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Aula 1 – Civilização Egípcia e Mesopotâmica 15 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Assinale o que é FALSO sobre a civilização egípcia. a) O Estado egípcio era uma monarquia despótica, em que o soberano era um deus. Todas as regiões do Egito eram consideradas como de sua propriedade; b) Devido a importância da religião para os antigos egípcios, os sacerdotes, oriundos da aristocracia, acumularam riqueza e poder; c) A ideologia religiosa era dominante na sociedade do Antigo Egito, influenciando a vida econômica e dando origem a toda uma produção política, jurídica e cultural; d) A elevação de Amon, o deus protetor da cidade de Tebas, à condição de divindade dinástica e nacional, acarretava poder e prestígio para os sacerdotes que cuidavam de seu culto; e) O principal objetivo da reforma religiosa feita no Novo Império estabelecendo a crença apenas em Amon, o deus Sol, abolindo o politeísmo, era o de reforçar o monarquia, enfraquecendo o poderio crescente do clero de Aton em Tebas. Questão 14 A religião tinha uma importância muito grande na civilização do Antigo Egito e podemos apontar entre as suas características as seguintes: a) ausência de antropomorfismo, proibição do culto de imagens e de culto de animais sagrados; b) materialista e mundana, só servia ao Estado e não se preocupava com a imortalidade da alma e a outra vida; c) monoteísta e espiritualista, não estava ligada à vida econômica, nem aos interesses do Estado; d) politeísta, acreditava na imortalidade da alma, no julgamento dos mortos e na existência de um lugar de repouso para os justos; e) Monoteísta, fundada na crença da vinda de um Messias libertador. Questão 15 No Egito Antigo predominava o modo de produção asiático. Em relação a este modo de produção, é incorreto afirmar: a) o Estado dirigia a economia e controlava a produção; b) havia uma base social formada por comunidades aldeãs; c) a Classe Dominante, mais ou menos identificada com o Estado, explorava as comunidades aldeãs, mediante a exigência de tributos pagos em produtos e trabalho: conhecido como corveia real; d) predominava uma sociedade do tipo socialista; e) o papel decisivo do Estado devia-se à necessidade de construírem grandes obras hidráulicas para que fosse possível a agricultura irrigada. Questão 16 No Egito Antigo, as várias formas de organização da estrutura tinham como características predominantes: a) a grande mobilidade na organização social; b) a preocupação da igualdade social, através da manutenção da posse coletiva da coletividade; c) a organização teocrática do poder, onde o faraó mantinha uma centralização política que entrava no conflito com os nomarcas; d) ausência de ligação entre os procedimentos políticos e religiosos; e) política de cunho nacionalista, principalmente no Antigo Império Egípcio. Questão 17 “Se um homem negligenciar a fortificação de seu dique, se ocorrer uma brecha e o cantão inundar-se, o homem será condenado a restituir o trigo destruído por sua culpa. Se não puder restitui-lo, será vendido, assim como seus bens, e as pessoas do cantão de onde a água levou o trigo repartirão entre si o produto da venda". Este texto faz referência: a) à doutrina de Zoroastro e a seu livro Zend-Avesta; b) à Lei de Talião e ao Código de Hamurabi; c) ao Livro dos Mortos; d) à Sátira das Profissões; e) ao Hino ao Sol, de Amenófis IV. Questão 18 O Despotismo Oriental (Mesopotâmia, Egito) revela, em sua denominação, a natureza das relações entre governantes e governados. Esse tipo de governo: a) eliminou as desigualdades sociais; b) garantiu a autonomia dos camponeses em relação ao Estado; c) subordinou autocraticamente a sociedade ao Estado; d) possibilitou ampla mobilidade social; e) era talassocrático, pois o poder estava concentrado em