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APOSTILA ASSESSORIA CONSULTORIA PSICOPEDAGÓGICA_250516_120647

Aula 1 sobre consultoria e assessoria psicopedagógica: apresenta fundamentos e conceitos (definições de consultoria e assessoria), citação do Projeto de Lei nº3512‑B, estudo de caso de Clara e reflexão sobre a atuação interdisciplinar do psicopedagogo.

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PONTO DE PARTIDA
Olá, estudante!
Convidamos você a participar de uma aula de discussões e reflexões acerca da Consultoria e Assessoria
Psicopedagógica. Juntos, estudaremos os conceitos que envolvem essa temática, e como enfrentar os desafios
presentes no processo de ensino e aprendizagem.
Atuar na Consultoria e Assessoria Psicopedagógica é desenvolver a capacidade para trabalhar com as
possibilidades de APRENDIZAGEM. Nesse sentido, é essencial estabelecer uma relação de diálogo, valorização,
respeito e afeto com os estudantes, os familiares, os professores e os profissionais envolvidos no ensino.
Imaginemos a história de Clara, uma menina de 7 anos que é apaixonada pela dança. Desde os 3 anos, sua
mãe a colocou em uma escola de balé, e a pequena garota desenvolveu o gosto por esse viés artístico. Neste
ano, ao ingressar no 1º ano do Ensino Fundamental – Anos Iniciais, em uma escola pública, Clara tem recebido
muitas reclamações da professora. Tal situação deixou sua mãe preocupada, chegando a pensar em tirá-la
das aulas de balé para que a filha se dedicasse mais aos estudos.
A professora relatou à Equipe Pedagógica, que Clara não presta atenção nas aulas, não copia as palavras da
lousa, quer conversar o tempo todo e ainda não aprendeu a ler e a escrever. A diretora da escola buscou
ajuda de uma psicopedagoga para prestar Consultoria e Assessoria Psicopedagógica, pois além do caso de
Aula 1
CARACTERIZANDO A ATUAÇÃO DO PEDAGOGO NA
CONSULTORIA E ASSESSORIA
Olá, estudante! Convidamos você a participar de uma aula de discussões e reflexões acerca da
Consultoria e Assessoria Psicopedagógica.
FUNDAMENTOS DA CONSULTORIA E ASSESSORIA
PSICOPEDAGÓGICA
 Aula 1 - Caracterizando a atuação do pedagogo na consultoria e assessoria
 Aula 2 - Espaços institucionais públicos e privados
 Aula 3 - Gestão de pessoas e processos
 Aula 4 - Psicopedagogia preventiva
 Aula 5 - Encerramento da unidade
 Referências
Clara, existem mais crianças com dificuldades para aprender. Trata-se de uma sala de aula com 30 alunos,
sendo que 12 chegaram ao 3º trimestre abaixo do nível de escrita alfabética.
Com relação a essa situação, como o psicopedagogo poderá prestar CONSULTORIA e ASSESSORIA?
CONSULTORIA E ASSESSORIA PSICOPEDAGÓGICA E O PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM.
Olá, estudante! 
Seja bem-vindo à nossa primeira aula!
Nesta unidade, estudaremos sobre os fundamentos da consultoria e da assessoria psicopedagógica. 
Para isso, refletiremos sobre alguns conceitos que oferecem subsídios para a atuação do psicopedagogo. 
Sabemos que a Psicopedagogia é um campo do conhecimento que vem se destacando por sua relevante
contribuição no processo de ensino e aprendizagem.
Nesse sentido, te convidamos a conhecer os fundamentos teóricos que compõe essa ciência.
O conceito de Consultoria e Assessoria Psicopedagógica permeará o estudo teórico e prático na formação
do psicopedagogo. Desse modo, é válido mencionar que consta no Projeto de Lei nº 3512-B, de 2008, artigo 4,
parágrafo IV, que a consultoria e a assessoria psicopedagógica tem como objetivo identificar, compreender e
analisar os problemas apresentados no processo de aprendizagem (BRASIL, 2008).
Assim, a definição de assessoria, segundo o dicionário Michaelis (2024, on-line), é “conjunto de especialistas
que assessoram tecnicamente um superior hierárquico”, e, ainda “empresa ou órgão que se especializa na
coleta e análise de dados relacionados a um determinado assunto”.
Em consonância, o termo consultoria é definido como “ato ou efeito de dar consultas, conselhos, orientações,
sugestões”; e, ainda, “ação ou efeito de um especialista emitir um parecer técnico ou orientação profissional
sobre um assunto de sua especialidade”.
Portanto, a Assessoria e a Consultoria psicopedagógica consistem em realizar orientações especializadas
acerca de temáticas que envolvem o aprendizado. Discutir a atuação do psicopedagogo como consultor e
assessor no processo de ensino e aprendizagem é um convite para pensarmos na composição dos termos:
Pedagogia e Psicopedagogia. Rubinstein (2017) afirma que embora Psicopedagogia seja uma palavra
composta pelo radical psi, que vem de Psicologia, e Pedagogia, não se configura como uma junção ou mistura
das duas disciplinas, mas, sim, como uma nova área do conhecimento.
Nesse sentido, a Psicopedagogia se constitui como uma ciência, e está amparada por vários campos do
conhecimento, dentre os quais podemos citar: a Medicina, a Fonoaudiologia, a Biologia, a Filosofia, a
Sociologia, a Psicologia e a Pedagogia (SILVA, 2019; MARTINS, 2020).
Nessa perspectiva, de acordo com Martins (2020), a Psicopedagogia é uma área do conhecimento que
trabalha com as dificuldades de aprendizagem no processo de ensino. Nessa lógica, a ABPp (Associação
Brasileira de Psicopedagogia) elucida o caráter interdisciplinar e multidisciplinar da referida profissão, já que o
psicopedagogo pode atuar no contexto clínico e/ou institucional. Ou seja, o graduado ou pós-graduado em
Psicopedagogia pode trabalhar em empresas, organizações, escolas e hospitais, em conjunto com outros
profissionais da área da Saúde e da Educação.
Na consultoria e assessoria psicopedagógica, é importante o acompanhamento e a orientação ao trabalho
docente e discente. Desse modo, há de se identificar os motivos ou as causas das dificuldades de
aprendizagem. Estas podem ser de origem biológica, emocional ou social.
No entanto, independentemente da origem da dificuldade de aprendizagem, Vigotski (2021) defende que
todos os sujeitos são capazes de desenvolver as capacidades especificamente humanas. Assim, com a
intervenção psicopedagógica, no sentido de atuar na assessoria e na consultoria aos professores e integrantes
de equipes pedagógicas, o psicopedagogo pode favorecer o processo de ensino e aprendizagem, ao
considerar a criança como um sujeito único, bem como suas relações consigo mesma e com o meio.
Vale destacar que as capacidades humanas se desenvolvem a medida que são realizadas intervenções
educativas para o desenvolvimento das funções psicológicas superiores, como a memória, a atenção, a
concentração, o raciocínio, a linguagem, a criação e a imaginação.
Nessa vertente, para Martins (2023), o psicopedagogo pode atuar de forma clínica ou institucional, em caráter
preventivo ou terapêutico. Assim, durante a consultoria e assessoria psicopedagógica, é essencial considerar,
primeiramente o sujeito do processo de ensino e aprendizagem, a família e as relações estabelecidas, além do
contexto sócio-histórico em que o estudante está inserido (ABPp, 2011).
No decorrer das reflexões apresentadas, cabe salientar que o objetivo principal da Psicopedagogia é favorecer
a aprendizagem humana, considerando que o ser humano nasce para aprender. Sobre esse aspecto, é válido
mencionar que o conceito de aprendizagem tem diferentes abordagens. Podemos exemplificar, apresentando
brevemente, dois grandes clássicos da Educação: Jean Piaget (1896-1980) e Lev Semionovitch Vigotski (1896-
1934).
Para Piaget, a aprendizagem decorre do desenvolvimento, com base em processos naturais e biológicos
(MENIN, 2001). O sujeito aprende quando entra em contato com o objeto do conhecimento, permitindo uma
relação dialética entre eles. Assim, são realizadas inferências e externalizações, resultando na construção do
conhecimento (GONÇALVES et al., 2023a). 
Em contrapartida, Vigotski (2018) afirma que o desenvolvimento decorre da aprendizagem. Ou seja, ao se criar
as condições objetivas para o aprendizado, o sujeito se desenvolve, superando a ideia de considerar apenas o
aspecto biológico. Nessa lógica, os fatores sociais, históricos e culturais podem interferir para um pleno
desenvolvimento (GONÇALVES et al., 2023b).
As teorias de Piaget e Vigotski, embora se diferenciem em suas fundamentações, são importantes para o
conhecimento dos profissionais que atuam no processo de ensino e aprendizagem. Nesta aula, apenas
citamos de forma abreviada a grandezaPereira. O uso excessivo das tecnologias digitais e seus impactos nas relações psicossociais em
diferentes fases do desenvolvimento humano. Ciências Biológicas e de Saúde Unit. Alagoas. v. 6. n. 3. p. 166-
176. maio 2021. periodicos.set.edu.br. Disponível em:
https://periodicos.set.edu.br/fitsbiosaude/article/view/8964/4532. Acesso em: 28 abr. 2024.
MARTINS, Eudislânia Paulino. Contribuições da psicopedagogia para o atendimento pedagógico na classe
hospitalar. Anais VII CONEDU - Edição Online. Campina Grande: Realize Editora, 2020. Disponível em:
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RELVAS, Marta Pires. Neurociências e transtornos de aprendizagem: as múltiplas eficiências para uma
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Aula 2
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Aula 3
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the University Press of New England, Hanoverand London. 1977.
BOSSA, Nadia. A Psicopedagogia no Brasil: Contribuições a partir da prática. Porto Alegre: Artes Médicas Sul.
2000.
GONÇALVES, Kalyandra Khadyne Imai. Aprendizagem e desenvolvimento dos primeiros meses aos três anos:
contribuições da Teoria Histórico-Cultural. 146 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Estadual
de Maringá. Maringá, 2020.
GONÇALVES, Kalyandra Khadyne Imai; YAEGASHI, Solange Franci Raimundo; GLATZ, Emanoela Thereza
Marques de Mendonça; SOUZA, Sharmilla Tassiana de; CEZÁRIO, Emanuelle Tótoli de Oliveira; ZANCHETTI,
Vitória de Araujo. Aprendizagem e desenvolvimento humano: contribuições da Teoria Histórico-Cultural para a
Educação Escolar. In: BIANCHESSI, Cleber (org.). Reflexões sobre Educação e Ensino: Saberes e práticas em
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GONÇALVES, Kalyandra Khadyne Imai; YAEGASHI, Solange Raimundo Franci; SOUZA, Sharmilla Tassiana de;
GLATZ, Emanoela Thereza Marques de Mendonça. Aprendizagem e desenvolvimento humano: contribuições
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http://pepsic.bvsalud.org/pdf/cc/v12/v12a12.pdf. Acesso em: 24 mar. 2024.
PRESTES, Zoia. Quando não é quase a mesma coisa: traduções de Lev Semionovitch Vigotski no Brasil.
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https://repositorio.enap.gov.br/bitstream/1/2897/1/M%C3%B3dulo_1_-_Introdu%C3%A7%C3%A3o_e_Conceitos_B%C3%A1sicos1.pdf
https://www.scielo.br/j/pcp/a/vLRKNGMHtjbrxKrtz5jsCBD/
https://revistaensinoeeducacao.pgsskroton.com.br/article/view/824
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http://pepsic.bvsalud.org/pdf/cc/v12/v12a12.pdf
Imagem de capa: Storyset e ShutterStock.
Aula 5
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Psicopedagogia. 2020. Disponível em: https://www.abpp.com.br/a-regulamentacao-do-exercicio-da-atividade-
em-psicopedagogia/. Acesso em: 10 mar. 2024.
BRASIL, Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil: texto constitucional
promulgado em 5 de outubro de 1988, com as alterações determinadas pelas Emendas Constitucionais de
Revisão nos 1 a 6/94, pelas Emendas Constitucionais nos 1/92 a 91/2016 e pelo Decreto Legislativo no
186/2008. - Brasília: Senado Federal, Coordenação de Edições Técnicas, 2016.
FAGALI, Eloisa Quadros; VALE, Zélia Del Rio do. Psicopedagogia institucional aplicada: aprendizagem escolar
dinâmica e construção na sala de aula. Ilustrações de Francisco Forlenza. Petrópolis, RJ: Vozes, 1993.
https://storyset.com/
https://www.shutterstock.com/pt/
https://www.abpp.com.br/a-regulamentacao-do-exercicio-da-atividade-em-psicopedagogia/
https://www.abpp.com.br/a-regulamentacao-do-exercicio-da-atividade-em-psicopedagogia/
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PONTO DE PARTIDA
Olá, estudante!
Na unidade 1, acompanhamos como o psicopedagogo foi importante para auxiliar o caso de Clara acerca das
dificuldades encontradas no processo de alfabetização. Certamente, a intervenção psicopedagógica na
infância proporcionou o desenvolvimento de capacidades essenciais para a sua formação.
Na unidade 2, estudaremos a intervenção do psicopedagogo no acompanhamento ao discente. Em especial,
nesta primeira aula, trataremos do papel desse profissional e a sua relação com o estudante.
Nesse sentido, imaginemos que Clara já se encontra na fase da adolescência. Está passando por uma etapa
conturbada, em que se manifestam as dúvidas, as emoções e as curiosidades, em uma intensidade maior.
A maioria dos colegas de sua turma no Ensino Médio já decidiram o curso de graduação para o qual prestarão
o vestibular. As conversas têm sido sobre esse assunto, e Clara está cada vez mais apreensiva sobre as
escolhas para o seu futuro.
A verdadeira paixão de Clara sempre foi o balé. A garota sonha em ser bailarina desde a infância e ama estar
nos palcos e apresentações. Porém, seus pais não aprovam essa ideia. Dizem que a filha precisa ter uma
profissão com uma maior estabilidade financeira.
Assim, Clara desabafou essa angústia com uma professora com quem tem um vínculo afetivo. A professora
acolheu as queixas da estudante e realizou a escuta atenta. Posteriormente, retratou o caso para a
coordenação pedagógica. Em busca de uma solução, a equipe pedagógica e os demais professores pensaram
Aula 1
O PAPEL DO PSICOPEDAGOGO INSTITUCIONAL E SUA
RELAÇÃO COM O DISCENTE
Olá, estudante! Na unidade 1, acompanhamos como o psicopedagogo foi importante para auxiliar o caso
de Clara acerca das dificuldades encontradas no processo de alfabetização. 
O PSICOPEDAGOGO NO ACOMPANHAMENTO AO DISCENTE
 Aula 1 - O papel do psicopedagogo institucional e sua relação com o discente
 Aula 2 - O protagonismo do discente
 Aula 3 - Adaptações curriculares e escola inclusiva
 Aula 4 - Rotinas do psicopedagogo junto ao discente
 Aula 5 - Encerramento da unidade
 Referências
na possibilidade de um apoio profissional psicopedagógico, pois pode ocorrer que mais discentes estejam na
mesma situação.
Nesse caso, como o psicopedagogo pode intervir? Qual o enfoque usado no atendimento dessa situação? De
que forma a psicopedagogia pode contribuir para a orientação vocacional?
ENFOQUE PSICOPEDAGÓGICO PREVENTIVO
Olá, estudante!
Seja bem-vindo à primeira aula da Unidade 2!
Juntos, estudaremos a atuação do psicopedagogo no acompanhamento ao discente. 
Assim, ampliaremos os saberes sobre a importância do enfoque preventivo para a superação ou prevenção
de dificuldades relacionadas à aprendizagem. Ao longo da vida, os aspectos intelectuais e afetivos estão em
desenvolvimento, e, em cada período, é necessário identificar e potencializar a formação humana, por meio
de vivências e experiências diversas, ricas de sentido e significado.
Excelentes estudos!
De acordo com Pontes (2010), o ato de intervir é diferente de interferir. A autora afirma que, na intervenção,
há a intenção de auxiliar o outro a encontrar a solução para um problema. Em contrapartida, quando se
interfere em uma situação, manipula-se a ação de alguém para se chegar a um resultado. Assim, o
psicopedagogo atuará no sentido de realizar intervenções, e não, interferências, no processo de
aprendizagem.
Nessa lógica, para iniciar os estudos desta aula, é importante retomarmos o caráter preventivo da
Psicopedagogia. Segundo Pontes (2010), a Psicopedagogia preventiva atua na reconstrução de processos de
ensino e aprendizagem, na definição de papéis dos integrantes da instituição educativa, na valorização de
conhecimentos e estratégias de avaliação.
Nesse sentido, é necessário que o psicopedagogo esteja preparado para uma proposta de trabalho
transdisciplinar, com disposiçãopara trocas de saberes e diálogos produtivos entre professores,
coordenadores, supervisores e orientadores de ensino. Para que essa dinâmica se efetive, a atuação
psicopedagógica averiguará a formação docente, analisará o currículo e as necessárias adaptações aos alunos,
e mediará a criação de vínculos afetivos (PONTES, 2010).
É por meio do estabelecimento de vínculos que os sujeitos se relacionam e realizam trocas que contribuem
para o desenvolvimento de si e daqueles com quem convivem (PONTES, 2010). Nessa perspectiva,
primeiramente, há de se compreender o processo de aprendizagem e desenvolvimento do discente, com a
finalidade de propor intervenções humanizadoras para a sua formação plena (GONÇALVES, 2019).
Ao se compreender como as crianças e os jovens aprendem e se desenvolvem, o psicopedagogo terá
elementos para a realização de uma atuação profissional que, de fato, possa intervir positivamente no
acompanhamento ao discente, com enfoque preventivo, a fim de evitar o fracasso escolar.
Em outras palavras, é essencial que esse profissional aprofunde os estudos com relação à aprendizagem e à
formação humana. Para uma atuação assertiva, é relevante conhecer a periodização do desenvolvimento, pois
em cada etapa da vida o ser humano apresenta atividades-guias que orientam o desenvolvimento do
psiquismo. Desse modo, ao tomar conhecimento de tais elementos, o psicopedagogo pode pensar na
organização intencional da rotina das instituições, em busca de favorecer os aprendizados.
Por esse motivo, na Psicopedagogia, ao se entrevistar o indivíduo e a família, há um processo investigativo
sobre o desenvolvimento do sujeito e do meio em que está situado, a partir da sua concepção.
Desde a vida intrauterina, o feto é influenciado por condições objetivas, ou seja, pela materialidade existente
na cultura humana. Por meio da gestante, o bebê em formação recebe alimentos, vitaminas e passa por
experiências emocionais, físicas, sociais e psicológicas antes mesmo de seu nascimento. Nesse período, a
constituição do psiquismo humano tem início (CHEROGLU; MAGALHÃES, 2016).
Após o nascimento, no primeiro ano de vida, o bebê se comunica por meio do choro ou do sorriso,
expressando algum desconforto ou satisfação (MUKHINA, 1996). Nessa etapa, apresenta a atividade de
comunicação emocional. Comumente, nas instituições educativas brasileiras, os bebês são matriculados a
partir dos 4 meses de vida. Assim, o psicopedagogo poderá orientar os professores na organização da rotina,
dos espaços e na elaboração de atividades que busquem promover a comunicação. Nesse caso, a utilização
de músicas, gestos e materiais com diferentes cores, texturas, sons e formas são essenciais para favorecer a
aprendizagem dos pequenos (GONÇALVES, 2019).
Na Primeira Infância, de 1 a 3 anos de vida, as crianças se apropriam do andar ereto, da fala e da manipulação
de objetos (MUKHINA, 1996). Nesse período, manifestam a atividade manipulatória objetal. Desse modo, é
necessário que o psicopedagogo instrua os professores na elaboração de vivências com utensílios do dia a
dia, brinquedos, potes ou embalagens variadas, limpas e que não apresentem riscos às crianças, para a
manipulação, a observação e a apropriação dos nomes das ferramentas e suas funções sociais (GONÇALVES,
2019).
No período escolar, entre 3 e 7 anos, é essencial que as crianças vivenciem as brincadeiras de papéis sociais,
fazendo-se presente no cotidiano infantil. Por meio dessas experiências, são capazes de se apropriar de
regras e desenvolver elementos importantes do psiquismo. Assim, podem assumir diferentes condutas, com a
imitação das ações de adultos, sejam familiares ou profissionais. Além disso, por meio do brincar, podem
enriquecer a capacidade de imaginar (VYGOTSKY, 1984).
Posteriormente, há a transição dos jogos de papéis sociais à atividade de estudo (MARTINS; ABRANTES; FACCI,
2016). Na etapa escolar, aproximadamente dos 7 aos 10 anos, as crianças são capazes de desenvolver a
concentração e a motivação nos estudos (VYGOTSKY, 1984). Inicia-se o processo de alfabetização, a
aprendizagem de cálculos, de conceitos e conteúdos mais abstratos. Dessa forma, o psicopedagogo poderá
instruir os professores acerca do currículo e das formas de avaliar.
Na adolescência, na vida adulta e na velhice, as atividades que ficam em evidência são a comunicação íntima
pessoal, atividade de trabalho e produtiva (MARTINS; ABRANTES; FACCI, 2016). No período da puberdade,
entre 10 e 12 anos, a atividade socialmente útil estará em evidência. Posteriormente, dos 15 aos 18 anos, o
sujeito apresentará a atividade de estudo e profissional (VYGOTSKY, 1984). Nessa etapa da vida, geralmente
manifestam-se as dúvidas sobre as escolhas profissionais.
Segundo Leontiev (1978), as atividades-guias não deixam de existir. Em cada etapa da vida, elas se manifestam
com maior intensidade para o sujeito aprender. Passado o período, uma atividade-guia entra em declínio para
outra ficar em evidência. Importante ressaltar que, ao conhecer as atividades-guias e os períodos em que se
encontram em evidência no ser humano, o psicopedagogo pode instrumentalizar os professores nas
elaborações de vivências e experiências que enriqueçam e favoreçam o desenvolvimento humano, em um
trabalho de enfoque preventivo. 
ORIENTAÇÃO VOCACIONAL, OCUPACIONAL INDIVIDUAL OU EM GRUPO E OS PROCESSOS DE
INTEGRAÇÃO E TROCAS
No artigo 205 da Constituição Federal (CF) (Brasil, 2016, p. 123), consta: “A educação, direito de todos e dever
do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.
Podemos compreender que um dos objetivos da educação, além do desenvolvimento integral do ser humano,
é também orientá-lo para exercer a cidadania e formá-lo para o trabalho.
Para se cumprir com a legislação, no que se refere à qualificação para o trabalho, é importante pensarmos no
processo de aprendizagem dos sujeitos que passam pela escola. Desse modo, desde a Educação Infantil até o
Ensino Médio, o acompanhamento ao discente torna-se inquestionável.
Silva (2016) assevera que é comum as crianças serem questionadas pelos adultos sobre qual profissão
desejam exercer quando se tornarem “grandes”. Assim, desde muito cedo, os pequenos pensam sobre o
trabalho e as profissões. Nessa vertente, de acordo com Partida (2007), desde a infância é necessário realizar
intervenções psicopedagógicas clínicas ou institucionais, com vistas a fortalecer a capacidade de realizar
escolhas.
Nesse sentido, quando a família constantemente decide pela criança, não há o desenvolvimento da
autonomia. Futuramente, esse aspecto poderá impactar nas decisões individuais e, consequentemente, nas
dúvidas sobre a escolha profissional (PARTIDA, 2007).
Na adolescência, o psicopedagogo poderá subsidiar encaminhamentos relacionados à orientação vocacional e
ocupacional. Silva (2016) assegura que, em pleno século XXI, as escolas devem oferecer condições para a
inserção do jovem no mercado de trabalho, de forma humanizada. Portanto, cabe o auxílio no planejamento
do projeto de vida do discente, e ainda:
Nessa perspectiva, o psicopedagogo poderá intervir de forma individual ou em grupos, na orientação
vocacional e ocupacional, por meio de palestras, seminários, rodas de conversa, entre outras estratégias e
recursos.
Além disso, visando auxiliar na construção da identidade do indivíduo e na tomada de decisões, podemos
mencionar as vivências com jogos. Sob esse aspecto, Dell’Agli et al. (2015) afirma que os jogos de regras
possibilitam o desenvolvimento da capacidade de tomar consciência das ações. Quando se joga, os
participantes criam estratégias e possibilidades para enfrentar os desafios. Além disso, são capazes de
justificar as suas escolhas durante a jogada. Assim, é possível realizar a ampliação das estruturas mentais. 
Diante das reflexões apresentadas, percebemosa essencialidade do papel do psicopedagogo no
acompanhamento ao discente. Assim, na próxima seção, com os conhecimentos adquiridos, solucionaremos a
situação-problema apresentada nesta aula.
É esperado que a orientação escolar se possa tornar uma prática mais global. A orientação
escolar e profissional é pois, um processo de ajuda, de carácter mediador e cooperativo,
entre o profissional preparado teoricamente e tecnicamente e um sujeito, ou grupo de
sujeitos, que usufruem deste auxílio na elaboração e construção do seu projeto de vida
(conhecimento do seu processo de escolha, autoconhecimento, conhecimento do mundo
de trabalho, entre outros aspetos) (SILVA, 2016, p. 243).
VAMOS EXERCITAR
Na situação-problema apresentada, primeiramente, é necessário ampliar o repertório sobre as ocupações,
para que Clara possa reunir elementos para fazer sua escolha. O psicopedagogo poderá orientar a equipe
pedagógica na realização de palestras sobre profissões, convidando diferentes profissionais para contribuírem
e apresentarem um pouco do seu trabalho aos alunos, de modo a envolver a participação do Ensino Médio.
Estrategicamente, para melhorar o vínculo dos familiares com os filhos, o psicopedagogo poderá assessorar a
equipe pedagógica na realização de palestra aos pais, trazendo um profissional da Psicologia, por exemplo,
para oferecer instruções de como apoiar os jovens em suas escolhas profissionais.
Essas ações interventivas poderão contribuir de forma significativa para a formação dos jovens, auxiliando-os
em decisões importantes para o futuro. Desse modo, Clara poderá fortalecer o sentimento de pertencimento,
segurança e autoestima. Certamente, ao se identificar com uma profissão, conseguirá exercê-la e contribuir
para a sociedade.
 Saiba mais
Para aprofundarmos as reflexões desta aula, indicamos uma leitura que trata o tema com muita
sensibilidade: “O coelhinho que não era de Páscoa” (Ruth Rocha). Independentemente da idade, o livro
contribui com lições valiosas para pensarmos no processo de aprendizagem.
PONTO DE PARTIDA
Olá, estudante! 
Convidamos você a refletir sobre como podemos incentivar o protagonismo do discente no processo de
ensino e aprendizagem. Desde a Unidade 1, temos acompanhado as situações em que Clara necessita da
intervenção psicopedagógica para superar as dificuldades no ensino. 
Nesse sentido, um dos objetivos da atuação psicopedagógica é também auxiliar no processo de formação da
capacidade de protagonizar. Nesse contexto, retomemos a história da menina. Após vivenciar experiências
para apropriar-se de elementos para decidir qual profissão seguirá, a jovem está se preparando para o
vestibular. 
Seus pais conseguiram compreender e respeitar a decisão da filha, que é seguir a carreira de bailarina. Mas
para chegar até o seu objetivo, Clara necessita desenvolver algumas habilidades e estratégias para vencer em
sua rotina diária, como conciliar o estudo com o trabalho, passar no vestibular, tornar-se uma cidadã com
consciência crítica, realizar escolhas sábias e participar ativamente do meio social, ou seja, ser a protagonista
de sua vida, de sua história. 
Aula 2
O PROTAGONISMO DO DISCENTE
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Nesse caso, como o psicopedagogo pode contribuir para a formação do protagonismo do discente? Quais são
as maneiras de se instrumentalizar os professores no processo de ensino e aprendizagem, acerca da
produção de sentidos? Que tipo de atividades podem contribuir para o desenvolvimento pleno do estudante? 
O PSICOPEDAGOGO E OS ENFRENTAMENTOS PARA O PROTAGONISMO DISCENTE
Olá, estudante!
Seja bem-vindo à aula 6 da Unidade 2!
Nesta aula, estudaremos a importância do incentivo ao protagonismo do discente. Nesse sentido, o
psicopedagogo desempenha um papel fundamental, pois pode orientar e assessorar os profissionais da
Educação na elaboração de atividades desenvolventes, com vistas a um avanço pleno dos estudantes. Todos
os seres humanos são capazes de desenvolver as capacidades humanas, como memória, atenção,
concentração, criação, imaginação, linguagem, raciocínio e a altivez.  Assim, refletiremos sobre esses aspectos
no decorrer destes estudos.
Excelentes discussões!
O conceito de protagonismo infantil e/ou juvenil tem sido muito utilizado na contemporaneidade, para
expressar a capacidade das crianças e dos jovens ao assumirem papéis essenciais na construção de sua
própria identidade, sua história e até mesmo de transformações positivas na sociedade.
Nesse contexto, Guizzo, Balduzzi e Lazzari (2019) afirmam que o protagonista representa um papel de
destaque em uma área, um acontecimento ou uma situação. Assim, o protagonismo do discente está
relacionado com a capacidade de solucionar problemas, ter iniciativas e desenvolver a proatividade, a
inovação, a invenção e a flexibilidade.
O protagonismo pode ser mobilizado desde a infância, ao se potencializar as capacidades humanas e aplicar
atividades desenvolventes que favoreçam uma aprendizagem integral.
De acordo com Marchi e Müller (2018), no processo de ensino e aprendizagem, em diversos contextos, sejam
escolares ou não, as crianças aprendem e ensinam. Nessa lógica, é necessário respeitar e valorizar a infância,
que pode contribuir de forma significativa para refletirmos sobre a construção de uma sociedade mais
humana, justa, ética e estética.
Na visão dos autores mencionados, é necessário reconhecer, de forma humilde, que as crianças podem
ensinar outras crianças e adultos. Assim, também podem contribuir com as escolas, para torná-las espaços
democráticos, dialógicos e de decisões políticas. Os elementos que constituem a rotina escolar, como
“horários, currículo, formas de aprendizagem, conteúdos, atividades complementares” podem ser
organizadas, levando em consideração a participação dos discentes (MARCHI E MÜLLER, 2018, p. 117-118).
Considerando essas argumentações, refletimos se a prática apresentada poderia tornar a escola mais
próxima das crianças. Isto é, criar nelas um sentimento de pertencimento, e, assim, estabelecer vínculos mais
profundos de afeto dos discentes com a aprendizagem.
Nessa vertente, Freire (1987) elucida sobre a existência de uma concepção de educação “bancária”, em que, há
muitas gerações, os professores assumem um papel de depositar o conhecimento no aluno. Para o educador
brasileiro, os conteúdos usados para “encher” os discentes são fragmentos de uma realidade, que não
apresentam uma aprendizagem significativa e, por vezes, não contribuem com uma formação integral (FREIRE,
1987, p. 57).
O autor (1987) ainda afirma que, nessa concepção de educação bancária, o professor é detentor do saber e o
processo educativo é mecânico. Isso significa que os alunos precisam apenas receber os conteúdos e
armazená-los, levando-os à fixação, memorização e repetição, sem reflexões e ações, em um processo
mecânico, conforme mencionado.
Assim, nas salas de aulas, ainda presenciamos atividades realizadas de forma mecânica, em que os
professores solicitam que os alunos pintem desenhos estereotipados com cores determinadas pelo adulto.
Ou, ainda, que copiem textos em seus cadernos e respondam aos questionários, transcrevendo exatamente
os parágrafos. Reafirmamos que tais ações no processo de aprendizagem se configuram como
enfrentamentos no ensino para a formação do protagonismo discente.
Diante das reflexões apresentadas, cabe salientar que o psicopedagogo precisa se apropriar de diferentes
concepções de educação, para identificar e intervir no processo de aprendizagem, tornando-a significativa
para o aluno. Além disso, é fundamental que possa instrumentalizar os professores na condução de
atividades educativas desenvolventes.
ATIVIDADES PARA A FORMAÇÃO DO PROTAGONISMO DISCENTE E A PRODUÇÃO DE SENTIDOS
Segundo Soares (2017), com o movimento da democratização do ensino, iniciado por volta dos anosde 1950
no Brasil, as escolas passaram por mudanças quantitativas e qualitativas. Sob esse aspecto, a partir de 1960,
várias pesquisas sobre o fracasso escolar e a alfabetização foram desenvolvidas. Os elementos considerados
nas pesquisas buscam relacionar as dificuldades encontradas no processo de alfabetização e as
consequências que resultam na reprovação, na repetência e na evasão escolar (SOARES, 2017).
Desse modo, a pesquisadora evidencia a importância de não apenas ensinar as crianças a decodificarem as
letras no processo de alfabetização, e, sim, apresentar a função social da escrita, despertando-as para um
mundo letrado. Esse breve contexto exemplifica como as atividades mecânicas e as atividades significativas
exercem relações diferentes com o discente.
Nessa lógica, as atividades mecânicas distanciam os estudantes do processo de aprendizagem. Enquanto isso,
as atividades significativas contribuem com a formação do protagonismo discente, incentivando a autonomia
e a tomada de decisões com base no conhecimento.
Freire (1987) ainda destaca que o professor não pode se tornar opressor. Ou seja, o papel do professor é
desenvolver a consciência crítica dos discentes. Tal processo configura-se como protagonismo.
Desse modo, o protagonismo discente é possibilitar que os estudantes desenvolvam a capacidade de reagir à
opressão, levando-os a questionarem, conhecerem, estudarem, refletirem e agirem, libertando-os com
conhecimentos e saberes (FREIRE, 1987).
A essas reflexões, soma-se o conceito de produção de sentidos, definido por Scoz (2007, p. 126) como “uma
possibilidade para compreender a construção da subjetividade de psicopedagogos e educadores nos
processos de aprender e de ensinar”. Haja vista o significado do referido conceito, é válido destacar que a
produção de sentidos se trata de um processo dialético entre indivíduo e sociedade, consciência e
inconsciência e pensamento e emoção (SCOZ, 2007).
Nesse contexto, o psicopedagogo pode atuar na produção de sentidos ao provocar tanto o docente como o
discente na captação da essência dos conteúdos, das vivências e experiências com relação ao processo de
aprendizagem. Isto é, ao estabelecer o sentido e o significado dos pensamentos e das ações, superando os
movimentos desconexos e fragmentados no ensino (SCOZ, 2007).
Finalizamos esta seção, pensando que o psicopedagogo pode contribuir para que os sujeitos sejam
protagonistas, criem sentido no processo de aprendizagem e vivenciem atividades significativas para a
formação plena. Todos têm um potencial, que precisa ser mobilizado e ampliado, ao invés de reduzido e
estabilizado. Portanto, reafirmamos a essencialidade da intervenção psicopedagógica na formação docente,
com vistas a fortalecer o protagonismo discente, por meio de uma conduta primorosa de estudos e
sensibilidade.
VAMOS EXERCITAR
Clara necessita organizar a sua rotina de estudos e estabelecer prioridades. Nesse sentido, a intervenção
psicopedagógica pode contribuir ao orientá-la a criar listas, usar agenda ou aplicativos para a organização de
seus afazeres do dia a dia, estabelecendo metas e prioridades. Embora esteja trabalhando como professora
de balé, Clara não pode deixar os estudos de lado, já que sua meta é passar no vestibular, para o curso de
Educação Física. Então, além de suas atividades, a jovem necessita estudar e cuidar de sua saúde.
Aos professores, o psicopedagogo pode sugerir atividades dinâmicas, vivências enriquecedoras, que
possibilitem momentos individuais e em grupos, como visitas técnicas a lugares históricos, discussões sobre
filmes que versam sobre o conteúdo escolar, participação em palestras, organização de seminários e
apresentações pelos alunos. Outras sugestões são paródias e dramatizações, além da indicação de livros e
discussões. 
Essas possibilidades, entre outras, são consideradas atividades significativas, que buscam identificar as
habilidades dos envolvidos no ensino e contribuir para que tanto o docente, quanto o discente possam
produzir sentido no processo de aprendizagem.
 Saiba mais
Para conhecer mais sobre o tema sugerimos a leitura do artigo: “A questão do protagonismo juvenil no
Ensino Médio brasileiro: uma crítica curricular”. 
