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Aula 7 – Bizantinos, Francos e Árabes
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Questão 06
A crença em um só Deus, a guerra santa, e as principais
obrigações dos fiéis: orações, jejuns, peregrinação a Meca e dar
esmolas, são preceitos do islamismo reunidos no:
a) Alcorão.
b) Torah.
c) Livro dos Mortos.
d) Zend-Avesta.
e) Código de Hamurabi.
Questão 07
“A Idade Média européia é inseparável da civilização islâmica já
que consiste precisamente na convivência, ao mesmo tempo
positiva e negativa, do cristianismo e do islamismo, sobre uma área
comum impregnada pela cultura greco romana.”
José Ortega y Gasset (1883-1955).
O texto acima permite afirmar que, na Europa ocidental medieval,
a) formou-se uma civilização complementar à islâmica, pois ambas
tiveram um mesmo ponto de partida.
b) originou-se uma civilização menos complexa que a islâmica
devido à predominância da cultura germânica.
c) desenvolveu-se uma civilização que se beneficiou tanto da
herança greco romana quanto da islâmica.
d) cristalizou-se uma civilização marcada pela flexibilidade religiosa
e tolerância cultural.
e) criou-se uma civilização sem dinamismo, em virtude de sua
dependência de Bizâncio e do Islã.
Questão 08
Selecione a alternativa correta sobre o Império Bizantino:
a) O seu mais importante imperador foi Justiniano, cuja atuação
legislativa dirigiu-se para a compilação das leis romanas.
b) A capital, Constantinopla, ou, posteriormente, Bizâncio,
dispunha de uma localização geográfica inadequada ao comércio e
proteção do Império.
c) Este Império subsistiu até a Primeira Guerra Mundial, sob a
denominação de Império Otomano.
d) Apesar de localizar-se ao norte da África e, portanto, dispor de
portos no Mar Mediterrâneo, o Império não manteve relações
comerciais significativas com a Europa.
e) A cultura bizantina não sofreu influências do mundo romano
ocidental, mantendo-se puramente oriental.
Questão 09
A Alta Idade Média (século V a X) tem como uma de suas
características singulares, que a define historicamente:
a) o desaparecimento dos reinos germânicos no Ocidente.
b) a consolidação e generalização do trabalho servil.
c) a formação das Cruzadas para combater os infieis do Islã.
d) o desenvolvimento e posterior centralização do poder real.
e) o renascimento comercial que reorienta a vida econômica
feudal.
Questão 10
A importância da Batalha de Poitiers, em 732, no contexto da
história da Europa, justifica-se em função de que:
a) com essa vitória, Carlos Martel tornou-se imperador dos francos
b) a partir daí teve início a Guerra de Reconquista na Península
Ibérica
c) esse evento assinalou o limite da expansão cristã no
Mediterrâneo
d) os cristãos foram derrotados pelos árabes, consolidando-se o
feudalismo europeu
e) a derrota árabe frente ao Reino Franco impediu a islamização do
Ocidente
Questão 11
Observe a figura.
O ícone, pintura sobre madeira, foi uma das manifestações
características da Civilização Bizantina, que abrangeu amplas
regiões do continente europeu e asiático. A arte bizantina resultou
a) do fim da autocracia do Império Romano do Oriente.
b) da interdição do culto de imagens pelo cristianismo primitivo.
c) do “Cisma do Oriente”, que rompeu com a unidade do
cristianismo.
d) da fusão das concepções cristãs com a cultura decorativa
oriental.
e) do desenvolvimento comercial das cidades italianas.
Questão 12
Dentre os Reinos Bárbaros, surgidos após as invasões germânicas
e o fim do Império Romano, o Reino Franco foi o mais importante,
porque
a) os Reis Francos se converteram ao Cristianismo e defenderam o
Ocidente contra o avanço dos muçulmanos.
b) promoveu o desenvolvimento das atividades comerciais entre o
Ocidente e o Oriente, através das Cruzadas.
c) nesse período a Sociedade Feudal atingiu sua conformação
clássica e o apogeu econômico e cultural.
d) houve uma centralização do poder e viveu-se um período de paz
externa e interna, o que permitiu controlar o poder dos nobres
sobre os servos.
e) os Reis Francos conseguiram realizar uma síntese entre a
cultura romana e a oriental, que serviria de inspiração ao
Renascimento Cultural do século XIV.