comerciantes e navegantes. Questão 19 Os clamores da revolta e da destruição de Nínive, registrados na Bíblia, devem-se: a) ao pacifismo do povo assírio. b) às soluções arquitetônicas dos sumérios. c) ao mundo de produção asiático dos caldeus. d) aos atos despóticos e militaristas dos assírios. e) à região politeísta dos mesopotâmicos. Questão 20 “Em cada cidade-estado havia um templo dedicado à divindade principal. Os deuses eram considerados proprietários das terras de cultivo, preparadas pelos camponeses, através da secagem dos pântanos e da irrigação dos desertos. Os sacerdotes administravam os templos e também a riqueza dos deuses como se fossem propriedade privada.” AQUINO, R.; FRANCO. D.; LOPES, O. História das Sociedades. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1986. p. 110. O texto acima refere-se à: a) sociedade grega antiga, onde havia uma distinção clara entre o setor da produção, de caráter coletivo, e o religioso, de caráter privado. b) estrutura social da Mesopotâmia, cuja unidade ideológica e econômica se baseava no setor religioso, representado por santuários. c) organização do setor produtivo da Judéia, o qual se baseava num regime de parceria entre a classe sacerdotal e a camponesa. d) estrutura sócio religiosa das cidades fenícias, onde o poder político e econômico provinha de uma aristocracia latifundiária. CURSO ANUAL DE HISTÓRIA GERAL Prof. Monteiro Jr. VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência AULA 2 – CIVILIZAÇÃO HEBRAICA INTRODUÇÃO Os hebreus constituiram uma das mais imporantes civilizações que se desenvolveram no Crescente Fértil. O traço singular dos hebreus e seu legado mais importante para a posteridade foi a crença monoteísta que serviu de base para as três grandes religiões monoteístas universais: o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo. FONTE HISTÓRICA O Antigo Testamento, livro sagrado dos judeus, é a principal fonte de estudo para a reconstituição da trajetória histórica hebraica. Cabe ao historiador separar o fato histórico da versão fantasiosa da Bíblia. A crença de que há um livro sagrado se baseia na fé (e não na razão). Assim, a Bíblia acaba refletindo a visão mítica que os hebreus tinham de si mesmo e da realidade. Além da Bíblia, a arqueologia tem funcionado como importante aliado para desvendar os segredos históricos dos hebreus. Descobertas recentes dos manuscritos do Mar Morto, preservados em pergaminho, localizados em cavernas, datados do século I a.C., produzidos por comunidades religiosas isoladas, têm fornecido importantes dados sobre a cultura hebraica. POVOAMENTO E LOCALIZAÇÃO Os hebreus, povo de origem semita, formavam uma pequena comunidade de pastores que habitavam perto de Ur, na Mesopotâmia. Segundo a Bíblia, Abraão recebeu a promessa de Jeová ( Iavé - Deus ) de uma Canaã ou paraíso onde mana o leite e o mel para o seu povo escolhido. Assim Abraão conduziu seu povo da Mesopotâmia à Palestina, a esperada terra prometida. O território da Palestina constitui o atual Estado de Israel e é formado por uma estreita faixa de terra entre o Mar Mediterrâneo e os desertos árabe e líbio. A terra prometida não era bem um paraíso. Na verdade, a Palestina era um território de clima semi-árido, de poucas chuvas e raros vales férteis. Além disso, era uma área de travessia, localizada entre os grandes impérios do Egito e Mesopotâmia. Isto favoreceu o surgimento de grandes cidades comerciais nas escalas de rotas caravaneiras e transformou a palestina em palco de sangrentas batalhas. EVOLUÇÃO HISTÓRICA “Sai da tua terra , e da tua parentela, e da casa de teu pai, e vem para a terra que te mostrarei. E eu te farei pai de um grande povo, e te abençoarei; tornarei célebre o teu nome e tu serás Bendito ” (Gênesis, capítulo 12) As palavras bíblicas acima foram ditas por Iavé (Deus) ao