PONTO DE PARTIDA
A inclusão escolar é mais que uma simples prática escolar, pois envolve a diversidade, o respeito e a
singularidade de cada indivíduo, garantindo os estudos às pessoas e promovendo cidadãos com capacidade
de questionar, compreender e opinar. Desta maneira, a inclusão diz respeito a promover e possibilitar que os
alunos possam ter suas necessidades atendidas com equidade, garantindo o direito a todos, o acesso à
educação e a integração à comunidade escolar. A partir da prática da inclusão escolar, possibilita-se
ambientes acolhedores, acessíveis e promove-se um ensino-aprendizagem de qualidade.
Mas o que podemos esperar das políticas públicas? De legislações envolvendo o PPP e os currículos escolares?
Podemos esperar a efetivação de uma melhor inclusão de estudantes portadores de necessidades especiais?
Aula 3
ADAPTAÇÕES CURRICULARES E ESCOLA INCLUSIVA
A inclusão escolar é mais que uma simples prática escolar, pois envolve a diversidade, o respeito e a
singularidade de cada indivíduo, garantindo os estudos às pessoas e promovendo cidadãos com
capacidade de questionar, compreender e opinar.
https://www.scielo.br/j/ensaio/a/L3YtRDW6FdDzVsXdswMzDHs/?format=pdf&lang=pt
https://www.scielo.br/j/ensaio/a/L3YtRDW6FdDzVsXdswMzDHs/?format=pdf&lang=pt
FERRAMENTAS DA PSICOPEDAGOGIA
Olá, estudante,
Neste novo capítulo, daremos início aos nossos estudos e reflexões envolvendo o campo da educação. Nesta
aula, vamos explorar os princípios fundamentais da inclusão escolar e discutir possíveis estratégias práticas
para tornar a sala de aula um ambiente acolhedor e acessível para todos os alunos. Você também
compreenderá mais sobre o Projeto Político Pedagógico (PPP) e a formação dos currículos escolares. Vamos
aprender mais sobre este importante documento base para a educação?
Quando falamos de educação inclusiva, é necessário que também falemos sobre o que é educação, e
direcionemos o processo de educar e aplicar métodos próprios para assegurar a formação e o
desenvolvimento físico, intelectual e moral de uma pessoa, dos pontos de vista pedagógico, didático, e de
ensino-aprendizagem.
Dessa forma, entendemos que o processo educativo é um alicerce para a vida social, que considera que a
educação tem de promover a aprendizagem necessária para o desenvolvimento sociocognitivo, para que,
assim, o indivíduo consiga se alinhar com o papel de cidadão e encontrar o seu lugar junto à sociedade.
Dessa maneira, quando temos conhecimento crítico, conseguimos assumir papeis sociais que possibilitam a
comunicação e compreensão de diversas situações, como eleições, eventos informativos, entre outros meios
(BARROS; ROSE, 2017).
Outro papel da educação é o de ser um espaço para o desenvolvimento das habilidades sociais e de inserção
social, que pode levar os estudantes a uma construção de pensamentos críticos e éticos. Com isso,
entendemos que o saber aproxima o indivíduo dos valores e da compreensão dos processos ao longo de sua
vida.
A partir da compreensão do processo educativo, a educação inclusiva surge da necessidade de um trabalho
em conjunto com a organização administrativa e pedagógica, que tem o papel fundamental na construção de
habilidades que apontem para o exercício da cidadania (BARROS; ROSE, 2017).
Para Mantoan (2003), a escola é envolvida com paradigmas que são o formalismo da racionalidade, e acaba
desenvolvendo tipos de ensino, serviços, currículos escolares e burocracia. Diante disso, quando ocorre a
necessidade, neste cenário, criam-se mecanismos que permitem a inserção. Sempre que um novo modelo é
instituído, ocorre uma mudança no paradigma já estabelecido e praticado até então.
No entanto, apesar dessa mudança de paradigma, temos um tema que, muitas vezes, é visto, mas emtantas
outras é ignorado: a exclusão escolar, que muitas vezes acontece dentro da própria escola, estando atrelada
ao fato de as instituições de ensino estarem abertas à democratização, sem que, no entanto, tenham
realmente mudado seus paradigmas (MANTOAN, 2003).
Mantoan (2003) enfatiza que os sistemas escolares, muitas vezes, são marcados por um possível recorte da
Art. 3º Por educação especial, modalidade da educação escolar, entende-se um processo
educacional definido por uma proposta pedagógica que assegure recursos e serviços
educacionais especiais, organizados institucionalmente para apoiar, complementar,
suplementar e, em alguns casos, substituir os serviços educacionais comuns, de modo a
garantir a educação escolar e promover o desenvolvimento das potencialidades dos
educandos que apresentam necessidades educacionais especiais, em todas as etapas e
modalidades da educação básica (Resolução nº 2 de 11 de setembro de 2001).
realidade, que segrega os alunos com deficiências típicas, fazendo com que eles passem da modalidade de
ensino regular para a especial, desconsiderando aspectos afetivos e subjetivos do indivíduo. Isso se baseia nos
aspectos de uma visão determinista e mecanicista.
O autor também propõe um debate entre integração e inclusão escolar: apesar de as palavras terem
significados semelhantes, quando são expressas em situações de inserção, envolvendo alunos portadores de
necessidades especiais, podem ter um significado diferente.
Integração pode ser entendida como “especial na educação”, quando o intuito é o de sinalizar aspectos de
programas voltados a crianças/adolescentes com necessidades especiais, como salas especiais e ensino
especial. Muitos dos alunos que frequentam esse tipo de estrutura podem ter mais dificuldade para retornar
ao ensino regular (MANTOAN, 2003).
Já a inclusão escolar pode estar pautada por políticas públicas que permitam um impacto maior na
organização educacional, não somente nos alunos com necessidades especiais, mas também na instituição
como um todo, para que obtenham sucesso no ensino-aprendizagem (MANTOAN, 2003).
Segundo Barros e Rose (2017), é necessário que as práticas da educação inclusiva sejam reestruturadas, no
intuito de promover o respeito e a igualdade, buscando uma mudança cultural interna nas instituições e um
currículo pedagógico que atenda alunos com essas possíveis necessidades especiais, ou seja, lançando um
olhar mais atento à singularidade de cada um e de cada caso inserido no contexto.
É esperando que, ao garantir aprendizagem aos alunos com necessidades especiais, o desenvolvimento desta
estrutura de ensino componha um alicerce de boas práticas pedagógicas, flexibilidade e dinâmica integrativa,
que possam respeitar o tempo e o processo de cada indivíduo, permitindo um planejamento institucional que
atenda a escola como um todo, inclusive com a participação dos familiares (BARROS; ROSE, 2017).
EXPLORANDO AS FERRAMENTAS
Para que possamos entender como são os projetos de lei que asseguram e garantem aos alunos portadores
de necessidades especiais uma qualidade de ensino e uma oportunidade de aprendizado, temos o Projeto
Político Pedagógico (PPP). 
O Projeto Político Pedagógico (PPP), segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), em seus artigos
12,13 e 14, 
Segundo Santos et. al. (2022), esse documento tem um impacto nas escolhas dos materiais didáticos,
favorecendo a criança em seu desenvolvimento, no planejamento dos docentes e nas práticas de sua
formação, pois é esperado que as práticas realizadas possam nortear as expressões de sentimentos, afetos e
até mesmo ideias que irão demonstrar a subjetividade da criança.
A partir disso, entende-se que, para ter uma educação que contemple o PPP, é necessário pensar
primeiramente sobre o currículo escolar como um recurso que deve atender tanto alunos da inclusão quanto
a sala como um todo. Também é importante partir do pressuposto que, para que ocorra a transformação
social, é necessário trabalhar o empenho efetivo dos sujeitos de modo individual, grupal e perante a
atribui aos estabelecimentos de ensino a incumbência de elaborar e executar, de forma
democrática, seus Projetos Pedagógicos. É esperado que o documente norteie todas as
ações pedagógicas de cada instituição e se mantenha em permanente discussão e
reformulação, na busca de alternativas que possam viabilizar a melhoria e qualidade de
ensino (INES, 2011).
instituição como um todo (SANTOS et. al., 2022)
De acordo com Veigas (1998), os possíveis pressupostos teóricos-metodológicos enfatizam que um bom
projeto político pedagógico precisa compor algumas características, como participação de decisões,
organização de trabalho pedagógico que atenda as demandas e questões de autonomia da escola. Também
necessita englobar amparo dos educadores, participação coletiva, resoluções de problemas diante do
decorrer do projeto político e a ideia da escola na formação de cidadãos.
Entendemos, então, que. ao seguir o PPP, podemos construir, junto às instituições, um recurso que atenda a
inclusão dos alunos portadores de necessidades especiais e assegure a estes o direito à escola e à formação
como cidadão, como é de direito de todos e previsto em nossa Constituição.
A adaptação curricular é essencial quando tratamos de inclusão escolar. Segundo Veiga (1998), o currículo é
um documento pautado em uma construção social do conhecimento, que tem como objetivo realizar uma
transmissão das informações e uma assimilação. Dessa maneira, a produção deste documento realmente não
é um elemento neutro e sem valor, mas um instrumento que trará uma ideologia, considerando que, quando
falamos de conhecimento escolar, precisamos realizar uma interpretação crítica e uma compreensão cultural
sobre o documento.
Outro ponto que a autora sinaliza é que o currículo, de fato, deve estar atrelado ao contexto social, já que
envolve, no primeiro tópico, aspectos culturais.
E, por fim, Veiga (1998) ainda menciona que a organização curricular precisa seguir diretrizes já pré-
estabelecidas, principalmente no tocante à integração com o conteúdo e as disciplinas, buscando aspectos
que envolvam os alunos que serão atendidos neste currículo e a necessidade de que também contemplem
alunos de inclusão.
Para uma melhor aplicabilidade, uma comunicação interdisciplinar e uma troca efetiva, temos o papel do
psicopedagogo, pois, ao pensarmos em “fusão” entre pedagogia e psicologia, entendemos que a pedagogia
tem como objetivo as questões de metodologia de ensino-aprendizagem, e a psicologia é a responsável por
buscar compreender o comportamento humano e as questões dos processos psicológicos (GEMAQUE;
RICETTI, 2022).
Dessa maneira, o psicopedagogo é o profissional mais integrado, que, em sua formação, tem a prática de
desenvolver o conhecimento e a aprendizagem como um todo, para que, a partir disso, compreenda a
necessidade e participe do processo da mudança.
Abaixo, podemos então compreender de forma mais ampla e significativa o papel desse profissional:
O papel então do psicopedagogo em relação à educação inclusiva, segundo Gemaque e Ricetti (2022), é o de
que esse profissional poderá auxiliar os professores a identificarem, em sala de aula, alunos que possam estar
apresentando dificuldades quanto à aprendizagem e, ainda, integrá-los com alunos especiais.
Cabe ao profissional psicopedagogo também avaliar outros fatores que podem ser colaborativos e
relacionados à escola, como o processo de ensino-aprendizagem, o planejamento curricular, buscando torná-
Educação e Saúde com diferentes sujeitos e sistemas, quer sejam, pessoas, grupos,
instituições e comunidade. Ocupa – se do processo de aprendizagem considerando os
sujeitos e sistemas, a família, a escola, a sociedade e o contexto social, histórico-cultural.
Utiliza instrumentos próprios, fundamentado em referencias teóricas distintos, que
convergem para o entendimento dos sujeitos e sistemas eu aprendem a sua forma de
aprender.(ABPp, 2017, online).
lo eficiente, a melhoria profissional em termos de qualificação e, ainda, filtrar as atividades que não estão
direcionadas à faixa etária dos alunos.
Ademais, a investigação de questões como problemas familiares, orgânicos, emocionais e comportamentais,
e, ainda, de possíveis transtornos do neurodesenvolvimento ou da aprendizagem devem ser levados em conta
antes de responsabilizar o aluno por não aprender, ou até mesmo a instituição por não ensinar corretamente.
A proposta da integração deste profissional dentro das escolas permite recursos e alternativas para lidar com
as dificuldades, visando a melhor compreensão e a integração (GEMAQUE; RICETTI, 2022).
Os estudos existem para nos auxiliarem na compreensão da necessidade dos alunos especiais, a fim de que
todos possam ter uma garantia de escolarização, acesso ao conhecimento e tornarem-se cidadãos.
O QUE APRENDEU COM AS ESTRATÉGIAS 
Como apresentado no “Ponto de Partida” desta aula, vamos discutir a problemática, respondendo o que
esperar das políticas públicas, como legislações envolvendo o PPP e os currículos escolares para uma melhor
inclusão de estudantes portadores de necessidades especiais.
O Projeto Político Pedagógico (PPP), segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), conforme
abordado em seus artigos 12,13 e 14, tem como função atribuir responsabilidades aos estabelecimentos de
ensino pela elaboração e execução, de forma democrática, de seus Projetos Pedagógicos. Sendo assim,
espera-se que este projeto norteie as ações pedagógicas da instituição em sua totalidade, e se mantenha em
discussão e permanente reformulação, buscando alternativas que possibilitem viabilizar a melhoria da
qualidade de ensino (INES, 2011).
Este documento tem um impacto nas escolhas dos materiais didáticos e favorece a criança em seu
desenvolvimento, além de nortear o planejamento dos docentes e as práticas de sua formação, pois é
esperado que tais práticas previstas possam orientar as expressões de sentimentos, afetos e até mesmo
ideias que irão demonstrar a subjetividade da criança (SANTOS et. al., 2022).
Dessa forma, fica evidente que, ao seguir o PPP, construiremos, junto às instituições, um recurso valioso que
atenda a inclusão dos alunos com necessidades especiais e assegure a estes o direito de estudar e obter uma
formação como cidadãos.
A adaptação curricular é um recurso essencial para que se trabalhe a ideologia diante da relação com o
conhecimento na área educacional e promova uma integração com as disciplinas, garantindo um currículo
adaptável.
Por fim, a participação do psicopedagogo na integração do PPP auxiliará os professores para uma melhor
performance de desempenho na construção de um currículo escolar que irá atender todos os alunos de
forma homogênea.
 Saiba mais
Para saber mais sobre este tema, sugerimos a leitura do artigo “O Papel do Psicopedagogo na Educação
Inclusiva”.
https://repositorio.uninter.com/bitstream/handle/1/992/OPAPEL~1.PDF?sequence=1&isAllowed=y
https://repositorio.uninter.com/bitstream/handle/1/992/OPAPEL~1.PDF?sequence=1&isAllowed=y
PONTO DE PARTIDA
A psicopedagogia tem direcionado cada vez mais o interesse pela necessidade de compreender e atender às
demandas complexas da aprendizagem e da inclusão escolar. Diante disso, surgem questionamentos sobre o
papel do psicopedagogo como profissional das instituições, ou até mesmo na área clínica.
Outro ponto observado no decorrer desta aula, será o papel do psicopedagogo na inclusão escolar,
objetivando a promoção da aprendizagem para grupos de alunos com necessidades especiais, além da
importância da formação dos profissionais da educação e a necessidade de adaptação curricular para atender
às demandas dos alunos portadores de necessidades especiais.
Algumas questões destacam a importância de uma intervenção ativa e efetiva em sala de aula diante das
diversas situações que ocorrem no meio escolar cotidianamente. Por meio da identificação e da abordagem
das dificuldades de aprendizagem, dos problemas de comportamento e dos conflitos interpessoais, é possível
criar um ambiente de aprendizagem saudável, inclusivo e propício ao desenvolvimento integral dos alunos.
Dessa forma, como o psicopedagogo pode promover uma intervenção efetiva em sala de aula diante
dificuldades de aprendizagem, de problemas comportamentais e de bullying e conflitos interpessoais?
FERRAMENTAS DA PSICOPEDAGOGIA
Olá, estudante,
Nesta aula, estudaremos a apresentação e o acolhimento dos discentes com necessidades especificas à
turma, a participação do psicopedagogo em conselhos de classes e, ainda, a intervenção deste profissional em
sala de aula em diversas situações que permeiam o ambiente escolar cotidianamente. É de grande
importância conhecermos essas atividades dentro da atuação do psicopedagogo em sua vida profissional,
pois, certamente, muitos de seus afazeres diários estarão em torno desses processos, ou parte deles. 
Vamos saber mais sobre esses importantes temas de sua formação?
Somos indagados a pensar no papel do psicopedagogo e em suas funções no campo institucional da
educação e da área clínica. Diante desse cenário, muitas vezes nos questionamos quanto à psicopedagogia ser
uma área da psicologia ou da pedagogia, uma vez que trabalha fatores muito próximos e fundamentais ao
processo de aprendizagem.
Claramente, a psicopedagogia surge da necessidade de um profissional que seja responsável e direcionado à
compreensão das demandas da aprendizagem no tocante ao processo de ensino e aprendizagem.
Igualmente, um profissional que se ocupe da compreensão das fases do desenvolvimento do indivíduo e sua
Aula 4
ROTINAS DO PSICOPEDAGOGO JUNTO AO DISCENTE
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interação com os meios institucionais da escola ou até mesmo em um eventual acompanhamento clínico.
De acordo com Bossa (2007), a psicopedagogia pode ser entendida como clínica, preventiva e teórica. Quando
mencionamos o termo teórico para essa área, nos referimos à prática de construir possíveis teorias que
auxiliam na compreensão da aprendizagem, do ensinar e até mesmo nas possíveis adaptações frente o
mundo frenético e dinâmico.
Quando mencionamos adaptação, trata-se de uma tentativa de compreender que o ser humano é capaz de se
modificar, muitas vezes diante de situações que lhe são impostas, estando isso correlacionado à inteligência e
à capacidade de prevenção da espécie (BOSSA, 2007).
No contexto preventivo, a autora (2007) ainda entende que existem três níveis para compreensão, sendo que
o primeiro está atrelado à necessidade de “diminuir os problemas da aprendizagem”, e que isso, muitas vezes,
acontece por meio de metodologias didáticas e da orientação de professores e pais. 
O segundo nível compreende que as dificuldades na aprendizagem já são um fator característico na faixa
etária em que as crianças são submetidas a ela. Que existe uma busca para criar possíveis planos
diagnósticos, partindo de questões que envolvam a realidade das instituições de ensino, como a avaliação do
currículo dos professores, para que ocorra uma intervenção de forma a diminuir possíveis danos ao longo do
processo de ensino (BOSSA, 2007).
Por fim, no terceiro nível, a autora se refere à eliminação dos transtornos, como uma forma preventiva,
muitas vezes utilizando métodos clínicos, que, neste caso, implicam na necessidade de um acompanhamento
mais especializado. Muitas vezes, esse método pode ser aplicado em consultório, grupos e até mesmo no
contexto familiar.
Um modo de compreender as questões dos níveis envolve fatores como o da alfabetização, especificamente
na compreensão das necessidades de um determinado sujeito ou grupo. Em um primeiro momento, é
necessário entender o currículo escolar desenvolvido pelo professor, seguido da compreensão do problema
que envolve diretamente a leitura e a escrita.Posteriormente, realizar um diagnóstico e monitorar se os
problemas iniciais foram resolvidos.
No contexto clínico, segundo Bossa (2007), o psicopedagogo tem o papel de compreender a subjetividade do
sujeito avaliado, e buscar, instrumentos para identificar o problema de aprendizagem do indivíduo, a partir de
recursos como anamnese, testes, entre outros.
Diante disso, entendemos que o papel do psicopedagogo é amplo, e nos auxilia na compreensão das
necessidades dos alunos com possíveis dificuldades de aprendizagem, podendo nortear e auxiliar educadores
no processo de ensino-aprendizagem, garantindo um desenvolvimento melhor.
EXPLORANDO AS FERRAMENTAS
O papel do psicopedagogo também tem como finalidade a inclusão escolar. Segundo a Resolução Nº 2 de 11
de setembro de 2001:
A partir das diretrizes, entendemos a importância da inclusão escolar como uma necessidade. Segundo Costa
(2014), esse assunto, diante de muitos outros, continua sendo um dos mais discutidos, especificamente pelos
profissionais da educação. Muitas vezes, busca-se recursos para que a integração desses alunos ocorra da
maneira mais fácil possível, além de um simples desenvolvimento da aprendizagem. No entanto, as
atribuições do sistema educativo demonstram sua ineficiência e baixa qualidade na realização dessa tarefa.
Da mesma forma, existem muitas instituições escolares improvisadas para atender alunos com necessidades
especiais, desconsiderando sua aprendizagem em muitos casos.
De acordo com Costa (2014), uma instituição inclusiva se baseia em atitudes, formação, colaboração e recurso.
Quando se menciona atitude, envolve-se questões que garantam oportunidades a todos os alunos. Já a
formação envolve um contexto em que os profissionais da educação se especializam sobre esse tema, a fim
de poderem atender as necessidades de inclusão dos alunos.
Ainda segundo Costa (2014), esse processo envolve a construção de um trabalho multidisciplinar em que
existe a necessidade de envolver profissionais responsáveis da área da educação e os familiares, para que,
conjuntamente, criem estratégias de inclusão. Por fim, os recursos humanos e materiais estão todos
direcionados às necessidades dos alunos, não quanto a assistencialismo, mas na busca da compreensão dos
problemas para a construção de recursos favoráveis a todos os envolvidos.
O psicopedagogo, diante dos papeis mencionados e da importância na ação da atitude, formação,
colaboração e recursos, tem como dever acolher os alunos com necessidades especiais.  
Costa (2014) continua em sua reflexão sobre a formação dos profissionais, visando não somente a
necessidade de uma mudança curricular ou de aproximação com os alunos com necessidades especiais, mas
também a redução da quantidade de alunos em sala de aula, para uma melhor integração daqueles
portadores de necessidades especiais no ensino regular.
Outro fator preocupante na formação dos educadores é o fato de que muitos profissionais se limitam a uma
graduação de pedagogia, sem ao menos um aprofundamento ou especialização na área de necessidades
especiais. Isso nos leva a um cenário ainda muito precário, ou até mesmo de profissionais não dispostos a
desempenhar seu papel de compreensão e inclusão nas escolas (COSTA, 2014).
Fica claro que o dever também parte das instituições escolares no sentido de enfatizar a importância de
conduzir os profissionais da educação a uma necessidade de acolher, ensinar e desenvolver. Tudo para que
alunos com necessidades especiais possam frequentar o ensino regular, como é previsto na legislação que
versa sobre as Diretrizes de Educação. O papel do psicopedagogo é ajudar, por meio de consultoria de
desempenho e a avaliação de docentes, no aprimoramento e na especialização na área de educação inclusiva.
O currículo escolar é uma possibilidade para que o psicopedagogo possa intervir, no sentido de auxiliar os
profissionais da educação a adequarem de forma alternativa e assistencial os alunos com necessidades
especiais. Segundo Costa (2014), existe uma superação de obstáculos que são impostos e limitam o ensino
regular. Entende-se que a ressignificação dos currículos escolares é uma oportunidade de aproximar os
Art. 3º Por educação especial, modalidade da educação escolar, entende-se um processo
educacional definido por uma proposta pedagógica que assegure recursos e serviços
educacionais especiais, organizados institucionalmente para apoiar, complementar,
suplementar e, em alguns casos, substituir os serviços educacionais comuns, de modo a
garantir a educação escolar e promover o desenvolvimento das potencialidades dos
educandos que apresentam necessidades educacionais especiais, em todas as etapas e
modalidades da educação básica.
(RESOLUÇÃO Nº 2 DE 11 DE SETEMBRO DE 2001) 
alunos como um todo, diminuindo o preconceito e aumentando a diversidade. 
Sabemos que o currículo escolar orienta sobre as diretrizes que o ensino deve seguir. Quando pensamos na
ressignificação deste, partimos da premissa de que exista uma possibilidade de atualização que atenda às
demandas dos alunos.
Outra situação de interesse do psicopedagogo é o conselho de classe, que, segundo Souza Dias et al. (2019)
surge da necessidade de realização de reuniões psicopedagógicas. Este nome vem da necessidade de os
profissionais da educação, como psicopedagogos, pedagogos, psicólogos escolares e outros responsáveis pela
educação discutirem algumas diretrizes envolvendo materiais escolares, didática, inclusão e recursos gerais
para que os alunos sejam atendidos.
Essa modalidade de reunião acaba precedendo o conselho de classe, que é uma reunião que acontece a cada
trimestre. A proposta da Reunião Psicopedagógica é uma oportunidade de aproximar-se dos discentes e dos
docentes, principalmente para entender as dificuldades apresentadas na inclusão e na compreensão das
necessidades dos alunos e professores.
A participação do psicopedagogo em Conselhos de Classe nas escolas pode variar de acordo com a instituição
e suas políticas internas. No entanto, geralmente, o psicopedagogo é convidado a participar dos Conselhos de
Classe como um membro da equipe multidisciplinar, juntamente com professores, coordenadores
pedagógicos, diretores e outros profissionais da área educacional.
O papel do psicopedagogo nesses conselhos é trazer uma perspectiva especializada sobre as questões
relacionadas ao processo de aprendizagem dos alunos. Ele pode contribuir com informações e análises sobre
as dificuldades de aprendizagem, o desenvolvimento socioemocional dos estudantes e as estratégias
pedagógicas mais adequadas para atender às necessidades individuais de cada um.
Durante as reuniões do Conselho de Classe, o profissional pode apresentar relatórios e pareceres sobre o
desempenho dos alunos, destacando aspectos relevantes para a compreensão de suas dificuldades ou
progressos. Além disso, ele pode propor ações e intervenções específicas para auxiliar os alunos em seu
desenvolvimento educacional.
Sua participação nos Conselhos de Classe é importante para promover uma abordagem mais abrangente e
inclusiva no planejamento e acompanhamento pedagógico. Sua presença contribui para uma visão mais
completa dos alunos, considerando não apenas seu desempenho acadêmico, mas também suas necessidades
emocionais e sociais.
É importante ressaltar que a participação do psicopedagogo nos Conselhos de Classe deve ser pautada no
respeito à ética profissional e à confidencialidade das informações compartilhadas. Além disso, é essencial
que haja uma comunicação efetiva e colaborativa entre os membros do conselho, visando o bem-estar e o
desenvolvimento integral dos alunos.
VAMOS EXERCITAR
Chegamos ao final de mais uma aula, e novamente vamos exercitar o que aprendemos ao longo desta
unidade. Como você deve se lembrar, em nossa problematização inicial, propusemos algumas questões.
Dentre elas, estavam: como o psicopedagogo pode promover uma intervenção efetiva em sala de aula diante
de dificuldadesde aprendizagem, problemas comportamentais, de bullying e conflitos interpessoais?
Quanto à intervenção efetiva em sala de aula, diante de dificuldades de aprendizagem, um bom ponto de
partida está na identificação das dificuldades de aprendizagem, quando o psicopedagogo pode realizar
avaliações diagnósticas para reconhecer as dificuldades específicas de cada aluno, levando em consideração
aspectos cognitivos, emocionais e sociais, e também por meio de observações e análises de registros,
identificando padrões de dificuldades e traçando um perfil individual de cada aluno.
Igualmente, ele deverá colaborar com os professores na elaboração de estratégias pedagógicas
individualizadas, adaptando o currículo e as metodologias de ensino para atender às necessidades específicas
de cada um. O profissional pode sugerir recursos e materiais didáticos adequados, bem como propor
atividades diferenciadas que estimulem as habilidades e potencialidades dos alunos.
Pode também dar apoio emocional e motivacional, oferecendo suporte, ajudando-os a lidar com a frustração
e a baixa autoestima decorrentes das dificuldades de aprendizagem etc. Por meio de conversas individuais ou
em grupo, o psicopedagogo pode trabalhar a motivação dos alunos, incentivando a persistência e a confiança
em suas capacidades.
Quanto à intervenção efetiva do psicopedagogo em sala de aula, diante de problemas de comportamento,
este pode realizar a avaliação e a análise comportamental, identificando padrões, gatilhos e possíveis causas
dos problemas.
Por meio de entrevistas, questionários e observações sistemáticas, o psicopedagogo pode coletar informações
para compreender as motivações e necessidades subjacentes aos comportamentos problemáticos. Pode
desenvolver estratégias de intervenção com base na análise do comportamento, pode colaborar com os
professores na elaboração de estratégias de intervenção, como o estabelecimento de regras claras, o uso de
reforços positivos, a implementação de técnicas de autorregulação emocional e a mediação de conflitos. Pode
contribuir ao auxiliar na criação de um ambiente em sala de aula seguro e acolhedor, promovendo a empatia,
o respeito mútuo e a resolução pacífica de conflitos.
No tocante à intervenção efetiva do psicopedagogo em sala de aula diante de bullying e conflitos
interpessoais, este pode atuar na prevenção e conscientização, desenvolvendo atividades, promovendo a
empatia, o respeito e a valorização da diversidade. Por meio de palestras, rodas de conversa e projetos
educativos, o psicopedagogo pode envolver os alunos, professores e pais na prevenção dessas situações.
Pode, ainda, realizar a mediação de conflitos, atuando como facilitador e promovendo o diálogo entre os
envolvidos, buscando soluções pacíficas. Por meio de técnicas de mediação, o psicopedagogo pode ajudar os
alunos a expressarem seus sentimentos, ouvirem o ponto de vista do outro e encontrarem alternativas para
resolverem os conflitos. Pode também acompanhar e fornecer suporte emocional tanto para as vítimas de
bullying quanto para os agressores, auxiliando-os a lidar com as emoções envolvidas nesses conflitos. O
psicopedagogo pode trabalhar a empatia, a responsabilidade e a construção de relações saudáveis entre os
alunos.
Em todas essas intervenções, é fundamental que o psicopedagogo trabalhe em parceria com os professores,
coordenadores pedagógicos, pais e demais profissionais da escola. A colaboração e o compartilhamento de
informações são essenciais para promover uma intervenção efetiva e abrangente, visando o bem-estar e o
desenvolvimento integral dos alunos.
 Saiba mais
Para aprofundar ainda mais seu conhecimento neste assunto, indicamos a leitura das Diretrizes
Nacionais para Educação Especial na Educação Básica.
Aula 5
ENCERRAMENTO DA UNIDADE
http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/diretrizes.pdf
http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/diretrizes.pdf
PONTO DE CHEGADA
Olá, estudante.
Nesta aula, estudaremos os principais pontos abordados ao longo das aulas anteriores, de forma que
possamos colocar em prática os conhecimentos aprendidos. Nesta unidade, em que estudamos a atuação do
psicopedagogo no acompanhamento discente, os principais focos de estudos foram o protagonismo discente,
as adaptações curriculares e a escola inclusiva, além das rotinas do psicopedagogo junto ao discente. Vamos
praticar o conhecimento adquirido a partir de sua aplicação à resolução de um estudo de caso.
Olá, estudante,
Durante as aulas, estudamos conteúdos fundamentais, como o papel do psicopedagogo institucional e sua
relação e protagonismo com o discente, as adaptações curriculares e a escola inclusiva e, por fim, a rotina do
psicopedagogo junto ao aluno. Esses conhecimentos são necessários para desenvolver a competência desta
unidade, que requer a identificação da necessidade de acompanhamento psicopedagógico frente às
dificuldades no decorrer do processo de ensino-aprendizagem.
O psicopedagogo tem um papel fundamental desde o início do processo educacional das crianças. Sabendo-
se que o processo do educar começa aos 4 meses, o profissional pode auxiliar nas primeiras fases de vida,
como na organização de rotinas e adequação do ambiente. Mais adiante, entre 1 e 3 anos, pode estar atento à
orientação dos educadores quanto a objetos, rotinas e ambientes.
Na idade dos 3 aos 7 anos, é o momento no qual as crianças estão construindo papeis sociais e as
brincadeiras se tornam um recurso necessário, principalmente na construção de regras.
Dos 7 aos 10 anos, é a fase em que as crianças estão desenvolvendo a concentração e a motivação para o
estudo, e o psicopedagogo tem o papel de auxiliar os professores na adequação dos currículos escolares.
No período da puberdade, dos 10 aos 12 anos, as atividades sociais estarão mais evidentes, e dos 15 aos 18
anos os indivíduos começam a planejar e a ter dúvidas sobre a carreira profissional.
O protagonismo do discente é amplamente discutido na literatura, principalmente pensando nas questões
que envolvem os métodos de ensino tradicionais, no qual o papel do professor é de depositar conhecimento.
Muitos afirmam que esse método de ensino pode não ter relevância para o desenvolvimento dos alunos, não
contribuindo de formal integral. O ensino, então, fica mecanizado e, muitas vezes, os alunos recebem ordens,
como pintar desenhos estereotipados propostos ao longo dos anos e até mesmo passar por avaliações. Mas o
que fica claro é: para que exista protagonismo do discente, é necessário que o psicopedagogo possa intervir
tanto na estrutura curricular e quanto nas adaptações dos métodos de ensino.
A psicopedagogia é considerada uma área interdisciplinar que visa compreender as possíveis demandas da
aprendizagem e auxiliar no ensino nos ambientes institucionais e clínico. Ela acaba se concentrando em
aspectos clínicos, preventivos e teóricos, levantando demandas para compreender as questões da
aprendizagem e as possíveis intervenções práticas para auxiliar alunos com dificuldades.
A psicopedagogia dentro das instituições pode atuar em três níveis preventivos, como a redução dos
problemas de aprendizagem, o diagnóstico e intervenção precoce e a eliminação dos transtornos por meio de
métodos clínicos.
O papel do psicopedagogo na inclusão escolar é muito importante e fundamental, pois esse profissional tem
habilidades para orientação dos professores, adaptações curriculares e consegue auxiliar na formação e
colaboração entre os profissionais da educação. Mencionamos aqui a Resolução Nº 2, de 11 de setembro de
2001, que destaca a importância da educação especial como uma modalidade que visa garantir recursos e
serviços educacionais para os alunos com necessidades especiais.
Um dos problemas em vista da educação inclusiva é a formação dos professores, as adaptações curriculares,
a participação dos familiares e os recursos adequados. Por isso, a introdução do Projeto Político Pedagógico e
as adaptações curriculares são agarantia de uma educação inclusiva que atenda às necessidades de todos os
alunos.
O papel do psicopedagogo nas reuniões com o conselho de Classe garante uma oportunidade de escutar a
instituição e os educandos para criar novas possibilidades, permitindo um acolhimento maior dos alunos com
necessidades especiais.
É HORA DE PRATICAR
A Instituição conhecida como Escola Estadual Esperança, que está localizada na cidade de Nova Esperança,
atende uma comunidade diversificada, composta por alunos de diferentes origens socioeconômicas e
culturais. No entanto, a escola tem apresentado um desafio significativo em promover a inclusão escolar,
especialmente para alunos com necessidades especiais. Entre os alunos existe o Pedro, um adolescente de 14
anos que mudou recentemente para a instituição. Pedro foi diagnosticado com autismo, e nesta nova escola
tem tido dificuldade para se comunicar e interagir com os seus colegas e professores.
Pedro, após ter recebido o seu diagnóstico, tem buscado novas instituições para atender a sua demanda, já
que a sua experiência de aprendizado é limitada, devido à falta de recursos e suporte adequados para suas
necessidades específicas. Ele apresenta dificuldade de concentração em sala de aula, não consegue comunicar
suas necessidades e não participa das atividades escolares. Além disso, em vista das limitações dos alunos, os
professores e funcionários da escola carecem de treinamento e orientação sobre como melhor atender às
necessidades do de Pedro e de outros alunos com deficiência.
Alguns pontos foram levantados para que possamos refletir sobre a possibilidade de ajuda-lo:
De que modo podemos criar um ambiente escolar mais inclusivo para os alunos com autismo, como por
exemplo, o Pedro?
Quais estratégias pedagógicas ou recursos educacionais podem ser implementados para que se apoie o
desenvolvimento da aprendizagem dos alunos com necessidades especiais?
Qual é o papel do psicopedagogo e do restante da equipe no processo de inclusão escolar dos alunos com
necessidades especiais?
Diante das questões norteadoras sobre os desafios enfrentados pela Escola Estadual Esperança, visamos à
necessidade de um conjunto de esforços.
Um aspecto apontado e que merece atenção é a capacitação e o treinamento dos professores e funcionários,
principalmente por conta de que a escola que atender alunos com necessidades especiais poderá adquirir
mais habilidades por meio de workshops, palestras, cursos de atualização sobre práticas inclusivas, possíveis
estratégias de ensino diferenciadas e um manejo de comportamentos desafiadores.
