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FILOSOFIA Capítulo 12 Filosofia Contemporânea: tendência analítica 172 5 UEM 2011 “Dogmatikós, em grego, significa ‘o que se funda em princípios’, ou aquilo que é ‘relativo a uma doutrina’. Dog- matismo é a doutrina segundo a qual é possível atingir a certeza.” ARANHA, M. L. de A.; MARTINS, M. H. P. Filosofando: introdução à filosofia. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2003, p. 54. Sobre as diferentes formas de manifestação do dogmatismo, assinale o que for correto. 01 A metafísica tradicional, por acreditar que poderia progredir sem uma crítica da razão, foi considerada, por Imma- nuel Kant, dogmática. 02 Uma ciência opõe-se ao dogmatismo, quando ela se declara neutra e legitima suas descobertas, acreditando na infalibilidade de seu método. 04 As proposições do cálculo e da geometria são, para Kant, dogmáticas, pois são princípios reflexivos que unem a sensibilidade e o entendimento no juízo de gosto. 08 A escola jônica, ao procurar a arché na physis, produz uma nova forma de pensamento dogmático, pois todos os seus pensadores concordam que o universo tem a mesma origem. 16 A teoria das revoluções científicas, de Thomas Kuhn, e a teoria da falseabilidade, de Karl Popper, ao romperem com o cientificismo, afastam a ciência do dogmatismo. Soma: 6 UEM “(...) para Bachelard, a história das mudanças científicas é feita de descontinuidades (novas teorias, novos modelos, novas tecnologias que rompem com os antigos) mas também comporta continuidades, quando se considera que o novo foi suscitado pelo antigo e que parte deste é incorporado por aquele.” (CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 13ª ed., São Paulo: Ática, 2008, p. 223). Assinale o que for correto. 01 Para Bachelard, a ciência não pode admitir o erro, pois ele representa um obstáculo definitivo para o progresso da ciência. 02 A ciência, diz Bachelard, não pode ser questionada nos seus princípios e fundamentos, pois isso gera insegurança na pesquisa e conduz a razão a duvidar de si mesma. 04 Bachelard escreveu A Filosofia do Não, obra profundamente cética, na qual afirma que todo conhecimento é ilusório devido à impossibilidade de o homem poder alcançar uma verdade absoluta. 08 A ruptura epistemológica acontece, segundo Bachelard, quando um conjunto de métodos, de conceitos, de teo- rias, de instrumentos e de procedimentos não alcança os resultados esperados ou não dá conta dos problemas propostos. 16 Diversamente de Bachelard, Thomas Kuhn considera que a história da ciência é feita de descontinuidades e rupturas radicais que ele denomina de revolução científica. Soma: PV_2021_FIL_FU_CAP12.INDD / 14-09-2020 (20:32) / LEONEL.MANESKUL / PROVA FINAL CAPÍTULO Filosofia Contemporânea: tradição continental No século XX, a filosofia foi influenciada pelos problemas que as sociedades contemporâneas vivenciavam, entre eles, as guerras mundiais, as atrocidades e a vio- lência decorrentes dos regimes totalitários. Colocou-se em dúvida modelos racionais de progresso e o sistema capitalista, bem como as heranças do Iluminismo. O avanço técnico-científico não havia sido capaz de superar a exploração do trabalho e os prin- cípios da igualdade e da liberdade não evitaram a sobrevivência de regimes políticos antidemocráticos. As questões éticas tornaram-se o centro da reflexão. Neste capítulo vamos explorar como a filosofia continental, representada sobre- tudo pelos alemães e ingleses, lidou com esse contexto, baseando-se em uma visão comprometida com a experiência humana. G ra ng er , N YC . / A la m y / F ot oa re na Maio de 1968: protestos estudantis e de operários evoluíram para a maior greve de trabalhadores na França. FRENTE ÚNICA 13 PV_2021_FIL_FU_CAP13.INDD / 15-09-2020 (12:44) / LEONEL.MANESKUL / PROVA FINAL walter.tierno Sticky Note Marked set by walter.tierno walter.tierno Sticky Note Marked set by walter.tierno walter.tierno Sticky Note Marked set by walter.tierno FILOSOFIA Capítulo 13 Filosofia Contemporânea: tradição continental 174 O Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt ak g- im ag es /A lb um / / A lb um / Fo to ar en a Fig. 1 Theodor Adorno desenvolveu a teoria crítica com Max Horkheimer. Teoria Crítica e Escola de Frankfurt muitas vezes são tomadas como sinônimos, mas