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doenças sexualmente trasmissiveis

Dissertação sobre infecções sexualmente transmissíveis (sífilis, Neisseria gonorrhoeae e AIDS) que apresenta definição e vias de transmissão das IST, dados epidemiológicos, sintomas, tratamento e medidas de saúde pública; inclui capítulo detalhado sobre gonorreia: agente, patogênese, complicações e controle.

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Moisa Gomes Santos Braga, Valeria Martins de Oliveira Cruz, Almira Meireles Vieira, Darlene Gonçalves Celestino, Brenda Gonçalves Batista, Anabela Batista Ferreira, Maria Luísa Martins Oliveira.
 
 
 
 
 
INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMÍSSIVEIS
Syphilis, Neisseria gonorrhoeae e acquired immunodeficiency syndrome.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Machacalis 
2023 
 
Moisa Gomes Santos Braga, Valeria Martins de Oliveira Cruz, Almira Meireles Vieira, Darlene Gonçalves Celestino, Brenda Gonçalves Batista, Anabela Batista Ferreira, Maria Luísa Martins Oliveira. 
 
 
INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMÍSSIVEIS 
Syphilis, Neisseria gonorrhoeae e acquired immunodeficiency syndrome. 
 
 
 
 
 
 
Dissertação apresentada ao Programa de Bolsa 
 Aprendizagem em Saúde da Universidade AlfaUnipac 
Almenara polo de Machacalis. Área de Concentração:
 Doenças sexualmente transmissíveis: sífilis, gonorreia e AIDS. 
 
 
 
 
 
Machacalis 
2023 
 Sumário
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Resumo 
 
Transar sem camisinha é muito bom. Ninguém discorda. Mas é necessário ponderar o que é mais importante: o prazer ou a saúde. O fato é que os casos de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), como AIDS, sífilis e gonorreia, crescem em todo planeta.
 E o Brasil não foge à regra. “Mas isso nunca vai acontecer comigo”. Se você pensa assim, é bom ficar esperto. Só no Brasil, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que, entre a população sexualmente ativa, existam 1,9 milhão casos de clamídia; 1,5 milhão de gonorreia; 937 mil de sífilis; 685 mil de HPV; 640 mil de herpes genital; e 590 mil soropositivos de HIV. 
A maioria das doenças ainda tem um complicador: são silenciosas e só se manifestam quando os sintomas já estão na fase mais aguda. E em muitos casos elas estão ficando resistentes aos antibióticos mais utilizados. Por isso é importante conhecer o que são, seus sintomas e os possíveis tratamentos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO
As Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) são causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos. Elas são transmitidas, principalmente, por meio do contato sexual (oral, vaginal, anal) sem o uso de camisinha masculina ou feminina, com uma pessoa que esteja infectada. 
A transmissão de uma IST pode acontecer, ainda, da mãe para a criança durante a gestação, o parto ou a amamentação. De maneira menos comum, as IST também podem ser transmitidas por meio não sexual, pelo contato de mucosas ou pele não íntegra com secreções corporais contaminadas. 
O tratamento das pessoas com IST melhora a qualidade de vida e interrompe a cadeia de transmissão dessas infecções. O atendimento, o diagnóstico e o tratamento são gratuitos nos serviços de saúde do SUS. 
A terminologia Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) passou a ser adotada em substituição à expressão Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), porque destaca a possibilidade de uma pessoa ter e transmitir uma infecção, mesmo sem sinais e sintomas. Se não tratadas adequadamente, podem provocar diversas complicações e levar a pessoa, inclusive, à morte. 
 
