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LÍNGUA PORTUGUESA Capítulo 13 O Modernismo no Brasil: segunda geração178 IV A imagem de uma “poesia que se furta e se ex pande/à maneira de um lago de pez e resíduos letais ” sintetiza o pessimismo dos poemas de Claro enigma Estão corretas: A I e II, apenas I, II e III, apenas II e IV, apenas. d I, III e IV, apenas. E I, II, III e IV 16 PUC-Campinas 2018 As violências da II Guerra repercu- tiram em nossos escritores, como no caso da poesia de Carlos Drummond de Andrade, sobretudo em poe- mas que integram seus livros A Alguma poesia e Claro enigma. Sentimento do mundo e A rosa do povo. Estrela da tarde e Opus 10. d Poemas negros e Invenção de Orfeu. E Lição de coisas e Farewell Texto para a questão 17 Legado Que lembrança darei ao país que me deu tudo que lembro e sei, tudo quanto senti? Na noite do sem-fim, breve o tempo esqueceu minha incerta medalha, e a meu nome se ri. E mereço esperar mais do que os outros, eu? Tu não me enganas, mundo, e não te engano a ti. Esses monstros atuais, não os cativa Orfeu, a vagar, taciturno, entre o talvez e o se. Não deixarei de mim nenhum canto radioso, uma voz matinal palpitando na bruma e que arranque de alguém seu mais secreto espinho De tudo quanto foi meu passo caprichoso na vida, restará, pois o resto se esfuma, uma pedra que havia em meio do caminho. 17 FICSAE 2017 Esse poema integra a obra laro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade. Da leitura dele, de- preende-se que A o poeta exalta a força que a poesia tem de tornar perenes as vicissitudes efêmeras da vida as rimas, bastante convencionais, dão ao poema um tom passadista que faz dele um texto de dúbia qualidade estética o legado a que se refere o texto diz respeito so- mente à poesia metaforizada como canto radioso. d o poema se organiza em versos alexandrinos, de caráter parnasiano, sem deixar de apresentar a clássica chave de ouro, que confere brilhantismo ao fecho do texto. 18 ITA 2019 Leia o poema de autoria de Cecília Meireles. “Epigrama n. 04” O choro vem perto dos olhos para que a dor transborde e caia. O choro vem quase chorando como a onda que toca a praia. Descem dos céus ordens augustas e o mar chama a onda para o centro. O choro foge sem vestígios, mas levando náufragos dentro. (MEIRELES, Cecília, Viagem/Vaga música. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.p.43) O texto I aproxima metaforicamente um fenômeno humano e um fenômeno natural a partir da identificação de, pelo menos, um traço comum a ambos: água em movimento. II. sugere que, enquanto o movimento do choro é ligado à variação das emoções, o movimento da onda deve-se a forças naturais, responsáveis pela circularidade marítima. III ameniza o dramatismo do choro humano, pois, quando acomete o sujeito, ele passa naturalmen- te, como a onda que volta ao mar. IV. leva-nos a perceber que o choro contido tem um impacto emocional que o torna desolador. Estão corretas: A I e II apenas; I, II e IV apenas; I, III e IV apenas; d II e III apenas; E todas 19 UPFE 2013 A poesia lírica é o espaço ideal para a te- mática do amor, desde a Antiguidade clássica até a atualidade Mudam-se os tempos, as ideologias, e o amor continua um sentimento indecifrável e para- doxal. Daí ser motivo dos dois poemas que seguem. Leia-os e analise as proposições que a eles se refe- rem, identificando se são falsas ou verdadeiras. Sete anos de pastor Jacó servia Sete anos de pastor Jacó servia Labão, pai de Raquel, serrana bela; Mas não servia ao pai, servia a ela, E a ela só por prêmio pretendia Os dias, na esperança de um só dia, Passava, contentando-se com vê-la; Porém o pai, usando de cautela, Em lugar de Raquel lhe dava Lia. Vendo o triste pastor que com enganos Lhe fora assim negada a sua pastora, Como se não a tivera merecida, Começa de servir outros sete anos, Dizendo: – Mais servira se não fora Para tão longo amor tão curta a vida! Camões. F R E N T E 2 179 Soneto de fidelidade De tudo, ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento. Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento. E assim, quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure MORAES, Vinicius de J Nos dois poemas, pertencentes, respectivamente, ao Classicismo e ao Romantismo, o tema do amor é trabalhado em uma forma fixa J São dois sonetos que mantêm relação de intertex tualidade, pois o segundo retoma o primeiro em sua forma e em seu conteúdo J Nos dois poemas, a concepção de amor é diversa, pois o primeiro expressa a finitude desse sentimento, e o segundo, ao contrário, apresenta-o como eterno. J No último verso de seu poema, Camões usa uma antítese para dar conta da idealização do amor Vinicius de Moraes, nos dois últimos versos do se gundo quarteto, recorre também a oposições, que expressam o desejo de viver o sentimento amoroso em todos os momentos J Enquanto o segundo soneto apresenta uma con cepção do amor mais fiel à vivência dos afetos no século XX, o primeiro traz uma visão platônica idealizada do sentimento amoroso, própria do Clas sicismo do século XVI 20 UFRGS 2019 Leia trechos dos poemas “Fanatismo”, de Florbela Espanca, e “Imagem”, de Cecília Meireles. Fanatismo ( ) “Tudo no mundo é frágil, tudo passa...” Quando me dizem isto, toda a graça Duma boca divina fala em mim! E, olhos postos em ti, digo de rastros: “Ah! Podem voar mundos, morrer astros, Que tu és como Deus: Princípio e Fim!...” Imagem Tão brando é o movimento das estrelas, da lua, das nuvens e do vento, que se desenha a tua face no firmamento. Desenha-se tão pura como nunca a tiveste, nem nenhuma criatura. Pois é sombra celeste da terrena aventura. (...) Assinale com V (veraeiro) ou F (falso) as seguintes armações sobre os poemas. J Ambos os sujeitos líricos comparam o ser amado à perfeição divina. J Ambos os sujeitos líricos veem o amor de modo idealizado. J Ambos os sujeitos líricos falam diretamente ao ser amado. J Ambos os poemas citam diretamente a voz da opi- nião pública. A sequência correta de preenchimento dos parênte- ses, de cima para baixo, é A V V V F V V F V. F – F – V – V. d F V F V E V F V F 21 Unicamp 2012 O excerto a seguir foi extraído do poe- ma “Balada feroz”, de Vinicius de Moraes. [...] Lança o teu poema inocente sobre o rio venéreo [engolindo as cidades Sobre os casebres onde os escorpiões se matam à [visão dos amores miseráveis Deita a tua alma sobre a podridão das latrinas e das fossas Por onde passou a miséria da condição dos escravos e dos [gênios [ ] Amarra-te aos pés das garças e solta-as para que te levem E quando a decomposição dos campos de guerra te ferir as [narinas, lança te sobre a cidade mortuária Cava a terra por entre as tumefações e se encontrares [um velho canhão soterrado, volta E vem atirar sobre as borboletas cintilando cores que [comem as fezes verdes das estradas. [...] Suga aos cínicos o cinismo, aos covardes o medo, aos [avaros o ouro E para que apodreçam como porcos, injeta-os de pureza! E com todo esse pus, faz um poema puro E deixa-o ir, armado cavaleiro, pela vida E ri e canta dos que pasmados o abrigarem E dos que por medo dele te derem em troca a mulher [e o pão Canta! canta, porque cantar é a missão do poeta E dança, porque dançar é o destino da pureza Faz para os cemitérios e para os lares o teu grande gesto [obsceno Carne morta ou carne viva – toma! Agora falo eu que [sou um! MORAES, Vinicius de. Antologia poética São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p. 51 3. LÍNGUA PORTUGUESA Capítulo 13 O Modernismo no Brasil: segunda geração180 a) Como é próprio do Modernismo poético, os versos anteriores contrariam a linguagem mais depurada e as imagens mais elevadas da lírica tradicional.Como podemos definir as imagens predominantes em “Balada feroz”? A que se refe- rem tais imagens? b) Qual é o papel da poesia e do poeta diante da realidade representada? 