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os deslocamentos e os encontros com outras massas de ar, fenômeno conhecido como frente Trata-se de um balanço
de forças entre as massas Aquela com maior intensidade, mais ativa, desloca a outra e altera as condições do tempo
meteorológico. Na frente fria, a massa de ar frio empurra o ar quente para cima, e, na frente quente, ocorre o inverso. Se
uma das massas é úmida, muitas vezes há ocorrência de chuvas As variações de intensidade, tamanho e área de atuação
variam ao longo do ano, de acordo com as estações, sobretudo o verão e o inverno
Continente frio Oceano quente
Massa de ar quente
Nevoeiro baixo
Continente quente Oceano frio
Nevoeiro baixo
Massa de ar quente
Fig. 10 A atuação da massa de ar quente atingindo superfícies frias geralmente
ocasiona chuviscos e nevoeiros.
Continente frio Oceano quente
Massa de ar frio
Continente quente Oceano frio
Massa de ar frio
Fig. 11 A chegada de massas de ar frias e úmidas a áreas quentes está associada
a fortes chuvas.
As massas de ar que atuam no Brasil
Quase todo o clima brasileiro é controlado, na maior parte do ano, pelas massas tropicais e equatoriais. Somente ao
sul do Trópico de Capricórnio a influência da massa polar é mais intensa.
As massas de ar que atuam no Brasil e suas principais características estão indicadas a seguir.
Brasil: massas de ar
Fonte: elaborado com base em GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográco do estudante. São Paulo: FTD, 2016. p. 62.
No mapa: Repare como as massas continentais perdem força sobre o território brasileiro no inverno,
fazendo com que a dinmica climática seja praticamente dominada pela influência do Oceano Atlntico.
Equador
50° O
0°
Trópico
de Capric
órnio
Equador
50° O
0°
Trópico
de Capric
órnio
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
PACÍFICO
mEc
mTa
mTc
mEc
mPa
mTa
mTc
0 940 km
N
0 940 km
N
Massas de ar
Equatorial atlântica
Equatorial continental
Tropical atlântica
Polar atlântica
Tropical continental
GEOGRAFIA Capítulo 5 Climatologia14
y Massa Equatorial continental (mEc): formada sobre
as terras baixas da Amazônia, é uma massa quente de
elevada umidade em razão dos muitos rios e da den-
sa vegetação presente na região. Por ser originada em
uma zona de baixas pressões, tem a tendência de per-
manecer o ano todo naquela área, porém, durante o
verão, acaba por se expandir em direção às regiões
Centro-Oeste e Sudeste, tendo, assim, forte influência
sobre estas, sobretudo transportando bastante umida-
de, sendo, por isso, apelidada de “rios voadores”.
Estão associadas à mEc a ocorrência de chuvas
convectivas típicas do verão das regiões Sudeste e
Centro-Oeste, e das nuvens do tipo cúmulos nimbos,
com grande formação vertical e responsáveis por in
tensas chuvas. Após a precipitação, essas nuvens se
dissipam e, sobretudo nas suas camadas superiores,
dão origem aos cirros, nuvens de grande altitude as-
sociadas ao tempo ensolarado.
y Massa Equatorial atlntica (mEa): forma-se ao nor-
te do Equador, próximo ao Arquipélago dos Açores,
sendo quente e úmida. Sua influência no território bra-
sileiro é limitada aos litorais da região Norte e da parte
setentrional do Nordeste (Maranhão, Piauí e Ceará).
Não consegue atingir o interior nordestino, a região
do semiárido, por causa do forte calor na região e da
formação de uma zona de alta pressão. É responsável
por altas temperaturas e ventos fortes e constantes
y Massa Tropical continental (mTc): é formada nas ter
ras baixas e quentes do centro da América do Sul, na
Depressão do Chaco e na Planície do Pantanal, sendo
quente e seca. No inverno, influencia a estiagem da
região central do Brasil.
Estações do ano no Brasil
No Hemisfério Sul, o verão abrange os meses de dezembro a março,
e o inverno, de junho a setembro Entretanto, em razão da localização
geográfica do Brasil e do predomínio de climas quentes em seu territó-
rio, as mudanças de estação nas regiões Norte e Centro-Oeste são, de
modo geral, mais diferenciadas pela presença ou pela ausência
de chuvas do que bruscas mudanças de temperatura (como acontece
no Sul do país) Assim, surgiu a designação popular e regional que
identifica os meses de verão como aqueles em que chove pouco
e os de inverno como aqueles em que chove mais, pois as chuvas
amenizam as fortes temperaturas. Portanto, nessas localidades do
Brasil, a população chama de inverno o que é astronomicamente
verão e de verão o que é astronomicamente inverno
Atenção
y Massa Tropical atlntica (mTa): é formada sobre o
Oceano Atlntico, entre os paralelos 20° e 30° sul, sen-
do, assim, uma massa quente e úmida. Apresenta fácil
penetração no continente sul-americano, no território
das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Muito atuante
ao longo da costa brasileira, está associada às chuvas
orográficas no litoral do Sudeste durante o verão.
No litoral brasileiro, sobretudo onde há formações
de relevo mais elevadas, como as escarpas da Serra
do Mar no Sudeste e o Planalto da Borborema no
Nordeste, a ação da mTa está associada à formação
de chuvas a barlavento, ou seja, às chuvas orográficas.
y Massa Polar atlntica (mPa): forma-se no Atlântico
Sul, próximo à região da Patagônia; portanto, é uma
massa fria e úmida. Tem forte influência sobre a região
Sul do Brasil durante o ano todo e em outras regiões
durante o inverno.