primeiro patriarca dos hebreus, Abraão. Esta narrativa, naverdade, é bem posterior ao fato narrado – a saída dos hebreus da Mesopotâmia em direção a Palestina – pois Iavé ainda não era o Deus dos Hebreus à época de Abraão. Nessa época os hebreus estavam divididos em clãs, tribos formadas por pessoas que possuem um antepassado comum e cultuam uma mesma divindade protetora. Cada clã era constituído pelo patriarca, seus filhos, mulheres e servos. A principal atividade econômica era o pastoreio e a autoridade do patriarca era absoluta. O poder político se diluía entre as várias tribos. A religião patriarcal era marcada pelo culto ao “Deus do pai” que era o Deus primitivo do antepassado imediato reconhecido pelos filhos. Chegando à Palestina, os hebreus se defrontaram com povos que cultuavam o Deus El, senhor dos deuses e dos homens, criador do universo. A fusão dessas crenças originou o traço fundamental da cultura hebraica: a crença monoteísta de um único Deus criador. Em homenagem a Deus, os patriarcas construíam altares e sacrificavam animais que, depois de oferecidos a Deus eram servidos como refeição aos membros da tribo. OS PATRIARCAS HEBREUS Abraão: Foi o Primeiro patriarca dos hebreus. Isaac: Filho de Abraão Jacó: neto de Abraão, filho de Isaac. Jacó também era conhecido como Israel, por isso seus descendentesforam chamados de israelitas. Os doze filhos de Jacó tornaram-se chefes das dozes tribos hebraicas. Moisés: Comandou a libertação dos hebreus do cativeiro egípcio e, segundo a crença religiosa dos judeus, recebeu de Deus, no Monte Sinai, Os Dez Mandamentos. Abraão comandou a retirada dos hebreus da Mesopotâmia, mas foi sob o comando de Jacó que teve início a ocupação da Palestina. Aula 2 – Civilização Hebráica 17 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Nessa época a Palestina era habitada por diferentes povos. Filisteus e Cananeus viviam no litoral; nômades semitas percorriam o sul; Edomitas, Moabitas e Arameus habitavam o leste e o norte. O aramaico, idioma falado pelos Arameus, tornou-se a língua usada por todos os comerciantes do Oriente Médio. Os hebreus permaneceram por três séculos na Palestina. Ao final deste período uma terrível seca assolou a região e, tangidos pela fome e sede, os hebreus emigraram para o Egito. A chegada dos hebreus ao Egito foi contemporânea da ocupação do Egito pelos invasores hicsos. Os hebreus tornaram-se aliados dos hicsos na conquista do Egito e, após a derrota e expulsão dos hicsos, os hebreus passaram a sofrer perseguições, condenados a altos impostos ou a escravidão. Moisés, segundo a tradição bíblica, foi criado pela família de um faraó após ter sido encontrado em um cesto abandonado num rio. Moisés comandou os hebreus durante o Êxodo, ou seja, a libertação da servidão no Egito e o retorno a Palestina. Durante a travessia, ainda segundo a Bíblia, Iavé selou uma aliança com os hebreus e o símbolo dessa aliança foi a entrega, no Monte Sinai, de duas tábuas contendo os “Dez Mandamentos”. As dificuldades da travessia do duro retorno à “Terra Prometida” se fizeram acompanhar, em vários momentos, do retorno à idolatria e ao politeísmo entre os hebreus. Contudo a crença em um único Deus, Iavé, e em um único líder, Moisés, reforçava a autoridade de Moisés sobre o seu povo e todos os desvios de religião ou de conduta eram fortemente combatidos. O Êxodo teria durado quarenta anos e foi repleto de momentos fascinantes como a travessia do Mar Vermelho. Contudo Moisés morreu antes da chegada final dos hebreus a Palestina. AS DEZ PRAGAS DO EGITO. Por muitos anos, os judeus foram escravos no Egito. O livro do Êxodo conta que Deus escolheu Moisés para ser seu agente na libertação dos judeus e na sua condução para fora do Egito. Os egípcios, no entanto, não queriam perder sua fonte de trabalho gratuito. A fim