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Aula 7 – Bizantinos, Francos e Árabes 
 
 
 
 
 
81 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
Questão 06 
A crença em um só Deus, a guerra santa, e as principais 
obrigações dos fiéis: orações, jejuns, peregrinação a Meca e dar 
esmolas, são preceitos do islamismo reunidos no: 
a) Alcorão. 
b) Torah. 
c) Livro dos Mortos. 
d) Zend-Avesta. 
e) Código de Hamurabi. 
 
Questão 07 
“A Idade Média européia é inseparável da civilização islâmica já 
que consiste precisamente na convivência, ao mesmo tempo 
positiva e negativa, do cristianismo e do islamismo, sobre uma área 
comum impregnada pela cultura greco romana.” 
José Ortega y Gasset (1883-1955). 
O texto acima permite afirmar que, na Europa ocidental medieval, 
a) formou-se uma civilização complementar à islâmica, pois ambas 
tiveram um mesmo ponto de partida. 
b) originou-se uma civilização menos complexa que a islâmica 
devido à predominância da cultura germânica. 
c) desenvolveu-se uma civilização que se beneficiou tanto da 
herança greco romana quanto da islâmica. 
d) cristalizou-se uma civilização marcada pela flexibilidade religiosa 
e tolerância cultural. 
e) criou-se uma civilização sem dinamismo, em virtude de sua 
dependência de Bizâncio e do Islã. 
 
Questão 08 
Selecione a alternativa correta sobre o Império Bizantino: 
a) O seu mais importante imperador foi Justiniano, cuja atuação 
legislativa dirigiu-se para a compilação das leis romanas. 
b) A capital, Constantinopla, ou, posteriormente, Bizâncio, 
dispunha de uma localização geográfica inadequada ao comércio e 
proteção do Império. 
c) Este Império subsistiu até a Primeira Guerra Mundial, sob a 
denominação de Império Otomano. 
d) Apesar de localizar-se ao norte da África e, portanto, dispor de 
portos no Mar Mediterrâneo, o Império não manteve relações 
comerciais significativas com a Europa. 
e) A cultura bizantina não sofreu influências do mundo romano 
ocidental, mantendo-se puramente oriental. 
 
Questão 09 
A Alta Idade Média (século V a X) tem como uma de suas 
características singulares, que a define historicamente: 
a) o desaparecimento dos reinos germânicos no Ocidente. 
b) a consolidação e generalização do trabalho servil. 
c) a formação das Cruzadas para combater os infieis do Islã. 
d) o desenvolvimento e posterior centralização do poder real. 
e) o renascimento comercial que reorienta a vida econômica 
feudal. 
 
Questão 10 
A importância da Batalha de Poitiers, em 732, no contexto da 
história da Europa, justifica-se em função de que: 
a) com essa vitória, Carlos Martel tornou-se imperador dos francos 
b) a partir daí teve início a Guerra de Reconquista na Península 
Ibérica 
c) esse evento assinalou o limite da expansão cristã no 
Mediterrâneo 
d) os cristãos foram derrotados pelos árabes, consolidando-se o 
feudalismo europeu 
e) a derrota árabe frente ao Reino Franco impediu a islamização do 
Ocidente 
 
Questão 11 
Observe a figura. 
 
O ícone, pintura sobre madeira, foi uma das manifestações 
características da Civilização Bizantina, que abrangeu amplas 
regiões do continente europeu e asiático. A arte bizantina resultou 
a) do fim da autocracia do Império Romano do Oriente. 
b) da interdição do culto de imagens pelo cristianismo primitivo. 
c) do “Cisma do Oriente”, que rompeu com a unidade do 
cristianismo. 
d) da fusão das concepções cristãs com a cultura decorativa 
oriental. 
e) do desenvolvimento comercial das cidades italianas. 
 
Questão 12 
Dentre os Reinos Bárbaros, surgidos após as invasões germânicas 
e o fim do Império Romano, o Reino Franco foi o mais importante, 
porque 
a) os Reis Francos se converteram ao Cristianismo e defenderam o 
Ocidente contra o avanço dos muçulmanos. 
b) promoveu o desenvolvimento das atividades comerciais entre o 
Ocidente e o Oriente, através das Cruzadas. 
c) nesse período a Sociedade Feudal atingiu sua conformação 
clássica e o apogeu econômico e cultural. 
d) houve uma centralização do poder e viveu-se um período de paz 
externa e interna, o que permitiu controlar o poder dos nobres 
sobre os servos. 
e) os Reis Francos conseguiram realizar uma síntese entre a 
cultura romana e a oriental, que serviria de inspiração ao 
Renascimento Cultural do século XIV. 
 