Questão 13
No ano de 786, Carlos Magno afirmou: “A nossa função é, segundo
o auxílio da divina piedade, (...) defender com as armas e em todas
as partes a Santa Igreja de Cristo dos ataques dos pagãos e da
devastação dos infiéis”.
Pinsky "O modo de produção feudal". p. 101.
O fragmento acima expressa a orientação política do Império
Carolíngio no governo de Carlos Magno. O objetivo dessa política
pode ser definido como um(a)
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a) esforço para estabelecer uma aliança entre os carolíngios e a
Igreja bizantina para fazer frente ao crescente poderio papal.
b) intenção de anexar a Península Ibérica aos domínios do papado,
com a finalidade de impedir o avanço árabe.
c) desejo de subordinar os domínios bizantinos à dinastia
carolíngia, no intuito de implantar uma monarquia teocrática.
d) tentativa de restaurar o Império Romano, com vistas a promover
a união da cristandade da Europa Ocidental.
Questão 14
O Império Bizantino se originou do Império Romano do Oriente,
reunindo diferentes povos: gregos, egípcios, eslavos, semitas e
asiáticos. Em razão disso, foi preciso criar um eficiente sistema
político e administrativo para dar força e coesão àquele mosaico de
povos e culturas. Sobre o Império Bizantino é INCORRETO afirmar
que:
a) a religião fornecia a fundamentação do poder imperial, mas
absorvia grande parte dos recursos econômicos, originando várias
crises.
b) a intolerância religiosa não deixava espaço de autonomia para
que os indivíduos escolhessem seus próprios caminhos para a
salvação.
c) a estrutura eclesiástica era extensa e muito influente,
provocando intensa espiritualidade popular e várias controvérsias
teológicas.
d) a fusão entre poder temporal e poder espiritual permitia que o
Imperador indicasse laicos para postos na hierarquia eclesiástica.
e) a importância política do Imperador impediu que o Patriarcado
se desenvolvesse independentemente, tal como o Papado do
Ocidente.
Questão 15
Embora a penetração bárbara houvesse modificado profundamente
o mapa político da Europa; por muitos séculos, o sonho de uma
nova unidade política permaneceu vivo. A primeira expressão
concreta desse sonho coletivo foi o Império Carolíngio, constituído
no ano 800.
Sobre o Império Carolíngio, assinale o que for incorreto.
a) O Tratado de Verdum (843) consolidou a concepção de Império
Cristão, impedindo a penetração de novos invasores no território
europeu.
b) Pepino, o Breve, em 751, foi coroado com o aval do Papado,
inaugurando a dinastia carolíngia. Em contrapartida e como
retribuição, entregou ao Papa os territórios italianos conquistados
aos lombardos.
c) Carlos Magno criou seus vastos territórios, um sistema
administrativo que, embora personalista e rudimentar, adequava-se
à conjuntura do período.
d) Com a coroação de Carlos Magno, teoricamente renascia o
Império Romano; na prática, foi uma ficção que pouco sobreviveu
ao seu imperador.
e) Suas raízes remontam ao ano de 496, quando o rei franco
Clóvis converteu-se ao cristianismo, possibilitando as primeiras
aproximações com a Igreja.
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Aula 8 - O PODER DA IGREJA CATÓLICA,
A BAIXA IDADE MÉDIA E A CULTURA MEDIEVAL
O PODER DA IGREJA CATÓLICA NO MUNDO MEDIEVAL
O mundo das idéias tornou-se quase um monopólio eclesiástico.
Os clérigos ocupavam-se do pensamentocientífico e político, das
novas técnicas agrícolas (nas propriedades da Igreja), do governo
papal, cujos métodos administrativos, serviram de modelo para
outras cortes européias e até quanto a tática e estratégias
militares.
Batista Neto, Jônatas. A História da Baixa Idade Média: 1066-1453. São Paulo:
Ática, 1989, pág. 45.
Em meio ao fragmentado mundo feudal, cuja autoridade estava
diluída entre vários senhores, uma instituição merece destaque
como monopolizadora do conhecimento, acumuladora dos poderes
temporal e spiritual, a Igreja Católica, que muito pouco lembrava a
organização humilde do cristianismo primitivo.
A Igreja Católica ocupava papel preponderante no aspecto
econômico. Era rica proprietária de terras, dominando econômica e
ideologicamente a sociedade européia.
