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F R E N T E 3 293 Observe que, quanto maior o índice de refração relativo para os meios A e B, menor é a velocidade de propagação de uma luz monocromática em relação ao meio B. Leis da refração Considere um dioptro constituído por uma superfície de separação S e dois meios refringentes A e B, com índices de refração nA e nB, respectivamente. Considere agora um raio de luz monocromático incidente ri na superfície no pon- to I, gerando um raio refratado rr. Observe a figura a seguir. Meio A S N I I r i r i î Meio A S N î n A < n B ⇒ v B < v A n A > n B ⇒ v B > v A Fig. 4 Refração da luz. Primeira lei da refração O raio de luz incidente, o raio de luz refratado e a reta normal são coplanares. vAtenção Segunda lei de refração É constante a relação entre os senos dos ângulos de incidência e refração. Essa lei é conhecida por Lei de Snell-Descartes. nAsen î = nBsen r̂ sen î > sen ⇒ î > Meio B Meio A S N r̂ r̂ î Meio A S N î n A < n B sen î < sen ⇒ î <ˆ r̂ n A > n B r Fig. 5 Lei de Snell-Descartes. em que: î: ângulo de incidência. ^r: ângulo de refração. vAtenção Uma consequência direta da mudança de velocida- de de propagação de um meio para o outro é que a luz poderá sofrer um desvio de direção no sentido de se aproximar ou de se afastar da reta normal. Só não ocorrerá um desvio da direção de propagação se a luz sofrer uma incidência normal ( î 0 )= ° . Para descrever o comportamento da luz na refração, observe: nmaior vai para nmenor vmenor vai para → vmaior ∴ o raio de luz se afasta da reta normal nmenor vai para → nmaior vmaior vai para → vmenor ∴ o raio de luz se aproxima da reta normal FÍSICA Capítulo 9 Refração da luz294 v No meio mais refringente (nmaior), o ângulo que a luz forma e sua res- pectiva velocidade são menores em relação ao outro meio (nmenor). Atenção Ângulo limite de incidência Considere um raio de luz se propagando de um meio mais refringente A para um meio menos refringente B. Nes- se caso, como já vimos, o raio refratado tende a se afastar da normal. Meio A S N r̂ î Meio B Fig. 6 Refração do meio mais refringente para o menos refringente. Observe que nA > nB ⇒ r̂ > î e que, à medida que se aumenta î, o ângulo r̂ também aumenta. No caso limite, temos um valor tal para î, tal que r̂=90°. Para esse valor de î, chamamos de ângulo limite de inci- dência L̂. Meio A S N r = 90ºˆ î Meio B ˆ ˆr̂ = 90º⇒ i = L Fig. 7 Refração rasante. v Ângulo limite (L̂) é o ângulo de incidência no meio mais refringente que gera uma refração rasante (r̂ 90 )= ° no meio menos refringente. Atenção Pode-se calcular o ângulo limite L̂ pela Lei de Snell- -Descartes, observe: ⋅ = ⋅n senî n sen A B r̂ A B aplicando a definição de L̂, temos: nA ⋅ sen L̂ =nB ⋅ sen 90º Como sen 90º = 1, temos: nA ⋅ sen L̂ =nB Logo: sen L̂ = n n B A Observe que, como nB < nA, sen L̂ é sempre menor que 1. Todo dioptro possui um ângulo limite para a refração da luz do meio mais refringente para o meio menos refringente, e esse valor é dado pelo arco cujo seno é a razão entre o menor n e o maior n. sen L̂ = n n (menor) (maior) Reflexão total E se por algum motivo o ângulo de incidência da luz no meio mais refringente for maior do que o ângulo limite? Nesse caso, o ângulo de refração não pode ser supe- rior a 90°, portanto, em casos de >î L̂, teremos uma reflexão total da luz incidente, apesar da superfície em questão não se tratar de um espelho. Meio + refringente S îr̂ =î Meio – refringente Fig. 8 Reflexão total, î > L. v Condições para que ocorra reflexão total: I. incidência pelo meio mais refringente. nmaior→ nmenor II. î > L̂ Atenção Dioptro plano Temos um dioptro plano quando a superfície de sepa- ração S entre os dois meios de propagação for plana. O objetivo principal, em nosso estudo de dioptros planos, é determinar posições aparentes de objetos observados por observadores em meios distintos. Vamos dividir esse estudo em duas situações: ˆ F R E N T E 3 295 Situação 1: Objeto no meio mais refringente e observador em um meio menos refringente. Observe a figura a seguir. Meio – refringente Meio + refringenteP’ P Objeto I1 I2 î r̂ ˆˆ(r > i Imagem 1 2 ) Fig. 9 Posição aparente, P’ < P. O observador no meio menos refringente percebe a imagem P’, conjugada por um dioptro plano, de um objeto real P localizado no meio mais refringente. A imagem P’ é virtual e está mais próxima da superfície S do que o objeto P. No caso dos meios 1 e 2 serem