverá maiores tentativas de relutar ao processo avaliativo. 
As situações jurídicas são pertinentes a uma procura por casualidade e 
julgamento envolvendo culpabilidade e busca por tendências de 
comportamentos ou incidências de determinadas atuações consideradas 
inadequadas. Estes aspectos são muitas vezes o reflexo da demanda de 
profissionais da área jurídica, mais voltados aos trâmites de julgamento e 
culpabilidade. Neste contexto, exigem do psicólogo que lhes diga se aquela 
pessoa avaliada é culpada, vítima, se haverá reincidência... Estes aspectos não 
cabem ao profissional psicólogo responder. Entender as limitações do processo 
de avaliação psicológica também consiste em um bom início. Saber que se 
poderá indicar algumas tendências de comportamento, sintomas 
psicopatológicos (como indícios de psicopatia, por exemplo), existência de 
aspectos relativos ao quadro de estresse pós-traumático, verificação de 
possíveis vivências de abusos sexuais, morais e físicos ocasionando importante 
sofrimento psíquico. Mas, afirmar que uma pessoa foi realmente o assassino de 
alguém, que irá realmente matar outra pessoa, que deverá ficar reclusa um 
número específico de horas, não cabe ao psicólogo nem tampouco deve ser 
parte do laudo de avaliação psicológica. 
As pessoas em situação de estresse pós-traumático e/ou luto também 
necessitam de cuidados e atenção voltados ao processo de perda, sintomas 
depressivos e ansiogênicos. Para estas pessoas, um bom início será ater-se aos 
principais fatos históricos em suas vivências envolvendo o contexto de 
sofrimento acentuado. Não se pode começar um processo de avaliação 
psicológica que seja extremamente exaustivo, com perguntas excessivas, 
baterias de testes psicológicos e métodos de avaliação que se sabe propiciariam 
angústia durante a sua aplicação. 
Estes são apenas alguns exemplos de cuidados com o contexto e com as 
pessoas dentro deste contexto para o início do processo de avaliação 
psicológica. Deste modo, um bom início é considerar o quanto de sofrimento está 
presente na pessoa ou grupo. Isso virá como uma das primeiras informações 
20 
 
 
visíveis, geralmente, pelo psicólogo logo de imediato. Muitas vezes, como parte 
do contexto de avaliação, outras como primeiras impressões a respeito da 
pessoa, ou grupo, a ser avaliada. 
Evitar promessas perante o início deste processo também é pertinente. 
Ao ainda não saber sobre o desfecho da avaliação, o profissional não possui a 
menor condição de responder ou corresponder às muitas questões e pedidos 
que lhe são feitos por parte de familiares, colegas, amigos ou demais pessoas, 
todos relacionados com o grupo ou pessoa avaliada. Os pais de crianças e 
adolescentes em situação de avaliação pedem prazos para o resultado sobre o 
que está ocorrendo com seus familiares. Muitas vezes, perguntam se será 
possível haver cura, se eles se sentirão mais confortáveis perante o desfecho da 
avaliação. Nenhum destes aspectos é possível de ser previsto no início da 
avaliação. Alguns profissionais com longa experiência indicam datas fixas para 
o contato com o avaliando, mas mesmo nestas situações saber sobre o desfecho 
da avaliação é impossível. Afinal, este não é um campo de previsões mágicas 
sobre o futuro. 
Entender que alguns contextos serão mais hostis ao avaliador também é 
um bom começo. Principalmente em situações jurídicas de avaliação de pessoas 
em processo de julgamento por crimes graves ou em estado de doenças mentais 
agravadas pela perversão, sadismo e agressividade. Haverá uma tentativa maior 
de manipulação e simulação nestes casos, quase que premissa básica para este 
processo. Felizmente, podem-se perceber nítidas tentativas de simulação e 
manipulação de dados por meio da observação atenta do avaliador, indicando 
importantes sintomas psicopatológicos ou comportamentos mais inadequados. 
Respeitar a espiritualidade e religiosidade da pessoa ou grupo em 
avaliação também é um bom começo. Muitas pessoas possuem 
comportamentos comuns às suas comunidades espirituais que não 
necessariamente estão consideradas adequadas do ponto de vista psiquiátrico, 
psicológico ou mesmo social. Em outros casos, existem restrições quanto ao 
modo de relacionamento interpessoal entre avaliador e avaliando, como 
maneiras de cumprimentar, contato, verbalização. Considerar a abrangência e 
limitação da avaliação dentro deste contexto também é fundamental. 
21 
 