O papa era também o soberano absoluto do Estado da Igreja,
constituído a partir da doação de terras na peninsula italica que o
rei franco Pepino, o Breve fez à Igreja (doação do Patrimônio de
São Pedro). Assim, os papas exerciam poder temporal (politico) e
poder espiritual.
A Igreja Católica legitimava ideologicamente a sociedade feudal,
que era estamental em sua essência. O primeiro estamento social
era representado pelo clero, responsável pelo "alimento espiritual";
o segundo, pela nobreza, a ordem dos que combatem e mantêm
as estruturas feudais; o terceiro estamento era formado pelos
servos, que através de um duro trabalho, sustentavam as ordens
anteriores.
A Doutrina das Três Ordens (“uns rezam, uns combatem e outros
trabalham”), defendida pela Igreja, buscava uma analogia com a
trindade cristã e afirmava que as desigualdades sociais eram
produtos da vontade de Deus.
“A ordem eclesiástica forma um só corpo, mas a divisão da
sociedade compreende três ordens. A lei humana reconhece
outras duas condições: a do nobre e do servo que não são regidos
pela mesma lei. Os nobres são os guerreiros, os protetores da
Igreja. Defendem a todos os homens do povo, aos poderosos da
mesma forma que os humildes, e ao mesmo tempo a eles próprios
se protegem. A outra classe é a dos servos, esta desgraçada raça
que nada possui sem sofrimento (...) A cidade de Deus, que se crê
única, está dividida em três ordens: alguns rezam, outros
combatem e outros trabalham. Estas três ordens vivem juntas e
não sofrem por serem separadas. Os serviços prestados por cada
uma dessas ordens permitem os trabalhos das outras duas e cada
uma, por sua vez, presta apoio às demais", escreveu o bispo
francês Adalberon, que viveu no period medieval.
De uma forma geral, a espada dos nobres foi uma aliada da igreja
para manter as estruturas feudais; todavia, ocorreram conflitos
entre alguns reis e o papado na Baixa Idade Média (séc. XI ao XV),
como veremos adiante.
Clero Secular e Clero Regular
“No início da Idade Média, a Igreja teve como função principal a
conversão dos barbarous e a sua integração com os romanos,
ganhando com isso crescente prestígio e assumindo nos novos
reinos constituidos diversas atribuições políticas, administrativas e
culturais, além do controle spiritual. Assim, o clero que a princípio
se dedicava exclusivamente à religião, passou a envolver-se
também com as questões seculares. O adjetivo secular deriva do
substantivo latino saeculum, que significa ‘mundo’; a atividade do
clero secular estava, pois, ligada às coisas terrenas.
Contudo, boa parte do clero secular, em contato com a vida
profana, com os problemas administrativos, vinculou-se
demasiadamente às propriedades da Igreja, à materialidade,
degenerando-se nos costumes, distanciando-se da pregação
doutrinária. Como reação a essa tendência, e atendendo ao forte
espiritualismo da época, nasceu o clero regular (do latim regula,
que significa ‘regras’), constituído por monges que se recolhiam em
mosteiros, isolados do mundo, sob votos de castidade, caridade e
pobreza.
Tudo indica que foi São Pacônio, do Egito, quem fundou o primeiro
mosteiro cristão, no século IV. Todavia, foi São Bento (480-547),
criador da Ordem dos Beneditinos, o responsável pela
consolidação da estrutura monastica, em que o abade passou a
exercer absoluto comando sobre seus monges. Além de sua
importante atuação no trabalho de conversão dos camponeses
pagãos, os monasterios constituíram os centros mais avançados
da vida cultural e econômica da Alta Idade Média. Paralelamente
ao trabalho intelectual na preservação e recuperação das obras da
antiga cultura greco romana, não raro os monges desenvolviam,
junto a seus servos, atividades agrícolas e artesanais.”
VICENTINO, Cláudio. História Geral. 4 ed. São Paulo: Scipione, 1997, p. 129-130.
A Questão (ou Querela) das Investiduras
Corresponde às disputas entre o papado e os imperadores do
Sacro Império Romano Germânico pela hegemonia política. No
Sacro Império, os imperadores costumavam interferir na nomeação
(investidura) dos bispos, não por critérios religiosos e sim por
fatores políticos. Assim o império controlava os “senhores feudais
eclesiásticos”, e esses bispos enriqueciam com o comércio
religioso (simonias). Ser bispo era, acima de tudo, um ótimo
negócio.