Questão 13 
No ano de 786, Carlos Magno afirmou: “A nossa função é, segundo 
o auxílio da divina piedade, (...) defender com as armas e em todas 
as partes a Santa Igreja de Cristo dos ataques dos pagãos e da 
devastação dos infiéis”. 
Pinsky "O modo de produção feudal". p. 101. 
 
O fragmento acima expressa a orientação política do Império 
Carolíngio no governo de Carlos Magno. O objetivo dessa política 
pode ser definido como um(a) 
http://4.bp.blogspot.com/-p5LLm40mYHM/UAhsL9RFsII/AAAAAAAADsM/yCZx7QT1LR0/s1600/aaaa.png
 
 
 
 
 82 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
CURSO ANUAL DE HISTÓRIA GERAL – Prof. Monteiro Jr. 
a) esforço para estabelecer uma aliança entre os carolíngios e a 
Igreja bizantina para fazer frente ao crescente poderio papal. 
b) intenção de anexar a Península Ibérica aos domínios do papado, 
com a finalidade de impedir o avanço árabe. 
c) desejo de subordinar os domínios bizantinos à dinastia 
carolíngia, no intuito de implantar uma monarquia teocrática. 
d) tentativa de restaurar o Império Romano, com vistas a promover 
a união da cristandade da Europa Ocidental. 
 
Questão 14 
O Império Bizantino se originou do Império Romano do Oriente, 
reunindo diferentes povos: gregos, egípcios, eslavos, semitas e 
asiáticos. Em razão disso, foi preciso criar um eficiente sistema 
político e administrativo para dar força e coesão àquele mosaico de 
povos e culturas. Sobre o Império Bizantino é INCORRETO afirmar 
que: 
a) a religião fornecia a fundamentação do poder imperial, mas 
absorvia grande parte dos recursos econômicos, originando várias 
crises. 
b) a intolerância religiosa não deixava espaço de autonomia para 
que os indivíduos escolhessem seus próprios caminhos para a 
salvação. 
c) a estrutura eclesiástica era extensa e muito influente, 
provocando intensa espiritualidade popular e várias controvérsias 
teológicas. 
d) a fusão entre poder temporal e poder espiritual permitia que o 
Imperador indicasse laicos para postos na hierarquia eclesiástica. 
e) a importância política do Imperador impediu que o Patriarcado 
se desenvolvesse independentemente, tal como o Papado do 
Ocidente. 
 
Questão 15 
Embora a penetração bárbara houvesse modificado profundamente 
o mapa político da Europa; por muitos séculos, o sonho de uma 
nova unidade política permaneceu vivo. A primeira expressão 
concreta desse sonho coletivo foi o Império Carolíngio, constituído 
no ano 800. 
 
Sobre o Império Carolíngio, assinale o que for incorreto. 
a) O Tratado de Verdum (843) consolidou a concepção de Império 
Cristão, impedindo a penetração de novos invasores no território 
europeu. 
b) Pepino, o Breve, em 751, foi coroado com o aval do Papado, 
inaugurando a dinastia carolíngia. Em contrapartida e como 
retribuição, entregou ao Papa os territórios italianos conquistados 
aos lombardos. 
c) Carlos Magno criou seus vastos territórios, um sistema 
administrativo que, embora personalista e rudimentar, adequava-se 
à conjuntura do período. 
d) Com a coroação de Carlos Magno, teoricamente renascia o 
Império Romano; na prática, foi uma ficção que pouco sobreviveu 
ao seu imperador. 
e) Suas raízes remontam ao ano de 496, quando o rei franco 
Clóvis converteu-se ao cristianismo, possibilitando as primeiras 
aproximações com a Igreja. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Aula 8 - O PODER DA IGREJA CATÓLICA, 
A BAIXA IDADE MÉDIA E A CULTURA MEDIEVAL 
O PODER DA IGREJA CATÓLICA NO MUNDO MEDIEVAL 
O mundo das idéias tornou-se quase um monopólio eclesiástico. 
Os clérigos ocupavam-se do pensamentocientífico e político, das 
novas técnicas agrícolas (nas propriedades da Igreja), do governo 
papal, cujos métodos administrativos, serviram de modelo para 
outras cortes européias e até quanto a tática e estratégias 
militares. 
Batista Neto, Jônatas. A História da Baixa Idade Média: 1066-1453. São Paulo: 
Ática, 1989, pág. 45. 
 
