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LEITURA E FORMAÇÃO DO LEITOR 
 
 
 
1 
 
 
 
Sumário 
LEITURA E FORMAÇÃO DO LEITOR ........................................................................ 0 
NOSSA HISTÓRIA ...................................................................................................... 4 
LEITURA ..................................................................................................................... 5 
AQUISIÇÃO DA LEITURA ....................................................................................... 5 
LEITURA E GÊNEROS LITERÁRIOS ......................................................................... 6 
GÊNERO ÉPICO OU NARRATIVO: ........................................................................ 7 
GÊNERO LÍRICO: ................................................................................................... 7 
GÊNERO DRAMÁTICO: .......................................................................................... 7 
GÊNERO DRAMÁTICO ........................................................................................... 8 
GÊNERO ÉPICO ..................................................................................................... 8 
GÊNERO LÍRICO .................................................................................................... 9 
GÊNERO NARRATIVO ......................................................................................... 10 
GÊNEROS DISCURSIVOS ................................................................................... 12 
GÊNERO JORNALÍSTICO .................................................................................... 12 
GÊNERO JURÍDICO ............................................................................................. 12 
GÊNERO LITERÁRIO (COMO JÁ VISTO ACIMA) ................................................ 13 
GÊNERO EPISTOLAR OU INTERPESSOAL, OU SEJA, MSN, SALA DE BATE-
PAPO ..................................................................................................................... 14 
GÊNERO PUBLICITÁRIO ..................................................................................... 14 
LEITURA E ENSINO: O SILENCIAMENTO DE SENTIDO NO LIVRO DIDÁTICO ... 14 
LEITURA ................................................................................................................... 16 
Leitura diária. ......................................................................................................... 17 
Leitura colaborativa ............................................................................................... 17 
A IMPORTÂNCIA DO ATO DE LER ...................................................................... 17 
TIPOS DE LEITURA .............................................................................................. 18 
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2 
A leitura como decodificação ............................................................................. 18 
A leitura como avaliação .................................................................................... 18 
LETRAMENTO ...................................................................................................... 19 
Concepções Sobre o Texto - ..................................................................................... 21 
O texto como conjunto de elementos gramaticais ................................................. 21 
O texto como repositório de informações .............................................................. 22 
O TEXTO EM SI .................................................................................................... 22 
CONCEPÇÕES DE LÍNGUA, SUJEITO, TEXTO E SENTIDO ................................. 23 
A CONSTRUÇÃO DOS SENTIDOS NO TEXTO: COESÃO E COERÊNCIA ........... 25 
O ENSINO DE PORTUGUÊS NO ENSINO BÁSICO ............................................ 25 
O TEXTO LITERÁRIO ........................................................................................... 26 
LITERATURA ........................................................................................................ 27 
A LEITURA DO TEXTO LITERÁRIO ..................................................................... 28 
O ENSINO DE LITERATURA ATRAVÉS DO LIVRO DIDÁTICO NA ESCOLA 
BRASILEIRA .......................................................................................................... 29 
LIVROS DIDÁTICOS ............................................................................................. 30 
Processo de Leitura .................................................................................................. 31 
ESTRATÉGIAS DE LEITURA ................................................................................ 31 
Habilidades que devem ser desenvolvidas antes da leitura ............................... 32 
Habilidades que devem ser desenvolvidas durante a leitura ............................. 33 
Habilidades que devem ser desenvolvidas depois da leitura ............................. 33 
ANTECIPAÇÃO (HIPÓTESE); INFERÊNCIA; AUTO-REGULAÇÃO E 
AUTOCORREÇÃO. ............................................................................................... 34 
A LEITURA DO TEXTO NA SALA DE AULA ......................................................... 36 
PRÁTICA DOCENTE – FORMAÇÃO DE LEITOR ................................................ 36 
UMA LEITURA PRAZEROSA ................................................................................ 37 
ANÁLISE DO LIVRO DIDÁTICO: LEITURA DO MUNDO ..................................... 38 
CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES ........................................................................ 38 
 
 
 
3 
A FORMAÇÃO DE LEITOR CRÍTICO: UMA CONTRIBUIÇÃO INTERDISCIPLINAR 
NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM ........................................................... 40 
FUNDAMENTANDO A AÇÃO DE FORMAR LEITORES CRÍTICOS .................... 41 
INTERAÇÃO COM OS EDUCANDOS SOBRE O ATO DE LER ........................... 46 
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 53 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
 
 
 
 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, 
em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Gradu-
ação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços edu-
cacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhe-
cimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no de-
senvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além 
de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que cons-
tituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publica-
ção ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma con-
fiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissi-
onal e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no 
país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no 
atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
5 
 
 LEITURA 
 
 
A leitura, que é um testemunho oral da palavra escrita de diversos idiomas, com 
a invenção da imprensa, tornou-se uma atividade extremamente importante para a 
civilização, atendendo múltiplas finalidades. A leitura é parte fundamental no processo 
educacional, resultando na construção do indivíduo. 
AQUISIÇÃO DA LEITURA 
Podemosou não. Se aparecerem termos, palavras ou perso-
nagens com características muito diferentes dessas, ocorre um estranhamento do lei-
tor que precisará voltar e analisar o que foi lido”. (Krielg,2002, p. 12) 
Por isso, a importância da antecipação ao processo de entendimento, do texto 
em si, passaremos para outros aspectos do processo de leitura que facilita a compre-
ensão ou intenção pretendida pelo autor. Sempre relacionando sua intenção ou obje-
tivo com a finalidade proposta por estas técnicas de leitura; sempre que o leitor exerce 
o ato de ler, o mesmo faz uso de uma ferramenta pessoal. Ferramenta esta que será 
apropriada progressivamente de acordo com sua habilidade de leitura. Uma vez que 
um leitor crítico utiliza-se da sua criticidade para inferir complementos ao texto através 
de seus conhecimentos prévios. Contudo, está estratégia pode ser utilizada indutiva-
mente, pois o leitor em sua prática de leitura a executa variando com os diversos tipos 
de texto, sem se dar conta que está fazendo uso de sua inferência para o sentido do 
texto. 
Por fim, o leitor que possui certo domínio em sua leitura passa por todos os 
passos acima citados e mais; possui condição de autocorreção. Autocorreção acon-
tece quando as expectativas levantadas pelas estratégias de antecipação não são 
confirmadas, havendo um momento de dúvida. O leitor, então, repensa a hipótese 
anteriormente levantada, constrói outra e retoma as partes anteriores do texto para 
fazer as devidas correções. 
Para completar, Krielg [7] (2002) ainda, faz um perfil do “leitor ideal”: 
• Pode-se dizer que leitor eficiente é aquele que: 
• Formula perguntas enquanto lê e se mantém atento; 
• Seleciona índices relevantes para a compreensão; 
• Supre os elementos ausentes, complementando informações; 
• Antecipa fatos; 
• Critica o conteúdo; 
• Reformula hipóteses; 
• Estabelece relações com outros aspectos do conhecimento; 
• Transforma ou reconstrói o texto lido; 
• Atribui intenções ao escritor. 
 
 
 
 
36 
Posto aqui, as estratégias de leitura, veremos como Cosson (2006, p.38) define 
esse processo, nomeando-as de: antecipação, decifração e interpretação. A anteci-
pação visando verificar previamente o objetivo de uma determinada leitura. A decifra-
ção, pois é através das palavras que entramos no texto e quanto maior nosso conhe-
cimento mais fácil será o entendimento do texto. E por último a interpretação que só 
é possível através da interação entre leitor, texto e autor, de conhecimento adquirido 
com a prática da leitura, podendo fazer inferências durante o processo de leitura, além 
da leitura de mundo que possui. 
Dada importância das estratégias de leitura dentro dos textos, seja literário ou 
não, partiremos, agora, para um breve levantamento de como são vistos e em sua 
maioria são trabalhados os textos no campo do conhecimento de uma língua, dentro 
da sala de aula. 
A LEITURA DO TEXTO NA SALA DE AULA 
Veremos como é o trabalho de leitura de textos em sala de aula por intermédio 
do livro didático. Para isso, porém, devemos estar atentos como são apresentados a 
nós professores os livros didáticos, o que o autor tentou direcionar, quais as diretrizes 
apropriadas iremos trilhar, entre outros aspectos. Vejamos, a seguir, algumas das prá-
ticas que a escola sustenta, legítima e perpetua, e os conceitos de leitura e texto em 
que estariam fundamentadas. 
Haja vista, que não é o único caminho, pois, sabemos e existem inúmeras dis-
cussões a respeito deste tema de que a leitura de um texto deve ser algo significativo. 
Para tal, a importância em formar leitores ativos e reflexivos. Uma forma com resulta-
dos expressivos é desenvolver uma leitura prazerosa. 
PRÁTICA DOCENTE – FORMAÇÃO DE LEITOR 
Antes de adentramos a esta pragmática, teceremos, aqui, um tópico que com 
certeza, ainda, desperta muita curiosidade, por se tratar de um assunto novo entre os 
atuais e antigos docentes; a importância da paixão. Falamos de uma paixão sobre a 
maneira como se leciona e a forma como isto é compartilhado. 
É preciso paixão para que o professor, mago das descobertas e repositório do 
ontem, entenda-se como ponte abraçando, segundo a inclinação do seu sonho, as 
 
 
 
37 
brancas cabeças de um logos distante e os encaracolados fios adolescentes das ca-
beças que agora despertam. Um entremeado de paixão - alicerce, paixão – persistên-
cia, paixão êxtase, paixão – fantasmagoria-de-ideal. 
Portanto, um mediador na aquisição da linguagem. Um educador que será ca-
paz de ajudá-los a “compreender a realidade, expressar a realidade e expressar-se, 
descobrir e assumir a responsabilidade de ser elemento de mudança da realidade”. 
Assim, ler e escrever, desta forma deixará de ser mecânicos atos, mas sim um ato de 
liberdade. “Ler é compreender a vida e apreender a sua obscura linguagem” (Pur-
chkine). E para isto, é preciso paixão. 
UMA LEITURA PRAZEROSA 
Há (poucas) escolas que adotam a prática de “roda da leitura” que consiste em 
cada aluno de uma mesma sala de aula adquira um livro e após o término da leitura 
de um, vá trocando de livro com os demais colegas de classe para ao final do ano 
letivo terem lido no mínimo uns 30 livros. O interessante, a princípio, é não cobrar 
nenhuma atividade do aluno até fazer com que eles adquiram o gosto da leitura pela 
leitura, somente discutir o que cada um achou da obra lida, o que chamou sua aten-
ção, se gostou ou não e ainda o que aprendeu com ela. 
Com a prática de leitura constante, na escola, daí sim trabalhar a interpretação, 
contexto histórico, a construção dos sentidos, as técnicas que deverão seguir ao ler, 
para aperfeiçoar o olhar crítico e analítico do aluno durante uma leitura. Com esse 
conhecimento literário a leitura será muito mais fácil e prazerosa, visto que o texto só 
tem sentido com a relação estabelecida entre leitor, autor e sociedade. 
A leitura só tem fundamento quando o indivíduo está aberto ao aprendizado, 
pois quando se acredita que já se sabe tudo, ela perde sua importância significativa 
em relação à leitura do mundo. 
Acredita-se que a análise literária na escola pode tirar a beleza e a magia do 
texto. Deveríamos somente encantar-nos com ele, mas isso poderia distanciar-nos da 
literatura pois pareceria-nos inacessível, inatingível. Mas a “análise literária, quando 
bem realizada, permite que o leitor compreenda melhor essa magia e penetre com 
mais intensidade” (Cosson, 2006, p.29). A leitura nos convida a interagir com o leitor 
e a obra, deixando com que preenchamos suas lacunas. A escola deve ensinar apren-
der a 
 
 
 
38 
ANÁLISE DO LIVRO DIDÁTICO: LEITURA DO MUNDO 
 
Este livro é voltado para o ensino-aprendizagem do nível fundamental, na dis-
ciplina de Língua Portuguesa, indicado a uma turma de 7ª série. Visto que ao estudar-
mos uma língua temos que saber fazer uso dela em diferentes situações concretas de 
comunicação. Lembrando que fazemos parte de uma sociedade que faz uso de uma 
língua para a interlocução de comunicadores. Para tal, devemos nos apropriar das 
ferramentas que compõe sua estrutura, organização. Além dos meios de construção, 
como a semântica, sintaxe, morfologia, semiótica e a distinção de tipologias. Assim, 
teremos condições de perceber a maneira como ela relaciona-se com os seus falan-
tes. 
Neste primeiro capítulo estudaremos a leitura de diferentes textos, porém antes 
do primeiro texto o livro apresenta-nos, ou melhor, aos leitores um clássico da litera-
tura: 
CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES 
O presente trabalho desenvolvido mostrou em sua composição diversos con-
ceitos teóricos sobre a leitura, a sua importância. Vimos às concepções de língua, 
sujeito, texto e sentido. Entendendo cada parte, uma vez que todas elas relacionam-
se entre si. 
 
