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Conheci que Madalena era boa em demasia, mas não 
conheci tudo de uma vez. Ela se revelou pouco a pouco, 
e nunca se revelou inteiramente. A culpa foi minha, ou 
antes, a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma 
alma agreste.
Graciliano Ramos. São Bernardo. Capítulo 19.
6 PUC-SP As palavras ou expressões oferecem, aos 
falantes de uma língua, multiplicidade de uso, definin-
do-se seus significados na situação em que ocorrem. 
Veja, a esse exemplo, a expressão “no eito”, no pri-
meiro trecho.
Levando em conta:
I. o verbete no dicionário, definido como:
1. “Sequência ou série de coisas que estão na 
mesma direção ou linha.”
2. “Bras. Limpeza de uma plantação por turmas 
que usam enxadas.”
3. “Bras. Roça onde trabalhavam escravos. A 
eito = a fio; a seguir.”
cf. Buarque de Holanda, p. 501.
II. o emprego no trecho apresentado, você poderia 
afirmar que ela se refere a:
A trabalhar com astúcia.
b trabalhar com afinco.
C trabalhar com resignação.
D trabalhar com prazer.
E trabalhar com revolta.
 Texto para a questão 7.
A língua é a nacionalidade do pensamento como a 
pátria é a nacionalidade do povo. Da mesma forma que 
instituições justas e racionais revelam um povo grande e 
livre, uma língua pura, nobre e rica, anuncia a raça inte-
ligente e ilustrada. 
Não é obrigando-a a estacionar que hão de manter 
e polir as qualidades que porventura ornem uma língua 
qualquer; mas sim fazendo que acompanhe o progresso 
das ideias e se molde às novas tendências do espírito, sem 
contudo perverter a sua índole e abastardar-se.
José de Alencar. “Pós-Escrito”. Diva. Rio de Janeiro: Aguilar, 1965.
7 Fuvest Escreva nos parênteses (V) se for verdadeiro 
ou (F) se for falso.
Em ...raça inteligente e ilustrada e ...perverter a sua 
índole e abastardar-se., os termos em destaque po-
dem significar, respectivamente:
 J que tem gravuras ou ilustrações/desvirtuar/abas-
tecer-se.
 J instruída/corromper/degenerar-se.
 J digna de louvor/transtornar/prover do necessário.
 J distinta/complicar/fazer perder a genuinidade.
 J nobre/estabelecer/corromper-se.
4 ITA Leia o texto.
E vai começar a “Cimeira”. Derivada de “cima” (“a 
parte mais elevada; cume, cimo, cimeira, topo”), a pala-
vra é comuníssima em Portugal para denominar reuniões 
de cúpula. O nome foi dado por tradutores portugueses 
presentes à reunião do Grupo do Rio do Panamá, em que 
se decidiu convocar a iminente reunião. Esqueceram-se 
de um detalhe: a reunião é no Brasil. É isso.
Pasquale Cipro Neto. Folha de S.Paulo, Caderno Cotidiano, 24 jun. 1999.
Pode-se afirmar que há no texto:
A afirmação de que a tradução para “reunião de cú-
pula” como “cimeira” foi apenas um detalhe.
b discordância com a tradução dada para “reunião 
de cúpula”, já que ela foi realizada no Brasil.
C afirmação de que a tradução deveria ter sido feita 
por tradutores brasileiros.
D concordância com a tradução dada à “reunião de 
cúpula”, porém, sugestão para o uso de palavras, 
como “a parte mais elevada, cume, cimeira, topo” 
no lugar de “cimeira”.
E afirmação de que os participantes da reunião es-
queceram-se de que estavam no Brasil.
5 ITA Leia o seguinte trecho com atenção.
Iniciamos a jornada, uma jornada sentimental, seguin-
do as regras estabelecidas. Os cavalos pisavam tão macio, 
tão macio que parecia estarem calçados de sapatilhas. A 
rigor não pisavam. Faziam cafuné com as patas delicadas 
ao longo do caminho.