Em meio ao fragmentado mundo feudal, cuja autoridade estava 
diluída entre vários senhores, uma instituição merece destaque 
como monopolizadora do conhecimento, acumuladora dos poderes 
temporal e spiritual, a Igreja Católica, que muito pouco lembrava a 
organização humilde do cristianismo primitivo. 
A Igreja Católica ocupava papel preponderante no aspecto 
econômico. Era rica proprietária de terras, dominando econômica e 
ideologicamente a sociedade européia. 
O papa era também o soberano absoluto do Estado da Igreja, 
constituído a partir da doação de terras na peninsula italica que o 
rei franco Pepino, o Breve fez à Igreja (doação do Patrimônio de 
São Pedro). Assim, os papas exerciam poder temporal (politico) e 
poder espiritual. 
A Igreja Católica legitimava ideologicamente a sociedade feudal, 
que era estamental em sua essência. O primeiro estamento social 
era representado pelo clero, responsável pelo "alimento espiritual"; 
o segundo, pela nobreza, a ordem dos que combatem e mantêm 
as estruturas feudais; o terceiro estamento era formado pelos 
servos, que através de um duro trabalho, sustentavam as ordens 
anteriores. 
A Doutrina das Três Ordens (“uns rezam, uns combatem e outros 
trabalham”), defendida pela Igreja, buscava uma analogia com a 
trindade cristã e afirmava que as desigualdades sociais eram 
produtos da vontade de Deus. 
“A ordem eclesiástica forma um só corpo, mas a divisão da 
sociedade compreende três ordens. A lei humana reconhece 
outras duas condições: a do nobre e do servo que não são regidos 
pela mesma lei. Os nobres são os guerreiros, os protetores da 
Igreja. Defendem a todos os homens do povo, aos poderosos da 
mesma forma que os humildes, e ao mesmo tempo a eles próprios 
se protegem. A outra classe é a dos servos, esta desgraçada raça 
que nada possui sem sofrimento (...) A cidade de Deus, que se crê 
única, está dividida em três ordens: alguns rezam, outros 
combatem e outros trabalham. Estas três ordens vivem juntas e 
não sofrem por serem separadas. Os serviços prestados por cada 
uma dessas ordens permitem os trabalhos das outras duas e cada 
uma, por sua vez, presta apoio às demais", escreveu o bispo 
francês Adalberon, que viveu no period medieval. 
De uma forma geral, a espada dos nobres foi uma aliada da igreja 
para manter as estruturas feudais; todavia, ocorreram conflitos 
entre alguns reis e o papado na Baixa Idade Média (séc. XI ao XV), 
como veremos adiante. 
 
Clero Secular e Clero Regular 
“No início da Idade Média, a Igreja teve como função principal a 
conversão dos barbarous e a sua integração com os romanos, 
ganhando com isso crescente prestígio e assumindo nos novos 
reinos constituidos diversas atribuições políticas, administrativas e 
culturais, além do controle spiritual. Assim, o clero que a princípio 
se dedicava exclusivamente à religião, passou a envolver-se 
também com as questões seculares. O adjetivo secular deriva do 
substantivo latino saeculum, que significa ‘mundo’; a atividade do 
clero secular estava, pois, ligada às coisas terrenas. 
Contudo, boa parte do clero secular, em contato com a vida 
profana, com os problemas administrativos, vinculou-se 
demasiadamente às propriedades da Igreja, à materialidade, 
degenerando-se nos costumes, distanciando-se da pregação 
doutrinária. Como reação a essa tendência, e atendendo ao forte 
espiritualismo da época, nasceu o clero regular (do latim regula, 
que significa ‘regras’), constituído por monges que se recolhiam em 
mosteiros, isolados do mundo, sob votos de castidade, caridade e 
pobreza. 
Tudo indica que foi São Pacônio, do Egito, quem fundou o primeiro 
mosteiro cristão, no século IV. Todavia, foi São Bento (480-547), 
criador da Ordem dos Beneditinos, o responsável pela 
consolidação da estrutura monastica, em que o abade passou a 
exercer absoluto comando sobre seus monges. Além de sua 
importante atuação no trabalho de conversão dos camponeses 
pagãos, os monasterios constituíram os centros mais avançados 
da vida cultural e econômica da Alta Idade Média. Paralelamente 
ao trabalho intelectual na preservação e recuperação das obras da 
antiga cultura greco romana, não raro os monges desenvolviam, 
junto a seus servos, atividades agrícolas e artesanais.” 
VICENTINO, Cláudio. História Geral. 4 ed. São Paulo: Scipione, 1997, p. 129-130. 
 