de persuadi-los, Deus enviou dez pragas ao Egito. O rio Nilo transformou-se em sangue; rãs saíram do rio e cobriram a terra; houve um enxame de mosquitos e uma praga de moscas, e todos os rebanhos egípcios pereceram. O povo egípcio foi então acometido de úlceras e pústulas, houve tempestades de pedra e uma praga de gafanhotos; e veio a escuridão por três dias. Por fim, todos os seus primogênitos morreram. Isso acabou por convencer o faraó a libertar os israelitas. Deus havia mostrado seu poder. Ele então disse o primeiro mandamento: “Eu sou Iahweh teu Deus, que te fez sair da terra do Egito, da casa da escravidão. Não terá outros deuses diante de mim”. (Êxodo 20:2-3). (John Bowker. Para entender as religiões. São Paulo, Ática, 1997. P. 117.) OS DES MANDAMENTOS 1. Amar a Deus sobre todas as coisas. 2. Não tomar seu santo nome em vão. 3. Guardar o Dia do Senhor e os das festas. 4. Honrar pai e mãe. 5. Não matar. 6. Não pecar contra acastidade. 7. Não furtar. 8. Não levantar falso testemunho. 9. Não desejar a mulher do próximo. 10. Não cobiçar as coisas alheias. Algumas das principais festas do judaísmo PÁSCOA – A Páscoa judaica comemora a libertação dos judeus do Egito e dura uma semana. ANO NOVO/TROMBETAS – Um tempo de reconciliação com Deus. YOM KIPPUR-DIA DA EXPIAÇÃO(PERDÃO) – É o dia mais santo de todo o calendário judaico. Os judeus devotos jejuam durante 24 horas, passam todo o dia na sinagoga e usam uma veste branca como símbolo de pureza. No fim do dia, o crente considera- se espiritualmente renascido. TABERNÁCULOS – Festival de colheitas agradecendo a Deus pela sua bondade e os cuidados com os judeus durante os quarenta anos de travessia do deserto. OS JUÍZES E A FORMAÇÃO DA MONARQUIA HEBRAICA De volta a Palestina, os hebreus viram suas terras ocupadas por cananeus e filisteus o que provocou lutas entre esses povos pela posse da terra. Nesse período, os hebreus foram liderados por comandantes militares e políticos chamados de Juízes, destacando-se entre eles Samuel e Sansão, famoso por sua força. A divisão política dos hebreus em tribos provocou várias derrotas militares especialmente para os filisteus que conquistaram grande parte da Palestina. A formação da Monarquia hebraica foi uma necessidade militar, de centralizar a luta dos hebreus para a reconquista da Palestina. Saul foi o primeiro rei dos hebreus. Sua popularidade inicial foi solapada diante de derrotas militares e da oposição de Samuel, o último dos Juízes ,que pretendia se perpetuar no poder. Samuel passou a estimular o ambicioso Davi a disputar a liderança dos hebreus com Saul. Este, por sua vez, fragilizado e ferido em combate, pediu a um escudeiro que o matasse. Diante da recusa do soldado, Saul suicidou-se com a própria espada. 18 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE HISTÓRIA GERAL – Prof. Monteiro Jr. Davi derrota o gigante Golias Davi foi o segundo rei hebraico. Segundo a Bíblia, Davi derrotou o gigante filisteu Golias acertando-lhe uma pedrada lançada de uma funda. Esta é, na verdade, uma metáfora que, fazendo uso de uma simbologia, quer dizer que, sob o comando de Davi, os Hebreus derrotaram os filisteus e reconquistaram a Palestina. O apogeu da Monarquia hebraica ocorreu no governo de Salomão, filho de Davi. São várias as histórias bíblicas que narram as virtudes de Salomão tido como um rei justo e sábio. Por exemplo, um dia duas mulheres tiveram filhos na mesma noite. Uma das mulheres, dormindo, rolou na cama e acabou por matar, acidentalmente, o filho que dormia ao seu lado. Desesperada, esta mulher acabou por trocar os filhos com a outra mulher. Esta, ao acordar, notou com tristeza a morte do filho. Olhou-o com atenção e viu que o bebê morto não era seu filho, que estava nos braços, bem vivo, da outra mulher. As duas mulheres brigaram pela posse do