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f) recurso de estilo: o pleonasmo Os oblíquos “o”, “a”, “os”, “as”, “lhe”, “lhes” podem recuperar um objeto e com isso enfatizá-lo. Uso dos pronomes pessoais do caso oblíquo tônico Esses pronomes não funcionam como sujeito e são utilizados com preposição, que pode estar embutida no próprio pronome “comigo”, “contigo”, “consigo” ou antecedida ao pronome “para mim”, “para ti”, “para si”, “a mim”, “a ti”, “a si”, “entre mim”, “sobre ti” etc. a) reflexivos “si”, “consigo” Os reflexivos “si”, “consigo” exigem sujeito na terceira pessoa, em norma culta. b) com nós/conosco, com vós/convosco Utilizam-se as formas pronominais “com nós”, “com vós” em vez de “conosco” e “convosco”, quando esses pronomes pessoais estiverem acompa- nhados de “mesmos”, “próprios”, “outros”, “todos” e numerais. Adaptações fonéticas: “lo”, “la”, “los”, “las”; “no”, “na”, “nos”, “nas” a) a terminação r/s/z: cai essa consoante e acrescenta-se “l” ao pronome pessoal; b) a terminação ditongo nasal/m: acrescenta-se “n” ao pronome pessoal; c) a terminação “mos” seguida de “nos”: cai o “s” do verbo. Auxiliares causativos e sensitivos (“deixar”, “mandar”, “fazer”, “ouvir”, “escutar”, “ver”...) Quando os auxiliares causativos ou sensitivos estiverem seguidos de pronome pessoal e forma no infinitivo, utiliza-se o pronome pessoal do caso oblíquo, o qual será sujeito do infinitivo (trata-se de uma exceção, pois haverá um pronome oblíquo na função de sujeito). O pronome oblíquo e o verbo no infinitivo funcionarão como objeto direto oracional. Variantes linguísticas O uso coloquial dos pronomes deve ser considerado inadequado quando a situação requer uma linguagem culta. No diálogo, em situações informais, o seu emprego é aceito, visto que, nesses contextos, emprega-se a variante popular. Veja os principais casos: a) pronome do caso reto na função de oblíquo; b) uso indevido do “lhe”, “lhes” como objeto direto; c) falta de concordância entre pronomes de segunda e terceira pessoa; d) falta de concordância entre pronome e verbo; e) uso indevido de pronome pessoal do caso reto com auxiliar causativo e sensitivo; f) utilização indevida de reflexivos de terceira pessoa com sujeito em primeira ou segunda pessoas; g) emprego errôneo de formas como “conosco”, “convosco”. Contrações: “mo”, “ma”, “to”, “ta”, “lho”, “lha”… Os oblíquos “me”, “te”, “lhe”, “nos”, “vos”, “lhes” contraem-se com os átonos “o”, “a”, “os”, “as”. Veja: me + o = mo me + a = ma me + os = mos me + as = mas te + o = to te + a = ta te + os = tos te + as = tas lhe + o = lho lhe + a = lha lhe + os = lhos lhe + as = lhas lhes + o = lho lhes + a = lha lhes + os = lhos lhes + as = lhas nos + o = no-lo nos + a = no-la nos + os = no-los nos + as = no-las vos + o = vo-lo vos + a = vo-la vos + os = vo-los vos + as = vo-las Tais formas pronominais não possuem muita frequência modernamente; em consequência disso, o emprego torna-se mais difícil. Quer saber mais? Livros y ABREU, Antônio S. Gramática mínima para o domínio da língua padrão. São Paulo: Atelie Editorial, 2003. y BAGNO, Marcos. Preconceito linguistico: o que é, como se faz. 50 ed. São Paulo: Loyola, 2008. F R E N T E 1 49 1 Assinale a alternativa em que o pronome me assume o mesmo valor semântico observado na frase de Ma- chado de Assis. A borboleta, [...]pousou-me na testa. Machado de Assis. A Chamaram-me de moleque! Engoli! Me fala, você sabe tudo? Arrancaram-me o relógio e disseram: “Tchau trou- xa!”. Eu disse tchau! Deixou-me um copo e uma carteira. E Viu-me sorrir, como um tolo. 2 IFPE 2019 (Adapt.) Disponível em: <http://opsquebrou.blogspot.com/2012/08/respeito-terceira- idade.html>. Acesso em: 1 out. 2018. No primeiro balão presente no texto, encontramos a seguinte sentença: “Não nos maltrate!”