A Questão (ou Querela) das Investiduras 
Corresponde às disputas entre o papado e os imperadores do 
Sacro Império Romano Germânico pela hegemonia política. No 
Sacro Império, os imperadores costumavam interferir na nomeação 
(investidura) dos bispos, não por critérios religiosos e sim por 
fatores políticos. Assim o império controlava os “senhores feudais 
eclesiásticos”, e esses bispos enriqueciam com o comércio 
religioso (simonias). Ser bispo era, acima de tudo, um ótimo 
negócio. 
“O lamentável estado a que descera a Igreja durante o século IX 
mostrava-se através de escritos de homens de alta hierarquia. 
Declara um bispo, abertamente, expondo a própria simonia 
[comércio religioso, o que inclui cargos eclesiásticos]: ‘Dei meu 
ouro e recebi o bispado, mas confio recebê-lo de volta, se souber 
como proceder. Para ordenar um padre, cobrarei em ouro; para 
ordenar um diácono, cobrarei um monte de prata (…). Paguei bom 
ouro, mas hei de rechear a bolsa’.” 
(FREMANTLE, Anne. Idade da Fé. In: Biblioteca de História Universal Life. Rio 
de Janeiro: José Olympio, p. 38.) 
 
Corria o ano de 910 quando, no Sul da França, foi criada a Ordem 
de Cluny seguidora dos ensinamentos de São Bento. A Ordem 
Beneditina pregava o celibato clerical, combatia a interferência de 
imperadores em questões eclesiásticas e a venda de simonias. Essa 
proposta de moralização da Igreja ganhou força, espalhando-se 
rapidamente pela Europa, o que representava uma ameaça ao poder 
dos imperadores que insistiam em manter a investidura dos bispos. 
Com a eleição, em 1073, de Hildebrando di Bonizio para papa, a 
Ordem de Cluny atingia o topo da hierarquia eclesiástica. Pela 
primeira vez na história da Igreja um membro do clero regular 
chegava ao Trono de São Pedro. O novo papa adotou o nome 
Gregório VII e iniciou uma série de reformas com o objetivo de 
 
 
 
 
 84 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
CURSO ANUAL DE HISTÓRIA GERAL – Prof. Monteiro Jr. 
moralizar o clero: estabeleceu de forma definitiva o celibate clerical 
e determinou que só o papa poderia nomear (investor) os bispos. 
Henrique IV, imperador do Sacro Império Romano Germânico, não 
aceitou a decisão papal e acabou excomungado por Gregório VII. 
Esse conflito se arrastou até 1122, quando foi assinada a 
Concordata de Worms pelo papa Calixto III e pelo imperador 
Henrique V, estabelecendo que caberia ao papa a investidura 
espiritual dos bispos e ao imperador a investidura temporal. 
 
A Doutrina dos Dois Gládios 
A mentalidade do homem medieval, controlada e moldada pelo 
clero, colocava Deus como o centro de todas as coisa 
(teocentrismo). Assim, o papa, como representante de Deus, era 
apresentado como a mais alta autoridade, cujo poder se 
sobrepunha ao de qualquer rei ou governante. 
Isso abriu caminho para a formulação da Doutrina dos Dois 
Gládios, esboçada inicialmente pelo papa Gelásio (429-496) e 
reforçada por Gregório I (590-604) e Gregório VII (1073-85). De 
acordo com essa doutrina, o gládio (poder) temporal, dos reis, 
governa os corpos, enquanto o gládio (poder) espiritual, dos papas, 
governa as almas; entretanto, o gládio espiritual se sobrepõe ao 
gládio temporal, ou seja, o poder papal é superior ao poder dos reis. 
Vejamos as palavras do papa Gelásio ao esboçar a Doutrina dos 
Dois Gládios:“Há, na realidade, dois poderes pelos quais este 
mundo é principalmente governado: a autoridade sagrada dos 
pontífices e o poder real. Dos dois, o sacerdócio tem o poder 
mais alto, na medida em que deve tomar conta aos próprios 
reis em matéria divina. Se, no domínio da disciplina pública, os 
padres reconhecem a tua autoridade e obedecem às tuas leis, 
na esfera religiosa tens de obedecer em vez de governar.” 
A Doutrina dos Dois Gládios abriu caminho para o 
supranacionalismo papal (ou universalismo pontifical): a 
interferência dos papas nos assuntos internos dos países 
europeus, o que acabaria por provocar um choque inevitável entre 
os interesses reais e papais, como no caso da Questão das 
Investiduras. 
“Deus criador do mundo, pôs no firmamento dois astros para 
iluminar: o sol que preside o dia e a lua que preside a noite. Do 
mesmo modo, no firmamento da Igreja Universal, instituiu ele duas 
altas dignidades: o papado, que reina sobre as almas, e a realeza, 
que domina os corpos. Mas o primeiro é muito superior à segunda.” 
Papa Inocêncio III e a Doutrina dos Dois Gládios 
 