O grau de letramento que o leitor deve possuir. Como é necessário saber fazer 
uso de todos os tipos de textos presentesna sociedade. Apreendemos a diferenciar o 
alfabetizado do letrado; o letramento da alfabetização. Porque, ser letrado não signi-
fica apenas saber ler e escrever é preciso saber fazer uso, ou seja, ser capaz de 
exercer as práticas sociais de leitura e de escrita que circulam na sociedade em que 
vive, além de conjugá-las com as práticas sociais de interação oral. 
Um entremeado de visões de mundo, discutimos a necessidade de valorizar o 
conhecimento internalizado do leitor. A sua participação na leitura, a importância em 
propiciar oportunidades concretas de criação de significado, pois uma leitura sempre 
será subjetiva e pessoal; mesmo que ela seja coletiva. 
Desse modo, levantamos em questão como é trabalhada a leitura dentro da 
sala de aula, através da pesquisa realizada pela PUC/RS [15], entendemos melhor a 
função do livro didático nas aulas de leitura. No entanto, observamos algumas falhas 
 
 
 
39 
por práticas ineficientes e que continuam naquele ensino tradicional e moralista. En-
sino onde somente o professor é dominador do saber, além de que o livro didático 
também recebe este título. Pois é tido como o único possuidor do saber e isento de 
qualquer falha. Um roteiro que possui verdades absolutas. A partir daí, com os funda-
mentos de alguns especialistas da área de linguística em leitura e ensino, tivemos a 
noção de como deve ser trabalhada a leitura. O processo de leitura em sim, quais 
habilidades deveria ser desenvolvida antes, durante e depois da leitura. Além de es-
tratégias que motivassem o interesse do aluno/leitor para a leitura de diversos gêneros 
textuais. Consagrando-os cada um em sua importância distinta. Ou seja, todos nós 
fazemos uso da escrita e da leitura no nosso cotidiano. 
Ainda observando a leitura do texto na sala de aula, analisamos de forma iso-
lada o papel do professor como mediador entre o leitor e o texto. Qual era sua partici-
pação, o que os alunos/leitores esperam dele. Disto isto, entre os estudiosos consul-
tados é unânime a afirmação: “É preciso paixão”, O professor deve ser o exemplo de 
leitor para seus alunos/leitores. Assim, partiremos da seguinte ideologia a formação 
de um leitor eficiente somente findara-se ao levarmo-lo a sentir prazer por esta ativi-
dade. 
No entanto, diferente do que esperávamos a leitura em sua maioria é algo im-
posto, as chamadas “leituras obrigatórias” para posteriormente ser solicitada uma ava-
liação em que nada favorecerá para a compreensão do aluno. Porque, este leitor, 
cumprirá unicamente o que a atividade quer/solicita e não fará a apropriação do seu 
significado. Por isso, foi ressaltada a magnificência das rodas de leituras. Entretanto, 
em sua maioria as escolas não fazem uso desta estratégia de motivação. Perdendo, 
com isso, a oportunidade de formar leitores que leram mais textos, gradativamente. 
Concluindo, para evidenciar todos os temas levantados foi realizada uma aná-
lise em um livro didático, na disciplina de Língua Portuguesa. O livro escolhido é “Lei-
tura do Mundo”, das autoras Lúcia Teixeira & Norma Discini, data de publicação 2003, 
ambas as linguistas são profissionais que atuaram no ensino aplicando a leitura e hoje 
são responsáveis cada uma em sua respectiva área de atuação em propagar com o 
mesmo interesse, a leitura. Citando ainda a análise, houve-se a preocupação em per-
ceber se todos os fundamentos descritos atendiam a formação do leitor. A análise 
buscava saber se as autoras propiciavam e qual era a maneira que as estratégias de 
leitura eram postas aos leitores. Ambas as estratégias de leitura, nomeadas de: ante-
cipação (hipótese), inferência, auto-regulação e autocorreção foram de fato atendidas 
 
 
 
40 
e valorizadas. No entanto, não houve uma identificação clara para as estratégias de 
leitura após a leitura do texto escolhido. Porém, vale ressaltar que um ponto que me-
receu destaque na análise foi a utilização de textos que não ficam presos a leitura de 
textos gráficos. Por exemplo, as autoras escolheram para a leitura inicial da unidade I 
a leitura de um quadro, uma obra de arte. Contudo, a leitura de textos literários per-
maneceu na leitura de pequenos excertos retirados da obra original. 
Perfazendo o tradicionalismo trabalho de leitura. 
A FORMAÇÃO DE LEITOR CRÍTICO: UMA CONTRIBUI-
ÇÃO INTERDISCIPLINAR NO PROCESSO ENSINO-APREN-
DIZAGEM 
Utilizamos a leitura em vários locais e com diversas finalidades em nossas vi-
das: no trabalho, na escola, no lazer ou em casa. A formação do leitor inicia-se no 
âmbito escolar e se processa em longo prazo, tendo como mediador o professor, em 
quem encontramos a possibilidade de diversificarmos o conhecimento. Esse leitor 
deve ser compreendido como sendo aquele que estabelece uma relação aprofundada 
com a linguagem e as significações. Pois, os que apenas se relacionam de modo 
mecânico com o texto, não se constituirão leitores sem um trabalho efetivo. O com-
portamento do ato de ler não pode ser delegado somente à escola, deve ser uma 
parceria entre escola e família. 
A situação do trabalho com a leitura é das mais discutidas no âmbito educaci-
onal. Os questionamentos comumente feitos são: É possível a escola ensinar a ler? 
Qual a importância da leitura para a formação cidadã? O que estamos levando para a 
sala de aula, em se tratando de leitura, contribui para a formação do leitor crítico e 
reflexivo? Estas preocupações têm se manifestado nos últimos tempos em ações que, 
de alguma forma, objetivam oferecer suporte ao ensino de leitura nas escolas. Par-
tindo desse princípio, vemos a urgência de se apresentar para os estudantes uma 
leitura que norteie seu posicionamento e que seja capaz de resultar no leitor que com-
preende a essência do texto, estabelecendo relações com o autor do mesmo e pre-
enchendo as lacunas que possivelmente possam surgir no ato de ler, é que se realizou 
uma observação com a leitura crítica no ensino médio, visando consequentemente 
constatar o saber e o fazer desses sujeitos em sala de aula frente à leitura. Desse 
 
 
 
41 
modo, desenvolvemos um trabalho junto ao aluno que procurou dar a leitura à rele-
vância necessária, oportunizando ao mesmo criar hipóteses sobre a estrutura da 
mesma, a partir de textos que viessem se tornar fontes inesgotáveis de conhecimento, 
esculpindo seu significado com estilo e clareza, colocando em foco os principais con-
flitos que cercam a existência humana, essenciais para a formação competente do 
leitor crítico. Concluímos que os estudantes não se encontram aptos para desenvolver 
leituras críticas de textos, pela falta de atividades desta natureza, o que faz com que 
aumente a responsabilidade do educador. 
FUNDAMENTANDO A AÇÃO DE FORMAR LEITORES CRÍTICOS 
A reformulação do ensino no Brasil é uma questão em torno da qual, estão 
centradas inúmeras discussões, visando à formação de um cidadão mais crítico, re-
flexivo e capaz de atuar na sociedade em seu favor, considerando os valores éticos, 
morais e sociais. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, regula-
mentada em 1998 pelas Diretrizes do Conselho Nacional de Educação e pelos Parâ-
metros Curriculares Nacionais, essa reforma procurou atender as necessidades de 
atualizar a educação básica de maneira que o ensino médio não se configurasse ape-
nas como um elo entre o ensino fundamental e o ensino superior, tão pouco fosse 
apenas preparatório para colocar os estudantes no mercado de trabalho. 
Dessa forma, o que se propõe é o ensino médio como etapa final da educação 
básica, que deve garantir além da aquisição de conteúdos programáticos essenciais 
para a contextualização dos conhecimentos científicos, uma formação crítico-social 
para dar ao jovem, condições de enfrentar o mundo com mais segurança. E a tarefa 
de formar leitores é de responsabilidade dos educadores das diversas disciplinas não 
apenas de Língua Portuguesa, já que a leitura éinstrumento de apropriação do co-
nhecimento, é ferramenta que permite aprender a aprender, configurando-se como 
uma atividade de ensino em todas as áreas. 
De acordo com Kuenzer (2002, p. 101), “Leitura, escrita e fala não são tarefas 
escolares que se esgotam em si mesmas; que terminam com a nota bimestral. Leitura, 
escrita e fala – repetindo – são atividades sociais, entre sujeitos históricos, realizadas 
sob condições concretas”, promovendo a formação do sujeito crítico e reflexivo, uma 
vez que é através do desenvolvimento dessas habilidades que os estudantes podem 
posicionar-se em situações, sejam elas cotidianas ou não, com autonomia. Cabe à 
 
 
 
42 
escola a tarefa de oportunizar ao estudante situações de ensino-aprendizagem que 
contextualizam os conhecimentos que os mesmos já trazem quando chegam a escola 
e os que vão adquirindo nas aulas, sem que haja ruptura. 
Desse modo, decidimos realizar uma observação com a leitura na sala de aula 
da primeira série do ensino médio, por se verificar que estes alunos apresentam índi-
ces baixíssimos em se tratando de leitura e compreensão do que foi lido, ficando ape-
nas na superficialidade do texto sem que alcancem as suas estruturas profundas, ou 
seja, a mensagem que o autor transmite através de determinados grupos de vocabu-
lários, mas, comprometido seu estar no mundo e sua transformação, bem como a 
transformação dos outros e das coisas. Ser leitor é compreender situações para a 
formação cultural do indivíduo, ou seja, "[…] é condição para a verdadeira ação cultu-
ral que deve ser implementada nas escolas” (SILVA, 1991, p.79-80), atividade que 
pode contribuir para a formação do sujeito e também determina a sua condição de 
atuante no seu meio sociocultural. 
Por isso, é mister desenvolver um trabalho que garanta ao aluno leitor, situa-
ções de aprendizagem voltadas para o caráter libertador do ato de ler em que “o leitor 
se conscientiza de que o exercício de sua consciência sobre o material escrito não 
visa o simples reter ou memorizar, mas o compreender e o criticar” Silva (1991, p. 80). 
Construir significado para o texto é tão somente compreende-lo, tarefa que não se 
constitui com tanta facilidade em se tratando da leitura de textos em sala de aula. Para 
tanto, se faz necessário adotar práticas que priorizem em vez de fórmulas decoradas, 
o entendimento e a compreensão do que está sendo ensinado e consequentemente 
adote posturas que possibilitem fazer uso, desse conhecimento na vida prática, uma 
vez que tão importante quanto aprender a compreender é utilizar essa compreensão 
para se tornar uma pessoa apta a exercer sua cidadania e a fazer parte do mundo e 
do mercado de trabalho. 
Segundo Kuenzer (2002, p.101), “ler significa em primeiro lugar, ler critica-
mente, o que quer dizer perder a ingenuidade diante do texto dos outros, percebendo 
que atrás de cada texto há um sujeito, com uma prática histórica, uma visão de mundo 
(um universo de valores), uma intenção”. A leitura crítica é geradora de significados, 
em que ao ler, o leitor cria seu próprio texto com base no que foi lido, concordando ou 
discordando da ideia principal. Isto faz com que seja diferenciada da decodificação de 
 
 
 
43 
sinais, reprodução mecânica de informações que por muito tempo foi considerada 
como interpretação textual, virando prática habitual nas de Língua Portuguesa a cópia 
de fragmentos do texto, para servir de resposta aos questionamentos feitos a respeito 
do que estava escrito, “[…] como atividade constitutiva de sujeitos capazes de interli-
gar o mundo e nele atuar como cidadãos” (BRANDÃO E MICHELITTI APUD. CHIAP-
PINI, 1998, p. 22). 
Dessa forma, não se deve apresentar para o aluno uma leitura estética que se 
centre no sentido primeiro das palavras, mas sim uma leitura que abra lacunas, que 
oportunize ao leitor, criar e recriar a partir do que foi lido. Assim, o trabalho com esse 
tipo de leitura pressupõe a formação de um leitor crítico e reflexivo e capaz de agir e 
interagir em sociedade, sensibilizados dos seus direitos e deveres e preparado para 
intervir no seu meio quando se fizer necessário. Entretanto, formar um leitor crítico é 
tarefa principal de um professor que também se encaixe nesse perfil, não sendo pos-
sível ao docente que não tem esse domínio, exigir do seu aluno algo que ele próprio 
ainda não utiliza ou não é capaz de fazer com autonomia. 
Para Brandão e Michelitti apud. Chiappini (1998, p. 17) “O ato de ler é um pro-
cesso abrangente e complexo; é um processo de compreensão, de intelecção de 
mundo que envolve uma característica essencial e singular ao homem: a sua capaci-
dade simbólica e de interação com o outro pela mediação da palavra”. Compreende-
mos, então, que ler não é uma tarefa fácil, uma vez que se trata de capacidades hu-
manas que muitas vezes encontram-se adormecidas, e reavivá-las requer tempo e 
estratégias atrativas o suficiente para atrair o leitor. 
Para tanto, um texto não pode ser compreendido como algo pronto e acabado, 
pelo contrário, deve ser entendido como uma estrutura em acabamento, com lacunas, 
e que necessita que alguém o complete e atribua um caráter significativo. 
Prosseguindo, Brandão e Michelitti apud. Chiappini (1998, p. 18) comentaram 
que “Se um texto é marcado por sua incompletude e só se completa no ato de leitura, 
se o leitor é aquele que vai fazer ‘funcionar’ o texto, na medida em que o opera através 
da leitura, o ato de ler não pode se caracterizar como uma atividade passiva”. O leitor 
precisa ser visto como peça fundamental no processo de leitura e na interação leitor 
 
 
 
44 
texto, interligado às demais atividades propostas em outras disciplinas, não devendo 
ser responsabilidade só do professor da disciplina de Língua Portuguesa. 
Essa postura proporciona um ensino-aprendizagem mais contextualizado e vol-
tado para o desenvolvimento do raciocínio crítico do estudante em qualquer uma das 
áreas de conhecimentos. Observamos que a leitura deve se apresentar como uma 
necessidade, um gosto para despertar o prazer no estudante para que ele possa ab-
sorver e aprender cada vez mais além de desenvolver suas competências leitoras 
dentro e fora da escola. Por isso, é que “A prática da leitura na escola precisa se 
assemelhar à prática da leitura fora da escola” (VELIAGO 1999, p.50). Nessa concep-
ção, a escola precisa rever seus conceitos e ter definido que tipo de leitor quer formar 
e que tipo de leitura está disponibilizando para seus alunos a fim de que se tornem 
leitores críticos. Começa-se, então, uma luta pela valorização da leitura e do ato de 
ler que pode começar na sala de aula, passar pela escola e repercutir no meio socio-
cultural que o estudante está inserido. 
Essa luta pode chegar ainda a sensibilização dos leitores diante da necessi-
dade de ler e compreender o que se estar lendo. Uma vez que terá significância para 
a vida e para o trabalho. 
Para Kleiman (1998, p.61) 
“O ensino da leitura é um empreendimento de risco se não estiver fundamen-
tado numa concepção teórica firme sobre os aspectos cognitivos envolvidos na com-
preensão de texto. Tal ensino pode facilmente desembocar na exigência de mera re-
produção das vozes de outros leitores, mais experientes ou mais poderosos do que o 
aluno”. 
De acordo com a autora acima mencionada, se o trabalho com a leitura na sala 
de aula não tiver embasado em uma concepção bem definida de leitura, ou seja, se o 
professor e a escola não tiverem teoria suficiente e objetiva bem definida acerca do 
que pretende através desse trabalho, o mesmo corre o risco de não se configurar em 
si, e também pode tomar outros rumos, distanciando-se do que se pretende que é 
utilizar a leitura para formar cidadãos cada vez mais críticos e reflexivos. 
 