bebê. Salomão interveio e, ameaçou cortar o bebê ao meio com uma espada, entregando a cada mãe uma metade. A falsa mãe aceitou o trato enquanto a verdadeiramãe disse: - Não! Ela pode ficar com o filho. Mais uma vez Salomão interferiu e entregou a criança a mãe, dizendo que apenas o amor de mãe se comportaria dessa forma. Na verdade Salomão assassinou seu irmão e praticou vários atos de violência contra o seu povo. Vivendo em suntuoso palácio ao lado de 700 esposas e 300 amantes, as noites do Rei Salomão eram bastante agradáveis em contraste com o dia-a-dia dos hebreus submetidos a exorbitantes impostos e trabalhos forçados. Salomão selou aliança com Hiram, rei fenício da cidade de Tiro. Os fenícios forneciam madeira e arquitetos para a construção do Templo de Jerusalém, onde seria abrigada a Arca D’Aliança contendo os dez mandamentos. Em troca, a cada três meses, 30 mil hebreus trabalhavam gratuitamente na Fenícia e nas minas do rei Salomão. Este poder despótico e opressivo era justificado como produto da vontade de Deus, já que a monarquia hebraica era teocrática. Apesar dessa dominação ideológica, ocorreram várias revoltas ao final do governo de Salomão. Após a morte de Salomão ocorreu a Cisma, ou seja, a divisão das tribos hebraicas em dois reinos: Israel, com capital em Samaria, e Judá, com capital em Jerusalém. Roboão, filho e sucessor legítimo de Salomão, governava Judá enquanto seu irmão, Jeroboão, governava Israel. A Cisma foi provocada pelas diferenças econômicas entre o Norte e o Sul da Palestina. Israel (norte) era mais urbana e mercantil enquanto Judá (sul) era mais agrária e pastoril. Em Israel, Jeroboão foi negligente quanto ao politeísmo e ao paganismo, tendo ocorrido até uma tentativa de implantação do culto a Baal, deus dos fenícios. Contra esses desvios, insurgiram- se profetas como Elias. A divisão hebraica ocorrida com a Cisma fragilizou política e militarmente os hebreus. Em torno de 722 a.C. o reino de Israel foi invadido e anexado ao império assírio comandado por Sargão II. Dispersos e misturados às várias populações dominadas pelos assírios, as dez tribos israelenses acabaram por se extinguir. O reino de Judá resistiu durante mais de cem anos a ameaça assíria. Contudo, no ano de 586 a.C., os caldeus, comandados por Nabucodonosor, pilharam e destruíram Jerusalém. Os judeus foram conduzidos como escravos a Mesopotâmia no episódio conhecido como Cativeiro Babilônico, que durou cinqüenta anos. Ciro, rei da Pérsia, derrotou os Caldeus e permitiu aos hebreus o regresso a Jerusalém. Em 332 a.C. a Palestina foi ocupada pelas tropas do rei da macedônico Alexandre Magno, passando depois para o controle do Egito comandado pelo Faraó Ptolomeu. Em 63 a.C. a Palestina foi conquistada pelos romanos, liderados pelo general Pompeu. No ano de 70 d.C., os romanos tentaram construir um templo pagão em homenagem aos seus deuses em Jerusalém. Os judeus se revoltaram contra a profanação da sua cidade sagrada. Os romanos puniram os judeus com a Diáspora, destruição de Jerusalém e dispersão dos judeus pelo mundo. RELIGIÃO Em meio a tantos povos politeístas, os hebreus se destacavam pela crença em um único Deus – monoteísmo. Isto não quer dizer que os hebreus sempre foram monoteístas ou que desenvolveram a primeira crença monoteísta da História. O Egito viveu a primeira experiência monoteísta com a fracassada tentativa do Faraó Amnófis IV em implantar o culto ao Deus Aton, mas foram os hebreus que, de fato, desenvolveram a crença em um único Deus. A religião hebraica pré-mosaica era politeísta (crença em vários deuses), animista (deificação de espíritos que supostamente habitam a natureza), mágica e com sacrifícios de animais. Moisés, influenciado pela experiência monoteísta egípcia, consolidou a crença em um único Deus, Iavé. Ocorria assim a “monolatria nacional”, na