Raymundo Farias de Oliveira. “Na madrugada do silêncio”. 
 Linguagem Viva, no 142. São Paulo, jun. 2001. p. 2.
O confronto das frases “Os cavalos pisavam” e “A rigor 
não pisavam” concretiza:
A um desmentido.
b uma indecisão.
C uma ironia.
D uma contradição.
E um reforço.
Textos para a questão 6.
Os trechos a seguir foram extraídos de diferentes ca-
pítulos da obra São Bernardo, de Graciliano Ramos.
Resolvi estabelecer-me aqui na minha terra, município 
de Viçosa, Alagoas, e logo planejei adquirir a propriedade 
S. Bernardo, onde trabalhei, no eito, com salário de cinco 
tostões.
Graciliano Ramos. São Bernardo. Capítulo 4.
Amanheci um dia pensando em casar. Foi uma ideia 
que me veio sem que nenhum rabo de saia a provocasse. 
Não me ocupo com amores, devem ter notado, e sempre me 
pareceu que mulher é um bicho esquisito, difícil de governar.
Graciliano Ramos. São Bernardo. Capítulo 11.
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INTERPRETAÇÃO DE TEXTO Capítulo 1 Aspectos do texto – nível fundamental 26
Texto para a questão 8.
A diferença entre conservadores 
e liberais está aqui
 
Cientistas acreditam ter descoberto que a diferença 
entre conservadores e liberais não é apenas filosófica, mas 
física. O psicólogo americano David Amondio da Univer-
sidade de New York, descobriu que o cérebro de liberais e 
conservadores funciona de maneira diferente até quando 
eles precisam decidir sobre questões rotineiras, como mudar 
o trajeto do trabalho para casa. Nos testes com voluntários, 
o pesquisador constatou que a área do cérebro responsá-
vel pelo monitoramento de conflitos (o córtex cingulado 
anterior) é mais ativa nas pessoas que se dizem liberais. 
"Os liberais são mais sensíveis em situações que precisam 
reagir rapidamente, de maneira inesperada" disse Amodio 
a ÉPOCA.
Essa talvez seja a explicação biológica para a suposta 
flexibilidade dos liberais.
Marcela Buscato. Época. São Paulo: Globo, n. 487, set. 2007. p. 17.
8 UFG A referência espacial sugerida no título é recupe-
rada com base:
A na posição enunciativa do leitor.
b nas informações não verbais.
C no conteúdo do texto.
D nas expressões indicadoras de lugar.
E no espaço de circulação do texto.
Texto para as questões 9 e 10.
A memória e o caos digital
A era digital trouxe inovações e facilidades para o 
homem que superou de longe o que a ficção previa até 
pouco tempo atrás. Se antes precisávamos correr em busca 
de informações de nosso interesse, hoje, úteis ou não, 
elas é que nos assediam: resultados de loterias, dicas de 
cursos, variações da moeda, ofertas de compras, notícias 
de atentados, ganhadores de gincanas, etc. Por outro 
lado, enquanto cresce a capacidade dos discos rígidos e 
a velocidade das informações, o desempenho da memó-
ria humana está ficando cada vez mais comprometido. 
Cientistas são unânimes ao associar a rapidez das infor-
mações geradas pelo mundo digital com a restrição de 
nosso "disco rígido" natural. Eles ressaltam, porém, que o 
problema não está propriamente nas novas tecnologias, 
mas no uso exagerado delas, o que faz com que deixemos 
de lado atividades mais estimulantes, como a leitura, que 
envolvem diversas funções do cérebro. Os mais prejudi-
cados por esse processo têm sido crianças e adolescentes, 
cujo desenvolvimento neuronal acaba sendo moldado 
preguiçosamente.