“O lamentável estado a que descera a Igreja durante o século IX
mostrava-se através de escritos de homens de alta hierarquia.
Declara um bispo, abertamente, expondo a própria simonia
[comércio religioso, o que inclui cargos eclesiásticos]: ‘Dei meu
ouro e recebi o bispado, mas confio recebê-lo de volta, se souber
como proceder. Para ordenar um padre, cobrarei em ouro; para
ordenar um diácono, cobrarei um monte de prata (…). Paguei bom
ouro, mas hei de rechear a bolsa’.”
(FREMANTLE, Anne. Idade da Fé. In: Biblioteca de História Universal Life. Rio
de Janeiro: José Olympio, p. 38.)
Corria o ano de 910 quando, no Sul da França, foi criada a Ordem
de Cluny seguidora dos ensinamentos de São Bento. A Ordem
Beneditina pregava o celibato clerical, combatia a interferência de
imperadores em questões eclesiásticas e a venda de simonias. Essa
proposta de moralização da Igreja ganhou força, espalhando-se
rapidamente pela Europa, o que representava uma ameaça ao poder
dos imperadores que insistiam em manter a investidura dos bispos.
Com a eleição, em 1073, de Hildebrando di Bonizio para papa, a
Ordem de Cluny atingia o topo da hierarquia eclesiástica. Pela
primeira vez na história da Igreja um membro do clero regular
chegava ao Trono de São Pedro. O novo papa adotou o nome
Gregório VII e iniciou uma série de reformas com o objetivo de
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moralizar o clero: estabeleceu de forma definitiva o celibate clerical
e determinou que só o papa poderia nomear (investor) os bispos.
Henrique IV, imperador do Sacro Império Romano Germânico, não
aceitou a decisão papal e acabou excomungado por Gregório VII.
Esse conflito se arrastou até 1122, quando foi assinada a
Concordata de Worms pelo papa Calixto III e pelo imperador
Henrique V, estabelecendo que caberia ao papa a investidura
espiritual dos bispos e ao imperador a investidura temporal.
A Doutrina dos Dois Gládios
A mentalidade do homem medieval, controlada e moldada pelo
clero, colocava Deus como o centro de todas as coisa
(teocentrismo). Assim, o papa, como representante de Deus, era
apresentado como a mais alta autoridade, cujo poder se
sobrepunha ao de qualquer rei ou governante.
Isso abriu caminho para a formulação da Doutrina dos Dois
Gládios, esboçada inicialmente pelo papa Gelásio (429-496) e
reforçada por Gregório I (590-604) e Gregório VII (1073-85). De
acordo com essa doutrina, o gládio (poder) temporal, dos reis,
governa os corpos, enquanto o gládio (poder) espiritual, dos papas,
governa as almas; entretanto, o gládio espiritual se sobrepõe ao
gládio temporal, ou seja, o poder papal é superior ao poder dos reis.
Vejamos as palavras do papa Gelásio ao esboçar a Doutrina dos
Dois Gládios:“Há, na realidade, dois poderes pelos quais este
mundo é principalmente governado: a autoridade sagrada dos
pontífices e o poder real. Dos dois, o sacerdócio tem o poder
mais alto, na medida em que deve tomar conta aos próprios
reis em matéria divina. Se, no domínio da disciplina pública, os
padres reconhecem a tua autoridade e obedecem às tuas leis,
na esfera religiosa tens de obedecer em vez de governar.”
A Doutrina dos Dois Gládios abriu caminho para o
supranacionalismo papal (ou universalismo pontifical): a
interferência dos papas nos assuntos internos dos países
europeus, o que acabaria por provocar um choque inevitável entre
os interesses reais e papais, como no caso da Questão das
Investiduras.
“Deus criador do mundo, pôs no firmamento dois astros para
iluminar: o sol que preside o dia e a lua que preside a noite. Do
mesmo modo, no firmamento da Igreja Universal, instituiu ele duas
altas dignidades: o papado, que reina sobre as almas, e a realeza,
que domina os corpos. Mas o primeiro é muito superior à segunda.”