 
 
45 
Pressupondo-se que no ensino fundamental os estudantes não estiveram em 
contato com atividades envolvendoa leitura, centrada em concepções definidas que 
focalizam a formação do leitor crítico e o despertar para o ato de ler, para compreender 
e gerar significado, sem se deter apenas ao que o autor quis dizer, mas complemen-
tando e recriando o sentido do que foi escrito “cabe ao ensino médio oferecer aos 
estudantes oportunidades de uma compreensão mais aguçada dos mecanismos que 
regulam nessa língua [...]” (BRASIL, 2002, p. 55). Dentre esses mecanismos, a leitura 
configura-se como essencial, uma vez que proporciona aos sujeitos que a realizam 
conhecimentos, tanto acerca da língua e seus elementos constitutivos quanto a co-
nhecimentos relativos a vida social, cultural e principalmente no que compete aos sa-
beres científicos. 
Considerando as competências e habilidades propostas nos Parâmetros Curri-
culares Nacionais, “o ensino de Língua Portuguesa, hoje, busca desenvolver no aluno 
seu potencial crítico, sua percepção das múltiplas possibilidades de expressão linguís-
tica, sua capacitação como leitor efetivo dos mais diversos textos representativos de 
nossa cultura”. (BRASIL, 2002, p. 55). Pelo que se percebe, a leitura está presente 
nas mais diversas situações da vida do ser humano e cada vez mais se faz necessário 
explorá-la em sala de aula, utilizando mecanismos que desperte o senso crítico do 
aluno e deixe de ser encarada como atividade sem significado para o aprendizado dos 
estudantes. 
Ler compreensivamente é utilizar uma prática que precisa ganhar cada vez 
mais espaço nas escolas e fora dela, pois é através desse ato que o indivíduo com-
preende o mundo e a sua maneira de nele atuar como cidadão, sensibilizado dos seus 
direitos e deveres. Para isso, é mister considerar o que afirma Brandão e Michelitti 
apud. 
Chiappini (1998, p. 22): 
“À leitura como exercício de cidadania exige um leitor privilegiado, de aguçada 
criticidade, que, num movimento cooperativo, mobilizando seus conhecimentos pré-
vios (linguísticos, textuais e de mundo), seja capaz de preencher os vazios do texto, 
que não se limita à busca das intenções do autor, mas construa a significação global 
do texto percorrendo as pistas, as indicações nele colocadas”. 
 
 
 
46 
Dessa forma, o ponto de partida para uma leitura verdadeiramente significativa 
é a formação do leitor crítico, sensibilizado da sua responsabilidade diante do ato de 
ler e da realização de uma leitura compreensiva, mais criteriosa diante da formação 
do cidadão para agir e interagir em seu meio social entende-se que o valor da leitura 
é primordial, principalmente diante dos números cada vez mais crescentes que mos-
tram uma realidade dura em que a compreensão do que é lido nem sempre acompa-
nha o que está sendo lido, considerando, também, que a leitura está intimamente re-
lacionada com as questões sociais, culturais e econômicas nas quais o leitor está in-
serido. 
Sendo assim, estudantes oriundos de um universo não letrado, que não tem 
contato com uma diversificada gama de gêneros textuais, nunca leram um livro ou 
nem sequer ouvem rádio e assistem televisão, apresentam dificuldades em relação 
ao ato de ler e compreender determinados textos, que outros estudantes, os quais 
fazem parte de um ambiente, que mesmo sem muita intencionalidade, circulam jor-
nais, revistas, livros e a mídia, não apresentam. Principalmente na questão da contex-
tualização do conteúdo que está sendo lido, e na sua relação de significado com a 
realidade. 
INTERAÇÃO COM OS EDUCANDOS SOBRE O ATO DE LER 
É importante que a leitura se constitua como uma prática social de diferentes 
funções, pelas quais estudantes podem perceber que precisam ler não somente para 
compreender, mas também para se comunicarem, adquirir conhecimentos, ampliar os 
horizontes em relação ao mundo e as questões inerentes ao seu bem estar social. 
Configura-se, então, como uma necessidade básica na vida de cada uma que pode 
ser produtiva para enriquecer as relações interpessoais dentro do seu grupo ou até 
mesmo no mercado de trabalho. 
Diante dessa necessidade presente no meio educacional, diversos programas 
do Governo Federal tentam trazer para a escola uma oportunidade de se constituir na 
prática um leitor realmente compreensivo e crítico, e traz para as salas de aulas obras 
que colocam o aluno em contato com materiais de qualidade, que se bem explorados 
resultam positivamente, como é o caso do programa Literatura em minha casa, que 
distribui entre os alunos do ensino fundamental, livros de literatura infanto-juvenil que 
 
 
 
47 
contemplam peças de teatro, poesias, contos, novelas e narrativas de autores consa-
grados de nossa literatura. 
Também organizações não governamentais engajam-se em distribuição de li-
vros e tenta atribuir à leitura um caráter lúdico, visando prender a atenção do aluno-
leitor. Todas as contribuições nesse âmbito são válidas, desde que não desvie a leitura 
do seu objetivo principal que é a compreensão e a estimulação da criatividade e da 
criticidade do leitor. Em geral, os textos apresentados nos livros didáticos fogem da 
realidade social na qual nossos alunos estão inseridos, tornando-se de difícil compre-
ensão. Por meio da reforma do Ensino Médio e a divisão das disciplinas por áreas, 
surgiu também a tentativa de contextualizar o livro didático de Língua Portuguesa. Tal 
tentativa afastou ainda mais o educando do uso habitual desse material, pelo fato de 
que para entender os conteúdos precisa ler cada vez mais, e, aí chega no ponto chave 
que boa parte dos jovens não gostam de ler, e torna a coisa cada vez mais difícil. 
Para Luckesi (1994, p. 144), 
“O livro didático, de forma alguma, deve ser instrumento descartável no pro-
cesso de ensino. Ele é um instrumento importante, desde que tem a possibilidade de 
registrar e manter, com fidelidade e permanência a mensagem. O que está escrito 
permanece escrito; não é tão perecível quanto à memória viva”. 
Tomando como base o ensino e aprendizagem da leitura crítica, bem como a 
formação do leitor competente, o livro didático não pode ausentar-se desse processo, 
principalmente pelo fato de ser, em alguns casos, o único material a esse respeito que 
o aluno dispõe em casa e até mesmo na escola. Cabe, então, ao professor, utilizar o 
mais significativamente possível os textos abordados por este tipo de livro, conside-
rando o que o aluno sabe e o que pode aprender com a contribuição desse docu-
mento. O desenvolvimento de ações que viabilizem a formação do leitor crítico é fun-
damental, principalmente entre os jovens que cursam essa modalidade de ensino, 
pelo fato de poderem estar adquirindo mais segurança na leitura e também tomando 
gosto pelo ato de ler. Para tanto, é fundamental que o professor sirva de modelo, 
mostrando-se leitor ativo e compreensivo, para que possa mediar o processo de inte-
ração entre seus alunos e o universo letrado que envolve a leitura. 
 
 
 
48 
Podemos afirmar que formar um leitor crítico não é tarefa fácil, entretanto fica 
claro que se trata de algo extremamente significativo para o aluno. As mudanças no 
currículo do ensino médio contemplam disciplinas que abordam conteúdos, que dão 
significado e reflexos na sua vida cotidiana. Assim, a leitura contribui não somente 
para a formação intelectual do indivíduo, mas para a formação moral e cultural, sendo 
um conhecimento de base para todos os outros que pode vir a adquirir ao longo da 
vida, além de servir também de entretenimento e prazer. É função de a escola ensinar 
esse tipo de leitura sob estes paradigmas. 
Na verdade, o que se almeja alcançar do trabalho com a leitura crítica no ensino 
médio é um leitor que seja capaz de ultrapassar os limites pontuais de um texto e 
incorporá-lo reflexivamente no seu universo de conhecimento de forma a levá-lo a 
melhor compreender seu mundo e seu semelhante. Partindo do ponto de vista de que 
“o verbo ler mão suporta imperativo”(PENNAC, 1993, p. 13), a leitura não deve ser 
encarada nem pelo professor nem pelo aluno como uma obrigação, um dever, e sim 
como uma atividade prazerosa. Para tanto, o professor deve demonstrar paixão pela 
mesma e apresentá-la como fundamental para a formação intelectual dos educandos. 
Para Kleiman (1998, p. 51): 
“O leitor proficiente faz escolhas baseando-se em predições quanto ao conte-
údo do livro. Essas predições estão apoiadas no conhecimento prévio, tanto sobre o 
assunto (conhecimento enciclopédico), como sobre o autor, a época da obra (conhe-
cimento social, cultural, pragmático) o gênero (conhecimento textual). Daí ser neces-
sário que todo programa de leitura permita ao aluno entrar em contato com um uni-
verso textual amplo e diversificado”. 
Assim, é essencial para o sucesso com o trabalho da leitura em sala de aula, a 
utilização de um universo textual amplo e diversificado, fazendo-se necessário que o 
aluno entre em contato com os vários tipos de textos que circulam socialmente, para 
adquirir autonomia e escolher o tipo de texto que mais se encaixa com o seu gosto ou 
com as suas necessidades. Por isso, é importante proporcionar para os alunos diver-
sificadas situações nas quais a leitura esteja em foco, pois se aprende ler lendo e a 
interpretar o que leu interpretando. No entanto, para se formar um leitor crítico o mais 
 
 
 
49 
coerente é propor para o estudante leitura crítica. As estratégias de leitura, envolvem 
vários tipos de conhecimentos e várias habilidades do leitor ao manusear o texto. 
Segundo Kleiman (1998, p. 49); 
“Quando falamos de estratégias de leitura, estamos falando de operações re-
gulares para abordar o texto. Essas estratégias podem ser inferidas a partir da com-
preensão do texto, que por sua vez é inferida a partir do comportamento verbal e não 
verbal do leitor, isto é, do tipo de respostas que ele dá a perguntas sobre o texto, dos 
resumos que ele faz, de suas paráfrases, como também da maneira como ele mani-
pula o objeto: se sublinha, se apenas folheia sem se deter em parte alguma, se passa 
os olhos rapidamente e espera a próxima atividade começar, se relê”. 
É importante, para o trabalho com a leitura que se utilize estratégias, as quais, 
oportunizem aos alunos adquirirem certa familiaridade para abordar o texto, adqui-
rindo intimidade com o escrito e criando maneiras próprias e confortáveis de entrar 
em contato com a leitura e compreender o que leu. Também é mister salientar que a 
autora mencionada acima afirma que as estratégias de leitura são importantes para o 
leitor apropriar-se do texto. No entanto, não são suficientes para garantir que o traba-
lho com a leitura na sala de aula se concretize, se fazendo necessário, então, um 
planejamento cuidadoso e principalmente coerente com a realidade do aluno. 
A leitura é uma atividade que está presente na escola em todas as atividades 
que envolvem as disciplinas do currículo. Lê-se para ampliar os limites do próprio co-
nhecimento. Por isso, precisa se fazer presente na vida do estudante, não como algo 
paralelo do seu ensino-aprendizagem, mais como alguma coisa essencial para o de-
senvolvimento cognitivo dos estudantes e principalmente dentro de um contexto real 
de leitura e análise de textos, para que o ato de ler possa passar a fazer sentido para 
os educandos. Pois, “Heráclito nos ensina que ninguém desce duas vezes no mesmo 
rio, pois suas águas mudam constantemente” (NASCIMENTO & SOLIGO, 1999, p. 
40). Assim, o texto também se modifica a cada leitura que se realiza, porque o leitor 
coloca nele suas experiências, seus conhecimentos, aspectos da sua cultura, sua vi-
são de mundo e também a sua opinião a respeito do tema exposto e à medida que lê 
o texto, vai ampliando os seus horizontes a respeito do tema que nele está exposto. 
Por isso, trabalhar com a leitura na sala de aula precisa que se crie situações com as 
quais os alunos possam ler os textos, não só uma, mas várias vezes, para perceber 
 
 
 
50 
que seu conteúdo é uma fonte inesgotável de informação e de criação de novos con-
ceitos. 
Diante disso, é importante também que a escola ofereça condições para que 
se realize a leitura no seu contexto, dispondo de biblioteca ou sala especializada para 
tal atividade. Se a instituição dispõe deste espaço, já terá dado um importante passo 
para a formação do leitor crítico. No entanto, só o espaço em si não é suficiente para 
assegurar a prática da leitura na escola. Para Nascimento & Soligo (1999, p.40) “exista 
ou não um ambiente privilegiado, o mais importante é mesmo o trabalho de leitura que 
se faz. A formação de leitores não depende da existência de um local determinado”. 
Um ambiente propício para desenvolver a leitura na escola, favorece as ativi-
dades pedagógicas que visam a formação de leitores, mas se a instituição não dispor 
deste espaço, não é motivo para não realizar um trabalho voltado para o incentivo ao 
hábito de ler, pois mais significativo do que o local é o trabalho e/ou as atividades que 
se materializam para seduzir os alunos para o hábito da leitura crítica. 
Soligo (1999, p. 53) afirma que: 
“À compreensão da leitura depende da relação entre os olhos e o cérebro, pro-
cesso que a longo tempo os estudiosos procuram entender. Nas últimas três décadas 
houve um avanço significativo nessa direção, mas ainda não se conseguiu desvendar 
a complexidade do ato de ler”. 
O ato de ler não se resume na atividade de passar os olhos sobre o escrito, é 
uma tarefa mais complexa e que mesmo frente a inúmeras discussões e estudos a 
respeito do assunto, ainda não foi possível chegar a um claro consenso sobre como 
é que se realiza o ato de ler. Ao propor a leitura para os alunos, é essencial considerar 
a complexidade do ato de ler para não lhe exigir algo que não é capaz de realizar em 
relação a leitura de textos, “[…] o processo de leitura depende de várias condições: a 
habilidade e o estilo pessoal do leitor, o objetivo da leitura, o nível de conhecimento 
prévio do assunto tratado e o nível de complexidade oferecido pelo texto” (SOLIGO, 
1999, p. 53). Aprender ler e se tornar um leitor crítico que além de realizar leitura 
compreende o texto, exige empenho, tanto por parte do aluno quanto por parte de 
quem propõe o trabalho com a leitura. É preciso que ambos entendam que não se lê 
só para aprender a ler, mas sim para responder as suas necessidades pessoais. Faz-
 