o ar e a água, res- pectivamente, teremos a mesma visão que temos quando observamos um peixe na água ou o fundo de uma piscina; tanto o peixe quanto o fundo da piscina parecem estar mais próximos da superfície do que realmente estão. Observação: Este fenômeno pode se tornar um risco para mergulhadores de cavernas submersas, pois, ao emergir, podem ter a impressão de que o teto, ou mesmo uma estalactite, está mais afastado da superfície do que realmente está, podendo gerar um grave acidente. Contudo, o dioptro plano é um sistema óptico astig- mático, significando que a imagem P’ será uma mancha luminosa, entretanto, se considerarmos os raios de luz pa- raxiais, ou seja, próximos da reta normal, o dioptro plano poderá ser considerado estigmático. Nessas condições, podemos demonstrar que: = ⋅P’ n n Pobservador objeto em que: P’: posição da imagem em relação a S. P: posição do objeto em relação a S. nobservador: índice de refração do meio para o qual a luz emerge (1). nobjeto: índice de refração do meio no qual a luz incide (2). Situação 2: Objeto no meio menos refringente e observador em um meio mais refringente. Observe a figura a seguir. Meio – refringente Meio + refringente Objeto Imagem P P’ ˆˆ(r < i) r̂ î 1 2 Fig. 10 Posição aparente, P’ > P . O observador no meio mais refringente percebe a ima- gem P’, conjugada por um dioptro plano, de um objeto real P localizado no meio menos refringente. Analogamente à situação 1, a imagem P’ é virtual, só que, desta vez, a imagem está mais afastada da superfície S do que o objeto P. No caso dos meios 1 e 2 serem o ar e a água, respec- tivamente, teremos a mesma visão que um mergulhador tem quando observa uma ave no ar, tendo a nítida impres- são de que a ave está mais afastada da superfície do que realmente está. Perceba que a equação vista para a situação 1 é válida para a situação 2. = ⋅P’ n n Pobservador objeto Exercícios resolvidos 1 Uma pedrinha encontra-se no fundo de uma piscina, a uma profundidade igual a 2,0 m. Considerando igual a 4 3 o índice de refração da água, qual a profundidade aparente dessa pedra para uma pessoa que se en- contra fora da água, olhando para ela, nas vizinhanças da vertical que passa pela pedra? Resolução: n = 1 n = 4 32 m Observador P P’ x S Água Ar ⋅P’ = n n PObservador Objeto FÍSICA Capítulo 9 Refração da luz296 ⋅ ⇒ ⋅ ⇒P’ = 1 4 / 3 2 P’ = 3 4 2 P’ = 1,5 m ∴ Posição aparente = 1,5 m 2 Um mergulhador imerso nas águas de um lago ob- serva um avião no instante em que ambos estão aproximadamente na mesma vertical. O avião está 600 m acima da superfície da água, cujo índice de refração admite-se igual a 4 3 . A que altura da super- fície da água o avião aparenta estar, em relação ao mergulhador? Resolução: 600 m x P’ P S n = 1 n = 4 3 Água Ar ⋅ ⇒ = ⋅ ⇒ =P’ = n n P P’ 4 3 1 600 P’ 800 mObservador Objeto ∴ Posição aparente = 800 m Lâmina de faces paralelas Uma lâmina de faces paralelas é uma associação de dois dioptros planos e paralelos. Meio C Meio A î A î B r̂ C r̂ B Fig. 11 Lâmina de faces paralelas. Na maioria dos casos, o que ocorre é o representado na figura anterior, em que os meios A e C são igualmente refringentes, isto é, nA = nC, que, por sua vez, são menores que nB. Aplicando a Lei de Snell-Descartes, temos: em S1 : nA ⋅ sen iA = nB ⋅ sen rB em S2 : nB ⋅ sen iB = nC ⋅ sen rC Logo: nA ⋅ sen iA = nC ⋅sen rC No caso de nA = nC, por exemplo, uma lâmina de vidro envolvida pelo ar, seniA = sen iC, já que nA ⋅ sen iA = nC ⋅ sen iC e nA = nC. Como a função seno no primeiro quadrante é uma fun- ção estritamente crescente, sen iA = sen iC implica iA = iC Portanto, em uma lâmina de faces paralelas envolvidas pelo mesmo meio, o raio de luz incidente é obrigatoriamen- te paralelo ao raio de luz emergente. Meio B Meio A Meio A re (re // ri) N2 N1ri r̂ r̂ î î Fig. 12 Raio emergente paralelo ao raio incidente. Em que: ri: raio de luz incidente. re: raio de luz emergente. Observação: Ao observar um objeto através de uma janela de vidro de faces paralelas, a imagem observada está mais próxima do vidro do que o objeto, devido ao deslocamento dos raios de luz. Deslocamento lateral do raio emergente em relação ao raio incidente Como o raio de luz emergente é paralelo ao raio de luz incidente, devemos calcular o deslocamento lateral que esse raio de luz sofre. Observe a figura a seguir. C rr Meio C Meio AA î B Deslocamento lateral Fig. 13 Deslocamento lateral em uma lâmina de faces paralelas.