O Cisma do Ocidente 
“Ao longo do século XIII, porém, os Reis reagiram contra o 
internacionalismo pontifical, apoiando-se no nacionalismo 
emergente e nas doutrinas dos Legistas (burgueses especializados 
no estudo do Direito Romano): afirmaram sua independência 
política e até mesmo o direito supremo sobre os habitantes do 
Reino, inclusive com jurisdição sobre os eclesiásticos. Daí, os 
conflitos ocorridos entre o Papado e as Monarquias Feudais, sendo 
o mais sério o que opôs Felipe, o Belo, Rei da França, ao Papa 
Bonifácio VIII (1294-1303). Ainda que proclamando a Teoria dos 
Dois Gládios pela Bula Unam Sanctam, o Papa foi aprisionado pelo 
monarca francês, o que significou a rejeição da supremacia 
pontifícia e a vitória do poder real (1302). 
O desenvolvimento da questão entre Felipe, o Belo, e o Papado 
provocou o Cativeiro de Avignon (1305-1377). Sob pressão de 
Felipe, o Belo, foi eleito o Papa Clemente V (1305), de origem 
francesa, que transladou a sede do papado de Roma para 
Avignon, na França. 
Em fins do século XIV, a questão tornou-se mais séria quando 
aumentou a pressão do clero, principalmente italiano, a fim de 
fazer retornar a Roma a sede do Papado. Atendendo aos apelos 
formulados, Gregório XI reinstalou, em Roma, a capital do mundo 
cristão. Entretanto, o conclave reunido em 1378 para eleger o 
successor de Gregório XI acabou dividindo-se em dois grupos 
intransigentes (o italiano e o francês), saindo eleitos dois Papas: 
Urbano VI e Clemente VII, os quais, considerando-se legítimos, 
tiveram sucessores em Roma e Avignon. 
Configurava-se, assim, o Grande Cisma do Ocidente (1378-
1415), de desastrosas consequências. Os interesses politicos 
tumultuavam e agravavam o Cisma: os Papas de Avignon eram 
sustentados pelos Reis da França e seus aliados (Escócia, Castela 
e Aragão); os de Roma, apoiados pelos italianos, pelo Imperador e 
pela Inglaterra. A tentativa de pacificação pela reunião do Concílio 
de Pisa (1409) tumultuou a confusão existente no seio da Igreja: 
elegeu-se novo Papa (Alexandre V) e o cisma tornou-se tricéfalo. 
Só após o Concílio de Constança e a eleição de Martinho V, 
restabeleceu-se a unidade do pontificado (1417).” 
História das sociedades: das comunidades primitivas às sociedades medievais, p. 
516 (adaptado). 
 
As heresias medievais e a Santa Inquisição 
No período medieval, surgiram movimentos doutrinários opostos 
aos dogmas estabelecidos pela Igreja. Estes movimentos são as 
heresias. 
Etimologicamente a palavra herege é oriunda do grego "hairesis", 
significando uma doutrina contrária ao que foi definido pela Igreja 
em matéria de fé. O herege é, portanto, um crítico dos dogmas 
estabelecidos oficialmente pela Igreja. 
"O Estudo das Mentalidades procura conhecer principalmente as 
visões de mundo, as paixões, os comportamentos dos marginais, 
que eram no passado julgados pela Igreja. A heresia é uma ruptura 
com o dominante, ao mesmo tempo que é uma adesão a uma 
outra mensagem. É contagiosa e em determinadas condições 
dissemina-se facilmente na sociedade. Daí o perigo que representa 
para a ordem estabelecida, sempre preocupada em preservar a 
estrutura social tradicional", escreveu a historiadora Anita Novinski 
na obra A Inquisição. 
Eis um resumo das principais heresias que floresceram no period 
medieval: 
• Arianismo – Formulada por Ario, bispo de Alexandria, negava a 
divindade do Filho e do Espírito Santo, considerando apenas o Pai 
como verdadeiro Deus. 
• Nestorianismo – Formulada por Nestor, bispo de Constantinopla, 
identificava duas pessoas em Cristo: uma divina, outra humana. 
• Monofisismo – Formulada por Eutiques, bispo de Constantinopla, 
afirmava que Cristo só possuía uma única natureza, a divina. 
• Pelagianismo – Formulada pelo monge Pelágio, negava a 
existência do pecado original e a necessidade da graça para a 
salvação do homem. 
• Os Valdenses – Também conhecidos como “Pobres de Lião”, 
eram os seguidores de Pedro Valdo, comerciante francês que 
rejeitava os sacramentos, as indulgências e o culto aos santos, 
admitindo apenas a autoridade da Bíblia como regra de fé. 
• Os Albingenses – Grupo que se originou na aldeia de Albi, na 
França, e que ficou conhecido também como cátaros; acreditavam 
em dois princípios contrários e em eternal luta (bem e mal), 
negavam os sacramentos, bem como a encarnação e ressurreição 
de Cristo. 
As heresias não representavam apenas uma ameaça à ortodoxia 
da Igreja, mas também uma ameaça à ordem social estabelecida. 
No século XIII foi criador, por iniciativa do papa Gregório IX, o 
Aula 8 – O Poder da Igreja Católica, a Baixa Idade Média e a Cultura Medieval 
 
