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GUIA COMPLETO
DE REVISÃO OSCE
Módulos:
I. Ginecologia e Saúde do Homem
II. Obstetrícia
III. Toxicologia e Animais Peçonhentos
Material de Revisão Avançada, Checklists e Dicas Práticas
para Exames Clínicos Estruturados
MÓDULO I: GINECOLOGIA E SAÚDE DO
HOMEM
Este módulo aborda de forma aprofundada os passos e cuidados exigidos nos
exames ginecológicos e proctológicos (saúde do homem). No cenário de OSCE,
a comunicação com a(o) paciente, a solicitação de consentimento e a
delicadeza no exame físico são tão avaliadas quanto a técnica semiológica.
1. Exame de Inspeção da Genitália Externa (Feminina)
A avaliação da genitália externa feminina requer um ambiente privativo,
ético e empático. A avaliação é dividida em inspeção estática e dinâmica.
Passo 1: Apresentação e Preparo
Identifique-se para a paciente e informe que realizará a inspeção da
genitália externa. Explique detalhadamente o exame e garanta que ela
pode interrompê-lo a qualquer momento. Entregue o avental
(orientando a abertura para trás) e solicite o esvaziamento da bexiga. 
Passo 2: Ambiente e Posicionamento
Chame uma testemunha (acompanhante ou profissional de saúde).
Tranque a sala para garantir total privacidade. Posicione a paciente em
posição ginecológica (litotomia). Ajuste a cabeceira para manter o
contato visual contínuo. 
Passo 3: Assepsia e Abordagem Inicial
Higienize as mãos e calce as luvas. Inicie o contato físico de maneira
gradual, tocando primeiramente a face interna das coxas antes de
seguir para a vulva. Afaste suavemente os grandes e pequenos lábios
para adequada visualização. 
Passo 4: Inspeção Estática
Avalie sistematicamente: 
Monte púbico: Pilificação (adequada a idade/sexo), lesões,
abaulamentos.
Vulva (geral): Trofismo (trófica ou atrófica em pós-menopausadas).
Grandes e pequenos lábios: Simetria, coloração, presença de lesões
ou nódulos.
Clitóris: Tamanho (Toque Retal e Próstata
Usando luvas e abundante lubrificante (frequentemente com lidocaína
gel 2%), realize o estímulo do reflexo perianal. Introduza o dedo
indicador suavemente durante o relaxamento. 
Avalie o tônus do esfíncter anal (solicite que contraia).
Varra todas as paredes retais buscando massas ou impactação fecal.
Palpação da Próstata (parede anterior do reto): Descreva o
tamanho (volume normal ~20g, tamanho de castanha), os limites/
sulco mediano, consistência (fibroelástica é normal, endurecida
sugere câncer), superfície (lisa vs. nodular) e dor (sugestivo de
prostatite aguda).
MÓDULO II: OBSTETRÍCIA
O exame obstétrico é vital para acompanhar o bem-estar materno-fetal, o
desenvolvimento adequado da gestação e preparar o planejamento do parto.
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1. Exame Físico Obstétrico: Abdome
Inicia-se com o posicionamento adequado: gestante em decúbito dorsal, com
o abdome totalmente exposto, com a bexiga previamente esvaziada.
Medida da Altura de Fundo Uterino (AFU)
Utiliza-se a fita métrica a partir da borda superior da sínfise púbica. A
mão deve permanecer em pé (perpendicular ao abdome), pinçando a
fita entre os dedos indicador e médio para demarcar o limite superior
do fundo uterino. 
Marcos cronológicos: 12 semanas (borda sínfise púbica); 20
semanas (cicatriz umbilical); 36 semanas (margem costal).
Fatores que superestimam: Obesidade, polidrâmnio, gestação
múltipla, macrossomia fetal.
Fatores que subestimam: RCIU, oligodrâmnio, erro de datação, feto
transverso.
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Manobras de Leopold (Palpação Obstétrica)
A palpação sistemática a partir da 28ª semana para determinar a
estática fetal. 