1.GONORRÉIA 
A gonorreia é uma infecção bacteriana frequente, causada pela Neisseria gonorrhoeae, um diplococo Gram-negativo de transmissão quase que exclusiva através de contato sexual ou perinatal. Primariamente afeta membranas mucosas do trato genital inferior, e mais raramente, as mucosas do reto, orofaringe e conjuntiva. A infecção genital ascendente na mulher leva a uma complicação séria, a salpingite aguda, uma das principais causas de infertilidade feminina. A partir dos anos 90, deu-se início a um novo tempo no que se refere a descobertas sobre a patogenia da gonorreia e seu agente etiológico. 
O controle da gonorreia tem sido difícil na maioria das populações, e essa permanece um exemplo da influência que os fatores sociais, comportamentais e demográficos exercem na epidemiologia de uma doença infecciosa. O manejo da gonorreia e de outras doenças sexualmente transmissíveis requer tanto o tratamento do paciente e de seu parceiro sexual como medidas de saúde pública para interromper a transmissão da infecção e evitar complicações a longo prazo.
Figura 1.1
A N. gonorroheae primariamente infecta o epitélio colunar. A ligação ao epitélio mucoso, mediada em parte pelos pilli e pela proteína Opa, é seguida em 24-48 horas pela penetração do organismo entre e através das células epiteliais para chegar ao tecido submucoso. Há resposta vigorosa de polimorfonucleares, com descamação do epitélio, desenvolvimento de micro abscessos submucosos e formação de exsudato.
Após contato sexual do parceiro fonte com o novo hospedeiro e vencidas as barreiras naturais da mucosa, e em período de incubação relativamente curto (2 a 5 dias), a infecção evoluirá para doença27. Dar-se-á um processo localizado autolimitado em alguns casos sem maiores repercussões, enquanto em outros ocorrerão complicações no próprio aparelho urogenital ou a distância, provocando alterações sistêmicas.
 É a segunda infecção bacteriana sexualmente transmissível mais prevalente globalmente, ficando atrás apenas da Clamídia. A doença está associada com alta morbidade e consequências socioeconômicas e continua a ser um problema de saúde pública em todo o mundo (NAKAYAMA et al.,2011). 
Se a doença não for tratada, o agente etiológico progride sua multiplicação podendo se instalar e comprometer o funcionamento de tecidos e órgãos. O local infectado de maior prevalência pela N. gonorrhoeae é a uretra, causando ardor e secreção purulenta. Esta doença pode ser semelhante com muitas outras, portanto, o diagnóstico deve primeiro passar pela suspeita clínica através de uma boa anamnese com enfoque principal no sexo desprotegido e nos sintomas de lesões genitais e manifestações na pele. E para diferenciar de outras doenças sexualmente transmissíveis (DST), como AIDS, sífilis e clamídia, são necessárias obter teste especifica para esta doença (MURRAY et al., 2000).
Figura1.2
 O tratamento recomendado para essas infecções é um medicamento de terceira geração de cefalosporinas ou adição de fluoroquinolona ao antibiótico (ex. eritromicina) contra coinfecções possíveis de Chlamydia trachomatis. Parceiros sexuais devem ser avaliados e tratados. Nos EUA, os agentes antimicrobianos recomendados são: ceftriaxona; cefixima; ou, oflaxacina (MURRAY et al., 2000).
Figura 1.3
 	 