qual os hebreus, embora reconhecessem a existência de outros deuses, cultuavam apenas o seu Deus protetor das viúvas, dos órfãos e vingador dos inimigos da nação. Nas suas primeiras manifestações, Deus mostrava-se irascível, capaz de julgamentos tanto maus quanto bons, punindo arbitrariamente os que pecavam, mesmo que sem intenção. Neste momento os hebreus ainda não tinham Deus como onipotente, haja visto que a sua “jurisdição” limitava-se apenas ao território hebraico. Os profetas tiveram um papel importante no combate às influências religiosas estrangeiras. Elias matou sacerdotes que cultuavam o Deus Baal. Merece destaque profetas como Amós, Oséias, Isaías e Miquéias que reformaram a religião com base na crença monoteísta que Iavé é o único Deus e senhor do universo. Os deuses de outras civilizações não existem. De uma forma geral a religião hebraica era monoteísta (crença em um único Deus), salvacionista ou messiânica (esperava a vinda de um messias, filho de Deus, libertador dos homens), e ética Aula 2 – Civilização Hebráica 19 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência (existem normas criadas por Deus e que devem ser seguidas: justiça, generosidade, amor do próximo, etc.). A doutrina do judaísmo está contida no Velho Testamento Bíblico. Os judeus acreditam que ainda vai vir o Messias salvador que, conduzido por Deus, guiará os homens para a salvação eterna. O cristianismo é uma dissidência do judaísmo e acredita que o salvador já foi enviado por Deus: Jesus, que morreu na cruz para libertar o homem do pecado. Ao Antigo Testamento os cristãos acrescentaram o Novo Testamento. O islamismo, doutrina baseada nos ensinamentos de Maomé, foi fortemente influenciado pelo judaísmo e pelo cristianismo. ECONOMIA E SOCIEDADE A economia hebraica primitiva era baseada na organização comunitária, no trabalho coletivo e na propriedade comunal. Os primeiros hebreus foram sobretudo pastores e nômades. A fixação à terra, na Palestina e o desenvolvimento do comércio e da usura provocaram o aparecimento de uma sociedade de classes. A família hebraica era patriarcal. A mulher possuía status inferior ao homem e para os hebreus as maiores virtudes femininas eram a obediência e a submissão. A partir do aparecimento da propriedade privada a sociedade hebraica se dividiu em classes e o escravismo se desenvolveu. ASPECTOS CULTURAIS Os hebreus não se destacaram no campo científico, não possuíam maiores habilidades artísticas ou arquitetônicas. O Templo de Jerusalém, principal obra da arquitetura hebraica, foi produto dos arquitetos fenícios. Contudo os Hebreus merecem destaque no direito, literatura e filosofia. Todos estes assuntos possuíam uma ligação íntima com a religião monoteísta hebraica. A principal obra do direito judaico foi o Código Deuteronômico, bastante progressista frente às leis do seu tempo e estabelecendo várias medidas avançadas como a liberalidade frente ao pobre e ao estrangeiro, a libertação dos escravos após seis anos de serviço, a orientação de que juízes e funcionários fossem eleitos pelo povo e a proibição da cobrança de juros em qualquer empréstimo realizado por um judeu... a outro judeu. A grande obra da literatura hebraica foi o Antigo Testamento composto por 39 livros que versam sobre a origem do homem e do mundo, textos jurídicos e sacerdotais, narrativas históricas, salmos, provérbios, livros e proféticos e poemas de amor. Há controvérsias entre os historiadores tanto quanto a originalidade dos textos bíblicos quanto ao período histórico da sua produção. Na filosofia, os hebreus desenvolveram teses sobre a vida e o destino dos homens. Seus livros com conteúdo filosófico mais elaborados são o livro dos provérbios, o livro Apócrifo do Eclesiastes e Eclesiásticos. 