1º Tempo (Fundo Uterino): Avalia a situação e o polo fetal no
fundo. Pólo pélvico é macio, irregular e não balota; pólo cefálico é
duro, liso, arredondado e balota.
2º Tempo (Dorso Fetal): Desliza-se as mãos pelas laterais do
abdome para encontrar o dorso (superfície contínua e resistente) e
os membros (pequenos e irregulares). Define a Posição Fetal.
3º Tempo (Mobilidade): Preensão do pólo inferior acima da sínfise
púbica com polegar e dedo médio para verificar a mobilidade da
apresentação (se está insinuado ou móvel).
4º Tempo (Insinuação): O examinador vira de costas para a cabeça
da paciente e tenta aprofundar as mãos na pelve. Determina o grau
de penetração da apresentação fetal.
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Ausculta dos Batimentos Cardíacos Fetais (BCF)
Localize o foco de ausculta baseado no dorso fetal (2º tempo de
Leopold). Para apresentações cefálicas, escuta-se nos quadrantes
inferiores. 
Sonar Doppler: Pode ser usado a partir de 10-12 semanas.
Estetoscópio de Pinard: A partir de 20 semanas.
Ausculta-se por 1 minuto inteiro. O padrão normal varia entre 110 a
160 bpm. Valores > 160 indicam taquicardia;importantes são as serpentes, aranhas e escorpiões.
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3.1. Ofidismo (Serpentes)
Gênero Mecanismo/Clínica Tratamento e Conduta
Botrópico
(Jararaca) -
90%
Ação proteolítica, coagulante e
hemorrágica. Dor intensa no
local, edema volumoso,
equimoses, sangramentos
generalizados (gengivorragia,
hematúria). Risco de Síndrome
Compartimental.
Soro Antibotrópico
(SAB). Manter membro
elevado. Avaliar
necessidade de fasciotomia
se síndrome
compartimental.
Crotálico
(Cascavel) -
8%
Ação neurotóxica e miotóxica.
Fascies miastênica (ptose
palpebral bilateral), diplopia,
oftalmoplegia, mialgia difusa
severa e urina cor de coca-cola
(mioglobinúria). Risco agudo de
Insuficiência Renal.
Soro Anticrotálico (SAC).
A hidratação alcalinizante
agressiva é vital para
salvar os rins da necrose
tubular aguda (NTA) por
mioglobina.
Elapídico
(Coral) - 1%
Ação neurotóxica pura. Bloqueio
neuromuscular rápido. Fascies
miastênica precoce, paralisia
flácida descendente,
insuficiência respiratória
iminente aguda. O edema local é
inexistente.
Soro Antielapídico. IOT
imediata ao menor sinal
de falência respiratória.
Avaliar uso de
Neostigmina como
adjuvante em alguns
centros.
3.2. Aracnídeos (Aranhas e Escorpiões)
Loxoscelismo (Aranha Marrom): Aranha de hábitos noturnos e intra-
domiciliares. O veneno é esfingomielinase-D. A picada inicial é indolor.
Horas a dias depois, a lesão evolui para a clássica "placa marmórea"
(áreas de isquemia mescladas com hemorragia e necrose) que pode
necrosar profundamente. Forma cutâneo-visceral: Hemólise maciça, CIVD
e insuficiência renal aguda. Tratamento inclui o Soro Antiaracnídico
(SAA), corticoides em alguns protocolos e manejo de feridas complexas.
Phoneutrismo (Armadeira): Aranha agressiva. Ação fortemente
neurotóxica. A picada gera uma dor lancinante e brutal de início súbito,
com irradiação até a raiz do membro. Sintomas sistêmicos: Agitação,
sudorese profusa, sialorreia, hipertensão, arritmias e, ocasionalmente em
crianças ou casos graves, priapismo. Tratamento é focado em analgesia
intensa (bloqueio anestésico local frequentemente necessário), e soro
específico para quadros sistêmicos graves.