 
Deste modo, a avaliação psicológica consiste em usar de importantes 
instrumentos de análise da pessoa ou grupo, considerando a possibilidade de 
haver aspectos que irão alterar as limitações e abrangências deste 
procedimento. O bom início deste processo está relacionado com o respeito à 
pessoa e ao seu grupo, o contexto, a área, a demanda, conforme exemplificado. 
Os aspectos subjetivosda pessoa serão expostos neste processo, bem como a 
sua capacidade de perceber a realidade, a coerência do pensamento, o 
sofrimento emocional, os desejos, sonhos, expectativas e o comportamento 
interpessoal, além da autoestima e autoimagem (EXNER, 2004). 
O processo de avaliação requer um bom começo, assim como necessitará 
de um importante conhecimento e experiência para manter-se coerente com a 
abordagem necessária (CUNHA, 2000), finalizando em um importante resultado 
a ser apresentado para o(s) avaliando(s). O processo de avaliação, o feedback 
e o desfecho deste procedimento requerem um capítulo à parte. Talvez um tema 
para uma próxima comunicação breve. Saber começar não é suficiente, caso 
não se tenha consciência de todo o processo todo e das implicações do feedback 
e do desfecho deste processo. O acompanhamento de um supervisor para os 
casos onde o psicólogo ainda não possui experiência é fundamental. Deste 
modo, a coerência em todo o processo é extremamente relevante. Necessitando 
haver um começo, meio e fim adequados. 
 
Fonte: Avaliação Psicológica 
22 
 
 
ESTRATÉGIAS DE DIAGNÓSTICO E AVALIAÇÃO 
PSICOLÓGICA 
O conceito de diagnóstico tem origem na palavra grega diagnõstikós, que 
significa discernimento, faculdade de conhecer, de ver através de. Na forma 
como vem sendo utilizado, na atualidade, significa estudo aprofundado realizado 
com o objetivo de conhecer determinado fenômeno ou realidade, por meio de 
um conjunto de procedimentos teóricos, técnicos e metodológicos. 
Tradicionalmente usado na Medicina, o termo foi incorporado aos discursos e às 
práticas profissionais de diferentes áreas de conhecimento. No âmbito da 
Psicologia, as práticas de diagnóstico e avaliação psicológica tiveram, e têm 
ainda hoje, um papel fundamental na formação e constituição da identidade 
profissional do psicólogo. 
A avaliação psicológica é um procedimento clínico que envolve um corpo 
organizado de princípios teóricos, métodos e técnicas de investigação tanto da 
personalidade como de outras funções cognitivas, tais como: entrevista e 
observações clínicas, testes psicológicos, técnicas projetivas e outros 
procedimentos de investigação clínica, como jogos, desenhos, o contar estórias, 
o brincar etc. A escolha das estratégias e dos instrumentos empregados é feita 
sempre de acordo com o referencial teórico, o objetivo (clínico, profissional, 
educacional, forense etc.) e a finalidade (diagnóstico, indicação de tratamento 
e/ou prevenção), conforme Ocampo et al. (2005), Arzeno (2003) e Trinca 
(1984a). 
Nos últimos anos, o ensino e a prática da avaliação psicológica têm sido 
objetos de inúmeros estudos (JACQUEMIN, 1995; CUSTÓDIO, 1995; 
ANDRIOLA, 1996; GOMES, 2000; ALVES; ALCHIERE; MARQUES, 2001, e 
2002; ALCHIERE; BANDEIRA, 2002; NORONHA et al. 2003; AFFONSO, 2005). 
Embora desenvolvidos sob diferentes enfoques, todos eles têm preocupações 
comuns como a qualidade da formação em avaliação psicológica, o conteúdo 
das disciplinas, o uso e a validação dos testes psicológicos, e a integração 
ensino-aprendizagem e aplicação destes à prática profissional. 
Tais preocupações ganharam maior relevância com as crescentes críticas 
dirigidas aos testes psicológicos, entre elas, a falta de respaldo científico e o mau 
23 
 