20 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE HISTÓRIA GERAL – Prof. Monteiro Jr. EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM Questão 01 Entre as principais características da Civilização Hebraica, merecem destaque especial:a) A religião politeísta em que as figuras mitológicas de Abraão, Isaac e Jacó formavam uma tríade divina. b) A criação de uma federação de cidades autônomas e independentes (cidades Estado) controladas por uma elite mercantil. c) A criação de um alfabeto (aramaico) que seria incorporado e aperfeiçoado pelos egípcios, tornando- se conhecido como escrita hieroglífica. d) As práticas religiosas caracterizadas pela crença na existência de um único Deus (monoteísmo) e no messianismo, pois acreditavam na vinda de um messias libertador do povo hebreu. e) As inovações tecnológicas desenvolvidas na agricultura, possibilitando grande crescimento da produtividade agrícola na região palestina. Questão 02 Entre as civilizações da antigüidade, que tiveram o Mar Mediterrâneo como cenário no seu desenvolvimento, destacaram-se os hebreus (Judeus, Israelitas), por terem sido o primeiro povo conhecido que afirmou sua fé em um único Deus. As bases da história da filosofia, da religião e das leis hebraicas estão contidas na Bíblia, cujos relatos, em parte confirmados por achados arqueológicos, permitem traçar a evolução histórica e cultural do povo hebreu e identificar suas influências sobre outras civilizações. Assinale a(s) proposição(ões) correta(s) nas suas referências à cultura hebraica. 01. Os hebreus destacaram-se em diferentes áreas do conhecimento humano e nos legaram os livros do Antigo Testamento (Torá). 02. O vínculo visível das influências do judaísmo sobre o cristianismo está na pessoa de Cristo, considerado o Messias pelas duas religiões. 04. Entre os princípios religiosos contidos na Bíblia está o politeísmo, isto é, a crença em muitos deuses. 08. O cristianismo e o islamismo, religiões que têm hoje milhões de seguidores, receberam influências do judaismo. 16. O Pentateuco, o Talmud e o Alcorão representam o conjunto dos escritos que reúnem os preceitos do judaísmo. Questão 03 "Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem a seu servo, nem a sua serva, nem seu boi; nem seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao próximo". (Êxodo: 21,27 in: AQUINO et alii - História das Sociedades. Rio de Janeiro, Ao Livro Técnico, 1980, p. 136) Com base no texto acima, podemos dizer que: a) a sociedade hebraica, na Antigüidade, não chegou a conhecer a propriedade privada; b) a princípio, a economia entre os hebreus baseou-se na agricultura, depois, na pecuária; c) o servo na sociedade hebraica, tinha os mesmos direitos e obrigações que o da sociedade feudal do Ocidente; d) a mulher possuía, na sociedade hebraica, status inferior ao do homem; e) o texto acima, por estar contido na Bíblia, não pode ser usado como fonte de conhecimento histórico. Questão 04 Os hebreus desenvolveram sua civilização no primeiro milênio antes de Cristo. A respeito dela podemos afirmar corretamente que: a) a importância da história da civilização hebraica se expressa, especialmente, através da formação de um Estado centralizado. b) a civilização hebraica apresenta traços específicos que decorrem do seu distanciamento frente às demais culturas do Oriente Próximo. c) a importância do estudo dos hebreus se justifica pelo monoteísmo ético que surge e se desenvolve entre eles, constituindo-se um ponto de partida para o cristianismo e o islamismo. d) os antigos hebreus têm como livro sagrado o Novo Testamento, que compreende vários outros livros, dentre os quais está o Gênesis, que trata da Criação. e) a antecedência da civilização hebraica à sumeriana explica a presença de mitos semelhantes nas duas culturas. Anotações SEMANA 02 - H. GERAL - CIVILIZAÇÃO HEBRÁICA - MONTEIRO JR - após correção do professor