Outro ponto que entendemos ser fundamental são as adaptações escolares necessárias para tornar o
ambiente mais adequado às pessoas portadoras de necessidades especiais, com a implementação de salas de
aulas mais inclusivas, disponibilizando recursos educacionais adaptados, como materiais didáticos, currículo
escolar em um formato que atenda não somente os alunos com necessidades especiais, mas de forma ampla,
contemplando a todos, além da possibilidade de adaptação de espaços e apoios pedagógicos.
O papel do psicopedagogo é de extrema importância nessa situação, pois ele pode oferecer suporte
individualizado para alunos como Pedro, conduzindo avaliações psicopedagógicas para identificar as
necessidades dos alunos e desenvolvendo um plano de intervenção personalizado para ajudar a alcançar o
máximo de aprendizado e desenvolvimento.
O psicopedagogo também pode colaborar com os professores no planejamento e nas implementações de
estratégias pedagógicas inclusivas, como por exemplo, fornecendo consultoria e orientação sobre como
adaptar os currículos escolares da sala de aula e atividades de ensino que atendam às necessidades dos
alunos em geral.
Ademais, a participação dos familiares é importante também para o processo de inclusão escolar,
promovendo uma parceria colaborativa entre alunos, pais, escola e até mesmo a sociedade, para garantir o
sucesso acadêmico.
Quando adotamos uma abordagem mais colaborativa para a promoção da inclusão social, a Instituição Escola
Estadual Esperança permite-se criar ambientes acolhedores e inclusivos, para alunos como Pedro,
proporcionando-lhes as oportunidades e o apoio que precisam para prosperar e alcançar seu potencial
acadêmico.
DÊ O PLAY!
Aqui é a Professora Natália, venho compartilhar uma experiência obtida durante meu processo acadêmico,
em especial sobre o tema autismo e sua relação com a educação especial.
Durante meu período na faculdade, especificamente no quarto ano, tive a oportunidade de estagiar em
psicologia escolar. O intuito foi trabalhar em uma instituição localizada na cidade de Campinas, que é uma das
pioneiras em educação especial. Na época, foi realizado um sorteio da instituição, e foi uma oportunidade
incrível pode fazer parte de um estudo em uma instituição de educação especial.
Ao ser direcionada para atuar na sala de aula, nos deparamos com um único aluno autista em uma sala com
pelo menos 20 alunos. Embora seu autismo fosse leve, ele enfrentava dificuldades nas relações sociais e nas
disciplinas escolares. Nosso cronograma inicial consistiu em observar sua interação com os professores e
colegas, bem como seu desempenho no ambiente escolar.
Os pontos da interação que observamos foram o desrespeito dos alunos e a falta de informação sobre o
transtorno do espectro autista, já que os alunos costumavam isolar ou até mesmo zombar do colega em sala
de aula.
Além disso, percebemos que o professor não conduzia de maneira assertiva: a princípio, a sala continuava
bagunçando e, em muitas das observações o professor gritava, batia na lousa ou apenas ficava quieto perante
a sala, e, diante disso, o jovem com autismo se via assustado.
Após as observações em sala de aula, propusemos um novo cronograma escolar que contemplasse o aluno
autista e destacasse a importância da educação especial. Ficou evidente que o aluno enfrentava dificuldades
de concentração devido ao ambiente desordenado da sala de aula, caracterizado por gritos e falta de
estímulos. Além disso, ele não recebia o suporte necessário de outros profissionais para auxiliá-lo em seu
desenvolvimento escolar.
Iniciamos dinâmicas de integração para que pudéssemos trabalhar de forma mais funcional com o aluno e os
demais colegas. Estabelecemos uma rotina de 10 encontros, os quais poderiam incluir a orientação quanto ao
currículo escolar adaptado para atender às necessidades do aluno autista e a sala como um tudo.
Propusemos, durante uma participação ativa no conselho de classe, o projeto psicopedagógico como uma
reunião que pudesse alinhar as demandas de professores, coordenação, orientadores e até mesmo
funcionários da escola para uma compreensão maior sobre a dinâmica inclusiva da escola.
Avaliamos a estrutura escolar, com o intuito de investigar possíveis necessidades que os alunos portadores
com deficiência pudessem enfrentar, como acessibilidade nos banheiros, pisos com recursos para
sensibilidade para alunos com deficiência visual e, focando em alunos com deficiência intelectual e autismo,
buscamos observar ambientes que pudessem promover um momento de tranquilidade.
No entanto, enfrentamos resistência por parte da direção da escola e dos professores. Eles demonstraram
relutância em aceitar o suporte psicológico do psicopedagogo e do psicólogo escolar para a integração do
aluno autista e de outros alunos com deficiência, citando questões curriculares e de falta de recursos. Pois é
claro que muitos fatores estão atrelados ao questionamento destes profissionais.
É evidente que o trabalho do psicopedagogo e do psicólogo escolar são fundamentais para a integração e
participação ativa dos alunos, especialmente na educação especial. Apesar de ser uma escola pioneira, ela
apresentava falhas que precisam ser corrigidas. É importante pensar em propostas de inclusão que atendam
às necessidades de todos os alunos, considerando políticas públicas e outros recursos disponíveis.dessas duas vertentes teóricas, devido à delimitação do conteúdo.
Porém, no decorrer da constituição do psicopedagogo, é necessário que haja um aprofundamento nos
estudos desses e de outros teóricos da área da Educação, com a finalidade de compreender o processo de
formação do ser humano. Afinal, conforme mencionamos, o objeto principal da Psicopedagogia é a
aprendizagem.
Nessa lógica, pensar na atuação psicopedagógica é garantir que o sujeito se desenvolva integralmente. Para
tanto, a instrumentalização dos psicopedagogos com estudos, recursos didáticos, materiais pedagógicos,
entre outros, torna-se essencial, a fim de intervir no estabelecimento de vínculos positivos do sujeito com o
aprendizado.
Após compreendermos o significado de Consultoria e Assessoria psicopedagógica, na próxima seção,
trataremos dos desafios atuais que o psicopedagogo enfrenta em sua profissão, e como podemos superá-los.
DESAFIOS ATUAIS PARA A ATUAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA
Os movimentos iniciais da Psicopedagogia ocorreram na Europa, no século XX, com a finalidade de realizar
orientações aos professores, no trabalho com crianças que apresentavam dificuldades e problemas
educacionais e/ou comportamentais (MARTINS, 2020).
Assim, as clínicas psicopedagógicas na Áustria (1920) e a criação de um Centro Psicopedagógico em Paris
(1946), foram os primeiros espaços pensados para solucionar problemas de aprendizagem e de
comportamento (MARTINS, 2020)
O Brasil recebeu influência francesa, iniciando, na década de 1950, a formação em Psicopedagogia. No ano de
1980, foi fundada a Associação Estadual de Psicopedagogia de São Paulo, que após 8 anos se tornou a
Associação Brasileira de Psicopedagogia, abarcando vários estados do país (MARTINS, 2020).
Nesse sentido, a Psicopedagogia ainda se encontra em um processo de definição, pois, de acordo com Martins
(2020), é preciso considerar alguns elementos que apontam para uma construção, como o contexto histórico
e político, além da formação teórica e prática da atuação psicopedagógica.
Atualmente, para compreendermos a atuação do psicopedagogo, é relevante recorrermos ao documento
denominado “A regulamentação do exercício da atividade em Psicopedagogia” (ABPp, 2020), que elucida que a
formação do profissional em questão ocorre em território nacional, desde a década de 70, em instituições de
nível superior.
Ainda, no mesmo material, consta:
Diante desse excerto, percebemos que a formação inicial do psicopedagogo pode contemplar uma carga
horária favorável para a constituição do profissional. No entanto, vale salientar a importância de uma
formação contínua para fortalecer a atuação psicopedagógica.
Nessa lógica, Rubinstein (2017) afirma que a identidade do psicopedagogo não pode ser considerada “fixa” e
“fechada”. Isto significa considerar os diversos setores que os profissionais supracitados estão inseridos, como
empresas, hospitais e abrigos, além de instituições educativas ou espaços clínicos.
É relevante destacar que a formação da identidade do psicopedagogo é um processo dinâmico, pois requer
uma construção formada por necessidades e saberes teóricos e práticos, que sofrem alterações ao longo da
história.
Nesse âmbito, o psicopedagogo se diferencia do pedagogo, em sua atuação e intervenção. Estas permitem
contemplar o sujeito como um ser singular, prevenir fracassos escolares e aplicar metodologias que
mobilizem a aprendizagem (RUBINSTEIN, 2017).
Considerando as tessituras apresentadas, afirmamos que o desafio do psicopedagogo, desde o início de sua
constituição profissional até os dias atuais, está relacionado com as intervenções no processo de ensino e
aprendizagem.
Na contemporaneidade, os desafios para esse profissional se apresentam vinculados aos fatores de ordem
familiar, social, política e econômica. Podemos destacar a fragilidade na formação de professores (SAVIANI,
2009), o uso excessivo e desenfreado de novos recursos tecnológicos digitais (LARANJEIRAS et al., 2021) e os
motivos do fracasso escolar (FERREIRA, 2008).
Sobre os elementos apresentados, primeiramente cabe elucidar que a formação de professores precisa ser
contínua para superar as fragilidades da formação inicial. Nesse sentido, os professores necessitam de
instrumentalização teórica e prática para mobilizar aprendizagens, entre outras condições de trabalho
(SAVIANI, 2009). Assim, o suporte psicopedagógico fará a identificação, a avaliação e a intervenção necessária
para que a aprendizagem do estudante não seja comprometida.
No que tange ao uso excessivo de tecnologias digitais, sabemos que com o uso exacerbado das telas, as
[…] Esta formação atende a Resolução 01, de 06 de abril de 2018 do MEC que estabelece
diretrizes e normas para ofertas dos cursos de pós-graduação lato sensu denominados
cursos de especialização no âmbito do sistema federal de educação superior. A previsão
da matriz curricular traz carga horária mínima de 360 horas. Os estudos e levantamentos
da Comissão de Formação e Regulamentação do Conselho Nacional da ABPp indicaram
que a maioria dos cursos são ministrados com 600 horas ou mais, conforme as Diretrizes
Básicas de Formação de Psicopedagogos no Brasil (ABPp, 2020, on-line).
crianças, os jovens, os adultos e os idosos podem sofrer danos com relação à saúde mental, física, intelectual
e social (LARANJEIRAS et al., 2021). Sob esse aspecto, o processo de aprendizagem fica comprometido, pois as
crianças podem apresentar dificuldades na concentração, na atenção, na memória, na linguagem, no
raciocínio e na interação. Assim, o psicopedagogo atuará para prestar consultoria e assessoria às escolas, em
parceria com as famílias, para traçar estratégias e intervenções que possam auxiliar o estudante em seu
processo de formação.
Enfim, para evitar o problema do fracasso escolar, a consultoria e a assessoria psicopedagógica deve se
atentar ao diagnóstico de fatores internos e externos que possam resultar em problemas de aprendizagem
que levem o estudante a desistir ou realizar escolhas negativas para o seu futuro (FERREIRA, 2008).
A Consultoria e Assessoria psicopedagógica consiste, portanto, em uma ação planejada e carregada de
intenções que buscam favorecer o processo de aprendizagem com sensibilidade, competência e flexibilidade
para alcançar resultados enriquecedores no ensino.
Nesse sentido, retomaremos a solução da situação-problema apresentada no início desta aula.
VAMOS EXERCITAR
Para solucionar o problema apresentado no início da aula, em que Clara está com dificuldades no processo de
alfabetização, recorremos aos estudos realizados nesse percurso, que indicam caminhos para que o
psicopedagogo possa se orientar na Consultoria e Assessoria Psicopedagógica.
Para auxiliar na solução do caso de Clara, primeiramente é necessário identificar as causas que estão
impedindo a aprendizagem da estudante, resultando no baixo rendimento escolar, na falta de concentração e
na agitação. Assim, o psicopedagogo realizará um diagnóstico, considerando os aspectos objetivos e
subjetivos, com vários elementos fornecidos pela família, pela escola e pela própria criança, em entrevistas
psicopedagógicas (SAMPAIO, 2012).
Cabe analisar as relações que Clara tem com a escola, com os amigos, com a professora e com os familiares.
Isso requer compreender como é a didática e a metodologia aplicada pela professora em sala de aula, como é
a rotina familiar, quais são as queixas da escola e se há algo que esteja afetando a emoção da criança no
momento, causando a dificuldade de aprendizagem (SAMPAIO, 2012). Além disso, vale investigar, com o
auxílio de outros profissionais, se Clara apresenta algum tipo de transtorno de aprendizagem.
De acordo com Relvas (2015), a dificuldade de aprendizagem não implica em um transtorno, pois pode ser
momentânea, causada por um fator externo, como a separação dos pais, a chegada de um bebê ou a perda
de um ente querido. Essas mudanças podem trazer implicações relacionadas ao aspecto psicológico e/ou
comportamental,Espero que essa reflexão possa incentivar a consideração de novos conceitos em relação à educação especial
e a buscar uma qualidade de ensino mais significativa e inclusiva, pensando exatamente no papel do
psicopedagogo no dia a dia das instituições escolares.
Espero ter contribuído com meu conhecimento. Até breve!
ASSIMILE
Fonte: Elaborado pelo autor.
REFERÊNCIAS
Aula 1
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https://storyset.com/
https://www.shutterstock.com/pt/
https://www.redepsi.com.br/2007/11/11/psicopedagogia-e-orienta-o-vocacional/
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PONTO DE PARTIDA
A psicopedagogia é uma área multidisciplinar que se dedica ao estudo e à intervenção nos processos de
aprendizagem e desenvolvimento humano. Seu campo de atuação abrange desde a infância até a idade
adulta, buscando compreender as dificuldades e potencialidades individuais em contextos educativos. A
psicopedagogia surgiu da convergência entre a psicologia e a pedagogia, buscando integrar conhecimentos e
práticas dessas áreas para oferecer um olhar mais abrangente sobre o processo de aprendizagem. Seu
objetivo principal é identificar e intervir em dificuldades de aprendizagem, promovendo o desenvolvimento
integral do indivíduo.
A dificuldade de aprendizagem pode ser definida como uma dificuldade persistente e significativa na
aquisição e no desenvolvimento de habilidades acadêmicas, como leitura, escrita, matemática e raciocínio
lógico. Essas dificuldades podem ser causadas por diversos fatores, como questões cognitivas, emocionais,
sociais e ambientais.
Por meio de uma abordagem personalizada, o pedagogo pode desenvolver estratégias e atividades que
estimulem o desenvolvimento das habilidades necessárias para a aprendizagem, promovendo a inclusão e o
sucesso educacional de todos os estudantes. Neste contexto, a pedagogia se torna uma importante aliada na
superação das dificuldades de aprendizagem, contribuindo para a construção de um ambiente educacional
mais inclusivo e estimulante, em que cada indivíduo possa desenvolver seu potencial máximo.
Aula 1
TEORIAS E PRÁTICAS PSICOPEDAGÓGICAS COM ÊNFASE
NO CONTEXTO ESCOLAR.
A psicopedagogia é uma área multidisciplinar que se dedica ao estudo e à intervenção nos processos de
aprendizagem e desenvolvimento humano.
O PSICOPEDAGOGO NO ACOMPANHAMENTO DO TRABALHO
DOCENTE
 Aula 1 - Teorias e práticas psicopedagógicas com ênfase no contexto escolar.
 Aula 2 - Atuação psicopedagógica e aprendizagem escolar
 Aula 3 - Intervenção psicopedagógica e acompanhamento docente
 Aula 4 - Estratégias de articulação e melhoria de ensino: professores,
comunidade escolar e psicopedagogos.
 Aula 5 - Encerramento da unidade
 Referências
Sendo assim, podemos pensar alguns aspectos importantes, como:
Quais são os principais desafios enfrentados pelos psicopedagogos em contextos clínicos e institucionais?
Como a psicopedagogia contribui para a identificação e intervenção em dificuldades de aprendizagem em
diferentes faixas etárias?
O INÍCIO
Olá, estudante!
Bem-vindo à nossa primeira aula, em que você irá aprender sobre as diferentes formas e contextos de
atuação do psicopedagogo, além de compreender a origem e a epistemologia do conceito de Psicopedagogia.
Realizaremos uma contextualização breve da história, e posteriormente exploraremos um pouco mais sobre
as formas de atuar dentro do contexto escolar, perpassando pela compreensão do que é o “fracasso escolar”.
Então? Vamos estudar um pouco mais sobre a Psicopedagogia no contexto escolar?
O início da psicopedagogia no Brasil remonta à década de 1960, quando começaram a surgir os primeiros
estudos e práticas voltados para as dificuldades de aprendizagem. Nesse período, a psicologia e a pedagogia
se uniram para investigar e compreender melhor as questões relacionadas ao processo de ensino e
aprendizagem.
Segundo Lopes (2008), em meados de 1970 no Brasil, foi se consolidando a prática com o intuito de
complementar a atuação de profissionais da área educacional que estavam preocupados com o fracasso
escolar, pois se observou que nem todo aluno com dificuldade de aprendizagem teria somente questões
orgânicas, era necessário investigar um pouco mais. Porém, não somente o processo de aprendizagem é o
escopo da psicopedagogia, mas sim as relações, as dificuldades, o processo de desenvolvimento do aluno e as
questões relativas às formas de ensinar.
Um dos conceitos fundamentais da psicopedagogia é o de que a aprendizagem é um processo complexo,
influenciado por diversos fatores individuais, sociais e culturais. Nesse sentido, o psicopedagogo busca
compreender não apenas o que é ensinado, mas também como o aluno aprende, levando em consideração
suas características pessoais e o contexto em que está inserido.
Para isso, a psicopedagogia utiliza diferentes abordagens e técnicas, como a observação, a entrevista, a
aplicação de testes e a realização de atividades lúdicas. Essas ferramentas permitem ao profissional identificar
as dificuldades do aluno e planejar intervenções adequadas, que visem superar tais obstáculos e promover
uma aprendizagem mais significativa (LOPES, 2008).
No contexto escolar brasileiro, o papel do psicopedagogo e dos demais profissionais da educação é de
extrema importância para garantir um ambiente de aprendizado inclusivo, eficaz e acolhedor para todos os
estudantes. Em um país tão diverso e desafiador como o Brasil, onde as desigualdades sociais e econômicas
são evidentes, é fundamental que os profissionais da educação estejam preparados para lidar com uma
ampla gama de necessidades e contextos individuais. (RUBINSTEIN, 2004).
O psicopedagogo desempenha um papel central nesse cenário. Com sua formação especializada na
compreensão das dificuldades de aprendizagem e no desenvolvimento de estratégias de intervenção, ele
pode contribuir significativamente para a identificação precoce e o apoio às necessidades individuais dos
estudantes. Seja trabalhando diretamente com os alunos em sessões de avaliação e intervenção, seja
colaborando com outros profissionais da educação para desenvolver planos de ensino diferenciados, esse
profissional desempenha um papel fundamental na promoção do sucesso acadêmico e socioemocional dos
estudantes.
Além do psicopedagogo, outros profissionais da educação também têm um papel essencial no contexto
escolar brasileiro. Professores, diretores, coordenadores pedagógicos, psicólogos escolares e outros
especialistas desempenham funções complementares que contribuem para o desenvolvimento integral dos
alunos. Esses profissionais trabalham em conjunto para criar um ambiente de aprendizado que seja
estimulante, seguro e inclusivo, onde cada estudante tenha a oportunidade de alcançar seu pleno potencial.
No entanto, o contexto escolar brasileiro também enfrenta uma série de desafios que podem dificultar o
trabalho desses profissionais. A falta de recursos e infraestrutura adequados, a alta carga de trabalho, a falta
de formação continuada e o acesso desigual à educação de qualidade são apenas algumas das questões que
podem impactar negativamente a eficácia do trabalho dos profissionais da educação (RUBINSTEIN, 2004).
Diantedesses desafios, é fundamental que haja um investimento contínuo na formação e capacitação dos
profissionais da educação, bem como na implementação de políticas públicas que promovam a equidade e a
qualidade na educação. Isso inclui a valorização da carreira docente, o fortalecimento dos sistemas de apoio
psicopedagógico nas escolas, a promoção de práticas pedagógicas inclusivas e a ampliação do acesso a
recursos e tecnologias educacionais.
Ou seja, no contexto escolar brasileiro, o papel do psicopedagogo e dos demais profissionais da educação é
fundamental para garantir uma educação de qualidade e inclusiva para todos os estudantes. Ao trabalharem
juntos de forma colaborativa e interdisciplinar, esses profissionais podem contribuir significativamente para o
desenvolvimento integral dos alunos e para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
CAMPOS DE ATUAÇÃO E EPISTEMOLOGIA
Além da intervenção direta com os alunos, a psicopedagogia também atua de forma preventiva, por meio da
orientação a pais, professores e instituições educativas. Essa abordagem visa criar ambientes favoráveis ao
desenvolvimento das habilidades cognitivas e sociais dos indivíduos, prevenindo possíveis dificuldades de
aprendizagem. 
Temos ainda as discussões das bases teóricas envolvidas no campo de atuação dos psicopedagogos. 
Outro aspecto importante da psicopedagogia é a sua atuação interdisciplinar, que envolve a colaboração com
profissionais de áreas como a psicologia, a pedagogia, a fonoaudiologia, entre outras. Essa integração de
saberes permite uma abordagem mais completa e eficaz das questões relacionadas à aprendizagem. Mas
estas questões veremos mais à frente, em outra aula.
A psicopedagogia desempenha um papel fundamental na promoção de uma educação mais inclusiva e
Podemos afirmar que apesar das diferentes abordagens teóricas, do ponto de vista
científico, a Psicopedagogia vem se apoiando em alguns pressupostos básicos, os quais
sustentam a produção de conhecimento na área. São eles: psicologia piagetiana, teorias
socioconstrutivistas, psicologia social, psicanálise, psicolinguística e neurociência, entre
outros. Outro fato marcante no final da década de 80 foi a criação do Laboratório de
Psicopedagogia LAPp, no Instituto de Psicologia da USP, coordenado pelo Dr. Lino de
Macedo. Este é um centro de capacitação de educadores e psicopedagogos que utilizam o
jogo de regra, visando não somente desenvolver as competências cognitivas, mas
sobretudo considerar os possíveis efeitos no aluno como um todo. Uma parcela
significativa dos psicopedagogos no Brasil tem assimilado em suas práticas as propostas
desenvolvidas no LAPp. (RUBINSTEIN, 2004, p. 12)
qualitativa, ao oferecer ferramentas e estratégias para superar as dificuldades de aprendizagem e
potencializar as habilidades individuais. Seu trabalho contribui para o desenvolvimento pleno dos indivíduos,
tornando-os capazes de enfrentar os desafios do mundo contemporâneo com autonomia e sucesso
(RUBINSTEIN, 2004).
A epistemologia da palavra "psicopedagogia" remete ao estudo dos fundamentos do conhecimento no campo
da psicopedagogia, uma área interdisciplinar que combina princípios da psicologia e da pedagogia para
compreender e intervir nos processos de aprendizagem humana. A psicopedagogia busca investigar como
ocorre a construção do conhecimento, os processos cognitivos envolvidos na aprendizagem, os fatores que
podem interferir nesse processo e as estratégias mais adequadas para promover uma aprendizagem eficaz
(RUBINSTEIN, 2004).
Ao analisar a epistemologia da psicopedagogia, é possível observar que essa área do conhecimento se apoia
em diferentes teorias e abordagens, como a teoria cognitiva, a teoria construtivista, a teoria histórico-cultural,
entre outras. Cada uma dessas teorias oferece uma perspectiva única sobre como o conhecimento é
adquirido e como os processos de ensino e aprendizagem podem ser otimizados (RUBINSTEIN, 2004).
A psicopedagogia também se fundamenta em estudos sobre o desenvolvimento humano, considerando as
diferentes etapas e fases pelas quais passa o indivíduo desde a infância até a vida adulta. Essa compreensão é
essencial para identificar possíveis dificuldades de aprendizagem e desenvolver estratégias de intervenção
adequadas a cada caso (RUBINSTEIN, 2004).
Além disso, sua epistemologia valoriza a interdisciplinaridade, reconhecendo que o processo de aprendizagem
é influenciado por diversos fatores, como aspectos emocionais, sociais, culturais e biológicos. Portanto, o
trabalho do psicopedagogo envolve não apenas a aplicação de técnicas e métodos de ensino, mas também a
compreensão do indivíduo em sua totalidade, considerando sua singularidade e seu contexto de vida
(RUBINSTEIN, 2004).
A psicopedagogia, conforme descrito por Sobrinho (2015) em seu livro "Fundamentos da Psicopedagogia",
abrange diversos meios de atuação essenciais para o desenvolvimento humano e a promoção da
aprendizagem. Entre eles, destacam-se:
Diagnóstico psicopedagógico: consiste na identificação e análise dos processos cognitivos, emocionais e
sociais envolvidos na aprendizagem, visando compreender as dificuldades e potencialidades do
indivíduo.
Intervenção psicopedagógica: com base no diagnóstico, é desenvolvido um plano de intervenção
personalizado, que pode incluir atividades lúdicas, estratégias de aprendizagem e orientação para pais e
educadores.
Orientação familiar: a psicopedagogia também atua no sentido de orientar e apoiar as famílias no
processo educacional, auxiliando na compreensão das dificuldades do indivíduo e na promoção de um
ambiente favorável à aprendizagem.
Acompanhamento terapêutico: em alguns casos, é necessário um acompanhamento mais
individualizado e terapêutico, visando superar dificuldades emocionais e cognitivas que interferem na
aprendizagem.
Prevenção e Promoção da Saúde Psicopedagógica: além da intervenção em situações de dificuldade, a
psicopedagogia também atua na prevenção, promovendo a saúde mental e emocional e desenvolvendo
estratégias para evitar ou minimizar problemas de aprendizagem.
No que tange à epistemologia da psicopedagogia e o contexto escolar atual do Brasil, estes estão
intrinsecamente ligados, pois ambos refletem as preocupações e desafios enfrentados na compreensão e
intervenção nas dificuldades de aprendizagem no ambiente educacional (RUBINSTEIN, 2004).
No Brasil, o contexto escolar enfrenta uma série de questões complexas, que vão desde a falta de recursos e
infraestrutura adequados até desafios socioeconômicos que impactam diretamente o processo de ensino e
aprendizagem. Esses desafios são amplificados quando se trata de lidar com as dificuldades de aprendizagem,
que afetam um número significativo de estudantes em todo o país.
Nesse cenário, a epistemologia da psicopedagogia desempenha um papel crucial. Ela não apenas busca
compreender as bases teóricas e metodológicas que fundamentam a prática psicopedagógica, mas também
procura aplicar esse conhecimento de forma eficaz no contexto escolar brasileiro. Isso implica não apenas em
conhecer as teorias e abordagens relevantes, como o construtivismo, a teoria sociocultural e a
neuropsicologia, mas também entender como essas teorias podem ser adaptadas e aplicadas de maneira
significativa em um contexto tão diversificado e desafiador quanto o das escolas brasileiras (BOSSA, 2009).
Ainda, segundo a mesma autora, a dificuldade de aprendizagem é um tema complexo e multifacetado que
afeta a vida de muitas pessoas. Nádia Bossa, reconhecida psicóloga brasileira, é uma das autoras que
contribuíram significativamente para o entendimento desse assunto. Em sua obra, ela aborda a dificuldade de
aprendizagem como um fenômeno que vai além das limitações acadêmicas, envolvendo aspectos emocionais,
sociais e cognitivos.
Um dos principais desafios enfrentados pela epistemologia da psicopedagogia no contexto escolar brasileiro é
a necessidade de integrar teoria e prática de forma eficaz.Isso significa não apenas desenvolver intervenções
baseadas em evidências que sejam culturalmente sensíveis e contextualmente relevantes, mas também
capacitar os profissionais da psicopedagogia para implementar essas intervenções de maneira ética e eficaz.
Além disso, a epistemologia da psicopedagogia também deve estar atenta às questões políticas e sociais que
afetam o contexto escolar brasileiro. Isso inclui uma reflexão crítica sobre as políticas educacionais em vigor e
seu impacto nas práticas psicopedagógicas, bem como uma análise das desigualdades sociais e econômicas
que influenciam o acesso à educação e aos serviços psicopedagógicos.
Sendo assim, a epistemologia da psicopedagogia desempenha um papel fundamental na compreensão e
intervenção nas dificuldades de aprendizagem no contexto escolar brasileiro. Ao integrar teoria e prática de
forma significativa e sensível ao contexto, ela pode contribuir para o desenvolvimento de práticas
psicopedagógicas mais eficazes e inclusivas, que promovam o sucesso acadêmico e o bem-estar de todos os
estudantes.
VAMOS EXERCITAR
Os principais desafios enfrentados pelos psicopedagogos em contextos clínicos e institucionais são:
1. Diagnóstico preciso: identificar corretamente as dificuldades de aprendizagem de cada indivíduo é um
desafio, pois envolve a análise de diversos fatores, como aspectos cognitivos, emocionais e sociais. É
necessário realizar uma avaliação abrangente para compreender as causas das dificuldades e planejar a
intervenção adequada.
2. Intervenção individualizada: cada indivíduo possui características e necessidades únicas, o que
demanda uma abordagem personalizada. O desafio é desenvolver estratégias e atividades que sejam
eficazes para cada caso, levando em consideração as habilidades e limitações do indivíduo.
3. Parceria com outros profissionais: em muitos casos, é necessário trabalhar em conjunto com outros
profissionais, como psicólogos, fonoaudiólogos e professores. O desafio é estabelecer uma comunicação
eficiente e colaborativa, compartilhando informações e integrando diferentes abordagens para promover
o desenvolvimento do indivíduo.
4. Envolvimento da família: a participação ativa da família é fundamental para o sucesso da intervenção
psicopedagógica. No entanto, nem sempre é fácil engajar os pais e responsáveis, especialmente quando
há resistência ou falta de compreensão sobre as dificuldades de aprendizagem. O desafio é estabelecer
uma relação de confiança e oferecer suporte aos familiares, orientando-os sobre como podem contribuir
para o processo de aprendizagem do indivíduo.
A psicopedagogia contribui para a identificação e intervenção em dificuldades de aprendizagem em diferentes
faixas etárias de diversas maneiras:
1. Avaliação diagnóstica: por meio de técnicas e instrumentos específicos, a psicopedagogia auxilia na
identificação das dificuldades de aprendizagem, analisando aspectos cognitivos, emocionais e sociais.
Isso permite compreender as causas das dificuldades e direcionar a intervenção de forma adequada.
2. Intervenção personalizada: com base na avaliação diagnóstica, o psicopedagogo desenvolve estratégias
e atividades individualizadas, levando em consideração as habilidades e limitações do indivíduo. Essa
abordagem personalizada visa estimular o desenvolvimento das habilidades necessárias para a
aprendizagem, superando as dificuldades existentes.
3. Orientação aos familiares e professores: a psicopedagogia também desempenha um papel importante
na orientação aos familiares e professores, oferecendo suporte e compartilhando estratégias que podem
ser aplicadas no ambiente escolar e familiar. Essa parceria é essencial para promover um ambiente de
aprendizagem adequado e estimulante.
4. Promoção da autonomia e autoestima: além de trabalhar as dificuldades específicas de aprendizagem,
a psicopedagogia também busca promover a autonomia e a autoestima do indivíduo. Isso é feito a partir
do desenvolvimento de habilidades socioemocionais, como a capacidade de lidar com frustrações,
estabelecer metas e se relacionar de forma saudável com os outros.
 Saiba mais
Para que você saiba mais sobre este tema, sugerimos a leitura do livro "Fracasso Escolar: Um Olhar
Psicopedagógico”. A obra trata da temática do fracasso escolar e como a psicopedagogia pode contribuir
para a compreensão e intervenção nesse contexto, buscando promover uma educação mais inclusiva e
efetiva para todos os alunos.
PONTO DE PARTIDA
Existem diversas formas de atuação dentro da Psicopedagogia, e conheceremos um pouco mais sobre quem é
o psicopedagogo, quais suas formas de atuar e quais as habilidades e competências esperadas para este
profissional, assim como os meios de atuação interdisciplinar e transdisciplinar.
Por esse motivo, é importante pensarmos quais os aspectos relevantes da atuação individual e ou coletiva,
interdisciplinar ou transdisciplinar, que podem vir a contribuir para as melhorias esperadas dentro da
aprendizagem educacional.
Atualmente, existem grandes desafios dentro da atuação do psicopedagogo, sendo que se faz necessário
refletir sobre quais aspectos convergem ou divergem de outras áreas. Enquanto futuro profissional na
psicopedagogia, quais seriam as formas de atuar que poderiam direcionar melhor o desenvolvimento do
aluno?
Podemos pensar sobre o cenário abaixo e discutir, conforme aprendermos um pouco mais sobre o papel do
psicopedagogo, quais atividades podem ser importantes de desenvolver. Observe:  
Em uma escola de ensino fundamental localizada em uma comunidade urbana diversificada, o corpo docente
enfrentava um desafio crescente: o aumento das dificuldades de aprendizagem entre os alunos, refletindo-se
em baixos índices de desempenho acadêmico e desmotivação no ambiente escolar. Diante desse cenário, a
direção da escola decidiu contratar uma psicopedagoga institucional para colaborar na identificação e
intervenção de questões relacionadas à aprendizagem. Ao ingressar na instituição, a psicopedagoga começou
seu trabalho realizando uma avaliação inicial da situação, por meio de observações em sala de aula,
entrevistas com professores e análise dos registros acadêmicos dos alunos. Ela identificou uma variedade de
desafios, incluindo dificuldades de leitura, falta de concentração, problemas de comportamento e baixa
autoestima entre os estudantes. Vamos analisar esse cenário.
Aula 2
ATUAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA E APRENDIZAGEM ESCOLAR
Existem diversas formas de atuação dentro da Psicopedagogia, e conheceremos um pouco mais sobre
quem é o psicopedagogo, quais suas formas de atuar e quais as habilidades e competências esperadas
para este profissional, assim como os meios de atuação interdisciplinar e transdisciplinar.
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VAMOS COMEÇAR
Olá, estudante! 
Nesta aula, você irá aprender sobre quem é o psicopedagogo, qual a postura esperada de sua atuação, bem
como quais competências e habilidades são necessárias para uma boa prática profissional. Aprenderemos
ainda sobre o trabalho em ambientes institucionais, e sobre os conceitos de interdisciplinaridade e
transdisciplinaridade na psicopedagogia. 
Então? Vamos estudar um pouco mais sobre este importante profissional?
O psicopedagogo é um profissional da área da educação que se dedica ao estudo e intervenção nos processos
de aprendizagem. Suas principais áreas de atuação envolvem a identificação, avaliação e intervenção em
dificuldades de aprendizagem, bem como o desenvolvimento de estratégias e práticas pedagógicas que
favoreçam o processo de ensino-aprendizagem. 
Esse profissional pode vir a atuar na observação e análise das possíveis intervenções entre os diversos fatores
que compõe o processo de aprendizagem, bem como trabalhar ativamente em conjunto com os demais
parceiros que acompanham a vida escolar do aluno, como professores, coordenadores,familiares e até
mesmo observar o meio em que ele vive, e como isso pode ou não influenciar nas dificuldades apresentadas.
Para tanto, cria-se um plano diagnóstico, a partir do qual procura-se avaliar os currículos com os professores,
para que não se repitam transtornos, pois buscamos sempre prevenir o aparecimento de outros, contendo
diversas etapas importantes de estudo para compreender a atuação, de fato, do psicopedagogo:
1. Diagnóstico e Avaliação
Uma das primeiras responsabilidades do psicopedagogo institucional é realizar o diagnóstico das dificuldades
de aprendizagem dos alunos. Isso envolve a análise de diversos aspectos, como o contexto familiar, histórico
escolar, comportamento em sala de aula e habilidades cognitivas. Por meio de entrevistas, observações e
aplicação de testes psicopedagógicos, o profissional pode identificar as causas das dificuldades e elaborar um
plano de intervenção adequado (KIGUEL, 2012).
2. Intervenção e Acompanhamento
Com base no diagnóstico realizado, o psicopedagogo institucional trabalha em conjunto com professores, pais
e outros profissionais da equipe escolar para desenvolver estratégias de intervenção. Essas estratégias podem
incluir atividades de reforço, adaptações curriculares, orientação aos professores e encaminhamento para
serviços especializados, quando necessário. Além disso, o psicopedagogo acompanha de perto o progresso do
aluno, fazendo ajustes no plano de intervenção conforme necessário (KIGUEL, 2012).