Escorpionismo (Tityus serrulatus): Picada imensamente dolorosa. O
veneno age como ativador de canais de sódio, causando descarga
adrenérgica e colinérgica simultânea. Casos leves apresentam apenas dor
local intolerável. Casos graves (muito comuns e letais em crianças
pequenas): Edema agudo de pulmão (EAP) cardiogênico ou não
cardiogênico, choque cardiogênico, taquicardia seguida de bradicardia e
convulsões. Tratamento em casos moderados e graves exige UTI e o uso
de Soro Antiescorpiônico (SAE) precoce, além de bloqueio anestésico com
lidocaína sem vasoconstritor no membro acometido para a dor.
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Atenção Máxima em Escorpião
Em acidentes por escorpião com crianças menores de 12 anos e idosos,
qualquer sintoma sistêmico (vômitos que aparecem após a dor local,
agitação severa, sudorese e taquicardia) classifica imediatamente o caso
como grave/muito grave. O manejo demanda infusão rápida de Soro
Antiescorpiônico venoso (no mínimo 3 a 6 ampolas) e retaguarda de CTI
imediata pelo alto risco de falência miocárdica e EAP nas primeiras
horas pós-picada. 
ANEXO ESTRATÉGICO PARA O OSCE
Para concluir a revisão para o Exame Prático OSCE, revise esta tabela resumo
com as habilidades comportamentais e os chamados "pontos bônus" (Soft
Skills) que garantem ou subtraem décimos preciosos da sua nota nas
estações.
Habilidade
Comportamental
Como deve ser executada
Apresentação e
Empatia
Sempre entrar na sala dizendo o próprio nome, a
especialidade ou cargo, confirmar o nome do paciente,
manter o contato visual. Em casos de dor aguda,
oferecer analgesia antes de continuar o interrogatório
se possível.
Consentimento e
Privacidade
Antes de qualquer toque (especialmente em
ginecologia, proctologia ou obstetrícia), você DEVE dizer
em voz alta que vai providenciar um ambiente
privativo (trancar portas, chamar a enfermagem como
testemunha) e pedir a autorização expressa do
paciente.
Segurança do
Paciente
"Higienizei minhas mãos". Pode não haver pia, mas
você precisa verbalizar. Uso de luvas deve ser
mencionado, especificando se são luvas de
procedimento padrão ou luvas estéreis (como no toque
em bolsa rota).
Instruções Claras
Pacientes (atores) do OSCE não adivinham as manobras.
Você deve instruí-los: "Sra. Maria, peço que coloque as
pernas nesses apoios e deslize o quadril para a beirada.
Vai sentir um gel gelado agora, e um pequeno incômodo
da introdução do dedo, se a senhora não aguentar a dor
avise que eu paro".
Durante os exames físicos de obstetrícia (escutar BCF)
ou aferição de sinais, deve-se comunicar em voz alta
Feedbacks
Imediatos
para o avaliador e para a paciente os resultados: "O
coração do bebê está batendo a 140 por minuto, o que é
um sinal maravilhoso e indica vitalidade".
Material Sintético Elaborado a partir dos Checklists de P4 e M3.
Desenvolvido para apoio em OSCE e Metodologias Ativas Médicas.
	Guia Completode Revisão OSCE
	MÓDULO I: GINECOLOGIA E SAÚDE DO HOMEM
	1. Exame de Inspeção da Genitália Externa (Feminina)
	2. Exame Especular
	3. Exame de Toque Vaginal Bimanual
	4. Exame Clínico das Mamas
	5. Exame Anorretal (Saúde do Homem e Proctologia)
	MÓDULO II: OBSTETRÍCIA
	1. Exame Físico Obstétrico: Abdome
	2. Exame de Toque Vaginal Obstétrico
	MÓDULO III: TOXICOLOGIA E ANIMAIS PEÇONHENTOS
	1. Abordagem Inicial: O Protocolo ABCDE Toxicológico
	2. Intoxicações por Depressores e Álcoois
	3. Acidentes por Animais Peçonhentos
	3.1. Ofidismo (Serpentes)
	3.2. Aracnídeos (Aranhas e Escorpiões)
	ANEXO ESTRATÉGICO PARA O OSCE

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