A mPa, ao ganhar força, avança sobre o território bra-
sileiro e, ao colidir com a mTa, sobretudo ao longo
do litoral do país, ocasiona as chuvas frontais, que
são menos intensas e mais duradouras e promovem
queda de temperatura.
Fig. 12 Durante o inverno, a mPa pode provocar precipitação de neve nas regiões
serranas do Sul e formação de geada no interior das regiões Sul e Sudeste, cau-
sando grandes prejuízos aos agricultores. Na foto, município de Urupema (SC),
em 2020.
Neve, granizo e geada
A neve ocorre quando a queda de temperatura é intensa e rápida,
fazendo com que o vapor de água em suspensão no ar passe direta-
mente do estado gasoso para o sólido (sublimação) e então precipite
em forma de flocos de neve.
Já o granizo são pedras de gelo formadas em nuvens carregadas,
como as cúmulos-nimbos, que se precipitam. Diferentemente da
neve, a formação do granizo decorre da solidificação da água em
estado líquido nas nuvens.
Por fim, a geada é a formação de cristais de gelo decorrente do
congelamento do orvalho, ou seja, a solidificação da água que se
depositou na vegetação, no solo e em outros objetos dispersos na
superfície terrestre. Ocorre nas localidades que apresentam noites e
madrugadas mais frias e úmidas, geralmente durante o inverno nas
regiões Sul e Sudeste e até parte do Centro-Oeste.
Atenção
A influência de cada tipo de massa de ar no território
brasileiro varia conforme a estação do ano, já que são di-
ferentemente potencializadas de acordo com o balanço
energético. Por exemplo, no verão, como a radiação solar é
maior no Hemisfério Sul, a mTa ganha força e domina gran-
de parte do território brasileiro, acontecendo o mesmo com
a mEa. Porém, durante o período de inverno, a radiação
solar diminui, assim como a força das massas tropicais e
equatoriais; a partir de então, sobra espaço para a atuação
da mPa, agora potencializada. Dessa dinâmica, formam-se
os climas brasileiros, que estudaremos adiante.
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Fenômeno da friagem
Fonte: elaborado com base em CPTEC. In: METEOROLOGIA CPTEC con-
rma fenômeno de friagem em Rondônia. Rondônia ao vivo, 24 abr. 2008. Disponível em:
https://rondoniaovivo.com/geral/noticia/2008/04/24/meteorologia cptec-conrma-fenomeno-
de-friagem-em-rondonia.html. Acesso em: 25 set. 2020.
No mapa: A friagem é a queda brusca de temperatura, geralmente asso
ciada a ventos intensos, provocada pelo avanço da mPa pelo Centro-Oeste
e até mesmo sobre a Amazônia. Dura cerca de três ou quatro dias.
Equador
50° O
0°
Trópico d
e Capricórnio
OCEANO
ATLÂNTICO
Tmáx. declínio
6 °C a 8 °C
Frio
Área afetada
pela friagemSentido
do vento0 980 km
N
Circulação atmosférica
As diferentes reações de cada área ou região do globo
terrestre em relação à radiação emitida pelo Sol em asso-
ciação com os movimentos da Terra têm impacto direto
na constante circulação da atmosfera. De modo geral, as
trocas de energia se dão pela movimentação horizontal
do ar aquecido das regiões equatorial e tropical para as
regiões polares e pelo movimento vertical entre o ar de
baixas e altas altitudes.
De acordo com a temperatura, a umidade e as forças do
movimento de rotação da Terra, são criadas zonas de alta
pressão (regiões frias, chamadas de áreas anticiclonais) e bai-
xa pressão (regiões quentes, chamadas de áreas ciclonais).
Um ciclone é caracterizado por apresentar menor pres-
são em seu centro; já o anticiclone é o oposto, com maior
pressão em sua área central. Aos ciclones está associada
a formação de nuvens e precipitações; e, aos anticiclones,
tempo estável e seco.
Ciclone
Alta pressão
(ar divergente)
Anticiclone
Fig. 13 Os ventos convergem e ascendem nas áreas ciclonais (centros de baixa
pressão) e descendem e divergem nas anticiclonais (centros de alta pressão).
O sentido dos movimentos dos ciclones e dos anticiclo
nes são contrários em um mesmo hemisfério (Norte e Sul).
E em razão da força de Coriolis, no Hemisfério Norte, o
ciclone apresenta sentido anti-horário, e o anticiclone senti
do horário; no Hemisfério Sul, ocorre o inverso, os ciclones
movimentam-se em sentido horário, e os anticiclones em
sentido anti-horário.
baixa
Ciclones
Circulação no
sentido anti-horário
Circulação no
sentido anti-horário
Hemisfério Norte
Ciclone e anticiclone
baixa
alta
alta
Anticiclones
Ciclones Anticiclones
Hemisfério Sul
Ciclone
Ciclone
Circulação no
sentido horário
Circulação no
sentido horário
Fig. 14 Nos ciclones, o ar em ascensão contribui para
a formação de nuvens e chuvas, e, nos anticlones, o ar
descendente dissipa as nuvens e promove estabilidade
do tempo. Perceba que os sentidos dos seus movimen-
tos são contrários em um mesmo hemisfério e inversos
entre os hemisférios Norte e Sul.

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