3. Orientação e Formação Continuada
Há diferentes níveis de atuação. Primeiro, o psicopedagogo atua nos processos educativos
com o objetivo de diminuir a frequência dos problemas de aprendizagem. Seu trabalho
incide nas questões didático-metodológicas, bem como a formação e orientação dos
professores, além de fazer aconselhamento aos pais. Na segunda atuação, o objetivo é
diminuir e tratar dos problemas de aprendizagem já instalados. (BOSSA, 2007, p. 10)
Outra importante função do psicopedagogo institucional é oferecer orientação e formação continuada aos
profissionais da instituição, incluindo professores, coordenadores pedagógicos e equipe administrativa. Isso
pode envolver a realização de palestras, workshops e grupos de estudo sobre temas relacionados à
aprendizagem, desenvolvimento infantil, estratégias de ensino, entre outros (KIGUEL, 2012).
QUAIS AS COMPETÊNCIAS E HABILIDADES DO PSICOPEDAGOGO
As competências do psicopedagogo abrangem uma série de habilidades e conhecimentos necessários para
atuar de forma eficaz na identificação, avaliação e intervenção em dificuldades de aprendizagem. Aqui estão
algumas competências-chave que um psicopedagogo deve ter:
Conhecimento teórico-prático: domínio dos fundamentos teóricos da psicopedagogia, como teorias de
aprendizagem, desenvolvimento humano, psicologia educacional, entre outros. Além disso, deve ter
experiência prática em avaliação e intervenção psicopedagógica.
Avaliação psicopedagógica: capacidade de realizar avaliações psicopedagógicas para identificar
possíveis causas das dificuldades de aprendizagem, utilizando instrumentos e técnicas adequadas para
cada caso.
Elaboração de diagnósticos: capacidade de analisar os dados obtidos na avaliação para elaborar um
diagnóstico psicopedagógico preciso, identificando as necessidades específicas do indivíduo em relação
ao processo de aprendizagem.
Intervenção psicopedagógica: desenvolvimento e aplicação de estratégias e técnicas de intervenção
para auxiliar o indivíduo a superar suas dificuldades de aprendizagem, considerando aspectos cognitivos,
emocionais e sociais.
Trabalho interdisciplinar: colaboração com outros profissionais da área da educação e da saúde, como
psicólogos, pedagogos, fonoaudiólogos, entre outros, para promover uma abordagem integrada e eficaz
no atendimento aos indivíduos com dificuldades de aprendizagem.
Acompanhamento e orientação: realização de acompanhamento psicopedagógico contínuo,
oferecendo orientação e suporte tanto aos indivíduos atendidos quanto às suas famílias e educadores,
visando à promoção do desenvolvimento e sucesso acadêmico.
Atualização profissional: manutenção de um processo contínuo de atualização e aprimoramento,
participando de cursos, workshops, congressos e mantendo-se atualizado com as pesquisas e tendências
na área da psicopedagogia.
Essas competências são fundamentais para que o psicopedagogo possa atuar de forma efetiva na
identificação e intervenção em dificuldades de aprendizagem, contribuindo para o desenvolvimento integral
dos indivíduos e para a melhoria da qualidade educacional (KIGUEL, 2012).
Abordagem Interdisciplinar e Transdisciplinar na Psicopedagogia: Conceitos e
Aplicações
Na psicopedagogia, a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade representam abordagens fundamentais
para compreender e intervir nas questões relacionadas à aprendizagem e ao desenvolvimento humano.
Ambos os conceitos enfatizam a integração de diferentes disciplinas, perspectivas e métodos de trabalho para
uma compreensão mais abrangente e eficaz dos processos de aprendizagem. Neste contexto, é crucial
compreender as nuances e aplicações dessas abordagens na prática psicopedagógica (THIENSEN, 2007). 
Nesse sentido, seria uma atuação da psicopedagogia em que se verifica a necessidade de mais técnicas da
própria psicopedagogia em si ou de uma atuação mais abrangente envolvendo outras áreas e outros
profissionais.
Interdisciplinaridade na Psicopedagogia
A interdisciplinaridade na psicopedagogia refere-se à integração de conhecimentos, teorias e práticas
provenientes de diferentes áreas do conhecimento, como psicologia, pedagogia, neurociência, sociologia,
entre outras. Essa abordagem reconhece que as dificuldades de aprendizagem são multifacetadas e podem
ser influenciadas por uma variedade de fatores biológicos, psicológicos, sociais e educacionais.
Na prática psicopedagógica interdisciplinar, os profissionais colaboram com outros especialistas, como
psicólogos, pedagogos, fonoaudiólogos, entre outros, para realizar uma avaliação abrangente e desenvolver
estratégias de intervenção eficazes. Essa colaboração permite uma compreensão mais completa das
necessidades individuais dos aprendizes e promove uma abordagem holística para lidar com as dificuldades
de aprendizagem (THIENSEN, 2007).
Por esse motivo, vê-se a importância de estudos de casos, ou discussões de casos com outros profissionais
que atendem ao caso para compreensão da melhor forma de atuação.
Transdisciplinaridade na Psicopedagogia
Por outro lado, a transdisciplinaridade na psicopedagogia vai além da integração de disciplinas específicas,
buscando compreender os processos de aprendizagem em um contexto mais amplo e global. Essa
abordagem reconhece a complexidade e a interconexão entre diferentes sistemas e níveis de realidade,
incluindo aspectos físicos, mentais, emocionais, sociais, culturais e espirituais.
Na prática psicopedagógica transdisciplinar, os profissionais transcendem as fronteiras disciplinares
tradicionais e adotam uma perspectiva mais ampla e inclusiva. Eles consideram não apenas os aspectos
individuais do aprendiz, mas também os sistemas familiares, comunitários e culturais nos quais ele está
inserido. Isso permite uma compreensão mais profunda das dinâmicas envolvidas no processo de
aprendizagem e a promoção de intervenções mais contextualizadas e significativas (THIENSEN, 2007)         
Tanto inter quanto transdisciplinar são conceitos importantes de se compreender para que se tenha uma
atuação coerente com a realidade do contexto escolar ao qual se estiver atuando. O profissional de
psicopedagogia precisa verificar se é um caso que necessita de mais áreas de atuação de forma paralela
visando um atendimento integral para o bom desenvolvimento do aluno, como por exemplo psicologia,
serviço social, medicina, fonoaudiologia etc. E, em caso de necessidade, poderá realizar reuniões, discussões e
estudos de casos com outras áreas do saber que já atendemo aluno, ou, ainda, que possam vir a somar no
atendimento, realizando encaminhamentos.
Aplicações na Prática Psicopedagógica
Tanto a abordagem interdisciplinar quanto a transdisciplinar têm aplicações significativas na prática
psicopedagógica. Por exemplo, ao avaliar um aluno com dificuldades de aprendizagem, um psicopedagogo
pode colaborar com psicólogos para identificar possíveis questões emocionais subjacentes, com
fonoaudiólogos para avaliar aspectos da linguagem e comunicação, e com professores para entender o
contexto educacional do aluno.
Além disso, ao adotar uma perspectiva transdisciplinar, o psicopedagogo pode considerar não apenas os
aspectos individuais do aprendiz, mas também sua relação com o ambiente familiar, social e cultural. Isso
pode envolver o trabalho com a família do aluno, a comunidade escolar e outros profissionais envolvidos em
seu cuidado e educação.
Ou seja, tanto a interdisciplinaridade quanto a transdisciplinaridade são abordagens essenciais na
psicopedagogia, permitindo uma compreensão mais ampla e profunda dos processos de aprendizagem e
desenvolvimento humano e promovendo intervenções mais eficazes e significativas.
VAMOS EXERCITAR
O psicopedagogo institucional desempenha um papel fundamental no contexto educacional, atuando como
um facilitador do processo de aprendizagem e desenvolvimento dos indivíduos dentro das instituições. Sua
atuação abrange desde a identificação de possíveis dificuldades até a implementação de estratégias e
acompanhamento para superá-las. Agora, exploraremos em detalhes o papel desse profissional, destacando
suas principais atribuições e fornecendo exemplos práticos de sua atuação (SOBRINHO, 2015).
Nesse sentido, como questionamos na problematização, é necessário pensar que o psicopedagogo nunca
atuará sozinho, é necessária uma atuação conjunta com as demais áreas do saber, como a psicologia, as
demais áreas da ciência, até mesmo a medicina, para verificar questões de influência biológica, bem como as
ciências comportamentais ou do meio em que vive. Por exemplo, com a atuação conjunta ao serviço social,
que poderá avaliar conjuntamente questões socioeconômicas/culturais e de acesso à garantia de direitos,
e/ou demais áreas que o espaço permitir, visto que a criança ou adolescente pode estar inserido em possíveis
meios de vulnerabilidades sociais que influenciarão as possibilidades de aprendizado ou a manutenção das
dificuldades.
O papel do psicopedagogo institucional é multifacetado e essencial para o bom funcionamento das
instituições educacionais. Por meio de suas habilidades e conhecimentos especializados, esses profissionais
contribuem para criar ambientes de aprendizagem mais inclusivos, eficazes e estimulantes para todos os
alunos.
Dando continuidade à situação proposta na problematização, já que agora absorvemos mais conteúdo,
podemos pensar na resolução das questões da seguinte forma:
Com base nas observações do papel do psicopedagogo, podemos pensar em uma intervenção em que seja
possível criar um plano de ação abrangente, focado no desenvolvimento de competências e habilidades tanto
dos alunos quanto dos professores e da equipe escolar, por exemplo organizando workshops e palestras para
os professores, abordando estratégias de ensino diferenciadas, técnicas de avaliação inclusiva e maneiras de
promover um ambiente de aprendizagem mais estimulante e acolhedor.
Além disso, enquanto psicopedagogos, podemos pensar em implementar grupos de apoio para os alunos, nos
quais eles possam desenvolver habilidades socioemocionais, técnicas de estudo e autoconhecimento.
Também trabalhar individualmente com os alunos que apresentam mais dificuldades, oferecendo sessões de
intervenção psicopedagógica personalizadas.
No caso em questão, podemos citar a importância da atuação junto aos profissionais da psicologia do colégio
para abordar temas que tangem a área do saber, que envolve também a saúde mental. Ao longo do tempo, os
resultados do trabalho da psicopedagogia começaram a se manifestar. Os alunos demonstraram melhoria em
seus desempenhos acadêmicos, maior confiança em si mesmos e um aumento na motivação para aprender.
Os professores relataram uma mudança significativa em sua abordagem pedagógica, incorporando novas
estratégias e se tornando mais sensíveis às necessidades individuais dos alunos.
Em última análise, vale enfatizar que o trabalho do psicopedagogo institucional não apenas contribui para a
melhoria dos resultados acadêmicos, mas também para o fortalecimento do ambiente escolar como um todo,
promovendo o desenvolvimento integral dos alunos e o aprimoramento das práticas educacionais da equipe
escolar.
 Saiba mais
Sugerimos o filme "Filhos do Paraíso", que é conhecido por sua abordagem sensível e realista, retratando
a vida cotidiana de forma autêntica. Aborda a prática do psicopedagogo no contexto escolar.
PONTO DE PARTIDA
A falta de alinhamento na relação aluno-professor e a escola é um desafio complexo que afeta
profundamente o ambiente educacional. Esta dissonância pode se manifestar de diversas maneiras e tem
ramificações significativas no desenvolvimento acadêmico, emocional e social dos alunos, bem como no
ambiente de trabalho dos professores e na eficácia geral da instituição escolar, em que os alunos, os
professores e a própria escola podem ter objetivos e expectativas diferentes em relação ao processo
educacional. Enquanto alguns alunos podem priorizar o aprendizado autônomo e a criatividade, por exemplo,
a escola pode estar focada em resultados padronizados de testes. Essa divergência pode levar a conflitos e
desmotivação.
Outro ponto seria a falha na comunicação e feedback, pois quando não há um alinhamento claro na
comunicação entre alunos, professores e a administração da escola, podem ocorrer mal-entendidos e falta de
apoio adequado. Os alunos podem se sentir desvalorizados, os professores podem se sentir sobrecarregados
e não apoiados, e a escola pode não estar ciente das necessidades reais de sua comunidade educativa.
Então podemos nos questionar:
Como as relações interpessoais entre educador e aluno influenciam o processo de ensino e aprendizagem
dentro da escola? Quais são os desafios enfrentados pelos educadores ao lidar com a diversidade de perfis de
alunos em uma sala de aula e como esses desafios impactam seu trabalho? Em que medida as políticas
educacionais e as estruturas escolares influenciam a dinâmica das relações entre educador, aluno e escola?
REFLEXÕES PARA UMA EDUCAÇÃO TRANSFORMADORA
Olá, estudante!
Bem-vindo à nossa aula sobre as relações fundamentais na dinâmica escolar: o vínculo entre aluno, professor
e escola; etapas do trabalho psicopedagógico no contexto escolar; e acompanhamento psicopedagógico
Neste espaço de aprendizado, vamos explorar o delicado equilíbrio entre esses três pilares essenciais da
educação. A relação entre aluno e professor é o coração pulsante de qualquer ambiente educacional,
enquanto a escola é o cenário onde essas interações se desdobram e ganham significado.
Preparem-se para uma discussão enriquecedora, na qual cada voz é valorizada e cada perspectiva é
Aula 3
INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA E ACOMPANHAMENTO
DOCENTE
A falta de alinhamento na relação aluno-professor e a escola é um desafio complexo que afeta
profundamente o ambiente educacional.
respeitada. Juntos, vamos explorar como fortalecer e nutrir esses laços, criando um ambiente escolar mais
acolhedor, inclusivo e inspirador para todos.
Vamos conhecer um pouco mais?
Ao analisarmos as relações entre aluno, escola e professor, deparamo-nos com uma série de desafios e
questões que merecem nossa atenção crítica. Em muitos contextos educacionais, essas relações nem sempre
refletem o ideal de colaboração, respeito mútuo e aprendizado significativo. Pelo contrário, são
frequentemente permeadas por desigualdades, desentendimentos e desconexões que comprometem o
processo educativo como um todo (BOSSA, 2009).
Uma das principaisquestões a serem consideradas é a falta de comunicação eficaz e diálogo aberto entre
todas as partes envolvidas. Muitas vezes, alunos se sentem desmotivados devido à ausência de um canal de
comunicação eficaz com seus professores e a instituição escolar. Por outro lado, os professores podem se ver
sobrecarregados com demandas administrativas e burocráticas, dificultando o estabelecimento de uma
relação mais próxima e empática com seus alunos.
Além disso, as relações entre aluno, escola e professor também são impactadas por questões estruturais mais
amplas, como a falta de recursos adequados, a segregação socioeconômica e a desigualdade de
oportunidades. Esses fatores podem gerar um ambiente escolar desfavorável, onde alguns alunos são
abandonados enquanto outros recebem mais atenção e suporte (SANTOS, 2020).
Outro ponto relevante a se considerar é o papel da escola como um espaço de inclusão e diversidade. Muitas
vezes, as diferenças individuais dos alunos não são devidamente reconhecidas e valorizadas, levando a um
ambiente onde o respeito à pluralidade de ideias, culturas e identidades não é cultivado de forma eficaz.
UM POUCO MAIS SOBRE AS RELAÇÕES ALUNO-EDUCADOR-ESCOLA
Nesse sentido, a psicopedagogia torna-se uma importante aliada na identificação e superação das
dificuldades escolares. Compreendendo as relações entre aluno, escola e professor de uma perspectiva
multidimensional, a psicopedagogia busca investigar e compreender as causas subjacentes aos problemas
que surgem nesse contexto.
Um dos principais contributos da psicopedagogia é a sua capacidade de analisar as interações entre os
diversos atores do processo educativo, identificando possíveis conflitos, mal-entendidos e lacunas na
comunicação. Por meio de técnicas e instrumentos específicos, o psicopedagogo pode promover o diálogo e a
reflexão entre alunos, professores e equipe escolar, visando a construção de relações mais saudáveis e
produtivas (BOSSA, 2009)
Além disso, a psicopedagogia também oferece ferramentas para compreender as necessidades individuais de
cada aluno, especialmente daqueles que apresentam dificuldades de aprendizagem ou comportamentais. Ao
realizar uma avaliação psicopedagógica abrangente, o profissional pode identificar os fatores que estão
impactando negativamente o desempenho acadêmico do estudante e propor estratégias de intervenção
adequadas.
Outro aspecto relevante é a atuação do psicopedagogo na promoção da inclusão e da diversidade no
ambiente escolar. Por meio de práticas inclusivas e acolhedoras, o profissional pode contribuir para a
construção de uma cultura escolar mais respeitosa e empática, onde cada aluno se sinta valorizado e
reconhecido em sua singularidade.
Portanto, ao considerarmos as dificuldades nas relações entre aluno, escola e professor, é imprescindível
reconhecer o papel fundamental da psicopedagogia como uma abordagem integradora e transformadora,
que soma esforços. Ao investir na formação e no suporte psicopedagógico, as instituições de ensino podem
promover um ambiente mais saudável e propício ao desenvolvimento integral de todos os seus membros.
O trabalho psicopedagógico no contexto escolar envolve uma série de etapas que visam compreender e
intervir nas dificuldades de aprendizagem dos alunos, promovendo seu desenvolvimento integral e seu
sucesso acadêmico. A seguir, destacamos as principais etapas desse processo.
Quadro 1 | Etapas do trabalho psicopedagógico
Análise da demanda
Nesta etapa, o psicopedagogo busca compreender a
demanda apresentada pela escola, pelos pais ou pelo
próprio aluno. Isso envolve a identificação das
dificuldades específicas de aprendizagem,
comportamentais ou emocionais que estão
interferindo no desempenho escolar.
Coleta de dados
Uma vez identificada a demanda, o psicopedagogo
realiza a coleta de dados por meio de observações,
entrevistas, testes psicopedagógicos e análise de
documentos escolares. O objetivo é reunir
informações que permitam uma avaliação
abrangente do aluno e de seu contexto educacional.
Avaliação psicopedagógica
Com base nos dados coletados, o psicopedagogo
realiza uma avaliação psicopedagógica para
identificar os fatores que estão contribuindo para as
dificuldades de aprendizagem do aluno. Isso inclui a
análise de suas habilidades cognitivas, emocionais,
sociais e afetivas, bem como a investigação de
possíveis causas orgânicas, familiares ou escolares.
Elaboração do diagnóstico
A partir da avaliação psicopedagógica o
psicopedagogo elabora um diagnóstico que descreve
as dificuldades de aprendizagem do aluno e seus
principais determinantes. Esse diagnóstico serve
como base para o planejamento das intervenções
psicopedagógicas adequadas.
Além do interesse pelas atividades propostas pelo professor, e da vontade de aprender a
relação afetuosa pode fazer com que esse aluno perceba o seu professor como um
companheiro, um apoio, alguém no qual pode conversar trocar ideias e pedir conselhos.
Portanto, as demandas acumulativas referentes à vida desse aluno, as suas angústias,
perturbações, conflitos internos e externos podem acabar surgindo. (SANTOS, et al 2020,
p. 12).
Intervenções
Com base no diagnóstico, o psicopedagogo planeja e
implementa intervenções específicas para auxiliar o
aluno a superar suas dificuldades de aprendizagem.
Isso pode incluir estratégias de reforço escolar,
orientação psicopedagógica, treinamento de
habilidades cognitivas e emocionais, entre outras
abordagens.
Acompanhamento e avaliação
Após a implementação das intervenções, o
psicopedagogo realiza um acompanhamento
sistemático do aluno para monitorar seu progresso e
realizar ajustes necessários no plano de intervenção.
Além disso, é importante realizar uma avaliação
periódica para verificar os resultados alcançados e
identificar novas necessidades de intervenção.
Orientação aos professores e à escola (em alguns
casos com a família também)
Durante todo o processo, o psicopedagogo oferece
orientação e suporte aos professores e à equipe
escolar, fornecendo estratégias para lidar com as
dificuldades de aprendizagem dos alunos em sala de
aula e promovendo uma cultura escolar mais
inclusiva e acolhedora.
Fonte: elaborado pelo autor.
Essas etapas representam um processo contínuo e dinâmico, no qual o psicopedagogo atua em parceria com
a escola, os pais e outros profissionais da área da saúde e educação para promover o desenvolvimento pleno
e a realização acadêmica e pessoal dos alunos (GASPARIAN, 2012)
Quanto aos recursos necessários para a atuação docente que proporcione um bom acompanhamento
psicopedagógico, podemos citar:
Formação continuada: o psicopedagogo deve buscar constantemente se atualizar e aprimorar seus
conhecimentos por meio de cursos, workshops, seminários e outras atividades de formação continuada.
Isso permite que esteja sempre atualizado sobre as melhores práticas e abordagens no campo da
psicopedagogia.
Supervisão e orientação: a supervisão regular por parte de profissionais experientes na área da
psicopedagogia é essencial para o desenvolvimento profissional do psicopedagogo. Essa orientação
proporciona feedback construtivo, auxilia na reflexão sobre práticas e desafios enfrentados e oferece
suporte emocional necessário para lidar com situações complexas.
Uso de testes e instrumentos de avaliação: os psicopedagogos podem se valer de uma variedade de
testes e instrumentos de avaliação para compreender melhor as necessidades e habilidades dos alunos.
Isso inclui testes de inteligência, testes de aptidão, escalas de avaliação comportamental, entre outros.
Esses instrumentos fornecem informações valiosas para planejar intervenções educacionais eficazes.
Desenvolvimento de programas de intervenção: com base nas avaliações realizadas, o psicopedagogo
pode desenvolver programas de intervenção personalizados para atender às necessidades específicas de
cada aluno. Esses programas podem incluir estratégias de reforço escolar, treinamento dehabilidades
cognitivas, técnicas de estudo e organização, entre outras abordagens.
Colaboração com professores e equipe escolar: o psicopedagogo deve trabalhar em estreita
colaboração com os professores e a equipe escolar para planejar e implementar estratégias de apoio aos
alunos. Isso envolve reuniões regulares, discussão de casos, troca de experiências e desenvolvimento de
planos de ação conjuntos.
Promoção de ambientes inclusivos: o psicopedagogo pode desempenhar um papel importante na
promoção de ambientes escolares inclusivos e acolhedores, onde todos os alunos se sintam valorizados e
respeitados. Isso inclui o desenvolvimento de programas de sensibilização, ações de combate ao bullying,
promoção da diversidade e celebração das diferenças individuais.
Utilização de tecnologias educacionais e assistivas: as tecnologias educacionais podem ser recursos
poderosos para apoiar o trabalho do psicopedagogo. Isso inclui o uso de aplicativos, softwares e
plataformas online que oferecem atividades educacionais adaptativas, jogos cognitivos, ferramentas de
avaliação e recursos de apoio ao ensino e aprendizagem.
Parceria com famílias: o envolvimento das famílias é crucial para o sucesso do trabalho
psicopedagógico. O psicopedagogo deve estabelecer uma comunicação eficaz com os pais ou
responsáveis dos alunos, oferecendo suporte, orientação e informações sobre o progresso acadêmico e
as estratégias de intervenção adotadas.
Ao utilizar essas estratégias e recursos de forma integrada e colaborativa, o psicopedagogo pode aprimorar
significativamente seu trabalho docente e contribuir para o sucesso acadêmico e emocional dos alunos.
(GASPARIAN, 2012)
VAMOS EXERCITAR
Respondendo à nossa problematização inicial, vimos que é necessário trabalhar juntos, escola, professor e
psicopedagogo, pois assim são capazes de ter uma compreensão mais completa e holística do aluno.
Enquanto o professor tem um contato mais próximo com o aluno em sala de aula, o psicopedagogo pode
oferecer uma perspectiva mais aprofundada de suas necessidades individuais de aprendizagem e
desenvolvimento. Essa colaboração permite uma abordagem mais abrangente e personalizada para atender
às necessidades específicas de cada estudante.
Identificação precoce de dificuldades de aprendizagem: trabalhar em conjunto facilita a identificação
precoce de dificuldades de aprendizagem. O professor pode observar sinais de dificuldades acadêmicas
ou comportamentais em sala de aula e encaminhar o aluno para avaliação psicopedagógica. O
psicopedagogo, por sua vez, pode realizar uma avaliação mais detalhada e fornecer orientações
específicas para apoiar o aluno, evitando assim o agravamento dos problemas e promovendo
intervenções oportunas.
Planejamento e implementação de intervenções efetivas: a colaboração entre escola, professor e
psicopedagogo é essencial para o planejamento e implementação de intervenções efetivas. Com base na
avaliação psicopedagógica, o psicopedagogo pode desenvolver programas de intervenção
personalizados, enquanto o professor pode integrar essas estratégias ao currículo escolar e adaptá-las às
necessidades individuais de seus alunos. Essa abordagem colaborativa aumenta a eficácia das
intervenções e promove o sucesso acadêmico dos alunos (SANTOS, et al 2020).
Promoção de ambientes inclusivos e acolhedores: trabalhar em conjunto também é fundamental para
promover ambientes escolares inclusivos e acolhedores. Ao estabelecer uma parceria sólida entre escola,
professor, psicopedagogo e famílias, é possível criar um ambiente onde todos os alunos se sintam
valorizados, respeitados e apoiados em seu processo de aprendizagem. Isso contribui para o
desenvolvimento socioemocional dos alunos, promove a autoestima e a confiança, e reduz o risco de
exclusão e bullying.
Desenvolvimento profissional contínuo: a colaboração entre escola, professor e psicopedagogo
também oferece oportunidades para o desenvolvimento profissional contínuo. Ao compartilharem
conhecimentos, experiências e recursos, esses profissionais podem aprender uns com os outros e
aprimorar suas práticas pedagógicas e psicopedagógicas. Isso resulta em uma equipe mais capacitada e
preparada para enfrentar os desafios do ambiente educacional contemporâneo (GASPARIAN, 2012)
No que diz respeito à prática, na atualidade, temos muita dificuldade em gerar espaços acolhedores, tendo
em vista a quantidade de uso da tecnologia. Muitas vezes, em sala de aula, notamos complexidade nas
relações no que se refere à criação de vínculos, pois, como todos estão o tempo todo “conectados” com o
mundo virtual, os professores, profissionais de psicologia e/ou psicopedagogia têm um desafio a mais: tirar o
foco do mundo irreal e trazer o aluno para a atualidade e realidade dos momentos. Por isso, uma forma de
gerar vínculo positivo é por meio de dinâmicas de quebra-gelo, atividades lúdicas que contemplem a todos.
Exemplos: dança da cadeira inclusiva, ações de autoconhecimento, rodas de conversa, em que o profissional
possa gerar um ambiente facilitador e de conexão real com seus alunos, a partir daí é possível se aproximar
mais dos alunos.
Uma ferramenta muito utilizada nas práticas profissionais são os famosos “stops”, brincadeiras que, no início,
são apenas para quebrar o gelo, mas pouco a pouco vão proporcionando um meio de aproximar e trazer o
aluno para si; na sequência, conseguimos trabalhar mais aspectos formais e/ou de conteúdo de aula, ou das
intervenções planejadas.
 Saiba mais
Uma excelente sugestão de livro que aborda o tema das relações entre aluno, professor e escola é
"Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa", de por Paulo Freire. Trata-se de uma
obra clássica da pedagogia que oferece uma visão profunda e reflexiva sobre o papel do educador na
construção de relações mais humanizadas e democráticas no contexto escolar.
Indicamos também o livro: “Dinâmicas e quebra-gelo”, que aborda temas como a relação entre teoria e
prática na educação, a formação do professor como sujeito crítico e reflexivo, e a importância da ética e
da responsabilidade na prática educativa.
PONTO DE PARTIDA
Imagine uma escola onde os conflitos entre os alunos são frequentes e, muitas vezes, não são
adequadamente resolvidos. Em uma sala de aula, por exemplo, dois alunos estão constantemente em
desacordo, o que prejudica não apenas o clima de aprendizado, mas também o bem-estar emocional de todos
os envolvidos. A situação piora quando esses conflitos se espalham pelo ambiente escolar, criando divisões
entre os estudantes e interferindo no funcionamento geral da escola.
Agora, considere o que poderia ser feito para abordar essa questão de forma eficaz. Como podemos ajudar os
alunos a entender e lidar melhor com seus conflitos? Será que simplesmente punir os comportamentos
problemáticos é suficiente? Ou será que há uma abordagem mais construtiva e empática que poderíamos
adotar?
A mediação de conflitos surge como uma possível solução para essa problemática. No entanto, sua
implementação levanta uma série de questões: como podemos capacitar os alunos para serem mediadores
eficazes? Quais são os desafios enfrentados pelos mediadores no contexto escolar? E como podemos garantir
que a mediação seja uma prática justa e inclusiva, que leve em consideração as diversas perspectivas e
experiências dos alunos envolvidos?
Além disso, é importante considerar o papel dos educadores e da equipe escolar nesse processo. Como eles
podem apoiar e facilitar a mediação de conflitos entre os alunos? E como podem integrar essa prática de
forma consistente e sustentável no dia a dia escolar?
Portanto, diante dessas questões, surge a necessidade de uma reflexão mais profunda sobre a importância da
mediação de conflitos no contexto escolar e sobre as melhores estratégias para sua implementação eficaz.
Afinal, a escola não é apenas um espaço de aprendizado acadêmico, mas também um ambiente onde os
alunos desenvolvem habilidades socioemocionaise aprendem a conviver de forma respeitosa e colaborativa
com os outros.
COMO MEDIAR A PARTIR DE UMA METODOLOGIA PSICOPEDAGÓGICA
Olá, estudante!
Vamos mergulhar em um tema essencial para o ambiente escolar: os conflitos e sua mediação. Nosso objetivo
é explorar a natureza dos conflitos e entender como abordá-los de maneira construtiva, promovendo um
ambiente de aprendizado saudável e produtivo, ajudando os alunos a desenvolverem as habilidades
necessárias para enfrentar os desafios da vida com resiliência e empatia.
Aula 4
ESTRATÉGIAS DE ARTICULAÇÃO E MELHORIA DE ENSINO:
PROFESSORES, COMUNIDADE ESCOLAR E
PSICOPEDAGOGOS.
Imagine uma escola onde os conflitos entre os alunos são frequentes e, muitas vezes, não são
adequadamente resolvidos.
Além disso, vamos explorar a implementação de estratégias psicopedagógicas, as quais são projetadas para
resolver conflitos imediatos, fortalecer habilidades socioemocionais, promover a autoconsciência e a
autorregulação emocional dos alunos e construir relacionamentos saudáveis dentro da comunidade escolar.
Vamos conhecer um pouco mais sobre a prática profissional?
No contexto educacional brasileiro, a gestão de conflitos no ambiente escolar é um tema de grande relevância
e complexidade. As escolas enfrentam uma variedade de desafios, desde conflitos interpessoais entre alunos
até questões mais amplas relacionadas à violência, intimidação e discriminação. Diante desse cenário, a
necessidade de desenvolver estratégias eficazes de mediação e resolução de conflitos se torna cada vez mais
premente (SILVA, 2003).
Um dos principais desafios enfrentados pelas escolas brasileiras é a falta de recursos e capacitação
adequados para lidar com conflitos de forma construtiva. Muitas vezes, os educadores e gestores escolares
não recebem treinamento específico em mediação de conflitos ou em habilidades socioemocionais, o que
dificulta sua capacidade de responder de maneira eficaz às necessidades dos alunos (SILVA, 2003).
Além disso, a complexidade e a diversidade dos conflitos no ambiente escolar refletem as desigualdades
sociais mais amplas presentes na sociedade brasileira. Questões como racismo, sexismo, homofobia e
desigualdade socioeconômica se manifestam dentro das escolas, criando tensões e divisões que muitas vezes
são difíceis de serem abordadas apenas no âmbito escolar.
Outro desafio significativo é a falta de apoio institucional e políticas públicas consistentes voltadas para a
promoção de uma cultura de paz e resolução pacífica de conflitos nas escolas. Embora haja iniciativas
pontuais em algumas redes de ensino, a falta de uma abordagem coordenada e sistêmica dificulta a
implementação de práticas eficazes em larga escala (Chakur, 2005).
Apesar desses desafios, existem também oportunidades para promover uma gestão de conflitos mais eficaz
no ambiente escolar brasileiro. O reconhecimento crescente da importância das habilidades socioemocionais
no processo educacional, por exemplo, abre espaço para o desenvolvimento de programas e intervenções
que visam fortalecer a resiliência, empatia e habilidades de comunicação dos alunos.
Além disso, a crescente conscientização sobre a necessidade de enfrentar as desigualdades e injustiças sociais
também pode impulsionar iniciativas que visam criar ambientes escolares mais inclusivos e acolhedores para
[...] A sociedade brasileira é, atualmente, excludente para a maioria das crianças que nela
nascem: para alguns, resta-lhes somente a morte, para uns pouco ousados, a revolta e
para a grande maioria o fato de serem explorados pelo resto de suas vidas. Em resumo,
esta falta de perspectiva faz com que os alunos não valorizem o saber formal e, em
contrapartida, acabem manifestando condutas reveladoras de seu desagrado, pois a
escola não tem sentido algum para eles. O que querem (beleza, força física, status
financeiro e social) não é oferecido por esta instituição. Na verdade, nunca foi. Porém, se
tinham, ao menos, a ilusão de que ela seria um instrumento para a realização de tais
desejos, hoje eles não têm mais- principalmente o de que o saber formal possibilitaria um
dia a aquisição de parte destes bens (a ascensão social e financeira) e, em consequência a
relativização e outros (a beleza e a força física) (SILVA, 2003, p. 253).
todos os alunos, independentemente de sua origem étnica, socioeconômica, sexualidade ou identidade de
gênero (SILVA, 2003).
A gestão de conflitos no ambiente escolar no Brasil é um desafio complexo que requer uma abordagem
multifacetada e colaborativa. É essencial que educadores, gestores escolares, famílias, comunidades e órgãos
governamentais trabalhem juntos para promover uma cultura de paz e respeito mútuo nas escolas,
garantindo assim que todos os alunos possam aprender e se desenvolver em um ambiente seguro e inclusivo.
UM POUCO MAIS SOBRE O CENÁRIO DOS CONFLITOS E MEDIAÇÃO DENTRO DO AMBIENTE
ESCOLAR
Podemos citar propostas de intervenção sobre mediação de conflitos no ambiente escolar, tais como:
Desenvolvimento de habilidades socioemocionais: implementar programas de educação
socioemocional que ensinem aos alunos habilidades essenciais para lidar com suas emoções, resolver
conflitos de forma construtiva, desenvolver empatia e promover o respeito mútuo. Isso pode incluir
aulas, atividades práticas e discussões em grupo sobre temas como inteligência emocional, comunicação
não violenta e resolução de problemas (CHAKUR, 2005).
Mediação de pares: capacitar os próprios alunos para atuarem como mediadores de conflitos entre os
colegas. Isso pode envolver treinamentos específicos em habilidades de comunicação, empatia e
resolução de conflitos, além de estabelecer procedimentos claros para a mediação de disputas dentro da
escola. A mediação de pares não apenas ajuda a resolver conflitos de maneira mais rápida e eficaz, mas
também fortalece o senso de responsabilidade e liderança dos alunos (CHAKUR, 2005).
Criação de espaços de diálogo e escuta ativa: estabelecer espaços seguros e inclusivos onde os alunos
se sintam à vontade para expressar suas preocupações, sentimentos e pontos de vista. Os educadores
podem facilitar essas conversas utilizando técnicas de escuta ativa, como repetição de palavras-chave,
paráfrase, validação das emoções dos alunos. Isso ajuda a promover uma cultura de respeito,
compreensão e empatia dentro da escola.
Intervenção precoce e acompanhamento individualizado: identificar precocemente os sinais de
conflito entre os alunos e oferecer intervenções individualizadas para ajudá-los a resolver suas diferenças
de maneira construtiva. Isso pode incluir sessões de aconselhamento individual ou em grupo, orientação
para o desenvolvimento de habilidades de resolução de problemas e o estabelecimento de metas
pessoais para melhorar o relacionamento com os colegas (CHAKUR, 2005).
Envolvimento da comunidade escolar: envolver ativamente os pais, responsáveis e demais membros
da comunidade escolar no processo de gestão de conflitos. Isso pode incluir a realização de workshops
para os pais sobre como apoiar seus filhos na resolução de conflitos, parcerias com organizações locais
para fornecer recursos adicionais de suporte emocional e a criação de comitês de mediação compostos
por representantes da comunidade escolar (CHAKUR, 2005).