Papa Inocêncio III e a Doutrina dos Dois Gládios
O Cisma do Ocidente
“Ao longo do século XIII, porém, os Reis reagiram contra o
internacionalismo pontifical, apoiando-se no nacionalismo
emergente e nas doutrinas dos Legistas (burgueses especializados
no estudo do Direito Romano): afirmaram sua independência
política e até mesmo o direito supremo sobre os habitantes do
Reino, inclusive com jurisdição sobre os eclesiásticos. Daí, os
conflitos ocorridos entre o Papado e as Monarquias Feudais, sendo
o mais sério o que opôs Felipe, o Belo, Rei da França, ao Papa
Bonifácio VIII (1294-1303). Ainda que proclamando a Teoria dos
Dois Gládios pela Bula Unam Sanctam, o Papa foi aprisionado pelo
monarca francês, o que significou a rejeição da supremacia
pontifícia e a vitória do poder real (1302).
O desenvolvimento da questão entre Felipe, o Belo, e o Papado
provocou o Cativeiro de Avignon (1305-1377). Sob pressão de
Felipe, o Belo, foi eleito o Papa Clemente V (1305), de origem
francesa, que transladou a sede do papado de Roma para
Avignon, na França.
Em fins do século XIV, a questão tornou-se mais séria quando
aumentou a pressão do clero, principalmente italiano, a fim de
fazer retornar a Roma a sede do Papado. Atendendo aos apelos
formulados, Gregório XI reinstalou, em Roma, a capital do mundo
cristão. Entretanto, o conclave reunido em 1378 para eleger o
successor de Gregório XI acabou dividindo-se em dois grupos
intransigentes (o italiano e o francês), saindo eleitos dois Papas:
Urbano VI e Clemente VII, os quais, considerando-se legítimos,
tiveram sucessores em Roma e Avignon.
Configurava-se, assim, o Grande Cisma do Ocidente (1378-
1415), de desastrosas consequências. Os interesses politicos
tumultuavam e agravavam o Cisma: os Papas de Avignon eram
sustentados pelos Reis da França e seus aliados (Escócia, Castela
e Aragão); os de Roma, apoiados pelos italianos, pelo Imperador e
pela Inglaterra. A tentativa de pacificação pela reunião do Concílio
de Pisa (1409) tumultuou a confusão existente no seio da Igreja:
elegeu-se novo Papa (Alexandre V) e o cisma tornou-se tricéfalo.
Só após o Concílio de Constança e a eleição de Martinho V,
restabeleceu-se a unidade do pontificado (1417).”
História das sociedades: das comunidades primitivas às sociedades medievais, p.
516 (adaptado).
As heresias medievais e a Santa Inquisição
No período medieval, surgiram movimentos doutrinários opostos
aos dogmas estabelecidos pela Igreja. Estes movimentos são as
heresias.
Etimologicamente a palavra herege é oriunda do grego "hairesis",
significando uma doutrina contrária ao que foi definido pela Igreja
em matéria de fé. O herege é, portanto, um crítico dos dogmas
estabelecidos oficialmente pela Igreja.
"O Estudo das Mentalidades procura conhecer principalmente as
visões de mundo, as paixões, os comportamentos dos marginais,
que eram no passado julgados pela Igreja. A heresia é uma ruptura
com o dominante, ao mesmo tempo que é uma adesão a uma
outra mensagem. É contagiosa e em determinadas condições
dissemina-se facilmente na sociedade. Daí o perigo que representa
para a ordem estabelecida, sempre preocupada em preservar a
estrutura social tradicional", escreveu a historiadora Anita Novinski
na obra A Inquisição.
Eis um resumo das principais heresias que floresceram no period
medieval:
• Arianismo – Formulada por Ario, bispo de Alexandria, negava a
divindade do Filho e do Espírito Santo, considerando apenas o Pai
como verdadeiro Deus.
• Nestorianismo – Formulada por Nestor, bispo de Constantinopla,
identificava duas pessoas em Cristo: uma divina, outra humana.
• Monofisismo – Formulada por Eutiques, bispo de Constantinopla,
afirmava que Cristo só possuía uma única natureza, a divina.
• Pelagianismo – Formulada pelo monge Pelágio, negava a
existência do pecado original e a necessidade da graça para a
salvação do homem.
• Os Valdenses – Também conhecidos como “Pobres de Lião”,
eram os seguidores de Pedro Valdo, comerciante francês que
rejeitava os sacramentos, as indulgências e o culto aos santos,
admitindo apenas a autoridade da Bíblia como regra de fé.