. Acerca dos aspectos linguísticos presentes nela, julgue as asser- tivas abaixo. I. A oração é iniciada por um advérbio de intensi- dade: “não”. II. O ponto de exclamação é utilizado para indicar a emoção expressa no pedido feito pelo idoso. III. O termo nos pertence à mesma classe gramatical que me, conforme emprego na seguinte oração: “não me engane”. IV. O uso do modo verbal imperativo, “maltrate”, indi- ca a presença de informalidade. V. Na oração “Não nos maltrate”, de acordo com a classificação morfológica, é correto afirmar que o termo sublinhado deve ser classificado como pro- nome possessivo. Estão CORRETAS, apenas, as proposições A I e V. I e II. II e V. III e IV. E II e III. 3 UFJF 2018 O assédio sexual feminino Histórias de homens que foram coagidos e humilha- dos por rejeitarem suas chefes e tiveram de deixar seus empregos por causa disso. O empresário Márcio André Barbosa Barroso, 37 anos, o estagiário R., 27, o jornalista L., 44, e o assistente finan- ceiro P., 35, não se conhecem, mas, caso se encontrassem, teriam experiências semelhantes para compartilhar. Eles tiveram de abandonar seus empregos por causa de uma violência sutil e silenciosa que afeta mais as mulheres, mas que resulta na mesma dor moral quando a vítima é um homem. Assediados sexualmente por suas chefes, foram perseguidos, humilhados e se tornaram alvo de chacota após recusarem as investidas delas. Barroso largou tudo e foi viajar pela Europa. R. desistiu do estágio. L. deixou o cargo e voltou para sua cidade natal. E P. abandonou o trabalho, mesmo sem ter outro emprego em vista. “Ela passava a mão em mim, me convidava para sair e queria ir para minha casa. Um dia até mordeu as minhas costas”, conta Barroso, que, no ano passado, enfrentou, durante dois meses, as cantadas de sua chefe na empresa de telefonia celular na qual trabalhava, em Brasília. “As pessoas riam de mim o tempo todo”, lembra. Ao se sen- tir rejeitada, a mulher, por volta dos 50 anos, passou a persegui-lo. Chegou a criar situações para que ele fosse demitido, como lhe atribuir faltas, mesmo diante de um atestado médico. As consultas eram justamente para se tratar da síndrome do pânico que desenvolveu devido à opressão que sofria. Barroso tentou denunciá-la, mas foi em vão. “Acha- vam que eu estava mentindo, que era um absurdo uma mulher assediar um homem.” Sem saber a quem recor- rer, ele procurou a Justiça. O assédio sexual é crime no Brasil desde 2001. Apesar de as mulheres terem hoje mais liberdade sexual e ocuparem mais cargos de chefia, os casos de assédio delas contra eles ainda são considerados raros. Estima-se que eles sejam vítimas em apenas um de cada 100 casos. Ainda assim, dificilmente essas histórias se transformam em ações ou chegam aos consultórios. (Texto adaptado. Disponível em: https://istoe.com.br/103744_ O+ASSEDIO+SEXUAL+FEMININO/. Acesso em: 31 jul. 2018.) Releia o trecho: “Ela passava a mão em mim, me convidava para sair e queria ir para minha casa. Um dia até mordeu as minhas costas”, conta Barroso, que, no ano passado, enfrentou, durante dois meses, as cantadas de sua chefe na empresa de telefonia celular na qual traba- lhava, em Brasília. “As pessoas riam de mim o tempo todo”, lembra. Ao se sentir rejeitada, a mulher, por volta dos 50 anos, passou a persegui-lo. Chegou a criar situações para que ele fosse demitido, como lhe atribuir faltas, mesmo diante de um atestado médico. Sobre a construção “como lhe atribuir faltas”, pode-se armar que: Exercícios complementares LÍNGUA PORTUGUESA Capítulo 8 Sintaxe dos pronomes50 A está correta, pois o pronome lhe se refere a Barro- so, e o verbo atribuir foi empregado como transitivo indireto. está incorreta, pois o pronome lhe se refere a sua chefe, e o verbo atribuir foi empregado como bi- transitivo. está correta, pois o pronome lhe se refere a Bar- roso, e o verbo atribuir foi empregado como bitransitivo. está incorreta, pois o pronome lhe se refere a Barroso, e o verbo atribuir foi empregado como in- transitivo. E está correta, pois o pronome lhe se refere a sua chefe, e o verbo atribuir foi empregado como tran- sitivo direto. 