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Resumo do Artigo_Educação e gerontologia_ desafios e oportunidades

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Resumo do Artigo: Educação e gerontologia: desafios e oportunidades.
Introdução
A gerontologia é uma disciplina científica que ocupa uma posição central em um amplo campo multi e interdisciplinar, envolvendo biologia, medicina, ciências sociais, psicologia, entre outras. Ela se beneficia e contribui para o intercâmbio de ideias e dados, sendo classificada como um campo multiprofissional, com interfaces em áreas como geriatria, fisioterapia, enfermagem, serviço social, direito, psicologia clínica e psicologia educacional.
Embora haja uma pluralidade de especialidades na gerontologia, cada disciplina e profissão contribui para definir a última etapa da vida como uma categoria de idade com propriedades específicas, exigindo tratamentos especializados. Diferentes aspectos, como desgaste físico, papéis sociais, solidão, idade cronológica, custos financeiros e ameaças à reprodução das sociedades, são atribuídos a profissionais específicos, como médicos, sociólogos, psicólogos, demógrafos, economistas, e especialistas em administração pública.
A educação também se encaixa nesse amplo campo de aplicação da gerontologia, dando origem a um novo campo interdisciplinar, a gerontologia educacional. Este campo aborda questões sobre os conteúdos e formatos da educação destinada a idosos, assim como a formação de recursos humanos para realizá-la.
Gerontologia, educação e interdisciplinaridade
Na década de 1960, surgiu um movimento na França e na Itália a favor de uma universidade mais engajada na sociedade, com ensino menos compartimentado. Em 1971, um comitê de especialistas propôs uma nova concepção universitária, destacando a necessidade de uma abordagem interdisciplinar no ensino superior. Distinções conceituais foram feitas entre multidisciplinaridade, pluridisciplinaridade, transdisciplinaridade e interdisciplinaridade. A interdisciplinaridade envolve a interação entre disciplinas, podendo incluir desde a comunicação de ideias até a integração de epistemologias, métodos e dados.
Na prática de pesquisa, a interdisciplinaridade é uma colaboração entre cientistas de diferentes áreas para abordar um tema ou problema de pesquisa. Na educação, a interdisciplinaridade busca reorganizar as estruturas pedagógicas, promovendo a interação entre disciplinas para alcançar a unidade do saber. No contexto do envelhecimento, a interdisciplinaridade é essencial para a educação permanente e a formação de recursos humanos, incluindo professores de universidades da terceira idade.
No Brasil, o ingresso da universidade na área do envelhecimento foi gradual, com aumento na produção científica desde a década de 1970. Entretanto, a participação na formação de recursos humanos em gerontologia ainda é limitada, com poucos cursos direcionados à educação de idosos. A formação de professores de idosos é crucial para promover mudanças culturais e sociais nas concepções sobre velhice. A gerontologia educacional, como campo interdisciplinar, desempenha um papel fundamental nesse processo.
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Gerontologia educacional: um novo campo de atuação profissional
O termo "gerontologia educacional" foi introduzido por David Peterson em 1970 na Universidade de Michigan, definindo-o como o estudo e a prática do ensino voltado para pessoas idosas e em processo de envelhecimento. Peterson classificou a gerontologia educacional em três categorias: educação para idosos, educação para a população sobre velhice e formação de recursos humanos para trabalhar com idosos.
Nos Estados Unidos, na Inglaterra e no Canadá, essas categorias se desenvolveram com foco em levantar as necessidades dos idosos, melhorar a qualidade de vida por meio da educação e formar profissionais e voluntários para fornecer educação a idosos. Em 1990, surgiu a "gerogogia crítica", uma abordagem menos conservadora e mais emancipadora para os idosos.
Na Espanha, a "gerontagogia" se desenvolveu como uma ciência educacional interdisciplinar, com programas de especialização e cursos de intervenção socioeducativa para idosos. O conceito de "animador sociocultural" ou "educador social" é central na proposta gerontagógica, envolvendo profissionais que estimulam a participação ativa dos idosos em seu desenvolvimento social e cultural.
Essa abordagem interdisciplinar também se estende ao Brasil, onde a formação de recursos humanos em gerontologia, incluindo professores de universidades da terceira idade, é crucial para promover mudanças culturais e sociais nas concepções sobre velhice. A gerontologia educacional desempenha um papel fundamental nesse processo, buscando proporcionar uma educação permanente e especializada para idosos, considerando sua história pessoal e bagagem de conhecimentos ao longo da vida.
A formação de professores para universidades da terceira idade
O panorama internacional sobre a formação de docentes para universidades da terceira idade revela diferentes abordagens e desafios. Em países como Grã-Bretanha, Austrália e Estados Unidos, as atividades são frequentemente conduzidas por professores voluntários, havendo uma carência de docentes com formação superior. Por outro lado, na França, Bélgica, Suíça, Portugal e Holanda, o corpo docente é composto por educadores universitários remunerados. Na Alemanha, o foco está no desenvolvimento de programas e métodos de ensino adaptados às necessidades dos idosos, enquanto, na China, os programas são disputados por professores altamente qualificados.
No Brasil, a formação de docentes para universidades da terceira idade é escassamente abordada. Poucos cursos de atualização oferecidos por universidades e centros gerontológicos abordam essa formação. A análise de alguns programas brasileiros, como o da Universidade Estadual de Ponta Grossa e da Universidade do Rio de Janeiro, destaca a falta de uma área definida para a formação docente. Muitos professores são indicados pelos departamentos universitários sem formação específica em gerontologia.
Algumas iniciativas buscam abordar essa lacuna, como cursos de especialização em Gerontologia em diferentes universidades brasileiras. Entretanto, há desafios, como a falta de uma pedagogia específica para idosos e dificuldades em lidar com as diferenças entre os alunos e as teorias gerontológicas.
A literatura destaca a importância de uma abordagem participativa e centrada no aluno, reconhecendo os idosos como sujeitos ativos do processo educativo. Diferentes experiências internacionais e programas brasileiros buscam incorporar referenciais teórico-pedagógicos, enfatizando a educação permanente e a participação ativa dos idosos no processo de aprendizagem. A necessidade de compreender as peculiaridades da aprendizagem na velhice é enfatizada, promovendo ambientes educativos estimulantes e significativos para os idosos.
Conclusão
Na contemporaneidade, o estudo do envelhecimento e da velhice constitui um desafio para pesquisadores em diversas áreas, impulsionando o crescimento da gerontologia como uma especialização interdisciplinar. No Brasil, observa-se a formação de um subcampo específico, a educação gerontológica, abordando questões relacionadas ao envelhecimento, velhice e idosos. A criação de universidades da terceira idade destacou a necessidade de formar profissionais para lidar com idosos, resultando em políticas acadêmicas direcionadas à pesquisa e à formação nesse domínio. Diante da diversidade de necessidades e interesses dos idosos, é crucial investir em metodologias que valorizem suas experiências e os tornem agentes ativos em seu próprio processo de aprendizagem. Os professores, provenientes de diversas áreas, devem desenvolver competências específicas, disposições afetivas e características pessoais que promovam não apenas o benefício dos idosos, mas também contribuam para o bem-estar da sociedade como um todo.

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