• Os Albingenses – Grupo que se originou na aldeia de Albi, na
França, e que ficou conhecido também como cátaros; acreditavam
em dois princípios contrários e em eternal luta (bem e mal),
negavam os sacramentos, bem como a encarnação e ressurreição
de Cristo.
As heresias não representavam apenas uma ameaça à ortodoxia
da Igreja, mas também uma ameaça à ordem social estabelecida.
No século XIII foi criador, por iniciativa do papa Gregório IX, o
Aula 8 – O Poder da Igreja Católica, a Baixa Idade Média e a Cultura Medieval
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Tribunal do Santo Ofício (ou Santa Inquisição), tribunal
eclesiástico responsável por investigar e julgar os suspeitos de
heresias. Os rituais do “autos de fé” eram por vezes violentos.
Muitas confissões eram obtidas a partir da prática de tortura. Os
condenados eram entregues ao Estado para a aplicação da
sentença estabelecida (geralmente a morte na fogueira).
A BAIXA IDADE MÉDIA E O OUTONO DA EUROPA
O período compreendido entre os séculos XI e XV é conhecido
como Baixa Idade Média e tem como características marcantes o
renascimento comercial e urbano, a ascensão da burguesia, a
formação das Monarquias Nacionais e, enfim, a crise do sistema
feudal e a formação das estruturas capitalistas.
No século X cessaram as invasões normandas, muçulmanas ou
húngaras na Europa Ocidental. A estabilidade social e a diminuição
das epidemias provocaram um crescimento demográfico, exigindo
assim, o aumento da produtividade nos campos. A irrigação de
terras, a transformação das florestas em áreas de plantio, o uso do
arado de madeira contribuíram para as transformações nas
técnicas produtivas.
A marginalização de parte da população aumentava com o
crescimento populacional. Crescia a opressão dos senhores sobre
os servos, gerando um clima de insatisfação que, por vezes,
explodia em revoltas violentas. Muitos servos fugiam dos feudos e
se dirigiam às cidades, em busca de melhores condições de vida.
As Cruzadas
"Deus o quer". Com este lema, o papa Urbano II convocou a
população cristã para a "Guerra Santa" contra os muçulmanos. As
Cruzadas foram expedições militares cristãs, que ocorreram entre
os séculos XI e XIII, com o objetivo de libertar Jerusalém do
domínio dos "infiéis" muçulmanos: os turcos seldjúcidas, que
impediam as peregrinações cristãs aos locais sagrados.
As Cruzadas extrapolaram a perspectiva puramente religiosa.
Fatores vários contribuíram para esse movimento, a saber:
• crescimento populacional - as técnicas produtivas feudais não
acompanhavam o ritmo do crescimento demográfico, era
fundamental a conquista de territories para exporter o excedente
da população.
• restabelecimento da unidade cristã - o Cismado Oriente
(1054), que levou a formação da Igreja Ortodoxa, rompera com a
unidade do mundo cristão; o contato com os cristãos do Oriente
poderia representar uma oportunidade para o restabelecimento da
unidade da Igreja.
• ampliação do comércio - o interesse de algumas cidades,
sobretudo Gênova e Veneza, de dominarem os centros comerciais
na Bacia Oriental do Mediterrâneo, em terras do Império Bizantino
e no mundo muçulmano foi outro motivador das Cruzadas.
Apesar do fracasso militar do movimento cruzadístico, é inegável
que o contato entre as sociedades que se desenvolviam no entorno
do Mediterrâneo (cristã occidental, bizantina e muçulmana)
contribuiu para fundamentais transformações no mundo europeu.
O Mar Mediterrâneo foi reaberto à navegação cristã. O comércio
das especiarias orientais e asiáticas proporcionaram dividendos
extraordinários às cidades italianas. O Renascimento do comércio
e das cidades é importante consequência das Cruzadas.
As cidades comerciais do norte europeu, para defender seus
interesses regionais e ampliar o raio de sua atuação comercial, se
organizaram em ponderosas associações mercantis denominadas
“hansas”. A Liga Hanseática (ou Teutônica), com sede em
Lübeck, foi a mais importante associação comercial, possuindo
grande frota e monopolizando o comércio do Mar Báltico,
exercendo forte influência no Sacro Império Romano-Germânico.
