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Substantivo
Fig. 2 Substantivo.
O substantivo é a classe gramatical que nomeia seres,
qualidades, ações ou estados. Comporta propriedades,
os adjetivos, e flexiona-se em gênero, número e grau. O
substantivo funcionará na oração (frase com verbo) como
núcleo de um termo (sujeito, objeto, predicativo etc.), prin-
cipal palavra de uma sequência nominal (sem verbo). Em
“Bagdá foi atacada pelos americanos”, por exemplo, “Bag-
dá” e “americanos”, substantivos na morfologia, funcionam
sintaticamente como núcleos do sujeito e do agente da
passiva, respectivamente.
O substantivo costuma fazer o plural em “s” (o verbo,
com algumas exceções, faz o plural em “m”) e não admite
flexão no tempo (o verbo admite). Compare:
 A luta é difícil. As lutas são difíceis.
 Ele luta sempre. Eles lutam sempre.
O artigo transforma qualquer palavra em substanti-
vo quando o antecede. No texto a seguir, por exemplo,
“quereres” e “estares” funcionam como substantivos, e
não como verbos:
O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é de mim tão desigual
Caetano Veloso. “O quereres”. Intérprete: Caetano Veloso.
In: Totalmente Demais. Polygram, 1986. 3a faixa.
P
o
e
m
a 
vi
su
al
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g
g
/e
g
o
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e
 M
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ce
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ah
e
a.
art.
subst.
verbo
adjetivo art.
subst.
verbo
adjetivo
pron.
verbo
advérbio pron.
verbo
advérbio
Classificação do substantivo
Concretos
Há quem passe pelo bosque e só veja lenha para fogueira.
Leon Tolstoi.
Os substantivos concretos possuem existência própria,
independente, e referem-se a elementos do mundo natural.
A fada e o príncipe dos contos maravilhosos são concre-
tos, porque são apresentados sob forma humana. O ar é
concreto, pois, a exemplo daqueles, remete a um elemento
do mundo natural. São concretos: João (pessoa), Campinas
(lugar), saci (entidade), pedra (objeto), tempestade (fenôme-
no), senado (instituição).
Abstratos
A imaginação é mais importante que o conhecimento.
Albert Einstein.
Os substantivos abstratos dependem de algo para
existir, a beleza só existe se houver algo ou alguém belo.
Designam nomes de qualidades, ações e estados. Trata-se
de categorias universais: bondade (qualidade), vingança
(ação), vida (estado).
A análise do substantivo, todavia, deve ser feita sempre
no contexto, na frase, pois um substantivo concreto pode as-
sumir valor abstrato e vice-versa. Observe as frases a seguir.
O prefeito quer a plantação de batata em todo o município.
abstrato: o ato de plantar
A plantação de batata foi perdida por causa das chuvas.
concreto: um pedaço de terra com batatas
O amor é um sentimento nobre.
abstrato: o sentimento
Vem, amor, o arco-íris espera por nós.
concreto: a esposa, a namorada
Em textos literários, sobretudo, a utilização de concre-
tos no lugar de abstratos e vice-versa consiste num efeito
de sentido, trata-se de uma figura de linguagem denomi-
nada metonímia. Veja a frase a seguir.
O medo cortava os céus de Bagdá, as crianças chora-
vam, pressentiam a morte.
O termo “medo” substitui “aviões”, dando mais elegân-
cia ao texto. Ocorre também efeito de sentido quando o
enunciador mistura uma sequência de concretos com abs-
tratos, observe o seguinte texto.
Tocava piano, violoncelo, harpa e a tristeza de ter nas-
cido sem perna.
O autor surpreende o leitor ao colocar o substantivo
abstrato “tristeza” depois de uma sequência de concretos.
A esse processo também chamamos quebra do paralelismo
semântico. F
R
E
N
T
E
 1
7
Próprios
Indicam um ser da espécie: Bianca, França, Poliedro.
Há substantivos próprios que podem virar substantivos
comuns e vice-versa.
Era um judas, a cidade o condenava.
Comuns
Indicam um conjunto de seres da mesma espécie:
criança, país, montanha. Dependendo do contexto, o subs-
tantivo comum vira próprio e vice-versa.
O técnico Leão assume o time do Palmeiras.
“Leão” é nome próprio, o ex-goleiro da seleção bra-
sileira.
No texto a seguir, “Iraque” funciona como substantivo
comum, sinônimo de guerra prolongada, mais penosa:
Para alguns especialistas, a cidade do Rio está se tornando
um iraque latino-americano.
Em certas situações, o uso de substantivos comuns
e próprios pode obedecer a uma estratégia enunciativa.
Observe os textos a seguir.
Há certas “pessoas” que não
percebem que estão atrapalhando.
Você está dizendo que estou
atrapalhando, Zé?