 
 
51 
se necessário prosseguir com Soligo (1999, p.58-59), ao afirmar que “os alunos de-
vem ver na leitura algo interessante e desafiador, uma conquista capaz de dar auto-
nomia e independência. E devem estar confiantes, condição para enfrentar o desafio 
e aprender fazendo”. O estudante precisa, sentir-se estimulado para desenvolver uma 
prática constante de leitura, precisa deparar-se com situações com as quais possa 
raciocinar, refletir e progredir cognitivamente precisa esforçar-se para se encaixar no 
perfil do leitor crítico e para isso, dois pontos são de suma importância: o tipo de ma-
terial utilizado e a proposta pedagógica que se realiza dentro das instituições de en-
sino. 
No estudo sobre a formação do leitor crítico, é pertinente considerar que formar 
um leitor com esta característica é também desenvolver uma prática de leitura que 
desperte e cultive o desejo de ler, ou seja, uma prática pedagógica eficiente que dê 
suporte ao aluno para realizar o esforço intelectual de ler não só textos simples, mas 
também aqueles nos quais precisará utilizar e pôr a prova todas as suas estratégias 
de leitura. Para Eco (2000, p. 31) “um texto é um universo aberto onde o intérprete 
pode descobrir uma infinidade de conexões”. Ou seja, um texto é um conjunto de sig-
nificados amplos e abertos e permite ao leitor mergulhar nele e relacioná-lo com outras 
diferentes situações com as quais tem contato no seu dia a dia e/ou com conteúdo 
das mais diversasáreas de conhecimento, proporcionando a quem lê preencher as 
lacunas deixadas pelo escritor para que a este mesmo texto, seja acrescidos, novas 
ideias e argumentos, com o intuito de que a cada leitura, sejam criadas expectativas 
novas em relação ao seu conteúdo. Diante disso, é preciso esclarecer que o texto é 
amplo, mas, no entanto não cabe a ele todo tipo de interpretação, como se qualquer 
entendimento servisse para explicar as suas entrelinhas, cabe nesse caso, certa har-
monia entre as ideias, ou seja, uma coerência entre o que está escrito e o que é pos-
sível compreender a partir da leitura do mesmo. Na perspectiva de formar um leitor 
crítico, pretende-se formar alguém que a medida que lê, procura no texto um código 
secreto, procura definir as estratégias que produz modos infinitos de compreender o 
texto. Analisar criticamente um texto significa procurar mostrar como agem seus per-
sonagens e/ou está exposto o seu conteúdo, a fim de criar alternativas que o torna 
suscetível de inúmeras interpretações, considerando que a interpretação de um texto 
nunca pode ser única e definitiva. 
 
 
 
52 
Entendemos que é uma necessidade formar o leitor crítico e argumentamos 
também que fazer do aluno um leitor com este perfil é uma urgência dentro das insti-
tuições escolares, pois o rendimento escolar de determinados alunos é marcado pelo 
fracasso, em virtude de não serem bons leitores e consequentemente, bons interpre-
tadores de textos e/ou enunciados, que não estão presentes só em Língua Portu-
guesa, mas em todas as disciplinas do currículo escolar. Desenvolvendo habilidades 
de leitura crítica, certamente este aluno passará a ter desempenho melhor nas demais 
disciplinas com as quais tem contato na escola. 
Para Solé (1998, p.22): 
“O leque de objetivos e finalidades que faz com que o leitor se situe perante um 
texto é amplo e variado: devanear, preencher um momento de lazer e desfrutar, pro-
curar uma informação concreta; seguir uma pauta ou instruções para realizar uma 
determinada atividade (cozinhar, conhecer as regras de um jogo); informar sobre um 
determinado fato (ler o jornal, ler um livro de consulta sobre a Revolução Francesa); 
confirmar ou refutar um conhecimento prévio; ampliar a informação obtida com a lei-
tura de um texto na realização de um trabalho, etc”. 
É importante que o leitor perceba que existem várias possibilidades de se transmitir 
uma informação através de um texto e que o mesmo varia à medida que muda o 
conteúdo que está exposto, mas não é só isso, muda também a estrutura do texto. 
Um texto informativo tem uma linguagem objetiva e não se confunde com os textos de 
natureza literária ou artística, que utiliza a subjetividade, e a criatividade prevalece 
para encantar o leitor. Que por sua vez difere-se do texto narrativo, uma vez que relata 
fatos e acontecimentos e do texto descritivo, que representam objetos e personagens 
que participam do texto narrativo. Já o texto argumentativo, procura convencer o leitor, 
propondo ou impondo uma interpretação. A preocupação do trabalho com a leitura 
centra-se na necessidade de fazer com que o leitor entenda o texto e seja capaz de 
manuseá-lo de diferentes formas para resultar em uma leitura significativa e crítica. É 
preciso que o leitor sinta-se motivado a interagir com o texto, para buscar várias for-
mas de entender o seu conteúdo. Para formar um leitor crítico, o exercício da leitura 
é imprescindível, de um tipo de leitura que permita ao leitor discorrer sobre o texto e 
criar possibilidades para compreender suas entrelinhas e a medida que realiza novas 
leituras, cria novas alternativas para construir seu significado com mais autonomia. 
 
 
 
53 
 
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http://monografias.brasilescola.uol.com.br/educacao/a-formacao-leitor-critico-umacontribuicao-interdisciplinar-.htm
 
 
 
54vincular o conceito de leitura ao processo de literária, numa compre-
ensão mais ampla do processo de aquisição das capacidades de leitura e escrita e 
principalmente da prática social destas capacidades. Deste modo, a leitura nos insere 
em um mundo mais vasto, de conhecimentos e significados, nos habilitando inclusive 
a decifrá-lo; daí a noção tão difundida de leitura do mundo. Ampliar a noção e o hábito 
de leitura acentua a visão de mundo em âmbitos culturais e intelectuais. Para o biblió-
filo José Mindlin, "é fundamental facilitar o acesso das pessoas a livros" a fim de que 
se habituem à leitura - independente do gênero e da idade. O importante, lembra ele, 
é que se crie o hábito. 
A escrita deve ter um sentido para quem lê, pois saber ler não pode ser repre-
sentar apenas a decodificação de signos, de símbolos. Ler é muito mais que isso; é 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ling%C3%BC%C3%ADstica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ling%C3%BC%C3%ADstica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ling%C3%BC%C3%ADstica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Escrita
https://pt.wikipedia.org/wiki/Escrita
https://pt.wikipedia.org/wiki/Escrita
https://pt.wikipedia.org/wiki/Imprensa
https://pt.wikipedia.org/wiki/Imprensa
https://pt.wikipedia.org/wiki/Civiliza%C3%A7%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Civiliza%C3%A7%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Civiliza%C3%A7%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Literacia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Literacia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Conhecimentos
https://pt.wikipedia.org/wiki/Conhecimentos
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Significados
https://pt.wikipedia.org/wiki/Significados
https://pt.wikipedia.org/wiki/H%C3%A1bito_de_leitura
https://pt.wikipedia.org/wiki/H%C3%A1bito_de_leitura
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https://pt.wikipedia.org/wiki/H%C3%A1bito_de_leitura
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Mindlin
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Mindlin
https://pt.wikipedia.org/wiki/Escrita
https://pt.wikipedia.org/wiki/Escrita
https://pt.wikipedia.org/wiki/Escrita
https://pt.wikipedia.org/wiki/Signos
https://pt.wikipedia.org/wiki/Signos
https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADmbolos
https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADmbolos
 
 
 
6 
um movimento de interação das pessoas com o mundo e delas entre si e isso se 
adquire quando passa a exercer a função social da língua, ou seja, quando sai do 
simplismo da decodificação para a leitura e reelaboração dos textos que podem ser 
de diversas formas apresentáveis e que possibilitam uma percepção do mundo. 
Segundo Fany Abramovich e Carla Alexandre, é através da leitura que se pode 
descobrir outros lugares, outros tempos, outros jeitos de agir e de ser, de outra ética, 
outra ótica... É ficar sabendo História, Geografia, Filosofia, Política, Sociologia, etc. 
 LEITURA E GÊNEROS LITERÁRIOS 
 
Os gêneros literários podem ser classificados em três categorias bási-
cas: gêneros épico, lírico e dramático. 
 
A Literatura é uma manifestação artística difícil de ser conceituada. Para nos 
ajudar a melhor entendê-la, Aristóteles, em sua Arte Poética, definiu aquilo que cha-
mamos de gêneros literários. Portanto, é interessante observar que a história da teoria 
dos gêneros pode ser contada a partir da Antiguidade greco-romana, quando também 
surgiram as primeiras manifestações poéticas da cultura ocidental. 
Os gêneros literários reúnem um conjunto de obras que apresentam caracte-
rísticas análogas de forma e conteúdo. Essa classificação pode ser feita de acordo 
com critérios semânticos, sintáticos, fonológicos, formais, contextuais, entre outros. 
Eles se dividem em três categorias básicas: gêneros épico, lírico e dramático. Vale 
salientar também que, atualmente, os textos literários são organizados em três gêne-
ros: narrativo, lírico e dramático. 
 
https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua
https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Fany_Abramovich_e_Carla_Alexandre&action=edit&redlink=1
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Fany_Abramovich_e_Carla_Alexandre&action=edit&redlink=1
 
 
 
7 
GÊNERO ÉPICO OU NARRATIVO: 
No gênero épico ou narrativo há a presença de um narrador, responsável por 
contar uma história na qual as personagens atuam em um determinado espaço e 
tempo. 
Pertencem a esse gênero as seguintes modalidades: 
• Épico; 
• Fábula; 
• Epopeia; 
• Novela; 
• Conto; 
• Crônica; 
• Ensaio; 
• Romance. 
 
GÊNERO LÍRICO: 
Os textos do gênero lírico, que expressam sentimentos e emoções, são perme-
ados pela função poética da linguagem. Neles há a predominância de pronomes e 
verbos na 1ª pessoa, além da exploração da musicalidade das palavras. Estão, entre 
as principais estruturas utilizadas para a composição do poema: 
• Elegia; 
• Ode: 
• Écloa; 
• Soneto. 
 
GÊNERO DRAMÁTICO: 
De acordo com a definição de Aristóteles em sua Arte Poética, os textos dra-
máticos são próprios para a representação e apreendem a obra literária em verso ou 
prosa passíveis de encenação teatral. A voz narrativa está entregue às personagens, 
atores que contam uma história por meio de diálogos ou monólogos. Pertencem ao 
gênero dramático os seguintes textos: 
• Auto; 
• Comédia; 
• Tragédia; 
• Tragicomédia; 
• Farsa. 
 
 
 
 
8 
GÊNERO DRAMÁTICO 
A palavra “drama” vem do grego e significa “ação”, logo, é um acontecimento 
ou situação com intensidade emocional, a qual pode ser representada. No sentido 
literário, falar de drama é falar de teatro. Este gênero começou com a encenação em 
cultos a divindades gregas. A princípio os gregos abordavam apenas dois tipos de 
peças teatrais: a tragédia e a comédia. Algumas peças são bastante conhecidas e 
lidas até hoje, por serem marcos da dramaturgia da época: Prometeu acorrentado de 
Esquilo; Édipo-rei e Electra de Sófocles; Medéia de Eurípedes e Menandro de Antífe-
nes. 
Neste estilo literário o narrador conta a história enquanto os atores encenam e 
dialogam através das personagens. Quanto aos estilos literários, esta modalidade li-
terária compreende: 
• Tragédia: representação de um fato trágico que causa catarse a quem 
assiste, ou seja, provoca alívio emocional da audiência. 
• Comédia: representação de um fato cômico, que causa riso. 
• Tragicomédia: é a mistura de elementos trágicos e cômicos. 
• Farsa: peça teatral de caráter puramente caricatural, de crítica à socie-
dade, porém, sem preocupação de questionamento de valores. 
 
GÊNERO ÉPICO 
A palavra “épos” vem do grego e significa “versos” e, portanto, o gênero épico 
é a narrativa em versos que apresenta um episódio heroico da história de um povo. 
Na estrutura épica temos: o narrador, o qual conta a história praticada por outros no 
passado; a história, a sucessão de acontecimentos; as personagens, em torno das 
quais giram os fatos; o tempo, o qual geralmente se apresenta no passado e o espaço, 
local onde se dá a ação das personagens. 
Neste gênero, geralmente, há presença de figuras fantasiosas que ajudam ou 
atrapalham no curso dos acontecimentos. Quando as ações são narradas por versos, 
temos o poema épico ou epopeia. Dentre as principais epopeias, temos: Ilíada e Odis-
seia. 
 