Responda sem pensar: qual era a manchete do jornal 
de ontem? Você lembra o nome da novela que antecedeu 
o Clone? E quem era o técnico da Seleção Brasileira na 
Copa do Mundo de 1994? Não ter uma resposta imediata 
para essas perguntas não deve ser causa de preocupação 
para ninguém, mas exemplifica bem o problema constata-
do pela fonoaudióloga paulista Ana Maria Maaz Alvarez, 
que há mais de 20 anos estuda a relação entre audição 
e recordação.
A pedido de duas empresas, ela realizou uma pesquisa 
para saber o que estava ocorrendo com os funcionários 
que reclamavam com frequência de lapsos de memória. 
Foram entrevistados 71 homens e mulheres, com idade 
de 18 e 42 anos. A maioria dos esquecimentos era de 
natureza auditiva, como nomes que acabavam de ser ou-
vidos ou assuntos discutidos. (Por falar nisso, responda 
sem olhar no parágrafo anterior: você lembra o nome da 
pesquisadora citada?).
Ana Maria descobriu que os lapsos de memória 
resultavam basicamente do excesso de informação em 
consequência do tipo de trabalho que essas pessoas exer-
ciam nas empresas, e do pouco tempo que dispunham 
paraprocessá-las, somados à angústia de querer saber mais 
e ao excesso de atribuições. "Elas não se detinham no que 
estava sendo dito (lido, ouvido ou visto) e, consequente-
mente, não conseguiam gravar os dados na memória", 
afirma.
Fernanda Colavitti. Superinteressante, 2001.
9 Uece Se antes precisávamos correr em busca de informa-
ções de nosso interesse, hoje, úteis ou não, elas é que 
nos assediam...
Na mensagem dessa frase, está implícito que
A não buscamos mais as notícias.
b precisamos estar mais atentos à leitura de mundo.
C somos perseguidos pelos meios de comunicação.
D ficamos plenamente satisfeitos com as informações 
digitais.
10 Uece Está implícito no texto que:
A o HD (disco rígido) armazena dados como a memó-
ria humana.
b a era digital permite à mente humana produzir infi-
nitas informações.
C na era digital a quantidade de informações dificulta 
a memorização.
D a velocidade das informações da era digital com-
promete a inteligência humana.
11 Leia o texto a seguir.
Analfabetismo
Conforme informação da Folha de S.Paulo, de 
26/05/2007, baseada em dados do IBGE, o analfabetis-
mo no Brasil, no ano 2000 (12,1%), era maior do que o 
existente nos Estados Unidos, em 1940 (2,9%). Mas até 
que caminhamos bastante. Em 1940, o analfabetismo 
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brasileiro atingia 56,8% da população. Isso quer dizer, 
mais ou menos que, de cada dois amigos de nossos pais, 
um era analfabeto. Quase com certeza, também, o alfabe-
tizado só lia o Almanaque Biotônico Fontoura!
Benedito Machado. Disponível em: <http://beneditomachado.zip.net/
arch2007-05-01_2007-05-31.html>.
 Em que passagem do texto a enunciação deixa im-
plícita a ideia de que em 1940 o analfabetismo, na 
prática, atingia um patamar bem superior aos 56,8% 
da população? Explique o porquê.
12 Leia o texto a seguir.
Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os 
olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais 
fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física 
óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de 
fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo 
na visão que não pertence à física.
William Blake* sabia disso e afirmou: “A árvore que 
o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”. Sei disso 
por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, 
sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está 
uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto 
da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia 
à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito 
trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a be-
leza. Só viam o lixo.
Adélia Prado disse: “Deus de vez em quando me 
tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra”. 
Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra 
que ele viu virou poema.
Rubem Alves. “A complicada arte de ver”. Folha de S.Paulo, 26 out. 2004.
*William Blake (1757-1827) foi poeta romântico, pintor e 
gravador inglês. Autor dos livros de poemas Song of 
Innocence e Gates of Paradise.
A palavra “epifania”, presente no segundo parágrafo, 
tem, no contexto em que é empregada, o sentido de:
A unificação.
b manifestação.