Destaque também para a Hansa dos Mercadores Fluviais, com
sede em Paris, foi outra importante hansa medieval.
No século XI as cidades ressurgiam por toda a Europa, e no século
seguinte tornaram-se centros ativos da vida comercial e intelectual.
As cidades representavam uma força nova e revolucionária social,
econômica e culturalmente. Contribuíram para o declínio do
sistema feudal porque criaram novas oportunidades para os
comerciantes (burgueses) que, ao contrário dos senhores e servos,
não estavam ligados à terra.
O burguês era um homem novo, símbolo de uma nova ordem
(capitalista) que se erguia sobre os escombros da ordem anterior
(feudal) e que possuía um sistema de valores diferentes do senhor,
do servo ou do clérigo.
Uma das razões básicas do crescimento das cidades foi a maior
oferta de alimentos, devido ao desenvolvimento acentuado de
técnicas agrícolas. O excedente da produção agrícola que era
comercializado nas cidades. Outra razão para a ascensão das
cidades foi a expansão do comércio pós Cruzadas. As cidades
surgiram nas rotas do comércio (litoral, margens de rios,
encruzilhadas e mercados) e junto aos castelos fortificados,
mosteiros e cidades romanas sobreviventes. O "ar das cidades
liberta", dizia um provérbio alemão da época que anunciava uma
nova primavera européia marcada pelo comércio e pelo
crescimento burguês.
As guildas (ou corporações de mercadores) eram associações
de comerciantes que buscavam garantir o monopólio local,
impedindo a concorrência estrangeira e controlando os preços dos
produtos.
As corporações de ofício eram associações de artesãos que
desempenhavam a mesma atividade profissional, regulando o
processo produtivo, mantendo a qualidade e controlando a
produtividade, estabelecendo a doutrina do "preço justo" para
produtos e serviços.
A hierarquia das corporações de ofício era rígida. No topo
encontrava-se o mestre, trabalhador qualificado, dono da oficina e
dos instrumentos de produção; na camada intermediária, os
oficiais ou companheiros, artesãos conhecedores da execução
do ofício e que trabalhavm sob a orientação do mestre; na base,
ficavam o aprendizes, que vivia nos fundos da oficina e
trabalhavam em troca de comida com o objetivo de aprender o
ofício.
A fome, a guerra e a peste – o colapso do feudalismo
A partir do século XIV, a Europa occidental mergulhou numa crise
que desetruturou de vez o sistema feudal. De uma forma sintética,
essas foram as causas da crise do feudalismo:
• Os problemas climáticos e a Grande Fome. Entre 1315 e 1317,
fortes e constantes chuvas devastaram os campos, prejudicando a
colheita e gerando a grande fome para os trabalhadores. As
contradições sociais se acentuavam. Segundo o historiador francês
Jacques Le Goff "os pobres morrem de fome no mesmo lugar em
que o rico tem seu celeiro ou a sua bolsa com que se saciar".
• A peste negra. O cenário de fome era um caminho aberto para
as epidemias. As cidades cresciam sem infraestrutura adequada,
os esgotos corriam a céu aberto. A peste negra (peste bubônica)
entrou na Europa pelo porto de Veneza e entre os anos de 1347 e
1350 dizimou 25 milhões de pessoas, ou seja, um terço da
população europeia.
• As guerras. O espírito guerreiro impregnava a mentalidade da
nobreza europeia. A ociosidade produtiva conduzia à guerra para
suprir o vazio de uma existência parasitária. A mais importante
dessas guerras de senhores foi a Guerra dos Cem Anos (1337-
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1453) travadas entre a França e Inglaterra. Dois fatores básicos
explicam as razões da guerra: as disputas por Flandres, rica região
comercial, pelos dois países e a questão sucessória do trono
francês . Com a morte do Rei Carlos IV em 1328 (Dinastia
Capetíngia), o trono francês ficara vago. Disputavam o cargo o
nobre Filipe de Valois e o rei ingles Eduardo III, que possuía
descendência francesa pelo lado materno. A escolha de Filipe de
Valois (que assumiu com o nome de Felipe VI) pelos nobres
franceses deu início do confronto. A Guerra dos Cem Anos
enfraqueceu a nobreza, dizimou milhares de vidas, acirrou o
nacionalismo e contribuiu para o declínio do sistema feudal.