 
uso e elaboração de laudos psicológicos, que em geral “rotulam” e repetem 
jargões psicológicos sem fundamentação teórica (PATTO, 1998). Tudo isso 
levou o Conselho Federal de Psicologia (CFP) a criar, em 1997, a Câmara 
Interinstitucional de Avaliação Psicológica, com o objetivo de fazer um 
diagnóstico das condições de ensino na área, e, posteriormente, implantar um 
Sistema de Avaliação dos Testes Psicológicos usados no Brasil. Com a 
implantação desse sistema e entrada em vigor da Resolução no 02/2003, o CFP 
passou a recomendar somente o uso dos testes avaliados com parecer favorável 
da Comissão Consultiva. Os demais, com parecer desfavorável ou ainda não 
avaliados, continuam sendo usados apenas em pesquisa. 
Embora essas medidas tenham sido cuidadas para dar maior 
cientificidade aos instrumentos, na opinião de alguns autores ocorre um 
fenômeno contraditório que diz respeito à desvalorização dos testes psicológicos 
nas práticas de avaliação. Por exemplo, Affonso (2005) comenta que, após a 
Resolução CRP no 02/2003 e divulgação da lista dos testes com condições de 
uso, docentes e profissionais tiveram que rever suas estratégias de diagnóstico 
e avaliação psicológica. Muitos cursos de Psicologia reduziram a oferta de 
disciplinas de testes psicológicos e técnicas projetivas e, também, alteraram o 
seu conteúdo para dar maior ênfase às técnicas de entrevistas e a outras áreas 
como a Psicologia Hospitalar, a Psicologia Jurídica etc. 
É possível que essa medida tenha acentuado um processo que já vinha 
em curso, conforme aponta pesquisa realizada por Alves, Alchieri e Marques 
(2001) sobre o panorama geral do ensino das técnicas de exame psicológico no 
Brasil. Segundo essa pesquisa, a média geral dos cursos avaliados (64) é de 
3,98 disciplinas, mas alguns têm apenas uma disciplina de testes e técnicas de 
avaliação psicológica. 
Sabe-se que essa desvalorização dos testes psicológicos e, por extensão, 
da área de avaliação psicológica é consequência também das mudanças 
ocorridas nas demandas de intervenção e atuação da Psicologia, na atualidade, 
em razão de novos processos de subjetivação e de questões sociais e políticas 
que interferem diretamente na qualidade de vida e saúde da população e exigem 
de nossas teorias e práticas constantes revisões e atualizações. Como apontam 
Féres-Carneiro e Lo Bianco (2005), no âmbito da Psicologia Clínica isso resultou 
24 
 
 
numa enorme expansão de abordagens teóricas – psicanalíticas, 
fenomenológico-existenciais, cognitivas, comportamentais, sistêmicas, corporais 
etc.; no desenvolvimento de novas modalidades de intervenção – grupal, 
familiar, comunitária; e na atuação em outros settings – instituições públicas e 
privadas, hospitais, unidades de saúde etc. Neste cenário, cresceram entre os 
alunos de Psicologia o ceticismo em relação aos testes psicológicos e o 
desinteresse pela área de avaliação psicológica. 
As críticas mais freqüentes dos alunos é que os testes “rotulam” e não são 
confiáveis como instrumentos de diagnóstico e avaliação da personalidade, 
segundo apontam pesquisas (PEREIRA; CARELLOS, 1995; GOMES, 2000). Daí 
a importância de envolver docentes e pesquisadores nessa discussão não só 
para resgatar o valor da área na formação profissional, mas, especialmente, para 
incorporar as recentes mudanças e oferecer aos alunos uma fundamentação 
teórica e técnica mais ampla que lhes permita trabalhar com criatividade e 
flexibilidade, com as inúmeras possibilidades de diagnóstico e avaliação, tendo 
em vista os diferentes contextos e necessidades. Sabe-se que, além das 
questões apontadas, a forma como essas técnicas são ensinadas interfere no 
interesse dos alunos, na apreensão e aplicação prática destas. Infelizmente, há 
professores que continuam reproduzindo mecanicamente o ensino de testes e 
técnicas sem nenhum questionamento ou articulação com as novas práticas e 
demandas da Psicologia. 
A Psicologia, assim como o desenvolvimento de suas práticas de 
avaliação psicológica, foi, ao longo da história, influenciada por duas principais 
tradições filosóficas: o positivismo e o humanismo. 
O positivismo, corrente filosófica que tem Augusto Comte (1973) como 
principal representante, defende o conhecimento objetivo, por meio da 
neutralidade científica e da experimentação. Essa corrente de pensamento 
fundamenta o método científico adotado pelas ciências naturais que foi, durante 
muito tempo, considerado “o modelo de ciência”. Na ótica positivista, o homem 
pode ser estudado como qualquer outro fenômeno da natureza, ou seja, pode 
ser tomado como um objeto de estudo observávele mensurável. 
25 
 