 
 
9 
As obras Ilíada e Odisseia são obras atribuídas ao poeta greco-romano Ho-
mero, o qual teria vivido por volta do século VIII a. C. A primeira trata-se da história do 
último ano da Guerra de Troia entre gregos e troianos. Quando os troianos sequestram 
a princesa Helena, os gregos articulam um plano de resgatá-la por intermédio de um 
grande cavalo de madeira, chamado de Troia, o qual é levado à cidade de mesmo 
nome como presente. 
Durante a madrugada, os soldados gregos que estavam dentro da barriga da-
quele animal madeirado atacam a cidade. Esta obra está dividida em 24 cantos e é 
compostade versos hexâmetros dactílicos (verso composto de seis sílabas poéticas, 
com sílabas variadas em uma sílaba longa e duas breves), formato tradicional do pe-
ríodo épico grego. Este poema influenciou a era clássica na Grécia e também no Im-
pério Romano e permanece como uma das obras mais importantes de toda literatura 
mundial até os dias de hoje. 
A segunda obra trata-se do retorno dos gregos, os quais estavam em Troia, de 
volta à Grécia, e é focada na história de Ulisses, personagem principal deste poema. 
Durante a viagem, Ulisses passa por diversas aventuras e enfrenta personagens mi-
tológicos, como o Ciclope. 
 
GÊNERO LÍRICO 
O termo “lírico” vem do latim (lyricu) e quer dizer “lira”, um instrumento musical 
grego. Durante o período da Idade Média os poemas eram cantados e divididos por 
métricas (a medida de um verso, definida pelo número de sílabas poéticas). A combi-
nação de palavras, aliterações e rima, por exemplo, foram cultivadas pelos poetas 
como forma de manter o ritmo musical. Logo, essa é a origem da métrica e da musi-
calidade na poesia. A temática lírica geralmente envolve a emoção, o estado de alma, 
os pensamentos, os sentimentos do eu-lírico, e também os pontos de vista do autor 
e, portanto, é inteiramente subjetiva. Esse gênero é geralmente expresso pela poesia, 
contudo, não é toda poesia que pertence ao gênero referido, já que dependerá dos 
elementos literários inseridos nela. 
Quanto à forma, da Idade Média aos dias de hoje, o estilo de poema que per-
maneceu com intensidade foi o soneto, poesia rimada, composta por quatorze versos, 
 
 
 
10 
dois quartetos e dois tercetos, com métrica composta de versos decassílabos (dez 
sílabas) e versos alexandrinos (12 sílabas). 
 Quanto ao conteúdo, predominantemente subjetivo, destacam-se: 
 
• Elegia – vem do grego e significa “canto triste”; poesia lírica que ex-
pressa sentimentos tristes ou morte. Um exemplo frequente é “O cântico do calvário” 
de Fagundes Varela. 
• Idílio e écloga – são poemas breves com temática pastoril. A écloga, na 
maioria das vezes, apresenta diálogo. 
• Epitalâmio – na literatura grega é um poema de homenagem aos noivos 
no momento do casamento. Logo, é uma exaltação às núpcias de alguém. 
• Ode ou hino – derivam do grego e significam “canto”. Ode é uma poesia 
que exalta algo e hino que glorifica a pátria. 
• Sátira – poesia que ridiculariza os defeitos humanos ou determinadas 
situações. 
 
GÊNERO NARRATIVO 
O gênero narrativo possui algumas divisões literárias, que são: romance, no-
vela, conto, crônica e fábula. Ambas possuem narrador, tempo, espaço, enredo e per-
sonagens. 
O termo “narrar” vem do latim “narratio” e quer dizer o ato de narrar aconteci-
mentos reais ou fictícios. Na Antiguidade Clássica, os padrões literários reconhecidos 
eram apenas o épico, o lírico e o dramático. Com o passar dos anos surgiu dentro do 
gênero épico a variante: gênero narrativo, a qual apresentou concepções de prosa 
com características diferentes, o que fez com que surgissem divisões de outros gêne-
ros literários dentro do estilo narrativo: o romance, a novela, o conto, a crônica, a fá-
bula. Porém, praticamente todas as obras narrativas possuem elementos estruturais 
e estilísticos em comum e devem responder a questionamentos, como: quem? que? 
quando? onde? por quê? Vejamos a seguir: 
➢ Narrador: é o que narra a história, pode ser onisciente (terceira pessoa, 
observador, tem conhecimento da história e das personagens, observa e conta o que 
 
 
 
11 
está acontecendo ou aconteceu) ou personagem (em primeira pessoa; narra e parti-
cipa da história e, contudo, narra os fatos à medida em que acontecem, não pode 
prever o que acontecerá com as demais personagens). 
➢ Tempo: é um determinado momento em que as personagens vivenciam 
as suas experiências e ações. Pode ser cronológico (um dia, um mês, dois anos) ou 
psicológico (memória de quem narra, flashback feito pelo narrador). 
➢ Espaço: lugar onde as ações acontecem e se desenvolvem. 
➢ Enredo: é a trama, o que está envolvido na trama que precisa ser resol-
vido, e a sua resolução, ou seja, todo enredo tem início, desenvolvimento, clímax e 
desfecho. 
➢ Personagens: através das personagens, seres fictícios da trama, enca-
deiam-se os fatos que geram os conflitos e ações. À personagem principal dá-se o 
nome de protagonista e pode ser uma pessoa, animal ou objeto inanimado, como nas 
fábulas. 
 
O que vimos foram os recursos que os estilos narrativos têm em comum, agora 
vejamos cada um deles e suas características separadamente: 
 
➢ Romance: é uma narrativa longa, geralmente dividida em capítulos, pos-
sui personagens variadas em torno das quais acontece a história principal e também 
histórias paralelas a essa, pode apresentar espaço e tempo variados. 
➢ Novela: é um módulo mais compilado do romance e também mais dinâ-
mico, é dividida em episódios, são contínuos e não têm interrupções. 
➢ Conto: é uma narrativa curta que gira em torno de um só conflito, com 
poucos personagens. 
➢ Crônica: é uma narrativa breve que tem por objetivo comentar algo do 
cotidiano; é um relato pessoal do autor sobre determinado fato do dia a dia. 
 
 
 
 
12 
GÊNEROS DISCURSIVOS 
 
O que são gêneros discursivos? Na verdade são as características de cada 
tipo de texto, a maneira de como ele é apresentado aos leitores, seu layout, a forma 
de ser organizado. Esses detalhes é o que determinam a que tipo de gênero cada 
texto pertencem. 
 
GÊNERO JORNALÍSTICO 
A função do jornalista é informar, o valor da linguagem simples e objetiva, as-
sim como a clareza de ideias e de proposta, destaca-se em detrimento dos brios do 
profissional por trás da notícia. 
Presos cerca de 50 envolvidos em crimes em PE 
A polícia prendeu cerca de 50 pessoas suspeitas de envolvimento em cinco 
quadrilhas especializadas em homicídios, assaltos, tráfico de drogas e de armas, entre 
outros crimes. 
GÊNERO JURÍDICO 
É uma linguagem mais formal, geralmente utilizado por pessoas do ramos de 
advocacia, poder judiciários e médicos 
 
Características: estão em conformidades com os princípios legais. Exemplo: 
Art. 8º - As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de 
disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, por 
analogia, por equidade e outros princípios e normas gerais de direito, principalmente 
 
 
 
13 
do direito do trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o direito compa-
rado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça 
sobre o interesse público. 
 Parágrafo único - O direito comum será fonte subsidiária do direito do tra-
balho, naquilo em que não for incompatível com os princípios fundamentais deste. 
 
GÊNERO LITERÁRIO (COMO JÁ VISTO ACIMA) 
É geralmente dividido, desde a antiguidade, em três grupos: narrativo ou 
épico, lírico e dramático. Essa divisão partiu dos filósofos da Grécia antiga, Platão 
e Aristóteles, quando iniciaram estudos para o questionamento daquilo que re-
presentaria o literário e como essa representação seria produzida. Característi-
cas: narrar fatos, explorar o fictício o imaginário. 
Exemplo: 
Soneto 17 
Se te comparo a um dia de verão 
És por certo mais belo e mais ameno 
O vento espalha as folhas pelo chão 
E o tempo do verão é bem pequeno. 
 
Ás vezes brilha o Sol em demasia 
Outras vezes desmaia com frieza; 
O que é belo declina num só dia, 
Na terna mutação da natureza. 
 
Mas em ti o verão será eterno, 
E a beleza que tens não perderás; 
Nem chegarás da morte ao triste inverno: 
 
Nestas linhas com o tempo crescerás. 
E enquanto nesta terra houver um ser, 
Meus versos vivos te farão viver. 
William Shakespeare 
 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Antig%C3%BCidade
http://pt.wikipedia.org/wiki/Antig%C3%BCidadehttp://pt.wikipedia.org/wiki/Modo_narrativo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Modo_narrativo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Poesia_%C3%A9pica
http://pt.wikipedia.org/wiki/Poesia_%C3%A9pica
http://pt.wikipedia.org/wiki/Poesia_%C3%A9pica
http://pt.wikipedia.org/wiki/Poesia_%C3%A9pica
http://pt.wikipedia.org/wiki/Poesia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Poesia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Poesia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dramaturgia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dramaturgia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fil%C3%B3sofos
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fil%C3%B3sofos
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gr%C3%A9cia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gr%C3%A9cia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gr%C3%A9cia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Plat%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Plat%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Plat%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Plat%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Arist%C3%B3teles
http://pt.wikipedia.org/wiki/Arist%C3%B3teles
 
 
 
14 
GÊNERO EPISTOLAR OU INTERPESSOAL, OU SEJA, MSN, SALA DE 
BATE-PAPO 
É a maneira de se relacionar mais fácil com a outra pessoa abreviando pala-
vras, inserindo caracteres, assim tendo uma conversa mais dinâmica do que o normal. 
 EXEMPLOS DE UMA ORTOGRAFIA PARTICULAR 
• Achar -axar 
• Assim-axim 
• É-eh 
• Então-entaum 
• Coloquei-koloqei 
• Como-komo 
• Amigo-miguxo 
• Não-naum 
• Nunca-nunk 
• Chegar-xegar 
• Qual-Ql 
• Quis-Qz 
• Você -voxê ou vc 
• Vocês-v'6s ou vcs 
• Só-soh 
GÊNERO PUBLICITÁRIO 
Não importa o tamanho do texto, mas sim, que estratégia você quer adaptar 
nele. 
Combina imagem e mensagem para chamar a atenção do consumidor. Exem-
plo: Exemplo 
LEITURA E ENSINO: O SILENCIAMENTO DE SENTIDO 
NO LIVRO DIDÁTICO 
Esse trabalho visa à formação de um leitor crítico, consciente e capaz de criar 
seu próprio significado e, também, que possua autonomia para criar e recriar o seu 
pensamento, pois, a leitura é o processo pelo qual o leitor realiza um trabalho ativo de 
interação, compreensão e interpretação do texto, a partir de seus objetivos, de seu 
conhecimento sobre o assunto, sobre o autor, de tudo o que se sabe sobre linguagem. 
 
 
 
15 
Para tal, existem características fundamentais no processo de leitura: a capa-
cidade que o leitor tem de avaliar, de monitorar a qualidade da compreensão do que 
está lendo. Dito isto, verificaremos se o leitor recebe subsídios adequados para se 
tornar um bom leitor, ou seja, aquele que é capaz de adequar os dois tipos de proces-
samentos, isto é, confrontar os dados do texto percorrendo as marcas deixadas pelo 
autor, com os conhecimentos prévios socialmente adquiridos, de modo a construir o 
sentido do texto através da interação texto x leitor x autor. Nesta visão interacionista, 
diferente da visão estruturalista em que o leitor somente percorre o texto na busca das 
respostas, o leitor passa a ser visto como um sujeito ativo porque cabe a ele não só a 
tarefa de descobrir “o significado” do texto, mas de inferir sentidos a partir de sua 
interação com o texto. 
Desse modo, iremos observar como são abordados os tipos de leitura no livro 
didático, pois o silenciamento de sentido está ligado a uma leitura presa que limita a 
reflexão do aluno na construção de sua própria interpretação. Neste contexto, o leitor 
é submetido a responder questionários com base em respostas “fechadas”, direcio-
nando, desse modo, as respostas, incapacitando-o desenvolver sua própria reflexão, 
sua construção de seu significado, ou seja, limitando-o. 
Objetivamos, com esse estudo, encontrar o motivo pelo qual os indivíduos lei-
tores não atingem a excelência na interpretação de textos, consequência de falhas na 
aquisição do significado. Uma leitura tem que ser uma espécie de trabalho de busca 
por informações, conhecimentos e interesses em comum; não uma simples decodifi-
cação de códigos. A partir daí, focalizaremos a maneira como a leitura deve ser tra-
balhada a fim de formamos leitores com capacidades autônomas, de se guiarem, no 
processo de leitura. 
O Corpus dessa pesquisa será desenvolvido a partir da explanação de elemen-
tos necessários na construção do texto, pois muitos leitores consideram que a inter-
pretação e/ou significado de um texto se limita apenas a uma leitura coesa e coerente. 
Entretanto, não é a única, por isso, observaremos o quão importante é termos defini-
dos a concepção de língua, sujeito, texto e sentido. Além da noção de interação com 
o autor; sua intenção e objetivo. 
 
 
 
16 
Para tal, serão levantadas questões de conhecimentos enciclopédicos, sociais, 
culturais e do contexto histórico, para uma breve análise a respeito da formação do 
leitor; considerações sobre letramento, sociedade, leitura no Brasil, o papel da escola 
e o progresso na formação do leitor. 
Enfim, teceremos uma discussão acerca das teorias apresentadas para propor-
mos uma possível “solução”, no que tange os métodos utilizados no trabalho com o 
texto dentro da sala de aula, por exemplo. 
LEITURA 
Durante muitos anos acreditou-se, ou foi pregado, que entre as massas (esco-
las e população) que a leitura se baseava, apenas, na decodificação de códigos. Hoje, 
percebemos ou, até mesmo, somos questionados por muitos estudiosos sobre a exis-
tência de diversos parâmetros para a leitura. Para tal, veremos o que os parâmetros 
curriculares nacionais adota como prática de leitura dentro da sala de aula. Ou seja, 
não uma simples decodificação de códigos, e sim uma junção de todos os elementos 
necessários para a leitura e interpretação do texto em si. 
Então, a partir do que foi dito no início deste ensaio, iremos ver que o PCN de 
Língua Portuguesa, de 5ª a 8ª série, diz a respeito da leitura: 
“É preciso superar algumas concepções sobre o aprendizado inicial da leitura. 
A principal delas é a de que ler é simplesmente decodificar, converter letras em sons, 
sendo a compreensão consequência natural dessa ação. Por conta desta concepção 
equivocada a escola vem produzindo grande quantidade de "leitores" capazes de de-
codificar qualquer texto, mas com enormes dificuldades para compreender o que ten-
tam ler”. (PCN de Língua Portuguesa, 1996, p.16). 
Além das condições descritas acima, são necessárias propostas didáticas ori-
entadas especificamente no sentido de formar leitores. Por isso, sempre devemos nos 
atentar em “possíveis” soluções para o ensino, incluindo, a leitura. Seguindo, este 
conceito de leitura, também, adotado pelo PCN o qual deve ser aplicado dentro da 
aula de língua portuguesa. Veja, no mesmo, algumas sugestões para o trabalho com 
os alunos que podem servir de referência para a geração de outras propostas. 
Kock (2003) ainda acrescenta que é preciso planejar aulas de leituras que aten-
dam aos requisitos necessários para propiciar ao aluno oportunidades de vivenciar 
sua própria construção. 
 