Modelagem de comportamentos positivos: os educadores desempenham um papel fundamental
como modelos de comportamento positivo e respeitoso. Eles podem demonstrar ativamente como
resolver conflitos de maneira construtiva, utilizando técnicas como negociação, colaboração e
comprometimento. Além disso, é importante reconhecer e recompensar os comportamentos positivos
dos alunos, incentivando assim uma cultura de respeito e cooperação dentro da escola (Chakur, 2005).
Existem alguns programas criados no Brasil que auxiliam nos cuidados nesse contexto de gestão de conflitos
no ambiente escolar, como por exemplo, o Programa Escola da Família.
Esse programa tem como proposta a aberturadas escolas públicas estaduais, aos fins de semana,
transformando-as em centros comunitários, com o propósito de atrair os jovens e suas famílias para um
espaço voltado à prática da cidadania, onde serão desenvolvidas atividades artísticas, culturais e esportivas,
colaborando, assim, para a reversão do quadro de violência que permeia a sociedade paulista (SÃO PAULO,
2000).
O programa dirige-se a atividades que envolvam a comunidade, pais, alunos e professores com o objetivo de
unir diferentes grupos e minimizar as diferenças entre eles, socializando aquele que antes era excluído. Uma
característica do Programa parece residir no aspecto socializador dessas atividades, e não educativo, como é
proposto.
É possível notar que essas medidas de cunho social que atendem às demandas da escola, como, por exemplo,
o oferecimento de atividades esportivas e recreativas, apresentam-se como tentativas de lidar com as
manifestações de violência (conforme exposto no Manual do Programa), e estas ações não contemplam as
questões relacionadas ao psiquismo, em especial à afetividade do adolescente (SÃO PAULO, 2000).
Podemos compreender que existem espaços em que arte, cultura e lazer caminham junto à educação, e
espaços colaborativos são criados, favorecendo as formas de lidar com conflitos, pois vão na contramão do
que as crianças e jovens estão “acostumados”, já que, muitas vezes, conhecem essa realidade difícil no dia a
dia, e trazer novas oportunidades de lidar com as diferenças os fortalece para que encontrem novos meios de
enfrentar questões complicadas.
Ao considerarmos as práticas psicopedagógicas, compreendemos a importância de criar um ambiente
inclusivo, empático e seguro, onde os alunos sintam que suas preocupações são ouvidas e valorizadas. Por
meio de estratégias como a mediação, o diálogo aberto e a promoção da inteligência emocional, podemos
ajudar os alunos a desenvolver habilidades de resolução de conflitos de maneira construtiva.
É crucial lembrar que a gestão de conflitos não é apenas reativa, mas também proativa. Investir na construção
de relacionamentos positivos, no ensino de habilidades de comunicação e na promoção da empatia desde
cedo pode ajudar a prevenir conflitos antes mesmo de surgirem.
Como profissionais, temos o poder e a responsabilidade de cultivar um ambiente onde a diversidade de
opiniões seja celebrada e os conflitos sejam vistos como oportunidades de crescimento e aprendizado mútuo.
Ao integrar práticas psicopedagógicas em nossa abordagem, podemos transformar os desafios em
oportunidades de fortalecimento da comunidade escolar.
Os conflitos são uma parte inevitável da vida, e no ambiente escolar não é exceção. Eles podem surgir de
diferenças de opiniões, personalidades, valores ou simples mal-entendidos. Mas aqui está a questão crucial:
como podemos transformar esses momentos desafiadores em oportunidades de crescimento e aprendizado?
Por meio da mediação. Esta é uma ferramenta poderosa que nos permite abordar os conflitos de forma
proativa, promovendo a compreensão mútua, a empatia e, em última análise, a resolução pacífica.
VAMOS EXERCITAR
Durante a aula, pudemos verificar, em uma discussão fundamental sobre a gestão de conflitos no ambiente
escolar, a exploração de como as práticas psicopedagógicas podem oferecer soluções eficazes. Durante nossa
reflexão, percebemos que os conflitos são inevitáveis em qualquer comunidade, mas é a maneira como os
abordamos que determina o resultado.
No contexto escolar, a mediação de conflitos desempenha um papel fundamental. Não se trata apenas de
resolver disputas entre alunos, mas também de criar uma cultura de diálogo aberto, respeito mútuo e
colaboração. Quando os alunos se sentem seguros e apoiados para expressar suas preocupações, eles estão
mais propensos a se envolver ativamente no processo de aprendizado.
Durante a prática profissional na área de desenvolvimento de pessoas e em psicopedagogia e psicologia,
podemos constatar que espaços de diálogo que são criados com alunos favorecem o estabelecimento de bons
vínculos, trazendo consigo melhores formas de tratar as questões-problema. Por exemplo, em minha prática
profissional em si, atuo como educadora social em uma comunidade periférica, durante as oficinas que são de
cunho social, dentro do âmbito da assistência social, no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos.
Em um grupo de atendidos com faixa etária entre 12 e 16 anos, realizava-se atividades de cultura e
convivência social e comunitária, eram propostas oficinas de arte e rodas de conversa em que eles podiam
expressar livremente o contexto que desejassem.
Em uma das atividades elaboradas, uma atendida trouxe o contexto da escola, em que ela se sentia excluída,
por ser “diferente”. Enquanto facilitadora do grupo, perguntei o que significava, para ela, ser diferente, e ela
relatou não ser como as outras meninas, que se sentia feia e fora do padrão. Foi solicitado ao grupo que,
dentro do respeito à colega, dissessem o que entendiam pelo padrão, e a resposta foi “magra, alta”, e a garota
tinha outras características corporais. Foi sugerido, então, ao grupo, que descrevessem em uma cartolina as
características de todos que ali estavam presentes, e muitas foram citadas, como por exemplo negro, branco,
pardo, alto, baixo, mediano, gordo, magro, corpo médio, loiro, moreno, ruivo, uso de óculos, uso de aparelho
etc. No fim, foi proposto que todos lessem as características citadas, e se perguntassem o que era o dito
“padrão” a partir de agora, já que todos tinham características singulares, alguns mais parecidos, outros nem
tanto, mas que todos tinham suas particularidades, que ali estavam representadas, e mereciam respeito. No
final, a garota, a partir da reflexão, foi convidada a se ver como alguém que possui características próprias,
mas que não deixa de ser linda, não deixa de ser especial e ter sua própria forma de ser.
 Saiba mais
Sugerimos, para ampliar seus conhecimentos e levar a uma reflexão sobre a atuação na prática
profissional, o filme “Escritores da liberdade” (Freedom writers). Trata-se de uma história instigante
envolvendo adolescentes criados em meio a tiroteios e agressividade, e a professora que oferece o que
eles mais precisam: uma voz própria.
PONTO DE CHEGADA
Bem-vindos à etapa final!
Durante nossas aulas, pudemos aprender sobre a psicopedagogia no contexto escolar. Conhecemos quem é o
psicopedagogo, suas competências, habilidades, seu trabalho na área institucional e a relação com outras
áreas. Analisamos também a interação educador-educando-escola e o acompanhamento psicopedagógico,
além dos conflitos no ambiente escolar e a implementação de soluções. Pensamos estratégias de atuação a
Aula 5
ENCERRAMENTO DA UNIDADE
partir do estudo de diversos temas para a ampliação de conhecimentos. Nesta aula de encerramento,
compreenderemos mais a aplicabilidade das competências trabalhadas a partir de em um estudo de caso.
Vamos aprofundar nosso conhecimento?
Olá, estudante!
Durante nossas aulas, você estudou as teorias e práticas psicopedagógicas com ênfase no contexto escolar, a
atuação psicopedagógica e a aprendizagem escolar, o processo de intervenção psicopedagógica e o
acompanhamento docente e, ainda, as estratégias de articulação e melhoria de ensino para professores,
comunidade escolar e psicopedagogos.   
Esses conhecimentos são necessários para desenvolver as competências desta unidade, que exigem conhecer
e refletir de maneira crítica sobre o trabalho e papel do psicopedagogo no contexto escolar, considerando sua
atuação multidisciplinar e conjunta entre estudantes, comunidade escolar e docentes. Perceba que os
conteúdos estudados durante nossas aulas agora se conectam, para que, agora, possamos construir a
resolução de nosso estudo de caso.
Agora você compreenderá melhor a importância desses conteúdos no tocante às principais teorias a práticas,
com ênfase no contexto escolar, uma vez que será necessário refletirmosalém de falta de motivação e baixa autoestima.
Por outro lado, o transtorno de aprendizagem pode ser causado por fatores internos, como doenças
neurológicas, deficiência mental, alterações das funções sensoriais, transtornos psiquiátricos e doenças
crônicas, que consequentemente causarão dificuldades no processo de aprendizagem (RELVAS, 2015).
Nesse sentido, ao avaliar e diagnosticar os fatores que estão impedindo Clara de aprender, o psicopedagogo
poderá intervir de forma mais direta no problema e dar prosseguimento em suas ações de Consultoria e
Assessoria.
 Saiba mais
Para complementar as reflexões desta aula, deixamos como sugestão, o filme “Como estrelas na Terra,
toda criança é especial” (2007).  Ele aborda a história de um menino chamado Ishaan, que sofre de
dislexia, um transtorno de aprendizagem que afeta sua habilidade de ler e escrever.
As dificuldades de aprendizagem não estão ligadas apenas aos sistemas biológicos
cerebrais, mas podem ser causados por problemas passageiros, como, por exemplo, um
conteúdo escolar, que nem sempre oferece à criança condições adequadas para o
sucesso. […] A descrição dos transtornos da aprendizagem é encontrada em manuais
internacionais de diagnóstico de doenças: CID-10 e DSM-V. […] (RELVAS, 2015, p. 52-53).
Aula 2
https://www.scielo.br/j/psicodrama/a/NfmgxxfhxqGJV5bzxh8FNnF/?lang=pt
https://www.scielo.br/j/psicodrama/a/NfmgxxfhxqGJV5bzxh8FNnF/?lang=pt
https://www.scielo.br/j/psicodrama/a/NfmgxxfhxqGJV5bzxh8FNnF/?lang=pt
PONTO DE PARTIDA
Olá, estudante!
Na aula 1, tivemos acesso ao caso de Clara, uma menina de 7 anos, com dificuldades no processo de
alfabetização. Acompanhamos quais são os primeiros passos para uma Consultoria e Assessoria
Psicopedagógica.
Após o psicopedagogo realizar as primeiras entrevistas e análises com Clara, a família, a professora e a escola,
partiremos para as etapas seguintes. Nesta aula, aprofundaremos a compreensão da situação-problema, com
base nos conteúdos granulares, a saber:
O pedagogo enquanto consultor em espaços institucionais;
Apoio Psicopedagógico;
Perfil profissional.
Nesse sentido, sabendo da importância da realização de um diagnóstico inicial para a coleta de informações
objetivas e subjetivas sobre Clara e sua relação com a escola, a professora e a família, como podemos realizar
o atendimento psicopedagógico da criança? O psicopedagogo atua somente nos espaços escolares? Qual o
perfil profissional do psicopedagogo?
A ATUAÇÃO DO PSICOPEDAGOGO. 
Olá, estudante! Seja bem-vindo!
Nesta aula, estudaremos sobre os espaços de atuação do psicopedagogo.
Nesse sentido, abordaremos os espaços institucionais de caráter público e privado onde o psicopedagogo
pode realizar a consultoria e a assessoria psicopedagógica.
O apoio psicopedagógico é essencial para o processo de aprendizagem e desenvolvimento, já que se trata de
um trabalho em que se faz presente a afetividade e a sensibilidade para as avaliações e intervenções
psicopedagógicas. Vamos aprofundar o conhecimento nas áreas de atuação do psicopedagogo?
A Psicopedagogia e o psicopedagogo vêm constituindo uma identidade ao longo dos anos, ao passo que as
contribuições da área e do profissional são de grande relevância para o processo de aprendizagem.
Para a constituição do profissional que atua com a Psicopedagogia, é imprescindível conhecer os espaços
institucionais para o desenvolvimento do seu trabalho. Nesse sentido, o psicopedagogo pode realizar uma
atuação clínica ou institucional, e que pode ser curativa/terapêutica ou preventiva. Vejamos, a seguir, os
espaços institucionais públicos e privados de atuação psicopedagógica:
Instituições escolares: O psicopedagogo pode desenvolver um trabalho terapêutico/curativo com
estudantes que apresentam dificuldades no processo de aprendizagem. O objetivo dessa atuação é a
ESPAÇOS INSTITUCIONAIS PÚBLICOS E PRIVADOS
Olá, estudante! Na aula 1, tivemos acesso ao caso de Clara, uma menina de 7 anos, com dificuldades no
processo de alfabetização. 
reintegração e a readaptação do aluno em sua turma. Portanto, o psicopedagogo verificará quais são as
necessidades e o ritmo da criança. “Esta orientação tem como meta desenvolver as funções cognitivas
integradas ao afetivo, desbloqueando e canalizando o aluno gradualmente para a aprendizagem formal”
(FAFALI; VALE, 1993, p. 10). Essa premissa é de extrema importância, pois o psicopedagogo acompanha e
supervisiona os trabalhos educativos, instrumentaliza a equipe docente e, assim, se aproxima do
cotidiano escolar, sendo capaz de oferecer subsídios para os desafios escolares.
Clínicas: Para Fagali e Vale (1993), a psicopedagogia curativa ou terapêutica é desenvolvida em
consultórios, em uma conotação clínica. Em geral, ocorrem em atendimento individual. No entanto, as
intervenções de cunho curativo ou terapêutico podem também abranger o trabalho em grupo.
Organizações não-governamentais: O psicopedagogo atua em conjunto com outros profissionais, ou
seja, em um caráter multidisciplinar e transdisciplinar. Realiza parcerias junto aos profissionais envolvidos
no terceiro setor, à Secretaria Municipal de Educação e comunidade, para o resgate da cidadania de
crianças, jovens e famílias em situações de vulnerabilidade. É responsável por orientar voluntários e
profissionais da ONG envolvidos em projetos relacionados ao processo de aprendizagem (LEONARDI,
2005).
Hospitais: A psicopedagogia hospitalar busca promover atividades lúdicas e brincadeiras pedagógicas
em espaços hospitalares, para crianças que estão em tratamento de saúde por um período longo. Trata-
se de uma intervenção humanizada, que estabelece o contato do paciente com algum conteúdo escolar e
auxilia nos aspectos emocionais e afetivos (PEREIRA, 2015).
Empresas: O psicopedagogo pode atuar em empresas, no gerenciamento de processos e de pessoas. No
universo corporativo, em que se privilegia a competitividade, torna-se essencial a intervenção
psicopedagógica, para potencializar as diferentes formas de aprendizagem (RODRIGUES, 2012).
Nessa lógica, reafirmamos que a Consultoria Psicopedagógica oferece elementos para um trabalho que possa
atuar em vários espaços, valorizando as características de cada sujeito no processo de aprendizagem e
desenvolvimento. Além disso, pode possibilitar intervenções psicopedagógicas que mobilizem o
desenvolvimento das capacidades humanas, em diferentes períodos da vida. 
Seguindo com nossos estudos, discutiremos sobre a importância do apoio psicopedagógico na próxima seção.
O APOIO PSICOPEDAGÓGICO
O apoio psicopedagógico está previsto no Artigo 9º, Decreto-Lei nº 54/2018, de 6 de julho, com vistas a uma
Educação Inclusiva, quando houver a necessidade de oferecer suporte à aprendizagem como medida seletiva
(BRASIL, 2018).
Conforme nossos estudos, no âmbito escolar, podemos compreender que o psicopedagogo é um profissional
que exerce ações voltadas ao estabelecimento de vínculos afetivos entre estudantes, escola e professores. E,
para além disso, realiza avaliações e intervenções que possam contribuir de forma efetiva para a superação
de dificuldades de aprendizagem.
Nessa vertente, “o trabalho psicopedagógico atua não só no interior do aluno ao sensibilizar para a
construção do conhecimento, levando em consideração os desejos do aluno, mas requer também uma
transformação interna do professor” (FAGALI; VALE, 1993, p. 14). Segundo as autoras, o apoio psicopedagógico
requer uma orientação constante ao professor, e para além das relações afetivas do estudante, deve
averiguar o conteúdo trabalhado, as intervenções pedagógicas, as formas de avaliação, o vínculo familiar, e as
reações/respostas do sujeito em questão diante da rotina escolar.
Para além do espaço escolar, o apoio psicopedagógico requer o envolvimento com o processo de
aprendizagem dos sujeitos, em uma atuação “disciplinar, multidisciplinar, interdisciplinar e transdisciplinar
entre profissões e disciplinas” (RICCI, 2023, p. 8). Em outras palavras, o psicopedagogosobre o cenário e o contexto
propostos.         
Igualmente, você constatará que a atuação psicopedagógica e a aprendizagem escolar caminham lado a lado,
pois o psicopedagogo é o profissional que auxilia no estabelecimento da ligação entre ou sujeito e seu
aprendizado, ou seja, ele “constrói a ponte” sobre os problemas, variáveis e as dificuldades que podem
ocorrer durante o processo de aquisição do conhecimento no ambiente escolar e fora dele.
Quando o psicopedagogo planeja a realização de uma intervenção, o faz após uma reflexão crítica a respeito
do contexto com o qual terá de interagir e, em paralelo, terá de considerar a interdisciplinaridade ou a
amplitude de suas ações, que na maioria das vezes irá extrapolar o ambiente e o cenário da escola e adentrar
o da comunidade, que poderá ser a escolar. Comumente, também poderá adentrar a esfera familiar do
estudante.
Veja que os estudos realizados nesta unidade buscaram lhe trazer bases para a reflexão crítica sobre sua
atuação profissional no ambiente escolar e a compreensão de que você também terá de atuar em ambientes
diversos, necessitando, assim, agir de maneira interdisciplinar e em parceria com profissionais de outras
áreas.
GERENCIAMENTO DE CONFLITO NO CONTEXTO ESCOLAR: UM ESTUDO DE CASO
No ambiente escolar, conflitos podem surgir por uma infinidade de razões, desde desentendimentos entre
alunos até questões mais complexas envolvendo professores, pais e a própria gestão escolar. Neste estudo de
caso, exploraremos uma situação em que você, como psicopedagogo, terá de desempenhar um papel
fundamental na resolução de um conflito, promovendo o diálogo e a busca por soluções construtivas.
Você está em uma escola de ensino fundamental, onde recentemente surgiu um conflito entre dois alunos do
sexto ano, João e Maria. O conflito teve início durante uma atividade em grupo, quando João acusou Maria de
não contribuir adequadamente para o trabalho, gerando ressentimento e tensão entre os dois. O problema se
agravou quando outras crianças começaram a tomar partido, formando grupos rivais na sala de aula. Após
alguns dias do conflito, Maria conseguiu expressar para a professora que estava sofrendo violência dentro de
sua casa, o que vinha deixando-a incomodada e triste. Diante da situação, a direção da escola convocou você
para intervir, pois já tem proximidade com os alunos e com os professores da escola. Como você conduziria o
caso?
A condução inicial do caso, que poderia ser proposta, considerando que você já tem uma relação de confiança
com os alunos e professores, seria iniciar sua intervenção realizando sessões individuais com João e Maria,
quando os incentivaria a expressarem seus sentimentos e preocupações em um ambiente seguro e
acolhedor. Em paralelo, você também poderia organizar atividades em grupo, visando promover a empatia e
o trabalho colaborativo entre os alunos. Além disso, você poderia realizar uma escuta qualificada de Maria de
forma individual e, posteriormente, agendar um atendimento com a mãe da garota.
As estratégias que você utilizaria nas sessões individuais seriam as técnicas de escuta ativa e reflexão, de
forma a ajudar João e Maria a compreenderem melhor as motivações por trás de suas ações e a
reconhecerem o impacto que o conflito estava causando em si mesmos e nos outros.
Nas atividades em grupo, você utilizaria como estratégia jogos cooperativos e dinâmicas de resolução de
problemas, que estimulariam a comunicação eficaz e o trabalho em equipe. Após a escuta qualificada, você
poderia intervir encaminhando Maria para a psicoterapia individual, além disso, em conversa com a mãe da
criança, seria possível constatar a instabilidade emocional que acabava gerando as “palmadas” na garota
quando a mãe perdia o controle, e, assim você poderia sugerir à mãe que procurasse ajuda médica e
psicológica.
Você continuará o acompanhamento do caso junto à equipe de educadores e gestores da escola, bem como
junto à família, e, se necessário, no futuro, poderá agendar uma reunião de caso com os demais profissionais
que atenderão a criança e a genitora. Você poderia, ainda, sugerir a inserção da Maria em Serviço de
Convivência e Fortalecimento de Vínculos – SCFV – em seu território de moradia, a fim de contribuir para a
ampliação de espaços e de rede de apoio.
Após algumas semanas de intervenção, provavelmente seria possível observar mudanças significativas na
dinâmica da sala de aula. João e Maria, antes antagonistas, poderão passar a se comunicar de forma mais
respeitosa e colaborativa, encontrando maneiras de trabalhar juntos em projetos escolares. Além disso, os
grupos rivais seriam dissolvidos, dando lugar a uma atmosfera mais harmoniosa e inclusiva no ambiente
escolar.
Este estudo de caso ilustra a importância de sua atuação como psicopedagogo na gestão de conflitos no
contexto escolar. Por meio de uma abordagem centrada no indivíduo e na promoção de habilidades
socioemocionais, e com atuação transdisciplinar, seria possível transformar um ambiente marcado por
conflitos e divisões em um espaço de convivência pacífica e colaborativa. Este estudo de caso destaca a
relevância do trabalho do psicopedagogo na construção de uma escola mais justa, inclusiva e acolhedora para
todos os seus membros. Além da importância da compreensão do contexto social e familiar e dos
encaminhamentos adequados que podem contribuir para a ampliação de espaços de fala-escuta e
convivência, que visam contribuir para a transformação individual, social e comunitária, podendo gerar para
as crianças ambientes mais acolhedores, que contribuam para o desenvolvimento individual com resultados
no coletivo.
DÊ O PLAY!
Bem-vindos, alunos, ao nosso podcast da Unidade 3 - O psicopedagogo no acompanhamento do trabalho
docente, dedicado ao seu desenvolvimento na psicopedagogia! Sou a Professora Tayne Amabile Cichelli e,
hoje, conversaremos sobre este tema, trazendo mais conhecimento, abordando desde os fundamentos da
epistemologia até a delicada questão do fracasso escolar. Além disso, exploraremos as diversas formas de
atuação do psicopedagogo e como ele pode contribuir para a gestão de conflitos no ambiente educacional.
Preparem-se para uma jornada de aprendizado e reflexão!
Epistemologia e Psicopedagogia:
Para entendermos a psicopedagogia em sua essência, é fundamental começarmos pela epistemologia, a
ciência que estuda o conhecimento e suas bases. A psicopedagogia, enquanto campo interdisciplinar, se apoia
em diversos referenciais teóricos, como a teoria construtivista de Piaget e a teoria sociocultural de Vygotsky,
para compreender como se dá o processo de aprendizagem e desenvolvimento humano. Nesse contexto, a
epistemologia fornece as ferramentas necessárias para analisarmos criticamente os processos cognitivos e
suas influências no contexto educacional.
Fracasso escolar - causas e intervenções:
O fracasso escolar é um fenômeno complexo que pode ter múltiplas causas, desde dificuldades de
aprendizagem até questões emocionais e sociais. O papel do psicopedagogo aqui é crucial, pois ele atua na
identificação e compreensão dessas causas, desenvolvendo estratégias e intervenções adequadas para
promover o sucesso educacional de cada indivíduo. A partir de uma abordagem integradora, o psicopedagogo
trabalha em parceria com professores, familiares e outros profissionais, buscando soluções personalizadas e
eficazes para cada caso, por isso a importância de um olhar ampliado e dinâmico em que o profissional
avaliará desde questões orgânicas, sociais, culturais em que o aluno está inserido, buscando ações
interventivas e integradoras.
Formas de atuação do psicopedagogo:
A atuação do psicopedagogo é ampla e diversificada, abrangendo desde a avaliação diagnóstica até o
acompanhamento terapêutico, passando pela orientação de pais e educadores. Ele pode atuar tanto em
contextos clínicos, como consultórios e clínicas especializadas, quanto em instituições educacionais, como
escolas e centrosde ensino. Seja na prevenção do fracasso escolar, na intervenção junto a alunos com
dificuldades específicas ou na capacitação de professores, o psicopedagogo desempenha um papel
fundamental na promoção de uma educação inclusiva e de qualidade para todos.
Gestão de conflitos - a contribuição da psicopedagogia:
Nos ambientes educacionais, os conflitos são inevitáveis, mas podem ser oportunidades de crescimento e
aprendizado, se forem geridos de forma adequada. Aqui, mais uma vez, entra em cena o psicopedagogo,
oferecendo suporte e orientação para lidar com situações de conflito de maneira construtiva. Ao promover o
diálogo, a escuta ativa e o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, esse profissional contribui para a
construção de um ambiente escolar mais harmonioso e acolhedor, onde todos os envolvidos se sintam
valorizados e respeitados. Por isso a importância da atuação do psicopedagogo no âmbito escolar, que visa
somar esforços com a equipe de professores, diretores e demais profissionais, buscando uma atuação
completa avaliando os diversos fatores integrativos para que os alunos possam aprender e se desenvolver, e
mesmo que ocorram conflitos seja possível pensar estratégias articuladas de enfrentamento e melhoria
envolvendo todos que fazem parte do contexto escolar.
Conclusão e encerramento:
Neste poadcast, pudemos explorar os diversos aspectos da psicopedagogia, desde suas bases
epistemológicas até suas aplicações práticas no contexto educacional. Por meio de uma abordagem completa
e integradora, o psicopedagogo desempenha um papel essencial na promoção do desenvolvimento humano e
na construção de uma educação mais justa e inclusiva. Esperamos que este episódio tenha sido enriquecedor
e inspirador, e que tenha despertado seu interesse em se aprofundar ainda mais nesse fascinante campo do
conhecimento. Espero ter contribuído em sua formação acadêmica aluno, desejo bons estudos e um bom
desenvolvimento!
ASSIMILE
Título – Importância do Psicopedagogo no contexto escolar
Fonte: Elaborado pelo autor.
Aula 1
BOSSA, Nádia. A. Fracasso escolar: um olhar psicopedagógico. [recurso eletrônico]: Grupo A, 2009.
[Biblioteca Virtual Universitária 3.0 Pearson].
LOPES, Shiderlene Vieira de AlmeidaS. V. A,. Processo de Avaliação e Intervenção Psicopedagógica.
Curitiba, 2008. [recurso eletrônico]: artigo digital.
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REFERÊNCIAS
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Aula 2
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Aula 3
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Aula 4
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Aula 5
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LOPES, Shiderlene Vieira de Almeida. Processo de Avaliação e Intervenção Psicopedagógica. Curitiba, 2008.
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Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. (2014). Tipificação nacional de serviços
socioassistenciais.Brasília: MDS.
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Revista Psicopedagogia, São Paulo, v. 21, n. 66, p. 225-238, 2004. [Biblioteca Virtual Universitária 3.0 Pearson]. 
SANTOS, Maria Manuela et al. GONDIM. 2020. Contribuições da relação professor-aluno no cuidado à saúde
mental de estudantes: revisão da literatura de 2015 a 2020. Faculdade de Ciências Humanas e Exatas do
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SOBRINHO, Patrícia Jerônimo. Fundamentos da Psicopedagogia. [recurso eletrônico]: Cengage Learning Brasil,
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Imagem de capa: Storyset e ShutterStock.
SOBRINHO, Patrícia Jerônimo. Psicopedagogia Clínica e Institucional. [recurso eletrônico]: Cengage Learning
Brasil, 2015. [Biblioteca Virtual Universitária 3.0 Pearson]. 
THIENSEN, Juares da Silva. A interdisciplinaridade como um movimento articulador no processo ensino-
aprendizagem. Revista Brasileira de Educação, 2007.
https://storyset.com/
https://www.shutterstock.com/pt/
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PONTO DE PARTIDA
Ao longo desta aula, serão explorados os conteúdos relacionados à psicopedagogia, discorrendo sobre a sua
importância no planejamento de recursos, na condução de entrevistas iniciais, na aplicação de testes
cognitivos e jogos educativos e na formulação de hipóteses e estudos de casos, destacando a relevância de
cada etapa no processo de identificação e compressão das dificuldades da aprendizagem, bem como na
proposta de intervenção.
É muito importante que o psicopedagogo tenha clareza dos recursos que utilizará durante o processo de
diagnóstico, pois as informações obtidas nesta etapa de investigação irão determinar as estratégias de
intervenção frente ao contexto identificado. O profissional deve dedicar especial atenção a cada uma dessas
etapas, bem como aos instrumentos e recursos selecionados e utilizados, pois seus resultados poderão
representar o sucesso ou o fracasso de todo o trabalho desenvolvido.
O uso correto dos métodos e das técnicas no levantamento das necessidades do indivíduo deverá ser o mais
assertivo possível, uma vez que o desperdício de tempo ou eventual falha nesta fase poderá causar severos
atrasos e erros no processo de intervenção. Portanto, o planejamento é fundamental. Devemos ter em mente
que muitas são as ferramentas disponíveis, mas nem todas podem ser as mais adequadas.
Como podemos utilizar de forma eficaz as técnicas de entrevista inicial, aplicação de testes cognitivos e jogos
educativos para identificar e compreender as dificuldades de aprendizagem em crianças e adolescentes,
visando uma intervenção psicopedagógica concreta e eficiente?
Aula 1
ELABORAÇÃO DE MATERIAIS PISCOPEDAGÓGICOS
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TEMAS ESPECIAIS EM ASSESSORIA E CONSULTORIA
PSICOPEDAGÓGICA
 Aula 1 - Elaboração de materiais piscopedagógicos
 Aula 2 - Trabalho psicopedagógico com adolescentes e estudantes do EJA
 Aula 3 - O modelo de consultoria e a avaliação do desempenho do docente
 Aula 4 - O portfólio de desempenho
 Aula 5 - Encerramento da unidade
 Referências
FERRAMENTAS DA PSICOPEDAGOGIA
Olá, estudante!
Nesta aula, abordaremos a psicopedagogia como sendo uma área fundamental para compreender e intervir
nas dificuldades que envolvem o ensino e a aprendizagem de crianças e adolescentes, tanto no ambiente
escolar quanto na clínica. Neste contexto, a construção de materiais psicopedagógicos e a aplicação de
técnicas adequadas terão um papel crucial na compreensão das dificuldades apresentadas. Para
compreender de forma eficiente, é necessário entender os processos envolvidos nas avaliações e
intervenções psicopedagógicas.
A psicopedagogia é uma área de atuação profissional muito demandada atualmente, sendo que interage com
muitas áreas do conhecimento, tais como a psicologia, a neurologia, a pedagogia, a neurociência, entre muitas
outras. Tem fundamental importância na compreensão e intervenção nos processos de ensino e
aprendizagem. Para que você possa alcançar bons resultados, utilizará uma série de métodos e técnicas de
coleta de dados para a compreensão do processo de aquisição do conhecimento e para a elaboração dos
materiais psicopedagógicos.
Muito se fala sobre a construção desses materiais psicopedagógicos, tanto no contexto institucional quanto
nas clínicas onde ocorrem as intervenções. É crucial prestar atenção ao planejamento dos recursos quando se
trata de trabalhar com intervenção. No entanto, para saber em que intervir, primeiro precisamos avaliar quais
os materiais necessários (SOBRINHO, 2015).
Nas instituições, é comum se buscar profissionais de psicopedagogia para avaliar demandas relacionadas às
dificuldades de aprendizagem escolar e à aprendizagem de forma mais ampla. Segundo Sobrinho (2015), o
psicopedagogo é um profissional cujo objetivo é trabalhar na prevenção, diagnóstico e tratamento das
demandas relacionadas à aprendizagem e suas dificuldades. Espera-se que os professores identifiquem,
dentro do ambiente educacional, características, dificuldades e até mesmo comportamentos que possam
estar prejudicando o desenvolvimento da aprendizagem de determinadas crianças ou adolescentes e, a partir
disso, se planeje a presença e o contato com o psicopedagogo.
O ambiente clínico é outra possível atuação do profissional da psicopedagogia. Nele, pode-se receber, por
encaminhamento, determinados alunos oriundos de instituições de ensino, psicólogos ou pais, que,
preocupados com desenvolvimento da aprendizagem, solicitam intervenções pontuais para melhora do
processo de aprendizagem.
Para que o psicopedagogo realize o diagnóstico e escolha a melhor intervenção, necessitará, inicialmente,
compreender a natureza da dificuldade que o indivíduo está apresentando, e, para isso, terá de investigar
A psicopedagogia é um campo de conhecimento e ação interdisciplinar em Educação e
Saúde com diferentes sujeitos e sistemas, quer sejam, pessoas, grupos, instituições e
comunidade. Ocupa-se do processo de aprendizagem considerando os sujeitos e sistemas,
a família, a escola, a sociedade e o contexto social, histórico-cultural. Utiliza instrumentos
próprios, fundamentado em referencias teóricas distintos, que convergem para o
entendimento dos sujeitos e sistemas eu aprendem a sua forma de aprender. (ABPp, 2017,
online).
sinais e sintomas. Quando uma criança apresenta essa necessidade de intervenção, entende-se que ela possa
ter prejuízos tanto na compreensão, na produção simbólica ou até na área total do conhecimento.
Existem objetivos e propósitos que fazem com que o diagnóstico seja efetivo e garanta um bom resultado.
Devemos ter um olhar clínico, no qual buscamos direcionar o indivíduo para os âmbitos cognitivo, afetivo e
psicomotor. A partir disso, também entendemos a importância de identificar situações que possam levar o
sujeito a ter prejuízos na área da aprendizagem. No processo de ensino e aprendizagem é necessário garantir
que o aprendiz domine as dificuldades apresentadas.
A partir disso, podemos entender que existem funções principais e prioritárias diante da investigação:
prevenção e predição, identificação do problema, orientação e correção. O entendimento e a compreensão
dessas funções pelo profissional podem auxiliar para um olhar criterioso e cuidadoso.
EXPLORANDO AS FERRAMENTAS
Elaboração dos materiais Psicopedagógicos.
Figura 1 | processos da psicopedagogia
Fonte: Elaborado pelaautora, 2024.
Para que haja clareza sobre os processos da psicopedagogia, a figura 1 traz um esquema explicativo. Com
isso, começamos pela entrevista clínica, que é realizada com a família, e posteriormente realizamos a
Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem (EOCA), a anamnese e a aplicação de testes e jogos
educativos. Feito isso, é feito o levantamento de hipóteses, o estudo de caso e, por fim, a devolutiva para a
família e as intervenções necessárias.
A entrevista inicial é fundamental como recurso técnico, pois visa acolher, avaliar e intervir junto à família.
Nesse momento, buscamos compreender os motivadores que levaram tanto a escola quanto os pais a
procurarem o profissional de psicopedagogia para avaliar as demandas dos filhos. No entanto, é importante
reconhecer que os pais se encontram em um momento delicado, pois lidar com demandas da aprendizagem
envolve questões sensíveis, especialmente quando existem expectativas envolvidas.
A entrevista inicial com pais e responsáveis tem uma estrutura de coleta de dados, e sobre o motivo pelo qual
estão solicitando uma intervenção psicopedagógica. A consistência deste material envolve: coleta dos nomes
dos responsáveis da escola, o período em que a criança ou o adolescente se encontram, seguido das
demandas que foram observadas, tanto pela escola quanto pelos pais, no tocante ao que precisa ser
investigado.
A EOCA foi desenvolvida, segundo Duarte (2011, apud VISCA, 1997), com o objetivo de auxiliar na investigação
dos primeiros sinais indicados na entrevista inicial. Esse procedimento costuma incluir as crianças. É um
momento em que os psicopedagogos podem utilizar recursos lúdicos, como uma forma de quebrar o gelo,
diminuir a ansiedade e acolher a demanda da criança, e, a partir disso, utilizar a entrevista enquanto
interagem com a criança, buscando os indicativos pré-estabelecidos anteriormente.