é necessário apontar suas diferenças. Considera-se Escola de Frankfurt uma verten- te de pesquisa social e da Filosofia surgida na Alemanha, na primeira metade do século XX, cujos pesquisadores eram filiados ao Instituto de Pesquisa Social, localizado em Frankfurt. A expressão “Escola de Frankfurt” referia-se à localização do instituto, mas os próprios frankfurtianos criaram outra expressão para designar sua tradição de pen- samento: Teoria Crítica. Essa teoria, orientada pelo pensamento marxista, propõe superar o ideal de imparcialidade da ciência na construção de “verdades”. Afinal, toda ciência é limitada pelo contexto em que está inserida e, portanto, possui uma visão parcial da realidade. Desse modo, somente uma in- vestigação sobre as condições sociopolíticas e econômicas da elaboração e da aplicação do conhecimento científico poderia resultar numa verdadeira mudança da realidade. Para criticar o pensamento científico, o conceito de ilustração foi reutilizado pelos teóricos críticos. Embora ti- vesse prometido libertar o homem do pensamento místico e mágico, o pensamento científico acabou por ocultar as contradições da ideologia burguesa. Para eles, o Iluminis- mo sofreu um efeito dialético, transformando-se em uma prisão ideológica. Os princípios fundamentais da Teoria Crítica podem ser resumidos da seguinte forma: 1. A teoria deve ter orientação para a emancipação. 2. A teoria não pode se limitar a descrever o mundo so- cial, mas perceber a diferença entre o real e o possível. Em face das turbulências políticas do momento, os filó- sofos da Escola de Frankfurt investigaram as razões pelas quais os indivíduos aceitaram a violência provocada pelos regimes autoritários e por que aderiram à sociedade de consumo e se recusaram a fazer, eles mesmos, uma re- volução social transformadora. Reduzido à categoria de empregado e consumidor, o indivíduo e a própria humani- dade subordinavam-se às condições que representam os interesses da ideologia dominante. No período em que viveram nos Estados Unidos, es- ses pensadores abandonam, aos poucos e parcialmente, o materialismo dialético de Marx, cujas análises econômicas eram muito valorizadas e adotam uma postura intelectual mais interdisciplinar, incorporando ferramentas de outras áreas, como a psicanálise, a sociologia e a arte a fim de explorar novos objetos de interesse: compreender os fenô- menos da mídia na formação da cultura e suas influências no modo de vida contemporâneo. Fig. 2 A TV e o cárcere: à noite, em pijamas, devoramos imagens que nos alimen- tam até que, finalmente, saciados, adormecemos. Em nossos sonhos, idênticos aos sonhos de qualquer um, nossos pijamas dão lugar a uniformes e percebemos estarmos na prisão. Envergonhados de não sermos capazes de enfrentar nossa perda de autonomia, fugimos novamente para a TV. A expressão indústria cultural foi definida e utiliza- da, pela primeira vez, por Adorno e Horkheimer na obra Dialética do esclarecimento (1947). Para os autores, falar simplesmente em “cultura de massa”, termo que já circulava na época, era empobrecedor para compreendê-lo. Isso porque, segundo os autores, havia um equívoco: as massas não produziam cultura alguma, elas eram em si o produto da indústria cultural. “Efeito dialético”, isto é, tornou-se seu contrário. Assim, o Iluminismo, que prometia libertar, acabou por aprisionar os indivíduos. Essa prisão é realizada, segundo Adorno e Horkheimer, por meio da indústria cultural. Atenção Para Adorno, a indústria cultural levou os indivíduos a negar seu papel transformador na história de modo que os ideais de igualdade, liberdade e racionalidade fica- ram esquecidos e deram brecha para o aparecimento de comportamentospadronizados. Nessa visão, a cultura de massas representa apenas os interesses dos proprietá- rios dos veículos de comunicação, ou seja, da ideologia PV_2021_FIL_FU_CAP13.INDD / 15-09-2020 (12:44) / LEONEL.MANESKUL / PROVA FINAL walter.tierno Sticky Note Marked set by walter.tierno walter.tierno Sticky Note Marked set by walter.tierno walter.tierno Sticky Note Marked set by walter.tierno walter.tierno Sticky Note Marked set by walter.tierno walter.tierno Sticky Note Marked set by walter.tierno walter.tierno Sticky Note Marked set by walter.tierno 13 Filosofia Contemporânea: tradição continental