 
 
17 
 
Leitura diária. 
“O trabalho com leitura deve ser diário”. 
 
Leitura colaborativa 
“A leitura colaborativa é uma atividade em que o professor lê um texto com a 
classe e, durante a leitura, questiona os alunos sobre as pistas linguísticas que possi-
bilitam a atribuição de determinados sentidos”. 
(PCN de Língua Portuguesa, 1996, p.17) 
Por isso, a necessidade de projetos [2] de práticas de leitura que podem ser 
utilizados em sala. Entretanto, devemos estar atentos para adequações necessárias, 
tanto no que diz respeito ao público, quanto ao rendimento da proposta. Assim, evita-
remos que metodologias não sejam desconectadas com o projeto de leitura. 
A IMPORTÂNCIA DO ATO DE LER 
Um dos maiores especialistas em leitura, dedicado a educação e a formação 
de novos leitores Paulo Freire (2005) discute, em “A Importância do Ato de Ler”: três 
artigos que se completam, a importância da formação de novos leitores que sejam 
criadores e autônomos de suas interpretações e capazes de se guiarem através do 
seu interesse. Contrariando, autopia de que leitura era uma simples decodificação de 
códigos e repetição de fonemas. 
Em outras palavras, a leitura deve ser feita de forma concreta, ou seja, tenha 
significado com o real do leitor que deixará de ser objeto da leitura para se tornar o 
sujeito ativo na construção do significado, seja ele, de caráter explicito ou não. Para 
isso, devemos aprender a ler de maneira eficiente para que ambos os leitores/tex-
tos/autores se interliguem em leituras concretas. 
Uma leitura concreta, por sua vez, tende a ser uma análise crítica e interpreta-
tiva do ato de ler, compreensão esta, que não se esgota na decodificação pura da 
palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na previsão 
do que se está lendo. Haja vista, como disse Freire (2005, p.11) “a leitura do mundo 
precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da 
continuidade da leitura daquele”. 
Por isso, nossos educadores exercem papel primordial na formação de novos 
leitores. Leitores estes que são capacitados cada um em sua escala de experiências 
 
 
 
18 
próprias e únicas. Um ser dominador de uma linguagem oral, praticada com destreza. 
Pois, cada indivíduo apropria-se de características que os diferenciam um do outro. 
Sendo assim, ao depararmos com leitores preocupados com ato de ler, vere-
mos que estes são recriadores de sua leitura, criadores ou participantes ativos na 
construção do significado que não poderá ser fixo e pré-determinado. 
 TIPOS DE LEITURA 
A leitura como decodificação 
 
Nos dias atuais é muito comum ver e ouvir relatos de que as crianças (que 
posteriormente serão nossos adultos) em sua maioria fazem uma leitura voltada ape-
nas para a decodificação das palavras sem a menor preocupação com o seu signifi-
cado ou sua representação, por exemplo, se num texto o autor faz referência apenas 
a um propósito, somente este será levado em consideração. 
Tal concepção dá lugar a leituras dispensáveis, uma vez que em nada modifi-
cam a visão de mundo do aluno. Uma atividade que se compõe de uma série de au-
tomatismos de identificação e pareamento das palavras do texto com as palavras 
idênticas numa pergunta ou comentário. Isto é, para responder a uma pergunta sobre 
alguma informação do texto, o leitor só precisa o passar do olho pelo texto à procura 
de trechos que repitam o material já decodificado da pergunta. (Conf: Kleiman, 2001, 
p.20) 
Por isso afirmamos que se trata de uma tarefa de mapeamento entre a infor-
mação gráfica da pergunta e sua forma repetida no texto. Essa atividade passa por 
leitura, quando a verificação da compreensão, também chamada, no livro didático, de 
“interpretação”, exige apenas que o aluno responda a perguntas sobre informação que 
está expressa no texto. 
 
A leitura como avaliação 
Esse é um outro tipo de prática que inibe, ao invés de promover, a formação de 
leitores. Nas primeiras séries caracteriza-se essa prática por tal preocupação de afe-
rimento de capacidades de leitura, que a aula se reduz quase que exclusivamente à 
leitura em voz alta. A prática é justificada porque permitiriam ao professor “perceber 
se o aluno está entendendo ou não”, apesar de sabermos que é mais fácil perder o fio 
 
 
 
19 
da estória quando estamos prestando atenção à forma, à pronúncia, à pontuação, 
aspectos que devem ser atendidos quando estamos lendo em voz alta. 
Para Luzia de Maria (2002, p.21) “Ler é ser questionado pelo mundo e por si 
mesmo, é saber que certas respostas podem ser encontradas na produção escrita, é 
poder ter acesso ao escrito, é construir uma resposta que entrelace informações no-
vas àquelas que já se possuía”. 
A moralização é apenas um aspecto da leitura e nem mesmo podemos afirmar 
que a criança, de fato leu o texto, apenas por ter pronunciado as palavras que o cons-
tituem. É a atribuição de sentido a uma mensagem escrita que se pode considerar 
leitura. E atribuir significado ao escrito tem a ver, também, com a informação de mundo 
que possuímos. 
Sendo assim, alguns critérios na leitura como avaliação serve apenas para dis-
persar o aluno e catalogá-la como uma prática avaliatória. Com isso, indutivamente o 
leitor desestimula-se. Ou seja, valeria muito mais a pena que se promovessem uma 
aula de leitura em que o aluno/leitor pudesse avançar. Um avanço onde sua interpre-
tação, sua criticidade lhe diga; traga lhe sentido. 
LETRAMENTO 
 
Antes de iniciarmos, abaixo, seguirá um comentário, uma definição a respeito 
do assunto: 
Conforme definição de Soares (1999), Letramento é: 
“Estado ou condição de quem não só saber ler e escrever, mas exerce as prá-
ticas sociais de leitura e de escrita que circulam na sociedade em que vive, conju-
gando-as com as práticas sociais de interação oral..” (grifos da autora) (SOARES, 
1999, p.3) Ainda segundo esta autora, neste conceito está implícita: 
“...a ideia de que a escrita traz consequências sociais, culturais, políticas, eco-
nômicas, cognitivas, linguísticas, quer para o grupo social que seja introduzida, quer 
para o indivíduo que aprenda a usá-la.” (SOARES, 1998, p.17) 
A partir desta apresentação, percebemos que existe uma correlação entre: prá-
ticas sociais, culturais, políticas, econômicas, cognitivas, linguísticas... entre outras. O 
indivíduo, interacionista, exerce papel fundamental na interpretação do seu texto, pois 
 
 
 
20 
através da sua leitura que ele saberá se o que está escrito terá significado. Ou seja, 
não adianta escrevermos, por exemplo, um texto técnico que fala sobre medicina e 
querer que um retirante (que cursou apenas até a 4° série) encontre algum significado, 
por exemplo. Para que esta leitura tenha resultado satisfatório é importante que o que 
foi redigido faça parte do seu meio ou tenha alguma relação com a sua experiência de 
vida. 
Se formos mais além e pesquisarmos em dicionários veremos que nos dicioná-
rios modernos não existe o vocábulo Letramento. Só um dicionário do século XX, Di-
cionário Contemporâneo da Língua Portuguesa, de Caldas Aulete, na sua 3º edição 
brasileira, contém tal palavra. Este tema é discutido por muitos pesquisadores da área 
de humanas, incluindo, pessoas ligadas ao ramo de ciências linguísticas. 
Continuando a pesquisa sobre estes conceitos vamos, um pouco, mais longe. 
Veremos as diferenças entre analfabetismo, analfabeto, alfabetizar; alfabetização, al-
fabetizado e, mesmo, letrado e iletrado. 
Analfabetismo define o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, é o “es-
tado ou condição de analfabeto”, e analfabeto é o “que não sabe ler nem escrever”, 
ou seja, é que vive no estado ou condição de quem não sabe ler e escrever: a ação 
de alfabetizar, isto é, segundo o Aurélio, de “ensinar a ler” (e também a escrever, que 
o dicionário curiosamente omite) é designada por alfabetização, e alfabetizado é 
“aquele que sabe ler” (e escrever). Já letrado segundo o mesmo dicionário, é aquele 
“versado em letras, erudito”. E iletrado é “aquele que não tem conhecimentos literá-
rios”. 
Diante disso, partimos do pressuposto de que Letramento é, pois, o resultado 
da ação de ensinar ou de aprender a ler e escrever: o estado ou a condição da qual 
adquire um grupo social ou um indivíduo como consequência de se ter apropriado da 
escrita. Sendo assim, recentemente esse oposto (alfabetismo e letramento) tornou-se 
necessário, porque só recentemente passamos a enfrentar esta nova realidade social 
em que não basta apenas saber ler e escrever é preciso também saber fazer uso do 
ler e do escrever, saber responder às exigências de leitura e de escrita que a socie-
dade faz continuamente. 
Para tal, deveríamos propor, então, um ensino de língua que tenha o objetivo 
de levar o aluno a adquirir um grau de letramento cada vez mais elevado, isto é, de-
senvolver nele um conjunto de habilidades e comportamentos de leitura e escrita que 
lhe permitamfazer o maior e mais eficiente uso possível das capacidades técnicas de 
 
 
 
21 
ler e escrever. Porque, de nada adianta, ensinar alguém a ler e escrever sem lhe ofe-
recer ocasiões para o uso efetivo, eficiente, criativo e produtivo dessas habilidades de 
leitura e de escrita. 
Como escreve Soares (1998): 
“Nosso problema não é apenas ensinar a ler e a escrever, mas é, também, e 
sobretudo, levar os indivíduos – crianças e adultos – a fazer uso da leitura e da escrita, 
envolver-se em práticas sociais de leitura e de escrita”. (SOARES, 1998, p.18) 
Sendo assim, se tivermos um sujeito interacionista que domina essas habilida-
des sociais poderemos ter um leitor que saiba identificar significados dentro do texto. 
Sejam eles implícitos ou não. 
A seguir, no capítulo II, veremos como a questão da leitura é desenvolvida den-
tro do âmbito escolar e social de interação. Entretanto, antes, faremos um levanta-
mento preliminar sobre a composição do texto. A partir daí, daremos situações de 
leituras feitas e que estão em vigor. 
Concepções Sobre o Texto - 
O texto como conjunto de elementos gramaticais 
 
O texto como conjunto de elementos gramaticais: uma prática bastante comum 
no livro didático considera os aspectos estruturais do texto como entidades discretas 
que têm um significado e função independente do contexto a que se inserem. “Uma 
versão dessa prática, revelada na leitura gramatical, é aquela em que o professor uti-
liza o texto para desenvolver uma série de atividades gramaticais, analisando, para 
isso, a língua enquanto conjunto de classes e funções gramaticais, frases e orações”. 
(Kleiman, 2001, p.17) 
Dito isto, os livros didáticos estão cheios de exemplos em que o texto é apenas 
pretexto para o ensino de regras sintáticas, isto é, para procurar adjetivos, sujeitos ou 
frases exclamativas. 
No entanto, não é o único caminho, pois, com uso do livro didático poderíamos 
propiciar momentos de interação entre o aluno através da leitura de textos clássicos, 
 
 
 
22 
contemporâneos ou atuais. Daí a necessidade de buscar meios propícios para a utili-
zação da leitura, levando o leitor/sujeito a encontrar referências com o que lê e sua 
volta. 
Assim, disporemos do livro didático como ferramenta de apoio na formação de 
leitores capazes de usarem os textos em suas variadas esferas, fazendo uso como 
meio de comunicação na sociedade em que é inserido. Diferente daquele leitor que 
vivenciamos que faz uma leitura percorrendo os olhos pelos códigos gráficos sem se 
atentar pelo sentido ou a construção da interpretação e entendimento do texto. 
 