22 Enem 2012 Ai, palavras, ai, palavras, que estranha potência a vossa! Todo o sentido da vida principia a vossa porta: o mel do amor cristaliza seu perfume em vossa rosa; sois o sonho e sois a audácia, calúnia, fúria, derrota A liberdade das almas, ai! Com letras se elabora E dos venenos humanos sois a mais fina retorta: frágil, frágil, como o vidro e mais que o aço poderosa! Reis, impérios, povos, tempos, pelo vosso impulso rodam... MEIRELES, Cecília Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1985 O fragmento destacado foi transcrito do “Romanceiro da Incondência”, de Cecília Meireles. Centralizada no episódio histórico da Incondência Mineira, o poema, no entanto, elabora uma reexão mais ampla sobre a seguinte relação entre o homem e a linguagem: A A força e a resistência humanas superam os danos provocados pelo poder corrosivo das palavras. As relações humanas, em suas múltiplas esferas, têm seu equilíbrio vinculado ao significado das palavras. O significado dos nomes não expressa de forma justa e completa a grandeza da luta do homem pela vida. d Renovando o significado das palavras, o tempo permite às gerações perpetuar seus valores e suas crenças. E Como produto da criatividade humana, a lingua- gem tem seu alcance limitado pelas intenções e pelos gestos. 23 Fuvest 2012 Receita de mulher As muito feias que me perdoem Mas beleza é fundamental. É preciso Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso Qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture Em tudo isso (ou então Que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República Popular Chinesa) Não há meio-termo possível. É preciso Que tudo isso seja belo É preciso que súbito Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pou- sada e que um rosto Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora. MORAES, Vinicius de. haute couture: alta costura No conhecido poema “Receita de mulher”, de que se reproduziu aqui um excerto, o tratamento dado ao tema da beleza feminina manifesta a A oscilação do poeta entre a angústia do pecador (tendo em vista sua educação jesuítica) e o impu- dor do libertino conjugação, na sensibilidade do poeta, de interes- se sexual e encantamento estético, expresso de modo provocador e bem-humorado. idealização da mulher a que chega o poeta quan- do, na velhice, arrefeceu-lhe o desejo sexual. d crítica ao caráter frívolo que, por associar-se ao consumo, o amor assume na contemporaneidade. E síntese, pela via do erotismo, das tendências euro- peizantes e nacionalistas do autor. 24 Unisc 2017 Leia atentamente o trecho do poema “Cantiguinha”, de Cecília Meireles, e analise as afirmativas a seguir. [...] Veio vindo a ventania, – te juro – as águas mudam seu brilho, quando o tempo anda inseguro Quando as águas escurecem, – te juro – todos os barcos se perdem, entre o passado e o futuro. São dois rios os meus olhos, – te juro – noite e dia correm, correm, mas não acho o que procuro. MEIRELES, Cecília Obra poética. 2 ed. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967. p. 120. I. A exaltação da natureza, observada nos versos de Cecília Meireles, permite afirmar que sua obra pertence à primeira geração do Romantismo bra- sileiro. II. Nos versos de Cecília Meireles, percebem-se o tom intimista e a reflexão sobre a condição huma- na, que se dá a partir da analogia entre o rio e as lágrimas do eu lírico. III A singeleza da linguagem, verificada nos versos, configura uma das principais características da obra de Cecília Meireles. Assinale a alternativa correta A Somente as afirmativas I e II estão corretas. Somente as afirmativas II e III estão corretas. Somente as afirmativas I e III estão corretas. d Nenhuma afirmativa está correta. E Todas as afirmativas estão corretas.