O quadro social do campo e na cidade também foi agravado pela
eclosão de revoltas camponesas. Os "jacqueries", sob a liderança
de Étienne Marcel assombravam a França da mesma forma que os
camponeses, liderados por Wat Tyler, assustavam a nobreza
inglesa.
A CULTURA MEDIEVAL
As Universidades
As corporações de mestres e alunos deram origem às universitas,
gênese das universidades medievais, sustentadas pelo papado e
pelos reis. As universidades tornaram-se centros da produção do
conhecimento durante a Baixa Idade Média. O ensino básico era
dividido em trivium (gramática, retórica e lógica) e quadrivium
(música, geometria, aritmética e astronomia). O ensino superior era
dividido em quatro grandes áreas: Teologia, Medicina, Direito e
Artes.
As principais universidades eram as de Oxford e Cambridge
(Inglaterra), Bolonha e Salerno (Itália), Salamanca (Espanha),
Praga (República Tcheca), Viena (Áustria), Montpellier e Paris
(França).
Filosofia
A mais importante corrente filosófica da Baixa Idade Média foi a
Escolástica ("Ciência da Escola") baseado no pensamento de São
Tomás de Aquino e Santo Abelardo Magno, sob inspiração da
Bíblia e pensadores pagãos como Aristóteles. A Escolástica tem
na fé a fonte originária do conhecimento, a conciliação possível
entre fé e razão expressava a doutrina do Livre Arbítrio, inerente ao
gênero humano.
Outra corrente filosófica que floresceu no medievo foi a Patrística,
cujo “pai” foi Santo Agostinho. Essa corrente tinha como um de
seus pilares a racionalização da fé cristã, ou seja, a argumentação
lógica para a defesa da existência de Deus e dos princípios que
norteavam a teologia cristã.
Arquitetura, Pintura e Escultura
A produção artística medieval teve na arquitetura a sua máxima
expressão. A arquitetura medieval caracteriza-se por dois grandes
estilos: românico e gótico.
O estilo arquitetônico românico marcou os séculos XI e XII. De
estilo interno sóbrio para criar um ambiente propício à oração, a
construção românica possuía arcos redondos, janelas pequenas,
interior pouco iluminado, paredes maciças e grandes pilastras.
O estilo arquitetônico gótico desenvolveu-se a partir do século XII.
Caracterizava-se pela complexidade de seus detalhes, aliado à
leveza e suavidade de suas formas. O interior dascatedrais era
rico em estátuas e vitrais. As várias e grandes janelas iluminavam
o interior, a construção era marcada por ogivas ou arcos
quebrados, com predominância de linhas verticais.
A escultura e a pintura completavam a decoração do interior de
igrejas e catedrais. Destaque para os pintores Giotto e Simone
Martini, cujas obras revelam profunda influência da religiosidade
medieval.
Lamentação, afresco de Giotto (século XIV).
Direito Medieval
Dividido em duas vertentes:
• Direito Romano: tinha por base o Corpus Juris Civilis (Império
Bizantino).
• Direito Canônico: aplicado pela Igreja.
Ciências
A produção científica foi tolhida pelo predomínio da Igreja e pelo
pensamento teocêntrico; todavia, merece destaque Roger Bacon,
intelectual do século XIII, que combateu a Escolástica afirmando
que a experiência é a fonte de todo conhecimento e que só se
podia chegar a uma verdade cientìfica através da observação e da
experimentação.
Música e Literatura
Na música sacra, destaque para o canto gregoriano, uma prece
cantada que, ainda hoje, é muito utilizada na liturgia da Igreja
Católica.
Na música secular, destacaram-se as canções trovadorescas,
cantadas e tocadas pelos trovadores, enaltecendo a cavalaria, o
amor e outras virtudes.
No period medieval, com o desenvolvimentos das diversas línguas
europeias, destacam-se autores como Dante Alighieri (A Divina
Comédia) e Giovanni Boccaccio (Decameron).
Os goliardos foram poetas líricos que, através de versos satíricos,
celebravam os prazeres da bebida, do jogo, da vida boêmia e do
amor.
SEMANA 08 - H. GERAL - O Poder da Igreja Católica, a Baixa Idade Média e a Cultura Medieval - MONTEIRO JR - após correção do professor
Aula 8 - O PODER DA IGREJA CATÓLICA,