O texto como repositório de informações 
 
Partiremos para a observação de como é feita à leitura de um texto na busca 
unicamente de informações entre suas palavras. Parece-me a meu ver que foi concei-
tuado e difundido entre alguns leitores de que a leitura de texto desifratória basta para 
a sua interpretação. 
Relacionando, então, a essa mesma visão de texto como conjunto de elemen-
tos diversificados (seja estrutura gramatical ou palavras) é a crença de que o texto é 
apenas um conjunto de palavras cujos significados devem ser extraídos um por um, 
para assim, cumulativamente, chegar à mensagem do texto. Baseia-se essa hipótese, 
por um lado, na crença de que o papel do leitor consiste em apenas extrair essas 
informações, através do domínio das palavras que, nessa visão, são o veiculo das 
informações. 
Uma consequência dessa atitude é a formação de um leitor passivo, que 
quando não consegue construir o sentido do texto acomoda-se facilmente a essa si-
tuação. 
O TEXTO EM SI 
O texto como sabemos faz parte da vida da civilização, durante muitos anos. 
Grandes foram às evoluções na escrita, tanto diacrônica, quanto sincronicamente e, 
também, como foram às transformações no texto impresso. Além, do surgimento de 
novas tendências, tecnológicas, como o hipertexto. Porém não podemos esquecer 
que para o texto existem diversos conceitos: dentro do campo linguístico temos, segue 
abaixo: 
• Unidade linguística (do sistema) superior à frase; 
 
 
 
23 
• Sucessão ou composições de frases; 
• Cadeia de pronominalizações ininterruptas; 
• Cadeia de isotopias; 
• Complexo de proposições semânticas. 
Inserido no campo pragmático: 
• Intenção, como sequência de atos da fala; 
➢ Cognitivos: conhecimento primário e subjetivo. 
➢ O contexto que envolve a comunicação verbal. 
Citando Barthes (1974): 
“O texto redistribui a língua. Uma das vias dessa reconstrução é a de permutar 
textos, fragmentos de textos, que existiram ou existem ao redor do texto considerado, 
e, por fim, dentro dele mesmo; todo texto é um intertexto; outros textos estão presen-
tes nele, em níveis variáveis, sob formas mais ou menos reconhecíveis”. (BARTHES, 
1974, p.59) 
Isso significa que o texto é heterogêneo, polissêmico com uma relação interior, 
exterior, de outros textos, etc. 
CONCEPÇÕES DE LÍNGUA, SUJEITO, TEXTO E SEN-
TIDO 
O leitor para alcançar o sentido de um texto, este “sentido” pode estar claro ou 
não, depende, da contextualização, do texto e/ou da forma como foi proposta a escrita. 
Independente da intenção, nós devemos nos atentar porque a leitura não deixa de ser 
subjetiva, entretanto, as condições em que são inseridas são de mera importância, 
pois irão determinar a necessidade através das interações sociais, ou seja, do conví-
vio cultural, histórico, enciclopédico, etc. 
Ao iniciarmos, este levantamento referente às concepções de língua, sujeito, 
texto e sentido. É de extrema importância termos definido as concepções de língua, 
 
 
 
24 
sujeito, texto e sentido. Para iniciarmos iremos fazer uma explanação de cada um 
destes itens. 
Segundo Koch (2003) a concepção de sujeito depende da forma como a con-
cepção de língua é usada. Assim, à concepção de língua como representação do pen-
samento corresponde a de sujeito psicológico, individual, dono de sua vontade e de 
suas ações. 
À concepção de língua como estrutura, por seu turno, corresponde a de sujeito 
determinado, as sujeitado, pelo sistema, caracterizado por uma espécie de “não cons-
ciência”. 
Tudo está entrelaçado língua, sujeito, texto e sentido... (grifos meus) 
O próprio conceito de texto depende das concepções de língua e sujeito, se-
gundo Koch (2003). 
Na concepção de língua como representação do pensamento e de sujeito como 
senhor absoluto de suas ações e de seu dizer, o texto é visto como um produto – 
lógico – do pensamento (representação mental) do autor, nada mais cabendo ao lei-
tor/ouvinte senão “captar” essa representação mental, justamente com as intenções 
(psicológicas) do produtor, exercendo, pois, um papel essencialmente passivo. 
Na concepção de língua como código – portanto, como mero instrumento de 
comunicação – e de sujeito como (pré) determinado pelo sistema, o texto é visto como 
simples produto da codificação de um emissor a ser decodificado pelo leitor/ouvinte, 
bastante a este, para tanto, o explícito. Também nesta concepção o papel do “deco-
dificador” é essencialmente passivo. 
Já na concepção interacional (dialógica) da língua, na qual os sujeitos são vis-
tos como autores/construtores sociais, o texto passa a ser considerado o próprio lugar 
da interação e os interlocutores, como sujeitos ativos que – dialogicamente – nele se 
constroem e são construídos. 
Assim, com o que foi discutido, até agora, podemos, então, afirmar que o sen-
tido de um texto é, portanto, construído na interação texto - sujeitos (ou texto -coenun-
ciadores) e não algo que preexista a essa interação. 
Para poder se assegurar sobre tais convicções Koch (2003, p.26) subscreve a 
definição de texto proposta por Beaugrande (1997, p.10): “evento comunicativo no 
qual convergem ações linguísticas, cognitivas e sociais”. Trata-se, necessariamente, 
 
 
 
25 
de um evento dialógico, de interaçãoentre sujeitos sociais - contemporâneos ou não, 
co-presentes ou não, do mesmo grupo social ou não, mas em diálogo constante. 
Contudo, fica claro que não se aprende, simplesmente, por exercícios, mas por 
práticas significativas. Do que adianta, gastarmos dias e dias letivos na intenção de 
encontrarmos erros na correção de exercícios propostos sem vínculo algum com a 
realidade do alunado, se não nos atentarmos para resultados em que o sujeito seja 
dominante dos usos da língua. Portanto, o domínio consciente de uma língua é o re-
sultado de práticas efetivas, significativas, contextualizadas. 
A CONSTRUÇÃO DOS SENTIDOS NO TEXTO: COESÃO 
E COERÊNCIA 
Segundo Marcuschi (1983), os fatores de coesão são aqueles que dão conta 
da sequenciação superficial do texto, isto é, os mecanismos formais de uma língua 
que permitem estabelecer, entre os elementos linguísticos do texto, relações de sen-
tido. 
A coerência diz respeito ao modo como os elementos subjacentes à superfície 
textual vêm a constituir, na mentes dos interlocutores, uma configuração veiculadora 
de sentidos. 
A coerência, portanto, é resultado de uma construção feita pelos interlocutores, 
numa situação de interação dada, pela atuação conjunta de uma série de fatores de 
ordem cognitiva, situacional, sociocultural e interacional (cf. Koch & Travaglia, 1989 e 
1990). 
Se, porém, é verdade que a coerência não está no texto, é verdade também 
que ela deve ser construída a partir dele, levando-se, pois, em conta os recursos co-
esivos presentes na superfície textual, que funcionam como pistas ou chaves para 
orientar o interlocutor na construção do sentido, segundo Koch (2003). 
A coerência se estabelece em diversos níveis: sintático, semântico, temático, 
estilístico, ilocucional, concorrendo todos eles a construção da coerência global. 
O ENSINO DE PORTUGUÊS NO ENSINO BÁSICO 
A língua portuguesa utilizada e difunda nas escolas, e entre as classes domi-
nantes, adota como referencial e unicamente, o português padrão. Um português sis-
temático com normas e regras a serem seguidas e utilizadas frequentemente. Ou seja, 
uma língua que não se importa com o falante e suas diversidades. 
 
 
 
26 
Objetivo da escola é ensinar o português padrão, ou, talvez mais exatamente, 
o de criar condições para que ele seja aprendido. Qualquer outra hipótese é um equí-
voco político e pedagógico. 
O falante é o único responsável por sua fala, fala esta que é individual. Muitas 
são as variações do português: regionais, sociais, culturais, históricas, idade etc. 
Sendo assim, temos uma língua que varia em dimensões orais e escritas. 
A língua é uma produção social, porque ela é produzida socialmente. Sua pro-
dução e reprodução são fatos do cotidiano. Dentro de um espaço e tempo. Uma língua 
que varia de acordo com o grupo social, com seu poder aquisitivo, com seu capital 
cultural etc. Portanto, não podemos defini-la como um bem em comum entre todos os 
falantes. 
 
O TEXTO LITERÁRIO 
A partir das concepções que foram discutidas até aqui sobre texto, língua, su-
jeito e sentido. Foi escolhido o texto literário por sua complexidade, por sua imensidão 
de informações e interpretações para exemplificarmos a concepção de sentido. A par-
tir dele, aprofundaremos a questão do sentido e quais sãos os tipos de texto composto 
de literalidade. Além de uma análise sobre como o texto literário é trabalhado dentro 
da sala de aula. 
Uma pesquisadora em sua mais recente obra publicada faz há discussão sobre 
os tipos de texto e quais são compostos de literalidade e valor estético. Márcia Abreu 
(2006) publicou o livro “Cultura Letrada: Literatura e Leitura”. Partiremos, então, 
da discussão entre critérios de avaliação de um texto. 
O que pode ser considerado de excelência estética e qual o seu valor literário. 
Ou seja, ao fazer uma sugestão de leitura damos referências sobre determinado autor, 
período histórico, características utilizadas. Assim temos a leitura dentro de um âmbito 
formado. Algo pré-formado e instituído por alguém ou uma instituição, por exemplo. 
Um leitor mediano não faz o mesmo tipo de leitura de uma obra dita como clás-
sica; como faz a leitura de um texto feito por um colega de sala. Diante disso, obser-
vamos que existem parâmetros estéticos e conceituais sobre determinado autor e 
obra. Sendo assim, vimos que existem poderes elitizadores que nomeiam e elegem 
obras sendo as únicas portadoras de valores estéticos e referências de literalidade. 
Por isso, muitos são induzidos a ler, somente, aquilo que é dito como erudito. 
 
 
 
27 
Por trás da definição de literatura está um ato de seleção e exclusão, cujo ob-
jetivo é separar alguns textos, escritos por alguns autores do conjunto de textos em 
circulação. Muitos são os fatores utilizados para os critérios de seleção e adoção de 
um livro para torná-lo literário. Entra em cena a difícil questão do valor, no século XIX, 
diversos autores que hoje são tidos como referências de literalidade não tinham es-
paço para a publicação de suas obras porque eram tachados como inferiores. 
Uma obra para ser considerada Grande Literatura ela precisa ser declarada 
literária pelas chamadas “instâncias de legitimação”. Essas instâncias são várias: a 
universidade, os suplementos culturais dos grandes jornais, as revistas especializa-
das, os livros didáticos, etc. Então, Márcia Abreu (2006) nos leva a reflexão de que 
um padrão de literatura não pode ser universal. Precisamos dar importância ao fator 
histórico e cultural daquele indivíduo, suas referências pessoais, seus gostos. Um ser 
(leitor) com a oportunidade de escolher e eleger algo como literatura. 
Portanto, a leitura tende a ser algo subjetivo (particular), a qualidade estética 
não está no texto, mas nos olhos de quem lê. Um espaço aberto para criações e re-
criações. Diferente daquelas leituras em que se busca, apenas, uma linguagem estru-
turada. A maneira como foi estruturada a linguagem do texto não elimina o seu signi-
ficado, pois não deixa de ser um recurso empregado. 
LITERATURA 
Variadas são as definições sobre o que é Literatura, mas não existe uma con-
clusão. O que se tem são parâmetros adotados os quais fazem com que surjam crité-
rios do que pode ser adotado em uma aula de literatura, por exemplo. No Mini-Dicio-
nário de Língua Portuguesa, Houaiss. O termo literatura segue assim: arte da utiliza-
ção estética da linguagem, especialmente a escrita. Conjuntos de obras literárias per-
tencentes a um país, época etc. 
Márcia Abreu (2006) traz no seu livro, também, uma das possíveis definições 
de literatura, vamos conferir: 
“Uma das definições frequentes de Literatura (lembra do L maiúsculo?) afirma 
que ela é um meio de aprimoramento das pessoas. Para quem adota esse ponto de 
vista, a literatura nos transforma em pessoas melhores, pois ao ler ficamos sabendo 
como é estar na pele de gente que leva uma vida muito diferente da nossa, passando 
por situações inusitadas. (...)” (ABREU, 2006, p.81) 
 
 
 
28 
A partir desta “possível” definição cria-se um modelo escrito, composto de lin-
guagem e recursos que devem, sempre, formar uma obra literária para catalogá-la 
como erudita. Porém, ao confrontarmos estes critérios com um leitor de cordel, de 
Best Sellers, por exemplo, perceberemos que esses moldes pré-determinados nada 
têm em comum com estes leitores. A leitura de um clássico deve ser difundida não 
ou, exclusivamente, transferida de acordo com seus critérios de literalidade. Assim, o 
que, aparentemente, não tem recurso linguístico rebuscado não deveria ser nomeado 
de inferior. 
A LEITURA DO TEXTO LITERÁRIO 
Como é abordada a leitura entre as grandes massas e quais critérios os diferem 
um do outro. Conforme Abreu (2006) a avaliação estética e o gosto literário variam 
conforme a época, o grupo social, a formação cultural, faz que diferentes pessoas 
apreciem demodo distinto os romances, as poesias as peças teatrais, os filmes. Ou 
seja, o gosto estético pode ser compartilhado, mas não transferido. Muitos, entretanto, 
tomam algumas produções e algumas formas de lidar com elas como as únicas váli-
das. 
Criando o fechamento das leituras, considerando únicas às análises feitas so-
bre aquela determinada obra. Por sua vez, não dão à possibilidade de se levantar 
outras hipóteses. Quem pensa assim não conhece os diversos tipos de textos exis-
tentes e utilizados por grupos distintos. A própria autora, faz uma comparação entre 
uma leitura de cordel, feita por um leitor que a vê como possuidora de literalidade, e 
aquele, que a não vê. 
A leitura de um cordel feita por um leitor inserido dentro de uma cultura especi-
fica que a valoriza, que a tem como mantenedora dos recursos tipológicos necessários 
para a construção de significado. Não tem o mesmo valor literário para o leitor que 
difere a leitura de textos comuns com os quais classificados e nomeados pelas “ins-
tâncias de legitimação”. Pois este segundo, já, tem pré-formação do que seja ou deve 
ser lido com literalidade. 
Contudo, vimos que existem parâmetros socioculturais, os quais diferem o sen-
tido de uma obra lida, seja ela classificada como literária; seja ela tachada como cul-
tura popular. Assim, a apreciação estética não é universal: ela depende da inserção 
cultural dos sujeitos. Uma obra é lida, avaliada e investida de significações variadas 
por diferentes grupos culturais. Outra coisa que não podemos nos esquecer que além 
 
 
 