Figura 1.4
2. SIFILIS
A sífilis congênita é uma doença infecciosa provocada pela bactéria espiroqueta Treponema pallidum e está entre as infecções perinatais mais frequentes no Brasil.
A incidência da sífilis congênita representa um importante indicador da qualidade da atenção materno-infantil e estima-se que a cada ano 12 mil recém-nascidos no Brasil apresentem a doença. A sífilis é causada pela infecção pelo Treponema pallidum e apresenta altas taxas de transmissão vertical, podendo chegar a 100% nas duas primeiras fases da doença materna. 
Figura 2.1
A prevalência brasileira da doença é de 1,6% entre as parturientes, porém estima-se que possa haver uma subnotificação de até 67%, mesmo com o uso do Sistema Nacional de Notificações. A prevenção da sífilis congênita é realizada unicamente no pré-natal, não podendo ser feita no Inter parto ou pós-natal, fato que ressalta a relação direta entre a frequência da enfermidade e a qualidade dos serviços de atenção básica e saúde da mulher. 
Figura 2.2
O diagnóstico da sífilis gestacional é simples e a doença deve ser rastreada em todas as gestantes. O tratamento é, no geral, realizado com penicilina e deve estender- -se aos parceiros sexuais. Não tratar, ou tratar inadequadamente, a sífilis congênita pode resultar em abortamento, prematuridade, complicações agudas e outras sequelas fetais.
A sífilis pode apresentar várias manifestações clínicas e diferentes estágios (primária, secundária, latente e terciária).Nos estágios primário e secundário da infecção, a possibilidadede transmissão é maior. Em formas mais graves da doença, como no caso da sífilis terciária, se não houver o tratamento adequado, pode levar a pessoa à morte.
Sífilis primária: ferida, geralmente única, no local de entrada da bactéria (vulva, vagina, pênis, colo uterino, ânus, boca ou outro local da pele), que aparece entre 10 e 90 dias após o contágio. Essa lesão é rica em bactérias. Normalmente não dói, não coça, não arde e não tem pus, podendo estar acompanhada de ínguas (caroços) na virilha.
Sífilis secundária: os sinais e sintomas aparecem entre 6 semanas e 6 meses do aparecimento e cicatrização da ferida inicial. Pode ocorrer manchas no corpo, que geralmente não coçam, incluindo palmas das mãos e plantas dos pés. Essas lesões são ricas em bactérias. Pode ocorrer febre, mal-estar, dor de cabeça e ínguas pelo corpo.
Sífilis latente: fase assintomática (quando o paciente é portador da infecção, mas não apresenta sinal e/ou sintomas). É dividida em sífilis latente recente (até um ano de infecção) e sífilis latente tardia (mais de um ano de infecção). Sabe-se que a maioria dos diagnósticos ocorrem nesse estágio, sendo realizado exclusivamente por meio dos testes treponêmicos e não treponêmicos.
Sífilis terciária: pode surgir de 2 a 40 anos depois do início da infecção. Costuma apresentar sintomas como lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo levar à morte.
Figura 2.3
3.AIDS
A aids é a doença causada pela infecção do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV é a sigla em inglês). Esse vírus ataca o sistema imunológico, que é o responsável por defender o organismo de doenças. As células mais atingidas são os linfócitos T CD4+. O vírus é capaz de alterar o DNA dessa célula e fazer cópias de si mesmo. Depois de se multiplicar, rompe os linfócitos em busca de outros para continuar a infecção.
A epidemia da infecção pelo HIV e da AIDS constitui fenômeno global, dinâmico e instável, traduzindo-se por verdadeiro mosaico de sub-epidemias regionais. Resultante das profundas desigualdades da sociedade brasileira, a propagação da infecção pelo HIV e da AIDS revela epidemia de múltiplas dimensões que vem sofrendo transformações epidemiológicas significativas. Inicialmente restrita aos grandes centros urbanos e marcadamente masculina, a atual epidemia do HIV e da AIDS caracteriza-se pelos processos de heterossexualização, feminização, interiorização e pauperização.
 As mudanças no perfil da AIDS no Brasil devem-se à difusão geográfica da doença a partir dos grandes centros urbanos em direção aos municípios de médio e pequeno porte, ao aumento da transmissão por via heterossexual e ao persistente crescimento dos casos entre usuários de drogas injetáveis. O aumento da transmissão por contato heterossexual implica no crescimento substancial de casos em mulheres, o qual tem sido apontado como uma das mais importantes características do atual quadro da epidemia no Brasil.
Figura 3.1
Figura 3.2
Figura 3.3
A identificação, em 1981, da síndrome da imunodeficiência adquirida, habitualmente conhecida como AIDS, tornou-se um marco na história da humanidade. A epidemia da infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) e da AIDS representa fenômeno global, dinâmico e instável, cuja forma de ocorrência nas diferentes regiões do mundo depende, entre outros determinantes, do comportamento humano individual e coletivo. A AIDS destaca-se entre as enfermidades infecciosas emergentes pela grande magnitude e extensão dos danos causados às populações e, desde a sua origem, cada uma de suas características e repercussões tem sido exaustivamente discutida pela comunidade científica e pela sociedade em geral.