4 FGV 2016 A única frase em que o emprego do pro- nome “lhe” está de acordo com a norma-padrãoda língua portuguesa é: A O réu entrou no tribunal, ciente de que o júri não lhe condenaria. O jogador estava convicto de que os torcedores iriam absolver-lhe. Os netos, ao saírem, gritaram: nós lhe amamos, vovó. O atleta supôs que aquele treinamento poderia prejudicar-lhe. E O freguês foi logo dizendo ao vendedor: no mo- mento, não posso pagar-lhe. 5 Uece 2018 (Adapt.) Uma vela para Dario Dalton Trevisan Dario vinha apressado, guarda-chuva no braço es- querdo e, assim que dobrou a esquina, diminuiu o passo até parar, encostando-se à parede de uma casa. Por ela escorregando, sentou-se na calçada, ainda úmida de chu- va, e descansou na pedra o cachimbo. Dois ou três passantes rodearam-no e indagaram se não se sentia bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, não se ouviu resposta. O senhor gordo, de branco, sugeriu que devia sofrer de ataque. Ele reclinou-se mais um pouco, estendido agora na calçada, e o cachimbo tinha apagado. O rapaz de bigode pediu aos outros que se afastassem e o deixassem respirar. Abriu-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta. Quan- do lhe retiraram os sapatos, Dario roncou feio e bolhas de espuma surgiram no canto da boca. Cada pessoa que chegava erguia-se na ponta dos pés, embora não o pudesse ver. Os moradores da rua conversa- vam de uma porta à outra, as crianças foram despertadas e de pijama acudiram à janela. O senhor gordo repetia que Dario sentara-se na calçada, soprando ainda a fumaça do cachimbo e encostando o guarda-chuva na parede. Mas não se via guarda-chuva ou cachimbo ao seu lado. A velhinha de cabeça grisalha gritou que ele estava morrendo. Um grupo o arrastou para o táxi da esquina. Já no carro a metade do corpo, protestou o motorista: quem pagaria a corrida? Concordaram chamar a ambulância. Dario conduzido de volta e recostado à parede – não tinha os sapatos nem o alfinete de pérola na gravata. Alguém informou da farmácia na outra rua. Não car- regaram Dario além da esquina; a farmácia no fim do quarteirão e, além do mais, muito pesado. Foi largado na porta de uma peixaria. Enxame de moscas lhe cobriu o rosto, sem que fizesse um gesto para espantá-las. Ocupado o café próximo pelas pessoas que vie- ram apreciar o incidente e, agora, comendo e bebendo, gozavam as delícias da noite. Dario ficou torto como o dei- xaram, no degrau da peixaria, sem o relógio de pulso. Um terceiro sugeriu que lhe examinassem os papéis, retirados – com vários objetos – de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. Ficaram sabendo do nome, idade; sinal de nascença. O endereço na carteira era de outra cidade. Registrou-se correria de mais de duzentos curiosos que, a essa hora, ocupavam toda a rua e as calçadas: era a polícia. O carro negro investiu a multidão. Várias pessoas tropeçaram no corpo de Dario, que foi pisoteado dezessete vezes. O guarda aproximou-se do cadáver e não pôde iden- tificá-lo – os bolsos vazios. Restava a aliança de ouro na mão esquerda, que ele próprio – quando vivo – só podia destacar umedecida com sabonete. Ficou decidido que o caso era com o rabecão. A última boca repetiu “Ele morreu, ele morreu”. A gente começou a se dispersar. Dario levara duas horas para morrer, ninguém acreditou que estivesse no fim. Agora, aos que podiam vê-lo, tinha todo o ar de um defunto. Um senhor piedoso despiu o paletó de Dario para lhe sustentar a cabeça. Cruzou as suas mãos no peito. Não pôde fechar os olhos nem a boca, onde a espuma tinha desaparecido. Apenas um homem morto e a mul- tidão se espalhou, as mesas do café ficaram vazias. Na janela alguns moradores com almofadas para descansar os cotovelos. Um menino de cor e descalço veio com uma vela, que acendeu ao lado do cadáver. Parecia morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva. Fecharam-se uma a uma as janelas e, três horas depois, lá estava Dario à espera do rabecão. A cabeça agora na pedra, sem o paletó, e o dedo sem a aliança. A vela tinha queimado até a metade e apagou-se às primeiras gotas da chuva, que voltava a cair. TREVISAN, Dalton. Vinte Contos Menores. Rio de Janeiro: Record, 1979. No conto, o pronome lhe recupera, muitas vezes, o referente “Dario” para evitar repetições do nome da personagem principal. Atente às seguintes armações sobre o uso deste pronome no texto: I. A ocorrência do lhe no enunciado “Abriu-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta”, tem a mesma função sintática e textual do uso do lhe em “Quando lhe retiraram os sapatos”. II. Em “Dario roncou feio e bolhas de espuma surgi- ram no canto da boca”, pode-se acrescentar o lhe ao segundo período (“surgiram-lhe no canto da boca”) que terá função sintática e textual seme- lhante à do emprego deste pronome utilizado em “Abriu-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta”. F R E N T E 1 51