Fig. 3 Estratégia enunciativa (substantivo comum).
Desculpe-me, o senhor
não pode entrar.
O senhor sabe com
quem está falando?
Fig. 4 Estratégia enunciativa (substantivo próprio).
NÃO!
Joaquim Novaes
Albuquerque Lima
No primeiro quadrinho da figura 3, “pessoas”, subs-
tantivo comum, é usado em tom irônico, o enunciador faz
referência ao amigo presente, mas não o cita diretamente;
trata-se de um efeito de afastamento. Na figura 4, “Joaquim
Novaes Albuquerque Lima”, nome próprio, funciona como
argumento para o indivíduo entrar na festa, faz lembrar as
famílias tradicionais, que primam pelo sobrenome.
Coletivos
A gente todos os dias arruma os cabelos: por que não o
coração?
Provérbio chinês.
São assim chamados por designarem uma coleção
de seres ou certas entidades coletivas. Os coletivos clas-
sificam-se entre os substantivos comuns: exército, par,
cardume etc.
álbum de autógrafos, retratos, selos
alcateia de lobos
aludel de vasos
armada de navios de guerra
arquipélago de ilhas
assembleia de pessoas reunidas
atilho de espigas
atlas de mapas
baixela de utensílios para serviço de mesa
banca de examinadores, de advogados
bando de pessoas, aves, ciganos
batalhão de soldados, desempregados, manifestantes
bosque de árvores
8 LÍNGUA PORTUGUESA Capítulo 1 Morfologia – Classes gramaticais
buquê de flores
cáfila de camelos
capela de macacos
cardume de peixes, submarinos
colégio de eleitores, de cardeais
colmeia de abelhas
colônia de imigrantes, formigas ou bactérias
concílio de bispos convocados pelo papa
conclave de cardeais escolhidos para eleger o papa
consistório cardeais presididos pelo papa
constelação de astros e de estrelas
cordilheira de montanhas
discoteca de discos ordenados
dilúvio de perguntas, coisas em grande quantidade
elenco de artistas, atores, medidas e palavras
enxame de abelhas
enxoval de roupas e complementos
esquadra de navios de guerra
esquadrilha de aviões
falange de soldados, anjos, heróis
farândola de maltrapilhos
fato de cabras
fauna de animais de determinada região
feixe de lenha, de raios luminosos
flora de plantas de determinada região
floresta de árvores
frota de navios mercantes ou de veículos
junta
de bois, médicos, examinadores, militares que
governam
júri de jurados
manada de gado (bois, búfalos, cavalos, elefantes)
matilha de cães de caça
molho de chaves, de cenouras, de rabanetes
pelotão de soldados
pilha de livros, tijolos, discos
pinacoteca de quadros
plantel de animais selecionados
plêiade de pessoas ilustres
prole de filhos
quadrilha de ladrões, de malfeitores
rebanho de animais de qualquer espécie
repertório de peças teatrais, musicais, de anedotas
réstia de cebola, de alho
seleta de trechos escolhidos
trouxa de roupas
universidade de escolas de ensino superior
vara de porcos
viveiro de aves e peixes confinados
vocabulário de palavras
Tab. 1 Coletivos.
Em algumas situações, os substantivos coletivos podem
assumir outros significados, veja as frases a seguir.
O povo, quando não possui cultura, age como rebanho!
O substantivo “rebanho” significa, nessa frase, sem opi-
nião própria, sem poder de decisão: as pessoas e o gado
são conduzidos, não possuem vontade própria. A alteração
de significado ocorre em virtude de as palavras, em geral,
serem polissêmicas, assumirem vários sentidos. É o caso
também do substantivo coletivo “gente”, do qual se notam
dois empregos muito frequentes.
y Em linguagem coloquial, com sentido de nós:
A gente fala, fala,
e ele não escuta!!
Fig. 5 Linguagem coloquial (gente).
y Em linguagem culta, coletivo de pessoas:
Havia gente importante no congresso, a polícia federal
estava atenta.Embora considerado coloquial, “gente” com sentido de
“nós” é largamente utilizado por pessoas com nível superior
em situação de oralidade, além de marcar presença na
poesia e na música, conforme o exemplo a seguir.
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
Chico Buarque. “Roda viva”. Intérprete: Chico Buarque.
In: Chico Buarque de Hollanda Volume 3. 1968.
Simples
Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre,
é a que não tem medo do ridículo.
Luis Fernando Verissimo.
Substantivos simples são aqueles que possuem um só
radical: moleque, mula, freira.
Compostos
E, desistindo do elevador, embriagatinhava escada
acima.
João Guimarães Rosa. “Nós, os tumulentos”. Tutameia: terceiras estórias.
5 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979. p. 104.
Os substantivos compostos possuem mais de um radi-
cal: girassol (gira+sol), pão-duro.
F
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