O HIV é um retrovírus, classificado na subfamília dos Lentiviridae e é uma Infecção Sexualmente Transmissível. Esses vírus compartilham algumas propriedades comuns, como por exemplo:
período de incubação prolongado antes do surgimento dos sintomas da doença;
infecção das células do sangue e do sistema nervoso;
supressão do sistema imune.
A transmissão do HIV e, por consequência da AIDS, acontece das seguintes formas:
Sexo vaginal sem camisinha.
Sexo anal sem camisinha.
Sexo oral sem camisinha.
Uso de seringa por mais de uma pessoa.
Transfusão de sangue contaminado.
Da mãe infectada para seu filho durante a gravidez, no parto e na amamentação.
Instrumentos que furam ou cortam não esterilizados.
Quando ocorre a infecção pelo vírus causador da aids, o sistema imunológico começa a ser atacado. E é na primeira fase, chamada de infecção aguda, que ocorre a incubação do HIV (tempo da exposição ao vírus até o surgimento dos primeiros sinais da doença). Esse período varia de três a seis semanas. E o organismo leva de 30 a 60 dias após a infecção para produzir anticorpos anti-HIV. Os primeiros sintomas são muito parecidos com os de uma gripe, como febre e mal-estar. Por isso, a maioria dos casos passa despercebida.
A próxima fase é marcada pela forte interação entre as células de defesa e as constantes e rápidas mutações do vírus. Mas isso não enfraquece o organismo o suficiente para permitir novas doenças, pois os vírus amadurecem e morrem de forma equilibrada. Esse período, que pode durar muitos anos, é chamado de assintomático.
Com o frequente ataque, as células de defesa começam a funcionar com menos eficiência até serem destruídas. O organismo fica cada vez mais fraco e vulnerável a infecções comuns. A fase sintomática inicial é caracterizada pela alta redução dos linfócitos T CD4+ (glóbulos brancos do sistema imunológico) que chegam a ficar abaixo de 200 unidades por mm³ de sangue. Em adultos saudáveis, esse valor varia entre 800 a 1.200 unidades. Os sintomas mais comuns nessa fase são: febre, diarreia, suores noturnos e emagrecimento.
A baixa imunidade permite o aparecimento de doenças oportunistas, que recebem esse nome por se aproveitarem da fraqueza do organismo. Com isso, atinge-se o estágio mais avançado da doença, a aids. Quem chega a essa fase, por não saber da sua infecção ou não seguir o tratamento indicado pela equipe de saúde, pode sofrer de hepatites virais, tuberculose, pneumonia, toxoplasmose e alguns tipos de câncer. Por isso, sempre que você transar sem camisinha ou passar por alguma outra situação de risco, procure uma unidade de saúde imediatamente, informe-se sobre a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) e faça o teste.
Nos últimos anos, foram obtidos grandes avanços no conhecimento da patogênese da infecção pelo HIV e várias drogas anti-retrovirais em uso combinado, chamado de “coquetel”, se mostram eficazes na elevação da contagem de linfócitos T CD4+ e redução nos títulos plasmáticos de RNA do HIV (carga viral), diminuindo a progressão da doença e levando a uma redução da incidência das complicações oportunísticas, uma redução da mortalidade, uma maior sobrevida, bem como a uma significativa melhora na qualidade de vida dos indivíduos.
A partir de 1995, o tratamento com monoterapia foi abandonado, passando a ser recomendação, do Ministério da Saúde, a utilização de terapia combinada com 2 ou mais drogas antiretrovirais. São numerosas as possibilidades de squemas terapêuticos indicados pela Coordenação Nacional de DST e AIDS, que variam, em adultos e crianças, com curso ou não de doenças oportunísticas, com tamanho da carga viral e dosagem de CD4+.
Por esse motivo, recomenda-se a leitura do “Recomendações para Terapia Anti-Retroviral em Crianças Infectadas pelo HIV-2004” e do “Recomendações para Terapia Anti-Retroviral em Adultos e Adolescentes Infectados pelo HIV-2004”, ambos distribuídos pelo Ministério da Saúde e Secretarias Estaduais de Saúde para instituições que manejam esses pacientes. Não menos importante é enfatizar que o Brasil é um dos poucos países que financia integralmente a assistência ao paciente com aids, com uma estimativa de gastos, de 2% do orçamento nacional.
Conclusão 
Referências bibliográficas
MURRAY, P. R.;ROSENTHAL, K. S.; KOBAYASHI, G. S.; PFALLER, M. A. Microbiologia médica.3.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 2000,p.191
NAKAYAMA, J. K. AND MAGNUS U. S. , S. H. , K. I. , S.M. O. , D. G. , KEN SHIMUTA, T. Antimicrob. Agents Chemother.July 2011 vol. 55 no. 7 3538-3545
Neisseria gonorrhoeae and Neisseria meningitidis. Archives of Internal Medicine, 1987 vol. 55 no. 7 3538-3545.
TAPSALL, J. W., F. NDOWA, D. A. LEWIS, AND M. UNEMO. 2009. Meeting thepublic health challenge of multidrug- and extensively drug-resistant Neisseria gonorrhoeae. Exp. Rev. Anti Infect. Ther. 7:821–834.
World Health Organization. Global prevalence and incidence of selected curable sexually transmitted infections: overview and estimates. Geneva: WHO; 20011
https://www.sanarmed.com/resumo-sifilis-congenita-ligas
https://www.saude.pr.gov.br/Pagina/HIVAids#:~:text=A%20aids%20%C3%A9%20a%20doen%C3%A7a,s%C3%A3o%20os%20linf%C3%B3citos%20T%20CD4%2B.

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