29 
da ideia sobre o valor que a leitura tem nos dias atuais, também, houve alterações nos 
tipos de leitores (público feminino e de baixa renda) e na forma como o livro ou texto 
é publicado. 
Concluindo, não podemos fixar graus e valores, mas sim dar oportunidade à 
apreciação particular, por exemplo. Assim, a leitura de uma obra literária não será 
fixada, pois cada leitura será diferente quando se tratar de leitores diferentes. 
O ENSINO DE LITERATURA ATRAVÉS DO LIVRO DIDÁTICO NA ESCOLA 
BRASILEIRA 
O ensino de literatura no ensino básico passou por modificações, primeiro 
houve-se a separação de língua e literatura. Em meados dos anos 70 e 80 as escolas 
faziam uma junção entre as suas disciplinas. Hoje o que se vê é bem diferente, uma 
disciplina solta. Pois o que se aprende em língua não é relacionado com literatura. 
Segundo uma pesquisa da PUC/RS, a imensa maioria dos professores utilizam 
livros didáticos, acrescentando a eles excertos de textos literários em folhas anexas. 
Os professores que responderam a esta pesquisa priorizavam como objetivos a am-
pliação do horizonte cultural do aluno, o desenvolvimento de habilidades intelectuais 
e de atitudes críticas quanto à realidade. No entanto, ao verificar os procedimentos de 
ensino de que se utilizam para atingir estes objetivos, percebe-se certa contradição. 
As três técnicas mais utilizadas por estes professores para ensinar literatura são: exer-
cícios de interpretação escrita, trabalhos individuais e aulas expositivas. Tais procedi-
mentos evidenciam uma falta de diálogo sobre textos lidos em aula. 
O que talvez seja mais grave entre os procedimentos utilizados pelos professo-
res de literatura é perceber que todos os métodos são centrados no professor, ou seja, 
ele é visto como detentor do saber. E saber, no caso é, um saber sobre os livros, 
desvinculado de uma função social. Tais características são comuns à escola tradici-
onal. Uma escola que vê o aluno como agente passivo do saber. Nos dias atuais a 
educação brasileira tem propostas educacionais em que o aluno tenha um papel mais 
ativo. Há, entretanto, uma incoerência porque o ensino de literatura praticado ainda 
não chegou a efetivar os ideais da escola ativa. 
Uma possível solução para muitos pesquisadores seria a modificação do currí-
culo de literatura, ao menos existem diversos estudos e propostas. Um dos meios os 
quais a escola se vale para “preparar” o aluno para o exame de vestibular é adoção 
de livros didáticos. Estes tentam acompanhar as ideias em voga sobre educação, ao 
 
 
 
30 
menos em seu discurso. Nas coleções que se preocupam em oferecer um “manual” 
para o professor, encontra-se a intenção de mostrar conhecimentos da situação da 
escola atual. Lendo as “orientações” para o educador com bastante atenção, é possí-
vel perceber uma tentativa de adequar à prática escolar tradicional a ideias de educa-
dores contemporâneos (como, por exemplo, Paulo Freire). Na prática, não é bem isto 
o que acontece. 
Para (Osman Lins, 1977, p.32) a forma de abordagem da literatura pelos livros 
didáticos adequa-se perfeitamente às metodologias de ensino mais tradicionais, cen-
trados no docente (que, no caso, divide seu papel de “doador do saber” com o livro 
escolar). 
A seleção de textos é feita pelo autor do livro o qual os julga a sua maneira, 
porém deixa evidente que a sua leitura é a única permitida, pois, ele é o idealizador 
do livro. Outra tendência dos manuais escolares é mostrar autores distanciados dos 
alunos no tempo. 
Como pudemos observar, a interação proposta pelo livro didático entre o aluno 
e o texto literário não leva a despertar interesse pela leitura. Os exercícios propostos 
a partir da leitura de certos fragmentos são construídos de forma a que o aluno possa 
reproduzir o que leu, dando então uma resposta correta. 
LIVROS DIDÁTICOS 
Nos dias atuais existem diversos livros e pesquisas que fazem uso do pragmá-
tico livro didático. Uma maneira de quebrar crenças e revelar suas verdadeiras cono-
tações seriam a partir desses estudos podemos ver qual segmento faz jus ao verda-
deiro uso do livro didático e quais seriam suas verdades absolutas. 
Os livros didáticos eram tidos como verdades absolutas, imunes às críticas. O 
Conhecimento, enfim, constituía-se como algo pronto e acabado. O aluno, nesse caso, 
era visto como um ser passivo, receptáculo do conhecimento que lhe era transmitido, 
já que o ato de ensinar limitava-se à transmissão de informação que deviam ser me-
morizadas e reproduzidas. 
No entanto, muitas destas verdades caíram por terra, pois o livro didático não 
cumpre em sua totalidade a função da qual foi destinado. Isto ocorre porque não dis-
pomos de uma classe homogênea em conhecimentos e habilidades. Todos nós sabe-
mos que somos participantes de uma sociedade composta por uma diversidade infi-
nita de culturas, crenças e cada um em sua individualidade desenvolve habilidades 
 
 
 
31 
diferentes e não conjuntas. Além do que não existem pensadores prontos e acabados, 
mas sim aprendizes em constantes processos de aprendizagem e interação. 
Sendo assim, mesmo que os livros didáticos sejam manuais ou roteiros para o 
ensino de gêneros textuais dentro da sala de aula o professor/mediador deve estar 
atento para equiparar o desenvolvimento do aluno/leitor. Porém, nunca deve desace-
lerar ou acelerar um aluno no seu processo de aprendizagem. 
 Processo de Leitura 
Vimos nos capítulos iniciais, às concepções de leitura, baseando-se no que 
dizem os PCNs a respeito do assunto. Depois, fundamentamos a importância de ler 
através das posições de Paulo Freire (2005). Por fim, discutimos a questão de ser 
letrado e alfabetizado. A partir dessas teorias, passamos a ver como é realizado o 
trabalho de leitura do texto literário dentro da sala de aula; com o uso da ferramenta 
do livro didático. 
Lembrando que houve, também, a apresentação do texto escrito, porém foi fun-
damento as suas esferas, a relação de sentido, texto, sujeito e língua. Dito isto, ob-
servamos como é aplicado o ensino de português no ensino básico. Levantado, então, 
essa perspectiva, escolhemos o texto literário para ser nosso campo de estudo no que 
se refere à leitura dentro da sala de aula ou fora dela. 
No entanto, é preciso que seja posto e esclarecido o processo de leitura, emoutras palavras, as habilidades que devem ser desenvolvidas antes, durante e depois 
da leitura a fim de criarmos leitores eficientes. 
Desta forma, passaremos a sintetizar esses mecanismos presentes no pro-
cesso de leitura. Depois de referidos, faremos a análise para verificar se os atuais 
instrumentos de apoio utilizados pelo professor suprem ou não as dificuldades na 
aprendizagem do leitor participante de uma sociedade que faz uso da leitura. 
 
ESTRATÉGIAS DE LEITURA 
A leitura de um texto seja ele escrito; seja oral tende a ser um ato de comuni-
cação. Onde interlocutores comunicaram-se entre si em situações diárias de intera-
ção. Diante disto, partimos, então, da necessidade de ensinar nossos leitores a domi-
narem o ato de ler, todos os tipos de textos em circulação na sociedade. A maior 
 
 
 
32 
necessidade está em saber que para diferentes eventos existem diferentes tipos de 
texto. Por exemplo, quando uma criança de sete anos está num ponto de ônibus ao 
lado de seus pais, naquela avenida passa diversos meios de transporte. Entretanto, 
nem todos farão o percurso até sua casa. Esta criança sentirá a necessidade de fazer 
uso do ato de comunicação. Assim, quando ela avistar o próximo veículo em sua di-
reção o letreiro do ônibus por necessidade precisa fazer sentido. Em outras palavras, 
o bairro indicado tem que corresponder com o seu endereço. 
Para tal, a compreensão dos diversos tipos de texto é necessária para que pos-
samos fazer uso da escrita e da leitura [5]. 
Portanto, conforme Lauriti (2005) devemos trabalhar a leitura e a escrita de 
forma que sejam desenvolvidas habilidades que favoreçam episódios que fazem parte 
do contexto real de aprendizagem. Citando, ainda, Lauriti (2005) é primordial trabalhar 
a diversidade de gêneros, de tipos textuais e de suportes textuais dos diferentes con-
textos sociais. 
 
 Habilidades que devem ser desenvolvidas antes da leitura 
Ao iniciarmos uma leitura podemos antecipar muitas informações do texto. Para 
isso, buscaremos o conhecimento prévio do aluno/leitor sobre o assunto para que ele 
levante hipóteses. Outro ponto bem relevante é o suporte (capa, orelha, titulo, edi-
tora...) o qual através das expectativas geradas com a análise deste suporte trará para 
a leitura uma antecipação e aproximação a respeito do assunto. 
Num livro literário, por exemplo, a antecipação do tema ou ideia principal, a 
partir dos elementos para textuais (Títulos, subtítulos, epígrafes, prefácios) auxilia o 
leitor a compreender o foco do texto lido inicialmente. Assim, ele se atentará em pon-
tos que marcaram a sua antecipação. 
Realizar um levantamento sobre as antecipações da leitura a partir da análise 
dos índices anteriores (O que se espera ao ler este texto?). Ao final, definir os objetivos 
de leitura, vale ressaltar que o que se pretende é a busca de informações. 
Portanto, os passos discutidos acima servem de auxílio para a introdução do 
texto a ser lido. Porque do que adianta lançarmos nas mãos dos alunos textos, inde-
pendente do gênero, se estes não possuem uma pré-leitura. 
 
 
 
 
33 
Habilidades que devem ser desenvolvidas durante a leitura 
Num processo de leitura pode-se esperar que o leitor caminhe por conta pró-
pria. No entanto, essas habilidades precisam ser desenvolvidas de modo que o leitor 
seja autônomo na aquisição de sentido, na sua interpretação e entendimento. 
Durante a leitura, o leitor poderá fazer a confirmação das antecipações de sen-
tido levantadas antes da leitura do texto. A intenção nessa estratégia serve para auxi-
liá-lo a entender todas as informações obtidas até ali. O uso apropriado do dicionário 
ou inferência para aquelas palavras desconhecidas. 
Busca de informações complementares em textos de apoio. Esse método ajuda 
na compreensão do assunto de conhecimento especifico, por exemplo. Através da 
busca de informações em textos complementares também podemos fazer a identifi-
cação das pistas linguísticas que marcam os conceitos, sintetizando o conteúdo. Para 
isso, uma sugestão dada seria a elaboração de um mapa conceitual usando flechas, 
símbolos e numeração. 
A construção do sentido global do texto tende a ser estabelecida durante a lei-
tura. Visto que, com algumas estratégias de leitura desenvolvidas até momento será 
estabelecida uma predefinição sobre o que se trata o texto e sua estrutura desenvol-
vida. 
Portanto, a leitura não termina no termino da leitura, na decifração dos códigos 
gráficos. É necessário estabelecer uma relação com o que foi lido e aquilo que foi 
entendido. 
Habilidades que devem ser desenvolvidas depois da leitura 
Feito o desenvolvimento das estratégias de leitura antes e durante o processo 
de leitura; não poderemos deixar de citar a importância em desenvolver habilidades 
após a leitura do texto. Porque, através da leitura feita será possível confrontar o que 
foi levantado, antecipado para a compreensão do texto lido. Além, de ser um meio de 
explorar e aprimorar seu grau de criticidade. 
Para tal, o leitor construirá um resumo do texto. Fará uma paráfrase ou ques-
tões escritas, com isso, estimulamos também a produção escrita do leitor, pois este 
fundamentará a sua interpretação do texto lido. Depois, terá argumentos suficientes 
para confrontos de posições e comentários a respeito do texto. Seja ele lido individu-
almente; seja lido coletivamente. 
 
 
 
34 
Por fim, uma avaliação crítica do texto. Uma avaliação entremeada às discus-
sões, aos confrontos de ideias levantadas. Um preenchimento de possíveis lacunas, 
paráfrases semiocultas ou implícitas. 
A seguir, observaremos como o leitor durante todo o processo de leitura aplica 
as estratégias para a compreensão de sentido. 
ANTECIPAÇÃO (HIPÓTESE); INFERÊNCIA; AUTO-REGULAÇÃO E AUTO-
CORREÇÃO. 
Krielg (2002) ressalta que na leitura, o leitor está diante de palavras escritas 
pelo autor que não está presente para completar as informações. Por isso, é natural 
que o leitor forneça ao texto informações enquanto lê. Contudo, o texto também atua 
sobre os esquemas cognitivos do leitor. Quando alguém lê algo, aplica determinado 
esquema alterando-o ou confirmando-o, mas principalmente entendendo mensagens 
diferentes porque seus esquemas cognitivos, ou seja, as capacidades já internaliza-
das e o conhecimento de mundo de cada um são diferentes. Assim, quando falamos 
em estratégias de leitura percebemos que o ato de ler ativa uma série de ações na 
mente do leitor, por meio das quais ele extrai informações. Essas ações são denomi-
nadas estratégias de leitura e, na sua maioria, passam despercebidas pela consciên-
cia. Elas ocorrem simultaneamente, podendo ser mantidas, modificadas ou desenvol-
vidas durante a apropriação do conteúdo. 
Para ser um pouco mais claro, Ao ler um texto qualquer, a mente da pessoa 
seleciona o que lhe interessa: nem tudo o que está escrito é igualmente útil. Escolhem-
se alguns aspectos, chamados relevantes, ignoram-se outros, irrelevantes ou desin-
teressantes, e faz-se uma seleção, isto é, presta-se a atenção aos aspectos que inte-
ressam, ou seja, àqueles sem os quais seria impossível compreender o texto. 
Ainda segundo Krielg (2002), esta técnica possibilita o entendimento. Segue 
suas próprias palavras: 
“São hipóteses que o leitor levanta, antecipando informações com base nas 
pistas que vai percebendo durante a leitura. Essa estratégia ocorre, por exemplo, 
quando no início da leitura de um conto de fadas espera-se que apareçam persona-
gens e lugares característicos desse tipo de texto: madrasta ruim, princesas e prínci-
pes lindos e bons, fadas, bruxas, castelos, reinos, florestas encantadas, etc. Além 
disso, o leitor espera encontrar palavras ou expressões iniciais e finais que marcam o 
conto de fadas: “era uma vez uma bruxa malvada”, etc. durante a leitura, comprovando 
 
 
 
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as antecipações estavam corretas

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