 
 
 
85 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
Tribunal do Santo Ofício (ou Santa Inquisição), tribunal 
eclesiástico responsável por investigar e julgar os suspeitos de 
heresias. Os rituais do “autos de fé” eram por vezes violentos. 
Muitas confissões eram obtidas a partir da prática de tortura. Os 
condenados eram entregues ao Estado para a aplicação da 
sentença estabelecida (geralmente a morte na fogueira). 
 
A BAIXA IDADE MÉDIA E O OUTONO DA EUROPA 
O período compreendido entre os séculos XI e XV é conhecido 
como Baixa Idade Média e tem como características marcantes o 
renascimento comercial e urbano, a ascensão da burguesia, a 
formação das Monarquias Nacionais e, enfim, a crise do sistema 
feudal e a formação das estruturas capitalistas. 
No século X cessaram as invasões normandas, muçulmanas ou 
húngaras na Europa Ocidental. A estabilidade social e a diminuição 
das epidemias provocaram um crescimento demográfico, exigindo 
assim, o aumento da produtividade nos campos. A irrigação de 
terras, a transformação das florestas em áreas de plantio, o uso do 
arado de madeira contribuíram para as transformações nas 
técnicas produtivas. 
A marginalização de parte da população aumentava com o 
crescimento populacional. Crescia a opressão dos senhores sobre 
os servos, gerando um clima de insatisfação que, por vezes, 
explodia em revoltas violentas. Muitos servos fugiam dos feudos e 
se dirigiam às cidades, em busca de melhores condições de vida. 
 