 
Apoiam-se nessa tradição as práticas de avaliação psicológica, 
identificadas com os modelos médico e psicométrico, que caracterizam a 
primeira fase de atuação profissional do psicólogo – práticas que valorizam o uso 
dos testes psicológicos, a eficiência e a objetividade do diagnóstico como forma 
de garantir a cientificidade da psicologia (TRINCA, 1984a; ANCONA-LOPEZ, 
1984). 
O modelo médico influenciou enormemente as práticas de avaliação 
psicológica, principalmente no início da expansão da Psicologia, quando os 
psicólogos atuavam, basicamente, como auxiliares do médico no diagnóstico 
diferencial de psicopatologias. Preocupados em avaliar com objetividade, para 
indicar o tratamento mais eficaz, os psicólogos incorporaram às suas práticas de 
avaliação características do modelo de diagnóstico médico, tais como: a ênfase 
nos sintomas, o uso da classificação nosológica e o emprego de testes (exames), 
para identificar determinadas características patológicas da personalidade do 
indivíduo. 
O modelo psicométrico manteve a preocupação de avaliar com 
objetividade e neutralidade e inaugurou uma fase de maior prestígio da 
Psicologia, em que os testes psicológicos passaram a ser usados na 
classificação e medida da capacidade intelectual e aptidões individuais. A 
Psicometria ampliou a área de atuação da Psicologia – da clínica para as áreas 
escolar (diagnóstico de dificuldades de aprendizagem das crianças) e 
profissional (seleção de indivíduos para funções específicas). Com essa 
expansão, o psicólogo ganhou maior autonomia: os resultados dos testes 
deixaram de ser obrigatoriamente entregues ao médico ou a outros profissionais; 
os próprios psicólogos começaram a prestar orientação aos pais e professores 
e até mesmo aos médicos. No modelo psicométrico, tornou-se menos importante 
detectar e classificar os distúrbios psicopatológicos; a ênfase passou a ser dada 
à identificação das diferenças individuais e orientações específicas. Esse modelo 
foi muito valorizado nos Estados Unidos, especialmente durante a Segunda 
Guerra Mundial, quando se atribuiu à Psicologia a função de selecionar 
indivíduos aptos e não-aptos para o exército, bem como avaliar os efeitos da 
guerra sobre os que retornavam (ANCONALOPEZ, 1984). 
26 
 