Com a entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem, é possível observar as seguintes questões:
hipoassimilação, hiperassimilação, hipoacomodação, hiperacomodação ou a assimilação e, por fim, a
acomodação. A verificação da condição apresentada por estas questões vai auxiliar para uma melhor
compreensão do desenvolvimento da criança (DUARTE, 2011).
Esse instrumento é necessário durante a intervenção psicopedagógica, e tem como objetivo realizar uma
coleta de dados mais aprofundada sobre a história de vida da criança, afinal, entende-se que, desde a
concepção, existem muitas informações importantes para o diagnóstico, sendo essa uma das etapas da
análise processual. Uma boa anamnese irá auxiliar na coleta de dados úteis, pois os pais sabem como seus
filhos se desenvolveram e podem indicar fatores que prejudicam o ensino-aprendizagem (SOBRINHO, 2015).
Segundo Sobrinho (2015), o psicopedagogo, ao investigar a história de vida de um indivíduo, precisa coletar
dados estruturados desde o pré-natal, que abrange o período anterior ao nascimento (incluindo concepção,
desejo dos pais e dinâmica familiar), passando pelo peri-natal, que ocorre durante a gestação, até o pós-natal,
que se refere ao período após o nascimento. Durante esta fase, são avaliadas questões cognitivas,
desenvolvimento motor e linguagem.
Moraes (2018) menciona que as provas de operações têm como objetivo avaliar as questões cognitivas das
crianças e adolescentes, à medida que conseguem solucionar problemas tanto simples quanto complexos.
Diante disso, uma prova de operações pode ser numérica, abstrata, mecânica, espacial e/ou verbal.
Umas das provas mais conhecidas são as Provas Operatórias de Piaget, consideradas um recurso de cunho
avaliativo que tem grande relevância na investigação do desenvolvimento da criança conforme sua faixa
etária.
Jean Piaget, conhecido psicólogo infantil, teve forte influência na compreensão do desenvolvimento humano.
Ao trazer a Epistemologia Genética, tenta explicar, de forma completa, as ordens de sucessão em que as
funções cognitivas estão dispostas através dos estágios do desenvolvimento de conhecimento:  estágio
sensório – motor, estágio pré-operatório, estágio das operações concretas e estágio operatório formal. A
partir disso, foram desenvolvidas as Provas Operatórias de Piaget, para que auxiliassem na compreensão
desses estágios (PADUA, 2009).
Existem alguns testes que o psicopedagogo pode utilizar durante o processo de avaliação das demandas
investigadas. É importante a utilização desse recurso no processo diagnóstico, sem expor a criança a
inúmeros testes, focando principalmente nos aspectos relevantes levantados na entrevista e na anamnese.
Seguimos com alguns exemplos de teste: o Teste de Desempenho Escolar 2ª Edição (TDE II), desenvolvido por
Lilian Milnitsky Stein (1994), tem como objetivo avaliar habilidades básicas de leitura, escrita e aritmética, e é
direcionado para o público-alvo de crianças do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental, tanto de escolas
particulares como públicas. Sua aplicação é individual nos subtestes de escrita, leitura e aritmético, e coletivo
somente nos subtestes de escrita e aritmética.
Outro teste utilizado é o IAR – Instrumento de Avaliação do Repertório básico de alfabetização, Manual 1ª
Edição – o qual tem como objetivo avaliar o repertório comportamental das crianças no que diz respeito aos
pré-requisitos fundamentais para a aprendizagem da leitura e escrita. Ele possibilita informações que
indicarão se a criança está em condições ideais de iniciar a alfabetização propriamente dita.
Já o TCLPP – Teste de Competência de Leitura de Palavras e Pseudo palavras – visa avaliar a competência de
leitura silenciosa de palavras isoladas. Para avaliar a consciência fonológica de forma abrangente e sequencial,
existe o CONFIAS – Consciência Fonológica, Instrumento de Avaliação Sequencial.
O Pop-Tt – Protocolo De Observação Psicomotora – tem como objetivo ser um manual prático para o
diagnóstico e tratamento das dificuldades psicomotoras e de aprendizagem. A autora sugere um plano de
orientação terapêutica com base no perfil psicomotor da criança.
A Torre de Hanoi tem como objetivo avaliar a memória operacional, a atenção e as funções executivas. E, por
último, existem as Tarefas para Avaliação Neuropsicológica (1), que avaliam a linguagem e as funções
executivas em crianças O objetivo é a apresentação, na íntegra, da padronização para aplicação, pontuação
e interpretação clínica e das normas de desempenho nas tarefas de Fluência Verbal – FV / Análise das
Estratégias de Evocação da Fluência Verbal / Geração Aleatória de Números – GAN / Teste Hayling / Discurso
Narrativo Oral – DNO / e Discurso Narrativo Escrito – DNEI.
Segundo Sobrinho (2015), na clínica de psicopedagogia, os jogos parecem ser algo que o profissional precisa
adquirir, pois têm inúmeras finalidades, como a observação cognitiva, social, afetiva e, claro, o
desenvolvimento motor do sujeito avaliado. É possível entender que os jogos são uma forma tranquila e
acessível de se conectar com as crianças. Por não gerar pressões ou até mesmo desconforto, o modo lúdico
de interação permite, assim, uma análise funcional de como as crianças estão diante do que estamos
investigando sobre a aprendizagem delas.
É importante salientar que a escolha dos jogos tem como objetivo olhar para as necessidades das crianças.
Claro que existem muitos jogos que o psicopedagogo jogará com a criança, mas também existem aqueles de
realização individual. Diante disso, é importante uma compreensão sobre cada jogo aplicado.
O psicopedagogo pode, na construção de uma brinquedoteca, tanto física como virtual, organizar todos os
seus materiais psicopedagógicos, tais como testes, jogos e provas operatórias.  O objetivo desses recursos
está voltado à investigação das questões sociais, cognitivas, motoras, entre outras. A partir disso, teremos
recursos ricos, para que o psicopedagogo possa ter subsídios nas suas investigações.
Nesta etapa o psicopedagogo já está muito familiarizado com tudo que investigou, tantona anamnese, EOCA,
quanto nos testes e jogos, e é a hora de compreender, diante das informações coletadas, o que realmente é
relevante, para que possa preparar e organizar uma devolutiva aos pais. É importante que, neste momento, o
profissional tenha base cientifica que alicerce as explicações para a queixa inicial apresentada.
Nesta fase, é esperado que o psicopedagogo elabore um documento escrito, de maneira que possa explicar o
que foi coletado durante a entrevista inicial, anamnese, suas observações com EOCA, os resultados do teste e
a aplicação dos jogos.
Lembrando que, na conversa com os pais e responsáveis, o profissional precisa ter clareza do que foi
observado, avaliado, investigado e, principalmente, do processo de intervenção que será proposto para a
criança e / ou o adolescente, no sentido de ter suas habilidades mais bem desenvolvidas no ensino-
aprendizagem.
O QUE APRENDEU COM AS FERRAMENTAS
Chegamos ao final desta aula, e vamos agora exercitar o que aprendemos. A primeira questão abordada no
ponto de partida foi: como podemos utilizar de forma eficaz as técnicas de entrevista inicial, aplicação de
testes cognitivos e jogos educativos para identificar e compreender as dificuldades de aprendizagem em
crianças e adolescentes, visando uma intervenção psicopedagógica concreta e eficiente?
O esquema abaixo retoma como podemos conduzir um processo psicopedagógico. Os recursos disponíveis,
quando bem aplicados, poderão contribuir significativamente para a construção bem fundamentada das
hipóteses e, consequentemente, para uma boa devolução e intervenção junto à criança ou adolescente.
Em suma, todo o processo de avaliação psicopedagógica visa identificar as necessidades especificas do
indivíduo avaliado, proporcionando uma intervenção clara e estruturada para que, os pais ou responsáveis
consigam ajudar a criança a ter um melhor aproveitamento e diante dos cenários apresentados.
 Saiba mais
Olá, estudante! 
Para enriquecer ainda mais sua compreensão sobre o tema, sugerimos a leitura do seguinte artigo: “O
uso de jogos no contexto psicopedagógico”, este artigo inicia abordando a definição do termo "jogo" e
suas interfaces com outros conceitos similares, como "brinquedo", "brincadeira" e "jogo educativo". Em
seguida, realiza uma breve retrospectiva histórica das funções atribuídas ao jogo em teorias psicológicas
do desenvolvimento e da aprendizagem, bem como de sua proposta de utilização na educação e na
clínica psicológica. Aprofundar-se nesse material certamente vai contribuir para uma visão mais completa
do assunto.
PONTO DE PARTIDA
Ao longo desta aula, abordaremos as características do Ensino de Jovens e Adultos - EJA, as possíveis
estratégias para a permanência e o acompanhamento dos discentes e o que seriam os especificadores do
trabalho com adolescente neste sistema. Muitos são os desafios que envolvem o público e essa própria
modalidade de ensino no Brasil, que, muitas vezes, é conhecida ou tratada como uma segunda chance
àqueles que não conseguiram completar sua escolaridade na idade adequada.
O EJA é regulamentado pela lei de Diretrizes e Bases – LDB e é oferecido tanto na rede pública de ensino
quanto na rede privada. Tem como público-alvo as pessoas com idade igual ou superior a 15 anos de idade
Aula 2
TRABALHO PSICOPEDAGÓGICO COM ADOLESCENTES E
ESTUDANTES DO EJA
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http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862020000100007
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862020000100007
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862020000100007
que desejam concluir o ensino fundamental ou médio, que, na maioria das vezes, pode garantir uma melhor
colocação no mercado de trabalho.
Certamente, a evasão escolar constitui um dos principais desafios do EJA devido às dificuldades que muitos
alunos encontram para conciliar a vida familiar, os estudos e o trabalho. Também devemos considerar que a
qualidade oferecida pelo EJA nem sempre é a mesma que a do ensino regular, o que pode criar dificuldades
para a inserção dos seus egressos no mercado de trabalho.
Entre as estratégias para se lidar com este cenário, certamente está o investimento em políticas públicas
voltadas para o ingresso e a permanência no ambiente escolar, o desenvolvimento e o uso de materiais de
apoio adequados, além da valorização dos alunos e dos egressos deste sistema de ensino.
Diante desse cenário, surge uma indagação crucial: como podemos desenvolver estratégias eficazes para
garantir o engajamento e a permanência desses alunos no Ensino de Jovens e Adultos, pensando nas
questões que permeiam a vida destes indivíduos, tanto no contexto familiar quanto no social e no
educacional? 
A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO BRASIL. 
Olá, estudante!
Nesta aula, estudaremos sobre o Ensino de Jovens e Adultos (EJA), e, dentre os assuntos, conheceremos o
perfil desse aluno. Iremos nos deparar com uma série de desafios e complexidades que pairam sobre essa
modalidade de ensino, tais como questões relacionadas à evasão escolar, e à falta de recursos e de preparo
de muitos dos profissionais que compõem as instituições de ensino. Trataremos também de algumas das
estratégias direcionadas à retenção e ao acompanhamento dos alunos inseridos nesse sistema.
Vamos começar?
Na jornada do aprendizado, sabemos que cada passo é uma conquista, e cada descoberta é uma vitória. Isso
não é diferente no Ensino Jovens e Adultos (EJA). Entendemos que ele é uma oportunidade de construir um
caminho de possibilidades e alternativas quanto ao desenvolvimento do conhecimento.
Para que possamos compreender como funciona essa modalidade, teremos que buscar, na legislação, a Lei
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Nº9.394/1996, no artigo 37 (BRASIL, 1996), a qual assegura que a
educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no
ensino fundamental e médio na idade apropriada. Diante disso, esta lei reforça o compromisso que a
sociedade tem em promover a inclusão e a igualdade no acesso ao ensino-aprendizagem ao longo da vida.
Segundo Moreira & Machado (2017), o Ensino de Jovens e Adultos é uma modalidade de ensino que resgata,
diante dos direitos sociais, uma educação adequada, mas que pode seguir diretrizes diferentes baseado no
público atendido. Dessa maneira, entendemos que tanto adolescentes, quanto adultos e idosos têm o direito
assegurado por lei. Com isso, muitas vezes, há uma adaptação nos moldes do desenvolvimento da
aprendizagem.
Para a compreensão do EJA, precisamos aprender quem são os alunos que frequentam, de fato, esta
modalidade de ensino. Segundo Silva e Santos (2020), são jovens que, diante da realidade social, são levados a
trabalhar cedo e, nesse contexto, deixam de frequentar o ensino regular para que possam ser absorvidos e
exercer funções profissionais mais bem remuneradas no mercado de trabalho.
Com o passar do tempo, é possível observar um número crescente de alunos jovens nesta modalidade de
ensino. É observado que eles precisam ser acompanhados de maneiras diferentes, principalmente por
entender que cada jovem terá uma responsabilidade diferente no seu contexto familiar e social. Sabendo que
muitos deles trabalham em período integral, chegam na escola cansados e, muitas vezes, com dificuldade
para compreender o conteúdo aprendido.
Já os professores que buscam ministrar as aulas do EJA, muitas vezes apresentam uma precariedade, sendo
possível observar que muitos deles não têm uma formação direcionada para atuar na área. A partir disso,
sabemos que essa modalidade de ensino é essencial para que integre alunos de todas as idades, incentivando
a buscar uma oportunidade de ensino. Muitas vezes, os profissionais não estão formados de maneira
condizente com as necessidadesda área, o que pode acarretar um prejuízo no desenvolvimento do ensino e
na aprendizagem dessas pessoas que buscam uma oportunidade de acesso ao conhecimento (SILVA; SANTOS,
2020).
A Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional LEI Nº9.394/1996, no artigo 37, garante a todos a
possibilidade de ensino pela modalidade EJA, entretanto, observa-se que existe uma considerável evasão, que
muitas vezes acontece simplesmente por conta das características desses alunos-trabalhadores. Tendo em
vista esse cenário, é entendido que esse jovem que costuma frequentar a modalidade se vê desanimado e
desmotivado, principalmente por estar cansado de tanto trabalhar ou até mesmo pela aula não ser um
atrativo.
Considerando esse contexto, precisamos entender o desenvolvimento desse jovem trabalhador, como um
adolescente que, diante da sociedade como um todo, tem demandas familiares a resolver, como por exemplo,
a necessidade de levar dinheiro para casa. Diante de tal necessidade, estes sinalizam uma certa satisfação em
ter a chance de iniciar trabalhos informais para que possam ter uma renda.
Uma das principais contribuições da psicopedagogia e da psicologia está na alteração desse conceito,
passando a considerar o indivíduo em constante processo de transformação, e não apenas enquadrado em
etapas do desenvolvimento humano, pois as vivências experienciadas por cada pessoa são únicas, alterando
sua concepção de mundo de maneira singular, única e pessoal (OZELLA, 2002).
Desse modo, entende-se que a adolescência é uma construção social que, nos dias de hoje, corresponde ao
conjunto das experiências entre a infância e a idade adulta, em que uma sequência de transformações
biopsicossociais se processa, com significados distintos conforme o contexto sociocultural considerado
(OLIVEIRA; PINTO; SOUZA, 2003). Assim, concluir a formação básica ou estar na escola é fundamental nessa
importante fase da vida.
O cenário desafiador enfrentado pelos alunos que trabalham desde cedo torna fundamental o
desenvolvimento de estratégias que auxiliam no engajamento e na motivação desses jovens no EJA.
Obviamente, esse é um processo de construção que precisará de muitos anos para que uma transformação
significativa seja perceptível.
ESTRATÉGIAS E ESPECIALIDADES
Cândido e Silva (2019) propõem pelo menos 8 estratégias que poderiam ser funcionais para a diminuição da
evasão dos alunos do EJA, pois esse é um dos temas mais discutidos frente às políticas públicas de ensino.
A primeira estratégia é a forma de divulgação do curso. O autor (2019) propõe que exista um planejamento de
recursos, como panfleto, folheto e avisos. Estes podem ser coloridos, para que chamem a atenção das
pessoas que deixaram de frequentar recentemente, ou até mesmo há muito tempo, o ensino regular, pois
entende-se que, neste método, é possível fazer com que esses indivíduos consigam estabelecer associações
com a época na qual estudavam. Por fim, esses recursos precisam ser distribuídos próximo da instituição
como, empresas, comércios, entre outros ambientes os quais essas pessoas costumam frequentar.
A segunda estratégia tem como objetivo fazer com que o ingresso seja por meio de um processo seletivo, no
entanto, da forma mais acolhedora possível. Cândido e Silva (2019) entendem que um ambiente acolhedor e
propício a uma boa comunicação facilita o ingresso desses alunos na instituição, e para que haja mais
efetividade, é importante que sejam elaborados e aplicados questionários e entrevistas estruturadas com o
objetivo de conhecê-los melhor. É importante destacar, nesta segunda estratégia, a participação de ex-alunos
ou até mesmo aqueles que estejam cursando, para que possam contar suas experiências com a instituição e
relatar como estudar tem sido um aliado positivo para o seu desenvolvimento.
Na terceira estratégia, Cândido e Silva (2019) relatam a importância da integração nos primeiros dias de aula,
pois entende-se que a apresentação de coordenação, professores e outros responsáveis promove uma
relação mais aberta entre alunos e profissionais da educação. 
Dentro dessa apresentação, é de suma importância mostrar aos alunos os recursos que eles utilizarão, como
o laboratório de informática, a biblioteca e o espaço de lazer. É fundamental que esses recursos sejam
facilmente encontrados pelos alunos. Conforme mencionado na segunda estratégia, convidam-se ex-alunos,
ou até mesmo aqueles estão cursando, para argumentar sobre a relação entre os alunos e os profissionais
que atuam na instituição.
A quarta estratégia envolve as preparações do currículo escolar. Nesta etapa, o autor propõe que haja uma
estrutura curricular que atenda à comunidade como um todo, pois esses alunos podem ser adolescentes que
deixaram o ensino regular, ou alunos que já estão há muitos anos fora das escolas, buscando, de alguma
forma, recuperar o “tempo perdido”. É preciso elaborar currículos assertivos e atrativos para o
desenvolvimento desses alunos.
A quinta estratégia envolve questões da duração do curso. Cândido e Silva (2019) mencionam que, durante
uma pesquisa realizada, fica evidente que a evasão acontece por questões de durabilidade do curso, que,
segundo algumas pessoas, é muito longo. Mas, neste momento, é importante considerar o desenvolvimento
do curso, pois existem etapas que precisam ser seguidas para que haja um bom avanço quanto ao progresso
da aprendizagem e o desenvolvimento de egressos com conhecimentos relevantes para ocupar um lugar no
mercado de trabalho.
A sexta estratégia envolve os profissionais adequados da educação. É de grande importância que os agentes
da educação estejam preparados para acolher, motivar e desenvolver esses alunos, pensando no
desenvolvimento do currículo adequado e entendendo as suas reais necessidades (CÂNDIDO; SILVA, 2019).
A sétima estratégia chama a atenção ao desempenho acadêmico, lembrando que os alunos trabalhadores que
irão ingressar na modalidade de ensino EJA já tiveram reprovações no ensino regular por conta das avaliações
previstas na modalidade de ensino. Com isso, é importante que, no EJA, para que não ocorra evasão, haja uma
busca de modalidades avaliativas adequadas ao perfil de seus participantes.
A oitava estratégia diz respeito ao papel da família na permanência dos alunos. A proposta envolve
desenvolver espaços de lazer, ou até mesmo de desenvolvimento cognitivo e motor, afinal, entende-se que,
muitas pessoas que frequentam o EJA, são pais, e, muitas delas, têm filhos pequenos; então, desenvolver um
espaço no qual possam trazer seus filhos para interação pode motivá-las a permanecer (CÂNDIDO; SILVA,
2019).
A propostas mencionadas podem aproximar de maneira mais significativa esses alunos trabalhadores de uma
oportunidade de estudo. Podem desenvolver profissionais com chances melhores de ingresso no mercado de
trabalho. Podem ampliar a escolarização e o direito ao ensino e ao acesso ao conhecimento a todos.
Em contraste com as estratégias mencionadas, podemos também entender que os adolescentes que
ingressam nas instituições de EJA podem trazer demandas significativas que os fizeram desistir do ensino
regular. Desde as questões de iniciar o trabalho cedo, como fonte de renda familiar, até alunos que não
tiveram um bom desenvolvimento no ensino regular. Neste momento, então, trazemos a importância da
psicopedagogia.
A psicopedagogia em instituições como EJA pode ter um papel fundamental. Segundo Nal (2016), a educação
pode ser norteada por duas naturezas, sendo que uma delas envolve a psicopedagogia na reintegração dos
alunos na instituição, as vontades e os interesses que são observados, e a segunda envolve a parte
pedagógica, ou seja, a instituição como um todo, incluindo os professores.
Quando temos profissionais habilitados, como a presença do psicopedagogo, podemos auxiliar na construção
e nas intervenções necessárias para um melhor desenvolvimento. Com isso, este profissional é responsável
por acompanhar reuniões da coordenação, reuniãodos professores, oficinas, entrevistas e até realizar
questionários, para que possa levantar possíveis situações- problema e, junto da instituição, pensar em
soluções que motivem adolescentes no engajamento nesta modalidade de ensino.
Ainda segundo Nal (2016), a instituição precisa compreender que esses alunos podem ter prejuízos
significativos na alfabetização, que contempla escrita, leitura e fala, sendo essencial haver profissionais
alinhados com o propósito de ser agentes de ensino da aprendizagem, bem como o psicopedagogo, motivado
a ajudar a construir um ambiente rico em possibilidades, para que se tenha maior engajamento de todos.
Por fim, esse trabalho envolve o desenvolvimento de estratégias. Profissionais qualificados são importantes
para o sucesso do Ensino de Jovens e Adulto (EJA). Além disso, é importante salientar que as políticas públicas
devem ser acionadas para que as instituições de ensino tenham o apoio necessário para realizar tais feitos.
O QUE APRENDEU COM AS ESTRATÉGIAS 
Chegarmos ao fim desta aula, e fica clara a necessidade de promover e desenvolver abordagens eficazes para
o engajamento e a permanência desses alunos nessa modalidade de ensino. A evasão escolar, muitas vezes
motivada pela inserção precoce no mercado de trabalho e pela falta de motivação devido a experiências
anteriores relacionadas ao fracasso escolar, destaca a importância de estratégias que levem em consideração
as especificidades desses sujeitos.  
As estratégias mencionadas no texto, como divulgação do curso, processo seletivo acolhedor, integração nas
primeiras semanas de aula e preparação do currículo escolar, além da duração do curso adequada, a
capacitação de profissionais, a atenção ao desempenho e o envolvimento familiar podem representar
iniciativas funcionais para enfrentar tal desafio.
Além disso, também a presença do psicopedagogo é destacada como um elemento–chave, que tem como
objetivo compreender e lidar com as demandas dos alunos, oferecendo suporte para sua reintegração e como
suporte no planejamento de intervenções pedagógicas adequadas.
Por isso, é essencial que as políticas públicas e a instituição de ensino direcionem esforços para implementar
e aprimorar estratégias, visando proporcionar um ambiente educacional inclusivo e acolhedor, capazes de
promover sucesso e um desenvolvimento eficaz dos alunos que frequentam o EJA, proporcionando um ensino
muito mais efetivo.
 Saiba mais
“Os desafios da escola pública paranaense na perspectiva do professor PDE”, este leva em consideração
os recursos, ideias e ações de professores para conquistar leitores do Ensino Fundamental seguindo até
o Ensino Médio. Esses alunos chegarão com outra postura diante da leitura na universidade. Por isso,
optou-se por trabalhar com recontos, por serem modernos e inspirados nos clássicos que os alunos
certamente conhecem, pelo menos alguns
Aula 3
https://conteudo.colaboraread.com.br/202402/WHITE_LABEL/CONSULTORIA_E_ASSESSORIA_PSICOPEDAGOGICA/LIVRO/U4/%E2%80%9COs%20desafios%20da%20escola%20p%C3%BAblica%20paranaense%20na%20perspectiva%20do%20professor%20PDE%E2%80%9D,%20este%20leva%20em%20considera%C3%A7%C3%A3o%20os%20recursos,%20ideias%20e%20a%C3%A7%C3%B5es%20de%20professores%20para%20conquistar%20leitores%20do%20Ensino%20Fundamental%20seguindo%20at%C3%A9%20o%20Ensino%20M%C3%A9dio.%20Esses%20alunos%20chegar%C3%A3o%20com%20outra%20postura%20diante%20da%20leitura%20na%20universidade.%20Por%20isso,%20optou-se%20por%20trabalhar%20com%20recontos,%20por%20serem%20modernos%20e%20inspirados%20nos%20cl%C3%A1ssicos%20que%20os%20alunos%20certamente%20conhecem,%20pelo%20menos%20alguns
PONTO DE PARTIDA
Olá, estudante!
O campo da educação vem enfrentando diversos desafios, muitas vezes requerendo abordagens dinâmicas e
adaptáveis para promover e garantir o sucesso dos alunos, bem como o desenvolvimento contínuo dos
professores.
Estes são apenas alguns dos temas que trabalharemos em nessa aula. O campo multifacetado e
interdisciplinar do professor; as possíveis estratégias que adequem o desempenho do docente frente à
demanda dos alunos; os indicadores da prática em relação as formações; as posturas e o desempenho
profissional.
Atualmente, a formação de professores é um tema de fundamental importância para os aspectos que
envolvem a qualidade no processo de ensino e aprendizagem. Existe a necessidade de uma formação
adequada dos professores do ensino fundamental e médio para que possamos garantir que estes estejam
aptos a lidar com as demandas cotidianas da sala de aula e do ambiente escolar. Essa formação ocorre em
cursos de licenciatura oferecidos por instituições de ensino superior.
Um dos principais desafios para a formação de professores no Brasil é integração entre a teoria aprendida
nas faculdades e a prática efetiva da realidade da sala de aula com os alunos. Isso acontece porque muitos
cursos de formação são demasiadamente teóricos e não geram a oportunidade para que o futuro profissional
vivencie mais a fundo a prática docente em nossas escolas, o que faz com que estes professores se formem
com pouca experiência de campo.
Outro fator de relevância é que muitos cursos não conseguem atualizar seus currículos com relação ao
conteúdo e as metodologias de ensino, ou seja, não conseguem acompanhar as mudanças e inovações da
área da educação, o que forma professores defasados mesmo antes de iniciarem suas atividades
profissionais. Outro fator que se associa a isso é a falta de incentivo ou de acesso a programas de formação
continuada.
Como se tudo isso não bastasse, outra condição que devemos considerar é a falta de valorização dos
professores e dos baixos salários, que contribuem para desmotivação, falta de interesse e até abandono da
área precocemente por muitos profissionais. Em linhas gerais, é preciso investir na melhoria da qualidade dos
cursos, da valorização profissional e do pagamento de salários melhores, de forma que possamos reverter
este quadro.
Todos esses fatores abrem espaço e demonstram a necessidade e a importância do psicopedagogo como
mediador ou como interventor naqueles processos que estão comprometidos por um motivo ou outro. Daí a
mesma demanda pela boa formação também deste profissional, pois certamente não faltarão desafios que
coloquem à prova seu conhecimento na atuação junto aos demais profissionais de ensino e aprendizagem.
Dessa forma, considerando o exposto até aqui, como enfrentar os desafios contemporâneos da educação e
O MODELO DE CONSULTORIA E A AVALIAÇÃO DO
DESEMPENHO DO DOCENTE
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promover uma aprendizagem de qualidade para os alunos? Como capacitar professores para integrar
efetivamente as tecnologias educacionais em suas práticas pedagógicas? Como superar a resistência à
mudança e promover uma cultura de feedback e transformação contínua?
FORMAÇÃO TRANSDISCIPLINAR DO PROFESSOR.
Olá, estudante!
Nesta aula, estudaremos as diversas facetas e a interdisciplinaridade da formação e da capacitação dos
professores, buscando compreender a associação das diversas tecnologias e seu uso, de maneira que
possamos aprender e desenvolver as competências necessárias. Conheceremos algumas das diversas
estratégias para adequação do desempenho docente frente principais demandas de seus alunos. Vamos
tratar também da importância dos indicadores da prática em relação as formações, posturas e desempenho
profissional. 
E Aí? Vamos ampliar ainda mais o conhecimento nesta importante área de atuação profissional?
Nesse contexto, a consultoria e a avaliação de desempenho dos docentes emergem como ferramentas
cruciais para a excelência no ensino e no desenvolvimento da aprendizagem dos alunos, seja no ensino
fundamental, no ensino médio ou até mesmo na educação de Jovens e Adultos que estudamos na aula
passada.
Além de desempenhar funções essenciais diante das variáveis que afetamos alunos, a psicopedagogia traz
uma possibilidade da dinâmica entre professores e a instituição escolar. É importante entender o professor
não apenas como atenuante do processo ensino-aprendizagem, mas como uma figura ativa para promover
transformações no ambiente escolar.
Tonet (2004) destaca a importância da psicopedagogia, que tem como objetivo estudar tanto variáveis
externas quanto internas em relação aos estudantes, sendo uma referência fundamental na aprendizagem.
Essa ciência tem ganhado visibilidade no processo de ensino e aprendizagem, podendo promover um
excelente processo de consultoria e avaliação de desempenho que envolve diretamente os professores.
Ao considerar a importância da psicopedagogia na compreensão dos desafios enfrentados pelos estudantes,
é muito importante compreender que os avanços da globalização e das tecnologias têm moldado as
instituições escolares atualmente. A integração dessas perspectivas pode resultar em avanços significativos no
desenvolvimento do ensino-aprendizagem.
Nesse contexto, é fundamental compreender o docente como coparticipativo no processo de mudança dentro
das instituições escolares. São profissionais que desempenham um papel essencial no ensino-aprendizagem
dos alunos e em sua transformação.
Com os avanços globais no campo que envolve a tecnologia, Tonet (2004) propõe um olhar criterioso para as
questões que abrangem as práticas e ferramentas que são acessíveis ao profissional da educação,
entendendo que a qualificação deste diante do momento atual é fundamental. Espera-se que o professor
esteja atualizado no campo do conhecimento adquirido, mas também traga novas oportunidades para
solucionar melhor os problemas.
Silva (2008) estuda a importância das tecnologias da informação e comunicação (TICs) como ferramentas na
prática institucionais. No entanto, é muito observado que vários educadores têm aversão à inserção das
tecnologias em suas práticas de ensino-aprendizagem. Isso resulta em aulas monótonas e, muitas vezes, de
baixo interesse nos alunos, fazendo com que esses profissionais não se atualizem e não contribuam de forma
tão efetiva para o desenvolvimento escolar.
Considerando o cenário observado, fica claro que há uma necessidade de promover e desenvolver os
professores. É de suma importância que as instituições de ensino planejem estratégias para capacitar os
profissionais da educação, principalmente pensando no que diz respeito à integração da Tecnologia da
Informação e Comunicação (TICs) nas práticas pedagógicas. Essa integração pode promover mais
engajamento nos alunos e uma mudança positiva no desenvolvimento da aprendizagem.
Neste momento, é fundamental a compreensão do papel da psicopedagogia e a atuação do psicopedagogo
como suporte para avaliação de desempenho dos docentes nas instituições de ensino. A psicopedagogia é
uma ciência que, de alguma forma, traz visões inovadoras e diferenciadas sobre o seu objetivo, esperando
que suas metodologias possam desenvolver e auxiliar alunos e crianças com as dificuldades do aprender.
No entanto, segundo Tonet (2004), a psicopedagogia também se destaca na área de consultoria e avaliação de
desempenho dos professores. O psicopedagogo, ao ser inserido nas instituições educacionais, pode promover
e idealizar algumas estratégias de desenvolvimento dos profissionais da educação.
Para que possamos acompanhar de forma efetiva o progresso dos alunos, é esperado que os professores
tenham a experiência do saber para si mesmo. Ao pensar em técnicas como memorização, repetição de
informações já pré-estabelecidas, isso acaba refletindo na forma como esse professor aprendeu, deixando de
incentivar o campo da criação e compartilhamento de ideias e pensamentos, pois é esperando que os
professores consigam fazer com que os alunos pratiquem e dediquem-se às aulas de forma efetiva,
integrando tanto questões intelectuais como emocionais; se os próprios professores não se engajam, é
necessária uma capacitação do profissional (TONET, 2004).
Diante desse cenário, o perfil do educador exige uma postura diferente. É esperando que o profissional
possua múltiplas competências, acesso a fontes alternativas de informação, convivência com o modelo
pluralista, atualização de conhecimento, aprendizagem contínua e valorização dos papeis fornecidos (TONET,
2004).
Pensando no que é esperado do docente, as instituições também têm responsabilidade no desenvolvimento
de um espaço alternativo que acompanhe as mudanças, inserindo esses profissionais de forma mais efetiva e
auxiliando no desenvolvimento deste novo perfil.
Cabe, então, ao psicopedagogo, como um profissional ativo, auxiliar nessas mudanças, ajudar docentes,
instituições e alunos a adotarem um novo olhar para a transformação efetiva da educação. A consultoria é
uma forma de ajudar a introduzir novas ferramentas, estratégias e soluções para os problemas.
PRÁTICAS E ATUAÇÃO PROFISSIONAL DOCENTE
A partir disso, Tonet (2004) menciona algumas estratégias que podem auxiliar tanto a instituições como os
professores:
Pensando dessa forma, há possibilidades de encontrar estratégias para serem desenvolvidas com os alunos
em sala de aula, trazendo um formato mais adaptativo e promovendo novos moldes de ensino, adequando os
professores ao cenário novo.
Garcia e Brito (2016) propõem uma análise sobre os indicadores nas práticas da formação. Esses indicadores,
como mencionam os autores, podem ser vistos como medidas quantitativas. Os indicadores não apenas
fornecem uma visão concreta da realidade educacional, mas desempenham um papel crucial em suas
análises. Com isso, podemos notar que a compreensão dos indicadores pode ser diversificada: podem ser
materializados e refletir a complexidade das avaliações educacionais.
Os critérios de indicadores educacionais têm permitido um olhar mais detalhado na área de educação,
fracassos escolares, qualidade da educação, esforço dos docentes e a qualidade do sistema educacional
(GARCIA; BRITO, 2016).
Compreender os indicadores que envolvem a educação do Brasil nos coloca na possibilidade real de observar
como realmente os profissionais têm sido avaliados. O estudo de Garcia e Brito (2016) tem apontado a
adequação da formação à atuação como um indicador predominante. A ideia de predominância é
corroborada por um estudo realizado pelo Censo Escolar de 2018, que apontou que muitos professores são
atribuídos a cargos escolares para os quais não teriam formação adequada. Segundo o estudo, a cada uma ou
três matérias para quais o professor está habilitado, é possível observar que ele não possui a formação
adequada. No Ensino fundamental, por exemplo, 60% dos professores são formados na mesma área, mas não
na mesma disciplina (INEP, 2014).
Fatores que podem contribuir para a baixa qualidade dos indicadores estão relacionados à precarização do
trabalho docente, e muitas vezes podem estar conectados com o salário inadequado. Isso pode levar os
profissionais a trabalharem mais horas e, consequentemente, impedir que busquem atualizações e até
mesmo afetar sua saúde mental, gerando ansiedade, depressão etc. (GARCIA; BRITO, 2016).
Demais fatores que contribuem para os indicadores podem envolver as questões da qualidade de aula. Um
bom exemplo são os professores de ciências que não têm laboratório ou recursos essenciais para ministrar
suas aulas com mais qualidade.
Segundo os autores Garcia e Brito (2016), outro ponto é a não participação dos alunos, por vezes, por
desinteresse. Finalmente, mas não menos importante, a saúde do profissional, que muitas vezes, devidos a
cargas horárias excessivas, má qualidade de sono e/ou ansiedade, pode estar prejudicando a qualidade do
ensino.
A partir desses estudos, podemos, então, entender qual a importância do psicopedagogo no processo de
a) jornais do dia, revistas atualizadas sobre diferentes áreas de conhecimento, economia,
sociologia, comunicação, pedagogia, temas gerais; b) livros didáticos, de estórias,
aventuras, depoesia, literatura, teatro; livros e textos técnicos; c) tvs e vídeos; fitas de
vídeo sobre as mais diversas áreas de conhecimento; d) jogos de aprendizagem, materiais
autoinstrucionais, computadores e softwares; e) oficinas de trabalho, exposições de
materiais de diferentes fontes, origens e com diferentes finalidades; f) pesquisas e
estudos; debates sobre temas de interesse amplo ou restrito, dirigidos a grandes e a
pequenos grupos; g) lançamentos de livros; exposições de trabalhos artísticos e folclóricos;
feiras de ciência; feiras de produtos; até mesmo feiras de trocas; h) facilitadores de
aprendizagem, que de forma atenciosa, amiga e bem humorada, possam fornecer pistas
para ajudar cada aluno a aprender, dentro de seus interesses e respeitada a sua
individualidade. (TONET, 2004, p. 262).
avaliação e consultoria de desempenho, tanto de docentes, instituição e até mesmo dos alunos.