As Cruzadas 
"Deus o quer". Com este lema, o papa Urbano II convocou a 
população cristã para a "Guerra Santa" contra os muçulmanos. As 
Cruzadas foram expedições militares cristãs, que ocorreram entre 
os séculos XI e XIII, com o objetivo de libertar Jerusalém do 
domínio dos "infiéis" muçulmanos: os turcos seldjúcidas, que 
impediam as peregrinações cristãs aos locais sagrados. 
As Cruzadas extrapolaram a perspectiva puramente religiosa. 
Fatores vários contribuíram para esse movimento, a saber: 
• crescimento populacional - as técnicas produtivas feudais não 
acompanhavam o ritmo do crescimento demográfico, era 
fundamental a conquista de territories para exporter o excedente 
da população. 
• restabelecimento da unidade cristã - o Cismado Oriente 
(1054), que levou a formação da Igreja Ortodoxa, rompera com a 
unidade do mundo cristão; o contato com os cristãos do Oriente 
poderia representar uma oportunidade para o restabelecimento da 
unidade da Igreja. 
• ampliação do comércio - o interesse de algumas cidades, 
sobretudo Gênova e Veneza, de dominarem os centros comerciais 
na Bacia Oriental do Mediterrâneo, em terras do Império Bizantino 
e no mundo muçulmano foi outro motivador das Cruzadas. 
Apesar do fracasso militar do movimento cruzadístico, é inegável 
que o contato entre as sociedades que se desenvolviam no entorno 
do Mediterrâneo (cristã occidental, bizantina e muçulmana) 
contribuiu para fundamentais transformações no mundo europeu. 
O Mar Mediterrâneo foi reaberto à navegação cristã. O comércio 
das especiarias orientais e asiáticas proporcionaram dividendos 
extraordinários às cidades italianas. O Renascimento do comércio 
e das cidades é importante consequência das Cruzadas. 
As cidades comerciais do norte europeu, para defender seus 
interesses regionais e ampliar o raio de sua atuação comercial, se 
organizaram em ponderosas associações mercantis denominadas 
“hansas”. A Liga Hanseática (ou Teutônica), com sede em 
Lübeck, foi a mais importante associação comercial, possuindo 
grande frota e monopolizando o comércio do Mar Báltico, 
exercendo forte influência no Sacro Império Romano-Germânico. 
Destaque também para a Hansa dos Mercadores Fluviais, com 
sede em Paris, foi outra importante hansa medieval. 
No século XI as cidades ressurgiam por toda a Europa, e no século 
seguinte tornaram-se centros ativos da vida comercial e intelectual. 
As cidades representavam uma força nova e revolucionária social, 
econômica e culturalmente. Contribuíram para o declínio do 
sistema feudal porque criaram novas oportunidades para os 
comerciantes (burgueses) que, ao contrário dos senhores e servos, 
não estavam ligados à terra. 
O burguês era um homem novo, símbolo de uma nova ordem 
(capitalista) que se erguia sobre os escombros da ordem anterior 
(feudal) e que possuía um sistema de valores diferentes do senhor, 
do servo ou do clérigo. 
Uma das razões básicas do crescimento das cidades foi a maior 
oferta de alimentos, devido ao desenvolvimento acentuado de 
técnicas agrícolas. O excedente da produção agrícola que era 
comercializado nas cidades. Outra razão para a ascensão das 
cidades foi a expansão do comércio pós Cruzadas. As cidades 
surgiram nas rotas do comércio (litoral, margens de rios, 
encruzilhadas e mercados) e junto aos castelos fortificados, 
mosteiros e cidades romanas sobreviventes. O "ar das cidades 
liberta", dizia um provérbio alemão da época que anunciava uma 
nova primavera européia marcada pelo comércio e pelo 
crescimento burguês. 
As guildas (ou corporações de mercadores) eram associações 
de comerciantes que buscavam garantir o monopólio local, 
impedindo a concorrência estrangeira e controlando os preços dos 
produtos. 
As corporações de ofício eram associações de artesãos que 
desempenhavam a mesma atividade profissional, regulando o 
processo produtivo, mantendo a qualidade e controlando a 
produtividade, estabelecendo a doutrina do "preço justo" para 
produtos e serviços. 
A hierarquia das corporações de ofício era rígida. No topo 
encontrava-se o mestre, trabalhador qualificado, dono da oficina e 
dos instrumentos de produção; na camada intermediária, os 
oficiais ou companheiros, artesãos conhecedores da execução 
do ofício e que trabalhavm sob a orientação do mestre; na base, 
ficavam o aprendizes, que vivia nos fundos da oficina e 
trabalhavam em troca de comida com o objetivo de aprender o 
ofício. 
A fome, a guerra e a peste – o colapso do feudalismo 
A partir do século XIV, a Europa occidental mergulhou numa crise 
que desetruturou de vez o sistema feudal. De uma forma sintética, 
essas foram as causas da crise do feudalismo: 
• Os problemas climáticos e a Grande Fome. Entre 1315 e 1317, 
fortes e constantes chuvas devastaram os campos, prejudicando a 
colheita e gerando a grande fome para os trabalhadores. As 
contradições sociais se acentuavam. Segundo o historiador francês 
Jacques Le Goff "os pobres morrem de fome no mesmo lugar em 
que o rico tem seu celeiro ou a sua bolsa com que se saciar". 
• A peste negra. O cenário de fome era um caminho aberto para 
as epidemias. As cidades cresciam sem infraestrutura adequada, 
os esgotos corriam a céu aberto. A peste negra (peste bubônica) 
entrou na Europa pelo porto de Veneza e entre os anos de 1347 e 
1350 dizimou 25 milhões de pessoas, ou seja, um terço da 
população europeia. 
• As guerras. O espírito guerreiro impregnava a mentalidade da 
nobreza europeia. A ociosidade produtiva conduzia à guerra para 
suprir o vazio de uma existência parasitária. A mais importante 
dessas guerras de senhores foi a Guerra dos Cem Anos (1337-
 
 
 
 
 86 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
CURSO ANUAL DE HISTÓRIA GERAL – Prof. Monteiro Jr. 
1453) travadas entre a França e Inglaterra. Dois fatores básicos 
explicam as razões da guerra: as disputas por Flandres, rica região 
comercial, pelos dois países e a questão sucessória do trono 
francês . Com a morte do Rei Carlos IV em 1328 (Dinastia 
Capetíngia), o trono francês ficara vago. Disputavam o cargo o 
nobre Filipe de Valois e o rei ingles Eduardo III, que possuía 
descendência francesa pelo lado materno. A escolha de Filipe de 
Valois (que assumiu com o nome de Felipe VI) pelos nobres 
franceses deu início do confronto. A Guerra dos Cem Anos 
enfraqueceu a nobreza, dizimou milhares de vidas, acirrou o 
nacionalismo e contribuiu para o declínio do sistema feudal. 
O quadro social do campo e na cidade também foi agravado pela 
eclosão de revoltas camponesas. Os "jacqueries", sob a liderança 
de Étienne Marcel assombravam a França da mesma forma que os 
camponeses, liderados por Wat Tyler, assustavam a nobreza 
inglesa. 
 