 
O humanismo apoia-se em correntes filosóficas que se contrapõem à 
visão positivista e questionam a aplicação do método das ciências naturais às 
ciências humanas. Defende que não é possível uma total separação entre o 
sujeito e o objeto de estudo, pois a subjetividade tem uma importância essencial: 
o sujeito está implicado com o seu objeto de estudo, ele constitui o objeto e é 
constituído por ele. Se todo o conhecimento é estabelecido pelo homem, não se 
pode negar a participação da sua subjetividade, portanto não é possível estudar 
o homem como um mero objeto fazendo parte do mundo, pois o mundo não 
passa de um objeto intencional para o sujeito que o pensa (ANCONA-LOPEZ, 
1984). 
Essa forma de pensar teve um papel marcante no desenvolvimento de 
uma Psicologia humanista, influenciada por vertentes teóricas ligadas 
principalmente à Fenomenologia e à Psicanálise que enfatizam a subjetividade, 
a intencionalidade, o sentido e o significado das experiências (e dos sintomas), 
o inconsciente e a relação entre sujeito e objeto de estudo. Entre suas principais 
influências, estão Heidegger e Freud (FIGUEIREDO, 2004). Contrapondo-se à 
visão reducionista da vertente positivista, a Psicologia humanista buscava uma 
compreensão global do homem, na apreensão do mundo e do seu significado. 
Sob esse influxo, passou-se a questionar os modelos de avaliação 
classificatória, baseados apenas nos testes psicológicos (estruturados e 
padronizados). Outras práticas de diagnóstico, mais identificadas com a 
Psicanálise e a Fenomenologia, foram surgindo dentro do chamado modelo 
psicológico, que deu origem ao psicodiagnóstico e a outros procedimentos de 
avaliação, como as entrevistas diagnósticas, com ou sem o uso de testes ou 
técnicas (estruturadas ou não) de investigação da personalidade. 
O psicodiagnóstico inaugurou uma nova visão da avaliação psicológica, 
diferente da realizada pelos “testólogos” da Psicometria. Ao adotar uma 
perspectiva clínica, mais identificada com a teoria psicanalítica ou 
fenomenológica, distanciou-se da preocupação com a neutralidade e a 
objetividade, passando a enfatizar a importância da subjetividade e dos aspectos 
transferenciais e contratransferenciais presentes na relação. E o uso dos testes 
passou a ser complementado com outros procedimentos clínicos, com o objetivo 
27 
 
 
de integrar os dados levantados nos testes e na história clínica, para obter uma 
compreensão global da personalidade. 
 No Brasil, o modelo de psicodiagnóstico, desenvolvido por Ocampo et al. 
(2005) e Arzeno (2003), tem norteado o trabalho de grande parte dos 
profissionais da área. Além dele, os modelos compreensivo (TRINCA, 1984a, 
1984b) e fenomenológico (ANCONA-LOPEZ, 1995; CUPERTINO, 1995; YEHIA, 
1995) também são bastante utilizados. O psicodiagnóstico proposto por Cunha 
(2000) é outra referência, não incluída no recorte aqui feito, mas igualmente 
importante no contexto brasileiro. 
 
 
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICAS: SITUAÇÃO, DESAFIOS E 
DIRETRIZES 
A Psicologia enquanto instituição deu passos gigantescos na 
regulamentação da testagem psicológica, disciplinando a construção, 
adaptação, comercialização e uso de testes, escalas e questionários, por 
exemplo, por outro não tem se definido quanto às competências requeridas para 
os psicólogos que atuam nesta área. Este quadro não parece ser recente 
(Pasquali, 2001), embora existam propostas de diretrizes a respeito (Nunes et 
al., 2012). Sem ser ou ter a pretensão de um tratado, este artigo se configura 
como um esforço em contribuir com esta área tão fundamental da Psicologia, 
permitindo pensar nos desafios enfrentados e avanços esperados. Para 
começar, é importante ter em conta o que diz a Lei n° 4.119, de 27 de agosto 
1962, que regulamenta o Conselho Federal de Psicologia (CFP) e a profissão de 
Psicólogo, em seu Art. 13, quando trata da competência privativa deste 
profissional: 
§ 1° Constitui função privativa do Psicólogo a utilização de métodos e 
técnicas psicológicas com os seguintes objetivos: 
a) Diagnóstico psicológico; 
b) Orientação e seleção profissional; 
c) Orientação psicopedagógica; 
28 
 