Entende-se que o processo de avaliação do desempenho e o desenvolvimento de pessoas tem como objetivo
ser uma ferramenta de incentivo a melhorias contínuas, tanto da instituição, quanto dos docentes e dos
profissionais que compõem o sistema educacional. A cultura de feedback, já amplamente utilizada pelas
empresas para avaliação de desempenho, pode ser realizada nas instituições de ensino, especialmente para
direcionar e orientar os professores na melhoria contínua. No entanto, Tonet (2004) afirma que existem
pontos de resistência quanto à aplicação do feedback, até mesmo por conta da inflexibilidade dos professores
em aceitar as possíveis melhorias que seriam proporcionadas por seu aperfeiçoamento.
Por fim, no mundo globalizado, em que os avanços tecnológicos e as demandas impostas aos professores
continuam a crescer, há uma necessidade de profissionais, como o psicopedagogo, que se envolvem
ativamente nas práticas pedagógicas. O objetivo é fornecer olhares mais humanizados e uma atenção especial
aos professores, podendo ajudar em suas práticas. Essa abordagem, quando incorporada aos indicadores,
como mencionado anteriormente, pode contribuir para o desenvolvimento profissional e bem-estar do corpo
docente.
O QUE APRENDEU COM AS ESTRATÉGIAS 
Chegamos ao fim de mais uma aula, sendo necessário responder às seguintes questões:
Como enfrentar os desafios contemporâneos da educação e promover uma aprendizagem de qualidade
para os alunos? Como capacitar professores para integrar efetivamente as tecnologias educacionais em
suas práticas pedagógicas? Como superar a resistência à mudança e promover uma cultura de feedback
e transformação contínua?
Para enfrentar os desafios contemporâneos que envolvem a educação, é necessário promover uma
aprendizagem de qualidade aos alunos. Como destacado no texto, é de suma importância adotar abordagens
dinâmicas e adaptáveis. A consultoria e avaliação de desempenho dos docentes é sugerida como ferramenta
para promover e aprimorar a qualidade do ensino.
A integração do psicopedagogo pode ser um recurso fundamental, não só como atenuante do ensino-
aprendizagem, mas como uma possibilidade de transformação do ambiente. A capacitação dos professores
frente às tecnologias educacionais em suas práticas pedagógicas pode auxiliar em novas estratégias para
solucionar problemas e incentivar a atualizações. 
Para promover uma maior interação dos alunos nas práticas pedagógicas, uma alternativa viável é a
integração da tecnologia da informação e comunicação (TICs). Superar as resistências dos professores em
relação à cultura de feedback também permite uma transformação contínua do desenvolvimento pessoal.
Por fim, espera-se que os professores sejam incentivados, estimulados e motivados a se capacitar, a adotar
uma postura de aprendizagem contínua e a valorizar a atualização do seu conhecimento.  
 Saiba mais
Olá, estudante! 
Para enriquecer ainda mais sua compreensão sobre o tema, sugerimos a leitura do seguinte artigo:
TONET, Helena Correa. Consultoria em Avaliação de Desempenho: Uma área de Atuação do
Psicopedagogo. 
https://www.revistapsicopedagogia.com.br/detalhes/391/consultoria-em-avaliacao-de-desempenho--uma-area-de-atuacao-do-psicopedagogo
https://www.revistapsicopedagogia.com.br/detalhes/391/consultoria-em-avaliacao-de-desempenho--uma-area-de-atuacao-do-psicopedagogo
PONTO DE PARTIDA
O portfólio de desempenho surge como uma ferramenta essencial no contexto de transformações sociais e
tecnológicas, sendo utilizado para documentar, para reflexão e aprimoramento das práticas pedagógicas.
Sabemos que este recurso é muito eficiente, e nos permite avaliar tanto o progresso dos docentes, como
também dos alunos.
Um portfólio de desempenho tem como objetivo apresentar habilidades, conhecimentos e resultados
alcançados no decorrer da sua atuação profissional, além de sua formação acadêmica em níveis de graduação
e pós-graduação. Reúne, ainda, as habilidades e competências em termos de domínio sobre técnicas e
metodologias, resiliência às demandas dos alunos e situações, habilidades de liderança, tecnologias
educacionais e sua capacidade de trabalhar em equipe.
Além dos resultados práticos alcançados no decorrer de sua prática profissional, a capacidade de produção
acadêmica em termos de elaboração e publicação de artigos, orientação de projetos premiados em
congressos e eventos científicos e, ainda, seu reconhecimento como professor nos processos internos de
avaliação institucional.
Um portfólio docente auxilia na elaboração de propostas para o desenvolvimento do profissional. O professor
é incentivado a refletir sobre sua atuação, identificar suas potencialidades e oportunidades de melhoria,
desenvolver e estabelecer metas para o seu crescimento e se posicionar de forma destacada em processos
seletivos.
Diante disso, identificamos a necessidade de um aprimoramento na área da educação, especialmente diante
de um mundo globalizado e com avanços significativos. Qual é então a importância de desenvolver um
portfólio de desempenho?
BOOK DOS PROFISSIONAIS DA PSICOPEDAGOGIA.
Olá, estudante!
Nesta aula, trataremos do portfólio de desempenho, em que abordaremos o “book” das principais realizações
profissionais. Esta é uma ferramenta permite a organização de forma documental, de maneira a refletir as
práticas pedagógicas dos profissionais da educação, assim como acontece na maioria das empresas. Neste
documento, estão registradas as principais realizações profissionais, as descrições dos principais pontos
fortes e oportunidades de melhoria do profissional, assim como suas aprendizagens. De forma geral, busca-se
documentar, estimular e avaliar o desempenho. Vamos conhecer mais sobre este importante instrumento de
desenvolvimento e de melhoria contínua?
Aula 4
O PORTFÓLIO DE DESEMPENHO
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Em um mundo globalizado e com diversos avanços tecnológicos, é evidente a necessidade de um
aprimoramento nas diversas áreas, inclusive na da educação, bem como no desenvolvimento dos
profissionais que a compõem. Diante desse cenário de mudanças significativas, são previstas novas soluções,
as quais visam melhorias e oportunidades de desenvolvimento.
Nesse contexto, destacam-se os Portfólios de desempenho, ferramenta que podemos utilizar para organizar e
registrar trabalhos, documentos e projetos. Essas práticas visam não apenas documentar o percurso do
sujeito, mas também promover o crescimento pessoal e profissional (GOMES et al., 2019).
O portfólio é considerado um documento que auxilia na compressão e na construção de uma visão mais
objetiva e clara dos profissionais que o desenvolvem. Quando consideramos os professores como
profissionais observados, é importante entender que seu processo de formação não se baseia somente na
experiência de aula, mas em suas experiências anteriores e suas atualizações frente ao conhecimento
(GOMES et al., 2019).
Conforme os avanços do desenvolvimentosocial e as investigações educacionais nos modelos tradicionais, de
acordo com Brito (2009), o professor era caracterizado apenas como transmissor de conhecimento, no
entanto, com as devidas mudanças, este mesmo profissional ganha um enfoque diferenciado, tornando-se o
mediador do saber em relação aos alunos, deixando de ser passivo quanto ao conhecimento, passando a ser
mais crítico e desenvolvedor do próprio saber.
Ao alterar o contexto educacional, trazemos ainda mais responsabilidade ao professor. Ele busca estratégias
de adaptação mais assertivas quanto ao seu desenvolvimento. Quando consideramos os moldes tradicionais,
refletimos sobre a possibilidade de uma alternativa para o ensino-aprendizagem, como o portfólio, que vai
nos nortear das possibilidades na identificação das dificuldades, como autoavaliar o desempenho e
desenvolvimento de competência (BRITO, 2009).
Segundo Tonet (2004), o portfólio não é um recurso tão simples de ser realizado, principalmente ao
considerar quais informações vão compor o documento. É necessário haver clareza dos objetivos para evitar
que se torne um amontado de informações e certificação. Lembrando que, durante o desenvolvimento desse
documento, não devemos esquecer do psicopedagogo como um responsável na consultoria e avaliação de
desempenho, garantindo a clareza quanto aos temas abordados.
Para construir um portfólio adequado e que atenda às expectativas dos professores e contribua para o
processo de ensino-aprendizagem, é essencial compreender o que os profissionais gostariam de apresentar
neste documento, e como ele poderá ser útil na melhoria do cenário em sala de aula.
Segundo Brito (2009), o portfólio é uma ferramenta enriquecedora das avaliações, que ajuda a esclarecer os
objetivos da aprendizagem e melhorar o desempenho e a atuação do profissional docente. Com base nessa
condição, ressaltamos sua necessidade como instrumento encorajador e de evolução.
EXPLORANDO AS FERRAMENTAS
Nesta etapa, o psicopedagogo pode auxiliar na orientação da construção do portfólio com o intuito de
orientar os docentes sobre como construir e mensurar as informações necessárias para uma melhor
compreensão dos itens que devem compô-lo. Entre as estratégias, está a possibilidade de elaboração de uma
oficina de portfólio, em que pode ser elaborado um roteiro.
Segundo as autoras Alvarenga e Araujo (2006), a proposta da oficina vai refletir aspectos que envolvem a
contribuição com a prática pedagógica e a descrição de como será realizada a construção do portfólio,
considerando algumas elaborações de projetos e levantamento de questões pertinentes.
Algumas questões que podem ser levantadas no decorrer da oficina de elaboração do portfólio são: qual a
necessidade do documento; como se deu o seu planejamento; quais as maiores dificuldades para construí-lo;
quais possíveis facilidades para elaboração; e quais os motivos para manter o documento como um recurso
necessário (ALVARENGA; ARAÚJO, 2006).
Conforme mencionado por Tonet (2004), após discutir as possíveis questões levantadas durante a oficina de
elaboração do portfólio, é fundamental compreender os requisitos básicos que compõe essa ferramenta.
Dentre estes, destacam-se as metas pessoais e suas crenças, as avaliações dos resultados com os alunos, as
avalições do professor feitas pelos alunos, os planos de trabalhos, os materiais utilizados de forma didática e
as comprovações das atividades elaboradas. 
Metas e suas crenças pessoais:
Este requisito consiste em um olhar sobre as metas já pré-estabelecidas, voltadas à oportunidade de crescer
no campo da educação, visando seus objetivos na instituição, bem como os projetos a serem desenvolvido
com os alunos.
Quanto às crenças pessoais, estas envolvem a capacidade de identificar os valores que se pretende alcançar
ao longo do processo educacional, ou seja, garantir uma educação mais inclusiva, habilidades e as
potencialidades dos alunos atendidos (TONET, 2004). 
Avaliação de resultados alcançados pelos alunos:
Quando nos tornamos professores, precisamos compreender a importância do desenvolvimento e progresso
dos alunos assistidos durante o acompanhamento educacional. Como mencionado por Tonet (2004), o
psicopedagogo é um grande aliado nas questões relacionadas à criação de documentos ou ferramentas para
a construção de uma avaliação assertiva do educador. Então, além dos métodos tradicionais, como provas e
testes, feedbacks, autoavaliação, avaliação etc., o portfólio pode ser uma forma de coletar e expressar dados
significativos.
Por meio do portfólio desenvolvido ao longo do processo, o profissional, a partir da autoavaliação, consegue
compreender a maneira com que se aprende, podendo, assim, debater sobre os assuntos abordados e até
mesmo ter ciência sobre o que precisa ser melhorado (GOMES et al., 2019).
Avaliação dos professores realizada por alunos:
A avaliação do professor é imprescindível, já que é um momento no qual o profissional consegue observar
seus avanços adquiridos ao longo do processo educacional. Conforme Tonet (2004), o psicopedagogo pode
auxiliar também na construção de recursos que auxiliem na coleta de dados mais assertivos para
compreender a performance do educando, como a utilização do feedback dos alunos e da instituição, a
autoavaliação e a avaliação. 
Isso pode ajudar o profissional a construir um portfólio mais enriquecedor com informações positivas do seu
desenvolvimento e, claro, também, a partir do feedback, o profissional pode cada vez mais melhorar seus
resultados em sala de aula. 
Plano de trabalho do professor:
Este é um campo do portfólio que demonstra organização e planejamento por parte do profissional. Por meio
dele, o docente poderá evoluir e desenvolver suas atividades ao longo do tempo, pois aprenderá a selecionar
os melhores planos de trabalho já experimentados, melhorando-os ainda mais.
No desenvolvimento do plano de trabalho, é fundamental a presença do psicopedagogo no auxílio da
compreensão do professor sobre os seus principais objetivos, de forma que atenda às necessidades da
instituição (TONET, 2004).
Materiais didáticos:
Este componente do portfólio, entre todos já mencionados, tem um papel importante para o ensino-
aprendizagem, principalmente por ser selecionado de forma cuidadosa. Como profissionais, os
psicopedagogos precisam ter clareza dos alunos que irão atender, para que estes possam ter uma evolução
significativa no campo educacional.
A proposta do portfólio não é mais seguir os métodos tradicionais do ensino, mas, sim, olhar para as novas
oportunidades de melhoria e desenvolver profissionais mais atentos ao seu crescimento profissional na
instituição (TONET, 2004).
Por exemplo, as avaliações e testes que já são utilizados há muito tempo nos moldes tradicionais precisam ser
ajustados para que consigam enxergar sua evolução e a do público avaliado. As avaliações não devem ocorrer
só por meio de provas, mas, sim, de um processo avaliativo que dê mais importância para o processo do que
para o resultado em si (DRUMOND, 2012).
Comprovação de atividades elaboradas:
Para compor a construção do portfólio, como uma forma de entender a importância do desenvolvimento das
atividades, é importante a construção conjunta com o psicopedagogo. Fica claro que a participação deste
profissional é necessária para o auxílio da comprovação das práticas estabelecidas pelo professor, sem contar
que permite também um olhar mais abrangente sobre os avanços esperados (TONET, 2004).
A construção de um bom portfólio permite que, ao longo do tempo, possamos observar o que é essencial
manter ou atualizar. Como forma de melhoria contínua no decorrer dos processos do ensino-aprendizagem, o
professor pode aprimorar suas habilidades, buscar recursos de atualização e garantir um melhor
desempenho.
Segundo Gomes et al (2019), o ato de ensinar não deve estar apenas relacionado com repassar o
conhecimento ou com os métodos tradicionais, mas sim em auxiliar o aluno empode trabalhar em
diferentes locais em que o processo de aprendizagem esteja em evidência. Com isso, não apenas é
importante mobilizar o conhecimento, como também favorecer trocas de experiências entre os participantes
e criar condições para que a afetividade se desenvolva.
Sobre a afetividade, Wallon (1992) elucida que o humano é um ser afetivo, antes de ser inteligente. Portanto,
ao estabelecermos vínculos afetivos com as pessoas, podemos intervir no processo de aprendizagem de
forma mais significativa.
Para Wallon (1992), antes da aquisição da linguagem, a criança se manifesta por meio da emoção, pois o choro
e o sorriso expressam os sentimentos dos seres humanos logo após o nascimento. Assim, o autor afirma que
a afetividade é uma fase de desenvolvimento arcaica e essencial para a formação humana.
Nesse sentido, Souza et al. (2020) trazem contribuições para pensarmos em como as emoções influenciam no
aprendizado dos estudantes. Os autores defendem que a família e a escola são os primeiros grupos com os
quais a criança estabelece contato e desenvolve suas emoções. Assim, afirmam que as relações familiares
formam “a base de relacionamentos que sustentam o processo educacional” (SOUZA et al., 2020, p. 402).
Nessa lógica, os autores supracitados corroboram que a família e a escola oferecem subsídios para a
formação emocional e intelectual da criança. Desse modo, compreendemos que a afetividade pode influenciar
o processo de aprendizagem no ensino. No entanto, por vezes, na sala de aula, as emoções dos alunos são
reprimidas. Essa situação pode desencadear alguma dificuldade no aprendizado (SOUZA et al., 2020).
Por esse motivo, o psicopedagogo precisa estar atento aos mínimos detalhes que os estudantes demonstram
em suas atitudes, desde um comportamento mais extravagante, até a inibição. A fim de desenvolver
plenamente a criança, o psicopedagogo poderá assessorar e prestar consultoria aos docentes, à equipe
pedagógica e aos familiares, para a realização de ações intencionais que promovam a afetividade entre
professores e alunos. Essa conduta poderá favorecer a autonomia, a segurança e autoconfiança nos
escolares.
De acordo com Gómez e Hurtado (2016), quando o educador estimula o estudante e demonstra afeto e
segurança, consequentemente contribui para a formação de emoções positivas. Em um ambiente afetivo, em
que há a comunicação e as interações, ativa-se no sujeito a vontade de realizar diferentes tipos de atividades.
Isto é, abrem-se caminhos para novos aprendizados.
Os professores são os profissionais que acompanham os alunos por um ano letivo ou um ciclo. Então, é de
suma importância que o psicopedagogo possa incentivar e oportunizar o estabelecimento de relações
positivas entre os estudantes e os adultos. Vale destacar que, para Souza et al., 2020, o professor não é aquele
que apenas atua na construção do conhecimento, e sim que contribui também para que o aluno conheça a si
mesmo e empreenda ações conscientes.
Diante das argumentações apresentadas, Bombonatto (2012) expõe que a atuação psicopedagógica
não implica apenas a aplicação e o uso de provas e testes, mas exige outras medidas e
técnicas de avaliação, além de trabalho de investigação, análise e síntese de dados úteis
para o estado e a orientação de cada caso. Assim, o psicopedagogo deve preocupar-se em
aperfeiçoar as técnicas de diagnóstico, procedendo a investigação sistemática do meio
socieconômico, do ambiente familiar, do nível de adaptação e de aproveitamento escolar
do aluno, além das suas características pessoais, como aptidões e capacidades específicas
(BOMBONATTO, 2012, p. 13-14).
Conforme destaca a autora, o perfil do psicopedagogo é de um profissional que utiliza diferentes
instrumentos para avaliar, diagnosticar, investigar e intervir. A consultoria psicopedagógica permite a
realização de um olhar do micro para o macro e vice-versa, a fim de conhecer cada caso e elencar informações
para a criação de estratégias que se apliquem ao processo de aprendizagem.
Devido ao conceito de plasticidade cerebral, independentemente da idade, o ser humano continua a aprender
e a modificar o aprendizado (VIGOTSKI, 2018). Reafirmamos, então, que o psicopedagogo necessita
desenvolver a flexibilidade, a adaptação, o planejamento e a organização em sua atuação.
Com base nas discussões apresentadas, a seguir retomaremos a situação-problema e buscaremos
sistematizar os conhecimentos para solucionar o desdobramento do caso de Clara.  
VAMOS EXERCITAR
Para um diagnóstico mais efetivo, será necessário que Clara receba um acompanhamento psicopedagógico.
Nesse sentido, fora da escola, fará uma avaliação psicopedagógica, composta de aproximadamente 10
sessões, na clínica.
O psicopedagogo, sempre atencioso e afetivo, marcará a 1ª sessão para entrevistar os pais e realizar os
esclarecimentos sobre o contrato. Na 2ª sessão, será realizada a Entrevista Operativa Centrada na
Aprendizagem (EOCA). Nas 3ª e 4ª sessões, serão aplicadas as provas operatórias.  Nas 5ª e 6ª sessões, serão
realizadas as aplicações das Técnicas Projetivas. Na 7ª sessão, caso necessário, serão feitas as provas
pedagógicas ou outras. Na 8ª sessão, faz-se uma anamnese com os pais ou responsáveis. Por fim, na 9ª ou 10ª
sessão, há uma devolutiva aos pais/responsáveis e ao sujeito.
Após as etapas mencionadas, o psicopedagogo avaliará a necessidade da realização de outras sessões, os
tipos de recursos utilizados e as atividades escolhidas.
Assim, encerramos esta aula e aguardamos você nos próximos estudos.
 Saiba mais
Para compreender mais sobre as emoções e a importância da formação de memórias significativas,
deixamos como sugestão o filme “Divertida Mente” (2015). Ele trata das emoções e o funcionamento da
mente de uma garota chamada Riley, que está passando por uma grande mudança em sua vida ao se
mudar para uma nova cidade.
Aula 3
GESTÃO DE PESSOAS E PROCESSOS
Convidamos você para explorar uma nova área de atuação do psicopedagogo, que é a empresarial.
PONTO DE PARTIDA
Convidamos você para explorar uma nova área de atuação do psicopedagogo, que é a empresarial. Muitas
empresas, preocupadas com os resultados que dependem dos colaboradores, investem em estratégias para o
aprimoramento dos recursos humanos.
Nesse sentido, o psicopedagogo poderá atuar no gerenciamento de pessoas e de processos. Para
conhecermos um pouco mais sobre essa área de atuação, vamos relembrar o caso da personagem Clara, que
acompanhamos desde as aulas 1 e 2.
Sua mãe é sócia de uma farmácia de manipulação. Na empresa, há os setores financeiro, recursos humanos,
vendas, laboratório e análise de dados. Em cada setor, há um gestor responsável por um grupo de
colaboradores. Os resultados de cada gestão dependem de como a equipe compreende o trabalho e o
executa. E para se chegar ao resultado, os setores necessitam realizar ações que estejam alinhadas e
integradas. Ou seja, embora sejam processos distintos, assim como a engrenagem de uma máquina, um
depende do outro para que a empresa funcione.
Entretanto, como a maioria dos gestores são novos na empresa, os processos não estão claros e há
fragilidades no gerenciamento das equipes. Assim, a mãe de Clara pensou em como organizar e oferecer
treinamento aos funcionários, pois percebe que os resultados não chegam nos prazos e não há comunicação
entre os setores. Desse modo, alguns colaboradores estão desmotivados e estressados.
Mesmo após pesquisar algumas estratégias e conversar com alguns parceiros de trabalho, ainda não
conseguiu tomar uma decisão assertiva. Então, ao buscar Clara no atendimento psicopedagógico, acabou
relatando sua preocupação para o profissional. Este sugeriu que ela conversasse com uma amiga, que
também é psicopedagoga e atua no setor empresarial.
A mãe de Clara ficou pensativa, afinal, como um psicopedagogo poderá auxiliar no gerenciamento de
processos e de pessoas em sua empresa?
A ATUAÇÃO DO PSICOPEDAGOGO E O GERENCIAMENTO DE EQUIPES E DE PROCESSOSsala de aula e contribuir com
o seu desenvolvimento.
Para a construção e a integração com os alunos, é esperado que o professor apresente uma postura
facilitadora para aprendizagem, pois há expectativas de que o trabalho realizado em sala possa permitir uma
postura de estimulação e autonomia dos estudantes, fazendo com que eles cresçam de forma efetiva na
educação (GOMES et al., 2019).
Por fim, a compreensão do uso do portfólio como um modelo de desempenho pode ser um recurso facilitador
para uma boa integração entre professor, aluno e a instituição, trazendo uma oportunidade de melhoria e
uma evolução contínua.
O QUE APRENDEU COM AS ESTRATÉGIAS
Chegou a hora de exercitar o que aprendemos ao longo desta unidade, respondendo à pergunta que foi
realizada: será que o portfólio de desempenho é uma ferramenta eficiente?
Após os estudos realizados, podemos afirmar que sim.
Ele tem como função promover uma boa integração entre professor, aluno e instituição, trazendo uma
oportunidade de melhoria e uma evolução contínua. Sendo assim, quando bem elaborado, propicia uma
aprendizagem mais efetiva e favorece o ensino-aprendizagem, capacitando profissionais e fazendo com que
eles reflitam sobre seu desempenho.
O profissional constrói o portfólio baseando-se em algumas estratégias especificas. Tonet (2004), menciona os
aspectos e as etapas desta construção, envolvendo as metas individuais e suas crenças, as avaliações dos
resultados com os alunos, as avalições do professor feitas pelos alunos, os planos de trabalhos, os materiais
utilizados de forma didática e as comprovações das atividades elaboradas.
 Saiba mais
Olá, estudante! 
Para enriquecer ainda mais sua compreensão sobre o tema, sugerimos a seguinte leitura:
Observação de Aulas e Avaliação do Desempenho Docente, processos formais de avaliação do
desempenho docente, que reconheçam o mérito, constituam um desafio para o desenvolvimento dos
professores e apoiem a identificação e superação de fragilidades individuais e coletivas.
PONTO DE CHEGADA
Olá, estudante!
Nesta videoaula, retomaremos os principais conceitos abordados e estudados em nossas aulas sobre a
elaboração de materiais psicopedagógicos, trabalho psicopedagógico com adolescentes e estudantes da
Educação de Jovens e Adultos, modelo de consultoria e avaliação do desempenho do docente, além do
portfólio de desempenho. De forma geral, nossas aulas trataram de informações relevantes sobre a relação
entre a assessoria e consultoria psicopedagógica, o papel e a importância do psicopedagogo no processo de
ensino-aprendizagem e no desenvolvimento da instituição e dos docentes.
Olá, estudante!
Durante as aulas, você estudou conteúdos fundamentais, como elaboração de materiais psicopedagógicos,
trabalho psicopedagógico com adolescentes e estudantes da EJA, modelo de consultoria e avaliação do
desempenho do docente e, por fim, o portfólio de desempenho. Esses conhecimentos são necessários para
desenvolver a competência desta Unidade, que exige compreender a importância da consultoria no
direcionamento da aprendizagem como objeto de estudo, acompanhando o trabalho do docente por meio de
múltiplas competências, indicadores da prática e portfólio de desempenho.
Ao final da unidade, será possível praticar os métodos que utilizamos para elaboração de materiais
psicopedagógicos, bem como seu planejamento, passando pela entrevista inicial com os familiares e a
instituição, planejamento do EOCA, anamnese, testes, hipótese diagnóstica, devolução e intervenção. Não se
trata simplesmente de pensar nos jogos como intervenção, mas elaborar uma proposta muito mais funcional
para se obter um processo estruturado.
Quando tratamos dos estudantes do EJA, trouxemos e destacamos a importância do desenvolvimento de
estratégias no intuito de incentivar os estudos e diminuir a evasão escolar. Algumas estratégias foram citadas,
tais como divulgação do curso, processo seletiv, integração nos primeiros dias de aula, preparação do
currículo escolar, orientação da duração do curso, profissionais adequados da educação, desempenho
acadêmico e o papel da família na permanência dos alunos. Essas estratégias nos fazem observar a
Aula 5
ENCERRAMENTO DA UNIDADE
https://midiasstoragesec.blob.core.windows.net/001/2019/05/pedro-reis.pdf
importância de uma atenção maior em relação aos estudantes do Ensino de Jovens e Adultos (EJA).
Na evolução das aulas, trouxemos a importância da consultoria e assessoria de desempenho dos docentes,
pois espera-se que estes profissionais estejam capacitados para atender as demandas dos alunos e da
instituição, sem deixar de atentar para a qualidade de vida deste profissional e a compreensão dos seus
motivadores.  Nesta etapa, a psicopedagogia faz-se importante como fator orientador e responsável por
solucionar problemas e ajudar em estratégias mais funcionais.
Por fim, discorremos sobre a construção de um portfólio de desempenho, visto como uma ferramenta de
suporte essencial aos educadores, afinal, a partir dela, o profissional vai conseguir observar seus processos
evolutivos e, além disso, poderá compreender as necessidades de mudanças.
É HORA DE PRATICAR
Em uma escola de Ensino para Jovens e Adultos (EJA), no horário noturno, localizada em uma área urbana com
baixo índice de desenvolvimento humano (IDH), atuam diversos professores comprometidos com o ensino-
aprendizagem dos seus alunos. Recentemente, somaram-se ao quadro de colaboradores Jéssica, uma
psicopedagoga que tem como objetivo trabalhar com os docentes e com os alunos. Temos uma professora de
matemática, Maria, com experiência de 5 anos na área, que tem acompanhado um jovem chamado Pedro, de
25 anos, assim como outros alunos que trabalham em período integral e querem retornar à escola em busca
de qualificação profissional e melhores condições de emprego.
Pedro, assim como muitos outros alunos do EJA, quando resolveram buscar essa modalidade, explicam que
suas trajetórias com os estudos fracassaram no ensino médio, por motivos de ingresso precoce no mercado
de trabalho, levando-os a abandonar o ensino regular. Eles demonstram interesse em aprender, mas têm
apresentado dificuldades de compreensão dos conteúdos e desmotivação diante dos desafios.
Maria, ao vivenciar essa situação, tem diversas conversas com a psicopedagoga Jessica, para que, juntas,
possam buscar norteadores que facilitem a compreensão e integração de Pedro e de outros alunos no EJA.
Algumas questões levantadas entre as duas profissionais foram:
Como adaptar as estratégias de ensino para atender às necessidades que Pedro e os demais alunos
mencionam?
Quais poderiam ser os recursos psicopedagógicos e pedagógicos, e até mesmo tecnológicos, que poderiam
ser utilizados para promover o ensino-aprendizagem do aluno Pedro e dos demais?
Como a psicopedagoga e a professora podem envolver a comunidade e as famílias dos alunos no processo
educativo, visando a integração e o apoio ao desenvolvimento escolar?
Maria e Jessica resolvem, então, adotar estratégias estabelecidas ao longo do processo de desenvolvimento
do aluno Pedro e dos outros alunos. Primeiro ponto: uma estratégia funcional seria a compreensão do
currículo escolar, principalmente por conta de que muitos alunos que estão frequentando o EJA deixaram o
ensino regular precocemente, e vários não eram adeptos ao ensino regular. Outra estratégia é o
levantamento de questionários, principalmente para investigar as maiores dificuldades dos alunos EJA, como
uma maneira funcional de compreender se os docentes estão realmente capacitados para desenvolver aulas
para os alunos dessa modalidade.
Entre os recursos pedagógicos e psicopedagógicos, poderiam ser utilizados novos métodos, ou métodos
alternativos, de avaliação, sem ser o tradicional modelo de provas e testes. Métodos que tragam a
possibilidade de os alunos serem avaliados conforme suas capacidades, como implementação de seminários,
debates e outras maneiras que os alunos consigam desenvolverem seu cotidiano. 
Os instrumentos que o profissional da psicopedagoga pode utilizar com os alunos e docentes, seriam os
questionários para compreensão do processo de aula, ou seja, identificar se os conteúdos estão sendo
aprendidos e o que poderia ser aperfeiçoado no método de ensino utilizado.
Outra ideia envolve propostas de integração entre aluno e professor, para que se tornem pessoas mais
próximas e abertas ao desenvolvimento.
Por fim, sabemos que o papel da família é fundamental no incentivo à participação efetiva dos alunos do EJA.
Muitas situações são vivenciadas por este público, como mães jovens que acabam não tendo com quem
deixar seus filhos, sendo necessária a promoção de um espaço integrativo de lazer aos familiares, permitindo
que continuem os estudos.
Outro ponto importante é compreender, junto ao aluno Pedro e aos demais, suas necessidades individuais e o
real compromisso de estudar, a fim de que consigam ter melhores oportunidades de trabalho.
DÊ O PLAY!
Olá, estudante!
Eu sou a Natalia, e estou aqui para compartilhar minha experiência com a educação neste podcast,
especificamente no contexto do EJA, ou seja, Educação de Jovens e Adultos.
Durante minha formação acadêmica, tive a oportunidade de trabalhar dentro do EJA e percebi diversas
questões que merecem atenção. Meu projeto de estudos neste contexto envolveu estratégias para ajudar os
alunos, principalmente os adolescentes, que optaram pela modalidade por não se identificarem com o ensino
regular, e compreender suas necessidades frente à educação.
Ao longo do semestre, desenvolvemos um projeto com algumas atividades para agregar valor à instituição,
iniciando com a observação dos alunos e professores em sala de aula, bem como o funcionamento da
instituição como um todo; essa técnica rica permitiu que pudéssemos participar em sala de aula do
acompanhamento do desenvolvimento dos alunos, e de como o professor ministrava a aula.
Para que pudéssemos dar sequência ao planejamento, utilizamos as técnicas de dinâmica de integração, em
que usamos bexigas com nomes para facilitar a interação entre os participantes. Isso ajudou a quebrar o gelo
e permitiu uma melhor comunicação entre alunos e professores, que estavam ali com o intuito de se
conhecer.
Seguindo com o nosso planejamento, elaboramos 2 questionários, tanto para os professores como para os
alunos; o primeiro questionário foi realizado com os professores, para que pudéssemos investigar
metodologia de ensino, currículo escolar, materiais didáticos e as preocupações que eles poderiam ter.
O segundo questionário foi realizado com os alunos, e tinha como objetivo coletar informações sobre como
eles estavam aprendendo, o que eles gostariam de ver nas aulas para que aprimorassem mais o
conhecimento e como era o relacionamento com os professores e colegas de sala.
Com base nos resultados, realizamos outras dinâmicas para promover uma melhor integração e compartilhar
experiências entre professores e alunos, o que foi um facilitador. A partir disso, também foram realizadas
rodas de conversas para saber os interesses dos alunos e quais eram os seus objetivos com o EJA.
Diante do cenário, os alunos mencionaram que gostariam de ter melhores oportunidades de trabalho e,
talvez, até ingressar no ensino técnico A partir desse levantamento, palestras sobre educação e
desenvolvimento da aprendizagem foram realizadas, tanto para os alunos como para os professores.
Mais um ponto que ao longo do projeto enfrentamos foi a resistência de alguns docentes na compreensão da
necessidade de entender às melhorais que precisavam ser realizadas, como no currículo escolar e até mesmo
na metodologia de ensino, já que muitos desses profissionais relataram dificuldades em sala de aula, mas
seguiam os mesmos métodos do ensino regular, impactando no interesse dos alunos.
Outro ponto de dificuldade observado foi que muitos profissionais que ministram aulas no EJA muitas vezes
não estão realmente envolvidos com o currículo. Muitos buscam a oportunidade de obter rendas extras
nestas instituições, e não seguem a metodologia correta, o que pode ser um fator de prejuízo no
desenvolvimento da aprendizagem.
Com as rodas de conversa, tivemos bons diálogos com a instituição e os docentes, para que pudéssemos
pensar em alternativas que agregassem mais valor aos alunos do EJA e uma aproximação maior,
principalmente por terem sinalizado a evasão escolar como um fator frequente.
Essa experiência mostrou a importância de apoiar as instituições de ensino, seja no EJA ou em outras
modalidades, para promover o desenvolvimento dos alunos e prepará-los para os desafios do mundo real.
Acredito que por meio desse trabalho conjunto, podemos formar indivíduos engajados e preparados para
enfrentar os desafios do futuro.
Temos compromissos com os psicopedagogos e psicólogos que atuam na educação como protagonistas do
desenvolvimento da aprendizagem, e igualmente em garantir que um número cada vez maior de pessoas
acesso à educação como um direito, e não somente para melhorar sua oportunidade de um emprego melhor.
Quanto mais conhecimentos um indivíduo adquire, melhor compreenderá as demandas que são impostas
pela sociedade.
Espero ter contribuído com meu conhecimento. Até breve!
ASSIMILE
Fonte: elaborado pelo autor.
Aula 1
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http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/enem_por_escola/2014/nota_tecnica_indicador_adequa%C3%A7%C3%A3o_formacao_docente.pdf.
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Imagem de capa: Storyset e ShutterStock.
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S. l.
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Nesta aula, estudaremos sobre o gerenciamento de pessoas e de processos na perspectiva psicopedagógica.
Abordaremos a identificação, a análise e a compreensão do processo de aprendizagem, que ocorre não
somente nos espaços relacionados à educação e à saúde, como também em empresas.
É de fundamental importância que os psicopedagogos desenvolvam habilidades para realizar um trabalho que
potencialize as características individuais, a fim de contribuir com um processo de humanização e
emancipação. Essa atitude de prezar pela individualidade pode agregar benefícios para o sujeito e,
consequentemente, para o grupo.
Então, vamos conhecer essa outra área de atuação do psicopedagogo!
Desejamos excelentes estudos!