C espera.
D milagre.
E ventura.
13 Leia o texto.
Uma sala de aula em Portugal:
– Manuel, quem tem um e tira um, quanto fica?
– Não sei, professora...
– Quem tem dois e tira um! Quanto fica?
– Não sei, professora...
– Manuelzinho – disse ela, tentando ser paciente –, eu 
vou tentar explicar como se faz subtração pela centésima 
vez...Por exemplo, imagine que eu tenho um pêssego aqui 
em cima da mesa. Se eu como o pêssego, o que é que fica?
– O caroço, professora!
O humor é construído a partir:
A de uma ambiguidade em torno da palavra “caroço”.
b de um implícito que foi desprezado pelo garoto.
C de um duplo sentido a palavra pêssego (a fruta ou 
o caroço).
D de uma inversão de termos da oração, que produz 
efeito de sentido.
E de sanção positiva da professora em relação ao 
garoto.
Texto para as questões 14 e 15.
Nosso pensamento, como toda entidade viva, nasce 
para se vestir de fronteiras. Essa invenção é uma espécie 
de vício de arquitetura, pois não há infinito sem linha do 
horizonte. A verdade é que a vida tem fome de fronteiras. 
Porque essas fronteiras da natureza não servem apenas para 
fechar. Todas as membranas orgânicas são entidades vivas e 
permeáveis. São fronteiras feitas para, ao mesmo tempo, deli-
mitar e negociar: o “dentro” e o “fora” trocam-se por turnos. 
Um dos casos mais notáveis na construção de frontei-
ras acontece no mundo das aves. É o caso do nosso tucano, 
o tucano africano, que fabrica o ninho a partir do oco de 
uma árvore. Nesse vão, a fêmea se empareda literalmente, 
erguendo, ela e o macho, um tapume de barro. Essa pare-
de tem apenas um pequeno orifício, ele é a única janela 
aberta sobre o mundo. Naquele cárcere escuro, a fêmea 
arranca as próprias penas para preparar o ninho das futuras 
crias. Se quisesse desistir da empreitada, ela morreria, sem 
possibilidade de voar. Mesmo neste caso de consentida 
clausura, a divisória foi inventada para ser negada. 
Mas o que aqueles pássaros construíram não foi uma 
parede: foi um buraco. Erguemos paredes inteiras como se 
fôssemos tucanos cegos. De um e do outro lado há sempre 
algo que morre, truncado do seu lado gêmeo. Aprendemos 
a demarcarmo-nos do Outro e do Estranho como se fossem 
ameaças à nossa integridade. Temos medo da mudança, 
medo da desordem, medo da complexidade. Precisamos 
de modelos para entender o universo (que é, afinal, um 
pluriverso ou um multiverso), que foi construído em per-
manente mudança, no meio do caos e do imprevisível. 
A própria palavra “fronteira” nasceu como um con-
ceito militar, era o modo como se designava a frente de 
batalha. Nesse mesmo berço aconteceu um fato curioso: 
um oficial do exército francês inventou um código de gra-
vação de mensagens em alto-relevo. Esse código servia 
para que, nas noites de combate, os soldados pudessem 
se comunicar em silêncio e no escuro. Foi a partir desse 
código que se inventou o sistema de leitura Braille. No 
mesmo lugar em que nasceu a palavra “fronteira” sucedeu 
um episódio que negava o sentido limitador da palavra. 
A fronteira concebida como vedação estanque tem a 
ver com o modo como pensamos e vivemos a nossa pró-
pria identidade. Somos um pouco como a tucana que se 
despluma dentro do escuro: temos a ilusão de que a nossa 
proteção vem da espessura da parede. Mas seriam as asas 
e a capacidade de voar que nos devolveriam a segurança 
de ter o mundo inteiro como a nossa casa. 
MIA COUTO. Adaptado de fronteiras.com, 10/08/2014.
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