 
d) Solução de problemas de ajustamento. 
Dessas atribuições legais decorrem dois entendimentos: (1) a prática da 
Avaliação Psicológica é prerrogativa do psicólogo, constituindo conduta 
legalmente punível a sua realização por outro profissional; e (2) o psicólogo está 
habilitado a fazer uso de métodos e técnicas de avaliação psicológica, visando 
diagnosticar, orientar (profissional e pedagogicamente) e solucionar problemas 
de ajustamento. Quanto à primeira parte deste diploma legal, trata-se de norma 
cogente, que impõe a restrição da prática profissional da Avaliação Psicológica 
ao psicólogo; porém, a segunda parte é mais uma norma dispositiva, facultando 
ao psicólogo a realização das atividades indicadas. Portanto, o psicólogo pode 
realizá-las, mas não está obrigado a fazê-lo. 
Embora a preocupação com a formação em Avaliação Psicológica não 
seja recente (Hutz, & Bandeira, 2003; Pasquali, 2001), a maioria dos estudos a 
respeito começou há pouco mais de uma década. Por exemplo, Noronha (2006) 
analisou 41 ementas de disciplinas desta área de 38 cursos de Universidades 
brasileiras, segundo estavam disponíveis em seus sites. Ela observou que a 
carga horária média dos cursos de Psicologia foi de 4.320 horas, variando de 
3.240 a 5.724, sendo ofertadas de uma a sete disciplinas de Avaliação 
Psicológica (média de 3,29 disciplinas por curso). Os nomes das disciplinas 
variaram, porém se concentravam do primeiro ao quarto período (78%), 
abordandoprincipalmente aspectos instrumentais: técnicas de avaliação e 
aplicação, mensuração psicológica, técnicas projetivas e psicodiagnóstico. 
Um novo estudo foi realizado por Noronha e seus colaboradores (Noronha 
et al., 2008). Na ocasião, tiveram em conta 39 ementas de disciplinas 
relacionadas com Avaliação Psicológica em 14 Universidades distribuídas em 
oito Estados, cobrindo todas as regiões do Brasil. Estes autores criaram 16 
categorias de análise, tentando enquadrar os conteúdos das ementas; entre as 
mais citadas categorias de análise, encontraram-se técnicas projetivas, testes 
de personalidade, testes psicológicos e testes de inteligência. Provavelmente, 
este cenário reflete a abordagem mais tradicional da área, focada, sobretudo, 
em testes de inteligência e questionários de personalidade. 
29 
 
 
Em estudo mais recente, Finelli, Freitas e Cavalcanti (2015) analisaram 
as matrizes curriculares de 767 cursos de Psicologia distribuídos entre os 26 
Estados e o Distrito Federal, considerando disciplinas obrigatórias e optativas. 
Quanto às matrizes gerais, observaram variação de 974 a 9.700 horas (média 
de 4.257 horas por curso em todo o território nacional). Constataram, ainda, que 
a carga horária dedicada à Avaliação Psicológica variava de 36 a 640 horas, 
tendo média de 257 horas por curso. Sua conclusão foi de que tem sido dedicado 
pouco tempo ao ensino de Avaliação Psicológica, sobretudo em razão de esta 
ser uma atribuição exclusiva do psicólogo. 
Como fizeram Noronha (2006), Noronha et al. (2008), Freires, Silva Filho, 
Pereira, Loureto e Gouveia (2017) também consideraram como unidade de 
análise as ementas das disciplinas. Entretanto, estes autores se concentraram 
na região Norte, escassamente considerada em estudos prévios, e inovaram o 
tipo de análise: realizaram análise automatizada de conteúdo (programa 
Iramuteq). Eles consideraram as ementas de disciplinas de Avaliação 
Psicológica de 28 dos 36 cursos de Psicologia da Região, observando que, entre 
disciplinas obrigatórias, optativas e estágios, houve mais de 50 denominações, 
embora prevalecessem as de Psicodiagnóstico, Técnicas de Avaliação 
Psicológica, Técnicas de Exame Psicológico, Psicometria e Avaliação 
Psicológica. A análise de conteúdo dessas ementas permitiu identificar sete 
classes: construção de medidas, aplicação e interpretação, construtos, 
entrevista, psicodiagnóstico, planejamento da sessão e ênfase em Avaliação 
Psicológica. A análise da “nuvem de palavras” teve como centro da distribuição 
espacial o vocábulo avaliação psicológica, que se atrelou às palavras processo, 
instrumento, teste, técnica, psicodiagnóstico e aplicação. 
Assim, mostrando a pluralidade de terminologias e ênfases da Avaliação 
Psicológica. Não há um padrão, mesmo dentro da mesma Região (Freires et al., 
2017), variando as nomenclaturas e o número de disciplinas e horas dedicadas 
à formação, coerente com estudos prévios (Alchieri, & Bandeira, 2002; Finelli et 
al., 2015; Noronha, 2006). Talvez o ponto mais converge diga respeito à ênfase 
em construtos recorrentes na Avaliação Psicológica, como inteligência e 
personalidade, quer avaliados por técnicas projetivas ou psicométricas (Alves, 
Alchieri, & Marques, 2002; Noronha et al., 2008). 
30 
 
 
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2018. Disponível em: 
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