Para iniciar nossas reflexões, vamos discutir sobre gerenciamento de pessoas e de processos. Tais conceitos
são encontrados nos fundamentos da Administração, e contribuem para pensarmos sobre o relacionamento
humano, a liderança, o respeito às características individuais e a valorização do trabalho coletivo.
O termo gerenciamento de pessoas refere-se a um conjunto de práticas e políticas estabelecidas para o
gerenciamento de recursos humanos. Enquanto o gerenciamento de processos visa estabelecer metas e
objetivos para o conjunto de atividades, visando à melhoria dos processos organizacionais (ENAP, 2016).
É importante buscarmos na história que, a partir do século XVIII, com o início do processo de industrialização,
as organizações vivenciaram três fases diferentes. Primeiramente, na Era Industrial, entre os anos de 1900 e
1950, houve a intensificação do processo de industrialização. Nessa fase, as empresas se organizavam de
modo conservador, em que as pessoas eram consideradas recursos de produção e realizavam trabalhos
fragmentados. Além disso, havia um antagonismo entre patrões e funcionários. Isto é, as empresas se
organizavam com base em um modelo centralizador e burocrático (ANDUJAR; TEIXEIRA, 2014).
Na Era Pós-Industrial, entre 1950 e 1990, com a internacionalização das transações comerciais e o
crescimento dos empregos no terceiro setor da economia, o conhecimento e a criatividade começam a se
destacar como competências importantes para as empresas. Desse modo, as pessoas passam a ser
consideradas recursos organizacionais para atender às necessidades empresariais (ANDUJAR; TEIXEIRA, 2014).
A partir dos anos de 1990, se inicia a Era da Informação, baseada no uso de tecnologias de informação e
comunicação. A competitividade entre as organizações “passa a depender de sua capacidade de criar,
processar e aplicar eficientemente a informação; as mudanças tornam-se maiores e mais velozes” (ANDUJAR;
TEIXEIRA, 2014, p. 11). Ou seja, a informação e o seu processamento formam a nova base da economia
globalizada. Nessa perspectiva, destacam-se atuações mais coletivas e equipes multifuncionais. Cabe
mencionar competências como flexibilidade e inteligências múltiplas, que contribuem para a competitividade
entre as organizações.
Com base nessas argumentações iniciais, percebemos que em cada fase relacionada aos avanços das
indústrias e das empresas no decorrer da história foi necessária a implantação de um sistema para organizar
o trabalho e as pessoas. Desse modo, para as fases supracitadas, o conceito de gerenciamento de pessoas e
de processos passou a apresentar um sentido e um significado diferente, que pudesse atender às
necessidades da economia, das organizações, da sociedade e do indivíduo em determinadas épocas.
Para o psicopedagogo, é de fundamental relevância desenvolver o gerenciamento de equipes e de processos,
a fim de intervir nas relações e no clima organizacional.
Nessa vertente, Saito (2010) explica que em um ambiente formado por pessoas e organizações há uma
relação de interdependência. Ou seja, a organização depende das pessoas para o seu funcionamento. Por
outro lado, as pessoas dependem das organizações para atingirem seus objetivos pessoais e profissionais.
Sob esse aspecto, cabe ao psicopedagogo conhecer as pessoas, suas relações com os pares e a instituição,
seus desejos e necessidades. Para Chiavenato (1994), a administração de empresas deve considerar não só o
planejamento, a organização e o controle de tarefas, mas também investir na parte psicológica e social dos
prestadores de serviço, para que a criação, a inovação e a motivação sejam mobilizadas. Nesse viés, defende-
se a ideia de que haja um contínuo investimento em treinamentos e desenvolvimento de equipes, visando à
valorização do capital humano.
Para Carnegie (2003), a empresa avança ao passo que se otimiza a gestão de pessoas e de processos. Isso
significa aprimorar a comunicação com a equipe. Assim, é necessário investir nos setores de coordenação,
controle, delegação e inovação. Além disso, para um gerenciamento eficiente, é essencial que se identifique e
analise as fragilidades e as tomadas de decisões, em um processo de constante avaliação e motivação.
IDENTIFICAÇÃO, ANÁLISE E COMPREENSÃO DO PROCESSO DE APRENDIZAGEM
De acordo com Saito (2010), é natural que o ser humano passe por mudanças e adaptações para sobreviver.
Assim, no ambiente organizacional, também é previsto que as pessoas busquem formas de enfrentar as
situações que se manifestam no trabalho.
Saito (2010) destaca, ainda, que onde há mais de uma pessoa envolvida em um processo no qual é possível
trocar experiências, informações, conhecimentos, entre outros, pode-se configurar como relacionamento
humano. Nessa lógica, podem aparecer conflitos. Assim, é possível que as emoções geradas pelos
sentimentos conflitantes influenciem o bem-estar dos envolvidos, e consequentemente, o processo de
aprendizagem.
Nesse sentido, o psicopedagogo atuará no acolhimento das queixas dos indivíduos e nas soluções dos
problemas apresentados. Em especial, buscará o estabelecimento de vínculos positivos para a promoção de
transformações no ambiente de trabalho. Isso implica “na aprendizagem de novos conceitos, técnicas e
comportamentos” (SAITO, 2010, p. 43).
Cagliari (2009) elucida que a aprendizagem não ocorre somente nas instituições escolares. Assim, nos
ambientes empresariais, os conhecimentos e reflexões compartilhados podem possibilitar a implantação de
técnicas e atitudes que gerem um resultado satisfatório. A soma desses elementos pode se configurar como
um diferencial competitivo para a empresa. Nessa lógica, é relevante propiciar um espaço democrático, em
que todos coexistam e contribuam de forma participativa.
Com base nessas discussões, Bossa (2000) afirma que a atuação do psicopedagogo no âmbito institucional é
de natureza preventiva. Dessa forma, busca-se o favorecimento de relações saudáveis com a aprendizagem,
visando oportunizar a construção desse processo e evitar a sua obstaculização. Desse modo, o trabalho
psicopedagógico nas empresas geralmente está aliado ao Departamento de Recursos Humanos, e contribui
com treinamento, desenvolvimento, recrutamento, seleção de pessoal e avaliação de desempenho dos
funcionários.
Com os saberes relacionados ao gerenciamento de pessoas e de processos, o psicopedagogo também poderá
atuar na integração de pessoas, na adaptação de recém-contratados, na compreensão de práticas, missão e
valores da empresa. Isso compreende a “organização de   palestras, dinâmicas, workshops e grupos de
reflexão” (SAITO, 2010, p. 44).
Além do gerenciamento de pessoas e de processos, para Marcilio et al. (2021), na vida adulta, a organização
do tempo é necessária. Os autores explicam que, desde o período de ingresso no ensino superior, o sujeito
precisa desenvolver habilidades para conciliar os estudos com outras atividades.
Para a empresa e para o indivíduo, a capacidade de gerenciar o tempo é aliada ao gerenciamento de pessoas
e de processos, pois não se trata somente de uma ação mecânica de preenchimento de horários e afazeres,
configura-se como um processo de complexidade e amplitude, que exige constante reflexão e avaliação do
que serealiza no presente e o que se estabelece para o futuro (MARCILIO et al., 2021).
Reafirmamos que a atuação psicopedagógica em ambiente empresarial é de essencial importância, pois
atuará diretamente com a resolução de conflitos, baseando-se em conhecimentos interdisciplinares de outras
áreas, como Administração, Psicologia, Pedagogia e Sociologia.
Nessa vertente, finalizamos esta seção com o poema de Mário Quintana (1906-1994), para refletirmos sobre
nossos relacionamentos interpessoais e intrapessoais e como nos organizamos para favorecer o processo de
aprendizagem em nossas vidas.
VAMOS EXERCITAR
Após as reflexões e discussões provocadas nas aulas anteriores, estamos preparados para solucionar a
situação-problema apresentada no início da aula.
Para auxiliar a mãe de Clara nos desafios de sua empresa, a psicopedagoga indicada marcou um atendimento.
No primeiro momento, analisou toda a situação apresentada sobre a empresa. Em seguida, buscou conhecer
e definir as atividades de cada setor. Posteriormente, traçou estratégias para superar as fragilidades no
gerenciamento de pessoas e de processos.
Participando da rotina de trabalho da empresa, a psicopedagoga dialogou com os gestores e colaboradores, a
fim de identificar as necessidades de cada um e do setor. Além disso, realizou treinamentos e
aprimoramentos para que cada integrante conhecesse a sua função e as ações a serem desempenhadas.
Com a atuação psicopedagógica no gerenciamento de pessoas e de processos, a empresa da mãe de Clara
conseguiu se destacar nos resultados, pois foi criado um ambiente favorável para a aprendizagem, o
crescimento e o desenvolvimento.
Cabe ressaltar que a comunicação se tornou mais eficiente, e cada colaborador tem clareza sobre o que
precisa realizar, fazendo com que todos se sintam satisfeitos com as metas alcançadas, porque sabem o
quanto contribuíram individual e coletivamente.
 Saiba mais
Para enriquecer os estudos desta aula, sugerimos a leitura do artigo “Psicologia Empresarial como agente
de transformação”  (SAITO, 2010).
Disponível em: https://revistaensinoeeducacao.pgsskroton.com.br/article/view/824. Acesso em: 15 mai
2024.
PONTO DE PARTIDA
Olá, estudante!
Convidamos você a aprofundar os estudos relacionados à Psicopedagogia preventiva.
Nas aulas anteriores, compreendemos que a Psicopedagogia pode ser de âmbito clínico e institucional, e de
natureza curativa ou preventiva. Desse modo, nesta quarta aula, retomaremos e aprofundaremos as
discussões sobre o aspecto preventivo da atuação psicopedagógica.
Vamos relembrar a história da personagem Clara. Após as sessões de avaliação diagnóstica psicopedagógica,
foi constatado que as dificuldades de aprendizagem da garota estão relacionadas com o aspecto emocional e
a relação entre professor e aluno.
Na transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental, é provável que as crianças sintam as mudanças
na rotina escolar. Assim, os professores precisam realizar um trabalho de adaptação e pertencimento com os
novos alunos. Essa situação não foi diferente com Clara. Após passar 5 anos no Centro Municipal de Educação
Infantil (CMEI), em período integral, fez muitas amizades e criou vínculos com os professores e funcionários da
instituição de ensino. Ela conhecia os espaços e a rotina, sentia-se pertencente àquele local.
Quando iniciou o primeiro ano na Escola Municipal, entrando às 7:30 e saindo às 16:30, ficou com saudades
dos amigos, professores e funcionários do CMEI. Na nova escola, os professores e a organização do tempo e
do espaço eram diferentes.
Nesse contexto, após a avaliação do psicopedagogo, o profissional diagnosticou que Clara apresentava um
resultado satisfatório com relação às avaliações aplicadas. No entanto, demonstrava uma barreira acerca do
vínculo escolar. Após a intervenção psicopedagógica com foco nesse aspecto, Clara obteve avanços no
Aula 4
PSICOPEDAGOGIA PREVENTIVA
Olá, estudante! Convidamos você a aprofundar os estudos relacionados à Psicopedagogia preventiva.
https://revistaensinoeeducacao.pgsskroton.com.br/article/view/824
processo de aprendizagem.
Com base nesse cenário, como o psicopedagogo poderá intervir para prevenir outras dificuldades de
aprendizagem?
A PSICOPEDAGOGIA PREVENTIVA E AS RELAÇÕES COM COORDENADORES E DOCENTES 
Olá, estudante!
Nesta aula, estudaremos sobre a Psicopedagogia Preventiva e as intervenções que podem se configurar em
ações para o favorecimento do processo de aprendizagem, como a busca de parcerias com integrantes de
equipes pedagógicas e docentes, indicações de estratégias e materiais, entre outros encaminhamentos.  E aí?
Vamos aprender mais sobre este assunto?
Desejamos que aproveite ao máximo este momento enriquecedor!
Excelentes estudos!
O conceito de intervenção preventiva iniciou-se no século XX, e se desenvolveu entre a Segunda Guerra
Mundial e a Guerra do Vietnã. Nesse contexto, o aspecto preventivo considerava os fatores mentais,
emocionais e educacionais. É válido elucidar que os Estados Unidos criaram a primeira comissão
multiprofissional de prevenção à saúde, com a atuação de médicos, psicólogos e educadores, para o
tratamento de problemas emocionais das vítimas. Nas circunstâncias ocasionadas pelas guerras, comumente
as pessoas se encontravam em situações de desemprego, discriminação, pobreza, raiva e depressão. Assim,
os profissionais supramencionados realizavam ações de prevenção relacionadas ao aspecto emocional.
Posteriormente, tais ações preventivas se expandiram para a atuação junto às famílias, instituições escolares
e para a comunidade (PERES; OLIVEIRA, 2007).
Na Psicopedagogia, o trabalho preventivo consiste na realização de ações em conjunto com professores,
equipes pedagógicas e familiares, com a finalidade de prevenir as dificuldades relacionadas ao processo de
aprendizagem, desde a Educação Infantil.
O Psicopedagogo poderá observar o desenvolvimento das crianças, avaliar as iminentes dificuldades de
aprendizagem e elaborar com os professores as atividades educativas e lúdicas que mobilizem as capacidades
intelectuais, psíquicas, emocionais e sociais dos sujeitos. Essa atuação preventiva pode auxiliar na superação
de fragilidades na aprendizagem desde a Primeira Infância (GONÇALVES, 2020).
Nesse sentido, é pertinente que o psicopedagogo atue com os docentes e integrantes de equipes pedagógicas
para planejar e organizar intencionalmente a rotina e as atividades das crianças nas instituições educativas
(GONÇALVES, 2020). Aliado a isso, a Psicopedagogia preventiva se caracteriza pela realização de reflexões
críticas dos profissionais e revisões de “concepções de educação; organização e seleção dos conteúdos de
ensino; metodologia e avaliação” (PERES; OLIVEIRA, 2007, p. 121). Destaca-se, ainda, como elemento facilitador
para a aprendizagem, a necessidade da criação de vínculos afetivos entre professores e estudantes.
Reafirmamos, portanto, que o trabalho psicopedagógico preventivo consiste em uma atuação para a
prevenção do fracasso escolar. O objetivo é enriquecer as intervenções educativas, os processos avaliativos e
o planejamento da rotina e das atividades, para que haja um bom desempenho na aprendizagem.
Ao considerar que a Psicopedagogia é uma área interdisciplinar e multidisciplinar, compreendemos que há
um diálogo com outras áreas do conhecimento, e o psicopedagogo pode atuar com outros profissionais, para
contribuir com seus conhecimentos e experiências, em diferentes campos.
Cabe salientar que há diferentes vertentes teóricas que oferecem subsídios para o fortalecimento da
constituição da Psicopedagogia e do Psicopedagogo. Para esse estudo, elucidamos duas, em especial: a
Epistemologia Genética e a Teoria Histórico-Cultural.
A Epistemologia Genética foi desenvolvida por Jean Piaget. O pesquisador nasceu na Suíça, em 9 de agosto
de 1896, e faleceu em 1980. De forma breve, podemos mencionar alguns aspectos relevantes de sua biografia
para este momento de estudos: o autor se formouem Biologia, estudou Psicologia, trabalhou com testes de
inteligência infantil e formação de professores. Desenvolveu trabalhos sobre “as teorias do construtivismo
genético, os estágios do desenvolvimento da inteligência e dos conhecimentos científicos” (GONÇALVES et al.,
2023b, p. 235). Assim, suas pesquisas apresentam relevantes contribuições para a área da Educação e da
Saúde, permeando os saberes psicopedagógicos.
A Epistemologia Genética busca investigar como o conhecimento evolui ou é construído na espécie humana.
Nessa vertente, os estudos construtivistas estão diretamente relacionados com o processo de aprendizagem
humana, por isso, auxiliam o psicopedagogo a entender como o conhecimento é elaborado, transformando-
se em uma importante ferramenta para compreender e intervir na mobilização da construção do
aprendizado.
A Teoria Histórico-Cultural, ou Psicologia Histórico-Cultural, foi desenvolvida na época da Rússia
revolucionária, no início do século XX, em que se buscava um novo conceito de compreensão de indivíduo e
sociedade (PRESTES, 2012).
Naquele contexto da Revolução Russa, a maior parte da população era analfabeta e se encontrava em
condições deploráveis de miséria. Nessa perspectiva, Lev Semionovitch Vigotski (1896-1934), Alexis
Nikolaevich Leontiev (1903-1979) e Alexander Romanovitch Luria (1902-1977), junto com outros pesquisadores
da época, desenvolveram uma teoria que buscava compreender o ser humano por meio de uma perspectiva
histórica e cultural (PRESTES, 2012).
Isso significa que os aspectos biológicos são considerados, porém, não são fatores limitantes para o
desenvolvimento. Ou seja, todo ser da espécie humana pode se desenvolver, desde que as condições
objetivas para isso sejam consideradas. Nesse sentido, há inúmeras pesquisas sobre o desenvolvimento e a
periodização do psiquismo humano, nas quais podemos encontrar subsídios teóricos sobre essa perspectiva,
que prima a materialidade. Assim, defende que os seres humanos se desenvolvem a medida que se
apropriam das elaborações culturais construídas pela humanidade (GONÇALVES et al. 2023a).
Podemos compreender que ambas as teorias consideram o desenvolvimento humano sob perspectivas
distintas, porém complementares, e trazem elementos para compreendermos o desenvolvimento humano e o
processo de aprendizagem.
Com base nessas argumentações iniciais, afirmamos a necessidade de o psicopedagogo conhecer sobre o
desenvolvimento humano, para a elaboração de uma intervenção preventiva no processo de aprendizagem.
INDICAÇÃO DE ESTRATÉGIAS E MATERIAIS NAS INTERVENÇÕES PSICOPEDAGÓGICAS
PREVENTIVAS
Para um trabalho preventivo, Albee e Joffe (1977), indicam a existência de três níveis:
Prevenção Primária: consiste em ações para evitar problemas;
Prevenção Secundária: propõe uma intervenção para um problema específico, após o diagnóstico, com
vistas a evitar riscos de expansão;
Prevenção Terciária: visa à redução dos efeitos dos problemas já estabelecidos nos grupos ou
populações, atuando de forma mais ampla para a minimização das consequências.
Destacamos ainda, três níveis de intervenção psicopedagógica, conforme as contribuições de Bossa (2000):
Primeiro nível: trata-se de um trabalho para evitar problemas de aprendizagem que consiste na
orientação de docentes e familiares com relação aos aspectos didáticos e metodológicos no ensino;
Segundo nível: consiste no tratamento ou minimização de dificuldades de aprendizagem existentes, em
que o psicopedagogo realiza um diagnóstico institucional e elabora planos de intervenções, para evitar a
repetição ou surgimento de futuros problemas.
Terceiro nível: propõe alternativas para reduzir os problemas instalados e age na prevenção de outras
adversidades no processo de aprendizagem.
Nesse contexto, como estratégias de atividades e materiais nas intervenções psicopedagógicas, podemos
mencionar os recursos com Arte e Literatura, além de jogos, brincadeiras e materiais concretos.
Nessa perspectiva, as rotinas e os planejamentos que envolvam elementos da Arte e da Literatura podem
contribuir com o desenvolvimento das capacidades especificamente humanas, como memória, atenção,
concentração, linguagem, raciocínio, criação e imaginação. Além disso, é possível a superação de dificuldades
de aprendizagem, socialização e afetividade por meio do uso de materiais concretos, dos jogos e das
brincadeiras.
A Arte e a Literatura apresentam expoentes e conteúdos capazes de sensibilizar, ensinar e possibilitar a
realização de trabalhos com diferentes temáticas, como emoções, sentimentos, diversidade, valores, entre
outros saberes atrelados ao currículo da Educação Infantil e do Ensino Fundamental (GONÇALVES, 2020).
Com a utilização de materiais concretos e a inserção de jogos e brincadeiras no cotidiano escolar, as crianças
se desenvolvem nos aspectos intelectuais e físicos. Vygotsky (1998) aponta que, ao brincar, o sujeito pensa e
avança no raciocínio, “estabelece contatos sociais, compreende o meio, desenvolve habilidades,
conhecimentos e criatividade” (VYGOTSKY, 1998, p. 21).
Reafirmamos, portanto, a essencialidade do trabalho preventivo do psicopedagogo, de maneira
interdisciplinar e multidisciplinar, a fim de desenvolver plenamente os sujeitos do processo de aprendizagem.
VAMOS EXERCITAR
Para um trabalho psicopedagógico preventivo, com vistas a prevenir problemas de aprendizagem e o fracasso
escolar na situação de Clara, primeiramente, o psicopedagogo buscou estabelecer parcerias com
coordenadores e docentes na instituição educativa, para compreender a rotina da escola, as características
dos profissionais e as necessidades da estudante.
Nessa relação, o psicopedagogo acompanhou o processo de ensino e aprendizagem e sugeriu estratégias
para favorecer a relação entre professores e alunos, contribuindo com a formação contínua docente.
Ademais, o profissional se instrumentalizou com estudos e práticas carregadas de sentido e significado no
ensino. Isso possibilitou a indicação de estratégias e materiais para contribuir com as intervenções
pedagógicas.
Para o colégio em que Clara estuda, o psicopedagogo sugeriu um repertório de músicas, literaturas, jogos e
brincadeiras que proporcionassem, não somente à Clara, mas a todos os alunos, a interação, a compreensão
das regras do estabelecimento, a criação de laços afetivos e o aprendizado por meio de vivências
significativas.
Desse modo, os professores perceberam outras possibilidades de ensino, e o ato de aprender se tornou
prazeroso. Certamente, essa intervenção pedagógica terá um efeito preventivo no processo de aprendizagem
dos estudantes, ao se trabalhar o conteúdo de forma lúdica.
 Saiba mais
Para enriquecer nossas discussões sobre a temática da aula, indicamos a leitura e o estudo do “Manual
Prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico”. O objetivo do manual é fornecer aos profissionais da
área uma visão geral dos principais aspectos envolvidos no processo de diagnóstico, bem como
orientações e estratégias para a realização de uma avaliação completa e precisa.
ATUAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA PARA O DESENVOLVIMENTO HUMANO
Olá, estudante!
Nesta unidade, contemplamos os elementos que caracterizam a atuação do psicopedagogo, conhecemos os
locais de atuação profissional e como é possível realizar intervenções educativas para o desenvolvimento
integral do ser humano. Muitos são os desafios, e diversos foram estudados durante nossas aulas. Destes,
destacamos a consultoria psicopedagógica frente aos desafios atuais, aos trabalhos em espaços institucionais,
o apoio pedagógico, a compreensão do processo de aprendizagem, as parcerias e gerenciamento de equipes.
Olá, estudante!
Nesta unidade, estudamos os fundamentos da consultoria e da assessoria psicopedagógica. 
Vale destacar que o objetivo principal da atuação psicopedagógica é o desenvolvimento humano. Na própria
Constituição Federal, consta:
Sob esse aspecto, previsto na legislação brasileira, somos responsáveis pelo plenodesenvolvimento das
crianças e dos jovens. Nesse sentido, é essencial o trabalho do psicopedagogo, visando à mobilização das
capacidades humanas em sua integralidade.
Nos materiais encontrados no site da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp), destacamos uma
orientação importante: de acordo com a Resolução 01, de 06 de abril de 2018, do Ministério da Educação e da
Cultura (MEC), podem ser oferecidos cursos de pós-graduação, ou seja, de especialização, em âmbito federal
de educação superior, com a carga horária mínima de 360h.
A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada
com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu
preparo pra o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (BRASIL, 2016, p.
123).
Aula 5
ENCERRAMENTO DA UNIDADE
Vale destacar, também, que está previsto no Projeto de Lei tramitando no Congresso Nacional os seguintes
direcionamentos:
Artigo 2º – Poderão exercer a atividade de Psicopedagogia no País:
Nessa vertente, as intervenções psicopedagógicas são importantíssimas para favorecer a aprendizagem. Para
tanto, é imprescindível discutir o conceito de aprendizagem, já que os psicopedagogos atuarão nesse
processo, seja para a prevenção do fracasso escolar, para superar alguma dificuldade de aprendizado, ou para
reestabelecer sentidos e significados relacionados ao ato de aprender, em diferentes frentes de atuação,
como em escolas, hospitais, clínicas, empresas e organizações não governamentais, por exemplo.
Nessa lógica, o psicopedagogo deve se atentar para a avaliação das causas ou circunstâncias dos sujeitos que
apresentam dificuldades na aprendizagem. Estas podem ser causadas por uma situação familiar, como a
separação dos pais, por violência, entre outros, por algum transtorno do neurodesenvolvimento ou síndrome,
e, até mesmo, pelo vínculo do sujeito com o professor. Cabe mencionar que citamos apenas alguns exemplos,
mas as situações que geram a dificuldade de aprendizagem podem ser das mais variadas, por isso faz-se
necessária uma avaliação detalhada de cada caso.
Assim, a consultoria e a assessoria psicopedagógica precisa estar atenta a vários fatores que envolvem o
sujeito, desde aspectos de sua personalidade, suas reações, seus comportamentos na família, com os amigos,
na escola, até se a criança apresenta algum transtorno ou síndrome. Há de se atentar também para a
gestação da genitora, o nascimento da criança, o tipo de parto, entre outros detalhes que formarão um leque
de informações a respeito do indivíduo, em entrevistas com os responsáveis.
Ao longo da atuação psicopedagógica, as parcerias com outros profissionais se tornam fundamentais,
considerando que a Psicopedagogia atua de forma interdisciplinar, transdisciplinar e multidisciplinar.
É válido lembrar que a intervenção psicopedagógica tem como principal objetivo atuar nos processos de
aprendizagem dos indivíduos, considerando que cada sujeito aprende de uma forma única. Nesse sentido,
cabe à atuação do psicopedagogo criar condições favoráveis para o aprendizado, utilizando diferentes
estratégias para incentivar a comunicação e recursos para sensibilizar e promover o desenvolvimento da
afetividade e da aprendizagem.
No trabalho preventivo, trabalha-se situações relacionadas aos vínculos estabelecidos entre professores e
estudantes, em que se busca a integração entre afetividade e intelectualidade. Além disso, a proposta de
assessoria e consultoria psicopedagógica se configura como oportunidade para que se estabeleçam novos
sentidos e significados para o processo de aprendizagem.
É HORA DE PRATICAR
Em uma escola municipal, localizada em Maringá/PR, a psicopedagoga realizou uma visita rotineira. Por
meses, ela vem prestando consultoria e assessoria às escolas da rede, portanto, conhece os desafios, os
estudantes, os professores e as equipes pedagógicas, e vem desenvolvendo intervenções psicopedagógicas
I – os portadores de diploma em curso de graduação em Psicopedagogia expedido por
escolas ou instituições devidamente autorizadas ou credenciadas nos termos da legislação
pertinente;
II – os portadores de diploma em Psicologia, Pedagogia, Fonoaudiologia, ou licenciatura
que tenham concluído curso de especialização em Psicopedagogia, com duração mínima
de 600 horas e carga horária de 80% na especialidade (ABPp, 2020, on-line). 
nas instituições.
Em uma dessas visitas, a uma escola específica, que chamaremos de Escola Municipal Pioneiros (nome
fictício), a equipe pedagógica relatou que Enzo (nome fictício), matriculado no terceiro ano do Ensino
Fundamental, não está concluindo as atividades, está bem disperso, agitado e até agressivo com os colegas.
Tal conduta causou estranhamento entre os professores, pois Enzo, até então, era considerado um aluno
quieto e apático. No entanto, há cerca de 3 semanas, tem apresentado um comportamento totalmente
diferente, conforme mencionado.
Nesse caso, como o psicopedagogo pode intervir para auxiliar Enzo? Como orientará os professores? Como
abordará a família?
Primeiramente, vale destacar que o psicopedagogo precisará orientar a equipe pedagógica e os professores a
perceberem todos os alunos. Geralmente, os estudantes considerados bagunceiros, indisciplinados e
agressivos são aqueles que têm o foco dos professores. Em contrapartida, é necessário observar cada aluno e
procurar conhecer essa criança e a sua família. No caso de Enzo, pode-se solicitar uma reunião com os
responsáveis, juntamente com a professora e algum integrante da equipe pedagógica. No próprio diálogo
com a família, haverá muitas informações importantes sobre ele.
Pode ser que essa criança já estivesse demonstrando, há tempos, sinais de que precisava de ajuda,
apresentando um comportamento muito introvertido. Por vezes, as crianças consideradas “quietas” passam
despercebidas pelos professores, pois não chamam atenção. Assim, é importante que o psicopedagogo
oriente os professores a conhecerem os alunos, pois são os profissionais mais próximos dos estudantes, que
estão dia a dia em contato com eles.
Sobre o caso de Enzo, a fim de coletar mais dados sobre a criança, pode-se ter acesso aos relatórios e às
fichas com informações do aluno, desde a Educação Infantil. Nessa lógica, a equipe pedagógica precisa
arquivar e cuidar das documentações antigas e recentes, que se configurará no histórico escolar. Além disso,
cabe orientar os professores a realizarem anotações sobre o processo de aprendizagem e conduta das
crianças, para auxiliar no acompanhamento do desenvolvimento de cada estudante e nos conselhos de classe
durante o ano letivo.
Diante dessas possibilidades, o psicopedagogo poderá realizar entrevistas com o aluno, com a família e
observar alguns aspectos das aulas por meio do acompanhamento. Assim, o profissional terá um respaldo
para avaliar se a mudança de comportamento do Enzo foi provocada por alguma desestruturação na família,
por bullying, por atividades escolares sem sentido e significado para aquela etapa, por uma relação distante
com o professor, por algum problema de saúde ou algo que precisará de uma investigação mais aprofundada,
com o auxílio de outros especialistas, como psicólogo, psiquiatra ou neurologista.
Ou seja, em um primeiro momento, é preciso diagnosticar se trata-se de uma dificuldade ou um transtorno de
aprendizagem. Conforme estudamos, a dificuldade de aprendizagem pode ser causada por fatores externos,
como problemas familiares e emocionais, considerados momentâneos; ou fatores internos, devido a algum
transtorno de aprendizagem, originado por síndromes e deficiências, por exemplo.
Após as investigações realizadas pelo psicopedagogo, constatou-se que Enzo estava passando por um
processo de separação dos pais. Por anos, a criança estava vivenciando cenas de violência do pai alcoólatra,
que batia na mãe e nos 4 irmãos mais novos. Por esse motivo, apresentava um comportamento bastante
introvertido, devidoao sofrimento que presenciava diariamente. Cabe ressaltar que, até o momento, esse fato
era desconhecido pela escola. Assim, somente com o diálogo com a criança, por meio da intervenção
psicopedagógica, foi possível  conhecer a realidade de Enzo.
O comportamento agressivo, a indiferença com as atividades escolares, a dispersão e a agitação são
manifestações de sua vida atual. Como Enzo vivencia essas situações em casa, reproduz na escola, e é uma
forma de pedir ajuda.
Com o apoio psicopedagógico, foi possível orientar os professores com o trabalho de literaturas que
tratassem dos sentimentos e de situações de separação dos pais. Em rodas de conversa, os estudantes
puderam contribuir e manifestar seus sentimentos, experiências e vivências, para enriquecer os diálogos.
Assim, os professores também conseguiram se aproximar dos estudantes. Além disso, foram proporcionados
aos escolares momentos para que expressassem seus sentimentos por meio de desenhos e produções
textuais.
Por meio das ações interventivas psicopedagógicas, Enzo conseguiu expressar seus sentimentos de tristeza e
lidar com seus conflitos. Nesse aspecto, tornou-se uma criança mais ativa e participativa e avançou nos
estudos.
Percebemos com a resolução deste estudo de caso que os conhecimentos mobilizados nas aulas, foram
imprescindíveis para contribuir com o processo de ensino e aprendizagem de Enzo, e poderão ajudar também
outros estudantes invisíveis ou rotulados a protagonizarem suas histórias.
DÊ O PLAY!
Olá, estudante!
Sou a professora Kalyandra Imai Gonçalves. Peço licença para compartilhar com vocês algumas passagens de
minha trajetória acadêmica e profissional, que estão relacionadas com a atuação psicopedagógica.
Primeiramente, muito obrigada pela oportunidade de percorrer com vocês esse trajeto de estudos ao longo
da Unidade 1, e das aulas 5 e 6 da Unidade 2.
Realizei a especialização em Psicopedagogia e em Neuropsicopedagogia na busca de melhor compreender o
processo de aprendizagem, pois também atuo como professora, desde 2000. Também tive a experiência de
realizar atendimentos psicopedagógicos e neuropsicopedagógicos clínicos, que enriqueceram a minha
atuação no ensino. Desde então, não parei de estudar. No mestrado, pesquisei sobre o processo de
aprendizagem e desenvolvimento na Primeira Infância, e atualmente, no Doutorado, pesquiso sobre as
contribuições da Neuropsicologia para a Educação.
Atualmente trabalho na docência da Educação Básica no município de Maringá/PR, e como pedagoga na
supervisão educacional em um colégio estadual do Paraná.
Há muitas experiências que presenciei no decorrer da profissão, e posso afirmar que os conhecimentos da
Psicopedagogia subsidiaram práticas como psicopedagoga e pedagoga, de forma a ampliar meu repertório de
possibilidades de intervenção no aprendizado dos discentes e docentes.
Diante de inúmeros exemplos que poderia citar, lembro-me de um caso em especial, ocorrido em 2009, em
uma escola na periferia da Zona Leste do município de São Paulo. Eu era professora de uma turma de 1º ano.
Após realizar o acolhimento e o processo de adaptação das crianças, estava feliz com os resultados do
processo de aprendizagem.
Porém, havia uma aluna que estragava o caderno, riscava as atividades e começou a furtar os materiais
escolares dos colegas. As crianças da turma não queriam brincar com ela. Um dia, lembrando do que havia
aprendido nas aulas de Psicopedagogia, pedi para as crianças desenharem o que era mais importante para
cada uma.
Para minha surpresa, a aluna mencionada desenhou uma sepultura. Ao questionar a criança sobre o porquê
de ter feito aquele desenho, ela me explicou que desenhou o pai. E contou que seu pai havia sido assassinado.
Fiquei bastante comovida pelo fato de uma criança tão pequena vivenciar uma situação tão dolorosa.
Com base nas experiências adquiridas como psicopedagoga, conversei com a aluna em particular, e,
posteriormente, dialoguei com a turma sem a presença dela, solicitando a colaboração de todos para acolhê-
la, convidá-la para brincar e ser amiga dela.
Por conseguinte, foi criado um momento em que a aluna teve a oportunidade de se desculpar com os colegas
e devolver espontaneamente os materiais dos estudantes. Após essa situação, a estudante melhorou em sua
conduta com os amigos, passando a ter um relacionamento saudável, e nas atividades que desenvolvia
percebia-se cuidado e esforço.
Algum tempo depois, a mãe da criança veio conversar comigo, pois teria que mudar de casa e,
consequentemente, a filha seria transferida para outra escola. Para minha surpresa, a mãe me agradeceu,
dizendo que sua menina se transformou em outra pessoa, devido à conduta que tive com ela, de escuta ativa,
acolhimento da dor, apresentação de possibilidades de superação e promoção do sentimento de
pertencimento à turma.
Essa foi uma história marcante em minha trajetória como professora, utilizando meus conhecimentos como
psicopedagoga. A Psicopedagogia nos torna pessoas e profissionais melhores, pois possibilita que
percebamos o que está por trás de um comportamento, de um olhar, de um rabisco, entre outras situações.
Infelizmente, a presença dos psicopedagogos nas instituições escolares, como parte permanente do quadro
de profissionais, ainda está distante, mas podemos continuar nos aprimorando como profissionais, por meio
dos estudos.
Espero que as aulas e as experiências compartilhadas possam contribuir com a formação inicial de todos
neste curso. Desejo que cada um tenha várias histórias para compartilhar posteriormente, com base nos
conhecimentos da Psicopedagogia.
Abraços psicopedagógicos!
ASSIMILE
Fonte: elaborado pelo autor.
REFERÊNCIAS
Aula 1
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em-psicopedagogia/. Acesso em: 10 mar. 2024.
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Conselho da ABPp, gestão 2011/2013 e aprovado em Assembléia Geral em 5/11/2011. Disponível em:
https://www.abpp.com.br. Acesso em: 10 mar. 2024.
BRASIL. Câmara dos Deputados. Projeto de Lei nº 3.512, de 2008. Dispõe sobre a regulamentação do
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Andressa

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