A CULTURA MEDIEVAL 
As Universidades 
As corporações de mestres e alunos deram origem às universitas, 
gênese das universidades medievais, sustentadas pelo papado e 
pelos reis. As universidades tornaram-se centros da produção do 
conhecimento durante a Baixa Idade Média. O ensino básico era 
dividido em trivium (gramática, retórica e lógica) e quadrivium 
(música, geometria, aritmética e astronomia). O ensino superior era 
dividido em quatro grandes áreas: Teologia, Medicina, Direito e 
Artes. 
As principais universidades eram as de Oxford e Cambridge 
(Inglaterra), Bolonha e Salerno (Itália), Salamanca (Espanha), 
Praga (República Tcheca), Viena (Áustria), Montpellier e Paris 
(França). 
 
Filosofia 
A mais importante corrente filosófica da Baixa Idade Média foi a 
Escolástica ("Ciência da Escola") baseado no pensamento de São 
Tomás de Aquino e Santo Abelardo Magno, sob inspiração da 
Bíblia e pensadores pagãos como Aristóteles. A Escolástica tem 
na fé a fonte originária do conhecimento, a conciliação possível 
entre fé e razão expressava a doutrina do Livre Arbítrio, inerente ao 
gênero humano. 
Outra corrente filosófica que floresceu no medievo foi a Patrística, 
cujo “pai” foi Santo Agostinho. Essa corrente tinha como um de 
seus pilares a racionalização da fé cristã, ou seja, a argumentação 
lógica para a defesa da existência de Deus e dos princípios que 
norteavam a teologia cristã. 
 
Arquitetura, Pintura e Escultura 
A produção artística medieval teve na arquitetura a sua máxima 
expressão. A arquitetura medieval caracteriza-se por dois grandes 
estilos: românico e gótico. 
 
O estilo arquitetônico românico marcou os séculos XI e XII. De 
estilo interno sóbrio para criar um ambiente propício à oração, a 
construção românica possuía arcos redondos, janelas pequenas, 
interior pouco iluminado, paredes maciças e grandes pilastras. 
O estilo arquitetônico gótico desenvolveu-se a partir do século XII. 
Caracterizava-se pela complexidade de seus detalhes, aliado à 
leveza e suavidade de suas formas. O interior dascatedrais era 
rico em estátuas e vitrais. As várias e grandes janelas iluminavam 
o interior, a construção era marcada por ogivas ou arcos 
quebrados, com predominância de linhas verticais. 
A escultura e a pintura completavam a decoração do interior de 
igrejas e catedrais. Destaque para os pintores Giotto e Simone 
Martini, cujas obras revelam profunda influência da religiosidade 
medieval. 
 
 
Lamentação, afresco de Giotto (século XIV). 
 
Direito Medieval 
Dividido em duas vertentes: 
• Direito Romano: tinha por base o Corpus Juris Civilis (Império 
Bizantino). 
• Direito Canônico: aplicado pela Igreja. 
 
Ciências 
A produção científica foi tolhida pelo predomínio da Igreja e pelo 
pensamento teocêntrico; todavia, merece destaque Roger Bacon, 
intelectual do século XIII, que combateu a Escolástica afirmando 
que a experiência é a fonte de todo conhecimento e que só se 
podia chegar a uma verdade cientìfica através da observação e da 
experimentação. 
 
Música e Literatura 
Na música sacra, destaque para o canto gregoriano, uma prece 
cantada que, ainda hoje, é muito utilizada na liturgia da Igreja 
Católica. 
Na música secular, destacaram-se as canções trovadorescas, 
cantadas e tocadas pelos trovadores, enaltecendo a cavalaria, o 
amor e outras virtudes. 
No period medieval, com o desenvolvimentos das diversas línguas 
europeias, destacam-se autores como Dante Alighieri (A Divina 
Comédia) e Giovanni Boccaccio (Decameron). 
Os goliardos foram poetas líricos que, através de versos satíricos, 
celebravam os prazeres da bebida, do jogo, da vida boêmia e do 
amor. 
	SEMANA 08 - H. GERAL - O Poder da Igreja Católica, a Baixa Idade Média e a Cultura Medieval - MONTEIRO JR - após correção do professor
	Aula 8 - O PODER DA IGREJA CATÓLICA,